Ivoney da Silva Oliveira
Simone Helen Drumond Ischkanian
Gladys Nogueira Cabral
Silvana Nascimento de Carvalho
António Manuel Domingos Caba
Gabriel Nascimento de Carvalho
Sygride Nascimento de Carvalho
Sandro Garabed Ischkanian
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO:
POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA
APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
São Paulo - SP
Clube de Autores e Pesquisadores.
SHDrumond Ischkanian – Publicações Independentes.
Filiada à Câmara Brasileira do Livro (CBL)
2026
Todo o conteúdo apresentado neste livro é de responsabilidade do(s) autor(es).
Esta publicação está licenciada sob CC BY-NC-ND 4.0
© 2026
Edição brasileira
by Clube de Autores e Pesquisadores Ed. Independetes.
Declaração de Registro do ISBN - DECISBN-26090910034
CBL Pedido #1094769
© 2026
Texto by Autores
Publicação independente com ISBN
Câmara Brasileira do Livro (CBL)
Site:
https://clubedeautoresepesquisadores.blogspot.com/
Editoração e formatação científica
© 2026 SHDrumond Ischkanian – Publicações Independentes
Design da capa e do livro
© 2026 SHDrumond Ischkanian – Publicações Independentes
Imagens da capa
Imagem gerada por inteligência artificial (IA), por meio do DALL·E, com base em
solicitação personalizada realizada no ChatGPT/OpenAI.
Revisão de texto
Os autores
© 2026 – Todos os direitos reservados.
DADOS INTERNACIONAIS DE CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO (CIP)
Ivoney da Silva Oliveira; Simone Helen Drumond Ischkanian; Gladys Nogueira Cabral; Silvana
Nascimento de Carvalho; António Manuel Domingos Caba; Gabriel Nascimento de Carvalho;
Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian. Inteligência artificial na
educação: possibilidades, limites e impactos na aprendizagem e autonomia dos estudantes. São
Paulo, SP: Clube de Autores e Pesquisadores – Publicações Independentes, Câmara Brasileira do
Livro, 2026.
E-book – Recurso eletrônico (PDF), 101 p.
ISBN: 978-65-977483-7-2
CAPPI 01/2026 – Obra com ISBN/CBL #1094769
Declaração de Registro do ISBN - DECISBN-26090910034 - CBL Pedido #1094769
1.
Inteligência artificial. 2. Educação. 3. Tecnologias educacionais. 4. Aprendizagem. 5.
Autonomia
dos
estudantes.
6.
Educação
e
tecnologia.
I. Oliveira, Ivoney da Silva et al I I. Título.
Índice para catálogo sistemático:
1. Inteligência artificial na educação. 2. Tecnologias educacionais. 3.
autonomia estudantil.
Aprendizagem e
RESPONSABILIDADE EDITORIAL
© 2026 - Clube de Autores e Pesquisadores – Publicações Independentes.
Simone Helen Drumond Ischkanian.
Equipe: © 2026 SHDrumond Ischkanian – Publicações Independentes.
Publicação registrada sob ISBN atribuído pela Câmara Brasileira do Livro (CBL).
© 2026 – Todos os direitos reservados.
PREFÁCIO
07
APRESENTAÇÃO
10
1. INTRODUÇÃO
15
2. DESENVOLVIMENTO
22
rrrd2.1. Inteligência Artificial na educação: conceitos, evolução e
22
fundamentos.
2.2. Possibilidades da Inteligência Artificial para a aprendizagem
27
dos estudantes.
2.3. Inteligência Artificial e personalização dos processos de ensino
30
SUMÁRIO
e aprendizagem.
2.4. Impactos da Inteligência Artificial no desenvolvimento da
34
autonomia dos estudantes.
2.5. Inteligência Artificial, pensamento crítico e construção do
37
conhecimento.
2.6. Tecnologias generativas e novas práticas pedagógicas no
40
contexto educacional.
2.7. Limites, riscos e desafios do uso da Inteligência Artificial na
47
educação.
2.8. Ética, privacidade, autoria e responsabilidade no uso da
50
Inteligência Artificial.
2.9. O papel do professor diante da expansão da Inteligência
52
Artificial na educação.
2.10. Inteligência Artificial e o futuro da aprendizagem:
55
perspectivas para uma educação humanizada e autônoma.
3. REFERENCIAL TEÓRICO
62
4. METODOLOGIA
77
5. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS
82
CONCLUSÃO
89
REFERÊNCIAS
90
AGRADECIMENTOS AOS AUTORES
93
POSFÁCIO
98
PREFÁCIO
A inteligência artificial vem ocupando um espaço cada vez mais significativo na
sociedade contemporânea e, consequentemente, no campo educacional. Sua presença nas
escolas, universidades e diferentes espaços de aprendizagem amplia possibilidades de acesso à
informação, produção de conhecimentos, personalização de estratégias pedagógicas e
desenvolvimento de novas formas de interação entre estudantes, professores e tecnologias.
Entretanto, ao mesmo tempo em que apresenta oportunidades relevantes, a inteligência artificial
também suscita questionamentos relacionados à ética, à autoria, à privacidade, à qualidade das
informações, à dependência tecnológica e à própria autonomia dos estudantes.
É nesse contexto de transformações que se insere a obra Inteligência artificial na
educação: possibilidades, limites e impactos na aprendizagem e autonomia dos estudantes, uma
produção que busca contribuir para a reflexão crítica sobre os caminhos que a educação vem
percorrendo diante da expansão das tecnologias inteligentes.
A utilização da inteligência artificial no ambiente educacional não deve ser
compreendida apenas como uma inovação tecnológica ou como substituição de práticas
pedagógicas tradicionalmente estabelecidas. Trata-se de uma transformação que envolve
dimensões pedagógicas, sociais, éticas e culturais. Quando utilizada de maneira responsável e
planejada, a inteligência artificial pode auxiliar na elaboração de atividades, na organização de
informações, na adaptação de recursos às diferentes necessidades de aprendizagem e na
ampliação das possibilidades de investigação e produção intelectual.
Todavia, a presença dessas ferramentas também exige cautela. O acesso rápido a
respostas e conteúdos não significa, necessariamente, aprendizagem efetiva. A educação
continua dependendo da capacidade humana de questionar, interpretar, estabelecer relações,
argumentar, criar, tomar decisões e atribuir significado ao conhecimento. Nesse sentido, a
tecnologia deve atuar como recurso de apoio ao processo educativo, e não como substituta da
reflexão, da mediação pedagógica e da participação ativa do estudante.
Um dos aspectos centrais abordados pela presente obra é justamente a relação entre
inteligência artificial e autonomia. O estudante precisa permanecer como sujeito do próprio
processo de aprendizagem, utilizando os recursos tecnológicos de maneira consciente, crítica e
responsável. A facilidade proporcionada pelas ferramentas de inteligência artificial não pode
resultar em passividade intelectual ou dependência permanente de respostas prontas. Ao
contrário, sua utilização pedagógica deve favorecer a curiosidade, a investigação, a criatividade,
a resolução de problemas e o desenvolvimento do pensamento crítico.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
7
.
Da mesma forma, cabe ao professor um papel essencial nesse cenário. A incorporação
da inteligência artificial à educação demanda profissionais capazes de compreender suas
potencialidades e limitações, selecionar recursos adequados, orientar os estudantes quanto ao uso
ético das tecnologias e desenvolver propostas pedagógicas que preservem a centralidade do
conhecimento e da formação humana. A tecnologia pode transformar práticas, mas é a
intencionalidade educativa que determina o sentido de sua utilização.
A expansão da inteligência artificial não ocorre de maneira uniforme entre estudantes,
escolas e diferentes contextos sociais. Portanto, discutir sua presença na educação também
significa refletir sobre inclusão digital, infraestrutura, formação docente e democratização do
acesso às tecnologias. Uma educação mediada por recursos tecnológicos somente poderá
contribuir para a equidade quando considerar as diferentes condições de acesso, participação e
aprendizagem existentes na sociedade.
Esta obra, portanto, convida o leitor a ultrapassar uma visão meramente entusiasta ou
pessimista acerca da inteligência artificial. Entre a promessa de uma educação altamente
personalizada e o risco de uma aprendizagem excessivamente automatizada, existe um amplo
espaço para o diálogo, a investigação e a construção de práticas responsáveis. O desafio
contemporâneo consiste em encontrar um equilíbrio no qual a inovação tecnológica esteja
articulada aos princípios educacionais, à ética, à autonomia, à inclusão e à valorização do ser
humano.
Mais do que apresentar respostas definitivas, esta publicação pretende estimular
perguntas e reflexões. Como utilizar a inteligência artificial sem comprometer a autonomia
intelectual? Como garantir que os estudantes continuem desenvolvendo pensamento crítico em
meio à abundância de respostas automatizadas? Quais são os limites éticos de sua utilização?
Como preparar professores e instituições para essa nova realidade? Essas questões demonstram
que a discussão sobre inteligência artificial na educação está em permanente construção.
Assim, esta obra constitui uma contribuição para professores, pesquisadores, estudantes,
gestores educacionais e demais leitores interessados nas relações entre educação e tecnologia. Ao
reunir reflexões sobre a presença da inteligência artificial no campo educacional, busca ampliar a
compreensão acerca das transformações que essas tecnologias podem produzir nos processos de
ensino e aprendizagem.
Seu propósito é fortalecer uma perspectiva crítica, consciente e humanizada, na qual a
inteligência artificial seja compreendida como um instrumento capaz de ampliar possibilidades
pedagógicas, favorecer novas formas de acesso ao conhecimento e apoiar diferentes estratégias
de aprendizagem. Entretanto, sua utilização deve permanecer vinculada aos objetivos
educacionais, à responsabilidade ética e aos valores que sustentam uma formação integral.
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
8
Espera-se que esta leitura contribua para o desenvolvimento de novos debates, pesquisas
e práticas pedagógicas, estimulando professores e estudantes a refletirem sobre as possibilidades
e os limites da inteligência artificial. Mais do que incorporar tecnologias ao cotidiano
educacional, torna-se necessário compreender como utilizá-las de maneira responsável, crítica,
inclusiva e comprometida com a aprendizagem e a autonomia dos estudantes.
Que esta obra possa colaborar para a construção de uma educação capaz de dialogar
com as tecnologias emergentes sem perder de vista aquilo que permanece essencial: a capacidade
humana de aprender, pensar, criar, questionar, conviver e transformar a realidade. Nesse
processo, a inteligência artificial pode oferecer novas possibilidades para a organização do
conhecimento, a personalização das experiências de aprendizagem, a produção de recursos
educacionais e o desenvolvimento de estratégias pedagógicas mais diversificadas.
A presença da inteligência artificial no cotidiano educacional também representa uma
oportunidade para repensar práticas, metodologias e formas de interação com o conhecimento.
Seu uso responsável pode favorecer ambientes de aprendizagem mais dinâmicos, investigativos e
colaborativos, desde que professores e estudantes estejam preparados para compreender tanto
seus benefícios quanto seus limites.
A inteligência artificial na educação significa, sobretudo, pensar no futuro da própria
educação. Significa reconhecer que as tecnologias continuarão avançando e que novas
ferramentas serão incorporadas aos espaços educativos, mas também compreender que o
progresso tecnológico precisa estar acompanhado de reflexão pedagógica e compromisso
humano. Que os leitores desta obra encontrem nestas páginas elementos para questionar,
dialogar, pesquisar e construir novas possibilidades, contribuindo para uma educação em que a
inteligência artificial não seja um fim em si mesma, mas um recurso colocado a serviço da
aprendizagem, da autonomia, da inclusão e da formação de sujeitos capazes de compreender e
transformar o mundo em que vivem.
Os Autores
Ivoney da Silva Oliveira
Simone Helen Drumond Ischkanian
Gladys Nogueira Cabral
Silvana Nascimento de Carvalho
António Manuel Domingos Caba
Gabriel Nascimento de Carvalho
Sygride Nascimento de Carvalho
Sandro Garabed Ischkanian
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
9
.
APRESENTAÇÃO
A inteligência artificial vem transformando diferentes dimensões da sociedade
contemporânea e, de maneira cada vez mais evidente, os espaços destinados à educação. Sua
presença nas práticas pedagógicas, nos processos de pesquisa e nas experiências de
aprendizagem tem provocado mudanças na forma como estudantes e professores acessam,
produzem, organizam e compartilham conhecimentos. Compreender a inteligência artificial para
além de sua dimensão tecnológica tornou-se uma necessidade educacional, especialmente diante
das oportunidades e dos desafios que sua utilização apresenta para a formação dos estudantes.
A obra Inteligência artificial na educação: possibilidades, limites e impactos na
aprendizagem e autonomia dos estudantes surge nesse contexto de profundas transformações,
propondo uma reflexão sobre as relações entre tecnologia, educação e desenvolvimento humano.
A discussão não se limita às potencialidades das ferramentas de inteligência artificial, mas
considera também os cuidados necessários para que sua utilização não comprometa a construção
do pensamento crítico, a autoria, a criatividade e a autonomia intelectual dos estudantes.
A incorporação da inteligência artificial aos processos educacionais pode oferecer
importantes possibilidades. Ferramentas baseadas nessa tecnologia podem apoiar a elaboração de
atividades, ampliar o acesso a diferentes fontes de informação, auxiliar na organização de
conteúdos, favorecer experiências de aprendizagem mais diversificadas e contribuir para que
professores desenvolvam estratégias pedagógicas ajustadas a diferentes necessidades. Quando
utilizada com intencionalidade pedagógica, a tecnologia pode tornar-se uma aliada na construção
de ambientes educativos mais dinâmicos, investigativos e interativos.
Entretanto, reconhecer essas possibilidades não significa ignorar seus limites. A
utilização indiscriminada de ferramentas de inteligência artificial pode favorecer a dependência
de respostas prontas, reduzir o envolvimento do estudante com processos de investigação e
comprometer
o
desenvolvimento
de
habilidades
fundamentais,
como
argumentação,
interpretação, criatividade e resolução de problemas. Por essa razão, a presença da inteligência
artificial na educação precisa ser acompanhada de orientação, critérios pedagógicos e reflexão
crítica, considerando os objetivos de aprendizagem e as características dos sujeitos envolvidos.
O papel do professor permanece fundamental. A inteligência artificial pode fornecer
informações, sugestões e recursos, mas não substitui a mediação pedagógica, a experiência
profissional, a sensibilidade diante das necessidades dos estudantes e a capacidade de
compreender as particularidades de cada contexto educativo. Cabe ao professor orientar o uso
consciente das tecnologias, estimular a análise das informações produzidas e criar situações nas
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
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quais os estudantes sejam convidados a questionar, comparar, interpretar, produzir e construir
conhecimentos de forma ativa.
A autonomia dos estudantes constitui, portanto, uma dimensão central desta discussão.
Utilizar inteligência artificial não deve significar simplesmente receber respostas, mas
desenvolver a capacidade de utilizar recursos tecnológicos para ampliar a investigação e
fortalecer a própria aprendizagem. O estudante autônomo é aquele que consegue formular
perguntas, avaliar informações, reconhecer limites, tomar decisões, assumir responsabilidade por
suas produções e utilizar diferentes ferramentas de maneira ética e consciente.
Outro aspecto indispensável refere-se à ética. A expansão da inteligência artificial na
educação suscita questões relacionadas à autoria, à privacidade, à proteção de dados, à
confiabilidade das informações, à integridade acadêmica e às desigualdades de acesso. Essas
questões precisam integrar o debate educacional, pois formar estudantes para a sociedade
contemporânea também significa prepará-los para utilizar tecnologias de maneira responsável,
respeitando direitos, diferenças e princípios de convivência social.
A discussão sobre inteligência artificial também precisa considerar a inclusão e a
democratização do acesso às tecnologias. Nem todos os estudantes possuem as mesmas
condições de acesso à internet, aos dispositivos digitais ou às ferramentas mais avançadas. Dessa
forma, a incorporação da inteligência artificial às práticas educacionais deve estar associada à
preocupação com a equidade, evitando que as diferenças tecnológicas ampliem desigualdades já
existentes no processo educacional.
Esta obra propõe, assim, um olhar equilibrado sobre a inteligência artificial na
educação. Nem a tecnologia deve ser compreendida como solução automática para os desafios
educacionais, nem seus riscos devem impedir a exploração de suas possibilidades. O caminho
mais consistente está na construção de práticas pedagógicas capazes de integrar inovação
tecnológica, conhecimento científico, ética, pensamento crítico, criatividade e valorização da
experiência humana.
Ao longo desta publicação, busca-se estimular professores, pesquisadores, estudantes,
gestores e demais interessados na educação a refletirem sobre os impactos que a inteligência
artificial pode produzir nos processos de ensino e aprendizagem. Mais do que aprender a utilizar
ferramentas, torna-se necessário compreender quando, por que e para que utilizá-las, garantindo
que a tecnologia esteja subordinada às finalidades educativas e contribua efetivamente para o
desenvolvimento dos estudantes.
A expectativa é que esta obra contribua para ampliar o debate sobre os caminhos da
educação diante das transformações tecnológicas contemporâneas. Que suas reflexões possam
estimular novas pesquisas, experiências pedagógicas e discussões sobre o papel da inteligência
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
11
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artificial na construção de uma educação mais consciente, inclusiva e inovadora, sem perder de
vista a centralidade do ser humano.
Em uma sociedade marcada pela rápida expansão das tecnologias inteligentes, educar
significa também preparar para lidar criticamente com aquilo que ainda está em transformação.
A inteligência artificial pode ampliar possibilidades, facilitar processos e abrir novos caminhos
para a aprendizagem, mas o sentido da educação continua relacionado à formação de sujeitos
capazes de pensar, criar, questionar, dialogar, decidir e transformar a realidade. É nessa
perspectiva que esta obra é apresentada ao leitor, reconhecendo que a inovação tecnológica
somente adquire verdadeiro significado educacional quando está articulada a objetivos
formativos, princípios éticos e compromisso com o desenvolvimento integral dos estudantes.
Nesse contexto, torna-se indispensável compreender que o avanço tecnológico não deve
conduzir à diminuição da participação humana nos processos educativos. Pelo contrário, quanto
mais sofisticadas se tornam as ferramentas de inteligência artificial, maior é a necessidade de
desenvolver estudantes capazes de interpretar criticamente as informações, identificar possíveis
erros, avaliar diferentes perspectivas e utilizar os recursos disponíveis com responsabilidade. A
formação para o uso consciente da inteligência artificial exige, portanto, uma aproximação entre
inovação e responsabilidade social, envolvendo professores, estudantes, famílias, instituições
educacionais e pesquisadores na construção de práticas seguras, éticas, inclusivas e
pedagogicamente significativas.
Assim, esta obra convida o leitor a refletir sobre a inteligência artificial não apenas
como uma tecnologia de seu tempo, mas como um fenômeno que interfere nas formas de
ensinar, aprender, pesquisar, produzir conhecimentos e estabelecer relações com o mundo. Que
as reflexões apresentadas possam contribuir para uma educação capaz de acolher as
transformações tecnológicas sem abandonar seus fundamentos humanos, fortalecendo a
autonomia, a criatividade, o pensamento crítico, a ética e a capacidade de participação dos
estudantes. Afinal, preparar para o futuro não significa apenas ensinar a utilizar novas
tecnologias, mas formar pessoas capazes de utilizá-las para aprender, criar, colaborar e
transformar a sociedade de maneira consciente e responsável.
Mara Lúcia Nunes de Lima Oliveira
Silvia Drumond de Carvalho
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO:
POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E
AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
ARTIFICIAL INTELLIGENCE IN EDUCATION: POSSIBILITIES,
LIMITS, AND IMPACTS ON STUDENT LEARNING AND
AUTONOMY.
INTELIGENCIA ARTIFICIAL EN LA EDUCACIÓN: POSIBILIDADES,
LÍMITES E IMPACTOS EN EL APRENDIZAJE Y LA AUTONOMÍA DE
LOS ESTUDIANTES.
Ivoney da Silva Oliveira
Simone Helen Drumond Ischkanian
Gladys Nogueira Cabral
Silvana Nascimento de Carvalho
António Manuel Domingos Caba
Gabriel Nascimento de Carvalho
Sygride Nascimento de Carvalho
Sandro Garabed Ischkanian
RESUMO
A inteligência artificial (IA) vem assumindo crescente relevância no campo educacional,
modificando formas de ensinar, aprender, pesquisar e produzir conhecimentos. Nesse contexto,
sua utilização apresenta possibilidades relacionadas à personalização da aprendizagem, à
ampliação do acesso à informação, à criação de recursos pedagógicos, ao apoio ao trabalho
docente e ao desenvolvimento de estratégias educacionais mais diversificadas. Entretanto, a
incorporação dessas tecnologias também envolve limites e desafios, especialmente no que se
refere à dependência tecnológica, à confiabilidade das informações, à autoria, à privacidade, à
proteção de dados, à integridade acadêmica e às desigualdades de acesso. Este estudo
caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica e documental, de abordagem qualitativa,
desenvolvida a partir do levantamento, da seleção, da análise e da interpretação de produções
científicas e documentos relacionados à inteligência artificial na educação, à aprendizagem e à
autonomia dos estudantes. A investigação discute as possibilidades, os limites e os impactos da
inteligência artificial na aprendizagem e na autonomia dos estudantes, considerando a
necessidade de uma utilização crítica, ética, responsável e pedagogicamente orientada. Ressaltase que a IA não deve substituir a mediação docente nem o protagonismo dos estudantes, mas
atuar como recurso complementar capaz de favorecer a investigação, a criatividade, o
pensamento crítico e a construção de conhecimentos. Conclui-se que a integração da inteligência
artificial à educação exige formação adequada de professores e estudantes, definição de critérios
éticos e pedagógicos e valorização da dimensão humana da educação, de modo que os avanços
tecnológicos contribuam efetivamente para uma aprendizagem significativa e para o
fortalecimento da autonomia estudantil.
Palavras-chave: Inteligência artificial; educação; tecnologias educacionais; aprendizagem;
autonomia dos estudantes; pensamento crítico.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
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ABSTRACT
Artificial intelligence (AI) has been gaining increasing relevance in the educational field,
transforming ways of teaching, learning, researching, and producing knowledge. In this context,
its use offers possibilities related to personalized learning, expanded access to information, the
creation of educational resources, support for teaching practices, and the development of more
diversified educational strategies. However, the incorporation of these technologies also involves
limitations and challenges, particularly regarding technological dependence, information
reliability, authorship, privacy, data protection, academic integrity, and inequalities in access.
This study is characterized as a bibliographic and documentary research study with a qualitative
approach, developed through the collection, selection, analysis, and interpretation of scientific
publications and documents related to artificial intelligence in education, learning, and student
autonomy. The research discusses the possibilities, limitations, and impacts of artificial
intelligence on student learning and autonomy, considering the need for critical, ethical,
responsible, and pedagogically guided use. It emphasizes that AI should not replace teacher
mediation or student protagonism, but rather function as a complementary resource capable of
fostering inquiry, creativity, critical thinking, and knowledge construction. It is concluded that
the integration of artificial intelligence into education requires adequate training for teachers and
students, the establishment of ethical and pedagogical criteria, and the appreciation of the human
dimension of education, so that technological advances can effectively contribute to meaningful
learning and the strengthening of student autonomy.
Keywords: Artificial intelligence; education; educational technologies; learning; student
autonomy; critical thinking.
RESUMEN
La inteligencia artificial (IA) ha adquirido una relevancia creciente en el ámbito educativo,
transformando las formas de enseñar, aprender, investigar y producir conocimientos. En este
contexto, su utilización presenta posibilidades relacionadas con la personalización del
aprendizaje, la ampliación del acceso a la información, la creación de recursos pedagógicos, el
apoyo a la labor docente y el desarrollo de estrategias educativas más diversificadas. Sin
embargo, la incorporación de estas tecnologías también implica límites y desafíos, especialmente
en lo que respecta a la dependencia tecnológica, la confiabilidad de la información, la autoría, la
privacidad, la protección de datos, la integridad académica y las desigualdades de acceso. Este
estudio se caracteriza como una investigación bibliográfica y documental, de enfoque cualitativo,
desarrollada a partir de la recopilación, selección, análisis e interpretación de publicaciones
científicas y documentos relacionados con la inteligencia artificial en la educación, el
aprendizaje y la autonomía de los estudiantes. La investigación analiza las posibilidades, los
límites y los impactos de la inteligencia artificial en el aprendizaje y en la autonomía de los
estudiantes, considerando la necesidad de un uso crítico, ético, responsable y orientado
pedagógicamente. Se destaca que la IA no debe sustituir la mediación docente ni el
protagonismo de los estudiantes, sino actuar como un recurso complementario capaz de
favorecer la investigación, la creatividad, el pensamiento crítico y la construcción de
conocimientos. Se concluye que la integración de la inteligencia artificial en la educación
requiere una formación adecuada de docentes y estudiantes, la definición de criterios éticos y
pedagógicos y la valoración de la dimensión humana de la educación, de modo que los avances
tecnológicos contribuyan efectivamente a un aprendizaje significativo y al fortalecimiento de la
autonomía estudiantil.
Palabras clave: Inteligencia artificial; educación; tecnologías educativas; aprendizaje;
autonomía de los estudiantes; pensamiento crítico.
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO:
POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA
APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
Ivoney da Silva Oliveira
Simone Helen Drumond Ischkanian
Gladys Nogueira Cabral
Silvana Nascimento de Carvalho
António Manuel Domingos Caba
Gabriel Nascimento de Carvalho
Sygride Nascimento de Carvalho
Sandro Garabed Ischkanian
1. INTRODUÇÃO
A transformação digital tem provocado mudanças significativas na sociedade e,
particularmente, no campo educacional, modificando as formas de ensinar, aprender, avaliar e
produzir conhecimento. Nesse cenário, a Inteligência Artificial (IA) assume posição de crescente
relevância, especialmente com a expansão de ferramentas capazes de produzir textos, imagens,
respostas, sínteses, traduções, recomendações e diferentes formas de apoio às atividades
acadêmicas. De Abreu Pestana dos Santos (2023) identifica potencialidades da Inteligência
Artificial para a educação, destacando que sua incorporação ao ambiente educacional amplia
possibilidades, mas também exige atenção aos desafios decorrentes de sua utilização. Vieira et
al. (2025) complementam essa perspectiva ao analisarem os impactos, limites e potencialidades
da IA no campo educacional. A presença dessas tecnologias nas instituições de ensino, portanto,
amplia possibilidades pedagógicas e, simultaneamente, suscita discussões sobre qualidade da
aprendizagem, autonomia intelectual, formação docente, ética, autoria e responsabilidade no uso
de recursos automatizados.
A incorporação da IA ao contexto educacional não deve ser compreendida apenas como
uma atualização tecnológica, pois envolve transformações pedagógicas, cognitivas, sociais e
culturais. Costa e Araújo (2025) evidenciam que a expansão das tecnologias interfere
diretamente nas relações estabelecidas entre ensino e aprendizagem, exigindo novas formas de
organização das práticas educativas. Almeida et al. (2025), ao discutirem o uso das tecnologias
no processo de inclusão educacional, destacam possibilidades relacionadas à ampliação do
acesso e da participação dos estudantes, ao mesmo tempo em que apontam a necessidade de
considerar as condições concretas de utilização desses recursos. A tecnologia, portanto, adquire
significado educacional quando articulada às necessidades dos estudantes, às finalidades
curriculares e aos objetivos formativos estabelecidos pela instituição de ensino.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
15
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A aprendizagem constitui um dos principais eixos dessa discussão. A utilização de
recursos tecnológicos pode contribuir para tornar determinadas experiências educacionais mais
interativas, dinâmicas e diversificadas, principalmente quando associada a metodologias que
favoreçam a participação ativa dos estudantes. Bezerra et al. (2024) demonstram que a
gamificação e os estudos mediados por tecnologia podem favorecer o engajamento e a motivação
no ambiente educacional, indicando que recursos digitais podem contribuir para experiências
mais participativas. Góes et al. (2025), ao abordarem a aprendizagem baseada em projetos,
relacionam metodologias ativas, práticas inclusivas, tecnologia e acessibilidade, evidenciando a
possibilidade de utilizar recursos tecnológicos em propostas que valorizem a participação e a
construção ativa do conhecimento. Esses resultados contribuem para compreender que a IA pode
integrar um conjunto mais amplo de estratégias pedagógicas voltadas à aprendizagem.
A ampliação das possibilidades tecnológicas também pode ser observada na utilização
de recursos digitais para atividades lúdicas e criativas. Silva et al. (2026) discutem a integração
entre brincadeiras digitais e tecnologias criativas, demonstrando que o universo tecnológico pode
estabelecer relações significativas com práticas educativas voltadas à criatividade e à
participação dos estudantes. Cabral (2026), ao abordar a técnica de Total Physical Response no
ensino de língua inglesa, evidencia a importância de metodologias que considerem diferentes
formas de interação do estudante com o conhecimento. Embora essas experiências não
correspondam diretamente à utilização de Inteligência Artificial, suas contribuições permitem
compreender que a inovação educacional está relacionada à diversificação das estratégias de
ensino e à criação de experiências compatíveis com diferentes formas de aprender.
A IA amplia esse cenário ao disponibilizar respostas e conteúdos de maneira rápida,
podendo funcionar como recurso complementar às práticas pedagógicas. Entretanto, a
disponibilidade imediata de informações não significa, por si só, aprendizagem significativa.
Vieira et al. (2025) ressaltam que os impactos da Inteligência Artificial na educação precisam ser
analisados considerando suas potencialidades e seus limites, enquanto De Abreu Pestana dos
Santos (2023) evidencia que o aproveitamento das possibilidades da IA depende da maneira
como essas ferramentas são inseridas no processo educacional. O estudante precisa desenvolver
capacidade de questionar, selecionar, comparar, interpretar e utilizar criticamente aquilo que
recebe das ferramentas digitais, transformando a informação disponível em conhecimento
construído por meio da reflexão e da participação ativa.
A autonomia dos estudantes constitui uma dimensão fundamental da pesquisa. A
educação não pode limitar-se à transmissão ou ao fornecimento de respostas prontas, pois
envolve a formação de sujeitos capazes de pensar, tomar decisões, resolver problemas,
posicionar-se criticamente e construir conhecimentos de maneira responsável. Almeida (2026),
ao discutir prática pedagógica e formação docente, relaciona o trabalho educativo à construção
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
16
de uma educação crítica e emancipadora. Nessa perspectiva, a IA pode contribuir para a
autonomia quando utilizada para auxiliar na organização dos estudos, exploração de conteúdos,
revisão de conhecimentos, formulação de perguntas e aprofundamento de temas. O resultado
educacional esperado não está na dependência da ferramenta, mas na capacidade do estudante de
utilizá-la como instrumento para ampliar sua própria atividade intelectual.
A relação entre tecnologia e autonomia também precisa considerar a participação do
estudante na construção do conhecimento. Góes et al. (2025) demonstram a importância de
metodologias ativas que envolvam os estudantes em processos de investigação e produção,
enquanto Bezerra et al. (2024) relacionam estratégias mediadas por tecnologia ao engajamento e
à motivação. Esses estudos permitem compreender que a utilização da IA pode assumir caráter
educativo quando estimula a investigação, a criação e a resolução de problemas. Quando
empregada exclusivamente para oferecer respostas prontas e substituir o esforço intelectual,
entretanto, a ferramenta deixa de favorecer o protagonismo e pode reduzir a participação
cognitiva do estudante.
