XV ENCONTRO DE CIÊNCIAS SOCIAIS DO
NORTE E NORDESTE e PRÉ-ALAS BRASIL.
04 a 07 de setembro de 2012, UFPI, Teresina-PI
GT20 - Políticas Públicas, Governo e Desenvolvimento
EXPANSÃO IMOBILIÁRIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE A VULNERABILIDADE
AMBIENTAL-URBANA DE GUARAMIRANGA-CEARÁ
Ricardo Cesar de Oliveira Borges
Universidade Estadual do Ceará (UECE) / Faculdade Cearense (FAC)
[email protected] / [email protected]
Daniel Rodrigues de Carvalho Pinheiro
Universidade Estadual do Ceará (UECE) / Universidade de Fortaleza (UNIFOR)
[email protected] / [email protected]
Karla Monise de Souza Silva
Universidade Estadual do Ceará (UECE)
[email protected]
2
EXPANSÃO IMOBILIÁRIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE A VULNERABILIDADE
AMBIENTAL-URBANA DE GUARAMIRANGA-CEARÁ1
BUILDING EXPANSION: CONSIDERATION OF THE VULNERABILITY OF URBAN
ENVIRONMENTAL-GUARAMIRANGA-CEARÁ
Ricardo Cesar de Oliveira Borges
Daniel Rodrigues de Carvalho Pinheiro
Karla Monise de Souza Silva
Resumo
Quais os sinais de insustentabilidade do sistema ambiental-urbano (MENDONÇA,
2004) relacionados à expansão imobiliária de Guaramiranga? Com essa pergunta, o
artigo possui o objetivo de apresentar a carga de uso e ocupação com turismo de
vilegiatura em Guaramiranga uma vez que os preços médios dos lotes e residências
estão muito acima do poder de compra dos locais. Metodologicamente, utilizou-se
da pesquisa com natureza qualitativa e de tipologias bibliografia, descritiva e
exploratória, por meio de investigação na internet, observação de campo e
entrevistas com as pessoas do município. Como resultados preliminares, pode-se
atestar duplex ou tríplex a venda ou já vendidos na planta e sem a realização do
início das obras sobre as encostas da cidade. A especulação imobiliária desenfreada
pode ocasionar a inviabilidade e a insustentabilidade da Área de Proteção Ambiental
de Baturité-Ceará.
Palavras-chaves
Sustentabilidade, Desenvolvimento Local, Turismo, Vilegiatura e Área de Proteção
Ambiental.
Abstract
What are the signs of unsustainability of urban-environmental system (MENDONÇA,
2004) related to the expansion of real estate Guaramiranga? With this question, the
article has the objective of presenting the charge for use and occupation in tourism
vacation areas in Guaramiranga since the average prices of lots and homes are well
above the purchasing power of local. Methodologically, we used the qualitative
research literature and typologies, descriptive and exploratory research through the
Internet, field observation and interviews with people in the city. As preliminary
results, we can attest to duplex or triplex for sale or already sold the plant and without
performing the start of work on the slopes of the city. The rampant speculation can
lead to infeasibility and the unsustainability of the Environmental Protection Area
Baturité-Ceará
Key words
Sustainability, Local Development, Tourism, vacation areas and Environmental
Protection Area
1
Colaboram com o artigo os Professores Doutor Everaldo Santos Melazzo (Economista e Doutor em Geografia.
Professor do Programa de Pós-Graduação em Geografia da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UNESP em
Presidente Prudente – SP) e Doutor Paulo Henrique Lima de Oliveira (Sociólogo e Doutor em Geografia.
Professor do Curso de Bacharelado em Administração da Faculdade Cearense em Fortaleza, Ceará).
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Introdução
O mundo conta atualmente com mais de sete bilhões de habitantes.
