UNIVERSIDADE
Marystela
MULHERES
NEGRAS:
TUIUTI
PARANA
Tomaz de Andrade
A NEGAI;:AO
DOS ESTEREOTIPOS
LUTA PELA CIDADANIA
CURlTIBA
2008
Silva
E A
MULHERES
NEGRAS:
A NEGA<;AO
DOS ESTEREOTIPOS
E A LUTA PELA ClDADANIA
CURITIBA
2008
MULHERES
Marystela
Tomaz de Andrade
Silva
NEGRAS:
A NEGAC;:AO DOS ESTEREOTlPOS
Trabalho de conclusao do Curso de Espccializa<;ao em
Hist6ria e Cultura Africana e Afro-Brasi1cira.
Educ<I<;ao e A<;6cs Afinnativ<ls no Brasil apresentado
ao cursa de P6s- Gradua<;ao da Univcrsidade Tuiuti do
Parana, como requisito parcial para a oblcn<;iiodo grau
de cspccialista.
Oricnlador: Pror.a. Ms. Luil Carlos Paixiio da Rocha
CURITIBA
2008
Dedico este trabalho, a uma pessoa especial, uma muther negra, que ao romper
com lim relacionamento afetivo onde
0
homem branco nao a aceitava como um grande
amor (pelo preconceito e racismo nao lao velados quanta parecern) descobriu urn universo
novo: de cstudo, de conhecimento, de amor-pr6prio.
Agradccimcntos
A Deus que me eriou e me chamou
a
vida, e colocou no mel! caminho pessoas
maravilhosas que direla ou indiretamente, contribufram para a conclusao desse trabalho c
a cada pagina dizer que estoll grata a alguem.
Agrade90
a
dirc9ao do IPAD (lnstituto de Pesquisa de Afrodescendcntes) pela
preocupa95.o aos estudos etnicos raciais tendo a iniciaLiva de criar a Especializa9ao em
Historia e Cullura Africana e Afro-brasileira:· Educa96es e A~6es Afirmatjvas, buscando
parceria com outras enLidades para a realiza9ao desse curso, me fornecendo uma bolsa de
estudos,
a
Marcilcne Garcia e Tania Aparecida Lopes, meu agradecimento sincero, pelo
incentivo e compreensao.
A Lodos os docentes do curso que se dedicam a tematica e em especial, ao
Professor Luiz Carlos Paixao meu orientador pela paciencia e estfmulo.
Obrigada aos amigos da especializa9ao, pela cumplicidade, carinho e for9a, que me
deram para chegar ate 0 fim desse trabalho.
A Edineia, por estar ao meu lado nos momentos finals e mais diffceis, me
mostrando em quantas jomadas se faz uma herofna.
Agrade90 de forma especial
a
minha famflia, Maria Aparccida de Andrade, minha
mae que scm a sua ajuda seria impossivel tantas conquistas, meu pai Osvaldo Tomaz
pelos conselhos e duras chamadas de aten9ao, me ensinando a lidar com
0
preconceito e a
discriminayao racial, exigindo maiores esfor90s para conquista de meus idcais, para
jamais deixar que alguem me subestime, pois nao somos inferiores a ninguem. A meu
irmao, Ronaldo Tomaz, pelo estfmulo e aten9ao me ajudando na aquisi<;ao de acervos
bibliognificos. E a minha filha, Mayza Tomaz pelo carinho e paciencia durante os dias dc
estudo e pesquisas intensas.
A explosao nao sera hoje.
Ainda
e muito cedo ..
Ou demasiadamente mais tarde.
Nao trago verdades decisivas.
Laivos de genialidade
nao alingem minha conscicncia.
Entrctanlo, com toda serenidadc,
julgo necessario dizer alguma coisa.
Estas coisas
VOll
dize-las, e nao grita-Ias ,
pois htl muito tempo,
Que
0
grito saiu da minha vida.
Ha tanto tempo ...
(Fanon)
SUMARIO
INTRODU(AO...
CAI'iTULO
.
I RELA(OES
DE PODER
1.1 CORPO E SEXUALIDADE
1.2 A MULHER
CAI'iTULO
E REPRESENTA(OES
DA MULHER
REI'RODU(AO
DOS
17
SOCIAL.
DO RACISMO
ESTERE6TII'OS
21
E DO SEXISMO
NEGATIVOS
NEGRAS ...
SOBRE
AS
DE VIOLENCIA,
A DISCRIMINA(AO
MULHER
SUA
CIRCULA(AO
NACIONAL
E
TELENOVELAS
BRASILElRAS
..
CONSIDERA(OES
REFERENCIAS
ANEXOS ...
MULHERES
NEGRAS
..
NEGRA:
OS
PRESEN(A
PAPEIS
NAS
REVISTAS
SUBALTERNOS
E
E 0
35
FEMININAS
SENSUAIS
.
DE
NAS
43
FINAlS ...
...
E A
30
DAS MULHERES
OLHAR DA MiDIA..
A
NA MiDIA
.
2.1 A SITUA(Ao
2.1.1
14
NEGRA
NEGRA NA BASE DA PIRAMIDE
2 - A NATURALIZA(AO
08
SOCIAlS
....54
..
57
..
62
RESUMO
Este trabalho aprcsenta
algumas considerac;6cs
sabre as esterc6tipos
vivenciados
pela Illulhcr negra ern nossa sociedade.
Papeis estes que sao disseminados
peles meios
midii.l.ticos, em especial revistas e telenovclas,
e que contribuem
para refon;ar uma visao
negaliva da populac;ao negra. Fez-se necessaria
resgatar urn pouea da hist6ria e tralar de
forma sucinta as relac;6es de poder c as representac;6es
sociais, cnde na rcpresentac;ao
social do corpo foi passivel
entender
a estrutura
desta sociedade
que manifesl3
discriminac;6cs
atraves e a partir do carpo da mulhcr negra (como a cor da pcle, 0 cabela,
a altura, 0 peso, etc.). E visfvel 0 preconccito
na sociedade brasileira tanto em relac;ao ao
genero, a mulher, e a queslao ctnica, 0 negro. Sao inumeros os desafios cnfrentados
com
rela~ao ao prcconceito
elnico c de genero:
accsso
escolaridade,
it capacita~ao
profissional
e a melhores rernunera~6es
no mercado de trabalho. Discrirnina~ao
racial que
vern acornpanhada
da associar;ao
das run~6es que eIa desempenhava
na sociedadc
colonial c ap6s a aboliry3o. Assim, algumas das pcsquisas realizadas nos ultimos anos, tern
demollstrado
que a mulher negra apresenla 0 menor nlvel de escolaridade
e trabalha mais,
porem com rendimenlO
menor. No enlanlo, a pobreza e a marginalidade
a que eSH}
submelida,
nao inibiu a resislencia
e a IUla contra a discrimina<r3o
sofrida. E notoria a
parlicipar;ao
dessas
mulheres
nos Movimentos
Fcminisla,
movimenlo
Negro e de
Mulheres Negras para que haja mudanryas significativas
quanto a maior visibilidade
em
relar;oes raciais e de genero.
a
PALA VRAS-CHA VE:
mulheres
negras,
estcre6lipos,
invisibilidadc
nos meios midialicos, rcia90es etnico-raciais.
discriminar;ao
racial.
INTRODUC;:Ao
No contincnte Africano
A paz entre os negros reinava
o homem
bra neD chegou
E logo a intriga ele implanlava
Oaf por diante
A pcrversidadc foi instal ada
A guerra mata
negro
E a minha escravidao foi decrctada (...)
(Carlos Quilombo e Pessoa de ogum)
o
tcma sabre a prcscnc;a da mulher negra fln sociedade brasileira scmprc me
instigou. Iniciaimente. pela minha propria experiencia enquanto mulhcr negra e em
seguida pelas analises e retlex5es que tenho efetuado, especificamcnte
cOnSlrUyaO dos cstereotipos
sabre a
da rnulher negra em nossa sociedade.
Antes de expor as prcocupayocs em reiac;ao aos estere6tipos negativos, faz-se
necessaria citar as minhas experiencias vividas sabre
0
preconccito.
Nasci em uma pequena cidade do norte do Parana, chamada Cambara em
10/09/78. E dos seis aos nove
allOS
de idade, estudei em colegio de irmas cat6licas,
como bolsista. Recorda que havia apenas seis crian~as negras que Iii estudavam, eu,
mcu irmao, meus primos c urn casal de amigos, que por terem a pele mais clara que
n6s, nunca assumiram-se como negros e nao sofriam chacotas.
Lcmbro-me de alguns epis6dios que sofri muito com as atitudes maldosas dos
coiegas, cilarei aqui apenas tres acontecimenlos.
o
primciro epis6dio ocorreu quando eu tinha sete para oito anos. Estava na
segunda scrie, sentava no fundo da sala, precisamente na ultima carteira. A professora
(irma cat6lica) eslava tomando leitura c cada crialH;a tinha que Icr urn panigrafo do
lexlo. Quando chegou a minha vez, 0 tcxlo acabou e eu nao Ii. Ncsse dia me senti
muilo rejeilada c reclamci a minha mae, a qual no dia seguinte [oi ate a escola
esclarecer 0 falo. A professora
alegou que isso real mente aconteceu,
mas ela
pensou que eu ja tinha lido (gril'o meu).
A segunda situa~ao aconteceu na rninha adolesccncia
com dezcssete anos,
quando CUfsava 0 ultimo ana de magisterio, em uma escola publica de Curitiba.
Tfnhamos que ter vintc horas de eSlagio em sala de aula e
0
tema que escolhi era "As
quatro eSla~6es do ano". Fiz desenhos em canolinas para ilustra-las, ficararn muilo
bonitos. A professora foi assistir as aulas e gostou muito, porem ao avaliar nao reccbi a
nOla maxima, porquc segundo a professora, "nao era eu quem tinha desenhado,
os descnhos estavam
esclarecer
0
muito bonitos"
pois
(grifo meu). Mais uma vez, rninha mae foi
fato, na epoca minim mac trabalhava como zeladora na mesma escola em
que estudava, conversou com a proFessora com intuito de camprovar a vcracidade do
meu Irabalho, mas a professora nao considerou.
Infelizmente, falas como estes ainda acontecem nas escolas, conseqUcncias de
estere6tipos negativos devidos
0
preconceito contra ncgros, os quais sao considerados
como seres inferiores c ausentes de inteligencia. Dessa forma, a desigualdade social e
a discrimina~ao racial imperam em nossa sociedade de forma naluralizada e cordial.
A desigualdade brasileira rescrva espa(fOSsociais dircrenciados depelldcndo
da cor da pessoa c resuHa de uma ronoa historica palltada em lima prorunda
disparidadc social, condicionando a exclusao da popular.rao negra c indigcna
no acesso a bens e servirros e, conscqUenterncntc, urn fr,igil exercfcio de
cidadania. (Ribeiro, 2004, p.51)
10
Vale ressaltar a conquista dos MovimcnLos Negros e dcmais segmenlos da
sociedade civil organizada no que se refere
~l
impianta<;ao da Lei 10.639 103
1
,
que no
dia lOde man;o tornou-se Lei 11.64512008, que estabelece as diretrizes e bases da
educar;ao nacional, para inc1uir no curricula oficial da rede de ensino a obrigatoriedade
da tematica
"Hist6ria e Cultura Afro-Brasilcira e indfgena" nos cstabelecimentos
de
ensino fundamental e de ensino media, publicos e privados, tornando obrigatorio
CSLudo
da historia c cuhura
afro-brasileira
e
indigena
, trazendo
0
conlribui~6es
significativas, abrindo a possibilidade de problematizar estereotipos, para a supcra~ao
de conslruc;6es ideol6gicas de dominac;ao racial presentes nas escolas e em nossa
sociedade.
Sobre isso, Arruda (2006, p.238) nos remele aos estudos da professora Maria
Jose da Rocha que afinna que uma das maiores conquislas do nosso tempo
e
0
reconhecimento da cultura. E a parlir desse reconhecimento, compreender a educayao
como urn processo "construyao de sujeitos semelhantes aos seus ancestrais". Ora, se
Brasil
e0
pais das Americas com maiores rcla90cs com
mais necessario do que
IROCHA.Lui7.
Trabalho
p,IO
Carlos
Pedag6gieo
Ressaha
0
P:lixao .em su:! monografi ••de conclusao
de P6s-Gradu:uiao
a import11ncia do parecer
scrie de princfpios
c para
a rcspcito
sercm abrangidos
0
pclo pOOer publico
0
c Cullura
e elivulgar;ao
de cllsino e a cOllfec!;ao de livros e materiais
Oricnla
de cada sistema
que os Consclhos
de ensino."
Federal
conjunto
TambCm
ESladuais
didalicos
a
IOmadas
de invcstimento
das escoias,
a queslao
uma
de contcudos
indica a~Oes a sercm
que abordern
de
2005
para Educaoyuo cia
aiem de icvantar
dc indica~ocs
pcdag6gicas
de Educa!;ao
do Parana.
