JORNAL DA FIEC
FORTALEZA-CE, OUTUBRO DE 2006
ANO XVIII - Nº 223
SAFRA DE CAJU: A MAIOR
DOS ÚLTIMOS 10 ANOS
A
safra de caju este ano, no Ceará, deverá ser a
maior dos últimos 10 anos, superando em até
25% a colheita de 2005. A expectativa é do
Sindicato dos Produtores de Caju do Estado
do Ceará (Sincaju), confirmada pelos
industriais do ramo, através do Sindicato das
Indústrias de Beneficiamento de Castanha de
Caju e Amêndoas Vegetais do Estado do Ceará
(Sindcaju). Uma das principais razões
para o otimismo foram as boas chuvas
verificadas nos 45 municípios que
concentram a atividade no Estado. A
cajucultura é uma das mais destacadas
atividades econômicas do Ceará. São 57
mil produtores e geração de 150 mil
empregos diretos e indiretos no campo e
outros 15 mil nas indústrias, de acordo
com dados do Centro Internacional de
Negócios (CIN) da FIEC.
8e9
Laboratório
metrológico
A
indústria cearense
conta, desde
setembro, com o primeiro
laboratório de metrologia
dimensional credenciado
pelo Inmetro. Trata-se do
Laboratório de
Metrologia do SENAI-CE
(LMS-CE), localizado no
Centro de Educação e
Tecnologia Alexandre
Figueira Rodrigues,
em Maracanaú. 3
Energias
alternativas
E
FORTALECIMENTO
Do discurso à prática, a nova gestão da FIEC trabalha para
cumprir a promessa de fortalecer os 38 sindicatos filiados à instituição. Foram elaboradas ações,
como o Projeto de Promoção Associativa, em parceria com a CNI. Outra medida nesse sentido é a
criação de um cronograma de visitas do presidente da FIEC, Roberto Proença de Macêdo, a cada
sindicato. No dia 10 de outubro, ele participou da reunião mensal do Sindicato das Indústrias
Metalúrgias, Mecânicas e de Materiais Elétricos no Estado do Ceará (Simec). 6 e 7
AJUDAR O BRASIL A CRESCER
n EDITORIAL
nergia eólica, solar,
das ondas e
biomassa. O Ceará tem
se consolidado como
campo fértil na geração
de energias alternativas
e renováveis.
Sedimentado como pólo
de geração eólica, o
Estado foi o primeiro no
país a lançar o Atlas
Eólico, há cinco anos,
documento que mostra o
perfil favorável à
instalação de
investimentos privados
na área da energia dos
ventos. Também foi
precursor ao implantar
três parques eólicos. 12
2
n Fortaleza,
outubro 2006
JORNAL DA FIEC
E d i t o r i a l
Ajudar o Brasil a crescer
A
EXPEDIENTE
o tomar posse no último dia 16 na presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI), para mais um
mandato, o empresário Armando Monteiro Neto colocou como principal objetivo dos próximos quatro anos
de sua gestão ajudar o Brasil a crescer. Mesmo assim,
Armando Monteiro se mostrou preocupado com o atual momento político do país, caracterizado por uma tensão política
que pode redundar em prejuízos à economia nacional.
O desafio proposto pelo presidente da CNI é o mesmo da
maioria dos empresários brasileiros, que também se mostram
temerosos, no âmbito político, com o desenrolar dos acontecimentos. Infelizmente, a nossa economia vem sofrendo revezes nos últimos anos causados por um ambiente político que
impede, inclusive, a concretização de reformas essenciais e
urgentes, como a fiscal e a tributária.
Passada a disputa eleitoral, é preciso que as pessoas preocupadas com os destinos do Brasil repensem seus conceitos
imediatistas e propugnem pelo esforço de construção de um
país aberto aos novos tempos, deixando de lado querelas políticas. Isso não quer dizer que a CNI e as federações de indústrias
se eximam de assumir seu papel político no sentido mais amplo. Pelo contrário! Devem, sim, ter como norte o bem do Brasil.
Para que tal objetivo seja alcançado, faz-se necessária a adoção da boa política, que se dá através do convencimento e da
construção de consensos possíveis. Em boa hora, a CNI já preparou sua agenda econômica, a qual será entregue ao presidente eleito. O país precisa sair dessa armadilha imposta pelo
aumento da carga tributária, falta de investimento público, excesso de gasto público e juros altos.
Sabemos que a agenda de reformas proposta é intrincada,
mas exige compromisso dos governantes para a sua execução.
Nesse sentido, a CNI tem procurado colaborar, apontando caminhos. Para a sua concretização, porém, é preciso que esses
caminhos sejam trilhados com a força de sua representatividade,
cada vez mais marcada pelo espírito de comprometimento com
o desenvolvimento do país e do povo brasileiro.
Representatividade que também se consubstancia à medida que
a manutenção do Sistema S deve ser uma das bandeiras a serem
defendidas arduamente pelas entidades do setor produtivo. Não
se pode aceitar que, sob o pretexto da redução do custo Brasil, o
governo federal, que tem sido pródigo em aumentar gastos,
direcione suas forças para cortar as contribuições feitas ao Sistema
S, que tantos benefícios propicia ao país.
O Brasil já superou o ciclo do controle da inflação. Abre-se, agora, um momento novo para a expansão da atividade econômica,
em todos os setores. Mas, para tanto, a indústria necessita ser liberada dos entraves para crescer, marcando uma presença mais ativa tanto no mercado interno como no externo. Não podemos desperdiçar esse momento. Ele é promissor demais.
FEDERAÇÃO DAS INDÚSTRIAS
DO ESTADO DO CEARÁ (FIEC)
DIRETORIA: Presidente: Roberto Proença de
Macêdo; 1 o Vice-Presidente: Ivan Rodrigues Bezerra; Vice-presidentes: Carlos Roberto de
Carvalho Fujita, Pedro Alcântara Rego de Lima e Wânia
Cysne Medeiros Dummar; Diretor administrativo: Affonso Taboza Pereira; Diretor financeiro:
Álvaro de Castro Correia Neto; Diretor administrativo adjunto: José Moreira Sobrinho; Diretor
financeiro adjunto: José Carlos Braide Nogueira
da Gama. Diretores: Verônica Maria Rocha Perdigão, Abraão Sampaio Sales, Antônio Lúcio Carneiro,
Cândido Couto Filho, Flávio Barreto Parente, Francisco
José Lima Matos, Geraldo Bastos Osterno Júnior,
Hercílio Helton e Silva, Jaime Machado da Ponte Filho,
José Sérgio França Azevedo, Júlio Sarmento de
Meneses, Manuel Cesário Filho, Marco Aurélio Norões
Tavares, Marcos Veríssimo de Oliveira, Pedro Jorge
Joffily Bezerra e Raimundo Alves Cavalcanti Ferraz.
CONSELHO FISCAL: Efetivos - Frederico Hosanan
Pinto de Castro, José Apolônio de Castro Figueira, e
Vanildo Lima Marcelo. Suplentes: Hélio Perdigão
Vasconcelos, Fernando Antonio de Assis Esteves e José
Fernando Castelo Branco Ponte.
DELEGADOS JUNTO À CNI: Efetivos - Roberto
Proença de Macêdo e Jorge Parente Frota Júnior. Suplentes - Manuel Cesário Filho e Carlos Roberto de Carvalho
Fujita.
SUPERINTENDENTE GERAL DO SISTEMA FIEC:
Paulo Rubens Fontenele Albuquerque.
SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA (SESI)
CONSELHO REGIONAL:
Presidente: Roberto Proença de Macêdo; Vice-PrePresidente
sidente
sidente: Ivan Rodrigues Bezerra
Delegados das Atividades Industriais: Efetivos:
Cândido Couto Filho, Carlos Roberto Carvalho Fujita
e Flávio Barreto Parente. Suplentes: Hermano Franck
Júnior, José Moreira Sobrinho e Pedro Jacson
Gonçalves de Figueiredo
Representantes do Ministério do Trabalho e
Emprego: Efetivo - José Nunes Passos; Suplente Francisco José Pontes Ibiapina
Representantes do Governo do Estado do
Ceará: Efetivo - José Joaquim Neto Cisne Suplente Dessirée Custódio Mota Gondin.
Representantes do Sindicato das Indústrias
Fernando Ibiapina recebe o troféu de Edgar Miranda, da Cerâmica Campo Maior
Presidente do Sindicer-CE
recebe Troféu João de Barro
A comenda foi entregue no 35º Encontro Nacional
da Indústria de Cerâmica Vermelha, realizado
entre os dias 26 e 29 de setembro, em Goiânia
O
empresário Fernando
Antônio Ibiapina Cunha, presidente do Sindicato das Indústrias de
Cerâmicas do Ceará
(Sindecer-CE) e diretor da Cerâmica Torres, instalada em Sobral, na
região norte do Estado, foi agraciado com o Troféu João-de-Barro, durante encontro nacional de ceramistas, como um dos destaques do setor no país na categoria Profissional,
Ceramista ou Pesquisador. Além de
Ibiapina, receberam o prêmio a Cerâmica Santorini, na categoria Empresa ou Instituição, e a Alutal Siebeck Sensors, como Fornecedor.