Fatores básicos como comida, transporte, moradia, saúde, trabalho, enquanto
necessidades; e tecnologia, por exemplo, que já fazem parte das ações públicoprivadas, serão ainda mais exigidos pelas pessoas mesmo sabendo que se não
atende a todas as demandas hodiernas. A mutação social, percebida ao longo da
história, configura-se e se reconfigura em novas formas de organização e valores
criados, conservados e destruídos em um processo vivido para a sustentação da
existência humana (HELLER, 2004). Agnes Heller, nascida em Budapeste e
professora da New School for Social Research (Nova Iorque-EUA), acrescenta, a
Condução da vida não significa abolição da hierarquia espontânea da
cotidianidade, mas tão somente que a muda coexistência da particularidade
e da generalidade é substituída pela relação consciente do indivíduo como
humano-genérico (...) A condução da vida só pode converter-se em
possibilidade social universal quando for abolida a superação a alienação.
Mas não é impossível empenhar-se na condução da vida enquanto as
condições gerais econômicas e sociais ainda favorecem a alienação
(DIERCKS, 2004, P. 52 apud MESQUISTA, 1995).
Novas formas de pensar e agir, bem como estratégias de sobrevivência,
devem permear as mentes e saberes, bem como ações e decisões, dos que
discutem e centralizam seus estudos e pesquisas, sobre a população, o território, a
dinâmica social e a estrutura espacial, por exemplo. Fatores econômico-comerciais,
em prol de um pseudodesenvolvimento, não podem caminhar dissociados da
manutenção da espécie e o elemento da sustentabilidade, na sua forma mais ampla,
pode e deve conviver cotidianamente com o crescimento local e global. Investimento
em qualificação técnica e pessoal não deve ser obstáculo para essas novas formas
de pensar uma vez que, diante da realidade japonesa, o país ocupa a segunda
colação em desenvolvimento mundial com pouco mais de meio século após a
segunda grande guerra.
Configurar-se e se configurar após as novas formas de pensar e agir
independe do setor onde se atua na economia urbana. Algumas ações e/ou
estratégias estão inerentes ao setor imobiliário. Especialmente, percebe-se a
evolução da indústria da moradia nas três últimas décadas, principalmente, em
relação a uma vertiginosa rede e estrutura vertical, nem sempre respeitando os
limites legais, sociais e ambientais, por exemplo, vigentes. Identificar e/ou antecipar-
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se aos seus efeitos, urge, motivado pela sustentabilidade frente ao capital
avassalador, glocal e excludente, que não mede esforços para expandir-se.
Expansão igualmente percebe-se no Ceará, como um dos destinos
turísticos mais procurados no país. Motivações não faltam, entre as belezas
naturais, a arte e cultura, as mais variadas tipologias de fauna e flora, distintas
modalidades de clima a poucos quilômetros de distância, culinária, população e
equipamentos de entretenimento, entre outros, são atrativos mais do que
convidativos para se conhecer e, quem sabe, morar por aqui. Entre eles, as regiões
rurais e serranas, em especial, são lugares de refúgio e aconchego da conhecida
badalação das regiões litorâneas. Nessas, o local e o turista coabitam entorno de um
ambiente natural e protegido por lei, em alguns casos, como a Área de Proteção
Ambiental (APA) localizada no Maciço de Baturité, região norte do estado.
Este trabalho possui como objetivo problematizar sobre o setor imobiliário,
notadamente, na região serrana de Guaramiranga, Ceará, a 104 quilômetros da
capital Fortaleza, e os efeitos provenientes do turismo. Metodologicamente, utilizouse da pesquisa com natureza qualitativa e de tipologias bibliografia, descritiva e
exploratória, por meio de investigação na internet, observação de campo e
entrevistas com as pessoas do município. Cinco atividades in loco foram realizadas
ao objeto de estudo entre os meses de setembro de 2011 a maio de 2012 e,
oportunamente, serão relatadas as
considerações sobre a vulnerabilidade
ambiental-urbana de Guaramiranga para propor as considerações finais desta
investigação.
