UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
DIRETORIA A VEZ DO MESTRE
AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS COMO FATOR ESTRATÉGICO PARA GESTÃO
DE EQUIPE EM DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA.
JOÃO PESSOA
OUTUBRO / 2009
1
UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO
DIRETORIA A VEZ DO MESTRE
AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS COMO FATOR ESTRATÉGICO PARA GESTÃO
DE EQUIPE EM DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA.
ALBA LÚCIA NUNES GOMES
Orientadora
Professora Adélia Maria Oliveira de Araújo
JOÃO PESSOA
OUTUBRO / 2009
2
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO -
05
CAPÍTULO I – A Instituição
08
CAPÍTULO II – O Visão de passado, presente e futuro da EAD no Brasil
24
2.1 O papel do tutor em equipes de EAD
31
2.2 – Importância das relações interpessoais do tutor
36
CAPÍTULO III - Gestão de equipes
3.1 Estratégias de gestão
40
46
3.3 Relações interpessoais como estratégia para
gestão de equipe
52
CONCLUSÃO
56
REFERÊNCIAS
61
3
RESUMO
O surgimento das novas tecnologias da informação e da comunicação deu um novo
impulso à educação a distância, fazendo aparecer, através da internet, formas
alternativas de geração e de disseminação do conhecimento. A educação, antes
centralizada no texto impresso, agora vai cedendo lugar para fontes eletrônicas digitais
de informação, trazendo possibilidades quase inesgotáveis para a aprendizagem. Neste
novo cenário, os papeis tradicionais do professor e aluno precisam ser melhor
compreendidos e investigados para fazer frente às mudanças que se impõem. A
educação a distância via internet redefine substancialmente o papel do professor que
agora assume posição diferenciada daquela conhecida historicamente, ele passa a ser
professor-tutor. Como elemento central no processo ensino/aprendizagem, portanto,
precisa ter sua função, sua prática, seu papel questionado, compreendido, estudado.
Realiza-se uma reflexão sobre as relações interpessoais no contexto de educação a
distância online, destacando as principais diferenças entre suas atividades atribuídas ao
professor convencional. Além de discutir os obstáculos enfrentados neste meio e as
estratégias adequadas para superar a distancia geográfica e temporal existente entre
professor-aluno, existe outro assunto, no qual é questionado nesse trabalho: como as
relações interpessoais entre tutores e alunos é fator estratégico para o sucesso da
gestão em equipes de Educação a Distância.
4
METODOLOGIA
O Universo da pesquisa constitui-se por tutores que compõem a amostra
representativa. A abordagem consiste no estabelecimento de contatos objetivando
propiciar os subsídios iniciais para o adequado planejamento e execução das etapas
posteriores.
A coleta de dados será realizada mediante aplicação de instrumentos
considerados apropriados para o atendimento dos objetivos da pesquisa, definindo
estratégias para a viabilização dos mesmos. Para análise desses adota-se a aplicação
de entrevistas construída por meio de blocos temáticos obedecendo a uma ordem
lógica na elaboração das perguntas. O instrumento de coleta de dados escolhido
propicia uma interação efetiva entre pesquisador, o sujeito e a pesquisa que está sendo
realizada.
Após a coleta de dados segue-se o processo de análise, elaborando e
classificação dos mesmos. Posteriormente, responde-se as questões norteadoras da
pesquisa, seguindo-se então a etapa de interpretação que relaciona os dados coletados
a teoria, visando ampliar os significados através da interligação de conhecimentos,
baseando-se em enfoque dialético – compreensivo da realidade observada.
5
Introdução
O Ensino a Distância (EAD) se tornou um tema de grande destaque nos
departamentos de recursos humanos das empresas. Com o advento da Internet, a
capacitação dos funcionários e formação acadêmica sem a necessidade de aulas
presenciais deixou de ser uma promessa vaga e se tornou, em muitos casos, uma
opção concreta. Em todo o mundo, as grandes empresas e instituições de ensino, estão
investindo nessa modalidade educacional, uma vez que, em um mundo globalizado, a
crescente demanda pela educação e a necessidade constante de uma reciclagem
pessoal e profissional vem sinalizando ao sistema de ensino presencial suas limitações
frente ao aumento da clientela mundial que almeja ter acesso ao ensino superior.
Vivenciamos um tempo que se iniciou com o desaparecimento de fronteiras. O
futuro, tão distante em outrora, passou a ser o ontem. As raias do passado e futuro se
misturam. Nesse contexto em que todos os seres estão inseridos, faz-se necessário
aprender a ver tudo de novo, sendo que, sob outra perspectiva.
A fim de contribuir para o desenvolvimento de uma área de conhecimento tão
relevante para a democratização do ensino superior, que ainda está repleta de lacunas,
o presente estudo tem como tema “As relações interpessoais como fator estratégico
para gestão de equipe em EAD” e, traz como problema de pesquisa: como as relações
interpessoais entre tutores e alunos é fator estratégico para o sucesso da gestão em
equipe de Educação a distância?
Atualmente, essa modalidade de ensino, tem sido objeto de vários estudos e
discussões, principalmente, devido ao fato de permitir que qualquer pessoa, a qualquer
momento e em qualquer local com acesso à Internet tenha acesso às informações,
cursos, treinamentos. A Internet é hoje um instrumento de desenvolvimento social, que
possibilita a interação, que, quando bem conduzida, pode promover a interação entre
6
os sujeitos, o intercâmbio de informações e experiências, promovendo o sucesso das
relações interpessoais.
Sabemos que, atualmente, o relacionamento interpessoal é uma das
competências mais exigidas pelos profissionais em qualquer área de atuação, com a
utilização dos mais diversos meios de comunicação. Sabemos também que, relacionarse é dar e receber ao mesmo tempo é abrir-se para o novo. A interação, em qualquer
ambiente que esteja, nasce da aceitação, desprendimento e acolhimento. Nesse
contexto, a equipe de gestão em EAD necessita subsidiar-se em fatores estratégicos,
que possibilitem organizar sua comunicação com os tutores e alunos, introduzir um
tema, trabalhar virtualmente e avaliá-los. É de suma importância para a equipe
encontrar
estratégias
mais
adequadas
de
integrar
as
várias
tecnologias
e
procedimentos metodológicos, mas também é importante que amplie e que aprenda a
dominar as formas de comunicação interpessoal/grupal.
As relações interpessoais como fator estratégico para gestão de equipe em EAD
é a mola propulsora no processo de interação entre todos os sujeitos envolvidos,
podendo ser um dos indicadores para os índices de evasão nessa modalidade de
ensino.
Buscando confirmar essa hipótese, temos como objetivo geral analisar as
relações interpessoais dos tutores e alunos do Curso de Pedagogia a Distância da
UFPB, como fator estratégico na gestão de equipe em EAD e como objetivos
específicos identificar os níveis de relações existentes entre os tutores e alunos;
identificar a influência das relações interpessoais na gestão de equipe em EAD e
demonstrar as relações como fator primordial na gestão de equipe dessa modalidade
de ensino.
Para atingirmos os objetivos propostos, o trabalho foi dividido em três capítulos.
No primeiro iremos apresentar a Instituição UFPB e UFPB Virtual e o curso de
7
Pedagogia a distância. O segundo capítulo um breve histórico, relatando uma visão do
passado, presente e futuro da EAD.
Para implementar essa discussão, temos os
sub tópicos: O papel do tutor em equipes de EAD e Importância das relações
interpessoais do tutor
Abordaremos no terceiro capítulo Gestão de equipes e em seus sub tópicos
Estratégias de gestão; Estratégias de gestão em equipe de EAD; Relações
interpessoais como estratégia para gestão de equipe.
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Capítulo I – A Instituição
Em 02 de dezembro de 1955, através da Lei Estadual nº 1366, foi criada a
Universidade da Paraíba, composta por diversas faculdades e escolas existentes na
época. Esta universidade foi reconhecida em 1956 pelo Decreto nº 40.150 e, mais
tarde, federalizada em 1960, pela Lei nº 3.835, passando a se denominar Universidade
Federal da Paraíba (UFPB, 2008).
Portanto, a UFPB é uma organização com 48 anos em educação, pesquisa e
extensão. A razão de ser de toda universidade está na tríade ensino, pesquisa e
extensão e, para o crescimento dessa tríade, a instituição precisou ampliar a
disseminação da informação científica.
Segundo histórico (UFPB, 2008), esta instituição tem como uma de suas
principais e históricas missões institucionais o contínuo desenvolvimento de ações
voltadas para a melhoria da Educação no Estado, desafio que vem sendo enfrentado
por aqueles que reconhecem a relevância social e o papel das licenciaturas na
consecução deste objetivo.
Nesse contexto, (UFPB, 2008) a Instituição oferta, atualmente, 56 (cinqüenta e
seis) cursos de graduação, entre os quais 16 (dezesseis) são cursos de licenciatura,
praticamente de todas as áreas do conhecimento, com um total de 3.372 vagas anuais
em seus processos seletivos. Deste total, 240 vagas destinam-se ao Curso de
Pedagogia (Processo Seletivo Seriado, 180; PEC-RP, 60), desenvolvido nos turnos
diurno e noturno, com as seguintes áreas de aprofundamento: Magistério em Educação
Especial, Magistério em Educação de Jovens e Adultos, Supervisão Escolar e
Orientação Educacional, Supervisão Escolar e Magistério das Matérias Pedagógicas do
Ensino Normal.
9
Desde a sua criação, consta no site que, já foram diplomados 456 professores.
No presente período letivo, 1.669 professores das redes públicas da Paraíba
encontram-se matriculados nesses cursos. Essa experiência exitosa necessita ser
incrementada, de forma a ampliar, com vistas a atender uma demanda reprimida de
professores das redes públicas municipais que não têm acesso a um curso de
Licenciatura na forma presencial, justificando-se, assim, a necessidade de a UFPB
oferecer cursos de Licenciatura na modalidade a distância.
A perspectiva de ampliação dos cursos de graduação vem sendo pensada a
partir das experiências acumuladas com vários cursos Lato Sensu oferecidos desde a
década de 1980, na área de educação a distância, além dos cursos de extensão e dos
inúmeros projetos de ensino e pesquisa desenvolvidos pela UFPB. Os resultados
dessas iniciativas constituíram-se como referenciais de grande validade à elaboração
do projeto político pedagógico do curso objeto desta proposta.
A presente ação da Secretaria de Educação a Distância (SEED, 2007), voltada
ao apoio financeiro à educação superior pública, para oferta de cursos de licenciatura a
distância, oportuniza à UFPB incrementar, por meio dessa modalidade, sua ação
institucional aqui referida – a de contribuir com a melhoria dos índices educacionais da
Paraíba.
Diante dessa necessidade, surgiu a UFPB Virtual que integra o Sistema de
Universidade Aberta do Brasil – UAB. Na modalidade de cursos a distância, a UFPB
iniciou suas atividades a partir do ano de 2006, quando instituiu a UFPB Virtual, que
integra o Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB.
Por essa compreensão, a Universidade Federal da Paraíba teve o lançamento
oficial da UFPB Virtual em João Pessoa no dia 24 de Abril de 2007. Porém sua criação
foi pelo Decreto 5.800, de 8 de junho de 2006.
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No contexto universitário, (UFPB Virtual, 2008) este órgão que está responsável
pela oferta de cursos de Licenciatura na modalidade a distância. Utilizando tecnologias
da informação e comunicação e de metodologias inovadoras de ensino.
De acordo com (UAB, 2008), o Sistema Universidade Aberta do Brasil – UAB - foi
criado pelo Ministério da Educação a partir de uma iniciativa do Fórum das Estatais pela
Educação, com o propósito de capacitar professores da educação básica, focando as
políticas e a Gestão da Educação Superior, sob cinco eixos fundamentais:
1.
A expansão pública da educação superior, considerando os processos de
democratização e de acesso;
2.
O aperfeiçoamento dos processos de gestão das instituições de ensino superior,
possibilitando sua expansão, em consonância com as propostas educacionais
dos estados e dos municípios;
3.
A avaliação da educação superior a distância, com base nos processos de
flexibilização e regulação em implementação pelo MEC;
4.
As contribuições para a investigação em educação superior a distância no país;
5.
O financiamento dos processos de implantação, execução e formação de
recursos humanos em educação superior a distância.
