Universidade Federal de Pelotas Centro de Pesquisas Epidemiológicas Faculdade de Medicina - Departamento de Medicina Social Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia – Departamento de Enfermagem CAA – DAB – SAS – MINISTÉRIO DA SAÚDE Monitoramento e Avaliação do Projeto de Expansão e Consolidação da Saúde da Família (PROESF) Relatório Final Estudo de Linha de Base Pelotas, RS Luiz Augusto Facchini Roberto Xavier Piccini Elaine Tomasi Elaine Thumé Denise Silva da Silveira Vanessa Andina Teixeira Setembro de 2006 UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS Reitor: Antônio Cesar Gonçalves Borges Vice-Reitor: Telmo Pagana Xavier Pró-Reitor de Graduação: Luiz Fernando Minello Pró-Reitor de Extensão e Cultura: Vitor Hugo Manzke Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Graduação: Alci Enimar Loeck Pró-Reitor Administrativo: Francisco Carlos Luzzardi Pró-Reitor de Planejamento e Desenvolvimento: Elio Paulo Zonta Diretor da Faculdade de Medicina: Farid Iunan Butros Nader Diretor da Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia: Emília Nalva Ferreira da Silva Chefe do Departamento de Medicina Social: Anaclaudia Gastal Fassa Chefe do Departamento de Enfermagem: Afra Suelene de Souza Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia: Aluisio J. D. Barros Coordenador do Centro de Pesquisas Epidemiológicas: Cesar Gomes Victora Presidente da Fundação Delfim Mendes Silveira: Antonio Costa de Oliveira Projeto de Monitoramento e Avaliação do Programa de Expansão e Consolidação da Saúde da Família (PROESF): Relatório Municipal do Estudo de Linha de Base de Pelotas – Lote 2 Sul / Luiz Augusto Facchini ... [et al.]. – Pelotas: Universidade Federal de Pelotas, 2006. 100p. : il. 1. Saúde Pública – Brasil – Administração 2. Programa de Saúde da Família 3. Atenção Básica - Avaliação. I. Facchini, Luiz Augusto. II. Piccini, Roberto Xavier. III. Tomasi, Elaine. IV. Thumé, Elaine. V. Silveira, Denise Silva da. VI Teixeira, Vanessa Andina. CDD 362.109 Maria de Fátima S. Maia CRB 10/134 EQUIPE TÉCNICA DO PROJETO Coordenação Geral Luiz Augusto Facchini Roberto Xavier Piccini Elaine Tomasi Elaine Thumé Organização do Relatório Luiz Augusto Facchini Roberto Xavier Piccini Elaine Tomasi Elaine Thumé Denise Silva da Silveira Maria de Fátima dos Santos Maia Alitéia Santiago Dilélio Vanessa Andina Teixeira Thiago Garcia Martins Turene Bastos Coordenação de Trabalho de Campo Fernando Vinholes Siqueira Coordenação de Processamento de Dados Denise Silva da Silveira Elaine Tomasi Coordenação Executiva Maria de Fátima dos Santos Maia Alessander Osório Mercedes Lucas Coordenação do Estudo Qualitativo Luciane Prado Kantorski Rita Heck Vanda Maria da Rosa Jardim Equipe Técnica do Estudo Qualitativo Luciane Prado Kantorski Vanda Maria da Rosa Jardim Emília Nalva Ferreira da Silva Valéria Christello Coimbra Michele Mandagará Oliveira Equipe de Apoio do Estudo Qualitativo Fernanda Barreto Mielke Sidnei Teixeira Junior Ana Paula Giacomelli Tavares Gimene Cardozo Braga Rebeca Castilhos Gabriel Pereira Apoio de Informática Alessander Osório Filipe da Silva Ribeiro Codificação de Dados Augusto Duarte Faria Desirée Fripp Luciane Scherer Pahim Maria Aparecida Rodrigues Turene Bastos Suelen dos Santos Saraiva Vanessa Teixeira Suele Silva Danton Duro Filho Alitéia Santiago Dilélio Digitação Alisson Morales Ary Morales Neto Carla da Cruz Teles Daniel de Souza Pereira Emanuele Braga Fabiana de Souza Pereira Thiago Garcia Martins Controle de qualidade Vera Vieira Helena Souza van der Laan Susete Aschidamini Ferreira Supervisores do Trabalho de Campo Alitéia Santiago Dilélio Arilson da Rosa Catiúscia Souza Cleonice Valadão Danton Duro Filho Janaína dos Santos João Luis Rosado Michele Padilha Rodrigues Maria Márcia Ambrósio Patrícia Mendonça Raquel Barboza Sandra de Souza Silvia da Costa Suele Silva Vanessa Teixeira Professores Colaboradores José Justino Faleiros Anaclaudia Gastal Fassa Fábio Lima Gabriela Lobata Helen Denise Gonçalves da Silva Alunos voluntários e bolsistas de Iniciação Científica dos Cursos de Medicina e Enfermagem da UFPel e de Psicologia da UCPel Clarissa de Souza Cardoso Emanuela Maria Dalvit Helena Souza van der Laan Inês Soria Alvaro Jeanine Porto Brondani Lorielle Soares Wachs Mariangela Uhlmann Soares Escrever é sempre ocultar algo de modo que possa ser descoberto. Ítalo Calvino AGRADECIMENTOS Este projeto é o resultado de um esforço coletivo de professores, técnicos e alunos vinculados ao Departamento de Medicina Social da Faculdade de Medicina, ao Departamento de Enfermagem da Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia, ao Centro de Pesquisas Epidemiológicas e ao Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia. A equipe destaca o reconhecimento a esta parceria, fundamental para o êxito do Projeto. Igualmente se externa a gratidão ao apoio e estímulo recebidos de um grande número de pessoas que, em diferentes âmbitos, institucionais, administrativos e acadêmicos, viabilizaram o desenvolvimento do Projeto. Agradecimentos especiais e em particular são destinados a: Antonio César Borges, reitor da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), André Luiz Haack, ex-reitor da UFPel, Francisco Luzzardi, pró-reitor de administração e sua equipe de trabalho, Antonio Costa de Oliveira, presidente, José Carlos Fernandes Filho e Sérgio Luis Ribeiro dos Santos, colegas do setor de administração da Fundação Delfim Mendes da Silveira, Anaclaudia Fassa, chefe, e colegas do Departamento de Medicina Social, Emília Nalva Ferreira, diretora, e colegas da Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia, Afra Suelene de Souza, chefe, e colegas do Departamento de Enfermagem, Renato Moreira, Dalvina Bueno de Almeida, Luis Cleber Wilke, Jorge Augusto Rollo Cardozo, Fabiane dos Santos Luiz, Odete Almeida, Vera Lucia Govea da Silveira e demais funcionários da Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia, Cesar Victora, diretor, e colegas do Centro de Pesquisas Epidemiológicas, Aluísio Barros, coordenador, e colegas do Programa de Pós-Graduação em Epidemiologia, Eronildo Felisberto, coordenador, e equipe da Coordenadoria de Avaliação e Acompanhamento do Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Maria do Carmo Leal, coordenadora, e colegas do Grupo de Acompanhamento do Estudo de Linha de Base do PROESF, junto ao Ministério da Saúde. É digna de especial registro a gratidão à professora Emília Nalva Ferreira, diretora da Faculdade de Enfermagem e Obstetrícia e aos colegas do Departamento de 7 Enfermagem pelo acolhimento na área física que a equipe deste Projeto ocupa hoje nesta Unidade de Ensino. A iniciativa da professora Emília e colegas oportunizou a participação de sua unidade no cotidiano das inúmeras atividades técnicas e administrativas de um Projeto de grande porte. Externa-se ainda entusiásticos agradecimentos a gestores e coordenadores de atenção básica e de saúde da família dos Estados e Municípios de Pelotas, representantes do controle social, trabalhadores das unidades básicas de saúde, agentes comunitários de saúde, população entrevistada e todos aqueles que participaram do Projeto fornecendo informações e contribuindo para a realização do trabalho. 8 SUMÁRIO LISTA DE SIGLAS .................................................................................................. 11 LISTA DE TABELAS .............................................................................................. 13 APRESENTAÇÃO ................................................................................................... 15 RESUMO .................................................................................................................. 17 1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................19 2 METODOLOGIA ....................................................................................................21 2.1 Delineamento do Estudo de Linha de Base (ELB) ............................................... 21 2.2 Amostra e Amostragem do ELB .......................................................................... 23 2.2.1 Amostra de UBS............................................................................................... 23 2.2.2 Amostra de profissionais de saúde .................................................................. 23 2.3 Amostra de usuários: demanda atendida nas UBS................................................ 23 2.2.4 Amostra de população da área de abrangência das UBS.................................. 24 2.3 Trabalho de Campo no Município: Logística e Instrumentos de Fonte Primária... 24 2.4 Levantamento de Dados em Fontes Secundárias.................................................. 27 2.5 Processamento dos Dados.................................................................................... 28 2.5.1 Recepção e classificação dos instrumentos...................................................... 29 2.5.2 Identificação e constituição dos lotes .............................................................. 29 2.5.3 Bancos de Dados Estruturados........................................................................ 30 2.6 Controle de Qualidade......................................................................................... 30 2.7 Análise dos Dados............................................................................................... 31 3 RESULTADOS .......................................................................................................33 3.1 Contexto.............................................................................................................. 33 3.1.1 Situação Demográfica e Socioeconômica de Pelotas ....................................... 33 3.1.2 Amostra de Unidades Básicas de Saúde.......................................................... 34 3.1.3 Amostra de Profissionais de Saúde ................................................................. 34 3.1.3.1 Distribuição dos Profissionais por Modelo de Atenção............................... 34 3.1.3.2 Situação Demográfica e Socioeconômica dos Profissionais........................ 35 3.1.4 Amostra da Demanda Atendida nas Unidades Básicas de Saúde ..................... 35 3.1.4.1 Distribuição da Demanda por Unidade Básica de Saúde............................. 35 3.1.5 Amostra Populacional da Área de Abrangência das Unidades Básicas de Saúde ................................................................................................................................ 36 3.1.5.1 Distribuição da População.......................................................................... 36 3.1.5.2 Situação Demográfica e Socioeconômica da População da área de Abrangência das UBS............................................................................................ 36 3.2 Dimensão Político-Institucional........................................................................... 39 3.2.1 Projeto de Governo ....................................................................................... 41 3.2.1.1 Tipo de Gestão Municipal, Índice de Aprendizado Institucional e Cobertura do Programa de Saúde da Família. .......................................................................41 3.2.1.2 Adequação Setorial e dos Modelos de Atenção para o Funcionamento do Sistema Municipal de Saúde.................................................................................. 42 3.2.1.3 Critérios na definição de áreas de abrangência das UBS e na implantação do Programa de Saúde da Família............................................................................... 42 3.2.1.4 Características do emprego e da remuneração dos trabalhadores da Atenção Básica.................................................................................................................... 42 3.2.2 Capacidade de governo................................................................................... 43 3.2.2.1 Perfil do Secretário Municipal de Saúde..................................................... 43 3.2.2.2 Perfil do Coordenador de Atenção Básica e / ou do Programa de Saúde da Família .................................................................................................................. 43 3.2.2.3 Perfil do Presidente do Conselho Municipal de Saúde................................ 43 3.2.2.4 Perfil dos Trabalhadores das Unidades Básicas de Saúde ........................... 44 3.2.3 Governabilidade ............................................................................................. 46 3.2.3.1 Despesas per capita com saúde................................................................... 46 3.2.3.2 Financiamento da Atenção Básica nos Municípios ..................................... 46 3.2.3.3 Apoio a Projetos de Atenção Básica à Saúde e de Saúde da Família........... 47 3.2.3.4 Características do Conselho Municipal de Saúde........................................ 47 3.3 Dimensão Organizacional da Atenção ................................................................. 48 3.3.1 Práticas de gestão da ABS .............................................................................. 48 3.3.1.1 Mecanismos de supervisão, monitoramento e avaliação da atenção básica à saúde ..................................................................................................................... 49 3.3.1.2 Estratégias de controle e regulação da demanda ......................................... 49 3.3.1.3 Informação e Informatização na Rede Básica Municipal ............................ 50 3.3.1.4 Sistemas de Informação em Saúde ............................................................. 50 3.3.2 Práticas de Oferta de Serviços no Município................................................... 50 3.3.2.1 Estrutura da rede básica de saúde ............................................................... 50 3.3.2.2 Disponibilidade de Profissionais do PSF .................................................... 54 3.3.2.3 Acesso aos serviços básicos de saúde......................................................... 54 3.3.2.4 Acesso aos serviços especializados ............................................................ 55 3.3.2.5 Adstrição da demanda................................................................................ 55 3.3.2.6 Vínculo com instituições de ensino ............................................................ 56 3.3.2.7 Assistência farmacêutica............................................................................ 56 3.3.3 Experiências inovadoras em atenção básica à saúde........................................ 56 3.4 Dimensão do Cuidado Integral ............................................................................ 57 3.4.1 Estratégias de indução da integralidade........................................................... 57 3.4.1.1 Atividades realizadas na UBS para o cuidado integral ................................ 57 3.4.1.2 Acesso direto a exames complementares.................................................... 58 3.4.1.3 Disponibilidade de medicamentos.............................................................. 59 3.4.1.4 Utilização de protocolos............................................................................. 60 3.4.1.5 Utilização de computador pelos profissionais............................................. 62 3.4.1.6 Qualidade dos serviços prestados ............................................................... 62 3.4.1.7 Acesso a publicações ................................................................................. 62 3.4.2 Processo de trabalho em atenção básica à saúde.............................................. 63 3.4.2.1 Introdução ao processo de trabalho em ABS .............................................. 63 3.4.2.2 A categoria processo de trabalho................................................................ 63 3.4.2.3 Etapas do processo de trabalho em atenção básica à saúde ......................... 64 3.4.2.4 Satisfação dos trabalhadores com as condições de trabalho ........................ 67 3.5 Dimensão Desempenho do Sistema de Saúde ...................................................... 68 3.5.1 Desempenho do Município de Pelotas ............................................................ 68 3.5.1.2 Indicadores Selecionados e Pacto da Atenção Básica à Saúde .................... 68 3.5.2 Desempenho dos Modelos de Atenção Básica à Saúde.................................... 72 3.5.2.1 Perfil da Demanda Atendida nas UBS........................................................ 72 3.5.2.2 Utilização de Serviços na População de Abrangência da UBS.................... 74 3.5.2.2.1 Crianças ................................................................................................74 3.5.2.2.2 Mulheres ...............................................................................................80 3.5.2.2.3 Adultos .................................................................................................85 3.5.2.2.4 Idosos....................................................................................................90 4 AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DA ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE EM PELOTAS ..................................................................................................................97 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................99 10 LISTA DE SIGLAS AB – Atenção Básica ABS – Atenção Básica à Saúde ACS – Agente Comunitário de Saúde CID-10 – Classificação Internacional de Doenças - 10ª. Revisão CMS – Conselho Municipal de Saúde CNES – Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde CONASEMS – Conselho Nacional de Secretários Municipais de Saúde DEGES / SEGETS – Departamento de Gestão da Educação em Saúde / Secretaria de Gestão da Educação e Trabalho em Saúde ELB – Estudo de Linha de Base ESF – Equipe de Saúde da Família GLAS – Grupo Local de Avaliação em Saúde IDH – Índice de Desenvolvimento Humano MS – Ministério da Saúde PROESF – Projeto de Expansão e Consolidação do Saúde da Família PSF – Programa de Saúde da Família RH – Recursos Humanos RM – Região Metropolitana SF – Saúde da Família SM – Salário Mínimo SIAB – Sistema de Informações da Atenção Básica SIA – Sistema de Informações Ambulatoriais SMS – Secretaria Municipal de Saúde SUS – Sistema Único de Saúde TC – Trabalho de Campo UBS – Unidade Básica de Saúde USF – Unidade de Saúde da Família UERGS – Universidade Estadual do Rio Grande do Sul UFPEL – Universidade Federal de Pelotas 11 12 LISTA DE TABELAS Tabela 3.1 Tabela 3.2 Tabela 3.3 Tabela 3.4 Tabela 3.5 Tabela 3.6 Tabela 3.7 Tabela 3.8 Tabela 3.9 Tabela 3.10 Tabela 3.11 Tabela 3.12 Tabela 3.13 Tabela 3.14 Tabela 3.15 Tabela 3.16 Tabela 3.17 Tabela 3.18 Tabela 3.19 Tabela 3.20 Tabela 3.21 Indicadores demográficos e socioeconômicos para o município de Pelotas, o estado do Rio Grande do Sul e Brasil. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Distribuição da amostra de profissionais de saúde atividade profissional em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Renda média mensal dos profissionais em saúde estudados em Pelotas e no Lote 2 Sul. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Condições de habitação das crianças, mulheres, adultos e idosos estudados em Pelotas por modelo de atenção. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Escolaridade dos profissionais em saúde estudados em Pelotas, por modelo de atenção. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005.. Cursos de capacitação realizados pelos profissionais das Unidades Básicas de Saúde estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicadores de financiamento do sistema de saúde para o município de Pelotas e para o Lote 2 Sul. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Estruturas adequadas entre as Unidades Básicas de Saúde estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Utilização de protocolos para as ações desenvolvidas pelas Unidades Básicas de Saúde estudadas em Pelotas e no Lote 2 Sul. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Acesso dos profissionais estudados a publicações do Ministério da Saúde nas Unidades Básicas de Saúde de Pelotas e no Lote 2 Sul. