PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
PUC-SP
Luciana Leite Mesquita Trindade
Julgamento do efeito de um programa de intervenção
fonoaudiológica na expressividade oral de repórteres
MESTRADO EM FONOAUDIOLOGIA
SÃO PAULO
2008
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE SÃO PAULO
PUC-SP
Luciana Leite Mesquita Trindade
Julgamento do efeito de um programa de intervenção
fonoaudiológica na expressividade oral de repórteres
MESTRADO EM FONOAUDIOLOGIA
Dissertação
de
Mestrado
apresentada
à
Banca
Examinadora como exigência
parcial para obtenção do título
de Mestre em Fonoaudiologia
pela Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo, sob
orientação da Profa. Dra. Léslie
Piccolotto Ferreira
SÃO PAULO
2008
TRINDADE, Luciana Leite Mesquita
Julgamento do efeito de um programa de intervenção
fonoaudiológica na expressividade oral de repórteres / Luciana Leite
Mesquita Trindade – São Paulo, 2008.
Viii, 109 f.
Dissertação (Mestrado) – Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo – Programa de Pós-Graduação em Fonoaudiologia.
Título em inglês: Assessment of the effect of a phonoaudiological
intervention program on reporters oral expressvity
1. Voz 2. Comunicação 3. Jornalismo
Banca Examinadora
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iii
Dedicatória deste documento, tanto na sua
É expressamente proibida a comercialização
Dedicatória
forma impressa, como eletrônica.
Sua reprodução total ou parcial é
. permitida exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, desde que na
reprodução figure a identificação do autor, título, instituição e ano da tese/
dissertação.
Dedicatória
Aos meus amados avós Oneide
Mesquita e Lydimar Duarte Mesquita e pais Antônio Matos
Trindade Júnior e Rosa Helena Trindade, exemplo
incondicional de amor, carinho e união. Pessoas preciosas na
minha vida, meu porto seguro e minha fonte de incentivo para
ultrapassar todos os obstáculos. Não existem palavras no mundo
que possam expressar meu eterno agradecimento a vocês.
Obrigada pelo apoio nos momentos em que precisei, pelas
palavras sábias que me davam força para me reerguer e seguir
em frente, por entenderem meus momentos de ausência, durante
esta trajetória e por não medirem esforços para a realização de
minha formação profissional. Sem vocês a meu lado tudo seria
muito mais difícil. À vocês meu eterno amor e gratidão.
iv
Agradecimentos
A Deus, por ter me dado forças para superar os momentos mais difíceis e
fazer-me chegar até o fim.
À Profa. Dra Léslie Piccolotto Ferreira, orientadora muito querida, brilhante
profissional e ser humano maravilhoso. As palavras são poucas para
expressar o meu eterno muito obrigada, pelos momentos prazerosos de
orientação, pela convivência harmoniosa durante toda esta trajetória e pelo
jeito atencioso, dócil e respeitoso com que trata seus orientandos. Obrigada
por ter me carregado no colo desde o primeiro momento, por ter acreditado
em mim e por nunca ter deixado de caminhar lado a lado comigo.
À Profa. Dra Marta Assumpção de Andrada e Silva, por sua ajuda e
contribuições essenciais para a finalização desta pesquisa.
À Profa. Dra Leny Kyrillos, referência no trabalho com telejornalistas,
exemplo de competência profissional a ser seguida. Obrigada pela acolhida,
pelos momentos agradáveis e pelo aprendizado constante em suas aulas,
por ter me auxiliado durante essa trajetória, sempre com um jeito muito
carinhoso. Saiba que sou eternamente grata por tudo e que não existe
recompensa maior para um pesquisador que o conhecimento adquirido.
À Profa. Dra. Adriana Panico, brilhante profissional e ser humano que
emana uma simpatia ímpar. Obrigada por ter se mostrado tão atenciosa
desde o primeiro contato, pela aceitação em participar desta pesquisa, pela
disponibilidade em ajudar sempre que solicitei, pelas contribuições e
sugestões essenciais para a concretização deste sonho. Minha gratidão por
você é enorme.
Às Profas Dras Maria Laura Martz e Maria Aparecida Coelho, pelas
excelentes contribuições e críticas sempre construtivas para um melhor
resultado final.
À direção da emissora de TV e aos repórteres, por terem me recebido
com carinho e acreditado em minha pesquisa. Você foram essenciais para a
realização deste trabalho.
Aos telespectadores, que realizaram o julgamento das vozes,agradeço pela
enorme colaboração.
Às fonoaudiólogas juízas que disponibilizaram pacientemente seu tempo
para avaliar as vozes. Obrigada pela atenção a mim dispensada.
v
Aos integrantes e amigos do Laborvox, pelas trocas de conhecimento e
momentos alegres.
Aos meus amigos e irmãos Paulo Marcelo Trindade e Maurício Trindade,
pela amizade e companheirismo em todas as horas.
Aos queridos amigos Sônia e Ênio, por não medirem esforços ao ler a
dissertação sempre com um olhar diferenciado e críticas construtivas, e
também pelos momentos alegres dentro do Laborvox.
Aos meus tios, primos e amigos que, mesmo distantes fisicamente, se
fizeram presentes. Obrigada for terem feito a minha caminhada mais amena.
Às amigas Ana Carolina Almeida, Juliana Danin e Niele Medeiros, minha
família de Sampa. Obrigada pela convivência super divertida, pelo apoio
diário e por compartilharem comigo não só as alegrias, mas também os
momentos de tristeza. Vocês, com certeza, souberam amenizar meus
momentos de angústia, e me deram forças para chegar até o fim.
À amiga e fonoaudióloga Juliana Azevedo, por me ajudar desde o começo
desse trabalho, mostrando-se sempre muito solícita, mesmo com seus
afazeres. A você Jú, meu eterno carinho.
Ao estatístico e amigo João Ítalo, por entender no mais profundo sentido o
verdadeiro significado da palavra amizade. Obrigada pela disponibilidade em
todos os momentos.
À Virginia, secretária da Pós em Fonoaudiologia, pela sua atenção e
presteza sempre, com todos os alunos.
À Capes, pela bolsa concedida.
A todos que, direta ou indiretamente, contribuíram para a realização
deste sonho. Meu eterno carinho!
vi
“Para realizar grandes conquistas, devemos não apenas agir, mas também
sonhar; não apenas planejar, mas também acreditar”
(Anatole France)
vii
Resumo
Trindade LLM, Ferreira, LP. Julgamento do efeito de um programa de
intervenção fonoaudiológica na expressividade oral de repórteres.
[Dissertação de Mestrado], São Paulo: Pontifícia Universidade Católica
de São Paulo, 2008.
Introdução: Os repórteres são profissionais que utilizam a voz como
instrumento de trabalho e têm como principal objetivo transmitir a notícia
com credibilidade ao telespectador. Objetivo: Analisar o efeito de uma
proposta de programa de intervenção fonoaudiológica na expressividade oral
de repórteres, a partir do julgamento realizado por telespectadores e
fonoaudiólogos. Método: Participaram do estudo 100 telespectadores e três
fonoaudiólogos especialistas em voz e atuantes na área do telejornalismo
que realizaram o julgamento perceptivo-auditivo das vozes de três repórteres
que foram submetidos a um programa de intervenção fonoaudiológica. As
amostras de fala para cada análise foram colhidas nos momentos pré e pósintervenção e editadas de forma aleatória, em quatro combinações para
cada repórter, totalizando assim 12 combinações. Os dados foram
submetidos à análise estatística, por meio dos testes Wilcoxon Rank Sum e
Kruskal-Wallis Rank Sum, adotando nível de significância de 5%.
Resultados: Observou-se diferença significante (p<0,0001) a favor dos
acertos julgados pelos telespectadores na maioria das combinações dos
repórteres; estes apontaram melhora na performance dos três repórteres no
momento pós-intervenção (p<0,0001); o termo credibilidade foi o mais
referido (66,9%) como sendo o fator responsável por essa melhora; não foi
observada diferença estatisticamente significante (p=0,3108) em relação aos
acertos segundo os grupos com e sem ocupação; o termo credibilidade foi o
mais referido pelo grupos com (72,0%) e sem ocupação (61,0%); as
fonoaudiólogas também perceberam diferença estatisticamente significante
no relato das notícias de R1 (p=0,0457) e R3 (p=0,0457); estas julgaram
melhor o momento pós-intervenção fonoaudiológica, sendo estatisticamente
significante em R1(p=0,0098) e R3 (p=0,0184), e clareza foi o termo mais
referido (72,7%) para evidenciar essa melhora. Conclusão: A partir dos
resultados obtidos, pode-se concluir que o programa de intervenção
fonoaudiológica, que contemplou predominantemente, o trabalho com
parâmetros de expressividade oral, a partir de estratégias de autopercepção, gerou efeito positivo no relato das notícias dos três repórteres
participantes. Esse foi percebido por telespectadores nos três repórteres e
por fonoaudiólogas, em pelo menos dois. Os juízes apontaram para a
melhora da credibilidade (telespectadores) e clareza (fonoaudiólogas), na
transmissão da notícia.
Descritores: voz, comunicação, jornalismo.
viii
Abstract
Trindade LLM, Ferreira LP. Assessment of the effect of a
phonoaudiological intervention program on reporters’ oral expressivity
[Dissertation], São Paulo: Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo, 2008.
Introduction: Reporters are professionals who use their voice as tool to
work and their main objective is to deliver the news in a credible way to
viewers. Objective: To analyze the effect of a phonoaudiological intervention
program in reporters’ oral expressivity based on an assessment made by
viewers and speech therapists. Method: 100 viewers and three voicespecialized speech therapists who work in the TV journalism area
participated in the study and conducted a perceptive-auditory assessment of
three reporters’ voices who were submitted to a phonoaudiological
intervention program. Speech samples for each analysis were collected
before and after the intervention and randomly edited in four combinations for
each reporter totaling 12 combinations of the three reporters. Data were
submitted to statistical analysis by means of the Wilcoxon Rank Sum and
kruskal-Wallis Rank Sum tests, 5% being the significance level adopted.
Results: A significant difference (p<0,0001) was observed favoring
correctness assessed by viewers in most of the reporters’ combinations;
they pointed out improvements in the three reporters’ performance after the
intervention (p<0,0001); the credibility item was the most mentioned (66.9%)
as responsible for said improvement; no statistically significant difference
was observed (p=0,3108) related to correctness according to the groups with
and without occupation. Credibility was the most mentioned item by the
groups with (72.0%) and without occupation (61.0%); speech therapists also
perceived a statistically significant difference in the delivery of the news in R1
(p=0.0457) and R3 (p=0.0457); they though the moment after the
phonoaudiological intervention was better and statistically significant in R1
(p=0.0098) and R3 (p=0.0184), and clarity was the preferred item (72.7%) to
evidence said improvement. Conclusion: Based on the results, the
phonoaudiological intervention program, which included predominantly
working with oral expressivity parameters based news by the three reporters.
That was perceived by viewers in the three as improvement in credibility
(viewers) and in clarity (speech therapists) in the delivery of the news.
Uniterms: voice, communication, journalism.
ix
ÍNDICE
1 INTRODUÇÃO
2 OBJETIVOS
3 REVISÃO DA LITERATURA
3.1- FONOAUDIOLOGIA E TELEJORNALISMO
3.2-INTERVENÇÕES FONOAUDIOLÓGICAS
4 MÉTODOS
4.1- SELEÇÃO DOS SUJEITOS
4.2- COLETA DE AMOSTRA DE FALA
4.3- EDIÇÃO DO MATERIAL
4.4- JULGAMENTO DO MATERIAL
4.4.1- Julgamento dos Telespectadores
4.4.2- Julgamento das Fonoaudiólogas
4.5- ANÁLISE DOS DADOS
4.6- INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA
4.6.1- Caracterização da Empresa e dos sujeitos que participaram
4.6.2- Mapeamento do contexto ocupacional e das demandas
4.6.3- Descrição dos Encontros
5 RESULTADOS
6 DISCUSSÃO
7 CONCLUSÕES
8 REFERÊNCIAS
9 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ANEXOS
Anexo 1 - Aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa
Anexo 2 - Termo de Consentimento Livre Esclarecido aos Telespectadores
Anexo 3 - Termo de Consentimento Livre Esclarecido aos Fonoaudiólogos
Anexo 4 - Termo de Consentimento Livre Esclarecido aos Repórteres
Anexo 5 - Protocolo de Avaliação dos Telespectadores
Anexo 6 - Protocolo de Avaliação dos Fonoaudiólogos
Anexo 7 - Protocolo de Avaliação Fonoaudiológica pré intervenção
Anexo 8 - Avaliação do contexto ocupacional e das demandas
Anexo 9 - Descrição dos Encontros de Intervenção Fonoaudiológica
x
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92
Lista de Figuras
Figura 1: Apresentação cronológica dos procedimentos
metodológicos desta pesquisa
xi
48
Lista de Tabelas
Tabela 1
Distribuição numérica e e percentual do julgamento
das vozes dos repórteres (R1, R2 e R3),
considerando os acertos e erros realizados pelos
telespectadores.
50
Tabela 2
Distribuição numérica e percentual do julgamento das
vozes dos repórteres (R1, R2 e R3), considerando os
momentos pré e pós intervenção fonoaudiológica,
julgada pelos telespectadores.
51
Tabela 3
Distribuição numérica e percentual dos termos mais
referidos por quem acertou as combinações de vozes,
em relação aos repórteres (R1, R2 e R3) julgados
pelos telespectadores.
52
Tabela 4
Distribuição numérica e percentual dos acertos
julgados pelos telespectadores, segundo as diversas
combinações em relação aos repórteres (R1, R2 e
R3), considerando os grupos com e sem ocupação.
53
Tabela 5
Distribuição numérica e percentual dos termos mais
referidos por quem acertou as combinações de vozes
dos repórteres (R1, R2 e R3), segundo o grupo com
presença e ausência de ocupação.
54
Tabela 6
Distribuição numérica e percentual do julgamento das
vozes dos repórteres (R1,R2 e R3), considerando os
acertos e erros realizado pelas fonoaudiólogas.
55
Tabela 7
Distribuição numérica e percentual do julgamento das
vozes dos repórteres (R1, R2 e R3), considerando os
momentos pré e pós intervenção fonoaudiológica,
julgado pelas fonoaudiólogas.
56
Tabela 8
Distribuição numérica e percentual dos termos mais
referidos por quem acertou as combinações de vozes,
em relação aos repórteres (R1, R2 e R3) julgados
pelas fonoaudiólogas.
57
xii
Lista de Quadros
Descrição do primeiro encontro de intervenção fonoaudiológica
Quadro 1
93
Descrição do segundo encontro de intervenção fonoaudiológica
Quadro 2
100
Descrição do terceiro encontro de intervenção fonoaudiológica
Quadro 3
102
Descrição do quarto encontro de intervenção fonoaudiológica
Quadro 4
105
Descrição do quinto encontro de intervenção fonoaudiológica
Quadro 5
107
Descrição do sexto encontro de intervenção fonoaudiológica
Quadro 6
108
xiii
1 INTRODUÇÃO
A cada dia que passa, cresce o número de profissionais da
comunicação e o repórter está inserido nessa categoria. Ele necessita
utilizar a voz falada em sua rotina de trabalho, como equipamento
imprescindível para desenvolver sua carreira, pois para ele, falar bem é
essencial, o que implica em se expressar com clareza para ser entendido
pelo ouvinte (FRANÇA, 2003).
A fala é um elemento importante na televisão, juntamente com a
imagem (MACIEL, 1994), e é construída por elementos que na interação
pessoal favorecem o estabelecimento das relações entre o que é dito, ou
seja, o som e o que é entendido, o sentido (MADUREIRA, 2005). Dessa
forma, toda fala é expressiva e no contexto de uso profissional, certas
características são exigidas para um bom desempenho.
Nesse meio, é desejável alcançar uma fala, que apesar de ser
construída, transmita naturalidade ao ouvinte e o fonoaudiólogo, por
trabalhar com a comunicação humana, está envolvido nesse processo. Ele
tem auxiliado os profissionais de TV a desenvolverem recursos, que
promovam um melhor desempenho vocal durante sua atuação, fato que
facilita o relato da notícia de forma objetiva e precisa, e atende às exigências
dos ouvintes.
O repórter de TV geralmente realiza reportagens compostas de
passagem, que é o momento em que o repórter aparece no vídeo no local
da notícia, no qual pode falar seu texto no improviso, o off, que se refere ao
momento em que o texto vai ao ar, previamente gravado ou ao vivo, que
ocorre quando utiliza o fone de ouvido, por onde recebe informações quanto
ao momento de entrar, além d sugestões de perguntas e comentários
(KYRILLOS, 2004a).
Nos últimos anos, pesquisadores têm direcionado atenção maior às
questões de manutenção vocal (STIER 1997; COTES et al. 1999;
MESQUITA et al. 2003, entre outros) dos profissionais da TV e a literatura,
aos poucos, reflete um aumento gradual de estudos, que comprovam a
efetividade
de
uma
intervenção
fonoaudiológica
na
qualidade
de
comunicação desses profissionais (BRANDALISE e GONÇALVES, 2005;
STIER e FEIJÓ, 2005; VIEIRA, 2005; AZEVEDO, 2007, entre outros). A
intervenção fonoaudiológica é extremamente importante, pois pode ajudar os
profissionais da TV a potencializar os recursos que possui, minimizar suas
dificuldades, ajudar na sua performance frente às câmeras e criar
estratégias que propiciem uma melhor apresentação na televisão.
No Programa de Estudos Pós Graduados em Fonoaudiologia no ano
de 2007, AZEVEDO, analisou uma proposta de intervenção realizada com
telejornalistas de uma emissora universitária. A atuação proposta ocorreu
em quatro encontros, com a duração total de dez horas (150 minutos cada
encontro). Como conclusão do estudo, a autora registrou que os dois
principais aspectos positivos da intervenção, relatados pelos participantes,
foram a auto-percepção e percepção de outros com relação aos aspectos
trabalhados bem como o conhecimento de técnicas abordadas. Como
aspecto negativo foi registrado o tempo reduzido da intervenção.
O desafio de uma nova proposta de intervenção fonoaudiológica a ser
realizada, no mesmo local, deveria, portanto, considerar esses dados. Os
pontos positivos seriam contemplados com a utilização de audiovideo
gravações como estratégia dos encontros, para servirem de material, que
propiciassem aos participantes retorno dos aspectos trabalhados. O ponto
negativo relacionado ao tempo seria mais difícil considerar, uma vez que na
emissora selecionada, os participantes também acumulavam a função de
estudantes.
A solução, seria buscar um novo arranjo da carga horária, na tentativa
de aumentar o número de encontros, com a redução de horas/dia, fato que
poderia manter a eficácia da intervenção, sem interferir na rotina dos
participantes.
Quanto aos sujeitos, que seriam submetidos à nova proposta de
intervenção fonoaudiológica, optou-se pelos repórteres e para analisar os
efeitos da mesma, além do procedimento utilizado por AZEVEDO (2007), um
grupo de telespectadores, e também de fonoaudiólogos seriam abordados.
