Curso de Pedagogia Artigo Original AS MULHERES NAS TURMAS DE ENSINO FUNDAMENTAL DE ADULTOS: QUEM SÃO ESTAS DISCENTES? WOMEN IN CLASSES OF ADULT BASIC EDUCATION: WHO ARE THESE STUDENTS? Karliette da Silva Cardoso1, Neleyde Lustosa Soares1, Edlamar M. F. Clauss2. 1 Alunas do Curso de Pedagogia 2 Professora Mestre do Curso de Pedagogia. Resumo Este artigo tem como objetivo identificar o perfil sócio educacional e motivacional das mulheres da Educação de Jovens e Adultos. Foi realizado um levantamento do perfil da mulher aluna da EJA, buscando conhecer quem é este público a quem se destina esta modalidade, quais os motivos que levaram estas alunas a abandonar a escola regular e quais motivos fizeram-nas retornar à escola, as dificuldades que enfrentam para se manterem matriculadas no curso de EJA, quais as razões que as incentivam a voltar a estudar. E após o retorno, quais as perspectivas e objetivos que alunas têm em relação a seu futuro. Para a coleta de dados foi usado questionário padronizado. Constata-se que elas possuem um perfil diversificado, entretanto com características marcantes, como o desejo de continuidade nos estudos, apesar das dificuldades comuns enfrentadas, como, poucos recursos financeiros e problemas em conciliar os estudos com o trabalho. Palavras-Chave: Educação de Jovens e Adultos, Mulheres, Motivações. Abstract This article aims to identify the profile educational and motivational socio Women's Youth and Adult Education. A survey of the profile of the woman student in adult education was carried out, seeking to know who is this public who should read this mode, the motives that led these students to drop out of regular school and what reasons have returned to school, the difficulties they face in remain enrolled in the course of EJA, the reasons that encourage return to school. And after returning, what perspectives and goals that students have about their future. For data collection it was used a standardized questionnaire. It appears that they have a diverse profile, however with striking features, such as the desire for continuity in the studies, despite the common difficulties such as, limited financial resources and problems in combining studies with work. Keywords: Youth and Adult Education, Women, Motivations. Contato: [email protected], [email protected] Introdução Este artigo tem como tema central: As mulheres nas turmas de Ensino Fundamental de Adultos: Quem são estas discentes? O que desejam e buscam conhecer? Quais os motivos que afastaram essas alunas da escola? As razões que as incentivaram a retornar aos estudos? E quais são as suas expectativas em relação à escola? São estes os questionamentos norteadores para alcançar o objetivo principal da pesquisa realizada, o de identificar o perfil sócio educacional e motivacional das mulheres alunas em turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), matriculadas em turmas do 1º e 2º segmentos do Ensino Fundamental no sistema público de ensino do Riacho Fundo II-DF. Se antes, o lugar da mulher era em casa para cuidar de afazeres domésticos e das crianças, hoje o lugar da mulher também é na escola com o propósito de promover a profissionalização feminina para competir com os homens no mercado de trabalho, com as mesmas possibilidades para o exercício profissional. Outros objetivos para a educação feminina principalmente a da mulher pobre é a de preparar essa mulher para cuidar mais e melhor da família e dos filhos (ANDRADE, 2008). A inserção das mulheres no mercado de trabalho também traz mudanças no modo como ela passa a se relacionar com a escola. Atualmente as mulheres estão sentindo necessidade de estudar em busca de uma melhoria em sua qualificação. Por isso a Educação de Jovens e Adultos está apropriada para mulheres que não tiveram acesso a escola na idade regular. Trazendo assim perspectivas para que elas possam encontrar melhorias