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Médias alcançadas em relação à satisfação dos profissionais de saúde em uma escala de 0 a 10 em Pelotas e no Lote 2 Sul. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicadores de desempenho do sistema de saúde de para o município de Pelotas, Rio Grande do Sul e Brasil. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicadores do Pacto da Atenção Básica de 2002 relativos à saúde da criança para o município de Pelotas, Rio Grande do Sul e Brasil. Estudo de Linha de Base, PROESF–UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicadores do Pacto da Atenção Básica de 2002 relativos à saúde da mulher para o município de Pelotas, Rio Grande do Sul e Brasil. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicadores do Pacto da Atenção Básica de 2002 relativos a doenças crônicas para o município de Pelotas, Rio Grande do Sul e Brasil. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicadores do Pacto da Atenção Básica de 2005 relativos à saúde bucal para o município de Pelotas, Rio Grande do Sul e Brasil. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Participação dos profissionais no atendimento à demanda no município de Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Condições de nascimento das crianças de Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Características do acompanhamento de puericultura das crianças estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Características do estado vacinal das crianças estudadas em Pelotas, de acordo com o registro do cartão de vacinas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Prevalência de diarréia no último mês e características das consultas pelo problema das crianças estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. pág. 33 pág. 34 pág. 35 pág. 37 pág. 45 pág. 46 pág. 47 pág. 51 pág. 60 pág. 62 pág. 68 pág. 69 pág. 69 pág. 70 pág. 71 pág. 71 pág. 73 pág. 74 pág. 76 pág. 77 pág. 78 13 Tabela 3.22 Tabela 3.23 Tabela 3.24 Tabela 3.25 Tabela 3.26 Tabela 3.27 Tabela 3.28 Tabela 3.29 Tabela 3.30 Tabela 3.31 Tabela 3.32 Tabela 3.33 Tabela 3.34 Tabela 3.35 Tabela 3.36 Tabela 3.37 Tabela 3.38 Tabela 3.39 Prevalência de pneumonia nos últimos 6 meses e características das consultas pelo problema das crianças estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Características das consultas por outros motivos além de diarréia e pneumonia das crianças estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, 2005. Características do pré-natal das mulheres estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Orientações sobre aleitamento fornecidas no pré-natal realizado na Unidade Básica de Saúde da área de abrangência em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Utilização de métodos anticoncepcionais pelas mulheres estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Características da consulta ginecológica no último ano das mulheres estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Prevenção do câncer de colo uterino nas mulheres estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Consultas por outros motivos além do ginecológico das mulheres estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Atividade física dos adultos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Hipertensão Arterial Sistêmica nos adultos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Diabetes Mellitus nos adultos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Problemas de nervos nos adultos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Prevenção do câncer de colo uterino nas mulheres da amostra de adultos de Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Atividade física dos idosos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Hipertensão Arterial Sistêmica nos idosos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Diabetes Mellitus nos idosos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Problemas de nervos nos idosos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Necessidades de cuidado domiciliar dos idosos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. pág. 79 pág. 80 pág. 81 pág. 82 pág. 83 pág. 84 pág. 84 pág. 85 pág. 85 pág. 86 pág. 88 pág. 89 pág. 90 pág. 91 pág. 92 pág. 94 pág. 95 pág. 96 14 APRESENTAÇÃO O relatório apresenta os resultados do Estudo de Monitoramento e Avaliação do Projeto de Expansão e Consolidação do Saúde da Família (PROESF) no município de Pelotas incluído na amostra do Lote 2 Sul, coordenado e financiado nacionalmente pelo Ministério da Saúde. O ELB, através de uma abordagem epidemiológica, avaliou a atenção básica à saúde em suas dimensões político-institucional, organizacional da atenção, cuidado integral e desempenho do sistema. Os resultados enfatizam o recorte utilizado no ELB e descrevem os achados sobre a atenção básica no Município estabelecendo uma avaliação do Estudo no Município de Pelotas. 15 16 RESUMO O Projeto de Monitoramento e Avaliação do PROESF no Lote 2 Sul, sob responsabilidade da Universidade Federal de Pelotas, foi iniciado em fevereiro de 2005, incluindo 21 municípios de mais de 100 mil habitantes dos estados de Rio Grande do Sul1 e Santa Catarina2. O Estudo de Linha de Base utilizou um delineamento transversal e incluiu a coleta de dados primários no município. Em Pelotas o estudo foi realizado em nove dias. O trabalho de campo abrangeu a entrevista com o Presidente de Conselho Municipal de Saúde e o Coordenador de Atenção Básica/ PSF e a coleta de dados documentais. Em relação aos instrumentos do âmbito da UBS, a caracterização da estrutura alcançou os nove serviços amostrados. Também foram coletadas informações de 196 profissionais de saúde, o que corresponde a uma média de 22 profissionais por UBS. O somatório da avaliação da demanda de um dia típico de trabalho das UBS estudadas, totalizou 1782 atendimentos, o que corresponde a uma média de 198 atendimentos por dia por UBS. Na amostra populacional, foram entrevistadas 118 crianças (73% do estimado); 107 mulheres (66% do estimado); 115 adultos (71% do esperado) e 98 idosos (60% do esperado). Na média foram aplicados cerca de 12 questionários em cada estrato da amostra populacional de cada UBS. O processamento e análise dos dados foram concluídos em dezembro de 2005. O controle de qualidade foi realizado, por telefone, mediante aplicação de questionários reduzidos alcançando cerca de 5% dos domicílios selecionados para a amostra populacional. Os indicadores demográficos e socioeconômicos de Pelotas são iguais ou melhores quando comparados aos do Brasil. A grande maioria da população da área de abrangência das UBS de Pelotas residia em moradias adequadas. A inclusão no estrato social E foi em torno de 30%. Pelotas mostrou um aprendizado institucional baixo, cobertura de PSF de 16% sem um aumento do número de UBS, refletindo mais uma tímida conversão de modelo do que expansão da rede no Município. O ingresso por concurso público foi de 60% entre os trabalhadores da rede básica e o trabalho tipicamente precário (sem garantias trabalhistas) alcançou 8% dos trabalhadores da atenção básica estudados em Pelotas. O gestor municipal não respondeu ao instrumento específico para emitir as informações inerentes ao cargo. Dois terços dos profissionais de saúde de Pelotas consideraram a qualidade dos serviços prestados nas UBS como boa ou muito boa. A ABS em Pelotas apresenta um desempenho semelhante a média do Lote, embora seus problemas tenham sido um pouco maiores do que o revelado pelo conjunto dos municípios avaliados e suas desvantagens necessitem de uma importante atenção, no sentido de ampliar e qualificar esta atenção à população local. A complexidade do estudo e sua abrangência não impediram o cumprimento adequado do cronograma previsto. A qualidade da equipe técnica envolvida nas diversas atividades do estudo e a participação dos representantes dos municípios deve ser destacada como razões fundamentais para o bom andamento do Projeto. Este resultado também se deveu ao apoio recebido do Ministério da Saúde, com especial destaque para a Coordenação de Acompanhamento e Avaliação do Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Atenção à Saúde e o Grupo de Acompanhamento dos Estudos de Linha de Base. 1 Municípios do Rio Grande do Sul: Alvorada, Bagé, Cachoeirinha, Canoas, Caxias do Sul, Gravataí, Novo Hamburgo, Passo Fundo, Pelotas, Porto Alegre, Rio Grande, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Uruguaiana e Viamão. 2 Municípios de Santa Catarina: Chapecó, Criciúma, Florianópolis e Lages. 17 18 1 INTRODUÇÃO O Projeto Integrado de Capacitação e Pesquisa em Avaliação da Atenção Básica à Saúde, sob responsabilidade do Departamento de Medicina Social, do Departamento de Enfermagem e do Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel), está vinculado ao Componente 3 (Monitoramento e Avaliação) do Projeto de Expansão e Consolidação do Saúde da Família (PROESF) do Ministério da Saúde (MS), incluindo a totalidade dos 21 municípios dos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul do Lote 2 Sul, contando com a participação de gestores e de trabalhadores de saúde. A pesquisa através do Estudo de Linha de Base (ELB) incluiu quatro dimensões orientadoras da avaliação da atenção básica: político-institucional, organizacional da atenção, cuidado integral e desempenho do sistema de saúde (Ministério da Saúde, 2004). Através de abordagem epidemiológica se avaliou o quanto as exposições ao PROESF e ao PSF afetam a variabilidade dos indicadores de cobertura, desempenho do sistema de saúde e situação de saúde da população, estabelecendo uma referência para avaliações e acompanhamentos futuros. Os municípios estudados estão recebendo apoio à Conversão do Modelo de Atenção Básica à Saúde, buscando estruturar a Estratégia Saúde da Família como porta de entrada do SUS e viabilizar o acesso a outros níveis de complexidade, para assegurar assistência integral aos usuários (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2004). Este processo foi analisado como uma intervenção, cujos efeitos no presente podem ser observados em municípios e população estratificados por estado da federação, porte populacional, região metropolitana e modelo de atenção básica à saúde. Os efeitos históricos da intervenção poderão ser observados em um segundo tempo, através da repetição do estudo. O ELB corresponde ao primeiro tempo de uma avaliação prospectiva sobre a ABS e o PSF, mas também de uma análise da intervenção do PROESF na reorientação do modelo de ABS. 19 A epidemiologia foi o eixo que estruturou a abordagem do ELB, orientando a articulação complexa entre as dimensões sob estudo e os níveis de análise empírica. As dimensões político-institucional, organizacional da atenção, cuidado integral e desempenho do sistema foram tomadas como categorias abstratas da avaliação e hierarquizaram conceitualmente as variáveis estudadas, enquanto os níveis de análise hierarquizaram as variáveis, conforme sua operacionalização nas diversas fontes de informação, primárias e secundárias, quantitativas e qualitativas, individuais e coletivas. Este relatório apresenta a metodologia e os resultados do ELB no Município de Pelotas, RS. A metodologia detalha as diversas etapas do estudo, desde seu delineamento e o planejamento do trabalho de campo, até o processamento e a análise dos dados. Os resultados enfatizam os recortes utilizados no ELB e descreve os achados sobre a atenção básica no Município, contrastando com indicadores do Estado do RS e do país. 20 2 METODOLOGIA 2.1 Delineamento do Estudo de Linha de Base (ELB) O delineamento é um meio de garantir relações válidas de causa e efeito entre as variáveis em estudo (SUSSER, 1996). Os delineamentos ideais na avaliação de programas ou serviços de saúde dependem da natureza dos programas e da precisão das estimativas a serem obtidas. Estudos transversais são excelentes para avaliações de adequação da cobertura ou qualidade de serviços, mas também podem ser utilizados em avaliações de plausibilidade na comparação de modelos ou programas de saúde (HABICHT, 1999, SANTOS, 2004; VICTORA, 2004). Na área da saúde pública, estudos observacionais que testem a efetividade das intervenções sob condições de rotina são mais adequados do que ensaios randomizados. Para que seus resultados forneçam subsídios para as políticas de saúde, os estudos não randomizados precisam ser alvo de tanta atenção quanto a que tem sido dedicada, nos últimos anos, aos estudos randomizados (SANTOS, 2004; VICTORA, 2004). A declaração TREND é uma iniciativa recente que busca contribuir para esse fim, ao definir uma série de normas para o delineamento e divulgação de estudos observacionais de avaliação de programas e serviços de saúde (DES JARLAIS, 2004). O ELB segue os fundamentos dos estudos transversais, com grupos de comparação, utilizando medidas com múltiplos níveis de agregação, em relação às diferentes dimensões observadas (ROTHMAN, 1998). O estudo também pode ser caracterizado como multicêntrico de efetividade e linha de base para determinar o impacto do PROESF/ PSF nos indicadores de desempenho do sistema de saúde e de situação de saúde da população, incluindo todos os 21 municípios. O delineamento do estudo procurou minimizar o viés de seleção incluindo a totalidade dos municípios e amostras proporcionais de unidades básicas de saúde do Lote 2 Sul, juntamente com uma complexa estratificação de variáveis independentes para o estabelecimento de comparações (DES JARLAIS, 2004; ROTHMAN, 1998). 21 O delineamento transversal foi qualificado tanto através da estratificação das UBS segundo o modelo de atenção (Tradicionais e PSF), quanto pela possibilidade de controlar o efeito do PSF, estratificando suas UBS conforme o período de implantação, anterior ou posterior a intervenção do PROESF. No caso de Pelotas foram selecionadas três UBS Tradicionais e seis de PSF (cinco UBS pré-PROESF e uma pós-PROESF). A obtenção de informações estruturadas para o âmbito da gestão, do controle social, das unidades básicas de saúde, dos usuários e da população também enriqueceu o delineamento do estudo, especialmente com a inclusão de questões abertas que qualificaram as questões fechadas que predominam na abordagem epidemiológica. A coleta de dados secundários de bases nacionais também foi outro aspecto do delineamento do estudo que complementou a abordagem transversal do objeto. As variáveis selecionadas caracterizaram as dimensões político-institucional, organizacional da atenção, cuidado integral e desempenho do sistema. A dimensão político-institucional examina principalmente os aspectos relativos à gestão do SUS e da ABS. Seu âmbito é fundamentalmente o do agregado do município. Neste âmbito, os modelos de atenção são caracterizados como políticas, ilustradas por diferenças históricas e conjunturais na cobertura populacional. A dimensão organizacional da atenção caracteriza aspectos da gestão da ABS e do PSF, mas aproxima seu olhar da UBS e dos fluxos entre os níveis de atenção do SUS. Neste âmbito, a dicotomia entre os modelos de ABS, tradicional e PSF, passa a se materializar nas práticas de gestão e a oferta de serviços básicos e especializados. Este é o âmbito do detalhamento e constituição das políticas de saúde e, particularmente, da reorientação do modelo de atenção básica à saúde. A dimensão do cuidado integral focaliza a UBS, suas práticas e recursos na abordagem das necessidades de saúde da população. Examina as estratégias de indução da integralidade e o processo de trabalho na ABS. Por fim, a dimensão desempenho do sistema analisa a utilização dos serviços de ABS e a situação de saúde da população, permitindo observar as diferenças tanto para os agregados geopolíticos, quanto para os modelos de ABS. 22 2.2 Amostra e Amostragem do ELB O universo para este recorte do estudo é constituído pelo município de Pelotas. Neste universo foi realizada uma amostra estratificada por múltiplos estágios para selecionar unidades básicas de saúde, profissionais de saúde, usuários e indivíduos residentes na área de abrangência dos serviços (LEMESHOW, 1990; LEVY, 1980; LWANGA, 1991). 2.2.1 Amostra de UBS Tomando-se uma lista de UBS fornecida pelo município foram sorteadas aleatoriamente nove UBS, que orientaram a seleção das amostras de profissionais de saúde, usuários e população da área de abrangência dos serviços. Foram incluídas seis UBS do PSF e três Tradicionais. 2.2.2 Amostra de profissionais de saúde Em cada UBS se procurou entrevistar todos os trabalhadores de saúde em atividade. Foram incluídos tanto os profissionais de saúde de nível superior (médicos, enfermeiros e outros de nível superior), quanto os profissionais de nível médio (auxiliares de enfermagem, recepcionistas, ect) e os ACS. 2.3 Amostra de usuários: demanda atendida nas UBS Em relação à amostra de usuários, a estratégia amostral foi registrar todos os atendimentos de um dia de trabalho em cada UBS selecionada, incluindo aqueles realizados por ACS. A base de registro utilizada foi a Ficha de Atendimento Ambulatorial (FAA) do SUS, documento utilizado cotidianamente nas UBS para efeitos gerenciais e contábeis. Utilizou-se um formulário-espelho, que continha todas as informações da FAA e facilitava a digitação eletrônica dos dados. As informações sobre a avaliação da demanda estão mais detalhadas no item de instrumentos do estudo e na seção de Resultados do ELB. 23 2.2.4 Amostra de população da área de abrangência das UBS A amostra populacional foi dividida em 4 grupos, crianças de um a três anos de idade, mulheres que tiveram filhos nos últimos dois anos, adultos entre 30 e 64 anos de idade e idosos a partir dos 65 anos de idade. Estes indivíduos foram localizados na área de abrangência de cada uma das UBS, através de amostragem sistemática. Para compor a amostra do Lote 2 Sul, selecionou-se cerca de 2100 indivíduos em cada um dos grupos, cujo tamanho era suficiente para examinar diferenças de 25 a 30% entre os modelos de atenção das UBS (PSF x Tradicional), com um poder estatístico de 80% e prevalências dos desfechos de no mínimo 25%. Estes parâmetros permitiram avaliar diferenças na utilização de serviços de saúde, realização de procedimentos preventivos e acompanhamento de atividades programáticas. Esta amostra foi dividida pelo número de UBS selecionadas (120) resultando em um número de 18 entrevistas a serem realizadas para cada grupo populacional da área de abrangência de cada uma delas. 