A escolha do primeiro se justificaria por ser o principal receptor de qualquer
notícia veiculada na TV e o segundo, por sua formação técnica
especializada.
Ao final, a análise dos achados auxiliaria o fonoaudiólogo, que atua
nessa área, a refletir sobre os aspectos inerentes à apresentação de uma
intervenção.
2 OBJETIVO GERAL
Analisar o efeito de uma proposta de programa de intervenção
fonoaudiológica, na expressividade oral de repórteres, a partir do
julgamento realizado por telespectadores e fonoaudiólogos.
3 REVISÃO DE LITERATURA
Neste capítulo será apresentada revisão da literatura especializada
dividida
em
duas
partes:
na
primeira
(A
Fonoaudiologia
e
o
Telejornalismo) serão abordadas pesquisas realizadas com profissionais
da TV e estudantes do Curso de Jornalismo e, na segunda (Intervenções
Fonoaudiológicas), as pesquisas com foco em intervenção realizadas com
as mesmas categorias de profissionais. Optou-se, neste capítulo, em
ambas as partes, seguir a cronologia das pesquisas.
3.1
A FONOAUDIOLOGIA E O TELEJORNALISMO
Ao avaliar em 20 repórteres de televisão, os hábitos e cuidados
vocais, tempo máximo de fonação, altura, registro vocal, intensidade,
variação de intensidade, ressonância, padrão articulatório e velocidade de
fala, STIER (1997) concluiu que as características do repórter de
televisão são: apresentar auto-imagem vocal positiva; não praticar o
aquecimento vocal; mudar a voz com o desenvolvimento da profissão,
estabelecer diferenças entre a voz pessoal e profissional, apresentar a
voz mais grave no off, com o registro vocal modal, padrão articulatório
indiferenciado; intensidade vocal adequada, com tendência a aumentar na
situação de passagem; modulação de intensidade caracterizada pelo
padrão repetitivo no off e velocidade com tendência a aumentar na
passagem.
Com o objetivo de entender como as vozes dos profissionais que
atuam na televisão chegam ao telespectador, BERTOSSI (1999),
desenvolveu um estudo com 200 sujeitos, de ambos os sexos, na faixa
etária entre 16 a 40 anos, os quais teriam que classificar as vozes da
televisão, que na opinião deles, chamavam mais atenção. Os dados foram
coletados por meio de ficha com perguntas fechadas (idade, profissão,
escolaridade, hábito de assistir frequentemente televisão- sim /não, os
programas a que geralmente assistiam - documentais, telenovelas,
telejornais, seriados, entre outros) e abertas (quais personagens da
televisão chamam mais atenção por sua voz) e, baseado na pergunta
acima, por que essas vozes chamavam a sua atenção. A autora concluiu
que havia a preferência da amostra por vozes masculinas, com
características positivas (agradável, charmosa, suave, bonita, entre
outras) da categoria informativa do gênero telejornal.
Ao analisar 40 repórteres, COTES et al. (1999) concluíram que eles
têm um bom nível de conhecimento a respeito do uso da voz, como
instrumento de trabalho e dos cuidados básicos que devem ter para com
ela. Demonstraram conhecimento técnico de sua própria voz e do seu uso
como instrumento de interpretação da notícia.
GUARINES
(1999)
mostrou
em
sua
pesquisa
que
os
fonoaudiólogos devem focalizar seu trabalho para a extensão da palavra
falada e não apenas ao estudo e desempenho da voz dos profissionais de
TV. Para isso, foram analisadas avaliações fonoaudiológicas e perceptivoauditivas de 148 profissionais da voz (repórteres e apresentadores),
sendo 82 do sexo feminino e 66 do sexo masculino, com idade média de
26 a 35 anos, respectivamente. A autora concluiu que houve nos
profissionais alto índice de comprometimento postural, com posição de
cabeça rígida ou lateralizada, desequilíbrio nas musculaturas linguais e
labiais, interposição lingual e flacidez nos músculos da face, articulação
imprecisa, desgastes unilaterais dos dentes, foco ressonantal baixo e
capacidade respiratória curta.
No estudo realizado por COTES (2000), a autora descreveu os
recursos não-verbais e vocais utilizados por oito apresentadores de
telejornalismo, durante a narração de um mesmo tema. Os recursos nãoverbais analisados foram: o espaço mantido pelas câmeras de televisão em
relação ao apresentador; as expressões faciais; a postura; os gestos, e os
vocais foram: a curva entoacional; a intensidade; a pausa; e a duração. Os
resultados apontaram a presença da relação entre gesto e a entoação, os
quais favoreceram a expressividade e enfatizaram a necessidade de uma
reavaliação no trabalho fonoaudiológico, junto aos profissionais de
telejornalismo, por meio de uma análise complementar, ou seja, uma nova
forma de avaliar e trabalhar a inter-relação corpo/voz.
FERREIRA et al. (2000) avaliaram acusticamente o recurso de ênfase
utilizado em telejornalismo. Após uma audiogravação da leitura da escalada1
de um telejornal, a mesma foi digitalizada no programa Multi Speech. Os
resultados evidenciaram que os recursos de ênfase, presentes em todas as
notícias, estavam predominantemente relacionados à ocorrência de pausa
silente e perceptível e a maior duração referente à extensão de tempo gasto
na articulação. Para as autoras, a locução de telejornalismo é uma arte com
suas técnicas específicas e a análise acústica tem sido um método valioso
de investigação da ênfase.
Em pesquisa realizada para avaliar a voz de 22 repórteres, e
comparar a comunicação espontânea e profissional MERCATELLI et al.
(2000) concluíram que há diferença nos padrões de emissão nas duas
situações, com diferença significante entre o sexo, quanto ao tipo de
emissão e tempo de profissão e que o tempo profissional interfere em alguns
parâmetros do padrão vocal. Os itens relacionados às características da voz
mantiveram-se
praticamente
constantes,
o
que
demonstrou
pouco
conhecimento que os profissionais têm a respeito dos mesmos; as
características
expressão
não-verbais
facial
sofreram
como
modulação,
maiores
alterações,
ênfase,
uma
pontuação
vez
que
e
são
características mais popularmente conhecidas e consideradas como
importantes na emissão profissional; os parâmetros com melhora mais
significativa foram modulação e ênfase, e houve uma preocupação por parte
1-Todas as palavras sublinhadas encontram-se definidas no glossário
dos repórteres em alterar seu padrão vocal, a fim de tornar sua fala mais
precisa.
COTES e FERREIRA (2001) realizaram uma análise descritiva dos
recursos vocais e gestuais de um apresentador de telejornal. Os dados
apontaram para uma relação existente entre a mudança de entonação,
ocorrendo de maneira conjunta ao gesto, seja meneio de cabeça ou
movimento das mãos e concluíram que voz e gesto, apesar de passíveis de
análise,
em
áreas
independentes,
atuam
concomitantemente,
complementando-se.
Em pesquisa realizada com 12 apresentadores de telejornal (seis
homens e seis mulheres) de seis telejornais em três redes de televisão,
COSTA (2002) analisou os recursos vocais como: média e variação de
freqüência vocal, utilizados nos telejornais como coadjuvantes de efeitos
pretendidos com a divulgação da notícia. Os enunciados foram
classificados em dois tipos de notícias: positivas e negativas. Assim,
tiveram dez notícias de cada situação apresentadas aos sujeitos do sexo
masculino e o mesmo número aos sujeitos do sexo feminino. Foi
realizada uma análise acústica computadorizada da freqüência média e
variação de cada enunciado, por meio do programa Dr. Speech 3.0 e
análise descritiva dos enunciados, por meio da teoria semiótica francesa,
fonoaudiologia e retórica. Os resultados apontaram: presença de relação
de voz e efeitos de sentido nos telejornais; aumento da média das
freqüências em notícia positivas e decréscimo em ambos os sexos nas
negativas; variação das médias das freqüências mais evidente nas
locuções das mulheres. Conclui-se que a voz tem papel importante como
estratégia de persuasão na busca de credibilidade da notícia e é
amplamente utilizada pelos apresentadores de telejornais.
CUNHA et al. (2002) caracterizaram a voz do repórter, jornalista e
radialista em uso profissional.
A amostra foi composta por 18
profissionais, sendo dez do sexo masculino e oito do sexo feminino, com
idade entre 22 a 36 anos. Desses, 12 atuavam na TV, cinco na rádio e TV
e um na rádio. O protocolo do estudo englobava 26 questões objetivas
referentes a sintomas vocais, abuso e mau uso vocal, distúrbios
pulmonares e das vias aéreas superiores. Os autores concluíram que os
profissionais de TV e rádio, além de se beneficiarem com prevenção de
alterações vocais, necessitam de um treinamento específico com a voz,
para melhorar a eficiência vocal e seu desempenho profissional.
Em estudo realizado para avaliar perceptualmente por meio de
audiogravação de leitura de texto padrão, os recursos vocais de 13
repórteres e cinco apresentadores de TV, SOUTO e PETER (2002)
concluíram que a grande maioria (94,4%) apresentou curvas melódicas
repetitivas,
sendo
83,3%
curvas
ascendentes
e
16,7%
curvas
descendentes e 33,3% excesso de pausas na narração; o ritmo repetitivo
e excesso de pausas comprometeram a naturalidade, acentuaram o
sotaque e tornou a narração cansativa.
Com
o
propósito
de
identificar
as
características
vocais
inadequadas de 16 apresentadores, sendo 11 do sexo masculino e cinco
do sexo feminino, atuantes em diferentes emissoras de televisão
AZEVEDO et al. (2003) realizaram gravações, que foram capturadas em
um aparelho MD conectado a televisão e apresentadas para o público em
geral, para fazer o julgamento em agradáveis e desagradáveis. Em seguida,
realizou-se avaliação perceptivo-auditiva das vozes desagradáveis por meio
de um protocolo. Os autores concluíram que as justificativas dos ouvintes
foram compatíveis com as da avaliação fonoaudiológica e que é fundamental
o trabalho fonoaudiológico junto a esses profissionais, a fim de indicar
alguns parâmetros que possam promover a credibilidade em sua atuação.
COELHO e VASCONCELOS (2003) verificaram se ocorrem variações
fisiológicas (níveis de cortisol) na performance de 13 jornalistas que exercem
função de repórter, em três momentos distintos: período antecipatório (1 h
antes da entrada ao vivo), atividade comunicativa (situação ao vivo) e
recuperação (1 h após entrada ao vivo) , além de verificar de que forma
essas variações se manifestam na voz e correlacionar tais achados
psicológicos a testes subjetivos de stress. Os autores concluíram que na
situação ao vivo, houve mobilização corporal, típica de fase de alarme de
stress, o que provocou incrementos de pitch e velocidade na voz; sinais de
desgaste físico e emocional contínuo e sintomas emocionais e sociais,
indicativos de fase de resistência ao stress.
Ao analisar perceptivo-auditivamente, as amostras de fala de
repórteres e teleapresentadores de diversas redes de televisão, DIAFÉRIA
et al. (2003) mostraram que os parâmetros que mais diferenciaram as
notícias narradas foram: pitch e loudness, os quais devem constituir um dos
focos da intervenção fonoaudiológica, uma vez que precisam manter a
uniformidade dos parâmetros vocais na transmissão da notícia.
FRANÇA (2003) objetivou confirmar a importância da consultoria
fonoaudiológica para o repórter de televisão, a partir do trabalho
desenvolvido com uma equipe específica de jornalistas. Para tal, foi aplicado
nos contatos iniciais, durante reuniões de orientação, um questionário sobre
histórico vocal com perguntas fechadas, abertas e semifechadas. A autora
concluiu que as reuniões e aplicação do questionário contribuíram para
reflexão acerca da necessidade do trabalho fonoaudiológico, bem como
apoio à equipe de comunicadores.
GAMA (2003) avaliou aspectos prosódicos e do controle motor da fala
de 18 repórteres e apresentadores, por meio de medidas acústicas e
espectrográficas de emissões espontâneas e profissionais e utilizou como
dados acústicos a f0 média, máxima e mínima, bem como extensão
fonatória em semitons. O material selecionado foi a vogal /a/ e leitura de
uma frase nas duas situações. Para avaliação espectrográfica, realizaram
análise visual do traçado, definindo aspectos temporais da emissão e
prosódia e em seguida foram comparados resultados dos participantes por
meio do programa GRAM 5.1 e gravação em off lido das duas formas. Os
resultados apontaram presença de f0 média mais grave nos dois gêneros,
presença de maior modulação, precisão articulatória, ênfases, intensidade,
pausas e prolongamento de vogais nas emissões profissionais.
Com o objetivo de analisar a relação entre expressão vocal e corporal
presente no trabalho de assessoria vocal, GIMENES (2003) realizou uma
pesquisa com dez fonoaudiólogos. Foi aplicada uma entrevista cujo
motivador foi a queixa de dificuldade na comunicação, em seguida, a mesma
foi transcrita de forma literal. A autora concluiu que a expressividade vocal
foi abordada por nove entrevistados, o trabalho com expressão corporal foi
contemplado por seis sujeitos, o que na prática fonoaudiológica está
associado a visão da comunicação não-verbal; a questão corporal vem
sendo trabalhada com o uso de manuais e técnicas já estabelecidas e não
houve relação intrínseca entre voz e corpo no processo comunicativo.
MESQUITA et al. (2003) avaliaram o conhecimento de telejornalistas
sobre a produção vocal, cuidados com a voz e aprimoramento dessa pelo
trabalho fonoaudiológico dentro da emissora de televisão. Para tal, foi
aplicado um questionário com 29 perguntas sobre essas questões e os
resultados possibilitaram destacar os aspectos de saúde vocal e técnica
vocal, que necessitam ser trabalhados para o aperfeiçoamento da voz dos
telejornalistas.
PANICO e FUKUSIMA (2003) objetivaram atribuir significado ao
aspecto confiabilidade, no que diz respeito à percepção do telespectador
e apontaram seus correlatos acústicos. A pesquisa foi realizada com 45
profissionais da voz e 17 universitários e constou das seguintes etapas:
aplicação do questionário aos profissionais da voz, seleção e definição do
estímulo a ser apresentado aos juízes leigos, análise acústica das vozes
dos locutores, apresentação das vozes e análise dos dados. Os autores
concluíram que as características responsáveis pela inferência da
confiabilidade foram: intensidade, freqüência e duração de fala com ritmo
dinâmico e pausas breves, aumento de intensidade como recurso de
ênfase, e articulação mais precisa obtida pelo aumento de intensidade;
vozes masculinas devem buscar tons mais graves. Os autores ressaltam
ainda que, outros fatores parecem ser mais importantes do que a
freqüência no que diz respeito à confiabilidade e, por isso é necessário
ouvir e considerar as impressões dos outros, como os telespectadores e,
e não apenas de gerentes e diretores do jornalismo.
Em estudo realizado para verificar a incidência de fatores de
interferência na performance de 139 repórteres de link, COELHO et al.
(2004) aplicaram um protocolo, no qual o indivíduo listava fatores que
influenciavam seu bom desempenho em situações de link e em seguida
analisaram as respostas por freqüência e dividiram em duas categorias:
sob controle do repórter e fora do controle do mesmo. Eles concluíram
que a expressividade vocal no link é duplamente influenciada e o peso
dos fatores que estão fora do controle do repórter são muito grandes, o
que implica em uma abordagem fonoaudiológica que considere os
mesmos, para que seja possível um efetivo manejo da comunicação oral
pelo repórter, diante de um quadro tão adverso.
LOPES (2004) discutiu questões referentes à tonicidade e suas
variações na prática da leitura oral de 13 frases faladas por oito diferentes
telejornalistas, em situações de apresentação, passagem e off. A autora
concluiu que uso de acentos secundários, grupo acentual e acentos de
insistência tem sido muito usados a leitura oral e fala espontânea do
telejornalismo, e que o treinamento auditivo deve servir para criar maiores
possibilidades de entonação e ritmo, proporcionando mais credibilidade as
mensagens telejornalísticas.
MARTINS et al. (2004) analisaram os recursos não verbais (voz e
expressões faciais) utilizados por um apresentador de telejornal. Foram
avaliadas reportagens com diferentes temas, e os parâmetros julgados
foram: articulação, loudness, ressonância, ritmo de fala e expressões faciais.
Os autores concluíram que o apresentador de telejornalismo tem na voz e no
gesto
seu
principal
instrumento
de
trabalho
e
que
na
atuação
fonoaudiológica é fundamental considerar o quanto a comunicação nãoverbal completa a verbal e o quanto escuta e olhar fonoaudiológico devem
atentar para esses aspectos.
Ao relacionar os sintomas vocais relatados por 16 estudantes de um
curso
de
jornalismo,
com
os
dados
encontrados
nas
avaliações
fonoaudiológica e otorrinolaringológica, PINTO et al. (2004) aplicaram um
questionário para levantar sintomas vocais após uso da voz e realizada
avaliação perceptivo-auditiva e análise acústica. O sintoma vocal mais
relatado foi secura na garganta (69%), na avaliação detectaram 31%
soprosidade, 37% rouquidão e articulação travada e 62% articulação normal;
a média do tempo de fonação foi de dez segundos para vogais e relação s/z
sugestivo de falta de coaptação glótica, registrado em 25% dos sujeitos e
hiperconstrição em 19%; observou-se jitter com média de 3% e shimmer
com 13,6%; f0 de 109,39 nos homens e 197,29 nas mulheres; 33,3% dos
estudantes encaminhados para videolaringoscopia apresentavam disfonia
funcional e 50% organofuncional.
ROSA (2004) verificou os ajustes vocais realizados por dez
repórteres, durante a transmissão do carnaval, quanto ao pitch, loudness e
articulação e comparou as locuções pré e durante o carnaval. A autora
concluiu que o aumento de intensidade foi o ajuste vocal mais utilizado
durante o carnaval, seguido do aumento de intensidade da freqüência e
modificação do padrão articulatório; e que a utilização da sobrearticulação
proporcionou maior vigor à emissão e colaborou para o aumento da
intensidade.
SANTOS et al. (2004) investigaram o conhecimento de 45 alunos do
curso de Jornalismo sobre suas vozes, por meio de desenhos e
depoimentos escritos sobre as vozes. Os autores apontaram a presença de
autocrítica quanto aos diversos parâmetros da voz e a importância da
atuação fonoaudiológica junto aos alunos de jornalismo, para favorecer um
maior conhecimento e cuidados com a voz.
TORRES et al. (2004) verificaram a porcentagem de identificação
correta, a intenção de comunicação do repórter de TV na leitura de um
texto com nota editorial e um com nota esportiva, então procuraram
reconhecer
os
parâmetros
acústicos,
que
poderiam
explicar
a
identificação nos dois estilos pesquisados na leitura feita por repórteres
profissionais. A pesquisa foi realizada com 27 jornalistas experientes em
telejornalismo, os quais realizaram a leitura dos dois textos. Em seguida,
estas foram gravadas e ouvidas por 26 fonoaudiólogas. Os resultados
mostraram que a identificação da intenção de transmissão das duas
notícias foi de 84%, independente do conteúdo semântico; houve forte
inclinação dos repórteres em elevar a f0 na nota de esporte; e a
transmissão da notícia de conteúdo esportivo leva o repórter a falar mais
rápido, mesmo quando a intenção vocal é de produzir nota editorial.
