ID:1894 AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA DOS PROFESSORES DE MEDICINA DA UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA (UNISUL), SANTA CATARINA, BRASIL Mattei Fontana, Anderson; Regina Kretzer, Marcia; Ghizoni Schneider, Dulcinéia. Brasil RESUMO Introdução. As condições de trabalho interferem na saúde e na qualidade de vida das pessoas. As especificações da profissão de docência repercutemna saúde física e psíquica do professor. Objetivo. Avaliar a qualidade de vida dos docentes do curso de Medicina da Unisul, no campus Pedra Branca. Método. Estudo transversal realizado em 131 docentes do curso de Medicina da Universidade do Sul de Santa Catarina, Palhoça, SC. Aplicado o instrumento Whoqol-bref para avaliar a qualidade de vida e questionário complementar para caracterização da população. Resultados analisados no SPSS 18.0, descritos sob a forma de frequênciase medidas de tendência central.As médias dos escores foram comparadas por meio do Teste ANOVA, comp< 0,05. Aprovado no CEP UNISUL. Resultados. 70,23%do sexo masculino, idade média de 48 anos, 88,55%vivem com companheiro(a). Predominaram professores com carga horária de docência semanal inferior a 20 horas (74,81%),titulação de mestrado (35,12%) e que trabalham em outra instituição (74,81%). Melhores médias da qualidade de vida nos domínios relações sociais (76,01) e meio ambiente (72,66), com pior média no domínio físico (60,22). Significância estatística com sexo masculino no domínio psicológico; viver com companheiro nos domínios físico e relações sociais; tempo de lazer no domínio meio ambiente; renda familiar em todos os domínios; e titulação de Doutorado/Pós doutoradono domínio meio ambiente. Conclusão. Os professores avaliam positivamente a sua qualidade de vida, com destaque para os de maior renda, que vivem com companheiro(a) e de maior grau de titulação. Palavras-chave: Qualidade de Vida. Docente de Medicina INTRODUÇÃO Diferentes conceituações de qualidade de vida têm sido utilizadas, com variação de definições gerais às mais específicas. O termo qualidade de vida se refere à percepção sobre as condições de vida de um indivíduo, e inclui fatores relacionados à saúde, como os físicos, funcionais, emocionais e bem-estar mental e, também, os relacionados ao trabalho, família, amigos e outros aspectos da vida1. A qualidade de vida relacionada à saúde envolve vários domínios do cotidiano do indivíduo, sendo os mais comumente estudados o psicológico, o social e o físico2-7. Na área da saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) define amplamente a qualidade de vida como a percepção do indivíduo de sua posição na vida no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações2. É uma expressão complexa, com característica multidimensional, individual, subjetiva, multidisciplinar, intersetorial, de conceito abrangente e marcante, que varia em relação a grupos ou sujeitos, a qual pode representar felicidade, saúde, harmonia, prazer, moradia, família, amigos e trabalho6. De acordo com Flecket al8, diversos fatores interferem na qualidade de vida, tais como o estado funcional, o bem-estar, a condição geral de saúde dos sujeitos e também os relacionados ao trabalho. A forma de arranjo do trabalho em si, tem influência na configuração das organizações sobre o desempenho do indivíduo, podendo o choque entre a estrutura organizacional e a psicofísica do trabalhador levar à diminuição da qualidade de vida. Destaca-se que a psicofísica estuda a associação entre os estímulos físicos e as sensações subjetivas ou experiências sensoriais e estabelece relações quantitativas entre eles9. As condições de trabalho e o clima organizacional são resultantes da interação das múltiplas dimensões que caracterizam as pessoas, os