OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
Professor RIVA
A escultura de Bernini O Extase de Santa Tereza, de 1652,
é um dos melhores exemplos da escultura barroca. Para
analisá-la basta nos prendermos às características
marcantes da pintura: exagero, drama, teatralidade,
ornamentação e marcantes contrastes. A obra representa a
experiência mística vivida pela santa que, em seus relatos,
falava dos sonhos que tinha e do momento em que um anjo
lhe aparecia e perfurava seu peito com uma flecha,
conduzindo-a a uma experiência transcendental, a um
estado de êxtase. O exagero e emotividade barroca foram
os motivos de contestação e recusa da escultura por parte
dos religiosos que viram um apelo excessivamente sensual
na imagem, tanto que somente anos após sua conclusão foi
transferida para o interior da Igreja de Santa Maria da
Vitória, em Roma.
Análise: a obra possui características típicas do Barroco, quais sejam: exagero, dramaticidade e
teatralidade. Somado a estas, destacamos também linhas diagonais e curvas que acentuam o
movimento e o conseqüente dinamismo da cena. O contraste de direção existente entre a flecha e
o corpo da santa faz com que essa área desperte o interesse do público, pois constitui o clímax da
narração, sendo a região onde reside a tensão espacial da imagem. As dobras das roupas das
personagens fogem do padrão linear da arte clássica e caracterizam o lado pictórico do Barroco.
Localizado em Congonhas – MG e devotada ao Senhor
Bom Jesus de Matozinhos (tradição secular em Portugal), o
conjunto é composto pela igreja e casas baixas destinadas
a abrigar romeiros nas épocas de festas. A Basílica
começou a ser construída em 1757, como pagamento de
uma promessa feita pelo português Feliciano Mendes,
sendo as referências de melhorias a partir de 1871, com
obras de Mestre Ataíde e Aleijadinho.
Antonio Francisco Lisboa (o Aleijadinho) teria vivido até
por volta de 1814 e é considerado o maior representante do
Barroco no Brasil. Seus trabalhos diferenciam-se dos
demais por diversos motivos, entre eles o expressionismo
das formas nas esculturas, gerando um forte apelo emotivo
e popular, bem como as linhas que conferem grande
dinamismo às mesmas. A precisão de suas talhas também
é marcante, o que pode ser verificado nos trabalhos em
Subida ao Calvário, madeira policromada
madeira e pedra sabão, repletos de motivos orgânicos que
denunciam a influência Rococó em suas produções. Seus
projetos arquitetônicos também são diferenciados, com
formas circulares ou ovais, simétricas e ricas em ousadia
para a época.
Análise: No Santuário de Matozinhos, os elementos arquitetônicos obedecem rígida simetria, algo
um tanto incomum para os padrões barrocos, enquanto sua distribuição confere ritmo regular ao
conjunto. Já as esculturas de Aleijadinho apresentam características peculiares, como o exagero e
a deformação propositais, típicas do expressionismo formal presente nos trabalhos do artista. É
comum também o colorido das roupas das personagens e o uso de coloração na pele, olhos,
cabelos e carne, o que denominamos de “figuras encarnadas”, recurso utilizado para conferir maior
emotividade, dramaticidade e realismo às representações.
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
Professor RIVA
Debret, Enterro de Uma Mulher Negra, litografia
aquarelada, séc XIX.
Debret, O Jantar, litografia
Pedra com desenho de Daumier, Séc. XIX
Ex-votos são imagens representativas de uma graça
alcançada. Costume herdado dos portugueses, é ainda
muito presente na atualidade, como testemunham as salas
dos milagres das igrejas católicas, como na Basílica de Nsª
Srª Aparecida, em São Paulo (imagem ao lado). Um ex-voto
pode ser construído por meio de pintura ou uma fotografia,
mas o modo mais conhecido é feito por meio da escultura,
principalmente de madeira e cera, embora hoje muito fieis
façam uso de recursos como partes bonecos, como braços,
pernas e cabeças.
Debret produziu com sua Viagem Pitoresca e Histórica ao
Brasil (1834-1839), nosso principal cartão de visita na
Europa do século XIX, e importante fonte iconográfica para
a formação do nosso olhar e da nossa identidade nacional.
Vindo com a chamada Missão Francesa de 1816 foi
responsável pela fiel reprodução dos tipos nacionais da
época, demonstrando a vida dos negros, índios e mestiços
e sua relação com os senhores de escravo no campo e nas
cidades de maneira realista, não mais idealizada e presa a
padrões acadêmicos como foram Eckhout e Franz Post. A
obra Enterro de uma Mulher Negra demonstra a diferença
entre negros e brancos até mesmo no tratamento oferecido
pela Igreja Católica. Note que tudo acontece do lado de fora
do templo. Do mesmo modo, em O Jantar Debret mostra de
modo realista o modo como se organizava a sociedade
escravocrata brasileira. Os negros de pé a cuidar da
tranqüila refeição de seus senhores traduz uma
desigualdade não muito distante, enquanto as crianças são
tratadas como bichinhos de estimação a despertarem a
atenção da senhora que os dispensa algumas migalhas do
farto almoço.
A técnica utilizada foi a litografia, típica da Revolução
Industrial, cuja reprodução em escala e a qualidade da
imagem eram adequadas à sua pesquisa científica. Lembrese que, embora favorecesse o uso de cores, a obra foi
colorida por meio de aquarela, dando uma melhor resolução
e variação de cores.
A litografia foi desenvolvida na Alemanha em 1790, por
Alois Senefelder (1771-1834). Seu uso se difundiu
rapidamente no século XIX como técnica de reprodução,
contribuindo decisivamente na divulgação e popularização
de imagens em rótulos, jornais, revistas e cartazes. A
fixação da imagem na pedra não vem do encavo
característico de toda gravura, mas de um processo químico
de repelência entre água e óleo e do uso de produtos como
o ácido nítrico. Embora exigisse um trabalho em equipe, a
litografia mostrou-se eficiente e versátil, pois, além da
qualidade visual, os desenhos eram executados sobre a
pedra de modo semelhante ao papel.