COELHO (2005) descreveu as características típicas da narração de 32
jornalistas (oito apresentadores e 24 repórteres) e investigou quais parâmetros
da comunicação sofreram maior influência pelo stress da comunicação.
Concluiu que tanto os repórteres, quanto os apresentadores têm padrão de
emissão similar, no que diz respeito aos parâmetros convencionais de
qualidade vocal, padrão ressonantal, loudness e padrão articulatório; os
repórteres no link apresentaram mais alterações de voz e de fala do que os
apresentadores, principalmente nos parâmetros interpretativos como: pausas,
ênfases, curva melódica e velocidade; e o stress da comunicação, na situação
ao vivo, tende a atingir de forma mais significativa a voz e a fala do repórter que
a do apresentador.
Ao abordar os aspectos vocais envolvidos na dinâmica de dois
apresentadores
de
telejornais,
com
e
sem
acompanhamento
fonoaudiológico, MAIOR (2005) concluiu que o teleapresentador sem
acompanhamento fonoaudiológico apresentou articulação precisa, pitch
grave, loudness forte, ritmo e velocidade de fala adequada, pronúncia
regional, coordenação pneumonfonoarticulatória, ênfase e pronúncia
inadequadas, e o telejornalista com acompanhamento fonoaudiológico
apresentou características vocais adequadas em todos os aspectos, o
que
segundo
o
autor
evidencia
a
importância
da
inserção
do
fonoaudiólogo no corpo técnico das emissoras de televisão.
PANICO e FUKUSIMA (2005) investigaram os ajustes vocais por
meio de análise acústica feito por dez repórteres para diferentes estilos
(descontraído, neutro e sério) e verificaram se as emissões foram
identificadas
corretamente
pelos
telespectadores.
Para
tal,
foram
selecionadas 80 pessoas, das quais 50 participaram da seleção das
reportagens que serviram de modelo para gravação da amostra e
normatização dos termos empregados e 30 para identificação dos três
estilos. Os autores concluíram que houve diferença significativa entre os
estilos; média de f0 média para os estilos descontraído e neutro e
descontraído e sério, média das variações de f0 entre os estilos
descontraído e sério e neutro e sério e média dos tempos de fala entre os
estilos descontraído e neutro e descontraído e sério, os parâmetros
relativos à intensidade não foram significativos.
PANICO (2005) demonstrou, por meio de estudo de caso, os
fatores constituintes de uma avaliação fonoaudiológica dirigida a
telejornalistas em diferente situações: link, passagem, off sonoras e
apresentação, especialmente no que diz respeito à avaliação vocal. As
análises foram feitas por meio de avaliação perceptivo-auditiva e acústica
de trechos de fala, as quais contemplavam aspectos como: qualidade
vocal,
pitch,
loudness,
velocidade
de
fala,
coordenação
pneumofonoarticulatória, ataque vocal e recursos vocais.
A autora
concluiu que a avaliação deve considerar as particularidades impostas
pela mídia e procurar garantir ao profissional, padrão de emissão
saudável e confortável.
Ao realizar a comparação dos parâmetros vocais (freqüência e
intensidade) e os recursos vocais (entoação, pausa, ênfase, tempo de
emissão e velocidade) encontrados nas narrações de telejornalistas
esportivos em dois estilos de narração (espontânea e profissional),
PETER (2005) concluiu que houve aumento da f0 e intensidade na
emissão profissional de todos os telejornalistas, bem como aumento do
tempo de emissão e velocidade de fala, articulação mais precisa,
presença de curvas melódicas equilibradas nos dois tipos de emissão,
com predomínio de curvas ascendentes, maior quantidade de pausas
expressivas na emissão profissional e utilização do recurso de ênfase
aplicado em maior número por repórteres e apresentadores na emissão
profissional, ênfase associada a aumento de intensidade nas duas
emissões e maior variabilidade na utilização dos recursos vocais em
emissão profissional.
TORRES (2005) verificou a identificação correta da intenção de dez
repórteres na transmissão de duas notícias: nota esportiva e editorial e
reconheceu quais parâmetros acústicos foram responsáveis por essa
identificação, nos dois estilos pesquisados, por meio da análise acústica
dos trechos de leitura. A autora concluiu que a intenção do repórter de TV
na transmissão das duas notas independe do conteúdo falado, os homens
transmitem a nota esportiva com f0 elevada, homens e mulheres reduzem
a f0 ao transmitir nota editorial; o parâmetro acústico de intensidade não
identifica se a voz transmite nota editorial ou esportiva; não houve
variação nos resultados de semitons ou medidas de extensão de f0; e na
nota esportiva o repórter fala mais rápido, mesmo quando a intenção
vocal é de transmitir nota editorial.
CONSTANTINI e MOURÃO (2007) analisaram a pausa de dois
repórteres de uma TV universitária, por meio da gravação de um texto
repetido dez vezes. As gravações foram registradas em sistema de gravação
profissional e analisadas com o software livre PRAAT, com auxílio do
espectrograma. A média de cada tipo de pausa encontrada foi calculada, por
meio de classificação que contém 11 marcadores sintáticos. Os autores
concluíram que os tipos mais encontrados estão relacionados à presença da
pausa antes da palavra que é ressaltada, ou seja, a pausa utilizada como
importante marcador de ênfase.
COTES (2007) investigou a distribuição e uso das pausas silenciosas
no discurso oral em narrações de programas de televisão de natureza
diferenciada. Para o estudo, foram selecionadas amostras de fala de dois
jornalistas em cinco programas de televisão. As gravações compreenderam
quatro tipos de programas: passagem de reportagens, narração por telefone,
apresentação em estúdio e programa interativo ao vivo. Os arquivos foram
submetidos a análise acústica no programa PRAAT, e concluiu que o uso da
pausa silenciosa varia de acordo com o estilo do programa de TV, foi menos
freqüente no estilo de apresentação de telejornal, do que na passagem e
mais freqüentes no programa interativo, e afirmou ainda que a pausa é
fundamental para a construção da expressividade oral, por desempenhar um
papel delimitativo e sinalizador dos efeitos de sentido.
GAMA et al. (2007) verificaram a organização prosódica da ênfase
na locução de seis repórteres de telejornalismo através dos parâmetros
prosódicos duração, frequência fundamental e intensidade. O corpus foi
constituído de gravações em tempo real de offs de notícias factuais. As
ênfases foram identificadas por três fonoaudiólogos experientes na área
de voz profissional, por meio de análise perceptivo-auditiva. A análise das
sílabas enfáticas foi contraposta à sílaba tônica saliente e à sílaba tônica
rítmica. Para essa análise, utilizou-se o programa PRAAT versão 4.3.29,
onde foram obtidas a duração, intensidade, o contorno melódico, o
intervalo melódico, e o valor de f0 inicial e final de todas as sílabas
tônicas, como ênfase, tônica rítmica e saliente. Os autores concluíram
que a ênfase prosódica na locução do repórter de telejornalismo possui
características específicas, principalmente em relação aos aspectos
melódicos – maior amplitude do intervalo melódico em contornos
ascendentes e um emprego de valores iniciais e finais de f0 mais altos; e
a duração silábica se revelou um parâmetro importante para a marcação
das ênfases.
PONTES et al. (2007) analisaram o padrão comunicativo de oito
repórteres da TV Assembléia durante o exercício profissional. Estes foram
avaliados por meio de dois protocolos, dos quais o primeiro avaliava os
parâmetros vocais da voz falada e profissional durante gravação de
reportagem ao vivo e o segundo, que constava de 14 perguntas sobre
sintomas vocais, hábitos de saúde vocal e padrões vocais. Os autores
concluíram que houve uma adequação do padrão comunicativo dos
repórteres relacionado com a prática da terapia fonoaudiológica e
ressaltaram a importância da assessoria fonoaudiológica dentro do
ambiente
televisivo,
para
realizar
um
trabalho
preventivo
e
de
acompanhamento, bem como de orientação aos repórteres, quanto ao
melhor uso da voz na emissão da notícia na TV.
3.2
INTERVENÇÕES FONOAUDIOLÓGICAS
FERREIRA e RICCI (1999) realizaram um estudo de caso, com um
profissional de jornalismo que atuava em off. Com o auxílio de uma
avaliação, detectou-se que o trabalho englobaria técnicas vocais e dicção.
O mesmo foi realizado semanalmente durante 45 minutos, no total de 10
sessões. As técnicas trabalhadas foram: percepção de esquema corporal;
relaxamento; adequação da modalidade respiratória para a fonação;
coordenação da respiração de pontuação gramatical e expressiva;
expressividade adequada; aquecimento e desaquecimento vocal e
orientação quanto à higiene vocal. Após a realização de trabalho
fonoaudiológico, observou-se adequação da voz e dicção para o trabalho
de off na TV, expressão harmoniosa e adequada à notícia em cena,
ressonância equilibrada e coordenação fono respiratória.
Na pesquisa de GIROTO e MARTINS (2000) foi apresentada uma
proposta de treino formal da voz profissional falada, voltada para
estudantes de jornalismo. Para tal, elaboraram e aplicaram um
questionário sobre os diferentes aspectos da voz. Com a análise desses
dados, somados à literatura, definiram os aspectos vocais que foram
trabalhados: avaliação otorrinolaringológica; aplicação de anamnese
específica; avaliação perceptivo-auditiva; programa de educação vocal;
englobando informações sobre anatomofisiologia da fonoarticulação e
conscientização quanto ao uso adequado da voz e treino formal, incluindo
o registro áudio visual da emissão e utilização de estúdio de rádio e TV
para o desenvolvimento de estratégias.
CASSOL (2002), em seu estudo, submeteu oito repórteres a um
treinamento em grupo. Os mesmos responderam a um questionário e
foram realizadas avaliações perceptivo-auditivas da voz pré e pós
treinamento, uma vez por semana, durante oito meses. Os aspectos
abordados foram: orientação vocal; bem como parâmetros observados
como inadequados para o telejornalismo, como qualidade vocal,
respiração, articulação, ritmo de fala, intensidade, ressonância, pitch e
ataque vocal. A autora concluiu que houve melhora na avaliação final dos
parâmetros, pós intervenção.
SERVILHA (2002), desenvolveu uma oficina de dez encontros com
duração de uma hora e meia cada, com 21 alunos do curso de jornalismo,
que abordou aspectos como: higiene vocal, conhecimento da voz e corpo,
postura corporal, relaxamento de ombros, pescoço e região laríngea,
colocação
e
controle
respiratório
costo
diafragmático,
equilíbrio
ressonantal, projeção vocal, flexibilidade vocal e ênfase, articulação,
loudness,
e
coordenação
pneumofonoarticulatória.
Ao
final,
os
participantes preencheram um questionário, avaliaram seus desempenhos
e foram regravados. A autora concluiu que houve progresso em todos os
participantes, com maior conhecimento da própria voz, maior controle das
emoções
frente
à
câmera,
melhora
na
postura
e
segurança,
principalmente nas locuções em rádio.
Uma proposta de intervenção fonoaudiológica na preparação de 12
repórteres de televisão, durante quatro meses foi descrita por STIER
(2002). Esta apresentava como objetivo: desenvolver uma comunicação
adequada para o vídeo e para tal foram realizadas atividades como:
terapia fonoaudiológica em grupo, oficina de narração, simulações de
passagens, treinamentos em estúdios e simulações de telejornal. Os
resultados apontaram que o grupo desenvolveu o uso profissional da voz
e
comunicação
desejada
no
vídeo
e
concluiu
que
a
prática
fonoaudiológica representa boa oportunidade para atuação in loco e o
trabalho em equipe constitui valiosa forma de aprimoramento, e favorece
o desenvolvimento do jornalista recém formado.
TEIXEIRA e PINTO (2003) realizaram uma pesquisa com 31 alunos
do curso de jornalismo, para verificar o aproveitamento dos mesmos,
após realização de um programa de orientação sobre fisiologia do
aparelho fonador e cuidados com a voz e treinamento vocal, o qual
abordou aspectos como: articulação, aquecimento e desaquecimento
vocal. Em seguida, foi aplicado um questionário sobre o aproveitamento,
e os autores concluíram que após a orientação vocal, os alunos
demonstraram ter noção quanto aos hábitos benéficos ou maléficos à voz,
julgando importante o trabalho.
CAMARGO e PENTEADO (2004) identificaram, por meio da
perspectiva de dois repórteres e uma apresentadora de telejornal, o
impacto do trabalho fonoaudiológico (oficina de voz) na prática desses
comunicadores sociais. Os dados foram coletados por meio de entrevista
coletiva que abordou os aspectos enfocados na oficina de voz e em
seguida, os depoimentos foram gravados em fita cassete e transcritos
para a análise do conteúdo. Os autores concluíram que a oficina
proporcionou um impacto positivo, não somente na prática profissional
dos sujeitos, como também na qualidade de vida, pois melhorou a auto
estima, promoveu a saúde geral e vocal, além de mudanças qualitativas
observadas no formato
do
telejornal, superando as
expectativas
específicas do trabalho fonoaudiológico.
MARTINEZ e SILVA (2004) observaram as modificações ocorridas
após a realização de uma série de exercícios de aquecimento vocal em
cinco momentos diferentes com sete apresentadores de televisão. Os
aspectos trabalhados foram relaxamento cervical, deslocamento de
laringe, vibração de lábios e de língua, sons nasais e fricativos. Após os
exercícios de aquecimento, verificou-se um aumento da intensidade
vocal, tendência ao aumento da freqüência fundamental e maior projeção
vocal nas amostras de fala gravadas. Esse estudo concluiu que o uso de
aquecimento vocal possibilitou uma diferença positiva nas vozes, pois
aumentou a intensidade do sinal acústico e propiciou uma articulação
mais precisa, com aumento da freqüência fundamental.
PETER e SOUTO (2004) realizaram, com 15 telejornalistas, uma
análise
perceptivo-auditiva
sobre
os
recursos
vocais
pré
e
pós
intervenção fonoaudiológica. Utilizaram a audiogravação da leitura de um
texto padrão e posteriormente realizaram a transcrição literal das narrações.
Após os sete meses de intervenção fonoaudiológica, os autores verificaram
que os telejornalistas passaram a fazer uso dos recursos vocais de modo
mais adequado, tornando mais fáceis a compreensão e a absorção da
notícia veiculada, contribuindo para que os diversos telejornais da emissora
se tornassem mais agradáveis ao público.
STIER e FEIJÓ (2004) compararam a voz de 13 repórteres de
televisão pré e pós uma série de exercícios vocais, por um período de um
mês
consecutivo,
e
identificaram
os
parâmetros
vocais
que
se
modificaram, tanto imediatamente quanto após o período de um mês de
realização dos exercícios. Os participantes foram orientados a realizar
uma série de exercícios diariamente antes da atuação profissional. Uma
vez por semana, as vozes foram analisadas com a utilização do programa
GRAM
5.7
e
foram
observados
parâmetros
como:
freqüência
fundamental, regularidade do traçado e número de harmônicos. Os dados
acústicos foram obtidos no período da manhã, pré e pós realização dos
exercícios. Antes do início do estudo, todos os repórteres foram
orientados sobre hábitos de higiene vocal. Os autores concluíram que
houve mudanças imediatas pré e pós exercícios e os próprios sujeitos
referiram-se tanto à percepção de diferença de qualidade de voz, quanto
à diminuição do esforço a fonação.
BRANDALISE e GONÇALVES (2005) verificaram a aplicação da
técnica de sobrearticulação na performance vocal de 12 repórteres de
televisão,
por
meio
das
análises
perceptivo-auditiva
e
acústica
computadorizada, a qual constou da medição do tempo máximo de
fonação (média das vogais e relação s/z), gravação da vogal /i/ e de dois
textos selecionados. As autoras concluíram que os parâmetros da análise
perceptivo-auditiva que apresentaram melhora, em ordem decrescente,
foram: prosódia, articulação, loudness, velocidade de fala e pitch. Os
parâmetros da análise acústica computadorizada que apresentaram
melhora foram: jitter, shimmer, NNE e proporção harmônico ruído.
Concluíram que a técnica de sobrearticulação apresentou eficiência em
todos os parâmetros da análise perceptivo-auditiva e na análise acústica
computadorizada foi efetiva para jitter, shimmer e ruído glótico.
PINHATTI et al. (2005) realizaram uma intervenção junto a
estudantes de jornalismo pertencentes a uma instituição de ensino
superior de São Paulo . O programa teve início com uma palestra sobre o
aparelho fonador (estrutura e funcionamento) e noções de saúde vocal.
Foi composto por entrevista, avaliação vocal e oromiofuncional, avaliação
dos aspectos não-verbais, programas de trabalho individual e para o
grupo e reavaliação final. Tanto imediatamente quanto em grupo, o
atendimento segundo as autoras contemplou aquecimento vocal e
relaxamento vocal, postura, uso de gestos e expressões faciais, questões
oromiofuncionais e devolutivas das observações de suas atuações em
estúdio. Não consta o relato de quantos universitários participaram da
intervenção, nem a carga horária do programa, mas o mesmo teve
duração de cinco meses, com encontros semanais para atendimento e
quinzenais para observação das gravações no estúdio da universidade.
Foram coletadas amostras de emissão espontânea e profissional, por
meio de filmagens providenciadas pelos participantes, antes e após a
intervenção fonoaudiológica e a comparação foi tida pelas autoras como
efeito positivo da intervenção.
STIER e FEIJÓ (2005) compararam a voz de 13 telejornalistas,
antes e depois do aquecimento vocal imediato e após a repetição diária
de um período de quatro semanas e observaram quais as modificações
ocorridas nesse período, a fim de avaliar a efetividade da preparação
diária desses profissionais. A seqüência de exercícios proposta foi:
relaxamento e alongamento de ombros e pescoço, rotação de língua (dez
repetições para cada lado), movimentos exagerados da musculatura facial
por 30 segundos, técnica do “B” prolongado (30 repetições), técnica de
vibração com variações de freqüência e volume (seis repetições), sons
nasais associados a movimentos de mastigação (seis repetições), e
técnica de firmeza glótica (seis repetições). As autoras concluíram que a
série de aquecimento vocal promoveu em todos os participantes uma
percepção de melhor qualidade vocal e de maior conforto e facilidade à
emissão e que a maior parte dos sujeitos apresentou mudança na
freqüência fundamental e aumento do número de harmônicos.
VIEIRA (2005) estudou o efeito da orientação fonoaudiológica na
expressividade em sete estagiários, sendo quatro do grupo experimental
e três do grupo controle, do curso de jornalismo de emissora de televisão.
Realizou-se a leitura de dois noticiários, sendo um sem grande conteúdo
emocional, e outro com impacto emocional maior.