grupos e as organizações9. Neste sentido, as condições de trabalho interferem na saúde e na qualidade de vida das pessoas10. Entre as várias atividades ocupacionais existentes, a docência se caracteriza pela necessidade de domínio de uma série de conteúdos cognitivos, efetivos e instrumentais. As longas jornadas de trabalho que requerem intenso e complexo componente cognitivo, com uso de códigos múltiplos e diversificação de atividades, necessitando de rápidas tomadas de decisões, podem interferir na qualidade de vida dos professores10,11. Entre os aspectos psicossociais, que influenciam na qualidade de vida do professor, destaca-se o volume de trabalho como o que mais causa insatisfação entre os docentes12. As especificidades de cada instituição de ensino, os diversos contextos sociais nos quais os alunos estão inseridos, as necessidades distintas dos alunos exigem dos professores capacidades para ir além da abordagem pedagógica, já que a educação também demanda o desenvolvimento psicossocial do estudante13. Tais especificidades da profissão de docência repercutem na saúde do professor e podem desencadear um processo de estresse, além de outros problemas como a síndrome de Burnout, que se caracteriza por um quadro de desgaste físico e mental que gera adoecimento no profissional13-15. Os principais fatores de risco para a qualidade de vida dos docentes são a alta exigência à produtividade científica como elaboração de artigos, participação em congressos, grupos de pesquisa entre outros; falta de uniformidade no modelo de currículos; necessidade de trabalhar à noite, domingos e feriados; reuniões longas demais; alunos mal preparados; falta de equipamentos para as aulas (projetor, computadores); salários baixos e tipo de regime de trabalho12-15. Outras situações como os conflitos nas interações aluno-professor, por exemplo, displicência da parte do aluno, atitude anti-ética junto ao professor, ocasionam estresse, ansiedade e perda de sono10,16. Em outra vertente, o processo ensino-aprendizagem promove a qualidade de vida quando a interação professor-aluno causa felicidade, definida pelos docentes como uma relação prazerosa e harmoniosa17. Tal processo sempre é positivo quando existe sintonia de trabalho entre professores e alunos, de modo que suas atividades acabem estimulando uma troca enriquecedora de conhecimentos. Isso ocasiona uma produção de conhecimento sistematizado, tanto para o docente quanto para o aluno11. No caso específico dos professores da área da saúde, principalmente de Medicina e de Enfermagem, a atividade de docência é duplamente sujeita a situações de desgaste. Primeiro, pelas peculiaridades do processo ensino-aprendizagem que envolve atividades práticas de saúde junto à população; segundo, porque neste processo professores desenvolvem o papel de cuidador enquanto ensinam: cuidam do aluno e cuidam da população que participa do processo de ensinar-aprender17. Outro aspecto a ser considerado é que grande parte dos professores do curso de Medicina, associam a docência com outros vínculos de trabalho em hospitais, clínicas, plantões de final de semana, o que gera sobrecarga de atividades e extensas jornadas de trabalho17,18. O estilo de vida é um indicador de boa ou má qualidade de vida e também está relacionado à manutenção da saúde. Entre os docentes, os aspectos relacionados aos componentes da atividade física e comportamento de promoção da saúde e prevenção de doenças, em muitas situações, estão comprometidos em razão da excessiva carga horária de trabalho18. A falta de tempo no cotidiano da vida docente é apontada como um fator estressante a ponto de interferir na qualidade de vida como um todo, seja por dificuldades pessoais de administrar “esse tempo”, seja pelo volume e complexidade das