GESTÃO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS EM IMPLICAÇÕES DAS EXPECTATIVAS DOS CLIENTES NEGÓCIOS VIRTUAIS: Autores: Roberto Giro Moori, Maria Luisa Mendes Teixeira, Alberto Suen e Herbert Kimura Resumo Recentemente assiste-se a um crescimento de negócios operacionalizados virtualmente, trazendo reflexões sobre a sua administração. Esta pesquisa teve como propósito investigar a relação de dependência entre a importância atribuida aos fatores qualidade, velocidade, confiabilidade, flexibilidade e custos e a aquisição de produtos através de meios virtuais e não-virtuais e discutir a necessidade de adequação da cadeia de suprimentos. A pesquisa caracterizou-se como descritiva, aplicada a uma amostra não-probabilística de consumidores, cujos dados foram coletados através de questionários fechado constituido de um conjunto de fatores aos quais foi acoplada uma escala ordinal e testados via metodologia quantitativa, mediante a aplicação e análise de teste estatístico não-paramétrico do Quiquadrado. A análise dos dados evidenciou que os consumidores dão importância diferente aos fatores quando realizam compras através de meios virtuais e por meios tradicionais, implicando na necessidade de se adotar diferentes estratégias mercadológicas impactando na estrutura operacional da empresa e, por conseguinte, na gestão da cadeia de suprimentos. 1 - INTRODUÇÃO Nos dias atuais, com as novas tecnologias de comunicação disponíveis, há uma crescente tendência de práticas de negócios sem a necessidade de se sair dos lares ou locais de trabalho. São os chamados negócios virtuais. Graças à tecnologia da comunicação, é possível a prática do comércio virtual, ou eletrônico. Comprar um computador com uma determinada configuração, automóveis com determinada côr e prazo, materiais de construção, livros, cursos à distância, entretenimento, pagamentos de contas, trabalhar com um laptop dentro de um carro ou no aeroporto e muitas outras atividades, é uma realidade inevitável. A sedução promovida pelas possibilidades de negócios virtuais, associada à existência dos recursos tecnológicos de comunicação como telefone, fax, internet, traz implicações empresariais das mais diversas naturezas como administrativas, financeiras, operacionais e logísticas. Essas implicações nos obrigam a refletir sobre as organizações brasileiras, que em sua grande maioria ainda operam de forma convencional. A mudança de um sistema organizacional que realiza seus negócios na forma tradicional para um sistema organizacional que trabalha com negócios no modo virtual suscita diversas questões, entre elas: • As expectativas dos clientes ao adquirirem produtos via meios virtuais e não-virtuais são as mesmas ? • Os sistemas de atendimento da demanda e da capacidade de produção inerentes aos negócios realizadas de forma tradicional são adequados à negócios operados de forma virtual ? Essas questões por sua vez induzem uma reflexão sobre a adequação da cadeia de suprimentos praticada pelos negócios tradicionais, aos negócios virtuais, tendo em vista o atendimento das expectativas dos clientes, o que conduziu à realização desta pesquisa procurando investigar a relação de dependência entre a importância atribuida aos fatores qualidade, velocidade, confiabilidade, flexibilidade e custos e a aquisição de produtos através 1 de meios virtuais e não-virtuais e discutir a necessidade de adequação da cadeia de suprimentos. 2 - REFERENCIAL TEÓRICO 2.1 - A Gestão da Cadeia de Suprimentos Em tempos de economia globalizada e competitiva, as empresas devem buscar um contato permanente com seu público, consumidores ou clientes. Com uma demanda insuficiente para manter a economia em funcionamento resultante, entre outras razões, da queda na taxa de natalidade nos países desenvolvidos, considerados grandes consumidores de produtos industrializados, as empresas devem ser criativas para manutenção ou obtenção de novos clientes. Para conquistar mercado nos países considerados desenvolvidos, há a necessidade de desalojar um concorrente. Para tanto é necessário ter produtos altamente competitivos em têrmos de custos ou diferenciação. As vantagens de diferenciação de produtos podem ser conseguidas por meio do aprimoramento de canais de distribuição e do aumento de seu âmbito assim como por meio de uma serviço eficaz de assistência e suporte aos clientes. A vantagem de custo, por sua vez, pode ser conseguido por meio de uma manufatura bem controlada e administrada. Essas vantagens não constituem características independentes e excludentes. Para as empresas serem competitivas, há a necessidade de fazer com que essas características sejam dependentes, interligadas e administradas de forma objetiva, onde fornecedor, cliente e empresas tem que constituir num bloco integrado, na forma de uma cadeia de interesses. O gerenciamento da cadeia de suprimentos se propõe a esta tarefa. A cadeia de suprimentos representa uma rede de organizações, através de ligações nos dois sentidos, dos diferentes processos e atividades que produzem valor na forma de produtos e serviços que são colocados nas mãos do consumidor final. O gerenciamento se fundamenta em quatro características: a cadeia de suprimentos deve ser vista como uma entidade única; o suprimento deve ser entendido como uma atividade a ser compartilhado por praticamente todas as funções na cadeia e tem significado estratégico particular devido ao seu impacto sobre os custos totais e participação de mercado; os estoques devem ser usado como último recurso de balanceamento e por último, a chave do gerenciamento é a integração e não simplesmente interface entre os diferentes elos da cadeia (Christopher, 1992, 14). Para Bowersox (1998) a cadeia