Redação Jurídica
Comunicação Escrita,
Clareza e Objetividade.
Metodologia de Produção Científica
Profª. Bruna Perseke
Programa
• Parte I – Redação Jurídica Geral – Contratos, Peças e Pareceres.
1.1 – Estruturação Formal: Panorama Geral da Língua Portuguesa:
ortografia oficial, concordância, parônimos, estrangeirismos e oralidade.
Expressões de uso incorreto.
1.2 – Semântica: coesão, coerência, argumentação e organização lógica do
pensamento. Pontuação e Sinais Gráficos. Redundância, tautologia e
fragmentação do raciocínio. Tópicos frasais.
• Parte II – Metodologia da Produção Científica – Redação
Acadêmica – Trabalho de Conclusão do Curso.
2.1. Metodologia Científica - Estruturação Formal do pensamento.
2.2. Aplicação da Metodologia Científica à elaboração do Trabalho de
Conclusão de Curso (TCC)
• Parte III – Exercícios. Compreensão e expressão. Análise e
correção de erros.
Organograma
• TRIVIUM (três artes liberais da cultura grega
antiga)
– Gramática – Regras para expressão organizada e
inteligível do pensamento. PARTE I.
– Retórica – método de convencimento pelo discurso –
técnicas de redação para sustentação de argumentos.
PARTE II.
– Dialética – método de obtenção do conhecimento por
meio de questionamentos. PARTE III.
Parte I
Redação Jurídica Geral – Português
para Contratos, Peças e Pareceres
A importância da
capacidade de expressão
“Estou a ouvir-me gritar dentro de mim,
mas já não sei o caminho da minha
vontade para a minha garganta.”
Fernando Pessoa. In Poemas Dramáticos. O Marinheiro,
Drama Estático em Um Quadro.
1.1 – Estruturação Formal –
ortografia e prosódia (fonética)
arguir, arguí (eu), arguimos (nós não
se acentua porque é paroxítona)
Cataclismo
Digladiar
Empecilho
Elucubração
Exceção
Fluido, Gratuito, Fortuito
Hesitar (titubear) X êxito (sucesso)
Ibero (bé)
Ímprobo
Ínterim
Laje
Má-criação (mas malcriado)
Mestria (e não maestria)
Ojeriza
Rubrica (i)
Ruim (i)
Surripiar (e não surrupiar)
Tábua
1.1 – Estruturação Formal –
ortografia e prosódia (fonética)
• Plural com metafonia (alteração do “o”, de
fechado para aberto). Exemplos:
–
–
–
–
–
–
–
–
Aposto
Contorno
Esforço
Socorro (primeiros-socorros)
Poço
Destroço
Estorvo
Troco
1.1 – Estruturação Formal
Parônimos e homófonos
• Sessão (reunião ou divisão de tempo) / Seção
(divisão de espaço)/ Secção (corte, divisão de
matéria) / Cessão (ato de ceder);
• Descrição/ Discrição
DA DISCRIÇÃO
Não te abras com teu amigo
Que ele um outro amigo tem.
E o amigo do teu amigo
Possui amigos também...
Mário Quintana
1.1 – Estruturação Formal
Parônimos e homófonos
• Aprender (absorver conhecimento) /Apreender (reter, capturar).
• Apressar/ Apreçar (estabelecer o preço).
• Afim (denota afinidade, correlação, compatibilidade) / A fim (com
a finalidade de, interessado em (coloquial)).
• Cassar (retirar direitos)/ Caçar.
• Dispêndio (substantivo)/ Despender (verbo).
• Dispensa/ Despensa.
• Despercebido (não percebido)/ Desapercebido (desprevenido).
• Deferir (atender a pedido)/ Diferir (distinguir)/ Desferir (golpes).
• Aresto (decisão de Tribunal que serve de paradigma para solução
de casos análogos)/ Arresto (apreensão judicial de bens não
litigiosos do devedor para garantir execução).
1.1 – Estruturação Formal
Parônimos e homófonos
• Discriminar (discernir, separar)/ descriminar (retirar a
culpa).
• Degredar (exilar)/ degradar (perder a dignidade).
• Diserto (que se exprime com facilidade, eloqüente)/
deserto (clima ou ato processual praticado sem o devido
cumprimento das formalidades pecuniárias a ele
associadas).
• Eludir (evitar com destreza)/ elidir (promover a elisão,
eliminar, suprimir).
• Extremo (derradeiro)/ estreme (isento).
• Espiar (olhar)/ expiar (sofrer pena).
• Iminência (prestes a)/ eminência (elevação).
