UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
AVM FACULDADE INTEGRADA
A Avaliação Institucional a serviço da Gestão Escolar
Por: Luciana Gomes da Costa Albuquerque
Orientador
Prof. Dr. Vilson Sérgio de Carvalho
Rio de Janeiro
2012
2
UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU
AVM FACULDADE INTEGRADA
A Avaliação Institucional a serviço da Gestão Escolar
Apresentação de monografia à AVM Faculdade
Integrada como requisito parcial para obtenção do
grau de especialista em Administração e Supervisão
Escolar.
Por: Luciana Gomes da Costa Albuquerque
3
AGRADECIMENTOS
Aos meus queridos irmãos da Igreja
Batista Memorial em Duque de Caxias
e à equipe do Colégio Batista Memorial
4
DEDICATÓRIA
Aos meus amados de todas as horas:
Beto, Lu e Pedro.
5
RESUMO
O presente trabalho trata da Avaliação Institucional como uma
ferramenta fundamental para a gestão escolar numa sociedade cada vez mais
complexa.
Para tanto foi necessário delimitarmos nosso campo conceitual a
partir do primeiro capítulo tratando do conceito de instituição social. Apesar de
apresentarmos algumas de suas definições, o trabalho se deterá no campo
conceitual da psicologia através da análise institucional de Lapassade.
Na segunda frente de trabalho, é abordado outro campo conceitual
fundamental para a abordagem pretendida de avaliação institucional: o
pensamento sistêmico e sua relação com a gestão. Faz-se um breve relato
histórico desse pensamento e seus principais pressupostos acerca desse olhar
que se pode ter sobre as instituições como dinâmicas, complexas e em
desenvolvimento. Em se tratando de um mundo complexo as instituições
precisam preparar fluxos que envolvam cada vez mais atores dessa
comunidade e suas experiências, a fim de enriquecer seu funcionamento,
No terceiro capítulo trata-se a questão da avaliação institucional e
sua relação com a gestão escolar. A avaliação institucional é apresentada
como um caminho atual de busca de qualidade no ensino oferecido pelas
instituições,devendo ser considerada na percepção do coletivo e tomada de
decisões, tornando-se assim uma importante ferramenta de gestão escolar.
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METODOLOGIA
A proposta e problemática apresentadas nesse trabalho surgem de
nossa prática, há dois anos, na gestão de um colégio particular confessional da
cidade de Duque de Caxias - RJ, período em que iniciamos um processo de
maior participação da comunidade escolar nas decisões da instituição e
avaliação democrática contínua desses processos. O caráter metodológico do
trabalho partindo dos problemas que surgiram dessa experiência volta-se para
a pesquisa teórica bibliográfica dos conceitos de instituição, análise
institucional, gestão e administração escolar participativa, pensamento
sistêmico, entre outros. Foram escolhidos alguns autores da Análise
Institucional, tais como José Bleger e Georges Lapassade, com relação ao
pensamento sistêmico e administração: Fritjof Capra, Bertalanffy e Chiavenato
e ainda autores que abordaram especificamente o conceito de Avaliação
Institucional como Heloísa Lück, Valéria Pereira Gonzaga e Marilza Vanessa
Rosa Suanno.
7
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
08
CAPÍTULO I - O Conceito de Instituição
11
CAPÍTULO II - O pensamento sistêmico
15
CAPÍTULO III – A avaliação institucional e gestão escolar
21
CONCLUSÃO
27
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
29
ÍNDICE
31
8
INTRODUÇÃO
“Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo”
“A vida sem reflexão não vale a pena ser vivida.”
Sócrates
Após um longo trabalho de análise das atividades dos trabalhadores
na Saúde Mental (Albuquerque, 2010) nossa prática profissional mostrou que
as atividades dos trabalhadores em qualquer gênero profissional, são
complexas e produtoras de novos conhecimentos. As atividades, para serem
observadas, necessitam de tempo e da participação dos sujeitos que as
executam e a partir dessa análise participativa das atividades descobre-se
muito acerca do trabalhador, suas dificuldades, o ambiente social onde se
executam, impedimentos, o que faz e o que não faz para que a atividade a ser
desenvolvida seja efetivamente executa, enfim, há um universo de escolhas em
jogo as quais muitas das vezes passam desapercebidas ou são ignoradas pelo
gestor.
Todo o aparato e produção subjetiva que envolve as atividades
daqueles que estão envolvidos na instituição escolar devem ser usados a favor
do crescimento e desenvolvimento da mesma. Nesse sentido, sistematizar
procedimentos de avaliação institucional permanentes e reflexivos ajudaria à
gestão escolar a identificar suas dificuldades, superá-las e desenvolver-se de
forma mais democrática e participativa?
O presente trabalho parte do pressuposto de que os processos de
avaliação institucional são sempre complexos e envolvem além de aspectos
técnicos, também conceitos do plano político, social e psicológico. Fazse,através dos conceitos apresentados, uma aposta nos mecanismos de
avaliação insti e a tucional, mesmo os mais informais, para a promoção de um
ambiente institucional mais democrático e participativo, fornecendo ferramentas
importantíssimas à gestão escolar mais saudável e produtiva.
O objetivo do trabalho é correlacionar teoricamente a importância
dos procedimentos de avaliação institucional nos processos de gestão escolar.
