Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia Concessão Florestal no Amazonas: Estudos da viabilidade de implantação na Floresta Estadual Tapauá. Akis Alves da Silva Manaus/AM 2014 Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia Concessão Florestal no Amazonas: Estudos da viabilidade de implantação na Floresta Estadual Tapauá. Akis Alves da Silva ORIENTADOR: Henrique dos Santos Pereira, Ph. D. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Gestão de Áreas Protegidas da Amazônia, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia MPGAPAM/INPA, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Gestão de Áreas Protegidas. Manaus/AM 2014 Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Central do INPA S586 Silva, Akis Alves da Concessão Florestal no Amazonas: Estudos da viabilidade de implantação na Floresta Estadual Tapauá / Akis Alves da Silva. --- Manaus: [s.n.], 2014. 123 f. : il. color. Dissertação (Mestrado) --- INPA, Manaus, 2014. Orientador: Henrique dos Santos Pereira. Área de concentração: Gestão de Áreas Protegidas na Amazônia. 1. Concessão Florestal. 2. Manejo Florestal. 3. Zoneamento Ambiental. I. Título. CDD 634.928 Akis Alves da Silva Concessão Florestal no Amazonas: Estudos da viabilidade de implantação na Floresta Estadual Tapauá. ORIENTADOR: Henrique dos Santos Pereira, Ph. D. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Gestão de Áreas Protegidas da Amazônia, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia MPGAPAM/INPA, como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Gestão de Áreas Protegidas. BANCA EXAMINADORA Dr. Joberto Veloso de Freitas, Presidente _____________________________________ Universidade Federal do Amazonas – UFAM Dra. Liliane Martins Teixeira, Membro ______________________________________________ Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas – IPAAM MSc. Neila Maria Cavalcante da Silva, Membro ___________________________________________ Centro Estadual de Unidade de Conservação – CEUC A minha mãe Maria de Lourdes e ao meu Pai Orlando Barreto, as minha irmãs e a minha namorada Paula Caroline que me acompanharam, incentivaram e apoiaram na realização deste trabalho, dedico. AGRADECIMENTOS A Deus, pela força que sempre a mim foi dada para realização de mais um sonho com dedicação, perseverança e amor; Ao meu orientador, Prof. Dr. Henrique dos Santos Pereira por me dar a oportunidade e acreditar na minha capacidade em realizar um trabalho desafiador e de muita expectativa para a gestão das Florestas Estaduais do Amazonas. Obrigado professor, pela sabedoria transmitida, críticas e direcionamentos, pelas sugestões e conselhos; Ao Instituto Nacional de Pesquisa da Amazônia – INPA e aos professores do curso de Mestrado em Gestão de Áreas Protegidas da Amazônia que dedicaram várias de suas preciosas horas nas orientações e ensinamentos durante toda trajetória do curso; Aos preciosos amigos, companheiros e colegas de profissão com os quais convivi inesquecíveis momentos realizando inúmeros trabalhos, em especial ao Jhones Lemos Alves, Cleber Damasceno, Joanizio Mesquita, Rafaela Machado, Maria Eliene, Neila Cavalcante e demais colegas; Ao CEUC (Centro Estadual de Unidade de Conservação), e ao MPGAP-AM (Programa de Pós Graduação em Gestão de Áreas Protegidas da Amazônia), por oportunizar o curso de Pós Graduação; Aos funcionários e gestores das instituições como IPAAM (Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas), CEUC (Centro Estadual de Unidade de Conservação), SDS (Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas), ADS (Agencia de Desenvolvimento Sustentável do Estado do Amazonas), UFAM (Universidade Federal do Amazonas) entre outros, pelas informações cedidas e orientações prestadas; Aos moradores da Floresta Estadual Tapauá pela atenção dada a este trabalho e pela colaboração no fornecimento de informações e participação das reuniões; À todos meu muito obrigado! RESUMO Este estudo objetivou avaliar a viabilidade de implantação do processo de concessão na floresta Estadual Tapauá criada pelo decreto 27.419/2009, com uma área de 881.704 hectares, localizada no sul do Estado do Amazonas no interflúvio dos rios Purus e Madeira, recortada pelos rios Ipixuna, Itaparanã e Jacaré, apresentando grandes riscos a conservação por estar situada em uma região de grande pressão ao desmatamento. Este cenário motivou a realização deste trabalho, que iniciou com o estudo da gestão florestal do Estado do Amazonas para a concessão florestal e estruturação de uma base cartográfica de dados biofísicos sobre a área da Floresta Estadual Tapauá para elaborar uma proposta de zoneamento para a área de estudo com base nas suas potencialidades para concessão florestal. Com auxílio das ferramentas geotecnológicas foram geradas as cartas de Solos, Declividade, Vegetação, Hidrografia; Vias de acesso e APP. Em seguida realizou-se o levantamento do potencial para implantação do sistema de concessão florestal através da combinação dos critérios padronizados de cada carta temática, tendo como resultados áreas potenciais para concessão florestal espacializadas através de um grid com blocos de 5 mil hectares com níveis diferenciados de potencialidades para concessão florestal. Através da metodologia aplicada, os resultados de forma geral mostram que a Floresta Estadual Tapauá possui diversas características desejáveis para implantação da concessão florestal. Possui uma topografia favorável a práticas de exploração de impacto ambiental reduzido. As zonas potenciais identificadas para tal fim neste primeiro esforço foram da magnitude de 113.194,86 hectares, o que equivale a 61,37% da área total destinada para concessão florestal da Floresta Estadual Tapauá. Indicando uma boa oportunidade para aplicação de empreendimentos e negócios para o setor florestal. Palavras chave: Concessão Florestal, Manejo Florestal e Zoneamento Ambiental. ABSTRACT This study aimed to evaluate the feasibility of implementing the procedure for granting the State Forest Tapauá created by decree 27.419/2009, with an area of 881 704 hectares, located in the southern state of Amazonas in the interfluve of the Purus and Madeira rivers, Ipixuna cut by rivers, Itaparanã and Alligator, presenting major risks to conservation because it is located in a region of high pressure to deforestation. This scenario motivated this work, which began with the study of forest management in the state of Amazonas to the forest concession and structuring a basemap of biophysical data over the area of State Forest Tapauá to develop a proposed zoning for the area study based on their potential for forest concession. With the aid of tools geotecnológicas letters of Soils, Slope, vegetation, hydrography were generated; Access roads and APP. Then it was held the survey of the potential for deployment of the forest concession system by combining the standard criteria for each thematic letter, with the potential outcomes for forest concession areas spatialized through a grid with blocks of 5000 hectares with different levels of potential for forest concession. Through the methodology applied, the results generally show that Tapauá State Forest has several desirable characteristics for deployment of the forest concession. Have a favorable operating practices of the reduced environmental impact topography. Potential areas identified for this purpose in this first effort was the magnitude of 113,194.86 hectares, equivalent to 61.37% of the total area devoted to forest concession from the State Forest Tapauá. Indicating a good opportunity for application and business ventures for the forestry sector. Keywords: Forest Concession, Forest Management and Environmental Zoning. Listas de Figuras Figura 01 Evolução das florestas públicas cadastradas no Brasil ............................................ 33 Figura 02 Fluxograma de Fases e Etapas do Processo de Concessão Florestal no Brasil........ 37 Figura 03 Mapa de Localização da Área de Estudo ................................................................. 41 Figura 04 Esquema da plotagem das parcelas em campo ........................................................ 49 Figura 05 Localização dos pontos de amostragem na Floresta Estadual Tapauá ..................... 54 Figura 06 Carta do zoneamento da Unidade de Conservação .................................................. 56 Figura 07 Fluxograma metodológico ....................................................................................... 58 Figura 08 Estrutura organizacional da gestão florestal do Estado do Amazonas ..................... 71 Figura 09 Carta temática de solos da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. ....................................................................................................................... 76 Figura 10 Carta temática de declividade da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. ....................................................................................................................... 78 Figura 11 Carta temática de Vegetação da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. ....................................................................................................................... 80 Figura 12 Carta temática de Hidrografia da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. ....................................................................................................................... 82 Figura 13 Carta temática de vias de acesso da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá .......................................................................................................... 84 Figura 14 Carta de critério padronizado PSOLOS com suas classes de potencialidade da área destinada para concessão florestal ............................................................................................ 87 Figura 15 Carta de critério padronizado declividade contínua PDECL com suas classes de potencialidade da área destinada para concessão florestal l ..................................................... 89 Figura 16 Carta do critério padronizado vegetação (PV) com suas classes de potencialidade da área destinada para concessão florestal .................................................................................... 91 Figura 17 Carta do critério padronizado distância as vias de acesso PDVA com suas classes de potencialidade da área destinada para concessão florestal ....................................................... 93 Figura 18 Carta do critério padronizado da Área de Preservação Permanente PAPP com suas classes de potencialidades da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá.... .................................................................................................................................. 96 Figura 19 Carta de critério padronizado distância ao centro consumidor PDCC com suas classes de potencialidade da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá.... .................................................................................................................................. 99 Figura 20 Carta do critério padronizado potencialidade florestal de interesse comercial PPFIC com suas classes de potencialidade da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá...................................................................................................................... 102 Figura 21 Carta de critério padronizado da potencialidade para concessão florestal após a combinação dos critérios padronizados .................................................................................. 105 Figura 22 Carta de critérios padronizados, proposta de zoneamento ambiental, espacialização e distribuição de áreas com classes de potencialidade para concessão florestal .................... 107 Figura 23 Carta de critério padronizado de zoneamento ambiental, espacialização e distribuição de áreas com classes de potencialidades para concessão florestal ..................... 109 Figura 24 Espacialização e distribuição de áreas com classes de potencialidades no bloco de 5 mil hectares ............................................................................................................................. 110 Lista de Tabelas Tabela 01 Localização das Florestas públicas no Brasil nos diferentes biomas ...................... 34 Tabela 02 Florestas estaduais incluídas no cadastro Nacional de Florestas Públicas .............. 40 Tabela 03 Representação das classes de potencialidade .......................................................... 63 Tabela 04 Descrição dos critérios padronizados e suas respectivas classes de potencialidades ......................................................................................................................... 68 Tabela 05 Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal, considerando o critério padronizado solos (PSOLOS)...............................................................................................................................87 Tabela 06 Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal, considerando o critério padronizado declividade contínua (PDECL). ................................................................................................................... 89 Tabela 07 Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal considerando o critério padronizado vegetação (PV).........................................................................................................................................91 Tabela 08 Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal, considerando o critério padronizado distância a as vias de acesso (PDVA). ........................................................................................................ 93 Tabela 09 Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal, considerando o critério padronizado da área de preservação permanente PAPP ................................................................................................. 96 Tabela 10 Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal, considerando o critério distância da área ao centro consumidor (PDCC).. .................................................................................................... 98 Tabela 11 Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal, considerando o critério padronizado potencialidade florestal de interesse comercial (PPFIC).. ...................................................... 101 Tabela 12 Volume por hectare de três regiões do sul do Amazonas por Lima (2010)...........103 Tabela 13 Ocupação das classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem da área destinada para concessão florestal, considerando a combinação dos critérios padronizados (PSOLOS), (PDECL), (PV), (PDVA), (PAPP), (PDCC) e (PPFIC). .................................................................................................................................. 104 Tabela 14 Proposta de zoneamento considerando a espacialização e distribuição de áreas conforme a classificação de critérios de potencialidade, com seus respectivos valores em porcentagem da área total destinada para concessão florestal ............................. 108 Sumário 1. Introdução ............................................................................................................................ 15 2. Justificativas ........................................................................................................................ 20 3. Objetivos............................................................................................................................... 21 4. Embasamento Teórico .......................................................................................................... 22 4.1. Marco regulatório da legislação ambiental no Brasil para concessão florestal ............. 23 4.2. Gestão de Florestas Públicas no Brasil .......................................................................... 25 4.3. Gestão de Florestas Públicas no Estado do Amazonas.................................................. 28 4.4. Modalidades de gestão de florestas públicas ................................................................. 31 4.4.1. Gestão direta governamental ................................................................................ 31 4.4.2. Gestão indireta ou concessão florestal.................................................................. 32 4.5. Cadastro nacional de florestas públicas (CNPF) ........................................................... 33 4.6. Unidade de conservação ................................................................................................ 35 4.7. Concessões florestais ..................................................................................................... 37 5. Material e Métodos ............................................................................................................... 41 5.1. Caracterização da área de estudo e seu entorno ............................................................ 41 5.1.1 Localização da área de estudo .............................................................................. 41 5.1.2 Caracterização socioeconômica ............................................................................ 42 5.1.3 Caracterização ambiental ...................................................................................... 44 5.1.3.1 Clima ........................................................................................................ 44 5.1.3.2 Solos ......................................................................................................... 44 5.1.3.3 Relevo ....................................................................................................... 46 5.1.3.4 Vegetação ................................................................................................. 46 5.1.3.4.1 Tipo de Vegetação ...................................................................... 47 5.1.3.5 Hidrografia ............................................................................................... 50 5.1.3.6 Vias de Acesso ......................................................................................... 50 5.1.3.7 Iventário Florestal .................................................................................... 53 5.1.3.8 Plano de Gestão ....................................................................................... 55 5.2. Procedimentos metodológicos ....................................................................................... 58 5.2.1. Estruturação da base cartográfica de dados biofísicos para identificar o potencial para concessão florestal ............................................................................................................ 59 5.2.1.1. Identificação e tratamento dos critérios de potencialidade para concessão florestall .................................................................................................................................... 62 5.2.1.2. Processo de determinação das cartas ............................................................ 63 5.2.1.2.1. Critérios utilizados........................................................................ 63 5.2.1.3. Geração das cartas de critérios ..................................................................... 69 6. Resultados e discussões ........................................................................................................ 71 6.1. Modelo Organizacional da Gestão florestal do Estado do Amazonas........................... 71 6.2. Determinação das cartas temáticas da área destinada para concessão florestal ............ 76 6.3. Determinação da potencialidade para concessão florestal ............................................ 80 6.3.1. Proposta de zoneamento ambiental, espacialização com distribuição de áreas com classes de potencialidade para concessão florestal ......................................................... 106 6.4. Alternativas de gestão para viabilizar a implantação da concessão florestal na florestal estadual tapauá........................................................................................................................ 111 7. Conclusões e recomendações ............................................................................................. 115 8. Referências Bibliográficas .................................................................................................. 