O desafio educacional consiste, portanto, em estabelecer uma relação equilibrada entre
tecnologia e desenvolvimento da capacidade humana de aprender e pensar. Sousa et al. (2025),
ao analisarem a Inteligência Artificial na avaliação educacional, demonstram que esses recursos
apresentam potencialidades, mas também requerem critérios de utilização que preservem a
qualidade dos processos pedagógicos. A utilização da IA precisa estar subordinada às finalidades
educativas, permitindo que o estudante permaneça responsável pela elaboração, interpretação e
apropriação do conhecimento. A tecnologia pode apoiar a investigação e o aprofundamento dos
conteúdos, mas a aprendizagem continua dependendo da participação ativa e reflexiva do sujeito.
A discussão também envolve o papel do professor. A expansão da IA não elimina a
necessidade da atuação docente, mas amplia a necessidade de novas competências profissionais.
Teodoro et al. (2024) discutem os desafios relacionados à utilização das tecnologias de
informação e comunicação pelos professores em sala de aula, evidenciando a importância da
preparação profissional para uma integração pedagógica adequada dos recursos tecnológicos.
Almeida (2026) reforça essa perspectiva ao relacionar formação docente e práticas pedagógicas
críticas e emancipadoras. O professor permanece responsável pela mediação do processo
educativo, pela definição dos objetivos de aprendizagem, pela seleção das estratégias didáticas e
pela criação de situações que favoreçam reflexão, participação e construção do conhecimento.
A formação docente torna-se, portanto, indispensável para que os profissionais
compreendam as potencialidades das tecnologias e desenvolvam critérios para sua utilização
pedagógica. Teodoro et al. (2024) evidenciam que a presença das tecnologias em sala de aula
apresenta desafios para os professores, enquanto Almeida (2026) enfatiza a necessidade de
práticas formativas capazes de sustentar uma educação crítica. Ischkanian (2026), ao discutir
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
17
.
capacitação, avaliação de desempenho e desenvolvimento de competências na formação de
adultos, contribui para compreender que processos formativos precisam ser planejados de
maneira sistemática e vinculados às necessidades profissionais. No contexto da IA, essa
formação precisa contemplar competências tecnológicas, pedagógicas, éticas e críticas.
Ferramentas de IA também podem oferecer possibilidades para produção de feedback,
organização de respostas, análise de atividades e apoio a diferentes processos avaliativos. Sousa
et al. (2025) demonstram que a IA aplicada à avaliação educacional apresenta potencial para
apoiar determinadas práticas, mas sua utilização exige atenção aos critérios empregados para
analisar o desenvolvimento dos estudantes. A avaliação não pode limitar-se à verificação de
respostas produzidas por sistemas automatizados, pois precisa considerar aprendizagem, autoria,
raciocínio, participação e capacidade de elaboração própria. A mediação docente permanece
necessária para interpretar os resultados e compreender o percurso formativo do estudante.
A utilização da Inteligência Artificial também precisa ser analisada sob a perspectiva da
inclusão educacional. Almeida et al. (2025) destacam que as tecnologias podem contribuir para
ampliar possibilidades de participação e acesso ao conhecimento, especialmente quando
associadas a práticas inclusivas. Góes et al. (2025) também relacionam tecnologia, acessibilidade
e aprendizagem baseada em projetos, demonstrando que os recursos tecnológicos podem
favorecer experiências educativas mais participativas quando planejados de acordo com as
necessidades dos estudantes. A (IA), nesse cenário, pode apoiar diferentes formas de
aprendizagem, comunicação, produção e acesso aos conteúdos.
A inclusão, entretanto, não depende exclusivamente da disponibilização de recursos
tecnológicos. É necessário considerar acessibilidade, condições de utilização, diversidade dos
estudantes, planejamento institucional e formação dos profissionais. Ischkanian e Ischkanian
(2026), ao discutirem a dignidade da pessoa humana e os direitos das pessoas com deficiência,
contribuem para compreender que a inclusão educacional deve estar fundamentada no
reconhecimento dos sujeitos e na garantia de direitos. A tecnologia pode constituir instrumento
de apoio à inclusão quando utilizada de maneira responsável, acessível e articulada às
necessidades educacionais, mas não substitui políticas, práticas pedagógicas e condições
institucionais necessárias à participação de todos.
A relação entre tecnologia, subjetividade e construção do conhecimento também merece
atenção. Oliveira (2026) apresenta a perspectiva de uma Inteligência Artificial humanizada
articulada à educação inclusiva, destacando a importância das dimensões humanas diante das
transformações tecnológicas. Essa abordagem permite compreender que a inovação educacional
não deve ser avaliada somente pela velocidade ou eficiência das ferramentas, mas também pelos
efeitos produzidos sobre os sujeitos, suas experiências, relações e formas de aprender. A
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
18
centralidade humana constitui elemento essencial para que a tecnologia permaneça vinculada às
finalidades educativas.
A dimensão cultural também precisa integrar essa discussão. Freitas (2026), ao abordar
o letramento cultural na formação docente e a consolidação de práticas pedagógicas antirracistas,
evidencia a importância de reconhecer diferentes experiências e perspectivas culturais no
processo educativo. Oliveira (2026), ao discutir políticas editoriais e censura cultural, chama
atenção para processos históricos de silenciamento de línguas, saberes e histórias dos povos
indígenas. Silva e Bacury (2026), por sua vez, destacam a relevância da etnomatemática indígena
e dos saberes tradicionais na educação básica. Essas contribuições permitem compreender que a
utilização da IA precisa considerar a diversidade cultural e evitar a reprodução automática de
conteúdos que possam invisibilizar conhecimentos, identidades e diferentes formas de produção
do saber.
A utilização da Inteligência Artificial deve, portanto, ser orientada por princípios que
preservem a centralidade do ser humano no processo educativo. Oliveira (2026) contribui para
essa compreensão ao aproximar IA humanizada, educação inclusiva, subjetividades e construção
do conhecimento. A tecnologia pode apoiar o trabalho pedagógico, ampliar recursos e criar
novas oportunidades de aprendizagem, mas não deve substituir a interação, a mediação docente,
a experiência educacional ou a capacidade intelectual dos estudantes. A utilização humanizada
da IA pressupõe respeito à diversidade, valorização da autonomia, preservação da autoria e
compromisso com a construção responsável do conhecimento.
A discussão sobre autonomia também pode ser relacionada à capacidade de leitura,
interpretação e produção de conhecimentos. Vieira (2026), ao abordar a BNCC e estratégias de
letramento literário no Ensino Fundamental, evidencia a importância de práticas que favoreçam a
relação ativa dos estudantes com os textos e com os processos de construção de sentidos. No
contexto da IA, essa perspectiva ganha relevância porque o acesso facilitado a conteúdos exige
que o estudante desenvolva capacidade de interpretar, confrontar informações e produzir
posicionamentos próprios. A tecnologia pode apoiar o processo, mas a formação intelectual
depende da atividade crítica do sujeito.
A diversidade de áreas e estratégias pedagógicas também demonstra que a IA pode ser
integrada a diferentes componentes curriculares. Sousa (2026), ao discutir métodos de ensino de
Matemática no Ensino Médio em Tempo Integral, contribui para compreender a importância da
diversificação metodológica e da utilização de estratégias adequadas aos objetivos de
aprendizagem. Azevedo (2026), ao tratar do currículo, das práticas pedagógicas e da BNCC
Computação, amplia essa discussão ao relacionar currículo e desenvolvimento do pensamento
computacional. Esses estudos indicam que a utilização da IA precisa estar vinculada ao
planejamento curricular e às competências que se pretende desenvolver.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
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.
A presença das tecnologias no cotidiano educacional também exige atenção à
criatividade e à autoria. Silva et al. (2026) demonstram que as tecnologias criativas podem
estabelecer novas relações entre práticas lúdicas, produção e aprendizagem. A IA pode ampliar
essas possibilidades ao auxiliar na elaboração de ideias, na exploração de alternativas e na
produção de diferentes materiais. Entretanto, o valor pedagógico dessas ferramentas depende da
participação intelectual do estudante, que deve compreender, selecionar, modificar e desenvolver
as informações obtidas, mantendo sua autoria no processo de aprendizagem.
A partir dessas considerações, esta pesquisa tem como tema Inteligência Artificial na
Educação: possibilidades, limites e impactos na aprendizagem e autonomia dos estudantes,
buscando compreender como a inserção de ferramentas de IA no contexto educacional pode
interferir nos processos de ensino e aprendizagem e no desenvolvimento da autonomia
intelectual. O estudo parte do entendimento de que a IA apresenta potencial para contribuir com
práticas pedagógicas inovadoras, inclusivas e diversificadas, mas sua utilização precisa ser
analisada de maneira crítica, considerando suas implicações para estudantes, professores e
instituições educacionais.
O problema de pesquisa que orienta este estudo é: quais são as possibilidades, os
limites e os impactos do uso da Inteligência Artificial na educação, especialmente em relação à
aprendizagem e à autonomia dos estudantes? A questão busca compreender em que condições a
IA pode constituir um recurso favorável ao desenvolvimento educacional e quais situações
podem comprometer a participação ativa, o pensamento crítico e a construção autônoma do
conhecimento.
O objetivo geral consiste em analisar as possibilidades, os limites e os impactos da
utilização da Inteligência Artificial no contexto educacional, com ênfase em suas implicações
para a aprendizagem e a autonomia dos estudantes. Como objetivos específicos, pretende-se:
identificar as principais possibilidades pedagógicas proporcionadas pela Inteligência Artificial;
discutir os limites e desafios relacionados à utilização dessas tecnologias no processo educativo;
analisar suas possíveis contribuições e implicações para a aprendizagem; refletir sobre os
efeitos da IA no desenvolvimento da autonomia, do pensamento crítico e da participação ativa
dos estudantes; e discutir a importância da mediação e da formação docente para o uso ético,
crítico e pedagogicamente adequado dessas ferramentas.
A relevância desta pesquisa está relacionada à expansão acelerada das tecnologias de
Inteligência Artificial no cotidiano educacional. A presença dessas ferramentas exige que
escolas, professores, estudantes e demais sujeitos envolvidos na educação desenvolvam critérios
para utilizá-las de maneira consciente e pedagogicamente orientada. A pesquisa mostra-se
pertinente porque a discussão não deve se restringir à possibilidade de utilizar ou não utilizar IA,
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
20
mas precisa considerar como, por que, para quê e sob quais condições essas tecnologias podem
ser incorporadas às práticas educacionais.
A questão central está em garantir que a inovação tecnológica esteja subordinada aos
objetivos da educação e ao desenvolvimento integral dos estudantes. O uso da IA precisa
contribuir para a aprendizagem sem comprometer a autoria, a criatividade, a reflexão e a
capacidade de construção própria do conhecimento. A autonomia, nesse contexto, deve
permanecer como um dos principais resultados esperados da formação educacional, pois o
acesso às tecnologias somente adquire significado formativo quando contribui para ampliar a
capacidade do estudante de compreender, questionar e produzir conhecimentos.
Quanto à abordagem metodológica, a pesquisa caracteriza-se como qualitativa, de
natureza bibliográfica e documental, desenvolvida a partir da análise e interpretação de
produções científicas, livros, capítulos, artigos e documentos relacionados à Inteligência
Artificial, tecnologias educacionais, aprendizagem, autonomia discente, formação docente,
inclusão e avaliação educacional. Gil (2008) destaca a importância da organização sistemática
das etapas da pesquisa, contribuindo para o planejamento e o desenvolvimento do percurso
investigativo. A escolha dessa abordagem permite reunir diferentes perspectivas e construir uma
interpretação fundamentada sobre o fenômeno investigado.
A pesquisa bibliográfica possibilita reunir diferentes perspectivas teóricas sobre o objeto
investigado, enquanto a análise documental contribui para compreender discussões e
transformações relacionadas à utilização das tecnologias no campo educacional. Gil (2008)
contribui para a compreensão da pesquisa como processo organizado de investigação, no qual a
definição do problema, a seleção das fontes e a análise das informações devem estar articuladas
aos objetivos estabelecidos. Essa perspectiva sustenta o percurso metodológico adotado neste
estudo.
A pesquisa parte da compreensão de que a Inteligência Artificial não deve ser analisada
de maneira exclusivamente positiva ou negativa. Suas contribuições dependem das finalidades,
das estratégias e das condições em que é utilizada. De Abreu Pestana dos Santos (2023)
evidencia potencialidades e desafios da IA na educação, enquanto Vieira et al. (2025) ressaltam a
necessidade de considerar seus impactos, limites e potencialidades. A análise equilibrada desses
elementos permite compreender a tecnologia como fenômeno complexo, cujo significado
educacional está relacionado às práticas nas quais é inserida.
Investigar a Inteligência Artificial na educação significa analisar uma realidade em
transformação, na qual oportunidades e desafios coexistem. Costa e Araújo (2025) evidenciam
mudanças provocadas pelas tecnologias nos processos de ensino e aprendizagem, enquanto
Teodoro et al. (2024) demonstram que sua utilização também exige preparação dos profissionais
da educação. A pesquisa, portanto, considera que a incorporação da IA envolve transformações
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
21
.
que alcançam práticas pedagógicas, formação profissional, aprendizagem, inclusão e relações
com o conhecimento.
A educação precisa estabelecer uma relação equilibrada entre inovação tecnológica e
formação humana. Almeida (2026) contribui para essa perspectiva ao defender práticas
pedagógicas associadas a uma educação crítica e emancipadora, enquanto Oliveira (2026)
enfatiza a importância de uma abordagem humanizada da Inteligência Artificial no contexto
educacional. A utilização consciente da IA requer professores preparados, estudantes orientados,
critérios de utilização, responsabilidade ética e valorização da autoria e do pensamento crítico. O
objetivo não é impedir o contato dos estudantes com a tecnologia, mas favorecer uma relação
consciente, responsável e produtiva com os recursos que integram a sociedade contemporânea.
A pesquisa está organizada de modo a contemplar inicialmente a contextualização da
Inteligência Artificial e sua inserção no campo educacional. Em seguida, são discutidas suas
principais possibilidades pedagógicas, considerando as contribuições das tecnologias para o
ensino, a aprendizagem, a inclusão e o engajamento. Posteriormente, são analisados os limites e
desafios relacionados ao uso da IA, com atenção às questões éticas, à autoria, à avaliação e à
formação docente. Na sequência, discute-se a relação entre Inteligência Artificial, aprendizagem
e autonomia dos estudantes, destacando a necessidade de preservar o protagonismo discente e a
mediação pedagógica. São apresentadas as considerações decorrentes da análise realizada,
enfatizando a importância de uma utilização crítica, responsável, inclusiva e humanizada da
Inteligência Artificial no contexto educacional.
2. DESENVOLVIMENTO
A inserção da Inteligência Artificial no campo educacional tem ampliado as
possibilidades de utilização das tecnologias digitais nos processos de ensino e aprendizagem,
exigindo uma compreensão que considere seus conceitos, sua evolução, seus fundamentos e suas
implicações pedagógicas. A literatura selecionada evidencia que a IA não deve ser compreendida
apenas como recurso tecnológico, mas como elemento capaz de dialogar com práticas
pedagógicas, processos de inclusão, produção do conhecimento, autonomia estudantil e
formação docente. A discussão teórica permite compreender as transformações provocadas pela
presença crescente da IA na educação e estabelecer relações entre inovação tecnológica,
aprendizagem significativa e mediação humana.
2.1. Inteligência Artificial na educação: conceitos, evolução e fundamentos
A Inteligência Artificial pode ser compreendida, no contexto educacional, como um
conjunto de tecnologias capazes de processar informações, reconhecer padrões, produzir
respostas e apoiar determinadas atividades relacionadas à aprendizagem e à organização do
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
22
conhecimento. De Abreu Pestana dos Santos (2023) destaca que a presença da IA na educação
envolve potencialidades e desafios que precisam ser analisados de maneira articulada às
finalidades educacionais. Essa perspectiva permite compreender que a tecnologia assume
diferentes funções conforme os objetivos pedagógicos, os recursos disponíveis e a forma como
professores e estudantes participam de sua utilização.
A evolução das tecnologias digitais contribuiu para modificar as formas de acesso,
produção, circulação e organização das informações, criando novas possibilidades para o
trabalho pedagógico. Costa e Araújo (2025) discutem que as tecnologias vêm produzindo
impactos no ensino e na aprendizagem, enquanto Teodoro et al. (2024) evidenciam a
necessidade de compreender a utilização desses recursos a partir das práticas desenvolvidas pelos
professores. As ciências digitais (IA) representam uma etapa mais avançada desse processo
tecnológico, especialmente pela capacidade de oferecer respostas, organizar informações,
auxiliar na produção de conteúdos e favorecer diferentes formas de interação com o
conhecimento.
No campo educacional, a utilização da IA pode contribuir para ampliar as possibilidades
de aprendizagem quando integrada a objetivos pedagógicos previamente definidos. Vieira et al.
(2025) discutem os impactos, limites e potencialidades da Inteligência Artificial na educação,
indicando a necessidade de uma utilização consciente e relacionada às necessidades do processo
educativo. A tecnologia, portanto, pode funcionar como recurso complementar às estratégias de
ensino, oferecendo possibilidades de pesquisa, organização de ideias, produção textual, resolução
de problemas e exploração de diferentes linguagens.
A relação entre tecnologia e aprendizagem também pode ser compreendida a partir de
metodologias que valorizam o envolvimento ativo dos estudantes. Bezerra et al. (2024), ao
abordarem a gamificação e os estudos mediados por tecnologia, destacam dimensões
relacionadas ao engajamento e à motivação no ambiente educacional. Góes et al. (2025), por sua
vez, apresentam a aprendizagem baseada em projetos como abordagem ativa associada a práticas
inclusivas, tecnologia e acessibilidade. Essas contribuições ajudam a compreender que a IA pode
integrar propostas pedagógicas nas quais o estudante participa da construção do conhecimento,
pesquisa, cria, experimenta e desenvolve estratégias para solucionar situações de aprendizagem.
Os fundamentos da IA aplicada à educação também se relacionam à organização
curricular e ao desenvolvimento de competências necessárias à sociedade contemporânea.
Azevedo (2026) aborda a articulação entre currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação,
ressaltando a importância da integração do pensamento computacional na educação básica. Essa
abordagem permite aproximar o uso de tecnologias inteligentes de processos educativos que
favorecem a resolução de problemas, o raciocínio, a criatividade e a compreensão crítica das
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
23
.
tecnologias, evitando que a presença de recursos digitais seja reduzida ao simples uso
instrumental.
A dimensão pedagógica da Inteligência Artificial está diretamente relacionada à
formação e à atuação docente. Almeida (2026) enfatiza a importância da prática pedagógica e da
formação docente para a construção de uma educação crítica e emancipadora. A presença da IA,
nesse sentido, não elimina a função do professor, mas amplia a necessidade de profissionais
capazes de selecionar recursos, avaliar informações, orientar estudantes e estabelecer objetivos
pedagógicos coerentes. Teodoro et al. (2024) contribuem para essa discussão ao evidenciarem a
importância da preparação dos professores diante das transformações decorrentes da utilização
das tecnologias de informação e comunicação em sala de aula.
A compreensão dos fundamentos da IA na educação também envolve a perspectiva de
uma tecnologia humanizada e articulada às necessidades dos sujeitos. Oliveira (2026) discute as
interfaces entre Inteligência Artificial humanizada, educação inclusiva, subjetividades e
construção do conhecimento, possibilitando compreender a tecnologia para além de uma
perspectiva exclusivamente técnica. O uso educacional da IA pode ser orientado para favorecer
experiências de aprendizagem mais acessíveis, diversificadas e sensíveis às características dos
estudantes, desde que permaneça vinculado aos princípios pedagógicos e à mediação humana.
A inclusão educacional constitui outra dimensão relevante dessa discussão. Almeida et
al. (2025) analisam o uso das tecnologias no processo de inclusão educacional, destacando
desafios e possibilidades relacionados à presença desses recursos no contexto escolar. Góes et al.
(2025) também aproximam tecnologia, acessibilidade e práticas inclusivas, mostrando que
recursos tecnológicos podem integrar propostas capazes de ampliar a participação dos
estudantes. Nessa perspectiva, a IA pode contribuir para diversificar materiais, linguagens e
formas de interação com os conteúdos, favorecendo experiências educacionais que considerem
diferentes necessidades e modos de aprender.
A utilização da Inteligência Artificial também pode dialogar com práticas pedagógicas
específicas e com diferentes áreas do conhecimento. Cabral (2026), ao abordar a técnica de Total
Physical Response no aprendizado da língua inglesa, contribui para compreender a importância
da utilização de estratégias metodológicas adequadas às características dos estudantes. Sousa
(2026), ao discutir métodos de ensino de Matemática no Ensino Médio em Tempo Integral,
reforça a relevância da diversidade metodológica no desenvolvimento das aprendizagens. Essas
contribuições permitem compreender a IA como recurso que pode apoiar diferentes práticas, sem
substituir os fundamentos metodológicos próprios de cada área.
No campo da linguagem e da leitura, Vieira (2026) discute estratégias de letramento
literário no Ensino Fundamental, evidenciando a importância de práticas que aproximem os
estudantes da leitura e da construção de sentidos. A integração de ferramentas digitais e de IA
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
24
pode ampliar as possibilidades de acesso a textos, produção de atividades e exploração de
diferentes linguagens, desde que o estudante seja incentivado a interpretar, questionar e produzir
conhecimento. A tecnologia, nesse caso, pode atuar como mediadora de experiências, enquanto a
compreensão crítica permanece como finalidade essencial do processo educativo.
A criatividade e o caráter lúdico também integram as possibilidades contemporâneas de
utilização das tecnologias. Silva et al. (2026), ao discutirem as brincadeiras digitais e as
tecnologias criativas, apresentam uma perspectiva que aproxima ludicidade, recursos
tecnológicos e experiências educativas. Essa contribuição permite relacionar a IA a práticas que
valorizam a criatividade, a experimentação e a autoria estudantil, ampliando o repertório de
estratégias disponíveis para professores e estudantes.
A dimensão cultural igualmente precisa integrar a compreensão da Inteligência
Artificial na educação. Freitas (2026) aborda o letramento cultural na formação docente e a
consolidação de práticas pedagógicas antirracistas, contribuindo para pensar uma educação
comprometida com a diversidade e com a valorização dos diferentes sujeitos. Silva e Bacury
(2026), ao discutirem a Etnomatemática indígena e os saberes tradicionais na educação básica,
reforçam a importância de reconhecer conhecimentos produzidos em diferentes contextos
culturais. A utilização da IA deve, portanto, estar vinculada a práticas que valorizem a
pluralidade de saberes, evitando a homogeneização das experiências educativas.
Essa preocupação com a diversidade cultural também pode ser relacionada à
preservação de diferentes histórias, línguas e conhecimentos. Oliveira (2026), ao analisar
políticas editoriais e processos de silenciamento de saberes indígenas, contribui para
compreender a importância da valorização da diversidade na produção e circulação do
conhecimento. Santos (2026), ao discutir os debates contemporâneos relacionados à literatura
infantil brasileira, evidencia que os conteúdos educativos podem envolver diferentes perspectivas
históricas, culturais e literárias. A IA pode ampliar o acesso a fontes e conteúdos, mas sua
utilização pedagógica requer seleção crítica e atenção à diversidade de perspectivas.
A autonomia dos estudantes constitui uma dimensão central dos fundamentos
educacionais relacionados à IA. Almeida (2026) relaciona formação docente e prática
pedagógica a uma educação crítica e emancipadora, perspectiva que permite compreender a
autonomia como capacidade de participar ativamente da construção do conhecimento. A IA pode
apoiar pesquisas, estimular perguntas, auxiliar na organização de informações e favorecer
processos de criação, porém sua contribuição educacional torna-se mais significativa quando o
estudante interpreta, verifica, compara e reelabora as informações obtidas.
A avaliação educacional também integra as discussões contemporâneas sobre IA. Sousa
et al. (2025) analisam suas potencialidades e limitações nesse campo, indicando a necessidade de
considerar os processos avaliativos de maneira pedagogicamente orientada. A utilização de
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
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ferramentas de IA pode apoiar determinadas etapas da avaliação e fornecer recursos para
organização de informações, mas a análise da aprendizagem exige critérios educacionais,
acompanhamento docente e compreensão do percurso desenvolvido pelo estudante.
A formação de adultos e o desenvolvimento de competências também oferecem
elementos para compreender a relação entre tecnologia e aprendizagem ao longo da vida.
Ischkanian (2026), ao abordar capacitação, avaliação de desempenho e planejamento de
lideranças, evidencia a importância de processos formativos organizados para o desenvolvimento
de competências. Essa perspectiva pode ser aproximada da necessidade de formação continuada
para o uso educacional das tecnologias, considerando que professores e demais profissionais
precisam desenvolver conhecimentos para utilizar recursos digitais de maneira consciente,
responsável e alinhada aos objetivos institucionais.
A dimensão humana permanece fundamental quando se analisa a utilização da IA na
educação. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao discutirem a dignidade da pessoa humana e os
direitos das pessoas com deficiência no contexto da legislação PCD, contribuem para reforçar a
importância de colocar os direitos, a dignidade e as necessidades dos sujeitos no centro das
práticas inclusivas. A tecnologia pode favorecer acessibilidade e participação, porém seu valor
educacional está relacionado à capacidade de contribuir para uma experiência formativa que
respeite as singularidades e promova oportunidades de aprendizagem.
Nesse conjunto de fundamentos, a Inteligência Artificial apresenta-se como uma
tecnologia que pode ampliar o repertório pedagógico, favorecer novas formas de interação com o
conhecimento e apoiar práticas voltadas à aprendizagem, à inclusão, à criatividade e à
autonomia. De Abreu Pestana dos Santos (2023) e Vieira et al. (2025) ajudam a situar essa
discussão a partir das potencialidades e dos desafios da IA na educação, enquanto os demais
estudos selecionados permitem relacioná-la a dimensões como currículo, formação docente,
acessibilidade, cultura, ludicidade, leitura, matemática e participação estudantil.
A compreensão conceitual e histórica da Inteligência Artificial, portanto, constitui
fundamento para analisar suas possibilidades, seus limites e seus impactos na aprendizagem e na
autonomia dos estudantes. De Abreu Pestana dos Santos (2023) e Vieira et al. (2025) também
destacam que a discussão não se restringe à presença da tecnologia no espaço educacional, mas
envolve a maneira como ela é integrada às práticas pedagógicas, aos objetivos curriculares e às
necessidades dos estudantes. Compreender a trajetória de desenvolvimento da IA permite
reconhecer que suas aplicações educacionais não são neutras, pois estão relacionadas às
concepções de ensino, aprendizagem, conhecimento e participação que orientam cada prática
pedagógica. A utilização de sistemas generativos, ferramentas adaptativas e recursos digitais
pode favorecer a personalização das experiências de aprendizagem, ampliar o acesso a diferentes
fontes de informação e apoiar a elaboração de atividades, desde que esses recursos sejam
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
26
utilizados de maneira consciente e coerente com as finalidades educativas. A tecnologia, por si
só, não garante avanços na aprendizagem; seus resultados dependem das condições de uso, da
qualidade das propostas pedagógicas e da capacidade dos estudantes de compreender, avaliar e
utilizar criticamente as informações produzidas pelos sistemas de IA.
O desenvolvimento desta pesquisa parte de uma perspectiva segundo a qual a IA pode
contribuir para uma educação inovadora, inclusiva, crítica e humanizada, desde que sua
utilização esteja articulada à intencionalidade pedagógica e à mediação docente. Góes et al.
(2025) discutem que a autonomia dos estudantes não deve ser compreendida como substituição
da orientação do professor pela tecnologia, mas como ampliação da capacidade de pesquisar,
questionar, produzir, argumentar, tomar decisões e assumir responsabilidade pelo próprio
processo de aprendizagem.
A mediação docente permanece essencial para contextualizar os conteúdos, estimular o
pensamento crítico, verificar a confiabilidade das informações e promover situações nas quais o
estudante seja protagonista de sua formação. A integração responsável da IA ao currículo exige,
portanto, planejamento, formação dos professores, definição de objetivos de aprendizagem e
atenção aos princípios éticos relacionados à autoria, à privacidade, à proteção de dados e à
integridade acadêmica. Sob essa perspectiva, a IA pode constituir um recurso pedagógico
relevante para enfrentar diferentes necessidades educacionais e favorecer práticas mais flexíveis
e inclusivas, sem perder de vista que a educação envolve dimensões humanas, sociais e
relacionais que não podem ser reduzidas ao funcionamento de uma tecnologia.
2.2. Possibilidades da Inteligência Artificial para a aprendizagem dos estudantes
A Inteligência Artificial apresenta possibilidades significativas para a aprendizagem dos
estudantes ao ampliar o acesso a informações, diversificar estratégias pedagógicas e favorecer
diferentes formas de interação com os conteúdos escolares. De Abreu Pestana dos Santos (2023)
destaca as potencialidades da IA no campo educacional, permitindo compreender que sua
utilização pode apoiar processos de pesquisa, produção de conhecimentos e desenvolvimento de
atividades. A presença desses recursos no ambiente educativo amplia o repertório metodológico
disponível para professores e estudantes, especialmente quando sua utilização está vinculada a
objetivos pedagógicos claramente definidos.
Entre as possibilidades proporcionadas pela IA encontra-se o apoio à pesquisa e à
organização das informações. Vieira et al. (2025) discutem os impactos e as potencialidades da
Inteligência Artificial na educação, destacando a relevância de compreender esses recursos
dentro das finalidades do processo educativo. Para o estudante, ferramentas baseadas em IA
podem auxiliar na localização de informações, sistematização de ideias, elaboração de perguntas,
comparação de conceitos e exploração de diferentes possibilidades para a resolução de
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
27
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problemas. O valor pedagógico desse processo está na capacidade de transformar a informação
inicial em conhecimento construído mediante análise, interpretação e reflexão.
A aprendizagem pode ser favorecida quando a tecnologia é articulada a metodologias
ativas que colocam o estudante em posição de participação. Góes et al. (2025) discutem a
aprendizagem baseada em projetos associada a práticas inclusivas, tecnologia e acessibilidade,
demonstrando a relevância de propostas que envolvem o estudante em situações concretas de
investigação e produção. Nesse contexto, a IA pode ser utilizada como ferramenta de apoio
durante diferentes etapas de um projeto, desde a formulação de questões até a organização de
informações e elaboração de produtos, preservando a autoria e a participação ativa dos
estudantes.
A gamificação e os recursos tecnológicos também podem contribuir para tornar as
experiências de aprendizagem mais envolventes. Bezerra et al. (2024) relacionam estudos
mediados por tecnologia a dimensões como engajamento e motivação no ambiente educacional.
Essa perspectiva permite compreender que a utilização de recursos tecnológicos pode favorecer
experiências mais interativas, nas quais o estudante encontra diferentes estímulos para participar
das atividades. A IA pode integrar esse conjunto de possibilidades ao auxiliar na criação de
situações-problema, atividades diferenciadas, exercícios e experiências que dialoguem com os
objetivos de aprendizagem.