9
Quais seriam os pressupostos e princípios para a execução da avaliação
institucional? Haveria um procedimento padrão de avaliação institucional ou
esses instrumentos são mais eficientes quando construídos coletivamente e
com a possibilidade de serem revistos gradualmente a partir de diferentes
etapas?
Podemos entender que os procedimentos de Avaliação Institucional
devem ser construídos gradativamente de forma reflexiva e que fatalmente
promoverão a transformação da instituição, como afirma Lück (2012):
“A avaliação institucional se constitui em um processo
complexo, pluridimensional, tal como o é o processo
educacional que a escola promove. Em vista disso, ela é muito
mais do que a prática de coleta de dados e informações e
apresentação de relatórios correspondentes. Pressupõe uma
concepção que acompanha a opção educacional adotada pala
escola e a prática de métodos que correspondam a essa
concepção e sejam capazes de organizar e orientar a sua
operacionalização, bem como a análise e interpretação dos
dados, no conjunto das ações educacionais.” (LÜCK, 2012, p.
27)
Torna-se muito importante que se pense todo esse procedimento
numa postura bastante auto-crítica, sem dificuldades de se enxergar os
problemas e enfrentá-los, caso contrário, a partir do que foi dito acima,
corre-se o risco de se coletar dados, produzir relatórios aleatórios, rápidos e
superficiais, que fatalmente permaneceram em alguma gaveta empoeirada
sem no entanto ter afetado as práticas da instituição e renovado os
procedimentos
numa
direção
desenvolvimento institucional.
de
produção
de
conhecimento
e
10
CAPÍTULO I
O CONCEITO DE INSTITUIÇÃO
“Toda instituição conquista parte do tempo e do interesse de
seus participantes e lhes dá algo de um mundo; em resumo, toda
instituição tem tendências de ‘fechamento’” (GOFFMAN, 2007)
Diante da amplitude que o conceito de instituição dentro das ciências
sociais pode adquirir, a partir deste capítulo situaremos teoricamente tal
conceito, o que diretamente irá influenciar na posterior discussão do conceito
de avaliação institucional.
No campo das definições mais clássicas encontramos a de
BOUDON (1990) em seu Dicionário de Sociologia:
Instituição: ...Mais precisamente, uma instituição consiste num
conjunto complexo de valores, de normas e de usos partilhados
por um certo número de indivíduos [...] O termo "instituição"
conheceu uma fortuna ao mesmo tempo prolífica e caótica em
sociologia. Desde cerca de 1960, o uso estabilizou-se mais ou
menos à volta das concepções propostas pelo sociólogo
americano T. Parsons (1951).
Segundo ele, podemos definir como instituição todas as
atividades regidas por antecipações estáveis e recíprocas entre
os atores que entram em interação. Para tomar um exemplo
elementar, o espectador que fez fila para o cinema (forma
primitiva de instituição) ficaria evidentemente desconcertado se
a empregada da bilheteira lhe desse a sua opinião pessoal
sobre a qualidade do filme. Ambos sairiam do seu papel.
(Boudon, 1990,p.134)
Outros autores como Berger e Berger (1977) vão além das definições do
conceito atribuindo características comuns às mais diversas instituições.
Segundo esses autores elas teriam como essência a:
-Exterioridade – difeririam dos sentimentos, pensamentos, por seu caráter de
experiência externa ao indivíduo.
-Objetividade – por serem compartilhadas e admitidas por praticamente todos
os indivíduos do grupo social, são consideradas objetivamente reais.
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-Coercitividade – apesar de estarem em constante mudança, as instituições
sociais teriam certa força coercitiva, direcionando os indivíduos de acordo com
interesses coletivos que as reafirmem.
-Autonomia moral: a coerção não seria sua única forma de imposição, além
desta, as instituições também possuem autoridade moral reconhecida pelo
social, um “direito” legítimo que pode variar de uma para outra instituição.
-Historicidade: Praticamente todas as instituições são anteriores ao indivíduo e
se perpetuarão após sua morte, trazendo esse aspecto de acúmulo durante o
tempo e de pertencimento a vários outros sujeitos de diversos tempos
diferentes.
Outro aspecto a ser analisado com relação à definição de
instituição é tratado por Goffman (2007), a separação entre as instituições a
partir do seu nível de “fechamento” ou seu caráter total, destacando que
algumas são muito mais “fechadas” que outras. O autor classifica as
instituições totais em cinco grupos: 1) instituições criadas para cuidar de
pessoas a princípio consideradas incapazes e inofensivas, 2) locais criados
para pessoas sem condições de cuidar de si mesmas e que são consideradas
uma ameaça para a sociedade, 3) instituições criadas para proteger a
sociedade de indivíduos considerados como ameaça intencional, nesse caso o
bem estar destes não é considerada o principal problema, 4) instituições com o
intuito específico de realização de tarefa de trabalho (navios, mansões, etc.), 5)
locais de refúgio do mundo com fins religiosos ou não.
Apesar da classificação acima apresentada por Goffman, o autor assume que
diversas instituições consideradas não totais podem gradativamente torna-se
uma instituição fechada:
“Por exemplo, nossos grandes estabelecimentos
comerciais, industriais e educacionais cada vez mais
apresentam refeitórios e recursos de distração para seus
participantes; no entanto, o uso de tais recursos
ampliados é sob muitos aspectos voluntários, e há
cuidados especiais para que a linha comum de autoridade
não se estenda a eles. [...] O controle de muitas
necessidades humanas pela organização burocrática de
grupos completos de pessoas – seja ou não uma
necessidade ou meio eficiente de organização social nas
12
circunstâncias – é o fato básico das instituições totais.”
