A R E V I S TA D O E M P R E S Á R I O S U L - M AT O - G R O S S E N S E
Prlmeira edição com distribuição gratuita. Próximas edições - R$9,50
AGO/SET 2013
01
Nº 01 | ANO 01
Panorama
Shopping
A chegada de um grande empreendimento
consolida a expansão dos negócios para a
região norte de Campo Grande
Especial
Mercado
Imobiliário
Crescimento e verticalização
do Estado contam com novos
grupos investidores
Turismo
114 anos
Revista Negócios MS
mostra pesquisa
exclusiva sobre o perfil
do turista que vem à capital
UEZE ZAHRAN
Toque
de Midas
Como o empresário de Mato Grosso do Sul
venceu obstáculos e se tornou um ícone de
sucesso no mundo dos negócios
Moda
Exóticos e
Regionais
Botas, bijuterias e bolsas
feitas de matéria-prima
inovadora ganham o
mercado nacional
SUMÁRIO
Entrevista
50
Ueze Zahran, empresário
sul-mato-grossense,
conta como deu início
a uma das maiores
companhias de
gás do Brasil.
Agronegócios
10
International Paper. Como a maior
empresa de papel não revestido do
mundo vem proporcionando o desenvolvimento social e econômico de
preendimento que traz mais de 50% de
Três Lagoas, no leste de Mato Grosso do
empresários da terra.
Sul.
Especial
16
Panorama
36 Expansão comercial. O Shopping
Bosque dos Ipês chega à região
norte da capital do Estado com em-
Mercado Imobiliário. Crescimento
urbano de Campo Grande se reflete
no ramo de venda de imóveis.
Gestão
26 Investir para crescer. Qual o melhor
financiamento quando se fala em
negócios? Saiba quais são as taxas e
os prazos oferecidos pelo mercado.
Nicho
44 Já foi a época em que padaria era
só para comprar pão e leite. Agora
elas ampliaram espaço e se tornaram
ponto de encontro de consumidores.
Carreira
58 Além de salários altos, especialistas em Recursos Humanos orientam a optar por empregos com Plano de Cargos e Carreira.
Gastronomia
84
Parrilla. Sabor argentino em terras pantaneiras.
Franquia
62 Franquias que nasceram em Campo Grande, como a Multicoisas
(uma das maiores do país), estão
em constante expansão. Conheça negócios que buscam sempre a
conquista de novos mercados.
Tendência
Negócios da moda
79 Em Mato Grosso do Sul também se
faz moda e bem diferente. O chifre
do boi, sacolas de malote e couro de
animais exóticos se tornaram matéria-prima para peças bem regionais.
E tem empresário que já está exportando a produção.
Turismo
89 No mês de aniversário da capital,
pesquisa exclusiva da Fecomércio
mostra o perfil do turista que visita Campo Grande. Conheça ainda os
pontos turísticos que você pode visitar
na cidade morena.
Terceiro setor
70 Comércio 24 horas. Você acha que
funciona em Campo Grande? O público acredita que sim, mas os empresários pontuam vários entraves,
93 A Associação dos Amigos das
Crianças com Câncer (AACC)
vem driblando dificuldades financeiras com atitudes empresariais.
como a falta de transporte público na
Doações foram transformadas em
madrugada.
empreendimentos.
Política econômica
Agenda
74 Adimplência. O comércio pode comemorar. Números mostram que
consumidor do Estado é, culturalmente, bom pagador. A taxa de inadimplência é uma das menores do país.
98 Cursos, palestras e capacitações.
Dicas para o empresário adquirir
conhecimento, buscar novas ferramentas e se manter atualizado no
mundo dos negócios.
6
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Agosto/ Setembro 2013
body seter a
Primavera - Verão 2013/2014
EDITORIAL
Iraaaado!
Um novo
Eu sou a
Princesa do PAPAI!
tempo
body seter a
Na primeira vez que cheguei em Campo Grande, percebi que
Já tomo
Tereré!
body seter a
faltava alguma coisa na cidade e, ao mesmo tempo, entendi que
esse lugar gritava por crescimento. E eu estava certa já que, depois
de sete anos, muita coisa mudou. Shoppings surgindo, o varejo ex-
Sou Massa!
body seter a
pandindo com lojas vindas de todo Brasil, indústrias mudando seus
polos para o Estado. Era a hora de um veículo apresentar todo esse
desenvolvimento, e mostrar para o empresariado local que podemos evoluir e aparecer muito mais e por todo o país.
A Revista Negócios MS é a escada, a vitrine para mostrar que somos
uma economia em crescimento, um Estado em ascensão, louco por novidades. Como faremos isso? Deixaremos você, leitor, com informações,
body seter a
estudos, histórias de sucesso e números sobre o que está acontecendo.
Para quem já é familiarizado com revistas de negócios, agora vai se manter também atualizado sobre o Estado em que mora.
Nossa equipe é focada em jornalismo sério, com qualidade e
credibilidade. Para a primeira edição, fizemos mais de 50 entrevistas presenciais e fomos até São Paulo para conversar com nosso
entrevistado de capa, Ueze Zahran, um dos empresários mais bem
sucedidos do Estado. Contaremos outras histórias extraordinárias
de sucesso, como a de Lindolfo Martin, proprietário da rede de
franquias Multicoisas, outro exemplo de quanto é
possível um empresário local ter sucesso nacional.
Enfim, vamos mostrar para que viemos e con-
Em parceria com a
Doce Encanto Baby
estamos com uma linha de
bodies super irados.
Podendo ser também
personalizados por você!
Aproveite!
tamos com você, leitor, para dar sugestões de temas, críticas e também elogiar, para que em breve
nosso editorial conte com a carta dos leitores. Aos
poucos, vamos crescendo e conquistando o Centro-Oeste e o Brasil. O objetivo de toda a equipe da
Editora Toque de Midas é que essa publicação seja
a principal leitura do sul-mato-grossense.
Hoje começamos devagar, bimestral, mas
vamos caminhar para periodicidade mensal e,
logo logo semanal, já pensou?
Boa Leitura,
Abraços,
Onde encontrar:
Sabrina Mestieri Nakao
Publisher
?
Fone: (67) 3305-0566
Facebook:
doceencantobabys
bodyseteria.com.br
H
AGO/SET 2013 Nº 01 | ANO 01
EDITORA RESPONSÁVEL
Editora Toque de Midas LTDA - ME
Sede Campo Grande MS
Rua Jeribá, 325 sala 36/37
Chácara Cachoeira
79040-120
Tel: 67. 3305 1141
Publisher
Jornalista Responsável
Sabrina Mestieri Nakao
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Diretor Executivo
Leonardo Higa Nakao
Edição de Arte
Lorraine Mongelli de Castro
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Editora-Chefe
Fernanda Nascimento Prochmann
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Repórter
Súzan Benites
[email protected]
Cláudia Ferreira
[email protected]
Repórter Junior
João Marcelo Sanches
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Colaboradora
Neiba Ota
Fotógrafo
Paulo Oliver
Oliver Foto e Vídeo | 67 9110 5344
Fotografia Capa
Luciana Serra
Comercial
Sede São Paulo | 11 2574 2028
Sérgio Onofrio | 11 9 8412 8260
[email protected]
Assinaturas
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Sede Campo Grande | 3213 1141
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Secretária Administrativa
Débora Carneiro
[email protected]
Distribuição: Campo Grande, Corumbá,
Dourados e Três Lagoas
Tiragem: 20.000 exemplares
Produção Gráfica: Posigraf
Projeto Gráfico: Agência Soma 360
Responsável: Silvio Marães
Selo
FSC n.º 2
8
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Agosto/ Setembro 2013
EDITORIAL
Carta da
EDITORA
Tenho orgulho em dizer que tenho 36 anos e, destes, mais de 18
dedicados ao jornalismo. Durante esse tempo, acompanhei de
perto a expansão da cidade. Crescimento que a Revista Negócios MS mostra a partir de agora. Na nossa estreia, a Entrevista é
com o empresário Ueze Zahran, ícone do empreendedorismo
no Estado.
A Gastronomia traz a carne sul-mato-grossense com as particularidades do corte argentino. A Moda, ao estilo pantaneiro, mostra que em terra de peão, a bota é de lagarto e o
brinco, de chifre.
O Agronegócios evidencia a sustentabilidade da International Paper em Três Lagoas. E em Panorama, o crescimento do comércio com a instalação do Shopping Bosque dos Ipês.
Em Franquias, empresas que aqui nasceram e hoje expandem os negócios pelo Brasil. No mês de aniversário
da capital, Turismo traz pesquisa exclusiva sobre o perfil do turista que vem à cidade e Nichos, a nova cara
das padarias.
Também tem Tendências - comércio 24 horas, Terceiro Setor – ‘ong’s empresariais’
e boas notícias para animar o consumo.
Em Política Econômica, a adimplência
é destaque. Em Campo Grande, quem
deve, paga. E ainda: o bom momento
do mercado imobiliário.
Tudo isso você encontra aqui, na
Negócios MS. Uma leitura agradável,
informativa e esperamos que seja
inspiradora para ótimos negócios.
Aproveite.
Fernanda Nascimento
Prochmann
Editora-chefe
E Q U I P E
D E S T A
E D I Ç Ã O
Súzan Benites
Repórter
Formada em 2010 pela UFMS, a jornalista está
empolgada com o desafio de atuar nesse novo
segmento da comunicação. Empenho, dedicação e
profissionalismo não vão faltar à nossa repórter.
Cláudia Ferreira
Repórter
Ela vive e respira jornalismo há mais de 10 anos.
Atuou como assessora, produtora, editora e hoje,
repórter. Cláudia terá a missão de retratar histórias
de sucesso de empresários do Estado.
João Marcelo Sanches
Repórter Júnior
Acadêmico de Jornalismo na UFMS, vê na Revista
Negócios MS uma oportunidade de escrever sobre
novos assuntos e ampliar seus conhecimentos em
diferentes editorias.
Lorraine Mongelli
Diagramação
A nossa "maga"do papel mostra talento e criatividade em cada página. Na revista, as ideias são
desenhadas e ganham detalhes nos textos de
negócios, deixando a leitura mais agradável.
Débora Carneiro
Secretária administrativa
Não tem como fazer revista sem uma secretária. E
essa é “das boas”. Nossa “agenda ambulante” nos lembra das entrevistas e dos deadlines com competência
e simpatia.
Paulo Oliver
Fotógrafo
Nascido em Dracena – SP, trocou as aulas de medicina pela fotografia. Com olhar sempre atento,
procura detalhes e espontaneidade. Especializado
em fotos de casamento, hoje expande seus horizontes para o jornalismo.
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Agronegócios
O papel do papel
um exemplo
Instalada em Mato Grosso do
Sul, a fábrica da International
Paper em Três Lagoas é a
primeira a ser construída fora
dos Estados Unidos, onde
nasceu. A companhia, presente
em mais de 24 países e líder
mundial na produção de papel não
transformando o município em um dos que mais
crescem no Brasil. Para a construção da primeira
fábrica da International Paper (IP) fora dos Estados Unidos, a empresa investiu US$300 milhões. A
unidade de papel com capacidade de produzir originalmente 200 mil toneladas por ano, superou as
expectativas, atingindo 230 mil toneladas em 2012.
E essa grandiosidade nos números não para por aí.
revestido, proporcionou crescimento
e impulsionou a economia da cidade.
No mesmo ano o faturamento mundial foi de US$28
Não é de hoje que a região do Bolsão, leste de
A história entre a maior empresa de fabricação
Mato Grosso do Sul, é notícia quando se fala em
de papel não revestido (para imprimir e escrever
desenvolvimento. Em Três Lagoas, a 337 km de
e de embalagens) do mundo e Três Lagoas é
Campo Grande, um investimento milionário está
antiga. A instalação da International Paper no
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bilhões. No Brasil, a soma chegou a US$1.130 bilhão.
de economia sustentável
por Fernanda Nascimento Prochmann
Divulgação
[email protected]
Estado começou na década de 80, quando foram
privilegiem a compra de bens e serviços produzidos
adquiridas as primeiras florestas de eucalipto.
no próprio Estado”, afirma Marcelo Nale, gerente
Estudos apontaram o município como aquele com
geral da fábrica da IP em Três Lagoas.
melhores condições de localização geográfica,
Com o anúncio do Plano de Transformação Glo-
custo de produção, logística (com três modais
bal da International Paper, em 2005, a ideia de cons-
– hidrovia, ferrovia e rodovia) e possibilidade de
truir uma fábrica na cidade se fortaleceu. Em 2006,
ampliações. “Sempre apostamos em Mato Grosso
a IP vende o projeto da fábrica de celulose e toda
do Sul e, desde o princípio, temos contribuído com o
a área florestal para a Fibria (hoje a Fibria vende a
desenvolvimento econômico, social e ambiental da
celulose para que a IP produza papel na fábrica em
região. Seja por meio de ações de responsabilidade
Três Lagoas). Para a instalação, o Governo do Esta-
social,
o
do concedeu benefícios fiscais e a Prefeitura de Três
consumidor não está simplesmente comprando
Lagoas isentou a empresa de pagar o ISS durante a
papel, mas cumprindo uma meta de preservação do
construção. A área já era de propriedade da IP.
certificações
que
garantam
que
meio ambiente, seja por políticas econômicas que
Em operação desde 2009 no Estado, hoje a IP
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gera 210 empregos diretos e mais de 100 indiretos,
sendo que 80% da mão-de-obra é local. Em parceria
com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
(Senai), foram desenvolvidos cursos de qualificação
profissional. “Hoje, na nossa fábrica de Três Lagoas,
25% dos profissionais possuem ensino médio, 25%
nível técnico, 24% graduação e 26% pós-graduação”,
diz Marcelo.
importância da instalação da fábrica. “Com o investimento, os olhares focaram Três Lagoas e o novo
processo de desenvolvimento que iríamos passar.
Assim, hotéis, restaurantes, condomínios e loteamentos começaram a ser executados em nossa
cidade. Somente a IP construiu aproximadamente
170 casas para seus colaboradores”, diz.
Divulgação
A prefeita da cidade, Márcia Moura, ressalta a
A IP desenvolve projetos com adolescentes, de conscientização ambiental e desenvolvimento sustentável
Sociedade Consciente
Para a administradora, a vinda da International Paper evidencia o potencial de Três Lagoas
A entidade promove projetos com foco
como polo industrial do Estado, agregando um
educacional e socioambiental para crianças e
investimento em torno de R$24 bilhões nos últi-
adolescentes na região das suas fábricas. O mais
recente é o Natureza
mos 12 anos.
Além disso, a fábrica
trouxe investimentos em
Pilares da International Paper
e Corpo, em parceria com a Secreta-
projetos socioambientais,
ria de Educação de
por meio do Instituto
Três Lagoas. A ideia
International Paper (IIP),
é transformar jovens
criado em 2007. A IP
em
foca a sustentabilidade
de boas práticas de
a partir de três pilares:
econômico,
social
e
Econômico
Social
Ambiental
multiplicadores
conservação
am-
biental e desenvolvimento sustentável.
ambiental. No econômico,
“Com este projeto
a companhia adquire mais
de 70% dos bens e serviços nos próprios estados
o Instituto pretende difundir usos e costumes
em que são realizadas as suas operações. Na parte
populares resgatando fatores da identidade
ambiental, há o comprometimento com a utilização
cultural de MS”, destaca Lizzi Colla, gerente de
de energia limpa. Inaugurada recentemente, a
sustentabilidade e responsabilidade social da In-
caldeira de biomassa da unidade da International
ternational Paper.
Paper em Mogi Guaçu, interior de São Paulo, elevou
Outra iniciativa é a do Guardiões Projeto Nas-
em 90% a capacidade de produzir energia limpa,
cente, que prevê conscientização ambiental e
ou seja, a partir de recursos renováveis. Além disso,
respeito aos mananciais e suas nascentes. Como
a companhia tem certificações, como o FSC e
resultado, já foi possível viabilizar a implantação
Cerflor, programas que atestam o manejo florestal
da coleta de lixo no distrito de Garcias, a 80km
sustentável. Quanto à política de relacionamento
de Três Lagoas, e recuperar a mata ciliar do Cór-
junto aos funcionários, o gerente geral da companhia
rego Oriundiuva, que atravessa a região.
Marcelo Nale faz questão de afirmar: “Tão
Os projetos envolvem, diretamente, cerca de
manter os seus profissionais
26 mil pessoas por ano e alcançam, de forma
informados, é ouvir o que eles têm a dizer, além de
indireta, 130 mil. Desde 2003, mais de R$25 mi-
saber quais suas ideias e sugestões de melhorias.”
lhões foram investidos.
importante quanto
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Produção
A fábrica possui linhas de acabamento com
sistema automatizado, capazes de fabricar
até 140 resmas de papel Chamex por minuto,
e opera com tecnologias avançadas. Além da
unidade de Três Lagoas, existem outras duas
em São Paulo.
No Brasil, a IP trabalha com duas linhas de
produtos no segmento de papéis cortados não
revestidos (Cutsize): Chamex e Chamequinho.
IP em números:
Investimento/ Três Lagoas – US$300
milhões
Produção – 230 mil toneladas
Faturamento/ Brasil – US$1.130 bilhão
Projetos IIP – R$25 milhões
Para o setor gráfico, há a linha Chambril, de paem melhorias nas unidades na ordem de US$85
péis offset.
Cerca de 50% da produção das fábricas vai
milhões.
para o mercado local, e 50% são exportados,
Três Lagoas tem 54 indústrias de grande e
com foco para a América Latina. Já a produção
médio portes. Em 2009 foi considerada a 25ª
cidade mais dinâmica do País,
de Três Lagoas segue para o
mercado brasileiro.