de suprimentos 1 é vista como uma estratégia, uma parte maior do negócio. Envolve uma seqüência de canais de distribuição e um conjunto de acordos de compra e venda e uma série de relacionamentos. A logística é, portanto, parte operacional da cadeia de suprimentos, objetiva a integração de transporte, armazenagem, movimentação de material, estoques e as informações necessárias a estas atividades. Figueiredo & Arkader (1998) consideram o gerenciamento da cadeia de suprimentos como uma evolução natural do conceito de logística integrada. Enquanto a logística integrada representa uma integração interna de atividades, o gerenciamento da cadeia de suprimentos representa sua integração externa, pois estende a coordenação de materiais e de informações aos fornecedores e ao cliente final. Para Fleury (1999) com a evolução dos conceitos de marketing, das práticas de segmentação de mercado e do lançamento de novos produtos, juntamente com o surgimento de novos e variados formatos de varejo, os canais de distribuição estão se tornando cada vez mais complexos. Por outro lado, a busca da competitividade, associado a um aumento do número de membros integrantes do canal de distribuição, faz com que haja uma falta de coordenação ou integração de processos de negócios que interligam os diversos participantes do canal de 1 Entende-se como gerenciamento da cadeia de suprimentos. 2 distribuição. Cabe ao gerenciamento da cadeia de suprimentos, a coordenação e a integração de seus vários membros participantes, desde o consumidor final até o fornecedor inicial de matérias-primas. Numa forma linear e simplificada, pode-se estruturar os canais de distribuição pelo número de estágios entre o produtor e o consumidor final. Segundo Kotler (1996), o número de estágios no canal de distribuição define a sua extensão. Assim, têm-se: Um canal de marketing de menor extensão, constituído de dois estágios: um produtor vendendo diretamente para um consumidor, como no caso em que um fabricante de cosméticos emprega funcionários para vender às donas de casa, num sistema de porta a porta. Da mesma maneira, um fabricante de máquinas pesada pode procurar negócios diretamente com as firmas usuárias, conforme a ilustração a seguir. Produtor → Consumidor Um canal de três estágios, que contém um intermediário, como nos mercados de bens de consumo, onde esse intermediário é tipicamente um varejista. Em mercado de bens industriais geralmente este é um agente ou um corretor. Produtor → Varejista → Consumidor Um canal de quatro níveis contém dois intermediários onde nos mercados de bens de consumo são, tipicamente, um atacadista e um varejista. Em mercados de bens industriais estes podem ser um agente e um atacadista. Produtor → Atacadista → Varejista → Consumidor Um canal de cinco níveis contém três intermediários. Neste caso, existe um distribuidor entre o atacadista e os varejistas. O distribuidor compra dos atacadistas e vende para os pequenos varejistas que geralmente não são servidos pelos grandes atacadistas. Produtor → Atacadista → Distribuidor → Varejista → Consumidor Canais de marketing com maior número de estágios também podem ser encontrados, mas com menor freqüência. Observamos nas conceituações de gerenciamento de cadeia de suprimentos uma tendência em dar maior ênfase em logística ou em outros casos em distribuição. Inegavelmente, a importância da logística na nova forma organizacional pode ser verificada pelos últimos dados publicados pelas revistas especializadas como a citada por Bowersox (1998) de que os Estados Unidos está gastando 11% do PIB em logística. Isso representa mais de 10 centavos de cada dólar empregado na economia. Este dado mostra a existência de um grande mercado em infra-estrutura de empresas e profissionais voltados para a logística. No entanto, Slack et. al (1997) na conceituação de gerenciamento da cadeia de suprimentos, tendem, a considerar a manufatura como uma “caixa preta”, colocando maior ênfase ora na logística, ora na distribuição física. Essas diferenças, embora não muitos grandes, estão presentes em função da origem dos grupos que criaram os conceitos. Os profissionais de logística tendem a vir da área de marketing, enquanto que os gerentes de materiais tendem a vir da área de gestão de operações, particularmente de compras. 2.2 – Expectativas do cliente e suas implicações na cadeia de suprimentos 3 Como a gestão da cadeia de suprimentos inclui todos os estágios no fluxo total de materiais e informações, é preciso incluirmos considerações a respeito do cliente. O cliente final é o único que tem a moeda “real” em toda a cadeia de suprimentos. Quando o cliente decide realizar uma compra, ele dispara uma ação ou ações ao longo de toda uma cadeia. Todos os negócios da cadeia de suprimentos transferem, de um para o outro, porções do dinheiro do cliente final, cada um retendo a margem correspondente ao valor por ele agregado. A empresa-chave numa cadeia é aquela mais forte, que está na posição de influenciar e dirigir as demais, de forma que trabalhem juntos na causa comum de obter e reter os clientes finais. Como a manufatura também faz parte dessa cadeia de suprimentos, cabe aqui, algumas considerações sobre o gerenciamento da cadeia de suprimentos na manufatura, tendo em vista as expectativas dos clientes. Para Slack (1993: 16) conhecer os consumidores e os concorrentes é fundamental para uma manufatura bem sucedida. Os consumidores lembram à empresa o que eles desejam e os concorrentes proporcionam a medida contra o qual o desempenho da manufatura será julgada. De forma conjunta, pode-se estabelecer prioridades para o aperfeiçoamento da manufatura que levem em consideração os consumidores e os concorrentes. Para