Após a primeira
gravação, os indivíduos do grupo experimental receberam orientação
sobre sua comunicação e aquecimento vocal e foram trabalhados
aspectos como: postura, expressão facial, gestos, articulação, recursos
vocais,
ênfase,
curva
melódica,
velocidade,
pausas,
técnica
de
movimentos exagerados da musculatura facial, massagem circular na
musculatura facial, som hiperagudo, som basal, sons vibrantes e fala
mastigada. Após a orientação, foi gravado novamente o mesmo texto. O
grupo controle gravou nas mesmas condições, porém sem orientação e
sem aquecimento. O estudo concluiu que a orientação fonoaudiológica
breve sobre os aspectos da comunicação profissional, com aquecimento
vocal, apontou efeito positivo nos indivíduos participantes do grupo
experimental. Os parâmetros, que apresentaram melhor desempenho
após a intervenção foram os relacionados à expressão corporal.
AZEVEDO
(2007)
realizou
um
processo
de
intervenção
fonoaudiológica com seis telejornalistas e concluiu que os dois principais
pontos
positivos
da
intervenção
relatados
pelos
telejornalistas
participantes foram a auto percepção e percepção dos outros e o
conhecimento de técnicas, sendo o principal ponto negativo o tempo
reduzido
da
intervenção.
Além
disso,
verificou,
na
opinião
dos
telespectadores, que quatro dos seis telejornalistas apresentaram
preferência dos telespectadores na situação pós-intervenção, o que
demonstrou efeito positivo da intervenção fonoaudiológica no julgamento
dos telespectadores; não houve, para a maioria dos telejornalistas
analisados, diferença no julgamento dos telespectadores, quanto ao sexo
e idade.
LOPES et al. (2007) analisaram os parâmetros prosódicos de duas
apresentadoras de telejornal em relação à entoação, duração, velocidade
de
fala,
variabilidade
da
freqüência
fundamental
e
intensidade,
relacionados à intencionalidade do falante e à caracterização dos gêneros
jornalísticos de esporte, cultura, denúncia e jornal. A frase foi julgada por
um grupo de dez jornalistas, que a consideraram desprovida de qualquer
conteúdo jornalístico e lida com a intenção de matéria policial, denúncia,
esporte e cultura, utilizando-se de diferentes recursos prosódicos. As oito
locuções foram gravadas e apresentadas a ouvintes constituídos por
estudantes do curso de jornalismo e fonoaudiologia, os quais julgariam
quanto ao gênero. Os dados mostraram que quanto maior o número de
pistas prosódicas entre locuções, maior possibilidade de captação da
intencionalidade e as características prosódicas mais importante para
distinção
dos
gêneros
foram:
número
de
proeminências,
padrão
entoacional, alongamento de vogal e variabilidade da freqüência
fundamental e apontaram ainda para a possibilidade de utilizar os
diferentes parâmetros prosódicos como recurso para tornar a narração
telejornalística mais interativa.
4
MÉTODOS
Esta pesquisa de caráter descritivo, longitudinal e prospectivo, foi
aprovada pela Comissão de Ética do Programa de Estudos Pós
Graduados em Fonoaudiologia (PUC/SP) sob o registro 002/2007 (Anexo
I).
Para melhor entendimento, este capítulo foi dividido em seis partes:
a primeira explicita a seleção dos sujeitos; a segunda a coleta de amostra
de fala; a terceira, a edição do material coletado; a quarta, o julgamento
do material realizado por telespectadores e fonoaudiólogos; a quinta, os
procedimentos da análise dos dados e a sexta e última, a descrição do
processo de intervenção fonoaudiológica. Esta englobou: caracterização
da empresa e dos sujeitos que participaram da intervenção, mapeamento
do contexto ocupacional e das demandas e descrição dos encontros. Para
melhor esclarecimento, ao final deste capítulo, segue um fluxograma com
descrição cronológica de cada etapa de procedimento da pesquisa.
4.1
SELEÇÃO DOS SUJEITOS
Os sujeitos participantes da pesquisa foram telespectadores e
fonoaudiólogos que julgaram o material de fala coletado, antes e depois de
uma
proposta
de
intervenção
fonoaudiológica,
realizada
com
três
repórteres2.
Os telespectadores participantes da pesquisa foram em número de
100, amostra considerada a partir de cálculo estatístico. Estes constituíram
2
Nessa pesquisa serão denominados repórteres, os estagiários em reportagem da TV universitária.
um grupo heterogêneo, com relação a sexo, idade e escolaridade e foram
reunidos em dois grupos, segundo presença e ausência de ocupação.
Dessa forma, o primeiro grupo denominado com ocupação foi
composto por 50 sujeitos: 27 homens (média: 35,03 anos) e 23 mulheres
(média: 30,82 anos). Esse grupo foi constituído, principalmente, por
indivíduos empresários e profissionais da área de ciências humanas.
O segundo grupo, denominado sem ocupação, foi composto
exclusivamente por indivíduos que eram apenas estudantes. Foi constituído
também por 50 sujeitos, sendo 24 homens (média: 25,87 anos) e 26
mulheres (média: 25,07 anos). Esse grupo foi formado, predominantemente,
por alunos do curso de direito.
Os sujeitos dos dois grupos foram abordados dentro da instituição,
onde a pesquisa foi realizada e deveriam responder como critério de
inclusão, não apresentar nenhum conhecimento teórico sobre a temática
expressividade, não possuir problemas auditivos, bem como não pertencer
ao grupo de estudantes e professores dos Cursos de Fonoaudiologia e
Jornalismo. Essas questões foram feitas a cada um dos prováveis
participantes, antes de iniciar a apresentação do material a ser julgado.
No grupo de fonoaudiólogos, foram selecionadas três (F1, F2 e F3),
todas do sexo feminino, atuantes na área do telejornalismo.
Quanto ao tempo de atuação das mesmas, a média foi de 11,3 anos e
variou entre quatro anos (mínimo) observado em F2 e 19 anos (máximo) em
F1. F3 atuava nessa área há 11 anos.
Todos os participantes, telespectadores e fonoaudiólogos assinaram
o termo de consentimento livre esclarecido (Anexos II e III), após julgamento
das vozes.
4.2 COLETA DE AMOSTRA DE FALA
A pesquisadora responsável pelo estudo convocou os três repórteres
de uma TV universitária (ver mais detalhes no item 4.6.1) para realizarem
uma gravação após assinatura do termo de consentimento livre esclarecido
(Anexo IV). A mesma foi realizada individualmente com auxílio de microfone
direcional marca Electro Voice abaixo do queixo, segundo proposta de
COTES (2003), cedido pela equipe de áudio visual da emissora. Estes
receberam a instrução para ficar de pé, pois essa é a postura mais adotada
por eles e relatar a notícia, que foi oferecida 20 minutos antes, como se
estivessem em situação de reportagem. Os repórteres realizaram a
gravação de uma passagem, que foi decorada por eles e relatada de forma
improvisada por cada um. A notícia em questão, oferecida pela coordenação
da TV, pertencia ao acervo da emissora, e foi a seguinte: “Getúlio Vargas
escreveu que nunca cortejou a popularidade. O documento é um exemplo de
como a história deve ser levada adiante através de um registro escrito. A
técnica iniciada há milhares de séculos atrás foi iniciada em diferentes partes
do mundo”.
A gravação ocorreu antes do início de uma proposta de intervenção
fonoaudiológica (descrita no item 4.6) e foi denominada de momento “pré
intervenção fonoaudiológica”. A mesma situação em condições semelhantes,
referente a local, gravação, vestimenta e notícia, foi repetida após o
processo
dessa
intervenção,
e
denominada
de
“pós-intervenção
fonoaudiológica”.
4.2
EDIÇÃO DO MATERIAL
As
amostras
de
fala
gravadas
pré
e
pós
intervenção
fonoaudiológica foram digitalizadas de forma randomizada em um
computador marca Dell, no programa Adobe Premier pró 2.0 e
classificadas como A e B. Quatro possibilidades para cada um dos três
repórteres foram combinadas, num total de 12, com o objetivo de realizar
o julgamento pré e pós intervenção fonoaudiológica, em condições que
não tivesse viés metodológico.
As 12 combinações tiveram seu tempo médio de 30,08 segundos,
distribuídos da seguinte forma: R1 (pré pós) : 37 segundos, R2 (pós pós):
29 segundos, R3 (pós pré): 32 segundos, R1 (pós pré): 27 segundos, R2
(pré pós): 30 segundos, R3 (pós pós): 32 segundos, R1 (pré pré): 24
segundos, R2 (pós pré): 29 segundos, R3 (pré pós): 32 segundos, R1
(pós pós): 30 segundos, R2 (pré pré): 29 segundos e R3 (pré pré): 30
segundos.
Essas gravações, sem perda do som ou qualidade da gravação
foram posteriormente editadas pelos próprios profissionais da emissora,
para o formato DVD e serviram de material para o julgamento dos juízes.
4.4 JULGAMENTO DO MATERIAL
O julgamento foi realizado por meio de um protocolo (Anexos V e
VI) no qual os juízes (telespectadores e fonoaudiólogos) teriam que após
ouvir as 12 combinações de cada repórter, realizar o preenchimento do
mesmo. O protocolo foi composto por três partes, assim divididas: na
primeira, os juízes teriam que referir se os relatos estavam iguais ou
diferentes; a seguir, se julgassem os mesmos diferentes, deveriam
assinalar quais dos relatos estava melhor e finalmente, considerar qual
(is) aspecto (s) que definiram essa melhora a saber, segundo as opções
de clareza, credibilidade, segurança e envolvimento.
As combinações foram apresentadas aos juízes no formato áudio,
sem a imagem do participante, para destacar apenas a questão da
oralidade. Tendo em vista que na televisão a percepção é única, cada juiz
ouviu as quatro combinações possíveis entre os momentos pré e pós
intervenção fonoaudiológica referente a cada repórter uma única vez.
Esse julgamento foi realizado de forma individual, apenas com a presença
da pesquisadora responsável pelo estudo, que utilizou um notebook
marca HP Entertainment para apresentação das amostras de fala.
4.4.1 Julgamento dos Telespectadores
Conforme explicitado anteriormente, todos foram recrutados pela
fonoaudióloga responsável pelo estudo, dentro de uma instituição de
ensino localizada na cidade de São Paulo. A pesquisadora disponibilizou
três dias inteiros da semana (alternados) e compareceu à universidade
para recrutar os sujeitos para a realização do julgamento das vozes.
Após aceite na pesquisa, o protocolo foi apresentado alguns
minutos antes da apresentação da gravação das vozes aos sujeitos, para
minimizar dúvidas em relação ao preenchimento.
Em seguida, de forma individual e acompanhados apenas pela
fonoaudióloga, os sujeitos realizaram o julgamento das 12 combinações
de vozes, em ambiente silente (sala de aula).
O preenchimento do protocolo pelos juízes do grupo com ocupação
durou em média sete minutos (para os homens e mulheres), e para os
juízes do grupo sem ocupação, durou em média nove minutos para as
mulheres e oito para os homens. A duração média total foi de 7,75
minutos.
4.4.2 Julgamento das Fonoaudiólogas
As
fonoaudiólogas
foram
previamente
contactadas
pela
pesquisadora e estabelecido melhor dia e horário para realização da
avaliação. O protocolo foi apresentado minutos antes das gravações,
assim como no julgamento dos telespectadores.
F1 foi abordada em seu consultório em intervalo de atendimento a
seus pacientes. O julgamento realizado por ela durou em média sete
minutos (tempo total das gravações) e não houve dificuldade no
preenchimento do questionário.
F2 foi abordada em sua residência e apresentou algumas
dificuldades referentes às vozes apresentadas, necessitando de um
tempo maior para o preenchimento ( nove minutos).
F3, assim como F2, também foi abordada em sua residência. Não
houve dificuldades em relação ao julgamento com registro de sete
minutos, para a execução da tarefa.
A média referente à duração total foi de 7,6 minutos.
4.5 ANÁLISE DOS DADOS
Os dados referentes aos 100 telespectadores (400 julgamentos
para cada repórter e 1200 no total), assim como das fonoaudiólogas (12
julgamentos para cada repórter e 36 no total) foram submetidos a
tratamento estatístico por meio dos Testes Wilcoxon Rank Sum, para
comparação entre dois grupos (com e sem ocupação; momentos pré e
pós intervenção fonoaudiológica e para verificar a porcentagem de
acertos e erros) e Kruskal Wallis Rank Sum serviu para comparação entre
os registros dos termos clareza, credibilidade, segurança e envolvimento.
Para ambos foi estabelecido o nível de significância de 5%.
4.6 INTERVENÇÃO FONOAUDIOLÓGICA
4.6.1 CARACTERIZAÇÃO DA EMPRESA E DOS SUJEITOS QUE
PARTICIPARAM DA INTERVENÇÃO
A empresa na qual a pesquisa foi realizada foi criada em 1993 e é
o núcleo de produção televisiva e videográfica de uma universidade
localizada na cidade de São Paulo. Tem como proposta coordenar e
potencializar os recursos humanos e materiais da TV dessa instituição,
com o objetivo de capacitar a instituição a produzir programas de
televisão e vídeo de caráter educativo, cultural e comunitário, para
multiplicar e difundir o conhecimento gerado no âmbito acadêmico.
Pretende também ser uma ferramenta de trabalho para professores e
estudantes.
Os programas dessa TV universitária são comercializados e
distribuídos no sistema home vídeo, para videotecas de inúmeras escolas
secundárias, faculdades e centros culturais do país e do exterior.
Como na época da realização da pesquisa, a emissora de TV
apresentava apenas três repórteres, a pesquisadora responsável pelo
estudo junto com sua orientadora optaram por realizar o programa de
intervenção fonoaudiológica com todos, uma vez que houve interesse por
parte deles. R1, sexo feminino, 20 anos atuava na emissora há 11 meses
como repórter; R2, sexo masculino, 22 anos atuava na emissora há oito
meses, como repórter e ,R3, sexo feminino, 20 anos atuava como repórter
na emissora há sete meses.
4.6.2 MAPEAMENTO DO CONTEXTO OCUPACIONAL E
DAS DEMANDAS
Para mapear a demanda apresentada pelo grupo, todos os
participantes antes de darem início ao processo de intervenção
fonoaudiológica, preencheram um questionário com questões referentes à
saúde geral, proposto por FERREIRA et al. (2007) e adaptado para esta
pesquisa, e foram submetidos a uma avaliação fonoaudiológica, realizada
pela pesquisadora em entrevista realizada antes de iniciar o processo de
intervenção fonoaudiológica.
Essa avaliação fonoaudiológica, segundo proposta de KYRILLOS
(2003a) foi realizada por meio de protocolo que analisou aspectos como:
qualidade vocal, ressonância, pitch, loudness, articulação, velocidade,
coordenação pneumofonoarticulatória, ataque vocal, ênfase, pausas,
curva melódica, ritmo, e comunicação não verbal (expressão facial,
postura corporal, gestos e meneios de cabeça). (Anexo VII)
Esse mapeamento contribuiu de forma efetiva para conhecer o
grupo e abordar aspectos relevantes no programa de intervenção
fonoaudiológica.
Os
resultados
dos dados do
questionário e
da
avaliação
fonoaudiológica encontram-se no Anexo VIII.
4.6.3 DESCRIÇÃO DOS ENCONTROS
A
pesquisadora
responsável
pelo
estudo
entrou
em
contato
pessoalmente com a coordenação da TV universitária e com os
repórteres, para apresentar o projeto de pesquisa e explicar os
procedimentos metodológicos que seriam realizados no decorrer da
mesma, bem como colher a assinatura do termo de consentimento livre
esclarecido por ambas as partes. Esse contato tinha como objetivo
despertar o interesse tanto da emissora, quanto dos participantes a
realizarem um programa de intervenção fonoaudiológica, com foco na
expressividade oral. Nessa ocasião, a pesquisadora enfatizou que essa
proposta fazia parte de sua dissertação de mestrado e que teria como
foco principal favorecer melhor atuação profissional aos repórteres.
Explicou ainda que esse programa seria realizado com periodicidade
semanal (seis encontros), com duração e horário estabelecidos em
comum acordo entre pesquisadora e repórteres. Os participantes ficaram
cientes que qualquer falta que apresentassem durante os encontros não
poderia ser reposta, para não prejudicar o andamento da pesquisa, e
dessa forma solicitou-se um aviso prévio, caso houvesse possibilidade de
não comparecimento. Foi exigida a participação máxima de cada sujeito,
tendo em vista que em cada encontro seria abordado um recurso
diferente.
Os participantes também foram previamente informados quanto à
necessidade de realizar gravações durante os encontros.
Os três repórteres da TV mostraram-se bastante interessados em
participar do programa de intervenção fonaoudiológica. No primeiro,
terceiro e quarto encontros R1, R2 e R3 compareceram; no segundo
encontro apenas R1 faltou, no quinto encontro apenas R2 faltou e no
sexto e último encontro apenas R3 faltou.
A pesquisadora, ao final dos encontros, realizava suas anotações
acerca do comportamento e das falas de cada participante, na
intervenção fonoaudiológica propriamente dita.
A proposta de intervenção fonoaudiológica foi realizada em seis
encontros, com duração total de nove horas, que aconteceram às quarta
feiras de 16:00 as 17:30, horário que os repórteres saíam da emissora de
TV. Os encontros possuíam cerca de 90 minutos cada um, tempo esse
considerado satisfatório para realização das atividades propostas.
A sala, onde os encontros foram realizados, localizava-se ao lado
da emissora de TV e era um ambiente silente. Essa possuía um quadro
branco com as cadeiras dispostas de forma enfileirada, sendo que
durante os encontros a pesquisadora as colocava em forma de círculo,
para favorecer a observação entre o grupo, e em relação à mesma.
Durante os encontros, estava presente apenas a fonoaudióloga e
os participantes. Essa intervenção, elaborada de acordo com as
demandas apresentadas pelo grupo, buscou fazer com que cada repórter
aprimorasse suas habilidades comunicativas, mais especificamente seus
recursos expressivos, por meio de vivências, práticas e simulações de
situações em contexto de fala.
O planejamento da intervenção se baseou na aplicação do
questionário, bem como na avaliação realizada pela pesquisadora no
momento pré intervenção (explicitado anteriormente em 4.6.2). Durante
todo
processo
de
intervenção
fonoaudiológica,
foram
utilizadas
estratégias que visassem à percepção de cada sujeito em relação a si e
ao restante do grupo. Para tal, áudio vídeo gravações de situações, em
contexto simulado de apresentação de reportagem, foram realizadas.
A descrição da intervenção encontra-se no Anexo IX, que detalha e
comenta cada encontro.
A Figura 1 explicita os procedimentos metodológicos em ordem
cronológica.
Aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da PUC/SP
Contato com emissora e repórteres
Mapeamento do contexto ocupacional e das
demandas
+
Avaliação Fonoaudiológica
Coleta de amostra de fala pré intervenção fonoaudiológica
Intervenção Fonoaudiológica (Seis encontros de 90 minutos = 09 horas)
Coleta de amostra de fala pós intervenção fonoaudiológica
Edição do Material
Julgamento
Telespectadores + Fonoaudiólogos
Análise dos dados
Figura 1: Apresentação cronológica dos procedimentos metodológicos desta
pesquisa
5
RESULTADOS
As tabelas 1 e 2 explicitam o julgamento do relato de notícia dos repórteres
realizado pelos telespectadores.
Os termos mais referidos para justificar a melhora da performance pré e pós
intervenção encontram-se na tabela 3.