A comenda foi entregue no 35º
Encontro Nacional da Indústria de
Cerâmica Vermelha, realizado entre os dias 26 e 29 de setembro, em
Goiânia. O evento foi considerado
um dos maiores já promovidos pelo
segmento, superando expectativas e
trazendo diversas novidades em informações e equipamentos para os
envolvidos com a fabricação de produtos à base de argila. Nos quatro
dias do encontro, passaram por ele
cerca de 1.200 pessoas, entre empresários, colaboradores, pesquisadores, estudantes, fornecedores, técnicos e visitantes. Além da participa-
ção de todas as regiões brasileiras,
nesta edição houve, ainda, a presença de empresários da Alemanha,
Bolívia, Chile, Paraguai e Colômbia.
Para o presidente da Associação
Nacional da Indústria Cerâmica
(Anicer), César Gonçalves, o evento
surpreendeu, pois permitiu mostrar
para um grande número de ceramistas os principais assuntos ligados
à qualidade e à sustentabilidade das
indústrias. “Também tivemos uma
feira muito representativa, com tecnologia de ponta e negócios de peso
fechados”, afirmou. De acordo com
Gonçalves, o volume de negócios se
aproximou dos R$ 10 milhões.
O Troféu João-de-Barro foi criado
há 10 anos, com o objetivo de divulgar e homenagear os nomes
que fazem a diferença e vêm se
destacando por serem símbolos de
excelência na indústria de cerâmica
vermelha. Nesta edição, os 41 nomes indicados foram colocados na
internet para votação, através do
site www.anicer.com.. br, até o dia
4 de setembro. Após a data, a votação eletrônica foi encerrada e os
resultados apurados através de
percentuais. O próximo Encontro
Nacional será realizado em Belo
Horizonte (MG).
de Frios e Pesca no Estado do Ceará: Efetivo
- Elisa Maria Gradvohl Bezerra. Suplente - Eduardo
Camarço Filho; Superintendente Regional: Francisco das Chagas Magalhães
Álvaro de Castro Correia Neto.
INSTITUTO EUVALDO LODI (IEL): Diretor-pre
Diretor-pre-sidente: Roberto Proença de Macêdo; Superintendente: Vera Ilka Meireles Sales.
SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM
INDUSTRIAL (SENAI)
CONSELHO REGIONAL: Presidente: Roberto
Proença de Macêdo; Vice-Presidente: Ivan Rodrigues
Bezerra; Delegados das Atividades Industriais
Industriais::
Efetivos: Alexandre Pereira Silva, Álvaro de Castro Correia
Neto e Francisco de Assis Alves de Almeida; Suplentes Affonzo Taboza Pereira, Francisco José Fernandes
Fontenelle e José Fernando Castelo Branco Ponte;
Representante do Ministério da Educação:
Efetivo - Cláudio Ricardo Gomes de Lima; Suplente Samuel Brasileiro Filho; Representante do Ministério do Trabalho: Efetivo - José Nunes Passos;
Suplente - Francisco José Pontes Ibiapina;
Delegado da Categoria Econômica da
Pesca: Efetivo - Maria José Gonçalves Marinho;
Suplente - Eduardo Camarço Filho.
Francisco das Chagas Magalhães, Diretor d o
Departamento Regional do SENAI-CE ;
Comissão de Contas: Presidente: Cláudio Ricardo
Gomes de Lima. Membros: Alexandre Pereira Silva e
Coordenação e edição: Luiz Carlos Cabral
de Morais - DRT/CE Nº 53.
Redação: Luiz Henrique Campos, Gevan Oliveira
e Ângela Cavalcante.
Fotografia: Sebastião Alves e J. Sobrinho.
Diagramação e arte-final: Ítalo Araújo.
Impressão: Gráfica Tiprogresso.
Tiragem: 3.400 exemplares.
O Jornal da FIEC é uma publicação editada
pela Assessoria de Imprensa e Relações com a
Mídia (AIRM) do Sistema FIEC.
Endereço e Redação: Av. Barão de Studart,
1980 - térreo - CEP 60.120-901 - Telefones: (085)
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Coordenador da AIRM: Luiz Carlos Cabral
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JORNAL DA FIEC
Fortaleza,
outubro 2006
n
JORNAL DA FIEC
3
Laboratório calibrado
Com apenas dois anos de funcionamento, o LMS-CE já conta com uma carteira de mais
de 230 clientes oriundos dos segmentos da construção civil, mecânica, alimentos,
embalagens, gás e petróleo, transportes, químico e automotivo, entre outros
A
indústria cearense conta,
desde setembro, com o
primeiro laboratório de
metrologia dimensional
credenciado pelo Inmetro.
Trata-se do Laboratório de Metrologia do SENAI-CE (LMS-CE), localizado no Centro de Educação e Tecnologia Alexandre Figueira Rodrigues (CET AFR), em Maracanaú.
Implantado em maio de 2004, o laboratório atende as demandas da
indústria cearense, e de estados vizinhos, por serviços de ensaios mecânicos e caracterização de materiais, contribuindo para a melhoria
dos processos de fabricação, manutenção e controle da qualidade
das indústrias da região.
Tecnicamente, o LMS-CE trabalha
na calibração de instrumentos de
medição dimensional, tais como micrômetros, paquímetros, peneiras de
classificação para granulometria, pente de rosca, trenas métricas, manômetros, termômetros e prumos, entre outros. Para o gerente do CET AFR,
Tarcísio Cavalcante Bastos, o fato é
um marco histórico para a instituição.
“A conquista vem sedimentar ainda
mais a presença do SENAI-CE no
campo da difusão e do desenvolvimento tecnológico em apoio à indústria cearense”, acrescenta.
Com apenas dois anos de funcionamento, o LMS-CE já conta com
uma carteira de mais de 230 clientes oriundos dos segmentos da construção civil, mecânica, alimentos, embalagens, gás e petróleo, transportes, químico, automotivo, etc. Ao todo,
nesse período, foram aprovadas 268
propostas de trabalho. Para o responsável pelo laboratório, engenheiro
Alysson Andrade Amorim, a previsão
é chegar ao final do ano com a aprovação de 350 propostas.
Entre as empresas que já utilizaram os serviços do laboratório,
encontra-se a Construtora Colméia.
Segundo o profissional da área de
Patrimônio, Tiago Maia Prudente, o
serviço atendeu as demandas da
construtora, sobretudo, nas questões de prazo e qualidade. “Por se
tratar de um serviço que exige alto
padrão de qualidade, é fundamental podermos contar com a tecnologia de ponta do SENAI-CE, uma
vez que os resultados influem diretamente na qualidade do nosso trabalho”, afirma. A Construtora Colméia solicitou a calibração de esquadros, réguas, prumos, manômetros e nível de bolhas, utilizados
principalmente na parte de acabamento e pintura.
PADRÃO INTERNACIONAL
O
engenheiro Alysson Amorim ressalta que o SENAICE tem ampliado, a cada
ano, o leque de atividades prestadas, sendo hoje reconhecido nacionalmente como uma entidade que
oferece serviços com padrão internacional de qualidade. “Além da já
consagrada capacitação e assessoria
técnica e tecnológica nos mais diversos ramos da indústria, estamos nos
destacando, cada vez mais, na prestação de serviços com qualidade, comparada às melhores do mundo. Quem
ganha com isso é a indústria local, que
não precisa se deslocar para outros
estados, a fim de obter o que necessita”, diz o engenheiro.
Esse resultado tem sido possível
no LMS-CE graças aos investimentos em recursos humanos qualificados e, sobretudo, em equipamentos
de última geração, que permitem o
desenvolvimento de trabalhos como
o de medição e digitalização de peças matrizes. Trata-se do processo
de engenharia reversa, por meio
do escaneamento de superfícies e
conversão para arquivos CAD. “É a
mesma tecnologia utilizada na produção de carros, onde se desenha
um molde artesanalmente e, depois,
o equipamento escaneia a peça.
Esta, em seguida, é levada ao CAD,
e, posteriormente, à confecção do
molde e para a linha de montagem”
explica o engenheiro.
O LMS-CE também está capacitado para trabalhos nas áreas de
pressão, força e temperatura, ofertando, atualmente, mais de 50 serviços diferenciados. Conta com um
sistema de gestão da qualidade,
baseado na NBR ISO/IEC 17025,
devidamente implementado, padrões rastreados ao metro padrão
e ambiente com temperatura controlada. Sua equipe de profissionais está capacitada, ainda, para
prestar assessoria personalizada
sobre análise de sistemas de medição, gestão/organização de laboratórios e climatização de salas
de medição, entre outros.