Setor imobiliário brasileiro: contextualização mundial e breves inferências
locais
Há uma crise econômica mundial que afeta países como Estados Unidos
e diversos outros na Europa. O desdobramento da falência de um tradicional banco
estadunidense de investimento, Lehman Brothers, fundado na metade do século
XIX, provocou um efeito em cadeia que resultou na perda bilionária de dólares de
grandes instituições financeiras como as norteamericanas Citigroup e Merrill Lynch,
a inglesa Northrn Rock, as suíças Swiss Re e UBS e a francesa Société Générale.
No bloco europeu, a situação se repete. Elevado endividamento público,
notadamente em países como Portugal, Irlanda, Grécia, Espanha e Itália, bem como
ausência de coordenação política para sanar inquietações do bloco provocam uma
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série de conseqüências: ausência de crédito, taxa elevada de desemprego,
transferência de capitais de investidores, insatisfação popular com medidas para
conter os gastos e queda ou baixo crescimento do Produto Interno Bruto (PIB).
A dívida pública desses cinco países é de 3,3 trilhões de euros, mais do que
o PIB da Alemanha. Somente o Banco Central Europeu (BCE) teria
capacidade de acalmar os mercados, garantindo a compra ilimitada de
títulos públicos da zona do euro. Os alemães resistem a isso com bons
argumentos. Transformar o BCE em emprestador de última instância para
governo, dizem, violaria os tratados. Minaria a independência do banco e
sua capacidade de preservar a estabilidade da moeda. Desapareceria a
pressão para realizar as reformas de que aqueles países precisam para pôr
em ordem as finanças e restaurar a competitividade. As emissões de moeda
provocariam inflação, que os alemães abominam. O presidente do BCE,
Mario Draghi, tem repetido esses argumentos (NÓBREGA, 2012, s/p).
Não obstante, os impactos da crise mundial não foram percebidos com a
mesma intensidade na realidade brasileira, salvo os anúncios da Sadia, Aracruz
Celulose e Votorantim, por exemplo. Segundo o Economista e Estrategista em
Investimentos, Ricardo Amorim, Presidente da Ricam Consultoria, não há
preocupação do Brasil frente ao atual desafio econômico mundial, principalmente
quando se refere ao setor imobiliário.
Nós não temos bolha. Pode ser que haja a formação de uma bolha ao longo
dos próximos anos, mas, hoje, não temos uma, apesar da alta recente dos
preços. Como ainda há muito espaço tanto para aumentar a quantidade de
crédito quanto para reduzir a taxa de juro, estamos muito longe de uma
bolha imobiliária no país (ZERO HORA, 2011, p. 3)
Essa afirmação é corroborada por Paulo Queiroz (2012, s/p), sócio da
Portfólio Asset, gestora de fundos de investimento dirigidos à área imobiliária,
conforme sítio eletrônico da empresa. O economista destaca que o mercado
brasileiro encontrasse blindado para a formação da bolha motivado por três razões
principais. A primeira, há critérios técnicos para a concessão de crédito imobiliário,
por exemplo, como o limite de 30% da renda familiar do financiado. O segundo, é
que o percentual de 5% do PIB é considerado pequeno em relação ao volume de
crédito imobiliário em relação ao PIB e, por fim, a elevada taxa real de juros.
Contudo, Amorim, revela cautela sobre os investimentos em imóveis
atualmente motivado por experiência anterior:
Uma coisa importante é sempre olhar cada investimento em particular,
porque quando a gente generaliza há boas e más oportunidades. Como
investimento, ainda haverá oportunidades ao longo dos próximos anos, seja
na parte de fundos imobiliários, seja na parte dos próprios imóveis. E até
das ações das empresas do setor de construção. Mas, neste momento, eu
não recomendaria as ações. A razão é que eu tenho uma preocupação com
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uma piora grande da crise da Europa, e isso vai ter um impacto negativo
nas bolsas em todo o mundo, mais ou menos como aconteceu no final de
2008 (ZERO HORA, 2011, p. 3).