tanto, Slack, distingue cinco objetivos de desempenho da manufatura: qualidade, velocidade, confiabilidade, flexibilidade e custo. Esses objetivos de desempenho têm efeitos internos (na empresa) e externos (consumidor). Internamente devem ser alcançados à medida que contribuem para a redução de custos de manufatura. Externamente devem promover a diferenciação do produto junto ao consumidor. Desta forma significa entender que os clientes diferenciam o produto através de fatores como qualidade, velocidade, confiabilidade, flexibilidade e custo e que por este motivo a manufatura deve comportar-se dessa maneira para atendê-lo. Operações de manufatura de alta qualidade, visa produzir dentro da conformidade, não desperdiça tempo ou esforço de retrabalho. Em outras palavras, a alta qualidade pode significar baixos custos. Deming (1990: 1) ressalta ainda que, “a melhora da qualidade transfere o desperdício de homens-hora e hora-máquina para a fabricação de um bom produto e uma melhor prestação de serviços. O resultado é uma reação em cadeia – custos mais baixos, melhor posição competitiva, pessoas mais felizes no trabalho, emprego e mais emprego”. Uma empresa tem como objetivo de desempenho, desenvolver uma operação de manufatura rápida, porque seus consumidores supostamente valorizam o curto tempo de entrega. Assim, se todas as partes da operação forem rápidas e responderem prontamente nas suas tarefas perante as demais, a capacidade da operação total de responder rapidamente ao consumidor é aumentada. Operações de manufatura rápidas reduzem o nível de estoque em processo, entre as micro-operações, bem como diminuem os custos administrativos indiretos. Ambos efeitos podem reduzir o custo global da operação. Consumidores que prezam o recebimento de seus produtos nas datas estabelecidas, desencadeiam no interior da fábrica operações confiáveis para que estas se realizam exatamente como o planejado. Isso elimina o prejuízo de interrupção e permite que as outras micro-operações trabalhem com coordenação e eficiência. O desenvolvimento de operações flexíveis que se adaptam rapidamente às cirscuntâncias mutantes sem interromper o restante da operação global contribui no oferecimento de produtos diferenciados, que permitem atender o cliente de forma personalizado e, ainda, casos de mudança de programação de entrega solicitada pelo consumidor, permitindo trabalhar com uma ampla variedade de produtos e serviços, caracterizando uma flexibilidade de composto ou mix de produtos. A habilidade que a empresa tem em mudar ou trocar rapidamente suas tarefas, sem desperdiçar tempo e capacidade produtiva, reduz novamente os custos. Para Christopher (1992) à medida que aumenta a demanda por respostas rápidas entre todos os parceiros da cadeia de suprimentos, maior será a pressão sobre os fabricantes para 4 satisfazer as necessidades de variedades requeridas pelos consumidores num espaço de tempo cada vez menor. Para responder a esses desafios, as empresas têm que montar estratégias para as respostas rápidas, como a flexibilidade da produção e as necessidades de diversificação exigidas pelos clientes. A pressão a que se refere Christopher gera uma preocupação adicional com relação a suas conseqüências quando se trata de negócios virtuais. 2.3 – Atendimento às expectativas e a gestão de custos Para Kaplan & Norton (1997), se não existirem dados que respaldem uma medida ou um indicador, o processo gerencial para o alcance do objetivo estratégico provavelmente será inadequado. Schröeder (1981) reforça esta idéia dizendo que “If you can’t measure it, you can’t manage it”. Uma análise feita por Gold, citado por Slack (1993), considera o retorno financeiro como a principal medida de desempenho e o relaciona com todos os ativos que são investidos na operação. Entretanto avanços na teoria de finanças e decisão de investimento têm ressaltado o conceito de adição de valor como uma medida de desempenho relevante, segundo Rappaport (1996). A capacidade de adicionar valor à riqueza do acionista tem se tornado a principal medida de desempenho gerencial nas empresas modernas. Usando a abordagem de retorno sobre o investimento (ROI) temos: o retorno sobre o investimento dado pela razão, lucro/ativo total, é inicialmente desdobrada em “lucro/produção real” e “produção real/ativo total”. A primeira razão, na verdade, representa o lucro médio e pode ser desdobrada em preço médio menos o custo médio. A segunda razão representa a saída produzida pelo investimento colocado na operação, que pode ser decomposta em três outras razões: “produção real/capacidade efetiva”, “capacidade efetiva/capacidade de projeto” e “capacidade de projeto/ativo total”. Representando o retorno sobre o investimento e seus fatores, um a um, temos: Lucro Ativo total = Lucro Produção real x Produção real Ativo total onde a primeira razão é igual a: Lucro Produção real = Receita Produção real - Custo Produção real Lucro Médio = Preço médio - Custo médio a segunda razão é igual a: Produção real Ativo total = Produção real x Capacidade efetiva x Capacidade de projeto Capacidade efetiva Capacidade de projeto Ativo total Utilização de Capacidade efetiva Produtividade da capacidade de projeto Alocação do capital Assim, o retorno sobre o investimento desdobrado passa a ser: Retorno sobre o investimento = lucro Ativo total = Preço Médio - Custo médio x Utilização de capacidade efetiva x Produtividade da capacidade de projeto x Alocação Do capital 5 O custo médio, também pode ser desdobrados ou subdivididos conforme a fórmula: Custo Médio = Custo total Produção real = Custos fixos Produção real + Custos variáveis Produção real = Custos fixos Produção real + Custos variáveis/unidade Observa-se que