ID:1894
AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DOS PROFESSORES DE MEDICINA DA
UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA (UNISUL), SANTA CATARINA, BRASIL
Mattei Fontana, Anderson; Regina Kretzer, Marcia; Ghizoni Schneider, Dulcinéia. Brasil
RESUMO
Introdução. As condições de trabalho interferem na saúde e na qualidade de vida das pessoas. As
especificações da profissão de docência repercutemna saúde física e psíquica do professor. Objetivo.
Avaliar a qualidade de vida dos docentes do curso de Medicina da Unisul, no campus Pedra Branca.
Método. Estudo transversal realizado em 131 docentes do curso de Medicina da Universidade do Sul
de Santa Catarina, Palhoça, SC. Aplicado o instrumento Whoqol-bref para avaliar a qualidade de vida e
questionário complementar para caracterização da população. Resultados analisados no SPSS 18.0,
descritos sob a forma de frequênciase medidas de tendência central.As médias dos escores foram
comparadas por meio do Teste ANOVA, comp< 0,05. Aprovado no CEP UNISUL. Resultados.
70,23%do sexo masculino, idade média de 48 anos, 88,55%vivem com companheiro(a). Predominaram
professores com carga horária de docência semanal inferior a 20 horas (74,81%),titulação de mestrado
(35,12%) e que trabalham em outra instituição (74,81%). Melhores médias da qualidade de vida nos
domínios relações sociais (76,01) e meio ambiente (72,66), com pior média no domínio físico (60,22).
Significância estatística com sexo masculino no domínio psicológico; viver com companheiro nos
domínios físico e relações sociais; tempo de lazer no domínio meio ambiente; renda familiar em todos
os domínios; e titulação de Doutorado/Pós doutoradono domínio meio ambiente. Conclusão. Os
professores avaliam positivamente a sua qualidade de vida, com destaque para os de maior renda, que
vivem com companheiro(a) e de maior grau de titulação.
Palavras-chave: Qualidade de Vida. Docente de Medicina
INTRODUÇÃO
Diferentes conceituações de qualidade de vida têm sido utilizadas, com variação de definições gerais às
mais específicas. O termo qualidade de vida se refere à percepção sobre as condições de vida de um
indivíduo, e inclui fatores relacionados à saúde, como os físicos, funcionais, emocionais e bem-estar
mental e, também, os relacionados ao trabalho, família, amigos e outros aspectos da vida1. A qualidade
de vida relacionada à saúde envolve vários domínios do cotidiano do indivíduo, sendo os mais
comumente estudados o psicológico, o social e o físico2-7.
Na área da saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) define amplamente a qualidade de vida
como a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos
quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações2. É uma expressão
complexa, com característica multidimensional, individual, subjetiva, multidisciplinar, intersetorial, de
conceito abrangente e marcante, que varia em relação a grupos ou sujeitos, a qual pode representar
felicidade, saúde, harmonia, prazer, moradia, família, amigos e trabalho6.
De acordo com Flecket al8, diversos fatores interferem na qualidade de vida, tais como o estado
funcional, o bem-estar, a condição geral de saúde dos sujeitos e também os relacionados ao trabalho. A
forma de arranjo do trabalho em si, tem influência na configuração das organizações sobre o
desempenho do indivíduo, podendo o choque entre a estrutura organizacional e a psicofísica do
trabalhador levar à diminuição da qualidade de vida. Destaca-se que a psicofísica estuda a associação
entre os estímulos físicos e as sensações subjetivas ou experiências sensoriais e estabelece relações
quantitativas entre eles9.
As condições de trabalho e o clima organizacional são resultantes da interação das múltiplas dimensões
que caracterizam as pessoas, os grupos e as organizações9. Neste sentido, as condições de trabalho
interferem na saúde e na qualidade de vida das pessoas10.
