SISTEMA DE METRO LIGEIRO DA ÁREA METROPOLITANA DO PORTO
LINHA DA PÓVOA_ TC7.23
MP-AZR02.05
Trabalhos Arqueológicos (Sondagens e Escavação em Área)
(Corgo/Azurara, Vila do Conde, Porto)
Resumo Não Técnico
M1-LP-C723-PT-MD-AOH-AZR221-02
[Setembro de 2007]
SISTEMA DE METRO LIGEIRO DA ÁREA METROPOLITANA DO PORTO
MP-AZR02.05 — Trabalhos Arqueológicos no Corgo, Azurara (Vila do Conde, Porto)
Resumo Não Técnico_ M1-LP-C723-PT-MD-AOH-AZR221-02
BOTELHO, Iva; SOBRAL, Pedro – O Sítio do Corgo em Azurara. Um Sítio Multissecular descoberto em
Acompanhamento Arqueológico de Obra de Duplicação da Linha da Póvoa.
Campanha: MP-AZR02.05
Linha: Linha Vermelha (P)
Troço: C7.23
Localização: Corgo, Azurara, Vila do Conde
Parceiro Adjudicatário: Arqueohoje, L.da de Viseu
Autorização: Ofício n.º 004017, de 30 de Março de 2005.
Direcção: Iva Botelho (arqueóloga do Metro do Porto)
Co-Responsável pela Arqueohoje, Lda: Pedro Manuel Sobral de Carvalho
Arqueólogos Assistentes: Alexandre Beites, Ana Isabel Pipa, Anabela Pereira de Sá, André Mota Veiga, António
Costa, António Chéney, Elisabete Pereira, Filipe Santos, Hélder Mota, João Perpétuo, Luís Aréz do Carmo,
Margarida Alves Santos, Óscar Teixeira, Sónia Cravo, Susana Silva
Consultadoria Científica: Prof. Doutora Maria de Jesus Sanches, Prof. Doutora Ana Maria Bettencourt, Prof. Doutor
João Abrunhosa, Dr. Huet Bacelar Gonçalves
Data da execução do Trabalho de Campo: de 28 de Fevereiro a 26 de Maio de 2005
TÍTULO
O Sítio do Corgo em Azurara. Um Sítio Multissecular descoberto em
Acompanhamento Arqueológico de Obra de Duplicação da
Linha P
AUTORES
BOTELHO, Iva; SOBRAL, Pedro;
Sumário: De repente, no dia 23 de Fevereiro de 2005, pelo
corte das máquinas do alargamento da via para o metro em
Azurara, foi posto a descoberto um Sítio multissecular cujas
ocupações Humanas mais significativas se afiguram
cronológica e culturalmente descontínuas. Destaquem-se os
níveis de ocupação dentro do Horizonte do Bronze Pleno
(integrado na tipologia de assentamentos de fossas,
paliçadas e possivelmente com fosso); e registo vestigial de
ocupação Tardorromana ou possivelmente Altimedieval
Tudo muito tangencialmente diagnosticado ao longo dos três
meses destes trabalhos, fruto da sua drástica destruição
vertical e horizontal provocada pelas máquinas da obra.
Paradoxalmente, surge a sua descoberta como o
mais importante impacte Patrimonial positivo desta Obra da
Linha da Póvoa, tornado possível pela execução do seu
Acompanhamento Arqueológico.
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Acompanhamento Arqueológico de Obra de Duplicação da Linha da Póvoa.
1.
Enquadramento Histórico do Processo
A Linha P do Sistema de Metro Ligeiro da Área Metropolitana do Porto surgiu do aproveitamento e adaptação
da antiga Linha Ferroviária da Póvoa, com vista à instalação de via dupla. Passou, consequentemente, e na
generalidade, pelo alargamento do canal primitivo. Conquanto, em relação ao troço em causa, entre árvore e
Azurara, procedeu-se à rectificação do traçado, ocasionando a saída e corte do terreno agrícola sobre o lado Poente
do canal antigo, entre as Passagens de Nível (PN) da Nacional 104 e da Rua do Corgo. Determinou a “Declaração
de Impacte Ambiental”do Procedimento de AIA n.º 880, pela Medida CA28, “o acompanhamento arqueológico da
obra (…).”