O LMS-CE pertence à rede SENAI
de laboratórios de metrologia, que
atua em 14 estados da federação e
possui a maior estrutura laboratorial
do país. Está localizado à Av. do Contorno, 1395, Distrito Industrial de
Maracanaú. O telefone de contato é
(85) 3215.3026.
Veja alguns dos serviços
de calibração oferecidos
pelo LMS-CE
ÁREA DIMENSIONAL
n Calibrador anel liso cilíndrico; Calibrador tampão liso cilíndrico; Calibrador anel liso
cônico; Cabeçote micrométrico; Calibre de solda ABNT;
Calibre de solda Hi-lo; Especímetro; Esquadro plano (ortogonalidade); Esquadro plano (retitude); Esquadro para
construção civil; Esquadro
combinado; Gabarito para
esquadro/para traçador de
pinças; Goniômetro (por quadrante); Haste padrão; Micrômetro tipo paquímetro; Micrômetro interno (2 pontas); Micrômetro interno (2 pontas) por
haste adicional; Micrômetro
externo; Micrômetro externo;
Nível de bolha de ar; Nível de
bolha de ar; Nível de bolha
de ar; Nível a laser; Paquímetro universal; Paquímetro universal; Peneiras de classificação
para granulometria; Pente de
rosca (por lâmina); Padrão de
espessura; Projetor de perfil;
Prumo de face/prumo de centro; Relógio comparador; Relógio apalpador; Régua graduada; Régua graduada; Régua de prumo; Régua de alumínio; Rosca externa paralela;
Rosca externa cônica; Rosca
interna paralela; Rosca interna cônica; Súbito (comparador
interno de diâmetro); Trenas
métrica; Trenas métrica; Trenas
métrica; Trenas métrica; Transferidor; Traçador de alturas e
Traçador de alturas.
ÁREA FORÇA
n Descrição do serviço; Torquímetro tipo vareta/relógio
(por escala/por sentido); Torquímetro tipo estalo (por escala/por sentido); Torquímetro
com braço de alavanca móvel
(por escala/por sentido); Torquímetro tipo chave de fenda
(por escala/por sentido) e Torquímetro tipo rolhas plásticas/
metálicas (por escala/por sentido) Dinamômetro.
ÁREA PRESSÃO
n Descrição do serviço; Manômetros classes B, C e D; Manômetros classes A, A1, A2 e
Ajuste em manômetros.
ÁREA
REA TEMPERATURA
n Descrição do serviço; Termô-
metros bimetálicos; Termopares; Termo-resistências e Termômetros de bulbo de vidro.
4
n Fortaleza,
outubro 2006
JORNAL DA FIEC
IEL-CE premia melhores
práticas de estágio
O objetivo é proporcionar uma maior visibilidade às boas práticas
adotadas nos programas de estágio, quanto aos aspectos didáticopedagógicos, profissionais, humanos e, sobretudo, sociais
Ricardo e
Jonathan,
durante estágio
na padaria
Vovó Joana
Doces e
Salgados
O
Instituto Euvaldo Lodi
do Ceará (IEL-CE),
órgão do Sistema
Federação das Indústrias do Estado do
Ceará (FIEC), vai outorgar o Prêmio Melhores Práticas de Estágio
no Estado do Ceará – edição
2006. A premiação ocorrerá no
dia 17 de novembro, durante o IV
Encontro Cearense de Estagiários,
no auditório Waldyr Diogo. Na ocasião, serão agraciadas com um troféu empresas clientes do IEL-CE, que
tenham obtido, neste ano, maior destaque nas práticas de estágio.
O Prêmio será concedido a três
categorias de empresas: micro/pequenas (até 99 funcionários), médias (de 100 a 499 funcionários) e
grandes empresas (a partir de 500
funcionários). O objetivo é proporcionar uma maior visibilidade às
boas práticas adotadas nos programas de estágio, quanto aos aspectos didático-pedagógicos, profissionais, humanos e, sobretudo,
sociais. A iniciativa também pretende contribuir para a conscientização da importância da preparação do jovem talento, bem como
para propiciar uma melhor aproximação entre o conhecimento produzido nas academias e as exigências do mercado de trabalho.
A superintendente do IEL-CE,
Vera Ilka Meireles Sales, afirma que
o Prêmio será uma forma de reconhecimento às empresas que já
perceberam o potencial dos estagiários para auxiliar na obtenção
de um melhor desempenho nos
processos produtivos das organizações. Para ela, o Programa de Estágio demonstra ao jovem que a
realidade, dentro das pequenas e
médias empresas, é bem diferente
daquela que eles estão acostumados a observar nos livros. “A nossa
realidade (no Ceará) são as médias
e pequenas empresas”, diz, referindo-se ao fato de que na teoria os
jovens estão acostumados a trabalhar apenas com “cases” retirados
de grandes empresas. A superintendente chama a atenção para a
oportunidade que as práticas de
estágio oferecem aos empresários,
permitindo uma melhor visão sobre os profissionais do futuro.
Em 2004, última edição do Prêmio, a Ramalho Têxtil foi a vence-
dora na categoria pequena empresa. Segundo a gerente de Recursos Humanos da Ramalho Têxtil, Ana Paula Viana, “a empresa
não joga a responsabilidade para
cima do estagiário. Não esperamos que ele venha pronto para
exercer suas funções”, afirma. A
gestora considera que, somente
aos poucos e com o aprendizado
adquirido, o estudante poderá ganhar maior confiança para exercer atividades mais complexas.
O processo seletivo para escolha da empresa vencedora é
definido através de duas fases.
A primeira consiste na avaliação
de documentação enviada pelo
IEL-CE e preenchida pelas empresas sobre a atuação das mesmas no tocante às práticas de
estágio. Na segunda fase, são
feitas visitas às empresas finalistas, para definir as vencedoras
em suas respectivas categorias.
SERVIÇO Mais informações
através dos telefones: 32241806 ou 3466-6511 e e-mail [email protected]
Novos talentos
A
padaria Vovó Joana Doces e
Salgados, que possui convênio
com o IEL-CE, atua no
mercado fortalezense há mais de oito
anos e começou a utilizar os serviços
do Programa de Estágio do IEL desde
maio de 2006. A proprietária,
Patrícia Torisco, se diz surpresa
positivamente com a qualidade dos
alunos enviados pelo IEL para
realizar estágios na confeitaria, que
conta com 25 funcionários e cinco
estagiários. Destes, todos estudantes
do ensino médio, quatro deles
trabalham na produção de alimentos
e um no telemarketing.
De acordo com Patrícia, sempre
houve uma grande dificuldade em
encontrar pessoas qualificadas e
engajadas para exercer um trabalho
que ela define como “um ofício
sagrado, passado de pai para filho”.
Ela diz que os estagiários
encaminhados pelo IEL, logo ao
chegar, já demonstraram uma
excelente capacidade de observação,
atentando para detalhes como
preocupação com a higiene,
materiais de produção e vestimenta
dos funcionários. “É lógico que a
inexperiência tem peso nas atitudes
deles, mas pessoas com conceitos
formados, como esses jovens, já se
encontram com meio caminho
andado para obter
uma boa capacitação
profissional”, frisa.
Ticiane Soares
Soares,
encarregada de
realizar atendimentos
via telefone na
padaria, considera
que teve dificuldade,
no início, em lidar com os códigos
utilizados para realizar pedidos, mas,
depois que passou a dominar as
técnicas de sua função, a estudante,
que cursa o 2º ano do ensino médio
numa escola pública da Praia do
Futuro, passou a sentir-se mais à
vontade, a ponto de considerar a
confeitaria como uma segunda casa.
Jonathan Barbosa, estudante do
3º ano do ensino médio, que atua
na produção dos doces e salgados,
se diz satisfeito no estágio e já
considera a possibilidade de prestar
vestibular para Engenharia de
Alimentos, ao invés de
Fonoaudiologia, que sempre foi sua
primeira opção.
Fortaleza,
outubro 2006
n
JORNAL DA FIEC
5
Abip quer aumentar
consumo do pão no país
Cadeia do trigo
pretende investir cerca
de R$ 10 milhões/ano
em propaganda para
divulgar o pão e os
derivados do trigo, como
também na formação
dos empresários. A
meta é elevar o
consumo em 15% nos
próximo três anos
Parceria
para crescer
N
o Ceará, o Sindicato
das Indústrias
de Panificação e
Confeitaria (Sindpan-CE)
firmou, este ano, parceria com
o Serviço Brasileiro de Apoio às
Micro e Pequenas Empresas
(Sebrae-CE) e a Associação
Cearense da Indústria de
Panificação (Acip) para
execução do Projeto de
Desenvolvimento da Panificação
do Estado do Ceará.
Segundo o presidente do
Sindpan-CE, Ricardo Sales, a
iniciativa visa traçar um
programa para a panificação
cearense nos próximos três
anos, tendo como alvo as 150
empresas localizadas na região
metropolitana de Fortaleza e
mais 60 empresas nas regiões
de Sobral e Juazeiro do Norte.
