0 FACULDADE DE PARÁ DE MINAS Curso de Matemática Carla Janete de Jesus dos Santos PRINCIPAIS ERROS COMETIDOS POR ALUNOS DO 8º ANO NA RESOLUÇÃO DE EQUAÇÕES DE 1º GRAU Pará de Minas 2013 1 Carla Janete de Jesus dos Santos PRINCIPAIS ERROS COMETIDOS POR ALUNOS DO 8º ANO NA RESOLUÇÃO DE EQUAÇÃO DE 1º GRAU Monografia apresentada à Coordenação de Matemática da Faculdade de Pará de Minas como requisito parcial para a conclusão do curso de Matemática. Orientação: Prof. Ms.Anderson Baptista Leite. Pará de Minas 2013 2 Carla Janete de Jesus dos Santos PRINCIPAIS ERROS COMETIDOS POR ALUNOS DO 8º ANO NA RESOLUÇÃO DE EQUAÇÃO DE 1º GRAU Monografia apresentada à Coordenação de Matemática da Faculdade de Pará de Minas como requisito parcial para a conclusão do curso de Matemática. Aprovada em: _____/_____/_____ ______________________________________________________ Prof. Ms. Anderson Baptista Leite ______________________________________________________ Examinador(a) Prof. Andréia Fonseca de Aguiar 3 Dedico este trabalho a todos aqueles que de alguma forma me ajudaram na construção do mesmo. Ao meu orientador pela paciência e pelos conselhos que foram de suma importância para concretização do mesmo. Muito obrigada. Esta conquista é nossa. 4 AGRADECIMENTO Agradeço a Deus primeiramente, por ter me dado força e sabedoria para chegar até este momento. Aos meus familiares pelo apoio. Aos amigos de turma: Fernanda Andrade, Willian Ribeiro, Ana Paula, Bianca, Amanda e Marlise pela amizade e por dividirem comigo todos os momentos bons e as dificuldades que passamos nesta trajetória. Ao meu orientador Anderson Baptista pelo apoio e a todos que de alguma forma direta ou indiretamente contribuíram para a realização deste trabalho. 5 “O desejo de aprender é o ponto de partida, o ponto de chegada ultrapassa a nossa vida, pois a perfeição da sabedoria é o próprio discernimento de DEUS". SABEDORIA. 6-12:21 6 RESUMO Pretendo com este trabalho identificar prováveis erros que acometem os alunos do ensino fundamental com relação à resolução da equação de 1º grau, tendo como foco principal analisar as diversas formas de resolução das operações de equilíbrio nas equações preservando os conjuntos soluções, tentando assim inserir nos alunos um conhecimento real do significado da equação. Para desenvolver meu projeto de pesquisa contei com a participação dos alunos do 8º ano da Escola Estadual Fernando Otávio que fica na região central da cidade de Pará de Minas, os quais foram submetidos a alguns exercícios envolvendo a resolução da equação de 1º grau, para verificação dos possíveis erros cometidos e quais dificuldades de entendimento eles apresentam com relação aos conceitos e conhecimentos que foram absorvidos por estes alunos ao longo do sétimo ano do ensino fundamental. Para isto foi elaborada uma atividade orientada com questões sobre os termos de uma equação e seus significados, além de algumas equações para simples resolução. Palavras-chave: Álgebra, equação de 1º grau, ensino, erro. 7 LISTA DE FIGURAS Modelo de jogo envolvendo a equação de 1º grau....................................................22 Gráfico 1- Entendendo os Entes Equacionais............................................................30 Gráfico 2- Entendendo a Montagem da Expressão Algébrica...................................31 Gráfico 3- Questão Contextualizada..........................................................................32 8 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS CBC Currículo Básico Comum MMM Movimento da Matemática Moderna PCN’s Parâmetros Curriculares Nacionais 9 LISTA DE TABELAS Tabela 1- Regra do Montão...................................................................................................14 Tabela 2- Símbolos Gregos x símbolos atuais......................................................................15 Tabela 3- Resolução da Equação de 1º grau........................................................................29 Tabela 4- Modelo de Resolução pelo Método Aditivo...........................................................34 10 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................................11 2 HISTÓRIA DA ÁLGEBRA ...................................................................................................13 2.1 Contexto Histórico .............................................................................................................13 2.2 O ENSINO DA ÁLGEBRA NO BRASIL ............................................................................17 3 ABORDAGEM DE EQUAÇÃO DO 1º GRAU DO ENSINO FUNDAMENTAL II ............20 3.1 Metodologias de Ensino....................................................................................................20 3.1.1 Ferramentas para trabalhar a matemática em sala de aula ........................................21 3.1.2 Ferramentas de ensino para trabalhar a Equação de 1º grau em sala de aula: ....23 4 METODOLOGIA ..................................................................................................................26 5 COLETA E ANÁLISE DE DADOS ..........................................................................................28 CONSIDERAÇÕES FINAIS ..........................................................................................................37 REFERÊNCIAS ..............................................................................................................................39 11 1 - INTRODUÇÃO No processo de ensino aprendizagem da equação de 1º grau muitas vezes o aluno não consegue se inteirar do conteúdo e o pior, não consegue ter o entendimento do que acontece durante este processo de resolução. A resolução se torna um fazer por fazer, sendo que o importante é encontrar um valor para o x no final da operação. Alguns professores optam por focar muito a questão da resolução somente pelo método da transposição, mas não se preocupam na maioria das vezes em esclarecer aos alunos o significado e a importância dos entes equacionais. Desta forma o que ocorre é uma total falta de preparo dos alunos no entendimento da resolução da equação de 1º grau. Optei em realizar este trabalho sobre resolução de equações durante meu estágio supervisionado onde pude verificar que a forma de ensino de alguns professores era exatamente igual à forma que me foi ensinada quando fiz meu ensino fundamental o que por sinal me ocasionou uma grande dificuldade em questões envolvendo o assunto no ensino superior, ou seja, no ensino fundamental aprendi a técnica, mas não entendi os conceitos. Este trabalho tem como