o custo é somente parte da equação. A influência da manufatura sobre o retorno do investimento não é limitada à redução de custos, por mais importante que esta possa ser. Ela tem uma contribuição mais ampla. Na decomposição pode-se verificar como o ambiente interno, ou a empresa, contribui para o desempenho externo em aspectos como a qualidade, velocidade, confiabilidade, flexibilidade e custos dos produtos. Os objetivos influenciam o ROI de formas diversas, atingindo tanto a variável lucro quanto o ativo total necessário para atingir aqueles objetivos. Ao focar o objetivo confiabilidade, o gestor necessitará examinar se a adição de vendas causada pela reputação de grande confiabilidade da operação compensará a adição de custos assim como os custos relacionados aos estoques adicionais necessários para manter tal grau de confiabilidade. Se o consumidor deseja confiabilidade do prazo de entrega de um produto, a empresa deve se posicionar para responder ao consumidor com a confiabilidade exigida. Cumprir prazos, implica em ter um sistema flexível de produção, que proporcione mudar rapidamente de um tipo de produto para outro. Para mudar rápido de um produto para outro a empresa necessita de um sistema de troca rápida de ferramenta que proporcionará redução dos custos de estocagem, pois não haverá a necessidade de comprar matérias-primas ou fabricar grandes lotes, para obter economia de escala. Portanto o impacto dar-se-á no preço médio do produto devido à menor quantidade de produtos estocados e no custo médio, desde que as compras, agora, em menor quantidade e mais frequente não superem os ganhos da manufatura resultantes das mudanças de produção. Esta abordagem exige que a manufatura seja analisada não mais em termos de operações mas sim em termos de atividades. Da mesma forma, os outros aspectos devem ser analisados pelas atividades efetuadas em toda a extensão da cadeia de suprimentos. Ao focar o objetivo flexibilidade também haverá um reflexo da manutenção de altos níveis de flexibilidade sobre os custos e estoques necessários para tal. Para ser flexível haverá necessidade de mais estoques tanto de produtos acabados quanto intermediários, o que aumentará os custos, tanto financeiros quanto de armazenagem. O objetivo de velocidade também influencia o ROI na medida em que o baixo tempo de entrega implica em aumento de estoques e custos para agilizar a entrega das mercadorias. Pode parecer um tanto paradoxal buscar-se a qualidade, confiabilidade, velocidade a flexibilidade associada à redução de custos. Uma resposta eficiente ao consumidor (ECR – Efficient Consumer Response) procura oferecer aos consumidores produtos ou serviços nessa linha, ou seja, flexibilidade traduzida em uma melhor variedade de produtos na loja, confiabilidade, através do oferecimento de serviços como entregas na data programada, qualidade isto é, garantia do produto adquirido e velocidade como colocar à disposição dos clientes produtos frescos. A colocação de facilidades para o consumidor comprar tem como objetivo conquistar a sua lealdade (Bowersox, 1998). Buscar a lealdade do consumidor somente com redução de preços, ou produtos mais baratos, não constitui a melhor tarefa. O consumidor irá mover-se de loja em loja. É necessário que o consumidor encontre valor nos produtos que ele consome. Certamente ele pagará um preço maior se observar uma diferenciação entre um produto e outro pois, segundo Porter (1996), a vantagem de um 6 produto frente aos seus concorrentes é conseguida através da redução de custos ou pela diferenciação. Da mesma forma que usamos a abordagem do ROI, podemos usar uma medida de adição de valor. O EVA (Economic Value Added), por exemplo, poderia servir de medida de desempenho da administração. O EVA, segundo Grant (1999), pode ser definido como o retorno proporcionado pelas operações da empresa acima do capital investido corrigido pelo custo de capital, expresso pela fórmula: EVA = NOPAT – (CAPITAL * WACC), onde, 1) NOPAT é o Net Operating Profit After Taxes, ou seja o lucro operacional depois dos impostos; 2) Capital é o capital investido, representado pelo Patrimônio liquido + Exigível de Longo Prazo + Capital Circulante Líquido; 3) WACC é o custo médio ponderado de capital. A abordagem do EVA deve ser usado sempre que a alternativa de investimento representar risco diverso das atividades tradicionais da empresa. Assim, caso uma empresa que tradicionalmente vende a varejo queira investir em vendas virtuais, parece ser uma boa recomendação utilizar a abordagem do EVA uma vez que os riscos dos dois negócios são diversos. 2.4 - Negócios Virtuais Segundo Kloter (1999) no mundo, as vendas pela internet, ou varejo virtual, aumenta 12% ao ano enquanto o faturamento no comércio tradicional cresce a uma taxa de 2% ao ano. No mesmo artigo relata, ainda, que nos Estados Unidos os produtos ligados à informática respondem a 40% do que é comprado pela Internet, os livros com 20% e as viagens, com 16%. Esses números indicam o grande potencial que representam as vendas por meios eletrônicos. Os sites na internet das lojas ou do fabricante de eletroeletrônicos pode facilitar a pesquisa e conquistar consumidores para as vendas que serão fechadas dentro da loja - “essa é a melhor compra” - afirma Siqueira (1999). Nos Estados Unidos, existe inclusive um serviço eletrônico que pesquisa as melhores ofertas para compra de um automóvel, sem que o comprador precise sair de casa. Se a venda eletrônica facilita a vida do consumidor, para as indústrias e as lojas que adotarem esse sistema, o efeito também será positivo, ressalta o pesquisador Siqueira (1999, B4): “Dentre os benefícios para a cadeia produtiva, ele aponta a reposição contínua dos