TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br - Aula 2 COMUNICAÇÃO ATRAVÉS DE MEIOS NÃO GUIADOS 1. INTRODUÇÃO Ao estudar os meios não guiados é de suma importância compreender o significado das ondas eletromagnéticas. A oscilação da carga elétrica (energia que se propaga) tem a forma sinusoidal e recebe o nome de onda eletromagnética. Ela pode ser produzida por diversos meios, desde um circuito oscilador até um condutor enrolado em torno de um material ou a vibração mecânica do quartzo, entre outros. Representando a propagação de uma onda em um plano vertical, tendo como referência uma linha base, à qual chamaremos de linha zero, vemos que qualquer onda sempre terá uma parte acima da linha zero (positiva), e outra abaixo da linha zero (negativa). A linha zero representa uma linha de tempo/distância, dando a noção do afastamento, no tempo e no espaço, da onda eletromagnética com relação à fonte emissora. Figura 1 - Onda Eletromagnética No que se refere à terminologia da onda eletromagnética, os pontos mais altos da curva sinusoidal são denominados picos. O pico positivo é medido na direção considerada positiva; o pico negativo, na direção oposta. A parte mais alta de uma onda é denominada crista, na direção positiva, e cavado, na direção considerada negativa. A parte da frente da onda, no sentido do deslocamento, é denominada bordo anterior. A parte de trás da onda é o bordo posterior. Figura 2 - Divisão da Onda Eletromagnética 1 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br Ciclo é uma seqüência completa de valores da intensidade da onda que passa através de um ponto no espaço. É a seqüência completa de valores, de crista a crista, de cavado a cavado, ou de nulo a nulo. Comprimento da onda é a distância horizontal de crista a crista, ou de cavado a cavado consecutivos. É, portanto, a distância entre dois picos positivos (ou negativos) sucessivos da onda. É medido em metros e seus submúltiplos. O comprimento da onda é o comprimento de um ciclo expresso em unidades de distância. À distância percorrida pela energia durante um ciclo é o comprimento da onda. O ciclo acompanha o trajeto senoidal, enquanto que o comprimento é uma distância horizontal. Amplitude da onda é a distância vertical entre um ponto da onda e a linha zero (eixo dos X); é, assim, a altura da onda e indica a sua intensidade (força) no ponto considerado. Freqüência (f) é o número de ciclos completados na unidade de tempo. Em se tratando de ondas eletromagnéticas, a unidade de tempo normalmente usada é o segundo, ou seus submúltiplos (microssegundo, picossegundo ou nanossegundo). Na faixa de rádio do espectro eletromagnético, as freqüências são medidas em Hertz (Hz), que corresponde a 1 ciclo por segundo. Fase é a quantidade que um ciclo progrediu desde uma origem especificada. A fase é geralmente medida em unidades angulares, correspondendo um ciclo completo a 360º. A fase também pode ser definida como sendo a situação de um determinado ponto da onda em relação a um ponto-origem, expressa em unidades angulares. Assim, na figura 3, temos a representação dos ângulos de fase. Normalmente, a origem é o zero da curva. A fase alcança 90º na crista da onda; 180º quando a amplitude é novamente zero; 270º no cavado e 360º quando volta de novo à zero. Figura 3 - Fase O conjunto total das freqüências das radiações eletromagnéticas constitui o espectro eletromagnético, ou espectro de freqüências. As freqüências nesse espectro variam desde dezenas de Hertz até 1010 Hertz. 