PROFESSORES DE GEOGRAFIA FRENTE AOS DESAFIOS DO ENSINO
Maria do Carmo Lucena MARTINS1
Universidade Federal da Paraíba
[email protected]
Suayze Douglas da SILVA2
Universidade Federal da Paraíba
[email protected]
Verônica Pereira de MEDEIROS3
Universidade Federal da Paraíba
[email protected]
RESUMO
A prática profissional dos professores expressa-se, muitas vezes, de forma ordenada e racionalizada
pelas instâncias técnicas e administrativas dos sistemas de ensino, situação em que o professor dispõe
de pouca autonomia diante das decisões. Diante desse quadro, o presente artigo tem como objetivo
tecer considerações acerca da categoria profissional professor, sobretudo aqueles responsáveis pela
disciplina de Geografia, apresentando algumas dificuldades e desafios do trabalho deste profissional.
Diversos procedimentos de pesquisa foram realizados, entre eles, levantamento bibliográfico, no
intuito de ampliarmos o conhecimento teórico sobre os conceitos que abrangem a pesquisa e
estabelecer uma aproximação maior com a temática proposta e o trabalho de campo. Ao longo do
texto são colocadas em discussão duas abordagens, a saber: a tradicional, situação em que o professor
dispõe de pouca autonomia diante das decisões; e as novas abordagens, que confere ao professor uma
autonomia na profissão. Portanto, este trabalho expõe algumas reflexões do ensino básico, dirigidas à
disciplina de Geografia, refletindo sobre o processo didático, levando em consideração o processo
formativo tanto do aluno como do professor. Esse processo está baseado nas relações sociais
existentes, possibilitando dessa maneira, o desenvolvimento de cada indivíduo.
Palavras-chave: Ensino de Geografia. Professores. Desafios.
INTRODUÇÃO
Este trabalho tem como objetivo tecer considerações acerca da categoria profissional
professor, sobretudo aqueles responsáveis pela disciplina de Geografia, apresentando algumas
dificuldades e desafios do trabalho deste profissional.
Diversos procedimentos de pesquisa foram realizados, entre eles, o levantamento
bibliográfico, no intuito de ampliarmos o conhecimento teórico sobre os conceitos que
abrangem a pesquisa e estabelecer uma aproximação maior com a temática proposta; e
trabalho de campo, atividade que permitiu nosso contato com a realidade vivenciada pelo
docente.
1
Aluna Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência – PIBID.
Aluno Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – PIBIC.
3
Aluna Bolsista do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica – PIBIC.
2
1
Por meio dessa atividade de pesquisa, tivemos a oportunidade de coletar dados a partir
da aplicação de questionários com professores de Geografia, do 6º ano, de três escolas
públicas municipais de João Pessoa-PB.
Em João Pessoa as escolas municipais estão distribuídas em 09 (nove) Pólos. Nosso
estudo foi realizado em 03 (três) escolas, sendo cada uma em um Pólo distinto. É importante
destacar que a seleção das escolas ocorreu mediante sorteio.
Ao longo do texto são colocadas em discussão duas abordagens, a saber: a tradicional,
onde os professores expressam-se, muitas vezes, de forma ordenada e racionalizada pelas
instâncias técnicas e administrativas do sistema de ensino, situação em que o professor dispõe
de pouca autonomia diante das decisões sobre: o que ensinar, como ensinar e como avaliar o
que se ensina e o que se aprende; e as novas abordagens, as quais concentram-se na
concepção da formação como um processo contínuo e permanente, marcado pelo
desenvolvimento da capacidade reflexiva, crítica e criativa, o que confere ao professor uma
autonomia na profissão e elevando seu estatuto profissional.
DESENVOLVIMENTO DA TEMÁTICA
Professor é quem, tendo conquistado espaço acadêmico próprio através da
produção, tem condição e bagagem para transmitir via ensino (DEMO, 1985,
p. 15).