Consonante aos preços crescentes do setor imobiliário, remete-se à figura
da presença de pelo menos dois capitais presentes em um mesmo mercado: o
Capital Imobiliário e o próprio Capital Incorporador. O primeiro possui uma imperiosa
necessidade de ser estudado, uma vez que o atual modelo torna-se, cada vez mais,
insustentável no processo de interpretação de das cidades. A maneira como este
mercado está funcionando instiga e oportuniza debates para uma nova economia
urbana (ABRAMO, 2007). Até porque, a atuais políticas públicas dos órgãos de
financiamento imobiliário privilegiam habitações para a população de baixa renda
objetivando combater a exclusão territorial e o aumento dos assentamentos nãoformais (ABRAMO, 2003).
O segundo, por sua vez, maestro do Capital Imobiliário, com seus
agentes diferenciados, a citar o estado, os movimentos sociais e os proprietários de
terra, se organizam em um circuito que tem hierarquia e dimensão espacial clara.
Portanto, ele assume o comando do processo de transformação do ambiente
constituído do urbano, envolvendo a compra de terrenos dos proprietários de terra, a
contratação de especialistas e consultores, a utilização de escritórios especializados
de projetos e planejamento, a construtora propriamente dita enquanto agente da
construção civil e a admissão de uma administradora de imóveis, responsável pelo
lançamento e comercialização do empreendimento.
Nesse sentido, a ação agregadora e dissociadora do Capital Incorporador
gera uma dinâmica espacial que “impacta na estrutura residencial, desconstruindo e
reconstruindo-a continuamente em sua busca de valorização. Nesse processo,
surgem novas áreas residenciais de atuação dos incorporadores, ratificam-se outras
e excluem-se as demais áreas da cidade” (SILVA, 1996). Não obstante, nem todos
os ocupantes do mercado imobiliário informal são pessoas de baixa renda.
Corroborando, Smolka (2003) atesta que, no Brasil, o número total de moradores de
favela é cinco vezes maior do que a taxa de moradores pobres; tendência percebida
nas grandes cidades latino-americanas.
Esse Capital Incorporador possui, por fim, um movimento de vaivém, que
também é percebido por Campos (1988) que atesta que esse movimento de
valorização imobiliária é a própria mobilidade da estrutura intra-urbana. Essa
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mobilidade existe porque há concorrência espacial, no sentido de que fica no local
quem pode pagar por ele, fazendo com que o preço seja o grande determinante da
lógica incorporadora, não obstante o olhar mais atento ao campo apresentar uma
seletividade maior que o movimento de vaivém.
Quando
se
reporta
à
comercialização
e
ao
financiamento
do
empreendimento, tem-se a ideia clara da evolução da disponibilidade de crédito no
mercado imobiliário do Brasil. Conforme Bridi (2007), essa disponibilidade encontrase em franca expansão, partindo dos R$2,2 bilhões concedidos por bancos
comerciais em 2003 para R$9,5 bilhões em 2006. Em uma proporção menor
referente a quantidade de empreendimentos, todavia, com um volume maior de
recursos, a Caixa Econômica Federal saltou, em 2003, do montante de R$4,5
bilhões para o valor de R$14 bilhões no mesmo período.
Mesmo com toda essa disponibilidade, o déficit habitacional brasileiro, em
relação a quantidade de unidades de moradia, ainda é alto (PNAD, 2008)
ultrapassando o montante de 5,5 milhões de moradias. No Nordeste, com o segundo
maior déficit, atrás apenas da região Sudeste que concentra 36,9% daquele
quantitativo, esse número pode chegar a quase dois milhões de moradias ou 35,1%.
O Ceará, com ausência de 276.915 moradias, encontra-se em terceiro lugar, tendo
Bahia e Maranhão como primeiro e segundo lugares, respectivamente com um
déficit habitacional de 490.612 e 434.750.
Estima-se, verdadeiramente, que tais números dobraram do seu valor nas
últimas duas décadas (BRIDI, 2007). Uma das inferências a ser realizadas é o
próprio aumento da população, resgatando o início do texto. Ainda assim, não é fácil
entender um mercado tão dinâmico e tão complexo, visto que se pode chegar a
conclusões imprecisas. Mais do que isso, não se pode estabelecer uma totalidade
sem resguardar as regionalidades de um país continental, sob pena de gerenciar um
modelo frágil e com efeitos desgastantes.