Nacionais
"No Parccer.
d ••Lei. Entre clas, a ncccssidade
na!;i'io brasiicira.
rcalidadc
Ulll
elas cxpericncias
entre os sistemas
lambem
Curriculares
afro-brasilcim
.!reas do conhecimento.
p ••ra a imp\cmcllIaI;:ao
mapcamcnto
cia Universidade
racial e educaoyao. aprcsenla
nas diferentcs
das tres esferas
forma((ao dos professores.
de Curso de Especiali;- ..m,ao em organiza(,ao
de Educar;ao
03/04 que inSlitui as Dirctrizes
ensino dc Hisl6ria
da questao
relo curriculo
0
contincnle Africano, nada
estudo da Hist6ria da Africa, nas escolas brasilciras.
do Programa
Rclal;Ocs Elnicos·raciais
0
na
<l articula<,:ao
ctnica e racial da
fa({am a aclequa"ao
do part".'cer a
11
o terceiro
anes,
quando
episodio,
iniciei
0
qual influenciou no lema dessa pesquisa, ocorrcu h:i tres
urn relacionamento
afetivo
com
desccndencia italiana, que me tratava de forma carinhosa ate
urn rapaz
0
branco,
de
momento em que sua
ramJ1ia me conhcceu e passoll a inlerferir, por nao aceitarem 0 rato de sen filho estar
com uma mulher negra (grifo meu).
Ressalto tambem a forte influenda dos meios de comunicac;ao que conslroem e
au divulgam imagens posilivas au negativas de diferentcs grupos ern nossa sociedadc.
Entre as principais meios destacarn-se a teievisao, os jornais, as revistas, as tclenovelas que contribuem eXlraordinariamente
para que as pessoas farmem imagens
posilivas au negativas sabre outras pessoas au acontecimentos do dia-a-dia.
E importante esclarecer
0
faw de que existem estere6tipos
negativos
e
positivos. Neste eSludo tratou-se dos estere6tipos negativos.
Salicnto que
0
estereotipo 6 algo que funciona quase como urn carimbo, a panir
do que, a pessoa 6 vista sempre atraves de uma marca, poueo importa como ela seja.
Este trabalho pretende tecer algumas consideragoes sobre a presenya destas
eonstrugocs discriminat6rias em nasso pafs.
Assim no capitulo
Sociais"
procurou-se
1 intitulado: "Relac;oes de Poder
evidenciar
as situag5es
e Representat;oes
de discriminagao
e preconceito
vivenciadas pelas mulheres negras na atualidade, as quais sao rcsqufcios do perfodo
colonial e do pos-aboli~ao. onde sc constrlliu as estereotipos negativos atraves e a
partir do corpo da mulher negra, que era vista como um objeto de desejo sexual, scm
vontade pr6pria; e que
VCIll
refor~ar a ideologia de inferioridade ern relagao ao
preconccito 6tnico (ser negro) e de genera (ser 1TI1lIher).
12
ESle preconceito clnico e de genera
pela mulhcr
negra no que se refere
gera menor rcconhecimcmo
c
responsavel pclos desafios enfrentados
it escolariza~ao c
aD
mercado
de
profissionai e salafia!. 0 capilalisrno
trabalho,
0
que
se ap6ia nesse
scnlimcnlO de inferioridade, lucrando com isso. Assim, neste capflulo. apresentamos
alguns
dad as
da
DesenvolvimcnLO,
mcrcado
a inscn;ao
pesquisa
2001)
de
realizada
referente
pelo
a ocupar;ao
trabalho;
PNAD
e a
aos
(Programa
Nacional
parlicipar;ao das mulhcrcs
anos
de
de mulhcrcs com maiores nfveis de escolaridadc.
negras
de
no
estudo
Sc evidencia que as
mulhercs negras e pardas tern menos allos de escolaridade que as brancas e que par
isso tern mais dificuldade de inser~ao ocupacional. Os dadas dcmonstram
que as
mulheres negras ocupam maior espac;o nos sctores publicos e sociais conquistados
atraves de concursos. Dessa forma, a ascensfio social da mulher negra e garantida na
administra9ao publica, ja que
0
setor privado privilegia a ascensilo social das mulheres
brancas, independenle do grau de escolaridade.
Para a rcalizar;8.o do segundo capitulo:
scxismo na midia e a reprodm;ao
"A naluraliza~ao
dos estereotipos
do racismo e do
negativos sobre as mulheres
negras", foi fcita a analise de duas revistas de nlvel nacional (Rcvista Criativa, mar90
de 2008, da Editora Globo e da Revista Boa Forma, mar,o de 2008, da Editora Abril)
c do documcnrtirio UA Negac;ao do Brasil" de Jocl Zito Araujo (2000). ALraves da
analise se evidenciou a invisibilidade e os estcre6lipos negativos disseminados pclos
meios midialicos,
em especial,
revistas
de circulc195.o nacional
c tcle-novelas
brasileiras. 0 que levou a explana95.o das seguintes qucst5es: apesar da popular;ao
negra rcprcsentar quase cinqiienta par cento da popula9aO brasileira sua cultura nao
e
13
valorizada; ainda impera 0 milo democracia
racial; h~m-se pralicas racistas ern
divcrsos espayos; a mulher negra e apresenlada ainda em negalivQs papcis,
cmpregada domestica,
0 de
de 'mulata sensual', de subalternidade, cia mulher de vida frieil
com a scnsualidade exacerbada. Estas quest6es vern demonstrar a 'naturalizac;ao' e a
manutenc;ao
dos cSlcreotipos negativos
idcntidade racial e da valorizac;ao
que trazem prcjufzQs para a afinna<;ao cia
social da mulher negra. Assim, os meios de
comunicayao negam ao publico a oportunidade de perceber c de valorizar a mulhcr
negra que desempcnha
urn papel essencial
no desenvolvimento
sustentavel, no consumo de bens e servi<;os e reforc;am
0
da
produ<;ao
sentimento de inferioridade,
de incapacidade inlelectuaL
Como
fechamenlo
desta
pesquisa
lece-se
considcravoes
que pcrmilcm
observar que embora os meios midditicos reforcem estere6tipos negativos, as mulheres
negras, atraves dos diferentes espa<;os, naa se intimidam na luta pela cidadania e pelo
fim do preconceilo e da discrimina~ao racial.
14
CAPiTULO 1
RELA<;:OESDE PODER E REPRESENTA<;:OES SOCIAlS
S6 pra mostrar aos outros quase prctos
(e sao quase todos pretos)
e aos quase brancos pobres como prctos
como
e que prctos,
pobrcs e mulatos
e quase bran cos quase prctos e Uiopobres sao tratados.
Caetano
Ha
urn discurso subliminar
caractcrfstica corporal
e qualificada
sabre
ea
da economia
Para a rnulher negra, cabe-lhes
de sell carpo 0 qual
e desumana,
e
e subjugado
ser bela em nos sa socicdade,
cuja
a partir de urn padrao estabelccido. De acordo com
Tonini (2002, p. 105) "0 rnodelo branco
estar associ ado a uma cor padrao
0
V closo
0
projcyao de uma cstetica pcrfeita, por
de mercado."
tcrmo de "rnulata" subtendendo a exposic;ao
pela midia a partir de sua representac;ao estereolipada
cle, elemento capturado pcla imposic;ao de imagens que se tornam
verdades absolutas aceitas pela sociedade em geral, ate rnesrno pela pr6pria rnulher,
quando referenle
a
"mulata", sem atentar
mula2
0
diciomirio da lingua portuguesa de Sergio Ximenes (1954 p. 601)
e segundo
a
origem ofens iva do termo: mulata vem de
mulata "significa - sm. l.Mesti90 de branco; pardo. Adj. (sm) 2. Indivfduo
trigueiro,
escuro" .
2 lray Carone em seu artigo "Breve Historieo
de umll pCSquiSll psicossocial
sohn:: a qllestao racial brasileira" (ver
Cllrone, Ir:lY & Bento, Maria Ap. Silva (orgs). Psicologia Social do Racismo. PClropolis: Rio de janeiro: Vozes,
2002) nos apresema a leoria de Gohineau que estava fundamcnt:lda
numa visao poligenista
da hurnanidndc
e
condcnnva 0 cruzamenlO inler-racial, que teria como conseqii2ncias
a penla da pureza do sangue da r:l.;a branca e
superior c n prodU(,fio de seres infcrleis e ineapazes,
os sem-rw;a, tlue viriam a compromeler
0 potencinl
civilizalorio
de nosso povo. Assim 0 lIlesli~o scria 0 Mulato, equivnlcnte
ao mulo, animnl hfhrido c inlcrlil,
derivado do cruzamcnto do jUlIlellto com a cgua, ou do eavalo {;om ajulllenta.
15
e mais
Segundo Oliveira (2003) a I1lcsti\=agcm
UI11 dentre
QuLros disclIfsos
pn'itica de domina\=ao cia hist6ria cia hurnanidade. particulannente
cia
em rcJa<;fi.o as
representa~6es criadas sabre negros com intuito de negar a sua altcridade, au seja,
A mestic;agem semprc fora urn terma Iratado ideologicamentc.As varitiveis
de sua disclIssiio scmprc pa.<;SQU
pelo crivo da ideologia. E assim que dcsde a
Antiguidade a mestir;ugem
lim lema rundamental
para comprcender as
rcpresentar;ocs que as homens fazcm cia altcridade c determinam, para cste
Dutro, representar;Ocs sociais que favorer;am au desfavore~am a situac;ao
socialdo represcmado. 0 joga de rcpresenlul):Oes, em lorna da mcslir.ragem e
so uma das matrizcs do joga de identidade que foram Iravndos nu hist6ria
humana (Oliveira.2003, p.135).
e
Ribeiro (1991) em seu artigo "A sexualidade da mulher negra" remetc
0
estcre6lipo a uma imagern pejorativa, usada para justificar e lambern realimentar
0
desejo manifesto dos homens brancos em relayao
a
rnulher negra. "Imagens que as
caracteriza como mais sensuais, afetivas e libidinosas, notadamente nos jogos sexuais,
sem deixar de comer urn certo grau de amoralidade e algumas vezes de imoralidade
tambem", para deleite dos homens, por possuir "atributos"
aceitos a partir do padrao
estetico, concretizando assim a "democracia racial" brasileira.
Segundo Bandeira e Batista (2002, p. 127) "sao aceitas na proporyao em que
lais atributos estejam presentes associados
a
sensualidade,
a
exuberancia
er6tica,
evidenciada a vulnerabilidade e manipulayao dos componenLes do preconceito".
A utilizac;ao do estere6tipo (ditados, piadas, chav6es, etc.) da mulhcr negra tern
sua origem no perfodo colonial e aLravessa
teorias, hoje desmascaradas
0
tempo ate as dias atuais, atraves de
por varios segmentos
das mesmas cicncias que os
defenderam, nao contribuindo, porem, para retira-las das pn'iticas racistas as quais
exercem urn efeito negativo na auto-cstima da mulher negra, que tern sua estetica
insultada desde a inffincia, atraves da educayao formal e informal.
16
A violencia
racial
Il1QSlra uma especie
"produz
csquizofrcnica
posiliva
utilizada
da
idenlidade,
relacionada
ao
paJda europeu,
cxigem
perfeilOs,
brancas
como
bclcza
que
anula
urn instrumento
violento
men Ie em uma
sociedade
fazendo
c demandas
a mulher
sabre
0
implicitamente,
CLC., desconsiderando
leones
No mercado
reaic;am
da beleza
(1999,
qualquer
negra
contra
0
onde
p.28)
rcsqufcio
de
proccsso
de
a beleza
inconscientemente
mercado
de trabalho
magreza,
ahivez,
qualquer
e condicionando
natural,
dito "cabelo
perversos
depreciando
de cosmeticos
para alisamento
a beleza
ou como
negros
negra,
Inocencio
se
esta
assimilar
diferenc;a
a socicdade
para
cabelos
ffsica
mulheres
as
lisos e claros,
entre
a pensar
mulheres
que
essa
e a
ideal para chegar.
disponfveis
mais
na mente
A estetica
a sociedadc.
boa aparencia,
dentes
e Dlilra simb6lica.
a que segundo
principal
para ser aceita
Nas propagandas
negras
fisica
simb61ica
como
construryao
esse Illodelo,
face
que ncla possa haver".
e
A cstt~tica
sua
de violencia
lima crise
auto imagcm
apresenta
sua
Os
ideol6gica,
bom",
imagem.
Algumas
para
a maxima
brancas
comparado
de que belcza
sao aceitas
mulheres
que a quantidade
quando
um sistema
nao
parecerem
ate
significa
de dominavao
como
negam
utilizando
sao,
sua
uma
que
urn cabelo
racial,
porque
cor
de produLos
aos produtos
nao
(cfeito
sao
e criticam
infinidade
liso
dos
belas,
outros
de produtos
de cosmCticos.
did,hicos,
excluindo
percebcm,
e maior
incutindo
que
no mcrcado
livros
reforc;ando
do racismo)
e se esforc;am
disponiveis
e posslvel
de cabelo
imagens
contribuem
positivas
de
forma
que exultam
significaliva
a beleza
negra,
para
essa
visao
impossibilitando
17
desde a infancia a identifica~ao como !lOSSOSherois e herofllas negros (as), que fizeram
parte da hisI6ria do nosso paIS, ao contrario da popula9ao de origem europeia.
C fUZCIll
1.1 CORPO E SEXUALlDADE
E
DA MULHER
NEGRA
no carpo e a panir dele que as discrimina~6es ocorrem, onde depositam e
concentram as elementos indicadores, as configura90cs, que nos permitem classificar
os c6digos corporais como a cor da pele,
0
cabelo, a altura,
0
peso, etc.
