ESTUDO DA PROPAGAÇÃO DE ONDAS NA PLANÍCIE DE MARÉ DO RIO AMAZONAS, MACAPÁ - AP Betina Carla Ribeiro Lima Rio de Janeiro ESTUDO DA PROPAGAÇÃO DE ONDAS NA PLANÍCIE DE MARÉ DO RIO AMAZONAS, MACAPÁ - AP Betina Carla Ribeiro Lima Dissertação de Mestrado apresentada ao Programa de Pós-graduação em Engenharia Oceânica, COPPE, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, como parte dos requisitos necessários à obtenção do título de Mestre em Engenharia Oceânica. Orientadora: Susana Beatriz Vinzon Co-orientador: Marcos Nicolas Gallo Rio de Janeiro Setembro de 2011 ESTUDO DA PROPAGAÇÃO DE ONDAS NA PLANÍCIE DE MARÉ DO RIO AMAZONAS, MACAPÁ - AP Betina Carla Ribeiro Lima DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DO INSTITUTO ALBERTO LUIZ COIMBRA DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA DE ENGENHARIA (COPPE) DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM CIÊNCIAS EM ENGENHARIA OCEÂNICA. Examinada por: ________________________________________________ Profª. Susana Beatriz Vinzon, D.Sc. ________________________________________________ Prof. Marcos Nicolás Gallo, D.Sc. ________________________________________________ Profª. Josefa Varela Guerra, D.Sc ________________________________________________ Profª. Valéria da Silva Quaresma, D.Sc ________________________________________________ Prof. Nelson Violante-Carvalho, D.Sc RIO DE JANEIRO, RJ - BRASIL SETEMBRO DE 2011 iii Lima, Betina Carla Ribeiro Estudo da propagação de ondas na planície de maré do Rio Amazonas, Macapá - AP/ Betina Carla Ribeiro Lima. – Rio de Janeiro: UFRJ/COPPE, 2011. XIII, 96 p.: il.; 29,7 cm. Orientadora: Susana Beatriz Vinzon Co-orientador: Marcos Nicolas Gallo Dissertação (mestrado) – UFRJ/ COPPE/ Programa de Engenharia Oceânica, 2011. Referências Bibliográficas: p. 94-96. 1. Propagação de ondas. 2. Planícies de maré I. Vinzon, Susana Beatriz. II. Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE, Programa de Engenharia Oceânica. III. Título. iv “Se um dia tiver que escolher entre o mundo e o amor, lembre-se: se escolher o mundo ficará sem amor, mas se escolher o amor, com ele conquistará o mundo...” Albert Einstein v Agradecimentos À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – CAPES e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro- FAPERJ, pelo apoio financeiro através da concessão de bolsa de estudos durante parte deste trabalho. À minha orientadora Susana, pela paciência excepcional e compreensão. Ao meu coorientador Marcos, pelos conselhos e dicas essenciais. Aos dois pelas revisões instantâneas. A todos do LDSC, e isto inclui a Marise; a companhia de vocês foi especial. Agradeço a Deus, que me ilumina e me guia em todas as etapas da minha vida. À minha família por acreditar sempre em mim, pela dedicação, pelas orações, enfim obrigada por sempre estarem comigo. À Tia Penha, pelo suporte e carinho a mim dedicados. Aos meus amigos que fizeram da minha estadia no Rio a melhor, além de me auxiliarem em várias etapas deste trabalho: Ana, Soyla, Thiago, Theo, Mill, Flávia e Marcelo, tenham certeza que parte deste trabalho é de vocês também. Aos meus colegas de trabalho pela torcida! Pri, Uggo e Lia obrigada pela ajuda nesta etapa final. Ao meu namorado, Arthur, pela sua companhia, por me incentivar e pelo carinho: você foi muito importante! À minha sogra, Tani, que me ajudou nesta parte final. Um amigo nos empresta sentimentos, doa carinho, atenção e gestos. Tenho privilégio de tê-los em minha vida. Todos eles, longe ou perto, todos foram importantes para a conclusão. A todos o meu sincero, Muito Obrigada! vi Resumo da Dissertação apresentada à COPPE/UFRJ como parte dos requisitos necessários para a obtenção do grau de Mestre em Ciências (M.Sc.) ESTUDO DA PROPAGAÇÃO DE ONDAS NA PLANÍCIE DE MARÉ DO RIO AMAZONAS, MACAPÁ - AP Betina Carla Ribeiro Lima Setembro/2011 Orientadora: Susana Beatriz Vinzon Co-oriendador: Marcos Nicolas Gallo Programa: Engenharia Oceânica Este trabalho teve como objetivo estudar a propagação de ondas na planície de maré do rio Amazonas, adjacente à cidade de Macapá, AP. Para tanto, foram realizadas medições de ondas durante o período de seca do Rio (dezembro/2006) e período de cheia do Rio (agosto/2007), com 3 equipamentos dispostos perpendicularmente à planície (1 AWAC e 2 ADVs) de modo a descrever a evolução da onda à medida que se aproxima da margem. Inicialmente, realizou-se uma caracterização das ondas, ventos, maré e descarga fluvial. As ondas adjacentes à esta planície podem ser classificadas como ondas de águas intermediárias, de alta frequência e geradas pelo vento local, com médias de alturas significativas de 0,36m (2006) e 0,21m (2007), médias de período de pico de 3,1s (2006) e 2,8s (2007). A direção predominante da onda é sudeste/sudoeste resultante da reflexão com o muro de contenção na margem do Rio. No canal, a relação com o vento é mais nítida em 2006 quando os ventos são intensos e constantes na direção E resultando em maiores alturas. De forma geral, na planície, a onda é atenuada durante o período de maré enchente e aumenta sua altura na maré vazante. Um crescimento notável na altura significativa de onda pode estar associado aos picos de ventos, entretanto, apenas em conjunto com níveis maiores da maré (preamar). Concluiu-se que, o vento é uma forçante influenciadora na transformação da onda, e o nível de maré e o sentido de alagamento/seca da planície são fatores moduladores da transformação da onda. vii Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.) STUDY OF WAVE PROPAGATION IN THE AMAZON RIVER TIDAL FLAT, MACAPÁ - AP Betina Carla Ribeiro Lima September/2011 Advisor: Susana Beatriz Vinzon Co-advisor: Marcos Nicolas Gallo Department: Ocean Engineering The purpose of this study was evaluate wave propagation in the Amazon River tidal flat, adjacent to Macapá city (AP). In order to achieve this goal, wave measures were made during two different periods, December 2006 and August 2007. Three equipments (1AWAC and 2 ADVs), arranged perpendicular to the flat, were used to obtain a description of wave evolution during its approach to the shore. Initially, waves, wind, tide and river discharge characterization were made. Waves adjacent to the flat can be classified as intermediate water waves, with average significant heights of 0.36 m (2006) and 0.21 m (2007). Peak periods average found to these waves were 3.1 s (2006) and 2.8 s (2007). The predominant waves direction is south/southwest and is a result of reflection with bank river. These informations reveal a positive skewness distribution. These are high frequency waves driven by local winds. The relation between waves and wind was particularly clear during 2006 period, when winds were stronger and constantly from eastward, resulting in greater wave heights. In general, in the flat, the wave was attenuated during flood tide, while during ebb tide, the wave increased. Peak winds may be associated with a more remarkable wave increase, but only if in conjuction with higher water levels. So, it can be concluded that wave increase and attenuation are forced by water level and flood / ebb variations, while the wind plays a role in modulating these wave transformations. viii SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ................................................................................................. 14 2. ESTADO DA ARTE ......................................................................................... 16 2.1. PLANÍCIES DE MARÉ .......................................................................................... 16 2.2. MARÉS NA PLANÍCIE .......................................................................................... 16 2.3. ONDAS NA PLANÍCIE .......................................................................................... 17 2.3.1. 3. PROPAGAÇÃO DE ONDAS EM PLANÍCIES DE MARÉ ....................................... 18 ÁREA DE ESTUDO.......................................................................................... 21 3.1. LOCALIZAÇÃO ................................................................................................... 21 3.2. CARACTERÍSTICAS E FORÇANTES METEO-OCEANOGRÁFICAS DA REGIÃO ........... 22 3.2.1. MARÉ ........................................................................................................ 22 3.2.2. DESCARGA FLUVIAL ................................................................................... 23 3.2.3. CONDIÇÕES CLIMÁTICAS ............................................................................ 24 3.2.3.1. REGIME DE VENTOS ............................................................................... 25 3.2.3.2. CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA .......................................................... 25 4. METODOLOGIA .................................................................................................. 27 4.1. DADOS HIDRODINÂMICOS ................................................................................. 27 4.2. MEDIÇÕES NO CANAL ....................................................................................... 28 4.3. MEDIÇÕES NA PLANÍCIE .................................................................................... 28 4.4. T RATAMENTO DOS DADOS ................................................................................. 30 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ...................................................................... 34 5.1. PADRÕES DE VENTOS LOCAIS ........................................................................... 34 5.2. CARACTERIZAÇÃO DA ONDA .............................................................................. 39 5.2.1. ANÁLISE DE DADOS .................................................................................... 39 5.2.2. CARACTERIZAÇÃO DAS ONDAS NO CANAL .................................................. 44 5.2.2.1. ONDA MODELOS TEÓRICOS PARA A OBTENÇÃO DE ALTURA SIGNIFICATIVA DE .............................................................................................................. 51 5.2.2.2. RELAÇÃO VENTOS X ONDAS .................................................................... 58 5.2.2.3. INTERAÇÃO DAS ONDAS NO CANAL COM AS CORRENTES DE MARÉ ....... 60 5.2.3. CARACTERIZAÇÃO DAS ONDAS NA PLANÍCIE DE MARÉ ................................ 64 5.2.4. PROPAGAÇÃO DE ONDAS NA PLANÍCIE DE MARÉ ......................................... 67 5.2.4.1. EVOLUÇÃO DA ONDA .............................................................................. 67 5.2.4.2. EMPINAMENTO ....................................................................................... 74 5.2.4.3. INFLUÊNCIA DOS VENTOS ....................................................................... 76 5.2.4.4. VARIAÇÃO DO NÍVEL DA ÁGUA ................................................................. 81 5.2.4.5. INTERAÇÃO DA ONDA COM AS CORRENTES DE MARÉ ............................... 87 ix 6. CONCLUSÃO .................................................................................................. 92 7. REFERÊNCIAS ............................................................................................... 94 x LISTA DE FIGURAS FIGURA 1: TENSÃO DE CISALHAMENTO DO FUNDO. .......................................................... 15 FIGURA 2: MAPA DA ÁREA DE ESTUDO. ................................................................................ 21 FIGURA 3: MAPA DA PLANÍCIE. ............................................................................................... 22 FIGURA 4: VAZÃO DO RIO AMAZONAS. ................................................................................. 24 FIGURA 5: PERFIL TOPOGRÁFICO E ZONEAMENTO DOS NÍVEIS DE MARÉ. ................... 26 FIGURA 6: ARRANJO ESQUEMÁTICO DOS SENSORES. ...................................................... 27 FIGURA 7: INSTALAÇÃO DO AWAC. ........................................................................................ 28 FIGURA 8: ACOUSTIC DOPPLER VELOCIMETERS (ADV). .................................................... 29 FIGURA 9: FREQUÊNCIA DE DIREÇÃO DO VENTO PARA OS DOIS PERÍODOS DE ANÁLISE. ............................................................................................................................ 35 FIGURA 10: ROSA DOS VENTOS. ............................................................................................ 36 FIGURA 11: DIREÇÃO DOS VENTOS DA ÁREA DE ESTUDO................................................ 37 FIGURA 12: ROSA DOS VENTOS. ............................................................................................ 39 FIGURA 13: ALTURA SIGNIFICATIVA DE ONDA DO ADV1 PARA SECA/2006. .................... 41 FIGURA 14: ALTURA SIGNIFICATIVA DE ONDA NO ADV2 PARA CHEIA/2007. ................... 42 FIGURA 15: PROFUNDIDADE MÉDIA PARA 2006 E 2007. ..................................................... 45 FIGURA 16: ALTURA SIGNIFICATIVA DE NO CANAL PARA SECA/2006 E CHEIA/2007...... 47 FIGURA 17: PERÍODO DE PICO DE ONDA PARA SECA/2006 E CHEIA/2007. ..................... 48 FIGURA 18: DIREÇÃO PRINCIPAL DA ONDA PARA SECA/2006 E CHEIA/2007. ................. 49 FIGURA 19: DISTRIBUIÇÃO DE ALTURAS SIGNIFICATIVAS DURANTE A SECA/2006 E A CHEIA/2007. ....................................................................................................................... 50 FIGURA 20: DISTRIBUIÇÃO DE PERÍODO DE PICO DE ONDA DURANTE A SECA/2006 E A CHEIA/2007. ....................................................................................................................... 51 FIGURA 21: FORMULAÇÃO DE JONSWAP – VALORES MÉDIOS. ........................................ 53 FIGURA 22: FORMULAÇÃO DE JONSWAP – VALORES MÁXIMOS. ..................................... 53 FIGURA 23: APLICAÇÃO DO MODELO DE HASSELMANN PARA SECA/2006. .................... 56 FIGURA 24: APLICAÇÃO DO MODELO DE HASSELMANN PARA CHEIA/2007. ................... 57 FIGURA 25: ANÁLISE DA ALTURA SIGNIFICATIVA DE ONDA COM A VELOCIDADE MÉDIA DO VENTO. ........................................................................................................................ 59 FIGURA 26: ANÁLISE DA ALTURA SIGNIFICATIVA DE ONDA COM A DIREÇÃO DO VENTO. ............................................................................................................................................ 60 FIGURA 27: PERÍODO DE PICO DE ONDA X CORRENTE DE MARÉ.................................... 61 FIGURA 28: ALTURA SIGNIFICATIVA DE ONDA X CORRENTE DE MARÉ. .......................... 63 FIGURA 29: DISTRIBUIÇÃO DE ALTURA SIGNIFICATIVA PARA O ADV1 (FIGURA SUPERIOR) E PARA O ADV2 (FIGURA INFERIOR). ....................................................... 64 FIGURA 30: RELAÇÃO ENTRE A ALTURA SIGNIFICATIVA DE ONDA E A PROFUNDIDADE LOCAL – SECA/2006. ........................................................................................................ 66 FIGURA 31: RELAÇÃO ENTRE A ALTURA SIGNIFICATIVA DE ONDA E A PROFUNDIDADE LOCAL – CHEIA/2007. ....................................................................................................... 66 xi FIGURA 32: ALTURA SIGNIFICATIVA DE ONDA DURANTE A SECA/2006. .......................... 68 FIGURA 33: RAZÃO ENTRE ALTURAS SIGNIFICATIVAS DURANTE A SECA/2006. ............ 69 FIGURA 34: DIFERENÇA ENTRE AS ALTURAS SIGNIFICATIVAS PARA OS DOIS TRECHOS DURANTE A SECA/2006. .................................................................................................. 70 FIGURA 35: ALTURA SIGNIFICATIVA DE ONDA DURANTE A CHEIA/2007. ......................... 71 FIGURA 36: RAZÃO ENTRE ALTURAS SIGNIFICATIVAS DURANTE A CHEIA/2007. ........... 72 FIGURA 37: DIFERENÇA ENTRE AS ALTURAS SIGNIFICATIVAS PARA OS DOIS TRECHOS – CHEIA/2007. .................................................................................................................... 73 FIGURA 38: RELAÇÃO ENTRE COMPORTAMENTO DA ONDA NA PLANÍCIE E A ONDA NO CANAL. ............................................................................................................................... 74 FIGURA 39: COEFICIENTE DE EMPINAMENTO...................................................................... 76 FIGURA 40: CRESCIMENTO DAS ONDAS NA PLANÍCIE X VENTOS. ................................... 77 FIGURA 41: RELAÇÃO VENTO X PROFUNDIDADE LOCAL X RAZÃO ENTRE HS, DURANTE A SECA/2006. ..................................................................................................................... 79 FIGURA 42: RELAÇÃO VENTO X PROFUNDIDADE LOCAL X RAZÃO ENTRE HS, DURANTE A CHEIA/2007. ................................................................................................................... 