1.1 – Estruturação Formal
Parônimos e homófonos
• Instância (distribuição de jurisdição)/ estância
(morada)/ entrância (distribuição do judiciário).
• Fecundo (fértil)/ facundo (eloqüente);
• Fictício (imaginário)/ factício (artificial)/ factótum
(indivíduo incumbido de todos os negócios de outrem,
indispensável. Sentido irônico: aquele que se presume
onipotente)
• Incipiente (principiante)/ insipiente (ignorante)
• Infringir (transgredir)/ infligir (aplicar pena);
• Incontinenti
(imediatamente)/
incontinente
(imoderado);
1.1 – Estruturação Formal
Parônimos
• Intercessão (ato de interceder)/ intersecção ou interseção
(corte ou parte em comum, quando concernente a conjuntos)
• Lustre/ lustro (qüinqüênio);
• Mandado (ordem)/ mandato (contrato de representação)
• Proeminente (saliente)/ preeminente (primazia, ilustre);
• Preito (homenagem)/ pleito (pedido, competição)
• Raptar (crime)/ reptar (opor-se a, desafiar);
• Rebuliço (grande ruído)/ reboliço (que tem forma de
rebolo);
• Taxar (instituir taxa)/ tachar (censurar);
• Vultuoso (inchado)/ vultoso (volumoso)
1.1 – Estruturação Formal
Hífen – Regra Geral
• Regra geral: palavras iniciadas por
vogal, H, R ou S são separadas do prefixo
por hífen.
Exemplos:
contramestre,
subclasse,
contracheque,
supramencionado,
supracitado.
1.1 – Estruturação Formal
Hífen – Regras Especiais
• Prefixos auto, contra , extra, infra, intra,
neo, pseudo, proto, semi, supra e ultra
separam-se das palavras iniciadas por
vogal, H, R e S. Ex.: contra-regras.
• Prefixos anti, ante, arqui e sobre
separam-se das palavras iniciadas por H,
R e S. Ex.: anteontem, sobrestar, sobrehumano.
1.1 – Estruturação Formal
Hífen – Regras Especiais
• Prefixo supra separa-se das palavras
iniciadas por vogal, R e S. Ex: suprasumo.
• Prefixos hiper, inter e super separam-se
das palavras iniciadas por H e R.
• Prefixos ab, ad, ob, sob e sub separam-se
das iniciadas por R (e sub também se
separa das iniciadas por B).
1.1 – Estruturação Formal
Hífen – Regras Especiais
• Prefixos pan, mal e circum separam-se das
palavras iniciadas por vogal ou H.
• Prefixo bem separa-se de palavras autônomas,
que não sejam meras flexões verbais. Ex.: bemaventurado, bendito.
• Prefixo sem, sota, soto, vizo, vice, aquém, além
e ex são sempre separados por hífen
• Prefixos entre, bis e bi nunca se separam por
hífen.
1.1 – Estruturação Formal
Hífen – Reforma Ortográfica
• Não se usará mais quando:
– O segundo elemento começa com s ou r, devendo-se
duplicar estas consoantes. Ex: antirreligioso,
antissemita, contrarregra, infrassom. Exceção: será
mantido o hífen quando os prefixos terminam com r
(hiper, inter e super);
– Quando o prefixo termina em vogal e o segundo
elemento começa com uma vogal diferente
(extraescolar, aeroespacial, autoestrada).
1.1 – Estruturação Formal
Verbos - Regência
• Verbos Transitivos Diretos (VTD) importantes:
– “visar” (no sentido de mirar, apontar);
– “implicar” e “acarretar”. Diferença para os verbos
sinônimos “resultar” e “importar”;
– “atender” (sentido de acatar. Ex.: Não costuma
atender os meus conselhos; sentido de receber Ex.:
Não atendeu o cliente; sentido de deferir. Ex.:
Atender as reivindicações; dar atenção a, prestandolhe um serviço ou servir Ex.: Atendeu o cliente .)
1.1 – Estruturação Formal
Verbos - Regência
• Verbos Transitivos Indiretos importantes:
– visar (sentido de objetivar. Ex.: “visando a obtenção de um bom
acordo” – o “a” é preposição);
– agradar (sent. de satisfazer);
– assistir (sent. de atuar como espectador ou caber, no caso de “assistir
a alguém um direito”);
– aspirar (sent. de desejar);
– atender (prestar atenção Ex.: Atendeu à observação que lhe fizeram;
considerar Ex. Não atendeu ao pedido; prestar auxílio a Ex.: Atendeu
aos exilados; responder Ex.: Atender a um chamado);
– querer (sent. estimar);
– custar (sent. ser difícil);
– proceder (sent. iniciar diligência);
– obedecer, desobedecer, revidar e responder (ex.: responder à
pergunta).
