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Duomètre
à chronographe
Por Dody Giussani, directora da revista L’Orologio
O Duomètre à Chronographe da Jaeger-LeCoultre
surpreende não só pelos seus dotes estéticos,
como também, e sobretudo, pela novidade
técnica que representa e que chama mais uma
vez a atenção para as grandes competências
da manufactura de Le Sentier.
Figura 1
Para o Duomètre à Chronographe, a Grande Maison não só concebeu um belo cronógrafo, como
também readaptou integralmente a complicação
cronográfica, acrescentando-lhe um movimento
baseado na filosofia inédita do projecto Dual-Wing
(que estará na base de toda a colecção Duomètre,
através da sua futura adaptação a outras complicações) – a integração de dois mecanismos separados, um para a indicação do tempo e outro para
cronógrafo, alimentados por dois tambores independentes. O Calibre 380 é, portanto, configurado
sobre dois corpos de rodagem que, partindo dos
dois tambores, confluem para a roda de escape, o
único elemento comum entre a indicação do tempo
e o cronógrafo.
Em termos técnicos, assinala-se, de imediato,
neste cronógrafo, a ausência do sistema de embraiagem típico dos cronógrafos mecânicos. Não
se poderá falar de embraiagem vertical, horizontal
nem de carrete oscilante. Assim, esqueçamos os
mecanismos de cronógrafo clássicos para descobrir
um novíssimo modo de conceber a complicação
mais cobiçada e mais difundida que existe.
1 Um dos primeiros protótipos do Duomètre à Chronographe e o Calibre 380 fotografados na oficina de
montagem da Manufactura Jaeger-LeCoultre por
ocasião de uma visita da L’Orologio. A dicotomia
entre a base do tempo e o mecanismo cronográfico,
característica do movimento, reflecte-se também
na arquitectura do mostrador: à esquerda, lêem-se
as horas e os minutos; à direita, num mostrador
análogo (mas com ponteiros azuis), podemos ler as
indicações relativas ao cronógrafo: totalizador de
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horas (até 12), totalizador de minutos (até 60) e unidades (de zero a nove) dos minutos do cronógrafo
(numa janela específica para o efeito). Às 6 horas,
sobressai um pequeno contador para a função de
segundos foudroyantes: o ponteiro foudroyante
cumpre uma rotação ao longo do pequeno mostrador num segundo, ao ritmo de 1/6 de segundo.
No centro estão sobrepostos os ponteiros dos
segundos contínuos (em dourado) e o ponteiro dos
segundos do cronógrafo (em azul). Finalmente,
junto aos segundos foudroyantes, às 5 e 7 horas,
encontram-se as indicações das reservas de corda
do cronógrafo e do relógio. O cronógrafo é do tipo
monopulsante, pelo que um botão às duas horas
(não visível na foto) é suficiente para garantir a sua
activação, paragem e retorno a zero.
Artigo publicado na edição 161
da revista L’Orologio
Figura 2
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2 Um protótipo do Calibre Jaeger-LeCoultre 380: à esquerda,
o tambor relativo ao mecanismo de cronógrafo (1), e à direita,
o tambor que alimenta o relógio (2). Ambos os tambores estão
unidos para permitir dar corda com a ajuda de uma única coroa,
como veremos mais à frente. Por cima dos tambores, vêem-se
dois rochet (ou rodas de força) (3 e 4) encaixadas nos relativos
eixos internos. Bastante elegante a solução do duplo linguete
(ou cliquet) (5 e 6 para o tambor do cronógrafo) que tem como
objectivo obrigar a girar a roda de carga, quando se está a armar
a corda contida no tambor.
A roda de colunas (7) que acciona as funções cronógraficas
(activação, paragem, retorno a zero) dispõe apenas de quatro
colunas (A) especialmente largas como é típico dos cronógrafos
monopulsantes. A cada coluna correspondem dois dentes (B) do
rochet da roda de colunas sobre os quais a alavanca interligada ao
botão do cronógrafo age: a cada rotação da roda (7), equivalente
ao espaço de um dente, corresponde uma função cronográfica;
o cronógrafo arranca, pára e retorna a zero. Um saltador (8) pressionado por uma mola (9) tem a função de manter imóvel a roda
de colunas (7) entre cada função do cronógrafo.