80 FIGURA 43: RELAÇÃO ENTRE A PROFUNDIDADE E HS PARA DIFERENTES CICLOS DE MARÉ.................................................................................................................................. 82 FIGURA 44: RELAÇÃO ENTRE A VARIAÇÃO DA MARÉ E DIFERENÇA ENTRE AS ALTURAS DO ADV1 E DO AWAC, PARA OS CICLOS DE MARÉ, 2006. ....................... 83 FIGURA 45: RELAÇÃO ENTRE A VARIAÇÃO DA MARÉ E DIFERENÇA ENTRE AS ALTURAS DO ADV2 E DO ADV1 PARA OS CICLOS DE MARÉ, 2006. .......................... 84 FIGURA 46: RELAÇÃO ENTRE A VARIAÇÃO DA MARÉ E DIFERENÇA ENTRE AS ALTURAS DO ADV1 E DO AWAC, PARA OS CICLOS DE MARÉ, EM 2007. ................. 85 FIGURA 47: RELAÇÃO ENTRE A VARIAÇÃO DA MARÉ E DIFERENÇA ENTRE AS ALTURAS DO ADV2 E DO ADV1, PARA OS CICLOS DE MARÉ, 2007. ......................... 86 FIGURA 48: PROPAGAÇÃO DE ONDA X CORRENTE DE MARÉ, DURANTE A SECA DO RIO (2006).................................................................................................................................. 88 FIGURA 49: NÍVEL DA MARÉ X PROPAGAÇÃO DE ONDA DURANTE A SECA DO RIO (2006).................................................................................................................................. 89 FIGURA 50: PROPAGAÇÃO DE ONDA X CORRENTE DE MARÉ DURANTE A CHEIA DO RIO (2007). ......................................................................................................................... 90 FIGURA 51: NIVEL DA MARÉ X PROPAGAÇÃO DE ONDA DURANTE A CHEIA DO RIO (2007).................................................................................................................................. 91 xii LISTA DE TABELAS TABELA 1: COORDENADAS GEOGRÁFICAS DOS EQUIPAMENTOS ................................... 29 TABELA 2: PARÂMETROS ESTATÍSTICOS PARA OS DADOS DE VENTO ........................... 37 TABELA 3: PROFUNDIDADE DA COLUNA DE ÁGUA NA PLANÍCIE DO CANAL NORTE DO RIO AMAZONAS ................................................................................................................ 40 TABELA 4: VALORES DE PERÍODO DE PICO DE ONDAS NA PLANÍCIE.............................. 40 TABELA 5: RAZÃO ENTRE PROFUNDIDADE E COMPRIMENTO DE ONDA PARA DIFERENTES PERÍODOS DE ONDA .............................................................................. 40 TABELA 6: PROFUNDIDADE MÉDIA E KAPPA RESULTANTE ............................................... 43 TABELA 7: ERRO MÉDIO QUADRÁTICO ................................................................................. 43 TABELA 8: PROFUNDIDADE DO CANAL DO RIO AMAZONAS ............................................. 44 TABELA 9: PARÂMETROS ESTATÍSTICOS DAS ONDAS NO CANAL ................................... 46 TABELA 10: VALORES MEDIDOS DE VENTO E ONDA .......................................................... 52 TABELA 11: PARÂMETROS ESTATÍSTICOS DA ALTURA SIGNIFICATIVA DA ONDA NA PLANÍCIE ........................................................................................................................... 65 TABELA 12: MÉDIAS DE ALTURAS SIGNIFICATIVAS ............................................................ 81 xiii LISTA DE EQUAÇÕES EQUAÇÃO 1: ALTURA DE ONDA .............................................................................................. 17 EQUAÇÃO 2: RELAÇÃO DE WEGEL ........................................................................................ 19 EQUAÇÃO 3: RELAÇÃO DE LE HIR.......................................................................................... 20 EQUAÇÃO 4: CÁLCULO DO ESPECTRO DE ONDA................................................................ 30 EQUAÇÃO 5: CÁLCULO DO ESPECTRO DE ONDA................................................................ 30 EQUAÇÃO 6: CÁLCULO DA FUNÇÃO DE TRANSFERÊNCIA ................................................ 31 EQUAÇÃO 7: CÁLCULO DO NÚMERO DE ONDA ................................................................... 31 EQUAÇÃO 8: CÁLCULO DO NÚMERO DE ONDA ................................................................... 31 EQUAÇÃO 9: CÁLCULO DO NÚMERO DE ONDA PELO MÉTODO ITERATIVO.................... 32 EQUAÇÃO 10: FORMULAÇÕES DO MÉTODO ITERATIVO .................................................... 32 EQUAÇÃO 11: ALTURA SIGNIFICATIVA DE ONDAS – MÉTODO ITERATIVO ...................... 32 EQUAÇÃO 12: CÁLCULO DA DIREÇÃO PRINCIPAL DA ONDA ............................................. 32 EQUAÇÃO 13: MÉDIA ................................................................................................................ 33 EQUAÇÃO 14: MEDIANA ........................................................................................................... 33 EQUAÇÃO 15: MODA ................................................................................................................. 33 EQUAÇÃO 16: CONVERSÃO DA VELOCIDADE DO VENTO .................................................. 34 EQUAÇÃO 17: COMPRIMENTO DE ONDA .............................................................................. 40 EQUAÇÃO 18: CÁLCULO DA ALTURA SIGNIFICATIVA DE ONDA ATRAVÉS DO MODELO DE HASSELMANN ............................................................................................................. 54 EQUAÇÃO 19: CÁLCULO DA VELOCIDADE DE ATRITO DO VENTO .................................... 54 EQUAÇÃO 20: COEFICIENTE DE EMPINAMENTO ................................................................. 74 EQUAÇÃO 21:............................................................................................................................. 75 EQUAÇÃO 22:............................................................................................................................. 82 14 1. INTRODUÇÃO Águas costeiras são regiões que ocupam 15% de toda a área coberta pelo oceano, como praias, planícies de maré e estuários (BROWN et al., 1999). Estas regiões são ambientes complexos, com morfologia e deposição que reflete a interação de muitos processos configurando ambientes de energia mista, sendo influenciadas por ondas, marés e rios (DALRYMPLE et al., 2006). As planícies de maré podem ser definidas como áreas planas, com baixos gradientes de declividade, formadas com o acúmulo de sedimento devido à ação conjunta de ondas, correntes de maré e, por vezes, fluxo do rio e que sofrem fortes flutuações da elevação do nível de água (DALRYMPLE et al., 2006; FAN et al, 2006; Le HIR et. al, 2000). Maré é, naturalmente, o processo mais importante, já que determina a existência desta planície. Entretanto, Le Hir e colaboradores (2000) relatam que mesmo em áreas abrigadas, as ondas não podem ser ignoradas, pois podem ser suficientes para suspender sedimentos em muitas áreas rasas e, frequentemente, contribuir para a estabilidade ao longo do tempo (SHEREMET & STONE, 2003). As ondas à que estas regiões são expostas podem ser geradas localmente ou propagadas desde regiões remotas. As vagas são aquelas que recebem a energia do vento local e ondas do tipo swell referem-se a ondas em locais distantes que não estão recebendo a energia do vento, pois saíram do seu local de formação (CARTER, 1988; POND; PICKARD, 1989, LE HIR et al., 2000). Segundo Dalrymple e colaboradores (2006) a sedimentação nestes ambientes é controlada pelas ondas, mas a variação da maré e o baixo gradiente local criam fácies distintas daquelas encontradas em outras regiões costeiras. Planícies de maré são ambientes de grande relevância ecológica e econômica tendo em vista a sua função como barreira contra o mar e sumidouro de poluentes, bem como apresentam grande quantidade de nutrientes e, consequentemente, de organismos (FAN et al., 2006). Tais regiões apresentam uma dinâmica complexa devido à interação de diferentes forçantes. Esta interação induz o atrito no fundo e, por sua vez, o efeito da fricção com o fundo é oposto ao escoamento e remove energia do movimento. No perfil vertical da corrente há um decréscimo da intensidade nas camadas mais próximas ao fundo e no perfil vertical da onda há um achatamento das órbitas em direção ao fundo. A turbulência resulta em uma mistura vertical na coluna d água, sendo capaz não só de remobilizar os sedimentos do fundo, mas também suspendê-los. Como consequência 15 tem-se o transporte sedimentar e a alteração da morfologia do fundo (BROWN et al. 1999; PUGH,1987; NICHOLS 1999) (FIGURA 1). Figura 1: Tensão de cisalhamento do fundo. Esta tensão é resultado da fricção do escoamento com o fundo que pode remobilizar e suspender o sedimento que estava depositado. Fonte: QUARESMA, 2007. Neste cenário, encontra-se a planície de maré do rio Amazonas, adjacente à Macapá (AP) onde forçantes como a maré e a maior vazão fluvial do mundo interagem com as ondas, fornecendo uma dinâmica peculiar. O rio Amazonas é uma importante rota de navegação da região norte brasileira com intenso tráfego de barcos e condições extremas de correntes. Entretanto, são escassos os estudos sobre ondas nesta planície ou em regiões adjacentes. O presente estudo propõe caracterizar as ondas na planície de maré do rio Amazonas, em Macapá (AP), e avaliar suas transformações neste peculiar ambiente. Para alcançar o resultado foram definidos objetivos específicos: • Caracterizar fisicamente as regiões de planície de maré no canal Norte do rio Amazonas no que se refere ao clima de ondas; • Avaliar as modificações das ondas nas planícies de maré; • Investigar diferenças no comportamento das ondas decorrentes da influência dos ventos locais e da análise de dados em períodos de enchente/vazante, sizígia/quadratura e cheia/seca do rio Amazonas; 16 2. ESTADO DA ARTE 2.1. PLANÍCIES DE MARÉ As planícies de maré são caracterizadas pela rápida variação de profundidade da coluna de água, no tempo e no espaço, com a exposição adicional ao ar. A maré, as ondas e a descarga fluvial em conjunto com a morfologia e o tipo de sedimento local induzem fortes flutuações da elevação da água e geram eventos sedimentares próprios (KIM, 2003; LE HIR et al., 2000; WHITEHOUSE et al.,2000). A região foco do presente estudo, a planície de maré do rio Amazonas, possui uma maré classificada como macromaré semidiurna que interage com a maior vazão fluvial do mundo e com ventos intensos, processos que serão discutidos posteriormente. Assim, a região apresenta uma hidrodinâmica especial sendo difícil encontrar estudos com dinâmica similar e efeitos comparáveis. Este estudo visa entender a propagação de ondas em um ambiente dominado por maré e, por isso, o comportamento destas duas forçantes será rapidamente descrito. 2.2. MARÉS NA PLANÍCIE Marés são o principal fator no controle da hidrodinâmica e dos processos sedimentares de planícies de maré, já que isto determina a sua existência. As correntes induzidas pela maré podem ser divididas na componente perpendicular à costa que é responsável pelo alagamento e secamento da planície (KIM, 2003; LE HIR et al., 2000), e na componente paralela, a qual depende da circulação de larga escala ao redor da planície, que neste caso, também é fortemente influenciada pela vazão fluvial (GALLO, 2009). O comprimento da onda de maré é muito maior que a largura da planície, então, a elevação da água é quase horizontal na escala da planície. Mas, o efeito da fricção com o fundo pode retardar a propagação da onda de maré, especialmente em águas costeiras e através do declive suave da planície (LE HIR et al., 2000). As correntes geradas pela interação da propagação da onda de maré com a morfologia do fundo tendem a estar 90° fora de fase com as flutuações d e níveis durante um ciclo de maré, isto é, as velocidades máximas acontecem na meia-maré, com a estofa da maré próxima à preamar. Variações consideráveis deste padrão podem ocorrer de região para região (GALLO, 2009). Estas correntes são responsáveis pelo transporte sedimentar, desenvolvimento de formas de fundo além de outras interações (BROWN et al., 1999; CARTER, 1988). 17 2.3. ONDAS NA PLANÍCIE As ondas superficiais marinhas geradas pelo vento apresentam três fatores limitantes: a “pista” (distância onde o vento sopra livremente), a velocidade e a duração do vento (POND; PICKARD, 1989; CARTER, 1988). Entretanto, à medida que a onda avança para regiões de águas rasas, outros parâmetros se tornam importantes para determinar a altura da onda, pois as órbitas das partículas de água, que são quase circulares em águas profundas, começam a se tornar aplainadas perto do fundo resultando em um movimento horizontal dos sedimentos o que acarreta na perda de energia da onda (BROWN et al., 1999; LEEDER, 1994). Esta perda é manifestada pelo retardo da onda e pela alteração da forma da onda (empinamento, refração e difração). A perda de energia pela onda é responsável pela principal entrada de energia para o transporte sedimentar cuja variabilidade está intimamente relacionada ao clima de ondas (CARTER, 1988). Ao se analisar as ondas quatro parâmetros são relevantes: altura, período, direção e espectro da onda. A altura da onda (H) é definida como a distância vertical entre a crista e a cava da onda. Em um conjunto de dados de ondas com N ondas a altura média da onda é definida como: = 1 ∑ Equação 1: Altura de onda A medida de altura de onda é relevante, pois sua energia é proporcional ao quadrado de sua altura. E a medida mais utilizada é a altura significativa de onda (Hs), que é a média do terço das ondas mais altas, ou então, faz-se o cálculo com base no espectro de onda, neste caso, chamada de Hm0. Salienta-se que esta forma de calcular tende a ser de 5 – 10% maior que a Hs (HOLTHUIJSEN, 2007). O período de onda é o intervalo de tempo entre a passagem de dois pontos iguais consecutivos (duas cristas, dois vales ou dois zeros). O período de pico de onda (Tp) indica o período da onda com maior densidade espectral: ele representa as ondas mais energéticas do local (HOLTHUIJSEN, 2007). A direção da onda é a direção na qual esta se propaga inicialmente determinada por sua forçante geradora, mas tende a mudar devido à interação com a batimetria do fundo e com o desenho da costa. O espectro da onda descreve as variações da superfície como um processo estocástico, ou seja, caracteriza todas as possíveis observações feitas sob as mesmas condições (HOLTHUIJSEN, 2007). Um conjunto de dados de ondas pode ser 18 reproduzido como a somatória de grandes números de componentes harmônicos da onda, ou seja, uma Série de Fourier. 2.3.1. PROPAGAÇÃO DE ONDAS EM PLANÍCIES DE MARÉ Estudos sobre propagação de ondas em planícies de maré são muitos escassos e, portanto, os trabalhos que serão abordados aqui independem da magnitude dos processos envolvidos, i.e., em regiões dominadas por ondas ou por maré, abrigadas ou expostas. Quando a onda se propaga sobre a planície, ela fica suscetível ao aumento de altura devido à diminuição da profundidade e aumento da extensão da pista. Da mesma forma a onda pode decrescer, tendo em vista a fricção com o fundo ou o entranhamento visco-elástico no fundo. À medida que a onda se propaga em regiões mais rasas, ocorre uma assimetria das componentes da velocidade e estas aumentam devido à influência de não-linearidades. Mesmo em áreas abrigadas, as ondas são raramente ignoradas, ou seja, mesmo com amplitudes pequenas elas podem ser suficientes para ressuspender sedimentos finos em muitas áreas rasas e, frequentemente, contribuir para a estabilidade ao longo do tempo (LE HIR et al., 2000). Já entre uma planície de maré e outra, o regime de ondas pode ser bem diferente: planícies expostas às ondas do tipo swell geralmente são arenosas como praias. Em caso de planícies expostas a apenas ondas locais, a composição sedimentar é principalmente lama e, estas ondas têm grande influência no transporte de sedimento, pois a tensão causada por elas no fundo pode ser comparável ou maior à causada pela corrente de maré (LE HIR et al. 2000). Evidências observacionais e modelos matemáticos têm demonstrado que há uma relação crucial entre as ondas geradas pelos ventos e o sedimento em suspensão em regiões onde a maré não é suficiente para remobilizar os sedimentos e, a combinação de maré e onda descreve os padrões de erosão e deposição destas planícies (CARNIELLO, et al., 2011; TELES et al., 2003 apud RUSU et al., 2011;). Como exposto acima, estudos de Carniello e colaboradores (2011) em regiões costeiras de micromaré, encontraram que as correntes de maré e ondas geradas pelos ventos são os principais processos responsáveis pela evolução morfológica. Entretanto, em estuários de mesomaré, com a circulação dirigida principalmente pela maré, Rusu e colaboradores (2011) encontraram que o vento é a forçante secundária do local. Trabalhos realizados no Mar de Wadden (região de meso-maré) encontraram valores de Hs; entre 1.1 -1.2 m; e, período de pico de onda, entre 5.5 e 5.6s (HERMAN et al., 2009). Neste estudo, durante eventos de 19 tempestades no Mar do Norte, as ondas penetravam na planície interagindo com o fundo e sendo a forçante principal. Entretanto, em eventos de clima calmo, a variabilidade e a propagação da onda são fortemente dependentes do vento e do nível da água (diferentes fases da maré). Kim (2003) estudou a influência de eventos de tempestades em região de macromaré, em situações de maré de sizígia e de quadratura, em uma planície aberta no Mar Amarelo (costa da Coréia). O autor estudou a relação linear da altura significativa de onda com a profundidade local (Hs/h), e seus dados (com coeficiente de correlação de 0.7) se apresentaram sempre muito próximo ao limite de quebra da onda ou abaixo dele. Neste estudo foi usada a condição incipiente de quebra da onda pela relação de Wegel (1972, apud KIM, 2003): = − ∗ ; Equação 2: Relação de Wegel Onde: a(β) = 43.8 (1.0 -e-19β) b(β) = 1.56/ (1.0 + e-19.5β) β = declividade local – adimensional; Hb = altura da onda local – unidade: m; h = profundidade local – m; g = aceleração da gravidade – m/s² T = período da onda – s; e b denota a condição de quebra; Para exemplicar: Se: β = 1/1000; T = 5s; H = 0-3m A Equação remete ao valor de 0.8. Outro ponto relevante neste estudo é que o autor indica que mesmo em eventos mais energéticos as ondas estão sob o controle da maré, ou seja, o processo de quebra é similar ao da zona de espraiamento, mas o local onde ocorrerá variará espacialmente, se movendo, vertical e harmonicamente com a maré (KIM, 2003). 