recursos humanos Capa Bem-vindos - ao admiravel mundo velho Que consumidor já não pediu informações sobre um produto ou serviço no “fale conosco” do site de alguma empresa e espera até hoje pela resposta? Ou viu uma loja virtual impecável, mas quando chegou ao ponto de venda real teve a impressão de que estava na loja errada? Ou, ainda, comprou um produto com defeito e teve de correr atrás do fabricante porque quem lhe vendeu não tinha nada mais a ver com ele? Vamos voltar aos velhos tempos? Empolgadíssimos com os modismos do mundo dos negócios, muitos varejistas estão se esquecendo de que pouca coisa mudou quando o assunto é criar valor para o consumidor [ Por Joana Gonçalves 46 [email protected] SuperVarejo maio 2012 ] getty imagens maio 2012 SuperVarejo 47 Capa recursos humanos N sultor Gustavo Ayala. Muito mais informado e com acesso a tudo e muito rapidamente, ele se dá conta do que acontece aqui e ali e, em segundos, pode denunciar ao mundo inteiro uma experiência negativa de compra, e botar por terra a imagem de uma marca, empresa ou produto. Mas na hora da compra, seja pela web, seja na loja física, não está nem um pouco preocupado se o varejista está trabalhando com Customer Relationship Manager (CRM) ou usando a velha e boa Caderneta de Registro Mensal (CRM). Esse ‘novo’ consumidor continua querendo o que já queria há 5 mil anos: ser reconhecido, achar o que procura, a um preço que quer (e pode) pagar, no momento e no local que precisa... Assim, o caminho para satisfazê-lo é batido e sem atalhos. Diminuir o risco percebido: o risco de chegar e não ter como entrar na loja, o risco de encontrá-la fechada, o risco de não encontrar o que procura, o risco de se deparar com um preço abusivo, o risco de não ser bem tratado, o risco de ter que enfrentar uma fila gigante no checkout, o risco, o risco, o risco... Como reduzir esses riscos mortais? Sem mistério: pessoas, Shutterstock ovos tempos, novas estratégias, novos líderes, novos, novos, novos... Os avanços da tecnologia têm passado a impressão de que há algo de novo no ar, no mundo dos negócios. Uma infinidade de cursos, seminários, especialistas, ensina empresas a orientar negócios e estratégias para um novo consumidor, agora “shopper”, diferente de tudo o que conhece, que emerge dessas novas “realidades” virtuais. E no afã de atraí-lo, muitos varejistas vêm abrindo flancos consideráveis em suas retaguardas, especialmente no que se refere à “mão de obra” (ou falta dela). Sem perceber que questões elementares que norteiam as relações de consumo, desde que o mundo é mundo, estão sendo postas de lado, ignoradas, na melhor acepção da palavra. E é justamente o poder da tecnologia que pode aniquilá-los de uma vez por todas. Pesquisas, levantamentos, estratégias das mais diversas dão conta de que mudou o comportamento do consumidor. “Errado. O que mudou foram os hábitos do consumidor”, avisa logo o con- 48 SuperVarejo maio 2012 pessoas, pessoas... (literalmente, funcionários, que empresas insistem em chamar de “colaboradores”, termo juridicamente impróprio no caso). “Se o cara que pesquisou na web chegar à loja real e, além de produtos confiáveis, de boa qualidade e adequados à sua necessidade a preços justos, encontrar também abundância de funcionários acolhedores, prestativos e informados, que o ajudem a fazer a escolha certa, além de funcionários entusiasmados com os produtos que estão vendendo, aí, sim, ele estará no melhor dos mundos!”, avalia o consultor de marketing e estrategista de consumo do The Consumer Blog, o inglês Maz Iqbal. Se não encontrar nada disso, aí, sim, sua experiência de compra tem tudo para se tornar inesquecível! Para correr ‘menos riscos’, o varejista devia fazer um ranking de inconsistências de risco percebido pelo cliente, a partir dos sinais que ele próprio, cliente, dá a todo instante. O que ele faz quando vasculha tudo o que é site da internet é tentar reduzir o risco de uma decisão equivocada. E quando vai à loja e não encontra alguém para dizer ‘olha, esse produto é melhor por isso e isso’ ou ‘não leve esse melão. Não está bom’, o risco de comprar errado é maior. O professor do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (CESAR), Silvio Meira, um dos maiores pesquisadores de engenharia de software no Brasil, concorda: o varejo precisa se redescobrir como conselheiro e aumentar o nível de competência dos atendentes, até para preservar seus empregos. “Conhecimento sobre o que se vende gera respeito e adesão. Quando vou a uma loja e pergunto sobre algo é porque não consegui a resposta na internet; e quero ser atendido por alguém que saiba. Se for para tirar pedido, dispenso atendente. Pego o que quero na prateleira e levo ao caixa.” Os melhores vendedores são os que mais entendem de pessoas e de produtos e melhor sabem conectar os dois de forma