Análise: as duas obras de Debret seguem os padrões clássicos de representação no tocante ao uso
comedido das cores e da luz difusa iluminando por inteiro os ambientes, no entanto, por se tratarem de
ilustrações científicas, têm por obrigação a representação fiel aos modelos utilizados. Na primeira predominam
as cores quentes, o ritmo intenso das formas e a assimetria na distribuição dos elementos, porém, embora a
igreja à direita faça do lado direito uma área de grande destaque, o tamanho das personagens em primeiro
plano e a profundidade espacial da paisagem ao fundo no lado esquerdo equilibram a imagem.
Na segunda obra, o jogo entre luz e sombra é mais harmônico e a simetria é mais visível, prejudicada
levemente pela diferença numérica de elementos entre um lado e outro,
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
Professor RIVA
Modesto Broccos, A Redenção de Can, 1895, óleo
sobre tela
A questão da identidade nacional começou a despertar o
interesse dos governantes a partir de 1822 com a
independência do Brasil, no entanto essa identidade era
tratada de maneira totalmente voltada para os interesses da
Coroa, tendo o Romantismo surgido no seio do IHGB (1838)
exercendo o importante papel de promotor dos símbolos e
ícones da nova ordem. O problema é que as teses
naturalistas que norteavam as produções da época na
literatura e nas demais artes um enaltecimento ao branco
europeu, uma mitificação do nativo e uma forte negação aos
negros e mestiços. Para conferir isso basta procurar o negro
na pintura da época e verificar a idealização do índio
(branco e clássico), desprovido de sua forma natural e de
valores também distorcidos. O determinismo biológico, cruel
com negros e mestiços é o objeto dessa obra de Modesto
Broccos intitulada A Redenção de Can, na qual o artista faz
uso de um tema bíblico como uma metáfora para
representar as condições decorrentes da mestiçagem no
Brasil, época em que estudiosos procuravam demonstrar
que
o
país
passaria
por
um
processo
de
embranquecimento em função da superioridade do sangue
europeu, como na tese apresentada por João Batista
Lacerda, no I Congresso Internacional das Raças, realizado
em Londres, em julho de 1911, na qual a tela foi utilizada
como ilustração de suas idéias. Note como a avó negra
agradece aos céus pelo fato da criança, filha de uma
mestiça com um pai luso, ter nascido branca. A obra A
Redenção de Can foi considerada por Olavo Bilac o maior
símbolo do preconceito no Brasil.
Análise: a obra possui características realistas, o que é ratificado pela ênfase dada aos detalhes
que enfatizam a busca pela representação o mais verossímel possível ao ambiente pobre que
cercava negros, índios e mestiços no Brasil. A criança branca, personagem principal, ocupa o
centro geométrico da imagem, estabilizando a cena e compensando a leve assimetria presente. A
porta ao fundo emoldura e destaca a figura masculina, enquanto a escuridão da casa compensa o
tamanho da mulher negra e da árvore à esquerda. Predomina a luz difusa a iluminar a cena.
O termo “raças” somente foi substituído por “etnias” no
Brasil a partir de 1955 com o ISEB (Instituto Superior de
Estudos Brasileiros), no entanto a valorização dos tipos
nacionais já havia ganhado forma com o Realismo de
pintores como Almeida Jr e seus caipiras e mestiços, tendo
os modernistas, como Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti,
valorizado e enaltecido o índio, o negro, o mulato... Na
segunda fase do modernismo brasileiro, Cândido Portinari
veio trazendo a denúncia do sofrimento dos retirantes,
operários, marginalizados. Atualmente alguns artistas
continuam a retratar o negro e o mestiço e a analisar suas
condições sociais. É o caso de Rosana Paulino que, por
meio de uma linguagem contemporânea e conceitual, busca
levantar questões como o papel da mulher negra na
sociedade, observando sua posição na mídia, no mercado,
na política, no lar; sua relação com os padrões de beleza.
Em parede da memória ela faz uso de materiais tidos como
típicos do universo feminino: a agulha e a linha unindo,
distorcendo e criando novos significados para eles, numa
linguagem típica da arte conceitual.
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
Professor RIVA
Os Kayabi habitam o Parque do Xingu, no Estado do Mato
Grosso. Conhecidos historicamente como guerreiros
ferozes, Têm como língua falada a Kayabi, da família TupiGuarani, e dominam bem o português. As primeiras
referências étnicas são encontradas em relatos de índios de
outras tribos da região, transcritos por expedicionários que
percorreram o Brasil Central a partir do século XVIII e mais
intensamente no século XIX.
O contato com seringueiros, mineradores e colonos a partir
do séc XIX foi um desastre para os Kayabi. Muitas são as
histórias de massacres, expulsão das terras e doenças
adquiridas que contribuíram sobremaneira para a quase
extinção do grupo. Embora tenham vivido o inevitável
processo de aculturação, comum a partir do contato entre
povos tão diferentes no Brasil, os Kaybi conseguiram
preservar de modo praticamente inalterado importantes
tradições como as festas, os cânticos, as danças, a pintura
corporal e o artesanato de caráter funcional, com arcos,
flechas, ranhadeiras, peneiras, ritualístico, com instrumentos
e cerâmica, e ornamental, como colares de tucum lisos ou
com figuras antropomórficas. Nos objetos é bastante
comum a presença de padrões gráficos que remetem à
mitologia.
Um importante testemunho dos hábitos e da aculturação
pela qual passaram os Kayabi, é a realização de um ritual
chamado Ywaci ou Djawasi que, originalmente, seguia à
captura de inimigo que era decapitado, o crânio exibido
como troféu e quebrado posteriormente. Essa festa
acontece hoje em homenagem a um visitante, ou nos
encontros de grupos Kayabi. O inimigo morto agora é
substituído por um boneco, o añangI. A tradição é
preservada, porém a violência abolida.
WANGECHI MUTU
A keniana usa o recurso da colagem para representar as
condições da mulher africana. Os temas incomodam, a
começar pelos títulos associados a exploração sexual,
desigualdade e doenças venéreas. Suas obras parecem
oscilar entre o pesadelo, a fantasia e a realidade, lembrando
movimentos como o Surrealismo. A obra A Ascensão da
Borboleta nos Campos da Matança, é construída de
símbolos e ícones africanos, são animais e plantas a
formarem uma imagem feminina que remete ao
materialismo, ao mundo da moda, mas que também alude
às chacinas ocorridas em várias nações do continente.