A criatividade constitui outra possibilidade relevante. Silva et al. (2026), ao abordarem
as brincadeiras digitais e as tecnologias criativas, evidenciam a aproximação entre ludicidade,
tecnologia e experiências educativas. Essa contribuição permite relacionar a IA à criação de
atividades que estimulem imaginação, autoria, experimentação e resolução criativa de
problemas. Quando utilizada com intencionalidade pedagógica, a tecnologia pode oferecer
recursos para que os estudantes não sejam apenas consumidores de informações, mas também
produtores de conteúdos e conhecimentos.
No processo de aprendizagem da linguagem, os recursos tecnológicos podem ampliar as
oportunidades de leitura, escrita, interpretação e produção textual. Vieira (2026), ao discutir
estratégias de letramento literário no Ensino Fundamental, destaca a importância de práticas
pedagógicas que favoreçam a relação dos estudantes com a leitura e a construção de sentidos. A
IA pode apoiar atividades de exploração textual, criação de perguntas, comparação entre
diferentes interpretações e produção de textos, desde que o estudante seja incentivado a
desenvolver sua própria compreensão e autoria.
Também é possível relacionar a IA à aprendizagem de diferentes componentes
curriculares. Sousa (2026), ao discutir métodos de ensino de Matemática no Ensino Médio em
Tempo Integral, contribui para compreender a importância da diversidade metodológica no
desenvolvimento dos estudantes. A tecnologia pode apoiar a apresentação de situaçõesIvoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
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problema, a exploração de diferentes estratégias de resolução e a organização de atividades,
favorecendo experiências que aproximem os conteúdos de situações significativas para os
estudantes.
A integração entre tecnologia, currículo e desenvolvimento do pensamento
computacional amplia ainda mais essas possibilidades. Azevedo (2026) discute a relação entre
currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação, ressaltando a importância do pensamento
computacional na educação básica. A IA pode ser inserida nesse contexto como recurso para
estimular raciocínio lógico, identificação de padrões, resolução de problemas e elaboração de
estratégias, contribuindo para o desenvolvimento de competências necessárias à participação
crítica na sociedade contemporânea.
As possibilidades de aprendizagem também podem alcançar a dimensão da inclusão e
da acessibilidade. Almeida et al. (2025) analisam o uso das tecnologias no processo de inclusão
educacional, evidenciando desafios e possibilidades relacionados à integração desses recursos às
práticas educativas. Góes et al. (2025) aproximam tecnologia, acessibilidade e práticas
inclusivas, permitindo compreender que ferramentas digitais podem contribuir para ampliar as
oportunidades de participação. A IA pode favorecer essa perspectiva ao possibilitar diferentes
formas de apresentação dos conteúdos, apoiar recursos de acessibilidade e diversificar as
maneiras pelas quais o estudante interage com o conhecimento.
A perspectiva inclusiva precisa considerar o estudante em sua singularidade e
reconhecer que diferentes sujeitos podem necessitar de diferentes estratégias para aprender.
Oliveira (2026) aborda a relação entre Inteligência Artificial humanizada, educação inclusiva,
subjetividades e construção do conhecimento, oferecendo fundamentos para uma compreensão
mais centrada nas pessoas. Nessa perspectiva, a tecnologia pode ser utilizada para apoiar
experiências educacionais mais flexíveis, acessíveis e humanizadas, sem substituir a relação
pedagógica estabelecida entre professor, estudante e conhecimento.
A aprendizagem também possui uma dimensão cultural que precisa ser preservada na
utilização das tecnologias. Freitas (2026) discute o letramento cultural na formação docente e a
consolidação de práticas pedagógicas antirracistas, contribuindo para uma educação que
reconheça diferentes identidades, experiências e conhecimentos. Silva e Bacury (2026), ao
abordarem a Etnomatemática indígena e os saberes tradicionais, reforçam a importância da
valorização dos conhecimentos produzidos em diferentes contextos culturais. A utilização da IA
pode contribuir para ampliar o contato com diferentes fontes e perspectivas, desde que orientada
por uma seleção crítica e pela valorização da diversidade.
A Inteligência Artificial pode contribuir para uma aprendizagem que ultrapasse a
simples memorização de informações. Almeida (2026) relaciona prática pedagógica e formação
docente a uma educação crítica e emancipadora, perspectiva que permite compreender a
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
29
.
aprendizagem como processo de participação, reflexão e construção de conhecimentos. O
estudante pode utilizar a IA para levantar hipóteses, comparar informações, elaborar perguntas e
desenvolver produções próprias, assumindo uma posição mais ativa diante do conhecimento.
A avaliação também pode ser apoiada por ferramentas de Inteligência Artificial. Sousa
et al. (2025) discutem as potencialidades e limitações da IA na avaliação educacional, indicando
a necessidade de compreender esses recursos em articulação com os objetivos pedagógicos.
Ferramentas tecnológicas podem auxiliar na organização de atividades, elaboração de questões e
identificação de determinados padrões nas produções dos estudantes, enquanto a interpretação
pedagógica permanece vinculada ao professor e ao conhecimento sobre o percurso de
aprendizagem de cada estudante.
A formação docente constitui condição importante para que essas possibilidades sejam
efetivamente incorporadas ao cotidiano escolar. Teodoro et al. (2024) discutem os desafios e
perspectivas relacionados à utilização das tecnologias pelos professores, evidenciando a
importância da preparação profissional diante das transformações tecnológicas. A utilização
consciente da IA requer professores capazes de selecionar recursos, orientar pesquisas, verificar
informações e estabelecer critérios para o uso pedagógico dessas ferramentas.
As possibilidades apresentadas demonstram que a Inteligência Artificial pode ampliar o
repertório de estratégias disponíveis para a aprendizagem dos estudantes, favorecendo pesquisa,
criatividade, participação, acessibilidade, resolução de problemas e produção de conhecimentos.
A tecnologia assume maior relevância educacional quando integrada ao currículo, às
metodologias de ensino e às necessidades concretas dos estudantes, mantendo a mediação
docente como elemento fundamental para orientar o processo formativo.
2.3. Inteligência Artificial e personalização dos processos de ensino e aprendizagem
A personalização dos processos de ensino e aprendizagem constitui uma das
possibilidades mais relevantes associadas ao desenvolvimento das tecnologias inteligentes,
especialmente pela capacidade de oferecer diferentes recursos, linguagens e estratégias para
atender à diversidade presente nos espaços educacionais. De Abreu Pestana dos Santos (2023)
apresenta a Inteligência Artificial como recurso que reúne potencialidades para o campo
educacional, permitindo discutir sua utilização como apoio à organização de experiências de
aprendizagem mais adequadas aos diferentes contextos e necessidades dos estudantes.
A personalização não significa estabelecer um ensino isolado para cada estudante, mas
ampliar as possibilidades de adaptação das estratégias pedagógicas. Vieira et al. (2025) discutem
os impactos e as potencialidades da IA na educação, contribuindo para compreender como essas
ferramentas podem apoiar diferentes etapas do processo educativo. A tecnologia pode auxiliar na
organização de atividades com diferentes níveis de complexidade, na apresentação de conteúdos
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
30
por múltiplas linguagens e na elaboração de propostas que considerem ritmos e formas
diversificadas de aprendizagem.
A personalização pode ser relacionada à inclusão educacional, uma vez que os
estudantes apresentam diferentes formas de participar, compreender e expressar seus
conhecimentos. Almeida et al. (2025) discutem as tecnologias no processo de inclusão
educacional, destacando possibilidades de utilização desses recursos para favorecer a
participação dos estudantes. A IA pode colaborar nesse processo ao apoiar a produção de
materiais diferenciados, recursos acessíveis e estratégias pedagógicas que ampliem as
oportunidades de interação com os conteúdos.
A aprendizagem baseada em projetos constitui uma possibilidade de articulação entre
personalização, participação e tecnologia. Góes et al. (2025) apresentam essa abordagem como
estratégia ativa associada a práticas inclusivas, tecnologia e acessibilidade. Em propostas dessa
natureza, os estudantes podem participar de diferentes etapas do trabalho, assumindo funções,
pesquisando temas, produzindo materiais e solucionando problemas. A IA pode apoiar essas
experiências ao oferecer recursos que auxiliem na pesquisa e na organização das produções,
preservando a participação e a autoria dos estudantes.
A personalização também pode favorecer o engajamento. Bezerra et al. (2024) discutem
a relação entre tecnologias, gamificação, motivação e participação no ambiente educacional.
Recursos tecnológicos podem contribuir para diversificar as experiências oferecidas aos
estudantes e criar situações de aprendizagem mais interativas. A IA pode ser incorporada a essas
estratégias para apoiar a criação de atividades, desafios e propostas diferenciadas, sempre de
acordo com os objetivos definidos pelo professor.
A dimensão curricular precisa permanecer presente nesse processo. Azevedo (2026)
discute currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação, destacando a integração do
pensamento computacional à educação básica. A personalização apoiada por tecnologia deve,
portanto, manter relação com as competências e habilidades previstas no currículo, evitando que
a utilização da IA se transforme em uma prática desvinculada das finalidades educacionais. A
ferramenta tecnológica ganha sentido quando contribui para que os estudantes avancem na
compreensão dos conteúdos e no desenvolvimento de competências.
A personalização também pode contemplar diferentes áreas do conhecimento. Sousa
(2026) aborda métodos de ensino de Matemática no Ensino Médio em Tempo Integral,
contribuindo para a compreensão da necessidade de estratégias metodológicas diversificadas. A
IA pode apoiar esse processo mediante a elaboração de situações-problema, explicações
alternativas e atividades com diferentes níveis de complexidade, permitindo que o professor
disponha de um repertório mais amplo para organizar suas práticas pedagógicas.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
31
.
No ensino de línguas, a diversificação metodológica igualmente pode favorecer a
aprendizagem. Cabral (2026), ao apresentar a técnica de Total Physical Response no ensino da
língua inglesa para crianças, demonstra a relevância de estratégias que considerem as
características dos estudantes e a natureza do processo de aprendizagem. A IA pode
complementar essas práticas mediante recursos digitais, atividades interativas e diferentes
possibilidades de exploração linguística, sem substituir as estratégias pedagógicas escolhidas
pelo professor.
A personalização também pode contemplar leitura e letramento. Vieira (2026) discute
estratégias de letramento literário no Ensino Fundamental, ressaltando a importância de práticas
que favoreçam a aproximação dos estudantes com a leitura. Ferramentas de IA podem auxiliar na
seleção e organização de atividades de leitura, na elaboração de perguntas interpretativas e na
criação de propostas adequadas a diferentes níveis de desenvolvimento. O objetivo pedagógico
permanece centrado na formação do leitor e na construção autônoma de sentidos.
A criatividade constitui elemento importante na personalização das experiências
educativas. Silva et al. (2026) discutem brincadeiras digitais e tecnologias criativas como
possibilidades de integração entre ludicidade e mundo contemporâneo. Essa perspectiva permite
compreender que personalizar também significa ampliar as formas pelas quais os estudantes
podem aprender e demonstrar aquilo que aprenderam, utilizando diferentes linguagens, recursos
e estratégias de produção.
A dimensão cultural deve igualmente ser considerada. Freitas (2026) destaca a
importância do letramento cultural na formação docente e de práticas pedagógicas
comprometidas com a diversidade. Silva e Bacury (2026) contribuem para essa discussão ao
valorizarem a Etnomatemática indígena e os saberes tradicionais na educação básica. Uma
personalização verdadeiramente inclusiva precisa considerar diferentes repertórios culturais e
evitar que a tecnologia reproduza uma única perspectiva de conhecimento.
Oliveira (2026) contribui para essa compreensão ao relacionar Inteligência Artificial
humanizada,
educação
inclusiva,
subjetividades
e
construção
do
conhecimento.
A
personalização, nesse sentido, deve estar associada à valorização do estudante enquanto sujeito,
considerando suas formas de participação, seus contextos e suas necessidades educacionais. A
tecnologia pode apoiar esse processo, mas a decisão pedagógica continua dependente da análise
e da mediação do professor.
A autonomia também está diretamente relacionada à personalização. Almeida (2026)
associa formação docente e prática pedagógica a uma educação crítica e emancipadora,
perspectiva que reforça a importância de permitir que o estudante participe das decisões e
desenvolva estratégias próprias para aprender. A IA pode oferecer possibilidades de consulta,
pesquisa, organização e criação, porém sua utilização torna-se pedagogicamente significativa
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
32
quando estimula o estudante a refletir, fazer escolhas e assumir responsabilidade por sua
aprendizagem.
A avaliação pode contribuir para acompanhar processos personalizados de
aprendizagem. Sousa et al. (2025) discutem a utilização da IA na avaliação educacional,
permitindo considerar ferramentas tecnológicas como apoio à organização de informações e ao
acompanhamento de determinadas atividades. O professor, entretanto, permanece responsável
pela interpretação pedagógica dos resultados e pela definição das estratégias que podem
favorecer o desenvolvimento do estudante.
A formação profissional é igualmente necessária para que a personalização mediada por
IA seja realizada com intencionalidade. Teodoro et al. (2024) destacam a importância da
preparação dos professores para o uso das tecnologias em sala de aula, enquanto Ischkanian
(2026) aborda processos de capacitação e desenvolvimento de competências. Esses aportes
reforçam que o domínio técnico precisa estar acompanhado de conhecimentos pedagógicos
capazes de orientar escolhas, selecionar ferramentas e organizar experiências coerentes com os
objetivos educacionais.
A perspectiva humanizada também envolve a garantia de direitos e o reconhecimento
das singularidades dos estudantes. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao abordarem a dignidade da
pessoa humana e os direitos das pessoas com deficiência no contexto da legislação PCD,
contribuem para uma compreensão da inclusão fundamentada no respeito às diferenças. Nesse
sentido, a personalização apoiada por IA pode favorecer acessibilidade e participação quando
orientada pela valorização da pessoa e pela busca de condições educacionais mais equitativas.
A personalização dos processos de ensino e aprendizagem, portanto, representa uma
possibilidade de ampliar a diversidade de estratégias pedagógicas disponíveis no contexto
educacional. A Inteligência Artificial pode apoiar professores na elaboração de atividades,
organização de recursos e diversificação das experiências de aprendizagem, enquanto os
estudantes podem encontrar novas formas de pesquisar, criar, interagir e construir
conhecimentos. O resultado esperado não é substituir a ação docente, mas fortalecer uma prática
pedagógica capaz de reconhecer diferentes necessidades, promover participação e favorecer o
desenvolvimento da autonomia.
A personalização mediada por Inteligência Artificial precisa ser compreendida como
apoio à prática pedagógica, e não como substituição da relação entre professor, estudante e
conhecimento. A integração equilibrada entre tecnologia, currículo, inclusão, criatividade,
formação docente e participação estudantil possibilita construir experiências educativas mais
diversificadas e humanizadas, nas quais os recursos tecnológicos estejam a serviço da
aprendizagem e do desenvolvimento integral dos estudantes.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
33
.
2.4. Impactos da Inteligência Artificial no desenvolvimento da autonomia dos estudantes
A autonomia dos estudantes constitui uma dimensão essencial do processo educativo,
especialmente em uma realidade na qual o acesso às informações ocorre de maneira rápida e
diversificada. A presença da Inteligência Artificial nesse cenário amplia as possibilidades de
pesquisa, interação e produção de conhecimentos, permitindo que os estudantes assumam
participação mais ativa em seus percursos de aprendizagem. De Abreu Pestana dos Santos
(2023), ao analisar as potencialidades e os desafios da IA na educação, contribui para
compreender que essas tecnologias podem apoiar diferentes atividades educacionais, desde que
utilizadas de maneira articulada às finalidades pedagógicas.
O desenvolvimento da autonomia está relacionado à capacidade de o estudante buscar
informações, formular perguntas, estabelecer relações entre diferentes conhecimentos e tomar
decisões durante sua aprendizagem. Almeida (2026) associa a prática pedagógica e a formação
docente a uma educação crítica e emancipadora, perspectiva que permite compreender a
autonomia como uma construção progressiva, vinculada à participação consciente do estudante.
Nesse contexto, a IA pode oferecer recursos para que o estudante explore conteúdos, organize
informações e desenvolva produções próprias, ampliando as oportunidades de protagonismo no
processo educativo.
A disponibilidade de ferramentas capazes de responder perguntas e auxiliar na
organização de informações pode favorecer a iniciativa dos estudantes. Vieira et al. (2025)
discutem as potencialidades da Inteligência Artificial na educação e sua relação com diferentes
dimensões dos processos educativos. O estudante pode recorrer a esses recursos para levantar
hipóteses, buscar explicações, comparar conceitos e aprofundar determinados conteúdos. O
impacto positivo sobre a autonomia ocorre quando a ferramenta é utilizada como ponto de
partida para investigação e reflexão, e não como substituta da elaboração intelectual do próprio
estudante.
A aprendizagem baseada em projetos oferece um ambiente favorável
ao
desenvolvimento dessa autonomia. Góes et al. (2025) relacionam essa abordagem a práticas
ativas, inclusivas, mediadas por tecnologia e acessibilidade. Em atividades dessa natureza, os
estudantes podem participar da definição de questões, selecionar informações, organizar etapas,
produzir materiais e apresentar resultados. A IA pode apoiar essas diferentes fases, contribuindo
para a pesquisa e a organização das ideias, enquanto as decisões e a autoria permanecem
vinculadas aos estudantes.
O engajamento também possui relação direta com o desenvolvimento da autonomia.
Bezerra et al. (2024), ao discutirem gamificação e estudos mediados por tecnologia, abordam
dimensões relacionadas à motivação e ao envolvimento dos estudantes. Recursos tecnológicos
podem criar situações nas quais o estudante participa de maneira mais ativa, experimenta
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
34
diferentes possibilidades e acompanha seu próprio percurso de aprendizagem. A IA pode integrar
esse conjunto de estratégias ao favorecer atividades interativas e possibilidades diversificadas de
exploração dos conteúdos.
A autonomia, entretanto, não se limita à capacidade de utilizar ferramentas digitais. Ela
envolve também a formação de sujeitos capazes de analisar informações, reconhecer diferentes
perspectivas e realizar escolhas fundamentadas. Azevedo (2026), ao discutir currículo, práticas
pedagógicas e pensamento computacional, contribui para relacionar o desenvolvimento de
competências tecnológicas à resolução de problemas e à tomada de decisões. A utilização
educacional da IA pode fortalecer essas competências quando o estudante é estimulado a
questionar as respostas recebidas, verificar informações e construir suas próprias conclusões.
A relação entre autonomia e inclusão também merece atenção. Almeida et al. (2025)
discutem as possibilidades do uso das tecnologias no processo de inclusão educacional,
mostrando que os recursos tecnológicos podem ampliar oportunidades de participação. Uma
ferramenta de IA pode contribuir para disponibilizar diferentes formas de acesso aos conteúdos e
apoiar estudantes com necessidades educacionais diversas. Nesse sentido, a autonomia pode ser
fortalecida quando o estudante encontra recursos que favoreçam sua participação e possibilitem
maior independência na realização de determinadas atividades.
A perspectiva da educação inclusiva precisa considerar a singularidade dos sujeitos.
Oliveira (2026) discute a relação entre Inteligência Artificial humanizada, subjetividades,
inclusão e construção do conhecimento, contribuindo para uma compreensão centrada nas
pessoas. A autonomia não deve ser entendida como independência absoluta, mas como
possibilidade de participar, escolher, expressar conhecimentos e desenvolver estratégias próprias,
contando com os apoios necessários ao seu processo educativo.
A criatividade também pode favorecer a autonomia estudantil. Silva et al. (2026), ao
abordarem as brincadeiras digitais e as tecnologias criativas, apresentam possibilidades de
integração entre ludicidade, recursos digitais e produção educativa. A IA pode apoiar processos
criativos relacionados à elaboração de textos, projetos, apresentações, propostas artísticas e
diferentes formas de expressão. Quando o estudante transforma os recursos tecnológicos em
instrumentos para desenvolver ideias próprias, amplia-se sua participação autoral.
A autonomia também pode ser fortalecida pela valorização da diversidade cultural.
Freitas (2026) discute o letramento cultural na formação docente e a importância de práticas
pedagógicas comprometidas com a diversidade. Silva e Bacury (2026), ao tratarem dos saberes
tradicionais e da Etnomatemática indígena, evidenciam a relevância de reconhecer diferentes
formas de produção do conhecimento. A utilização da IA pode favorecer pesquisas sobre
diferentes culturas e saberes, desde que o estudante seja orientado a reconhecer a pluralidade das
fontes e a analisar criticamente as informações disponíveis.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
35
.
A leitura e a interpretação constituem competências importantes para a autonomia
intelectual. Vieira (2026), ao discutir estratégias de letramento literário, contribui para
compreender a importância da formação de leitores capazes de produzir sentidos a partir dos
textos. Em atividades mediadas por IA, o estudante pode comparar interpretações, elaborar
perguntas e explorar diferentes possibilidades de leitura. O processo torna-se formativo quando a
tecnologia estimula a compreensão e a autoria, mantendo o estudante como sujeito da
interpretação.
A avaliação também pode contribuir para o desenvolvimento da autonomia quando
deixa de ser compreendida apenas como verificação de resultados e passa a acompanhar o
percurso de aprendizagem. Sousa et al. (2025) discutem as potencialidades da IA na avaliação
educacional, permitindo considerar ferramentas tecnológicas como apoio a determinadas etapas
desse processo. Recursos digitais podem auxiliar estudantes e professores na organização de
atividades e no acompanhamento de produções, favorecendo momentos de reflexão sobre aquilo
que foi aprendido e sobre os aspectos que ainda podem ser desenvolvidos.
A formação docente permanece fundamental para que a IA contribua efetivamente para
a autonomia. Teodoro et al. (2024) destacam a importância da preparação dos professores diante
da utilização das tecnologias em sala de aula. Cabe ao professor estabelecer situações em que o
estudante possa investigar, questionar, produzir e avaliar suas próprias aprendizagens. A
autonomia, portanto, não resulta simplesmente da disponibilidade de uma ferramenta
tecnológica, mas das oportunidades pedagógicas criadas para que o estudante desenvolva
responsabilidade, iniciativa e capacidade de decisão.
A formação continuada também contribui para esse processo. Ischkanian (2026), ao
discutir capacitação e desenvolvimento de competências, oferece elementos para compreender a
importância de processos formativos organizados. No contexto educacional, professores
preparados podem utilizar a IA de maneira mais consciente, definindo atividades que estimulem
a participação e evitando práticas que reduzam o estudante à reprodução de respostas produzidas
automaticamente.
A autonomia estudantil também precisa estar associada à dignidade, à inclusão e ao
respeito às características individuais. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao discutirem a dignidade
da pessoa humana e os direitos das pessoas com deficiência, reforçam a importância de uma
perspectiva educacional comprometida com o reconhecimento dos sujeitos. A IA pode contribuir
para ampliar possibilidades de participação e acessibilidade, fortalecendo condições para que
diferentes estudantes desenvolvam suas potencialidades.
Os impactos da Inteligência Artificial sobre a autonomia, portanto, podem ser
compreendidos principalmente a partir das oportunidades que a tecnologia oferece para pesquisa,
criação, participação, resolução de problemas e organização da aprendizagem. A utilização
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
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pedagógica da IA pode favorecer estudantes mais participativos e capazes de buscar caminhos
próprios para aprender, desde que as atividades sejam planejadas para estimular reflexão, autoria
e responsabilidade.
A autonomia não significa aprender sozinho ou dispensar a presença do professor. Ela
representa a possibilidade de o estudante participar ativamente de sua formação, desenvolver
iniciativa, fazer escolhas e construir conhecimentos com o apoio de diferentes recursos. A
Inteligência Artificial pode fortalecer esse processo ao ampliar o repertório de ferramentas
disponíveis, enquanto a mediação docente assegura intencionalidade pedagógica, orientação
crítica e valorização da dimensão humana da educação.
2.5. Inteligência Artificial, pensamento crítico e construção do conhecimento
A utilização da Inteligência Artificial na educação também produz importantes
possibilidades para o desenvolvimento do pensamento crítico e para a construção do
conhecimento. Em um contexto marcado pela grande circulação de informações, torna-se
necessário desenvolver nos estudantes competências relacionadas à análise, interpretação,
comparação e avaliação de conteúdos. De Abreu Pestana dos Santos (2023) evidencia que a
presença da IA na educação envolve potencialidades que precisam ser compreendidas em
articulação com as finalidades formativas, permitindo situar essas tecnologias como recursos que
podem apoiar processos de investigação e aprendizagem.
O pensamento crítico está relacionado à capacidade de questionar informações,
identificar
diferentes
perspectivas,
estabelecer
relações
e
construir
posicionamentos
fundamentados. Almeida (2026), ao discutir uma educação crítica e emancipadora, oferece
fundamentos para compreender a importância de práticas pedagógicas que ultrapassem a
transmissão de informações. Nesse cenário, a IA pode ser utilizada como recurso para provocar
questionamentos, apresentar diferentes possibilidades de resposta e estimular os estudantes a
analisar os conteúdos antes de formular suas próprias conclusões.
A própria natureza das ferramentas de IA pode favorecer situações de investigação.
Vieira et al. (2025) discutem os impactos, limites e potencialidades da Inteligência Artificial na
educação, possibilitando compreender que sua utilização precisa estar relacionada ao
desenvolvimento das aprendizagens. Quando o estudante recebe uma resposta produzida por uma
ferramenta, pode ser orientado a verificar sua coerência, buscar outras fontes, identificar
possíveis inconsistências e comparar diferentes explicações. O recurso tecnológico, nesse
processo, passa a funcionar como objeto de análise e não apenas como fonte imediata de
respostas.
A construção do conhecimento ocorre por meio da relação ativa do estudante com
informações, experiências e conhecimentos socialmente produzidos. Góes et al. (2025)
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
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apresentam a aprendizagem baseada em projetos como abordagem que promove práticas ativas,
inclusivas e mediadas por tecnologia. Projetos pedagógicos podem utilizar a IA para apoiar
pesquisas, organizar informações e desenvolver produtos, enquanto os estudantes são
estimulados a interpretar dados, solucionar problemas e justificar suas escolhas. Essa dinâmica
favorece uma aprendizagem na qual o conhecimento é construído mediante participação e
investigação.
O pensamento crítico também pode ser estimulado por atividades que envolvam
problemas e desafios. Azevedo (2026), ao abordar o pensamento computacional no contexto
curricular, contribui para compreender a importância de competências relacionadas à resolução
de problemas, identificação de padrões e elaboração de estratégias. A IA pode integrar essas
atividades ao oferecer situações que desafiem os estudantes a avaliar diferentes alternativas e
selecionar respostas fundamentadas, desenvolvendo raciocínio e capacidade de decisão.
As tecnologias digitais podem ainda favorecer experiências mais participativas. Bezerra
et al. (2024), ao discutirem gamificação e estudos mediados por tecnologia, destacam elementos
relacionados ao engajamento e à motivação. Quando atividades interativas são estruturadas para
exigir justificativas, escolhas e resolução de problemas, o envolvimento do estudante pode estar
associado ao desenvolvimento de processos cognitivos mais complexos. A IA pode contribuir
para ampliar essas experiências mediante propostas diferenciadas e situações de investigação.
A construção crítica do conhecimento também exige atenção à diversidade cultural.
Freitas (2026) discute o letramento cultural na formação docente e a necessidade de práticas
pedagógicas antirracistas, permitindo compreender que o conhecimento não pode ser
apresentado de maneira descontextualizada ou limitada a uma única perspectiva. Silva e Bacury
(2026), ao abordarem saberes tradicionais e Etnomatemática indígena, reforçam a relevância da
valorização de diferentes formas de produzir e interpretar conhecimentos. A utilização da IA
pode ampliar o acesso a essas perspectivas, enquanto o pensamento crítico permite analisá-las
em seus contextos.
A reflexão sobre cultura e conhecimento também pode ser ampliada pela discussão das
formas históricas de circulação e silenciamento de saberes. Oliveira (2026), ao abordar políticas
editoriais e censura cultural relacionadas às línguas, histórias e saberes dos povos indígenas,
oferece subsídios para compreender a importância da diversidade na produção do conhecimento.
Em ambientes mediados por IA, essa discussão torna-se relevante porque os estudantes podem
ser estimulados a perguntar quais conhecimentos estão presentes, quais perspectivas são
valorizadas e como diferentes fontes representam determinados grupos sociais.
A literatura e a leitura também constituem espaços privilegiados para o
desenvolvimento do pensamento crítico. Santos (2026), ao discutir debates contemporâneos
relacionados à obra de Monteiro Lobato e à literatura infantil brasileira, demonstra a importância
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
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da análise crítica das produções culturais. Vieira (2026), ao abordar o letramento literário,
contribui para compreender a leitura como prática de construção de sentidos. A IA pode apoiar
atividades de comparação entre textos e interpretações, enquanto o estudante desenvolve a
capacidade de formular posicionamentos próprios diante das obras analisadas.
A produção criativa representa outra possibilidade de construção do conhecimento.
Silva et al. (2026) discutem a integração entre brincadeiras digitais e tecnologias criativas,
evidenciando a importância da participação ativa em experiências mediadas por recursos
contemporâneos. A IA pode ser utilizada na elaboração de histórias, projetos, atividades,
apresentações e diferentes produtos educacionais, desde que o estudante participe das decisões e
desenvolva uma produção autoral. A criatividade, nesse sentido, relaciona-se ao pensamento
crítico porque envolve escolhas, reorganização de informações e elaboração de novas
possibilidades.
A aprendizagem em diferentes áreas do conhecimento também pode ser organizada a
partir de situações que estimulem análise e resolução de problemas. Sousa (2026), ao discutir
métodos de ensino da Matemática, oferece elementos para compreender a importância da
diversidade de estratégias no processo educativo. A IA pode auxiliar na apresentação de
diferentes caminhos para uma solução, cabendo ao estudante comparar procedimentos,
identificar vantagens e justificar aquele que considera mais adequado.
No ensino de línguas, estratégias diversificadas também podem contribuir para a
construção do conhecimento. Cabral (2026), ao apresentar a técnica de Total Physical Response
para o aprendizado da língua inglesa, evidencia a importância da adequação metodológica às
características dos estudantes. A IA pode complementar propostas dessa natureza mediante
atividades de produção e interação linguística, favorecendo situações em que os estudantes
possam experimentar diferentes formas de utilização da linguagem.
O pensamento crítico também se relaciona à capacidade de avaliar os próprios processos
de aprendizagem. Sousa et al. (2025) discutem a Inteligência Artificial na avaliação educacional,
possibilitando refletir sobre o uso de tecnologias para apoiar processos avaliativos. Quando os
estudantes são convidados a analisar suas produções, identificar avanços, reconhecer
dificuldades e estabelecer estratégias de melhoria, desenvolvem uma postura mais reflexiva
diante da própria aprendizagem.
A mediação docente é indispensável. Teodoro et al. (2024) discutem os desafios
relacionados à utilização das tecnologias pelos professores, enquanto Almeida (2026) enfatiza a
importância da formação docente para uma educação crítica e emancipadora. O professor exerce
função essencial na elaboração de situações pedagógicas que transformem o uso da IA em
oportunidade de investigação. A orientação docente ajuda os estudantes a formular perguntas,
selecionar fontes, comparar informações e construir argumentos.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
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A formação profissional também precisa acompanhar essas transformações. Ischkanian
(2026), ao abordar capacitação e desenvolvimento de competências, contribui para reforçar a
importância da formação continuada. Professores preparados para trabalhar com tecnologias
inteligentes podem desenvolver propostas que valorizem análise, criatividade, autoria e
participação, transformando a IA em instrumento pedagógico integrado ao currículo.
