A R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O S U L - M AT O - G R O S S E N S E Prlmeira edição com distribuição gratuita. Próximas edições - R$9,50 AGO/SET 2013 01 Nº 01 | ANO 01 Panorama Shopping A chegada de um grande empreendimento consolida a expansão dos negócios para a região norte de Campo Grande Especial Mercado Imobiliário Crescimento e verticalização do Estado contam com novos grupos investidores Turismo 114 anos Revista Negócios MS mostra pesquisa exclusiva sobre o perfil do turista que vem à capital UEZE ZAHRAN Toque de Midas Como o empresário de Mato Grosso do Sul venceu obstáculos e se tornou um ícone de sucesso no mundo dos negócios Moda Exóticos e Regionais Botas, bijuterias e bolsas feitas de matéria-prima inovadora ganham o mercado nacional SUMÁRIO Entrevista 50 Ueze Zahran, empresário sul-mato-grossense, conta como deu início a uma das maiores companhias de gás do Brasil. Agronegócios 10 International Paper. Como a maior empresa de papel não revestido do mundo vem proporcionando o desenvolvimento social e econômico de preendimento que traz mais de 50% de Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do empresários da terra. Sul. Especial 16 Panorama 36 Expansão comercial. O Shopping Bosque dos Ipês chega à região norte da capital do Estado com em- Mercado Imobiliário. Crescimento urbano de Campo Grande se reflete no ramo de venda de imóveis. Gestão 26 Investir para crescer. Qual o melhor financiamento quando se fala em negócios? Saiba quais são as taxas e os prazos oferecidos pelo mercado. Nicho 44 Já foi a época em que padaria era só para comprar pão e leite. Agora elas ampliaram espaço e se tornaram ponto de encontro de consumidores. Carreira 58 Além de salários altos, especialistas em Recursos Humanos orientam a optar por empregos com Plano de Cargos e Carreira. Gastronomia 84 Parrilla. Sabor argentino em terras pantaneiras. Franquia 62 Franquias que nasceram em Campo Grande, como a Multicoisas (uma das maiores do país), estão em constante expansão. Conheça negócios que buscam sempre a conquista de novos mercados. Tendência Negócios da moda 79 Em Mato Grosso do Sul também se faz moda e bem diferente. O chifre do boi, sacolas de malote e couro de animais exóticos se tornaram matéria-prima para peças bem regionais. E tem empresário que já está exportando a produção. Turismo 89 No mês de aniversário da capital, pesquisa exclusiva da Fecomércio mostra o perfil do turista que visita Campo Grande. Conheça ainda os pontos turísticos que você pode visitar na cidade morena. Terceiro setor 70 Comércio 24 horas. Você acha que funciona em Campo Grande? O público acredita que sim, mas os empresários pontuam vários entraves, 93 A Associação dos Amigos das Crianças com Câncer (AACC) vem driblando dificuldades financeiras com atitudes empresariais. como a falta de transporte público na Doações foram transformadas em madrugada. empreendimentos. Política econômica Agenda 74 Adimplência. O comércio pode comemorar. Números mostram que consumidor do Estado é, culturalmente, bom pagador. A taxa de inadimplência é uma das menores do país. 98 Cursos, palestras e capacitações. Dicas para o empresário adquirir conhecimento, buscar novas ferramentas e se manter atualizado no mundo dos negócios. 6 | Agosto/ Setembro 2013 body seter a Primavera - Verão 2013/2014 EDITORIAL Iraaaado! Um novo Eu sou a Princesa do PAPAI! tempo body seter a Na primeira vez que cheguei em Campo Grande, percebi que Já tomo Tereré! body seter a faltava alguma coisa na cidade e, ao mesmo tempo, entendi que esse lugar gritava por crescimento. E eu estava certa já que, depois de sete anos, muita coisa mudou. Shoppings surgindo, o varejo ex- Sou Massa! body seter a pandindo com lojas vindas de todo Brasil, indústrias mudando seus polos para o Estado. Era a hora de um veículo apresentar todo esse desenvolvimento, e mostrar para o empresariado local que podemos evoluir e aparecer muito mais e por todo o país. A Revista Negócios MS é a escada, a vitrine para mostrar que somos uma economia em crescimento, um Estado em ascensão, louco por novidades. Como faremos isso? Deixaremos você, leitor, com informações, body seter a estudos, histórias de sucesso e números sobre o que está acontecendo. Para quem já é familiarizado com revistas de negócios, agora vai se manter também atualizado sobre o Estado em que mora. Nossa equipe é focada em jornalismo sério, com qualidade e credibilidade. Para a primeira edição, fizemos mais de 50 entrevistas presenciais e fomos até São Paulo para conversar com nosso entrevistado de capa, Ueze Zahran, um dos empresários mais bem sucedidos do Estado. Contaremos outras histórias extraordinárias de sucesso, como a de Lindolfo Martin, proprietário da rede de franquias Multicoisas, outro exemplo de quanto é possível um empresário local ter sucesso nacional. Enfim, vamos mostrar para que viemos e con- Em parceria com a Doce Encanto Baby estamos com uma linha de bodies super irados. Podendo ser também personalizados por você! Aproveite! tamos com você, leitor, para dar sugestões de temas, críticas e também elogiar, para que em breve nosso editorial conte com a carta dos leitores. Aos poucos, vamos crescendo e conquistando o Centro-Oeste e o Brasil. O objetivo de toda a equipe da Editora Toque de Midas é que essa publicação seja a principal leitura do sul-mato-grossense. Hoje começamos devagar, bimestral, mas vamos caminhar para periodicidade mensal e, logo logo semanal, já pensou? Boa Leitura, Abraços, Onde encontrar: Sabrina Mestieri Nakao Publisher ? Fone: (67) 3305-0566 Facebook: doceencantobabys bodyseteria.com.br H AGO/SET 2013 Nº 01 | ANO 01 EDITORA RESPONSÁVEL Editora Toque de Midas LTDA - ME Sede Campo Grande MS Rua Jeribá, 325 sala 36/37 Chácara Cachoeira 79040-120 Tel: 67. 3305 1141 Publisher Jornalista Responsável Sabrina Mestieri Nakao [email protected] Diretor Executivo Leonardo Higa Nakao Edição de Arte Lorraine Mongelli de Castro [email protected] Editora-Chefe Fernanda Nascimento Prochmann [email protected] Repórter Súzan Benites [email protected] Cláudia Ferreira [email protected] Repórter Junior João Marcelo Sanches [email protected] Colaboradora Neiba Ota Fotógrafo Paulo Oliver Oliver Foto e Vídeo | 67 9110 5344 Fotografia Capa Luciana Serra Comercial Sede São Paulo | 11 2574 2028 Sérgio Onofrio | 11 9 8412 8260 [email protected] Assinaturas Ana Rita Galdi | 11 2574 2028 [email protected] [email protected] Sede Campo Grande | 3213 1141 Rodrigo Perez | 67 9984 5544 Tânia Prócida | 67 9996 9758 [email protected] Secretária Administrativa Débora Carneiro [email protected] Distribuição: Campo Grande, Corumbá, Dourados e Três Lagoas Tiragem: 20.000 exemplares Produção Gráfica: Posigraf Projeto Gráfico: Agência Soma 360 Responsável: Silvio Marães Selo FSC n.º 2 8 | Agosto/ Setembro 2013 EDITORIAL Carta da EDITORA Tenho orgulho em dizer que tenho 36 anos e, destes, mais de 18 dedicados ao jornalismo. Durante esse tempo, acompanhei de perto a expansão da cidade. Crescimento que a Revista Negócios MS mostra a partir de agora. Na nossa estreia, a Entrevista é com o empresário Ueze Zahran, ícone do empreendedorismo no Estado. A Gastronomia traz a carne sul-mato-grossense com as particularidades do corte argentino. A Moda, ao estilo pantaneiro, mostra que em terra de peão, a bota é de lagarto e o brinco, de chifre. O Agronegócios evidencia a sustentabilidade da International Paper em Três Lagoas. E em Panorama, o crescimento do comércio com a instalação do Shopping Bosque dos Ipês. Em Franquias, empresas que aqui nasceram e hoje expandem os negócios pelo Brasil. No mês de aniversário da capital, Turismo traz pesquisa exclusiva sobre o perfil do turista que vem à cidade e Nichos, a nova cara das padarias. Também tem Tendências - comércio 24 horas, Terceiro Setor – ‘ong’s empresariais’ e boas notícias para animar o consumo. Em Política Econômica, a adimplência é destaque. Em Campo Grande, quem deve, paga. E ainda: o bom momento do mercado imobiliário. Tudo isso você encontra aqui, na Negócios MS. Uma leitura agradável, informativa e esperamos que seja inspiradora para ótimos negócios. Aproveite. Fernanda Nascimento Prochmann Editora-chefe E Q U I P E D E S T A E D I Ç Ã O Súzan Benites Repórter Formada em 2010 pela UFMS, a jornalista está empolgada com o desafio de atuar nesse novo segmento da comunicação. Empenho, dedicação e profissionalismo não vão faltar à nossa repórter. Cláudia Ferreira Repórter Ela vive e respira jornalismo há mais de 10 anos. Atuou como assessora, produtora, editora e hoje, repórter. Cláudia terá a missão de retratar histórias de sucesso de empresários do Estado. João Marcelo Sanches Repórter Júnior Acadêmico de Jornalismo na UFMS, vê na Revista Negócios MS uma oportunidade de escrever sobre novos assuntos e ampliar seus conhecimentos em diferentes editorias. Lorraine Mongelli Diagramação A nossa "maga"do papel mostra talento e criatividade em cada página. Na revista, as ideias são desenhadas e ganham detalhes nos textos de negócios, deixando a leitura mais agradável. Débora Carneiro Secretária administrativa Não tem como fazer revista sem uma secretária. E essa é “das boas”. Nossa “agenda ambulante” nos lembra das entrevistas e dos deadlines com competência e simpatia. Paulo Oliver Fotógrafo Nascido em Dracena – SP, trocou as aulas de medicina pela fotografia. Com olhar sempre atento, procura detalhes e espontaneidade. Especializado em fotos de casamento, hoje expande seus horizontes para o jornalismo. Agosto/ Setembro 2013 | 9 Agronegócios O papel do papel um exemplo Instalada em Mato Grosso do Sul, a fábrica da International Paper em Três Lagoas é a primeira a ser construída fora dos Estados Unidos, onde nasceu. A companhia, presente em mais de 24 países e líder mundial na produção de papel não transformando o município em um dos que mais crescem no Brasil. Para a construção da primeira fábrica da International Paper (IP) fora dos Estados Unidos, a empresa investiu US$300 milhões. A unidade de papel com capacidade de produzir originalmente 200 mil toneladas por ano, superou as expectativas, atingindo 230 mil toneladas em 2012. E essa grandiosidade nos números não para por aí. revestido, proporcionou crescimento e impulsionou a economia da cidade. No mesmo ano o faturamento mundial foi de US$28 Não é de hoje que a região do Bolsão, leste de A história entre a maior empresa de fabricação Mato Grosso do Sul, é notícia quando se fala em de papel não revestido (para imprimir e escrever desenvolvimento. Em Três Lagoas, a 337 km de e de embalagens) do mundo e Três Lagoas é Campo Grande, um investimento milionário está antiga. A instalação da International Paper no 10 | Agosto/ Setembro 2013 bilhões. No Brasil, a soma chegou a US$1.130 bilhão. de economia sustentável por Fernanda Nascimento Prochmann Divulgação [email protected] Estado começou na década de 80, quando foram privilegiem a compra de bens e serviços produzidos adquiridas as primeiras florestas de eucalipto. no próprio Estado”, afirma Marcelo Nale, gerente Estudos apontaram o município como aquele com geral da fábrica da IP em Três Lagoas. melhores condições de localização geográfica, Com o anúncio do Plano de Transformação Glo- custo de produção, logística (com três modais bal da International Paper, em 2005, a ideia de cons- – hidrovia, ferrovia e rodovia) e possibilidade de truir uma fábrica na cidade se fortaleceu. Em 2006, ampliações. “Sempre apostamos em Mato Grosso a IP vende o projeto da fábrica de celulose e toda do Sul e, desde o princípio, temos contribuído com o a área florestal para a Fibria (hoje a Fibria vende a desenvolvimento econômico, social e ambiental da celulose para que a IP produza papel na fábrica em região. Seja por meio de ações de responsabilidade Três Lagoas). Para a instalação, o Governo do Esta- social, o do concedeu benefícios fiscais e a Prefeitura de Três consumidor não está simplesmente comprando Lagoas isentou a empresa de pagar o ISS durante a papel, mas cumprindo uma meta de preservação do construção. A área já era de propriedade da IP. certificações que garantam que meio ambiente, seja por políticas econômicas que Em operação desde 2009 no Estado, hoje a IP Agosto/ Setembro 2013 | 11 gera 210 empregos diretos e mais de 100 indiretos, sendo que 80% da mão-de-obra é local. Em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), foram desenvolvidos cursos de qualificação profissional. “Hoje, na nossa fábrica de Três Lagoas, 25% dos profissionais possuem ensino médio, 25% nível técnico, 24% graduação e 26% pós-graduação”, diz Marcelo. importância da instalação da fábrica. “Com o investimento, os olhares focaram Três Lagoas e o novo processo de desenvolvimento que iríamos passar. Assim, hotéis, restaurantes, condomínios e loteamentos começaram a ser executados em nossa cidade. Somente a IP construiu aproximadamente 170 casas para seus colaboradores”, diz. Divulgação A prefeita da cidade, Márcia Moura, ressalta a A IP desenvolve projetos com adolescentes, de conscientização ambiental e desenvolvimento sustentável Sociedade Consciente Para a administradora, a vinda da International Paper evidencia o potencial de Três Lagoas A entidade promove projetos com foco como polo industrial do Estado, agregando um educacional e socioambiental para crianças e investimento em torno de R$24 bilhões nos últi- adolescentes na região das suas fábricas. O mais recente é o Natureza mos 12 anos. Além disso, a fábrica trouxe investimentos em Pilares da International Paper e Corpo, em parceria com a Secreta- projetos socioambientais, ria de Educação de por meio do Instituto Três Lagoas. A ideia International Paper (IIP), é transformar jovens criado em 2007. A IP em foca a sustentabilidade de boas práticas de a partir de três pilares: econômico, social e Econômico Social Ambiental multiplicadores conservação am- biental e desenvolvimento sustentável. ambiental. No econômico, “Com este projeto a companhia adquire mais de 70% dos bens e serviços nos próprios estados o Instituto pretende difundir usos e costumes em que são realizadas as suas operações. Na parte populares resgatando fatores da identidade ambiental, há o comprometimento com a utilização cultural de MS”, destaca Lizzi Colla, gerente de de energia limpa. Inaugurada recentemente, a sustentabilidade e responsabilidade social da In- caldeira de biomassa da unidade da International ternational Paper. Paper em Mogi Guaçu, interior de São Paulo, elevou Outra iniciativa é a do Guardiões Projeto Nas- em 90% a capacidade de produzir energia limpa, cente, que prevê conscientização ambiental e ou seja, a partir de recursos renováveis. Além disso, respeito aos mananciais e suas nascentes. Como a companhia tem certificações, como o FSC e resultado, já foi possível viabilizar a implantação Cerflor, programas que atestam o manejo florestal da coleta de lixo no distrito de Garcias, a 80km sustentável. Quanto à política de relacionamento de Três Lagoas, e recuperar a mata ciliar do Cór- junto aos funcionários, o gerente geral da companhia rego Oriundiuva, que atravessa a região. Marcelo Nale faz questão de afirmar: “Tão Os projetos envolvem, diretamente, cerca de manter os seus profissionais 26 mil pessoas por ano e alcançam, de forma informados, é ouvir o que eles têm a dizer, além de indireta, 130 mil. Desde 2003, mais de R$25 mi- saber quais suas ideias e sugestões de melhorias.” lhões foram investidos. importante quanto 12 | Agosto/ Setembro 2013 Produção A fábrica possui linhas de acabamento com sistema automatizado, capazes de fabricar até 140 resmas de papel Chamex por minuto, e opera com tecnologias avançadas. Além da unidade de Três Lagoas, existem outras duas em São Paulo. No Brasil, a IP trabalha com duas linhas de produtos no segmento de papéis cortados não revestidos (Cutsize): Chamex e Chamequinho. IP em números: Investimento/ Três Lagoas – US$300 milhões Produção – 230 mil toneladas Faturamento/ Brasil – US$1.130 bilhão Projetos IIP – R$25 milhões Para o setor gráfico, há a linha Chambril, de paem melhorias nas unidades na ordem de US$85 péis offset. Cerca de 50% da produção das fábricas vai milhões. para o mercado local, e 50% são exportados, Três Lagoas tem 54 indústrias de grande e com foco para a América Latina. Já a produção médio portes. Em 2009 foi considerada a 25ª cidade mais dinâmica do País, de Três Lagoas segue para o mercado brasileiro. A empresa estuda implantar uma segunda máquina de papel em Três Lagoas, o que significaria dobrar a produ- A companhia adquire mais de 70% dos bens e serviços nos estados em que atua. em ranking de 300 municípios. A pesquisa, feita pela Florenzano Agência de Estudos e Pesquisas de Mercado, revela para grandes empresas os lugares onde vale a pena investir. ção. “Se optarmos por isso, a nova máquina entrará em Sucesso reconhecido operação entre o segundo trimestre de 2016 e o segundo trimestre de 2018. A companhia considera o Em 2012 a International Paper foi conside- Brasil sua plataforma de crescimento na Amé- rada, pela oitava vez, uma das 150 melhores rica Latina e levará em consideração aspectos empresas para se trabalhar, segundo a revista econômicos e o crescimento do mercado de pa- Você S/A (Editora Abril). Pela mesma publica- pel na região para definir a data de expansão”, ção, foi eleita uma das melhores empresas para afirma Marcelo Nale. Anualmente, a IP investe se começar a carreira. Tatiane Palazzio Internacionalmente, foi destaque como “Uma das Empresas mais éticas do mundo” pelo Instituto norte-americano Ethisphere (6ª vez consecutiva) e “Empresa mais admirada da indústria de produtos florestais e de papel”, pela Revista Fortune (9ª vez nos últimos 10 anos) A IP foi fundada em 31 de janeiro de 1898, em Memphis, nos Estados Unidos. Atua na América do Norte, Europa, América Latina, Rússia, Ásia e Norte da África. Os negócios incluem a Xpedx, empresa de distribuição nos EUA. No Brasil, os papéis produzidos pela IP provêm de florestas 100% renováveis, certificadas pelo Cerflor (Programa Brasileiro de Certi- Marcelo Nale, gerente geral da IP - Três Lagoas ficação Florestal). Agosto/ Setembro 2013 | 13 14 | Agosto/ Setembro 2013 Agosto/ Setembro 2013 | 15 Especial Em por Súzan Benites e João Marcelo Sanches to imen cresc Sérgio Heleno A capital vive momento favorável no mercado imobiliário. O setor movimentou, no primeiro semestre de 2013, R$800 milhões em financiamentos pela Caixa Econômica Federal. O valor é 15% maior que no mesmo período de 2012. 