objetivo geral verificar os conceitos e conhecimentos dos alunos, na resolução da equação de 1º grau. Os objetivos específicos são: Quantificar o nível de conhecimento dos alunos sobre a resolução da equação de 1º grau; Investigar os alunos acerca do uso e seu discernimento sobre o significado do sinal de igualdade e também em relação à mudança de sinais; Avaliar os livros didáticos e verificar as metodologias que eles trazem a resolução da equação de 1º grau. Assim o presente estudo está dividido da seguinte forma: no primeiro capítulo foi realizado um pequeno estudo sobre a história da álgebra, com seu contexto histórico, como ocorreu o seu desenvolvimento entre as grandes civilizações e as contribuições de grandes matemáticos, como foi introduzido seu ensino no Brasil e suas concepções. No segundo capítulo fiz uma abordagem da equação de 1º grau no ensino fundamental II, com suas metodologias de ensino e principais erros cometidos pelos alunos. No terceiro capítulo falo um pouco sobre a metodologia e como foi realizada minha pesquisa junto aos alunos de uma escola estadual da 12 cidade de Pará de Minas. No quarto capítulo está a coleta e análise de dados onde são apresentadas em forma de citações e apresentação em gráfico as atividades desenvolvidas pelos alunos em sala de aula. E por fim apresento as considerações finais que foram observadas durante a efetivação deste trabalho. 13 2 - HISTÓRIA DA ÁLGEBRA 2.1 Contexto Histórico Álgebra é uma variante latina da palavra árabe al-jabr, usada no título de um livro, Hisab al-jabr W’al-muqabalah,escrito em Bagdá por volta do ano 825. Matematicamente a tradução para o título deste livro seria “ciência da transposição e cancelamento” ou de acordo com Boyer:/252-253/, a transposição de termos subtraídos para o outro membro de uma equação e o cancelamento de termos semelhantes em membros opostos da equação. E antes quais os métodos que os matemáticos da antiguidade usavam para resolver os problemas sem usar as equações? Na antiguidade os matemáticos não conheciam as equações, e a maneira de resolver problemas com o uso de letras da forma como conhecemos hoje. Apenas os mais notáveis eram capazes de resolverem problemas de cálculos, usando para isso métodos que diferenciavam de civilização para civilização que demonstravam a enorme capacidade destes matemáticos. Ao longo da história podemos destacar alguns destes métodos. » No Egito, há aproximadamente 3600 anos um egípcio chamado Aahmesu ficou conhecido no mundo todo por causa de seu papiro Ahmes, no qual se encontravam vários problemas do dia a dia resolvidos pelo método da regra do falso. Matemáticos de várias partes do mundo adotaram esta regra para resolverem problemas, neles o número procurado era sempre representado pela mesma palavra montão. Exemplo: Um montão, sua metade, seus dois terços, todos juntos são 26. Digam- me, qual é a quantidade? Resolvendo pela regra do falso temos: » Inicialmente, atribuíam a montão um valor falso, por exemplo, 18: 18 + ×18 + ×18 = 18 +9+12 = 39 » os valores falsos (18 e 39) eram então usados para montar uma regra de três simples com os elementos do problema: 14 Valor falso Valor verdadeiro 18 Montão 39 26 Tabela 1 – Regra do Montão: Fonte: Adaptado de GUELLI (2002, p.9) = Montão. 39 = 18 × 26 Montão = , encontrando o valor igual a 12. » Na Índia por volta do século XII encontramos outro notável que ficou conhecido em todo mundo, Bháskara Akaria séc.XII sua incrível habilidade chegou até nós por meio de dois de seus livros o Lilavati e Vija Gamita os quais apresentam muitos problemas sobre equação de 1º e 2º grau, radicais, medidas, triângulos, retângulos, etc. que tinha um método digamos diferente para encontrar a resolução dos problemas. Ele utilizava a regra da inversão, conhecida pelos matemáticos hindus desde a antiguidade. Por este método ele encontrava a resposta do desafio fazendo contas de trás para frente sem utilizar nenhum símbolo matemático conhecido por nós atualmente. Exemplo: Digam-me: qual é o número que multiplicado por 5, aumenta depois 9, se divide por 6, se multiplica por si mesmo, se acrescenta a 19 e, depois de extraída a raiz quadrada, diminui 2, se divide por 4 e dá 2? Resolvendo este problema pelo método da inversão: Devemos começar pelo fim, então: ...se divide por 4 e dá 2 » 2×4 = 8 ...diminui 2 » 8 + 2 =10 ...depois de extraída a raiz quadrada » (10)2 = 100. ...se acrescenta a 19 » 100 – 19 = 81. ...se multiplica por si mesmo » = 9. ...se divide por 6 » 9. 6 = 54 ...aumenta depois 9 » 54 – 9 =45 ...que, multiplicado por 5 » 45:5 = 9, que é nossa resposta. 15 » Alexandria século III aC. encontramos Euclides que pelo fato de trabalhar na maior biblioteca da história pôde organizar o conhecimento de todos os matemáticos e transcrevê-los em um único livro intitulado Elementos, que ficou conhecido em todo mundo e serviu de alicerce para a aprendizagem da geometria como a que estudamos até os dias de hoje e também da álgebra . No que se refere ao estudo da álgebra houve uma reestruturação do método demonstrado por Euclides, pois em sua demonstração ele representava as quantidades desconhecidas por segmentos de reta, quadrados, retângulos, etc. enfim figuras geométricas. Deste modo, toda resolução de problemas era feita através da geometria o que se mostrou deficiente em alguns casos como a demonstração da quadratura do círculo. Portanto a geometria dos matemáticos gregos e a regra do valor falso dos egípcios não se mostrou satisfatório para os matemáticos, pois, as utilizações delas não conseguiam resolver os problemas mais complexos que apareciam. Foi somente por volta do ano 400 da era cristã que uma simples ideia audaciosa de um estudioso de Alexandria iria começar a mudar o panorama da matemática, foi nesta época que surgiram os primeiro símbolos matemáticos. » Diofante (325-409) Grande matemático que viveu e trabalhou em Alexandria no século IV, foi o primeiro matemático a fazer uso sistemático de abreviações nos problemas e nas operações com os números. Os símbolos de Diofante marcaram a passagem da álgebra retórica, onde as expressões eram escritas totalmente em palavras para a álgebra sincopada, na qual algumas expressões vêm escritas em palavras e outras são abreviadas. Símbolos de Diofante Símbolos atuais x1u3 é igual a u18 x + 3=18 x1 M u2 é igual a u12 x - 2 = 12 x1 u3 é igual a u12 M x1 x + 3 = 12 – x x1 M u9 é igual a u7 M x1 x-9=7–x Tabela 2- Símbolos gregos × símbolos atuais Fonte: Adaptado de GUELLI (2002, p.24) Onde, a incógnita é representada por um símbolo especial semelhante a x M seria a abreviação de