(GOFFMAN,2007,p 18)
Na descrição de Goffman, essas instituições gradativamente
existiriam com base numa divisão entre um grande grupo controlado, e uma
equipe de controle e supervisão, um existindo em função do outro. Porém,
nesse caso o poder de decisão do grupo controlado é gradativamente
extinguido, limitando-se a movimentações e atividades coletivas porém sem
poder participativo. Nessas instituições há também restrições na transmissão
de informações, principalmente no que se refere aos planos dos dirigentes em
relação ao grupo controlado.
Guardadas as devidas proporções, essas definições de instituições
totais e outras em vias de se tornarem cada vez mais fechadas, nos remetem a
relações de gestão e administração escolar onde os níveis de autoritarismo e
retenção do poder caminham numa via contrária do que se espera de qualquer
sistema educacional, que seja, desenvolver autonomia, crescimento intelectivo,
emocional e relacional.
Importa que haja, em qualquer instituição que promova o homem em
seus mais diversos aspectos, a constante preocupação em potencializar o
indivíduo colocando-o em contato com os mais diversos grupos produtores de
conhecimento e trocas.
1.1 – As Instituições segundo Georges Lapassade:
Dentro da psicologia, no campo da Análise Institucional, Lapassade,
segundo GUIRADO (2004) introduz novas considerações acerca da realidade
social, dividindo-a em três níveis:
1) Nível do grupo: entendendo grupo aqui como a base da vida cotidiana. A
instituição nesse nível marca-se nos horários, ritmos, normas, controles,
papéis, estatutos, assim nos submetemos a partir dos diversos grupos onde
vivemos (trabalho, família, escola, etc.) a uma rotina que prevê horas, os
comportamentos aceitos e os rejeitados, vivenciando-se o instituído num
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contato muito próximo, íntimo, sendo o grupo aquele que mediaria nossa
relação com a instituição. Lapassade chama esse de primeiro nível
institucional por esse caráter presente e cotidiano na vida do indivíduo.
2) Nível da organização: Aqui surgem os regimentos, regulamentos, em uma
escola, por exemplo, as diversas normas estabelecidas e suas respectivas
punições. Pode-se nesse nível estabelecer a relação sociedade civil e
Estado. Nesse nível Lapassade situa a burocracia, como instrumento já para
divisões de poder e relações autoritárias, seja no nível inspetor/aluno,
secretário de educação/professor, etc. E assim sendo, determinados grupos
ou indivíduos ficam excluídos da elaboração desses regimentos, leis,
prescrições,
seja
como
for.
“É
neste
nível
que
a
direção
dos
estabelecimentos, como uma universidade, por exemplo, representa o poder
central e está em relação direta com ele.” (GUIRADO, 2004, p.28)
3) Nível do Estado, a instituição em si. “É o estado, entendido como o conjunto
de leis que regem a conduta social, quem criva a organização e o grupo.”
(GUIRADO, 2004, p.29).
Considerando as divisões descritas acima, Lapassade acaba por
redefinir seu próprio conceito de instituição, a partir do momento em que
delimita em situações distintas os conceitos de instituição e instituído:
“instituição, nesta abordagem, é o conjunto do que está instituído e, enquanto
jurisdição e política, pauta toda e qualquer relação” (GUIRADO, 2004, p.29).
Lapassade depura o conceito de instituição, separando-o da
tendência do censo-comum em colar a palavra instituição ao prédio,
estabelecimento, organização, espaço físico. Na verdade, o termo instituição
não pode reduzir-se a esses aspectos materiais, ou distribuição hierárquica de
cargos na escola. O conceito de instituição é algo que se define no campo da
subjetividade, do complexo, do relacional e “está presente nas ações
aparentemente menos significativas e isso não nos é dado à consciência.”
(GUIRADO, 2004, p.29).
Enfocar o aspecto material organizacional da instituição incorreria no
erro de se fazer avaliação institucional apenas a partir de avaliações frias,
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matemáticas, puramente técnico no sentido de total distanciamento entre o que
se avalia e o avaliador. Objetivar melhores resultados, porém sem a
possibilidade de se rever relações de poder, métodos e procedimentos de
todos os grupos envolvidos no processo.
Nesse caso se poderia avaliar a instituição de ensino e como estaria
produzindo, porém sem avaliar tudo o que “sobredetermina” o tipo de relação
pedagógica ou postura dos profissionais.
Outra distinção importante estabelecida por Lapassade seria a
diferenciação entre “instituído e instituinte”:
“O primeiro significa o que está estabelecido; é o caráter
de fixidez e cristalização das formas de relação. O
segundo significa o movimento de criação: é a capacidade
de inventar novas formas de relação.”. (GUIRADO, 2004,
p.30).
Para Lapassade o instituinte é a garantia de possibilidade de
mudança, é o que move a instituição, e não se deve confundir os dois. Embora
em algum momento o instituinte passe a instituído, permanece como símbolo
da possibilidade do surgimento de novos instituintes que continuarão colocando
a instituição em movimento.
