EMPREENDEDORISMO
MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
PRÓ-REITORIA DE ENSINO
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇAO À DISTÂNCIA
ESCOLA TÉCNICA ABERTA DO PIAUÍ - ETAPI
CAMPUS TERESINA CENTRAL
EMPREENDEDORISMO
DISCIPLINA: EMPREENDEDORISMO – 45H
PRESIDENTE DA REPÚBLICA
Luiz Inácio Lula da Silva
MINISTRO DA EDUCAÇÃO
Fernando Haddad
GOVERNADOR DO ESTADO
Wellington Dias
REITOR DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Francisco da Chagas Santana
SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DO MEC
Carlos Eduardo Bielschowsky
COORDENADORIA GERAL DA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
Celso Costa
SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DO PIAUÍ
Antonio José Medeiros
COORDENADOR GERAL DO CENTRO DE EDUCAÇÃO ABERTA A DISTÂNCIA
DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA
Elanne Cristina Oliveira dos Santos
SUPERITENDÊNTE DE EDUCAÇÃO SUPERIOR NO ESTADO
Eliane Mendonça
ORGANIZAÇÃO DO MATERIAL DIDÁTICO
Françoise W. Fontenele e V. Pacheco
7
Boas Vindas!
Caro (a) Cursista
Bem vindo (a) à disciplina EMPREENDEDORISMO.
Esta é a nossa “Apostila”, material elaborado com o
objetivo de contribuir para o desenvolvimento de seus estudos e
para a ampliação de seus conhecimentos acerca da citada
disciplina.
Este texto é destinado aos estudantes aprendizes que
participam do programa Escola Técnica Aberta do Brasil (e-Tec
Brasil), vinculado à Escola Técnica Aberta do Piauí (ETAPI) do
Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Piauí
(IFPI), com apoio da Prefeitura Municipal dos respectivos pólos:
Alegrete do Piauí, Batalha, Monsenhor Gil e Valença do Piauí.
O texto é composto de quatro (04) Capítulos assim
distribuídos:
Na Unidade 1 - Empreendedorismo, conceitos, evolução
histórica,
o
indivíduo
empreendedor
e
sua
importância,
empreendedorismo por oportunidade x empreendedorismo por
necessidade.
Na Unidade 2 – Perfil Empreendedor, características
comportamentais dos empreendedores, e o intraempreendedor.
Na
Unidade
3
–
Empreendendo,
o
processo
empreendedor.
Na Unidade 4 – Planejando o Empreendimento, uma
boa idéia é o suficiente?, plano de negócio.
8
Quem sou?
Françoise W. Fontenele e V. Pacheco
Nasci em Parnaíba-PI e pouco depois fui morar em Teresina, a
capital do Estado. Logo muito cedo, aprendi a gostar da
administração. Convivendo com amigos e parentes que tinham
negócios, via o quão vasto e diversificado é este campo. Em 1996
iniciei, então, o curso de Bacharelado em Administração de
Empresas pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI e entre
uma atividade e outra, a participação na Empresa Júnior me
motivava mais ainda. Na busca por oportunidades não exploradas
no mundo empresarial, decidi em 1999 fazer uma especialização
em Administração Hospitalar pela Universidade de Ribeirão Preto –
São Paulo; não com o intuito de administrar um hospital, mas sim
com a idéia de montar uma consultoria especializada na área, que
prestaria serviços aos hospitais e clínicas do meu Estado. Em meio
a tudo isso, minha insistência pelo ramo empresarial me
impulsionava. Neste período, tive uma pequena confecção de
embalagens para presentes. Em 2000, uma seleção de instrutores
terceirizados me aproximou do SEBRAE, onde passei a ministrar
treinamentos para micro e pequenos empresários e desenvolvi o
material para a formação empreendedora de líderes públicos.
Neste
mesmo
ano
conheci
um
programa
de
formação
empreendedora da ONU que era aplicado pelo SEBRAE – o
EMPRETEC. Participei do treinamento e após algum tempo, me
tornei facilitadora do Programa no Piauí e no Brasil. No final de
2007 conclui o Mestrado em Economia de Empresas pela
Universidade Federal do Ceará – UFC e atualmente, sou
professora dos cursos de Gestão do Instituto Federal de Educação,
Ciência e Tecnologia do Piauí – IFPI, onde ministro, entre outras, a
disciplina de Empreendedorismo.
9
Índice Geral
1. EMPREENDEDORISMO ........................................................ 12
1.1 Introdução ........................................................................ 12
1.2 Conceitos ......................................................................... 13
2.EMPREENDEDORISMO ......................................................... 19
2.1 Evolução Histórica .......................................................... 19
3.O indivíduo empreendedor e sua importância .................... 27
3.1 O Indivíduo Empreendedor e sua importância ............. 27
3.2 Empreendedorismo por oportunidade x necessidade . 36
4.Perfil Empreendedor .............................................................. 41
4.1 Introdução ........................................................................ 41
4.2 Intraemprendedorismo................................................... 50
5.Empreendendo – O processo empreendedor ...................... 56
5.1 Introdução ........................................................................ 56
6.Planejando o Empreendimento ............................................. 64
Uma boa idéia é o suficiente? .............................................. 64
7.Planejando o Empreendimento ............................................. 71
Plano de Negócio................................................................... 71
10
Índice de Figuras
Figura 1 -Fonte: IBGE; Elaboração SEBRAE/UDE ..................... 13
Figura 2 - Fonte: IBGE; Elaboração SEBRAE/UDE .................... 13
Figura 3 - Fonte: Idalberto Chiavenato. O Espírito Empreendedor,
2007. ........................................................................................... 21
Figura 4 - Fonte: Robert D. Hisrich, “Entrepreneurship and
Intrapreneurship. ......................................................................... 22
Figura 5 -Fonte GEM 2006 – Executive Report .......................... 23
Figura 6 -Fonte: Fundação Vanzolini – Marcelo Nakagawa ........ 34
Empreendedorismo –
introdução ao tema e
conceitos
1
11
Aula
Meta da Aula
Apresentar
o
empreendedorismo
tema
e
seus
principais conceitos.
Objetivos
Ao final desta aula, você deverá ser
capaz de:
1. conhecer o tema empreendedorismo;
2. conceituar empreendedorismo;
12
GLOSSÁRIO
EMPREENDEDORISMO
1.1 Introdução
Custos
são
medidas monetárias
dos
sacrifícios
financeiros com os
quais
uma
organização, uma
pessoa
ou
um
governo, têm de
arcar a fim de
atingir
seus
objetivos,
sendo
considerados esses
ditos objetivos, a
utilização de um
produto ou serviço
qualquer, utilizados
na obtenção de
outros bens ou
serviços.
Essa
é
uma
palavra
que
está
na
moda:
EMPREENDEDORISMO. Mas apesar de estar na “boca do
povo”, poucos sabem o que ela significa e os seus efeitos.
Por
muito
tempo
o
empreendedorismo
esteve
restritamente relacionado à abertura e desenvolvimento de
negócios. Hoje, vemos o empreendedorismo no campo
social, artístico, religioso, etc. Não há, necessariamente, a
obrigatoriedade do sujeito EMPRESA nessa conceituação.
A divulgação em massa do empreendedorismo ganhou
impulso com as crescentes taxas de mortalidade das
empresas e ao mesmo tempo, com o grande numero de
novas empresas que abriam – apesar dos inúmeros
fracassos. Em meio a toda essa situação contraditória, os
Fonte: Wikipédia
efeitos eram: desemprego, busca pela redução dos custos,
tentativas de se manter no mercado.
Com o crescimento do desemprego os ex-funcionários
buscavam uma forma de sobrevivência, vender algo foi uma
alternativa. Surgiam então, os novos negócios – muitos
deles sem nenhuma experiência e com poucos recursos
financeiros (economias pessoais).
As Micro e Pequenas Empresas representam 99% do
tecido empresarial, geram 74,7% dos empregos e realizam
59,8% do volume de negócios nacional, (dados do SEBRAE,
2002).
Isso é mais do que o suficiente para voltarmos a atenção
para o EMPREENDEDORISMO!
Segundo pesquisa do Global Entrepeneurship Monitor –
GEM, coordenada pela London Business
School da
Inglaterra e pelo Babson College dos Estados Unidos, o
13
Brasil está entre os sete – dentre 34 países - que mais
empreendem em criação de novas empresas.