A Carreira de Magistério Superior é estruturada conforme a Lei nº 12.772, de 29 de
dezembro de 2012, que dispõe sobre a estruturação do Plano de Carreiras e Cargos de
Magistério Federal da Presidência da República.
Conforme Pontuschka; Paganelli; Cacete (2007), no Brasil, o estabelecimento de um
sistema do professor secundário remonta à década de 30 do século XX, com a forte expansão
da escolaridade em todos os níveis. O modelo clássico da formação desse profissional, que
permanece até hoje, caracteriza-se por uma organização curricular que prevê dois conjuntos
de estudos. De um lado, as disciplinas técnico-científicas e, de outro, as disciplinas didático(psico) pedagógicas. Esse formato tradicional ficou conhecido como “modelo 3+1”, ou seja,
três anos de bacharelado mais um ano de formação pedagógica - que muitos consideram como
licenciatura – acrescida de estágio supervisionado. Durante muitos anos, a formação docente
no país teve uma posição secundária na ordem de prioridades educacionais, caracterizando-se
num processo de desvalorização da profissão, marcada pela consolidação da tutela político-
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estatal sobre o professorado. De acordo com a Lei de Diretrizes e Bases 5.692/71, da
Presidência da República:
O processo de expansão do ensino superior no Brasil deu-se pela via de
privatização, com o predomínio de instituições isoladas, contrariando a Lei
da Reforma do Ensino Superior 5.540/68. A referida lei instituía que o
ensino superior deveria ser organizado sob a forma de universidade. Essas
instituições privadas, constituídas, principalmente, como Faculdades de
Filosofia, Ciências e Letras, multiplicaram-se no fim dos anos 60 e início
dos anos 70, no bojo do forte impulso expansionista do ensino superior
brasileiro, caracterizando-se como locus institucional da formação de
professores para a escola básica. Tal expansão acentuou-se com o
estabelecimento do modelo das licenciaturas curtas polivalentes, em todas as
áreas, a partir da aprovação da Lei de Diretrizes e Bases 5.692/71 (BRASIL,
1971).
Por um longo período, conforme a literatura, parte dos professores de Geografia foi
formado nas instituições privadas em cursos com duração de 04 (quatro) anos, sendo 02 (dois)
anos para a licenciatura polivalente em Estudos Sociais e mais 02 (dois) anos para a
habilitação em Geografia. Estes cursos contribuíram para o comprometimento da formação
desses profissionais.
Diferentemente da abordagem tradicional, as novas abordagens baseiam-se na
formação do professor como processo contínuo pautado na reflexão, na criatividade e na
crítica, permitindo ao professor uma autonomia profissional. Nesse sentido, Pontuschka,
Paganelli e Cacete (2007, p. 92-93) afirmam que:
A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9.394/96 apontou
inovações no âmbito da formação do profissional docente, criando novo
ambiente institucional para esse fim, o instituto superior de educação, além
de prever que a formação de professores para todas as etapas da educação
básica se realize, prioritariamente, em nível superior. Ao mesmo tempo,
foram definidos novos Parâmetros Curriculares Nacionais para o ensino
básico e elaboradas as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para todos
os cursos superiores de graduação. Do ponto de vista da DCN para os cursos
superiores de graduação, percebe-se uma mudança significativa nos
referenciais necessários à organização curricular desses cursos. Em lugar de
uma listagem de disciplinas obrigatórias concebidas como mínimos
curriculares e com as respectivas cargas horárias - lógica que presidiu,
durante muitos anos, as políticas de estabelecimento do currículo dos cursos
superiores-, o novo modelo orienta para o estabelecimento de linhas gerais
capazes de definir um conjunto de competências e habilidades que deverão
compor o perfil profissional a ser formado.
Como contribuição e formação do professor de Geografia destaca-se a importância da
pesquisa, não apenas para formação do geógrafo, mas para os cursos de licenciatura. Nesse
sentido, Demo (1985, p. 14) afirma:
3
Quem ensina carece pesquisar; quem pesquisa carece ensinar. Professor que
apenas ensina jamais o foi. Pesquisador que só pesquisa é elitista explorador,
privilegiado e acomodado.
