0 Faculdade Boa Viagem Centro de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração - CPPA Mestrado Profissional em Gestão Empresarial Rafael Anderson Pedroza da Silva Cultura organizacional e processo de seleção de pessoas: um estudo de múltiplos casos em indústrias de Vitória de Santo Antão – PE Recife, PE 2014 1 Rafael Anderson Pedroza da Silva Cultura organizacional e processo de seleção de pessoas: um estudo de múltiplos casos em indústrias de Vitória de Santo Antão – PE Dissertação apresentada à Banca Examinadora do Centro de Pesquisa e Pós-Graduação em Administração da Faculdade Boa Viagem FBV, para obtenção do Título de Mestre em Gestão Empresarial, sob a orientação da Profª Drª Maria Auxiliadora Diniz de Sá. Recife, PE 2014 2 Catalogação na fonte Biblioteca da Faculdade Boa Viagem, Recife/PE S586cSilva, Rafael Anderson Pedroza da. Cultura organizacional e processo de seleção de pessoas: um estudo de múltiplos casos em indústrias de Vitória de Santo Antão-PE / Rafael Anderson Pedroza da Silva. -- Recife : FBV /Devry, 2014. 98f.: il. Orientador(a) :Maria Auxiliadora Diniz de Sá. Dissertação (Mestrado) -- Faculdade Boa Viagem | Devry. Inclui apêndice. 1.Cultura organizacional. 2. Seleção de pessoas. I. Título. DISS658[14.1] Ficha catalográfica elaborada pelo bibliotecário: Jadinilson Afonso CRB-4/1367 3 "Gosto de ser gente porque, inacabado, sei que sou um ser condicionado mas, consciente do inacabamento, sei que posso ir mais além dele". Paulo Freire 4 Dedico este trabalho aos meus pais, filhos e esposa, os quais são a base de minha vida. 5 AGRADECIMENTOS Em minha jornada, nesta vida, tive a participação marcante de muitas pessoas as quais me marcaram profundamente pela presença constante e exemplos a serem seguidos; não conseguirei mencionar todos que fizeram parte de toda minha evolução enquanto ser humano e um melhor profissional, mas tentarei mesmo assim. Bem, como não iniciar pelos meus pais? Toda minha base, meus exemplos, minha força se encontra neles, um homem e uma mulher honrados e que continuam dando seu melhor em prol de mim. Os anos passam, porém, ainda sinto que serei sua eterna criança e me esforçarei até o último dia de minha vida para conseguir ser uma pequena fração de tudo o que vocês representam para mim. Obrigado, meu DEUS, pela honra de poder chamá-los de meus pais! Meus filhos são um capítulo a parte na minha vida, ou melhor, são o mais perfeito capítulo de minha vida. Só passei a entender o verdadeiro amor depois de vocês, meus anjos, Bruna e Heitor. Vocês elevaram-me a um grau que jamais pensei que fosse possível: amar alguém desta forma. Vocês são o meu coração batendo em outros corpos. Amarei vocês enquanto me restar vida. Minha esposa, Aline, ou melhor, minha vidinha! Amor, só nós dois sabemos o peso de uma dissertação, não é? (risos). Passei a entender a essência da palavra "parceira" depois de você, alguém que muitas vezes coloca meus interesses antes dos seus, que sente prazer com os meus prazeres, que de fato está comigo na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza. Bem, meu amor, jamais seria capaz de concluir mais esta etapa de minha vida sem seu apoio primoroso. Te amo! Agradeço ao meu grande amigo, Djalma Gomes da Silva Júnior pelo enorme apoio. Agradeço aos membros da banca de qualificação, pelo apoio e sugestões, que tanto contribuíram para a lapidação e desenvolvimento deste trabalho. Minha maravilhosa orientadora, Dra. Maria Auxiliadora Diniz de Sá, uma mulher que jamais esquecerei, alguém repleta de primor em tudo o que faz, pois age com carinho, dedicação e competência. A senhora me ensinou mais do que aspectos didáticos e profissionais, me ensinou como ser uma pessoa melhor, simplesmente, demonstrando como devemos amar ao próximo como a nós mesmos. Vou guardá-la em meu coração para sempre. 6 Maria das Graças Malheiros, definitivamente, uma pessoa maravilhosa a qual gosto de vê-la como um anjo que me auxiliou em toda minha jornada pessoal e profissional. Às vezes, pergunto-me o que faz uma pessoa que não tem, absolutamente, nenhum laço familiar com você, torcer tanto por mim e lutar tanto por meus interesses e por tudo que me faça bem. Pois, grande mulher és, exatamente, isto para mim. Obrigado por me apoiar tanto e torcer, assim, por mim durante todos esses anos, meu sucesso profissional está, diretamente, ligado a você. E de forma proposital deixei o que foi, é e sempre será o único responsável por tudo de maravilhoso que aconteceu e acontecerá na minha vida, Àquele a quem sirvo: DEUS. Sem Ele nada e nenhuma dessas pessoas maravilhosas teriam cruzado a minha vida. Toda honra e toda glória dedico ao meu DEUS. 7 RESUMO Este estudo buscou investigar de que maneira a cultura organizacional (Schein, 2009) é trabalhada em consideração ao processo de seleção de pessoas, em indústrias de Vitória de Santo Antão – PE. O conhecimento da cultura da empresa é importante, uma vez que ela exerce influência sobre os processos e as pessoas que a integram. Desse modo, a seleção de pessoas, como tal, também deve buscar funcionários que se adequem ao perfil da mesma. Objetivando o referido trabalho,foi realizado um estudo de múltiplos casos envolvendo três indústrias (A, B e C) da cidade de Vitória de Santo Antão cujos sujeitos foram três gestores (A, B e C, cada um, respectivamente, da organização A, B e C) do RH dessas empresas. A abordagem foi qualitativa e a pesquisa do tipo descritiva. A análise dos dados foi alicerçada no conteúdo das entrevistas por pauta, juntamente com o resultado das observações não participantes, realizadas nas dependências das indústrias. Dentre os resultados encontrados, os de maior destaque foram os elementos da cultura organizacional: valores, sinais e crenças e como eles interferem diretamente no processo de seleção de pessoas, embora tenha verificado que a cultura organizacional parece não ser reconhecida ou ressaltada em nenhum dos gestores das empresas analisadas. Dentre os outros achados desta pesquisa, foi identificado que a cultura declarada pelos gestores (A, B e C) não condiziam com a cultura verificada. Tal fato foi percebido durante as observações não participantes, já citadas anteriormente. 8 ABSTRACT This study sought to investigate in what way the organizational culture (Schein, 2009) is worked taking into account the process of selecting people in industries in Vitória de Santo antão – Pernambuco. The knowledge of company’s culture is interesting. Once it influences the process and the people that takes part of it. Thereby the people selection has to search for employees who can suit the company’s profile. Aiming this purpose, a multiple case study involving three industries (A, B and C) in Vitória de Santo Antao, whose subjects were three managers (A, B and C, each, respectively, of the organization A, B and C) of the HR of these companies. The approach was qualitative and the research was descriptive. The data analysis was structured in the content of the interviews by staff, together with the result of the non-participating observations, made on the premises of the industries. . Among the finding results the major spotlight was the elements of the organizational culture: values, signs and beliefs and how they interfere directly in the process of people selection, although it has been found that organizational culture does not seem to be recognized or highlighted in any of the managers of the companies analyzed. Among other findings of this research, it was identified that the culture declared by managers (A, B and C) did not match with verified culture. . This fact was not noticed during the participant observations, previously mentioned. 9 LISTA DOS QUADROS E FIGURAS Quadro 1 - Características gerais do conceito de cultura 20 Quadro 2 - Várias categorias usadas para descrever cultura 22 Quadro 3 - Níveis de cultura segundo Schein (2009) 23 Quadro 4 - Quadro dos valores segundo Thévenet 27 Quadro 5 - Tipos de ritos e suas características 30 Figura 1 - Desenho da pesquisa 48 Figura 2 - Categorias, indicadores e unidades de registro: valor da qualidade 84 10 SUMÁRIO Resumo Abstract Lista de Quadros e Figuras 1 Introdução 1.1 Objetivos da pesquisa 1.1.1 Objetivo geral 1.1.2 Objetivos específicos 1.2 Justificativas da pesquisa 11 15 15 16 16 2 Fundamentação teórica 2.1 Cultura organizacional 2.1.1 Níveis da cultura organizacional 2.1.2 Elementos da cultura organizacional 2.1.2.1 Valores 2.1.2.2 Crenças 2.1.2.3 Ritos, rituais e cerimônias 2.1.2.4 Normas 2.1.2.5 Tabus 2.1.2.6 Mitos 2.1.2.7 Símbolos e sinais 2.1.2.8 Heróis 18 18 23 25 26 28 29 31 32 32 33 34 2.2 Seleção de pessoas 2.2.1 Recrutamento de pessoas 2.2.1.1 Recrutamento interno 2.2.1.2 Recrutamento externo 2.2.2 Etapas da seleção de pessoas 2.2.2.1 Análise de currículo 2.2.2.2 Entrevistas 2.2.2.3 Aplicação de testes 2.2.2.4 Dinâmica de grupo 2.2.2.5 Exame médico específico 36 42 42 43 44 45 45 45 46 46 3 Metodologia da pesquisa 3.1 Caracterização da pesquisa 3.2 Desenho da pesquisa 3.3 Locus da pesquisa 3.4 Os sujeitos da pesquisa 3.5 Instrumentos de coleta dos dados 3.6 Processo de coleta dos dados 3.7 Técnica de análise dos dados 3.8 Limites da pesquisa 3.9 Limitações da pesquisa 47 47 47 49 49 50 51 51 52 53 11 4 Análise e discussão dos dados 54 4.1.Processo de seleção de pessoas 4.1.1 Recrutamento de pessoas 4.1.1.1 Recrutamento na indústria A 4.1.1.2 Recrutamento na indústria B 4.1.1.3 Recrutamento na indústria C 54 54 54 55 57 4.1.2 Etapas da seleção de pessoas 4.1.2.1 Etapas da seleção na indústria A 4.1.2.2 Etapas da seleção na indústria B 4.1.2.3 Etapas da seleção na indústria C 58 58 62 63 4.2 Elementos da cultura organizacional 64 4.2.1 Valores 4.2.1.1 Valores na indústria A 4.2.1.2 Valores na indústria B 4.2.1.3 Valores na indústria C 65 65 67 71 4.2.2 Sinais 4.2.2.1 Sinais na indústria A 4.2.2.2 Sinais na indústria B 4.2.2.3 Sinais na indústria C 75 76 76 77 4.2.3 Crenças 4.2.3.1 Crenças da indústria A 4.2.3.2 Crenças da indústria B 4.2.3.3 Crenças da indústria C 79 79 81 81 4.3 Percepções dos gestores de RH 82 5 Conclusão e recomendações 85 5.1 Conclusão 85 5.2 Recomendações 89 Referências 90 12 1 Introdução O interesse pelo estudo da cultura organizacional tem sido despertado, devido à internacionalização de empresas, em ordem crescente, desde o advento da globalização dos mercados. Uma vez que, em relação ao conceito de cultura, os autores não estabelecem uma concordância, percebe-se, da mesma forma, que quanto às causas que levaram à definição de cultura para a área das organizações também não é estabelecida uma convergência. Pode-se dizer que o aumento progressivo da competitividade entre as empresas japonesas e, simultaneamente, a perda de produtividade por parte das empresas norte-americanas, foram a explicação inicial para a aproximação dos universos. Tal fato deu-se ao final da década de 70 e inicio da década de 80 (FREITAS, 2007; BARBOSA, 2009). Deal e Kennedy (1982, p.5), por exemplo, apoiam essa corrente de ideia: “o sucesso dos japoneses é devido à sua habilidade em manter uma cultura forte e coerente em todo o país. Não somente os indivíduos possuem uma cultura forte, mas os laços entre as empresas e o governo são também muito acirrados. A indústria japonesa é, na verdade, uma extensão dos traços culturais existentes na escala nacional”. De acordo com Ouchi (1981), em argumentos onde ele mostra as principais diferenças entre o modelo da organização japonesa e o da organização americana, no que se refere aos aspectos estruturais e aos valores culturais, o mesmo explica que tais diferenças são oriundas das origens culturais dos dois povos. Os japoneses possuem homogeneidade no que se refere a sua história, raça, religião, língua e cultura. Como os japoneses sempre viveram na mesma cidade e sempre tiveram os mesmos vizinhos, sua capacidade de trabalhar em harmonia, consequentemente, aumentava. Os norte-americanos, por sua vez, moravam distante de seus vizinhos. Tal fato, os obrigavam a tornar-se independentes, autossuficientes e individualistas. O periódico Administrative Science Quarterly, dentro, ainda, da primeira metade da década de 80, mais, especificamente, em 1983, trata com mais profundidade a "relação acadêmica" existente entre a cultura e os estudos organizacionais. Smircich (1983), ainda dentro do mesmo periódico, determinou algumas diretrizes que levaram a um melhor entendimento dos conceitos de cultura organizacional. Dentre essas diretrizes, temos a diferença entre a ideia de cultura como variável independente, ou seja, aquilo que a empresa tem, como também a ideia de cultura como metáfora da realidade organizacional, como aquilo que a empresa é. 13 É importante ressaltar que, também, no mesmo periódico três anos antes mais especificamente, Pettigrew (1979, p.574) conceitua "cultura organizacional como um sistema de significados pública e coletivamente aceitos por um determinado grupo em dado momento". Diante de tal fato, sociólogos, psicólogos, antropólogos e pesquisadores em geral buscaram em seus estudos e pesquisas observar a influência que a cultura poderia exercer sobre a sociedade, os indivíduos e as organizações. Schein (2009), define cultura como sendo um acontecimento dinâmico que está ao nosso redor constantemente e que é sempre desempenhada e criada por nossos contatos com outros acontecimentos e desenhada por comportamento de liderança, estruturas várias, regras, rotinas e normas que norteiam e limitam o comportamento. Quando a cultura é introduzida no âmbito organizacional e em seus grupos internos observa-se, claramente, como a referida cultura é criada, inserida, envolvida e manipulada, bem como paralelamente, restringe, estabiliza e fornece estrutura e significado aos constituintes do grupo. É importante salientar que, ao fazer uma análise das culturas, Schein (2009, p.33-34) reconhece que "artefatos são fáceis de observar, mas, difíceis de decifrar, e que as crenças e valores expostos podem refletir apenas racionalizações as aspirações”. Para Sá (1998), “a cultura é uma explicação da realidade organizacional” (p.9), enquanto Carvalho (2008) a entende como um manual que orienta o proceder na organização, isto é, um "cimento" que procura unir todos os membros em torno dos mesmos objetivos e dos mesmos modos de agir; neste sentido ela é um sistema coerente de significações, valores, crenças e normas. Desde então, a cultura organizacional vem sendo tema de várias pesquisas(HOFSTED, 1984; FLEURY; SAMPAIO, 2002; FREITAS, 2007; MOTTA; CALDAS, 2009; DIAS, 2013). Sobretudo, nesses últimos anos, a cultura organizacional tem sido reconhecida como importante para o gerenciamento das organizações visto que ela tende a ser uma vantagem competitiva uma vez que as crenças compartilhadas contribuem, não somente para a tomada de decisão, mas, ainda, para melhorar a comunicação e tornar o ambiente interno mais harmonioso (DIAS, 2013). 14 Essa afirmação é confirmada por Carvalho (2008) quando assegura que por intermédio dela é que uma empresa pode avaliar seus rumos e os propósitos que pretende alcançar; para tanto, reconhece que é necessário existir união entre a cultura, a estratégia e o estilo administrativo para que ela consiga êxito. Esse cuidado em manter o foco na cultura vai além das estratégias, chegando aos processos operacionais, como é o caso da seleção de pessoas nas organizações. A cultura é capaz de orientar a escolha de pessoas com valores semelhantes ao da organização; Bohlander (2009) ultrapassa essa observação quando afirma que ela deve buscar indivíduos com características culturais semelhantes a sua e Hanashiro, Teixeira e Zaccarelli (2007) asseguram que os aspectos culturais precisam ser levados em consideração durante o processo seletivo para facilitar a interação do novo contratado. Entende-se, pois, que a cultura é uma fonte de referência a ser seguida pelos membros da organização, visto que todos devem adotar os mesmos hábitos, crenças e valores, a fim de criar um ambiente mais coeso e participativo, onde todos consigam se comunicar de forma clara e buscar os mesmos objetivos organizacionais.Neste sentido, Banov (2012) entende que a observação da cultura nos processos de seleção de pessoal contribui para a adequação entre cargos. No que diz respeito ao processo de seleção de pessoas, Bohlander (2009) afirma que a empresa deve buscar indivíduos com características culturais semelhantes a sua; logo, essa é uma tarefa de quem se ocupa dos processos de seleção do pessoa, a fim de que se escolham pessoas que se adequem ao seu perfil e minimizem, por outro lado, problemas de seleção equivocadas, como afirma: Independentemente de as empresas serem grandes ou pequenas, a contratação dos melhores e mais brilhantes funcionários constitui base sólida para a excelência. É comum, porém, ouvir gerentes que não reconhecem isso, se queixarem que gastam tempo demais tentando corrigir decisões equivocadas de seleção (...). O resultado é que as boas decisões de seleção fazem a diferença. E as más também (p. 208). Percebe-se que, tanto as pessoas quanto as empresas, são diferentes em se tratando de seus aspectos de personalidade e de cultura. É imprescindível que haja por parte do profissional um conhecimento mais profundo sobre a cultura da organização em que pretende trabalhar já que o fator determinante dos comportamentos do candidato impacta diretamente na organização. Isto pode evitar ou diminuir o sofrimento psíquico (BANOV, 2012). Seguindo essa mesma 15 compreensão, Ivancevich (2008) afirma que a organização deve escolher aquele candidato que melhor atenda aos critérios de seleção, levando em conta as condições ambientais do momento. Segundo Zaccarelli e Teixeira (2008), algumas empresas fazem as suas escolhas com base na indicação do seu pessoal ou até mesmo de amigos; essa prática se apoia na “crença de que um empregado, ou um amigo, não indica uma pessoa que não seja confiável e que não considere competente, ou que não esteja alinhada com os valores que permeiam a cultura organizacional” (p. 117). O processo de escolher as pessoas para trabalhar na empresa não é apenas uma tarefa isolada da gestão de pessoas; ele faz parte do dia-a-dia da organização (ZACARELLI; TEIXEIRA, 2008). É importante atentar para esse fato, pois essa dinâmica vai contribuir para reforçar a sua cultura, visto que serão selecionadas pessoas adequadas e semelhantes a ela própria (TOMEI; BRAUSTEIN, 1993). Apesar desse entendimento, constatou-se, pela literatura pesquisada, (RAE, RAC, RAUSP, RAP, ReAD, O&S, Scielo, EnANPAD, EnGPR), bem como também dentre autores: Carvalho (2008), Dias (2013), Banov (2012), Hanashiro; Teixeira; Zaccarelli (2007), Bohlander (2009), Zaccarelli e Teixeira (2008), Schein (2009), Tomei; Braustein (1993), Hofstede (1991), Smircich (1983), Fleury; Sampaio (2002), Freitas (2007), Motta; Caldas (2009) têm-se percebido que, normalmente, não se leva em conta a cultura organizacional em processo de seleção de pessoal. Essa observação chamou a atenção para se averiguar, na prática, a repetição da referida realidade. Para tanto, tomou-se como referência, indústrias de Vitória de Santo Antão – PE. Antes da instalação das indústrias, a cidade de Vitória de Santo Antão - PE mantinha-se economicamente do seu comércio local (varejo). Tem-se verificado nessa região nos últimos cinco anos, o surgimento de várias indústrias o que fez o município evoluir em muitos aspectos. Com a instalação dessas muitas indústrias na cidade, as mesmas passaram a sofrer com uma intensa e crescente rotatividade de funcionários, ao ponto de algumas empresas acordarem entre si que não podem contratar qualquer funcionário que tenha sido recentemente dispensado, por uma dessas empresas, pelo prazo mínimo de três meses, pois as indústrias estavam sendo "reféns" dos funcionários e, devido a escassez de mão de obra, os empregados passaram a barganhar com as empresas para conseguir melhores salários. Nota-se que há divergência entre os propósitos dessas empresas e dos funcionários.Por exemplo: enquanto aquelas buscam a qualidade dos serviços prestados, estes normalmente 16 contentam-se em ser apenas contratados. Como agravante a essa situação, pode-se verificar, ainda, que esse ambiente convive com o fenômeno da interculturalidade, tão comum nesses últimos tempos: a maioria dessas empresas é originária de outros estados do Brasil e de outros países o que pode ocasionar a inadaptação cultural, representada em termos de valores, hábitos e costumes. A inadaptação cultural ocorre, geralmente, quando existe um choque de interesses entre as organizações e as pessoas que fazem parte das mesmas. Canen e Canen (2001), por exemplo, retratam bem essa inadaptação cultural ao afirmarem que tal diversidade de cultura pode ser observada a partir de dois ângulos diferentes dos quais: o relacionamento interno, no que se refere a ligação à questões de recursos humanos bem como os relacionamentos externos que se remetem às questões de mercado. Vale salientar que em relação aos aspectos internos, Canen e Canen (2001) afirmam que o multiculturalismo contempla a relação existente entre os funcionários em si e a relação dos mesmos com a empresa. Sendo assim, surgiu uma questão que estimulou a realização desta pesquisa: de que maneira a cultura organizacional (Schein 2009)é levada em consideração no processo de seleção de pessoas, em indústrias de Vitória de Santo Antão – PE? Para responder a essa pergunta, foram estabelecidos alguns objetivos, descritos, a seguir. 