1.1 – Estruturação Formal
Verbos – Regência
•
Verbos Transitivos Diretos e Indiretos
importantes: acordar (sentido de estabelecer
acordo). Ver exemplo (quatro erros):
“Acordam os Desembargadores integrantes da Décima
Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado, à
unanimidade, em dar parcial provimento a ambas as
Apelações, e, por maioria, alteraram a sucumbência,
vencido o revisor.”
1.1 – Estruturação Formal
Verbos - Regência
1.
2.
3.
4.
“À unanimidade” – não equivale a “por unanimidade,
mediante unanimidade”. Não há crase, porque
“unanimidade não vem precedida de artigo.
“acordam (...) em dar provimento”. O verbo é TDI. Não
existe esta preposição.
“,e,” (“e” entre vírgulas). Não existe a primeira vírgula.
“acordam” e “alteraram”. Ausência de cronologia.
Substituir por “alteram”.
1.1 – Estruturação Formal
Verbos
•
Verbos impessoais (que só se conjugam na 3ª pessoa do
singular):
a) FAZER, SER e ESTAR indicando tempo e
temperatura.
Ex.: Faz três meses que não o vejo.
b) HAVER (no sentido de EXISTIR)
Ex.: Há muitas pessoas aqui, portanto, há de haver muitas
oportunidades de se fazer boas amizades.
OBS:Nesta regra incluem-se as locuções verbais
correspondentes, como “deve haver”, e as expressões
compostas pelo verbo haver, como “haja vista”.
1.1 – Estruturação Formal
Verbos
• Casos especiais de concordância:
1. Sujeito coletivo – verbo na 3ª p. do singular.
Ex.: A alcatéia subiu a montanha. Mas: A caravana
de egípcios seguiu (ou seguiram) viagem.
2. Sujeito singular, com/ sem artigo plural:
Ex.: Estados Unidos é um país grande. Mas os
Estados Unidos já foram apenas treze colônias.
1.1 – Estruturação Formal
Verbos
3. Pronome interrogativo como sujeito,
concorda o verbo com o pronome reto ou
com o interrogativo indefinido.
Ex.: Alguns de nós foram (ou fomos) ao
teatro ontem. Entretanto, somente poucos
de vós conseguiram (ou conseguistes)
entrar.
1.1 – Estruturação Formal
Verbos
4. Sujeito representado por qual, nenhum,
algum ou quem, seguidos de nós, vós ou
vocês – conjuga-se o verbo na 3ª p. do
singular.
Ex.: Algum de nós saiu escondido. Por isso,
um de vocês vai procurá-lo.
1.1 – Estruturação Formal
Verbos
5. Expressão mais de um – verbo concorda com o
substantivo que o acompanha
Ex.: Mais de um aluno obteve grau máximo na
prova.
Exceção: reciprocidade ou repetição.
Ex.: Mais de um jogador abraçaram-se ao final do
jogo.
Ex.2: Mais de um computador e mais de um
televisor foram danificados (ou danificaram-se)
pelo raio.
1.1 – Estruturação Formal
Verbos
6. Sujeito representado pelo pronome
relativo QUE – verbo concorda com o
antecedente.
Ex.: Foste tu que arrumaste a mesa?
Sois vós aqueles que ora são acusados?
Sou eu que devo desculpas.
1.1 – Estruturação Formal
Verbos
7. Sujeito QUEM, concorda-se o verbo com
a 3ª pessoa do singular ou com o
antecedente.
Ex.: Sou eu quem deve (concordando com
quem, ou devo, concordando com o
antecedente eu) desculpas.
1.1 – Estruturação Formal
Verbos
8. Sujeito composto
Ex.: João e Maria são personagens.
(ele+ela=eles)
Joana e eu estamos preparadas para a corrida.
(ela+eu=nós)
Tu e Joaquim também correreis no sábado.
(tu+ele=vós, mas também se aceita correrão,
como se o sujeito fosse vocês.)
1.1 – Estruturação Formal
Verbos
• Sujeito composto de sinônimos, o verbo
pode vir no singular:
Ex.: O pior era (ou eram) a tensão, a
apreensão, a expectativa.
• Sujeito composto resumido no final –
conjuga-se com verbo na 3ª pessoa do sing.
Ex.: O dia, a noite, tudo me aborrece.
1.1 – Estruturação Formal
Verbos
• Sujeito composto das expressões “nem um
nem outro”, “um e outro” ou que se refira a
percentual – conjugação facultativa.
