UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PROJETO A VEZ DO MESTRE O PAPEL DO SUPERVISOR ESCOLAR FRENTE ÀS NOVAS TECNOLOGIAS Autor: Rosemari de Souza Orientador: Fabiane Muniz Rio de Janeiro 2004 2 UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PRÓ-REITORIA DE PLANEJAMENTO E DESENVOLVIMENTO DIRETORIA DE PROJETOS ESPECIAIS PROJETO A VEZ DO MESTRE O PAPEL DO SUPERVISOR ESCOLAR FRENTE ÀS NOVAS TECNOLOGIAS ROSEMARI DE SOUZA Monografia apresentada à Universidade Cândido Mendes como requisito parcial para obtenção de Grau do título de Especialista em Supervisão Escolar. Rio de Janeiro 2004 3 Agradeço a Deus que mais uma vez me possibilitou estar aprimorando os meus conhecimentos para melhor exercer a minha profissão. 4 As minhas filhas Tatiana e Sabrina que sempre me deram incentivo para chegar onde estou. Ao meu esposo Theo pela compreensão, apoio e confiança nas horas difíceis. 5 “ Se não morre aquele que escreve um livro ou planta uma árvore, com mais razão não morre o educador que semeia a vida e escreve na alma”. Bertold Brechet 6 RESUMO No primeiro capitulo será abordada a revolução tecnológica, que está nas ruas, no trabalho, no entretenimento, na saúde, nas ciências, nas escolas. No Brasil, muitas escolas não constam dessa lista. Apesar de todos os esforços, ainda é baixo o índice de informatização da rede pública - e até da privada. Vários fatores jogam contra. O porte da nossa educação, com números sempre na casa dos milhões, faz perder o fôlego. O investimento necessário para levar as novas tecnologias para dentro das salas de aula é igualmente extraordinário. E falta um bocado de vontade política. No tocante ao segundo capítulo falaremos sobre a introdução do computador nas escolas, que aconteceu por meio de universidades - públicas, especialmente - nos anos 50: em primeiro lugar, como ferramenta auxiliar da pesquisa técnico-científica e, a partir da década de 60, na organização administrativa do ensino superior. Nesse período, houve diversos projetos, que, no entanto, não chegaram ao sistema público de ensino fundamental e médio, permanecendo no campo experimental em universidades, secretarias de educação e escolas técnicas. Não existe margem para dúvidas que o computador só chegou à escola pública com o Programa Nacional de Informática na Educação, no primeiro mandato do Presidente Fernando Henrique Cardoso. O Programa Nacional de Informática na Educação, até 2002, terá instalado em escolas públicas cerca de quatro vezes mais computadores do que os existentes nas três décadas que o precederam. noção de tecnologia (revoga a de informática), da noção de multimídia (revoga a de audiovisual). Esse novo enfoque interfere no modo como 7 SUMÁRIO INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I- 1. ESCOLA E AS NOVAS TECNOLOGIAS 12 CAPÍTULO II- 2.PROGRAMA NACIONAL DE INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 18 CAPÍTULO III- 3. A INFORMÁTICA COMO UM NOVO DESAFIO AO PROFESSOR 37 CAPÍTULO IV-4. UMA PESQUISA DE CAMPO 48 A GUISA DE CONCLUSÃO 51 BIBLIOGRAFIA 52 ÍNDICE 54 8 INTRODUÇÃO Não há dúvida de que o mundo vive uma mudança de paradigma, um desconforto de todos em busca de respostas diante de tantas mudanças. Isso se deve em grande parte ao avanço da tecnologia. O surgimento da televisão provocou uma enorme mudança de comportamento em uma determinada época, imagine então o computador e a Internet. A possibilidade de manter-se informado sobre diversos assuntos provenientes de diversas partes do mundo, instantaneamente, era algo inimaginável para as pessoas há apenas algumas décadas atrás, e isso é possível agora. O professor e o supervisor escolar precisam estar muito atentos a esse fato, porque as pessoas com as quais eles lidam , direta ou indiretamente, estão vivendo essa mudança e precisam de auxílio para saber como aproveitar essa mudança da melhor maneira possível para que ela não acabe sendo prejudicial. Os alunos, crianças e adolescentes, estão dentro desse mundo repleto de informações, de novidades tecnológicas convivendo diariamente com isso, e, professores e supervisores não podem excluir-se, mostrar-se descrentes ou amedrontados diante de tudo isso. As novas tecnologias que incluem não apenas o computador com seus programas e a Internet, mas também a televisão, o rádio, o vídeo e, modernamente, o DVD, não podem ser vistas como vilões prejudiciais ou substitutos dos professores. O papel do professor é insubstituível, pois diante de tantas modificações e informações é preciso que haja alguém que auxilie o aluno a analisar criticamente tudo isso, verificando o que é válido e deve ser utilizado e o que pode ser deixado de lado. Apesar da facilidade de acesso a informação que a tecnologia nos permite, o professor continua sendo indispensável para que a tecnologia seja utilizada corretamente resume Faria (2001, p. 60). O uso da tecnologia em sala de aula é bastante válido no sentido que possibilita um ensino e uma aprendizagem mais criativa, autônoma, colaborativa e 9 interativa. (Faria, 2001, p.64). No entanto, o professor ainda, muitas vezes, mantémse apreensivo e reticente em utilizar a tecnologia em sua aula. Segundo Heide e Stilborne (2000, p. 24) muitas são as razões para que o professor haja dessa maneira: não saber como utilizar adequadamente a tecnologia nas escolas, não saber como avaliar as novas formas de aprendizagem provenientes desse uso, não saber como usar a tecnologia e, algumas vezes por falta de apoio dos colegas ou da escola para o uso de inovações em sala de aula. Diante dessas dificuldades e de outras que possam surgir, a solução ou o auxílio devem vir do supervisor escolar. A busca de novas técnicas ou métodos que auxiliem a aprendizagem do aluno é algo constante na ação do supervisor, dessa forma o uso da tecnologia é algo que vem auxiliar essa ação. Professor e supervisor devem caminhar juntos procurando conhecer todas as possibilidades oferecidas pela tecnologia que os auxiliem a desenvolver um ensino e uma aprendizagem em que a criatividade e a interação sejam as principais características. O supervisor escolar na questão do uso adequado da tecnologia deve ser parceiro do professor no sentido de conhecer e analisar todos os recursos disponíveis buscando a sua melhor utilização. Nada adianta fazer uso da tecnologia se isso não é feito da melhor maneira possível. As crianças e os adolescentes até podem apresentar, muitas vezes, um conhecimento bem mais adiantado de todas as ferramentas tecnológicas hoje existentes, mas esse conhecimento não será útil se ele não for utilizado de maneira crítica. Supervisor e professor devem caminhar juntos procurando desenvolver, em todos os trabalho envolvendo a tecnologia, a competência crítica dos alunos. O uso adequado da tecnologia no ambiente escolar requer cuidado e atenção por parte do professor para avaliar o que vai ser usado e reconhecer o que pode ou não ser útil para facilitar a aprendizagem de seus alunos tornado-os críticos, cooperativos, criativos. Além disso, requer do supervisor escolar uma disposição para aceitar o novo, conhecê-lo senão profundamente, em parte, para ser capaz de julgá-lo e procurar encaixá-lo na sua prática e na do professor da sua escola. 10 Dessa forma conclui-se que o uso das novas tecnologias na educação e no ambiente escolar é algo que existe e deve ocorrer. No entanto, é algo que deve ser feito com cuidado para que a tecnologia (computador, Internet, programas, CDROM, televisão, vídeo ou DVD) não se torne para o professor apenas mais uma maneira de “enfeitar” as suas aulas, mas sim uma maneira de desenvolver habilidades e competências que serão úteis para os alunos em qualquer situação de sua vida. O uso das tecnologias deve proporcionar dentro do ambiente escolar uma mudança de paradigma, uma mudança que vise à aprendizagem e não o acumulo de informações. Em resumo, segundo Perrenoud (2000): Formar para as novas tecnologias é formar o julgamento, o senso-crítico, o pensamento hipotético e dedutivo, as faculdades de observação e de pesquisa, a imaginação, a capacidade de memorizar e classificar, a leitura e a análise de textos e de imagens, a representação de redes, de procedimentos e de estratégias de comunicação. (p.128) Este trabalho aborda o papel do supervisor escolar frente as novas tecnologias, buscando as inovações que elas podem suscitar na educação escolar. As novas tecnologias já estão presentes em todos os ramos das atividades humanas. Do mesmo modo como outrora, com a revolução industrial, as máquinas mecânicas libertaram o homem do esforço físico, hoje, as máquinas passam a fazer parte do trabalho intelectual de cálculo, armazenamento de dados, etc." (RIPPER, BRAGA, MORAES. 1993:410). A inserção novas tecnologias fazem parte da realidade contemporânea e, como um dado de realidade, alteram o processo de trabalho e as relações humanas. Mesmo considerando o custo proibitivo destas tecnologias, na sociedade brasileira, a sua aquisição e utilização em escala nacional no sistema escolar, acreditamos que os interesses econômicos envolvidos, vem reduzindo os custos e tornando inevitável a pressão para consumo em massa de computadores, internet, multimídia, televisores, vídeos-cassetes nas escolas. 11 As discussões na área educacional apontam para caminhos e interpretações divergentes quanto a essa questão, ora afirmando que a escola deve incorporar os recursos existentes na sociedade para não se tornar obsoleta, muitas vezes,valorizando as potencialidades da tecnologia; ora postulando que a escola é pobre, a merenda é péssima, o giz quebra, faltam carteiras, as bibliotecas são precárias e o salário recebido pelo professor é irrisório, adiando-se assim as contribuições que poderiam advir da utilização de inovações tecnológicas no ambiente escolar. Deve-se ainda levar em consideração que a incorporação dos novos recursos tecnológicos pode desencadear um certo receio de que o professor, possa vir a ser substituídos por máquinas de ensinar, eliminando-se com isso as frentes de trabalho docente e o lado humano da educação,o que pode gerar preconceitos com relação à utilização dessas novas tecnologias no contexto educacional. O uso de computadores no sistema educacional por ser uma tecnologia típica deste fim de século e só recentemente estar sendo incorporada às escolas pode ilustrar as várias possibilidades de utilização destes recursos. Nas escolas o computador tem sido, muitas vezes, utilizado para ensinar sobre computação, através de aulas de informática onde é utilizado para que o aluno adquira conceitos computacionais, como noções de funcionamento do aparelho e de programação; outras vezes é utilizado para o ensino de conceitos das diferentes disciplinas. E é aqui, nesta ultima postura, que a literatura na área tem procurado discutir as diferenças e as implicações pedagógicas do uso de computadores na escola. O tema será abordado em quatro capítulos adicionados a introdução. 