As tabelas 4 e 5 apresentam os resultados referentes aos grupos com e sem
ocupação, respectivamente acertos e erros e termos utilizados para referir a
melhora dos repórteres.
Da mesma forma, as tabelas 6, 7 e 8 ilustram os acertos e erros julgados
pelas fonoaudiólogas e os termos mencionados pelas mesmas.
Tabela 1- Distribuição numérica e percentual do julgamento das vozes
dos repórteres (R1, R2 e R3), considerando os acertos e erros realizado
pelos telespectadores.
Pré Pós
Pós Pré
Pré Pré
Pós Pós
Total R1
Acertos
n
%
51
51,0
45
45,0
78
78,0
78
78,0
252
63,0
n
49
55
22
22
148
%
49,0
55,0
22,0
22,0
37,0
<0,0001*
Pós Pós
Pré Pós
Pós Pré
Pré Pré
Total R2
83
49
45
76
253
83,0
49,0
45,0
76,0
63,3
17
51
55
24
147
17,0
51,0
55,0
24,0
36,7
<0,0001*
Pós Pré
Pós Pós
Pré Pós
Pré Pré
Total R3
58
71
45
72
246
58,0
71,0
45,0
72,0
61,5
42
29
55
28
154
42,0
29,0
55,0
28,0
38,5
<0,0001*
751
62,6
449
37,4
<0,0001*
Combinações
R1
R2
R3
Total
Teste de Wilcoxon Rank Sum
* significante
Erros
p-valor
Tabela 2- Distribuição numérica e percentual do julgamento das vozes dos
repórteres (R1, R2 e R3), considerando os momentos pré e pós intervenção
fonoaudiológica, julgado pelos telespectadores.
Pré
Pós
n
%
n
%
Igual
n
%
P-valor
Pré X Pós
R1
Pré pós
Pós pré
Total
19
11
30
19,0
11,0
15,0
51
45
96
51,0
45,0
48,0
30
44
74
30,0
44,0
37,0
<0,0001*
<0,0001*
<0,0001*
R2
Pré pós
Pós pré
Total
8
8
16
8,0
8,0
8,0
49
45
94
49,0
45,0
47,0
43
47
90
43,0
47,0
45,0
<0,0001*
<0,0001*
<0,0001*
R3
Pós pré
Pré pós
Total
6
14
20
6,0
14,0
10,0
58
45
103
58,0
45,0
51,5
36
41
77
36,0
41,0
38,5
<0,0001*
<0,0001*
<0,0001*
Teste de Wilcoxon Rank Sum
* significante
67
Tabela 3 - Distribuição numérica e percentual dos termos mais referidos por
quem acertou as combinações de vozes, em relação aos repórteres (R1, R2
e R3) julgados pelos telespectadores.
R1
Pré pós
Pós pré
Pré pré
Pós pós
Clareza
n
%
21
41,2
21
46,7
0
0
0
0
R2
Pós pós
Pré pós
Pós pré
Pré pré
0
16
19
0
0,0
32,7
42,2
0,0
0
32
27
0
0,0
65,3
60,0
0,0
0
31
27
0
0,0
63,3
60,0
0,0
0
24
19
0
0,0
49,0
42,2
0,0
0,0038*
0,1294
-
R3
Pós pré
Pós pós
Pré pós
Pré pré
21
0
13
0
36,2
0,0
28,9
0,0
40
0
32
0
69,0
0,0
71,1
0,0
32
0
32
0
55,2
0,0
71,1
0,0
31
0
24
0
53,4
0,0
53,3
0,0
0,0057*
<0,0001*
-
111
37,9
196
66,9
177
60,4
150
51,2
<0,0001*
Combinações
Total
Credibilidade
n
%
37
72,5
28
62,2
0
0
0
0
Teste de Kruskal-Wallis Rank Sum
* Significante
Segurança
n
%
33
64,7
22
48,9
0
0
0
0
Envolvimento
n
%
27
52,9
25
55,6
0
0
0
0
P-valor
0,0082*
0,4464
-
68
Tabela 4 - Distribuição numérica e percentual dos acertos julgados pelos
telespectadores, segundo as diversas combinações em relação aos
repórteres (R1, R2 e R3), considerando os grupos com e sem ocupação.
Com Ocupação
n
%
Sem Ocupação
n
%
P-valor
R1
Pré pós
Pós pré
Pré pré
Pós pós
Total R1
30
26
39
38
133
60,0
52,0
78,0
76,0
66,5
21
19
39
40
119
42,0
38,0
78,0
80,0
59,5
0,0739
0,1627
1,0000
0,6344
0,1477
R2
Pós pós
Pré pós
Pós pré
Pré pré
Total R2
42
26
24
37
129
84,0
52,0
48,0
74,0
64,5
41
23
21
39
124
82,0
46,0
42,0
78,0
62,0
0,7952
0,5531
0,5512
0,6446
0,6049
R3
Pós pré
Pós pós
Pré pós
Pré pré
Total R3
27
35
24
36
122
54,0
70,0
48,0
72,0
61,0
31
36
21
36
124
62,0
72,0
42,0
72,0
62,0
0,4224
0,8299
0,5512
1,0000
0,8378
Total
384
64,0
367
61,2
0,3108
Combinações
Teste de Wilcoxon Rank Sum
* Significante
69
Tabela 5 - Distribuição numérica e percentual dos termos mais referidos por
quem acertou as combinações de vozes dos repórteres (R1, R2 e R3),
segundo o grupo com presença e ausência de ocupação.
Combinações
Pré pós
Pós pré
R1
Pré pré
Pós pós
Pós pós
Pré pós
R2
Pós pré
Pré pré
Pós pré
Pós pós
R3
Pré pós
Pré pré
Total
Cl
n
(%)
17
56,7
12
46,2
0
Com Ocupação
Cr
Se
n
n
(%)
(%)
25
19
83,3
63,3
18
12
69,2
46,2
0
0
En
n
(%)
18
60
13
50
0
Cl
n
(%)
4
19
9
47,4
0
Sem Ocupação
Cr
Se
n
n
(%)
(%)
12
14
57,1
66,7
10
10
52,6
52,6
0
0
En
n
(%)
9
42,9
12
63,2
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
8
30,8
9
37,5
0
17
65,4
16
66,7
0
18
69,2
15
62,5
0
12
46,2
10
41,7
0
8
34,8
10
47,6
0
15
65,2
11
52,4
0
13
56,5
12
57,1
0
12
52,2
9
42,9
0
10
37
0
17
63
0
15
55,6
0
12
44,4
0
11
35,5
0
23
74,2
0
17
54,8
0
19
61,3
0
9
37,5
0
20
83,3
0
16
66,7
0
12
50
0
4
19
0
12
57,1
0
16
76,2
0
12
57,1
0
65
41,4
113
72
95
60,5
77
49
46
33,8
83
61
82
60,3
73
53,7
Cl: Clareza ; Cr: Credibilidade ; Se: Segurança ; En: Envolvimento
* Significante/ Teste de Kruskal- Wallis Rank Sum
p-valor: com ocupação = <0,0001
sem ocupação = <0,0001
70
Tabela 6 - Distribuição numérica e percentual do julgamento das vozes
dos repórteres (R1, R2 e R3), considerando os acertos e erros realizado
pelas fonoaudiólogas.
Combinações
Pré Pós
Pós Pré
R1
Pré Pré
Pós Pós
Total R1
n
3
3
2
1
9
Acertos
%
100,0
100,0
66,7
33,3
75,0
R2
Pós Pós
Pré Pós
Pós Pré
Pré Pré
Total R2
3
1
1
1
6
100,0
33,3
33,3
33,3
50,0
0
2
2
2
6
0,0
66,7
66,7
66,7
50,0
0,5177
R3
Pós Pré
Pós Pós
Pré Pós
Pré Pré
Total R3
3
3
2
1
9
100,0
100,0
66,7
33,3
75,0
0
0
1
2
3
0,0
0,0
33,3
66,7
25,0
0,0457*
24
75,0
12
37,5
0,0232*
Total
Teste de Wilcoxon Rank Sum
* Significante
n
0
0
1
2
3
Erros
%
0,0
0,0
33,3
66,7
25,0
p-valor
0,0457*
71
Tabela 7 - Distribuição numérica e percentual do julgamento das vozes dos
repórteres (R1, R2 e R3), considerando os momentos pré e pós intervenção
fonoaudiológica, julgado pelas fonoaudiólogas.
R1
R2
R3
n
Pré
%
n
Pré pós
Pós pré
Total
0
0
0
0,0
0,0
0,0
3
3
6
Pré pós
Pós pré
Total
1
2
3
33,3
66,7
50,0
Pós pré
Pré pós
Total
0
0
0
0,0
0,0
0,0
Teste de Wilcoxon Rank Sum
* Significante
Pós
%
n
Igual
%
P-valor
Pré X Pós
100,0
100,0
100,0
0
0
0
0,0
0,0
0,0
0,0098*
1
1
2
33,3
33,3
33,3
1
0
1
33,3
0,0
16,7
0,7245
3
2
5
100,0
66,7
83,3
0
1
1
0,0
33,3
16,7
0,0184*
72
Tabela 8: Distribuição numérica e percentual dos termos mais referidos por
quem acertou as combinações de vozes, em relação aos repórteres (R1, R2
e R3) julgados pelas fonoaudiólogas.
R1
Pré pós
Pós pré
Pré pré
Pós pós
Clareza
n
%
2
66,7
2
66,7
0
0,0
0
0,0
R2
Pós pós
Pré pós
Pós pré
Pré pré
0
0
0
0
0,0
0,0
0,0
0,0
0
0
0
0
0,0
0,0
0,0
0,0
0
1
1
0
0,0
100,0
100,0
0,0
0
0
0
0
0,0
0,0
0,0
0,0
R3
Pós pré
Pós pós
Pré pós
Pré pré
2
0
2
0
66,7
0,0
100,0
0,0
0
0
0
0
0,0
0,0
0,0
0,0
0
0
0
0
0,0
0,0
0,0
0,0
1
0
1
0
33,3
0,0
50,0
0,0
8
72,7
0
0,0
6
54,5
3
27,3
Combinações
Total
Credibilidade
n
%
0
0,0
0
0,0
0
0,0
0
0,0
Segurança
n
%
2
66,7
2
66,7
0
0,0
0
0,0
Envolvimento
n
%
0
0,0
1
33,3
0
0,0
0
0,0
Teste de Kruskal-Wallis Rank Sum
* Significante
P-valor
0,0032
73
6
DISCUSSÃO
Conforme explicitado na introdução desta dissertação, a presente
pesquisa tomou como ponto de partida o trabalho de AZEVEDO (2007)
defendido no mesmo programa de Pós-Graduação. O avanço aqui
proposto foi na direção de, ao ser realizado no mesmo local proposto por
AZEVEDO (2007) - emissora de TV universitária - atuar com outro tipo de
profissional, no caso repórter, e fazer uso de estratégias de autopercepção, como princípio da intervenção fonoaudiológica.
Se AZEVEDO (2007) analisou os efeitos da intervenção por ela
proposta, a partir da perspectiva dos participantes e de telespectadores,
para esta pesquisa optou-se pelos últimos e por fonoaudiólogas, com
experiência na área de TV.
A seguir, a discussão destaca os resultados desse julgamento, e
finaliza com considerações a respeito da intervenção e da forma de
análise utilizada.
Os resultados da tabela 1 mostraram diferença significante
(p<0,0001) a favor dos acertos julgados pelos telespectadores, na maioria
das combinações de vozes dos três repórteres. Embora a diferença tenha
sido significante na leitura dos acertos, verificou-se que R2 foi entre os
três sujeitos estudados, o que apresentou menor porcentagem, quando
comparado a R1 e R3. Esses acertos referiram-se às combinações de
vozes semelhantes (pré pré e pós pós).
A melhora apontada pelos telespectadores na performance dos três
repórteres, no momento pós-intervenção fonoaudiológica foi registrada na
Tabela 2, fato que revelou o efeito positivo da intervenção e corroborou
com os achados da literatura (AZEVEDO 2007; SOUZA 2007).
A pesquisa de AZEVEDO (2007) privilegiou a análise das variáveis
sexo e idade na comparação dos telespectadores. Ao considerar que os
achados de sua pesquisa não evidenciaram diferenças dessa natureza
74
entre os juízes, optou-se neste trabalho analisar a variável ocupação, e
comparar os achados entre os grupos com e sem.
Na comparação entre os acertos julgados pelos telespectadores
dos grupos com e sem ocupação (Tabela 4), não foi observada diferença
estatisticamente significante, fato que conduziu à conclusão de que no
universo estudado (contexto universitário) não houve diferença nos
julgamentos realizados.
Apesar de constatada a diferença, foi possível observar que o
grupo
sem
ocupação,
composto
exclusivamente
por
estudantes
apresentou menos acertos nas combinações de vozes dos repórteres. Tal
fato pode estar relacionado ao interesse e também à disponibilidade
desse grupo, uma vez que demonstrou menor envolvimento com a
pesquisa, talvez por realizarem o julgamento da gravação das vozes em
intervalos de aula. Por outro lado, o grupo de pessoas com ocupação
além de apresentar uma média de idade superior (33,0 anos) ao grupo
sem ocupação, utilizou um tempo maior para avaliar as vozes, uma vez
que não estava em horário de trabalho.
Quanto ao julgamento realizado pelas fonoaudiólogas, este
também foi efetuado de forma aleatória, por meio de avaliação perceptivoauditiva, e evidenciou que elas perceberam diferença estatisticamente
significante nos relatos de notícias de R1 (p=0,0457) e R3 (p=0,0457)
(Tabela 6). Ao contrário dos telespectadores, estas não perceberam
diferença em relação a R2, e este foi quem apresentou maior
porcentagem de erros. Tais achados vão ao encontro dos obtidos pelos
telespectadores, embora em número não suficiente para apontar
diferença estatística.
As fonoaudiólogas julgaram melhor o momento pós-intervenção em
maior número (Tabela 7), dado que corroborou com os encontrados pelos
telespectadores.
Pode-se concluir que, tanto o telespectador, público alvo do
telejornalismo, quanto as fonoaudiólogas, profissionais com técnica
especializada,
apresentaram
avaliações
próximas
em
relação
às
75
combinações apresentadas por todos os repórteres (inclusive R2) e
reconheceram diferença a favor do momento pós-intervenção.
O discurso apresentado por R2 ao final do processo de intervenção
pode estar relacionado ao fato desse repórter não ter incorporado o
trabalho realizado da mesma forma que R1 e R3: “Acredito que devido
aos atrasos que apresentei, por ter outro emprego, não pude me dedicar
integralmente, senti que poderia ter me dedicado bem mais”.
A proposta do programa de intervenção, pelos resultados dos
juizes, contribuiu para sensibilizar os repórteres acerca da utilização dos
recursos expressivos de forma mais consciente. FEIJÓ (2003) afirma que
as variações na comunicação oral são utilizadas pelos falantes de forma
inconsciente.
Contudo,
no
que
se
refere
aos
profissionais
do
telejornalismo, sua fala pode ser construída e, dessa forma, o
fonoaudiólogo, ao propor atividades para trabalhar os parâmetros
inerentes à expressividade oral possibilita, aos participantes fazerem uso
de diferentes sons e perceberem os efeitos por eles gerados.
Provavelmente, o efeito positivo deu-se ao fato de ter sido
considerada a aprendizagem singular dos envolvidos, com respeito às
experiências que cada um trouxe, e a sua forma e ritmo de aprendizagem
próprios (ZABALA, 1998). O fato de o trabalho ter sido realizado com um
grupo pequeno parece ter potencializado esses princípios. Cabe lembrar
que nenhum dos participantes submeteu-se anteriormente a um processo
dessa natureza, o que imprimiu maior valor à proposta colocada em
prática.
Todos os termos apresentados no protocolo foram considerados
pelos telespectadores, com registro de diferença significante (p<0,0001),
credibilidade foi o mais mencionado (66,9%) (Tabela 3), fato também
observado entre os grupos com e sem ocupação. (72,0% e 61,0%
respectivamente) (Tabela 5).
76
Diferentemente, para as fonoaudiólogas, o termo mais referido foi
clareza (72,7%), com diferença estatisticamente significante (0,0032*),
(Tabela 8)
Dessa
forma,
pôde-se
concluir
que
credibilidade
(para
os
telespectadores) e clareza (para os fonoaudiólogos) foram os termos que
expressaram em maior número a melhora na performance dos repórteres
no momento pós intervenção fonoaudiológica.
Na literatura esses termos são utilizados para definir a fala de
profissionais de TV, incluindo os repórteres (MACIEL 1994; FEIJÓ 2003;
COTES 2003; FRANÇA 2003; entre outros).
Embora não tenha sido objetivo deste trabalho, a análise dos
parâmetros presentes ao se comparar os momentos pré e pósintervenção fonoaudiológica entre si, evidenciou que houve mudança nos
relatos. Tal Mudança pode ser registrada, relacionada a diferente forma
de enfatizar as palavras, com uso de parâmetros como pausa, curva
melódica, articulação, entre outros, com mais propriedade por parte dos
repórteres.
Num
primeiro
momento
pode-se
dizer
que,
para
as
fonoaudiólogas, especialistas na área, o parâmetro de articulação parece
ter sido mais privilegiado, quando as mesmas perceberam mais clareza
no relato. O arranjo diferenciado das pausas pode ter sido responsável
para transmitir a credibilidade, que foi observada pelos telespectadores.
Importante lembrar porém, que todos os parâmetros podem de forma
integrada, produzir efeitos que dão a quem ouve, maior clareza e
credibilidade.
Pesquisadores atuantes na área televisiva (KYRILLOS et al. 2002;
COTES 2005; TORRES 2005; STIER e COSTA NETO 2005) afirmaram
que há a necessidade do profissional de TV utilizar padrão de voz que
garanta
atenção
dos
telespectadores,
transmita
a
notícia
com
interpretação e credibilidade, e que para isso é necessário que esse
profissional tenha plasticidade e habilidade vocal. Certamente o programa
aqui proposto, alcançou seu objetivo de sensibilizar os envolvidos.
77
Além, da discussão dos achados, algumas considerações a
respeito da proposta de intervenção serão explicitadas, com o intuito de
contribuir para próximas pesquisas.
O primeiro aspecto, diz respeito ao mapeamento das condições do
contexto ocupacional e das demandas, que serviu para nortear o
planejamento das ações. Este foi realizado no momento pré-intervenção
fonoaudiológica e executado de duas formas: por meio de aplicação de
questionário para levantar informações sobre a voz e contexto de
trabalho, e avaliação fonoaudiológica, segundo proposta de KYRILLOS
(2003b) que contemplou recursos vocais, verbais e não verbais. Esse
mapeamento se constituiu em um instrumento de importância para
conhecer o grupo participante do processo, e as demandas trazidas por
eles,
e
a
partir
disso,
elaborar
um
programa
de
intervenção
fonoaudiológica direcionado para suas reais necessidades. Foi observado
por meio do questionário que o grupo apresentou ausência de
conhecimentos sobre saúde vocal, bem como relato de alguns problemas
de saúde geral (digestivos, circulatórios, entre outros). Por meio da
avaliação fonoaudiológica, foi possível perceber a utilização inadequada
de alguns recursos considerados importantes para uma boa atuação
profissional. Diante desse fato, pôde-se observar que o mapeamento
direcionou os aspectos que foram abordados na intervenção, e essa foi
elaborada com base nas demandas trazidas por um grupo específico, que
apresentavam necessidades particulares.
