Curso de Pedagogia
Artigo Original
AS MULHERES NAS TURMAS DE ENSINO FUNDAMENTAL DE ADULTOS: QUEM
SÃO ESTAS DISCENTES?
WOMEN IN CLASSES OF ADULT BASIC EDUCATION: WHO ARE THESE STUDENTS?
Karliette da Silva Cardoso1, Neleyde Lustosa Soares1, Edlamar M. F. Clauss2.
1 Alunas do Curso de Pedagogia
2 Professora Mestre do Curso de Pedagogia.
Resumo
Este artigo tem como objetivo identificar o perfil sócio educacional e motivacional das mulheres da Educação de Jovens e Adultos. Foi
realizado um levantamento do perfil da mulher aluna da EJA, buscando conhecer quem é este público a quem se destina esta
modalidade, quais os motivos que levaram estas alunas a abandonar a escola regular e quais motivos fizeram-nas retornar à escola,
as dificuldades que enfrentam para se manterem matriculadas no curso de EJA, quais as razões que as incentivam a voltar a estudar.
E após o retorno, quais as perspectivas e objetivos que alunas têm em relação a seu futuro. Para a coleta de dados foi usado
questionário padronizado. Constata-se que elas possuem um perfil diversificado, entretanto com características marcantes, como o
desejo de continuidade nos estudos, apesar das dificuldades comuns enfrentadas, como, poucos recursos financeiros e problemas em
conciliar os estudos com o trabalho.
Palavras-Chave: Educação de Jovens e Adultos, Mulheres, Motivações.
Abstract
This article aims to identify the profile educational and motivational socio Women's Youth and Adult Education. A survey of the profile of
the woman student in adult education was carried out, seeking to know who is this public who should read this mode, the motives that
led these students to drop out of regular school and what reasons have returned to school, the difficulties they face in remain enrolled in
the course of EJA, the reasons that encourage return to school. And after returning, what perspectives and goals that students have
about their future. For data collection it was used a standardized questionnaire. It appears that they have a diverse profile, however with
striking features, such as the desire for continuity in the studies, despite the common difficulties such as, limited financial resources and
problems in combining studies with work.
Keywords: Youth and Adult Education, Women, Motivations.
Contato: [email protected], [email protected]
Introdução
Este artigo tem como tema central: As
mulheres nas turmas de Ensino Fundamental de
Adultos: Quem são estas discentes? O que
desejam e buscam conhecer? Quais os motivos
que afastaram essas alunas da escola? As razões
que as incentivaram a retornar aos estudos? E
quais são as suas expectativas em relação à
escola?
São
estes
os
questionamentos
norteadores para alcançar o objetivo principal da
pesquisa realizada, o de identificar o perfil sócio
educacional e motivacional das mulheres alunas
em turmas de Educação de Jovens e Adultos
(EJA), matriculadas em turmas do 1º e 2º
segmentos do Ensino Fundamental no sistema
público de ensino do Riacho Fundo II-DF.
Se antes, o lugar da mulher era em casa
para cuidar de afazeres domésticos e das
crianças, hoje o lugar da mulher também é na
escola com o propósito de promover a
profissionalização feminina para competir com os
homens no mercado de trabalho, com as mesmas
possibilidades para o exercício profissional. Outros
objetivos para a educação feminina principalmente
a da mulher pobre é a de preparar essa mulher
para cuidar mais e melhor da família e dos filhos
(ANDRADE, 2008).
A inserção das mulheres no mercado de
trabalho também traz mudanças no modo como
ela passa a se relacionar com a escola.
Atualmente
as
mulheres
estão
sentindo
necessidade de estudar em busca de uma
melhoria em sua qualificação. Por isso a Educação
de Jovens e Adultos está apropriada para
mulheres que não tiveram acesso a escola na
idade regular. Trazendo assim perspectivas para
que elas possam encontrar melhorias no mercado
de trabalho.
O Distrito Federal tem 1,5 milhão de
mulheres, pouco mais da metade da população.
