AU TO RA L UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES TO PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” O PE LA LE I DE DI R EI AVM FACULDADE INTEGRADA EG ID A CONTRIBUIÇÃO DO PROJOVEM ADOLESCENTE SITUAÇÃO DE RISCO M EN TO PR OT PARA O RESGATE DOS ADOLESCENTES EM DO CU Por: ENALVA DA CONCEIÇÃO DE LIMA Orientador Professora: FLAVIA MARTINS Rio de Janeiro, 2013. 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU” AVM FACULDADE INTEGRADA A CONTRIBUIÇÃO DO PROJOVEM ADOLESCENTES PARA O RESGATE DOS ADOLESCENTES EM SITUAÇÃO DE RISCO Apresentação de monografia à AVM Faculdade Integrada como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em GESTÃO PÚBLICA. Por: ENALVA DA CONCEIÇÃO DE LIMA 3 AGRADECIMENTOS AGRADEÇO A DEUS POR ME AJUDAR A ALCANÇAR MAIS ESTE OBJETIVO, A MINHA FAMÌLIA, AOS COLEGAS DE TURMA QUE FIZ EM MAIS JORNADA DE MINHA VIDA. ESTA 4 DEDICATÓRIA ... DEDICO A MIM COM TODO O MEU ESFORÇO. A MIHNHA PROFESSORA:FLAVIA MARTINS PELA SUA DEDICAÇÃO E A TODOS OS PROFESSORES QUE CONTRIBUÍRAM PARA A TRABALHO. CONCLUSÃO DESTE 5 RESUMO Com a operacionalização das políticas públicas de assistência social, trazendo ações acentuada a qualidade de vida dos adolescentes, nos quais se encontram em situações de vulnerabilidade social protagonizando os sujeitos desse processo na transformação, dessa realidade. Com tudo através desse estudo pretendo mostra neste trabalho as atividades desenvolvidas pelo Projovem Adolescentes do Cras Oswaldo Antonio Ferreira, analisar os impactos ocorrido na vida dos adolescentes em situação de vulnerabilidade social, como saúde, educação e direitos sociais. Pretende-se discutir as questões relativas às políticas públicas voltadas para a juventude, no âmbito da prefeitura do Rio de Janeiro para adolescentes quanto ao projeto desenvolvido no Cras Oswaldo Antônio Ferreira, situado no bairro de Realengo, por está em busca da qualidade de vida dos adolescentes que participou do projeto como: resgate da cidadania e inclusão social baseando-se nas políticas voltadas para os adolescentes, no estatuto da criança e do adolescente (ECA), na constituição federal e na declaração mundial dos direitos humanos. Analisar as deficiências e suas contribuições na ótica de um grupo de Adolescentes que participou do projeto, verificar a importância de programas sociais direcionado para os adolescentes. Quais foi o resultado das políticas públicas para o fortalecimento de vínculo e resgate da cidadania dos adolescentes do Cras Oswaldo Antônio ferreira. (baseado nas pesquisas feitas pelos gestores do projeto no ano de 2007, pela secretária Nacional da Juventude-SNJ). 6 METODOLOGIA Para realização deste estudo optei pela pesquisa bibliográfica. Segundo Gil (1991, p.48), a pesquisa bibliográfica é aquela “[...] desenvolvida a parti de material já elaborado, constituído principalmente de livros e artigos científicos”, mais a pesquisa bibliográfica também inclui outras modalidades de publicações, tais como artigos de revistas e jornais direcionados ao público em geral. Segundo Santos (1999 P.48) as vantagens de uma pesquisa bibliográfica é que esta é “mais simples e confortável, já que dispensa todo o trabalho de montagem\escolha\testagem\relato de dados. Os dados já estão prontos organizados, publicados”. Pesquisei os livros de políticas públicas, textos relacionados a determinados assunto. A bibliografia diz respeito aos esclarecimentos referente às fontes consultadas, a leitura exploratória e interpretativa favorece a construção dos argumentos. A principal vantagem da pesquisa bibliográfica encontra-se no fato de viabilizar ao pesquisador a cobertura de uma ampla gama de fenômenos, bem maior do que seria possível pesquisar diretamente. Esse método de pesquisa é particularmente vantajoso quando o problema da pesquisa como é o caso do estudo em questões, exige dados dispersos pelo espaço. 7 SUMÁRIO CAPÍTULO I- JUVENTUDE NA ATUALIDADE 10 1.1-adolescente e adolescência 13 CAPÍTULO II- POLÍTICAS PÚBLICAS VOLTADAS PARA A JUVENTUDE. 2.1-descoberta da infância, dos valores e abandono. 2.2-rodas dos expostos, caridade, filantropia e municipalização. 2.3-formulando políticas públicas sociais. 17 18 19 21 CAPÍTULO III - PROJOVEM NA POLÍTICA NACIONAL DA ASSITÊNCIAL SOCIAL. 3.1-focalizando o público do projovem adolescente. CONCLUSÃO. BIBLIOGRAFIA COMSULTADA. 18 41 43 44 8 Introdução Nesta monografia pretende-se aborda as questões referentes ao desempenho do projeto de política pública voltada para os adolescentes em situação de vulnerabilidade social. No primeiro capítulo abordara a juventude na atualidade a evolução dos jovens o desenvolvimento físico, psico, a manifestação dos seus pensamentos, a liberdade sexual, ao dinheiro e a valorização de itens até então absoluto. Por outro lado os jovens se tornaram vulnerável. As experiências juvenis os modelos de ser dos jovens no Brasil na América Latina e em muita parte do mundo, suas singularidades, e conceito de adolescência. No segundo capítulo serão abordadas as políticas públicas dirigidas para o atendimento aos jovens e adolescentes, mostrando o crescente desenvolvimento e transformação, quanto ao e aspectos referentes ao antigo código do menor e a proposição do estatuto da criança e do adolescente (ECA). Concluindo um balanço critico dos dez anos de aplicação desse novo instrumento legal. No terceiro capítulo apontam-se as políticas Nacional de Assistência Social do Projovem Adolescente de construção de redes social como uma possibilidade concreta, capaz de aperfeiçoar e fortalecer os vínculos familiares. Abordara também a Política de Assistência Social desenvolvida no âmbito da seguridade social juntamente com saúde e a providência social que visa a prevenção de situação de risco por meio de desenvolvimento da potencialidade dos jovens e do fortalecimento de vínculos familiares e comunitário. 9 10 CAPÍTULO I A JUVENTUDE NA ATUALIDADE ... Deus é maior que todos os obstáculos. Os jovens evoluíram em muitos aspectos da vida quando comparados a seus pais e avós. A juventude formulou novas regras com novas metas a serem atingidas. O conceito de liberdade no século xii foi refeito o que significa para muito a perda de princípios e limites. Na juventude, tudo começa precocemente: o desenvolvimento físico psíquico, este comprovado cientificamente, os relacionamentos, os usos a vontade de assumir até mesmo a vontade de assumir sua própria independência. Com a expansão de diversos valores humanos, moças e rapazes aproveitam essa fase única da vida com o intuito de extrapolar, sem pensar no amanhã, mais sabe tudo, viver o agora desfrutar dos prazeres da vida e daquilo que nos faz feliz é importante, embora com responsabilidade e equilíbrio. Os jovens, em seus diversos segmentos sociais se rebelam: seja com seus familiares, amigos e até mesmo com a escola. Querem quebrar as instituições normativas para que a sociedade seja a favor de suas atitudes. As ações dos jovens partem do principio básico da evolução do mundo e também da tecnologia, onde tudo se torna cômodo e prático de ser realizar. O papel dos pais principalmente nesta fase da vida é de suma importância, uma vez que é necessário impor limites nas ações de seus filhos para que não seja a própria sociedade com medidas mais drásticas venha estabelecer. Os jovens da atualidade têm alterado alguns valores Moraes e considerados importantes pelas gerações anteriores. Isso tem provocado conflitos entre gerações, com, por exemplo, entre pais e filhos. 11 Inicialmente, deve-se considerar a evolução da sociedade. Os jovens têm modificado seus pensamentos com relação à vida, ao amor, ao dinheiro, valorizando itens até então absolutos. A liberdade sexual é um exemplo da modificação de valores pela sociedade pela sociedade, pois muitos atos hoje considerados comuns antigamente eram condenados pela moral pública. Por outro lado os jovens têm se tornado mais vulnerável a insegurança e a responsabilidade dominam as gerações atuais procura solução nas drogas, bebidas e fumo. “Juventude é um conceito vazio de conteúdo fora de seus contextos histórico e sociocultural (...) o conceito de juventude se inscreve nas características fundamentais das classes social de pertença (...). O estudo dos fenômenos juvenis, portanto, só será entendido no marco geral das grandes mudanças socioeconômica e culturais.” (valenzuela, 1998, p.38-39) Entre tanto de forma a somar e não excluir é possível pensar jovens não a penas pela marca de diferenças, mais também pela percepção de que algum substrato universal (Morin, 1994). Que podem ser avaliado como positivos ou negativos identificáveis em jovens e coletivos juvenis com visibilidade em todo o mundo: enfrentam conflitos intergeracionais; inventam e se comunicam por meio de linguagens que lhe são propelia isso parecem ainda mais evidente no uso das novas tecnologias, móveis e interativas; assumem certo tom de rebeldia, heroísmo e gosto pela aventura; aderem ao movimento, ao jogo. Ás intensas emoções; manifestam fortes ligações com o