É necessário que o professor, além de dominar conteúdos, desenvolva capacidade de
utilizá-los como instrumentos para desvendar e compreender a realidade, dando sentido e
significado à aprendizagem e dessa forma fornecendo ao aluno instrumentos para que ele
construa um pensamento articulado, organizado e crítico do mundo. Nessa tentativa, o
professor, por muitas vezes é elevado a abordar diversos conteúdos para que a informação
chegue ao entendimento do aluno. Outra alternativa é o incentivo à pesquisa por meio de
exercícios práticos e de fácil realização, o que pode ser uma experiência inédita para os
alunos, já que muitos chegam ao ensino superior sem nunca terem frequentado bibliotecas,
laboratórios, livrarias, etc., o que constitui num grande desafio para o docente.
O professor encontra várias dificuldades em seu trabalho4, no exercício de suas
atividades esse profissional enfrentará muitos desafios, dentre eles, está à necessidade de
habituar-se às regras de uma Instituição de Ensino ao ser contratado. Espera-se que o
professor se adapte às normas da Instituição e que apresente resultados da sua produção que
deverá está ligada à atividade coletiva.
A atividade que o docente pratica é algo pessoal do indivíduo e que cada um
desenvolve o seu próprio estilo, porém é necessário que haja coerência entre esse estilo e a
profissão desempenhada. O profissional, no desenvolvimento de suas atividades, ocasiona
consequências que podem ser positivas (habilidades) ou negativas (doenças).
Conforme escolhemos para nossa análise a categoria profissional professor,
enfatizando a disciplina de Geografia, faz necessário destacar/relembrar que a Geografia é
uma ciência social. Desta forma, ao ser estudada, tem-se que considerar o aluno e a sociedade
em que vive. O estudo da Geografia não pode ser uma coisa alheia, distante, desligada da
realidade, nem um amontoado de assuntos, ou lugares (partes do espaço), onde os temas são
soltos, de difícil acesso e compreensão pelos alunos.
De acordo com Bock, Furtado e Teixeira (1999), o teórico soviético Vigotski afirma
que o ser humano é um sujeito ativo, que atua sobre o mundo a partir das relações sociais.
Dessa maneira, a história de cada pessoa e o seu desenvolvimento, caminham lado a lado.
Esta teoria ficou conhecida como sendo interacionista, pois considera que é no interior de
4
O trabalho é a atividade coordenada desenvolvida por homens e mulheres para enfrentar aquilo que, em uma
tarefa utilitária, não pode ser obtido pela a execução escrita da organização prescrita (DEJOURS, 1999, p. 4243).
4
cada pessoa, isto é, na troca da subjetividade entre as pessoas, que ocorre o desenvolvimento
do indivíduo.
Do ponto de vista acadêmico o cientista assume um caráter de fim, para o educador é
encarada como meio, conforme Saviani (1986 citado por CASTROGIOVANNI, 2001, p.
188):
[...] um geógrafo, uma vez que tem por objetivo o esclarecimento do
fenômeno geográfico, encara a geografia como fim. Para o professor de
geografia, entretanto, o objetivo é outro: é a promoção do homem, no caso, o
aluno. A geografia é apenas um meio para chegar aquele objetivo. Dessa
forma, o conteúdo será selecionado e organizado de modo a atingir o
resultado pretendido. Isto explica porque nem sempre o melhor professor de
geografia é o geógrafo, o que pode ser generalizado nos seguintes termos:
nem sempre o melhor professor de determinada ciência é o cientista
respectivo.
RESULTADOS DA PESQUISA DE CAMPO

Escola 1
A Escola apresenta uma boa estrutura, com uma sala ampla dedicada ao intervalo dos
professores, uma biblioteca bastante organizada e, como observamos, utilizada pelos alunos
com acompanhamento dos professores. Mantém segurança na portaria não permitindo que
pessoas entrem sem identificação. Possui, ainda, rampas internas para acesso de cadeirantes e
está equipada com sistema de wifi que disponibiliza no período de intervalo, como nos
informou o Diretor.