sutil, sem tentar empurrar mercadoria. “Ou o varejo investe em gente e sofistica seu pessoal rapidamente ou terá problemas”, alerta Meira, citando o avanço da Netshoes no varejo online: começou com sapatos e hoje vende de bicicletas a academia de ginástica. Pessoas x tecnologia Na contramão, há fortes correntes botando fé que a tecnologia significa necessidade de menos gente e, muito provavelmente, de pessoal menos treinado, já que os clientes serão capazes de acessar informações através de dispositivos portáteis conectados a vários sistemas. Iqbal comenta, surpreso, que esta é a conclusão de um relatório britânico recentemente produzido pela PSFK (PSFK Future of Retailing Report 2011 - O futuro do varejo). E por aqui mesmo, uma infinidade de empresas leva a sério a fórmula: + tecnologia - pessoal = menos custo/mais eficiência. Da ideia de um desses “experts” em varejo nasceu uma loja de “quarta geração” em zona nobre da capital paulista: 50 SuperVarejo maio 2012 divulgação Capa recursos humanos Iqbal, do The Consumer Blog: pela lógica, operacionalmente faz muito sentido automatizar e padronizar. Estrategicamente é a pior coisa a ser feita as etiquetas são por radiofrequência! Sete dólares a etiqueta; dez mil itens, R$ 70 mil. Dos vinte checkouts, só um opera. A fila, enorme! “O dono cortou repositor, mas pôs etiqueta eletrônica. E acha que a loja é o estado da arte. Estado da arte é a fila não existir”, analisa Ayala. Também especialista em relacionamento com o cliente, Maz Iqbal avalia que, quando o varejo substitui pessoas, se torna como todos os demais, não se diferencia em serviços, por mais tecnologia que tenha. Então, os consumidores podem muito bem comprar online, sem precisar visitar lojas. “Vejo empresas em duas pontas de um espectro: de um lado, as que competem em preço - automatizam e padronizam tudo. Do outro, as que competem pela experiência de consumo única que oferecem.” Se o varejo não estiver ativamente engajado no jogo da experiência única, terá que tomar parte no jogo do melhor preço ou fechar as portas. Se, por exemplo, a Amazon decidir vender o que seu varejo vende, você está morto ao tentar o jogo do melhor preço. Pela lógica, operacionalmente (em termos de eficiência) faz muito sentido automatizar e padronizar. “Estrategicamente é a pior coisa que se pode fazer. Há muitos gerentes por aí que são ‘operacionalmente espertos’ e ‘estrategicamente deficientes’”, revela o consultor inglês. Capa recursos humanos Exemplos não faltam, aqui e lá fora. Supermercados apostam no varejo online. Maravilha, não fosse um detalhe: criaram o serviço como algo à parte na companhia. Com frequência, lojas virtual e real competem entre si – um lado fazendo seu melhor para bater o outro, para ser visto como ‘o bonzinho’, enquanto o outro lado é ‘o vilão’. Tiro no pé. Iqbal avisa: “a tecnologia existe para juntar as partes. Devia haver mais interesse para fazer isso. O raciocínio desses gestores parece que é: ‘integrar e coordenar ações entre um website e uma loja envolve interferência demais na organização estrutural, mudanças de cargos demais, dinheiro demais... Vamos investir apenas em serviços de atendimento a cliente e em marketing para conseguir novos consumidores para substituir os que foram embora’”, ironiza. O mesmo raciocínio atinge o formato 24 horas – lojas vêm sendo fechadas porque, na ponta do lápis, não dão lucro da meia noite às seis. A decisão é orientada por indicadores perversos: quanto se gasta e quanto se lucra. Tem mais gasto que lucro? Corta. Um supermercado em São Paulo nunca deu lucro; fechou o serviço 24 horas e passou a dar mais prejuízo ainda. É batata: loja 24 horas não fatura e lucra mais na operação noturna. Fatura bem de dia. Olhe aí o risco percebido de novo: “no geral, é rentável porque o risco percebido pelo cliente é quase nenhum, especialmente se o nível de serviço for de qualidade e o mix, completo. O cliente tem a sensação de tranquilidade, sabe que ela está lá, disponível a qualquer hora, e não vai ficar estressado, com receio de não encontrá-la aberta ou de não achar o que quer. Ao fechar a operação Modelo sob medida Na rede Modelo, de Cuiabá, não se gasta energia atrás de cliente da concorrência, e não se vai à mídia cobrir preço de ninguém. “Ser competitivo é obrigação, mas não tratamos preço como diferencial. Não adianta ir à loja do vizinho chamar cliente para a minha. Se não está próximo é porque não quer”, raciocina o diretor-presidente, Altevir Magalhães. A rede encara o desafio de cuidar muito bem de quem está dentro das lojas, não deixando faltar produto, recebendo-o bem em um ambiente organizado, limpo, agradável. “Sempre digo à equipe: vá lá, converse com o cliente, diga que é bom recebê-lo, abrace-o...” Para Magalhães, criar valor para o negócio é aprendizado diário com o próprio