A empresa estuda implantar uma segunda máquina de
papel em Três Lagoas, o que
significaria dobrar a produ-
A companhia adquire
mais de 70% dos bens e
serviços nos estados em
que atua.
em ranking de 300 municípios. A
pesquisa, feita pela Florenzano
Agência de Estudos e Pesquisas
de Mercado, revela para grandes
empresas os lugares onde vale a
pena investir.
ção. “Se optarmos por isso,
a nova máquina entrará em
Sucesso reconhecido
operação entre o segundo
trimestre de 2016 e o segundo trimestre de 2018. A companhia considera o
Em 2012 a International Paper foi conside-
Brasil sua plataforma de crescimento na Amé-
rada, pela oitava vez, uma das 150 melhores
rica Latina e levará em consideração aspectos
empresas para se trabalhar, segundo a revista
econômicos e o crescimento do mercado de pa-
Você S/A (Editora Abril). Pela mesma publica-
pel na região para definir a data de expansão”,
ção, foi eleita uma das melhores empresas para
afirma Marcelo Nale. Anualmente, a IP investe
se começar a carreira.
Tatiane Palazzio
Internacionalmente,
foi
destaque
como
“Uma das Empresas mais éticas do mundo”
pelo Instituto norte-americano Ethisphere (6ª
vez consecutiva) e “Empresa mais admirada
da indústria de produtos florestais e de papel”, pela Revista Fortune (9ª vez nos últimos
10 anos)
A IP foi fundada em 31 de janeiro de 1898,
em Memphis, nos Estados Unidos. Atua na
América do Norte, Europa, América Latina,
Rússia, Ásia e Norte da África. Os negócios incluem a Xpedx, empresa de distribuição nos
EUA. No Brasil, os papéis produzidos pela IP
provêm de florestas 100% renováveis, certificadas pelo Cerflor (Programa Brasileiro de Certi-
Marcelo Nale, gerente geral da IP - Três Lagoas
ficação Florestal).
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Especial
Em
por Súzan Benites e João Marcelo Sanches
to
imen
cresc
Sérgio Heleno
A capital vive momento favorável no mercado
imobiliário. O setor movimentou, no primeiro
semestre de 2013, R$800 milhões em financiamentos
pela Caixa Econômica Federal. O valor é 15% maior
que no mesmo período de 2012.
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O setor apresentou expansão
significativa na última década
e continua a crescer. Só no
feirão da Caixa Econômica
Federal (CEF) deste ano, foram
comercializados R$250 milhões.
Em 2012, o montante liberado em
financiamentos foi de R$1,7 bilhão,
distribuído em mais de 20 mil
unidades habitacionais. Segundo
o superintendente da Caixa, Paulo
Antunes, 72% dos imóveis em todo o
país são financiados pelo banco e, em
Mato Grosso do Sul esse número é ainda
maior, 90%.
Para o diretor-executivo da Futura Lançamentos Imobiliários, Luiz Roberto Vasconcellos,
“o crescimento começou há 10 anos quando vieram para Campo Grande duas grandes urbanizadoras: Alphaville e Dahma.”
Renato Perez, da Perez Inteligência ImobiliáPaulo Oliver
ria, também vê esse potencial. “Isso ocorre em
relação a uma demanda que estava reprimida há
muito tempo e agora está sendo atendida. É um
momento de valorização do que tem mais qualidade em construção e serviço. Passamos por um
período em que todos os tipos de imóveis e padrões foram comercializados. Hoje percebemos
que há um filtro para fazer produtos que atendam a necessidade do mercado.”
Em 2010 o mercado cresceu 10% e nos anos
subsequentes ficou mais estável. De acordo com
Paulo Antunes, o setor continua em expansão,
mas, precisa evoluir. “No Brasil a relação crédito
imobiliário/PIB gira em torno de 5%, enquanto
nos países desenvolvidos chega a 60%” diz.
O crescimento atinge principalmente dois
perfis de empreendimentos. O primeiro, de imóveis entre R$80 e 120 mil, que podem ser incluídos no programa ‘Minha Casa Minha Vida’. Para
James Antonio Gomes, presidente do Sindicato
dos Corretores de Imóveis/MS (Sindimóveis),
esses indivíduos querem sair do aluguel e procuram os imóveis sem se importar com a região
da cidade, e sim com o valor. “Hoje se você fizer
casas nessa faixa, vende tudo. São pessoas entre
22 e 30 anos com renda a partir de R$1,6 mil.”
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Luiz Roberto Vasconcellos, diretor-executivo da Futura
Lançamentos Imobiliários
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Paulo Oliver
Luiz Octávio Pinho, gerente regional da Plaenge, empresa que investe na região do Parque das Nações Indígenas
O outro perfil que movimenta o setor é o
de imóveis entre R$200 e R$400 mil, que atin-
estão voltados os olhos de quem quer viver em
um prédio.
gem o público de classe média alta, com renda
Opinião dividida por Vasconcellos, que con-
entre R$3 e R$20 mil. Paulo Antunes diz que
firma a tendência de verticalizar como algo co-
esses foram os consumidores predominantes
mum com o crescimento da cidade. “Para a pre-
no feirão da Caixa em 2013. “Dos cinco mil visi-
feitura isso é interessante, pois, as pessoas não
tantes, foram os que mais fecharam negócios.”
necessitam ir mais longe. Assim a cidade não
Vasconcellos também enxerga essa demanda
precisa crescer para os lados.”
relativa. “Os resultados para um negócio bem
Já Renato Perez aponta as vantagens desse
sucedido exigem que ele seja planejado de
tipo de construção. “Todos querem estar bem
acordo com o público alvo. Os da classe média
localizados, perto dos principais pontos e para
são os que mais vendem. Porém, os de alto pa-
isso se deparam com os terrenos mais caros.
drão têm um ótimo resultado. Tem público para
Um imóvel vertical se torna economicamen-
todas as faixas.”
te viável. Quando vamos a São Paulo, a região
De acordo com Luiz Octávio Pinho, geren-
mais valorizada é a do Parque do Ibirapuera.
te regional da Plaenge, a empresa atua na re-
Em Nova Iorque, do Central Park. A cidade pas-
gião mais central da cidade. O valor médio dos
sa por esse mesmo caminho, pois hoje as pes-
imóveis é de R$340 mil. O empreendimento
soas buscam a qualidade de vida e a facilidade
investe em outra tendência forte no mercado
de deslocamento,” considera.
campo-grandense: a verticalização. O entorno
Com esse conceito, várias empresas incor-
do Parque das Nações Indígenas é para onde
poradoras entraram na cidade. O grupo da
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Remat
QUEM NÃO REGISTRA, NÃO É DONO.
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Paulo Oliver
Helbor, Setin e MGR, que investe na proposta de ‘condomínio
clube’, foca essa mobilidade urbana e trabalha para entender as
necessidades dentro da cultura
do mercado local. A Plaenge já
entregou 42 edifícios em Campo Grande e tem ainda 12 canteiros de obras, com 23 torres
em construção. Outra empresa
que está chegando à cidade é a
Landix. Com projetos em fase de
licenciamento junto à Prefeitura
de Campo Grande, a previsão
de investimento supera os R$60
milhões. O prédio comercial, na
saída para Cuiabá, que está mais
avançado, prevê duas torres de
três pavimentos com 268 salas.
No térreo, serão mais 48 lojas.
O superintendente da Caixa,
Paulo Antunes, acredita no crescimento da cidade para todos
os lados. “Hoje a maioria dos
bairros tem autonomia e infraestrutura para crescer. As pessoas
querem morar em todas as regiões. Apesar da preferência pela
região central, vemos que todos
os bairros têm sua clientela.”
Dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito
Imobiliário e Poupança (Abecip)
mostram que nos primeiros cinco meses de 2013, os financiamentos imobiliários chegaram a
R$38,4 bilhões, montante 29,7%
superior ao contratado no mesmo período do ano passado.
No caso da Caixa, há opções
de financiamentos para quem
quer comprar o imóvel pronto e
para aqueles que vão comprar
o terreno e construir também.
Os juros variam de acordo com
a renda, a partir de 4% ao ano,
Renato Perez, diretor-executivo da Perez Inteligência Imobiliária
com prazos de até 30 anos para
pagar. O limite de crédito é es-
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tabelecido mediante análise da renda familiar.
A expectativa é que o crescimento no setor,
Segundo Paulo Antunes, a liberação de crédi-
em 2013, seja 10% maior que em 2012. Segun-
to pode demorar de 15 a 20 dias. “É necessário
do Paulo, o Estado cresce acima da média bra-
avaliar se o comprador não tem restrição e qual
sileira e as necessidades de novas habitações
sua capacidade de pagamento mensal. Já do
acompanham isso. “Todo dia surgem novos
vendedor, é preciso analisar o risco jurídico. E
moradores. Temos casamentos, filhos vão mo-
por último, o estado físico, a qualidade da obra
rar sozinhos, pessoas vêm estudar e chegam
e quanto vale o imóvel. Após
de outros estados. Tudo isso
esse processo é que a Caixa
provoca novas demandas para
pode dizer o quanto é possível
financiar” explica.
Os financiamentos da Caixa Econômica Federal são
o mercado imobiliário. Por ser-
Por sermos um Estado
jovem, crescemos o dobro
do número geral do Brasil.
mos um Estado jovem, crescemos o dobro do número geral
do Brasil. Sempre precisamos
para todas as classes. “É im-
de novas unidades habitacio-
portante
nais quando o País e o Estado
essa
abertura
de
crédito. Antigamente financiamentos
eram
feitos
estão crescendo” afirma.
só
Luiz Vasconcellos, da Fu-
para famílias de baixa renda.
tura,
também
acredita
na
Hoje podem ser grandes, de R$600 mil. Mas
expansão para os próximos anos. “O campo-
o forte é o Minha Casa Minha Vida que vai até
-grandense tem várias opções de compra com
R$150 mil”, diz James Gomes. Ele explica que
empreendimentos bem planejados. A tendên-
as imobiliárias hoje facilitam o caminho para
cia é melhorar o mercado.” Já Renato Perez,
chegar até o banco. “Fazemos a simulação
afirma que muitas famílias buscam seus imó-
de quanto a pessoa pode financiar, antes isso
veis, independentemente da classe social. “É
só era possível no próprio banco. A imobiliá-
necessário um trabalho sério em conjunto entre
ria acompanha até a assinatura do contrato.
empresas, governo e instituições que ordenam
Principalmente para os clientes leigos facili-
esse mercado. O Brasil ainda tem potencial pra
tou bastante.”
crescer muito”.
Ações de sustentabilidade em prédios:
• Caixas de contenção da água da chuva;
• Temporizadores de água e luz;
• Posição estratégica dos apartamentos (menor
demanda de luz elétrica);
• Elevadores ecológicos;
• Caixas de descarga inteligentes com acionamento
múltiplo;
• Coletas seletivas de lixo e óleo;
• Lâmpadas eletrônicas;
• Descargas com quantidade limitada de água;
• Sistema de aquecimento de água (gás, painéis
solares).
Agosto/ Setembro 2013
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23
Artigo
Empreendedorismo
feminino
Maristela de Oliveira França*
C
ompartilho aqui resultados que traduzem o caminho percorrido pelas
mulheres em toda a História nos cam-
pos social, político e econômico. Caminho este
em permanente construção e a ser desbravado
a cada dia. Tantas conquistas, avanços e constantes desafios levaram naturalmente à entrada
das mulheres no mundo dos negócios.
No Brasil, estudos do SEBRAE e do GEM
– Global Entrepreneurship Monitor – apon-
mundo dos negócios: a última eleição presiden-
tam que, pela primeira vez, mais da metade
cial no Brasil, com duas candidatas, o aumen-
(52,4%) dos novos negócios estão no controle
to ainda que tímido nos cargos do Executivo,
de mãos femininas. Com 7,7 milhões de mulhe-
Legislativo e Judiciário, a legião de executivas
res à frente da empresa, estamos em sétimo
espalhadas nos mais diversos segmentos; e lide-
no ranking mundial de empreendedoras, com-
ranças comunitárias. Isso mostra que a mulher
está explorando, exercendo
posto por 42 países.
e aplicando seu potencial;
Nesse cenário extremamente
promissor, um fato requer atenção. Conforme dados do PNAD
2011 (IBGE), o rendimento médio mensal das empreendedoras
Estamos em sétimo no
ranking mundial de
empreendedoras.
contribuindo de forma plena,
produtiva e eficaz para um
mundo melhor.
Entre as principais carac-
(2,2 salários mínimos) é 31% infe-
terísticas estão: abordagem
rior ao dos homens (que está em
mais humanista em toda atu-
3,2). Estes números demonstram
ação, visão sistêmica, persis-
que ainda há muito que se fazer para um trata-
tência e paciência nas negociações, habilidade
mento mais igualitário e justo.
multitarefa, preocupação com o ambiente so-
Essa empreendedora investe tempo na busca
cial, econômico e político; atenção e agregação
por informações, na elaboração de um Plano de
de valor pela cultura regional, espírito de coope-
Negócios e em rede de contatos para sua forma-
ração, contribuição para a formação e desenvol-
ção. Das mais de sete milhões de empreendedo-
vimento de outras empreendedoras.
ras brasileiras (maioria nos setores de serviços
Sim, é a mulher ocupando um espaço, de for-
e comércio), 103 mil estão no Mato Grosso do
ma sábia, complementar e interdependente com
Sul; dessas, 94% são sócias-proprietárias, 57%
homens e outras mulheres; lugar que estava va-
declaram possuir ou ter iniciado ensino superior,
zio à espera dessa multidão de empreendedo-
especialização e/ou doutorado, e 51% possuem
ras, em todo o mundo, que mais que mulheres,
entre 40 e 60 anos de idade (PSMN – 2008/2011
são seres humanos.
e PNAD – 2011).
Mas a liderança feminina vai muito além do
24 |
Agosto/ Setembro 2013
*Maristela de Oliveira França é economista, mestre em Desenvolvimento
Local e diretora de Operações do Sebrae/MS
Agosto/ Setembro 2013
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25
Gestão
Quando o bolso
agradece
por Cláudia Ferreira
[email protected]
Com tantas linhas de financiamento ofertadas por
instituições públicas e privadas, qual a melhor para
cada caso? Veja onde estão as menores taxas de juros
e como ter sucesso no investimento
26 |
Agosto/ Setembro 2013
para fazer os cálculos de projeção e provar se
aquele investimento vai se tornar viável ou não.
Para o economista e consultor da Agricon,
Hudson Garcia, há dois pontos críticos de um
projeto: primeiro, se o empresário consegue
participar com algum recurso próprio. Até
existe a possibilidade de conseguir 100% do
valor do financiamento, mas com um capital
de 20%, por exemplo, diminui o endividamento
e facilita a aprovação do crédito. “Se a linha
pode conceder até 100% e o empreendedor
nada, ele entra com o sonho e o banco com o
dinheiro, mas o banco não financia sonho. Se a
pessoa pode participar com algum montante, a
instituição financeira se sente mais segura em
relação àquele cliente”, explica.
O segundo fator é a análise de mercado, se
o empresário está preparado para aquele tipo
de investimento, se vai absorver o aumento da
produção, a melhoria de layout. Hudson alerta
que no momento, o investimento pode ser
favorável, mas em dois ou três anos pode não ser
mais rentável e o endividamento é geralmente
de médio a longo prazos. “Já fui contratado
para fazer projeto para determinada linha de
financiamento que estava inviável. O empresário
parou. Nesses casos o melhor é mudar de foco e
pensar em outro projeto onde o risco é menor e a
chance de sucesso muito maior”, diz o consultor.
A
desaceleração
da
indústria em 2012 forçou o
governo federal a reduzir
a taxa de juros de linhas de
financiamentos de incentivo
a produção. A medida é para
estimular empreendedores a abrir
ou expandir seu negócio, gerando
mais renda para o consumo. Isso fez
FCO - Fundo Constitucional de
Financiamento do Centro-Oeste
Em uma das principais fontes de investimento no Estado, o FCO, a taxa de juros que,
antes variava entre 6% a 7% ao ano, caiu para
2,5% a 3% desde outubro do ano passado. Aliado às outras vantagens, como prazo de 15 anos
para pagar e carência de até cinco anos, houve
as instituições públicas cortarem os
juros nas linhas mais procuradas.
aumento do valor das operações na contrata-
Para tomar a decisão acertada de quanto e
tos empreendedores tiraram seus projetos da
em que investir, o primeiro passo é elaborar um
gaveta. O orçamento previsto para este ano era
plano de negócios, o que já é exigido por linhas
de R$1,266 bilhão e já foi contratado R$1,624
de financiamento com dinheiro do governo fe-
bilhão. O crescimento dessa demanda causou
deral. Esse projeto é feito por um consultor que
atraso na liberação de recursos e em abril ti-
exige da empresa as situações atual e futura
vemos que interromper novos contratos, mas
ção de empréstimos no Estado em 38%. “Mui-
Agosto/ Setembro 2013
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27
as operações já estão voltando ao normal”, ex-
O FCO atende entre 12 a 15 mil beneficiários
plica Jerônimo Alves Chaves, secretário-exe-
por ano no Estado. Pode ser aplicado em aber-
cutivo do Conselho Estadual de Investimentos
tura ou expansão de uma empresa no comércio,
Financiáveis pelo FCO (CEIF/FCO) em Mato
serviço, turismo, indústria ou infra-estrutura, ou
Grosso do Sul.
ainda no campo. O empresário deve ter empre-
A cada ano aumenta a previsão orçamentá-
sa constituída com CNPJ e precisa elaborar uma
ria de recursos do FCO destinados a financia-
carta-consulta para mostrar para que quer o re-
mentos para empresas de micro a grande por-
curso, quais ações ele vai desenvolver e como
tes em diversos segmentos “Um dos grandes
vai pagá-lo. “Para isso, ele oferece garantias da-
responsáveis por esse pulo é a redução da taxa
quele bem que está adquirindo e garantias liga-
de juros. Mas chega uma hora que há limite.
das à sua atividade produtiva. Existe no caso do
Agora os critérios têm de ser um pouco mais
pequeno empreendedor o chamado fundo de
seletivos, principalmente com grandes proje-
aval ou de apoio à pequena empresa, que com-
tos para grandes empresas”, diz o secretário.
plementa a garantia no caso de falta”, afirma
Desde julho, a taxa praticada pelo FCO subiu
Jerônimo.
de 3,5% para 4,12% ao ano.