1.1 Objetivos da pesquisa 1.1.1 Objetivo geral Investigar de que maneira a cultura organizacional (Schein 2009) é levada em consideração no processo de seleção de pessoas, em indústrias de Vitória de Santo Antão – PE. 17 1.1.2 Objetivos específicos 1. Investigar o processo de seleção de pessoas em indústrias de Vitória de Santo Antão - PE. 2. Identificar elementos da cultura organizacional(Schein 2009) perceptíveis no processo de seleção de pessoas em indústrias de Vitória de Santo Antão – PE. 3. Comparar as percepções dos três gestores de RH quanto ao processo de seleção de pessoas em indústrias de Vitória de Santo Antão - PE. 1.2 Justificativas da pesquisa Nesta Seção, vão ser apresentadas as justificativas teóricas e práticas que certamente dão relevância ao presente trabalho. Vários fatores tornaram a cultura organizacional um tema de interesse geral, principalmente, aos estudiosos da dinâmica das organizações, dos quais: estudos do comportamento humano dentro das organizações, novas tecnologias de gestão que fazem uso de conceitos da teoria das relações humanas, a necessidade de entender as características das organizações e a necessidade de entender o homem e o seu comportamento dentro da organização em função das constantes mudanças no mercado. Diante do exposto, observa-se que conhecer a cultura organizacional torna-se cada vez mais um assunto essencial no que diz respeito aos empresários, intelectuais e consultores que dedicam-se ao estudo da administração afim de entender o que a cultura significa para as organizações (DIAS, 2013). Por se tratar de um tema importante para as organizações, constatou-se a necessidade de abordá-lo, a ponto de proporcionar mais uma contribuição ao âmbito acadêmico (DIAS, 2013). 18 Apesar de a cultura organizacional ser um tema por vez abordado por vários autores como: Carvalho (2008), Dias (2013), Hanashiro; Teixeira; Zaccarelli (2007), Bohlander (2009), Zaccarelli e Teixeira (2008), Schein (2009), Tomei; Braustein (1993), Hofstede (1991), Smircich (1983), Fleury; Sampaio (2002), Freitas (2007), Motta; Caldas (2009) ainda não existe um conceito padrão permitindo assim várias interpretações. Outra justificativa para a realização deste trabalho, diz respeito ao relacionamento dos temas: cultura organizacional e processo de seleção de pessoas, dificilmente,encontrados em trabalhos científicos pesquisados (RAE, RAC, RAUSP, RAP, ReAD, O&S, Scielo, EnANPAD, EnGPR), dentre autores como: Almeida (2009), Faissal et al. (2009), Banov (2012), Hanashiro; Teixeira e Zaccarelli (2007), Bohlander (2009), Carvalho (2008). Levando em consideração aspectos da cultura organizacional no processo seletivo (HANASHIRO, TEIXEIRA e ZACCARELLI , 2007), os quais são citados por estes autores como sendo primordial para o sucesso de uma boa seleção, pretende-se relacionar temas como cultura organizacional e processo de seleção de pessoas.A presença destes dois temas associados, não foram identificados na literatura utilizada, em pesquisa, para este trabalho.Logo, este estudo detalhado torna-se relevante,à medida em que são temas importantes para o sucesso das organizações. Pretende-se com este trabalho orientar gestores, de maneira geral, quanto ao processo seletivo de pessoas em organizações, levando em consideração a observância da cultura da empresa e dos próprios candidatos; sabendo-se que essa prática pode trazer benefícios para ambas as partes, em termos de qualidade de vida no trabalho, crescimento profissional e organizacional. De maneira mais específica, tem-se a intenção de fornecer informações às empresas pesquisadas, em Vitória de Santo Antão – PE, especialmente,quanto aos seus aspectos culturais e a prática da seleção de pessoas. Quanto à estrutura geral, este trabalho constitui-se de cinco capítulos, que estão distribuídos da seguinte forma: o primeiro trata da introdução, o segundo apresenta a fundamentação teórica; o terceiro discorre sobre a metodologia utilizada; o quarto cuida da análise e discussão dos dados e, por fim, o quinto capítulo encerra com a conclusão e recomendações. 19 2 Fundamentação teórica O presente capítulo apresenta o referencial teórico que embasa o estudo em questão, a saber: cultura organizacional e processo de seleção de pessoal. 2.1 Cultura organizacional O termo cultura tem a sua origem na palavra latina coleree está ligada ao significado de cultivo da terra, e, quando mais tarde, passou a ser entendido como refinamento da natureza humana (SANTOS, 1983). A partir de então, diversos foram os conceitos sobre cultura, advindos da antropologia, sociologia e psicologia, em busca de melhor compreendê-la. O antropólogo Geertz (1989) direcionou o seu estudo com o objetivo de compreender como os indivíduos relacionam suas ações com suas experiências, interpretando, assim, a cultura como um sistema de compartilhamento de símbolos e significados. Nos primórdios da administração, suas ideias eram muito mecanicista focadas,apenas, nas tarefas e nas estruturas; entre 1920 e 1930 constatou-se a importância de se observar também o comportamento humano; tal fato deu-se no experimento Hawtorne (ROBBINS, 2005). Em meados de 1950 a 1960, ocorreu outro experimento em Manchester o qual ressaltou a importância dos aspectos sociais bem como das relações coletivas que, por conseguinte, impactavam diretamente nos resultados das organizações (BARBOSA, 1996; MORRILL, 2008). Schein (1984, p.56) conceitua cultura organizacional como sendo: "O padrão de premissas básicas que um determinado grupo inventou, descobriu ou desenvolveu no processo de aprender a resolver seus problemas de adaptação externa e de integração interna e que funcionaram suficientemente bem a ponto de ser considerada válida e, por isso, de ser ensinadas a novos membros do grupo como a maneira correta de perceber, pensar e sentir em relação a estes problemas". 20 O termo cultura organizacional tem sido motivo de grande inquietação por parte dos consultores e administradores das organizações, pois, os mesmos vêm constantemente buscando melhor compreender, aperfeiçoar e conceituar o referido termo. De acordo com Pereira (2010) e Cunha (2004), o termo cultura é conceituado como sendo parte integrante no âmbito dos processos administrativos e também é tido como pressupostos que foram criados por um determinado grupo como sendo a forma ideal de se lidar com possíveis problemas e de servir como mecanismo de controle. Para Cameron e Quinn (2006, p.17): [...] cada cultura é, geralmente, refletida pela linguagem única, símbolos, regras e sentimentos etnocêntricos... Uma cultura da organização é refletida pelo que é valorizado, os estilos de liderança dominantes, a linguagem e os símbolos, os procedimentos e rotinas, e as definições de sucesso que fazem uma organização única. De acordo com Tavares (2002, p.43): "a cultura organizacional é um conjunto integrado de modos de pensar, de sentir e de agir que são aprendidos e partilhados pelas pessoas de uma organização, servindo de maneira objetiva ou simbólica para constituir estas pessoas em uma comunidade particular e distinta." Como citado, muitas são as compreensões relacionadas ao conceito de cultura. Vê-se isso com mais clareza no quadro1 a seguir: 21 Quadro 1 - Características gerais do conceito de cultura Abordagem Características gerais do conceito De base positivista Positivista Evolucionista Difusionista De base sistêmica funcional- Funcionalista Sistêmica Estrutural-funcionalista De base estruturalista Culturalista Estruturalista De base fenomenológica Sociológica-interpretativa Antropológicainterpretativa De base dialética materialista Teoria crítica Cultura entendida como uma variável quantificável; como uma resposta comportamental; expressa por elementos observáveis Cultura entendida como um processo de evolução mensurável em termos comparativos Cultura entendida como um processo de difusão identificável em semelhanças entre sociedades distintas Cultura entendida como um produto social secundário de função adaptativa-regulativa Cultura como um sistema cuja função é fornecer padrões para a ação social Cultura entendida como parte de uma estrutura social desempenhando função adaptativa Cultura entendida a partir de sua influência na estrutura psíquica, podendo se manifestar por padrões de ou configurações de comportamento Cultura como uma diferença significativa entre sociedades distintas, compreendidas através da estrutura Cultura entendida como uma mediação simbólica entre a realidade objetiva e interpretação subjetiva, cuja ênfase reside na interpretação da significação do produto social Cultura como produto intersubjetivo de significações e significados compartilhados, cuja ênfase recai na explicação dessa 'teia' de significações Cultura entendida como um processo históricodialético das relações sociais e de produção, não como seu produto direto, mas como parte em sua constituição Fonte: Pegino (2006, p.67). Diante do que foi exposto no quadro acima, percebe-se que não há uma consonância no que diz respeito ao conceito de cultura. Tal variedade de conceitos dá-se pelo fato de a mesma ser um resultado dos valores idealizados por seus fundadores. Como afirma (BANOV, 2012, p.8), "a cultura organizacional é produto daquilo que os seus dirigentes valorizam e acreditam que norteará suas regras, normas e procedimentos, criando uma maneira de ser (calma, discreto, agitado etc.) e uma maneira de se fazer (organizada, desorganizada etc.) na organização." Utiliza-se como base para o entendimento da cultura neste trabalho a abordagem de base fenomenológica antropológica-interpretativa onde a cultura é definida como: "Cultura como produto intersubjetivo de significações e significados compartilhados, cuja ênfase recai na explicação dessa 'teia' de significações" (PEGINO, 2006, p.67, grifo do autor). 22 Segundo Freitas (2007), os estudos sobre cultura organizacional embasam-se nos conceitos da antropologia cultural e mesclam as diferentes características da questão humana privilegiadas pelas várias correntes do referido aspecto. Para Dias (2013), vários são os conceitos de cultura:o primeiro está relacionado com o uso cotidiano do termo, em que são empregados maior ou menor grau de conhecimento sobre as manifestações da humanidade como a linguagem, a arte, a ciência, a religião; o segundo tem a ver com a literatura cientifica, o que considera cultura tudo aquilo que é criado e aprendido pelo ser humano num grupo social, compreendendo um conjunto de conhecimentos, símbolos, experiências, costumes, comportamentos. A fim de melhor se compreender a forma que determinada organização põe em prática suas atividades, faz-se necessário realizar uma análise da cultura da mesma. Tal compreensão da análise da cultura organizacional serve de guia aos colaboradores da organização bem como também aos seus clientes para que haja uma melhor execução das normas e dos procedimentos que fazem parte da empresa (LEIDNER, KAYWORTH, 2006). De acordo com Freitas (2005, p.97), entende a cultura organizacional como: "[...] primeiro como instrumento de poder; segundo, como conjunto de representações imaginárias sociais que se constroem e reconstroem nas relações cotidianas dentro da organização e que se expressam em termos de valores, normas, significados e interpretações, visando um sentido de direção e unidade, tornando a organização fonte de identidade e de reconhecimento para seus membros". No Quadro 2 a seguir, os mais variados conceitos de cultura mostrados por Schein (2009), pelos mais diversos autores. 23 Quadro 2 - Várias categorias usadas para descrever cultura Regularidades comportamentais observadas quando as pessoas interagem: a linguagem que usam, os costumes e tradições que desenvolvem e os rituais que empregam em ampla variedade de situações (Goffman, 1959, 1967; Jones, Moore e Snyder, 1988; Trice e Beyer, 1993, 1985; Van Maanem, 1979b). Normas do grupo: os padrões e valores implícitos que se desenvolvem em grupos de trabalho, como a norma particular de “um dia de trabalho justo por um pagamento diário justo” que se difundiu entre os funcionários do Bank WiringRoom nos estudos de Hawthorne (Homans, 1950; Kilmann e Saxton, 1983). Valores expostos: princípios e valores articulados, publicamente anunciados, que o grupo declara ao tentar atingir, como “qualidade de produto” ou “liderança em preço” (Deal e Kennedy, 1982, 1999). Filosofia formal: políticas amplas e princípios ideológicos que orientam as ações de um grupo em relação a acionistas, funcionários, clientes e outros stakeholders, como o altamente divulgado “HP Way” da HewlettPackard (Ouchi, 1981; Pascale e Athos, 1981; Packard, 1995). Regras do jogo: regras implícitas, não escritas, difundidas por toda a organização; “os macetes” que um novo deve aprender para tornar-se membro aceito; “o jeito que fazemos as coisas aqui” (Schein, 1968, 1978; Van Maanen, 1979ª, 1979b; Ritti e Funkhouser, 1987). Clima: sentimento transmitido em um grupo pelo layout físico e o modo como os membros da organização interagem entre si, com clientes ou outros públicos externos (Ashkanasy, Wilderom e Peterson, 2000; Schneider, 1990; Tagiuri e Litwin, 1968). Habilidades natas: competências especiais demonstradas pelos membros de um grupo para realizar certas tarefas, habilidades de fazer certas coisas que passam de geração a geração, sem necessariamente estarem articuladas por escrito (Argyris e Schon, 1978; Cook e Yanow, 1993; Henderson e Clark, 1990; Peters e Waterman, 1982). Hábitos de pensar, modelos mentais e paradigmas linguísticos: modelos cognitivos compartilhados que orientam as percepções, o pensamento e a linguagem usada pelos membros de um grupo e ensinada aos novos membros no início do processo de socialização (Douglas, 1986; Hofstede, 1001; Van Maanen, 1979b, Senge e outros, 1994). Significados compartilhados: entendimentos emergentes criados por membros do grupo à medida que interagem entre si (como em Geertz, 1973; Smircich, 1983; Van Maanen e Barley, 1984; Weick, 1995). “Metáforas raízes” ou símbolos de integração: as formas pelas quais os grupos se desenvolvem, que podem ou não ser apreciadas conscientemente, mas tornam-se inseridos nos prédios, layouts de escritórios e outros artefatos materiais do grupo. Esse nível de cultura reflete a resposta emocional e estética dos membros que é contrastadocom a resposta cognitiva ou avaliativa (como em Gagliardi, 1990; Hatch, 1990; Pondy, Frost, Morgan e Dandridge, 1983; Schult, 1995). Rituais e celebrações formais: maneiras pelas quais um grupo celebra eventos-chave que refletem valores importantes ou “passagens” importantes dos membros, tais como promoção, conclusão de projetos importantes e marcos (como em Deal e Keneddy, 1982, 1999; Trice e Beyer, 1993). Fonte: Schein (2009, p.12-13). De acordo com o quadro anterior, percebe-se que não há apenas um único conceito que defina cultura. Por este motivo, optou-se para servir de referência deste estudo o conceito de Schein: "Regras do jogo: regras implícitas, não escritas, difundidas por toda a organização; “os macetes” que um novo deve aprender para tornar-se membro aceito; “o jeito que fazemos as coisas aqui” (SCHEIN, 1968, 1978; VAN MAANEN, 1979ª, 1979b; RITTI e FUNKHOUSER, 1987)". Como é do interesse deste estudo conhecer se as empresas estudadas usam como referência para seleção de pessoas a cultura das organizações, foi importante a utilização de tal conceito 24 para ser possível mensurar se os novos integrantes das organizações possuem o mesmo perfil cultural da empresa a fim de entenderem mais facilmente como as coisas devem ser feitas. 2.1.1 Níveis da cultura organizacional Schein (2009) percebe a cultura organizacional em vários níveis, os quais se referem às manifestações tangíveis até as mais implícitas, conforme o Quadro3, a seguir: Quadro 3 - Níveis de cultura, segundo Schein (2009). Artefatos Crenças e valores expostos Suposições Básicas Estruturas e processos organizacionais visíveis (difíceis de decifrar) Estratégias, metas, filosofias (justificativas expostas) Crenças, percepções, pensamentos e sentimentos inconscientes, assumidos como verdadeiros (fonte última de valores e ação) Fonte: Schein, (2009, p.24). Segundo Schein (2009), as suposições básicas, as quais compõem o primeiro nível da cultura organizacional são tidas como reais, verdadeiras, de modo que na mesma se encontra uma pequena variação em uma unidade social. Assim sendo, toda a solução de problemas usada repetidas vezes é aceita como verdadeira, pois aquilo que era apenas uma intuição, hipótese, passa a ser visto como algo real. Então, podemos afirmar que as referidas suposições básicas são diferentes daquilo que foi denominado por alguns antropólogos como "orientações de valor dominante", onde as citadas orientações são um reflexo da solução preterida entre várias 25 alternativas básicas, contudo todas as alternativas estão ainda perceptíveis na cultura e qualquer um de seus membros pode assumir um comportamento conforme variadas orientações como também pelas orientações dominantes (KLUCKHOHN e STRODTBECK, 1961). Uma vez que uma suposição básica é fortemente assumida em um determinado grupo, seus membros encontrarão, por conseguinte, comportamentos tomados como base em qualquer outra premissa inconcebível. Assim sendo, pode-se comparar as suposições básicas ao que Argyris (1976) utilizou como theories-in-use. Para ele o que é informado aos membros do grupo como perceber, refletir e sentir as coisas são advindas das suposições implícitas que de fato norteiam o comportamento. A referida theories-in-use(suposições básicas) são extremamente difíceis de mudar por tenderem a não ser confrontadas ou debatidas. Levando-se em consideração que é uma necessidade da mente humana a estabilidade cognitiva, Schein (2009, p.30) afirma que "as suposições básicas compartilhadas que formam a cultura de um grupo podem ser imaginadas no plano individual e do grupo, como mecanismos de defesa cognitivos e psicológicos que permitem ao grupo continuar a funcionar [...] pensar a cultura nesse nível como o DNA do grupo". Foi observado por McGregor (1960), há décadas, que tais suposições que se referem a "natureza humana" acabam se tornando a base dos sistemas de administração e controle. Ambos se consolidam pelo fato de que se as pessoas são fortemente tratadas em termos de certas suposições básicas, conclui-se que as mesmas assumirão comportamentos em conformidade as referidas suposições. Desta forma, o mundo dessas pessoas tornar-se-á mais estável e previsível. Segundo Schein (2009, p.33), "a essência de uma cultura está no padrão das suposições básicas prevalecentes e, uma vez que alguém as entenda, é possível entender facilmente os níveis mais superficiais e lidar apropriadamente com eles". Em concomitância com o que foi dito por Schein (2009) e Freitas, M. (1991) ao afirmar que as crenças e os pressupostos são tidos como verdade na organização, Freitas, A. (2009) afirma que não se deve questionar uma verdade uma vez que a mesma é natural. Fleury, Shinyashiki e Stevanato (2009), porém, fazem um alerta sobre o real significado das crenças e pressupostos, mostrando que não se devem prender apenas as primeiras impressões. É bom 26 que se mantenha atento quanto aos atos falhos dos discursos e suas contradições com a prática. As crenças e os valores expostos se dão quando ao se deparar com uma nova tarefa, questão ou problema, um grupo busca soluções propostas a fim de lidar com o referido obstáculo. Tal ato reflete algumas suposições que são decorrentes da percepção do indivíduo sobre aquilo que ele considera certo ou errado, que irá ou não funcionar. O sujeito que consegue fazer com que o grupo adote determinada abordagem ao problema acaba sendo tido, identificado, como líder. Porém, caso o grupo não realize uma ação conjunta a fim de que seus membros vejam o resultado dessa ação, nada será visto como válido, pois não houve uma base compartilhada, ou seja, as propostas serão percebidas apenas como o líder deseja. Em contra partida, caso a solução sugerida dê resultados e se o grupo compartilhar dessa resolução exitosa, os membros sentir-se-ão mais seguros e perceberão que as sugestões oferecidas pelo líder estavam em uma fase inicial e permitam que a referida proposta poderia ser debatida e confrontada. Vale salientar que apenas as crenças e valores que puderam ser testados e que continuam a dar certo na solução dos problemas enfrentados pela equipe é que são transformados em suposições. Corroborando com o que foi dito, Schein (2009, p.27) afirma que: "certos valores são confirmados apenas pela experiência social compartilhada de um grupo [...] o grupo aprende que certas crenças e valores, como inicialmente promulgados por profetas, fundadores e líderes, "funcionam" no sentindo de reduzir a incerteza em áreas criticas de funcionamento do grupo. E, à medida que continuam funcionando, transformam-se gradualmente em suposições indiscutíveis apoiadas por conjuntos articulados de crenças, normas e regras operacionais do comportamento". 