Ex.: Nem um nem outro compareceu (ou
compareceram) ao evento.
Ex.2: Oitenta por cento dos brasileiros acorda
(acordam) cedo.
1.1 – Estruturação Formal
Verbos
• Sujeito composto alternativo – conjugação
obrigatória no singular quando forem opções que
se excluem mutuamente.
Ex.: João ou Pedro casará com Maria.
• Sujeito composto unido por com:
– Sem vírgula, conjugação facultativa.
Ex.: João com José foi (ou foram) ao cinema.
– Com vírgula, conjugação no singular.
Ex.: João, com seus sobrinhos japoneses, foi ao parque.
1.1 – Estruturação Formal
Verbos
•
•
•
•
•
•
Verbo interagir (eu interajo);
Verbo prever (ele previu);
Verbo intervir (ele interveio);
Verbo interpor (eu interpus);
Verbo reaver (eu reouve).
Verbos defectivos importantes. Ex.: falir. Só se
conjuga nas formas em que ao lado da raiz seguir
a vogal temática “i” (eu fali, tu faliste, ele faliu
etc.)
1.1 – Estruturação Formal
Concordância Nominal
• Mesmo, próprio e só: concordam com o
substantivo ou pessoa a que se referem.
Ex.: Eu mesma redigi o texto (suj. fem.). Eles
próprios fizeram a revisão. Vós mesmos
sereis contratados para elaborar a crítica.
• Tal qual – plural: tais qual.
Ex.: Os filhos eram tais qual o pai.
1.1 – Estruturação Formal
Pronomes
• Dupla função dos pronomes demonstrativos:
(i) deíctica - situar no tempo ou no espaço a
pessoa ou coisa designada em relação à pessoa
gramatical; ou
(ii) anafórica – lembrar ao ouvinte ou leitor o que
já foi mencionado ou o que se vai mencionar.
• Pronome de tratamento – diferença entre esse(a,s),
este(a,s) e aquele(a,s). A regra geral conhecida:
este aqui, esse aí, aquele lá.
1.1 – Estruturação Formal
Pronomes – Este, Esta e Isto.
•
(a)
Indicam:
O que está perto de quem fala.
As mãos que trago, as mão são estas.
Cecília Meireles
(b) O tempo presente em relação a quem fala.
Ex.: Dia chuvoso, este para o qual agendamos nossa reunião.
•
Também são utilizados para chamar atenção para aquilo que
dissemos ou vamos dizer.
Minha tristeza é esta –
A das coisas reais.
Fernando Pessoa.
1.1 – Estruturação Formal
Pronomes – Esse, Essa e Isso.
•
(a)
Indicam:
O que está perto da pessoa a quem se fala.
Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.
C. Drummond de Andrade. In Taciturno.
(b) O tempo passado ou futuro em relação a quem fala.
Ex.: Bons tempos, esses a que você se refere.
•
Também são utilizados para nos referirmos ao que foi por nós
antes mencionado ou foi dito por nosso interlocutor.
-Você, perdendo a noite, é capaz de não dormir de dia?
-Já tenho feito isso.
Machado de Assis
1.1 – Estruturação Formal
Pronomes – Aquele, Aquela e Aquilo
• Aquele, aquela e aquilo denotam:
(a) O que está afastado tanto de quem fala
quanto de a quem se fala.
Mãos de finada, aquelas mãos de neve.
Alphonsus de Guimarães. In Ossa Mea.
(b) Um tempo distante e vago, época remota.
1.1 – Estruturação Formal
Pronomes
• Expressões fixas:
Além disso; isto é; isto de; por isso (raramente
por isto); nem por isso.
• Expressão inadequada: “um certo” (dupla
referência à indefinição)
1.1 – Estruturação Formal
Pronomes
• Pronomes átonos: ME, TE, SE, LHE, LHES, O, A, OS AS,
NOS VOS.
• Ênclise (pronome depois do verbo): obrigatória em caso de
início de período. Ex.: Fale-me sobre o caso.
• Mesóclise (pronome em meio ao verbo). Só para verbos no
futuro do presente (ex.: saberei) e futuro do pretérito (ex.:
saberia). Pronome substitui o sujeito.
Ex.: Sabê-lo-ei amanhã cedo.
Parte I – Estruturação Formal
Pronomes
• Próclise (pronome antes do verbo): obrigatória no caso de
verbos, advérbios, conjunções ou pronomes que atraiam o
pronome átono. Ex.: ninguém, que, eu, não, muito, pouco etc.
Ex.: É importante que se vá antes da meia-noite.