2 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br Tabela 1 - Espectro Eletromagnético Tabela 2 - Espectro das Radiofreqüências 3 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br 2. PROPAGAÇÃO DE ONDAS ELETROMAGNÉTICAS: DIRETA, REFLETIDA E REFRATADA O comportamento das ondas eletromagnéticas é afetado pelo meio que atravessam. Para compreender como as ondas se propagam no espaço, convém conhecer a composição da atmosfera terrestre e os fatores que a afetam. A atmosfera é dividida em três camadas. A camada inferior é a troposfera, com uma altura de até 11 km. Sua influência na propagação se dá por meio de atenuações devido a chuva, neve, vapor d'água, etc. A camada intermediária é a estratosfera, que alcança uma altura de 50 km, tendo efeito desprezível na propagação. A camada superior é a ionosfera, estendendo-se até aproximadamente 400 km de altura em relação à superfície terrestre. Essa última camada, no que diz respeito às ondas curtas, é a mais importante a ser analisada. Os efeitos da atmosfera e da superfície da Terra que afetam a propagação e interessam diretamente ao desempenho dos sistemas que utilizam radiofreqüência são: - Direta - Refletida - Refratada Figura 4 - Tipos de onda 2.1. Direta A onda direta se propaga quase numa linha reta entre o transmissor e o receptor. A onda direta é ligeiramente inclinada pela refração troposférica, fazendo com que a onda se incline em direção à superfície terrestre, com a transmissão se estendendo além do horizonte visual. É também chamada de onda troposférica. 2.2. Refletida A onda refletida é a porção da onda terrestre que é refletida na superfície. A intensidade com que a onda é refletida depende do coeficiente de reflexão da superfície contra a qual ela se choca e do ângulo de incidência. Embora este ângulo e o ângulo de reflexão sejam iguais, há uma variação na fase das ondas incidente e refletida, com uma defasagem de 180o. Este tipo de onda é considerado indesejável em certos casos, podendo provocar o cancelamento completo da onda na antena receptora caso esta receba simultaneamente a onda direta e a onda refletida com a mesma amplitude. Contudo, em geral o cancelamento é parcial, pois além da defasagem não ser 4 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br exatamente de 180o devido ao fato da onda refletida demorar mais tempo para chegar à antena receptora, a onda refletida pode apresentar uma menor intensidade causada pela absorção parcial da onda irradiada. Figura 5 - Onda Refletida Quando uma onda de rádio encontra uma superfície, se as condições forem favoráveis ela será refletida de forma “especular” (como em um espelho), da mesma maneira que ocorre com uma onda luminosa, que também é uma onda eletromagnética, cumprindo-se as Leis: a) O raio de incidência e o raio de reflexão estão no mesmo plano; e b) O ângulo de incidência é igual ao ângulo de reflexão. A relação entre a intensidade do campo incidente e a do campo refletido denomina-se coeficiente de reflexão. Figura 6- Reflexão da Onda Eletromagnética em uma Superfície Plana A superfície terrestre reflete ondas de todas as freqüências. As baixas freqüências possuem grande penetração e as ondas são muito menos refletidas. Em freqüências muito baixas, sinais de rádio podem ser recebidos a até alguns metros abaixo da superfície do mar, como vimos. 5 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br Árvores, edifícios, montanhas e outros objetos podem causar reflexões de ondas de rádio. Para as freqüências baixas, e mesmo médias, essas reflexões podem ser desprezadas. Já nas altas freqüências, elas se tornam importantes, sendo o fenômeno, por vezes, aproveitado como base de sistemas eletrônicos, como o radar. Quando o fenômeno é indesejável, como nas comunicações, costuma-se usar antenas direcionais, que, pelo menos, minimizam os efeitos da reflexão. Nas freqüências mais altas, ocorrem reflexões pela chuva e por nuvens densas. Também, a onda de rádio de freqüência muito alta (VHF), ou superior, pode ser refletida pelos limites bem definidos (frentes) entre massas de ar frias e quentes, quando o ar quente e úmido flui sobre o ar frio mais seco. Se a superfície entre as massas de ar é paralela à superfície da Terra, as ondas de rádio podem percorrer distâncias muito maiores que as normais. Sempre que uma onda é refletida pela superfície terrestre, dá-se uma mudança de fase, que varia com a condutividade do terreno e a polarização da onda, alcançando um máximo de 180º para uma onda polarizada horizontalmente, quando refletida pela água do mar (que se considera como tendo condutividade infinita). A atmosfera possui várias superfícies refletoras, a principal das quais é a ionosfera. Uma onda, emitida por um transmissor, poderá propagar-se até o aparelho receptor acompanhando a superfície da Terra. A onda que faz esse trajeto denomina-se, como vimos, onda terrestre. Porém, conforme estudado, a onda pode alcançar o receptor através de uma ou mais reflexões, denominando-se, então, onda refletida. 