presente-aqui e agora,certa dificuldade em equacionar o passado nem sempre as lembranças são boas- e algumas relutâncias em projetar o futuro- há um tanto de vazio na esperança;valorizam o novo e a novidade e tendem a desconsiderar a experiência em especial,o saber e o conhecimento acumulado pelos mais velhos;buscam a auto realização,axaltam A vida privada, o consumo e os ideais da beleza, amor e felicidade (BORELLI; ROCHA; OLIVEIRA, 2007). “A cultura de massa dá forma á promoção dos valores juvenis assimila uma parte das experiências adolescentes. Sua máxima é ‘’sejam belos, sejam amorosos, sejam 12 jovens’’, historicamente acelera o vira-se, ele mesmo acelerando de uma civilização, sociologicamente, ela contribui para rejuvenescimento da sociedade. Antropologicamente, ela prolonga a infância e a juventude junto ao adulto. Metafisicamente, ela é um protesto ilimitado contra o mal irremediável da velhice“(EDGAR MORIN). A experiência juvenil ou os modelos de ser e de viver de jovens no Brasil, America latina e em muitas partes do mundo é completa e encontra-se atravessada por grandes temas e forma de inserção heterogênea e implica para muitos, a vivência cotidiana de dolorosas e por vez intransponível situações de exclusão. De que jovens falamos?Para responder a estas indagações propomos um caminho de reflexões que nos permita “pensar juntos” sobre as condições de vida dos jovens, referindo ao projovem adolescente. Parte-se da premissa de que se jovem (BORELLI; ROCHA; OLIVEIRA. 2007) significa responder por inserção singular e experimentar, de forma conflituosa: hierarquia de classes sociais; a maior ou menor exposição á violência e os limites entre vida e morte; as condições de gênero, etnia, nível de escolaridade, qualidade de moradia, pertença familiar; a diversidade cultural; o acesso ou a exclusão ao consumo; a participação política, cultural, comunitária; o protagonismo juvenil. Um dos elementos que se sobressai na caracterização do perfil da juventude, em tempos modernos ou pós-modernos, diz respeito a suas condições de mobilidade ou, em outras palavras, ao nomadismo. O nomadismo tanto pode ser entendido em seu sentido literal—deslocamento espacial e geográfico ou mesmo “dês-centramento, dês-especialização” (MARTÍN BARBERO, 1997) como também o significado se amplia em direção a uma mobilidade temporal-viver tempos de passagem de alternância momentânea, de simultaneidades, ou ainda supor a existência de um nomadismo de percepção absorve fluxo, filtrar, aparar, assimilar, equacionar os inúmeros “chocs”(BENJAMIN,1989,P109-113) que resultam de uma vida cotidiana tensa e intensa permeada pela relação com a cidade e também conectada a “velha” e “novas” mídias. 13 1.1 Adolescente e Adolescência Esclarecendo e retomando um pressuposto: falamos até então de juventude na atualidade, coerentes com a compreensão anteriormente explicitada de que o segmento abarcado pelo projovem adolescente-faixaetária entre 15-17 anos e hídrico, localizar na fronteira entre ser jovem/ser adolescente. Vamos então, compreender a singularidade dos modos de ser e de viver dos adolescentes. Ao escutamos o termo adolescência, quais são a primeira impressão que nos vem a mente? Rapidamente pensamos em período de transição, mudanças físicas, espinha, busca de autonomia, falta de limites, crise existencial, consumismo, rebeldia, individualismo, alienação, entre outros. Algumas ideias passam a ser comuns, não apenas para os pais, que sentem dificuldades em lidar seus filhos neste momento de sua vida mais também para muitas pessoas,formados o que podemos chamar de uma “imagem de adolescente”. Quem nunca escutou, leu em alguma revista, ou ainda, viu algum personagem, de novela, em uma cena onde umas pessoas tenta acalmar uma mãe aflita com alguma situação vivida pelo filho, dizendo: “é da adolescência, Isso passa” “seu filho está em crise” “são as más influências”. Essas frases são comumente escoltadas e repetidas a tal ponto que poucos questionam se são verdadeiras ou não, criando assim um modelo/imagem do que é a adolescência. Mas qual será o grande problema? Os adolescentes não são assim mesmo quando os vemos aparecer nos meios de comunicação, ou em comercias cheios de ações, com imagens bonitas, com um tipo padrão de corpos bem definidos, bronzeados, magros, ou sendo vitimas ou agentes de violência nas grandes cidades? Manchetes adolescentes assim foram tornaram-se assassinados adolescente que rouba celular”. comuns nesta no nosso madrugada” dia-dia “policia “dois prende 14 O pequeno trecho chamado Noite, de Fernando pessoa, talvez nos ajude a compreender a entender melhor sobre o que estamos nos referindo, pois o poema diz: “só alcançamos até onde nosso braço chega, só vemos até onde chega nosso olhar”. Cabe neste momento uma pergunta: quando utilizamos o termo adolescência, a quem nos referimos? Quando estamos frente a frente com um adolescente, o que estamos vendo? O que queremos ver? Ou como diz o poema até onde nosso braço alcança? Nossa visão está clara ou estamos vendo apenas imagens, sombras e vultos? Se demos um passo à frente, na direção deste adolescente podemos vê-los enxergá-los melhor, talvez seja possível ver e alcançar algo novo, diferente das coisas das coisas que nos estamos acostumados a escutar. A partir deste movimento, uma nova compreensão poderá ser possível. Por vês a noite nos engana. Nossos sentidos também pode nos enganar. Olhamos, mais não vemos, ou vemos, mais, não enxergamos. Este é um ponto de extrema importância, pois, geralmente, o que não enxergamos com clareza nos é estranho, na maior parte das vezes, tememos o que é estranho, pois não entendemos e não sabemos como lidar com o desconhecido. O primeiro ponto é termos clareza sobre o conceito de adolescência e como ela é utilizada pela ciência e pelo senso comum, buscando nos aproximar deste conceito tendo claras suas implicações. Para isso, precisamos distinguir o significado dos termos puberdade e adolescência. Por puberdade entendemos o conjunto de transformação biológica surgida no corpo, ligada á maturação sexual, características do desenvolvimento da infância a maturidade. “Modificações biológicas surgidas no corpo como resultado da s ações hormonais desencadeando o desenvolvimento dos testículos nos meninos e dos ovário nas meninas,provocando a primeira mestruação nas meninas e a primeira ejaculação nos meninos, indícios biológicos da capacitação para procriação, que se dá por volta dos 12 aos 15 anos.” (JOST,2006p.58) Esse é um período de rápido desenvolvimento em todos os aspectosfísicos, emocional, psicológico, social espiritual. Fora o período pré e neonatal, 15 a puberdade é apontada como a fase de mais rápido desenvolvimento humano. “(...) período da vida humana que sucede á infância, começa com a. Puberdade, e se caracteriza por uma série de mudanças corporais e. Psicológicas.” (AURELIO, 1988) O termo adolescência é relativamente novo, uma vez que sua utilização data do fim do século XVIII. “Adolescência é um termo de origem latina, do verbo adolescere, que significa”. Desenvolver-”se, crescer”. (MATHEUS, 2007, P18) Não é por acaso que as imagens que nos aparece de comunicação, por vezes também no meio acadêmico e em nossas conversas cotidianas sobre a adolescência, trazem em seu bojo o termo associado a “algo negativo”, como um problema, uma doença, pois sua própria origem guarda proximidade com o termo adoecer. O termo adolescência em latim, adolescere, está muito próximo de o termo adolescer, este que tem como significado ficar doente (adoecer). Apesar da proximidade com os termos em sua origem, apenas em anos mais recentes que o uso do termo adolescência tem sido associado a adoecer. Nas últimas décadas, o jovem vem sendo objeto dos meios de comunicação com maior intensidade. Por vezes, são encarados como mercado potencial de consumidores a serem conquistado e em outro momento ocupam lugares nas páginas policiais. Como protagonista “da escalda da violência” nas grandes cidades. O espaço dado pelos meios de comunicação, de um modo geral, para questões relacionada a juventude e adolescência contribui para trazer à tona a importância deste período,mais propiciou também o surgimento de vários estereótipos sobre esta fase da vida.este estereótipos são facilmente reconhecidos, principalmente na caracterização da adolescência Para que nossa visão alcance um pouco mais longe, precisamos dar um passo na escuridão, e talvez outro, quem sabe outros em direção aos próprios adolescentes. A cada passo, uma nova visão será possível, mais clara e 16 precisa, sobre estes sujeitos. A ou poucos, a imagem que tínhamos no início da caminhada poderá ser modificada e, com uma máquina fotográfica, nosso foco neste percurso poderá ser ajustado, nos mostrando novas imagens, mais claras, mais nítidas sobre a adolescência. “Entende-se assim a adolescência como constituída socialmente a partir de necessidades sociais e econômicas e de características que vão se constituindo no processo.” (BOCK, 1998, p.60). O conceito de