Priorizar micro e pequenas empresas é uma
As linhas da Caixa
das regras do Fundo. A lei exige o mínimo de
51% dos recursos aplicados para os pequenos.
A Caixa Econômica Federal foi outra institui-
Faz parte da política pública para reduzir desi-
ção financeira que cortou a taxa de juros da linha
gualdades regionais e tornar o financiamento
de financiamento para empresas que faturam
acessível ao maior número de empreendedores
até R$50 milhões ao ano. É a Giro Caixa, desti-
possível.
nada ao capital de giro. Desde abril do ano passado, ela teve uma redução de 2,74% para 0,94%
Empresários beneficiados pelo FCO em MS
10.583
14.090
14.767
13.083
ao mês. “Isso se deve à grande redução do spread
bancário, que estava muito alto. Assim, o custo
do dinheiro ficou mais rentável para as empresas”, explica Cláudio Rubbo, gerente regional da
Caixa Econômica Federal. “Com isso, dobrou a
carteira de pessoa jurídica, hoje em torno de seis
mil clientes, o que representa de 8% a 10% dos
tomadores de empréstimo no mercado. Há quatro anos, representava 2% a 3%”, diz ele.
Nessa linha de capital de giro, é possível contratar até R$1 milhão sem carência. O dinheiro
vai direto para a conta.
Para ampliar a empresa, aumentar a atividade
ou atualizar equipamentos, a linha mais indicada
por Cláudio é o Finame, com recursos do BNDES,
que oferece uma taxa de juros de 3,5% ao ano
para compra de equipamentos nacionais e 4% ao
ano para caminhões e ônibus. O empresário tem
60 meses para pagar e 12 meses de carência. O
teto de contratação é de R$2 milhões para empresas que faturam até R$90 milhões por ano. O
ponto negativo é que não financia equipamentos
2009
2010
2011
2012
Fonte: CEIF/ FCO
28 |
Agosto/ Setembro 2013
usados e restringe determinados tipos.
Já o Projer, que utiliza recursos do Fundo de
Amparo ao Trabalhador (FAT), financia equipamentos usados e ainda pode ser utilizado para
ampliação e obras civis. O empresário pode contratar até R$600 mil, com 48 meses para pagar
FCO
Taxa de juros: 4,12% ao ano
Prazo: até 15 anos
Carência: até 5 anos
e seis de carência. A taxa de juros é de 5% ao
ano mais Taxa de Juros a Longo Prazo (TJLP),
que está em 5% ao ano também. Vale para empresas que faturam até R$7,5 milhões por ano.
Outra linha bastante procurada é a antecipação de recebíveis, que ajuda a potencializar
a empresa, ter mais produtos e ampliar o capital de giro. O empresário soma o que vendeu a
prazo no cartão, cheque ou duplicata, e o banco
antecipa o valor que ele tem a receber. Não tem
carência, a pessoa recebe o dinheiro de acordo com o prazo do recebível. As taxas variam
também de acordo com o recebível: 1% ao mês
para cartão, 1,47% ao mês para cheque e 1,76%
Banco do Brasil
BB GIRO RÁPIDO
Taxa de Juros: varia conforme o
relacionamento com o banco
Prazo: 24 meses
Carência: 59 dias
CARTÃO DO BNDES
Taxa de Juros: pré-fixada 0,86%
ao mês (julho)
Prazo: 3 a 48 meses
ao mês para duplicatas.
BB Giro Rápido e BNDES
O Banco do Brasil é outra instituição que
oferece linhas de financiamento com recursos
do governo federal e taxas de juros atrativas.
Uma das que financia capital de giro, a BB Giro
Rápido disponibiliza crédito pré-aprovado e o
dinheiro é liberado na conta corrente da empresa. O limite é de R$100 mil, que pode ser
dividido em até 24 parcelas, com prazo de 59
dias para começar a pagar. As taxas de juros
variam de acordo com o relacionamento do
cliente com o banco. A cada parcela paga, o
crédito pode ser reutilizado e parcelado de
novo em 24 vezes.
Também é possível fazer financiamento com
recursos do BNDES. Uma das maneiras é com o
cartão do BNDES, onde o empresário financia a
compra de máquinas, equipamentos, veículos e
outros bens de produção para a empresa pela
internet, diretamente de fornecedores credenciados no portal do Cartão BNDES. O empresário pode financiar o valor total do bem, que
não pode ultrapassar R$1 milhão. O prazo para
pagamento vai de três a 48 parcelas e a taxa de
juros é pré-fixada, divulgada no site do cartão
BNDES. Em julho, a taxa era de 0,86% ao mês.
Caixa Econômica Federal
GIRO CAIXA
Taxa de Juros: 0,94% ao mês
Prazo: 40 meses
Carência: não tem
FINAME
Taxa de Juros: 3,5% ao ano para
equipamentos nacionais
4% ao ano para caminhões
e ônibus
Prazo: 60 meses
Carência: 12 meses
PROJER
Taxa de Juros: 5% ao ano
+ TJLP (5%)
Prazo: 48 meses
Carência: 6 meses
ANTECIPAÇÃO DE RECEBÍVEIS
Taxa de Juros
Cartão: 1% ao mês
Cheque: 1,47% ao mês
Duplicatas: 1,76% ao mês
Prazo: varia de acordo com o prazo
do recebível
Carência: não tem
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O projeto do empresário Liwiston Queiroz
Dantas para conseguir um financiamento do
FCO e construir a conveniência só foi aceito na
terceira tentativa. Ele teve de reduzir o valor
inicial de R$350 mil para R$285 mil e enxugar
alguns itens do projeto para realizar o sonho.
Comprou o terreno da empresa com recursos próprios e o deixou como garantia para
o financiamento. Com o dinheiro do
FCO, construiu e equipou a conveniência com prazo de quinze anos
para pagar e dois de carência.
Na época, em 2009, a taxa de
juros contratada foi de 8% ao
ano. No ano passado, utilizou
o FCO pela segunda vez.
Emprestou R$85 mil para
substituir 35 freezers e
uma ilha de congelados por
uma única câmara fria, mais
moderna e com menos gasto
de energia. Dessa vez, a taxa
de juros foi menor que a anterior: 5,5% ao ano, com prazo
de cinco anos para pagar. Além
do FCO, utilizou outra linha, o
Projer, para financiar dois carros
para entrega. De 2011 para cá,
o faturamento aumentou 40%
e hoje chega a R$1 milhão por
ano. Ele pretende dobrar esse
número, mas está feliz com o
resultado até agora. “Com a
construção que fiz no terreno
e a valorização imobiliária, o
prédio vale hoje R$1,5 milhão. Se
eu vender tudo consigo quitar
todos os financiamentos e
ainda sobra dinheiro. Na minha
opinião, o financiamento foi a
melhor escolha para deslanchar”, diz o empresário.
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Paulo Oliver
A escolha certa
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31
Ponto de Venda
EMPRESAS DEVERÃO
INFORMAR DADOS EM SITES
A partir de agora, as empresas que tiverem página na internet são obrigadas
a disponibilizar o número do CNPJ e o endereço da sede principal. De acordo com a lei, publicada em junho, as informações devem estar na página de
acesso do site da empresa, em local visível e com caracteres do tamanho de
um quarto do maior disponibilizado.
É direito do consumidor saber com qual empresa está tratando, onde está
localizada e se é legalmente constituída.
Os anúncios deverão discriminar, juntamente
ao preço, as despesas adicionais, tais como
taxas de entrega e seguros. As condições da
oferta deverão ser claras, de modo a propiciar que o consumidor compreenda as modalidades de pagamento, disponibilidade, forma
sxc
de execução do serviço e prazo de entrega do produto.
Caso essas exigências sejam desrespeitadas, a empresa
terá um prazo de cinco dias para se regularizar. Se não for
feita a regularização, cabe multa que varia de R$480,00 a
R$7.2 milhões.
UZINGA ABRE
NO SHOPPING CG
A loja de presentes criativos Uzinga abriu sua primeira unidade no Shopping Campo Grande. Fernando Rodrigues
criou o conceito da marca focado em crowdsourcing ou criação
coletiva. Um espaço colaborativo de produção na internet,
onde as pessoas desenvolvem ilustrações para serem estampadas nos produtos e os usuários do site votam nas melhores ideias. As vencedoras são produzidas e levam o nome
do designer. São canecas, almofadas, chaveiros, acessórios,
aventais, capas de notebook, Ipad, entre outros. Danilo Jovê,
diretor de arte da marca, também é sócio da empresa. Já
cado até dezembro. A expectativa é implantar outra unidade
no começo de 2014 e depois virar franquia.
32 |
Agosto/ Setembro 2013
Divulgação
foram lançados 250 produtos e outros 300 estarão no mer-
NORTE SUL TRAZ MARCAS
NACIONAIS PARA A CAPITAL
Até o fim do ano, chega à capital a
loja - quem disse, berenice? - marca do Grupo Boticário apresentaTraz um conceito amplo em maquiagem, cosméticos e um portfólio com mais de 500 itens.
Divulgação
da ao mercado brasileiro em 2012.
Especializada em jogos, a Games
Square inaugura sua unidade na
cidade com um acervo de dois mil
títulos para todas as plataformas
de videogames, livros de ficção
e RPG, card games, quadrinhos,
Neste semestre, foram inauguradas duas lojas. Uma
mangás e figuras de ação.
é a Ecoacqua, um car wash que aplica o conceito de
A Chopptime, de Ribeirão Preto -
sustentabilidade nos serviços de limpeza e estética
SP, promete bom atendimento e
automotiva. Usam produtos biodegradáveis que
um cardápio à la carte. Além do
não agridem o meio ambiente.
tradicional chope, referência da
A outra é a BLM, no mercado desde 1996, que traz
marca. Tem mais de 20 franquias
um novo conceito em moda jovem. Considerada
em oito estados. Vem com o con-
uma das maiores indústrias de vestuário do Cen-
ceito lifestyle - arquitetura que in-
tro-Oeste, está presente nos principais shoppings e
tegra as áreas externa e interna –
centros comerciais, com 28 lojas em 22 cidades e
ao shopping.
três estados.
C O N S U LTO R I A E M E D I C I N A D O T R A B A L H O
CONTROLE
DE VENDAS
DOMINO’S
EM CG
A catraca Bap Ticket, produzida pela Di-
A Domino’s Pizza está operando em sis-
mep, emite comandas com código de
tema de balcão à noite. A partir deste
barras na entrada dos estabelecimentos,
mês, começa a fazer entregas num raio
que garantem a marcação correta do con-
de 5km. Segundo o franqueado, Adria-
sumo e agilizam o processo de cobrança,
no Hermeto, a Domino’s vai garantir ao
já que um software integrado aos pon-
cliente bom atendimento com pessoal
tos de venda fazem automaticamente a
especializado. O empresário pretende
soma do valor devido. Sem necessidade
abrir outra loja da marca em um ano.
de grande área para instalação e com sisDivulgação
tema de amortecimento
que diminui o impacto
dos braços, a Bap Ticket
emite até dois mil cartões
por bobina. Além de
inibir furtos,
a
catraca
auxilia
no
não compromete a estética do comércio.
Divulgação
controle de estoque e
“TRATAMENTO” PARA
EMPREENDEDORES
A obra digital C.H.O.Q.U.E.: tratamento para o surto empreendedor, de
autoria do professor e empreendedor Marcus Linhares, traz uma metodoendedor. Segundo o autor, o envolvimento passional faz do empreendedorismo a grande epidemia de transformações mundiais. No entanto,
é necessário um equilíbrio obtido pelo conhecimento racional. Assim,
o principal objetivo do livro é subsidiar os empreendedores para
transformar ideias em negócios com a utilização de uma ferramenta científica e eficaz. “Trata-se de um novo formato para uma receita velha e pode ser utilizado em qualquer tipo de negócio”,
afirma Linhares, que trabalha com aceleração de startups, modelagem de negócios, projetos de inovação e tecnologia. O
livro é disponibilizado gratuitamente pela internet. O download está disponível pelo link: www.choqueonline.com.br.
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Agosto/ Setembro 2013
Divulgação
logia de negócios para tratar os processos de gestão e o “surto” empre-
Receba em sua casa a
67 3213 1141
[email protected]
Agosto/ Setembro 2013
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35
Divulgação
Panorama
De fora,
mas regional
por Fernanda Nascimento Prochmann
[email protected]
Novo empreendimento, para todos os bolsos e gostos,
promete impulsionar comércio na região norte da
capital. No complexo, mais de 50% dos empresários
são de Campo Grande.
36 |
Agosto/ Setembro 2013
se coloca todas essas coisas numa equação só,
Campo Grande se torna uma cidade muito interessante para os negócios do grupo. Além disso há um crescimento econômico significativo
e ao mesmo tempo sustentável. Conseguimos
ver continuidade nisso pelos próximos anos”,
Paulo Oliver
diz Murilo Loureiro, diretor de projetos do Grupo Jereissati.
Apesar da empresa não ser de Mato Grosso
do Sul, o projeto se destaca pela regionalidade. “Não é um caixote de concreto. A fachada é única, cor de terra. A estrutura metálica é
vinculada a uma estratégia de cobertura com
vidros que, refletida nos desenhos estilizados
no piso interno, dá a sensação de que há um rio
dentro do lugar. Treze mosaicos com desenhos
de animais e plantas pantaneiras, além de detalhes inspirados nos povos indígenas, completam a decoração."
Junto com o shopping há uma série de outros empreendimentos que o grupo Jereissati
Murilo Loureiro, diretor de projetos do Grupo Jereissati
Quem segue para a saída
de Cuiabá, na Avenida
Cônsul Assaf Trad, vê uma
estrutura imponente. A obra
do Shopping Bosque dos Ipês
está começando a desenvolver, como torres
comerciais e um hotel. Já estão confirmadas as
vindas da Leroy Merlin, empresa de bricolagem
e da Landix, do mercado imobiliário, essa última com investimento de R$60 milhões. “A gente está aqui para lançar um shopping que abre
uma agenda de transformação. Queremos, da-
é tratada como a mais nova joia
da coroa do Grupo Jereissati, já
qui a trinta anos, que cada campo-grandense
conceituado nacionalmente e com
experiência de mais de 30 anos na
construção de shoppings centers.
sair na primeira ‘marola’ da economia. Temos
Para ocupar a área de 38 mil metros
quadrados, onde vão funcionar 176
espaços comerciais, foram investidos
R$200 milhões.
deu, como incentivo, desconto de 30% no valor
se sinta meio dono desse shopping. Não vamos
um compromisso com Campo Grande, de longo prazo. Para a instalação, a Prefeitura concedo IPTU no terreno do shopping durante o período de construção, além de isenção de recolhimento do Imposto Sobre Serviços (ISS) das
O interesse da empresa em Campo Gran-
construtoras e prestadoras de serviço da obra."
de surgiu há pouco mais de cinco anos. “Tem
Questionado sobre a localização do Shopping
muitos fatores que nos saltaram aos olhos em
Bosque dos Ipês em uma região ainda pouco
2008, como a questão específica no mercado
explorada comercialmente, Murilo enfatiza que
consumidor. É um público que não está satu-
o complexo está direto no eixo de crescimento
rado, tem um alto poder aquisitivo, é curioso
da cidade. “As pesquisas apontavam que
e aposta em coisas novas. Então, é com esse
o desenvolvimento estava vindo para esta
intuito que chegamos aqui. A gente vê essa
região. Esses espaços abertos vão diminuir
demanda por inovação e isso é um fator que,
significativamente, é com esse dado que a gente
de certa forma, corrobora com a nossa tese
está trabalhando.” A expectativa é que essa
de investimento quando veio pra cá. Quando
diminuição aconteça em cinco anos. Lembrando
Agosto/ Setembro 2013
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37
Fotos: Divulgação
Projeto do interior do Shopping Bosque dos Ipês
ainda que, bem ao lado, o conjunto Alphaville
de ampliação do Ti-Batata prevê a contrata-
tem 1.500 casas, um público em potencial.
ção de 15 funcionários para a loja do shopping.
Entre as lojas âncora estão Renner, Pernam-
“Investimos R$270 mil, entre custo de obra e
bucanas, Riachuelo, o supermercado Wall Mart,
equipamentos e esperamos que esse valor se
além das inéditas Zara (de vestuário), livraria
pague em dois anos e o empreendimento passe
Saraiva MegaStore e a rede UCI, de cinema.
a caminhar sozinho”, salienta. Para Ana a chegada do shopping vai prestigiar ainda mais o cam-
Empresariado local
Mais de 50% dos empresários que vão se instalar no
Shopping Bosque dos Ipês são
de Campo Grande ou do Estado. “Nosso objetivo é ter o
po-grandense. “É uma prova
“É um público que não
está saturado, tem um
alto poder aquisitivo,
é curioso e aposta em
coisas novas.”
do potencial da nossa terra.”