Ex.2: Se não o dissesse naquele momento, depois seria tarde
demais.
DAS UTOPIAS
Se as coisas são inatingíveis... ora!
Não é motivo para não querê-las...
Que tristes os caminhos, se não fora
A presença distante das estrelas!
Mário Quintana. In Espelho Mágico.
1.1 – Estruturação Formal
Por que/ Porque/Por quê/ Porquê
• Por que – utilizado, em geral, para formular
perguntas. Como regra, é passível de
substituição por “por qual razão” ou por “pelo
qual” e suas variações.
• Porque – conjunção subordinativa causal ou
final ou coordenativa explicativa. É utilizado,
em geral, em respostas. Pode ser substituído
por “já que”, “pois” ou “a fim de que”.
• Por quê – forma utilizada sempre ao final da
frase, independentemente do sentido.
• O porquê – substantivo.
1.1 – Estruturação Formal
Estrangeirismos
• Anglicismos
Cota Zero
Stop
A vida parou
ou foi o automóvel?
Carlos Drummond de Andrade
• Galicismos
Poema de sete faces
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
Carlos Drummond de Andrade
1.1 – Estruturação Formal
Estrangeirismos
• Aforismos e expressões em Latim.
• Ponderação: utilidade, necessidade, adequação
em relação ao interlocutor.
• Possibilidade de substituição (performance X
desempenho, approach X abordagem).
• Incorporação/aportuguesamento (software).
• Termos técnicos (habeas corpus, habeas data,
hedge, droit de saisine, droit de suite).
1.1 – Estruturação Formal
Estrangeirismos
•
2004.001.03224 - APELAÇÃO CIVEL DES. LUIZ FERNANDO DE
CARVALHO - Julgamento: 04/11/2004 - TERCEIRA CAMARA CIVEL
TJRJ
CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. DROIT DE SAISINE. DECISÃO
DENEGATÓRIA DE SUBSTITUIÇÃO PROCESSUAL, DECLARANDO A
LEGITIMIDADE DA UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE
JANEIRO - UERJ PARA PROSSEGUIR COMO CURADORA DOS BENS
ARRECADADOS DE FINADA QUE NÃO DEIXOU HERDEIROS
CONHECIDOS. PRETENSÃO DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO EM
APELAÇÃO, VOLTADA CONTRA DECISÃO DE NATUREZA
INTERLOCUTÓRIA, MAS APRESENTADA NO PRAZO ESPECIAL DE
APELAÇÃO PELO ENTE PÚBLICO. INADMISSIBILIDADE DE SEU
CONHECIMENTO, PELA GRAVIDADE DO ERRO E PELO
DESCUMPRIMENTO DO PRAZO RECURSAL. INAPLICABILIDADE DO
PRINCÍPIO DA FUNGIBILIDADE RECURSAL. NÃO CONHECIMENTO
DO APELO.
1.1 – Estruturação Formal
Estrangeirismos
•
2004.001.11753 - APELACAO CIVEL JDS.DES.HORACIO S RIBEIRO NETO Julgamento:
31/08/2004
QUARTA
CAMARA
CIVEL
TJRJ
DIREITO AUTORAL
PROPRIEDADE INTELECTUAL
SOFTWARE
RESPONSABILIDADE PELO USO INDEVIDO
OBRIGACAO DE INDENIZAR
Ação de indenização por danos materiais decorrentes de posse e utilização indevida de
programa de computador. Cada programa em um só computador. Constatada a
utilização do mesmo programa em mais de computador, bem como a utilização de
programas sem número de série ou com este adulterado, deve a usuária indenizar a
titular do programa o valor destes. A posse de programa fraudulento,
independentemente de sua instalação ou não, faz surgir a obrigação de indenizar.
Indenização que se fixa no valor do programa, afasta a pré-fixação prevista no art. 103,
§ único, L. 9.610/98, porquanto conhecida a extensão do dano. Apelação da ré a que se
nega provimento, provendo-se parcialmente a da autora.
1.1 – Estruturação Formal
Expressões de uso incorreto
•
Através – advérbio que traduz a idéia de transposição de obstáculo, de
atravessar algo, ir de lado a lado. Não se confunde com “por meio de” ou
“mediante”.
Processo administrativo. Infração à ordem econômica. Formação de cartel entre
empresas jornalísticas atuantes no Estado do Rio de Janeiro. Coesão do conjunto
probatório. Aumento concertado de preços divulgado através de publicação na imprensa.