adolescência é polêmico e aponta para peculiaridade e diversidades de expressão dessa fase da vida nas diferentes sociedades e culturas. No entanto, como destaca o UNICEF, um consenso tem sido possível em torno da compreensão da adolescência como momento específico do desenvolvimento humano. É com este espírito que o estatuto da criança e do adolescente (1990) abordará a adolescência. O introduz o principio da proteção integral em substituição á doutrina da situação irregular e reconhece a criança e o adolescente enquanto sujeito de direito e titulares de garantias: “a criança e o adolescente gozam de todas os direitos fundamentais inerentes á pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta lei,assegurando-se-lhes,por lei ou por outros meios,todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, (ECA,1990,art.3º) em condições de liberdade e de dignidade.” O ECA e a LOAS representam de fato uma mudança profunda na concepção das políticas de sua área . A implementação de suas diretrizes ainda está em andamento lento e heterogêneo e uma avaliação de seus resultados é ainda prematuro. Entretanto esse processo levanta uma série de questões políticas e mesmo operacionais que pode contribuir em 17 Muito para a implementação de política de assistência social e da política de segmento criança e adolescente. CAPÍTULO II CRIANÇA E O ADOLESCENTE E AS POLÍTICAS PÚBLICAS “O mundo que nos temos hoje nas mãos não nos foi dado por nossos pais; na verdade, Ele “nos foi emprestado por nossos filhos.” (provérbio africano, UNICEF: 1993) A proteção da criança e do adolescente e de seus direitos no Brasil é fato recente, com afirmação somente a partir da constituição federal de 05 de outubro de 1988. Antes dela, iniciativa caritativa, filantrópica, correcionalrepressiva, assistencialista e paternalista de atendimento ou acolhimento dos “menores”; mais podem ser conhecidas como registro de uma história de desproteção. A carta constitucional também é responsável pela maioridade do município, que ganha o status de ente federativo, pessoas autônomas no conjunto da federação, que assume a responsabilidade pela coordenação em nível local e a execução diretas das políticas e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente, em parceria com o estado e as entidades não governamentais, e através da implantação de instrumentos para afetivação dos novos princípios da infância e da juventude: notadamente da 18 descentralização político-administrativo e participação da população na formulação das políticas e no controle das ações. Toda criança e adolescente é sujeito de direito, pessoa em condições peculiar de desenvolvimento, credora da prioridade absoluta e da proteção integral e especial afirmada na lei. Com o estatuto da criança e do adolescente surgem os conselhos e fundos dos direitos da criança e do adolescentemunicipais estaduais e nacionais e o conselho tutelar apena na esfera municipal obrigatórios em todo município. A história da infância e adolescência brasileira, as mudanças de conteúdo, método e gestão na área de proteção á criança e ao adolescente são situações que merecem ser compreendidas para o planejamento das políticas municipais. 2.1 Descobertas da Infância, Desvalor e Abandono. Ate o século xvii à infância ainda não havia sido descoberta; assim que a deixavam os cueiros, passava a usar roupas de adulto de sua condição, sendo que, no Brasil, a criança escrava, a partir dos sete anos de idade, já passava a exercer serviços regulares de aprendiz para ressarcir as despesas que ocasionava ao seu senhor, o que não inibia de receber castigos corporais, indispensáveis no sistema escravista. Ao ser descoberta destacada da categoria dos adultos, a criança passou a se compreendida por sua incapacidade social de não ser, não ter, não poder concebida na condição de dependente, pessoa de menor valor, com definição negativa. Daí por que “ETYMOLOGIQUEMENT, - enfant (criança-pessoa ate 16 anos de idade) vient Du latim infans significa-qui neparte pás (que não fala)”. No Brasil, após a frustrada tentativa de dominação, civilização. Controle e cristalização das crianças silvícolas-papéis Blanco bastante proliferada a escravidão negra, que trouxe aos pais mais de 4 milhões de escravos, surgem, 19 já no início do século XVII, as crianças abandonadas nas ruas das cidades que expostas as intempéries, faleciam até devoradas por animais. 2.2 Rodas dos expostos, caridade, filantropia e municipalização. Diante do elevado índice de mortalidade infantil-que durou até o início do século XX, conhecida a experiência de Portugal, com fundamento na piedade e caridade, em 1726 instala-se uma Roda dos Expostos junto à Santa Casa de Misericórdia de Salvador, mantida com subsídio do rei de Portugal. A Roda, que tem origem nos mosteiros e conventos medievais com absoluto regime de clausura, era peça cilíndrica que presa à parede ao muro da instituição e girando sobre um eixo central, permite a troca de objetos e de correspondência sem qualquer visualização do mundo exterior. Nas Santas Casas, acreditando-se pudessem ser criadas e educadas na fé cristã, passou a servi o abandono de crianças, além de preserva a identidade do abandonantes. Desde a Carta Régia (1693) a Câmara Municipal, forma de organização com profunda influência no sistema de poderes da colônia, órgão de poder local composto de vereadores eleitos dentre “homens bons da terra” grandes proprietários rurais, o que tinha a responsabilidade de assistir as crianças enjeitadas ou ao desamparo, colocadas sob seus cuidados. A Câmara, porém, sempre relutou em assumi-la, buscando dividi-la com as Misericórdias, que possuía creches e orfanatos, e “porque era que mais extorquia” a Câmara alegava o elevado número de abandonos, a falta de recursos e a sobrecarga no orçamento sem o desejo de onerar o povo com novos tributos, além de ser um serviço que “dava” muito trabalho. Largadas nas ruas, por compaixão, dever cristão de caridade ou já calculando utilizá-la como futura mão-de-obra 20 fiel, gratuita a reconhecida melhor que a escrava, muitas crianças acabavam acolhidas e criadas\exploradas por famílias, práticas muito difundidas nos pais. A Roda dos Expostos também teve seu desvirtuamento. Devido á Santa Casa de Misericórdia pagar amas- de- leite e criadeiras para a prestação de cuidados aos expostos, não raras vezes mães deixavam seus filhos na Roda para logo após apresentar-se para servi como suas amas muitas vezes escravas forçada pelo senhor, existindo também os casos de falecimento das crianças não comunicados, com continuidade de recebimento do subsídio, e o abandono de recém-nascidos para o aluguel da mão escrava. Na realidade a Roda dos Expostos mais foi uma iniciativa social de orientação da população pobre, um processo de desmistificação da criança e do adolescente. Visando afastá-los dos perigos da vadiagem e da prostituição e transforma-los numa classe trabalhadora, do que um órgão criado para salvar a vida de recém-nascidos. Além do que tinha como propósito maior a salvaguarda dos padrões de moral pública e familiar da época. acolh(endo) no anonimato “filhos de mães solteiras”,de “mulheres de má conduta”, e pais, propiciando e estimulando a licenciosidade, a irresponsabilidade e a desumanização, além de ser um negócio lucrativo aos burladores. Diante da dificuldade do Camará Municipal, surge a lei dos municípios (1828), iniciando um processo de centralização das ações de assistência a criança e o adolescente que segue até a Constituição de 1988, que retira poderes da municipalidade e das confrarias de leigos –poder local- oficia as rodas nas misericórdias e coloca-as a serviço do estado, e exime as Câmaras das suas obrigações, que passam às assembléias legislativas províncias. Com a lei, o objetivo era liberar as municipalidade, incentivando a iniciativa particular a assumir a tarefa de criar crianças abandonadas, dentro de um novo espírito filantrópico de utilidade. Mesmo com todas essas ações, era crescente a presença de meninos e meninas nas ruas, malta de vadios; peraltas; moleques e até de escravos, que formavam bandos “se a senhoreavam das vias públicas com atitudes irreverentes e irrequietas (...) ‘emporcalhavam’ as ruas e as portas das igrejas” 21 e acabavam perambulando pelas ruas, prostituindo-se ou vivendo de esmolas e de pequenos furtos. Deixando de inspirar piedade para se constituir num incômodo á sensibilidade das elites, ‘os menores criminosos’ passam a ser vistos com o mesmo desprezo e hostilidade que as prostitutas e os sem “eiras e beiras”, situação que leva a criação de instituição de internação, preferentemente em lugares afastados da cidade, em consagração de um novo sistema de controle jurídico comercial, repressivo, higienista e asilar da criança e do adolescente que age com discernimento. Em nome da proteção da sociedade, uma vez que ‘menores vagabundos’ eram considerados “criminosos em embrião”, a vadiagem (art.295) e a mendicância (art296) passam a figurar entre os crimes policiais no código criminal (1830), que permitia o recolhimento à casa de correção do menor de catorze anos de idade que tivesse agindo com discernimento até os dezessete anos (art.13), conferindo ao juiz o poder soberano de definir quem era ou não criminosos e quem estava sujeito ás pena criminais. No final do século, xlx,com a extinção da escravidão,a proclamação da república(1889) e a separação da igreja do estado,constatadas a insuficiência e ineficiência,além da velada exploração das assistência caritativas transformações sociopolíticas e econômicas do país,surge a exigência de uma e filantrópicas existente a favor da criança e do adolescente,e a parti das legislação social que regulamentasse,oficialmente,toda a prestação de assistência aos menores. 