2.1.2 Elementos da cultura organizacional Os elementos da cultura organizacional são importantes de serem entendidos por parte das organizações. Vários estudiosos dos quais: (SCHEIN, 2009; BANOV, 2012; TAVARES, 2002; PEREIRA, 2010; CUNHA, 2004; HANASHIRO, TEIXEIRA e ZACCARELLI, 2007) procuram entender o funcionamento da mesma, fato pelo qual em grande parte dos estudos encontram-se pesquisas a cerca da compreensão dos referidos elementos. 27 Salienta-se que, ao realizar uma análise dos principais estudiosos dos elementos da cultura percebe-se que, grande parte dos mesmos, coincide em seus conceitos quando se trata da importância de se aprofundar nos estudos da cultura de uma organização, embora eles concordem que tal tema (cultura) seja um tanto complexo, uma vez que consistem em elementos vários que se encontram em parte explícitos e em parte implícitos (GROESCHL; DOHERTY, 2000). Segundo Freitas(2007), é impossível falar de cultura organizacional sem mencionar os elementos que a compõem e quais transformações ocorrem quando são colocados em prática – maneira de reconhecê-la como uma fonte de identificação. Eles também são considerados importantes, quando são reconhecidos capazes de manterem unidos os membros de uma organização pelo compartilhamento desses elementos, os quais funcionam como padrões instituídos para perceber, pensar, agir e se comunicar (TAMAYO, 1996). Dentro da literatura, os elementos mais citados da cultura organizacional são: valores, crenças e pressupostos, ritos, rituais, cerimônias, mitos, tabus, heróis, normas (TAMAYO, 1996; NAVES; COLETA, 2003; FREITAS, A., 2009). 2.1.2.1 Valores Hofstede (1984, p.19) afirma que "se acreditamos num valor, isso significa que a questão envolvida tem certa relevância para nós e que nós identificamos alguns resultados como bons e outros maus". De acordo com Deal e Kennedy (2000, p.21), valor é o "pano de fundo de qualquer cultura corporativa. Como a essência da filosofia da companhia para a realização do sucesso, os valores servem de senso de direção comum para todos os empregados e guia de comportamento para o seu dia-a-dia". Deve-se levar em conta que a cultura organizacional e seus conceitos devem conter um conjunto de valores que tem como reflexo: artefatos visíveis; tais artefatos alteram-se em detrimento de fatores externos e internos relativos à cultura organizacional em si. A cultura deve também levar em consideração as várias formas de interagir entre grupos e indivíduos. Isto irá conferir-lhe especificidades em suas características quando inseridas no mesmo grupo 28 organizacional em relação aos vários fatores, aos interesses individuais e coletivos, bem como classe social e etnia. Vale salientar que tudo aquilo que pode ser visto, ouvido e sentido são considerados artefatos visíveis da cultura. Tais artefatos podem ser exemplificados através de estrutura física, roupas, produtos, linguagens, histórias, mitos, rituais e cerimônias. É perceptível que tais elementos embora sejam difíceis de serem interpretados, são de fácil visualização Schein (2004), Sahlins (1997), Mascarenhas (2007), Meyerson e Martin (1987), Freitas (2007), Fleury (1996). Para Schein (2004, p.17), a cultura organizacional é "o conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu que funcionaram bem o suficiente para serem considerados válidos e ensinados a novos membros, como a forma correta de perceber, pensar e sentir". Com a finalidade de facilitar a compreensão sobre os valores, foi criado, por Thévenet (1989), um quadro, que segue abaixo, no qual os valores aparecem divididos em três tipos: valores declarados, valores aparentes e valores operacionais, bem como as diversas situações que acontecem. Quadro 4 - Quadro dos valores, segundo Thévenet - Na declaração de princípios ou na filosofia proclamada da empresa; - Nos discursos do presidente - Na imprensa da empresas; VALORES DECLARADOS - No manual de acolhimento; -Na comunicação externa. - Na escolha dos heróis; - Na escolha dos dirigentes; VALORES APARENTES - Na escolha daquilo que se considera êxito (produto, carreira, estratégia, decisão, apreciação da concorrência); VALORES OPERACIONAIS ATITUDE Fonte: Thévenet (1986). - Na comunicação externa. - Nos sistemas de controle; - Controle orçamental; - Avaliação das performances; - Avaliação do pessoal; - Remuneração; - Regulamento interno; - Em certos procedimentos de gestão; - Recrutamento; - Gestão de carreiras; - Programa de redução de custos; - Relações estruturais (entre filiais, divisões, sedes e fusões). - Relativo ao sistema burocrático; - Relativo ao contexto; - Relativo à concorrência. 29 Para Schein (2004, p.25), "os valores estão abertos à discussão e as pessoas podem concordar ou não com eles. Os pressupostos básicos são tão aceitos que alguém que não os conservar é visto como um estrangeiro "ou como louco" e é automaticamente descartado". Este trabalho irá buscar se existe alguma discrepância nos valores declarados pelos gestores de RH das empresas e o discurso dos funcionários a respeito de tais valores, para assim poder identificar possíveis problemas decorrentes de tal fato. Finalmente, os artefatos, ainda, segundo Schein (2009), tudo aquilo que engloba estruturas e processos organizacionais visíveis, ou seja, ambiente físico da organização, vestuário, maneiras de comunicação, tecnologias, produtos e etc., são tidos como artefatos Concordando com esta sentença Schein (2009, p.25), "os observadores podem descrever o que veem e sentem, mas não podem reconstruir a partir disso seu significado em determinado grupo, ou se o que é observado reflete suposições básicas prevalecentes". Salienta-se que os artefatos são fáceis de serem observados, porém, difíceis de serem decifrados. 2.1.2.2 Crenças De acordo com DIAS (2013 p. 204), “O impacto das crenças é de grande importância na organização, elas permitem desenvolver a consciência de pertencer ao interior da organização. O adequado desenvolvimento destas permite para a empresa ter uma vantagem, uma vez que os empregados trabalham convencidos de que eles são parte do desenvolvimento da visão da empresa". As crenças refletem o comportamento das pessoas bem como aquilo que a organização utiliza como sendo sua verdade. Ressalta-se que as crenças têm sua validação concretizada com o tempo. As experiências coletivas ou individuais, por exemplo, possibilitam o surgimento de crenças. 30 2.1.2.3 Ritos, rituais e cerimônias Os ritos são partes constituintes da sociedade e, apesar de não ter uma interpretação clara nas organizações, podem ser facilmente detectados por estarem presentes, juntamente com os rituais em todas as culturas (SILVA, 2008). O mesmo autor também diz que tanto os ritos quanto os rituais e cerimônias são de suma relevância na construção e solidificação da imagem da organização proporcionando a mesma credibilidade e aceitação no que diz respeito às suas ações e as realizações que ela desenvolve. Nesse mesmo sentido, afirma Bettega (2010) que os ritos são resultado de uma cultura e que grupos sociais, dos mais diversos, interagem por meio deles; cada qual com sua construção social específica, essencial para a sobrevivência social dos indivíduos. Quanto aos rituais e as cerimônias Deal e Kennedy (2000, p.63) afirmam que "sem eventos expressivos qualquer cultura morre. Na ausência de cerimônias ou rituais, importantes valores não têm impacto algum". Tais eventos são importantes para preservação e a identificação de uma cultura forte. Alves (1997, p.13) concorda com Bettega(2010) ao afirmar que os "ritos são atividades de natureza expressiva, desenvolvidas com o propósito de reiterar traços representativos de uma cultura para torná-la mais tangível e mais coesa". Em relação às cerimônias, Alves (1997) afirma que elas ocorrem quando os ritos estão ligados a um evento específico: "quando diversos ritos são conectados com uma ocasião ou um evento particular, configura-se uma cerimônia" (p.13). Em outras palavras: a cerimônia nada mais é do que a socialização dos ritos e rituais compartilhada em eventos específicos. De acordo com Schein (1985), elaborar, planejar, fazer um evento especial que propiciam aos administradores providenciar exemplos daquilo que é valorizado pela organização nada mais é do que fazer uso de cerimônias e ritos. As cerimônias possibilitam que haja entre as pessoas compartilhamento de entendimentos importantes bem como destacam heróis que representam crenças e atividades organizacionais importantes. Ainda segundo Schein (1985), as sequências de atividades repetitivas que dão reforço aos valores da organização bem como se destacam metas e pessoas de maior importância são advindos dos ritos e rituais. Ritos nada mais são do que uma rotina de ações programadas que 31 para quem está de fora da organização despertaria atitudes e sentimentos sem significado algum, pois, seu real valor e significado se dão dentro de uma cultura organizacional específica através da qual é repassado aos membros da empresa aquilo que é importante, essencial e o tipo de comportamento que se espera para a empresa. Vale salientar que atividades coletivas com fins específicos e tida como essenciais em uma cultura específica são considerados rituais. A seguir pode-se verificar,no Quadro 5,como os ritos podem ser utilizados nas organizações. Quadro 5 - Tipos de ritos e suas características Ritos de passagem Ritos de degradação Ritos de reforço Usados para facilitar a mudança de status, seja no caso de introdução, seja o retreinamento de pessoal. Usados para dissolver identidades sociais e retirar seu poder, como nos casos de demissão, afastamento de alto executivo, "encostar" alguém, etc. Celebrações publicas de resultados positivos, reforço de identidades sociais e seu poder. Visam renovar as estruturas sociais e aperfeiçoar seu funcionamento. Ritos de renovação Ritos de redução de conflitos Ritos de integração Usados para restaurar o equilíbrio em relações sociais perturbadas, reduzindo os níveis de conflitos e agressões, como nos casos de barganha coletiva. Encorajam e revivem sentimentos comuns e manter as pessoas comprometidas com o sistema social. Comumente usado nas festas de Natal, rodada de cerveja, jogos. Fonte: Adaptado de Freitas,(1991). De acordo com o quadro acima, os ritos de passagem permitem que as pessoas adaptem-se mais facilmente as suas novas funções sociais e são, frequentemente, utilizados em se tratando de situações como: remanejamento de funções, admissões ou até mesmo quando se há crescimento na carreira profissional. Os ritos de degradação por sua vez são perceptíveis em casos de demissões sem justa causa ou um afastamento da função bem como também através de denuncias ou falhas apontadas publicamente. O rito de degradação retira o poder do individuo dentro da organização. Quanto aos ritos de reforço, os mesmos propiciam aos profissionais, por exemplo, uma premiação que pode ser anual, advindas de seu esforço por atingir algumas metas, conquistas profissionais que são benéficas para a organização. 32 Os ritos de renovação envolvem formas novas de gerenciamento e treinamento organizacional, bem como assistência ao empregado e as atividades de desenvolvimento da empresa. Em relação aos ritos de redução de conflito, pode-se dizer que os mesmos têm como função diminuir níveis de agressão que ocorram dentro da empresa. Por fim, têm-se os ritos de integração que referem-se as festividades realizadas dentro da organização que trazem, consequentemente, a possibilidade de se fortalecer os laços sociais que unem os membros da empresa. Este estudo pretende verificar a existência de algum desses ritos nas organizações pesquisadas a fim de conhecer a forma como as mesmas recebem e fazem a integração de novos membros na empresa. 2.1.2.4 Normas Como o próprio nome sugere, as normas são as regras que regem um grupo ou uma empresa; determinam o que é correto ou não, o que pode ser feito ou não(CARVALHO, 2008). Segundo Alves (1997), as normas podem ser descritas como o comportamento esperado, aceito e sancionado por um grupo, por meio das quais os integrantes são recompensados ou punidos. Podem ser estabelecidas formalmente (escritas) ou informalmente (controle social); elas se baseiam ou refletem as crenças e os valores organizacionais. É fato notório que, onde quer que se esteja ou se vá, devem-se seguir normas estabelecidas; nas organizações não poderia ser de outra forma. Segundo Freitas (2007, p.29), normalmente, associam-se às normas aos manuais de instruções, uma vez que esses tratam dos procedimentos adequados, ao que se referem à produção, padrões de qualidade e especificações técnicas. Schein (1985) diz que através das normas culturais da empresa são definidos os líderes que sua vez atuam desempenhando seu papel de criadores e gerentes da cultura. Caso o profissional viole alguma norma ou valor, o mesmo assumirá o risco de ser excluído da organização. 33 2.1.2.5 Tabus Segundo Freitas (2007), os tabus são todas as condutas proibidas e que não devem ser adotadas dentro da organização sobre hipótese alguma. Geralmente, são temas que causam certo desconforto para os membros; referem-se a assuntos específicos como: preconceitos, discriminação, assédios, fraudes em geral. De certa maneira, eles orientam o comportamento, visto que coloca em evidência o aspecto disciplinar da cultura com ênfase no não permitido. De acordo Schein (1985),os tabus têm como principal característica orientar o comportamento do indivíduo deixando claro ao mesmo as áreas de proibição da organização. O tabu dá destaque ao que não é permitido. Este elemento cultural “é envolto de grande mistério, e aparece associado a temas que causam mal estar nas organizações, como por exemplo: preconceitos, discriminação, assédios, fraudes, etc.” (FREITAS, M., 2007 p.28). 2.1.2.6 Mitos O mito relata aquilo que uma comunidade possui como crença principal (COLPO, 2010). Chauí (2001, p.9) define-o como sendo: "a solução imaginaria para tensões, conflitos e contradições que não encontram caminhos para serem resolvidos no nível da realidade". Alves (1997, p.11)define mito como um “encadeamento dramático de eventos imaginados e um esquema lógico, criado para explicar questões e esclarecer fenômenos [...] se explica em associação com a estrutura e o pensamento do grupo social que o produziu”. O "mito da grande família", segundo (FLEURY, 1987 p.16), é uma expressão muito conhecida entre as organizações. Neste mito, o clima de confiança e amizade refletindo a imagem de uma família é bastante utilizado nas organizações e faz parte de um de seus objetivos organizacionais. Os mitos advêm da imaginação e são, geralmente, narrados dramaticamente. Eles não têm como base nenhum fato, mas condizem com certos valores e crenças da empresa. O mito tem como principal função causar comoção em grupos da empresa a fim de servir como norte para resolução de possíveis problemas que possam aparecer dentro da organização. Através dos 34 mitos estabelecem-se os limites adequados ou não para os indivíduos numa empresa. Os mitos podem proporcionar as empresas explicações de rotinas, interpretação de eventos do passado com direcionamento para o presente e o futuro; tem também a capacidade de diminuir instabilidades, possibilita a criação de uma identidade da organização e permite que seja estabelecido um compromisso com os ideais da empresa (SCHEIN, 2009) Em concordância com Schein, (COLPO, 2010 p.8) afirma que: “Estes mitos, muitas vezes, são responsáveis por explicar rotinas e procedimentos dentro da cultura de uma organização, possibilitando a criação até de uma identidade cultural. Estes mitos tornam-se elementos simbólicos carregados de significação para os sujeitos de uma organização. Quanto mais se socializa o mito, entre os diferentes atores sociais, mais ele se consolida dentro da cultura organizacional”. Peters e Waterman (1982) afirmam que as "estórias, mitos ou lendas parecem ser muito importantes, pois transmitem os valores compartilhados pela organização, ou, a sua cultura" (PETERS; WATERMAN, 1982, p.75). Os mitos inspiram os funcionários das organizações a seguirem os padrões de comportamentos e normas dos heróis envolvidos nos mesmos. 2.1.2.7 Símbolos e sinais Os símbolos e sinais de acordo com Sá (1999, p.2) "são elementos mais facilmente observáveis em uma cultura. Eles representam aquilo que a empresa divulga sobre ela mesma nas suas aparências (sinais) ou suas representações (símbolos)". Ações que utilizam simbologias diversas são constantemente vistas e utilizadas em nosso diaa-dia e podem ter várias expressões e significados. Segundo Alvesson (2010), toda essa simbologia torna-se material através de atos, objetos, formações linguísticas e trazem à tona emoções que permitem as pessoas agirem. Pode-se dizer que os símbolos e a cultura andam de mãos dadas. 35 De acordo Tomei e Braunstein (1993, p.15), os símbolos "são as maiores manifestações da cultura, pois são referências por si só, enquanto as outras manifestações são formas de simbolismos". Os indivíduos da organização consideram os símbolos e os sinais muito atuantes no seu cotidiano, para Posner (1998, p.234), “as pessoas confiam muito nesta informação para decidir realizar ou não comportamentos cooperativos em todos os domínios de suas vidas. De fato, porque os símbolos importam tanto, o esforço para mostrar respeito a eles faz surgir normas sociais”. Segundo Alves (1997, p.12), "símbolo é a expressão substitutiva destina a fazer passar para consciência, de modo figurado, conteúdos complexos ou de difícil decodificação". Os sinais, por sua vez são "um conjunto de significações tidas como importantes" (THÉVENET, 1989, p.89). Para Pardini, Gonçalves e Kilimni (2008), os sinais estão presentes nos arranjos físicos, como as características da estrutura física organizacional, na identificação para os públicos internos e externos, bem como no modo de se vestir dos funcionários; eles apresentam-se como indícios culturais da organização. Os símbolos possuem particularidades em seus significados e é reconhecido apenas pelas pessoas que partilham da mesma cultura. Tais símbolos dão reforço aos valores da organização e são importantes na identificação dos valores da organização (SCHEIN, 1985). 