2.3. Refratada Sempre que uma frente de onda se propaga por um meio onde ocorre uma variação de densidade, haverá um encurvamento do feixe. As ondas eletromagnéticas são refratadas na atmosfera devido a pequenas diferenças de velocidade de propagação, em conseqüência da existência de gradientes de densidade. Como era de se esperar, este fenômeno ocorre, principalmente, na baixa atmosfera. Na faixa do espectro de rádio e de microondas, os efeitos da refração podem se tornar extremamente importantes, nas regiões mais baixas da atmosfera, dependendo das variações de temperatura, umidade e pressão. Alcances extraordinários nos radares, recepção de sinais de TV oriundos de emissoras de outros Estados, ou, algumas vezes, de outros países, são testemunhos do fenômeno da refração. 3. MODULAÇÃO (AMPLITUDE, FREQÜÊNCIA E FASE) Quando uma série de ondas eletromagnéticas é transmitida em freqüência e amplitude constantes, ela é denominada de onda contínua, ou, abreviadamente, CW (do inglês “continuous wave”). Devido ao fato de uma onda contínua não poder conduzir muitas informações ela é quase sempre modificada, ou seja, modulada de alguma forma. Quando isso ocorre, a onda CW passa a ser chamada de onda portadora. Na prática, existem três maneiras para modularmos uma onda CW para que conduza as informações desejadas: 6 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br - Modulação em Amplitude; - Modulação em Freqüência; - Modulação em Fase. 3.1. Modulação em Amplitude Na modulação em amplitude (AM), a amplitude da onda portadora (onda de radiofreqüência) é modificada pela amplitude da onda moduladora. A figura 7 mostra este tipo de modulação. O processo no transmissor é o seguinte: após terem sua potência aumentada no amplificador, as ondas vão ao modulador, onde essa corrente elétrica de baixa freqüência é somada à corrente elétrica de alta freqüência das ondas de radiofreqüência que vêm do amplificador de RF. Ou seja, a modulação se dá pela soma das amplitudes das duas ondas. A corrente elétrica que sai do modulador é, então, a soma das duas ondas (a onda de áudio mais a onda de radiofreqüência). Esta onda, após mais um estágio de amplificação, é transmitida pela antena. No receptor, o sinal é demodulado, pela remoção da onda moduladora. Este tipo de modulação é bastante comum, sendo a forma usual de modulação na faixa de irradiação das estações comerciais AM. Figura 7 - Modulação em amplitude 3.2. Modulação em Freqüência Na modulação em freqüência (FM), a freqüência da onda portadora é modificada pela freqüência da onda moduladora. É a modulação da onda de radiofreqüência (portadora) de maneira que sua freqüência instantânea difere da freqüência da onda original (moduladora) de uma quantidade proporcional à amplitude instantânea da moduladora. Este tipo de modulação é usado pelas estações de rádio comerciais em FM e, também, pelos canais de som das estações de TV. 7 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br Figura 8 - Modulação em Freqüência 3.3. Modulação em Fase Outra modalidade de modulação em freqüência é a denominada modulação em fase (PhM = “phase modulation”). Neste modo, o ângulo de fase da portadora é desviado de seu valor original de uma quantidade proporcional à amplitude da moduladora. 