16 | Agosto/ Setembro 2013 Agosto/ Setembro 2013 | 17 O setor apresentou expansão significativa na última década e continua a crescer. Só no feirão da Caixa Econômica Federal (CEF) deste ano, foram comercializados R$250 milhões. Em 2012, o montante liberado em financiamentos foi de R$1,7 bilhão, distribuído em mais de 20 mil unidades habitacionais. Segundo o superintendente da Caixa, Paulo Antunes, 72% dos imóveis em todo o país são financiados pelo banco e, em Mato Grosso do Sul esse número é ainda maior, 90%. Para o diretor-executivo da Futura Lançamentos Imobiliários, Luiz Roberto Vasconcellos, “o crescimento começou há 10 anos quando vieram para Campo Grande duas grandes urbanizadoras: Alphaville e Dahma.” Renato Perez, da Perez Inteligência ImobiliáPaulo Oliver ria, também vê esse potencial. “Isso ocorre em relação a uma demanda que estava reprimida há muito tempo e agora está sendo atendida. É um momento de valorização do que tem mais qualidade em construção e serviço. Passamos por um período em que todos os tipos de imóveis e padrões foram comercializados. Hoje percebemos que há um filtro para fazer produtos que atendam a necessidade do mercado.” Em 2010 o mercado cresceu 10% e nos anos subsequentes ficou mais estável. De acordo com Paulo Antunes, o setor continua em expansão, mas, precisa evoluir. “No Brasil a relação crédito imobiliário/PIB gira em torno de 5%, enquanto nos países desenvolvidos chega a 60%” diz. O crescimento atinge principalmente dois perfis de empreendimentos. O primeiro, de imóveis entre R$80 e 120 mil, que podem ser incluídos no programa ‘Minha Casa Minha Vida’. Para James Antonio Gomes, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis/MS (Sindimóveis), esses indivíduos querem sair do aluguel e procuram os imóveis sem se importar com a região da cidade, e sim com o valor. “Hoje se você fizer casas nessa faixa, vende tudo. São pessoas entre 22 e 30 anos com renda a partir de R$1,6 mil.” 18 | Agosto/ Setembro 2013 Luiz Roberto Vasconcellos, diretor-executivo da Futura Lançamentos Imobiliários Agosto/ Setembro 2013 | 19 Paulo Oliver Luiz Octávio Pinho, gerente regional da Plaenge, empresa que investe na região do Parque das Nações Indígenas O outro perfil que movimenta o setor é o de imóveis entre R$200 e R$400 mil, que atin- estão voltados os olhos de quem quer viver em um prédio. gem o público de classe média alta, com renda Opinião dividida por Vasconcellos, que con- entre R$3 e R$20 mil. Paulo Antunes diz que firma a tendência de verticalizar como algo co- esses foram os consumidores predominantes mum com o crescimento da cidade. “Para a pre- no feirão da Caixa em 2013. “Dos cinco mil visi- feitura isso é interessante, pois, as pessoas não tantes, foram os que mais fecharam negócios.” necessitam ir mais longe. Assim a cidade não Vasconcellos também enxerga essa demanda precisa crescer para os lados.” relativa. “Os resultados para um negócio bem Já Renato Perez aponta as vantagens desse sucedido exigem que ele seja planejado de tipo de construção. “Todos querem estar bem acordo com o público alvo. Os da classe média localizados, perto dos principais pontos e para são os que mais vendem. Porém, os de alto pa- isso se deparam com os terrenos mais caros. drão têm um ótimo resultado. Tem público para Um imóvel vertical se torna economicamen- todas as faixas.” te viável. Quando vamos a São Paulo, a região De acordo com Luiz Octávio Pinho, geren- mais valorizada é a do Parque do Ibirapuera. te regional da Plaenge, a empresa atua na re- Em Nova Iorque, do Central Park. A cidade pas- gião mais central da cidade. O valor médio dos sa por esse mesmo caminho, pois hoje as pes- imóveis é de R$340 mil. O empreendimento soas buscam a qualidade de vida e a facilidade investe em outra tendência forte no mercado de deslocamento,” considera. campo-grandense: a verticalização. O entorno Com esse conceito, várias empresas incor- do Parque das Nações Indígenas é para onde poradoras entraram na cidade. O grupo da 20 | Agosto/ Setembro 2013 Remat QUEM NÃO REGISTRA, NÃO É DONO. Credenciada: Associação Brasileira dos Agentes da Propriedade Industrial - ABAPI Instituto Nacional da Propriedade Industrial Seja o verdadeiro proprietário do seu sucesso. Acabe com as chances de tirarem proveito da sua marca, patente, software e/ou direito autoral. Registrar é a única forma de proteger o seu investimento, garantir os seus direitos e valorizar as suas conquistas. A Remat Marcas & Patentes presta assessoria jurídica completa há 28 anos, garantindo que o seu patrimônio e propriedades intelectuais não estejam vulneráveis e ao alcance de pessoas mal intencionadas. Confie em quem é especialista, pois quem cria e não registra, não tem direito algum. www.rematmarcas.com.br Rua Calarge, nº 37 Bairro São José - Campo Grande - MS (67) 3382-4685|3382-9874 Agosto/ Setembro 2013 | 21 Paulo Oliver Helbor, Setin e MGR, que investe na proposta de ‘condomínio clube’, foca essa mobilidade urbana e trabalha para entender as necessidades dentro da cultura do mercado local. A Plaenge já entregou 42 edifícios em Campo Grande e tem ainda 12 canteiros de obras, com 23 torres em construção. Outra empresa que está chegando à cidade é a Landix. Com projetos em fase de licenciamento junto à Prefeitura de Campo Grande, a previsão de investimento supera os R$60 milhões. O prédio comercial, na saída para Cuiabá, que está mais avançado, prevê duas torres de três pavimentos com 268 salas. No térreo, serão mais 48 lojas. O superintendente da Caixa, Paulo Antunes, acredita no crescimento da cidade para todos os lados. “Hoje a maioria dos bairros tem autonomia e infraestrutura para crescer. As pessoas querem morar em todas as regiões. Apesar da preferência pela região central, vemos que todos os bairros têm sua clientela.” Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) mostram que nos primeiros cinco meses de 2013, os financiamentos imobiliários chegaram a R$38,4 bilhões, montante 29,7% superior ao contratado no mesmo período do ano passado. No caso da Caixa, há opções de financiamentos para quem quer comprar o imóvel pronto e para aqueles que vão comprar o terreno e construir também. Os juros variam de acordo com a renda, a partir de 4% ao ano, Renato Perez, diretor-executivo da Perez Inteligência Imobiliária com prazos de até 30 anos para pagar. O limite de crédito é es- 22 | Agosto/ Setembro 2013 tabelecido mediante análise da renda familiar. A expectativa é que o crescimento no setor, Segundo Paulo Antunes, a liberação de crédi- em 2013, seja 10% maior que em 2012. Segun- to pode demorar de 15 a 20 dias. “É necessário do Paulo, o Estado cresce acima da média bra- avaliar se o comprador não tem restrição e qual sileira e as necessidades de novas habitações sua capacidade de pagamento mensal. Já do acompanham isso. “Todo dia surgem novos vendedor, é preciso analisar o risco jurídico. E moradores. Temos casamentos, filhos vão mo- por último, o estado físico, a qualidade da obra rar sozinhos, pessoas vêm estudar e chegam e quanto vale o imóvel. Após de outros estados. Tudo isso esse processo é que a Caixa provoca novas demandas para pode dizer o quanto é possível financiar” explica. Os financiamentos da Caixa Econômica Federal são o mercado imobiliário. Por ser- Por sermos um Estado jovem, crescemos o dobro do número geral do Brasil. mos um Estado jovem, crescemos o dobro do número geral do Brasil. Sempre precisamos para todas as classes. “É im- de novas unidades habitacio- portante nais quando o País e o Estado essa abertura de crédito. Antigamente financiamentos eram feitos estão crescendo” afirma. só Luiz Vasconcellos, da Fu- para famílias de baixa renda. tura, também acredita na Hoje podem ser grandes, de R$600 mil. Mas expansão para os próximos anos. “O campo- o forte é o Minha Casa Minha Vida que vai até -grandense tem várias opções de compra com R$150 mil”, diz James Gomes. Ele explica que empreendimentos bem planejados. A tendên- as imobiliárias hoje facilitam o caminho para cia é melhorar o mercado.” Já Renato Perez, chegar até o banco. “Fazemos a simulação afirma que muitas famílias buscam seus imó- de quanto a pessoa pode financiar, antes isso veis, independentemente da classe social. “É só era possível no próprio banco. A imobiliá- necessário um trabalho sério em conjunto entre ria acompanha até a assinatura do contrato. empresas, governo e instituições que ordenam Principalmente para os clientes leigos facili- esse mercado. O Brasil ainda tem potencial pra tou bastante.” crescer muito”. Ações de sustentabilidade em prédios: • Caixas de contenção da água da chuva; • Temporizadores de água e luz; • Posição estratégica dos apartamentos (menor demanda de luz elétrica); • Elevadores ecológicos; • Caixas de descarga inteligentes com acionamento múltiplo; • Coletas seletivas de lixo e óleo; • Lâmpadas eletrônicas; • Descargas com quantidade limitada de água; • Sistema de aquecimento de água (gás, painéis solares). Agosto/ Setembro 2013 | 23 Artigo Empreendedorismo feminino Maristela de Oliveira França* C ompartilho aqui resultados que traduzem o caminho percorrido pelas mulheres em toda a História nos cam- pos social, político e econômico. Caminho este em permanente construção e a ser desbravado a cada dia. Tantas conquistas, avanços e constantes desafios levaram naturalmente à entrada das mulheres no mundo dos negócios. No Brasil, estudos do SEBRAE e do GEM – Global Entrepreneurship Monitor – apon- mundo dos negócios: a última eleição presiden- tam que, pela primeira vez, mais da metade cial no Brasil, com duas candidatas, o aumen- (52,4%) dos novos negócios estão no controle to ainda que tímido nos cargos do Executivo, de mãos femininas. Com 7,7 milhões de mulhe- Legislativo e Judiciário, a legião de executivas res à frente da empresa, estamos em sétimo espalhadas nos mais diversos segmentos; e lide- no ranking mundial de empreendedoras, com- ranças comunitárias. Isso mostra que a mulher está explorando, exercendo posto por 42 países. e aplicando seu potencial; Nesse cenário extremamente promissor, um fato requer atenção. Conforme dados do PNAD 2011 (IBGE), o rendimento médio mensal das empreendedoras Estamos em sétimo no ranking mundial de empreendedoras. contribuindo de forma plena, produtiva e eficaz para um mundo melhor. Entre as principais carac- (2,2 salários mínimos) é 31% infe- terísticas estão: abordagem rior ao dos homens (que está em mais humanista em toda atu- 3,2). Estes números demonstram ação, visão sistêmica, persis- que ainda há muito que se fazer para um trata- tência e paciência nas negociações, habilidade mento mais igualitário e justo. multitarefa, preocupação com o ambiente so- Essa empreendedora investe tempo na busca cial, econômico e político; atenção e agregação por informações, na elaboração de um Plano de de valor pela cultura regional, espírito de coope- Negócios e em rede de contatos para sua forma- ração, contribuição para a formação e desenvol- ção. Das mais de sete milhões de empreendedo- vimento de outras empreendedoras. ras brasileiras (maioria nos setores de serviços Sim, é a mulher ocupando um espaço, de for- e comércio), 103 mil estão no Mato Grosso do ma sábia, complementar e interdependente com Sul; dessas, 94% são sócias-proprietárias, 57% homens e outras mulheres; lugar que estava va- declaram possuir ou ter iniciado ensino superior, zio à espera dessa multidão de empreendedo- especialização e/ou doutorado, e 51% possuem ras, em todo o mundo, que mais que mulheres, entre 40 e 60 anos de idade (PSMN – 2008/2011 são seres humanos. e PNAD – 2011). Mas a liderança feminina vai muito além do 24 | Agosto/ Setembro 2013 *Maristela de Oliveira França é economista, mestre em Desenvolvimento Local e diretora de Operações do Sebrae/MS Agosto/ Setembro 2013 | 25 Gestão Quando o bolso agradece por Cláudia Ferreira [email protected] Com tantas linhas de financiamento ofertadas por instituições públicas e privadas, qual a melhor para cada caso? Veja onde estão as menores taxas de juros e como ter sucesso no investimento 26 | Agosto/ Setembro 2013 para fazer os cálculos de projeção e provar se aquele investimento vai se tornar viável ou não. Para o economista e consultor da Agricon, Hudson Garcia, há dois pontos críticos de um projeto: primeiro, se o empresário consegue participar com algum recurso próprio. Até existe a possibilidade de conseguir 100% do valor do financiamento, mas com um capital de 20%, por exemplo, diminui o endividamento e facilita a aprovação do crédito. “Se a linha pode conceder até 100% e o empreendedor nada, ele entra com o sonho e o banco com o dinheiro, mas o banco não financia sonho. Se a pessoa pode participar com algum montante, a instituição financeira se sente mais segura em relação àquele cliente”, explica. O segundo fator é a análise de mercado, se o empresário está preparado para aquele tipo de investimento, se vai absorver o aumento da produção, a melhoria de layout. Hudson alerta que no momento, o investimento pode ser favorável, mas em dois ou três anos pode não ser mais rentável e o endividamento é geralmente de médio a longo prazos. “Já fui contratado para fazer projeto para determinada linha de financiamento que estava inviável. O empresário parou. Nesses casos o melhor é mudar de foco e pensar em outro projeto onde o risco é menor e a chance de sucesso muito maior”, diz o consultor. A desaceleração da indústria em 2012 forçou o governo federal a reduzir a taxa de juros de linhas de financiamentos de incentivo a produção. A medida é para estimular empreendedores a abrir ou expandir seu negócio, gerando mais renda para o consumo. Isso fez FCO - Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste Em uma das principais fontes de investimento no Estado, o FCO, a taxa de juros que, antes variava entre 6% a 7% ao ano, caiu para 2,5% a 3% desde outubro do ano passado. Aliado às outras vantagens, como prazo de 15 anos para pagar e carência de até cinco anos, houve as instituições públicas cortarem os juros nas linhas mais procuradas. aumento do valor das operações na contrata- Para tomar a decisão acertada de quanto e tos empreendedores tiraram seus projetos da em que investir, o primeiro passo é elaborar um gaveta. O orçamento previsto para este ano era plano de negócios, o que já é exigido por linhas de R$1,266 bilhão e já foi contratado R$1,624 de financiamento com dinheiro do governo fe- bilhão. O crescimento dessa demanda causou deral. Esse projeto é feito por um consultor que atraso na liberação de recursos e em abril ti- exige da empresa as situações atual e futura vemos que interromper novos contratos, mas ção de empréstimos no Estado em 38%. “Mui- Agosto/ Setembro 2013 | 27 as operações já estão voltando ao normal”, ex- O FCO atende entre 12 a 15 mil beneficiários plica Jerônimo Alves Chaves, secretário-exe- por