cliente. Os três mil funcionários são treinados para ouvir atentamente o que ele tem a dizer e a responder às suas demandas. “Se ele se manifesta, é porque quer ficar conosco, não quer ir embora. Vamos à sua casa, geralmente com flores, chocolates; conforme a briga, levamos até advogado”, brinca. Para “mapear os riscos”, a rede criou, há sete anos, o SOS Cliente – “o nosso Procon interno”, resume. Cliente nem sempre tem razão, mas o SOS Cliente faz de tudo para ouvi-lo. Dez pessoas se desdobram para responder em 24 horas, por telefone ou e-mail, às mais de 1,5 mil manifestações que chegam todos os meses das 16 lojas. “E não são respostas-padrão, de sorriso amarelo”, garante o diretor-presidente. “Não digo que concordamos com tudo o que o cliente pede, mas demonstramos sempre muita disposição para resolver os impasses. Percebemos que muitas vezes, ele só quer ser ouvido.” regam - e depois lançam no sistema. O “Atende Fácil”, terminal de consulta de preços (por touchscreen) tem a opção para receber críticas, sugestões e elogios. Nas lojas, 32 profissionais do Departamento de Atendimento ao Cliente registram manifestações e as enviam à Central. Todas as mensagens são registradas e repassadas aos gestores das lojas, coordenadores e/ou diretores. Os casos mais críticos são encaminhados à Ouvidoria. As manifestações mais comuns relatam demora no atendimento, falta de empacotares em certos horários etc. No Orelhão (foto), disponível em cada loja, o cliente fala com a Central (basta tirar o fone do gancho). O contato pelo site chega direto ao e-mail da Central. O cliente pode, ainda, fazer a crítica ou elogio através da Caderneta de bolso que os funcionários car- Graças ao SOS cliente, o Modelo adotou novos procedimentos operacionais, como devolução de itens com base no CDC, reformas de lojas, de toaletes, melhoria de sinalização em estacionamento, redução da poluição sonora etc. Graças a uma manifestação, a rede 52 SuperVarejo maio 2012 Altevir, dO Modelo: rede encara o desafio de cuidar muito bem de quem está dentro das lojas, não deixando faltar produto e recebendo-o bem em um ambiente organizado, limpo, agradável Cuidar do cliente é caro demais! Também em serviços rotineiros, gestores de indústrias, comércio e serviços, sem pessoal em número razoável e/ou preparado, seguem cultivando a burocracia: esperas intermináveis com gravações irritantes, exigências descabidas para trocar itens, cara de decepção porque não se trata de venda nova... Muitas empresas investem em mídia e contratam telemarketing terceirizado - ‘mais barato’. O cliente é mal atendido por pessoas despreparadas, mecânicas, que não identificou que participantes de eventos próximos e estudantes de uma faculdade usufruíam o estacionamento, prejudicando os clientes da filial Prainha. Como o estacionamento era aberto, às vezes era utilizado como via de tráfego para cortar o bairro e ir ao centro. Foi, então, fechado para atender somente os clientes. “Criar valor para o cliente consiste em atendê-lo da melhor forma, dentro das peculiaridades dos vários formatos de loja que a rede opera. As lojas de atacado têm a prestação de serviço reduzido; não funcionam aos domingos, vestem a camisa e desconhecem a ‘filosofia’ da empresa que teoricamente representam. “De que adianta termos propaganda por mobile, por streaming, Facebook com Twitter e Instagram se o atendimento é o constrangedor ‘vamos estar verificando’? Devíamos fazer passeata contra mau atendimento”, dispara Carlos Domingos, homem de propaganda, indignado com os desserviços daquelas mesmas companhias que em finais de ano vão à TV alardear respeito, compromisso, mudança, responsabilidade social, em comerciais cheios de sorrisos. “Toda a simpatia, neuromarketing, perfume, agradinho etc, só valem até fechar o negócio.” Ao tentar trocar um presente fecham às 20/21 horas, não têm entrega... O ‘valor’ para esse público é preço. A clientela é grande.” Agora, Magalhães vem apostando no formato atacarejo, mas decidiu-se por “lojas médias”, menores que as tradicionais, e mais bem distribuídas pela região, aumentando a conveniência para o consumidor. “É uma experiência recente, temos três lojas, e estamos ainda testando as reações do consumidor. Pelo que podemos ver até agora, são grandes as possibilidades de expansão desse formato em cidades médias do Mato Grosso.” fotos: divulgação noturna, a loja não morre de infarto. Morre de leucemia, lentamente”, brinca Ayala. maio 2012 SuperVarejo 53 Capa recursos humanos 54 SuperVarejo maio 2012 dinheiro em propagandas, promoções e acordos para obter novos consumidores. E, antes que perceba, está viciado nesse jeito de fazer negócios e não enxerga nenhum outro. “É bem aquela história: sou casado, costumava achar minha mulher linda! Agora estamos juntos por um tempo e o relacionamento se tornou