Saiba Mais
Número de Empresas no Brasil (percentual)
Visite os sites sobre
empreendedorismo:
www.empreendedoris
mo.com.br
www.empreenderparat
odos.com.br
www.endeavor.org.br
www.entrepreneurship
.org
www.dolabela.com.br
Figura 1 -Fonte: IBGE; Elaboração SEBRAE/UDE
Número de Pessoas Ocupadas (percentual)
MÍDIA
Visite o endereço e veja
o vídeo de Waldez
Ludwing
sobre
empreendedorismo:
www.youtube.com/watc
h?v=BB1ZwCVueco
Vale a pena assistir o
filme – “O Céu de
Outubro” – que traz a
história
de
um
empreendedor
que
consegue transformar a
vida
de
toda
a
comunidade que vivia à
sua volta,
gerando
novas
oportunidades,
transformação e futuro.
Outra dica: “A Roda da
Fortuna”.
Figura 2 - Fonte: IBGE; Elaboração SEBRAE/UDE
1.2 Conceitos
Segundo DOLABELA o termo “empreendedorismo” é
uma livre tradução da palavra entrepreneurship, utilizado
para designar os estudos relativos ao empreendedor,
seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades e o
seu universo de atuação. O termo designa uma área de
grande abrangência, além da criação de empresas: a
geração
do
auto-emprego,
comunitário, e funcional.
empreendedorismo
14
GLOSSÁRIO
Entrepreneurship –
palavra inglesa,
derivada da palavra
francesa
entreprenneur, que
designa
empreendedorismo.
São muitos os conceitos sobre empreendedorismo, dentre
eles:
•
“Empreendedorismo designa os estudos relativos ao
empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema
de atividades, seu universo de atuação”. (Wikipédia)
•
“Empreendedorismo é o principal fator promotor do
desenvolvimento econômico de um país”. (Wikipédia)
Fonte: Cadernos da SBDG
– 23
•
Know-how - é o
conhecimento
de
como executar alguma
tarefa.
“Empreendedorismo é ousar, transformar, descobrir
novas vidas em cima de produtos que já existem. É
sonhar para frente, dar função e vida a produtos
antigos. Enfim, empreendedorismo é provocar o
futuro, reunir experiências e ousadias, ir além do
tradicional”. (José Carlos Teixeira, consultor, Revista
do Banco do Nordeste-Notícias, 2000).
•
“Empreendedorismo
deve
ser
relacionado
à
capacidade de se gerar riquezas acessíveis a todos...
Utilizo o termo empreendedorismo em seu sentido
amplo, considerando-o uma forma de ser, e não de
fazer. Assim, estão incluídos nesse conceito, por
exemplo, o empregado-empreendedor, (ou intraempreendedor)
o
pesquisador-empreendedor,
o
empreendedor comunitário, o funcionário público
empreendedor, etc... O que importa é a maneira de se
abordar o mundo, qualquer que seja a atividade
abraçada”. (Fernando Dolabela)
•
“Empreendedorismo – a habilidade de criar uma
atividade empresarial crescente onde não existia
nenhuma anteriormente.” (Brereto)
•
“Empreendedorismo não é ciência nem arte. É uma
prática.” (Drucker)
•
“...Pode-se
definir
mais
simplesmente
empreendedorismo como a apropriação e a gestão
15
dos recursos humanos e materiais dentro de uma
visão de criar, de desenvolver e de implantar
Era uma vez...
“Três pedreiros
preparavam tijolos em
uma construção. Um
homem que passava se
aproximou do primeiro
e perguntou:
- O que está fazendo,
meu amigo¿
- Tijolo – respondeu
secamente.
Dirigindo-se ao
segundo pedreiro, o
homem perguntou-lhe
a mesma coisa.
-Trabalhando pelo
meu salário – foi a
resposta.
Para o terceiro
pedreiro, o passante
fez ainda a mesma
pergunta.
- O que está fazendo
meu amigo¿
Fitando o estranho
com alegria, o operário
respondeu com
entusiasmo:
- Construindo uma
catedral!”.
Fonte: Belas Parábolas sobre
Empreendedorismo, Editora
Leitura, 2004.
resoluções permanentes, de atender às necessidades
dos indivíduos.” (Jasse)
•
“Em quase todas as definições de empreendedorismo
há um consenso de que nós estamos falando de um
tipo de comportamento que inclui: tomada de
iniciativa,
mecanismos
organização
ou
sócio-econômicos
reorganização
para
de
transformar
recursos e situações em contas práticas e aceitação
do risco e fracasso. O principal recurso usado pelo
empreendedor é ele mesmo...” (Shapiro, 1975)
•
“O processo de descobrir ou desenvolver uma
oportunidade para então, gerar valores através da
inovação e, agarrando tal oportunidade sem levar em
conta um ou outro recurso (humano e capital), como
também, sem levar em consideração a posição do
empreendedor dentro da nova ou já existente
empresa”. (Sexton e Kasarda, 1992).
•
“Empreendedorismo é a habilidade de construir algo a
partir praticamente do nada: fundamentalmente é algo
humano e criativo. É encontrar energia pessoal para
iniciar e construir uma empresa ou organização mais
do que simplesmente assistir, analisar ou descrever.
Fazer tal afirmação sobre tal ponto de vista requer
uma voluntariedade em acalentar riscos – pessoais e
financeiros – e, então, fazer todo o possível para
colocar do seu lado as vantagens, reduzindo assim as
possibilidades do fracasso. Empreendedorismo é a
habilidade de construir um time para completar suas
habilidades e talentos, isto é, o toque para sentir uma
oportunidade onde os outros vêem caos, contradição
e confusão. É possuir o know how de encontrar,
ordenar e controlar recursos (quase sempre de
16
terceiros) e ter a certeza de que não se ficará sem
dinheiro no momento em que se precisar mais dele”.
(Timmons, 1985)
ATIVIDADE 1
1. A partir da leitura sobre empreendedorismo, defenda
o estudo ou não deste tema. Por que?
2. Como você conceituaria Empreendedorismo?
3. Dê olhada no seu bairro, na sua rua e perceba se há
a presença do Empreendedorismo. Comente com
isso se apresenta ressaltando aspectos pertinentes
aos conceitos de empreendedorismo.
4. Você
consegue
identificar
sinais
de
empreendedorismo em organizações que não são
comerciais que você conhece? Quais são esses
sinais/características?
5. Na estória, contida na caixa de texto “era uma vez” há
algum sinal de empreendedorismo? Qual e por que?
Informações sobre a próxima aula
Na próxima aula, iremos estudar a evolução histórica do
Empreendedorismo e seus principais estudiosos.
Leitura Recomendada
DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo. Rio
de Janeiro: Campus, 2001.
Bibliografia Consultada
CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando
asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e
viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para
iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo :
Saraiva, 2007.
17
AGOSTINI,
Júlio
César,
ANGONESE
Rosângela
M.,BOGONI, Roseli T. Bogoni. Cadernos da Sociedade
Brasileira de Dinâmica de Grupo – 23.
SEBRAE. Saber Empreender – Manual do Participante.
RANGEL,
Alexandre.
Belas
Parábolas
Empreendedorismo. Editora Leitura, 2004.
sobre
2
18
Empreendedorismo –
evolução histórica e
estudiosos
Aula
Meta da Aula
Conhecer a evolução histórica do
empreendedorismo
e
a
contribuição de alguns de seus
Objetivos
estudiosos.
Ao final desta aula, você deverá ser
capaz de:
1. Entender como foi o processo de
construção do empreendedorismo no
decorrer do tempo;
2. Reconhecer os estudiosos que
contribuíram para a divulgação do
empreendedorismo;
19
EMPREENDEDORISMO
2.1 Evolução Histórica
Aqueles que pesquisam sobre o assunto concordam em
dizer que a origem desse conceito está nas obras de
Richard Cantillon (1680-1734), banqueiro e economista do
século XVIII. O interesse de Cantillon pelos empreendedores
não era um fenômeno isolado no período. Nessa época,
Cantillon chamou de empreendedores àqueles indivíduos
que compravam matérias-primas (geralmente um produto
agrícola) por um preço certo e as vendiam a terceiros a
preço incerto, depois de processá-las, pois identificava uma
oportunidade de negócio e assumiam riscos (CERQUEIRA;
PAULA; ALBUQUERQUE, 2000). Ele entendia, no fundo,
que quando havia lucro além do esperado, isto ocorreu
porque o indivíduo havia inovado: fez algo de novo e de
diferente.