“O projeto pretende viabilizar
ações visando reduzir o número
de empresas informais,
melhorando a competitividade
dos investimentos formais,
aumentando, assim, a oferta de
empregos”, explica.
Tecnicamente, as ações do
projeto prevêem o aumento em
cerca de 30% do número de
empresas formais; a elevação
em 15% do volume físico das
vendas das panificadoras; a
redução em 50% do desperdício
nos processos de produção e de
movimentação de mercadorias;
a geração de 10% de novos
postos de trabalho e o
aumento em 15% do
consumo de produtos
panificadores per capita.
O
presidente da Associação
Brasileira da Indústria da
Panificação (Abip), Alexandre Pereira Silva,
anuncia que, a partir de
janeiro de 2007, será deflagrada
em todo o país, através dos meios
de comunicação, uma campanha de
incentivo ao consumo do pão e, principalmente, dos demais derivados do
trigo. A meta é aumentar o consumo
em 15%, nos próximos três anos.
A proposta inicial estima investir
cerca de R$ 10 milhões/ano em propaganda voltada à divulgação do pão
e derivados do trigo (biscoitos, massas
e outros). O dinheiro virá de um fundo, com base em percentual mínimo
sobre cada saco de farinha de trigo
(50 quilos) consumida pelos diversos
segmentos envolvidos na cadeia do trigo. No Brasil, 55% da venda de trigo
se destinam ao fabrico do pão. Os 45%
restantes ficam com os derivados.
Caracterizada como um dos seis
maiores setores do país, a indústria
de panificação responde por 2% do
Produto Interno Bruto Nacional (PIB),
registrando faturamento de R$ 26 bilhões no ano passado. A expectativa
para 2006 é alcançar R$ 28 bilhões.
Atualmente, o consumo do pão
entre a população brasileira é da
ordem de apenas 52% (em vários
países é de 80%). “A Organização
Mundial de Saúde (OMS) recomenda 60 kg/per capita/ano. Estamos
atrás de vários países sul-americanos e europeus. Este é um dos motivos por que vamos desenvolver
ações em prol do incremento do
consumo”, afirma Alexandre Pereira. Nos últimos seis anos, a Abip
conseguiu aumentar o consumo do
pão de 27 kg/ano per capita para
33,11kg per capita/ano.
O presidente da Abip informa, ainda, que outra ação nesse sentido diz
respeito à ampliação dos cursos de
gestão para panificadores. “O empresário precisa voltar ao banco da escola, a fim de aprender técnicas modernas de venda e atendimento. Não
adianta nada fazermos uma grande
campanha de mídia se o consumidor
for ao estabelecimento e encontre
uma panificadora mal arrumada e
sem um bom atendimento”, explica
Alexandre Pereira, que tem como
meta atingir 10 mil padarias com
novos cursos nos próximos seis anos.
Os treinamentos serão promovidos
pelo Programa Nacional de Apoio à
Panificação (Propan), criado em
2000, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria do Trigo
(Abitrigo). Através dele, 2.000 panificadoras de todo o Brasil já participaram de cursos, que incluem tópicos como: melhoria no atendimento,
gestão de pessoas, gerenciamento de
produção e otimização de vendas.
NOVO PRESIDENTE DA ABIP
E
mpossado como o novo presidente
da Associação Brasileira da Indústria de Panificação e Confeitaria
(Abip), no dia 8 de agosto deste ano, em
Brasília, o industrial cearense Alexandre
Pereira pretende manter o foco das padarias na origem industrial. “Apesar de ter
avançado na área do comércio nos últimos anos, ampliando as vendas no varejo, a padaria continua sendo uma indústria. Por isso, é preciso ter preço e qualidade em seus produtos”, explica.
Durante a posse da nova presidência,
foi inaugurada a sede própria da Abip,
em Brasília. Até então itinerante (de acordo com a cidade de origem do presidente), o escritório da Abip saiu de Belo Horizonte para se fixar de vez em Brasília. A
gestão de Alexandre Pereira vai até julho
de 2009. Hoje, a entidade tem 58 entidades afiliadas – sindicatos e associações
da panificação de todo o país. Cerca de
50% das padarias brasileiras são associadas, através dessas entidades, à Abip.
A distribuição geográfica das padarias
no Brasil é maior na Região Sudeste, onde
estão 43% dos estabelecimentos. Vinte e
quatro por cento ficam na Região Nordeste; 22% na Região Sul; 7% na Região Centro-Oeste e 4% na Região Norte. Do total
de 52.286 padarias espalhadas pelo Brasil
afora, São Paulo tem o maior número –
10.560 pontos –, o equivalente a 20,2%
do total. O Ceará é o 14º estado com
maior número de panificadoras – 1.128
–, correspondendo a 2,16% do total.
6
n Fortaleza,
outubro 2006
JORNAL DA FIEC
FIEC quer fortal
Iniciativa em parceria com a CNI busca
aumentar a representatividade dos
segmentos industriais que compõem a
cadeia produtiva cearense
D
esde sua campanha à presidência da Federação das
Indústrias do Estado do Ceará (FIEC), Roberto
Proença de Macêdo colocou o fortalecimento dos
sindicatos que compõem a entidade como uma das
principais metas a serem atingidas em sua gestão.
No entanto, essa preocupação com a representação
sindical patronal não ocorre apenas no Ceará. Em âmbito
nacional, a Confederação Nacional da Indústria (CNI)
recomendou às diversas federações que estimulem seus
sindicatos associados a elaborarem projetos de promoção
associativa (veja o quadro abaixo).
Uma das medidas necessárias é aumentar o número
de empresas filiadas aos sindicatos. O objetivo é atender
ao parâmetro de representatividade presente na
proposta de Reforma Sindical, encaminhada pelo
Ministério do Trabalho e Emprego à Câmara Federal. A
proposta estabelece que cada sindicato seja composto
por pelo menos 20% do total de empresas integrantes
da categoria econômica que representa.
Essa preocupação com número de filiados é anterior à
reforma. Segundo Roberto Macêdo, a baixa
representatividade é prejudicial não apenas pela
dificuldade acentuada em conservar o sustento financeiro
da entidade, mas também pela frágil legitimidade para
falar em nome da categoria representada.
Outra meta é maximizar a atuação dos sindicatos. No
setor produtivo cearense, como em outros estados,
existem atividades ou categorias que se sobressaem
entre as demais. Sua expressão no setor industrial se dá
pela capacidade de organização interna e pelos serviços
e assistência que prestam aos associados, e não apenas
pelo número de empresas que representam.
O artigo 514, da norma consolidada, tratando dos
deveres dos sindicatos, já estabelece a obrigação de
manter serviços de assistência jurídica aos associados e
de promover a conciliação nos dissídios de trabalho.
Entretanto, ocorrem casos em que não há uma
Roberto Macêdo (camisa azul) disse na reunião do Simec que o fortalecimento dos 38 sindicatos q
contrapartida às contribuições financeiras feitas pelas
empresas. Por sinal, essas contribuições são outro ponto
polêmico da Reforma Sindical.
A proposta do governo inclui a extinção da
cobrança do imposto sindical compulsório, remetendo
à assembléia geral (e não à lei como ocorre hoje) a
competência para fixar o valor a ser recolhido das
empresas. Na opinião do coordenador da Unidade
Sindical e Trabalhista da FIEC, José Itamar Pereira de
Matos, essa mudança na forma de arrecadação dos
sindicatos é uma atitude temerosa, pois, mesmo
sendo a cobrança estabelecida em lei, ocorre a
inadimplência. Não havendo uma regulamentação, a
tendência seria diminuir os recursos com o não
pagamento das tarifas sindicais.
Visitas - Outra iniciativa no sentido de fortalecer os
sindicatos filiados à FIEC, na visão do presidente Roberto
O QUE É PROMOÇÃO ASSOCIATIVA?
P
romoção Associativa é um conjunto de
atividades planejadas para alcançar os
objetivos pretendidos. No caso proposto pela CNI, são
necessárias as seguintes ações, entre elas, o já mencionado
aumento da representatividade dos sindicatos:
n Desenvolvimento pelas federações de produtos e serviços para
os sindicatos.
n Capacitação de lideranças sindicais.
n Melhora da infra-estrutura disponível, aprimorando a
comunicação e a organização de pessoal dos sindicatos.
n Ampliação da base de associados, traduzida pelo aumento da
representatividade e pela realização de ações para mantê-los nos
quadros da entidade.
A elaboração e a execução do projeto ficarão a cargo do
Instituto Euvaldo Lodi (IEL), assim como ocorreu nas demais
federações do país. Todos os trabalhos serão acompanhados pela
coordenação da Unidade Sindical e Trabalhista da FIEC.
Macêdo, é a elaboração de um cron
cada uma dessas entidades represen
teve como ponto de partida a última
Sindicato das Indústrias Metalúrgias
Materiais Elétricos no Estado do Cea
em 10 de outubro último.