4. RÁDIODIFUSÃO AM/FM E TV A radiodifusão é um sistema de comunicação usando ondas eletromagnéticas que se propagam pelo espaço. Usam-se ondas radiofônicas de diferentes comprimentos (comprimento de onda) para distintos fins. Em geral as ondas eletromagnéticas distinguem-se pela sua freqüência que é inversa ao comprimento de onda. As ondas mais curtas têm freqüências mais altas e um comprimento de onda mais baixo, enquanto as ondas de freqüência mais baixa têm um comprimento de onda mais elevado. Como visto, a freqüência corresponde a um determinado número de ciclos por segundo. As ondas de rádio vão de alguns KHz (Kilohertz) a vários gigahertz (GHz), 1.000 milhões de ciclos por segundo. As ondas de luz visível são muito mais curtas. No espaço as radiações eletromagnéticas propagam-se em forma de ondas a uma velocidade uniforme de quase 300.000 Km por segundo. As ondas de rádio utilizam-se não só na radiodifusão, mas também na telegrafia sem fios, telefones, televisão, radar, sistemas de navegação e a comunicação espacial. Na atmosfera as características físicas do ar originam pequenas variações do movimento ondulatório que provocam erros nas comunicações, como, por exemplo, no radar. Além disso, as tempestades e as perturbações elétricas provocam fenômenos anormais na propagação das ondas de rádio. 8 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br As ondas eletromagnéticas numa atmosfera uniforme propagam-se em linha reta e como a superfície terrestre é praticamente esférica a comunicação a grande distância é possível graças à reflexão das ondas de rádio na ionosfera. As ondas de rádio de comprimento de onda inferior a 10 metros que são chamadas de freqüências muito altas (VHF), ultra altas (UHF) e super altas (SHF), não se refletem na ionosfera. Assim, estas ondas muito curtas só se captam à distância visual. As freqüências com comprimento de onda de alguns centímetros são absorvidas pelas gotas de água ou pelas nuvens. As inferiores a 1,5 cm podem ser absorvidas pelo vapor de água existente na atmosfera limpa. Os sistemas normais de radiocomunicação constam de dois componentes básicos: - Transmissor - Receptor. O primeiro gera oscilações elétricas com uma freqüência de rádio denominada de freqüência portadora. Pode-se amplificar a amplitude da própria freqüência para variar a onda portadora. Um sinal modulado em amplitude compõe-se da onda portadora mais as bandas laterais, produto da modulação. A freqüência modulada (FM) produz mais do que um par de bandas laterais para cada freqüência de modulação, graças às quais são possíveis as complexas variações que se emitem em forma de voz em radiodifusão ou variações de luminosidade na televisão. Os componentes fundamentais de um transmissor de rádio são: - Um gerador de oscilações (oscilador) para converter as variações elétricas em oscilações de uma determinada freqüência de rádio; - Os amplificadores para aumentarem as referidas oscilações conservando a freqüência estabelecida; - Transdutor para converter a informação a transmitir em variações de corrente elétrica proporcional a cada valor instantâneo da intensidade. No caso da transmissão de som, o transdutor é o microfone. Para transmitir imagens utiliza-se como transdutor um dispositivo fotoelétrico. Outros componentes importantes de um transmissor são o modulador que aproveita as voltagens proporcionais para controlar as variações na intensidade da oscilação ou freqüência instantânea da portadora e a antena que irradia uma onda portadora igualmente modulada. Cada antena apresenta certas propriedades direcionais, ou seja, irradia mais energia numas direções e menos energia em outras, no entanto estes padrões podem ser modificados de forma a que a radiação varie num raio relativamente estreito até uma distribuição homogenia em todas as direções. Este último tipo de radiação é usado na radiodifusão. Numa emissora comercial normal a freqüência da portadora é gerada utilizando um oscilador a cristal, rigorosamente controlado. O meio básico de controlar as freqüências em radiodifusão consiste na utilização de circuitos de absorção ou ressonantes, que possuem valores específicos de indutância e capacitância e que, portanto, favorecem a produção de correntes alternas de uma determinada freqüência e impede a circulação de correntes de freqüências distintas. De qualquer forma, quando se pretende que a freqüência seja rigorosamente estável usa-se um cristal de quartzo com uma freqüência natural concreta de oscilação elétrica para estabilizar as oscilações. 