15
CAPÍTULO II
PENSAMENTO SISTÊMICO
“Se alguém se pusesse a analisar as noções correntes e os
slogans em moda encontraria bem no alto da lista a palavra
‘sistemas’”
(BERTALANFFY, 2008, p. 21)
Apesar de ainda tidas por muitos como uma corrente de pensamento
recente, a Teoria Geral dos Sistemas, pensamento sistêmico, paradigma
sistêmico, como se queira chamar, foi introduzida formalmente por Bertalanffy a
partir da década de 20, sendo seus primeiros enunciados entre os anos de
1925-1926,
nesse
momento
Bertalanffy
“advogava
uma
concepção
organísmica na biologia, que acentuasse a consideração do organismo como
totalidade ou sistema” (BERTALANFFY, 2008, p.32).
Bertalanffy, austríaco, nascido no início do século XX desenvolveu
seu trabalho científico nos Estados Unidos a partir dos estudos da biologia,
Apresentou suas idéias em um seminário de filosofia na Universidade de
Chicago em 1937, porém temeu ser entendido como um pensamento
presunçoso, o momento científico não lhe pareceu favorável, decidiu colocar
seus rascunhos na gaveta. Porém, após a guerra, Bertalanffy relata haver uma
mudança no clima intelectual acadêmico:
“Aconteceu então uma coisa interessante e surpreendente.
Verificou-se ter havido uma mudança no clima intelectual =,
que fez tornar-se moda u=a construção de modelos e as
generalizações abstratas. Mais ainda, um grande número de
cientistas tinha seguido linhas semelhantes de pensamento.
Assim, afinal, a Teoria Geral dos Sistemas não estava isolada,
não era uma idiosincrasia pessoal, como eu julgava, mas
correspondia a uma tendência do pensamento moderno.”
(BERTALANFFY, 2008, p.126)
Desde então o pensamento sistêmico foi desenvolvido por muitos
autores das mais diversas áreas do pensamento: cibernética, teoria da
informação, teoria dos jogos, teoria da decisão, topologia, ou matemática
relacional, análise fatorial, psicologia, comunicação, engenharia, etc...
16
De lá pra cá se pode observar o quanto o pensamento sistêmico
influenciou o desenvolvimento do pensamento humano, podemos apresentar
três dimensões, segundo Vasconcellos (AUN, 2006), que constituem a visão de
mundo sistêmica:
1Ver sistemicamente o mundo é ver e pensar a
complexidade do mundo. É ver e pensar as relações existentes
em todos os níveis da natureza e buscar sempre a
compreensão dos acontecimentos – sejam físicos, biológicos
ou sociais – em relação aos contextos em que ocorrem. É
reconhecer a complexidade organizada do universo.
2É também ver sempre o dinamismo das situações,
reconhecendo que o mundo está em “processo de tornar-se”, e
que isso leva a conviver com situações que não podemos
prever e com acontecimentos – físicos, biológicos e sociais,
cuja ocorrência não podemos controlar. Mas também é
acreditar nos recursos de auto-organização dos sistemas e
suas possibilidades de mudança e evolução.
3É ainda, reconhecer que não existe realidades objetivas:
vamos constituindo as realidades – físicas, biológicas e sociais
– à medida que interagimos com o mundo. Que enquanto – por
meio de nossas conversações – vamos definindo situações
como desejáveis, pessoas como deficientes, etc., enquanto vão
sendo constituídas, essas realidades vão se instalando. E ao
mesmo tempo em que se instalam, vão agindo também,
recursivamente, sobre nossas interações com essas situações
ou com essas pessoas. (AUN, 2006, p.77)
Esse paradigma pode estar presente na avaliação institucional em
vista da gestão escolar a partir do momento em que a escola deve ser pensada
como uma instituição complexa, suas relações devem estar constantemente
em foco, seja com a comunidade, entre seus funcionários, alunos, professores,
etc.
Enxergar a complexidade das relações implica ainda entender que
tudo está em movimento, que há uma dinâmica própria, que também deve ser
observada, sem, no entanto, deixar-se fechar num pensamento de que as
coisas permanecem como sempre foram. As mudanças, as rupturas, devem
estar conectadas com essa dinâmica da instituição e como o nadador que se
prevalece das correntes do mar, o gestor deve usá-las a seu favor a fim de
implantar os movimentos planejados.
O terceiro ponto da definição da visão sistêmica nos remete às
definições de instituído e instituinte vistas anteriormente. Apesar de estarmos
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diante de situações muitas vezes dadas há muito tempo e entendidas como
sólidas e imutáveis, sempre há nessas situações um fio que escapa, uma
possibilidade de algo novo ser instalado, ainda que muito discretamente, porém
que aos poucos fará com que todo o sistema seja visto de forma diferente.
Inevitavelmente os sistemas estão em movimento, ainda que algo nos pareça
ter chegado ao ponto ideal, ainda assim, novas possibilidades se colocarão
inevitavelmente, e esse movimento trará novas realidades a serem absorvidas
pelo sistema.
O pensamento sistêmico apresenta características básicas, segundo
Andrade (2006), dentre outras, gostaríamos de destacar algumas que
fundamentam nesse trabalho a construção conceitual acerca da avaliação e
gestão institucional:
1. DAS PARTES PARA O TODO: O pensamento sistêmico entende que o
todo é sempre mais que a soma das partes, pois nesse todo há um fator
crucial para todo o trabalho: as relações entre as partes e como uma
influencia no funcionamento da outra. O pensamento sistêmico rompe
com a lógica mecanicista linear dos especialismos, onde cada parte
deve ser analisada em partes menores de mais simples compreensão,
até que mapeio todo o procedimento encontrando-se o componente
indivisível a partir do qual todo o resto poderá ser entendido.