Para o presidente do Simec, Vald
Filho, a estratégia de Roberto Macê
Federação e o convite de seu sindica
presidente para a reunião de outub
“coincidência de interesses”. “O con
mas fiquei muito satisfeito ao saber
visitar todos os sindicatos. Vejo a inic
sinalização da toada de um caminh
da presidência, já que somos (sindic
e mantenedores da Federação. O p
olhando para quem ele representa”
Segundo Valderírio Pereira, a p
Fortaleza,
outubro 2006
n
JORNAL DA FIEC
7
lecer sindicatos
Iniciativa fundamental
N
ue compõem a entidade é uma das principais metas a serem atingidas em sua gestão
nograma de visitas a
ntativas. A estratégia
a reunião mensal do
s, Mecânicas e de
ará (Simec ), ocorrida
derílio Pereira Soares
êdo para reunificar a
ato ao novo
bro foram uma
nvite partiu de nós,
de sua intenção de
ciativa como a
ho natural por parte
catos) os formadores
presidente está
”, avalia.
proposta de
reunificação da FIEC com o fortalecimento dos
sindicatos demonstra que Roberto Macêdo tem
condições de representar a categoria. “A Federação
tem hoje um representante dos legítimos interesses da
indústria cearense. Como industrial, ele poderá
recuperar a representatividade dos sindicatos e a
credibilidade da instituição (FIEC)”, frisa.
De acordo com o líder sindical, o Simec está próximo
de completar 100 associados e a cada dia ganha mais
adesões. “Temos por tradição um programa de atração
de novas empresas e também prestamos serviço aos
nossos filiados, como assessoria jurídica e tributária,
além de qualificarmos as indústrias, através de seus
gestores, com a promoção de palestras e treinamentos.
Entendo que esse trabalho deve ser reproduzido noutros
sindicatos, como forma de aumentar a
representatividade (número de empresas
filiadas) deles”, conclui.
A Casa da
Indústria
abriga 34
dos 38
sindicatos
filiados no
Sistema FIEC
a opinião do
presidente Roberto
Macêdo, a própria
FIEC não terá condições de
manter a sua hegemonia se
não contar com filiados bem
estruturados, tendo seus
quadros de associados
atendidos e estimulados a
prover a sustentabilidade da
sua classe. Entre os
presidentes de sindicatos
ouvidos pelo Jornal da FIEC, o
reconhecimento à
importância das medidas de
fortalecimento dos sindicatos
é unânime.
Segundo o presidente do
Sindicato da
Indústria da
Construção
Civil
(Sinduscon),
Carlos
Roberto
Fujita, o
fortalecimento
do sindicato
é fundamental para o
crescimento do segmento e
da cadeia industrial. “Uma
maior representatividade
daria mais poder político às
reivindicações do setor”,
argumenta. De acordo com
Fujita, somente em 2006, 32
empresas se associaram ao
Sinduscon. Contribuíram
para esse número o trabalho
de atração de pequenas e
médias empresas e a
redução do diferencial de
alíquota do ICMS para 3%,
destinada exclusivamente
aos filiados do sindicato.
José Dias de Vasconcelos,
presidente
do Sindicato
das
Indústrias
Químicas,
Farmacêuticas
e da
Destilação e
Refinação de
Petróleo
(Sindquímica), revela-se
esperançoso com a atitude
da nova gestão da
Federação das Indústrias.
“São atitudes como essas que
Déficit de até
10 filiações
N° de
sindicatos
5
nos estimulam”, diz,
acrescentando que “o
Sindquímica se sentia um
pouco isolado, e essa
importante iniciativa nos
ajudará a aprimorar a
assistência prestada aos
nossos filiados”.
A presidente do Sindicato
das Indústrias de Fiação e
Tecelagem
em Geral
(Sindtêxtil),
Verônica
Perdigão,
concorda
com a
necessidade
de
fortalecer
os sindicatos e assegura que
o Sindtêxtil não terá
dificuldades em cumprir a
cota mínima de 20% de
representatividade.
Por sua vez, Álvaro de
Castro Neto,
presidente
do Sindicato
das
Indústrias
de Papel,
Papelão,
Celulose e
Embalagens
em Geral
(Sindembalagens), aponta as
dificuldades enfrentadas
pela maior parte dos
sindicatos como uma
justificativa para esta
iniciativa da FIEC/CNI. Ele
destaca que a ampliação no
número de filiados pode
aumentar a arrecadação e
possibilitar ao seu sindicato –
que possui nove filiados –
aprimorar a assistência
prestada às empresas.
Dos 38 sindicatos filiados
à FIEC, 14 possuem
representatividade superior
a 20%. Dos 24 restantes, 19
estão distribuídos em grupos
de acordo com o número de
filiações que necessitam para
atingir a cota mínima (veja
tabela), enquanto outros
cinco não possuem dados
disponíveis para fazer o
levantamento.
De 11
até 50
De 51
até 100
De 101
até 250
Mais
de 250
7
1
2
4
8
n Fortaleza,
outubro 2006
JORNAL DA FIEC
Perspectiva de boa
safra anima cajucultura
Ameaça
externa?
A
A safra deste ano deve superar em até 25% a colheita
de 2005, em função, sobretudo, das boas chuvas
A
verificadas no Estado
safra de caju este ano, no
Ceará, deverá ser a maior
dos últimos 10 anos, superando em até 25% a colheita de 2005. A expectativa é
do Sindicato dos Produtores de Caju
do Estado do Ceará (Sincaju), confirmada pelos industriais do ramo,
através do Sindicato das Indústrias
de Beneficiamento de Castanha de
Caju e Amêndoas Vegetais do Estado
do
Ceará
(Sindcaju).
Uma das principais razões para o
otimismo foram as boas chuvas verificadas nos 45 municípios que concentram a atividade no Estado. A produção de caju no Ceará acontece em
cerca de 330 mil hectares e, como
as chuvas se deram de maneira uniforme, o presidente do Sincaju, Paulo de Tarso Meyer, destaca que o Estado está em boas condições de começar uma grande colheita.
Ele cita, por exemplo, que o ideal para
essa safra é que as chuvas atinjam, em
média, de 700 a 800 milímetros, mas,
até agora, esse índice já ultrapassou os
mil milímetros. Estimulado por um bom
inverno, Paulo de Tarso afirma que o produtor realizou os chamados “tratos culturais”, que são a limpeza do cajueiro,
como poda, roça e corte dos galhos, para
evitar pragas e doenças.
Nesse momento, a safra já começa a ser colhida. O presidente do
Sincaju destaca que, agora, a preocupação dos produtores passa a ser o
vento forte e as chuvas fora de época,
que favorecem o surgimento de fungos. “Mas esse fator não deve interferir muito, porque os nossos cajueiros
estão bem sadios”, acrescenta.
Diante do quadro favorável que
se apresenta, o Sincaju iniciou uma
campanha de conscientização junto
aos produtores, a fim de que passem
a cuidar da qualidade da castanha a
ser repassada aos industriais. “É essa
qualidade que vai balizar o preço”,
explica. A atenção de Paulo de Tarso não é em vão, pois, dependendo
da castanha oferecida, esse preço
pode variar em até 10%.
Os cuidados básicos em relação à
castanha, por parte do produtor, são evitar que ela seja entregue muito úmida, o
que geralmente acontece nos primeiros
dias de colheita. “O ideal”, recomenda
Paulo de Tarso, “é que o produtor deixe
a castanha pelo menos dois dias no sol,
para tirar a umidade, como também deve
retirar restos de pedúnculo”.
Outra recomendação diz respeito
à armazenagem adequada do produto, deixando-o em cima de estrados de madeira e, se for passar mui-
tos dias, que seja entregue às indústrias a granel ou em sacos de estopa.
A cajucultura é uma das mais destacadas atividades econômicas do
Ceará. São 57 mil produtores e geração de 150 mil empregos diretos
e indiretos no campo e outros 15 mil
nas indústrias, de acordo com dados
do Centro Internacional de Negócios
(CIN) da Federação das Indústrias do
Estado Ceará (FIEC). Os números
são reforçados pelos resultados das
exportações do setor.
Em 2005, o Estado exportou US$
141,7 milhões, correspondendo a
15,2% das vendas externas cearenses. De janeiro a agosto deste ano,
foram US$ 94,4 milhões. A atividade ocupa o segundo lugar na pauta
de exportações. O primeiro é o segmento calçadista. Entre os produtos,
destaca-se a castanha de caju, que é
vendida para os EUA e Europa.
Para o presidente do Sindcaju, Antônio José Carvalho, a boa perspectiva de safra deve influir também na
pauta de exportações do Estado. Com
os resultados esperados, a indústria
deve aumentar sua produção e trabalhar próximo à sua capacidade plena. “Capacidade de produção que
tem atingido a média de 80% nos últimos anos, mas que poderá chegar
a 90%”, avalia Antônio José. “Isso
terá reflexos imediatos na geração de
empregos, com o surgimento de 2 mil
novos postos de trabalho”, arremata
Antônio José Carvalho.
pesar da previsão de
uma boa safra e a
melhora da qualidade
da castanha in natura
oferecida às indústrias, é
preciso ver com reserva as
perspectivas de que o Estado
possa ser beneficiado pelo
aumento da exportação do
produto. De acordo com um
estudo da Agência NorteAmericana para o
Desenvolvimento
Internacional (Usaid), o Brasil
vem perdendo
competitividade para os
países asiáticos já
há algum tempo.
