FUNDAÇÃO DE ENSINO “EURÍPIDES SOARES DA ROCHA” CENTRO UNIVERSITÁRIO EURÍPIDES DE MARÍLIA – UNIVEM CURSO DE ADMINISTRAÇÃO MILENA SHIKASHO SUELEN RODRIGUES BARÃO AS DIFERENTES REALIDADES DO PLANEJAMENTO, PROGRAMAÇÃO E CONTROLE DA PRODUÇÃO: DA ATIVIDADE RURAL PARA A INDÚSTRIA. MARÍLIA 2007 MILENA SHIKASHO SUELEN RODRIGUES BARÃO AS DIFERENTES REALIDADES DO PLANEJAMENTO, PROGRAMAÇÃO E CONTROLE DA PRODUÇÃO: DA ATIVIDADE RURAL PARA A INDÚSTRIA. Trabalho de curso apresentado ao Curso de Administração da Fundação de Ensino “Eurípides Soares da Rocha”, Mantenedora do Centro Universitário Eurípides de Marília – UNIVEM, como requisito para obtenção do grau de Bacharel em Administração com habilitação em Administração de Empresas. Orientadora: Profa. Dra Giuliana Aparecida Santini Pigatto MARÍLIA 2007 SHIKASHO, Milena; BARÃO, Suelen Rodrigues . As Diferentes Realidades Do Planejamento, Programação E Controle Da Produção: Da Atividade Rural Para A Indústria. l/ Milena Shikasho; Suelen Rodrigues Barão;Profa. Dra Giuliana Aparecida Santini Pigatto.. Marília, SP: 2007. 68 f. Trabalho de Conclusão de Curso - Centro Universitário Eurípides de Marilia - Fundação de Ensino Eurípides Soares da Rocha. 1. Planejamento, 2. Atividade Industrial. 3. Programação e Controle da Produção CDD: 658.5 "De todos os caminhos que conduzem à riqueza, os mais seguros são a perseverança e o trabalho." Luis Reybaud SHIKASHO, Milena e BARÃO, Suelen Rodrigues. As diferentes realidades do planejamento, programação e controle da produção: da atividade rural para a indústria. 2007. 68 f. Trabalho de Curso (Curso de Administração) - Fundação de Ensino “Eurípides Soares da Rocha”, Mantenedora do Centro Universitário Eurípides de Marília, UNIVEM, 2007. RESUMO O presente trabalho reúne as principais ferramentas do Planejamento Programação e Controle da Produção (PPCP), como a Gestão dos Estoques, Planejamento da Capacidade entre outros. A reunião das informações de forma clara e objetiva contribuiu para alcançar o objetivo proposto, sendo este, a comparação do PPCP da indústria com a atividade rural. O PPCP foi abordado como ferramenta de extrema importância, face ao peso econômico gerado pela área de produção em qualquer segmento, até mesmo uma empresa agrícola. O contraste apresentado através da comparação entre as atividades demonstra as diferentes formas de abordagem e aplicação do PPCP, na busca pela eficiência e eficácia em meio à concorrência tão acirrada do mercado. Palavras-chave: Planejamento, Programação e Controle da Produção; Atividade Industrial; Atividade Rural. ÍNDICE DE TABELAS TABELA2.1 - Método de Gantt – exemplo de fabricação de livro .........................................18 TABELA2.2 - Demanda de Sapatos ........................................................................................31 TABELA2.3 - Demanda x Produção Estratégica com Estoques..............................................31 TABELA3.1 - Classificação das matérias-primas....................................................................35 TABELA3.2 - Compras Ano Safra 2007/2008 ........................................................................46 TABELA3.3 - Planejamento de Plantio 2007 – em andamento...............................................54 TABELA3.4 - Quantidade de Produção – Pulverizadores Costais e Máquinas Lavadoras. ....56 TABELA3.5 - Capacidade dos Produtos Automotrizes e Tratorizados...................................56 TABELA3.6 – Previsão Trimestral de Janeiro a Março de 2008............................................58 ÍNDICE DE FIGURAS FIGURA 1.1 - O PPCP e suas inter-relações na Administração da Produção .........................11 FIGURA 1.2 - Fluxograma do Lançamento de Produto ..........................................................12 FIGURA 2.1 - Horizonte de incertezas ....................................................................................17 FIGURA 2.2 - Tipos de estoques .............................................................................................21 FIGURA 2.3 - Principais elementos da gestão da demanda ....................................................25 FIGURA 2.4 - Utilização e Eficiência .....................................................................................28 FIGURA 2.5 - Estratégias de antecipação e acompanhamento da demanda pela capacidade .30 FIGURA 3.1 - Programação de aplicação dos insumos agrícolas............................................36 FIGURA 3.2 - Produto em processo ........................................................................................38 FIGURA 3.3 - Colheita mecânica e processo de secagem no terreiro .....................................38 FIGURA 3.4 - Principais Produtos da Máquinas Agrícolas Jacto. ..........................................41 FIGURA 3.5 - Processo de Planejamento das Necessidades Matérias – Fazenda Recreio......47 FIGURA 3.6 - Procedimentos do Planejamento, Programação e Controle da Produção da Jacto ..................................................................................................................................48 ÍNDICE DE GRÁFICOS GRÁFICO 3.1 Distribuição da Produção. ................................................................................57 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ........................................................................................................................8 1 APRESENTAÇÃO DO TEMA E OBJETIVOS PROPOSTOS .................................9 1.1 Justificativa da Pesquisa ......................................................................................10 1.2 Metodologia.........................................................................................................13 2 CONCEITOS DE PLANEJAMENTO, PROGRAMAÇÃO E CONTROLE DA PRODUÇÃO. ..........................................................................................................................15 2.1 O Sistema de Planejamento, Programação e Controle da Produção. ..................15 2.1.1 Gestão de Estoques..............................................................................................19 2.1.1.1 Função dos Estoques e os Diferentes Tipos .....................................................20 2.1.1.1.1 Estoques de Matérias-Primas........................................................................21 2.1.1.1.2 Estoques de produto em processo.................................................................21 2.1.1.1.3 Estoques de produto acabado .......................................................................22 2.1.2 Planejamento das Necessidades Materiais ..........................................................22 2.1.3 Ferramentas do MRP ...........................................................................................23 2.1.4 Gestão de Demanda .............................................................................................24 2.1.5 Planejamento de Capacidade ...............................................................................26 2.1.5.1 Como Medir a Capacidade ...............................................................................26 2.1.5.2 Capacidade Teórica e Efetiva ...........................................................................28 2.1.5.3 Planejamento de Capacidade no Longo Prazo .................................................29 2.1.5.4 Planejamento de Capacidade no Curto Prazo...................................................30 3 APLICAÇÕES DO PPCP: DA ATIVIDADE RURAL PARA A INDÚSTRIA ......33 3.1 Gestão de Estoques..............................................................................................33 3.1.1 Fazenda Recreio ..................................................................................................33 3.1.2 Empresa Máquinas Agrícolas Jacto S/A .............................................................39 3.2 Planejamento das Necessidades de Materiais......................................................44 3.2.1 Fazenda Recreio ..................................................................................................44 3.2.2 Empresa Máquinas Agrícolas Jacto S/A .............................................................47 3.3 Gestão da Demanda .............................................................................................50 3.3.1 Fazenda Recreio ..................................................................................................50 3.3.2 Empresa Máquinas Agrícolas Jacto S/A .............................................................51 3.4 Planejamento da Capacidade ...............................................................................52 3.4.1 Fazenda Recreio ..................................................................................................52 3.4.2 Empresa Máquinas Agrícolas Jacto S/A .............................................................55 CONCLUSÃO.........................................................................................................................59 REFERÊNCIAS .....................................................................................................................62 ANEXO....................................................................................................................................64 8 INTRODUÇÃO O presente trabalho de curso tem por objetivo relatar de maneira simples e objetiva as diferentes realidades do Planejamento, Programação e Controle da Produção, o PPCP. Para isso foram pesquisados e discriminados as principais características desse sistema e seu principal papel. Atualmente a competição é altamente acirrada em todos os setores e, principalmente, entre empresas de diferentes portes: pequeno, médio e grande porte. Cada empresa encontra a sua forma de organização interna para responder à competição, quer seja, estabelecendo controles gerenciais, quer seja, fazendo uma administração e produção informal. Porém, para manter-se no mercado faz-se necessário um esforço maior no desenvolvimento de novas tecnologias e novos pensamentos, ligando-as à principal base: a satisfação do cliente. Por isso, a necessidade de trabalhar com ferramentas como o PPCP, que auxilia nessa ligação como um “cérebro” dentro da organização. Assim, o principal objetivo deste trabalho será o de apresentar a funcionalidade do sistema de PPCP, comparando-se duas empresas de um mesmo setor - agropecuário, porém, de segmentos diferentes. Será comparado o PPCP de uma empresa já muito bem estruturada, que possui sistema de PPCP centralizado dentro da organização, com o de uma empresa rural, onde não há uma estrutura formal do sistema, porém, existem controles que suprem sua inexistência. 