A maioria dos estudantes mora nas proximidades da escola e grande parte utiliza a
bicicleta como meio de locomoção, como identificamos.
A entrevista foi feita com a professora do 6° ano da disciplina de Geografia. Com
pouco mais de 50 anos, formada no ano de 1997 na antiga Universidade Regional do
Nordeste, hoje, Universidade Estadual da Paraíba. A mesma informou que logo após concluir
seu curso iniciou sua pós-graduação, na mesma Universidade. Há 19 anos leciona, não
informando há quanto tempo está na escola, onde trabalha apenas um turno, com carga
horária de 20 horas semanais. Não informou sua renda familiar e/ou pessoal.
Informou que desde cedo tinha vontade de trabalhar como professora, pois tinha certa
admiração pela profissão. Hoje, ela demonstrou estar aparentemente cansada, sem muito
entusiasmo, devido algumas decepções ao longo de toda sua jornada de trabalho. No
encontro, por exemplo, a mesma se encontrava em sala de aula e no momento em que
chegamos um aluno acabara de jogar uma bolinha de papel no quadro enquanto a professora
5
copiava. Assim, ela nos descreveu seu desgastante dia de trabalho, não escondendo sua
vontade de terminar a aula, pois tinha que ajudar sua filha a cuidar do seu netinho recémnascido.
Quando perguntado a respeito do seu relacionamento com os diretores da escola e com
seus colegas professores ela informou que considera como boa, pois nunca teve nenhum atrito
com nenhum deles. A maior dificuldade é lidar com a rebeldia de alguns alunos e alguns pais
que, quando convocados para conversar a respeito dos seus filhos, chegam um tanto
exaltados.

Escola 2
Professor do 6° ano há 04 (quatro) anos, graduado em Bacharelado e em Licenciatura
em Geografia pela Universidade Federal da Paraíba há seis anos, casado, com 02 (dois) filhos,
39 anos de idade, carga horária de três turnos diários em três instituições de ensino distintas.
Não revelou renda pessoal ou familiar, mas relatou que mantém carga horária total para poder
manter-se e à sua família.
Após concluir a Licenciatura participou de concurso público municipal para ter
ingresso à Escola. Houve um treinamento inicial, de curta duração, apenas para inteirar-se das
regras da escola e apresentação à equipe de professores e funcionários. Quanto ao trabalho
diário foi absorvendo no dia a dia. Também não houve, nesse período, quaisquer reciclagens
ou atualizações.
Desloca-se, pela manhã, de sua casa até a Escola, num percurso de menos de 1 km a
pé (a Escola fica próximo à sua residência), onde fica até 11:45 horas. Volta para sua casa,
almoça, ajuda a esposa na arrumação dos filhos e os leva até a Escola para em seguida ir, de
ônibus, para a outra escola que ensina à tarde, num percurso de 20 minutos, onde fica até 17
horas. Segue para a casa de seus pais, que fica próximo dessa escola, onde janta e em seguida
segue para a terceira escola, andando. Sua jornada termina às 22 horas, mas ainda tem que ir
de ônibus para sua residência.
Percebe-se, em sua jornada, que há desgaste físico e nas suas relações familiares. Sua
presença junto à esposa e filhos limita-se a alguns minutos pela manhã, outros na hora do
almoço e à noite, quando chega em casa os filhos já encontram-se dormindo, ficando apenas
os fins de semana para compartilhar com a família.
Os imprevistos ficam por conta de problemas com alunos – faltas, problemas de
relacionamento com colegas, não cumprimentos de tarefas escolares e das normas da
6
instituição, da falta de respeito com diretores, professores e funcionários ou até casos de
violência contra o patrimônio ou pessoas – sendo necessária a convocação dos pais ou
responsáveis. Há interferência no trabalho, pois se torna necessário solicitar a outro professor,
mesmo de outra disciplina, para conduzir a aula enquanto acontece o atendimento à família.