Essa Universidade foi uma das primeiras instituições do país autorizada pelo
Ministério da Educação a oferecer cursos de graduação a distância. Atualmente,
oferece seis cursos de Licenciatura na modalidade a distância, a saber, também
oferece: Matemática, Letras, Ciências Biológicas, Ciências Agrárias e Ciências
Naturais.
Afirma UFPB, 2008 que inicialmente o Curso de Licenciatura em Pedagogia,
Magistério em Educação infantil, na modalidade a distância, teve base nos art. 58/59 da
Lei Nacional da Educação 9.394/96 e na Lei 10.098 de 23 de março de 1994 e previu,
11
na sua implementação, as seguintes condições de acessibilidade às pessoas
portadoras de necessidades especiais:
1.
Processo seletivo de ingresso: cotas para pessoas portadoras de necessidades
especiais;
2.
Produção de material em diferentes mídias: com adaptação para LIBRAS e
Braille;
3.
Acessibilidade aos espaços dos pólos: mobiliário compatível e acesso aos pólos
adaptado para portadores de necessidades físicas.
As informações do referido site, ainda informam que, o foco da ação da UFPB
Virtual é a formação (graduação) de professores leigos atuantes nas escolas públicas e
o atendimento da enorme massa de jovens e adultos que residem no interior do Estado
e que não têm acesso à educação superior pública. Para cada um desses segmentos,
são destinadas 50% das vagas ofertadas a cada ano no vestibular. Atua-se na
educação superior, possibilitando educação de qualidade na modalidade a distância,
junto aos 25 Pólos Municipais, nos Estados da Paraíba, Pernambuco, Ceará e Bahia,
com cursos autorizados pelo MEC e desenvolvidos com o padrão de qualidade UFPB.
O quadro docente é formado majoritariamente por professores doutores da
UFPB. Conta-se com apoio de tutores presenciais em todos os pólos de apoio
presencial e tutores a distância e utilizam-se as mais modernas tecnologias. A meta é
democratizar a oferta de cursos e de vagas na modalidade a distância, mantendo o
padrão de qualidade UFPB.
Segundo o Projeto Político Pedagógico do curso, elaborado em 2006 pelas
professoras do Departamento de Habilitações Pedagógicas Adelaide Alves e Edna
Brennand, o objetivo principal do curso é a formação de professores para atuar junto ao
12
segmento educacional na faixa etária de 0 a 6 anos. Com base nas diretrizes
curriculares nacionais para a educação infantil, o profissional oriundo deste curso
deverá apresentar um conhecimento sólido e abrangente: dos fundamentos gerais da
educação; dos fundamentos teóricos das ciências que integram a proposta de
atendimento à criança pequena e, concomitantemente, seu tratamento didáticometodológico exigido em nível da educação infantil; dos fundamentos das teorias do
conhecimento
que
sustentam
as
propostas
metodológicas
do
processo
de
desenvolvimento e aprendizagem da criança de 0 a 6 anos; do trabalho pedagógico
realizado em instituições de educação infantil.
As componentes curriculares do curso de Pedagogia a distância foram
organizados em 4 (quatro) núcleos de estudos que são complementares e
interdependentes compondo-se em: Fundamentos da Educação, correspondente a 750
h; Fundamentos da Educação Infantil com 975 h; Ciências Básicas e Metodologia da
Educação Infantil possuindo 420h; e Dinâmica e Trabalho Pedagógico na Educação
Infantil, com 765 h, além dos Conteúdos Complementares Optativos com 195h e
Conteúdos Complementares Flexíveis com 120h, totalizando o correspondente a 3.225
h para a integralização curricular. Possuindo uma duração mínima de quatro anos,
divididos em 8 semestres, e organizado em sistema de créditos (UFPB Virtual, 2008),
Para saber se o processo de aprendizagem no curso de Pedagogia a distância
está obtendo êxito é realizada uma avaliação em momentos presenciais quanto aos
seguintes aspectos:
:
Capacidade de reflexão crítica dos aprendentes frente às próprias experiências
profissionais;
:
Inovação da prática docente a partir dos referenciais teóricos trabalhados no
curso;
:
Análise da auto-aprendizagem nos seguintes campos: cognitivo; metacognitivo;
didático-pedagógico; político-social; afetivo-emocional; afetivo-e emocional.
13
:
Mensuração dos resultados de aprendizagem - quantitativamente o desempenho
mínimo esperado em cada disciplina será igual ou superior a sete pontos na
escala de zero a dez.
Já em relação ao processo comunicação-interação (UFPB Virtual, 2008), entre
os atores do curso de Pedagogia a distância, é realizada através dos modos síncronos,
em que os aprendentes, ensinantes e tutores receberão a informação em tempo real, e
assíncronos, em que os aprendentes, ensinantes e tutores receberão a informação num
tempo posterior. A gestão da informação será baseada de acordo com as
características da Plataforma Moodle. O uso desta plataforma foi baseada em suas
características técnicas que permite propor o aprendizado na Web.As diversas
ferramentas disponíveis na Plataforma Moodle, integram-se como recurso pedagógico a
fim de criar condições cabíveis a construção do conhecimento.
Na busca da construção do conhecimento, será utilizado um processo de
orientação e acompanhamento, através dos tutores. A tutoria será acionada para
estruturar os componentes de estudo, tratando de orientar, estimular e provocar o
participante a construir o seu próprio saber. Interagindo com o aluno e o material
didático ao selecionar materiais de apoio que forneçam sustentação teórica qualificada
para o desenvolvimento das disciplinas do curso.
Portanto, de acordo com as diretrizes curriculares, 2006, do Curso de
Licenciatura em Pedagogia na modalidade a distância do CE/UFPB-Virtual, o
profissional formado deverá apresentar um conhecimento sólido e abrangente:
:
dos fundamentos gerais da educação;
:
dos fundamentos teóricos das ciências que integram a proposta de atendimento
à criança pequena e, concomitantemente, seu tratamento didático-metodológico
exigido em nível da educação infantil;
14
:
dos fundamentos das teorias do conhecimento que sustentam as propostas
metodológicas do processo de desenvolvimento e aprendizagem da criança de
zero a seis anos;
:
do trabalho pedagógico realizado em instituições de educação infantil.
Nessa perspectiva, (UFPB Virtual, 2008) atua na educação superior, contribuindo
para uma educação de qualidade, junto aos 18 Polos Municipais de Apoio Presencial PMAP, nos Estados da Paraíba e Pernambuco. Cada polo foi instalado nos municípios
sendo necessária uma infra-estrutura e organização de serviços que permitissem o
desenvolvimento de atividades de cunho administrativo e acadêmico exigido em um
curso universitário a distância.
Complementarmente, cada Polo foi responsável por organizar um núcleo de
apoio ao aluno, formado pelos tutores presenciais, com infra-estrutura e organização de
serviços que:
1.
disponha de espaços que permitam o desenvolvimento das orientações
acadêmicas;
2.
implante e organize serviços de apoio pedagógico ao estudante, dentre eles:
telefone e fax, biblioteca, videoteca, computadores, softwares educativos e
acesso à Internet, projetor multimídia;
3.
disponha
de
recursos
materiais
de
apoio
ao
serviço
de
orientação,
acompanhamento acadêmico e registros.
O PMAP consiste numa estrutura para a execução descentralizada de algumas
das funções didático-pedagógicas e administrativas do curso, no âmbito do Sistema de
Universidade Aberta do Brasil. É local onde o estudante tem acesso local a biblioteca,
laboratório de informática (por exemplo, para acessar os módulos de curso disponíveis
15
na Internet), ter atendimento de tutores, assistir aulas, realizar práticas de laboratórios,
dentre outros. Em síntese, o pólo é o “braço operacional” da instituição de ensino
superior na cidade do estudante ou mais próxima dele.
A estrutura de um pólo é composta de uma (01) sala para Secretaria Acadêmica,
uma (01) Sala da Coordenação do Polo, uma (01) sala para Tutores Presenciais, uma
(01) sala de Professores e Reuniões, uma (01) sala de Aula Presencial Típica, um (01)
Laboratório de Informática, uma (01) Sala de vídeo conferência e biblioteca.
A organização do curso de Pedagogia (UFPB Virtual, 2008) na modalidade a
distância difere-se em algumas nomenclaturas. Nesta estrutura de curso estarão
interagindo os seguintes elementos:
Coordenação Acadêmica do Curso: responsável pelas questões acadêmicas do
curso tais como: projeto pedagógico, oferta das disciplinas e elaboração e avaliação do
material didático, e o processo de aprendizado dos alunos.
Coordenação Institucional de Educação a Distância - CEAD: responsável pela
equipe de profissionais que trabalhará na transposição dos materiais didáticos para a
linguagem EAD. Esta equipe terá a sua disposição, toda a infra-estrutura do Pólo
Multimídia do campus da Universidade Federal da Paraíba, em João Pessoa;
Coordenação de Tutoria - Coordenar os tutores presenciais e a distância na
realização de suas funções; acompanhar e orientar de forma pedagógica e
metodológica os tutores a distância na realização de suas atribuições; definir horário
dos tutores à distância e acompanhar o cumprimento do mesmo; esclarecer possíveis
dúvidas quanto às atividades propostas nos componentes curriculares e na utilização
do ambiente virtual (Moodle); dialogar e orientar os professores pesquisadores quanto
ao cumprimento do cronograma da UFPB Virtual.
16
Orientadores Acadêmicos (professores autores): responsáveis pela produção do
material didático e pelos conteúdos das disciplinas do curso ou de determinada área de
conhecimento. Atuarão, também, como orientadores dos tutores;
Professores validadores: responsáveis pela testagem e avaliação do material
didático transposto para a linguagem EAD. O material didático: o elo de diálogo do
estudante com o autor, com o tutor, com suas experiências, com sua vida, com a
função de mediar seu processo de aprendizagem;
Tutores (a distância e presenciais): professores formados em nível superior, em nível
de Pós-Graduação LatoSensu e/ou Script Sensu nas ciências humanas, sociais e de
saúde , com a função de acompanhar e apoiar os aprendentes em seu processo;
Tutor à distância - Profissional habilitado para atuar junto aos aprendentes,
orientando, esclarecendo dúvidas, acompanhando as realizações das atividades
(desafios) propostos nos componentes curriculares de sua responsabilidade; estimular
o aluno a buscar a construção de uma metodologia própria de estudo, no sentido de
ajudá-lo a adquirir autonomia; participar das atividades de capacitação e de avaliação,
promovidas pelas coordenações do curso de pedagogia e da UFPB Virtual; realizar as
atividades previstas no planejamento da mediação; estimular o aprendente a lançar
mão de diversas fontes de informação, como as bibliotecas e laboratórios dos pólos
bibliotecas virtuais; elaborar um relatório mensal cujo modelo será fornecido pelo
professor do componente curricular, e encaminhá-lo ao mesmo no prazo estabelecido;
manter contato com os mediadores presenciais.
Tutor presencial - orientar os aprendentes na realização das atividades propostas nos
componentes curriculares; esclarecer possíveis dúvidas sobre a utilização do ambiente
virtual de aprendizagem no envio de tarefas, fóruns, chats e e-mails; possibilitar
momentos de estudo individual e/ou grupal; manter contato com os aprendentes que
não procurarem a mediação, utilizando-se do e-mail e estimulando - os a lançarem mão
17
deste recurso; acompanhar e fiscalizar as avaliações presenciais; manter contato com
os mediadores e distância e professores dos componentes curriculares;
Aprendente: aluno do curso que irá aprender a distância;
Polos Municipal de Apoio Presencial – PMAP, responsável pelo atendimento e o
acompanhamento (presencial e a distância) do aprendente em seu processo.
A tabela a seguir mostra os pólos que seriam atendidos no início do curso e o
respectivo quantitativo de vagas, baseado no projeto político-pedagógico:
Município
Araruna
Campina Grande
Conde
Cuité de Mamanguape
Duas Estradas
Itabaiana
Itaporanga
Lucena
Mari
Pitimbu
Pombal
Total
nº de vagas
30
40
30
20
20
40
40
20
30
20
40
400
TABELA 02 - Distribuição de vagas por Polos
Fonte: Adaptado do PPP de Pedagogia a Distância, 2006
Porém nem todas as cidades foram selecionadas, sendo em alguns casos
algumas cidades substituídas. Portando as 14 cidades pólos selecionadas para iniciar o
Curso de Licenciatura em Pedagogia (Magistério em Educação Infantil) foram 8 pólos
municipais de apoio presencial (Araruna, Campina Grande, Conde, Cuité de
Mamanguape, Duas Estradas, Ipojuca, João Pessoa e Pombal) atendidos no primeiro
semestre e mais 6 cidades pólos (Itabaiana, Itaporanga, Limoeiro, Mari, Lucena e
Pitimbu) atendidos no segundo semestre.