no mercado de trabalho. O Distrito Federal tem 1,5 milhão de mulheres, pouco mais da metade da população. Entre as mais de 230 mil mulheres chefes de família no DF, 89% não têm marido ou companheiro. Os dados demonstram que a mulher chefia o domicílio sendo a provedora e cuidadora. E as que possuem companheiros, os homens, contam com a mulher para dividir as atividades (CODEPLAN, 2010). É importante ressaltar que tempos atrás, as tarefas domésticas e a atenção com os filhos eram consideradas tarefas exclusivas da mulher, ocupando-se aos afazeres da casa. Mulheres essas que ainda na infância iniciaram no mundo do mercado de trabalho assumindo papéis de obrigações e de deveres em nome da sobrevivência marcadas às vezes pela violência doméstica, pelas dificuldades econômicas e pelo afastamento da escola. E hoje com a oportunidade que tem de voltar para a escola tornam-se inseguras, tem medo de não conseguir, e ainda tem que enfrentar esse obstáculo que é a continuidade nos estudos na idade adulta. Esta investigação permitiu uma aproximação com a realidade social das alunas do 1º e 2º Segmento do Ensino Fundamental da Educação de Jovens e Adultos por meio do levantamento de seus anseios e saberes, e ainda pela observação da vivência das práticas pedagógicas e seus cotidianos, resultante do aprofundamento dos seus conhecimentos de vida. Nogueira (2003) desenvolveu um estudo sobre a influência da condição feminina na busca de escolarização na idade adulta. Conclusivamente aponta que as mulheres enfrentam toda a sorte de dificuldade para conseguirem se matricular na EJA. São mulheres que não tiveram oportunidade de estudar cedo, uma das causas devesse ao fato de se casarem muito novas para libertar dos pais ou de uma situação de carência econômica ou afetiva, achando que poderiam modificar sua situação, e outro fator é o de tornarem se mães bem jovens. As mulheres possuem sonhos, desejos em dar continuidade aos estudos, até mesmo, para conseguir sua independência financeira, pois muitas ainda dependem da renda do marido. E outras separadas e com filhos, passam por arrochos econômicos. Essas mulheres: mãe, esposa e trabalhadora sentem a necessidade de irem buscar qualificação profissional mesmo que tardiamente, muitas vezes quando os filhos estão crescidos, bem como, buscam uma realização pessoal (BARRETO, ÁLVARES e COSTA, 2005). A visão de mundo de uma mulher que retorna aos estudos depois de adulta, após um tempo afastado da escola, ou mesmo daquela que inicia sua trajetória escolar nessa fase da vida, é bastante peculiar. Protagonistas de histórias reais e ricas em experiências vividas, as alunas da Educação de Jovens e Adultos configuram tipos humanos diversos. São mulheres que chegam à escola com crenças e valores já constituídos. A cada realidade corresponde um tipo de aluna e não poderia ser de outra forma, são pessoas que vivem no mundo adulto do trabalho, com responsabilidades sociais e familiares, com valores éticos e morais formados a partir da experiência, do ambiente e da realidade cultural em que estão inseridas (BARRETO, ÁLVARES e COSTA, 2005). Enfim, a investigação proposta oriunda a este artigo busca responder alguns objetivos específicos: identificar o perfil sócio ocupacional da mulher nas turmas do Ensino Fundamental da Educação de Jovens e Adultos, bem como, analisar as motivações e expectativas das mulheres estudantes, durante e ao final dos estudos do Ensino Fundamental. A Educação de Jovens e Adultos tem ganhado espaço na educação, com o crescente público que transcende a alfabetização e o Ensino Fundamental, com pessoas que buscam a inserção ou a reinserção no mercado de trabalho, e é neste cenário que se encontra esta investigação cientifica. Pois, estar na escola é inserir-se em um espaço de socialização e sentirse valorizada como sujeito, a EJA, assim, se apresenta como estratégia para uma possível transformação