Posição dominante do grupo. Interveniência do Sindicato da categoria. Exegese do
artigo 20 da Lei nº 8.884/94. Conduta caracterizada. Aplicação de multa pecuniária e
penalidades acessórias. Exclusão da imputação capitulada no art. 21, inciso XXIV, da
Lei nº 8.884/94.[1]
[1] Processo administrativo nº 08012.002097/99-81, Representante: Secretaria de
Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda – SEAE/MF; Representados:
Sindicato das Empresas Proprietárias de Jornais e Revistas do Município do Rio de
Janeiro; Editora O Dia S/A, Infoglobo comunicações Ltda. e Jornal do Brasil S/A,
conselheiro-Relator Ricardo Villas Bôas Cueva, j. em 09.03.2005.
1.1 – Estruturação Formal
Expressões de uso incorreto
• A locução conjuntiva “posto que”
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.
Vinícius de Moraes
“É oportuno, aliás, advertir que o disposto no art. 544, §§3º e 4º, e no art. 557,
ambos do Código de Processo Civil, desvela o grau da autoridade que o
ordenamento jurídico atribui, em nome da segurança jurídica, às súmulas e,
posto que não sumulada, à jurisprudência dominante, sobretudo desta Corte, as
quais não podem desrespeitadas nem controvertidas sem graves razões
jurídicas capazes de lhes autorizar revisão ou reconsideração.”
STF - Agravo Regimental no AI 481.879 RS.
1.1 – Estruturação Formal
Expressões de uso incorreto
• Inadequação do uso do pronome relativo
“onde” em substituição a “no(a) qual”.
Ex.: “o dia onde se descobriu a verdade”
• Diferença entre onde (o lugar em que) e
aonde (o lugar a que, para onde).
• Início de período com “e” ou “mas” –
oralidade.
1.1 – Estruturação Formal
Expressões de uso incorreto
• Início de período por “pois” – exceção (interjeição).
“- Pois sim, disse ele, convenho em que deves morrer, mas há de ser amanhã.
Cede da tua parte, e vem passar a noite comigo. Nestas últimas horas que tens
de viver na terra, dar-me-ás uma lição de amor, que eu te pagarei com outra de
filosofia.”
Machado de Assis. In A mão e a Luva.
• Uso mais comum: “pois” enquanto conjunção coordenativa
conclusiva ou explicativa .
“É necessário abrir os olhos e perceber que as coisas boas estão dentro
de nós, onde os sentimentos não precisam de motivos nem os desejos
de razão. O importante é aproveitar o momento e aprender sua
duração, pois a vida está nos olhos de quem saber ver."
Gabriel Garcia Marques
1.1 – Estruturação Formal
Expressões de uso incorreto
• Contração da preposição “de” com o
artigo definido quando o artigo faz parte
do sujeito de um verbo no infinitivo:
– “O fato de o Brasil viver uma recessão”, e
não “o fato do Brasil viver uma recessão”.
A preposição rege o infinitivo e não o
sujeito.
1.1 – Estruturação Formal
Expressões de uso incorreto
•
À custa de - locução prepositiva que não admite
elementos no plural, constituindo expressão fixa na
gramática portuguesa.
Ex.: Fixam-se os honorários à custa da demandada. (equivale
a “às expensas da demandada”)
•
Extemporâneo (ato praticado antes de iniciado o
decurso do prazo) X Intempestivo (ato praticado
depois de decorrido o prazo regular)
1.1 – Estruturação Formal
Expressões de uso incorreto
• Ir de encontro a – significa não se coadunar
com algo, não ser compatível, estar em conflito,
contradizer, contrariar.
• Ir ao encontro de – ao contrário, significa estar
alinhado com.
Ex.: O argumento sustentado pelo réu foi de
encontro às provas anteriormente trazidas ao
processo. (o que o réu disse estava em contradição
com as provas até então apresentadas)
1.1 – Estruturação Formal
Expressões de uso incorreto
• ERRADO
–
–
–
–
–
–
–
–
–
Ao meu ver
A nível de
À medida em que
Ao mesmo tempo que
Apesar que
Na surdina
A longo prazo
Ao ponto de
Um certo
• CERTO
–
–
–
–
–
–
–
–
–
A meu ver
Em nível de
Na medida em que
Ao mesmo tempo em que
Apesar de que
À surdina
Em longo prazo
A ponto de
Um / certo
1.2 – Semântica
Coesão e Coerência
• Conjunções são o conectivo que relaciona as orações e
as idéias, respondendo pela coerência dos períodos e,
em última análise, do próprio texto. Subdividem-se
em:
• Conjunções coordenativas
Aditivas – e, nem, mas também, mas ainda;
Adversativas – mas, porém, contudo, todavia, no entanto, entretanto;
Alternativas – ou, ou...ou, ora...ora, quer...quer, já...já, seja...seja;
Conclusivas – logo, portanto, então, pois (após o verbo);
Explicativas – porque, que, pois (antes do verbo)
1.2 – Semântica
Coesão e Coerência
• Conjunções subordinativas
Causais: porque, visto que, já que, uma vez que,
como;
Comparativas: tanto quanto;
Consecutivas: que, precedido de tão, tal, tanto;
Concessivas: embora, se bem que, ainda que,
mesmo que, por mais que, por menos que,
conquanto;
Condicionais: se, caso, contanto que, desde que.