Nessa direção, foram consideradas as diretrizes dadas por
FERREIRA (2004) de mapear as condições de produção vocal dos
envolvidos antes de qualquer intervenção, e a realização de um
diagnóstico da real necessidade dos envolvidos para estabelecer um
plano de ação, que pode ser modificado de acordo com o andamento do
trabalho fonoaudiológico e suas observações. Segundo a autora, o
mesmo
deve
conter
descrição
das
ações,
com
definição
dos
responsáveis, estabelecimento de prazos, prioridades e estratégias
adequadas aos profissionais.
78
Optou-se para esta pesquisa trabalhar com os participantes em
grupo, uma vez que com relação ao trabalho em grupo, VILELA e
FERREIRA (2006) concluíram que esse atua como potente forma de
intervenção. Tal estratégia possibilita uma dinâmica interativa entre as
características sócio-históricas dos envolvidos e, dessa forma, cada qual
se transforma no grupo, ao mesmo tempo em que é transformado por ele.
GIANNINI e PASSOS (2006) compartilharam da mesma opinião, e
acrescentaram que essa estratégia é fundamental para construção de
importante espaço terapêutico, além de se constituir em um lugar de
acolhimento e identificação, uma vez que os participantes compartilham
as mesmas condições de ambiente e contexto profissional, e, com isso,
os grupos se transformam em um lugar para descobrir formas de produzir
a voz com menos esforço ou, no caso desta pesquisa, sensibilizar para
diferentes possibilidades de fala construída.
Ao relatar experiências com grupos de saúde vocal, SIMÃO e
CHUN (1997) falaram da opção pelos grupos como forma de facilitar o
processo de percepção de si, da própria situação e a dos outros. CHUN
em outra obra (1998), acrescentou que, ao realizar intervenção
fonoaudiológica com educadoras de escolas municipais, verificou, pelo
relato das participantes, que essas reconheceram o trabalho vocal em
grupo como responsável pelas mudanças registradas.
Outros trabalhos realizados com grupos de diversas naturezas,
também
comprovaram
o
resultado
positivo
dessa
modalidade
(
BERGMANN 1998; SALES 1998; LOPES 2000; KYRILLOS 2005).
O fato dos participantes serem estagiários e, portanto conciliarem
também os deveres de estudante, fez com que mais uma vez fosse
registrada incompatibilidade de horários e a carga horária proposta
para a intervenção trouxesse problemas entre repórteres e pesquisadora.
Um consenso sobre qual horário seria estabelecido para os encontros e
respeitar o mesmo constituiu-se em um empecilho constante, verificado
pelos atrasos e encurtamento do processo. Apesar de ter trabalhado com
repórteres, esse achado corroborou o encontrado por AZEVEDO (2007)
79
que destacou a dificuldade encontrada pelos participantes em cumprir o
horário pré estabelecido.
Na leitura das fontes bibliográficas não é possível concluir sobre a
carga horária ideal. Contudo, vale enfatizar que, apesar da intervenção
fonoaudiológica ter sido realizada em curto período de tempo (nove horas
no total), esta mostrou-se efetiva à medida que produziu melhora evidente
na performance dos repórteres, segundo julgamento dos telespectadores
e fonoaudiólogos.
Provavelmente a obtenção desse efeito, em tempo restrito, pode
estar relacionada ao fato que ao atuar na TV, os profissionais apresentam
uma fala construída no momento do relato de notícia, o qual apesar de
lida ou decorada, deve ser falada de forma natural. Em contrapartida, na
comunicação
espontânea,
os
recursos
são
utilizados
de
forma
inconsciente e traduzem o contexto sócio-historico do falante. Mudanças
nesse contexto, portanto necessitam de um processo mais longo.
Em
virtude
do
pouco
tempo
destinado
à
intervenção
fonoaudiológica, e por acreditar na interação entre os aspectos verbais
e não-verbais esses foram trabalhados de forma conjunta, sendo os
últimos contemplados, especificamente, em apenas dois encontros.
Na literatura pesquisada, vários autores preconizam essa interação
e serviram de base para o presente trabalho. Para KYRILLOS (2005)
quando
verbal
e
não-verbal
caminham
juntos,
a
eficiência
da
comunicação é maior. MERCATELLI (2005) corroborou com essa
afirmação, e acrescentou, ainda, que é importante que o outro para quem
se fala compreenda não só a informação, mas seu verdadeiro sentido, e
por isso, a voz, clareza da articulação, gestos, vocabulário, expressão
facial e corporal, e aparência, são necessários nesse processo, visto que
qualquer alteração em um desses elementos pode desviar a atenção do
ouvinte e comprometer o enunciado.
Outro aspecto a ser ressaltado está relacionado às publicações
fonoaudiológicas com foco em intervenção, que em muitos casos apenas
aborda os recursos vocais (FERREIRA e RICCI 1999; GIROTO e
80
MARTINS 2000; CASSOL 2002; TEIXEIRA et al. 2003; PETER e SOUTO
2004; STIER e FEIJÓ 2004; CAMARGO e PENTEADO 2004; STIER e
FEIJÓ 2005).
Vale ressaltar que, apesar dos repórteres aqui trabalhados
apresentarem mais dificuldades com os recursos vocais, a comunicação
não verbal, como gestos, postura e expressão facial, mesmo que com
menor periodicidade (dois encontros), não deixaram de ser contemplados
dada a sua importância, uma vez que estes complementam e auxiliam na
composição da oralidade.
Para MADUREIRA (2005), toda fala é expressiva e no contexto
profissional, apesar dos profissionais apresentarem uma fala que é
construída, deve transparecer naturalidade ao ouvinte, e, dessa forma
acredita-se que a abordagem dos recursos vocais, verbais e não-verbais,
contemplados no processo de intervenção, tenham favorecido essa
condição.
Observou-se,
durante
os
encontros
de
intervenção
fonoaudiológica, boa aceitação em relação às atividades e estratégias
pelos participantes.
Acredita-se que, principalmente quando se trata de estagiários, o
acompanhamento fonoaudiológico dos profissionais, ao longo de sua
atuação, para internalizar de forma mais concreta os parâmetros, é
essencial para favorecer uma comunicação mais efetiva.
A expressividade oral é um assunto que tem sido estudado na área
fonoaudiológica desde o começo da década de 70, do século passado,
quando as obras de MELLO (1972) e de SOARES, PICCOLOTTO (1977)
foram apontadas como pioneiras.
Inúmeros esforços têm sido realizados na tentativa de elucidar a
questão da expressividade e o programa de Estudos Pós-graduados em
Fonoaudiologia da PUC/SP, por meio de mostras e seminários tem
abordado essa temática como foco das discussões, as quais contribuíram
para a elaboração do programa de intervenção fonoaudiológica aqui
estudado.
81
Na literatura, poucos são os estudos que envolvem a temática da
expressividade (COTES 2000; GIMENES 2003; SANTOS 2006; VIOLA
2006; GHIRARDI 2007; MOREIRA FERREIRA 2007), e apenas dois
discutem a questão da expressividade em contexto de intervenção
(AZEVEDO 2007; SOUZA 2007).
Outra estratégia que mostrou efeito positivo durante o processo de
intervenção
fonoaudiológica
relacionou-se
ao
recurso
da
auto-
percepção, trabalhado por meio de áudio vídeo gravação, utilizado com
os participantes e seus colegas. Este recurso proporcionou aos sujeitos
noções dos aspectos que poderiam melhorar em si e nos demais
indivíduos, uma vez que eles tinham retorno, por meio do vídeo de suas
performances durante os encontros, o que favorecia uma discussão entre
eles sobre os recursos que poderiam ser aprimorados. Acredita-se que
esse recurso, trabalhado em cinco encontros, tenha contribuído de forma
efetiva para a melhora advinda do julgamento dos telespectadores e
fonoaudiólogas, em relação ao desempenho dos três repórteres pós
intervenção. O relato de R1 pós intervenção confirmou essa hipótese,
quando
disse
que:
“As
gravações
realizadas
para
analisar
comportamentos (postura, respiração, entonação) foram essenciais”.
Esse aspecto corroborou com o trabalho de AZEVEDO (2007) que
referiu efeito positivo desse recurso na comunicação dos jornalistas,
apesar de ter utilizado poucas vezes. Ao enfatizar que o indivíduo
consegue se auto perceber e ter conhecimento aprendido com essa
prática, a autora concluiu que esse foi o ponto positivo mais referido pelos
participantes. KYRILLOS (2003b) afirmou que, ao ter consciência do
próprio corpo, da voz e do conhecimento dos fatores que interferem em
sua produção, pode-se com certeza atingir a melhor atuação profissional.
O interesse em realizar uma intervenção fonoaudiológica surgiu,
uma vez que a literatura comprovou um escassez de trabalhos com
profissionais da TV, quando comparados aos demais profissionais que
utilizam a voz como instrumento de trabalho. Esse dado pode ser
verificado, também, com base em levantamento realizado em 2004, pela
82
SOCIEDADE BRASILEIRA DE FONOAUDIOLOGIA, publicado em obra
que organiza a produção científica de fonoaudiólogos no Brasil, no qual
KYRILLOS (2004b) responsável pelas pesquisas sobre telejornalismo,
encontrou
apenas
49
fontes,
sendo
11
(27%)
sobre
atuação
fonoaudiológica e 14 (34%) sobre a temática da expressividade.
Outro aspecto importante contemplado referiu-se à elaboração do
programa de intervenção fonoaudiológica. Primeiramente, pretendia-se
estruturar um programa com foco na expressividade oral e corporal dos
sujeitos, porém, ao realizar avaliação fonoaudiológica, a pesquisadora,
especialista em voz, observou maior demanda voltada aos recursos
vocais, e, dessa forma, a comunicação não-verbal foi contemplada em
menor número de encontros. Segundo FERREIRA (2002), o trabalho com
esses recursos não pode ficar apenas no campo da informação. Vivências
devem ser propostas, com o desafio de levar o participante a incorporar, o
que é trabalhado no seu dia-a-dia, quer pessoal, quer profissional.
Avaliar os efeitos de uma intervenção na Fonoaudiologia tem sido
tarefa difícil e um constante desafio na tentativa de encontrar formas
adequadas.
Há na literatura tendência para realizar a análise dos efeitos de
forma subjetiva, com parecer advindo do próprio pesquisador ou dos
demais envolvidos (CAMARGO e PENTEADO 2004; MARTINEZ e SILVA,
2004 entre outros). Tal modalidade, apesar de ser importante, não traz
informações mais objetivas sobre as mudanças efetuadas, a partir da
proposta de intervenção, percebidas por terceiros.
Nesta pesquisa, optou-se por realizar uma análise dos efeitos a
partir de coleta de amostra de fala pré e pós-intervenção. Se AZEVEDO
(2007) avançou ao propor algo semelhante, o elemento diferencial nessa
dissertação foi apresentar os momentos pré e pós, em todas as suas
combinações.
Apesar da complexidade da proposta, esta mostrou-se satisfatória,
e vai na direção de maximizar a objetividade da análise. Importante
registrar, porém, que a subjetividade inerente a qualquer processo de
83
ensino-aprendizagem não permite afirmar que todas as vezes que a
proposta aqui descrita for aplicada, até mesmo em grupo semelhante ao
trabalhado, igual efeito será registrado. È no interior dessa subjetividade
que reside o desafio do fonoaudiólogo de, ao entender que cada um dos
participantes afeta-se de maneira singular, buscar sensibilizar todos os
envolvidos na direção de entender os conceitos apresentados, e mudar
de atitude ao incorporar o que está sendo trabalhado (ZABALA 1998;
FERREIRA E CHIEPPE, 2005)
Finalizando, é importante destacar que a proposta de intervenção
fonoaudiológica
aqui
apresentada
constituiu-se
em
mais
uma
possibilidade de atuação para fonoaudiólogos, com profissionais de TV
(FERREIRA E RICCI 1999, CASSOL 2002; SERVILHA 2002; TEIXEIRA et
al. 2003; PETER e SOUTO 2004; STIER e FEIJÓ 2004; CAMARGO e
PENTEADO 2004; VIEIRA 2005; STIER e FEIJÓ 2005; AZEVEDO 2007,
LOPES et al. 2007, SOUZA 2007).
Além disso, em futuras pesquisas com profissionais de TV acreditase que todas as considerações aqui apresentadas devem ser ponderadas.
A questão da carga horária, que a princípio pode ser entendida como
inerente ao profissional estagiário, por acumular as funções de estudante,
parece se manter nos profissionais, uma vez que, no meio televisivo o
tempo é priorizado e contabilizado.
Contar
com
a
presença
de
um
fonoaudiólogo,
em
um
acompanhamento ao longo da profissão, deve se constituir na meta de
todos os profissionais de TV, uma vez que, a cada momento, novas
formas de relatar notícias surgem, numa tendência de naturalizar cada
vez mais tal expressão. Segundo COTES (2008), a evolução no
telejornalismo evidencia uma tendência de afastamento do estilo de
leitura, para uma aproximação de estabelecer uma interlocução mais
natural com o público. Sensibilizar os profissionais para perceberem como
diferentes composições dos sons podem gerar sentidos diversos é papel
primordial do fonoaudiólogo.
84
7 CONCLUSÕES
A partir dos resultados obtidos, pode-se concluir que o programa de
intervenção fonoaudiológica, que contemplou, predominantemente, o
trabalho com parâmetros de expressividade oral, a partir de estratégias de
auto-percepção, gerou efeito positivo no relato de notícias dos três
repórteres participantes. Esse foi percebido por telespectadores nos três
repórteres e por fonoaudiólogas, em pelo menos dois. Os juízes apontaram
para
a
melhora
da
credibilidade
(fonoaudiólogas), na transmissão da notícia.
(telespectadores)
e
clareza
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ANEXOS
Anexo I
PARECER ÉTICA
Anexo II
97
Anexo II
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO AOS
TELESPECTADORES
Nome do participante:................................................................Data................
Pesquisador: Luciana Leite Mesquita Trindade.
PUC- SP Rua Monte Alegre, 984 CEP: 05014 -000 – Perdizes
1.Título do estudo: Julgamento do efeito de um programa de
intervenção fonoaudiológica na expressividade oral de repórteres.
2. Propósito do estudo: Analisar o efeito de uma proposta de um
programa de intervenção fonoaudiológica na expressividade oral de
repórteres, a partir do julgamento realizado por fonoaudiólogos e
telespectadores.
3. Procedimentos: Serei solicitado a realizar uma avaliação da
gravação dos repórteres após intervenção fonoaudiológica. Nessa
avaliação, devo opinar se os relatos estão iguais ou diferentes, se
diferentes qual o melhor, e assinalar aspectos que justifiquem essa
melhora.
4. Riscos e desconfortos: Não existem riscos ou desconfortos
associados com este projeto.
5. Benefícios: Compreendo que não existem benefícios diretos para
mim como participante neste estudo. Entretanto os resultados deste
estudo podem ajudar os pesquisadores a avaliar os resultados da
intervenção fonoaudiológica direcionada a demanda de repórteres.
6. Direitos do participante: Eu posso me retirar deste estudo a qualquer
momento.
7. Compensação financeira: Fui esclarecido de que não haverá
remuneração financeira.
8. Confidencialidade: Compreendo que os resultados deste estudo
poderão ser publicados em jornais profissionais ou apresentados
em congressos profissionais, mas que, minha opinião não será
revelada a menos que a lei o requisite.
9. Se tiver dúvidas posso telefonar para Fga Luciana Leite Mesquita
Trindade, no número (011) 84669445, a qualquer momento.
98
Anexo III
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO A
FONOAUDIÓLOGAS
Nome do participante:...............................................................Data................
Pesquisador: Luciana Leite Mesquita Trindade.
PUC- SP Rua Monte Alegre, 984 CEP: 05014 -000 – Perdizes
1Título do estudo: Julgamento do efeito de um programa de
intervenção fonoaudiológica na expressividade oral de repórteres.
2. Propósito do estudo: Analisar o efeito de uma proposta de um
programa de intervenção fonoaudiológica na expressividade oral de
repórteres, a partir do julgamento realizado por fonoaudiólogos e
telespectadores.
3. Procedimentos: Serei solicitada a realizar uma avaliação da
gravação dos repórteres após intervenção fonoaudiológica. Nessa
avaliação, devo opinar se os relatos estão iguais ou diferentes, se
diferentes qual o melhor, e assinalar aspectos que justifiquem essa
melhora.
4. Riscos e desconfortos: Não existem riscos ou desconfortos
associados com este projeto.
5. Benefícios: Compreendo que não existem benefícios diretos para
mim como participante neste estudo. Entretanto os resultados deste
estudo podem ajudar os pesquisadores a avaliar os resultados da
intervenção fonoaudiológica direcionada a demanda de repórteres.
6. Direitos do participante: Eu posso me retirar deste estudo a qualquer
momento.
7. Compensação financeira: Fui esclarecido de que não haverá
remuneração financeira.
8. Confidencialidade: Compreendo que os resultados deste estudo
poderão ser publicados em jornais profissionais ou apresentados
em congressos profissionais, mas que, minha opinião não será
revelada a menos que a lei o requisite.
9. Se tiver dúvidas posso telefonar para Fga Luciana Leite Mesquita
Trindade, no número (011) 84669445 a qualquer momento.
99
Anexo IV
TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE ESCLARECIDO AOS
REPÓRTERES
Nome do participante:......................................................Data................
Pesquisador: Luciana Leite Mesquita Trindade
PUC- SP Rua Monte Alegre, 984 CEP: 05014 -000 - Perdizes
1. Título do estudo: Julgamento do efeito de um programa de
intervenção fonoaudiológica na expressividade oral de repórteres.
2.Propósito do estudo: Analisar o efeito de uma proposta de programa
de intervenção fonoaudiológica na expressividade oral de repórteres, a
partir do julgamento realizado por fonoaudiólogos e telespectadores.
3 Procedimentos: Serei solicitado a comparecer a um processo de
intervenção fonoaudiológica a ser realizado durante um período de 6
encontros, com uma carga horária de 1 hora e 30 minutos cada
encontro, totalizando 9 horas de intervenção fonoaudiológica, com o
objetivo de aprimorar minha comunicação, e conseqüente, atuação
profissional.
4 Riscos e desconfortos: Não existem riscos ou desconfortos
associados com este projeto.
5 Benefícios: Compreendo que não existem benefícios diretos para
mim como participante neste estudo. Entretanto os resultados deste
estudo podem ajudar os pesquisadores a avaliar os resultados da
intervenção fonoaudiológica direcionada a demanda de repórteres.
6 Direitos do participante: Eu posso me retirar deste estudo a qualquer
momento.
7 Compensação financeira: Fui esclarecido de que não haverá
remuneração financeira.