social e pela volta ao mercado de trabalho. O retorno à escola se faz cada vez necessária sendo imprescindível a volta de jovens e adultos para os bancos escolares. Metodologia A pesquisa tem caráter exploratório com estudo de campo. Para coleta de dados foi aplicado um (01) questionário contendo perguntas abertas e fechadas indagando entre outros aspectos: as dificuldades enfrentadas pelas alunas da EJA e as motivações para estudar. A amostra foi composta por vinte (20) mulheres matriculadas em turmas da Educação de Jovens e Adultos - Ensino Fundamental do 1º e 2º Segmentos, matriculadas em uma (01) escola pública da cidade do Riacho Fundo II. Foram aplicados questionários a: dez (10) alunas) do 1º Segmento do Ensino Fundamental da EJA; e dez (10 alunas) do ]2º Segmento do Ensino Fundamental da EJA. Para a análise dos dados foram utilizados princípios estatísticos com descrição dos dados. Os procedimentos metodológicos adequaram-se para apurar opiniões e atitudes conscientes das entrevistadas. Possibilitou um caráter qualitativo e exploratório, características da investigação científica, pois estimulou as entrevistadas a pensar e falar livremente sobre o tema, fazendo emergir aspectos subjetivos atingindo motivações de forma espontânea. Estudo Teórico A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é uma modalidade de Educação Básica prevista na Lei 9.394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, tendo como premissa maior a contribuição para a eliminação do analfabetismo através da oferta de cursos e exames destinados à população de jovens e adultos que, na faixa apropriada, não tiveram acesso, ou obtido sucesso no Ensino Fundamental (SILVA, 2006). Assim, Educação de Jovens e Adultos é toda Educação destinada àqueles que não tiveram oportunidades educacionais em idade própria ou que tiveram de forma insuficiente, não conseguindo alfabetizar-se e obter os conhecimentos básicos necessários. A clientela da EJA são pessoas de diferentes idades, origens, experiências, históricos escolares e ritmos de aprendizagem. Sendo assim, o sistema escolar, deve apresentar qualidade de ensino e ainda se adequar a essa modalidade, suprindo as necessidades que esses alunos apresentam. No caso das mulheres são alunas trabalhadoras, com intensa jornada de afazeres domésticos, sem tempo para estudar e com autoestima baixa. E devido à diversidade de interesse e a dinâmica escolar que encontram na escola, às vezes faz com que elas não consigam socializar-se e continuar os estudos, ou seja, e necessário considerar que as alunas são diferentes entre si, em respeito principalmente aos seus ciclos de vida. Portanto, precisam de ações pedagógicas para mediar possíveis conflitos, sensibilizando-as que o estudo pode proporcionar um leque de oportunidades para o crescimento intelectual e profissional (SANCHES, VIANA E SILVA, 2011). Mulheres e a Educação A presença da mulher na educação brasileira apresenta trajetória crescente. No período colonial, sua educação era no lar, voltada especificamente para as atividades domésticas. Somente em meados do século XIX que a participação feminina iniciou se, pois os colégios destinados às mulheres eram particulares, dessa maneira somente as meninas de origem abastada tinha acesso. A maior preocupação da escola era que as alunas aprendessem a se comportar na sociedade e a respeitar a figura do homem, como companheiro de conhecimento (RIBEIRO, 2003). Com relação ao ensino público, o ingresso feminino na escola ocorreu após a fundação da Escola Normal em 1880, na Corte do Rio de Janeiro. As professoras formadas pela Escola Normal, geralmente filhas de fazendeiros, passaram a lecionar instrução primária. Com a criação de escolas femininas fora dos conventos, fez-se necessária a figura da professora. E, devido à pouca quantidade de mulheres aptas a exercer essa função e de homens não interessados em