Foi, efectivamente, na sequência do Acompanhamento Arqueológico dos trabalhos de terraplanagem do
Troço TC7.23 que estes trabalhos vieram a ser planeados, após a detecção pela Dr.ª Anabela Pereira de Sá, de um
conjunto de materiais arqueológicos entre os KM 0+426 e KM 0+450 do Troço C7.23, que continha à mistura espólio
pré-histórico cerâmico e lítico (pesos de rede), e materiais mais recentes, nomeadamente Romanos e Modernos. Tal
achado suscitou a paragem da Obra, no dia 23 de Fevereiro de 2005. Dada a agilização de contactos com o IPA, o
arranque imediato dos trabalhos ocorreu no dia 28 seguinte e aconteceu na sequência na reunião do dia 25 de
Fevereiro de 2005, da ao abrigo do enquadramento do acompanhamento no terreno conferido pelo IPA no âmbito do
cumprimento do RECAPE1 para a Linha P.
Fig. 1_ Início dos trabalhos de terraplanagem no T7.23 da Linha P, ao KM0+420.
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2.
Objectivos
Após a detecção deste sítio em plena frente de execução de Obra, visou-se com esta intervenção de
emergência:
- Avaliação da dimensão dos impactes, inicialmente, apenas na plataforma de corte de obra entre os
KM0+426 e KM0+450. Esta avaliação da dimensão de impactes veio a ser estendida ao KM 0+400, para montante e
até ao KM 0+500, para jusante, sobre o lado esquerdo da via (talude Poente) e à largura de toda a plataforma,
conforme instruções dadas pelo IPA.
- Reconhecimento de tipo de ocupação / contextualização cronológico e cultural.
Para tal, partindo de intervenção de reconhecimento na plataforma de corte de obra ao KM 0+426, alargou-se
a toda a área entre os KM0+400 a 0+500, com verticalização do talude esquerdo da via (lado Poente).
Fig.s 2 a 5_ Fase de limpezas após a suspensão de obra.
Neste reconhecimento, a abordagem estratigráfica subordinou-se à estratificação natural do sítio, ainda que
apoiada em estratificações artificiais nas acções de limpeza das terras remexidas pela máquina nos taludes da obra,
corte este sempre mobilizador em profundidade em cerca de 20 cm a 30 cm de solo abaixo do seu plano.
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A posteriori, verificou-se da impossibilidade de observação e reconhecimento do Sítio no talude Poente
original, da primitiva via da CP, devido à sua ocupação por densa vegetação. Era, porém, detectável por acção de
prospecção na parcela agrícola contígua a Poente cortada pela rectificação da via do Canal de Metro.
Por outro lado, a limpeza de toda a extensão da plataforma da via intervencionada permitiu confirmar a sua
destruição integral pela máquina entre os KM 0+450 e KM 0+500. Paradoxalmente, surgiu a sua descoberta como o
mais importante impacte patrimonial positivo desta Obra da Linha P.
3.
A Estação Arqueológica do Corgo: uma primeira aproximação ao sítio
Este sítio arqueológico multissecular está implantado numa zona de encosta do vale do Rio Ave, na sua
margem esquerda, exposta a Nordeste. Porém, topograficamente, o contexto geomorfológico onde se insere esta
área, sofreu alterações pela prática agrícola e pelas construções do antigo Caminho-de-Ferro e da Estrada Municipal
paralela ao mesmo. Tal evolução acarretou a perturbação na leitura da sua estratigrafia e relações físicas entre os
níveis em presença.
3.1 O Nível AZR I: Ocupação Bronze
Desde o início que foi destacado um nível de ocupação – o nível AZR I -, dentro do Horizonte da Idade do
Bronze Pleno, ou apenas da Idade do Bronze segundo a periodização estabelecida por Ana Bettencourt1.
Reconheceu-se assim um sítio dentro da tipologia de assentamento de fossas, paliçadas e possivelmente com fosso,
de comunidade economicamente de vocação piscatória, largamente testemunhada pelos pesos de rede exumados.