“O Pensamento Sistêmico busca reequilibrar as coisas,
passando a olhar no sentido contrário do reducionismo e do
atomismo, e dando maior ênfase ao todo do que à parte.”
(ANDRADE, 2006, p.43)
2. DOS OBJETOS PARA OS RELACIONAMENTOS: Seguindo a mesma
lógica da característica anterior, o pensamento sistêmico não se prende
às definições e aspectos dos objetos, mas enfoca os relacionamentos
entre estes.
“Em última análise, não há objetos, ou partes em absoluto, mas
padrões de relacionamentos mais ou menos estáveis.”
(ANDRADE, 2006, p. 44)
18
3. DAS HIERARQUIAS PARA AS REDES: Ao contrário do pensamento
analítico onde os objetos são decompostos hierarquicamente numa
escala que vai do maior para o menor, no pensamento sistêmico
percebe-se que apesar das diferentes distribuições de poder, há uma
ampla teia de relacionamentos, uma rede complexa, e que esta sempre
deve ser levada em conta para entendimento dos funcionamentos dos
objetos e do todo.
“Sistemas complexos aninhados dentro de sistemas complexos
nem sempre se limitam às fronteiras do sistema maior.
Indivíduos dentro de organizações são muito mais que partes
confinadas dentro de uma empresa. São sistemas complexos
em interação com vários sistemas em vários níveis. [...] A
capacidade de entendimento da realidade reside em deslocar a
atenção de um lado para o outro entre níveis sistêmicos, por
meio de uma ampla rede de relações do mundo vivo. Perceber
essa ampla teia traduz-se em utilizar um pensamento em rede.
(ANDRADE, 2006, p.45)
4. DA CAUSALIDADE LINEAR PARA A CIRCULARIDADE. Na realidade
científica do pensamento mecanicista foca-se o levantamento dos
dados para o reconhecimento de padrões, e daí para explicações das
causas dos fenômenos. Porém nas novas ciências, no paradigma
sistêmico, houve uma inversão, as relações circulares antes relegadas
a um segundo plano tomam o centro da atenção dos estudos por
levarem à compreensão do todo. Há a inclusão cada vez maior do
ambiente contextual para compreensão dos sistemas complexos.
“Por isso, o Pensamento Sistêmico, tende a buscar um
entendimento integral da realidade por meio dos fluxos
circulares, em vez de apenas por meio de relações lineares de
causa e efeito.
Tome como exemplo um sistema como um rio. Ele só existe e
se sustenta pela relação circular maior do ciclo das águas.”
(ANDRADE, 2006, p.45)
5. DA ESTRUTURA PARA O PROCESSO: Duas teorias são o
fundamento desse princípio: teoria da autopoiese, de Maturana e Varela
e teoria das estruturas dissipativas de Prigogine. São colocadas duas
mudanças essenciais no pensamento sistêmico: “a estrutura de um
sistema complexo é o influenciador fundamental dos seus processos”
19
(ANDRADE, 2006, p.45), mas essa estrutura não é o fator prédeterminante, “são os processos fundamentais que estabelecem
padrões de organização, e que acabam por se materializar em uma
estrutura” (ANDRADE, 2006, p.45). Nesse caminho, o foco de análise
torna-se o entendimento dos “processos subjacentes”, organizadores de
um padrão que produz uma estrutura materializada.
Esse princípio traz um novo olhar aos sistemas vivos e sociais, na
medida em que lhes dão a real perspectiva do quanto são dinâmicos,
suas estruturas são constantemente configuradas e reconfiguradas,
fazendo com que se mantenha e se desenvolva, são uma realidade
está em movimento.
6. DA METÁFORA MECÂNICA PARA A METÁFORA DO ORGANISMO
VIVO:
“O ‘sistema vivo’ tem se mostrado uma metáfora útil na
compreensão da nova ciência, Pois conceitos como contexto,
ambiente, relações, mutualidade, fluxos, fronteiras permeáveis,
processos, desenvolvimento e evolução são conceitos muito
mais próximos dos objetos de estudo da biologia e ecologia do
que das máquinas. A metáfora mecanicista para compreensão
e construção de organizações começa a dar sinais de
esgotamento quando vivemos em um mundo cada vez mais
interconectado, dinâmico e em mudança” (ANDRADE, 2006,
p.43)
A adoção de metáforas vai trazendo gradativamente novos
conceitos para dentro do pensamento sistêmico. Esse uso é muito rico
na construção desse paradigma, e assim sendo, na verdade não se
prende à metáfora apenas dos sistemas vivos, está aberto a muitas
outras que possam diante de um mundo tão complexo, desenvolver
uma forma de pensamento complexa, que multipliquem os pontos de
vista. Há abertura para conceitos da política, holografia, cultura, etc.
num posicionamento científico inclusivo e não excludente.
7. DA QUANTIDADE PARA A QUALIDADE: A partir do momento em que
se abandona a ênfase nos objetos e há uma concentração nos padrões
e nas formas, isso implica em sair da mensuração quantitativa para um
20
trabalho qualitativo de mapeamento e visualização. Isso se coloca pela
própria natureza do novo foco, os relacionamentos, formas, padrões,
que dificilmente são mensurados exigindo uma postura mais flexível e
analítica.