praticar o magistério, buscou-se incentivar e capacitar as moças para lecionarem. Somente em 1875, Essas Escolas (denominadas Escolas Normais) tiveram grande importância no processo de conscientização da capacidade profissional feminina. Na fase inicial do capitalismo e da proliferação das indústrias, preferiu-se empregar as mulheres, geralmente as provenientes de classes mais baixas e que necessitavam ajudar na subsistência da sua família, por serem menos rebelde e por cumprirem suas tarefas sem reivindicar. Porém, pouco a pouco, elas se uniram aos movimentos dos trabalhadores e passaram a reivindicar maiores direitos e melhores condições de trabalho. Horários flexíveis, licença maternidade, permissão para sair mais cedo para amamentar essas foram algumas conquistas que facilitaram a participação feminina no mundo do trabalho (NORONHA, VOLPATTO, 2006). O movimento feminista foi o responsável pelos últimos 150 anos a ajudar as mulheres em suas conquistas. A mulher atual passou a conduzir suas ações e se tornou multifuncional, bem resolvida, tendo em primeiro lugar sua liberdade e uma melhor condição de vida sem deixar de lado sua feminilidade. Mais que isso, assegurou seu direito a cidadania. Sua participação nas últimas décadas tem sido um dos fatos mais marcante ocorridos na sociedade brasileira. O ingresso da mulher no mercado de trabalho em meados do século XX passou a gerar renda e tomar frente a sua decisão. Neste mesmo século conquistaram o Dia Internacional da Mulher considerado como um marco da luta feminina pelos direitos humanos, fazendo pensar sobre determinados conceitos e papéis na sociedade, provando que podem ser tão bem sucedidas quanto os homens e ganhando cada vez mais espaço na política, sociedade e no trabalho. As mulheres tendem a construir suas carreiras etapa por etapa, os homens planejam suas carreiras em longo prazo (SANTOS e SACRAMENTO, 2011). A Educação de Jovens e Adultos quanto ao atendimento às mulheres vêm se modificando ao longo dos anos. São turmas pequenas e em crescimento com mulheres que não tiveram oportunidade de ir à escola mais cedo, geralmente é um público de baixa renda que foi excluído da sociedade em algum momento. O fato das alunas da EJA serem excluídas da escola as coloca à margem do mercado de trabalho pela sua condição de não escolarizadas e também, pertencentes determinados grupos culturais com singularidades marcantes. O migrante constitui uma grande parte desse público e, pelo fato de ser migrante, não concluiu a sua trajetória escolar. Nesta perspectiva, o perfil do público de EJA caracteriza-se na contraposição ao estereótipo de adulto que segue o curso regular de escolarização (OLIVEIRA, 1999). A mulher ao retornar aos bancos escolares vem em busca de uma certificação que teoricamente a colocaria no mercado de trabalho e garantir seu lugar na sociedade, tendo com isso o resgate da autoestima e passando a ser vista como uma cidadã comum. Para tanto, confia que sua entrada no mundo do trabalho lhe proporcione condições melhores de vida, e pensar até na possibilidade de formação de sua própria família (OLIVEIRA, 1999). A cada realidade corresponde um tipo de aluna e não poderia ser de outra forma, são pessoas que vivem no mundo adulto do trabalho, com responsabilidades sociais e familiares, com valores éticos e morais formados a partir da experiência, do ambiente e da realidade cultural em que estão inseridas. O que se percebe é que as maiorias das alunas da EJA da rede pública são trabalhadora, dona de casa ou jovens que ainda não entraram no mercado de trabalho por falta de escolarização. São alunas com suas diferenças culturais, etnias, religião, crenças. Análise e Discussão dos Dados A pesquisa de campo foi realizada no Centro de Ensino Fundamental I do Riacho Fundo II, funcionando no turno da noite como Ensino Fundamental de Jovens e Adultos, onde foram entrevistadas 20 (vinte) alunas, sendo 10 (dez) do 1º segmento e 10 (dez) alunas do 2º segmento. Os dados contidos no questionário foram analisados em duas categorias: Sócio Ocupacional e Educacional. Tabela 01 Faixa Etária das Alunas da EJA Faixa Etária Frequência % 15 a 17 anos 18 a 21 anos 01 03 5,0% 15,0% 22 a 25 anos 26 a 29 anos 01 02 5,0% 10,% 30 a 33 anos 34 a 37 anos 01 02 5,0% 10,0% 38 a 41 anos 05 25,0% 42 a 45 anos 03 15,0% Acima de 50 anos 02 10,0% Total 20 100% Fonte: Alunas- CEF 01- Riacho Fundo II – 1º Sem/ 15 Categoria Sócio Ocupacional Naturalidade e Faixa Etária A maior parte das alunas que responderam ao questionário, 40,0% (quarenta por cento) são do Distrito Federal, em seguida vem o Nordeste com 35,0%, (trinta e cinco por cento), e da região Norte com 15,0% (quinze por cento). E por último a região Sudeste com 10,0% (dez por cento) (conforme Gráfico 01). Dessa amostra constatou-se também que 5,0% (cinco por cento) das alunas são adolescentes, 15,0% (quinze por cento) são jovens, 70,0% (setenta por cento) são adultas e 10,0% (dez por cento) são idosos. (Observar dados da Tabela 01). Gráfico 01 Naturalidade das Alunas da EJA. 15% 10% Conforme verificado na pesquisa teórica as turmas da EJA, são heterogêneas, um indicador que confirma a afirmativa é o intervalo encontrado na faixa etária das alunas entrevistadas de 15 a 58 anos. Outro fator é o de migração para o Distrito Federal, por motivos como busca de emprego e melhoria da qualidade de oportunidades e consequentemente de vida. Estado Civil e Filhos No que diz respeito ao estado civil a maioria das alunas são solteiras, somando 55,0% (cinquenta e cinco por cento) e casadas somam 45,0% (quarenta e cinco por cento). Porém, constatou-se que mesmo solteira 75,0% (setenta e cinco por cento) já possuem filhos e somente 25,0% (vinte e cinco por cento) não possuem filhos. Para as mulheres que possuem filhos pequenos esse pode ser também um dos obstáculos para concluírem seus estudos (Ver Gráfico e Tabela 02). 40% Gráfico 02 35% Distrito Federal Região Nordeste Região Norte Região Sudeste Fonte :Alunas- CEF 01- -Riacho Fundo II – 1º Sem/ 15 Estado Civil das Alunas da EJA Renda das Alunas da EJA 25% 45% 75% 55% 1 Salário mínimo 2 Salários mínimos Casadas Solteiras Fonte: Alunas- CEF 01- Riacho Fundo II – 1º Sem/ 15 Fonte: Alunas- CEF 01- Riacho Fundo II – 1º Sem/ 15 Tabela 02 Possui Filhos? Quantos Não possui Um filho Dois filhos Três filhos Total Frequência % 05 03 05 07 20 25,0% 15,0% 25,% 15,0% 100% Fonte: Alunas- CEF 01- Riacho Fundo II – 1º Sem/ 15 A modalidade EJA é uma opção para mulheres que não tiveram acesso escolar na idade regular, seja pelo motivo de ter casado cedo, ter filhos nova e não tiveram oportunidade para estudar. Renda e Ocupação No tocante à ocupação das alunas entrevistadas no Centro de Ensino Fundamental 01, do Riacho Fundo II, observa-se que, entre as alunas acima de 15 anos, 80,0% (oitenta por cento) tem atividade remunerada e trabalham em média de 8 a 12 horas por dia. A maioria recebe um salário mínimo, e somente 25,0% (vinte e cinco por cento) recebem dois salários mínimos. Ver gráfico abaixo. Gráfico 03 No que diz respeito à ocupação das alunas, que trabalham o Setor Terciário envolve todas as alunas. A inserção das mulheres no mercado de trabalho traz mudanças no modo como ela passa a se relacionar com a escola, pois, procuram nos estudos melhores ocupações e melhores salários. Tabela 03 Cargo ou Função que Ocupa Atualmente Cargo ou Função Auxiliar de cozinha Cabeleireira Camareira Copeira Costureira Cozinheira Empregada doméstica Estagiária Faxineira Gerente de restaurante Serviços gerais Vendedora Do lar Total Frequência % 01 5,0% 01 01 01 01 01 03 5,0% 5,0% 5,0% 5,0% 5,0% 15,0% 01 01 01 5,0% 5,0% 5,0% 03 01 04 20 15;0% 5,0% 20,0% 100% Fonte: Alunas- CEF 01- Riacho Fundo II – 1º Sem/ 15 Categoria Educacional A maior parte dos impedimentos apontada