2.1.2.8 Heróis São considerados heróis aqueles que se sobressaem de situações complexas obtendo êxito e bons resultados e que servem como exemplo a ser seguindo dentro da organização. O herói é reconhecido como alguém que possui, em si, os essenciais valores da organização. Eles são considerados pelos membros da empresa como pessoas a serem respeitadas e até mesmo veneradas pela equipe. Pessoas moldadas como o padrão a ser seguido e que devem agir como fonte inspiradora a todos que fazem parte da organização.Os heróis fizeram e fazem a diferença dentro e fora da empresa demonstrando valores e crenças que devem ser copiados pelos demais (SCHEIN, 36 2009).Alves (1997, p.12) diz que: "heróis são modelos de uma forma de pensar e agir, próprios da cultura que os engendra." Tudo que foi exposto, até o momento, serve como base para se fazer uma seleção de pessoas com o máximo de informações possíveis a respeito da cultura organizacional, a fim de que se tenha o mínimo de impacto cultural entre a empresa e os novos funcionários selecionados. 37 2.2 Seleção de pessoas É primordial para o sucesso de uma organização o desempenho exercido pelos seus funcionários. Assim sendo, o modelo de gestão de recursos humanos é importante para desenvolver e organizar uma maneira de se atuar sobre o comportamento e quem determina o referido modelo de gestão refere-se aos fatores internos e externos advindos da própria organização. Vale salientar que o modelo de cada empresa é necessário para que a mesma seja competitiva e fixe sua imagem no mercado (FISCHER, 2002). "Entende-se por modelo de gestão de pessoas a maneira pela qual uma empresa se organiza para gerenciar e orientar o comportamento humano no trabalho" (FISCHER, 2002, p.12). Ressalta-se que, mais que em tempos passados, as pessoas são extremamente importantes para as organizações. As empresas são impulsionadas quando têm em seu quadro pessoas de alta capacidade e que demonstram bom desempenho. Nota-se, atualmente, o fato de as organizações bem-sucedidas buscarem contratar pessoas diferentes, com perfis diferentes, mas que visam, porém, o mesmo objetivo (BOHLANDER; SNELL, 2010). De acordo com o que foi exposto anteriormente, Bohlander e Snell (2010, p.2) afirmam que: "Nunca as pessoas foram tão importantes nas empresas quanto hoje". Para Milkovich e Boudreau (2006, p.19), a gestão de pessoas representa: "uma série de decisões integradas que formam as relações de trabalho; sua qualidade influencia diretamente a capacidade de a organização e seus agentes atingirem seus objetivos". Concordando com Milkovich e Boudreau, "O planejamento de recursos humanos consiste em dimensionar quantas pessoas serão necessárias à empresa, ou uma parte dela, para que possa desenvolver suas atividades e alcançar seus objetivos" (ZACCARELLI; TEIXEIRA, 2008, p.120). Ao alinhar as suas práticas com suas estratégias e o seu desempenho, as organizações dão um passo importante, pois, vencem, o que as mesmas consideram, um grande desafio, um dos principais fatores para que as mesmas alcancem seus objetivos (BOSELIE; DIETZ; BOON, 2005, LENGNICK-HALL et al. 2009, DEWETTINCK; REMUE, 2011,BOHLANDER; SNELL, 2010 eZACCARELLI; TEIXEIRA, 2008). 38 Ainda confirmando a importância do indivíduo para as organizações Messeder (1989, p.60): "[...] conscientizar-nos de que o homem está no centro de tudo e que as estruturas organizacionais são estabelecidas para servirem de instrumento à realização humana, portanto, deverão estar a seu serviço e não contra ela". E dentre as práticas de gestão de RH, pode-se identificar a seleção de pessoas, que consiste em encontrar e colocar a pessoa certa no lugar certo (BOHLANDER; SNELL, 2010 e BANOV, 2012). Ainda pode-se mencionar que o fato de selecionar pessoas é uma atividade de interesses mútuos, ou seja, a organização escolhe as pessoas ao passo que as mesmas têm a opção de escolher a empresa Barone Kreps (1999). O interesse, atualmente, de se buscar indivíduos que se sobressaiam na empresa gerindo conhecimento, armazenamento, partilha e distribuição dos conhecimentos que o mesmo possui nada mais é do que desenvolver o capital intelectual de uma organização (BONTIS, 2002; CHOO, 2003) "Um trabalhador do conhecimento é aquele que sabe selecionar, absorver informação e conhecimento onde quer que ele se encontre e com capacidade para aplicar este conhecimento em ações concretas" (HBR, 2000, p.205). A seleção de pessoas para Ivancevich (2008, p.214) "é o processo por meio do qual a organização escolhe, com base em uma relação de candidatos, aquele ou aqueles que atendem melhor aos critérios de seleção para preencher as posições disponíveis, levando em conta as condições ambientais do momento”. Para (DROPA et al. 2008, p.1), seleção, também, é encontrar as pessoas certas, “que se adequem à organização e que tenha todas as qualidades necessárias exigidas” Tracy (2011), reconhece que a política da gestão de recursos humanos, referente à seleção de pessoas,é o início para o sucesso ou fracasso de qualquer organização, pois é ela que irá determinar o grau de eficiência e eficácia das empresas. Para ela, um erro nesse processo pode resultar em baixo desempenho ou fracasso numa área fundamental. Segundo ainda essa autora, a rotatividade de profissionais é um indicativo de que a seleção pode ter sido realizada de maneira equivocada. 39 Em concordância, Almeida (2009), ressalta que empresas que possuem gerentes de RH mais eficientes, tendem a escolher, além de profissionais talentosos e habilidosos, aqueles que se adequem à cultura da organização, pois dessa forma poderá haver uma contribuição mais efetiva; alinhamento das ações com a missão e os objetivos da organização. Concordando com esse entendimento, Banov (2012, p.8), afirma que "o conhecimento da cultura de uma organização é indispensável para o sucesso de uma contratação profissional porque é a cultura que determina os comportamentos que o candidato deve ter para ser contratado pela organização". O mesmo continua afirmando que em um processo seletivo, além da cultura, devem ser consideradas as diferenças individuais, as competências, o cargo e os objetivos organizacionais, que quando combinados tendem a ajustar a pessoa à empresa. Faissal (2009), também reconhece a importância da seleção de pessoas segundo a observação dos valores organizacionais e individuais. Para ele, somente, assim,o funcionário pode se sentir, de fato, parte integrante da organização, ganhando, com isso, os resultados que ela almeja alcançar. Daí a importância de se atrair e selecionar indivíduos que tenham compatibilidade com os seus valores e crenças. De todas as mudanças que estão ocorrendo, no passar dos tempos, a mais gritante é o que é considerado o capital mais valioso das organizações, ou seja, o capital intelectual, pois, a grande maioria das atividades tidas como braçal, foram ou estão sendo, progressivamente, automatizadas, e devido a essas mudanças e o aumento da complexidade do trabalho, as empresas precisam cada vez mais, de pessoas ricas em conhecimento e intelectualidade, ambos os mais importante dos bens e de maior complexidade a serem copiados (ALMEIDA, 2009). Tal fato obriga as empresas, atualmente, a se preocuparem mais em como selecionar e manter seus talentos, para que não fiquem para trás na corrida pela ponta, do tão competitivo mercado (TRACY, 2011). Não se deve preocupar com a seleção, apenas, quando a existência da vaga for imediata, é preciso se antecipar, visando as possíveis vagas futuras. Tais previsões irão ajudar as empresas a pouparem tempo e dinheiro, visto que nenhum processo de seleção terá que ser feito com tempo menor que o necessário reduzindo, com isto, o risco de contratações equivocadas (BANOV, 2012). 40 É importante salientar que a seleção de pessoas não é um procedimento exato como explica Zaccarelli; Teixeira (2008, p.129, grifo do autor) "mas o fato é que em seleção não existe "o método perfeito, ou ideal" [...] toda e qualquer seleção é decidida com base em elementos objetivos e subjetivos". A fim de se obter sucesso na sua contratação, faz-se necessário que o gerente tenha bastante calma e concentração para que o mesmo não realize uma escolha incorreta que lhe gerará, num futuro possivelmente bem próximo, problemas diversos. Não basta contratar, apenas, com o objetivo de se ter determinada vaga preenchida ou com o objetivo de solucionar um problema específico. Contratar é muito mais que isso, é preciso contratar a pessoa certa evitando, assim, o alto preço que uma contratação errônea venha a proporcionar (TRACY, 2011). Segundo (TRACY, 2011, p.17), "uma contratação ruim custa à empresa pelo menos um ano de salário do contratado". Percebe-se que nas empresas onde existe uma maior rotatividade de profissionais, tal fato pode ser justificado pelas escolhas erradas no que diz respeito à seleção de pessoal por partes dos gerentes (TRACY, 2011). O processo de atração e seleção não pode ser realizado aleatoriamente. Tanto a cultura organizacional quanto as características do profissional devem estar alinhadas e ambos devem buscar uma melhoria contínua não se esquecendo do objetivo da estratégia da organização (FAISSAL, 2009). De acordo com Almeida (2009, p.39), "Comparar os perfis dos candidatos com os perfis de competências necessários, permite avaliar se os candidatos possuem os conhecimentos, habilidades, atitudes e valores que estão relacionados com a cultura da organização e com as suas futuras atividades." Quanto aos critérios de seleção, Ivancevich (2008) fala que, ao se identificar os candidatos que são portadores de habilidades, atitudes e conhecimentos diferenciados como também são possuidores daquilo que o cargo exige, está se atendendo as metas referentes ao sistema de seleção; sistema de seleção este que precisa ser dotado de características consideradas essenciais no momento em que se está realizando a contratação. Algumas características se desenvolverão após a contratação. Assim sendo, é importante ressaltar que critérios diferentes 41 devem ser vivenciados na seleção a fim de se quantificar bem como se qualificar características diferentes. O processo de seleção permite que se obtenha um perfil dos candidatos observando a relação que os mesmos possuem em termos de competências com as organizações (BANOV, 2012). Como foi dito por Banov (2012, p.53): "no processo, serão consideradas as diferenças individuais, o cargo, a cultura da empresa e os objetivos organizacionais, que combinados tentam ajustar pessoa-empresa." Verifica-se que tanto o perfil do cargo quanto as competências são constituídos de habilidades técnicas e de comportamento que se ajustam a cultura da organização e que constituem seus critérios de seleção (BANOV, 2012). É apresentado por Limongi-França (2007, p.47) que "Não ser contratado após um processo seletivo pode levar o candidato a questionar sobre as suas capacidades e habilidades e ferir a sua autoestima, mesmo sabendo que um, dentre vários, pode ocupar a vaga existente”. Para Limongi-França (2007) é primordial que haja ética no processo de seleção uma vez que dados intrínsecos referentes ao candidato são levantados. É necessário que o candidato seja respeitado uma vez que o mesmo sabe que está sendo avaliado em sua capacidade intelectual, social, de personalidade, de vida pessoal e de vida profissional (ZACCARELLI; TEIXEIRA, 2008). Para se obter êxito na aquisição de funcionários que se adequem à cultura da organização é necessário se fazer uma "triagem" e realizar algumas etapas relativas à seleção de pessoal (BOHLANDER, 2009). Ainda de acordo com Lacombe (2005), há algumas metodologias que são utilizadas no processo de seleção das quais: a triagem dos currículos, entrevistas, indicações feitas por parte de pessoas de confiança, testes psicológicos, dinâmicas de grupos, informações de empregos anteriores bem como informações cadastrais e também a realização de exames médicos. Faz-se necessário, primeiramente, realizar uma análise do cargo com todas suas especificidades. "As especificações do cargo, em particular ajudam a identificar as competências individuais que os funcionários precisam ter para alcançar o sucesso: conhecimento, habilidades, aptidões e outros fatores [...] que levam a um desempenho superior” (BOHLANDER, 2009, p.208). 42 Além de outros itens importantes, ao recrutar e selecionar pessoas, há uma prática que é bastante utilizada: a entrevista. Ela (a entrevista) compõe-se de quatro estágios: A Abertura (onde o entrevistador faz sua apresentação pessoal e relata a forma como a entrevista será conduzida), a pesquisa (onde o entrevistador busca informações importantes do candidato em relação ao seu perfil pessoal e profissional), a troca (onde o candidato realiza perguntas que demonstram seus interesses, suas atitudes, seus valores e suas preocupações) e o fechamento (onde o entrevistador da um breve retorno da entrevista e coloca o candidato a par das próximas etapas) Weiss (1992). De acordo com Banov (2012, p.67), ele ratifica: "A entrevista permite averiguar conhecimentos, esclarecer dados que não estejam claros no currículo, aprofundar informações, dar oportunidade ao candidato expor suas qualificações e expectativas, informar ao candidato sobre a cultura da empresa, o cargo, o salário, os benefícios, as condições de trabalho etc." Confirmando o que foi dito por Banov, (FAISSAL, 2009, p.121) diz: "A entrevista é um dos instrumentos de seleção mais utilizados para fundamentar as decisões relativas à contratação de um novo empregado." Outras etapas como provas de conhecimento, testes psicológicos, técnicas vivenciais e exames de saúde também fazem parte do processo de seleção (LIMONGI-FRANÇA; ARELLANO, 2002). É preciso alinhar o processo de seleção com a estratégia do negócio (ALMEIDA, 2009).Tal pensamento vem estruturar toda sequência temática que vem sendo exposta. Então, devido a grande importância que tem o processo de seleção dentro das organizações, é preciso dedicar-se ao máximo para tal função, a fim de se conseguir alcançar todos os objetivos organizacionais. Dentro do processo de seleção de pessoas, pode-se fazer o recrutamento interno ou externo, o que irá depender do planejamento de cada organização para preenchimento das vagas existentes ou futuras. 43 2.2.1 Recrutamento de pessoas O recrutamento de pessoas é o processo através do qual vagas que estão em aberto nas organizações são preenchidas por pessoas que atendam, no mínimo, os requisitos básicos necessários para ocuparem as referidas vagas. Tendo em vista a atual globalização e que há uma grande concorrência entre as organizações é que se deve, criteriosamente, realizar um recrutamento cuidadoso a fim de se achar pessoas que estejam alinhadas as estratégias de negócios da empresa. Dessa forma, é possível para as organizações atrair pessoas com potencial e qualificação para desempenhar com eficácia aquilo que a função exige. Em suma, pode-se afirmar que através do recrutamento é possível atrair candidatos em conformidade com o que a empresa deseja para uma função determinada. Limongi-França (2010, p.29) afirma que “o recrutamento é um processo que procura empregados. Essa procura se faz com base nas requisições de pessoal emitidas pelos supervisores e no mercado de trabalho, onde, de um lado, competem os empregados e do outro os próprios profissionais”. Corroborando com tal assertiva, Lacombe e Heilborn (2003, p.244), diz que “o recrutamento abrange o conjunto de práticas e processos usados para atrair candidatos para as vagas existentes ou potenciais”. Importante salientar que o recrutamento é apenas uma parte de todo um processo que se estende até que se haja a contratação propriamente dita. O recrutamento pode ser realizado internamente e externamente. 2.2.1.1 Recrutamento interno Como o próprio nome sugere, o recrutamento interno é realizado com os funcionários da própria organização. Através do recrutamento interno, a empresa proporciona a seus funcionários oportunidades de ascensão profissional. A empresa, ao realizar o recrutamento interno, divulga aos funcionários, através de seu quadro de avisos, cartazes e etc., as características do cargo a ser preenchido bem como as exigências para preenchimento do mesmo. Através de seu quadro de avisos, é solicitado, por parte da empresa, o 44 comparecimento do candidato ao setor específico, onde o referido profissional apresentar-se-á como candidato a preencher a vaga a ser oferecida pela empresa a fim de que a mesma, como os procedimentos exigem, analise seus dados e seu perfil em geral. Banov (2012, p.40), afirma que: “o recrutamento interno tem como vantagem ser econômico, pois a divulgação é feita dentro da própria empresa; devido aos candidatos serem da empresa e estarem adaptados à cultura organizacional, o processo torna-se mais rápido e aponta uma relação positiva entre empregado e empresa, já que esta, ao fazer o recrutamento interno, se mostra dando oportunidade a seu público interno”. 2.2.1.2 Recrutamento externo O recrutamento externo, conforme indica seu nome, é realizado a fim de se recrutar pessoas de fora da organização. Neste tipo de recrutamento, a organização busca no mercado de trabalho candidatos que estejam disponíveis. Essa busca tanto é realizada pela empresa quanto por empresas especializadas em processos de recrutamento. O recrutamento externo utiliza como meios para sua efetiva execução técnicas ou fontes de recrutamento das quais: assessoria em recursos humanos, consultorias, internet, networking, jornais, placas colocadas na entrada da empresa, faculdades e escolas técnicas, anúncios em rádios, contato com sindicatos e associações de classe empresas do mesmo segmento, feiras e eventos. Através de meios como os citados acima, a empresa realiza seu recrutamento externo conseguindo, assim, atrair candidatos. Segundo Banov (2012, p.40): O “recrutamento externo é o processo de divulgação das vagas fora da empresa para captar pessoas com o perfil desejado. Tem como vantagem atrair sangue novo para a organização porque são candidatos com novos talentos, habilidades e expectativas e, muitas vezes, já treinados por outras empresas. Renova o quadro de pessoal e a cultura da organização. Por outro lado, tem custo elevado (honorários de agências, consultorias; despesas com anúncios, seleção e socialização do empregado etc.). é menos seguro e pode criar desconforto para os atuais empregados da organização”. 45 2.2.2 Etapas da seleção de pessoas Tendo em vista que são as pessoas que oferecem às organizações competitividade, qualidade e produtividade, e que são tão importantes para as organizações quanto os seus clientes, é interessante para as empresas que as mesmas selecionem as pessoas adequadas e que se alinhem as suas estratégias. Para que tal fato ocorra, realiza-se, após o recrutamento, o processo de seleção. É importante mencionar que o número de etapas de seleção irá depender do cargo e da complexidade do mesmo, podendo ser mais extenso ou não. O processo de seleção permite às organizações terem atendidas às suas necessidades quanto empresa e proporciona a mesma a oportunidade de escolher o profissional mais competente e adequado para ocupar o cargo oferecido por ela. Vale ressaltar que a seleção de pessoas é feita após o recrutamento que, geralmente, é o recrutamento externo, pois, no recrutamento interno, por já conhecer seu funcionário profissionalmente, a empresa não realiza triagem, filtragem, para escolher o profissional desejado. Para Banov (2012, p.53): “Se as pessoas são diferentes e as empresas também, buscar a pessoa certa para o luar certo é o objetivo básico do processo de seleção de pessoal. Tratase de um processo de escolha, dentre os candidatos que responderam ao recrutamento enviando os seus currículos ou preenchendo fichas de solicitação de emprego, daqueles que mais se aproximam do perfil do cargo desejado pela organização. Indiretamente oferece uma previsão do desempenho do candidato na vaga em aberto”. A seleção de pessoas é realizada, basicamente, através de várias etapas, das quais: análise de currículos, entrevista, aplicação de testes, dinâmicas de grupo e exame médico específico. De acordo com (KNAPIK, 2008, p.148): 46 “Ferramentas de seleção são técnicas utilizadas para observar e analisar os candidatos que participam do processo de seleção e comparar com os requisitos exigidos pelo cargo. Devem ter um caráter prognóstico, identificando traços pessoais que podem prever o comportamento futuro do candidato como funcionário da empresa”. Serão abordadas, em seguida, as principais técnicas utilizadas no processo seletivo: 2.2.2.1 Análise de currículos A análise do currículo permite que se tenham informações importantes sobre o candidato. Dentre estas informações, têm-se dados pessoais, objetivos profissionais, a escolaridade do candidato, bem como suas experiências profissionais anteriores, habilidades e várias outras informações de referência profissional em geral. 