12 CAPÍTULO I 1. A ESCOLA E NOVAS TECNOLOGIAS Sabemos que o espaço escolar é na atualidade excessivamente baseado na cultura oral e no texto impresso (Sancho:1998), de modo que incorporar ao seu cotidiano outras linguagens como a linguagem plástica, a gestual, a televisiva, a sinestésica, a teatral, a musical, a das novas tecnologias, e outras, tem sido um desafio. É como se a escola não olhasse para o seu entorno e desconhecesse que vivemos em um universo de linguagens. Linguagens que nos constituem enquanto sujeitos históricos imersos na cultura do nosso tempo. Um tempo marcado pelas novas formas de comunicação e acesso a uma vasta gama de informações de forma rápida, múltipla, em rede, alterando a nossa relação com o próprio tempo e espaço. O saber fluxo, o trabalho-transição de conhecimentos, as novas tecnologias de inteligência individual e coletiva modificam profundamente os dados do problema de educação e formação. (Pierre Lévy, 1999). É impossível ignorarmos a produção cultural moderna, com todos os avanços tecnológicos existentes. Seja pelas qualidades positivas que possui e que oferecem inúmeras possibilidades pedagógicas interessantes. Seja pela necessidade de lutar-se pela sua democratização, estabelecendo com ela uma relação mais crítica, que se reverta em maior qualidade de vida e de bens culturais para a população. Manter-se distante da produção cultural contemporânea seria um erro, já que não há como subestimar sua concreta existência em nossas vidas. (Pinto, 1996). Torna-se urgente que a escola incorpore ao seu fazer pedagógico as diferentes linguagens que estão postas no mundo, pois quanto mais abre para o aluno a possibilidade do acesso a essas linguagens, mais o seu universo cultural se ampliará. Quanto mais amplo for o seu entendimento do real, menos ameaçado ficará diante dos desafios provocados pelas novas formas de comunicação. 13 A vida das crianças, neste final de século, está marcada, cada vez mais, pela leitura de imagens e palavras que têm como suporte a mídia eletrônica (televisão, vídeo, cinema, computador, etc), provocando novas maneiras de ser leitor e escritor e novas formas de estar, compreender e interferir neste mundo marcado pela cultura tecnológica. O mundo nos convida a realizar um tipo de leitura e de escrita que se torna impossível no suporte do papel. Segundo Bignotto (1998), o leitor pode saltar de um trecho para outro de uma obra, por meio do recurso do hipertexto, sem necessariamente seguir a ordem determinada pelo autor; pode pular páginas, fazer aparecer notas (ou o seu desaparecimento) no mesmo plano do texto principal. Quebra-se a noção de princípio e fim que a materialidade do livro impresso sugere. Pode ler trechos de várias fontes, quase que simultaneamente; abrir diferentes obras, em uma mesma tela criando a possibilidade de "navegar" por diversos textos e fragmentos de textos, escolhendo os rumos da leitura. (Bignotto,1998:08). Com relação à produção escrita, aquele que escreve, pode escrever e reescrever um texto a partir de qualquer ponto: do fim para o começo, do meio para o fim, do meio para o início do texto ou criar um novo começo, etc, etc. A linearidade da escrita, tão marcada pelo suporte do papel, se altera completamente. Pode-se, rapidamente, alterar o tamanho e estilo das letras, sombrear, colorir, sublinhar trechos ou todo o texto, re-arranjar parágrafos ou mesmo escrever sem digitar, bastando apenas falar para que o computador, que disponha de reconhecimento de voz, vá registrando o que é falado. As possibilidades se apresentam como viáveis. Quem sabe gerações futuras, tendo a tecnologia da informática como mediadora, registrem sua história sem precisar de escrever com a mão uma única letra? Porém, no interior da escola, hegemonicamente, as crianças continuam sendo ensinadas a aprender a ler e a escrever por um processo mecânico que tem o treino, a repetição e a memorização como eixos norteadores. Com todas as informações a que têm acesso fora da escola, através dos mais variados meios de comunicação, as crianças aprendem que só podem escrever o que foi "ensinado" pela professora e terminam pro produzir uma escrita escolarizada, impossível de ser encontrada fora do espaço escolar. 14 Escritas que não revelam a forma peculiar e singular de cada criança de perceber o mundo, se relacionar, se expressar e se comunicar. O que revelam é o método de alfabetização utilizado que faz com que as crianças diferentes escrevam de uma forma bastante homogênea onde a linguagem "perde" a dinamicidade, a pluralidade, a vida. Podemos dizer que a escola de um modo geral, vive um tempo parado. Um tempo a histórico e a temporal ignorando, no dizer de Lévy (1999), que os indivíduos e os grupos não são mais confrontados com saberes estáveis, com classificações de conhecimentos legados e confrontados pela tradição, mas com um saber-fluxo caótico, de curso dificilmente previsível! . Nesse sentido é que Umberto Eco, há algum tempo, vem chamando nossa atenção para o papel da escola em desenvolver um nova forma de competência, uma arte ainda desconhecida de seleção e destruição de informação, de uma nova sabedoria. Nós precisamos de um novo tipo de treinamento educacional (Eco, 1996). Para o autor, a escola deveria ser um lugar privilegiado aonde os alunos pudessem usar, praticar, refletir e discutir sobre as imagens, informações e saberes que as linguagens da tecnologia produzem e veiculam. Como lidar com o excesso de informações a que temos acesso hoje? Como separá-las em úteis e proveitosas ou inúteis e perigosas? No dizer de Eco, falta-nos habilidades para escolher e discernir. Na discussão que realiza ele nos fala, por exemplo, da televisão e do cinema, que está entre nós há bastante tempo. Se pode aprender muito bem a História do Império Romano através de filmes. Um bom programa de TV pode explicar genética melhor do que um livro. (Ibid., 1996). O que nos diz não é novidade. A televisão e o vídeo já são bastante utilizados nas escolas. Mas, achamos que cabe indagar como a escola os tem utilizados? Ferres (1998), na discussão que realiza sobre pedagogia com meios áudio visuais nos traz informações de que nas sociedades ocidentais, assistir à televisão tornou-se a terceira atividade à qual os adultos dedicam mais tempo, depois de trabalhar e dormir, e a segunda à qual as crianças dedicam mais tempo depois de dormir (Ferres, 1998:150). 15 Podemos afirmar, concordando com Ferres, que os alunos têm saído das salas de aulas sem estar preparados para realizar, de uma maneira reflexiva e crítica, aquela atividade à qual dedicam a maior parte do seu tempo (Ibid., 1998). Muitas escolas têm utilizado a televisão e o vídeo como um modo de ocupar o tempo, na substituição de professores ou como um adereço novo às aulas. Perde-se a oportunidade de se garantir, na escola, espaços para que os alunos e professores aprendam a apreciar, analisar e criticar as imagens e informações a que têm acesso através do uso das linguagens das tecnologias, ampliando as suas competências comunicativas, conforme vem denunciando Umberto Eco. Do nosso ponto de vista, torna-se relevante trazer para essa discussão o que nos diz Barthes, na reflexão que realiza sobre a imagem: toda imagem é polissêmica e pressupõe, subjacentes a seus significantes, uma cadeia flutuante de significados, podendo o leitor escolher alguns e ignorar outros. A polissemia leva a uma interrogação sobre o sentido. (Barthes, 1990:32) A interrogação sobre o sentido pressupõe a incorporação de um diálogo polifônico e polissêmico, do confronto das diferentes leituras realizadas a partir de um mesmo texto/contexto do reconhecimento da diferença à prática pedagógica realizada, cotidianamente na escola. No processo de troca das diferentes formas de ler, dizer, fazer, compreender, apreender e ensinar que circulam entre os alunos e professores é que a singularidade dos sujeitos vai se constituindo. Sujeitos que avançam na construção e apropriação de novos saberes a partir da troca, da relação e da interação com os outros e com o mundo, no espaço da intersubjetividade. O papel do outro na construção do conhecimento é da maior relevância, pois o que o outro diz ou deixa de dizer é constitutivo do conhecimento. (Vygotsky, 1989). Não se trata de utilizar a qualquer custo as tecnologias. Varias escolas já as utilizam sem alteração significativa da relação ensino/aprendizagem que baseada na transmissão de conhecimentos, permanece linear e impositiva., apesar do advento da tecnologia. Cabe à escola preparar cidadãos para a leitura e escrita dos elementos que constituem a linguagem audiovisual, não só numa perspectiva técnica, como também 16 em seu aspecto ético de divulgação de mensagens. É preciso educar para uma interação crítica com a mídia audiovisual, onde desmistifique-se e se relativize sua estética ilusionistas (Pinto, 1996:10) É necessário saber selecionar o que usar, como e para que usar, principalmente quando se utiliza o computador, face a escassez de bons softwares educativos disponíveis. Cysneiros (1999) nos diz ser muito fácil utilizar o que chama de inovações conservadoras, colocando-se no computador conteúdos com didáticas pobres e até mesmo erros de conteúdos. Incorporar ao dia a dia da escola as linguagens da tecnologia é muito mais do que alterar apenas os recursos utilizados. De acordo com Lévy (1999), se faz urgente o acompanhamento consciente de uma mudança de civilização que coloca profundamente em discussão as formas institucionais tradicionais e notadamente os papeis do professor e do aluno. O que está em discussão na cibercultura, tanto no plano das baixas dos custos quanto do acesso de todos à educação não é tanto a passagem do presencial à distância, nem do escrito e do oral tradicionais à multimídia. É, sim, a transição entre a educação e uma formação estritamente institucionalizada (a escola, a universidade) e uma situação de intercâmbio generalizado dos saberes, de instrução da sociedade por si mesma, de reconhecimento auto-gerido, móvel e contextual das competências. O mundo do ciberespaço nos aponta para novos atores na produção e no tratamento dos conhecimentos, além de novas formas de apropriação dos saberes. O papel daquele que ensina, denominado por Lévy (1999) de ensinante não pode ser uma difusão dos conhecimentos doravante assegurada mais eficazmente por outros meios. Com a internet, por exemplo, indivíduos e grupos podem navegar no oceano da informação e de conhecimentos disponíveis em rede. Com o CD-ROM, as bases de dados multimídias interativas on-line pode-se ter acesso, de modo rápido e atraente, a vastos conjuntos de informação, estando fora ou dentro da escola. O convite é desafiador face ao paradigma que ainda norteia o processo ensino-aprendizagem em nossas escolas: o professor é colocado na posição daquele que possui o conhecimento e sua tarefa é transmiti-lo aos alunos. Embora já faça parte do discurso escolar de que não se aprende apenas na escola, a prática 17 pedagógica revela a crença presente no interior das instituições escolares de que o estatuto do conhecimento passa pela escolaridade. Sua competência (a do ensinante) deve-se deslocar para o lado da provocação, do aprender e do pensar. O ensinante se torna um animador da inteligência coletiva dos grupos que tem sob seu encargo. Sua atividade centrar-se-á sobre o acompanhamento e a gestão das aprendizagens: incitação ao intercâmbio dos saberes, mediação relacional e simbólica, pilotagem personalizada dos percursos de aprendizagem, etc. (Ibid., 1999). 