Universidade Camilo Castelo Branco Programa de Pós-Graduação em Produção Animal ANA CRISTINA SOARES DE FREITAS EMPREGO DA TÉCNICA DE MIRU NO ESTUDO DA EPIDEMIOLOGIA DA TUBERCULOSE BOVINA Descalvado-SP 2010 ANA CRISTINA SOARES DE FREITAS EMPREGO DA TÉCNICA DE MIRU NO ESTUDO DA EPIDEMIOLOGIA DA TUBERCULOSE BOVINA Orientador: Prof. Dr José Rodrigo C. Pandolfi Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Produção Animal da Universidade Camilo Castelo Branco, como complementação dos créditos necessários para obtenção do título de Mestre em Produção Animal. Descalvado-SP 2010 F936e Freitas, Ana Cristina Soares de Emprego da técnica de miru no estudo da epidemiologia da tuberculose bovina. Ana Cristina Soares de Freitas. Descalvado – SP : [sn.], 2010. 63 p.; 21cm Dissertação de Mestrado apresentada à Universidade Camilo Castelo Branco. Curso de Mestrado Profissionalizante em Produção Animal. Orientador: Dr. José Rodrigo Cláudio Pandolfi. 1. MIRU. 2. Tuberculose. 3. Tuberculose Bovina. I. José Rodrigo Cláudio Pandolfi. Universidade Camilo Castelo Branco. Curso de Mestrado Profissionalizante em Produção Animal. CDD 636.0896 Autorizo exclusivamente para fins acadêmicos e científicos, a reprodução total ou parcial desta dissertação, por processos xerográficos ou eletrônicos. Descalvado, 20 de Agosto de 2010. i DEDICATORIA Ao Felipe, pelo imenso amor, carinho, apoio e paciência em todas as etapas. Aos meus pais, por todo carinho, apoio e incentivo em todos os anos da minha vida. i ii AGRADECIMENTOS: Primeiramente agradeço a Deus que está presente em todos os momentos da minha vida e por permitir a conclusão desta etapa em minha vida. Ao meu querido orientador José Rodrigo C. Pandolfi, pela orientação, confiança e incentivo empenhados durante toda realização deste trabalho mesmo após seu afastamento da Unicastelo. As Dra. Clarice Queico F. Leite e Dra. Klaudia dos Santos G. Jorge por terem cedidos as amostras para o estudo, pois sem elas não seria possível a realização desse estudo. Ao aluno Ruy Carlos L. de Abreu Junior da Unicastelo pela ajuda e colaboração. Ao colega Adolfo Carlos B. Santos pela ajuda e colaboração nas análises. ii iii RESUMO A pecuária é um dos setores da produção animal que tem evoluído muito nas últimas décadas, constituindo-se, atualmente, em uma atividade econômica de grande destaque. Correlacionado e essa evolução, é crescente o estudo das doenças, visando à melhoria de qualidade e produtividade dos plantéis. As infecções por micobactérias despertam interesses devido as características do sistema de criação intensivo adotado em bovinocultura e às implicações em Saúde Animal e Saúde Pública. O presente trabalho realizou o estudo genotípico de amostras de DNA provenientes de cultivos de Mycobacterium bovis, isolados de carcaças de bovinos em abatedouro, no Estado de Mato Grosso do Sul, no período de 2005 a 2007, empregando a técnica de MIRU. No decorrer do trabalho, foram identificadas 45 amostras de M. bovis, posteriormente genotipadas. Na genotipagem das amostras observou-se que todas as 45 amostras estudadas foram agrupadas dentro de um mesmo genótipo, caracterizando a formação de um único cluster, indicando a predominância deste grupo genético, único e portanto dominante, dentre as amostras estudadas. Palavras-chave: Tuberculose bovina, MIRU, Mycobacterium bovis, genotipagem iii iv ABSTRACT Livestock farming is one sector of animal production that has evolved over the last decades, becoming currently an economic activity of great importance. Correlated to this, there is an increasing on the study of cattle diseases, aimed at improving quality and productivity of flocks. Mycobacteria Infections are increasingly important as the characteristics of intensive management system adopted in cattle favors tuberculosis dissemination, an important problem in Animal Health. In addition, as tuberculosis is a zoonosis, there are implications in Public Health. This work aimed to study the epidemiology of bovine tuberculosis by MIRU genotyping molecular technique, using samples of genomic DNA from cultures of Mycobacterium bovis isolates from cattle carcasses in slaughterhouses in the state of Mato Grosso do Sul. for that, following techniques were performed: Selection of DNA samples and their identification by PCR, molecular typing of strains by MIRU technique, and data obtained were analyzed by PAST software. This work conducted a study of genotyping DNA samples from cultures of Mycobacterium bovis isolates from cattle carcasses at abattoirs in the State of Mato Grosso do Sul in the period 2005 to 2007, employing MIRU technique. During the work, were identified 45 samples of M. bovis, that subsequently were typed. Samples genotyping showed that all 45 samples were grouped within the same genotype, characterizing a single cluster, indicating the prevalence of this genetic group, and therefore dominant, among studied samples. Keywords: Bovine tuberculosis, MIRU, Mycobacterium bovis, genotyping iv v SUMÁRIO LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS.........................................................vii LISTA DE FIGURAS........................................................................................ix LISTA DE QUADROS......................................................................................xi 1. INTRODUÇÃO..............................................................................................1 2. REVISÃO BIBLIOGRAFICA........................................................................3 2.1. . Importância Sanitária da Tuberculose...........................................3 2.2. Tuberculose Bovina...........................................................................4 2.3. Controle da Tuberculose Bovina no Brasil......................................7 2.4. Epidemiologia da Tuberculose Bovina............................................9 2.5. Diagnóstico da Tuberculose Bovina..............................................11 2.6. Genotipagem aplicada ao estudo da Tuberculose Bovina..........20 2.6.1 RFLP................................................................................................22 2.6.2 Spoligotyping.................................................................................25 2.6.3 MIRU................................................................................................28 3. OBJETIVOS...............................................................................................34 4. MATERIAL E MÉTODOS...........................................................................35 4.1. Amostras de DNA.............................................................................35 4.2. Diagnóstico Molecular das Amostras............................................35 4.3. Genotipagem das Amostras: Técnica de MIRU.............................37 4.3.1 Oligonucleotídeos iniciadores dos loci de MIRU........................37 4.4. Análise dos amplificados de MIRU e sua classificação em alelos para cada um dos 12 loci estudados..........................................................40 4.5. Análise por Bioinformática..............................................................42 5.RESULTADOS E DISCUSSÃO..................................................................43 5.1. Amostras de DNA.............................................................................43 5.2. Diagnóstico Molecular das Amostras............................................43 5.3. Genotipagem das Amostras: Técnica de MIRU.............................44 5.4. Análise dos Amplificados de MIRU e sua Classificação em Alelos v vi para cada um dos 12 loci estudados..........................................................44 5.5. Análise por Bioinformática..............................................................46 6. CONCLUSÃO.............................................................................................48 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS..........................................................49 vi vii LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS: %: Porcentagem µL: Microlitro µM: Micrometro ±: mais ou menos AIDS: Síndrome da imunodeficiência adquirida AN5: Amostra padrão de Mycobacterium bovis BCG : Bacilo de Calmette-Guérin C. E.: Concentração de estoque Cat:: catálago Cm: Centimetro D4: Amostra padrão de Mycobacterium avium DNA: Acido desoxirribonucleico DNTPs- Dinucleotideos DR: Repetição direta DR´s: Repetições diretas Dra.: Doutora ELISA: Enzyme Linked Immuno Sorbent Assay, é um teste imunoenzimático H: Horas H2O: Água H37Rv: Amostra virulenta padrão de Mycobacterium tuberculosis hsp 65: Proteína de choque térmico 65 IFN-γ: Interferon-gama específico. IS6110: é uma seqüência de inserção de 1361 pares de base Linfócito T: São linfócitos produzidos no timo a partir de células T percursoras derivadas de células tronco na medula óssea. M. africanum: Mycobacterium africanum M. aviaum: Mycobacterium aviaum M. avium avium: Mycobacterium aviaum aviaum M. avium hominissuis: Mycobacterium aviaum hominissuisM. avium paratuberculosis: Mycobacterium aviaum paratuberculosis M. avium silvaticum: Mycobacterium aviaum silvaticum vii viii M. bovis: Mycobacterium bovis M. canettii: Mycobacterium canettii M. intracellulare: Mycobacterium intracellulare M. microti: Mycobacterium microti M. tuberculosis: Mycobacterium tuberculosis MgCl2: Cloreto de magnésio MIRU: Mycobacterial Interspersed Repetitive Units mL: mililitro o C: Graus Celsius OIE: Organização Mundial de Sanidade Animal Oligonucleotídeo Tb 11: Oligonucleotídeo Tuberculose 11 Oligonucleotídeo Tb 12: Oligonucleotídeo Tuberculose 12 OMS: Organização Mundial de Saúde PAST: Paleontological Statistics Software Package for Education and Data Analysis pb: Pares de bases PCR: Reação em cadeia da polimerase PGRS: Região polimorfica repetitiva PNCEBT: Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal. Pol.: Polimerase PPD:Derivado Protéico purificado ou proteína purificada derivada Profa: Professora PTC 100: Modelo de termociclador PTC 150: Modelo de termociclador RFLP: Restriction Fragment Lenght Polymorfism Spoligotyping: Spacer Oligonucleotide Typing Taq: Thermus aquaticus TBE: Tampão Tris, ácido bórico e EDTA U: unidade de enzima UNESP: Universidade Estadual Paulista VNTR: Variable Number of Tandem Repeat Vol.: Volume viii ix LISTA DE FIGURAS: Figura 1: Representação esquemática da posição dos 12 loci de MIRU no cromossomo da cepa padrão de M. tuberculosis H37Rv (MOKROUSOV et al., 2005)........................................................................................................ 