menos, U abreviação de unidade, 16 A igualdade é representada pela expressão é igual a O número 1 ao lado de x indica o coeficiente da incógnita. Se a incógnita vinha acompanhada por um número diferente de um, Diofante utilizava o símbolo xx. Para as potências os símbolos utilizados eram: Q de quadrado para x2 C de cubo para x3 QQ para quadrado e quadrado, e QC de quadrado e cubo. Para chegar à álgebra simbólica como a conhecemos hoje o processo foi lento, devido ao longo período de guerras e a destruição do museu de Alexandria. Esta resolução só ocorreu depois de 700 anos, devido as grandes mudanças pelas quais passou a Europa na transição da idade média para a idade moderna. Sendo o divisor de águas do pensamento algébrico sincopado e o algébrico simbólico. Fato concretizado pelo francês François Viète, conhecido como pai da matemática, sendo ele o primeiro a introduzir letras como coeficientes genéricos e dar outros toques de acabamento no simbolismo. » Viète passou a representar a incógnita por uma vogal e as palavras mais e menos por p (de plus)= mais, e m (de moins)= menos. O traço sobre as letras indicavam que elas estavam sendo usadas como símbolos matemáticos. Exemplo: A p 4 é igual a 10 , algebricamente x + 4 =10 A 3 m 6 é igual a A , algebricamente 3x – 6 = x Para a multiplicação, Viète introduziu a palavra in, sendo o passo mais importante desse estudioso representar os coeficientes das incógnitas através de consoantes. Sendo assim: B in A é igual a c B in A + C é igual à zero ax = b ax2 =b B in A área + C in A + D é igual a 0 ax2 + bx +c=0 Mas além de Viète outros matemáticos deram sua contribuição para a construção da álgebra simbólica: » Robert Record criou o símbolo = para a expressão igual a. Que escreveu ‘Porei como muitas vezes uso no trabalho um par de retas gêmeas de mesmo comprimento assim: = porque duas coisas não podem mais iguais. 17 » René Descartes (1596-1650) - criou o símbolo (×) para a operação de multiplicação, - criou a notação que usamos hoje para os expoentes de uma potenciação, - passou a usar as primeiras letras do alfabeto para os coeficientes da incógnita e os termos independentes, e as últimas letras do alfabeto para representar as incógnitas. » Harriot brilhante matemático conseguiu eliminar as poucas palavras que restavam na álgebra, representando desta forma as potências: AA= x2 AAA = x3 AAAA = x4 AA = 81 » x2 = 81 AAA =27 » x3 = 27 AA – A5 +4 =0 » x2- 5x+ 4 = 0 2.2 O ENSINO DA ÁLGEBRA NO BRASIL A álgebra foi introduzida no ensino brasileiro no século XIX a 19 de agosto de 1799 sobre a forma de aulas avulsas, ao lado de outras disciplinas como aritmética, geometria e trigonometria que já faziam parte do ensino. A metodologia de ensino da álgebra era predominantemente mecânico e reprodutivo, sem nenhuma clareza. Os estudantes se detinham em resolver grandes quantidades de exercícios iguais que não estimulavam o raciocínio e nem enriqueciam seu conhecimento matemático. Nesta época ainda não existia a disciplina matemática estudava-se todo o conteúdo de métodos de resolução das matérias já mencionadas, dando ênfase que tudo era importante, mas sem nenhum aproveitamento no cotidiano dos conteúdos estudados. Somente com a reforma Francisco Campos 1 é que surgiu a oportunidade de se organizar estes conteúdos e assim em 1931 nasce a disciplina matemática. Para entendermos um pouco sobre o desenvolvimento da álgebra no Brasil temos de rever as concepções com as quais a mesma caminhou no contexto histórico brasileiro. 1 Nome da primeira reforma educacional de caráter,realizada no início da Era Vagas(1930-1945), sob o comando do Ministro da Educação e Saúde Francisco Campos.Essa reforma de 1931, foi marcada pela articulação junto aos ideários do governo autoritário de Getúlio Vargas e seu projeto político ideológico implantado sob a ditadura conhecida como Estado Novo.(MENEZES E SANTOS,2002) 18 » Concepção linguístico-pragmática De acordo com Fiorentini, Miguel e Miorim (1992), durante todo o século XIX e meados do século XX, tanto no Brasil como em outros países prevalecia uma educação voltada para a resolução de problemas quase sempre artificiais que nada tinham a ver com o cotidiano dos alunos. Prevalecia a crença de que a aquisição mecânica das técnicas requeridas pelo transformismo algébrico seria suficiente para que o aluno fosse capaz de resolver problemas, ainda que artificiais. Para tanto bastava o aluno decorar os passos para a resolução dos problemas demonstrados em aula para resolver dezenas de outros exercícios. » Concepção fundamentalista-estrutural O Movimento da Matemática Moderna (MMM) chega ao Brasil na década de 60, nesta época se acreditava que a introdução de propriedades estruturais que justificassem cada passagem presente no transformismo algébrico capacitaria o aluno a aplicar essas estruturas nos mais diferentes conceitos. Neste período houve uma vontade de unificar os três campos fundamentais da matemática, teoria dos conjuntos, funções e expressões algébricas, sendo assim, a álgebra passou a ocupar um lugar de destaque, recebeu um maior rigor e assumiu acentuada preocupação com os aspectos estruturais dos conteúdos e precisão da linguagem. Durante esta fase os conteúdos geométricos deixaram de ser vistos com potencialmente ricos e perderam seu lugar no currículo. » Concepção Fundamentalista-analógica Tenta fazer uma síntese das concepções anteriores procurando recuperar o valor instrumental da álgebra não mais de forma lógico estrutural e sim na maioria das vezes em recursos analógicos geométricos, portanto visuais, ou seja, o ensino da álgebra deixa de ser um pouco só abstrato lógico e passa a ser mais visual. Fiorentini, Miguel e Miorim citado por Hanke (2008, p.48) nos diz que: (...) essa concepção tenta efetuar uma síntese entre as duas anteriores uma vez que procura por um lado recuperar o valor instrumental da álgebra por outro, manter o caráter fundamentalista - só que não mais de forma lógico estrutural de justificação das passagens presentes no transformismo algébrico. 19 Mas na segunda metade da década de 70 o MMM começa a declinar, então ocorre uma inversão do conteúdo curricular, pois, os educadores matemáticos no sentido de recuperar o ensino da geometria, fazem com que a álgebra volte a ocupar seu papel de antes, ou seja, de um estudo com a finalidade de resolver equações e problemas. A partir da década de 90 o foco principal passa a ser a proposta de experiências que desenvolvam o pensamento algébrico, conduzindo o aluno a elaboração de uma linguagem simbólica. O professor deve desenvolver em seus alunos a capacidade de observar analisar, questionar, ou seja, levar o aluno a ser sujeito ativo no processo ensino/ aprendizagem. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs): Numa perspectiva de trabalho em que se considere o aluno como protagonista da construção de sua aprendizagem, o papel do professor ganha novas dimensões. Uma faceta desse papel é a de organizador da aprendizagem; para desempenhá-la, além de conhecer as condições socioculturais, expectativa e competência cognitiva dos alunos precisará escolher os problemas que possibilitam a construção de conceitos e procedimentos e alimentar os processos de resolução que surgirem, sempre tendo em vista os objetivos a que se propõe a cumprir. (Brasil, 1998, p.38) 20 3 - ABORDAGEM DE EQUAÇÃO DO 1º GRAU DO ENSINO FUNDAMENTA II 3.1 Metodologias de Ensino Porque estudar matemática é tão difícil? Provavelmente esta é a pergunta mais frequente que permeia a vida da grande maioria das pessoas que estão a nossa volta. Mas o conteúdo da matemática é mesmo tão difícil ou a maneira como estudamos esses conteúdos é que torna tudo mais complicado. De acordo com Neto “Conhecer a história da disciplina que está sendo estudada resolve essa importante questão” (p.7). A matemática é a mais antiga das ciências. Por isso ela é difícil. Porque já caminhou muito, já sofreu muitas rupturas e reformas, possuindo um acabamento refinado e formal que a coloca muito distante de suas origens. Mas caminhou muito justamente por ser fácil. (Neto, p.19). Conhecendo um pouco da história da matemática podemos observar que ela sempre esteve presente no desenvolvimento da humanidade. Desde o homo sapiens com a invenção e utilização da machadinha, passando pela descoberta do fogo, da roda e em todas as grandes invenções, observamos a utilização da matemática mesmo que de forma inconsciente. No período das cavernas o homem já tinha conhecimento de mais/menos, maior/menor, porque ele necessitava destes conhecimentos para sobreviver, só não sabia que isto era matemática. Durante toda a história o desenvolvimento da matemática contou com grandes pensadores e, ainda hoje continua se desenvolvendo de acordo com as necessidades da humanidade. De acordo com Miorim e Miguel: (...) Desta forma, podemos entender ser possível buscar na história da matemática apoio para se atingir com os alunos objetivos pedagógicos que os levem a perceber, por exemplo: (1) a matemática como uma criação humana; (2) as razões pelas quais as pessoas fazem matemática; (3) as necessidades práticas, sociais, econômicas e físicas que servem de estímulo ao desenvolvimento das ideias matemáticas (...) ( Miguel e Miorim, 2004,p.20). Mas como desenvolver nos alunos que chegam até nossas salas de aula esse encantamento pela matemática? O professor deve considerar aspectos importantes para o desenvolvimento da criança; como a valorização do meio em que ela vive; 21 considerar as dificuldades de cada uma, pois uma consegue aprender mais rápido que a outra, enfim fazer com que o aluno seja agente ativo no processo ensino/aprendizagem. De acordo com Neto: Se o aluno faz com gosto, faz bem feito e desenvolve suas habilidades; se o aluno desenvolve suas habilidades, desenvolve seus conhecimentos, com prazer. Essas coisas ocorrem juntas e devem ser proporcionadas ao aluno para que se desenvolva integralmente. (Neto, p.44). Para isso é muito importante que a escola tenha preocupação com o aluno em três níveis: Cognitivo – desenvolvimento do conhecimento: Afetivo – fazer o que se gosta aprende mais rápido; Psicomotor – desenvolvimento da coordenação motora. O ensinar matemática requer do tanto do professor como também do aluno. O professor trabalha o cognitivo, mas o aluno é quem deve terminar o curso com seu conhecimento modificado e ampliado. Portanto, ambos têm que estar envolvidos e dispostos a trabalhar para a construção destes saberes. De acordo com Renita Klusener: (...) Esse professor deve conhecer seu aluno, reconhecendo suas habilidades e expectativas, identificando nele suas motivações para ajudá-lo a ampliá-las, bem como reconhecer suas dificuldades para que possa superá-las. (Klusener.pg.184) 3.1.1 Ferramentas para trabalhar a matemática em sala de aula » Matemática concreta: Para o aluno ás vezes fica muito mais difícil trabalhar com o abstrato, não conseguir imaginar determinada situação em um exercício pode ás vezes afetar o entendimento do conteúdo, por isso torna-se necessário que o professor leve para dentro de sala material concreto para que os alunos tenham uma percepção melhor do conteúdo. Um conteúdo muito bom para se trabalhar com material concreto é o ensino de fração onde se torna fácil para o aluno os conceitos, as diferenças ou até mesmo as semelhanças entre elas. Segundo Lucchesi: Manipular material didático o mais diversificado possível para que a partir dessa manipulação, possam reformular alguns conhecimentos matemáticos que já possuem ou mesmo abordar temas que desconheçam. (Lucchesi p.24). 22 » Importância da vivência: Trabalhar com os conhecimentos de cada aluno é importante para a aprendizagem. O professor deve estar atento para incorporar no desenvolvimento do conteúdo a bagagem do saber que o seu aluno traz das experiências vivenciadas no dia a dia. Ernesto nos diz que de acordo com Vygotsky, “O aprendizado das crianças começa muito antes de elas frequentarem a escola. Qualquer situação de aprendizado com a qual a criança se defronta tem sempre uma história prévia”. (p.19). » Jogos: A utilização dos jogos para melhor percepção da matemática em sala de aula é de grande ajuda na aquisição de conhecimento matemático. Com o uso dos jogos pode-se quebrar um pouco o conceito de aula “chata”, cheia de números, pode conseguir uma maior interação dos alunos, melhorar muito a participação e melhorar a eficácia no desenvolvimento do conteúdo. A aula se torna mais dinâmica e prazerosa tanto para o aluno como para o professor. Mas vale lembrar que para a realização de jogos em sala é necessário que o professor tenha controle dos alunos, pois às vezes fica difícil controlar o entusiasmo, podendo a desordem gerar um desconforto entre professor e direção. De acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais ( PCNs): Identificar os conhecimentos matemáticos como meios para compreender e transformar o mundo a sua volta e perceber o caráter de jogo intelectual, característico da matemática, como aspecto que estimula o interesse, a curiosidade, o espírito de investigação e o desenvolvimento da capacidade para resolver problemas. (PCN 2008). Exemplo de jogo para trabalhar a equação em sala de aula: construir um quadrado com 40 cm e dividir em quatro quadrados com 10 cm. Traçar suas diagonais dos dois lados dividindo os quadrados em quatro triângulos. O objetivo é colocar a operação em uma parte do triângulo e no triângulo correspondente sua resposta. Depois de todo o tabuleiro preenchido é hora de recortar. Com as peças soltas os alunos devem resolver as equações, encontrar seus resultados no quebra cabeça e remontar o grande quadrado. Ganha quem finalizar primeiro. 