118 15 1. INTRODUÇÃO As florestas públicas foram geridas durante muito tempo através de um mecanismo de privatização pelo qual se entrega terra às pessoas, por meio de documentos de posse e titulação. A falta de regulamentação do acesso a essas terras tornam a sua ocupação ilegal. Com isto, avança o processo de depreciação e destruição da floresta, mediante corte raso, sem gerar benefícios sociais, ambientais ou econômicos sustentáveis (Azevedo, 2006). Embora a floresta tenha sido historicamente mais utilizada pelos seus recursos não madeireiros, principalmente pelos povos e populações tradicionais, com a implantação do modelo desenvolvimentista na Amazônia, a madeira passou a ser o principal recurso extraído para uma economia regional em expansão. O modelo tradicional da ocupação da Amazônia tem levado a um aumento significativo do desmatamento, sendo este um fenômeno de natureza bastante complexa, que não pode ser atribuído a um único fator (Alencar et al., 2004). Segundo Fearnside (2006 p. 396), “o desmatamento na Amazônia brasileira tem aumentado continuamente desde 1991, variando de acordo com as mudanças relacionadas às forças econômicas. Estas mudanças incluem um pico no desmatamento em 1995, resultado do Plano Real, iniciação em 1994 e uma queda em 2005, resultado de taxas de câmbio desfavoráveis para exportações, combinado com a "operação Curupira" para reprimir a exploração madeireira ilegal em Mato Grosso, junto com criação de reservas e de área interditada no Pará após o assassinato da Irmã Dorothy Stang”. Contrariando a atual tendência de queda na taxa de desmatamento, este autor destaca que “é provável que o desmatamento futuro aumente ainda mais rapidamente por causa da constante expansão da rede de estradas. Decisões para construir ou pavimentar rodovias têm consequências de longo alcance, condenando a floresta circunvizinha ao desmatamento”. O processo de desmatamento normalmente começa com a abertura oficial ou clandestina de estradas que permitem a expansão humana e a ocupação irregular de terras à exploração predatória de madeiras nobres. Posteriormente, converte-se a floresta explorada em agricultura familiar e pastagens para a criação extensiva de gado, especialmente em grandes propriedades, sendo este fator responsável por cerca de 80% das florestas desmatadas na Amazônia Legal. Mais recentemente, as pastagens estão 16 dando lugar à agricultura mecanizada, principalmente àquela ligada às culturas de soja e algodão (Ferreira et al., 2005). Estudos recentes demonstraram que a forma mais efetiva de conservar a biodiversidade e os grandes processos ecológicos de uma região é através da criação de unidades de conservação (Bensusan, 2006). As unidades de conservação, mesmo aquelas que não foram ainda totalmente implementadas, funcionam como verdadeiras barreiras às frentes de desmatamento e corte seletivo ilegal e que ocorrem, por exemplo, nas grandes regiões de florestas tropicais do planeta (Vitel, 2009). Como a conservação da biodiversidade é um aspecto essencial de qualquer programa de desenvolvimento sustentável, as unidades de conservação bem implementadas e gerenciadas contribuem muito para a economia nacional, quando comparado com outras atividades econômicas não sustentáveis (Milano, 2000) e (Silva, 2007). Através de ações mitigadoras para a repavimentação da Rodovia Feral BR-319, várias Unidades de Conservação foram criadas com a intensão de fazer uma blindagem de contensão ao avanço de desmatamento. Dentre estas, a Floresta Estadual Tapauá criada com uma área de 881.704 hectares. Tendo como objetivos básicos: o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais, a pesquisa científica e o desenvolvimento sustentável de comunidades tradicionais; com ênfase em métodos para manejo sustentável de florestas nativas (SNUC, 2000; SEUC, 2007). Por estar distante dos centros urbanos, a Floresta Estadual Tapauá tem diversas dificuldades com relação ao estabelecimento de parcerias entre comunidades, organizações governamentais e não governamentais (por exemplo, para a obtenção de crédito, assistência técnica para a atividade florestal e capacitação de mão de obra); além de estruturação e suporte do órgão gestor (devido à atual carência na qualidade da infraestrutura e déficit no quadro de servidores). Contudo, a proposta de implantação da concessão florestal no Brasil vem com a ideia de conciliar maior integração e fortalecimento e ações entre governo, comunidades e o setor privado, o que parece ser o caminho para uma economia de base florestal sustentável e duradoura, de forma a garantir os direitos das populações que conservam e utilizam as florestas. 17 O mercado de madeira na Amazônia ainda é instável e indefinido, devido a questões técnicas, sociais, econômicas e políticas. É perceptível que os valores da madeira nativa da Amazônia são bastante variáveis dentro da própria região, não havendo uma fonte pública oficial que demonstre o preço atual de mercado para comercialização da madeira, principalmente na região do interflúvio Purus – Madeira. A Secretaria de Estado de Fazenda do Amazonas SEFAZ, publicou a Resolução N.º 0011/2013 – GSEFAZ (DOE de 02.04.013), que se refere à pauta de preços mínimos para a venda de madeira em tora e serrada no estado, sendo 85,00 reais o valor médio por metro cúbico da madeira em tora comercializada internamente no estado, mas que não é seguido principalmente pela concorrência na oferta de madeiras tropicais de origem sustentável em relação às oriundas do desmatamento. A política de concessão florestal vem com a proposta de trazer legalidade à atividade madeireira, a inclusão das populações locais, junto com a sustentabilidade econômica, social e ambiental no setor. Contudo, a experiência internacional de concessões, em sua maioria, não foi bem sucedida por conta da falha de controle, na geração de recursos financeiros necessários e também no controle de uma exploração sustentável da floresta. Nas Filipinas e na Indonésia, por exemplo, o governo coletou somente 16,5% e 38% respectivamente, das rendas associadas à extração madeireira consorciada (Repetto, 1988). Estas falhas podem estar associadas ao desenho do sistema de concessão e falhas nas políticas de implementação. As falhas no desenho de concessões ocorrem quando o governo cria sistemas de concessões que não são compatíveis com uma exploração florestal sustentável. Áreas de concessões muito amplas e períodos de concessão muito curtos são incentivos para a exploração exaustiva da floresta (Ferraz e Motta, 2002). O marco regulatório do novo modelo do Governo Federal para a Gestão de Florestas em áreas públicas é a Lei Federal Nº 11.284/2006 que dispõe sobre a Gestão de Florestas para a produção sustentável, institui na estrutura do Ministério do Meio Ambiente, dos Recursos Hídricos e da Amazônia Legal (MMA) o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) e cria o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal (FNDF). 18 Em função desses aspectos, torna-se importante estudar este modelo de gestão das florestas públicas por meio da concessão florestal, que inicia o processo legal de exploração dos recursos florestais, com garantia da certificação de origem dos produtos, redução do problema do comércio ilegal de madeira, com vistas a evitar a exaustão dos estoques desse recurso natural e propiciar a inclusão das populações tradicionais. A concessão florestal é um modelo de gestão de florestas públicas, segundo o qual outorga a floresta pública para a iniciativa privada, diante de ônus e obrigações legais. Segundo a Lei de Gestão de Florestas Públicas (LGFP), a concessão florestal pode ser definida como sendo a “delegação onerosa, feita pelo poder concedente, do direito de praticar manejo florestal sustentável para a exploração de produtos e serviços numa unidade de manejo, mediante licitação, à pessoa jurídica, em consórcio ou não, que atenda às exigências do respectivo edital de licitação e demonstre capacidade para seu desempenho, por sua conta e risco e por prazo determinado”. Em outras palavras, o contrato de concessão é uma licença formalizada para a realização do manejo de produtos e de serviços florestais, concedida à pessoa jurídica selecionada por licitação pública, sendo necessário o pagamento pelos produtos e pelos serviços florestais que serão acessados pelo concessionário, além do atendimento de outras obrigações e responsabilidades. O contrato de concessão é outorgado àquele que oferecer o maior preço pela concessão e propõe a melhor técnica considerando o menor impacto ambiental, maiores benefícios sociais diretos, maior eficiência e maior agregação de valor ao produto ou serviço florestal na região da concessão. Com a implantação do sistema de concessões florestais, alguns aspectos estratégicos da gestão dessas florestas precisam ser analisados, os desafios que esse sistema enfrentará em, conseguir integrar as ações dos órgãos de governo, articular as concessões às políticas integradas de desenvolvimento regional, promover a mudança do perfil empresarial e industrial madeireiro, inclusão direta e participativa das comunidades nesse negócio, estabelecer mecanismos de gestão de contratos que garantam a transparência e os ganhos socioambientais esperados e estabelecer modelos econômicos ajustados à dinâmica regional do setor madeireiro, onde durante décadas o mercado de madeira na Amazônia funcionou sem acompanhamento quanto à extração e comercialização dos produtos florestais. 19 Diante do exposto, este trabalho teve como objetivo realizar um diagnóstico de viabilidade para a implantação do sistema de concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá, além de propor medidas para a sua adequação ao desenvolvimento sustentável local, que deve ser conduzido nas áreas sob a influência do sistema de concessão. 20 2. JUSTIFICATIVA Diante da dificuldade do setor público em atender as demandas de implementação e execução das políticas ambientais para exploração sustentável dos recursos florestais, a implantação de uma política de concessão de áreas de florestas públicas para a exploração de madeiras comerciais emerge naturalmente como solução institucional para os problemas do comércio ilegal de madeira e monitoramento das Florestas. Sua vantagem é privatizar parte das funções e responsabilidades públicas para conseguir, a um só tempo, o manejo sustentável das florestas e a redução dos custos governamentais de administração, monitoramento e fiscalização dessas áreas. Permite, nesse sentido, conciliar a sustentabilidade ecológica com a viabilidade econômica das florestas. Em função destes aspectos torna-se importante estudar este modelo de gestão das florestas públicas, para dar início ao processo legal de exploração dos recursos florestais, por meio da concessão florestal com garantia da certificação de origem dos produtos e redução do problema do comércio ilegal de madeira além de contribuir fortemente para a inclusão das populações tradicionais nesse setor e para alavancar o desenvolvimento local. Apesar do Estado do Amazonas possuir lei que dispõe sobre as concessões florestais nas unidades de conservação de uso sustentável, denominadas Florestas Estaduais, ainda não existe área sob o regime de concessão. Portanto, este estudo é de grande importância, pois promoverá subsídios para que a Floresta Estadual Tapauá torne-se uma das pioneiras na gestão das florestas públicas no Amazonas por meio de um estudo direcionado ao sistema de concessão florestal. 21 3. OBJETIVO GERAL Avaliar a viabilidade da implantação da concessão florestal como instrumento de gestão para a Floresta Estadual Tapauá. 3.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 3.1.1 – Estudar o modelo organizacional da gestão florestal do Estado do Amazonas para a implantação do sistema de concessão florestal nas florestas públicas; 3.1.2 – Identificar áreas com potencial para a concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá; 3.1.3 – Propor alternativas de gestão para viabilizar a implantação da concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. 22 4. EMBASAMENTO TEÓRICO 4.1 MARCO REGULATÓRIO DA LEGISLAÇÃO AMBIENTAL NO BRASIL PARA CONCESSÃO FLORESTAL. As áreas de florestas públicas foram criadas inicialmente como Parques Florestais, pelo Instituto Nacional do Pinho (INP), órgão responsável por administrá-las. Em 1967, com a criação do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal (IBDF), os Parques Florestais, foram transformados em Florestas Nacionais (FLONAS), sendo administradas pelo novo órgão. O Código Florestal de 1934 continha uma seção sobre exploração de florestas de domínio público mediante concorrência pública, conditas na categoria Floresta de Rendimento (Castro, 2008). Com a reformulação do Código Florestal, em 1965 (Lei Federal No 4.771), as Florestas de Rendimento passaram a ser classificadas como Florestas Nacionais, Estaduais e Municipais. O termo Concessão de Florestas Públicas surgiu no Brasil pela primeira vez em 1968 no Congresso Florestal, em Manaus. A proposta foi rapidamente interrompida devido à dificuldade da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM) em estabelecer mais uma categoria de Unidade de Conservação federal; ao equívoco veiculado pela mídia com concessões para exploração de petróleo, em discussão, naquele período; e à enorme oferta de madeira na fronteira agropecuária dos eixos de expansão na Amazônia, na década de 1970 (Castro, 2008). A região amazônica era vista como escape espacial para os conflitos sociais nãosolucionados. Novas terras na Amazônia foram colocadas à disposição, com a chamada “alternativa para a reforma agrária” (Kohlhepp, 2002). Todavia, o slogan do governo, “Há terra para todos na Amazônia”, deu impulso à migração de massa para o norte, tendo sido iniciada espontaneamente na segunda metade dos anos 1970 (Kohlhepp, 2002). A fronteira agrícola avançou rapidamente ao longo de uma série de frentes pioneiras, estendendo-se adentro das florestas tropicais (Kohlhepp, 2002). Por causa disso, o aumento do desmatamento na Amazônia aconteceu de forma muito rápida, mas sem que a população pudesse se beneficiar da exploração dos recursos dessa floresta. O manejo florestal sustentável, que é baseado em técnicas apropriadas, surge como opção de aproveitamento da floresta pelas comunidades locais 23 como forma de gerar produtos e serviços sem degradar demasiadamente a floresta. Para que se possa fazer o Manejo Florestal Sustentável e utilizar economicamente os recursos da floresta, é necessário obedecer três regras básicas: 1) ter certeza da posse da terra, isto é, a garantia de que a terra é regularizada; 2) que seu uso será respeitado ao longo do tempo; 3) fazer o planejamento para saber qual a área de floresta disponível para manejar e os resultados que se quer obter. Desta forma, num ciclo de 25 a 30 anos, será possível ter a floresta regenerada e com a capacidade de produção mantida (Brasil, 2009a). Até 2006, no Brasil, não existia uma lei específica que norteasse sobre como explorar economicamente uma floresta pública. Mesmo aquelas que já estavam destinadas ao uso sustentável (Florestas Nacionais) também tinham carência de uma legislação. Neste mesmo ano, a sociedade brasileira obteve um grande avanço ambiental e produtivo com a promulgação da Lei de Gestão de Florestas Públicas (Lei Federal Nº. 11.284/06). A Constituição de 1988 define o Estado como regulador da economia em vez de ser protagonista direto. O artigo 21 estabelece quais as atividades que competem à União, definindo que a gestão direta do Estado pode acontecer apenas em algumas áreas estratégicas como comunicação, energia nuclear, entre outras. Como o recurso floresta não se enquadra nestas categorias, o poder público não pode atuar diretamente na produção florestal, com exceção das Unidades de Conservação de Uso Sustentável. Nos casos das Unidades de Conservação (UC), o órgão gestor pode realizar as atividades de produção direta como parte das atribuições de gestão para conservação dessas áreas. Não podendo fazer a gestão direta das demais áreas públicas de floresta, restavam ao Estado duas alternativas para promover o uso sustentável das florestas: privatizar as áreas, passando-as, através da titulação, a entes privados, ou trabalhar a gestão indireta por meio de mecanismos de concessão. A história tem mostrado que a privatização leva ao desmatamento e, por isso, os países com extensa cobertura florestal têm optado por manter suas áreas públicas de floresta (Azevedo, 2006). Nesse contexto é que se insere a decisão do Estado brasileiro por trabalhar a gestão indireta. A contratação de empresas, por parte do Estado, na lógica de concessão de florestas, exige o mecanismo da licitação, cuja lei pertinente, a Lei Federal No. 8.666, de 24 21/06/1993, apresenta algumas limitações, especialmente no que tange a prazos dos contratos (até cinco anos) e critérios de seleção (regras de contratação baseadas em preço e técnica, prejudicando os critérios ambientais e sociais). O manejo da floresta requer prazos longos, e critérios básicos de exploração sustentável: administração da floresta para a obtenção de benefícios econômicos, sociais e ambientais, respeitando-se os mecanismos de sustentação do ecossistema. Existia, pois, a necessidade de um marco regulatório para gestão de florestas públicas da mesma forma como foi necessário para a gestão das águas, recursos minerais, petróleo, energia elétrica e comunicação. 25 4.2 GESTÃO DE FLORESTAS PÚBLICAS NO BRASIL Em alguns países, as concessões florestais são aplicadas de forma mais permissiva, concedendo o direito de posse das terras aos concessionários, como o utilizado pelo Chile. Em outros casos, o concessionário tem apenas o direito de explorar ou manejar a área concedida nos termos do contrato, ou comprar madeira explorada pelo Estado como acontece na Tanzânia (Barreto e Veríssimo, 2002). Nos modelos de concessão, a variável ambiental nem sempre faz parte dos elementos acordados entre as partes e tal realidade favorece a exploração de forma irracional das florestas, exaurindo os recursos, como é o caso de países da Ásia cujas empresas florestais estão migrando para outras regiões no mundo que ainda possuem estoque de madeira tropical (Ferraz e Motta, 2002). O processo de elaboração da Lei Federal Nº. 11.284/2006 começou em dezembro de 2003, envolvendo um grupo de trabalho com representantes do governo federal, governos estaduais, ONGs, movimentos sociais, setor privado e instituições de ensino e pesquisa. O grupo realizou diversos estudos dos sistemas de gestão de florestas públicas de dezenas de países, bem como revisou a experiência brasileira com regulação de diversos setores como petróleo, energia, transportes, mineração, água e comunicação (Azevedo, 2006). As discussões culminaram em um seminário internacional, sediado na cidade de Belém, em 2004, e em audiências públicas pelos Estados da Amazônia. Boa parte das críticas às concessões florestais se baseia no fato de que, em países como Peru, Bolívia, Indonésia e Camarões esse instrumento não tem sido capaz de garantir boas práticas de produção florestal, ou ainda pior, resulta em uma chancela governamental às práticas predatórias do setor florestal (Voivodic, 2009). A Lei Federal No11. 284/06 tem como objetivos a regulamentação da gestão de florestas em áreas públicas (domínio da União, dos Estados e municípios), a criação do Serviço Florestal Brasileiro como órgão regulador da gestão e promotor do desenvolvimento florestal sustentável e, a criação do Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal voltado ao desenvolvimento tecnológico, à promoção da assistência técnica e a incentivos para o desenvolvimento florestal. 26 Conforme Decreto Federal No 6.063 de 2007, foram regulamentadas três formas de gestão para a produção florestal sustentável: (i) a criação de unidades de conservação para a produção florestal sustentável, como exemplo, as Florestas Nacionais; (ii) a destinação, de forma não onerosa (sem pagamento), para uso comunitário, como Projetos de Assentamentos Florestais - PAFs, Reservas Extrativistas - RESEX, Reservas de Desenvolvimento Sustentável - RDS, e Projetos de Desenvolvimento Sustentável - PDS; e (iii) concessões florestais pagas, baseadas em processo de licitação pública. O mecanismo de concessão só é aplicado em uma determinada região posteriormente à definição das unidades de conservação e das áreas destinadas ao uso comunitário. Ainda, o acesso da comunidade local aos produtos de uso tradicional, nas áreas que forem objeto de contrato de concessão deve ser garantido. A Lei Federal No11. 284/06 designa a concessão florestal como o instrumento legal adequado para propiciar o manejo de florestas públicas com critérios sociais e ambientais garantidos na concessão de florestas. O art. 3º, inciso VII, define concessão florestal como: “delegação onerosa do direito de praticar manejo florestal para a exploração sustentável de produtos e serviços de base florestal em áreas pré-definidas, conforme as condições estabelecidas e capacidades demonstradas no âmbito de processo licitatório”. Consequentemente, a Lei Federal No 11.284/06 visa regulamentar o acesso e a exploração dos recursos florestais, via concessões por tempo determinado de florestas nacionais, estaduais ou municipais, as quais serão licitadas e terão contrato de pagamento pelo uso dos recursos. As terras continuam sob o domínio público, mas com a permissão para o setor privado desenvolver atividades voltadas para produção de madeira, produtos não madeireiros e serviços como o turismo. O arranjo institucional definido na Lei Federal 11.284/06 inclui: o poder concedente, representado pela União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, com a função de firmar os contratos de concessão; o órgão gestor, representado pelo Serviço Florestal Brasileiro, na esfera federal e, por órgãos do Distrito Federal, estados e municípios, com a competência de disciplinar e conduzir o processo de outorga da concessão florestal; o órgão consultivo, representado em todas as esferas governamentais, composto pelo poder público e sociedade civil, com a finalidade de 27 assessorar, avaliar e propor diretrizes à gestão de florestas públicas; e, o órgão ambiental responsável por emissão de licenças, aprovação de planos de manejo e fiscalização ambiental. O Serviço Florestal Brasileiro - SFB tem as funções de atuar como órgão gerenciador do sistema de gestão de florestas públicas, fomentar o desenvolvimento florestal sustentável no Brasil e, gerir o Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal. Na concepção do arranjo institucional, o SFB é um órgão autônomo da administração direta, inserido na estrutura do Ministério do Meio Ambiente. O Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal – FNDF será utilizado para promover o fomento e o desenvolvimento tecnológico das atividades florestais sustentáveis, bem como atividades de monitoramento das florestas públicas. 