8 Confidencialidade: De forma a registrar exatamente o meu
desempenho pré e pós intervenção fonoaudiológica, um registro em
vídeo será usado. Deste vídeo será realizada apenas a análise em
áudio, por fonoaudiólogas especialistas em voz e atuantes no
telejornalismo e por telespectadores. Compreendo que os resultados
deste estudo poderão ser publicados em jornais profissionais ou
apresentados em congressos profissionais, mas que, minhas
gravações não serão reveladas a menos que a lei o requisite.
9 Se tiver dúvidas posso telefonar para Fga. Luciana Leite Mesquita
Trindade, no número (011) 84669445 a qualquer momento.
100
Anexo V
PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO DOS TELESPECTADORES
Você ouvirá 12 combinações de vozes de três diferentes repórteres. Em
seguida, baseado no protocolo, você deve assinalar se os relatos estão
iguais ou diferentes. Caso estejam diferentes você deve marcar qual a
melhor gravação (primeira ou segunda) e assinalar uma ou mais opções que
definam essa melhora.
Os relatos são:
( ) Iguais
( ) Diferentes
Se diferentes, qual é o melhor?
( ) O primeiro
( ) O segundo
Assinale uma ou mais opções que definem essa melhora:
(
(
(
(
) A notícia ficou mais clara
) O repórter transmite mais credibilidade
) O repórter transmite maior segurança ao falar
) Você se sente mais envolvido com a notícia.
101
Anexo VI
PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO DAS FONOAUDIÓLOGAS
Você ouvirá 12 combinações de vozes de três diferentes repórteres. Em
seguida, baseado no protocolo, você deve assinalar se os relatos estão
iguais ou diferentes. Caso estejam diferentes você deve marcar qual a
melhor gravação (primeira ou segunda) e assinalar uma ou mais opções que
definam essa melhora.
Os relatos são:
( ) Iguais
( ) Diferentes
Se diferentes, qual é o melhor?
( ) O primeiro
( ) O segundo
Assinale uma ou mais opções que definem essa melhora:
(
(
(
(
) A notícia ficou mais clara
) O repórter transmite mais credibilidade
) O repórter transmite maior segurança ao falar
) Você se sente mais envolvido com a notícia.
102
Anexo VII
PROTOCOLO DE AVALIAÇÃO FONOAUDIOLÓGICA
Central Globo de Jornalismo
II Encontro Nacional de Fonoaudiólogos – Rede Globo
(Kyrillos, 2003)
Qualidade vocal
Tipo:
Neutra ( )
Não neutra ( )
severo de desvio ( )
Ressonância
Equilibrada ( )
Desviada ( )
Alterada – grau
Predomínio – foco ressonantal ( )
Pitch
Grave ( )
Médio ( )
Agudo ( )
Loudness
Forte ( )
Médio ( )
Fraco ( )
Articulação
Precisa ( ) Imprecisa ( )
Distorcida ( )
Velocidade
Média ( )
Indiferenciada ( )
Lenta ( )
Travada ( )
Exagerada ( )
Acelerada ( )
Coordenação Pneumofonoarticulatória
Presente ( )
Ausente ( )
Ataque vocal
Brusco ( )
Isocrônico ( )
Aspirado ( )
Ênfase:_______________________________________________________
Pausas:
_____________________________________________________________
Curva melódica:
Ascendente ( )
Descendente ( )
Ritmo:
Repetitivo ( )
Monótono ( )
Variações
Loudness:_____________________________________________________
Pitch:
_____________________________________________________________
103
Velocidade:
_____________________________________________________________
Expressão facial (olhos/boca):
_____________________________________________________________
Postura corporal:
_____________________________________________________________
Uso de gestos:
_____________________________________________________________
Meneios de cabeça:
_____________________________________________________________
104
Anexo VIII
A avaliação fonoaudiológica dos repórteres realizada no momento
pré-intervenção, foi feita com base em proposta de KYRILLOS (2003b)
que abordou recursos vocais, verbais e não verbais.
Com a aplicação do questionário pré-intervenção fonoaudiológica, os
dados foram levantados, contemplando-se aqui apenas os mais relevantes,
alguns deles trabalhados durante os encontros de intervenção
fonoaudiológica.
Repórter 1, sexo feminino, 20 anos; é repórter há 11 meses, e atua em
apenas uma emissora de TV. Na avaliação, observou-se qualidade vocal do
tipo neutra, ressonância com predomínio de foco ressonantal, pitch agudo,
loudness média, articulação precisa, velocidade acelerada, coordenação
pneumofonoarticulatória presente, ataque vocal isocrônico, uso limitado de
ênfases, pouco uso de pausas, curva melódica ascendente, ritmo repetitivo e
variações de velocidade (inicia o discurso acelerado e vai adequando de
acordo com o contexto). Com relação à comunicação não-verbal, foram
observadas face expressiva de acordo com o conteúdo da mensagem,
postura corporal inadequada (corpo inclinado para frente), bom uso de
gestos e presença de movimentos acertivos de cabeça para marcar ênfases.
SITUAÇÃO FUNCIONAL
Trabalha na TV de 20 a 30 horas por semana; refere que, às vezes
considera calmo o ambiente de trabalho. Afirma que o local é ruidoso, e que
o barulho é proveniente da voz das pessoas. Afirma que a temperatura da
TV é fria, devido aos equipamentos existentes na sala de edição. Segundo
relato desse repórter, os fatores do ambiente de trabalho sempre interferem
na sua vida pessoal ou em sua saúde.
ASPECTOS GERAIS DE SAÚDE
R1, às vezes apresenta problemas circulatórios (dor nas pernas); e
sempre fica resfriado e com dor de ouvido.
HÁBITOS
R1 sempre consome bebidas alcoólicas (cerveja, pinga); as vezes
alimenta-se em horários regulares e nunca evita nenhum tipo de alimento.
Sempre apresenta estalos e desvio de queixo, e às vezes tem
dificuldades em abrir a boca.
ASPECTOS VOCAIS
R1 apresentou alterações na voz, porém nunca realizou tratamento
especializado para este problema; às vezes sente a garganta seca. Nunca
105
recebeu orientações sobre cuidados com a voz. Às vezes fala muito no
trabalho e raramente bebe água durante uso da voz.
Repórter 2, sexo masculino, 22 anos; é repórter há oito meses, e atua em
duas emissoras de TV. Na avaliação fonoaudiológica, observou-se qualidade
vocal do tipo neutra, ressonância com predomínio de foco ressonantal, pitch
grave, loudness fraco, articulação indiferenciada, velocidade lenta,
coordenação pneumofonoarticulatória presente, ataque vocal isocrônico, uso
de ênfases marcado apenas por aumento de intensidade, não utiliza pausas
expressivas, curva melódica descendente, ritmo monótono, velocidade lenta
com poucas variações ao longo do discurso. Com relação à comunicação
não-verbal, foram observadas expressão facial marcada por movimentos de
sobrancelhas, postura corporal adequada, uso de gestos repetitivos (uso de
uma das mãos e a outra colada ao lado do corpo), e utilização de meneios
de cabeça para acompanhar ênfases.
SITUAÇÃO FUNCIONAL
Trabalha na TV de 10 a 20 horas por semana, relata que, às vezes o
ambiente de trabalho é calmo; afirma que o local é ruidoso, que o barulho
é proveniente da voz das pessoas; segundo relato desse repórter, os
fatores do ambiente de trabalho sempre interferem na sua vida pessoal ou
em sua saúde.
ASPECTOS GERAIS DE SAÚDE
R2, às vezes apresenta azia, gastrite e problemas de coluna.
HÁBITOS
R2 sempre consome bebidas alcoólicas (cerveja), às vezes se
alimenta em horários regulares e nunca evita qualquer tipo de alimento.
ASPECTOS VOCAIS
R2 apresentou alterações na voz, porém nunca realizou tratamento
especializado para esse problema; raramente apresenta rouquidão, pigarro,
tosse com catarro e secreção/ catarro na garganta. Nunca recebeu
orientações sobre cuidados com a voz; raramente grita, às vezes fala muito,
em lugares abertos, e às vezes bebe água durante uso da voz.
Repórter 3, sexo feminino, 22 anos; é repórter há sete meses, e atua em
uma única emissora de TV. Na avaliação fonoaudiológica, observou-se
qualidade vocal neutra, ressonância com predomínio de foco ressonantal,
pitch agudo, loudness fraca, articulação indiferenciada, velocidade média,
coordenação pneumofonoarticulatória presente, ataque vocal brusco,
utilização de ênfases não condizentes com o discurso, poucas pausas, curva
melódica descendente, ritmo repetitivo e variações de velocidade de média
para acelerada. Com relação à comunicação não-verbal, observou-se
106
expressão facial com movimentos rápidos, pouca utilização de gestos (mãos
coladas ao corpo) e boa utilização de meneios de cabeça.
SITUAÇÃO FUNCIONAL
Trabalha na TV de 30 a 40 horas por semana e refere que o
ambiente de trabalho é sempre calmo. Afirma que, às vezes a emissora de
TV é ruidosa e que o ruído advém da própria sala.
ASPECTOS GERAIS DE SAÚDE
R3 afirma que, às vezes, tem sinusite e amigdalite, e sempre tem
resfriados. Com relação a problema de audição, refere às vezes apresentar,
dificuldade para ouvir, dor de ouvido e tonturas/vertigens.
HÁBITOS
R3 sempre consome bebidas alcoólicas (cerveja).
ASPECTOS VOCAIS
R3 já apresentou alterações na voz, porém, nunca realizou tratamento
especializado para esse problema. Às vezes apresenta voz fina e garganta
seca. Já recebeu orientações sobre cuidados com a voz, e fala muito em
lugares abertos.
107
Anexo IX
DESCRIÇÃO DOS ENCONTROS
Do quadro 1 ao 6, encontra-se a descrição dos encontros de
intervenção fonoaudiológica, separadamente, com objetivos, estratégias
utilizadas e comentários. As estratégias são inerentes à atuação profissional
junto a profissionais da voz; e a literatura, quando possível foi referida.
As gravações pré e pós-intervenção fonoaudiológica foram realizadas
em dias separados aos encontros, assim como a devolutiva para emissora e
direção da TV.
108
Quadro 1: Descrição do primeiro encontro de intervenção fonoaudiológica
Objetivos
-Promover integração entre pesquisadora e sujeitos participantes;
-Comentar sobre os dados do questionário de saúde geral e trabalhar noções de saúde vocal;
-Verificar a percepção dos repórteres sobre atuação fonoaudiológica;
-Explicar o mecanismo de produção vocal (localização da laringe, pregas vocais, etc);
-Enfatizar importância do exercício de alongamento corporal, aquecimento e desaquecimento vocal para
atuação profissional.
- Promover adequação do padrão respiratório
- Treinar articulação dos repórteres.
Estratégias
-Em círculo por meio de uma conversa informal, a pesquisadora apresentou-se e cada participante falou
seu nome, idade, há quanto tempo atua na emissora e o que espera do processo de intervenção
fonoaudiológica;
-Os dados encontrados no questionário, com destaque aos mais relevantes referidos pelos sujeitos, foram
comentados, e a partir daí realizada uma atividade sobre hábitos vocais (adequados e inadequados).
Cada participante virava uma figura que apresentava um tipo de hábito e discorria sobre a mesma. Foi
explicado aos sujeitos que cada um dos aspectos comentados interfere de forma diferente nos mesmos e
que existem também maneiras diversas de lidar com esses hábitos.
-Os participantes foram questionados sobre o que consideram importante no trabalho fonoaudiológico com
repórter/telejornalista por meio de uma pergunta.
-Foi abordada a questão da produção vocal, por meio de figuras ilustrativas e percepção (mãos na região
da garganta-vibração).
-Foram realizados exercícios de alongamento corporal, aquecimento e desaquecimento vocal por meio de
exercícios específicos.
- Exercícios respiratórios referentes à inspiração pelo nariz e expiração pela boca
- Controle respiratório (entrada e saída do ar)
- Trabalhar a articulação dos sujeitos, por meio de frases com trava línguas, aliterações, rimas e
seqüências articulatórias.
Atividades
* Alongamento:
- braços para cima
-braços para baixo
-braços para trás com as mãos cruzadas
-tronco para baixo com os dedos tocando o chão
-Ficar na ponta do pé, erguendo os braços até o máximo que conseguir
-Rotação de cabeça (movimentos de sim, não, talvez)
* Aquecimento:
-sopro+som fino+vibração de lábios/língua
-voz crepitante
Desaquecimento:
-escalas descendentes
- bocejo suspiro
-“b” prolongado
Respiração:
Inspiração pelo nariz e expiração pela boca
- Enfatizada a importância da respiração costodiafragmática;
- Inspirar 5 tempos, manter e soltar em 5;
- Inspirar pelo nariz e soltar pela boca com a emissão dos sons fricativos (/s/ e /z/) e soltar
controlando a saída do ar.
109
- OBS: Para os participantes que apresentavam dificuldades na percepção da respiração, foi
solicitado o uso de apoio das mãos na região do diafragma.
* Atividades realizadas por KYRILLOS (2008) com universitários do Curso de Jornalismo da PUC/SP.
-Articulação:
-Trava línguas retirado do Conselho Regional de Fonoaudiologia (2º região/ São Paulo)
(http://www.fonosp.org.br/publicar/conteudo.php?id=435)
-Seqüências articulatórias: Proposta por RECTOR e COTES (2005) pg 72.
Exercícios articulatórios (com os trava línguas e com as seqüências articulatórias)
- Sobrearticulação;
- Leitura somente de vogais;
- Fala mastigada;
- Articulação travada
- Leitura com rolha
Comentários
Dois sujeitos chegaram ao local da intervenção fonoaudiológica
pontualmente (R1 e R3). Um (R2) ficou impossibilitado pois atuava em outra
emissora de TV. O momento inicial foi à colhida, com conversas informais. A
fonoaudióloga apresentou-se e solicitou que sentassem em semicírculo e
que cada um falasse seu nome, idade, há quanto tempo atuava na emissora
e se já tinha passado por algum tipo de treinamento ou intervenção
fonoaudiológica, anteriormente realizado por fonoaudiólogo. Os participantes
se conheciam, o que ajudou na fluidez da conversa. Todos eram da cidade
de São Paulo e nunca haviam realizado treinamento e/ou intervenção. R3
que era filha de fonoaudióloga relatou nunca ter realizado treinamento,
porém, referiu apresentar noções de cuidados com a voz.
Nesse encontro, os participantes puderam tirar suas dúvidas sobre a
intervenção, e em seguida a fonoaudióloga abordou os achados dos dados
do questionário aplicado no dia da entrevista.
Após esse procedimento, como as questões mais relevantes do
questionário, no julgamento da fonoaudióloga, referiam-se à saúde vocal
optou-se por realizar uma atividade na qual foram feitas considerações
sobre:
fumo,
temperatura,
ar
álcool,
alimentação,
condicionado,
sono/repouso,
exercício
físico,
medicamentos,
vestuário
e
hábitos
inadequados. Nessa atividade, ficou nítido em R1 a falta de conhecimento
110
sobre cuidados com a voz, pois ao tirar figuras apresentava dificuldade em
discorrer se aquele hábito era benéfico ou maléfico para a voz. Essa
ausência de cuidados com a voz também pôde ser observada em seu relato.
R1: “Durante o dia bebo seis copos de líquido, sendo três de água; não evito
nenhum tipo de alimento; às vezes falo muito no trabalho; sempre consumo
bebidas alcoólicas”.
R3 em contrapartida, que é filha de fonoaudióloga, apresentou mais
noções que a outra participante em relação aos cuidados com a voz, e
afirmou:
R3: “Eu bebo muita água durante o dia; me alimento em horários
regulares e evito alimentos gordurosos”.
Essa atividade foi realizada apenas com R1 e R3, uma vez que R2
chegou atrasado ao encontro.
Ao abordar o mecanismo de produção vocal, a pesquisadora perguntou
aos sujeitos: O que é voz? Como ela é produzida? O que é prega vocal?
Quantas pregas vocais nós temos? Onde se localizam?
R1 respondeu: “Voz é som, temos uma prega vocal, é rosada? e fica na
garganta.
R2 preferiu não arriscar e ficou calado frente à resposta de sua colega. Em
contrapartida, R3 afirmou: “Voz é emoção, identidade, temos duas pregas
vocais, e são vermelhas, se localizam na laringe”.
Ao perceber que R3 foi a que mais se aproximou da resposta, errando
apenas a cor da prega vocal, a pesquisadora explicou, de uma maneira
simplista que a voz é o som produzido pela vibração das pregas vocais, que
estas são em número de dois (falou do posicionamento em forma de V,
paralelas ao chão), que são brancas; quando vermelhas, significa inchaço; e
que se localizam no pescoço (região laríngea). Em seguida, solicitou aos
sujeitos que colocassem as mãos na região da garganta e, por meio de
atividades com sons sonoros, percebessem a vibração das pregas vocais. A
mesma atividade posteriormente foi realizada com os sons surdos, para
sentirem a diferença. Os três indivíduos realizaram a vibração com esforço,
111
e a fonoaudióloga precisou trabalhar essa emissão de uma forma mais
harmoniosa e suave, por meio de repetições.
R1: “Nossa! Agora eu sinto. Que coisa mágica!”
R2: “É. Realmente tudo isso é muito bom; agora estamos sentindo mesmo
que através das mãos a vibração de nossa prega vocal”.
R3 não comentou nada; apenas observou os comentários feitos pelos
colegas.
A atividade seguinte foi realizada com objetivo de se trabalhar
alongamento corporal. Foi solicitado aos participantes que ocupassem a
sala, para que houvesse mais espaço no momento da execução das
atividades. Os três sujeitos realizaram as atividades sem dificuldades
aparentes.
A próxima tarefa que envolvia o aquecimento vocal, os sujeitos,
principalmente R1 e R3, riram bastante, o que dificultou a realização da
mesma.
R1: “Nossa...que não consigo (rs) principalmente porque não consigo vibrar
a língua”.
R3: “Não consigo, preciso fechar os olhos e me concentrar”.
Diante disso, a pesquisadora solicitou que R1 substituísse a vibração
de língua pela vibração de lábios, e que R3 fechasse os olhos na hora de
realizar a atividade. R2 conseguiu executar as atividades sem dificuldades.
Foi explicado aos participantes que a prega vocal, é um músculo, e
que, assim como os demais do corpo, precisa ser exercitada, principalmente
para profissionais que têm uma grande demanda vocal, como no caso dos
repórteres. Os sujeitos, durante a explicação fornecida pela fonoaudióloga,
ficaram bastante atentos e realizaram a atividade com mais atenção e
concentração.
Nos exercícios de desaquecimento vocal, nenhum dos repórteres teve
dificuldade.
Foram realizados questionamentos do tipo:
R1: “Pra que esse exercício? Que função ele tem? Preciso fazê-lo sempre?
112
A pesquisadora respondeu que, assim como temos que preparar o
músculo da perna para longa jornada, temos que deixar a prega vocal
preparada para a fala habitual, e que enquanto os exercícios de
aquecimento propiciam alongamento da prega vocal e favorecem os sons
agudos (“finos”), os de desaquecimento promovem encurtamento de prega
vocal e favorecem os sons graves (“grossos”).