exigências acadêmicas inerentes ao processo do trabalho docente, que extrapolam em mais de 100% a carga horária alocada no contrato10,16,17. O lazer e as demais atividades sociais de modo geral parecem ser prejudicadas, principalmente as relacionadas à atividade física. A maioria dos professores relata que não conseguem “desligar” nem nas férias, referindo-se à necessidade relaxar e se desconectar da profissão, o que traz grande prejuízo para a saúde destes profissionais10,15,19,20. Em muitas situações, o baixo salário e a insegurança de manutenção do emprego, têm obrigado alguns docentes a buscar outras fontes de renda, o que acaba por aumentar o estresse. Este contexto afeta as relações sociais, familiares e afetivas, conforme identificado em alguns estudos,11,20,21. Outro aspecto importante a ser considerado é a estrutura física de trabalho dos docentes, em geral, caracterizada pela falta de ventilação, níveis elevados de ruído e baixa iluminação. Tal situação contribui para um valor negativo nos aspectos biopsicossociais da profissão é investigada na apreciação do domínio “ambiente” ao se avaliar a qualidade de vida8,15. Um importante indicador da qualidade de vida é o absenteísmo dos docentes. Os diagnósticos mais frequentes das licenças médicas são os de doenças musculoesqueléticas, distúrbios vocais e depressão. Sintomas como dor, incapacidade funcional e fadiga podem estar relacionados com disfunções do sistema musculoesquelético14,22,23. Já a disfonia apresenta-se como a principal queixa envolvendo a voz dos docentes4,24,25. Estudos demonstraram que as queixas relacionadas à voz, entre os docentes, são frequentes e que podem ser explicadas pela influência de fatores ambientais, de organização do trabalho ou mesmo próprios do indivíduo26,27. Todavia, a sociedade científica ainda carece de estudos que avaliem as repercussões do trabalho docente na saúde física e psíquica destes profissionais, especialmente no Brasil onde os estudos são escassos, o que evidencia a necessidade de realizar mais pesquisas nessa área. As constatações deste estudo poderão contribuir para a reflexão dos professores sobre a sua qualidade de vida, visando recomendações e estratégias para a melhoria ou manutenção de uma boa qualidade de vida. Também servirá de comparação para outros estudos com metodologias semelhantes. É nesse contexto que se insere o presente estudo, que tem como questão de pesquisa: como os docentes do curso de Medicina da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), no campus Pedra Branca avaliam a sua qualidade de vida? OBJETIVO GERAL Avaliar a qualidade de vida dos docentes do curso de Medicina da Unisul, no campus Pedra Branca. OBJETIVOS ESPECÍFICOS • • • Identificar o perfil sócio-demográfico, hábitos de vida e características relacionadas ao trabalho docente. Descrever aspectos da qualidade de vida nos quatro domínios: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente. Testar associação entre os domínios da qualidade de vida e perfil sócio-demográfico, hábitos de vida e características relacionadas ao trabalho docente. MATERIAIS E MÉTODOS Estudo epidemiológicode delineamento transversal, realizado em 131 docentes do curso de Medicina da Universidade do Sul de Santa Catarina (UNISUL), Campus Universitário Pedra Branca, Palhoça, Santa Catarina, Brasil, no período de novembro de 2013 a junho de 2014. Foram incluídos os professores vinculados ao curso de Medicina da Unisul campus Pedra Branca, e excluídos os que estavam de licenças, atestados médicos no período da coleta de dados, e os que não encontrados após terceira tentativa de localização. Foram estudadas variáveis sócio demográficas (sexo, idade, filhos, estado civil, renda familiar), hábitos de vida (tempo de lazer, atividade