A loja multimarcas Saga
também é fruto do Estado. O
empresário Adriano Straliotto
está estreando no mundo dos
negócios. Veio de Sidrolândia,
lojista daqui de maneira signi-
interior de Mato Grosso do Sul
ficativa. Essa identificação não
e promete um espaço “diferen-
pode ficar simplesmente no
te”, para um público bem infor-
projeto arquitetônico, ela tem que passar por
mado. Com nove marcas de inverno e 12 de ve-
uma identificação específica das pessoas, seja
rão, Adriano diz que o peso do nome do Grupo
do lojista, seja do público da cidade. Eles são
Jereissati foi decisivo para abrir o negócio. Pelo
parte integral do shopping”, diz Murilo.
ponto comercial foram gastos R$120mil. O cus-
Ana Paula Toledo é uma das empresárias
to total do investimento foi de R$270 mil, que
de Campo Grande que aposta no novo espaço.
deve ser integralmente pago em até dois anos.
Ela vai abrir a segunda unidade do restauran-
Na loja, além de roupas, serão vendidas bolsas,
te Ti-Batata. No cardápio, novidades nos sa-
sapatos e acessórios.
bores das batatas recheadas, como cheddar,
Depois de várias pesquisas de mercado, a
bacon, muçarela e pepperoni. Esta será a pri-
Yupi, empresa de calçados, abre no Shopping
meira experiência em um shopping, depois de
com um foco bem definido: o mercado infantil.
seis anos no mercado. “Será um piloto, estamos
Os empresários campo-grandenses Ginez Cesar
estudando para transformar nosso negócio em
Clemente e Luciana de Oliveira Clemente deci-
franquia. Vamos dar um tempo de seis a oito
diram investir nesse nicho. A loja de calçados
meses, para sentir o mercado, daí disparamos
multimarcas vai explorar um ambiente lúdico
para a nova empreitada”, diz Ana. O projeto
e divertido, para agradar e encantar os pais e
38 |
Agosto/ Setembro 2013
principalmente o público alvo: as crianças com
endedores locais, que junto com grandes mar-
até 12 anos. “Nós queríamos muito abrir um ne-
cas nacionais e internacionais vão proporcionar
gócio no segmento infantil. Sempre enfrenta-
um mix interessante para os consumidores”, re-
mos dificuldades em encontrar alguns tipos de
força Luciana.
calçados para nossa filha de 7 anos. Decidimos
investir no shopping pelo conjunto de fatores
Tecnologia Sustentável
favoráveis. Entre eles, segurança, fluxo de pessoas e conforto. É claro que o
O Shopping é o primei-
custo é maior, mas a intenção é
ro empreendimento do Es-
aproveitar essa conjuntura oferecida para equalizar os custos
maiores e obter uma rentabilidade satisfatória”, diz Luciana.
“As pesquisas
apontavam que o
desenvolvimento estava
vindo para esta região.”
tado a receber o selo LEED
(Leadership in Energy and
Environmental Design), que
atesta a sustentabilidade de
Para instalar a loja foram inves-
uma obra pela redução de
tidos R$280 mil, sem contar o
danos ao meio ambiente. En-
capital inicial para o estoque.
tre os itens, estão lâmpadas
Os empresários esperam ter o
de led e estacionamento para
retorno financeiro em menos de dois anos. “Sen-
veículos de baixa emissão de poluentes e baixo
timos confiança do grupo Jereissati nos empre-
consumo de combustível, além de bicicletário.
Shopping Bosque dos Ipês:
R$
200 milhões de investimento
176 lojas
6 salas de cinema (Stadium e 3D)Cinema UCI
Fotos: Divulgação
2 mil vagas de estacionamento
Lojas Saga e Yupi, de empresários locais, que vão funcionar no Shopping Bosque dos Ipês
O Grupo Jereissati possui ainda o
Shopping Center Um – o primeiro
Shopping cearense, implantado na
década de 1970, e o Shopping Center
Iguatemi Fortaleza, em operação
desde 1982. Simultaneamente ao
projeto do Bosque dos Ipês, está
em obras o Shopping Bosque
Grão-Pará, em Belém (PA), com
inauguração
prevista
para
o
primeiro semestre de 2014.
Agosto/ Setembro 2013
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39
T.I
SOFTWARE
AJUDA
INSTAGRAM
NA HORA
A complexidade das gestões contábil e fi-
Muitas marcas e empresas utilizam o Ins-
nanceira é uma das principais razões para
tagram como parte de suas estratégias de
a mortalidade de pequenas e médias em-
marketing. Uma delas é a Tagpick, empre-
presas. Para estabelecer controles e pro-
sa que desenvolve um serviço baseado nas
cessos condizentes com os requerimentos
famosas hashtags, muito utilizadas na rede
legais brasileiros, o empreendedor conta
social, em festas e eventos.
agora com o software gratuito RXPCont.
Após a escolha de uma hashtag para re-
O programa gerencia os processos de
presentar a comemoração, a foto tirada
contabilidade e finanças de forma integra-
pelo Instagram será impressa em formato
da e com lançamentos únicos. Demonstra-
polaroid para que os convidados levem
tivos de resultado e balanços patrimoniais
como recordação.
são gerados automaticamente. É compa-
Informações no site: www.tagpick.com.br
tível com o padrão contábil IFRS, apura
simultaneamente resultados por regime
de caixa e competência, e por centros de
custo e de lucro. Permite a importação de
dados de sistemas legados, como folha de
pagamento, livros fiscais e controles avançados de estoque e faturamento. A licença
dados e relatórios gerenciais. Para baixá-la, acesse www.rxp.com.br.
Divulgação
gratuita é monousuária, e inclui banco de
UNIVERSIDADE RECEBE NOVOS
EQUIPAMENTOS
A Fundação de Apoio ao Desenvolvi-
pamentos são fundamentais para pes-
mento do Ensino, Ciência e Tecnologia
quisas desenvolvidas nos programas
de Mato Grosso do Sul (Fundect) im-
de pós-graduação.
ca Tcheca para pesquisa. A compra foi
repassada para a Universidade Federal
da Grande Dourados (UFGD).
O Sistema de Imagem por Fluorescência e o Medidor de Evapotranspiração
serão usados nos processos de análise
dos potenciais tóxicos de nano materiais encontrados em plantas. Os equi-
40 |
Agosto/ Setembro 2013
Divulgação
portou dois equipamentos da Repúbli-
Agosto/ Setembro 2013
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41
SOB
CONTROLE
O setor de Tecnologia da Informação
A NCR Corporation lançou o
deve criar 4,4 milhões de empregos até
NCR Aloha Guest Pad, um
2015, segundo Donald Feinberg, ana-
aplicativo
lista do Instituto de Pesquisas Gartner.
nes e tablets para melhorar
A maioria das vagas será para os co-
o controle de reservas e lis-
nhecedores do sistema Big Data, que
ta de espera nos restauran-
armazena várias informações em um
tes. O aplicativo está sendo
pequeno espaço.
distribuído de graça. A
No Brasil, o déficit projetado para 2015
versão paga será lan-
é de 117,5 mil profissionais. Os segmen-
çada este ano e vai
tos mais promissores são os de redes e
suportar
conectividade.
dagem de dados
para
smartpho-
Divulgação
TI - GERANDO
EMPREGOS
hospe-
na nuvem, gerenciamento de
mesas e reservas online.
“Isso melhora a experiência
de
consumo aos
clientes”, afirma Luiz Bento,
sxc
diretor comercial
da NCR Brasil.
TECNOLOGIA AGILIZA
TRANSMISSÃO DE DADOS
A empresa dinamarquesa OFS-Fitel e
de transmitir múltiplos fluxos de informação no
cientistas da Universidade de Tel Aviv, em
mesmo cabo de fibra óptica usando diferentes
Israel, anunciaram uma tecnologia de fibra
alcances de onda.
óptica que irá aumentar a capacidade de
transmissão na internet. O fato será possível com o envio de dados por raios lumifazê-lo em linha reta.
Este avanço é comparável a descobertas dos anos 1990, sobre a possibilidade
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Agosto/ Setembro 2013
sxc
nosos em forma de turbilhão, ao invés de
MODA
E-COMMERCE
O agregador de ofertas Modalize reúne, em um mesmo local,
cerca de 700 das principais marcas nacionais e internacionais
de 40 grandes players, como Colcci, Forum e Triton.
A página está organizada em categorias como acessórios,
perfumes, roupas e calçados. No endereço www.modalize.
com.br é possível aproveitar promoções com até 60% de
desconto.
De acordo com o empresário Thiago Buchler, um dos idealizadores do site, o Modalize deve reunir mais de 70 e-commerces até dezembro deste ano, tornando-se o maior site do
gênero no Brasil.
SOLUÇÕES COMPLETAS
EM TI PARA SUA EMPRESA.
sxc
Instalação,
configuração e manutenção de
equipamentos de informática;
Pacotes mensais
acessíveis, incluindo suporte
local e remoto, consultoria,
projetos e instalações;
Instalação,
configuração e manutenção
de redes de comunicação de
dados, CFTV, áudio e vídeo;
Acesso facilitado
ao suporte pelo site, com
chat, controle de pagamentos
e serviços realizados;
PRÊMIO DE C&T
ABRE INSCRIÇÕES
Estudantes e pesquisadores ainda podem se inscrever
Inventário
completo dos equipamentos
e softwares do cliente
disponível para consulta online.
para o Prêmio MERCOSUL de Ciência e Tecnologia Edição
2013. As inscrições serão aceitas até o dia 19 de agosto.
O tema deste ano é Educação para a Ciência.
Os candidatos concorrem em uma das seguintes categorias: Iniciação Científica, Estudante Universitário, Jovem
Pesquisador e Integração.
Os
trabalhos
devem
ser
enviados
para
o
site
http://eventos.unesco.org.br/premiomercosul
(67) 3361-1800
Av. Manoel Ferreira, 470.
Campo Grande-MS
www.vr2.com.br
Paulo Oliver
Nicho
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Agosto/ Setembro 2013
Além
da farinha:
os ingredientes que
aumentam o faturamento
Não basta vender pão e leite.
O consumidor quer espaço
e variedade. Para atender
as exigências, panificadoras
ganham mais espaço e
diversidade
por Cláudia Ferreira
[email protected]
Levantamento do Serviço Brasileiro
de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas (Sebrae) mostra que o
Estado tem cerca de trezentas padarias
que faturam por ano R$283 milhões,
com média de 190 mil frequentadores
por dia. De olho nesse público, que tem se
mostrado mais exigente e diversificado, as
padarias resolveram investir em reforma para
ampliação de espaço, produtos e serviços,
principalmente em Campo Grande, segundo
o Sindicato da Indústria de Panificação e
Confeitarias de Mato Grosso do Sul.
A
padaria Tietê, com 24 anos no mercado, percebeu
a necessidade de aumentar seu espaço. Reformou
a matriz e, na última década, abriu mais duas uni-
dades, a última com investimento de R$2 milhões e comemorando seu primeiro aniversário. O gerente da loja, Manoel Elias
Barbosa, conta que sofreu com a concorrência dos supermercados, mas logo tomou fôlego. “No começo, quando abriu um
supermercado na região, nosso movimento caiu cerca de 20%.
Agosto/ Setembro 2013
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Paulo Oliver
A padaria Mais Que Pão investiu na ampliação do espaço, contratação de funcionários e variedade no cardápio
Hoje, boa parte dos clientes retornou à panifica-
área passou de 160 para 360 metros quadra-
dora pela variedade de produtos”, explica.
dos. O número de funcionários aumentou 52%
A terceira unidade, com 900 metros qua-
e mais pessoas devem ser contratadas para a
drados (o dobro das outras), passou a ofere-
implantação do almoço, entre auxiliares de co-
cer pratos executivos no almoço, um projeto de
zinha, cozinheiros, garçons e operadores de
implantação que custou R$120
caixa. A produção também
mil. A expectativa dos empre-
cresceu. “Primeiro nós lança-
sários é alavancar as vendas
com o almoço, por ser uma
região de comércio. “Tem pessoas que ficam dez, quinze minutos e tem gente que passa a
manhã na padaria, consumin-
190 mil pessoas
frequentam
por
dia
cerca
de
300 padarias no
Estado.
do o tempo todo ou tomando
apenas um cafezinho”, afirma
Manoel.
mos a chapa, depois o caldo.
Estamos soltando os lanches
com opções vegetarianas e vamos colocar a refeição”, explica a sócia-proprietária, Gláucia
Gueno Pedroso.
Nesses seis meses as vendas tiveram um incremento de
20%. A loja foi totalmente reformada e come-
Outra padaria que está em expansão é a
çou com o conceito de conveniência num pos-
Mais Que Pão. Depois de passar por uma re-
to de combustíveis, tornando-se um ponto de
forma que durou três anos e custou cerca de
encontro. “A teoria era que as pessoas compra-
R$1 milhão, a loja abriu as portas de cara nova
vam para levar pra casa e a gente percebeu que
há seis meses. O espaço mais que dobrou - a
não, elas querem vir e comer aqui. Em todas as
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Agosto/ Setembro 2013
nossas pesquisas de mercado as pessoas apontavam deficiência de estacionamento e falta de mesa”, explica. Depois
da reforma, alguns clientes passaram a
fazer reserva para comemorar o aniversário com dez a quinze pessoas, o que
não acontecia antes por falta de espaço.
Aproveitando a expansão desse mercado, a proprietária da padaria planeja
reformar a filial no começo do próximo
ano e abrir uma terceira loja. “O nosso
objetivo é que Campo Grande seja uma
referência em tudo o que a gente faz.
Aqui é uma cidade maravilhosa. Temos
sim, perfil de boas padarias, boa frequência, bons produtos. É um público fiel,
que chega ao caixa e elogia. É algo que
Paulo Oliver
gratifica, vale a pena o investimento”,
afirma Gláucia.
A padaria Pão Bento já embarcou
nessa onda de adaptação ao gosto do
consumidor e não é de hoje. Muitos consumidores procuram o espaço para fazer um lanche, mas a grande demanda
mesmo é para o serviço de buffets. A
empresa investiu R$60 mil na substituição de máquinas para fazer salgados e
doces. Com isso, cinco das sete pessoas
que faziam os salgados manualmente
foram designadas para preparar massas
semi-prontas, um outro filão encontrado para fazer a diferença no mercado.
Para a sócia-proprietária Ane Serra, o
que as pessoas querem cada vez mais é
comodidade e praticidade no dia a dia.
“Metade do nosso faturamento é com
encomenda para festas. Além de preparar tudo, ainda montamos a mesa com
salgados, sanduíches e doces na casa da
pessoa e levamos a massa pronta para
assar e ser servida quentinha”, diz ela.
Também de olho na praticidade que
o consumidor busca, a Pão e Tal já passou por quatro reformas para ampliação de espaço desde que foi inaugurada em 1990. Na última, dobrou tanto a
Seja por lazer ou a trabalho, cada vez mais consumidores elegem
as padarias como ponto de encontro
área quanto a produção da padaria. São
600 metros quadrados para atender
Agosto/ Setembro 2013
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47
os consumidores e mais 500 para produção e
de filhos. “Tem opção pra todo mundo", diz.
administração. Resultado: aumento de 30% no
Ela gasta em torno de R$300 por mês nas
faturamento. Cem funcionários levam diversi-
panificadoras. Para a psicóloga, o ambiente
dade às mesas: desde comida japonesa, caldos,
precisa ter espaço, conforto, bom atendimento
almoço, pizza, além de salgados, doces, merce-
e preço acessível.
aria e congelados. “E ainda tem pão!”, brinca a
Há cinco anos, a consultora de vendas Fer-
gerente Márcia Cristina Ribeiro. “Um dos moti-
nanda Ortiz costuma sair do trabalho com os
vos que nos levaram a ampliar a loja foi a procu-
colegas e ir à padaria fazer um lanche no final
ra dos consumidores por essa variedade. Com
de tarde. “Antigamente você passava só para
a vida corrida das pessoas, é preciso oferecer
comprar pão, agora com lugares mais aconche-
opções práticas. Tem pai que vem almoçar com
gantes, mais sofisticados, a pessoa fica mais à
os filhos rapidinho para levá-los à escola e vol-
vontade e passa mais tempo”, diz ela.
tar para o escritório”, explica a gerente.
O empresário Paulo Goulart escolheu a pa-
Há três meses, a Pão e Tal inaugurou uma
daria para vender um imóvel para o cliente.
segunda unidade, bem menor, com 93 metros
Como não tem escritório, optou por um lugar
quadrados, 12 funcionários e menos variedade.
agradável para as duas partes, o que para ele
Segundo Márcia, essa loja foi criada para aten-
pode até ajudar nas vendas. “Quando você sai,
der à demanda de um bairro carente de padaria
começa a ter uma amizade com o cliente e fica
e também para estudar o hábito do cliente.
mais fácil”, afirma.
E o consumidor ...
Barbosa, a hora da refeição é um momento
Para a funcionária pública Helena Mendes
de interação, de troca, e também cultural. Ela
A psicóloga Maria Leciana Medina frequenta
complementa: “Você não alimenta só o corpo.
padaria quase todos os dias. Durante a semana
Quando você reúne as pessoas e confraterniza,
compra pão e frios. Aos fins de semana toma
você alimenta a alma.” Pelo jeito, essa é a alma
café da manhã e lancha com o marido e o casal
do negócio.
80
Faturamento em bilhões
70
60
50
40
30
20
10
0
2006
2007
2008
2009
2010
2011
Fonte: Sebrae
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Agosto/ Setembro 2013
Agosto/ Setembro 2013
| 49
Luciana Serra
Capa - Entrevista
50 |
Agosto/ Setembro 2013
Toque de Midas
por Sabrina Mestieri Nakao
[email protected]
Midas era um rei que, segundo a mitologia
grega, transformava em ouro tudo aquilo
que tocava. Na modernidade capitalista,
esse "dom" virou característica de um
empresário que vislumbra bons negócios
e os transforma em realidade
Agosto/ Setembro 2013
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51
Luciana Serra
É
impossível falar de Mato
Grosso do Sul sem citar um
dos maiores empresários
da região Centro-Oeste. De
um desejo de sua mãe, o
empreendedor Ueze Zahran
se inspirou e construiu uma
história de sucesso, contada
com exclusividade para a
Revista Negócios MS. Nascido em
Bela Vista, interior do Estado, veio
para Campo Grande aos 2 anos.