Segundo Nogueira (2003 p.20) "a analise da representur.rao
social do corpo,
possibilita entender a estrutura de uma socicdadc." A socicdade Ira93 como paradigma,
dctcrminadas caracterfsticas ffsicas, moral e intelectual, desvalorizando as diferenr.;3s
humanas determinadas pela clnia, classe social e Qulras categorias em que
humano, para alem de seu caniter biol6gico,
e
"0
corpo
afetado peia rcligiao, grupo familiar,
classe, cultura e outras intervenC;6es sociais." (Nogueira p. 21)
Quando a cuitura define detalhadamente no que consiste 0 Sllcesso ou a
perfci~iio desejavel sobre qualqucr aspecto - na aparcilcia, nu altura, nu
for~a, nu forma ffsica. no podcr aquisitivo, na economia, na masculinidadc,
na feminilidade, na atitude de bom filho, no bom componamenlo, na cren<ra
religiosa - cxislem dilames correspondenlcs e lendencia a avalim;ao na
psique de (Odos os sellS membros. Pananta, as qucstoes da mlllher negra
sclvagcm rejeitada gcralmente sao duplas: a Intima e pessoal e a extrema c
cultural. (Estes, 1995. p.219)
Ribeiro (1991) trata da sexualidade da mulher a partir da consciencia corporal a
qual se diferencia de acordo com as etnias. Para
0
povo negro
0
corpo
e
tratado como
a "melhor lugar que se tern para morar, scm muitos 1'alsos moralismos e inadequac;oes
de coberturas, a mulher esta Jigada a terra, prospcridade, futuro, nao esta prcocupada
com a sexualidade",
pais para
comprecnsao de sua cultura,
"0
0
ufricano, carpo e mito s5.o essenciais
corpo
e mais
para a
libcrto e tranqUilo que outras elnias, seu
18
andar
e
mais saito em comunhao
difercnte. que lembra urn
ressecados
africanos",
pOlleo 0
com
0
cixo que liga a terra, tem
lim
molejo
andar sabre scixos rolados dos leilos dos rios
suas roupas
sao coloridas, c utiliza-se de enfeites e
Assim para a eultura negra4:
o corpo e a represcnla9ao concrcta do tenit6rio em movimento. Ao
conlrario de uma pcrce~flo do muntlo na qual a alma c andc reside a fOf9a
de contilluidade, para uma cultura
negra a fOf9a esta no
corpo, nao existe essa ideia de ulTla fo~a interior alavancada pela U9ao cia
fe. Toda a possibilidade encontra-se no corpo polente que procura suns
mediat;6es nas rela90es que conslilui no cosmos, daf 0 companilhamenlo
como praxis seT uma qucslao fundamental para sc entender a dinamica
de
e a possibilidade
uma culLUra negra
Ribeiro
(1991)
"ao
ocidcntal
contrario
(SECAD,
2006,
da civiliza9ao
basicamente por povos bran cos, que considera
0
p.5S-59).
ocidental
crista
corpo, principaimente
0
composta
da mulhcr,
desde slljo ao maligno, ligando-o aos mais horrentos pccados."
Pode-se perceber que
0
corpo cumprc uma fum;ao ideol6gica, isto
e, a aparencia
funciona como garantia ou nao da integridade de uma pessoa, em termos de grau de
proximidade ou de afastamento em relar;ao ao conjllnto de atributos que caracterizam a
imagcm dos indivfduos em termos do especlIo das lipifica90es.
Ao tentar expor de que maneira ocorreu e ocorre esse processo, pelo qual pass a
o corpo e a feminilidadc da mulher negra, utilizo como pano de fundo todo passado
Segundo 0 dicionario
(J Novo
Dieionario
Danto do Brasil de Nei Lopes (2003. p.35) significa ornamento
constante de uma penca dc enfeites-amuletos,
em geml, de prata, usado pelas ncgras baianas em dias fcstiv{lsVoz onomatopaica
de origem africana.
40 livro organizado
pcla SECAD: "Orientar;oes e A«oes para a Educu'fuO £las rc1ar;:6es ctnico-raciais
(2006, p.
217) nos apresenta uma delinir;fio de cultura-cullum
negra: conceito central das humanidades
e das ci~ncias
sociais e que corresponde
a um terreno explkilo de lutas poiflicas. Para Muniz Sodre. a demonstrar;fio de cullura
eSla compromelida
com a demonstr<l(;:fio da singularidade
do indivfduo ou do grupo no muntlo: "a nor;ao de
cullura c indissocitivcl
a idCia de um campo norm:llivQ. Enquanto cia emergia. no Ocidentc, surgiam tamhCm as
regms do campo cultural, com suas sanr;6es- POSilivus c negalivas" (Sodrc.
1988). Podemos conceituar 0 lermo
culturu como cSlratcgia cenlral para a dctinir;ao de idcntidadcs
c de altcridadcs
no mundn c(lnternporancn,
urn
3
recurso par:! a alirmar;iio
contradi(jUcs.
da difcrcT1r;a c da exigcncia
do seu
reconhccimcnto
c urn campo
de lutas e de
19
historico
que atravessa,
impassfve]
pensar,
esta inserido
scm sombra
de duvidas,
no<;110minima
scm tcrmos
da criar;50
alimentava
destitufdo
historicamente
tada
dessa
"calegoria
sorle
de
de sua condi<;ao
perversidade
sexual
Nesta condi<;ao eram desejadas, pais satisfaziam
eles
psfquica
a qual
seria
negro"
onde
essa mulher.
Seu carpa,
par
a constituiyao
rcpudiadas
pais
as
viam
como
que
humana,
tinham
coisificado,
senhores.
sellS
apctitc sexual dos senhores
0
criaturas
repulsivas
e
e cram
descontroladas
sexualmcl1tc.
Nao podium,
funcionavam
pela condiyao
como
maquinas
semprc
cram
vendidos,
Tinham
como
possibilidade
reproclutoras.
que
0
de leite do filho do senhor.
de
qualquer
possibilidade
permitido
essa
heran<;a
materna
matriarcado
Seus
e, a mulher
como
e paterna,
a
mulher
do ventre
fortes
do
sempre
enquanto
desinvestida
sua
negra
quase
Senhor.
feminilidade.
,quando
Ihe
livre (fase pre-aboli~ao),
de familia
mulheres
quase
exercer
apenas
pertenciam,
interesse
e historicamente
negra
escolha
polo organizador
portanto
Ihes
materna",
permitisse
pOllca
nao
pelo
sua "fun~ao
que
deixou
filhos
afetivamente,
que
exercendo
ao mesmo
funcionavam
foi
foram
tempo
em regime
a
de
.
Giocomini
sllgerindo
trabalho
Isto
sc vincularem
determinado
fiear com os seus filhos no perfodo
elas que funcionaram
fun~ao
era
de exercer
amas
Toda
de mercadoria,
que
for~ado
de sensualidade
(1988)
aponta
em rela~ao
chamar
para
de liberdade
e liberdade
a necessidade
as mulheres
sexual
negras
economica,
da mulher
de uma
nao
visao
se podem
ao estupro
negra".
crftica
fazer
institucionalizado
Isto traduz
da historia,
redu<;6es:
uma
"Ao
chamar
situac;ao
de
20
perversidadc
s6ciorracial
brasileira,
resultando
na invisibilidade
C Oll
ocultamcnto
cia
presen<ra das ITIulheres negras na sociedade.
Lelia
Gonz{i.les (l980)
contribui
para a retlexao
sabre
0
intercruzamento
e machismo e seu rebatimento para as mulheres negras: "Para n6s,
racisrno
constitui
uma sintomatica
que caracteriza
vcrcmos
que sua articulac;ao
com
0
a neurose
sexismo
produz
cultural
efcitos
brasileira.
de
0
Nesse
entre
racismo
sentido,
violcncia sabre a mulher
negra.
Tocla a hist6ria
sexualidade,
historia5
a
formw;ao
vcm tentando
negac;ao dos direitos
de
e
a
auto-estima.
"driblar"
0
cia mulher
No entanla,
preconceito
tern acrescenlacio
as mulheres
negras
danos
ao logo
a
cia
e a discriminac;ao.
Dc acordo com Goetter! ( 2000, p. 55) no Brasil, no tocante a invisibilidade
feminina
nos documcntos
hist6ricos
oficiais tcm-se 0 registro da participaqiio
da mulhcres ncgras em rebelioes c lutas polfticas _No
scculos XVIII c XIX , na luta contra a escravidao
e pela liberdade,
registrou-se
a prescn~a dc lidcranps
fcmininas. Destacam-se Tercza, do Quilombo dc Quaritcrc, em MaiO Grosso e Zcferina, no Quilombo de Urubu
na Bahia. Uma outra forma de resiSlcncia das mulhcrcs
ncgras foi a utilizar,tiio do abordo quando engravidadas
pelos scnhores de cscravos.A
presen~a feminina na hlla contra a escravatura
pcndurou
por dccadas contandu
lambcm com 0 apoio de Tllulhcres brancas abolicionislas.
5
21
1.2 A MULHER
NEGRA
NA BASE DA PIRAMIDE
SOCIAL
Quanta a mim, assumo minha identidade negra
amanda
minhas
ralzes
rclembrando
deixadas
em Moc;ambique
minha talarava,
e trazida
como
pegada no
animal
lac;o
para cste pais;
fazendo memoria da escravidao sofrida por mcus antcpassados.
Revendo
as dores
de minhas
avos na senzala
na cozinha
quero colaborar
fazcndo
que scrvcm
com raya alguma,
de
memorial
e
de madamcs,
das trisles
hist6rias
fOfya para que nao mais se repita,
as atrocidades
que sofreu
0
povo negro
no passado e sofre no presentc.
(Joana
Sec mulher
atividade
filhos,
nllma
inteleCLual
nITo
e f.cil.
sociedade
e a mulher
Segundo
machista
como
Ribeiro
feminino)
se cmbasam
em
resultando
em vivencias
hierarquizadas
de
0
homem
fr<igil limitada
sexo
(2004
confronto
em que
entre
entre
as dais
para 0 homem 0 publico, tada atividade intelectual, enquanlo
se perpetuando
ate as dias atuais
tidos como
naturais,
publica
Assim,
que
a casa
(masculino
e
e
e privada,
a autora
refon;a,
para as mulheres, 0
ConceilO
manlenJo
pader e tada
como
de genero
a vida
sexos",
privado, suhmctcndo a subordina~ao e a trabalhos manuais.
0
a cuidados
p. 88) "As rela'ices
podcrcs
detem
dos Anjos)
assim
estes que foram
a divisao
sexual
do lrabalho.
Em vista dista, as condiyoes subjetivas sao construidas a partir das condic;5es
objclivas,
ou seja,
cntender
pagamcnto de salarios
cmprcgador.
a mulher
como
um
ser inferior
menares, por exemplo. IslO signiricaria
aD homem
justifica
maiores lucros para
0
0
22
Infelizmente
0
preconceito se mant6m tanto
como lambcm com a questao ctoica,
mulher e negra, pais sorre-se com
0
0
eill
rcJa'tao ao genera, a mulher,
negro. A sitLU1~aolorna-se pior quando se c
preconceito etoico c de genera.
Segundo 0 PNAD e 0 (lBGE) de 1999 e 0 Censa (2000) verificoll-se que 0 total
de negras (pretas e pardas)
e
de 36 milh6es e 300 mil.
Que significa 23% da
populuyao brasileira, 44% da popula~ao feminina, 27% da popula~ao rural: 22% da
popula~ao urbana. A presen~a feminina
para
0
desenvolvimento
e crescenle
e sua importancia c inquestionavel
do nosso pais, porem mesmo representando 44% ainda se
enconlra em siLua~6es inferior ao homem devido a estere6tipos criados em sua figura.
Na IUla pela dignidade
destacam-se
muitas
lTIulheres, dignas
de serem
homenageadas, por sua for~a. carater e deLermina~ao, visando uma sociedade mais
justa, com direitos iguais independentes da elnia, condi~ao economica e social. Cito
apenas uma, que considero como paradigma na minha vida, uma heroina assim como
todas as mulheres
negras em nosso pais que labula todos os dias contra a
discrimina~ao e preconceito.
incdila Alves Marques, mulher negra, de famflia humilde, foi a primeira mulher
em 1945 a se formal' na Universidade Federal do Parana em engenharia Civil, para que
pudessc estudar, sua mae trabalhava de lavadeira.
ESlrategicamenle imagens positivas da mulher como a historia de Inedita nao
sao vistas no contexto educacional,
0
que aparece sao mulheres cheias de cstereotipos,
onde se faz questao de enfatizar sua desqualificac;ao social.
E
importanle ressaltar que apos a implementay30 da Lei Aurea, com a vinda de
imigrantcs europeus, que passaram a ocupar
0
Jugar dos lrabaJhadores negros na
23
agricuiLura, industria
e comercio,
foram as mulheres
negras que conlinuaram
trabalhando nas casas dos ex-senhores, que asscguraram a sobrevivcncia da famflia
negra,
ja
que os homens
negros perderam seu trabalho
e foram reduzidos
a
marginalidade. Cozinhando, amamentando e criando as filhos dos palr5es, vendendo
quilules nos mercados. Foi assim que, al6m de sustentarem suas familias, abriam casas
de candomblc,
criavarn seus filhos de santo, preservando
cOJl1unitillia
tinha suas ralzes na Africa.
que
a ideia
da famflia
Ela, a mulher negra, na ardua luta pela sobrevivencia, torna-se rorte, aprende a
tomar a iniciativa, a decidir sozinha.
Nao e de
estranhar que rnuitas dclas estejam nas
lutas comunitarias liderando movimentos da popula9ao mais marginalizada.
Embora forte, auto-suficiente,
oulras mulheres, para ter acesso
a mulher negra encontra mais barreiras que
a escolaridade, a eapacita\=ao profissional
e a melhores
remllnera\=oes no mere ado de trabalho. Se outras mulheres sofrem restri<;6es de accsso
a fun<;5es de dire<;ao a profiss5es mais tecnicas, consideradas
gradativa e ientamente podcmos verificar
0
domfnio masculino,
acesso dcstas mulheres no trabalho melhor
remunerado.