Um pouco mais tarde, o industrial, economista clássico
francês, Jean-Baptiste Say (1767-1832) considerou o
desenvolvimento econômico um resultado da criação de
novos empreendimentos. O empresário de Say é um agente
econômico racional e dinâmico que age num universo de
certezas, ou ainda, o empresário é representado como
aquele que, aproveitando-se dos conhecimentos postos à
sua disposição pelos cientistas, reúne e combina os
diferentes meios de produção para criar produtos úteis
(FILION, 1999; CERQUEIRA; PAULA; ALBUQUERQUE,
2000;FILION,2000).
Mas foi Schumpeter (1883-1950) quem deu projeção ao
tema, associando definitivamente o empreendedor ao
conceito de inovação e apontando-o como o elemento que
dispara e explica o desenvolvimento econômico. De acordo
com a visão schumpeteriana, o desenvolvimento econômico
20
processa-se auxiliado por três fatores fundamentais: as
inovações tecnológicas, o crédito bancário e o empresário
inovador. O empresário inovador é o agente capaz de
realizar com eficiência as novas combinações, mobilizar
crédito bancário e empreender um novo negócio.
O empreendedor não é necessariamente o dono do
capital (capitalista), mas um agente capaz de mobilizá-lo.
Mas a contribuição não veio apenas dos economistas.
Outros
pesquisadores
–
psicólogos,
sociólogos
e
antropólogos – perceberam e estudaram esse movimento
empreendedor, contribuindo com sua percepção do mesmo.
O sociólogo Max Weber (1964-1920) via os empreendedores
como inovadores, pessoas independentes cujo papel como
líderes de negócio, exprimiam uma fonte de autoridade.
Segundo Chiavenato (2007), “...a visão de Weber
sobre empreendedorismo é freqüentemente identificada com
a Teoria do Carisma e, de acordo com essa interpretação,
sua principal contribuição é ter encontrado em sua análise
um tipo especial de ser humano, que faz pessoas o
seguirem simplesmente pela virtude de sua personalidade
extraordinária”.
O autor que realmente lançou a contribuição das
ciências comportamentais para o empreendedorismo foi,
indubitavelmente, o psicólogo da Universidade de Harvard
David McClelland.
Em suas pesquisas nas décadas de 1950 e 1960
sobre os empreendedores e os fatores motivacionais para
que indivíduos pudessem realizar seus objetivos, identificou
em diversas culturas, desde a Grécia Antiga, a civilização
pré-incaica no Peru, até a civilização moderna, os traços
comuns de identificação das pessoas que fizeram e fazem a
diferença no mundo.
21
Esses traços estão alinhados com as características
empreendedoras, o que reforça o conceito de que os
empreendedores do mundo moderno, identificados com os
desafios da economia e do mundo dos negócios, na
realidade já existiam e atuavam em épocas remotas e nas
mais diversas áreas do conhecimento humano.
Principais linhas de Pensamento do Empreendedorismo
Figura 3 - Fonte: Idalberto Chiavenato. O Espírito Empreendedor, 2007.
22
Quadro 1 – Desenvolvimento da teoria do empreendedor e
do termo empreendedor
Origina-se do francês: significa aquele que está entre ou estar entre.
Idade média: participante e pessoa encarregada de projetos de produção
em grande escala.
Século XVII: pessoa que assumia riscos de lucro (ou prejuízo) em um
contrato de valor fixo com o governo.
1725: Richard Cantillon – pessoa que assumi riscos é diferente da
que fornece capital.
1803: Jean Baptiste Say – lucros do empreendedor separado dos
lucros do capital.
1876: Francis Walker – distingui entre os que forneciam fundos e
recebiam juros e aqueles que obtinham lucro com
habilidades administrativas.
1934: Joseph Shumpeter – o empreendedor é um inovador e
desenvolve tecnologia que ainda não foi testada.
1961: David McClelland – o empreendedor é alguém dinâmico que
corre riscos moderados.
1964: Peter Drucker – o empreendedor maximiza oportunidades.
1975: Albert Shapero – o empreendedor toma iniciativa, organiza
alguns mecanismos sociais e econômicos, e aceita riscos de
fracasso.
1980: Karl Vésper – o empreendedor é visto de modo diferente por
economistas, psicólogos, negociantes e políticos.
1983: Gofford Pinchot – o intra-empreendedor é um empreendedor
que atua dentro de uma organização já estabelecida.
1985: Robert Hisrich – o empreendedorismo é o processo de criar
algo diferente e com valor, dedicando o tempo e o esforço
necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e
sociais correspondentes e recebendo as conseqüentes
recompensas da satisfação econômica e pessoal.
Figura 4 - Fonte: Robert D. Hisrich, “Entrepreneurship and Intrapreneurship: Methods for
Creating New Companies That Have an Impact n the economic renaissance of an Area”. In
Entrepreneurship, Intrapreneurship, and Venture Capital. ed. Robert D. Hisrich (Lexington,
MA: Lexington Books, 1986), p. 96.
O movimento do empreendedorismo no Brasil começou a
tomar forma na década de 1990, quando entidades como
Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas
Empresas) e Softex (Sociedade Brasileira para Exportação
de Software) foram criadas.
As
incubadoras
de
empresas,
alternativas
de
financiamentos, inclusão da disciplina de empreendedorismo
na grade dos cursos técnico e superiores, programas de
pós-graduação, treinamentos empresariais dão apoio ao
23
desenvolvimento do empreendedorismo têm contribuído
para sua propagação e crescimento do país.
A GEM - Global Entrepreneurship Monitor - pesquisa
organizada pela Babson College (EUA) e pela London
Business School (Inglaterra) - realizada anualmente mede o
empreendedorismo em 34 países de todos os continentes, e
tem mostrado que o Brasil se destaca entre os países
empreendedores do mundo.
De acordo com a pesquisa GEM – 2006, o Brasil ocupa o 5º
lugar no ranking de países empreendedores.
Figura 5 -Fonte GEM 2006 – Executive Report
A pesquisa da GEM no Brasil:
• aponta barreiras para o desenvolvimento da atividade
empreendedora;
• aponta fatores favoráveis à abertura de pequenos negócios, e
sugere uma
série de
propostas
para
dinamizar
o
empreendedorismo nacional.
Do elenco de propostas constam:
• reduções da burocracia,
• acesso ao crédito,
• diminuição dos custos tributários e trabalhistas,
• melhoria do sistema de informações relativas à abertura e
condução dos negócios, e educação voltada ao empreendedorismo.
24
Bibliografia consultada
ATIVIDADE 2
Era uma vez...
1.
Fazendo
uma análise das
dos
estudiosos
–
comportamentalistas e economistas – como você
BIC OU BIRO?
resumiria as principais contribuições que eles deram
para o entendimento do empreendedorismo hoje?
Bic é sinônimo de
caneta esferográfica
em grande parte do
mundo – mas, se o
nome
tivesse
relação
com
os
inventores, o correto
seria chamá-la Biro.
A idéia de uma
caneta com uma
esfera na ponta foi
de
um
húngaro
refugiado
na
Argentina,
Laszlo
Biro. Apesar do
sucesso inicial, o
produto ainda tinha
falhas de design e
sofria com cópias
generalizadas.
12 anos depois,
quando o francês
Marcel
Bich
comprou a patente
de Biro e criou a
caneta
Bic,
o
produto se tornou
um fenômeno de
vendas!
2.
Consulte a internet e veja qual a última pesquisa
GEM realizada e qual a posição do Brasil no ranking
de países empreendedores.
3.
Veja a ilustração abaixo e pesquise qual a carga
tributária paga pelo micro e pequeno empresário e
como
isso
atrapalha
o
desenvolvimento
do
empreendedorismo.
Informações para a próxima aula
Na Aula 3, teremos a oportunidade de conhecer o
empreendedor mergulhando dos diversos conceitos e
identificar a relevância que ele tem no desenvolvimento
econômico; além de diferenciarmos empreendedorismo por
oportunidade de empreendedorismo por necessidade.
25
Leitura recomendada
BRITO, F. e WEVER, L. Empreendedores Brasileiros –
Vivendo e Aprendendo com Grandes Nomes. Rio de
Janeiro: Negócio-Editora, 2003.
Bibliografia consultada
CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando
asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e
viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para
iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo :
Saraiva, 2007.