Como surgiu a ideia de vender gás?
Eu tinha 20 e poucos anos, quando minha mãe
fez uma viagem a São Paulo para visitar os parentes e voltou apaixonada pelo fogão a gás. Eu a
presenteei com um fogão e dois botijões de gás.
Comecei a estudar sobre o GLP – Gás Liquefeito
de Petróleo (mais conhecido como gás de cozinha) e fui tentar em São Paulo uma representação para instalar o negócio do gás em Campo
Grande. Ao sair do escritório da empresa, percebi
dois botijões, um grande e um pequeno. Perguntei quantos quilos cabiam em cada um deles. O
Um visionário que soube aproveitar as
oportunidades pensando não apenas em
rapaz não sabia. Eu sabia, um era de 13kg e outro
seu crescimento, mas em melhorias para
a sociedade. Hoje lidera a Copagaz, quinta
ser distribuidor. Então ao invés de Campo Grande,
maior concessionária de gás do Brasil.
para saber o que precisava para ser um distribui-
52 |
Agosto/ Setembro 2013
de 45kg. Pensei, não vou ser representante, vou
fui para Brasília, ao Conselho Nacional de Petróleo,
dor. Trabalhei duro por nove meses e consegui.
somos outro grão de areia dentro do planeta Ter-
Naquele tempo, havia regiões
ra.” Naquela época eu tinha 17
em que você podia trabalhar,
anos. Minha cama ficava próximo
como São Paulo, Mato Grosso e Goiás. Então montei em
Campo Grande.
O sonho da minha mãe foi o
que moveu o meu, pois quan-
Quando vi a sua alegria com
aquela chama azul, imaginei
milhares de mães com a
mesma alegria
da janela do quarto, sempre aberta. Eu gostava de ficar olhando o
céu, lembrando-me da frase do
professor Wilson. O fato de lembrar de que somos um grão de
do vi a sua alegria com aquela
areia dentro da Terra me deu mais
chama azul, imaginei milhares
força e coragem para mudar a si-
de mães com a mesma alegria.
tuação da minha família. Prometi
Também me inspirei em
a mim mesmo que faria de tudo
uma citação do professor de história Wilson Bar-
para mudar a nossa vida, usando a frase do pro-
bosa Martins. Quando adolescente, estudava no
fessor como referência.
colégio Osvaldo Cruz, em Campo Grande. A frase
dita por ele era a seguinte: “A Terra é como um
grão de areia no sistema solar, e nós, humanos,
Como foi o início da empresa?
Em 1955 abri a Copagaz, Companhia Paulista
Agosto/ Setembro 2013
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53
Luciana Serra
meses, o volume da distribuição subiu de 30 para
800 toneladas mensais. Esse foi o primeiro passo
para a expansão dos negócios da Copagaz que,
desde então, não parou de crescer. Hoje, com
sede em São Paulo, somos a quinta maior empresa do País, gerando milhares de empregos diretos e indiretos.
Como foi driblar a crise nos anos 90?
O setor por inteiro teve dificuldade para sobreviver a essa crise brutal. Chegamos a levantar
empréstimos de bancos diferentes, só pra cobrir
o prejuízo na época. Mas fizemos um bom trabalho, ajustando o mercado e trazendo leis internacionais, fundamentais para aumentar a segurança
do consumidor.
O senhor tem um papel importante na adoção de leis internacionais no comércio de botijões. Como foi isso?
Quando soube da morte de três crianças, de
12, 10 e 8 anos, no interior de São Paulo, com a
explosão de um botijão, fiquei chocado. Graças
de Gás, com sede em Campo Grande. Levei nove
a Deus não era um botijão Copagaz. Falei com o
meses para conseguir o título de distribuidor, jun-
meu diretor para pegar uma cópia do atestado de
to ao Ministério de Minas e Energia. Comprei 26
óbito e levei à Agência Nacional do Petróleo. Pedi
tanques vazios, de uma tonelada. De São Paulo,
ajuda ao Congresso para impor aqui as leis de se-
mandava dois tanques com duas
gurança da Europa e Estados
toneladas de gás para Campo
Unidos. Nesse tempo, eu fazia
Grande. Eram 26 toneladas por
mês e como era pouco, eu vendia fogões, reguladores e botijão também. Com isso, dava para
melhorar a situação da família.
Fiquei trabalhando por seis anos
dessa forma. Como tinha autori-
A Copagaz está entre as 100
melhores empresas para se
trabalhar. Eu acabei com
o analfabetismo na minha
empresa.
zação para atuar aqui (São Paulo), montei uma pequena engarrafadora em Santo Amaro, numa área de 50m2.
reuniões a cada 20 dias, em
Brasília. Em uma das reuniões
surgiram dois técnicos do Ministério da Justiça, da Secretaria de Defesa do Consumidor, dizendo que ali estavam
para ajudar, pois conheciam o
meu trabalho há mais de quatro anos e ainda sem solução.
A partir da ajuda do Ministério da Justiça, concluímos o trabalho em seis meses. As leis foram
Como foram os primeiros anos da Copagaz?
impostas exigindo testes nos botijões de gás (re-
Eu trabalhava sozinho, vendendo gás a prazo
qualificação) a cada 10 anos de uso. Em 1997,
de uma semana, e no fim da semana, recolhia o
deu-se início à requalificação. O setor testou os
dinheiro. À época trabalhava com 12 ou 13 fun-
105 milhões de botijões existentes no País e des-
cionários. Em Campo Grande, no começo, era só
tes, 25 milhões não passaram nos testes, foram
um funcionário chamado Bispo. O crescimento
destruídos e substituídos por botijões novos. Cus-
era lento, havia muita concorrência. Começamos
tou uma fortuna às companhias, R$4,5 bilhões,
distribuindo uma tonelada de GLP por dia.
mas foi gratificante, durmo com a consciência
Com a engarrafadora em São Paulo, em seis
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Agosto/ Setembro 2013
tranquila. Antes morriam consumidores a cada
Luciana Serra
três dias, hoje caiu drasticamente. A requalifica-
que querem continuar estudando, pagamos 70%
ção de botijões é diária, não para mais, a cada 10
dos custos. Somos uma referência na área de em-
anos de uso são testados novamente.
presas de gás. Quando comecei a engarrafar aqui,
meu escritório era dentro da engarrafadora. Eu
Qual é o faturamento da Copagaz?
saía junto com os empregados e via os funcioná-
Produzimos hoje mais de 600 mil toneladas
rios perguntando pra onde os ônibus iam, porque
por ano. Nosso faturamento chega a R$1,1 bilhão
não sabiam ler. Prometi a mim mesmo que quan-
e espero um faturamento de R$1,3 bilhão para
do tivesse dinheiro, iria alfabetizar todo mundo.
este ano. A Copagaz é a quinta maior empresa
Tive que esperar mais ou menos uns 20 anos para
do segmento, com 7,81% do mercado nacional.
por esse plano em ação.
Tenho 1300 colaboradores e estamos presentes
em 19 estados e no Distrito Federal, por meio de
E como o senhor consegue manter essa ajuda educacional?
13 engarrafadoras e uma rede composta por 2,5
Sai muito caro?
mil revendedores.
Simples, eu poderia ter mais lucro, ter a mais
no meu caixa R$1,5 milhão por ano, que é o que
A Copagaz tem uma política social muito bem estruturada e
gasto na minha fundação, mas gasto esse di-
reconhecida. É um diferencial importante para o bom desem-
nheiro com satisfação. Por exemplo, a Participa-
penho dos funcionários?
ção nos Lucros e Resultados é uma espécie de
A Copagaz está entre as 100 melhores empre-
14º salário. Se tivermos lucro, por lei devemos
sas para se trabalhar. Eu acabei com o analfabe-
repassar para o funcionário, mas eu repasso
tismo na minha empresa. Levei quatro anos trans-
mesmo que não tenha lucro, porque acho que
formando a sala de refeições em salas de aula
o funcionário é o nosso principal capital e tra-
depois do turno de trabalho. Para os funcionários
balha em um setor perigoso, do gás, e é uma
Agosto/ Setembro 2013
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55
Qual é o segredo do sucesso?
Luciana Serra
Acredito que o sucesso veio em função de
uma responsabilidade muito grande. Quando
comecei a trabalhar, tinha meus 17 anos, cinco
irmãos e a minha mãe. Meu pai tinha falecido.
Outros fatores como a luta contínua, um pouco
de ousadia, a valorização dos colaboradores e
dos clientes. Peças-chave do nosso sucesso.
Qual a importância de Campo Grande na sua vida?
A história de Campo Grande é praticamente a minha. A cidade me pertence um pouco, lá
passei a minha juventude, lá sonhei chegar onde
cheguei, traçando planos ousados. Todas as vezes que vou à Campo Grande, tenho a sensação
de que estou voltando para casa.
satisfação dar a eles mais do que têm direito.
Na Fundação Zahran, temos cinco escolas de in-
IBRAVA
formática gratuitas, abertas aos jovens de baixa
Além de atuar na distribuição de gás,
renda e à terceira idade, em Mato Grosso e Mato
com a Copagaz, a empresa passa a ser
Grosso do Sul.
a única do setor a ter todo o controle da
cadeia de produção de gás. Isso se tor-
A família Zahran também tem a TV Morena, afiliada da
nou possível com a inauguração da In-
Rede Globo, porque investir em telecomunicações?
dústria Brasileira de Vasilhame – IBRAVA,
No pouco tempo de descanso que tinha, gos-
responsável pela fabricação de botijões.
tava de assistir ao programa “Jovem Guarda”,
Com investimento de R$30 milhões,
da TV Record, nos anos 60. A televisão parecia
advindos de recursos próprios, está lo-
ser um sonho impossível no nosso Estado (anti-
calizada no município de Monte Mor,
go Mato Grosso), mas eu queria que a nossa po-
região metropolitana de Campinas, em
pulação tivesse acesso à televisão e resolvi, com
São Paulo. Inicialmente, a nova fábri-
muita ousadia, levar a imagem de TV de São Pau-
ca atenderá somente a Copagaz, mas,
lo para Campo Grande. Disputei a concessão de
no futuro, a venda poderá ser aberta a
três canais com dois senadores e o Assis Chate-
outras companhias do mercado. Para
aubriand, dos Diários Associados. Quando o Cha-
atender as novas demandas, com a ex-
teaubriand entrou, as pessoas diziam: “Zahran já
pansão da atuação da companhia den-
perdeu”. Para vencer, praticamente me mudei
tro do mercado nordestino, a fábrica
para o Rio de Janeiro, por quatro meses. Venci
intensificou a sua produção e acaba de
todos e montei as TVs Morena em Campo Gran-
atingir a marca de 1 milhão de botijões
de, Centro América em Cuiabá e Cidade Branca
fabricados.
em Corumbá.
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Agosto/ Setembro 2013
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Carreira
O segredo dos
vitoriosos
da Redação
“Vencedor é aquele que
batalha até o fim.” A frase faz
parte do currículo de quem
deseja conquistar o sucesso,
segundo o especialista em
Recursos
Humanos
(RH),
psicólogo Marcelo Comparin,
que aponta aos lutadores a
mensagem do quadro que exibe
em sua sala com os dizeres: It ain’t
over ‘til it’s over “só acaba, quando
termina.”
A
reira bem sucedida, desde que desenvolva
técnicas, aprendizados e busque um Plano
de Cargos e Carreira. “Basta ter
planejamento e enxergar as
oportunidades”, destaca.
Comparin explica que o
empresário também pode tirar lucros na seleção de novos
vendedores. “Ele deve recrutar
o maior número possível de interessados por rádio, jornal, tv
e de 100 currículos, a metade é
principal ferramenta para trilhar o
descartada pelo perfil. Em
caminho de uma carreira, de acor-
seguida, fique com duas
do com Comparin, é ser bom ven-
turmas de 25 e faça uma
dedor em todos os momentos. “Em geral, a
dinâmica de grupo,
maioria tem dificuldades de vender as próprias
de cada 15, esco-
ideias. Na hora de convencer o chefe por um
salário maior, por um novo cargo, quem falou
que você quer crescer? Falou para quem?
É preciso vender a ideia, eu vendo em todas as circunstâncias da vida, quando externo os meus pensamentos”, explica.
Na contramão desse pensamento, sobram ofertas no mercado de trabalho para
vendedores. Em média, conforme estatísticas da Fundação de Trabalho (Funtrab), são
100 vagas por mês. “As vendas se tornam o
purgatório dos desempregados, o mercado
sempre precisa e há uma defasagem que aqui
é bem maior, a empresa não encontra o profissional específico e fica o paradoxo de muitos
desempregados mesmo havendo muitas ofertas”, comenta Marcelo Comparin.
Para o especialista em RH, ingressar na função de vendedor e ser o escolhido para atuar
neste setor pode ser o começo de uma car-
58 |
Agosto/ Setembro 2013
lha três ou cinco. Aplique os últimos testes e
alguém será escolhido.
O chamariz
É a chance de encontrar
talen-
tos.”
Plano de
Cargos e
Carreira
O
segredo
das
empresas com metas
de
vendas
cumpridas,
gundo
se-
Marcelo
Comparin, é o
investimento
em
Recur-
sos Humanos.
“A
solução
dos problemas
está
na
própria
empresa:
investe-se em RH e o RH
gera lucros.”
Assim, desde o início de
2000, os empresários vêm
adotando o programa de Plano de Cargos
e Carreira. Para o especialista em RH, é um
dos mecanismos para manter o bom funcionário na empresa, após prepará-lo para o mercado. “Na maioria das vezes, não se encontra
um profissional pronto. A empresa investe e o
capacita, quando ele passa a ser bom, é visto
por todos. É preciso ter um meio de reter os
talentos e o Plano de Cargos e Carreira pode
ser a solução”, cita Comparin.
Atualmente, segundo ele, os profissionais
não estão interessados apenas em salários,
mas também buscam o crescimento profissional. E, com o Plano de Cargos e Carreira,
o funcionário saberá até onde pode chegar
e quanto tempo levará para alcançar seus
No começo deste ano, a Lojas Renner
ofereceu 50 vagas em Campo Grande, no setor de vendas, para atuar no
Shopping Bosque dos Ipês. O principal
atrativo foi uma estrutura de cargos
que prevê o crescimento na carreira
sem, necessariamente, haver promoção, ou seja, há perspectivas de ganhos salariais sem que haja a necessidade do colaborador mudar de cargo.
Para isso, é importante que ele desenvolva e adquira as competências do
seu cargo.
Segundo assessoria, as oportunidades
na Renner são divulgadas por meio
do Portal RH e de e-mails e cartazes
de divulgação internos. Os colaboradores devem comunicar o interesse à
sua liderança imediata, que deverá estar ciente e de acordo. É pré-requisito para promoção a análise da última
avaliação de desempenho.
Cada colaborador recebe em média
150 horas de treinamento durante o
ano. O programa de benefícios tem
auxílio-alimentação, plano de saúde,
vale-transporte, participação nos resultados da companhia, entre outros.
Há 5 anos, o Centro de Diagnóstico
Cardio Vascular, em Campo Grande,
criou o programa de Plano de Cargos
e Carreira. Hoje, a administradora local, Zenilda Valdez, 45, que há 14 trabalha na empresa, sente a diferença.
“Passou a ser o nosso diferencial no
ato da contratação e o rendimento
dos funcionários aumentou. Todos
estão motivados internamente para
assumirem novas funções e responsabilidades. Vivemos um período de
ascensão, a clínica começou com 15
funcionários e, agora, são 80 em uma
sede própria”, comparou.
objetivos dentro da empresa. “É uma forma
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59
dentro da organização.”
A falta de um projeto de
carreira, segundo Comparin,
Paulo Oliver
de estimular e reter talentos
pode comprometer o rendimento do funcionário, principalmente se ele pudesse ser
promovido e a vaga for ocupada por um profissional de
fora.
Durante três anos, Rodrigo
Rodrigues trabalhou em uma
empresa administrativa. Bom
funcionário, atendeu ao departamento. Na hora que surgiu a oportunidade dele comandar a equipe, a empresa
O consultor em Recursos Humanos, Marcelo Comparin (na foto em pé), aconselha a escolher um emprego pela oportunidade de crescimento profissional
contratou um novo funcionário para o cargo. Como conse-
um outro emprego, numa re-
ciente para mim mesmo ao ser
quência ele ficou desmotivado
presentação de vendas de
contratado por uma empresa
e só voltou a acreditar no seu
materiais
que tem um Plano de Cargos
potencial quando foi buscar
consegui mostrar que sou efi-
veterinários.
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e Carreira.”
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Agosto/ Setembro 2013
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61
Paulo Oliver
Franquias
Campo Grande
exporta franquias
por Súzan Benites
[email protected]
Empresas campo-grandenses expandem
modelos de negócios pelo Brasil
Franquias nascidas em Campo Grande se espalham pelo
país e levam as mais variadas opções de produtos e serviços
ao consumidor. Essas empresas atuam em diferentes segmentos
como a Multicoisas, no mercado de varejo e utilidades; a Amoo
Bijoux, com acessórios femininos; o Sobá de Campo Grande, com culinária
regional e japonesa e a Chanton, com chocolates, tortas e sorvetes.
Para vender unidades, os empresários participam de feiras de franchising e
alguns sites de vendas de franquias, onde é divulgado o modelo do negócio.