A rnulher negra tem dificuldadc devido ao fator adicional da cor, associada aos
anlccedentes hist6ricos da escravidao, que a remete a funcroes que cia desempenhava
na sociedade colonial e imediatamente no p6s-aboli<;ao.
Algumas das pesquisas realizadas nos ultimos anos mostram que a mulher
negra apresenta menor nrvel de escolaridade, trabalha mais, porem com rendimento
menor, e as pOlleas que conseguem
romper as barreiras
do preconeeito
e da
24
discriminay30 racial e ascender socialmente
tern menos possihilidade de encontrar
companheiros no mercado matrimonial.
No livro, "'Compromisso das empresas com a promot;:ao da igualdade racial"
(2006), realizado pelo Instituto Ethos, Marcia Lima (2006, p.62) em seu artigo
"Genero, Ra~a e Ocupac;ao no Brasil: A mulher na base da pidirnide socia!" apresenta
algumas
informac;oes
sabre as desiguaJdades
no mercado
de trabalho brasileiro
mostrando a condiyao social das mulheres negras por meio de dados estatisticos da
PNAD de 200 I. A tabela abaixo mostra a distribui,iio das mulheres ocupadas, nos
principais ramos de atividade~ segundo a posic;ao na ocupac;ao e a cor. Brasil. 2001 (%)
(Fonttl>nad:2001)
Para Lima (2006), pesquisadora e professora do Departamento de Sociologia da
Universidade de Sao Paulo,
25
as l11ulheres brancas estao milis formalizadas do que as prctas c pardas, alem
de aprcscntarem
lim
pcrcentual
mUlto mals
significativo
como
emprcgadas.Na prcsta<;:ao de servis:os dcstaca-se que 71,2% das mulhcres
pretas c 63,55 das mulhcrcs pardas estao no scrvi<;:odomesticu a maci9a
maiaria scm carteira assinada. Para l:L<; mulhcres brancas no setar de
preslm;ao de servi90s nao se da majoritariamenlc no scrvi90 domestico,
como ocorre com as prelas e pardas. Em rcla9ao ao social, podemos
dcstacar que um IC~O delas, indcpcndcnlcmcnlc do grupo de cor, esla no
funcionalismo publico (Lima, 2006, p. 62).
Conforme Ribeiro (2004)
c
flagrante a enorrne concentrw;:50
de negros nas
faixas de menor renda da populavao brasileira. Ao aponlar a pesquisa do rnstituto de
Pesquisa Econ6mica Aplicada (IPEA), publicada em 2002, a autora procura mostrar
que em 1999 os negros representavam 45% da popula<;5.o brasileira. Entre os 53
milh6es de pobres, os negros correspondem a 64% do lotal e a 69% da popular;:ao de
indigentes. Da mesma fonna,
subcmprcgados em todo
0
e
majoritariamente negra a rnassa de desempregados e
pais.
Constata-se que as mulheres negras sao mais frequentememe submetidas a
ocupa~6cs pred.rias, seguidas das mulheres brancas e dos homens negros,
como por cxemplo, no scrvi'Yo domestico, que a maior area profissional
reminina do pais, ocupando aproximadamente 4,6 milh6es de mulheres em
um total de 5 milh6cs de tr<lbalhadores em 2000, sendo 71% dessa mao-dcobra composta por mulheres negra.A allsencia de regulamenta~ao
profissional pennite uma serie de violm;6es, que submetem as trabalhadoras
dOlllt!sticas, dentre outros constrangimentos •il violCncia sexual e moral por
parte dos empregadores, 11 jomada de trabalho escravizante e a salarios
irris6rios sob a falsa argurnelllas:ao do acolhimento (Ribeiro, 2004, p.90).
c
Percebe-sc assim a persiSlencia c a rcprodur;:5.odas desigualdadcs de genero c
rat;a no mercado de trabalho e na socicdade brasilcira.
A tabela a seguir traz informa~5es a respeilo das difcren~as no nfvel de
instrw;5.o das mulheres ocupadas par ana de eSlUdo.
26
Scm instru<;50
1 :'13
C menos de
anes
4a7anos
ano
BRANCAS
PRETAS
PARDAS
TOTAL
4,7
13,9
13,7
8,5
8,3
14,5
15,5
11,3
24,8
30,8
29,2
26,7
31l0S
16,8
16,8
15,6
16,4
a 14 anos
31,6
20,5
21,7
27,3
8 10
11
lim
15emais
13,4
3,2
3,7
9,3
Scm declaracrao
0,4
0,4
0,6
0,4
Fonte.
Pnad 200 I
De fata,
e passive I constatar
que as mulheres negras possuern menos nlvel de
cscolaridadc em rclw;ao as mulheres brancas, com desvantagcm bern significativa.
Lima (2006, p.64) afirma: "Enquanto
l11ulhcrcs
essa taxa
13,9% das mulheres pretas e 13,7% das
pardas tern ate no maximo urn ana de escolaridadc, para as mulheres brancas
e
de 4,7 %. Assim, "em conlraposi~ao.
urn pcrcentual
muito mais
significativQ de mulheres brancas conclui ou pelo menas ingrcssou no ensino superior"
(Lima, 2006, p.64).
Pensar a mulhcr negra na base da sociedade, implica em pensar as causas para
a naluraliza~ao ideo16gica desse fato
em nossa sociedade , para tanto , rccorro aD
artigo "A Mulher Negra" de Silva (2003),
professora
no departamento de ciencias
Sociais da Universidade Estadual de LondrinalPR , que cOnlribui para
0
dcssa temalica. Segundo a autora "a pobreza e a marginalidade a que
reror~a
0
entendimento
c
sub met ida,
preconceilo e a interioriz3'r3o da condi~ao de inferioridade, que em muitas
casas inibe a rcat;ao e luta contra 3 discrimin3yao sofrida."
27
Devido a silWl~ao precaria em que vivem, sao obrigadas a trabalhar muito cedo
se sujcitando a sahlrios mcnores, para contribuir no on;amento familiar, prcjudicando
0
desempenho escolar chegando muitas vezes a parar de eSludar..
Santos (2007) em seu estudo "Educa~ao e Rela':(oes Raciais: Um esludo de
casa" nos mostra que:
como a cscola na~ e!Sta isenta das tens6es e conflitos que permeiam as
constnu;oes das rcprcscnta~6es culturais da sociedade onde cia esta
inserida, poueas vezes cia tem pcrcebido como um agente de reprodu~ao de
desigualdades sociais e raciais. E bern sabido que as difereo9as e
desigualdadcs sociais tern imponantes efeitos sabre a escolarizw;:ao e as
trajetorias escolares (Santos, 2007, p.45-46).
E importante salientar que, se negras (os) nao tern
qualidade,
como
discrimina<;ao e
0
terao
chance
de chegar
a
0
acesso a uma escola de
universidade.
Percebe-se
que
a
preconceito racial utilizam de diversas estrategias para camuflarem-
se, como por exemplo,
0
nao invcstimento na educa<;ao (em formayao profissional
continuada e salcirios dignos aos profcssores/as) principal mente em escolas localizadas
em periferias onde podemos encontrar urn numero signit1cativo da popula<;ao negra. 0
despreparo dos profissionais para trabalharem com crianyas negras, contribui para a
evasao cscolar "contudo, nao podemos deixar de considerar que esse horizonte nao
e
absolulO c mesmo com toda a barbarie do racismo ha uma parcela de mulhercs negras
que conseguiram vencer as adversidades e chegar
ponte para
0
a
universidade, utilizando-a como
sucesso profissional" a1can<;ando a mobilidade social arduamente e em
longo prazo (Silva 2003).
A autora nos remete aos estudos de Bernardo (1998), que em seu trabalho
sobre a mem6ria de velhas negras na cidadc de Sao Paulo, mostra como
e
diffcil a
mobilidade ascensional da negra - especiaimcntc na conquista de urn cmprcgo melhor,
28
pais a maioria das negras trabalhava
na informalidade,
au como cmprcgadas
domCSlicas.
A tabela seguinte aprescntada por Lima (2006. p. 65) apresenta a inscn;ao de
mulheres com nfveis maiores de cscolaridade. com onze quatorze anos de estudo, no
mercado de lrabalho e suas diferen<;as por cor.
Bnlllcas
)Jrctas
Pardas
Agricola
1,0
0,6
1,0
1,0
Industria de transformar,;ao
10,6
8,1
8,6
9,9
Total
lndllstria da conslnJ~ao
0,6
0,8
0,5
0,6
Outras alividades induslriais
0,5
0,2
0,5
0,4
Comercio de mercadorias
22,3
15,6
20,1
21,4
Prcst1l9ao de servi90s
14,8
23,3
18,2
16,2
Scrvi90s auxiliarcs da <1lividadcccon6mica
7,9
4,3
5,5
7,0
Tmnsponc
2,1
2,4
1,5
1,9
29,9
34,0
34,2
31,3
e Comunicuryao
Social
Administraryao
PUblica
OUlras atividades
6,4
8,6
7,9
6,9
4,0
2,3
2,0
3,3
Fonte: Pnnd 200 I
Assim Lima (2006) observa que:
o peso cducacionnl oa melhoria dus condi90es de inser9uo para lodos os
grupos de cor. A queda na presla~ao de servi~os e em atividades agricolas e
o crescimenlO Ilil administra9ao publica enos
servi<;os auxiliarcs da
atividade economica demonstram 0 retorno do investimento em educ<l9iio.
Quanta as desigualdades intcr-raciais. nota-se que as mulhcres negras tGm
na adminislra<;ao publica e no social suas principais portas de ascensao,
ellquunlo as mulhcres brancas, ulem de apresenlarem pcrccntuais altos
nesses ramos de alividadc, conseguem ainda uma insen;ao significaliva em
servi90s auxiliarcs da atividadc cconomica (Lima, 2006, p.65).
Diante dessa realidade tao excludcntc, cabc ressaltar que algumas mulhercs
ncgras, conseguiram ascender profissionalmenle,
embora tivcssem que passar por
duras experiencias abdicando de realiza,:;ocs como namoro, casamento, filhos elc., com
29
intuito de comprovar sua competencia profissional. Segundo Silva (2003) al6m da
necessidade de comprovar a compctencia profissional, lem de lidar com 0 preconceilo
e a discrimina\=ao racial que Ihes exigem maiores esfon;os para a conquista do ideal
pretendido. A questao de genera
e, em
a da
si, urn complicador, mas, quando somada
ra\=a,significa as maiores dificuldades para as seus agcntes.
Paul Singer (1998 apud Silva 2003) que nos mostra que,
a medida
negra asccndc, aumentarn as dificuldades especial mente devido
domesticos
scrvic;os
conseqiientcmente
encontra
0
que
nae
representam
as mulheres negras
lem
prestfgio
naD
livre acesso e
e
a
que a mulher
concorrencia.
ha
Em
concorrencia
e
nesse campo que se
maior ndmero delas.
Silva (2003) ainda salienta que, a mulher negra tern que dispor de uma grande
energia para superar as dificuldades que se impoc na busca da sua cidadania e que nos
ultimos anos a sua entrada nas universidades
esta aurnentando,
abrindo
novas
perspectivas, uma sociedadc menos opressora que a reconhe~a como parte da mesma
para
0
dcsenvalvimento do pafs.
Contudo,
muitas,
e
possfvel constatar que conquistas temos, algumas e lutas temos
a serem
Especificamente,
travadas
para que
csta
cruel
no que se refere aos estere6tipos
realidade,
se
modifiquem.
imagens negativas
sabre as
mulhercs ncgras, em que a mfdia tern grande influcncia refor~ando e naturalizando
preconceitos.
30
CAPITULO 2
A NATURALIZA<;:AO DO RACISMO E DO SEXISMO NA MIDIA E A
REPRODU<;:AO DOS ESTEREOTIPOS NEGATIVOS SOBRE AS
MULHERES NEGRAS
o racismo e uma doen<;a da mente
e da alma.
Ele mala mais do que qualquer epidemia,
desumaniza a qualquer urn que venha a afetar.
A lragcdia e que a cura esta
ao alcance de nossas maas,
no entanto naa nos aproveitamos dela.
(Nelson Mandela)
Na publici dade de aproximadarnente quinze anas atras, as mulheres negras naa
existiam. A negritude chamava a ateogao da mfdia somente em quest6es relacionadas
musica e ao futebol. Atualmente, devido
situa<;30
a
interferencia dos movimentos
esta urn pOlleD diferente, mas ainda esta dislante
de situa<;6es
sociais6
concretas
a
a
de
iguaJdade.
6 No que sc rcfcrc a intcrfcrcncia
dos movimentos
sociais na nega<;:ao dos estere6tipos
c tin lUla pcla cidadania
podcmos citnr como exemp!o, conforme
0 artigo
das autoras Pinho; Ribeiro; Soares(2002)
"Conslrw;ao
de
Argumentos"
puhlicado
pcla Revista Curso Nacional de Advocacy
feminista
em saude e direilOs sexuais
reprodulivos,
a panicipar;ao
do Movimento
Negro na discussfio das cxpcriencias
de implanta~iio do quesito cor
nas pesquisas e censos que pcrmitiram
a visihilidade
para doel\(.as que tern conscquGncias
mais graves para a
popular;fio negra (como a anemia falcirorme)
e que devem ser tratadas como questfio de saude puhlica.