20 Wells e Kemp (1986) em seu estudo utilizaram o limite de quebra (H/h) aproximadamente 0.8 e, observaram que as ondas nunca quebram, pois sua altura permanece menor que este limite. Este comportamento foi atribuído à severa atenuação das ondas por dissipação. Para locais com baixos valores de fricção ou declividades acentuadas, a dissipação é negligenciada e a altura da onda é mantida ou mesmo acrescida até a quebra. Por outro lado, para altos valores de fricção ou declive suave, a dissipação se torna dominante e a altura da onda tende a uma relação constante da profundidade local, qualquer que seja a altura da onda incidente. Supondo que haja uma proporção, haverá um máximo de altura de onda para tal planície de maré em função de uma dada profundidade (LE HIR et al., 2000). Assumindo que esta proporção (H/h)lim existe, pode ser calculada por meio da equação seguinte: ∗ / = !" #$ ∗ !/ Equação 3: Relação de Le Hir Sendo: H = altura da onda; h0 = altura da onda fora da planície H0 = H/h0; x = distância da costa; β = declividade do local; fw = fricção com o fundo; X = x β /h0; Estudos relevantes sobre a modificação do comportamento da onda devido à variação fluvial (cheia e seca) e devido à alteração das correntes de maré não foram encontrados. Entretanto, estes tópicos serão discutidos no resultados deste trabalho. Considerando a escassez de estudos de ondas na região e a importância destas para o transporte sedimentar e para a hidrodinâmica local, este estudo visa entender o comportamento das ondas na planície de maré, adjacente à cidade de Macapá (AP) e sua transformação à medida que as mesmas se propagam. Isto será possível avaliando os principais parâmetros estatísticos das ondas e suas variações devido às flutuações do nível da água, do vento e das correntes. 21 3. ÁREA DE ESTUDO 3.1. LOCALIZAÇÃO A planície de maré em estudo está localizada na margem esquerda do canal norte do rio Amazonas, próxima à capital, Macapá, no Estado do Amapá. Estende-se ao longo da orla da cidade e é delimitada ao norte pelo píer de captação de água (CAESA) a ao sul pelo bairro Atúria. Esta região está a 150 km da boca do estuário, entre as coordenadas 0° 1'18.37" e 0° 1'13.01"N; 5 1° 3'14.48" e 51° 2'57.67"W (FIGURAS 2 e 3). O estudo se dará em 628 metros de extensão. Figura 2: Mapa da área de estudo. A planície de maré estudada está indicada por um x e está localizada no rio Amazonas, próxima a capital do Estado do Amapá, Macapá. Fonte: Google Earth, 2008. 22 Figura 3: Mapa da planície. A planície de maré estudada segue a linha vermelha e apresenta 628m de extensão. Há píer de captação de água a norte e o muro de contenção na margem, a oeste. Fonte: Google Earth, 2008. A planície possui uma declividade suave com média de 1/285 (GALLO, 2009) e sua profundidade varia diariamente em função da maré e, sazonalmente, devido às flutuações do Rio. 3.2. CARACTERÍSTICAS E FORÇANTES METEO-OCEANOGRÁFICAS DA REGIÃO 3.2.1. MARÉ A maré local é classificada como macromaré semidiurna, podendo chegar a 3.8m de altura. As componentes M2 (período de 12,4 horas) e S2 (período de 12 horas) são as predominantes. Na penetração da maré em um estuário há interação considerável com a morfologia e com a vazão fluvial implicando em processos sedimentares e flutuações de nível d´água características (WHITEHOUSE et al.,2000; PIATAM OCEANO, 2008; POND; PICKARD, 1989; GODIN,1999). Neste ambiente, os efeitos da maré se propagam 800 km à montante do rio Amazonas e a interação com estes diferentes processos gera assimetria, pois há amortecimento de alguns componentes harmônicos e a geração de outros, principalmente os componentes M4 e Msf. Estes harmônicos são responsáveis pelas diferenças no período de enchente e vazante da maré na região estuarina do rio 23 Amazonas (assimetria positiva de níveis), sendo as correntes de vazantes dominantes no canal devido à influência fluvial (GALLO; VINZON, 2005; NITTROUER et al., 1991). Entretanto a planície de maré é classificada como sistema enchentedominante, ou seja, as máximas correntes de enchente são maiores que as máximas de vazante (GALLO, 2009). As principais características da propagação da maré no rio Amazonas são: a) A maré se comporta de forma dispersiva, ou seja, as componentes de maior frequência se propagam mais rápido e são anteriormente amortecidas do que as de baixa frequência. E assim, pode-se definir três regiões distintas dentro do estuário, que se movimentam à jusante com o aumento da vazão (GALLO, 2004): 1- Na foz, onde há predomínio das componentes semidiurnas, principalmente M2 e S2; 2- Uma zona intermediária, até 300km à montante, onde surgem componentes de alta frequência (M4) e de longo período (Msf). É a região que engloba a área de estudo deste trabalho e, por último, 3- Trecho com maior influência do Rio, onde há o predomínio das componentes de longo período (Mm e Msf) uma vez que as outras sofreram amortecimento. Seus valores são comparáveis à M2. b) A maior influência da vazão ocorre no período de cheia quando as componentes semidiurnas sofrem um decréscimo e as de alta frequência são quase extintas (GALLO, 2004); c) A presença de sedimentos finos em suspensão e em altas concentrações no fundo reduz o atrito, o que resulta num acréscimo nas amplitudes de maré na plataforma continental Amazônica conforme confirmam estudos numéricos realizados por Gabioux e colaboradores (2005). 3.2.2. DESCARGA FLUVIAL O rio Amazonas se estende por 6.570km, possui a maior vazão fluvial no mundo (15% de toda a água doce dos oceanos) e é o terceiro maior transportador de sedimentos em suspensão (~1,2x109 toneladas de sedimentos), sendo uma importante forçante hidráulica e modificadora das feições sedimentares locais (PIATAM OCEANO, 2008; MEADE et al., 1985). A sazonalidade do Rio Amazonas gera uma flutuação na vazão fluvial do rio Amazonas resultando em máximas em maio\junho, na ordem de 270x103 m3/s e 24 mínimas em outubro\novembro, de aproximadamente 60x103 m3/s, medidas obtidas na cidade de Óbidos, PA (localizada na margem esquerda do rio, a 1.100 km da capital Belém e a 800 km da foz do rio) (FIGURA 4). Figura 4: Vazão do rio Amazonas. A vazão do rio possui máximas no período de maio/junho e mínimas no período de outubro/novembro medidas pela Agência Nacional de Água, na cidade de Óbidos, PA. Fonte: ANA, 2011. Os principais canais do Rio Amazonas (Canal Norte e Canal Sul) apresentam profundidades de 20m ou mais, no entanto, na embocadura a profundidade pode diminuir para valores inferiores a 5 metros. 3.2.3. CONDIÇÕES CLIMÁTICAS O clima na região do Amapá é, segundo a classificação de Koppen, equatorial superúmido, com temperaturas médias entre 25° e 27° C e máxima de 36°C. O índice pluviométrico é elevado, por volta de 2500mm/ano. A área apresenta duas estações bem definidas: o inverno durante os meses de dezembro e agosto, com fortes chuvas, e o verão, nos meses de setembro a dezembro (GOVERNO DO ESTADO DO AMAPA, 2008). 25 3.2.3.1. REGIME DE VENTOS Os ventos alíseos, presentes durante o ano todo nesta região, são formados em uma grande extensão de área livre de obstáculos no oceano, caracterizando uma peculiar constância, intensidade e turbulência relativamente baixa. Não obstante, a região sofre intensa influência do Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul (ASAS) que gera ventos de sudeste (SE) e leste (E). Nesta região, os alíseos apresentam variações sazonais associadas à Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) (FISCH, 2008; FONTES, 2000). A ZCIT é consequência do aquecimento intenso e uniforme desta região pela radiação solar. Como resultado, os alíseos de SE, oriundos do Hemisfério Sul, e os de nordeste (NE), vindos do Hemisfério Norte, convergem para ela em níveis mais baixos. A ZCIT se movimenta pelos hemisférios seguindo o deslocamento ou migração sazonal do sol e, geralmente, está ligada às regiões de altas temperaturas da superfície do mar (TSM). No verão austral a ZCIT pode estar até em 5° a 6° S, indicando ventos alíseos de SE mais fracos, enquanto os alíseos de NE (Hemisfério Norte) estão mais intensos. No inverno austral, com a intensificação dos alíseos de SE, a ZCIT pode chegar a 14°N. Tendo em vista o seu posicionamento, a ZCIT é importante para a precipitação nos trópicos, mantém o balanço térmico local e é responsável pelo alto índice pluviométrico na região amazônica (FISCH, 2008). Devido à migração da ZCIT, a região de estudo fica sob influência dos alíseos de nordeste, entre março e abril, e sob influência dos alíseos de sudeste entre agosto e setembro. Aliado a esta dinâmica, há o regime de brisas terrestres e marinhas. Esta interação resulta em ventos de 5 e 7,5m/s na costa norte (nos estados do Amapá e do Pará) (FISCH, 2008; FONTES, 2000). Não há dados de ondas na região, contudo, estudos de Fisch (2008) no Estado do Ceará, indicam que ondas de gravidade geradas pelos alíseos e, eventualmente, ondas de longo período provocadas por tempestades no Atlântico Norte possam influenciar no clima de ondas da região da foz do Amazonas. 3.2.3.2. CARACTERIZAÇÃO MORFOLÓGICA O local escolhido para o estudo está orientado aproximadamente na direção Oeste-Leste (o ângulo do eixo transversal à planície é 100º E) e apresenta uma declividade média do perfil de 1/285 como mostra a figura abaixo. Nesta são demonstrados os 4 níveis principais de maré no local durante os dois anos de estudo (2006 e 2007): MHWS – média do nível alto na maré de sizígia, MHW - média do nível 26 alto na maré de quadratura, MLWS - média do nível baixo na maré de sizígia e MLWN – média do nível baixo na maré de quadratura. Também são determinados os níveis médios para os anos de 2006 (período de seca) e 2007 (período de cheia) (GALLO, 2009). A região cinza a oeste está representado o muro da orla da cidade (feição que altera o perfil topográfico da região). Figura 5: Perfil topográfico e zoneamento dos níveis de maré. Os 4 níveis de maré principais (MHWS, MHWN, MLWN e MLWS, média do nível mais alto na sizígia, média do nível mais alto na quadratura, média do nível mais baixo na sizígia e média do nível mais baixo na quadratura, respectivamente), para os anos de 2006 (seca) e 2007 (cheia), estão identificados. Os níveis de maré principais foram calculados por GALLO (2009) através da análise harmônica das séries de níveis da água registrados na estação AWAC. Os níveis médios (NM) também são indicados. As altitudes são fictícias, sendo que o nível médio encontra-se em cota 96.8 m. Fonte: GALLO, 2009. Sobre os sedimentos que formam o fundo, a planície pode ser caracterizada com silte e areia muito fina. Foi constatado que a fração de areia aumenta em direção ao canal, variando entre 10% e 80%, com diâmetro médio (d50) de 0.065mm. A hipótese é que há um decréscimo da intensidade das correntes em direção à margem. Na parte inferior é composta principalmente por areias e na parte superior há uma mistura de areias finas e silte (GALLO, 2009). 27 4. METODOLOGIA Para alcançar os objetivos deste trabalho, foram realizadas duas campanhas: uma no ano de 2006 e outra no ano de 2007. Em 2006, os dados foram adquiridos entre os dias 29 de novembro e 07 de dezembro, durante o período de seca do rio Amazonas e variações lunares (sizígia e quadratura); em 2007, as coletas foram realizadas entre os dias 01 a 18 de agosto de 2007, durante o período de cheia do rio Amazonas com variações lunares. Os dados analisados nesta dissertação foram coletados com o objetivo de caracterizar as velocidades e níveis de maré nas planícies de maré do Rio Amazonas (GALLO,2009)¹. 4.1. DADOS HIDRODINÂMICOS Foram utilizados três equipamentos para a medição de ondas na planície, arranjados segundo a Figura 6: Figura 6: Arranjo esquemático dos sensores. Pontos de fundeio do AWAC e dos ADVs, para a medição de ondas e correntes na planície de maré. A planície de maré é compreendida entre as linhas de preamar (MHLS, média do nível mais alto na sizígia) e baixa-mar (média do nível mais baixo na sizígia). A linha tracejada indica a linha perpendicular à margem, de localização dos equipamentos. Fonte: GALLO, 2009. ¹ O estudo teve financiamento do Projeto do MCT/CNPq/CT-HIDRO, 2005. (“Estudo comparativo da hidrodinâmica e sedimentação nas várzeas e planícies de maré do sistema hídrico do Amazonas”). 28 4.2. MEDIÇÕES NO CANAL Com o intuito de descrever a condição de entrada das ondas na planície, o perfilador acústico de ondas e correntes - Acoustic Wave and Current profiler (AWAC) fabricado pela NORTEK-AS - de 600 kHz foi instalado na área de submaré da orla de Macapá (MCP). Um exemplo do local de instalação é mostrado na Figura 7. A medição de ondas e correntes feita pelo AWAC usa o princípio do Doppler para medir a velocidade das correntes através da transmissão de um pulso curto de som, que é refletido ao encontrar partículas em suspensão. Variações na frequência indicam a velocidade (NORTEK, 2010). A extração do dado de onda foi feita através do cálculo do espectro cruzado das componentes da velocidade com a pressão. Este sensor possui um período de corte para período de onda de 2,5 s (profundidade de 5 m), precisão de menos que 1% do valor medido para altura e 0,5% para pressão (NORTEK, 2010). O sensor estava localizado a 0.9 m do fundo. As ondas foram medidas a cada 1 hora, sendo que o intervalo de aquisição dos dados foi de 512 segundos, com uma taxa de amostragem de 1 segundo. A medição de correntes foi realizada a cada 10 minutos, sendo o intervalo de medição de 1 minuto com a mesma taxa de amostragem das ondas. As coordenadas do aparelho foram: 0° 1'1 8.37"N e 51° 2'57.67"W. Figura 7: Instalação do AWAC. Trabalho de fundeio do AWAC para a medição de ondas e correntes na região externa à planície de maré. Fonte: GALLO, 2009 4.3. MEDIÇÕES NA PLANÍCIE Dois sensores do tipo velocímetro de Doppler acústico - Acoustic Doppler velocimeters (ADV) fabricado pela Sontek, de 6 MHz, foram instalados na planície de maré com o objetivo de avaliar o comportamento das ondas no interior da planície. O ADV1 estava localizado à 459 m do AWAC, no sentido oeste e, o ADV2 estava 29 instalado 200 m à oeste do ADV1. Este equipamento utiliza o mesmo principio de Doppler para calcular as velocidades, mas possui transdutores e receptores diferentes, o primeiro está localizado no centro e os três receptores estão localizados num arranjo de 120º, como mostra a Figura 8 (SONTEK, 2010). A altura das ondas é medida através da combinação dos dados adquiridos por um sensor de pressão, mesmo processo descrito no item acima. Neste estudo, as medições de velocidade foram feitas a 0,15 metros do fundo e as de pressão a 0,35 metros do fundo, com um intervalo de amostragem de 10 minutos, adquirindo dados durante 64 segundos com taxa de 4Hz. Os equipamentos foram instalados nas seguintes coordenadas: ADV1: 0° 1'12.08"N 51° 3'8.94"W e ADV 2: 0° 1'13.01"N 51° 3'14.48"W. Figura 8: Acoustic Doppler velocimeters (ADV). Utilizado para medir ondas e correntes dentro da planície de maré. Fonte: SONTEK, 2010. Os dados medidos pelos dois ADVs foram utilizados para a caracterização da onda na planície, utilizaram. O ADV1 está localizado mais próximo ao AWAC e está mais profundo que o ADV2 como pode ser observado na tabela seguinte: Tabela 1 Coordenadas geográficas dos equipamentos Latitude Longitude AWAC 0° 1'18.37"N 51° 2'57.67"W ADV1 0° 1'12.08"N 0° 1'13.01"N 51° 3'8.94"W 51° 3'14.48"W. ADV2 30 Através dos dados medidos pelo AWAC na região externa à planície de maré e dos dados adquiridos pelos ADVs na região interna à planície, espera-se analisar a propagação das ondas entre estes pontos (FIGURA 6). Esta análise será feita a partir de comparações entre os dados dos diferentes sensores com base em parâmetros como: pressão, nível d´água, período e altura de onda, nas diferentes fases da maré. As análises posteriores serão divididas entre primeiro trecho (planície inferior) que compreende a região entre o AWAC e o ADV1 e segundo trecho (planície superior) que compreende a região entre o ADV1 e ADV2. 