9 1 APRESENTAÇÃO DO TEMA E OBJETIVOS PROPOSTOS O presente trabalho apresentará as principais ferramentas do Planejamento, Programação e Controle da Produção (PPCP), que é parte integrante e de grande valor da Administração da Produção. As ferramentas do PPCP, na sua forma teórica serão desenvolvidas para servirem de base, parâmetro de avaliação e comparação entre duas empresas, a Fazenda Recreio e Máquinas Agrícolas Jacto S/A. O trabalho está dividido em quatro capítulos. No primeiro capítulo, é apresentado o tema do trabalho, demonstrando as razões para a sua elaboração e os objetivos da pesquisa. A apresentação da metodologia a ser utilizada também é abordada neste capítulo. No segundo capítulo é realizada a discussão teórica, ou seja, a apresentação das teorias existentes que regem o sistema de Planejamento, Programação e Controle da Produção (PPCP), que compõe a área da Administração da Produção. No terceiro capítulo será trabalhada a pesquisa descritiva; é neste momento que o trabalho ganha corpo. Será realizada a comparação entre as duas empresas, utilizando-se do conhecimento teórico do capítulo dois. Será comparado o PPCP de uma empresa já muito bem estruturada, a Máquinas Agrícolas Jacto S/A, localizada no município de Pompéia (SP), que possui setor de PPCP centralizado dentro da organização, com o de uma empresa rural, a Fazenda Recreio, localizada no município de Vera Cruz (SP), onde não há uma estrutura formal do setor, porém existem controles que suprem sua inexistência. No quarto e último capítulo será abordada de forma conclusiva as respostas encontradas para os objetivos iniciais propostos. 10 1.1 Justificativa da Pesquisa Esse trabalho justifica-se em um primeiro momento, pela importância atribuída, na administração moderna, com relação à utilização do PPCP e de suas ferramentas. Segundo Chiavenato (1990, p. 21): Para atingir seus objetivos e aplicar adequadamente seus recursos, as empresas não produzem ao acaso. Nem funcionam de improviso. Elas precisam planejar antecipadamente e controlar adequadamente sua produção. Para isto existe o Planejamento, Programação e Controle da Produção (PPCP). O PPCP visa aumentar a eficiência e a eficácia da empresa. A principal função do PPCP é aumentar a eficiência e eficácia do processo produtivo da empresa. Ao desenvolver as suas funções, o PPCP mantém uma rede de relações com as demais áreas da empresa. As inter-relações entre o PPCP e as demais áreas da empresa se devem ao fato de que o PPCP procura utilizar racionalmente os recursos empresariais, sejam eles materiais, humanos, financeiros etc. Conforme figura 1.1. a seguir: 11 FIGURA 1.1 - O PPCP e suas inter-relações na Administração da Produção Fonte: Martins e Laugeni (2006) Como se pode perceber, o PPCP é a estrutura central capaz de alinhar o fluxo de informação e materiais dentro da organização. O ponto de partida deste emaranhado de informações parte do mercado, ou seja, do consumidor. É ele quem definirá, através dos seus desejos, o que está disposto a consumir; o Marketing traduzirá tais informações na forma de produto ou serviço para que o setor de engenharia possa desenhar e transformar o desejo em algo tangível. A engenharia, após a conclusão do projeto, detalha os componentes necessários à construção (criação) do produto, define sua estrutura, desenvolve o processo produtivo e libera tais informações ao setor de compras e, finalmente, inicia-se o processo de contato com fornecedores, com a logística e abastecimento da fábrica. A construção de um produto ocorre através da Engenharia de Processo, partindo das especificações técnicas exigidas legalmente, apuram-se os custos e preço de venda 12 compatível, ocorre a construção do lote piloto, compras de máquinas e materiais, criação do processo produtivo em escala e a partir deste momento o produto fabricado será distribuído. Abaixo na figura 1.2, Fluxograma das principais funções: Identificação das necessidades (pesquisa de mercado) Engenharia (especificações técnicas e legais – estrutura e amostra) Custos e Preço de Venda Engenharia Processo (lote piloto) Compras: materiais (MRP) e técnicas (máquinas/ equipamentos) Marketing – Material promocional, manuais etc Processo produtivo Distribuição Pós venda FIGURA 1.2 Fluxograma do Lançamento de Produto Fonte: Elaboração das autoras (2007) Uma vez abastecida dos componentes necessários à feitura do produto, inicia-se a produção do bem, que é posteriormente entregue ao mercado através das vendas. O PPCP, em todos os momentos, tem a função de fornecer suporte no fluxo de todas as informações e materiais, no momento em que o departamento de marketing traduziu os desejos em bens, o PPCP se preparou para dar assistência ao andamento e conclusão deste projeto, reunindo eficácia e eficiência ao desenvolvimento deste produto. Fica claro, neste momento, a importância do PPCP dentro das organizações, o que leva à elaboração do presente trabalho. 13 Além disso, soma-se a relevância de contrapor dois sistemas de PPCP, ou seja, de empresas que produzem produtos bastante diferentes, com distintas tecnologias. Na verdade, sua justificativa é por contribuir com pequenos e médios produtores, de evidenciar que esse sistema não é somente adequado às grandes empresas, sendo possível sua implementação em qualquer outra estrutura produtiva. 1.2 Metodologia O presente trabalho emprega como metodologia de elaboração a Pesquisa Descritiva. Antes, porém, de se iniciar a explanação sobre o método a ser utilizado, é necessário, mesmo que em breves palavras, definir conceitos de Pesquisa e seus vários métodos, inclusive o Descritivo. De acordo com Cervo (2002, p.63), a pesquisa possui três elementos imprescindíveis: A pesquisa parte, pois, de uma dúvida ou problema e, com o uso do método científico, busca uma resposta ou solução. Os três elementos são imprescindíveis, uma vez que a solução poderá ocorrer somente quando algum problema levantado tenha sido trabalhado com instrumentos científicos e procedimentos adequados. Também para Köche (1997, p.122), o planejamento de uma pesquisa depende: Tanto do problema a ser investigado, da sua natureza e situação espaçotemporal em que se encontra, quanto da natureza e nível de conhecimento do investigador. Isso significa que pode haver um número sem fim de tipos de pesquisa. Dentre os tipos de pesquisa apresentados pelas bibliografias utilizadas como base, para a elaboração do trabalho, é possível identificar: 1. Pesquisa Bibliográfica; 2. Pesquisa Experimental; 14 3. Pesquisa Descritiva; 4. Estudos Exploratórios; 5. Resumo de Assunto; 6. Seminário de Estudos. A pesquisa descritiva deve ser planejada, pois, sua base é a observação dos fatos no seu cotidiano, deve, portanto, ter caráter cronológico bem definido e orientado, para que seja precisa sua correlação entre os demais acontecimentos. A pesquisa descritiva serve para observar os fatos reais e confrontá-los com a orientação teórica sobre o assunto, tal procedimento agrega conhecimento através da observação cotidiana do problema. Neste trabalho, a pesquisa descritiva será organizada a partir do estudo de casos entre duas empresas selecionadas, visando a oportunidade de confrontar o comportamento do PPCP entre estruturas diferentes, setores diferentes e o mais interessante, portes diferentes. De um lado a empresa de porte médio para o segmento, Máquinas Agrícolas Jacto S/A, como atividade principal e objeto do trabalho, a fabricação de máquinas e implementos agrícolas, de outro lado, a Fazenda Recreio, de pequeno porte na cafeicultura brasileira. Assim, o trabalho será modelado através da ótica da Pesquisa Descritiva, num trabalho de Estudos Descritivos para sua elaboração. Segundo Cervo (2002), em síntese, a pesquisa descritiva, em suas diversas formas trabalha sobre dados ou fatos colhidos na própria realidade. Os dados serão secundários, ou seja, de relatórios, sistemas já organizados na empresa, não havendo aplicação de questionários e entrevistas. Para dar suporte ao entendimento dessas questões, adotou-se como referencial teórico a abordagem de Planejamento, Programação e Controle da Produção, contido na área de Gestão da Produção. 15 2 CONCEITOS DE PLANEJAMENTO, CONTROLE DA PRODUÇÃO. PROGRAMAÇÃO E Administrar a produção é fazer com que recursos tangíveis e intangíveis sejam aplicados de forma alinhada para o melhor desempenho da produção de bens e serviços. Mas sempre todos se perguntam exatamente o que é a Administração da Produção. Para Slack et al (2002), trata-se da maneira pela qual as organizações produzem bens e serviços. Tudo o que o indivíduo veste, come, senta em cima, usa, lê ou lança na prática de esportes chega a ele graças aos gerentes de operações que organizaram sua produção. Conforme figura 1.1, apresentada anteriormente, são apresentados os pontos de entrada (inputs) e os de saída (outputs), apresentando o arranjo de todos os componentes da Administração da Produção, segundo Slack et al (2002). Administração da Produção é a área mais importante, dentre todas, dentro de qualquer organização, pelo seu peso econômico, é nela que estão concentrados grande partes dos ativos (capital) da empresa. Administrar a produção traz produtos e serviços a custos baixos e com maior eficiência e eficácia. A área de produção é o coração do negócio, pois não adianta o sistema de marketing, financeiro ou qualquer outro estar bem estruturado, se os produtos ou serviços não estão de acordo com o que é transmitido ao consumidor, é nele que se encontra o know-how da organização. Na próxima seção será apresentado o sistema de PPCP, sua importância estratégica e os itens mais importantes de sua esfera de domínio. 2.1 O Sistema de Planejamento, Programação e Controle da Produção. 16 O trabalho de pesquisa tem como foco uma das ferramentas mais importantes da Administração da Produção, o PPCP, que segundo Martins e Laugeni (2006, p.213) é: “Uma área de decisão de manufatura [...], cujo objetivo corresponde tanto ao planejamento como ao controle dos recursos do processo produtivo, a fim de gerar bens e serviços. [...] O PPCP também é um sistema de transformação de informações, pois recebe informações sobre estoques existentes, vendas previstas, linha de produtos, modo de produzir, capacidade produtiva. O PPCP tem como incumbência transformar estas informações em ordens de fabricação.” Para Martins (2002), nos Sistemas de Administração da Produção, o sistema de informação para apoio à tomada de decisões, táticas e operacionais, deve se referir às seguintes questões logísticas básicas de: como, quando, o quê, quanto produzir, para que sejam atingidos os objetivos estratégicos da organização. A importância estratégica do Sistema de Administração da Produção está baseada no papel de cada um dos seguintes fatores, segundo Corrêa, Gianesi e Caon (2001): 1. Planejar as necessidades futuras de capacidade produtiva; 2. Planejar os materiais comprados; 3. Planejar os níveis adequados de estoques; 4. Programar atividades de produção; 5. Ser capaz de saber e de informar à respeito da situação dos recursos e das ordens; 6. Ser capaz de prometer os menores prazos possíveis ao cliente e cumpri-los; 7. Ser capaz de reagir eficazmente. Para começar a descrever as funcionalidades do sistema, é necessário entender o que significa Planejamento, Programação e Controle. Planejamento é a projeção de um cenário futuro, avaliando-se bases passadas e inserindo-se no contexto, situações possíveis para tal futuro. Baseados no novo cenário, também projetar os objetivos e estipular as metas que a empresa pretende atingir. É necessário avaliar constantemente o planejamento, pois, quanto maior for o prazo de atuação, mais incerto ele pode ser, conforme se pode observar na figura 2.1.: 17 As incertezas das previsões aumentam com o horizonte previsão tempo FIGURA 2.1 Horizonte de incertezas Fonte: Corrêa, Gianesi e Caon (2001) Hoje, a empresa que não possui planejamento não consegue ser competitiva e atingir os consumidores e