Entre as mais de 230 mil mulheres chefes de
família no DF, 89% não têm marido ou
companheiro. Os dados demonstram que a mulher
chefia o domicílio sendo a provedora e cuidadora.
E as que possuem companheiros, os homens,
contam com a mulher para dividir as atividades
(CODEPLAN, 2010).
É importante ressaltar que tempos atrás, as
tarefas domésticas e a atenção com os filhos eram
consideradas tarefas exclusivas da mulher,
ocupando-se aos afazeres da casa. Mulheres
essas que ainda na infância iniciaram no mundo
do mercado de trabalho assumindo papéis de
obrigações e de deveres em nome da
sobrevivência marcadas às vezes pela violência
doméstica, pelas dificuldades econômicas e pelo
afastamento da escola. E hoje com a oportunidade
que tem de voltar para a escola tornam-se
inseguras, tem medo de não conseguir, e ainda
tem que enfrentar esse obstáculo que é a
continuidade nos estudos na idade adulta.
Esta
investigação
permitiu
uma
aproximação com a realidade social das alunas do
1º e 2º Segmento do Ensino Fundamental da
Educação de Jovens e Adultos por meio do
levantamento de seus anseios e saberes, e ainda
pela observação da vivência das práticas
pedagógicas e seus cotidianos, resultante do
aprofundamento dos seus conhecimentos de vida.
Nogueira (2003) desenvolveu um estudo
sobre a influência da condição feminina na busca
de
escolarização
na
idade
adulta.
Conclusivamente aponta que as mulheres
enfrentam toda a sorte de dificuldade para
conseguirem se matricular na EJA. São mulheres
que não tiveram oportunidade de estudar cedo,
uma das causas devesse ao fato de se casarem
muito novas para libertar dos pais ou de uma
situação de carência econômica ou afetiva,
achando que poderiam modificar sua situação, e
outro fator é o de tornarem se mães bem jovens.
As mulheres possuem sonhos, desejos em
dar continuidade aos estudos, até mesmo, para
conseguir sua independência financeira, pois
muitas ainda dependem da renda do marido. E
outras separadas e com filhos, passam por
arrochos econômicos. Essas mulheres: mãe,
esposa e trabalhadora sentem a necessidade de
irem buscar qualificação profissional mesmo que
tardiamente, muitas vezes quando os filhos estão
crescidos, bem como, buscam uma realização
pessoal (BARRETO, ÁLVARES e COSTA, 2005).
A visão de mundo de uma mulher que
retorna aos estudos depois de adulta, após um
tempo afastado da escola, ou mesmo daquela que
inicia sua trajetória escolar nessa fase da vida, é
bastante peculiar. Protagonistas de histórias reais
e ricas em experiências vividas, as alunas da
Educação de Jovens e Adultos configuram tipos
humanos diversos. São mulheres que chegam à
escola com crenças e valores já constituídos.
A cada realidade corresponde um tipo de
aluna e não poderia ser de outra forma, são
pessoas que vivem no mundo adulto do trabalho,
com responsabilidades sociais e familiares, com
valores éticos e morais formados a partir da
experiência, do ambiente e da realidade cultural
em que estão inseridas (BARRETO, ÁLVARES e
COSTA, 2005).
Enfim, a investigação proposta oriunda a
este artigo busca responder alguns objetivos
específicos: identificar o perfil sócio ocupacional
da mulher nas turmas do Ensino Fundamental da
Educação de Jovens e Adultos, bem como,
analisar as motivações e expectativas das
mulheres estudantes, durante e ao final dos
estudos do Ensino Fundamental.
A Educação de Jovens e Adultos tem
ganhado espaço na educação, com o crescente
público que transcende a alfabetização e o Ensino
Fundamental, com pessoas que buscam a
inserção ou a reinserção no mercado de trabalho,
e é neste cenário que se encontra esta
investigação cientifica. Pois, estar na escola é
inserir-se em um espaço de socialização e sentirse valorizada como sujeito, a EJA, assim, se
apresenta como estratégia para uma possível
transformação social e pela volta ao mercado de
trabalho. O retorno à escola se faz cada vez
necessária sendo imprescindível a volta de jovens
e adultos para os bancos escolares.