9 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br Os osciladores de cristal são muito úteis em freqüências muito baixas (VLF), baixas (LF) e médias (MF). Quando são necessárias freqüências superiores a 10 MHz, o oscilador principal é desenhado de forma a gerar uma freqüência intermédia que se multiplica quantas vezes as necessárias usando circuitos eletrônicos especiais. A antena de transmissão não necessita de estar unida ao próprio transmissor. Na radiodifusão comercial em freqüências médias a antena é muito grande e a sua localização deve estar fora da povoação. No entanto o estúdio deve estar no centro da cidade. A FM, a televisão e outras transmissões que usam freqüências muito elevadas necessitam de antenas muito altas. Em todos estes casos a ligação entre o estúdio e o emissor é feita por cabo. Na maioria dos casos o cabo telefônico é suficiente. Para as emissoras de alta fidelidade usam-se cabos coaxiais. 5. MICRO-ONDAS: CARACTERÍSTICAS E UTILIZAÇÃO As micro-ondas são ondas eletromagnéticas com comprimentos de onda maiores que os dos raios infravermelhos, mas menores que o comprimento de onda das ondas de rádio variando o comprimento de onda de 1 m (0,3 GHz de freqüência) até 1,0 mm (300 GHz de freqüência). Acima dos 300 GHz, a absorção da radiação eletromagnética pela atmosfera da Terra é tão grande que a atmosfera é praticamente opaca para as freqüências mais altas, até que se torna novamente transparente na, assim chamada, "janela" do infravermelho até a luz visível. Um forno de micro-ondas usa um gerador de microondas do tipo magnetron para produzir microondas em uma freqüência de aproximadamente 2,45 GHz para cozinhar os alimentos. As micro-ondas cozinham os alimentos, fazendo com que as moléculas de água e outras substâncias presentes nos alimentos vibrem. Esta vibração cria um calor que aquece o alimento. Já que a maior parte dos alimentos orgânicos é composta de água, este processo os cozinha facilmente. Micro-ondas são usadas nas transmissões de comunicações, porque as microondas atravessam facilmente a atmosfera terrestre, com menos interferência do que ondas mais longas. Além disso, as micro-ondas permitem uma maior largura de banda do que o restante do espectro eletromagnético. O Radar também usa radiação em micro-ondas para detectar a distância, velocidade e outras características de objetos distantes. Redes Locais sem-fio, tais como Bluetooth, WIFI, WiMAX e outros usam micro-ondas na faixa de 2,4 a 5,8 GHz. Alguns serviços de acesso à Internet por rádio também usam faixas de 2,4 a 5,8 GHz. TV a cabo e Internet de banda larga por cabo coaxial, bem como certas redes de telefonia celular móvel, também usam as freqüências mais baixas das micro-ondas. 6. SATÉLITES Um satélite é basicamente qualquer objeto que dá voltas em torno de um planeta em um trajeto circular ou elíptico. A lua é um tipo de satélite natural, contudo nosso foco neste estudo são os satélites artificiais que, hoje, são responsáveis por muitos serviços do nosso dia-a-dia. Até pouco tempo atrás, os satélites eram dispositivos exóticos e ultra-secretos. Foram usados primeiramente para fins militares, para atividades como navegação e espionagem. Agora 10 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br eles são uma parte essencial de nosso dia-a-dia. Podemos ver e reconhecer seu uso em relatórios meteorológicos, transmissão de televisão via satélite e na telefonia. A trajetória que um satélite segue é chamada de órbita. Em uma órbita, o ponto mais longínquo da Terra denomina-se apogeu, e o mais próximo é o perigeu. Em geral, quanto mais