18 CAPÍTULO II 2. PROGRAMA NACIONAL DE INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA Para o MEC (1997), o sistema educacional brasileiro deve preparar os alunos de hoje para serem cidadãos atuantes numa sociedade globalizada onde a informação desempenhará um papel cada vez mais estratégico; é dever da escola capacitar os seus egressos para o mundo do trabalho; e o ensino público precisa atingir níveis mais elevados de qualidade, equidade e eficiência. A definição técnica do PROINFO exigiu mais de um ano de discussões, consultas, visitas nacionais e internacionais, leitura de vasta bibliografia, seminários e montagens de uma equipe de especialistas em educação e em informática. O programa justifica-se nos seguintes princípios: • computadores simulam os processos intelectuais, organizam e hierarquizam informações criando, assim, novos conhecimentos; • a informática e as telecomunicações vêm transformando a vida humana ao possibilitar novas formas de pensar, trabalhar, viver e conviver no mundo atual, o que muito modificará as instituições educacionais e outras corporações; • exigência de novos padrões de produtividade e competitividade em função dos avanços tecnológicos, a visão de que o conhecimento é a matéria-prima das economias modernas e que a evolução tecnológica vem afetando não apenas os processos produtivos, mas também as formas organizacionais, as relações de trabalho e a maneira como as pessoas constroem o conhecimento e requerem um novo posicionamento da educação; • necessidade de uma sólida formação básica, é preciso, também, desenvolver novos hábitos intelectuais de simbolização e formalização do conhecimento, de manejo de signos e representação, além de preparar o indivíduo para uma 19 nova gestão social do conhecimento, apoiada num modelo digital explorado de forma interativa. • o acesso à informação é imprescindível para o desenvolvimento de um estado democrático. Uma nova sociedade jamais será desenvolvida se os códigos instrumentais e as operações em redes se mantiverem nas mãos de uns poucos iniciados. É, portanto, vital para a sociedade brasileira que a maioria dos indivíduos saiba operar com as novas tecnologias da informação e valer-se destas para resolver problemas, tomar iniciativas e se comunicar. Uma boa forma de se conseguir isto, é usar o computador como prótese da inteligência e ferramenta de investigação, comunicação, construção, representação, verificação, análise, divulgação e produção do conhecimento. O MEC traçou as seguintes diretrizes: fortalecimento da ação pedagógica do professor na sala de aula e da gestão da escola, maior envolvimento da sociedade na busca de soluções educacionais e modernização com inovações tecnológicas introduzidas no processo ensino-aprendizagem. O objetivo inicial do Programa é possibilitar aos egressos das escolas públicas o acesso ao mercado de trabalho em igualdade de condições com os alunos de escolas particulares. Para isto é necessário uma “alfabetização tecnológica” cada vez mais essencial, tão importante como saber ler, escrever e fazer contas, que permitirá disseminar as tecnologias da telemática nas escolas de primeiro e segundo graus, de maneira a assegurar à educação pública um padrão de qualidade, eficiência e equidade e modernizar a gestão escolar, melhorar a qualidade do processo de ensino-aprendizagem. O Programa abrangerá a rede pública de ensino de 1º e 2º graus de todas as unidades da federação. Para o biênio 97/98, está prevista a aquisição de 100.000 computadores, cuja instalação em 7500 escolas espreitará critérios acordados entre a SEED/MEC e as Secretarias Estaduais da Educação – SEE. Deverão ser beneficiadas, nesta primeira etapa (97-98) do Programa Nacional de Informática na Educação, 7.500 escolas do universo de 44,8 mil escolas públicas brasileiras de 1° e 2° graus com mais de cento e cinqüenta alunos. O 20 programa será implantado em regime de estreita colaboração entre o MEC, os governos estaduais representados por suas respectivas Secretarias de Educação - SEE e a sociedade organizada. As principais diretrizes estratégicas do PROINFO são: • subordinar a introdução da informática nas escolas a objetivos educacionais estabelecidos pelos setores competentes; • condicionar a instalação de recursos informatizados à capacidade das escolas para utilizá-los (demonstrada através da comprovação da existência de infraestrutura física e recursos humanos à altura das exigências do conjunto hardware/software que será fornecido); • promover o desenvolvimento de infra-estrutura de suporte técnico de informática no sistema de ensino público; • estimular a interligação de computadores nas escolas públicas, para possibilitar a formação de uma ampla rede de comunicações vinculada à educação; • fomentar a mudança de cultura no sistema público de ensino de 1º e 2º graus, de forma a torná-lo apto a preparar cidadãos capazes de interagir numa sociedade cada vez mais tecnologicamente desenvolvida; As etapas do Programa são: mobilização e adesão, elaboração e aprovação dos projetos estaduais de informática na educação, planejamento de informatização das escolas, aprovação dos projetos das escolas, análise pelo MEC e capacitação de recursos humanos 2.1 Capacitação de Professores A capacitação de professores para o uso das novas tecnologias de informação e comunicação implica redimensionar o papel que o professor deverá desempenhar na formação do cidadão do século XXI. É um desafio à pedagogia tradicional, porque significa introduzir mudanças no processo de ensinoaprendizagem e nos modos de estruturação e funcionamento da escola e de suas relações com a comunidade. 21 Os professores que serão formados como multiplicadores serão selecionados em função de sua qualificação profissional em informática e educação. Os multiplicadores e aqueles que atuarão em salas de aula deverão ter um perfil que os leve a serem: autônomos, cooperativos, criativos e críticos; comprometidos com a aprendizagem permanente; mais envolvidos com uma nova ecologia cognitiva do que com preocupações de ordem meramente didática; engajados no processo de formação do indivíduo para lidar com a incerteza e a complexidade na tomada de decisões e a responsabilidade decorrente; e capazes de manter uma relação prazerosa com a prática da intercomunicação (MEC,1997). De acordo com o MEC, os objetivos da capacitação de professores são: estruturar um sistema de formação continuada de professores no uso das novas tecnologias da informação; desenvolver modelos de capacitação que privilegiem a aprendizagem cooperativa e autônoma, possibilitando aos professores oportunidades de intercomunicação e interação com especialistas, o que deverá gerar uma nova cultura de educação a distância; preparar professores para utilizar as novas tecnologias da informação de forma autônoma e independente, possibilitando a incorporação das novas tecnologias à experiência profissional de cada um, visando a transformação de sua prática pedagógica; As estratégias de implementação são: • Descentralizar a capacitação de professores e técnicos de suporte; • Incentivar a interação de professores, destacando a importância do processo cooperativo no qual professores capacitam professores; • Estimular a participação de educandos líderes como monitores; • Valorizar a experiência profissional dos educadores, utilizando-a como forma de motivação para o seu engajamento no processo; • Interagir com a comunidade agregando recursos locais ao esforço de capacitação. 22 O processo de capacitação do PROINFO envolve dois tipos de profissionais: professores das redes estadual e municipal de ensino e técnicos de informática, com perfil semelhante aos egressos dos cursos profissionalizantes de informática, ministrado por escolas técnicas federais. Os professores serão capacitados em duas fases distintas. Numa primeira fase serão realizados Cursos de Especialização. Numa segunda fase, os multiplicadores farão a capacitação de 30 mil professores escolhidos pelas escolas selecionadas para receber os computadores. As monografias finais dos cursos de especialização envolverão o planejamento dos cursos de capacitação dos professores das escolas, respeitando as diretrizes gerais do PROINFO e do programa estadual. O Programa prevê a incorporação da telemática no processo ensinoaprendizagem em três níveis: a) nos NTEs, proporcionando às escolas um apoio contínuo nas áreas pedagógicas e técnica, ciente de que apenas o curso de formação não é suficiente para o domínio da tecnologia; b) em articulação com os programas estaduais, dando prioridade as escolas de magistério na seleção de escolas que receberão computadores; c) junto às Faculdades de Educação, propondo modificações nos cursos de licenciatura para introduzir a tecnologia, não como nova disciplina, mas como parte integrante de um currículo modernizado. Para fomentar a informatização das escolas, O MEC vai estimular as Universidades e escolas normais em incluir a tecnologia aplicada à educação na formação curricular dos professores. serão empreendidas ações para incentivar a produção de software educacional que responda às necessidades brasileiras. Serão tomadas medidas de apoio à interconexão das escolas, uso de outras tecnologias de comunicação e ampliação da rede Nacional de Pesquisa. Os professores (multiplicadores) serão treinados nos Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE) para adquirir conhecimentos básicos sobre informática e sua 23 aplicação na área educacional e os professores já treinados serão encarregados de treinar os seus colegas nos NTEs. Na fase inicial do programa, parcerias com Universidades, escolas técnicas e outras instituições como SENAC, SENAI, SESI, viabilizarão o plano de treinamento, antes da operacionalização dos NTEs. Os NTEs serão estruturas descentralizadas de apoio ao processo de informatização das escolas responsáveis pelas seguintes ações: sensibilização e motivação das escolas para incorporação da tecnologia de informação e comunicação; apoio ao processo de planejamento tecnológico das escolas para aderirem ao projeto estadual de informática na educação; capacitação e reciclagem dos professores e das equipes administrativas das escolas; realização de cursos especializados para as equipes de suporte técnico; apoio (help-desk) para resolução de problemas técnicos decorrentes do uso do computador nas escolas; assessoria pedagógica para uso da tecnologia no processo de ensino-aprendizagem; e acompanhamento e avaliação local do processo de informatização das escolas. O sucesso da incorporação da telemática pelas escolas depende do compromisso que as mesmas assumirem em relação às diretrizes do Programa. É fundamental que a escola queira utilizar as novas tecnologias como mais uma ferramenta para o processo de ensino-aprendizagem e tenha condição de fazê-lo. Isto traduz pela elaboração de um projeto pedagógico vinculado à objetivos pedagógicos e de infra-estrutura adequada e liberando professores para participar da capacitação. 