28 4.3 GESTÃO DE FLORESTAS PÚBLICAS NO ESTADO DO AMAZONAS O Estado do Amazonas obteve um grande avanço na política ambiental, e, desde 2003, com a criação da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SDS vem estabelecendo e monitorando as Unidades de Conservação Estaduais, que hoje somam 49,14 % (excluindo todas as sobreposições) de seu território protegido por terras indígenas, unidades de conservação federais e estaduais. O Sistema Estadual de Unidade de Conservação (SEUC) é responsável por 41 UC, somando 19.007.032,62 milhões de hectares. O histórico de crescimento do SEUC é recente, avançando de 12 UC em 2003 para 41 até fevereiro de 2010, sendo nove de proteção integral e 32 de uso sustentável, refletindo a política voltada ao desenvolvimento atrelado à conservação das florestas, seus recursos naturais e à inclusão social. Além de ampliar a quantidade de áreas protegidas, o estado do Amazonas obteve avanços significativos na implementação destas Unidades. A promulgação da Lei Complementar Nº 53, de 05 de junho de 2007, que instituiu o Sistema Estadual de Unidades de Conservação, representa esse avanço. A partir da sua criação, amparada no Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), as relações entre o Estado, o cidadão e o meio ambiente, são reguladas e passam a serem preservados importantes remanescentes de ecossistemas do Amazonas, considerando, ainda, seus aspectos naturais e culturais. A gestão das UC do Estado do Amazonas está sobre responsabilidade do Centro Estadual de Unidades de Conservação (CEUC) vinculado à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), foi instituído pela Lei Nº 3.244, de 4 de abril de 2008, como parte da Unidade Gestora do Centro Estadual de Mudanças Climáticas e do Centro Estadual de Unidades de Conservação( UGMUC), vinculado à Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas. Compete ao CEUC, estabelecer parcerias institucionais para a gestão de unidades de conservação. A Gestão das UC é matéria de outra importante inovação do Amazonas, formalizada pela Lei Complementar 53, de 5 de junho de 2007, que instituiu o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC), parte do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC). Amparado neste instrumento legal, o CEUC estabeleceu parcerias estratégicas com instituições da sociedade civil visando a cogestão e a 29 implementação das UC do Amazonas, incluindo: Instituto Mamirauá; Instituto Piagaçu Purus, Fundação Vitória Amazônica, Instituto de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas (Idesam), Instituto Ipê, entre outros. A implementação de atividades de gestão das unidades de conservação deverá seguir os Planos de Gestão aprovados pelo CEUC. Para atender a esses desafios, o CEUC desenvolveu o Planejamento Estratégico Participativo para orientar a gestão por resultados, definindo metas anuais para cada processo. O complexo sistema de UC pode assim ser facilmente compreendido sob a ótica da gestão de processos. Estes processos, sejam eles voltados para os usuários externos (comunidades, visitantes, pesquisadores, sociedade, etc.) ou usuários internos (equipe administrativa, parceiros, doadores, SDS e IPAAM), estão inter-relacionados e interagem entre si de forma dinâmica. Portanto, os resultados de um processo são utilizados como insumos de outros processos e desta forma o CEUC se constitui em um sistema complexo e integrado de atividades que se abastecem e se complementam. O Governo do Estado do Amazonas, objetivando desenvolver o setor florestal, vem desde 2010, buscando a implementação de uma política florestal baseada no desenvolvimento sustentável de produtos florestais. A Lei Estadual No. 3.527, aprovada em 28 de julho de 2010, dispõe sobre as concessões florestais nas Unidades de Conservação de Uso Sustentável denominada Florestas Estaduais do Amazonas. Com objetivo de regulamentar o uso múltiplo sustentável dos recursos florestais e serviços ambientais, pesquisa científica e o desenvolvimento sustentável de comunidades tradicionais que vivem dessas áreas. No Art. 29o da Lei Estadual No. 3.527/2010, os recursos financeiros oriundos dos preços da concessão florestal de unidades localizadas em florestas públicas estaduais serão destinados ao poder concedente para execução de atividades relacionadas à concessão florestal, ao monitoramento, à fiscalização e á gestão das florestas estaduais, conforme destacado abaixo: “Art. 29o Paragrafo Único. 20% (vinte por cento) dos recursos financeiros oriundos aos municípios, 30 proporcionalmente a distribuição da floresta outorgada em suas respectivas jurisdições, para o fortalecimento do processo de gestão, fiscalização e monitoramento ambiental, bem como alocação e capacitação de recursos humanos em meio ambiente, na forma de regulamento”. 31 4.4 MODALIDADES DE GESTÃO DE FLORESTAS PÚBLICAS 4.4.1 GESTÃO DIRETA GOVERNAMENTAL Conforme o Art. 5º da Lei Federal No. 11.284/06, o poder público poderá exercer diretamente a gestão de florestas nacionais, estaduais e municipais criadas, sendo-lhe facultado, para execução de atividades subsidiárias, firmar convênios, termos de parceria, contratos ou instrumentos similares com terceiros, observados os procedimentos licitatórios e demais exigências legais pertinentes. A destinação de áreas para as comunidades locais é feita por mapeamento participativo realizado durante os estudos de diagnósticos, sendo um dos requisitos básicos que compõem o Plano de Gestão de Unidade de Conservação. Conforme o Art. 6º do instrumento supra, antes da realização das concessões florestais, as florestas públicas ocupadas ou utilizadas por comunidades locais serão identificadas para a destinação, pelos órgãos competentes, por meio de: I - criação de reservas extrativistas e reservas de desenvolvimento sustentável; II - concessão de uso, por meio de projetos de assentamento florestal, de desenvolvimento sustentável, agroextrativistas ou outros similares; III – outras formas previstas em lei. § 1º A destinação de que trata o caput deste artigo será feita de forma não onerosa para o beneficiário e efetuada em ato administrativo próprio, conforme previsto em legislação específica. § 2º Sem prejuízo das formas de destinação previstas no caput deste artigo, as comunidades locais poderão participar das licitações previstas, por meio de associações comunitárias, cooperativas ou outras pessoas jurídicas admitidas em lei. Embora sejam cedo para colher os frutos dos processos de concessão florestal no Brasil, a ideia de unir forças entre governo, comunidades e o setor privado parece ser o caminho para uma economia de base florestal sustentável e duradoura, de forma a 32 garantir riquezas e prosperidade para as populações que conservam e utilizam as florestas em unidades de conservação no Brasil. 4.4.2 GESTÃO INDIRETA OU CONCESSÃO FLORESTAL O uso da floresta pública pode ser feito pelo setor privado. Quem faz a exploração tem que pagar anualmente pelos recursos florestais que são retirados. A licitação é um tipo de concorrência para ver quem oferece as melhores vantagens para o uso da floresta. Quem oferecer, ao mesmo tempo, a melhor proposta técnica, considerando aspectos ambientais, sociais, de eficiência e de agregação de valor, assim como o melhor preço, será o selecionado. Pequenas, médias e grandes empresas, cooperativas e comunidades podem participar das licitações (Brasil, 2009a). Assim, é importante observar que: 1) nos dois tipos de gestão é possível explorar diferentes produtos como: madeira, óleos essenciais, frutos, sementes, etc. A floresta também pode ser utilizada para a produção de outros bens e serviços, como turismo, lazer, pesquisa científica, etc.; 2) podemos ter florestas públicas tanto naturais quanto plantadas, tanto na Amazônia como em outras regiões do país; 3) a floresta e a área continuam sendo públicas. Segundo os Art. 16º e 17º, é vedada a outorga de acesso aos recursos genéticos, fauna, recursos minerais, recursos hídricos, o carbono, e aos produtos usados pelas comunidades locais para sua subsistência. 33 4.5 CADASTRO NACIONAL DE FLORESTAS PÚBLICAS (CNFP) O Cadastro Nacional de Florestas Públicas (CNFP) foi criado pela Lei de Gestão de Florestas Públicas e regulamentado pelo Decreto Federal Nº 6.063/2007 e seus procedimentos operacionais foram fixados pelas Resoluções SFB nº 02/2007 e 03/2011, sendo integrado pelo Cadastro Geral de Florestas Públicas da União e pelos Cadastros de Florestas Públicas dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios (Art. 14º). O CNFP reúne dados sobre as florestas públicas brasileiras, de modo a oferecer à sociedade uma base confiável de informações relevantes para a gestão florestal. O CNFP visa a centralizar, organizar e disponibilizar para a sociedade as informações georreferenciadas sobre as florestas públicas dos órgãos e entidades da União, estados, municípios e Distrito Federal. O ordenamento dessas informações possibilita o melhor controle, planejamento e gestão do patrimônio florestal. O CNFP é resultado de um processo dinâmico e com atualização anual. Assim, áreas não destinadas podem passar a ter uma destinação, assim como pode haver alteração no tipo de destinação de áreas já destinadas. Contribuem com informações para o Cadastro CNFP os órgãos gestores de terras públicas federais, como: Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio/Ministério do Meio Ambiente), Fundação Nacional do Índio (Funai/Ministério da Justiça), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra/Ministério do Desenvolvimento Agrário) e Ministério da Defesa, assim como: órgãos estaduais de gestão florestal, meio ambiente e institutos de terras. Em 2013, o SFB realizou a sexta atualização dos dados e das informações do CNFP, totalizando 313.040,553 milhões de ha. A forma como as florestas públicas são ocupadas pode ser bem diferente, sendo 223.854.091 milhões de ha de florestas públicas federais e 89.066,318 milhões de ha de florestas públicas estaduais. Essa atualização acrescentou cerca de 119.204,843 milhões de ha de florestas públicas, em relação ao primeiro cadastro de 2007. Esse acréscimo decorreu, principalmente, da inclusão de 10.436.230 ha de novas florestas públicas federais, dos quais 4.736.549 ha são florestas com destinação específica (maior contribuição das áreas militares) e as demais correspondem a florestas públicas não destinadas. Ademais, foram acrescentados 34 1.832.637 ha de florestas estaduais não destinadas, principalmente no Pará (BRASIL, 2014) (Figura 1). Figura 1. Evolução das florestas públicas cadastradas no Brasil. Entre 2007 e 2013, foram cadastrados mais de 300 milhões de ha de florestas públicas no Brasil, equivalente a 35% do território brasileiro e a, aproximadamente, 57% das florestas brasileiras. E ao se analisar a localização nos biomas, verifica-se que 92% estão na Amazônia (Tabela 1). São compostas por Terras Indígenas (34%), Unidades de Conservação Federal (21%), florestas públicas estaduais destinadas (14%), glebas arrecadadas pela União e estados e ainda não destinadas (25%), áreas de uso comunitário (4%) e áreas militares (1%). Destas, 43,29% estão localizadas no Amazonas e 87,87% na região Norte. Tabela 1. Localização das florestas públicas do Brasil nos diferentes biomas. Biomas Amazônia Área (ha) % 284.119.848 92 Cerrado Mata Atlântica 18.069.163 6,0 3.523.348 1,15 Caatinga 1.281.423 0,5 Pantanal 861.075 0,25 Pampa 230.510 0,1 313.040.553 100 Total Fonte: adaptado (Brasil, 2014). 35 4.6 UNIDADE DE CONSERVAÇÃO (UC). Uma Unidade de Conservação (UC), segundo o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação – Lei 9.985, de 18/07/2000) é um “espaço territorial e seus recursos ambientais, incluindo as águas jurisdicionais, com características naturais relevantes, legalmente instituído pelo Poder Público, com objetivos de conservação e limites definidos, sob regime especial de administração, ao qual se aplicam garantias adequadas de proteção”. A expressão “unidades de conservação” foi criada no Brasil e não apresenta correspondência com os termos em outros idiomas. Muitos conservacionistas, inclusive a autora, considera as unidades de conservação como um subconjunto das áreas protegidas. As unidades de conservação seriam aquelas áreas chanceladas pelos órgãos ambientais e com alguma correspondência com as categorias internacionais [...]. (BENSUSAN, 2006). Conforme essa Lei, o Brasil possui diversas categorias de Unidades de Conservação em relação à esfera administrativa: níveis federal, estadual e municipal. As Unidades de Proteção Integral são aquelas destinadas à preservação da biodiversidade, sendo permitida somente a pesquisa científica e, em alguns casos, o turismo e atividades de educação ambiental, desde que haja prévia autorização do órgão responsável. Não envolve consumo, coleta, extração de produtos madeireiros ou minerais e não é permitida a permanência de populações tradicionais ou não em seu interior, com exceção dos Monumentos Naturais e Refúgios da Vida Silvestre. Na definição do SNUC, proteção integral é a “manutenção dos ecossistemas livres de alterações causadas por interferência humana, admitido apenas o uso indireto dos seus atributos naturais”. As categorias deste grupo são: Estação Ecológica (ESEC), Reserva Biológica (REBIO), Parque Nacional/Estadual (PARNA/PES), Monumento Natural (MONAT) e Refúgio de Vida Silvestre (RVS) (ISA, 2011). As UC de Uso Sustentável são aquelas destinadas tanto à conservação da biodiversidade como à extração racional dos recursos naturais. Nessas UC são permitidos o turismo, a educação ambiental e a extração de produtos florestais madeireiros e não madeireiros, com base no manejo sustentável e de acordo com o plano de manejo da unidade. As populações denominadas tradicionais podem permanecer em seu interior, desde que realizem atividades sob o regime de manejo, “de 36 maneira a garantir a perenidade dos recursos ambientais renováveis e dos processos ecológicos, mantendo a biodiversidade e os demais atributos ecológicos, de forma socialmente justa e economicamente viável” (SNUC, 2000). As categorias desse grupo são: Área de Proteção Ambiental (APA), Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE), Floresta Nacional/Estadual (FLONA/FLOREST), Reserva Extrativista (RESEX), Reserva da Fauna (RF), Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS), Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN). (ISA, 2011). A partir de 2003, o Governo Federal adotou a criação de Unidades de Conservação como estratégia para inibir o avanço do desmatamento e auxiliar a regularização fundiária em regiões críticas da Amazônia. Aproximadamente 55% das UC de Proteção Integral e 58% das UC de Uso Sustentável federais, criadas entre 2003 e 2010, estavam situadas em regiões com consolidada pressão humana. Antes desse período, as UC eram principalmente criadas em áreas remotas (Salomão et al., 2011). O Plano de Gestão, conforme Art. 33 do Sistema Estadual de Unidade de Conservação (SEUC) é o documento norteador na tomada de decisões perante o uso e conservação da UC. Configurando-se em um documento técnico e gerencial, fundamentado nos objetivos da unidade de conservação, que estabelece seu zoneamento, normas que regulem o uso e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação da estrutura física necessária à gestão da unidade. Após aprovação do Plano de Gestão da UC e cumprimento de seus objetivos, é possível, no caso de florestas estaduais, implantar um projeto de concessão florestal, observados os requisitos estabelecidos na Lei de Gestão de Florestas Públicas, a aprovação do plano de manejo florestal sustentável e as demais exigências de legislações específicas (Art.48, Art.55 SEUC/2007). 37 4.7 CONCESSÕES FLORESTAIS A implementação de concessões florestais no Brasil é possivelmente uma das ações de grande impacto positivo para a conservação das florestas tropicais. As concessões tendem a disciplinar a exploração florestal e responsabilizar os concessionários pela exploração de forma sustentada e certificada, conforme critérios internacionais. Sem o mecanismo das concessões, a exploração tende a continuar de forma predatória e o desmatamento desordenado acabará, no longo prazo, por destruir o remanescente florestal público. As terras devolutas e, portanto, de propriedade do Estado já podiam ter suas florestas exploradas através de Plano de Manejo Florestal Sustentável (PMFS) com autorizações vinculadas ao manejo em pequena escala e voltados à exploração por produtores familiares. O Governo Federal e o Governo do Estado do Amazonas vêm trabalhando no desenvolvimento de um sistema que permita a concessão de florestas públicas para instituições privadas através de processos de licitação, para que as mesmas realizem o manejo florestal sustentável de uso múltiplo. A Lei Federal 11.284/06, que dispõe sobre o tema, define floresta pública como: florestas, naturais ou plantadas, localizadas nos diversos biomas brasileiros, em bens sob o domínio da União, dos Estados, dos Municípios, do Distrito Federal ou das entidades da administração indireta. Além disso, diz que um processo de concessão florestal pode ocorrer em qualquer floresta pública, desde que a mesma não tenha fins que não permita esse processo. Dessa forma podemos concluir que um processo de concessão pode ser realizado em: - Florestas Nacionais, Florestas Estaduais e Florestas Municipais (áreas destinadas como Unidades de Conservação que tem em seu objetivo o manejo florestal de uso múltiplo); e, - Glebas Federais, Estaduais e Municipais (áreas não destinadas, porém com títulos em nomes de uma das três esferas de governo). As áreas de florestas públicas que não forem destinadas às comunidades locais, o Poder Público pode conceder a uma pessoa jurídica o direito de manejar. Neste caso, esta empresa ou associação deve pagar ao Poder Público por este uso (Brasil, 2009a). 38 De acordo com o Art. 19º da Lei Federal Nº. 11.284/2006, as empresas devem ser brasileiras, com sede e administração no Brasil, com toda situação fiscal regularizada e sem ter causado danos ambientais. Conforme o Art. 26, ganha o processo de concessão quem oferecer a melhor proposta técnica e o maior preço pelos produtos. Considera-se aquela proposta que se compromete a: causar o menor impacto ambiental; gerar maior rendimento e vantagens para as pessoas envolvidas; garantir o melhor uso dos recursos florestais; e garantir a maior agregação de valor. E, segundo o Art. 27, as áreas podem ser divididas em lotes com diferentes tamanhos, pequeno (p), médio (m) e grande (g). O ganhador da concessão só pode ter um lote. Na Figura 2 observam-se as fases e etapas do processo de concessão florestal. Figura 2. Fluxograma de fases e etapas do processo de concessão florestal (Fonte adaptado de BRASIL, 2009a). Aquele que recebeu a concessão deverá pagar, pelo menos, um preço mínimo definido pelo Poder Público (Art. 36, inciso II), que corresponde à quantidade de produtos ou serviços explorados ou do faturamento a partir da venda desses produtos. Além deste pagamento, será determinado um valor fixo mínimo, anual, que o concessionário deverá pagar ao Poder Público, independentemente da produção obtida durante o ano (Art. 36, parágrafos 3º, 4º e 5º). Para receber os recursos, os estados e 39 municípios, devem abrir contas bancárias específicas para este fim, e aplicar este valor, obrigatoriamente, para apoiar e promover a utilização sustentável dos recursos florestais (Art. 40). Os Conselhos de Meio Ambiente devem acompanhar o planejamento e utilização destes recursos. A Concessão florestal foi elaborada para ser um instrumento de desenvolvimento sustentável. No local onde acontece, a floresta será utilizada através do manejo sustentável, gerando empregos, recolhendo impostos e beneficiando a população local (Balieiro et al., 2010). É sempre muito importante que a população acompanhe e participe do processo. Os recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento Florestal serão aplicados (Art. 41, § 1º): na pesquisa e desenvolvimento de novas tecnologias em manejo florestal; assistência técnica e extensão florestal; recuperação de áreas degradadas com espécies nativas; aproveitamento econômico racional e sustentável dos recursos florestais; controle e fiscalização das atividades florestais e desmatamentos; capacitação em manejo florestal e formação de agentes multiplicadores em atividades florestais; educação ambiental; proteção ao meio ambiente e conservação dos recursos naturais. Estão previstas no Art. 42, auditorias independentes e periódicas, com prazo máximo de 03 anos, sendo realizada por entidade credenciada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (INMETRO) e reconhecida pelo SFB. Quando for identificado algum prejuízo ao meio ambiente, os concessionários serão punidos nas esferas administrativa, civil e penal, inclusive com a possibilidade de suspensão do contrato e a utilização do valor depositado como garantia, como uma forma de compensar os danos (Art. 45). Atualmente, o tema se encontra em uma fase considerada embrionária no Brasil, e os órgãos gestores desse processo optaram por trabalhar inicialmente com as Florestas Nacionais e Estaduais, áreas já destinadas e com maior facilidade de governança por terem estabelecidos seus planos de gestão e conselhos gestores (critérios levados em consideração na escolha das áreas elegíveis em um processo de concessão). 