Entre os fatores
considerados desfavoráveis
para o Ceará, estão
principalmente a concorrência
com a China e o Vietnã,
considerados dois grandes
exportadores mundiais. O
Brasil e o Ceará, por
conseguinte, já que é o maior
produtor do país, levariam
desvantagem em relação à
desvalorização do dólar. O
problema é confirmado pelo
superintendente do Centro
Internacional de Negócios
(CIN) da Federação das
Indústrias do Estado do Ceará
(FIEC), Eduardo Bezerra, que
aponta ainda a alta
dos juros brasileiros.
Mas o presidente do
Sindcaju, Antônio José de
Carvalho, é mais otimista e
diz que os estrangeiros não
operam com uma
competitividade maior do que
a brasileira. Para ele, os
asiáticos já atuam no
mercado nacional com outras
empresas, com os mesmos
custos e pagando os mesmos
níveis de preços de mercado.
Já Paulo de Tarso Meyer, do
Sincaju, entende que o Brasil
levaria vantagem porque a
nossa castanha é de
qualidade superior.
Fortaleza,
outubro 2006
n
JORNAL DA FIEC
9
INDI
fortalece
setor
UNICA.br
amplia atuação no setor de alimentos
A universidade passa, agora, a atuar nas cadeias
produtivas de outros sindicatos, além do trigo e do caju
A
cajucultura do Ceará tem no
Instituto de Desenvolvimento
Industrial (INDI) da FIEC um forte
aliado. Apesar de estar bem colocado
na pauta de exportações do Estado, o
setor vem enfrentando dificuldades nos
últimos anos, como a desarticulação da
cadeia produtiva e a ocorrência de
cerca de 90% da área plantada
ocupada por cajueiros comuns de alto
porte, onde predominam a baixa
produtividade, idade avançada e a
prática do manejo inadequado.
Esses aspectos foram detectados em
estudo realizado pelo projeto
Articulação da Cajucultura no
Ceará, desenvolvido pela FIEC, por
meio do INDI, em parceria com a
Federação da Agricultura e Pecuária do
Estado do Ceará (Faec) e o Serviço
Brasileiro de Apoio às Micro e
Pequenas Empresas (Sebrae-CE).
O projeto teve início em 2005,
sendo uma continuidade do programa
Plataforma do Agronegócio do Caju,
lançado no ano 2000 na FIEC,
envolvendo Ceará, Maranhão, Piauí,
Rio Grande do Norte e Bahia. O
projeto visa fortalecer a cadeia
produtiva do caju cearense,
implementando ações direcionadas ao
aumento da produção e da
produtividade e melhoria da
qualidade e competitividade dos
produtos e derivados do caju.
A operacionalização se dá nos 10
principais municípios produtores do
Ceará, localizados no litoral leste e na
zona norte. A meta é alcançar 20
municípios cearenses nos próximos
anos. Para participar, foram
selecionados produtores que contavam
com área pré-existente de até 15
hectares de cajueiro comum e que
estavam dispostos a incorporar,
simultaneamente, cinco hectares de
cajueiro anão precoce enxertado, ou
substituição de copas, e implantar, ou
expandir, cinco hectares com cajueiro
anão precoce enxertado.
Entre os principais alvos a serem
alcançados, estão elevar a
produtividade de 210 kg/ha para
1.000 kg/ha nas áreas recuperadas
com tecnologia de substituição de copa;
qualificar 300 produtores de caju,
através da realização de cursos de
curta duração sobre manejo da cultura;
substituição de copa; controle de
pragas e doenças; e colheita e
pós-colheita, incluindo padronização
e classificação da castanha.
A UNICA.br
iniciou suas
atividades
no segundo
semestre
de 2005
A
Universidade Corporativa
de Alimentos do Brasil
(UNICA.br) está ampliando o seu leque de atuação no setor de alimentos
do Estado. Com foco inicial nos setores do trigo e do caju, dois segmentos fundamentais ao desenvolvimento econômico do Ceará, a
universidade passa a atuar também nas cadeias produtivas de
outros sindicatos de alimentos filiados à FIEC, envolvendo os setores de açúcar, doces e conservas
alimentícias; laticínios e produtos
derivados; óleos vegetais e animais; bebidas; pesca; e café.
Lançada no ano passado pela
Federação das Indústrias do Estado
do Ceará (FIEC), através do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Ceará (SENAI-CE), a
Unica.br visa capacitar profissionais
com perfis de qualificação exigidos
pelos setores produtivos, através do
desenvolvimento das competências
organizacionais e individuais consideradas críticas para a viabilização
das estratégias de negócios das
empresas que compõem a cadeia
do setor de alimentos, além de proporcionar competitividade ao setor.
A UNICA.br iniciou suas atividades no segundo semestre de
2005, com o processo de organização de sua estrutura. Hoje, segundo Otaviano T. da Costa Filho,
gestor do órgão, “trabalhamos
com a cadeia do trigo – moagem,
massas, biscoitos e panificação –
em nível estadual com posterior
projeção nacional”.
‘’Os cursos ofertados’’, afirma
Otaviano, ‘’procuram formatar,
junto aos docentes e casos de empresas, conteúdos e metodologias que vão ao encontro do
‘aprender fazendo’, aplicando os
resultados diretamente nas empresas em que trabalham’’.
Considerando uma visão sistêmica de todo o processo, a
UNICA.br tem como compromisso
o acompanhamento junto a todos
os participantes de seus cursos, de
forma individual (crescimento pessoal) e organizacional (orientado
para a empresa onde trabalham).
“O que entendemos de uma universidade corporativa”, destaca, “é
que ela está focada diretamente
para uma determinada empresa/
organização, buscando o aumento
de sua produtividade e competitividade”, explica.
Para a UNICA.br, a atuação setorial – setor de alimentos – deve
consolidar o processo de gestão
mediante o mapeamento das competências coletivas do segmento, de
forma compartilhada com os diversos atores envolvidos, identificando, em cada empresa, sua parcela
que comporá as necessidades do
todo. Esse projeto de consolidação
de competências coletivas do setor
está em fase inicial, devendo ser
concretizado no início de 2007.
Orientada pelas principais demandas das empresas do setor alimentício, a UNICA.br prioriza a
promoção do desenvolvimento,
através da capacitação para o
trabalho, segundo educação corporativa e continuada. Como desafio do efetivo processo de geração do conhecimento, a
UNICA.br abre 15 cursos de extensão, envolvendo gestão pela
qualidade total, processamento de
alimentos para fins especiais light
e diet, análise sensorial, consultoria interna, desenvolvimento de
gestores, programa avançar em
vendas, estratégias e táticas de
negociação, entre outros, todos
voltados para a crescente demanda do mercado, divulgados no site
www.unica-brasil.org.br.
Os cursos ofertados são de natureza presencial, com metodologia estruturada para ação reflexiva e criativa, com base numa
educação continuada, demandada pelo mercado.
SERVIÇO UNICA.br - rua
Benedito Macêdo, 77, Vicente
Pinzón - 3263-6886.
10
n Fortaleza,
outubro 2006
JORNAL DA FIEC
INOVAR PARA CRESCER
O Fórum Estadual
de Tecnologia,
promovido pela
CNI, com apoio do
IEL-CE, visa
contribuir para a
construção de
um ambiente
favorável ao
desenvolvimento
tecnológico em
todo o setor
industrial
Marcos Formiga: ‘‘O
país hoje só forma
20 mil profissionais
de engenharia por ano’’
‘‘D
pesquisadores, alunos e professores
universitários, para discutir e apresentar soluções visando à inserção de novas tecnologias ao setor produtivo nacional. Na ocasião, foi apresentada a
proposta de modernização da engenharia brasileira, por meio do programa Inova Brasil, e divulgados casos de
sucesso da indústria cearense.
O evento no Ceará faz parte de
uma série de encontros que estão
sendo promovidos pela CNI em diversos estados do país. Ao final, um
posicionamento oficial do empresariado, sobre políticas que devem
ser desenvolvidas em prol da inovação na indústria, vai ser fechado
durante o 2° Congresso Brasileiro
iscutir como gerar e
levar tecnologia de
forma simples e direta para dentro das
empresas é um fator
decisivo para melhorar a economia
e fazer o país voltar a crescer em níveis que garantam o bem-estar de todos.” A afirmação é do presidente da
Federação das Indústrias do Estado
do Ceará (FIEC), Roberto Proença
de Macêdo, na abertura do Fórum
Estadual de Tecnologia, promovido
no dia 5 de outubro pela Confederação Nacional da Indústria (CNI),
com apoio do Instituto Euvaldo Lodi
do Ceará (IEL-CE), na sede da FIEC.