R1 reiterou: “Agora que já sei disso, vou colocar em prática no meu dia-a dia. Vou anotar, pois isso é muito importante. São cuidados básicos que
devemos ter com a nossa voz”
R2: “Acredito que, se todas as pessoas soubessem disso, muitos problemas
poderiam ser evitados”
R3: “È realmente muito interessante; às vezes eu faço, agora vou fazer mais
ainda, esse kit vai andar sempre comigo”.
Em seguida, a pesquisadora solicitou que ficassem em pé para iniciar
os exercícios respiratórios. Esta observou presença de respiração superior
(elevação de ombros) nos três participantes.
Foi solicitado que colocassem as mãos sobre o abdômen e outra
sobre o tórax, para realizar duas expirações e inspirações longas. Em
seguida, solicitou-se que inspirassem pelo nariz e soltassem pela boca,
sendo observada presença de respiração invertida (“enchiam o peito na
inspiração”).
R2 ficou muito surpreso ao ver a fonoaudióloga demonstrando a
respiração costodiafragmática, pois apresentou muita dificuldade para
perceber. Em seguida retrucou:
R2: “Nossa, como respiramos errado! Não estamos acostumados, isso é
muito difícil”
R3: “Realmente não é o jeito como fazemos no dia-a-dia, mas vamos lá,
vamos tentar”. E R1 finalizou: “É muito difícil, muito mesmo!””
Foi solicitado aos repórteres a respiração em cinco tempos (inspira 5,
mantém, e solta em 5). Como houve dificuldade na realização, julgou-se
importante primeiro um trabalho com a respiração em três tempos, com
113
aumento progressivo. Nessa última, não foi observada dificuldade aparente;
porém, a atividade foi realizada em uma velocidade lenta.
Ao se trabalhar controle respiratório (entrada e saída do ar), foi
fornecido o seguinte comando aos repórteres: “imaginem uma vela na
frente de vocês, e que vocês terão que soprar a mesma, sem apagar a
chama, emitindo o som do /s/ e do /z/”. Ao emitir o som surdo s, R2
apresentou dificuldades e soltou o ar de uma vez, enquanto R3 conseguiu
manter o controle, e soltou o ar aos poucos.
R2 afirmou: “É difícil ter todo esse controle, é questão de prática”
No momento da emissão do /z/, R3 conseguiu executar sem
dificuldades e logo em seguida falou:
R3: “Olha aquilo que vimos ontem; agora além de conseguir sustentar a
saída do ar, sinto a vibração das pregas vocais”.
A última atividade proposta nesse encontro foi a referente aos
exercícios articulatórios. Cada participante recebeu uma ficha impressa
com seqüência de trava-línguas, da qual iniciaria a leitura e o outro
continuaria na seqüência. Foi explicado que esse exercício era importante
para trabalhar agilidade articulatória, aspecto esse de fundamental
importância para quem trabalha no jornalismo.
A pesquisadora considerou relevante ler de forma mais lenta, frase
por frase, com os participantes. Em seguida, solicitou que eles iniciassem
a leitura de forma alternada. Esses, pela falta de prática, o fizeram com
dificuldade, lendo as frases numa velocidade muito lenta; porém, com o
decorrer da mesma, as dificuldades foram amenizadas e a velocidade
aumentou gradativamente. Em determinados momentos, os participantes
distorciam as palavras e voltavam à frase desde o começo.
Nessa atividade, a pesquisadora sugeriu a leitura do trava-línguas
com diferentes ajustes de articulação: travada, exagerada e normal, por
meio de demonstrações de cada um deles.
Cada participante fez um tipo de ajuste (R1: articulação travada,
R2: articulação normal e R3: articulação exagerada), enquanto os demais
ficavam atentos. No final, a pesquisadora, juntamente com os repórteres
114
discutiram o efeito de sentido de cada tipo de articulação no ouvinte. Os
participantes souberam apenas falar do impacto da articulação normal; e
dessa forma, os demais tipos foram explicitados pela fonoaudióloga.
Em seguida, essa mesma atividade foi realizada com rolha entre os
dentes, com
leitura apenas das
vogais, com fala mastigada e
sobrearticulação, nas quais não foi observada dificuldade.
Além de trava-línguas, foram realizadas tarefas que envolviam: dias
da semana, meses do ano e contagem de 1 a 30.
Nas seqüências articulatórias, ficou nítida a maior dificuldade
apresentada pelos repórteres. Os três sujeitos referiram que a tarefa era
muito difícil e que necessitavam de prática intensa.
R1 exclamou: “Nossa, como isso é difícil!”
R2: “Acho que só vou conseguir fazer isso com anos de prática. E
R3 retrucou: “Realmente é difícil; acho que só quem é fonoaudiólogo
consegue fazer isso”.
No final do encontro, foi oferecido aos sujeitos um material
impresso sobre saúde vocal, e estes foram filmados, por meio da seguinte
notícia: “O primeiro telejornal da TV brasileira foi Imagens do dia, e
nasceu junto com a TV Tupi de São Paulo, em 1950. O primeiro Jornalista
falar no dia da estréia da TV Tupi foi Maurício Loureiro Gama”.
(PATERNOSTRO, 2006, pg 36).
115
Quadro 2: Descrição do segundo encontro de intervenção fonoaudiológica
Objetivos
- Desenvolver a ressonância mais equilibrada.
-Sensibilizar os participantes quanto ao uso de frases com diferentes mudanças
loudness em diferentes palavras.
Estratégias
- Trabalhar ressonância e projeção vocal no ambiente por meio de exercícios específicos;
- Trabalhar a loudness por meio de atividades específicas.
Atividades
- * Ressonância:
Som do “m” mastigado
Sons nasais
mmmmm... associado as vogais (a,e,i,o,u)
- Loudness:
Médicos brasileiros descobrem um novo tratamento para a endometriose, a principal
causa da infertilidade feminina (http://veja.abril.com.br/040505/p_122.html)
- Há pessoas que falam inglês muito bem, outras arranham por pura necessidade, e aí
se encaixa boa parte dos mais de 80% da população mundial que não nasceram nem
cresceram em país da língua inglesa (http://veja.abril.com.br/040505/p_124.html)
- As adolescentes que recorrem a dietas radicais têm mais risco de se tornar mais
obesas do que aquelas que abusam da ingestão de alimentos gordurosos
(http://veja.abril.com.br/040505/p_081.html)
- O clima nada amistoso que envolve as relações entre Brasil e Paraguai no últimos
meses tente a piorar. Uma nova lei, promulgada pelo presidente Nicanor Duartes
Frutos, proíbe a posse de terras, por cidadãos e pessoas jurídicas dos países
(http://veja.abril.com.br/040505/p_166.html)
- Montar o orçamento doméstico não é trabalhoso, mas exige disciplina. A
recompensa
é
alta:
sobra
de
recursos
no
fim
do
mês”
(http://veja.abril.com.br/040505/p_184.html)
* Atividade realizada por KYRILLOS (2008) com universitários do Curso de
Jornalismo da PUC/SP.
Comentários
Nesse
segundo
encontro,
R1
não
compareceu.
R2
e
R3
compareceram (esse último atrasou, já que trabalhava em outra emissora,
fato que fez com que chegasse aos encontros sempre com atraso).
Na atividade que envolveu ressonância, mais especificamente ao
som do “m” mastigado e sons nasais, foi observado que R3 teve muita
dificuldade, uma vez que apresentava ressonância laringofaríngea. Notouse menos dificuldades na realização do m...associado às vogais.
116
R2 chegou atrasado e não pôde executar tais exercícios.
Com relação a loudness, esta foi trabalhada por meio de frases. R2
e R3 leram as frases alternadamente, e não houve interferência na leitura
dos mesmos; porém, ao final, a pesquisadora observou que os dois
repórteres não conseguiam realizar a leitura com loudness média nem
forte. As impressões causadas pelas variações de intensidade foram
trabalhadas, segundo proposta de FEIJÓ, 2003, pg 64.
Os sujeitos relataram ter gostado do encontro, e afirmaram, ainda,
que as práticas estavam sendo importantes, pois, por meio delas,
percebiam no outro seus próprios erros. Os mesmos assistiram às
gravações que haviam sido realizadas nos encontros anteriores, e foram
discutidos os aspectos que poderiam melhorar.
Ao final do encontro, gravaram a seguinte notícia: “Entender a
importância da voz como forma de expressão comunicativa também é
necessário para que a atuação profissional ocorra de maneira atraente
para o telespectador”.
(KYRILLOS, 2003, pg 111)
117
Quadro 3: Descrição do terceiro encontro de intervenção fonoaudiológica
Objetivos
-Sensibilizar os participantes quanto às variações do pitch de acordo com sexo, porte
físico e idade do falante;
- Promover a percepção da importância dos parâmetros de velocidade na leitura dos
textos;
- Conscientizar e treinar quanto ao uso da entoação.
Estratégias
- Trabalhar noções de pitch por meio de vídeo ilustrativo;
-Trabalhar velocidade por meio de narração de texto;
- Trabalhar entoação por meio de frases e poemas.
Atividades
Pitch: Vídeos ilustrativos
Velocidade – texto:
"Pé no chão, lá vão eles pra mais um espetáculo. Com fala forte e cantada, começam a
dar ritmo à festa . Repentistas natos, usam e abusam da criatividade. E assim vão
envolvendo e conquistando a atenção do público que se agita na arquibancada. O colorido
dos versos embalam o sacolejo do homem com o animal e explodem nos ouvidos,
deixando
a
marca
registrada
de
sua
passagem
na
arena."
(http://www.cowboydoasfalto.com/loucutores.html)
Entoação:
Os Sinos (Manuel Bandeira)
Você vai sair hoje? (ascendente)
Não vou sair porque estou muito cansado (descendente)
Proposta de FEIJÓ 2003, pg 58
Em seguida, foram utilizadas as mesmas frases com inflexões linear, ascendente e
descendente.
Comentários
Os três repórteres compareceram ao processo de intervenção
fonoaudiológica, sendo que R3 apresentou atraso.
Primeiramente, com o objetivo de se trabalhar o pitch, foi
apresentado um vídeo com sujeito do sexo masculino, forte, falando
agudo (“fino”), e um sujeito baixo, do sexo masculino, falando muito grave
(“grosso”). Os sujeitos ficaram atentos ao vídeo e no final riram bastante.
R1: “ Como um baixinho fala tão grave desse jeito? Não está compatível”
R3: Meu Deus, ..muito estranho!
118
Ao
ouvir
o
relato
dos
dois
participantes,
solicitou-se
que
discorressem sobre o que estava estranho no vídeo e o porquê. Ambos
conseguiram perceber a freqüência dos dois homens apresentados no
vídeo, que não estava compatível com suas características de sexo,
estrutura e idade, e referiram, ainda, que era estranho um homem alto
falar fino e um baixinho falar tão grave. Nesse sentido, a pesquisadora
aproveitou e fez a relação com a voz profissional, principalmente com
repórteres e telejonalistas, e afirmou, que muitas vezes ao ouvir um
profissional falar, algo nos causa ruído, estranhamento, e muitas vezes
não sabemos o porquê. Esse fato pode estar relacionado à freqüência da
voz do outro, ou seja, ao pitch.
R2 compareceu ao encontro apenas no momento em que ia se
iniciar a atividade com velocidade.
Foi fornecido aos participantes um material impresso, com um texto
de uma narração de rodeio. Em seguida, solicitou-se que cada um
realizasse a leitura com as seguintes variações (velocidade lenta, média e
acelerada), sem que os demais colegas soubessem o ajuste realizado.
O primeiro a realizar a leitura foi R1, que o fez com velocidade
média. Em seguida, R2 com velocidade acelerada e, por último, R3, com
velocidade lenta. Quando os três repórteres acabaram de ler o texto, foi
percebido pela pesquisadora que os três não conseguiram executar a
atividade segundo os ajustes que tinham selecionado. Posteriormente à
atividade, foram discutidas com o grupo as impressões causadas aos
colegas, segundo proposta de FEIJÓ (2003, pg 65).
Com relação ao trabalho de entonação, por meio do texto Os Sinos,
foi solicitado que as mulheres o lessem com inflexão descendente e o
rapaz com ascendente. Nessa atividade, apareceu apenas o relato de R2,
que referiu muita dificuldade em executar o que havia sido solicitado.
No trabalho, realizado ainda com entonação, por meio de frases
segundo proposta de FEIJÓ (2003, pg 58), observou-se que apenas R1
conseguiu dizer a frase sem dificuldades. R2 e R3 não conseguiram
realizar a primeira frase sob a forma de uma pergunta, e precisaram de
119
ajuda da pesquisadora, e mesmo assim o fizeram com bastante
dificuldade.
Na segunda frase, que era uma afirmação, aconteceu o contrário,
pois
apenas
R1
apresentou
dificuldades
em
realizar
a
inflexão
descendente.
Nas demais, realizadas com inflexões lineares, nenhum dos três
repórteres apresentaram dificuldades.
No final do encontro, os participantes discutiram os vídeos que
haviam gravados anteriormente, e foram novamente submetidos a uma
gravação, por meio da seguinte notícia: “Repórteres e apresentadores
sabem que seu maior desafio na TV, é conseguir estabelecer uma
comunicação
efetiva,
na
credibilidade”.
(FEIJÓ, 2003, pg 45)
qual
a
mensagem
seja
recebida
com
120
Quadro 4: Descrição do quarto encontro de intervenção fonoaudiológica
Objetivos
- Promover a percepção da importância da ênfase;
- Trabalhar recurso de pausa.
Estratégias
- Trabalhar ênfase e o sentido de cada palavra marcada dentro do discurso por meio de
frases, com marcações definidas;
- Realizar marcação das pausas dentro do texto, por meio de letras de frases .
Atividades
Ênfase:
frases : Proposta por FEIJÓ (2003 pg 45)
Pausa: frase proposta por FEIJÓ (2003, pg 60)
1- Com utilização das pausas
“A medida que o natal se aproxima, as lojas investem em decoração, e o comércio
projeta um aumento de vendas em relação ao ano passado”.
Sem utilização das pausas
2- Sem utilização das pausas
“A medida que o natal se aproxima as lojas investem em decoração e o comércio
projeta um aumento de vendas em relação ao ano passado”.
Comentários
Os três sujeitos compareceram, e R3 novamente atrasou.
Inicialmente, foi realizada apenas com R1 e R3 uma atividade com
objetivo de trabalhar a ênfase no discurso.
Foi distribuído aos participantes um material impresso, com frases
e ênfases pré-estabelecidas e solicitado para cada participante a leitura
da palavra enfatizada dentro da frase. Nessa tarefa, observou-se grande
dificuldade por parte dos três sujeitos, uma vez que afirmaram:
R1: “Não consigo “dá” o devido destaque”
R3: “Como tenho dificuldades, parece que tudo é importante”.
Diante das reações apresentadas, a pesquisadora julgou importante
explicitar, da forma mais clara possível, a função da ênfase dentro de um
discurso. Dessa forma, afirmou que esse recurso é utilizado para darmos
destaque à palavra de maior valo dentro de um texto ou frase, e que
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portanto, nem todas as palavras devem ser enfatizadas, uma vez que torna
o discurso monótono e sem valor.
R2 não pôde realizar tal atividade, pois não se encontrava presente
no encontro.
Na tarefa que envolvia pausas, inicialmente foi oferecida uma frase:
“A medida que o Natal se aproxima as lojas investem em decoração e o
comércio projeta um aumento de vendas em relação ao ano passado”.
Primeiramente, foram colocadas vírgulas após as palavras aproxima e
decoração e solicitada a leitura da frase. Os três repórteres executaram a
atividade sem dificuldades aparentes. Em seguida, a mesma frase foi
trabalhada sem a utilização das vírgulas.
Os três repórteres perceberam a diferença e afirmaram:
R1: “Se não colocarmos pausas, fica muito corrido”
R2:”Não faz sentido, tem que ter uma vírgula na frase”. E
R3 complementa: “A pausa é importante sim para o discurso”
No final do encontro, os sujeitos assistiram às gravações do encontro
anterior, e afirmaram que as gravações em áudio e vídeo estavam sendo
essenciais para trabalhar a percepção dos seus erros e os de seus colegas,
e foram novamente gravados, por meio da notícia: “O repórter e
apresentador de telejornal têm na sua voz seu principal instrumento de
trabalho, sem a qual a atuação fica completamente inviabilizada. Dessa
forma, torna-se interessante conhecer seu mecanismo de produção vocal e
o que podemos fazer para mantê-la sempre adequada”.
(KYRILLOS 2003, pg 113)
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Quadro 5: Descrição do quinto encontro de intervenção fonoaudiológica
Objetivos
- Promover percepção da importância dos recursos não-verbais (gestos, postura, meneios
de cabeça).
Estratégias
Trabalhar, por meio de vídeos gravados em encontros anteriores, aspectos como: gestos,
postura e meneios de cabeça.
Atividades
-Apresentação de vídeos
Comentários
Apenas R1 e R3 compareceram ao encontro. Eles assistiram aos
vídeos que haviam gravado nos encontros anteriores e apontaram aspectos
que poderiam melhorar. Por meio de seu vídeo, R1 percebeu que, na maior
parte dos vídeos, sua postura estava inadequada e referiu:
R1: “Nossa! Minha postura está muito ruim; não tinha noção que ela
estava desse jeito. Esse vídeo me auxiliou muito, pois agora posso corrigila”. Em contrapartida, R3 afirmou: eu já havia percebido sua postura
inadequada nos vídeos anteriores, mas acho que até esse encontro você,
sem de dar conta, conseguiu melhorá-la”.
Ao final do encontro, novamente os sujeitos foram gravados, com a
utilização da seguinte notícia: “Com maior consciência do próprio corpo, da
voz e com conhecimento dos fatores que interagem para a sua produção,
com certeza, pode-se atingir a melhor atuação profissional”
(KYRILLOS, 2003 pg 117)
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Quadro 6: Descrição do sexto encontro de intervenção fonoaudiológica
Objetivos
- Retomar os aspectos abordados nos encontros anteriores de forma geral.
Estratégias
- Abordagem dos recursos vocais, verbais e não-verbais
Atividades
- As atividades foram realizadas com recurso multimídia e atividades práticas.
Comentários
Apenas R1 e R2 compareceram ao encontro, esse último com atraso.
Os indivíduos mostraram-se bastante satisfeitos com os encontros e
estavam empolgados para realizar as atividades propostas. Foram
trabalhados todos os recursos (vocais, verbais e não-verbais) abordados nos
encontros anteriores, e os vídeos gravados nos nestes foram visualizados
pelos repórteres.
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GLOSSÁRIO
Definição dos termos sublinhados na dissertação.
Escalada: frase de impacto sobre os assuntos do telejornal que abrem o
programa.(PATERNOSTRO, 2006)
Link: : Ligação estúdio transmissor e transmissor-transmissor. Trata-se de
serviço técnico que permite o envio do sinal de televisão para transmissão, e
é também a ligação da emissora com unidade geradora de sinal (SQUIRRA,
1990)
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Luciana Leite Mesquita Trindade