23 Fonte: http://www.somatematica.com.br/fundam/equacoes 3.1.2 Ferramentas de ensino para trabalhar a Equação de 1º grau em sala de aula: O que significa a palavra equação no ensino fundamental? De acordo Bianchini Equação é toda sentença matemática expressa por uma igualdade que apresenta letras representando números. (p.103). A maneira com é introduzida esta matéria nas escolas é com a exemplificação do desenho de uma balança que representa o conceito de igualdade entre seus dois braços. Através deste instrumento o professor deve mostrar para os alunos o que representa a equação, ou seja, um equilíbrio entre os dois termos da expressão, ou seja, o que se tem de um lado deve ser exatamente igual ao outro. Neste momento é importante que o professor explique sobre cada termo da equação: o que representa o sinal da igualdade, a inversão da operação que deve ser feita quando tem que trocar de lado 24 e também a importância de, ao encontrar o valor da incógnita a necessidade de fazer a verificação, e comprovar a verdade que expressa à equação. Resolver um problema não se resume em compreender o que foi proposto e em dar resposta aplicando procedimentos adequados. Aprender a dar uma resposta correta, que tenha sentido, pode ser suficiente para que ela seja aceita e até convincente, mas não é garantia de apropriação de conhecimento envolvido. Currículo Básico Comum (CBC, pág. 42). De acordo com o que foi observado durante a elaboração deste trabalho pude verificar que a metodologia de ensino da equação de 1º grau desenvolvida por alguns docentes se resume ao método da transposição. Este método de ensino se baseia em separar os termos da equação, ou seja, deve-se isolar a variável à esquerda da igualdade, e os números à direita. Quando realizamos essa inversão de lugares e temos que inverter os sinais dos termos da expressão alguns alunos não conseguem entender o porquê deste procedimento; sendo que alguns professores comentam somente que isso ocorre porque, quando se troca de lado deve trocar também o sinal. Muitas vezes esta explicação do professor do porque deve ocorrer esta troca, não é satisfatória para suprir o entendimento da matéria. O que ocasiona um fazer sem saber baseado em técnicas de resolução, mas sem nenhum entendimento. Os livros didáticos trazem bem definidos os entes equacionais, falam da necessidade de verificar os resultados obtidos e trazem dois métodos de resolução da equação: » Método de adição: quando se acrescenta nos dois termos da equação valores que ao longo do processo vão reduzindo os termos até no final encontrarmos o valor da incógnita. Mostrando durante o processo o equilíbrio entre os dois lados. Mostrando assim que o que se faz de lado se deve fazer do outro. Ex: 5x +1 = 36 5x+1-1 = 36+(-1) 5x = 36-1 5x = 35 » Método da transposição: Consiste assim em separar as incógnitas dos números, Este método se desenvolve naturalmente após a aplicação do método aditivo, pois o próprio aluno percebe que ao invés de ir fazendo o equilíbrio ele pode separar os termos obtendo o mesmo resultado. Mas é necessário que para tanto ele consiga identificar os entes equacionais e o significado de cada um deles. Este método é o 25 mais utilizado nas salas de aula, pois é mais rápido desenvolver os exercícios por este método. Para tanto o próprio aluno é que deve ir percebendo no processo de resolução do método aditivo que transportando os termos de lado para outro se consegue uma resolução mais rápida, mas alcançando os mesmos resultados. Eles também devem entender o processo de inversão das operações quando da troca de posições para antes ou depois da igualdade o que é essencial na resolução da equação. O entendimento destes conceitos é que vai levar o aluno a uma resolução de conhecimento e não meramente mecanizado para resolver os exercícios. Ex: x+x+10 = 52 2x +10 = 52 2x = 52 – 10 2x = 42 x= x = 21 Mas será o método da transposição o mais indicado para a resolução da equação e também o de mais fácil compreensão e entendimento para os alunos? De acordo com FREITAS (2002). Este método pode ser eficiente quando utilizado com significado, ou seja, com clareza quanto a validade dos procedimentos que transformam as equações em outras equivalentes; por exemplo realizando a operação inversa ou efetuando a mesma operação em ambos os lados da equação.(Freitas, 2002 pág.05) Independente do método de resolução o importante é que o aluno seja sempre conduzido pelo professor a fazer a verificação para comprovar se o valor encontrado satisfaz a equação, só assim ele vai adquirir o conceito de igualdade que define a expressão. 26 4 - METODOLOGIA Para o desenvolvimento desta pesquisa foi realizada uma atividade com 38 alunos do oitavo ano da Escola Estadual Fernando Otávio que fica localizada na região central da cidade de Pará de Minas no dia 03/10/2013. Esta atividade foi acompanhada pela professora regente, que permaneceu presente durante todo o processo de aplicação da atividade na sala de aula. Como já havia estagiado nesta sala os alunos já me conheciam. No início os alunos demonstraram um medo muito grande em relação ao exercício, muitos perguntaram se iria valer nota e a esta pergunta a professora respondeu que iria avaliar o comportamento deles. Expliquei a importância do exercício para minha pesquisa e pedi a participação de todos, ressaltando que seria um exercício muito fácil visto que era apenas para relembrar uma matéria já vista por eles no ano anterior, ou seja, no sétimo ano. No momento que distribui os exercícios, comecei a ouvir os desabafos de que muitos não se lembravam de muita coisa. Eles perguntaram se poderiam pesquisar no livro, trocar ideia com o colega, usar o material que eles tinham anotado e eu disse que podiam usar tudo. A conversa foi constante durante o exercício, uns tentando colar do outro; outros reclamando o tempo todo que não sabiam nada; outros reclamando que estava muito difícil e que eles não estavam entendendo nada, e há todo momento chamando a mim ou a professora para pedir algum esclarecimento da atividade, dizendo que não conseguiam resolver ou perguntando