2.2 Acompanhamento e avaliação É indispensável que se estabeleça um processo de acompanhamento e avaliação que permitam avaliar, além dos resultados físicos do Programa, o impacto da tecnologia no processo educacional e as melhorias na qualidade, eficiência e eqüidade do ensino de 1º e 2º graus. Segundo o MEC (1997), a avaliação do Programa deverá incluir indicadores tais como: índices de repetência e evasão; habilidades de leitura e escrita; compreensão de conceitos abstratos; facilidade na solução de problemas; utilização intensiva de informação em várias fontes; desenvolvimento das habilidades de trabalho em equipe; implementação de educação personalizada; acesso à tecnologia 24 por alunos de classes sócio-econômicas menos favorecidas; e desenvolvimento profissional e valorização do professor. Alguns prós e contras são levantados frente a este programa. Dimenstein (1997) traz conclusões de estudos produzidos por comissão de educadores de Nova York para analisar o uso de computador em escolas públicas americanas e concluíram que computador sem treinamento de professor é desperdiçar tempo e dinheiro, como o fracasso do Programa TV Escola. Há consenso nacional de que todas as salas de aula devem estar conectadas à Internet, considerada indispensável ingrediente de ensino. Estudos de faculdade de pedagogia mostram que, até agora, não se mediu com precisão a eficiência do computador, por que o professor não sabe manejar a máquina, encaixando-a num currículo. Muitas vezes apenas substituem a máquina de escrever ou lousa pelo computador. Alguns desafios frente à esta questão: adesão das escolas ao uso da tecnologia; aquisição de computadores e redes apropriadas; treinamento de professores; produção de software de qualidade e em português para fins educacionais; interconexão entre escolas. Alguns críticos do programa afirmam que investir maciçamente em computadores só trará benefícios para os alunos se, ao mesmo tempo, os professores forem reciclados e melhor remunerados, e não apenas treinados para usar um microcomputador. Comprar computadores para as escolas é a maneira mais fácil de o governo dizer que está fazendo alguma coisa pelo ensino (Chaves,1997). Para o autor, o principal problema do professor da rede pública não é a falta de familiaridade com um computador, mas a falta de ter o que dizer em classe: se o professor, sem o micro já não dá uma boa aula, não vai ser o computador que vai resolver esse problema. A capacitação de professores não se limita a estes passos iniciais: será necessário um esforço contínuo de capacitação e re-capacitação devido as mudanças constantes na tecnologia, além de uma ação junto às Faculdades de Educação e 25 Escolas de Magistério para que estas incluam as novas tecnologias no currículo de formação dos professores. Necessidade de instalação de telefones nas escolas e redução das tarifas de acesso à Internet que serão cobradas dos laboratórios educacionais. (Segundo o MEC, 30 % das escolas de primeiro grau com mais de 250 alunos não tem telefone). O MEC alterou várias vezes o projeto original para driblar erros que haviam sido cometidos pelos países pioneiros na informatização da educação, como é o caso da França que comprou 300 mil computadores e os enviou para as escolas públicas antes de treinar os professores. Como o programa não era adequado, menos de 12 meses depois da distribuição, a maioria deles estava empilhada em bibliotecas. Os estados terão que arcar com o pagamento de um técnico por escola que orientará o trabalho dos professores. Também ficarão responsáveis pelos custos das reformas necessárias para abrigar os computadores, como salas de ar- condicionado e com segurança adequada para evitar furtos e vandalismos. O que alguns educadores temem é que haja muitos microcomputadores para poucos professores e alunos habilitados a operá-los, ou ainda, que o programa limite a ensinar professores e alunos a mexer num computador. A grande dúvida dos especialistas é como os computadores serão usados nas escolas públicas. Há quem defenda que os micros não devam ser utilizados com a exclusiva pretensão de revolucionar o ensino das matérias escolares, mas basicamente na tarefa de familiarizar os alunos com a informática. Outra preocupação é que este projeto tenha mais a ver com números e festas. Depois da euforia, a nova tecnologia transforma a velha escola numa velha escola um pouco mais cara. É preciso trabalhar a concepção do que é o computador na escola do que com a colocação de mais uma máquina na sala de aula. Segundo Pretto (1997), é preciso, primeiramente, que se interligue o que está desconectado. Segundo, que em vez de se pensar num programa que funciona como um trator, se veja primeiro quais são as experiências que estão dando certo. 26 Terceiro, que se perceba a importância da Internet. Ela não é uma fase seguinte. Ela é um presente escancarado e não é a Internet que deve entrar na escola, mas as escolas que devem entrar na rede. Essa história de ver a Internet como um negócio que te leva aos quadros do Louvre é irrelevante. Vamos perseguir a transformação e não a novidade. 2.3 Programa enlaces-Chile O Programa ENLACES (Hepp,1993; Ripoll & Moenne,1995; MECE,1996,1997) é o componente de Informática Educativa do Programa de Mejoramiento de la Calidad de la educación (MECE) do Ministério da Educação do Chile, surgiu em 1993, com um projeto-piloto que buscava identificar as dificuldades, impactos, custos e benefícios da utilização das novas tecnologias nas escolas chilenas. A partir de 1995 se transformou num projeto de cobertura nacional, com proposta de incorporar a tecnologia informática e de redes em projetos educativos e interligar escolas primárias e centros de pesquisas em quatro regiões do Chile através de redes locais e disponibilizar ferramentas para apoiar a cooperação entre professores e alunos, na educação básica e média. Em novembro de 1996, o projeto englobava 306 escolas, 165 liceus e 31 instituições de ensino superiores (MECE, 1997), distribuídas em todo o país. Para o Programa, as projeções de cobertura, até o ano 2000, são de 100 % das escolas de educação média e 50 % das escolas de educação básica. Até o ano de 1995, foram capacitados 2080 professores da educação básica e 1240 da educação média, além de 120 supervisores. (MECE,1996). Desde 1996, o Programa funciona baseado numa Rede de Assistência Técnica compreendida por uma Coordenação Nacional e sete Centros Zonais. A Coordenação Nacional está localizada parcialmente no Ministério da Educação (Programa MECE) em Santiago e no Instituto de Informática educativa da Universidade La Frontera em Temuco. O projeto implementou uma metáfora de uma praça com uma banca de jornal, um posto de correios, um museu e um centro cultural. É através dos correios que os usuários acessam o correio-eletrônico. O Centro Cultural incentiva a discussão de 27 diferentes temas, oferece facilidade para o trabalho cooperativo e acessam alguns BBS. As escolas estão sendo gradativamente interligadas à Internet. As propostas de trabalho com informática enfatizam o trabalho em torno de projetos educativos, em um enfoque construtivista. 2.3.1 Fundamentos e Princípios 1. O uso da informática nas escolas depende fundamentalmente da atitude e do trabalho dos professores, por isto, os professores das escolas que se integram a Enlaces permanecem dois anos em capacitação, período que contam com apoio e assistência técnica, dispondo também de Internet gratuita e de uma variedade de software educativo, para apoiar diversas disciplinas e projetos, para o trabalho grupal e colaborativo entre professores e alunos. Após dois anos, é oferecido aos estabelecimentos um plano de participação de longo prazo na Rede Enlaces; 2. Cada escola ou liceu pode aproveitar a experiência de outros estabelecimentos, buscando integrar harmonicamente a informática e as redes a seu próprio projeto educativo em concordância com a realidade social, cultural e geográfica em que está inserida; 3. A informática e as redes (internet) serão parte integral na escola e nos liceus do século XXI, tanto como material didático, como ferramenta de apoio administrativo, como objeto motivacional e comunicativo assim como também como instrumento fundamental para o manejo da informação e a conexão com o mundo por parte de alunos e professores. Os fundamentos que originaram Enlaces se encontram na experiência do Chile e de outros países em relação à inserção de tecnologias em educação, na década de oitenta, em que se derrubou a crença de que a mera inserção de tecnologias avançadas nos estabelecimentos educacionais revolucionaria a educação e as práticas pedagógica. Isto só não bastava. O acelerado desenvolvimento da tecnologia e sua conseqüente diminuição de custos, permitiram as bases para conceber uma rede de escolas que tivesse por meta uma expansão descentralizada de cobertura nacional, focalizada nos professores como agentes chaves de mudanças e 28 com uma forte estrutura de apoio de Universidades e Instituições de Educação Superior. Como princípio substancial está a informática e as redes concebidas como uma ferramenta a mais a serviço de professores e alunos e não como um fim em si mesmas, permitindo: Equidade e descentralização - as escolas podem fazer parte de uma comunidade escolar, independente do lugar geográfico em que se encontram, e os professores da rede podem ter acesso a mesma informação e participar de projetos inter escolares . Profissionalização - os professores podem compartir experiências, guias de trabalho, êxitos e conselhos educativos, participar de grupos de discussão, através das redes de comunicação, em temas de seu interesse. Modernização da Gestão Administrativa - os professores e diretores podem aproveitar a tecnologia computacional para modernizar seu fazer, tornando mais eficiente e profissional suas tarefas administrativas: planilhas de custos, avaliações, comunicados, correspondências, arquivos de dados, provas, registros de alunos, contabilidade, etc... Modernização da Prática Docente - professores e alunos podem aproveitar a crescente oferta - em qualidade e amplitude - de software educativos como material didático. Desta maneira, se modificam as práticas pedagógicas, os modos de transmitir e adquirir os conhecimentos, estimular as capacidades e desenvolver as habilidades e talentos dos alunos. Recurso de Aprendizagem - os alunos apresentam uma alta motivação ao trabalhar com computadores e os professores podem aproveitar este estímulo de maneira educativa. Este se vê potenciado ao poder participar de projetos colaborativos com alunos e professores de outras escolas(nacionais e internacionais),permitindo: desenvolvimento de relações interativas professor-aluno, surgem valores de colaboração e solidariedade, se dinamiza em aula, os alunos se ,movem em função de seu trabalho já que o processo de conhecer envolve o sujeito que aprende; os participantes e seus meios escolares se vão familiarizando com as telecomunicações, 29 assim se amplia a visão de mundo dos participantes e se produz uma assimilação gradual da tecnologia; se produz uma integração gradual de conteúdos de diferentes disciplinas. O projeto contempla a capacitação e apoio durante o processo de inserção e adoção destas tecnologias nas escolas e liceus. A maioria são estabelecimentos municipais ou particulares subvencionados, entre os quais há alguns rurais. Alguns deles só contam com tecnologia de radioamador para a comunicação eletrônica. Cada estabelecimento recebe software educativo e equipamento moderno capacidades multimídias e de telecomunicações. Neste programa, o trabalho com redes envolve o uso da Internet como parte integral da proposta enfatiza o uso de redes para educação é uma tendência forte, existindo boas experiências e testemunhos em escolas de Enlaces que justificam sua utilização, embora as redes requeiram suportes permanentes, tanto nas escolas por sua pouca experiência com a tecnologia (linhas telefônicas insuficientes, softwares de comunicação com falhas, múltiplos equipamentos participantes), como nos centros universitários (equipamentos servidores, administradores). Um aspecto desse programa é o fato de que comunicações são instáveis e provocam freqüentes problemas de confiabilidade, prejudicando projetos inter escolares e permitindo que os professores contrários a estes