1.2 – Semântica
Coesão e Coerência
Conformativas: conforme, segundo, consoante, como (de
acordo com);
Finais: a fim de que, para que, que;
Integrantes: se e que. Ligam orações subordinadas
substantivas e não se antecedem de vírgulas.
Proporcionais: à proporção que, à medida que, quanto
mais, quanto menos;
Temporais: quando, enquanto, logo que, desde que, assim
que.
1.2 – Semântica
Coesão e Coerência
• Conjunções raras:
– Outrossim (igualmente, também,
assim);
– Inobstante/ não obstante (embora);
– Conquanto (embora); e
– Malgrado (embora).
bem
1.2 – Semântica
Pontuação e Sinais Gráficos
• Dois-pontos – anunciam citação, enumeração
explicativa, esclarecimento, síntese ou conseqüência do
que foi enumerado.
A razão é clara: achava a sua conversação
menos insossa que a dos outros homens.
Machado de Assis
1.2 - Semântica
Pontuação e Sinais Gráficos
• Ponto-e-vírgula – denota a mudança de perspectiva de
um pensamento delineado na primeira oração,
complementando-a, embora guarde relação de
independência formal.
“Quem olha para fora, sonha;
quem olha para dentro, desperta!"
Carl Gustav Jung
“Não sabe mostrar-se magoada;
é toda perdão e carinho.”
Machado de Assis
1.2 - Semântica
Pontuação e Sinais Gráficos
• Travessão – interrupção mais longa para explicação particular.
“A sentença, ao apreciar os feitos de forma conjunta, julgou
procedente a ação cautelar de produção antecipada de provas para
homologar o laudo pericial - nesse ponto, nenhum reparo deve ser
feito à decisão da magistrada a quo – e parcialmente procedente a
indenizatória para,
• Condenar as demandadas ao pagamento de indenização,
correspondente a cinco vezes o valor constante da nota fiscal n. 621 –
R$ 12.006,03;
• Proibir as demandadas de utilizar cópias de programas da Autora sem
licença, sob pena de aplicação de multa diária de cinco salários
mínimos, piso nacional; e
• Determinar a realização de vistoria quinzenal, por noventa dias, às
expensas das rés.”
Apelação Cível nº 70006676407/ 2003 – 10ª CC do TJRS
1.2 – Semântica
Pontuação e Sinais Gráficos
• Crase
Epitáfio
A vida é noite! o sol tem véu de sangue...
Tateia a sombra a geração descrida!...
Álvares de Azevedo. In Lira dos Vinte Anos.
• Diferença entre:
“Tateia à sombra a geração descrida!” – (a geração descrida
tateia algo que se encontra à sombra, na sombra)
“Tateia a sombra à geração descrida!” – (a geração descrida é
tateada pela sombra)
1.2 – Semântica
Pontuação e Sinais Gráficos
• Expressões com crase:
– às vezes – locução adverbial feminina. Não confundir
com “as vezes” substantivo: “as vezes em que chegou
cedo, dormiu tarde”
– à vontade, à disposição
– vis-à-vis
• Expressões sem crase
– Dia-a-dia
– Ensino a distância
1.2 Semântica
Orientação Lógica
• Ordem indireta. Prejuízo da compreensão.
Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem que passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.
Fernando Pessoa
1.2 Semântica
Orientação Lógica
• Textos intercalados/interpolados
• Problemas:
– Redundância;
Ex.: O argumento que foi anteriormente exposto.
– Tautologia (vício de linguagem);
Ex.: Contrato de cessão é aquele no qual se cede alguma
coisa a alguém.
– Fragmentação do Raciocínio.
Ex.: Apresentaram-se os argumentos. Elucidou-se a
questão.
• Proposta de Solução: Tópicos Frasais.
1.2 Semântica
Clareza, Coesão e Coerência
• Rebuscamento, profundidade e prolixidade.
Adjetivações.