30 Figura 2: Demonstração do método de MIRU. As setas pretas maiores, apontadas no gel, representam amplificados de duas cepas distintas, empregando oligonucleotídeos iniciadores do locus 10. Na cepa A o esquema mostra quatro repetições da seqüência repetitiva, enquanto na cepa B a repetição ocorre três vezes. Neste exemplo, o tamanho de cada seqüência repetitiva é de 53 bp, gerando uma diferença de tamanho molecular entre os diferentes alelos do locus (que são diferentes no número de cópias da seqüência repetida), permitindo assim a análise do polimorfismo alélico neste locus de MIRU (PANDOLFI, 2006)...................... 31 Figura 3: Demonstração da determinação dos alelos de MIRU a partir das bandas observadas no gel. A banda em destaque tem tamanho molecular de 696bp e foi obtida por PCR empregando oligonucleotídeos flanqueadores do locus 10 de MIRU (PANDOLFI, 2006). Consultando a coluna MIRU 10 no quadro 5, observa-se que o valor correspondente a esse tamanho é o número 4, ou seja, o alelo em questão é o alelo 4 do locus do MIRU................................................................................................ 41 Figura 4: Fotografia do gel de agarose a 1%, onde foram resolvidos produtos da PCR para diagnóstico de M. bovis. Observa-se a presença de amostras positivas com bandas de 430 pares de base de tamanho, nas canaletas de número 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 13. As canaletas 7, 8, 9, 10, 11 e 12 contém amostras que apresentaram resultado negativo e portanto foram desconsideradas para este trabalho.............................................................. 43 FIGURA 5- Amplificação de 13 amostras de M. bovis com os ix x oligonucleotídeos iniciadores específicos para os loci 02 (a esquerda) e 04 (a direita) de MIRU, respectivamente. As 13 amostras foram dispostas em ordem crescente............................................................................................. 44 Figura 6. Dendrograma obtido através da análise dos dados das amostras de DNA de M. bovis provenientes de animais abatidos no Estado do Mato Grosso do Sul, nos anos de 2005 a 2007, feito pelo programa PAST. A numeração da primeira linha corresponde às amostras estudadas. Note a formação de um grupo com similaridade de 100%, simbolizado pela reta em azul........................................................................................................... 47 x xi LISTA DE QUADROS: Quadro 1: Concentração de estoque (C.E.), concentração final (C.F.) e volume (VOL.) dos reagentes utilizados em uma PCR para a identificação de uma amostra M. bovis.............................................................................. 36 Quadro 2: Sequências dos oligonucleotídeos iniciadores referentes aos 12 loci de MIRU, conforme descrito por Supply et al., (2001), com modificações................................................................................................. 37 Quadro 3: Resumo do protocolo de PCR com os reagentes, suas concentrações de estoque (C.E.), os volumes utilizados (VOL.) e as suas concentrações finais (C.F.) na reação.......................................................... 38 Quadro 4: Resumo dos protocolos de ciclagem de PCR empregado nos testes das estratégias de PCR..................................................................... 39 Quadro 5: Correlação entre os tamanhos dos amplificados e os alelos de MIRU............................................................................................................ 40 Quadro 6. Relação das amostras de DNA com seus respectivos alelos...... 45 xi 12 1. INTRODUÇÃO A pecuária é um dos setores da produção animal que tem evoluído muito nas últimas décadas, constituindo-se, atualmente, em uma atividade econômica de grande destaque. Correlacionado a esta evolução, é crescente o estudo das doenças, visando a melhoria de qualidade e produtividade dos plantéis. Neste sentido, as infecções por micobactérias, e em especial a Tuberculose Bovina, despertam interesse devido às características de sistemas de criação intensivo, muitas vezes adotados em bovinocultura e às implicações em Saúde Animal e Saúde Pública. A Tuberculose Bovina é uma das enfermidades listadas pela Organização Mundial de Sanidade Animal (OIE). A OIE especifica condições para a declaração de países, zonas, compartimentos ou rebanhos livres desta doença. Esta declaração favorece a manutenção de mercados de exportação e a abertura de novos mercados. Esta também valoriza o produto declarado como livre, contribuindo ainda mais para a aquisição de ganhos altamente representativos. Neste sentido, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento instituiu, em 2001, o Programa nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT), para diminuir o impacto negativo destas zoonoses na saúde comunitária e de promover a competitividade da pecuária nacional. Dessa forma, iniciativas que favoreçam a compreensão adequada dos processos epidemiológicos da Tuberculose Bovina têm importância vital para o sucesso do PNCETB. Assim, as pesquisas sobre a tuberculose bovina e, mais especificamente aquelas que utilizam de técnicas moleculares, propiciarão melhor entendimento da 12 13 epidemiologia da Tuberculose Bovina apontando caminhos e soluções a serem adotados no rebanho, região, no Estado e/ou no país, com a finalidade de controlar e até erradicar esta zoonose. Ademais, este avanço tecnológico e de conhecimento permitirá uma evolução qualitativa na pesquisa de micobactérias e micobacterioses na área veterinária. Em vista do exposto, o presente trabalho teve como objetivo geral estudar a epidemiologia da tuberculose bovina, pela técnica molecular de MIRU, utilizando amostras de DNA genômico provenientes de cultivos de Mycobacterium bovis, isolados de carcaças de bovinos em abatedouros, no Estado de Mato Grosso do Sul. 13 14 2. REVISÃO BIBLIOGRAFICA 2.1 Importância sanitária da Tuberculose De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) em 1990 existiam 8 milhões de casos ativos de tuberculose em todo mundo dos quais 7,6 milhões estavam em países em desenvolvimento e 400 mil em países industrializados nesse mesmo ano as mortes por tuberculose representaram quase 2.9 milhões de pessoas a maiorias delas em países de terceiro mundo (GUERERO et al.,2008). Em 1993, a OMS já havia declarado a tuberculose como emergência global e desde então vem desenvolvendo políticas para contê-la (RETAMAL et al., 2003; SANTOS et al., 2007). A estimativa para este século, entre os anos 2000 a 2020 é que aproximadamente um bilhão de pessoas, estarão infectadas por esta doença e destas, 200 milhões de pessoas ficarão doentes e 35 milhões irão morrer de tuberculose, caso o controle não seja eficiente e rígido (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1993; WORLD HEALTH ORGANIZATION, 2005). A tuberculose bovina, doença contagiosa, causada pelo Mycobacterium bovis é uma zoonose que tem como principal reservatório os bovinos, mas infecta uma grande variedade de espécies animais (OLIVEIRA et al., 2008). O Brasil detém o maior rebanho bovino comercial do mundo, com aproximadamente 195 milhões de cabeças, distribuídas em quase 2,5 milhões de propriedades rurais; há mais de 4500 estabelecimentos de abate sob inspeção industrial e sanitária em nível federal e o país configura-se como o principal exportador de carne bovina in natura, mais há ainda o paradoxo do abate clandestino responsável pela metade do total de bovinos abatidos no país, para 14 15 consumo no mercado interno. Não obstante, quase metade da produção brasileira de leite não recebe processamento, antes de ser fornecido para a população (ALVES, 2001; PARDO et al., 2001; BRASIL, 2005). Segundo a OMS, em 1993 no Brasil suspeitava-se que o M. bovis fosse responsável por aproximadamente 4000 dos 80000 casos de tuberculose em humanos registrados por ano (WORLD HEALTH ORGANIZATION, 1993). Os prejuízos à cadeia produtiva da carne e do leite, em função da tuberculose, estimulados entre 10 e 25% estão vinculados às perdas diretas resultantes da morte de animais, a redução gradativa dos índices zootécnicos e as condenações de carcaças em matadouros frigoríficos sob inspeção sanitária (LAGE etal., 1998). A tuberculose bovina constitui um grave problema de saúde pública, os prejuízos causados por esta enfermidade representam significativas barreiras econômicas (BRASIL, 2006). Os prejuízos na pecuária mundial, em função da tuberculose, giram em torno de três bilhões de dólares por ano (LAGE et al., 1998). 2.2 Tuberculose bovina A tuberculose bovina tem como agente etiológico o M. bovis, um microorganismo pertencente a ordem Actinomycetales, família Mycobacteriaceae e ao gênero Mycobacterium. Esses microrganismos são pequenos bastonetes, grampositivos, curtos, imóveis, não ramificados, aeróbicos, álcool-ácido resistentes e não apresentam hifas aéreas. Essas bactérias podem ser encurvadas ou em forma de bastões, às vezes filamentosas. São finas, não apresentam cápsula nem esporo e possuem crescimento lento (KANTOR, 1979; CORRÊA & CORRÊA, 1992; PANDOLFI et al., 2007). 