2.3 FORMULANDO POLÍTICAS PÚBLICAS SOCIAIS O processo de formulação de uma política envolve a identificação dos diversos atores e dois diferentes interesses que permeiam a luta por inclusão de determinadas questões na agenda pública e, posteriormente, a sua regulamentação como política publica. Assim, pode-se perceber a mobilização de grupos representantes da sociedade civil e do estado que discutem e 22 fundamentam suas argumentações, no sentido de regulamentar direito social e formular uma política pública que expresse interesses e a necessidades de todos os envolvidos. Os movimentos sociais, que, na década de1980, lutaram pelo fim do regime autoritário e pela redemocratização da sociedade, foram atores sociais importante na discussão e definição das novas formas de organização e gestão das políticas públicas, especialmente as políticas sociais. A descentralização dos poderes e das funções do estado. Os questionamentos desses atores quanto ás características históricas das políticas sócias brasileiras (seletivas, fragmentadas excludentes e setorizadas, conforme analisa Degennszajh, 2000:61) quanto à incorporação das vontades da sociedade nas decisões políticas movimentaram a assembleia constituinte e resultaram em dois princípios que fundamentaram o processo de descentralização: a democratização e a participação. A Carta Constitucional de 1988 deu nova forma A organização do sistema federativo brasileiro, redefinindo o papel do governo federal, que passou a assumir prioritadamente a coordenação das políticas públicas sociais, enquanto os municípios, reconhecidos como entes federados autônomos, assumiram a maior parte da responsabilidade de execução dessas políticas. Esse formato federativo previu a transferência de diversas atribuições, responsabilidades e recursos da instância federal para os níveis estaduais e municipais de governo, bem como a autonomia de estados e municípios para definirem a organização e a gestão de suas políticas. Tais definições, ainda que importantes e de grande relevância para operar avanços significativos na área da administração pública, como a descentralização e democratização da implementação das políticas sociais, tem levado, em alguns casos, ao puro formalismo, devido a forte tradição centralizadora do governo federal, à tendência à padronização, que não considera as diferentes realidades apresentadas pelos estados e municípios, ou seja, tratam os desiguais como iguais, e à não efetivação de transferências de recursos da União e dos estados para os municípios, compatíveis com as demandas apresentadas pelo nível local. 23 O processo de redemocratização do Estado brasileiro consagrou a participação popular na gestão “da coisa republica” ’’ ao fundar as bases para a introdução de algumas experiências que contribuíram para a ampliação das feras publica no país, entendida como arena na qual as questões que afetam o conjunto da sociedade são expressas, debatidas e te matizadas por atores sociais. Esses espaços além de possibilitarem o exercício do controle publicam sobre a ação governamental, também tornam públicos os interesses do que os compõem. Tais experiências alteram significativamente a relação Estado/ sociedade na medida em que criaram novos canais de participação popular, como é o caso dos conselhos de políticas sociais, que têm atuado na sua cogestão. Sendo esses conselhos instrumentos de expressão, representação e participação popular, têm o desafio de discutir e deliberar sobre determinados temas, buscando consensos e alianças que definam as agendas publicas que representam interesses coletivos. Outro grande desafio é transformar suas deliberações em ações de poder político, ou seja, interferir na definição de ações, prioridades e metas dos governos e funcionamento de seus sistemas administrativos. O ECA e a LOAS representam de fato uma mudança profunda na concepção das políticas de suas áreas. A implementação de suas diretrizes ainda está em andamento – lento e heterogêneo – e uma avaliação de seus resultados é ainda prematura. Entretanto, esse processo levanta uma série de questões políticas e mesmo operacionais, que podem contribuir em muito para a melhor compreensão das dificuldades que as políticas sociais e os processos de descentralização e de incorporação da sociedade civil enfrentam em sua implementação – e os componentes mais estritamente político e os mais organizacionais e institucionais desse processo –; a estrutura e a organização do campo da assistência social no Brasil, o perfil dos atores e dos diversos conteúdos das relações entre o Estado e o “terceiro setor”’’ (entidades assistências, comunitárias, filantrópicas, confessionais e de defesa de direitos); e o impacto sobre esse campo e sobre o conteúdo das políticas acarretado pelas mudanças de paradigmas traduzidas nas atuais legislações (e a tradução que delas fazem os diversos atores e agências) e criação de 24 novas instituições políticas encarregadas do processamento de interesses conflitos, negociação e deliberação sobre as políticas de assistência. Procuram-se enumerar brevemente algumas das implicações das gestões discutidas acima que devem ser consideradas no debate atual acerca das políticas sociais. Durante a vigência do regime autoritário no Brasil, assistiu-se a um processo crescente de centralização no Executivo Federal dos processos de decisão e implementação de políticas publicas. Com a redemocratização, a municipalização e descentralização de políticas tornaram-se, inclusive de forma muitas vezes precipitada, componente fundamental da democracia. A constituição de 1988 veio consolidar um resgate do papel dos municípios, conferindo-lhes maior autonomia e responsabilidades. Mesmo que a municipalização dos recursos nem sempre tenha sido proporcional à municipalização das responsabilidades, essa inflexão trouxe mudanças importantes no poder local, possibilitando, no âmbito da gestão subnacional, principalmente municipal, o surgimento de algumas das iniciativas mais inovadoras de administração pública da história recente no País. No campo de assistência social e da criança e adolescentes, o princípio da municipalização é estruturante. Sua operacionalização levanta, no entanto, uma série de questões. O primeiro conjunto de questões tem a ver com o status que o debate político recente tem conferido à descentralização. Como argumenta Arretche (1996), por razões e a partir de perspectivas políticas distintas, criou-se, no decorrer dos anos 1980, um forte consenso em torno da associação positiva – um tanto automática – entre descentralização e, de um lado, democratização da gestão e ampliação da participação e controle social sobre as políticas; de outro lado, aumento da eficiência na alocação de recursos e na execução das políticas. Arretche procura demonstrar a fragilidade teórica e empírica de várias dessas associações positivas e pouco mediadas. Em primeiro lugar, a concretização e aprofundamento democrático dependem menos da escala ou nível de governo em que se processam as decisões e mais natureza das instituições delas encarregadas em cada esfera de governo. É o processo pelo 25 qual historicamente as elites de diferentes instâncias de governo se compõem no interior das instituições políticas que permite compreender os processos de centralização ou de descentralização da ação governamental e o discurso que os sustentam. Em segundo lugar, a descentralização não significa o esvaziamento de funções dos níveis mais centrais de governo. Ao contrario, dadas a heterogeneidades dos governos locais quanto à capacidade de mobilização de recursos próprios e a própria escala local de sua atuação, o nível central de governo passa a ter uma importância crucial na direção e coordenação da formulação e implementação das políticas de descentralização. Trata-se, portanto, de definir que funções, capacidades e unidades devem ser ‘‘desmontadas’’ e transferidas aos estados e municípios e aquelas que, ao contrário, devem ser constituídas ou fortalecidas no nível central para que se viabilize a transferência das primeiras. Sem o fortalecimento da capacidade de coordenação, supervisão e assessoria técnica e financeira dos níveis centrais, a descentralização pode significar o contrário de seus objetivos: fragmentação das políticas e programas e aprofundamento