18
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2008) cada cidade
paraibana possui suas características peculiares, descritas abaixo:
1.
Araruna – município do estado da Paraíba, localizado na microrregião do
curimataú paraibano com uma área territorial de 245,720 km2, uma população
estimada de 19.708 habitantes e um IDH médio de 0,546;
2.
Campina Grande – segunda cidade mais populosa do estado da Paraíba. Fica
localizada a 120 Km da capital do estado. Campina Grande foi fundada em 10 de
dezembro de 1697, tendo sida elevada à categoria de cidade em 11 de outubro
de 1864.Ë considerado um dos principais pólos industriais e tecnológicos da
região nordeste do Brasil. O município possui uma área territorial de 620,63 km2,
uma população estimada de 381.422 habitantes e um IDH médio de 0,721;
3.
Conde - município brasileiro do estado da Paraíba. Sua população é de 20.452
habitantes. Área territorial de 172,949 km². Localizado na Região Metropolitana
de João Pessoa, faz parte do litoral sul paraibano. Possui um IDH médio de
0,613;
4.
Cuité de Mamanguape - município do estado da Paraíba, localizado na
microrregião do Litoral Norte com uma área territorial de 109,806 km², uma
população estimada de 6.685 habitantes e um IDH médio de 0,544;
5.
Duas Estradas - município do estado da Paraíba, fundado em 1903. Sua
população é de 3.855 habitantes. Área territorial de 26,361 km². Localizado na
microrregião de Guarabira. Possui um IDH médio de 0,569 e fica localizada a
124 Km da capital paraibana;
19
6.
João Pessoa – capital e município mais populoso do estado da Paraíba.
conhecida como "a cidade onde o sol nasce primeiro", devido ao fato de no
município estar localizada a Ponta do Seixas, que é o ponto mais oriental das
Américas. Fundada em 1585 com o nome de Cidade de Nossa Senhora das
Neves, João Pessoa é a terceira capital de estado mais antiga do Brasil e
também a última a ser fundada no país no século XVI. O município possui uma
área territorial de 210,45 km2, uma população estimada de 693.082 habitantes e
um IDH médio de 0,783;
7.
Pombal - município brasileiro do estado da Paraíba. Possui uma população
estimada em 32.424 habitantes. Área territorial de 888,811 km². Foi fundada no
fim do século XVII, sendo elevada a município e vila em 1766.Seu IDH médio é
de 0,661.
8.
Itabaiana - município do estado da Paraíba, localizado na microrregião de
Itabaiana, com uma área territorial de 218,847 km² e uma população estimada de
25.460 habitantes e um IDH médio de 0,612;
9.
Itaporanga - município no estado da Paraíba, localizado na microrregião de
Itaporanga. Sua população é estimada em 23.047 habitantes. Área territorial de
468,069 km² e um IDH médio 0,624.O município polariza a região do Vale do
Piancó, composta por 18 municípios, além de sediar a 7ª Região de ensino do
estado da Paraíba;
10.
Mari - município no estado da Paraíba, localizado na microrregião de Sapé. A
fundação de Mari, antiga Araçá, data de 1875, com a construção da rede
ferroviária a mando do Imperador Dom Pedro II. Em 28 de outubro de 1915
passa a fazer parte do município de Sapé. Em 19 de setembro de 1958, o
governador Pedro Moreno Gondim eleva a categoria de cidade pelo decreto de
20
Lei nº1862/1958. Mari possui uma área territorial de 154,726 km², uma população
estimada de 21.110 habitantes e um IDH médio de 0,56;
11.
Lucena – município do estado da Paraíba. Fica localizada a 40 Km da capital do
estado. O município possui uma área territorial de 89,202 km2, uma população
estimada de 11.241 habitantes e um IDH médio de 0,604;
12.
Pitimbu - município no estado da Paraíba, localizado na microrregião do Litoral
Sul. Encontra-se localizado a uma distância linear de 68 Km de João Pessoa e
85 Km de Recife, Pernambuco. Sua população é estimada em 16.574 habitantes,
sendo 46% na área urbana. Sua área é de 136,045 km² representando 0,241%
do estado. Pitimbu possui uma IDH de 0,594.
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2008), as
características das cidades pólos de apoio presencial no estado de Pernambuco são:
1.
Ipojuca
-
é
um
município
brasileiro
do
estado
de
Pernambuco.
Administrativamente, o município é formado pelo distrito sede e pelos povoados
de Camela, Nossa Senhora do Ó, Porto de Galinhas, Praia do Touquinho e
Suape. A origem do seu nome vem do tupi guarani Iapajuque, que significa Água
Escura. Possui uma área
territorial de 527,32 km² e uma população 74.059
habitantes e possui um IDH médio de 0,658 e fica localizada a 57 Km da capital
pernambucana;
2.
Limoeiro - município brasileiro situado a leste do estado de Pernambuco. No dia
6 de abril de 1893, Limoeiro passou a cidade. Neste dia se comemora a
Emancipação Política de Limoeiro. Sua população é estimada em 57.203
habitantes. Área territorial de 269,97 km² e um IDH médio 0,688.
21
No decorrer do curso são realizados semestralmente, em cada Pólo municipal de
apoio presencial, três encontros presenciais de oito horas/aula entre os aprendentes e
os professores de cada disciplina com o objetivo de apoiar o aluno em seu percurso de
aprendizagem na modalidade EAD. No ensejo, o professor incentivará a formação de
hábitos disciplinares quanto à temporalidade e técnicas de estudo individuais. Assim,
através de constante motivação e esforço diário, o aprendente conseguirá superar
possíveis dificuldades e obter êxito no processo de autodidatismo.
Com isso, através da motivação para aprender, possibilitará que a informação
recebida seja gradualmente estruturada e transformada em conhecimento, em um
processo progressivo e não imediato, nem momentâneo.Portanto, durante os quatro
anos do curso trabalhar-se-ão novas estratégias de ensino-aprendizagem através da
produção e uso de manuais de auto-estudo, material didático impresso, cadernos de
atividades programadas, experimentos associados e diferentes usos de multimídias de
caráter educativo-instrucional.
Para isso, a proposta pedagógica do curso privilegia a combinação de artifícios
didáticos próprios da educação a distância, tais como a utilização de vários materiais
(CDs, DVDs, Bibliotecas Virtuais, vídeos), juntamente com materiais impressos e
momentos de interatividade on-line. Para isso, o ambiente virtual de aprendizagem
utilizado pela UFPB VIRTUAL, nos cursos via Internet, é o software livre Moodle, uma
ferramenta de sistema de gerenciamento de curso.
O referido curso se propõe, ao ser concebido pela UFPB Virtual, incorporar as
práticas de formação dessa universidade e amplia a discussão das diretrizes, ao
apontar a necessidade de uma formação específica para os que atuam na educação
infantil, visando o resgate da identidade profissional e o atendimento aos objetivos
desta etapa educativa.
22
De acordo com o Censo Demográfico realizado pelo IBGE (2000), o estado da
Paraíba tem uma população de, aproximadamente, 3.595.886 habitantes, sendo que
destes, aproximadamente, 482.078 são crianças na faixa etária de 0 a 6 anos, portanto,
com potencial de inserção em espaços educativos (Atlas do IDH, 2000). No entanto,
apenas 129.791 delas recebem algum tipo de atendimento em instituições de educação
infantil (Censo Escolar, 2004).
Segundo dados do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais
(INEP, 2008), baseados no Censo Escolar de 2004, 12.985 docentes, cadastrados na
Paraíba, atuam em instituições públicas de educação infantil (creches e pré-escolas),
quantitativo bastante insuficiente para a cobertura neste segmento educacional. Destes,
2.461 possuem formação de nível superior, 9.588 possuem formação de nível médio e
600 possuem apenas o ensino fundamental completo e, 336 sequer completaram este
nível de ensino.
Segundo os dados (UFPB Virtual, 2008), a política nacional de educação infantil
vigente no Brasil aponta, entre outras coisas, para a qualificação em nível superior
como horizonte da formação destes professores, em médio e em longo prazo,
admitindo, ainda, a formação em nível médio como requisito mínimo de qualificação
profissional dos docentes que atuam na educação infantil. Dado que 74% dos docentes
que atuam na educação infantil no estado da Paraíba possuem apenas a formação em
nível médio, a necessidade de qualificação em nível superior de profissionais com
conhecimentos específicos para atuar no espaço social da educação infantil,
compreendido como um espaço com características próprias, voltado à integração das
funções cuidar e educar torna-se imperiosa.
Este conjunto de dados sinaliza para a necessidade de uma resposta efetiva da
UFPB no sentido de reverter, de modo rápido, efetivo e com qualidade, o quadro aqui
apresentado. Foi, pois, esta realidade que indicou a direção a ser tomada, no sentido
23
de realizar o curso de Licenciatura Plena em Pedagogia, com habilitação em Educação
Infantil, a distância, que forme e qualifique professores que não possuam esta titulação.
Para realizar tal empreendimento, a UFPB se apóia por um lado, na sua forte
tradição em termos de formação de professores e, por outro, na experiência já
acumulados pela Instituição, através dos cursos de especialização e de extensão, a
distância, já realizados.
24
Capítulo II - Visão de passado, presente e futuro da EAD no Brasil.
Com origem recente no século XVIII a modalidade da Educação a Distância
(EAD), apresenta grandes evoluções, e desperta o interesse para descoberta de novas
metodologias pedagógicas de ensino-aprendizagem a distância. De acordo com alguns
autores a EAD iniciou-se com o surgimento da escrita, onde o único meio de
aprendizagem seria a leitura. Atualmente há considerações mais recentes que apontam
como marco incial, a institucionalizão da EAD. Os benefícios oferecidos por essa
modalidade de educação são diversos e engloba desde a flexibilidade de tempo para
estudo à facilidade de acesso a educação.
Muitos autores apontam diversas épocas para o início da Educação a Distância.
Para alguns o aparecimento da EAD surgiu com a escrita, uma forma elemetar para as
épocas mais remotas, outros argumentam que há atividades iniciadas no fim do século
XVIII.
Visto que não há um consenso no marco inicial da história da EAD, entre os
diversos autores, segue os argumentos de Nunes (2002) apresente atualmente:
1728 – A Gazeta de Boston, em sua edição de 20 de março, oferece num
anúncio: “material para ensino e tutoria por correspondência”.
1873 – Surge, em Boston, EUA, a sociedade para a Promoção do Estudo em
Casa.
1938 – No Canadá, na cidade de Victória, realiza-se a Primeira Conferência
Internacional sobre a Educação por correspondência.
1962 – Inicia-se, na Espanha, uma experiência de Bacharelo Radiofônico.
1963 – Surge na Espanha o Centro Nacional de Ensino Médio por Rádio e
Televisão, que substitui o Bacharelado Radiofônico, criado no ano anterior.
1969 – Cria-se a Bristish Open University, instituições verdadeiramente pioneira
e única do que hoje se entende como educação superior a Distância. Inicia seus cursos
em 1971. A partir dessa data, a expansão da modalidade tem sido inusitada.
25
1975 – Criada a Fernuniversiatt, na Alemanha, dedicada exclusive ao ensino
universitário.
1988 – O Instituto Português de EaD da origem a Universidade Aberta de
Portugal.
Para Nunes (2002) a conceituação da Educação a Distância decorre de
diferentes argumentos de muitos autores. Os primeiros conceitos descreviam o que a
EaD não era, e estabeleciam comparações com a educação presencial, face a face.
Pesquisas mais recentes mostram a conceituação da EaD de forma mais precisa,
visando a realidade no desempenho da aprendizagem virtual . Dentre os vários autores
que conceituam a Educação a Distância, vejamos a seguir a explanação Nunes:
A Educação a Distância pressupõe um processo educativo sistemático e
organizado que exige não somente a dupla via de comunicação, como
também a instauração de um processo continuado, onde os meios ou os
multimeios devem estar presentes na estratégia de comunicação. A
escolha de determinado meio ou multimeios vem em razão do tipo do
público, custos operacionais e, principalmente, eficácia para a
transmissão, recepção, transformação e criação do processo educativo.