15 16 As espécies causadoras de tuberculose em mamíferos constituem um grupo de cinco micobactérias filogeneticamente relacionadas, nomeando como complexo Mycobacterium tuberculosis de mamíferos. Estes agentes são M. tuberculosis, M. bovis, M. africanum, M. microti e o M. canettii. (GRANCE & YATES, 1994). Outros grupos de micobacterias genotipicamente diferentes das constintuintes do complexo M. tuberculosis formam o complexo Mycobacterium aviumintracellulare, no qual inclui duas espécies (M. avium e M. intracellulare). O gênero M. avium possui 4 sub-espécies: M. avium avium, M. avium paratuberculosis, M. avium silvaticum e recentemente M. avium hominissuis. São bactérias que em bovinos provocam reação cruzada nos testes de hipersensibilidade a derivados protéicos purificados. O M. avium é o agente da tuberculose em varias espécies de aves e associado aos quadros de linfadenites granulomatosas em suínos. O M. avium paratuberculosis é causador da doença de Johne (DVORSKA et al., 2004). A Tuberculose é de conhecimento humano desde os primórdios da historia, múmias da dinastia de Ramsés há três mil anos apresentavam lesões tuberculose óssea. Descrições de lesões pulmonares encontradas em artigos manuscritos hindus são sugestivas de que tratasse dessa doença. Várias são as indicações de que a tuberculose era comum nas populações do mundo grego e romano. Entre os animais, também seu conhecimento é antigo. A orientação da conduta para sacrifício ritualístico e de matadouro sugere que os judeus antigos conheciam as lesões da tuberculose em ruminantes (CORREA, 1992). Em 1882 Robert Koch isolou o agente (M. bovis), em lesão de humanos. Em 1898 foi isolado o M. bovis em bovinos por Theobald Smith. Quatro anos mais tarde, Revenel isolou o M. bovis em humanos. 16 17 De acordo com MORRIS et al. (1994) esta doença possui uma ampla variedade de hospedeiro, sendo frequentemente observada em bovinos e suínos e menos comuns em ovinos, caprinos, carnívoros e eqüinos (CORREA & CORREA, 1992). A tuberculose no bovino é principalmente uma doença pulmonar, e as vacas podem trasmití-la através de via aerógena (GRANGE & YATES, 1994). Os sinais clínicos da tuberculose em bovinos são: cansaço anormal, perda de apetite, inapetência, pelo sem brilho, emagrecimento, sinais respiratórios, mastite, temperatura oscilante, os gânglios linfáticos intermaxilares e pré-escapulares aumentados de volume, endurecidos e indolores (RADOSTIST, et al., 2002). A lesão macroscópica característica da tuberculose causada por M. bovis é o tubérculo, a lesão granulomatosa, um nódulo de consistência firme que apresenta coloração variando do branco ao cinza ou amarelo. Nas secções de corte, o centro da lesão apresenta-se necrosado e caseoso, com coloração amarelada, geralmente seco e sólido, parecendo rodeado por uma cápsula esbranquiçada. Em muitos animais é comum ocorrer calcificação nas lesões do granuloma. Ao seccionar um tubérculo, uma sensação arenosa e rangente indica a presença de material calcário (SMITH, 1993; CARLTON, 1998; JONES, 2000; RIET- CORREA et al., 2001). O leite de vacas tuberculosas não aparece alterado de forma visível quando a glândula mamaria não está acometida, nem quando a enfermidade desta se encontra no começo. Por isto, a vaca pode estar eliminando o M. bovis com o leite durante muito tempo. Há diminuição paulatina na quantidade de leite, que faz mais fluido e de aspecto mais aquoso transparente. Quando o leite de uma vaca com tuberculose se mistura com o de um grupo de vacas sadias, as alterações se tornam irreconhecíveis (LERCHE, 1969). Uma só vaca pode excretar bacilos viáveis 17 18 suficientes para contaminar todo o leite misturado, proveniente de 100 vacas (ABRAHÃO, 1998). Um dos maiores problemas de saúde pública é a transmissão da tuberculose bovina ao homem através do leite de vacas infectadas, contudo, com o desenvolvimento da pasteurização este problema foi minimizado (O' REILLY & DABORN, 1995). A obrigatoriedade da pasteurização do leite em nosso país estabeleceu-se em 1952 e ainda hoje se acredita que aproximadamente 50% de todo o leite consumido, não é pasteurizado, aumentando-se o risco de infecção por M. bovis (LEITE et al.,2003). A inativação do M. bovis pode ser de forma lenta ou rápida: pelo processo de pasteurização lenta, que consiste no aquecimento do leite a 62-65°C por 30 minutos, e a pasteurização rápida, que consiste no aquecimento do leite a 72-75°C por 15 a 20 segundos (BRANDÃO, 1994). 2.3 Controle da Tuberculose Bovina no Brasil O Brasil segue as normas preconizadas pelo programa nacional de controle e erradicação da brucelose e tuberculose (PNCEBT). O objetivo do programa é baixar a prevalência e a incidência de casos de brucelose e de tuberculose; Criando um número significativo de propriedades certificadas que ofereçam ao consumidor produtos de baixo risco sanitário (BRASIL, 2006) No Brasil está sendo realizada a certificação de estabelecimento de criação livre de tuberculose. Este certificado é emitido pela Delegacia Federal da Agricultura, e consta do PNCEBT. O Ministério da Agricultura condiciona à obtenção de três 18 19 testes de rebanho negativos consecutivos, realizados num intervalo de 90 a 120 dias entre o primeiro e o segundo testes, e de 180 a 240 dias entre o segundo e o terceiro testes. O certificado de estabelecimento de criação livre de tuberculose tem validade de 12 meses. Ocorre também a certificação de estabelecimentos de criação monitorados para tuberculose, restrito a criação especializada em pecuária de corte. Neste caso os animais são escolhidos por um método aleatório. Os testes de diagnóstico para tuberculose devem ser realizados num intervalo de 10 a 12 meses, até obterem-se dois resultados negativos consecutivos em todos os animais testados, passando então a serem realizados num intervalo de 18 a 24 meses (BRASIL, 2006). Os animais que apresentarem resultado positivo aos testes diagnósticos para tuberculose deverão ser sacrificados no prazo máximo de trinta dias após o diagnóstico, devendo ser encaminhados para abate sanitário em estabelecimentos com serviço de inspeção oficial. Caso isto não seja possível, eles poderão ser abatidos na própria unidade de criação, e esta precisa ser acompanhada pelo médico veterinário do serviço oficial de defesa sanitária animal (BRASIL, 2006). 2.4 Epidemiologia da Tuberculose Bovina A população bovina no Brasil possui uma prevalência de tuberculose, variando entre 0.9 e 2,9 %, dependendo da região e o tipo de produção (KANTOR & RITACCO, 1994). Entre 1989 e 1998, dados de notificação oficial indicavam uma prevalência nacional de 1,3 % dos animais infectados (BRASIL, 2005). A aquisição da infecção, pelos humanos, devido ao M. bovis, por meio da inalação de aerossóis contendo o bacilo, pode ocorrer sobre tudo em grupos 19 20 ocupacionais de maior exposição à doença, como tratadores de rebanhos, ordenhadores e seus familiares, trabalhadores das industriais de carne (açougueiro, pessoal de matadouros e frigorífico) e veterinários, além de membros da comunidade rural, que vivem em estreito contato com seus animais (MODA et al.,1996; ROXO, 1996). Em geral, a incidência de infecções de humanos por M. bovis é maior nas áreas rurais em rebanhos infectados (MODA et al., 1996). Observou-se alta prevalência de animais reagentes positivos entre as vacas, fato característico de rebanhos confinados e altamente infectados, aspecto citado por LANGENEGGER et al., 1981. O aumento do aparecimento de novos casos de tuberculose bovina acontece principalmente em rebanhos leiteiros com animais de raças mais puras e, conseqüentemente, mais produtivas. Isso se deve, em parte, ao confinamento e ao maior contato entre os animais, aumentando a predisposição à infecção (OLIVEIRA et al, 2008). Em relação ao sistema de criação, 8% dos casos apresentam-se oriundos de sistema extensivo, 11% intensivo e 81% semi-intensivo. Estes resultados mostram que o confinamento e aglomeração dos animais são elementos determinantes para a epidemiologia da doença (BEDARD, 1993; HINES et al., 1995; HERMANDEZ, 1998). A freqüência da infecção é mais alta em vacas leiteiras do que em bovinos de corte, porque sua vida econômica útil é mais prolongada, e estes animais apresentam um maior contato quando eles se reúnem para a ordenha (ACHA & SZYFRES, 2001). Animais criados em sistemas de manejo intensivo ou confinamento estão mais predispostos a desenvolver a doença posto que, quanto 20 21 maior o contato entre os animais, maior é a chance de transmissão da doença (RADOSTISTS, et al., 2000). O M. bovis é moderadamente resistente ao calor e pode permanecer viável em estábulos, pastos, estercos e em locais onde se enterrem cadáveres, por períodos de 6 meses a 4 anos (CORREA e CORREA, 1992; ROXO, 1996). A água parada pode ser uma importante fonte de contaminação, pois o bacilo pode permanecer vivo neste local por até um ano (ROXO, 1996). Além disso, o microorganismo pode sobreviver por longos períodos nos pastos (RADOSTITS, et al.,1994). A eficiência do tratamento não depende somente do tempo e da temperatura empregados, mas também de outros fatores que afetam a morte térmica dos microorganismos, como a carga microbiana inicial, a atividade de água, ph, NaCl, proteínas e porcentagem de gordura dos produtos (CHHABRA, et al., 1999) Em alguns países a presença de animais silvestres, que atuam como reservatórios de M. bovis, tornam difícil a erradicação da doença em determinadas áreas as quais permanecem como áreas endêmicas. (TWEDDLE & LIVINGSTONE, 1994). Esta doença tem um enorme impacto no bem estar dos animais selvagens e conservação da biodiversidade que normalmente tem sido negligenciada podendo ate ameaçar espécies em risco de extinção (ROMERO et al., 2008). A persistência do agente, depois da morte de hospedeiros selvagens pode ser a fonte da infecção para animais que se alimentam de carcaças e possivelmente, também para os animais domésticos, que consomem o capim contaminado com resto de carcaças com tuberculose (MORRIS et al., 1994). O bovino elimina o bacilo da tuberculose no leite, no ar expirado, no corrimento nasal, nas fezes, urina, nas secreções vaginais, uterinas, e pelo sêmen 21 22 (ABRAHAO, 1998; RADOSTITS, et al., 2000). Na maioria dos casos a transmissão de bovino para bovino é a ocorrência mais freqüente, facilitando a disseminação e persistência do M. bovis na população (HADDAD, et al., 2004). As principais vias de infecção por M. bovis são a respiratória e a alimentar (RODOSTITS, et al., 1994). A transmissão placentária nos bovinos pode ser considerada rara ou inexistente. As vias de transmissão referidas com menor freqüência são a intra-uterina, o coito e a inseminação artificial, através do sêmen contaminado (NEIL et al., 1994; ROXO, 1996). 