2.3 Trabalho de Campo no Município: Logística e Instrumentos de Fonte Primária O trabalho de campo em Pelotas iniciado em 15 de março de 2005 e concluído em 23 de março de 2005 foi realizado por uma equipe de 15 supervisores criteriosamente selecionados e capacitados para o desenvolvimento de cada uma das etapas do trabalho de campo. A pactuação de uma agenda de trabalho de campo com o Município foi uma das estratégias utilizadas para operacionalizar o cronograma estabelecido. O apoio recebido do gestor, coordenação de atenção básica e de saúde da família, representantes do controle social, trabalhadores das unidades básicas de saúde, agentes comunitários de saúde e população entrevistada foram fundamentais para a realização do trabalho. A capacitação e a motivação do grupo de supervisores também foram extremamente relevantes para o sucesso deste trabalho. Apresenta-se a seguir o detalhamento da logística no trabalho de campo para cada um dos instrumentos utilizados na coleta de dados primários. Os instrumentos estão disponíveis da página do PROESF-UFPEL na Internet e são de livre acesso – http://www.epidemio-ufpel.org.br/proesf/index.htm 24 a. Gestor e Coordenador de Atenção Básica e PSF Os dados referentes ao gestor (questionário não preenchido pelo gestor de Pelotas) e coordenador foram coletados através de questionário auto-aplicado destinado a registrar informações demográficas, de formação profissional e experiência na gestão, além de caracterizar os aspectos político-institucionais da ABS e do PSF no município. Depois de preenchidos, os instrumentos foram enviados á coordenação do Projeto para revisão, codificação e digitação na sede do estudo na cidade de Pelotas. b. Entrevista com o Presidente do Conselho Municipal de Saúde Para a aplicação deste instrumento foi solicitado o agendamento prévio da entrevista realizada por um supervisor do TC. c. Processo de Trabalho Este instrumento foi preenchido em reuniões nas unidades básicas amostradas, após a convocação por parte dos coordenadores das UBS. Os trabalhadores presentes no dia da reunião discutiam os aspectos da organização do trabalho, as atividades realizadas, os responsáveis por sua realização, os instrumentos e insumos utilizados, além de identificar os principais problemas do processo de trabalho e sugestões de melhoria. d. Estrutura da UBS O instrumento para captar informações sobre a estrutura da UBS era fundamentalmente fechado e poderia ser preenchido coletivamente em uma reunião de equipe, ou por um responsável pela UBS, com o apoio de pessoas-chave nos diversos setores. A tarefa foi realizada durante o TC na UBS. Enquanto realizavam o levantamento de informações populacionais na área de abrangência, os supervisores apoiaram o responsável na UBS pelo instrumento. e. Equipe de saúde O questionário individual auto-aplicado era dirigido a todos os trabalhadores lotados na UBS, incluindo profissionais de nível superior, médio e ACS. As questões eram todas estruturadas e predominantemente fechadas, mas várias questões abertas foram utilizadas para qualificar a informação quantitativa. O instrumento da equipe de saúde foi distribuído pelos supervisores às UBS, juntamente com os demais questionários. Durante o TC na UBS, os supervisores orientaram o preenchimento e 25 motivaram os trabalhadores a participar do estudo. Depois de preenchidos, os instrumentos foram recolhidos pelos supervisores e enviados para revisão, codificação e digitação na sede do estudo na cidade de Pelotas. f. Demanda da UBS – PACOTAPS Utilizando um formulário baseado na Ficha de Atendimento Ambulatorial (FAA) do SUS, todos os atendimentos de um dia de trabalho na UBS foram registrados, incluindo os agentes comunitários de saúde. Estes formulários foram digitados no software PACOTAPS (TOMASI, 2003), capaz de identificar a dimensão do acesso da população aos serviços, a qualidade do registro das atividades, produzir análises sobre o perfil demográfico e epidemiológico da demanda de unidades básicas de saúde. O software é de fácil utilização por indivíduos sem conhecimentos prévios de informática e epidemiologia e possibilita delinear com maior nitidez o perfil da demanda, avaliar os serviços ao longo do tempo, comparar serviços entre si, em momentos determinados, de acordo com as demandas do espaço de gestão. Permite ainda, identificar com precisão e atualidade através de seus relatórios, informações sobre o gênero, os grupos etários, os principais motivos de consulta, os medicamentos mais prescritos, os exames mais solicitados e os encaminhamentos realizados. O software foi distribuído ao município e os representantes das SMS e das UBS foram capacitados para sua utilização na avaliação dos serviços básicos. Este aplicativo também pode ser obtido na página do Projeto na Internet no endereço citado anteriormente. g. Amostra Populacional Foram realizadas entrevistas individuais, domiciliares, com questionários estruturados, abordando questões relevantes para o estudo em amostras independentes de crianças, mulheres, adultos e idosos. As questões eram todas estruturadas e predominantemente fechadas, mas também havia questões abertas para qualificar as respostas fechadas. Para a caracterização socioeconômica das amostras, foram utilizadas a renda per capita em salários mínimos e a classificação da ANEP /ABIPEME (RUTTER, 1988), esta última composta de informações sobre a escolaridade do chefe da família, da disponibilidade de empregada mensalista e sobre a posse de bens eletrodomésticos. 26 Para a aferição de alcoolismo (adultos), foi utilizado o teste CAGE (MASUR, 1983; SOINBELMAN, 1992), composto de quatro questões, sendo mais de duas afirmativas um indicador de dependência de bebida alcoólica. As entrevistas foram realizadas por supervisores selecionados e capacitados especialmente para estas atividades pela equipe técnica do projeto. A amostra populacional foi localizada na área de abrangência da UBS, que foi o ponto inicial para a coleta de dados. Todos os domicílios do percurso seguido a partir da UBS até os limites da área foram visitados em busca dos indivíduos elegíveis de acordo com o grupo populacional. A baixa densidade de indivíduos elegíveis em cada domicílio facilitou a distribuição da amostra por toda a área de abrangência da UBS, minimizando as possibilidades de viés de seleção ou efeito de cluster nas amostras (ROTHMAN, 1998). Assim, se procedeu à inclusão consecutiva dos domicílios para a composição da amostra. Caso em um domicílio não residisse o indivíduo com as características requeridas, passava-se ao seguinte, respeitando a orientação do deslocamento pela área de abrangência. Nos domicílios selecionados, somente um indivíduo elegível (crianças, mulheres que tiveram filho nos últimos dois anos, adultos e idosos) foi convidado a participar do estudo, explicando-se a sua finalidade e apresentando termo de consentimento informado. Nos domicílios em que se encontraram duas crianças ou duas mulheres elegíveis, a mais jovem foi entrevistada. Para os adultos e idosos esta regra se inverteu, sendo elegível o mais velho. 2.4 Levantamento de Dados em Fontes Secundárias Integrando o Estudo de Linha de Base do PROESF, foram sistematizados para o município, o Estado, o Lote e o país, dois conjuntos de informações oriundas de bases nacionais disponíveis (Ministério da Saúde, DATASUS, IBGE, etc.). O primeiro conjunto diz respeito aos 34 indicadores do Pacto da Atenção Básica, instrumento de monitoramento e avaliação do desempenho da atenção básica por parte do Ministério da Saúde (2003). 27 O segundo conjunto de informações está baseado nos Indicadores de Monitoramento da Expansão do PSF em Grandes Centros Urbanos, de Julho de 2002, trabalho coordenado pela Dra. Ana Luiza D’Ávila Viana (2002). Do total dos indicadores propostos, foi selecionado para análise um conjunto que fornece informações de acordo com três eixos: 1. Perfil epidemiológico e sócio-demográfico da população; 2. Financiamento da saúde, da atenção básica e do PSF; 3. Organização da assistência, do cuidado e desempenho do sistema. 2.5 Processamento dos Dados A complexidade da avaliação da atenção básica no âmbito do PROESF requer que o conhecimento produzido seja baseado em informações as mais fidedignas possíveis. Até traduzir-se em informações, todos os dados coletados durante o trabalho de campo são objeto de um conjunto de atividades, sistemática e rigorosamente encadeadas. Estas atividades vão desde a recepção e classificação dos instrumentos até as análises mais complexas e informativas. Uma das peculiaridades do nosso estudo sobre a atenção básica no Brasil é a extensa e variada gama de abordagens e instrumentos utilizados: dados quantitativos e qualitativos, dados primários e secundários, dados com foco na gestão municipal da saúde, dados com foco nas unidades básicas e dados com foco na população residente na área de abrangência da UBS. Cada uma destas categorias se relaciona com as demais, o que imprime um alto grau de complexidade a todas as tarefas de preparar estes dados para análise. As atividades relacionadas ao processamento dos dados oriundos dos diferentes instrumentos do estudo estão descritas em ordem cronológica e seqüencial. Em seguida, são apresentados os diferentes bancos de dados, agregados por tipos de instrumentos. Estão disponibilizados na página do Projeto na Internet os materiais de apoio ao processamento dos dados, especialmente construídos para o estudo. 28 2.5.1 Recepção e classificação dos instrumentos Os instrumentos completados no trabalho de campo entravam no processamento por município, na mesma ordem da realização da coleta de dados. Uma vez “na bancada de trabalho”, os diferentes instrumentos eram separados por tipo para identificação. 2.5.2 Identificação e constituição dos lotes Nesta fase, o questionário recebia um identificador numérico único. Para os questionários da população da área de abrangência da UBS e dos profissionais, o identificador possuía sete algarismos: um para o Estado, dois para o município, dois para a UBS e dois para o entrevistado. Para os questionários da estrutura e do processo de trabalho na UBS, o identificador possuía cinco algarismos: um para o Estado, dois para o município e dois para a UBS. Para os questionários do nível municipal, o identificador era de três algarismos: um para o Estado e dois para o município. Para o estudo de demanda, cujo instrumento é a “ficha-espelho” da Ficha de Atendimento Ambulatorial, a identificação era dada pelo código da UBS junto ao Sistema de Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SIA – SUS). Para cada conjunto de instrumentos do mesmo tipo e da mesma UBS era constituído um lote de questionários, obedecendo a uma numeração seqüencial utilizada no formulário “capa de lote”. Neste formulário, eram registrados os números de identificação de cada questionário do lote, além do município, UBS, total de questionários, data e responsável pelo fechamento do lote. Para cada município, foram sistematizados os totais de cada instrumento efetivamente completados no trabalho de campo, excluídas as perdas e recusas. Estes números eram registrados em uma planilha do processamento por município e UBS, denominada “Listagem de Controle de Lote”. Esta rotina dava início ao processamento propriamente dito, com a seguinte seqüência de tarefas para os questionários populacionais e dos profissionais: • codificação de questões fechadas • tabulação de questões abertas • codificação de questões abertas • revisão final 29 • digitação A primeira folha de cada questionário recebia um carimbo com a seqüência das tarefas acima citadas para registro de data e responsável. 2.5.3 Bancos de Dados Estruturados a.Questionários populacionais, estrutura de UBS e profissionais de saúde. Para os questionários populacionais (crianças, mulheres, adultos e idosos), da estrutura da UBS e dos profissionais foram criados bancos de dados no EPI-INFO, que permite validação da entrada de dados para amplitude e consistência das variáveis. b. Demanda ambulatorial As fichas-espelho do estudo de demanda foram inicialmente contadas e revisadas. Para cada procedimento era identificado um código na Tabela de Procedimentos do SIA-SUS e para cada diagnóstico era identificado um código na Classificação Internacional de Doenças – 10ª. Revisão (CID-10). Para facilitar o trabalho de codificação, foram identificados os códigos de maior utilização, o mesmo acontecendo com os códigos da CID-10 para os diagnósticos. A seguir, as fichas-espelho eram digitadas no aplicativo PACOTAPS, uma ferramenta desenvolvida pela equipe (TOMASI, 2003) para subsidiar o planejamento e a avaliação de serviços básicos de saúde. c. Processo de trabalho, Gestor Municipal, Coordenador da Atenção Básica e Presidente do Conselho Municipal de Saúde. Todas as questões abertas destes instrumentos foram digitadas em programa de edição de textos para posterior análise. Para as questões fechadas (pré-codificadas) foram criados bancos de dados no EPI-INFO, a exemplo dos instrumentos populacionais, da estrutura da UBS e dos profissionais de saúde. 2.6 Controle de Qualidade O controle de qualidade foi realizado, por telefone, mediante aplicação de questionários reduzidos para alcançar, no mínimo, 5% dos domicílios selecionados. 30 Estes questionários eram compostos por perguntas-chave para identificar possíveis erros ou respostas falsas. Para tanto, foi sorteado um questionário relativo a cada grupo populacional investigado (criança, mulher, adulto e idoso) por Unidade Básica de Saúde. Para padronizar e qualificar a coleta dos dados do controle de qualidade, uma pessoa especialmente treinada para este fim, realizou o contato telefônico. Não existindo a possibilidade de contato telefônico com a pessoa sorteada, uma busca pelo endereço ou pela respectiva UBS, era realizada na tentativa de localizar e coletar os dados do entrevistado, não havendo, portanto, substituição para evitar possíveis viéses. Para checagem imediata da consistência das informações, através de uma planilha, algumas respostas referidas pelo entrevistado no contato feito pelo supervisor eram comparadas com as repostas referidas no momento da aplicação do questionário de controle de qualidade. Esta medida facilitava a detecção precoce de possíveis erros na coleta dos dados e possibilitava a intervenção imediata junto ao supervisor do trabalho de campo. A atividade de controle de qualidade era supervisionada diariamente por um dos membros da equipe. Ao final, foi realizada a checagem da consistência das informações através do índice de concordância de Kappa (LANDIS, 1977). Os resultados do controle de qualidade para a totalidade dos municípios estão disponíveis no Relatório Final do Lote 2 Sul, na página do Projeto na Internet. 2.7 Análise dos Dados Digitados no programa EPI-INFO 6.04b, os bancos de dados foram exportados através do aplicativo STAT TRANSFER 5.0 para o pacote estatístico SPSS 10.0 para Windows, utilizado para as análises. Inicialmente, procedeu-se às análises descritivas, verificando a distribuição dos casos em cada variável. Nas comparações também foram considerados os achados do Lote 2 Sul, Estado e país. Em continuação, as variáveis de interesse foram analisadas segundo o modelo de UBS, buscando-se identificar padrões de desempenho em serviços do PSF e Tradicionais. 31 32 3 RESULTADOS 3.1 Contexto 3.1.1 Situação Demográfica e Socioeconômica de Pelotas Em 2000, Pelotas possuía 323.158 habitantes. Seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) era de 0,816, semelhante ao do estado do RS (0,814) e superior ao do Brasil (0,766). Também em relação ao RS e ao Brasil, apresentava maior proporção de idosos, de alfabetizados e de água encanada. Taxa bruta de natalidade, expectativa de vida, proporção de menores de cinco anos, proporção de pobres e de esgoto, tiveram índices que variaram entre os do RS e do Brasil (Tabela 3.1). Tabela 3.1 - Indicadores demográficos e socioeconômicos para o município de Pelotas, o estado do Rio grande do Sul e Brasil. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas RS Brasil IDH-2000 0,816 0,814 0,766 Taxa bruta de natalidade 17,4 14,9 17,5 Expectativa de vida 71,6 72,1 68,6 % de menores de 5 anos 8,2 8,4 9,7 % de idosos 11,8 10,4 8,5 % de pobres 21,7 19,7 32,8 % de alfabetizados 91,1 90,6 83,3 % de água encanada 90,3 78,9 75,8 % de esgoto 39,1 26,3 44,4 33 3.1.2 Amostra de Unidades Básicas de Saúde As UBS de Pelotas selecionadas para o estudo foram cinco do PSF pré-PROESF (Arco Íris, Barro Duro, Getúlio Vargas, Navegantes e Simões Lopes), uma do PSF pósPROESF (Bom Jesus) e três Tradicionais (Cohab Tablada II, Fraget e PAM Fragata). 3.1.3 Amostra de Profissionais de Saúde Durante a avaliação das nove UBS foram estudados 196 profissionais de saúde, sendo 37 médicos (19%), 18 enfermeiros (9%), 18 outros profissionais de nível superior (9%), 26 auxiliares e técnicos de enfermagem (13%), 60 agentes comunitários de saúde (31%) e 37 outros profissionais de nível médio (19%) - (Tabela 3.2). Tabela 3.2 - Distribuição da amostra de profissionais de saúde por atividade profissional em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Atividade profissional Pelotas (%) Médicos 19 Enfermeiros 9 Outros profissionais de nível superior 9 Auxiliares e técnicos de enfermagem 13 Agentes comunitários de saúde 31 Outros profissionais de nível médio 19 3.1.3.1 Distribuição dos Profissionais por Modelo de Atenção Em relação ao modelo de atenção, 111 (57%) profissionais estavam vinculados à UBS do PSF pré-PROESF, 40 (20%) à do PSF pós-PROESF e 45 (23%) às Tradicionais. 34 3.1.3.2 Situação Demográfica e Socioeconômica dos Profissionais A amostra foi formada por 156 (80%) profissionais do sexo feminino e 39 (20%) do sexo masculino. A proporção de mulheres foi maior nas UBS do PSF (83%) do que nas Tradicionais (71%). A média de idade foi de 37,5 anos, sendo menor nas UBS do PSF (36,4) do que nas UBS Tradicionais (41,0 anos). A renda bruta mensal referida pelos trabalhadores relaciona-se exclusivamente ao emprego na UBS e foi classificada de acordo com a formação e nível de escolaridade. A renda bruta mensal dos trabalhadores de saúde entrevistados em Pelotas foi inferior à média observada no Lote 2 Sul, com exceção à renda média dos médicos que foi similar à observada no Lote (Tabela 3.3). Tabela 3.3 - Renda média mensal dos profissionais em saúde estudados em Pelotas e no Lote 2 Sul. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Atividade profissional Pelotas (R$) Lote 2 Sul (R$) Médicos 2.341,23 2.749,66 Enfermeiros 1.797,85 2.050,41 Demais profissionais de nível superior 1.315,06 2.326,44 Auxiliares e técnicos de enfermagem 603,00 859,08 Demais profissionais de nível médio 389,60 534,40 Agentes Comunitários de Saúde 366,66 381,99 3.1.4 Amostra da Demanda Atendida nas Unidades Básicas de Saúde 3.1.4.1 Distribuição da Demanda por Unidade Básica de Saúde. Para o estudo da demanda foram registrados 1782 atendimentos realizados pelos profissionais das UBS amostradas, em um dia de trabalho. Em relação ao modelo de atenção, 1086 (61%) atendimentos foram realizados nas UBS do PSF e 696 (39%) nas UBS Tradicionais. 35 3.1.5 Amostra Populacional da Área de Abrangência das Unidades Básicas de Saúde 3.1.5.1 Distribuição da População As amostras populacionais selecionadas nas áreas de abrangência das UBS totalizaram 118 crianças de um a três anos, 107 mulheres que tiveram filhos nos dois últimos anos, 115 adultos entre 30 e 64 anos e 98 idosos com 65 anos e mais. 3.1.5.2 Situação Demográfica e Socioeconômica da População da área de Abrangência das UBS a. Condições de habitação A presença de água encanada dentro de casa beneficiava 98% dos domicílios de adultos, 100% dos idosos, 88% das mulheres e 92% das crianças. A proporção de banheiro no domicílio foi de cerca de 91% para as crianças, 96% para as mulheres, 99% para os adultos e de 100% para os idosos. A totalidade dos domicílios de adultos e idosos, 99% dos de mulheres e 98% dos domicílios das crianças dispunha de recolhimento do lixo domiciliar por caminhão de serviço municipal. Residências de tijolo com / sem reboco, mistas (madeira e tijolo) e com madeira regular foram consideradas adequadas, enquanto aquelas construídas de madeira irregular e papelão, lata ou lona foram classificadas de inadequadas. A proporção de construção adequada foi de 98% nas residências de adultos, 97% nas de mulheres, 99% nas de idosos e 92% nas de crianças. A média de pessoas por domicílio de crianças e mulheres foi de 4,8 (dp = 1,8 e 2,0, respectivamente). No caso dos adultos esta média foi 3,7 (dp = 1,6) e nos idosos 2,9 (dp = 1,9). A concentração de sete ou mais pessoas por domicílio foi identificada em 13% da amostra de crianças, 15% de mulheres, 5% de adultos e 6% de idosos. Foi observado que 11% dos adultos e 16% dos idosos referiram morar desacompanhado. A Tabela 3.4 descreve as prevalências dos indicadores estudados em cada grupo populacional por modelo de UBS. Em geral, as condições de moradia eram melhores para as áreas das UBS Tradicionais. 36 Tabela 3.4 - Condições de habitação das crianças, mulheres, adultos e idosos estudados em Pelotas por modelo de atenção. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Crianças Mulheres Adultos Idosos PSF Tradicional PSF Tradicional PSF Tradicional PSF Tradicional Água encanada no domicílio (%) 91 95 97 100 98 100 100 100 Banheiro no domicílio (%) 89 95 97 95 99 100 100 100 Recolhimento do lixo por caminhão (%) 97 100 99 100 100 100 100 100 56 95 65 84 98 100 97 88 4,8 4,6 4,9 4,6 3,6 3,8 3,2 2,4 Construção adequada (%) Pessoas por domicílio (média) a. Perfil das Crianças e Mães Na amostra de 118 crianças, 48% (n = 56) eram do sexo masculino e a idade média foi de 28,3 meses (dp = 10,1), variando de 12 a 47 meses. A proporção de crianças brancas foi de 61% (n = 71), de pardas 15% (n = 18) e de negras 24% (28), sendo a primeira maior nas áreas de UBS do PSF (73%; n = 29) e a última nas áreas das UBS Tradicionais (31%; n = 24). As mães das crianças estudadas tinham idade média de 27 anos (dp = 6,8), variando de 16 a 49 anos. Em relação à escolaridade dessas mães, 56% (n = 63) possuíam primeiro grau incompleto, 22% (n = 25) primeiro grau completo e 22% (n = 24) segundo grau completo ou mais. Entre as UBS do PSF a proporção de mulheres com segundo grau completo foi de 11% (n = 8) e entre as UBS Tradicionais de 40% (n = 16). A renda média per capita da amostra foi de 0,4 salário mínimo (SM), sendo de 0,3 SM nas áreas do PSF e de 0,6 SM nas de UBS Tradicionais. Pouco mais de um terço (38%; n = 45) destas mães e crianças estavam incluídas nos estratos A, B e C agregados, 28% (n = 33) pertencia ao D e 34% (n = 40) ao E, com 37 maior proporção de mães e crianças no estrato A, B e C nas UBS Tradicionais (60%; n = 24) e no estrato E entre as UBS do PSF (44%; n = 34). b. Perfil das Mulheres Na amostra de 107 mulheres, 62% (n = 66) eram brancas, sendo semelhante entre as áreas por modelo de atenção. A idade média das entrevistadas foi de 27,2 anos (dp = 7,6), variando de 15 a 45 anos. A proporção de menores de 20 anos foi de 17% (n = 18), em maior proporção nas áreas de UBS Tradicionais (18%; n = 7). Entre as mulheres, 55% (57) não havia completado o primeiro grau, 26% (n = 27) possuía o 2º grau incompleto e 19% (n = 20) tinha o segundo grau completo ou mais. A proporção de mulheres com o 2º grau completo ou mais foi maior nas áreas de UBS Tradicionais (23%; n = 9), quando comparadas as do PSF (17%; n = 11). A renda mensal média da amostra foi de 0,5 SM, de 0,4 SM entre as mulheres residentes em áreas do PSF e de 0,6 SM nas UBS Tradicionais. A exemplo da amostra de crianças, os grupos sociais A,B e C foram agregados. Mais de um terço das mulheres (37%; n = 39) foram classificadas nos grupos B e C, 39% (n = 41) no grupo D e 24% (n = 26) no grupo E. A proporção do grupo social menos favorecido (E) foi maior nas UBS do PSF (27%; n = 18). c. Perfil dos Adultos Na amostra de 115 adultos, a idade média era de 47 anos (dp = 8,6), variando de 30 a 64 anos. Deste total, 59% (n = 68) eram mulheres, em maior proporção nas áreas de UBS Tradicionais (64%; n = 21); 70% (n = 81) eram de cor branca, também em maior freqüência na abrangência das UBS Tradicionais; e, 65% (n = 75) eram casados ou viviam com companheiro (66% nas áreas do PSF e 64% nas UBS Tradicionais). A quase totalidade dos adultos sabia ler e escrever (94%; n = 108), sendo a proporção maior na área das UBS Tradicionais (97%; n = 32). A renda média per capita dos adultos foi de 0,9 SM, observando-se maior renda média entre os adultos da amostra que residiam em áreas de abrangência das UBS Tradicionais (1,2 SM) do que nas do PSF (0,8 SM). Na distribuição por grupo social, identificaram-se 13% nos estratos A e B, 28% no C, 36% no D e 23% no E. De acordo com o modelo de atenção, as áreas de UBS do 38 PSF registraram maior representatividade da população adulta entrevistada no estrato E, (29%; n = 22), em comparação com as de UBS Tradicionais (9%; n = 3). Mais da metade dos adultos (62%; n = 71) informou trabalho remunerado no último mês, situação superior nas áreas das UBS do PSF (65%; n = 53) do que nas Tradicionais (55%; n = 18). Das pessoas que trabalhavam 51% (n = 36) eram empregadas, 42% (n = 30) autônomas e 7% (n = 5) empregadores. d. Perfil dos Idosos Na amostra de 98 idosos, em termos do perfil demográfico, a idade média foi de 74,3 anos (dp = 8,1), variando de 65 a 104 anos. Deste total, 67% (n = 66) eram mulheres, com distribuição semelhante por modelo de UBS; 70% (n = 69) eram de cor branca, também com freqüências semelhantes entre as áreas das UBS do PSF e Tradicionais; e, a maioria era viúvo (a) (49%; n = 48), sendo essas proporções também semelhantes entre os modelo de atenção. Cerca de metade da amostra dos idosos sabia ler e escrever (53%; n = 52) em proporção bastante superior nas áreas das UBS Tradicionais (74%; n = 25) do que nas do PSF (42%; n = 27). A renda média per capita dos idosos foi de 1,2 SM, sendo maior entre idosos residentes em área das UBS Tradicionais (1,3 SM) do que nas do PSF (1,1 SM). De acordo com a estratificação social, 30% (n = 26) dos idosos estavam no grupo B e C, 44% (n = 38) no D e 26% (n = 23) no E. Os estratos D e E juntos reuniram 70% (n = 61) da amostra de idosos, chegando a 74% (n = 46) entre residentes das áreas do PSF (60% nas UBS Tradicionais). A grande maioria (78%; n = 76) estava aposentada, em maior proporção nas áreas de UBS Tradicionais (79%; n = 27) do que nas do PSF (77%; n = 49) e a média de idade da aposentadoria foi de 60,6 anos (dp = 7,5) variando de 35 a 75 anos, sendo semelhante entre as áreas por modelo de atenção. 3.2 Dimensão Político-Institucional A dimensão político-institucional reúne alguns aspectos da conformação do modelo de atenção básica à saúde, com ênfase particular no desenvolvimento da gestão 39 municipal e nas estratégias de descentralização do SUS. Buscando dar historicidade ao recorte temporal do estudo, esta abordagem do processo de constituição da ABS no SUS utilizou as categorias centrais do planejamento estratégico de Matus (MATUS, 1997): projeto de governo, capacidade de governo e governabilidade. Planejar a ação política em uma perspectiva estratégica significa pensar um conjunto de atividades, com metodologia, objetivos e metas definidos. O Projeto de Governo procura caracterizar as bases materiais e históricas do SUS nos municípios do Lote, com especial ênfase para a atenção básica à saúde. Os atributos que qualificam um Projeto de Governo são os recursos disponíveis e passíveis de alcançar, o conhecimento acumulado sobre o tema, o poder necessário para desencadear as ações propostas, as chances de implantação e a possibilidade de sucesso. De modo simplificado, mas ilustrativo, estes atributos estão sintetizados na identificação da “maturidade” da gestão municipal (tipo de gestão, índice de aprendizado institucional, adequação institucional do sistema municipal de saúde, critérios na definição de áreas de abrangência das UBS e na implantação do PSF, características do emprego e da remuneração dos trabalhadores da atenção básica), da capacidade instalada da rede básica e do processo de conversão do modelo da atenção básica através do PSF. A Capacidade de Governo compreende o conhecimento institucional acumulado, o conjunto de saberes e técnicas disponíveis para operar o Projeto de Governo e a política setorial. Nesta categoria se identificam os recursos intelectuais mobilizados para a condução da ABS nos municípios, como por exemplo, o perfil do Secretário, do Coordenador da Atenção Básica ou do PSF, do Presidente do Conselho Municipal de Saúde e dos Profissionais das UBS. A Governabilidade descreve os fundamentos político-financeiros para efetivação das políticas de ABS, ou seja, recursos e margem de manobra política que, articulados à Capacidade de Governo, permitem transformar as intenções de um projeto em gestos ou ações concretas. A Governabilidade reúne mecanismos e instrumentos de poder (político, econômico) capazes de desencadear as decisões e os respectivos movimentos necessários para que os objetivos e as metas sejam alcançados. Neste estudo foram utilizados como indicadores de governabilidade as despesas per capita com saúde, o financiamento da atenção básica nos municípios, o apoio a projetos de atenção básica à saúde e de saúde da família e as características do Conselho Municipal de Saúde. 40 3.2.1 Projeto de Governo 3.2.1.1 Tipo de Gestão Municipal, Índice de Aprendizado Institucional e Cobertura do Programa de Saúde da Família. Pelotas encontra-se na modalidade de gestão plena do sistema municipal. Com o PSF implantado desde 2002, seu aprendizado institucional foi considerado baixo pela avaliação do Ministério da Saúde realizada em 2000. A cobertura de PSF passou de 2% em 2002 para 16% em 2004, com crescimento relativo de oito vezes no período (Figura 3.1). Figura 3.1 - Evolução da cobertura do Programa de Saúde da Família (PSF) nos municípios de mais de 100.000 habitantes do interior do Rio Grande do Sul, do Lote 2 Sul, de 1999 a 2005. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. 45 PROESF 40 39 Bagé 35 30 29,3 28,6 28,3 27,3 25 20 15 13,2 10 9,2 12,7 0 2000 0 2001 2 0 2002 13 5,6 5,5 6,1 5,9 1,6 0 2003 1,1 2004 Passo Fundo Pelotas Rio Grande 12,5 7,6 5,4 0 1999 14,1 13,4 19,2 17,9 16 9,9 5 0 12,7 22,1 20,9 20,8 Caxias do Sul Santa Cruz do Sul Santa Maria Uruguaiana 2005 Em 2002, o número de ESF instaladas no município era de 15, passando para 27 em 2004, o que representou cerca de 8% das ESF do Lote 2 Sul e 11% do RS. No Lote, o número de ESF implantadas em 2001 era 144 e, em 2001, 358. O número total de UBS de Pelotas, 50 em 2004, manteve-se inalterado no período de 2001 a 2004, indicando que o PSF está sendo uma tímida estratégia de conversão do modelo de atenção básica, mais do que de expansão da rede de UBS. 41 3.2.1.2 Adequação Setorial e dos Modelos de Atenção para o Funcionamento do Sistema Municipal de Saúde Não foi possível obter informações sobre a adequação dos diversos setores estudados (Vigilância Sanitária, Vigilância Epidemiológica, Controle, Avaliação, Auditoria e Regulação, Atenção Básica à Saúde, Programa de Saúde da Família, Assistência Farmacêutica e Recursos Humanos) assim como dos modelos de atenção para o funcionamento do sistema de saúde, a partir da percepção do gestor municipal, pois o mesmo não respondeu ao questionário. O Presidente do CMS considerou que os temas relacionados ao PSF, tais como, ampliação das equipes, questões de saúde bucal e saúde mental foram os mais discutidos no período de 2001 a 2004, e considerados como principais projetos aprovados. 3.2.1.3 Critérios na definição de áreas de abrangência das UBS e na implantação do Programa de Saúde da Família Não se têm informações para Pelotas por falta de preenchimento do instrumento do gestor municipal. 3.2.1.4 Características do emprego e da remuneração dos trabalhadores da Atenção Básica O ingresso por concurso público alcançou 61% (n = 117) dos trabalhadores da rede básica, sendo maior nas UBS Tradicionais (91%; n = 39) do que no PSF (52%; n = 78). A forma de contratação mais prevalente foi Estatutária (60%; n = 114), com predomínio entre os profissionais vinculados as UBS Tradicionais (91%; n = 38), seguida de CLT (33%; n = 33). O vínculo de trabalho tipicamente precário (sem garantias trabalhistas) alcançou 8% (n = 15) dos trabalhadores da atenção básica em Pelotas, com maior proporção em trabalhadores de UBS do PSF (8%; n = 12). Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS) foi referido por 18% (n = 32) dos profissionais entrevistados, destacando-se entre os trabalhadores do modelo Tradicional (21%; n = 7). 42 O pagamento em dia do salário foi informado por 95% (n = 186) dos profissionais de saúde de Pelotas, com distribuição semelhante por modelo de atenção, e o pagamento de incentivos por 27% (n = 52) dos trabalhadores, em maior proporção entre aqueles das UBS Tradicionais (39%; n = 17). Dos entrevistados 18% (n = 35) fizeram referência ao trabalho atual como primeiro emprego, com proporções semelhantes por modelo de atenção, enquanto que a freqüência de profissionais de saúde com outro emprego foi de 25% (n = 49), sendo maior para os lotados em UBS Tradicionais (48%; n = 21) do que nas UBS do PSF (19%; n = 28). O tempo médio de trabalho dos profissionais na prefeitura local foi de 64,9 meses (dp = 73,3) e na UBS atual de 40,1 (dp = 48,6), com médias superiores para os vinculados as UBS Tradicionais (95, 1 - dp = 91,9 e 60,1 - dp = 70,0, respectivamente). 3.2.2 Capacidade de governo 3.2.2.1 Perfil do Secretário Municipal de Saúde Não há informações para Pelotas por falta de preenchimento do instrumento do gestor municipal. 3.2.2.2 Perfil do Coordenador de Atenção Básica e / ou do Programa de Saúde da Família O coordenador da Atenção Básica à Saúde era do sexo masculino, enfermeiro, possuía pós-graduação e curso de aperfeiçoamento em outras áreas de saúde e idade de 39 anos. Exercia o cargo atual há cerca de dois meses, tendo anteriormente ocupado a coordenação em outra gestão por 12 meses. Tinha experiência prévia como profissional liberal na área da saúde. 3.2.2.3 Perfil do Presidente do Conselho Municipal de Saúde O presidente do CMS era do sexo feminino, tinha 38 anos de idade, havia completado 15 anos de estudo e não possuía curso de pós-graduação. Era Fonoaudióloga e representava o Conselho Regional de Fonoaudiologia. Atuava no 43 cargo há onze meses, desde o ano de 2001, e possuía experiência anterior em coordenar atividades coletivas (Campanha de Prevenção do Câncer de Laringe). 3.2.2.4 Perfil dos Trabalhadores das Unidades Básicas de Saúde As características de sexo, idade e renda dos 196 profissionais entrevistados nas nove UBS de Pelotas estão apresentadas no item 3.1.3.2, que aborda o perfil sociodemográfico da amostra estudada. Na perspectiva da capacidade de governo, estão enfatizados os aspectos relacionados à escolaridade, formação profissional, especialização e capacitação dos profissionais, fundamentais para o enfrentamento dos desafios cotidianos e estratégicos da ABS. Em relação à escolaridade superior, 41% (n = 96) dos trabalhadores de saúde tinha o curso completo e 6% (n = 14) incompleto. Concluíram o ensino médio 31% (n = 66) dos profissionais. Possuíam ensino médio incompleto 11% (n = 17) do total, fundamental completo 5% (n = 9) e fundamental incompleto 6% (n = 7). A Tabela 3.5 descreve a distribuição da escolaridade dos profissionais com relação aos modelos de atenção. Considerando as escolaridades concluídas, destacaramse as diferenças proporcionais de trabalhadores com ensino superior e médio completos entre os modelos de UBS, com freqüência maior da primeira nas UBS do modelo Tradicional e da segunda no PSF. Observou-se ainda que nas UBS do PSF não foram encontrados profissionais com escolaridade fundamental incompleta. 44 Tabela 3.5 - Escolaridade dos profissionais em saúde estudados em Pelotas, por modelo de atenção. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Escolaridade Pelotas PSF (%) Tradicional (%) Total (%) Superior completo 36 60 41 Superior incompleto 5 9 6 Ensino médio completo 34 22 31 Ensino médio incompleto 13 4 11 Fundamental completo 5 4 5 Fundamental incompleto 0 7 6 De um total de 57 profissionais com especialização, 13 (23%) haviam concluído especialização na área de saúde pública, saúde coletiva, ou saúde da família, com predomínio no PSF (31%; n = 11). Três profissionais possuíam mestrado e um doutorado. Entre os profissionais da Atenção Básica foi pesquisada a realização dos seguintes cursos de capacitação: Introdutório ao PSF, SIAB, Saúde da Criança, Saúde da Mulher, Saúde do Adulto, AIDPI, Diabetes, Hipertensão, DST/ AIDS, Hanseníase, Tuberculose e Imunizações. A Tabela 3.6 apresenta as proporções observadas em Pelotas e No Lote 2 Sul, na qual observa-se que a maioria dos índices são inferiores no município. 45 Tabela 3.6 - Cursos de capacitação realizados pelos profissionais das Unidades Básicas de Saúde estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Curso Pelotas (%) Lote 2 Sul (%) Introdutório ao PSF 47 52 SIAB 30 43 Saúde da Criança 51 52 Saúde da Mulher 49 54 Saúde do Adulto 22 42 AIDPI 12 24 Diabetes 44 51 Hipertensão 47 52 DST / AIDS 60 58 Hanseníase 23 42 Imunizações 44 56 Tuberculose 24 45 3.2.3 Governabilidade 3.2.3.1 Despesas per capita com saúde Para realizar as atividades do SUS a cada ano, Pelotas teve uma despesa média em saúde de R$ 171,58 por habitante. 3.2.3.2 Financiamento da Atenção Básica nos Municípios Em Pelotas 23% do PAB total estava vinculado às transferências federais do incentivo PACS / PSF. O PAB Fixo de Pelotas era de R$ 9,20 por habitante e 23% era a proporção de despesas com recursos humanos em relação às despesas totais em saúde. Eram aplicados em saúde 15,6% dos recursos próprios, de acordo com exigências da EC 29 (Tabela 3.7). 46 Tabela 3.7 - Indicadores de financiamento do sistema de saúde para o município de Pelotas e para o Lote 2 Sul. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas Lote 2 Sul PAB Fixo (R$ / habitante) 9,20 9,15 % Despesas Recursos Humanos 23,4 43,7 % Transferências PSF/ PACS no PAB total 22,8 19,2 % Recursos próprios aplicados em saúde (EC 29) 15,6 16,0 3.2.3.3 Apoio a Projetos de Atenção Básica à Saúde e de Saúde da Família As informações para Pelotas com relação a percepção do gestor sobre o apoio a projetos da atenção básica e PSF, tanto de parlamentares como do CMS e profissionais de saúde, foram comprometidas pela falta de preenchimento do instrumento destinado ao Secretário Municipal de Saúde. A satisfação com o vínculo de trabalho foi de 79% (n = 153), superior entre os trabalhadores do modelo PSF (80%; n = 120) do que do Tradicional (77%; n = 33). 3.2.3.4 Características do Conselho Municipal de Saúde O PCMS relatou que o CMS possuía regimento interno e que a última atualização ocorreu no ano de 2005. O ano de criação do CMS foi 1991. O CMS era composto de 48 entidades, sendo cinco representantes da área governamental, sete prestadores de serviços ao SUS privados ou conveniados sem fins lucrativos, doze dos profissionais de saúde e vinte e quatro da sociedade civil organizada. O PCMS relatou diversos assuntos abordados nas reuniões ordinárias do CMS entre os quais se pode destacar: relatório de gestão da SMSBE, questões referentes ao Pronto Socorro municipal, prestações de contas diversas, requerimento interno de entidade aprovando ou não modificações e plano de ações e metas. Foram identificadas sete reuniões extraordinárias e os assuntos mais discutidos foram modificações no regimento interno e relacionados aos hospitais do município. A Secretaria Municipal de 47 Saúde (SMSBE), no período de 2001 a 2004, sempre buscou aprovação do CMS para a implantação de políticas de saúde. Finalizando, o relacionamento do CMS com a SMSBE foi avaliado positivamente. Foi realizada apenas uma Conferência Municipal de Saúde de 2001 a 2004 e, nesse período, ocorreram seis capacitações para conselheiros, que atingiram a maioria, tendo como temas o SUS, histórico da saúde pública, reforma sanitária e municipalização da atenção à saúde. Até o ano de 2004, haviam sido implantados 30 Conselhos Locais de Saúde no município. O relacionamento da Secretaria Municipal de Saúde com o CMS foi caracterizado como tendo momentos positivos, mas também polêmicos. Havia um entendimento, por parte da secretária, que o CMS tinha um poder deliberativo relativo. Em alguns pontos havia discordância de que o conselho pudesse referir alguma deliberação com relação às questões financeiras. O assunto mais sério de desrespeito foi a questão do pronto socorro municipal, onde houve uma assinatura de contrato de mudança do local sem anuência do CMS. A ocorrência de conflitos entre os Conselheiros foi considerada como necessária e saudável, resultando da interação de muitos grupos com interesses diferentes. O PCMS considerou o CMS bastante maduro. 3.3 Dimensão Organizacional da Atenção 3.3.1 Práticas de gestão da ABS Ao caracterizar as práticas de gestão nos municípios do Lote foram identificados princípios, normas e funções, procedimentos e recursos cuja finalidade é ordenar a estrutura e o funcionamento da atenção básica à saúde. Muitos destes aspectos se confundem com as práticas de oferta de serviços, pois uma estratégia de gestão estabelecida pode implicar em uma oferta de serviços ao público. 48 3.3.1.1 Mecanismos de supervisão, monitoramento e avaliação da atenção básica à saúde Em Pelotas, não foi possível conhecer a opinião do gestor sobre as ações desenvolvidas para a gestão da Atenção Básica. Através das informações do formulário de fonte documental foi referido que não existe produção de relatórios periódicos a nível central com indicadores selecionados para a tomada de decisão. As atividades de supervisão do trabalho nas UBS foram relatadas por 46% (n = 89) dos trabalhadores de saúde, sendo 53% (n = 79) para os profissionais das UBS do PSF e 23% (n = 10) para os das Tradicionais. Entre esses, apenas 42% (n = 35) referiu uma periodicidade semanal da supervisão, enquanto 21% (n = 17) informou periodicidade indefinida. 