Entre as várias atividades ocupacionais existentes, a docência se caracteriza pela necessidade de
domínio de uma série de conteúdos cognitivos, efetivos e instrumentais. As longas jornadas de trabalho
que requerem intenso e complexo componente cognitivo, com uso de códigos múltiplos e
diversificação de atividades, necessitando de rápidas tomadas de decisões, podem interferir na
qualidade de vida dos professores10,11. Entre os aspectos psicossociais, que influenciam na qualidade de
vida do professor, destaca-se o volume de trabalho como o que mais causa insatisfação entre os
docentes12.
As especificidades de cada instituição de ensino, os diversos contextos sociais nos quais os alunos estão
inseridos, as necessidades distintas dos alunos exigem dos professores capacidades para ir além da
abordagem pedagógica, já que a educação também demanda o desenvolvimento psicossocial do
estudante13.
Tais especificidades da profissão de docência repercutem na saúde do professor e podem desencadear
um processo de estresse, além de outros problemas como a síndrome de Burnout, que se caracteriza por
um quadro de desgaste físico e mental que gera adoecimento no profissional13-15.
Os principais fatores de risco para a qualidade de vida dos docentes são a alta exigência à
produtividade científica como elaboração de artigos, participação em congressos, grupos de pesquisa
entre outros; falta de uniformidade no modelo de currículos; necessidade de trabalhar à noite, domingos
e feriados; reuniões longas demais; alunos mal preparados; falta de equipamentos para as aulas
(projetor, computadores); salários baixos e tipo de regime de trabalho12-15. Outras situações como os
conflitos nas interações aluno-professor, por exemplo, displicência da parte do aluno, atitude anti-ética
junto ao professor, ocasionam estresse, ansiedade e perda de sono10,16.
Em outra vertente, o processo ensino-aprendizagem promove a qualidade de vida quando a interação
professor-aluno causa felicidade, definida pelos docentes como uma relação prazerosa e harmoniosa17.
Tal processo sempre é positivo quando existe sintonia de trabalho entre professores e alunos, de modo
que suas atividades acabem estimulando uma troca enriquecedora de conhecimentos. Isso ocasiona
uma produção de conhecimento sistematizado, tanto para o docente quanto para o aluno11.
No caso específico dos professores da área da saúde, principalmente de Medicina e de Enfermagem, a
atividade de docência é duplamente sujeita a situações de desgaste. Primeiro, pelas peculiaridades do
processo ensino-aprendizagem que envolve atividades práticas de saúde junto à população; segundo,
porque neste processo professores desenvolvem o papel de cuidador enquanto ensinam: cuidam do
aluno e cuidam da população que participa do processo de ensinar-aprender17. Outro aspecto a ser
considerado é que grande parte dos professores do curso de Medicina, associam a docência com outros
vínculos de trabalho em hospitais, clínicas, plantões de final de semana, o que gera sobrecarga de
atividades e extensas jornadas de trabalho17,18.
O estilo de vida é um indicador de boa ou má qualidade de vida e também está relacionado à
manutenção da saúde. Entre os docentes, os aspectos relacionados aos componentes da atividade física
e comportamento de promoção da saúde e prevenção de doenças, em muitas situações, estão
comprometidos em razão da excessiva carga horária de trabalho18.
A falta de tempo no cotidiano da vida docente é apontada como um fator estressante a ponto de
interferir na qualidade de vida como um todo, seja por dificuldades pessoais de administrar “esse
tempo”, seja pelo volume e complexidade das exigências acadêmicas inerentes ao processo do trabalho
docente, que extrapolam em mais de 100% a carga horária alocada no contrato10,16,17.
O lazer e as demais atividades sociais de modo geral parecem ser prejudicadas, principalmente as
relacionadas à atividade física. A maioria dos professores relata que não conseguem “desligar” nem nas
férias, referindo-se à necessidade relaxar e se desconectar da profissão, o que traz grande prejuízo para
a saúde destes profissionais10,15,19,20.