2.5 Diagnóstico da Tuberculose Bovina Para realização do diagnóstico da tuberculose pode-se recorrer aos métodos clínicos, alérgicos, bacteriológicos, sorológicos e/ou anatomopatológicos (ROSENBERGER et al., 1989) e mais modernamente através de técnicas moleculares como a PCR (ROXO, 1996). Apesar das dificuldades, o exame anatomopatológico é muito importante para o diagnóstico da tuberculose bovina. Isto pode ser confirmado com base nos bons resultados preliminares alcançados pelos programas de controle, implementados em regiões com alta prevalência da doença, onde o exame post-mortem convencional detecta cercas de 47% de lesões presuntivas de tuberculose em carcaças de bovinos abatidos (CORNER, 1994; LAGE et al., 1998). A histopatologia é uma forma de diagnóstico complementar ao exame postmortem de carcaças com lesões presuntivas de tuberculose. Este exame constitui-se em uma técnica direta ou indireta, detectando o granuloma, considerado a lesão característica dessa doença. Para se efetivar este tipo de exame devem-se obter 22 23 fragmentos das lesões, com espessura de até 1 cm, abrangendo preferencialmente, a zona de transição entre a área lesada e a aparentemente normal. Os fragmentos devem ser colhidos e acondicionados em frascos de boca larga, contendo formol a 10% em volume 10 vezes maior que o do material a ser fixado (LEMOS, 1998; CASSIDY, et al., 1999). O exame histopatológico das lesões, embora requeira pessoal e laboratórios especializados, permitem a confirmação da presença da lesão granulomatosa característica na maioria dos casos duvidosos de lesões sugestivas de tuberculose (FRAGUAS et al., 2008). O diagnóstico imunológico da tuberculose bovina é baseado em reações alérgicas in vivo, através da prova tuberculínica. Esta se constitui em um método indireto de diagnóstico da tuberculose e deve ser efetuada somente em animais com idade igual ou superior a seis semanas (BRASIL, 2006). Não deve ser efetuado novo teste antes de 60 dias, pois podem ocorrer resultados falsos negativos (RIETCORREA et aI., 2001). A aplicação indevida da tuberculina pode interferir no resultado do teste. Após a tuberculinização, os animais apresentam sua capacidade de responder a novos testes, diminuída (dessensibilização) (MONAGHAN et al., 1994). Da mesma forma, essa prova não deve ser realizada no intervalo de 15 dias antes do parto e até 15 dias após o parto, pois uma hipossensibilidade relativa ocorre neste período (SMITH, 1993; BRASIL, 2006). Essa perda da sensibilidade é provavelmente decorrente de reduzida atividade imunológica geral, que ocorre associada ao parto (RADOSTITS et al., 2002). Quando a prova é realizada neste período, os animais deverão ser retestados 60 a 90 dias após o parto, obedecendo a um intervalo mínimo de 60 dias entre testes (BRASIL, 2006). A prova da tuberculina deve ser realizada somente pelo médico veterinário cadastrado, com equipamento adequado, utilizando tuberculina refrigerada, nunca 23 24 congelada. A tuberculina deve ser injetada sempre por via intradérmica, formando uma pápula, e devendo ser repetida quando for injetada por via subcutânea (RIETCORREA et aI., 2001) A tuberculina é atualmente denominada de derivado protéico purificado ou proteína purificada derivada (PPD), amplamente utilizada para o diagnóstico indireto in vivo da tuberculose bovina; na apresentação de PPD bovino, correspondente ao extrato antigênico de proteína purificada, derivado da amostra AN5 de M. bovis e de PPD aviário, que é sintetizado a partir da amostra D4 de M. avium (MONAGHAN et al., 1994). Animais em estado adiantado da doença podem desenvolver o fenômeno da anergia, que se caracteriza pela ausência de reatividade ao teste cutâneo tuberculínico, podendo ocasionar resultados falso-negativos interferindo no diagnostico. Este fenômeno também pode ser observado em casos de infecção recente por M. bovis, entre 30 e 50 dias, final de gestação, parto recente, desnutrição e uso inadequado de drogas imunossupressoras. Além disso, variações inerentes ao teste, tais como dose de inóculo, cuidados com a armazenagem e conservação e a própria tuberculina utilizada, somados às possíveis variações nos métodos de realização, critérios de leitura e formas de interpretação do teste, podem contribuir para o aumento da ocorrência de resultados falso-negativos (MONAGHAN et al., 1994; ROXO, 1997). A prova da tuberculina pode ser realizada apenas com o PPD bovino, conhecida então como teste intradérmico simples, ou então pode ser feita comparando-se as reações provocadas pela estimulação dos PPDs bovino e o aviário simultaneamente (MONAGHAN et al., 1994). 24 25 O teste intradérmico simples nos bovinos pode ser feito na região cervical ou da prega ano-caudal. Para a realização da prova intradérmica simples cervical, fazse primeiramente a tricotomia de uma área quadrada da pele, com cerca de três centímetros de lado, situada cranialmente à espinha da escápula. Após isto, faz-se uma dobra vertical da pele nessa área e mede-se sua espessura com o auxílio de um cutímetro. Logo em seguida injeta-se, por via intradérmica, 0,1mL de tuberculina bovina na parte dorsal da prega da pele, com auxílio da seringa com dosagem automática. A reação do animal à tuberculina injetada é avaliada 72h ± 6h, após a tuberculinização (BRASIL, 2006). Para observação do resultado, deve-se medir novamente a espessura da pele no local da injeção e, subtraindo-se deste número o valor de espessura inicial, calcula-se o aumento da espessura da pele (em milímetros). Além disso, a respectiva área deve ser inspecionada e palpada para verificar a presença de outras alterações, como exsudação, edema, endurecimento e necrose no local de aplicação (CARTER 1988; CORRÊA & CORRÊA, 1992; SMITH, 1993; RADOSTITS et aI., 2002; BRASIL, 2006). A avaliação da prova intradérmica cervical simples é feita avaliando-se o aumento da espessura da dobra da pele onde aplicou-se o PPD bovino, considerando-se como uma reação negativa, um aumento da espessura da pele de até 1,9mm, como reação inconclusiva, um aumento de 2,0 a 3,9mm, sem exsudação e necrose, e reação positiva, tendo, ao menos 4mm de aumento (BRASIL, 2006). Na prega caudal, a tuberculina bovina é inoculada por via intradérmica na dosagem de 0,1 mL, seis a dez centímetros da base da cauda, na junção das peles pilosa e glabra. A leitura é realizada no mesmo momento do teste cervical simples, mas através da avaliação visual e pela palpação, sendo considerado reagente o animal que apresentar qualquer aumento da espessura da prega inoculada. No 25 26 Brasil este teste é utilizado somente em bovinos de corte (BRASIL, 2006). Um pequeno número de reações inespecíficas pode ocorrer em animais tuberculinizados, visto que o teste simples caudal tem uma especificidade de 96 a 98,8% (MONAGHAN et al., 1994). Segundo KANTOR et al. (1984) as vantagens principais do teste simples caudal são: a alta sensibilidade, similar ao teste cervical simples, facilidade, rapidez de aplicação e leitura, como também alta especificidade, servindo apropriadamente para fins de triagem de rebanho. Sensibilizações não específicas constituem-se numa realidade na região sudeste do Brasil e geram dificuldades aos médicos veterinários que se utilizam apenas da tuberculinização simples (LANGENEGGER et aI., 1981). O teste cervical comparativo teria uso limitado a elucidar rebanhos com grande número de inconclusivos. Segundo REBHUN (2000), o teste cervical comparativo é considerado como tendo aproximadamente 85% de sensibilidade e 98% de especificidade. Um dos problemas na interpretação da reação à tuberculina são as denominadas reações inespecíficas, que ocorrem em conseqüência de outras micobactérias patogênicas, facultativamente patogênicas ou saprófitas para os bovinos (RIET-CORREA et aI., 2001). Nesses casos, recomenda-se a realização da prova comparativa. Para isso, recomenda-se a inoculação da tuberculina aviária em um ponto da pele situado cranialmente à espinha da escápula e a tuberculina bovina caudalmente, a cerca de 15 a 20 cm da primeira (BRASIL, 2006), devendo a inoculação ser efetuada de um mesmo lado de todos os animais do estabelecimento de criação. A avaliação, realizada 72h ± 6h, baseia-se nos critérios preconizados pelo Ministério da Agricultura, avaliando-se o aumento da espessura da dobra da pele onde aplicou-se PPD bovino e PPD aviário (BRASIL, 2006). 26 27 O teste de ELISA e a cultura bacteriológica, além de apresentarem desvantagens quanto ao tempo de realização, custo e necessidade de laboratório especializado, não apresentaram vantagens significativas que justifiquem sua adoção como métodos complementares de diagnóstico da tuberculose bovina em animais reativos à tuberculinização. (FRAGUAS et al., 2008). Outros testes sorológicos, como fixação do complemento e a imunofluorescência, apresentam pouco valor potencial para o diagnóstico da tuberculose (RADOSTITS et aI., 2002). Outro teste imunológico é o de detecção da produção de interferon-gama específico (IFN-γ), um método de diagnóstico indireto in vitro, realizado em amostras heparinizadas de sangue total de animais suspeitos, com o objetivo de mensurar a produção de interferon (WOOD & JONES, 2001). Trata-se de um ensaio imunoenzimático através do qual é possível se verificar a existência de resposta imune mediada por células, desenvolvidas pelo organismo do animal em resposta à infecção micobacteriana. O IFN-γ produzido pelo linfócito T do animal infectado é detectado através do teste de ELISA de captura, utilizando-se anticorpos monoclonais anti-IFN-γ. A ausência de detecção de IFN-γ caracteriza a negatividade do animal para infecção pelo M. bovis uma vez que os linfócitos de bovinos não infectados não produzem esta quimiocina de forma específica. Como se trata de um teste in vitro tem a vantagem de não interferir no estado imune do animal, podendo ser repetido no mesmo animal sem a necessidade de respeitar o período de dessensibilização (MADRUGA et al., 2001). Utiliza-se, atualmente, em alguns países o teste de IFN-γ junto com o teste intradérmico (REBHUN, 2000). O isolamento do M. bovis é um método direto de diagnóstico, considerado como “padrão-ouro”. Porém, o longo período requerido para o isolamento e 27 28 identificação bioquímica do agente é um dos seus pontos de estrangulamento, já que pode demandar