62 |
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O empresário Lindolfo Martin é um arquite-
meiras franquias do Brasil”, recorda.
to do varejo. Com a esposa Elza Tomoko Mar-
O crescimento foi contido nos primeiros 18
tin, construiu um império em Campo Grande.
anos. Em 2008 eram 60 lojas e a empresa re-
Ele se emociona ao falar sobre a importância do
solveu criar um plano mais arrojado para os
Estado para seus negócios. Em 1978 nasceu a
próximos dez anos. “Entendemos que o número
Multicasa, empreendimento voltado à área da
razoável é ter 360 lojas até 2018. Em cinco anos
construção. O empresário que valoriza acima de
passamos de 60 para 161 lojas”. Hoje a Multicoi-
tudo o conhecimento e a regionalidade, enten-
sas está em 21 estados e no Distrito Federal.
deu que para atender as necessidades de seus
Para ter uma franquia o custo é R$700 mil,
clientes precisava de um comércio de soluções
sem envolver local e reforma. O faturamento
para os reparos do dia a dia e assim, em 1984,
médio de uma loja chega a R$155 mil mensais.
abriu a Muticoisas.
O empresário vê o sistema tributário como
A empresa, que hoje atua entre as maiores
desafio do crescimento e ocupação de outras
redes de franquias do Brasil, nasceu com autos-
cidades. “É uma das coisas mais complexas hoje
serviço, informatizada e pensando em soluções
no Brasil para se ter uma franquia. Em cada es-
para o cotidiano. “Ao longo dos anos, entre 84 e
tado funciona diferente.” O plano da empresa é
90, fomos aperfeiçoando o conceito da marca.”
ocupar melhor o território nacional e, no futuro,
Em 1990 Lindolfo Martin percebeu que era
pensar em expansão internacional, mas isso não
importante crescer e, entre as opções de abrir
está no planejamento dos próximos cinco anos.
uma filial ou virar franquia, escolheu a franquia.
“Nessa época tínhamos uma Multicasa em Cuia-
Treinamento qualificado
bá. Acabávamos dividindo os recursos humanos
A rede possui uma Universidade da Franquia,
nhamos. Eu nem sabia que eu seria uma das pri-
aqui em Campo Grande, onde são oferecidos
Paulo Oliver
e financeiros, arriscando muito mais do que tí-
Lindolfo Martin, da Multicoisas - empresa com mais de 160 franquias no país
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Agosto/ Setembro 2013
treinamentos continuados para o franqueado,
Lindolfo acredita que o sucesso depende de
com um modelo de gestão. Para os vendedores,
cada um. “O indivíduo deveria buscar sua pró-
técnicas de venda de produtos; para o operador
pria visão de sucesso, não copiar modelo algum.
de sistema, treinamento de automação e área
Para obter o sucesso empresarial é necessário
administrativa. Além disso, outros mais específi-
fazer o que gosta. Ter pessoas que complemen-
cos, em capitais, para exercer a liderança. A filo-
tem o que você não tem. Capacidade de pro-
sofia da empresa é valorizar as pessoas através
dução, empreendedorismo, integração e admi-
do conhecimento. “Demora em torno de um mês
nistração do negócio. E não misturar o bolso
para formar a equipe de uma loja. Vendemos um
pessoal e da empresa”, reforça.
formato de negócio, um serviço pro cliente, é
esse serviço que nos dá uma identidade como
marca. Se ele receber um serviço diferente de
um lugar para o outro, não vai perceber o valor
e o formato da marca” disse Lindolfo.
A administração da rede é dividida entre
Campo Grande e São Paulo. A diretoria de produtos, marketing e a gerência geral de distribuiGrande estão as operações, recursos humanos,
formação de pessoas, administração e financeiro. Quanto a manter um pé na capital, Lindolfo
Paulo Oliver
ção e logística ficam em São Paulo. Em Campo
diz: “tenho uma gratidão a Campo Grande, porque aqui eu vim, a gente cresceu, desenvolveu
os conceitos. Gostaria de deixar esse legado
A projeção para 2018 é ter 360 lojas da Multicoisas no Brasil
para a cidade”, explica.
Dicas do empresário para transformar o negócio em franquia:
• Para ser franqueador o primeiro passo é ter unidades-piloto que tenham resultado.
• Ter facilidade para conviver com pontos de vista divergentes, pois ao lidar com sócios independentes, as ideias serão conflitantes e o franqueador precisa chegar a um senso comum.
• O negócio precisa estar respaldado em conceitos formais.
• A tecnologia tem que ser transferível. Não pode ser algo que dependa de talento artístico.
Construir algo multiplicável.
• Ter paciência para esperar uma escala para gerar resultados como franquia. Só se obtém
resultados a longo prazo.
• Necessária formação específica, estudar profundamente franquias. No Brasil tem vários profissionais que dão formação e a ABF - Associação Brasileira de Franchising – oferece cursos
também.
• Tem que pensar como se fosse uma grande sociedade.
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Em destaque:
Jovens franquias
Amoo Bijoux
ca André. A Amoo Bijoux participou de feiras
em Belo Horizonte, da ABF Expo em São Paulo
As franquias saídas do Estado não param
e no Rio de Janeiro.
na MultiCoisas. Com três anos de existência, a
O segredo do sucesso para André Rejani “é
Amoo Bijoux, criada por André Socha Rejani e
trabalhar com amor. Passar para todos os fun-
Janaina Baravelli Vicente, começou com duas
cionários o mesmo sentimento. São vários co-
unidades em Campo Grande. Há um ano no
rações batendo por um mesmo ideal”, finaliza.
mercado de franquias a empresa está em oito
estados: Mato Grosso do Sul, São Paulo, Paraná,
Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Santa Catarina e Amapá, com 23 unidades no total.
“A Amoo Bijoux foi criada com o intuito de ser
uma rede de franquias mesmo. As duas unidades foram um teste para depois podermos
expandir. Víamos no mercado de acessórios
uma lacuna a ser preenchida” diz André.
O investimento para abrir uma franquia
varia nas duas modalidades em que a empresa atua. Os quiosques são a partir de
R$120 mil. E uma loja com 30 m2 é necessário
capital de R$213 mil. O retorno do investimento
Fotos: Divulgação
é calculado entre 18 e 36 meses.
Voltado para as mulheres de espírito jovem,
o comércio destaca como diferencial a variedade dos produtos. “Proporcionamos uma loja
mais sensorial, que a cliente se sinta à vontade.
Conseguindo despertar o consumidor, também
fortalecemos a venda de franquias” diz André.
O empresário planeja crescimento rápido
até o fim de 2014. “A expectativa são 50 contratos fechados até o final de 2013 e mais 50
no ano seguinte. Pretendemos ter 100 lojas até
o fim de 2014.”
O processo de treinamento de funcionários
é assessorado pelos franqueadores. “Antes de
inaugurar a unidade o franqueado faz treinamento gerencial, de produtos e uma compra
assistida. Depois vamos a unidade e treinamos
funcionários, gerentes, vendedores e caixa.
E ainda temos um consultor de franquias e o
marketing da empresa para dar suporte”, expli-
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André Rejani e Janaína Vicente são proprietários da
Amoo, loja de bijuterias, como as vistas acima
Sobá de Campo Grande
segunda loja, no Shopping Bosque dos Ipês, por
um contato feito na participação deles na ABF
A Franquia Sobá de Campo Grande nasceu
Franchising Expo 2011. “Fomos lançados na feira
com a necessidade de uma produção maior
de franchising e isso nos rendeu uma boa expo-
com a mesma qualidade. Os feirantes e empre-
sição na mídia e muitos contatos. Foram mais de
sários Marcos Taira, Patrícia Yoza, Marcos Shin-
200 e-mails”, diz Taira.
zato, Carlos Okama e Hélio Guenka abriram a
Para ele, o sucesso vem com “a dedicação,
primeira loja há um ano e meio. Segundo Marcos
um pouco de sorte e saber aproveitar as opor-
Taira, a ideia surgiu aos poucos. “Primeiro fomos
tunidades”, conclui.
incubados pela prefeitura. O Sebrae Nacional
e a Associação Brasileira de Franchising (ABF)
selecionaram empreendimentos que pudessem
presas de todo o Brasil e fomos escolhidos.”
A franquia pode ser loja, restaurante de rua
ou fast-food. O investimento médio é de R$250
Paulo Oliver
virar franquia. Concorremos com outras 26 em-
mil. Com faturamento bruto de 20% ao mês, o
retorno é esperado em 36 meses.
O público consumidor é diversificado e a experiência é o diferencial. “Na franquia temos o
melhor de cada um.” O empresário diz que os
planos de expansão visam São Paulo, Curitiba,
Brasília e Rio de Janeiro e que não acredita que
a diferença cultural atrapalhe no sucesso do negócio. “Talvez em outros estados o foco inicial
não seja o sobá e sim algum dos nossos outros
produtos. Mas com o tempo, o sobá vai agradar
o paladar deles também”. Taira não economiza
nos planos: “quem sabe um dia o Sobá de Campo Grande faça o caminho de volta e chegue até
Okinawa, não custa sonhar”, conclui.
O negócio é administrado por setores. Taira
cuida da parte de pessoal, contratação, marketing e comunicação; Shinzato, do financeiro e
estrutural; Hélio, o know-how e Patrícia e Carlos,
do treinamento dos funcionários. “Fizemos cursos de manipulação de alimentos e treinamentos de gestão. Hoje a gente vê que a franquia nos deu uma visão diferenciada”.
O Sobá de Campo Grande abre sua
Sobá
Originário de Okinawa, no
Japão. Patrimônio imaterial da
cidade, se enraizou na cultura
da capital, 3º município no
País com mais descendentes japoneses.
Os empresários Marcos Taíra e Marcos Shinzato
são sócios da franquia Sobá de Campo Grande
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Chanton
A Chanton é outra franquia que nasce em
berço campo-grandense. A empresa atua desde 1995 com venda de chocolate no varejo para
empresas e convênios. A primeira loja da rede
veio em 1998, e a primeira franquia em 2011. A
empresária Josi Regina Benatti hoje tem três
Divulgação
lojas próprias em Campo Grande e duas franquias, uma em Cuiabá e outra em São José do
Rio Preto. “Começamos a estudar a melhor forma de expansão e vimos na franquia a opção
mais consolidada”, diz Gabriela Codorniz, coordenadora comercial da loja.
Com público entre 25 e 50
anos, a maioria da classe C, a
empresa
espera
consolidar
as franquias existentes para
depois vender novas unidaGabriela, com o produto
semi-artesanal
–
mistura
de chocolates nacional e
Paulo Oliver
des em dois anos. Segundo
importado - a empresa precisa mostrar seu diferencial.
“Temos um sabor incomparável,
um preço acessível e exclusividade nos produtos e embalagens. Para
que o consumidor saiba que foi feito
com amor.”
Uma franquia da Chanton custa R$165 mil e
o retorno é calculado entre 24 e 36 meses.
Na loja os funcionários acompanham toaprendem a fazer bolo, chocolate, confeitar
e a embalar o produto. Microempresa acarreta isso, todo mundo precisa saber um pou-
Divulgação
dos os setores e etapas de fabricação. “Eles
quinho de tudo”, afirma Gabriela.
A Chanton participou de uma feira em 2012
em São José do Rio Preto. Foram dois dias de
feira. “Nós levamos uma estrutura de mini-loja
onde fizemos a comercialização dos produtos.
Foi positivo, pois tínhamos vários lugares, a visibilidade foi boa”, diz a coordenadora.
Para a empresária Josi Benatti sucesso é “ter
um sonho, construir objetivos de curto e longo
prazos, ser focada e comprometida integralmente com eles.”
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A Chanton é uma loja especializada em chocolates e abriu
sua primeira franquia em 2011
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Tendências
por João Marcelo Sanches
[email protected]
Cada vez mais, o campo-grandense sente a falta de
serviços durante a madrugada, o que pode ser uma
opção de mercado
O crescimento das cidades gera demanda proporcional
por prestações de serviços nos mais variados horários.
Ao conciliar a vida pessoal e a profissional, as pessoas têm
cada vez menos tempo para alguns afazeres simples como, por
exemplo, pagar uma conta. Para isso, os grandes centros oferecem
diversas opções de comércio durante a madrugada, buscando atrair
este consumidor que precisa resolver suas pendências. Na capital, a
procura por esse tipo de serviço é grande e mostra uma opção de negócio
ainda pouco explorada.
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Paulo Oliver
Diego Boeira Portela é franqueado do Fran’s Café
Para os consumidores, o atendimento 24
Muita gente me agradecia por ser 24 horas no
horas é uma reivindicação. “Eu costumo sair
começo, mas passando o tempo eu vi que a ci-
muito a noite com os amigos e sinto falta, por
dade, durante a semana, ainda não tem cultura
exemplo, de um local de qualidade para comer.
de atividades na madrugada”, afirma.
As únicas coisas que ficam abertas de madru-
Desde maio de 2011, a cafeteria funciona 24
gada são lanchonetes”, afirma a estudante
horas de quinta até sábado, e fecha à meia-
Thaís Pimenta, de 20 anos.
-noite no domingo. Nos outros dias da sema-
A psicóloga Juliana da Silva, 24, enfrenta
na, fica aberta até 23h. Diego explica que os
dificuldades com bancos. “As agências fecham
produtos vêm prontos de São Paulo, e são ar-
às 22h e eu tenho que correr atrás de alguma
mazenados em uma câmara fria que funciona
farmácia ou mercado 24 horas que tenha um
todo o tempo, independentemente de a loja
caixa eletrônico.”
estar aberta ou não. O maior empecilho é em
Dá certo?
relação aos funcionários. “É difícil arranjar empregados que aceitem trabalhar nesse período,
porque você transforma a vida deles. A pessoa
O empresário Diego Boeira Portela, fran-
precisa ter consciência de que se vai trabalhar
queado do Fran’s Café na capital, abriu sua
durante a noite, precisa dormir e descansar de
primeira loja em dezembro de 2008, com o in-
dia. Tive muito problema, como chegar na loja
tuito de ser 24 horas por ser o padrão da fran-
e encontrar todo mundo dormindo. Isso não é
quia. Ele investiu na publicidade, enfatizando
só aqui, mas por não ter essa cultura, acho que
o horário de funcionamento. “Mantive aberta
fica mais agravado.”
constantemente por praticamente dois anos.
Para o empresário toda a cidade precisa
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to. “Não pode dar mancada, do tipo: um aluno
Divulgação
chegar e não ter professor”, afirma Ivete.
Alguns problemas menos convencionais
também podem ser empecilho. A padaria Pão
& Tal atende todos os dias, das 6h às 22h. Apesar de ter estrutura para ser 24 horas, a proprietária não tem interesse. “Já tivemos uma
experiência de abrir às 5h, mas o pessoal que
chegava da balada dava trabalho” explica a gerente Marli Ramos Pereira. Segundo ela, houve
situações em que clientes alcoolizados criaram
confusões dentro do estabelecimento.
Situações deste tipo são menos prováveis
de serem repetidas na DT Lan House 24h, aberta em 2010. O empresário Daniel Cândido diz
que o começo foi difícil, mas que hoje consegue manter bom movimento durante todo o
dia. O público é principalmente de gamers.
A lan house funciona com três turnos por dia
durante a semana, mais um folguista aos domingos, único dia em que a loja não abre 24
horas e fecha duas e meia da tarde. Para os
funcionários, não há dificuldade para ir embora
Claudia Bittencourt é diretora de marketing e
pelos horários dos turnos. Quem se responsa-
desenvolvimento do Grupo Bittencourt
biliza pela madrugada entra as 22h e sai às seis
da manhã.
funcionar 24 horas, mas como em Campo
Além do local, a diretora de Marketing e De-
Grande o transporte público é escasso durante
senvolvimento do Grupo Bittencourt, Claudia
a madrugada, um funcionário desse tipo de co-
Bittencourt, destaca: “o empreendedor preci-
mércio tem grande dificuldade de voltar para
sará investir em uma equipe maior. Terá que se
casa com a escala de ônibus deficitária. Segun-
preocupar com a segurança, identificar qual o
do ele, a Associação Comercial e Industrial de
tipo de público precisa atrair e principalmente,
Campo Grande (ACICG) já encaminhou recla-
analisar criteriosamente o quanto estender o
mação formal à prefeitura, pedindo melhorias
horário da operação vai gerar rentabilidade. É
no serviço.
importante que ele faça as contas e entenda
A Prefeitura Municipal de Campo Grande informou que caso seja confirmada a demanda
por estes serviços, novos horários de ônibus
poderão ser implementados.
se os ganhos de ser 24 horas compensam em
relação aos custos” diz a consultora.
Para Bittencourt, a cultura local é o principal aspecto na falta de comércio durante a
Em São Paulo, um exemplo de que tem pú-
madrugada. Campo Grande ainda não tem o
blico para o comércio 24 horas é a Academia
ritmo acelerado de uma metrópole que es-
Gaviões. A gerente Ivete Aguiar Silva explica
timula o consumo a qualquer hora do dia.
que para funcionar sem interrupção, há vários
Contudo, com uma pesquisa que identifique
turnos e folguistas para os fins de semana e
hábitos e comportamentos do público, ou ne-
feriados. Os custos para manter a Gaviões
cessidades de adaptações, é possível oferecer
sempre aberta são como os investimentos no
atendimento 24 horas. A demanda, ainda que
marketing da empresa e o fundamental para
não seja tão grande como em grandes cen-
que o negócio dê certo é o comprometimen-
tros, já existe.
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Agosto/ Setembro 2013
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Política Econômica
Devo, não nego.
E pago.