física, fumo, horas de sono diárias), características relacionadas ao trabalho (trabalho em outra instituição, carga horária semanal, maior titulação, horas semanais destinadas à docência, tempo de docência), e qualidade de vida. Após a aprovação do estudo pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Unisul, foram aplicados os questionários. Os dados relacionados à qualidade de vida foram levantados através da aplicação do questionário Whoqol-bref,traduzido e validado no Brasil por Flecket al8, em seus quatro domínios: físico, psicológico, relações sociais e meio ambiente.Foiaplicado um questionário complementar, desenvolvido pelos pesquisadores destinado a conhecer os fatores sócio-demográficos, hábitos de vida e os aspectos relacionados à profissão. Os escores forampontuados utilizando o programa estatístico SPSS (StatisticalPackage for the Social Sciences). A sintaxe SPSS-Whoqol-bref8utilizada para a realização dos cálculo. Os resultados foram digitados utilizando o programa Excel e analisados por meio do programa estatístico SPSS 18.0, onde foram descritos sob a forma de frequência absoluta e relativa. Os domínios da qualidade de vida foram descritos através das medidas de tendência central. Foi testada a diferença de média das pontuações dos domínios segundo as variáveis independentes. Foram utilizados o teste T de StudenteANOVA, conforme a variável independente e normalidade dos dados. O nível de significância estabelecido foi de valor de p< 0,05. A pesquisa teve início somente após a aprovação pelo CEP da Unisul, cujo número de aprovação é 087850/2013. RESULTADOS Participaram do estudo, 131 professores do curso de Medicina da Unisul Pedra Branca, com taxa de resposta de 87,9%. Dos docentes pesquisados, 84% tinham formação em Medicina e os demais nas áreas de Enfermagem,Farmácia, Biologia, Medicina Veterinária, Odontologia e Filosofia. Dos professores pesquisados, O sexo masculino representou 70,23%, e a idade dos participantes variou de 28 a 71 anos, sendo a média de 48 anos (±10,63).Em relação ao perfil sócio demográfico, a média do número de filhos foi 1,75 (±0,97) e a maioria relatou ter dois filhos (50,38%). Apenas 11,45% dos professores afirmaram não ter filhos. Quanto às características relacionadas ao trabalho, predominaram os professores que atuavam em outra instituição além da Unisul (74,81%), que lecionam menos de 20 horas semanais (86,26%), com grau de titulação de Mestrado (35,12%) e com tempo de docência até 10 anos (71,75%). A média de horas semanais dedicadas à docência extra-classe foi de 7,15 horas (± 8,08). Destaca-se que a maioria dos professores dedicam menos de 7 horas semanais extra-classe (71,75%). A descrição dos aspectos da qualidade de vida nos quatro domínios está apresentada na Tabela 1. Tabela 1: Descrição dos domínios da qualidade de vida. Variável Média (%)DP Domínio físico Domínio psicológico Relações Sociais Meio ambiente Fonte : Elaboração do autor, 2014. 60,22 67,43 76,01 72,66 (8,87) (7,66) (12,70) (10,34) Verifica-se que o domínio relações sociais apresentou a melhor média (76,01) e o domínio físico apresentou a pior média (60,22). A respeito de como o participante avalia a sua qualidade de vida, a maioria avaliou como “boa” (71,75%), seguidos de “muito boa” (13,75%), “nem ruim, nem boa”(10,68 %), e “ruim” (3,82 %). Nenhum dos entrevistados disse ser “muito ruim”. Quanto à satisfação com a própria saúde, a maioriarespondeu“satisfeito” (70,99%), seguidos de“muito satisfeito”(17,55%), “nem satisfeito, nem insatisfeito” (7,64%) e “insatisfeito”(3,82%). Não houve respostas em “muito insatisfeito”. A associação entre os domínios da qualidade de vida e perfil sócio demográfico e hábitos de vida está apresentada na Tabela 2. Tabela 2 : Associação entre os domínios da