4.4. TRATAMENTO DOS DADOS Os principais parâmetros das ondas (altura, período, direção e espectro) foram calculados através de rotinas no programa MatlabTM e são: a) Espectro de onda: O espectro de onda foi calculado através da função spectrum aplicada aos dados. %& = '()*+,-. (, , Equação 4: Cálculo do Espectro de onda %# = ∗ + ∗ %& : )& , Equação 5: Cálculo do Espectro de onda Onde: p = pressão total – média da pressão a = janela de hanning : 64 para os dados extraídos dos ADVs e 128 para os dados extraídos do AWAC. Estes valores de janela de hanning foram escolhidos tendo em vista que apresentaram um grau satisfatório de suavização sem interferir no resultado encontrado. b = janela de sobreposição: usada apenas nos dados do AWAC (b= 64) uma vez que a taxa de amostragem dos ADVs era muito inferior. dt = intervalo de tempo. Para os dados extraídos do AWAC, 1s e para os dados extraídos dos ADVs 0.25s Para que os dados remetessem à medição na superfície é necessário aplicar a função de transferência: 31 1( = 2345 6∗ 78 2345 6∗ Equação 6: Cálculo da Função de Transferência Onde: z = a posição do sensor de pressão na coluna de água. Para o sensor de pressão do AWAC, 0.9m e para o sensor de pressão dos ADVs 0.35m. h = profundidade local (m) k = número de onda. Foi calculado de 2 formas , pelo método teórico e pelo método iterativo. Método teórico: Compreende no cálculo do comprimento de onda através da dispersão da teoria de onda linear pela fórmula de Hunt (1979) conforme descrito por Dean & Dalrymple (1991) e através desta pode ser calculado o número de onda (k): 6 = 9² + 9 ;∑<&=> & &9 Equação 7: Cálculo do número de onda Onde: ?= @∗ Equação 8: Cálculo do número de onda h: profundidade g = aceleração da gravidade σ = 2*π*f f = freqüência d1 = 0.666... ; d2 = 0.355... ; d3 = 0.1608465608 ; d4 = 0.0632098765 ; d5 = 0.0217540484 ; d6 = 0.0065407983 Método Iterativo: Compreende no uso de iteração para chegar ao valor do número de onda (k), da seguinte forma: 32 6> = "∗#> ∗ABC5 6> ∗ Equação 9: Cálculo do número de onda pelo método iterativo Além disso, é preciso dividir o espectro calculado no fundo pela função de transferência ao quadrado: %# = %′ 1( Equação 10: Formulações do método iterativo A altura significativa de onda obedece à seguinte equação: ' = D. ∗ F # ∗ ∑ %# Equação 11: Altura significativa de ondas – método iterativo O período de pico de onda é obtido através do ponto máximo no espectro, pois o período de pico de onda é o inverso da frequência mais energética do espectro de onda. A direção principal da onda foi calculada através da soma entre as componentes reais dos espectros das componentes do eixo x e y da velocidade seguindo as formulações a seguir: GG = HIGJ K LHIM, N OO = HIGJ K LHIM, P Q = GRSJI GG + OO ∗ T Equação 12: Cálculo da Direção principal da onda Sendo que: aa = componente real do espectro cruzado entre o desvio da pressão (pres), ou seja, a subtração do valor real da pressão e sua média ao longo do tempo, e a componente u da velocidade do fluido. bb = componente real do espectro cruzado entre o desvio da pressão (pres) e a componente v da velocidade do fluido. Assim a direção principal será o valor que possui a componente real aa e a componente imaginária bb. 33 b) Parâmetros estatísticos Durante o trabalho foram utilizados alguns parâmetros estatísticos como meio de comparação, dentre eles tem-se: Média (U) : representa a soma das observações divida pelo número de amostragem. U= ∑V &= V Equação 13: Média Mediana (Mi): representa a posição central de uma série de dados ordenados, ou seja, 50% das amostras são menores que o valor da mediana e 50% são maiores que o valor da mediana. Y> = Z> + V[ 8# #*∗> Equação 14: Mediana Em que: Mi = mediana li = limite inferior da classe que deve conter a Mi N = total fa = frequência acumulada anterior à classe que deve conter a Mi i = intervalo de classe fc = frequência da classe que deve conter a Mi Erro médio quadrático: representa uma medida de erro da amostragem e é calculado a partir da somatória da média dos quadrados dos erros verdadeiros: \Y] = ∑V &= ^,8^( V Equação 15: Moda Onde: vr: valor real vp: valor previsto N: total de amostragens 34 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO 5.1. PADRÕES DE VENTOS LOCAIS Os dados de direção e velocidade do vento (média e máxima) foram obtidos através da Rede de Meteorologia do Comando da Aeronáutica (REDEMET, 2009). Estes dados estão disponíveis no site da REDEMET e são medidos com uma frequência horária a 16 metros de altura no aeroporto de Macapá, AP. A conversão para a altura padrão de 10 metros foi realizada com a relação (CERC, 1984): _ =_ 7 ∗ 7 ` Equação 16: Conversão da velocidade do vento Onde: U(10) = velocidade do vento a 10 metros de altura U(Z) = velocidade do vento medida z = altura da medição Os dados de vento apresentados nas análises tratam da velocidade corrigida para 10 metros de altura e, representam médias móveis de três em três horas, tanto para os dados de velocidade como de direção do vento. A direção do vento durante os dois períodos de medição (novembro/dezembro de 2006 - seca e agosto de 2007 - cheia) pode ser observada na Figura 9 na qual se nota que, para o ano de 2006, os ventos são predominantes do quadrante NE/E, sendo os de E mais intensos (FIGURA 10). Esta intensificação ocorre, pois em novembro e dezembro, durante o inverno boreal, há a presença dos alíseos de leste que colaboram com a constância na direção do vento intensificando-o. No ano de 2007, a variabilidade na direção do vento é maior com duas componentes de direção mais presentes (N e E) não permitindo a intensificação devido à constância, como também pode ser observado nas figuras 9 e 10. Os resultados deste estudo concordam com Fisch (2008), que afirma que os ventos nesta região são controlados principalmente pelos alíseos de leste e pelo regime de brisas terrestres e marinhas. Esta interação resulta em ventos de 5 e 7.5 m/s na costa norte brasileira (que inclui os estados do Amapá e do Pará). 35 Direção do vento - Seca 2006 0 330 30 300 60 270 90 20 40 240 120 60 210 150 80 180 Número de ocorrências Direção do vento - Cheia 2007 0 330 30 300 60 270 90 25 240 120 50 210 150 180 Número de ocorrências Figura 9: Frequência de direção do vento para os dois períodos de análise. Os gráficos indicam a maior ocorrência dos ventos em uma dada direção, de cima no período de seca do Rio (novembro/dezembro de 2006) e de baixo no período de cheia do Rio (agosto de 2007). Pode ser percebida a maior relevância dos ventos de nordeste e de leste, sendo que em 2006, durante o período de medição, há maior predominância de ventos de nordeste e em 2007 há maior predominância dos ventos de leste. 36 Direção do vento - Seca 2006 0 330 30 300 60 4 2 270 90 2 4 6 240 120 8 210 150 180 Velocidade do vento (m/s) Direção do vento - Cheia 2007 0 330 30 300 60 2 270 90 2 4 240 120 6 8 210 150 180 Velocidade do vento (m/s) Figura 10: Rosa dos Ventos. Os gráficos indicam a intensidade do vento através do tamanho do vetor (m/s) e a direção (graus) que este vento apresenta. Durante o período de seca/2006 do Rio (gráfico de cima, em vermelho) é percebido claramente que as maiores intensidades do vento ocorrem com ventos de leste, perpendiculares à costa. Este comportamento também ocorre no período de cheia/2007 do Rio (gráfico de baixo em azul), mas com a adição de uma componente norte tão intensa quanto a componente leste. A comparação entre os períodos do estudo pode ser constatada também pelo cálculo da média, mediana, máxima e moda dos valores de direção e intensidade (TABELA 2). 37 Tabela 2 Parâmetros estatísticos para os dados de vento Direção do vento (graus) Velocidade do vento (m/s) 2006 2007 2006 2007 - - 3,86 2,70 70 90 4,12 2,41 Moda - - 4,81 1,44 Máxima - - 7,7 7,6 Média Mediana É interessante notar que mesmo apresentando diferenças de direção e intensidade, a variação do vento parece ser cíclica modificando diariamente, com ventos de leste no final da tarde e ventos de Norte no começo da manhã (FIGURA 11). Direção do vento - Seca/2006 360 Direção (graus) 315 270 225 180 135 90 45 0 1/12 0:00 2/12 0:00 3/12 0:00 4/12 0:00 5/12 0:00 6/12 0:00 7/12 0:00 8/12 0:00 7/8 12:00 8/8 12:00 Tempo (dias) Direção do vento - Cheia/2007 Direção (graus) 360 315 270 225 180 135 90 45 0 1/8 12:00 2/8 12:00 3/8 12:00 4/8 12:00 5/8 12:00 6/8 12:00 Tempo (dias) Figura 11: Direção dos Ventos da área de estudo. O gráfico acima representa o comportamento da direção do vento durante o período de seca do Rio, 2006. O gráfico abaixo representa a direção do vento para o período de cheia do Rio, 2006. Note a variação diária da direção do vento para os dois períodos de medição com ventos de Norte durante o começo da manhã alternando para Leste no final da tarde ciclicamente. 38 Este fenômeno foi encontrado nos dois anos e tem o mesmo princípio básico da formação de brisas terrestres e marinhas em regiões costeiras. A radiação solar não se distribui igualmente pela superfície da Terra. Algumas partes da atmosfera são mais facilmente aquecidas onde o ar tende a formar correntes convectivas ascendentes uma vez que o ar quente é menos denso. Assim, o espaço deixado é ocupado por massas de ar menos aquecidas em regiões com pressões atmosféricas relativamente maiores formando correntes de vento. Em regiões com grandes porções de água, e a área deste estudo se inclui nestes casos, a energia solar é absorvida durante o dia mantendo o ar que as encobre relativamente frio e a pressão atmosférica maior, enquanto que o ar sobre porções de terra mantêm-se mais quentes formando correntes de vento em direção a terra (brisas marinhas). Em contrapartida, durante a noite a porção de água se mantém aquecida, tendo em vista o alto calor específico da água quando comparado ao da terra, assim como mantém aquecida a faixa de baixa pressão sobre o oceano. Assim a massa de ar sobre ele converge para camadas mais altas sendo preenchidas por massas de ar oriundas da terra (mais frias), resultando em correntes de vento em direção ao mar (brisas terrestres). Geralmente, a brisa terrestre é mais fraca que a brisa marinha (VAREJÃOSILVA, 2006). A diferença é que nesta área de estudo este processo ocorre entre o rio e o continente. A área de estudo é uma região influenciada pelos dois sistemas de alta pressão do Atlântico: o Sistema de Alta Pressão do Atlântico Norte e o Sistema de Alta Pressão do Atlântico Sul (VAREJÃO-SILVA, 2006). Estes sistemas são intensificados quando há o inverno em cada hemisfério, e esta dinâmica de variação na intensidade destes campos de ventos resulta na migração vertical da ZCIT. Como em dezembro de 2006 é inverno na área de estudo a ZCIT está posicionada mais ao sul do Equador explicando a ocorrência de ventos de NE/E, e suas maiores velocidades (ver Figura 9). Em agosto de 2007, a ZCIT é encontrada mais ao norte do Equador e, como foi constatado nos resultados, há a presença da componente de SE no vento (ver Figura 9). Entretanto, ao serem analisados os valores de velocidade e direção do vento, sem considerar médias, é percebida a existência da componente SE nos dois anos. Além disso, para o ano de 2007, dados medidos no verão local, a direção N/NW também é notada (FIGURA 12). 39 Figura 12: Rosa dos ventos. Há predominância de ventos de NE/E para os dois anos de coleta, embora a componente SE esteja presente de forma relevante. Para o ano de 2007, ainda, pode ser notado ventos de N/NW. 5.2. CARACTERIZAÇÃO DA ONDA 5.2.1. ANÁLISE DE DADOS A relação entre a profundidade local e o comprimento de onda indica como a onda se comporta em ambiente profundo ou em ambiente raso: se a água é profunda (maior que a metade do comprimento de onda) a topografia local não alterará a onda nem sua velocidade, mas se a água é rasa (profundidade menor que um vigésimo do comprimento de onda) a sua velocidade será limitada pela profundidade. Tal classificação é importante, pois norteará os cálculos deste estudo. Para tanto, foram utilizados valores de profundidade entre 0,5 m e 3 m (variação do nível na planície, Tabela 3) e períodos de 2, 5s, 3,0 s 3,5 s (o período de pico médio e os extremos como pode ser observado na Tabela 4). Os valores medidos em profundidade menores que 0,5 m, para os três equipamentos, foram descartados das análises. 40 Tabela 3 Profundidade da coluna de água na planície do Canal Norte do rio Amazonas 2006 2007 ADV1 ADV2 ADV1 ADV2 Média (m) 1,23 0,93 1,63 1,23 Mínima (m) 0,35 0,19 0,31 0,39 Máxima (m) 2,75 2,33 3,32 2,67 Tabela 4 Valores de período de pico de ondas na planície Média 2006 2007 3,04 2,88 0,56 0,49 (segundos) Desvio padrão O comprimento de onda foi calculado através da relação de dispersão de acordo com a teoria linear: a= ∗ ∗ ABC5 b " ∗ c " a Equação 17: Comprimento de onda Onde: L = Comprimento de onda (m) g = aceleração da gravidade (m/s²) T = período de onda (s) h = profundidade (m) Para as variáveis apresentadas, o resultado encontrado é que a área de estudo é um ambiente de água intermediária, uma vez que a razão (h/L) se encontra entre os valores os limites de 1/20 ou 0,05 (Águas Rasas) e ½ ou 0,5 (Águas Profundas), como pode ser observado na Tabela 5. Tabela 5 Razão entre profundidade e comprimento de onda para diferentes períodos de onda Período de onda /Profundidade 0,5 m 3,0m 2,5s 0,095 0,319 3,0s 0,078 0,237 3,5s 0,063 0,182 41 A Função de Transferência (ver item 4.4) foi utilizada para os cálculos dos dados do AWAC. Nas Figuras 13 e 14 é apresentada a comparação do cálculo das ondas para ADV1 (em 2006) e ADV2 (em 2007), respectivamente, empregando os três métodos descritos no item 4.4. Os períodos com ausência de dados se devem à presença de valores medidos com profundidade menor que 0,5 m. Na análise dos gráficos é percebido que os dados resultantes da aplicação dos métodos (iterativo e teórico) apresentam valores semelhantes aos dados, nos quais não se aplicou método algum para a obtenção da altura significativa de onda (calculada diretamente do espectro de pressão). Comportamento notado para os dois anos de medição. ADV1 - Seca 2006 0.5 Altura significativa de onda (m) 0.45 0.4 Método teórico Método Iterativo Pressão 0.35 0.3 0.25 0.2 0.15 0.1 0.05 0 29/11 30/11 01/12 02/12 03/12 03/12 04/12 05/12 06/12 06/12 07/12 Tempo (dias) Figura 13: Altura significativa de onda do ADV1 para seca/2006. Tanto para o cálculo da função de transferência utilizando o método iterativo quanto para o cálculo utilizando o método teórico os resultados são semelhantes entre si e quando comparados aos dados sem aplicação de método algum. Os períodos sem dados no gráfico indicam que a profundidade local era menor que 0,5 m. 42 ADV2 - Cheia 2007 0.5 Método Teórico Método Iterativo Pressão Altura significativa de onda (m) 0.45 0.4 0.35 0.3 0.25 0.2 0.15 0.1 0.05 0 01/08 02/08 03/08 04/08 05/08 06/08 07/08 08/08 09/08 Tempo (dias) Figura 14: Altura significativa de onda no ADV2 para cheia/2007. Tanto para o cálculo da função de transferência utilizando o método iterativo quanto para o utilizando o método teórico os resultados são semelhantes entre si e quando comparados aos dados sem aplicação de método algum. Os períodos sem dados no gráfico indicam que a profundidade local era menor que 0,5 m. Deste modo, para a evolução do estudo, a altura significativa de onda calculada pelos dois ADVs nos dois anos foi retirada diretamente do espectro de pressão (sem o uso da função de transferência). A fim de comprovar que tal comparação não seria um equívoco, foi calculada a função de transferência (Kappa) com valores fixos: z = Altura do fundo do equipamento: 0,35m h = profundidade local. Valores utilizados: média de períodos de marés de sizígia e de quadratura, para os dois anos. O erro embutido encontrado na comparação direta entre os espectros de pressão (entre os ADVs), para o pior caso é de 2,3% (TABELA 6), considerado irrelevante. 