Análise: na obra é possível percebermos elementos visuais como segregação e unificação.
Primeiro segregamos, desconstruímos a forma a partir do momento em percebemos os elementos
individuais, como animais, flores e outros objetos; depois unificamos tudo por meio da proximidade
e da semelhança entre estes de modo a reconstruir a imagem feminina. O ritmo é regular e
harmônico e o movimento é dado pela presença de linhas e formas diagonais e curvas.
Na mesma linha conceitual, o irreverente e provocativo
Nelson Leirner faz uso de objetos cotidianos e kitsch,
trabalhando com uma iconografia que permite várias
interpretações, uma vez que abraça grupos diversos. É a
própria massificação da cultura e dos indivíduos. Aqui
religiões, procissões, festejos, etnias, miscigenados, mídia e
indústria cultural fundem-se para representar a própria
Nelson Leirner, Missamóvel, instalação
mistura que é o Brasil.
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
Professor RIVA
Nelson Screnci, Metamorfose dos Excluídos, 1999,
técnica mista
Lembram da obra Caipira Picando Fumo, de Almeida Jr?
Pois bem, nesta releitura de Nelson Screnci a temática dos
marginalizados, excluídos, retorna, porém agora com uma
roupagem atualizada. O uso de múltiplos gera o ritmo da
imagem que traz diversos tipos nacionais negados por
autoridades, pelos diversos sistemas de governo, pela mídia
e setores da sociedade. São trabalhadores braçais,
ambulantes, engraxates, pedintes, enfim, frutos de uma
desigualdade histórica em nosso país. Sua metamorfose
está apenas nas roupas, no visual, na região ou local em
que se encontram, mas a situação é a mesma.
Na segunda versão, metamorfose cultural, de 2000, a figura
do caipira vem fundida à imagem da negra, da obra de
Tarsila do Amaral. Novamente o artista faz uso da repetição
rítmica de imagens para transmitir sua mensagem.
Nelson Screnci, Metamorfose dos Excluídos, 2000,
técnica mista
Eldorado
Uma importante característica dos trabalhos de Screnci é o
uso de uma linguagem cotidiana, praticamente em forma de
tirinhas, dos quadrinhos, que remetem às películas
cinematográficas. Suas obras decorrem de lembranças
pessoais e das informações captadas no dia-a-dia. O
recurso da repetição de formas pode ser entendido como
uma alusão ao próprio ritmo intenso da vida moderna e à
condição humana em meio a um universo de tantas
informações. Obras como Eldorado, em que casas e
pequenos edifícios amontoam-se, espremem-se no
pequeno espaço da tela (por que não no espaço urbano dos
grandes centros?) aborda de maneira metafórica a
esperança por uma vida melhor, a busca pelo “ouro” das
capitais, a grande migração que gera desigualdade e perda
de identidade.
Análise: a principal característica das três imagens é o ritmo regular gerado pela repetição das
formas que proporcionam um belo dinamismo visual às obras, com uma intensidade maior em
Eldorado. É possível percebermos também a ausência de sombras e a harmonia decorrente de
fatores como clareza e pouco contraste entre as cores, o que, em certos momentos chega a
prejudicar a relação figura/fundo.
A pintura da sagração, o momento da assunção do poder
dos monarcas, foi um tema da arte neoclássica que visava
tornar épico aquele momento. Um dos maiores exemplos é
a Sagração de Napoleão, de David. Observe as
semelhanças entre as duas, como os imperadores ocupam
a área de maior peso visual que é o canto inferior direito,
finalizando a narrativa da cena.
Vale lembrar que Debret vem da academia francesa,
chegou ao Brasil com a Missão Artística de 1816, convidada
Debret, Sagração de Dom Pedro I, óleo sobre tela,
por Dom João VI para modernizar a colônia, pondo-a em
1822
sintonia com o que estava em voga na Europa, nesse caso
o Neoclassicismo, movimento artístico que simbolizou a
rebeldia iluminista que culminou na mais importante
revolução burguesa, a Revolução Francesa. É interessante
notar como um movimento que teve sua origem na revolta
anticlérica e antimonárquica tornou-se, após a desilusão
com Robespierre, a arte oficial dos regimes absolutistas,
como o de Bonaparte e de tantos outros governantes,
inclusive no Brasil, até ser confrontado pelo Romantismo e,
Jacques-Louis David, Sagração de Napoleão, óleo
radicalmente, pelo Realismo.
sobre tela, 1808
Na obra Sagração de Dom Pedro I o ambiente
monumental reforça a grandiosidade e o poder do
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
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representado. As linhas de perspectiva convergem para um
ponto de fuga próximo ao centro da imagem, o que contribui
para sua estabilidade, característica que é acentuada pela
distribuição quase que simétrica dos elementos, traço típico
da arte clássica.
Embora a repetição de figuras humanas acentue o ritmo
da obra, o movimento é contido, uma vez que o momento é
um tanto sereno. A cena segue uma narrativa tradicional da
esquerda para a direita, encerrando a narrativa justamente
na imponente figura do novo regente
Análise: Sagração de Dom Pedro I apresenta estrutura fiel à tradição clássico/acadêmica
valorizada pelos artistas neoclássicos. Nela predomina a simetria, a simplicidade, a regularidade, a
clareza e a harmonia. As linhas de perspectiva convergem para um ponto de fuga localizado no
centro geométrico da imagem, o aumenta a estabilidade da obra; a narrativa acompanha o modelo
tradicional de leitura, da esquerda para a direita, encerrando-se na figura do imperador.
A obra de Chardin é representante do estilo ROCOCÓ, cujo
rebuscamento e requinte caracterizavam a arte oficial da
aristocracia do século XVIII.
O Rococó teve sua origem associada a ornamentação
barroca, porém de modo mais contido no uso das cores e
dos motivos ornamentais. Um princípio ideológico dos
mecenas aristocráticos, grandes consumidores desse estilo
era o uso da arte para diferenciá-los da classe burguesa e
da massa popular. Assim, as cenas retratavam o universo
da nobreza, seus hábitos, seu dia-a-dia, seus valores, com
cenas como essa de Chardin, A Boa Educação, em que
uma jovem é submetida aos ensinamentos que iam da
Chardin, A Boa Educação, séc XVII
literatura ao bom comportamento.