qualidade de vida e perfil sócio-demográfico e hábitos de vida. Variável Sexo Masculino Feminino Estado Civil Com companheiro Sem companheiro Renda Familiar Até 5.000,00 5.001,00 à 10.000,00 reais Acima de 10.000,00 reais Tempo de Lazer Suficiente Insuficiente Atividade Física <150 min/ semana ≥ 150 min/semana Fumo Sim Não Ex fumante Horas sono diárias < 6 horas 6 a 8 horas > 8 horas Fonte : Elaboração do autor, 2014. Domínio Físico Média % (DP) Domínio Psicológico Média %(DP) Relações Sociais Média %(DP) Meio Ambiente Média%(DP) 60,44 (9,20) 59,70 (8,06) 67,61(8,60)* 66,98 (4,81) 77,17 (13,41) 73,29 (10,50) 73,53 (8,62) 70,59 (10,61) 60,56 (8,27)* 57,61 (12,58) 67,70 (7,09) 65,27(11,20) 76,36(10,14)* 73,33 (12,07) 71,04 (11,78) 72,87 (18,68) 57,71 (1,05) 57,85 (4,66) 60,52 (4,93)* 64,58 (2,94) 69,16 (4,93) 71,25(5,99)* 79,16 (29,46) 81,11 (10,66) 84,29 (8,63)* 60,93 (15,46) 72,50 (7,58) 73,88 10,55)* 60,24 (8,85) 60,21 (8,94) 68,86 (7,98) 66,45 (7,32) 78,14 (12,47) 74,57 (12,73) 75,35 (9,43)* 70,83 (11,11) 59,14 (9,52) 62,02 (7,35) 66,51 (7,73) 68,96 (7,36) 75,20 (13,22) 77,38 (11,78) 70,65 (9,79) 76,02 (10,16) 62,50 (6,18) 59,78 (9,08) 61,50 (8,36) 66,87(12,50) 68,75 (7,53) 69,29 (7,41) 75,41 (7,97) 74,91 (12,33) 78,70 (13,93) 71,09 (8,97) 72,15 (10,89) 74,76 (8,21) 59,26 (8,48) 60,71 (9,28) 66,42 (5,97) 65,95 (7,84) 68,68 (7,22) 70,83 (8,33) 74,34 (12,71) 77,55 (12,85) 78,33 (9,50) 71,04 (9,25) 73,63 (11,06) 81,25 (10,59) * p < 0,05 Ao comparar a variável sexo com os domínios da qualidade de vida observou-se que o sexo masculino apresentou médias mais elevadas em todos os domínios, com significância estatística no domínio psicológico (p= 0,003). Na variável estado civil, os professores com companheiro(a) obtiveram melhores médias de qualidade de vida nos quatro domínios, com significância estatística nos domínios físico (p=0,042) e relações sociais (p=0,004). Os docentes com renda familiar maior de R$ 10.000,00 mensais apresentaram médias superiores em todos os domínios, com significância estatística em todas as associações: físico (p=0,045), psicológico (p=0,047), relações sociais (p=0,022) e meio ambiente (p=0,027). Ao observar a variável tempo de lazer, verifica-se que professores que consideram seu tempo de lazer suficiente, apresentam médias superiores nos domínios psicológico, relações sociais e meio ambiente, com significância estatística neste último (p=0,034). Professores que realizam atividade física maior ou igual 150 min semanais, e que dormem mais de 8 horas por dia, apresentaram melhores médias em todos os domínios, no entanto sem significância estatística. Quanto à variável fumo, observou-se que os fumantes obtiveram melhor média no domínio físico (62,50), e os não fumantes as melhores médias nos domínios restantes, sem significância estatística. Destacase que o domínio físico apresentou as menores médias no sexo feminino (59,70%), sem companheiro(a) (57,61%), atividade física menor de 150 min/semana (59,14%), não fumantes (59,78%) e horas de sono diárias menor de 6h (59,26%). A associação entre os domínios da qualidade de vida e as características relacionadas ao trabalho docente está demonstrada na Tabela 3. Tabela 3 : Associação entre os domínios da qualidade de vida e características relacionadas ao trabalho docente. Variável Trabalha em outra instituição Sim Não Carga horária semanal < 20 horas 20 a 40 horas > 40 horas Titulação Graduação Especialidade/Pós-graduação Mestrado Doutorado/Pós-doutorado Tempo de docência Até 10 anos Acima de 10 anos Fonte : Elaboração do autor, 2014. Domínio Domínio Relações Meio Físico Psicológico Sociais Ambiente Média%(DP) Média %(DP) Média %(DP) Média %(DP) 60,31 (9,21) 59,95 (7,82) 67,34 (7,58) 67,67 (8,00) 75,85 (12,40) 76,51 (13,73) 72,03 (10,20) 74,52 (10,68) 60,33 (8,42) 62,37 (12,15) 59,71 (1,00) 67,29 (7,79) 69,22 (7,27) 67,75 (1,00) 75,51 (12,51) 81,25 (13,08) 62,50 (1,00) 72,23 (10,44) 75,78 (9,98) 71,87 (1,00) 59,50 (9,06) 59,83 (9,87) 63,31 (6,24) 67,11 (7,04) 66,58 (8,81) 69,92 (6,56) 75,89 (13,07) 73,97 (11,68) 80,23 (12,82) 73,21 (10,69) 70,28 (10,53) 78,44 (9,13)* 59,49 (8,69) 62,06 (9,11) 66,84 (6,52) 68,91 (9,94) 75,35 (12,33) 77,25 (13,69) 71,37 (9,42) 75,92 (11,89) * p < 0,05 Ao comparar a variável trabalha em outra instituição com os domínios da qualidade de vida observouse que os professores que atuam em outros locais além da Unisul, apresentaram médias mais elevadas em todos os domínios, porém sem significância estatística. Quanto à carga horária semanal, os participantes que tem entre 20 e 40 horas obtiveram as melhores médias. Em relação à titulação, professores com Doutorado/Pós-doutorado apresentaram maiores médias, com significância no domínio meio ambiente (p=0,021). Na variável tempo de docência, àqueles que atuam há mais de 10 anos tiveram médias superiores em todos os domínios, no entanto sem apresentar significância estatística. Destaca-se que o domínio físico apresentou as menores médias nos professores com carga horária maior que 40 horas semanais (59,71%) e com tempo de docência até 10 anos (59,49%). CONCLUSÃO Neste estudo 70,23% dos participantes são do sexo masculino, com idade média de 48 anos (±10,63). Os que vivem com companheiro(a) representam 88,55%, e a média do número de filhos foi 1,75 (±0,97). Predominam professores com carga horária de docência semanal inferior a 20 horas (74,81%) e com grau de titulação de mestrado (35,12%). Na pesquisa 74,81% dos docentes afirmam trabalhar em outra instituição além da Unisul Pedra Branca. Em relação aos domínios da qualidade de vida, o domínio relações sociais apresenta a melhor média (76,01) e o domínio meio físico evidencia o pior escore de média (60,22). A maior parte dos participantes avaliam sua qualidade de vida como boa/muito boa (85,49%) e estão satisfeitos/muito satisfeitos com a própria saúde (88,54%) Ao comparar os valores das médias, o sexo masculino apresenta os maiores escores em todos os domínios, com significância estatística no domínio psicológico. Viver com companheiro(a) obtém maiores escores em todos os domínios com associação significativa nos domínios físico e relações sociais e o tempo de lazer considerado suficiente apresenta maiores escores em todos os domínios, com associação estatística no domínio meio ambiente. A variável renda familiar apresentamaiores médias de escoresnos quatro domínios da qualidade de vida, com significância estatística em todos. Os professores com grau de titulação de Doutorado/Pós-doutorado apresentam maiores escores nas médias dos domínios, com associação significativa no domínio meio ambiente, e àqueles que atuam acima de 10 anos na docência obtém melhores médias nos quatro domínios, sem significância estatística. Os professores do curso de Medicina da Unisul Pedra Branca fazem uma avaliação positiva a respeito da sua qualidade de vida e saúde, com destaque para profissionais de maior renda, que vivem com companheiro(a) e de maior grau de titulação. REFERÊNCIAS 1. Gill TM, Feinstein AR. A critical appraisal of the quality of quality-of-life measurements. JAMA 1994; 272:619-26 2. Whoqol Group. The World Health Organization Quality of Life Assessment (Whoqol): position paper from the World Health Organization. Social Science and Medicine. 1995;10:1403-09 3. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde. 3. ed. – Brasília: Ministério da Saúde; 2010 4. Jardim R, Barreto SM, Assunção AA. Condições de trabalho, qualidade de vida e disfonia entre docentes. Cad. Saúde Pública 2007; 23(10):39-61 5. Araújo TM, Sena IP,Vina MA, Araújo EM. Mal-estar docente: avaliação de condições de trabalho e saúde em uma instituição de ensino superior. Revista Baiana de Saúde Pública. 