Dcstacamos
ainda, as ar;6es afirmativas
em parccria com a iniciativa privada e universidades;
capacitar;ao
de
mulhcrcs negras em comunicar;ao,
novas tecnologias,
advocacy
em mfdia e em pollticas
publicas;
cursos
preparalorios
para 0 m:essO a Universidade;
intervenr;oes
nos currfculos,
capacilar;50
de educadores
(as) e
produr;iio de recursos didatico-pedag6gicos
alternativos,
atendimento
a saude, psicossocial,
jurfdico e de direitos
humanos as mulhcrcs negras em viirias regioes do pafs. Assim, percebernos
que as organizar;oes
de mulheres
negras brasileiras
vcm dcsenvolvendo
uma sede de experiencias-modelo
em diversos
campos
buscando
scnsibilizar
e demonstrar
aos governos,
em todos os niveis, a viabilidade
de polfticas pliblicas para cstas
queslOcs.
31
A primeira
interferencia
apreSCllIarem a popula~ao
referiu-se
a
prodw;ao dos materiais didalicos por nao
negra que representa
quase cinqOenta
por eCllto da
popu\ayao brasileira e em seguida, a intcrferencia dos movimentos sociais se deu pela
da popuJayao negra
invisibilidade
fla
televisao, nos jornais e nas revistas de circulac;ao
nacional.
No ano de 1988 comcmorou-se
0
centenario da aboliyao no Brasil abrindo
espayos para estudos sabre a aboliyao do ponto de vista do escravizado e nao mais do
colonizador. Em 1995 acontece a "Marcha de Zumbi dos Palmares contra
0
Racismo,
rei a Cidadania e rei a Vida", opondo-se a qualquer forma de escravidiio, reunindo os
Movimentos Negros que conquistaram a pauta nacional e que tomaram
novembro
0
0
dia 20 de
dia da Consciencia Negra. Nessa ocasHio, cerca de 30 mil pessoas
estiveram em Brasflia, numa reafirrna<;5.odo Programa para a Supera<;ao do Racisrno.
Iniciando a partir dal, urn novo cicIo de dialogos com a administra<;ao publica federal,
a partir do governo de Fernando Henrique Cardoso, resultando em diversas a<;oes no
campo da prorno<;5.oda igualdade racial.
Dessa forma ja nao
e mais possfvel
continuar acreditando que vivemos em urn
pafs onde impera a dernocracia racial, ela se torna um mito. Em nosso pais impera
0
racismo institucionalizado, tem-se pnlticas racistas em diversos espa<;os.
Assim
0
governo desse perfodo, criou um grupo de rrabalho insLitucionalizado
para formular polfticas com
0
intuito de combater a racismo. Nessas discuss6es a
publicidade foi intimada a dar mais espa<;o para
0
resgate da diversidade brasileira. As
discuss6es e a luta dos Movimentos Sociais prosseguem, embora estejamos ainda
32
longe da tao almcjada forma de reconhccimcnto da popu)a\3o negra
POf
parte da midia
nacional.
Sabe-se que rai dccisiva a panicipa950 dos Movimentos FcminisLa, Negro e de
Mulheres
Ncgras para que houvesse
mudan93s
significativas
quanta
a maior
visibilidadc para as reia90es raciais e de genero, "a situa<rao alterou-se, sobretudo na
(illima dccacta. Com isso as mulheres negras conquistaram maior visibilidade como
sujcilos polfticos, dcstacando-se duns express5es de organiz39ao:
ONGs de Mulhercs Negras e
0
a Articulw;:ao das
Forum Naeional de Mulheres Negras" (Ribeiro, 2004,
p, 99-100). Allerando assim a agenda nacional, que agora nao possui apenas lideran<r3s
'naluralmentc' masculinas.
No cmanto, no que se refere
a
midia tcm-sc muho a avan<rar7. A literatura
e
a
principal fome para as oulras mfdias. 0 lealro. as lele-novelas. 0 cinema. as mini-series
que se alimenlam particularmente
da literalura. Entao os estere6tipos
criados na
literatura circulam c sao muitas vezes lranspostos para as outras midias, e assim, a
l11ulhernegra nos diversos meios midiaticos C aprescnlada ainda nesses dois negativos
papcis: 0 de cmprcgada domestica e de mulala sensual. !sso refon;a as estere6tipos
negativos sabre a mulher negra,
0
papel da subahernidade e 0 da mulher de vida fdeil
com a sensualidade exacerbada.
Cabe dcslacar aqui
0
papel da escola. atravcs dos livros didaricos, na supera\=ao
dos eSlere6tipos e da imagem negativa da popula-rao negra apresentada pela mfdia. na
7 Oliveira (1997) em
junto aos mcios de
simpaticos
~s cuusns
irnportantes
espalfos
impOrlOr!!e e aliar-sc
lu!afeminisla.
seu livro "Mulher e Mldia: ullla paUla dcsigual" sugcre que 0 rnovimcnlo
feminista atue
comunicalf50,
poT e)(cmplo, mapcando
nas rcdalfOes os profissionais
rnais sensiveis
e
de gcncro c emia. 0 dialogo permanente
corn jornalistas
pode peTmitir a abertura de
em edi!orias c programas
de radio e TVs de grande audiCncia ICminina. Outro ponto
com II interne! c com rcdes privadns de cOfllunic:l(fi\o pum dor slIstcntao;;ao e visibilidadc
11
33
forma~ao de uma auto-imagern positiva do negro e da negra e na valoriza~ao da
cultura africana e afro-brasileira.
Menegassi; Souza(2005)
em seu arligo sabre "A visao do negro no Hvro
didarico de portugues" contribuem no entendimento dos mecanismos de rcprodw;ao da
irnagem negativa da populac;ao negra ao mostrar aLraves da analise de livros didaticos
realizada em Urnuarama-Paraml, que a
discrimina,:(ao pode scr facilmente
prcscnr;:a de estere6tipos
constatada
no contexto
e de fafmas de
escolar
atraves
das
referencias deforrnadas por ilustra<;6es preconceituDsas, caricaturas do segmento negro
repassada
aDs
alunos por meio do livro didatico. Os autores ressaltam
professores diante de tais a<;oes de desrespeito
aD
silt~ncio dos
0
negro, promovidas
pelo livro
did<itico e par toda a sociedade escolar, como urn todo.
Para Menegassi;
Souza (2005),
0
valoriza~ao da "pluraJidade cultural", que
ambiente
e0
que convivem em nosso pais. 0 mito de que
0
apenas impede os grupos ctnicos de conquislar
socicdade.
apresema
o fato
e
No enlanto, percebe-se que
0
negro,
0
0
escolar
favorecer
a
Brasil possui uma democracia racial
0
respeilo
C 0
espm;o necessarios na
livro didatico, nas raras ocasi6es em que
focaliza como um elemento muitas vezes
que tal procedimento
deveria
resultado dos diferentes grupos sociais
caracteriza
a margem
da sociedade,
a paiftica de branqueamentoll,
ista
e,
8 Segundo
Menegassi;
Souza (2005) em seu artigo sobre "A visao do negro no livro didMico de portugues",
apresentado
lla Revista Espavo Acadcmico.
apresentam
rellexQes importanles
no que se n:ferc
polftica de
branqueamento.
Segundo os autores, a discriminavao
sofrida pelos negros produz efeitos negativos em relm;ao a
pr6pria unificm;ao do pafs. No dccorrer da hist6ria, uma massa de ex-cscravos
roi cxelufda pela sociedade apos a
aboliviio. 0 cstimulo
imigravao europCia impediu a democracia
aos negros e ainda limilou suus possibilidades
de panicipa,<iio polltica. gerando cOllseqilelltemcllte
a polflica de Immqlleamento, que nuda mais
do que 0
tcrmo utilizado por uma ideologia quc dcfende 0 pro(.:csso de miscigcllm,;ao como a forma mais eficaz para
a(.:abar com a opressiio racial. 0 objetivo ideologico dessa polltica de brallqueamento
era e ainda e disseminar
que 0 pafs nao apresenta
diferentes
grupos raciais,
demonslrando
assim uma na~iio branca,
quc pela
miseigenm;ao
irti erradicar 0 negro da popula,<iio do Brasil. como se isla fasse lim abjetivo velado na sociedade
como um todo. Essa polftica se propaga mediantc a maneira pel a qual 0 negro vern sendo mostrado ao Ion go da
historia, de forma estcreotipada
Oll inferior, criado arenas para servir. Naa
passlvel silenciar diante da prcsenva
a
a
e
e
34
demonstra que a educa<rao brasilcira parecc nao
SCI'
desenvolvida para alunos negros,
pais os rnesmos nao conseguem se identificar diante das caracterfsticas que Ihes sao
atribufdas, ja que por vezes elas aparcccl11 relorcidas no contexte escolar.
Silva (2007, p.162) em seu artigo "Desigualdades Raciais em livros didaticos e
Iiteratura infanto-juvenil"
contribui para a compreensao desse lerna aD explorar as
resultados de pesquisas brasileiras sabre
0
racismo na literatura infanto-juvenil e sabre
o racismo nos livros did{iticos. Dessa forma,
0
autor nos reporta aos estudos de
importantes autores (Rosemberg, 1985; Negrao, 1988; Negrao e Pinto, 1988, 1990;
Piza, 1995; Lima, 1999;Souza, 2005),
pesquisas
sabre
particularmente
"a
mulher
prcsa
apresentar
aD
a sfntese de resultados
estere6tipo
aD
as senhoras submissas,
de
de
cmpregada
domestica,
sem vida pr6pria, dcvotada
aos patr6cs
brancos".
Silva (2007, p.185-186) conclui em seu estudo que
"0
aumento de freqiiencia de
personagens negros e modifica':(oes em caracterfsticas determinadas dos discursos nao
significararn
0
tratamento
reafirmando,
"a tendencia
igualitario
gcrai
e
aos
grupos
manter
raciais
negros
os personagens
e brancos",
negros
presos
a
representw;6es estereotipadas e socialmente desvalorizadas".
E posslve] perceber conforme os estudos de Silva (2007), Menegassi; Souza
(2005), Araujo (2004) que os !ivros didaticos, assim como os livros de literatura
infanto-juvenil
e a mfdia, em especial
as tele-novelas
brasileiras,
continuarn
apresentando aos leitores e expectadorcs, uma visao pejorativa dos negros c ncgras,
de estereotipos c discrimina~i)es na sociedade e principal mente no contexto cscolar.
dimensao
idcol6gica
conSlilUfda peJa polflica de "hranqueamenlO"
E importantc obscrvar a
da populn~5.o brasileira.
35
desvalorizando sua cultura e inviabilizando a promo93o da cullura af"ricana e afrobrasilcira.
2.1 A SITUA<;:AO DE VIOLENCIA,
A DISCRIMINA<;:AO
DAS MULHERES
NEGRAS EO OLHAR DA MIDIA
Ao tratar da mfdia e das mulheres ncgras
comunica<;ao oa forma<;ao de valores e
impcra
a naturalizayao
do
racisrno
0
c
preciso enfatizar a ccntralidade da
refor~o ao prcconceito oa sociedade, ainda
e do
sexismo
oa
midia
que
rcproduz
siSlcmaticamcnte os estereotipos e estigmas sabre a mulher e em especial sabre as
mulheres negras, trazendo prejufzos para a afirmayao de sua identjdade racial e para a
sua va!oriz395,o social.
Constatu-se que nao e automatico que direitos on lei signifiquem direitos oa
vida, principal mente quando falamos da situa<;ao das mulhercs negras. A muIher negra
tem side, ao longo de nossa hist6ria, a maior viti rna da profunda desigualdade racial
vigente em nossa sociedadc.
as poucos estudos realizados revelarn um dramatico quadro, que se prolonga
desde muitos anos. Uma dramaticidade que esta nao apenas nas pessimas condi\=6es
socio-economicas,
produzidas por urn sistema explorador. Mas tambern na nega\=ao
coridiana da condi\=ao de ser muther negra, atraves do cacislno e do sexismo que
pcrmeiam Lodos os campos da vida de cada uma. A televisao apresenta em suas telenovel as a mulher negra prostituta
(urn exemplo coda
atriz Camila Pitanga
interpretando a personagem Bebel na Hovela Parafso Tropical, 2007, Rede Globo),
36
reror~ando estere6Lipos
incapacidade
negativos e rcfofyando
intclectual
e a quasc
0
sentimenlo
de inferioridadc,
de
servidao.
Assim as !legros, a partir das caracterfsticas como a cor da pelc (a mais
escura) ali ada aos aspectos sociais e cuiturais, associa-se nao apenas a
fciura, mas a subahcmidadc e a invisibilidade. Enlrelanto. iSla ocorre de
forma ambfgua e pcrvcrsa: de urn lado 0 homem negro e rejeitado como
desinleressanlc, de outro, enaltecido como palente c viril, OUainda temido
como vioienlo. J<i a mulher negra e rejeitada pela cor, cnquanto muitas
vczcs, especiaimenlc a mulata,
vista como disponfvcl e sedutora, cujo
atributo maior scria 0 de 'ser qucmc', mais desprovida de dcsejo proprio e
fcita apenas para 'scrvir' 0 outro (Ribeiro, 2004, p. 89).
e
Matilde Ribeiro em seu artigo: "Rela90es Raciais nas Pesquisas e Processos
Sociais" (2004), mos(ra que em nossa sociedade convivemos com a naluraliz39ao das
desigualdades, com a perpetua9aO do machismo e do racismo. Assim, "sao muitos os
cstigmas em relaC;Jo a mulher negra, destacando-se os de objelo sexual, servic;al e
subserviente" (Ribeiro, 2004, p.S9).
Para a autora, lais situa90es interferem na constru9ao da identidade, nos direitos
rcprodutivos, na sexualidade, na anticoncep9ao, na rnaternidade, na posi9ao que ocupa
na famflia, uniao ou casamento.