ano no Estado. Pode ser aplicado em aber- cutivo do Conselho Estadual de Investimentos tura ou expansão de uma empresa no comércio, Financiáveis pelo FCO (CEIF/FCO) em Mato serviço, turismo, indústria ou infra-estrutura, ou Grosso do Sul. ainda no campo. O empresário deve ter empre- A cada ano aumenta a previsão orçamentá- sa constituída com CNPJ e precisa elaborar uma ria de recursos do FCO destinados a financia- carta-consulta para mostrar para que quer o re- mentos para empresas de micro a grande por- curso, quais ações ele vai desenvolver e como tes em diversos segmentos “Um dos grandes vai pagá-lo. “Para isso, ele oferece garantias da- responsáveis por esse pulo é a redução da taxa quele bem que está adquirindo e garantias liga- de juros. Mas chega uma hora que há limite. das à sua atividade produtiva. Existe no caso do Agora os critérios têm de ser um pouco mais pequeno empreendedor o chamado fundo de seletivos, principalmente com grandes proje- aval ou de apoio à pequena empresa, que com- tos para grandes empresas”, diz o secretário. plementa a garantia no caso de falta”, afirma Desde julho, a taxa praticada pelo FCO subiu Jerônimo. de 3,5% para 4,12% ao ano. Priorizar micro e pequenas empresas é uma As linhas da Caixa das regras do Fundo. A lei exige o mínimo de 51% dos recursos aplicados para os pequenos. A Caixa Econômica Federal foi outra institui- Faz parte da política pública para reduzir desi- ção financeira que cortou a taxa de juros da linha gualdades regionais e tornar o financiamento de financiamento para empresas que faturam acessível ao maior número de empreendedores até R$50 milhões ao ano. É a Giro Caixa, desti- possível. nada ao capital de giro. Desde abril do ano passado, ela teve uma redução de 2,74% para 0,94% Empresários beneficiados pelo FCO em MS 10.583 14.090 14.767 13.083 ao mês. “Isso se deve à grande redução do spread bancário, que estava muito alto. Assim, o custo do dinheiro ficou mais rentável para as empresas”, explica Cláudio Rubbo, gerente regional da Caixa Econômica Federal. “Com isso, dobrou a carteira de pessoa jurídica, hoje em torno de seis mil clientes, o que representa de 8% a 10% dos tomadores de empréstimo no mercado. Há quatro anos, representava 2% a 3%”, diz ele. Nessa linha de capital de giro, é possível contratar até R$1 milhão sem carência. O dinheiro vai direto para a conta. Para ampliar a empresa, aumentar a atividade ou atualizar equipamentos, a linha mais indicada por Cláudio é o Finame, com recursos do BNDES, que oferece uma taxa de juros de 3,5% ao ano para compra de equipamentos nacionais e 4% ao ano para caminhões e ônibus. O empresário tem 60 meses para pagar e 12 meses de carência. O teto de contratação é de R$2 milhões para empresas que faturam até R$90 milhões por ano. O ponto negativo é que não financia equipamentos 2009 2010 2011 2012 Fonte: CEIF/ FCO 28 | Agosto/ Setembro 2013 usados e restringe determinados tipos. Já o Projer, que utiliza recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), financia equipamentos usados e ainda pode ser utilizado para ampliação e obras civis. O empresário pode contratar até R$600 mil, com 48 meses para pagar FCO Taxa de juros: 4,12% ao ano Prazo: até 15 anos Carência: até 5 anos e seis de carência. A taxa de juros é de 5% ao ano mais Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP), que está em 5% ao ano também. Vale para empresas que faturam até R$7,5 milhões por ano. Outra linha bastante procurada é a antecipação de recebíveis, que ajuda a potencializar a empresa, ter mais produtos e ampliar o capital de giro. O empresário soma o que vendeu a prazo no cartão, cheque ou duplicata, e o banco antecipa o valor que ele tem a receber. Não tem carência, a pessoa recebe o dinheiro de acordo com o prazo do recebível. As taxas variam também de acordo com o recebível: 1% ao mês para cartão, 1,47% ao mês para cheque e 1,76% Banco do Brasil BB GIRO RÁPIDO Taxa de Juros: varia conforme o relacionamento com o banco Prazo: 24 meses Carência: 59 dias CARTÃO DO BNDES Taxa de Juros: pré-fixada 0,86% ao mês (julho) Prazo: 3 a 48 meses ao mês para duplicatas. BB Giro Rápido e BNDES O Banco do Brasil é outra instituição que oferece linhas de financiamento com recursos do governo federal e taxas de juros atrativas. Uma das que financia capital de giro, a BB Giro Rápido disponibiliza crédito pré-aprovado e o dinheiro é liberado na conta corrente da empresa. O limite é de R$100 mil, que pode ser dividido em até 24 parcelas, com prazo de 59 dias para começar a pagar. As taxas de juros variam de acordo com o relacionamento do cliente com o banco. A cada parcela paga, o crédito pode ser reutilizado e parcelado de novo em 24 vezes. Também é possível fazer financiamento com recursos do BNDES. Uma das maneiras é com o cartão do BNDES, onde o empresário financia a compra de máquinas, equipamentos, veículos e outros bens de produção para a empresa pela internet, diretamente de fornecedores credenciados no portal do Cartão BNDES. O empresário pode financiar o valor total do bem, que não pode ultrapassar R$1 milhão. O prazo para pagamento vai de três a 48 parcelas e a taxa de juros é pré-fixada, divulgada no site do cartão BNDES. Em julho, a taxa era de 0,86% ao mês. Caixa Econômica Federal GIRO CAIXA Taxa de Juros: 0,94% ao mês Prazo: 40 meses Carência: não tem FINAME Taxa de Juros: 3,5% ao ano para equipamentos nacionais 4% ao ano para caminhões e ônibus Prazo: 60 meses Carência: 12 meses PROJER Taxa de Juros: 5% ao ano + TJLP (5%) Prazo: 48 meses Carência: 6 meses ANTECIPAÇÃO DE RECEBÍVEIS Taxa de Juros Cartão: 1% ao mês Cheque: 1,47% ao mês Duplicatas: 1,76% ao mês Prazo: varia de acordo com o prazo do recebível Carência: não tem Agosto/ Setembro 2013 | 29 O projeto do empresário Liwiston Queiroz Dantas para conseguir um financiamento do FCO e construir a conveniência só foi aceito na terceira tentativa. Ele teve de reduzir o valor inicial de R$350 mil para R$285 mil e enxugar alguns itens do projeto para realizar o sonho. Comprou o terreno da empresa com recursos próprios e o deixou como garantia para o financiamento. Com o dinheiro do FCO, construiu e equipou a conveniência com prazo de quinze anos para pagar e dois de carência. Na época, em 2009, a taxa de juros contratada foi de 8% ao ano. No ano passado, utilizou o FCO pela segunda vez. Emprestou R$85 mil para substituir 35 freezers e uma ilha de congelados por uma única câmara fria, mais moderna e com menos gasto de energia. Dessa vez, a taxa de juros foi menor que a anterior: 5,5% ao ano, com prazo de cinco anos para pagar. Além do FCO, utilizou outra linha, o Projer, para financiar dois carros para entrega. De 2011 para cá, o faturamento aumentou 40% e hoje chega a R$1 milhão por ano. Ele pretende dobrar esse número, mas está feliz com o resultado até agora. “Com a construção que fiz no terreno e a valorização imobiliária, o prédio vale hoje R$1,5 milhão. Se eu vender tudo consigo quitar todos os financiamentos e ainda sobra dinheiro. Na minha opinião, o financiamento foi a melhor escolha para deslanchar”, diz o empresário. 30 | Agosto/ Setembro 2013 Paulo Oliver A escolha certa Agosto/ Setembro 2013 | 31 Ponto de Venda EMPRESAS DEVERÃO INFORMAR DADOS EM SITES A partir de agora, as empresas que tiverem página na internet são obrigadas a disponibilizar o número do CNPJ e o endereço da sede principal. De acordo com a lei, publicada em junho, as informações devem estar na página de acesso do site da empresa, em local visível e com caracteres do tamanho de um quarto do maior disponibilizado. É direito do consumidor saber com qual empresa está tratando, onde está localizada e se é legalmente constituída. Os anúncios deverão discriminar, juntamente ao preço, as despesas adicionais, tais como taxas de entrega e seguros. As condições da oferta deverão ser claras, de modo a propiciar que o consumidor compreenda as modalidades de pagamento, disponibilidade, forma sxc de execução do serviço e prazo de entrega do produto. Caso essas exigências sejam desrespeitadas, a empresa terá um prazo de cinco dias para se regularizar. Se não for feita a regularização, cabe multa que varia de R$480,00 a R$7.2 milhões. UZINGA ABRE NO SHOPPING CG A loja de presentes criativos Uzinga abriu sua primeira unidade no Shopping Campo Grande. Fernando Rodrigues criou o conceito da marca focado em crowdsourcing ou criação coletiva. Um espaço colaborativo de produção na internet, onde as pessoas desenvolvem ilustrações para serem estampadas nos produtos e os usuários do site votam nas melhores ideias. As vencedoras são produzidas e levam o nome do designer. São canecas, almofadas, chaveiros, acessórios, aventais, capas de notebook, Ipad, entre outros. Danilo Jovê, diretor de arte da marca, também é sócio da empresa. Já cado até dezembro. A expectativa é implantar outra unidade no começo de 2014 e depois virar franquia. 32 | Agosto/ Setembro 2013 Divulgação foram lançados 250 produtos e outros 300 estarão no mer- NORTE SUL TRAZ MARCAS NACIONAIS PARA A CAPITAL Até o fim do ano, chega à capital a loja - quem disse, berenice? - marca do Grupo Boticário apresentaTraz um conceito amplo em maquiagem, cosméticos e um portfólio com mais de 500 itens. Divulgação da ao mercado brasileiro em 2012. Especializada em jogos, a Games Square inaugura sua unidade na cidade com um acervo de dois mil títulos para todas as plataformas de videogames, livros de ficção e RPG, card games, quadrinhos, Neste semestre, foram inauguradas duas lojas. Uma mangás e figuras de ação. é a Ecoacqua, um car wash que aplica o conceito de A Chopptime, de Ribeirão Preto - sustentabilidade nos serviços de limpeza e estética SP, promete bom atendimento e automotiva. Usam produtos biodegradáveis que um cardápio à la carte. Além do não agridem o meio ambiente. tradicional chope, referência da A outra é a BLM, no mercado desde 1996, que traz marca. Tem mais de 20 franquias um novo conceito em moda jovem. Considerada em oito estados. Vem com o con- uma das maiores indústrias de vestuário do Cen- ceito lifestyle - arquitetura que in- tro-Oeste, está presente nos principais shoppings e tegra as áreas externa e interna – centros comerciais, com 28 lojas em 22 cidades e ao shopping. três estados. C O N S U LTO R I A E M E D I C I N A D O T R A B A L H O CONTROLE DE VENDAS DOMINO’S EM CG A catraca Bap Ticket, produzida pela Di- A Domino’s Pizza está operando em sis- mep, emite comandas com código de tema de balcão à noite. A partir deste barras na entrada dos estabelecimentos, mês, começa a fazer entregas num raio que garantem a marcação correta do con- de 5km. Segundo o franqueado, Adria- sumo e agilizam o processo de cobrança, no Hermeto, a Domino’s vai garantir ao já que um software integrado aos pon- cliente bom atendimento com pessoal tos de venda fazem automaticamente a especializado. O empresário pretende soma do valor devido. Sem necessidade abrir outra loja da marca em um ano. de grande área para instalação e com sisDivulgação tema de amortecimento que diminui o impacto dos braços, a Bap Ticket emite até dois mil cartões por bobina. Além de inibir furtos, a catraca auxilia no não compromete a estética do comércio. Divulgação controle de estoque e “TRATAMENTO” PARA EMPREENDEDORES A obra digital C.H.O.Q.U.E.: tratamento para o surto empreendedor, de autoria do professor e empreendedor Marcus Linhares, traz uma metodoendedor. Segundo o autor, o envolvimento passional faz do empreendedorismo a grande epidemia de transformações mundiais. No entanto, é necessário um equilíbrio obtido pelo conhecimento racional. Assim, o principal objetivo do livro é subsidiar os empreendedores para transformar ideias em negócios com a utilização de uma ferramenta científica e eficaz. “Trata-se de um novo formato para uma receita velha e pode ser utilizado em qualquer tipo de negócio”, afirma Linhares, que trabalha com aceleração de startups, modelagem de negócios, projetos de inovação e tecnologia. O livro é disponibilizado gratuitamente pela internet. O download está disponível pelo link: www.choqueonline.com.br. 34 | Agosto/ Setembro 2013 Divulgação logia de negócios para tratar os processos de gestão e o “surto” empre- Receba em sua casa a 67 3213 1141 [email protected] Agosto/ Setembro 2013 | 35 Divulgação Panorama De fora, mas regional por Fernanda Nascimento Prochmann [email protected] Novo empreendimento, para todos os bolsos e gostos, promete impulsionar comércio na região norte da capital. No complexo, mais de 50% dos empresários são de Campo Grande. 36 | Agosto/ Setembro 2013 se coloca todas essas coisas numa equação só, Campo Grande se torna uma cidade muito interessante para os negócios do grupo. Além disso há um crescimento econômico significativo e ao mesmo tempo sustentável. Conseguimos ver continuidade nisso pelos próximos anos”, Paulo Oliver diz Murilo Loureiro, diretor de projetos do Grupo Jereissati. Apesar da empresa não ser de Mato Grosso do Sul, o projeto se destaca pela regionalidade. “Não é um caixote de concreto. A fachada é única, cor de terra. A estrutura metálica é vinculada a uma estratégia de cobertura com vidros que, refletida nos desenhos estilizados no piso interno, dá a sensação de que há um rio dentro do lugar. Treze mosaicos com desenhos de animais e plantas pantaneiras, além de detalhes inspirados nos povos indígenas, completam a decoração." Junto com o shopping há uma série de outros empreendimentos que o grupo Jereissati Murilo Loureiro, diretor de projetos do Grupo Jereissati Quem segue para a saída de Cuiabá, na Avenida Cônsul Assaf Trad, vê uma estrutura imponente. A obra do Shopping Bosque dos Ipês está começando a desenvolver, como torres comerciais e um hotel. Já estão confirmadas as vindas da Leroy Merlin, empresa de bricolagem e da Landix, do mercado imobiliário, essa última com investimento de R$60 milhões. “A gente está aqui para lançar um shopping que abre uma agenda de transformação. Queremos, da- é tratada como a mais nova joia da coroa do Grupo Jereissati, já qui a trinta anos, que cada campo-grandense conceituado nacionalmente e com experiência de mais de 30 anos na construção de shoppings centers. sair na primeira ‘marola’ da economia. Temos Para ocupar a área de 38 mil metros quadrados, onde vão funcionar 176 espaços comerciais, foram investidos R$200 milhões. deu, como incentivo, desconto de 30% no valor se sinta meio dono desse shopping. Não vamos um compromisso com Campo Grande, de longo prazo. Para a instalação, a Prefeitura concedo IPTU no terreno do shopping durante o período de construção, além de isenção de recolhimento do Imposto Sobre Serviços (ISS) das O interesse da empresa em Campo Gran- construtoras e prestadoras de serviço da obra." de surgiu há pouco mais de cinco anos. “Tem Questionado sobre a localização do Shopping muitos fatores que nos saltaram aos olhos em Bosque dos Ipês em uma região ainda pouco 2008, como a questão específica no mercado explorada comercialmente, Murilo enfatiza que consumidor. É um público que não está satu- o complexo está direto no eixo de crescimento rado, tem um alto poder aquisitivo, é curioso da cidade. “As pesquisas apontavam que e aposta em coisas novas. Então, é com esse o desenvolvimento estava vindo para esta intuito que chegamos aqui. A gente vê essa região. Esses espaços abertos vão diminuir demanda por inovação e isso é um fator que, significativamente, é com esse dado que a gente de certa forma, corrobora com a nossa tese está trabalhando.” A expectativa é que essa de investimento quando veio pra cá. Quando diminuição aconteça em cinco anos. Lembrando Agosto/ Setembro 2013 | 37 Fotos: Divulgação Projeto do interior do Shopping Bosque dos Ipês ainda que, bem ao lado, o conjunto Alphaville de ampliação do Ti-Batata prevê a contrata- tem 1.500 casas, um público em potencial. ção de 15 funcionários para a loja do shopping. Entre as lojas âncora estão Renner, Pernam- “Investimos R$270 mil, entre custo de obra e bucanas, Riachuelo, o supermercado Wall Mart, equipamentos e esperamos que esse valor se além das inéditas Zara (de vestuário), livraria pague em dois anos e o empreendimento passe Saraiva MegaStore e a rede UCI, de cinema. a caminhar sozinho”, salienta. Para Ana a chegada do shopping vai prestigiar ainda mais o cam- Empresariado local Mais de 50% dos empresários que vão se instalar no Shopping Bosque dos Ipês são de Campo Grande ou do Estado. “Nosso objetivo é ter o po-grandense. “É uma prova “É um público que não está saturado, tem um alto poder aquisitivo, é curioso e aposta em coisas novas.” do potencial da nossa terra.” A loja multimarcas Saga também é fruto do Estado. O empresário Adriano