43 Tabela 6 Profundidade média e Kappa resultante Profundidade média 2006 2007 Sizígia Quadratura Sizígia Quadratura Média ADV1 1,32 m 1,22 m 1,80 m 1,53 m Média ADV2 0,99 m 0,94 m 1,36 m 1,16 m Kappa (Função de Transferência) 2006 Sizígia 2007 Quadratura Sizígia Quadratura ADV1 0,713 0,716 0,702 0,707 ADV2 0,730 0,733 0,711 0,719 Também para corroborar o não uso da função de transferência no processamento dos dados dos ADVs foi calculado o erro médio quadrático. A Tabela 7 mostra o erro médio entre o valor de Hs resultante do espectro medido com a aplicação da função de transferência (método teórico e iterativo) e o medido pelo espectro calculado diretamente da pressão. Nota-se o erro foi de 0,001 para o maior caso. Sendo assim, fica exposto que, para os resultados dos ADVs, todos os dados podem ser extraídos direto do espectro de pressão (sem o uso de função de transferência). Além disso, foi verificado (ver Figuras 13 e 14) que os dois métodos para calcular o número de onda e, consequentemente, a função de transferência (Método Teórico e Método Iterativo) foram satisfatórios e concordaram em todas as análises. Por isso, para os cálculos dos dados do AWAC apenas o método iterativo será demonstrado nas Figuras e Tabelas daqui em diante. Tabela 7 Erro Médio Quadrático 2006 ADV1 ADV2 2007 Entre o Método Teórico e a Pressão 0,0014 - Entre o Método Iterativo e a Pressão 0,0012 - Entre o Método Teórico e a Pressão - 0,0009 Entre o Método Iterativo e a Pressão - 0,0007 A seguir, serão discutidos os resultados, separando-os em ondas no canal onde os dados foram medidos pelo AWAC - e ondas na planície, onde estavam 44 instalados os ADVs. No estudo da evolução da onda, dois trechos são referenciados: o trecho entre o AWAC e o ADV1, com 459 m de extensão e o trecho entre o ADV1 e o ADV2 que tem aproximadamente 200 m de extensão. 5.2.2. CARACTERIZAÇÃO DAS ONDAS NO CANAL O canal norte do rio Amazonas apresentou uma profundidade média de 3,02 m no período de seca do rio Amazonas (ano de 2006), variando entre 1,68 e 4,61 m e, durante o período de cheia do rio Amazonas (ano de 2007), a profundidade média foi de 3,46m, com valores entre 2,15 e 5,35m, como mostra a Tabela 8. Devido ao maior nível de água no Rio durante a sua cheia, as maiores profundidades são atingidas neste período o que remete a um maior tempo de alagamento da planície em 2007 e consequentemente menor exposição ao ar (FIGURA 15). A variação da maré pode ser observada nos três equipamentos e é notável que o equipamento AWAC está mais profundo, enquanto que, o ADV 2 está mais próximo à margem (FIGURA 15). Em 2006, o período de quadratura está compreendido entre os dias 28/11 e 03/12 e o período de sizígia e ocorre entre os dias 4/12 e 11/12. Em 2007, o periodo de sizígia foi do dia 01/08 ao dia 04/08 e o de quadratura foi do dia 05/08 e 11/08. É interessante notar que a maré atinge os maiores níveis nas preamares de sizígia, mas os níveis de baixamar da sizígia e da quadratura são bem próximos. Isto ocorre, pois há uma componente harmônica da maré que modula os limites inferiores, a Msf descrita por Gallo, 2009 (FIGURA 15). Tabela 8 Profundidade do Canal do Rio Amazonas 2006 2007 Profundidade média (m) 3,02 3,46 Profundidade mínima (m) 1,68 2,15 Profundidade máxima (m) 4,61 5,35 45 Profundidade média (metros) Período de seca do Rio - 2006 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 29/11 30/11 1/12 2/12 Tempo (dias) 3/12 4/12 4/12 AWAC 5/12 ADV1 6/12 7/12 ADV2 Profundidade média (metros) Período de cheia do Rio - 2007 5,0 4,0 3,0 2,0 1,0 0,0 1/8 2/8 Tempo (dias) 3/8 4/8 5/8 6/8 AWAC 7/8 ADV1 8/8 ADV2 Figura 15: Profundidade média para 2006 e 2007. Na figura superior está a variação da profundidade nos três pontos de medição para o ano de 2006 e, no inferior para 2007. Pode ser verificado que os maiores níveis são encontrados durante o período de cheia do Rio Amazonas e, neste ano, também a planície fica menos tempo exposta. Com a finalidade de caracterizar a onda incidente à planície foram usados os dados coletados pelo AWAC. Nas Figuras 16, 17 e 18 estão a altura significativa de onda ao longo do tempo, para o ano de 2006 e 2007 e a série temporal do período de pico de onda, para os dois anos. Na Tabela 9, os parâmetros estatísticos da onda. 46 Tabela 9 Parâmetros estatísticos das ondas no canal 2006 Desvio Mediana Média Variância Padrão Altura Significativa Período de Pico Direção principal da onda Erro Médio Quadrático 0,31 m 0,33m 0,16 0,03 0,01 2,9 s 3,1 s 0,6 0,3 0,22 190° - 82,7° - - 2007 Altura Significativa Período de Pico Direção principal da onda Mediana Média Desvio Padrão Variância Erro Médio Quadrático 0,15 m 0,21m 0,14 0,02 0,01 2,7 s 2,8 s 0,5 0,21 0,19 179° - 87,6° - - 47 Figura 16: Altura significativa de no canal para seca/2006 e cheia/2007. Na Figura superior, está a evolução da altura significativa durante o período de seca de 2006 e, na figura inferior está a variação para o período de cheia de 2007. As maiores alturas são encontradas em 2006. 48 Figura 17: Período de pico de onda para seca/2006 e cheia/2007. Na Figura superior está representada a variação do período de pico durante a seca 2006 e, na figura inferior está a variação para o período de cheia de 2007. Os períodos de pico encontrados em 2006 são maiores que em 2007. Durante os dois períodos de medição há incidência de ondas de todas as direções com predominância apenas, no período de seca em 2006, de ondas incidentes de SW. Em 2007 não foi observada predominância em nenhuma das direções. Como foi demonstrada, a direção principal do vento da região, forçante geradora da onda na área de estudo, é de NE/E para 2006 e N/E para 2007. A discrepância entre a direção do agente gerador e a forçante gerada indica que outros fatores influenciam a direção da onda. Ao se analisar a área de estudo é possível descartar a batimetria local como fator modificador da direção da onda uma vez que não há variação espacial substancial. Entretanto, modificações antrópicas como a construção de um píer e um muro de contenção na região (ver Figura 3 – Item 3.1) 49 podem alterar a direção das ondas. O píer de captação de água posicionado a norte das medições pode explicar a ausência de predominância de ondas incidentes do norte já que funciona como uma barreira para a formação e propagação da onda (ver Figura 3 – Item 3.1). O muro de contenção ao longo da margem do Rio permite a reflexão das ondas do segundo e terceiro quadrante ao se contrapor com o muro resultando em componentes de ondas oriundas de sudoeste. Estas ondas foram as predominantes durante o período de seca (2006) quando os níveis de água são mais baixos como visto nos dias da medição. Este processo de reflexão foi observado nos dias de medição (informação verbal). Direção da onda Seca 2006 Direção da onda Cheia 2007 0 0 330 30 300 330 60 30 300 60 40 40 20 20 270 90 240 120 270 240 150 210 90 120 210 180 150 180 Número de ocorrências Figura 18: Direção principal da onda para seca/2006 e cheia/2007. A figura à esquerda apresenta a distribuição da direção principal da onda durante o período de seca do Rio, no mês de dezembro (2006) e, na figura à direita está a distribuição da direção principal da para o ano de 2007, durante a cheia do Rio. Para a análise, as séries temporais desses parâmetros foram divididas em classes e determinou-se a mais ocorrente (FIGURAS 19 e 20). Em 2006, a distribuição entre as classes de altura significativa de onda (Hs) é homogênea apresentando uma assimetria positiva. O valor médio para o período de seca de Hs foi de 0,36 m (em 2006) enquanto que, para o período de cheia (ano de 2007) foi de 0,21 m. Isto é percebido também na distribuição, uma vez que em 2006 são encontrados maiores valores de altura significativa de ondas que no período de cheia, no qual a distribuição da altura significativa é fortemente modal com alturas de até 0,2m (2007). Os valores de período de pico das ondas mostram uma distribuição fortemente modal com assimetria positiva, para dois anos, com picos de 2,5 s de 2 Informação fornecida pelo Prof. Dr. Marcos Nicolas Gallo que participou das campanhas de medição dos dados utilizados neste estudo. 50 período de pico (2006). Entretanto, a média encontrada foi de 3,1 s (2006) e 2,8 s (2007), explicado pela relevante assimetria positiva da distribuição. Isto indica que as ondas mais energéticas na área de estudo são ondas de alta frequência. Estes resultados são bem inferiores aos encontrados por Herman e colaboradores (2009) tendo em vista que a região do Mar de Wadden é exposta a ondas de swell acarretando em maiores alturas e períodos de onda. Nas Figuras a seguir, o eixo y indica o número de ocorrências de certa classe (de altura ou período): em 2006 têm-se um total de 187 ocorrências e, no ano de 2007, 235 ocorrências. Figura 19: Distribuição de alturas significativas durante a seca/2006 e a cheia/2007. Na Figura superior, a distribuição deste parâmetro para 2006 e, na figura inferior, está a variação para o ano de 2007. Note que no eixo y é número de ocorrências que em 2006 tem um total de 187 ocorrências e no ano de 2007, 235 ocorrências. A distribuição com assimetria mais positiva em 2006 indica que as maiores alturas são encontradas neste ano. 51 Figura 20: Distribuição de período de pico de onda durante a seca/2006 e a cheia/2007. Na Figura superior, a distribuição deste parâmetro para 2006 e, na figura inferior, está a variação para o ano de 2007. Note que o eixo y é número de ocorrências, que em 2006 tem um total de 187 e, no ano de 2007, 235 ocorrências. A distribuição com assimetria mais positiva em 2006 nos indica que ondas de maior período são encontradas no ano de 2006. 5.2.2.1. MODELOS TEÓRICOS PARA A OBTENÇÃO DE ALTURA SIGNIFICATIVA DE ONDA Dois modelos foram escolhidos para serem aplicados ao local de estudo e calcular as alturas significativas de onda com a finalidade de entender a geração da onda local através da comparação das alturas significativas de ondas medidas pelos equipamentos. O primeiro método é o Modelo de Jonswap que é aplicado para a condição de mar completamente desenvolvido para regiões de águas profundas. O segundo é o Modelo teórico revisado por Hasselmann (1973 apud CERC, 1984) que é usado para regiões de águas rasas. A principal diferença entre eles é que o segundo leva em consideração a influência da profundidade na geração das ondas. • MODELO DE JONSWAP O modelo de Jonswap foi desenvolvido para um mar com limitação de pista e, através de sua formulação, pode ser feita uma estimativa da altura significativa de 52 onda encontrada no ambiente, segundo a pista e a velocidade do vento. Para os dados deste trabalho, a estimativa calculada se encontra na Tabela 10. Foram estimadas médias de altura significativa de onda e velocidade do vento e máximas desses dois parâmetros para as direções de pista de vento mais relevantes (NE, E, SE, S). Tabela 10 Valores medidos de vento e onda 2006 Pista de Vento NE (60 km) E(20 km) SE (10 km) Hs (m) Velocidade do vento (m/s) Hs (m) Velocidade Velocidade Hs (m) do vento do vento (m/s) (m/s) Média 0,32 3,09 0,36 5,32 0,15 Máxima 0,55 5,66 0,61 8,23 0,19 S (30 km) Hs (m) Velocidade do vento (m/s) 4,12 0,14 1,03 6,17 0,14 1,03 2007 Pista de Vento NE (60 km) E(20 km) SE (10 km) S (30 km) Hs (m) Velocidade do vento(m/s) Hs (m) Velocidade do vento(m/s) Hs (m) Velocidade Velocidade Hs (m) do do vento(m/s) vento(m/s) Média 0,24 1,86 0,26 4,20 0,29 2,93 0,41 3,81 Máxima 0,53 2,57 0,73 8,23 0,51 5,14 0,88 5,14 Na Figura 21 os valores de Hs médios em rosa são do período de seca (ano de 2006), medidos em novembro e dezembro, e os valores em branco são durante o período de cheia, no ano seguinte, medidos em agosto. Deste modo, pode ser percebido que os valores estimados pela equação de JONSWAP tendem a superestimar os medidos. A Figura 22 mostra as maiores alturas significativas de ondas encontradas para cada pista de vento e a maior velocidade de vento na mesma direção. 53 Altura significativa (m) 9 8 1.2 Velocidade do vento(m/s) 7 1 6 4 0.8 0.36 5 0.15 0.6 0.26 0.41 3 2 1 0.4 0.32 0.29 0.2 0.24 0.14 1 2 3 4 5 Pista de vento (m) 6 7 8 4 x 10 Figura 21: Formulação de Jonswap – valores médios. A Figura apresenta valores calculados para altura significativa de ondas através da formulação de Jonswap. Os valores em rosa foram medidos durante o período de seca e os valores em branco durante o período de cheia. São médias de vento e de altura significativa de onda. A 4 4 4 pista de vento de Sudeste possui ~10 m; a de Leste possui ~2x10 m; a de Sul ~3x10 m e a 4 de Nordeste possui ~6x10 m . Altura significativa (m) 9 0.610.73 8 1.2 Velocidade do vento(m/s) 7 1 6 0.19 5 0.51 0.88 0.8 0.55 0.6 4 0.4 3 0.53 0.2 2 1 1 2 0.14 3 4 5 Pista de vento (m) 6 7 8 4 x 10 Figura 22: Formulação de Jonswap – valores máximos. O gráfico apresenta valores calculados para altura significativa de onda através da formulação de Jonswap. Os valores em rosa foram medidos durante o período de seca e os valores em branco durante o período de cheia. São máximas de vento e de altura significativa de onda. A 4 4 4 pista de vento de Sudeste possui ~10 m; a de Leste possui ~2x10 m; a de Sul ~3x10 m e a 4 de Nordeste possui ~6x10 m . 54 • MODELO TEÓRICO DE HASSELMANN Este modelo foi revisado por Hasselmann (1973, 1976), recomendado pelo CERC (1984) e permite a determinação de altura significativa de onda através da geração de certo estado de mar limitado pela extensão da pista de vento, intensidade do vento e a profundidade local. Por esta razão é usado em condições de águas rasas com a seguinte formulação: ∗j / h . i<i _ ². _ ² ' = . d! ∗ ∗ ABC5 g g ∗ !/D ABC5 . i! b c f _ ² m l l k Equação 18: Cálculo da altura significativa de onda através do Modelo de Hasselmann Onde: Ua = velocidade de atrito do vento adquirida através da relação com a velocidade a 10 metros em qualquer altura: _ = .` ∗ n _ ` o . ! Equação 19: Cálculo da velocidade de atrito do vento Onde: g: aceleração da gravidade; F: Extensão da pista do vento; os mesmos valores utilizados no modelo anterior h: profundidade local Através da série temporal de dados de vento e de profundidade local medida pelos equipamentos foi obtida uma série de altura significativa de onda segundo o modelo descrito acima e esta foi comparada com as alturas significativas de onda medidas in situ (FIGURA 23, FIGURA 24). Para os dois anos os resultados do modelo acompanham o padrão da altura significativa de onda medida. Nota-se que: O aumento na profundidade local acarreta no aumento da onda calculada pelo modelo independente do ponto de medição (AWAC, ADV1 e ADV2). Para valores de extensão de pista de vento semelhantes (em períodos de cheia e seca) a altura significativa de onda será maior onde a velocidade do vento for mais intensa 55 Portanto, a extensão da pista de vento se comportou como um fator secundário, ou seja, provavelmente a maior intensidade do vento e a maior estabilidade de sua direção em 2006/seca pode explicar o aumento da onda neste período. Este comportamento não foi notado no modelo, pois este não leva em consideração a duração do vento. No canal, o modelo subestima a altura significativa de onda, enquanto que, na planície os valores de alturas significativas de onda apresentam valores próximos dos medidos na maior parte do tempo. 56 5,0 4,5 4,0 3,5 3,0 2,5 2,0 1,5 1,0 0,5 0,0 29/11 21:00 30/11 21:00 1/12 21:00 2/12 21:00 Altura Significativa de onda (m) Hs modelo 3/12 21:00 5/12 21:00 Hs medido AWAC 6/12 21:00 Profundidade média (m) 0,35 0,3 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0 29/11 21:00 30/11 21:00 1/12 21:00 2/12 21:00 3/12 21:00 Hs modelo Altura Significativa de onda (m) 4/12 21:00 Profundidade média (m) Altura Significativa de onda (m) Seca/2006 0,9 0,8 0,7 0,6 0,5 0,4 0,3 0,2 0,1 0 4/12 21:00 5/12 21:00 6/12 21:00 Hs medido ADV1 0,4 0,35 0,3 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0 29/11 21:00 30/11 21:00 1/12 21:00 Tempo (dias) 2/12 21:00 Hs modelo 3/12 21:00 4/12 21:00 5/12 21:00 6/12 21:00 Hs medido ADV2 Figura 23: Aplicação do modelo de Hasselmann para seca/2006. A Figura apresenta valores calculados de altura significativa de onda utilizando o modelo de Hasselmann e os dados medidos pelos três equipamentos durante o período de seca do rio. Na figura superior está o AWAC, no meio o ADV1 e, na inferior o ADV2. O comportamento dos dados medidos é acompanhado satisfatoriamente pelo modelo. Mas para as ondas no canal (AWAC) as alturas são subestimadas. Cheia/2007 0,7 0,6 5,0 0,5 4,0 0,4 3,0 0,3 2,0 0,2 0,1 1,0 0 0,0 1/8 2/8 3/8 4/8 5/8 6/8 7/8 8/8 9/8 10/8 15:00 15:00 15:00 15:00 15:00 15:00 15:05 15:00 15:00 15:00 Altura Significativa de onda Hs modelo Hs medido AWAC Profundidade média (m) 0,35 0,3 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0 1/8 15:00 Altura Significativa de onda 6,0 Profundidade média (m) Altura Significativa de onda 57 2/8 16:00 3/8 17:00 4/8 5/8 18:00 19:00 Hs modelo 6/8 7/8 8/8 20:05 21:00 22:00 Hs medido ADV1 9/8 23:00 11/8 0:00 0,35 0,3 0,25 0,2 0,15 0,1 0,05 0 1/8 14:00 2/8 14:00 3/8 4/8 14:00 14:00 Tempo (dias) 5/8 14:00 6/8 7/8 14:00 14:05 Hs modelo 8/8 9/8 10/8 14:00 14:00 14:00 Hs medido ADV2 Figura 24: Aplicação do modelo de Hasselmann para cheia/2007. A Figura apresenta valores calculados de altura significativa de onda utilizando o modelo de Hasselmann e os dados medidos pelos três equipamentos na cheia do rio. Na figura superior está o AWAC, no meio o ADV1 e, na inferior o ADV2. O comportamento dos dados medidos é acompanhado satisfatoriamente pelo modelo. Mas para as ondas no canal (AWAC) as alturas são subestimadas. 