Neste aspecto, e considerando a sua implantação topográfica zona de encosta do vale do Rio Ave, na sua margem
esquerda, exposta a Nordeste, anotem-se as afinidades deste Sítio com aqueles outros presumivelmente
correlacionados - cronológica e culturalmente -, e identificados no Vale do Cávado. Efectivamente, também este sítio
“(…)se [implanta] numa "ecologia de vale", querendo com isto, designar local (…) nas bordaduras de grandes vales
fluviais e com boas condições de acesso aos mesmos. [Também como essas manifestações coevas do Vale do
Cávado], (...) encontra solos, classificados actualmente de classe A, no interior dos seus territórios teóricos de 30m
pedestres."2 Pode também considerar-se que, à semelhança daqueles outros povoados, está na proximidade de
recursos mineiros não metálicos, sendo conhecida a exploração de sal, durante a Idade Média.3
Sucintamente, no âmbito destes trabalhos, esta Estação do Bronze encontrava-se residualmente preservada
abaixo da cota de formação da c.3 (relacionada com prática agrícola), e foi relacionada com a camada 4 da
Estratigrafia Geral do Sítio e com as estruturas em negativo detectadas. Entretanto, uma aproximação ao espaço
torna-se difícil, não só pela área exígua intervencionada, tendo por referência o que se estima para este tipo de
assentamento, mas principalmente pela sua distribuição ao longo de um estreita faixa de terreno no talude. Apenas é
possível propor a sua segmentação pelo Fosso I (não é claro que este constitua limite do espaço), bem como
adiantar que a sua organização contava com divisórias em paliçada, de que é testemunho o Valado 2.
1 A Idade do Bronze (parte do Bronze Antigo e à totalidade do Bronze Médio da nomenclatura tradicional) _ transição IIIº-IIº mil. AC
até último quartel II.º mil. AC, in BETTENCOURT, Ana (2000) O Vale do Cávado (Norte de Portugal) dos finais do III Milénio aos
meados do I Milénio AC: Sequências Cronológico-Culturais.
2 Idem, ibidem, p. 80.
3 Agradece-se a informação oral do Dr. Paulo Costa Pinto, segundo o qual, conhecem-se explorações de sal na Idade Média, como
referenciado na Carta de Doação de Vila do Conde ao Mosteiro de Guimarães.
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I
Fig.s 6 a 9_ Diferentes perspectivas dos trabalhos e coabitação com Obra.
Igualmente insuficientes para uma boa contextualização do sítio se revelaram os materiais exumados.
Somando mais de 2500 ex. entre fragmentos cerâmicos (maioritariamente manuais, mas contendo à mistura alguma
cerâmica evolucionada) e líticos, são em geral muito fragmentados não permitindo sequer colagens.
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3.2 O Nível AZR II - Ocupação Tardo-Romana/ Altimedieval?
Gráfico 1_ Distribuição de tipos de Materiais de Construção Romanos na Estratificação do Sítio.
A documentação de um presumível nível de ocupação Tardorromana / Altimedieval prende-se com a
identificação de materiais cerâmicos de fabricos romanos (1 fragmento de sigillata, 1 fragmento de Campaniense,
cerâmica comum e também material de construção residual, muito rolado). Esta presença apresentava-se já residual
entre os materiais de Acompanhamento e veio a confirmar-se da mesma forma nas camadas 4 e 3b e nos depósitos
de enchimento da proposta reabertura do Fosso I, embora sempre à mistura com materiais mais antigos. Por
contraste, da análise efectuada, a camada 3a é a que apresenta uma maior quantidade de vestígios romanos. Esta
documentará, contudo, ocupação posterior, como proposto abaixo, hipótese derivada a consideração conjunta de
todos os seus materiais.
Trata-se, portanto, de indício muito ténue, a ocupação romana documentada dentro da área de intervenção
destes trabalhos, hipoteticamente relacionável com o Fosso IB (ou apenas com o seu fecho, pela estrutura da sua
estratigrafia, de perfil côncavo, ocorrida paulatinamente por deposição sedimentar natural) e, possivelmente, com a
camada 3b, sendo de realçar a ausência conexão estratigráfica em estas duas realidades arqueológicas ao longo do
corte diagnosticado.
3.3 Os Nível AZR III e AZRIV - Ocupação Moderna e Contemporânea
Tratam-se aqui de níveis sem qualquer relevância patrimonial, porém importantes para a compreensão
arqueológica do sítio, na medida em que permitem aferir do grau de impactes da obra sobre os contextos
arqueológicos postos a descoberto. Efectivamente, pela sua sobreposição directa ao substrato natural em grande
extensão do corte do talude Poente da obra, diagnosticou-se clara afectação, forte e negativamente impactante,
destas formações sobre os níveis arqueológicos, como de seguida justificado.