até 12 semanas para a conclusão definitiva do diagnóstico (COLLINS et al., 1994; CORNER, 1994). A identificação e determinação de cepas constitui um método adicional útil em investigações epidemiológicas, pois é um meio para se entender melhor os mecanismos que influenciam a dinâmica de transmissão e a identificação dos fatores de risco em uma comunidade. Esta identificação permite a elaboração de um modelo adequado de medidas de controle, alem de poder ser usada para investigar propriedades biológicas das linhagens, como virulência e patogenia (KATO et al., 2001). A fim de controlar a tuberculose bovina é necessário conhecer quantos e quais os tipos de M. bovis estão espalhados no campo. Métodos bacteriológicos clássicos são importantes para o isolamento da bactéria patogênica de amostras dos animais, mas são incapazes de distinguir os tipos (cepas) entre as mesmas espécies (JEON et al., 2008). A PCR representa uma ferramenta de grande ajuda para os métodos de diagnósticos, sendo a técnica mais difundida desde a sua criação em 1983 (MULLIS, 1990), permitindo a amplificação, in vitro, de um trecho de DNA, inúmeras vezes em poucas horas. Com a capacidade de identificar e amplificar baixos níveis de DNA bacteriano (aproximadamente 2 organismos). Uma das vantagens deste método é a capacidade de reproduzir a replicação natural do DNA, com o beneficio de ser mais rápido e determinar precisamente o trecho de DNA a ser amplificado, e já no processo natural de replicação, todo o genoma seria amplificado lentamente (ANDRADE, 1993). 28 29 Inúmeras são as aplicações do teste de PCR como na medicina forense, no diagnóstico de doenças genéticas, neoplásicas e infecciosas. Na tuberculose, os estudos visam o emprego desta técnica, seja a partir de cultura com o agente já isolado ou através de amostras clinicas (SAKAMOTO et al., 1999). A detecção de DNA micobacteriano em amostras clínicas pela reação em PCR é uma promessa para o diagnostico rápido da infecção tuberculosa. Contudo, os resultados de PCR, devem ser corrigidos para a presença de inibidores, assim como para a contaminação por DNA (GARG et al., 2003). O desenvolvimento e o refinamento destes ensaios são necessários antes que eles se tornem o método de escolha do diagnóstico post-mortem, fazendo com que no futuro imediato o diagnóstico continue a ser baseado no cultivo bacteriológico (COLLINS, et al., 1994), principalmente quando existir a necessidade da realização de testes de sensibilidade a drogas antimicrobianas. O método de PCR é muito sensível para diagnostico de culturas de micobacterias, mas não apresenta o mesmo resultado para amostras clínicas, principalmente em tecidos, isto devido a pequena quantidade de bacilos. Para que a técnica tenha uma performance melhor que a cultura, a sensibilidade do método de extração é essencial. As diversidades de metodologias e de materiais empregados dificultam a comparação da sensibilidade entre eles (RORING et al., 2000). Apesar de ser um método promissor, o seu uso, especialmente em locais com altos índices da doença é limitado devido ao custo e a complexidade do método (KLASTER, et al., 1998). As principais barreiras para a aplicação do método de PCR na rotina laboratorial é a extração de DNA e a escolha de oligonucleotídeos iniciadores adequados. Estudos relacionados com os métodos de extração existem, mas 29 30 emprega soluções ou kits comerciais inadequados a realidade do produtor brasileiro. A maior dificuldade no processo de extração esta relacionada principalmente a pequena quantidade de bacilos presentes em lesões de bovinos tuberculosos, a dificuldade em concentrar o DNA no “pellet” e a presença de DNA do animal, alem do DNA do agente, ainda a presença de inibidores em amostras pode interferir com seu desempenho (HADDAD et al, 2004; SINGH et al., 2004; BRASIL, 2005). Quanto ao emprego da PCR para diagnóstico da tuberculose bovina, esta reação vem sendo amplamente avaliada na detecção de micobactérias do complexo M. tuberculosis em colônias cultivadas em leite, em tecidos frescos, e em tecidos fixados em formol e embebidos em parafina (LEITE et al., 2003). Devido ao diagnóstico e o crescimento muito lento, a identificação de M. bovis pelos métodos convencionais de bioquímica é complicada e demorada. A reação em cadeia da polimerase (PCR) é uma ferramenta sensível, de diagnostico rápido, que pode ser utilizada para detectar o agente, em amostras clínicas em 48h, mas a presença de inibidores em amostras pode interferir com seu desempenho (HADDAD et al., 2004; BRASIL, 2005). Assim, para o diagnóstico definitivo da tuberculose ainda é necessário seu cultivo. O método de visualização de micobactérias através da coloração de Ziehl Neelsen, só consegue revelar a presença de bacilos álcool acido resistentes em concentrações superiores a 104 bactérias/mL, sendo que esta técnica não permite distinguir dentre os membros da família Mycobacteriaceae (BARKSDALE & KIM, 1977). Os adventos das técnicas moleculares contribuíram grandemente para a identificação e tipificação de M. bovis. Tais técnicas também favorecem a identificação de M. bovis num curto espaço de tempo. 30 31 2.6 Genotipagem aplicada ao estudo da Tuberculose Bovina A tuberculose é um exemplo de doença infecciosa em que as técnicas de biologia molecular permitiram a obtenção de informações que seriam difíceis ou até mesmo impossíveis de serem obtidas através de métodos laboratoriais convencionais. A tipagem molecular tem importância preponderante no que diz respeito ao monitoramento da transmissão da tuberculose nos países endêmicos (SANTOS et al., 2007). Os métodos de tipagem molecular são úteis para a diferenciação dos membros do complexo M. tuberculosis. Estes consistem em 4 espécies relacionadas: M. tuberculosis, M. bovis, M. microti e M. africamum (TSUKAMURA, 1983), as quais, apesar de demonstrarem diferenças fenotípicas, possuem um elevado grau de identidade genética (DOMENECH et al., 2001). Os genomas dessas espécies são ricos em DNA repetitivo (COLE et al., 1998), fato que tem sido explorado pela tipagem molecular. Os conhecimentos adquiridos a partir dessas análises permitiram a discriminação entre as espécies, bem como correlacioná-lo com as características clinicas da doença, alem de fornecerem dados como patogenicidade, adaptação ao hospedeiro e origem (REID et al., 2001). A epidemiologia molecular revolucionou a compreensão da epidemiologia da tuberculose permitindo comparação entre linhagens de M. tuberculosis de diferentes áreas geográficas, rastreamento da movimentação de linhagens individuais, confirmação de surtos em Instituições e identificação de fatores de risco em infecções por M. tuberculosis em uma comunidade (FOXMAN & RILEY, 2001; PANDOLFI et al., 2007). A possibilidade da aplicação de técnicas de biologia 31 32 molecular em estudos epidemiológicos concomitante à epidemiologia clássica, tem trazido enormes contribuições para melhor entender o as relações entre os microorganismos e as doenças infecciosas. O estudo da epidemiologia molecular para M. tuberculosis, é realizado através de diferentes técnicas vigentes como IS6110-Restriction Fragment Length Polymorphism (RFLP), Spacer Oligonucleotide Typing (Spoligotyping) e Mycobacterial Interspersed Repetitive Units (MIRU) (PANDOLFI et al., 2007). 2.6.1 RFLP O método de tipagem baseada na seqüência IS6110 tem sido usado para uma variedade de investigações epidemiológicas como confirmação de surtos em Instituições, identificação de surtos em situações que parecem ser de casos esporádicos de tuberculose, de fatores de risco para infecções recentes ou para doenças em progressão rápida, rastreamento geográfico da distribuição de clones de M. tuberculosis de importância para a saúde pública e avaliação de contaminação laboratorial cruzada com o M. tuberculosis (FOXMAN & RILEY, 2001). Um método de tipagem altamente discriminatório, baseado na variação da seqüência de DNA no genoma bacteriano, denominado de polimorfismo de comprimento de fragmentos de restrição (RFLP – “Restriction Fragment Lenght Polymorfism”) vem sendo amplamente utilizado no estudo epidemiológico da tuberculose. Este método se baseia na digestão da fita de DNA por enzimas de restrição, denominadas de endonucleases, que geram fragmentos de diferentes comprimentos. Os fragmentos são então separados em gel de agarose e hibridizados por sonda de DNA. A seqüência mais utilizada para o estudo 32 33 epidemiológico da tuberculose é a IS6110. Todas as cepas de M. tuberculosis contem de 1 a 20 cópias de IS6110. A localização, assim como a quantidade de cópias dessa inserção presente no cromossomo, variam enormemente de cepa para cepa, mas são relativamente estáveis dentro da mesma cepa (SUPPLY et al., 2001). Estudos epidemiológicos realizados com a utilização de uma metodologia padronizada como a RFLP permitem, que os resultados obtidos em diferentes laboratórios possam ser analisados, o que possibilitaria a comparação entre linhagens de diferentes áreas geográficas e que a movimentação de linhagens individuais possa ser rastreada. Dados assim são de grande importância no estudo da transmissão global da tuberculose e na identificação de linhagens com propriedades particulares, como alta infectividade, virulência e resistência a drogas. A análise de grande número de isolados pode gerar respostas para questões de longa data como a eficiência da vacinação com BCG e a freqüência de reativação versus re-infecção, questões estas que são de importância crescente com o surgimento da AIDS pandêmica (van EMBDEN et al., 1993). O IS6110 é uma seqüência de 1361 pares de base (bp) que foi detectada em membros do complexo M. tuberculosis e tem se mostrado bastante conservada entre os diferentes isolados. O número de copias de IS6110 presente no genoma é espécie e linhagem dependentes (KANDUMA et al., 2003), portanto o IS6110 RFLP é amplamente aplicado na diferenciação de isolados (NIEMANN et al., 2000). A técnica é de fácil comparação porque geralmente, apresenta bandas hibridizadas com igual intensidade, diferentemente de outras técnicas como o Spoligotyping (KREMER et al., 1999). Por sua utilização mundial, os dados obtidos em qualquer laboratório podem ser comparados, facilitando o entendimento das cadeias de transmissão. 