HISRICH,
Robert
D.
e
PETERS,
Michael
P.
Empreendedorismo. 5.ed. Porto Alegre: Bookman, 2004.
BERNARDI, L. A., Manual de Empreendedorismo e
Gestão – Fundamentos, Estratégias e Dinâmicas. São
Paulo: Atlas 2003.
O indivíduo empreendedor
e sua importância
Empreendedorismo por
oportunidade X
necessidade
3
26
Aula
Meta da Aula
Conhecer os conceitos sobre empreendedor;
reconhecer a sua importância; diferenciar
empreendedorismo
por
oportunidade
de
Objetivos
empreendedorismo por necessidade.
Ao final desta aula, você deverá ser
capaz de:
1.Conceituar empreendedor;
2. Reconhecer a importância do
empreendedor no desenvolvimento
econômico;
3. Diferenciar o empreendedorismo por
oportunidade do por necessidade.
27
O indivíduo empreendedor e sua
importância
3.1 O Indivíduo Empreendedor e sua
importância
A exploração das oportunidades e situações novas
oferecidas, tanto na Era Industrial quanto na da Informação
ou conhecimento, indica que deveria existir um ser capaz de
identificar tais situações em que poderia obter maior
produção, ganho, desempenho e resultados. Esse ser
estaria por detrás das principais transformações ocorridas e
seria o artífice das mudanças e alterações experimentadas
em praticamente todos os campos da vida humana. Mais
ainda, tal ser não seria apenas um agente do processo e sim
o motor e o combustível que movem a civilização humana.
Tal personagem já foi identificado por pesquisadores
nas principais culturas, grupos sociais, países e num sem
número de realizações do homem nos mais diversos
campos do pensamento e do conhecimento. Mas, numa
área em especial este personagem vem sendo objeto de
profundas avaliações e pesquisas, por sua reconhecida
importância estratégica para o desenvolvimento econômico.
Trata-se do empreendedor, um ser dotado de
características especiais para enfrentar adversidades e
explorar situações novas. O Empreendedor é alguém que
sabe onde, quando e como chegar na busca da sua
realização pessoal, de sua família, empresa ou comunidade
e, uma vez definidos os seus sonhos, ele os projeta com um
horizonte futuro de aproximadamente 15 anos.
Mas
o
Empreendedor
não
é
um
sonhador
inconseqüente. A partir da sua visão de futuro ele elabora
28
todo um planejamento que permita criar as condições
necessárias à efetiva realização dos seus projetos de vida,
seja no aspecto pessoal, familiar, profissional, acadêmico ou
empresarial.
Neste momento são estabelecidas as metas a serem
alcançadas para daqui a dez anos, cinco anos, um ano, seis
meses, um mês e... para o dia seguinte.
Para o Empreendedor, o novo dia que começa não é
“parte de uma rotina torturante a ser empurrada com a
barriga” e sim uma etapa a vencer, um degrau a subir rumo
à realização dos seus sonhos. É aí, nesse caráter
estratégico que reside não o único, mas certamente o maior
diferencial entre a “visão empreendedora” e o “lugar
comum”.
INOVAÇÃO
VISIONÁRIO
“Empreendedor é um visionário que tem iniciativa, que
sabe identificar oportunidades e estabelecer soluções
inovadoras”.
Marcelo Nakagawa
INICIATIVA
Ser um empreendedor não se limita às pessoas que
começam os seus próprios negócios. O comportamento
empreendedor existe em todos os setores, em todos os
níveis de carreira, em todos os momentos da vida.
Há algum tempo atrás, acreditava-se que o empreendedor
era aquele indivíduo – homem ou mulher – que possuía uma
empresa. Hoje, o conceito de empreendedorismo ganhou a
amplitude que melhor representa a sua ação; podendo
apresentar-se da seguinte forma:
•
uma pessoa que cria uma empresa, qualquer que
seja ela;
29
•
uma
pessoa
que
compra
uma
empresa
já
estabelecida e introduz inovações, assumindo riscos
e agregando valor;
•
um funcionário que identifica ou cria um novo
negócio, introduz inovações em sua organização,
gerando vantagem competitiva e valor para os
acionistas.
Definições - Empreendedor:
“O empreendedor é aquele que faz acontecer,
antecipa-se aos fatos e tem uma visão futura da
organização”. (Dornelas, 2001)
MÍDIA
“O empreendedor é aquele que destrói a ordem
econômica existente através da introdução de novos
produtos e serviços, pela criação de novas formas de
Você encontrará um
ótimo vídeo sobre os
desafios de ser um
empreendedor
no
endereço abaixo:
http://www.youtube.co
m/watch?v=tLEqUsffS
w8
organização, ou pela exploração de novos recursos e
materiais”. Joseph Schumpeter (1949)
recursos
de
organização
maneira
inovadora,
relativamente
gerando
independente,
uma
cujo
sucesso é incerto” Shapero (1977)
Vale a pena conferir!
Veja também, no
endereço
www.casosdesucesso.se
brae.com.br
histórias de sucesso de
empreendedores.
“Alguém decidido, que toma iniciativa de reunir
“Qualquer indivíduo pode aprender a se comportar de
forma empreendedora. O empreendedorismo é um
comportamento, e não um traço de personalidade”.
Drucker (1987)
“É alguém capaz de identificar, agarrar e aproveitar
oportunidades. Para transformá-las em negócio de
sucesso, busca e gerencia de recursos”. Jeffrey
Timmons (1994)
30
“É alguém que define metas, busca informações e é
obstinado”. Ferla Cunha (1996)
“É um grande estrategista, inovador, criador de novos
métodos para penetrar e/ou criar novos mercados; é
criativo, lida com o desconhecido, imaginando o
futuro,
transformando
possibilidades
em
probabilidades, caos em harmonia” Gerber (1996)
“O espírito empreendedor não é um “dom” de poucos,
mas uma característica comum a todos e, portanto
pode ser desenvolvida.” Fernando Dolabela (2003)
“Aquele capaz de deixar os integrantes da empresa
surpreendidos, sempre pronto para trazer e gerir
novas idéias, produtos ou mudar tudo o que já existe.
É um otimista que vive no futuro, transformando
crises em oportunidades e exercendo influência nas
pessoas para guiá-las em direção às suas idéias. É
aquele que cria algo novo ou inova o que já existe
sempre pesquisando. É o que busca novos negócios
e oportunidades com a preocupação na melhoria dos
produtos e serviços. Suas ações baseiam-se nas
necessidades do mercado”. Maria Inês Felippe
(1999)
“É alguém que imagina, desenvolve e realiza visões”.
Louis Jacques Filion
“Empreendedor é todo indivíduo que, estando na
qualidade
de
principal
tomador
das
decisões
envolvidas, conseguiu formar um novo negócio ou
desenvolver
negócios
já
existentes,
elevando
substancialmente seu valor patrimonial, várias vezes
31
acima da média esperada das empresas congêneres
no mesmo período e no mesmo contexto sócioContam os antigos,
que uma pequena rã
foi jogada em uma
panela
de
água
fervente
e
logo
Era uma vez...que
triscou na água, e
sentiu a quentura...
pulou
fora
rapidamente.
Tranquilamente,
uma pequena rã é
colocada em panela
com água fria e
um pequeno fogo é
aceso embaixo da
panela, e a água se
esquenta
muito
lentamente.
Pouco a pouco, a
água fica morna, e a
rã, achando isso
bastante agradável,
continua a nadar.
Agora, a água está
quente mais do que a
rã pode apreciar; ela
se sente um pouco
cansada, mas, não
obstante isso, não se
amedronta.
Agora, a água está
realmente quente, e a
rã começa a achar
desagradável, mas
está
muito
debilitada;
então,
suporta e não faz
nada.
A
temperatura
continua a subir, até
quando a rã acaba
simplesmente cozida
e
morta.
político-econômico, tendo alcançado com isso alto
prestígio perante a
maioria
das
pessoas
que
conhecem essa empresa ou tem relacionamentos
com ela”. Oliveira (1995)
“Apresentam duas categorias de empreendedores, de
acordo com seu campo de atuação: a) entrepreneur –
aquele empresário empreendedor dono do seu
próprio
negócio;
e
b)
intrapreneur
–
aquele
empreendedor que trabalha como funcionário em
alguma empresa”. Gifford (1989)
Os estudos e pesquisas realizados em relação ao
comportamento e à personalidade do empreendedor,
também foco do presente estudo, fundamentam-se na
crença de que o eventual sucesso do novo empreendimento
dependerá
principalmente
do
comportamento
do
empreendedor.