alta é a sua órbita, maior o tempo que um satélite pode permanecer em órbita. Em altitudes mais baixas, o satélite colide com vestígios da atmosfera da Terra, o que causa o arrasto. O arrasto faz com que a órbita decaia até que o satélite volte para dentro da atmosfera e queime. As altitudes maiores, onde o vácuo no espaço é quase total, quase não há arrasto, e o satélite pode ficar em órbita por séculos. O maior fator motivador para a utilização de satélite como meio de transmissão, foi a inexistência de meios físicos entre localidades alvo da comunicação. Como os satélites podem cobrir praticamente quaisquer áreas do globo terrestre, são a melhor opção para atingir pontos de difícil acesso. Outro fato determinante para a utilização de satélites como meio de transmissão foi a indisponibilidade de meios de transmissão digital a baixo custo. As atuais redes digitais não existiam ha 10 anos atrás. 6.1. Características e utilização Satélite é o elemento comum de interligação das estações terrenas, atuando como estação repetidora. Devido a sua altitude, permite a transmissão de sinais diretamente entre duas estações, sem que existam necessariamente pontos intermediários. Um sistema satélite é composto de um Segmento Espacial e um Segmento Terrestre. O Segmento Espacial é composto por um ou mais satélites e pelos equipamentos necessários às funções de suporte e operação dos satélites, tais como telemetria, rastreio, comando, controle e monitoração. O subsistema de um satélite é uma estação repetidora de microondas, repetindo sinais sobre grandes distâncias. Inicialmente foram utilizados satélites de baixa órbita (LEOs), completando 1 volta no planeta a cada poucas horas. As estações terrenas eram de alto custo, pois tinham de mover-se, e o sistema interrompia a transmissão cada vez que o satélite desaparecia atrás do horizonte, retornando após surgir novamente no lado oposto. Surgiram então, para solucionar esses problemas, os satélites geoestacionários, ou geossíncronos. Os satélites de comunicação utilizados para comunicação de dados e propagação de sinais de televisão são do tipo geossíncrono. As razões para o emprego desse tipo de satélite são bastante simples: as estações terrenas não precisam ser dotadas de antenas móveis e a área iluminada pelo satélite é constante, sem interrupção de sinal a cada órbita. O satélite de comunicação, em sua essência, é apenas um repetidor de sinal, captando os sinais transmitidos das estações terrenas, amplificando-os e retransmitindo-os para a Terra. A grande vantagem da comunicação através do satélite reside exatamente no fato de que cobre áreas enormes sem encontrar obstáculos geográficos, além da própria atmosfera terrestre. Os sinais são transmitidos na forma de radiocomunicação microondas, tipicamente nas freqüências entre 1,5 GHz (banda L) e 30 GHz (banda Ka). A ampla área de cobertura permite comunicação 11 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br entre pontos muito distantes um do outro, sem necessidade de pontos intermediários de retransmissão para compensar a curvatura da crosta terrestre, como no caso dos enlaces microondas terrestres. Figura 9 - Satélites quanto à órbita As aplicações mais indicadas para a comunicação via satélite são as que envolvem um dos seguintes aspectos: - Transmissão de um único sinal para uma ampla área geográfica. São típicas desse modelo as transmissões de TV e rádio via Satélite; - Integração de localidades remotas e sem infraestrutura terrestre de telecomunicações. Nesse modelo se enquadram destinos como canteiros de obras, campos de mineração e propriedades rurais. - Necessidade de mobilidade e agilidade na instalação, tipicamente em soluções rápidas e temporárias, ou de uso ocasional. Nessa situação se enquadram a cobertura de shows, noticias e eventos móveis. 