O nível de ocupação Moderna deste Sítio identifica-se com a Camada 3 (identificado no talude Poente, entre
os dois fossos). Trata-se de um depósito de tonalidade castanha clara, textura granulosa e espessura variável
aumentando para Norte e, portanto, corrigindo o acidentado da topografia original indiciado pela base geológica.
Atribui-se-lhe cronologia Moderna, devido a sua inclusão de fragmentos cerâmicos vidrados, que ainda que não
muito abundantes, lhe conferem tal datação post quem. De sublinhar também, comparativamente com a restante
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estratigrafia, a presença assinalável de material romano ainda que muito rolado, e também materiais fragmentos
cerâmicos de fabrico manual. Funcionalmente, considera-se esta camada articulada já com a ocupação agrícola do
local.
Já da Época Contemporânea (do Séc. XX) são as camadas 2 e 1.
Assim, a camada 2 referencia as formações relacionadas com o atravessamento do Sítio pelo caminho-deferro, tendo sido observado após a sua decapagem o corte provocado no FOSSO I.
Quanto à camada 1, relaciona-se esta com a prática agrícola actual feita por meios mecânicos (durante estes
trabalhos, após o corte de erva, observámos a sementeira do milho). Portanto, com contextualização testemunhada
por viva presença. È por isso mesmo de realçar a forte presença percentual de fragmentos cerâmicos manuais em
comparação com os fabricos a torno, vidrado ou fosco, certamente fruto de acção de desgaste sobre contextos
arqueológicos.
Fig. 10_ Estratigrafia: Camada 1, 3a e 3b. Na base, o substrato natural de natureza argilosa.
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4.
CONCLUSÕES: Limitações à compreensão deste sítio
Assumindo que uma imagem vale por mil palavras, aqui ficam três, valendo pelo menos três mil.
Comparem-se as Fig.11 e 12 e observe-se a dispersão de materiais acompanhando a direcção dos baldes da
giratória. Pela Fig. 13, observe-se o impacte da máquina nas fossas.
Fig.11_ Pormenor da plataforma do corredor de metro na zona de menor afectação. Foto de F. Piqueiro (Foto
Engenho)
-2
-1
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
B’
A'
A
3
2
8
4
4
3
B
2
22
1
6
4
5
C
2
4
3
3
17
2
1
7
23
21
6
5
26
13
7
21
34
12
3
D
4
2
E
9
18
8
3
F
G
Fig. 12_ Cartografia da dispersão de fragmentos recolhidos na limpeza das terras deixadas pela máquina.
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Fig. 13_ Pormenor do impacto dos rasgos da terraplenagem na plataforma, após decapagens dos resíduos da
máquina (Foto de Pedro Sobral).
Paralelamente, a decapagem efectuada permitiu documentar a destruição integral do sítio em cerca de 75 m e
extensão da sua secção atravessada pela obra, antes que fosse descoberto. Prova da precariedades deste tipo de
trabalhos de acompanhamento das máquinas em obra.
Fig. 14_ Área intervencionada (marcada pelo reticulado), representando-se a laranja a zona de corte de identificação
do sítio.
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Paradoxalmente, e apesar da sua drástica destruição vertical e horizontal, surge a sua descoberta como o
mais importante impacte patrimonial arqueológico positivo desta Obra da Linha P.
De facto, de repente, no dia 23 de Fevereiro de 2005, pelo corte das máquinas, foi posto a descoberto um
Sítio multissecular cujas ocupações antrópicas mais significativas se afiguram cronológica e culturalmente
descontínuas: destaquem-se os níveis de ocupação dentro do Horizonte do Bronze Pleno (integrado na tipologia de
assentamentos de fossas, paliçadas e possivelmente com fosso e relacionado com de comunidade economicamente
de vocação piscatória, testemunhada pelos pesos de rede exumados), e registo vestigial de ocupação Tardorromana
ou possivelmente Altimedieval.
Todavia, para a compreensão da História deste sítio, há que atender grandemente aos condicionalismos
topográficos supra descritos, na medida em que as várias interfaces da sua ocupação recente: ocupação agrícola (a
camada 3 relacionada com prática agrícola desde a Época Moderna, ocasionou a acção de nivelamento do terreno
com criação da plataforma actual), Caminho-de-Ferro, Estrada Municipal e a Obra de Construção da Linha
P/Vermelha) lhe impuseram cicatrizes tais que cortaram extensamente as leituras transversais e longitudinais da sua
deposição e, consequentemente, apagaram conexões estratigráficas importantes. Paralelamente, dado o
enquadramento deste trabalho de arqueologia de salvamento no âmbito de empreendimento, saliente-se a carácter
profundamente circunstanciado da área de intervenção, dentro dos limites da Obra e da sua afectação.