40 O Governo do Estado do Amazonas, objetivando desenvolver o setor florestal vem ao longo desses anos buscando implementação de uma política florestal adequada às necessidades do Estado. Assim, foram delineadas e consolidadas em várias ações de fundamental importância para o progresso do setor florestal e o processo produtivo local. O Amazonas obteve um grande avanço na política ambiental, e desde 2003 vem criando e monitorando as Unidades de Conservação. Em 2002, o Amazonas era detentor de 7,4 milhões de hectares demarcados como Unidades de Conservação. Em 2009, passou a ter uma área de cerca de 19 milhões de hectares de áreas protegidas, CEUC 2014. Quanto às normas legais, o Amazonas sancionou a Lei no 3.627, de 28 de julho de 2010, que dispõe sobre as concessões florestais, mas que ainda contempla apenas especificamente as unidades de conservação de uso sustentáveis denominadas Florestas estaduais. Encontram-se inseridas no Cadastro Nacional de Florestas Públicas (CNFP) oito Florestas Estaduais, totalizando 2.881 milhões de hectares de Florestas Públicas Estaduais cadastradas (Tabela 2). O CNFP reúne dados sobre as florestas públicas brasileiras, de modo a oferecer à sociedade em geral uma base confiável de informações relevantes para a gestão florestal. Tabela 2. Florestas estaduais incluídas no cadastro Nacional de Florestas Públicas. UNIDADE DE CONSERVAÇÃO 1 - FLORESTA DE APUÍ 2 - FLORESTA DE MANICORÉ 3 - FLORESTA DE MAUÉS 4 - FLORESTA DE ARIPUANÃ 5 - FLORESTA DO RIO URUBÚ 6 - FLORESTA DO SUCUNDORÍ 7 - FLORESTA DE CANUTAMA 8 - FLORESTA DE TAPAUÁ TOTAL ÁREA (ha) ANO DE CRIAÇÃO 185.946,16 2005 83.381,03 2005 2003 438.440,32 2005 336.040,06 2003 27.342,00 2003 492.905,27 2009 150.588,57 2009 881.704,00 2.881,00 A partir de 2010 até o atual momento da realização deste trabalho, a única tentativa que o Estado do Amazonas fez com relação à implementação do sistema de concessão florestal foi na floresta de Maués, mas pouco se sabe sobre o que ocorreu com essa tentativa de estabelecer uma área sob o regime de concessão. 41 5. MATERIAL E MÉTODOS 5.1. CARACTERIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO E SEU ENTORNO. 5.1.1 LOCALIZAÇÃO DA ÁREA DE ESTUDO A Floresta Estadual Tapauá foi criada pelo Decreto Estadual nº 28.419 de 27 de março de 2009 está situada entre o interflúvio Rio Purus - Rio Madeira nos municípios de Tapauá e Canutama, ambos pertencentes à Mesorregião do Sul Amazonense e Microrregião do Purus no Estado do Amazonas, a 450 km em linha reta da cidade de Manaus-AM. Está localizada a 05º 38´7” de latitude Sul e a 64º 18´ 34” de longitude a Oeste de GREENWICH. A sua altitude é de 80 m acima do nível do mar, distante aproximadamente 200 km de Porto Velho-RO. Possui uma área territorial de 881.704,00 ha, situado no Trecho 2 (Km 365 ao Km 567) da BR-319 e limita-se ao norte pelos projetos de desenvolvimento sustentável do INCRA (Projeto de Desenvolvimento Sustentável -PDS Primavera e PDS Sumaúma); ao sul pela Floresta Nacional Balata-Tufari; a leste pelo Parque Nacional Nascente do Lago Jari, parte do rio Ipixuna, parte do igarapé do Jacinto, parte do Igarapé Preto e parte pelas proximidades da BR-319; a oeste é delimitada pelo Rio Jacaré, afluente do rio Purus. As comunidades e localidades localizadas dentro da UC e na sua zona de amortecimento estão distribuídas ao longo dos principais rios e igarapés, formando quatros setores populacionais: Igarapé Jacinto, Rio Ipixuna, Rio Itaparanã e Rio Jacaré figura 3). 42 Figura 3. Mapa de Localização da área de estudo. 5.1.2 CARACTERIZAÇÃO SOCIOECONÔMICA Os municípios que abrangem a área estudo têm em comum a grande quantidade de recursos naturais e minerais em abundância, e também a precária infraestrutura, o baixo nível educacional da população e os conflitos fundiários (Amazonas, 2014). O PIB tanto de Humaitá, quanto de Tapauá e Canutama de acordo com o (IBGE, 2010), está diretamente relacionado à prestação de serviços, ao extrativismo e à agropecuária. A economia desses municípios está fortemente associada à agricultura de subsistência. Existem poucas empresas do setor madeireiro em operação e a atividade florestal formal, na maioria desses municípios, não têm importância significativa. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) (BRASIL, 2013) há poucos estabelecimentos instalados nos municípios em questão e com a atividade madeireira o índice é menor ainda, quase em sua totalidade são empresas de pequeno porte. Soma-se a isso a atividade informal com grande número de pequenas serrarias e moveleiros voltado para o mercado local e operando com baixíssimo grau de tecnologia e qualidade. 43 A população existente na região é constituída pelos “povos da floresta”, comunidades tradicionais e ribeirinhas, povos indígenas e migrantes de outras regiões do país. A maioria da população se concentra, principalmente, na zona urbana dos municípios. Vivem dentro do perímetro da Unidade de Conservação populações extrativistas, ribeirinhos, agricultores familiares e povos indígenas de diferentes etnias, agrupadas em 10 comunidades e 42 localidades que juntas somam aproximadamente 928 pessoas distribuídos em aproximadamente 201 famílias. As famílias apresentam um histórico de uso e moradia de pelo menos oitenta anos. O processo de ocupação dessa região está diretamente relacionado ao processo de ocupação da calha do rio Purus, que teve início com a migração de pessoas oriundas do nordeste, que vieram em busca de trabalho em seringais nativos. A população possui o modo de vida agroextrativista, a partir da reprodução de diferentes atividades produtivas, garantindo a sobrevivência através do extrativismo não madeireiro, voltados principalmente para a coleta de castanha e açaí. Além disso, as populações extraem madeira de grande valor agregado tais: (Itaúba, Angelim, Louro, Marupá, e Jacareúba), realizam também a pesca comercial e a agricultura de subsistência. (Amazonas, 2014). A produção dessas famílias está relacionada com a agricultura, em função do baixo grau de instrução dos programas governamentais que beneficiaram a região amazônica com propostas de crédito para a produção agrícola e, ainda, pela cultura de transformação do ambiente, mediante a retirada da floresta. Para que isto se reverta é tarefa do Estado, incentivar e capacitar os moradores da região para o manejo florestal, tarefa esta de grande desafio, porque não há, na região, exemplos de manejo florestal comunitário como forma de utilizar os recursos naturais e assegurar o suprimento das famílias (IBGE, 2010). Quanto ao acesso das comunidades às informações sobre o uso sustentável dos recursos naturais é baixo, limitando, em muito, a possibilidade de adoção de novas práticas e a implementação de modelos de exploração, beneficiamento e comercialização de produtos da biodiversidade. (Amazonas, 2014). De acordo com o INPE (2011), os municípios de abrangência da área de estudo apresentam uma tendência significativa ao avanço do desmatamento, nesse sentido a Unidade de Conservação Floresta Estadual Tapauá exerce um papel primordial para a 44 conservação da biodiversidade como área protegida representando os ecossistemas da região de influência da BR-319. Pela relevância no contexto econômico, como Floresta Estadual com possibilidade de manejar o potencial florestal. Do ponto de vista social, a unidade representa, principalmente, uma oportunidade para a proteção do modo de vida agroextrativista e para o desenvolvimento da sua população residente e do seu entorno que dela dependem direta e imediatamente para a sobrevivência. 5.1.3 CARACTERIZAÇÃO AMBIENTAL 5.1.3.1 CLIMA De acordo com a classificação de Koeppen, o clima predominante na região pertence ao grupo A, Clima Tropical, com temperatura média do ar em todos os meses do ano superior a 18 °. Abrange os tipos climáticos Am e Af, característicos de áreas úmidas. Nessas áreas tanto a temperatura como as chuvas sofrem um mínimo de variação anual. 5.1.3.2 SOLOS De acordo com a Embrapa (2013), os principais solos da Amazônia tipificam os dois grandes ecossistemas que caracterizam a região: a terra firme e a várzea. A terra firme é formada predominantemente por duas principais unidades pedológicas: os Latossolos abrangendo 34% e os Podzóis cobrindo 46% desse ecossistema e os 20% restantes são: Laterita Hidromórfica, Planos Solo, Cambissolo, Arenio-quartzoso, Hidromórfico gleyzado, Líticos, Concrecionários, Lateritas indiscriminadas, Areias quartzosas hidromórficas, Areias quartzosas, Afloramentos rochosos, Aluviais e Gley pouco Húmico. Ainda segundo Embrapa (2013), os 34% correspondentes ao primeiro tipo de solo é constatado em relevo que varia de plano a suavemente ondulado, enquanto que os Podzólicos ocorrem em relevo ondulado a fortemente ondulado. Assim sendo, é um tipo de solos que necessita de cuidados para evitar problemas com erosão. 45 A característica do solo é um fator importante para identificar sua formação e determinar o tipo de uso, conforme suas propriedades físicas, químicas e morfológicas. Na região da Floresta Estadual Tapauá foram identificados quatro classes de solos: Latossolo Vermelho-Amarelo (64,29%) e Argissolo Vermelho-Amarelo (15,89%), compondo solos característicos de terra firme - Plintossolo (7,67%), presentes em ambientes transicionais e o Gleissolo (11,96%), constituinte de áreas de várzea. Os solos característicos da área destinada para concessão florestal da Floresta Estadual Tapauá são os latossolo vermelho amarelo, podzólicos vermelho amarelo, plintossolos, e gleissolos. (Embrapa, 2013). Conforme o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos da Embrapa (SiBCS), publicado em 1999 e atualizado em 2013. A classe Argissolo Vermelho-Amarelo é constituída por material mineral, que têm como características diferenciais a presença de horizonte B textural de argila de atividade baixa, ou alta conjugada com saturação por bases baixa ou caráter alítico. O horizonte B textural (Bt) encontra-se imediatamente abaixo de qualquer tipo de horizonte superficial, exceto o hístico, sem apresentar, contudo, os requisitos estabelecidos para serem enquadrados nas classes dos Luvissolos, Planossolos, Plintossolos ou Gleissolos. A classificação do Latossolo Vermelho-Amarelo é definida por solos minerais que apresentam horizonte B latossólico imediatamente abaixo de qualquer tipo de horizonte A, dentro de 200 cm da superfície do solo ou dentro de 300 cm. São solos ácidos a muito ácidos, com saturação por bases baixa (distróficos) e, por vezes, álicos. Variam de fortemente bem drenados a imperfeitamente drenados. Estão localizados nas áreas de maior altitude. Os latossolos são solos não hidromórficos que apresentam horizonte B latossólico em um perfil, normalmente profundo, em que o teor de argila se dilui lentamente em profundidade. São solos envelhecidos ácidos e fortemente ácidos (com exceções dos eutróficos), quimicamente formados por sesquióxidos, argilo minerais silicatados (grupo da caulinita), quartzo e outros minerais silicatados fortemente resistentes a intemperiação. Geralmente são encontrados em topografia plana e suavemente ondulada e sua utilização agrícola é limitada por suas propriedades químicas: baixa reserva de nutrientes minerais e altas percentagens de saturação com alumínio trocável. (Aguiar, 1995). 46 Plintossolos compreendem solos minerais formados sob condições de restrição à percolação da água, sujeitos ao efeito temporário de excesso de umidade, de maneira geral imperfeitamente ou mal drenados, que se caracterizam fundamentalmente por apresentar expressiva plintização. Gleissolos são solos hidromórficos, constituídos por material mineral, que apresentam horizonte glei dentro dos primeiros 50 cm de profundidade. Os Gleissolos normalmente desenvolvem-se a partir de sedimentos recentes nas proximidades dos cursos d’água e em materiais colúvio-aluviais sujeitos a condições de hidromorfia, podendo formar-se também em áreas de relevo plano de terraços fluviais. São solos formados sob vegetação hidrófila, arbustiva ou arbórea. 5.1.3.3 RELEVO (DECLIVIDADE) Em relação ao relevo, formas de relevo homogêneas com altimetria em torno de 80 metros caracterizam o planalto rebaixado da Amazônia, caracterizando a região da Floresta Tapauá. Segundo RADAMBRASIL (1978), essa região pertence à morfoestrutura denominada Planalto Rebaixado da Amazônia ou Ocidental. A drenagem comandada ocorre principalmente pelos rios Jacaré, Itaparaná e Ipixuna, rios de padrão dendrítico, e estão direcionadas para o norte. Seus cursos são sinuosos com porções retilíneas. Suas planícies são contínuas, ocorrendo trechos restritos de terraços. 5.1.3.4 VEGETAÇÃO A vegetação dominante da região hidrográfica do rio Purus é a Floresta Ombrófila Densa que reveste as mais variadas formas de relevos pertencentes a diferentes épocas geológicas. Esta vegetação se caracteriza por apresentar dossel fechado, compacto com altura entre 25 e 35 metros num estrato uniforme onde se sobressaem árvores que podem atingir até 40 metros, além de espécies comuns das famílias Sapotaceae, Lauraceae, Lecythidaceae, Myristicaceae, Fabaceae e Vochysiaceae. A Floresta Aberta, também presente, caracteriza-se fisionomicamente pela presença de grandes árvores espaçadas possibilitando a penetração de luz até os estratos inferiores, permitindo a incidência de cipoal e bambuzal nesses espaços abertos (IBGE, 2009). Também caracterizada pela expressiva ocorrência de palmeiras como o babaçu (Orbygnia martiana) e o patauá (Oenocarpus bataua) (RADAMBRASIL, 1978). 47 A Floresta Estadual Tapauá é composta por cinco fitofisionomias: Floresta Ombrófila Densa Aluvial (Da), Floresta Ombrófila Densa Aluvial com Dossel Emergente (Dae), Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas com Dossel Emergente (Dbe), Floresta Ombrófila Aberta Aluvial com palmeiras (Aap), Floresta Ombrófila Aberta de Terras Baixas com Palmeiras (Abp) (IBGE, 2009). Dessas cinco fitofisionomias abrangentes na Floresta Estadual Tapauá, destacam-se a Floresta Ombrófila Aberta de Terras Baixas com Palmeiras (Abp) e a Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas com Dossel Emergente, totalizando 87% do total da Unidade. (IBGE, 2009). A distribuição espacial dessas classes de vegetação está correlacionada predominantemente aos diferentes tipos de solo que ocorrem na região e que também estão correlacionados com os compartimentos geomorfológicos, logo também apresenta maior diversidade de tipos de vegetação. As formações arbustivas e abertas ocorrem geralmente em solos litólicos e arenosos (Plintossolos), enquanto as formações florestais ocupam os solos mais profundos e desenvolvidos e predominantemente argilosos (Latossolos e Podzólicos). (IBGE, 2009). 5.1.3.4.1 TIPO DE VEGETAÇÃO Nas descrições abaixo são tratados os tipos de vegetação, principalmente em função de se obter melhor detalhamento dos dados disponíveis sobre a distribuição dessas paisagens na região conforme o IBGE (2090): a) Floresta Ombrófila Densa Aluvia com Dossel Emergente (Dae) - Várzea ou Igapó (Alto) - Caracteriza-se por fisionomia florestal densa com árvores emergentes em aluviões periodicamente inundados, com predominância dos solos Hidromórfico Gleyzado, Laterita Hidromórfica e Aluvial. O sub-bosque é ralo e composto principalmente pela regeneração natural. Situa-se ao longo dos cursos de água, ocupando os terraços antigos das planícies quaternárias. Caracteriza-se por grandes árvores bastante espaçadas, sendo frequentes agrupamentos de palmeiras. As margens alagadas ou alagáveis são constituídas por uma submata cuja densidade é geralmente baixa, porém apresentando multiplicidade de raízes. Os cipós alcançam alto grau de incidência. A sororoca (Phenacospermum guianensis) ocorre com muita frequência ao 48 longo destas margens. Espécies típicas: entre as espécies de interesse madeireiro destaca-se a maparajuba (Manilkara sp.), o louro (Ocotea sp.), o arapari (Macrolobium acaciaefolium), jacareúba (Callophyllum brasiliensis), taperebá (Spondias sp.), ingás (Inga spp.), ucuuba (Virola spp.), matamatá (Eschweilera spp.) e seringueira (Hevea). b) Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas com Dossel Emergente (Dbe) - É uma formação que em geral que apresenta agrupamentos de árvores emergentes nas elevações mais pronunciadas dos interflúvios, com a ocorrência de angelim-da-mata (Hymenolobium petraeum), angelim-pedra (Dinizia excelsa), tauari (Couratari spp.), castanha-do-pará (Bertholletia excelsa), breu-sucuruba (Burseraceae), maçaranduba (Manilkara sp.), mandioqueira, pau-d'arco-rôxo (Tabebuia sp.), samaúmas (Ceiba petandra), cajú-açu (Anacardium sp.), que sobressaem ao extrato uniforme dominado pelos matamatás (Eschweilera spp.), breus (Burseraceae), andiroba (Carapa guianensis) e palmeiras como o açaí (Euterpe), babaçú (Orbygnia) e bacaba (Oenocarpus bacaba), entre outras. Ocupa as planícies costeiras, capeadas por tabuleiros pliopleistocênicos do Grupo Barreiras. Ocorre desde a Amazônia, estendendo-se por toda a Região Nordeste até proximidades do Rio São João, no Estado do Rio de Janeiro. A floresta é exuberante com agrupamentos de árvores emergentes em visível densidade, formando geralmente povoamentos puros de indivíduos levemente altos, grossos e bem copados, ocasionando uma área bem sombreada que favorece o desenvolvimento de espécies umbrófilas. Grande parte das madeiras aí existentes é de espécies de qualidades comerciáveis. Ocorre em solos não hidromórficos representados pelos Latossolos Amarelo e Podzólicos Vermelho-Amarelos. (IBGE,2009). c) Floresta Ombrófila Aberta de Terras Baixas com Palmeiras (Abp) - Formação característica por feição mista de palmeiras e árvores latifoliadas, sempre verdes e bem espaçadas, de altura irregular (entre 15 e 25m), com grupamentos de babaçu e patauá, principalmente nos interflúvios do Terciário. Nos vales de fundo chato, de encharcamento constante ocorre concentração de buriti (Mauritia flexuosa), em povoamentos puros. Esta formação, compreendida terras baixas, sempre situadas abaixo de 100 metros de altitude com ocorrência em áreas descontínuas desde o Estado do Pará até o Acre. (IBGE, 2009). 49 A fisionomia da floresta ombrófila Aberta de Terras Baixas com Palmeiras é marcada pela presença de palmeiras intercaladas aos elementos arbóreos, formando um dossel superior uniforme e contínuo. As palmeiras apresentam-se ou de forma gregária ou misturadas com as espécies arbóreas. Esse tipo de vegetação normalmente ocupa áreas de relevo aplainado e vales formados pelas ondulações do terreno dissecado, chegando, em alguns casos, a situar-se às meias encostas. O inajá (Attalea maripa) e o babaçu (Orbygnia sp.) são as palmeiras destas florestas, sendo que o inajá tem os seus limites nos contrafortes da Serra do Cachimbo, enquanto que o babaçu tem presença marcante na região da Floresta Tapauá.(IBGE, 2009). 5.1.3.5 HIDROGRAFIA A região da Floresta Estadual Tapauá é irrigada pela bacia do Rio Purus, que tem suas nascentes nas colinas do Arco Fitzcarrald, situado na floresta baixa Peruana dos departamentos de Ucayali e Madre de Dios. Entra no Brasil pelo Estado do Acre, seguindo para o Estado do Amazonas até desaguar no rio Solimões (RADAMBRASIL, 1978). Seu curso é caracterizado pelo aspecto meândrico e pela água barrenta ou branca, rica em sedimentos andinos, classificado como rio de água branca. Já o Rio Madeira, também de água branca, é fruto da junção dos Rios Lívia e Beni, que nascem na Cordilheira dos Andes boliviana, e posteriormente juntam-se ao Rio Mamoré, na divisa Bolívia-Rondônia. Com um curso de aproximadamente 3.000 km, o Rio Madeira corta os Estados de Rondônia e Amazonas, sendo um dos maiores afluentes da margem direita do Rio Amazonas (RADAMBRASIL,1978). A frequência de rios na Floresta Estadual Tapauá é marcante, destacando seus próprios limites em partes com os rios Ipixuna a leste, e com o rio Jacaré, a oeste. Outro rio com grande importância é o rio Itaparanã que recorta todo o perímetro de norte a sul da UC. Todos estes rios são afluentes do rio Purus. Entretanto, as principais características sobre a hidrografia levantada e observada neste estudo levam a concluir que, apesar da riqueza na quantidade de rios e no volume d’água fluvial, as condições de navegação são bastante restritas em determinados trechos no período da sazonalidade da vazante. 