previsível, não é mais divertido. Mais divertido é correr atrás das mulheres lindas que vi ontem!”, compara Iqbal. Preços segundo o bolso Há uma corrente de empresas que acreditam que aproveitar os consumidores já conquistados é uma ideia interessante. “Ao menos, a teoria diz que os consumidores que ficam com você estão felizes. Mas, ao mesmo tempo, diz que, se estão felizes, então você deveria cobrar deles o preço máximo e fazer o mínimo possível para mantê-los”, lembra o inglês. E aí, o céu é o limite: no Brasil, especialmente em São Paulo, o risco percebido do preço é uma barbaridade. Uma amiga foi pagar dois pedaços de bolo em uma doceria: R$ 50. ‘Mas não comprei dois bolos inteiros!’, chiou. Varejistas ainda não entenderam que não é porque o cliente está num bairro de melhor poder aquisitivo que pode cobrar mais caro dele. “Tem mais poder aquisitivo justamente porque não rasga dinheiro”, diz Ayala. Iqbal completa: “como consumidores, encorajamos atitudes divulgação de Natal (com a etiqueta da loja), exigiram de Domingos o CPF do comprador ou a Nota Fiscal. Com a empresa de TV por assinatura, ele ouviu do técnico que “se tratava de problema no cabo”. “Uma TV a cabo com problema no cabo?” “Nesta região é assim mesmo”, respondeu o técnico. Nesse momento em que o País avança no ranking mundial, seria perfeita uma revolução nos serviços. O sócio e diretor de criação da agência de propaganda Age Isobar, Carlos Domingos, tem duas explicações: as empresas pensam que, se são ruins, o concorrente também é. E não parecem estar nem aí para a debandada de clientes, pois se saem quatro/cinco, entram dez/quinze de classes C e D. A pesquisa “O Observador Brasil 2011”, desenvolvida pela Cetelem BGN, em parceria com a Ipsos-Public Affairs, mostra que 63,7 milhões de brasileiros ascenderam socialmente no Brasil nos últimos sete anos. A classe C recebeu 2,7 milhões de pessoas em 2011, vindas da classe D e E, e foi a única camada da população cuja renda média familiar cresceu em 2011 (8%). Hoje, 103 milhões de pessoas fazem parte dessa classe social. Assim, fica fácil explicar por que as empresas investem aos tubos para conquistar clientes, mas se descuidam dos ativos. O resultado é uma paparicando cliente da outra. “A palavra atrair é muito próxima de trair”, alerta o publicitário. Será que vale a pena atrair mais gente com promessas que não serão compridas lá na frente? Pergunta oportuna. Com a palavra companhias de telefone, de TV a cabo etc. Se você acaba de assinar o contrato de adesão, esqueça promoções, bônus, descontos... Isso agora é só para ‘potenciais clientes’. “A empresa perde 10% dos clientes por ano; só que a batalha do ano inteiro é para ganhar 10% da concorrente, que também está perdendo. Não fazem a conta do custo da perda de cada cliente, de todas as receitas recorrentes e futuras dele, nem do quanto ele custou para “entrar” na empresa”, pontua o professor Meira. Resultado: as empresas se engalfinham num mercado parado e não conseguem gerar valor adicional, porque não cuidam apropriadamente do ciclo de vida do cliente. “Ninguém devia ficar tranquilo ao perder um cliente, fosse quem fosse. O melhor cliente é aquele que você já tem. Se está satisfeito, não tem ninguém melhor que ele pra falar bem de você”, avalia o professor. Voltando ao raciocínio do especialista inglês: muitas pessoas na cúpula das empresas acreditam que não podem cuidar bem de seus clientes, pois é caro demais; e mesmo que cuidassem muito bem deles, eles iriam embora para o próximo competidor que lhes fizesse uma oferta especial. “Quem acredita nisso faz o mínimo necessário para manter seus clientes: minimiza investimentos em funções relacionadas a atendimento ao consumidor, pois já tem como certo que vai perdê-lo. E põe seu Domingos, da Age Isobar: de que adianta termos diversas ferramentas de propaganda e o atendimento ainda ser do tipo “vamos estar verificando”? shutterstock assim. Não recompensamos empresas que fazem a coisa certa, ao dar-lhes boas referências e compras repetidas, e não punimos as ruins, compartilhando nossas péssimas experiências em redes sociais e recusando-nos a comprar com elas novamente”. Na era da conectividade social e autoexpressão – possível pelos smartphones, tablets, internet e mídia social –, atitudes assim podem significar muito. “Pela primeira vez na história o indivíduo tem voz, uma voz que pode colocar marcas, companhias e governos de joelhos. Pense na pressão dos consumidores diante da mudança do logo da marca Gap – e ela voltou atrás; ou na mais poderosa e mais rentável empresa no mundo, a Apple, que teve de ceder frente a uma campanha em mídias sociais para que fizesse algo a respeito das condições de trabalho em sua principal fornecedora, a Foxconn”, enumera Maz Iqbal. Criar valor A onda é criar valor para o cliente. O que as