Straliotto está estreando no mundo dos negócios. Veio de Sidrolândia, lojista daqui de maneira signi- interior de Mato Grosso do Sul ficativa. Essa identificação não e promete um espaço “diferen- pode ficar simplesmente no te”, para um público bem infor- projeto arquitetônico, ela tem que passar por mado. Com nove marcas de inverno e 12 de ve- uma identificação específica das pessoas, seja rão, Adriano diz que o peso do nome do Grupo do lojista, seja do público da cidade. Eles são Jereissati foi decisivo para abrir o negócio. Pelo parte integral do shopping”, diz Murilo. ponto comercial foram gastos R$120mil. O cus- Ana Paula Toledo é uma das empresárias to total do investimento foi de R$270 mil, que de Campo Grande que aposta no novo espaço. deve ser integralmente pago em até dois anos. Ela vai abrir a segunda unidade do restauran- Na loja, além de roupas, serão vendidas bolsas, te Ti-Batata. No cardápio, novidades nos sa- sapatos e acessórios. bores das batatas recheadas, como cheddar, Depois de várias pesquisas de mercado, a bacon, muçarela e pepperoni. Esta será a pri- Yupi, empresa de calçados, abre no Shopping meira experiência em um shopping, depois de com um foco bem definido: o mercado infantil. seis anos no mercado. “Será um piloto, estamos Os empresários campo-grandenses Ginez Cesar estudando para transformar nosso negócio em Clemente e Luciana de Oliveira Clemente deci- franquia. Vamos dar um tempo de seis a oito diram investir nesse nicho. A loja de calçados meses, para sentir o mercado, daí disparamos multimarcas vai explorar um ambiente lúdico para a nova empreitada”, diz Ana. O projeto e divertido, para agradar e encantar os pais e 38 | Agosto/ Setembro 2013 principalmente o público alvo: as crianças com endedores locais, que junto com grandes mar- até 12 anos. “Nós queríamos muito abrir um ne- cas nacionais e internacionais vão proporcionar gócio no segmento infantil. Sempre enfrenta- um mix interessante para os consumidores”, re- mos dificuldades em encontrar alguns tipos de força Luciana. calçados para nossa filha de 7 anos. Decidimos investir no shopping pelo conjunto de fatores Tecnologia Sustentável favoráveis. Entre eles, segurança, fluxo de pessoas e conforto. É claro que o O Shopping é o primei- custo é maior, mas a intenção é ro empreendimento do Es- aproveitar essa conjuntura oferecida para equalizar os custos maiores e obter uma rentabilidade satisfatória”, diz Luciana. “As pesquisas apontavam que o desenvolvimento estava vindo para esta região.” tado a receber o selo LEED (Leadership in Energy and Environmental Design), que atesta a sustentabilidade de Para instalar a loja foram inves- uma obra pela redução de tidos R$280 mil, sem contar o danos ao meio ambiente. En- capital inicial para o estoque. tre os itens, estão lâmpadas Os empresários esperam ter o de led e estacionamento para retorno financeiro em menos de dois anos. “Sen- veículos de baixa emissão de poluentes e baixo timos confiança do grupo Jereissati nos empre- consumo de combustível, além de bicicletário. Shopping Bosque dos Ipês: R$ 200 milhões de investimento 176 lojas 6 salas de cinema (Stadium e 3D)Cinema UCI Fotos: Divulgação 2 mil vagas de estacionamento Lojas Saga e Yupi, de empresários locais, que vão funcionar no Shopping Bosque dos Ipês O Grupo Jereissati possui ainda o Shopping Center Um – o primeiro Shopping cearense, implantado na década de 1970, e o Shopping Center Iguatemi Fortaleza, em operação desde 1982. Simultaneamente ao projeto do Bosque dos Ipês, está em obras o Shopping Bosque Grão-Pará, em Belém (PA), com inauguração prevista para o primeiro semestre de 2014. Agosto/ Setembro 2013 | 39 T.I SOFTWARE AJUDA INSTAGRAM NA HORA A complexidade das gestões contábil e fi- Muitas marcas e empresas utilizam o Ins- nanceira é uma das principais razões para tagram como parte de suas estratégias de a mortalidade de pequenas e médias em- marketing. Uma delas é a Tagpick, empre- presas. Para estabelecer controles e pro- sa que desenvolve um serviço baseado nas cessos condizentes com os requerimentos famosas hashtags, muito utilizadas na rede legais brasileiros, o empreendedor conta social, em festas e eventos. agora com o software gratuito RXPCont. Após a escolha de uma hashtag para re- O programa gerencia os processos de presentar a comemoração, a foto tirada contabilidade e finanças de forma integra- pelo Instagram será impressa em formato da e com lançamentos únicos. Demonstra- polaroid para que os convidados levem tivos de resultado e balanços patrimoniais como recordação. são gerados automaticamente. É compa- Informações no site: www.tagpick.com.br tível com o padrão contábil IFRS, apura simultaneamente resultados por regime de caixa e competência, e por centros de custo e de lucro. Permite a importação de dados de sistemas legados, como folha de pagamento, livros fiscais e controles avançados de estoque e faturamento. A licença dados e relatórios gerenciais. Para baixá-la, acesse www.rxp.com.br. Divulgação gratuita é monousuária, e inclui banco de UNIVERSIDADE RECEBE NOVOS EQUIPAMENTOS A Fundação de Apoio ao Desenvolvi- pamentos são fundamentais para pes- mento do Ensino, Ciência e Tecnologia quisas desenvolvidas nos programas de Mato Grosso do Sul (Fundect) im- de pós-graduação. ca Tcheca para pesquisa. A compra foi repassada para a Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD). O Sistema de Imagem por Fluorescência e o Medidor de Evapotranspiração serão usados nos processos de análise dos potenciais tóxicos de nano materiais encontrados em plantas. Os equi- 40 | Agosto/ Setembro 2013 Divulgação portou dois equipamentos da Repúbli- Agosto/ Setembro 2013 | 41 SOB CONTROLE O setor de Tecnologia da Informação A NCR Corporation lançou o deve criar 4,4 milhões de empregos até NCR Aloha Guest Pad, um 2015, segundo Donald Feinberg, ana- aplicativo lista do Instituto de Pesquisas Gartner. nes e tablets para melhorar A maioria das vagas será para os co- o controle de reservas e lis- nhecedores do sistema Big Data, que ta de espera nos restauran- armazena várias informações em um tes. O aplicativo está sendo pequeno espaço. distribuído de graça. A No Brasil, o déficit projetado para 2015 versão paga será lan- é de 117,5 mil profissionais. Os segmen- çada este ano e vai tos mais promissores são os de redes e suportar conectividade. dagem de dados para smartpho- Divulgação TI - GERANDO EMPREGOS hospe- na nuvem, gerenciamento de mesas e reservas online. “Isso melhora a experiência de consumo aos clientes”, afirma Luiz Bento, sxc diretor comercial da NCR Brasil. TECNOLOGIA AGILIZA TRANSMISSÃO DE DADOS A empresa dinamarquesa OFS-Fitel e de transmitir múltiplos fluxos de informação no cientistas da Universidade de Tel Aviv, em mesmo cabo de fibra óptica usando diferentes Israel, anunciaram uma tecnologia de fibra alcances de onda. óptica que irá aumentar a capacidade de transmissão na internet. O fato será possível com o envio de dados por raios lumifazê-lo em linha reta. Este avanço é comparável a descobertas dos anos 1990, sobre a possibilidade 42 | Agosto/ Setembro 2013 sxc nosos em forma de turbilhão, ao invés de MODA E-COMMERCE O agregador de ofertas Modalize reúne, em um mesmo local, cerca de 700 das principais marcas nacionais e internacionais de 40 grandes players, como Colcci, Forum e Triton. A página está organizada em categorias como acessórios, perfumes, roupas e calçados. No endereço www.modalize. com.br é possível aproveitar promoções com até 60% de desconto. De acordo com o empresário Thiago Buchler, um dos idealizadores do site, o Modalize deve reunir mais de 70 e-commerces até dezembro deste ano, tornando-se o maior site do gênero no Brasil. SOLUÇÕES COMPLETAS EM TI PARA SUA EMPRESA. sxc Instalação, configuração e manutenção de equipamentos de informática; Pacotes mensais acessíveis, incluindo suporte local e remoto, consultoria, projetos e instalações; Instalação, configuração e manutenção de redes de comunicação de dados, CFTV, áudio e vídeo; Acesso facilitado ao suporte pelo site, com chat, controle de pagamentos e serviços realizados; PRÊMIO DE C&T ABRE INSCRIÇÕES Estudantes e pesquisadores ainda podem se inscrever Inventário completo dos equipamentos e softwares do cliente disponível para consulta online. para o Prêmio MERCOSUL de Ciência e Tecnologia Edição 2013. As inscrições serão aceitas até o dia 19 de agosto. O tema deste ano é Educação para a Ciência. Os candidatos concorrem em uma das seguintes categorias: Iniciação Científica, Estudante Universitário, Jovem Pesquisador e Integração. Os trabalhos devem ser enviados para o site http://eventos.unesco.org.br/premiomercosul (67) 3361-1800 Av. Manoel Ferreira, 470. Campo Grande-MS www.vr2.com.br Paulo Oliver Nicho 44 | Agosto/ Setembro 2013 Além da farinha: os ingredientes que aumentam o faturamento Não basta vender pão e leite. O consumidor quer espaço e variedade. Para atender as exigências, panificadoras ganham mais espaço e diversidade por Cláudia Ferreira [email protected] Levantamento do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostra que o Estado tem cerca de trezentas padarias que faturam por ano R$283 milhões, com média de 190 mil frequentadores por dia. De olho nesse público, que tem se mostrado mais exigente e diversificado, as padarias resolveram investir em reforma para ampliação de espaço, produtos e serviços, principalmente em Campo Grande, segundo o Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitarias de Mato Grosso do Sul. A padaria Tietê, com 24 anos no mercado, percebeu a necessidade de aumentar seu espaço. Reformou a matriz e, na última década, abriu mais duas uni- dades, a última com investimento de R$2 milhões e comemorando seu primeiro aniversário. O gerente da loja, Manoel Elias Barbosa, conta que sofreu com a concorrência dos supermercados, mas logo tomou fôlego. “No começo, quando abriu um supermercado na região, nosso movimento caiu cerca de 20%. Agosto/ Setembro 2013 | 45 Paulo Oliver A padaria Mais Que Pão investiu na ampliação do espaço, contratação de funcionários e variedade no cardápio Hoje, boa parte dos clientes retornou à panifica- área passou de 160 para 360 metros quadra- dora pela variedade de produtos”, explica. dos. O número de funcionários aumentou 52% A terceira unidade, com 900 metros qua- e mais pessoas devem ser contratadas para a drados (o dobro das outras), passou a ofere- implantação do almoço, entre auxiliares de co- cer pratos executivos no almoço, um projeto de zinha, cozinheiros, garçons e operadores de implantação que custou R$120 caixa. A produção também mil. A expectativa dos empre- cresceu. “Primeiro nós lança- sários é alavancar as vendas com o almoço, por ser uma região de comércio. “Tem pessoas que ficam dez, quinze minutos e tem gente que passa a manhã na padaria, consumin- 190 mil pessoas frequentam por dia cerca de 300 padarias no Estado. do o tempo todo ou tomando apenas um cafezinho”, afirma Manoel. mos a chapa, depois o caldo. Estamos soltando os lanches com opções vegetarianas e vamos colocar a refeição”, explica a sócia-proprietária, Gláucia Gueno Pedroso. Nesses seis meses as vendas tiveram um incremento de 20%. A loja foi totalmente reformada e come- Outra padaria que está em expansão é a çou com o conceito de conveniência num pos- Mais Que Pão. Depois de passar por uma re- to de combustíveis, tornando-se um ponto de forma que durou três anos e custou cerca de encontro. “A teoria era que as pessoas compra- R$1 milhão, a loja abriu as portas de cara nova vam para levar pra casa e a gente percebeu que há seis meses. O espaço mais que dobrou - a não, elas querem vir e comer aqui. Em todas as 46 | Agosto/ Setembro 2013 nossas pesquisas de mercado as pessoas apontavam deficiência de estacionamento e falta de mesa”, explica. Depois da reforma, alguns clientes passaram a fazer reserva para comemorar o aniversário com dez a quinze pessoas, o que não acontecia antes por falta de espaço. Aproveitando a expansão desse mercado, a proprietária da padaria planeja reformar a filial no começo do próximo ano e abrir uma terceira loja. “O nosso objetivo é que Campo Grande seja uma referência em tudo o que a gente faz. Aqui é uma cidade maravilhosa. Temos sim, perfil de boas padarias, boa frequência, bons produtos. É um público fiel, que chega ao caixa e elogia. É algo que Paulo Oliver gratifica, vale a pena o investimento”, afirma Gláucia. A padaria Pão Bento já embarcou nessa onda de adaptação ao gosto do consumidor e não é de hoje. Muitos consumidores procuram o espaço para fazer um lanche, mas a grande demanda mesmo é para o serviço de buffets. A empresa investiu R$60 mil na substituição de máquinas para fazer salgados e doces. Com isso, cinco das sete pessoas que faziam os salgados manualmente foram designadas para preparar massas semi-prontas, um outro filão encontrado para fazer a diferença no mercado. Para a sócia-proprietária Ane Serra, o que as pessoas querem cada vez mais é comodidade e praticidade no dia a dia. “Metade do nosso faturamento é com encomenda para festas. Além de preparar tudo, ainda montamos a mesa com salgados, sanduíches e doces na casa da pessoa e levamos a massa pronta para assar e ser servida quentinha”, diz ela. Também de olho na praticidade que o consumidor busca, a Pão e Tal já passou por quatro reformas para ampliação de espaço desde que foi inaugurada em 1990. Na última, dobrou tanto a Seja por lazer ou a trabalho, cada vez mais consumidores elegem as padarias como ponto de encontro área quanto a produção da padaria. São 600 metros quadrados para atender Agosto/ Setembro 2013 | 47 os consumidores e mais 500 para produção e de filhos. “Tem opção pra todo mundo", diz. administração. Resultado: aumento de 30% no Ela gasta em torno de R$300 por mês nas faturamento. Cem funcionários levam diversi- panificadoras. Para a psicóloga, o ambiente dade às mesas: desde comida japonesa, caldos, precisa ter espaço, conforto, bom atendimento almoço, pizza, além de salgados, doces, merce- e preço acessível. aria e congelados. “E ainda tem pão!”, brinca a Há cinco anos, a consultora de vendas Fer- gerente Márcia Cristina Ribeiro. “Um dos moti- nanda Ortiz costuma sair do trabalho com os vos que nos levaram a ampliar a loja foi a procu- colegas e ir à padaria fazer um lanche no final ra dos consumidores por essa variedade. Com de tarde. “Antigamente você passava só para a vida corrida das pessoas, é preciso oferecer comprar pão, agora com lugares mais aconche- opções práticas. Tem pai que vem almoçar com gantes, mais sofisticados, a pessoa fica mais à os filhos rapidinho para levá-los à escola e vol- vontade e passa mais tempo”, diz ela. tar para o escritório”, explica a gerente. O empresário Paulo Goulart escolheu a pa- Há três meses, a Pão e Tal inaugurou uma daria para vender um imóvel para o cliente. segunda unidade, bem menor, com 93 metros Como não tem escritório, optou por um lugar quadrados, 12 funcionários e menos variedade. agradável para as duas partes, o que para ele Segundo Márcia, essa loja foi criada para aten- pode até ajudar nas vendas. “Quando você sai, der à demanda de um bairro carente de padaria começa a ter uma amizade com o cliente e fica e também para estudar o hábito do cliente. mais fácil”, afirma. E o consumidor ... Barbosa, a hora da refeição é um momento Para a funcionária pública Helena Mendes de interação, de troca, e também cultural. Ela A psicóloga Maria Leciana Medina frequenta complementa: “Você não alimenta só o corpo. padaria quase todos os dias. Durante a semana Quando você reúne as pessoas e confraterniza, compra pão e frios. Aos fins de semana toma você alimenta a alma.” Pelo jeito, essa é a alma café da manhã e lancha com o marido e o casal do negócio. 