O trabalho pioneiro realizado acerca das características
comportamentais dos empreendedores foi conduzido pelo
Professor da Universidade de Harvard, David McClelland em
1961.
McClelland realizou vários estudos sobre a questão da
motivação e desenvolveu uma teoria sobre a motivação
psicológica, baseado na crença de que o estudo da
motivação contribui significativamente para o entendimento
do empreendedor.
Segundo sua teoria de motivação psicológica, as pessoas
são motivadas por três necessidades:
32
- necessidade de realização
- necessidade de poder
- necessidade de afiliação
Segundo McClelland, a necessidade de realização é a
necessidade que o indivíduo tem de por a prova seus limites,
de fazer um bom trabalho. É uma necessidade que mensura
as realizações pessoais. Pessoas com alta necessidade de
realização; são pessoas que procuram mudanças em suas
vidas, estabelecem metas e colocam-se em situações
competitivas, estipulando também para si, metas que são
realistas e realizáveis. Seus estudos comprovaram que a
necessidade de realização é a primeira necessidade
identificada entre os empreendedores bem sucedidos.
Segundo alguns psicólogos é a necessidade de realização
que impulsiona as pessoas a iniciar e construir um
empreendimento.
A necessidade de afiliação existe apenas quando há
alguma evidência sobre a preocupação em estabelecer,
manter, ou restabelecer relações emocionais positivas com
outras pessoas.
A necessidade de poder é caracterizada principalmente
pela forte preocupação em exercer poder sobre os outros.
Os indicadores comportamentais que caracterizam cada
uma
dessas
necessidades
são
descritos
a
NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO:
•
Competir com seus próprios critérios.
•
Encontrar ou superar um padrão de excelência.
•
Visar uma única realização.
•
Usar feedback.
seguir:
33
•
Visar obter metas de negócio de longo prazo
•
Formular planos para superar obstáculos pessoais
ambientais e de negócios.
NECESSIDADE DE AFILIAÇÃO
•
Visar estabelecer laços de amizade ser aceito.
•
Procurar fazer parte de grupos sociais.
•
Sentir grande preocupação pelo rompimento de uma
relação interpessoal positiva.
•
Possuir uma elevada preocupação com as pessoas
na sua situação de trabalho.
NECESSIDADE DE PODER
•
Executar ações poderosas.
•
Despertar fortes reações emocionais nas outras
pessoas.
•
Estar sempre preocupado com a reputação, status e
posição social.
•
Visar sempre superar os outros.
Esse perfil comportamental dos empreendedores resulta em
ações que podem ser notadas no dia-a-dia das pessoas, da
comunidade, do meio em que interage. São indivíduos que
vêem o mundo de forma diferenciada. Onde os outros vêem
problemas
eles
enxergam
oportunidades!
Acabam
transformando um limão numa limonada!
Grandes Empreendedores e suas “Barracas de Limonada”
34
Era jornaleiro aos 10
anos
Walt
Disney
Faturamento de
US$ 25,3 bi em
2002
Entregava leite e
jornal aos 12 anos
Sam
Walton
Faturamento de
US$ 246,5 bi em
2002
Consertava relógios
de bolso aos 10 anos
Henry
Ford
Faturamento de
US$ 163,6 bi em
2002
Vendeu selos (13),
assinaturas de
jornais (16) e lavou
pratos
Michael
Dell
Faturamento de
US$ 28,3 bi em
2002
Aos 14 anos já era
presidente da TrafO-Data
Bill
Gates
Faturamento de
US$ 28,3 bi em
2002
Figura 6 -Fonte: Fundação Vanzolini – Marcelo Nakagawa
Imaginem as transformações/influências que estes
empreendedores provocam onde agem! O número de novos
empregos gerados, o estímulo a novos concorrentes, a
construção
de
infra-estrutura,
a
entrada
de
novos
fornecedores, os novos clientes e perspectiva de novas
mudanças.
O desenvolvimento econômico está associado à
geração de emprego e renda, o que pode ser possibilitado
pela organização de novas empresas.
Podemos, então, dizer que os empreendedores
estimulam o desenvolvimento econômico.
Nos
países
em
desenvolvimento,
o
empreendedorismo pode dar uma grande contribuição para
a criação de novos postos de trabalho.
Não é raro vermos cidades pequenas com pouco ou
nenhum acesso à tecnologia (televisão, celular, exames de
ultra-som, alimentos diferenciados, etc), até o dia em que o
EMPREENDEDOR se instala na região e começa a fazer o
diferencial. Muitas vezes ele é o dono do mercadinho que
depois de algum tempo vira supermercado, e que acaba
influenciando nos costumes da comunidade que antes não
comia “presunto e sorvete em pote”; e agora já utiliza os
35
serviços de correspondente bancário que o supermercado
oferece.
E com isso, a operadora de telefonia móvel vê ali uma
oportunidade de negocio e implanta o seu sinal, o
representante de um determinado refrigerante que antes não
parava na cidade, agora enxerga o local como cliente em
potencial!
E assim... O EMPREENDEDOR vai modificando o
ambiente, as pessoas e o mundo!
Você já ouviu falar do Grameen Bank¿
Este banco é diferente de todos os outros que conhecemos no Brasil. Ele é especializado em
emprestar dinheiro para pessoas de baixa renda, um sistema que ficou conhecido como
microcrédito. O professor bengalês Muhammad Yunus pensava como poderia ajudar a reduzir a
pobreza em Bangladesh e imaginou que se as pessoas tivessem capital para investir em algo que
soubessem fazer, poderiam produzir e gerar sua própria venda. Esta iniciativa mudou a vida de
muitas pessoas e tornou-se uma experiência única como desenvolver lugares pobres, por meio do
desenvolvimento e financiamento da capacidade empreendedora das pessoas. O banco opera como
uma empresa privada auto-sustentável e gerou lucros em quase todos os anos de sua operação,
exceto no ano de sua fundação e em 1991 e 1992. O Grameen Bank ganhou o Prêmio Nobel da Paz
do ano de 2006, juntamente com seu fundador.
Muhammad Yunus
36
3.2 Empreendedorismo por oportunidade x
necessidade
De acordo com a pesquisa GEM – 2006, 1 em cada
10 brasileiros está empreendendo a criação de um negócio
próprio nos últimos 42 meses.
Será mesmo que há tanto brasileiro assim abrindo
seu próprio negócio?
Apesar da alta taxa de mortalidade das empresas, da
enorme carga tributária e outros obstáculos à abertura de
novos empreendimentos, é crescente o número de novos
negócios.
Seja de forma legalizada ou através do comércio
informal,
as
iniciativas
empreendedoras
são
muitas:
sacoleiras, lanchonetes, restaurantes, cachorro quente, lan
house, etc.
Agora o que os diferencia está relacionado ao motivo
pelo qual montou aquele negocio...
Já pensou sobre isso? Ou melhor, já ouviu alguma
história como essas:
“Perdi o emprego, e agora?
Já sei!Vou fazer igual ao meu
amigo, que abriu um comércio e
está dando certo, vou investir todo
37
o Fundo de Garantia, é isso ai!”.
“Executivo deixa emprego estável,
depois de 20 anos, e troca o terno e a
gravata pelo sonho de se transformar
em sorveteiro”.
Alguns empreendem por necessidade – por estarem
desempregados ou em situação de privação – acabam
abrindo um negócio que resolva as suas dificuldades
naquele momento. Geralmente a idéia de negócio escolhida
é a que está “em moda” ou a do “vizinho” e por isso, não
analisam o mercado e deixam o planejamento de lado.
Outros empreendem por oportunidade – são aqueles
que abrem um negócio porque identificam uma atividade
inexplorada ou mal explorada, onde podem ser realizar
pessoalmente
geralmente,
e
financeiramente.
planejam
o
Essas
pessoas,
empreendimento
buscando
informações para reduzir o risco de quebra.
No Brasil o empreendedorismo por oportunidade está
em torno de 6%, ocupando a vigésima posição no ranking da
GEM-2006. O empreendedorismo por necessidade ficou em
5,6% em 2006. O Brasil passou de 4º para 6º colocado no
mundo no que diz respeito ao empreendedorismo por
oportunidade.