empresas entendem por “valor”? As clássicas entendem como vender um produto com o qual o cliente fique satisfeito. Pelo ponto de vista do cliente, no entanto, é a empresa passar a fazer parte de seus problemas e soluções, é ter as empresas como parte de sua cadeia. Quem explica é Silvio Meira: nós, consumidores, estamos interessados em relacionamento e relacionamento é algo recorrente. Não pode ser extemporâneo. maio 2012 SuperVarejo 55 shutterstock Capa recursos humanos Valor não é pura e simplesmente resolver um problema. O varejo cria valor para o cliente quando lhe oferece algo que resolva o seu problema, por um preço justo – e não pode descobrir depois que a empresa obteve um lucro exorbitante ou descobrir que estava escrito em letras minúsculas no contrato de venda que ela não se responsabiliza se algo der errado com o produto. Ou seja, o consumidor só pode ajudar a construir relacionamento se o varejo aumentar o grau de transparência, criar os canais de interação, jogar limpo, mesmo que isso signifique perder a transação. “Quando diz que entrega em 72 horas e não o faz, o comprador não precisa de raciocínio brilhante para saber que foi enganado. É na transparência que se cria relacionamento e isso implica ter o mesmo comportamento ético na loja física, presencial, na propaganda, na rede social”, adverte o professor Meira. Para Domingos, as pessoas se relacionam com as marcas 56 SuperVarejo maio 2012 como com os amigos – há o divertido, o sério, o parceiro, o mais jovem, o traíra. “Como os amigos, empresas falham com a gente. A diferença está em como lidam com isso. Umas negam o quanto podem, mantendo o assunto quente por muito tempo. Outras assumem, se explicam, humanizam a relação e logo neutralizam os efeitos...”, diz, recordando-se da TAM. Lá, a bagagem extraviada chegava às mãos do cliente com um bilhete do comandante Rolim: ‘estamos trabalhando para que isso não volte a ocorrer. Forte abraço’. O cliente se sentia prestigiado e o gesto simbolizava uma companhia feita por pessoas, sujeita a erros. “Veem nas falhas oportunidades para melhorar processos. Pouco tempo após aquele grande acidente, voltou ao nível de ocupação dos aviões, e em oito meses foi eleita uma das melhores companhias para se trabalhar.” A lista de possibilidades para oferecer uma experiência única (positiva), facilitando e enriquecendo a vida do cliente é extensa e passa sempre por rastrear os riscos percebidos por ele. Em comum, um elemento-base: pessoas! O estacionamento do supermercado está saturado? ‘Procura-se estacionamento’, primeiro, nos procedimentos: melhore o layout e coloque empacotadores e mais caixas. O cliente vai achar o que procura e ser atendido mais rapidamente, vai ocupar o estacionamento por menos tempo e sair feliz da vida. “Quando se esgotar o potencial de se trabalhar melhor a loja, aí, sim, pense no terreno ao lado”, ensina Ayala. A receita do inglês Maz Iqbal é semelhante. Facilite e enriqueça a vida do cliente permitindo que compre online e retire o produto na loja, ou que compre na loja e receba em casa. Varejista de roupas pode dar conselhos de moda, um varejista de utensílios de cozinha pode promover aulas de culinária, gratuitas ou a preços especiais. Por aqui, o Hippo, de Santa Catarina, criou o papa-filas, como as companhias aéreas no check-in dos aeroportos. Uma funcionária vem com o scanner e escaneia tudo do carrinho. Quando o cliente chega ao caixa, é só pagar. Exemplos de como enriquecer a vida do consumidor incluem convidá-los para eventos especiais restritos aos clientes. A O2 confere acesso especial a eventos musicais. Já a Giffgaff (MVNO - mobile virtual network operator) convida consumidores para sua festa de Natal. Segundo Iqbal, especialista em relacionamento com o cliente, o varejista deve se perguntar por que um consumidor deve fazer todo o esforço para vir à loja quando pode comprar em casa via iPad? O que oferece que torna a cansativa tarefa de ir até lá, achar e pagar estacionamento, andar pela loja, selecionar o produto, levá-lo ao caixa, esperar na fila, pagar, voltar para o carro, dirigir até em casa? “O desafio para a loja é ser um destino que ponha um sorriso no rosto do consumidor.” A rede Build a Bear Workshop não vende ursos de pelúcia - vende à criança a experiência de criar e ter um novo amigo; permite que ela ‘construa o próprio urso’ na loja, em um ambiente colorido, alegre, com assistentes satisfeitos em ajudá-la... “Essa experiência não acaba quando a criança leva o urso para casa; a Build a Bear dá um código à criança e ela pode ativar seu urso online e comprar roupas para eles: para noite, festas, uniformes escolares... A lógica do cliente Criar valor implica principalmente conhecer bem o negócio. Sem gente, ninguém tem tempo para medir e observar processos insuspeitos... Dia desses um varejista se dizia revoltado com quem só compra itens em promoção. Ayala decidiu conferir quantos cupons saíram apenas com esses itens. Nenhum. E os caixas rápidos? ‘O cliente que compra pouco hoje vai comprar muito amanhã.’ Ao analisar os perfis dos clientes de uma grande rede paulista, um ‘achado’: quem compra muito, compra muito 95% das vezes e em 5% compra pouco, mas não tão pouco para ter direito a caixa rápido; e quem compra pouco jamais compra volume, não abastece a casa, geralmente é jovem, está sempre de passagem, toma condução perto, estuda. Poderia comprar na padaria, no bazar da esquina, mas entra no supermercado, com regalia. Conclusão: a maioria dos varejistas trata como parrudo o comprador do tíquete de R$ 2,50 e castiga o de R$ 700. Na economia de gente, oportunidades se perdem. Com o fim das sacolas plásticas, o pacoteiro será ainda mais necessário; a falta de padronização das sacolas de clientes pode causar demora grande nos caixas. Resultado: mais filas, estacionamento cheio... Ayala sugere caixas vips - coloque um funcionário para tirar a mercadoria do carrinho do cliente e outro para colocar nas embalagens que o cliente traz. É preciso pensar em gente como aliado para criar valor ao negócio. Ayala sugere painéis de clientes permanentes para que se conheça de fato o pessoal que circula na área de vendas – e que está o tempo todo sinalizando sobre o que gosta e o desagrada. Uma jovem de 20 anos virou case em um atacado da capital. O gerente de categorias queria saber dela o que achava do mix de tinturas. ‘Melhorando. Mas quem ensinou você a colocar o xampu aqui, o creme lá e o condicionador mais longe ainda? Não é assim que a gente compra. Quando escolho uma marca, compro o xampu, o condicionador, o creme, o leave-in, todos da mesma marca. Por que não está tudo junto?’ O segredo para agregar valor ao cliente está em afinar a pontaria e investir em gente. “Todo o resto é pirotecnia!”, insiste Ayala. maio 2012 SuperVarejo 57 Capa recursos humanos Treinar, motivar, manter acesa a chama shutterstock Alta rotatividade, baixos salários, pouco glamour. É preciso agregar valor para quem atende o cliente 58 SuperVarejo maio 2012 Karl Albrecht, respeitado guru da administração e da inteligência organizacional, define o conceito de inteligência organizacional como a capacidade da empresa de mobilizar todo seu potencial intelectual disponível e concentrar tal capacidade na realização de sua missão. No varejo, a missão é servir ao cliente - impossível sem o fator humano. A questão é que o segmento assumiu-se basicamente como empregador de uma mão de obra estreante, pouco ou nada qualificada e ‘temporária’. Paga pouco e treina menos ainda, sob a alegação de que, em pouco tempo, vai ‘entregar esse indivíduo ao mercado ou à concorrência. Que tal se se perguntasse: o funcionário é mal remunerado porque não vai ficar ou não vai ficar porque é mal remunerado? Somam-se aos baixos salários a falta de incentivo e de objetivos claros, o excesso de controle e chefias despreparadas para descobrir e desenvolver talentos que estão bem ali, debaixo de seus olhos. Trabalhadores competentes, de boa ou de grande capacidade intelectual são extremamente difíceis de atrair para o negócio. “Na medida em que você faz pouco para preservar ou para evoluir essa capacidade junto com sua empresa, o custo dessa perda é gigantesco e pode afetar severamente não apenas a lucratividade, mas sua sobrevivência”, ilustra o professor Silvio Meira, pesquisador de engenharia de softwares no Brasil. A telefonista de uma empresa terminou o curso superior de marketing e foi à chefia pedir uma oportunidade na área. Uma semana depois, estava na rua. O chefe pensou: “se quer mudar de área, não está feliz aqui”. O caso é real e não é isolado. Em artigo na revista HSM Management (44 maio-junho 2004), o mesmo Karl Albrecht escreveu. “É provável que o número de companhias derrotadas pela própria estupidez coletiva seja bem maior do que o daquelas realmente vencidas por mérito de bons concorrentes. A capacidade mental perdida e a energia desperdiçada em muitas empresas funcionam como um imposto interno sobre os lucros, pois não podem ser mobilizadas para fazer valer sua missão.” O varejo precisa entender que entre ele e o cliente está o funcionário. No livro The Welcomer Edge, Richard Shapiro classifica os perfis de funcionários de linha de frente: anfitrião (ativamente recebe e cuida dos clientes); robôs (faz todas as coisas certas, segue os procedimentos, mas não demonstra qualquer emoção ou cuidado pelo consumidor); indiferente (ignora as necessidades do cliente e continua conversando com o colega); e hostil (além de agressivo, faz de tudo para tornar a vida do cliente mais difícil). O consultor especializado em relacionamento com o cliente, o inglês Maz Iqbal, resume: “Shapiro apontou