(2002, p. 92)
A Educação a Distância no Brasil encontrasse em desvantagem em relação ao
que vem evoluindo internacionalmente. As discussões sobre essa modalidade no Brasil,
com interesse e seriedade necessária, praticamente iniciou-se nos últimos seis anos.
Até então esse assunto era discutido como um simples tópico ou deixado como
segundo plano.
No Brasil foi oficializada em 1996 pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional – LDB (Lei nº. 9394, de 20 de dezembro de 1996). Com esse suporte, a EAD
está tomando um caminho de democratização da educação, fundamental para um país
como o Brasil que, segundo o último levantamento da Organização das Nações Unidas
para a Educação a Ciência e a Cultura (UNESCO), possui apenas 15% da população
com acesso ao ensino superior. Em 2006 havia mais de 30 instituições de ensino
26
superior credenciados pelo Ministério da Educação (MEC) para ofertar mais de 82
cursos de graduação à distância.
Para compreender melhor sobre esse atraso, observa-se a evolução da
Educação a Distância no Brasil:
1891 – Registro de anúncio oferecendo profissionalização por correspondência
(datilógrafo), na primeira edição da seção de classificados do Jornal do Brasil.
1904 – Implantação das “Escolas Internacionais”, representando as organizações
Norte-americanas.
1923 – Oferta, pela Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, de educação pelo rádio.
A emissora foi doada ao Ministério da Educação e Saúde em 1936 e, no seguinte, foi
criado o Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da Educação.
1937 – Criação do Serviço de Radiodifusão Educativa do Ministério da
Educação.
1960 – Inicio da ação sistematizada do Governo Federal em EaD; contrato entre
o MEC e a CNBB: expansão do sistema de escolas radiofônicas aos estados
nordestinos, que faz surgir o MEB – Movimento de Educação de Base, sistema de
ensino a Distância não-formal.
1966 a 1974 – Instalação de oito emissoras de televisão educativa: TV
Universitária de Pernambuco, TV Educativa do Rio de Janeiro, TV Cultura de São
Paulo, TV Educativa do Amazonas, TV Educativa do Maranhão, TV Universitária do Rio
Grande do Norte, TV Educativa do espírito Santo e TV Educativa do Rio Grande do Sul.
1971 – Nasce a ABT – Inicialmente com a Associação Brasileira de TeleEducação, que já organizava desde 1969 os Seminários Brasileiros de Tele-Educação,
que já organizava desde 1969 os Seminários Brasileiros de Tele-Educação atualmente
denominamos Seminários Brasileiros de Tecnologia Educacional. Foi pioneiro em
cursos a distância, capacitando o professor através de correspondências.
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1978 – Lançado o Telecurso de 2º Grau, pela Fundação Padre Anchieta (TV
Cultura/SP) e Fundação Roberto Marinho, com programas televisivos apoiados por
fascículos impressos, para preparar o tele-aluno para os exames supletivos.
1979 a 1993 – É implantado em caráter experimental, o Posgrad – pósgraduação Tutorial a Distância – pelo CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento do
Pessoalmente de Ensino Superior – do MEC, administrado pela ABT – Associação
Brasileira de Tecnologia Educacional – com o objetivo de capacitar docentes
universitários do interior do país.
1991 – A Fundação Roquete Pinto, a Secretaria Nacional de Educação Básica e
secretarias estaduais de Educação implantam o Programa de Atualização de Docentes,
abrangendo as quatro séries iniciais do ensino fundamental e alunos dos cursos de
formação de professores.
1992 – O Núcleo de Ensino à Distância do Instituto de Educação da UFMT
(Universidade Federal do Mato Grosso), em parceria com a Unemat (Universidade do
Estado do Mato Grosso) e a Secretaria de Estado de Educação e com o apoio da TeleUniversit du Quebec (Canadá), criam o projeto de Licenciatura Plena em Educação
Básica: 1º a 4º séries do 1ª Grau, utilizando a EaD. O curso é iniciado em 1995.
Após várias décadas, e mesmo ainda não estando oficializada, com o
aparecimento de tecnologias a EAD se estabeleceu como uma modalidade competente
de ensino e no ano de 1992 que foi criada a Universidade Aberta de Brasília para a
organização de cursos específicos de acesso geral, para oferta de ensino superior em
nível de graduação e de pós-graduação.
Para Gonzalez (2005), em geral podemos classificar os cursos a distância nos
seguintes tipos: cursos abertos - cujos conteúdos oferecidos estão relacionados às
áreas gerais do conhecimento; cursos de atualização - dirigidos a profissionais em geral
e a graduandos; cursos de aperfeiçoamento - dirigidos a profissionais e estudantes,
para permitir que validem os créditos em cursos de especialização lato sensu ou se
habilitem profissionalmente em áreas específicas, com base em dispositivos legais;
28
cursos de graduação: destinam-se àqueles que desejam obter formação em educação
superior com habilitação em uma área profissional
dirigidos a profissionais
e cursos de especialização -
de nível superior, com ênfase em áreas específicas do
conhecimento.
Os
precursores
da
EAD,
os
antigos
cursos
por
correspondência
e,
posteriormente os telecursos, ganharam vida nova com o advento da Internet, aliada
aos mais modernos recursos técnicos de comunicação, como CD-ROMs, tele e
videoconferência, DVD´s. A rede mundial de computadores veio promover, não apenas
a revolução das tecnologias, mas também social e pedagógica na Educação.
O ensino a distância difere completamente, em sua organização e
desenvolvimento, do mesmo tipo de curso oferecido de forma presencial. No ensino a
distância, a tecnologia está sempre presente e exigindo uma nova postura de ambos,
professores e alunos (Alves; Nova, 2003).
Para que um curso seja veiculado a distância, mediado pelas novas tecnologias,
é preciso contar com uma infra-estrutura organizacional complexa (técnica, pedagógica
e administrativa). O ensino a distância requer a formação de uma equipe que trabalhará
para desenvolver cada curso, e definir a natureza do ambiente online em que será
criado (Alves; Nova, 2003).
Dessa forma, destacamos na modalidade a distância algumas características
próprias, tais como, professor e o aluno estão separados no tempo e/ou espaço; a
comunicação entre professores, tutores e alunos é mediada principalmente por material
impresso e pelo seu ambiente virtual de aprendizagem; o aluno tem liberdade de criar
seu próprio cronograma de estudo em horários que são mais adequados, sendo assim,
o controle do aprendizado é realizado mais intensamente pelo aluno do que pelo
professor – tutor. Para isso, ele deve ter mais liberdade em criar seus próprios
29
cronogramas de estudo em horários que mais lhe forem adequados. É fundamental a
autodisciplina, fator primordial para o sucesso do aprendizado em EAD.
Sobre essa autonomia afirma Peters:
essa independência é incomum no sistema de ensino tradicional.. Ela
não apenas concede aos estudantes a ocasião de desdobrarem
iniciativas no planejamento e na organização de seu estudo, revelando
atividades especiais como, inclusive, os obriga a isso. Com efeito, eles
têm que decidir onde, por quanto tempo, quando, com que intensidade,
em que ordem irão estudar. Aumentando a responsabilidade do seu
próprio estudo, em relação aos outros estudantes (2001 p. 234).
Para o sucesso do funcionamento dos cursos oferecidos na modalidade de
ensino a distância, é necessário compreender os elementos que integram um sistema
educacional de EAD. Gonzalez (2005) classifica processo de gestão, estrutura e
estruturação da seguinte forma: coordenador de aprendizagem - professor com amplos
conhecimentos nas disciplinas que compõem determinado curso, podendo ser ao
mesmo tempo, autor do conteúdo e coordenador do processo de aprendizagem dos
estudantes virtuais. Orientador de ambiente - um especialista em computação, que
deve ter amplo conhecimento da ambiente virtual de aprendizagem - AVA do curso.
Professor – tutor - profissional que media todo o desenvolvimento do curso,
respondendo a todas as dúvidas apresentadas pelos estudantes, no que diz respeito ao
conteúdo da disciplina oferecida. A ele cabe também mediar a participação dos
estudantes nos chats, estimulá-los a participar e a cumprir as suas tarefas, e avaliar a
participação de cada um.
Afirmam Guimarães e Brennand:
a Internet tem atingido cada vez mais o sistema educacional. As redes
são utilizadas no processo pedagógico para romper as paredes da
escola, bem como para que o aluno e o professor possam conhecer o
mundo, novas realidades, culturas diferentes, desenvolvendo a
aprendizagem através do intercâmbio e do aprendizado colaborativo
(2007, p. 14).
30
Na sociedade da informação todos estão reaprendendo a conhecer, a
comunicar-se, a ensinar e a aprender; a integrar o humano e o tecnológico; a integrar o
individual, o grupal e o social.
Esta abordagem é fundamental, pois a EAD é, basicamente, um processo
comunicacional que associa o acesso aos conteúdos para formação dos indivíduos aos
diversos meios de interação, aqui entendidos como os suportes físicos para a sua
transmissão entre o ponto inicial e o final (professor e aluno, por exemplo).
a EAD surge no contexto das inúmeras inovações tecnológicas
oriundas da área da computação e informática, associadas às
telecomunicações,
que
têm
transformado
as
sociedades
contemporâneas. Estas inovações produzem alterações profundas nas
relações interpessoais, em todos os níveis e aspectos, as quais
imprimem um novo ritmo, quase frenético, aos relacionamentos
empresariais e humanos Moran (2007, p.89).
É importante destacar que os processos de ensino se inserem nos processos
interativos, cujo foco, busca compreender os fenômenos associados à transmissão de
mensagens entre produtor e receptor, analisando todas suas características e nuances.
Afirma Gonzalez:
os estudos têm demonstrado que ao se discutir EAD, os principais
obstáculos se encontram não propriamente nas tecnologias e suas
aplicações, mas principalmente no estabelecimento de estratégias de
interação, voltados às relações interpessoais de uma cultura interna nas
instituições escolares, pois o ensino é essencialmente uma ação
humana, na qual as pessoas atuam como professores, tutores e
estudantes, inclusive com revezamento constante nestes papéis (2005,
p 55).
Percebemos que a EAD se tornou um tema de grande destaque nos recursos
humanos. O processo completo de aprendizagem requer uma comunicação de mão
31
dupla, isto é, não basta que o professor possa alcançar seus alunos através de livros e
multimídias. Para que a aprendizagem obtenha os resultados desejados, é necessário
que o aluno também possa se comunicar com o tutor, este tem um grande leque de
opções metodológicas, de possibilidades de organizar sua comunicação com os alunos,
de introduzir um tema, de trabalhar com os alunos presencial e virtualmente, de avaliálos.
Cada tutor pode encontrar sua forma mais adequada de integrar as várias
tecnologias e procedimentos metodológicos, mas também é importante que amplie, que
aprenda a dominar as formas de comunicação interpessoal/grupal e as de comunicação
audiovisual/telemática.
2.1 O papel do tutor em equipes de EAD
Kenski (2001, p 101) nos diz que as principais formas de ensinar exigem forte
aproximação e presença, tanto do formador quanto do aluno, mas isso não significa
interação entre eles. O aluno deve aprender pela observação e o formador encarnar o
conhecimento a ser aprendido. A fusão entre a pessoa que ensina e o conhecimento,
cria um elo de respeito e atenção ao que o formador dizia e fazia. Mesmo o formador
tendo domínio do conhecimento, ele ensina por meio de perguntas sucessivas aos
alunos.
A ligação aluno-professor ainda é, no imaginário pedagógico, uma dominante, o
que torna a tutoria um ponto-chave em um sistema de ensino a distância (Maia, 1998,
apud Niskier, 1999).
A tutoria como método nasceu no século XV na universidade, onde foi usada
como orientação de caráter religioso aos estudantes, com o objetivo de infundir a fé e a
conduta moral. Posteriormente, no século XX, o tutor assumiu o papel de orientador e
32
acompanhante dos trabalhos acadêmicos, e é com este mesmo sentido que incorporou
aos atuais programas de educação a distância (Sá, 1998, p. 24).
A idéia de guia é a que aparece com maior força na definição da tarefa do tutor.