2.2.2.2 Entrevistas Através da entrevista, mantêm-se um contato mais próximo com o entrevistado. Isto possibilita ao entrevistador analisar, conhecer mais profundamente o candidato. É a partir da referida entrevista que se torna possível esclarecer melhor as dúvidas que porventura ainda ficaram sem respostas no andamento do processo seletivo em geral. Para Knapik(2008, p.149) “O entrevistador procura conhecer o candidato, pesquisa seus conhecimentos e habilidades”. 2.2.2.3 Aplicação de testes Os testes que podem ser de conhecimentos gerais, específicos, de capacidade e psicológicos têm por finalidade analisar o nível de conhecimento do candidato em relação ao cargo que o mesmo está a almejar. O teste psicológico, por sua vez, possibilita obter do candidato dados indiretos. De acordo com Limongi-França e Arellano (2002, p.69), “Testes psicológicos são instrumentos padronizados que servem de estímulo a determinado comportamento do examinado. Visam predizer o comportamento humano com base no que foi revelado na situação de teste”. 47 2.2.2.4 Dinâmica de grupo A dinâmica de grupo apresenta, como seu principal objetivo, a análise comportamental do candidato quando este é submetido a realizar atividades em equipe a fim de constatar se esse candidato possui as características necessárias para trabalhar em grupo. Banov (2012, p.78), registra a importância da dinâmica de grupo ao dizer que: “o objetivo da técnica é observar como o candidato se comporta e se relaciona em grupo, além de possibilitar a observação de algumas características pessoais, como por exemplo, indecisão, iniciativa, argumentação ou como lida com pressões, conflitos, como resolve e soluciona problemas”. 2.2.2.5 Exame médico específico No exame médico, o candidato é avaliado a fim de se verificar se o mesmo possui as condições físicas necessárias e específicas ao cargo que o mesmo deseja ocupar. Neste momento, finaliza-se a fundamentação teórica e dá-se início ao próximo capítulo, a metodologia deste trabalho. 48 3 Metodologia da pesquisa No presente capítulo, estão detalhados os procedimentos metodológicos que nortearam o procedimento desta pesquisa: caracterização, desenho, locus, dimensão, sujeitos, instrumentos de coleta,processo e análise dos dados. 3.1 Caracterização da Pesquisa Nesta pesquisa,adotou-se a abordagem qualitativa, uma vez que se pretendeu entender o significado do fenômeno social a ser estudado: percepção de gestores, quanto ao processo de seleção de pessoas em suas diversas etapas, em indústrias de Vitória de Santo Antão - PE. Além do mais, segundo Vieira (2006), a pesquisa qualitativa é a mais adequada ao estudo da cultura organizacional, devido à complexidade dos fatores sociais envolvidos. Caracteriza-se, ainda, como uma pesquisa descritiva que, de acordo com Acevedo (2010), ela limita-se a descrever unicamente as características de um grupo sem, no entanto,desejar explicar o fenômeno investigado. Finalmente, caracteriza-se como um estudo de múltiplos casos que, segundo Yin (2001),refere-se a um estudo realizado em mais de um caso, isto é, algumas indústrias de Vitória de Santo Antão - PE. 3.2 Desenho da pesquisa O desenho da pesquisa reúne, graficamente, o processo do desenvolvimento desta pesquisa. Segundo Gil (2008, p. 31), afirma que é possível criar um esquema que englobe, “de forma absolutamente precisa e sistemática, os passos a serem observados no processo de pesquisa” (p. 31), este estudo se baseou em um esquema criado pelo mesmo autor. 49 Figura 1 - Desenho da pesquisa Formulação do problema Investigar de que maneira a cultura organizacional (Schein [1984] 2009) é levada em consideração no processo de seleção de pessoas, em indústrias de Vitória de Santo Antão – PE? Determinação do objetivo geral Investigar de que maneira a cultura organizacional (Schein [1984] 2009) é levada em consideração no processo de seleção de pessoas, em indústrias de grande porte de diferentes segmentos, de Vitória de Santo Antão – PE. Caracterização da pesquisa Pesquisa qualitativa, descritiva, múltiplos casos. Elaboração dos instrumentos de coleta dos dados Entrevista por pauta, observação não participante e análise de documentos. Pré-Teste do instrumento Entrevistas com gestores de RH para ajustes do instrumento da pesquisa. Coleta dos dados Entrevistas com 3 (três) gestores de RH de indústrias de grande porte de Vitória de Santo Antão – PE, observação não participante e análise de documentos (folders, fotos, revistas e jornais) Análise e interpretação dos dados Análise de conteúdo, seguindo procedimentos de Bardin (2010). Redação da dissertação Fonte: Elaborado pelo autor, com base em Gil (2008). 50 3.3 Locus da pesquisa As indústrias denominadas A, B e C, respectivamente, são do segmento: alimentício, peças automotivas, alimentício e atuam na cidade de Vitória de Santo Antão – PE há 5, 3 e 4 anos. Todas são conceituadas no mercado local, sendo essa última considerada uma das líderes do seu segmento. Optou-se por pesquisar indústrias(multinacionais e nacionais) de Vitória de Santo Antão - PE, compostas em média de 500 a 1000 funcionários, por terem estruturas organizacionais mais completas, em termos de departamentos de recursos humanos. A escolha dessa cidade foi devido ao fato da mesma vir evoluindo, significativamente, nos últimos cinco anos, em número de grandes empresas dos mais diversos segmentos que são implantadas na região, fato este facilmente comprovado por meio de uma observação in loco, situação totalmente diferente daquela de há cinco anos. Antes da implantação das indústrias, a cidade de Vitória de Santo Antão - PE apresentava sua economia local baseada no varejo. Foi percebido nesta região que sua evolução em vários aspectos foi consequência da instalação destas várias indústrias. As empresas que foram pesquisadas destacam-se como pertencendo aos segmentos de: alimento, automotivo, fabricação de embalagens de vidro, tubos e canos. Elas possuem no mínimo três anos de inauguradas na referida cidade, embora já possuam entre 50 e 90 anos no mercado. Uma delas foi adquirida, recentemente, pela líder mundial no seu segmento. Todas as empresas (A, B e C) relatam fazer parte da sua missão dar a devida importância aos seus clientes internos bem como seus clientes externos visando sempre a satisfação dos mesmos. Ambas as empresas possuem lugar de destaque no mercado na área em que cada uma atua. 3.4Sujeitos da pesquisa Os sujeitos desta pesquisa são os três gestores (GA, GB e GC) de RH das indústrias de Vitória de Santo Antão em Pernambuco por eles serem as pessoas mais indicadas, em cada empresa, a responderem os questionamentos das entrevistas. Foram considerados apenas os gestores com no mínimo 1 (ano) na função, embora os três gestores (um de cada empresa) estivessem exercendo sua função como gestores de RH nas 51 referidas indústrias desde a implantação das mesmas. Salienta-se, também, que os gestores (GA, GB e GC) possuíam experiência profissional na área de RH em outras empresas. Ambos os gestores possuíam especialização na área em que trabalhavam. Ressalta-se que as idade desses gestores estava entre 30 e 35 anos. O GA e o GC são do sexo feminino enquanto o GB era do sexo masculino. 3.5 Instrumentos de coleta dos dados Os dados foram coletados através de entrevistas por pauta, junto aos gestores de RH das indústrias de Vitória de Santo Antão, em Pernambuco, Conforme Gil (2008)as vantagens advindas da entrevista, são várias, das quais, a possibilidade de se obter dados com uma maior profundidade, um melhor detalhamento. Da entrevista por pauta, percebe-seque a mesma, embora tenha um grau de estruturação consideravelmente mais complexo, permite que haja uma maior agilidade no que diz respeito ao desenvolvimento da conversa. Tal flexibilidade é bastante importante no que se refere a questionamentos mais rígidos feitos ao entrevistado, deixando-o bem mais à vontade. De acordo com (MINAYO, 2004 p.113) "a entrevista não é simplesmente um trabalho de coleta de dados, mas sempre uma situação de interação na qual as informações dadas pelos sujeitos podem ser profundamente afetadas pela natureza de suas relações com o entrevistador". Os dados também foram coletados por meio de observação não participante que, segundo Lakatos (2010, p.176) "o pesquisador presencia todos os fatos, porém, sem envolver-se com eles, assumindo apenas o papel de espectador". Ainda de acordo Gil (2008) trata-se da observação de um objeto ou fenômeno sem que haja interação ativa com ele. Vale ressaltar que, além das entrevistas, utilizou-se como técnica de coleta de dados, conforme dito anteriormente, observações não participantes e através de tais observações foi possível realizar anotações à respeitos dos artefatos físicos e comportamentais Schein (2009). As entrevistas seguem homogeneidade pois foram realizadas utilizando-se as mesmas técnicas e o mesmo roteiro, como sugere Bardin (2010). O roteiro das entrevistas encontra-se no apêndice A. 52 3.6 Processo de coleta dos dados Foi elaborado um roteiro de entrevista dirigido aos três gestores (GA, GB e GC) de Recursos Humanos. Tal roteiro que encontra-se no apêndice A foi constituído de 12 perguntas abertas que objetivavam identificar se, no ato da seleção, a empresa levava em consideração a contratação de funcionários que possuíssem um cultura similar à da organização. A coleta de dados aconteceu no período de 22/10/2013 à 12/12/2013. A entrevista dos três gestores (GA, GB e GC) ocorreu com hora e data previamente marcadas. A duração média das entrevistas foi de aproximadamente 35 minutos e foram gravadas através do celular e, logo em seguida, fidedignamente transcritas para um editor de texto. O roteiro o qual foi utilizado na realização das entrevistas encontram-se no apêndice A. Pré-testes foram realizados com dois gestores de recursos humanos de indústrias do ramo alimentício de Vitória de Santo Antão/PE e Glória do Goitá/PE. 3.7 Técnica de análise dos dados A análise dos dados, segundo Bardin (2010, p.44) visa obter por procedimentos sistemáticos e objetivos, a descrição do conteúdo das mensagens, as quais permitem a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção das mensagens. Bardin (2010, p.159), aponta três etapas da análise: (1) pré-análise; (2) exploração do material; (3) tratamentos dos resultados, inferência e interpretação. A etapa da pré-análise trata da fase de organização, onde as ideias são sistematizadas. Tal etapa constitui três missões, das quais: escolha dos documentos, formulação tanto das hipóteses quanto dos objetivos como também a elaboração dos indicadores para interpretação. Na fase de exploração do material, onde se é possível realizar as operações de codificação, categorização, enumeração ou decomposição. vale ressaltar que foi utilizada uma análise categorial-temática. 53 Por fim, no tratamento dos dados são geradas todas as referências relativas ao texto como um todo bem como as suas interpretações. De acordo com a literatura (BARDIN, 2010) e a descrição contida na mesma, é possível se obter uma análise mais detalhada dos dados através da criação de categorias temáticas, o que permite que haja, também, uma comparação mais objetiva assim como também discutir as respostas dadas pelos indivíduos entrevistados. Inicialmente, foram selecionadas as indústrias que se enquadravam no perfil para os objetivos deste estudo. Em seguida, após a escolha das empresas a serem pesquisadas, iniciou-se o processo de negociação com os gestores de RH para que os mesmos se permitissem ser entrevistados. Após a aceitação, por parte dos gestores de RH, da realização das entrevistas foram iniciadas as observações in loco não- participantes. Dando sequência, foi feita a coleta de dados e, em seguida, suas devidas análises das quais derivaram as conclusões desta pesquisa. Para a referida análise, que contou com as categorias de "aspectos da seleção de pessoas" e de "cultura organizacional",foram utilizados textos que tenham origem nas transcrições das entrevistas realizadas com os gerentes de RH das indústrias de Vitória de Santo Antão PE.Para este estudo, será levada em consideração o posicionamento dos entrevistados quanto aos aspectos pesquisados. 3.8 Limites da pesquisa Inicialmente, limitou-se este estudo às indústrias de diferentes segmentos de Vitória de Santo Antão – PE. Para tal, preferiu-se escolher indústrias de diferentes segmentos com a intenção de evitar um possível viés de informações uma vez que empresas pertencentes ao mesmo segmento pudessem ter um padrão de comportamento semelhante. A escolha do município em questão, decorre do fato de que a cidade de Vitória de Santo Antão encontra-se, atualmente, em um processo de larga expansão industrial. 54 Consideram-se como sujeitos da pesquisa, apenas os três gestores (GA, GB e GC) de RH, pelo fato de serem eles mesmos àqueles que executam todo o processo de seleção das empresas e, portanto, possuem as informações necessárias para a realização deste trabalho. Decidiu-se por não investigar, nem avaliar o processo seletivo dessas empresas, em seus detalhes, mas verificar apenas os aspectos de interesse desta pesquisa, referentes à observância ou não da cultura organizacional. Semelhantemente, não se pretendeu diagnosticar a cultura organizacional dessas empresas; apenas perceber traços ou características, identificados por meios de elementos culturais; para perceber se a cultura das organizações é levada em consideração no processo de seleção de pessoas, necessita-se, apenas, identificá-la. 3.9 Limitações da pesquisa Inicialmente, pensou-se em realizar esta pesquisa com sete indústrias localizadas no município de Vitória de Santo Antão/PE, porém, devido a dificuldade de acesso às indústrias, foi possível, somente, realizar a referida pesquisa com apenas três indústrias. Além da dificuldade de acesso, mesmo com as empresas pesquisadas, houve, também, grande dificuldade em realizar entrevistas com os funcionários das mesmas pois, os gestores das indústrias tornaram impossível a realização de tal ato. Não foi possível realizar entrevistas formais e estruturadas com os funcionários incluindo os mesmos como sujeitos da pesquisa. 55 4 Análise e discussão dos dados Esta Seção apresenta a análise dos dados obtidos através das entrevistas com os gestores (GA, GB e GC)das indústrias de Vitória de Santo Antão – PE, locus desta pesquisa, aqui denominadas pelas letras: A, B e C. Para essa análise, tomou-se como base, a ordem dos objetivos específicos estabelecidos para esta pesquisa. 4.1 Processo de seleção de pessoas O primeiro objetivo específico desta pesquisa teve o propósito de investigar o processo de seleção de pessoas, em suas diversas etapas, em indústrias de Vitória de Santo Antão – PE. Foram utilizadas as seguintes nomenclaturas para a referida análise: GA (Gestor da empresa A), GB (Gestor da empresa B) e GC (Gestor da empresa C) 4.1.1 Recrutamento de pessoas Em geral, o processo seletivo inicia com o recrutamento dos candidatos, o qual transmite significados sobre a cultura de uma organização, aspecto de interesse deste trabalho. 4.1.1.1 Recrutamento na indústria A O processo seletivo na indústria A, inicia sem que haja antes um recrutamento formal de candidatos, conforme indica o depoimento abaixo: ...quando o boca a boca, na verdade, mais uma vez eles deixam ai os currículos [...] as pessoas deixam currículos aqui [...] num tem nenhum recrutamento [...] a gente tem pretensões de mudar de fazer outro tipo de recrutamento, mas hoje só o currículo [...] 56 os coordenadores porque eles viajam pra essas, pros interiores, pegam o currículo, na verdade ela traz pra gente... (GA - sic). Percebeu-se, pelo depoimento do gestor, que não existe um recrutamento formal dos candidatos para que se inicie o processo seletivo. Tudo ocorreu de uma maneira bem informal e não seguiu qualquer padrão que pudesse auxiliar o gestor na sua tomada de decisão. De acordo com Bohlander, Snell (2010, p.158) " O recrutamento é o processo de localizar indivíduos em potencial que possam trabalhar para uma organização e encorajá-los a se candidatar a vagas já existentes ou, então, antes que elas sejam abertas". 4.1.1.2 Recrutamento na indústria B Ao contrário, o processo seletivo, na indústria B, segundo o depoimento abaixo, inicia com o recrutamento formal e interno dos candidatos; em caso de restar vaga a ser preenchida, recorre-se ao recrutamento externo. Nesse caso, é realizada uma divulgação do cargo e dos requisitos dos candidatos, por meio de jornais ou outros meios de comunicação. Vale salientar que para os cargos superiores ao de supervisor, todo o processo de recrutamento é realizado por uma consultoria externa. ...Se for uma vaga mais executiva, num padrão de supervisão pra cima, eu utilizo agências de consultoria e também por meios próprios [...] várias formas de fazer o recrutamento. Então a gente divulga na internet, divulga em jornais, divulga nos meios de comunicação nessa área e a gente tem uma equipe que avalia isso [...] Hoje conseguimos fazer um recrutamento e seleção de um executivo sendo um recrutamento de seleção interna... (GB - sic). Ao contrário da empresa A, a empresa B busca, primeiramente, um recrutamento interno para o preenchimento de vagas existentes porém, se tais vagas forem de um nível hierárquico maior, a mesma prefere recorrer à um recrutamento externo com o auxílio de uma empresa de consultoria atuando apenas como suporte. 57 De acordo com Fidelis e Banov (2007, p.55), "o recrutamento é essencial porque não trata somente de divulgação de vagas, mas se trata de captar pessoas qualificadas para atender as necessidades das organizações". É importante que se haja um recrutamento interno até como meio de valorização dos funcionários para que os mesmos possam ter a certeza que são essenciais para a organização. "O recrutamento interno é a divulgação da vaga dentro da própria empresa para as pessoas que já trabalham nela, é uma oportunidade para promoção e transferência de pessoal" (FIDELIS; BANOV, 2007. p.56). A utilização de consultorias para o recrutamento de profissionais para os níveis hierárquicos mais altos das organizações geralmente tem um custo elevado porém, também traz o benefício de ter uma empresa especializada na busca deste profissional. De acordo com Banov (2012, p.42-43): "consultorias são empresas que buscam para as empresas clientes profissionais de nível médio e alto da pirâmide organizacional. Levantam o perfil do cargo e da cultura da empresa contratante para fazer o recrutamento e a seleção. Seu custo é elevado mas o trabalho é bem direcionado. A maioria trabalha com contrato de exclusividade". ...Nós temos o planejamento anual [...] do que a gente vai demandar de pessoas [...] ele é realizado a cada três meses... (GB - sic). Há um planejamento anual desenvolvido com a finalidade de identificar as necessidades de pessoal para a empresa. O referido planejamento é acompanhado, trimestralmente,pelo gestor de RH, para verificar as necessidades da empresa quanto ao quantitativo de funcionários para que se saiba se existirá a necessidade de novas contratações ou não, no que diz respeito ao quadro funcional. O gestor de RH da referida empresa tem conhecimento das decisões estratégicas da organização a ponto de preparar-se para as mudanças que poderão existir no que diz respeito ao quadro de funcionários, o que acaba auxiliando na sua tomada de decisão em relação ao processo de seleção. Como afirma Banov (2012, p.17), "o planejamento de pessoal tem como objetivo fazer uma previsão de vagas futuras que serão abertas,permitindo ações da empresa antes desta abertura. 