estoques, a maior produtividade e qualidade da equipe de vendas, a possibilidade de reduzir as margens de ganho nas mercadorias, a programação da produção e a possibilidade de fazer produtos sob medida”. Segundo Bacoccina (1999) a Nestlé entrou na internet em janeiro de 1997 e em 1998 já recebia 25 mil mensagens eletrônicas, 4% dos 575 mil contatos com consumidores. O Pão de açucar começou a comunicar-se com seus clientes via e-mail em agosto de 1997. Naquele ano, até dezembro, recebeu apenas 74 mensagens. O número foi aumentando mês a mês, até chegar a uma média de 190 ao mês em 1998, o equivalente a 4,7% dos 48 mil contatos feitos pelos consumidores no ano passado. Aumentam também os pagamentos por via eletrônica. Dados obtidos pela Federação Brasileira das Associações de Bancos – Febraban, mostram que o número de pontos de home banking instalados para clientes subiu de 150 mil, há quatro anos, para 2,5 milhões em dezembro de 1998 (OESP, 1999). Segundo Zinn (1999), nos últimos cinco anos, o número de pessoas que acessam a internet cresceu mais de 4.000%. A Amazon.com, a livraria virtual, atingiu recentemente uma capitalização superior a 50 bilhões de dólares no mercado de ações de Nova York. A AOL 7 (America On Line), o maior provedor americano de conexões na internet, conta com 14 milhões de assinantes. Para Bowersox (1998), atualmente, há uma grande ênfase em redescobrir como servir de forma eficiente e efetiva aos consumidores. Entende-se, aqui, consumidor, como a pessoa que compra os seus produtos para usar e não a que compra para revender. Se o consumidor não estiver satisfeito, se ele chegar diante de uma gôndola e não comprar, então todo o processo fracassou. Para as grandes cadeias de lojas como Mappin, Extra Hipermercados, Carrefour, atividades como: emitir pedidos de compras e notas fiscais com maior rapidez, conhecer as variações do mercado, ter cálculos de estoque precisos e confiáveis, são realidades atuais e importantes, para a manutenção e conquista de novos clientes finais. Os conceitos de just-in-time e reposição automática com informações trocadas via EDI (Eletronic Data Interchange) , ou pedidos de compras de consumidores via correio eletrônico, terá como conseqüência empresas mais ágeis. Por este conceito, é o fornecedor que passa a monitorar o abastecimento no varejo a partir de padrões pré-definidos com o varejista e com base nas vendas efetivas. 2.5 - Cadeia de Suprimentos em Negócios Virtuais Com o desenvolvimento do comércio virtual, a internet representa um novo canal de distribuição que demandará serviços de apoio nas áreas de transportes, armazenagem e informática e conseqüentemente a geração de novas oportunidades de negócios. As formas de distribuição tradicional praticadas por industriais, atacadistas ou varejistas terão que se reorganizar para se adequar aos negócios virtuais. Novas formas de vendas ou novos canais de distribuição já são motivos de preocupação das indústrias brasileiras. As industrias na busca de canais alternativos de vendas diretamente ao consumidor encontram dois principais obstáculos: o risco de crédito de vender diretamente para o consumidor e o custo para distribuir esses produtos. Diante disso, as indústrias avaliam soluções que contornem esses obstáculos, como conquistar clientes corporativos, isto é, clientes que trabalham em grandes empresas e no caso da distribuição selecionar os produtos factíveis de serem vendidos diretamente ao consumidor que segundo a Electrolux, a logística é fundamental na venda direta (Madureira, 1999). A medida que o comércio virtual for evoluindo e soluções forem surgindo para os problemas de riscos de créditos e distribuição, a estrutura do canal de distribuição, também irá se modificar gradativamente. Evidentemente que isso é uma conseqüência do mercado: o canal ineficiente é eliminado pelo mais eficiente. A nova modalidade de comércio, o virtual, nada mais é do que uma tentativa de se aplicar o marketing direto ao consumidor que, segundo Kotler (1996), é o canal de marketing de menor extensão, porque é constituído de apenas dois estágios: produtor e consumidor. Exemplo desse tipo de negócio mais conhecido é o da Dell Computer, cujo feito mais importante segundo Wysocki (1999), foi ter deixado de lado os canais de distribuição tradicionais e vendendo diretamente ao consumidor. Outros aspectos importantes da Dell, assim como da Amazon.com Inc. e da Cisco System Inc., foram, serem pioneiras no uso de redes digitais, quase de ponta a ponta, para comunicar-se com seus clientes, anotar pedidos e solicitar peças dos fornecedores para montar seus produtos. Todos acreditam que os feitos de Dell na indústria da informática serão repetidos com automóveis, produtos químicos, bancos e em muitos outros setores 8 A cadeia de suprimentos para negócios virtuais, pode ser representada conforme a figura 1. FORNECEDOR Envio de matéria prima FABRICANTE Envio de produto comprado Pedido – via EDI (Produtor) Pedido de compra via internet CONSUMIDOR Figura 1: Cadeia de suprimentos para negócios virtuais Para Wysocki (1999), o Brasil, bem como outros países da América latina, Europa e Ásia, esta nova estrutura de distribuição ainda estão numa fase embrionária. Os Estados Unidos estão apenas na infância desse processo. Ainda, segundo Wysocki (1999), para alguns, a internet aponta para a aurora de uma nova economia, mas outros assustam-se com a idéia de que ela traz o fim do estoque, dos ciclos de negócios e da redução da inflação. Para Romer (1999) o que está surgindo na realidade “não é necessariamente uma nova economia, mas sim um novo entendimento do significado da tecnologia na economia”. 