Podemos definir tutor como o “guia, protetor ou defensor de alguém em qualquer
aspecto”, enquanto o professor é alguém que “ensina qualquer coisa” (Litwin, 2001). A
palavra professor procede da palavra “professore”, que significa “aquele que ensina ou
professa um saber” (Alves; Nova, 2003).
Na perspectiva tradicional da educação a distância, era comum sustentar a idéia
de que o tutor dirigia, orientava, apoiava a aprendizagem dos alunos, mas não
ensinava. Assumiu-se a noção de que eram os materiais que ensinavam e o lugar do
tutor passou a ser o de um “acompanhante” funcional para o sistema. O lugar do ensino
assim definido ficava a cargo dos materiais, “pacotes” auto-suficientes seqüenciados e
pautados, que finalizava com uma avaliação semelhante em sua concepção de ensino
(Litwin, 2001, p. 65).
Pensava-se desta forma quando “ensinar” era sinônimo de transmitir
informações, ou de estimular o aparecimento de determinadas condutas. Nesse
contexto, a tarefa do tutor consistia em assegurar o cumprimento dos objetivos,
servindo de apoio ao programa (Litwin, 2001, p. 67).
Edith Litwin (2001, p. 68) destaca ainda que quem é um bom docente será
também um bom tutor. Um bom docente “cria propostas de atividades para a reflexão,
apóia sua resolução, sugere fontes de informação alternativas, oferece explicações,
facilita os processos de compreensão; isto é, guia, orienta, apóia, e nisso consiste o seu
ensino”. Da mesma forma, o bom tutor deve promover a realização de atividades e
apoiar sua resolução, e não apenas mostrar a resposta correta; oferecer novas fontes
de informação e favorecer sua compreensão. “Guiar, orientar, apoiar” devem se referir à
33
promoção de uma compreensão profunda, e estes atos são responsabilidade tanto do
docente no ambiente presencial como do tutor na modalidade a distância.
De maneira geral, os conhecimentos necessários ao tutor não são diferentes dos
que precisa ter um bom docente. Este necessita entender a estrutura do assunto que
ensina, os princípios da sua organização conceitual e os princípios das novas idéias
produtoras de conhecimento na área. Sua formação teórica sobre o âmbito pedagógicodidático deverá ser atualizada com a formação na prática dos espaços tutoriais.
A diferença entre o docente e o tutor é institucional, que leva a conseqüências
pedagógicas importantes. As intervenções do tutor na educação a distância,
demarcadas em um quadro institucional diferente distinguem-se em função de três
dimensões de análise (Litwin, 2001, p. 70), conforme está na seqüência.
•
Tempo – o tutor deverá ter a habilidade de aproveitar bem seu tempo, sempre
escasso. Ao contrário do docente, o tutor não sabe se o aluno assistirá à próxima
tutoria ou se voltará a entrar em contato para consultá-lo; por esse motivo
aumentam o compromisso e o risco da sua tarefa.
•
Oportunidade – em uma situação presencial, o docente sabe que o aluno
retornará; que caso este não encontre uma resposta que o satisfaça, perguntará
de novo ao docente ou a seus colegas. Entretanto, o tutor não tem essa certeza.
Tem de oferecer a resposta específica quando tem a oportunidade de fazer isso,
porque não sabe se voltará a ter.
•
Risco – aparece como conseqüência de privilegiar a dimensão tempo e de não
aproveitar as oportunidades. O risco consiste em permitir que os alunos sigam
com uma compreensão parcial, que pode se converter em uma construção
errônea sem que o tutor tenha a oportunidade de adverti-lo. “O tutor deve
aproveitar a oportunidade para o aprofundamento do tema e promover processos
de reconstrução, começando por assinalar uma contradição”.
34
Podemos redefinir o papel do professor: “mais do que ensinar trata-se de fazer
aprender (...), concentrando-se na criação, na gestão e na regulação das situações de
aprendizagem” (Perrenoud, 2000). O professor-tutor atua como mediador, facilitador,
incentivador, investigador do conhecimento, da própria prática e da aprendizagem
individual e grupal (Almeida, 2001).
O novo papel do professor-tutor precisa ser repensado para que não se
reproduzam nos atuais ambientes de educação a distância concepções tradicionais das
figuras do professor/aluno. Pierre Lévy faz uma reflexão sobre interação, novas
linguagens e instrumentos de mediação.
É preciso superar a postura ainda existente do professor transmissor de
conhecimentos. Passando, sim, a ser aquele que imprime a direção que
leva à apropriação do conhecimento que se dá na interação. Interação
entre aluno/aluno e aluno/professor, valorizando-se o trabalho de
parceria cognitiva;...elaborando-se situações pedagógicas onde as
diversas linguagens estejam presentes. As linguagens são, na verdade,
o instrumento fundamental de mediação, as ferramentas reguladoras da
própria atividade e do pensamento dos sujeitos envolvidos (2000, p.
201).
O papel do professor como repassador de informações deu lugar a um agente
organizador, dinamizador e orientador da construção do conhecimento do aluno e até
da sua auto-aprendizagem. Sua importância é potencializada e sua responsabilidade
social aumentada. “Seu lugar de saber seria o do saber humano e não o do saber
informações” (Alves; Nova, 2003, p. 19), sendo a comunicação mais importante do que
a informação. Sua função não é passar conteúdo, mas orientar a construção do
conhecimento pelo aluno.
Para Arnaldo Niskier (1999, p. 96), o tutor a distância reúne as qualidades de um
planejador, pedagogo, comunicador, e técnico de informática. Participa na produção
dos materiais, seleciona os meios mais adequados para sua multiplicação, e mantém
uma avaliação permanente a fim de aperfeiçoar o próprio sistema. Nesta modalidade de
35
ensino, o educador tenta prever as possíveis dificuldades, buscando se antecipar aos
alunos na sua solução. O professor-tutor de EAD deve ser valorizado, pois sua
responsabilidade, além de ser maior por atingir um número infinitamente mais elevado
de alunos, torna-o mais vulnerável a críticas e a contestações em face dos materiais e
atividades que elabora. Conforme Niskier (1999, p. 98), o papel do tutor é:
•
Comentar os trabalhos realizados pelos alunos;
•
Corrigir as avaliações dos estudantes;
•
Ajudá-los a compreender os materiais do curso através das discussões e
explicações;
•
Responder às questões sobre a instituição;
•
Ajudar os alunos a planejarem seus trabalhos;
•
Organizar círculos de estudo;
•
Fornecer informações por telefone, fac-símile e e-mail;
•
Supervisionar trabalhos práticos e projetos;
•
Atualizar informações sobre o progresso dos estudantes;
•
Fornecer feedback aos coordenadores sobre os materiais dos cursos e as
dificuldades dos estudantes;
•
Servir de intermediário entre a instituição e os alunos.
A tutoria é necessária para orientar, dirigir e supervisionar o ensinoaprendizagem. Ao estabelecer o contato com o aluno, o tutor complementa sua tarefa
docente transmitida através do material didático, dos grupos de discussão, listas,
correio-eletrônico, chats e de outros mecanismos de comunicação. Assim, torna-se
possível traçar um perfil completo do aluno: por via do trabalho que ele desenvolve, do
seu interesse pelo curso e da aplicação do conhecimento pós-curso. O apoio tutorial
realiza, portanto, a intercomunicação dos elementos (professor-tutor-aluno) que
intervêm no sistema e os reúne em uma função tríplice: orientação, docência e
avaliação.
36
Para que essa relação aconteça de forma equilibrada, se fazem necessárias as
boas relações interpessoais de todos que fazem a equipe de EAD. Supor que o
ambiente de trabalho também deve influir no comportamento das pessoas e, por
conseguinte influenciar nas relações interpessoais e supostamente nos resultados em
todos os sentidos, é acreditar na importância das relações interpessoais.
2.2 – Importância das relações interpessoais do tutor
“Exige-se mais do tutor de que de cem professores convencionais” (Sá, 1998, p.
58), pois este necessita ter uma excelente formação acadêmica e pessoal. Na formação
acadêmica, pressupõem-se capacidade intelectual e domínio da matéria, destacandose as técnicas metodológicas e didáticas. Além disso, deve conhecer com profundidade
os assuntos relacionados com a matéria e área profissional em foco. A habilidade para
planejar, acompanhar e avaliar atividades, bem como motivar o aluno para o estudo,
também são relevantes. Na formação pessoal, deve ser capaz de lidar com o
heterogêneo quadro de alunos e ser possuidor de atributos psicológicos e éticos:
maturidade emocional, empatia com os alunos, habilidade de mediar questões,
liderança, cordialidade e, especialmente, a capacidade de ouvir.
Segundo o Livro Verde (SocInfo, 2000, p. 45), para que o ensino a distância
alcance o potencial de vantagem que pode oferecer, é preciso investir no
aperfeiçoamento do tutor e, sobretudo, regulamentar a atividade, além de definir e
acompanhar indicadores de qualidade (Alves; Nova, 2003).
Pensar em novos modelos de educação a distância implica em pensar também
sobre os papéis dos principais sujeitos do processo de aprender e ensinar: alunos e
professores. (Alves; Nova, 2003).
37
Mauri Collins e Zane Berge (1996, apud Palloff; Pratt, 2002) classificaram as
várias tarefas e papéis exigidos do professor online em quatro áreas: pedagógica,
gerencial, técnica e social.
•
Função pedagógica - diz respeito ao fomento de um ambiente social amigável,
essencial à aprendizagem online. O papel do professor em qualquer ambiente
educacional é o de garantir que o processo educativo ocorra entre os alunos. No
ambiente online, o professor torna-se um facilitador. Ele conduz o grupo de
maneira mais livre, permitindo aos alunos explorar o material do curso, ou a ele
relacionados, sem restrição. O docente pode trazer assuntos gerais para serem
lidos e comentados, além de fazer perguntas visando a estimular o pensamento
crítico sobre o assunto discutido. É importante que o professor comente
adequadamente as mensagens dos alunos, as quais servirão para estimular
debates posteriores. (Nesse contexto, o professor atua como animador, tentando
motivar seus alunos a explorarem o material mais profundamente do que o
fariam na sala de aula presencial) .
•
Função gerencial - envolve normas referentes ao agendamento do curso, ao
seu ritmo, aos objetivos traçados, à elaboração de regras e à tomada de
decisões. O professor de um curso online é também seu administrador. Ele é
responsável por enviar um programa para o curso com as tarefas a realizar e as
diretrizes iniciais para discussão e adaptação.
•
Função técnica - depende do domínio técnico do professor, sendo então capaz
de transmitir tal domínio da tecnologia aos seus alunos. Os professores devem
conhecer bem a tecnologia que usam para atuar como facilitadores do curso.
38
•
Função social - significa facilitação educacional. O professor é
responsável por facilitar e dar espaço aos aspectos pessoais e sociais da comunidade
online.
Collins e Berge (1996, apud Palloff; Pratt, 2002), referem-se a essa função como
“estímulo às relações humanas, com a afirmação e o reconhecimento da contribuição
dos alunos; isso inclui manter o grupo unido, ajudar de diferentes formas os
participantes a trabalharem juntos por uma causa comum e oferecer aos alunos a
possibilidade de desenvolver sua compreensão da coesão do grupo”. Esses elementos
são a essência dos princípios necessários para construir e manter a comunidade virtual.
Para dar um sentido de comunidade ao grupo, o tutor poderá usar algumas estratégias,
como, por exemplo: iniciar seus cursos pelas apresentações dos alunos, para que todos
se conheçam. Dessa forma, cria-se uma atmosfera confiante e aberta, tornando real o
fato de que o grupo é composto por pessoas, com sua própria experiência de vida e
saberes. Outra estratégia utilizada é a de elaborar previamente uma atividade em
grupo, com simulações ou projetos, criando a sensação de trabalho em equipe.
Palloff (2002, p. 63) recomenda como estratégia para convergir às relações
interpessoais entre tutores é necessário a criação um espaço comunitário no site dos
cursos para que todos, tutores e alunos, possam relaxar e conversar. Este é o espaço
para o diálogo ou discussão de assuntos sobre o material designado para o curso. É
um local independente e sagrado, cuja finalidade é que os participantes se conheçam
melhor e o trabalho em grupo seja mais confortável.
Quando observamos que o elemento humano sempre surge quando seres
humanos interagem eletronicamente, que quando atuamos juntos, contamos sobre
nossas vidas, viagens, emoções – é um esforço feito por todos para tornar o grupo
coeso e para manter a conexão mútua. É essencial que o grupo online desenvolva uma
atitude de confiança, fundamental para a qualidade da aprendizagem na sala de aula
online, conclue Palloff.