6.1.1 ESTAÇÕES VSAT (Very Small Aperture Terminals) A estação terrestre mais popular que existe é a VSAT, abreviatura para Very Small Aperture Terminal, que usa antena que variam de 0,90 a 2,50 metros de abertura. Uma rede VSAT é composta por um número de estações VSAT e uma estação principal chamada de Hub Station. A estação Hub possui uma antena maior e se comunica com todas as remotas, coordenando o tráfego para elas. A Hub Station também pode servir para interligar redes VSAT. As redes VSAT podem ser da topologia estrela, na qual as estações somente se comunicam com a Hub Station, ou na malha, na qual as estações remotas podem se comunicar 12 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br entre si. Caso uma remota em uma rede em estrela precise se comunicar entre si, elas usam a Hub Station como intermediária, em um duplo salto. Um salto de satélite é o percurso do sinal de uma remota ao satélite e seu retorno à hub ou a outra VSAT. A cada salto de satélite há um atraso na transmissão chamado de delay. Quanto mais saltos, maior o delay. Fisicamente, uma VSAT é composta pela antena parabólica e o rádio transmissor e receptor, que ficam instalados em ambiente externo, e um terminal de satélite, que agrega um roteador e que controla os sinais de comunicação. Figura 10 - VSat 6.2. Transponders O subsistema que mais nos interessa nos satélites é o de comunicações. Ele é constituído por um repetidor ativo que recebe, converte a freqüência, amplifica e retransmite para a Terra os sinais recebidos. Tais circuitos são denominados transponders. Cada transponder é responsável pela recepção e retransmissão de uma determinada banda de freqüência. Um satélite tem, tipicamente, de 20 a 40 transponders. Outra definição para transponder ou transpondedor (abreviação de Transmitter-responder) é um dispositivo de comunicação eletrônico complementar de automação e cujo objetivo é receber, amplificar e retransmitir um sinal em uma freqüência diferente ou transmitir de uma fonte uma mensagem pré-determinada em resposta à outra pré-definida “de outra fonte”. 6.3. Satélites Geoestacionários Os satélites são ditos geoestacionários quando estes são colocados em uma órbita circular em torno da terra, tal que a sua velocidade de rotação seja a mesma da terra, ou seja, para um observador na terra o satélite comporta-se como se estivesse estacionário em um determinado local no céu. Em geral sua órbita está sobre o equador de tal forma que o satélite tenha um período de rotação igual ao do nosso planeta Terra, ou seja, 24 horas. Com isso a velocidade 13 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br angular de rotação do satélite se iguala à da Terra e tudo se passa como se o satélite estivesse parado no espaço em relação a um observador na Terra. De acordo com a lei de Kepler, o período orbital de um satélite varia conforme o raio da órbita elevado à potência 3/2, desta forma satélites colocados a uma altitude de aproximadamente 36.000 km apresentam um período de 24 horas, girando assim a mesma velocidade da terra. Para a comunicação com este tipo de satélite as estações de terra podem utilizar antenas fixas, antenas estas que apresentam um pequeno custo de operação e manutenção em relação às móveis. Os satélites de comunicação são na sua grande maioria do tipo Geoestacionários. Figura 11 - Satélite geoestacionário 6.3.1. BANDAS DE TRANSMISSÃO As freqüências de transmissão mais utilizadas para a comunicação via satélite são as bandas C e Ku. As diferenças entre essas bandas se dão nos seguintes itens: - Freqüência de uplink - para a transmissão de sinais da terra para o satélite; - Freqüência de downlink - para a transmissão de sinais do satélite de volta para a terra; - Freqüência da portadora do transponder para a modulação do sinal. A Banda C tem freqüências de uplink de 5,850 a 6,425 GHz e de 3,625 a 4,2 GHz para downlink. O transponder típico de banda C tem 36 MHz de largura de banda. Requer antenas maiores, mas é menos afetadas pelas interferências causadas pelas chuvas. Na Banda Ku, as freqüências de uplink variam de 14,0 a 14,5 GHz e de 11,7 a 12,2 GHz para downlink. O transponder típico de banda Ku tem 27 MHz de largura de banda. Por permitir o uso de antenas menores, é a mais popular internacionalmente. Recentemente passou a ter maior aceitação em países tropicais, como o Brasil. 