38
Em resumo, para cada indivíduo que empreende por
oportunidade
existe
um
outro
que
empreende
por
necessidade.
Que tal mudarmos esse quadro?
Empreendedorismo por oportunidade x necessidade de
2001 a 2006 no Brasil
ATIVIDADE 3
1. Como você definiria o empreendedor?
2. Você conhece alguma história que enfoque a
contribuição
do
empreendedor
no
desenvolvimento econômico local?
3. Analisando a estória da rã (página 20), qual a
relação com o empreendedor.
4. Entreviste dois empreendedores e procure
identificar com foi criado o negócio – se por
necessidade ou por oportunidade – e quais as
dificuldades e/ou facilidades encontradas.
Informações para a próxima aula
Na Aula 4, teremos a oportunidade de conhecer o perfil
empreendedor
reconhecendo
os
caracterizando o intraempreendedor.
comportamentos
e
39
Leitura recomendada
DOLABELA, Fernando. Empreendedorismo uma forma de
ser. Ed. AED. Brasília.
Bibliografia consultada
228 p. Disponível em: <www.gembrasil.org.br>. Acesso em:
jun. 2009.
SEBRAE.
Disponível
em:
<http://www.sebrae.com.br>.
Acesso em: 2 jul. 2009.
CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando
asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e
viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para
iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo :
Saraiva, 2007.
Perfil Empreendedor
Características
comportamentais do
empreendedor
4
40
Aula
Meta da Aula
Conhecer o perfil empreendedor no tocante
aos comportamentos que compõem as suas
Objetivos
características.
Ao final desta aula, você deverá ser
capaz de:
1. Saber quais são as principais
características empreendedoras;
2. Reconhecer os comportamentos
empreendedores;
41
Perfil Empreendedor
4.1 Introdução
SILVIO SANTOS – Um empreendedor de Sucesso
Silvio Santos é um ícone da televisão
brasileira. Os anos passam, os ídolos
populares se sucedem, os concorrentes
mudam e ele permanece lá, como a
mais perfeita tradução de um domingo
à brasileira. É um dos rostos mais
conhecidos do país e também –
Rarraiiii! – a voz mais familiar aos
ouvidos de milhões. Silvio é ainda uma
versão do self-made Man, o homem
que conseguiu sozinho um lugar ao sol.
É até mesmo considerado por muitos um herói do
capitalismo nacional. De camelô tornou-se um grande
empresário, dono de nada menos que 33 empresas.
A sensibilidade do empresário para lançar programas de
apelo popular deve-se em boa parte à sua história de vida.
Não por destino, mas por opção, ele esteve em contato com
os humildes desde o início de sua carreira. Ao contrário do
que se pensa, Silvio não teve uma infância pobre nem
precisou largar os estudos para trabalhar.
Seu pai, o grego Alberto Abravanel, era proprietário de uma
loja de artigos para turistas e sua mãe, a imigrante turca
Rebeca, era dona-de-casa. A família, de origem judaica,
morava perto do centro do Rio de Janeiro, num imóvel
confortável. Silvio, o mais velho de uma prole de seis filhos,
fez o pré-primário quando isso era um luxo e prosseguiu nos
bancos escolares até se formar técnico em contabilidade.
Parou de estudar porque estava ansioso para dar vazão ao
talento de negociante que se manifestara precocemente.
Quando tinha 14 anos, Silvio viu o Estado Novo de Getúlio
Vargas cair e a democracia ser reimplantada no Brasil.
Alguns jovens aproveitaram a efervescência da época para
embarcar em projetos políticos. Ele enxergou o momento
sob outra perspectiva. Como as pessoas tinham de renovar
seus títulos de eleitor, resolveu vender capinhas de plástico
que servissem para guardar os documentos. Lembra até
hoje que elas custavam 3 cruzeiros e que as revendia por 5.
Animado, passou a vender canetas e outras bugigangas.
Aos 18 anos, Silvio já era um dos camelôs mais famosos do
42
centro do Rio de Janeiro. Ganhava três salários mínimos por
dia.
Não era o bastante. Ele percebeu que poderia explorar
comercialmente o tédio das pessoas que viajavam nas
barcas entre o Rio e Niterói. Convenceu, então, os
administradores do transporte a deixá-lo tocar um serviço de
alto-falantes em uma das barcas. Silvio executava músicas
durante o trajeto e, nos intervalos, veiculava anúncios que
vendia a bom preço. O negócio começou a ir tão bem que
ele montou um bar para atender os passageiros. Mas a
barca quebrou – e, com ela, também o negócio de Silvio.
Endividado, foi para São Paulo, onde se pôs a trabalhar
como locutor de comerciais radiofônicos. Nos intervalos,
vendia anúncios em calendários que mandava confeccionar
aos milhares.
Aqui um parêntese: ele já chegou à capital paulista com o
pseudônimo artístico. Quando morava no Rio, uma de suas
maneiras de ganhar dinheiro era participando de concursos
de locução. O vencedor sempre levava da rádio um prêmio
em dinheiro. Silvio ganhou doze seguidos, até que se viu
proibido de participar deles. Foi num desses concursos que
adotou o pseudônimo. Ao apresentar-se a um radialista
como Silvio Abravanel (sua mãe preferia Silvio a Senor),
ouviu que o nome não soava bem. "Vamos chamá-lo de
Silvio Santos", disse o sujeito, sem maiores explicações. E
assim foi.
Em São Paulo, com as finanças equilibradas, Silvio voltou a
ser dono de bar, no centro da cidade. Como investia tudo o
que ganhava em seus pequenos negócios, não se permitia
nenhum luxo, por menor que fosse. Aluguel de casa, por
exemplo, nem pensar. Dividia um quarto de pensão com um
ex-jogador de futebol. Foi expulso de lá depois de ser pego
pela proprietária com uma mulher na escada.
A grande virada veio no final de 1957. Um ano antes,
Manoel da Nóbrega, dono de um programa na mesma rádio
em que Silvio trabalhava, a Nacional, tornou-se sócio de um
comerciante chamado Walter Scketer, que imaginara um
projeto interessante: um baú de brinquedos que seria
vendido em forma de carnê por doze meses. O alvo eram
pais modestos, que assim poderiam proporcionar a seus
filhos um Natal inesquecível. Nóbrega entraria com a sua
credibilidade e com os anúncios. Scketer, com a sua
experiência em administração.
Quando chegou dezembro, porém, dos 800 compradores,
apenas 500 receberam os baús que haviam comprado.
Scketer sumiu do mapa, deixando Nóbrega a ver navios. As
43
rádios concorrentes e os jornais passaram a referir-se ao
sócio enganado como caloteiro e picareta. Desesperado,
Nóbrega vislumbrou a salvação em Silvio Santos. A princípio
hesitante, Silvio topou assumir a encrenca, pressionado pela
primeira mulher, Maria Aparecida, que viu naquilo tudo uma
boa possibilidade. Começava aí a história de sucesso do
Baú da Felicidade, base do império do empresário.
"Peru que fala" – Para impulsionar o Baú nos primeiros
tempos, Silvio bolou um esquema chamado Caravana do
Peru (como sempre ficava vermelho com as brincadeiras
que seus colegas faziam, seu apelido na rádio era o "peru
que fala"). A Caravana do Peru funcionava assim: Silvio
promovia shows em praças públicas, no qual havia sorteios
de prêmios e apresentações de artistas conhecidos. Entre as
atrações, ele vendia carnês. Foi nas caravanas que Silvio
lapidou seu estilo de apresentador com o qual hipnotiza as
platéias até hoje. É um estilo que, por sinal, intriga os
estudiosos. "Ele tem a capacidade de mostrar o ridículo e o
patético da personalidade humana, usando uma embalagem
familiar, que não choca", diz o professor Muniz Sodré, da
Universidade Federal do Rio de Janeiro.
A sua primeira experiência na televisão aconteceu em 1958,
como locutor de comerciais das finadas Lojas Clipper.
Quatro anos mais tarde, comprou seu primeiro horário
televisivo, na TV Paulista, para fazer o Vamos Brincar de
Forca. Silvio, aliás, jamais foi empregado de emissora
alguma. Sempre adquiriu espaços para veicular seu
programa – e seu programa nunca deixou de ser um
pretexto para vender os produtos oferecidos por suas
empresas. É só com olhos de negociante que ele enxerga o
mundo. Isso explica por que não constam de seu repertório
conceitos
como
função
educativa
da
televisão,
responsabilidade social dos meios de comunicação ou
atrações que difundam cultura. Para muitos, trata-se de sua
maior limitação.