No centro do movimento (cujo lado das pontes estamos a observar) encontra-se a roda do cronógrafo (10), sobreposta à roda
dos segundos do relógio.
Figura 3
Figura 4
Figura 5
3 Passemos à análise das funções cronográficas. Como arranca o
cronógrafo se falta, como já foi assinalado, um sistema tradicional
de embraiagem? O fundo da questão é a função dos segundos
foudroyantes. Esta é realizada através de outra roda, dita roda
foudroyante (11), colocada no mesmo eixo da roda de escape
(12). A roda foudroyante tem o dobro dos dentes (quarenta) da
roda de escape (vinte). Uma vez que a roda de escape (12) avança
um ângulo correspondente a metade da distância entre dois
dos seus dentes , a cada alternância do balanço-espiral, a roda
foudroyante (11) irá avançar um dente a cada alternância. Sendo a
frequência de funcionamento do Calibre 380 igual a 21.600 alt./
/hora, consegue-se que a roda de escape (11) avance três dentes
por segundo, o que corresponde a seis dentes por segundo da
roda foudroyante (12). A roda foudroyante (11) toca directamente
numa estrela de seis pontas (13) que, por sua vez, vai efectuar
uma rotação por segundo, ao ritmo de 1/6 de segundo. No eixo
desta estrela encontra-se o ponteiro dos segundos foudroyantes,
visível no mostrador às 6 horas. A estrela de seis pontas da
foudroyante recebe a energia necessária à sua rotação, da rodagem do cronógrafo, que parte do respectivo tambor (1) e acaba
na roda (14) que engrena directamente com o carrete solidário
da estrela (13).
4 A figura mostra as alavancas do cronógrafo accionadas no
momento da partida. Premindo o botão do cronógrafo às 2 horas
(P), a alavanca de comando (20), através do seu gancho (21), faz
a roda de colunas (7) girar um dente no sentido contrário aos ponteiros, e, em seguida, a extremidade da alavanca da estrela (22)
cai no espaço entre duas colunas, e o dedo localizado na outra
extremidade (23) afasta-se da estrela de seis pontas da foudroyante (13), deixando-a livre para rodar sob a acção da rodagem
do cronógrafo. Ao mesmo tempo, no seguimento da rotação da
roda de colunas (7), os martelos do retorno a zero do cronógrafo
(24 e 25) afastam-se dos cames, em forma de coração, das rodas
totalizadoras dos segundos (26), dos minutos (27) e da unidade
dos minutos (28), por acção de uma coluna. Os martelos são
mantidos afastados devido à acção da ponta do martelo que se
encontra apoiado numa coluna. Não está visível o conjunto da
came em coração e o martelo das horas, por se localizarem do
outro lado do movimento. A transmissão do movimento da roda
totalizadora dos minutos do cronógrafo (31) à roda totalizadora
das horas coaxial realiza-se mediante uma pequena rodagem,
análoga à minuteria do relógio.
5 Uma segunda pressão no botão às 2 horas (P) pára o cronógra­
fo. Também neste caso, à pressão no botão corresponde a rotação de um passo da roda de coluna (7) através do gancho (21).
A alavanca da estrela (22) encontra-se agora sobre uma coluna,
enquanto o seu dedo (23) vai posicionar-se entre as pontas da
estrela foudroyante (13), parando-a, assim como a respectiva
rodagem. Assim, todas as rodas do mecanismo de cronógrafo
e os respectivos ponteiros param na sua posição (de então), sem
precisar de bloqueadores.