Porém, traço significativo da diacronia deste Sítio, parece ser a conjugação equilibrada de factores antrópicos
e naturais na deposição da sua estratificação, concorrendo uns e outros para uma certa homogeneização global da
distribuição dos vestígios artefactuais da sua Ocupação Humana. Por outro lado, esta, ora mais vincada na sua
materialidade, ora mais dissimulada, mas sempre activa, providencia ao arqueólogo o vislumbre de sucessivas
ausências.
•
Objectivamente, faltam testemunhos materiais dos construtores do Sítio do Bronze vestigialmente
documentado pelos negativos e, logo, da vivência funcional deste espaço (é por paralelismo que se
contextualiza o Sítio dentro do Bronze Pleno e se atribui às fossas a funcionalidade de silagem).
•
Efectivamente, falta do estrato de ocupação relacionado com os negativos identificados (estes abrem-se
directamente no substrato natural da natureza predominantemente argilosa e pontualmente saibrenta).
•
Da camada 4, aparentemente, o que de mais certo se poderá dizer é que ela corresponderá a um primeiro
esforço de nivelamento da topografia deste lugar.
•
E que dizer, de concreto, da ocupação Romana? Foi também eliminado nível de ocupação? Ou trata-se de
uma presença material por deposição secundária derivada da acção de nivelamento topográfico do Sítio?
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Nunca é demais referir o carácter residual e erodido dos seus vestígios, presentes em quantidades variáveis
na quase totalidade dos contextos. Exceptuam-se as Fossas, o Fosso IA e o Valado 2, por um lado, e por
outro lado, destacam-se, relativamente ao sítio, as camadas 3a e o Fosso IB. Em relação ao fecho deste,
destaque para aparente nível de acampamento indiciado por série de lareiras estratificadas a meio desse.
•
Finalmente, e o estrato de ocupação anterior indiciado pelos fragmentos residuais de peças enquadráveis
dentro do Campaniforme Marítimo.
•
Enfim, avassalador parece ser mesma uma ocupação agrícola continuada, ocasionadora do nivelamento do
terreno percepcionável pela observação da Estratigrafia Geral do Sitio. Nesta perspectiva, afigura-se como
hipótese plausível para origem destes depósitos, a sua proveniência de terras de empréstimo e,
consequentemente, estarmos na presença de uma sucessão de deposições secundárias.
Fig.s 15 e 16_ Registos aéreos do sítio.
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Por fim, claro, enfim, um sítio
arqueológico da Idade do Bronze,
pelo menos, desde a Época Moderna
sujeito a forte desgaste por vias da
sua ocupação agrícola. No presente,
a construção da do caminho-de-ferro
e presentemente seu alargamento
para adaptação a linha de metro
introduziram fortes cortes na sua
deposição.
E por fim, claro, enfim, aos 23
de Fevereiro de 2005, este sítio
arqueológico da Idade do Bronze foi
revelado pelo acompanhamento arqueológico da obra de metro, graças à perspicácia e maturidade científica da sua
responsável no terreno, a Dr.ª Anabela Pereira de Sá!
Com estes trabalhos (a campanha MP-AZR02.05), constatou-se que o Sítio já havia sido afectado pela
construção do canal de Caminho-de-Ferro e Estrada Municipal paralela. Mas também se documentou a projecção do
Sítio Arqueológico para Nascente e Poente. Assim, pela rectificação do talude Poente do canal de metro, foi feito o
reconhecimento do potencial do sítio no
campo contíguo, confirmado por prospecção
(recolha de pesos de rede).
Foi na sequência dessa avaliação que
a, construção da Variante do Corgo –
pensada
posteriormente
ao
Projecto
de
Duplicação das Linhas P e T - atravessando o
referido
campo
Expropriação
agrícola
722),
foi
(Parcela
de
antecedida
dos
Trabalhos Prévios de Escavação em área MPAZR03.07, já em 2007.
(Continua…)
Fig.s 17 e 18_ Fase Final dos Trabalhos e, finalmente, avanço das máquinas ainda sob a vigilância dos arqueólogos
após 3 meses de paragem de obra (Foto de Susana Silva).
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