Ainda estamos longe de um entendimento completo das conseqüências
espaciais da mudança urbana. Alguma visão pode ser obtida de
observações empíricas sobre o que acontece nas cidades, à medida que
crescem, mas as amostras variam entre as cidades e a generalização se
torna difícil. A alternativa do modelo urbano é também muito útil, mas os
resultados são freqüentemente frustrantes. Estes modelos, na maioria das
vezes, dão ênfase demais à conversão de utilização do terreno
(RICHARDSON, 1978, p. 54).
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Nesse momento, faz-se necessária a devida atenção ao objeto deste
trabalho, notadamente, em relação ao setor imobiliário no município cearense de
Guaramiranga e sua evolução após a indústria do turismo, conforme sessão a
seguir.
Setor imobiliário em Guaramiranga pós-advento do Turismo
No nordeste do sertão central cearense localiza-se o Maciço do Baturité.
É “geomorfologicamente composto por um Complexo Cristalino, marcado por
Maciços Residuais dissecados em cristais e colinas e Depressão sertaneja
submetida a processos de sedimentação” (TEIXEIRA, 2005, p. 20). A autora
apresenta a divisão política da região conforme citação e Figura 1.
O Maciço do Baturité está dividido, politicamente, em 13 municípios, que
compõem a 8º Região Administrativa, conforme a Fundação Instituto de
Geografia e Estatística (IBGE, 2004, on line), sendo eles: Acarape,
Aracoiaba, Aratuba, Barreira, Baturité, Capistrano, Guaramiranga, Itapiúna,
Mulungu, Ocara, Pacoti, Palmácia e Redenção, citados aqui em ordem
alfabética (TEIXEIRA, 2005, pp. 20-21).
Figura 1 Mapa da Região do Maciço de Baturité.
Fonte: http://baturite.spaceblog.com.br/126749/Mapa-da-Regiao-do-Macico-de-Baturite/.
Organização: R. C. Borges.
9
Guaramiranga2, ou pássaro vermelho em Tupi, é um município criado pelo
Decreto 59 em 1890 oriunda do município de Baturité. Como municípios limítrofes,
possui ao norte as cidades de Pacoti, Palmácia e Caridade, ao sul os municípios de
Mulungu e Baturité, ao leste também Baturité e Pacoti e a oeste as localidades de
Mulungu e Caridade. De acordo com Ceará (2006), possui um clima tropical subquente úmido e tropical quente úmido, com temperatura média de 18ºC a 26ºC e
período chuvoso nos cinco primeiros meses do ano.
Figura 1: Mapa básico do Estado do Ceará
FONTE: Ceará (2006).
Figura 2: Mapa básico de Guaramiranga
Fonte: Ceará (2006).
Sua população residente é de 4.164 habitantes, conforme dados do
Censo Demográfico (IBGE, 2010), sendo 2.495 pessoas em área urbana, com
presença de 51% de homens em relação ao total, na sua maioria jovens de 10 a 25
anos. Possui uma área de 100,86 quilômetros quadrados e densidade demográfica,
portanto de 41,29 (hab/km2).
O município conta com pouco mais de 1.800 domicílios particulares, mas
percebe-se, população local ou não, uma explosão da especulação imobiliária nas
três últimas décadas, notadamente impulsionada pelo turismo, ainda que pelo
discurso do desenvolvimentismo.
Inicialmente o turismo surge como uma forma de trazer benefícios como
emprego e melhoria na qualidade de vida das populações locais; porém,
2
Coordenadas geográficas: Latitude (S) 4º 15´ 48´´ e Longitude (WGr) 38º 55´ 59´´ localizada no nordeste
brasileiro com medidas territoriais absolutas (km 2) 59,47 e relativa (%) 0,04, com altitude de 865,24 metros e
distância em linha reta da capital de 76 quilômetros (CEARÁ, 2006).