Metodologia
A pesquisa tem caráter exploratório com
estudo de campo. Para coleta de dados foi
aplicado um (01) questionário contendo perguntas
abertas e fechadas indagando entre outros
aspectos: as dificuldades enfrentadas pelas alunas
da EJA e as motivações para estudar.
A amostra foi composta por vinte (20)
mulheres matriculadas em turmas da Educação de
Jovens e Adultos - Ensino Fundamental do 1º e 2º
Segmentos, matriculadas em uma (01) escola
pública da cidade do Riacho Fundo II. Foram
aplicados questionários a: dez (10) alunas) do 1º
Segmento do Ensino Fundamental da EJA; e dez
(10 alunas) do ]2º Segmento do Ensino
Fundamental da EJA. Para a análise dos dados
foram utilizados princípios estatísticos com
descrição dos dados.
Os
procedimentos
metodológicos
adequaram-se para apurar opiniões e atitudes
conscientes das entrevistadas. Possibilitou um
caráter qualitativo e exploratório, características da
investigação científica, pois estimulou as
entrevistadas a pensar e falar livremente sobre o
tema, fazendo emergir aspectos subjetivos
atingindo motivações de forma espontânea.
Estudo Teórico
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é
uma modalidade de Educação Básica prevista na
Lei 9.394/96 de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional, tendo como premissa maior a
contribuição para a eliminação do analfabetismo
através da oferta de cursos e exames destinados à
população de jovens e adultos que, na faixa
apropriada, não tiveram acesso, ou obtido sucesso
no Ensino Fundamental (SILVA, 2006). Assim,
Educação de Jovens e Adultos é toda Educação
destinada àqueles que não tiveram oportunidades
educacionais em idade própria ou que tiveram de
forma insuficiente, não conseguindo alfabetizar-se
e obter os conhecimentos básicos necessários.
A clientela da EJA são pessoas de
diferentes idades, origens, experiências, históricos
escolares e ritmos de aprendizagem. Sendo
assim, o sistema escolar, deve apresentar
qualidade de ensino e ainda se adequar a essa
modalidade, suprindo as necessidades que esses
alunos apresentam.
No caso das mulheres são alunas
trabalhadoras, com intensa jornada de afazeres
domésticos, sem tempo para estudar e com
autoestima baixa. E devido à diversidade de
interesse e a dinâmica escolar que encontram na
escola, às vezes faz com que elas não consigam
socializar-se e continuar os estudos, ou seja, e
necessário considerar que as alunas são
diferentes entre si, em respeito principalmente aos
seus ciclos de vida. Portanto, precisam de ações
pedagógicas para mediar possíveis conflitos,
sensibilizando-as que o estudo pode proporcionar
um leque de oportunidades para o crescimento
intelectual e profissional (SANCHES, VIANA E
SILVA, 2011).
Mulheres e a Educação
A presença da mulher na educação
brasileira apresenta trajetória crescente. No
período colonial, sua educação era no lar, voltada
especificamente para as atividades domésticas.
Somente em meados do século XIX que a
participação feminina iniciou se, pois os colégios
destinados às mulheres eram particulares, dessa
maneira somente as meninas de origem abastada
tinha acesso. A maior preocupação da escola
era que as alunas aprendessem a se comportar na
sociedade e a respeitar a figura do homem, como
companheiro de conhecimento (RIBEIRO, 2003).
Com relação ao ensino público, o ingresso
feminino na escola ocorreu após a fundação da
Escola Normal em 1880, na Corte do Rio de
Janeiro. As professoras formadas pela Escola
Normal, geralmente filhas de fazendeiros,
passaram a lecionar instrução primária.
Com a criação de escolas femininas fora
dos conventos, fez-se necessária a figura da
professora. E, devido à pouca quantidade de
mulheres aptas a exercer essa função e de
homens não interessados em praticar o
magistério, buscou-se incentivar e capacitar as
moças para lecionarem. Somente em 1875, Essas
Escolas (denominadas Escolas Normais) tiveram
grande
importância
no
processo
de
conscientização da capacidade profissional
feminina.