O encontro reuniu empresários,
CASOS
O
DE
de Inovação – marcado para abril
de 2007. A idéia é dar suporte ao
novo governo na implementação
das ações relacionadas ao tema.
O diretor de Ciência e Tecnologia da FIEC, Francisco José Lima
Matos, também enalteceu o papel
da CNI como indutor do processo
de melhoria tecnológica da indústria nacional. Segundo ele, a entidade tem procurado criar um ambiente favorável para que as boas
idéias, que nascem nas universidades e fazem sucesso, possam ser
conhecidas do restante do país.
“Esse fórum de debates certamente trará resultados significativos para
a tão almejada integração entre o
meio acadêmico e o setor produtivo”, disse.
Durante o encontro na FIEC, o assessor da diretoria do Departamento
Nacional do Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial (SENAI-DN),
Marcos Maciel Formiga, apresentou o programa Inova Engenharia.
A iniciativa, que reúne 17 instituições do setor público, privado e
acadêmico, foi criada pela CNI, em
maio deste ano, para promover
uma ação de mobilização nacional
em favor da modernização na educação da engenharia brasileira. O
executivo do SENAI afirmou que a
atividade é essencial para o processo de inovação tecnológica da in-
Segundo o diretor presidente
da Ecoce, Cairo Guimarães, o projeto desenvolvido pelo SENAI-CE foi
responsável pela sobrevivência do
seu negócio. “Utilizar o endocarpo do coco para produção de
móveis é algo inovador, mas sozinhos e sem tecnologia estávamos
naufragando. Nosso sonho, no
entanto, tornou-se viável com a
inserção do conhecimento advindo do SENAI, que apontou o caminho certo para o sucesso do negócio”, diz o empresário. Augusto está
finalizando a confecção de uma completa linha de móveis ambientais, feita
a partir do endocarpo do coco, para
a abertura do seu primeiro show
room em Fortaleza.
O fundador da empresa cearense Nuteral, doutor em Ciências de
Alimentos pela Universidade de São
Paulo (USP), Augusto Guimarães,
também apresentou seu caso de
sucesso. A Nuteral nasceu no Parque de Desenvolvimento Tecnológi-
co (Padetec) da Universidade Federal do Ceará, onde ficou 18 meses
incubada para fazer o desenvolvimento tecnológico e o processo de
fabricação industrial de alimento
para nutrição enteral ou oral e dietas em pó instantâneo.
Atualmente, a Nuteral atua nos
ramos da nutrição clínica, suplementos nutricionais e ingredientes nutricionais. A produção industrial teve
início com a linha clínica de alimentos para nutrição enteral ou oral, à
qual se seguiram a linha de suplementos nutricionais e a divisão de
ingredientes nutricionais, em parceria com a DMV International, da
Holanda, a quarta maior companhia mundial no processamento
de derivados do leite.
Em 2000, a Nuteral foi escolhida pelo Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e
o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae)
para compor livro e cd-rom, que
reúnem 60 exemplos de inovação
SUCESSO
evento também abriu espaço para a apresentação
de ações inovadoras que
vêm dando certo e que servem de
exemplo e estímulo ao setor produtivo nacional. O primeiro caso demonstrado foi o projeto Sistema de
Produção de Placas de Revestimento à Base de Coco, na Fábrica de Revestimentos Ecológicos do
Ceará Ltda. (Ecoce).
Operacionalizado pelo Centro
de Formação Profissional Antônio
Urbano de Almeida (CFP AUA),
unidade do Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial do Ceará (SENAI-CE), a iniciativa permitiu aumento de 500% na confecção de placas de revestimento,
para produção de móveis, a partir do aproveitamento do endocarpo do coco (quenga).
Segundo o técnico do SENAI-CE
responsável pelo projeto, Paulo Hyder, o primeiro passo na Ecoce foi
investir na realização de um diag-
nóstico econômico e social da empresa, onde foi constatada a necessidade de modernização do processo de produção da pequena fábrica
localizada no município de Umirim,
região Norte do Estado. Antes exclusivamente manual e rudimentar,
a linha de produção passou a ser
mecanizada.
Em seguida, foi feito um trabalho
de identidade visual em todos os
setores da fábrica, desde o cartão de visita, ao fardamento dos
funcionários. “Usamos diversas áreas do conhecimento, da mecânica ao
design gráfico, para gerar condições satisfatórias que garantissem
a sobrevivência do negócio. O resultado foi a transformação de um
processo artesanal, mas inovador,
em uma empresa que pode ser
exemplo para todo o país”, ressalta Paulo Hyder.
Hoje, a empresa está localizada
no município do Eusébio, região
metropolitana de Fortaleza.
Fortaleza,
outubro 2006
n
JORNAL DA FIEC
11
dústria nacional e, conseqüentemente, para o desenvolvimento
brasileiro.
Ele argumentou que, nos anos
60, o Brasil formava cerca de 60
mil engenheiros por ano, o mesmo
número que os países asiáticos,
como a Coréia, formam atualmente. Entretanto, hoje, no país, são
graduados apenas cerca de 20 mil
profissionais por ano. “Cremos que
esse fato contribui decisivamente
para o baixo crescimento brasileiro na atualidade, uma vez que a
engenharia é um elemento-chave nesse processo, por se tratar
de atividade geradora da inovação nos setores econômicos”, disse Marcos Formiga.
O representante da CNI defendeu uma maior aproximação entre
os cursos de engenharia e o setor
produtivo nacional. Para ele, o desafio é integrar a educação de engenharias com o sistema produtivo: “Precisamos estimular os cursos e a pesquisa a terem um foco
mais centrado nas necessidades das
empresas e no desenvolvimento tecnológico e econômico do país”.
Marcos Formiga citou, ainda,
uma pesquisa realizada pela CNI,
que ouviu 120 grandes e médias
indústrias, sobre o perfil do engenheiro que o país precisa. Os dados revelaram que, apesar do bom
nível dos profissionais no mercado, eles necessitam desenvolver
em maior grau a atitude empreendedora, capacidade de gestão,
de comunicação, de liderança e
o trabalho em equipes multidisciplinares. “O processo de inovação
tecnológica no país passa pela presença de mais engenheiros nas indústrias e fazendo pesquisa. Esse
é um dos alvos da CNI”, finalizou.
tecnológica no programa Tecnologia
e Inovação para a Indústria. Em
2002, a Nuteral recebeu o prêmio
Empresa do Ano da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de
Tecnologias Avançadas).
A Nuteral foi pioneira no Ceará na
adesão ao Programa Produção mais
Limpa (P+L), criado pelo Programa
das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnud). Em 2004, a Nuteral
patenteou e lançou comercialmente o
primeiro suplemento nutricional destinado ao controle de peso e obesidade baseado no conceito de equilíbrio funcional do organismo.
Também em 2004, a Nuteral recebeu a Medalha do Conhecimento,
criada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio
(MDIC), em parceria com a CNI e o
Sebrae. O prêmio é concedido aos
dez empresários que mais contribuíram para o desenvolvimento tecnológico e industrial do país.
Roberto Macêdo
aponta novos desafios para a CNI
Entre os desafios da indústria brasileira para o próximo
ano, estão o fortalecimento da representatividade
da CNI e a defesa de políticas voltadas
ao desenvolvimento das empresas
A
nova diretoria da Confederação Nacional da
Indústria (CNI), que tomou posse no dia 16 de
outubro, tendo à frente
o presidente reeleito Armando Monteiro Neto, deverá ter, como ponto
de partida, o desafio maior de fortalecer a representatividade da CNI,
como entidade máxima do setor industrial brasileiro. A opinião é do presidente da FIEC, Roberto Proença
de Macêdo, que considera, também, que a representatividade deve
constituir o foco motivador das diversas ações a serem empreendidas.
Para Roberto Macêdo, porém,
está claro que a questão da representatividade não é uma responsabilidade exclusiva da Confederação,
mas um objetivo a ser compartilhado conjuntamente por ela e pelas
federações de indústrias nos vários
Estados brasileiros. “É um elemento a ser aprofundado pela diretoria
da CNI, quanto aos termos da sua
concepção e diretrizes para a sua
implementação”, destaca.
O presidente da FIEC entende que
a CNI terá que manter a linha de
defesa de políticas voltadas para o
desenvolvimento das empresas industriais, dando sua contribuição ao crescimento do país. Segundo ele, já está
superado o ciclo do controle da inflação e abre-se agora um momento novo para a expansão da atividade econômica, em todos os setores.
“Entre esses, a indústria necessita ser
liberada dos entraves para crescer,
marcando uma presença mais ativa
tanto no mercado interno como no
externo”, afirma.