58 É sabido que os modelos são usados para locais de ventos estáveis e, como foi demonstrado nos resultados, a região deste estudo é dinâmica e apresenta modificações diárias. Entretanto, mesmo com esta limitação os modelos indicaram uma íntima relação entre o comportamento da onda medida e a profundidade local (limitante), pois a superestimação do primeiro modelo foi devido à negligência da fricção com o fundo, bem como o fato do segundo apresentar valores de mesma grandeza que os medidos. Não se pode menosprezar outros fatores, uma vez que, esta relação não ocorre durante todo o período de medição. 5.2.2.2. RELAÇÃO VENTOS X ONDAS As Figuras 25 e 26 mostram a relação entre os ventos locais (direção e velocidade) e as ondas no canal (altura significativa). Nas séries temporais apresentadas, foi realizada uma média móvel das variáveis a cada três horas de medição. No inverno de 2006 (novembro/dezembro), há uma variação na direção dos ventos de leste (E) para norte/nordeste (NNE), e, quando o vento é de E, são encontradas as maiores alturas. É importante ressaltar que para este ano houve um maior período de incidência de ventos na direção E, como já foi visto, estes são os ventos mais intensos, que resultaram no maior pico de altura do registro: ~0,7 m. No caso de 2007 (verão), não há um padrão definido. A maior constância nos ventos de 2006, principalmente dos ventos de E, possibilitaram o desenvolvimento das ondas resultando em medidas de altura significativa maiores neste ano. 59 Seca 2006 8 7 0,8 6 5 0,6 4 0,4 3 2 0,2 Velocidade média (m/s) Altura significativa de onda (metros) 1,0 1 0,0 29/11 22:00 0 30/11 22:00 Tempo (dias) 01/12 22:00 02/12 22:00 03/12 22:00 04/12 22:00 Altura de onda (AWAC) 05/12 22:00 Velocidade do vento Cheia 2007 8 7 0,8 6 5 0,6 4 0,4 3 2 0,2 Velocidade média (m/s) Altura significativa de onda (m) 1,0 1 0,0 01/8 14:00 0 02/8 14:00 03/8 14:00 04/8 14:00 Tempo (dias) 05/8 14:00 06/8 14:00 07/8 14:05 08/8 14:00 Altura de onda (AWAC) Velocidade do vento Figura 25: Análise da altura significativa de onda com a velocidade média do vento. Na parte superior mostra o período de novembro e dezembro de 2006 e na inferior, de agosto de 2007. Picos de velocidades do vento em 2006 são acompanhados por picos de alturas significativas da onda. No entanto, em 2007 o comportamento não é nítido. Dados medidos no Canal. 60 1,0 360 315 270 225 180 135 90 45 0 0,8 0,6 0,4 0,2 0,0 29/11 22:00 30/11 22:00 01/12 22:00 02/12 22:00 03/12 22:00 04/12 22:00 Altura de onda (AWAC) Tempo (dias) Direção média (graus) Altura significativa de onda (m) Seca 2006 05/12 22:00 Direção do vento 1,0 360 315 0,8 270 225 0,6 180 0,4 135 90 0,2 45 0,0 0 01/8 14:00 02/8 14:00 03/8 14:00 04/8 14:00 05/8 14:00 Altura de onda (AWAC) Tempo (dias) 06/8 14:00 07/8 14:05 Direção do vento (graus) Altura significativa de onda (m) Cheia 2007 08/8 14:00 Direção do vento Figura 26: Análise da altura significativa de onda com a direção do vento. A parte superior apresenta o período de novembro e dezembro de 2006; e a inferior, de agosto de 2007. A variação cíclica na direção do vento em 2006 parece ser acompanhada pelo aumento na altura significativa de onda. Em 2007 não há constância nos ventos. Dados medidos no Canal 5.2.2.3. INTERAÇÃO DAS ONDAS NO CANAL COM AS CORRENTES DE MARÉ Na análise dos dados de período de pico das ondas percebe-se que as correntes de maré enchente foram mais intensas no período de seca do rio Amazonas, em 2006 (FIGURA 27) como descreveu Gallo (2009). Dados coletados no canal mostram que no período de cheia (2007), as correntes vazantes aumentam devido ao acréscimo de vazão fluvial. O sentido da corrente de maré interage com as ondas e altera o seu comportamento. Tal fato pode ser demonstrado ao relacionar o período da onda e a direção da corrente. Para os dois anos, à medida que a maré está vazando (valores negativos de corrente), o período de onda diminui e, quando a maré está enchendo, o 61 período aumenta. Esta variação ocorre a cada ciclo de maré, com intervalo entre 2,5 e 4 segundos. É interessante notar que para cada ciclo da maré o maior valor de período de pico de onda acompanha os maiores valores de velocidade da corrente de maré (positiva). Ou seja, quando o sentido da corrente de maré é o mesmo da onda se propagando em direção à margem do rio, o período aumenta e, quando o sentido é inverso, o período decai. Em 2007 o período de pico de onda permanece a maior parte do tempo com valores menores que os valores encontrados em 2006. Isto pode ser explicado pela menor intensidade do vento e menor duração na geração da onda, resultando em Período de pico X Corrente de maré - seca/2006 0,8 Enchente 6 0,6 0,4 5 0,2 4 0,0 3 -0,2 2 -0,4 1 -0,6 0 -0,8 29/11 12:00 01/12 12:00 Período de pico Tempo (dias) Período de pico da onda (s) 7 Vazante 05/12 12:00 03/12 12:00 07/12 12:00 Velocidade da corrente Período de pico x Corrente de maré - cheia/2007 0,8 Enchente 6 Velocidade da corrente de maré (m/s) Período de pico da onda (s) 7 Velocidade da corrente de maré (m/s) ondas mais curtas. 0,6 0,4 5 0,2 4 0,0 3 -0,2 2 -0,4 1 -0,6 0 1/8 12:00 Vazante 2/8 12:00 Tempo (dias) 3/8 12:00 4/8 12:00 5/8 12:00 Período de pico 6/8 12:00 -0,8 7/8 12:00 Velocidade da corrente Figura 27: Período de pico de onda x Corrente de Maré. A Figura superior representa o período durante a seca/2006 e a inferior, durante a cheia/2007. Fica exposto que os maiores valores de período de pico de onda são encontrados quando a maré é enchente, quando as duas forçantes possuem o mesmo sentido (onda e corrente de maré). 62 Embora se observe transformações da altura e do comprimento da onda durante a interação com a corrente na literatura não há registros de alteração no período. Quando se inicia o movimento da corrente, se o sentido de propagação da onda e da corrente for o mesmo, a onda que se movimentava sobre um fluido “parado” começará a se movimentar sobre um fluido em movimento e isso resultará na soma da velocidade da corrente com a velocidade da onda. Para compensar este ganho de velocidade o comprimento de onda aumentará e não haverá modificação no período (BROWN et. al, 1999; DE PINHO, 1996). Ambos os autores concordam que se a onda se propaga no sentido contrário à corrente, esta funcionará como uma barreira, “freando-a”. De modo a conservar o volume inicial, a onda tende a diminuir o seu comprimento e a aumentar a sua altura (BROWN et. al, 1999; DE PINHO, 1996). Deste modo, supõe-se que o período sofra alguma alteração, possivelmente decréscimo, como foi mostrado nos resultados deste estudo. Os trabalhos citados anteriormente consideram regiões de águas profundas onde as forçantes de águas intermediárias/rasas são ausentes. Em ambientes costeiros tais forçantes possuem um grande potencial modificador na propagação da onda podendo ser responsáveis pela alteração do período de pico de onda encontrada neste estudo. Uma relação nítida não foi observada no que se refere à influência das correntes nas alturas significativas das ondas (FIGURA 28). Durante a seca (2006), a média de altura significativa encontrada durante a maré enchente foi de 0,35m com máxima de 0,69 m; a média de altura significativa para a maré vazante foi de 0,26 m, com máxima de 0,56 m. Em 2007, a média de Hs para a enchente foi de 0,18 m e a máxima foi de 0,56 m; na maré vazante a média de Hs foi de 0,20m e a máxima de 0,63 m. Isto pode ser explicado pelo aumento da intensidade das correntes de vazante no canal. 63 0,8 Enchente 0,8 0,6 0,7 0,4 0,6 0,2 0,5 0,0 0,4 -0,2 0,3 -0,4 0,2 -0,6 0,1 Vazante 0 -0,8 Velocidade da corrente de maré (m/s) Altura significativa de onda (m) Altura Significativa x Corrente de maré - Seca/2006 0,9 29/11 16:48 30/11 16:48 1/12 16:48 2/12 16:48 3/12 16:48 4/12 16:48 5/12 16:48 6/12 16:48 7/12 16:48 Tempo (dias) Altura de onda (AWAC) Velocidade da corrente de maré Altura significativa de onda (m) 0,9 0,8 Enchente 0,8 0,6 0,7 0,4 0,6 0,2 0,5 0,0 0,4 -0,2 0,3 -0,4 0,2 0,1 -0,6 0,0 -0,8 1/8 09:36 2/8 09:36 3/8 09:36 4/8 09:36 5/8 09:36 6/8 09:36 7/8 09:36 8/8 09:36 Tempo (dias) Altura de onda (AWAC) Velocidade da corrente Figura 28: Altura significativa de onda x Corrente de Maré. A Figura superior se refere ao período de seca (2006) e a inferior ao período de cheia (2007). Não foi observada nenhuma relação nítida entre a variação da altura devido a alternação no sentido da corrente de maré, embora as maiores alturas no canal sejam encontradas em picos positivos de velocidade. Velocidade da corrente de maré (m/s) Altura Significativa x Corrente de maré - Cheia/2007 64 5.2.3. CARACTERIZAÇÃO DAS ONDAS NA PLANÍCIE DE MARÉ Pode ser observado, na Figura 29 e na Tabela 11, que as alturas de ondas mais frequentes estão entre 0.05-0.15m para os dois períodos (seca/2006 e cheia/2007). Entretanto, a distribuição de alturas é fortemente modal e cerca de 50% das ocorrências estão na classe de 0.1m (entre 0,075 e 0,125m). As maiores alturas foram registradas no ADV2 durante o período de seca do Rio indicando algum processo de crescimento. Para o período de cheia, as maiores alturas são encontradas no ADV1 indicando um processo de atenuação. Figura 29: Distribuição de altura significativa para o ADV1 (figura superior) e para o ADV2 (figura inferior). Na Figura superior (ADV1), as principais alturas encontradas para os dois anos são menores que 0,15m. Mas, para a cheia (2007), a distribuição apresenta-se modal na classe de 0,1m (alturas entre 0.075 e 0.125m). Já na figura inferior (ADV2), as maiores alturas são encontradas no período de seca do rio (2006), e, no período de cheia (2007), a maior parte do tempo as alturas são menores de 0.125m. 65 Tabela 11 Parâmetros estatísticos da altura significativa de onda na planície Mediana (m) Máxima Média (m) Desvio Padrão (m) ADV1 – 2006 ADV2 – 2006 ADV1 – 2007 ADV2 – 2007 0,09 0,16 0,10 0,06 0,21 0,37 0,27 0,23 Variância (m²) 0,10 0,05 0,003 0,16 0,05 0,002 0,11 0,04 0,001 0,07 0,04 0,002 A seguir é apresentada a relação entre altura significativa de onda e a profundidade na qual ela se encontra considerando todos os dados (medidos no canal e os medidos na planície), Esta relação é importante para a determinação das condições para que ocorra a quebra da onda (FIGURAS 30 e 31). Valores maiores que 0.7 indicam que ocorrerá a quebra da onda (KIM, 2003; LE HIR et al., 2000). Para os dois anos, todos os valores se encontram abaixo desta relação, ou seja, não ocorre a quebra da onda, mesmo para locais mais rasos da planície. Kim (2003) descreveu que a relação altura/profundidade encontrada no Mar Amarelo apresentava valor muito próximo à 0.7, maior que os encontrados neste estudo. Isto pode ter ocorrido, pois o ambiente estudado por Kim (2003) é suscetível às ondas de tempestade, as quais possuem maiores alturas. 66 Figura 30: Relação entre a altura significativa de onda e a profundidade local – seca/2006. Nesta figura estão as medidas dos três equipamentos para o período de seca do rio (2006). Todos os valores se encontram abaixo da razão de 0.7. Figura 31: Relação entre a altura significativa de onda e a profundidade local – cheia/2007. Nesta figura estão as medidas dos três equipamentos para o período de cheia do rio (2007). E, como encontrado no período de seca, todos os valores se encontram abaixo da razão de 0.7 67 5.2.4. PROPAGAÇÃO DE ONDAS NA PLANÍCIE DE MARÉ 5.2.4.1. EVOLUÇÃO DA ONDA Alguns processos podem ocorrer durante a propagação da onda, entre eles: o aumento da altura da onda e a atenuação. O aumento da altura pode ser devido ao empinamento da onda, à influência do vento ou outros fatores e ocorre quando estas forçantes se tornam dominantes sobre o processo de perda de energia para o atrito com o fundo. Por outro lado, a atenuação pode ser devido à perda de energia que a onda sofre por atrito com o fundo. • ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS DURANTE A SECA DO RIO AMAZONAS (DEZEMBRO/2006) Na Figura 32 são apresentadas as medições para os três equipamentos, durante o período medido. A Figura não mostra os dados medidos na planície em profundidades menores que 0,5 m, uma vez que o sensor ficava exposto durante o secamento da planície. A altura significativa máxima de onda encontrada foi de 0,8m e o padrão encontrado mostrou que no primeiro trecho a onda (AWAC – ADV1) perde energia e atenua. Isto pode ser observado na figura, pois na maior parte do tempo a Hs medida pelo AWAC é maior que a Hs medida pelo ADV1, enquanto que no segundo trecho (ADV1 – ADV2) observa-se o aumento da altura, tendo em vista que na maior parte do tempo a Hs medida pelo ADV1 é menor que a medida pelo ADV2. 68 Figura 32: Altura Significativa de onda durante a seca/2006. A altura significativa máxima é de 0,8m e, o padrão encontrado é que no primeiro trecho (do AWAC para o ADV1) a onda perde energia e atenua, enquanto que no segundo trecho (do ADV1 para o ADV2) o processo de dissipação de energia, devido à fricção, não é suficiente para atenuar a onda e o resultado é o aumento da altura. 69 O comportamento encontrado na figura acima pode ser corroborado quando calculamos a razão entre as Hs dos dois equipamentos. Para o primeiro trecho (AWAC até o ADV1, Figura 33 superior) pode ser observado que a razão ADV1/AWAC é sempre menor que 1, sob qualquer circunstância. Entretanto, para o segundo trecho (ADV1 até o ADV2, Figura 33 inferior) a maior parte dos dados esta razão está acima de 1, o que indica que Hs no segundo equipamento (neste caso, ADV2) é maior, em alguns casos até 7 vezes. Figura 33: Razão entre alturas significativas durante a seca/2006. Na Figura superior, a razão é entre a altura do ADV1 e do AWAC. Valores maiores que 1 remetem a alturas de ondas maiores no ADV1 que no AWAC e, valores menores que 1 indicam que a altura no AWAC é maior. A Figura inferior é a razão entre o ADV2 e o ADV. Valores maiores que 1 remetem à alturas de ondas maiores no ADV2 que no ADV1, e valores menores que 1 indicam que a altura no ADV1 é maior. No primeiro trecho, as ondas sempre atenuam, enquanto que no segundo trecho o crescimento da altura de onda é dominante. Deve-se ressaltar que o eixo y das duas figuras não é o mesmo. Para quantificar o acréscimo registrado na altura significativa de onda, foi confeccionada a Figura 34 que mostra o número de ocorrências (em porcentagem) para cada classe de diferença de altura significativa (também em porcentagem), retirando os valores espúrios (com profundidades menores que 0,5m) que somam aproximadamente 35% para o primeiro trecho (AWAC – ADV1) e 46% para o segundo 70 trecho (ADV1 – ADV2). Por exemplo, no primeiro trecho (em vermelho), 6% das ocorrências apresentam -90%, ou seja, 90% de atenuação (quando a diferença entre a altura significativa de onda do ADV1 e do AWAC resulta em valores negativos). Já para o segundo trecho, a primeira classe que aparece é a de -20%, ou seja, 0,5% das amostras possui a altura significativa de onda do ADV2 20% menor que a altura do ADV1. Isto posto, pode-se concluir que durante o período analisado as ondas sempre são atenuadas no primeiro trecho e, no segundo, apenas 2,7% das ondas sofrem atenuação. Porcentagem das Ocorrências (%) Diferença entre as Alturas Significativas - Seca/2006 25 20 15 10 5 0 Classe de Altura Significativa de onda (%) ADV1 -AWAC ADV2 - ADV1 Figura 34: Diferença entre as alturas significativas para os dois trechos durante a seca/2006. Em vermelho, é representado o primeiro trecho (do AWAC até o ADV1) e, em azul, o segundo trecho (do ADV2 até o ADV1). Classes de alturas negativas indicam que a onda foi atenuada; classes de alturas positivas indicam crescimento da altura significativa de onda. Por exemplo, no primeiro trecho 6% das ocorrências apresentam -90%, ou seja, 90% de atenuação (quando a diferença entre a altura significativa de onda do ADV1 e do AWAC resulta em valores negativos). No primeiro trecho todas as ondas são atenuadas sendo que mais do que 60% tem sua Hs decrescida para metade ou mais. No segundo trecho, a maior parte aumenta sua altura significativa (51% desses), 24% dobra ou mais de tamanho. Valores espúrios correspondem a 35% no primeiro trecho e 46% no segundo. 