projetos justifiquem sua baixa participação com o argumento da baixa confiabilidade da tecnologia. A rede utiliza o único telefone da escola durante a noite e somente para correio eletrônico. A crescente demanda e tendência mundial, por um aproveitamento integral da Internet (escolas com linhas dedicadas a Internet, uso de WWW, acesso a museus e base de dados) implicaria inversões e gastos recorrentes substancialmente maiores, pois todos os computadores precisam estar conectados entre si através de uma rede local, incluindo os computadores que se destinam a sala de professores. Todas as escolas da rede ENLACES tem a possibilidade de estabelecer comunicação com escolas, professores e alunos e outras escolas do Chile ou do exterior. O funcionamento destas redes é através da metáfora da praça (La Plaza): 30 A Praça - Ferramenta de comunicação (correio eletrônico via Internet), participação de projetos colaborativos inter-escolas e liceus. Intercâmbio de recursos metodológicos. Uso de software educativo multimídia e meios de informação. Com o fim de facilitar o uso do computador por parte dos alunos e professores, foi desenvolvido o software La Plaza, um programa escrito em C++ que permite acessar a comunicação (nacional e internacional) via correio eletrônico através da Internet, participar em projetos colaborativos e utilizar software educativo multimídia. A Praça, inicialmente concebida como um software para chegar a trabalhar, no máximo com 100 escolas próximas aos centros de ENLACES, se converteu num produto para centos de escolas, muitas delas atendidas por pessoas fora do grupo de desenvolvimento e manutenção da Praça. A Praça é de fácil uso e incorpora uma série de componentes: um Correio, um Quiosque, um Museu e um Centro Cultural e um lugar não intimidante, familiar e também é especial já que constitui um lugar de encontro de uma comunidade: serviços, bancos, comércio, município, escola, diversão, etc. O Correio - o Correio da Praça é um correio eletrônico de uso muito simples para receber e enviar correspondências entre alunos e professores. O objetivo é ter um meio informal para estabelecer primeiros contatos e logo passar a integrar um grupo de trabalho no Centro Cultural ou para correspondência mais pessoal de professores e alunos, com objetivo de facilitar o uso do computador por parte de alunos e professores. Os alunos utilizam semanalmente este correio nas escolas, escrevendo cartas sobre variados temas, tais como fazer amigos, intercambiar adivinhações, contar suas motivações, hábitos, gostos, etc. Os professores utilizam o correio, inicialmente de forma tentativa já que se percebeu que o uso das telecomunicações requer paciência e que para os adultos é perda de tempo e o hábito de trocar experiências e contatar com seus pares em rede. Este fenômeno é mundial e o uso de redes é atualmente explosivo nos países desenvolvidos, requerendo vários anos para que o meio seja assimilado pelos professores de cada comunidade escolar. O Quiosque - o Quiosque oferece uma janela a um espaço de informação eletrônica, sendo dinâmico no tempo igual aos jornais e revistas de papel. Ali se encontram seções de um periódico eletrônico (meio ambiente, esportes, professores, etc) atualizado constantemente de maneira descentralizada, pelos próprios professores e 31 alunos. O Quiosque também contém contos e historias educativas multimídias (com texto, som, animação) como estímulo a leitura e a escrita. Estes contos integram uma coleção crescente de títulos a disposição das escolas. As seções do periódico tem atualmente o caráter experimental e no futuro disporá de uma maior oferta de seções as quais cada escola poderá escrever eletronicamente. O Museu - o Museu é um centro de informação sobre material didático em forma de software educativo. Essencialmente é uma base de dados de uso muito simples, orientadas as necessidades de material pedagógico do professor. Desde o Museu há acesso a informação, experiências, demonstrações e usos de software educativo. Em 1994 foram introduzidos cd-rom nas escolas e hoje existe uma grande variedade de licenças de software. Adicionalmente, como parte do Projeto Enlaces se constrói software educativo dificilmente adquirível no mercado por razões culturais ou regionais. O Centro Cultural - o Centro Cultural é um lugar de encontro para desenvolver projetos colaborativos entre alunos e professores de diversas escolas. Também é um lugar para estabelecer comunicação entre professores com inquietudes afins, de modo a trocar experiências, documentos, opiniões, etc. (exemplo: grupos de interesse em educação física, em matemática, em inglês, em cursos literários, em comunicações com o exterior, etc.). Na Formação de Professores, os objetivos desta são: modelar usos pedagógicos da tecnologia informática; usos de software La Plaza e outros softwares educativos. As estratégias de capacitação estão orientadas a modelar usos pedagógicos das ferramentas computacionais. Compreendem uma etapa inicial na qual os professores assistem a cursos presenciais nas diferentes escolas e liceus e praticam o uso do programa La Plaza, para familiarizar-se com as opções de uso das comunicações e do software educacional. Em diferentes períodos do ano, também assistem a cursos para aprender o uso de ferramentas específicas, nos quais é enfatizado a sua aplicabilidade a situações de ensino-aprendizagem. Uma segunda fase consiste na utilização das comunicações entre professores dos diferentes estabelecimentos, na qual conhecem os projetos que estão 32 em execução e se estabelecem vínculos de trabalho com grupos que tem interesses afins. Por outro lado, se capacita no manejo de ferramentas para a melhoria da gestão administrativa. A proposta central de Enlaces, em que a inserção da informática deve ser centrada no professor e acompanhada de um processo de capacitação e apoio durante um período prolongado de tempo, é considerado um de seus maiores acertos. A experiência do Projeto vem demonstrando que os alunos, em sua grande maioria, estão favoravelmente dispostos a usar o computador nas mais diversas oportunidades, sem problemas, mas este não é o caso dos professores, que em geral, passam por três etapas: Familiarização e aceitação da tecnologia - em que os professores tipicamente exploram o potencial e limitações da tecnologia para seus trabalhos. A capacitação vem sendo feita de forma presencial nas mesmas escolas e começando com professores, buscando vencer resistências, apoiando seus projetos e apresentando a tecnologia como um meio para apoiar seu trabalho. Este enfoque presencial facilitou um bom conhecimento do terreno de trabalho do professor, propiciou um clima bom e permitiu um seguimento da marca de projetos. Adaptação - os professores começam a adaptar suas tarefas, primeiramente na parte administrativa e depois as pedagógicas, para aproveitar os computadores. Inovação - a inovação começa a surgir no trabalho pedagógico com alunos, inicialmente como cursos fora da aula e gradualmente em aula. A inovação no trabalho pedagógico requer um esforço maior por parte do professor, por que este vem há vários anos utilizando um mesmo método, usando materiais didáticos de uma certa maneira e interagindo com seus alunos em esquemas disciplináreis e comunicativos definidos. O ingresso de computadores na aula requer e provoca mudanças em vários aspectos, evidentes ao constatar-se uma grande motivação e curiosidade dos estudantes por usar a tecnologia. Um dos maiores problemas a integração das novas tecnologias nas escolas tem sido a pouca consideração dada ao tempo real disponível dos professores. Estes vem trabalhando majoritariamente em um esquema de 33 voluntariado, muitas vezes dedicando tempo extra ao final de suas jornadas, além do fato de muitos professores cumprirem jornadas em diferentes estabelecimentos de ensino. O programa incorpora mecanismos de permanente avaliação do impacto educativo por meio de testes e entrevistas a professores e alunos e busca preferencialmente determinar os desafios da tecnologia computacional e de telecomunicações nas escolas, através do monitoramento do uso da tecnologia e do seguimento de experiências pedagógicas e de uso administrativo de ferramentas. Na avaliações feitas até 1996, com aplicação de instrumentos para avaliação de usuários (professores e alunos) os indicadores, tais como: compreensão da leitura, criatividade ou atitude frente a docência, a rede é monitorada constantemente para analisar variações no volume de tráfego ou quantidade de mensagens emitidas, assim como analisar as inter-relações que se produzem enquanto há comunicação entre os diferentes estabelecimentos. Esta avaliação se trata de medir e avaliar as trocas que se produzem entre os atores dela, como produtos da utilização da informática e das telecomunicações, tudo isso com a finalidade de melhorar o uso de recursos e permitir um adequado apoio técnicopedagógico a seus beneficiários. (MECE,1996). Foi desenvolvido um processo de avaliação de usuários que permitisse medir as trocas que se produzem em professores, alunos, produto da modalidade de introdução da informática educativa propiciada por Enlaces. Com este fim se construiu uma bateria de instrumentos capazes de medir variáveis e a partir destas realizar as avaliações necessárias. Nos professores se avaliou suas percepções do sistema escola, as atitudes que guiam em atuar dos professores em sua função docente e sua auto-avaliação como docentes. Alguma variáveis analisadas foram: a mudança na escola, o que se espera sejam modificadas a médio e longo prazo pela presença de computadores e das telecomunicações: criatividade, desenvolvimento cognitivo, compreensão da leitura, auto-estima e redes sociais. Como variáveis de controle, se utilizou a inteligência e os transtornos de aprendizagem, chegando-se a algumas conclusões: se observou uma boa motivação por parte da maioria dos professores, devido a uma boa quantidade de trabalhos e participação para o próximo 34 ano escolar; ao menos dois professores de cada escola assistiu aos cursos realizados; os coordenadores destas escolas manejam adequadamente a Praça e em parte o sistema operativo do computador, o que permitiria trabalhar com maior ênfase em atividades com os alunos no próximo ano escolar. 