Análise: Na obra de Chardin prevalece a instabilidade, fato decorrente da maior concentração de
elementos visuais e, sobretudo, pela luz à esquerda que resulta em área de grande peso visual. O
artista segue a tendência do estilo Rococó em valorizar o ambiente, o requinte e a aura de
sobriedade distinta da nobreza de modo objetivo.
Por falar em Neoclassicismo, vamos lembrar que, quando
surgiu, por volta de 1874, veio representando a
racionalidade e o humanismo iluministas, reagindo ao
exagero do barroco católico e à frivolidade do Rococó
aristocrata. A arte neoclássica resgatou a estrutura e os
padrões estéticos renascentistas associados aos temas
mitológicos gregos, trazendo ainda temas históricos, cenas
épicas, retratos, e a natureza-morta. A escultura de Canova
representa esse estilo, cuja origem burguesa, depois
redirecionada à monarquia, sempre esteve ao lado de uma
Canova, Eros e Psique, 1793, mármore
elite, sendo marcada pelo apelo estético e pelo refinamento.
Análise: os valores clássicos mostram-se presentes mais uma vez, agora numa escultura. Primeiro
atentemos para a temática de origem mitológica grega, segundo o material nobre utilizado, o
mármore, terceiro a suavidade, leveza e padrões estéticos voltados para a beleza material e
transcendental e, por fim, o movimento controlado e a harmonia do conjunto.
O Romantismo teve em Goya seu grande precursor. Seus
trabalhos produzidos quando da ocasião da invasão
napoleônica à Espanha trouxeram pela primeira vez o horror
da guerra a público, sem a glória ou o heroísmo do
classicismo. Tudo transpira horror, morte, crueldade, é a
guerra igual em todos os cantos; ao fundo a igreja, a cidade
dorme, enquanto
os revoltosos são cruelmente
massacrados. A série de gravuras intitulada Desastres da
Guerra causaram sentimentos diversos na época devido à
veracidade e realismo das cenas. Era se como o autor
Goya, Fuzilamento de 03 de Maio, 1814, óleo
sobre tela
tivesse assistido a todas aquelas cenas (o que não é
improvável). As obras de Goya trazem consigo uma marca
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
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do Romantismo: o nacionalismo. Sentimento que marcará
esse movimento em todos os países.
*nota: lembre-se de que as gravuras foram reproduzidas a
partir de uma placa de metal (ouro, cobre ou bronze), a
chamada calcogravura. Goya fazia uso tanto da ponta
seca, gravação feita pelo uso de uma haste de metal sobre
a placa, desenhando como se usasse um lápis, e da água
forte ou maneira negra, que consistia na fixação da
imagem na placa de metal por meio do uso de ácido.
Goya, Desastres da Guerra, litografia, 1814
Análise: As duas imagens apresentam composição estruturada em duas faixas diagonais (herança do
Barroco) que, de imediato, dinamizam as cenas. Na primeira a distinção entre figura e fundo é imediata, fato
decorrente do contraste intenso entre luz e sombra. A luz também segue o modelo Barroco, sendo seca, de
foco direto e objetivo a destacar as personagens principais e a conferir dramaticidade à cena. Embora
notoriamente assimétrica, possui certo equilíbrio visual dado em razão da compensação de pesos. As
personagens são dispostas em dois grupos distintos: à esquerda as vítimas, dispostas em ritmo alternado,
intenso e irregular; à direita os soldados, perfilados em ritmo calmo, regular e ordenado. Seus rostos ocultos
são uma alusão á violência presente em todo o mundo. O contraste de direção entre as armas dos soldados e
a personagem de branco faz dessa área ponto de maior tensão espacial.
Na segunda imagem as formas diagonais dão a tônica de todo o movimento presente, enquanto a linha
maior que liga o canto superior esquerdo ao inferior direito prende o olhar do espectador à grotesca cena.
A pintura de Delacroix, exposta em 1831, é um marco do
Romantismo – estrutura diagonal herdada do Barroco e a temática
social são destaques. Observe a semelhança com a composição
de Goya. O tema é uma alusão à vitória da Revolução Liberal de
1830 frente à vitória efêmera do conservadorismo promotor do
Congresso de Viena. A bandeira com os ideais da Revolução
Francesa está novamente tremulando, triunfante após a proibição
imposta pela restauração Bourbon. O artista que não pegou em
armas lutando pela pátria, como ele mesmo ressaltou, armou-se
com pincéis pintando por ela. Esse patriotismo é a força do
Romantismo
Delacroix, A Liberdade Guiando o Povo, 1831,
óleo sobre tela
Análise: a mesma leitura feita nas obras de Goya aplica-se nesta de Delacroix: predomínio da divisão
diagonal entre os planos, ritmo intenso e alternado com as personagens verticais a romper com as posições
das demais, movimento e dramaticidade
O outro lado do Romantismo está em sua associação à natureza,
talvez pela influência de pensadores como Rousseau. Graças aos
românticos a pintura de paisagem firmou-se como gênero nas
artes, surgindo como uma reação a artificialidade promovida pela
indústria e ao crescimento das cidades. William Turner diferenciase dos demais paisagistas pelo realismo das imagens e pelo modo
como explora a relação entre os elementos como o vento, a água
e a luz, buscando captar a atmosfera de maneira dinâmica,
contrariando o caráter estático comum a esse gênero, como pode
ser percebido na tela Naufrágio em que a intensidade e
dramaticidade do momento é claramente perceptível.
William Turner, Naufrágio, 1808, óleo sobre tela
Nesta outra obra de Turner temos o início do trabalho fora dos
ateliês que tanto impulsionaria o futuro Impressionismo de 1874. O
ambiente é apenas desculpa para o artista retratar a força da luz
do dia, a maneira como se integra às formas, alterando-as, numa
composição calma que logo se tornaria dinâmica em obras do
mesmo período, como Vapor e Velocidade ou Vapor em Meio à
Tempestade. Embora seja possível perceber a claridade vinda de
modo frontal, a luz difusa ilumina todo o ambiente. Nela, a grande
diagonal que margeia o rio contrasta com o ritmo cadenciado e
com a verticalidade das árvores que a acompanham.