71 • ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS DURANTE A CHEIA DO RIO AMAZONAS ( AGOSTO/2007) No primeiro trecho, grande parte das ondas atenua entre o AWAC e o ADV1 (FIGURA 35). Entretanto, são observados casos em que ocorre crescimento da onda entre os dois sensores, o que não existe durante a seca do rio (melhor observado na Figura 36). Na evolução da onda do ADV1 para o ADV2 esta continua a perder energia e atenuar, como mostra a Figura 35, diferente do que foi encontrado no ano anterior, onde é observado um crescimento da onda na maior parte do tempo entre estes dois últimos sensores. Figura 35: Altura Significativa de onda durante a cheia/2007. A altura significativa máxima é um pouco maior que 0,6m, o padrão encontrado é de atenuação para os dois trechos, uma vez que, de um modo geral, a altura significativa de onda do AWAC é, na maior parte do tempo, maior que a do ADV1 e, por sua vez, a altura do ADV1 é, na maior parte do tempo, maior que a do ADV2. 72 Figura 36: Razão entre alturas significativas durante a cheia/2007. Na Figura superior, a razão é entre Hs do ADV1 e do AWAC. Valores maiores que 1 remetem a alturas de ondas maiores no ADV1 que no AWAC, e valores menores que 1 indicam que a altura no AWAC é maior. A Figura inferior é a razão entre o ADV2 e o ADV1. Valores maiores que 1 remetem a alturas de ondas maiores no ADV2 que no ADV1, e valores menores que 1 indicam que a altura no ADV1 é maior. De um modo geral, a maior parte das ondas atenua durante todo o trecho da planície estudada. Na Figura 37 pode ser observado o padrão da propagação nos dados de 2007 indicando que a onda atenua durante a maior parte do período analisado: ~67% das ocorrências para o primeiro trecho e 57% para o segundo trecho. Entretanto, eventos de crescimento no primeiro trecho são notados e a onda chega a aumentar em 70% o seu tamanho. Não foram constatados elevados valores de crescimento (de até 7 vezes a altura inicial) no segundo trecho, como ocorreu em 2006. Em 2007, no segundo trecho, a onda acresceu no máximo 60%. 73 Porcentagem das Ocorrências (%) Diferença entre as Alturas Significativas - Cheia/2007 25 20 15 10 5 0 Classe de Altura Significativa (%) ADV1 -AWAC ADV2 - ADV1 Figura 37: Diferença entre as alturas significativas para os dois trechos – cheia/2007. Em vermelho, é representado o primeiro trecho (do AWAC até o ADV1) e, em azul, o segundo trecho (do ADV2 até o ADV1). Classes de alturas negativas indicam que a onda atenuou; classes de alturas positivas indicam o crescimento da onda. Por exemplo, no primeiro trecho ~2% das ocorrências apresentam -80%, ou seja, 80% de atenuação. Na evolução da onda em 2007, o principal processo ocorrente é a atenuação, independentemente do trecho. Entretanto, o aumento da altura significativa de onda pode ocorrer nos dois trechos. Valores espúrios correspondem a 11,5% no primeiro trecho e 31,5% no segundo. Na Figura 38 é mostrado o comportamento das ondas entre os dois sensores sobre a planície, em função da altura significativa de onda registrada no canal (AWAC). Note que o processo de crescimento e de atenuação das ondas, nas medições de seca/2006 e cheia/2007 respectivamente, é mais acentuado para as ondas de menor altura significativa. 74 2006 seca 2007 cheia 700 (Hs ADV2-Hs ADV1)/Hs ADV1 600 500 400 300 200 100 0 -100 -200 0,0 0,2 0,4 0,6 0,8 1,0 Hs Awac (m) Figura 38: Relação entre comportamento da onda na planície e a onda no canal. Em vermelho estão as alturas registradas em 2006 e em azul as registradas em 2007. São encontrados maiores valores de crescimento em 2006 e que as ondas de menor tamanho (registradas pelo AWAC) são as que mais crescem. Para 2007 as ondas de menor tamanho atenuam mais. Visando explicar os processos de crescimento e decréscimo das alturas de ondas na planície são analisados quatro fatores: o empinamento (Shoalling), variações na profundidade (devido às oscilações de maré ou vazão fluvial), influência do vento ou a influência das correntes de maré. 5.2.4.2. EMPINAMENTO O empinamento é o processo pelo qual a onda, ao se propagar por águas mais rasas que sua formação, tem o seu comprimento decrescido e sua altura aumentada. Isto ocorre em locais com baixos valores de fricção ou declividades acentuadas, em que a dissipação é negligenciada. Para entender a influência do empinamento devido à diminuição da profundidade, inicialmente foi calculado o coeficiente de empinamento segundo a teoria linear: %= p & ∗q & ∗q Equação 20: Coeficiente de empinamento 75 Onde: &= ∗ + '>& ∗6∗ ∗6∗ Equação 21: h= profundidade local k= número de onda Assumindo que o período de onda é constante, o comprimento de onda (L) é calculado segundo a relação de dispersão de acordo com a teoria linear Assim, a Figura 39 mostra que entre o primeiro trecho (AWAC –ADV1), durante os dois períodos do estudo (seca/2006 e cheia/2007), para qualquer condição de maré, ocorrerá atenuação da onda, quando o coeficiente é menor que 1. A exceção é para ondas mais longas, com períodos maiores que 3,9s. Estas ondas correspondem a aproximadamente 8% (15 medições) das amostras em 2006 e 3,4% (8 medições) para o ano de 2007. Enquanto que, no segundo trecho (entre o ADV1 e ADV2), as ondas com períodos por volta de 3s aumentam de tamanho e as de 2,5s podem ou não aumentar de tamanho (encontram-se no limite). Novamente, as ondas mais longas aumentariam o seu tamanho. É interessante notar que no segundo trecho o processo de empinamento é ligeiramente maior na seca (aproximadamente 1%, para 2,5s e 3s). De uma forma geral, a onda não aumenta mais do que 10% do seu tamanho e não diminui mais que 15% para qualquer período de pico de onda ou profundidade local, considerados na análise. Portanto, espera-se que no primeiro trecho a onda sempre sofra dissipação e no segundo trecho haja algum empinamento, mais destacado para o ano de 2006. Possivelmente, isto ocorreu devido às menores profundidades durante o período de seca do rio. 76 Coeficiente de Empinamento 1,2 1,15 1,1 1,05 1 0,95 0,9 0,85 0,8 T=2,5s T= 3s T= 3,9s Período de Sizígia T=2,5s T= 3s T= 3,9s Período de Quadratura Trecho entre AWAC e ADV1 2006 Trecho entre ADV1 e ADV2 2006 Trecho entre AWAC e ADV1 2007 Trecho entre ADV1 e ADV2 2007 Figura 39: Coeficiente de empinamento. O coeficiente de empinamento quando maior que 1 indica que a altura significativa de onda aumentará; enquanto que valores menores que 1 indicam que a onda sofrerá o processo de atenuação. De um modo geral, a onda não aumenta mais que 10% do seu tamanho e não diminui mais que 15% para qualquer período de pico de onda ou profundidade local. E o empinamento ocorre mais acentuadamente em ondas com períodos maiores. O padrão acima descrito explica, para o período de seca do Rio (2006), o que foi encontrado nos dados, a diminuição da altura de onda no primeiro trecho e o aumento da altura de onda no segundo trecho. Porém, os valores encontrados de crescimento de onda na análise dos dados medidos são muito superiores aos obtidos a partir apenas do coeficiente de empinamento. Em 2007 para o primeiro trecho, o coeficiente de empinamento novamente explica como deve ser o comportamento de atenuação da onda, mas a quantificação encontrada nos dados é bem maior do que a descrita pelo coeficiente de empinamento. Portanto, outros fatores estão afetando o processo na propagação da onda nesta planície. 5.2.4.3. INFLUÊNCIA DOS VENTOS Durante o inverno quando ocorre o período de seca do rio Amazonas os ventos foram regulares em sua direção com velocidades máximas próximas a direção perpendicular à planície (linha tracejada indicada na Figura 40). As ondas geradas com maior altura significativa no AWAC, não crescem na planície em 2007 (cheia do Rio e ventos mais brandos) e, o fato de não haver uma direção bem definida resulta na ausência de crescimento da altura significativa de onda na planície. 77 Hs AWAC Direção do vento 8 7,5 7 6,5 6 5,5 5 4,5 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 350 300 250 200 150 100 50 0 -50 Direção do vento (graus) e (HsADV2 - HsADV1)*100/ADV1 Velocidade do vento (m/s) e Altura significativa de onda (m) Velocidade do vento (Hs ADV2 - HsADV1)*100/HsADV1 -100 29/11 30/11 1/12 2/12 3/12 4/12 5/12 6/12 7/12 Tempo (dias) Hs AWAC Direção do vento 8 7,5 7 6,5 6 5,5 5 4,5 4 3,5 3 2,5 2 1,5 1 0,5 0 350 300 250 200 150 100 50 0 Direção do vento (graus) e (HsADV2 - HsADV1)*100/ADV1 Velocidade do vento (m/s) e Altura significativa de onda (m) Velocidade do vento (Hs ADV2 - HsADV1)*100/HsADV1 -50 -100 1/8 2/8 3/8 4/8 5/8 6/8 7/8 8/8 Tempo (dias) Figura 40: Crescimento das ondas na planície x ventos. A figura acima indica os valores para o ano de 2006, durante a seca do Rio Amazonas, onde há regularidade na direção dos ventos e com ventos máximos próximos à direção perpendicular à costa (linha tracejada), o que possibilita o crescimento da onda na planície. No entanto, em 2007 (figura abaixo) durante o período de seca e verão, não há uma direção bem definida dos ventos o que não acarreta o crescimento da onda na planície. 78 Para avaliar a relação entre os ventos e evolução das ondas na planície foram confeccionadas as Figuras 41 e 42, onde são mostrados os valores da média da velocidade do vento, a profundidade local e a razão de alturas significativa de onda medidas pelos ADV2 e ADV1. Valores maiores que 1 desta razão indicam o crescimento da onda (quando a onda medida pelo ADV2 é maior que a medida pelo ADV1) e valores menores que 1 indicam atenuação (quando a onda medida pelo ADV2 é menor que a medida pelo ADV1). Para o ano de 2006, só ocorre o crescimento da onda e não há relação direta entre o aumento da velocidade do vento e um possível aumento de sua Hs. Visando a um melhor entendimento, foram separados quatro casos (A, B, C e D) definidos na Figura 39 conforme segue: • em A, o vento é mediano e constante, o nível da água é alto e o crescimento da onda é o maior do período medido neste ano; • em B, a velocidade do vento decai, o nível aumenta, e o crescimento é menor; • em C, a velocidade do vento é alta e constante, o nível decai e o crescimento é menor. • em D, a velocidade do vento decai, o nível aumenta e o crescimento é maior do que em C e D. Logo se percebe que como resultado do conjunto entre velocidade do vento alta e nível de água maior a onda aumenta a sua altura na planície mais facilmente. 79 Figura 41: Relação vento x profundidade local x razão entre Hs, durante a seca/2006. A Figura superior indica a média da velocidade do vento, o intermediário a profundidade local e o inferior a razão entre altura significativa do ADV2 sobre a altura significativa do ADV1 para o ano de 2006. Neste ano, só ocorre crescimento da altura significativa de onda e não há relação direta entre o aumento da velocidade do vento e um possível crescimento maior. Quatro casos foram definidos Na Figura A, B, C e D. 80 Na cheia do Rio (2007), o padrão de ventos é mais variável (FIGURA 42). Pôde ser observado que picos de ventos remetem ao crescimento da onda, sempre na preamar. Foram separados três casos (A, B e C) para serem avaliados separadamente: • em A, ocorre um pico do vento e este é acompanhado pelo aumento da altura de onda (o nível da água é alto); então, a velocidade do vento cessa e a onda volta a atenuar; • em B, a velocidade estava parcialmente constante em 4m/s; há um pico de aumento da altura significativa de onda , quando o nível é alto. O vento cessa, o nível da água decresce, mas a altura significativa de onda torna a aumentar • em C, a velocidade de vento é baixa, o nível da água é alto e a atenuação é notável. Figura 42: Relação vento x profundidade local x razão entre Hs, durante a cheia/2007. A Figura superior indica a média da velocidade do vento; o intermediário, a profundidade local, e o inferior a razão entre altura significativa do ADV2 sobre a altura significativa do ADV1, para o ano de 2007. Neste ano, ocorre tanto o crescimento como atenuação das ondas, os ventos são mais fracos e inconstantes. Nota-se uma relação indireta entre os picos de velocidade e a ocorrência de crescimento e três casos foram definidos Na Figura A, B e C. 81 5.2.4.4. VARIAÇÃO DO NÍVEL DA ÁGUA A profundidade na área de estudo varia segundo dois fatores: a maré, além das flutuações diárias, os maiores níveis são encontrados durante o período de sizígia e; a descarga fluvial, que causa o aumento e a diminuição do nível de água caracterizando o período de seca (2006) e cheia (2007). Durante a cheia do Rio são encontrados os maiores níveis de profundidade, mas diferenças pequenas entre as variações lunares que é devido ao amortecimento que a vazão fluvial causa na propagação da maré. Na tabela 12 são mostradas as médias das alturas para os períodos analisados. Tabela 12 Médias de Alturas Significativas 2006 Sizígia AWAC ADV1 ADV2 2007 Quadratura Sizígia Quadratura 0,37m 0,27m 0,20m 0,22m 0,10m 0,08m 0,10m 0,12m 0,17m 0,16m 0,07m 0,08m A relação entre a altura da onda e a profundidade local apresentou o mesmo padrão para a sizígia ou quadratura nos dois anos de medição, com alturas maiores no canal e no ano de 2006 (FIGURA 43). Em qualquer situação a relação entre altura e profundidade foi menor que 0.7. 82 Figura 43: Relação entre a profundidade e Hs para diferentes ciclos de maré. As duas figuras superiores se referem ao período de 2006 e os dois inferiores ao período de 2007. Em, 2006, é interessante notar que o ADV2 apresenta maior esbeltez (H/L) que o ADV1, este padrão é invertido em 2007. Considerando que a profundidade entre os dois ADVs varia muito pouco e este resultado é devido à maior altura significativa da onda no ADV2 em 2006 e no ADV1 em 2007. As análises a seguir mostram a relação entre a maré e a diferença entre as alturas significativas dos dois equipamentos, em porcentagem segundo a razão: %= '#8 '> ∗ '> Equação 22 Os subíndices f e i indicam os pontos final e inicial de cada trecho, respectivamente. Os dados foram separados por campanha (2006 e 2007) e por trecho (primeiro e segundo). No primeiro trecho Hsf corresponde à altura significativa medida pelo ADV1 e Hsi à altura significativa medida pelo AWAC. No segundo trecho Hsf corresponde à altura significativa medida pelo ADV2 e Hsi à altura significativa medida pelo ADV1. 83 • PERÍODO DE SECA DO RIO AMAZONAS (DEZEMBRO/2006) Os dados também foram separados em um período durante a maré de sizígia (4/12 07/12) e um período durante a maré de quadratura (01/12 -03/12). No primeiro trecho da planície, não há diferenciação entre o período de sizígia e de quadratura. Os maiores valores de atenuação ocorrem, geralmente, no período de maré enchente ou próximo à estofa (na Figura 44, B, C, E e G), enquanto que, os maiores valores de acréscimo da altura significativa de onda ocorrem, principalmente, na maré vazante com níveis menores de profundidade (Na Figura 44, A, D, F e H). Figura 44: Relação entre a variação da maré e diferença entre as alturas do ADV1 e do AWAC, para os ciclos de maré, 2006. As duas figuras superiores se referem ao período de sizígia de 2006 e os dois inferiores ao período de quadratura de 2006. Os maiores valores de atenuação ocorrem principalmente no período de maré enchente ou próximo à estofa (B, C, E e G), enquanto que, os maiores valores de aumento da altura significativa de onda ocorrem, geralmente, na maré vazante com níveis menores de profundidade (A, D, F e H). 84 No segundo trecho da planície, na sizígia, a onda sempre aumenta sua altura, mas este processo é maior quando o nível de água é menor, principalmente durante maré vazante (Figura 45 - A e C), mas pode ocorrer na maré enchente também (Figura 45 – B). Em contrapartida, o acréscimo da altura de onda é menor nos períodos de estofa da maré enchente, mesmo comportamento encontrado no primeiro trecho. Não há dados na estofa de maré vazante, pois o sensor ficava emerso. Na quadratura, os quatro maiores valores de aumento na altura significativa de onda foram encontrados durante níveis maiores de profundidade (Figura 45, D e E). Tal comportamento pode ter se invertido, em função do vento intenso e constante (ver Figura 10). Figura 45: Relação entre a variação da maré e diferença entre as alturas do ADV2 e do ADV1 para os ciclos de maré, 2006. As duas figuras superiores se referem ao período de sizígia de 2006 e os dois inferiores ao período de quadratura de 2006. Durante a sizígia, a onda sempre aumenta o seu tamanho, mas este processo é maior quando o nível de água é menor, principalmente na maré vazante (A e C). Em contrapartida, o acréscimo na altura significativa de onda é menor nos períodos de estofa da maré enchente. Não há dados na estofa de maré vazante, pois o sensor ficava emerso. Os maiores valores de aumento na altura significativa da onda na quadratura estão marcados pelas letras D e E. 85 • PERÍODO DE CHEIA DO RIO AMAZONAS ( AGOSTO/2007) Foram escolhidos um período de sizígia (do dia 02/08 ao dia 04/08) e um período (do dia 07/08 ao dia 10/08). No primeiro trecho, durante a maré de sizígia, a maior parte do tempo ocorre atenuação, mas quando há um acréscimo na altura significativa de onda este ocorre no período de maré vazante com o nível de água menor (Figura 46 - A, B e C). O mesmo padrão é encontrado no período de quadratura (Figura 46 - D e E). A exceção é um evento seguido do aumento na altura significativa da onda que ocorreu no dia 10/08 (Figura 46 - F) com a maré enchente e durante a estofa. Neste período, o vento estava intenso e constante, evento incomum para o mês de agosto, o que pode explicar o aumento da onda na planície independentemente da variação da maré. Figura 46: Relação entre a variação da maré e diferença entre as alturas do ADV1 e do AWAC, para os ciclos de maré, em 2007. As duas figuras superiores se referem ao período de sizígia de 2007 e os dois inferiores ao período de quadratura de 2007. Durante a maré de sizígia, a maior parte do tempo ocorre atenuação, mas quando há crescimento da altura significativa da onda este ocorre no período de maré vazante com o nível de água menor. O mesmo padrão é seguido na quadratura (A, B, C, D e E). 