2005;29(1): 6-21 6. GordiaAP,Quadros TMB de, Oliveira MTC de ,Campos W de. Qualidade de vida: contexto histórico, definição, avaliação e fatores associados. Rev Brasileira de Qualidade de vida. 2011; 03(1):40-52 7. Pereira EF, Teixeira CS,Santos A dos. Qualidade de vida: abordagens, conceitos e avaliação. RevBrasEducFis Esporte. 2012 ; 26(2): 241-250 8. Fleck MPA, Louzada S, Xavier M, Chachamovich E, Vieira G, Santos L, et al. Aplicação da versão em português do instrumento abreviado de avaliação da qualidade de vida "WHOQOLbref".Rev Saúde Pública. 2000; 34(2): 178-83 9. Leão LHC. Psicologia do Trabalho: aspectos históricos, abordagens e desafios atuais. ECOS. 2012; 2(20:291-305 10. Oliveira ERA, Garcia AL, Gomes MJ, Bittar TO, Pereira AC. Gênero e qualidade de vida percebida: estudo com professores da área de saúde. Ciênc. saúde coletiva. 2012 ;17(3):741-7 11. Garcia AL, Oliveira ERA, Barros de, EB. Qualidade de vida em professores do ensino superior da área da saúde : discurso e prática cotidiana. CogitareEnferm.2009; 13(1):18-24 12. Fernandes MH, Rocha VM. Impact of the psychosocial aspects of work on the quality of life of teachers. RevBras Psiquiatr. 2009; 31(1): 15-20 13. Silva JP, Damásio BF, Melo AS, Aquino TAA. Estresse e burnout em professores. RevForum Identidades. 2009;3:75-83 14. Sousa IF, Mendonça H, Zanini DS. Burnout em docentes universitários. RevPsicol e Saúde. 2009; 1(1):1-8 15. Marqueze EC, Moreno CRC. Satisfação no trabalho e capacidade para o trabalho entre docentes universitários. Psicologia em Estudo. 2009;14(1): 75-82 16. Martinez KASC, Vitta, A , Lopes ES. Avaliação da qualidade de vida dos professores universitários da Cidade de Bauru-SP. Salusvita Bauru. 2009; 28(3):217-24 17. Silverio MR, Patricio ZM, Brodbeck IM, GrossemanS . O ensino na área da saúde e sua repercussão na qualidade de vida docente. RevBrasEduc Med. 2010; 34(1);65-73 18. Coutinho RX, Santos WM, Soares MC, Santos CM, Folmer V, Puntel RL. Perfil do estilo de vida relacionado à saúde de professores. Revista Digital. Buenos Aires. 2012; [acesso em 2013 Mai 21]. 17(168). Disponível em: http://www.efdeportes.com 19. Silveira RE da, Reis NA dos, Santos AS, Borges MR. Qualidade de vida de docentes do ensino fundamental de um município brasileiro. Rev. Enf. Ref. 2011; 3(4): 115-23 20. Oliveira Filho A, Netto-Oliveira ER, Oliveira AAB. Qualidade de vida e fatores de risco para professores universitários.RevEducFis/UEM. 2012; 23( 1) : 57-67 21. Tabeleão VP, Tomasi E, Neves SF. Qualidade de vida e esgotamento profissional entre docentes da rede pública de Ensino Médio e Fundamental no Sul 14(2): 276-84 22. Lima MFEM, Lima Filho DO. Condições de trabalho e saúde do/a professor/a universitário/a Ciências & Cognição. 2009;14(3):62-82 23. Servilha EMA, Roccon PF. Relação entre voz e qualidade de vida em professores universitários. Rev CEFAC. 2009 ;11(3):440-8 24. Fabrício MZ, Kasama ST, Martinez EZ. Qualidade de vida relacionada à voz de professores universitários.Rev CEFAC. 2010;12(2): 280-287 25. Ferreira LP, Latorre MR, Giannini SP, Ghirardi AC, Karmann DF, Figueira EE. Influence of abusive vocal habits, hydration, mastication, and sleep in the occurrence of vocal symptoms in teachers. J Voice. 2010; 24(1):86-92 26. Lima-Silva MFB, Ferreira LP, Oliveira IB, Silva MAA, Ghirardi ACAM. Distúrbio de voz em professores: autorreferência, avaliação perceptiva da voz e das pregas vocais. Rev Soc Bras Fonoaudiol. 2012; 17(4): 391-7 27. Contaifer TRC, Bachion MM, Yoshida T, Souza JT. Estresse em professores universitários da área de saúde. Rev Gaúcha Enferm, Porto Alegre (RS). 2003 ;24(2):215-2