“Portanto, e como bem ressaltou a magistrada
sentenciante, não há como ser precisada a data em
que as demandantes da cautelar tiveram
conhecimento da denúncia.”
1.2 Semântica
Pronomes de Tratamento
Esclarecer a relação que se tem com o destinatário (a quem falamos,
portanto, na 2ª pessoa), para se adequar os pronomes de
tratamento. O verbo acompanha a pessoa do pronome.
V. A.
– Vossa Alteza (Príncipes, arquiduques e duques)
V. Ex.ª – Vossa Excelência (altas autoridades do governo e oficiais
generais das forças armadas)
V. Mag.ª – Vossa Magnificência (reitores de universidades)
V. M. – Vossa Majestade (reis, imperadores)
V. S.
– Vossa Santidade (papas)
V.S.ª
– Vossa Senhoria (funcionários públicos graduados, oficiais até
coronel, pessoas de cerimônia em geral, na linguagem escrita)
OBS.: No caso de se falar sobre alguém, o pronome de tratamento
deve estar na terceira pessoa (Sua Senhoria, Sua Alteza etc.)
Reforma Ortográfica
• Acordo discutido na Comunidade de Países
de Língua Portuguesa (CPLP) e ratificado
por Brasil (2004), Cabo Verde (2006) e São
Tomé e Príncipe (2006). Não ratificado
ainda por Portugal, Angola, Guiné-Bissau,
Moçambique e Timor Leste.
Reforma Ortográfica
• Principais regras:
– Extinção do trema, exceto em nomes próprios e seus derivados
– Inclusão de K, W e Y no alfabeto.
– O acento agudo não se usará mais em:
• Ditongos abertos “ei” e “oi” de palavras paroxítonas, como
assembléia, idéia, heróica, jibóia;
• Nas palavras paroxítonas, com “i” e “u” tônicos, quando precedidos
de ditongo: feiúra, baiúca passam a ser feiura e baiuca.
• Nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com u tônico
precedido de “g” ou “q” e seguido de “e” ou “i”. Averigúe, apazigúe e
argúem passam a ser averigue, apazigue e arguem.
Reforma Ortográfica
• Extinção do acento diferencial entre:
–
–
–
–
Pára (verbo parar) e para (preposição);
Péla (verbo pelar) e pela (preposição+artigo);
Pólo (substantivo) e polo (antigo por+lo);
Pélo (verbo pelar), pêlo (substantivo) e pelo
(preposição+artigo);
– Pêra (fruta), péra (pedra, arcaico) e pera
(preposição arcaica).
Reforma Ortográfica
• Extinção do acento circunflexo em:
– Terceira pessoa do plural do presente do
indicativo ou do subjuntivo dos verbos: crer,
dar, ler e ver (creem, deem, leem, veem);
– Palavras terminadas com o hiato “oo” – enjoo e
voo.
Reforma Ortográfica
• No português lusitano serão extintos:
– O "c" e o "p" de palavras em que essas letras
não são pronunciadas, como "acção", "acto",
"adopção", "óptimo" -que se tornam "ação",
"ato", "adoção" e "ótimo“
– O "h" de palavras como "herva" e "húmido",
que serão grafadas como no Brasil -"erva" e
"úmido“.
Exercícios
Caso Gerador 1: Medidas necessárias
para se redigir uma mensagem
1) Elencar as informações pertinentes que serão tratadas na
mensagem – estabelecer, em forma de tópicos frasais, os temas a
serem abordados. Palavras-chave.
Exemplo:
• Evento com grupo de estrangeiros de ontem sem maiores problemas;
• Há excesso de cicerones/guias;
• Contato de Sicrano. Confirmar novo passeio, pois há compromissos no
sábado.
• Aguardando resposta para confirmar quarta-feira.
Caso Gerador 1: Medidas necessárias
para se redigir uma mensagem
2)
Estabelecer “ganchos” por meio dos conectivos e verbos.
Exemplo:
INFORMO QUE O programa de ontem com grupo de estrangeiros TRANSCORREU
sem maiores problemas.
CONTUDO, APARENTEMENTE há um excesso de guias, TENDO EM VISTA A
QUANTIDADE DE PESSOAS POR GRUPO.
NO MAIS, GOSTARIA DE CONFIRMAR OS DADOS FORNECIDOS NA
MENSAGEM de Sicrano SOBRE O novo passeio, PARA EVITAR CONFLITO COM
OUTROS compromissos no sábado. Por gentileza, informe A RESPEITO DO
EVENTO DE quarta-feira.
ATENCIOSAMENTE/CORDIALMENTE,
ASSINATURA
Considerações Finais
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1.1 – Estruturação Formal