86 No segundo trecho, em2007, a atenuação é a principal transformação que a onda sofre. Deste modo, eventos de acréscimo na altura significativa de onda foram raros. Na época da sizígia estes eventos foram pouco expressivos e só ocorreram durante a maré vazante, principalmente, com níveis baixos (Figura 47 - A, B e C). Este padrão é seguido na quadratura (Figura 47 – E e F). A ocorrência de atenuação mais proeminente ocorre com os níveis mais altos de maré (FIGURA 47 - D e G). Figura 47: Relação entre a variação da maré e diferença entre as alturas do ADV2 e do ADV1, para os ciclos de maré, 2007. As duas figuras superiores se referem ao período de sizígia de 2007 e as duas inferiores ao período de quadratura de 2007. Durante a maré de sizígia, a maior parte do tempo ocorre atenuação, mas quando há o aumento da altura significativa de onda este ocorre no período de maré vazante com o nível de água menor. O mesmo padrão é seguido na quadratura (A, B, C, D e E). 87 As observações de altura significativa de onda no canal apresentam uma modulação cíclica em função das variações semidiurnas do nível d´água devidas a maré. As maiores ondas, independentemente do período lunar, do ano e do trecho, a onda tem a sua altura significativa acrescida no interior da planície quando o nível da água é menor. Isto indica que a fricção com o fundo não é suficiente para atenuar a onda. Comportamentos fora deste padrão, com aumento da altura de onda ocorrendo durante a maré cheia, podem ser explicados pela maior intensidade do vento e constância em sua direção. Os resultados até aqui apresentados corroboram com os encontrados por Kim (2003) para épocas de clima calmo quando ele descreve que a propagação da onda é dependente das variações do vento e do nível d´água. Um fator interessante é que a onda aumenta principalmente quando a maré está secando e, visando a entender esta relação o tópico seguinte foi inserido. 5.2.4.5. • INTERAÇÃO DA ONDA COM AS CORRENTES DE MARÉ PERÍODO DE SECA DO RIO AMAZONAS/2006 Ao se propagar pelo primeiro trecho da planície a onda é atenuada mais significativamente quando as correntes de maré estão enchendo, sendo que o pico de atenuação ocorre quando há o máximo de velocidade, independentemente se é vazante ou enchente (FIGURA 48). Mas, predominantemente, o mínimo de atenuação ocorre na maré vazante. No segundo trecho há de um modo geral apenas o aumento da altura significativa de onda, e o mesmo comportamento (maiores valores de aumento enquanto a maré é vazante) é notado mais timidamente, pois este trecho tem no nível seu principal fator modulador de transformação da onda. 88 Diferenças entre alturas (ADV1 - AWAC) Seca/2006 0,8 Enchente -10 0,6 -20 0,4 -30 -40 0,2 -50 0,0 -60 -0,2 -70 -0,4 -80 Velocidade da corrente de maré (m/s) Porcentagem (%) 0 -0,6 -90 Vazante -100 29/11 12:00 1/12 12:00 Tempo (dias) 3/12 12:00 -0,8 5/12 12:00 "ADV1 - AWAC" 7/12 12:00 Velocidade da corrente de maré Diferença entre alturas (ADV2 - ADV1) Seca/2006 700 0,8 600 0,6 500 0,4 400 0,2 300 0,0 200 -0,2 100 -0,4 0 -0,6 Vazante -100 29/11 12:00 1/12 12:00 Tempo (dias) 3/12 12:00 ADV2 - ADV1 Velocidade da corrente de maré (m/s) Porcentagem (%) Enchente -0,8 5/12 12:00 7/12 12:00 Velocidade da corrente de maré Figura 48: Propagação de onda x Corrente de Maré, durante a seca do rio (2006). A Figura superior se refere à diferença entre as alturas significativas do ADV1 e do AWAC. Valores positivos indicam crescimento da onda (altura no ADV1 maior que no AWAC); valores negativos indicam atenuação da onda (altura no AWAC maior que no ADV1). A Figura se refere à diferença entre as alturas significativas do ADV2 e do ADV1, em porcentagem. O eixo y das duas figuras é diferente. No superior, há apenas atenuação da onda e, Na Figura inferior, o processo principal é o crescimento. De forma geral, durante as correntes de maré vazante a onda é menos atenuada. 89 Nota-se na Figura 49 que a diferença entre a altura significativa do ADV2 e a altura significativa do ADV1 é maior quando o nivel da maré é positivo, ou seja, há o crescimento da onda. Isto indica que além do crescimento da onda ocorrer durante as correntes de maré vazante este ocorre, principalmente com o nivel positivo, ou seja, o nivel da maré funciona como fator modulador para o crescimento da onda. Seca 2006 2,0 10,0 8,0 1,5 Maré e Hs (m) 1,0 4,0 2,0 0,5 0,0 0,0 -2,0 -4,0 -0,5 -6,0 -1,0 -8,0 -1,5 -10,0 30/11 00:00 1/12 00:00 2/12 00:00 3/12 00:00 4/12 00:00 5/12 00:00 6/12 00:00 7/12 00:00 8/12 00:00 Tempo (dias) Hs AWAC Maré rel Hs Figura 49: Nível da maré x Propagação de onda durante a seca do rio (2006). Na Figura “rel Hs” é a relação entre as alturas significativas de onda do ADV2 e do ADV1 segundo a relação: (Hs ADV2 – Hs ADV1)/Hs ADV1; “maré” indica o nível da maré (linha tracejada) e; “Hs” é a altura significativa de onda no canal. A figura mostra que o crescimento da onda na planície é maior quando o nível da maré é positivo. • PERÍODO DE CHEIA DO RIO AMAZONAS/2007 O principal comportamento da propagação da onda sobre a planicíe durante a cheia do rio é de atenuação e, com poucas exceções, ocorre aumento da altura significativa de onda durante o período de maré vazante (FIGURA 50). Os picos de atenuação são predominantemente encontrados durante o máximo de maré enchente. Assim como no ano anterior, a transformação da onda no segundo trecho parece acompanhar o nível da água. Para tentar entender como o nível da água influencia na propagação da onda foi confeccionada a Figura 51, esta nos indica que o crescimento da onda na planície ocorre geralmente quando o nivel é positivo, assim como ocorre durante a seca do rio do ano anterior. (Hs ADV2 - Hs ADV1)/ Hs ADV1 6,0 90 Porcentagem (%) 200 Enchente 1,8 150 1,4 100 1,0 0,6 50 0,2 0 -0,2 -50 -0,6 -100 -1,0 -150 Vazante -200 -1,4 -1,8 1/8 13:55 2/8 13:55 Tempo (dias) 3/8 13:55 4/8 13:55 5/8 13:55 ADV1 - AWAC 6/8 13:55 7/8 13:55 8/8 13:55 Velocidade da corrente de maré (m/s) Diferença entre alturas significativas - (ADV1 - AWAC) Cheia/2007 Velocidade da corrente Diferença entre alturas significativas - (ADV2- ADV1 ) Cheia/2007 1,8 80 Enchente Porcentagem (%) 60 1,0 40 0,6 20 0,2 0 -0,2 -20 -0,6 -40 -1,0 -60 -80 Vazante -100 1/8 13:55 2/8 13:55 3/8 13:55 4/8 13:55 5/8 13:55 6/8 13:55 7/8 13:55 8/8 13:55 Tempo (dias) 1,4 ADV2 - ADV1 -1,4 -1,8 Velocidade da corrente de maré (m/s) 100 Velocidade da corrente Figura 50: Propagação de onda x Corrente de Maré durante a cheia do rio (2007). A Figura superior se refere à diferença entre as alturas significativas do ADV1 e do AWAC. Valores positivos indicam crescimento da onda (altura no ADV1 maior que no AWAC); valores negativos indicam atenuação da onda (altura no AWAC maior que no ADV1). A Figura inferior se refere à diferença entre as alturas significativas do ADV2 e do ADV1, em porcentagem. O eixo y das duas figuras é diferente. Nos dois trechos na maior parte do tempo ocorre atenuação e os pontos onde há crescimento da altura significativa de onda são, principalmente, durante a maré vazante. 91 Cheia / 2007 2,0 10 6 Maré(m) - Hs AWAC (m) 1,0 4 2 0,5 0 0,0 -2 -4 -0,5 -6 -1,0 -8 -1,5 1/8 00:00 (Hs ADV2 - Hs ADV1)/ Hs ADV1 8 1,5 -10 2/8 00:00 3/8 00:00 4/8 00:00 5/8 00:00 6/8 00:00 7/8 00:00 8/8 00:00 9/8 00:00 Tempo (dias) Hs AWAC Maré rel Hs Figura 51: Nível da maré x Propagação de onda durante a cheia do rio (2007). Na Figura “rel Hs” é a relação entre as alturas significativas de onda do ADV2 e do ADV1 segundo a relação: (Hs ADV2 – Hs ADV1)/Hs ADV1; “maré” indica o nível da maré (linha tracejada) e; “Hs” é a altura significativa de onda no canal. É interessante notar que o nível funciona como fator modulador para o crescimento da onda e que, quando a altura significativa de onda no canal é maior esta onda se propaga de tal forma que há crescimento na planície. 92 6. CONCLUSÃO As ondas adjacentes à planície de maré do rio Amazonas, próxima à cidade de Macapá (AP), podem ser classificadas como ondas curtas (períodos da ordem de 3 segundos), geradas por ventos locais e de águas intermediárias. A direção de propagação da onda é alterada pela presença do muro de contenção na margem do Rio e pela presença do pier de captação de água a norte das medições. As ondas interagem e são refletidas por estas construções resultando em uma direção predominante de SW. As maiores alturas foram encontradas no inverno durante o período de seca do Rio (meses de novembro e dezembro). As ondas no interior da planície não quebram, pois sua relação altura/profundidade é menor que o limite teórico de 0,7. Durante a sua propagação, a onda é influenciada por diferentes fatores, apresentando crescimento e atenuação. Na análise do primeiro trecho da planície (canal-planície inferior) a onda sempre sofre atenuação uma vez que o empinamento e o input do vento não são suficientes para suprir a perda pela fricção com o fundo. Entretanto, no segundo trecho (planície superior) não houve um padrão a ser seguido nos dois anos de estudo. O empinamento explica apenas o comportamento da onda durante sua propagação, mas não a quantificação. E, simplesmente o aumento na intensidade no vento não acarreta diretamente no aumento na altura significativa de onda na planície. Os principais fatores que podem ser responsáveis pela transformação da onda nesta planície são: a variação do nível da água e as correntes de maré, além da influência dos ventos. Na planície, o processo de atenuação ocorre durante a maré enchente. Picos de ventos podem estar associados ao aumento da altura significativa de onda, entretanto, apenas durante a preamar. O processo de crescimento da onda é mais atuante, durante o período de seca do rio Amazonas e, está associado às correntes de maré vazante, neste caso, a fricção com o fundo não seria suficiente para atenuar a onda. A transformação da onda parece acompanhar o nível da água. A interação onda – corrente não é apenas sentida no acréscimo/diminuição da altura, pois alterações no período de pico de onda também foram encontradas. Quando o sentido é o mesmo, inicialmente, o período de onda aumentará. Para o sentido contrário a corrente de maré é uma barreira à propagação da onda, resultando no decréscimo do período de onda. 93 Portanto, a maré através das variações do nível d´água e o sentido de alagamento/secamento da planície pode ser considerada como um agente modulador na transformação da onda sendo o vento a forçante geradora na planície. 94 7. REFERÊNCIAS ANA. Agência Nacional de Águas. Disponível em: http<www.ana.gov.br>. Acesso em: 2011. BROWN, E. et al. Waves, Tides and Shallow-water Processes. 2ed. England: Butterworth-Heinemann. 227p.,1999. CARNIELLO, L; D´ALPAOS, A.; DEFINA, A. Modeling Wind waves and tidal flows in shallow micro-tidal basins. “Estuarine, Coastal and Shelf Science”.v.92, pp.263 – 276, 2011. CARTER, R.W.C., Coastal environments, London: Academic Press. 617p. 1988 CERC; Coastal Engineering Research Center. Shore Protection Manual. US Army Corps of Engineers, 1984. DALRYMPLE, R. W.; YANG, B. C.; CHUN, S. S. Sedimentation on a wave-dominated, open-coast tidal flat, south-western Korea: summer tidal flat – winter shoreface – reply. “Sedimentology”. v.53, pp 693–696, 2006. DEAN, R.G.; DARLYMPLE, R.A. Water wave mechanics for engineers and scientists. 2 ed. Singapore: World Scientific. pp.72,1991. DE PINHO, U.F. Fundamentos de interação onda–corrente. Monografia, Universidade Estadual do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1996. FAN et al. Cross-shore variations in morphodynamic processes of an open-coast mudflat in the Changjiang Delta, China: With an emphasis on storm impacts. “Continental Shelf Research”. V.26, pp.517–538, 2006. FISCH, C.I. Caracterização do Clima de Ondas na Costa no Ceará. Dissertação (Mestrado em Engenharia Oceânica) – Programa de Pós-Graduação de Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2008. FONTES, C.R.F. Estudo numérico da circulação na Plataforma Continental Amazônica. Tese de Doutorado , Universidade Federal de São Paulo, São Paulo, 2000. GABIOUX, M. Tidal Propagation over fluid mud layers on the Amazon shelf. “Continental Shelf Research”, v.25, pp.113-125, 2005. GALLO, M.N.A Influência da Vazão Fluvial sobre a Propagação da Maré no Estuário do Rio Amazonas. Dissertação (Mestrado em Engenharia Oceânica) – Programa de 95 Pós-Graduação de Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2004. GALLO, M. N.; VINZON, S. B. Generation of overtides and compound tides in Amazon estuary. “Ocean Dynamics”, v.55 (5-6), pp.441-448, 2005. GALLO,M.N. Escoamentos em planícies de marés com influência fluvial – Canal Norte do Rio Amazonas. Tese (Doutorado em Engenharia Oceânica) – Programa de PósGraduação de Engenharia, Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, 2009. GODIN, G. The Propagation of tides up Rivers with special considerations on the Upper Saint Lawrence River. “Estuarine, Coastal and Shelf Science”. v.48, pp.307-324, 1999. GOOGLE EARTH. Disponível em: http<www.maps.google.com>. Acesso em: mar, 2011. GOVERNO DO ESTADO DO AMAPÁ. Clima. Disponível <http://www4.ap.gov.br/Portal_Gea/Perfil/dadosestado-perf-clima.htm>. Acesso em: em: jan, 2011. HERMAN, A.; KAISER, R.; NIEMEYER, H.D. Wind-wave variability in a shallow tidal sea – Spectral modeling combined with neural network methods. Coastal Engineering v.56, pp.759 – 772, 2009. HOLTHUIJSEN, L.H. Waves in Oceanic and Coastal Waters. 1 ed. New York: Cambridge University Press. 379p. 2007. KIM, B.O. Tidal modulation of storm waves on a macrotidal flat in the Yellow Sea. “Estuarine and Coastal and Shelf Science”. v.57,pp.411–420, 2003. LE HIR, P. et al. Characterization of intertidal flat hydrodynamics. “Continental Shelf Research”.v.20, pp.1433 – 1459, 2000. LEEDER, M.R. Sedimentology. 4ed. Londres, Inglaterra: Chapman & Hall, 344p.1994. MEADE, R.H.; DUNNE,T.;RICHEY,J.E.; SANTOS, U.DE M.;SALATI. Storage and remobilization of suspended sediment in the lower Amazon River of Brazil. “Science”. v.228, pp.480-499,1985. NICHOLS, G. Processes of transport and sedimentary structures. In: ___. Sedimentology and Stratigraphy. Ireland: Blackwell Publishing, cap. 3, pp.37-57, 1999. NITTROUER, C. DEMASTER, D., FIGUEIREDO, A.G., RINE, J.M., AmasSedS: An Interdisciplinary Investigation of a Complex coastal Enviroment. “Oceanography”.1991. 96 NORTEK AS. Nortek Brasil. Disponível em:<http://www.nortekbrasil.com.br>. Acesso em: ago, 2010. PIATAM OCEANO. Processos físicos na plataforma continental amazônica. Rio de Janeiro, 2008. POND, S.; PICKARD,G.L. Introductory Dynamical Oceanography. 2 ed. England: Butterworth-Heinemann.321p.,1989. PUGH, D.T. Tides, Surges and Mean Sea Level. John Wiley & Sons. 472p., 1987. QUARESMA, V.S. Aula Introdução. 2007. RUSU,L., BERNARDINO, M., GUEDES SOARES,C. Modelling the influence of currents on wave propagation at the entrance of the Tagus estuary. “Ocean Engineering”, 2011. SHEREMET, A.; STONE, G.W. Observations of nearshore wave dissipation over muddy sea beds. “Journal of Geophysical Research”, 2003. SONTEK. Sontek . Disponível em: <http://www.sontek.com >, Acesso em: ago,2010. VAREJÃO-SILVA, M.A. Meteorologia e Climatologia. Versão Digital 2. Recife, 2006. WELLS, J.T.; KEMP,G.P. Interation of surface waves and cohesive sediments: field observations and geologic significance. In: A.J. Mehta (Editor), “Estuarine Cohesive Sediment Dynamics, Series on Coastal and Estuarine Studies” New York: SpringerVerlag, pp.775-788, 1986. WHITEHOUSE, R. J. S., BASSOULLET, P., DYER, K. R., MITCHENER, H. J., ROBERTS, W. & WALLIN H. R. The influence of bedforms on flow and sediment transport over intertidal mudflats., Continental Shelf Research. v.20, pp.1099-1124, 2000.