das desigualdade no acesso, qualidade e prestação de serviços. Além disso, devem merecer atenção – principalmente nos processos de municipalização – os mecanismos de transição. Se: a) não forem previstos critérios que incorporem as diferentes capacidades técnica, institucional e financeira dos municípios; b) não forem acertadas metas, ritmos e prazos diferenciadas; c) não se viabilizarem instrumentos de assessoria técnica e financeira e de capacitação institucional dos municípios; d) pressionados pelas dificuldades fiscais que enfrentam, os estados buscarem a municipalização ‘‘na marra’’ ; as consequências podem ser muito ruins. Em primeiro lugar, dadas as diferentes capacidades dos municípios, pode haver no processo soluções de continuidade ou perda da qualidade dos programas. Em que segundo lugar, dado caráter eminentemente político das relações intergovernamentais, uma municipalização forçada pode ter efeitos regressivos. Isso porque os municípios mais fortes politicamente – geralmente os que têm melhores condições financeiras e técnicas – tendem a ter recursos para resistir ou impor 26 melhores condições ou prazos de municipalização. Os municípios mais fracos politicamente – geralmente menores e mais frágeis também do ponto de vista financeiro – não têm meios para resistir ou adequar o processo a suas condições e interesses, acabando por assumir mais abruptamente parcela proporcionalmente maior dos encargos de prestação de serviços sociais, o que pode aprofundar as já significativas desigualdades no acesso e qualidade dos serviços. Finalmente, o argumento que vincula a eficácia da descentralização em per se coibir a utilização privada de bens públicos, frequentes nas grandes estruturas burocráticas, também deve ser qualificado. Essa possibilidade depende mais do caráter das relações entre as burocracias públicas e dos mecanismos e graus de controle dos cidadãos sobre a ação dos governos, que da proximidade geográfica entre decisórios e cidadãos ou do nível de governo responsável. No caso da política de assistência social e da criança e adolescente, outro problema também se impõe. A LOA e o ECA inovam no reordenamento institucional ao aprontar para a descentralização e para o controle social sobre a política. Entretanto, algumas questões relativas à contabilidade e cobertura em relação a benefícios que eram prestados pela previdência social (benefícios eventuais – auxilio por natalidade ou morte) e foram transferidos para assistência social, alguns programas mais complexos (adolescentes infratores, por exemplo) e iniciativas concorrentes nos programas de maior visibilidade (crianças pobres, formação profissional etc.) têm sido negligenciados pelas esferas municipal, federal e estadual, gerando um “jogo de empurra” uma vez que as referidas legislações não definem forma clara as competências de cada esfera de governo na formulação, coordenação, execução, e também no financiamento da política. No tocante à área da assistência social, em abril de 1999 tivemos a publicação dos documentos da Política Nacional de Assistência Social e da Norma Operacional Básica 02, que disciplinam o fluxo de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social para os fundos estaduais e municipais, o processo de habilitação de gestores estaduais e municipais e avança na definição das competências dos três níveis 27 do governo, das comissões intergestoras bipartite e tripartite, que são estâncias de negociação e pactuação, quando aos aspectos operacionais da gestão do sistema descentralizada e participativa da assistente social e dos órgãos do controle social, que são os conselhos. Por outro lado, o frágil estatuto de política pública atribuído historicamente à assistência social e à atenção a criança e ao adolescente, caracterizado pelas iniciativas assistemáticas, fragmentadas e descontínuas, fazia com que não fosse tratada como uma totalidade e nem mesmo, muitas vezes, como pertencentes mais à esfera pública que à privada. Isso quer dizer que, em muitos casos, á municipalização, ou seja, a organização dos sistemas locais destas políticas terá que ser também um processo de constituição e ou de integração públicas e não só de definição de competências entre esferas de governo. A estrutura proposta de arranjos institucionais, que têm orientado diversas mudanças no enquadramento das políticas sociais, da qual são exemplos tanto a LOAS quando o ECA – conselhos e fundos setoriais nacionais, estaduais e municipais – estimula uma certa verticalização das respectivas políticas, instituições e atores. Por um lado, a municipalizações aponta a superação de um tipo de racionalidade ou de superposição na execução e gestão da política de assistência, na medida em que fortalece a noção de comando único da implementação das ações em cada esfera de governo. Entretanto, a articulação horizontal entre as diversas políticas fica um tanto prejudicada. Com isso, permanece não equacionada, ou mesmo a gravada pela falta de equalização dos sistemas descentralizada das políticas sociais e as relações estabelecidas entre esses. Essa é uma das fragilidades das políticas sociais, em particular no campo da assistência social e da criança e do adolescente: a fragmentação e desarticulação das ações. A desarticulação entre as diversas políticas sociais e entre as políticas setoriais no campo da assistência social e da política de segmento da criança e do adolescente debilitadas a área de diversas maneiras. Em primeiro lugar 28 porque, com vimos, os problemas sociais são fortemente imbricados. Assim, uma setorialização e fragmentação excessiva das ações (das agendas, “tecnologias”, atores, alianças e recursos) tende a reduzir de forma desproporcional sua eficácia. Em segundo lugar, porque os já escassos recursos da área tendem a se dispersar esse contexto, gerando superposições e lacunas nas ações, com a ineficiência decorrente. Em terceiro lugar, dada a inserção subordinada no governo geralmente caracteriza as políticas sociais, a desarticulação enfraquece tremendamente a área frente, por exemplo, à área econômica, transformando os diversos setores de políticos social em competidores entre si por recursos fixos ou mesmo declinantes sem capacidade de pressionar o núcleo do governo por mais recursos, ou mesmo de influir na estruturação da agenda governamental. A integração das políticas sociais e de suas agendas somente através de engenharia institucional ou da criação de instâncias formais de interlocução, como câmaras de política social, comissões, por importantes que sejam, têm mostrado uma eficácia duvidosa – gerando uma integração mais retórica que institucional ou operacional. A estratégia mais bem-sucedida parece apontar para um caminho bem mais tortuoso, dada complexidade e a fragmentação das agências envolvidas: uma articulação mais substantivas nas ações, através da concepção e implementação de programas e projetos, que considere a interseção das diversas áreas para produção de bens e serviços. Por exemplo, programas que sejam ao mesmo tempo de educação e assistência (como bolsa escola ou merenda escolar ou creches), ou de assistência e geração de renda (como geração de renda e profissionalização para adolescentes com trajetória de rua). Poucos temas parecem ter atingido um grau tão elevado de consenso como a necessidade de parcerias entre o poder público e entidades da sociedade civil-ONGs, entidades assistenciais, de defesa de direitos, na execução das políticas no campo da assistência social e da criança e do adolescente. Entretanto, como na maioria dos casos, o aparente consenso 29 sobre este ponto esconde tensões e concepções muito diferentes sobre as políticas sociais e nas relações entre o Estado e a sociedade civil. Da situação irregular á proteção integral. A constituição federal de 1988 e o estatuto da criança e do adolescente (ECA), aprovado pelo congresso nacional em junho de 1990, são os primeiros documentos jurídicos legais brasileiros em que a criança e o adolescente são considerados sujeitos de direitos. É dever da família, da sociedade e do estado assegurar à criança e o adolescente, com absoluta prioridade, o direito á vida, á alimentação, e á educação, ao lazer, á profissionalização, á cultura, á dignidade, ao respeito,á liberdade e á convivência familiar e comunitária,alem de colocá-los a salvo de toda forma de negligência,discriminação,exploração,violência,crueldade e opressão(Brasil.constituição federal,1988). No estatuto, criança e adolescentes são definidos simultaneamente como “pessoas em condições peculiar de desenvolvimento ” justificando desse modo à necessidade da proteção integral e prioritária de seus direitos por parte da família, da sociedade e do estado e como “sujeitos de direitos”- significando que não podem ser tratados como objetos passivos de controle por parte da família, do Estado e da sociedade. Com o estatuto da criança e do adolescente ficou definido uma nova visão da criança e do adolescente no Brasil. Na primeira parte é apresentada a doutrina da situação irregular na qual todas as leis anteriores ao estatuto se basearam .Na segunda parte,apresentam-se as principais inovações trazidas pelo o estatuto: a doutrina da proteção integral e os direitos previstos, a política de atendimento e a função das principais instituições encarregada desta política. E finalmente, na terceira parte, realizou-se um balanço do processo de implementação do ECA em seus dez anos de vigência. As primeiras legislações e instituições específicas destinadas à infância e à adolescência surgiram, em diversos países europeus e americanos, em fins do século xlx e nas primeiras décadas do século xx(políticas públicas/ Alysson Carvalho... [et AL. ]organizadores.