que as empresas não identificam os anfitriões em suas carreiras e fazem um péssimo serviço ao tentar mantê-los, pois, primeiro, não percebem e não estimam a contribuição que eles dão para a empresa; e, segundo, não os recompensam por isso”. Quando as pessoas se sentem impelidas a anfitriões? “Quando sentem que têm importância, que são capazes de contribuir para algo que vale a pena, quando a empresa torna fácil para que elas contribuam e lhes dá as ferramentas necessárias”, avalia Iqbal. As pessoas se conectam, se identificam e contribuem quando o que a empresa faz ou almeja alcançar parece relevante a elas; quando vão receber uma parcela justa dos resultados que vêm da sua contribuição; e quando não têm medo de serem ridicularizadas ou punidas por fazerem suas vozes serem ouvidas. “Funcionário bem cuidado é cliente bem tratado”, reconhece o diretor presidente da rede Modelo, de Cuiabá (MT), Altevir Magalhães. Por que alguém vai trabalhar bem pra você se só sua empresa vai bem e ele não? Para motivar, Magalhães paga aos funcionários curso superior, oferece bom plano de assistência médica, plano de carreira... Os números confirmam: dos 32 gerentes e chefes de loja, 30 foram formados na rede, começaram no chão de loja. Para novos cargos, a seleção interna é exaustiva. “Se não encontramos alguém com o perfil, buscamos no mercado, mas sempre priorizamos os de casa. Os que chegam de fora também fazem carreira: estão há pelo menos quatro anos no Modelo, aprendendo...” Líderes serventes Como preparar e criar um ambiente em que queiram ficar trabalhando justamente em uma área com horários tão malucos? Magalhães reconhece o quanto é complexo gerenciar RH no varejo hoje. “O funcionário tem muito mais razões para maio 2012 SuperVarejo 59 Capa recursos humanos divulgação sair do que para ficar.” Ok. Uns saem, outros entram, mas como explicar essa rotatividade ensandecida? “Falta propósito”, diagnostica a terapeuta Claudia Riecken, autora do livro “SobreViver – Instinto de vencedor” e do teste comportamental “Método Quantum”, utilizado por empresas no mundo inteiro. “Quando o funcionário gosta da companhia não vai embora tão fácil assim. O ambiente precisa ser propício ao crescimento, ao aprendizado, o indivíduo precisa se sentir parte de algo maior que ele...” A dica: “Primeiro, a empresa tem que saber quem está chamando, fazer teste vocacional, comportamental e de competência. Precisa ter tecnologia rápida e silenciosa para medir e saber contratar melhor, investir em recrutamento e seleção, pegar indicações em empresas, saber com quem e por onde o candidato anda, quem são os amigos, que clube frequenta. Só assim vai errar menos. “Contratar mal e depois querer que ele dê certo, não dá!” Claudia continua: “Encantar não é difícil, o difícil é manter a chama acesa.” Então, quando estiver com os perfis certos nos lugares certos, crie elementos de fidelização; se o perfil da mão de obra é jovem, procure saber o que essa turma gosta, pelo que se interessa; investir em balada, viagens, cursos... ‘Olha, vou pagar seu inglês e você me dá 18 meses de estabilidade depois; se sair antes, tudo bem, mas terá que pagar a integralidade do curso, pois vou ter que formar outro profissional’. Motivação vem de dentro – ninguém além de você próprio pode se motivar. O que outra pessoa pode fazer é inspirá-lo para ser o melhor que consegue ser, ou melhor do que é no Claudia riechen: é vital ter pontos de divertimento, mas que não sejam isolados do trabalho, ou viram “salas de descompressão” momento. “É este o papel dos líderes nas organizações”, diz Iqbal. Como inspirar? Pode-se inspirar por uma causa nobre (‘queremos fazer coisas que valem a pena, quase espirituais’); pode-se inspirar por similaridade (‘temos uma necessidade de nos conectar e de fazer parte de uma tribo que é como nós e nos valoriza’); pode-se inspirar por realização (‘gostamos de alcançar objetivos’). Claudia acrescenta: “crie desafios que não sejam grandes demais, pois desanimam, nem tão fáceis que não sejam desafios. Se as pessoas tiverem determinadas competências, se tiverem oportunidade de planejar e forem reconhecidas por aquilo que são boas, não tem erros.” Não custa observar que benefícios oferecem empresas indicadas como melhores para trabalhar: tíquete cultural, cesta básica, uma folga a mais etc. “Venda isso para o candidato antes que se torne funcionário”, sugere a terapeuta. Outra dica: o aspecto motivacional não pode ser um evento isolado (o ‘parabéns para você’, a palestra, a festinha de fim de ano), ou a pausa de 15 minutos para o café, a sala de ginástica... É vital ter pontos de divertimento, mas que não sejam isolados do trabalho, ou viram “salas de descompressão”, pondera Claudia. O oxigênio que respira na organização precisa ser a alegria, o compartilhamento, o espaço para a