William Turner, Mortlake Terrace, 1826, óleo
sobre tela
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
Professor RIVA
Millet, Angelus, 1857, óleo sobre tela
A obra Angelus, de Millet constitui uma verdadeira ferramenta do
socialismo do século XIX, cuja principal corrente artística foi o
Realismo, movimento engajado social e politicamente. O cenário
paradisíaco, cuja luz difusa promove um dourado resplandecente,
gera uma cena idílica, no entanto, se observarmos bem as
personagens em primeiro plano, podemos verificar a pobreza e o
sofrimento oculto. É como se quisesse dizer que por traz de toda
beleza há alguém pagando o preço. É a síntese da desigualdade
entre as classes na era da Revolução Industrial. A arte realista
nega o exagero e a dramaticidade do Romantismo, mas reage
principalmente à frieza e ao descompromisso dos neoclássicos
com a verdade. O Angelus na verdade é uma oração feita pelos
camponeses ao entardecer e nessa imagem, há uma introspecção
tamanha que intrigou artistas de gerações posteriores.
Definir ou classificar as obras de Rodin não é tarefa fácil tampouco
recomendada. Adepto do que ele denomina “obra não finita”, tem
como característica marcante a captação do momento da criação
artística. Suas figuras são congeladas em meio a uma ação,
parecem brotar do mármore ou do bronze, como na obra O Torso
de Adele, cuja falta dos membros superiores e inferiores geram um
incômodo e uma certa expectativa em relação ao devir.
Rodin está mais próximo da corrente REALISTA, embora possua
certa ligação aos simbolistas.
Rodin, O Torso de Adele
A obra O Quarto Estado, de Giuseppe Pellizza, 1901, foi
inicialmente planejada como uma homenagem à Revolução
Francesa e ascensão da burguesia, no entanto o autor a conduziu
para a realidade da época da transição do séc. XIX para o XX. O
tema passou a representar a classe operária, os trabalhadores e a
luta de classes incentivada pelo pensamento socialista em
desenvolvimento. Os outros três estados são: o clero, a nobreza e
a burguesia. O estilo de pintura é o Realismo, caracterizado pelo
engajamento político e social.
Eduard Manet foi um dos inspiradores do Impressionismo e,
mesmo sem chegar a se declarar como tal, participou de várias
exposições do grupo de artistas formado a partir do Salão dos
Recusados, de 1874. Na obra Bar em Folies-Bergére, de 1882, é
possível notar o trabalho executado com pinceladas largas ao
estilo impressionista. Nota-se também a curiosidade despertada
pelas luzes. A grande crítica a essa obra pelo suposto erro de
perspectiva presente no reflexo da atendente e do senhor no
espelho ao fundo. Na verdade, não se trata de um erro em si, mas
de uma licença artística do pintor no intuito de reproduzir uma
imagem que brinca com visões simultâneas de um mesmo lugar.
Degas, Mulher Passando a Ferro, 1885, Giz pastel
seco
O Realismo e o Romantismo influenciaram diretamente o
Impressionismo, corrente firmada a partir do “Salão dos
Recusados” de 1874, cuja principal característica era seu caráter
essencialmente científico, voltado para o estudo acerca dos efeitos
da luz sobre as formas e, consequentemente, sobre os objetos,
alterando-os diante do olhar. Os impressionistas romperam com os
padrões acadêmicos, direcionaram seus trabalhos para a física,
estudando a fusão óptica e o contraste mútuo das cores. A
fotografia desenvolvida na época promoveu a liberdade do artista
em relação a ideologias ou padrões estabelecidos, influenciou
trabalhos como a pintura de Degas e suas bailarinas. A resolução
fotográfica da época norteou sua produção; a fragmentação típica
do impressionismo é claramente verificada nesta imagem. A luz
difusa ilumina a cena.
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
Professor RIVA
Degas, O Ensaio de Balé
Degas, A Pequena Bailarina de 14 anos.
Eliseu Visconti, Golfo de Nápoles com o
Vesúvio ao Fundo
Assim como Manet, Edgar Degas nunca se manifestou um
impressionista, no entanto também expôs com o grupo e
carrega características dessa corrente em suas pinturas.
Difere-se por trabalhar mais em ambientes fechados e
iluminados artificialmente. Sua pintura também não possuía
a instantaneidade impressionista, embora pareça. Na
verdade, o enquadramento e aparente “congelamento das
cenas eram resultantes (em muitos casos) do uso da
fotografia como base de seus trabalhos.
Diferentemente da frieza impressionista, apresentava certa
temática social em suas obras, como no interesse pelos
freqüentadores da noite parisiense e pelos novos
trabalhadores da revolução industrial, como na pintura
Mulher Passando Ferro.
A Pequena Bailarina de 14 Anos, 1881, cera e tecido. Essa
pequena escultura causou verdadeiro furor ao ser
apresentada pela primeira vez ao público. As reações foram
as mais variadas, chegando inclusive à indignação. A feiúra
e indiferença da pequena menina diante do olhar dos
espectadores incomodavam os tradicionalistas que
afirmavam que a obra deveria ser exposta não numa galeria
de arte, mas em um museu de antropologia. Degas a exibiu
dentro de uma caixa de vidro, isolando-a mesmo dos
observadores, como se fosse em uma jaula. Na verdade,
ele demonstra sua indignação com a realidade vivida pelas
jovens dançarinas. Amante do bale, acompanhava o
ingresso das meninas, grande parte de origem humilde a
buscar melhores condições, um futuro promissor. O artista
conhecia os bastidores dos teatros, via os homens
inescrupulosos e seus encontros furtivos com essas
garotas. Em suas pinturas é comum percebermos vultos ou
figuras masculinas vestidas com trajes escuros, sombrios,
como que na espreita. Degas deforma propositadamente o
rosto da pequena bailarina, como numa referência aos
pensamentos deterministas do século XIX, entre eles o
cultural e o biológico, assim, a adolescente parece mesmo
um objeto a ser analisado, não como um se humano, mas
um ser desprovido de sentimentos, pois isso não
interessava aos homens da época. É interessante que a
menina Anne, que serviu de modelo, de origem pobre,
chegou a obter certa fama, no entanto desapareceu
misteriosamente ainda muito jovem, como se confirmasse a
visão melancólica de Degas. A escultura é feita de cera e
tecido, a estrutura interna é composta de pincéis do artista.