A dimensão humana da construção do conhecimento permanece central. Oliveira (2026)
propõe uma perspectiva de Inteligência Artificial humanizada relacionada à educação inclusiva,
às subjetividades e à construção do conhecimento. Essa abordagem reforça que a tecnologia deve
estar subordinada às finalidades formativas e às necessidades dos sujeitos. O pensamento crítico
não pode ser automatizado, pois envolve interpretação, julgamento, argumentação,
posicionamento e reflexão sobre questões concretas.
A inclusão também integra esse processo de construção crítica. Almeida et al. (2025)
discutem o potencial das tecnologias para apoiar processos inclusivos, enquanto Ischkanian e
Ischkanian (2026) contribuem para uma compreensão fundamentada na dignidade e nos direitos
das pessoas com deficiência. O uso da IA pode ampliar as possibilidades de participação e
expressão de estudantes com diferentes necessidades, criando condições para que mais sujeitos
estejam envolvidos na construção e compartilhamento do conhecimento.
A Inteligência Artificial, portanto, pode contribuir para o desenvolvimento do
pensamento crítico quando utilizada como instrumento de investigação, comparação, criação e
reflexão. Seu potencial educacional não está apenas na capacidade de produzir respostas, mas
nas possibilidades de gerar perguntas, estimular análises e favorecer processos de construção de
conhecimentos. O estudante pode utilizar a tecnologia para explorar diferentes perspectivas,
enquanto desenvolve critérios próprios para avaliar informações e elaborar posicionamentos.
O pensamento crítico e a Inteligência Artificial podem estabelecer uma relação
produtiva quando a tecnologia é integrada a práticas pedagógicas que valorizam a autoria, a
investigação e a reflexão. A construção do conhecimento permanece como processo humano,
social e educativo, no qual professores e estudantes desempenham papéis fundamentais. A IA
pode ampliar os recursos disponíveis para esse processo, contribuindo para uma educação mais
dinâmica, participativa, inclusiva e alinhada às demandas contemporâneas.
2.6. Tecnologias generativas e novas práticas pedagógicas no contexto educacional
As tecnologias generativas representam uma transformação significativa no modo como
informações, textos, imagens, atividades e diferentes recursos digitais podem ser produzidos no
contexto educacional. Sua presença amplia o repertório disponível para professores e estudantes
e cria novas possibilidades de planejamento, interação, criação e aprendizagem. De Abreu
Pestana dos Santos (2023), ao discutir as potencialidades da Inteligência Artificial na educação,
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
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contribui para compreender que esses recursos podem integrar diferentes práticas pedagógicas,
especialmente quando utilizados de maneira articulada aos objetivos formativos e às
necessidades dos estudantes.
As tecnologias generativas caracterizam-se pela capacidade de produzir novos
conteúdos a partir de comandos e informações fornecidas pelos usuários, possibilitando a
elaboração de textos, sínteses, questões, exemplos, propostas de atividades e outros materiais.
Vieira et al. (2025) discutem os impactos e as potencialidades da IA no campo educacional,
permitindo compreender que essas ferramentas podem ampliar as possibilidades de interação
com os conteúdos. No ambiente escolar, sua utilização pode apoiar tanto o planejamento docente
quanto atividades de pesquisa e produção realizadas pelos estudantes.
A incorporação dessas tecnologias pode favorecer práticas pedagógicas mais
diversificadas. Costa e Araújo (2025), ao analisarem os impactos das tecnologias no ensino e na
aprendizagem, evidenciam a ampliação das possibilidades proporcionadas pelos recursos
digitais. A tecnologia generativa pode auxiliar o professor na elaboração de situações-problema,
roteiros de estudos, atividades diferenciadas e materiais complementares, contribuindo para
ampliar o repertório metodológico e tornar as experiências educativas mais dinâmicas.
Essa transformação também pode ser relacionada ao desenvolvimento de metodologias
ativas. Góes et al. (2025) discutem a aprendizagem baseada em projetos como abordagem que
integra participação estudantil, tecnologia, acessibilidade e inclusão. As tecnologias generativas
podem apoiar projetos desde a etapa de levantamento de ideias até a organização das
informações e elaboração de produtos. O estudante, entretanto, permanece responsável pelas
escolhas, pela análise dos conteúdos e pela produção final, fortalecendo a autoria e a participação
no processo educativo.
A gamificação constitui outra possibilidade de articulação entre tecnologias e práticas
pedagógicas inovadoras. Bezerra et al. (2024) relacionam estudos mediados por tecnologia a
aspectos como engajamento e motivação. A IA generativa pode contribuir para a elaboração de
desafios, perguntas, narrativas, situações-problema e atividades interativas, criando experiências
diversificadas. A relevância pedagógica dessas ferramentas está na possibilidade de integrá-las a
estratégias que estimulem participação e envolvimento com os conteúdos.
A criatividade assume papel central nesse novo cenário. Silva et al. (2026), ao
discutirem brincadeiras digitais e tecnologias criativas, demonstram a importância de aproximar
práticas educativas dos recursos tecnológicos presentes na sociedade contemporânea. As
tecnologias generativas podem favorecer processos de criação nos quais estudantes desenvolvem
histórias, propostas, apresentações, projetos e diferentes formas de expressão. A ferramenta pode
ampliar as possibilidades de produção, enquanto a autoria pedagógica continua relacionada às
escolhas e interpretações dos sujeitos envolvidos.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
41
.
A integração das tecnologias generativas ao currículo exige planejamento e
intencionalidade. Azevedo (2026) discute a articulação entre currículo, práticas pedagógicas e
BNCC Computação, ressaltando a importância do desenvolvimento do pensamento
computacional na educação básica. Conforme a tabela 1, a utilização da IA pode ser relacionada
a atividades que estimulem resolução de problemas, identificação de padrões, elaboração de
estratégias e reflexão sobre processos tecnológicos. A ferramenta, nesse sentido, integra o
currículo quando contribui efetivamente para o desenvolvimento das competências previstas no
processo formativo.
Tabela 1: Integração das tecnologias generativas ao currículo: ideias dos autores
e possibilidades de atividades.
Autor(es)
2026
Ivoney da
Silva
Oliveira
Simone
Helen
Drumond
Ischkanian
Gladys
Nogueira
Cabral
Silvana
Nascimento
de Carvalho
Ideia central relacionada
ao currículo e às
tecnologias
A Inteligência Artificial
precisa ser integrada à
educação de maneira
planejada, considerando
suas possibilidades, seus
impactos e a construção do
conhecimento.
Articulação com
práticas pedagógicas e
BNCC
Relacionar o uso da IA
aos objetivos de
aprendizagem, evitando
a utilização da
tecnologia como
recurso isolado ou sem
finalidade pedagógica.
Exemplos de atividades
com tecnologias
generativas
Produção orientada de
textos; elaboração de
perguntas para
investigação;
comparação entre
respostas produzidas
pela IA e fontes
estudadas em sala.
A educação mediada por
Articular IA, currículo
Criar uma atividade em
tecnologia deve preservar
e práticas inclusivas,
diferentes formatos,
a dimensão humana, a
considerando diferentes
como texto, imagem,
inclusão, a subjetividade e
formas de aprender,
áudio ou sequência
a participação ativa do
comunicar-se e
visual; adaptar uma
estudante.
participar.
proposta curricular para
diferentes perfis de
aprendizagem.
Estratégias diversificadas
Integrar tecnologias
Criar diálogos em língua
favorecem experiências de
generativas às
inglesa; elaborar
aprendizagem mais
metodologias de ensino situações comunicativas;
significativas,
de línguas e às
produzir histórias curtas
especialmente quando
habilidades previstas no e posteriormente realizar
envolvem interação,
currículo.
dramatização ou leitura
linguagem e participação.
compartilhada.
As tecnologias criativas
Utilizar recursos
Criar histórias digitais;
podem ampliar
digitais articulados aos
elaborar desafios
experiências pedagógicas e objetivos curriculares,
interativos; produzir
favorecer novas formas de
valorizando
personagens fictícios,
participação e produção,
criatividade, ludicidade
cenários e situaçõesestimulando a criatividade,
e autoria.
problema relacionados
a colaboração e o
aos conteúdos
protagonismo dos
curriculares.
estudantes.
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
42
António
Manuel
Domingos
Caba
Gabriel
Nascimento
de Carvalho
Sygride
Nascimento
de Carvalho
Sandro
Garabed
Ischkanian
A tecnologia pode ampliar
possibilidades de acesso,
comunicação e construção
do conhecimento quando
inserida em propostas
pedagógicas
contextualizadas.
Relacionar ferramentas
digitais aos conteúdos
curriculares e às
experiências
socioculturais dos
estudantes.
O uso educacional das
tecnologias pode favorecer
estratégias diversificadas
de aprendizagem e
participação, respeitando
diferentes formas de
interação com o
conhecimento.
As tecnologias
contemporâneas podem
aproximar práticas
pedagógicas, criatividade e
experiências de
aprendizagem mais
dinâmicas.
Planejar atividades que
permitam diferentes
caminhos para alcançar
os objetivos
curriculares.
A formação e o
desenvolvimento de
competências são
fundamentais para que o
uso tecnológico produza
resultados educacionais
significativos.
Integrar ferramentas
generativas às
atividades curriculares
sem retirar do estudante
a autoria e a capacidade
de criação.
Associar o uso da IA ao
planejamento, à
formação e ao
desenvolvimento de
competências,
considerando objetivos
previamente definidos.
Pesquisa orientada sobre
determinado conteúdo;
elaboração de mapas
conceituais; produção
coletiva de materiais
digitais a partir de
informações
pesquisadas.
Transformar um
conteúdo em quiz,
roteiro de estudo, jogo
de perguntas e respostas
ou atividade de revisão
utilizando IA como
ferramenta de apoio.
Elaborar uma campanha
educativa sobre meio
ambiente; criar slogans,
textos e imagens e,
posteriormente, analisar
coletivamente a
qualidade e a pertinência
das produções.
Elaborar um plano de
estudo; criar situaçõesproblema; utilizar IA
para gerar possibilidades
de solução e solicitar ao
estudante que selecione,
justifique e aperfeiçoe a
melhor alternativa.
Fonte: Elaborado pelos autores (2026), com base nas contribuições de Oliveira, Ischkanian, Cabral,
Carvalho, Caba, Carvalho, Carvalho e Ischkanian e nas referências utilizadas no estudo.
A tabela 2 evidencia que a integração das tecnologias generativas ao currículo exige
planejamento, intencionalidade pedagógica e articulação com os objetivos de aprendizagem. As
contribuições dos autores analisados convergem para uma perspectiva na qual a Inteligência
Artificial não constitui uma finalidade em si mesma, mas um recurso que pode ampliar
estratégias de ensino, criação, investigação, inclusão e participação. Nesse sentido, a articulação
entre currículo, práticas pedagógicas e BNCC, incluindo as competências relacionadas à
Computação, permite que o uso das tecnologias generativas seja orientado por finalidades
educacionais concretas.
A proposta também reforça que a tecnologia pode participar de diferentes etapas da
atividade pedagógica, desde a formulação de perguntas e levantamento de possibilidades até a
produção, revisão, comparação e apresentação dos conhecimentos construídos. A autoria,
entretanto, permanece vinculada ao estudante, que precisa interpretar, selecionar, justificar e
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
43
.
transformar as informações encontradas. O professor exerce a função de planejar, mediar e
avaliar esse percurso, garantindo que a tecnologia esteja efetivamente a serviço da aprendizagem.
Tabela 2: Síntese das possibilidades de integração curricular
Eixo curricular
Linguagens
Matemática
Ciências
História e Geografia
Arte e cultura
Computação/tecnologia
Educação inclusiva
Intencionalidade
pedagógica
Desenvolver leitura,
interpretação,
oralidade e produção
textual.
Desenvolver
raciocínio lógico,
resolução de
problemas e
argumentação
matemática.
Estimular
investigação,
formulação de
hipóteses e
compreensão de
fenômenos.
Desenvolver
compreensão
histórica, espacial e
sociocultural.
Estimular
criatividade,
expressão e
valorização da
diversidade cultural.
Desenvolver
pensamento
computacional e
compreensão crítica
das tecnologias.
Reduzir barreiras e
ampliar as
possibilidades de
participação.
Tecnologia
generativa como
apoio
Geração e revisão
de textos,
diálogos,
perguntas e
situações
comunicativas.
Criação de
situaçõesproblema e
diferentes
estratégias de
resolução.
Organização de
perguntas,
hipóteses e
explicações
iniciais.
Organização de
informações,
linhas do tempo e
diferentes
perspectivas.
Geração de
propostas visuais,
narrativas e
possibilidades
criativas.
Exploração de
comandos,
problemas,
padrões e
processos de
criação.
Adaptação de
linguagem,
formatos e
recursos didáticos.
Exemplo de atividade
Solicitar à IA uma
história curta,
identificar problemas
no texto e produzir uma
versão revisada pelos
estudantes.
Comparar duas
soluções produzidas
pela IA e justificar qual
apresenta procedimento
matemático mais
adequado.
Criar hipóteses sobre
determinado fenômeno,
pesquisar fontes
confiáveis e confrontar
os resultados com a
resposta da IA.
Construir uma linha do
tempo com apoio da IA
e conferir cada
informação em fontes
históricas.
Criar uma proposta
artística inspirada em
manifestações culturais
locais e discutir autoria,
representação e
diversidade.
Solicitar à IA diferentes
soluções para um
problema e analisar
quais apresentam
melhor lógica e
justificativa.
Transformar um
conteúdo em texto
simplificado, roteiro
visual, áudio ou
sequência de atividades,
mantendo o mesmo
objetivo curricular.
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
44
Educação ambiental
Literatura
Projeto interdisciplinar
Desenvolver
consciência
socioambiental e
participação.
Geração de
campanhas,
propostas e
materiais
educativos.
Desenvolver leitura,
interpretação,
argumentação e
formação do leitor.
Comparação de
interpretações e
elaboração de
perguntas sobre
obras literárias.
Integrar diferentes
áreas do
conhecimento em
torno de um
problema real.
Pesquisa,
organização de
ideias, produção e
revisão de
materiais.
Criar uma campanha
sobre preservação
ambiental e avaliar
criticamente as
informações produzidas
pela IA.
Comparar uma
interpretação produzida
pela IA com a
interpretação dos
estudantes e construir
uma análise própria.
Desenvolver um projeto
sobre um problema da
comunidade, utilizando
IA para levantar
possibilidades e os
estudantes para
pesquisar, selecionar,
criar e apresentar
soluções.
Fonte: Elaborado pelos autores (2026), com base nas contribuições de Oliveira, Ischkanian, Cabral,
Carvalho, Caba, Carvalho, Carvalho e Ischkanian e nas referências utilizadas no estudo
As tecnologias generativas também podem ampliar as possibilidades de inclusão.
Almeida et al. (2025) discutem o uso das tecnologias no processo de inclusão educacional,
destacando possibilidades de utilização desses recursos para favorecer diferentes formas de
participação. A geração de conteúdos em diferentes formatos pode apoiar a elaboração de
materiais mais acessíveis e diversificados, permitindo que professores disponham de alternativas
para apresentar determinados conteúdos e organizar experiências de aprendizagem.
A perspectiva humanizada da Inteligência Artificial amplia essa discussão. Oliveira
(2026) relaciona IA, educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento,
contribuindo para compreender que a inovação tecnológica precisa permanecer vinculada às
necessidades humanas. O uso de tecnologias generativas pode favorecer práticas mais flexíveis,
porém sua contribuição educativa depende da capacidade de professores e instituições de
estabelecer objetivos que valorizem aprendizagem, inclusão, criatividade e desenvolvimento
integral.
A formação docente torna-se ainda mais importante diante da expansão dessas
ferramentas. Almeida (2026) relaciona prática pedagógica e formação docente a uma educação
crítica e emancipadora. O professor precisa compreender as possibilidades das tecnologias
generativas para selecionar aquelas que efetivamente contribuem para seus objetivos
pedagógicos. Teodoro et al. (2024) reforçam a importância da preparação profissional diante da
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
45
.
presença crescente das tecnologias no espaço escolar, indicando a necessidade de conhecimentos
que permitam utilizar esses recursos de maneira consciente e pedagogicamente orientada.
As tecnologias generativas também podem ser articuladas ao ensino de diferentes áreas.
Cabral (2026), ao apresentar a técnica de Total Physical Response no ensino da língua inglesa,
evidencia a relevância de estratégias diversificadas para favorecer a aprendizagem. A IA
generativa pode complementar práticas dessa natureza mediante a criação de exercícios,
diálogos, situações comunicativas e materiais linguísticos, ampliando as oportunidades de
interação com o idioma.
Na Matemática, a diversificação das estratégias igualmente pode ser favorecida. Sousa
(2026) aborda métodos de ensino da Matemática no Ensino Médio em Tempo Integral,
oferecendo subsídios para pensar práticas que valorizem diferentes caminhos de aprendizagem.
Tecnologias generativas podem auxiliar na criação de situações-problema, exemplos e exercícios
com diferentes níveis de complexidade, permitindo ao professor organizar propostas mais
diversificadas.
Na área da leitura e da literatura, as possibilidades também são amplas. Vieira (2026)
discute estratégias de letramento literário no Ensino Fundamental, destacando a importância da
formação leitora. Recursos generativos podem apoiar a elaboração de questões interpretativas,
propostas de leitura, atividades de produção textual e exploração de diferentes perspectivas sobre
uma obra. A leitura crítica, entretanto, permanece como atividade intelectual do estudante, que
precisa interpretar e produzir sentidos a partir dos textos.
A dimensão cultural precisa acompanhar a utilização dessas tecnologias. Freitas (2026)
destaca a importância do letramento cultural e de práticas pedagógicas antirracistas, enquanto
Silva e Bacury (2026) valorizam os saberes tradicionais e a Etnomatemática indígena. As
tecnologias generativas podem ampliar o acesso a diferentes conhecimentos e manifestações
culturais, contribuindo para experiências educativas mais plurais quando utilizadas com critérios
de seleção e valorização da diversidade.
Oliveira (2026), ao discutir o silenciamento de línguas, saberes e histórias dos povos
indígenas, oferece uma contribuição importante para refletir sobre a circulação dos
conhecimentos em ambientes mediados por tecnologias. A utilização da IA generativa precisa
estimular os estudantes a reconhecerem diferentes fontes, perspectivas e contextos culturais. A
inovação tecnológica torna-se pedagogicamente mais significativa quando contribui para
ampliar, e não reduzir, a diversidade de conhecimentos presentes no processo educativo.
A literatura também pode constituir espaço para atividades de análise e criação. Santos
(2026), ao discutir debates contemporâneos sobre a obra de Monteiro Lobato, demonstra a
importância de abordar produções literárias a partir de diferentes perspectivas. Tecnologias
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
46
generativas podem auxiliar na elaboração de perguntas, comparações e propostas de produção,
favorecendo atividades que estimulem interpretação e posicionamento crítico.
As tecnologias generativas, portanto, podem contribuir para novas práticas pedagógicas
ao ampliar recursos de criação, planejamento, interação e produção de conhecimentos. Sua
utilização pode favorecer metodologias ativas, práticas inclusivas, experiências criativas e
diferentes formas de acesso aos conteúdos. O principal desafio pedagógico consiste em
transformar a disponibilidade tecnológica em experiências educativas significativas, mantendo a
intencionalidade docente e a participação dos estudantes como elementos centrais.
2.7. Limites, riscos e desafios do uso da Inteligência Artificial na educação
A expansão da Inteligência Artificial no contexto educacional amplia oportunidades de
aprendizagem, mas também exige atenção aos limites, riscos e desafios associados à sua
utilização. A discussão desses elementos não representa uma rejeição da tecnologia, mas uma
condição para que suas possibilidades sejam aproveitadas de maneira responsável, crítica e
pedagogicamente adequada. De Abreu Pestana dos Santos (2023) destaca justamente a
necessidade de analisar as potencialidades da IA juntamente com os desafios que acompanham
sua inserção na educação, contribuindo para uma compreensão equilibrada do fenômeno.
Um dos principais desafios está relacionado à qualidade e à confiabilidade das
informações produzidas pelas ferramentas de IA. Vieira et al. (2025), ao analisarem impactos,
limites e potencialidades da Inteligência Artificial na educação, contribuem para compreender a
necessidade de uma postura crítica diante dos conteúdos produzidos por essas tecnologias. Uma
resposta gerada automaticamente pode apresentar informações incompletas, inadequadas ao
contexto ou que necessitem de confirmação. Por esse motivo, o uso educacional da IA precisa
estar associado à consulta de fontes, comparação de informações e orientação docente.
A necessidade de verificar informações também se relaciona diretamente ao
desenvolvimento do pensamento crítico. Almeida (2026), ao defender práticas pedagógicas
voltadas a uma educação crítica e emancipadora, oferece fundamentos para compreender que o
estudante não deve assumir uma resposta tecnológica como conhecimento definitivo. O contato
com a IA pode constituir uma oportunidade para analisar, questionar e comparar informações,
desenvolvendo competências de avaliação e argumentação.
Costa e Araújo (2025) discutem os impactos das tecnologias no ensino e na
aprendizagem, mostrando que a incorporação de recursos digitais exige reflexão sobre sua
função no processo educativo. A presença de uma ferramenta tecnológica, por si só, não garante
melhoria da aprendizagem. Seu valor está relacionado ao modo como ela é integrada ao
currículo, às metodologias utilizadas e aos objetivos estabelecidos pelo professor.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
47
.
A formação docente ocupa posição central nesse processo. Teodoro et al. (2024)
discutem desafios e perspectivas relacionados ao uso das tecnologias pelos professores em sala
de aula, evidenciando a importância da preparação profissional. O professor precisa desenvolver
conhecimentos para selecionar ferramentas, avaliar resultados, orientar estudantes e estabelecer
estratégias de utilização. A formação continuada contribui para que a tecnologia seja incorporada
de maneira consciente e coerente com as necessidades educacionais.
A autonomia dos estudantes também precisa ser considerada. A facilidade de obtenção
de respostas pode ser pedagogicamente produtiva quando estimula pesquisa e reflexão, mas
requer orientação para que o estudante continue envolvido na construção do conhecimento.
Almeida (2026) relaciona educação crítica e emancipadora ao desenvolvimento da participação
dos sujeitos. A utilização da IA deve favorecer investigação, criatividade e autoria, evitando que
o processo educativo seja reduzido à reprodução de respostas prontas.
A avaliação constitui outro campo que exige atenção. Sousa et al. (2025) analisam as
potencialidades e limitações da Inteligência Artificial na avaliação educacional, contribuindo
para compreender a necessidade de critérios pedagógicos na utilização dessas ferramentas. A IA
pode apoiar determinadas atividades avaliativas, mas a interpretação da aprendizagem envolve
aspectos cognitivos, sociais, culturais e pedagógicos que exigem acompanhamento profissional.
O professor permanece fundamental para compreender o percurso do estudante e orientar seu
desenvolvimento.
A questão da inclusão também apresenta desafios específicos. Almeida et al. (2025)
discutem o uso das tecnologias no processo de inclusão educacional, destacando possibilidades e
desafios. Uma tecnologia pode ampliar acessibilidade, mas precisa estar disponível e ser
adequada às diferentes necessidades dos estudantes. A inclusão não se limita à existência do
recurso, envolvendo condições de acesso, utilização, acompanhamento e participação efetiva no
processo educativo.
A perspectiva humanizada da IA reforça essa preocupação. Oliveira (2026) discute as
relações entre Inteligência Artificial, educação inclusiva, subjetividades e construção do
conhecimento, permitindo compreender que as tecnologias devem ser avaliadas também a partir
de seus efeitos sobre as experiências humanas. O estudante não pode ser reduzido a dados,
respostas ou resultados produzidos por sistemas tecnológicos. A educação permanece vinculada
às relações, à comunicação, à criatividade, à convivência e à formação integral.
A diversidade cultural constitui outro elemento que precisa ser considerado. Freitas
(2026) destaca a importância do letramento cultural e das práticas pedagógicas antirracistas,
enquanto Silva e Bacury (2026) valorizam os saberes tradicionais e indígenas. O uso da IA exige
atenção à diversidade de conhecimentos e perspectivas, especialmente porque os conteúdos
disponibilizados pelas tecnologias precisam ser analisados em seus contextos. A prática
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
48
pedagógica pode utilizar a tecnologia para ampliar repertórios, estimulando os estudantes a
comparar diferentes fontes e reconhecer múltiplas formas de produção do conhecimento.
A reflexão sobre diversidade também pode ser relacionada à circulação histórica de
conhecimentos. Oliveira (2026), ao abordar processos de silenciamento de línguas, saberes e
histórias indígenas, contribui para compreender a importância de uma educação atenta à
pluralidade cultural. No uso da IA, esse cuidado pode ser convertido em oportunidade
pedagógica para discutir representação, diversidade, memória e valorização dos conhecimentos
de diferentes grupos sociais.
A utilização da Inteligência Artificial em atividades de leitura e literatura também
requer mediação. Vieira (2026) discute o letramento literário e a importância de estratégias que
favoreçam a formação do leitor, enquanto Santos (2026) aborda debates contemporâneos
relacionados à literatura infantil brasileira. As tecnologias podem auxiliar na elaboração de
atividades e na exploração de diferentes interpretações, mas a experiência de leitura não deve ser
substituída por respostas automáticas. O estudante precisa permanecer envolvido com o texto,
com a interpretação e com a produção de sentidos.
A criatividade pode igualmente ser preservada diante da expansão das tecnologias
generativas. Silva et al. (2026) demonstram a relevância das tecnologias criativas e das
brincadeiras digitais no contexto contemporâneo. O desafio consiste em utilizar os recursos
generativos como instrumentos de criação, permitindo que o estudante desenvolva ideias, faça
escolhas e produza conteúdos próprios. A ferramenta deve ampliar a criatividade, e não eliminar
o processo criativo.
No currículo, os desafios envolvem estabelecer relações coerentes entre tecnologia e
aprendizagem. Azevedo (2026) discute currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação,
destacando a importância do pensamento computacional na educação básica. A utilização da IA
precisa estar vinculada às competências e habilidades que se pretende desenvolver, evitando o
uso meramente instrumental. Quando integrada ao currículo de maneira planejada, a tecnologia
pode favorecer atividades relacionadas à resolução de problemas, análise, criação e pensamento
computacional.
As metodologias específicas de cada área também precisam ser respeitadas. Sousa
(2026) apresenta diferentes métodos de ensino da Matemática, enquanto Cabral (2026) discute
estratégias voltadas ao ensino da língua inglesa. Essas contribuições permitem compreender que
a IA não deve padronizar as práticas pedagógicas. Cada área possui objetivos, linguagens e
metodologias próprias, que podem ser enriquecidas pelos recursos tecnológicos sem perder suas
características fundamentais.
A formação profissional constitui uma estratégia importante para enfrentar esses
desafios. Ischkanian (2026), ao abordar capacitação e desenvolvimento de competências, reforça
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
49
.
a importância de processos formativos planejados. No contexto educacional, professores e
demais profissionais podem desenvolver conhecimentos técnicos e pedagógicos que favoreçam
escolhas mais conscientes, permitindo identificar quando, como e para que utilizar ferramentas
de IA.
Também é necessário considerar os princípios relacionados à dignidade e aos direitos
dos estudantes. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao discutirem a dignidade da pessoa humana e os
direitos das pessoas com deficiência, contribuem para reforçar que toda inovação educacional
deve respeitar as singularidades e os direitos dos sujeitos. O uso da IA precisa estar orientado
pela inclusão, pela acessibilidade, pelo respeito e pela valorização da pessoa humana.
Os limites e desafios da Inteligência Artificial na educação, portanto, não diminuem
suas possibilidades pedagógicas. Eles indicam a necessidade de estabelecer critérios para que a
tecnologia seja utilizada com responsabilidade e intencionalidade. A qualidade das informações,
a formação docente, a autonomia estudantil, a avaliação, a inclusão, a diversidade cultural e a
integração curricular constituem dimensões que precisam ser consideradas no planejamento das
práticas mediadas por IA.
A análise desses desafios permite compreender que a utilização responsável da
Inteligência Artificial depende de uma relação equilibrada entre inovação tecnológica e
princípios educacionais. A tecnologia pode ampliar recursos, favorecer novas experiências e
apoiar professores e estudantes, enquanto a mediação humana garante sentido pedagógico,
pensamento crítico, inclusão e valorização da autonomia. Nesse equilíbrio encontra-se uma das
principais condições para que a IA contribua efetivamente para uma educação contemporânea,
crítica, inclusiva e humanizada.
2.8. Ética, privacidade, autoria e responsabilidade no uso da Inteligência Artificial
A incorporação da Inteligência Artificial ao contexto educacional amplia possibilidades
de acesso à informação, produção de conteúdos, personalização das atividades e apoio ao
desenvolvimento da aprendizagem, mas também exige atenção aos princípios éticos que
orientam as relações pedagógicas. O uso responsável dessas tecnologias pressupõe que
estudantes e professores compreendam que os recursos produzidos por sistemas de IA precisam
ser analisados, contextualizados e utilizados de acordo com objetivos educacionais definidos. De
Abreu Pestana dos Santos (2023) destaca que a presença da Inteligência Artificial na educação
envolve potencialidades acompanhadas de desafios que requerem reflexão sobre suas formas de
utilização, especialmente quando a tecnologia passa a participar de processos relacionados à
aprendizagem.
A privacidade constitui uma dimensão relevante nesse processo, principalmente porque
determinados sistemas de Inteligência Artificial podem operar a partir do processamento de
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
50
informações inseridas pelos usuários. No ambiente educacional, a utilização de dados
relacionados aos estudantes deve considerar critérios de segurança, finalidade pedagógica,
responsabilidade e respeito às informações pessoais. Almeida et al. (2025), ao discutirem as
tecnologias no processo de inclusão educacional, contribuem para compreender que a adoção de
recursos tecnológicos precisa estar articulada à garantia de direitos e à construção de ambientes
educacionais acessíveis e seguros. A tecnologia, portanto, deve favorecer a aprendizagem sem
transformar o estudante em simples fonte de dados.
A possibilidade de gerar textos, imagens, atividades e outros materiais em poucos
segundos modifica as formas tradicionais de produção acadêmica e exige maior atenção à
identificação das contribuições humanas e tecnológicas. A utilização de uma ferramenta de IA
não elimina a responsabilidade do estudante ou do professor pelo conteúdo apresentado, pois a
produção acadêmica continua exigindo compreensão, revisão, análise e posicionamento próprio.
Almeida (2026), ao abordar a formação docente voltada para uma educação crítica e
emancipadora, permite compreender que a tecnologia precisa ser incorporada a práticas que
valorizem a capacidade humana de interpretar, decidir e produzir conhecimento.