pelas entrevistadas refere-se às necessidades econômicas, que estas mulheres tiveram na infância que as obrigaram a se inserir no mercado de trabalho, esse foi o principal motivo de abandono da rede escolar de ensino regular. Após um longo período, as mulheres sentiram a necessidade de retornar os estudos para conseguir uma qualificação que lhes garanta um emprego melhor. Outro dado observado por meio da pesquisa é a demonstração de que a maioria das alunas que estão matriculadas na EJA tem a pretensão de continuar seus estudos. Esta pretensão chegou a 100% entre as entrevistadas. A necessidade de trabalhar muito cedo, as dificuldades encontradas para ir à escola, o casamento a maternidade e a inexperiência dessas alunas fez com que os estudos ficassem de lado (Quadro 01). Quadro 01 Motivo para Abandonar ou não Frequentar a Escola Resposta Quantitativo Necessidade de trabalhar. Não entendia o que explicava na escola e/ ou não teve vontade de estudar. Maternidade Casamento Outros motivos. 08 03 03 04 02 Entre estes familiares, os filhos aparecem como aqueles que mais incentivaram a volta dos estudos de suas mães. Quadro 03 Motivos para Retornar a Estudar Respostas Quantitativo Encontrar um emprego 06 melhor. Ajudar os filhos nas 03 atividades escolares. Aprender ler e escrever. 08 Concluir os estudos. 03 Fonte: Alunas- CEF 01 – Riacho Fundo II DF – 1º Sem/15 Grande parte das entrevistadas apontou o desafio de conciliar trabalho, família e estudo como um dos maiores entraves para se manter na EJA. Várias alunas saem do trabalho direto para a escola, chegam cansadas e por isso acabam desistindo dos estudos (Quadro 04) Quadro 04 Fonte: Alunas- CEF 01 – Riacho Fundo II DF – 1º Sem/15 Interromper mais de uma vez os estudos é quase regra entre as estudantes da Educação de jovens e Adultos (Ver Quadro 02). Quadro 02 Quantas Vezes Tentaram Voltar a Estudar? Respostas 1 vez 2 vezes 3 vezes ou mais Nenhuma Quantitativo 03 03 06 08 Fonte: Alunas- CEF 01 – Riacho Fundo II DF – 1º Sem/15 Motivo para Retornar a Estudar O que leva a aluna desta escola procurar se escolarizar por meio da EJA é a busca de melhores oportunidades de emprego, mas junto disto, a aluna é levada a exercitar sua cidadania, podendo assim com as novas oportunidades vir a reelaborar seus objetivos. Para que isso se efetive, cabem as instituições educacionais a viabilização e o estímulo apropriado para que novas oportunidades sejam criadas. (Observar o quadro 03). A maioria das entrevistadas afirma que obteve apoio e incentivo para retornar os estudos, seja da mãe, dos filhos, do marido ou de outras pessoas como amigas ou colega de trabalho. Dificuldades Encontradas ao Voltar a Estudar Respostas Quantitativo Aprender a ler e escrever Dificuldade em português e matemática. Medo, violência, mora longe da escola. Dificuldade de conciliar trabalho, família e escola. 06 03 02 09 Fonte: Alunas- CEF 01 – Riacho Fundo II DF – 1º Sem/15 Os dados da pesquisa apontam que a expectativa das entrevistadas quanto a aquisição de conhecimentos refere-se à melhoria na qualidade de vida e na realização de atividades do cotidiano. E que com os estudos puderam aprender a se posicionar diante da vida e das pessoas, assim alcançando crescimento profissional e melhores oportunidades no trabalho (Ver quadro 05). Quadro 05 Respostas Quantitativo Aprenderam ler e escrever o próprio nome. Segurança para opinar, falar em público. No trabalho (salário, promoção, melhorias) 10 06 04 Fonte: Alunas- CEF 01 – Riacho Fundo II DF – 1º Sem/15 Desta forma a EJA se apresenta como uma estratégia para uma possível transformação social seja ela por meio de sua participação na sociedade ou ainda pela inserção ou melhora no campo do trabalho. Considerações Finais A educação na modalidade para Jovens e Adultos deve promover uma formação não só para o trabalho, mas aliar também a este currículo a formação para o exercício