A apresentação do pensamento sistêmico nesta abordagem da
avaliação institucional fez-se necessário para demarcação do caráter de
avaliação institucional aqui apresentado. Não uma avaliação que produza
dados descontextualizados, linear, descritora de fluxos hierárquicos e relatórios
quantitativos.
Uma avaliação institucional efetiva deve ter uma visão global, ou
seja,
sistêmica.
Nenhum
dado,
observação,
seja
do
rendimento
de
funcionários, alunos, ou qualquer outro índice, pode ser pensado de forma
isolada e descontextualizada. Tudo deve ser tomado a partir de seu caráter
relacional, os elementos que afetam ou condicionam certos movimentos,
posicionamentos da estrutura da instituição. Como nos afirma LÜCK (2012):
“O planejamento sistêmico se constitui, portanto, em condição
de superação da lógica que fragmenta e isola elementos como
valores em si mesmos e adota uma perspectiva integradora,
que envolve os elementos da avaliação de forma interativa e
integrada em um todo que se altera em conjunto, na medida
em que cada uma das partes se altera.” (LÜCK, 2012, p.90)
Passemos então, a partir dos conceitos de instituição e pensamento
sistêmico já apresentados, à análise da relação entre avaliação institucional e
gestão escolar.
21
CAPÍTULO III
A AVALIAÇÃO INSTITUCIONAL E GESTÃO ESCOLAR
“É reconhecido que sem avaliação, não há condições para
promover a melhoria de gestão e qualidade do ensino, e que
esse processo é inerente e indissociável à gestão.” (LÜCK,
2012, p.24)
“Quem não se avalia não têm condições de se conhecer e
melhorar seus processos” (LÜCK, 2012, p.68)
A avaliação institucional é um processo que se integra ao
planejamento educacional como instrumento de gestão. Segundo Lück (2012)
a gestão escolar envolve três frentes básicas de organização do trabalho:
planejamento, monitoramento e avaliação, e estes estão intimamente
relacionados. Segundo a concepção sistêmica, as três frentes articulam-se
entre si e com outras funções da gestão, reforçando-se reciprocamente.
A avaliação, portanto deve fazer parte constante do processo. Não
se
pode
pensar
avaliação
institucional,
assim
como
avaliação
da
aprendizagem, como algo a ser executado ao fim de determinado período de
trabalho. Como se fosse, por exemplo, uma autopsia. A avaliação se dá no
processo, e faz parte do planejamento na medida em que fornece recursos
para que esse seja reformulado na busca de maior eficácia.
Outra questão fundamental é que se trata de “um processo interno,
configurado com padrões próprios da instituição, não tem caráter público e sem
propósito de comparação com outras instituições.” (SUANNO, 2002, p.1). A
própria construção das etapas e procedimentos a serem adotados pra a
Avaliação Institucional, em si, se tornam o início do processo, pois se faz
necessário
encontrar
possibilidades
próprias
inerentes
ao
ambiente
institucional que propiciem a análise, o que já é um processo avaliativo em si.
Como afirma LÜCK (2012):
“Quando os atores de um processo avaliam seu próprio
trabalho, por esse mesmo processo, já desenvolvem novas
idéias de melhoria e respectivo compromisso com esse
resultado.” (LÜCK, 2012, p. 68)
22
Dada a natureza do trabalho, seus aspectos ideológicos e políticos,
frequentemente a avaliação institucional está fortemente relacionada a modelos
de gestão democrática e participativa, onde a opinião de todos é considerada e
promovida.¨
LÜCK (2012) apresenta alguns pressupostos importantes para
orientar a avaliação institucional da escola, são eles:
•
•
•
•
•
•
Os seres humanos que participam de uma organização escolar
são capazes de, conscientemente, participarem na
transformação de suas práticas e da organização escolar,
mediante o desenvolvimento de visão crítica sobre seu
desempenho e seu papel no conjunto de práticas escolares.
A viabilização da gestão autodeterminada, promotora da
construção
da
autonomia
escolar,
assenta-se
no
desenvolvimento da capacidade da escola de se autoavaliar e
de assumir iniciativas orientadoras das dimensões e aspectos
em que melhorias são necessárias.
A avaliação oferece pistas do que funciona e precisa ser
reforçado e melhorado e do que não funciona ou apresenta
limitações e precisa ser modificado ou substituído.
Qualquer decisão sobre mudança só se torna efetiva quando
fundamentada no conhecimento objetivo das condições que
caracterizam e sustentam as situações a serem mudadas e os
efeitos que as mesmas promovem.
A avaliação é a melhor estratégia para induzir o aprimoramento
dos processos de planejamento educacional, de gestão da sua
implementação, orientação da capacitação profissional em
serviço da melhoria da qualidade do ensino.
A competência da escola somente se desenvolve a partir de
um processo contínuo de auto-avaliação e reformulação de seu
trabalho baseada em percepção crítica do mesmo.
3.1 – Avaliação Institucional e qualidade do ensino:
“A avaliação é um processo que qualifica a educação, como
também os serviços prestados pela instituição” (Gadotti, 1999,
p.1)
Apesar de poder ser distorcidamente tomada como instrumento
repressivo, controlador e autoritário, a avaliação institucional, em última
instância visa o crescimento profissional de todos os envolvidos na instituição.
Deve-se com ela promover um ambiente privilegiado de diálogo e melhoria da
qualidade do trabalho. O objetivo é “formar um profissional consciente de seu
papel na sociedade, responsável ética e socialmente” (AFFONSO, 2009, p.