A autoria não deve ser compreendida apenas como a elaboração material de um texto,
mas como a capacidade de construir uma produção intelectual marcada por compreensão,
escolhas, argumentação e responsabilidade. O estudante pode utilizar a Inteligência Artificial
como recurso de apoio para organizar ideias, levantar possibilidades, revisar uma produção ou
explorar diferentes perspectivas, mas precisa participar ativamente do processo de construção do
conhecimento. Silva et al. (2026), ao discutirem brincadeiras digitais e tecnologias criativas,
evidenciam possibilidades de integração entre recursos tecnológicos, criatividade e participação
ativa, perspectiva que pode ser ampliada para práticas educacionais nas quais a tecnologia
funciona como suporte à criação, e não como substituta da autoria estudantil.
A responsabilidade também se relaciona à necessidade de verificar informações
produzidas por sistemas de Inteligência Artificial. Respostas apresentadas de maneira organizada
e convincente não devem ser automaticamente consideradas corretas. O estudante precisa
desenvolver procedimentos de conferência, comparação de fontes e análise da coerência das
informações, enquanto o professor assume papel importante na orientação dessas práticas. Sousa
et al. (2025), ao analisarem a Inteligência Artificial na avaliação educacional, demonstram a
necessidade de considerar criteriosamente as potencialidades e os desafios envolvidos na
utilização desses recursos, reforçando a importância da análise pedagógica e da intervenção
humana.
A dimensão ética alcança também a inclusão educacional. A utilização da Inteligência
Artificial pode contribuir para ampliar possibilidades de acesso, comunicação, adaptação de
materiais e participação de estudantes com diferentes necessidades educacionais. Almeida et al.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
51
.
(2025) relacionam o uso das tecnologias às possibilidades de inclusão, enquanto Ischkanian e
Ischkanian (2026) destacam a importância da dignidade humana e dos direitos das pessoas com
deficiência. Nesse sentido, a inovação tecnológica adquire maior significado quando contribui
para reduzir barreiras e ampliar a participação dos estudantes, respeitando suas singularidades e
evitando práticas discriminatórias.
A responsabilidade ética envolve, ainda, a preservação da diversidade cultural e dos
diferentes modos de produção do conhecimento. Os sistemas tecnológicos podem reproduzir
informações predominantes e apresentar determinadas perspectivas como se fossem universais.
Freitas (2026), ao discutir o letramento cultural e a formação docente para práticas pedagógicas
antirracistas, oferece subsídios para compreender a importância de uma educação capaz de
reconhecer diferentes experiências culturais. Silva e Bacury (2026), ao tratarem da
Etnomatemática indígena e dos saberes tradicionais, ampliam essa compreensão ao valorizar
conhecimentos produzidos em diferentes contextos socioculturais.
O uso ético da Inteligência Artificial não significa restringir sua presença na educação,
mas desenvolver critérios para que sua utilização esteja vinculada à responsabilidade, à autoria, à
privacidade, à inclusão, à diversidade e à formação crítica. Oliveira (2026) propõe a perspectiva
de uma Inteligência Artificial humanizada, permitindo compreender que os avanços tecnológicos
podem estar associados à valorização das subjetividades e à construção do conhecimento. A
tecnologia alcança maior relevância pedagógica quando permanece subordinada às finalidades
humanas e educacionais, preservando a capacidade dos sujeitos de pensar, criar, questionar e
decidir.
2.9. O papel do professor diante da expansão da Inteligência Artificial na educação
A expansão da Inteligência Artificial modifica as formas de ensinar, aprender,
pesquisar, produzir materiais e avaliar conhecimentos, atribuindo novas responsabilidades ao
professor. A presença dessas tecnologias não significa a substituição da função docente, mas a
necessidade de ressignificar práticas pedagógicas diante de novos recursos e possibilidades.
Teodoro et al. (2024), ao analisarem os desafios e perspectivas relacionados ao uso das
tecnologias da informação e comunicação pelos professores, evidenciam a importância da
preparação profissional para que os recursos tecnológicos sejam integrados de maneira
consciente ao cotidiano escolar.
O professor permanece responsável pela definição das intencionalidades pedagógicas,
pela seleção dos recursos, pela organização das experiências de aprendizagem e pela mediação
das relações estabelecidas com o conhecimento. A Inteligência Artificial pode produzir
respostas, sugestões e materiais, porém não substitui a capacidade docente de conhecer o
contexto da turma, reconhecer necessidades específicas, estabelecer relações humanas e tomar
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
52
decisões pedagógicas fundamentadas. Almeida (2026) relaciona a formação docente à
construção de uma educação crítica e emancipadora, perspectiva especialmente relevante diante
da expansão de tecnologias capazes de participar de diferentes etapas do processo educativo.
A mediação docente torna-se particularmente importante para orientar os estudantes
quanto ao uso crítico da Inteligência Artificial. Em vez de simplesmente proibir ou permitir
indiscriminadamente essas ferramentas, o professor pode transformar sua utilização em objeto de
aprendizagem. Uma atividade pode envolver a produção de uma resposta por IA, seguida da
análise de sua qualidade, identificação de possíveis inconsistências, comparação com fontes
acadêmicas e elaboração de uma versão construída pelo próprio estudante. Nesse processo, a
tecnologia deixa de ser apenas instrumento de obtenção de respostas e passa a constituir recurso
para investigação, argumentação e desenvolvimento do pensamento crítico.
A atuação docente também se relaciona à construção da autonomia estudantil. A
autonomia não significa deixar o estudante sozinho diante da tecnologia, mas criar condições
para que ele aprenda a pesquisar, selecionar informações, formular perguntas, avaliar respostas e
tomar decisões fundamentadas. Góes et al. (2025), ao discutirem a aprendizagem baseada em
projetos mediada por tecnologia e acessibilidade, contribuem para compreender o potencial de
práticas nas quais os estudantes participam ativamente da construção de soluções e
conhecimentos. A Inteligência Artificial pode integrar essas experiências quando utilizada como
recurso de investigação e criação orientada.
A formação continuada dos professores assume, nesse cenário, papel estratégico. O
domínio pedagógico da Inteligência Artificial envolve mais do que conhecer comandos ou
ferramentas específicas. É necessário compreender suas possibilidades educacionais, reconhecer
situações em que seu uso é pertinente, estabelecer critérios de avaliação das respostas produzidas
e orientar os estudantes quanto à autoria e à responsabilidade acadêmica. Ischkanian (2026), ao
abordar capacitação, avaliação de desempenho e planejamento de lideranças na formação de
adultos, oferece elementos para refletir sobre a necessidade de processos formativos voltados ao
desenvolvimento de competências profissionais diante das transformações tecnológicas.
A formação docente também precisa contemplar diferentes áreas do conhecimento. No
ensino de Matemática, por exemplo, Sousa (2026) discute métodos de ensino que podem ser
relacionados a estratégias tecnológicas, enquanto Azevedo (2026) aborda a integração do
pensamento computacional ao currículo da educação básica. No campo da linguagem, Vieira
(2026) discute estratégias de letramento literário, mostrando a importância de práticas que
preservem leitura, interpretação e construção de sentidos. A Inteligência Artificial pode apoiar
essas experiências, desde que o professor mantenha a intencionalidade curricular e a centralidade
do processo de aprendizagem.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
53
.
Os recursos de IA podem favorecer adaptações, diferentes formas de apresentação de
conteúdos e estratégias de participação, contribuindo para que estudantes com diferentes
necessidades tenham maiores possibilidades de acesso ao conhecimento. Almeida et al. (2025)
relacionam tecnologia e inclusão educacional, enquanto Ischkanian e Ischkanian (2026) reforçam
a importância da dignidade e dos direitos das pessoas com deficiência. Cabe ao professor avaliar
quais recursos realmente contribuem para eliminar barreiras e ampliar a participação, evitando
uma utilização meramente tecnológica que não produza acessibilidade pedagógica.
O professor também exerce importante função na preservação da dimensão humana da
educação. Oliveira (2026), ao discutir a Inteligência Artificial humanizada e a educação
inclusiva, aproxima tecnologia, subjetividade e construção do conhecimento. Essa perspectiva
reforça que ensinar envolve relações, escuta, acompanhamento, sensibilidade, diálogo e
compreensão das experiências dos estudantes, dimensões que permanecem fundamentais mesmo
diante da crescente automação de determinadas tarefas.
A avaliação constitui outra dimensão que requer reorganização das práticas docentes.
Com a possibilidade de sistemas de IA produzirem textos, respostas e atividades, torna-se cada
vez mais importante avaliar processos de aprendizagem, argumentação, interpretação, resolução
de problemas, participação e capacidade de criação. Sousa et al. (2025) discutem as
potencialidades e os desafios da IA na avaliação educacional, indicando a necessidade de
práticas avaliativas coerentes com as transformações provocadas pelas tecnologias. Nesse
contexto,
o professor
pode utilizar instrumentos
diversificados,
incluindo
projetos,
apresentações, registros de aprendizagem, atividades práticas, debates e processos de revisão.
A expansão da Inteligência Artificial, portanto, fortalece a necessidade de um professor
pesquisador, mediador e formador de sujeitos críticos. A tecnologia pode ampliar recursos e
possibilidades didáticas, mas a qualidade de sua utilização depende das decisões pedagógicas
que orientam sua inserção no cotidiano educacional. Teodoro et al. (2024) reforçam a relevância
da preparação docente para o uso das tecnologias, enquanto Almeida (2026) aproxima formação
profissional, criticidade e emancipação.
O papel do professor diante da Inteligência Artificial não perde relevância, mas ganha
novas dimensões. Cabe-lhe organizar experiências de aprendizagem, orientar pesquisas,
estimular a autoria, promover o pensamento crítico, garantir a inclusão, discutir princípios éticos
e ajudar os estudantes a compreender que utilizar tecnologia não significa abdicar da
responsabilidade intelectual. A expansão da IA pode, portanto, contribuir para uma educação
mais criativa, participativa e personalizada quando integrada a práticas pedagógicas
humanizadas, nas quais o professor permanece como mediador fundamental da construção do
conhecimento.
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
54
2.10. Inteligência Artificial e o futuro da aprendizagem: perspectivas para uma educação
humanizada e autônoma
Pensar o futuro da aprendizagem diante da expansão da Inteligência Artificial implica
compreender que as transformações tecnológicas não dizem respeito apenas à incorporação de
novas ferramentas ao ambiente educacional, mas à maneira como estudantes e professores
produzem, acessam, interpretam e compartilham conhecimentos. De Abreu Pestana dos Santos
(2023) identifica potencialidades importantes da Inteligência Artificial na educação, enquanto
Vieira et al. (2025) destacam que seus impactos precisam ser analisados considerando
simultaneamente possibilidades, limites e condições de utilização. O futuro da aprendizagem,
portanto, tende a ser marcado por uma relação mais integrada entre recursos digitais, práticas
pedagógicas e desenvolvimento das capacidades humanas.
A presença crescente da tecnologia também modifica a compreensão sobre o próprio
processo de aprendizagem. Costa e Araújo (2025) discutem os impactos das tecnologias no
ensino e na aprendizagem, evidenciando que sua inserção pode produzir novas possibilidades
para as práticas educacionais. Nesse cenário, a Inteligência Artificial pode auxiliar na
organização de informações, elaboração de materiais, exploração de conteúdos e criação de
diferentes estratégias de estudo. A aprendizagem, entretanto, permanece vinculada à participação
intelectual do estudante, à mediação pedagógica e à construção de significados.
A perspectiva de uma educação futura mais humanizada encontra respaldo na
concepção de Inteligência Artificial humanizada apresentada por Oliveira (2026), que aproxima
tecnologia, subjetividades e construção do conhecimento. Essa compreensão desloca o debate de
uma visão centrada exclusivamente na eficiência tecnológica para uma perspectiva que considera
as necessidades, experiências, emoções, singularidades e potencialidades dos sujeitos. A
educação humanizada não rejeita a inovação, mas estabelece que o desenvolvimento tecnológico
deve estar a serviço da formação humana.
A autonomia dos estudantes assume posição fundamental. Almeida (2026), ao
relacionar prática pedagógica, formação docente, criticidade e emancipação, contribui para
compreender que uma educação comprometida com a autonomia precisa favorecer sujeitos
capazes de pensar, questionar, argumentar e tomar decisões. A Inteligência Artificial pode apoiar
esse percurso ao oferecer possibilidades de pesquisa, exploração de ideias e experimentação,
desde que o estudante não seja reduzido a um consumidor passivo das respostas produzidas pelas
ferramentas.
As ideias apresentadas pelos autores são particularmente importantes para esta pesquisa
porque convergem para uma compreensão da Inteligência Artificial como recurso pedagógico de
apoio à aprendizagem, e não como substituta do professor ou da capacidade intelectual dos
estudantes. Góes et al. (2025) contribuem para essa discussão ao evidenciar a relevância de
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
55
.
práticas ativas, mediadas por tecnologia e acessibilidade, nas quais o estudante participa da
investigação e da construção de soluções. Essa perspectiva dialoga diretamente com Caba
(2026), que enfatiza a necessidade de formar estudantes capazes de questionar resultados,
reconhecer limites, avaliar informações e tomar decisões conscientes. Para a presente pesquisa,
essa contribuição é fundamental porque permite compreender que o potencial da IA não está
somente na rapidez com que produz informações, mas na possibilidade de favorecer
investigação, reflexão, participação e aprendizagem permanente.
As contribuições de Carvalho (2026), Cabral (2026) e Oliveira (2026) ampliam essa
compreensão ao relacionarem a IA à criatividade, à diversificação das estratégias de
aprendizagem, à pesquisa e à personalização das experiências educativas. Essas ideias sustentam
a análise das possibilidades da IA para tornar as práticas pedagógicas mais flexíveis e
significativas, desde que exista planejamento e orientação pedagógica.
Ischkanian (2026), por sua vez, reforça uma dimensão central desta pesquisa ao
relacionar a utilização da IA à inclusão, à autonomia, à criatividade e à superação de barreiras,
preservando a dimensão humana do processo educativo. Essa perspectiva é complementada por
Sandro Garabed Ischkanian (2026), ao destacar que nenhuma tecnologia substitui a capacidade
humana de interpretar contextos, estabelecer relações e atribuir significado ao conhecimento, e
por Silvana Nascimento de Carvalho (2026), que ressalta a importância das relações humanas no
processo de ensinar e aprender.
Sygride Nascimento de Carvalho (2026) acrescenta que a IA deve favorecer a
autonomia, evitando a dependência dos recursos automatizados. Em conjunto, essas
contribuições fundamentam a pesquisa ao estabelecerem uma relação equilibrada entre inovação
tecnológica, mediação docente, protagonismo estudantil, pensamento crítico, inclusão e
autonomia, elementos essenciais para analisar as possibilidades, os limites e os impactos da
Inteligência Artificial na educação.
Ainda nesse sentido, os autores (2026) destacam, em suas reflexões, diferentes
possibilidades e desafios relacionados à inserção da IA no contexto educacional, enfatizando a
necessidade de uma utilização crítica, ética, planejada e pedagogicamente orientada:
“A Inteligência Artificial apresenta novas perspectivas para a formação educacional e
para o desenvolvimento de práticas pedagógicas alinhadas às transformações do mundo
contemporâneo. Sua utilização pode favorecer o acesso a informações, apoiar processos
de investigação, ampliar recursos destinados ao ensino e contribuir para experiências de
aprendizagem mais flexíveis. Entretanto, para que essas possibilidades sejam
efetivamente transformadoras, é necessário investir na formação de professores e
estudantes para o uso crítico e responsável das tecnologias. A educação precisa preparar
sujeitos capazes não apenas de utilizar ferramentas de Inteligência Artificial, mas
também de questionar seus resultados, reconhecer seus limites, avaliar informações e
tomar decisões conscientes, fortalecendo uma cultura de aprendizagem permanente e de
participação ativa na sociedade.” (António Manuel Domingos Caba, 2026, grifo nosso).
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
56
“As tecnologias digitais e a Inteligência Artificial estão modificando significativamente
as experiências de aprendizagem e as formas pelas quais os estudantes estabelecem
contato com informações e conhecimentos. Nesse cenário, surgem oportunidades para
ampliar a participação, estimular a criatividade e desenvolver novas estratégias de
aprendizagem, especialmente quando os estudantes são incentivados a utilizar os
recursos tecnológicos de maneira investigativa e consciente. O desafio consiste em
transformar o acesso às tecnologias em oportunidades reais de construção do
conhecimento, evitando uma utilização passiva ou dependente dos recursos digitais. A
educação contemporânea deve, portanto, promover o equilíbrio entre inovação
tecnológica, participação humana, pensamento crítico e autonomia intelectual.” (Gabriel
Nascimento de Carvalho, grifo nosso).
“A utilização da Inteligência Artificial na educação abre possibilidades para repensar
práticas pedagógicas, metodologias de ensino e formas de interação com o
conhecimento. Sua contribuição pode ser especialmente relevante quando os recursos
tecnológicos são utilizados de maneira consciente, permitindo que professores e
estudantes explorem diferentes fontes, linguagens e estratégias de aprendizagem.
Contudo, a presença da IA exige uma postura educativa que ultrapasse o domínio
técnico das ferramentas, envolvendo também ética, responsabilidade, capacidade de
análise e compreensão dos impactos sociais decorrentes de seu uso. Assim, a inovação
educacional somente alcança significado quando está associada à construção de
conhecimentos, à participação dos estudantes e ao compromisso com uma educação
capaz de responder positivamente às transformações da sociedade.” (Gladys Nogueira
Cabral, 2026, grifo nosso).
“A inserção da Inteligência Artificial no campo educacional representa uma
transformação significativa nas formas de produzir, acessar e compartilhar
conhecimentos. Quando utilizada de maneira planejada e pedagogicamente orientada, a
IA pode ampliar as possibilidades de aprendizagem, oferecer novos caminhos para a
pesquisa, favorecer a personalização das experiências educativas e apoiar professores e
estudantes diante das demandas de uma sociedade cada vez mais tecnológica.
Entretanto, sua presença na educação precisa estar acompanhada de responsabilidade,
reflexão crítica e compromisso com a formação integral do estudante, para que a
inovação tecnológica não seja compreendida apenas como avanço instrumental, mas
como oportunidade de promover uma educação mais significativa, participativa e
conectada às necessidades humanas e sociais.” (Ivoney da Silva Oliveira, 2026, grifo
nosso).
“A Inteligência Artificial na educação deve ser compreendida como parte de um
processo mais amplo de transformação social e cultural, no qual as tecnologias passam a
influenciar diferentes formas de comunicação, trabalho, produção de conhecimento e
aprendizagem. Sua utilização no ambiente educacional apresenta potencial para apoiar
professores, ampliar recursos pedagógicos e criar novas possibilidades de interação com
o conhecimento. Entretanto, os benefícios da IA dependem da forma como ela é
incorporada às práticas educativas. É necessário estabelecer uma relação equilibrada
entre inovação e responsabilidade, reconhecendo que nenhuma tecnologia, por mais
avançada que seja, substitui a capacidade humana de estabelecer relações, interpretar
contextos, formular valores, desenvolver pensamento crítico e atribuir significado ao
conhecimento.” (Sandro Garabed Ischkanian, 2026, grifo nosso).
“A presença crescente da Inteligência Artificial nos espaços educacionais demonstra
que as escolas e os profissionais da educação estão diante de novas possibilidades e,
simultaneamente, de novos desafios. A utilização desses recursos pode contribuir para
diversificar estratégias de ensino, apoiar o planejamento pedagógico, estimular a
criatividade e ampliar as oportunidades de aprendizagem. Entretanto, é necessário que
sua incorporação ocorra de forma responsável, considerando as características dos
estudantes, os objetivos educacionais e os princípios éticos que orientam a formação
humana. A tecnologia deve ser compreendida como recurso de apoio à educação e não
como substituta das relações humanas que constituem o processo de ensinar e
aprender.” (Silvana Nascimento de Carvalho, 2026, grifo nosso).
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
57
.
“A Inteligência Artificial pode constituir uma importante aliada da educação
contemporânea quando sua utilização está vinculada à mediação pedagógica, à inclusão,
à criatividade, ao pensamento crítico e à autonomia dos estudantes. A tecnologia,
entretanto, não substitui a sensibilidade, a intencionalidade e a capacidade de mediação
do professor, tampouco deve retirar do estudante a oportunidade de pensar, questionar,
criar, experimentar e construir seus próprios conhecimentos. Nesse sentido, incorporar a
IA à educação significa desenvolver novas possibilidades de ensinar e aprender,
preservando a dimensão humana do processo educativo e garantindo que os recursos
tecnológicos sejam utilizados para ampliar oportunidades, superar barreiras, respeitar
diferentes formas de aprendizagem e favorecer o protagonismo dos estudantes.”
(Simone Helen Drumond Ischkanian, 2026, grifo nosso).
“A Inteligência Artificial pode contribuir para uma educação mais dinâmica e
diversificada ao oferecer recursos capazes de apoiar diferentes experiências de
aprendizagem. Sua utilização responsável pode favorecer a exploração de conteúdos, a
elaboração de estratégias pedagógicas e o desenvolvimento de atividades que estimulem
a participação dos estudantes. Todavia, a inovação tecnológica precisa estar associada
ao desenvolvimento da autonomia e não à dependência dos recursos automatizados. É
fundamental que o estudante continue ocupando posição ativa diante do conhecimento,
utilizando a Inteligência Artificial como instrumento para pesquisar, comparar,
questionar, produzir e refletir. Dessa maneira, a tecnologia pode deixar de ser apenas
uma ferramenta e tornar-se um recurso educativo capaz de apoiar processos de
aprendizagem mais significativos e socialmente relevantes.” (Sygride Nascimento de
Carvalho, 2026, grifo nosso).
A análise das citações autorais (2026, grifo nosso), reunidas neste contexto evidenciam
que a gamificação também pode integrar o cenário de transformação das práticas educacionais,
especialmente quando articulada às possibilidades oferecidas pelas tecnologias digitais da IA.
Bezerra et al. (2024) em consonância com Oliveira, Ischkanian, Cabral, Carvalho, Caba,
Carvalho, Carvalho e Ischkanian (2026), relacionam práticas mediadas por tecnologia ao
engajamento e à motivação no ambiente educacional, indicando que estratégias interativas
podem favorecer maior participação dos estudantes no processo de aprendizagem. Nessa
perspectiva, a integração entre recursos de Inteligência Artificial e estratégias lúdicas pode
proporcionar experiências mais dinâmicas, nas quais os estudantes são estimulados a enfrentar
desafios, resolver problemas, acompanhar seu próprio desenvolvimento e participar ativamente
da construção do conhecimento. A tecnologia, nesse contexto, assume função pedagógica
quando utilizada de maneira intencional, contribuindo para diversificar as experiências de
aprendizagem sem reduzir o processo educativo à simples utilização de recursos digitais.
A criatividade representa outra dimensão importante do futuro educacional. Silva et al.
(2026), ao abordarem as brincadeiras digitais e as tecnologias criativas, mostram possibilidades
de integração entre ludicidade, produção e recursos tecnológicos. As tecnologias generativas
podem ampliar essas experiências ao possibilitar a criação de textos, imagens, propostas
didáticas e diferentes formas de expressão. O valor pedagógico dessa produção, contudo, está na
capacidade do estudante de escolher, transformar, combinar e atribuir significado ao que é
produzido.
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
58
A aprendizagem também precisa considerar as diferentes formas de comunicação e
expressão. Cabral (2026), ao apresentar a técnica de Total Physical Response no ensino da língua
inglesa para crianças, demonstra a importância de estratégias metodológicas diversificadas para
favorecer a aprendizagem. A expansão da Inteligência Artificial pode ampliar esse repertório ao
permitir a elaboração de atividades que articulem linguagem, imagem, áudio, movimento e
interação. O futuro da educação tende a valorizar cada vez mais experiências multimodais, nas
quais diferentes caminhos podem conduzir à construção do conhecimento.
No campo da linguagem, a Inteligência Artificial também pode contribuir para práticas
de leitura, interpretação e produção textual. Vieira (2026), ao discutir o eixo leitura e estratégias
de letramento literário nos anos iniciais, evidencia a importância de práticas que favoreçam a
construção de sentidos. A IA pode ser utilizada para apresentar diferentes possibilidades de
interpretação, comparar versões de textos, formular perguntas e estimular debates, mas a leitura
crítica continua dependendo da capacidade humana de interpretar contextos, reconhecer sentidos
e construir posicionamentos próprios.
Essa perspectiva também se aplica à literatura e à formação cultural. Santos (2026), ao
abordar os debates contemporâneos relacionados à obra de Monteiro Lobato, demonstra que o
trabalho pedagógico com textos literários pode envolver análise, contextualização e reflexão
crítica. Com a Inteligência Artificial, os estudantes podem comparar interpretações, investigar
diferentes perspectivas e questionar representações presentes nas obras. O recurso tecnológico,
portanto, pode ampliar a investigação literária quando utilizado como ponto de partida para
reflexão e não como resposta definitiva.
A dimensão cultural será igualmente determinante para o futuro da aprendizagem.
Freitas (2026) relaciona letramento cultural, formação docente e práticas pedagógicas
antirracistas, indicando a importância de reconhecer diferentes experiências e conhecimentos na
educação. Silva e Bacury (2026), ao discutirem a Etnomatemática indígena e os saberes
tradicionais, ampliam essa compreensão ao evidenciar a relevância dos conhecimentos
produzidos por diferentes povos e comunidades. Uma educação mediada por Inteligência
Artificial precisa preservar essa pluralidade, evitando que sistemas tecnológicos reproduzam
somente perspectivas culturais predominantes.
A preservação da diversidade de saberes também pode ser relacionada às discussões de
Oliveira (2026), que aproxima tecnologia, subjetividade e construção do conhecimento, e de
Oliveira (2026) em sua análise sobre políticas editoriais e censura cultural, ao evidenciar
processos históricos de silenciamento de línguas, histórias e saberes dos povos indígenas. O
futuro da aprendizagem precisa utilizar a tecnologia para ampliar vozes, registros e
possibilidades de conhecimento, reconhecendo que a produção intelectual humana é plural e
construída em diferentes contextos históricos e culturais.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
59
.
No ensino da Matemática, Sousa (2026) contribui para pensar a diversidade de métodos
e estratégias pedagógicas, enquanto Silva e Bacury (2026) demonstram que o conhecimento
matemático também pode ser compreendido a partir de referências culturais e saberes
tradicionais. A Inteligência Artificial pode oferecer apoio à resolução de problemas, criação de
situações didáticas e exploração de diferentes estratégias, mas o desenvolvimento matemático
exige compreensão dos procedimentos, raciocínio e capacidade de justificar as respostas
encontradas. O futuro da aprendizagem matemática tende a valorizar menos a repetição
mecânica e mais a capacidade de interpretar, solucionar, explicar e criar.
A integração da Inteligência Artificial ao currículo também exige planejamento
pedagógico. Azevedo (2026), ao discutir currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação,
evidencia a importância de inserir o pensamento computacional de maneira articulada às
experiências educacionais. Isso significa que o futuro da aprendizagem não depende apenas de
ensinar os estudantes a utilizar ferramentas de IA, mas de desenvolver competências que lhes
permitam compreender processos, solucionar problemas, identificar padrões, avaliar informações
e utilizar tecnologias com intencionalidade.
A inclusão educacional constitui outra dimensão indispensável. Almeida et al. (2025)
discutem as possibilidades e os desafios das tecnologias no processo de inclusão, enquanto Góes
et al. (2025) aproximam tecnologia, acessibilidade e práticas inclusivas. Nesse horizonte, a
Inteligência Artificial pode colaborar para diversificar materiais, adaptar atividades e ampliar
formas de participação. A inclusão, contudo, precisa permanecer vinculada à garantia de direitos
e ao reconhecimento das singularidades dos estudantes, perspectiva reforçada por Ischkanian e
Ischkanian (2026) ao relacionarem dignidade humana e direitos das pessoas com deficiência.
A formação dos profissionais da educação será decisiva para que essas possibilidades
sejam concretizadas. Teodoro et al. (2024) evidenciam a importância da preparação dos
professores diante da utilização das tecnologias em sala de aula, enquanto Ischkanian (2026)
relaciona capacitação, avaliação e desenvolvimento de competências profissionais. O futuro da
educação exigirá professores capazes de compreender os recursos de Inteligência Artificial,
selecionar aqueles que apresentam pertinência pedagógica, orientar os estudantes e avaliar
criticamente os resultados produzidos pelas ferramentas.
A responsabilidade docente também estará diretamente relacionada à avaliação da
aprendizagem. Sousa et al. (2025) discutem as potencialidades e limitações da Inteligência
Artificial na avaliação educacional, indicando a necessidade de repensar práticas avaliativas
diante das novas possibilidades tecnológicas. Em um cenário no qual sistemas podem produzir
respostas, textos e atividades, será cada vez mais importante valorizar processos, argumentação,
autoria, criatividade, resolução de problemas, participação e capacidade de revisão. A avaliação
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
60
poderá tornar-se mais diversificada e centrada naquilo que o estudante efetivamente compreende
e consegue construir.
A ética continuará sendo um fundamento indispensável. O futuro da aprendizagem não
pode ser orientado exclusivamente pela velocidade de produção de conteúdos ou pela automação
de tarefas. Questões relacionadas à privacidade, autoria, responsabilidade, segurança das
informações, transparência e uso consciente precisam integrar a formação dos estudantes e dos
professores. Vieira et al. (2025) e Sousa et al. (2025) contribuem para esse debate ao
evidenciarem que o potencial da Inteligência Artificial precisa ser acompanhado por análise
criteriosa de suas formas de utilização.
A autoria humana tende, inclusive, a adquirir maior importância em um cenário de
crescente produção automatizada. Silva et al. (2026) permitem aproximar tecnologias criativas,
ludicidade e produção, enquanto Almeida (2026) contribui para compreender a importância de
práticas educativas voltadas à criticidade e à emancipação. Quando o estudante utiliza a
Inteligência Artificial para gerar uma ideia inicial, revisar uma produção ou explorar
possibilidades, a aprendizagem pode ocorrer no processo de seleção, transformação,
argumentação e criação. O protagonismo permanece humano, mesmo quando a tecnologia
participa do percurso.
A Inteligência Artificial pode favorecer uma concepção de aprendizagem mais
personalizada, inclusiva e participativa. Almeida et al. (2025) mostram possibilidades de
utilização tecnológica associadas à inclusão, Bezerra et al. (2024) destacam engajamento e
motivação, e Góes et al. (2025) ressaltam experiências ativas mediadas por tecnologia. Essas
contribuições convergem para uma educação na qual diferentes estudantes possam encontrar
caminhos diversificados para acessar, compreender e produzir conhecimentos.
O futuro da aprendizagem também dependerá da capacidade de preservar o equilíbrio
entre inovação e humanização. Oliveira (2026) oferece uma referência importante ao propor uma
Inteligência Artificial humanizada, enquanto Almeida (2026) enfatiza uma prática pedagógica
associada à formação crítica e emancipadora. A tecnologia pode ampliar as possibilidades de
ensinar e aprender, mas não substitui o diálogo, a escuta, a criatividade, a sensibilidade, a
experiência e a capacidade humana de atribuir significado ao conhecimento.