Ribeiro (2004) nos remete aos estudos de Berqu6 (1991 apud Ribeiro, 2004)
sobre a solidao das mulheres negras, estas se casam mais tardiamente que as pardas e
as brancas;
0
celibato das prirneiras c superior as demais. Alcm desses dados, na maior
parte dos casamenlos
0
casal tern a mesma cor e, quando ocorre a exogamia, esta se da
mais por intermedio da OP9ao do homcm negro por uma mulher branea do que pelo
oposto, a viuvez das negras tambcm e superior
a das
pardas e brancas.
Diante dos fatos surge urn questionamento: "A vida irnita a arte au a arte imita a
vida?"; assirn pode-sc pensar ate que ponto as tele-novelas se alimcnlam do cotidiano
das pessoas e inlerfcrcm na constru9uo do imaginario dos expect<ldores, apresentando
37
imagcns e comportamcntos
positivos e negativos a scrcm accitos, reproduzidos au
repelidos pela sociedade.
o
livro "A Ilega~ao do Brasil" de Joel Zito Araujo (2004), demonstra que as
atores arro-descendcntes
estiYcram ausentes
de cerca de 30% das telenovelas
produzidas em quase 50 anos e, quando presenles, as mulheres negras estao scmpre em
papcis das esferas da subalternidade e da sensualidadc. 0 autor pretende mostrar que 0
enfoque da Lclevisao brasileira em relac,;:D.oa populac,;:uo negra resulta da incorporac,;:ao
do mito da democracia racial brasileira, da ideologia do branqueamenlO
e do desejo
das clites brasileiras em incorporar pad roes europeus e norte-americanos oa cullura do
paIs.
Assim, mesmo oa TV publica, como demonstra uma pesquisa "Onde esta
0
negro da TV publica", realizada peIa Funda~ao Palmares, constatou que 82% da
programa~ao
nao apresentam
tematicas
sobre
a ra~a ou
a cultura
negras.
Sao not6rias as demlncias que mostram a invisibilidade que se estende tambem para
campo da publicidade,
pesquisadora
Juliana
Publicitaria
podes-se citar como exemplo.
Botelho
- Conal', onde
no Conselho
estao
registradas
Nacional
a analise
realizada
0
peIa
de Auto-Regulamenta~ao
31 denuncias
de discrimina~ao
racial/elnica e outras muitas arquivadas por nao reconhecimento
do merito: 70,96%
das dentlncias enviadas em 26 anos. Nos anexos do documento da pesquisadora, sao
aprcsenladas varias reportagens de jornais e revistas e algumas pe~as publicitarias que
ilustram
negra
0
cenario apresentado nos tcxtos, e vern reafirmar
e a que
precariedade
rnais esta exposta
de atcndimcnto
0
fato de que a mulher
a rniseria, a pobreza, a violencia,
nos servi~os assistenciais,
educacionais
ao analfabetismo,
e de saude. Trata-
a
38
sc de uma maioria scm acesso aDs bens e servi<;os existentes em nossa sociedade e, em
muito, exposta it violencia. Entre as conseqtiencias extremas dcsta sitllac;8.0 esta 0 sell
aniquilamcnto ffsico, polftico e social que chegam a atingir profundamente as novas
gerac;oes.
o
apresenta
documcnto da Conferencia Mundial da ONU contra
subsfdios para 0 entendimento da situac;ao de maxima
feminina negra em diferentes campos, como
mulher negra
e
analfabclisrno,
a precariedade
a que mais esta exposta
social,
0
a
a
Racismo (2001)
exclusao da populac;ao
polftico e
0
miseria,
0
pobreza,
0
a
economico. A
vioiencia, ao
de atendimento nos servic;os assistenciais, educacionais
e de saude. 0 trabalha domestico ainda
e, desde
a escravidao negra no Brasil,
0
lugar
que a sociedade racista destinou como ocupay11o prioritaria das mulheres negras. Nele,
ainda sao relativarnente poucos os ganhos trabalhistas e as relac;6es se caracterizarn
pelo
servilisrno.
Em
muitos
lugares,
as
rormas
de
recrutamento
sao
predominantemente neo-escravistas, em que meninas sao trazidas do rneio rural, sob
encomenda, e submetidas as condic;6es subumanas no espac;o dornestico.
Mireya Suarez; Teixeira;
Cleaver
(2002)
destacam
a especificidade
dos
mecanisrnos de exclusao das mulhcrcs cnquanto mulhcrcs:
Esscs mccanismos diferern dos mecanismos de exciusao de outras
categorias sociais, principal mente dos grupos etnico-raciais, de ciasse e
outros simi lares. Embora as mulhcrcs scjam alvo do preconceito que se
encontra na raiz de !Odo 0 tipo de exciusao social, elas nao constitucm uma
minoria (...). 0 mecanistllo mais importante na exclusao social das mulheres
e a subordina9ao ao homem, e as condi90cs mais severas aparecem quando.
a sua condir,;i""Lode subordinada, soma-se a de pobre (...). Scr mulher
dcsvaloriza. ser negra, India. ou pobrc desvaloriza ainda mais. A
desvaloriza9ao e a conscqiicntc discrimina9ao das mulheres propicia a sua
invisibilidadc no cspa90 publico, estabclcccndo-sc,
assim, um circul0
vicioso que e preciso quebrar (Mireya Suarez; Teixeira; Cleaver (2002.
p.76-77).
39
A tclevis50 brasileira nas slIas telenovelas conlribui
da mulher
negra que serve
e vern rcfon;ar 0 estercotipo
apenas como domestica, baba, negando ao publico a
oportunidade de perccber e de valorizar a mulher negra que desempenha urn papel
essencial no desenvolvimento
da produyao sustentavel e no consumo de bens e
servj~os para a sua famflia e a comunidadc. Tanto nas cidades como nas areas rurais,
nao se leva em conla as famnias che!1adas por mulhcrcs negras para a titulayao e
financiamcnlo de rnoradias e dcfini9ao de polflicas afirmativas que garantam maior
humaniza~ao de suas vidas.
Conforme Millcr; Vencklasen (2001, p.l) superar a exclusao e a arraigada
aceit3<;ao de inferioridade cxige das mulhcres consciencia poiftica para desenvolver
urn senlido fone, alivo e crilico de cidadania e poder, incluindo a consciencia das
mizes
sistemicas
e da natureza
coletiva
de seus problemas,
bern como
0
reconhecimento de que as soluryoes publicas para esses problemas sao ao mcsmo
tempo seus direitos basicos e sua responsabilidade.
Assim destaca-se, aspectos referentes
preveniveis e evitaveis chega a morrer, essa
brasileira, da infancia
a idade aduila,
a saude
da mulher negra, que por causas
e uma
realidade para a popularyao negra
incluindo maior mortalidade materna e infantil. 0
descaso e ate a omissao pertincnte as doenryas de maior incidencia na populac;ao negra,
corn expressivas repercussoes deletcrias na saude reprodutiva das mulheres negras, a
exemplo de hipertensao arterial, anemia falciforme, diabetes tipo dois (2) e miomas
ulerinos, evidenciam
0
racisrno arraigado na assistencia c na pesquisa em salide, assim
como no aparelho formador, notadamente escolas de salidc.
40
Na atualidadc a mulhcr negra vern lcnlando libcrtar-se do cativeiro, das senzalas
cia sociedade mederna. Alula pela cidadania consiste hoje a luta por emprego, saude,
mOfadia, educil\ao. A mulhcr negra tern 0 direito de decisao sabre suas vidas e sell
ccrpa com totalliberdade e autonomia.
Para alguns ainda prevalece ideias como esta Jigada ao carpo cia mulher negra,
"em geral as mulheres pabrcs, e mais dirctamcnte as mulheres negras, sao vistas como
"parideiras",
devendo
tef a sua fUI1'rao
reproduliva
controlada.
Os
metodos
anticoncepcionais sao dirigidos e, de ccrta mancira, impastos as mulheres, recaindo
somen!e sobre elas a responsabilidade de seu uso" (Ribeiro, 2004, p. 89).
E crescente
a participa<rao
de mulheres nos particlos,
bairro, associa90es de miles, movimentos
inumeros
outros
movimenlOs organizados;
sinciicalos,
movimentos de
negros e grupos I'eminislas, alem de
a mulher
negra
alUa decidindo
e
contribuindo nos mais diferentes espa90s.
Conforme 0 documento da Conferencia Mundial da ONU contra
0
Racismo
(200 I), "a magnitude das decorrencias do racismo na saLide mental das mulheres
negras exige estudos e polfticas publicas, pois e inegavel 0 impacto em nosso
cOlidiano, gerando profundo
rebaixamento
impeditivos de uma vida plena e saudavel".
de sua auto-estima,
urn dos falores
Pode-se perceber que os estere6tipos
produzidos pelo racismo em reia9ao as mulheres negras produzem seqUelas negativas
em sua auto-cstima.
De acordo com Faria; Poulin (2005) 0 (urismo sexual, ou scja, a prostitui9ao
organizada e uma atividade lucrativa para 0 capitalisrno na contemporaneidade
anualmente
milhares de vitimas, entre elas, mcninas, jovens e mulheres
e faz
nao-brancas,
41
espcciaimenlC
sexo.
das regi6es
A Illanipula~ao
constitutiVQ
norte e nordeste
da identidadc
do sexy marketing
do pals, alvos
cultural
que suporta
e elnien
da industria
dessas
0 aliciamenLo
e a
inlcrnacional
e
mulheres
explorw;ao
do
0 clemente
sexual
dessas
mulheres.
A
violencia
e culturas,
sociedades
de dados
sabre
adequada
apenas
subjclivas,
no trabalho
confundcm,
social,
parte
e no lazer
provocando
acordo
"Represenlay30
especial
fazem
OU
uma
para
da classe social.
com
"0
rceorte
wdas as
Todavia, a ausencia
racial,
de vio\cncia,
prcconceiro
concreta
Assim,
repetiyao
praticamente
invisibiliza
0 que
impede
0
papel
aten\=ao
saude e Jusli9a.
da vida
etc."
em
crenyas,
de [atos
e a discrimina<;ao
dos
individuos:
cstigmas,
que
cxpressam-se
mitos
reafirmam
naa
sao
no
c a rcalidade
a continuidade
se
do
e do machismo.
De
racismo
a sexual
constanLe
I1csta modalidade
(2004, p. 90) aiena
corpo,
racismo
domcslica
pelo racismo
nas areas de seguran<;a
Ribeiro
uma
independente da ctoia
violencia
desempenhado
e
a mulher
contra
com
da
estudo
Identidadc
e do scxismo
sobre
0
produzido
Negra
na telenovela
nn mfdia rcproduz
rnulheres
negras,
racial
e valorizayao
social.
vern
produzindo
formas
trazendo
Faria;
prejufzos
de
cOisificaya09
sobre
a naturalizayao
estere6tipos
para a afinnayao
das expressoes
(2007)
Fernandes
brasileira",
sistcmaticamentc
A desvalorizayao
particulares
par
e estigrnas
do
em
de sua identidade
da cultura
das
a
afro-brasilcira
mulheres
negras,
9 Scgundo Parker (1991) elll Seu livro "Corpos. prazeres c paixOcs: a cullum sexual no Brasil Contcmporaneo".
existc uma eerta moralidadc
na cxposi~:1o do corpo Oll .'icntimcnto de que a exposi~ao do corpo coisifiell a
mulher. II. cclchray[io
da scnsualidadc
da constrlll;il.o da idclllid3dc
da mulher brasileira
11l3nifeSIa sua
ambivalCneia no deseonforlO das I\lulhcres dianle da cxposiyao do corpo. II.rnbigi.iidade eSIa, que segundo Parker,
C esscndal para a comprecns5o
do universo sexual brasiJciro. A forte hcranya palriarca! do Brasil Colonia ccoa
nos dias aluais, rcsultando,
em um modclo de moralidade
para hornens e mulheres,
sendo que 0 horncrn
superior. forte, viril cali\'o
c a mulhcr e inferior. fmca. bela, descjavci. sujeila
dornina~ao
do patriarca. A
a
c
42
notadamente no carnaval e na rnanipulur;ao
dos sfmbolos dus religioes de matriz
africana.
Assim as autores nos remclcl11 aos estudos de Stuart Hall (1999, p.13 apud
Faria; Fernandes, 2007). que afinna que uma mudanr;<l estrutural esta transformando as
sociedades modcrnas, gerando descentrayao dos indi viduQS tanlO de seu lugar no
mundo
social
quanto
de si rnesmos.
As concep90es
de identidades
vigoradas
ate entaD
dao lugar ao sujcilo p6s-modcrno. Ao inves da idenlidade fixa pass amos a possuir uma
multiplicidadc
identificamos
Para
CSlao
dcsconcertante
e cambianle
de idcntidades.
com as quais
nos
tcmporariamente.
Faria; Fernandes (2007), as condi90es desiguais a que as mulheres negras
submctidas exigem
a adQ(;ao de uma perspcctiva inclusiva. que se exprcsse de
imediato em rncdidas compensatorias
para a melhoria das condi~6es de vida, a
erradica~ao do racismo, promocrao da igualdade e garanLia do exercicio efetivo da
cidadania.