58 De acordo com Pontes (2008, p.69), "a não realização do planejamento de pessoal, principalmente para os níveis gerenciais, podem acarretar problemas sérios. Um deles é o de promover alguém internamente, para o novo cargo, sem o devido desenvolvimento, o que levará a um provável mau desempenho, e o premio acaba virando castigo, já que o promovido pode ser demitido". 4.1.1.3 Recrutamento na indústria C Ao que se refere o processo seletivo na indústria C, a declaração abaixo informa que ele também inicia com o recrutamento formal e interno dos candidatos, tal como acontece na indústria B e que o recrutamento externo só ocorre nos casos em que o primeiro não tenha obtido êxito ou quando são cargos de nível superior na hierarquia. ...A gente aqui faz interno [...] se abre vaga, o edital interno, as pessoas se inscrevem, a gente faz todo pré requisito a gente faz a validação dessas pessoas, então é dessa forma. Aí caso a gente não encontre, aí a gente vai pro mercado,mas, digamos, 90% de vagas aqui a gente abre interno... (GC). ...eu falo isso muito da base do auxiliar de produção, onde a primeira premissa que a gente busca aqui na cidade de Vitória, é essa. Agora, se a gente for pra outros níveis, não, ai a gente realmente vai buscando, busca primeiro através do currículo, da qualificação profissional, pra ver se encaixa no perfil e aí sim, numa entrevista de competência (GC - sic). Como foi exposto pelo GC verificou-se que a empresa C prioriza um recrutamento interno antes que siga-se para um externo. O recrutamento externo ocorre caso o interno não supra as necessidades organizacionais o que acaba sendo um ponto positivo na percepção dos funcionários. 59 De acordo com Banov (2012, p.40), "o recrutamento interno ocorre quando a divulgação das vagas e feita dentro da própria empresa [...] devido aos candidatos serem da empresa e estarem adaptados à cultura organizacional, o processo torna-se mais rápido e aponta uma relação positiva entre empregado e empresa, já que esta, ao fazer o recrutamento interno, se mostra dando oportunidades ao seu público interno". Segundo Sobral e Peci (2008, p.336, grifo do autor), "O recrutamento externo, [...], ocorre quando a organização abre o processo de recrutamento a candidatos externos à organização". Corroborando com o que foi dito por Sobral e Peci, Marras (2009. p.73) define recrutamento externo como "o processo de captação de recursos humanos no mercado de trabalho, com o objetivo de suprir uma necessidade da empresa no seu quadro de efetivos". 4.1.2 Etapas da seleção de pessoas Nesta Seção, estão apresentadas todas as etapas do processo seletivo de pessoas, declaradas pelos gestores de RH, nas três indústrias estudadas. 4.1.2.1 Etapas da seleção na indústria A Quanto às etapas da seleção, pelo depoimento do gestor de RH, na indústria A, pode-se apreender que acontece de maneira muito simples: é feita a análise dos currículos, por ele próprio e, em seguida, o coordenador do setor faz uma entrevista com os candidatos, para a decisão final. Ainda: usa-se a prática da indicação, por parte dos demais empregados e a especulação da vida do candidato. ...e dos currículos é que agente vai avaliando [...] se for pra logística, junto com o diretor da logística [...] do currículo é o que a gente necessita, passa pra entrevista [...] Primeiro eu promovo o interno [...] e depois deixo a vaga mais baixa pros que vieram de fora... (GA - sic). 60 Trabalhamos com indicações de outros funcionários... (GA - sic). ...daquela conversa eu vejo o que se enquadrou melhor, dependendo do que se enquadrou ai eu vou procurar, dou uma investigada, por trás dos bastidores, quem é a pessoa, averiguação, justamente, fazemos um levantamento... (GA - sic). Como foi dito pelo GA, a empresa seleciona os candidatos através de análise de currículos caso o mesmo possua o perfil que a empresa busca o mesmo participará de uma entrevista e uma investigação de sua vida pessoal. O processo de seleção e recrutamento para as organizações são muito importantes para o sucesso da mesma como afirma Gil (2013, p.91): "Como as pessoas constituem o mais importante ativo de que dispõem as organizações, devem ser recrutadas e selecionadas com a maior competência possível, já que falhas nesse processo podem comprometer outras ações de gestão a serem desenvolvidas posteriormente. Ocorre, porém, que com a nova postura adotada em relação à gestão de pessoas, as atividades de recrutamento e seleção em muitas empresas não vêm sendo mais confiadas a um órgão específico, mas às chefias imediatas. Como consequência, nem sempre as pessoas incumbidas dessas atividades dispõem dos conhecimentos e da experiência necessários". A análise de currículos "são instrumentos úteis para a obtenção de informações. Porém, na maioria dos casos, são insuficientes para proporcionar uma visão real do candidato. Por isso, convém combinar seu uso com o de outras técnicas como a entrevista, por exemplo" (GIL, 2013, p.98). Quanto à utilização de indicações de funcionários já contratados "além de ser um meio econômico, a recomendação geralmente refere-se a pessoas com predisposição para aceitar o ambiente de trabalho" (GIL, 2013, p.94). 61 Ainda sobre as indicações de seus empregados Carvalho (2008, p.117): "algumas empresas preferem escolher pessoas a partir da indicação de seus empregados ou até mesmo de amigos, e as indicações podem pesar mais na escolha do candidato do que o resultado de outros processos seletivos. Esse procedimento deriva da crença de que uma empregado, ou um amigo, não indica uma pessoa que não seja confiável e que não considere competente, ou que não esteja alinhada com os valores que permeiam a cultura organizacional. A indicação consiste, quando é utilizada por si só, em uma primeira etapa de recrutamento e seleção". A investigação da vida pessoal do candidato por parte das empresas visa averiguar o comportamento do mesmo na sociedade a fim de se conhecer seu perfil ético segundo (BARBIERI, 2012, p.24) "De fato pessoas que carregam consigo uma postura ética possuem menos chances de se envolver em práticas antiéticas. Evidências indicam que as pessoas com altos indícios de princípios éticos permanecerão fiéis a eles, ainda que as atitudes de terceiros ou a orientação das normas da organização sejam em sentido oposto aos deste indivíduo. Porem quando um indivíduo não possui altos indícios de princípios éticos, este pode ser mais facilmente influenciado a praticar atos antiéticos". Ainda de acordo com Tracy (2011, p.44), "O desempenho do candidato no passado é o único indicador verdadeiramente preciso do rendimento que ele poderá ter no futuro". No que diz respeito à rotatividade nessa indústria, percebe-se que, nos cargos de nível hierárquico mais baixo, ela é maior, ao contrário, quando se trata dos cargos administrativos, de vendas ou de gerência. Parece que a maior dificuldade está na adaptação com o trabalho e a baixa satisfação com o mesmo. Não... prum escritório, nem pra os vendedores, num tem tanta porque felizmente pra cá a gente não tem essa rotatividade, a maior rotatividade é pra ajudante de motorista e pro motorista (GA - sic). 62 Outra dificuldade que essa indústria enfrenta, refere-se à falta de qualificação e educação de base, exigidos para as promotoras, tal como se pode perceber por esse depoimento, a seguir: ...pras promotoras a gente sente mais dificuldade [...] ela precisa abordar o cliente no supermercado e infelizmente nos interiores mas distantes, a gente não consegue as meninas que são mais formadas ou que tenham um perfil melhor elas não querem ser promotoras (GA - sic). ...aí aparece as meninas que fala pobrema (GA - sic). Verificou-se uma menor preocupação por parte do GA com os funcionários que ocupam cargos mais operacionais em relação aos que fazem parte de níveis hierárquicos mais altos; tal fato pode ser responsável pelos altos índices de rotatividade de funcionários nos cargos operacionais. ...Na área do escritório, na área... você quer pessoas mais preparadas intelectualmente. Eu acho que num todo responsabilidade, não é? E não, não, é, responsabilidade porque tanto no escritório como lá as pessoas na logística trabalham com cargas, cargas de valores, mas para os motoristas e ajudantes só precisa ter força braçal e a carteira de motorista...não perdemos muito tempo pra contratar (risos) (GA - sic) Segundo Lacombe (2005, p.250), "uma alta rotatividade pode ser um problema geral da empresa ou de uma determinada chefia". A qualificação profissional é muito bem conceituada por Kober (2004, p.154) quando ele afirma que "qualificação profissional é a preparação do cidadão através de uma formação profissional para que ele ou ela possa aprimorar suas habilidades para executar funções específicas demandadas pelo mercado de trabalho". Pode-se verificar que a qualificação dos candidatos também é um ponto muito importante dentro do processo de seleção visto que os passarão a ter uma maior chance de sucesso baseada nas suas qualificações. Como afirma Gehinger (2008, p.165), "na década de 1960, um jovem que tivesse três mil horas de estudo conseguiria emprego ganhando três salários mínimos por mês. Atualmente, para ganhar os mesmos três salários mínimos um jovem preciso de doze mil horas de estudos". 63 4.1.2.2 Etapas da seleção na indústria B Nessa indústria, percebe-se que o processo seletivo pode ser feito por uma consultoria externa, quando o cargo é mais complexo. Sobre as técnicas utilizadas, elas são: entrevistas, tanto com o gestor de RH, quanto com aquele da área responsável, análise dos currículos, testes psicológicos, conforme as declarações, abaixo: ...depende da complexidade da vaga; eu utilizo essas consultorias [...] Para as funções mais operacionais, a gente faz totalmente o processo interno... (GB - sic). ...a gente utiliza entrevistas, análise de perfil [...] testes psicológicos [...] entrevistas com o gestor da área, entrevista técnica [...] entrevistas pessoais... (GB - sic). Como foi mencionado pelo GB dentro de seu processo de seleção,inicialmente, é feito um recrutamento interno para preenchimento de vagas de níveis hierárquicos mais baixos e recrutamento externo para os cargos mais altos. Seguidos de entrevistas e testes psicológicos. De acordo com Limongi-França e Arellano (2002, p.64) "o recrutamento interno estimula o desenvolvimento profissional e oferece perspectivas e crescimento na carreira aos funcionários da empresa". Para as mesmas autoras o recrutamento externo "é a busca de candidatos no mercado de trabalho ou em fontes específicas para o preenchimento do cargo". Após o recrutamento interno ou externo segue-se para a próxima etapa que são os testes psicológicos e as entrevistas. Conforme Gil (2013. p.100): "os testes psicológicos são instrumentos muito úteis para identificar as aptidões dos candidatos. Podem ser utilizados para a avaliação do potencial intelectual dos candidatos, de suas habilidades específicas (raciocínio verbal, raciocínio abstrato, raciocínio mecânico etc.), bem como de seus traços de personalidade". 64 Ainda de acordo com o mesmo autor: "a entrevista é reconhecida hoje como um dos mais úteis instrumentos que se dispões para a seleção de pessoal. Possibilita contato direto com o candidato, bem como a identificação de sua capacitação para exercer o cargo que se deseja preencher. Em virtude de sua flexibilidade a entrevista pode ser considerada o instrumento mais adequado para a obtenção de dados em profundidade. Ela tanto pode ser utilizada de maneira exclusiva como para complementação de dados obtidos mediantes outros procedimentos" (GIL, 2013. p.101). 4.1.2.3 Etapas da seleção na indústria C Nessa indústria, verifica-se que o seu processo seletivo também pode ser realizado por uma consultoria, em caso de cargos de nível superior na hierarquia. Sobre as técnicas, utilizadas, são análise dos currículos (deixados na portaria da empresa pelos candidatos ou entregues por algum funcionário da organização), provas (de conhecimento específico na área desejada para alguns cargos), entrevistas (por competência) com o gestor de RH e da área responsável, testes psicológicos, além da observância da conduta dos candidatos, na empresa. ...existe um procedimento que a gente faz, aplica algumas provas, quando é um processo interno, fazem entrevista com RH e com o gestor e além disso, a gente faz todo o pré requisito antes, né? De a gente chegar na entrevista e nos testes, é se a pessoa, mantém faltas injustificadas, não teve nenhuma medida disciplinar, que são, é, advertências... (GC - sic). Entrevista por competência [...] Desde o auxiliar de produção até, vai, uma vaga de diretor... (GC - sic). ... quando é externo, a gente não tem um teste específico; é muito mais a entrevista por competência, e quando a gente vai pra vagas mais de outros níveis (GC - sic). Como foi verificado o GC também opta por uma seleção utilizando uma consultoria externa para o preenchimento de vagas de níveis hierárquicos mais altos, como afirma Bohlander e 65 Snell (2009, p. 158) "atualmente, muitos cargos exigem níveis de habilidades superiores, e os gerentes não mais podem depender exclusivamente dos currículos não solicitados enviados pelos candidatos às vagas em aberto". Ainda de acordo com os mesmos autores, "ao contrário das agências de emprego públicas e privadas, que ajudam as pessoas que procuram emprego a encontrar o cargo certo, as empresas que recrutam executivos (geralmente chamadas "headhunters") auxiliam as organizações a encontrar a pessoa correta para um determinado cargo" (BOHLANDER; SNELL, 2009, p.163 - grifo do autor). Em relação as provas escritas Gil (2013, p.99) afirma: "recomenda-se a utilização de testes escritos para o preenchimento de cargos para os quais se requer conhecimentos específicos, bem como determinadas habilidades, como, por exemplo, a de redação". Ainda de acordo com Gil em relação aos testes práticos, os mesmos "são adequados para a avaliação das habilidades dos candidatos. São muito importantes para os cargos de natureza operacional ou relacionados à produção, onde se confere ênfase especial aos aspectos psicomotores" (2013, p.100). 4.2 Elementos da cultura organizacional O segundo objetivo específico desta pesquisa teve o propósito de identificar elementos da cultura organizacional Schein (2009) perceptíveis no processo de seleção de pessoas, em indústrias de Vitória de Santo Antão – PE. Neste sentido, alguns desses foram percebidos, por meio das declarações dos gestores de RH, das três empresas estudadas. 66 4.2.1 Valores Os valores orientam as ações das organizações para tudo aquilo que ela considera como prioridade. Eles podem ser perceptíveis por meio dos depoimentos nas entrevistas, pelas observações, no seu quotidiano. A seguir estão relacionados alguns deles e separados por empresa pesquisada. 4.2.1.1 Valores da indústria A Parece que as pessoas, mais,precisamente ,aquelas do nível operacional, não estão entre os valores da indústria A. Pode-se entender isto, a partir das práticas de recursos humanos, declaradas por meio dos depoimentos do seu gestor. Ao que se refere à socialização do pessoal, há uma indicação de que ela não é vista como uma necessidade e prioridade, nessa empresa, o que pode significar uma baixa atenção à integração entre as pessoas, às equipes de trabalho ou até mesmo ao clima organizacional. Esse processo segue de maneira informal e restringe-se apenas a uma apresentação feita aos colegas de trabalho, durante a própria semana de treinamento. Os funcionários antigos são instruídos a dar atenção aos novatos e são esclarecidos de que eles estão ali não para ocupar o cargo de alguém, o que já representa um sinal de desunião entre eles e a necessidade de um processo de socialização. ...colocamos ele pra fazer uma semana de treinamento e ele por si só vai se socializando lá por trás. Mas nós chamamos todos os funcionários da área dele, né? E aí apresentamos [...] eu pedi que eles tivessem um carinho, uma paciência que eles tavam entrando agora e pedindo, que cada um, que ninguém tava tomando o lugar de seu ninguém aqui, e pedindo pra cada um ajudar o seu amigo que tava chegando agora na casa né? E assim foi, mais apresentação, só apresentação, num tem nenhum lanche (GA - sic). 67 Entretanto, parece que quando se trata de pessoal administrativo, o processo de socialização tende a ser diferente. O rapaz que entrou aqui no escritório fez a mesma coisa, ele começou, ele passou uma semana vindo, conhecendo, e a gente apresenta a empresa toda ao funcionário pra ele conhecer, conhecer os diretores e conhecer todo mundo pra ele saber quem é quem, se situar... (GA - sic). Percebe-se, também, que as pessoas não representam valor para essa empresa, pelas declarações do gestor de RH, quando ele afirma não dar importância à qualificação dos candidatos do nível operacional; além do mais, como ele se refere a elas: ‘pessoas broncas’. Então, serviços gerais e ajudantes de motorista são pessoas mais bronca que não necessitam de ter nenhuma competência (GA - sic). A mesma compreensão fica, quando se trata do processo de treinamento: ele é realizado por meio dos ensinamentos transmitidos pelos próprios funcionários, que exercem atividades semelhantes. ...seus colegas repassam as atividades (GA - sic). Por outro lado, embora em um primeiro momento possa-se pensar que essa indústria valoriza a família, quando se diz que a mesma contrata familiares dos seus atuais empregados, ou quando se ouve dizer que todos do setor financeiro pertencem a uma mesma família, continua sugestivo o mesmo pensamento formado anteriormente, referente à falta de valorização das pessoas, pela interpretação dos depoimentos do gestor de RH: primeiro, ‘pai e filho não trabalham juntos’; depois, ‘há receio e evita-se esse tipo de contratação’. O que ainda é sugestivo é que esse procedimento de desconfiança talvez se restrinja ao nível operacional. ...Praticamente, todos os funcionários do escritório tem algum parentesco [...] todos os meninos do financeiro são família, são todos antigos (GA - sic). ...um pai que é um motorista e tenho o filho que é um ajudante, então, eles nunca trabalharam junto [...] a rota que o pai ta o filho não ta... (GA - sic). 68 ...Se evitar, melhor, é (GA - sic). Percebe-se, ainda, que o trabalho é mesmo a prioridade, na hora da contratação, independentemente, das necessidades de cada uma das pessoas, isto é, ao serem admitidas, elas devem estar conscientes de que o horário excedente é possível. Precisamos de pessoas que não estejam aqui só para cumprir seu horário padrão de trabalho, mas sim de pessoas que correspondam às necessidades da empresa, caso necessário, mesmo que isso comprometa seu horário de saída (GA - sic). 