clientes que espera. Segundo Corrêa, Gianesi e Caon (2001), ser competitivo é ser capaz de superar a concorrência naqueles aspectos de desempenho que os nichos de mercado visados mais valorizam: a) b) c) d) e) f) Custo percebido pelo cliente; Velocidade de entrega; Confiabilidade de entrega; Flexibilidade das saídas; Qualidade dos produtos; Serviços prestados ao cliente. Para que haja coerência entre planejar e atingir objetivos de competitividade, serão abordados adiante, os pontos de maior importância no Sistema de PPCP. Para Soffer et al (1973), a programação é a conjugação das decisões resultantes das atividades de marketing, quando determinam o que fazer; da engenharia, ao determinar como 18 fazer; da política financeira e previsões de venda quanto à quantidade e prazos de fabricação. Sendo assim, a programação deve ser capaz de simular entregas, recebimentos, produção de tal forma que tudo se encaixe numa linha de tempo contínuo. A programação adequada é capaz de ramificar a cadeia de produção no seu tempo e espaço. Existem vários métodos de programação, entre eles o do diagrama, conhecido como método de Gantt. Para montá-lo, é necessário definir o projeto, as diferentes operações e suas durações e a ligação entre elas. Como exemplo, é possível citar a fabricação de um livro (o projeto), com quatro operações seqüenciais: (a) impressão das folhas de texto – 5 horas, (b) confecção da capa – 3 horas, (c) costura do livro – 2 horas, (d) embalagem individual – 1 hora; a entrega para o cliente foi combinada para 30 horas a partir do pedido. De acordo com o método, é necessário alinhar as operações da melhor forma possível, sua grade de tempo versus a tarefa. A tabela 2.1. ilustra esse processo: TABELA 2.1 - Método de Gantt – exemplo de fabricação de livro TAREFA/ HORA 1 2 3 4 5 6 7 8 Impressão do Texto Confecção da Capa Costura do Livro Embalagem individual Fonte: elaboração própria das autoras Como é possível visualizar na Tabela 2.1., a programação otimizou a produção do livro, fazendo com que operações ligadas indiretamente ocorressem simultaneamente, e com isso, o produto fosse produzido à tempo para entrega no prazo para o cliente. O método de Gantt é um entre muitos métodos de programação da produção. 19 Já o controle da produção consiste, segundo Slack et al (2002), no processo de lidar com as variações inerentes à programação, visto que a mesma é um desejo de que os processos ocorram da forma programada, porém, não conta com imprevistos. A programação e o controle andam, portanto, lado a lado, e é impossível trabalhar apenas com uma das ferramentas, ainda para Slack et al (2002), a programação é o conjunto de intenções e o controle, o conjunto de ações que visam o direcionamento do programa. A seguir serão descritas algumas ferramentas que auxiliam o sistema de PPCP e que serão detalhadas posteriormente: - Gestão de Estoques; - Planejamento das Necessidades Materiais; - Ferramentas do MRP; - Gestão da Demanda; - Planejamento de Capacidade. 2.1.1 Gestão de Estoques O principal conceito, segundo Slack et al (2002), do sistema PPCP é a Gestão dos Estoques. Várias foram as teorias desenvolvidas para a administração dos estoques. Partindose da Administração Clássica, com o Fordismo, os altos níveis de estoque de matéria-prima até produtos acabados, são extremamente necessários para o atendimento rápido ao consumidor final. Porém, com a revolução japonesa nos processos de produção, nasce junto da Toyota, o Sistema Just in Time (JIT), teoria que prevê o estoque zero e alta velocidade do fluxo, gerando maior dependência ao planejamento da produção. Segundo Slack et al (2002), o JIT significa produzir bens e serviços exatamente no momento em que são necessários, ou seja, não antes para que não formem estoques, e não 20 além do tempo, para que seus clientes não tenham que esperar. Ainda numa definição mais completa, Bicheno apud Slack et al (2002, p. 482) define “O JIT visa atender à demanda instantaneamente, com qualidade perfeita e sem desperdícios”. Corrêa, Gianesi e Caon (2001), mencionam o equívoco, nos anos de 1980, das empresas que na tentativa de baixar o custo, levaram os estoques a zero, e reconhecem a falha na interpretação da teoria japonesa que claramente identificava a necessidade de estoques na medida certa, ou seja, nada além do planejado para produção e venda, ou seja, a parte de estoques é importante no caso de um produto com o lead time1 muito alto, às vezes a tentativa de baixar (estoque a zero) criam gargalos2 na produção. 2.1.1.1 Função dos Estoques e os Diferentes Tipos Estoques são recursos materiais acumulados entre fases do processo produtivo, necessários à elaboração de um produto; são necessários nas diferentes etapas do processo de transformação. Para a produção de um bem é necessário segmentar o processo de produção e fazer com que as etapas sejam planejadas e supridas à medida que necessitem, sendo assim, quanto maior for o volume de estoque que determinada etapa dispõe, maior é seu nível de independência em relação à etapa anterior (Corrêa, Gianesi e Caon, 2001). Existem três tipos de estoques, segundo Chiavenato, 1990, em qualquer organização que produza bens: estoque de matéria-prima, estoque de material em processo e estoque de produto acabado, conforme figura 2.2.: 1 2 Lead time: tempo de processamento do item. Gargalo: estrangulamento de etapas, em razão da demanda por tempos diferentes em cada processo. 21 Almoxari fado Preparação Estoque de MP Moldagem Montagem Estoque de •Materiais em processamento •Materiais semi-acabados •Materiais acabados (componentes) Acabamento Depósito Estoque de PA FIGURA 2.2 - Tipos de estoques Fonte: Chiavenato (1990) 2.1.1.1.1 Estoques de Matérias-Primas Estoques de matérias-primas referem-se aos componentes necessários à elaboração ou transformação do produto, que podem variar em volume, dependendo da confiabilidade do fornecedor, ou seja, se determinado fornecedor não cumpre prazos corretamente é interessante manter alto volume do produto por ele fornecido, além disso, outros critérios devem ser avaliados, tais como: lotes econômicos de compras, ou seja, volume que traga o menor preço dentro das melhores condições. 2.1.1.1.2 Estoques de produto em processo Estoque de produtos em processo é formado quando produtos já inicialmente transformados ficam parados em algum ponto da linha de produção, seja por motivos diversos, como a quebra da máquina posterior, ou ainda, por diferentes velocidades de produção pelas máquinas no processo. Este tipo de estoque se subdivide em: a) estoque de material em processamento, ou seja, é o material que sofre várias “micro-operações”; b) material semi-acabado, que é o 22 material pronto para a montagem do produto final e c) materiais acabados (componentes) utilizados para a própria montagem. 2.1.1.1.3 Estoques de produto acabado Estoque de produto acabado é utilizado para garantir o suprimento da demanda que é variável em relação à produção, ou seja, define-se gerencialmente que a produção será constante e na sua capacidade máxima, porém, a demanda oscilará e em determinados momentos a produção será inferior à demanda, e por isso, há a utilização dos estoques de produtos acabados, para garantir este ponto de insuficiência. 2.1.2 Planejamento das Necessidades Materiais Dado um número já conhecido da demanda do produto, é necessário que haja o Planejamento das Necessidades dos Materiais, ou seja, já são conhecidos todos os componentes necessários, seu tempo de processamento – lead time para que principalmente não haja falta nem sobra dos produtos. Para Corrêa, Gianesi e Caon (2001) o planejamento consiste em uma série de etapas que devem ser cumpridas, de acordo com o “Materials Requirements Planning” (MRP), em português ‘Planejamento das Necessidades Materiais’, ferramenta originária na década de 60, utilizada no processo de gestão dos estoques e permite às empresas o cálculo dos materiais necessários, no início do planejamento, e dando enfoque aos seguintes assuntos: Necessidades Brutas: Com base na previsão de vendas são determinados todos os itens que serão necessários para atender tal previsão e também, determinados os períodos em que serão utilizados, isto é, toda a programação do item, todas as saídas de estoque. 23 Recebimentos programados: Todos os pedidos pendentes com os fornecedores já negociados fazem parte do recebimento programado, de maneira geral ele é o material já disponível para o estoque. Estoque projetado: Ele representa qual será a quantidade elaborada no final do período. É de suma importância, pois pode influenciar em uma ação gerencial na área de estoques quando, por exemplo, um determinado item tem um lead time muito extenso. Recebimento de ordens planejadas: É a quantidade que deverá estar disponível no início do período para atendimento das necessidades brutas, ou seja, é o confronto entre a necessidade bruta e o estoque projetado. Abertura de ordens planejadas: Caso ocorra um problema, como “quebra” de produção, é gerada a abertura de ordens planejadas da quantidade afetada, para repor a quantidade perdida. 2.1.3 Ferramentas do MRP Algumas das ferramentas utilizadas no MRP são de fundamental importância, como o lead time, a política e tamanhos de lotes e estoques de segurança, que serão descritos a seguir: Lead time: De maneira geral, é o tempo de processamento de um determinado item; decorre do tempo de liberação de uma ordem de pedido e quando o mesmo estará disponível para uso, também é conhecido como tempo de obtenção. Política de tamanhos de lotes: Utilizando a finalidade do planejamento das necessidades de materiais “para que não haja falta nem sobra dos produtos”, a política de tamanhos de lotes deve ser apurada cuidadosamente. Segundo Corrêa, Gianesi e Caon (2001), existem algumas políticas de lotes, dentre elas as que podemos destacar são: 24 Política de lotes mínimos – indica a quantidade mínima de abertura de ordens, permitindo qualquer quantidade deste nível mínimo para cima, ou seja, os pedidos ocorrem somente quando a necessidade for da ordem mínima estipulada; Política de lotes máximos – indica a quantidade máxima a ser aberta, não permite a quantidade acima desse volume máximo definido; Política de períodos fixos – utilizado para situações em que são necessárias as liberações de ordens periódicas, com periodicidade predefinida. Estoque de segurança: Quando há uma incerteza nos processos, tanto no fornecimento quanto no consumo esperado de determinado item, os tomadores de decisão optam pelo estoque de segurança. Corrêa, Gianesi e Caon (2001) sugerem que quando há incertezas em relação à quantidade de entrega, sejam trabalhados os estoques de segurança; já incertezas ligadas ao tempo de entrega, sejam trabalhadas com tempos de segurança, ou seja, controles ligados ao lead time de cada item. 2.1.4 Gestão de Demanda A demanda da empresa também deve ser gerenciada, por vários motivos. Dentre eles, os principais são: poucas empresas conseguem ser tão flexíveis em alterar de forma eficiente os volumes de produção para atender às variações de demanda; a negociação da quantidade com os clientes auxilia na negociação entre quantidade e prazo, buscando a melhor maneira de adaptá-la à sua produção, dentre outros. A função da demanda, de acordo com Corrêa, Gianesi e Caon (2001), inclui esforços em cinco áreas principais, conforme figura 2.3.: previsão de demanda, comunicação com o 25 mercado, influência sobre a demanda, promessa de prazos de entrega, além de priorização e alocação. Previsão de Demanda Influência sobre o Mercado Promessa de Prazos Gestão de Demanda Comunicação com o Mercado Priorização e Alocação FIGURA 2.3 - Principais elementos da gestão da demanda Fonte: Corrêa, Gianesi e Caon (2001) Previsão da demanda – a empresa pode formar e manter uma base de dados históricos de vendas, assim como as variáveis internas e externas, isto é, promoções, condições econômicas que influenciam o comportamento da demanda. Canal de comunicação com o mercado – mesmo sabendo que o foco da empresa é o atendimento ao cliente, muitos vendedores se esquecem do mais importante e só se preocupam em vender, não ouvindo as informações necessárias ao atendimento dos desejos dos clientes, porém essas diretrizes devem ser transmitidas pela organização, que geralmente não o fazem. Influências sobre o mercado – cabe à empresa influenciar a demanda através de propaganda, de promoção, ou ainda, negociações como parcelamento. Deve estar atenta ao reflexo por parte do mercado e fazer corretamente sua previsão de produção para atender a demanda. 