O professor continuará ocupando posição estratégica. Sua função poderá ser ainda mais
centrada na mediação, orientação, problematização e acompanhamento das aprendizagens. A
Inteligência Artificial poderá assumir determinadas tarefas operacionais, permitindo ao docente
dedicar maior atenção à interação pedagógica, à personalização das experiências e ao
desenvolvimento das competências intelectuais e socioeducacionais dos estudantes. Teodoro et
al. (2024) e Ischkanian (2026) reforçam a importância da formação profissional para
acompanhar transformações dessa natureza.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
61
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A perspectiva de futuro apresentada neste estudo, portanto, não compreende a
Inteligência Artificial como substituta da escola, do professor ou do estudante. Trata-se de
reconhecê-la como recurso tecnológico capaz de ampliar possibilidades de pesquisa, criação,
interação, acessibilidade, personalização e produção de conhecimentos. A contribuição de
diferentes autores analisados ao longo deste estudo converge para a compreensão de que a
inovação alcança maior significado quando articulada à inclusão, à diversidade cultural, à
criatividade, à criticidade, à ética e à autonomia.
A educação do futuro poderá ser mais tecnológica sem deixar de ser humana, mais
personalizada sem perder o caráter coletivo, mais automatizada em determinadas tarefas sem
retirar do estudante a responsabilidade pela própria aprendizagem. A Inteligência Artificial
poderá ampliar caminhos para aprender, mas a construção de sentidos, valores, escolhas e
conhecimentos continuará dependendo da ação humana. Uma educação humanizada e autônoma
será aquela capaz de utilizar as possibilidades da tecnologia para fortalecer sujeitos críticos,
criativos, participativos e conscientes de seu papel na construção do conhecimento e da
sociedade.
3. REFERENCIAL TEÓRICO
O avanço das tecnologias digitais tem provocado mudanças nas práticas educacionais e
nas formas de acesso, produção e compartilhamento do conhecimento. A Inteligência Artificial
(IA) passou a ocupar espaço significativo nas discussões sobre educação, principalmente em
razão da expansão de ferramentas capazes de auxiliar na produção textual, pesquisa, organização
de informações, resolução de problemas, elaboração de atividades e acompanhamento da
aprendizagem. A inserção desses recursos modifica as relações entre professores, estudantes e
conhecimento, exigindo uma análise que ultrapasse a dimensão instrumental da tecnologia.
A utilização da Inteligência Artificial no campo educacional envolve possibilidades
relacionadas à personalização da aprendizagem, ampliação do acesso à informação,
diversificação das estratégias pedagógicas e apoio às atividades docentes e discentes. Ao mesmo
tempo, apresenta limites relacionados à confiabilidade das informações, autoria, dependência
tecnológica, privacidade, ética, avaliação e preservação da autonomia intelectual. De Abreu
Pestana dos Santos (2023) destaca que a Inteligência Artificial apresenta potencialidades
relevantes para a educação, mas sua utilização também envolve desafios que precisam ser
considerados na organização do processo educativo.
O referencial teórico desta pesquisa está organizado em cinco dimensões articuladas.
Inicialmente, aborda-se a fundamentação conceitual da Inteligência Artificial no campo
educacional. Em seguida, discutem-se abordagens pedagógicas e modelos de utilização das
tecnologias relacionados à aprendizagem. Posteriormente, são analisadas as contribuições da IA
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
62
para a aprendizagem e para a autonomia dos estudantes. Na sequência, são apresentados os
limites, desafios e implicações éticas de sua utilização. Por fim, discute-se o papel do professor,
da formação docente e da inclusão educacional diante da expansão dessas tecnologias.
3.1. Fundamentação conceitual do objeto de estudo
A Inteligência Artificial pode ser compreendida como um conjunto de tecnologias e
sistemas computacionais desenvolvidos para realizar tarefas que envolvem capacidades
associadas à inteligência humana, como processamento de informações, reconhecimento de
padrões, produção de respostas, classificação de dados e resolução de determinados problemas.
No campo educacional, sua presença assume características particulares porque passa a interagir
diretamente com processos de ensino, aprendizagem, avaliação e produção do conhecimento.
A inserção da IA na educação representa uma transformação que não se limita à
substituição de ferramentas tradicionais por recursos digitais. Trata-se de uma mudança nas
possibilidades de interação com o conhecimento e nas formas de organização das atividades
educacionais. Vieira et al. (2025) analisam a Inteligência Artificial na educação a partir de seus
impactos, limites e potencialidades, evidenciando a necessidade de compreender o fenômeno
considerando as diferentes funções que essas tecnologias podem assumir no ambiente
educacional.
A utilização da IA pode ocorrer em diferentes etapas do processo educativo. O
estudante pode recorrer a ferramentas inteligentes para pesquisar conceitos, obter explicações,
organizar informações, revisar conteúdos, elaborar perguntas e explorar diferentes perspectivas
sobre determinado assunto. O professor, por sua vez, pode utilizar recursos tecnológicos para
planejar atividades, produzir materiais, diversificar estratégias de ensino e oferecer formas
complementares de acompanhamento da aprendizagem.
A presença da tecnologia não determina automaticamente a qualidade do processo
educativo. A aprendizagem continua dependendo da participação ativa do estudante, da
mediação pedagógica e da capacidade de estabelecer relações significativas com os
conhecimentos estudados. A tecnologia constitui um recurso, enquanto a finalidade permanece
vinculada à formação humana, intelectual e social do estudante.
A perspectiva de uma Inteligência Artificial humanizada amplia essa compreensão ao
considerar que o desenvolvimento tecnológico deve estar articulado às necessidades humanas e
educacionais. Oliveira (2026) discute a relação entre inteligência artificial, educação inclusiva,
subjetividades e construção do conhecimento, contribuindo para uma perspectiva na qual a
tecnologia não ocupa o lugar central da experiência educativa, mas funciona como instrumento
de apoio à formação.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
63
.
A concepção de tecnologia educacional, portanto, precisa estar associada a objetivos
pedagógicos. O recurso tecnológico somente adquire significado educacional quando é utilizado
de maneira planejada e coerente com aquilo que se pretende desenvolver. Uma ferramenta de IA
pode fornecer uma resposta rapidamente, mas cabe ao processo educativo promover a
compreensão, a análise, a argumentação e a capacidade de questionamento do estudante.
Essa perspectiva também permite compreender que a Inteligência Artificial não deve ser
apresentada como solução universal para os desafios da educação. Seu potencial depende das
condições de utilização, da preparação dos profissionais, da infraestrutura disponível, da
acessibilidade e das características dos estudantes. Almeida et al. (2025) ressaltam que as
tecnologias podem contribuir para o processo de inclusão educacional, mas também apresentam
desafios que precisam ser enfrentados para que sua utilização efetivamente favoreça a
participação e a aprendizagem.
3.2. Abordagens teóricas e modelos analíticos relacionados ao tema
A discussão sobre Inteligência Artificial na educação está relacionada às transformações
das práticas pedagógicas e à necessidade de compreender o estudante como participante ativo do
processo de aprendizagem. As tecnologias digitais podem favorecer metodologias que estimulam
investigação, colaboração, resolução de problemas, criatividade e participação. Nesse cenário, a
utilização da IA pode ser articulada a práticas pedagógicas que valorizem o protagonismo
discente.
A aprendizagem baseada em projetos constitui uma possibilidade de integração entre
tecnologia, participação e construção do conhecimento. Góes et al. (2025) discutem essa
abordagem como estratégia ativa capaz de promover práticas inclusivas mediadas por tecnologia
e acessibilidade. A perspectiva apresentada permite compreender que o recurso tecnológico
possui maior significado pedagógico quando inserido em situações nas quais o estudante precisa
investigar, elaborar hipóteses, tomar decisões e produzir conhecimentos.
A gamificação também demonstra como os recursos tecnológicos podem ser articulados
a estratégias destinadas a ampliar o envolvimento dos estudantes. Bezerra et al. (2024) discutem
a relação entre gamificação, tecnologia, engajamento e motivação no ambiente educacional. Essa
abordagem demonstra que o uso da tecnologia pode modificar a dinâmica das atividades
pedagógicas e criar experiências capazes de estimular a participação dos estudantes.
A utilização de tecnologias, entretanto, precisa estar acompanhada de intencionalidade
pedagógica. Costa e Araújo (2025) discutem os impactos das tecnologias no ensino e na
aprendizagem e destacam a existência de desafios e possibilidades associados à incorporação
desses recursos ao contexto educacional. A tecnologia, quando utilizada sem planejamento, pode
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
64
não produzir os resultados esperados e pode até ampliar dificuldades já existentes no processo de
ensino.
A discussão sobre o pensamento computacional também contribui para compreender as
transformações curriculares provocadas pela expansão das tecnologias. Azevedo (2026) aborda a
relação entre currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação, destacando desafios e
possibilidades relacionados à integração do pensamento computacional na educação básica. Essa
discussão demonstra que a educação contemporânea necessita preparar os estudantes não apenas
para utilizar tecnologias, mas também para compreender processos, solucionar problemas e
desenvolver formas estruturadas de pensamento.
A Inteligencia Artificial pode ser inserida em modelos pedagógicos centrados na
investigação e na resolução de problemas. Seu uso pode contribuir para levantar possibilidades,
comparar informações, produzir hipóteses e apoiar processos de pesquisa. Contudo, a ferramenta
não deve substituir a atividade intelectual do estudante. A abordagem pedagógica precisa
estimular o estudante a analisar criticamente as respostas produzidas e a construir suas próprias
conclusões.
A perspectiva crítica da formação também é relevante para essa discussão. Almeida
(2026) relaciona prática pedagógica e formação docente a uma educação crítica e emancipadora.
Essa concepção permite compreender que a incorporação de tecnologias precisa contribuir para o
desenvolvimento da capacidade de pensar e agir dos sujeitos, e não apenas para tornar
determinadas tarefas mais rápidas.
A educação mediada por IA, portanto, precisa articular inovação tecnológica e
intencionalidade pedagógica. O valor educacional de uma ferramenta não está somente em sua
capacidade técnica, mas na maneira como ela é incorporada ao processo de aprendizagem.
Quanto mais a tecnologia estiver associada à investigação, reflexão, criatividade, colaboração e
resolução de problemas, maiores serão as possibilidades de contribuir para uma formação ativa.
3.3. Inteligência Artificial, aprendizagem e autonomia dos estudantes
A aprendizagem constitui uma das principais dimensões para analisar os impactos da
Inteligência Artificial na educação. A possibilidade de acessar informações rapidamente pode
facilitar o contato dos estudantes com diferentes conteúdos e perspectivas. Ferramentas de IA
também podem auxiliar na organização dos estudos, na revisão de conceitos, na produção de
perguntas e na exploração de temas de interesse.
Entretanto, acesso à informação não pode ser confundido com construção do
conhecimento. Aprender envolve interpretar, relacionar, questionar, selecionar e utilizar
informações de maneira significativa. Nesse sentido, o uso da IA precisa favorecer processos
cognitivos que ultrapassem a simples obtenção de respostas. O estudante deve ser estimulado a
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
65
.
compreender como uma resposta foi construída, verificar sua consistência e relacioná-la aos
conhecimentos desenvolvidos no processo educativo.
De Abreu Pestana dos Santos (2023) evidencia que as potencialidades da Inteligência
Artificial na educação precisam ser analisadas juntamente com os desafios decorrentes de sua
utilização. Essa compreensão é importante porque a tecnologia pode apresentar respostas rápidas
e aparentemente completas, mas nem sempre essas respostas correspondem às necessidades
específicas da aprendizagem ou apresentam informações suficientemente contextualizadas.
A autonomia dos estudantes está diretamente relacionada a essa questão. Um estudante
autônomo não é aquele que simplesmente realiza atividades sozinho, mas aquele que desenvolve
capacidade de tomar decisões, formular perguntas, buscar informações, avaliar diferentes
possibilidades e assumir responsabilidade pelo próprio processo de aprendizagem. A IA pode
apoiar essas competências quando utilizada como ferramenta de investigação e reflexão.
A utilização inadequada pode produzir dependência. Quando o estudante utiliza a IA
exclusivamente para obter respostas prontas, existe o risco de reduzir sua participação intelectual
e enfraquecer habilidades relacionadas à leitura, escrita, argumentação, interpretação e resolução
de problemas. A questão central não está, portanto, na utilização da ferramenta em si, mas na
finalidade atribuída ao seu uso.
Vieira et al. (2025) contribuem para essa discussão ao analisarem os impactos, limites e
potencialidades da Inteligência Artificial na educação. A análise permite compreender que a
tecnologia pode assumir diferentes funções no processo educativo e que seus resultados
dependem das formas de utilização e das condições pedagógicas nas quais está inserida.
A autonomia também está relacionada à capacidade de avaliar criticamente as
informações produzidas por sistemas de IA. O estudante precisa compreender que uma resposta
automatizada não deve ser aceita de maneira absoluta. A consulta a fontes, a comparação de
informações e a análise crítica constituem procedimentos essenciais para a construção de
conhecimentos confiáveis.
A utilização pedagógica da IA pode, portanto, favorecer uma autonomia orientada. O
professor apresenta condições, critérios e objetivos, enquanto o estudante desenvolve
progressivamente a capacidade de utilizar os recursos disponíveis com responsabilidade. Nesse
modelo, a tecnologia não elimina a mediação docente, mas pode ampliar os espaços de
investigação e aprendizagem.
As metodologias ativas contribuem para esse processo porque colocam o estudante
diante de situações que exigem participação e tomada de decisão. Góes et al. (2025) demonstram
a importância de práticas baseadas em projetos e mediadas por tecnologia para promover
experiências de aprendizagem mais participativas. Bezerra et al. (2024) também evidenciam a
relevância de estratégias tecnológicas para engajamento e motivação.
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
66
A autonomia, portanto, deve ser compreendida como uma competência construída
progressivamente. A Inteligência Artificial pode contribuir para esse desenvolvimento quando
utilizada para estimular perguntas, pesquisas, comparações, criação e reflexão. Seu uso torna-se
problemático quando passa a substituir as etapas fundamentais do raciocínio que deveriam ser
desenvolvidas pelo próprio estudante.
3.4. Limites, desafios e implicações éticas da utilização da Inteligência Artificial
Apesar de suas possibilidades, a utilização da Inteligência Artificial no campo
educacional apresenta limites que precisam ser considerados. Entre eles estão a possibilidade de
informações incorretas, a dependência tecnológica, a redução da autoria, a utilização inadequada
de conteúdos produzidos automaticamente, os desafios relacionados à avaliação e as questões
éticas envolvendo dados e privacidade.
Um dos principais desafios está relacionado à autoria acadêmica. A facilidade para
produzir textos e respostas pode levar estudantes a utilizar conteúdos gerados por IA sem
compreender ou participar efetivamente de sua elaboração. Essa situação exige novas formas de
orientação pedagógica e avaliação, capazes de valorizar o processo de construção do
conhecimento e não apenas o produto final.
A avaliação educacional constitui outro campo diretamente afetado pela expansão da
IA. Sousa et al. (2025) analisam as potencialidades e limitações da Inteligência Artificial na
avaliação educacional, mostrando que esses recursos podem apoiar determinados processos, mas
também exigem cautela. A utilização de sistemas automatizados não elimina a necessidade de
avaliação humana, especialmente quando estão em análise aspectos como argumentação,
criatividade, compreensão, autoria e desenvolvimento intelectual.
A avaliação precisa, portanto, acompanhar as transformações provocadas pela
tecnologia. Atividades que valorizem produção própria, resolução de problemas, apresentação
oral, discussão, projetos, análise crítica e aplicação prática dos conhecimentos podem contribuir
para verificar de maneira mais adequada o desenvolvimento dos estudantes.
Sistemas de IA podem produzir respostas linguisticamente bem estruturadas, mas isso
não significa que todas as informações apresentadas sejam necessariamente corretas ou
adequadas ao contexto. Por essa razão, o letramento digital e a capacidade de verificar fontes
tornam-se componentes importantes da formação educacional.
A questão ética também envolve a proteção de dados e a utilização responsável das
ferramentas digitais. As instituições educacionais precisam estabelecer orientações que
considerem segurança, privacidade, transparência e responsabilidade. A utilização de tecnologias
deve respeitar os direitos dos estudantes e garantir que a inovação não ocorra em detrimento da
proteção dos sujeitos envolvidos.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
67
.
Teodoro et al. (2024) discutem desafios e perspectivas relacionados à utilização das
tecnologias de informação e comunicação pelos professores em sala de aula. Essa discussão
permanece pertinente diante da expansão da IA, uma vez que o professor precisa lidar com
ferramentas cada vez mais sofisticadas sem perder de vista os objetivos pedagógicos e
formativos.
A desigualdade de acesso também constitui um limite importante. Nem todos os
estudantes possuem as mesmas condições de acesso à internet, dispositivos e ferramentas
tecnológicas. A utilização da IA sem considerar essas diferenças pode ampliar desigualdades
educacionais. Almeida et al. (2025) demonstram que as tecnologias podem apresentar
contribuições para a inclusão, mas sua efetividade depende das condições concretas de acesso e
utilização.
A inclusão educacional exige que as ferramentas tecnológicas sejam acessíveis e
articuladas às necessidades dos diferentes estudantes. Recursos digitais podem ampliar
possibilidades de comunicação, participação e acesso aos conteúdos, mas isso depende de
planejamento e mediação. A tecnologia, por si só, não garante uma educação inclusiva.
Diante desses desafios, a utilização da Inteligência Artificial precisa ser acompanhada
por princípios éticos e pedagógicos. A tecnologia deve ser utilizada para ampliar possibilidades
educacionais, e não para eliminar a responsabilidade humana pelo processo de ensino e
aprendizagem.
3.5. Formação docente, mediação pedagógica e educação inclusiva na era da IA
A expansão da Inteligência Artificial modifica também o papel do professor. A presença
de ferramentas capazes de produzir conteúdos, responder perguntas e apoiar atividades não
significa redução da importância docente. Pelo contrário, amplia a necessidade de professores
preparados para orientar o uso crítico e responsável dessas tecnologias.
A mediação pedagógica permanece fundamental porque o professor é responsável por
estabelecer objetivos de aprendizagem, selecionar estratégias, acompanhar o desenvolvimento
dos estudantes e criar situações que estimulem reflexão. A tecnologia pode auxiliar essas
atividades, mas não substitui a dimensão humana da relação educativa.
Almeida (2026) destaca a importância da prática pedagógica e da formação docente
para uma educação crítica e emancipadora. Essa perspectiva é particularmente relevante diante
da IA, pois a formação de professores precisa contemplar não somente competências técnicas,
mas também conhecimentos relacionados à ética, autoria, avaliação, pensamento crítico e
utilização pedagógica dos recursos tecnológicos.
A formação continuada torna-se necessária diante da velocidade das transformações
tecnológicas. Os professores precisam compreender as possibilidades e limitações das
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
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ferramentas utilizadas pelos estudantes e desenvolver estratégias para integrá-las aos objetivos
curriculares. O conhecimento tecnológico, isoladamente, não garante uma prática pedagógica
qualificada. É necessário saber quando utilizar determinado recurso, para qual finalidade e com
quais critérios.
A relação entre currículo e tecnologia também precisa ser considerada. Azevedo (2026)
demonstra que a integração do pensamento computacional à educação básica envolve desafios
curriculares e pedagógicos. A presença da IA amplia essa discussão ao exigir que os currículos
contemplem competências relacionadas à utilização crítica das tecnologias, à análise de
informações e à resolução de problemas.
A educação inclusiva constitui outra dimensão essencial. Almeida et al. (2025) mostram
que as tecnologias podem apresentar possibilidades relevantes para o processo de inclusão
educacional, especialmente quando articuladas a estratégias de acessibilidade e participação.
Nesse sentido, ferramentas de IA podem contribuir para diversificar formas de acesso aos
conteúdos e apoiar diferentes necessidades de aprendizagem.
A perspectiva inclusiva exige, entretanto, que o estudante seja compreendido em sua
singularidade. Oliveira (2026), ao discutir inteligência artificial humanizada e educação
inclusiva, contribui para uma compreensão na qual as tecnologias devem estar subordinadas às
necessidades humanas e às finalidades educativas. A inovação tecnológica precisa ampliar
oportunidades sem transformar as diferenças individuais em obstáculos à participação.
A mediação docente torna-se, portanto, elemento de equilíbrio entre autonomia e
orientação. O professor não deve controlar todas as etapas do uso da tecnologia, mas também
não pode abandonar o estudante diante de ferramentas capazes de produzir grande quantidade de
informações. É necessário construir orientações que permitam ao estudante utilizar a IA com
responsabilidade, desenvolver critérios de análise e compreender seus próprios limites.
A formação docente e a autonomia discente estão diretamente relacionadas. Professores
preparados podem criar situações em que a IA seja utilizada para estimular investigação,
criatividade, pensamento crítico e resolução de problemas. Estudantes orientados podem
aprender a utilizar essas ferramentas sem transferir para elas a responsabilidade pelo próprio
processo intelectual.
A educação na era da Inteligência Artificial exige, portanto, uma concepção de inovação
vinculada à formação humana. A tecnologia deve contribuir para ampliar as possibilidades de
ensinar e aprender, preservando a autoria, a criatividade, a interação, a inclusão e a autonomia. O
desafio contemporâneo consiste em utilizar os avanços tecnológicos sem permitir que eles
substituam os processos humanos que conferem sentido à educação.
A partir das discussões apresentadas, compreende-se que a Inteligência Artificial possui
potencial para contribuir significativamente com a educação, mas seus efeitos não são
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
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determinados exclusivamente pela tecnologia. Eles dependem das práticas pedagógicas, da
formação dos professores, das condições de acesso, das características dos estudantes e dos
critérios estabelecidos para sua utilização. A IA pode apoiar a aprendizagem e favorecer a
autonomia quando utilizada como instrumento de investigação, reflexão e produção, mas pode
produzir dependência e passividade quando utilizada como substituta da atividade intelectual.
O desafio educacional contemporâneo não consiste simplesmente em incorporar ou
rejeitar a Inteligência Artificial, mas em construir formas responsáveis, críticas, inclusivas e
pedagogicamente fundamentadas de utilização. A centralidade deve permanecer no estudante
como sujeito da aprendizagem e no professor como mediador do processo educativo, utilizando a
tecnologia como recurso para ampliar possibilidades sem comprometer a construção autônoma e
significativa do conhecimento.
3.6. Contendas teóricas sobre a delimitação do estudo
A presente pesquisa tem como tema Inteligência Artificial na Educação: possibilidades,
limites e impactos na aprendizagem e autonomia dos estudantes, delimitando sua análise às
contribuições, aos desafios e às repercussões educacionais decorrentes da utilização de
ferramentas de Inteligência Artificial nos processos de ensino e aprendizagem. A investigação
busca compreender o fenômeno a partir de uma perspectiva educacional, considerando a relação
entre inovação tecnológica, práticas pedagógicas, aprendizagem, autonomia intelectual, inclusão,
formação docente e construção do conhecimento. De Abreu Pestana dos Santos (2023), ao
analisar as potencialidades e os desafios da Inteligência Artificial na educação, oferece uma base
importante para compreender que a presença da IA pode ampliar recursos e estratégias
educacionais, desde que sua utilização esteja vinculada a objetivos pedagógicos definidos.
A delimitação do estudo considera, portanto, a Inteligência Artificial como uma
tecnologia que pode atuar de maneira complementar às práticas educativas. Os achados da
análise bibliográfica e documental evidenciam possibilidades relacionadas à produção e
organização de informações, apoio à pesquisa, elaboração de materiais, personalização de
atividades, desenvolvimento de estratégias de aprendizagem, estímulo à criatividade e ampliação
de recursos pedagógicos. Vieira et al. (2025), ao discutir impactos, limites e potencialidades da
IA na educação, contribuem para uma compreensão mais abrangente desse fenômeno,
permitindo observar que sua presença não representa apenas uma inovação técnica, mas uma
transformação que alcança diferentes dimensões da experiência educacional.
A análise das fontes selecionadas demonstra que a tecnologia pode adquirir maior
significado pedagógico quando utilizada de maneira planejada e articulada às necessidades dos
estudantes. Costa e Araújo (2025) discutem os impactos das tecnologias nos processos de ensino
e aprendizagem e evidenciam a existência de novas possibilidades para a organização das
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
70
experiências educativas. Nesse sentido, os achados desta pesquisa apontam que a IA pode
favorecer práticas mais diversificadas, interativas e contextualizadas, especialmente quando o
professor estabelece objetivos claros para sua utilização e orienta os estudantes quanto à maneira
de explorar os recursos disponíveis.
Entre as possibilidades identificadas encontra-se a ampliação do engajamento e da
participação dos estudantes. Bezerra et al. (2024), ao analisarem a gamificação e os estudos
mediados por tecnologia, demonstram que recursos digitais podem favorecer motivação e
envolvimento no ambiente educacional. Esse achado pode ser relacionado à utilização da IA em
atividades que estimulem investigação, produção, resolução de problemas e exploração de
diferentes possibilidades de resposta. A tecnologia, nesse contexto, deixa de ser apenas
instrumento de acesso à informação e pode assumir função de apoio à construção de experiências
educativas mais dinâmicas.
Outro resultado positivo identificado na literatura refere-se à possibilidade de
articulação entre tecnologia, criatividade e ludicidade. Silva et al. (2026), ao discutirem
brincadeiras digitais e tecnologias criativas, demonstram que os recursos contemporâneos podem
estabelecer novas relações entre aprendizagem, criação e participação. Essa contribuição permite
compreender que a IA pode ser integrada a práticas pedagógicas que estimulem produção de
ideias, elaboração de conteúdos, criação de diferentes representações e desenvolvimento de
atividades que valorizem a participação ativa do estudante.
A delimitação do estudo também contempla a dimensão curricular. Azevedo (2026), ao
analisar currículo, práticas pedagógicas e BNCC Computação, evidencia a importância de
integrar competências relacionadas ao universo tecnológico às finalidades da educação básica.
Os achados da pesquisa indicam que a utilização da IA apresenta maior potencial quando
inserida em propostas curriculares planejadas, nas quais o recurso tecnológico esteja relacionado
às competências e aprendizagens que se pretende desenvolver. A tecnologia, portanto, não
constitui finalidade em si mesma, mas instrumento que pode contribuir para objetivos
educacionais previamente estabelecidos.
A perspectiva inclusiva constitui igualmente uma dimensão importante da delimitação.
Almeida et al. (2025) identificam desafios e possibilidades relacionados ao uso das tecnologias
no processo de inclusão educacional, demonstrando que os recursos tecnológicos podem
favorecer acesso, participação e aprendizagem. Góes et al. (2025), ao relacionarem
aprendizagem baseada em projetos, práticas inclusivas, tecnologia e acessibilidade, reforçam a
possibilidade de utilizar recursos tecnológicos em propostas que valorizem diferentes formas de
participação. Os achados analisados indicam que a IA pode contribuir para ampliar
oportunidades educacionais quando associada à acessibilidade, à mediação pedagógica e ao
reconhecimento das necessidades dos estudantes.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
71
.
A pesquisa também delimita sua análise à relação entre tecnologia e formação humana.
Oliveira (2026) discute uma perspectiva de Inteligência Artificial humanizada articulada à
educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento. Essa abordagem é importante
porque permite compreender que a inovação tecnológica precisa permanecer vinculada às
pessoas que participam do processo educativo. Os resultados da análise bibliográfica e
documental apontam, nesse sentido, que a utilização da IA pode apresentar contribuições
relevantes quando preserva a interação humana, a autoria, a autonomia, a criatividade e a
capacidade crítica dos estudantes.
A dimensão cultural integra essa compreensão. Freitas (2026), ao abordar o letramento
cultural e a formação docente para práticas pedagógicas antirracistas, demonstra a importância
de reconhecer diferentes experiências e perspectivas culturais na educação. Silva e Bacury
(2026), ao discutirem a etnomatemática indígena e os saberes tradicionais, reforçam a
valorização da pluralidade dos conhecimentos. Os achados desta pesquisa permitem relacionar
essas contribuições ao uso da IA, indicando a necessidade de incentivar estudantes e professores
a analisar criticamente os conteúdos produzidos pelas ferramentas e reconhecer a diversidade de
saberes que compõe a sociedade.
3.7. Discussões teóricas sobre o problema de pesquisa
O problema de pesquisa que orienta este estudo é: quais são as possibilidades, os
limites e os impactos do uso da Inteligência Artificial na educação, especialmente em relação à
aprendizagem e à autonomia dos estudantes?
A formulação do problema decorre dos achados identificados na análise bibliográfica e
documental, que apontam para um cenário de ampliação das possibilidades de utilização das
tecnologias no processo educativo. De Abreu Pestana dos Santos (2023) evidencia
potencialidades da Inteligência Artificial na educação, enquanto Vieira et al. (2025) destacam a
necessidade de compreender conjuntamente os impactos, limites e potencialidades dessa
tecnologia. A questão investigativa surge, portanto, da necessidade de compreender como os
recursos de IA podem ser utilizados para favorecer experiências educacionais significativas.
O problema não parte de uma concepção negativa da Inteligência Artificial. Pelo
contrário, a análise das fontes evidencia diversas possibilidades de contribuição para a educação,
incluindo apoio à aprendizagem, ampliação de recursos didáticos, diversificação das estratégias
pedagógicas, estímulo à criatividade e favorecimento da participação. Almeida et al. (2025), ao
analisarem as tecnologias no processo de inclusão educacional, demonstram que recursos
tecnológicos podem ampliar oportunidades quando associados a práticas pedagógicas adequadas.
A investigação busca compreender como essas possibilidades podem ser potencializadas no
contexto da IA.
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
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A aprendizagem constitui uma das dimensões centrais do problema porque a tecnologia
precisa produzir significado pedagógico. Costa e Araújo (2025) demonstram que as tecnologias
vêm provocando mudanças nas formas de ensinar e aprender, enquanto Bezerra et al. (2024)
evidenciam relações entre recursos tecnológicos, engajamento e motivação. Esses achados
sustentam a necessidade de investigar de que maneira a Inteligência Artificial pode ser integrada
a práticas que favoreçam participação, interação e construção do conhecimento.
A autonomia dos estudantes constitui outra dimensão essencial do problema. A
utilização de ferramentas capazes de fornecer respostas rapidamente pode representar uma
oportunidade para ampliar a pesquisa e o aprofundamento de conteúdos, mas a formação
educacional requer participação intelectual do estudante. Almeida (2026), ao discutir práticas
pedagógicas e formação docente voltadas a uma educação crítica e emancipadora, oferece
fundamentos para compreender que o uso da tecnologia deve contribuir para o desenvolvimento
da capacidade de pensar, questionar, escolher e produzir conhecimentos.
A questão da autonomia também se relaciona à autoria e ao pensamento crítico. Os
achados da literatura indicam que o estudante pode utilizar a IA para formular perguntas,
comparar informações, revisar conteúdos e explorar novas possibilidades, desde que permaneça
responsável pela interpretação e pela produção de seus conhecimentos. Sousa et al. (2025), ao
analisarem a utilização da IA na avaliação educacional, evidenciam que esses recursos
apresentam possibilidades importantes, mas requerem critérios que preservem a qualidade do
processo educativo. O problema de pesquisa, portanto, procura compreender como aproveitar os
recursos tecnológicos sem enfraquecer a autoria e a participação intelectual.