Mesmo que a midia, atraves das revistas e das tele-novelas, contribua para que
haja a propagacrao do racismo e do sexismo, salienta-se a importfincia da educ3I;ao e da
articula~ao da socicdadc civil no que lange a dcsmistifica~ao dos eSlere6ljpos sabre as
mulhercs negras e na valori7..a~aosocial da identidade racial.
tradi~:io patriarcal csta na origem da hicrarquia de genero no Brasil c sc rnanifesta
ddas, a Hnguagem utilizada para se referir ao corpo.
de divcrsas
formas. semlo uma
43
2.1. I A mulher
negra:
sua prescnc;a
nacional e os papeis subalternos
nas revisLas femininas
e sensuais nas telenovelas
de circulw;ao
brasileiras
A partir da amllise de duas revistas de circulayao nacianal, a Revista Criativa da
Editora Globo (mar,a de 2008) e a Revista Boa Forma da Editora Abril (mar,o de
2008), que foram escolhidas neste cSludo, constata-se a invisibilidade das mulheres
negras oa mfdia, oa publici dade, nas revistas enos
jornais brasileiros. Muitas das
imagens apresentam uma visao negativa e distorcida da popula<;ao brasileira, Iimitando
ao maximo, sobretudo, a prescn<;a da mulher negra. Tal fato nos faz pensar sabre a
ausencia
de espayos produtores de comunicayao
da hist6ria e da cultura dessas mulheres enos
e tambem
sabre a falta de valorizayao
aponta a necessidade de garantir a
visibilidade positiva dos negros e negras nos meios midhiticos, valorizando assim, a
cultura negra.
A Revista Criativa da Editora Globo (marc;o de 2008) na p.133 em materia
intitulada: "Calc;ada da Fama" mostra casais cheios de estilo. Essa
e
a unica vez em
que apareeem mulheres negras. A revista exp6e uma foto da atriz negra Camila
Pitanga com
0
marido braneo acompanhada da seguinte [rase "Camila
marido: so deu
0
Pitanga
e
decotao dela" (ver anexo 1). A forma utilizada para descrever
vestm'irio da atriz parece estar carrcgada de intenc;5es, refon;ando
° estereotipo
0
0
da
mulata gostosa que utiliza () corpo para chamar a atem;ao, ja que na pagina ao lado
(p. 132) aparece uma fOlOda atriz Debora Falabella corn urn deeole semelhanle, porem
a frase que acompanha a foto
rock'n'roll"
e
a seguinte "Debora Falabella e Eduardo Hipolitho:
(vcr anexo 2). Ainda nessa pagina aparece outra foto de urn casal de
44
atorcs
ncgros,
confortavel"
jeans,
acornpanhada
(ver anexo
que "deixa
"deixa
I). Acima
qualquer
nao precisa
o namorado
da seguinte
qualquer
uma
nao
muito."
bem-vestida",
reportagem,
aparece
Ja na Revista
lema da reportagem
"Pula
urn lexto
sabre
de significados
negra,
as
destinados
da Editora
da gata" (2008,
Abril
nenhurna
mulheres
(2008)
atriz
como
a mulher
negra
p.26) onde e apresentada
atriz
na novel a "Duas
disseminados
papcis
peJa
subalternos
Empregada
para
sobre
a rela~ao
Ainda
shampoo
"para
a atriz
negra
sexual,
nessa
objeto
sobre
revista
deixar
as atrizes
aparecem
maior parte das model os que aparecem
mais
sensual
propagandas
lisos
e para
na revista
da atriz. Outra
e postura
de princesa".
vez aos estere6tipos
de
e branca,
nas
lasciva,
os
novelas.
disponfvel
meu).
produtos
dos
claramente
recebem
branco,
tratar
papel
"a empregada
Percebem-se,
(grifos
0
a
paixao
uma
negras
do homem
da mulata
os cabelos
desenhadas
em destaque
dcstaca
Globo,
a dmwa,
as tclc-novelas.
que
de desejo
estercotipo
na Rede
nos faz reCQrrer
em especial
e subservientes
pemas
de
uma materia
a materia
e cnfatiza
e "Bale classico:
mfdia,
domestica,
Caras",
() filho do patrao"
frase que vem em destaque
A materia
musculaf;ao",
tema
como
sem
pela
mulher
aparece
torneado
que enlouquece
negra
negras.
seguinte
desempenhado
"a
( ... )
sexo oposto". Vale ressaltar que na revista
3). Ao lade da foto da atriz aparece
Sabrina
vestufuio
a mulher
que a Frase se refere
(vcr anexo
"Curpo
0
em urn minuto
a atriz negra Cris Vianna
frase:
abrar;o
e Tafs Araujo:
e pronta
est" carrcgada
modelo
de beleza
Boa Forma
0
atraente
Parece
e
nenhuma
nem produtos
Ramos
da foto do casal aparece
bonita, semprc pronta para servir
analisada
"Lazaro
bem-vestida,
esperar
urna
frase:
de
cabelos
porem
belcza,
cacheados".
como
A
a atriz negra Sheron
45
Menezes (200S, p.2S) aparece dando dicas de maquiagem e beleza (ver anexa 4). Na
sabre Beleza (2008, p. 72) aparece
materia
lima
modele com cabelos cacheados e a
seguinte Frase de urn especialista em beleza feminina:
"E a tendencia
estilo supersexy, que combina com a brasileira"
reforyar
0
ja comcntado
estereotipo
da mulher
selvagemIn,
urn
(ver anexo 5), tal Frase vern
negra:
sensual,
destacando
0
erotismo estereotipado, associ ado a volupia e a sensualidade "natural".
Tais estere6tipos apresentados nas revistas analisadas nao pod em passar
despercebidos
discrimina~ao
pelo (a) leitor (a) atento
(a), isso
e
uma forma
velada de
racial (grifos meu).
Jocl Zito de Araujo pesquisador e diretor de cinema em seu livro
intitulado "A negayao do Brasil" (2004), aponta no primeiro capitulo "Como a
telenovela optou pela estt~tica sueca"
0
esfon;o das telenovelas em expor ao publico
uma estelica ariana que nao tern nenhuma liga,;;ao com
a diversidade do povo brasileiro.
0
Brasil, a estetica branca nega
0 que demonstra que os atores afro-descendentes
estiveram ausenles de cerca de 30% das telenovelas produzidas em quase 50 anos e,
quando presenles, as mulheres
subalternidade
Para
0
negras estao sempre
e da sensualidade
autor a televisao e
em papeis das esferas da
(grifo meu),
0
instrumento onde se renete
incorporado em nossa sociedade, assim
0
0
preconceito ja
pr6prio tema de seu livro explicita urn pafs
que nega sua cultura, sua realidade, seu povo.
10 Conforrnc XIMENES (2001, p.786) a palavra sdvagcm
tambcm vem carregada es!ere6tipos,
"sclvagem
sc
rcfere aquc1c que velll da selva ou silvestre. nao domado, n50 domesticado.
incullO. agreste. fcroz, dcsahitado,
primitivo".
Entcndc-se que a linguagcm utilizada para se rcferir ao cabelo <la modclo negra na rcportagcm
da
rcvista citada contribui ainda mais para rcfon,:ar os csterc6tipos
negativos e a inferioridade
'naturalizada'
da
popula~50 negra.
46
Assim, Araujo (2004) ao expor a presen,a da popula,llo negra na televisao
interpretando personagcns subaltern os, ou a 8L1scncia dessa popuJayao,
se rcfcre as
conseqliencias de um prcconccito racial gerado pela exclusao social, que
atraves dos indicadorcs sociais mnis desfavoraveis.
"continua vivendo as mesmas compulsoes
e
visfvel
Para cle. a populay3o negra,
desagregadoras
de uma auto-irnagem
depreciativa, gerada por uma identidade racial negativa e rcfofyada rela industria
cultural brasileira, a qual insiste simbolicamente no branqueamento".
13 0 documentario do diretor Joel Zito Araujo: "Nega,ao do Brasil" (2000) ao
retratar a preseny8 da popu!a\=3onegra nas telenovelas brasileiras do perfodo de 1963 a
1997, atraves da mcm6ria da ficyao seriada brasileira e dos depoimentos de atores
negros e atrizes negras, mosLra que apesar da miscigena<rao e da parcela expressiva da
populacrao negra no pais, ainda se continua retratando-os
de forma negativa e
estereOlipada.
Araujo (2000) inicia
0
documentario
apresentando
tclenovela brasileira na decada de sessenta, intitulado
0
0
primeiro sucesso da
'Direito de Nascer', que tinha
como atriz principal Isaura Bruno irnortalizada pela sua performance na personagern
Mamae Dolores. A atriz representa a mulher negra que reunia dois estere6tipos:
mae negra da Literatura
americano(grifo
e do teatro
meu). No cntanto,
0
brasileiro
a
e a mamy do cinema norte-
sucesso de audiencia dessa tclcnovela nao se
constituiu em urn sinal dc futuro prornissor para os atores negros. Dcpois de atuar em
mais dc tres novclas a aLriz morreu pobre c dcsconhecida,
0
que dcmonstra a falla de
reconhecimento dos atores negros, que nao foi percebida pelos expect adores devido
a
47
cren~a da democracia racial e pelo desejo de branqueamento
da popuJuyJO
nessa
epoca.
o
documentario
destaca
ainda, a participar;ao
das mulhercs
negras
nas
telenovelas e no cinema nacional, como as atrizes Zeze Motta e Ruth de Souza (que
perdeu
0
premia de melhor atriz no filme 'Sinha Moga', na decada de 1950 por dais
votos).
Ao apresentar a novcla: "A Cabana do Pai Tomas" (1969)
0
document,lrio
levant a urn questionamento, "par que contratar urn ator braneD que se pinta de negro
para desempcnhar
0
pape] de pai Tomas num pafs ande quase mctade da populw;ao
e
negra, com atores negros talentosos?"; estes sao exemplos de como os atores negros e
as atrizes negras foram obrigados a assumir papeis
telenovelas brasileiras
de inferioridade
nas
(grifo meu). Em depoimento de 1995, a atriz Ruth de Souza,
que trabalhou nessa novel a, dizia: "Os autores veem a negro como servi<;al. (...) As
hist6rias se desenvolvem em cima dos personagens brancos e
0
negro nao tern vez. (...)
o ator negro tern que se impor, senao ele fica fazendo elernamente
Assim,
e possivel
0
servi<;al".
levantar questionamentos e retlex6es sabre a identidade negra
na ficyao seriada e nas revistas de circulayao nacional, no que lange a contribui<;ao da
mfdia, respons<:lveipor elaborar e propagar modelos identitarios que serao referencia
para a populw;ao.
Conforme alguns dos depoimentos
dos atores negros e das atrizes negras
presentcs no documentario de Araujo (2000), dcstacou-sc
somente Ihe cabe
0
0
fato de que, "ao ator negro
personagem construfdo como negro, personagens secundarios e
descartaveis, interpretando papeis subalternos dentro da estrutura social brasileira". A
48
discriminac;ao que acomete os atares negros e as atrizes negras
intensidade
de seus
graus
de mestiyagem.
Quanta
e nivelada
mais
tra90s
conforme a
nao-brancos
apresentarem, rnais facilmente serao vincuJados aos estere6lipos negativos.
Assim
sendo,
necessariamente
a acentuac;ao
dos
tra90s
negros
a associa<;ao do artista a personagens
au
indfgenas
significa
secundarios e estereotipados da
trama. Todos eies, portanto, sao obrigados a incorporar na televisao a humilha<;ao
social que sofrem os mesti<;os em uma sociedade
narteada
pel a ideologia do
branqueamento em que a acentua<;ao dos tra<;m; negros au indfgenas significa
0
terna
senlimento racial de inferioridade, e uma consciencia difusa e contradit6ria de seT de
uma casta inferior que deve aceitar os lugares subalternos intermediarios do mundo
social (Araujo, 2006, p.77).
o
autor mostra que em sua imensa maioria, os papeis destin ados aos atores
negros representavam posi~6es servic;ais da sociedade e de segunda classe no que se
refere
a complexidade
dos personagens. A estilizac;ao do negro tern sido feita
estere6tipos impregnados de alus6es
social e
a
a
sua estetica, ligados
sua suposta frouxidao de costumes,
a
a base
de
sua descategorizac;ao
como no caso dos malandros,
pregui~osas e au bandidos.
Assim, entre os estereotipos chissicos apresentados por Joel Zito Araujo
destacam-se:
0
do "jagun~o negro" (da novela ''Terras do sem fim" de Walter G.
Durst, Rede Globo, 1982); "da emprcgada dornestica com urna patroa boa e
maravilhosa" (da novela Como Salvar meu Casamento"
de Edy Lima e Carlos
Lombardi, TV Tupi, 1968-69); "da mae-prcta" ( da novel a "Livre para Voar" de
Valter Negroo, Rede Globa, 1967-68); da "ftel guarda-costas"
(da novel a Roque
49
Santeiro de Dias Gomes, cede Globa, 1985-86). Aos atorcs ncgros e as Htrizes negras
restam apcnas papcis de submissao e inferioridade(grif'o
men).
Jei a !lovela "0 Bern Amado" de Dias Gomes, da Rcdc Gloha, que foi ao ar em
1973, mostra uma das crfticas
fase de realismo na televisao
desafiar
0
ao perfocto da ditadura
mjlitar
no Brasil
inaugurou uma
brasileira, onde urn homem negro teve a ousadia de
cstabelecido.
Conforme 0 documentario de Jocl Zito Ara(ljo. as telcnovelas contam de forma
adocicada as cinco seculos da hist6ria do Brasil, assim a !lovela
"Escrava [s3ura"
primeiro sucesso da televisao no horario das seis, de Gilberta Braga, da Rede Globa
em 1976-77,
branca,
enfocava a hrutalidade da escravidao,
rcpresentando
uma heroina
afro-brasileira
mas apresentoll
uma atriz
(grifo men). Escrava Isaura
pouco reOeliu a cultura e a resistencia negra a eseravidao e aeabou por fazer urna
leitura do cornportarnento dos escravos a partir da casa-grande. A personagem
Rosa,
que mantinha rela~oes sexuais com varios homens, mostra nOla mulher negra que
faz de tudo para nao ir para
0
troneo (grifo men), que fica triste ao ser iiberta, par
ler inveja de Isaura por ser bonita e que no desfecho tern lim final feliz com
0
jovern
rico Alvaro que se co move com a situaltao do povo negro. A libena9ao dos escravos e
apresenlada como urn al0 de bondade dos senhores. Assim, nos anos de 1970 ainda
eram fortes os mesmos preconceitos do seculo XIX.