23
122) visando com isso um processo de aprendizagem ao mesmo tempo
profissional e humanístico.
Cabe também destacar que tanto a gestão como a avaliação
institucional estão a serviço, são meios apenas, para se garantir a qualidade
das ações educacionais.
Atualmente, várias instituições de ensino superior têm sistematizado
procedimentos de avaliação seja dos cursos, professores, ou da própria
instituição. O presente curso de pós-graduação mantém em seu site oficial,
obrigatoriamente a necessidade de que todos os alunos avaliem cada
professor ao final das disciplinas. Podemos ver tal iniciativa como parte de seu
processo auto-avaliativo e interesse em manter e aperfeiçoar a qualidade do
ensino por ela oferecido. Gradativamente, apesar de ainda encontrar muitas
resistências,a questão da avaliação institucional está em processo de
passagem de instituinte para instituído.
Levando-se em consideração o projeto pedagógico como processo
que fundamenta os objetivos educacionais que se deseja em cada instituição
de ensino, a natural conseqüência é que este se torne “uma ferramenta
essencial da gestão da qualidade dos processos educativos” (AFFONSO,
2009, p.120), devendo o processo de avaliação fazer parte integrante do
processo de planejamento, e consequentemente, manutenção da qualidade.
3.2- Avaliação Institucional e a tomada de decisões:
O processo de avaliação institucional propicia subsídios à gestão
para os diversos momentos de tomada de decisão.
Nas instituições todos os indivíduos, o tempo todo tomam decisões,
fazem escolhas, entre duas ou mais alternativas. A tomada de decisões é,
portanto um momento importantíssimo para as organizações.
A questão da tomada de decisões está diretamente relacionada à
percepção que se tem dos indivíduos e seus relacionamentos. Porém nossa
percepção pode ser influenciada e distorcida pelos mais diversos fatores.
Podemos definir percepção como:
24
“Processo pelo qual os indivíduos organizam e
interpretam suas impressões sensoriais com a finalidade
de dar sentido ao seu meio.” (STEPHEN, 2010, p. 159)
Quando percebemos qualquer pessoa ou situações tendemos a
atribuir a estas significados e valores baseados em nossas crenças, nossas
experiências anteriores, nossa percepção e julgamento, portanto, serão
profundamente influenciados pelas suposições que fazemos.
Outro aspecto importante na percepção é o de que ela tende a ser
seletiva, interpretamos seletivamente o que vemos, com base nos nossos
próprios interesses, experiências anteriores e atitudes.
Há uma profunda ligação entre avaliação, percepção, tomada de
decisão e gestão. As quatro se influenciam mutuamente. Daí considerarmos
que se nossa avaliação estiver baseada num número maior de percepções
acerca de uma mesma situação, tanto maior será a riqueza dessa avaliação e
mais isenta poderá se tornar a decisão.
É importante observar que a participação dos atores da instituição
nas mudanças e planejamento, implica na manutenção de um sentimento de
responsabilizar-se pela ação, implicando-se fortemente esses atores com a
questão dos resultados, como afirma LÜCK:
“A avaliação institucional, por sua abrangência, é um processo
coletivo e participativo dos atores escolares e, por isso, é
gerador do espírito de autorresponsabilização pela relação
entre ações e seus resultados.” (LÜCK, 2012, p.68)
É crucial que quando as decisões estão inseridas em um processo
coletivo e participativo, fica a gestão, mais confortável nas situações em que
determinadas decisões precisam ser revistas, retomadas. Nesses casos o
próprio grupo pode vir a discutir o que ficou de lição a partir da decisão anterior
e suas conseqüências para o coletivo.
3.3 – A Operacionalização do processo avaliativo institucional:
Segundo GONZAGA(2007), a operacionalização dos processos de
avaliação institucional pode ser dividida em três grandes etapas:
25
•
Etapa de preparação: É preciso haver uma preocupação de
como o tema será introduzido à instituição, se através do relato de
experiências bem sucedidas, enfim, é um momento crucial para o
desenvolvimento do trabalho que essa apresentação seja
estrategicamente pensada. Forma-se então um grupo de trabalho
dentro da organização, discute-se as possibilidades e propostas
de avaliação. O projeto então passa a ser apresentado e discutido
pelos mais diversos setores da organização a partir do que podese definir melhor seu funcionamento.
•
Etapa da implementação: Nesse momento se discute a fim de
elaborar instrumentos e métodos de coleta de dados. Como dito
anteriormente não há fórmula pronta para esse processo, cada
instituição deve encontrar métodos que se adéquem à sua
realidade
e
objetivos.
Os
dados
então
são
apurados,
organizados, analisados e socializados a todos os segmentos da
organização. Essa apresentação pode inclusive ser feita a partir
das mudanças necessárias na instituição, caso hajam.
•
Etapa de sistematização: O processo então é revisto, ajustes
são propostos, implementados e novamente o processo deve
retroagir. Há quem prefira produzir um relatório final avaliativo,
mas como dito acima, a implementação de mudanças que se
constituam num desenvolvimento da instituição são uma eficiente
forma de apresentação dos resultados.
Proponho que nesta terceira etapa a instituição elabore mecanismos
de manutenção do processo avaliativo e de constante reavaliação do mesmo.
A avaliação institucional precisa se manter como um processo, as instituições
caminham e avaliam, avaliam e caminham, são ações que se dão juntas e se
retroalimentam.