26 Promessas de prazos – os cumprimentos de prazos podem influenciar nas decisões da demanda, isto por que a confiabilidade perante o cliente o valoriza e o fideliza. Priorização e alocação – o não cumprimento de prazos pode acarretar sérios problemas aos clientes, caso a empresa não consiga atendê-los, cabe ao departamento comercial negociar e verificar quais clientes serão atendidos e quais serão prorrogados. 2.1.5 Planejamento de Capacidade O Planejamento de Capacidade traz o equilíbrio entre a capacidade e a demanda. Tal equilíbrio gera bons resultados à empresa e um bom nível de atendimento aos consumidores, para isto, a organização deve prover-se de planejamento presente e futuro de atendimento à demanda. O Planejamento de Capacidade deve agregar-se a todas as áreas do negócio, pois se torna a parte fundamental da Administração da Produção, deve ser trabalhada em conjunto com as demais áreas da empresa, isto porque, há necessidade de coordenação das informações e materiais, chamados inputs. Para Slack et al (2002, p. 344), a definição de capacidade é o máximo nível de atividade de valor adicionado, em determinado período de tempo, que o processo pode realizar sob condições normais de operação. 2.1.5.1 Como Medir a Capacidade Medir a capacidade é muito dificultoso, além do planejamento da demanda, por serem extremamente complexos. 27 Em certos tipos de produção há maior clareza para determinação da capacidade produtiva, porém, à medida que o mix de produtos e atividades se expande, maior também se torna a dificuldade para sua determinação. A capacidade produtiva pode ser medida por volume de produção e por capacidade de insumos. Slack et al (2002) exemplifica ambas as formas, como abaixo: Medidas de capacidade por insumos: Hospitais – Leitos disponíveis; Universidade – Número de alunos. Medidas de capacidade por produção: Fábrica de ar condicionado – Número de unidades por semana; Cervejaria – Litros por semana. Definir capacidade é mais complexo e deve considerar diversos detalhes, conforme exemplo a seguir elaborado pelas autoras, imagine uma máquina que é capaz de produzir 1000 litros de suco de laranja; neste caso, sabe-se a capacidade de produção da máquina, mas, não se sabe o tempo para tal. Como complemento à informação da capacidade, a máquina produz 1000 litros a cada 1 hora; agora é possível identificar a capacidade num determinado período de tempo, a partir destas informações é possível identificar ainda qual a capacidade máxima diária de produção, sendo assim, para um dia de 24 horas a produção máxima será de 24.000 litros. Acrescenta-se mais uma informação importante, o tempo de preparação da máquina, que é de cerca de 10 minutos. Cada operação tem duração de 70´ ou 1,167h (1 hora + 10 minutos) e produz 1000 litros. Com isso, a capacidade máxima, utilizando-se o tempo de 24 horas é apenas de 20.570 litros/ dia (24 horas x 1000 = 24.000 / 1,167 = 20.570 litros/dia). 28 2.1.5.2 Capacidade Teórica e Efetiva A Capacidade Teórica é aquela atribuída pelos técnicos ao montar determinado projeto, e nem sempre pode ser atingida, nenhuma máquina pode trabalhar continuamente a sua velocidade máxima. Dentro dos processos de produção sempre ocorrem perdas; perdas estas planejadas, como a manutenção da linha, dificuldades técnicas de programação, entre outras, que não são falhas do gerente de produção. A Capacidade Teórica deduzida das perdas é denominada Capacidade Efetiva Para Slack et al (2002), outros problemas podem ainda reduzir a eficiência da produção: problemas relacionadas à má qualidade, quebras de máquinas, absenteísmo, entre outros que podem ser evitados, chamados de perdas evitáveis. A Capacidade Efetiva, deduzida destas perdas evitáveis, demonstra a Capacidade Real de Produção. A figura 2.4 exemplifica os diferentes tipos de capacidade. FIGURA 2.4 - Utilização e Eficiência Fonte: Slack et al (2002) 29 Conforme Slack et al (2002), as proporções do volume de produção realmente conseguido por uma operação, dividida pela capacidade efetiva são chamadas utilização e eficiência da planta. O grau de utilização da planta é medido pelo volume de produção real em relação à capacidade do projeto, representado pela fórmula abaixo: Utilização= Volume de produção real Capacidade de Projeto O nível de eficiência da planta é medido pelo volume de produção real em relação à capacidade efetiva, representado pela fórmula abaixo: Eficiência= Volume de produção real Capacidade Efetiva O grau de utilização da planta é comumente utilizado para avaliar o desempenho da produção, segundo Slack et al (2002), a justificativa para dar tal importância à utilização é normalmente que, qualquer perda de tempo e produção poderia ter sido usado para produzir mais produtos, que gerariam mais lucro (isto é o chamado argumento de “custo de oportunidade”). 2.1.5.3 Planejamento de Capacidade no Longo Prazo Planejar a capacidade de produção e seu “mix” de utilização requer alinhamento com toda a estrutura da empresa. Em um planejamento de longo prazo é possível identificar dois tipos de planejamento da capacidade: Por antecipação à demanda: onde a estrutura da empresa é planejada pensando-se na demanda de longo prazo, porém, tal investimento gera menor grau de utilização da capacidade, atribuindo maiores custos unitários à produção abaixo da capacidade máxima; 30 Por acompanhamento da demanda: onde a estrutura é ampliada ou reestruturada de acordo com o aumento da demanda, ou seja, incrementando-a de forma que a capacidade esteja igual ou inferior à demanda. A figura 2.5 apresenta as estratégias acima descritas: FIGURA 2.5 - Estratégias de antecipação e acompanhamento da demanda pela capacidade Fonte: Slack et al (2002) Ambas as estratégias de capacidade possuem vantagens, como a antecipação para uma demanda futura, o que gera ganhos espetaculares enquanto o mercado se estrutura para atender a toda a demanda, que é superior à oferta de produtos no mercado, e desvantagens como a imobilização do capital e ociosidade durante o momento de equilíbrio entre oferta e demanda. 2.1.5.4 Planejamento de Capacidade no Curto Prazo 31 Para o atendimento da Demanda muitas empresas utilizam estoques como ferramenta estratégica. A demanda nunca é constante, exigindo maiores ou menores quantidades de produtos dentro da capacidade instalada. Para isso, a empresa deve estar alinhada às necessidades do mercado. Para exemplificar, imagine uma fábrica de sapatos que tenha como capacidade máxima a produção de 1000 pares de sapato por mês, sendo assim, ela é capaz de produzir 12.000 pares ao ano. A demanda por sapatos não é constante e atinge picos em alguns meses do ano, como é demonstrado na tabela 2.2: TABELA2.2 - Demanda de Sapatos Mês Demanda Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total 800 1000 1200 900 800 1300 700 800 900 1000 1300 1300 12000 Fonte: elaboração própria das autoras É possível observar que a produção mensal máxima da empresa não consegue suprir os meses de março, junho, novembro e dezembro, pois, a demanda é superior à capacidade de produção. Como reverter esta situação? A empresa deve utilizar os estoques como estratégia de atendimento à demanda, produzindo mais nos meses de menor necessidade e estocando os produtos para escoar nos meses de pico. A tabela 2.3. representa a estratégia sugerida. TABELA2.3 - Demanda X Produção Estratégica com Estoques Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Total Demanda 800 1000 1200 900 800 1300 700 800 900 1000 1300 1300 12000 Produção 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 1000 12000 Variações 200 0 -200 100 200 -300 300 200 100 0 -300 -300 0 Estoque 200 200 0 100 300 0 300 500 600 600 300 0 Fonte: elaboração própria das autoras 32 Através da estratégia de estoques a empresa pôde atender toda a demanda, sem necessidade de ampliação da capacidade através de altos investimentos, apenas maximizou a capacidade existente num ritmo uniforme, trabalhando estrategicamente seus estoques. Até este momento, foi possível entender as diversas ferramentas existentes para Planejar, Programar e Controlar a Produção, a partir de agora será apresentada a essência do trabalho, ou seja, a análise das empresas base da pesquisa. 33 3 APLICAÇÕES DO PPCP: DA ATIVIDADE RURAL PARA A INDÚSTRIA Nesse capítulo serão apresentados os procedimentos e as responsabilidades para o Planejamento, Programação e Controle da Produção (PPCP), de forma comparativa entre as empresas objeto do trabalho, com a finalidade de garantir a eficiência e eficácia nas informações para os processos produtivos, desde o planejamento e controle de produção ao produto final. 3.1 Gestão de Estoques 3.1.1 Fazenda Recreio A Fazenda Recreio tem como atividade principal a cafeicultura. O café é uma commodity3 que tem preço cotado em bolsa; no Brasil o seu preço é cotado em dólar através da Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Devido à sua natureza, o mercado é quem impõe preço e determina padrões mínimos de qualidade, com isso, qualquer empresa neste segmento deve necessariamente trabalhar focada nos custos, afinal o preço já é determinado externamente. Hoje há um grande movimento, na tentativa de diferenciar e alavancar melhores preços; a nova tendência é a Certificação Agropecuária4, porém, este não é o tema do presente trabalho. A gestão dos estoques no caso dessa empresa produtora não é sofisticada, devido ao volume de estoque existente, o material necessário ao tratamento da lavoura não exige 3 Commodities são produtos de qualidade uniforme, produzidos em grandes quantidades e por diferentes produtores. São produtos "in natura", cultivados ou de extração mineral, que podem ser estocados por certo tempo sem perda sensível de suas qualidades, como suco de laranja congelado, soja, trigo, bauxita, prata, ouro, aço e o petróleo. 4Certificação indica diversas práticas desejáveis para mercados diferentes, que impõem práticas ambientais legais, bem-estar da sociedade e funcionários, sistema de tratamento não tóxco, dentre outros parâmetros necessários, que indicam algum padrão de qualidade. 