Na fase inicial do capitalismo e da
proliferação das indústrias, preferiu-se empregar
as mulheres, geralmente as provenientes de
classes mais baixas e que necessitavam ajudar na
subsistência da sua família, por serem menos
rebelde e por cumprirem suas tarefas sem
reivindicar. Porém, pouco a pouco, elas se uniram
aos movimentos dos trabalhadores e passaram a
reivindicar maiores direitos e melhores condições
de
trabalho.
Horários
flexíveis,
licença
maternidade, permissão para sair mais cedo para
amamentar essas foram algumas conquistas que
facilitaram a participação feminina no mundo do
trabalho (NORONHA, VOLPATTO, 2006).
O movimento feminista foi o responsável
pelos últimos 150 anos a ajudar as mulheres em
suas conquistas. A mulher atual passou a conduzir
suas ações e se tornou multifuncional, bem
resolvida, tendo em primeiro lugar sua liberdade e
uma melhor condição de vida sem deixar de lado
sua feminilidade. Mais que isso, assegurou seu
direito a cidadania. Sua participação nas últimas
décadas tem sido um dos fatos mais marcante
ocorridos na sociedade brasileira.
O ingresso da mulher no mercado de
trabalho em meados do século XX passou a gerar
renda e tomar frente a sua decisão. Neste mesmo
século conquistaram o Dia Internacional da Mulher
considerado como um marco da luta feminina
pelos direitos humanos, fazendo pensar sobre
determinados conceitos e papéis na sociedade,
provando que podem ser tão bem sucedidas
quanto os homens e ganhando cada vez mais
espaço na política, sociedade e no trabalho. As
mulheres tendem a construir suas carreiras etapa
por etapa, os homens planejam suas carreiras em
longo prazo (SANTOS e SACRAMENTO, 2011).
A Educação de Jovens e Adultos quanto ao
atendimento às mulheres vêm se modificando ao
longo dos anos. São turmas pequenas e em
crescimento com mulheres que não tiveram
oportunidade de ir à escola mais cedo, geralmente
é um público de baixa renda que foi excluído da
sociedade em algum momento.
O fato das alunas da EJA serem excluídas
da escola as coloca à margem do mercado de
trabalho pela sua condição de não escolarizadas e
também, pertencentes determinados grupos
culturais com singularidades marcantes.
O
migrante constitui uma grande parte desse público
e, pelo fato de ser migrante, não concluiu a sua
trajetória escolar. Nesta perspectiva, o perfil do
público de EJA caracteriza-se na contraposição ao
estereótipo de adulto que segue o curso regular de
escolarização (OLIVEIRA, 1999).
A mulher ao retornar aos bancos escolares
vem em busca de uma certificação que
teoricamente a colocaria no mercado de trabalho e
garantir seu lugar na sociedade, tendo com isso o
resgate da autoestima e passando a ser vista
como uma cidadã comum. Para tanto, confia que
sua entrada no mundo do trabalho lhe proporcione
condições melhores de vida, e pensar até na
possibilidade de formação de sua própria família
(OLIVEIRA, 1999).
A cada realidade corresponde um tipo de
aluna e não poderia ser de outra forma, são
pessoas que vivem no mundo adulto do trabalho,
com responsabilidades sociais e familiares, com
valores éticos e morais formados a partir da
experiência, do ambiente e da realidade cultural
em que estão inseridas. O que se percebe é que
as maiorias das alunas da EJA da rede pública
são trabalhadora, dona de casa ou jovens que
ainda não entraram no mercado de trabalho por
falta de escolarização. São alunas com suas
diferenças culturais, etnias, religião, crenças.
Análise e Discussão dos Dados
A pesquisa de campo foi realizada no
Centro de Ensino Fundamental I do Riacho Fundo
II, funcionando no turno da noite como Ensino
Fundamental de Jovens e Adultos, onde foram
entrevistadas 20 (vinte) alunas, sendo 10 (dez) do
1º segmento e 10 (dez) alunas do 2º segmento.