Quando questionamento sobre o porquê de não utilizar o
bronze, comum na época, Degas respondeu que aquele
metal era perigoso, pois poderia durar para sempre. Pense
nisso.
Eliseu Visconti desenvolveu seus trabalhos entre 1885 e
1944, sendo um dos precursores do modernismo no Brasil.
Dotado de genialidade e criatividade ímpares, sofreu
influências diversas em sua arte, principalmente do
Romantismo e do Impressionismo, como pode ser
percebido na obra Golfo de Nápoles com Vesúvio ao Fundo,
em que predomina o brilho propiciado pela luz difusa. Ness
obra em que predomina a calma e o repouso das linhas
horizontais, a diagonalidade da praia e verticalidade das
pequenas figuras proporcionam suave dinamismo.
Além de pintor, atuou como designer, momento em
vivenciou a ornamentação e a beleza da Art Nouveau.
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
Professor RIVA
Nu Feminino Deitado, 1896, Rafael Frederico
Vincent Van Gogh, O Semeador, 1885
O Semeadador, feito por Millet em 1850
Rafael Frederico (1865 - 1934) foi um pintor,
desenhista e professor.nascido no Rio de Janeiro. Em 1893
ganhou o pręmio de viagem àEuropa, oferecido pela Escola
Nacional de Belas Artes. Lá, entrou em contato com a arte
tradicional e com as produções de artistas impressionistas e
pós-impressionistas, fato que influenciou sua trajetória e sua
linguagem, libertando-o das amarras acadêmicas e
conduzindo-o rumo ao modernismo.
As influências impressionistas podem ser percebidas
na obra Nu Feminino Deitado, de 1896, na qual pinceladas
vigorosas são alternadas com o uso de espátulas e a luz
difusa predomina no ambiente.
A frieza e a racionalidade impressionista logo encontraram
reações quanto à maneira de trabalhar dos artistas e
também quanto ao próprio resultado realista, fotográfico das
imagens. O mais expressivo nome foi Vincent Van Gogh,
cuja vida e obra se misturam. O desejo de tornar-se pastor
fez com que este tivesse contato com os mineiros,
despertando nele a vontade de expressar seus sentimentos
por meio da arte. Autodidata, seus primeiros esboços
trazem as pessoas comuns, simples, como modelos. Além
da influência religiosa que fez da bíblia sua companhia, Van
Gogh tinha na leitura de autores como Victor Hugo e Emille
Zola elementos norteadores de seus trabalhos. O livro “O
Germinal” de Zola, a narrativa das condições dos mineiros
certamente, o realismo tocante da desigualdade social na
sociedade capitalista, certamente induziu a realização de
pinturas como Os Comedores de Batatas, em que o
ambiente mal iluminado e claustrofóbico casa-se com a
pobreza das personagens à mesa; as mãos e os traços
marcantes, quase deformados, são de uma expressividade
que marcaria todo o trabalho do artista. A idéia de pintar o
que sentia e não o que via, carregava sua obra de
sentimentos; a trajetória de sua vida, repleta de sofrimento e
drama e suas imagens foram determinantes para o
surgimento do Expressionismo (1904), uma das mais
importantes correntes da vanguarda européia.
Outra grande influência sobre Van Gogh veio do realismo de
MILLET, como pode ser observado na comparação entre as
duas imagens do semeador aqui apresentadas. Os dois
artistas comungavam da beleza que enxergavam o ofício do
lavrador, lembrando a parábola presente em textos cristãos.
Análise: a obra é dividida em duas faixas horizontais que são cortadas vigorosamente pela
diagonalidade da árvore e pela verticalidade da personagem, dois elementos que servem para
promover a distinção entre figura e fundo em uma composição tão iluminada e marcada pelo
contraste gerado pelas cores complementares.
A despreocupação de Van Gogh com princípios
acadêmicos, como cor local e perspectiva é notada de
imediato. Esta obra foi reproduzida mais duas vezes por ele,
representa sua solidão e espera ansiosa pelo amigo Paul
Gauguin (o que é representado pela cadeira à esquerda).
Em carta escrita ao seu irmão Théo, o pintor destaca a
intenção de retratar um ambiente calmo, aconchegante,
organizado, destinado ao descanso. No entanto, quando o
analisamos, vemos um ambiente instável, observe a
Vincent Van Gogh, O Quarto do Artista 1889
desordem dos objetos, dos quadros (de sua autoria) como
são “organizados” na parede. A cor vermelha da colcha
sobre a cama constitui área de grande peso visual, como se
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
Professor RIVA
ressaltasse o leito como a parte mais importante da
composição.
Paul Gauguin, Quem Somos Nós? De Onde
Viemos? Para Onde Vamos? 1897, óleo sobre tela
Se Van Gogh reagiu de maneira expressiva ao
impressionismo, seu amigo Paul Gauguin promoveu uma
arte de reação focada no instinto, valorizando o primitivismo
da forma e da cor. Influenciado pelas idéias de Rousseau,
Gauguin fugiu dos grandes centros para morar no Taiti,
desenvolvendo uma arte com vasta iconografia e simbologia
carregadas de subjetividade. As cores puras saltam das
telas, regras acadêmicas são veementemente negadas,
assim como as propostas impressionistas. Nesta obra o
artista nos deixa um testemunho, um testamento visual.
Toda sua vida, o mundo e os questionamentos que o
cercavam – assim como nos cercam – são dispostos de
maneira quase que narrativa. Ícones religiosos misturam-se
às suas memórias. A obra é construída explorando os
planos verticais e horizontais, foi executada em seus últimos
dias de vida. É uma obra aberta visualmente e
expressivamente. O tema foi dado quando o artista a
concluiu. As respostas quem pode dar? A ciência com o
evolucionismo de Darwin, em divulgação na época? As
diversas religiões? A filosofia?