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Figura 6
Figura 7
Figura 8
Figura 9
6 A figura evidencia o sofisticado sistema colocado na engrenagem da foudroyante. O mecanismo está aqui representado
em fase de paragem do cronógrafo. A estrela da foudroyante,
visível na ampliação, é, na realidade, formada por duas estrelas
sobrepostas. A estrela inferior (13B) amarela é aquela que vai
engrenar directamente com a roda da foudroyante de 40 dentes
(11), solidária da roda de escape (12). A estrela superior (13) de
cor roxa está detida pelo gancho (23) comandado pela roda de
colunas (7). As duas estrelas estão ligadas por uma cavilha (40)
colocada sobre estrela superior e que se introduz num orifício
na superfície da estrela inferior. Este estratagema permite que a
estrela inferior também possa rodar sobre um ângulo reduzido
depois da paragem do cronógrafo (o ponteiro dos segundos
foudroyantes mantém-se parado no mostrador, por ser solidário
da estrela superior). A pequena rotação de meio passo da estrela
inferior serve para permitir a rotação da roda da foudroyante (11)
que deve continuar a rodar apesar de o cronógrafo estar parado,
em sintonia com a roda de escape (12) do relógio.
Por fim, notemos que o dedo de paragem (23) apresenta
um degrau na sua extremidade. A parte mais curta do degrau
serve para parar a estrela da foudroyante (13), enquanto a mais
comprida intervém na reposição a zero do cronógrafo, actuando
sobre o dedo (41) solidário da estrela da foudroyante (13), como
veremos a seguir.
7 O retorno a zero do cronógrafo ocorre ainda, e mais uma vez,
através da pressão no botão colocado às duas horas (P). A roda
de colunas (7) avança um dente sempre que se acciona o gancho
(21) para o efeito. A alavanca da estrela (22) ainda se encontra
apoiada na coluna. Porém, não se apoia completamente nesta :
a extremidade curta do dedo (mais evidente na figura 6) afasta-se
o suficiente para deixar rodar a estrela da foudroyante, até que a
extremidade mais comprida do dedo da alavanca da estrela (23)
detém o dedo (41) solidário da estrela e coloca-se na posição correspondente ao alinhamento do ponteiro da foudroyante (cravado
da estrela) com zero no mostrador.
A estrela da foudroyante roda até se posicionar a zero, os martelos de reposição a zero (na figura aparecem dois, 24 e 25) caem
sobre a came em coração dos segundos do cronógrafo (26), dos
minutos do cronógrafo (27), da unidade dos minutos (28) e das
horas do cronógrafo (cuja roda é colocada do outro lado do movimento não visível na figura). Quando deixar de pressionar o botão
às 2 horas, todos os ponteiros estarão a zero. Para que o retorno
a zero se efectue correctamente, é necessário manter o botão do
cronógrafo premido o tempo suficiente para que o ponteiro da
foudroyante chegue a zero.
8 Girar a coroa no sentido contrário aos ponteiros transmite a
rotação directamente à roda da coroa (51) e a uma roda intermediária (52), e a roda dentada (1) gira. Solidários a esta estão
dois linguetes (5 e 6), que, por sua vez, vão obrigar o rochet (3)
do tambor da foudroyante a rodar, assim como a mola dentro do
tambor. Quando a roda (1) gira em sentido contrário sob a acção
da coroa, os linguetes saltam sobre os dentes de tipo serra do
rochet, mantendo-se, este último, imóvel. A roda (1) do tambor do
cronógrafo engrena com uma roda semelhante (53) assente no
tambor da base tempo. Esta mesma roda, porém, movendo-se
em sentido contrário aos ponteiros, não transmite o movimento à
respectiva corda (4), dado que o par de linguetes correspondente
desliza sobre o rochet.
9 Rodando a coroa de corda no sentido horário, dá-se corda ao
tambor da base do tempo (2). O processo é o mesmo analisado na figura 8, mas, neste caso, os sentidos de rotação estão
invertidos. Neste caso, também o rochet do tambor do cronógrafo
manter-se-á parada, enquanto o rochet (4) do tambor da base
do tempo se moverá no sentido horário, armando a corda que
está no próprio tambor. Como ainda se nota na figura, o tambor
da base do tempo (2) é maior do que o tambor do mecanismo
cronográfico. Porém, ambos os tambores oferecem a mesma
autonomia aos respectivos mecanismos, porque o funcionamento
da base do tempo requer maior energia, logo requer um tambor
maior em comparação à autonomia.
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