Em muitas situações, o baixo salário e a insegurança de manutenção do emprego, têm obrigado alguns
docentes a buscar outras fontes de renda, o que acaba por aumentar o estresse. Este contexto afeta as
relações sociais, familiares e afetivas, conforme identificado em alguns estudos,11,20,21.
Outro aspecto importante a ser considerado é a estrutura física de trabalho dos docentes, em geral,
caracterizada pela falta de ventilação, níveis elevados de ruído e baixa iluminação. Tal situação
contribui para um valor negativo nos aspectos biopsicossociais da profissão é investigada na apreciação
do domínio “ambiente” ao se avaliar a qualidade de vida8,15.
Um importante indicador da qualidade de vida é o absenteísmo dos docentes. Os diagnósticos mais
frequentes das licenças médicas são os de doenças musculoesqueléticas, distúrbios vocais e depressão.
Sintomas como dor, incapacidade funcional e fadiga podem estar relacionados com disfunções do
sistema musculoesquelético14,22,23. Já a disfonia apresenta-se como a principal queixa envolvendo a voz
dos docentes4,24,25.
Estudos demonstraram que as queixas relacionadas à voz, entre os docentes, são frequentes e que
podem ser explicadas pela influência de fatores ambientais, de organização do trabalho ou mesmo
próprios do indivíduo26,27.
Todavia, a sociedade científica ainda carece de estudos que avaliem as repercussões do trabalho
docente na saúde física e psíquica destes profissionais, especialmente no Brasil onde os estudos são
escassos, o que evidencia a necessidade de realizar mais pesquisas nessa área. As constatações deste
estudo poderão contribuir para a reflexão dos professores sobre a sua qualidade de vida, visando
recomendações e estratégias para a melhoria ou manutenção de uma boa qualidade de vida. Também
servirá de comparação para outros estudos com metodologias semelhantes.
É nesse contexto que se insere o presente estudo, que tem como questão de pesquisa: como os docentes
do curso de Medicina da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), no campus Pedra Branca
avaliam a sua qualidade de vida?
OBJETIVO GERAL
Avaliar a qualidade de vida dos docentes do curso de Medicina da Unisul, no campus Pedra Branca.
OBJETIVOS ESPECÍFICOS
•
•
•
Identificar o perfil sócio-demográfico, hábitos de vida e características relacionadas ao trabalho
docente.
Descrever aspectos da qualidade de vida nos quatro domínios: físico, psicológico, relações sociais e
meio ambiente.
Testar associação entre os domínios da qualidade de vida e perfil sócio-demográfico, hábitos de
vida e características relacionadas ao trabalho docente.
MATERIAIS E MÉTODOS
Estudo epidemiológicode delineamento transversal, realizado em 131 docentes do curso de Medicina
da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), Campus Universitário Pedra Branca, Palhoça,
Santa Catarina, Brasil, no período de novembro de 2013 a junho de 2014.
Foram incluídos os professores vinculados ao curso de Medicina da Unisul campus Pedra Branca, e
excluídos os que estavam de licenças, atestados médicos no período da coleta de dados, e os que não
encontrados após terceira tentativa de localização.
Foram estudadas variáveis sócio demográficas (sexo, idade, filhos, estado civil, renda familiar), hábitos
de vida (tempo de lazer, atividade física, fumo, horas de sono diárias), características relacionadas ao
trabalho (trabalho em outra instituição, carga horária semanal, maior titulação, horas semanais
destinadas à docência, tempo de docência), e qualidade de vida.
Após a aprovação do estudo pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Unisul, foram aplicados os
questionários. Os dados relacionados à qualidade de vida foram levantados através da aplicação do
questionário Whoqol-bref,traduzido e validado no Brasil por Flecket al8, em seus quatro domínios:
físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente.Foiaplicado um questionário complementar,
desenvolvido pelos pesquisadores destinado a conhecer os fatores sócio-demográficos, hábitos de vida
e os aspectos relacionados à profissão.