39
Conforme Litwin (2001, p. 33), os programas de educação a distância privilegiam
o desenvolvimento de materiais para o ensino em detrimento da orientação aos alunos,
das tutorias, das propostas de avaliação ou da criação de comunidades de
aprendizagem e os materiais de ensino se convertem em portadores da proposta
pedagógica da instituição.
Esse material se torna objeto de reflexão e análise no âmbito da tutoria. É
necessário que exista coerência entre a atuação do tutor e os objetivos da proposta. A
falta de coerência pode significar um dos problemas mais sérios que pode enfrentar um
programa dessa modalidade. O tutor pode mudar o sentido da proposta pedagógica
pela qual foram concebidos o projeto, o programa ou os materiais de ensino. Sua
intervenção poderá melhorar a proposta, agregando-lhe valor. Se o tutor tiver formação
adequada estará apto a entender, melhorar, enriquecer e aprofundar a proposta
pedagógica oferecida pelos materiais de ensino no âmbito de um determinado projeto
(Litwin, 2001).
A tutoria é o método mais utilizado para efetivar a interação pedagógica, e é de
grande importância na avaliação do sistema de ensino a distância. Os tutores
comunicam-se com seus alunos por meio de encontros programados durante o
planejamento do curso. O contato com o aluno começa pelo conhecimento da estrutura
do curso, e é preciso que seja realizado com freqüência, de forma rápida e eficaz. A
eficiência de suas orientações, da interação e direcionamento das relações
interpessoais, pode resolver o problema de evasão no decorrer do processo.
40
Capítulo III - Gestão de equipes
Desenvolver equipes eficazes, criar o verdadeiro espírito de equipe, motivar
grupo de trabalho para o alcance de metas e resultados, administrar mudanças e
situações de stress na equipe, aplicar e receber feedbacks de forma adequada,
aprimorar a comunicação entre os membros da equipe, integrar pessoas e harmonizar
o ambiente profissional para aumentar a produtividade, contribuir com a criatividade e
inovação no trabalho e melhorar a qualidade dos produtos e serviços, são os grandes
objetivos para a gestão de equipes. Atualmente um dos maiores desafios vividos na
gestão de equipes é encontrar uma solução para a desmotivação, a falta de metas e a
necessidade de adaptação contínua em um mundo que muda 365 dias por ano.
Pasello (2006) no site www.institutojetro.com.br nos diz que, atuar em um
mesmo ambiente não transforma automaticamente um grupo de pessoas em uma
equipe. Trabalhar em equipe significa interagir, comunicar, ouvir, responder, reconhecer
limites, valorizar diferenças e intercambiar papéis. As equipes não nascem do acaso,
elas não acontecem de repente. Equipes são desenvolvidas, evoluem por estágios,
necessitam de comando específico e são influenciadas pelo ambiente, pelo próprio
grupo e pelos indivíduos.
Complementa Pasello (2006) talvez o fato da palavra equipe estar associada a
esportes coletivos seja um dos motivos pelos quais nos sentimos tão atraídos por ela.
Estas modalidades esportivas exigem, pela sua dinâmica, a coordenação das ações de
duas ou mais pessoas para a ação esperada. Assim, o trabalho em equipe remete a
metas, objetivos, disciplina, união e, claro, vitórias. Aliado a isso há o fato de que existe
um anseio natural do homem em pertencer a um grupo. Fazer parte de uma equipe é
pertencer a um grupo e isso parece ser algo muito motivador e reconfortante.
41
Paulo Chebel (2007) afirma que o mundo corporativo vive hoje uma ilusão sobre
o gerenciamento de equipes. O chamado trabalho em equipe não passa de um mero
aglomerado de pessoas trabalhando juntas, fisicamente ou não, realizando suas
funções departamentais exigidas pelo emprego. O termo gestor, palavra de tanto
glamour, ganhou novas características, ou seja, de apenas realizar avaliações anuais,
organizar férias, cobrar assiduidade e desempenho.
Prossegue Chebel (2007) que grande parte das instituições ainda trabalham em
silos departamentais onde cada gestor de área é responsável pelas suas funções e
olham somente para um pequeno pedaço da cadeia produtiva de produtos ou serviços.
Quando a área ou departamento tem um bom desempenho denominam isso,
erroneamente, de 'trabalho em equipe'.
Para
começarmos
a
montar
esse
quebra-cabeça
de
forma
correta,
primeiramente temos que olhar o que é de fato trabalho em equipe, assim afirma
Chebel (2007). Para que um grupo chegue a ser realmente uma equipe é necessário
passar por quatro etapas Uma equipe se distingue de um grupo pela sua forma de
pensar. Se existe um problema a ser resolvido o 'grupo' trabalha fisicamente em
conjunto, mas cada um cria a sua linha de raciocínio e tenta defendê-la. Do outro lado
vemos uma equipe que ao tentar resolver o mesmo problema, gera idéias
independentes a princípio que são complementadas pelo ponto de vista dos outros
participantes até que uma linha de raciocínio única seja construída.
Para que um grupo chegue a ser realmente uma equipe é necessário passar por
quatro etapas: no primeiro momento a equipe trabalha em um ambiente onde existe
rivalidade e diferenças; depois passa pela fase de entendimento dos valores e
diferenças; em seguida pelo período de aceitação destas diferenças pessoais e uso
desta diversidade para complementar as deficiências de cada um; e por fim chega-se a
fase de sinergia do grupo, onde todos aceitam as diferenças individuais e sabem utilizá-
42
las para atingir os objetivos apresentados - sempre complementando as idéias em
discussão.
Neste conceito de gestão de equipe é preciso entender as características
pessoais de cada integrante da equipe (valores, expectativas, desejos, habilidades,
conhecimentos, atitude etc.) e saber realizar avaliações dos participantes e do líder da
equipe. Esta análise deve ser de forma clara e transparente, consultando todos os
envolvidos da equipe para obter um balanço geral sobre o relacionamento interno.
Um grande desafio para o gestor de equipes é o fato de ter que influenciar e não
mandar, pois os participantes da equipe são seus pares na organização e é neste
momento que as habilidades do gestor serão colocadas à prova: liderar sem autoridade
funcional. O segredo está no conhecimento das características individuais (dele e dos
participantes), relacionamento com cada integrante da equipe e entendimento do
contexto (benefícios e exposição).
3.1 Estratégias de gestão
No global, a gestão estratégica é uma temática interligada a várias áreas da
gestão e indispensável para uma organização. O trabalho em equipe remete a metas,
objetivos, disciplina, união e, claro, vitórias. Aliado a isso há o fato de que existe um
anseio natural do homem em pertencer a um grupo. Fazer parte de uma equipe é
pertencer a um grupo e isso parece ser algo muito motivador e reconfortante.
Um grupo de excelentes indivíduos juntos não necessariamente significa que
uma equipe foi construída. Equipes são muito diferentes de grupos e a forma de
comandá-las também. Sabemos que o “estrelismo”, a falta de clareza nos papéis e a
competição interpessoal são fatais para a sobrevivência de uma equipe. Com isso,
obviamente, os resultados ficam comprometidos.
43
Pasello (2006)
Para entender o que é equipe parece ser importante entender
primeiramente o que não é equipe. Uma equipe eficaz parece ser o
último estágio de uma evolução que começa com uma reunião de
pessoas. Primeiramente temos pessoas reunidas por um objetivo maior,
uma convocação, uma imposição, enfim, por um motivo. Uma reunião de
pessoas podem se transformar em um grupo de trabalho ou em uma
equipe.
Continua a autora afirmando que, o foco de um grupo de trabalho é bem
diferente de uma equipe. Enquanto no grupo o foco é sempre nas metas e
responsabilidades individuais, na equipe temos pessoas comprometidas com um
propósito comum e com um conjunto de metas pelas quais todos os componentes se
sentem mutuamente responsáveis. O produto do trabalho ou o resultado do esforço é
sempre individual no caso de grupos de trabalho. Já as equipes geram produtos de
trabalho coletivo.
Gasalla (2007), em artigo publicado no site www.administradores.com.br, os
grupos necessitam de comando do tipo gerência já que para serem efetivos demandam
uma chefia forte e claramente focada. Já as equipes combinam mais com um comando
do tipo liderança, alguém que fará o papel de um facilitador do trabalho da equipe e
coordenará a partilha dos papéis de liderança desempenhados pelos componentes.
Gerenciar significa trabalhar com e através de outros, para alcançar metas que
geralmente são as metas maiores da organização. Já liderança, neste contexto,
significa influenciar o comportamento de um indivíduo ou de um grupo. Enquanto os
grupos e seus gerentes são mais focados em sistemas, estruturas, manutenção e
controle, as equipes e seus líderes focam em inovação, progresso, pessoas e
comprometimento. Liderar tem mais a ver com atitude do que com habilidades e esta
diferença é muito clara quando se comparam equipes com grupos de trabalho.
44
É importante defender o conceito de equipe a todo custo e a todo tempo. Os
grupos de trabalho são importantes, especialmente na manutenção dos processos
organizacionais. Estes processos, que são fluxos de trabalho contínuos, dependem dos
sistemas, estruturas, manutenção e controle já citados.
Gasalla (2007), assegura que o trabalho em equipe é reconhecido como um
poderoso instrumento para o ganho de performance das organizações. Por conta disso,
ultimamente, muito se tem falado sobre como formar equipes produtivas, como tornar
mais fluida a comunicação entre as pessoas, como favorecer a integração no ambiente
de trabalho, etc. Pouco se fala, porém, de um aspecto fundamental para a eficiência
das equipes: a confiança.
Se não parece difícil assimilar a idéia de que confiança é fundamental para o
trabalho em equipe, o mesmo já não se pode dizer sobre pôr essa idéia em prática.
Confiar implica colocar-se em situação de vulnerabilidade perante aquele em quem se
confia, acreditando em suas boas intenções e que ele fará a coisa certa.
Contudo, Gasalla (2007) diz que por uma questão emocional e autopreservação,
as pessoas não saem confiando abertamente em todos que cruzam seu caminho; longe
disso, têm critérios muito pessoais e subjetivos, desenvolvidos ao longo da vida, que as
levam a decidir confiar ou não. Some-se a isso o fato de que o ambiente empresarial é
competitivo, refletindo a realidade do mercado de trabalho e do próprio mundo em que
vivemos, e constatamos o quanto a questão é complexa.
Segundo o site artigo publicado no site www.administradores.com.br, a ideia de
fomentar a confiança entre os membros de uma equipe é uma das estratégias que gera
certa disposição em confiar no trabalho do outro, mas poderíamos dizer que todas são
propensas a isso, desde que reconheça no outro certos comportamentos que o
qualificam como um indivíduo confiável. Trata-se, portanto, de valorizar e estimular a
adoção desses comportamentos, que são:
45
Competência - Conjunto de habilidades, talentos e características que permitem à
pessoa ter influência em determinado campo de atuação
Transparência - A atitude de dizer a verdade e colocar sinceramente as expectativas
que se tem em relação ao outro.
Cumprimento das metas - Trata-se de realizar o que se prometeu ou comprometeu a
fazer. Consistência - É a característica da pessoa cujas atitudes estão alinhadas com
um histórico de condutas passadas.
Comprometimento - Uma pessoa comprometida atua com auto-responsabilidade,
seriedade e empenho em atingir os resultados esperados.
Coerência - Coerente é a pessoa que faz aquilo que prega que considera bom para os
outros o que considera bom para si mesma.
Cumplicidade - Trata-se de criar algo em comum com o outro, uma relação de parceria
e lealdade na qual os objetivos e motivos estão implícitos.
Tais estratégias predispõem as pessoas a abrir-se para ouvir e compreender o
outro, o que lhes permite criar canais de comunicação, avaliar suas capacidades e
assumir uma postura que favorece relacionamentos baseados no ganha-ganha. É por
meio dessas atitudes que se consolida a cooperação, sustentada na crença de que
ninguém atinge um objetivo sozinho e, sim, que todos os membros da equipe o atingem
juntos. Constituem-se, assim, equipes caracterizadas pela coesão e pela fluidez dos
processos internos, o que sem dúvida tem um impacto sobre seus resultados - não só
os relacionados ao trabalho, como produtividade e rendimento, mas também os de
caráter psicossocial, tais como motivação, bem-estar e satisfação.