2.4 Desafios e dificuldades A inovação pedagógica usando tecnologias implicam um processo de mudança lento, envolvendo a busca progressiva de autonomia por parte das escolas em relação ao uso e administração da tecnologia e atualização de hardware e software. As escolas que estão envolvidas com novas tecnologias, enfrentam múltiplos desafios a médio e longo prazo, devido aos planos e projeções erradas também pela própria tecnologia em constante mutação. Alguns destes desafios são: Obsolescência e reposição - a tecnologia se torna rapidamente obsoleta. A qualidade do software educativo evolui junto com o hardware e os novos títulos de software educativo aproveitam as tecnologias que se vão consolidando no mercado. Por exemplo, um número crescente de programas educativos vem em CD-ROM e aproveita capacidades multimídias que até alguns anos não existiam nos computadores. Esse fenômeno representa a necessidade de estar repondo hardware e software periodicamente nos estabelecimentos educacionais para utilizar softwares de maior valor educacional. A obsolescência pode ser administrada pelo uso de equipamentos re-configuráveis upgrades, tecnologias abertas a estágios mais consolidados e reposição em seu uso. A decisão de investir em novas tecnologias implica um compromisso de investimentos permanentes e a longo prazo, repondo em cada cinco anos as tecnologias. Manutenção - os computadores apresentam problemas pelo uso freqüente que se faz deles, principalmente em unidades de disco, teclados e impressoras. Na medida em que mais estabelecimentos incorporem novas tecnologias, necessitará recursos para manutenção e possível ampliação do número de equipamentos. Sustentabilidade do Conceito de Redes - o fenômeno das redes mundiais vem experimentando um crescimento exponencial e as redes são atualmente um serviço 35 subsidiado mundialmente. O crescimento dos usuários de redes é muito rápido, a estrutura de telecomunicações ainda não pode acolher cada estabelecimento educacional como um usuário e menos ainda os professores como usuários individuais. A demanda por conexão segue crescendo fortemente, será necessário adequar a infra-estrutura de apoio para fazer sustentável a incorporação de mais escolas, liceus e colégios a esta tecnologia. Custos de materiais - os estabelecimentos que utilizam em forma crescente a tecnologia, experimentam também em forma crescente, a necessidade de novos materiais: papel e tinta de impressora, disquetes, consumo maior de energia elétrica e telefonia, seguros de equipamentos, manutenção, tempo de professores, assessorias externas. Estes aumentos devem ser considerados no planejamento financeiro das escolas. É necessário que se respeite as etapas de assimilação da tecnologia desde uma etapa inicial de aceitação a inovação pedagógica mediada pelo uso das novas tecnologias. Também constitui desafio a escassa disponibilidade de tempo dos professores para utilizar os equipamentos e a deterioração que estes sofrem com o passar do tempo, o que implica em uma necessidade considerável de atualização de equipamentos. Frente às rápidas mudanças na informática, a permanente renovação de propostas de trabalhos associadas, o auge da Internet e seus conteúdos potencialmente educativos, é necessário equilibrar a implementação de propostas inovadoras com uma experimentação constante. Uma proposta inicial baseada no trabalho do professor com novas tecnologias para um fim didático. Os maiores desafios estão em ampliar o acesso das diversas escolas às novas tecnologias, mantendo um bom nível de qualidade e apoiando os professores, buscando melhorar a integração do trabalho do professor com o uso da tecnologia em aula; elaborar estratégias para aproveitar a Internet com seu potencial de comunicação e de informação multimídia e realizar parcerias com o setor privado para a manutenção e atualização dos equipamentos e formação continuada de professores, pois as escolas deverão assumir gradualmente os custos de conexão à 36 Internet com uma demanda crescente de largura de banda e de acesso, implicando mais linhas telefônicas, mais velocidade, melhores modens, maiores servidores, aumentando os custos para a escola. 37 CAPÍTULO III 3. INFORMÁTICA COMO UM NOVO DESAFIO AO PROFESSOR 3.1 O professor frente aos avanços tecnológicos A fantástica revolução que as novas tecnologias provocaram em todo o mundo está cada vez mais presente dentro da escola. Diariamente as canetas são substituídas por teclados e mouses de computador. Os livros, por seu lado, sofrem a concorrência da internet. Equipamentos que ontem estavam em laboratórios avançados amanhã podem tornar-se disponíveis ao lado da sala dos professores. Porém, isoladamente, os recursos tecnológicos não são uma garantia de incremento na qualidade de ensino. É preciso que o corpo docente esteja preparado para utilizálos. Nossa maior tarefa é cativar os professores, fazer com que eles explorem as muitas possibilidades oferecidas pela tecnologia, diz o gerente de informática do colégio Módulo, Moises Miranda. 3.2 Enfoque filosófico de uma prática pedagógica É tempo propício de se conceber e de se praticar o diálogo interdisciplinar, da Filosofia com a Pedagogia: enfrentar os novos processos históricos (Japiassu, 1997), o de pensar-se nos dias de hoje, habilidade profissional, essa de buscar um outro modo de ver e de se refletir as realidades e suas múltiplas dimensões, entre outras, as novas teorias da linguagem da Pedagogia em sua relação com a Filosofia, decorrentes dos avanços das tecnologias da inteligência (Levy, 1998). Ciência da Educação, entendo por Pedagogia, neste momento, não apenas o saber escolar, mas aquele novo tipo de Conhecimento, produzido pelas novas teorias e práticas da Comunicação informatizada, dessa era do conhecimento 38 inovador, criativo e empreendedor, desencadeado pela Gestão do Conhecimento nas instituições de Pesquisa e nas atuais empresas. Esse, o provável estatuto epistemológico, aventar a possibilidade de novas teorias e práticas do conhecimento pedagógico neste tempo global Santos (2000), de uma Pedagogia Empresarial, questão a ser tratada necessariamente na Universidade; de repensar o pensamento científico no universo do saber da UNIVERSO como espaço de autonomia e da reflexão compartilhadas. Situar-se no lugar e nos limites do conhecimento humano, produzido numa reflexão histórica, eis os desafios à Pedagogia no tempo da Internet. Pensamos que o primeiro desafio à Pedagogia nos dias de hoje é ter acesso à concepção de globalização como prática. Nascido nas ruínas do Feudalismo, o Capitalismo ultrapassou os limites da Europa Ocidental, implantou-se nas mais diferentes regiões do mundo, como modo de produção dominante na maioria dos países, inclusive, com mais evidência na destruição de outros modos de produção enquanto estava nesse movimento de expansão pelo mundo. Na fala do escritor da obra Ideologia Alemã (Marx, s/d), A necessidade de um mercado constantemente em expansão impele a burguesia invadir todo o globo. Necessita estabelecer-se em toda a parte, explorar em toda parte... deu um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países... As velhas indústrias nacionais foram destruídas diariamente... encontramos novas necessidades, que requerem para sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas. Costuma-se definir nosso tempo como a era do conhecimento e do processo de globalização Andrade Filho (2000), das novas tecnologias de comunicação. Elas estocam, de forma prática, o conhecimento e gigantescos volumes de informações. Elas são armazenadas inteligentemente permitindo a pesquisa e o acesso de maneira muito simples, amigável e flexível. O usuário da internet, por exemplo, não significa apenas receptor de informações. Nela o usuário é, também, emissor de informações - acessar inúmeras bibliotecas em qualquer parte do mundo, também imagens, sons, fatos, vídeos - uma 39 dimensão de tudo, transformando profundamente a forma como a sociedade se organiza e produz conhecimento. Esse caráter peculiar da modernidade configurada pelo capitalismo, de mudança radical revolucionária da história, abre caminho à emancipação social do homem. Realidade efetiva e ativa da riqueza moderna, o capitalismo, porém, desvela processo limitado e contraditório. Indispensável para a existência concreta da riqueza social moderna, a mediação capitalista, contudo, corrói. Dilui-se. Não se afirma como condição essencial e única de sua existência, enquanto explora a força do trabalho. A globalização, assim é perversa Santos (2000:19). Contraditória. Ela está se impondo como uma fábrica de perversidades. O desemprego crescente tornase crônico. A pobreza aumenta e as classes médias perdem em qualidade de vida. O salário médio tende a baixar. A fome e o desabrigo se generalizam em todos os continentes. A educação de qualidade e para o mercado de trabalho é cada vez inacessível. Alastram-se e aprofundam-se males espirituais e morais, como os egoísmos, os cinismos, a impunidade, as deslealdades, a corrupção, a violência. Todas essas mazelas são direta ou indiretamente imputáveis ao processo de globalização. Este processo não se afirma como condição essencial e única da existência do capital em sua relação com o trabalho. Marcado pelos avanços na comunicação e na informática e por outras tantas transformações tecnológicas e científicas, esse capital global intervém nas várias esferas da vida social provocando mudanças econômicas, sociais, políticas, culturais e pedagógicas. Afetam também as escolas e o exercício profissional da docência. O segundo desafio à Pedagogia é a produção biopolítica Hardt (2001), na atual sociedade tecnoglobalizada: uma nova Constituição política e de uma Pedagogia Empresarial, empreendedora e com o poder de reinventar práticas pedagógicas num mundo de hoje. Preparar professorandos para alternativas de mercado de trabalho. Ao se elaborar uma proposta do pré-projeto de pesquisa sobre este desafio, penso que a Filosofia do Direito nos fornece alguns subsídios 40 hipotéticos: a existência de uma ordem mundial como forma jurídica (Hardt & Negri, 2001: 21 a 39), de uma constituição da ordem que está sendo formada hoje. Segundo esses jusfilósofos, não se trata de uma ordem nascida espontaneamente de forças globais, nem ditada por uma única potência e um único centro de racionalidade transcendente fora da história. Nem Hans Kelsen, nem Thomas Hobbes e John Locke; com suas respectivas pretensões - de Estado mundial e Universal; da entidade soberana - deus na terra, da sociedade global -, não explicam a novidade real dos processos históricos que estamos testemunhando. Surge um novo paradigma de relações globais de poder (Hardt & Negri, 2001: 26), de uma forte união do poder econômico ao poder político para materializar o projeto do capital global. Com efeito, a camuflada transformação jurídica funciona como sintoma das mudanças da constituição material biopolítica de nossas sociedades. Põe em movimento uma dinâmica ético-política. É peculiar a prática desse direito global em que leva ao extremo a coincidência e a universalidade do ético e do jurídico. Na Aldeia Global há paz, há garantia de justiça para todos. Ao poder único, do direito de intervenção, é dada a força necessária para conduzir guerras justas nas fronteiras contra os bárbaros e, no plano interno, contra os rebeldes. Vida moral descartável: valem mais os interesses pragmáticos e imediatos dos indivíduos do que princípios, valores, atitudes voltadas para vida coletiva, para o respeito à vida. A nova sociedade globalizada, que prioriza o econômico, contribui ainda para o estreitamento da esfera pública, colocando igualmente em crise o tradicional papel do Estado. A esfera pública, ao se privatizar, coloca em evidência um novo modelo de cidadania que não nutre mais dos valores coletivos e, conseqüentemente, constata-se a emergência de uma nova ética, na qual se valoriza, não mais o humano, mas o que atende aos interesses do mundo econômico, do mercado global. Essa violência simbólica na cidade é praticada no campo políticoideológico da ciência e da tecnologia em sua prática pedagógica. Trata-se de um poder de comunicação e informação, eminentemente tecnicisado, governando de modo quase absoluto a produção da existência humana, criando um novo modelo de cidadão - o homem-máquina -, que sociedade tecnoglobalizada com os valores humanos. 