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não passa muitas vezes de mais um discurso a favor da rentabilidade dos
negócios imobiliários, culturais e da valorização da natureza (LIMA, 2008, p.
7).
A cultura, conforme última citação, igualmente é afetada pelos efeitos
negativos na relação turista-comunidade. Uma vez que a comunidade local não
possui o mesmo acesso aos bens, aos hábitos e aos costumes dos seus visitantes,
a perda cultural é irreparável (FONTENELE JUNIOR, 2004) Coutinho (1998, p. 267)
corrobora com o pensamento anterior destacando a marginalização que o turismo
gera na população local.
Quando o turismo é introduzido em pequenas localidades, em um primeiro
momento a população local pode até ser significativamente utilizada como
força de trabalho, mas, em geral, é tratada de forma marginal, sendo em
seguida condicionada à participação informal. Para funções que requeiram
mão-de-obra especializada, de maior tempo de permanência, a tendência é
requisitar pessoal dos centros mais evoluídos. Em se tratando de
empreendimentos de maior porte, quase sempre os de maiores retornos
financeiros, é o empresariado externo que geralmente possui maior
capacitação para realizá-los.
Inerente a especulação imobiliária, Fontenele Junior (2004) destaca como
conseqüência a descaracterização do espaço urbano e da arquitetura. A consciência
ecológicas e conservacionista dos visitantes possui relação intrínseca com o bemestar da comunidade local e com a conservação e uso do ecossistema visitado. A
falta de uma atitude em prol da harmonia dessa relação pode ocasionar perda
irreparável às comunidades bióticas nativas. Ocupação irregular no urbano,
enquanto democratização do acesso à cidade, proveniente de desmatamento
causado pela especulação imobiliária já foram temas de trabalhos anteriores
(FERREIRA et al, 2012; MACIEL, 2003).
Outros fatores podem ser acrescentados ao anterior. Os desmatamentos
e a visitação superior à capacidade de carga de atrativos naturais que, com uma
ineficiência da fiscalização pública ambiental somada a ausência de planejamento
urbano em áreas adensadas e de grande apelo turístico, provocam a inviabilidade e
a insustentabilidade de uma Área de Proteção Ambiental (APA) como a de Baturité
no Ceará. Esta, “decretada pelo Governador do Estado em 18 de setembro de 1990
e que integra os municípios de Aratuba, Baturité, Capistrano, caridade,
Guaramiranga, Mulungu, Pacoti e Redenção” (FONTENELE JUNIOR, 2004, p. 60).
Destaca-se que o desmatamento, iniciado nos anos 1960 pela cultura de
algodão e café, defronta-se na atualidade com uma economia que promova o
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desenvolvimento sustentável. Empreendimentos imobiliários avançam sobre o leito
do riacho Nancy, com doze casas duplex, e riacho Aracoiaba, um dos mais
importantes da APA e detentora de Mata Atlântica na região (IVO, 2007).
O desmatamento praticado no município não afeta somente a água e leva
a terra à exaustão. Imobiliárias e/ou incorporadoras na região não acompanham a
realização de estudos ambientais sobre a capacidade da serra e a recomposição da
cobertura vegetal para se identificar a oportunidade de novos investimentos,
causando ampla degradação ambiental na serra. O Jornal Diário do Nordeste já
publicou duas matérias, intituladas Construções Insustentáveis (I: Ocupação
degrada a serra em 20/02/08 e II: Falta de planejamento na serra em 27/02/08),
onde atesta a limitação imposta pela natureza e assegurada por lei versus a
atividade hoteleira, de recreação e de lazer promovidade por uma multiplicidade de
empreendimentos uni e multifamiliares.