46
3.2 Estratégias de Gestão em equipes de EAD
Silva (2008) em artigo publicado no site www.senacead.com.br, afirma que na
educação presencial, convencional, tradicional, o processo de ensino e aprendizagem é
de responsabilidade dos professores, que são os organizadores e decisores pela
elaboração e construção dos planos de ensino e de aulas, enquanto que na modalidade
a distância essa responsabilidade é das instituições, que organizam as equipes
multidisciplinares para definirem suas propostas pedagógicas de acordo com sua
filosofia, missão, pressupostos didáticos pedagógicos vigentes amparados nos
referenciais científicos e na tecnologia atendendo a legislação vigente, necessidade
social e educacional devidamente contextualizada. Cabe ainda a instituição o resguardo
no atendimento ao alunado/cliente de tal forma que o processo de mediação e
interação se processe eficazmente entre alunos/professores e alunos/alunos, sob pena
da aprendizagem não se efetivar.
Dessa forma, a EAD tem como desafio superar as distâncias, a sua relação
espaço físico e temporal, mas apóiam-se fundamentalmente nos meios de
comunicação e na tecnologia para construir a aprendizagem de forma, individual e
coletiva ao mesmo tempo em que socializa e democratiza a educação. Dá
oportunidades
infinitas
a
diferentes
grupos
populacionais
ao
mesmo
tempo
proporcionando o progresso do homem e da sociedade. Em comparação ao ensino
presencial há necessidade de uma reordenação do processo educativo desde o
planejamento, a execução, o acompanhamento e avaliação.
Esta
construção
pressupõe
momentos
diferenciados
onde
especialistas
congregam seus esforços no sentido de “harmonizarem” as temáticas e assuntos a
serem abordados, em seqüência lógica, ou não, para cativarem e estimularem os
alunos de diferentes e variadas formas. Os órgãos educacionais preocupam-se com
esta modalidade de educação e traçaram, “as bases legais para a modalidade de
47
educação a distância sendo estabelecidas pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (Lei n.º 9.394, de 20 de dezembro de 1996).
Silva 2008,
A preocupação estende-se não só aos aspectos físicos, titulação dos
docentes, condições do suporte tecnológico, mas também à qualidade
no atendimento a processos e produtos, por isso o “Ministério da
Educação estabelece Referenciais de Qualidade de EAD para a
autorização de cursos de graduação e pós-graduação a distância. Seu
objetivo é orientar alunos, professores, técnicos e gestores de
instituições de ensino superior que podem usufruir dessa forma de
educação ainda pouco explorada no Brasil e empenhar-se por maior
qualidade em seus cursos. “
Os indicadores sugeridos não têm força de lei, mas servirão para orientar as
Instituições e as Comissões de Especialistas que forem analisar projetos de cursos de
graduação a distância. “Além desses aspectos, a Instituição proponente poderá
acrescentar outros mais específicos e que atendam a particularidades de sua
organização e necessidades sócio-culturais de sua clientela, cidade, região.”
(Referenciais de Qualidade da Educação a Distância/MEC).
Diante dessas referenciais do MEC, citamos os itens básicos que devem
merecer a atenção das instituições que preparam seus programas de graduação a
distância:
1. Integração com políticas, diretrizes e padrões de qualidade definidos para o
ensino superior como um todo e para o curso específico;
2. Desenho do projeto: a identidade da educação a distância;
3. Equipe profissional multidisciplinar;
48
4. Comunicação/interatividade entre professor e aluno;
5. Qualidade dos recursos educacionais;
6. Infra-estrutura de apoio;
7. Avaliação de qualidade contínua e abrangente;
8. Convênios e parcerias;
9. Edital e informações sobre o curso de graduação a distância;
10. Custos de implementação e manutenção da graduação a distância. “Além
desses aspectos, a Instituição proponente poderá acrescentar outros mais específicos e
que atendam a particularidades de sua organização e necessidades sócio-culturais de
sua clientela, cidade, região.”
Para atender a esses requisitos técnicos, didáticos e legais, o MEC se faz
necessário o concurso de uma Equipe de Educação a Distância formada por
especialistas, das mais diferentes áreas para participarem desde o planejamento até a
conclusão do curso. Podemos destacar como imprescindíveis nesta Equipe: Diretor,
Coordenador Pedagógico, Pedagogo, Especialistas na área específica, Webdesigners,
Analista de Sistemas, Secretário, Coordenador Administrativo – Financeiro, Especialista
em Marketing, Atendente e Professores/Tutores amparados pelo equipamento
tecnológico adequado. Estes especialistas formam um sistema de EAD com diferentes
funções, como: administração, coordenação pedagógica, planejamento, marketing,
organização de conteúdos, construção de textos e hipertextos, atividades, estudos de
casos, elaboração de instrumentos de avaliação, revisão de bibliografias, modelagem
de páginas e de curso, produção visual, diagramação e ilustração, definição de formas
de comunicação, materiais didáticos e de apoio, impressos, CDs, inscrição, matrícula,
financeiro, registros de escrituração escolar, certificação, acompanhamento e avaliação,
49
entre outras.
Cada um destes especialistas com atribuições definidas são conhecedores das
demais atividades desenvolvidas pela Equipe Multidisciplinar. Neste cenário podemos
vislumbrar que, seriedade de propósitos, responsabilidade, capacidade técnica e
comprometimento de gestores e professores, na oferta de cursos/disciplinas na
modalidade a distância são necessárias para que esta educação seja de qualidade.
Diferentes momentos, administrativos, técnicos e pedagógicos desde a
construção de textos, definições de imagens, diferentes propostas didáticas e jogos
pedagógicos, que abastecem os webdesigners na estruturação e modelagens do curso
(Designer Instrucional), duração de cada unidade, módulo ou bloco de estudos,
atividades avaliativas e apoio administrativo como folha de pagamentos, férias de
servidores, calendários escolares, inscrições, matriculas e outras, antes da divulgação
do mesmo.
Percebemos em todos os momentos que subjacentes a esta estrutura de equipe
multidisciplinar deve estar presente a preocupação com a gestão propriamente dita
onde a gestão empresarial financeira esteja intimamente ligada com a gestão de
pessoas. Esta gestão estará preocupada com um aumento na flexibilidade e agilidade
dos processos internos que compreende a minimização de retrabalho, mas garantindo
a qualidade. Também não pode descuidar-se da proatividade, do fomento de
construção da inovação e do conhecimento formando o capital intelectual, bem como
da harmonia e bem estar da mesma. Nesta proposta propicia-se a interface de trabalho
entre as diferentes equipes de trabalho, pois se acredita que:
Para Kerzner. 2006. Artmed. 2006) o trabalho de gestão deve estar organizado
ao longo dos vários grupo funcionais que trabalham em interação permanente. Isto
permite uma melhoria na coordenação e comunicação entre os colaboradores e
gerentes/direção. Estas funções devem estar integradas e em sintonia, construídas de
50
forma participativa considerando que o trabalho de cada colaborador depende das
atividades e comprometimento dos demais.
Este trabalho conjunto deve disseminar sobre a capacitação dos docentes para
atingir o alunado verificando-se o processo de mudança de atitudes e de competências,
individual e coletiva. Na gestão de EAD baseamo-nos em Stephen Covey, mas
acrescentamos detalhamentos que demonstram nossa forma de pensar e agir, e
apontarmos como desafios:
1- Liderança;
2- Disposição para enfrentar mudanças;
3- Valorização do trabalho em equipe;
4- Comprometimento da equipe;
5- Aceitar feedback e críticas;
6- Plano estratégico, metas e prazos;
7- Remover barreiras;
8- Espírito empreendedor e proatividade.
Enfatiza Silva 2008, que estes desafios são preocupações constantes do gestor
e ele deve influenciar o grupo a amiúde estimulá-los a: estarem prontos para a
mudança; acreditarem em seu potencial e no da equipe; acreditarem no grupo como
potenciais colaboradores (cooperação/positividade); a comprometerem-se com a
equipe acreditando que sem assessoramento e acompanhamento a tendência é a
desmotivação e a acomodação; a proporcionar um ambiente de harmonia e de
comprometimento.
Desta forma possibilitará a criação de condições para que a inovação aconteça atualização constante em clima tranqüilo e bem organizado onde haja oportunidade de
51
surgimento de novas ações e políticas organizacionais, sendo as mesmas
apresentadas à todos os colaboradores.
Proporcionar o conhecimento da missão, visão e valores institucionais, sendo os
mesmos colocados em ação por todos. Implícito está que o líder deve acompanhar
sistematicamente o “fazer administrativo” para que a filosofia da instituição seja
resguardada, mas que também seja reabastecida de novos procedimentos operacionais
que canalizem os esforços do grupo em direção ao crescimento e desenvolvimento
organizacional.
A busca de sinergia nada mais é do que buscar interação. E ninguém melhor do
que o líder para propor que o pensamento seja um só, ou seja, que o todo é maior do
que a soma das partes. De todos os hábitos, identificados por Covey, esse é o que
mais depende dos outros para realmente se concretizar. Ao se habituar a trabalhar em
equipe, criar em conjunto e desenvolver-se de maneira uniforme com quem interage, o
ser humano realmente alcança a sinergia necessária para fazer qualquer engrenagem
funcionar, uma metáfora que pode ser usada para qualquer tipo ou tamanho de
empresa.
Avaliar resultados participativamente, profissionalismo, comprometimento, buscar
parcerias, solidariedade, trabalhar com ética, transparências nas relações, respeito e
paciência tornam as pessoas comprometidas e geram entusiasmo e aprendizado. Esta
forma de gestão compromete os colaboradores com o desenvolvimento social,
“estimula a solidariedade, sentimento de justiça, a sensação de pertencimento a uma
sociedade fraterna e harmônica”. Nucci, Celso (Revista ESPM). Nesta busca de gestão
compartilhada o ambiente de trabalho será acolhedor onde se respeitam às diferenças
e se trabalha com afinco e felizes.
52
3.3 Relações interpessoais como estratégia para gestão de equipe
Relações interpessoais são todos os contatos entre pessoas. Nesse âmbito
encontra-se um infindável número de variáveis como: sujeitos, circunstâncias, espaços,
local, cultura, desenvolvimento tecnológico, educação e época.
As relações interpessoais ocorrem em todos os meios, no meio familiar,
educacional, social, institucional, profissional; e estão ligadas aos resultados finais de
harmonia, avanço, e progressos ou na estagnação.
Na educação seja modalidade presencial ou à distância, é imprescindível saber
explorar positivamente a interação em qualquer ambiente que seja, de tal forma que
nasça a aceitação, o desprendimento e o acolhimento.
Para que ocorram boas relações interpessoais como estratégia para gestão de
equipe, é preciso primeiramente, relacionar-se, é dar e receber ao mesmo tempo, é
abrir-se para o novo.
Por mais simples que sejam as necessidades de ambos, seja um momento de
atenção ou um simples aperto de mão, ou mesmo uma aproximação virtual, estará
estabelecido um contato interpessoal.
Na relação interpessoal entre professor e alunos se dá a construção de vínculos
com a aprendizagem, um dos aspectos fundamentais a serem considerados.
Determinadas estratégias a partir de um tipo negativo de relações interpessoais
com qualquer membro da equipe, pode gerar em toda a equipe uma aversão ao
trabalho, como também, relações interpessoais positivas podem alterar a aversão,
fazendo que os membros da equipe passem a “gostar” e interessar pelo trabalho
desenvolvido, pelas pessoas. Assim, a escolha de estratégia para gestão de equipes
53
pode estabelecer um vínculo favorável ou desfavorável para um determinado
conhecimento, pela relação interpessoal que estabelece.
Alguns fatores são determinantes para que o ambiente de trabalho possa influir
ou não nos relacionamentos interpessoais:
Motivação ou não, causada pelo ambiente de trabalho.
Segundo Chiavenato (2000, p.161) afirma que a motivação se refere ao
comportamento que é causado por necessidades dentro do indivíduo e que é dirigido
em direção aos objetivos que possam satisfazer essas necessidades.
Também segundo Chiavenato (2000, p. 128) o homem é considerado um animal
dotado de necessidades que se alternam ou se sucedem conjunta ou isoladamente.