50 Dentro do perímetro da Unidade de Conservação UC, existem 213 cursos d’água mapeados, entre rios, igarapés e lagos, Amazonas (2014). Dentre estes estão os corpos d’água mais utilizados pelos moradores e usuários da UC. No caso da bacia hidrográfica do rio Ipixuna que corresponde à área de estudo abrangida por este trabalho, ações de planejamento para ordenar o uso são de fundamental importância pelo fato da área está próxima da Rodovia BR-319, além de fazer limite com vários assentamentos criado pelo INCRA, tendo a tendência de expandir seu espaço geográfico ocupado. Segundo IBGE (2009), os Rios Ipixuna, Itaparanã e Jacaré possuem suas cabeceiras no planalto da bacia sedimentar do Amazonas ou próximo a ele, com direção N/NE – S/SW, desembocando no rio Purus, apresentando foz afogada por corpos d’água existentes e recortados por diversos igarapés, constituídos por rios de águas pretas, ácidas (pH 3,5 a 4,5) e pobres em minerais, a temperatura varia entre 24 e 27ºC quando corrente, passando a 30ºC quando estagnada durante o período das cheias. A velocidade máxima atinge aproximadamente 25m/min. O nível das águas pode variar de 6 a 12 metros na época de cheia e alcança seu máximo no mês de Março. 5.1.3.6 VIAS DE ACESSO. Os elementos utilizados para definir as vias de acesso foram às estradas e as hidrovias. A Rodovia BR -319 foi utilizada como referência para determinar a distância de cada área à rede rodoviária. No entanto, o acesso às áreas de exploração envolve a utilização de dois modais: rodovia e hidrovia. Por hidrovia é possível realizar esse trajeto inteiramente via fluvial, iniciando em embarcações regulares ou fretadas que saem da cidade de Manaus e chegam ao Município de Tapauá. Esse trajeto tem duração aproximada de três dias percorrendo aproximadamente 1300 km. Nesse caso, a partir do rio Solimões acessa-se o rio Purus por onde se chega ao município de Tapauá e, a partir de então, as vias fluviais possíveis de acesso a Unidade de Conservação são: o rio Ipixuna, o rio Jacaré, o rio Itaparanã e o igarapé do Jacinto. No período da seca não é possível a entrada de grandes embarcações na maioria destes rios, dependendo das condições e do local, restando como possibilidades de meio de transporte apenas os barcos pequenos e/ou canoas. (Amazonas, 2014). 51 Por estrada a partir da sede de Humaitá pode-se acessar através do Ramal da Realidade à margem esquerda da BR 319 (que dista aproximadamente 150 km do município, via rodovia BR-319) e percorrê-lo por poucos quilômetros. Em seguida existem duas opções, sendo a primeira acessar o igarapé da Realidade, um afluente do rio Ipixuna que permite a entrada na reserva, e a segunda acessar a balsa diretamente na BR-319 que também dá acesso ao Rio Ipixuna, embora esse percurso até a balsa pela BR-319 prolongue o trajeto área. A rodovia BR319 é de domínio da União, com aproximadamente 650 km de extensão liga a Cidade de Manaus no Amazonas a Cidade de Porto Velho em Rondônia. Ainda pela BR319, há ramais que chegam a área de estudo através do PAE Realidade, embora em condições precárias de tráfego. Por via fluvial, a principal via é o rio Ipixuna. Outra região com relativa facilidade de acesso seria através do rio Ipixuna, cruzando algumas propriedades particulares e a Floresta Nacional Balata Tufarí, que precede a Floresta Tapauá em direção sul. Entretanto, pelos rios, os trechos são relativamente curtos, mas acessam apenas as áreas mais próximas aos mesmos. O acesso a partir do município de Tapauá apresentam algumas limitações. O rio Ipixuna apresenta grande quantidade de trechos sinuosos e rasos no período de seca, o que torna a navegação perigosa e lenta. Desta forma, acredita-se que a construção de novas estradas bem planejadas pode servir bem ao escoamento da produção em larga escala na Floresta Tapauá se os custos de construção e de licenciamento destas estradas não se tornarem proibitivos. Tais investimentos, entretanto, podem ser necessários para se permitir uma infraestrutura suficiente para a instalação, a operação e o escoamento da produção. 5.1.3.7 IVENTÁRIO FLORESTAL No inventario florestal realizado pelo (IDESAM, 2011) as análises foram realizadas mantendo o padrão do que ocorre na Amazônia, com custo fixado e a incerteza liberada, ou seja, calculou-se quanto estariam errando por trabalhar com amostragem. O erro para esses cálculos não pode ultrapassar 10% e a incerteza não pode ultrapassar 20% Isso ocorre, pois os custos de um inventário florestal na Amazônia são elevados, além da dificuldade de deslocamento, impossibilitando, na grande maioria das atividades, que seja fixado um erro ou uma incerteza. 52 Os parâmetros dendrométricos estimados foram: número de indivíduos por classe de diâmetro (distribuição diamétrica), área basal (m²/ha) e volume comercial com casca (m³/ha), calculados em função do número de indivíduos e DAP ≥ 30 cm (CAP ≥ 94,2 cm). O processo de amostragem utilizado para o inventário florestal foi o de Amostragem Aleatória Restrita, descrito Higuchi et al., 1985 e Higuchi, 1986-87, seguindo os padrões dos levantamentos realizados na Amazônia, principalmente pelo Laboratório de Manejo Florestal (LMF) do INPA. Em cada ponto de amostragem eram instalados transectos contendo em média 6 parcelas de 20 metros por 125 metros (2500 m²), tendo um intervalo de 150 metros entre as parcelas (Figura 4). Neste tipo de amostragem, os pontos iniciais são escolhidos aleatoriamente e a instalação das parcelas a partir deste ponto é feita de forma sistemática. Figura 4: Esquema da plotagem das parcelas em campo. Para o levantamento florestal foram amostrados duas fitofisionomias (RADAMBRASIL, 1978) excetuando-se áreas de Floresta Ombrófila Aberta Aluvial (igapó) figura 5, pois estavam alagadas. Os transectos abertos totalizaram em 4(20 parcelas) na fitofisionomia de Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas e outros 5 (33 parcelas) em Floresta Ombrófila Aberta de Terras baixas, totalizando nove transectos. O número de parcelas por transecto variou entre 5 e 8, tendo um total de 53 parcelas instaladas. 53 Figura 5. Localização dos pontos de amostragem na Floresta Estadual Tapauá.(Fonte IDESAM 2011). Foram encontradas 199 espécies arbóreas, num total de 1064 indivíduos, distribuídas em 107 gêneros e 36 famílias. A maioria dos gêneros estão representados por pelo menos duas espécies. As famílias Fabaceae, Sapotaceae, Lecythidaceae, 54 Chrysobalanaceae e Moraceae são as mais abundantes na composição florística da área inventariada, representando 15%, 13%, 12%, 10% e 8% do total de indivíduos, respectivamente. Estão representadas por 23, 6, 7, 3 e 7 gêneros e 32, 20, 18, 11 e 12 espécies, respectivamente. As demais famílias somam juntas 31 gêneros e 98 espécies. Foram mensurados todos os indivíduos arbóreos com circunferência à altura do peito (CAP) ou logo acima da sapopema, maior ou igual a 94,2 centímetros. As informações coletadas em campo foram: nome científico, CAP e observações quando necessárias. Para a estimativa da volumetria comercial, foram analisadas apenas duas fórmulas matemática de simples entrada, testadas por Lima (2010). Neste levantamento foram coletados apenas dados de CAP, desconsiderando dados de altura devido à dificuldade de mensuração, demanda de tempo, o que ocasiona em maior custo para a atividade. Cabe ressaltar que ambas as fórmulas matemáticas não necessitam da entrada de valores de altura das árvores, haja visto que as mesmas já estão ajustadas para tal. No Brasil convencionou-se que a Incerteza máxima seria de 20%, ou seja, erro de amostragem de 10% para inventários florestais. Na Amazônia tem-se adotado um critério mais rigoroso de incerteza máxima tolerável de 10% (erro de amostragem de 5%), principalmente pelo Laboratório de Manejo Florestal (LMF) do INPA. Levando em consideração estas padronizações, as análises de volumetria foram realizadas com o uso de uma equação (logarítmica) que admitiu uma incerteza de 9,8%. Cabe ressaltar, que a Floresta Tapauá apresenta três fitofisionomias (uma alagável e duas não alagáveis), e que neste estudo foram levantadas apenas informações de duas delas. Porém, foi realizado um teste estatístico Teste-T para verificação se havia ou não diferença estatística entre os volumes por hectares das duas fitofisionomias amostradas. O resultado deste teste apresentou que não há diferença estatística entre as fitofisionomias (p = 0,109), portanto o cálculo do volume foi tratado como sendo uma área homogênea, não havendo a necessidade da estratificação pela vegetação. 55 5.1.3.8 PLANO DE GESTÃO O Plano de Gestão da Floresta Estadual Tapauá foi realizado em 2013, por meio do termo de convênio SDS/DNIT sobre as UC da BR-319 como um produto norteador das ações e programas a serem implementados na UC. Foi elaborado em atendimento ao artigo 33 do SEUC (Lei complementar 53/2007), sendo um documento técnico e gerencial, fundamentado nos objetivos da Unidade de Conservação. Assim, o Plano de Gestão da Floresta Estadual Tapauá, foi fruto de estudos (diagnósticos) realizados por várias equipes de pesquisadores de áreas diversas que demonstraram um panorama geral da UC, base principal para definir os programas, subprogramas, zoneamento e regras de uso dos recursos naturais. O zoneamento, por ser um instrumento do planejamento e gestão ambiental, deve ter como objetivo a busca do ideal, para garantir a utilização adequada com base nas potencialidades de um espaço geográfico. Embora, muitas vezes, para implementar um zoneamento, seja necessária uma intensa negociação, em virtude das questões políticas, sociais, econômicas e ecológicas. Neste sentido, a proposta de zoneamento da área destinada para concessão floresta da Unidade de Conservação Floresta Estadual Tapauá a ser apresentada, refere-se a uma recomendação para a implantação do sistema de concessão florestal, com base na preocupação técnica, para as potencialidades e fragilidades da área. Considerando os principais usos, a Unidade de Conservação Floresta Tapauá foi dividida em seis zonas figura 6 além da zona de amortecimento com diferentes finalidades e níveis de intervenção, Amazonas (2014). A combinação destas zonas de acordo com seus objetivos resultou no zoneamento final da UC. A zona de uso extensivo madeireiro (Concessões Florestais) possui grau de intervenção leve a moderado, esta zona destina-se à possibilidade de se planejar o manejo madeireiro comercial de baixo impacto, sem prejuízo às práticas extrativistas madeireiras e não madeireiras de subsistência das comunidades tradicionais, por meio de concessões florestais e, cujos planos de manejo madeireiro deverão ser de impacto reduzido. As concessões podem ser individuais, comunitárias ou empresariais. 56 A delimitação teoricamente ocorre somente em áreas com potencial de uso madeireiro: baixa declividade, acessibilidade e aptidão da categoria da UC, além disso, como prevê a Lei (Código Florestal e Concessões Florestais), estão excluídas as áreas de preservação permanente e as áreas de uso comum e conflituosa. 57 Figura 6: Carta do zoneamento da Unidade de Conservação Floresta Estadual Tapauá. Fonte: Amazonas, 2014. 58 5.2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS A metodologia utilizada neste estudo foi baseada na metodologia de Buhring (2010) com algumas especificidades qualitativas e quantitativas, através de análise documental, que por sua vez foi gerada com critérios múltiplos com objetivo de identificar a viabilidade para implantação do sistema de concessão florestal. A caracterização territorial das áreas temáticas como solo, declividade, vegetação, hidrografia, vias de acesso, área de preservação permanente e centro consumidor, foram realizados em ambiente de Sistemas de Informações Geográficas (SIG) através do software ArcGIS 10.1 e com auxílio de ferramentas do Microsoft Excel 2010 . Os dados de delimitação da UC e áreas de uso coletivo (zoneamento) da área de estudo foram adquiridos através do banco de dados do CEUC/SDS. Diante do exposto, para a construção de cenário ótimo que viabilize o a aplicação deste estudo, foram desenvolvidos alguns passos metodológicos para alcance dos resultados: Levantamento de informações do modelo organizacional da política de gestão florestal do Estado do Amazonas para o segmento da concessão florestal através de investigação e análise documental nos órgãos do estado que compõem o modelo e estrutura organizacional de formulação, implementação e gestão florestal que abrangem a finalidade, competência e estrutura do ambiente institucional. Levantamento de informações biofísicas, sociais, econômicas e logísticas, através de investigações nas instituições de pesquisa e nos órgãos envolvidos na gestão da área de estudo. 59 5.2.1 ESTRUTURAÇÃO DA BASE CARTOGRÁFICA DE DADOS BIOFÍSICOS PARA IDENTIFICAR A POTENCIALIDADE PARA CONCESSÃO FLORESTAL. O procedimento metodológico adotado inclui três etapas: 1) Levantamento dos dados disponíveis; 2) Processamento dos dados; 3) Análise e elaboração das cartas. Figura 07: Fluxograma metodológico. Etapa 1: Levantamento de dados disponíveis: esta etapa compreende a triagem das informações bibliográficas e cartográficas necessárias e úteis à pesquisa, que foram de suma importância para garantir a qualidade dos produtos gerados. Envolveu a coleta e seleção da imagem de satélite, além de outros produtos em formato digital (arquivo em formato shapefile, extensão *.shp), isto é, dados referentes às cartas temáticas como: solos, declividade, vegetação, hidrografia, vias de acesso além dos doados do zoneamento ambiental da Unidade de Conservação. Além destas, foram utilizados também trabalhos escritos e disponíveis em meios analógico e digital sobre o tema do estudo. Os dados foram obtidos em diversas fontes como órgãos das esferas estadual Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável/Centro Estadual de Unidade de Conservação (SDS/CEUC), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS) e federal, Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Universidade Federal do Amazonas (UFAM), Instituto Brasileiro de Geografia 60 e Estatística (IBGE), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA) e Instituto Nacional de pesquisas Espaciais (INPE), Projeto RADAMBRASIL (1978), Sistema de Proteção da Amazônia – SIPAM. Etapa 2: Processamento dos dados: depois de realizado o levantamento dos dados disponíveis sobre a área de estudo, foram selecionados aqueles temas que fizeram parte da base cartográfica, obedecendo-se os seguintes critérios: a) Disponibilização dos dados básicos necessários: nesta etapa foi feito um levantamento sobre a disponibilidade dos dados básicos necessários, em vários formatos, incluindo o analógico (papel), o digital ou os extraídos de produtos de sensoriamento remoto (imagens de satélites, fotografias aéreas etc.). Além disso, foram obtidas informações sobre distância ao centro consumidor, distâncias das vias de acesso, dentre outros dados. b) Preparação e reunião dos dados: nesta etapa, de acordo com a forma de disponibilização dos dados, eles são preparados para serem analisados. Se os dados estão disponíveis em formato analógico, eles são transformados para o formato digital. A sequência utilizada para atingir este objetivo consiste na digitalização ou vetorização dos dados analógicos, edição dos dados e escolha do sistema de projeção a utilizar para todas as cartas. Os dados disponíveis em formato digital já se encontram em condições de serem reunidos. Para os dados que foram extraídos de produtos de sensoriamento remoto, utilizou-se as técnicas tradicionais de interpretação visual e automática para a classificação das imagens, possibilitando a extração dos dados necessários. c) Homogeneização ou padronização dos dados: após a reunião dos dados, eles foram homogeneizados, já que poderiam estar em sistemas de projeções e formatos diferentes. Este processo consistiu na extração de informações dos arquivos digitais em formato raster e transformação destas em formato vetorial (linhas, pontos e polígonos). Isso permitiu descrever de forma qualitativa a distribuição espacial da Área de Estudo. d) Disponibilização dos dados no SIG: após a homogeneização dos dados, eles foram organizados em SIG. 61 De posse das imagens do Satélite Landsat, sensor TM 5, de 2010, foi realizada uma composição colorida com o objetivo de melhorar a qualidade visual da área indicada para concessão florestal. Para todas as bases foi utilizado o Datum Horizontal SAD 69 (South American Datum 1969). Este Datum é indicado para correção da superfície terrestre em relação ao norte magnético para América do Sul. O Sistema de Projeção de Coordenadas geográficas (Lat/Long) representados em graus, minutos e segundos. As demais informações disponíveis na forma digital e representação vetorial foram recortadas utilizando o limite da área de estudo. Estes dados foram obtidos em diversas fontes como o Projeto RADAMBRASIL (1978), o Sistema de Proteção da Amazônia SIPAM (2013) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2013). As informações sobre Unidades de Conservação foram adquiridas junto ao Centro Estadual de Unidade de Conservação (CEUC, 2013), Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM, 2013). O primeiro passo foi vetorizar a rede de drenagem presente na área de estudo. Em seguida, foram vetorizados os pontos de nascentes e outros corpos d´água. Os dados foram extraídos das cartas do estudo do plano de gestão da UC e comparados com a imagem de satélite. As informações que não estavam contidas nas cartas foram atualizadas pelas imagens, isso tornou possível gerar dois arquivos vetoriais, um contendo a hidrografia representada pelos rios e o outro os pontos de nascentes e corpos d´água presentes na área de estudo. As imagens de Radar SRTM_25_13 e SRTM_24_13 foram utilizadas para gerar o Modelo Digital de Elevação da área de estudo, neste procedimento foi utilizada a metodologia desenvolvida por Pinto (2005), que criou quatro classes de declividade com intervalo de 15º. Segundo este autor, este intervalo permite evidenciar as diferentes rupturas dos segmentos de relevo dos compartimentos morfológicos. A primeira classe compreende níveis de declividade até 15º, a segunda classe compreende níveis de declividade entre 15º e 30º, na terceira classe estão inseridos níveis de declividade entre 30º e 45º e finalmente na quarta classe estão inseridas as áreas que apresentam declividades acima de 45º, as quais são protegidas pela legislação brasileira. Depois de ter gerado o Modelo Digital de Elevação com quatro classes de declividade, estas foram 62 convertidas do formato raster para o formato vetorial onde foi identificada e calculada cada área, em hectares, de cada uma das classes. De posse dos dados vetoriais de hidrografia foi iniciada a confecção dos dados vetoriais de Áreas de Preservação Permanente que de acordo com a Resolução CONAMA nº 369, de 28 de março de 2006 e do novo Código Florestal Brasileiro – Lei 12.651 de 2012. Com base nestas informações foi gerado um “buffer” onde se estimou a largura do recurso hídrico para determinar a largura marginal, máxima e mínima, a ser preservada considerando a legislação ambiental vigente. Depois de finalizar o “buffer” de áreas marginais a cursos d’água foi feita a união destas informações com aquelas geradas pelo Modelo Digital de Elevação. Este procedimento permitiu unir em um só arquivo vetorial as áreas com declividade e as áreas que margeiam cursos d’água. Etapa 3: Análise e elaboração das cartas: Esta etapa corresponde num primeiro momento, à extração das informações dos dados registrados e processados e posteriormente a sua relação com as demais informações existentes, para assim avaliar o potencial da área de estudo. Todos os produtos obtidos, independente da fonte onde foram adquiridos, assim como os dados de classificação e os produtos temáticos disponíveis foram interpretados visualmente e serviram de base para a elaboração das cartas temáticas e da carta imagem para ilustrar os temas pesquisados. Foi criado um layout padrão para todas as cartas, nelas foram ilustradas as informações produzidas. Seguindo as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas – (ABNT, 2013), o layout é composto por informações como: Legenda; Escalas gráfica e numérica; Seta identificação do norte; Grade de coordenadas; Título da carta e Informações Técnicas necessárias. 