4.2.1.2 Valores da indústria B Semelhantemente, ao caso anterior, na indústria B, parece que as pessoas não merecem tanta atenção quanto à própria empresa em si mesma, em termos de crescimento dos seus interesses particulares; parece que aí está o seu maior valor. Por meio das práticas de recursos humanos, declaradas pelo seu gestor, pode-se auferir essa compreensão. Da mesma maneira, parece que os clientes e a qualidade dos processos e produtos são reconhecidos como valores: O nosso cliente é o principal; oferecer qualidade pro cliente é essencial; a gente trabalha num nível de qualidade extremamente arrojado, tudo isso para chegarmos ao topo Em comparação à empresa anterior, percebe-se que na indústria B, a socialização dos novatos é feita com mais formalidade, tal como uma simulação prévia do trabalho a ser desenvolvido. Nessa ocasião, eles se juntam aos funcionários mais antigos a fim de que esses lhes apresentem as atividades a serem realizadas. Por consequência a integração entre eles começa antes da contratação, o que favorece, antecipadamente, à convivência. Então, no processo de contratação ele já vai conhecer, antes de sercontratado, toda a atividade que ele vai desenvolver, ele é apresentado, inclusive na linha de produção [...] já vai saber o que ele vai enfrentar. Então é apresentado tudo 69 isso pro candidato, quanto a questão de horários, os procedimentos internos, os regulamento nosso interno. Quanto a padrões que tem que seguir aqui dentro[...] Então, a gente faz a integração com o funcionário durante, passa o primeiro dia de trabalho todo, é, recebendo informações da empresa, recebendo tudo quanto é dados da empresa, informação, crescimento, objetivos, como deve seguir, como deve proceder, como ele vai crescer aqui dentro, como é, as possibilidades de crescimento. Tudo isso é feito nesse processo de integração. Aí após isso, daí ele vai pra atividade dele (GB - sic). A visão que se tem sobre a importância da contratação de pessoas mais qualificadas informa, antes de qualquer coisa, o cuidado que se tem com a qualidade do negócio desenvolvido pela indústria B. As declarações do gestor de RH indicam a prioridade que se dá à qualificação dos candidatos ainda no processo de recrutamento, o que sugere essa percepção; talvez como uma extensão do processo seletivo. Então, os cargos mais complexos a gente busca [...] um profissional já que esteja atuando no mercado na área, já tenha uma certa bagagem, tenha experiência. Então os requisitos mínimos é a formação [...] já vindo com experiência [...] praticamente pronto pra chegar e atuar e dar resultado[...] Avaliamos a questão pessoal do candidato e vemos o que esse candidato tem de potencial pra nos dar o resultado futuro... (GB - sic). Nessa mesma linha de compreensão, verifica-se a inquietação quanto a encontrar pessoas que se adequem às necessidades da empresa. Alega que eles, em geral, não têm conhecimentos específicos, principalmente na área técnica, sem falar em experiência na área desejada, o que se torna mais agravante. Consequentemente, percebe-se que a oferta de emprego dessa empresa é superior à demanda existente no mercado. Tal fato leva-a a contratar pessoas abaixo do seu nível de exigência ou até mesmo de outros estados. ...a principal dificuldade que se encontra nos perfis dos candidatos é a falta de conhecimento. Conhecimento específico na nossa área, e a qualidade de aprendizado que a pessoa teve, quer dizer, muitas vezes a gente vê uma pessoa que tem um curso técnico ai quando você começa a questionar essa área 70 [...] você vê que [...] o conhecimento que ela adquiriu é muito pouco. Então ela tá formada, tem um certificado, tem um diploma, mas ela não tem conhecimento [...] muitas vezes falta um pouco de experiência, mas muitas vezes é o próprio conhecimento da área (GB - sic). Ao que se refere o treinamento na indústria B, a qualificação é uma condição importante e necessária para o seu crescimento. Há o cuidado em indicar um monitor que deve acompanhar o novato enquanto ele estiver aprendendo as suas funções e somente assumir o seu posto, quando estiver preparado. Por essa medida interna, percebe-se o zelo que se tem para com o exercício das tarefas e não propriamente o interesse em formar um profissional. Parece que se dá preferência, inclusive, àqueles que se propõem à multifuncionalidade, à dedicação e à motivação ‘total’ ou, ainda, àqueles que tenham como foco a busca contínua de melhoria de resultados, sobretudo. Ao contrário, aqueles que não são produtivos não são desejados por essa empresa, independentemente, do cargo que ele venha a ocupar. Segundo o gestor de RH, existe na organização um projeto chamado ‘empresa-escola’ no qual os funcionários aprimoram seus conhecimentos através da troca de experiências, em conversa informal; esses encontros ocorrem quinzenalmente. Aí, ele passa também por um período de mais um determinado tempo pra ser treinado, então ele vai tá com um monitor junto com ele, ele vai ta sendo treinado [...] ele nunca, ele vai tá fazendo a atividade sozinho; só a partir do momento que ele já tiver confiante, que tiver com experiência no que ele tá fazendo é que ele vai consegui fazer a atividade sozinho (GB - sic). ...a gente sabe que tem que qualificar; então, não tem as pessoas com conhecimento na nossa área então, inevitavelmente, a gente tem que buscar qualificar... (GB - sic). ...a gente busca profissionais que estejam buscando crescimento profissional, queiram almejar uma carreira sólida (GB - sic). 71 Não podemos ter pessoas que, que querem ficar acomodadas Precisamos de pessoas que estejam com certa evolução aprendendo, buscando conhecimento, se dedicando, se identificando em novas atividades, sendo profissionais multidisciplinares (GB - sic). Então, as principais competências que a gente espera de todos candidatos é a dedicação, funcionários totalmente dedicados [...] Totalmente motivados pela busca de conhecimentos. Sempre ter aquela curiosidade de saber um pouco a mais. Serem criativos (GB sic). Nada melhor do que o próprio funcionário que ta ali fazendo atividade que ele saiba, onde pode melhorar (GB - sic). Produtividade é essencial aqui. Isso vai tanto do operacional até o presidente da empresa (GB - sic). Eu digo que cem por cento dos funcionários tem um pouquinho dessa característica do presidente [...] de ser visionário. É enxergar o que eu posso melhorar? [...] Aonde eu posso evoluir? Aonde eu posso dar resultado? (GB - sic). Em relação à contratação de familiares percebe-se que a indústria B não se opõe e declara, inclusive, oferecer cursos específicos para os filhos dos funcionários. Entretanto, pode-se verificar pelo depoimento do gestor de RH, que esse interesse vai muito mais em direção do favorecimento da empresa, do que, propriamente, para os empregados, muito menos para os seus filhos. Contrato. Inclusive a gente tem até um programa que se chama jovem aprendiz pra contratar os filhos dos funcionários. Então a gente busca cativar o filho do funcionário, oferecer treinamento, oferecer aprendizado, oferecer conhecimento pra futuramente ele ser um nosso, um funcionário da nossa empresa [...] Até melhor que busca uma sinergia melhor aí. Então o resultado é melhor (GB - sic). 72 4.2.1.3 Valores da indústria C Tal como nos casos anteriores, parece que também na indústria C, as pessoas não representam valor e sim o trabalho. As práticas de recursos humanos, declaradas pelo seu gestor de RH, deixam passar essa informação. A primeira delas identificada refere-se à simpatia, que deve ser transmitida aos clientes internos e externos, como regra na empresa, independentemente do estado emocional do indivíduo. ...acho que é um perfil da companhia que é alegria, é o propósito que nós temos. Ah, então a pessoa tem que ficar sempre sorrindo? Não, né, não é isso, mas, tem que ter um perfil, um olhar simpático (GC - sic). E a gente vai muito pelos valores da empresa [...] Mas vê se a pessoa é mais fechada, é mais carrancuda [...] a pessoa as vezes tem introspectiva, mas tem um olhar simpático, que como você vê a ente tem um propósito de realmente as pessoas serem alegres aqui... (GC - sic). Entretanto, mais adiante na entrevista, depois de ter declarado, por diversas vezes a importância da alegria e da interação dos funcionários, o gestor chega a se expressar em favor do trabalho; finalmente ele deixa claro que apenas isso não basta; faz-se necessário também buscar os resultados da empresa. Acho que [...] a empresa precisa também dar o volume, entregar resultado; não dá também só pra ficar todo mundo alegre e não correr atrás (GC - sic). O processo de socialização na indústria C é realizado através de programas de integração oferecidos aos novatos, durante três dias, momento em que eles têm contato direto com outros funcionários que os fazem conhecer a empresa, antes de eles seguirem para a linha de produção. 73 Vale salientar que, os recém contratados são identificados por meio de uma touca de cor azul, o que parece estranho, apesar do gestor afirmar que, assim eles receberão a atenção dos demais na empresa; interessante, ainda, salientar, a expressão de eufemismo que ele usa: ‘toquinha’. ...temos aqui, primeiramente, o programa de integração, onde eles passam três dias [...] Conhecendo toda a estrutura da empresa desde os benefícios, a parte de administração de pessoal, a institucional, área de qualidade, transportes, refeição, área de manufatura. Então eles conhecem de tudo pra então seguir pra linha... (GC - sic). ...Eles ficam identificados com uma toquinha azul pra poder saber que é o novato, então ele tá aprendendo, então, a gente tem uma maior atenção com eles (GC - sic). Quanto à qualificação dos candidatos o gestor de RH ressalta a dificuldade para encontrá-los, nessa região, principalmente quando se trata de áreas técnicas; segundo ele, a preferência tem sido mais para cursos de graduação. Ainda, constata-se que algumas características são essenciais para o ingresso nessa empresa: força de vontade, iniciativa, alegria e bom relacionamento interpessoal. ...Eu acho que a maior dificuldade aqui do Sertão é qualificação [...] A mão de obra técnica... (GC - sic). ...características que busco realmente se ele tem vontade, se tem iniciativa; acho que são competências básicas pra começar aqui na empresa [...] E depois de realmente a gente ver todo perfil, a qualificação... (GC - sic). ...acho que a, a competência é realmente se a pessoa tem iniciativa e tem vontade, que é realmente assim, trabalhar e gostar de pessoas(GC sic). 74 Quanto ao treinamento na indústria C, tudo indica que esse processo é muito rápido e fica ao cargo de um colega de trabalho, veterano, o qual é denominado de ‘amigo da inclusão’, que se encarrega de ensinar as tarefas. Como também acontece na indústria B, nessa empresa parece que o treinamento se destina unicamente à melhoria do trabalho e não à formação do profissional. ...Quando eles seguem pra linha eles têm um amigo especial, que é o amigo da inclusão, pra poder propiciar nesses dias, o que a gente chama de integração; uma maior facilidade pra ficar [...] no administrativo e na fábrica... (GC - sic). Outra informação percebida é que, nessa indústria se cobra a prática dos valores da companhia. Parece que há zelo por eles. ...sempre o que a gente foca são os valores da companhia que precisam ser vivenciados... (GC - sic). Segundo o depoimento do gestor de RH, nessa indústria, eles até contratam parentes, contanto que venham trabalhar em áreas diferentes (administrativo ou produção) ou que não venham ser subordinados uns aos outros, a fim de evitar qualquer conflito de interesses. Sim, contratamos. A premissa é que eles não fiquem na mesma subordinação, ou seja, eles fiquem em linhas diferentes, né, quando é da, da fabrica, e quando é do administrativo [...] Não pode ter nenhum contato pra não ter conflito de interesses; mas contratamos. Não, é, no próprio RH existe casais, que são casados, que tem filhos. Sem problemas (GC - sic). Outro valor identificado nessa empresa, a partir da entrevista com o gestor de RH, não são aceitáveis pessoas e comportamentos que não indiquem comprometimento com a empresa e o trabalho. 75 Hoje, nós temos os valores: agir como dono, ser aberto e inclusivo, inspirar confiança, dizer as coisas como elas são, discutimos, decidimos e entregamos... (GC - sic). Fazendo-se uma análise comparativa entre as três empresas, percebe-se que tanto a empresa A quanto a empresa B e C considera como seu principal valor o trabalho e a qualidade de seus produtos e não as pessoas que fazem parte da organização. Em se tratando da socialização, embora todas as empresas tenham a prática de realizá-la percebe-se que, na empresa A as pessoas de nível hierárquico mais alto bem como o pessoal administrativo tem uma socialização realizada de maneira diferenciada, com uma melhor atenção em relação aos funcionários de níveis mais operacionais. Nas empresas B e C, a socialização ocorre mais,formalmente, porém, sempre com foco na qualidade da tarefa realizada a fim de que não se comprometa a o resultado final, que são os produtos, e não com a intenção de criar um ambiente amistoso e receptivo para os novos funcionários. Em relação a qualificação profissional, as empresas B e C demonstram que não estão preocupadas com tal questão, mas sim, com a qualidade de seus produtos chegando até, como no caso da empresa B, a contratar pessoas de fora da cidade ou até mesmo de outros estados mas não se empenham ao máximo em qualificar seus próprios funcionários. Importante salientar que os funcionários que têm uma maior atenção por parte das empresas A e B em receberem alguma atenção para sua qualificação são apenas aqueles que já demonstram algum nível de conhecimento técnico. Vale salientar que na empresa A, as pessoas consideradas "broncas" pelo gestor não tem valor algum por tanto, não têm nenhum tipo de capacitação profissional. No que se refere à questão de treinamento, as empresas B e C se assemelham em relação a terem o que ambas chamam de "amigo de inclusão", porém, é um treinamento que não tem como foco a evolução profissional mas sim, capacitá-los para desempenhar suas tarefas de forma a não comprometer a qualidade do produto. A empresa A não realiza treinamento para os funcionários de níveis mais baixos, permitindo apenas que os funcionários antigos repassem aos mais novos o que deve ser feito, o que não ocorre com os cargos de níveis hierárquicos mais altos e administrativos, onde existe uma preocupação maior em treiná-los, 76 por serem vistos pelo gestor como mais importantes para a organização merecendo, portanto, um treinamento diferenciado. A respeito da contratação de familiares, por fim, ambas as empresas (A, B e C) têm essa prática, porém, com algumas ressalvas. A empresa A contrata familiares desde que estes não trabalhem no mesmo setor embora, para os níveis hierárquicos mais altos, essa regra não se aplique. A empresa B contrata funcionários que tenham laços familiares desde que haja uma grande necessidade por parte da mesma de se contratar seu quadro de funcionários e não porque isto seja política da empresa. A empresa C, por sua vez, embora contrate funcionários que possuam laços familiares, não permitem que estes sejam subordinados diretos de seus parentes. Ficou claro que, pelo o que foi exposto pelos gestores das empresas A, B e C, nenhuma das empresas vêm as pessoas como sendo um dos valores mais importantes da organização mas sim, apenas um meio para alcançar seus objetivos organizacionais. Como afirmam Bohlander, Snell e Sherman (2005, p.09), “O capital humano é intangível e não pode ser gerenciado da mesma maneira que as empresas gerenciam cargos, produtos e tecnologias. Uma das razões para isso é que são os funcionários, e não a empresa, os detentores do capital humano. Ao saírem funcionários valiosos de uma empresa, eles levam consigo seu capital humano, e qualquer investimento que a empresa tenha feito no treinamento e desenvolvimento dessas pessoas fica perdido para ela”. Bohlander e Snell (2009, p.53), ainda complementa afirmando que: "as pessoas são principal recurso que fundamenta as competências centrais de uma companhia. Particularmente, nas indústrias que têm como base o conhecimento. 4.2.2 Sinais Outro aspecto importante quando se deseja estudar a cultura organizacional e a sua influência sobre suas práticas de gestão, é a percepção dos sinais que são artefatos aparentes e capazes 77 de refletir os diversos valores da empresa, não somente os declarados, mas também aqueles reais. 4.2.2.1 Sinais na indústria A Percebe-se que, nessa indústria, existe uma preocupação com a aparência externa, isto é, o empregado que tenha contato com o público deve se apresentar melhor, tanto em termos de expressão oral, quanto à sua vestimenta; isso se aplica aos vendedores e às promotoras. Entretanto, tudo indica que essa preferência não se refere àquelas pessoas que trabalham no escritório ou no nível operacional. Isto vem a sugerir, mas uma vez, que as pessoas não representam valor para essa organização. Veja só, um vendedor ele tem que saber vender, ele tem que saber se expressar, ele tem que saber chegar ao cliente, vender a mercadoria, tem que ser, carisma, tem que saber escutar, né? Que o vendedor você sabe que ele tem que saber escutar um não [...] já a promotora eu acho que o se expressar, saber também chegar no cliente [...] já as pessoas de escritório não precisa dessa delicadeza porque ele não tem contato externo... (GA - sic). 4.2.2.2 Sinais na indústria B Contrariamente, ao caso anterior, percebe-se que a preocupação com a aparência nessa indústria começa, antes de tudo, internamente, com os seus funcionários. Todos eles usam uniformes, inclusive os que ocupam cargos mais altos na hierarquia, além de portarem crachá, que os identificam. Tudo indica que esse zelo com a aparência interna visa preservar, antes de qualquer coisa, à imagem da própria empresa, as suas atividades e o seu patrimônio. Uma confirmação dessa percepção pode ser tida pela prática da revista realizada em todos os funcionários, (exceto gerentes e diretores) pelo segurança, na Portaria, ao termino de cada expediente. Semelhantemente, os funcionários (exceto gerentes e diretores) são proibidos de entrar com os 78 seus pertences, os quais devem ser deixados em um armário localizado na entrada. A impressão que se tem é de que o patrimônio deve ser preservado e de que não se deve confiar nas pessoas. Verifica-se um sinal de formalidade e de rigidez quanto ao cumprimento das normas dessa empresa, ao que se refere aos atrasos frequentes e às faltas não justificadas. Tais normas estão estabelecidas no manual de conduta, criado pela empresa para todos os funcionários, inclusive, para aqueles de cargos de chefia. Verificou-se, também, que faz parte das normas dessa empresa, o uso de uniforme, crachá e equipamentos de EPI, bem como a interdição dos hábitos de fumar e comer, nas suas dependências, além de atender ao telefone celular, nos ambientes de produção. Pontualidade, assiduidade e segmento das normas de conduta também são coisas que fazemos questão de manter e seguir a risca aqui dentro da empresa. Quanto a isso somos rígidos (GB - sic). ...ao ingressar na empresa o funcionário fica ciente de todas as normas através do manual de conduta que entregamos a eles. Então, tudo aquilo que ele não justificar não tem desculpa (GB - sic). 4.2.2.3 Sinais na indústria C Pode-se constatar que, nessa indústria, os padrões de comportamento são rígidos a tal ponto que deixa o ambiente de trabalho tenso. A estrutura hierárquica é definida e clara para todos os funcionários. Percebeu-se que os relacionamentos interpessoais acontecem entre os seus pares; o acesso aos superiores é restrito, sendo possível após prévia solicitação e agendamento. Todos os funcionários são identificados por fardamento específico, conforme o setor em que trabalham e pelo crachá, que lhes permite ou restringe o acesso aos diversos setores da empresa. Quanto aos Diretores, eles não usam fardamento, mas apenas um crachá de identificação. 79 Os funcionários são proibidos de entrar com bolsas e, portanto, as deixam em um armário localizado na entrada da indústria; ao término do expediente, elas são revistadas pelo segurança da Portaria. Foram ressaltados, também, pelo gestor de RH, alguns aspectos importantes para a organização: a pontualidade e assiduidade dos empregados, o respeito aos colegas, o cumprimento às regras e normas, tais como: não fumar e comer nas dependências da empresa, não atender telefone celular no ambiente da produção, usar uniforme e crachá, além de todos os equipamentos de EPI. Eu acho que é importante também o funcionário não faltar, ser pontual, respeitar os colegas, também é muito importante para nós (GC - sic). Em se tratando dos sinais, a preocupação da empresa A está ligada a boa aparência visual do funcionário como uniforme, por exemplo, embora, com o pessoal do escritório e com o pessoal de níveis hierárquicos mais altos, tal preocupação não exista. Na empresa B, contrariamente, à empresa A, todos os funcionários tanto de níveis hierárquicos mais baixos quanto os de níveis mais altos devem estar devidamente uniformizados e com crachá embora, nesta referida empresa, haja um hábito de se revistar os pertences dos funcionários com exceção dos pertences de gerentes e diretores; tal fato aparenta, por parte da empresa, uma prática de zelo, porém, verifica-se que, na verdade, é apenas falta de confiança nas pessoas, principalmente, nas que possuem cargos mais baixos. Na empresa C, a rigidez é perceptível. Há uma grande exigência para que se siga os padrões de comportamentos da organização. Os funcionários são identificados, a partir de seus uniformes e com crachás que restringem, por exemplo, o acesso a setores específicos. Vale salientar que quanto a preocupação com assiduidade, frequência e pontualidade, isto é bem perceptível apenas nas empresas B e C. É bem aparente que a maior preocupação das três empresas (A, B e C) está com a imagem que os funcionários transmitem a respeito das mesmas e não com o bem estar do funcionário em si. 80 De acordo com os autores Pardini, Gonçalves e Kilimni, (2008, p.51): “Os sinais estão presentes arranjos físicos como as características da estrutura física organizacional, os sinais de identificação para os públicos internos e externos e o modo de vestir dos funcionários apresentam-se como poderosos indícios culturais da organização”. Ainda na mesma linha dos autores anteriores Thévenet (1989, p.90) afirma que: “Os sinais referem-se a tudo aquilo que, no funcionamento quotidiano, pode ter um sentido que se articule com as lógicas que suportam o funcionamento da empresa; no que toca os símbolos, o que se procura é a síntese da realidade, que vive num fato, num rito ou numa historinha”. 