80 Faturamento em bilhões 70 60 50 40 30 20 10 0 2006 2007 2008 2009 2010 2011 Fonte: Sebrae 48 | Agosto/ Setembro 2013 Agosto/ Setembro 2013 | 49 Luciana Serra Capa - Entrevista 50 | Agosto/ Setembro 2013 Toque de Midas por Sabrina Mestieri Nakao [email protected] Midas era um rei que, segundo a mitologia grega, transformava em ouro tudo aquilo que tocava. Na modernidade capitalista, esse "dom" virou característica de um empresário que vislumbra bons negócios e os transforma em realidade Agosto/ Setembro 2013 | 51 Luciana Serra É impossível falar de Mato Grosso do Sul sem citar um dos maiores empresários da região Centro-Oeste. De um desejo de sua mãe, o empreendedor Ueze Zahran se inspirou e construiu uma história de sucesso, contada com exclusividade para a Revista Negócios MS. Nascido em Bela Vista, interior do Estado, veio para Campo Grande aos 2 anos. Como surgiu a ideia de vender gás? Eu tinha 20 e poucos anos, quando minha mãe fez uma viagem a São Paulo para visitar os parentes e voltou apaixonada pelo fogão a gás. Eu a presenteei com um fogão e dois botijões de gás. Comecei a estudar sobre o GLP – Gás Liquefeito de Petróleo (mais conhecido como gás de cozinha) e fui tentar em São Paulo uma representação para instalar o negócio do gás em Campo Grande. Ao sair do escritório da empresa, percebi dois botijões, um grande e um pequeno. Perguntei quantos quilos cabiam em cada um deles. O Um visionário que soube aproveitar as oportunidades pensando não apenas em rapaz não sabia. Eu sabia, um era de 13kg e outro seu crescimento, mas em melhorias para a sociedade. Hoje lidera a Copagaz, quinta ser distribuidor. Então ao invés de Campo Grande, maior concessionária de gás do Brasil. para saber o que precisava para ser um distribui- 52 | Agosto/ Setembro 2013 de 45kg. Pensei, não vou ser representante, vou fui para Brasília, ao Conselho Nacional de Petróleo, dor. Trabalhei duro por nove meses e consegui. somos outro grão de areia dentro do planeta Ter- Naquele tempo, havia regiões ra.” Naquela época eu tinha 17 em que você podia trabalhar, anos. Minha cama ficava próximo como São Paulo, Mato Grosso e Goiás. Então montei em Campo Grande. O sonho da minha mãe foi o que moveu o meu, pois quan- Quando vi a sua alegria com aquela chama azul, imaginei milhares de mães com a mesma alegria da janela do quarto, sempre aberta. Eu gostava de ficar olhando o céu, lembrando-me da frase do professor Wilson. O fato de lembrar de que somos um grão de do vi a sua alegria com aquela areia dentro da Terra me deu mais chama azul, imaginei milhares força e coragem para mudar a si- de mães com a mesma alegria. tuação da minha família. Prometi Também me inspirei em a mim mesmo que faria de tudo uma citação do professor de história Wilson Bar- para mudar a nossa vida, usando a frase do pro- bosa Martins. Quando adolescente, estudava no fessor como referência. colégio Osvaldo Cruz, em Campo Grande. A frase dita por ele era a seguinte: “A Terra é como um grão de areia no sistema solar, e nós, humanos, Como foi o início da empresa? Em 1955 abri a Copagaz, Companhia Paulista Agosto/ Setembro 2013 | 53 Luciana Serra meses, o volume da distribuição subiu de 30 para 800 toneladas mensais. Esse foi o primeiro passo para a expansão dos negócios da Copagaz que, desde então, não parou de crescer. Hoje, com sede em São Paulo, somos a quinta maior empresa do País, gerando milhares de empregos diretos e indiretos. Como foi driblar a crise nos anos 90? O setor por inteiro teve dificuldade para sobreviver a essa crise brutal. Chegamos a levantar empréstimos de bancos diferentes, só pra cobrir o prejuízo na época. Mas fizemos um bom trabalho, ajustando o mercado e trazendo leis internacionais, fundamentais para aumentar a segurança do consumidor. O senhor tem um papel importante na adoção de leis internacionais no comércio de botijões. Como foi isso? Quando soube da morte de três crianças, de 12, 10 e 8 anos, no interior de São Paulo, com a explosão de um botijão, fiquei chocado. Graças de Gás, com sede em Campo Grande. Levei nove a Deus não era um botijão Copagaz. Falei com o meses para conseguir o título de distribuidor, jun- meu diretor para pegar uma cópia do atestado de to ao Ministério de Minas e Energia. Comprei 26 óbito e levei à Agência Nacional do Petróleo. Pedi tanques vazios, de uma tonelada. De São Paulo, ajuda ao Congresso para impor aqui as leis de se- mandava dois tanques com duas gurança da Europa e Estados toneladas de gás para Campo Unidos. Nesse tempo, eu fazia Grande. Eram 26 toneladas por mês e como era pouco, eu vendia fogões, reguladores e botijão também. Com isso, dava para melhorar a situação da família. Fiquei trabalhando por seis anos dessa forma. Como tinha autori- A Copagaz está entre as 100 melhores empresas para se trabalhar. Eu acabei com o analfabetismo na minha empresa. zação para atuar aqui (São Paulo), montei uma pequena engarrafadora em Santo Amaro, numa área de 50m2. reuniões a cada 20 dias, em Brasília. Em uma das reuniões surgiram dois técnicos do Ministério da Justiça, da Secretaria de Defesa do Consumidor, dizendo que ali estavam para ajudar, pois conheciam o meu trabalho há mais de quatro anos e ainda sem solução. A partir da ajuda do Ministério da Justiça, concluímos o trabalho em seis meses. As leis foram Como foram os primeiros anos da Copagaz? impostas exigindo testes nos botijões de gás (re- Eu trabalhava sozinho, vendendo gás a prazo qualificação) a cada 10 anos de uso. Em 1997, de uma semana, e no fim da semana, recolhia o deu-se início à requalificação. O setor testou os dinheiro. À época trabalhava com 12 ou 13 fun- 105 milhões de botijões existentes no País e des- cionários. Em Campo Grande, no começo, era só tes, 25 milhões não passaram nos testes, foram um funcionário chamado Bispo. O crescimento destruídos e substituídos por botijões novos. Cus- era lento, havia muita concorrência. Começamos tou uma fortuna às companhias, R$4,5 bilhões, distribuindo uma tonelada de GLP por dia. mas foi gratificante, durmo com a consciência Com a engarrafadora em São Paulo, em seis 54 | Agosto/ Setembro 2013 tranquila. Antes morriam consumidores a cada Luciana Serra três dias, hoje caiu drasticamente. A requalifica- que querem continuar estudando, pagamos 70% ção de botijões é diária, não para mais, a cada 10 dos custos. Somos uma referência na área de em- anos de uso são testados novamente. presas de gás. Quando comecei a engarrafar aqui, meu escritório era dentro da engarrafadora. Eu Qual é o faturamento da Copagaz? saía junto com os empregados e via os funcioná- Produzimos hoje mais de 600 mil toneladas rios perguntando pra onde os ônibus iam, porque por ano. Nosso faturamento chega a R$1,1 bilhão não sabiam ler. Prometi a mim mesmo que quan- e espero um faturamento de R$1,3 bilhão para do tivesse dinheiro, iria alfabetizar todo mundo. este ano. A Copagaz é a quinta maior empresa Tive que esperar mais ou menos uns 20 anos para do segmento, com 7,81% do mercado nacional. por esse plano em ação. Tenho 1300 colaboradores e estamos presentes em 19 estados e no Distrito Federal, por meio de E como o senhor consegue manter essa ajuda educacional? 13 engarrafadoras e uma rede composta por 2,5 Sai muito caro? mil revendedores. Simples, eu poderia ter mais lucro, ter a mais no meu caixa R$1,5 milhão por ano, que é o que A Copagaz tem uma política social muito bem estruturada e gasto na minha fundação, mas gasto esse di- reconhecida. É um diferencial importante para o bom desem- nheiro com satisfação. Por exemplo, a Participa- penho dos funcionários? ção nos Lucros e Resultados é uma espécie de A Copagaz está entre as 100 melhores empre- 14º salário. Se tivermos lucro, por lei devemos sas para se trabalhar. Eu acabei com o analfabe- repassar para o funcionário, mas eu repasso tismo na minha empresa. Levei quatro anos trans- mesmo que não tenha lucro, porque acho que formando a sala de refeições em salas de aula o funcionário é o nosso principal capital e tra- depois do turno de trabalho. Para os funcionários balha em um setor perigoso, do gás, e é uma Agosto/ Setembro 2013 | 55 Qual é o segredo do sucesso? Luciana Serra Acredito que o sucesso veio em função de uma responsabilidade muito grande. Quando comecei a trabalhar, tinha meus 17 anos, cinco irmãos e a minha mãe. Meu pai tinha falecido. Outros fatores como a luta contínua, um pouco de ousadia, a valorização dos colaboradores e dos clientes. Peças-chave do nosso sucesso. Qual a importância de Campo Grande na sua vida? A história de Campo Grande é praticamente a minha. A cidade me pertence um pouco, lá passei a minha juventude, lá sonhei chegar onde cheguei, traçando planos ousados. Todas as vezes que vou à Campo Grande, tenho a sensação de que estou voltando para casa. satisfação dar a eles mais do que têm direito. Na Fundação Zahran, temos cinco escolas de in- IBRAVA formática gratuitas, abertas aos jovens de baixa Além de atuar na distribuição de gás, renda e à terceira idade, em Mato Grosso e Mato com a Copagaz, a empresa passa a ser Grosso do Sul. a única do setor a ter todo o controle da cadeia de produção de gás. Isso se tor- A família Zahran também tem a TV Morena, afiliada da nou possível com a inauguração da In- Rede Globo, porque investir em telecomunicações? dústria Brasileira de Vasilhame – IBRAVA, No pouco tempo de descanso que tinha, gos- responsável pela fabricação de botijões. tava de assistir ao programa “Jovem Guarda”, Com investimento de R$30 milhões, da TV Record, nos anos 60. A televisão parecia advindos de recursos próprios, está lo- ser um sonho impossível no nosso Estado (anti- calizada no município de Monte Mor, go Mato Grosso), mas eu queria que a nossa po- região metropolitana de Campinas, em pulação tivesse acesso à televisão e resolvi, com São Paulo. Inicialmente, a nova fábri- muita ousadia, levar a imagem de TV de São Pau- ca atenderá somente a Copagaz, mas, lo para Campo Grande. Disputei a concessão de no futuro, a venda poderá ser aberta a três canais com dois senadores e o Assis Chate- outras companhias do mercado. Para aubriand, dos Diários Associados. Quando o Cha- atender as novas demandas, com a ex- teaubriand entrou, as pessoas diziam: “Zahran já pansão da atuação da companhia den- perdeu”. Para vencer, praticamente me mudei tro do mercado nordestino, a fábrica para o Rio de Janeiro, por quatro meses. Venci intensificou a sua produção e acaba de todos e montei as TVs Morena em Campo Gran- atingir a marca de 1 milhão de botijões de, Centro América em Cuiabá e Cidade Branca fabricados. em Corumbá. 56 | Agosto/ Setembro 2013 Agosto/ Setembro 2013 | 57 Carreira O segredo dos vitoriosos da Redação “Vencedor é aquele que batalha até o fim.” A frase faz parte do currículo de quem deseja conquistar o sucesso, segundo o especialista em Recursos Humanos (RH), psicólogo Marcelo Comparin, que aponta aos lutadores a mensagem do quadro que exibe em sua sala com os dizeres: It ain’t over ‘til it’s over “só acaba, quando termina.” A reira bem sucedida, desde que desenvolva técnicas, aprendizados e busque um Plano de Cargos e Carreira. “Basta ter planejamento e enxergar as oportunidades”, destaca. Comparin explica que o empresário também pode tirar lucros na seleção de novos vendedores. “Ele deve recrutar o maior número possível de interessados por rádio, jornal, tv e de 100 currículos, a metade é principal ferramenta para trilhar o descartada pelo perfil. Em caminho de uma carreira, de acor- seguida, fique com duas do com Comparin, é ser bom ven- turmas de 25 e faça uma dedor em todos os momentos. “Em geral, a dinâmica de grupo, maioria tem dificuldades de vender as próprias de cada 15, esco- ideias. Na hora de convencer o chefe por um salário maior, por um novo cargo, quem falou que você quer crescer? Falou para quem? É preciso vender a ideia, eu vendo em todas as circunstâncias da vida, quando externo os meus pensamentos”, explica. Na contramão desse pensamento, sobram ofertas no mercado de trabalho para vendedores. Em média, conforme estatísticas da Fundação de Trabalho (Funtrab), são 100 vagas por mês. “As vendas se tornam o purgatório dos desempregados, o mercado sempre precisa e há uma defasagem que aqui é bem maior, a empresa não encontra o profissional específico e fica o paradoxo de muitos desempregados mesmo havendo muitas ofertas”, comenta Marcelo Comparin. Para o especialista em RH, ingressar na função de vendedor e ser o escolhido para atuar neste setor pode ser o começo de uma car- 58 | Agosto/ Setembro 2013 lha três ou cinco. Aplique os últimos testes e alguém será escolhido. O chamariz É a chance de encontrar talen- tos.” Plano de Cargos e Carreira O segredo das empresas com metas de vendas cumpridas, gundo se- Marcelo Comparin, é o investimento em Recur- sos Humanos. “A solução dos problemas está na própria empresa: investe-se em RH e o RH gera lucros.” Assim, desde o início de 2000, os empresários vêm adotando o programa de Plano de Cargos e Carreira. Para o especialista em RH, é um dos mecanismos para manter o bom funcionário na empresa, após prepará-lo para o mercado. “Na maioria das vezes, não se encontra um profissional pronto. A empresa investe e o capacita, quando ele passa a ser bom, é visto por todos. É preciso ter um meio de reter os talentos e o Plano de Cargos e Carreira pode ser a solução”, cita Comparin. Atualmente, segundo ele, os profissionais não estão interessados apenas em salários, mas também buscam o crescimento profissional. E, com o Plano de Cargos e Carreira, o funcionário saberá até onde pode chegar e quanto tempo levará para alcançar seus No começo deste ano, a Lojas Renner ofereceu 50 vagas em Campo Grande, no setor de vendas, para atuar no Shopping Bosque dos Ipês. O principal atrativo foi uma estrutura de cargos que prevê o crescimento na carreira sem, necessariamente, haver promoção, ou seja, há perspectivas de ganhos salariais sem que haja a necessidade do colaborador mudar de cargo. Para isso, é importante que ele desenvolva e adquira as competências do seu cargo. Segundo assessoria, as oportunidades na Renner são divulgadas por meio do Portal RH e de e-mails e cartazes de divulgação internos. Os colaboradores devem comunicar o interesse à sua liderança imediata, que deverá estar ciente e de acordo. É pré-requisito para promoção a análise da última avaliação de desempenho. Cada colaborador recebe em média 150 horas de treinamento durante o ano. O programa de benefícios tem auxílio-alimentação, plano de saúde, vale-transporte, participação nos resultados da companhia, entre outros. Há 5 anos, o Centro de Diagnóstico Cardio Vascular, em Campo Grande, criou o programa de Plano de Cargos e Carreira. Hoje, a administradora local, Zenilda Valdez, 45, que há 14 trabalha na empresa, sente a diferença. “Passou a ser o nosso diferencial no ato da contratação e o rendimento dos funcionários aumentou. Todos estão motivados internamente para assumirem novas funções e responsabilidades. Vivemos um período de ascensão, a clínica começou com 15 funcionários e, agora, são 80 em uma sede própria”, comparou. objetivos dentro da empresa. “É uma forma Agosto/ Setembro 2013 | 59 dentro da organização.” A falta de um projeto de carreira, segundo Comparin, Paulo Oliver de estimular e reter talentos pode comprometer o rendimento do funcionário, principalmente se ele pudesse ser promovido e a vaga for ocupada por um profissional de fora. Durante três anos, Rodrigo Rodrigues trabalhou em uma empresa administrativa. Bom funcionário, atendeu ao departamento. Na hora que surgiu a oportunidade dele comandar a equipe, a empresa O consultor em Recursos Humanos, Marcelo Comparin (na foto em pé), aconselha a escolher um emprego pela oportunidade de crescimento profissional contratou um novo funcionário para o cargo. Como conse- um outro emprego, numa re- ciente para mim mesmo ao ser quência ele ficou desmotivado presentação de vendas de contratado por uma empresa e só voltou a acreditar no seu materiais que tem um Plano de Cargos potencial quando foi buscar consegui mostrar que sou efi- veterinários. “Só e Carreira.” MICROART: equipamentos, móveis e suprimentos de qualidade para a sua empresa. Temos tudo que a sua empresa precisa para que você possa oferecer o melhor serviço aos seus clientes: • Informática • Móveis para Escritório e Home Office • Suprimentos • Móveis Linha Pandin • Telefonia Fixa e Móvel • Equipamentos para Segurança A Microart vai além: facilita as formas de pagamento para que a sua empresa fique do jeitinho que você sempre quis. em PARCELE até 48X 12X Cartão FCO 48X em FINANCIE até 36X Sujeito a aprovação - Taxa de 2,5% a.m. 60 | Agosto/ Setembro 2013 www.microartms.com.br Matriz R. 14 de Julho, 1169 3029-5000 Filial Av. Afonso Pena, 2728 - Centro 3026-5008 Agosto/ Setembro 2013 | 61 Paulo Oliver Franquias Campo Grande exporta franquias por Súzan Benites [email protected] Empresas campo-grandenses expandem modelos de negócios pelo Brasil Franquias nascidas em Campo Grande se espalham pelo país e levam as mais variadas opções de produtos e serviços ao consumidor. Essas empresas atuam em diferentes segmentos como a Multicoisas, no mercado de varejo e utilidades; a Amoo Bijoux, com acessórios femininos; o Sobá de Campo Grande, com culinária regional e japonesa e a Chanton, com chocolates, tortas e sorvetes. Para vender unidades, os empresários participam de feiras de franchising e alguns sites de vendas de franquias, onde é divulgado o modelo do negócio. 