Para Roberto Macêdo, outro aspecto que deve ser pautado pela CNI
é o exercício de uma liderança próativa no Sistema S, que está sob o
risco permanente de ser reduzido
ou suprimido. “Na redução do custo Brasil, o governo federal não está
disposto a fazer concessões no sistema tributário, eliminando impostos, taxas, ou reduzindo alíquotas.
Em compensação, a tendência se
direciona para cortar as contribuições feitas ao Sistema S’’, declara
o presidente da FIEC.
Roberto Macêdo reforça seu posicionamento, em relação ao Sistema S, afirmando que ele tem uma
contribuição efetiva prestada ao
país. “Seu enfraquecimento se re-
fletirá sobre as empresas e, por extensão, na economia nacional. A CNI
poderá exercer uma ação de liderança, conduzindo o sistema para
reagir a pressões do governo federal. Ou poderá trabalhar com foco
no SESI e SENAI”, pondera.
Na avaliação do presidente da
FIEC, será tarefa da CNI, ainda, cobrar o cumprimento das propostas
contidas no documento que a enti-
dade entregou a cada um dos candidatos à Presidência da República.
“O documento é suficientemente claro e objetivo”, destaca. Com relação a isso, ela acha que os drásticos
cortes nos investimentos públicos colocam em mesmo nível de prioridade as infra-estruturas social e física.
“Na infra-estrutura social, o SESI
e o SENAI poderão conveniar com o
governo federal para se tornarem
executores, em todos os Estados, de
projetos de interesse da sociedade
brasileira. Já na infra-estrutura física, as empresas ligadas à construção civil e setores coligados poderão contribuir na execução direta de
projetos, não podendo ficar esquecidas as Parcerias Público-Privadas
(PPP)”, destaca Roberto Macêdo.
Quanto à legislação, o presidente da FIEC aponta que deve ficar
registrado, efetivamente, que nunca
se procedeu a uma reforma da
Constituição de 1988. Para ele, as
reformas parciais que transitaram no
Congresso Nacional pouco agregaram em termos de benefícios, os
quais a sociedade brasileira espera a
tanto tempo. “Por conseguinte, os vários temas de Reforma Constitucional
devem ser retomados”, avalia, para
completar: “A CNI tem vários de seus
membros com assento no Congresso
Nacional. É válido esperar que realizem um trabalho suprapartidário nesse sentido, induzindo uma mudança
de atitude por parte do Congresso em
sua inteira abrangência”.
Roberto Macêdo diz, também, que
a carga tributária e a política de juros
são dois temas que caminham juntos.
“Existe uma política de expropriação
indevida das empresas industriais mediante as políticas praticadas nesses
dois segmentos. A CNI tem sua visão
suficientemente
definida no documento entregue
aos candidatos à
Presidência da República e, após o
segundo turno,
necessita apenas
cobrar, combinando a pressão dos
industriais com assento no Legislativo e as pressões
das lideranças nos
vários estados da
Federação.”
O presidente
da FIEC entende
que, no atual estágio, a indústria
nacional não
está em condições de competir internacionalmente em pé de igualdade com outros países. “A desoneração tributária nas exportações não
é suficiente. A infra-estrutura viária,
os custos portuários ou aeroportuários e a desarticulação dos vários
sistemas de controle presentes nos
portos e aeroportos representam
encargos que são mais pesados no
Brasil do que no exterior”, alerta.
Por outro lado, diz Roberto Macêdo, a taxa de câmbio merece uma
atenção específica. “A CNI poderá
servir de intermediária das empresas
industriais, no sentido de encontrar
medidas compensatórias da simples
flutuação espontânea da taxa de câmbio. Na mesma linha, ele pondera
que a CNI poderá tomar a iniciativa
da execução de projetos que se estendam aos Estados, com o objetivo
de induzir as empresas brasileiras a
realizarem exercícios de mudanças
nos seus custos de produção, de modo
a minimizar perdas ou, quando possível, competir no mercado, mesmo
com as taxas conjunturalmente prevalescentes”, encerra.
12
n Fortaleza,
outubro 2006
JORNAL DA FIEC
ENERGIA
ALTERNATIVA
O Ceará tem se consolidado como
campo fértil na geração de energias
alternativas e renováveis
Parque
eólico do
Mucuripe
E
nergia eólica, solar, das ondas e
biomassa. O Ceará tem se consolidado como campo fértil na geração de energias alternativas e renováveis. Sedimentado como
pólo de geração eólica, o Estado foi o primeiro no país a lançar o Atlas Eólico, há
cinco anos, documento que mostra o perfil favorável à instalação de investimentos privados na área da energia dos ventos. Também foi precursor ao implantar
os parques eólicos da Prainha (10 MW),
Taíba (5 MW) e Mucuripe (2,4 MW), ainda na década passada.
Agora, a Eletrobrás pretende manter o
foco também na geração de energia por
meio de biomassa e usinas de ondas do
mar. Até o final do ano, deve ser lançado
o edital para construção de dois protótipos da usina de ondas que ficará no quebra-mar do Porto do Pecém.
O investimento inicial do projeto será
em torno de R$ 4 milhões, sendo 50%
do Estado e 50% da Eletrobrás. A primeira usina de ondas das Américas vai
gerar apenas 500 KW. No entanto, por
ser pioneira, a iniciativa demonstra a
ousadia e o interesse do Estado em
avançar na exploração do potencial de
geração da costa local.
No campo da energia solar, o Ceará
tem potencial para se tornar, nos próximos dois anos, pioneiro também na geração, em larga escala, desse tipo de energia, entende o coordenador de Energia
da Secretaria de Infra-Estrutura do Estado (Seinfra), Adão Linhares, durante o Fórum e Exposição das Energias Alternativas do Brasil (Power Future 2006), ocorrido em setembro, no Centro de Convenções Edson Queiroz, em Fortaleza.
O encontro, na opinião do presidente
do Centro de Energias Alternativas do
Ceará (Cenea), Alcântara Macedo, demonstra, a cada ano, a importância que
as energias alternativas têm na matriz
energética brasileira, bem como a posição de destaque do Ceará nesse campo.
A edição deste ano colocou em debate a
morosidade para a implantação dos parques eólicos da primeira fase do Programa de Incentivo às Fontes Alternativas
de Energia (Proinfa I).
“Entre os entraves identificados, está
o fato de só possuirmos uma única fábrica de aerogeradores, que produz
modelos já superados, em nível mun-
dial. Outra questão é que, devido à demora na implantação dos parques, os
preços dos equipamentos aumentaram
e não correspondem mais ao investimento planejado. Mas esse é um problema exclusivamente conjuntural. Logo, a
energia eólica começará a ser utilizada
com maior efetividade”, projeta Macedo,
para quem a atuação do Cenea é estratégica na promoção do desenvolvimento tecnológico desse setor.
Comprovando a teoria de Alcântara
Macedo, durante o encerramento do Power Future 2006, foi firmado acordo para
a criação do Centro de Formação e Treinamento Tecnológico de Energia Eólica,
voltado à educação básica, técnica e superior, visando ao treinamento de cerca
de 400 pessoas da comunidade de São
Gonçalo do Amarante, interior cearense. A idéia é formar mão-de-obra qualificada para trabalho com equipamentos de energia eólica.
O acordo prevê a mútua participação
técnica, científica e financeira, cabendo
à empresa alemã o financiamento de
equipamento e laboratório. A previsão é
que o programa tenha início a partir do
2º semestre de 2007, logo após a instalação da fábrica em território cearense.
O objetivo é atrair indústrias da área de
energias alternativas para o Ceará.
“O Ceará tem uma cultura própria e
inovadora no campo das energias renováveis”, sentenciou Segen Estefen, pesquisador do Programa de Engenharia
Oceânica da Coordenação dos Programas de Pós-Graduação e Pesquisa em
Engenharia (Coppe), da Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Estefen foi um dos palestrantes do encontro, sendo portador do anúncio sobre o Plano Nacional de Energias Renováveis do Mar, que está em fase de
negociação com a Eletrobrás. Desenvolvido pela Coppe/UFRJ, o plano reúne
projetos direcionados a dois objetivos:
levantar a potencialidade das ondas e
marés brasileiras e buscar tecnologias
para converter as energias advindas do
mar em eletricidade.
A execução do projeto, segundo ele, demanda investimentos da ordem de R$ 16
milhões, a serem aplicados em pesquisa,
desenvolvimento e inovações, durante o
período de 5 anos, com retorno garantido.
“O mar tem muito campo a ser explorado.
Daqui a 15 anos, a energia vinda dele
terá potencial para competir comercialmente com a energia eólica, que nessa
época já estará consolidada”, preconiza.
A maior vantagem das energias renováveis, na opinião de Estefan, é o
fato de serem complementares. “A
energia das ondas e marés não tende
a ser hegemônica. A exemplo da eólica ou solar, ela é complementar. Além
disso, não polui o meio ambiente, não
traz prejuízo à fauna nem libera gases do efeito estufa”, completa.
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SAFRA DE CAJU: A MAIOR DOS ÚLTIMOS 10 ANOS