33 34 Além de números de copias de IS6110 por linhagem ser variável, de 0 a 25 copias, a posição desses elementos no genoma também é variável, ampliando a possibilidade de gerar um número maior quantidade de padrões de bandas com fragmentos de resultantes após o tratamento com enzima de restrição: Pvull (van EMBDEN et al., 1993). A maior desvantagem do IS6110 refere-se à exigência de cultura de várias semanas, com organismos viáveis para obtenção de DNA em grande quantidade e de elevada qualidade, além de seu alto custo (BAUER et al., 1999 ;MAGUIRE et al., 2002). Segundo HILTY et al., 2005, a RFLP tem seu poder discriminatório baixo para tipagem de M. bovis. Entretanto, a tipagem de linhagem e IS6110 por RFLP são sempre instrumentos úteis apesar de serem menos discriminatórios que outros métodos de tipagem para M. bovis (JEON et al., 2008). Em humanos, o método mais freqüentemente utilizado para diferenciar cepas de M. tuberculosis é o de IS6110-RFLP que, aliado aos dados do paciente, permite que se estabeleça uma correlação epidemiológica. Entretanto, apesar dos resultados promissores, a técnica de RFLP é trabalhosa, necessitando de pessoal altamente qualificado para a realização do ensaio, sendo tendência mundial a substituição desta técnica por outras de execução mais rápida e facilitada. Dentre elas, vêm sendo sugeridas técnicas de epidemiologia molecular muito bem aceitas como o MIRU e o Spoligotyping (COWAN et al., 2005). A técnica padrão ouro para a tipificação de M. tuberculosis é a RFLP, utilizando como marcador biológico uma sonda derivada da seqüência de inserção IS6110 (van EMBDEN et al.,1993; GENEWEIN et al., 1993). A mesma técnica, porém, quando testada em isolamentos de M. bovis, apresenta uma capacidade 34 35 pequena de discriminação entre elas, ou seja, pouco polimorfismo, porque esta espécie possui frequentemente um número baixo de copias IS6110 em seu genoma (SZEWZYK et al., 1995; COUSINS et al., 1998). Este problema pode ser contornado com o uso complementar de vários marcadores biológicos. Aplicando as mesmas estirpes, as sondas genéticas derivadas de DR e PGRS (van EMBDEN et al., 1996) e possível encontrar padrões polimórficos onde IS6110 não pode diferenciar cepas (ROMANO et al., 1996; COUSINS et al., 1998) 2.6.2 Spoligotyping O método de Spoligotyping tem sido usado para acompanhar linhagens com diferentes aplicações epidemiológicas (WARREN et al., 2002). Por sua simplicidade é frequentemente utilizando para a tipagem adicional para linhagens com menos 5 copias IS6110 (BAUER et al., 1999; GOGUET et al., 1997; SUFFYS et al., 2000). Quando usado em associação com outras técnicas alternativas ao RFLPIS6110, o Spoligotyping se mostra uma técnica rápida, efetiva e econômica (BRUDEY et al., 2006; LINDSTEDT, 2005). O Spoligotyping baseia-se na detecção de 43 seqüências espaçadoras variáveis de 35 a 41bp que separam seqüências repetidas diretas (DR) de 36bp, existentes na região genômica denominada DR (DIRECT REPEAT) (DUARTE et al., 2007). Através do Spoligotyping podemos detectar a presença ou ausência dos espaçadores de seqüência conhecida. O primeiro passo no método é amplificar a região DR da estirpe em estudo, pela PCR. Os oligonucleotídeos iniciadores usados são baseados na seqüência do DR e permite a amplificação dos espaçadores entre 35 36 as DR’s. O produto da PCR obtido difere em tamanho por duas razões: primeiro, o amplificado contém muitos espaçadores com suas DR’s se os oligonucleotódeos se hibridizarem em DR’s não imediatamente vizinhas; segundo, os amplificados em cada ciclo funcionam eles mesmos como iniciadores e se polimerizam com uma ou mais DR´s (RODRIGUEZ, 2005). Por utilizar a PCR em uma das etapas, o Spoligotyping pode ser aplicado diretamente em amostras clínicas permitindo a detecção, a identificação e a diferenciação de estirpes de M. bovis simultaneamente (ARANAZ et al.,1996;KAMERBEEK et al., 1997). Assim o Spoligotyping possibilita a detecção e a tipificação simultâneas de micobacterias do Complexo M. tuberculosis (KAMERBEEK et al., 1997), e é indicada como técnica de eleição para a comparação de estirpes com poucas copias de IS6110. Outra vantagem é a diferenciação entre M. bovis e M. tuberculosis pela ausência e presença, respectivamente, dos espaçadores 39 ao 43. Novos espaçadores estão sendo estudados para tentar melhorar seu polimorfismo (RODRIGUEZ, 2005). A discriminação molecular de isolados de M. bovis através do Spoligotyping é uma técnica nova, sofisticada, mas não apresenta grande dificuldade na sua realização constitui-se numa ferramenta valorosa para dar apoio e racionalidade ao sistema de vigilância para detecção de focos de tuberculose bovina, sistema este de grande importância para as áreas de baixa prevalência de focos, como parece ser grande parte do território brasileiro (RODRIGUEZ, 2005). A técnica molecular de Spoligotyping pode ser empregada em investigação epidemiológica, permitindo a identificação do curso da infecção e das rotas de transmissão da doença, ou mesmo a compreensão da epidemiologia da infecção, 36 37 que são fundamentais para um melhor controle e erradicação da doença (ROMANO et al., 1996; ZANINI et al., 2001). O Spoligotyping tem sido extensamente aplicado no estudo da epidemiologia molecular da tuberculose. Esse método baseia-se no polimorfismo do DNA dentro do locus de repetição direta (direct repeat - DR locus) de M. tuberculosis. A variação dos espaçadores dentro das regiões DRs conservadas é utilizada para diferenciar por reação da polimerase em cadeia (Polymerase Chain Reaction- PCR) as cepas de M. tuberculosis (GROENEN et al., 1993). A técnica de Spoligotyping é prática e menos dispendiosa do que a de RFLP, somada a vantagem de se encontrar bases de dados no mundo todo, o que permite a comparação de perfis e a compreensão da transmissibilidade da tuberculose ao redor do mundo (SOLA et al., 2001). O polimorfismo é proporcionado por estes espaços, os quais são variáveis em comprimento (de 34 a 41) seqüência e número (van SOOLINGEN et al., 1991). Embora esses espaços sejam variáveis, cada um é comum para um grupo de linhagens (GOGUET et al., 1997). Este polimorfismo é provavelmente duplo para recombinações homologas entre DRs vizinhas ou distantes e para rearranjos dirigidos para o elemento de inserção IS6110, o qual esta presente na região DR de muitas linhagens de M. tuberculosis. Visto que regiões DRs são bem conservadas entre as linhagens de M. tuberculosis, cada copia DR dentro do locus DR é um potente alvo para a amplificação pela PCR (KAMERBEEK et al., 1997). Através do uso da técnica de Spoligotyping foi possível a caracterização de M. tuberculosis da família clonal Beijing caracterizada pela resistência a múltiplas drogas e documentada vantagem seletiva em relação a outras famílias do complexo M. tuberculosis. (van SOOLOINGEN et al., 1995; GLYNN, et al., 2002). Entretanto, 37 38 para M. bovis seu poder discriminatório é baixo, deixando a desejar na genotipagem de cepas. 2.6.3 MIRU Devido à maioria dos isolados de M. bovis ter uma ou poucas copias de DR ou IS6110, respectivamente, o método MIRU mostrou-se mais reprodutível, estável e sensível para o complexo M. tuberculosis do que IS1610 RFPL (JEON et al., 2008). Outro fator limitante a aplicação da RFLP em maior escala e a necessidade de grande massa de DNA o que demandaria subcultivos das micobacterias isoladas, isso forma desejável o emprego de métodos de tipificação em PCR (ou amplificação gênica) como o Spoligotyping e MIRU. A técnica de MIRU (Mycobacterial Interspersed Repetitive Units) que é uma técnica baseada na PCR, foi desenvolvida e aperfeiçoada por Supply et al. (2000, 2001) e se baseia no estudo de VNTRs (Variable Number of Tandem Repeats), seqüências que se repetem (tandem repeats) até centenas de vezes. A técnica de MIRU consiste em um sistema altamente reprodutível e rápido, e nesta, há geração de genótipos confiáveis baseado no estudado detalhado de 12 loci semelhantes à mini-satélites contendo VNTRs do genoma do complexo M. tuberculosis (Figura 1) (SUPPLY et al., 2001). Esta técnica possibilita uma comparação entre linhagens de diferentes áreas geográficas e permite o rastreamento da movimentação de linhagens individuais (SUPPLY et al., 2000; MAZARS et al., 2001; SUPPLY et al., 2001) de forma semelhante à técnica de RFLP sendo, no entanto de execução muito mais fácil. Este tipo de abordagem torna possível maior numero de analises e 38 39 identificação de mais focos de contágio na população, podendo-se assim estudar métodos mais adequados para interromper a transmissão da doença. SAVINE et al., 2002, relatam em suas pesquisas que os 12 loci de MIRU são bastante estáveis dentro de um período superior a 6 anos num grande número de linhagens e de “backgrounds” genéticos. Baseado nessa estabilidade de MIRUs, a descoberta de variações no genótipo de MIRU pode auxiliar na definição de reinfecção exógena que é normalmente baseada na observação da variação de no mínimo 3 a 4 bandas de IS6110 RFLP. Esse recurso é particularmente importante para estimar os níveis de sucesso dos programas de controle de tuberculose e avaliação de novos métodos clínicos e novas terapias. Esses resultados indicam que a tipagem com MIRU pode ser utilizada como uma ferramenta de primeira linha para o estudo da diversidade genética de isolados de M tuberculosis em larga escala. Figura 1: Representação esquemática da posição dos 12 loci de MIRU no cromossomo da cepa padrão de M. tuberculosis H37Rv (MOKROUSOV et al., 2005). A tipagem MIRU é baseada na PCR, produzindo dados facilmente manejáveis para serem aplicados nos estudos de epidemiologia molecular global do complexo 39 40 M. tuberculosis (MAZARS, et al., 2001). Para revelar o número de repetições em sequência (“tandem”), a PCR é realizada com oligonucleotideos iniciadores destinados a amplificar o VNTR selecionado. A presença e o tamanho do produto da PCR são determinados por eletroforese em gel de agarose. Com base no conhecimento do tamanho de diferentes repetições, o número de repetições é calculado, de acordo com dados já publicados (Figura 2) (COWAN et al., 2002). Esta tipagem tem se mostrado muito informativa, pois se baseia na repetição do número de copias em locus especifico. (SANTOS et al., 2007). Figura 2: Demonstração do método de MIRU. As setas pretas maiores, apontadas no gel, representam amplificados de duas cepas distintas, empregando oligonucleotídeos iniciadores do locus 10. Na cepa A o esquema mostra quatro repetições da seqüência repetitiva, enquanto na cepa B a repetição ocorre três vezes. Neste exemplo, o tamanho de cada seqüência repetitiva é de 53 bp, gerando uma diferença de tamanho molecular entre os diferentes alelos do locus (que são diferentes no número de cópias da seqüência repetida), permitindo assim a análise do polimorfismo alélico neste locus de MIRU (PANDOLFI, 2006). 