O problema também envolve a atuação dos professores. Teodoro et al. (2024) discutem
desafios relacionados à utilização das tecnologias de informação e comunicação pelos docentes e
evidenciam a importância da preparação profissional. Almeida (2026) reforça que a formação
docente constitui elemento essencial para uma prática pedagógica crítica. A investigação
considera, portanto, que compreender os impactos da IA sobre a aprendizagem e a autonomia
exige analisar também a capacidade dos professores de orientar, contextualizar e mediar a
utilização dessas ferramentas.
A inclusão amplia o alcance do problema investigado. Góes et al. (2025) relacionam
tecnologia, acessibilidade e práticas inclusivas, enquanto Ischkanian e Ischkanian (2026)
enfatizam a dignidade e os direitos das pessoas com deficiência. Esses achados permitem
compreender que a utilização da IA precisa ser analisada também pela possibilidade de ampliar
formas de acesso, participação e aprendizagem. A questão investigativa incorpora essa dimensão
ao considerar uma educação que utilize a tecnologia para ampliar oportunidades e respeitar a
diversidade dos estudantes.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
73
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A dimensão cultural também integra o problema porque o conhecimento produzido e
disponibilizado pelas tecnologias não deve ser analisado de maneira descontextualizada. Oliveira
(2026), ao discutir políticas editoriais e processos de silenciamento de línguas, saberes e histórias
dos povos indígenas, demonstra a importância de preservar a diversidade cultural. Silva e Bacury
(2026) reforçam essa perspectiva ao valorizarem os saberes tradicionais na educação básica.
Nesse sentido, investigar a IA significa também refletir sobre a necessidade de utilizar seus
recursos de maneira crítica, valorizando diferentes perspectivas e formas de produção do
conhecimento.
3.8. Fundamentação teórica dos objetivos da pesquisa
O objetivo geral consiste em analisar as possibilidades, os limites e os impactos da
utilização da Inteligência Artificial no contexto educacional, com ênfase em suas implicações
para a aprendizagem e a autonomia dos estudantes.
A definição desse objetivo está diretamente relacionada aos achados da análise
bibliográfica e documental, que evidenciam a expansão das tecnologias no ambiente educacional
e suas diferentes possibilidades de utilização. De Abreu Pestana dos Santos (2023) apresenta
potencialidades da IA na educação, enquanto Vieira et al. (2025) contribuem para uma
compreensão dos impactos e limites associados à tecnologia. O objetivo geral busca reunir essas
diferentes dimensões em uma análise que valorize as contribuições da IA sem deixar de
considerar as condições necessárias para seu uso responsável.
Como objetivos específicos, pretende-se:
a) identificar as principais possibilidades pedagógicas proporcionadas pela
Inteligência Artificial, considerando recursos que podem apoiar pesquisa, produção de
conhecimentos, organização de informações, criatividade e diversificação das estratégias de
ensino. A análise de Bezerra et al. (2024), ao relacionar tecnologia, gamificação, engajamento e
motivação, e de Silva et al. (2026), ao abordar tecnologias criativas e ludicidade, oferece
fundamentos para reconhecer que os recursos digitais podem ampliar experiências de
aprendizagem e participação;
b) discutir os limites e desafios relacionados à utilização dessas tecnologias no
processo educativo, considerando questões relacionadas à autoria, qualidade das informações,
responsabilidade, avaliação e formação dos usuários. Sousa et al. (2025) demonstram a
importância de analisar potencialidades e limitações da IA na avaliação educacional, enquanto
Vieira et al. (2025) ampliam essa discussão ao abordar os impactos e limites da Inteligência
Artificial na educação;
c) analisar suas possíveis contribuições e implicações para a aprendizagem,
considerando
estratégias
capazes
de
favorecer
participação,
motivação,
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
criatividade,
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acessibilidade e construção ativa do conhecimento. Góes et al. (2025) relacionam aprendizagem
baseada em projetos, tecnologia e práticas inclusivas, enquanto Costa e Araújo (2025)
evidenciam transformações provocadas pelas tecnologias nos processos de ensino e
aprendizagem;
d) refletir sobre os efeitos da IA no desenvolvimento da autonomia, do pensamento
crítico e da participação ativa dos estudantes, compreendendo a tecnologia como recurso de
apoio à investigação e à construção do conhecimento. Almeida (2026) contribui para essa
perspectiva ao discutir práticas pedagógicas orientadas para uma educação crítica e
emancipadora, enquanto Vieira (2026), ao abordar estratégias de letramento literário, reforça a
importância de formar estudantes capazes de interpretar, produzir sentidos e participar
ativamente dos processos de aprendizagem;
e) discutir a importância da mediação e da formação docente para o uso ético, crítico e
pedagogicamente adequado dessas ferramentas, reconhecendo que a presença da tecnologia
amplia a necessidade de profissionais preparados para orientar sua utilização. Teodoro et al.
(2024) evidenciam desafios relacionados ao uso das tecnologias pelos professores, Almeida
(2026) destaca a importância da formação docente e Ischkanian (2026) contribui para a
compreensão da capacitação como processo voltado ao desenvolvimento de competências
profissionais.
Os objetivos específicos também contemplam a dimensão curricular e tecnológica da
educação. Azevedo (2026) destaca a importância da integração entre currículo, práticas
pedagógicas e pensamento computacional, indicando que a utilização das tecnologias precisa
estar vinculada às competências e aos conhecimentos previstos no processo formativo. A análise
realizada nesta pesquisa incorpora essa perspectiva ao considerar que a IA pode ser utilizada em
diferentes componentes curriculares, desde que exista planejamento pedagógico e clareza quanto
às aprendizagens pretendidas.
A dimensão inclusiva também está presente nos objetivos definidos. Almeida et al.
(2025) evidenciam possibilidades relacionadas ao uso das tecnologias na inclusão educacional,
enquanto Góes et al. (2025) relacionam tecnologia, acessibilidade e práticas inclusivas.
Ischkanian e Ischkanian (2026), ao discutirem dignidade e direitos das pessoas com deficiência,
ampliam essa compreensão. Os objetivos da pesquisa procuram, portanto, identificar como a
Inteligência Artificial pode contribuir para uma educação que reconheça diferenças, amplie
possibilidades de participação e favoreça condições mais acessíveis de aprendizagem.
A diversidade cultural também integra os objetivos porque a educação contemporânea
precisa reconhecer diferentes saberes, experiências e perspectivas. Freitas (2026) discute a
importância do letramento cultural e da formação docente para práticas pedagógicas antirracistas,
enquanto Silva e Bacury (2026) valorizam conhecimentos indígenas e saberes tradicionais.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
75
.
Oliveira (2026) contribui para essa discussão ao problematizar processos de silenciamento
cultural. A pesquisa considera que o uso da IA deve estimular uma postura crítica diante das
informações e valorizar a pluralidade cultural presente na construção do conhecimento.
Os objetivos contemplam ainda a diversificação das práticas pedagógicas. Cabral
(2026), ao apresentar possibilidades metodológicas para o ensino de língua inglesa, e Sousa
(2026), ao discutir métodos de ensino de Matemática, demonstram que diferentes estratégias
podem ser mobilizadas para favorecer a aprendizagem. A IA pode integrar esse conjunto de
possibilidades ao apoiar atividades de pesquisa, elaboração, revisão, resolução de problemas e
produção de materiais, contribuindo para práticas mais diversificadas e contextualizadas.
A dimensão da leitura e da produção de conhecimento também integra o percurso
investigativo. Vieira (2026) evidencia a importância de estratégias de letramento literário no
desenvolvimento da leitura, enquanto Santos (2026), ao discutir debates contemporâneos
relacionados à literatura infantil, contribui para compreender a importância da análise crítica das
produções culturais. No contexto da Inteligência Artificial, essas contribuições permitem refletir
sobre a necessidade de formar estudantes capazes de interpretar conteúdos produzidos ou
mediados por tecnologias, reconhecer diferentes perspectivas e desenvolver posicionamentos
próprios.
A análise dos objetivos evidencia, portanto, que a pesquisa não pretende apenas
verificar a presença da Inteligência Artificial na educação, mas compreender seu potencial de
contribuição para uma educação mais dinâmica, inclusiva, criativa e participativa. Os achados
bibliográficos e documentais apontam possibilidades relacionadas à aprendizagem, ao
engajamento, à acessibilidade, à criatividade e à diversificação metodológica, enquanto as
discussões sobre formação docente, currículo, avaliação, cultura e autonomia indicam as
condições necessárias para que essas possibilidades sejam pedagogicamente aproveitadas.
A pesquisa assume uma perspectiva predominantemente construtiva sobre a presença da
Inteligência Artificial na educação, sem ignorar a necessidade de análise crítica. A tecnologia
pode apoiar professores e estudantes, ampliar recursos educacionais e favorecer novas
experiências de aprendizagem, especialmente quando articulada a metodologias ativas, práticas
inclusivas e processos formativos. Oliveira (2026) sintetiza essa perspectiva ao relacionar
Inteligência Artificial humanizada, educação inclusiva, subjetividades e construção do
conhecimento, reforçando a compreensão de que a inovação tecnológica adquire maior
significado quando permanece comprometida com o desenvolvimento humano.
Os objetivos estabelecidos convergem, finalmente, para a compreensão de que a
Inteligência Artificial pode constituir uma importante ferramenta de apoio à educação
contemporânea. Sua contribuição pode ser percebida na ampliação de recursos, na diversificação
das estratégias pedagógicas, no apoio à aprendizagem, no estímulo à criatividade, na
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
76
acessibilidade e na possibilidade de fortalecer a participação dos estudantes. O propósito da
pesquisa é evidenciar, a partir da análise bibliográfica e documental, que esses benefícios podem
ser potencializados quando a IA é utilizada com planejamento, mediação docente, formação
adequada, responsabilidade ética e compromisso com a autonomia intelectual dos estudantes.
4. METODOLOGIA
A presente pesquisa caracteriza-se como um estudo de abordagem qualitativa, de
natureza bibliográfica e documental, desenvolvido com o propósito de analisar as possibilidades,
os limites e os impactos da Inteligência Artificial no contexto educacional, com especial atenção
às suas relações com a aprendizagem e a autonomia dos estudantes. A escolha da abordagem
qualitativa justifica-se pela necessidade de interpretar diferentes concepções, argumentos e
perspectivas presentes na produção científica sobre o tema, considerando suas dimensões
pedagógicas, tecnológicas, sociais e éticas.
A pesquisa bibliográfica possibilita reunir e analisar conhecimentos já produzidos sobre
determinado objeto de estudo, permitindo estabelecer relações entre diferentes contribuições
teóricas. Gil (2008) destaca a importância da organização sistemática das etapas da pesquisa para
a construção de um percurso investigativo coerente. Nesse sentido, o estudo foi estruturado a
partir da identificação, seleção, leitura, organização e análise de produções relacionadas à
Inteligência Artificial, tecnologias educacionais, aprendizagem, autonomia discente, formação
docente, avaliação e inclusão educacional.
A pesquisa também possui caráter documental, considerando a consulta a documentos,
publicações institucionais, materiais educacionais e outras fontes pertinentes à compreensão da
inserção das tecnologias digitais e da Inteligência Artificial na educação. A articulação entre
pesquisa bibliográfica e documental permite ampliar a compreensão do objeto investigado,
relacionando as discussões teóricas às transformações observadas no contexto educacional
contemporâneo.
4.1. Abordagem, natureza e tipo de pesquisa
Quanto à abordagem, a pesquisa é qualitativa, pois busca compreender e interpretar o
fenômeno investigado a partir dos significados, argumentos e perspectivas presentes nas fontes
selecionadas. Não se pretende estabelecer mensurações estatísticas ou generalizações numéricas,
mas analisar criticamente como a Inteligência Artificial vem sendo compreendida em relação aos
processos de ensino e aprendizagem.
Quanto à natureza, trata-se de uma pesquisa de caráter exploratório e analítico. O caráter
exploratório está relacionado à necessidade de ampliar a compreensão sobre um fenômeno
relativamente recente e em constante transformação no campo educacional. O caráter analítico
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
77
.
decorre da comparação e interpretação das diferentes contribuições encontradas nas fontes
selecionadas.
Quanto aos procedimentos, caracteriza-se como pesquisa bibliográfica e documental. A
pesquisa bibliográfica foi desenvolvida mediante levantamento de artigos científicos, livros,
capítulos de livros e outras produções acadêmicas relacionadas ao objeto de estudo. A pesquisa
documental contemplou documentos e materiais pertinentes à utilização das tecnologias e da
Inteligência Artificial na educação.
4.2. Procedimentos técnicos e fontes de dados
Os procedimentos técnicos envolveram levantamento, seleção, leitura e análise de
fontes relacionadas ao tema da pesquisa. Foram priorizadas produções acadêmicas que
apresentassem discussões sobre Inteligência Artificial na educação, tecnologias digitais,
aprendizagem, autonomia dos estudantes, avaliação educacional, formação docente, inclusão e
práticas pedagógicas.
Entre as fontes utilizadas encontram-se estudos como o de de Abreu Pestana dos Santos
(2023), que aborda as potencialidades e os desafios da Inteligência Artificial na educação;
Bezerra et al. (2024), que discutem o uso de tecnologias e estratégias de gamificação no
ambiente educacional; Teodoro et al. (2024), que analisam desafios relacionados à utilização das
tecnologias de informação e comunicação pelos professores; Costa e Araújo (2025), que
discutem impactos das tecnologias no ensino e na aprendizagem; Sousa et al. (2025), que
abordam as potencialidades e limitações da Inteligência Artificial na avaliação educacional; e
Vieira et al. (2025), que analisam impactos, limites e potencialidades da Inteligência Artificial na
educação.
Também foram consideradas contribuições publicadas em 2026 relacionadas à
formação docente, educação inclusiva, currículo, práticas pedagógicas e humanização da
Inteligência Artificial. Almeida (2026) contribui para a compreensão da relação entre prática
pedagógica, formação docente e educação crítica e emancipadora. Azevedo (2026) aborda
currículo, práticas pedagógicas e pensamento computacional, enquanto Oliveira (2026) discute
interfaces entre inteligência artificial, educação inclusiva, subjetividades e construção do
conhecimento.
As fontes foram selecionadas em razão de sua pertinência temática e de sua
contribuição para a compreensão das categorias centrais da investigação. A seleção procurou
contemplar diferentes perspectivas, evitando restringir a análise à dimensão exclusivamente
tecnológica da Inteligência Artificial.
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
78
4.3. Universo, amostra e critérios de seleção
Por se tratar de uma pesquisa bibliográfica e documental, o universo da investigação é
constituído pela produção acadêmica e documental relacionada à Inteligência Artificial e sua
utilização no campo educacional. Não houve aplicação de questionários, realização de
entrevistas ou participação direta de estudantes, professores ou outros sujeitos.
Nesse tipo de investigação, a seleção das fontes funciona como procedimento de
delimitação do material analisado. Foram priorizadas publicações que apresentassem relação
direta ou complementar com as categorias centrais da pesquisa: Inteligência Artificial na
educação, aprendizagem, autonomia dos estudantes, práticas pedagógicas, formação docente,
avaliação, inclusão e desafios éticos.
Como critérios de inclusão, foram consideradas publicações que apresentassem
pertinência temática, identificação de autoria e informações bibliográficas suficientes para sua
utilização acadêmica. Também foram priorizadas produções recentes, especialmente aquelas
publicadas entre 2023 e 2026, sem excluir referências metodológicas ou conceituais anteriores
consideradas relevantes para a construção do estudo.
Como critérios de exclusão, foram desconsideradas produções sem relação suficiente
com o objeto de estudo, materiais sem informações bibliográficas adequadas e conteúdos que
não contribuíssem diretamente para a discussão proposta. Dessa maneira, buscou-se constituir
um conjunto de fontes capaz de sustentar a análise das possibilidades, dos limites e dos impactos
da IA na aprendizagem e na autonomia dos estudantes.
4.4. Coleta, tratamento e análise dos dados
A coleta das informações ocorreu mediante levantamento bibliográfico e documental
das fontes selecionadas. Inicialmente, foram identificadas produções relacionadas às palavraschave e categorias centrais do estudo, tais como Inteligência Artificial na educação,
aprendizagem, autonomia dos estudantes, tecnologias educacionais, formação docente,
avaliação educacional e inclusão.
Após o levantamento, realizou-se uma leitura inicial das fontes para verificar sua
pertinência em relação ao problema e aos objetivos da pesquisa. Em seguida, foram selecionados
os conteúdos diretamente relacionados ao objeto investigado, com atenção às concepções de
Inteligência Artificial, às possibilidades pedagógicas, aos impactos na aprendizagem, às relações
com a autonomia e aos desafios decorrentes de sua utilização.
O tratamento das informações ocorreu mediante organização temática dos conteúdos
encontrados. As contribuições dos diferentes autores foram agrupadas de acordo com as
categorias analíticas estabelecidas no estudo, permitindo identificar aproximações, diferenças,
possibilidades e limitações presentes na literatura.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
79
.
A análise foi realizada de maneira interpretativa e crítica, buscando estabelecer relações
entre as diferentes fontes. Foram consideradas especialmente as discussões relacionadas às
possibilidades de personalização da aprendizagem, ampliação do acesso ao conhecimento,
diversificação das estratégias pedagógicas, apoio ao trabalho docente, desenvolvimento da
autonomia e promoção de práticas inclusivas.
Também foram analisados os desafios associados ao uso da IA, incluindo dependência
tecnológica, autoria, confiabilidade das informações, avaliação, privacidade, desigualdade de
acesso e necessidade de formação docente. Sousa et al. (2025) constituem uma referência
importante para a análise das potencialidades e limitações da IA na avaliação, enquanto Almeida
et al. (2025) contribuem para a compreensão das possibilidades e desafios relacionados ao uso
das tecnologias no processo de inclusão educacional.
A análise procurou estabelecer uma relação entre os resultados encontrados na literatura
e o problema de pesquisa, permitindo compreender em que condições a Inteligência Artificial
pode contribuir para o desenvolvimento educacional e em quais situações seu uso pode
comprometer a participação ativa, o pensamento crítico e a autonomia dos estudantes.
4.5. Aspectos éticos e contribuições da pesquisa
Por utilizar exclusivamente fontes bibliográficas e documentais disponíveis para
consulta acadêmica, a pesquisa não envolveu intervenção direta com seres humanos, aplicação
de instrumentos de coleta junto a participantes ou acesso a informações pessoais de indivíduos.
Os procedimentos adotados concentraram-se na análise de produções científicas, livros, capítulos
e documentos relacionados ao uso da Inteligência Artificial na educação, respeitando os
princípios de reconhecimento da autoria, integridade acadêmica e utilização adequada das fontes.
A pesquisa observou a necessidade de apresentar corretamente as contribuições dos
autores consultados, evitando apropriação indevida de ideias e assegurando a identificação das
fontes utilizadas na construção das discussões. A utilização responsável das informações
constitui requisito essencial para a produção científica, fortalecendo a credibilidade do estudo e
contribuindo para a construção de conhecimentos comprometidos com a ética, a responsabilidade
e a transformação social.
No campo educacional, a pesquisa apresenta relevância por reunir e analisar
conhecimentos que favorecem uma compreensão mais consciente das possibilidades oferecidas
pela Inteligência Artificial. A discussão desenvolvida contribui para que professores, estudantes,
instituições de ensino e demais agentes educacionais reconheçam a IA como recurso capaz de
ampliar estratégias pedagógicas, favorecer diferentes formas de acesso ao conhecimento, apoiar
processos de aprendizagem e estimular práticas educativas mais dinâmicas, inclusivas e
contextualizadas. Almeida et al. (2025) destacam a importância das tecnologias no processo de
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
80
inclusão educacional, reforçando a necessidade de compreender os recursos tecnológicos a partir
de suas possibilidades pedagógicas e sociais.
A contribuição da pesquisa também alcança a sociedade, considerando que a
Inteligência Artificial está transformando as formas de produzir, acessar, compartilhar e utilizar
informações. Ao abordar aprendizagem, autonomia, pensamento crítico, inclusão e mediação
docente, o estudo favorece uma reflexão sobre a formação de sujeitos preparados para utilizar as
tecnologias de maneira consciente, ética e responsável. De Abreu Pestana dos Santos (2023)
evidencia potencialidades importantes da Inteligência Artificial para a educação, contribuindo
para a compreensão de seu papel no desenvolvimento de novas práticas e experiências de
aprendizagem.
A investigação contribui, ainda, para o fortalecimento da autonomia dos estudantes,
compreendida como capacidade de pesquisar, analisar, questionar, selecionar informações,
produzir conhecimentos e tomar decisões de maneira responsável. Nesse contexto, a Inteligência
Artificial pode atuar como instrumento de apoio ao processo educativo, ampliando possibilidades
de pesquisa, criação, resolução de problemas e construção do conhecimento, sem substituir a
participação ativa do estudante ou a mediação pedagógica do professor.
A utilização da Inteligência Artificial também pode favorecer práticas educacionais
mais inclusivas, especialmente quando seus recursos são empregados para atender diferentes
formas e ritmos de aprendizagem. Almeida et al. (2025) relacionam o uso das tecnologias às
possibilidades de inclusão educacional, enquanto Góes et al. (2025) evidenciam a importância
das práticas pedagógicas mediadas por tecnologia e acessibilidade para promover experiências
educativas mais participativas.
A pesquisa possui, portanto, contribuição acadêmica, educacional e social ao ampliar a
compreensão sobre a presença da Inteligência Artificial no cenário contemporâneo. O estudo
favorece o debate sobre uma utilização tecnológica orientada por princípios pedagógicos, éticos
e humanos, valorizando a aprendizagem significativa, a autonomia, a criatividade, o pensamento
crítico e a participação dos estudantes.
A metodologia adotada encontra-se diretamente articulada ao problema e aos objetivos
da pesquisa. Ao analisar criticamente a produção existente, o estudo compreende a Inteligência
Artificial não apenas como recurso tecnológico, mas como elemento capaz de participar das
transformações das práticas pedagógicas, das formas de aprendizagem, da atuação docente e da
construção da autonomia dos estudantes. A pesquisa busca contribuir para uma educação
preparada para as transformações contemporâneas, na qual a inovação tecnológica esteja
associada à valorização do conhecimento, da inclusão, da ética, da responsabilidade e do
desenvolvimento humano.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
81
.
5. APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS
A análise das fontes bibliográficas e documentais selecionadas permitiu identificar que
a Inteligência Artificial vem assumindo papel crescente no cenário educacional, produzindo
possibilidades relacionadas à aprendizagem, à personalização das experiências educativas, à
inclusão, à criatividade, à avaliação e à ampliação do acesso ao conhecimento. Os resultados
também evidenciam que a presença da IA não deve ser compreendida apenas pela perspectiva
tecnológica, pois sua utilização interfere nas práticas pedagógicas, na formação docente, na
participação dos estudantes e nas formas de construção do conhecimento.
A literatura analisada demonstra que os recursos tecnológicos podem ampliar
experiências educativas quando articulados a objetivos pedagógicos definidos. Costa e Araújo
(2025) destacam que as tecnologias modificam as relações estabelecidas no processo de ensino e
aprendizagem, enquanto Teodoro et al. (2024) chamam atenção para a necessidade de
preparação dos professores para utilizar os recursos tecnológicos de maneira adequada em sala
de aula. Nesse contexto, os resultados da pesquisa apontam para uma relação direta entre
inovação tecnológica, intencionalidade pedagógica e qualidade das experiências de
aprendizagem.
5.1. Análise e interpretação dos resultados à luz do referencial teórico
A análise das produções selecionadas revela que a Inteligência Artificial apresenta
potencial para ampliar as possibilidades de ensino e aprendizagem, especialmente quando
utilizada como recurso de apoio à ação pedagógica. De Abreu Pestana dos Santos (2023)
identifica potencialidades da IA no campo educacional, permitindo compreender que suas
aplicações podem contribuir para novas formas de interação com conteúdos, informações e
atividades de aprendizagem. Vieira et al. (2025) também evidenciam que os impactos da
Inteligência Artificial na educação precisam ser analisados considerando simultaneamente suas
potencialidades e seus limites.
Os resultados demonstram que a tecnologia, por si só, não garante melhoria na
aprendizagem. A efetividade de sua utilização depende da maneira como os recursos são
incorporados às práticas educativas. Almeida (2026), ao discutir a prática pedagógica e a
formação docente, contribui para essa compreensão ao valorizar uma educação crítica e
emancipadora. A utilização da IA, portanto, apresenta melhores possibilidades quando integrada
a propostas que estimulem reflexão, participação, criatividade e construção ativa do
conhecimento.
Essa perspectiva também pode ser relacionada às experiências de aprendizagem
mediadas por diferentes recursos tecnológicos. Bezerra et al. (2024) evidenciam que a
gamificação e os estudos mediados por tecnologia podem favorecer o engajamento e a motivação
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
82
dos estudantes. Embora a gamificação não seja equivalente à Inteligência Artificial, seus
resultados contribuem para compreender que recursos digitais podem ampliar o interesse e a
participação dos estudantes quando empregados com finalidade pedagógica.
A análise permite identificar, ainda, que as tecnologias podem contribuir para
diversificar as experiências educativas. Silva et al. (2026), ao abordarem as brincadeiras digitais
e as tecnologias criativas, demonstram a aproximação entre ludicidade, criatividade e recursos
contemporâneos. Esse resultado amplia a compreensão sobre as possibilidades da IA, indicando
que sua utilização pode integrar diferentes linguagens, estratégias e formas de expressão no
processo educativo.
O currículo também aparece como elemento fundamental para que as tecnologias sejam
utilizadas de maneira significativa. Azevedo (2026), ao discutir a integração do pensamento
computacional na educação básica, evidencia a necessidade de articulação entre currículo,
práticas pedagógicas e competências relacionadas ao universo digital. Os resultados da presente
pesquisa reforçam essa compreensão, indicando que a IA deve estar vinculada às finalidades
educativas e não ser incorporada apenas pela novidade tecnológica.
5.2. Possibilidades da Inteligência Artificial para a aprendizagem e o desenvolvimento dos
estudantes
Entre os principais resultados identificados encontra-se o potencial da Inteligência
Artificial para ampliar estratégias de aprendizagem e diversificar as formas de acesso aos
conteúdos. A utilização de ferramentas inteligentes pode auxiliar na pesquisa, organização de
informações, produção textual, resolução de problemas, elaboração de atividades e exploração de
diferentes possibilidades de aprendizagem. De Abreu Pestana dos Santos (2023) demonstra que a
IA possui potencialidades educacionais relevantes, especialmente quando sua utilização é
acompanhada por objetivos pedagógicos claros.
A aprendizagem mediada por tecnologia pode também favorecer maior envolvimento
dos estudantes. Bezerra et al. (2024) relacionam recursos tecnológicos ao engajamento e à
motivação, enquanto Góes et al. (2025) apresentam a aprendizagem baseada em projetos como
possibilidade de articulação entre metodologias ativas, inclusão, tecnologia e acessibilidade.
Esses resultados indicam que a IA pode assumir função complementar em propostas que
colocam o estudante em posição mais participativa diante do conhecimento.
A dimensão criativa constitui outra possibilidade identificada. Silva et al. (2026)
demonstram que as tecnologias criativas podem aproximar práticas educativas do universo
contemporâneo dos estudantes. Quando empregada de maneira orientada, a Inteligência Artificial
pode apoiar processos de criação, elaboração de hipóteses, produção de diferentes materiais e
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
83
.
exploração de soluções para problemas, favorecendo experiências que ultrapassam a simples
reprodução de informações.
A relação entre tecnologia e aprendizagem também pode ser observada em áreas
específicas do currículo. Sousa (2026), ao discutir métodos de ensino de Matemática no Ensino
Médio em Tempo Integral, contribui para evidenciar a importância da diversificação
metodológica no desenvolvimento da aprendizagem. A IA pode integrar esse movimento ao
oferecer possibilidades de simulação, resolução de problemas, produção de exemplos e apoio à
compreensão de conceitos, desde que sua utilização permaneça subordinada às finalidades
educacionais.
Na área da linguagem, Vieira (2026) discute estratégias de letramento literário
relacionadas ao eixo da leitura e à BNCC. Essa contribuição permite compreender que as
tecnologias digitais podem ampliar as formas de interação dos estudantes com textos e
conhecimentos. A IA pode apoiar atividades de leitura, interpretação, produção e revisão textual,
mas precisa ser utilizada para estimular a compreensão e a autoria do estudante, e não para
substituir sua experiência intelectual.
A análise também evidencia que a aprendizagem pode ser relacionada à valorização de
diferentes saberes culturais. Silva e Bacury (2026), ao tratarem da etnomatemática indígena e dos
saberes tradicionais, demonstram a importância de reconhecer conhecimentos produzidos em
diferentes contextos socioculturais. A utilização da Inteligência Artificial na educação precisa
considerar essa diversidade, evitando a reprodução de perspectivas únicas e favorecendo o
contato dos estudantes com múltiplas formas de produção do conhecimento.
5.3. Inteligência Artificial, autonomia, pensamento crítico e participação estudantil
Os resultados indicam que a autonomia dos estudantes constitui uma das dimensões
mais relevantes para a análise da Inteligência Artificial na educação. A tecnologia pode facilitar
o acesso às informações e apoiar diferentes etapas da aprendizagem, mas a autonomia depende
da capacidade do estudante de questionar, selecionar, comparar, interpretar e utilizar criticamente
aquilo que encontra. Almeida (2026) contribui para essa perspectiva ao defender práticas
pedagógicas orientadas para uma educação crítica e emancipadora.
A Inteligência Artificial pode favorecer a autonomia quando utilizada como instrumento
de investigação e apoio à construção do conhecimento. Nesse cenário, o estudante deixa de
ocupar posição exclusivamente receptiva e passa a participar de processos de pesquisa,
formulação de perguntas, comparação de respostas, revisão de informações e elaboração de
produções próprias. Vieira et al. (2025) contribuem para essa discussão ao evidenciarem que os
impactos da IA na educação precisam ser compreendidos de maneira ampla, considerando as
transformações provocadas nas relações entre tecnologia, ensino e aprendizagem.
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
84
A autonomia também se relaciona à capacidade de utilizar criticamente os recursos
tecnológicos. O acesso rápido a respostas não significa, necessariamente, aprendizagem ou
desenvolvimento intelectual. Os resultados demonstram que a utilização da IA deve estimular o
estudante a verificar informações, reconhecer diferentes perspectivas, identificar possíveis erros
e construir posicionamentos próprios.
A avaliação assume importância significativa. Sousa et al. (2025) analisam as
potencialidades e limitações da Inteligência Artificial na avaliação educacional, contribuindo
para a compreensão de que os recursos automatizados podem apoiar determinadas práticas
avaliativas, mas não substituem o olhar pedagógico sobre o processo de aprendizagem. A
avaliação
precisa
considerar
conhecimentos,
habilidades,
desenvolvimento
individual,
participação e capacidade de reflexão do estudante.
A participação estudantil também pode ser fortalecida por estratégias que aproximem
tecnologia, criatividade e ludicidade. Silva et al. (2026) demonstram que as brincadeiras digitais
e as tecnologias criativas podem favorecer novas experiências educativas, enquanto Bezerra et
al. (2024) relacionam práticas mediadas por tecnologia ao engajamento e à motivação. Os
resultados permitem estabelecer uma relação entre esses elementos e o uso da IA, especialmente
em atividades que valorizem investigação, criação e participação ativa.