34 sofisticação. Há um controle efetivo dos estoques de materiais diretamente ligados ao tratamento da lavoura, devido ao alto valor que possuem e que podem ser considerados estoques de matérias-primas. Os materiais são classificados em Adubos, Herbicidas, Inseticidas, de Tratamento Fitossanitário, Fungicidas entre outros. A classificação por tipos de estoque será trabalhada no item 3.1.1 deste capítulo. As compras ocorrem anualmente, num regime de ano safra, visando uma política de baixo custo, utiliza-se estrategicamente adquirir a matéria-prima, acima exposta, num grande lote e com isso, a preços menores. Existem ainda os estoques de peças para máquinas, tais como filtros, óleos, parafusos, porcas, ferramentas como enxadas, pás, rastelos dentre tantos outros que não recebem controle algum de estoque. O que se controla é a manutenção de acordo com a especificação do fabricante para cada máquina agrícola, por isso, há necessidade de peças. O café, produto, pode manter-se em estoque sem grandes prejuízos à qualidade, no seu estágio conhecido como “coco”, que será abordado mais adiante. Como abordado no capítulo 2 deste trabalho, os estoques podem ser de matériaprima, produtos em processo e produtos acabados. Nesta seção, ambas as empresas terão seus estoques definidos e serão abordadas as formas de manipulação dos mesmos. Sobre estoques de matérias-primas como a produção cafeeira não permite que inputs sejam outputs na sua forma correta, é possível adotar, de forma análoga, que os insumos adquiridos para o tratamento da lavoura sejam denominados inputs na cadeia, isto implica dizer que os mesmos são considerados matérias-primas do processo. A tabela 3.1 apresenta as matérias-primas necessárias ao tratamento de lavoura de café: 35 TABELA3.1 - Classificação das matérias-primas Adubação e Fertilização Compõe a parte mais pesada dos custos - adubos via solo Item classe A Fertilizantes Via Foliar Adubos aplicados nas folhagens do café Item classe C Fungicidas Utilizado no combate aos fungos Item classe B Herbicida Necessários para acabar com matos e pragas rasteiras Item classe B Tratamento Fitossanitário Acompanham inseticidas Item classe C Inseticidas Utilizado no combate aos insetos Item classe A Fonte: elaboração própria das autoras A matéria-prima adquirida anualmente é armazenada em um almoxarifado; como o volume de produtos é baixo, a área do espaço é relativamente pequena. Quanto à programação e controle de utilização dos estoques de matéria-prima, a utilização dos estoques anuais ocorre, dependendo do produto, de uma a cinco vezes, chamadas etapas de aplicação. Ocorre a divisão em tempos e vezes de aplicação para se obter o efeito desejado para determinados produtos, como aplicação inicial, tempo de manifestação da doença e aplicação para exterminação. A programação consiste em programar os recursos humanos (geralmente tratoristas) tratores e implementos, verificação de condições climáticas para a data decidida e correta regulagem das máquinas. Os produtos são geralmente diluídos em água e acomodados em tanques de 400 ou 2.000 litros, acoplados aos tratores. A regulagem exige precisão, pois, é a partir dela que o produto será aplicado nas condições e quantidade ideais, fortalecendo a chance da produção de qualidade. Para regulagem é necessário avaliar a pressão da vazão, a quantidade por metro linear, o tempo de vazão e a velocidade do trator para que esteja de acordo com o montante a ser distribuído por hectare. Geralmente, a vazão por hectare é ajustada para um tanque de 400 litros, há a programação de aplicação por talhão5, ou seja, a informação de quantas máquinas cada talhão deverá receber é 5 Talhões – glebas de terra onde a lavoura foi constituída num mesmo momento, com características, idade e resposta aos tratamentos de forma uniforme. 36 impressa e transmitida ao tratorista, responsável pela correta aplicação do produto nas devidas quantidades. O controle basicamente ocorre na conferência entre dados reais confrontados aos dados previstos, ou seja, ao término de cada talhão é confrontada a quantidade de máquinas apontadas pelo tratorista em relação à quantidade programada anteriormente, as falhas admissíveis variam até 5%. Para que o efeito do produto ocorra como o desejado, é necessária a aplicação das doses corretamente, o controle visa corrigir as falhas gritantes, a ponto de não prejudicar o rendimento programado. Analisadas as falhas, vai-se a campo mais uma vez e aplica-se novamente, porém, a quantidade agora já não é mais como a primeira, mas, sim a diferença entre o real e o previsto. Abaixo segue figura 3.1 da aplicação dos produtos necessários à lavoura cafeeira. Preparativos para Adubação Preparativos para Pulverização FIGURA 3.1 - Programação de aplicação dos insumos agrícolas Fonte: Fazenda Recreio Sobre os estoques de produtos em processo, durante aproximadamente 7 meses do ano safra, todos os produtos são aplicados e, pragas, doenças entre outras são combatidas; adubos fortalecem as plantas e finalmente chega a hora esperada: a colheita, que tem duração média de 5 meses (abril – agosto). 37 A colheita é o processo que retira os grãos de café da árvore e daí em diante alguns processos ocorrem até que se tenha o café beneficiado (forma como a Fazenda Recreio comercializa), pronto para a torrefação, moagem e bebida. A programação e controle dos estoques de produto em processo, no estágio de colheita também é de extrema importância, pois esta é a etapa de conclusão das demais. O café, devido às floradas em épocas diferentes, possui diversas etapas de maturação, que podem ser classificados: em cereja (no início da colheita), com alto teor de água; os verdes, e logo ao final da colheita, os secos, já com menor teor de água. A colheita é programada por meio da avaliação da maturação dos grãos, iniciando-se nos talhões, onde se encontram em maior quantidade os grãos tipo cerejas do que verdes e assim, até o seu término, já com grãos secos. A programação prevê a necessidade de pessoal, terreiro para secagem e tulhas para armazenagem. O controle deste estágio é de extrema importância, pois, a partir dele saem informações de quantidade de produção, que gerarão premissas de vendas. A qualidade do produto também está inclusa neste estágio, grãos verdes em excesso podem modificar o sabor do café, depreciando o produto final através da bebida ardida e não da melhor, que é denominada “mole”. Abaixo, o processo detalhado das movimentações, programações e controles dentro da cadeia do produto em processo, denominado café em coco. 38 Provisão de Pessoal Colheita Provisão de Horas Colheita mecânica Provisão de Carretas Provisão de Terreiro Secagem no terreiro Controle da umidade Café Bom Transporte para o armazém Amostra Café Escolha Premissas de quantidade produzida Premissas de faturamento FIGURA 3.2 - Produto em processo Fonte: Fazenda Recreio (2007) Abaixo, a figura 3.3 apresenta algumas fotos sobre os estágios acima descritos: FIGURA 3.3 - Colheita mecânica e processo de secagem no terreiro Fonte: Fazenda Recreio (2007) Estoques de produtos acabados: o ciclo se completa no momento em que toda a colheita se encerra, o produto em processo se tornará um produto acabado, ou seja, pronto para a venda, seja para torrefadoras, seja para a exportação do café em grão; o mesmo é 39 acondicionado em sacos de 60kg (padrão de mercado) de juta, geralmente com a estampa nacional “Café do Brasil”. Todo o café em coco armazenado entra no processo de beneficiamento, momento no qual ele perde a casca, o que lhe dá o aspecto de coco e resta então apenas o grão puro de café, pronto para ser torrado e moído. Durante o beneficiamento é necessário controlar a programação antes prevista; através da premissa de quantidade é possível dimensionar a necessidade de horas e pessoas para a etapa final, e com isso, controlar a qualidade do produto final comparando a quantidade prevista de café bom com o real. Um indício de má qualidade da operação deve ser verificado neste momento, é quando muito mais café do tipo escolha é processado do que se previa. A todo o momento o controle entre real e previsto é realizado. 3.1.2 Empresa Máquinas Agrícolas Jacto S/A A empresa Máquinas Agrícolas Jacto S/A tem como mercado alvo o produtor rural, e convive diariamente com o desafio de prever sua inconstante demanda e atender seus clientes, que necessitam de maquinário em tempo certo, para pulverizações e colheitas das lavouras. Seus principais produtos são: Adubadoras, Automotrizes, Barras 3 Pontos, Barras para Carretas, Bicos, Bicos Acessórios, Canhão, Colhedoras, Costais, Costais Acessórios, Lavadoras, Lavadoras Acessórios, Peças e Acessórios, e Turbo Atomizadores. Segue abaixo alguns produtos: 40 Adubadora: UP 3000 Canavieiro Automotriz: Uniport 3000 4x4 Barras 3 pontos: Condorito Barras Carretas: Advance 3000 Vortex Bicos: ADI Bico Acessório: Filtro de Bico Malha 50 Canhão: Jatão Super 600 Costal: PJH Lavadora: Jacto 9800 Colhedora: K3 4x4 Costal Acessório: Barra 500 - 2 Bicos Lavadora Acessório:Bico Curto Leque Profissional 41 Peças e Acessórios: GPS com Barras de Luzes Turbo Atomizador: Arbus 2000 Super Export FIGURA 3.4 - Principais Produtos da Máquinas Agrícolas Jacto. Fonte: Jacto (2007) Este fato resulta em um alto nível de estoque, que trás como conseqüência, custos de armazenagem, logística e de capital, extremamente elevados. Em âmbito nacional e internacional, a competitividade desta linha de produtos é muito acirrada, portanto, torna-se necessário que tais custos sejam minimizados para que os produtos Jacto sejam economicamente viáveis aos produtores rurais. Atualmente, os departamentos de Vendas e Planejamento e Controle de Produção (PPCP), têm papel fundamental na previsão de vendas e necessidade de materiais, respectivamente. Porém, este esforço se torna insuficiente devido à sazonalidade pertinente ao ramo de atividade. O departamento de Logística também atua na gestão dos estoques, com as tarefas de disponibilizar no sistema o saldo de estoque para cada item do produto, e também pelo acionamento das fichas de kanban6, além da armazenagem. Para o controle dos estoques utiliza-se o inventário físico periódico, que consiste na contagem física dos itens do estoque a cada ano, de responsabilidade também do departamento de logística controlar. Esta atividade permite confrontar registros contábeis com estoques físicos, bem como levantar o valor investido em estoques na empresa. De acordo com Gitman (2002, p 112) “o giro dos estoques geralmente mede a 42 atividade, ou liquidez, dos estoques da empresa, ou seja, mede quantas vezes o estoque se renova no ano”. Determina-se o Giro dos Estoques dividindo o Custo do Produto Vendido (CPV) pelo Valor dos Estoques, sendo encontrado um giro 4,66 no ano7, de acordo com informações obtidas nos Anexos A e B. Este fator servirá como comparativo se considerar empresas da mesma Indústria, ou se usado na comparação histórica da mesma empresa. Para determinar o Período Médio de Estoques, ou idade média dos estoques, basta dividir 360 (dias do ano) pelo fator obtido no Giro dos Estoques que resultará num PME de aproximadamente 77 dias8. Segundo valores apresentados no Balanço Patrimonial, referente ao exercício de 2003 (ANEXO D) 9, foram apresentados os seguintes valores de estoques, que representam 16,5% do total de ativos da empresa: - Produtos acabados: R$ 25.222.953,00 - Produtos em processo: R$ 12.742.426,00 - Matérias primas e materiais: R$ 24.147.974,00 Total dos estoques R$ 62.113.353,00 O System Applications and Products (SAP), em português significa: Sistemas, Aplicações e Programas, da empresa alemã fundada em 1972, SAP é líder em Sistemas de Gestão Empresarial (ERP) com mais de 56.000 instalações em 120 países, no Brasil conta com mais de 500 clientes dentre eles a Jacto, que recentemente implantou o sistema, que trata 7 Giro dos Estoques = CPV/Estoques, portanto: (em R$) 289.643.473,00/62.133.352,00 = 4,66 vezes no ano. Período Médio de Estoques = 360/Giro de Estoques, portanto: 360/4,66 = 77 dias. 9 Último Balanço liberado pelo Departamento Financeiro, referente à última publicação. 