3 - METODOLOGIA Perante os aspectos apresentados acima, consideramos como relevante buscar correlações entre os fatores que envolvem os negócios convencionais e os virtuais. Para isto fixamos como questão fundamental para esta pesquisa responder a seguinte pergunta: Há diferenças entre as prioridades atribuídas pelos consumidores aos aspectos confiabilidade, qualidade, velocidade, custos e flexibilidade frente a intenção de compras por meios tradicionais característicos dos negócios convencionais e as prioridades atribuídas aos mesmos aspectos frente à intenção de compras por meios virtuais ? Se existe diferença, qual é a proposta para a adequação da cadeia de suprimentos que operam num modo convencional e agora tem que operar num modo virtual ? Para verificarmos a ordem de importância dos aspectos: Confiabilidade, Custo, Flexibilidade, Qualidade e Velocidade para a compra de produtos pela internet, promovemos, em maio de 1999, uma pesquisa com os alunos e funcionários do curso de administração de empresas no câmpus da Universidade Mackenzie. A coleta de dados foi realizada por meio da aplicação de 200 questionários. A Universidade Mackenzie foi escolhida para a pesquisa, por se tratar de um centro educacional que concentra um grande número de pessoas usuários de compras virtuais. Os dados descritivos e análise da pesquisa são apresentados a seguir: A amostra, constituída de 200 indivíduos, 50% foram constituídos pelo sexo masculino e outros 50% pelo sexo feminino. O grau de escolaridade dos respondentes, 5% correspondiam ao segundo grau incompleto e completo, 16% ao terceiro grau incompleto, 18% ao terceiro grau completo e 61% a alunos de pós-graduação. Para verificarmos se há diferenças entre as compras tradicionais e virtuais, foram realizados testes estatísticos não-paramétricos do Qui-quadrado (χ2). 4. ANÁLISE DOS DADOS 9 A tabela a seguir apresenta os resultados em freqüência relativa obtidos numa amostra de 200 indivíduos para a ordem de importância de cada fator (confiabilidade, custo, flexibilidade, qualidade e velocidade) em compras através de meios tradicionais e através de meio virtual. Tabela 1: resultado em freqüência relativa Ordem de importância 1 2 3 4 5 Confiabilidade Virtual Tradicional 46,0% 17,0% 14,5% 15,0% 7,5% 12,5% 19,0% 28,5% 26,5% 13,5% Custo Virtual Tradicional 7,5% 20,5% 31,5% 21,0% 19,5% 27,5% 28,5% 22,5% 13,0% 8,5% Flexibilidade Virtual Tradicional 10,0% 14,5% 16,0% 29,5% 30,0% 6,5% 15,0% 23,5% 29,5% 25,5% Qualidade Virtual Tradicional 25,0% 34,5% 22,0% 10,0% 8,5% Velocidade Virtual Tradicional 47,5% 29,5% 11,5% 8,5% 3,0% 11,5% 13,5% 16,0% 24,5% 34,5% 6,0% 8,0% 14,0% 22,5% 49,5% Ordenando por ordem de importância, têm-se os seguintes resultados, também em freqüência relativa, que relacionam o modo de compra (virtual ou tradicional) e os fatores da manufatura. Tabela 2: resultado, ordenado, em freqüência relativa Primeiro fator de desempenho Virtual 7,5% Flexibilidade 10,0% Qualidade 25,0% Velocidade 11,5% 12,5% 27,5% 6,5% 47,5% 6,0% Segundo fator de desempenho Virtual Tradicional Confiabilidade 17,0% 19,0% Custo 20,5% 28,5% Flexibilidade 14,5% 15,0% Qualidade 34,5% 29,5% Velocidade 13,5% 8,0% Terceiro fator de desempenho Virtual Tradicional Confiabilidade 14,5% 28,5% Custo 31,5% 22,5% Flexibilidade 16,0% 23,5% Qualidade 22,0% 11,5% Velocidade 16,0% 14,0% Quarto fator de desempenho Virtual Tradicional Confiabilidade 15,0% 26,5% Custo 21,0% 13,0% Flexibilidade 29,5% 29,5% Qualidade 10,0% 8,5% Velocidade 24,5% 22,5% Quinto fator de desempenho Virtual Tradicional Confiabilidade 7,5% 13,5% Custo 19,5% 8,5% Flexibilidade 30,0% 25,5% Qualidade 8,5% 3,0% Velocidade 34,5% 49,5% Tradicional Confiabilidade 46,0% Custo Utilizando dados de freqüência dos resultados, foi realizado o teste não-paramétrico do Quiquadrado para avaliação de associação ou dependência entre duas variáveis. No primeiro conjunto de testes, verificou-se a associação entre o meio de compra (virtual ou tradicional) e a hierarquização dos fatores. Desta forma, as hipóteses consideradas foram: H0: a forma com que se estabelece importância do fator independe da compra ser realizada de modo virtual ou tradicional. H1: a forma com que se estabelece importância do fator depende da compra ser realizada de modo virtual ou tradicional. 10 A tabela a seguir, resume os resultados do teste não-paramétrico do Qui-quadrado. Tabela 3: resultado do teste não-paramétrico do Qui-quadrado Prioridade Homogeneidade da ordem dos fatores Primeiro Segundo Terceiro κ 2observado 80,13 0,5348 Coeficiência de contingência 6,45 0,1767 21,81 0,3136 Quarto Quinta 10,55 0,2239 23,42 0,3238 χ crítico - 10% de confiança: 7,78 e 5% de confiança: 9,49 2 A partir dos resultados acima, pode-se afirmar que para todas as ordens de importância, exceto para o segundo fator mais relevante, rejeita-se a hipótese nula, a níveis de 10% e 5%, indicando que há uma dependência da ordem de valorização dos fatores de compra em função da forma com que a transação é realizada. O coeficiente de contingência é semelhante ao coeficiente de correlação e possibilita avaliar uma associação. Quanto mais próximo da unidade, mais associadas estão as variáveis em estudo. O segundo conjunto de testes buscam identificar uma dependência entre a avaliação da importância de cada fator e o modo com que a compra é realizada. Assim, cada fator tem uma distribuição de freqüências em relação às prioridades. As hipóteses analisadas foram: H0: a hierarquização dos fatores independe de a compra ser realizada de modo virtual ou tradicional H1: a hierarquização dos fatores depende de a compra ser realizada de modo virtual ou tradicional Novamente, realizando um teste não-paramétrico do Qui-quadrado, obtém-se os resultados abaixo. Tabela 4: resultado de teste não-paramétrico do Qui-quadrado Fator κ observado Coeficiência de contingência 2 Homogeneidade de cada fator Confiabilidade Custo Flexibilidade 57,51 0,4726 40,88 0,4119 5,08 0,1574 Qualidade 26,83 0,3439 Velocidade 142,41 0,6449 Pela tabela anterior, pode-se afirmar que para a distribuição do nível de importância de cada fator, com exceção de flexibilidade, está relacionada com a forma de compra, a níveis de confiança de 5% e 10%. 