criatividade. “E não adianta ter apenas um gerente geral e um líder brilhantes. Os gestores de meio, chefias, coordenadores, supervisores têm de ter brilho nos olhos, vontade.” Iqbal concorda: a chave é criar um ambiente que tire as pessoas de si mesmas e seus egos e preocupações mesquinhas e as transporte para uma realidade diferente, em que elas e suas contribuições têm importância, e em que o jogo a que são convidados a jogar seja um que vale a pena jogar. Este comportamento tem que ser modelado (partir) do dono/CEO para os diretores e gerentes regionais e deles para os gerentes de loja. Claudia cita um ditado que diz: o papel do líder é “definir a realidade no começo e dizer obrigado no final. No meio, ele é um servidor”. Iqbal emenda: o serviço de diretores e gerentes é transformarem-se de chefes e controladores em ‘líderes serventes’. “Líderes serventes não ficam sentados na frente de um 4x4 enquanto os outros andam ao redor carregando peso; líderes serventes garantem que existam instruções nos lugares certos, que o equipamento correto está no lugar; líderes serventes andam com as pessoas – são como elas. E, se necessário, carregam os fardos pesados para que a equipe seja eficiente. As pessoas morrem por alguém assim! Ainda me lembro de como me sentia bem fazendo horas extras e trabalhando duro para uma rede de hotéis. Um dia, um de nossos parceiros veio nos ver e quando viu o quão atarefados estávamos, se levantou e fez chá para todos nós! Ainda me lembro desse ato de liderança e até hoje admiro aquele parceiro, um líder servente!” divulgação Controle x conhecimento Mas grande parte dos líderes no varejo hoje é orientada para o controle, o que, na opinião do professor Silvio Meira, é o principal empecilho na retenção de talentos. Teoricamente, as pessoas estão nas empresas para somar, multiplicar. Algumas são o “miolo” do negócio, a “alma” da empresa, as que deveriam ser pagas para pensar, para criar, mas se perdem em meio a um conjunto de regras que mais oprimem do que controlam. Aí, das duas uma: ou saem ou permanecem e param de render tudo o que podem. “Pessoas, não digo de grande, mas de média capacidade intelectual, não querem mais viver em sistemas de comando e controle. Levam em conta não necessariamente a remuneração, mas o ambiente de trabalho; que é possível fazer e criar de forma simples, fácil, divertida, pode ser o fator determinante do tempo que vão permanecer ali.” Ainda, segundo Meira, historicamente o mecanismo de gestão de administração clássica é de comando e controle, com base em hierarquias piramidais: eu mando, você faz e eu vejo se você fez; eventualmente, fico ponto a ponto tentando extrair dados sobre o que você está fazendo. A proposta para as empresas vem do exército americano: todo o poder para as bordas - o comando não fica controlando os passos do soldado, mas lhes dá graus de liberdade bem amplos para que resolvam os problemas da forma que acharem melhor, dentro de um conjunto de meios previamente combinados. “Trata-se de um método muito mais inteligente, sofisticado, produtivo e rentável, não apenas do ponto de vista da remuneração pessoal, mas pelo fato de a pessoa se sentir mais útil, como indivíduo pensante que está ali tratando de algo que só ela podia tratar, que está articulando a solução de coisas inovadoras.” Enquanto as empresas não desmontarem esse mecanismo de comando e controle, e ‘impoderarem’ as bordas, confiando que grupos inteligentes, capacitados, de funcionários, podem se articular para resolver em rede seus problemas de produção e de interação com seus consumidores, continuarão enfrentando dificuldades para atrair e reter pessoal qualificado. O consultor inglês Maz Iqbal concorda: conhe- Silvio Meira, do CESAR: há cérebros subutilizados nas empresas, nos organogramas as pessoas são colocadas em ‘caixinhas’ cimento não pode ser gerenciado – não no sentido de ser controlado. Conteúdo pode ser criado, compartilhado, publicado, modificado (acrescido, alterado, remixado...), monitorado para ver quem está usando o quê e com que propósito. Temos as ferramentas para tanto. “O que as empresas podem fazer é criar um ambiente que atraia as pessoas para criar, compartilhar, modificar, usar conteúdos.” Iqbal defende que conhecimento é algo distinto da informação. “Penso em informação como um manual que te ensina a trocar o óleo do carro. Conhecimento, para mim, é know-how – saber como trocar o óleo, pois você já fez isto tantas vezes que se tornou uma segunda natureza para você. Informação é abundante, conhecimento é escasso, sabedoria é praticamente ausente.” FONTES DESTA MATÉRIA Age Isobar: (11) 2173-0333 CESAR: (81) 3425-4700 Gustavo Ayala Consult: (11) 3044-1241 Quantum Assessment: (11) 3709-3388 Rede Modelo: (65) 3619-2061 The Consumer Blog: (44) 07866549663 (UK) maio 2012 SuperVarejo 61