40 41 A identificação do locus de MIRU mostrou ser igualmente aplicável para tipagem de M. bovis, o qual tem se demonstrado ser de difícil tipagem pelos métodos existentes (ROMERO et al., 2008). Esta técnica tem discriminação similar ao RFLP-IS6110 em linhagens com grande número de copias do elemento IS6110 e se mostra melhor quando as linhagens possuem número reduzido de copias (LEE et al., 2002). Segundo um consenso recente da União Européia sobre a determinação de novos marcadores e técnicas para epidemiologia e controle da tuberculose, o método de tipagem MIRU poderá substituir o IS6110 em futuro próximo (KANDUMA et al., 2003) O método de MIRU mostrou se mais reprodutível, estável e sensível para o complexo M. tuberculosis do que IS1610 RFPL (JEON et al., 2008). A técnica de MIRU tem como vantagem uma capacidade discriminatória maior que o Spoligotyping e como desvantagem necessitar de vários oligonucleotídeos iniciadores com diferentes protocolos de amplificação para análise de uma única amostra (RODRIGUEZ, 2005). Seqüências MIRU têm sido empregadas em estudos epidemiológicos. Elas estão distribuídas em vários loci, variando de 40 a 100 bp. Para análise, cada MIRU é amplificada separadamente pela PCR, usando oligonucleotídeos indicadores que flanqueiam a seqüências e o número de repetições das seqüências foi calculado pelo tamanho do produto amplificado (RODRIGUEZ, 2005). Uma infecção com múltiplas linhagens pode ser difícil de ser detectada e a análise combinada de MIRU pode ser um instrumento disponível para a disseminação de cepas mistas (ROMERO et al., 2008). 41 42 A Tipagem MIRU é provavelmente aplicável a M. avium e pode ser útil para outras espécies de bactérias (FROTHINGHAM & O´CONELL, 1998). Os estudos de loci de MIRU são instrumentos valiosos na tipagem de linhagens de M. bovis, tanto se usados em isolados de campo e também em desenvolvimentos futuros de epidemiologia molecular. A tipagem por análise de MIRU também demonstrou ser uma técnica promissora, com excelente potencial a ser otimizado e desenvolvido para uso em larga escala em pesquisas epidemiológicas. A variação molecular foi previamente pesquisada para determinar a relação evolucionária entre organismos (RORING et al., 2002). Os estudos de MIRU têm sido especialmente úteis na genotipagem de bactérias patogênicas que possuem, à semelhança do complexo M. tuberculosis, um genoma muito conservado como Bacillus anthracis ou Yersina pestis (LINDSTEDT, 2005). Os marcadores genéticos podem ser empregados tais como instrumentos epidemiológicos moleculares no exame quantitativo de semelhanças e diferenças entre os isolados. Os isolados epidemiologicamente ligados têm sido relacionados através do uso de tipagem de MIRU (KEIM et al., 1999; SUPPLY et al., 2000). A evolução e a intensidade com que a técnica de MIRU tem sido empregada em diferentes problemas da biologia de Micobactérias têm gerado um avanço considerável nesta área, o que pode demonstrar a importância dos estudos de MIRU para o desenvolvimento mais acelerado da epidemiologia molecular e sugerir a necessidade de novos estudos, implementando este método e comparando o emprego de diferentes técnicas moleculares na epidemiologia e filogenia de Micobactérias, bem como a utilização de mais de um método para a obtenção de resultados ainda mais discriminatórios (PANDOLFI, 2006). 42 43 3. OBJETIVOS O presente trabalho teve como objetivo geral estudar a epidemiologia da tuberculose bovina, pela técnica molecular de MIRU, utilizando amostras de DNA genômico provenientes de cultivos de Mycobacterium bovis, isolados de carcaças de bovinos em abatedouro, no Estado de Mato Grosso do Sul, no período de 2005 a 2007. Com este estudo, objetivou-se alcançar os seguintes objetivos específicos. - Identificar, por técnica molecular, espécies do gênero Mycobacterium. - Agrupar por similaridade epidemiológica as amostras estudadas; - Comparar os resultados obtidos pela técnica de MIRU; - Avaliar a presença efetiva de grupos genéticos predominantes; - Correlacionar os dados moleculares com o auxílio do programa PAST versão 1.81 (Paleontological Statistics). - Verificar a relação epidemiológica entre as cepas isoladas; 43 44 4. MATERIAL e MÉTODOS 4.1 Amostras de DNA: Foram incluídas neste estudo 78 amostras de DNA previamente extraídas de cultivos micobacterianos isolados de lesões compatíveis com granulomas obtidas durante a inspeção de carcaças em abatedouros de bovinos no Estado do Mato Grosso do Sul. Estas amostras de DNA encontravam-se estocadas a -20oC, no Laboratório de Micobacteriologia da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Araraquara, UNESP, e foram gentilmente cedidas pela Profa. Dra. Clarice Queico Fujimura Leite, para a realização deste estudo. As amostras de DNA genômico encontravam-se acondicionadas a mais de 24 meses em congelador a -20oC, portanto fez-se necessária nova identificação molecular das mesmas, pela PCR, para a seleção de amostras contendo DNA não degradado, que pudesse ser empregado posteriormente na etapa de genotipagem. 4.2 Diagnóstico molecular das amostras Os ensaios foram realizados empregando a técnica de TELENTI et al.(1993). O diagnóstico das amostras de DNA foi realizado com o emprego dos oligonucleotídeos iniciadores que amplificam fragmento da proteína hsp 65 de 430bp específico de gênero Mycobacterium: - Tb11- 5’ ACCAACGATGGTGTGTCCAT 3’ - Tb12- 5’ CTTGTCGAACCGCATACCCT 3’. Para a realização da PCR, 5,0 µL de amostra de DNA foram submetidos a amplificação sob as seguintes condições: em tubos de 0,2 mL foram acrescentados 2,5 µL de tampão de PCR 10 x, 0,5 µL de dNTPs (10 mM cada), 0,6 µL de 5 µM de 44 45 cada oligonucleotídeo iniciador (Tb11 e Tb12), 0,5 µL de Taq DNA - polimerase (Invitrogen número de cat. 11615-028 ) e água ultra-pura estéril até completar o volume de 25µL, como pode ser observado no quadro 1. Quadro 1: Concentração de estoque (C.E.), concentração final (C.F.) e volume (VOL.) dos reagentes utilizados em uma PCR para a identificação de uma amostra M. bovis. REAGENTE C.E. C.F. VOL. 10 vezes 01 vez 2,5µL MgCl2 50mM 2mM 1µL DNTPs 10mM 0,5mM 0,5µL Oligonucleotídeo Tb11 5µM 0,2µM 0,6µL Oligonucleotídeo Tb12 5µM 0,2µM 0,6µL DNA da amostra - - 5µL Água ultrapura - - 16,3µL Taq DNA pol. 5U/µL 2,5 U 0,5µL - - 25µL Tampão de PCR Volume final da reação O produto de amplificação de 430bp, confirmatório para o gênero Mycobacterium, foi resolvido por eletroforese em gel de agarose a 1% acrescido de brometo de etídio (TBE 0,5x), corrido paralelamente ao padrão de tamanho molecular de 100 pares de base. Os produtos de amplificação foram visualizados, através da exposição do gel à luz ultravioleta, em transiluminador ou alternativamente com o auxílio de um equipamento de fotodocumentação digital Alfa-imager 2200 (Alfa Innotech Corporation), que permite a digitalização da imagem do gel. 45 46 4.3 Genotipagem das amostras: Técnica de MIRU 4.3.1 Oligonucleotídeos iniciadores dos loci de MIRU As sequências dos oligonucleotídeos empregados na amplificação dos 12 loci de MIRU, conforme descrito por SUPPLY et al., (2000), com modificações, são demonstradas no quadro 2. Quadro 2: Sequências dos oligonucleotídeos iniciadores referentes aos 12 loci de MIRU, conforme descrito por Supply et al., (2001), com modificações. Locus de MIRU Identificação 2 4 10 16 20 23 24 26 27 31 39 40 2F 2R 4F 4R 10F 10R 16F 16R 20F 20R 23F 23R 24F 24R 26R 26F 27F 27R 31F 31R 39F 39R 40F 40R Seqüência do oligonucleotídeo TggACTTgCAgCAATggACCAACT TACTCggACgCCggCTCAAAAT gCgCgAgAgCCCgAACTgC gCgCAgCAgAAACgTCAgC gTTCTTgACCAACTgCAgTCgTCC gCCACCTTggTgATCAgCTACCT TCggTgATCgggTCCAgTCCAAgTA CCCgTCgTgCAgCCCTggTAC TCggAgAgATgCCCTTCgAgTTAg ggAgACCgCgACCAggTACTTgTA CTgTCgATggCCgCAACAAAACg AgCTCAACgggTTCgCCCTTTTgTC CgACCAAgATgTgCAggAATACAT gggCgAgTTgAgCTCACAgAA TAggTCTACCgTCgAAATCTgTgAC CATAggCgACCAggCgAATAg TCgAAAgCCTCTgCgTgCCAgTAA gCgATgTgAgCgTgCCACTCAA ACTgATTggCTTCATACggCTTTA gTgCCgACgTggTCTTgAT CgCATCgACAAACTggAgCCAAAC CggAAACgTCTACgCCCCACACAT gggTTgCTggATgACAACgTgT gggTgATCTCggCgAAATCAgATA 46 47 As amplificações foram realizadas individualmente, utilizando-se 12 pares de oligonucleotídeos, conforme descrito por Supply et al. (2000), modificado. Para cada reação, com volume final de 25µL, foram utilizados 23µL de Master Mix, 2µL de amostra de DNA e 1µL de cada oligonucleotídeo iniciador (40µM) e 23µL de água ultra-purificada autoclavada. O quadro 3 demonstra as concentrações de estoque e de reação de cada componente da PCR empregados. Quadro 3: Resumo do protocolo de PCR com os reagentes, suas concentrações de estoque (C.E.), os volumes utilizados (VOL.) e as suas concentrações finais (C.F.) na reação. REAGENTE C.E. VOL. C.F. 5U/µL 0,5µL 2,5 U 10 vezes 2,5 µL 01 vez MgCl2 50mM 1,5µL 3mM Oligonucleotídeo iniciador R 40µM 1µL 0,8µM Oligonucleotídeo iniciador F 40µM 1µL 0,8µM H2O ultrapura - 14,0µL - dNTPs (cada) 10mM 2,5µL 1mM Amostra de DNA - 2µL - Volume final - 25µL - Taq DNA pol. Tampão enzima Os ciclos das reações foram realizados em um termociclador PTC-150 ou alternativamente em um modelo PTC 100 (MJ Research) e constituíram-se de três passos: o primeiro, denominado de “hot start”, elevou a temperatura da reação a 95oC por 15 minutos e ocorreu apenas uma vez. O segundo, de quarenta ciclos, se iniciou com temperatura de 94oC por 01 minuto, seguida da temperatura de hibridização que variou de 48 a 60oC, (dependendo dos pares de oligonucleotídeos 47 48 iniciadores desenhados) por 01 minuto e temperatura de polimerização de 72oC por 02 minutos. O terceiro correspondente ao passo de polimerização final, manteve a temperatura de 72oC por 10 minutos. Após o término, as reações foram mantidas, sob refrigeração a 4°C, ainda dentro do equipamento, até que fossem retiradas e congeladas a -20°C (SUPPLY et al., 2000). Um resumo deste programa de ciclagem pode ser observado no Quadro 4. Quadro 4: Resumo dos protocolos de ciclagem de PCR empregado nos testes das estratégias de PCR. PASSOS TEMPERATURA 1 95ºC 94ºC 48 a 60ºC 72ºC 72ºC 04ºC 2 3 FUNÇÃO Desnaturação Desnaturação Hibridização Polimerização Polimerização final Refrigeração TEMPO EM REPETIÇÕES MINUTOS 15 1 1 2 10 ∞ 1 40 1 1 Os produtos de amplificação, de tamanho variável, foram resolvidos por eletroforese em gel de agarose (DNA TYPING GRADE AGAROSE, GIBCO BRL número de cat 14610-018) a 2% (TBE 0,5x), corridos paralelamente a padrões de peso molecular de 25, 50 e 100 pares de base (INVITROGEN - respectivamente números de cat., 10597-011, 10416-014, 15628-019); o gel foi corado com brometo de etídio e os produtos de amplificação foram visualizados, através da exposição do gel à luz ultravioleta, em transiluminador ou alternativamente com o auxílio de um equipamento de fotodocumentação digital Alfa-imager 2200 (Alfa Innotech Corporation), que permite a digitalização da imagem do gel e a sua impressão em papel térmico. 