O turismo é um dos setores que mais cresce em todo o mundo. E nos
países em subdesenvolvidos como o Brasil, o turismo interno e externo é um dos
grandes propulsores do desenvolvimento econômico, gerando emprego e renda, e
consequentemente, trazendo ao país uma maior preocupação, em virtude dos
impactos culturais e socioambientais. “[...] O setor de turismo tem apresentado uma
grande importância, seja por sua participação no PIB das nações desenvolvidas ou
em processo de desenvolvimento” (BORGES, 2009, p. 158).
Segundo Ignora (2003 apud ANDRADE).
Turismo é o conjunto de serviços que tem por objetivo o planejamento, a
promoção e a execução de viagens, e os serviços de recepção,
hospedagem e atendimento aos indivíduos e aos grupos, fora de suas
residências habituais.
Para Borges (2009, p. 157) dentro do conceito de turismo, existem
elementos em comuns que se encontram quase em todos eles que são:
 Há sempre um deslocamento físico de pessoas;
 O turismo não implica necessariamente alojamento no destino;
 O turismo compreende tanto viagem, como todas as atividades
realizadas anteriormente em função da interação de viajar e as atividades
realizadas durante a permanência no destino escolhido;
 O turismo compreende também todos os produtos e serviços criados
para satisfazer as necessidades dos turistas.
Borges (2009, p. 159) “Enquanto o turista busca o seu lazer, pessoas
estão trabalhando para que esse lazer venha acontecer”. Complementa Armando
Junior (2004, p.15) “O envolvimento da comunidade é vital para o desenvolvimento
12
sustentado do turismo, desde que faça parte de uma estratégia mais ampla e
integrada, o que requer parcerias entre organizações publicas e privadas”. Para
atender aos turistas é necessária uma integração entre os membros da cadeia
produtiva, para que os objetivos acordados sejam alcançados entre todas as partes
envolvidas.
De acordo com Borges (2009 apud WAHAB, 1991, p. 183) o
planejamento do turismo robustece a possibilidade do setor contribuir em vários a
possibilidade do setor contribuir em vários setores da economia, tais como:







Aumenta a urbanização;
Incrementa as indústrias associadas aos serviços turísticos;
Aumenta a demanda da produção agrícola;
Expande o mercado para produtos locais;
Gera aumento de divisas;
Gera maior consciência para a proteção do ambiente e cultura locais;
Aperfeiçoa os padrões de utilização do solo.
O turismo engloba uma serie de serviços necessários as regiões para
atender as necessidades dos seus visitantes, como transporte, hospedagem,
restaurante, comércio e lugares para lazer e diversão, dados que formam a cadeia
produtiva. Esta cadeia é vista como agrupamentos de empresas que tem em
comum, processos produtivos, mantendo fortes laços de articulação, interação e
cooperação entre si (BORGES, 2009).
A pesquisa confirma a região nordeste sendo a mais procurada pelos
turistas. O Estado do Ceará de reconhecido potencial turísticos firma-se como um
dos Estados mais procurados da região nordeste, em virtude do seu vasto litoral,
suas serras e sertões e da hospitalidade do povo. Localizado em grande parte do
semi-árido, o seu litoral e a serra são ambientes naturais significativos da paisagem
cearense (TEIXEIRA, 2005).
Segundo os indicadores levantados pela Secretaria do Turismo do Ceará
(Setur), entre os meses de janeiro a maio de 2011:
houve um crescimento de 9,4% no número de turistas que visitaram o
Ceará, via Fortaleza. Comparado ao mesmo período do ano passado, todos
os indicadores da atividade registraram crescimento, alcançando R$ 1,8
bilhão de receita entre os 1,14 milhão de turistas que visitaram o Estado,
nos cinco primeiros meses deste ano.
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Fonte FGV e Mtur
O Estado do Ceará atrai vários tipos de turistas, em virtude da sua
diversidade de atrações distribuída em usa área de mais de 146,817 Km², agregada
a sua culinária, negócios e artesanato. Setor que mantêm a economia da região e
que proporciona impactos positivos, para o crescimento dos outros setores.
Alguns dos atrativos que torna o Estado como o mais procurado da região
nordeste, segundo o site: municípios do Ceará:
SOL E PRAIA - A combinação Sol e praia atrai turistas durante todo o ano.