Os dados contidos no questionário foram
analisados
em
duas
categorias:
Sócio
Ocupacional e Educacional.
Tabela 01
Faixa Etária das Alunas da EJA
Faixa Etária
Frequência
%
15 a 17 anos
18 a 21 anos
01
03
5,0%
15,0%
22 a 25 anos
26 a 29 anos
01
02
5,0%
10,%
30 a 33 anos
34 a 37 anos
01
02
5,0%
10,0%
38 a 41 anos
05
25,0%
42 a 45 anos
03
15,0%
Acima de 50 anos
02
10,0%
Total
20
100%
Fonte: Alunas- CEF 01- Riacho Fundo II – 1º Sem/ 15
Categoria Sócio Ocupacional
Naturalidade e Faixa Etária
A maior parte das alunas que responderam
ao questionário, 40,0% (quarenta por cento) são
do Distrito Federal, em seguida vem o Nordeste
com 35,0%, (trinta e cinco por cento), e da região
Norte com 15,0% (quinze por cento). E por último
a região Sudeste com 10,0% (dez por cento)
(conforme Gráfico 01).
Dessa amostra constatou-se também que
5,0% (cinco por cento) das alunas são
adolescentes, 15,0% (quinze por cento) são
jovens, 70,0% (setenta por cento) são adultas e
10,0% (dez por cento) são idosos. (Observar
dados da Tabela 01).
Gráfico 01
Naturalidade das Alunas da EJA.
15%
10%
Conforme verificado na pesquisa teórica as
turmas da EJA, são heterogêneas, um indicador
que confirma a afirmativa é o intervalo encontrado
na faixa etária das alunas entrevistadas de 15 a 58
anos. Outro fator é o de migração para o Distrito
Federal, por motivos como busca de emprego e
melhoria da qualidade de oportunidades e
consequentemente de vida.
Estado Civil e Filhos
No que diz respeito ao estado civil a maioria
das alunas são solteiras, somando 55,0%
(cinquenta e cinco por cento) e casadas somam
45,0% (quarenta e cinco por cento). Porém,
constatou-se que mesmo solteira 75,0% (setenta e
cinco por cento) já possuem filhos e somente
25,0% (vinte e cinco por cento) não possuem
filhos. Para as mulheres que possuem filhos
pequenos esse pode ser também um dos
obstáculos para concluírem seus estudos (Ver
Gráfico e Tabela 02).
40%
Gráfico 02
35%
Distrito Federal
Região Nordeste
Região Norte
Região Sudeste
Fonte :Alunas- CEF 01- -Riacho Fundo II – 1º Sem/ 15
Estado Civil das Alunas da EJA
Renda das Alunas da EJA
25%
45%
75%
55%
1 Salário mínimo
2 Salários mínimos
Casadas
Solteiras
Fonte: Alunas- CEF 01- Riacho Fundo II – 1º Sem/ 15
Fonte: Alunas- CEF 01- Riacho Fundo II – 1º Sem/ 15
Tabela 02
Possui Filhos?
Quantos
Não possui
Um filho
Dois filhos
Três filhos
Total
Frequência
%
05
03
05
07
20
25,0%
15,0%
25,%
15,0%
100%
Fonte: Alunas- CEF 01- Riacho Fundo II – 1º Sem/ 15
A modalidade EJA é uma opção para
mulheres que não tiveram acesso escolar na idade
regular, seja pelo motivo de ter casado cedo, ter
filhos nova e não tiveram oportunidade para
estudar.
Renda e Ocupação
No tocante à ocupação das alunas
entrevistadas no Centro de Ensino Fundamental
01, do Riacho Fundo II, observa-se que, entre as
alunas acima de 15 anos, 80,0% (oitenta por
cento) tem atividade remunerada e trabalham em
média de 8 a 12 horas por dia. A maioria recebe
um salário mínimo, e somente 25,0% (vinte e cinco
por cento) recebem dois salários mínimos. Ver
gráfico abaixo.