As relações de trabalho com diretores, supervisores, colegas, funcionários e até mesmo
com pais de alunos é considerada boa, não encontrando dificuldades para relacionar-se com
nenhum deles. Não fez avaliação sobre reconhecimento.
A Escola é fisicamente bem estruturada, localizada em rua pavimentada, oferece
segurança aos alunos e funcionários mantendo na portaria um funcionário para controlar as
entradas e saídas, é limpa, bem equipada com computadores, telefones, mesas, cadeiras,
aparelhos de som, gravadores, aparelhos de ar condicionado (apenas na sala dos professores e
diretores), biblioteca, sala de informática. Observamos certa satisfação profissional e pessoal
nos professores, funcionários e diretores.
A postura do professor, observada no momento da entrevista, é de um profissional que
zela pela área que adotou, gosta do que faz, seus gestos são suaves, fala educada, simpático,
solícito e mostra preocupação por não estar mantendo-se atualizado, justificando pela falta de
recursos financeiros e por estar com seu tempo ocupado em salas de aula.

Escola 3
A professora que leciona a disciplina de Geografia do 6º ano na Escola é graduada em
Bacharelado e Licenciatura pela a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) desde o ano de
2003.
Na Escola, a professora realiza sua atividade desde o ano de 2010, sempre pelos turnos
da manhã e da tarde. O seu ingresso foi através de um concurso público. Não houve nenhuma
oportunidade de treinamento durante o tempo em que trabalha. Logo, a sua experiência foi
adquirida no dia a dia, tornando-a apta para a realização do seu trabalho.
Devido ao seu processo formativo, a professora apresenta uma boa postura, sendo
bastante visível a utilização de gestos, além do mais, de ser uma pessoa culta e simpática,
possibilitando desta maneira, um bom convívio com os professores, estudantes, funcionários e
com a chefia, ou seja, com todos os integrantes que compõem a escola. O alunado se interessa
pelas suas aulas devido ao fato que a professora não apenas utiliza o livro didático como
padrão, mas também faz uso de outros instrumentos do trabalho, a exemplo, de livros, jornais,
revistas, documentários, exercícios, entre outros.
7
A utilização destes instrumentos se faz possível devido ao fato que a Escola é
extremamente estruturada. A presença de equipamentos (sala de informática, sala de ciências,
gravadores) sofisticados, torna a escola visível dentro da comunidade.
A biblioteca possui recursos didáticos sobre diferentes temáticas. Desta forma, a
professora se compromete em adquirir e repassar temporariamente alguns dos materiais
envolvidos para uma maior didática e explicação do tema.
A professora administra as suas aulas desde o ano de 2005 nas escolas de ensino
básico, sobretudo em escolas públicas. Atualmente, está sobrecarregada, chegando ao ponto
de sofrer algumas consequências, a exemplo de ter estresse, dores na coluna, problemas
relacionados à fala e também a falta de “tempo” para namorar.
A utilização da sua carga horária nos cincos dias da semana é em decorrência que a
sua renda é um complemento da renda familiar, pois a docente mora com os pais. Em relação
a sua renda familiar e pessoal, a professora não revelou, mas comentou que era boa.
Um dos grandes desafios da professora é o seu deslocamento até chegar à Escola, por
conta do longo percurso. Ao chegar à Escola, a mesma, inicia sua aula às 07:00 horas, com
término às 11:45 horas. Com a finalização da aula, a profissional retorna para casa dos pais,
onde só dar tempo de almoçar, pois à tarde precisa continuar a sua jornada de trabalho. Neste
turno, a aula começa às 13:00 horas e termina às 17:00 horas. E por fim, no turno da noite,
mesmo com o seu cansaço durante o dia, a professora dar a sua aula em uma escola particular.