Todo o processo descrito exige competência técnica especial, que
podem ser desenvolvidas pela leitura que abordem não somente os
fundamentos, métodos e instrumentos avaliativos, mas os efeitos dessa
26
avaliação e os mais diversos contextos onde foi aplicada. “Deve-se também
cuidar para que a própria prática seja realizada como uma escola de
aprendizagem e desenvolvimento de competências”(LÜCK, 2012, p.130,
associando-se assim teoria e prática no desenvolvimento dessa competência,
visto que a prática avaliativa “envolve não apenas a sua dimensão técnica,
como também as dimensões humana e política, uma vez que a avaliação
interfere em relações de poder, altera zonas de conforto e segurança.”
(LÜCK, 2012, p.130).
27
CONCLUSÃO
Como dissemos em nossa proposta metodológica, a proposta
apresentada por este trabalho nasceu dentro outras influências, em grande
parte de nossa experiência em participar da gestão do Colégio Batista
Memorial.
Nesse período de dois anos, iniciamos justamente nosso trabalho
acompanhando uma encomenda de avaliação da instituição por um consultor
externo muito experiente. Este ao chegar à escola, ao invés de solicitar
números,
documentos
e
relatórios,
preferiu
circular
pela
instituição
conversando e ouvindo todos que encontrasse. A partir do que retornou aos
que lhe solicitaram a avaliação analisando tudo o que observou, considerando
lhe foi dito pela equipe.
A partir de então iniciamos um processo de constantes encontros
com a equipe de coordenação pedagógica e administrativa, a fim de traçarmos
os novos rumos do trabalho de gestão.
Esse processo gradativamente foi envolvendo todos os participantes
da comunidade escolar, através de mecanismos de auto-avaliação formais e
informais que foram implantados na instituição.
Com relação aos instrumentos formais, criou-se para os alunos um
formulário bimestral, aplicado ao final de cada bimestre, em momento exclusivo
para análise e reflexão tanto de seu desempenho quanto dos fatores que
entendem ter influenciado esse desempenho. Estimula-se com isso que a
crítica seja madura e busque a melhoria de nossos resultados.
Através desse momento os alunos perceberam que podiam
influenciar diretamente o ambiente escolar em que passavam grande parte de
seus dias. Mudanças foram feitas a partir de críticas e sugestões maduras e
que tinham apoio da maioria.
Com relação aos responsáveis, também foi criado instrumento
próprio para expressar a visão que fazem da instituição, elogios, críticas e se
indicariam o colégio a outros amigos e familiares. Também obtivemos
28
excelente retorno dessa iniciativa, a maioria demonstrou que estava
interessada em participar e fornecer sugestões.
O aperfeiçoamento do site do colégio foi mais um instrumento
importante de participação, com ele mantém-se um meio de contanto aberto
entre a comunidade externa e o colégio.
Com relação aos funcionários passamos a aproveitar nossos
momentos de planejamento e convivência para estimular a prática da análise e
observação de nossos problemas e busca de soluções coletivas. A opinião do
grupo é valorizada e a partir dela as decisões são tomadas.
O colégio mantém em seu quadro um profissional de psicologia
institucional que também participa da gestão, a fim de ouvir as sugestões,
manter e estimular a avaliação por parte dos funcionários de como estamos
funcionando em nosso dia a dia na instituição.
Podemos observar em campo, ainda que não através de uma
pesquisa mais formal, os conceitos aqui apresentados. No dia a dia de toda
instituição os aspectos políticos, sociais, psicológicos, relacionais, não podem
ser subjugados a um segundo plano quando se trata de gestão escolar.
Concluímos que a construção de mecanismos de avaliação
institucional (repito, mesmo os mais informais, mas nem por isso menos
técnico) pode promover um ambiente institucional mais democrático e
participativo. Uma gestão escolar saudável e produtiva busca garantir seu o
objetivo maior de desenvolvimento da qualidade nos processos de ensino
aprendizagem, promovendo assim a excelência educacional que tanto
almejamos.
29
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Anuário da Produção Acadêmica Docente, Vol. III, nº 6, ano 2009 – Programa
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mudança sustentada nas organizações e na sociedade, Porto Alegra:
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LÜCK, Heloísa, A gestão participativa ns escola/ Heloísa Lück. 6ª ed.
Petrópolis, RJ: Vozes, 2010. Série Cadernos de Gestão
30
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Acesso em 12/03/2012
http://www.lcqribeiro.pro.br/wp-content/uploads/2011/03/O-que-%C3%A9-umainstituicao-social-Berger-e-Berger1.pdf O que é uma Instituição social? Autores: Peter
L. Berger e Brigitte Berger
31
ÍNDICE
FOLHA DE ROSTO
2
AGRADECIMENTO
3
DEDICATÓRIA
4
RESUMO
5
METODOLOGIA
6
SUMÁRIO
7
INTRODUÇÃO
8
CAPÍTULO I
O Conceito de Instituição
10
1.1 – As Instituições segundo Georges Lapassade
12
CAPÍTULO II
O Pensamento Sistêmico
15
CAPÍTULO III
Avaliação Institucional e Gestão Escolar
21
3.1 – Avaliação Institucional e qualidade do ensino
22
3.2 - Avaliação Institucional e a tomada de decisões
23
3.3 – A Operacionalização do processo avaliativo institucional
24
CONCLUSÃO
27
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
29
ÍNDICE
31
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