Gráfico 03
No que diz respeito à ocupação das alunas,
que trabalham o Setor Terciário envolve todas as
alunas. A inserção das mulheres no mercado de
trabalho traz mudanças no modo como ela passa
a se relacionar com a escola, pois, procuram nos
estudos melhores ocupações e melhores salários.
Tabela 03
Cargo ou Função que Ocupa Atualmente
Cargo ou
Função
Auxiliar de
cozinha
Cabeleireira
Camareira
Copeira
Costureira
Cozinheira
Empregada
doméstica
Estagiária
Faxineira
Gerente de
restaurante
Serviços gerais
Vendedora
Do lar
Total
Frequência
%
01
5,0%
01
01
01
01
01
03
5,0%
5,0%
5,0%
5,0%
5,0%
15,0%
01
01
01
5,0%
5,0%
5,0%
03
01
04
20
15;0%
5,0%
20,0%
100%
Fonte: Alunas- CEF 01- Riacho Fundo II – 1º Sem/ 15
Categoria Educacional
A maior parte dos impedimentos apontada
pelas entrevistadas refere-se às necessidades
econômicas, que estas mulheres tiveram na
infância que as obrigaram a se inserir no mercado
de trabalho, esse foi o principal motivo de
abandono da rede escolar de ensino regular. Após
um longo período, as mulheres sentiram a
necessidade de retornar os estudos para
conseguir uma qualificação que lhes garanta um
emprego melhor. Outro dado observado por meio
da pesquisa é a demonstração de que a maioria
das alunas que estão matriculadas na EJA tem a
pretensão de continuar seus estudos. Esta
pretensão chegou a 100% entre as entrevistadas.
A necessidade de trabalhar muito cedo, as
dificuldades encontradas para ir à escola, o
casamento a maternidade e a inexperiência
dessas alunas fez com que os estudos ficassem
de lado (Quadro 01).
Quadro 01
Motivo para Abandonar ou não Frequentar a
Escola
Resposta
Quantitativo
Necessidade de
trabalhar.
Não entendia o que
explicava na escola e/
ou não teve vontade
de estudar.
Maternidade
Casamento
Outros motivos.
08
03
03
04
02
Entre estes familiares, os filhos aparecem como
aqueles que mais incentivaram a volta dos estudos
de suas mães.
Quadro 03
Motivos para Retornar a Estudar
Respostas
Quantitativo
Encontrar um emprego
06
melhor.
Ajudar os filhos nas
03
atividades escolares.
Aprender ler e escrever.
08
Concluir os estudos.
03
Fonte: Alunas- CEF 01 – Riacho Fundo II DF – 1º Sem/15
Grande parte das entrevistadas apontou o
desafio de conciliar trabalho, família e estudo
como um dos maiores entraves para se manter na
EJA. Várias alunas saem do trabalho direto para a
escola, chegam cansadas e por isso acabam
desistindo dos estudos (Quadro 04)
Quadro 04
Fonte: Alunas- CEF 01 – Riacho Fundo II DF – 1º Sem/15
Interromper mais de uma vez os estudos é
quase regra entre as estudantes da Educação de
jovens e Adultos (Ver Quadro 02).
Quadro 02
Quantas Vezes Tentaram Voltar a Estudar?
Respostas
1 vez
2 vezes
3 vezes ou mais
Nenhuma
Quantitativo
03
03
06
08
Fonte: Alunas- CEF 01 – Riacho Fundo II DF – 1º Sem/15
Motivo para Retornar a Estudar
O que leva a aluna desta escola procurar se
escolarizar por meio da EJA é a busca de
melhores oportunidades de emprego, mas junto
disto, a aluna é levada a exercitar sua cidadania,
podendo assim com as novas oportunidades vir a
reelaborar seus objetivos. Para que isso se efetive,
cabem as instituições educacionais a viabilização
e o estímulo apropriado para que novas
oportunidades sejam criadas. (Observar o quadro
03).
A maioria das entrevistadas afirma que
obteve apoio e incentivo para retornar os estudos,
seja da mãe, dos filhos, do marido ou de outras
pessoas como amigas ou colega de trabalho.
Dificuldades Encontradas ao Voltar a Estudar
Respostas
Quantitativo
Aprender a ler e
escrever
Dificuldade em
português e
matemática.