Ao retornar novamente para casa, a professora realiza as seguintes atividades: toma banho, se
alimenta e dorme. A partir dessa breve descrição de um dia habitual/intenso da professora,
observamos que a docente só tem o final de semana para compartilhar com os pais e com os
amigos.
Os imprevistos no seu trabalho ocorrem em decorrência da falta de interesse de alguns
alunos - conversas paralelas durante a hora da explicação do conteúdo, a não entrega de
exercícios, a não utilização do livro - sendo às vezes importante a presença da diretora, ou, até
mesmo dos pais.
Mesmo com os imprevistos, a professora se sente satisfeita e orgulhosa ao realizar o
seu trabalho cotidianamente, pois a partir das relações sociais existentes no trabalho e em
outros ambientes, a docente amplia o seu conhecimento.
CONCLUSÃO
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Em síntese, o trabalho expõe algumas reflexões do ensino básico, sobretudo a
disciplina de Geografia. Dessa forma, reflete sobre o processo didático levando em
consideração o processo formativo tanto do aluno como do professor. Esse processo está
baseado nas relações sociais existentes, possibilitando dessa maneira, o desenvolvimento de
cada indivíduo.
A relação que existe entre o professor e o aluno ocorre principalmente na sala de aula,
onde tal ambiente é o cenário da preparação dos alunos para a vida social. Para que essa
relação seja intensa é preciso que o professor adote um método de trabalho interessante, ou
seja, se faz necessário que o docente assuma uma postura que “liberte” no aluno o interesse
pelos conhecimentos gerais, principalmente os geográficos.
Dessa maneira, o professor será um profissional competente, que tentará romper com
os laços do ensino tradicional, que ainda hoje, baseia-se na memorização de um determinado
conteúdo. Com esse rompimento, a sala de aula torna-se um ambiente de reflexões críticas
transformando o aluno, e atribuindo a ele, um jeito de ser.
No estudo feito constatamos que as principais dificuldades encontradas pelos
professores de Geografia dizem respeito: à jornada de trabalho, que precisa ser ampliada para
que alcance uma renda considerada razoável para eles; a relação professor x aluno, tendo em
vista o contato direto com vários sujeitos de diferentes histórias familiares, com diversas
formas de comportamento e pensamento; o tratamento com os pais dos alunos; a falta de
treinamento especializado para o docente, entre outros.
Dentre os desafios destacamos a dificuldade de tornar a disciplina de Geografia
atrativa e interessante para os alunos. Uma alternativa é vincular os assuntos da disciplina à
realidade, isto é, incorporar às atividades de sala de aula as vivências concretas do cotidiano.
REFERÊNCIAS
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a Diretrizes e Bases para o ensino de 1° e 2º graus, e dá outras providências. Diário Oficial
da União, Brasília, DF, 12 ago. 1971. Disponível em:
<http://www010.dataprev.gov.br/sislex/paginas/42/1971/5692.htm>. Acesso em: 10 de maio
de 2014.
BOCK, Ana Mercês Bahia; FURTADO, Odair; TEIXEIRA, Maria de Lourdes Trassi.
Capítulo VII: A psicologia do desenvolvimento. In: Psicologias: Uma introdução ao estudo
da psicologia. Editora: Saraiva, 13. ed. refor. e ampl., 1999. p. 97-113.
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CASTROGIOVANNI, Antônio Carlos (Org.). Geografia em sala de aula: práticas e
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Brasileiros – Seção Porto Alegre, 2001.
DEJOURS, Christophe. O Fator Humano. Tradução de Maria Irene S. Betiol e Maria José
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DEMO, Pedro. Pesquisar – o que é? In: DEMO, Pedro. Pesquisa: Princípios científicos e
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PONTUSCHKA, Nídia Nacib; PAGANELLI, Tomoko Iyda; CACETE, Núria Hanglei. A
formação docente e o ensino superior. In: Para ensinar e aprender Geografia. 1. ed. São
Paulo: Cortez, 2007. (Coleção Docência em Formação. Série Ensino Fundamental).
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