-Belo Horizonte: Editora UFMG;2002:60) 30 Negligenciados pelas esferas municipal, federal e estadual, gerando um “jogo de empurra” uma vez que as referidas legislações não definem forma clara as competências de cada esfera de governo na formulação, coordenação, execução, e também no financiamento da política. No tocante à área da assistência social, em abril de 1999 tivemos a publicação dos documentos da Política Nacional de Assistência Social e da Norma Operacional Básica 02, que disciplinam o fluxo de recursos do Fundo Nacional de Assistência Social para os fundos estaduais e municipais, o processo de habilitação de gestores estaduais e municipais e avança na definição das competências dos três níveis do governo, das comissões intergestoras bipartite e tripartite, que são estâncias de negociação e pactuação, quando aos aspectos operacionais da gestão do sistema descentralizada e participativa da assistente social e dos órgãos do controle social, que são os conselhos. Por outro lado, o frágil estatuto de política pública atribuído historicamente à assistência social e à atenção a criança e ao adolescente, caracterizado pelas iniciativas assistemáticas, fragmentadas e descontínuas, fazia com que não fosse tratada como uma totalidade e nem mesmo, muitas vezes, como pertencentes mais à esfera pública que à privada. Isso quer dizer que, em muitos casos, á municipalização, ou seja, a organização dos sistemas locais destas políticas, terá que ser também um processo de constituição e ou de integração públicas e não só de definição de competências entre esferas de governo. A estrutura proposta de arranjos institucionais, que têm orientado diversas mudanças no enquadramento das políticas sociais, da qual são exemplos tanto a LOAS quando o ECA – conselhos e fundos setoriais nacionais, estaduais e municipais – estimula certa verticalização das respectivas políticas, instituições e atores. Por um lado, a municipalizações aponta a superação de um tipo de racionalidade ou de superposição na execução e gestão da política de assistência, na medida em que fortalece a 31 noção de comando único da implementação das ações em cada esfera de governo. Entretanto, a articulação horizontal entre as diversas políticas fica um tanto prejudicada. Com isso, permanece não equacionada, ou mesmo a gravada pela falta de equalização dos sistemas descentralizada das políticas sociais e as relações estabelecidas entre esses. Essa é uma das fragilidades das políticas sociais, em particular no campo da assistência social e da criança e do adolescente: a fragmentação e desarticulação das ações. A desarticulação entre as diversas políticas sociais e entre as políticas setoriais no campo da assistência social e da política de segmento da criança e do adolescente debilitadas a área de diversas maneiras. Em primeiro lugar porque, com vimos, os problemas sociais são fortemente imbricados. Assim, uma setorialização e fragmentação excessiva das ações (das agendas, “tecnologias”, atores, alianças e recursos) tende a reduzir de forma desproporcional sua eficácia. Em segundo lugar, porque os já escassos recursos da área tendem a se dispersar esse contexto, gerando superposições e lacunas nas ações, com a ineficiência decorrente. Em terceiro lugar, dada a inserção subordinada no governo geralmente caracteriza as políticas sociais, a desarticulação enfraquece tremendamente a área frente, por exemplo, à área econômica, transformando os diversos setores de políticos social em competidores entre si por recursos fixos ou mesmo declinantes sem capacidade de pressionar o núcleo do governo por mais recursos, ou mesmo de influir na estruturação da agenda governamental. A integração das políticas sociais e de suas agendas somente através de engenharia institucional ou da criação de instâncias formais de interlocução, como câmaras de política social, comissões, por importantes que sejam, têm mostrado uma eficácia duvidosa – gerando uma integração mais retórica que institucional ou operacional. A estratégia mais bem-sucedida parece apontar para um caminho bem mais tortuoso, dada complexidade e a fragmentação das agências envolvidas: uma articulação mais substantivas nas ações, através da 32 concepção e implementação de programas e projetos, que considere a interseção das diversas áreas para produção de bens e serviços. Por exemplo, programas que sejam ao mesmo tempo de educação e assistência (como bolsa escola ou merenda escolar ou creches), ou de assistência e geração de renda (como geração de renda e profissionalização para adolescentes com trajetória de rua). Poucos temas parecem ter atingido um grau tão elevado de consenso como a necessidade de parcerias entre o poder público e entidades da sociedade civil-ONGs, entidades assistenciais, de defesa de direitos, na execução das políticas no campo da assistência social e da criança e do adolescente. Entretanto, como na maioria dos casos, o aparente consenso sobre este ponto esconde tensões e concepções muito diferentes sobre as políticas sociais e nas relações entre o Estado e a sociedade civil. Da situação irregular á proteção integral. A constituição federal de 1988 e o estatuto da criança e do adolescente (ECA), aprovado pelo congresso nacional em junho de 1990, são os primeiros documentos jurídicos legais brasileiros em que a criança e o adolescente são considerados sujeitos de direitos. É DEVER DA FAMÍLIA, DA SOCIEDADE E DO ESTADO ASSEGURAR Á. CRIANÇA EO ADOLESCENTE, COM ABSOLUTA PRIORIDADE, O DIREITO Á VIDA, Á ALIMENTAÇÃO, A EDUCAÇÃO, AO LAZER, Á PROFISSIONALIZAÇÃO À CULTURA, Á DIGNIDADE, AO RESPEITO, À LIBERDADE E À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E. COMUNITÁRIA, ALÉM DE COLOCÁ-LOS A SALVO DE TODA FORMA DE. NEGLIGÊNCIA, DISCRIMINAÇÃO, EXPLORAÇÃO, VIOLÊNCIA, CRUELDADE E. OPRESSÃO. (BRASIL. CONSTITUIÇÃO FEDERAL, 1988) No estatuto, criança e adolescentes são definidos simultaneamente como “pessoas em condições peculiar de desenvolvimento”- justificando desse modo a necessidade da proteção integral e prioritária de seus direitos por parte da família, da sociedade e do estado-e como “sujeitos de direitos”- significando que não podem ser tratados como objetos passivos de controle por parte da família, do Estado e da sociedade. Com o estatuto da criança e do adolescente ficou definido uma nova visão da criança e do adolescente no Brasil. Na primeira parte é apresentada a doutrina da situação irregular na qual todas as leis anteriores ao estatuto se 33 basearam. Na segunda parte, apresentam-se as principais inovações trazidas pelo o estatuto: a doutrina da proteção integral e os direitos previstos, a política de atendimento e a função das principais instituições encarregada desta política. E finalmente, na terceira parte, realizou-se um balanço do processo de implementação do ECA em seus dez anos de vigência. As primeiras legislações e instituições específicas destinadas à infância e à adolescência surgiram, em diversos países europeus e americanos, em fins do século xlx e nas primeiras décadas do século xx(políticas públicas/ Alysson Carvalho... [et AL. ]organizadores.-Belo Horizonte: Editora UFMG;2002:60) 34 Capítulolll O PROJOVEM NA POLÍTICANACIONAL DA ASSISTÊNCIA SOCIAL O tema da juventude ocupa um lugar de destaque na Agenda Social do Governo Federal, cujo objetivo geral é a redução da pobreza e da desigualdade, e a erradicação da fome e a promoção da autonomia e da inclusão social das famílias brasileira em situação de vulnerabilidade. Com igual ênfase política e de maneira complementar ao Plano de Aceleração do Crescimento PAC, a agenda social enuncia prioridades e organizar as ações que vêm demonstrando, na prática, ser possível promover o crescimento econômico aliado ao desenvolvimento social. A concepção do Projovem Adolescente é resultado de um processo de amadurecimento no que tange ao maior alcance e qualidade nas ações governamentais voltadas para a juventude, em que no ano de 2007, através de um novo grupo de trabalho constituído sob a coordenação da secretaria nacional de juventude-SNJ e pelos ministérios de desenvolvimento social e combate a fome que, por meio da secretaria nacional de assistência socialSNAS,coordena a imprementaçõa dessa modalidade voltada para atendimento dos adolescentes de 15 a 17 anos. O projovem adolescente é serviço socioeducativo de responsabilidade do ministério de desenvolvimento social e combate a fome. A gestão e o financiamento do Projovem Adolescente, dentro da concepção do Sistema Único de Assistência Social SUAS, é compartilhada pela a união, estado, distrito federal e municípios, em que cada ente federativo com as suas atribuições específicas, conforme disposto no art.17 do decreto nº 6.629 de 04 de novembro de 2008 que regulamenta a lei nº 11.692 de 10 de junho de 2008. 