se estavam corretos no desenvolvimento de alguns dos exercícios. Apliquei a atividade num horário e ao final recolhi as folhas para elaboração da minha coleta e análise dos dados para conclusão da minha pesquisa. A proposta da atividade era avaliar e quantificar o quanto os alunos entendiam e conheciam sobre os entes equacionais e métodos de resolução da equação de 1º grau. Os exercícios eram simples, com apenas uma questão contextualizada, mas nada de absurdo que pudesse tornar insolúvel determinada questão. Assim os dados coletados foram organizados de forma sistematizada para melhor visualização dos objetivos propostos. Para a apresentação dos dados levantados para as questões abertas fiz a transcrição na íntegra das respostas dos alunos colhidas na atividade. E para as questões de resolução apresentarei os resultados obtidos em forma de gráfico para uma melhor visualização dos resultados.Abaixo segue o modelo da atividade desenvolvida e aplicada em sala de aula: 27 PERGUNTAS: 1-Para você o que é uma equação de 1º grau? ___________________________________________________________________ 2-Dê um exemplo de uma equação de 1º grau. ___________________________________________________________________ 3-Resolva a equação que você escreveu na questão anterior. 4-Você consegue me dizer o que representa o sinal de igualdade na equação? 5-O que você entende que acontece quando tem de passar um número para depois, ou antes, do sinal de igual? 6-Você sabe o que representa o valor do x encontrado no final? 7-Determine um número real a para que as expressões sejam iguais. = 8-Existem três números inteiros consecutivos cuja soma é igual 393, que números são esse? 9-Uma agência de turismo vende pacotes familiares de passeios turísticos, cobrando para crianças o equivalente a 2/3 do valor para adultos. Uma família de cinco pessoas, sendo três adultos e duas crianças, comprou um pacote turístico e pagou o valor total de R$ 8.125,00. Com base nessas informações, calcule o valor que a agência cobrou de um adulto e de uma criança para realizar esse passeio. 28 5 – COLETA E ANÁLISE DE DADOS Respostas transcritas na íntegra de acordo com as respostas dadas pelos alunos nos para a questão número um que perguntava o que eles entendiam sobre o que era uma equação de 1º grau: Princípios de equivalência das equações até chegarmos na forma mais reduzida. É uma equação com uma letra só. É o representamento de um número desconhecido por uma incógnita É representar um número desconhecido por uma letra do alfabeto, é também uma sentença matemática. São somas, subtrações, multiplicações e divisões que quando resolvidas formam uma equação. É uma conta com uma só letra. Uma equação é fracionária quando pelo menos uma incógnita no denominador, sempre fora do radical. São problemas que os egípcios atribuíam a quantidades, procurassem um valor arbitrário que fosse divisível. Uma expressão algébrica com uma ou mais variáveis. Uma operação com sinal de igual no meio. É uma conta que permite a resolução de problemas que envolvem números desconhecidos e possibilita fazer generalizações. Tem infinitas resoluções, cada uma delas representadas por um par ordenado. Conjunto dos números que aprendemos ao todo: naturais, inteiros, racionais, etc. Sistemas que nos ajudam a saber se a equação ou número é racional, inteiro,equivalente, etc. É quando tem pelo menos uma letra no denominador. Resolver as incógnitas, para saber qual o valor delas e descobrir o resultado da operação. É uma operação que separa as incógnitas dos números com um sinal de igual. Equação do 1º grau com duas incógnitas é aquela que pode ser reduzida a uma equação equivalente da forma ax= by= c. Ao representar o número desconhecido por uma letra do alfabeto, podemos traduzir a relação entre os números conhecidos e os desconhecidos formando uma sentença matemática. Equação do 1º grau com duas incógnitas tem infinitas soluções, cada uma indicada por um par de números, o primeiro representa sempre o valor da incógnita x, o segundo representa sempre o valor da incógnita y. Na questão de número dois, muitos alunos apresentaram total desconhecimento do que deveria ser uma equação de 1º grau, muitos não conseguiram nem pensar num exemplo então, o mais interessante foi que um aluno deu um exemplo e outros 18 colocaram o mesmo exemplo, ou seja, a troca de 29 informação e a falta de conhecimento de alguns alunos com relação ao conhecimento do que é uma equação é bem clara. 9x -2 = 5x 3x+2y= 16 8x -2 =4x 2x +6 =-4 9x-3=5x -5+9x+4x=-7+2-1 17x+50=7x 11x-13=64 Na questão de número três na qual se pedia que os alunos resolvessem a equação dada como exemplo na questão anterior, podemos observar pequenos erros, que representam a falta de conhecimento de alguns alunos no momento em que se deve trocar os termos para depois da igualdade e assim chegar a resolução da equação. 10x+20=20+5x-15 90x=76-166 10x-5x=20-15-20 4x+3=7 3x+2y=16 9x-2=5x 90x = 9 3*5+2*2=16 9x-5x=2 5x=5-20 X= 90/9 15+4=16 4x=2 X=-15-5 X=10 X=2 X=-10 Tabela 3- Resolução da equação de 1º grau Fonte: Dados da pesquisa elaborados pela autora. Podemos verificar que no primeiro exemplo o aluno ao final da resolução ao invés de inverter a operação de multiplicação para divisão e, portanto passar o cinco dividindo, ele acabou passando o cinco como se fosse uma operação de subtração encontrando assim um valor falso da questão. No segundo exemplo percebesse um erro na subtração dos termos numéricos e também no momento da montagem da divisão, o aluno passa o número noventa como dividendo ao invés de divisor. No terceiro exemplo o aluno não conseguiu desenvolver a equação. No exemplo quatro o aluno adicionou valores aleatórios para x e y e no final não conseguiu nem terminar a resolução e no quinto exemplo ao final da resolução o aluno repetiu o mesmo erro do segundo exemplo, ou seja, ao passar o número quatro para depois da igualdade ele passou deixou ele como dividendo e não como divisor. 