48 49 4.4 Análise dos amplificados de MIRU e sua classificação em alelos para cada um dos 12 loci estudados Após a obtenção dos amplificados de todas as amostras para um dado locus, foram determinados os tamanhos dos fragmentos em pares de base. Com essa informação, foi consultada uma tabela, publicada por Mazars et al. (2001), que relaciona os tamanhos obtidos, em pares de base, com um determinado valor referente a cada alelo do locus em estudo (Quadro 5). Quadro 5: Correlação entre os tamanhos dos amplificados e os alelos de MIRU Alelo MIRU 02 04 10 16 20 23 24 26 27 31 39 40 0 402 175 482 565 437 150 395 285 498 492 540 354 1 455 252 537 618 514 200 447 336 551 545 593 408 2 508 329 590 671 591 253 501 387 604 598 646 462 3 561 406 643 724 668 306 555 438 657 651 699 516 4 614 483 696 777 745 359 609 489 710 704 752 570 5 667 560 749 830 822 412 663 540 763 757 805 624 6 720 637 802 883 899 465 717 591 816 810 858 678 7 773 714 855 936 976 518 771 642 869 863 911 732 8 826 791 908 989 1053 571 825 693 922 916 964 786 9 879 868 961 1042 1130 624 879 744 975 969 1017 840 10 932 945 1014 1095 1207 677 933 795 1028 1022 1070 894 11 985 1022 1067 1148 1284 730 987 846 1081 1075 1123 948 12 1038 1099 1120 1201 1361 783 1041 897 1134 1128 1176 1002 13 1091 1176 1173 1254 1438 836 1095 948 1187 1181 1229 1056 14 1144 1253 1226 1307 1515 889 1149 999 1240 1234 1282 1110 15 1197 1330 1279 1360 1592 942 1203 1050 1293 1287 1335 1164 OBS. Quadro construído para permitir a correlação com amplificados obtidos com “primers” desenhados segundo Supply et al. 2001. Nota-se que são possíveis 15 alelos para cada um dos 12 loci. 49 50 Assim, cada amostra recebeu um valor para cada um dos 12 loci estudados. Estes resultados foram utilizados na construção de outras tabelas, as quais foram empregadas na geração de dendrogramas, com a utilização de programa de análise filogenética. A figura 3, adaptada de PANDOLFI (2006) ilustra o processo. Figura 3: Demonstração da determinação dos alelos de MIRU a partir das bandas observadas no gel. A banda em destaque tem tamanho molecular de 696bp e foi obtida por PCR empregando oligonucleotídeos flanqueadores do locus 10 de MIRU (PANDOLFI, 2006). Consultando a coluna MIRU 10 no quadro 5, observa-se que o valor correspondente a esse tamanho é o número 4, ou seja, o alelo em questão é o alelo 4 do locus do MIRU 10. 50 51 4.5. Análise por Bioinformática Os perfis alélicos de cada cepa foram analisados com o auxílio do programa PAST (Paleontological Statistics Software Package for Education and Data Analysis) (HAMMER et al. 2001). 51 52 5. RESULTADOS e DISCUSSÃO 5.1 Amostras de DNA: Foram empregadas neste estudo 78 amostras de DNA que encontravam-se estocadas a -20oC. 5.2 Diagnóstico molecular das amostras Das 78 amostras estudadas pela amplificação do fragmento da proteína hsp 65 específico de gênero Mycobacterium, 45 amostras foram diagnosticadas como positivas, como pode ser observado na figura 4. Este resultado indica que ocorreu grande degradação do DNA, estocado a -20oC, por longo período de tempo. O produto de amplificação de 430bp, confirmatório para o gênero Mycobacterium, foi resolvido por eletroforese em gel de agarose a 1% acrescido de brometo de etídio (TBE 0,5x), corrido paralelamente ao padrão de tamanho molecular de 100 pares de base. Figura 4: Fotografia do gel de agarose a 1%, onde foram resolvidos produtos da PCR para diagnóstico de M. bovis. Observa-se a presença de amostras positivas com bandas de 430pares de base de tamanho, nas canaletas de número 1, 2, 3, 4, 5, 6 e 13. As canaletas 7, 8, 9, 10, 11 e 12 contém amostras que apresentaram resultado negativo e, portanto foram desconsideradas para este trabalho. 52 53 5.3 Genotipagem das amostras: Técnica de MIRU As amplificações realizadas conforme descrito por SUPPLY et al. (2000), modificado por PANDOLFI (2006) foram resolvidas por eletroforese em gel de agarose (DNA TYPING GRADE AGAROSE, GIBCO BRL número de cat 14610-018) a 2% (TBE 0,5x), corridos paralelamente a padrões de peso molecular de 50 e/ou 100 pares de base (INVITROGEN - respectivamente números de cat., 10416-014, 15628-019); o gel foi corado com brometo de etídio e os produtos de amplificação foram visualizados, através da exposição do gel à luz ultravioleta (Figura 5). FIGURA 5 - Amplificação de 13 amostras de M. bovis com os oligonucleotídeos iniciadores específicos para os loci 02 (a esquerda) e 04 (a direita) de MIRU, respectivamente. As 13 amostras foram dispostas em ordem crescente. 5.4 Análise dos amplificados de MIRU e sua classificação em alelos para cada um dos 12 loci estudados Conforme demonstrado na figura 3, foram determinados os tamanhos dos fragmentos em pares de base e então os alelos do locus de MIRU em estudo. Estes resultados são apresentados no quadro 6. 53 54 Quadro 6. Relação das amostras de DNA com seus respectivos alelos. Amostra 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 43 44 45 02 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 04 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 10 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 16 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 20 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 Alelos de 23 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 MIRU 24 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 26 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 27 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 31 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 39 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 40 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 54 55 5.5 Análise por Bioinformática Os perfis alélicos constantes no quadro 6 foram utilizados na análise pelo programa PAST (Paleontological Statistics Software Package for Education and Data Analysis) (HAMMER et al. 2001). Esse programa foi o responsável pela geração de um dendrograma, apresentado na figura 6, permitindo-se o agrupamento das amostras estudadas. Assim, com as amostras empregadas neste estudo, nestas condições experimentais, obtivemos o agrupamento de todas as amostras em um único grupo ou cluster. Numa análise inicial, pode-se afirmar que pela técnica de MIRU, empregando os 12 pares de oligonucleotídeos originais e dentre as 45 amostras estudadas, nenhuma diferença genotípica foi observada. Estes dados indicam a predominância de apenas um genótipo de M. Bovis circulante nos rebanhos estudados, localizados em uma mesma região. A baixa prevalência da tuberculose bovina, muitas vezes inferior a 1%, aponta a necessidade da avaliação de um número maior de amostras. Além disso, este resultado aponta também a necessidade do estudo de loci adicionais de cada amostra, empregando novos conjuntos de oligonucleotídeos iniciadores. Atualmente a literatura apresenta estudos que utilizam até 24 pares de oligonucleotídeos, quantidade que representa o dobro da empregada neste estudo. 55 56 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 3 4 5 6 7 8 9 10 1 2 45 43 44 27 28 29 30 31 32 33 34 35 36 37 38 39 40 41 42 Figura 6. Dendrograma obtido através da análise dos dados das amostras de DNA de M. Bovis provenientes de animais abatidos no Estado do Mato Grosso do Sul, nos anos de 2005 a 2007, feito pelo programa PAST. A numeração da primeira linha corresponde às amostras estudadas. Note a formação de um grupo com similaridade de 100%, simbolizado pela reta em azul. 56 57 6. CONCLUSÃO O presente trabalho realizou o estudo genotípico de amostras de DNA provenientes de cultivos de Mycobacterium bovis, isolados de carcaças de bovinos em abatedouro, no Estado de Mato Grosso do Sul, no período de 2005 a 2007, empregando a técnica de MIRU. No decorrer do trabalho, foram identificadas 45 amostras de M. bovis, posteriormente genotipadas. Na genotipagem das amostras observou-se que todas as 45 amostras estudadas foram agrupadas dentro de um mesmo genótipo, caracterizando a formação de um único cluster, indicando a predominância deste grupo genético, único e, portanto dominante, dentre as amostras estudadas. 57 58 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABRAHÃO, R. M. C. M. Tuberculose humana causada pelo Mycobacterium bovis considerações gerais e a importância dos reservatórios animais. São Paulo, 1998, 273p. Dissertação (Mestrado). Faculdade de Saúde Publica, Universidade de São Paulo. ACHA, P. N.; SZYFRES, B. Tuberculosis zoonótica. In: Zoonosis y Enfermedades Transmissibles Comunes al Hombre y a los animales, Washington: Organización Panamericana de la salud,.p. 461, 2001 ALVES, D. A. As dificuldades na inspeção de frigoríficos brasileiros no mercado internacional: Um estudo sobre comercialização da carne bovina “in natura”. 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