Silvio, que faz parte da vida dos brasileiros há quatro
décadas, foi ao longo desse tempo mudando de estatura. De
vendedor passou a locutor, de locutor virou apresentador e
de apresentador tornou-se grande empresário, cortejado por
poderosos. Durante a escalada, nada de essencial se
alterou em suas preferências e hábitos.
Ele não vai a festas nem a eventos. Visita o salão do
cabeleireiro Jassa, para jogar conversa fora. Assiste a filmes
em vídeo nos fins de semana. Vê uma média de vinte por
mês. Prefere comédias. Admira muito o ator e diretor
americano Woody Allen e diz que, se pudesse, o contrataria.
Porque ele faz filmes bons e baratos, justifica. Silvio veste-se
44
há quase trinta anos na mesma confecção, a Camelo, na
Zona Norte de São Paulo. Usa relógios comprados em
camelôs nos Estados Unidos, que custam no máximo 100
dólares. Em vez de guardar seus papéis numa pasta de
couro, usa uma sacola de papelão. Não são extravagâncias
de um milionário. Silvio é assim mesmo. O carro que usa
com mais freqüência é um Lincoln Continental branco, de
capota verde. Tem sete anos de uso e ele próprio o dirige.
Seu patrimônio pessoal, declarado à Receita Federal,
totaliza 879 milhões de reais. No comando de sua rede de
televisão, o SBT, Silvio conseguiu a façanha de se
transformar em um adversário que incomoda de verdade a
Rede Globo.
Fonte: Arquivo pessoal da autora.
Histórias
como
essa,
causam
admiração
pela
determinação, persistência, criatividade e ousadia. Pontos
que podem ser comuns a qualquer pessoa, mas que nem
sempre estão presentes nos comportamentos do dia-a-dia.
O
que
faz
então
que
essas
pessoas
sejam
consideradas empreendedoras?
Há algo de particular presente no seu perfil?
Veremos...
Por
volta
dos
anos
50,
os
estudiosos
do
empreendedorismo já identificavam que a maior parte dos
novos negócios nascia em pequenas empresas, e que estas
eram dirigidas por pessoas que lutavam para conseguir
colocar de pé seu empreendimento. O interesse por
compreender
as
características
das
pessoas
que
empreendem e têm sucesso passou a receber atenção e
financiamento para pesquisa.
Dentre os muitos estudos sobre estas características
que constituem o perfil empreendedor, iremos abordar o
trabalho do psicólogo e professor da Universidade de
Havard, David MacClelland por já serem utilizadas em
programas
EMPRETEC.
de
treinamento
comportamental
como
o
45
A grande contribuição de David McClelland dentro do
campo do empreendedorismo, foi a sua iniciativa em tentar
especificar o que gerava os resultados positivos do
empreendedor.
Através
da
identificação
de
traços/características comuns nos empresários de sucesso,
o psicólogo conseguiu agrupá-los formando o que ele
chamou
de
Características
do
Comportamento
Empreendedor – CCE´s.
Os
países
escolhidos
para
verificar
se
as
características diferiam ou não, foram Malawi na África, Índia
na Ásia e Equador na América do Sul, por serem países em
desenvolvimento e de continentes distintos, além de
possuírem realidades sócio-culturais bastante distintas.
Nos
países
estudados,
um
grupo
de
jurados
composto por pessoas nativas, que eram consideradas os
empreendedores de maior sucesso por setor econômico
(indústria,comércio e serviços), sendo selecionados aqueles
que receberam o maior número de indicações. De cada
setor foram identificados 12 (doze) empreendedores de
sucesso
e
também 12
(doze)
empreendedores
que
receberam as menores indicações de êxito, perfazendo um
total de 216 (duzentos e dezesseis) empreendedores nos
três paises.
A
técnica
de entrevistas
utilizada,
através
de
gravação, baseou-se em registros dos detalhes da vida
empresarial e também do retrospecto de suas atividades nos
últimos três anos. Através de análises o júri encontrou
diferenças entre as características da Índia em relação a
Equador e Malawi.
Contudo buscou-se identificar quais características
eram mais freqüentes nos três paises, chegando a 20 (vinte)
características comuns que foram associadas às respostas
46
das entrevistas permitindo um cruzamento de informações
maior, para posteriores análises.
Posteriormente
foi
obtida
uma
relação
de
nove
características que foram encontradas nos empreendedores
de sucesso e que os diferenciava do desempenho dos
demais. A partir daí foram divididas em três grupos:
Pró-atividade
Iniciativa
Assertividade
Orientação para a realização
Percepção e ação sobre as oportunidades
Orientação para a eficiência
Preocupação com a alta qualidade do trabalho
Planejamento sistemático
Monitoramento
Comprometimento com os outros
Comprometimento com o trabalho contratado
Reconhecimento da importância dos relacionamentos
nos negócios
MÍDIA
Na pesquisa foram identificados dois pilares centrais
que estão na base de um comportamento empreendedor de
sucesso. O primeiro pilar demonstra que as pessoas
Assista
ao
filme:
“Mauá o Imperador e
o Rei” e perceba como
a história do Barão de
Mauá está repleta de
comportamentos
empreendedores.
empreendedoras têm uma “necessidade de realização”,
“motivação para realização” ou “impulso de melhorar”, que
se caracteriza por certa “insatisfação”, além da valorização
da independência e do desejo de superar padrões de
excelência.
O outro pilar é a característica psicológica que se refere ao
lócus de controle ou “local de controle”, que, de forma
simples, responde à pergunta: quem é responsável pelo que
me acontece? Pessoas que possuem um forte lócus de
controle interno responsabilizam-se pessoalmente por seu
destino, acreditam que suas escolhas interferem diretamente
47
nos resultados. Por isto, tendem a ser relativamente
autoconfiantes, prezam a autonomia e a independência.
Estes
são
traços
que
distinguem o
comportamento
empreendedor.
Estas pessoas comportam-se de maneira bastante
distinta das pessoas que possuem o lócus de controle
externo, que acreditam que os seus resultados dependem
mais da sorte e do acaso do que do seu esforço e intenção
própria.
O sujeito que possui lócus interno de controle
acredita que o seu êxito é antes um produto do bom
planejamento, esforço intenso e talento do que uma
conseqüência do destino ou das circunstâncias. Em tais
indivíduos, observa-se uma “iniciativa incomum e maior
controle sobre seu próprio comportamento; são mais bemsucedidos quando se trata de persuadir outras pessoas,
embora eles próprios não se deixem persuadir facilmente;
são mais diligentes em obter informações e conhecimentos
estratégicos acerca de sua própria situação; são mais bem
informados; desempenham bem tarefas que dependem de
habilidades específicas que podem ser aprendidas e não tão
bem aquelas que dependem da sorte ou do acaso; têm
autoconceitos mais claros; são mais confiáveis e são menos
vulneráveis ao fracasso”.
O trabalho de David MacClelland em parceria com a
empresa de consultoria MSI formatou o programa de
treinamento
empreendedor
EMPRETEC.
Nele
são
trabalhadas, de forma intensiva, as dez características
empreendedoras identificadas em sua pesquisa e seus
respectivos comportamentos.
48
AS CARACTERÍSTICAS DO COMPORTAMENTO
EMPREENDEDOR – DAVID MACCLELLAND
BUSCA DE OPORTUNIDADE E INICIATIVA
-
Faz as coisas antes de solicitado ou antes de forçado
pelas circunstâncias.
Age para expandir o negócio a novas áreas, produtos
ou serviços.
Aproveita oportunidades fora do comum para
começar um negócio, obter financiamentos,
equipamentos, terrenos, local de trabalho ou
assistência.
CORRER RISCOS CALCULADOS
-
Calcula riscos deliberadamente e avalia alternativas.
Age para reduzir os riscos ou controlar os resultados.
Coloca-se em situações que implicam desafios ou
riscos moderados.
EXIGÊNCIA DE QUALIDADE E EFICIÊNCIA
-
Encontra maneiras de fazer as coisas melhor, mais
rápido ou mais barato.
Age para garantir que se satisfaçam ou excedam
padrões de excelência.
Desenvolve ou utiliza procedimentos para assegurar
que o trabalho seja terminado a tempo e que atenda
os padrões de qualidade previamente combinados.