63 5.2.1.1 DEFINIÇÃO E TRATAMENTO DOS CRITÉRIOS DE POTENCIALIDADE PARA CONCESSÃO FLORESTAL. Baseado na metodologia de Buhring (2010) foi adicionado na classificação desta metodologia à potencialidade para Concessão Florestal, que foi transformada em cartas, conforme especificação abaixo: A potencialidade foi definida por classes de critérios, onde cada um deles representa um nível de potencialidade natural. Todos os critérios foram obtidos, utilizando-se a abordagem de critérios múltiplos. As classes dos critérios foram definidas com níveis de potencialidades, representadas por letras, números e cores conforme tabela 3: Tabela 3. Representação das classes de potencialidade CLASSE DE POTENCIALIDADE Muito alta Alta Média Baixa Muito baixa LETRAS A B C D E NÚMEROS 1 2 3 4 5 CORES Verde escuro Verde claro Laranja Rosa Vermelha 5.2.1.2 PROCESSO DE DETERMINAÇÃO DAS CARTAS 5.2.1.2.1 CRITÉRIOS UTILIZADOS Foram considerados os seguintes critérios: Solos, Declividade, Vegetação, Distância da Área de Preservação Permanente, Distância as Vias de Acesso, Distância ao Centro Consumidor; Potencialidade Florestal de Interesse Comercial. Os critérios foram definidos com base na importância dos mesmos em determinar a potencialidade para concessão florestal. Após a definição dos critérios, estes foram padronizados utilizando uma sigla de letra “P” que corresponde a PADRONIZADO. Considerando que os critérios estão em unidades de medidas diferentes, (como por exemplo, o critério SOLOS é expresso em classes de solo e o critério DECLIVIDADE é expresso em graus ou em percentual de 64 declividade), será necessário o seu reescalonamento para um intervalo numérico comum conhecido como padronização. Nesta metodologia, a padronização foi realizada para cada critério, considerando CINCO classes de potencialidades assim definidas: Classe 1 - Muito Alta; Classe 2 Alta; Classe 3 - Média; Classe 4 - Baixa e; Classe 5 - Muito Baixa. Estes intervalos de padronização utilizados foram definidos, com base na metodologia utilizada por Buhring (2010). No primeiro momento, foi analisada a influência e o comportamento de cada um dos critérios, considerando as cinco classes, obtendo-se o fator padronizado para estas classes. • Solos (SOLOS) - este critério foi definido porque as classes de solo apresentam comportamentos diferentes em relação ao uso. O nível de desenvolvimento e a maturidade dos solos exercem influência direta neste comportamento. Os solos mais maduros e desenvolvidos são mais estáveis, portanto menos vulneráveis. O critério SOLOS foi definido com base nas classes de solos existentes na área de estudo. Já os intervalos de reescalonamento do critério padronizado SOLOS para a potencialidade florestal foram desenvolvidos baseados no grau de desenvolvimento ou maturidade das classes além da sua vulnerabilidade e fertilidade natural. Os solos mais maduros apresentam alta potencialidade para atividades florestal Tabela 4 Na área de estudo as classes de solo encontradas foram às seguintes: A – Muito Alta - Latossolo Vermelho-Amarelo; B – Alta - Podzólico Vermelho Amarelo; C – Média - Plintossolo; D – Baixa - Gleissolo; E – Muito Baixa - Massa D’água; As classes estabelecidas para o critério SOLOS foram padronizadas em intervalos de potencialidade, desta forma foi gerado o critério padronizado PSOLOS. Esses intervalos foram definidos, considerando o Sistema Brasileiro de Classificação de Solos que sugere a utilização dos solos, de acordo com a sua maior ou menor vulnerabilidade, possibilitando um melhor uso de suas potencialidades. 65 Neste sentido, há uma relação inversa quando comparado o solo e atividade florestal, pois quanto mais vulneráveis são as classes de solo, menor a potencialidade para a atividade florestal. Portanto, as classes de solos com formações recentes são menos adequadas para atividade florestal, pelo fato de haver uma preocupação em termos de otimização de uso. As classes de padronização para este critério, considerando a potencialidade florestal, são visualizadas na tabela 4. • Declividade (DECL) - as diferentes classes de declividade (relevo) obtidas por meio dos níveis de declividade influenciam consequentemente na potencialidade da área para manejo florestal. Este critério é analisado em termos dos valores de declividade e dificuldades de realizar concessão florestal, pois, quanto maior é a declividade menor é a potencialidade para as atividades florestais. As áreas com menor declividade são mais apropriadas para exploração florestal etc. Os critérios de declividades considerados foram os seguintes: 1 de 1% até 3% - relevo plano; 2 de 3% até 8% - relevo suave ondulado; 3 de 8% até 20% - relevo ondulado; 4 de 20% até 45% - relevo fortemente ondulado e 5 maiores que 45% - relevo montanhoso/escarpado. Para efeito de padronização os intervalos de reescalonamentos para este critério foram definidos considerando a maior ou menor dificuldade para localizar possíveis usos. Neste sentido, quanto maior a declividade menor será a potencialidade para realizar a concessão florestal. As classes de padronização para este critério são visualizadas na tabela 4. • Vegetação (V) - o tipo e a densidade da vegetação também influenciam na potencialidade da área, pois quando se tem uma preocupação com a qualidade da madeira, conhecer o tipo de cobertura vegetal da área é fundamental para expressar a sua potencialidade florestal. As áreas ocupadas com as maiores densidades de floresta e maior biodiversidade possuem grande potencialidade para implantação da concessão florestal. As classes para este critério foram às seguintes: A - Floresta Ombrófila Aberta de Terras Baixas com palmeiras (Aap); B - Floresta Ombrófila Aberta Submontana com Palmeiras (Abp); 66 C - Floresta Ombrófila Densa Aluvial com Dossel Emergente (Dae; D - Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas com Dossel Emergente (Dbe); Com base no comportamento destas classes em relação à potencialidade florestal foram definidos os níveis de padronização deste critério. As classes de padronização para este critério, considerando a potencialidade florestal, são visualizadas na tabela 4. • Distância da Área de Preservação Permanente (DAPP) - esta distância influência diretamente na exploração florestal, principalmente no escoamento da produção. Quanto maior é a distância da área à água maior é a potencialidade para atividade florestal. Este critério foi padronizado considerando estas características comportamentais. As classes desse critério foram as seguintes: Muito Baixa - de 0 a 80 metros; Baixa - de 80 a 150 metros; Média - de 150 a 300 metros; Alta - de 300 a 500 metros; Muito Alta - > 500 metros. As classes de padronização para este critério, considerando as potencialidades para concessão florestal, são visualizadas na tabela 4. • Distância as Vias de Acesso (DVA) - esta distância influência no acesso, no escoamento da produção e consequentemente na potencialidade florestal da área, sendo um fator que especifica uma preocupação de custo e comercialização, considerando-se a exploração florestal. Parte-se do princípio de que quanto menor é a distância entre a área de exploração e a rede viária maior é a potencialidade para realização das atividades florestais. A padronização deste critério foi definida com base na característica especificada acima. As classes destes critérios foram: Muito Alta - de 0 a 20 km; Alta - de 20 a 40 km; Média - de 40 a 60 km; Baixa - de 60 a 70 km; Muito Baixa - > 70 km. 67 • Distância ao Centro Consumidor (DCC) – está relacionado respectivamente ao fato de que quanto maior a distância da área ao centro consumidor, menor é sua potencialidade para exploração florestal, nesse sentido foi estipulado um buffer de 160 km para identificar o centro consumidor com maior e/ou menor potencial para processamento e beneficiamento da produção. Para delimitação do centro consumidor foi utilizada as vias de acesso, rios e estradas. As classes de distâncias deste critério relacionadas ao potencial para processamento e beneficiamentos da produção foram: Muito Alta - de 0 a 40 Km; Alta - de 40 a 80 Km; Média - de 80 a 120 Km; Baixa - de 120 a 160 Km; Muito Baixa - > 160 Km. As classes de padronização para este critério, considerando a potencialidade florestal, são visualizadas na tabela 4. • Potencialidade Florestal de Interesse Comercial (PPFIC) - este critério foi escolhido porque a tipologia florestal presente na área e o nível dos indivíduos florestais de interesse comercial, considerando o seu estágio de desenvolvimento, representam a potencialidade da área. Desta maneira, está sendo considerado que, quanto maior o nível de desenvolvimento dos indivíduos e a tipologia vegetal mais desenvolvida, maior é a potencialidade para a atividade florestal. As classes estabelecidas para este critério foram às seguintes: A - Muito alta presença - Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas com Dossel Emergente com bom número de indivíduos comerciais de grande porte, floresta nativa, com presença de espécies extrativistas; B - Alta presença - Floresta Ombrófila Densa Aluvial com Dossel Emergente, com bom número de indivíduos comerciais de grande porte, e/ou floresta com presença de espécies extrativistas; C -Média presença - Floresta Ombrófila Aberta Submontana com Palmeiras com pouca presença de indivíduos comerciais de grande porte; D -Baixa presença - Floresta Ombrófila Aberta de Terras Baixas com palmeiras com baixa presença de indivíduos comerciais de grande porte. 68 Tabela 4: Descrição dos critérios padronizados e suas respectivas classes de potencialidades. OBJETIVO CONCESSÃO FLORESTAL CRITÉROS PADRONIZADOS CRITÉRIOS CLASSE DE POTENCIALIDADE Alta Média Baixa (4) (3) (2) B C D - SOLOS - PSOLOS Muito Alta (5) A Muito baixa (1) - - DECL - PDECL 1 2 3 4 5 - VEG - PV A B C D - - DVA - PDVA 0 - 20 20-40 40 –60 60-70 >70 - DCC - PDCC 0 -40 40-80 80-120 120-160 >160 - PFIC - PPFIC A B C D - - DAPP - PDAPP > 500m 300-500m 150-300m 80-150m 0 – 80m LEGENDA: CLASSES DE PSOLOS: Solos; CLASSES DE PDECL: Declividade Contínua; CLASSES DE PV: Vegetação; CLASSES DE PDVA: Distância as Vias de Acesso, CLASSES DE PDCC: Distância ao Centro Consumidor; CLASSES DE PPFIC: Potencialidade Florestal Interesse Comercial; CLASSES DE PAPP: Área de Preservação Permanente. 69 5.2.1.3 GERAÇÃO DAS CARTAS As cartas foram geradas utilizando as ferramentas usuais presentes em SIG, conforme especificação abaixo: a) Carta de critério padronizado Declividade Contínua (PDECL): com o uso do Sistema de Informações Geográficas - SIG a carta de declividade contínua foi gerada classificada em classes de declividade com base na recomendação da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo (SBCS), da seguinte forma: 1% até 3% - relevo plano; 3% até 8% - relevo suave ondulado; 8% até 20% - relevo ondulado; 20% até 45% - relevo fortemente ondulado e Maiores que 45% - relevo montanhoso/escarpado. Depois de ter sido gerada, esta carta foi convertida do formato raster em que se encontrava para o formato vetorial onde foi calculada a área em hectares de cada uma das classes. Esta carta foi gerada para identificar a potencialidade para concessão florestal. b) Carta de critério padronizado Vegetação (PV): esta carta é a própria carta temática de vegetação com as suas diversas classes de critérios padronizadas. c) Carta de critério padronizado Área de Preservação Permanente (PAPP): esta carta foi gerada a partir do Plano de Informação (PI) de hidrografia, contendo os corpos d’água (lagos, lagoas, nascentes, igarapés e rios). Este PI foi reclassificado para potencialidade Florestal, gerando assim, um Plano de Informação. Para este Plano de Informação foi elaborados layout, produzindo-se assim, a carta de critério da área de preservação permanente. e) Carta de critério padronizado Distância da área destinada para concessão florestal às vias de acesso (PDVA): esta carta foi gerada com o uso do SIG, cujo método tomou como base as vias de acesso (Rios e Estradas) que serviu como entrada para a geração do plano de informação (PI) de distância contínua. 70 f) Carta de critério padronizado solos (PSOL): esta carta é a própria carta temática de Solos representada por classes de solo com base no seu nível de desenvolvimento e a maturidade. g) Carta de critério padronizado da distância da área destinada para concessão florestal ao centro consumidor (PDCC): esta carta foi obtida a partir da localização da área de estudo aos possíveis centros consumidores mais próximos para fins de processamento e beneficiamento de produtos florestais. Após isso foi gerada a carta de distância da área ao centro consumidor conforme seus critérios padronizados em um buffer de 0 a 160 km. h) Carta de critério padronizado de Potencialidade Florestal de Interesse Comercial (PFIC): esta carta foi obtida a partir do conhecimento da tipologia florestal presente e das informações relativas ao nível de indivíduos arbóreos de interesse comercial. Desta maneira, considera-se que, quanto maior o nível de desenvolvimento dos indivíduos arbóreos e a tipologia vegetal mais desenvolvida, maior é a potencialidade para a atividade florestal. i) Carta de critério padronizado de Potencialidade para Concessão Florestal (PPCF): esta carta foi gerada a partir da combinação dos sete critérios discutidos anteriormente como: (PSOLOS), (PDECL), (PV), (PDVA), (PAPP), (PDCC) e (PPFIC). j) Carta de critério padronizado do zoneamento da Unidade de Manejo Florestal (PZUMF): esta carta foi gerada a partir da plotagem de um grid com 63 blocos de 5 mil hectares. O calculo de potencialidade de cada bloco foi obtido através de uma média ponderada resultante da multiplicação da área de cada polígono com a classe de potencialidade dos critérios estabelecidos na metodologia, em seguida foi realizada a somatória de todos os valores resultante da multiplicação e dividido pala área total do bloco. 71 6. RESULTADOS E DISCUSSÕES Este projeto procurou obter diversas informações para mostrar a potencialidade da Floresta Estadual Tapauá para implantação da concessão florestal. Os resultados devem ser discutidos e analisados de forma clara, para que possam ser entendidos por outras pessoas não ligadas diretamente ao sistema de concessão florestal. Isso não impede que sejam analisados à luz dos conhecimentos cientifico, o que permitirá que outros profissionais da área possam fazer uma avaliação crítica não somente deste método, mas principalmente do trabalho como um todo. 6.1 MODELO ORGANIZACIONAL DA GESTÃO FLORESTAL DO ESTADO DO AMAZONAS. Atualmente o modelo organizacional de formulação e implementação de politica florestal e de gestão dos recursos florestais do estado do Amazonas é composto por cinco organizações, sendo duas de administração direta, a Secretaria de Estado de Produção Agropecuária, Pesca e Desenvolvimento Rural (SEPROR), e a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (SDS), e três de administração indireta, um Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM), um Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e uma Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS), conforme figura 8. 72 Figura 8. Estrutura organizacional da gestão florestal do Estado do Amazonas. Para realizar a gestão florestal do Estado do Amazonas, a SDS conta com o apoio de um colegiado, o Conselho Estadual do Meio Ambiente (CEMAAM), e com outras Secretarias Executivas Adjuntas, somadas a Unidade Gestora do Centro Estadual de Mudanças Climáticas e do Centro Estadual de Unidades de Conservação (UGMUC), e também com uma agência de promoção aos negócios oriundos do extrativismo a Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS), um Instituto de Proteção Ambiental (IPAAM), responsável pelo licenciamento ambiental e pela autorização de uso dos recursos florestais, além de um Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável – IDAM, além das organizações não governamentais. De acordo com a Lei Delegada N° 84/2007 também é uma responsabilidade da Secretaria de Estado de Produção Agropecuária, Pesca e Desenvolvimento Rural (SEPROR) a formulação, elaboração e implementação da política florestal no Amazonas. No entanto, sobreposição de competências foi antecipada na Lei 2.738/03 de criação da SDS que institui a “obrigatoriedade de ação conjunta e em colaboração” nas atividades inerentes ao setor, entre as duas secretarias, embora, não tenha detectado a integração comprovada em documentos, observando o organograma das secretarias pela ótica da competência da gestão e promoção de atividades florestais. (IDESAM, 2013). 73 Pode-se dizer que estas estruturas tem na sua concepção a ideia de se trabalhar de forma integrada e complementar. Na prática a situação é bem diferente, em termos operacionais, sendo que a maior parte dos programas de apoio econômico e financeiro adotados na política agrícola está associada a períodos de curto prazo. São, portanto, mecanismos difíceis de serem adaptados às políticas de atividades florestais, que demandam, na maioria dos casos, instrumentos de alcance de médio e longo prazo. Isso sem considerar o histórico de conflito entre se manter as árvores em pé e a necessidade de derrubá-las para as práticas agropecuárias tradicionais. Ademais, no campo político, normalmente as estruturas estatais são partilhadas entre grupos e correntes de ideologias nem sempre convergentes, dificultando, sobremaneira, a operacionalidade de organizações que institucionalmente são obrigadas a compartilhar ações. Apesar de existir uma divergência nas atribuições no tocante às funções entre os dois sistemas em relação à responsabilidade pela formulação, elaboração e implementação da política florestal. Pode-se também observar, que a gestão florestal no Estado do Amazonas é realizada de forma participativa entre o poder instituído e a sociedade civil através das organizações não governamentais e dos concelhos que reúne representantes de diversas instituições, governamentais e não governamentais. A estruturação da gestão florestal no estado decorre das necessidades geradas pela riqueza florestal do estado e das suas dimensões. A organização Institucional para gestão das concessões florestais no Estado do Amazonas de acordo com a Lei Estadual de Concessão Florestal N° 3.527 de 28 de julho de 2010, é compreendida da seguinte forma: I - Poder concedente: Estado do Amazonas, por meio da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SDS; II – Órgão Consultivo: Conselho Estadual de Concessão Florestal do Amazonas – CECFAM; III – Órgão ambiental – Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas – IPAAM; IV - Órgão gestor da Unidade de Conservação: Centro Estadual de Unidades de Conservação – CEUC; V - Órgão gestor da concessão: Agência de Desenvolvimento Sustentável – ADS. A Lei Estadual de Concessão Florestal N° 3.527 de 28 de julho de 2010 incumbiu a Agência de ser o órgão gestor das concessões nas unidades de manejo das unidades da categoria Floresta Estadual. Essa incumbência primária se desdobra em um 74 rol de 23 responsabilidades subjacentes, dentre elas: elaborar o Plano Anual de Outorga Florestal (PAOF), realizar os inventários florestais das áreas, solicitar licenciamento ao IPAAM, realizar audiências públicas, preparar editais, selecionar propostas, firmar contratos, gerir esses contratos, disciplinar o acesso às unidades de manejo, organizar auditorias. Apesar da Lei de gestão de florestas públicas do estado do Amazonas ter atribuído à ADS a competência para fazer as concessões florestais, mas igualmente, não lhe instituiu a estrutura necessária. Com as duas diretorias de que hoje dispõe, é pouco provável que a ADS consiga viabilizar as concessões. O Amazonas teve um diferencial em relação aos outros estados da região, conseguiu viabilizar o marco legal quatro anos depois da lei federal de gestão de florestas públicas. Mas até o momento não apresentou nenhum Plano Anual de Outorga Florestal PAOF consequentemente não houve concessões florestais para empresas em Florestas Estaduais, portanto, se não dispuser de estrutura operacional, o esforço para construir o arcabouço normativo terá sido inválido. Nota-se nesta estrutura que o tema florestal no Amazonas está disperso numa complexa estrutura de Estado que lida com vários outros temas sob tênue coordenação, de um lado, de outro, os núcleos temáticos responsáveis internamente pelo tema (formulação de política, licenciamento, assistência técnica e extensão, implementação e manejo das unidades de conservação, efeitos climáticos...) constituem órgãos fechados de um sistema que deveria atuar de forma aberta e interconectada. De acordo com o estudo de proposições existe escassa interação entre esses núcleos, diluindo a visão sistêmica e impedindo uma atuação orgânica aberta, capaz de constituir a força e a identidade temática no âmbito da instituição. Perde-se, portanto, o foco no âmbito interno da Secretaria no processo de implementação e execução da política de florestas, e, em consequência, não se alcança a visibilidade que o extenso, volumoso e denso capital natural florestal do estado por só si representa (Amazonas, 2012). Isso indica a necessidade de direcionamento de esforços para estruturar a gestão pública visando dar conta de suas funções delineando claramente as regras de conduta dos agentes econômicos e sociais com disponibilidade de instrumentos, equipamentos, logística e recursos humanos, para atender as demandas da gestão florestal visto que os órgãos estão fortemente concentrados na capital do estado, face às peculiaridades de 75 logística que dificultam o acesso do produtor aos órgãos estatais que atuam na área florestal e o atendimento destes aos respectivos produtores. Muito embora o Estado do Amazonas apresente em seu arcabouço legal todas as funções de estado na temática floresta, existe a necessidade de mensurar mudanças mais profundas no sistema de gestão florestal. Como por exemplo, a criação de uma Secretaria de Florestas como no caso do Governo do Acre ou para a promoção do fomento e extensão, a criação de um Instituto de Florestas como criado para a governança florestal do Amapá. (IDESAM, 2013). Cabe lembrar também da ausência de uma autarquia relacionada à gestão de unidades de conservação do Estado do Amazonas, gestão esta sob a tutela do Centro Estadual de Unidade de Conservação (CEUC) dentro do UGMUC, compondo atualmente a SDS. Portanto, o modelo apresentado da política de gestão florestal no Amazonas, para Formulação e implementação salvo situações de carências estruturais, estão localizadas em instâncias mais políticas, e a execução em instâncias técnicas, operacionais. Dessa forma ao comparar a estrutura atual da organização Institucional da gestão florestal com a temática da concessão florestal e da incumbência prevista na Lei estadual nº 3527/10, fica evidente que o governo do Estado do Amazonas necessita fazer alguns ajustes para viabilizar as concessões nas unidades de conservação de uso sustentável. 