Os escores forampontuados utilizando o programa estatístico SPSS (StatisticalPackage for the Social
Sciences). A sintaxe SPSS-Whoqol-bref8utilizada para a realização dos cálculo.
Os resultados foram digitados utilizando o programa Excel e analisados por meio do programa
estatístico SPSS 18.0, onde foram descritos sob a forma de frequência absoluta e relativa. Os domínios
da qualidade de vida foram descritos através das medidas de tendência central. Foi testada a diferença
de média das pontuações dos domínios segundo as variáveis independentes. Foram utilizados o teste T
de StudenteANOVA, conforme a variável independente e normalidade dos dados. O nível de
significância estabelecido foi de valor de p< 0,05.
A pesquisa teve início somente após a aprovação pelo CEP da Unisul, cujo número de aprovação é
087850/2013.
RESULTADOS
Participaram do estudo, 131 professores do curso de Medicina da Unisul Pedra Branca, com taxa de
resposta de 87,9%. Dos docentes pesquisados, 84% tinham formação em Medicina e os demais nas
áreas de Enfermagem,Farmácia, Biologia, Medicina Veterinária, Odontologia e Filosofia. Dos
professores pesquisados,
O sexo masculino representou 70,23%, e a idade dos participantes variou de 28 a 71 anos, sendo a
média de 48 anos (±10,63).Em relação ao perfil sócio demográfico, a média do número de filhos foi
1,75 (±0,97) e a maioria relatou ter dois filhos (50,38%). Apenas 11,45% dos professores afirmaram
não ter filhos.
Quanto às características relacionadas ao trabalho, predominaram os professores que atuavam em outra
instituição além da Unisul (74,81%), que lecionam menos de 20 horas semanais (86,26%), com grau de
titulação de Mestrado (35,12%) e com tempo de docência até 10 anos (71,75%).
A média de horas semanais dedicadas à docência extra-classe foi de 7,15 horas (± 8,08). Destaca-se
que a maioria dos professores dedicam menos de 7 horas semanais extra-classe (71,75%).
A descrição dos aspectos da qualidade de vida nos quatro domínios está apresentada na Tabela 1.
Tabela 1: Descrição dos domínios da qualidade de vida.
Variável
Média (%)DP
Domínio físico
Domínio psicológico
Relações Sociais
Meio ambiente
Fonte : Elaboração do autor, 2014.
60,22
67,43
76,01
72,66
(8,87)
(7,66)
(12,70)
(10,34)
Verifica-se que o domínio relações sociais apresentou a melhor média (76,01) e o domínio físico
apresentou a pior média (60,22).
A respeito de como o participante avalia a sua qualidade de vida, a maioria avaliou como “boa”
(71,75%), seguidos de “muito boa” (13,75%), “nem ruim, nem boa”(10,68 %), e “ruim” (3,82 %).
Nenhum dos entrevistados disse ser “muito ruim”.
Quanto à satisfação com a própria saúde, a maioriarespondeu“satisfeito” (70,99%), seguidos de“muito
satisfeito”(17,55%), “nem satisfeito, nem insatisfeito” (7,64%) e “insatisfeito”(3,82%). Não houve
respostas em “muito insatisfeito”.
A associação entre os domínios da qualidade de vida e perfil sócio demográfico e hábitos de vida está
apresentada na Tabela 2.
Tabela 2 : Associação entre os domínios da qualidade de vida e perfil sócio-demográfico e hábitos
de vida.
Variável
Sexo
Masculino
Feminino
Estado Civil
Com companheiro
Sem companheiro
Renda Familiar
Até 5.000,00
5.001,00 à 10.000,00 reais
Acima de 10.000,00 reais
Tempo de Lazer
Suficiente
Insuficiente
Atividade Física
<150 min/ semana
≥ 150 min/semana
Fumo
Sim
Não
Ex fumante
Horas sono diárias
< 6 horas
6 a 8 horas
> 8 horas
Fonte : Elaboração do autor, 2014.