pleno da cidadania, para que esta formação não seja apenas de força de trabalho, mas também para a promoção de sujeitos críticos e autônomos promovendo uma ação educativa e social. Para um bom andamento e produtividades dos alunos da EJA, a aprendizagem deve ser significativa e prazerosa. Mas para que estas mudanças sociais aconteçam torna-se necessário que EJA possa propiciar a seus alunos uma formação ampla, multicultural, crítica, autônoma e que leve em conta as necessidades e peculiaridades de cada uma, para que o aprender seja amplo, que efetivamente faça parte da vida e seja por toda a vida, deixando para traz as marcas que a exclusão escolar causou. Portanto a EJA deve construir sua proposta comprometida com uma formação ampla do alunotrabalhador para que ele ganhe espaço tanto no setor produtivo como acadêmico. As expectativas que as mulheres apontam para o retorno escolar e a conclusão dos estudos é a vontade de conseguir um emprego melhor, não depender sempre dos outros, enfim, de concluir os estudos e até cursar uma faculdade. E com a EJA as alunas veem a oportunidade de realização dos seus sonhos. A concepção de mundo de uma pessoa que regressa aos estudos na idade adulta, muitas vezes após anos afastados da escola ou mesmo daquele adulto que está começando agora sua trajetória escolar, é bem peculiar. São pessoas que já formaram sua visão de mundo pelas experiências vividas e que têm suas crenças e valores já constituídos. Assim, é fundamental que o professor da EJA tenha a consciência da valorização do outro, é importante valorizar o conhecimento que este aluno possui, entretanto, o diálogo tem que estar presente nas aulas, o professor tem que usar uma linguagem simples e acessível. A prática da açãoreflexão- ação permite ao professor lançar estratégias para o sucesso do processo de ensinoaprendizagem. A principal função do educando na EJA é mediar, interagir o aluno com o meio, usar metodologias que favoreçam o processo de construção de conhecimentos. . Referências: 1 - ANDRADE, Sandra dos Santos. Juventude, processos de escolarização: Uma abordagem cultural. Porto Alegre: UFRGS, 2008. 2 - BARRETO, José Carlos da Motta. O processo de aprendizagem dos alunos e professores: trabalhando com a educação de jovens e adultos. 3 - CODEPLAN Companhia de Planejamento do Distrito Federal 2010 In: www.codeplan.df.gov.br/. Acesso: 07/03/2015. 4 - COSTA, Elisabete; ALVARES, Sônia Carbonell; BARRETO, Vera. Alunas e alunos da EJA: trabalhando com a educação de jovens e adultos.. Brasília: MEC, 2005. 50 p. (Trabalhando com a educação de jovens e adultos). ISBN 85 5 - NOGUEIRA, Vera Lúcia. Educação de Jovens e Adultos e gênero: um diálogo imprescindível à elaboração de políticas educacionais destinadas às mulheres das camadas populares. In.: SOARES, Leôncio. Aprendendo com a diferença- estudos e pesquisas em Educação de Jovens e Adultos, Belo Horizonte: Editora Autêntica, 2003. p.65-90. 6 - NORONHA, Elisiane Cristina de Sousa de F; VOLPATO, Teresinha Gascho. A Trajetória Educacional e Profissional da Mulher. FUMEC, 7 - RIBEIRO, Arilda, Inês Miranda. Hércules Florence de v.07, nº 02, p.63-76, julho-dez 2006. A Educação mulheres no século XIX: O Colégio de Carolina e Campinas (1863-1889). São Paulo: UNICAMP, 2003. 8 - SANCHES, Jaqueline de Sá Rampazzo; VIANA. Edite Maria Sanches; SILVA, Rosângela da, Miranda. A identidade do aluno e do professor da EJA. (15/07/20011) acesso em 20/09/20014. 9 -SANTOS, Ramaiane. Costa. SACRAMENTO, Sandra. Maria. Pereira. O Antes, o Depois e as Principais Conquistas Femininas. Revista Anagrama: Revista científica interdisciplinar da Graduação, MIDIATOGrupo de Estudos de Linguagem: Práticas Midiáticas, ECA-USP, 2011. 10 - SILVA, Solange Pereira da. Situação da educação de jovens e adultos em uma escola da rede pública de ensino. 2006. Disponível em htpp://forumeja.org.br. Acesso em: 15 de abr. 2015.