8 43 de uma solução única, totalmente integrada, capaz de automatizar todos os processos inerentes a uma empresa, que terá suas ferramentas e forma de funcionamento especificado adiante, houve algumas mudanças estruturais quanto à formação dos módulos/centros para também facilitar a visão da Jacto de em 2.010 se tornar uma montadora, ou seja, cada setor de fabricação se tornou um centro próprio, definindo suas necessidades e suas tarefas, porém ainda respondendo ao diretor industrial. Diante do exposto acima, a Gestão de Estoques também é definido por cada centro, Almoxarifado, Usinagem, Estrutura, Componentes Eletrônicos, Linha Leve, SIF (Departamento de Peças), cada um é responsável pelo estoque de matéria-prima, estoque de produtos em processo e produtos acabados que se encontram sob sua responsabilidade, e o acionamento varia entre cada centro, uma vez que cada item tem o seu lead time já é definido, uma vez que o processo do mesmo nunca será igual ao de todos, por exemplo, os itens fundidos, as peças importadas, ou até mesmo dos itens que passam por diversos processamentos geralmente apresentam os maiores lead times. O PPCP entra na parte de monitoramento desses estoques, o PPCP gera relatórios confrontando a quantidade física, a necessidade e até mesmo os pedidos colocados para a gerência, atuando principalmente na parte estratégica. Por exemplo, há uma posição da chefia em reduzir os estoques, o PPCP confronta as informações por centros onde existe a abundância de um determinado material (geralmente pela análise ABC), que segundo Martins (2002) é uma das formas mais usuais de se examinar estoques. Essa análise consiste na verificação, em certo espaço de tempo, normalmente 6 (seis) meses ou 1 (um) ano, do consumo, em valor monetário ou quantidade, dos itens de estoque, para que eles possam ser classificados em ordem decrescente de importância. Aos itens mais importantes de todos, segundo a ótica do valor ou da quantidade, dá-se a 44 denominação itens classe A, aos intermediários, itens classe B e aos menos importantes, itens classe C. Após a verificação, o PPCP aponta onde existem os possíveis excessos dos estoques e posteriormente são repassadas as informações aos planejadores do módulo para confrontamento. 3.2 Planejamento das Necessidades de Materiais 3.2.1 Fazenda Recreio As necessidades materiais são organizadas de acordo com o programa de tratamento da lavoura, estipulado entre a gerência e o setor agronômico da empresa. Em uma lavoura de café, o funcionamento da produção não ocorre como nas fábricas e usinas, onde as entradas (input) de valor x, y e z necessariamente expelem (output) produtos com valor agregado da soma dos inputs x, y e z. Uma lavoura está muito suscetível às variáveis que independem das técnicas de produção, como o clima, precipitação, entre outros. Sendo assim, os inputs nada indicam quanto será o valor dos outputs. Como dito anteriormente, o planejamento das necessidades materiais parte do programa de tratamento definido, este é definido com base num diagnóstico agronômico das deficiências da planta. Há no mercado cafeeiro, um consenso entre os produtores, a respeito do tratamento, com necessidades básicas a serem supridas a cada ano safra, com variações específicas de quantidade para cada caso. O Programa de tratamento é definido através da unidade de medida hectares (ha), que pode variar de acordo com a idade da planta, espécie e espaçamento de plantio, que 45 identifica o grau de adensamento da lavoura. Definido o programa por hectare, é necessário vislumbrar o montante de material a ser comprado, o processo é realizado como a seguir, na tabela 3.2: 46 Dosagem por ha Produto Priori Extra Nimbus Vertimec Actara WG Amistar Hectares Quant Total Planta Adulta Planta Nova Planta Adulta Planta Nova Total 1,50 6,00 0,80 1,60 0,00 0,00 2,00 0,40 0,60 0,10 85,00 85,00 85,00 85,00 0,00 0,00 13,00 13,00 13,00 13,00 85,00 98,00 98,00 98,00 13,00 Adulta 127,50 510,00 68,00 136,00 0,00 Nova 0,00 26,00 5,20 7,80 1,30 Total 127,50 536,00 73,20 143,80 1,30 Estoque 0,00 19,00 36,00 3,30 1,26 Unid Quant a comprar Litros Litros Litros Quilos Quilos 127,50 517,00 37,20 140,50 0,04 Lote de compra 130,00 525,00 40,00 145,00 0,50 TABELA3.2 - Compras Ano Safra 2007/2008 Fonte: Fazenda Recreio (2007) As variáveis importantes na estruturação do plano de compras envolvem: idade da planta, tratamento e dosagem por hectare, o estoque considerado, assim surge o lote de compra para que a empresa possa iniciar o processo de cotação junto aos fornecedores. Anualmente, por volta de maio, junho inicia-se o processo de tomada de decisão quanto ao tratamento, ocorre a observação visual da lavoura, análise laboratorial de solo e folhas para identificação das deficiências, avaliação de investimentos futuros e eliminação de talhões que não respondam aos tratamentos, para que se tenha a receita e a quantidade, em hectares, a ser tratada. O processo pode ser visualizado na figura 3.5: 47 Avaliação da lavoura Visual Folhas Laboratorial Escolha do tratamento por hectare Definição da área (ha) Quantidade a ser comprada Solo + Área atual - Área a ser eliminada + Área a ser plantada = área base - compras Dedução dos estoques Formação do lote de compra FIGURA 3.5 - Processo de Planejamento das Necessidades Matérias – Fazenda Recreio Fonte: Fazenda Recreio (2007) Embora o comum a qualquer empresa seja o planejamento das unidades a serem vendidas e a partir daí, as quantidades a serem produzidas, materiais a serem comprados e todos os demais processos, na atividade cafeeira não ocorre da mesma forma; o tratamento é o start da cadeia, é a partir da definição do tratamento que se terá uma previsão da quantidade a ser produzida. 3.2.2 Empresa Máquinas Agrícolas Jacto S/A As necessidades materiais na Jacto são realizadas no próprio departamento de PPCP, através de uma breve definição fornecida pelo departamento de vendas, onde será aprofundado no próximo tópico. Abaixo, figura 3.6, segue o fluxograma que é realizado na Jacto: 48 FIGURA 3.6 - Procedimentos do Planejamento, Programação e Controle da Produção da Jacto Fonte: Jacto (2007) 49 De forma resumida apresenta-se: O setor de Vendas faz previsão de vendas anual, trimestral e mensal; Carrega as informações no SAP; O PPCP simula a necessidade, analisa e registra a possibilidade na Gestão da Demanda; Roda o MRP simulado, que é a conversão de máquinas em matéria-prima e módulo; efetuado para saber a necessidade de materiais, baseado em uma previsão de vendas. (ainda não está rodando no SAP10); Há uma análise do Planejamento quanto às correções e caso necessário, negocia com Vendas a previsão; Depois libera o MRP no cenário real; Novamente há uma análise do Planejamento que gera as previsões de compra de matéria-prima e componentes; Posteriormente, o PPCP gera as informações para orçamento anual das despesas, fluxo de caixa, estoques e pedidos de compra. Caso seja uma ordem de cliente, há outro procedimento: Há uma negociação junto ao PPCP para liberação da máquina na Batida Diária ( é a programação das máquinas no dia da sua montagem); Roda o MRP que consiste no seguinte cálculo: Conversão de máquinas em matéria-prima e módulo; efetuado para saber a necessidade de materiais, baseado em uma previsão de vendas. Fórmula do cálculo da Necessidade Líquida (o que é preciso acionar) = Saldo de estoque + Pedidos Pendentes + Reservas + Lead Time de Fabricação – Necessidade Bruta (quantidade de peças que o MRP gera, por máquinas). 10 É um programa de computador (Software) que centraliza as informações de todos os departamentos da Empresa, e tem como finalidade proporcionar uma maior agilidade nas tomadas de decisões. 50 O PPCP gera o seqüênciamento manual, que é baseada no conhecimento de cada linha de montagem determinando a seqüência de cada máquina na batida diária, priorizando as máquinas com o menor lead time. Posteriormente, converte-se as ordens planejadas em ordem de produção, imprime as ordens, envia para a fábrica/montagem, após a montagem/fabricação faz o apontamento e movimentação. 3.3 Gestão da Demanda 3.3.1 Fazenda Recreio Numa empresa rural, a decisão de saída de determinado mercado para ingresso em outro não é tão simples, milhares de árvores plantadas, capital investido são as barreiras à saída, por isso, verificar a tendência do mercado é de extrema importância. A Fazenda Recreio busca, constantemente, planejar seu futuro com base num cenário macroeconômico global. Conforme Anuário Brasileiro do Café (2007), o café tem apresentado crescimento no mundo da ordem de 1,5%, no Brasil, com o surgimento dos cafés “gourmet”, o consumo apresenta crescimento maior, da ordem de 15% A 20% ao ano. O consumo mundial esta estimado em 110/115 milhões de sacas. No Brasil o consumo doméstico é da ordem de 18 milhões de sacas. Numa visão microeconômica, a Fazenda deveria gerir sua produção baseada na expectativa de venda no mercado de café, porém, como apresentado anteriormente, é impossível fazer com que a lavoura produza apenas o que se quer, sendo assim, a cultura cafeeira implica na gestão da produção para posterior gestão da demanda. 51 A forma de dimensionar primeiro o quanto produzirá para depois definir o quanto será vendido, desejado pelos consumidores, parte da análise visual da lavoura de café. Ocorre o planejamento da produção por meio da experiência contida nos administradores e agrônomos da propriedade, um tanto empírico, porém, elevado o nível de confiabilidade. Dois são os momentos necessários para a avaliação da futura produção: floradas e maturação dos grãos (pré-colheita). Os números ainda são passiveis de erros, porém, servem de apoio para a programação e o controle das etapas seguintes: colheita – secagem – armazenamento. À medida que a colheita vai se desenvolvendo, os números de produção a partir da amostra são confrontados com as primeiras premissas, visualmente projetadas. 3.3.2 Empresa Máquinas Agrícolas Jacto S/A Os Departamentos de Vendas, de Importação e Exportação e o Departamento de Marketing são responsáveis pelo planejamento de marketing anual, estabelecimentos de objetivos, metas e programas, campanhas de venda, análise da demanda, orçamento da receita, Sistema de Informações de Marketing (S.I.M.), previsão de vendas e de produção. O departamento de marketing também é responsável por pesquisas e pelo feedback, que podem ser tanto por meio de levantamento, experimento e grupo-foco. Preza-se o contato com o cliente final para saber qual o desempenho sobre a máquina, a eficiência e as melhorias. E através dessas pesquisas a empresa consegue realizar um estudo de todos os mercados potenciais, gerando o desenvolvimento de produtos para que venha atender a necessidade do produtor. 