41 É verdade, não se pode negar a dimensão social da ciência e da tecnologia. Quer queiramos, quer não, a ciência tem uma tarefa social no desenvolvimento atual dessa sociedade tecnológica. É a ética da pesquisa tecnocientífica. Entretanto, existe hoje, a violência simbólica do poder da mídia na degradação das relações individuais pela manipulação crescente da Mulher e do Homem neste tempo da cidade globalizada. Nela, impera a obsessão patológica pelo consumo e pela criação de novas necessidades e de novos mercados. A globalização invade toda parte, dominando as mentes humanas. Desta forma, a ideologia da ciência e do progresso gera, hoje, a desconfiança, e produz a perversidade: a violência simbólica na cidade. Exclui a Mulher e o Homem de sua Casa, de sua Terra. De seus Bens. Pois, o poder político é legitimado pela tecnificação da política, violência simbólica essa da ideologia do intercâmbio livre, substituída por uma política econômica do governo a serviço de uma minoria. Eis uma violência simbólica, veiculada pela mídia. Ela substitui e exclui a participação democrática dos cidadãos na discussão moral e ética do sistema por uma participação democrática formal, isto é, apenas na eleição de pessoas que exercerá as tarefas da administração. Despolitizam as massas. É a pedagogia da violência simbólica no mundo político. Ainda um terceiro desafio à Pedagogia: detectar a formação do educador para o novo Mercado de Trabalho na atual sociedade tecnoglobalizada. Penso que esta é a questão central para a produção de um novo discurso pedagógico na busca de uma outra globalização. E indaga-se: o que é educador? , e qual seu lugar no mercado de trabalho global? Educador e mercado de trabalho! Eis a tarefa de desmistificação pedagógica na atual educação globalizada. Neste tempo: professor ou educador? Submisso ao papel social da profissão ou aquele que tem amor e paixão pelo que faz? Aquele que reproduz os sermões prontos e acabados ou aquele que desperta a consciência de que educar é desinstalar, questionar e criar? O educador se envolve, com seu trabalho, na mundialização do Capital. É convidado a produzir uma nova convivência ética da Pedagogia no atual processo de globalização, a descobrir, pela pesquisa, uma outra relação entre trabalho e educação 42 com prática do sistema econômico de hoje. O educador encontrará aqui o significado pedagógico do trabalho como uma especificidade da prática educativa, como processo de emancipação de uma nova sociedade. Com base nesta atitude reflexiva, da razão filosófica aplicada às novas necessidades humanas do mundo de hoje. Neste sentido, o pedagogo é um ser criativo, inovador e produtor de um processo que resulta na emergência de algo novo e original. Ele é empreendedor. Experimenta uma nova prática pedagógica na Internet. 3.3 Processo manual x software Surpreendentemente na passagem do processo manual para o software, a facilidade referida não é tão simples assim. Alguns fatos merecem ser analisados e discutidos a seguir: na relação do professor x organização das aulas, do professor x o próprio processo de aprender para repassar o conteúdo e ainda o papel do professor x processo de mudança, da qual falamos a todo momento, mas nem sempre exercitamos de modo tranqüilo entendendo como uma ruptura com tradições às quais nos acomodamos na rotina de semestre a semestre. Em primeiro lugar, na relação do professor com a organização das aulas, verifica-se que a relevância do papel do professor está entre outras variáveis na atualização dos conteúdos. Sabe-se que a ciência evolui a cada dia, essas evoluções originam-se em cada área do conhecimento, levando-o à sala de aula, local adequado de passagem e geração de novos conhecimentos. CUNHA (1992) discute bem essa questão ao referir-se à atuação do professor em sala de aula, somatizando uma diversidade de variáveis que compõe determinado comportamento, passando a ser uma referência aceita ou não na percepção dos alunos. O ritual escolar está basicamente organizado em cima da fala do professor... pois ele é a principal fonte de informação sistematizada. Portanto buscar inovações às aulas é parte do papel do professor que é assumido e esperado pelo grupo de alunos, a partir dessa troca há geração de novos conhecimentos aos alunos. CUNHA (op. cit. p.135) 43 Uma das formas de diferenciar-se na organização própria, de ser do professor pode ser quando toma um novo caminho na busca de inovações tecnológicas para suas aulas, sendo que uma delas é através dos recursos que a informática propicia. Outra facilidade vista é que o próprio software tem um roteiro para criar apresentações facilitando o processo aos iniciantes. No caso específico do software power point, verifica-se que para preparar as aulas de modo, pelo menos satisfatório necessita-se de mais dados, do que aqueles das aulas através do processo manual. Alguns exemplos podem ser citados como: a sistematização dos objetivos, a seqüência dos temas, a relação com a prática, a busca por novas fontes de informação pois utilizando uma nova tecnologia, busca-se caminhos diferenciados. Isto não quer dizer, que na preparação das aulas tradicionais estas seqüências de passos sejam abolidas, mas com um recurso inovador como são os caminhos da informática, pode-se trazer novos benefícios. No caso de aulas apresentadas com data-show, a organização torna-se mais determinada e precisa. O teste dos slides é fundamental para verificar algumas variáveis como: as cores fornecem boa imagem, os desenhos são compatíveis com o texto, o ambiente onde a apresentação será feita é adequado, a iluminação favorece a projeção, o layout das classes está de acordo, propiciando visibilidade. Diante destes dados quero afirmar, que pelo menos na minha experiência as aulas foram mais organizadas se comparadas com outras que preparei através de métodos isentos de tecnologia informatizada, como só aulas expositivas, através de exercícios, com projeção de transparências, ou assistir e discutir um vídeo. Desde já, quero deixar claro que embora tenha utilizado o software, não quero dizer que outros recursos de aprendizagem não sejam válidos, muito pelo contrário, inclusive, faz-se necessário registrar que não vejo a técnica em si tornando o professor mais eficaz ou eficiente, mas sim o conteúdo e o conhecimento o qual ele domina. As técnicas podem auxiliar e fazem bem isso, quando há domínio do conteúdo. 44 Em segundo lugar, há que se registrar o papel do professor versus o processo de aprendizagem do recurso técnico para repassar a aula através de uma técnica nova. Certamente o aprendizado é parte diuturno na carreira profissional do professor, pois a cada momento, em cada aula e em todos os dias, acrescentamos algo a mais sobre a área específica do conhecimento que já estudamos. Como também, descobre-se novos caminhos, descortinam-se novos conceitos, substituemse novos paradigmas cristalizados. É indiscutível qualquer informação contrária. Todavia, com a crescente evolução tecnológica, principalmente, nos meios de comunicação e de informatização, às vezes há resistência em aprender sobre determinado tipo de conhecimento. Embora essa resistência venha do professor apesar de que caracterizase, via de regra, como um profissional propulsor de mudanças, alguns dados justificam esse comportamento como: a) dificuldade por não ser uma área que já se tenha alguma interação; b) não vê razões suficientes para aplicar a técnica e portanto não há porque aprender; c) faltam recursos físicos como salas adequadas ou equipamentos; e d) preconceito estabelecido com inovações tecnológicas coisas que podem ser modismos aparentes. Por certo, qualquer que seja o motivo da resistência ao aprender, a hora é de questionar-se procurando aplicar e interar-se com novas técnicas, e não o afastamento delas, ora a evolução pessoal faz parte da evolução da ciência, ou melhor, a ciência só evolui, quando alguém é capaz de ousar fazendo novos aprendizados, rompendo paradigmas na procura de abrir perspectivas ao futuro na busca da crescente evolução da humanidade. Segundo BOOG (1994, p.9), referindo-se ao processo de mudança própria diz: Antes de mudar os outros, é fundamental primeiro mudar a si mesmo. Acredito que o professor é fomentador de mudanças, inclusive enquanto ensina, para 45 isso é necessário que também demonstre aos aprendizes que acredita no exercício de aprender, praticando essa crença no dia a dia, através da dinâmica das aulas. É provável que alguns professores em um primeiro momento resistam ao uso de tecnologias informatizadas porque há dados, e isso é inegável que através do uso de máquinas, gradativamente substitui-se o homem, gerando desemprego a bem do capital, com inúmeras vantagens. Conforme BATALHA (1994, p.201), reporta-se a esse assunto. A princípio, argumentava-se que o computador poderia vir a substituir o professor. Isso não se confirma e ele tem funcionado muito mais como um coadjuvante do professor. Neste caso a informática tem o papel de tutor no processo de ensino, este conceito pode ser utilizado com a multimídia, que apesar de apresentar-se como praticamente completo com o texto, a imagem e o som, a explicação detalhada cabe ao professor, bem como a montagem do software multimídia, que com certeza não é, e não será desenvolvido por leigos, mas por pessoas que tenham conhecimento do conteúdo do software. Além disso, cabe endossar que o professor, tem em outras atribuições acadêmicas, o relacionamento inter pessoal com o aluno fornecendo feedback imediato, fruto da convivência que é insubstituível por qualquer que seja a máquina. Esse relacionamento gera afetividade de ambas as partes, inclusive favorece melhor aprendizagem. MEDEIROS (1989), BECHARA (1992) e BELARDI (1992) abordam muito bem o outro lado deste processo, que gera alienação e isolamento, tanto do professor quanto do aluno. O professor será cada vez mais um supervisor e um mentor - talvez aproximando-se bastante do que ele era na universidade medieval vários séculos atrás. O trabalho do professor será ajudar, orientar, servir de exemplo, incentivar. É bem possível que o seu trabalho deixe de ser primordialmente transmitir a matéria em si. DRUCKER (1993, p.213), 46 Finalmente, cabe discutir o papel do professor e o processo de mudança. Indiscutivelmente aprender é também mudar. Pergunta-se mudar o que? e em que momento? Respondendo a primeira questão pode se dizer que a mudança é de atitude, aliás diversas atitudes são mudadas nesse processo. Como por exemplo, romper hábitos sólidos, talvez quase solidificados pelo tempo na busca de inovações. De que forma? A resposta da segunda questão, acredita-se que é importante fazer o registro da própria história aqui, desfazendo-se de materiais existentes, no caso das fichas antigas de aulas preparadas. Com a proposta de mudar tudo, em termos do estilo das aulas ministradas até hoje, tem-se que romper com velhos hábitos, é certo que acumulam-se inúmeras informações no decorrer do tempo, evidentemente que a memória registra o essencial. Além disso, como apoio a quem quiser utilizar essa prática, há diversos tipos de material que surgem a todo o mês como: livros, revistas técnicas, textos de jornais específicos e periódicos de cultura geral que estão catalogados em bibliotecas acessíveis a todos. Aqui na universidade esse material é farto. Então um caminho é desfazer-se das aulas até então preparadas, não que elas não sirvam mais, mas para partir do zero, partindo de idéias novas, apesar do conhecimento acumulado. Isso também não quer dizer que estas idéias endossam a reengenharia, apregoada por uns como a grande revolução do século ou a negação de tudo que já se fez até o momento, quando na verdade, essa mudança pode ser como o desafio tecnológico das técnicas de ensino. Caso alguém queira saber sobre o momento da mudança, pode-se dizer que é agora, respondendo a terceira questão, e o agora é hoje, ou a partir desta data. Muito se discute, fala e analisa o ensino superior no Brasil, Gomes (1978), Teixeira (1989) e Silva (1991). Contudo urge uma mudança pessoal do professor no processo de ensino, mudança essa que seja uma revalorização do ensino, através do desenvolvimento profissional do professor. É certo, que se fala aqui de uma mudança pequena, pois o modo de ministrar aulas, para muitos podem significar muito pouco ou nada. Todavia, basta reportar-se à história, e vê-se que pequenas mudanças 47 mudaram o mundo, em alguns casos para a pior, em outros, pode-se dizer a grande maioria, para melhor, pois apesar de tudo estamos aqui, na caminhada para a evolução. Cabe frisar aqui, que por certo, o simples fato de mudar a forma de ministrar as aulas gerem transformações significativas e valiosas à classe. Se de um lado, pode parecer apenas mudança na forma, ou seja, passar de um estilo de aula para outro. Por outro lado, vejo que o professor reavalia sua organização interna no processo, pelo menos, se tratando da utilização do software power point, que conduz a reformulação e aprimoramento dos conteúdos. 