Índices do comércio e do setor imobiliário
confirmam a fama de bom pagador do
sul-mato-grossense
por Súzan Benites
O consumidor do Estado é
culturalmente
adimplente,
traz de berço a tradição
de
cumprir
com
seus
compromissos, fato constatado
recentemente
no
setor
imobiliário. O superintendente
regional da Caixa Econômica
Federal, Paulo Antunes de
Siqueira, diz que a inadimplência
no Estado é baixíssima. “Nesses
últimos seis anos tem sido uma
das menores do Brasil, girando
em torno de 1%. Isso se deve a
qualidade na concessão e ao pleno
emprego. As pessoas têm renda e
capacidade para o pagamento de suas
dívidas.”
Renato Perez, da Perez Inteligência Imobiliária, confirma. “A gente percebe uma qualidade
de carteira muito boa. Apesar de ser um mercado ainda em desenvolvimento, os negócios aqui
na cidade são saudáveis. Esse é um dos moti-
vadores da vinda de algumas empresas para a
capital”, considera.
O índice de inadimplência apurado no mês
de junho foi de 11,34%. Segundo a Associação
Comercial e Industrial de Campo Grande (ACICG) o dado não é alarmante, já que o número
verificado em maio foi de 5,96%. A média apu-
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Agosto/ Setembro 2013
rada do primeiro semestre de 2013 é de 5,89%,
menor do que no mesmo período de 2012, que
foi de 6,24%. O comportamento da inadimplência no setor varejista tem como amostra
os dados do Serviço
Central de Proteção
ao
Crédito
administrado
ACICG.
(SCPC),
pela
O banco de dados do SCPC de Campo Gran-
(CEIF/FCO) em Mato Grosso do Sul, explica que
de encerrou o 1º semestre de 2013 com 120.018
para liberação de verba, as pessoas - física e ju-
devedores, responsáveis por débitos equiva-
rídica – são analisadas na ótica das viabilidades
lentes a R$81.243. No mesmo período de 2012,
econômica e financeira. “Quando o banco em-
observa-se número equivalente de devedores -
presta, a chance de ter sucesso é grande, pois
120.090, responsáveis por débitos de R$77.180.
é avaliado todo o histórico financeiro. Por isso,
Mesmo com o fato da dívida atual ser maior, o
a inadimplência é baixa, é inferior a 3% ao ano.”
cálculo do índice de inadimplência não tem re-
Segundo ele hoje são aplicados R$4,2 bilhões na
lação com o valor do débito e sim com a quan-
economia do Estado. Sendo de 12 a 15 mil bene-
tidade de pessoas negativadas.
ficiários por ano.
Para Renato Paniago, diretor do SCPC, “à pri-
A inadimplência calculada pelo Serviço de
meira vista, a elevação do índice significa acumu-
Proteção ao Crédito - Brasil - aumentou em
lação de registros negativos, visto que não existe
junho 1,52%, na comparação com o mesmo
periodicidade obrigatória para que o lojista ins-
mês de 2012, o menor índice da série histórica
creva o nome do devedor no banco de dados,
dos últimos 18 meses. O SPC informa também
exceto o fato de ter que respeitar o prazo de 45
que as vendas a prazo, no comércio varejista,
dias entre o vencimento do débito e a efetiva in-
desaceleraram pelo terceiro mês consecuti-
clusão na relação de consumidores negativados.”
vo. Em junho, houve uma variação positiva de
Outro setor de baixa inadimplência é o do
0,65% na comparação com o mesmo período
Fundo Constitucional de Financiamento do
de 2012. Esse é o menor crescimento anual
Centro-Oeste (FCO). Jerônimo
Alves
registrado desde janeiro de 2012. Os dados
Chaves, secretário-executivo do Con-
são do indicador mensal do SPC Brasil e da
selho Estadual de Investimen-
Confederação Nacional dos Dirigentes Lojis-
tos Financiáveis pelo FCO
tas (CNDL).
Dicas do SPC para evitar
a inadimplência
Privilegiar pagamentos à vista
Fazer planejamento financeiro com
planilha mensal de gastos e preferir
menos prestações nas compras à prazo.
Somar os juros e calcular o preço final
dos produtos comprados a prazo - para
ter uma ideia do valor pago em juros.
Não se ater ao valor da prestação, e
sim ao preço final da mercadoria, e
manter uma “reserva financeira” por
segurança.
Não comprometer toda sua renda com
compras.
Agosto/ Setembro 2013
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Linha de Produção
CAMPEÃ NA
GERAÇÃO DE
EMPREGOS
ARGILA NO
INTERIOR
O setor industrial de Mato Grosso do Sul
criou 8.557 postos de trabalho formais de
janeiro a maio deste ano. O segmento com
mais vagas foi o da indústria de transformação, com 4.257, seguido pela construção civil, com 4.149 novas vagas. De acordo com a
Divulgação
Federação das Indústrias do Estado, quase
metade dos postos de trabalho criados este
ano vem do setor industrial. Nos últimos 12
meses, foram abertos, em média, 676 postos formais por mês. O setor emprega hoje
O Laboratório de cerâmica do Senai,
640 mil trabalhadores, aumento de 3,61%
instalado em Rio Verde, começou a
em relação ao registrado em 2012.
pesquisar argila em São Gabriel do
Oeste, norte de Mato Grosso do Sul.
Durante 18 meses, técnicos vão identificar o tipo, a qualidade e o que pode
ser produzido com a matéria-prima. A
ideia é criar um banco de dados para
oferecer às indústrias com interesse de
Divulgação
se instalar no município. O estudo verifica a possibilidade de fabricar blocos,
telhas, revestimentos cerâmicos e isoladores elétricos.
GOVERNO DÁ INCENTIVOS PARA
INDÚSTRIAS SUSTENTÁVEIS
76 |
O governador André Puccinelli deve-
total do Imposto sobre Serviço (ISS)
conceder até 90% de incentivos fiscais
para a construção da fábrica e isenção
para que uma usina de reciclagem de
do IPTU por dez anos. De acordo com
alumínio se instale no município de Pa-
o empresário, a usina será instalada em
ranaíba. A prefeitura da cidade se com-
duas etapas que totalizarão pouco mais
prometeu em doar o terreno para a im-
de um ano e vão gerar 300 empregos
plantação da indústria, além da isenção
diretos.
Agosto/ Setembro 2013
ESPANHÓIS
NO ESTADO
MAIS
DINHEIRO
A Salerm Cosméticos, com sede em Barcelona, na Espanha, estuda abrir uma fábrica
em Mato Grosso do Sul. A empresa tem faturamento anual de cerca de €120 milhões,
sendo que 60% das suas vendas são realizadas fora da Espanha. O governo se comprometeu a dar incentivos e benefícios fiscais e
de autorizações como as da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sejam
Divulgação
ainda ofereceu auxílio para que a tramitação
ágeis. O investimento mínimo previsto é de
US$40 milhões, com geração inicial de 350
Os recursos do Banco Nacional de Desen-
empregos.
volvimento Econômico e Social (BNDES)
nos cinco primeiros meses de 2013, aumentaram 67% em comparação ao mesmo
período de 2012, somando R$73 bilhões.
A maior expansão relativa foi registrada
Divulgação
na indústria (123%), que recebeu recursos
no valor de R$25,8 bilhões. Para as micro,
pequenas e médias empresas foram destinados R$27,4 bilhões até maio. O resultado
ficou 60% acima do verificado no mesmo
período de 2012.
C O N S U LTO R I A E M E D I C I N A D O T R A B A L H O
Agosto/ Setembro 2013
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Agosto/ Setembro 2013
Paulo Oliver
Paulo Oliver
DivuDivulgação
lgação
Negócios da moda
Orgulho de
ser da terra
por Súzan Benites
Empresas investem em moda para
levar a temática regional e produtos
característicos do Estado aos mercados
nacional e internacional
A moda exige técnica e transformação. O principal desafio
para quem trabalha com ela é aliar o conhecimento a planos
de negócios. A estratégia adotada por algumas empresas sul-mato-
grossenses é a união da moda com a cultura regional, mostrando estampas, couros
e particularidades da região para o Brasil e para o mundo.
Agosto/ Setembro 2013
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79
São bolsas, sacolas retornáveis, acessórios,
Divulgação
calçados e brindes. “É muito legal fazer isso,
serve como cartão postal e prova que somos
bons em moda, mesmo estando longe. Há muita
gente talentosa e criativa no Estado, precisamos
meter a cara”, afirma a empresária Isabel Doering
Muxfeldt, responsável pela gestão da empresa
Joias do Pantanal junto com a sócia, Verhuska
Pereira.
A empresa Campo Grande a Tiracolo, acredita
na expansão dessa moda, utilizando estampas
em bolsas com temas regionais com motivos de
pássaros, peixes e paisagens. “Eu utilizo elementos
que remetam ao Estado, fugindo um pouco dos
tuiuiús e onças que todo mundo usa”, diz Monique
Klein, proprietária da marca.
A Cruzeiro Botas também leva a cultura regional
Peça da Joias do Pantanal confeccionada com chifre
bovino e tiras de couro
além das fronteiras desde 1960. O negócio familiar
chegou a fechar as portas por um curto período,
A empresa Joias do Pantanal é outro exemplo,
mas voltou com força total para as atividades em
ao trabalhar com produtos típicos, dificilmente
2008. Kellyo Benites, dono da empresa, produz
associados ao mundo da moda. Acessórios
artesanalmente cada uma das peças. O diferencial
femininos fabricados com chifre de boi lapidado,
são as peles exóticas e o design personalizado. São
fibras de algodão e couro e seda de algodão. A
feitas de carneiro, peixes (como pescada amarela,
chamada biojoia apoia o consumo responsável e
tilápia e pirarucu), lagarto, cobras (píton e naja),
a preservação do meio ambiente, reaproveitando
arraia, avestruz, tubarão, jacaré, foca, elefante e
um material que seria descartado: o chifre. O
as de couro bovino que imitam outras texturas.
processo de produção é artesanal. A empresária
As peles são compradas de três fornecedores,
Verhuska Pereira desenha as peças. “Seguimos as
sendo dois brasileiros e um mexicano. Tudo com
tendências da moda, as principais cores, tamanhos
certificação do Ibama.
dos acessórios para agradar os diversos estilos
das consumidoras”, afirma Isabel. Os parceiros
Paulo Oliver
limpam, cortam e fazem a lapidação do chifre,
obtido nos frigoríficos.
Isabel conta que as primeiras peças não
tinham o acabamento delicado e feminino
devido à dificuldade do trabalho dos artesãos,
acostumados a fazer berrantes e cuias (copos
de chifre). “Hoje a aceitação e a receptividade
são boas, tivemos que trabalhar muito pra isso
acontecer. No início foi difícil, era tudo muito
rudimentar.”
Para a jornalista e empresária Monique Klein,
a junção de materiais recicláveis, moda e cultura
regional cria a oportunidade de fazer diferente.
A Campo Grande a Tiracolo produz sacolas
retornáveis, bolsas e mochilas, feitas com lonas
Bolsa da empresa Campo Grande a Tiracolo traz a
temática pantaneira na estampa
80 |
Agosto/ Setembro 2013
de caminhão, malotes de empresa de entregas e
materiais publicitários reciclados.
Paulo Oliver
A Cruzeiro Botas trabalha com couros de diferentes espécies de animais
Exportação
as Olimpíadas como potencial a ser explorado.
“Acredito que o Brasil vende muito. As pessoas
A comercialização da Joias do Pantanal
é feita principalmente pela internet e por
vendedoras, em feiras de artesanato e em
uma loja em Campo Grande. Os produtos são
começam a ver os produtos brasileiros com
outros olhos.”
Público
exportados para Portugal e Estados Unidos
por venda direta pelo site. “A exportação não
As bolsas atingem um perfil específico de público
que, de acordo com Monique, são
é nosso foco principal. Mas
nos preocupamos em seguir as
regras internacionais. A base
dos brincos é feita sem níquel
para que não tenha problemas
em
outro
país”,
considera.
“Há muita gente
talentosa e criativa no
Estado, precisamos
meter a cara”
profissionais liberais, jornalistas,
professores
e
acadêmicos.
Pessoas bem informadas, que
gostam de consumir produtos
diferentes e exclusivos.
Todas as peças da marca vêm
Já o público da Joias do
com texto e instruções em
Pantanal é basicamente feminino,
português e inglês.
com mais de 25 anos, das mais
Klein já expôs seus trabalhos
clássicas às despojadas. Isabel
na Rio+20, Copa das Confederações e no
credita o sucesso da marca à exclusividade, “quando
Ecolution, desfile organizado pela Casa Moda,
você tem um brinco que é só seu, o modelo pode
em Nova Iorque. E considera a exportação
até ser igual, mas o chifre nunca é, então as peças
uma alternativa para expandir sua marca.
serão sempre diferentes.”
“Tenho expectativa de exportar mais. Pretendo
Kellyo diz que a cultura regional sempre abriu
ir em janeiro para Berlim numa feira de moda
espaço para o sucesso de seus produtos, pois,
sustentável. O europeu gosta muito desse tipo
pecuaristas, músicos e profissionais de diversas áreas
de coisa.” A empresária vê a Copa do Mundo e
usam o calçado que produz. Mas que, sem dúvidas,
Agosto/ Setembro 2013
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81
a valorização do sertanejo impulsionou
as vendas. “Os cantores querem coisas
Paulo Oliver
exóticas, diferentes e exclusivas. Quando
alguém famoso usa um calçado desses,
tanto os fãs quanto colegas de profissão
querem saber onde encontrar a bota.”
Michel Teló, Sérgio Reis, Milionário e
José Rico são alguns dos cantores/
consumidores citados pelo empresário.
O público não é exclusivamente
sertanejo e ligado ao mundo rural.
Há
ainda
roqueiros,
empresários,
e
outros
motociclistas,
advogados,
profissionais
médicos
que
usam
esse tipo de calçado no dia a dia. O
empresário discute o modelo com o
cliente, desenha e depois faz todo
o processo de fabricação, corte,
Divulgação
costura e finalização da bota.
Preços
As biojoias custam entre R$15 e
R$230. Para chegar a esse formato
de negócios e preços, a empresa
contou
com
consultorias.
“Tivemos
várias orientações com o Sebrae, fomos
incubadas na Fundação Manoel de Barros
por algum tempo. O que nos ajudou
bastante para chegarmos ao resultado
de hoje”, finaliza Isabel.
A média de preços das bolsas é entre
R$45 e R$120. “As pessoas acreditam
custa caro para fazer um produto de
qualidade”, pondera Monique.
Paulo Oliver
ser barato pois é reciclável. Porém
Já as botas variam entre R$350 e
R$2,5 mil. São comercializadas na loja
física em Campo Grande e pela internet.
A divulgação dos produtos conta com
o site e as redes sociais. A entrega é
feita para todo o Brasil e para outros
países, via correios e transporte aéreo.
São cerca de 50 pares por mês. O
empresário tem planos de expansão
para lugares com público potencial,
como os estados de Goiás, Minas Gerais
e interior de São Paulo.
82 |
Agosto/ Setembro 2013
Botas exóticas, biojoias e sacolas recicladas conquistam os mercados país afora
Agosto/ Setembro 2013
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83
Paulo Oliver
Gastronomia e Negócios
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Agosto/ Setembro 2013
Churrasco
hermano
por João Marcelo Sanches
Com a proposta de trazer o sabor
do churrasco argentino para Campo
Grande, Parrilla Pantaneira se
firma como empreendimento
de sucesso
Agosto/ Setembro 2013
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85
O consumo da carne em Mato
Grosso do Sul está enraizado
na nossa cultura e o churrasco
é uma tradição que não pode
faltar. No Estado que produz
uma das melhores carnes do
mundo, Pedro Luiz Domingues
percebeu a falta da parrilla na
diversidade gastronômica da
região. Inspirado nos vizinhos sul-
conduz o restaurante como uma empresa, seguindo um plano de negócios. “Fomos criados
com um bom alicerce. Sabemos de onde viemos,
onde nós estamos e onde vamos chegar. Nosso
foco são as cidades de médio porte, e não as
maiores, onde casas de parrilla já existem.” A
ideia é inaugurar até seis filias, começando por
Maringá (cidade natal de Domingues) no começo de 2014. Posteriormente, há o projeto de
abrir para franqueados, que pode ser antecipa-
americanos, o empresário trouxe
para Campo Grande o restaurante
Parrilla Pantaneira, que há mais de
um ano encanta os consumidores
do dependendo dos resultados das novas lojas.
com seu sabor e ambiente, utilizando
a técnica típica da gastronomia argentina.
Paulo Siuff, Paulo Corrêa, Edil Albuquerque, o
O Parrilla Pantaneira virou referência na cidade. Consagrado, recebe importantes nomes do
Estado, como Delcídio do Amaral, Paulo Duarte,
ex-governador Pedro Pedrossian, o atual André
Para atingir números como 3.200 clientes
Puccinelli, o ex-reitor da UFMS Manuel Catarino
atendidos por mês e tíquete médio de R$83, foi
Paes Peró, além de desembargadores e outros
construída uma sólida estrutura. O investimento
empresários locais.
inicial foi de R$1,2 milhão, entre obras e compra de equipamentos. E para isso Domingues
O chef
contou com os investidores Nicomedes da Silva
Filho e Carlos Alberto Domingues, além de sua
Responsável pelo preparo de 1.000 kg de
sócia e esposa Beatricce Bruno. “O Parrilla é a
carne por mês, consumidas pelos clientes do
realização de um sonho, que nós não queríamos
Parrila Pantaneira, o chef Fábio Cavalcante, em
que esbarrasse na questão financeira”, explica
Campo Grande há apenas dois anos, passou 15
Domingues.
em São Paulo como chef e churrasqueiro no Clu-
Pedro Luiz é formado em administração e
be do Churrasco e Praça São Lourenço. “A parrilla muda muito o sabor
Paulo Oliver
da carne, fica mais sequinha por fora e macia por
dentro. Essa técnica tira a
gordura, e como não sobe
aquela labareda, a carne
não perde tanto líquido e
fica bem mais suculenta”,
afirma o parrillero.