30 Para as respostas da questão número quatro que perguntava sobre o significado do sinal de igualdade, ficou evidente o desconhecimento dos entes equacionais dos alunos. Vejamos: Significa que o que vem depois é o resultado. Que é igual a um número. Para separar as letras com os números. Uma separação entre incógnitas dos números para achar o valor. Para separar a resposta que é o conjunto universo e transformar-se no conjunto verdade. Representa a continuação da conta. Mostra quanto ela vale. Apenas cinco alunos responderam que era uma igualdade e dois disseram que era um tipo de balança, porque os dois lados são exatamente iguais. Questão de número cinco que perguntava sobre o que eles entendiam que acontecia quando deveríamos trocar de lado os termos da equação as respostas foram as mais inusitadas possíveis: Para dar a resposta ezata e não com vírgulas Uma forma de separar letras e números A troca de operações Para agrupar os números iguais Muda o sinal Que para resolver a conta precisa que as incógnitas sejam iguais Você inverte a 2ª fração Ele recebe uma variável ou um número comum e depois tentar se aproximar do conjunto verdade ou ser dividido por um número que desse certo ou não Inverter a ordem da operação Porque ele precisa ficar com os que são iguais para dar um resultado correto Que as incógnitas precisam ser juntadas, acompanhadas ou não de números A expressão é invertida e troca-se o sinal Dezenove alunos responderam que inverte a operação, mas essa resposta só foi dada depois que eles ficaram perguntando para a professora qual a resposta e mesmo assim como pudemos observar muitos não prestaram atenção, pois, como podemos verificar as respostas foram bem criativas. Na questão número seis que perguntava aos alunos o que representava o valor da incógnita x encontrada no final da resolução, as respostas mostram o desconhecimento do conteúdo da matéria. Vejamos: Representa o resultado x O número real A resposta 31 A igualdade O valor que sua incógnita vale O resultado da equação Que encontramos o número desconhecido A raiz da equação O resultado, quanto ele vale O valor que lhe é pedido É a solução da equação O resultado da expressão A penúltima resposta antes do conjunto verdade que pode ser a única solução do problema Representa a forma simples da conta O resultado da questão O resultado de tudo Para encontrar seu valor O valor equivalente a x O resultado da incógnita x, o quanto ela vale A resposta final O valor total da equação Para encontrar seu valor Representa o número que devemos colocar no lugar de x para conseguir resolver uma expressão Questão sete: Resolução da expressão: = Gráfico 1- Entendendo os entes equacionais o sinal de igualdade. Níveis de acertos verificados na questão 7: conceito de igualdade,respondido pelos alunos do 8º ano-EEFO-2013 23 acertaram 13 erraram 2 nem tentaram Fonte: Dados de pesquisa: elaborado pela autora 32 Na resolução deste exercício, a grande maioria dos alunos acertou a resposta. Mas o que me chamou a atenção foi que 8 alunos utilizaram o processo do mínimo múltiplo comum para resolver esta equação. Achei interessante porque para alguns alunos era totalmente desconhecido o fato de que sendo uma igualdade os alunos poderiam simplesmente multiplicar cruzado para chegar à resposta. Treze alunos não conseguiram encontrar a solução e dois alunos nem se esforçaram por tentar fazer a resolução. Desta forma fica claro observar a falta de conhecimento do que acontece realmente numa resolução de equação. Questão número oito: Encontrem três números consecutivos cuja soma é 393 Gráfico 2 – Entendendo a montagem da expressão algébrica Níveis de acertos verificados na questão 8:Montagem da expressão algébrica, respondido pelos alunos do 8ºano EEFO-2013 22 erraram 13 acertaram 3 nem tentaram Fonte: Dados de pesquisa: elaborado pela autora Nesta questão o que podemos verificar foi que grande maioria, vinte dois alunos encontraram a resposta certa, mas pelo método do raciocínio lógico. Eles não conseguiram montar a expressão para chegar até o resultado, mostrando que para alguns alunos é difícil ainda fazer representação de conceitos abstratos. Treze alunos conseguiram montar a expressão, mas com alguma ajuda da professora e também trocando informações entre si e três alunos nem tentaram montar e desenvolver a expressão. 33 Na questão número nove tinha um problema mais contextualizado que iria requerer um pouco mais de atenção e de concentração dos alunos, o resultado obtido nas respostas pode ser observado no gráfico abaixo. Gráfico 3 – Questão contextualizada Níveis de acertos verificados na questão 9:Entendendo uma questão contextualizada, respondido pelos alunos do 8º ano-EEFO-2013 14 acertos parcial 22 erraram 1 nem tentou 1 acerto Fonte: Dados de pesquisa: elaborado pela autora Como podemos verificar quatorze alunos acertaram apenas uma parte da questão porque para eles bastava encontrar o valor de x e pronto a resposta estava certa. Vinte dois alunos não conseguiram nem encontrar o valor da incógnita x. Um aluno nem tentou resolver a questão, mas vale a pena ressaltar que apenas um aluno chegou a resposta exata da questão entendendo que depois do valor para os adultos deveria ser encontrado o valor de criança. Como meu trabalho tinha com objetivo avaliar os métodos de ensino da equação de 1º grau nos livros didáticos, para encerrar minha pesquisa apresentarei o estudo feito em três coleções utilizadas no ensino fundamental. » ANÁLISE 1- Livro Matemática e Realidade: 5ª Edição ano 2005 Apresenta os métodos de desfazer as operações contrárias que se encontram antes do sinal de igualdade. 34 Desfazendo a subtração Desfazendo a adição Desfazendo a divisão Desfazendo a multiplicação x-132=44 x+4=-3 X/45=8 7*x=4,9 x-132+132=44+132 x+4-4=-3-4 X/45*45=8*45 7*x/7=4.9/7 x=176 x=-7 X=360 X=0,7 Tabela 4- Modelo de resolução pelo método aditivo Fonte: Adaptado do livro matemática e realidade Nesta edição encontrei um passo a passo para a resolução da equação para ser inserido o método da transposição »» Leia atentamente o problema X Estabeleça qual é a incógnita C Escreva a condição para a incógnita (se deve ser número natural, inteiro, etc.) E Monte uma equação, traduzindo os dados do problema em linguagem matemática R Resolva a equação V Verifique se a raiz encontrada obedece à condição estabelecida na etapa C. Ex: O dobro da quantia que Jair possui e mais R$18,00 dá R$66,00. Quanto Jair possui? Seguindo o passo a passo temos: A quantia que Jair possui é x A condição é que o número tem que ser positivo A equação: 2x+18=66 Resolvendo a equação pelo método da transposição 2x+18=66 2x=66-18 2x=48 X=48/2 X=24 Fazendo a verificação podemos comprovar que 24 é positivo. » ANÁLISE 2- Livro A Conquista da Matemática, edição renovada ano 2009: Nesta coleção é interessante verificar que utiliza os princípios aditivos e multiplicativos de forma simultânea no processo de resolução. Ex obter uma equação equivalente a 9x-7=5x+13, escrita na sua forma mais simples. Aplicando o princípio aditivo, adicionamos +7 aos dois membros da equação, obtendo uma equação equivalente à equação dada: 35 9x-7=5x+13 9x+-7+7=5x+13+7 9x=5x+20 Aplicando o princípio aditivo, adicionamos -5x aos dois membros da equação 9x-5x=5x-5x+20 4x=+20 Agora aplicamos o princípio multiplicativo, multiplicando os dois membros por 1/4. 