76 6.2 DETERMINAÇÃO DAS CARTAS TEMÁTICAS DA ÁREA DESTINADA PARA CONCESSÃO FLORESTAL. A aplicação deste critério permitiu identificar a distribuição de áreas de acordo com cada tema e propor com base nas informações geradas, a combinação das cartas temáticas com diferentes níveis de potencialidade. A combinação destas informações reunidas pode contribuir para tomada de decisão de gestores e empreendedores e também permitir uma avaliação futura referente ao uso e garantir a proteção e conservação dos recursos naturais. Para identificar o nível de potencialidade da área de estudo foram elaboradas as seguintes cartas temáticas: solos, declividade, vegetação, hidrografia, vias de acesso e centro consumidor. Na carta temática de solos, o latossolo vermelho amarelo apresentou maior dominância com 66,60% respectivamente 122.835,76 hectares da área total destinada para concessão florestal. Em seguida apareceu o Podzólico Vermelho Amarelo com 18,00% da área, ou seja, 33.198,99 hectares. Já os Plintossolos e Gleissolos apresentam pequenas interrupções que juntos correspondem aproximadamente 15,4% o que corresponde respectivamente a 19.244,88 e 9.167,57 hectares. Na Figura 9 é ilustrada a distribuição dos tipos de solos presentes na área de estudo, com base no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos EMBRAPA (2013). 77 Figura 9: Carta temática de solos da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. Partindo do princípio de que quanto menor a declividade maior é a potencialidade para atividade florestal, é possível observar no mapa de declividade que 78 100% da área são totalmente aptas para atividade florestal, uma vez que a declividade predominante é inferior a 8º. A carta de declividade mostra o quanto esta área apresenta terrenos planos (Figura 10). Na figura 10 são apresentadas as classes definidas neste trabalho para ilustrar os níveis de declividade existentes na área de estudo. Verificou-se que a classe predominante foi com declividades entre 1º e 3º que representou 99,4%, aproximadamente 184.147,06 hectares da área total. A classe que representou um terreno suavemente ondulado, com declividades entre 3º e 8º, correspondeu a 0,16%, da área de estudo, ficando evidente notar o quanto a área de estudo apresenta terrenos planos e que a classe de relevo suavemente ondulados são mínimas quando comparadas com as áreas planas. Nestas áreas, a declividade do terreno proporciona menor velocidade do fluxo da água retendo as partículas que vão sendo depositada na camada superficial, evitando enxurradas e pequenos sulcos no solo. 79 Figura 10: Carta temática de declividade da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. O mapa de vegetação foi gerado para este estudo a partir de imagens do satélite Landsat 5, 2010, e alguns mapas temáticos de cobertura disponíveis em formato digital, 80 IBGE e SIPAM e IPAAM (2013). Ao observar a Figura 11 fica evidenciado que a cobertura vegetal predominante na área de estudo é de Floresta Ombrófila Densa, correspondendo a 115.549,30 hectares (62,65%), seguida com 16,11% pela casse de floresta Ombrófila Densa Aluvial com Dossel Emergente, a terceira classe representada pela floresta Ombrófila Aberta Submontana, com 13,24%, correspondendo a 24.412,11 hectares e por ultimo a classe de floresta Ombrófila Aberta de terras baixas com palmeiras com 8,01% correspondendo a 14.770,41 hectares. 81 Figura 11: Carta temática de Vegetação da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. A conservação do manancial hídrico é fundamental para a manutenção e preservação da diversidade cultural e ecológica dos ecossistemas existentes na região. 82 Analisando a carta de hidrografia (figura 12), nota-se que aproximadamente de 0,5% de sua superfície total da área destinada para concessão florestal é coberta por igarapés e nascentes com lâmina d’água de aproximadamente 5 metros de largura, sendo também contornada pelo rio Ipixuna, que poderá ser considerado uma via de acesso para escoamento da produção florestal. 83 Figura 12: Carta temática de Hidrografia da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. Com relação às vias de acesso a área de estudo, observou-se que está próximo de uma estrada não pavimentada, de domínio da União, a BR 319 no sentido Sudeste. Pelo 84 outro lado é contornada pelo rio Ipixuna. Além destas, existe um ramal, que mesmo em estado precário de conservação, é utilizado para deslocamento e escoamento da produção figura 13. 85 Figura 13: Carta temática de vias de acesso da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. Os centros consumidores considerados neste estudo estão relacionados com a área urbana mais próxima da área destinada para concessão florestal na Floresta 86 Estadual Tapauá, e também levando-se em consideração o percurso mais viável para escoamento e beneficiamento da produção florestal. Este critério foi utilizado para calcular distância da área ao centro consumidor mais próximo sendo avaliada com cinco classes de potencialidade. 6.3 DETERMINAÇÃO DA POTENCIALIDADE PARA CONCESSÃO FLORESTAL. Para a determinação da potencialidade para concessão florestal, foram utilizados os seguintes critérios padronizados: Solos (PSOLOS), Declividade Contínua (PDECL), Vegetação (PV), Distância as Vias de Acesso (PDVA), Área de Preservação Permanente (PAPP), Distância ao centro consumidor (PDCC) e Potencialidade Florestal de Interesse Comercial (PPFIC). Na Figura 14 é ilustrado o PSOLOS (critério padronizado solos) com cinco classes de potencialidade (Tabela 5), considerando o nível de desenvolvimento e sua maturidade, variáveis que exercem influência direta na potencialidade para concessão florestal. Assim, os solos mais maduros e desenvolvidos são mais estáveis. Na área de estudo foi registrada predominância da classe 1 (Muito Alta Potencialidade) representada pelos Latossolos vermelho-amarelo em concentração de 66,60% da área total, correspondendo a 122.835,76 hectares. Estes solos são bem desenvolvidos, com grande profundidade e porosidade sendo, portanto, considerados os solos cujos materiais são os mais decompostos, são também mais estáveis e menos vulneráveis a perda natural de solos. Na classe 2 (Alta Potencialidade), predominaram os Podzólicos vermelho amarelo com 18,00% da área total, correspondendo a 33.198,99 hectares. De acordo com Crepani (2001), os solos Podzólicos, quando comparados com os Latossolos, apresentam profundidade menor e são solos menos estáveis e menos intemperizados. Ocorrem geralmente em topografias um pouco mais movimentadas. Em seguida aparece a classe 3 (Média Potencialidade), esta classe é representada pelo Plintossolo. Esta classe de solos é encontrada em uma área de 19.244,88 hectares equivalentes a 10,43% da área total. Na área de estudo também existem os Gleissolos em uma área de 9.167,94 hectares equivalente a 4,97% da área total e correspondem a 87 classe 4 de Baixa Potencialidade para manejo florestal. Estes solos são jovens e pouco desenvolvidos, isto é, sua característica principal é a pequena evolução dos perfis do solo, podem também estar situados em lugares de alta declividade o que favorece os processos erosivos, neste sentido, estes solos não podem ser utilizados para realização de atividades relacionadas à mecanização. Tabela 5. Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal, considerando o critério padronizado solos (PSOLOS). CLASSES DE POTENCIALIDADE 1 – MUITO ALTA 2 – ALTA 3 – MÉDIA 4 – BAIXA 5 – MUITO BAIXA TOTAL ÁREA (ha) PERCENTUAL (% ) 122.835,76 33,198,99 19.244,88 9.167,94 ---------184.447,57 66,60 18,00 10,43 4,97 ------100,00 * Nota: A área de estudo possui aproximadamente de 0,5% de sua superfície coberta por água. 88 Figura 14. Carta de critério padronizado PSOLOS com suas classes de potencialidade da área destinada para concessão florestal. Na Tabela 6 e a Figura 15 encontra-se o PDECL (critério padronizado declividade contínua) com cinco classes de potencialidade. Este critério influencia 89 diretamente na suscetibilidade da área à erosão, assim, quanto maior a declividade, menor sua potencialidade para concessão florestal. As classes que predominaram foram as classes 1 (Muito Alta Potencialidade) e 2 (Alta Potencialidade) que possuem relevo plano a suavemente ondulado com 99,84% (184.147,06 hectares) e 0,16% (300,51hectares), respectivamente totalizam 184.447,57 hectares o que correspondeu a 100% da área com potencial para realização de atividade Florestal. Tabela 6. Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal, considerando o critério padronizado declividade contínua (PDECL). CLASSES DE POTENCIALIDADE 1 - MUITO ALTA 2 – ALTA 3 – MÉDIA 4 – BAIXA 5 - MUITO BAIXA TOTAL ÁREA (ha) 184.147,06 300,51 ---------------------------------184.447,57 PERCENTUAL (% ) 98,84 0,16 ---------------100,0 * Nota: A área de estudo possui aproximadamente de 0,5% de sua superfície coberta por água. 90 Figura 15. Carta de critério padronizado declividade contínua PDECL com suas classes de potencialidade da área destinada para concessão florestal. Na Figura 16 e na Tabela 7 encontra-se o PV (critério padronizado Vegetação) com cinco classes de potencialidade. Neste sentido, na área de estudo predominou a 91 classe 5 (Muito Alta Potencialidade), com 62,66% (115.549,30 hectares). A cobertura vegetal presente nesta classe foi Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas com Dossel emergente. A classe 4 (Alta Potencialidade), cuja vegetação é Floresta Ombrófila Aberta Submontana com Palmeiras, ocupa 13,24% (24.412,11 hectares), estas duas classes (4 e 5) correspondem juntas a 139.961,41 hectares com potencialidade para realização de atividades relacionadas ao manejo florestal sustentável de produtos madeireiros. As classes 3 Média Potencialidade, com predominância de floresta Ombrófila aberta terras baixas com palmeiras), 2 (Baixa Potencialidade, predominância de Floresta Ombrófila densa com dossel emergente), correspondem a 8,01% (14.770,41 hectares), 16,11% (29.715,75 hectares) respectivamente. Estas áreas ocupadas com menores densidades de floresta somadas aquelas que apresentam solo inapropriado, possuem menor potencialidade para realização de atividades florestais. Tabela 7. Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal considerando o critério padronizado vegetação (PV). CLASSES DE POTENCIALIDADE 5 - MUITO ALTA 4 - ALTA 3 - MÉDIA 2 - BAIXA 1 - MUITO BAIXA TOTAL ÁREA (ha) 115.549,30 24.412,11 14.770,41 29.715,75 -----------184.447,75 PERCENTUAL (% ) 62,66 13,24 8,01 16,11 ------100,00 * Nota: A área de estudo possui aproximadamente de 0,5% de sua superfície coberta por água. 92 Figura 16. Carta do critério padronizado vegetação (PV) com suas classes de potencialidade da área destinada para concessão florestal. Na tabela 8 e na figura 17 encontra-se o PDVA (critério padronizado distância da área destinada para concessão florestal às vias de acesso) com as cinco classes de 93 potencialidade. Considerando a distância máxima viável, a classe 3 (Média Potencialidade), apresentou maior predominância, com 37,39% (69.073,78 hectares). Isto significa que a distância percorrida varia de 40 a 60 km. Levando em consideração que a atividade florestal muitas vezes requer a abertura de estradas secundárias para escoamento da produção, esta distância reduz significativamente o potencial da área. As classes de potencialidade 2 (Alta), 1 (Muito Alta) correspondem respectivamente a 24,82% (45.848,06 hectares) 24,28% (44.853,36 hectares). Estas classes, conjuntamente, correspondem a 49,1% o que significa que da área total destinada, 90.701,42 hectares tem grande potencialidades para realização de atividades florestais uma vez que a distância percorrida varia entre 0 a 40 km. Isto ocorre devido à proximidade da área com rodovia BR-319. A classe de potencialidade 1 (Muita Baixa) corresponde respectivamente a 0,13% correspondendo a (236,05 hectares). Levando em consideração a distância da área representada por esta classe a Rodovia BR-319, contudo, se considerarmos o rio Ipixuna como via de acesso, toda área em questão estará inserta na classe muito alta potencialidade. Tabela 8. Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal, considerando o critério padronizado distância as vias de acesso (PDVA). CLASSES DE POTENCIALIDADE 5 - MUITO ALTA 4 – ALTA 3 - MÉDIA 2 - BAIXA 1 - MUITO BAIXA TOTAL ÁREA (ha) 44.853,36 45.848,06 69.073,78 24.738,84 236,05 184.750,09 PERCENTUAL (% ) 24,28 24,82 37,39 13,39 0,13 100,00 * Nota: A área de estudo possui aproximadamente 0,5% de sua superfície coberta por água. 94 Figura 17. Carta do critério padronizado distância as vias de acesso PDVA com suas classes de potencialidade da área destinada para concessão florestal. A determinação da área de preservação permanente foi baseado nos critérios do Novo Código Florestal Brasileiro, Lei nº12.651/12, que caracteriza a Área de 95 Preservação Permanente APP, como uma protegida coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica, a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas. O calculo para determinação da área de preservação permanente foi baseado no critério de distancia das margens dos corpos d’água com um buffer estipulado de trezentos metros para os principais corpos d’água encontrados dento do perímetro da área destinada para concessão florestal. Na tabela 9 e na figura 18 é ilustrado o PAPP (critério padronizado da área de preservação permanente) com cinco classes de potencialidade. Considerando a potencialidade para concessão florestal a área de estudo apresentou predominância da classe 5 (Muito Alta Potencialidade), a qual representou 87,77% (161.833,32 hectares), somadas a esta as classe 4 (Alta Potencialidade) e classe 3 (Média Potencialidade), que correspondem respectivamente a 5,27% (9.721,93 hectares) e 3,76% (6.928,98) este percentual aumentou para 96,8% (177.934,23 hectares). Isto significa que a área é muito bem drenada, pois mesmo mantendo uma margem de segurança de até 150 metros de área de preservação nas margens dos igarapés a distância predominante a ser percorrida na área varia entre 150 a 500 metros. As classes de potencialidade 2 (Baixa, de 80 a 150 metros) e 1 (Muito Baixa, de 0 a 80 metros), correspondem respectivamente a 1,58% (2.909,22 hectares) e 1,63% (3.004,12 hectares). Estas classes, conjuntamente, corresponderam a 3,21% o que significa que da área total 5.913,34 hectares apresentam baixa potencialidade para realização de atividades florestais por estarem localizados a uma proximidade menor que 150 metros das margens dos igarapés e nascentes, portanto foram considerados como Área para proteção. Com base nas informações dos critérios padronizados foram encontrados aproximadamente 12.82,32 hectares, correspondendo a 6,96% da área destinada para a concessão florestal, que deverá ser destinada única e exclusivamente para preservação. 96 Tabela 9. Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal, considerando o critério padronizado da área de preservação permanente PAPP. CLASSES DE POTENCIALIDADE 5 - MUITO ALTA 4 - ALTA 3 - MÉDIA 2 - BAIXA 1 - MUITO BAIXA TOTAL ÁREA (ha) 161.883,32 9.721,93 6.928,98 2.909,22 3.004,12 219.068,21 PERCENTUAL (% ) 87,77 5,27 3,76 1,58 1,63 100,00 * Nota: A área de estudo possui aproximadamente 0,5% de sua superfície coberta por água. 97 Figura 18. Carta do critério padronizado da Área de Preservação Permanente PAPP com suas classes de potencialidades da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. 98 Na tabela 10 e na figura 19 encontra-se o PDCC (critério padronizado distância da área destinada para concessão florestal ao centro consumidor) com cinco classes de potencialidade. Levando em consideração a distância máxima viável para escoamento da produção florestal, a qual foi definida, foi possível observar que a classe 4 (Alta Potencialidade) predominou, com 55,58% ( 102.678,20 hectares) apresentando uma distância entre 40 a 80Km para serem percorridos. A classe 3 (Média Potencialidade) correspondeu a 40,83%correspondendo a (75.433,85 hectares). Isto significa que a distância máxima percorrida para esta classe corresponde respectivamente de 80 a 120 km. Os centros consumidores mais próximos da área de estudo foram às cidades de Tapauá, Humaitá, Porto Velho e Manaus, contudo, o centro consumidor de referencia para este trabalho foi o Município de Humaitá compreendida pela facilidade de escoamento da produção para os demais centros urbanos. Esta situação aponta a área como boa oportunidade implantação do sistema de concessão florestal quando considerada a distância ao centro consumidor. Tabela 10. Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal, considerando o critério distância da área destinada para concessão ao centro consumidor (PDCC). CLASSES DE POTENCIALIDADE 5 - MUITO ALTA 4 - ALTA 3 – MÉDIA 2 - BAIXA 1 - MUITO BAIXA TOTAL ÁREA (ha) PERCENTUAL (% ) 6.629,17 102.678,20 75.433,85 --------------184.741,22 * Nota: O Centro Consumidor mais próximo dista aproximadamente 40 km da área de estudo. 3,59 55,58 40,83 ------------100,00 99 Figura 19. Carta de critério padronizado distância ao centro consumidor PDCC com suas classes de potencialidade da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. A potencialidade florestal de interesse comercial foi identificado neste trabalho por meio da avaliação de 5 classes de potencialidade de acordo com o critério 100 padronizado (PPFIC). Os meios utilizados para se chegar aos resultados foi através da caracterização da tipologia florestal classificada pelo IBGE (2009), com base nos resultados do volume de madeira de espécies comerciais nativas potencialmente exploráveis do inventário florestal realizado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas IDESAM (2011) na Unidade de Conservação Floresta Tapauá. As espécies de interesse comercial foram definidas com base na lista de espécies comerciais apresentadas no estudo Fatos florestais pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia IMAZON (2010) e o levantamento de informações no campo realizado pela equipe do (IDESAM, 2011). Na classe 1 (Muito Alta Potencialidade) a tipologia florestal é de Floresta Ombrófila Densa de Terras Baixas com dossel emergente apresentando bom número de indivíduos comerciais de grande porte, com ocorrência de diversas espécies de interesse comercial (anexo 1). Esta classe ocupou 62,07% da área de estudo, o que correspondeu a 115.549,3 hectares. As classes 2 (Alta Potencialidade) classificada como Floresta Ombrófila Densa Aluvial com Dossel Emergente correspondeu a 13,24% da área total destinada para concessão florestal com 24.412,11 hectares apresentando boa quantidade de indivíduos de interesse comercial de grande porte. A área de Floresta Ombrófia aberta submontana com palmeiras foi classificada como 3 (Média Potencialidade), correspondeu respectivamente a 8,01% com 14.770,41 hectares, com pouca presença de indivíduos comerciais de grande porte. As classes 4 (Baixa Potencialidade) correspondeu respectivamente a 16,11% da área total com (29.715,75 hectares). Esta área corresponde à tipologia florestal de floresta Ombrófila aberta de terras baixas com palmeiras com baixa presença de indivíduos comerciais de grande porte, o que se traduz em uma área com baixa potencialidade para concessão florestal. 101 Na tabela 11 e na figura 20 é informado o PPFIC (critério padronizado potencialidade florestal de interesse comercial) com 5 classes de potencialidade. Tabela 11. Classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem, da área destinada para concessão florestal, considerando o critério padronizado potencialidade florestal de interesse comercial (PPFIC). CLASSES DE POTENCIALIDADE 1 - MUITO ALTA 2 - ALTA 3 - MÉDIA 4 - BAIXA 5 - MUITO BAIXA TOTAL ÁREA (ha) PERCENTUAL (% ) 115.549,3 24.412,11 14.770,41 29.715,75 ----------184.447,57 * * Nota: O Centro Consumidor mais próximo dista aproximadamente 40 km da área de estudo. 62,07 13,24 8,01 16,11 -----100,0 102 Figura 20. Carta do critério padronizado potencialidade florestal de interesse comercial PPFIC com suas classes de potencialidade da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. 