62 | Agosto/ Setembro 2013 O empresário Lindolfo Martin é um arquite- meiras franquias do Brasil”, recorda. to do varejo. Com a esposa Elza Tomoko Mar- O crescimento foi contido nos primeiros 18 tin, construiu um império em Campo Grande. anos. Em 2008 eram 60 lojas e a empresa re- Ele se emociona ao falar sobre a importância do solveu criar um plano mais arrojado para os Estado para seus negócios. Em 1978 nasceu a próximos dez anos. “Entendemos que o número Multicasa, empreendimento voltado à área da razoável é ter 360 lojas até 2018. Em cinco anos construção. O empresário que valoriza acima de passamos de 60 para 161 lojas”. Hoje a Multicoi- tudo o conhecimento e a regionalidade, enten- sas está em 21 estados e no Distrito Federal. deu que para atender as necessidades de seus Para ter uma franquia o custo é R$700 mil, clientes precisava de um comércio de soluções sem envolver local e reforma. O faturamento para os reparos do dia a dia e assim, em 1984, médio de uma loja chega a R$155 mil mensais. abriu a Muticoisas. O empresário vê o sistema tributário como A empresa, que hoje atua entre as maiores desafio do crescimento e ocupação de outras redes de franquias do Brasil, nasceu com autos- cidades. “É uma das coisas mais complexas hoje serviço, informatizada e pensando em soluções no Brasil para se ter uma franquia. Em cada es- para o cotidiano. “Ao longo dos anos, entre 84 e tado funciona diferente.” O plano da empresa é 90, fomos aperfeiçoando o conceito da marca.” ocupar melhor o território nacional e, no futuro, Em 1990 Lindolfo Martin percebeu que era pensar em expansão internacional, mas isso não importante crescer e, entre as opções de abrir está no planejamento dos próximos cinco anos. uma filial ou virar franquia, escolheu a franquia. “Nessa época tínhamos uma Multicasa em Cuia- Treinamento qualificado bá. Acabávamos dividindo os recursos humanos A rede possui uma Universidade da Franquia, nhamos. Eu nem sabia que eu seria uma das pri- aqui em Campo Grande, onde são oferecidos Paulo Oliver e financeiros, arriscando muito mais do que tí- Lindolfo Martin, da Multicoisas - empresa com mais de 160 franquias no país Agosto/ Setembro 2013 | 63 64 | Agosto/ Setembro 2013 treinamentos continuados para o franqueado, Lindolfo acredita que o sucesso depende de com um modelo de gestão. Para os vendedores, cada um. “O indivíduo deveria buscar sua pró- técnicas de venda de produtos; para o operador pria visão de sucesso, não copiar modelo algum. de sistema, treinamento de automação e área Para obter o sucesso empresarial é necessário administrativa. Além disso, outros mais específi- fazer o que gosta. Ter pessoas que complemen- cos, em capitais, para exercer a liderança. A filo- tem o que você não tem. Capacidade de pro- sofia da empresa é valorizar as pessoas através dução, empreendedorismo, integração e admi- do conhecimento. “Demora em torno de um mês nistração do negócio. E não misturar o bolso para formar a equipe de uma loja. Vendemos um pessoal e da empresa”, reforça. formato de negócio, um serviço pro cliente, é esse serviço que nos dá uma identidade como marca. Se ele receber um serviço diferente de um lugar para o outro, não vai perceber o valor e o formato da marca” disse Lindolfo. A administração da rede é dividida entre Campo Grande e São Paulo. A diretoria de produtos, marketing e a gerência geral de distribuiGrande estão as operações, recursos humanos, formação de pessoas, administração e financeiro. Quanto a manter um pé na capital, Lindolfo Paulo Oliver ção e logística ficam em São Paulo. Em Campo diz: “tenho uma gratidão a Campo Grande, porque aqui eu vim, a gente cresceu, desenvolveu os conceitos. Gostaria de deixar esse legado A projeção para 2018 é ter 360 lojas da Multicoisas no Brasil para a cidade”, explica. Dicas do empresário para transformar o negócio em franquia: • Para ser franqueador o primeiro passo é ter unidades-piloto que tenham resultado. • Ter facilidade para conviver com pontos de vista divergentes, pois ao lidar com sócios independentes, as ideias serão conflitantes e o franqueador precisa chegar a um senso comum. • O negócio precisa estar respaldado em conceitos formais. • A tecnologia tem que ser transferível. Não pode ser algo que dependa de talento artístico. Construir algo multiplicável. • Ter paciência para esperar uma escala para gerar resultados como franquia. Só se obtém resultados a longo prazo. • Necessária formação específica, estudar profundamente franquias. No Brasil tem vários profissionais que dão formação e a ABF - Associação Brasileira de Franchising – oferece cursos também. • Tem que pensar como se fosse uma grande sociedade. Agosto/ Setembro 2013 | 65 Em destaque: Jovens franquias Amoo Bijoux ca André. A Amoo Bijoux participou de feiras em Belo Horizonte, da ABF Expo em São Paulo As franquias saídas do Estado não param e no Rio de Janeiro. na MultiCoisas. Com três anos de existência, a O segredo do sucesso para André Rejani “é Amoo Bijoux, criada por André Socha Rejani e trabalhar com amor. Passar para todos os fun- Janaina Baravelli Vicente, começou com duas cionários o mesmo sentimento. São vários co- unidades em Campo Grande. Há um ano no rações batendo por um mesmo ideal”, finaliza. mercado de franquias a empresa está em oito estados: Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Santa Catarina e Amapá, com 23 unidades no total. “A Amoo Bijoux foi criada com o intuito de ser uma rede de franquias mesmo. As duas unidades foram um teste para depois podermos expandir. Víamos no mercado de acessórios uma lacuna a ser preenchida” diz André. O investimento para abrir uma franquia varia nas duas modalidades em que a empresa atua. Os quiosques são a partir de R$120 mil. E uma loja com 30 m2 é necessário capital de R$213 mil. O retorno do investimento Fotos: Divulgação é calculado entre 18 e 36 meses. Voltado para as mulheres de espírito jovem, o comércio destaca como diferencial a variedade dos produtos. “Proporcionamos uma loja mais sensorial, que a cliente se sinta à vontade. Conseguindo despertar o consumidor, também fortalecemos a venda de franquias” diz André. O empresário planeja crescimento rápido até o fim de 2014. “A expectativa são 50 contratos fechados até o final de 2013 e mais 50 no ano seguinte. Pretendemos ter 100 lojas até o fim de 2014.” O processo de treinamento de funcionários é assessorado pelos franqueadores. “Antes de inaugurar a unidade o franqueado faz treinamento gerencial, de produtos e uma compra assistida. Depois vamos a unidade e treinamos funcionários, gerentes, vendedores e caixa. E ainda temos um consultor de franquias e o marketing da empresa para dar suporte”, expli- 66 | Agosto/ Setembro 2013 André Rejani e Janaína Vicente são proprietários da Amoo, loja de bijuterias, como as vistas acima Sobá de Campo Grande segunda loja, no Shopping Bosque dos Ipês, por um contato feito na participação deles na ABF A Franquia Sobá de Campo Grande nasceu Franchising Expo 2011. “Fomos lançados na feira com a necessidade de uma produção maior de franchising e isso nos rendeu uma boa expo- com a mesma qualidade. Os feirantes e empre- sição na mídia e muitos contatos. Foram mais de sários Marcos Taira, Patrícia Yoza, Marcos Shin- 200 e-mails”, diz Taira. zato, Carlos Okama e Hélio Guenka abriram a Para ele, o sucesso vem com “a dedicação, primeira loja há um ano e meio. Segundo Marcos um pouco de sorte e saber aproveitar as opor- Taira, a ideia surgiu aos poucos. “Primeiro fomos tunidades”, conclui. incubados pela prefeitura. O Sebrae Nacional e a Associação Brasileira de Franchising (ABF) selecionaram empreendimentos que pudessem presas de todo o Brasil e fomos escolhidos.” A franquia pode ser loja, restaurante de rua ou fast-food. O investimento médio é de R$250 Paulo Oliver virar franquia. Concorremos com outras 26 em- mil. Com faturamento bruto de 20% ao mês, o retorno é esperado em 36 meses. O público consumidor é diversificado e a experiência é o diferencial. “Na franquia temos o melhor de cada um.” O empresário diz que os planos de expansão visam São Paulo, Curitiba, Brasília e Rio de Janeiro e que não acredita que a diferença cultural atrapalhe no sucesso do negócio. “Talvez em outros estados o foco inicial não seja o sobá e sim algum dos nossos outros produtos. Mas com o tempo, o sobá vai agradar o paladar deles também”. Taira não economiza nos planos: “quem sabe um dia o Sobá de Campo Grande faça o caminho de volta e chegue até Okinawa, não custa sonhar”, conclui. O negócio é administrado por setores. Taira cuida da parte de pessoal, contratação, marketing e comunicação; Shinzato, do financeiro e estrutural; Hélio, o know-how e Patrícia e Carlos, do treinamento dos funcionários. “Fizemos cursos de manipulação de alimentos e treinamentos de gestão. Hoje a gente vê que a franquia nos deu uma visão diferenciada”. O Sobá de Campo Grande abre sua Sobá Originário de Okinawa, no Japão. Patrimônio imaterial da cidade, se enraizou na cultura da capital, 3º município no País com mais descendentes japoneses. Os empresários Marcos Taíra e Marcos Shinzato são sócios da franquia Sobá de Campo Grande Agosto/ Setembro 2013 | 67 Chanton A Chanton é outra franquia que nasce em berço campo-grandense. A empresa atua desde 1995 com venda de chocolate no varejo para empresas e convênios. A primeira loja da rede veio em 1998, e a primeira franquia em 2011. A empresária Josi Regina Benatti hoje tem três Divulgação lojas próprias em Campo Grande e duas franquias, uma em Cuiabá e outra em São José do Rio Preto. “Começamos a estudar a melhor forma de expansão e vimos na franquia a opção mais consolidada”, diz Gabriela Codorniz, coordenadora comercial da loja. Com público entre 25 e 50 anos, a maioria da classe C, a empresa espera consolidar as franquias existentes para depois vender novas unidaGabriela, com o produto semi-artesanal – mistura de chocolates nacional e Paulo Oliver des em dois anos. Segundo importado - a empresa precisa mostrar seu diferencial. “Temos um sabor incomparável, um preço acessível e exclusividade nos produtos e embalagens. Para que o consumidor saiba que foi feito com amor.” Uma franquia da Chanton custa R$165 mil e o retorno é calculado entre 24 e 36 meses. Na loja os funcionários acompanham toaprendem a fazer bolo, chocolate, confeitar e a embalar o produto. Microempresa acarreta isso, todo mundo precisa saber um pou- Divulgação dos os setores e etapas de fabricação. “Eles quinho de tudo”, afirma Gabriela. A Chanton participou de uma feira em 2012 em São José do Rio Preto. Foram dois dias de feira. “Nós levamos uma estrutura de mini-loja onde fizemos a comercialização dos produtos. Foi positivo, pois tínhamos vários lugares, a visibilidade foi boa”, diz a coordenadora. Para a empresária Josi Benatti sucesso é “ter um sonho, construir objetivos de curto e longo prazos, ser focada e comprometida integralmente com eles.” 68 | Agosto/ Setembro 2013 A Chanton é uma loja especializada em chocolates e abriu sua primeira franquia em 2011 Agosto/ Setembro 2013 | 69 Tendências por João Marcelo Sanches [email protected] Cada vez mais, o campo-grandense sente a falta de serviços durante a madrugada, o que pode ser uma opção de mercado O crescimento das cidades gera demanda proporcional por prestações de serviços nos mais variados horários. Ao conciliar a vida pessoal e a profissional, as pessoas têm cada vez menos tempo para alguns afazeres simples como, por exemplo, pagar uma conta. Para isso, os grandes centros oferecem diversas opções de comércio durante a madrugada, buscando atrair este consumidor que precisa resolver suas pendências. Na capital, a procura por esse tipo de serviço é grande e mostra uma opção de negócio ainda pouco explorada. 70 | Agosto/ Setembro 2013 Paulo Oliver Diego Boeira Portela é franqueado do Fran’s Café Para os consumidores, o atendimento 24 Muita gente me agradecia por ser 24 horas no horas é uma reivindicação. “Eu costumo sair começo, mas passando o tempo eu vi que a ci- muito a noite com os amigos e sinto falta, por dade, durante a semana, ainda não tem cultura exemplo, de um local de qualidade para comer. de atividades na madrugada”, afirma. As únicas coisas que ficam abertas de madru- Desde maio de 2011, a cafeteria funciona 24 gada são lanchonetes”, afirma a estudante horas de quinta até sábado, e fecha à meia- Thaís Pimenta, de 20 anos. -noite no domingo. Nos outros dias da sema- A psicóloga Juliana da Silva, 24, enfrenta na, fica aberta até 23h. Diego explica que os dificuldades com bancos. “As agências fecham produtos vêm prontos de São Paulo, e são ar- às 22h e eu tenho que correr atrás de alguma mazenados em uma câmara fria que funciona farmácia ou mercado 24 horas que tenha um todo o tempo, independentemente de a loja caixa eletrônico.” estar aberta ou não. O maior empecilho é em Dá certo? relação aos funcionários. “É difícil arranjar empregados que aceitem trabalhar nesse período, porque você transforma a vida deles. A pessoa O empresário Diego Boeira Portela, fran- precisa ter consciência de que se vai trabalhar queado do Fran’s Café na capital, abriu sua durante a noite, precisa dormir e descansar de primeira loja em dezembro de 2008, com o in- dia. Tive muito problema, como chegar na loja tuito de ser 24 horas por ser o padrão da fran- e encontrar todo mundo dormindo. Isso não é quia. Ele investiu na publicidade, enfatizando só aqui, mas por não ter essa cultura, acho que o horário de funcionamento. “Mantive aberta fica mais agravado.” constantemente por praticamente dois anos. Para o empresário toda a cidade precisa Agosto/ Setembro 2013 | 71 to. “Não pode dar mancada, do tipo: um aluno Divulgação chegar e não ter professor”, afirma Ivete. Alguns problemas menos convencionais também podem ser empecilho. A padaria Pão & Tal atende todos os dias, das 6h às 22h. Apesar de ter estrutura para ser 24 horas, a proprietária não tem interesse. “Já tivemos uma experiência de abrir às 5h, mas o pessoal que chegava da balada dava trabalho” explica a gerente Marli Ramos Pereira. Segundo ela, houve situações em que clientes alcoolizados criaram confusões dentro do estabelecimento. Situações deste tipo são menos prováveis de serem repetidas na DT Lan House 24h, aberta em 2010. O empresário Daniel Cândido diz que o começo foi difícil, mas que hoje consegue manter bom movimento durante todo o dia. O público é principalmente de gamers. A lan house funciona com três turnos por dia durante a semana, mais um folguista aos domingos, único dia em que a loja não abre 24 horas e fecha duas e meia da tarde. Para os funcionários, não há dificuldade para ir embora Claudia Bittencourt é diretora de marketing e pelos horários dos turnos. Quem se responsa- desenvolvimento do Grupo Bittencourt biliza pela madrugada entra as 22h e sai às seis da manhã. funcionar 24 horas, mas como em Campo Além do local, a diretora de Marketing e De- Grande o transporte público é escasso durante senvolvimento do Grupo Bittencourt, Claudia a madrugada, um funcionário desse tipo de co- Bittencourt, destaca: “o empreendedor preci- mércio tem grande dificuldade de voltar para sará investir em uma equipe maior. Terá que se casa com a escala de ônibus deficitária. Segun- preocupar com a segurança, identificar qual o do ele, a Associação Comercial e Industrial de tipo de público precisa atrair e principalmente, Campo Grande (ACICG) já encaminhou recla- analisar criteriosamente o quanto estender o mação formal à prefeitura, pedindo melhorias horário da operação vai gerar rentabilidade. É no serviço. importante que ele faça as contas e entenda A Prefeitura Municipal de Campo Grande informou que caso seja confirmada a demanda por estes serviços, novos horários de ônibus poderão ser implementados. se os ganhos de ser 24 horas compensam em relação aos custos” diz a consultora. Para Bittencourt, a cultura local é o principal aspecto na falta de comércio durante a Em São Paulo, um exemplo de que tem pú- madrugada. Campo Grande ainda não tem o blico para o comércio 24 horas é a Academia ritmo acelerado de uma metrópole que es- Gaviões. A gerente Ivete Aguiar Silva explica timula o consumo a qualquer hora do dia. que para funcionar sem interrupção, há vários Contudo, com uma pesquisa que identifique turnos e folguistas para os fins de semana e hábitos e comportamentos do público, ou ne- feriados. Os custos para manter a Gaviões cessidades de adaptações, é possível oferecer sempre aberta são como os investimentos no atendimento 24 horas. A demanda, ainda que marketing da empresa e o fundamental para não seja tão grande como em grandes cen- que o negócio dê certo é o comprometimen- tros, já existe. 