Enquanto no Brasil o
costume é assar a carne
em espetos ou grelhas, na
Argentina as carnes são
colocadas na brasa com o
auxílio de uma grelha com
canaletas, geralmente inclinadas para que a gordura possa escorrer até
Pedro Luiz Dominges e Beatricce Bruno são donos do
restaurante Parrila Pantaneira
86 |
Agosto/ Setembro 2013
um recipiente.
No
cardápio
não
Paulo Oliver
Flávio Cavalcante é o chef do restaurante especializado em culinária argentina, o Parrilla Pantaneira
podem faltar também os ingredientes da culiná-
do Pantanal, o pintado, com consumo de 40 a
ria regional, como é o caso da mandioca, aqui no
50 kg por mês. Farofa pantaneira, que leva ba-
Estado companheira inseparável do churrasco.
nana e carne seca, completa o prato comum à
“Dos frequentadores, 95% pedem o acompa-
gastronomia local. Para a sobremesa, o uso do
nhamento, que substitui a batata, tão tradicional
doce de leite, que remete à comida de fazenda
à parrilla preparada na Argentina”, explica.
e também à gastronomia argentina, está pre-
Outro produto da terra que agrada os fre-
sente no petit gateau e na panqueca, especia-
quentadores do restaurante é o peixe símbolo
3
2
1
lidades da casa.
4
Os principais cortes de carne
são o assado de tira, equivalente à costela brasileira (1); o
bife de chorizo ancho, comparável ao nosso contrafilé
(2); a tapa de cuadril, que é a
picanha (3); e também o vacio, nome argentino para fraldão ou fraldinha (4), tipo de
corte bovino localizado entre
a parte traseira e a costela.
Agosto/ Setembro 2013
|
87
88 |
Agosto/ Setembro 2013
David Majella
Turismo
Conheça
Campo Grande
por Súzan Benites
Pesquisa exclusiva traça perfil do turista que
visita a capital de Mato Grosso do Sul
Com população de 805 mil habitantes e área de 8.092,951
km2, Campo Grande completa no dia 26 de agosto de 2013, 114
anos. Pouco conhecida pelo turismo, a cidade tem potencial para se
tornar uma bela vitrine por conta das avenidas largas e arborizadas que
transmitem a sensação de tranquilidade que os turistas buscam em seus passeios.
A Revista Negócios MS teve, com exclusividade, acesso a uma pesquisa da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Mato Grosso do Sul (Fecomércio) que identifica e
avalia o interesse de quem visita Campo Grande. São 100 mil turistas que vêm à capital mensalmente. Foram usadas como base 384 pessoas, escolhidas de forma aleatória, com mais de 18 anos, que
Agosto/ Setembro 2013
|
89
estavam na cidade na condição de
Segundo Thales de Souza
Campos, superintendente do Instituto de Pesquisa Fecomércio
David Majella
visitantes.
(IPF), a necessidade de entender
o perfil do turista surge para conhecer suas reais demandas. “A
partir das carências percebidas
por estes turistas, poderemos implantar melhorias que possam ser
direcionadas a eventos, além de
melhorar a infraestrutura e identificar o poder de compra”, afirma.
Os visitantes são em sua
Igreja Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, fundada em 1938. Fica
na Avenida Afonso Pena, principal via de Campo Grande.
maioria homens (58,1%), com
solteiros, com ensino médio, que
trabalham e pertencem, no mínimo, à classe C. O turismo de ne-
Fabricio Guarda
idade entre 25 e 31 anos (24,2%),
gócios foi apontado como o mais
realizado na cidade.
Pelo levantamento 3,3% dos
entrevistados eram estrangeiros,
a maioria de países da América do
Sul. Entre as principais queixas, falta de sinalizações urbanas e turísticas em inglês ou espanhol. Dharleng Campos de Oliveira, titular
da Secretaria Municipal de Desen-
O Parque das Nações Indígenas é um dos maiores em perímetro
urbano do mundo. Ao fundo, a estátua do índio guaicuru.
volvimento Econômico, Ciência e
Tecnologia, Turismo e do AgronePaulo Oliver
gócio (Sedesc), conta que o órgão
tem trabalhado em relação a isso.
“Fizemos a seleção de 20 estagiários de turismo, comércio exterior
e relações internacionais, no mínimo bilíngues, para que o turista
tenha informações no seu idioma.”
60% dos entrevistados que vieram pelo menos uma vez a Campo
Grande, procuram por informações da cidade e esta não é uma
característica somente do visitante de primeira viagem. “Temos
um projeto de investimentos nos
folhetos
90 |
informativos,
trabalhar
Agosto/ Setembro 2013
Patrimônio histórico de Campo Grande, a Morada dos Baís foi construída entre 1913 e 1918. É hoje ponto de cultura e arte da cidade.
David Majella
melhor o site, mídias em
geral e principalmente o
marketing boca a boca”, diz
Dharleng.
Individualmente o levantamento apontou o item
Site como o mais procurado para informações. 44,4%
dos entrevistados se informaram sobre a região pela
internet.
A pesquisa mostrou ainda que o público abaixo de
A escultura do sobá é um monumento em homenagem à Colônia
Japonesa. Fica em frente à Feira Central, na rua 14 de Julho.
24 anos (21,1%) vem principalmente do interior de
Mato Grosso do Sul, a procura de estudo e eventos de la-
O que conhecer em Campo Grande?
zer. Já os com mais de 41 anos
têm interesses variados, incluindo visita a parentes e amigos e a
Museu Dom Bosco
busca de um melhor atendimen-
Fica no Parque das Nações Indígenas. O acervo tem Minera-
to de saúde.
logia, Paleontologia e Zoologia. A coleção de objetos da etnia
bororo é hoje a maior e mais completa do mundo.
O dado mais surpreendente
do relatório, segundo Thales, é
que a segunda cidade mais visita-
Mercado Municipal Antônio Valente – Mercadão
da por turistas no Estado, depois
Instalado na rua 15 de novembro, tem 214 bancas e 70 boxes
de Campo Grande, é Dourados,
de hortifrutigranjeiros, peixes nativos e produtos regionais.
com 19% do público pesquisado. “Empiricamente pensávamos
Casa do Artesão
que o outro destino seria Bonito e
Localizada na Av. Afonso Pena, é um espaço destinado ao ar-
Corumbá, a pesquisa nos mostra
tesanato sul-mato-grossense. O comércio foi tombado como
que o maior destino é a Região da
patrimônio histórico cultural.
Grande Dourados”, conclui.
Memorial da Cultura Indígena
Fica na Aldeia Indígena Urbana Marçal de Souza, no bairro Tiradentes. É destinado à exposição e
comercialização de artesanato com acervo variado de cerâmica terena, artesanato em palha, telas
com motivos indígenas e literatura específica.
Horto Florestal
O Parque fica entre a Av. Fernando Corrêa da Costa e Ernesto Geisel. Tem pista de cooper, biblioteca, lanchonete, playground, orquidário, espelho d’água, paisagismo e pistas de skate e bicicross.
Praça das Araras
No fim da rua Dom Aquino. O monumento das araras foi criado pelo artista Cleir para despertar a
atenção da população quanto à preservação da arara azul.
Agosto/ Setembro 2013
|
91
Animação 3d
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92 |
Agosto/ Setembro 2013
O design/material gráfico está diretamente relacionado à divulgação
de uma identidade visual.
É preciso inovar para ganhar espaço no mercado.
Paulo Oliver
Terceiro Setor
$olidariedade
da Redação
Instituição
tem
visão
na luta contra o câncer em crianças
P
ara garantir o tratamento de crianças com
empreendedora
que garantam o retorno financeiro.
câncer em Mato Grosso do Sul, a técnica
Assim, nasceu uma cozinha de voluntários, que
em contabilidade Mirian Comparin Corrêa
abastece a lanchonete da AACC/MS com salgados,
vem transformando ações solidárias em verdadeiros
tortas, sanduíches e pães, que são vendidos para os
negócios. Após conquistar a cura de um filho que
públicos interno e externo e, ainda, atendem enco-
teve a doença na adolescência, ela fundou a Asso-
mendas. Também foram criados um salão de bele-
ciação dos Amigos com Câncer em Mato Grosso do
za e um espaço para a venda de produtos novos e
Sul (AACC/MS). A instituição comemorou 15 anos
usados.
em março, com capacidade para atendimento diário
Na loja, mercadorias de marcas famosas têm
a trinta crianças e suas acompanhantes e despesas
custo de fábrica. “A roupa é doada por parceiros e o
mensais de, em média, R$120 mil. O segredo do su-
comprador leva peças boas com excelentes preços.
cesso é empreender parte de doações em serviços
Um vestido de R$220 custa R$ 45 e você ajuda a salAgosto/ Setembro 2013
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93
var uma criança”, diz a responsável pelo bazar, Inês
eventos que garantem 40% das captações. O con-
Acs, de 43 anos, voluntária desde 2000.
vênio com a Águas Guariroba, onde o contribuinte
Os três setores garantem em média 20% dos
faz a doação pela conta de água, o telemarketing e
atendimentos. As vendas, segundo Mirian, obtém
o Programa Selo Social representam 30% das doa-
êxito porque os vendedores conhecem a finalidade
ções. A qualquer momento, o doador pode cancelar
da arrecadação. “O maior sucesso de todos é não
a sua doação, então, mantemos um valor aplicado
perder o foco da instituição e contamos com funcio-
para garantir a sustentabilidade da instituição por no
nários que antes eram voluntários”, comenta.
mínimo dez meses. O tempo necessário para bus-
No balcão da lanchonete, a atendente Mariana
carmos uma solução”, explica.
Shibuya, 29 anos, manifesta a gratidão à AACC
O principal desafio da AACC/MS é batalhar pela
com a prestação de serviço. “Eu fui mãe de um
independência financeira. A instituição já recebeu o
filho com câncer e, hoje, ajudo outras mães que
auxílio de artistas como Luan Santana, Michel Teló,
enfrentam esse problema. Ajudo na cozinha,
Maria Cecília e Rodolfo, Marco Aurélio e Paulo Sér-
fazendo esses salgados.”
gio, Gilson e Junior e Munhoz e Mariano.
Hoje são cerca de 400 voluntários e 66 funcioná-
Além do planejamento estratégico, a asso-
rios contratados. O comando do grupo é feito com
ciação faz a prestação de contas aos doadores,
uma visão profissionalizante e baseada em regras
para ter a transparência e garantia de auxílio
documentadas. “Todos são capacitados antes de
permanente. “Sempre contratamos uma audito-
assumirem suas funções, e existe um planejamento
ria para ter o certificado de transparência. A nos-
de ações e comportamentos que faz com que os se-
sa fórmula profissionalizante fez com que a arre-
tores funcionem independentemente da minha pre-
cadação e o número de funcionários crescessem
sença”, diz a especialista em gestão do terceiro setor.
e os programas fossem ampliados.”
Dessa maneira, ela também se prepara para pos-
No início, em 1998, foram atendidas 22 crian-
síveis crises financeiras. “A nossa maior captação
ças, com a taxa de cura de 40%. “Nesses 15 anos,
ainda é de doações que acontecem de forma volun-
já
passaram
mais
tária e representam 96% dos recursos, contra 6% dos
de mil e a taxa de
convênios governamentais. Temos uma campanha
cura, hoje, é de
que é sempre direcionada para aquisição de equipa-
65%”,
mentos ou reforma predial, o Mc Dia Feliz e outros
Mirian.
compara
Orçamento da AACC/MS
Despesas mensais: R$120 mil
Serviços à comunidade e vendas: 20%
Convênio com Águas Guariroba: 30%
Doações e eventos: 40%
Telemarketing, verbas governamentais e outros:
10%
Fonte: AACC/MS
Paulo Oliver
Quem deseja adquirir produtos
da AACC/MS ou fazer doações:
o endereço é Avenida Ernesto
Geisel, 3475. O telefone é (67)
3322-8000.
Mais informações
www.aacc-ms.org.br
O bazar de roupas usadas é uma das ações da AACC/
MS para arrecadação de recursos
94 |
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Agosto/ Setembro 2013
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95
Mercado
EMPRESAS
INOVADORAS
VIDA LONGA
ÀS EMPRESAS
Pesquisa da Bain & Company, empresa
Estudo divulgado pelo Serviço Brasileiro
global de consultoria de negócios, indicou
de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
que nos próximos cinco anos, empresas
(Sebrae) de Mato Grosso do Sul, com
com melhores performances em inovação
base em dados da Secretaria da Recei-
devem crescer 84%, enquanto outras, 28%.
ta Federal, revela que de cada 100 ne-
O levantamento revelou que
cerca
de
70%
dos
entrevistados fazem da
inovação
nos
prioridade
negócios.
gócios no Estado, quase 75 sobrevivem
aos dois primeiros anos no mercado.
A taxa de sobrevivência das empresas
sul-mato-grossenses
alcançou
74%;
As
sete pontos a mais em relação à última
que
pesquisa. É o segundo melhor desem-
focam nesse quesito
penho da região Centro-Oeste, atrás
empresas
são
as
melhores
apenas do Distrito Federal.
em tomar e executar
No comércio, 77,3% das empresas per-
decisões, considerando-
manecem ativas após 24 meses de tra-
se aspectos como qualidade,
balhos. Na sequência está o setor da
das
Indústria, com 76%, seguidos das áreas
decisões a partir do esforço aplicado em
velocidade
e
rendimento
de Serviços, com 69,6% e Construção
cada uma delas.
Civil, 66,8%.
Divulgação
GIFT CARD
PARA CRIANÇAS
Que tal ensinar seus filhos a lidar com
dinheiro desde cedo? A AgentPiggy, primeira plataforma de educação financeira
para crianças da América Latina lançou o
Cartão AgentPiggy, um cartão pré-pago
que permite que as crianças façam compras off-line e online em estabelecimentos
comerciais afiliados. Entre os produtos que
os pequenos podem adquirir estão entra-
96 |
das para cinema e museus, revistas, jogos,
gasto e doação para a mesada de seus
música e outros.
filhos. Todas as operações devem ser
O cartão funciona sincronizado com a
autorizadas pelos pais. A princípio o
plataforma web do AgentPiggy, um site que
cartão AgentPiggy estará disponível
permite aos pais criar contas de poupança,
exclusivamente no Brasil.
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Agosto/ Setembro 2013
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97
Agenda
sxc
29 de agosto
Curso e-commerce
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor
(Idec) realizará no dia 29 de agosto, curso destinado
a profissionais que atuam na área de e-commerce.
O curso será oferecido nos formatos presencial - no
auditório do Idec, ou online – transmitido ao vivo pela
internet para todos os Estados.
Curso: “Adequando a Empresa às Novas Regras de Comércio Eletrônico”
Data e Horário: 29/08/2013 das 10h00 às 17h30
Local: Auditório do Idec - Rua Desembargador Guimarães, 21, Água Branca, São Paulo, SP.
Palestrantes: Guilherme Varella, Marcelo Gomes Sodré, Ricardo Morishita e Vítor Morais de
Andrade
Investimento: R$600,00
Inscrições: até 26/08
Informações: http://www.idec.org.br/mobilize-se/eventos
SEBRAE MS
Semana Estadual do
Jovem Empreendedor
Na medida
Gestão Financeira
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Estratégias Empresariais
Seminários e workshops
Aprenda como
controlar
financeiramente
sua a empresa, para
facilitar e agilizar a
tomada de decisão.
Compreender o
processo estratégico
analisando o negócio e
o ambiente empresarial
e diagnosticando
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19 a 23/ de 21 a 25/ de 23 a 27
28 e 29/8; 11 e 12/9;
www.ajems.com.br
e de 25 a 29 de agosto
25 e 26/9
Feira e consultorias
Ciclo de palestras
Data: 19 a 22 de agosto
Informações: 0800 5700800
Associação Comercial de Campo Grande
Treinamento de
liderança
Como organizar
meu dinheiro
Encontro de Negócios
Data: 19 e 20 de
agosto
O Sucesso na
Comunicação e
Persuasão com
Excelência - com
Guto Dobes Filho
Data: 27 de agosto
Roda de Negócios
Entre Novos
Associados - com
Andrea Gregório
Data: 15 de
setembro
Local: Auditório do
Sebrae Hora
do Conhecimento
Case Portal
Itatiba
Curso gratuito
Informações: 3312 5058
98 |
Agosto/ Setembro 2013
da próxima edição
67 3305.1141
[email protected]
Agosto/ Setembro 2013
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PROGRAMA DA CADEIA PRODUTIVA
PETRÓLEO, GÁS E ENERGIA
ADENSAMENTO DA CADEIA PRODUTIVA DO PETRÓLEO, GÁS
E ENERGIA DO TERRITÓRIO DE INFLUÊNCIA DA UNIDADE
FERTILIZANTES NITROGENADOS UFN III E DA USINA
TERMELÉTRICA LUIS CARLOS PRESTES EM
TRÊS LAGOAS/MS.
Imagem digital ilustrativa
UFN III – Três Lagoas/MS
UTE/LCP - Três Lagoas/MS
Incentivo e estímulo ao crescimento
de Três Lagoas e região.
O convênio entre Sebrae/MS e Petrobras traz para
Três Lagoas e região uma cadeia de oportunidades
de crescimento, gerando qualificação profissional
para os empreendedores locais, que desenvolvem
habilidades e ampliam a sua competitividade no mercado. A cidade recebe investimentos, as micro e
pequenas empresas se fortalecem e os resultados
são vivenciados por toda a população.
Apoio
Convênio
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