Domínio
Físico
Média % (DP)
Domínio
Psicológico
Média %(DP)
Relações
Sociais
Média %(DP)
Meio
Ambiente
Média%(DP)
60,44 (9,20)
59,70 (8,06)
67,61(8,60)*
66,98 (4,81)
77,17 (13,41)
73,29 (10,50)
73,53 (8,62)
70,59 (10,61)
60,56 (8,27)*
57,61 (12,58)
67,70 (7,09)
65,27(11,20)
76,36(10,14)*
73,33 (12,07)
71,04 (11,78)
72,87 (18,68)
57,71 (1,05)
57,85 (4,66)
60,52 (4,93)*
64,58 (2,94)
69,16 (4,93)
71,25(5,99)*
79,16 (29,46)
81,11 (10,66)
84,29 (8,63)*
60,93 (15,46)
72,50 (7,58)
73,88 10,55)*
60,24 (8,85)
60,21 (8,94)
68,86 (7,98)
66,45 (7,32)
78,14 (12,47)
74,57 (12,73)
75,35 (9,43)*
70,83 (11,11)
59,14 (9,52)
62,02 (7,35)
66,51 (7,73)
68,96 (7,36)
75,20 (13,22)
77,38 (11,78)
70,65 (9,79)
76,02 (10,16)
62,50 (6,18)
59,78 (9,08)
61,50 (8,36)
66,87(12,50)
68,75 (7,53)
69,29 (7,41)
75,41 (7,97)
74,91 (12,33)
78,70 (13,93)
71,09 (8,97)
72,15 (10,89)
74,76 (8,21)
59,26 (8,48)
60,71 (9,28)
66,42 (5,97)
65,95 (7,84)
68,68 (7,22)
70,83 (8,33)
74,34 (12,71)
77,55 (12,85)
78,33 (9,50)
71,04 (9,25)
73,63 (11,06)
81,25 (10,59)
* p < 0,05
Ao comparar a variável sexo com os domínios da qualidade de vida observou-se que o sexo masculino
apresentou médias mais elevadas em todos os domínios, com significância estatística no domínio
psicológico (p= 0,003). Na variável estado civil, os professores com companheiro(a) obtiveram
melhores médias de qualidade de vida nos quatro domínios, com significância estatística nos domínios
físico (p=0,042) e relações sociais (p=0,004). Os docentes com renda familiar maior de R$ 10.000,00
mensais apresentaram médias superiores em todos os domínios, com significância estatística em todas
as associações: físico (p=0,045), psicológico (p=0,047), relações sociais (p=0,022) e meio ambiente
(p=0,027).
Ao observar a variável tempo de lazer, verifica-se que professores que consideram seu tempo de lazer
suficiente, apresentam médias superiores nos domínios psicológico, relações sociais e meio ambiente,
com significância estatística neste último (p=0,034).
Professores que realizam atividade física maior ou igual 150 min semanais, e que dormem mais de 8
horas por dia, apresentaram melhores médias em todos os domínios, no entanto sem significância
estatística. Quanto à variável fumo, observou-se que os fumantes obtiveram melhor média no domínio
físico (62,50), e os não fumantes as melhores médias nos domínios restantes, sem significância
estatística.
Destacase que o domínio físico apresentou as menores médias no sexo feminino (59,70%), sem
companheiro(a) (57,61%), atividade física menor de 150 min/semana (59,14%), não fumantes
(59,78%) e horas de sono diárias menor de 6h (59,26%).
A associação entre os domínios da qualidade de vida e as características relacionadas ao trabalho
docente está demonstrada na Tabela 3.
Tabela 3 : Associação entre os domínios da qualidade de vida e características
relacionadas ao trabalho docente.
Variável
Trabalha em outra instituição
Sim
Não
Carga horária semanal
< 20 horas
20 a 40 horas
> 40 horas
Titulação
Graduação
Especialidade/Pós-graduação
Mestrado
Doutorado/Pós-doutorado
Tempo de docência
Até 10 anos
Acima de 10 anos
Fonte : Elaboração do autor, 2014.