3.3.1.2 Estratégias de controle e regulação da demanda O setor de Controle, Avaliação, Auditoria e Regulação estava constituído no município, cuja modalidade é gestão plena do sistema municipal. Não foi possível identificar as principais estratégias de controle e regulação da demanda para o atendimento em serviços de maior complexidade a partir da percepção do gestor. A principal forma de acolhimento das reclamações dos usuários era a disponibilidade de um telefone específico da Secretaria Municipal de Saúde. Considerando os tipos de centrais implantadas para acolher e ordenar as necessidades de saúde dos usuários, o município dispunha de Central de Consultas Especializadas e de Exames implantadas, mas não dispunha, na época da pesquisa, de Central de Leitos e de SAMU. O município informou avaliar e acompanhar os recursos programados por grupos de procedimentos, por produção e faturamento sem especificar o sistema de informação utilizado. 49 3.3.1.3 Informação e Informatização na Rede Básica Municipal Do ponto de vista da tecnologia da informação, entre as nove UBS estudadas no município apenas uma dispunha de microcomputador (UBS Barro Duro). No município, de acordo com informações de fonte documental, no período de 2001 a 2004, não existiam UBS informatizadas alimentando o SIA-SUS, contrastando com a inclusão de todas as UBS no Sistema de Vigilância Epidemiológica. 3.3.1.4 Sistemas de Informação em Saúde Em 2004, os sistemas de informação de base nacional estavam bastante inseridos na rotina do município, responsável pelo gerenciamento e preenchimento regular do SINASC, do SIM, do SINAN, do SISVAN e do SIAB. A proporção de óbitos mal definidos no município foi igual a 7,1% em 2001, 13,7% em 2002, 16,1% em 2003 e 13,7% em 2004. Por outro lado, Pelotas referiu investigar 100% dos óbitos infantis em 2004. 3.3.2 Práticas de Oferta de Serviços no Município Este tópico descreve recursos e estratégias utilizados nos municípios para oferecer os serviços básicos de saúde à população. Há uma ênfase importante na estrutura das UBS e em sua caracterização nos diferentes modelos de atenção básica, estado, região e porte do município. Também é abordada a disponibilidade de profissionais do PSF, na perspectiva de avaliar o acesso da população ao novo modelo de atenção. 3.3.2.1 Estrutura da rede básica de saúde A área física da maioria das nove UBS estudadas contemplava sala de espera, recepção, consultórios, consultórios com banheiros, consultório odontológico, sala de cuidados de enfermagem, sala de vacinas, sala de reuniões, farmácia, sala de esterilização e cozinha. A UBS Cohab Tablada II não possuía em sua estrutura consultório odontológico, sala de reuniões, expurgo e sala de esterilização. Ausência de sala de reuniões e de esterilização foi apontada pela UBS PAM Fragata. 50 A adequação da estrutura, considerando as dependências estudadas, não foi avaliada em todos os itens somente pela UBS Arco Íris. Todas as UBS consideraram a estrutura física da sala de procedimentos de enfermagem inadequada e, somente três, emitiram parecer com relação à sala de vacinas. A Tabela 3.8 descreve a adequação dos componentes da estrutura por unidade de saúde. Tabela 3.8 - Estruturas adequadas entre as Unidades Básicas de Saúde estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Estruturas adequadas UBS estudadas Sala de espera Barro Duro Conhab Tablada II Getúlio Vargas Simões Lopes Recepção Getúlio Vargas Consultórios Fraget Simões Lopes Consultórios com banheiro Barro Duro Fraget Getúlio Vargas Simões Lopes Consultórios odontológicos Barro Duro Fraget Getúlio Vargas Simões Lopes Sala de vacinas Fraget Getúlio Vargas Simões Lopes Sala de reuniões Barro Duro Fraget Simões Lopes Farmácia Fraget Barro Duro Expurgo Fraget Simões Lopes Sala de esterilização Fraget Simões Lopes Cozinha Fraget Getúlio Vargas Simões Lopes 51 A existência de tapetes na sala de espera foi relatada somente pela UBS Barro Duro. Por outro lado, sete das UBS estudadas relataram a presença de degraus dificultando o acesso de deficientes (Arco Íris, Barro Duro, Bom Jesus, Getúlio Vargas, Navegantes, PAM Fragata e Simões Lopes). Apenas as UBS Barro Duro e PAM Fragata dispunham de rampas alternativas para facilitar o acesso destas pessoas. Encontrou-se calçadas permitindo o deslocamento seguro de deficientes visuais apenas na UBS Barro Duro. Nenhuma UBS possuía corrimãos nas escadas, rampas ou corredores. Somente na UBS Simões Lopes havia portas de banheiros que possibilitassem o acesso de pessoas usuárias de cadeiras de rodas e espaço de circulação interna da UBS suficiente para manobras de aproximação dos cadeirantes. Cadeira de rodas para pacientes com esta necessidade somente estava disponível nas UBS Fraget e PAM Fragata. As cadeiras da sala de espera foram consideradas adequadas para o local do atendimento na UBS Fraget. Em relação aos equipamentos de trabalho em condições de uso estavam disponíveis nas nove UBS balança para adultos, estetoscópio, foco de luz, mesa ginecológica, nebulizador e termômetro. A seguir estão descritos os equipamentos de trabalho não disponíveis por UBS: - Balança infantil: PAM Fragata. - Espéculos vaginais: Cohab Tablada II. - Estetoscópio de Pinard: Cohab Tablada II e Getúlio Vargas. - Foco de Luz: Cohab Tablada II. - Glicosímetro: Fraget e Simões Lopes. - Microscópio: Arco Íris, Bom Jesus, Cohab Tablada II, Fraget, Getúlio Vargas, Navegantes, PAM Fragata e Simões Lopes. - Oftalmoscópio: Arco Íris, Bom Jesus, Cohab Tablada II, Getúlio Vargas, PAM Fragata e Simões Lopes - Otoscópio: Arco Íris. - Sonar: Cohab Tablada II. 52 - Tensiômetro: Cohab Tablada II. - Negatoscópio: Arco Íris, Bom Jesus, Cohab Tablada II, Getúlio Vargas, Navegantes e PAM Fragata. Impressoras e conexão com a Internet não estavam disponíveis em todas as UBS estudadas. Entre os equipamentos e instrumentos odontológicos em condições de uso foram coletadas informações para a maioria das oito UBS com consultório odontológico, exceto para a UBS Fraget. Foi referida a existência de amalgamador, aparelho fotopolimerizador, cadeira e equipo odontológicos, compressores, estufa, mocho, refletor, unidade auxiliar, instrumental de urgências, para dentística, exame clínico e procedimentos básicos na a grande maioria dos sete serviços estudados. As deficiências encontradas foram: de amalgamador na UBS Navegantes, de compressor na UBS Bom Jesus, de instrumental para urgências na UBS Bom Jesus, de instrumental para procedimentos básicos na UBS Navegantes e unidade auxiliar nas UBS Getúlio Vargas e Navegantes. Na investigação do abastecimento de materiais e insumos foram considerados insuficientes ou inexistentes os seguintes recursos por UBS: - Arco Íris – agulhas descartáveis, algodão, material para pequenas cirurgias. - Barro Duro – algodão, material para pequenas cirurgias e retirada de pontos. - Bom Jesus – agulhas descartáveis, algodão, fio de sutura, gaze, luvas esterilizadas, luvas esterilizadas, material para pequenas cirurgias e retirada de pontos, cartão da criança, ficha de cadastramento domiciliar. - Cohab Tablada II – agulhas descartáveis, álcool, descartéx, fio de sutura, gaze, luvas esterilizadas e de procedimentos, material para pequenas cirurgias e retirada de pontos, seringas para outras injeções, cartão para gestante e fichas para cadastramento domiciliar. - Fraget - material para pequenas cirurgias - Getúlio Vargas – algodão, luvas esterilizadas, material para pequenas cirurgias. - Navegantes – agulhas descartáveis, algodão. 53 - PAM Fragata – álcool, fio de sutura, luvas esterilizadas, material para pequenas cirurgias e retirada de pontos, seringa para vacinas. - Simões Lopes – agulhas descartáveis, gaze, luvas esterilizadas, material para pequenas cirurgias e retirada de pontos. 3.3.2.2 Disponibilidade de Profissionais do PSF Havia uma ESF nas UBS Arco Íris e Barro Duro, três nas UBS Getúlio Vargas e Simões Lopes, e quatro nas UBS Bom Jesus e Navegantes, totalizando 16 ESF. Na análise da composição da ESF mínima, tomou-se como referência a disponibilidade de médico, enfermeiro, auxiliares ou técnicos de enfermagem e agentes comunitários. Observou-se a ausência de médicos na UBS Bom Jesus e ACS na UBS Getúlio Vargas. Na UBS Bom Jesus havia odontólogo diretamente vinculados as ESF (n = 3). 3.3.2.3 Acesso aos serviços básicos de saúde Em relação ao tempo de funcionamento obteve-se informação para cinco das seis UBS do PSF e uma das três Tradicionais. As UBS do PSF existiam, em média, há cerca de 11 anos e a Tradicional (PAM Fragata) há 21 anos. A população adstrita foi de 9.890 mil pessoas nas UBS do PSF (respondentes = 5) e de 66.140 mil pessoas na UBS PAM Fragata. Da amostra, uma UBS funcionava em um turno de atendimento (Cohab Tablada), quatro UBS funcionavam em dois (Getúlio Vargas, Simões Lopes, Arco Íris e Barro Duro) e quatro em três (Navegantes, Bom Jesus, Fraget e PAM Fragata). A carga horária contratada pelos profissionais de saúde foi, em média, de 34 horas semanais, sendo maior no PSF (35 horas) do que nas UBS Tradicionais (28 horas). Nas UBS estudadas, a média diária de consultas médicas foi 16, de atendimentos realizados por enfermeiros 20, por auxiliares / técnicos de enfermagem 24 e por outros profissionais de nível médio 59, sendo maior entre os atendimentos médicos das UBS do PSF (19) e os de auxiliares / técnicos de enfermagem das UBS Tradicionais (33). 54 3.3.2.4 Acesso aos serviços especializados O acesso aos serviços do SUS no município acontecia através de diversas portas de entrada: as UBS, os serviços de pronto atendimento e o atendimento de urgências dos hospitais públicos. Foram referidas consultas imediatas para ginecologia, pediatria, psiquiatria e odontologia; tempo de espera de sete dias para consultas especializadas em cardiologia, cirurgia geral, gastroenterologia e nutrição; de 60 dias para neurologia e fisioterapia; e de 180 dias para angiologia, oftalmologia e otorrinolaringologia. O tempo de espera relatado para a realização de ECG, quimioterapia e radioterapia foi de 30 dias; ultra-sonografia geral de 20 dias; exames de análises clínicas, radioimuniensaio e radiologia de 30 dias; hemodinâmica de 75 dias; e, ecocardiografia e tomografia de 300 dias. Não havia espera para a realização de hemodiálise e o município não dispunha do exame de ressonância magnética a nível local. A disponibilidade satisfatória de consulta médica para a atenção especializada foi investigada através da opinião da equipe de saúde, em instrumento coletivo sobre a UBS. Foi percebida como suficiente ao redor de 10% para dermatologia, cardiologia, neurologia e ortopedia; de 30% para nefrologia; de 40% para pneumologia e psiquiatria; de 70% para pediatria e de 90% para ginecologia. Nas áreas de oftalmologia e otorrinolaringologia o acesso foi julgado como inexistente. As equipes das nove UBS julgaram o acesso direto à retaguarda para atendimento em Pronto Socorro e internação hospitalar como não satisfatório. O município dispunha de estratégias de articulação das UBS com serviços de maior complexidade ou de apoio diagnóstico, como, por exemplo, o agendamento por profissionais das equipes do PSF e a utilização de protocolo para atendimento de urgências. 3.3.2.5 Adstrição da demanda A existência de área geográfica definida e mapa foi verificada em sete das nove UBS estudadas, nas seis do PSF e em uma Tradicional (PAM Fragata). Não foi possível avaliar esta informação para a UBS Cohab Tablada II. O cadastramento das famílias 55 residentes na área geográfica não estava concluído em duas UBS do PSF: Bom Jesus e Simões Lopes. A participação da equipe em atividades na área de abrangência da UBS nos últimos 12 meses foi de 46% (n = 87), sendo de 55% (n = 82) entre os trabalhadores das UBS do PSF e de 13% (n = 5) nas UBS Tradicionais. 3.3.2.6 Vínculo com instituições de ensino A vinculação com atividades de ensino esteve presente em cinco das UBS amostradas, especificamente três do PSF (Bom Jesus, Navegantes e Simões Lopes) e duas Tradicionais (Fraget e PAM Fragata), através de instituição pública de ensino superior em todos os serviços. A área de ensino predominante foi a de enfermagem, encontrada em cinco UBS, seguida pela de Nutrição (n = 4). Campo de estágio em medicina era oferecido apenas na UBS PAM Fragata. 3.3.2.7 Assistência farmacêutica As informações de fonte documental mostraram que o município adota uma lista básica de medicamentos para as UBS. Os medicamentos eram estocados em local centralizado, com área física de dimensões suficientes e havia a presença de farmacêutico administrando o local. Foi referido ainda que a temperatura ambiente para conservação dos medicamentos não era adequada, mas existiam condições de armazenamento satisfatórias, como por exemplo, prateleiras e estrados para a acomodação dos medicamentos. O controle do estoque de medicamentos era informatizado e, de modo geral, os medicamentos eram dispensados nas UBS. 3.3.3 Experiências inovadoras em atenção básica à saúde Não foi possível conhecer a opinião do gestor sobre a existência de experiências inovadoras em AB em Pelotas por não preenchimento do questionário. 56 3.4 Dimensão do Cuidado Integral 3.4.1 Estratégias de indução da integralidade O direito universal à saúde da população brasileira define a integralidade como um dos princípios constitucionais do SUS. Entretanto, a integralidade ainda não assumiu a esperada relevância estratégica na organização e desenvolvimento das ações de saúde. Alcançar a integralidade em saúde requer ações planejadas com esta finalidade tanto no âmbito da UBS e em seu vínculo com a comunidade, quanto na referência e contra-referência entre os níveis de atenção à saúde. Além disso, compreende a articulação das práticas não apenas no âmbito setorial, mas também no âmbito intersetorial (PINHEIRO, 2005). Neste estudo, a integralidade foi captada através de alguns “proxis”, como, por exemplo, as práticas realizadas nas UBS, com ênfase em ações programáticas a grupos prioritários, o acesso direto a exames complementares, a disponibilidade de medicamentos, a utilização de protocolos, a utilização de computadores pelos profissionais de saúde, a percepção dos profissionais sobre a qualidade dos serviços prestados e o acesso a publicações do Ministério da Saúde. 3.4.1.1 Atividades realizadas na UBS para o cuidado integral A investigação do conjunto de ações realizadas na UBS para o cuidado integral envolveu o questionamento da realização das seguintes atividades: atendimento a demanda sentida; atendimento odontológico a grupos prioritários; atendimento de prénatal; cuidado domiciliar e visita domiciliar; diagnóstico e tratamento da hanseníase e da tuberculose; diagnóstico e tratamento da hipertensão e do diabetes; glicemia capilar; atendimento a desnutrição e suplementação alimentar; notificação compulsória de doenças; manejo de agravos mais prevalentes na infância, planejamento familiar; pequenas cirurgias; prevenção do câncer de colo uterino; promoção do aleitamento materno e promoção do crescimento e desenvolvimento infantil. A seguir estão descritas as ações não realizadas na UBS por serviço estudado: - Arco Íris - diagnóstico e tratamento da hanseníase, glicemia capilar, atendimento a desnutrição e suplementação alimentar e pequenas cirurgias. - Barro Duro - diagnóstico e tratamento da hanseníase e glicemia capilar. 57 - Bom Jesus - diagnóstico e tratamento da hanseníase e da tuberculose, glicemia capilar e pequenas cirurgias. - Cohab Tablada II - pré-natal, cuidado domiciliar, diagnóstico e tratamento da hanseníase e da tuberculose, atendimento a desnutrição e suplementação alimentar, atendimento dos agravos mais prevalentes na infância, pequenas cirurgias, planejamento familiar, prevenção do câncer do colo uterino, promoção do aleitamento materno, puericultura. - Fraget - atendimento da demanda sentida, atendimento odontológico a grupos prioritários, cuidado domiciliar, diagnóstico e tratamento da tuberculose, pequenas cirurgias e visita domiciliar. - Getúlio Vargas - diagnóstico e tratamento da hanseníase e da tuberculose, glicemia capilar, atendimento a desnutrição e suplementação alimentar e pequenas cirurgias. - Navegantes - glicemia capilar. - PAM Fragata - cuidado domiciliar, diagnóstico e tratamento da hanseníase e da tuberculose, glicemia capilar, atendimento a desnutrição e suplementação alimentar, pequenas cirurgias e visita domiciliar. - Simões Lopes - glicemia capilar. A realização de atividades de grupos foi referida nos nove serviços. Grupos de hipertensos e diabéticos eram desenvolvidos em todas as UBS; de sofrimento psíquico na UBS Getúlio Vargas; de pré-natal nas UBS Bom Jesus, Fraget, Getúlio Vargas, Navegantes e Simões Lopes; de adolescentes na UBS Navegantes; de idosos nas UBS Barro Duro, Bom Jesus e Navegantes; e, de puericultura, nas UBS Arco Íris, Bom Jesus e Navegantes. 3.4.1.2 Acesso direto a exames complementares O acesso direto a exames complementares utilizados rotineiramente na atividade clínica peculiar à Atenção Básica foi investigado quanto à suficiência do exame de ácido úrico, creatinina, de HIV, de glicemia, hemograma, tipagem sanguínea, VDRL, Baar no escarro, exame comum de urina, urocultura, citopatológico, colposcopia, eletrocardiograma, ultrassonografia obstétrica e radiografia simples. 58 Acesso suficiente para o exame citopatológico foi referido por mais de 80% dos serviços; e, aos exames ácido úrico, colposcopia, creatinina, uréia, eletrocardiograma, glicemia de jejum, hemograma, Baar no escarro, radiografia simples, comum de urina, urocultura, ultrassonografia obstétrica e tipagem sanguínea, para menos de 40% das UBS. 3.4.1.3 Disponibilidade de medicamentos Foi julgada satisfatória pela maioria das equipes das nove UBS a disponibilidade de analgésico e antitérmico, penicilina benzatina, antibiótico de largo espectro, broncodilatador, inibidor da enzima de conversão, diurético, digitálico, hipoglicemiante, anticoncepcional oral (ACO), creme com corticosteróide e bactericida. A seguir estão descritas as deficiências especificas destes insumos por UBS: - Arco Íris – dexametasona pomada, diclofenaco de potássio, digoxina, metronidazol comprimidos, penicilina benzatina 600.000 UI e sulfametoxazol / trimetoprima comprimidos. - Barro Duro – aminofilina, dexametasona pomada, diclofenaco de potássio, digoxina, metronidazol e sulfametoxazol / trimetoprima comprimidos. - Bom Jesus - aminofilina, dexametasona pomada, diclofenaco de potássio, digoxina furosemida, hidroclorotiazida e sulfametoxazol / trimetoprima comprimidos. - Cohab Tablada II – aminofilina, ampicilina, metronidazol geléia e neomicina / bacitracina pomada. - Fraget - metronidazol geléia e comprimidos e neomicina / bacitracina pomada - Getúlio Vargas – diclofenaco de potássio, digoxina, furosemida, metronidazol comprimidos, penicilina benzatina 600.000 UI, sulfametoxazol / trimetoprima comprimidos e suspensão. - Navegantes - ácido acetilsalisílico, aminofilina, dexametasona pomada, diclofenaco de potássio, digoxina, furosemida, metronidazol comprimidos, penicilina benzatina 600.000 UI, sulfametoxazol / trimetoprima comprimidos e suspensão. - PAM Fragata - aminofilina, ampicilina, diclofenaco de potássio, digoxina, hidroclorotiazida, metronidazol geléia e comprimidos e neomicina / bacitracina pomada 59 - Simões Lopes – ácido acetilsalisílico, diclofenaco de potássio, digoxina, hidroclorotiazida, metronidazol comprimidos, penicilina benzatina 600.000 UI e sulfametoxazol / trimetoprima comprimidos. A dispensação das medicações desta lista básica pela própria UBS só não era feita na UBS Cohab Tablada II. 3.4.1.4 Utilização de protocolos A utilização de protocolos para as ações desenvolvidas pela UBS investigada através do instrumento coletivo da estrutura variou de 0 a 100% dependendo do tipo de protocolo. Para a maioria das ações programáticas, a utilização de protocolos nas UBS estudadas em Pelotas foi pouco freqüente e, de modo geral, menor em relação aos índices observados no Lote (Tabela 3.9). Tabela 3.9 - Utilização de protocolos para as ações desenvolvidas pelas Unidades Básicas de Saúde estudadas em Pelotas e no Lote 2 Sul. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Ação programática Pelotas (%) Lote 2 Sul (%) Cuidados de enfermagem 22 50 Cuidado domiciliar 22 34 Diagnóstico e tratamento do diabetes 56 64 Diagnóstico e tratamento da hanseníase 0 29 Diagnóstico e tratamento da hipertensão arterial 67 68 Diagnóstico e tratamento da tuberculose 22 43 Imunizações 100 81 Manejo da desnutrição e suplementação alimentar 33 44 Manejo dos agravos mais prevalentes na infância 22 42 Planejamento familiar 57 50 Pré-natal 78 75 Prevenção do câncer de colo uterino 89 75 Promoção crescimento e desenvolvimento infantil 56 57 Promoção do aleitamento materno 67 55 60 As deficiências específicas por serviço foram as seguintes: - UBS Arco Íris: diagnóstico e tratamento da hanseníase e manejo da desnutrição e suplementação alimentar. - UBS Barro Duro: cuidado de enfermagem e domiciliar, diagnóstico e tratamento do diabetes, da hanseníase, da hipertensão e da tuberculose, manejo da desnutrição e suplementação alimentar, manejo dos agravos mais prevalentes na infância, planejamento familiar, pré-natal, promoção do crescimento e desenvolvimento infantil e aleitamento materno. - UBS Bom Jesus: cuidado de enfermagem e domiciliar, diagnóstico e tratamento da hanseníase e da tuberculose. - UBS Cohab Tablada II: cuidado de enfermagem e domiciliar, diagnóstico e tratamento do diabetes, da hanseníase e da tuberculose, manejo dos agravos mais prevalentes na infância, planejamento familiar, pré-natal, prevenção do câncer de colo uterino, promoção do crescimento e desenvolvimento infantil e aleitamento materno. - UBS Fraget: cuidado de enfermagem e domiciliar, diagnóstico e tratamento da hanseníase e da tuberculose, manejo da desnutrição e suplementação alimentar, manejo dos agravos mais prevalentes na infância, planejamento familiar, promoção do crescimento e desenvolvimento infantil e aleitamento materno. - UBS Getúlio Vargas: cuidado de enfermagem e domiciliar, diagnóstico e tratamento do diabetes, da hanseníase e da tuberculose, manejo da desnutrição e suplementação alimentar, manejo dos agravos mais prevalentes na infância e aleitamento materno. - UBS Navegantes: diagnóstico e tratamento do diabetes, da hanseníase e da tuberculose, manejo da desnutrição e suplementação alimentar, e manejo dos agravos mais prevalentes na infância. - UBS PAM Fragata: cuidado de enfermagem e domiciliar, diagnóstico e tratamento da hanseníase e da tuberculose, manejo dos agravos mais prevalentes na infância e promoção do crescimento e desenvolvimento infantil. - Simões Lopes: cuidado de enfermagem e domiciliar, diagnóstico e tratamento do diabetes, da hanseníase e da tuberculose, manejo da desnutrição e suplementação alimentar, manejo dos agravos mais prevalentes na infância e planejamento familiar. 61 3.4.1.5 Utilização de computador pelos profissionais A utilização de computador em suas atividades foi referida por apenas 22% (n = 42) dos profissionais entrevistados, sendo maior nas UBS Tradicionais (34%; n = 15) do que nas do PSF (18%; n = 27). 3.4.1.6 Qualidade dos serviços prestados A opinião dos profissionais sobre a qualidade dos serviços prestados na UBS foi boa ou muito boa para aproximadamente 65% (n = 125) dos entrevistados em Pelotas, sendo de 62% (n = 91) nas UBS do PSF e de 76% (n = 34) nas UBS Tradicionais. 3.4.1.7 Acesso a publicações O município de Pelotas mostrou um acesso muito pequeno dos profissionais às publicações do Ministério da Saúde, variando de 3% para a Revista Brasileira de Saúde da Família a 40% para o Manual do Agente Comunitário de Saúde. Além disso, os todos os índices foram inferiores aos do Lote (Tabela 3.10). De acordo com o modelo de atenção o acesso a estas publicações foi maior para os profissionais das UBS do PSF, exceto para a Revista Brasileira de Saúde da Família. Tabela 3.10 - Acesso dos profissionais estudados a publicações do Ministério da Saúde nas Unidades Básicas de Saúde de Pelotas e no Lote 2 Sul. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Acesso às publicações do Ministério da Saúde Pelotas (%) Lote 2 Sul (%) Revista Brasileira Saúde da Família 3 10 Informes de Atenção Básica 29 35 Manual do SIAB 25 30 Manual do Agente Comunitário de Saúde 40 42 Avaliação Normativa do PSF no Brasil 6 14 62 3.4.2 Processo de trabalho em atenção básica à saúde 3.4.2.1 Introdução ao processo de trabalho em ABS O objeto destes comentários foi o Processo de Trabalho em Atenção Básica à Saúde, descrito através de um formulário semi-estruturado, preenchido por nove equipes de Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Pelotas. As doze variáveis abordadas como etapas componentes do Processo de Trabalho em Atenção Básica à Saúde foram: planejamento, gestão e coordenação, recepção, acolhimento, cuidado clínico, cuidado de enfermagem, cuidado odontológico, ações programáticas, ações educativas, cuidados domiciliares, gestão da informação, supervisão e suporte técnico e participação no Conselho Local de Saúde. Os atributos propostos para caracterizar cada uma das variáveis foram: descrição da atividade – o que é feito e como é feito?; responsáveis pela atividade – quem faz?; insumos para a atividade – que recursos são utilizados?; dificuldades para realizar a atividade; sugestões para realizar a atividade; experiências inovadoras. 3.4.2.2 A categoria processo de trabalho A universalização do direito à saúde, a descentralização da gestão e a atenção básica à saúde distinguem positivamente o SUS, em comparação a outros sistemas de saúde, incluindo aqueles já experimentados no Brasil (BRASIL, 1990). Apesar disso, possivelmente em função de seu curto tempo de implantação e da escassez de recursos materiais e humanos, o SUS ainda não dispõe de um processo de trabalho em atenção básica à saúde plenamente formulado e operacionalmente efetivo. Neste sentido, a descrição do processo de trabalho nas UBS estudadas pode representar importante contribuição para a melhoria da ABS em Pelotas. O processo de trabalho, enquanto categoria abstrata, permite compreender a organização e a divisão das tarefas necessárias à transformação de um dado objeto de trabalho em um produto desenvolvido, valorizado socialmente, tanto em seu valor de uso, quanto em seu valor de troca (FACCHINI, 1986). Cada espaço concreto de trabalho, cada unidade produtiva, conforma um processo de trabalho particular, incomparável em suas nuances e características mais singulares. Mas cada processo de trabalho também guarda as características essenciais do modo de produção em que está 63 inserido e, de modo mais objetivo, de seu ramo de produção e da natureza da atividade produtiva predominante (FACCHINI, 1986). O uso da categoria processo de trabalho neste estudo, permitiu a análise individualizada de cada UBS e a busca de regularidades, de semelhanças e de contrastes entre as UBS de Pelotas. Nestas análises, além de perceber a dinâmica da organização e divisão do trabalho em cada atividade, buscou-se identificar o objeto de trabalho, os recursos disponíveis e os responsáveis por sua realização. Problemas e sugestões para a melhoria das atividades também foram captados. Fruto do processo de construção do SUS, o trabalho nas UBS Tradicionais é um simulacro daquele realizado em hospitais e unidades ambulatoriais especializadas, sendo fortemente centrado no médico e nas clínicas básicas, atendendo a demanda espontânea de usuários. No PSF, o processo de trabalho pretende se distanciar do viés hospitalar e da especialização, fortalecendo a participação da equipe de saúde e do médico “geral” no atendimento integral das necessidades de saúde da população. O processo de trabalho em ABS está essencialmente vinculado ao trabalho vivo, à atividade, à qualidade técnico-científica do trabalhador, à sua motivação e compromisso com o resultado de seu trabalho. Nas UBS, a tecnologia disponível tem muita dificuldade em dinamizar o processo de trabalho, orientando a ação do trabalhador. A escassez crônica de equipamentos, instrumentos e os mais variados insumos, mesmo os mais básicos para o funcionamento de uma UBS, dificultam a efetivação do processo de trabalho em ABS com um significado mais amplo que extrapole a prática individual do trabalhador em relação a um usuário do serviço e alcance o resultado do trabalho da equipe em relação à comunidade em que está inserido. 3.4.2.3 Etapas do processo de trabalho em atenção básica à saúde O trabalho de Planejamento, de Gestão e de Coordenação das atividades era realizado através de reuniões que avaliavam as atividades das equipes e programavam a agenda de atividades a curto prazo. Essas reuniões contavam com a presença de toda equipe, sendo que apenas a UBS Bom Jesus disse ter a colaboração da SMS. A equipe da UBS Simões Lopes afirmou utilizar o SIAB como um instrumento de planejamento. Todas unidades utilizavam um turno semanal para a atividade. Referiram como 64 dificuldades a operacionalização das atividades, a falta de entrosamento entre membros das equipes, e para a UBS Barro Duro a dificuldade enfrentada foi o fato de que os trabalhadores não pertencentes a equipe do PSF, não participarem das reuniões. As sugestões propostas foram para que exista uma pessoa externa à UBS que possa ajudar, no sentido de orientar o grupo na solução das divergências, além de melhorar a infraestrutura e aumentar o número de profissionais. As UBS Getúlio Vargas, Cohab Tablada II, Fraget e PAM Fragata não realizavam esta atividade. As equipes das UBS Bom Jesus, Navegantes e Barro Duro referiram não realizar a atividade de Suporte Técnico e Supervisão. Na UBS Cohab Tablada II a atividade foi relacionada com a avaliação trimestral para funcionário em período probatório. Nas UBS Fraget e PAM Fragata a supervisão foi descrita como uma atividade que os professores das Universidades realizam com os alunos estagiários dos cursos de graduação e técnico de enfermagem. As equipes das demais UBS referiram que a supervisão não é uma prática do cotidiano e quando há necessidade solicitam a presença de algum técnico do nível central vinculado aos programas. Na UBS Simões Lopes foi relatada a iniciativa local de capacitação e supervisão de agentes comunitários de saúde e auxiliares de enfermagem realizada pela própria equipe. Observou-se falta de rotina da SMS para as ações de suporte técnico e supervisão. Para a Gestão da Informação o SIAB foi o instrumento de suporte que contava com a participação das equipes. As dificuldades apresentadas foram: a falta de comprometimento dos integrantes das equipes; número reduzido de ACS e não existência de retorno eficiente por parte da SMS sobre os dados enviados. Foi sugerido investir na educação continuada, contratação de ACS e de funcionário específico para preenchimento dos formulários, além do retorno das informações às UBS. As unidades Tradicionais não realizam a atividade. Em Pelotas, a Recepção estava sob responsabilidade dos agentes administrativos, podendo ter a presença de ACS e auxiliares de enfermagem. Os trabalhadores da recepção realizavam a distribuição das fichas, a marcação de consultas, o agendamento, prestavam orientações e encaminhamento para os profissionais. Destacaram como dificuldade o número reduzido de recepcionistas, problemas de estrutura física e sobrecarga de trabalho. Solicitaram informatização, capacitação e aumento do número de funcionários. A experiência relatada pelas UBS Navegantes e Simões Lopes foi a de organizar os prontuários por micro-áreas, e a da UBS Cohab 65 Tablada II de agendar um dia na semana para os atendimentos do presídio, separadamente da comunidade. O Acolhimento foi caracterizado pelo atendimento do recepcionista, que após escutar o problema do usuário e conforme a necessidade, encaminhava ao profissional solicitado. Apenas a UBS Arco-Íris contava com a presença de assistente social e equipe de enfermagem no acolhimento. Pouca qualificação e número reduzido de profissionais, excesso de burocracia, inadequação do espaço físico e não informatização do sistema foram apontados como limitadores. As UBS Fraget, Navegantes e Simões Lopes não realizavam esta atividade. O Cuidado Clínico era realizado para cerca de 15 pessoas por turno, as dificuldades encontradas foram: excesso da demanda, pouca medicação, sistema de referência e contra-referência não efetiva, ausência de equipamentos, problemas de relacionamento nas equipes e demanda de fora da área. Além da melhoria dos problemas citados, desejavam um programa de educação continuada e divulgação do PSF para a comunidade. O Cuidado Odontológico foi caracterizado pela ausência de ACD e THD e não pertencer à equipe de saúde da família (nas UBS PSF). Era realizado o atendimento de oito usuários por turno, em média. Foi referida a inadequação dos consultórios dentários, ausência periódica de material e necessidade de ACD e THD como problemas necessitando de soluções. Na UBS Cohab Tablada II não estava disponível esta atividade. As Ações Programáticas foram referidas principalmente para as atividades vinculadas a programas de atenção básica (criança, mulheres, hipertensos, diabéticos, DST e saúde bucal), visitas domiciliares, grupos e assessoria jurídica (Arco-Íris). Existia a participação de toda a equipe. A UBS Barro Duro realizava atividade multiprofissional nas escolas. Apontaram como dificuldade a grande demanda, a estrutura física inadequada para estas atividades e necessidade de material didático. Ações Educativas eram realizadas semanalmente através de grupos de crônicos e pré-natal, uso de material didático, orientação de acadêmicos, palestras em escolas e creches e também nas consultas individuais, sendo que a UBS Barro Duro considerava apenas as ações programáticas como ações educativas. Havia a participação de todos os membros da equipe. O espaço físico limitado, a falta de material didático de apoio e 66 número reduzido de profissionais foi apontado como dificuldades. A UBS Barro Duro sugeriu melhor avaliação e investigação das necessidades da comunidade para programar as atividades educativas e a inserção dos profissionais não PSF nas equipes. A UBS Arco-Íris não realizava esta atividade. O Cuidado Domiciliar era demandado pelos ACS e realizado por toda a equipe de acordo com a necessidade; foi caracterizado por ações curativas, sendo que as preventivas descritas na forma de mapeamento da situação de risco e busca ativa. Necessidade de transporte, violência na comunidade e pouco material foram dificuldades apontadas para a realização desta atividade. A UBS Bom Jesus referiu a internação domiciliar como experiência inovadora. Nas UBS a participação no Conselho Local de Saúde se dava através de reuniões entre equipes e representantes da comunidade com propostas levadas à reunião do Conselho Municipal de Saúde. A participação era de toda a equipe, com a presença permanente da assistência social. Uma dificuldade encontrada foi à falta comprometimento dos profissionais e dos usuários na atividade. A sugestão dada foi a de esclarecer a comunidade sobre a importância do Conselho. Na UBS Simões Lopes foi realizado plebiscito entre os usuários, sem a imposição do conselho deliberativo, para escolher a forma de distribuição de fichas e agendamento. Nas UBS Cohab Tablada II e Barro Duro não havia CLS. 3.4.2.4 Satisfação dos trabalhadores com as condições de trabalho O estudo adotou uma escala de adequação organizada de 0 a 10, a partir da qual os trabalhadores das UBS da amostra (n = 196) emitiram sua opinião em relação a algumas variáveis componentes das condições de trabalho e do trabalho em equipe. A observação das médias alcançadas em relação à satisfação dos trabalhadores de Pelotas e cada uma das variáveis estudadas revelou que o maior índice de satisfação foi referido para o trabalho e reuniões de equipe, o preenchimento de formulários e a demanda para atendimento, tanto individual quanto a domicílio, e, o menor, para a satisfação com a estrutura da unidade. Em relação ao Lote, as médias foram de modo geral semelhantes (Tabela 3.11). Quanto ao modelo, em geral, a satisfação dos profissionais das UBS do PSF foi maior para a maioria dos itens investigados exceto quanto à estrutura física, o atendimento individual na UBS e trabalho em equipe. 67 Tabela 3.11 - Médias alcançadas em relação à satisfação dos profissionais de saúde em uma escala de 0 a 10 em Pelotas e no Lote 2 Sul. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Satisfação dos profissionais Pelotas Lote 2 Sul Trabalho em equipe 7,0 7,4 Reuniões de equipe 7,0 6,5 Preenchimento de formulários e relatórios 7,0 6,7 Demanda para atendimento individual a domicílio 7,0 6,5 Demanda para atendimento individual na unidade 7,0 6,9 Reuniões com a coordenação local da unidade 6,0 6,3 Reuniões com a comunidade 6,0 5,2 Estrutura física da unidade 5,0 5,4 3.5 Dimensão Desempenho do Sistema de Saúde 3.5.1 Desempenho do Município de Pelotas 3.5.1.2 Indicadores Selecionados e Pacto da Atenção Básica à Saúde As informações apresentadas abaixo (Tabela 3.12) se referem ao município de Pelotas, ao estado de Rio Grande do Sul e ao Brasil. Os indicadores são favoráveis ao município com relação à média de consultas médicas habitantes / ano, proporção de recém-nascidos com quatro ou mais consultas de pré-natal e proporção de partos cesariana, e desfavoráveis com relação a proporção de baixo peso ao nascer e o coeficiente de mortalidade infantil. A informação sobre a taxa de mortalidade infantil por causas evitáveis só foi encontrada para o município e para o estado do RS. 68 Tabela 3.12 Indicadores de desempenho do sistema de saúde de para o município de Pelotas, Rio Grande do Sul e Brasil. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas RS Brasil Consultas médicas básicas / hab / ano 1,8 1,4 1,4 % RN com 4 ou + consultas Pré-Natal 90,5 83,1 83,1 % de Baixo peso ao nascer 10,1 9,3 8,1 Mortalidade Infantil / 1.000 NV 22,3 15,6 19,3 MI Causas evitáveis 11,8 9,3 -- % Partos por cesariana 38,9 43,2 38,8 a. Crianças Comparado com o estado, Pelotas apresentou maior proporção de óbitos em menores de um ano por causas mal definidas, maior taxa de internação por IRA em menores de cinco anos e maior taxa de mortalidade neonatal. Comparando-se o município com o Brasil, a proporção de óbitos em menores de um ano por causas mal definidas foi menor, enquanto as taxas de internação por IRA em menores de cinco anos e de mortalidade neonatal foram maiores (Tabela 3.13). Tabela 3.13 - Indicadores do Pacto da Atenção Básica de 2002 relativos à saúde da criança para o município de Pelotas, Rio Grande do Sul e Brasil. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas RS Brasil Número absoluto de óbitos de < de 1 ano 104 2.429 58.916 % de óbitos em < de 1 ano por causas mal definidas 4,8 4,4 8,8 Taxa de internação por IRA em < de 5 anos 37,6 24,0 26,4 Cobertura vacinal por tetravalente em < de 1 ano -- 3,4 21, Número absoluto de óbitos neonatais 70 1.497 38.679 Taxa de mortalidade infantil neonatal 15,0 9,6 12,6 69 b. Mulheres Os indicadores do Pacto da Atenção Básica para a saúde da mulher favoráveis ao município de Pelotas, quando comparados ao RS e Brasil, foram a taxa de mortalidade materna e a proporção de nascidos vivos com sete ou mais consultas de pré-natal. Ao contrário, foram desfavoráveis ao município as taxas de mortalidade por câncer de colo uterino e de mortalidade por câncer de mama (Tabela 3.14). Tabela 3.14 - Indicadores do Pacto da Atenção Básica de 2002 relativos à saúde da mulher para o município de Pelotas, Rio Grande do Sul e Brasil. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas RS Brasil Taxa de mortalidade materna 21,4 60,5 52,7 Razão entre exames CP em mulheres de 25 a 59 anos e a população na faixa etária 0,2 0,2 0,2 Taxa de mortalidade em mulheres por câncer de colo de útero 6,4 5,7 4,6 Taxa de mortalidade em mulheres por câncer de mama 25,0 16,8 10,2 % de nascidos vivos com 7 ou mais consultas de pré-natal 81,5 56,8 47,8 c. Adultos e idosos: doenças crônicas Com exceção das taxas de internação por acidente vascular cerebral e de internação por insuficiência cardíaca, os demais indicadores do Pacto da Atenção Básica relativos às doenças crônicas foram desfavoráveis ao município de Pelotas, quando comparados com os do estado de Rio Grande do Sul e com os do Brasil (Tabela 3.15). 70 Tabela 3.15 - Indicadores do Pacto da Atenção Básica de 2002 relativos a doenças crônicas para o município de Pelotas, Rio Grande do Sul e Brasil. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas RS Brasil Taxa de internação por acidente vascular cerebral (AVC) 27,2 34,5 32,7 Taxa de mortalidade por doenças cerebrovasculares 197,6 159,7 137,9 Taxa de internação por insuficiência cardíaca congestiva ( ICC) 63,0 77,2 66,3 % de internação por cetoacidose e coma diabético 62,9 18,7 15,1 % de internação por diabetes mellitus 2,00 1,7 1,3 Taxa de mortalidade por tuberculose 3,4 3,0 3,0 d. Saúde bucal Em Pelotas, encontrou-se maior cobertura de primeira consulta odontológica com relação ao RS, e semelhante com relação ao país. A razão entre procedimentos odontológicos coletivos e a população de 0 a 14 anos foi menor e a proporção de exodontias em relação às ações básicas individuais foi maior quando comparadas ao RS e Brasil (Tabela 3.16). Tabela 3.16 - Indicadores do Pacto da Atenção Básica de 2002 relativos à saúde bucal para o município de Pelotas, Rio Grande do Sul e Brasil. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas RS Brasil Cobertura de primeira consulta odontológica 13,1 10,4 13,1 Razão entre procedimentos odontológicos coletivos e a população de 0 a 14 anos 0,1 0,2 0,2 % de exodontias em relação às ações básicas individuais 13,6 12,1 8,8 71 3.5.2 Desempenho dos Modelos de Atenção Básica à Saúde 3.5.2.1 Perfil da Demanda Atendida nas UBS a. Idade, sexo e escolaridade da demanda. A demanda estudada era composta predominantemente por mulheres (68%; n = 1200). A predominância do gênero feminino na utilização dos serviços se manifestou a partir dos 15 anos de idade. Antes disto, a demanda apresentou um equilíbrio entre os gêneros. Entre os 15 e os 49 anos de idade, o predomínio das mulheres está muito vinculado à vida reprodutiva. Da amostra, 73% (n = 1230) das pessoas eram de cor branca, observando-se proporção maior entre os usuários das UBS Tradicionais (81%; n = 538). Cerca de 15% (n = 272) da demanda ficou representada pelo grupo de menores de cinco anos de idade. Desse grupo etário quase a metade da carga de trabalho diário esteve dirigida aos cuidados específicos do primeiro ano de vida (48%; n = 88). As crianças de cinco a 14 anos constituíram 12% (n = 214) da amostra. As mulheres de 15 a 49 anos de idade eram 29% (n = 511) e os homens nesta faixa etária representaram apenas 9% (n = 161). A demanda de 50 anos e mais correspondeu a 35% (n = 617), sendo 21% (n = 373) de 50 a 64 anos e 14% (n = 244) de 65 anos e mais. Assim, a carga de trabalho com enfoque nos cuidados das necessidades crônicas e degenerativas mais prevalentes na população adulta e idosa foi 1,4 vezes maior do que aquela relacionada às crianças menores de cinco anos de idade. A demanda por grupo etário foi distinta entre os modelos de atenção, sendo maior na faixa etária de crianças menores de um ano, de 5 a 14 anos e de 30 a 39 nas UBS Tradicionais. Em relação à escolaridade, 13% (n = 214) dos usuários eram analfabetos, 8% (n = 122) eram apenas alfabetizados, 42% (n = 668) tinha o ensino fundamental incompleto, 8% (n = 131) o fundamental completo, 4% (n = 70) o médio incompleto, 8% (n = 128) o médio completo e 2% (n = 24) o superior. Encontraram-se maiores proporções de analfabetos (20%) e com ensino fundamental incompleto (43%) na demanda das UBS Tradicionais, e de alfabetizados (8%), com ensino fundamental incompleto (9%) e superior (2%) entre os usuários das UBS do PSF. Da amostra, 15% (n = 239) estava fora da idade escolar. 72 b. Participação dos profissionais no atendimento à demanda Os enfermeiros realizaram 12% (n = 204) dos atendimentos, os médicos 32% (n = 569), os odontólogos 7% (n = 115) e os demais profissionais de nível superior 6% (n = 112). Os profissionais de nível médio realizaram 21% (n = 369) dos atendimentos e os ACS 23% (n = 406). Proporções maiores de atendimento por médicos (43%), outros profissionais de nível superior (8%) e de nível médio (32%) foram encontradas nas UBS Tradicionais. A Tabela 3.17 apresenta a distribuição dos atendimentos por profissional de saúde em Pelotas e no Lote 2 Sul. Tabela 3.17 - Participação dos profissionais no atendimento à demanda no município de Pelotas e no Lote 2 Sul. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Profissional Pelotas (%) Lote 2 Sul (%) Enfermeiros 12 10 Médicos 32 24 Odontólogos 7 6 Nível Médio 21 41 ACS 23 15 c. Procedimentos realizados no atendimento à demanda As ações dos profissionais de enfermagem representaram 45% (n = 790) da demanda de procedimentos, as ações médicas básicas 32% (n = 570), as ações básicas por outros profissionais de nível superior 14% (n = 254), ações básicas em odontologia 7% (n = 116) e as consultas especializadas 3% (n = 45). Entre as UBS do PSF, observou-se proporção maior da realização das ações dos profissionais de enfermagem (51%) e das ações básicas em odontologia (8%), e, entre as Tradicionais, das ações médicas básicas (43%), de outros profissionais de nível superior (15%) e das consultas especializadas (3%). 73 3.5.2.2 Utilização de Serviços na População de Abrangência da UBS 3.5.2.2.1 Crianças Condições do parto e peso ao nascer O nascimento da maioria das crianças (98% ; n = 118) ocorreu em ambiente hospitalar. Quanto ao tipo de parto, 31% (n = 36) nasceu através de cesariana. Entre as crianças residentes nas áreas de UBS do PSF a prevalência de cesariana foi de 28% (n = 22) e nas Tradicionais de 35% (n = 14) – (Tabela 3.18). O peso médio dos recém-nascidos de Pelotas foi de 3.084gramas (n = 82), com peso médio de 2.995 gramas nas áreas do PSF e de 3.222 gramas nas áreas das UBS Tradicionais, enquanto que a proporção de baixo peso ao nascer foi de 13% (n = 15), sendo que todas pertenciam às áreas do PSF, como observado na Tabela 3.18. Tabela 3.18 - Condições de nascimento das crianças de Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas % Parto hospitalar 98 % Parto cesariana 31 Média de peso ao nascer em gramas % Baixo peso ao nascer 3.084g 19 Puericultura Em Pelotas, 87% (n = 103) das crianças possuíam cartão para acompanhamento do peso, com proporção de 89% (n = 69) entre as moradoras de áreas do PSF e de 85% (n = 34) entre as de UBS Tradicionais (Tabela 3.19). Mais de metade das crianças (63%; n = 74) foi pesada e medida na UBS de sua área de abrangência. Quanto ao modelo de atenção, 71% (n = 55) das crianças que residiam nas áreas do e 48% (n = 19) das de UBS Tradicionais realizaram puericultura na UBS da abrangência (Tabela 3.19). Uma proporção de 49% (n = 37) de mães informou que era preciso marcar consulta para realizar a puericultura na UBS. Puericultura em um dia específico da 74 semana foi uma realidade informada por 55% (n = 41) das mães de Pelotas (47% do Lote), com proporção de 69% (n = 38) nas UBS do PSF e de 16% (n = 3) nas Tradicionais; e, a espera na fila para realizar puericultura foi confirmada por 71% (n = 53) das mães entrevistadas, 71% (n = 40) das moradoras da abrangência do PSF e 68% (n = 13) das UBS Tradicionais. Quando se questionou sobre haver pesado e medido a criança 12 vezes ou mais, a proporção foi de 49% (n = 36) para Pelotas, sendo menor nas UBS do PSF (42%; n =23) do que nas Tradicionais (68%; n = 13) – (Tabela 3.19). Este acompanhamento foi realizado em outro local que não a UBS da área de abrangência por 50% (n = 100) das crianças, sendo proporcionalmente maior nas áreas de UBS Tradicionais (53%; n = 20) do que nas do PSF (48%; n = 30). Os principais motivos informados para não realizar a puericultura na UBS de sua área de abrangência foram juízo insatisfatório da UBS (56%; n = 31), com menor proporção nas UBS do PSF (48%; n = 12) do que nas Tradicionais (63%; n = 19); não morar no bairro /cidade (26%; n = 14), com proporções de 44% (n = 11) nas UBS do PSF e de 10% (n = 3) nas Tradicionais; e, possuir cobertura por plano de saúde (16%; n = 9), com prevalência de plano de saúde maior nas UBS Tradicionais (27%; n = 8) – (Tabela 3.19). A opinião sobre a puericultura foi boa, muito boa ou ótima para 70% (n = 51) das mães que vivenciaram esta situação. Quando estas mães foram estimuladas a atribuir uma nota de zero a dez para avaliar a UBS de sua área de abrangência, a média alcançada foi de 74, nas UBS do PSF 7,2 e 8,2 nas Tradicionais (Tabela 3.19). No momento das entrevistas 31% (n = 51) das crianças estudadas em Pelotas estavam sendo amamentadas, com distribuição semelhante entre os modelos de atenção (Tabela 3.19). 75 Tabela 3.19 - Características do acompanhamento de puericultura das crianças estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas Tem cartão de peso (%) 87 Pesada e medida na UBS da área de abrangência (%) 63 Era preciso marcar consulta para puericultura na UBS (%) 49 Tinha dia específico da semana para puericultura (%) 55 Tinha que esperar na fila para puericultura (%) 71 Puericultura 12 vezes ou mais (%) 49 Puericultura em outro local que não a UBS da área (%) 50 Não realizou puericultura na UBS de sua área por juízo insatisfatório (%) 56 Opinião sobre puericultura foi boa, muito boa ou ótima (%) 70 Nota de zero a dez para avaliar a UBS 7,4 Crianças amamentadas (%) 31 Imunizações Na avaliação da cobertura vacinal utilizaram-se informações disponíveis no cartão da criança e, na sua ausência, informações fornecidas pela mãe ou responsáveis. Conforme descrito no item anterior sobre puericultura, 13% das crianças não possuíam cartão, ocasionando perda de informações a esse respeito. As perdas também ocorreram quando a mãe não lembrava as vacinas recebidas pela criança. A análise das imunizações isoladamente mostrou que as coberturas vacinais alcançaram 84% para a poliomielite (n = 78), 92% contra o Sarampo (n = 96), 100% contra a tuberculose (n = 112), 82% contra a Hepatite B (n = 88), enquanto que para a vacina contra a difteria, o tétano e a coqueluche (DPT) + Haemophilus influenza tipo b+ Tetravalente a cobertura foi de 73% (n = 61).As coberturas vacinais foram superiores entre as crianças residentes na abrangência das UBS do PSF (Tabela 3.20). 76 Tabela 3.20 - Características do estado vacinal das crianças estudadas em Pelotas, de acordo com o registro do cartão de vacinas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Cobertura vacinal Pelotas (%) Sabin 84 Sarampo 92 Tuberculose 100 Hepatite B 82 DPT + Hib + Tetravalente 73 Consulta por Diarréia A ocorrência de diarréia no último mês nas crianças entrevistadas foi de 25% (n = 29, acometendo 30% (n = 23) das estudadas nas áreas do PSF e 15% (n = 6) nas de UBS Tradicionais (Tabela 3.21). Menos da metade da amostra de crianças com diarréia (39% ; n = 11) necessitou consultar por este motivo (53% no Lote), sendo oito crianças procedentes das áreas do PSF (35%) e três das UBS Tradicionais (60%). Entre estas, sete (64%) consultaram a maior parte das vezes na UBS da área de abrangência, seis em UBS do PSF e um em Tradicional. Consultar na UBS da área por diarréia a maior parte das vezes e com o mesmo médico alcançou 45%. Todas as sete crianças que consultaram a maior parte das vezes na UBS da área receberam alguma orientação a respeito da prevenção e abordagem inicial da diarréia durante as consultas. O tipo de orientação recebida está detalhado na Tabela 3.21 e, com exceção da orientação sobre o uso do soro caseiro, as demais foram mais freqüentes entre as crianças que consultaram nas UBS do PSF. 77 Tabela 3.21 - Prevalência de diarréia no último mês e características das consultas pelo problema das crianças estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas (%) Diarréia no último mês 25 Consultou por diarréia 39 Maioria das consultas na UBS da área 64 Recebeu orientação sobre: Soro caseiro 86 Prevenir desidratação 100 Reidratação oral 67 Água de arroz 50 Hospitalização por diarréia no último ano 4 As mães de crianças com diarréia que não procuraram a UBS da área, justificaram o motivo: posto estava fechado (n = 1), era difícil (n = 1), tinha plano de saúde (n = 1) e a UBS não resolveu o problema de saúde (n = 1). A ocorrência de hospitalização por diarréia no último ano foi informada para 11% (n = 3) das crianças com diarréia estudadas em Pelotas, sendo estas residentes de área do PSF. Consulta por Pneumonia Para o período dos últimos seis meses, a ocorrência de pneumonia foi referida para 7% (n = 8) das crianças, sendo quatro residentes em áreas das UBS do PSF e quatro das Tradicionais (Tabela 3.22). A totalidade das crianças que tiveram pneumonia necessitou consultar pela doença. Entre as crianças que consultaram, 63% (n = 5) o fizeram na UBS de sua área, sendo duas moradoras das áreas de UBS do PSF e três de UBS Tradicionais (Tabela 3.22). 78 Questionadas sobre o motivo ou justificativa para as três crianças com pneumonia não consultar por pneumonia na UBS da área, aos motivos foram: a UBS não resolve (n = 2) e ter convênio (n = 1) – (Tabela 3.22). A ocorrência de hospitalização por pneumonia no último ano foi informada para uma criança com pneumonia, residente em área de abrangência do PSF (Tabela 3.22). Tabela 3.22 - Prevalência de pneumonia nos últimos 6 meses e características das consultas pelo problema das crianças estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pneumonia nos últimos seis meses Pelotas (%) 7 Consultou por pneumonia 100 Maioria das consultas na UBS da área 63 Hospitalização por pneumonia no último ano 0 Consulta por outro motivo Consulta na UBS da área de abrangência por outro motivo, exceto puericultura, diarréia e pneumonia, foi referida para 31% das crianças (n = 35), destas, 30% (n = 23) residente em áreas do PSF e 33% (n = 12) residente em áreas de UBS Tradicionais (Tabela 3.23). Cerca de 64% das mães (n = 28) alegaram que as crianças não consultaram por outros motivos na UBS da área porque não precisaram, com proporção de 65% (n = 15) no PSF e de 62% (n = 13) nas áreas de UBS Tradicionais, 14% (n = 6) porque tinham convênio (9% no PSF e 19% nas UBS Tradicionais) e 21% (n = 9) devido à avaliação insatisfatória do serviço, sendo de 22% (n = 5) no PSF e de 19% (n = 4) nas UBS Tradicionais (Tabela 3.23). 79 Tabela 3.23 - Características das consultas por outros motivos além de diarréia e pneumonia das crianças estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, 2005. Indicador Pelotas (%) Consultou na UBS da área por outros motivos 50 Não consultou na UBS da área por juízo insatisfatório 21 3.5.2.2.2 Mulheres Pré-natal A proporção de mulheres estudadas que fizeram alguma consulta de pré-natal, na última gravidez, foi de 99% (n = 106) em Pelotas, alcançando 99% das entrevistadas (n = 67) das áreas do PSF, a totalidade das de UBS Tradicionais (n = 39) – (Tabela 3.24). De modo geral, as mulheres entrevistadas referiram o início do pré-natal do último filho em torno da 10ª semana de gestação, com média de nove semanas entre as residentes em áreas do PSF e de 12 entre as de UBS Tradicionais. Em menos da metade dos casos para Pelotas (44% ; n = 47), em maior proporção entre as residentes das áreas do PSF (55%; n = 37) do que das Tradicionais (26%; n = 10), o pré-natal foi feito na UBS da área de abrangência (Tabela 3.24). Dentre as mulheres que fizeram o pré-natal fora da área da UBS, quase metade (49%; n = 26) referiu como motivo ter convênio, 36% (n = 19) juízo insatisfatório da UBS e 15% (n = 8) não moravam no bairro. A insatisfação com a UBS da área foi maior nas áreas das UBS Tradicionais (39%; n = 11) do que nas do PSF (32%; n = 8) – (Tabela 3.24). Durante o pré-natal, a vacina contra o tétano deixou de ser aplicada em 35% (n = 6) das mulheres que efetivamente necessitavam, sendo quatro do PSF e duas das áreas das UBS Tradicionais. Esta vacina foi realizada desnecessariamente em 67% (n = 33) das mulheres, em 67% no PSF (n = 22) e em 69% (n = 11) nas UBS Tradicionais (Tabela 3.24). 80 A maioria das entrevistadas que realizaram o pré-natal na UBS da área de abrangência expressou opinião positiva sobre o programa (81% ; n = 38), sendo de 78% (n = 29) nas áreas do PSF e de 90% nas de UBS Tradicionais (n = 9) – (Tabela 3.24). Tabela 3.24 - Características do pré-natal das mulheres estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Fez pré-natal na última gravidez (%) Início do pré-natal (semana) Pelotas 99 10ª semanas Fez pré-natal na UBS da área (%) 44 Não fez pré-natal na área por juízo insatisfatório (%) 36 Deixou de fazer vacina antitetânica (%) 35 Fez antitetânica desnecessariamente (%) 67 Teve opinião positiva sobre o pré-natal (%) 81 Aleitamento materno A informação sobre a importância de iniciar a amamentação na 1ª hora de vida da criança alcançou 85% (n = 39) das mulheres entrevistadas. A escuta das preocupações ou problemas com a amamentação e a orientação sobre dificuldades e problemas com a amamentação foi referida por 84% (n = 37) das mulheres. Apenas 23% (n = 11) das mulheres mencionaram ter recebido apoio ou suporte para amamentar imediatamente após o parto, através de reuniões ou atividades em grupo (Tabela 3.25). As prevalências de aconselhamento sobre aleitamento materno foram variáveis entre os modelos de UBS, por vezes maiores entre as moradoras das áreas de UBS do PSF, e em outras, entre as de UBS Tradicionais (Tabela 3.25). 81 Tabela 3.25 - Orientações sobre aleitamento fornecidas no pré-natal realizado na Unidade Básica de Saúde da área de abrangência em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Orientação sobre o aleitamento materno Pelotas (%) Importância de amamentar na 1ª hora de vida 85 Vantagens da amamentação 87 Hábitos de amamentação 83 Importância de estimular a criança a sugar 82 Importância da continuidade da amamentação 72 Preocupações sobre amamentação ouvidas 84 Prejuízo da mamadeira 70 Prejuízo do bico/ chupeta 75 Orientação sobre dificuldades para amamentar 87 Orientações sobre posições para o aleitamento 67 Orientações sobre extração do leite 65 Apoio para amamentar por grupo pré-natal 53 Apoio para amamentar por grupo após o parto 23 Planejamento familiar A utilização de algum método anticoncepcional foi uma realidade para 89% (n = 95) das mulheres da amostra, sendo 91% (n = 62) das de áreas do PSF e 85% (n = 33) de UBS Tradicionais. Entre as entrevistadas, 67% (n = 62) fazia uso de anticoncepcional oral, 23% (n = 21) de preservativo, 9% (n = 8) havia se submetido à laqueadura tubária e 5% (n = 5) fazia uso de DIU. Considerando o método anticoncepcional mais utilizado, a proporção de mulheres que referiram tomar anticoncepcional foi menor nas áreas de UBS do PSF (65%; n = 39) do que nas Tradicionais (70%; n = 23) – (Tabela 3.26). O anticoncepcional oral foi obtido na UBS da área para 36% (n = 23) das mulheres, foi comprado por 61% (n = 39) das usuárias e conseguido em outra UBS, que não a da abrangência, por 3% (n = 2). A proporção de entrevistadas que tiveram acesso 82 ao método através da UBS da abrangência foi de 46% (n = 19) para as residentes em áreas do PSF e de 17% (n = 4) para as de UBS Tradicionais (Tabela 3.26). Tabela 3.26 - Utilização de métodos anticoncepcionais pelas mulheres estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Métodos anticoncepcionais Pelotas (%) Utiliza algum método anticonceptivo 89 Utiliza ACO 67 Utiliza preservativo 23 Fez laqueadura tubária 9 Utiliza DIU 5 Obtém ACO na UBS da área 36 Precisa comprar ACO 61 Atendimento ginecológico Cerca de mais de um terço das mulheres estudadas no município (40% ; n = 42) realizou consulta ginecológica no último ano na UBS da área de abrangência, em maior proporção nas UBS do PSF (43%; n = 29) com relação as Tradicionais (33%; n = 13) – (Tabela 3.27). A opinião de 75% (n = 30) destas mulheres sobre o atendimento ginecológico na UBS foi positiva. Considerando-se as categorias bom, muito bom e ótimo, o percentual foi de 69% (n = 20) nas UBS do PSF e de 82% (n = 10) nas Tradicionais. Ao se questionar sobre uma quantificação para esta avaliação, em uma escala de 0 a 10, a resposta atingiu o valor 7,8 para Pelotas, sendo de 7,7 nas UBS do PSF e de 7,9 nas Tradicionais (Tabela 3.27). Quanto ao tempo de espera para conseguir a consulta na UBS da área, 20% (n = 7) relatou que conseguiu ser atendida no mesmo dia e 43% (n = 16) em outro dia da mesma semana (Tabela 3.27). 