Assim, sao constantes no doclimentario, depoimentos que refof9am
de atriz
c a branca,
"0
modelo
rccriando no imagimirio da pupula~ao uma imagem de que as
atrizes brancas sao melhores preparadas
claro desse pensamento
e "Gabriela"
do que as atrizes negras".
Urn exernplo
de Walter G, Durst, Rede Globo, 1975, uma
50
telc~novcla que apresenta urna mulhcr (I"ase branca do tipo caboclo, e nao negra
como protngonista
(grjfo meu), "A c1asse media, a elite brasileira nao ida se sentir a
vontade venda negros c negros desempcnhando papcis de protagonislas nessa epoea,
na dceada de 1970".
Ourro aspcclo dcstacado por Araujo (2004) 6
0
fata de que nas tclenovelas a
rciac;ao afetiva entre brancos e negros C marcada peJa cordialidade, pelo afeto, pelo
amor, dcsafiando as convcJH;6es sociais c confirmando
0 mito da democracia racial aD
aprcsentar casamclHos inter-racias, nao mostrando lambem relac;6es amorosas entre
casais ncgros e tambem nao apresentando familias negras constituidas por pal, mae e
filhos da mcsma fa93. A crianr;a negra
abandonado", "desamparado" ou como
como exemplo,
0
e semprc
"0
apresentada como "molcquc", "mcnor
born mcnino negro de alma branca", tcm-se
personagem apresentado na novela "Meu rico portugues" de Geraldo
Vielri, da TV Tupi em 1975.
A novel a "Pecado Capilal" de Janele Clair na Rede Globo em 1975-76,
con forme Araujo (2004) foi a pioneira ao mostrar a ascensao social da popula9ao
negra no destino de seus personagens. 0 que incomodou algumas pessoas oa epoca
que demonstraram inconformidade diante da visibilidade do negro na televisao.
Somenle em 1985, na novela da Rede Globo: "Corpo a Corpo" de Gilbeno
Braga, a televisao voltou a expor uma famnia negra de c1asse media. E tambem
discutia a questao do machismo, do prcconceiw racial, da ascensao da mulher negra,
dessa forma, promovcndo discuss6cs a cerca dessas tematicas, que cram ocultadas
nesse periodo pclos meios midiiiticos. Conforme rclatos da atriz negra Zeze MoUa,
no documentfirio de Jocl 2ito Araujo "A Nega9ao do Brasil", foram inumcros os casas
51
de pessoas indignadas com
0
fato de urn homem branco beijar e amar uma mulhcr
negra. Os depoimcntos relatados pcla atriz mostram
negra cnfrentava
nessa epoca ao cncarar
0
preconceito
que a mulher
uma rela~ao afetiva inter-racial(grifo
meu).
o
documcntario de Jocl Zito Araujo destaca ninda, a novela "Sinha Mo~a"
(Rede Globo. 1986). de Bcnedito Ruy Barbosa por ser urn marco na historia da TV
brasileira ao apresentar "um grupo de her6is negros que com suas ar;6cs resistem a
opressao c a escravidao de seu povo e buscarn libertar sellS irmaos do juga dos
senhores". Assim enccrra-se
0
cicio de reproduz da cordialidade
escravos, mostrando a lula abolicionista
e
0
entre senhores e
infcio de um perfocto crftieo para a
popuia'Yao negra ap6s a aboli~ao em 1988.
Outro dcstaque do documenl1irio refere-se ao ano de 1988, onde nas vesperas da
comemorac;ao dos cern anos da aboli9ao no Brasil, a televisao mostra uma novela de
orgulho racial "Pacto de Sangue" que con lou a hist6ria de urn Quilombo. mostrando
para as tele-expcetadores que a abolic;ao foi resultantc dos movimenlos de resistencia
dos homens negros e das mulhcres negras. Assim, as novelas seguintes,
como
"Mandala" (1988) de Dias Gomes e Marcilio Moraes, "eriam pcrsonagens e Famflias
negras para Fazer urna estranha homenagem
ern cornemorac;ao ao centenario
da
aboli<;iio". Ja na novela "A proxima vitima", de Silvio de Abreu (1995, Rede Globo),
apresentou uma famflia negra de classe media, mas desta vez
calivou
0
0
nueleo de personagens
publico, apresentando uma [amflia comurn, que nao enfrentava problemas
raciais no seu cotidiano. Porem,
"0
machismo
imperava na familia Noronha,
preeonceito foi apresentado de forma invertida, onde
0
0
namorado braneo da filha da
52
famnia foi a verdadeira vilima". Essa novela "enfatizou 0 Brasil como
pais
lim
preconceituoso, mas racial mente dcmocratico".
o
documcntario
"A Negar;ao do Brasil" mastra que, as outras
vollaram a aparecer as 'cmpregadinhas',
0 estereotipo
da 'mae negra',
novel as
0
homem
negro como 'jagullyO scrvi~al'. Em "Patria Minha" (1994, Rede Globa), Gilberta
Braga despertou uma polcmica entre
cmpres<irio acusa
0
urn paraiso racial".
0
movimento negro e a cede de TV, quando urn
personagem negro de ladrao. Assim,
Ullla
0
"Brasil naa aparece
COmO
entidade negra cntea com urn processo contra a emissora de
TV, enfatizando que a cena fere a imagem do negro e feria a sua auto~estima. Dcssa
forma, houve uma retratayao forcrada da novela com a popula~aonegra.
E n016rio que
0
prcconceito racial no nosso pais c velado,
0
documcnulrio
exemplifica esta questao ao se referir a novel a "Por amor" de Manoel Carlos (1997,
Rede Globo), onde
0
autor exibe urn casamento inter-racial
onde
rnarido branco
0
rejeita a gravidez de sua mnlher negra, artista plastica, por temer
0
nascimento
de urn filho mesti«;o; a mulher negra sente-se objeto de desejo do rnarido "'crioula
bonita e gostosa", mas que na~ serve para se mae de seu mho (grifos meus), Hi em
outra tele-novcla,
"lrmaos
Coragcm"
de Janete
Clair
(1995,
Rcde Globo)
0
docurnentario sinaliza para outra revolu~ao em curso, "os papeis para os negros e
negras, passaram a rcssaltar que a beleza e
0
talento sao atfibutos de todas as rac;as".
Segundo Araujo (2000), a unica minisscrie que atendeu esscs requisitos:
valor da miscigena~ao
e a valoriza«;fio de todas as culturas"
"0
roi "Tenda dos
Milagres" (1985, Rede Globo) de Aguinaldo Silva e Regina Braga, que foi ao af as
vinle Ires horas e nunea mais [oi reapresentada.
53
No fechamento do documenl<'irio, ressaha-sc
0
faro de scr visfvel a presenya das
mulheres negras !las telenovelas, mas ainda, aprcscntada com visoes estereotipadas,
estanda muita lange de atender a diversidade brasileira.
Conclui-se, a partir da obra de Araujo (2004). alraves da riqueza de dados
aprescntados: graficos, quadros e dados estatfsticos que a tele-novela brasileira ainda
nao da visibilidade a popula~ao negra, ncgando a diversidade racial brasileira.
54
CONSIDERAC;:OES FINAlS
Em diversos momentos deslc estudo foi passIve I destacar que
preconceito
para
a pOpUIU<;30 negra
rai submclida.
popuia<;3o
e narmas
A herany3
de uma sociedade
dcscmpenha
urn papel
desse
branca,
submetido
escravidao
cheia
oa
de tabus
contribuiu
Atualmente
a mulher
e dc sm:ide.
E a ausencia
invisibiliza
o que impede
sociedade
seja
no
peso
nos serviyos
violcncia
pelo racismo
0
quanto
papeis
a forya de rela~oes
da
violencia,
na
um
allos
de
caracterizando
positiva
a
domcstica
a
pohreza,
e sexual
saudc
0
com
reeorle
de violencia,
impregnadas
quanta
violencia,
c Justi~a.
tradicionais
desiguais
que
edueacianais
negta modalidade
social,
desigualdade
de auto-
negra.
assistenciais,
e referencias
sociais
cada
de IUla e resistencia
para a populayao
nas areas de seguranya
identificar
exprcssao
a que mais csta exposta
sobre
code
de genera
em nossa
II Jiberdade,
e a
no ambiLO do trabalho.
Apesar
importante
adequada
denunciando
dcsigualdade
de dadas
essa
dias com padroes
da cultura,
lima
nos movimenlOs
de atendimento
0
por essa sociedade.
c conserva<;ao
e conquistas
0 papel desempenhado
atell~50
Foi possivcl
reaparecem
e
negra
a prccariedade
analfabctismo,
racial,
avanyos
a que
negra aos quatroccnlOs
lUla pela vida. E not6ria
para significativQs
nassos
e de preconceilos.
conslrufdos
afirmarrao das mulheres, sua participa<;ao
no cativeiro.
alravessa
da populay30
oa sobrevivencia
rcsultaram
permanenlcs
sc originam
calivciro
a modelos
As farmas de resislencia
em bates
no Brasil
racismo e
0
dos
destacar
efeitos
negativos
a cxpericncia
da discrimina9ao
de mulhcrcs
negras
etnico-racial
que
e de genera
iUlmn cOlidianamente
e
pcla
55
supera~Jo do preconceito pelo ingrcsso no mercado de trabalho, sacrificando assim,
sua vida pessoaJ, acompanhadns da solidao.
No que se refere It midia, a prescm;a da popula~ao negra
correspondcndo
aDs
46 % da popu\ayuo
brasilcira,
c
desiguaJ nao
limitando aD maximo
a sua
presen~a. Quando os meios de comunica-;ao. a televisao, a publicidadc, as revislas e os
jornais brasileiros exp5em a imagcm da populayao negra, a hicrarquizayao
desiguaJdade
ainda
se mant(~m,
de forma
cSlcreotipada,
principalmentc
em
e a
a
reiac;ao
mulher negra.
E
importantc rcssaltar a neccssidade
de institucionalizar
I11ccanismos
que
garantam a visibilidade posiliva da popuJur;fto negra nos meios de comunicayao,
estimular a implantaC;30 de prograrnas espcciais de valoriza<;ao e alen<;ao a popula<;fio
negra.
A romper com cSlcreotipos mais comuns prescnlcs nos meios midialicos como:
a subserviencia e a fidelidade aos patr5es e
OU
trabalhos arduos; dcpendencia do palernalismo
senhores; capacidade de enfrentar
branco; a 'rnae-preta'
sofredora e
conformada que se dcdica a uma familia branca; a paciencia apos a humilha<;ao e 0
sacriffcio; a da 'negra vftima' e preciso valorizar a imagem da mulher negra
saliel1tando tambern que 0 crolismo
volupia e a sensualidade 'natural',
a
e
oulro componentc cstereotipado, associado
a
'mulala sensual' que encara as fantasias sexuais
do homem branco, iasciva, disponivcl
para a rela<;ffo sexual.
Isso
e
falso,
e
discrirnina<;ao racial.
E: preciso romper com cssas visoes eSlereotipadas, com a utiliza~ao das palavras
que rcmclcm
a
dcsvaloriza<;ao e desqualifica<rao dos negros c negros, colocando a
56
mfdia a scrvis;o da desmistifica~ao dcssas visoes negativas. A midia ao olhar a situacrao
de vioiencia, discriminas:50 racial da Illulhcr negra deveria abrir espa(fos para a
valorizac;ao cullural, naa como
lllll
favor, mas como uma dfvida pelo tempo de
escravidao e p6s-aboli<rao, como uma forma de retratac;ao pelos danos psicol6gicos,
sociais. culturais, economicos e marais causados a tantas vidas.
Nesse senti do, destaca-se a imporlancia da educayao como um dos meios de
reverter essas situa<roes contribuindo para cstimular
l11udan93s significalivas quanta a
maior visibilidade para as relaC;6es raciais c de genero. Pois quando se conhece a sua
hist6ria c seus dirchos, se fortalece a auto-cslima, se destr6i mecanismos ideol6gicos
de inferioridade e racismo cordial presente em nossa sociedade.
E
e essa
luta que, embora oficialmente a cscravidao ja tenha acabado ha mais
de um secuio, permanece na atualidadc. A luta hoje por emprego, saudc, moradia,
eduea~ao, e a lut3 pelo direito da cidadania, 0 direito das mulheres negras cm tcr total
liberdade c autonomia sobre suas escolhas e nas relar;6es profissionais e afetivas.
Ainda ha uma grande dificuldade da sociedade brasileira em assumir a qucstao
racial como urn problema que necessita ser enfrentado. Enquanto esse processo de
cnfrentamento n50 oeorrer, as desigualdadcs sociais baseadas na discriminar;ao racial
continuarao, e, com tendencia ao acirramento, ainda mais quando se trata de igualdade
de oportunidades em lOdos as aspectos da sociedade.
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ANEXOS
ANEXOI
a noite
e (lel(ls
ANEX02
::cal~(Lda da [alna
PQRCAROllNAMACHADO
dobradinha
Eles levam a mesmissimo estilo de vida. Portanto.
nada mars natural que seus looks selam do mesmo
naipe (au quase). Casais assrm ate parece que
combrnam a que vestir antes de sal[ de casa. Sera?