35 O Projovem Adolescente-Serviço Socioeducativo, destina-se a Adolescentes de 15 a 17 anos pertencentes a famílias beneficiaria do programa bolsa família- instituído pela lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004,egressos de medidas socioeduucativas de internação ou em comprimento de outras medidas socioeducativas,conforme disposto na lei nº8.069 de 13 de julho de 1990- estatuto da criança e do adolescentes –ECA egresso de programa de erradicação do trabalho infantil-PETI;egressos ou vinculados a programas e serviços de combate ao abuso e a exploração sexual O projovem adolescente- serviço sócio educativo integra a política Nacional de Assistência Social, política pública de proteção social de caráter universalizaste, que se materializa por meio do sistema Único de Assistência Social SUAS, composto por uma rede articulada e orgânica de serviços,programas, projeto,benefícios socioassistênciais. A política de assistência social, desenvolvida no âmbito da seguridade social, juntamente com a saúde e a previdência social, organiza-se em proteção básica social (que visa a proteção de situações de risco por meio do desenvolvimento de potencialidades e aquisições em várias dimensões e do fortalecimento de vínculos familiares e comunitários) e em proteção social especial (que visa a proteção ao indivíduos e famílias em situação de risco pessoal e social, em decorrência de abandono,maus-tratos ,exploração sexual,envolvimentos com atos inflacionais,trabalho infantil,entre outras). A intervenção de cada forma de proteção, ou de ambas, depende das necessidades dos contextos de prevenção ou da ocorrência de risco e da complexidade dos danos sociais e do comprometimento do direito à vida e à sobrevivência que envolva indivíduos ou grupos sócios. Na Política Nacional de Assistência Social, a concepção de proteção social amplia o campo da assistência social pelo significado preventivo incluído na ideia de proteção. “Estar protegido significa ter forças próprias ou de terceiros, que impeçam que alguma agreção/precarização/privação venha ocorrer, deteriorando uma dada condição” (SPOSAT, 2007, p.17). 36 Nessa pespequitiva, organizar sua rede socioassistêncial não mais em função de público, mas de segurança que respondam às necessidades e assegurem direito, dentre os quais: Segurança de renda, cujo objetivo è garantir que todo cidadão brasileiro, independente de ter vínculo ou não com trabalho, tenha acesso à previsão material necessário para suprimento de suas necessidades básicas, por meio do acesso aos benefícios socioassistênciais e a outra formas de transferência de renda. A segurança de renda também se materializa por meios da realização de projetos de enfrentamento à pobreza; Segurança de acolhimento que visa garantir o direito das pessoas ao atendimento, por profissionais qualificados, para obter informações sobre direito e como acessá-los.em casos de abandono,fragilização ou perda de vínculos familiares ou em situação que impeçam a convivência na família ,os serviços de acolhida composto por uma rede articulada e orgânica de serviços,programas, projeto,benefícios socioassistênciais. Nessa pespequitiva, organizar sua rede socioassistêncial não mais em função de público, mas de segurança que respondam às necessidades e assegurem direito, dentre os quais: Segurança de renda, cujo objetivo è garantir que todo cidadão brasileiro, independente de ter vínculo ou não com trabalho, tenha acesso à previsão material necessário para suprimento de suas necessidades básicas, por meio do acesso aos benefícios socioassistênciais e a outra formas de transferência de renda. A segurança de renda também se materializa por meios da realização de projetos de enfrentamento à pobreza; Segurança de acolhimento que visa garantir o direito das pessoas ao atendimento, por profissionais qualificados, para obter informações sobre direito e como acessá-los.em casos de abandono,fragilização ou perda de vínculos familiares ou em atuação que impeçam a convivência na família ,os serviços de acolhida operam na atenção às necessidades 37 humanas de abrigo,reforço(ou construção)de vínculos familiares,proteção a vida,alimentação e vestuário;Segurança do convívio,que tem por foco a garantia do direito constitucional à convivência familiar e à proteção da família, com vista ao enfrentamento de situações de isolamento social,enfraquecimento ou rompimento de vínculos familiares e comunitários,situação discriminatórias e estigmatizastes,por meios de ações centradas no fortalecimento da autoestima,dos laços de solidariedade e dos sentimentos de pertença e coletividade. O Projovem Adolescente articula um conjunto de ações dos dois ambitos da proteção social-básica e especial-e busca desenvolver segurança sociais de acolhida, convívio familiar e comunitário. Destina-se a jovem de família em condições de extrema pobreza e aqueles marcados por vivência resultantes de diferentes circunstâncias de riscos e vulnerabilidades vivências resultantes de diferentes circunstâncias de riscos e vulnerabilidades sociais-retirados de situações de trabalho infantil, abuso e exploração sexual de situações de trabalho infantil, abuso e exploração sexual, violência domestica, abandono, negligência e maus-tratos-e alguns em situação de conflito com a lei, cumprindo medidas socioeducativas em meio aberto ou egresso de medidas de internações-lei nº8. 069, de 13 de julho. De1990, estatuto da criança e do adolescente-ECA. De forma preventiva e potêncializadora do papel de referência e contrarrefêrncia do Centro de Referência de Assistência Social-CRAS, o projovem adolescente visa contribuir para fortalecer as condições de autonomia das famílias e das jovens, para que possam gerir seu processo de segurança social. O conjunto de necessidades decorrentes da pobreza e dos processos de exclusão social e vulnerabilidades sociais, aliados às necessidades 38 peculiares do desenvolvimento dos jovens em seu ciclo de vida, exigem ações que vão além da transferência de renda e bens materiais. Trata-se de associar serviços de benefícios que permitam a prevenção de riscos e contribuam para o reforço da autoestima dos jovens, o desenvolvimento de sua autonomia usufruto á cultura e aos bens sociais., e capacidade de sobrevivência futura,bem como para a ampliação de seu acesso. As ações de proteção social que viabilizam conjunto de bens sociais, serviços e benefícios não materiais situam-se no arco dos serviços socioeducativos que se constituem no caráter principal do projovem adolescente e estarão refletidas no traçado metodológico. O serviço socioeducativo do projovem adolescente integra-se a outras estratégias de ações voltadas para as famílias, tais como o programa bolsa família-PBF, e o serviço de proteção, e atenção integral a família-PAIF, implementados no centro de referência de assistência social-CRAS e aos programas e serviços de proteção sociais especiais executados pelo centro de referência especializado de assistência social-CREAS, voltados aos jovens, às famílias e à comunidade. Essa integração se dá de forma complementar e não substitutiva de modo à proporcionar alternativas emancipatórias para o enfrentamento da vulnerabilidade social decorrente das condições de pobreza e de desigualdades sociais, as quais afligem milhares de famílias nas diversas região do Brasil. De certo os problemas sociais estão arraigados profundamente na vida dos homens e mulheres desse país. São problemas complexos e de difícil solução. Atua em escala e preventivamente junto à juventude, abrindo-lhe oportunidades de desenvolvimento humano, inserção social e participação cidadã, como propõe o projovem adolescente, é um passo importante que se dá rumo à sociedade que almejamos construir. Ao aderir ao projovem adolescente-serviço socioeducativo, os gestores municipais de assistência social e o do distrito federal, devem estar cônscios 39 do desafio que se propõe a enfrentar e de esforço nacional, federativo e intersetorial ao qual se integram. A adesão ao projovem em termo de compromissos que se assume, vai muito além da decisão de acessar recursos federais para oferta atividades aos jovens. Há muito que se falar das questões e dos “problemas” envolvendo a juventude em geral, e, em especial, á juventude mais pobre. A “questão da juventude”, entretanto, alçada á condição de prioridade na agenda social do país objetivo de uma política pública específica, voltada ao segmento juvenil, é fato bastante recente. Somente em2004, tomando-se como referência a criação do grupo de trabalho interministerial da juventude, coordenado