5. RESULTADOS Estes resultados sugerem que os consumidores dão importância diferente aos fatores de manufatura quando realizam compras através de meios tradicionais ou através de canais virtuais. Assim, diferentes estratégias mercadológicas, que podem impactar diretamente na estrutura operacional ou de produção da empresa, devem ser implementadas quando se trabalha com canais de distribuição virtuais. 6 - CONCLUSÕES 11 Pelos resultados obtidos, fabricantes e distribuidores, devem estar atentos ao gerenciamento da cadeia de suprimentos, uma vez que ocorrem mudanças de comportamento do consumidor quando se opera um negócio virtual. Em se tratando de Brasil, sabemos que há problemas de infra-estrutura. No entanto pode-se resolver ou pelo menos minimizar alguns problemas de infra-estrutura. Assim, facilita-se a logística da distribuição, com malhas de transportes alternativos para reduzir os tempos perdidos em congestionamentos, disponibilidades de redes de telecomunicações e segurança para que as entregas possam ser realizadas em horários alternativos, de pouco movimento, evitando assim os roubos ou encarecimento com seguros ou aparatos de defesa. Acredita-se, que as organizações que trabalham na forma tradicional, com pequenas transformações, decorrentes da própria evolução tecnológica, podem adequar-se sem grandes traumas, desde que se tenha um mínimo de planejamento, ao modelo das organizações que trabalham na forma virtual. Trata-se de uma evolução natural, como foi a passagem do sistema vertical para o sistema da terceirização, do sistema centralizado para o descentralizado, do sistema fordista para o sistema just-in-time e, agora, a mudança de um sistema just-in-time convencional para um sistema just-in-time virtual ou sistema digital. Segundo Bowersox (1998), o que se exige, hoje, do gerenciamento de uma cadeia de suprimentos é criar as melhores práticas da era da informação. Isto significa começar a desenvolver soluções para colocar produtos e serviços ao alcance do consumidor de forma mais eficiente do que a tradicional. A tendência é haver distribuidores vendendo eletrodomésticos sem tê-los em estoque, e o mundo dos negócios será muito diferente do que é hoje. As empresas tradicionais estão começando a se defender da concorrência baseada na internet. Freqüentemente elas têm uma estratégia ou orçamento para uma infra-estrutura digital que deve conectar eletronicamente a empresa com fornecedores e clientes. As empresas devem estar preparadas para seguir o exemplo da Dell Computer, que, aliás, a Dell já propõe a venda completa de veículo pela internet, substituindo lojas e vendedores. Da mesma maneira opera a Amazon.com em relação às livrarias. A entrada de empresas fabricantes de produtos como a Dell, Sony e Sears, mostra a preocupação dos industriais em promover a distribuição diretamente ao consumidor, numa tentativa de recuperar a sua força no elo da cadeia de suprimentos, atualmente, ocupado pelos grandes supermercados. A mudança para este novo arranjo nos canais de distribuição, mostra a importância da logística neste novo cenário econômico. Um estudo publicado pela Gazeta Mercantil em 16/02/98, p. C-1, cita que a integração entre os elos da cadeia produtiva - fornecedores, indústrias, varejo e distribuidores – está apenas começando no Brasil. A ausência dessa integração encarece os produtos no Brasil. Nos Estados Unidos, o gerenciamento da cadeia de suprimentos, já reduziu os custos em 10,8%. As empresas multinacionais instaladas no Brasil são as que mais rapidamente se adequam ao novos conceitos, porque absorvem a experiência da matriz. O mesmo estudo mostra, ainda que, nas empresas brasileiras, uma das maiores dificuldades para a implantação do gerenciamento da cadeia de suprimentos é estabelecer uma relação de confiança entre os parceiros. O comércio varejista, principalmente, mantém sigilo a respeito de seu nível de estoques como forma de barganhar melhores preços. A segunda dificuldade é o nível de automação, que permite a troca de dados, que segundo ele, “a demanda por sistemas integradas tem crescido” (Almeida, 1998). As compras pela internet assustam o consumidor, “o brasileiro está acostumado a examinar a mercadoria na loja e tem medo de receber um produto diferente do que viu” (Chiara, 1999). Mesmo com um gerenciamento da cadeia de suprimentos ainda incipiente e o descrédito de consumidores, várias empresas brasileiras acreditam no negócio virtual. Exemplo disso são os inúmeros sites na internet desde de 12 empresas do porte de uma IBM a pequenas lojas varejistas como floriculturas, imóveis, turismo, farmácias, cursos, congelados, etc. E as formas de estruturar as vendas pela internet continuam a evoluir. Assim para aquelas empresas que está esperando para ver o que acontece, as idéias apresentada por Wysocki (1999) parece ser razoável para ser apresentada como propostas para que a médio e longo prazo possa ser lhe útil, que são: a) Aprimorar o fluxo de informação de sua empresa, com a finalidade de transformá-la em empresas, de preferência, potências digitais. b) Expandir as operações externas com fornecedores e consumidores. A troca de informações será inevitável. Conhecer o seu estoque será parte de sua estratégia. c) Utilizar a internet como uma ferramenta