O litoral cearense reserva belas paisagens que encantam os visitantes.
ESPORTE E AVENTURA - Ventos, topografia e clima formam o cenário
ideal para a prática de esportes de aventura, sejam estes na praia, na serra
ou no sertão. O Ceará é procurado por esportistas de vários lugares do
mundo para a prática de esportes de aventura.
NEGÓCIOS - Os equipamentos para a realização de feiras e eventos, além
de estruturas como o Porto do Pecém e o Distrito Industrial, incrementam as
viagens profissionais, características do Turismo de Negócios.
TURISMO RELIGIOSO - Simplicidade, devoção e resgate cultural são
fatores que fazem do Ceará a terra de um povo de muita fé.
TURISMO CULTURAL - Você certamente voltará para sua casa com muito
o que contar da diversidade cultural cearense, seja na serra, no litoral, ou no
sertão.
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TURISMO CIENTÍFICO - O Ceará oferece várias opções para os que
querem, além de aproveitar as belezas naturais, ampliar os conhecimentos
científicos.
TURISMO ECOLÓGICO - O Ceará é assim: repleto de paisagens
encantadoras que permitem um contato intenso e direto com tudo o que a
natureza tem a oferecer.
TURISMO RURAL - O Ceará possui várias opções para os que querem fugir
da agitada vida das grandes cidades e curtir dias de sossego e vida simples
em fazendas e sítios.
GASTRONOMIA - Os sabores do Ceará, do Brasil e do mundo se
encontram em Fortaleza. Restaurantes para todos os gostos estão
espalhados pela cidade, cada um com seu tempero especial.
Embora o turismo no Ceará esteja na exploração das paisagens
litorâneas, o patrimônio natural e cultural faz o seu diferencial e precisa de
investimentos mais expressivos. Para Borges (2009) as regiões sem infra-estrutura
para o turismo, onde seu atrativo principal são os bens naturais como poder de
atratividade, deve ter um acompanhamento em longo prazo das organizações
publicas e privadas, para que os mesmos sejam explorados de forma conveniente e
recebam o fluxo turístico desejado.
O setor imobiliário em Guaramiranga com o advento do turismo, portanto,
encontra-se em crescente expansão. Apartamentos, casas, chalés, terrenos; prontos
e/ou em construção; para compra ou venda; locação ou temporada; por exemplo,
movimenta um mercado que pode gerar por negócio até quinhentos mil reais,
conforme pesquisa eletrônica nos sites das imobiliárias locais.
A culinária diferenciada, a cultura existente, a amenidade do clima, a
mansidão da serra, a calmaria do canto dos pássaros, a cordialidade da população
local, a proximidade com centros urbanos e beleza natural, entre outros, faz de
Guaramiranga um dos principais destinos do turismo nacional e internacional.
Alguns desses turistas desejam mais do que uma simples passagem.
Conclusões finais
A indústria do turismo representa no Produto Interno Bruto brasileiro a
três por cento anuais, o que não necessariamente quer dizer desenvolvimento. Esse
crescimento econômico deve estar alinhado a elementos como desenvolvimento
local, sustentabilidade, gestão ambiental e planejamento. Atuar hoje desmerecendo
os ensinamentos do passado e sem reconhecer o futuro é a plena exaustão de uma
sociedade que se diz humana. A ação antrópica causa danos significativos e,
15
possivelmente, irremediáveis, ao meio ambiente influenciando sobremaneira a
sustentabilidade do setor turístico no município de Guaramiranga.
Referências bibliográficas
“Estamos muito longe de uma bolha”. Zero Hora. Porto Alegre-RS,
05/jun/2011, Entrevista com Ricardo Amorim, Dinheiro, p. 3.
ABRAMO, Pedro. A Cidade Caleidoscópica: Coordenação Espacial e
Convenção Urbana. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2007.
ABRAMO, Pedro. Teoria Econômica da Favela. Quatro notas sobre a
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