4.2.3 Crenças As crenças de uma organização, também, podem emitir informações sobre a sua cultura e como elas podem orientar o processo de seleção de pessoas. 4.2.3.1 Crenças da indústria A Uma das crenças identificados na indústria A, refere-se à convicção de que pessoas que ingerem bebida alcoólica nos finais de semana não devem ser contratadas, pois são susceptíveis de trazer problema para a empresa, mesmo se ele afirma já terem, inclusive, pago tratamento contra o vício, para algum deles. Quando eu vou conversar com eles uma das coisas que eu pergunto é sobre bebida. [...] Mas o funcionário ele tem que ter a consciência de que o que ele for fazer no sábado ou no domingo, pode refletir na segunda-feira e o que ele fizer vai refletir na empresa (GA - sic). Então, se você bebe muito no final de semana na segunda-feira você não tem disponibilidade nem saúde pra segurar 50 quilos [...] dirigir 12 horas (GA sic). 81 O que vocês vão fazer não me interessa [...] porque a empresa precisa de vocês do mesmo jeito que vocês precisam da empresa (GA - sic). Apesar de que a gente teve um funcionário aqui que nós da empresa já pagou dois tratamento de alcoolismo pra ele e ele continua na empresa... (GA - sic). Outra crença identificada nessa indústria, trata-se da não preferência por pessoas do sexo feminino. Para esse gestor, eles acreditam que as mulheres podem trazer problemas para a empresa, em decorrência de suas atribuições como mãe e dona de casa. Embora haja esta crença, preconceito, verificou-se que foi dada a oportunidade a uma única mulher que se enquadrava neste perfil (tinha filhos, dona de casa) e que a mesma desempenhou, segundo o GA, bem todas as atribuições requeridas pelo cargo. Você sabe que homem tem mais disponibilidade porque a mulher é uma dona de casa, filho, tinha que levar pra médico, menino adoecia então, tinha todo aquele processo [...] Então me exigiram que seu só contratasse se fosse homem (GA - sic). E aí apareceu uma candidata, mulher, e assim, de começo, de cara, assim, bateu e a gente via que ia ser a pessoa certa; e o pessoal relutou [...] Ela mostrou que tem responsabilidade apesar dela já ter uma filha de oito aninhos... (GA sic). Nessa mesma linha de compreensão, verifica-se ainda que na indústria A, as pessoas parecem ser importantes, na medida em que são produtivas no trabalho. Sendo assim, aquelas com mais de 40 anos de idade não devem ser contratadas, visto que são consideradas inadequadas para o desempenho de atividades físicas; conforme o depoimento, abaixo. Então, quando vem aquela pessoa [...] já com seus 40 anos a gente evita porque a gente já tem funcionários antigos. Já tem problema, carrega muito peso (GA - sic). 82 4.2.3.2 Crenças da indústria B Nessa indústria, uma das crenças identificadas trata da importância que se dá à parceria entre a empresa e os empregados: para ela, o seu desenvolvimento depende de cada um de seus funcionários e reconhece, ainda, que uma maneira de se alcançar os seus objetivos é por meio do trabalho em conjunto. Para podermos alcançar nosso máximo desenvolvimento só andando juntos, empresa e funcionários (GA - sic). 4.2.3.3 Crenças da indústria C Identificou-se nessa indústria, a partir da declaração do gestor de RH, que não há nenhum tipo de preconceito em contratar pessoas com aparências ou nacionalidades diferentes; ela, inclusive, declara ser uma empresa inclusiva, sem nenhum tipo de descriminação e que está sempre buscando a diversidade. Acredita-se, ainda, que o desenvolvimento profissional e organizacional pode ser alcançado pelo comprometimento com trabalho e pela busca da qualidade, respectivamente. Um ambiente inclusivo, pra isso as pessoas por serem diferentes, ah, se um usa tatuagem, se um usa cabelo rastafári, se uma é chilena, a gente tem aqui chileno, paraguaio, qual é a diferença? Né? Então assim, todo mundo com sua diferença mais focado no objetivo. É isso que a gente tem aqui. E aqui o bom é a espontaneidade. Você pode ser quem você é. Não precisa você ficar colocando máscaras, personas... (GC - sic). ...Quem escolhe vestir a camisa da empresa tende a crescer dentro da mesma (GC - sic). Se hoje a gente está entre os melhores no mercado é porque lutamos muito para isso, pois, estamos sempre buscando a máxima qualidade em nossos produtos (GC - sic). 83 Em relação às crenças, as empresas B e C têm a crença de que o trabalho em conjunto os farão atingir os objetivos organizacionais. Na empresa C, inclusive, os gestor apoia a busca da diversidade cultural para que os objetivos da mesma sejam atingidos. A empresa A, por sua vez, possui a crença de que não deve contratar pessoas que costumem ingerir bebida alcoólica nos finais de semana a fim de evitar problemas para a empresa. Há, também, a crença de que é preferível não contratar mulheres devido ao fato de as mesmas serem donas de casa e mães e isso pode impactar na sua atuação dentro da organização por não se dedicarem totalmente a empresa como também, evita-se a contratação de pessoas com mais de 40 anos de idade por considerar as mesmas improdutivas no que diz respeito, por exemplo, a atividades braçais. Mais uma vez ficou claro que todas as preocupações das empresas em questão se resumem em preocupar-se apenas com a imagem das mesmas e com a qualidade de seus produtos. As crenças são vistas como a verdade nas organizações e, portanto, não cabe discussões a seu respeito, cabendo apenas aos integrantes da organização aceitá-las e segui-las, caso não o faça podem ser descartados (SCHEIN, 2009). 4.3 Percepções dos gestores de RH Levando em consideração o terceiro objetivo específico desta pesquisa, que se trata em comparar as percepções dos gestores de RH quanto ao processo de seleção de pessoas em indústrias de Vitória de Santo Antão - PE, pode-se perceber que, embora os gestores não tenham consciência sobre a cultura da organização (foi o que se pôde apreender, ao longo de toda a pesquisa), eles adotam os valores no processo seletivo, aqueles que são vividos no cotidiano. No caso da indústria A, verifica-se que o processo seletivo toma como base a informalidade no recrutamento, o pouco valor que se dá à socialização e ao treinamento. Quanto às indústrias B e C, percebe-se que esse processo é formal, bem como todas as outras práticas de RH: cuida-se da socialização, embora seja delegada aos outros funcionários mais 84 antigos e o treinamento é importante, na medida em que é entendido como uma ferramenta necessária à execução de um bom trabalho. Para orientar a análise dos dados deste trabalho, e como a mesma foi feita, tomou-se como referência a figura 2, abaixo: 85 Figura 2 - Categorias, indicadores e unidades de registro: valor da qualidade, em destaque Categorias Indicadores Recrutamento Qualificação para o cargo Aspectos da Seleção de pessoas Seleção Unidades de registro Indústria A Informal/indicação/recolhimento de currículos/externo Indústria B Formal/divulgação/interno-externo Indústria C Formal/divulgação/interno-externo Indústria A Não é de interesse da empresa Indústria B Interesse da empresa Indústria C Interesse da empresa Indústria A Análise dos currículos/entrevista /especulação da vida do candidato Análise dos currículos/entrevistas/ testes psicológicos Análise dos currículos/entrevistas/ testes psicológicos/conduta Indústria B Indústria C Indústria A Socialização Indústria B Indústria C Treinamento para o cargo Indústria A Indústria B Indústria C Valores Cultura organizacional Sinais Apresentação das pessoas\socialização por si só Apresentação da empresa, das pessoas e da tarefa Apresentação da empresa, das pessoas e da tarefa Ensinamentos pelos funcionários Necessário/acompanhamento por um monitor Ensinamentos pelos funcionários/amigo da inclusão Indústria A Indústria B Trabalho Indústria C Propriedade/clientes/trabalho Indústria A Improvisação administrativa /boa aparência para o exterior Formalidade e rigidez/ cumprimento de regras e normas/ boa aparência a partir do ambiente interno Formalidade e rigidez / cumprimento de regras e normas/ boa aparência a partir do ambiente interno Não contratação de pessoas: que ingerem bebidas alcoólicas/do sexo feminino/mais de 40 anos de idade Parceria empresa/empregados Indústria B Indústria C Indústria A Crenças Indústria B Indústria C Propriedade/clientes/ trabalho Empresa inclusiva/ parceria empresa/empregados Fonte: Adaptado de Sá, 1997; dados da pesquisa, 2014. 86 5 Conclusão e recomendações Esta dissertação buscou investigar de que maneira a cultura organizacional é levada em consideração no processo de seleção de pessoas, em indústrias de Vitória de Santo Antão – PE. A partir da formulação dos objetivos geral e específicos, assim como pelos resultados obtidos por meio das análises comparativas dos casos, chega-se às conclusões e às recomendações deste estudo, que serão apresentadas a seguir. 5.1 Conclusão Este trabalho de dissertação teve o propósito principal de investigar de que maneira a cultura organizacional (Schein, 2009) é levada em consideração no processo de seleção de pessoas, em indústrias de Vitória de Santo Antão – PE. O primeiro objetivo específico foi investigar o processo de seleção de pessoas em suas diversas etapas em indústrias de Vitória de Santo Antão/PE. Verificou-se que o processo de seleção, realizado nas empresas A, B e C é feito, basicamente, através da análise de currículos e das entrevistas. Quanto às indústrias B e C, ambas realizam testes psicológicos em seu processo de seleção. A indústria A realiza, ainda, uma especulação da vida do candidato enquanto que a empresa C, realiza uma pesquisa sobre a conduta do candidato. No caso da seleção para cargos de níveis hierárquicos mais altos e, consequentemente, maior complexidade do trabalho, há empresas que optam por uma contratação através de consultorias especializadas (que é o caso das empresas B e C). Para estas empresas, contratar consultorias especializadas, minimizam o risco de se contratar alguém inapropriadamente. Ficou perceptível, em alguns momentos, que tal receio seja pelo motivo dos gestores não se sentirem aptos em fazer uma seleção em um nível mais elevado ou complexo. No que diz respeito ao recrutamento, há formalidade nas empresas B e C, enquanto que, na indústria A, o recrutamento é informal. As empresas B e C também têm a prática de divulgação da vaga bem com realizar o recrutamento interno e, logo após, o externo. A 87 indústria A, por sua vez, tem a prática de fazer o recolhimento de currículos e apenas o recrutamento externo. Em se tratando da socialização, as indústrias B e C fazem a apresentação da empresa, das pessoas e das tarefas. Já a empresa A faz a apresentação das pessoas e a socialização por si só. Quanto ao segundo objetivo específico desta pesquisa, o mesmo foi identificar elementos da cultura organizacional perceptíveis no processo de seleção de pessoas em indústrias de Vitória de Santo Antão/PE. Os elementos culturais identificados (valores, sinais e crenças) mostram uma forte tendência das empresas analisadas de não utilizar a cultura organizacional como guia para seu processo seletivo, preponderando, assim, as crenças sobre os valores. No que se refere aos valores, todos os gestores (GA, GB e GC) têm como sendo o trabalho o seu principal valor e as empresas B e C ainda tem também como seus valores a propriedade e os clientes. A respeito dos sinais percebe-se que as empresas B e C fazem uso de formalidades e rigidez, além de cumprimento de regras e normas e boa aparência a partir do ambiente interno. A indústria A usa de improvisação administrativa e boa aparência para o exterior. Por fim, as crenças onde as indústrias B e C buscam a parceria empresa/empregados, onde a C ainda apresenta-se como inclusiva. Na organização A, foram identificadas as seguintes crenças: a não contratação de pessoas que ingerem bebidas alcoólicas, pessoas do sexo feminino e com mais de 40 anos de idade, por haver o julgamento, por parte do gestor, de que pessoas com estes perfis são menos produtivas. De uma forma geral, percebeu-se que nenhuma das empresas estudadas (A, B e C) tem,as pessoas como fazendo parte de seus principais valores e, que todas as ações que demonstrem alguma importância com as pessoas, logo, são reveladas pelos gestores como inverídicas, pois, as mesmas são vistas apenas como um recurso necessário para o alcance de suas metas organizacionais. Por fim, o terceiro objetivo específico desta pesquisa foi comparar as percepções dos gestores de RH quanto ao processo de seleção de pessoas em indústrias de Vitória de Santo Antão/PE. O que ficou aparente, após a realização desta pesquisa, é que não existe uma 88 preocupação com a cultura organizacional durante o processo de seleção por parte de todos os gestores das empresas estudadas. É importante salientar que as observações diretas permitiram perceber algumas constatações feitas por meio de depoimentos colhidos, informalmente (fora das dependências das empresas), dos funcionários através de entrevista não estruturada. Foi verificado que o processo de seleção de todas as empresas (A, B e C) seguem um padrão que é basicamente: análise de currículo e indicações de funcionários(para cargos de níveis hierárquicos mais baixos), seguidos de entrevistas. Quanto ao seu processo de seleção, baseado nos relatos dos gestores das empresas pesquisadas (A, B e C), primeiro realiza-se uma seleção interna para promoção para, em seguida, ocorrer o recrutamento externo caso a vaga não tenha sido preenchida com os candidatos internos. Foi exposto pelo gestor da empresa A que as seleções que são feitas para preenchimento de vagas de níveis hierárquicos mais baixos não precisam de muita atenção pelo fato do gestor considerar que pessoas "broncas" não são importantes para a empresa preferindo-se, assim, evitar desperdício de tempo na contratação de alguém considerado de "baixo valor" para a organização. Também foi identificado que na empresa A não existe nenhum recrutamento formal. Desta forma, cabe aos próprios funcionários da organização a divulgação das vagas existentes fazendo uso, assim, da comunicação "boca a boca", o que, na visão dos funcionários de níveis hierárquicos mais baixos, acaba favorecendo sempre um "grupinho" (termo utilizado pelos funcionários), pois, os que buscam cargos de níveis mais altos, sempre ficam sabendo primeiro das melhores vagas. Tal tipo de comunicação, pode, por conseguinte, favorecer determinadas pessoas, em muitos casos, antes de se fazer um recrutamento interno. Nas empresas B e C, o processo seletivo inicia-se com um recrutamento formal, seguido de entrevistas e provas de conhecimento. Tal tipo de seleção não se aplica para cargos de níveis mais altos, pois, para estes, a seleção é feita através de empresas de consultorias. Foi afirmado pelos gestores das empresas B e C que, para todas as vagas existentes, é feito, primeiramente, um recrutamento interno (que quase sempre supre 90% das vagas) para, em seguida, realizarse o recrutamento externo. 89 Tal falta de preocupação com a cultura durante o processo de seleção só a vem a justificar a alta rotatividade de funcionários em tão pouco tempo nessas organizações. Alguns comentários (colhidos, informalmente, através de entrevista não estruturada e fora das dependências das indústrias) de funcionários das empresas pesquisadas, dos quais: "antes de entrar aqui eles nos mostram o céu, quando entramos é que conhecemos o inferno" ou "o importante aqui é que você fique sempre sorrindo mesmo que esteja chorando por dentro" só solidificam está afirmação. Comentários como estes só demonstram uma ausência de preocupação, por parte dos gestores, em verificar se as pessoas que estão adentrando nas organizações possuem traços semelhantes com os da empresa para que não se tenha um grande choque cultural após a entrada dos funcionários nas mesmas. Outro ponto perceptível quanto à ausência de preocupação em se verificar se a cultura dos candidatos são semelhantes as das organizações, é que todas elas sofrem com falta de mão de obra, mesmo existindo demanda de mão de obra na região. O que foi constatado é que as pessoas não estão dispostas a trabalhar em um lugar onde elas não são valorizadas, mesmo que a oferta salarial seja atrativa. Conclui-se que, após a análise dos resultados, os gestores das empresas em questão não têm conhecimento da cultura organizacional, logo, não é dada a devida importância a mesma. Assim sendo, os gestores não a utilizam como guia para a realização de seu processo de seleção.Tal ato não é benéfico para a organização. 90 5.2 Recomendações Tendo consciência de que a produção do conhecimento é fonte inesgotável e visando, também, contribuir para a continuidade dos estudos na área em questão, dá-se a sugestão de que outras pesquisas, que tratem do conteúdo abordado neste trabalho, sejam elaboradas a fim de que possíveis novas descobertas possam ser encontradas. Para tal é recomendável que: Esta pesquisa abranja outras empresas de diversos segmentos e portes também em outras cidades e estados; Em pesquisas futuras, os funcionários sejam,formalmente,incluídos como sujeitos da pesquisa e submetidos a entrevistas estruturadas. 91 REFERÊNCIAS ACEVEDO, Claudia Rosa; NOHARA, Jouliana Jordan. Monografia no curso de administração: Guia completo de conteúdo e forma. - 3.ed. - São Paulo: Atlas, 2010. ALMEIDA, Walnice. Captação e seleção de talentos. 2. ed. - São Paulo: Atlas, 2009. ALVES, Sérgio. Revigorando a cultura da empresa: Uma abordagem cultural da mudança nas organizações, na era da globalização. - São Paulo: Makron Books, 1997. ALVESSON, M. Organization: from substance to image. Organization Studies, v.11, n.3, 2010. ARGYRIS, C. Increasing leadership effectiveness.New York: Wiley-Interscience. 1976. BANOV, Márcia Regina. Ferramentas da psicologia organizacional. 2. ed. - Suzano: Cenaun, 2004. BANOV, Márcia Regina. 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(Org.).Um lado da moeda: Atraindo e selecionando pessoas. 2.ed. - São Paulo: Saraiva, 2008. Cap. 5, p. 115-150. 100 Apêndice A Roteiro: Gestores de Recursos Humanos Dados Pessoais: Nome: Tempo de Empresa: Sexo: Cargo: Tempo no Cargo Atual: Idade: 1. Qual a principal característica que se busca nos funcionários a serem contratrados? 2. Quais os meios utilizados para se fazer a seleção? 3. Entre os meios utilizados, há um que seja preferido e todos os processos seletivos? 4. Como normalmente acontece o processo de seleção das pessoas? 5. A empresa contrata funcionários que sejam parentes dos atuais? 6. Quais as competências que a empresa busca para fazer a contratação? 7. Existe um perfil que a empresa evite contratar caso o candidato o possua? 8. Quais as dificuldades normalmente encontradas nos processos seletivos? 9. Existe um perfil diferente para cada funcionário, dependendo do cargo? 10. Como normalmente é feita a socialização dos funcionários recém contratados? 11. A empresa busca contratar pessoas que possuam o mesmo ou um perfil semelhante ao do presidente? 12. Quais os valores da organização?