poderosa para aprender mais sobre os seus clientes ou consumidores. Para uma empresa automobilística, grande parte das informações fica com a concessionária. Um site na internet permite que se verifique como seus consumidores encaram as diversas qualidades de um produto. É possível também ver quando uma pessoa compra ou simplesmente navega pelo site e sai. d) Coletar informações sobre seus clientes. À medida que as empresas coletam informações sobre seus clientes, é possível observar o surgimento de padrões. O sucesso empresarial somente será garantido se houver essas trocas de conhecimentos da empresas que compõem a cadeia de suprimentos. Poucos consideram que a internet seja uma moda ou um evento passageiro. Fatos como as milionárias aquisições das televisões a cabo, telefonia e operadoras de satélites tornaram-se um importante campo de batalha para as empresas que querem fornecer tecnologias para uma série de novos serviços via cabo, como chamadas telefônicas, televisão interativa e acesso à internet de alta velocidade. Não dá para imaginar qual o impacto a longo prazo nos negócios ou nas nossas vidas. No entanto, uma coisa têm-se certeza. A internet veio para ficar. Empresas da Grã-Bretanha já estão equipadas para oferecer, acesso à internet em alta velocidade e comércio eletrônico. A última notícia é que a telefonia já põe a internet na palma da mão, isto é, agora é possível enviar e-mails e acessar a rede por meio de telefones celulares e até pagers, de modo a permitir que os usuários possam receber recados e informações diretamente da internet sem a necessidade de um micro computador. Quando a população brasileira perceber que comprar pela internet é um ato seguro e confiável, certamente haverá a solidificação deste novo canal de distribuição. A utilização da internet pela televisão a cabo, isto é, sem a necessidade de um computador, já é uma tecnologia disponível para os consumidores, o que popularizará e ampliará ainda mais os canais disponíveis para as transações virtuais. Por outro lado, a oportunidade de abrir uma empresa para oferecer produtos ou serviços de apoio a outras empresas na internet é uma oportunidade presente, haja vista, ser relativamente simples para um indivíduo abrir uma empresa na internet. A internet promete ter um impacto particularmente significativo no futuro do varejo, das cadeias de suprimentos e nas nossas carreiras profissionais. 13 8 – BIBLIOGRAFIA ALMEIDA, Juliana. A cadeia produtiva está incompleta. Gazeta Mercantil, 16/02/98, p. C-1. BACOCCINA, Denize. Cresce o atendimento ao cliente via internet. O Estado de São Paulo, São Paulo, 01/03/99. Caderno de economia, seção: consumo, p. B6. BOWERSOX, Donald. O renascimento da logística. Revista Tecnologística, São Paulo, no. 37, ano IV, p. 6 a 12, dez/98. CHIARA, Márcia de. Compras à distância assusta consumidor. O Estado de São Paulo, São Paulo, 25/04/99. Caderno de economia, seção: consumo, p. B4. CHRISTOPHER, Martin. Logística e Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos. São Paulo: Editora Pioneira, 1992. DEMING, W. Edward. Qualidade: a revolução da administração. Rio de Janeiro: Editora Marques Saraiva, 1990. FIGUEIREDO, Kleber, ARKADER, Rebecca. Da distribuição física ao supply chain management: O pensamento, o ensino e as necessidades de capacitação em logística. Revista Tecnologística, São Paulo, no. 33, ano IV, p.16 a 21, ago/98. FLEURY, Paulo Fernando. Supply chain management: Conceitos, oportunidades e desafios da implementação. Revista Tecnologística, São Paulo, no. 39, ano IV, p. 24 a 32, fev/99. GOLD, Bela. Foundation of Strategic Planning for productivity improvement. Interfaces 15:3, may-june 85, p. 15 a 30. GRANT, James L. Foundations of Economic Value Added. United States of America. Frank J, Fabozzi Associates s.d. home page: http://www.sternstewart.com.diversos. 1999. KAPLAN, Robert S, NORTON, David P. A estratégia em ação, balanced scorecard. Rio de Janeiro: Editora Campus, 1997. KOTLER, Philip. Marketing, edição compacta. São Paulo: Editora Atlas, 1996. KLOTER, Philip apud CHIARA, Márcia, DANTAS, Vera. Venda pela internet aumenta 12% ao ano. O Estado de Sâo Paulo, São Paulo, 25/04/99. Economia, seção: consumo, p. B4. MADUREIRA, Gilmar apud apud CHIARA, Márcia, DANTAS, Vera. Empresas estudam novas formas de vendas. O Estado de São Paulo, São Paulo, 25/04/99. Economia, seção: consumo, p. B3. OESP. Aumentam os pagamentos por via eletrônica. O Estado de São Paulo, São Paulo, 03/05/99. Caderno de economia. PORTER, Michael E. Vantagem Competitiva: Criando e sustentando um desempenho superior. Rio de janeiro: Editora Campus, 1996 RAPPAPORT, Alfred. Creating Shareholder Value: a guide for managers and investors, New York, Free Press, 1998. ROMER, Paul apud WYSOCKI Jr, Bernard. Dell é o novo verbo para o sucesso. The Wall Street Journal Americas apud O Estado de São Paulo, 12/05/99. Economia, p. B13. SCHRÖEDER, Roger. Operations management: decision making in the operations function. USA: Ed. McGrawHill, 1981, pág. 489 a 511. SIQUEIRA, João Paulo Lara apud CHIARA, Márcia, DANTAS, Vera. Venda pela internet aumenta 12% ao ano. O Estado de São Paulo, São Paulo, 25/04/99. Caderno de economia, seção: consumo, p. B4. SLACK, Nigel. Vantagem competitiva em manufatura: atingindo competitividade nas operações industriais. São Paulo: Editora Atlas, 1993. SLACK et. al. Administração da produção. São Paulo: Editora Atlas, 1997. ZINN, Walter. A internet e o futuro da logística de varejo. Revista Tecnologística, São Paulo, no. 39, ano IV, p. 12 a 14, fev/99. WYSOCKI Jr, Bernard. Dell é o novo verbo para o sucesso. The Wall Street Journal Americas apud O Estado de São Paulo, 12/05/99. Caderno de economia, p. B13. 14