72 | Agosto/ Setembro 2013 Agosto/ Setembro 2013 | 73 Política Econômica Devo, não nego. E pago. Índices do comércio e do setor imobiliário confirmam a fama de bom pagador do sul-mato-grossense por Súzan Benites O consumidor do Estado é culturalmente adimplente, traz de berço a tradição de cumprir com seus compromissos, fato constatado recentemente no setor imobiliário. O superintendente regional da Caixa Econômica Federal, Paulo Antunes de Siqueira, diz que a inadimplência no Estado é baixíssima. “Nesses últimos seis anos tem sido uma das menores do Brasil, girando em torno de 1%. Isso se deve a qualidade na concessão e ao pleno emprego. As pessoas têm renda e capacidade para o pagamento de suas dívidas.” Renato Perez, da Perez Inteligência Imobiliária, confirma. “A gente percebe uma qualidade de carteira muito boa. Apesar de ser um mercado ainda em desenvolvimento, os negócios aqui na cidade são saudáveis. Esse é um dos moti- vadores da vinda de algumas empresas para a capital”, considera. O índice de inadimplência apurado no mês de junho foi de 11,34%. Segundo a Associação Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) o dado não é alarmante, já que o número verificado em maio foi de 5,96%. A média apu- 74 | Agosto/ Setembro 2013 rada do primeiro semestre de 2013 é de 5,89%, menor do que no mesmo período de 2012, que foi de 6,24%. O comportamento da inadimplência no setor varejista tem como amostra os dados do Serviço Central de Proteção ao Crédito administrado ACICG. (SCPC), pela O banco de dados do SCPC de Campo Gran- (CEIF/FCO) em Mato Grosso do Sul, explica que de encerrou o 1º semestre de 2013 com 120.018 para liberação de verba, as pessoas - física e ju- devedores, responsáveis por débitos equiva- rídica – são analisadas na ótica das viabilidades lentes a R$81.243. No mesmo período de 2012, econômica e financeira. “Quando o banco em- observa-se número equivalente de devedores - presta, a chance de ter sucesso é grande, pois 120.090, responsáveis por débitos de R$77.180. é avaliado todo o histórico financeiro. Por isso, Mesmo com o fato da dívida atual ser maior, o a inadimplência é baixa, é inferior a 3% ao ano.” cálculo do índice de inadimplência não tem re- Segundo ele hoje são aplicados R$4,2 bilhões na lação com o valor do débito e sim com a quan- economia do Estado. Sendo de 12 a 15 mil bene- tidade de pessoas negativadas. ficiários por ano. Para Renato Paniago, diretor do SCPC, “à pri- A inadimplência calculada pelo Serviço de meira vista, a elevação do índice significa acumu- Proteção ao Crédito - Brasil - aumentou em lação de registros negativos, visto que não existe junho 1,52%, na comparação com o mesmo periodicidade obrigatória para que o lojista ins- mês de 2012, o menor índice da série histórica creva o nome do devedor no banco de dados, dos últimos 18 meses. O SPC informa também exceto o fato de ter que respeitar o prazo de 45 que as vendas a prazo, no comércio varejista, dias entre o vencimento do débito e a efetiva in- desaceleraram pelo terceiro mês consecuti- clusão na relação de consumidores negativados.” vo. Em junho, houve uma variação positiva de Outro setor de baixa inadimplência é o do 0,65% na comparação com o mesmo período Fundo Constitucional de Financiamento do de 2012. Esse é o menor crescimento anual Centro-Oeste (FCO). Jerônimo Alves registrado desde janeiro de 2012. Os dados Chaves, secretário-executivo do Con- são do indicador mensal do SPC Brasil e da selho Estadual de Investimen- Confederação Nacional dos Dirigentes Lojis- tos Financiáveis pelo FCO tas (CNDL). Dicas do SPC para evitar a inadimplência Privilegiar pagamentos à vista Fazer planejamento financeiro com planilha mensal de gastos e preferir menos prestações nas compras à prazo. Somar os juros e calcular o preço final dos produtos comprados a prazo - para ter uma ideia do valor pago em juros. Não se ater ao valor da prestação, e sim ao preço final da mercadoria, e manter uma “reserva financeira” por segurança. Não comprometer toda sua renda com compras. Agosto/ Setembro 2013 | 75 Linha de Produção CAMPEÃ NA GERAÇÃO DE EMPREGOS ARGILA NO INTERIOR O setor industrial de Mato Grosso do Sul criou 8.557 postos de trabalho formais de janeiro a maio deste ano. O segmento com mais vagas foi o da indústria de transformação, com 4.257, seguido pela construção civil, com 4.149 novas vagas. De acordo com a Divulgação Federação das Indústrias do Estado, quase metade dos postos de trabalho criados este ano vem do setor industrial. Nos últimos 12 meses, foram abertos, em média, 676 postos formais por mês. O setor emprega hoje O Laboratório de cerâmica do Senai, 640 mil trabalhadores, aumento de 3,61% instalado em Rio Verde, começou a em relação ao registrado em 2012. pesquisar argila em São Gabriel do Oeste, norte de Mato Grosso do Sul. Durante 18 meses, técnicos vão identificar o tipo, a qualidade e o que pode ser produzido com a matéria-prima. A ideia é criar um banco de dados para oferecer às indústrias com interesse de Divulgação se instalar no município. O estudo verifica a possibilidade de fabricar blocos, telhas, revestimentos cerâmicos e isoladores elétricos. GOVERNO DÁ INCENTIVOS PARA INDÚSTRIAS SUSTENTÁVEIS 76 | O governador André Puccinelli deve- total do Imposto sobre Serviço (ISS) conceder até 90% de incentivos fiscais para a construção da fábrica e isenção para que uma usina de reciclagem de do IPTU por dez anos. De acordo com alumínio se instale no município de Pa- o empresário, a usina será instalada em ranaíba. A prefeitura da cidade se com- duas etapas que totalizarão pouco mais prometeu em doar o terreno para a im- de um ano e vão gerar 300 empregos plantação da indústria, além da isenção diretos. Agosto/ Setembro 2013 ESPANHÓIS NO ESTADO MAIS DINHEIRO A Salerm Cosméticos, com sede em Barcelona, na Espanha, estuda abrir uma fábrica em Mato Grosso do Sul. A empresa tem faturamento anual de cerca de €120 milhões, sendo que 60% das suas vendas são realizadas fora da Espanha. O governo se comprometeu a dar incentivos e benefícios fiscais e de autorizações como as da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sejam Divulgação ainda ofereceu auxílio para que a tramitação ágeis. O investimento mínimo previsto é de US$40 milhões, com geração inicial de 350 Os recursos do Banco Nacional de Desen- empregos. volvimento Econômico e Social (BNDES) nos cinco primeiros meses de 2013, aumentaram 67% em comparação ao mesmo período de 2012, somando R$73 bilhões. A maior expansão relativa foi registrada Divulgação na indústria (123%), que recebeu recursos no valor de R$25,8 bilhões. Para as micro, pequenas e médias empresas foram destinados R$27,4 bilhões até maio. O resultado ficou 60% acima do verificado no mesmo período de 2012. C O N S U LTO R I A E M E D I C I N A D O T R A B A L H O Agosto/ Setembro 2013 | 77 78 | Agosto/ Setembro 2013 Paulo Oliver Paulo Oliver DivuDivulgação lgação Negócios da moda Orgulho de ser da terra por Súzan Benites Empresas investem em moda para levar a temática regional e produtos característicos do Estado aos mercados nacional e internacional A moda exige técnica e transformação. O principal desafio para quem trabalha com ela é aliar o conhecimento a planos de negócios. A estratégia adotada por algumas empresas sul-mato- grossenses é a união da moda com a cultura regional, mostrando estampas, couros e particularidades da região para o Brasil e para o mundo. Agosto/ Setembro 2013 | 79 São bolsas, sacolas retornáveis, acessórios, Divulgação calçados e brindes. “É muito legal fazer isso, serve como cartão postal e prova que somos bons em moda, mesmo estando longe. Há muita gente talentosa e criativa no Estado, precisamos meter a cara”, afirma a empresária Isabel Doering Muxfeldt, responsável pela gestão da empresa Joias do Pantanal junto com a sócia, Verhuska Pereira. A empresa Campo Grande a Tiracolo, acredita na expansão dessa moda, utilizando estampas em bolsas com temas regionais com motivos de pássaros, peixes e paisagens. “Eu utilizo elementos que remetam ao Estado, fugindo um pouco dos tuiuiús e onças que todo mundo usa”, diz Monique Klein, proprietária da marca. A Cruzeiro Botas também leva a cultura regional Peça da Joias do Pantanal confeccionada com chifre bovino e tiras de couro além das fronteiras desde 1960. O negócio familiar chegou a fechar as portas por um curto período, A empresa Joias do Pantanal é outro exemplo, mas voltou com força total para as atividades em ao trabalhar com produtos típicos, dificilmente 2008. Kellyo Benites, dono da empresa, produz associados ao mundo da moda. Acessórios artesanalmente cada uma das peças. O diferencial femininos fabricados com chifre de boi lapidado, são as peles exóticas e o design personalizado. São fibras de algodão e couro e seda de algodão. A feitas de carneiro, peixes (como pescada amarela, chamada biojoia apoia o consumo responsável e tilápia e pirarucu), lagarto, cobras (píton e naja), a preservação do meio ambiente, reaproveitando arraia, avestruz, tubarão, jacaré, foca, elefante e um material que seria descartado: o chifre. O as de couro bovino que imitam outras texturas. processo de produção é artesanal. A empresária As peles são compradas de três fornecedores, Verhuska Pereira desenha as peças. “Seguimos as sendo dois brasileiros e um mexicano. Tudo com tendências da moda, as principais cores, tamanhos certificação do Ibama. dos acessórios para agradar os diversos estilos das consumidoras”, afirma Isabel. Os parceiros Paulo Oliver limpam, cortam e fazem a lapidação do chifre, obtido nos frigoríficos. Isabel conta que as primeiras peças não tinham o acabamento delicado e feminino devido à dificuldade do trabalho dos artesãos, acostumados a fazer berrantes e cuias (copos de chifre). “Hoje a aceitação e a receptividade são boas, tivemos que trabalhar muito pra isso acontecer. No início foi difícil, era tudo muito rudimentar.” Para a jornalista e empresária Monique Klein, a junção de materiais recicláveis, moda e cultura regional cria a oportunidade de fazer diferente. A Campo Grande a Tiracolo produz sacolas retornáveis, bolsas e mochilas, feitas com lonas Bolsa da empresa Campo Grande a Tiracolo traz a temática pantaneira na estampa 80 | Agosto/ Setembro 2013 de caminhão, malotes de empresa de entregas e materiais publicitários reciclados. Paulo Oliver A Cruzeiro Botas trabalha com couros de diferentes espécies de animais Exportação as Olimpíadas como potencial a ser explorado. “Acredito que o Brasil vende muito. As pessoas A comercialização da Joias do Pantanal é feita principalmente pela internet e por vendedoras, em feiras de artesanato e em uma loja em Campo Grande. Os produtos são começam a ver os produtos brasileiros com outros olhos.” Público exportados para Portugal e Estados Unidos por venda direta pelo site. “A exportação não As bolsas atingem um perfil específico de público que, de acordo com Monique, são é nosso foco principal. Mas nos preocupamos em seguir as regras internacionais. A base dos brincos é feita sem níquel para que não tenha problemas em outro país”, considera. “Há muita gente talentosa e criativa no Estado, precisamos meter a cara” profissionais liberais, jornalistas, professores e acadêmicos. Pessoas bem informadas, que gostam de consumir produtos diferentes e exclusivos. Todas as peças da marca vêm Já o público da Joias do com texto e instruções em Pantanal é basicamente feminino, português e inglês. com mais de 25 anos, das mais Klein já expôs seus trabalhos clássicas às despojadas. Isabel na Rio+20, Copa das Confederações e no credita o sucesso da marca à exclusividade, “quando Ecolution, desfile organizado pela Casa Moda, você tem um brinco que é só seu, o modelo pode em Nova Iorque. E considera a exportação até ser igual, mas o chifre nunca é, então as peças uma alternativa para expandir sua marca. serão sempre diferentes.” “Tenho expectativa de exportar mais. Pretendo Kellyo diz que a cultura regional sempre abriu ir em janeiro para Berlim numa feira de moda espaço para o sucesso de seus produtos, pois, sustentável. O europeu gosta muito desse tipo pecuaristas, músicos e profissionais de diversas áreas de coisa.” A empresária vê a Copa do Mundo e usam o calçado que produz. Mas que, sem dúvidas, Agosto/ Setembro 2013 | 81 a valorização do sertanejo impulsionou as vendas. “Os cantores querem coisas Paulo Oliver exóticas, diferentes e exclusivas. Quando alguém famoso usa um calçado desses, tanto os fãs quanto colegas de profissão querem saber onde encontrar a bota.” Michel Teló, Sérgio Reis, Milionário e José Rico são alguns dos cantores/ consumidores citados pelo empresário. O público não é exclusivamente sertanejo e ligado ao mundo rural. Há ainda roqueiros, empresários, e outros motociclistas, advogados, profissionais médicos que usam esse tipo de calçado no dia a dia. O empresário discute o modelo com o cliente, desenha e depois faz todo o processo de fabricação, corte, Divulgação costura e finalização da bota. Preços As biojoias custam entre R$15 e R$230. Para chegar a esse formato de negócios e preços, a empresa contou com consultorias. “Tivemos várias orientações com o Sebrae, fomos incubadas na Fundação Manoel de Barros por algum tempo. O que nos ajudou bastante para chegarmos ao resultado de hoje”, finaliza Isabel. A média de preços das bolsas é entre R$45 e R$120. “As pessoas acreditam custa caro para fazer um produto de qualidade”, pondera Monique. Paulo Oliver ser barato pois é reciclável. Porém Já as botas variam entre R$350 e R$2,5 mil. São comercializadas na loja física em Campo Grande e pela internet. A divulgação dos produtos conta com o site e as redes sociais. A entrega é feita para todo o Brasil e para outros países, via correios e transporte aéreo. São cerca de 50 pares por mês. O empresário tem planos de expansão para lugares com público potencial, como os estados de Goiás, Minas Gerais e interior de São Paulo. 82 | Agosto/ Setembro 2013 Botas exóticas, biojoias e sacolas recicladas conquistam os mercados país afora Agosto/ Setembro 2013 | 83 Paulo Oliver Gastronomia e Negócios 84 | Agosto/ Setembro 2013 Churrasco hermano por João Marcelo Sanches Com a proposta de trazer o sabor do churrasco argentino para Campo Grande, Parrilla Pantaneira se firma como empreendimento de sucesso Agosto/ Setembro 2013 | 85 O consumo da carne em Mato Grosso do Sul está enraizado na nossa cultura e o churrasco é uma tradição que não pode faltar. No Estado que produz uma das melhores carnes do mundo, Pedro Luiz Domingues percebeu a falta da parrilla na diversidade gastronômica da região. Inspirado nos vizinhos sul- conduz o restaurante como uma empresa, seguindo um plano de negócios. “Fomos criados com um bom alicerce. Sabemos de onde viemos, onde nós estamos e onde vamos chegar. Nosso foco são as cidades de médio porte, e não as maiores, onde casas de parrilla já existem.” A ideia é inaugurar até seis filias, começando por Maringá (cidade natal de Domingues) no começo de 2014. Posteriormente, há o projeto de abrir para franqueados, que pode ser antecipa- americanos, o empresário trouxe para Campo Grande o restaurante Parrilla Pantaneira, que há mais de um ano encanta os consumidores do dependendo dos resultados das novas lojas. com seu sabor e ambiente, utilizando a técnica típica da gastronomia argentina. Paulo Siuff, Paulo Corrêa, Edil Albuquerque, o O Parrilla Pantaneira virou referência na cidade. Consagrado, recebe importantes nomes do Estado, como Delcídio do Amaral, Paulo Duarte, ex-governador Pedro Pedrossian, o atual André Para atingir números como 3.200 clientes Puccinelli, o ex-reitor da UFMS Manuel Catarino atendidos por mês e tíquete médio de R$83, foi Paes Peró, além de desembargadores e outros construída uma sólida estrutura. O investimento empresários locais. inicial foi de R$1,2 milhão, entre obras e compra de equipamentos. E para isso Domingues O chef contou com os investidores Nicomedes da Silva Filho e Carlos Alberto Domingues, além de sua Responsável pelo preparo de 1.000 kg de sócia e esposa Beatricce Bruno. “O Parrilla é a carne por mês, consumidas pelos clientes do realização de um sonho, que nós não queríamos Parrila Pantaneira, o chef Fábio Cavalcante, em que esbarrasse na questão financeira”, explica Campo Grande há apenas dois anos, passou 15 Domingues. em São Paulo como chef e churrasqueiro no Clu- Pedro Luiz é formado em administração e be do Churrasco e Praça São Lourenço. “A parrilla muda muito o sabor Paulo Oliver da carne, fica mais sequinha por fora e macia por dentro. Essa técnica tira a gordura, e como não sobe aquela labareda, a carne não perde tanto líquido e fica bem mais suculenta”, afirma o parrillero. Enquanto no Brasil o costume é assar a carne em espetos ou grelhas, na Argentina as carnes são colocadas na brasa com