48 CAPITULO IV 4. UMA PESQUISA DE CAMPO 4.1 Metodologia de estudo A fundamentação prática do estudo está embasada em dados coletados da opinião dos alunos participantes nas aulas do segundo semestre de 1995. Objetivamente optou-se por este meio de obter informações, por entender que se trata de um modo concreto de analisar discurso e prática. O número de alunos respondentes totaliza 60 presentes na aula nos dias da coleta de dados. Um questionário sem identificação, serviu como instrumento de coleta de dados. O objetivo principal era registrar a opinião dos estudantes sobre as técnicas utilizadas nas aulas. O aluno marcava a técnica que mais facilitava seu entendimento. As alternativas eram: estudos de caso, software power point, expositiva, trabalhos em grupo nas salas de aula, projeção de vídeos.Depois explicava a razão pela qual a técnica utilizada o fazia assimilar o conhecimento. 4.2 Análise de dados Os dados expostos a seguir são os depoimentos dos alunos em relação à técnica aplicada. É possível verificar que há uma valorização maior da aula exposta através do power point do que aquelas que se usou no vídeo. No que se refere ao power point as respostas foram as seguintes: O conteúdo fica melhor exposto, não há preocupação em copiar pois posteriormente pode-se tirar fotocópia. A fácil visualização no power point torna a aula mais interessante. Aulas diferentes facilitam a atenção do aluno. O power point torna a aula menos cansativa e muito mais interessante. Facilita a compreensão de uma forma menos formal. Prende mais a atenção. Grava-se mais rápido o assunto. Aparecem tópicos fundamentais. Ótimo ambiente. Tem-se a possibilidade de estudar em casa de forma que o aluno grave mais rápido o assunto. 49 Faz-se necessário explicar que estes dados, por um lado, têm um viés, visto que os estudantes são originários do curso de Informática, portanto evidenciouse a valorização que fazem dos recursos através do computador. Por outro lado, a opinião do usuário no processo é importante e assim há de se considerar que tem validade a utilização de novos recursos, na sala de aula. Já através do vídeo as informações colhidas foram de que: Não existe rotina. É uma maneira mais descontraída de aprender. Resumem melhor a matéria. Prende mais a atenção do aluno, é mais atrativa. Mostra exemplos claros objetivos. Também pode ser observado que este recurso é mais valorizado do as outras alternativas utilizadas em sala de aula, certamente até porque também é um recurso moderno, parte da vida dos jovens. 4.3 Supervisão escolar O serviço de Supervisão Escolar tem como função: Planejar, organizar, supervisionar e monitorar a ação pedagógica da Instituição. O SSE atende a Educação Infantil, o Ensino Fundamental e o Ensino Médio e zela para que os princípios definidos nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) em consonância com a Filosofia Lassalista se concretizem. Esse princípios estão expressos no Projeto Político Pedagógico que são: Œ Visão Integral de ser humano enquanto pessoa pluridimensional, movida por relações de amor; Œ A relação educando e educador como evento primordial de aprendizagem e de significação educativa; Œ O currículo enquanto rede de construção, espaço de produtividade e criação de significados de meio social e cultural; Œ A avaliação como elemento de revisitação de práticas e redimensionamento de ações; 50 O Serviço de Supervisão Escolar propicia a efetivação pedagógica desses princípios, acompanhando essas relações de aprendizagem entre educando e educador, orientando para que o currículo experimente uma pluralidade metodológica, bom como a realização de um trabalho interdisciplinar, supervisionando para garantir que a avaliação seja um processo que contemple tanto o trabalho do educando quanto o do educador. 51 A GUISA DE CONCLUSÃO A preocupação inicial motivadora da realização desta pesquisa era a da possibilidade das escolas incorporarem as tecnologias da comunicação em função de pressões e de modismos sociais. Partia-se do pressuposto que as escolas absorveriam esses recursos sem problematizá-los, minimizando a contribuição dos demais aspectos determinantes do sucesso ou do fracasso educacional. Ou seja, que a escola corria o risco de absorver os recursos tecnológicos como solucionadores dos problemas educacionais, reduzindo o problema da educação escolar a uma discussão meramente tecnológica. No entanto, a análise dos depoimentos, ao atentar para as expectativas e propostas de utilização das tecnologias da comunicação no contexto escolar, revelou que estas parecem centralizar-se em torno das tecnologias da comunicação como meios, instrumentos, que auxiliam os sujeitos do processo educativo e não como soluções, fins, para os problemas educacionais. A guisa da conclusão é possível dizer que a proposta inicial era considerar a organização do professor no uso de novas técnicas na sala de aula e também buscar a opinião dos alunos sobre essas técnicas. Todavia é bom lembrar que para um estudo completo teria que aplicar essa coleta de dados em turmas de outros cursos, como o de Administração, que até o momento não foi possível completar e aplicar neste trabalho. Além disto, ficou evidente que por ser aplicado em um único grupo, de um único curso, a análise tornou-se fragilizada ainda que, em parte seja válida como processo de mudança. Todavia é bom lembrar que nem sempre é possível tomar decisões acertadas, fundamentando-se aqui nas idéias de Simon (1965), na maioria dos casos elas são apenas satisfatórias, e se tratando de sala de aula com novas tecnologias às vezes pode parecer, que embora se busque o melhor caminho, pode ser que aplicado em diferentes cursos ele não seja tão aceito. 52 BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, M.E.B. Informática e Educação - diretrizes para uma formação reflexiva de professores. Diss.Mest., São Paulo, PUC/SP, 1996. ANDRADE FILHO, Francisco Antônio de. Epistemologia Crítica: Novas teorias do conhecimento na era da informática, in O Recado da Pesquisa www.orecado.cjb.net), reflexões, agosto 2004. AXT, M. EAD-Curso de Especialização via Internet. Buscando indicadores de qualidade. Porto Alegre, Anais do X Congresso Internacional LOGO e I Congresso do Mercosul de Informática Educativa. Novembro 1995, pp.120-131. BATALHA, Paulo Eduardo Lopes. Informática e T&D. in Manual de Treinamento e Desenvolvimento ABTD. 2ªEd. São Paulo: Makron Books, 1994. BECHARA, José Maria. A Tecnociência e o Homem: A informática e o homem. Cadernos de Ciências Sociais. N2, 27-31, dez/92. BELARDI, Aldo Artur. A Tecnociência e o Homem: O avanço tecnológico e o homem. Cadernos de Ciências Sociais. N2, 33-34, dez/92. BIGNOTTO, Cilza Carla. O Computador e a leitura natural - in: Leitura: Teoria e Prática/Associação de Leitura do Brasil - nº 32, dez (1998) - Campinas, S.P. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1998. BOOG, Gustavo G. Manual de treinamento e desenvolvimento ABTD. 2ªEd. São Paulo: Makron Books, 1994. CHAVES, Eduardo. Computadores: máquinas de ensinar ou ferramentas para aprender? Em Aberto, 2(17):9-15, Brasília: INEP, jul. 1993. CUNHA, Maria Isabel da. O bom professor e sua prática. 2ªed. Campinas, São Paulo: Papirus, 1992. CYSNEIROS, Paulo Gileno. Informática na escola pública http://www.propesq.ufpe.br/ informativo/janfev99/publica.htm - 1999 brasileira. DRUCKER, Peter F.. As Novas Realidades. 3ªed. São Paulo: Pioneira, 1993. GOMES, Cândido Alberto. Curso Superior e Mobilidade Social: Vale a Pena? Educação Brasileira, V.1(1): 63-83, 1.o semestre, 1978. HARDT, Michael e NEGRI, Antônio. Ordem Mundial, in Michael Hardt e Antonio Negri. Império. Rio de Janeiro: Record, 2001, parte 1.1, p. 21 a 39. 53 MEDEIROS, Marilú Fontoura de. Repensar a Tecnologia na Educação: O compromisso Social e a Tecnologia ou a pseudotecnologia. Tecnologia Educacional, v.17/18 (85-86): 3-20, nov.88/fev.89. PINTO, Mônica Rodrigues Dias. Escola e Linguagens Contemporâneas: um desafio. R.J., mimeo. 1996 SANCHO, Juana M (org.) Para uma Tecnologia Educacional. Porto Alegre, Artes Médicas, 1998. SANTOS, Milton. Por uma outra Globalização - do pensamento único à consciência universal. Rio de Janeiro: Record, 2000. SILVA, Casturina Jaíra da. Contribuições para a compreensão de processo de tomada de decisões na Universidade: o caso da Unisinos. Tese de Mestrado, Programa de Pós Graduação em Administração, Porto Alegre, 1991. SIMON, Herbert A. Comportamento Administrativo: estudo dos processos decisórios nas organizações administrativas. Rio de Janeiro, F.G.V., 1965. TEIXEIRA, Anísio. Ensino Superior no Brasil: análise e interpretação de sua evolução até 1969. Rio de CONSULTAS ON LINE www.educar.ms.gov.br/ acesso setembro 2004 www.c5.cl/ieinvestiga/actas/ribie96 acesso agosto 2004 54 ÍNDICE INTRODUÇÃO 8 CAPÍTULO I -1. ESCOLA E AS NOVAS TECNOLOGIAS 12 CAPÍTLO II -2. PROGRAMA NACIONAL DE INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO BRASILEIRA 18 2.1 Capacitação de Professores 18 2.2 Acompanhamento e avaliação 20 2.3 Programa enlaces-Chile 23 2.3.1 Fundamentos e Princípios 26 Desafios e dificuldades 34 2.4 CAPÍTULO III -3. A INFORMÁTICA COMO UM NOVO DESAFIO AO PROFESSOR 37 3.1 O professor frente aos avanços tecnológicos 37 3.2 Enfoque filosófico de uma prática pedagógica 37 3.3 42 Processo manual x software CAPÍTULO IV -4. UMA PESQUISA DE CAMPO 48 4.1 48 Metodologia de estudo 4.2 Análise de dados 48 4.3 Supervisão escolar 49 A GUISA DE CONCLUSÃO 51 BIBLIOGRAFIA 52 ÍNDICE 54 55 FOLHA DE AVALIAÇÃO UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES PROJETO A VEZ DO MESTRE Pós Graduação “ Lato Sensu” Título da Monografia: O Papel do Supervisor Escolar Frente às Novas Tecnologias Data de Entrega: 27 de setembro de 2004 Auto- Avaliação: Como você avaliaria esta monografia: ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ____________________________________________________________________ ___________________________________________________________________. Avaliado por: ______________________________________ Grau ___________ . ____________________, ______ de ___________________ de _______