83 Tabela 3.27 - Características da consulta ginecológica no último ano das mulheres estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Consulta ginecológica Pelotas Consulta ginecológica na UBS da área no último ano (%) 40 Opinião positiva sobre atendimento (%) 75 Nota para atendimento 7,8 Consegue consulta para mesmo dia (%) 20 Consegue consulta em outro dia na mesma semana (%) 43 Prevenção do câncer ginecológico O conhecimento sobre o exame para prevenção do câncer de colo uterino alcançou 91% das mulheres (n = 97) estudadas, sendo que 93% (n = 133) já o havia realizado alguma vez na vida, com proporção de realização do exame de 88% (n = 52) entre as residentes nas áreas do PSF e de 100% (n = 38) entre as de UBS Tradicionais (Tabela 3.28). Tabela 3.28 - Prevenção do câncer de colo uterino nas mulheres estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas (%) Conhece exame pré-câncer 91 Já fez pelo menos um exame pré-câncer 93 Já fez pelo menos uma mamografia -- Utilização da UBS da área por outros motivos Vinte por cento das mulheres da amostra do município (n = 21) consultou na UBS por outros motivos, diferentes daqueles incluídos nas ações programáticas de saúde da mulher (ginecologia), com proporção de 27% (n = 18) entre as residentes das áreas do PSF e de 8% (n = 3) entre as de UBS Tradicionais. As mulheres que não 84 consultaram na UBS da área referiram, em 53% (n = 27) dos casos, que não necessitaram da consulta (Tabela 3.29). Tabela 3.29 - Consultas por outros motivos além do ginecológico das mulheres estudadas em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas (%) Consultou por outros motivos 21 Não consultou na UBS da área por não necessitar 53 3.5.2.2.3 Adultos Atividade física A recomendação médica para a prática de exercícios físicos em alguma consulta alcançou 24% (n = 20) da amostra do município, superior nas UBS do PSF (25%; n = 17). Esta mesma recomendação na última consulta foi referida por 15% (n = 12) dos adultos, com distribuição também superior entre as áreas do PSF (17%; n = 10) – (Tabela 3.30). Tabela 3.30 - Atividade física dos adultos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas (%) Recomendação médica da UBS para a prática de exercícios físicos 24 Recomendação médica da UBS para a prática de exercícios físicos na última consulta 15 Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) O diagnóstico de HAS foi informado por 35% (n = 38) dos adultos estudados, sendo a proporção de 38% (n = 29) entre os residentes em áreas do PSF e de 28% (n = 9) entre os residentes na abrangência de UBS Tradicionais, com duração média conhecida do problema de 10,6 anos (Tabela 3.31). 85 Haviam consultado na UBS da área nos últimos seis meses pelo problema 35% (n = 13) dos adultos da amostra, todos em UBS do PSF. O tempo decorrido desde a última consulta por HAS foi de 48,8 dias (Tabela 3.31). Em termos terapêuticos, 84% (n = 32) dos hipertensos utilizava medicamentos, enquanto este percentual foi de 86% (n = 25) nas áreas do PSF e de 78% (n = 7) nas de UBS Tradicionais (Tabela 3.31). Menos de metade dos adultos hipertensos (n = 13) da amostra de Pelotas informou utilizar outras formas de tratamento além daquelas preconizadas pelo médico, com predomínio entre os residentes de áreas do PSF (38%; n = 11) – (Tabela 3.31). A participação em atividades de grupos para hipertensos na UBS da área foi informada por 24% (n = 9), todos residentes em áreas do PSF. A hospitalização por HAS aconteceu nos últimos dois anos para sete pacientes (18%) da amostra (Tabela 3.31). Tabela 3.31 - Hipertensão Arterial Sistêmica nos adultos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Prevalência de HAS (%) Tempo médio de diagnóstico (anos) Pelotas 35 10,6 Consulta por HAS na UBS da área (%) 35 Consulta agendada (%) 23 Agendamento para o mesmo dia (%) 84 Agendamento para outro dia na mesma semana (%) 8 Agendamento para mais de uma semana (%) 8 Tempo desde a última consulta (dias) 48,8 Precisa usar medicamentos para HAS (%) 84 Outras formas de tratamento (%) 34 Participação em grupos de HAS (%) 24 Hospitalização por HAS nos últimos dois anos (%) 18 86 Diabetes Mellitus (DM) O diagnóstico de diabetes foi informado por sete adultos (6%), sendo quatro residentes na abrangência do PSF e três de UBS Tradicionais, e o tempo de conhecimento do diagnóstico foi de 5,9 anos (Tabela 3.32). O local de consulta nos últimos seis meses para a doença foi a UBS da área de sua moradia para dois pacientes, ambos da área do PSF. O agendamento das consultas aconteceu para ambos, que conseguiram consultar no mesmo dia da solicitação do atendimento. O tempo decorrido desde a última consulta foi de 52,5 dias (Tabela 3.32). O uso de medicação para o tratamento da doença foi referido por cinco pacientes, sendo três da abrangência do PSF e dois das UBS Tradicionais. A adoção de outras formas de tratamento, além daquelas preconizadas pelo médico foi relatada por quatro dos adultos com diabetes, sendo três moradores da área do PSF e um das UBS Tradicionais. A participação em atividades de grupo na UBS da área foi realidade para um dos adultos com diabetes, morador da abrangência do PSF, enquanto que nenhum referiu hospitalização por DM nos últimos 2 anos. 87 Tabela 3.32 - Diabetes Mellitus nos adultos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas Prevalência de diabetes (%) Tempo médio de diagnóstico (anos) 6 5,9 Consulta por diabetes na UBS da área (%) - Consulta agendada (%) - Agendamento para o mesmo dia (%) - Agendamento para outro dia na mesma semana (%) - Agendamento para mais de uma semana (%) - Tempo desde a última consulta (dias) 52,5 Precisa usar medicamentos para diabetes (%) - Outras formas de tratamento (%) - Participação em grupos de diabetes (%) - Hospitalização por diabetes nos últimos dois anos (%) - Consulta por problemas psíquicos “Problema de nervos” foi referido por 25% (n = 28) dos adultos estudados em Pelotas, observando-se menor proporção entre os moradores das áreas do PSF (22%; n = 18). A média de duração deste sofrimento foi de 17,9 anos e maior entre as áreas de UBS do PSF (19,5) – (Tabela 3.33). Apenas um entrevistado com problema de nervos consultou na UBS da área nos últimos seis meses. O tempo transcorrido desde o último atendimento foi de 114 dias (Tabela 3.33). Aproximadamente 44% (n =12) das pessoas que se consideraram portadoras deste tipo de problema, mencionaram a necessidade de usar medicamento, sendo oito moradores das áreas do PSF e quatro das UBS Tradicionais (Tabela 3.33). 88 Outras formas de tratamento, além da orientada pelo médico, foram mencionadas por oito adultos portadores de sofrimento psíquico estudados em Pelotas, sete residentes nas áreas do e um nas de UBS Tradicionais – (Tabela 3.33). Nenhum dos entrevistados participou de atividades de grupo na UBS para portadores deste tipo de sofrimento e não foi relatada hospitalização por problemas psíquicos nos últimos dois anos (Tabela 3.33). Tabela 3.33 - Problemas de nervos nos adultos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Prevalência de problema de nervos (%) Tempo médio de diagnóstico (anos) Consulta por problema de nervos na UBS da área (%) Pelotas 25 17,9 0 Tempo desde a última consulta (dias) 114 Precisa usar medicamentos para problema de nervos (%) 44 Outras formas de tratamento (%) 30 Participação em grupos (%) 0 Hospitalização por problema de nervos nos últimos dois anos (%) 0 Saúde da Mulher Na amostra de adultos estudados em Pelotas, 59% (n = 68) eram mulheres. A idade média das mulheres estudadas foi de 46,1 anos, sendo de 46,7 anos nas áreas das UBS do PSF e de 44,7 anos nas Tradicionais. Aproximadamente 21% (n = 14) das mulheres estudadas no município, todas residentes na abrangência do PSF haviam consultado no último ano para problemas ginecológicos. O tempo de espera entre a marcação da consulta e sua realização foi de 10,5 dias. História familiar de câncer de mama na mãe e irmãs das mulheres entrevistadas foi referida por três das entrevistadas, todas residentes na abrangência do PSF. Dez das 14 mulheres que consultaram na UBS da área por problemas ginecológicos no último 89 ano tiveram as mamas examinadas na última consulta ginecológica, sendo moradoras das áreas do PSF. A quase totalidade das mulheres conhecia o exame para prevenção do câncer de colo uterino, 96% na mostra de Pelotas (n = 65). A grande maioria delas (97%) já o havia realizado alguma vez na vida, sendo esta proporção maior nas UBS do PSF (98%; n = 43) do que nas Tradicionais (95%; n = 20) – (Tabela 3.34). Do total das mulheres estudadas no município, 61% (n = 41) realizou mamografia, em menor freqüência nas áreas do PSF (59%; n = 27) – (Tabela 3.34). Nos últimos três meses, oito mulheres consultaram na UBS da área por outro motivo diferente do ginecológico, realizando em média 2,9 consultas por mulher. Tabela 3.34 - Prevenção do câncer de colo uterino nas mulheres da amostra de adultos de Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas (%) Conhece exame pré-câncer 96 Já fez pelo menos um exame pré-câncer 97 Já fez pelo menos uma mamografia 61 Opinião sobre o atendimento na UBS Na opinião dos adultos, em uma escala de zero a dez, a qualidade do atendimento foi avaliada em 6,9. 3.5.2.2.4 Idosos Atividade física A recomendação médica para a prática de exercícios físicos em alguma consulta alcançou 22% (n = 20) da amostra, em menor proporção nas áreas do PSF (20%; n = 12). Esta mesma recomendação na última consulta foi referida por 13% (n = 11) dos idosos, sendo oito de áreas do PSF e quatro das UBS Tradicionais (Tabela 3.35). 90 Tabela 3.35 - Atividade física dos idosos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas (%) Recomendação médica da UBS para a prática de exercícios físicos 22 Recomendação médica da UBS para a prática de exercícios físicos na última consulta 13 Hipertensão Arterial Sistêmica A prevalência de Hipertensão Arterial Sistêmica entre os idosos foi de 51% (n = 50), de 53% (n = 34) na abrangência de UBS do PSF e de 47% (n = 16) das Tradicionais, e o tempo médio que os idosos sabiam de sua hipertensão foi de 14,4 anos, 12,9 anos na abrangência de UBS do PSF e 19,1 anos nas Tradicionais (Tabela 3.36). A consulta por hipertensão aconteceu na UBS da área para 29% dos idosos (n = 14), sendo de 36% (n = 12) entre os residentes nas áreas do PSF e de 13% (n = 2) nas de UBS Tradicionais (Tabela 3.36). Entre os idosos hipertensos que utilizaram a UBS da área apenas cinco responderam sobre o agendamento das consultas, todos residentes em área do PSF. As consultas por hipertensão na UBS foram agendadas para três desses idosos, sendo que todos consultaram no mesmo dia da solicitação de atendimento. O tempo médio que decorreu da última consulta até a data da entrevista foi de 21,7 dias para os idosos entrevistados em Pelotas, sendo maior para as UBS Tradicionais (30 dias) – (Tabela 3.36). O uso de medicamentos para o controle da pressão arterial era uma realidade para 88% (n = 44) dos idosos hipertensos, em maior freqüência entre os das áreas do PSF (94%; n = 32) – (Tabela 3.36). Outras formas de tratamento além daquelas indicadas pelo médico foram adotadas por 40% (n = 20) das pessoas, 47% no PSF e 25% nas Tradicionais (Tabela 3.36). Participar de atividades de grupo dedicadas aos hipertensos na UBS foi uma afirmação de 25% (n = 12) desta amostra (Tabela 3.36). 91 A hospitalização por hipertensão aconteceu para quatro idosos hipertensos, sendo três residentes na abrangência do PSF e um das UBS Tradicionais (Tabela 3.36). Tabela 3.36 - Hipertensão Arterial Sistêmica nos idosos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Prevalência de HAS (%) Tempo médio de diagnóstico (anos) Pelotas 51 14,4 Consulta por HAS na UBS da área (%) 29 Atendimento no mesmo dia (%) 6 Tempo desde a última consulta (dias) 21,7 Precisa usar medicamentos para HAS (%) 88 Outras formas de tratamento (%) 40 Participação em grupos de HAS (%) 25 Hospitalização por HAS nos últimos dois anos (%) 8 Diabetes Mellitus O diagnóstico de diabetes foi informado por 17% (n = 16) dos idosos entrevistados em Pelotas, 19% nas áreas do PSF e 12% das Tradicionais). O tempo médio que tinham conhecimento do diagnóstico foi de 9,4 anos, de maior duração entre os moradores na abrangência do PSF (9,9 anos) – (Tabela 3.37). Cinco idosos consultavam por diabetes na UBS da área (38%), todos residentes de áreas do PSF. A consulta foi agendada para três casos e marcada para o mesmo dia para todos. O tempo médio decorrente desde a última consulta foi de 31 dias. A necessidade de usar medicação para a doença foi informada por 88% (n = 14) dos diabéticos, sendo maior entre os residentes da abrangência do PSF (92%; n = 11) – (Tabela 3.37). O uso de outras formas para o tratamento além daquelas indicadas pelo médico foi relatado por sete idosos diabéticos (44%) entrevistados em Pelotas (42% dos moradores das áreas do PSF e 50% das UBS Tradicionais) – (Tabela 3.37). 92 A participação em atividade de grupo dirigida aos diabéticos foi informada por seis (34%) idosos entrevistados no município, todos residentes em áreas do PSF. Nenhum idoso com diabetes hospitalizou pela doença nos últimos dois anos (Tabela 3.37). Tabela 3.37 - Diabetes Mellitus nos idosos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas Prevalência de diabetes (%) 17 Tempo médio de diagnóstico (anos) 9,4 Consulta por diabetes na UBS da área (%) 38 Consulta agendada (%) 60 Agendamento para o mesmo dia (%) 100 Tempo desde a última consulta (dias) 31,0 Precisa usar medicamentos para diabetes (%) 88 Outras formas de tratamento (%) -- Participação em grupos de diabetes (%) -- Hospitalização por diabetes nos últimos dois anos (%) -- Problemas Psíquicos A proporção de idosos que referiram problemas de nervos foi de 29% (n = 28) em Pelotas, sendo de 27% (n = 17) no PSF e de 32% (n = 11) nas UBS Tradicionais. O tempo médio que sabiam ter problemas de nervos foi de 28,8 anos, sendo superior nas áreas do PSF (30,1 anos) – (Tabela 3.38). A consulta por este motivo foi realizada na UBS por um paciente da amostra do município. Esse atendimento foi agendado com espera de quatro dias para ser atendido. O tempo decorrente da última consulta em relação à data da entrevista foi de 120 dias (Tabela 3.38). 93 O uso de medicamentos para problema de nervos foi referido por 54% (n = 15) dos idosos, com proporções semelhantes entre as áreas por modelo de UBS (Tabela 3.38). Outras formas de tratamento além da indicada pelo médico foram adotadas por 36% (n = 10) dos informantes, com proporção de 41% (n = 7) nas áreas do PSF e de 27% (n = 3) das UBS Tradicionais (Tabela 3.38). Nenhum idoso participou de atividade de grupo para portador de sofrimento psíquico (PSP) na UBS. A hospitalização nos últimos dois anos por este tipo de problema ocorreu para um dos entrevistados de Pelotas (Tabela 3.38). Tabela 3.38 - Problemas de nervos nos idosos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Prevalência de problema de nervos (%) Tempo médio de diagnóstico (anos) Consulta por problema de nervos na UBS da área (%) Pelotas 29 28,8 4 Tempo desde a última consulta (dias) 120 Precisa usar medicamentos para problema de nervos (%) 54 Outras formas de tratamento (%) 36 Participação em grupos (%) 0 Hospitalização por problema de nervos nos últimos dois anos (%) -- Cuidado domiciliar A necessidade de cuidado domiciliar nos últimos três meses foi informada por 14% (n = 14) dos idosos amostrados no município, com prevalência maior nas áreas do PSF (20%; n = 13) – (Tabela 3.39). Dos idosos, oito (9%) afirmaram necessitar de cuidados domiciliares com regularidade, em maior proporção nas áreas do PSF (11%; n = 7). Utilizando uma escala de zero a dez, a satisfação média informada com o atendimento domiciliar foi de 8,6 (Tabela 3.39). 94 Tabela 3.39 - Necessidades de cuidado domiciliar dos idosos estudados em Pelotas. Estudo de Linha de Base, PROESF – UFPel, Lote 2 Sul, 2005. Indicador Pelotas Cuidado domiciliar nos últimos três meses (%) 14 Necessidade de cuidado domiciliar com regularidade (%) 9 Satisfação com cuidado recebido (0 a 10) 8,6 95 96 4 AVALIAÇÃO DO DESEMPENHO DA ATENÇÃO BÁSICA À SAÚDE EM PELOTAS O desenho transversal do ELB foi concebido para descrever a ABS e comparar os modelos de atenção, Tradicional e PSF. A pesquisa incluiu o universo dos municípios com mais de 100.000 habitantes do País, de seus gestores, Presidentes do Conselho Municipal de Saúde e uma amostra representativa das UBS em cada município.Em cada UBS foram estudados todos os trabalhadores da equipe, uma subamostra de usuários e da população adstrita que contribuíram para compor a amostra calculada para o lote de acordo com o delineamento do estudo.Assim, quando o recorte destaca o município, a descrição é representativa do que acontece até o nível da UBS e de seus trabalhadores. A amostra de usuários e da população, em função do desenho do estudo, permite uma descrição do que acontece nestas comunidades do município. As comparações entre os modelos estudados são possíveis apenas para o conjunto do lote, mas não no interior de cada município em função do tamanho sub-amostral pequeno e da falta de representatividade para comparações externas ao objeto de estudo do ELB que foi o modelo de atenção das UBS. A comparação dos dados do município com os do Lote e, eventualmente com os do Brasil, pode ser um marcador utilizado por gestores para avaliar seus esforços na implantação da política de saúde nos seus Municípios. Os indicadores demográficos e socioeconômicos de Pelotas são iguais ou melhores quando comparados aos do Brasil, exceção feita a proporção de esgoto. Quando comparados ao Rio Grande do Sul se revelam também bastante semelhantes. A grande maioria da população da área de abrangência das UBS de Pelotas residia em moradias adequadas, com água encanada e banheiro dentro de casa e dispondo de recolhimento do lixo domiciliar por caminhão de serviço municipal, exceção feita para as residências das crianças da amostra. A média de pessoas por domicílio foi de aproximadamente 5 pessoas, alcançando a concentração de sete ou mais pessoas por domicilio em cerca de 15% da amostra de crianças e mulheres e 5% de adultos e idosos. 97 As mães das crianças estudadas, como as mulheres e os adultos informaram renda média per capita de menos de um salário mínimo. A renda nas comunidades do PSF foi sistematicamente menor do que a observada nas comunidades das unidades tradicionais. Um terço a um quarto da amostra de todos os segmentos populacionais estudados estava incluída no estrato social E. Pelotas mostrou um aprendizado institucional baixo, cobertura de PSF de 16% e uma tímida conversão do modelo uma vez que não ocorreu aumento das UBS existentes na rede do Município. O ingresso por concurso público foi de 60% entre os trabalhadores da rede básica e o trabalho tipicamente precário (sem garantias trabalhistas) alcançou 8% dos trabalhadores da atenção básica estudados em Pelotas. O pagamento aos trabalhadores não sofre atrasos. Os profissionais de Pelotas referiram baixas proporções de capacitação para todas as possibilidades de capacitações estudadas. A despesa per capita com saúde em Pelotas foi semelhante a média mostrada pelos municípios do Lote 2 Sul, embora o investimento em Recursos Humanos tenha sido quase a metade do que o revelado nos demais municípios do Lote 2 Sul. As nove unidades estudadas não se mostraram adequadas para o acesso de idosos e pessoas com deficiência. Para a maioria das ações programáticas, a utilização de protocolos nas UBS estudadas em Pelotas foi pouco freqüente. Dois terços dos profissionais de saúde de Pelotas consideraram a qualidade dos serviços prestados nas UBS como boa ou muito boa. De modo geral, os indicadores do Pacto da Atenção Básica são desfavoráveis ao município, com exceção do número de consultas médicas básicas por habitante por ano e a proporção de nascidos vivos com sete ou mais consultas de pré-natal. A ABS em Pelotas apresenta um desempenho semelhante a média do Lote, embora seus problemas tenham sido maiores do que aqueles revelados para o conjunto dos municípios avaliados e suas desvantagens necessitem de uma importante atenção dos gestores, no sentido de ampliar e qualificar esta atenção à população local. 98 5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Des Jarlais DC, Lyles C, Crepaz N. Improving the reporting quality of nonrandomized evaluations of behavioral and public health interventions: the TREND statement. 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