Domínio
Domínio
Relações
Meio
Físico
Psicológico
Sociais
Ambiente
Média%(DP)
Média %(DP)
Média %(DP)
Média %(DP)
60,31 (9,21)
59,95 (7,82)
67,34 (7,58)
67,67 (8,00)
75,85 (12,40)
76,51 (13,73)
72,03 (10,20)
74,52 (10,68)
60,33 (8,42)
62,37 (12,15)
59,71 (1,00)
67,29 (7,79)
69,22 (7,27)
67,75 (1,00)
75,51 (12,51)
81,25 (13,08)
62,50 (1,00)
72,23 (10,44)
75,78 (9,98)
71,87 (1,00)
59,50 (9,06)
59,83 (9,87)
63,31 (6,24)
67,11 (7,04)
66,58 (8,81)
69,92 (6,56)
75,89 (13,07)
73,97 (11,68)
80,23 (12,82)
73,21 (10,69)
70,28 (10,53)
78,44 (9,13)*
59,49 (8,69)
62,06 (9,11)
66,84 (6,52)
68,91 (9,94)
75,35 (12,33)
77,25 (13,69)
71,37 (9,42)
75,92 (11,89)
* p < 0,05
Ao comparar a variável trabalha em outra instituição com os domínios da qualidade de vida observouse que os professores que atuam em outros locais além da Unisul, apresentaram médias mais elevadas
em todos os domínios, porém sem significância estatística. Quanto à carga horária semanal, os
participantes que tem entre 20 e 40 horas obtiveram as melhores médias. Em relação à titulação,
professores com Doutorado/Pós-doutorado apresentaram maiores médias, com significância no
domínio meio ambiente (p=0,021). Na variável tempo de docência, àqueles que atuam há mais de 10
anos tiveram médias superiores em todos os domínios, no entanto sem apresentar significância
estatística. Destaca-se que o domínio físico apresentou as menores médias nos professores com carga
horária maior que 40 horas semanais (59,71%) e com tempo de docência até 10 anos (59,49%).
CONCLUSÃO
Neste estudo 70,23% dos participantes são do sexo masculino, com idade média de 48 anos (±10,63).
Os que vivem com companheiro(a) representam 88,55%, e a média do número de filhos foi 1,75
(±0,97).
Predominam professores com carga horária de docência semanal inferior a 20 horas (74,81%) e com
grau de titulação de mestrado (35,12%). Na pesquisa 74,81% dos docentes afirmam trabalhar em outra
instituição além da Unisul Pedra Branca.
Em relação aos domínios da qualidade de vida, o domínio relações sociais apresenta a melhor média
(76,01) e o domínio meio físico evidencia o pior escore de média (60,22). A maior parte dos
participantes avaliam sua qualidade de vida como boa/muito boa (85,49%) e estão satisfeitos/muito
satisfeitos com a própria saúde (88,54%)
Ao comparar os valores das médias, o sexo masculino apresenta os maiores escores em todos os
domínios, com significância estatística no domínio psicológico. Viver com companheiro(a) obtém
maiores escores em todos os domínios com associação significativa nos domínios físico e relações
sociais e o tempo de lazer considerado suficiente apresenta maiores escores em todos os domínios, com
associação estatística no domínio meio ambiente.
A variável renda familiar apresentamaiores médias de escoresnos quatro domínios da qualidade de
vida, com significância estatística em todos.
Os professores com grau de titulação de Doutorado/Pós-doutorado apresentam maiores escores nas
médias dos domínios, com associação significativa no domínio meio ambiente, e àqueles que atuam
acima de 10 anos na docência obtém melhores médias nos quatro domínios, sem significância
estatística.
Os professores do curso de Medicina da Unisul Pedra Branca fazem uma avaliação positiva a respeito
da sua qualidade de vida e saúde, com destaque para profissionais de maior renda, que vivem com
companheiro(a) e de maior grau de titulação.
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