pela secretária-geral da presidência da república e reunido 19 ministérios e secretarias, estas questões ganhou contornos de prioridade políticas,consubstanciadas,no seguinte,pela criação da secretaria nacional de juventude-SNJ, do conselho nacional da juventude-CONJUVE e do programa nacional de inclusão de jovens-PROJOVEM,instituídos pela lei nº11.129,de 30 de junho 2005. Os principais produtos do trabalho deste grupo interministerial-que forneceram as diretrizes e o cenário político-institucional para consolidação de uma política para a juventude foram um completo levantamento dos programas federais voltados para a população jovem e um importante diagnóstico da juventude brasileira, apontando os grandes desafios que passaram areenta os esforços do governo para a construção de um lugar digno para os jovens:ampliar o acesso e a permanência dos jovens na escola de qualidade,erradicar o analfabetismo entre os jovens,prepara-los para o mundo do trabalho,gerar trabalho e renda,promover vida saudável,democratizar o acesso dos jovens ao esporte e lazer,á cultura e à tecnologia da informação,promover direitos humanos e as políticas afirmativas,estimular a cidadania ,a participação social dos jovens e por fim melhorar a qualidade de vida dos jovens no meio urbano,rural nas comunidades de referência. Desde então o eixo articulador da concepção de políticas públicas de juventude é norteado por duas noções fundamental: oferecer oportunidade e garantir direitos dos jovens, para que eles possam resgatar a esperança e 40 participar da construção da vida cidadã no Brasil, o que pressupõe reconhecer que juventude é heterogênea e tem características distintas que variam de acordo com aspecto social, cultural, econômico e territorial. A realidade de exclusão social em que estão inseridos os jovens de 15 a 17 anos, público de referência do projovem adolescente, coloca desafios a serem enfrentados pelas políticas públicas de seguridade social (saúde, previdência e assistência social) que garante proteção social contra riscos e vulnerabilidades. Sociais, que as condições de pobreza e as escassas oportunidades de acessar matérias culturais potencializam. Na política social da assistência social (PNAS, 2004), a proteção social vai além de suprir segurança básicas onde elas não existem ou de reforça-las onde estiverem fragilizadas. A proteção social inclui a ação preventiva para evitar fragilizações e riscos sociais e\ou pessoais, tanto aquela ação de natureza material e de criação de oportunidade quanto á de reforço dos laços e vínculo familiares e comunitários, incluindo o cuidar para os liames sociais se fortaleçam, principalmente ao adolescente e ao jovem, a convivência familiar e comunitária e a proteção social necessária ao desenvolvimento da autonomia e cidadania, visando á constituição de sujeitos de direitos. É exatamente no arco dessa segurança e proteção social, e vinculados á redes pública socioassistêncial, que se situam os serviços socioeducaivos de caráter continuado:são aqueles que,indo além do provimento de benefícios materiais, garantem meios para o reforço da autoestima, o desenvolvimento da autonomia,a ampliação da resiliência aos conflitos, a promoção do convívio e o acesso aos serviços públicos,incentivando o protagonismo juvenil,estimulando a participação e a contribuição para o enfrentamento das desigualdades,para inclusão social e a conquista da cidadania plena. 41 3-1 FOCALIZANDO O PÚBLICO DO PROJOVEM ADOLESCENTE De acordo com os instrumentos normativos do projovem adolescente, o serviço socioeducativo destina-se aos jovens de 15 a 17 anos pertencentes a famílias beneficiarias do programa bolsa família, egressos de medidas socioeducativa de internação ou em cumprimento de outras medidas socioeducativa em meio aberto,conforme disposto na lei nº8.069,de 13 de junho de 1990-estatuto da criança e adolescente em cumprimento ou egressos de programa de erradicação do trabalho infantil (PETI),egressos ou vinculados a programas de combate a violência,ao abuso e á exploração sexual. Convém resaltar, ainda, a criação do “benefício variável vinculado ao adolescente” do programa bolsa família também conhecido pela sigla-BVJbenefício vinculado ao jovem. A mesma lei nº11. 692, de 2008, que reformulou o projovem, alteraram os critérios de concessão dos benefícios variáveis do programa bolsa família. Quanto aos jovens encaminhados ao projovem adolescente pelos programas ou serviços de proteção social especial, ou que demandam acompanhamento concomitante deste nível de proteção social,como os jovens sob medida de proteção ou cumprindo medidas socioeducativas do estatuto da criança e do adolescente,algumas questões devem esta suficientemente claras para todos os atores institucionais envolvidos. A primeira dela, e a mais importante, é a de que a participação destes jovens no serviço socioeducativo é exatamente igual à de todos os outros jovens, exclusivamente voluntária e com os mesmos direitos e deveres. Dependendo do caso, o jovem pode estar no projovem adolescente e, simultaneamente, receber atendimento especializado no âmbito dos serviços e programas de proteção especial. Por exemplo, um jovem pode este afastado do convívio familiar, residindo em abrigo, e participar do projovem adolescente. o acompanhamento da medida protetiva de abrigo em entidade,uma das medidas de proteção do ECA,é de responsabilidade integral da unidade de alta complexidade que o acolhe. 42 Entretanto, é sabido que uma das diretrizes do acolhimento institucional é possibilitar á criança e ao adolescente desfrutar da convivência comunitária. Neste sentido é recomendável à participação do jovem em atividades externas, especialmente aquelas de natureza assemelhada ao projovem adolescente. É resultado de um processo de amadurecimento no que tange ao maior alcance e qualidade nas ações governamentais voltadas para a juventude, em que no ano de 2007, através de um novo grupo de trabalho constituído sob a coordenação da secretaria nacional de juventude-SNJ e pelos ministérios de desenvolvimento social e combate a fome que, por meio da secretaria nacional de assistência social-SNAS, coordena a imprementaçõa dessa modalidade voltada para atendimento dos adolescentes de 15 a 17 anos. O projovem adolescente é serviço socioeducativo de responsabilidade do ministério de desenvolvimento social e combate a fome. A gestão e o financiamento do Projovem Adolescente, dentro da concepção do Sistema Único de Assistência Social SUAS, é compartilhada pela a união, estado, distrito federal e municípios, em que cada ente federativo com as suas atribuições específicas, conforme disposto no art.17 do decreto nº 6.629 de 04 de novembro de 2008 que regulamenta a lei nº 11.692 de 10 de junho de 2008. O Projovem Adolescente-Serviço Socioeducativo, destina-se a Adolescentes de 15 a 17 anos pertencentes a famílias beneficiaria do programa bolsa família- instituído pela lei nº 10.836, de 9 de janeiro de 2004,egressos de medidas socioeduucativas de internação ou em comprimento de outras medidas socioeducativas,conforme disposto na lei nº8.069 de 13 de julho de 1990- estatuto da criança e do adolescentes –ECA egresso de programa de erradicação do trabalho infantil-PETI;egressos ou vinculados a programas e serviços de combate ao abuso e a exploração sexual O projovem adolescente- serviço sócio educativo integra a política Nacional de Assistência Social, política pública de proteção social de caráter universalizaste, que se materializa por meio do sistema Único de Assistência Social SUAS, composto por uma rede articulada e orgânica de serviços,programas, projeto,benefícios socioassistênciais. 43 Essencialmente aquelas de natureza assemelhada ao projovem adolescente Conclusão Esta monografia é parte de um estudo de pesquisa referente ao projeto Projovem Adolescente, que ao longo deste ano vem trazendo oportunidade de melhoria na qualidade de vida para os Adolescentes em situação de vulnerabilidade social, que participou do Projovem Adolescente. O processo de interação entre esses grupos fez com que os adolescentes adquirissem autoestima, voltaram a frequentar a escola. Os adolescentes tiveram um importante avanço na concepção das políticas voltadas para os adolescentes. Fica reforçado neste estudo que os adolescentes tem uma visão positiva do Projovem Adolescente. A pesquisa bibliográfica nos permitiu constatar que grandes partes dos Adolescentes conseguiram sair da situação de vulnerabilidade social. Ainda sim temos consciência das dificuldades a serem enfrentadas perante as propostas apresentadas de deslocamento ascendente das responsabilidades e atribuições do estado para o setor privado. Com tudo espero que esta monografia consiga apontar os pontos positivos. 44 BIBLIOGRAFIA BRASIL.constituição (1989). Constituição da República Federativa do Brasil.Brasília, DF; senado, 1988. FALEIROS, Vicente de Paula. Natureza e desenvolvimento das políticas sociais no Brasil.in:__________. 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