Análise: as imagens foram criadas diretamente na tela, sem esboços, dispostas de modo quase
aleatório de acordo com a memória do artista. A personagem ao centro, de pé, serve como suporte
e elemento estabilizador da obra caracterizada pelo equilíbrio obtido pela distribuição homogênea
dos elementos e pelo ritmo alternado e intenso dos elementos. Os cantos superiores em dourado
servem como moldura para o restante da composição.
Seurat foi o mais significante nome do Pontilhismo ou
Divisionismo. Seguidor das propostas impressionistas,
interessou-se especificamente pela fusão óptica e pelo
contraste mútuo das cores.
A sistematização e o processo de criação pontilhista fez
com que o artista rompesse com o Impressionismo.
Contrário a essa corrente, Seurat executava seus esboços
ao ar livre, no entanto as obras eram construídas em ateliê
de modo calmo e controlado. As cores eram dispostas em
Seurat, Uma Tarde de Dimingo na
Grande Jatte, 1886
pequenas manchas ou pontos de tintas justapostos.
Seurat, contrariando os impressionistas, buscava uma
arte decorativa e que valorizasse a base geométrica das
formas, o que pode ser percebido pela estrutura cilíndrica e
cônicas das personagens e das arvores.
Os trabalhos desenvolvidos pelo artista Andy Wahrol
Andy Warhol,
(1928 – 1987), um dos principais expoentes da Pop Art,
Retrato de Pelé
movimento de origem inglesa iniciado por volta de 1949 e
e triptico de
Merilyn
que ganhou força nos Estados Unidos, são caracterizados
serigrafia
pela crítica à sociedade de consumo firmada a partir da
Segunda Guerra Mundial e o que era ofertado por meio do
poder dos veículos de comunicação.
Andy reproduzia as imagens das celebridades alterando
somente as cores utilizadas, de maneira a deixar a escolha
de uma ou outra peça a cargo do público, como se estivesse
escolhendo uma revista ou um outro produto qualquer em
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
Professor RIVA
uma prateleira. Para ele não interessava a vida pessoal da
celebridade, mas a maneira como ela era vendida e
consumida pelo público.
O curioso é que, de certo modo, embora
representassem celebridades de sua época, suas imagens
remetem a um passado, a um clima nostálgico, fato
provavelmente decorrente de sua ideia acerca da
instantaneidade da fama alcançada em razão da promoção
midiática e sua fragilidade.
Seu ateliê, ou fábrica, conforme ele denominava,
recebia todos os tipos de personagens de relevância social.
Após trabalhar com celebridades da música, cinema,
política, esportes, e outras áreas, passou a retratar
anônimos abastados, ricos dispostos a gastarem quantias
substanciais na autopromoção. Andy abordava a questão da
repetição exaustiva das imagens na mídia como forma de
fixação destas diante do público. Já nos idos dos anos 60 do
século passado insistiu na máxima de que no futuro todos
teriam seus 15 minutos de fama, frase que fez dele um
visionário quanto à realidade dos novos tempos.
Vik Muniz é na atualidade o artista de brasileiro de maior
projeção mundial. Ganhou fama por suas fotografias criadas
a partir de um processo de construção de imagens a partir
da intervenção com materiais diversos ou de estruturas
formais a partir desses materiais que vão do lixo ao luxo.
Entre seus trabalhos destacam-se as séries em representa
celebridades do mundo pop, como a atriz Beth Davis, em
que realça seu estrelato por meio do brilho dos diamantes;
Vik Muniz, Valentina, retrato construído com
acçúcar
Crianças de Açúcar, de 1996, que denuncia a exploração do
trabalho infantil nas lavouras de cana-de-açúcar no Caribe
e, recentemente, a série de criações executadas com
catadores de lixo de Gramacho, na região de Duque de
Caxias – RJ, um dos maiores da América Latina, que resultou
no aclamado documentário Lixo Extraordinário. Em seus
trabalhos, materiais são reapresentados e ganham novos
significados ou então ressaltam o tema abordado.
Vik Muniz, retrato de Beth Davis
Frans Krajcberg nasceu na Polônia, 1921. Entre 1941 e
1945 participa da Segunda Guerra Mundial, lutando como
soldado da Polônia, tendo perdido sua família no
holocausto.
Em 1948 imigrou para o Brasil, fixando-se inicialmente em
São Paulo. Naturalizou-se brasileiro e em 1952, realizando
sua primeira individual no MAM-SP. Mudou-se para o
Paraná, onde trabalhou como engenheiro de uma fábrica de
papel, porém, abandona o emprego e isola-se na floresta
Krajkberg, Flor do Mangue, escultura com
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
Professor RIVA
madeira reaproveitada
Emendabili, Ausência, túmulo da família
Forte, Cemitério da Consolação – SP
Brecheret, Sepultamento, túmulo de
Olívia Penteado, Cemitério da
Consolação - SP
para pintar. Em 1968 instala ateliê em Itabira, Minas Gerais,
executando suas primeiras esculturas com troncos de
árvores mortas. Realiza diversas viagens para a Amazônia
e para o Pantanal Mato-grossense, fotografando e
documentando os desmatamentos. Em 1978, durante
viagem no Rio Negro, elabora com Pierre Restany e Seep
Baendereck a teoria do Naturalismo, baseada no contato
direto do homem com a natureza, observando suas formas,
cores e texturas. Krajcberg é um ativista, faz uso de troncos
de árvore mortas naturalmente ou pela ação do homem em
instalações e esculturas gigantescas, interferindo no
ambiente, chamando a atenção do público para um tema
cada vez mais freqüente: a necessidade de preservação da
natureza. Aqui, em Flor do Mangue, faz uso de uma
metáfora para representar não uma espécie nativa, mas
todas.
ARTE TUMULAR – o hábito de ornamentar túmulos
acompanha o homem há muito tempo. No antigo Egito, por
exemplo, os sepulcros dos faraós, sacerdotes e pessoas de
prestígio era uma maneira de ressaltar sua importância, tendo
caráter simbólico, mas predominantemente religioso. Na idade
média os túmulos diferenciavam nobres, papas e cavaleiros dos
simples mortais. A partir do Renascimento, a nova classe
representada pela burguesia, ávida por arte e cultura, o que os
aproximaria da aristocracia, também viu na arte tumular uma
maneira de eternização e demonstração de poder.