o auxílio de uma grelha com canaletas, geralmente inclinadas para que a gordura possa escorrer até Pedro Luiz Dominges e Beatricce Bruno são donos do restaurante Parrila Pantaneira 86 | Agosto/ Setembro 2013 um recipiente. No cardápio não Paulo Oliver Flávio Cavalcante é o chef do restaurante especializado em culinária argentina, o Parrilla Pantaneira podem faltar também os ingredientes da culiná- do Pantanal, o pintado, com consumo de 40 a ria regional, como é o caso da mandioca, aqui no 50 kg por mês. Farofa pantaneira, que leva ba- Estado companheira inseparável do churrasco. nana e carne seca, completa o prato comum à “Dos frequentadores, 95% pedem o acompa- gastronomia local. Para a sobremesa, o uso do nhamento, que substitui a batata, tão tradicional doce de leite, que remete à comida de fazenda à parrilla preparada na Argentina”, explica. e também à gastronomia argentina, está pre- Outro produto da terra que agrada os fre- sente no petit gateau e na panqueca, especia- quentadores do restaurante é o peixe símbolo 3 2 1 lidades da casa. 4 Os principais cortes de carne são o assado de tira, equivalente à costela brasileira (1); o bife de chorizo ancho, comparável ao nosso contrafilé (2); a tapa de cuadril, que é a picanha (3); e também o vacio, nome argentino para fraldão ou fraldinha (4), tipo de corte bovino localizado entre a parte traseira e a costela. Agosto/ Setembro 2013 | 87 88 | Agosto/ Setembro 2013 David Majella Turismo Conheça Campo Grande por Súzan Benites Pesquisa exclusiva traça perfil do turista que visita a capital de Mato Grosso do Sul Com população de 805 mil habitantes e área de 8.092,951 km2, Campo Grande completa no dia 26 de agosto de 2013, 114 anos. Pouco conhecida pelo turismo, a cidade tem potencial para se tornar uma bela vitrine por conta das avenidas largas e arborizadas que transmitem a sensação de tranquilidade que os turistas buscam em seus passeios. A Revista Negócios MS teve, com exclusividade, acesso a uma pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso do Sul (Fecomércio) que identifica e avalia o interesse de quem visita Campo Grande. São 100 mil turistas que vêm à capital mensalmente. Foram usadas como base 384 pessoas, escolhidas de forma aleatória, com mais de 18 anos, que Agosto/ Setembro 2013 | 89 estavam na cidade na condição de Segundo Thales de Souza Campos, superintendente do Instituto de Pesquisa Fecomércio David Majella visitantes. (IPF), a necessidade de entender o perfil do turista surge para conhecer suas reais demandas. “A partir das carências percebidas por estes turistas, poderemos implantar melhorias que possam ser direcionadas a eventos, além de melhorar a infraestrutura e identificar o poder de compra”, afirma. Os visitantes são em sua Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, fundada em 1938. Fica na Avenida Afonso Pena, principal via de Campo Grande. maioria homens (58,1%), com solteiros, com ensino médio, que trabalham e pertencem, no mínimo, à classe C. O turismo de ne- Fabricio Guarda idade entre 25 e 31 anos (24,2%), gócios foi apontado como o mais realizado na cidade. Pelo levantamento 3,3% dos entrevistados eram estrangeiros, a maioria de países da América do Sul. Entre as principais queixas, falta de sinalizações urbanas e turísticas em inglês ou espanhol. Dharleng Campos de Oliveira, titular da Secretaria Municipal de Desen- O Parque das Nações Indígenas é um dos maiores em perímetro urbano do mundo. Ao fundo, a estátua do índio guaicuru. volvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, Turismo e do AgronePaulo Oliver gócio (Sedesc), conta que o órgão tem trabalhado em relação a isso. “Fizemos a seleção de 20 estagiários de turismo, comércio exterior e relações internacionais, no mínimo bilíngues, para que o turista tenha informações no seu idioma.” 60% dos entrevistados que vieram pelo menos uma vez a Campo Grande, procuram por informações da cidade e esta não é uma característica somente do visitante de primeira viagem. “Temos um projeto de investimentos nos folhetos 90 | informativos, trabalhar Agosto/ Setembro 2013 Patrimônio histórico de Campo Grande, a Morada dos Baís foi construída entre 1913 e 1918. É hoje ponto de cultura e arte da cidade. David Majella melhor o site, mídias em geral e principalmente o marketing boca a boca”, diz Dharleng. Individualmente o levantamento apontou o item Site como o mais procurado para informações. 44,4% dos entrevistados se informaram sobre a região pela internet. A pesquisa mostrou ainda que o público abaixo de A escultura do sobá é um monumento em homenagem à Colônia Japonesa. Fica em frente à Feira Central, na rua 14 de Julho. 24 anos (21,1%) vem principalmente do interior de Mato Grosso do Sul, a procura de estudo e eventos de la- O que conhecer em Campo Grande? zer. Já os com mais de 41 anos têm interesses variados, incluindo visita a parentes e amigos e a Museu Dom Bosco busca de um melhor atendimen- Fica no Parque das Nações Indígenas. O acervo tem Minera- to de saúde. logia, Paleontologia e Zoologia. A coleção de objetos da etnia bororo é hoje a maior e mais completa do mundo. O dado mais surpreendente do relatório, segundo Thales, é que a segunda cidade mais visita- Mercado Municipal Antônio Valente – Mercadão da por turistas no Estado, depois Instalado na rua 15 de novembro, tem 214 bancas e 70 boxes de Campo Grande, é Dourados, de hortifrutigranjeiros, peixes nativos e produtos regionais. com 19% do público pesquisado. “Empiricamente pensávamos Casa do Artesão que o outro destino seria Bonito e Localizada na Av. Afonso Pena, é um espaço destinado ao ar- Corumbá, a pesquisa nos mostra tesanato sul-mato-grossense. O comércio foi tombado como que o maior destino é a Região da patrimônio histórico cultural. Grande Dourados”, conclui. Memorial da Cultura Indígena Fica na Aldeia Indígena Urbana Marçal de Souza, no bairro Tiradentes. É destinado à exposição e comercialização de artesanato com acervo variado de cerâmica terena, artesanato em palha, telas com motivos indígenas e literatura específica. Horto Florestal O Parque fica entre a Av. Fernando Corrêa da Costa e Ernesto Geisel. Tem pista de cooper, biblioteca, lanchonete, playground, orquidário, espelho d’água, paisagismo e pistas de skate e bicicross. Praça das Araras No fim da rua Dom Aquino. O monumento das araras foi criado pelo artista Cleir para despertar a atenção da população quanto à preservação da arara azul. Agosto/ Setembro 2013 | 91 Animação 3d WebDesign Design Gráfico Especializada no desenvolvimento de projetos 3D, a FMO trabalha de forma criativa e funcional. Utilizando as mais novas tecnologias e recursos, ofertamos a nossos clientes projetos diferenciados e exclusivos. Entendemos que cada projeto 3D deve ser observado de maneira única. Gerenciar e manipular informações de qualquer natureza via web, em resumo, é isso que os sistemas customizados da FMO Comunicação & Marketing oferecem a você e sua empresa. Identidade Visual é um conjunto de elementos que representa, de forma visual, padronizada e personalizada, uma marca (nome, empresa, serviço, produto...). A base deste conjunto de elementos é o logotipo e suas cores. • Modelagem 3d • Setup de personagens • Aplicação de Dinâmica Se a sua empresa precisa vender pela internet (loja virtual), controlar o fluxo de caixa, frota de veículos, cadastro de funcionários e clientes, lista de compras ou quaisquer outras informações, um sistema customizado via web pode ser a melhor solução. www.fmocom.com.br [email protected] 92 | Agosto/ Setembro 2013 O design/material gráfico está diretamente relacionado à divulgação de uma identidade visual. É preciso inovar para ganhar espaço no mercado. Paulo Oliver Terceiro Setor $olidariedade da Redação Instituição tem visão na luta contra o câncer em crianças P ara garantir o tratamento de crianças com empreendedora que garantam o retorno financeiro. câncer em Mato Grosso do Sul, a técnica Assim, nasceu uma cozinha de voluntários, que em contabilidade Mirian Comparin Corrêa abastece a lanchonete da AACC/MS com salgados, vem transformando ações solidárias em verdadeiros tortas, sanduíches e pães, que são vendidos para os negócios. Após conquistar a cura de um filho que públicos interno e externo e, ainda, atendem enco- teve a doença na adolescência, ela fundou a Asso- mendas. Também foram criados um salão de bele- ciação dos Amigos com Câncer em Mato Grosso do za e um espaço para a venda de produtos novos e Sul (AACC/MS). A instituição comemorou 15 anos usados. em março, com capacidade para atendimento diário Na loja, mercadorias de marcas famosas têm a trinta crianças e suas acompanhantes e despesas custo de fábrica. “A roupa é doada por parceiros e o mensais de, em média, R$120 mil. O segredo do su- comprador leva peças boas com excelentes preços. cesso é empreender parte de doações em serviços Um vestido de R$220 custa R$ 45 e você ajuda a salAgosto/ Setembro 2013 | 93 var uma criança”, diz a responsável pelo bazar, Inês eventos que garantem 40% das captações. O con- Acs, de 43 anos, voluntária desde 2000. vênio com a Águas Guariroba, onde o contribuinte Os três setores garantem em média 20% dos faz a doação pela conta de água, o telemarketing e atendimentos. As vendas, segundo Mirian, obtém o Programa Selo Social representam 30% das doa- êxito porque os vendedores conhecem a finalidade ções. A qualquer momento, o doador pode cancelar da arrecadação. “O maior sucesso de todos é não a sua doação, então, mantemos um valor aplicado perder o foco da instituição e contamos com funcio- para garantir a sustentabilidade da instituição por no nários que antes eram voluntários”, comenta. mínimo dez meses. O tempo necessário para bus- No balcão da lanchonete, a atendente Mariana carmos uma solução”, explica. Shibuya, 29 anos, manifesta a gratidão à AACC O principal desafio da AACC/MS é batalhar pela com a prestação de serviço. “Eu fui mãe de um independência financeira. A instituição já recebeu o filho com câncer e, hoje, ajudo outras mães que auxílio de artistas como Luan Santana, Michel Teló, enfrentam esse problema. Ajudo na cozinha, Maria Cecília e Rodolfo, Marco Aurélio e Paulo Sér- fazendo esses salgados.” gio, Gilson e Junior e Munhoz e Mariano. Hoje são cerca de 400 voluntários e 66 funcioná- Além do planejamento estratégico, a asso- rios contratados. O comando do grupo é feito com ciação faz a prestação de contas aos doadores, uma visão profissionalizante e baseada em regras para ter a transparência e garantia de auxílio documentadas. “Todos são capacitados antes de permanente. “Sempre contratamos uma audito- assumirem suas funções, e existe um planejamento ria para ter o certificado de transparência. A nos- de ações e comportamentos que faz com que os se- sa fórmula profissionalizante fez com que a arre- tores funcionem independentemente da minha pre- cadação e o número de funcionários crescessem sença”, diz a especialista em gestão do terceiro setor. e os programas fossem ampliados.” Dessa maneira, ela também se prepara para pos- No início, em 1998, foram atendidas 22 crian- síveis crises financeiras. “A nossa maior captação ças, com a taxa de cura de 40%. “Nesses 15 anos, ainda é de doações que acontecem de forma volun- já passaram mais tária e representam 96% dos recursos, contra 6% dos de mil e a taxa de convênios governamentais. Temos uma campanha cura, hoje, é de que é sempre direcionada para aquisição de equipa- 65%”, mentos ou reforma predial, o Mc Dia Feliz e outros Mirian. compara Orçamento da AACC/MS Despesas mensais: R$120 mil Serviços à comunidade e vendas: 20% Convênio com Águas Guariroba: 30% Doações e eventos: 40% Telemarketing, verbas governamentais e outros: 10% Fonte: AACC/MS Paulo Oliver Quem deseja adquirir produtos da AACC/MS ou fazer doações: o endereço é Avenida Ernesto Geisel, 3475. O telefone é (67) 3322-8000. Mais informações www.aacc-ms.org.br O bazar de roupas usadas é uma das ações da AACC/ MS para arrecadação de recursos 94 | Agosto/ Setembro 2013 Agosto/ Setembro 2013 | 95 Mercado EMPRESAS INOVADORAS VIDA LONGA ÀS EMPRESAS Pesquisa da Bain & Company, empresa Estudo divulgado pelo Serviço Brasileiro global de consultoria de negócios, indicou de Apoio às Micro e Pequenas Empresas que nos próximos cinco anos, empresas (Sebrae) de Mato Grosso do Sul, com com melhores performances em inovação base em dados da Secretaria da Recei- devem crescer 84%, enquanto outras, 28%. ta Federal, revela que de cada 100 ne- O levantamento revelou que cerca de 70% dos entrevistados fazem da inovação nos prioridade negócios. gócios no Estado, quase 75 sobrevivem aos dois primeiros anos no mercado. A taxa de sobrevivência das empresas sul-mato-grossenses alcançou 74%; As sete pontos a mais em relação à última que pesquisa. É o segundo melhor desem- focam nesse quesito penho da região Centro-Oeste, atrás empresas são as melhores apenas do Distrito Federal. em tomar e executar No comércio, 77,3% das empresas per- decisões, considerando- manecem ativas após 24 meses de tra- se aspectos como qualidade, balhos. Na sequência está o setor da das Indústria, com 76%, seguidos das áreas decisões a partir do esforço aplicado em velocidade e rendimento de Serviços, com 69,6% e Construção cada uma delas. Civil, 66,8%. Divulgação GIFT CARD PARA CRIANÇAS Que tal ensinar seus filhos a lidar com dinheiro desde cedo? A AgentPiggy, primeira plataforma de educação financeira para crianças da América Latina lançou o Cartão AgentPiggy, um cartão pré-pago que permite que as crianças façam compras off-line e online em estabelecimentos comerciais afiliados. Entre os produtos que os pequenos podem adquirir estão entra- 96 | das para cinema e museus, revistas, jogos, gasto e doação para a mesada de seus música e outros. filhos. Todas as operações devem ser O cartão funciona sincronizado com a autorizadas pelos pais. A princípio o plataforma web do AgentPiggy, um site que cartão AgentPiggy estará disponível permite aos pais criar contas de poupança, exclusivamente no Brasil. Agosto/ Setembro 2013 Agosto/ Setembro 2013 | 97 Agenda sxc 29 de agosto Curso e-commerce O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) realizará no dia 29 de agosto, curso destinado a profissionais que atuam na área de e-commerce. O curso será oferecido nos formatos presencial - no auditório do Idec, ou online – transmitido ao vivo pela internet para todos os Estados. Curso: “Adequando a Empresa às Novas Regras de Comércio Eletrônico” Data e Horário: 29/08/2013 das 10h00 às 17h30 Local: Auditório do Idec - Rua Desembargador Guimarães, 21, Água Branca, São Paulo, SP. Palestrantes: Guilherme Varella, Marcelo Gomes Sodré, Ricardo Morishita e Vítor Morais de Andrade Investimento: R$600,00 Inscrições: até 26/08 Informações: http://www.idec.org.br/mobilize-se/eventos SEBRAE MS Semana Estadual do Jovem Empreendedor Na medida Gestão Financeira Sebrae Mais Estratégias Empresariais Seminários e workshops Aprenda como controlar financeiramente sua a empresa, para facilitar e agilizar a tomada de decisão. Compreender o processo estratégico analisando o negócio e o ambiente empresarial e diagnosticando competências da empresa Inscrições gratuitas 19 a 23/ de 21 a 25/ de 23 a 27 28 e 29/8; 11 e 12/9; www.ajems.com.br e de 25 a 29 de agosto 25 e 26/9 Feira e consultorias Ciclo de palestras Data: 19 a 22 de agosto Informações: 0800 5700800 Associação Comercial de Campo Grande Treinamento de liderança Como organizar meu dinheiro Encontro de Negócios Data: 19 e 20 de agosto O Sucesso na Comunicação e Persuasão com Excelência - com Guto Dobes Filho Data: 27 de agosto Roda de Negócios Entre Novos Associados - com Andrea Gregório Data: 15 de setembro Local: Auditório do Sebrae Hora do Conhecimento Case Portal Itatiba Curso gratuito Informações: 3312 5058 98 | Agosto/ Setembro 2013 da próxima edição 67 3305.1141 [email protected] Agosto/ Setembro 2013 | 99 PROGRAMA DA CADEIA PRODUTIVA PETRÓLEO, GÁS E ENERGIA ADENSAMENTO DA CADEIA PRODUTIVA DO PETRÓLEO, GÁS E ENERGIA DO TERRITÓRIO DE INFLUÊNCIA DA UNIDADE FERTILIZANTES NITROGENADOS UFN III E DA USINA TERMELÉTRICA LUIS CARLOS PRESTES EM TRÊS LAGOAS/MS. Imagem digital ilustrativa UFN III – Três Lagoas/MS UTE/LCP - Três Lagoas/MS Incentivo e estímulo ao crescimento de Três Lagoas e região. O convênio entre Sebrae/MS e Petrobras traz para Três Lagoas e região uma cadeia de oportunidades de crescimento, gerando qualificação profissional para os empreendedores locais, que desenvolvem habilidades e ampliam a sua competitividade no mercado. A cidade recebe investimentos, as micro e pequenas empresas se fortalecem e os resultados são vivenciados por toda a população. Apoio Convênio