52 A Jacto ainda mantém relações comerciais com mais de 50 países situados pela América Latina, Ásia, Oriente Médio, África, Estados Unidos, Canadá e América Central, exporta cerca de 30% de seu faturamento anual. Os gerentes fazem visitas constantemente aos clientes, sendo assim, mantêm informada a área de Vendas, que são os responsáveis em organizar os dados coletados dos clientes e realizar a previsão de vendas e redirecioná-la para o PPCP, como também o cronograma diário da enxuta9, com antecedência de oito dias, no qual é constituído pelas máquinas que devem ser montadas pela produção. As revisões das previsões funcionam de acordo com a alteração de Vendas, caso houver a necessidade de uma alteração muito representativa é comunicado ao departamento de PPCP e a aprovação pelos dois setores juntamente com a fábrica. 3.4 Planejamento da Capacidade 3.4.1 Fazenda Recreio Uma lavoura de café exige um grande planejamento quando se refere à capacidade, uma vez que altas são as cifras para implementar projetos que afetem a estrutura da propriedade. Como a gestão da produção de bens considerados commodity deve estar voltada à administração dos custos, tudo o que ela faz é voltado à maximização da utilização da capacidade existente, para redução dos custos unitários de produção, gerando economia de escala. A Fazenda Recreio toma como medida, no curto prazo, o planejamento de reestruturação das áreas de café com grande número de falhas, ou seja, talhões onde muitos 53 dos pés de café já não existem. Esta estratégia de aumento de capacidade no curto prazo nada altera a configuração dos custos, uma vez que a quantidade de insumos necessários continuará a mesma, porém, utilizada com maior precisão, pois, onde antes se lançava produtos em vão, hoje, novas plantas – replantadas – recebem e produzem, há aumento de produção sem aumentar custos. A fazenda Recreio possui 246 hectares, porém, apenas 140 deles são passíveis ao plantio e produção de café. Atualmente, a propriedade explora apenas aproximadamente 100 hectares dos utilizáveis e planeja atingir toda a capacidade ociosa existente, isto indica 72% (100/140) de utilização da capacidade para produção de café. A tomada de decisão de aumento de capacidade exige grande investimento, planejamento de tarefas e consumo de insumos. O planejamento de longo prazo consiste em prever os diversos itens expostos na Tabela 3.3: 54 FAZENDA RECREIO - ESTUDO PLANTIO - 2.007 ÁREAS EM DESCANSO Talhão Plantio 2007 A Variedade Área Espaçamento Mundo Novo 388 Enxertado 13,410 - 13,41 Total Descanso 3,80 x 0,65 Mudas 2,47 54.291,50 54.291,50 Encomendar 5% 57.006,00 Estudo 01 Real Comparativo Talhão Plantio 2007 A Variedade Área Mundo Novo 388 Mudas/ha 13,41 4.048,583 Metros lineares Custo % Quant Unid Med Real X Previsto R$/unit Custo Custo 2.632 Preparo do Terreno Esteira p/ Nivelam e Terraço Frete das Máquinas Trator com Grade 150,00 6,00 33,00 Horas viagens Horas R$ R$ R$ 80,00 150,00 90,00 Horas Horas R$ R$ 75,00 85,00 142,40 3,00 43,60 R$ R$ R$ 12.000,00 900,00 2.970,00 18,81% 1,41% 4,66% 1,5 x sulcador 1 ha hora R$ R$ 1.515,00 1.487,50 2,38% 2,33% R$ R$ R$ 0,46 0,45 0,50 R$ R$ R$ 26.503,00 18.000,00 8.503,00 41,55% 60.000,00 40.000,00 20.000,00 R$ R$ R$ 54,00 380,00 108,00 R$ R$ R$ R$ R$ R$ 762,25 5.364,00 11.433,79 851,67 1,19% 8,41% 17,92% 0,00% 0,00% 1,34% 15,00 15,00 5,00 R$ 63.787,21 100,00% R$ 4.756,69 Horas Viagens Horas R$ 80,00 R$ 150,00 R$ 90,00 R$ R$ R$ 11.392,00 450,00 3.924,00 R$ R$ R$ 608,00 450,00 (954,00) Preparo Plantio Batedor de Cova Sulcador Profundo 20,20 17,50 Horas Horas R$ R$ - R$ R$ 1.515,00 1.487,50 Plantio Mudas de Café Cacário gr. Super Simples Esterco Galinha Torta de Mamona Transporte Mão de Obra 57.006,00 40.000,00 17.006,00 400,00 400,00 3,00 2,00 10,00 Mudas enxertadas Denilson Carlinhos Valverde gr por metro gr por metro Kg por metro Kg por metro Caminhão Pessoas R$ R$ Custo por ha plantado TABELA3.3 - Planejamento de Plantio 2007 – em andamento Fonte: Fazenda Recreio (2007) 14,12 14,12 105,87 70,58 90,00 12,17 Toneladas Toneladas Toneladas Toneladas 7 Viagens dias Mudas Mudas Mudas R$ R$ R$ 0,47 0,45 0,50 Toneladas Toneladas Toneladas Toneladas R$ 55,40 R$ 465,00 R$ 118,00 R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ 28.000,00 18.000,00 10.000,00 831,00 6.975,00 590,00 - R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ R$ (1.497,00) (1.497,00) (68,75) (1.611,00) 10.843,79 851,67 R$ 52.162,00 R$ 11.625,21 R$ 3.889,78 55 3.4.2 Empresa Máquinas Agrícolas Jacto S/A Como já dito anteriormente, é de responsabilidade do setor de PPCP, da empresa, verificar se há condições de atender a área comercial, fazendo uma análise crítica na previsão de vendas e enxuta diária, verificando-se estoques de materiais e capacidade de produção. Ainda não se trabalha com o planejamento a longo prazo, está sendo estudada a possibilidade de antecipar a previsão da demanda em dois anos, o que auxiliaria toda cadeia, desde o planejamento (que seria fixa em um ano, ou seja sem alterações), como também as informações com a fábrica e fornecedores. Já é definida a quantidade de máquinas exatas que podem ser montadas diariamente por cada linha de segmento de produto (determinada pela capacidade de cada linha e mão-deobra disponível), e após a validação da previsão de vendas, podem surgir alguns novos pedidos de clientes (urgentes) ou, até mesmo, o cancelamento de pedidos. Então é acordado entre os dois setores (vendas e PPCP) um alinhamento entre as informações, como por exemplo, se é possível cancelar uma máquina que já tinha um pedido fixo. O setor de PPCP repassa aos demais fornecedores internos e externos, o possível cancelamento de pedidos das peças urgentes e também ao setor de montagem que seria o final do processo. Após uma afirmação de todos envolvidos, será realizado o cancelamento. A capacidade fabril de produção da empresa Jacto S/A, está relacionada com a sazonalidade da demanda de seus produtos, pois estes produtos são considerados básicos e atendem diversas culturas e regiões do país e do mundo, sendo que cada modelo é montado em linhas específicas e seus componentes são produzidos em diversos setores da empresa, dentro ou fora da planta principal, além dos que são adquiridos em empresas nacionais ou estrangeiras. As tabelas 3.4 e 3.5 apresentam essa quantidade de produção/ tempos. 56 TABELA3.4 - Quantidade de Produção – Pulverizadores Costais e Máquinas Lavadoras. PRODUTO PRODUÇÃO DIÁRIA PRODUÇÃO MENSAL Máquinas de Limpeza 230 4.600 unidades Pulverizadores Costais 2.000 40.000 unidades Fonte: Máquinas Agrícolas Jacto (2007) TABELA3.5 - Capacidade dos Produtos Automotrizes e Tratorizados. Capacitação Manuf. 2007 LINHA - 101 CONDOR PRODUTO Kanban CONDOR 30 CONDOR 800 AM-12/14 5 CONDOR AM-12 5 CONDOR AM-14 2 PJ-401 / PH-400 2 CONDORITO 10 Máximo Linha (diária) Produção Mensal 24 480 LINHA - 102 CANHÃO PRODUTO Kanban AJ-401 LH 5 JATÃO 400 2 JATÃO 600 2 FALCON 2 ARBUS 200 / 270 / 400 2 Máximo Linha (diária) Produção Mensal 12 240 LINHA - 103 COLUMBIA PRODUTO Kanban COMLUBIA-CROSS/A-18/3000 7 COMLUBIA AD-18 3 CORAL AM-14/CROSS/TD/VDC 1 CORAL B-12/CROSS/EM/TD Máximo Linha (diária) Produção Mensal 12 240 3 LINHA - 104 ADVANCE/ARBUS PRODUTO Kanban ADVANCE 2000-AM/VORTEX 3 ADVANCE 3000-AM/VORTEX 6 ADVANCE-3000-24/21 1 ARBUS-4000 1 ARBUS-2000/1500/1000/500 10 Máximo Linha (diária) Produção Mensal 12 240 LINHA - 107 UNIPORT PRODUTO Kanban UNIPORT-2000 2 UNIPORT-2500 PLUS 2 Máximo Linha (diária) Produção Mensal 2 40 57 LINHA -118 UNIPORT PRODUTO Kanban 1 UNIPORT-3000 4 X 4 Máximo Linha (diária) 1 Produção Mensal 20 UNIPORT STAR (Ordem) PRODUTO Kanban STAR Máximo Linha (diária) 2,5 Produção Mensal 50 Total Produção Diária Total Produção Mensal 65,5 1310 Fonte: Máquinas Agrícolas Jacto (2007) O gráfico 3.1 mostra a capacidade quantitativa de produção de cada linha de produtos, diariamente. GRÁFICO 3.1 - Distribuição da Produção. Pulverizadores Costais 82,2% PRODUÇÃO DIÁRIA Pulverizadores Costais Automotriz Automotriz 0,2% Tratorizados 8,2% Lavajato 9,4% Lavajato Tratorizados Fonte: Máquinas Agrícolas Jacto (2007) Nota-se que a produção diária dos pulverizadores costais representa 82,2% do total dos itens produzidos, devido ao fato de seus lotes de fabricação serem negociados em maior proporção que, por exemplo, as automotrizes, que apresentam um alto valor agregado. Segundo o gráfico, tem-se ainda 9,4% da linha lavajato, 8,2% tratorizados e apenas 0,2% de automotrizes. 58 Ainda é utilizado, como dito anteriormente, a previsão das máquinas que serão montadas, segue exemplo abaixo, no qual é utilizada a previsão trimestral. TABELA3.6 – Previsão Trimestral de Janeiro a Março de 2008. Linha 107-UNIPORT 2000 Sublinha UNIPORT 2000 Subtipo (em branco) UNIPORT 2000 Total UNIPORT 2000 PLUS SP UP-2000 PLUS UNIPORT 2000 PLUS Total UNIPORT 2500 PLUS SP UP-2000 PLUS UNIPORT 2500 PLUS Total 107-UNIPORT 2000 Total 114-UNIPORT STAR UNIPORT 2500 STAR STAR UNIPORT 2500 STAR Total 114-UNIPORT STAR Total 118-UNIPORT 2500/3000 EJ UNIPORT 3000/24 4x4 UP-3000 4X4 CANA UNIPORT 3000/24 4x4 Total UNIPORT 3000/24 4x4 VORTEX UNIPORT 3000/28 4x4 Total 118-UNIPORT 2500/3000 EJ Total fev08 mar-08 13 11 11 13 11 11 4 14 4 4 14 4 8 10 6 8 10 6 25 35 21 41 42 27 41 42 27 41 42 27 3 7 2 3 7 2 UP-3000 4X4 VORTEX 1 5 5 1 5 5 UP-3000 4X4 B-28 2 3 1 2 3 1 6 15 8 UNIPORT 3000/24 4x4 VORTEX Total UNIPORT 3000/28 4x4 jan08 Fonte: Máquinas Agrícolas Jacto (2007) Como exemplo da utilização da capacidade, pode-se ter como exemplo a Linha da Uniport 2000 que apresenta um valor de 40 (quarenta) máquinas por mês e que na previsão de Janeiro, estão previstas um total de 25 máquinas, apresentando um total de 62,5% (25/40) de utilização da capacidade de sua linha. 