103 Conforme análise dos resultados do inventário florestal amostral realizado pelo IDESAM (2011), foi encontrado na Floresta Estadual de Tapauá um volume comercial com casca de 167,89 m3/ha ± 16,54 m3/ha (IC 95%), mensurados os indivíduos arbóreos com DAP ≥ 30 cm. Em comparação com volumes encontrados em três regiões do sul do Amazonas, LIMA (2010) encontrou valores de volume/ha próximos aos valores encontrados no inventário realizado pelo IDESAM (2011) na área da Floresta Estadual Tapauá (Tabela 12). Tabela 12. Volume por hectare de três regiões do sul do Amazonas por Lima (2010). Local ST Manejo de Florestas Resex Lago Capanã Grande RDS do Amapá Município DAP mínimo Lábrea Manicoré Manicoré DAP ≥ 10 cm DAP ≥ 10 cm DAP ≥ 10 cm Volume (m³ / ha) 231,90 211,16 172,92 Levando em consideração que os estudos apresentados acima tiveram um DAP mínimo de 10 cm, o volume de madeira encontrado na Floresta Estadual Tapauá está dentro da margem de m3/ha para a região, considerando que o inventario realizado pelo IDESAM (2011), levantou indivíduos arbóreos com DAP acima de 30 cm. Com base nos resultados do volume encontrado no inventário florestal amostral realizado pelo IDESAM (2011), e tendo como referência a legislação vigente no estado do Amazonas, foram considerados neste estudo somente os indivíduos com DAP ≥ 50 cm. Nesse sentido foi obtido um valor estimado de 54,23 m3/ha de volume de madeira em pé, considerando somente as espécies madeireiras comerciáveis (anexo 01). Para o número de indivíduos por hectare encontrou-se um valor médio de 12 ind./há. (IDESAM, 2011). A determinação da Potencialidade para concessão florestal baseou-se na combinação dos sete critérios discutidos anteriormente como: (PSOLOS), (PDECL), (PV), (PDVA), (PAPP), (PDCC) e (PPFIC). Na tabela 13 e na figura 21 é ilustrado o Potencial para concessão florestal com cinco classes de potencialidade. A classe de potencialidade que predominou foi a 5 (Muito Alta e Alta Potencialidade), correspondendo a 58,44% com 107.795,68 hectares da área total destinada . Seguida da classe 2 (Baixa potencialidade) correspondendo a 104 20,25% com 37.343,94 hectares. Estas classes foram bastante representativas correspondendo a 78,69 % do total da área destinada para concessão florestal na Floresta Estadual Tapauá. Os critérios mais representativos tiveram bastante influência nos resultados da combinação. Estes valores poderão aumentar ou diminuir dependendo do interesse com relação à disposição de áreas, assim estas também poderão ser ou não alocadas para este objetivo. Considerando que a área classificada com potencialidade muito alta possui 107.795,68 hectares da área destinada para concessão florestal, e o volume estimado para madeira em tora é de 54,23 m3/ha, tem-se o potencial estimado em torno de 5.845.759,726 m3 de madeira em tora. Porém, relacionado ao que preconiza a legislação do estado do Amazonas que cita a intensidade máxima de exploração de 25m3/ha/ano, o volume estimado para a área destinada para concessão florestal com potencialidade muito alta, seria de 2.698,892 m3 de madeira em tora. Tabela 13. Ocupação das classes de potencialidade, valores das áreas em hectares e porcentagem da área destinada para concessão florestal, considerando a combinação dos critérios padronizados (PSOLOS), (PDECL), (PV), (PDVA), (PAPP), (PDCC) e (PPFIC). CLASSES DE POTENCIALIDADE 5 - MUITO ALTA 4 – ALTA 3 - MÉDIA 2 – BAIXA 1 - MUITO BAIXA TOTAL ÁREA (ha) PERCENTUAL (% ) 107.795,68 53.99,18 24.295,33 37.343,94 9.613,44 184.447,57 58,44 2,93 13,17 20,25 5,21 100,0 * Nota: A área de estudo possui aproximadamente 0,5% de sua superfície coberta por água. 105 Figura 21. Carta de critério padronizado da potencialidade para concessão florestal após a combinação dos critérios padronizados. 106 6.3.1 PROPOSTA DE ZONEAMENTO AMBIENTAL, ESPACIALIZAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ÁREAS COM CLASSES DE POTENCIALIDADE PARA CONCESSÃO FLORESTAL. Para espacialização e determinação do tamanho das áreas para concessão florestal, foi plotado um grid com 63 blocos de 5 mil hectares com objetivo de identificar o nível de potencialidade entre as áreas conforme a classificação de critérios de potencialidade (Figura 22). O calculo de potencialidade de cada bloco foi obtido através de uma média ponderada resultante da multiplicação da área de cada polígono com a classe de potencialidade dos critérios estabelecidos na metodologia, em seguida foi realizada a somatória de todos os valores resultante da multiplicação e dividido pala área total do bloco. 107 Figura 22. Carta de critérios padronizados, proposta de zoneamento ambiental, espacialização e distribuição de áreas com classes de potencialidade para concessão florestal. A classe que predominou foi a classe 1 (Muito Baixa Potencialidade) com 26,98% do total dos blocos, isso pode ter acontecido por conta desses blocos estarem localizados nas bordas da área zoneada e não corresponder ao tamanho da área total estabelecida no grid de 5 mil hectares. Contudo, acredita-se se o calculo da média 108 ponderada for pelo tamanho da área encontrada, provavelmente os resultados serão diferentes dos encontrados neste trabalho. Na classe muito alta e alta potencialidade foram identificados um total de 25 blocos correspondendo a 39,68% do total dos blocos plotados na área destinada para concessão florestal. Concentrando-se nas áreas com solos maduros e desenvolvidos, relevo plano, próximos às redes viárias. Contudo, é necessário que sejam feitas outras análises para realizar possível tomada de decisão. O tamanho das áreas para concessão florestal pode ser determinado por unidades de manejo em diversos tamanhos, que de acordo com os artigos 33 e 34 da Lei de Gestão de Florestas Públicas (LGFP) para tamanhos pequenos, até 40 mil hectares, para tamanhos médios de 40 a 60 mil hectares e para tamanhos grandes acima de 60 mil hectares sendo distribuídos de acordo com interesse do gestor, além da necessidade e infraestrutura do empreendedor. O critério utilizado para espacialização e determinação do tamanho de áreas sugerido neste trabalho foi pensado no sentido de disponibilizar diversas informações aos possíveis candidatos à concessão florestal, além garantir o acesso de empresas de pequeno, médio e grande porte e também das comunidades locais às concessões florestais. Este critério também ajuda a dividir a Unidade de Manejo Florestal (UMF) de forma equilibrada proporcionando áreas de 5 mil hectares com maior ou menor potencialidade, facilitando a definição da localização e tamanho da área da unidade de manejo florestal. A Tabela 14 e nas Figuras 23 e 34 mostra a espacialização dos blocos distribuídos conforme classificação de potencialidade com propostas para serem discutidas no planejamento de implantação da concessão florestal. Tabela 14. Proposta de zoneamento considerando a espacialização e distribuição de áreas conforme a classificação de critérios de potencialidade, com seus respectivos valores em porcentagem da área total destinada para concessão florestal. CLASSES DE POTENCIALIDADE 5 - MUITO ALTA 4 – ALTA 3 - MÉDIA 2 – BAIXA 1 - MUITO BAIXA TOTAL UND/BLOCOS 13 12 08 13 17 63 PERCENTUAL (% ) 20,63 19,04 12,69 20,63 26,98 100,0 109 * Nota: A área de estudo possui aproximadamente 0,5% de sua superfície coberta por água. Figura 23. Carta de critério padronizado de zoneamento ambiental, espacialização e distribuição de áreas com classes de potencialidades para concessão florestal. 110 Figura 24. Espacialização e distribuição de áreas com classes de potencialidades no bloco de 5 mil hectares. 111 6.4. ALTERNATIVAS DE GESTÃO PARA VIABILIZAR A IMPLANTAÇÃO DA CONCESSÃO FLORESTAL NA FLORESTA ESTADUAL TAPAUÁ. A primeira proposta reside na criação de uma Diretoria Florestal no IPAAM e de uma Diretoria de Concessões Florestais na ADS. A do IPAAM visa desafogar a pressão dos processos de autorização de uso de recursos florestais (planos de manejo comunitário, principalmente), e de licenciamento de indústrias de processamento de produtos florestais e subprodutos florestais. Visa, ademais, corrigir a estrutura do órgão, assentada hoje numa única diretoria finalística (Diretoria Técnica), que acomoda 11 gerências. A Diretoria nova na ADS objetiva criar as condições objetivas para a materialização do disposto na lei estadual de concessões florestais (Lei nº 3527/10, arts. 8º, V; 13, I a XXIII; § 1º). A lei incumbiu a Agência de ser o órgão gestor das concessões nas unidades de manejo das unidades da categoria Floresta Estadual. Essa incumbência primária se desdobra em um rol de 23 responsabilidades subjacentes, dentre elas: elaborar o Plano Anual de Outorga Florestal (PAOF), realizar os inventários florestais das áreas, solicitar licenciamento ao IPAAM, realizar audiências públicas, preparar editais, selecionar propostas, firmar contratos, gerir esses contratos, disciplinar o acesso às unidades de manejo, organizar auditorias. Com a atual estrutura, é pouco provável que a Agência consiga viabilizar as concessões nas unidades de conservação de uso sustentável. Aqui, cabe ainda observar que a lei estadual de concessões refere-se apenas às Florestas Estaduais. Mas o Estado dispõe de outras terras públicas para as quais as concessões poderão vir também a ser requisitadas. No plano federal começa a aparecer demanda por concessão inclusive em glebas de assentamentos. É possível que isso possa vir a ocorrer também no Estado do Amazonas. E nesse caso a concessão comunitária, ou privada/comunitária, ou ambas poderão colocar-se como alternativas. Nem a lei, nem a estrutura do Estado estão hoje aparelhadas para esse tipo de demanda. Nessa primeira proposta a SDS continuaria com problemas na gestão das unidades de conservação, pois a estrutura existente integra a administração direta e não dá autonomia administrativa e financeira à Unidade Gestora do Centro Estadual de Mudanças Climáticas e do Centro Estadual de Unidades de Conservação - UGMUC. 112 Conflitos de competência entre SEPROR e SDS continuarão a existir, na medida em que uma delas atua na ponta e outra na retaguarda, no tocante ao atendimento direto ao cidadão-usuário dos Sistemas de Produção florestal e de Meio ambiente (principalmente Fomento e ATEF, de um lado; autorização de uso de recursos, e monitoramento, fiscalização e controle, do outro). E o fomento público na área florestal permanece em zona nebulosa. De um lado, a política florestal está inclusa na política agrícola operada pela SEPROR; a agência de fomento localiza-se na SDS, tendo inclusive uma Diretoria de Negócios Agropecuário e Pesqueiro. Os instrumentos de política estão sob a tutela de uma Secretaria de Produção e a operacionalização desses instrumentos sob a batuta da Secretaria de Meio Ambiente. A segunda proposta baseia-se em trazer a proposição de criar-se uma nova estrutura de Estado, típica de gestão florestal, reunindo toda a parte executiva. A nova organização permitirá dotar a SDS dos braços executivos que hoje lhe faltam. Mantido o IPAAM, que exerce a função de Monitoramento, controle e fiscalização, daquele conjunto de seis enumerados inicialmente. Uma autarquia nova permitiria juntar as outras quatro funções: administração das florestas públicas, fomento, assistência técnica e extensão, e pesquisa num único órgão, de forma coordenada, com um único vínculo. A função macroplanejamento é claro, de competência da SDS. O arranjo estrutural desse novo órgão permitiria solucionar a assistência técnica, no âmbito da SDS, gerir as unidades de conservação, fomentar as atividades florestais produtivas, e realizar diretamente as pesquisas nas UC, além de se coordenar executivamente aquelas a serem realizadas através de parcerias (INPA, universidades federais e estaduais, Embrapa e outras instituições de pesquisa nacionais e internacionais). Nesse caso seria mantida a ADS, focada na promoção de produtos e negócios florestais. Em relação ao fomento aos negócios agropecuários, a instituição deveria considerar priorizar apenas aqueles de empreendimentos que envolvam agrosilvicultura. Com quase duas décadas de existência, a SDS não conseguiu ainda firmar um quadro de pessoal nem estabelecer uma estrutura fixa de execução. A estrutura nova proposta poderia trazer uma identidade institucional à gestão florestal no Estado, no médio prazo, 113 a partir de um órgão que concentre toda a execução dos serviços a serem prestados à sociedade (exceto aqueles afetos ao IPAAM) e reúna sob um mesmo comando o conjunto das atividades necessárias à prestação desses serviços. A estrutura da nova organização procura refletir um arcabouço organizacional capaz de atender as demandas da sociedade e de corrigir as distorções institucionais hoje existentes e captadas no estudo. A terceira proposta traz a proposição de criar-se um modelo orgânico, constituído de duas novas estruturas de Estado, que reuniriam a instância de formulação de política e a de gestão florestal, A nova Secretaria de Estado (de Florestas e Serviços Associados) permitiria tratar o tema florestas e as suas respectivas agendas no nível de importância que o Estado do Amazonas, maior unidade da federação, requer. Esta nova Secretaria abarcaria também a agenda de biodiversidade, clima e serviços ecossistêmicos. Uma Secretaria específica, para tratar do tema florestas, e uma empresa pública com uma estrutura fixa leve, funcionando por projetos, colocariam o estado numa posição de destaque nos cenários nacional e internacional. Em curto prazo, o Amazonas poderia constituir-se no novo paradigma de gestão florestal do país, ao implantar um modelo inovador que poderá induzir a assunção e uma nova postura institucional por parte de outras unidades federadas, sobretudo da região Amazônica. Na proposta (modelo Secretaria-Empresa) a Secretaria nova seria a instância de formulação da política florestal. Ela zelaria pelo cumprimento das funções das florestas: econômica, ecológica e sociocultural. E estaria incumbida de cumprir, no campo da formulação e implementação, as funções típicas de estado na área florestal. Biodiversidade, clima e serviços ecossistêmicos integrariam o escopo das competências da nova Secretaria, vez que se considera a diversidade biológica como qualificativo do objeto floresta, efeitos do clima como consequências, e serviços ecossistêmicos como parcela dos benefícios proporcionados pelas distintas fitofisionomias florestais e biomas por eles compostos. 114 A empresa pública a ser criada, que poderá estabelecer-se a partir da estrutura da atual ADS, ficaria incumbida de cumprir no âmbito da execução as funções de estado: administração das florestas públicas, fomento florestal, assistência técnica e extensão, pesquisa, e monitoramento e controle (das diretrizes, critérios e indicadores). A função macroplanejamento é competência da Secretaria, mas que poderá ter algum componente de execução (mapeamento ou zoneamento, por exemplo) a cargo da estrutura executiva. Este novo modelo considera a manutenção do IPAAM na Secretaria de Meio Ambiente, cuidando do licenciamento e consequentemente do monitoramento, fiscalização e controle das atividades e empreendimentos licenciados. 115 7. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES Os resultados, de forma geral, mostram que a Floresta Estadual Tapauá possui diversas características desejáveis para implantação do sistema de concessão florestal. Possui uma topografia favorável a práticas de exploração de impacto ambiental reduzido. As zonas potenciais identificadas para tal fim, neste primeiro esforço, foram da magnitude de 113.194,86 hectares, o que equivale a 61,37% da área total destinada para concessão florestal da Floresta Estadual Tapauá, indicando uma boa oportunidade para aplicação de empreendimentos e negócios para o setor florestal. Acredita-se que as áreas identificadas neste estudo como potenciais já representam uma importante contribuição do governo do estado do Amazonas ao desenvolvimento sustentável da região circundante à Floresta Estadual Tapauá com base na concessão florestal. O tema florestal no Amazonas está hoje disperso numa complexa estrutura de Estado que lida com vários outros temas sob tênue coordenação, de um lado. De outro, os núcleos temáticos responsáveis internamente pelo tema (formulação de política, licenciamento, assistência técnica e extensão, implementação e manejo das unidades de conservação, efeitos climáticos...) constituem órgãos fechados de um sistema que deveria atuar de forma aberta e interconectada. Foi possível detectar no diagnóstico deste estudo que existe escassa interação entre esses núcleos; eles atuam de forma idiossincrática, diluindo a visão sistêmica e impedindo uma atuação orgânica aberta, capaz de constituir a força e a identidade temática no âmbito da instituição. Perde-se, portanto, o foco no âmbito interno da Secretaria no processo de implementação e execução da política de florestas, e, em consequência, não se alcança a visibilidade que o extenso, volumoso e denso capital natural florestal do estado por só si representa. A questão central reside na adoção de uma política florestal adequada, com estrutura organizacional única e exclusiva que promova uma avaliação sistemática dos recursos florestais existentes nas florestas públicas do Estado do Amazonas, para evitar entre outras coisas, a superposição de trabalhos de mesma natureza, realizados por diferentes instituições, com desperdício de tempo e recursos financeiros. 116 Tendo em vista o objetivo de estudar o modelo de gestão florestal do Estado do Amazonas, por meio da organização institucional, que por sua vez trata da produção e proteção da vasta cobertura florestal do Estado, torna-se necessário compreender as dimensões que as florestas representam no Estado do Amazonas. A proposta deste estudo destina-se aos planejadores e executores da gestão florestal no Estado do Amazonas no sentido de auxiliá-los na tomada de decisão da gestão desses espaços. Contudo, ela não pode ser considerada definitiva, já que esta representa uma primeira proposta, funcionando como uma base para uma análise mais profunda na tomada de decisão. Finalmente, acredita-se que deva ser executado e analisado dentro de um contexto mais amplo, envolvendo desde problemas ambientais, sociais e econômicos até questões práticas relacionadas para determinada finalidade. Cabendo ao planejador ou a quem tenha o poder de decisão fazer estas e outras ponderações acerca da conveniência de realizar a concessão florestal. Em termos finais, conclui-se pela necessidade de levar em consideração as seguintes recomendações: Todas estas ações poderiam ser incentivadas com o apoio dos recursos gerados pelos royalties coletados pela concessão florestal para incentivar o interesse e o ingresso de comunidades nestas atividades. Contudo, necessariamente devem-se ter atividades de sensibilização às comunidades residentes e usuárias da floresta. Criar mecanismos para aumentar o nível de participação da sociedade civil organizada junto às discussões do tema da concessão florestal no Estado do Amazonas. Estabelecimento de centro de treinamento em alguma floresta pública da Amazônia na qual uma determinada concessão seria lançada para o provimento de serviços de treinamento por uma organização especializada, sendo que a renda gerada pela concessão seria revertida para o custeio destes serviços. Em seguida, embora acredita-se que não haja a necessidade do estabelecimento de 117 um centro de treinamento na própria Unidade de Conservação em estudo, a região poderia contar com uma pequena área pública licenciada pelo IPAAM para a condução de exploração florestal e realização de capacitação de trabalhadores e comunidades em práticas ligadas diretamente a implementação e execução da concessão florestal. 118 8. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA AGUIAR, F.E.O. 1995. As alterações climáticas em Manaus no Século XX. Dissertação de Mestrado – Universidade Federal do Rio de Janeiro / PPGG,183 pp. ABNT, 2013. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Manual de Normatização para trabalhos acadêmicos. NBR 6023, 6027, 6028, 10520, 14724. 2013. ALENCAR, A.; NEPSTAD, D.; MCGRATH, D.; MOUTINHO, P.; PACHECO, P.; DIAZ, M. D. C. V.; SOARES FILHO, B. 2004. Desmatamento na Amazônia: indo além da emergência crônica. Manaus, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), 89 p. AMAZONAS, 2012. 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Gentry Tabebuia serratifolia (Vahl) G. Nicholson Mé dio Valor Econômico Astronium lecointei Ducke muiracatiara Bowdichia sp. Cariniana micrantha Ducke tauarí Caryocar villosum (Aubl.) Pers. Clarisia racemosa Ruiz & Pav. Dinizia excelsa Ducke Dipteryx magnifica Ducke Dipteryx odorata (Aubl.) Willd. Goupia glabra Aubl Hymenaea intermedia Ducke Hymenolobium modestum Ducke Hymenolobium sp. Manilkara cavalcantei Pires Ocotea martiniana (Nees) Mez Ocotea nigrescens Vicent. Ocotea sp. Pouteria anomala (Pires) T.D. Penn. Pouteria caimito (Ruiz & Pav.) Radlk. Pouteria filipes Eyma Pouteria freitasii T.D. Penn. Pouteria guianensis Griseb. Pouteria laevigata (Mart.) Radlk. Pouteria pallens T.D. Penn. Pradosia decipiens Ducke Protium decandrum (Aubl.) Marchand Protium giganteum Engl. Sextonia rubra (Mez) van der Werff Zygia racemosa (Ducke) Barneby Baixo Valor Econômico Anacardium giganteum W. Hancock ex Engl Anacardium parvifolium Ducke Anacardium spruceanum Benth. ex Engl Brosimum parinarioides Ducke Buchenavia grandis Ducke Buchenavia parvifolia Ducke Copaifera multijuga Hayne Corythophora alta R. Knuth Corythophora rimosa W.A. Rodrigues Couratari stellata A.C. Sm. Enterolobium schomburgkii (Benth.) Benth Erisma bicolor Ducke Eschweilera coriacea (DC.) S.A. Mori Guarea guidonia (L.) Sleumer Jacaranda copaia (Aubl.) D. Don Licania oblongifolia Standl. Lueheopsis rosea (Ducke) Burret Minquartia guianensis Aubl. Ormosia grossa Rudd Parinari excelsa Sabine Parinari parvifolia Sandwith Parkia multijuga Benth. Parkia nitida Miq. Sloanea guianensis (Aubl.) Benth Sloanea sp. Sloanea synandra Spruce ex Benth. Tachigali myrmecophila (Ducke) Ducke Vantanea guianensis Aubl. Total Nome Popular freijo branco itaúba ipê roxa ipê amarelo Sucupira Piquiá guariúba angelim cumaru cumaru cupiúba jatobá angelim pedra Imazon x x x x x x x x x x Idesam x x x x x x x x x x x x x maçaranduba louro rosa louro preto louro abiurana abiurana abiurana abiurana abiurana abiurana abiurana abiurana breu breu louro gamela angelim rajado cajuí cajuí cajuí amapá tanibuca tanibuca copaíba tauari tauari tauari orelha de macaco matamatá gitó parapará Caripé açoita cavalo acariquara roxa tento pajurá pajurá visgueiro visgueiro tachi uchi de morcego x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x x Vol (m³)/ha 2,01 0,47 1,17 0,21 0,16 27,42 0,67 0,23 8,19 1,62 2,84 0,48 0,93 0,16 0,78 0,27 1,14 0,63 0,17 0,21 0,45 0,17 0,16 2,40 0,36 0,72 1,47 0,65 0,42 0,27 0,18 0,16 1,53 0,17 24,81 0,52 0,98 1,17 1,76 0,19 0,51 1,39 4,45 1,25 0,48 0,33 1,83 0,41 0,56 0,66 0,57 0,93 0,79 0,27 2,05 0,51 0,27 1,53 0,27 0,21 0,24 0,44 0,27 54,23