Satisfeita uma necessidade surge outra em seu lugar e, assim por diante, contínua e
infinitamente. As necessidades motivam o comportamento humano dando-lhe direção e
conteúdo.
Como se pode verificar supõe-se que os relacionamentos interpessoais
dependerão das realizações e satisfações das necessidades individuais, mas também
se pode verificar que muitas vezes os homens se comportam de forma dualista.
Segundo Chiavenato (2000, p. 128)
O homem se caracteriza por um padrão dual de comportamento: tanto
pode cooperar como pode competir com os outros. Coopera quando os
seus objetivos individuais somente podem ser alcançados através do
esforço comum coletivo. Compete quando seus objetivos são disputados
e pretendidos por outros.
Influência do Ambiente
54
Não se pode exigir resultados de uma equipe se esta não tiver um mínimo de
comodidade e de condições para realizar suas necessidades básicas. Mas se acredita
que quanto melhor e mais bem atendidas estas necessidades tanto melhor será o
desempenho de uma equipe. O ambiente de trabalho é constituído de duas partes
distintas: a física (instalações, móveis, decoração etc) e a social (as pessoas que o
habitam).
Segundo Magalhães (1990, p. 51)
...influem no conforto social. Evidentemente, se tais elementos forem
precários, ninguém trabalhará com moral elevado. Conforme a natureza
do trabalho, exigir-se-á uma luminosidade, uma temperatura, um grau de
umidade diferente, o que também deverá estar de acordo com a região
onde se trabalha e a época do ano.
Relações interpessoais e qualidade de vida no trabalho
Como se viu as pessoas são produtos do meio em que vivem, tem emoções,
sentimentos e agem de acordo com o conjunto que as cercam sejam o espaço físico ou
social.
Como diz Bom Sucesso (1997, p. 36)
A valorização do ser humano, a preocupação com sentimentos e
emoções, e com a qualidade de vida são fatores que fazem a diferença.
O trabalho é a forma como o homem, por um lado, interage e transforma
o meio ambiente, assegurando a sobrevivência, e, por outro, estabelece
relações interpessoais, que teoricamente serviriam para reforçar a sua
identidade e o senso de contribuição.
Fatores Intrapessoais e a qualidade de vida no trabalho
Cada pessoa tem uma história de vida, uma maneira de pensar a vida e assim
também o trabalho é visto de sua forma especial. Há pessoas mais dispostas a ouvir,
55
outras nem tanto, há pessoas que se interessam em aprender constantemente, outras
não, enfim as pessoas tem objetivos diferenciados e nesta situação muitas vezes
priorizam o que melhor lhes convém e às vezes estará em conflito com a própria
empresa.
Como observado por Bom Sucesso (1997, p.38)
O auto conhecimento e o conhecimento do outro são componentes
essenciais na compreensão de como a pessoa atua no trabalho,
dificultando ou facilitando as relações. Dentre as dificuldades mais
observadas, destacam-se: falta de objetivos pessoais, dificuldade em
priorizar, dificuldade em ouvir.
É bom lembrar também que o ser humano é individual, é único e que, portanto
também reage de forma única e individual a situações semelhantes. As relações
interpessoais são construídas paulatinamente, respeitando e obedecendo a uma
hierarquia emocional. O respeito ao outro é condicionante ao sucesso do trabalho em
equipe.
56
Conclusão
No cenário da Educação a Distância, o papel do tutor extrapola os limites
conceituais impostos na sua nomenclatura, já que ele, em sua missão precípua, é
educador como os demais envolvidos no processo de gestão, acompanhamento e
avaliação.
O contato a distância, impõe um aprimoramento e fortalecimento permanente
das relações interpessoais. A notável relevância e complexidade do papel do tutor nos
programas de Educação a Distância, demonstram a necessidade de um perfil
profissional com habilidades e competências quase paradigmáticas.
À medida que o processo de aprendizagem se efetiva, a relação do aluno com o
tutor, muda, se aprofunda, estreitando o laço afetivo, propiciando a permeabilidade
educativa, uma vez que a educação deve ser vista sempre como uma prática social
ligada à formação de valores e práticas do indivíduo para a vida social, com
possibilidade de ir em direção a uma maior autonomia, liberdade e diferenciação.
Para que todo esse processo se efetive, é preciso que as relações interpessoais
aconteçam e que sejam aplicadas pela equipe que trabalha diretamente com a EAD de
forma a gerir conflitos existentes de forma estratégica.
Nas entrevistas realizadas com os tutores percebemos que há um despreparo
considerável em relação a essas relações interpessoais. Todos os entrevistados, em
sua formação acadêmica é formada por pós-graduados e doutorandos. Apenas 08
(oito) dos 18 (dezoito) entrevistados já foram alunos de cursos a distância e suas
relações com os tutores oscilou entre favorável e desfavorável. Aqueles que
responderam como desfavorável, alegaram que os tutores em muitas ocasiões
“cobravam” uma disponibilidade que eles não tinham para fazer determinados estudos
e como resposta recebiam mensagem que não os motivavam a se dedicarem mais,
57
alguns exatamente por essas relações desistiram do curso pela falta de estímulo e
dificuldades de relacionar-se.
Quanto a importância das relações interpessoais no contexto de um curso a
distância, todos responderam que é de fundamental importância, porém quando
questionados sobre a atuação deles nessa importante relação, alguns afirmaram que é
preciso existir um limite dessas relações para que não haja paternalismo por vínculos
afetivos criados.
O ambiente virtual de aprendizagem utilizado por essa instituição, segundo os
entrevistados é autodidático e proporciona um bom desenvolvimento das relações
virtuais, embora utilizem essa ferramenta muito mais como um local para avaliar as
atividades dos alunos, pois segundo eles, 20 horas semanais é insuficiente para que o
tutor desenvolva as relações necessárias com seu alunado, visto que, são em média 98
a 112 alunos por tutor, impossibilitando um elo maior de aproximação devido a grande
demanda nos atendimentos.
Dos entrevistados 11 (onze) disseram que consideram o feedback ao aluno
como mola propulsora, carro-chefe da EAD no processo de ensino e aprendizagem,
que essa resposta faz a diferença nas relações construídas ao longo do processo e é a
estratégia que em muitos casos garante a permanência dos alunos durante o curso.
Entre as várias funções do tutor, está o desenvolvimento das relações
interpessoais, porém todos, em consonância, afirmaram que elas não são
condicionantes, visto que, é preciso haver um interesse por parte do aluno em
quererem participar e interagir e que muitas vezes, alguns alunos utilizam ou tentam
utilizar as boas relações com os tutores para ganharem prazos nas entregas de
atividades solicitadas.
58
Quanto as ações desenvolvidas para o melhor desempenho das relações
interpessoais com a equipe de gestores, os tutores alegam que há faltas ou falhas na
comunicação, intransigência por parte dos gestores no que se refere as relações de
poder, dificultando ou mesmo desestimulando o trabalho desenvolvido.
Quanto as estratégias que podem ser utilizadas para melhorar as relações
interpessoais durante o curso para favorecer o melhor desempenho do processo
educacional, foi citado encontros mensais com os grupos de tutores e gestores dos
outros cursos, que são oferecidos pela instituição para discutir os avanços e empasses
dessa modalidade de ensino que é nova para muitos desses profissionais, cursos
online específicos para equipes que trabalham com EAD, permitindo que esses sujeitos
se sintam alunos em um curso e a partir disso, avaliar seus posicionamentos frente as
dificuldades.
Analisando as relações interpessoais dos tutores do Curso de Pedagogia a
Distância da UFPB, percebemos de maneira geral, que os conhecimentos necessários
ao tutor não são diferentes dos que precisa ter um bom docente. Este necessita
entender a estrutura do assunto que ensina, os princípios da sua organização
conceitual e os princípios das novas idéias produtoras de conhecimento na área. Sua
formação teórica sobre o âmbito pedagógico-didático deverá ser atualizada com a
formação na prática docente.
Identificamos que a influência das relações interpessoais na gestão de equipe
em EAD ainda precisa ser melhorada, visto que, ainda é limitada as relações
interpessoais no papel do tutor, que precisa extrapolar os limites conceituais, impostos
na sua nomenclatura, já que o tutor, em sua missão precípua, é educador como os
demais envolvidos no processo de gestão da EAD. A
notável
relevância
e
complexidade do papel do tutor nos programas de EAD demonstram a necessidade de
um perfil profissional com habilidades e competências quase paradigmáticas. À medida
que o processo de aprendizagem se efetiva, a relação interpessoais como fator
59
estratégico na equipe de gestão em EAD muda, se aprofunda, estreita o laço afetivo,
uma vez que a educação deve ser vista sempre como uma prática social ligada à
formação de valores e práticas do indivíduo para a vida social, com possibilidade de ir
em direção a uma maior autonomia, liberdade e diferenciação, mas sem esquecer que
é um ser social.
Esse estudo permite demonstrar que as relações interpessoais como fator
primordial na gestão de equipe dessa modalidade de ensino, possibilita um vínculo
interpessoal estreito com os envolvidos no processo, o exercício da sua tarefa volta-se
ainda para a manutenção da motivação e do interesse dos mesmos pela própria
formação, evitando, também aqui, a evasão e o descompromisso com o estudo. A
relação interpessoal desfavorável gera, entre outras conseqüências, a falta de
confiança, podendo levar à evasão irreversível e ao desapontamento indesejável para
os envolvidos no sistema educacional e um possível “desmoronamento” da equipe de
gestão em EAD.
Para desenvolver ações nas relações interpessoais com a equipe da EAD há
encontros informações e esporádicos, apenas semestrais e para tratar de assuntos
corriqueiros que perduraram por todo o semestre. Percebemos que não há uma
preocupação por parte dos gestores da equipe em ampliar as relações interpessoais.
Os encontros são muito mais virtuais, na sala de tutoria, no ambiente de aprendizagem,
porém, nesses encontros é percebível que a interação ocorrida é para desabafos e
críticas. Poucos são os que acessam o ambiente para se relacionarem, sugerirem,
trocar informações.
Como estratégias para melhorar as relações interpessoais, favorecendo o
melhor desempenho do processo educacional, poucas foram às contribuições dos
entrevistados.
Em
sua
maioria,
relataram
que
não
há
necessidade
desse
melhoramento, em seus pontos de vista “apertar os laços”, unir-se em busca de um
bom desempenho é o ideal, se cada um fizer sua parte. Expuseram também que há
60
uma desmotivação por parte deles, devido ao fato do tipo de gestão que iniciou no
curso. A forma autocrática de trabalhar, o desencontro e/ou falhas na comunicação
gerou situações diversas de desconforto entre a gestão e a equipe e as seqüelas
dessas relações resultam em uma equipe que está buscando a cada momento de
planejamentos, reuniões de avaliação, capacitação, que não sejam apenas para
cumprir horários e datas, mas que seja também um encontro de pessoas, em que todos
possam participar de forma interativa e informal, através de dinâmicas de grupo, que
favoreça a interação, a reflexão sobre suas relações enquanto parte de uma equipe, na
busca de estratégias para desenvolver uma gestão de qualidade em que todos os
envolvidos possam falar e serem ouvidos, que a gestão e a tutoria a distância seja
apenas quilométrica evitando a não afetividade que pode gerar a falta de confiança,
companheirismo e comprometimento com o trabalho realizado.
61
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64
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65
ANEXO
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Entrevista
1.Sua formação acadêmica é na área da disciplina em que faz tutoria?
2. Já foi aluno em algum curso a distância. Caso sim, como se efetuava suas relações
com os tutores?
3. Qual a importância das relações interpessoais no contexto de um curso a distância?
4. O AVA (MOODLE) utilizado por essa instituição é de fácil manuseio proporcionando
um bom desenvolvimento das relações virtual?
4. Você acredita que 20hs semanais é suficiente para o tutor desenvolver boas relações
interpessoais com seus alunos?
5. Na sua opinião, qual a importância do feedback ao aluno no processo de ensino
aprendizagem?
6. Você acredita que entre as funções do tutor, as relações interpessoais desenvolvidas
com seus alunos são condicionantes para o bom desempenho do aluno?
8. Quais são as suas ações desenvolvidas para o melhor desempenho das suas
relações interpessoais com a equipe de tutores e gestores desse curso a distância?
9. Que estratégias podem ser utilizadas para melhorar as relações interpessoais
durante o curso para favorecer o melhor desempenho do processo educacional?
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