O desenvolvimento e até certa popularização desse tipo de
manifestação ocorreu, no entanto, em função da racionalidade
científica iluminista que, na transição do século XVIII para o XX
demonstrou o grau de insalubridade no interior de templos
religiosos em função da prática do sepultamento, da venda de
jazigos nas igrejas, o que era acrescido por fungos e
microorganismos diversos que cobriam as paredes mal
iluminadas e arejadas dessas edificações. Logo, a elite
acostumada a garantir seu lugar em solo sagrado viu-se
obrigada a ter seus entes enterrados juntos aos indivíduos
comuns, a arte veio para promover a diferenciação na “última
das vaidades”, o túmulo. No Brasil essa prática desenvolveu-se
com os imigrantes, principalmente italianos, que vieram
substituir a mão-de-obra escrava. Eles prosperaram, tornaramse abastados e contrataram grandes escultores, como
Emendabili, autor da obra Ausência, Victor Brecheret criador de
Sepultamento, e outros modernistas como, incumbidos de
ornamentarem, representarem sua importância mesmo após a
vida, permanecendo sua memória.
O interessante é observarmos a relação entre arte e espaço
público. É notória a modificação que uma obra de arte promove
no ambiente – casa, galeria, rua, museu – mas e o contrário,
também acontece? A resposta é sim. O que pode ser verificado
principalmente com a arte tumular. Todas as obras mudam seu
sentido ou ressaltam este quando colocadas em um ambiente
de tamanha emotividade como os cemitérios. Para confirmar
isso, observe a obra acima, cujo título Ausência traduz o mais
sofrido dos sentimentos: a perda. Na verdade, se olharmos com
atenção, todas os objetos, esculturas, obras diversas nesses
ambientes exprimem tal sentimento.
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
Professor RIVA
ARTE, INDÚSTRIA E DESIGN:
O MOVIMENTO DE ARTES E OFÍCIOS
No início do século XIX, bens como móveis e utensílios
ainda seguiam a produção nas oficinas manufatureiras, onde o
cuidado e o toque do artista-artesão despertavam o interesse do
consumidor. Essa característica começou a mudar a partir do
desenvolvimento de maquinário e moldes industriais associados a
novos materiais que imitavam o trabalho e o acabamento do
artesão em objetos que logo caíram no gosto popular. O fator preço
final do produto foi determinante para a superação do artesanato. A
indústria mostrava seu lado perverso: várias oficinas foram
fechadas, uma máquina executava o trabalho de vários artífices, o
desemprego logo veio à tona.
Foi nesse cenário de conflito entre artesão e operário,
trabalho manual e mecânico que surgiu o movimento inglês Arts
and Crafts (artes e ofícios) idealizado por nomes como o pintor e
designer William Morris (1834 – 1896), conhecido pelos móveis
(dir.) e papéis de parede em floral que projeto (esq.) e o escritor
crítico de arte John Ruskin (1819 – 1900). Essa corrente surgiu
impulsionada pelas propostas socialistas de Karl Marx e significou
uma importante reação ao capitalismo e a industrialização.
Os idealizadores do movimento pregavam o retorno das
grandes oficinas medievais e a valorização do artesão em uma arte
feita pelo povo e para o povo. Como forma de reação á indústria,
desprezava os novos materiais e fazia uso de formas e linhas
orgânicas – flores, cipós, folhas e frutos – numa clara rejeição ao
artificial. O preço final dos produtos eram elevados quando
comparados aos industriais, o que foi determinante para o fim do
movimento.
Vaso projetado por Gallet
Casa Mila, projeto de Antonio Gaudi
• ART NOUVEAU - O movimento francês denominado Art
Nouveau decorreu das propostas do movimento inglês, no
entanto com ideias distintas, que podem ser percebidas pela
relação estabelecida com a indústria, pois a produção Nouveau
coloca-se no interior do processo industrial, fazendo uso dos
novos materiais (ferro fundido, vidro e cimento), e das inovações
no campo da ciência. Entre as características dessa corrente
temos:
• Rompimento com padrões clássicos de construção;
• Uso intenso de ferro, cimento e vidro;
• Uso de transparências com o vidro ou formas vasadas;
• Linhas onduladas e leves;
• Formas orgânicas (flora e fauna);
• Influência das formas e curvas pré-rafaelitas
• Influência de padrões orientais
• Valorização da natureza
• Assim como ocorreu com o Arts and Crafts, a Art Nouveau
também encontrou barreiras devido ao alto custo dos objetos,
mesmo assim vigorou durante a primeira metado do séc. XX,
sendo substituída pelas propostas modernistas, como a Art
Deco, o Purismo e a Bauhaus.
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OBRAS INDICADAS PARA O PAS SEGUNDA ETAPA
Professor RIVA
Gustav Klimt foi um dos mais importantes nomes da Secessão
Vienense. Sua arte denuncia a forte influência da ornamentação
da típica da Art Nouveau. Considerado também um importante
artista do Simbolismo, em suas obras podemos perceber figuras
criadas a partir do realismo figurativo do retrato com a abstração
e o lirismo da fantasia,da imaginação, como no Retrato de Adele
Block Bauer. A atração de Klimt pela figura feminina fez com se
tornasse precursor da concepção da femme fatale, a mulher
sedutora e cercada de mistérios. O dourado comumente
presente em seus trabalhos enaltecem as figuras representadas
e o próprio momento vivido.
Como é comum nas propostas simbolistas, aqui Klimt mantém a
ideia de despertar a imaginação do público, de evitar a
gratuidade da cena - característica do teatro em que informações
visuais, como cenário eram abolidos - o que é confirmado pela
ausência de ambiente material na cena.
Análise: O fundo dividido em duas faixas horizontais é cortado pela estática figura vertical em primeiro
plano. A repetição dos padrões visuais nas roupas e ao redor da personagem geram certa fusão óptica
dos elementos que provocam uma sensação de confusão entre figura e fundo e de fusão das partes
com o todo. A disposição da personagem no canto direito e a ausência de elementos no lado esquerdo
gera desequilíbrio na imagem.
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