4x×1/4=20×1/4 X=5 Desta forma quando se dá o processo de resolução da equação de 1º grau já está vinculado o método da transposição. De forma prática temos: Resolvendo a equação: 9x-7=5x+13 9x-7=5x+13 9x=5x+13+7 (princípio aditivo) 9x=5x+20 9x-5x=20 (princípio aditivo) 4x=20 X=20/4 (princípio multiplicativo) X=5 » ANÁLISE 3-Livro Matemática 7º ano Edwaldo Bianchini 6ª edição ano 2006 Nesta edição o autor utilizou somente do método aditivo ou multiplicativo para a resolução das equações. Destacando os princípios de forma clara no texto do livro. De acordo co o livro a resolução de equações do 1º grau com uma incógnita é feita transformando-se cada equação em uma equação equivalente e mais simples, até que as soluções sejam obtidas. Na resolução de equações, aplicaremos as seguintes propriedades: Somando ou subtraindo um membro aos dois membros de uma equação, obtemos uma equação equivalente à primeira. Ex: 2x-1=x+5 2x-1+1=x+5-1 somando 1 aos dois membros 2x=x+6 reduzindo os termos semelhantes 2x-x=x+6-x subtraindo x dos dois membros x+6 36 Multiplicando ou dividindo os dois membros de uma equação por um número diferente de zero, obtemos uma equação equivalente à equação dada. Ex: 5x=20 5x/5=20/5 (dividindo os dois membros por 5) X=4 (efetuando a divisão) Nesta coleção o autor utilizou somente o método aditivo para resolução dos exercícios, não utilizando como nas outras coleções o método da transposição. Pela análise destes livros pude observar que em todos eles, os entes equacionais vêm bem enunciados e esclarecidos em todo o contexto da matéria. Todo o processo de resolução inclusive a verificação ao final para constatar que é verdadeiro o valor da incógnita encontrada vem demonstrado em todos os livros avaliados. 37 CONSIDERAÇÕES FINAIS O interesse pelo estudo deste conteúdo surgiu durante meu estágio de observação que realizei no ano de 2012. Durante este período pude observar que a mesma forma que eu havia estudado quando fiz meu ensino fundamental era o mesmo utilizado por alguns professores. Relembrando minha formação, percebi que houve falhas na metodologia de ensino que eu tive o que me ocasionou pequenas dificuldades Em minha formação sabia resolver a equação, mas não entendia os conceitos nem tinha ideia da importância dos entes equacionais. O objetivo principal do meu trabalho era verificar os conceitos e conhecimentos dos alunos na resolução da equação de 1°grau. Avaliar os livros didáticos para verificar a metodologia de ensino e assim procurar ter uma resposta ao questionamento levantado durante a preparação deste trabalho. Porque tantos alunos que saem do ensino fundamental não conseguem apresentar resultados satisfatórios na resolução da equação? Após a aplicação da atividade e do levantamento de dados para elaboração deste trabalho, pude observar que ainda é grande a falta de conhecimento e o entendimento dos entes equacionais na resolução da equação, por parte de grande número de alunos. A causa estaria na metodologia de ensino, que muitas vezes se torna algo mecânico, ou seria devido à falta de interesse dos alunos em relação ao conteúdo matemático. Em minha pesquisa pude constatar que muitos alunos não conseguem nem definir o que é uma equação, outros não conseguem resolver uma equação por mais simples que ela seja; outros não sabem o significado dos entes equacionais e isso me fez também avaliar algumas coleções de livros didáticos sobre a metodologia de ensino deste conteúdo. Nestas coleções o que pude verificar é que há um material de apoio muito grande para que o professor possa trabalhar e estimular o conhecimento sobre o tema em sala. Todos os entes ou termos da equação vêm explicados de forma clara e de fácil entendimento para os alunos, mas para que aja entendimento é necessário que o professor desperte nos alunos o gosto pelo conteúdo aplicado. Os erros observados neste trabalho podem ser sanados com a utilização de técnicas e atividades que desenvolvam nos alunos o crescimento do raciocínio lógico para trabalhar com o abstrato, o que caracteriza a equação de 1º grau. Outro processo que pode ajudar o entendimento dos alunos seria induzir os alunos ao hábito de leitura que enriquece a capacidade de saber ler 38 um problema e poder retirar dele todas as informações necessárias para resolução do mesmo. O ensinar requer uma busca constante de práticas pedagógicas mais estimulantes para ensinar e aprender matemática. É necessário que o professor estabeleça relações entre a matemática dos livros e a matemática vivida no cotidiano do aluno, mostrando a ele o quanto ela é importante. Para tanto deve envolver no processo ensino aprendizagem tanto o professor quanto o aluno, ambos se tornando protagonistas e sujeito ativo desse processo. 39 REFERÊNCIAS ANTÔNIO, Miguel; MIORIM, Maria Ângela, História na Educação Matemática: Propostas e Desafios. 1 ed. 1 reim. Belo Horizonte: Autentica, 2004. BAUMGART, John K.História da Álgebra; Tópicos de História da Matemática para uso em sala de aula; trad. Hygino H.D.;V 4. São Paulo: Atual, 1992. BIANCHINI, Edwaldo. Matemática: ensino fundamental 7º ano São Paulo: Moderna, 2006. BOYER, Carl B. História da Matemática. 2ª ed. São Paulo: ED. Edgard Blücher, 1996. BRASIL, Secretaria de Educação Fundamental Parâmetros Curriculares Nacionais: Matemática, Brasília, MEC/ SEF, 2002. BRASIL, Secretaria da Educação de Minas Gerais Currículo Básico Comum, Belo Horizonte; SEE, MG, 2007. CARVALHO, Dione Lucchesi de. Metodologia do Ensino da Matemática, 2ª Ed ver.São Paulo,1994. CASTRUCCI, B.; JUNIOR J.R.G. A Conquista da Matemática – Ed. renovada- São Paulo: FTD, 2009. FREITAS, Marcos Agostinho. Equação de 1º grau: métodos de resolução e análise de erros no ensino médio. 2002. 137f. Dissertação (Mestrado em Matemática)Pontifícia Universidade Católica São Paulo, 2002. GUELLI, O. Contando a História da Matemática: Equação o Idioma da Álgebra. São Paulo Ed Ática VI 2002. HANKE, Tânia Aparecida Ferreira. Padrões de Regularidades: Uma abordagem no Desenvolvimento do Pensamento Algébrico. 2008. 212f. Dissertação (Mestrado em Matemática)- Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, 2008. IEZZI, Gelson; DOLCE, Osvaldo; MACHADO, Antônio; Matemática e Realidade – 5ª Ed- São Paulo: Atual, 2005. NEVES, Iara Conceição Bitencourt... [et. al.] Ler e escrever: compromisso de todas as áreas: 9ª Ed. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2011. http://www.somatematica.com.br/fundam/equacoes1.php acesso em 18/08/13