59 CONCLUSÃO Por meio dessa pesquisa foi possível entender que mesmo tratando-se de segmentos diferentes, porte e organização, as empresas demonstram preocupação e metodologia capaz de suprir as necessidades gerenciais nos negócios. Os controles de estoques, por exemplo, possuem grandes diferenças, enquanto a empresa Jacto dispõe da análise de seus itens, além de monitorar módulos/centros para determinadas atividades, a Fazenda Recreio possui um controle menos complexo, porém, válido para suas necessidades. O alto valor dos estoques da empresa Jacto por si só são capazes de justificar o motivo de tamanha estrutura para controlá-los. O Planejamento das necessidades materiais é mais complexo no sistema Jacto, devido à imensa quantidade e variedade de produtos produzidos e com isso, matéria-prima e material em processo demandado. O sistema Jacto jamais agregaria tamanho valor de seu sistema, se introduzido para controle na Fazenda Recreio, uma vez que a quantidade de matéria-prima (anteriormente definida) necessária consiste de poucos itens e pouco volume, haveria subutilização do sistema tecnológico e gerencial. Há grande diferença ao planejar a demanda para cada empresa, a Fazenda Recreio não tem condições de prever sua produção; apenas a leitura macroeconômica do cenário mundial, nacional e regional, a faz partir para programação de vendas. O que complica ainda mais é a dificuldade de mensurar quanto se irá produzir, diferentemente ocorre na Jacto, que utiliza ferramentas mercadológicas capazes de prever com alto nível de confiabilidade a demanda por seus produtos, e só então realmente produzí-los. 60 De forma comparativa, o risco maior encontra-se na Fazenda Recreio, que trabalha durante 12 meses do ano safra para produzir e pode deparar-se com cenário desfavorável, estocando seus produtos ou vendendo-os a preços que não cobrem seus custos, enquanto a Jacto só produz o que realmente prevê vender, num espaço muito mais curto do que o da cultura cafeeira. A empresa Jacto caminha na estruturação de planejamentos de longo prazo, de até dois anos, o que podemos caracterizar de extrema importância, uma vez que se trata da antecipação da sobrevivência e alicerce para tomada estratégica de decisão de curto e médio prazo, a fim de alterar ou alcançar mercados e cenários futuros. Como sugestão para a Fazenda Recreio, a empresa deveria planejar as atividades da safra de modo completo, de forma a antecipar possíveis problemas no decorrer do período, de forma flexível capaz de assumir caminhos diferentes que garantam maior e melhor eficiência e eficácia do sistema cafeeiro. A empresa Jacto já procura criar Planejamento de Longo prazo, porém, ainda não possui nada bem definido. Avaliando-se a estrutura da empresa, é de extrema importância a rápida avaliação e criação da visão de Planejamento de longo prazo, para que todos os esforços do presente sejam forças capazes de criar vantagem competitiva futura. De forma conclusiva, é possível visualizar a diferença tecnológica entre as empresas, enquanto a Máquinas Agrícolas Jacto S/A trabalha com a sofisticação em termos tecnológicos, como software SAP, a Fazenda Recreio não dispõe deste recurso, porém, em cada realidade estão preparadas para atender as necessidades e buscar melhorias de eficiência e eficácia nos processos. De qualquer forma, fica claro a necessidade da utilização do Planejamento, Programação e Controle da Produção nas suas diversas ferramentas, adequando-as a cada 61 situação, dando subsidio para a manutenção da qualidade de processos e produtos, otimizando a utilização dos recursos disponíveis dentro do ambiente interno e externo. 62 REFERÊNCIAS CERVO, AMADO LUIZ. Metodologia Científica. São Paulo: Prentice Hall, 2002. CHIAVENATO, IDALBERTO. Iniciação ao Planejamento e Controle da Produção. São Paulo: McGraw-Hill, 1990. CORRÊA, HENRIQUE L.; GIANESI, IRINEU G. N.; CAON, MAURO. Planejamento, Programação e Controle da Produção MRPII/ERP. 4ª ed. São Paulo: Atlas, 2002. EDITORA GAZETA. Anuário Brasileiro do Café 2007. Disponível em: <http://www.anuarios.com.br/port/anuario_capa.php?idAnuario=7>. Acesso em: 29 nov. 2007. GITMAN, LAWRENCE J. Princípios de Administração Financeira. São Paulo: Harbra, 2002. KÖCHE, JOSÉ CARLOS. Fundamentos de metodologia científica: teoria da ciência e prática da pesquisa. Petrópolis: Vozes, 1997. MÁQUINAS AGRÍCOLAS JACTO S/A. Principais Produtos. Disponível em: <http//www.jacto.com.br>. Acesso em: 13 out. 2007. MARTINS, PETRÔNIO GARCIA. Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais. São Paulo: Saraiva, 2002. MARTINS, PETRÔNIO GARCIA; LAUGENI, FERNANDO P. Administração da Produção. São Paulo: Saraiva, 2006. SOFFER, MORRIS et al. Modernas Técnicas de Planejamento e Controle da Produção – Volume I. Salvador - BH: EDEB, 1973. 63 SLACK, NIGEL; CHAMBERS, STUART; HARLAND, CHRISTINE; HARRISON, ALAN e JOHNSTON, ROBERT. Administração da Produção. São Paulo: Atlas, 2002. 64 ANEXO 65 Anexo A C.G.C. : 55.064.562/0001-90. Senhores acionistas, Em cumprimento às disposições legais e estatutárias, a administração de Máquinas Agrícolas Jacto S. A., submete à apreciação de V.Sas. , o Balanço Patrimonial, Demonstração de Resultados, Origens e Aplicações de Recursos, Mutações Patrimoniais e Notas Explicativas, tudo relacionado com as operações da sociedade referente ao exercício findo em 31 de dezembro de 2003. Salientamos que as presentes demonstrações foram elaboradas obedecendo os preceitos legais e, colocamo-nos à disposição de V.Sas. para qualquer esclarecimento julgado necessário. Pompéia S.P., 19 de Fevereiro de 2.004. Shiro Nishimura - Diretor Presidente. Balanço Patrimonial em 31 de Dezembro de 2003. ATIVO 2003 2002 Circulante Disponibilidade Contas a receber de clientes Estoques Outros realizáveis 21.448.862,00 115.613.414,00 62.113.352,00 86.577.841,00 12.139.302,00 50.843.164,00 40.751.418,00 69.192.844,00 Total do Ativo Circulante 285.753.469,00 172.926.728,00 PASSIVO Circulante Fornecedores Provisões diversas Salários e contribuições a pagar Impostos a recolher Outros exigíveis Total do Realizável a Longo Prazo 5.309.004,00 5.821.154,00 2.181.943,00 0,00 11.130.158,00 2.181.943,00 Permanente Investimentos Imobilizado 18.731.991,00 61.047.732,00 18.495.000,00 46.563.715,00 Total do Permanente 79.779.723,00 65.058.715,00 376.663.350,00 240.167.386,00 TOTAL DO ATIVO 2002 14.240.992,00 11.090.962,00 11.687.985,00 30.130.593,00 41.296.172,00 12.584.294,00 3.552.945,00 6.041.161,00 12.430.288,00 18.741.370,00 108.446.704,00 53.350.058,00 Exigível a Longo Prazo 0,00 0,00 Resultado do Exercício Futuro 0,00 320.735,00 40.000.000,00 32.268.599,00 13.322.419,00 182.625.628,00 268.216.646,00 40.000.000,00 29.141.538,00 11.028.091,00 106.326.964,00 186.496.593,00 Total do Passivo Circulante Realizável a Longo Prazo Depósitos p/ incentivos fiscais Depósitos judiciais 2003 Patrimonio Líquido Capital social Reservas de capital Reservas de lucro Lucros acumulados Total do Patrimonio Líquido TOTAL DO PASSIVO 376.663.350,00 240.167.386,00 66 Anexo B C.G.C. : 55.064.562/0001-90. DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO. DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS. 2003 2002 2.003 2.002 Origens Vendas brutas ( - ) Impostos e encargos s/ vendas ( - ) Devoluções de vendas Vendas líquidas Custo dos produtos vendidos 654.298.846,00 72.188.570,00 8.035.545,00 574.074.731,00 289.643.473,00 378.694.441,00 43.778.464,00 5.332.271,00 329.583.706,00 168.452.951,00 Lucro Bruto 284.431.258,00 161.130.755,00 Despesas Operacionais Despesas com vendas Despesas de administração geral Participação empregados no lucro Despesas e receitas financeiras Resultado equival. patrimonial Outras receitas operacionais Lucro Operacional Receitas não operacionais Despesas não operacionais Contribuição social 63.725.819,00 39.283.385,00 6.553.449,00 (18.689.383,00) 40.651.334,00 29.306.720,00 3.474.750,00 9.727.791,00 1.087.846,00 4.448.269,00 340.638,00 4.103.878,00 161.715.337,00 5.017.833,00 3.928.615,00 15.162.941,00 82.414.676,00 5.411.415,00 4.592.975,00 7.616.365,00 Lucro antes do Imposto de Renda Imposto de Renda 147.641.614,00 41.331.167,00 75.616.751,00 21.152.925,00 Lucro do Exercício Número de ações do capital social Lucro por Ação 106.310.447,00 59.735.716 1,780 54.463.826,00 59.735.716 0,912 Lucro líquido do exercício Depreciações do imobilizado Baixas líquidas do imobilizado Incentivos fiscais Resultado de Exercícios Futuros Alienações de Bens do Imobilizado Total oriundo das operações 106.310.447,00 8.675.015,00 435.919,00 3.127.066,00 0,00 3.902.499,00 122.450.946,00 54.463.826,00 7.090.106,00 (219.379,00) 0,00 320.735,00 5.036.229,00 66.691.517,00 Total das origens 122.450.946,00 66.691.517,00 Aumento do imobilizado Aplicações em investimentos Aumento realizável a longo prazo Resultado equivalência patrimonial Ajuste exercício anterior Distribuição de dividendos Total das aplicações 26.587.863,00 379.475,00 8.948.215,00 1.087.846,00 5.362.760,00 22.354.695,00 64.720.854,00 8.811.597,00 431.100,00 (189.850,00) 340.638,00 2.036.211,00 9.949.790,00 21.379.486,00 Aumento do capital circulante 57.730.094,00 45.312.031,00 Total 122.450.948,00 66.691.517,00 Capital circulante início do exercício Capital circulante final do exercício 119.576.670,00 177.306.764,00 74.264.639,00 119.576.670,00 57.730.094,00 45.312.031,00 Aplicações Aumento do capital circulante 67 Anexo C C.G.C. : 55.064.562/0001-90. DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES PATRIMONIAIS. Capital Social Capital Realizado Saldo contábil em 31.12.2001. Ajuste exercício anterior Distribuição de dividendos Resultado do exercício - lucro. Saldo contábil em 31.12.2002. Incentivos fiscais-ir Distribuição de dividendos Ajuste exercício anterior Resultado do exercício - lucro. Saldo contábil em 31.12.2003. Reservas de Capital Correção Monetária do Capital Reservas Incentivos Fiscais Reservas de Lucros Reservas Legais Lucros Acumulados 40.000.000,00 26.612.096,00 2.529.444,00 8.257.286,00 40.000.000,00 26.612.096,00 2.529.444,00 2.770.805,00 11.028.091,00 66.619.945,00 (2.036.211,00) (9.949.790,00) 51.693.021,00 106.326.965,00 2.294.328,00 13.322.419,00 (22.354.695,00) (5.362.760,00) 104.016.119,00 182.625.629,00 3.127.060,00 40.000.000,00 26.612.096,00 5.656.504,00 Total 144.018.771,00 (2.036.211,00) (9.949.790,00) 54.463.826,00 186.496.596,00 0,00 (19.227.635,00) (5.362.760,00) 106.310.447,00 268.216.648,00 68 Anexo D NOTAS EXPLICATIVAS C.G.C. : 55.064.562/0001-90. As depreciações são calculadas pelo método linear e taxas admitidas pela legislação em vigor. 01) A Equivalência Patrimonial foi elaborada em conformidade com os dispositivos legais. Custo corrigido 02) Os valores com prazo de realização e liquidação até 360 dias estão classificados no Ativo e Passivo Circulante. 03) Os estoques estão avaliados em conformidade com a legislação em vigor. Contas 2003 2002 Produtos acabados Produtos em processo Matérias primas e materiais 25.222.953,00 12.742.426,00 24.147.974,00 15.472.515,00 8.746.469,00 16.532.434,00 Total 62.113.353,00 40.751.418,00 04) Os empréstimos compulsórios, títulos e valores mobiliários e os investimentos, estão demonstrados ao custo de aquisição acrescido da corre ção monetária até 31.12.95., de acordo com a legislação em vigor. 05) O Ativo Imobilizado está demonstrado ao custo de aquisição ou contrução menos as depreciações acumuladas, corrigidas monetariamente até 31.12.95. Máquinas Agrícolas Jacto S. A. Pompéia S.P., 31 de dezembro de 2003. Terrenos e benfeitorias Edifícios e construções Máquinas, mot. e inst. industriais Ferramentas, matr. e instr. medição Veículos e equipamentos transportes Móveis, utens. e instal. escritório Equipamentos de informática 20% Imobilizados em andamento 2003 1.748.983,00 26.211.122,00 51.288.728,00 13.788.985,00 3.024.128,00 7.749.666,00 5.378.599,00 4.980.638,00 1.632.722,00 21.303.020,00 42.178.681,00 12.577.490,00 4.114.964,00 5.712.681,00 4.101.769,00 2.420.398,00 114.170.849,00 94.041.725,00 Depreciações acumuladas Edifícios e construções Máquinas, mot. e inst. industriais Ferramentas, matr. e instr. medição Veículos e equipamentos transportes Móveis, utens. e instal. escritório Equipamentos de informática 20% 9.138.640,00 26.087.185,00 10.193.884,00 1.461.387,00 3.156.934,00 3.085.086,00 7.389.268,00 23.121.124,00 9.242.439,00 2.262.973,00 2.708.822,00 2.753.384,00 Total 53.123.116,00 47.478.010,00 Total 06) Os efeitos inflacionários foram reconhecidos, pela aplicação da corre ção monetária até 31.12.95. sobre as contas do Ativo Permanente e do Patrimônio Liquido, pelos índices estabelecidos pelo govêrno. Sérgio Sartori - Diretor Pesquisa e Desenvolvimento. Shiro Nishimura - Diretor Presidente. Chikao Nishimura - Diretor Vice-Presidente. 2002 Romildo Zamariolli - CPF. 073.300.908-59. Técnico em Contabilidade - CRC-SP. 1SP 087757/0-6.