A formação da autonomia não pode ignorar as dimensões culturais e sociais da
educação. Freitas (2026), ao discutir o letramento cultural na formação docente e a construção de
práticas pedagógicas antirracistas, reforça a necessidade de uma educação atenta à diversidade. O
desenvolvimento do pensamento crítico diante da IA também envolve a capacidade de
reconhecer diferentes culturas, histórias, saberes e perspectivas sociais.
5.4. Inclusão educacional, personalização da aprendizagem e práticas pedagógicas
mediadas por tecnologia
Os resultados da pesquisa evidenciam que a Inteligência Artificial apresenta
possibilidades relevantes para a educação inclusiva. Almeida et al. (2025) discutem os desafios e
possibilidades do uso das tecnologias no processo de inclusão educacional, demonstrando que os
recursos tecnológicos podem contribuir para ampliar formas de participação e acesso ao
conhecimento. Essa perspectiva é especialmente importante diante da diversidade existente nos
espaços escolares.
A inclusão, entretanto, não deve ser compreendida apenas como disponibilização de
uma ferramenta tecnológica. É necessário considerar as necessidades educacionais, as
características dos estudantes, as condições de acessibilidade e os objetivos de aprendizagem.
Góes et al. (2025) demonstram que práticas inclusivas mediadas por tecnologia podem ser
fortalecidas quando associadas a metodologias ativas e estratégias de acessibilidade.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
85
.
A análise também permite compreender que a personalização proporcionada por
recursos tecnológicos pode favorecer diferentes percursos de aprendizagem. A IA pode auxiliar
na apresentação de explicações alternativas, elaboração de atividades diferenciadas e
organização de materiais adequados a determinados objetivos pedagógicos. Essa possibilidade
dialoga com a discussão apresentada por Azevedo (2026) sobre currículo, práticas pedagógicas e
pensamento computacional, reforçando que a integração tecnológica precisa ocorrer de maneira
planejada.
As diferentes formas de aprendizagem também podem ser contempladas por estratégias
lúdicas e criativas. Cabral (2026), ao apresentar a técnica de Total Physical Response como
possibilidade para o ensino da língua inglesa com crianças, evidencia a importância de
metodologias que considerem diferentes formas de interação com o conteúdo. Embora a técnica
não esteja diretamente relacionada à IA, sua contribuição demonstra que a inovação pedagógica
envolve diversificação metodológica e atenção às características dos estudantes.
A inclusão educacional também exige respeito à dignidade, à diversidade e às condições
específicas dos sujeitos. Ischkanian e Ischkanian (2026), ao discutirem os direitos das pessoas
com deficiência no contexto da legislação PCD, contribuem para uma compreensão ampliada da
inclusão como direito e como compromisso social. A Inteligência Artificial, nesse contexto, pode
constituir recurso de acessibilidade e apoio pedagógico, desde que utilizada em consonância com
os direitos dos estudantes e com práticas educativas humanizadas.
Oliveira (2026) amplia essa discussão ao abordar a relação entre Inteligência Artificial
humanizada, educação inclusiva, subjetividades e construção do conhecimento. Os resultados
analisados indicam que a tecnologia educacional precisa preservar a centralidade humana do
processo educativo. A Inteligencia Artificial deve servir ao desenvolvimento dos estudantes,
contribuindo para ampliar possibilidades de aprendizagem sem reduzir a educação a
procedimentos automatizados.
A valorização da diversidade cultural também integra uma perspectiva inclusiva.
Oliveira (2026), ao discutir as interfaces entre tecnologia, subjetividades e construção do
conhecimento, permite compreender que a incorporação da IA precisa considerar os diferentes
sujeitos presentes no espaço educacional. Oliveira (2026), em sua análise sobre políticas
editoriais e censura cultural, também evidencia a importância de preservar línguas, saberes e
histórias que podem ser invisibilizados por determinadas formas de produção e circulação de
informação. A utilização da IA deve, portanto, favorecer a diversidade e não reproduzir
processos de silenciamento cultural.
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
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5.5. Mediação docente, formação profissional e uso ético da Inteligência Artificial na
educação
Os resultados demonstram que o professor permanece como elemento fundamental no
processo educativo mesmo diante da expansão da Inteligência Artificial. A tecnologia pode
apoiar atividades, produzir materiais, organizar informações e oferecer diferentes possibilidades
de interação com os conteúdos, mas a definição dos objetivos educacionais, a contextualização
das atividades, o acompanhamento da aprendizagem e a mediação das relações pedagógicas
continuam dependendo da ação profissional docente.
Teodoro et al. (2024) evidenciam os desafios enfrentados pelos professores na
utilização das tecnologias de informação e comunicação, indicando a importância da formação
para o uso adequado dos recursos digitais. Almeida (2026) reforça essa necessidade ao relacionar
formação docente, prática pedagógica e construção de uma educação crítica e emancipadora. Os
resultados desta pesquisa convergem para a compreensão de que a formação continuada constitui
condição importante para que os professores utilizem a IA com segurança, criticidade e
intencionalidade pedagógica.
A formação profissional também envolve desenvolvimento de competências. Ischkanian
(2026), ao abordar capacitação, avaliação de desempenho e planejamento de lideranças, contribui
para compreender a importância de processos formativos organizados para o desenvolvimento de
competências. Embora seu enfoque esteja relacionado à formação de adultos e ao
desenvolvimento profissional, seus pressupostos podem dialogar com a necessidade de preparar
educadores para lidar com novas tecnologias e com as transformações provocadas pela
Inteligência Artificial.
A dimensão ética constitui outro resultado importante. A utilização de ferramentas de
IA exige atenção à autoria, à qualidade das informações, à privacidade, à responsabilidade pelo
conteúdo produzido e à formação do estudante para o uso consciente das tecnologias. Sousa et
al. (2025), ao analisarem a IA na avaliação educacional, reforçam a necessidade de reconhecer as
potencialidades e os limites desses recursos antes de incorporá-los a processos que envolvem
decisões pedagógicas.
A formação docente precisa contemplar também a dimensão cultural da utilização
tecnológica. Freitas (2026) demonstra a importância do letramento cultural para a consolidação
de práticas pedagógicas antirracistas. No contexto da Inteligência Artificial, essa perspectiva
contribui para que os professores estejam atentos às diferentes representações culturais presentes
nos conteúdos produzidos pelas tecnologias e desenvolvam estratégias para estimular uma leitura
crítica dessas informações.
A relação entre tecnologia e currículo igualmente depende da atuação docente. Azevedo
(2026) destaca a integração do pensamento computacional às práticas curriculares, enquanto
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
87
.
Vieira (2026) evidencia a importância de estratégias de letramento literário no desenvolvimento
da leitura. Esses estudos demonstram que diferentes recursos tecnológicos podem ser
incorporados ao currículo quando existe planejamento pedagógico e clareza quanto às
aprendizagens pretendidas.
Os resultados também evidenciam que a tecnologia pode ampliar experiências de
aprendizagem sem eliminar metodologias já consolidadas. Cabral (2026), Sousa (2026), Bezerra
et al. (2024) e Silva et al. (2026) apresentam diferentes possibilidades metodológicas
relacionadas ao ensino de línguas, Matemática, gamificação, ludicidade e tecnologias criativas.
A análise conjunta dessas contribuições permite compreender que a Inteligência Artificial pode
integrar um conjunto mais amplo de estratégias pedagógicas, funcionando como recurso
complementar à ação docente.
A perspectiva inclusiva reforça essa necessidade de mediação humana. Almeida et al.
(2025) e Góes et al. (2025) demonstram que a tecnologia pode contribuir para práticas
educacionais mais acessíveis e participativas, enquanto Ischkanian e Ischkanian (2026) reforçam
a importância da garantia de direitos e dignidade das pessoas com deficiência. A utilização da IA
precisa, portanto, estar comprometida com uma educação que reconheça as diferenças e promova
oportunidades de participação.
A análise das referências permite identificar, finalmente, que a Inteligência Artificial
não deve ser compreendida como substituta do professor, do estudante ou das relações humanas
que constituem a educação. Seu potencial está relacionado à capacidade de ampliar recursos,
apoiar práticas pedagógicas, favorecer novas experiências de aprendizagem e contribuir para a
construção de ambientes educacionais mais acessíveis e criativos. Oliveira (2026) sintetiza essa
perspectiva ao aproximar Inteligência Artificial humanizada, educação inclusiva e construção do
conhecimento.
Oliveira (2026) destaca que a inserção da Inteligência Artificial no campo educacional
pode ampliar as possibilidades de aprendizagem quando acompanhada de planejamento e
orientação pedagógica. Essa perspectiva permite compreender a gamificação não apenas como
utilização de jogos ou recompensas, mas como uma estratégia capaz de organizar desafios,
estimular a participação e favorecer a construção progressiva do conhecimento. A articulação
entre IA e elementos gamificados pode contribuir para experiências mais diversificadas, nas
quais os estudantes sejam incentivados a pesquisar, experimentar, resolver problemas e
acompanhar seu próprio percurso de aprendizagem. Para esta pesquisa, essa contribuição é
relevante porque evidencia que a inovação tecnológica adquire significado pedagógico quando
está vinculada a objetivos educacionais claros e às necessidades concretas dos estudantes.
Ischkanian (2026) amplia essa compreensão ao defender que a Inteligência Artificial
pode atuar como aliada da educação quando articulada à mediação pedagógica, à inclusão, à
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
88
criatividade, ao pensamento crítico e à autonomia dos estudantes. Sob essa perspectiva,
estratégias gamificadas apoiadas por IA podem criar situações de aprendizagem mais
participativas, sem retirar do estudante a oportunidade de pensar, questionar, criar e construir
seus próprios conhecimentos. A contribuição da autora é especialmente significativa para esta
pesquisa porque reforça a necessidade de preservar a dimensão humana da educação, utilizando a
tecnologia para ampliar oportunidades e superar barreiras, e não para substituir as relações
pedagógicas. Assim, a integração entre IA e gamificação pode favorecer uma aprendizagem mais
significativa, inclusiva e interativa, desde que permaneça orientada pela intencionalidade docente
e pelo protagonismo do estudante.
CONCLUSÃO
A pesquisa Inteligência Artificial na educação: possibilidades, limites e impactos na
aprendizagem e autonomia dos estudantes evidencia que a incorporação das tecnologias de
Inteligência Artificial ao contexto educacional representa uma oportunidade significativa para
ampliar e diversificar as experiências de aprendizagem. Os resultados da análise demonstram que
a IA pode contribuir para o acesso ao conhecimento, a pesquisa, a criatividade, a resolução de
problemas, a personalização das atividades e a participação mais ativa dos estudantes. Quando
integrada ao currículo de maneira planejada e vinculada a objetivos pedagógicos, a tecnologia
pode favorecer práticas educativas mais dinâmicas, inclusivas e conectadas às demandas da
sociedade contemporânea.
A pesquisa também evidencia que a contribuição da IA para a autonomia dos estudantes
está relacionada à forma como seus recursos são utilizados. A autonomia não significa deixar o
estudante sozinho diante da tecnologia, mas possibilitar que ele desenvolva condições para
pesquisar, comparar informações, formular perguntas, avaliar respostas, produzir conhecimentos
e tomar decisões de maneira consciente. Nesse processo, a mediação docente permanece
indispensável, pois é o professor quem atribui intencionalidade pedagógica às ferramentas,
contextualiza os conhecimentos, estimula o pensamento crítico e acompanha o desenvolvimento
dos estudantes. A IA, portanto, pode atuar como recurso de apoio, ampliando possibilidades sem
substituir a ação educativa humana.
Os limites identificados não diminuem o potencial transformador da Inteligência
Artificial. Questões relacionadas à confiabilidade das informações, à privacidade e proteção de
dados, à autoria, à integridade acadêmica, à dependência tecnológica e às desigualdades de
acesso demonstram a necessidade de formação continuada de professores e estudantes para o uso
ético, crítico e responsável desses recursos. A presença dessas questões reforça que a inovação
educacional não deve ser avaliada apenas pela quantidade de tecnologias utilizadas, mas pela
qualidade das experiências de aprendizagem que elas possibilitam. Nesse sentido, o uso
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
89
.
consciente da IA pode contribuir para uma cultura educacional pautada pela reflexão, pela
responsabilidade, pela inclusão e pela participação.
Conclui-se, portanto, que a Inteligência Artificial apresenta potencial positivo para
fortalecer a aprendizagem e a autonomia dos estudantes, especialmente quando articulada à
mediação docente, à intencionalidade pedagógica, à criatividade, à inclusão e ao pensamento
crítico. A tecnologia pode ampliar caminhos para ensinar e aprender, oferecer novos recursos
para a investigação e favorecer experiências educacionais mais flexíveis e significativas. Seu
maior potencial não está em substituir práticas ou relações humanas, mas em ampliar as
possibilidades de atuação de professores e estudantes, criando condições para uma educação
mais participativa, inovadora e humanizada.
Diante dessas evidências, a pesquisa aponta para a necessidade de compreender a
Inteligência Artificial como parte de um processo contínuo de transformação educacional. O
desafio futuro consiste em aprofundar práticas pedagógicas que integrem inovação tecnológica e
formação humana, garantindo que os estudantes sejam preparados não apenas para utilizar
ferramentas de IA, mas para compreender seus impactos, questionar seus resultados, produzir
conhecimentos e participar de forma responsável da sociedade. Novos estudos poderão ampliar
essa discussão por meio de investigações empíricas em diferentes níveis e contextos
educacionais, contribuindo para o desenvolvimento de práticas que utilizem a Inteligência
Artificial de maneira cada vez mais ética, inclusiva, crítica, criativa e humanizada.
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Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
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INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
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Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
92
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
93
.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO:
POSSIBILIDADES, LIMITES E IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E
AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
Ivoney da Silva Oliveira
Simone Helen Drumond Ischkanian
Gladys Nogueira Cabral
Silvana Nascimento de Carvalho
António Manuel Domingos Caba
Gabriel Nascimento de Carvalho
Sygride Nascimento de Carvalho
Sandro Garabed Ischkanian
A construção da pesquisa Inteligência Artificial na educação: possibilidades, limites e
impactos na aprendizagem e autonomia dos estudantes representa um esforço coletivo de
reflexão, investigação e compromisso com os desafios educacionais do presente e do futuro. Aos
autores Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba, Gabriel Nascimento de
Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian, expressamos nosso
profundo agradecimento pela dedicação, pela contribuição intelectual e pela disposição em
participar de uma discussão de extraordinária relevância para a educação e para a sociedade
global.
A contribuição coletiva dos autores ultrapassa a análise da Inteligência Artificial
enquanto recurso tecnológico. A pesquisa evidencia a necessidade de compreender a IA como
parte de uma transformação educacional que envolve aprendizagem, autonomia, inclusão,
criatividade, pensamento crítico, ética, autoria, responsabilidade e relações humanas. Ao
reunirem diferentes perspectivas em torno de uma mesma temática, os autores fortalecem uma
reflexão necessária sobre as mudanças de postura que precisam acompanhar a expansão das
tecnologias inteligentes. A obra demonstra que a inovação educacional não consiste
simplesmente em utilizar novas ferramentas, mas em repensar práticas, ampliar possibilidades e
preparar professores e estudantes para participar de maneira consciente das transformações
sociais e tecnológicas.
A relevância desta pesquisa também se manifesta em sua dimensão social. A Inteligência
Artificial já influencia diferentes campos da vida contemporânea, modificando formas de
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
94
comunicação, produção, trabalho, acesso à informação e construção do conhecimento. Nesse
cenário, discutir seus impactos na educação significa contribuir para que crianças, jovens e
adultos desenvolvam condições de utilizar essas tecnologias sem abrir mão da capacidade de
pensar, questionar, criar, decidir e produzir conhecimento. O trabalho dos autores, portanto,
contribui para uma perspectiva de educação capaz de acompanhar as transformações do mundo
sem abandonar os princípios de humanização, inclusão, responsabilidade e valorização da
pessoa.
Ivoney da Silva Oliveira, nosso reconhecimento e agradecimento pela contribuição para a
compreensão da Inteligência Artificial como possibilidade de transformação das práticas
educacionais. Sua participação fortalece a perspectiva de que a tecnologia pode ampliar
caminhos para a aprendizagem, apoiar a pesquisa, favorecer novas estratégias pedagógicas e
aproximar a educação das demandas de uma sociedade em constante transformação. Sua
contribuição é significativa para a construção de uma visão de inovação que esteja associada à
responsabilidade e à formação integral dos estudantes.
Simone Helen Drumond Ischkanian, expressamos nosso especial agradecimento pela
contribuição voltada à dimensão humana, inclusiva, criativa e pedagógica da Inteligência
Artificial. Sua participação reforça a importância de compreender a tecnologia como recurso
capaz de ampliar oportunidades, superar barreiras e favorecer o protagonismo dos estudantes,
sem substituir a sensibilidade, a intencionalidade e a mediação do professor. Sua contribuição
fortalece a defesa de uma educação na qual inovação e humanização caminhem juntas.
Gladys Nogueira Cabral, recebemos com reconhecimento sua contribuição para a
reflexão sobre inovação, responsabilidade e transformação das práticas pedagógicas. Sua
participação evidencia que a presença da Inteligência Artificial na educação precisa ultrapassar o
domínio técnico das ferramentas, envolvendo ética, análise crítica, participação e compreensão
dos impactos sociais decorrentes de sua utilização. Seu olhar contribui para que a pesquisa
valorize uma inovação comprometida com a construção do conhecimento e com as necessidades
da sociedade.
Silvana Nascimento de Carvalho, expressamos nosso agradecimento pela importante
contribuição relacionada à presença da Inteligência Artificial no cotidiano educacional e às
possibilidades de diversificação das estratégias de ensino. Sua participação destaca a necessidade
de considerar as características dos estudantes, os objetivos educacionais e os princípios éticos
que orientam a formação humana. Sua contribuição reafirma que a tecnologia deve atuar como
recurso de apoio à educação, preservando as relações humanas que constituem o processo de
ensinar e aprender.
António Manuel Domingos Caba, nosso sincero agradecimento por sua contribuição para
a compreensão da necessidade de formar sujeitos capazes de utilizar a Inteligência Artificial de
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
95
.
maneira crítica e responsável. Sua reflexão amplia a discussão ao destacar a importância de
questionar resultados, reconhecer limites, avaliar informações e tomar decisões conscientes. Sua
participação fortalece uma das dimensões essenciais desta pesquisa: a preparação de estudantes e
professores para uma sociedade na qual aprender continuamente e participar criticamente serão
competências cada vez mais necessárias.
Gabriel Nascimento de Carvalho, agradecemos sua contribuição para a análise das
transformações provocadas pelas tecnologias digitais nas experiências de aprendizagem. Sua
participação valoriza a criatividade, a participação e a construção do conhecimento, chamando
atenção para a necessidade de evitar uma utilização passiva ou dependente dos recursos
tecnológicos. Sua contribuição reforça a compreensão de que o acesso à tecnologia somente
alcança verdadeiro significado educacional quando se transforma em oportunidade de
investigação, reflexão e produção de conhecimentos.
Sygride Nascimento de Carvalho, expressamos nosso reconhecimento pela contribuição
relacionada à autonomia e à participação ativa dos estudantes. Sua perspectiva evidencia que a
Inteligência Artificial pode apoiar processos de aprendizagem mais dinâmicos e diversificados,
desde que seja utilizada como instrumento para pesquisar, comparar, questionar, produzir e
refletir. Sua participação fortalece a compreensão de que a inovação tecnológica deve estimular a
autonomia intelectual, e não criar dependência dos recursos automatizados.
Sandro Garabed Ischkanian, nosso agradecimento pela contribuição para uma
compreensão ampla da Inteligência Artificial como fenômeno social, cultural e educacional. Sua
participação evidencia que os benefícios da tecnologia dependem da maneira como ela é
incorporada às práticas educativas e que nenhuma ferramenta tecnológica substitui a capacidade
humana de interpretar contextos, estabelecer relações, formular valores e atribuir significado ao
conhecimento. Sua contribuição amplia a pesquisa ao situar a IA dentro de um processo maior de
transformação da sociedade.
A cada autor, individualmente, expressamos nossa gratidão pela dedicação, pelas ideias
compartilhadas e pelo compromisso com a construção do conhecimento. Coletivamente,
agradecemos por transformarem diferentes perspectivas em uma produção que busca contribuir
para os debates contemporâneos sobre educação, tecnologia e formação humana. A força desta
pesquisa encontra-se justamente na possibilidade de reunir diferentes olhares em torno de uma
questão que não pertence apenas ao presente, mas que terá profundas implicações para as
próximas gerações.
Que esta obra alcance professores, estudantes, pesquisadores, gestores educacionais,
famílias e demais sujeitos envolvidos com a educação, estimulando novas reflexões e mudanças
de postura diante da Inteligência Artificial. Que suas contribuições possam inspirar práticas
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
96
pedagógicas mais conscientes, inclusivas, criativas e humanizadas e incentivar novas pesquisas
capazes de aprofundar os caminhos para uma utilização responsável das tecnologias inteligentes.
Nosso agradecimento coletivo e individual aos autores representa, portanto, o
reconhecimento de uma contribuição que ultrapassa os limites desta publicação. Pesquisar a
Inteligência Artificial na educação é participar de uma discussão que envolve o futuro da
aprendizagem, da autonomia, do trabalho, da cidadania e da própria sociedade. Ao contribuir
para essa reflexão, os autores ajudam a construir possibilidades para que a inovação tecnológica
seja acompanhada por consciência, ética, pensamento crítico, inclusão, criatividade e
valorização da dimensão humana, reafirmando que o futuro da educação não depende apenas de
tecnologias mais avançadas, mas de pessoas preparadas para utilizá-las com responsabilidade e
propósito.
Essa contribuição torna-se ainda mais significativa diante da velocidade com que a
Inteligência Artificial vem modificando as formas de aprender, ensinar, produzir e compartilhar
conhecimentos. A pesquisa possibilita compreender que as transformações tecnológicas precisam
ser acompanhadas por mudanças de postura, formação continuada e compromisso com uma
educação capaz de preparar sujeitos para lidar criticamente com novos cenários. Nesse sentido, o
trabalho dos autores não apenas registra um momento de transformação educacional, mas
também incentiva professores, estudantes e pesquisadores a assumirem uma participação ativa na
construção de práticas mais conscientes, inclusivas e inovadoras.
Reconhecemos, ainda, que uma pesquisa dessa natureza possui potencial para alcançar
diferentes contextos educacionais e sociais, contribuindo para ampliar o diálogo sobre os
benefícios, os limites e as responsabilidades relacionadas ao uso da Inteligência Artificial. Ao
colocar a aprendizagem e a autonomia dos estudantes no centro dessa discussão, os autores
fortalecem uma perspectiva de futuro na qual a tecnologia esteja a serviço das pessoas e das
possibilidades de desenvolvimento humano. Trata-se de uma contribuição que estimula novas
investigações, novas práticas pedagógicas e novas formas de compreender a relação entre
conhecimento, tecnologia e sociedade.
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
97
.
POSFÁCIO
A presente obra chega ao leitor em um momento histórico no qual a Inteligência
Artificial deixou de representar apenas uma possibilidade tecnológica e passou a integrar, de
maneira crescente, diferentes dimensões da vida social, profissional e educacional. Nesse
cenário, Inteligência Artificial na educação: possibilidades, limites e impactos na aprendizagem
e autonomia dos estudantes apresenta uma contribuição relevante ao reunir reflexões sobre as
possibilidades, os limites e os impactos dessa tecnologia nos processos de aprendizagem e no
desenvolvimento da autonomia dos estudantes. A temática ultrapassa o entusiasmo tecnológico e
também se distancia de perspectivas excessivamente restritivas, propondo uma compreensão da
IA fundamentada na responsabilidade, na criticidade, no planejamento pedagógico e no
compromisso com a formação humana.
Na condição de autores deste posfácio, Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen
Drumond Ischkanian e Sandro Garabed Ischkanian apresentam uma leitura reflexiva sobre as
contribuições discutidas ao longo da obra, valorizando as possibilidades oferecidas pela
Inteligência Artificial sem desconsiderar os desafios que acompanham sua presença na educação.
Essa perspectiva é particularmente importante porque a expansão da IA nos espaços
educacionais exige novas formas de pensar o ensino, a aprendizagem, a autoria, a pesquisa, a
avaliação e a autonomia dos estudantes. A tecnologia pode ampliar recursos e experiências, mas
seu significado educacional depende das finalidades que orientam sua utilização e das relações
pedagógicas estabelecidas ao longo desse processo.
Um dos aspectos que merece destaque na obra é a compreensão de que a Inteligência
Artificial pode favorecer novas possibilidades de aprendizagem quando associada à
intencionalidade pedagógica. Recursos tecnológicos podem apoiar pesquisas, organizar
informações, estimular a criatividade, favorecer diferentes linguagens e contribuir para
experiências educacionais mais flexíveis. Contudo, a utilização da IA não deve conduzir à
substituição da reflexão e do esforço intelectual. Aprender envolve questionar, interpretar,
comparar, produzir, argumentar, experimentar e atribuir significado ao conhecimento. A
tecnologia pode apoiar essas ações, mas é a participação ativa do estudante que confere sentido
ao processo formativo.
A autonomia dos estudantes ocupa, igualmente, posição central nessa discussão. A
utilização responsável da IA pode contribuir para desenvolver maior capacidade de investigação,
participação e tomada de decisões, desde que a tecnologia não seja transformada em substituta da
atividade intelectual. A autonomia pressupõe capacidade de formular perguntas, avaliar
informações, reconhecer limitações, comparar diferentes perspectivas e assumir responsabilidade
pelo próprio percurso formativo. Nessa perspectiva, a IA pode constituir uma importante aliada
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
98
da aprendizagem, desde que seja utilizada como instrumento de apoio à construção do
conhecimento e não como mecanismo de dependência.
Outro aspecto fundamental diz respeito à mediação docente. Em uma educação marcada
pela expansão das tecnologias inteligentes, o professor continua exercendo uma função
indispensável na seleção de estratégias, na contextualização dos conteúdos, na orientação das
pesquisas e no desenvolvimento do pensamento crítico. A inovação tecnológica não diminui a
relevância do professor; ao contrário, amplia a necessidade de profissionais preparados para
transformar recursos tecnológicos em experiências efetivamente educativas. A mediação humana
permanece essencial para que a tecnologia seja utilizada com sentido, propósito,
responsabilidade e compromisso com a aprendizagem.
A dimensão inclusiva também merece atenção. A Inteligência Artificial pode contribuir
para ampliar oportunidades de aprendizagem, diversificar recursos e apoiar estudantes com
diferentes necessidades e formas de aprender. Entretanto, inclusão não se resume ao acesso à
tecnologia. É necessário considerar acessibilidade, condições de participação, acompanhamento
pedagógico, respeito às singularidades e valorização das diferentes formas de aprendizagem. A
tecnologia alcança seu maior potencial educativo quando contribui para reduzir barreiras,
ampliar oportunidades e favorecer a participação efetiva dos estudantes.
Ao considerar os limites da Inteligência Artificial, a obra demonstra maturidade diante
das transformações contemporâneas. Questões relacionadas à confiabilidade das informações, à
privacidade, à proteção de dados, à autoria, à integridade acadêmica e à dependência tecnológica
precisam integrar permanentemente o debate educacional. Reconhecer esses desafios não
significa rejeitar a inovação, mas estabelecer condições para que ela aconteça de maneira ética,
consciente e responsável. A educação precisa preparar sujeitos capazes de utilizar a tecnologia e,
simultaneamente, de questionar seus resultados, compreender seus limites e avaliar criticamente
seus impactos.
Por essa razão, esta obra não deve ser compreendida apenas como uma análise sobre
uma tecnologia emergente. Trata-se de uma reflexão sobre posturas diante do conhecimento e do
futuro da educação. A presença da IA convida professores, estudantes, pesquisadores e
instituições a reconsiderarem práticas consolidadas e a construírem novas formas de ensinar e
aprender. Essa transformação exige abertura ao novo, mas também capacidade de preservar
princípios fundamentais da educação, como diálogo, responsabilidade, criatividade, pensamento
crítico, cooperação, inclusão e valorização da pessoa.
A relevância da temática apresentada nesta obra ultrapassa fronteiras geográficas e
institucionais. Diferentes países, sistemas educacionais e comunidades estão diante de desafios
relacionados à expansão das tecnologias de Inteligência Artificial. Nesse contexto, reflexões que
aproximam inovação tecnológica e formação humana contribuem para um debate necessário
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO: POSSIBILIDADES, LIMITES E
IMPACTOS NA APRENDIZAGEM E AUTONOMIA DOS ESTUDANTES.
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sobre os caminhos que a educação pode seguir diante das profundas transformações sociais e
culturais em curso. Pensar a IA na educação significa também pensar sobre o tipo de estudante,
professor e sociedade que se deseja formar.
Ao finalizar este posfácio, permanece uma mensagem essencial: a tecnologia pode
transformar a educação, mas são as escolhas humanas que determinam o sentido dessa
transformação. A Inteligência Artificial pode ampliar possibilidades, favorecer novas
experiências e apoiar processos de aprendizagem, mas seu valor educacional estará relacionado à
maneira como professores, estudantes e instituições decidem utilizá-la. O uso consciente da
tecnologia exige responsabilidade, conhecimento, criticidade e compromisso com a formação
integral.
Como autores deste posfácio, Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond
Ischkanian e Sandro Garabed Ischkanian registram nosso reconhecimento pela relevância das
discussões reunidas nesta obra e pela oportunidade de contribuir para esse diálogo. Nossa
participação neste posfácio busca ampliar a reflexão sobre uma temática que já influencia o
presente e terá papel significativo na construção do futuro educacional. Consideramos
fundamental que a expansão da Inteligência Artificial seja acompanhada por uma mudança de
postura diante do conhecimento, pela valorização da mediação humana e pela formação de
sujeitos capazes de utilizar as tecnologias com consciência e responsabilidade.
Que esta leitura não represente um ponto final, mas um convite à continuidade. Que
professores encontrem novas possibilidades para suas práticas, que estudantes fortaleçam sua
autonomia, que pesquisadores ampliem as investigações e que instituições educacionais
desenvolvam políticas e estratégias capazes de acompanhar as transformações tecnológicas com
responsabilidade. Mais do que compreender o que a Inteligência Artificial pode fazer, torna-se
necessário refletir sobre o que queremos fazer com ela e para quem queremos construir essa
nova educação.
Esse é um dos sentidos mais relevantes desta obra: contribuir para que o futuro da
educação não seja definido apenas pelo avanço das tecnologias, mas pela capacidade humana de
utilizá-las para construir conhecimento, ampliar oportunidades, superar barreiras e promover
uma sociedade mais crítica, participativa, inclusiva e humanizada. A Inteligência Artificial pode
abrir novos caminhos, mas cabe à sociedade decidir quais caminhos deseja percorrer e quais
valores pretende preservar nessa jornada.
Ivoney da Silva Oliveira
Simone Helen Drumond Ischkanian
Sandro Garabed Ischkanian
Ivoney da Silva Oliveira, Simone Helen Drumond Ischkanian, Gladys Nogueira Cabral,
Silvana Nascimento de Carvalho, António Manuel Domingos Caba,
Gabriel Nascimento de Carvalho, Sygride Nascimento de Carvalho e Sandro Garabed Ischkanian.
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LIVRO INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL NA EDUCAÇÃO