Medo, violência, mora
longe da escola.
Dificuldade de conciliar
trabalho, família e
escola.
06
03
02
09
Fonte: Alunas- CEF 01 – Riacho Fundo II DF – 1º Sem/15
Os dados da pesquisa apontam que a
expectativa das entrevistadas quanto a aquisição
de conhecimentos refere-se à melhoria na
qualidade de vida e na realização de atividades do
cotidiano. E que com os estudos puderam
aprender a se posicionar diante da vida e das
pessoas,
assim
alcançando
crescimento
profissional e melhores oportunidades no trabalho
(Ver quadro 05).
Quadro 05
Respostas
Quantitativo
Aprenderam ler e
escrever o próprio
nome.
Segurança para
opinar, falar em
público.
No trabalho (salário,
promoção, melhorias)
10
06
04
Fonte: Alunas- CEF 01 – Riacho Fundo II DF – 1º Sem/15
Desta forma a EJA se apresenta como uma
estratégia para uma possível transformação social
seja ela por meio de sua participação na
sociedade ou ainda pela inserção ou melhora no
campo do trabalho.
Considerações Finais
A educação na modalidade para Jovens e
Adultos deve promover uma formação não só para
o trabalho, mas aliar também a este currículo a
formação para o exercício pleno da cidadania,
para que esta formação não seja apenas de força
de trabalho, mas também para a promoção de
sujeitos críticos e autônomos promovendo uma
ação educativa e social. Para um bom andamento
e produtividades dos alunos da EJA, a
aprendizagem deve ser significativa e prazerosa.
Mas para que estas mudanças sociais
aconteçam torna-se necessário que EJA possa
propiciar a seus alunos uma formação ampla,
multicultural, crítica, autônoma e que leve em
conta as necessidades e peculiaridades de cada
uma, para que o aprender seja amplo, que
efetivamente faça parte da vida e seja por toda a
vida, deixando para traz as marcas que a exclusão
escolar causou.
Portanto a EJA deve construir sua proposta
comprometida com uma formação ampla do alunotrabalhador para que ele ganhe espaço tanto no
setor produtivo como acadêmico. As expectativas
que as mulheres apontam para o retorno escolar e
a conclusão dos estudos é a vontade de conseguir
um emprego melhor, não depender sempre dos
outros, enfim, de concluir os estudos e até cursar
uma faculdade. E com a EJA as alunas veem a
oportunidade de realização dos seus sonhos.
A concepção de mundo de uma pessoa que
regressa aos estudos na idade adulta, muitas
vezes após anos afastados da escola ou mesmo
daquele adulto que está começando agora sua
trajetória escolar, é bem peculiar. São pessoas
que já formaram sua visão de mundo pelas
experiências vividas e que têm suas crenças e
valores já constituídos.
Assim, é fundamental que o professor da
EJA tenha a consciência da valorização do outro,
é importante valorizar o conhecimento que este
aluno possui, entretanto, o diálogo tem que estar
presente nas aulas, o professor tem que usar uma
linguagem simples e acessível. A prática da açãoreflexão- ação permite ao professor lançar
estratégias para o sucesso do processo de ensinoaprendizagem. A principal função do educando na
EJA é mediar, interagir o aluno com o meio, usar
metodologias que favoreçam o processo de
construção de conhecimentos.
.
Referências:
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Porto Alegre: UFRGS, 2008.
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3 - CODEPLAN Companhia de Planejamento do Distrito Federal 2010 In: www.codeplan.df.gov.br/.
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4 - COSTA, Elisabete; ALVARES, Sônia Carbonell; BARRETO, Vera. Alunas e alunos da EJA: trabalhando
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85
5 - NOGUEIRA, Vera Lúcia. Educação de Jovens e Adultos e gênero: um diálogo imprescindível à
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6 - NORONHA, Elisiane Cristina de Sousa de F; VOLPATO, Teresinha Gascho. A Trajetória Educacional e
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AS MULHERES NAS TURMAS DE ENSINO FUNDAMENTAL