14 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br 6.4. Satélites de Órbita Média A utilização de satélites de média órbita permite o alcance de uma área maior de abrangência do que quando da utilização de satélites de baixa órbita. Entretanto, sua área de abrangência é menor do que quando da utilização de satélites geoestacionários. Os satélites de média órbita devem ser colocados em uma faixa onde não atinjam a radiação existente na atmosfera terrestre, pois isso destruiria o satélite, e, também não fique acima de 35.000 km para que a altitude não comprometa o funcionamento do satélite, visto que a esta altitude o período dura exatamente 24 horas e seria necessária muito mais energia para mantê-lo nesta posição, além de um equipamento de rádio mais completo. 95% dos satélites que têm este tipo de órbita são de navegação, como os do sistema GPS (Sistema de Posicionamento Global). A órbita média vai dos 5.000 aos 20.000 km da Terra. Os satélites do sistema GPS situam-se a 20 mil km da Terra, levando cerca de 12 horas para dar uma volta ao planeta. Figura 12 - Satélites utilizados pelo GPS 6.5. Satélites de órbita baixa Esse tipo de satélite opera no que é chamado de baixa órbita da terra, o que significa que orbitam a algumas centenas de metro da superfície terrestre, normalmente entre 100 e 1.000 quilômetros. A principal desvantagem se encontra na velocidade em que um satélite deve viajar. Como os períodos de rotação são mais rápidos do que a rotação da terra, esses satélites não permanecem acima de um único ponto na superfície da terra. Do ponto de vista de um provedor de comunicação, ter um satélite que não aparenta permanecer estacionário causa problemas. Assim ele somente pode ser utilizado durante o tempo em que sua órbita passa entre duas estações terrestres. A utilização máxima requer sistemas complexos de controle que se movam continuamente de forma que as estações terrestres apontem diretamente para o satélite. 15 TELECOMUNICAÇÕES Prof. Ricardo Rodrigues Barcelar http://www.ricardobarcelar.com.br Os satélites de baixa órbita (LEO - Low Earth Orbit) estão posicionados em uma altura tal, a fim de evitar que os mesmos sejam posicionados em cima da faixa de radiação encontrada ao redor da Terra e, também não abaixo da Termosfera, onde grande parte dos meteoros se concentram. Este tipo de satélite é comumente utilizado na transmissão televisiva através de poderosos equipamentos de transmissão e antenas gigantes capazes de captar os sinais emitidos e retransmiti-los aos demais equipamentos. As baixas altitudes alcançadas por este tipo de satélite permitiram que ele pudesse ser utilizado pelas empresas através da implantação de telefones celulares baseados em satélites, pois a captação de seus sinais é feita de maneira mais simplificada. Figura 13 - Satélite de Baixa Órbita 6.5.1. ARRAY DE SATÉLITES DE BAIXA ÓRBITA Existe um esquema que permite a comunicação contínua através de satélites de baixa órbita. Ao invés de focalizar um único satélite, o esquema requer um conjunto de satélites de forma que com a movimentação de determinado satélite ele permanece conectado a outro que transita por aquele local. Isso garante que ao menos um satélite esteja disponível. Essa forma de comunicação também permite que um satélite se comunique com outro. Assim, se um computador A conectado a um satélite S1 necessitar manter uma comunicação com um computador B conectado a um satélite S2 não haverá empecilhos, pois os satélites se comunicam dentro do array. Abaixo podemos ver uma tabela que resume as altitudes bem como a quantidade de satélites para cobrir o globo terrestre. Tabela 3 - Altitude/Nº Satélites ÓRBITA GEO MEO LEO ALTITUDE (KM) 35.700 5.000 – 12.000 100 – 1.000 Nº SATÉLITES PARA COBRIR O GLOBO 3 10 48 16