PERSITÊNCIA
-
Age diante de um obstáculo significativo.
Age repetidamente ou muda de estratégia a fim de
enfrentar desafios ou para superar obstáculos.
Faz um sacrifício pessoal ou dispende um esforço
extraordinário para terminar um trabalho.
COMPROMETIMENTO
-
- Atribui a si mesmo e a seu comportamento as
causas de seus sucessos e seus fracassos e assume
a responsabilidade pessoal pelos resultados obtidos.
Colabora com os empregados ou se coloca no lugar
deles, se necessário para completar um trabalho.
49
-
Esforça-se para manter os clientes satisfeitos e
coloca em primeiro lugar a boa vontade, acima do
lucro a curto prazo.
BUSCA DE INFORMAÇÕES
-
Dedica-se pessoalmente a obter informações de
clientes, fornecedores e concorrentes.
Investiga pessoalmente como fabricar um produto ou
proporcionar um serviço.
Consulta especialistas para obter assessoria técnica
ou comercial.
ESTABELECIMENTO DE METAS
-
Estabelece metas e objetivos que são desafiantes e
com significado pessoal.
Tem visão clara e específica do que quer a longo
prazo.
Define objetivos de curto prazo e mensuráveis.
PLANEJAMENTO E MONITORAMENTO SISTEMÁTICOS
-
-
Planeja dividindo tarefas de grande porte em subtarefas com prazos definidos.
Revisa constantemente seus planos levando em
conta os resultados obtidos e as mudanças
circunstanciais.
Mantém registros financeiros e os utiliza para tomar
decisões.
PERSUASÃO E REDE DE CONTATOS
-
Utiliza estratégias deliberadas para influenciar ou
persuadir os outros.
Utiliza pessoas-chave como agentes para atingir seus
próprios objetivos.
Age para desenvolver e manter relações comerciais.
INDEPENDÊNCIA E AUTOCONFIANÇA
-
Busca autonomia em relação a normas e controles de
outros.
Mantém seu ponto de vista mesmo diante da
oposição ou a resultados desanimadores.
50
-
Expressa confiança na sua própria capacidade de
complementar uma tarefa difícil ou de enfrentar um
desafio.
AUTO-AVALIAÇÃO
Agora que você já conhece como o empreendedor se
comporta, procure fazer uma auto-avaliação com relação a
estes comportamentos a fim de identificar quais são mais
fracos no seu perfil e quais são mais fortes. Assim, você
poderá perceber quais as características empreendedoras
que estão mais presentes nas suas ações diárias e quais as
que você precisa desenvolver.
Causas mais comuns de falhas nos negócios
Fonte: Idalberto Chiavenato – Empreendedorismo – Dando Asas ao Espírito
Empreendedor.
4.2 Intraemprendedorismo
O termo intraempreendedor (tradução do Inglês intrapreneur) foi cunhado por Gifford Pinchot (1989) para
designar o “empreendedor interno”.
São aqueles que, a partir de uma idéia, e recebendo a
liberdade, incentivo e recursos da empresa onde trabalham,
51
dedicam-se entusiasticamente em transformá-la em um
produto de sucesso. Não é necessário deixar a empresa
onde trabalha, como faria o empreendedor, para vivenciar as
emoções, riscos e gratificações de uma idéia transformada
em realidade.
O
empreendedor, muitas
vezes, necessita dos
recursos de uma grande empresa para testar suas idéias.
Porém, gosta de ser seu próprio patrão e a organização de
uma grande empresa costuma dar pouco espaço para a
independência.
A solução para esse problema de relações pode estar
no surgimento dessa nova classe de empreendedores, os
intraempreendedores.
Os 10 mandamentos do intraempreendedor segundo Pinchot III, 1989
· Vá para o trabalho a cada dia disposto a ser
demitido
· Evite quaisquer ordens que visem interromper seu
sonho
· Execute qualquer tarefa necessária a fazer seu
projeto funcionar, a despeito de sua descrição de
cargo
· Encontre pessoas para ajudá-lo
Siga sua intuição a respeito das pessoas que
escolher e trabalhe somente com as melhores
· Trabalhe de forma clandestina o máximo que puder
– a publicidade aciona o mecanismo de imunidade da
corporação
· Nunca aposte em uma corrida, a menos que esteja
correndo nela
· Lembre-se de que é mais fácil pedir perdão do que
pedir permissão
52
DICA!
No site do SEBRAE
há um teste no qual
você pode avaliar o
seu
perfil
empreendedor. Vá ao
endereço:
http://www.sebrae.co
m.br/atendimento/
teste-aqui-seu-perfilempreendedor
e
responda
às
perguntas
formuladas. Depois pense
sobre o resultado do
teste.
· Seja leal às suas metas, mas realista quanto às
maneiras de atingi-las
· Honre seus patrocinadores
Pinchot em uma entrevista à revista Você, apontou seis
pontos fundamentais para se tornar um intraempreendedor.
São eles:
1. Encontre algo em que você realmente acredite, que esteja
alinhado com seus valores e que você queira empreender.
2. Faça um plano de negócios para ajudá-lo a transformar
sua idéia em realidade.
3. Tire suas dúvidas com outros empreendedores.
4. Esteja pronto para fazer qualquer trabalho necessário
para que sua idéia dê certo. Se tiver de varrer o chão, façao. Muitas vezes, ninguém nos dá apoio quando fazemos
algo novo. Ou, o que é pior, enfrentamos muita resistência.
5. Monte uma equipe. Você precisa vender bem sua idéia
para deixá-la entusiasmada. E não deixe de ouvir as idéias
dos outros.
6. Encontre alguém para “apadrinhar” sua idéia, para lhe dar
suporte e até protegê-lo. Normalmente essa pessoa não é
seu chefe, ela está em outros departamentos da empresa.
Isso não significa que o suporte de seu chefe não seja
importante.
ATIVIDADE 4
1. Após fazer a leitura do texto que fala sobre
Silvio
Santos,
procure identificar
nas
os
comportamentos empreendedores praticados
por ele.
53
2. Com
base
na
sua
características
auto-avaliação
e
das
comportamentos
empreendedores, procure traçar um plano de
melhorias
para
fortalecer
os
seus
comportamentos mais fracos. Procure escrever
de forma específica o que irá fazer para
fortalecer. (Ex: tenho como ponto fraco o
comportamento - “dedica-se pessoalmente a
obter informações de clientes, fornecedores ou
concorrentes” – como quero montar o meu
negócio, vou tirar 2h por dia para visitar alguma
empresa que já atue na área que quero
trabalhar, ou vou pesquisar junto aos clientes
quais as necessidades não satisfeitas pelo
mercado dentro da área que quero atuar).
3. Uma das características que mobilizam o
empreendedor na busca por resultados é o
Estabelecimento de Metas. Por falar nisso,
como estão as suas? Estabeleça um objetivo a
ser atingido por você para daqui a um ano e
outro para daqui a cinco anos. Lembre-se que:
os
objetivos
devem
ser
desafiantes,
mensuráveis, devem ter data para acontecer e
ter significado pessoal!
4. O quadro que traz as “causas mais comuns de
falhas nos negócios”, apontam os motivos de
quebra
das
empresas.
Correlacione
as
características empreendedoras que ajudariam
a evitar tais problemas.
5. Você
conhece
algum
exemplo
de
intraempreendedor? Fale sobre ele: resultados
que
gera
para
características.
a
empresa
e
principais
54
Informações sobre a próxima aula
Na próxima aula, iremos conhecer como se dá o processo
empreendedor.
Leitura Recomendada
SARAIVA, Alberto. Os mandamentos da lucratividade: as
histórias e ensinamentos de um negócio que parecia
impossível. 8 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
Bibliografia Consultada
CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando
asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e
viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para
iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo :
Saraiva, 2007.
HISRICH,
Robert
D.
e
PETERS,
Michael
P.
Empreendedorismo. 5.ed. Porto Alegre: Bookman, 2004.
PINCHOT,
Gifford
e
PELMAN,
Ron.
Intraempreendedorismo na prática: um guia de inovação
nos negócios. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
PACHECO, Françoise. Uma análise do programa de
formação empreendedora EMPRETEC do SEBRAE –
2002 A 2004 no Piauí. Dissertação de Mestrado. 2008.
55
Empreendendo – O
processo empreendedor
Aula
5
Meta da Aula
Apresentar o processo empreendedor e os
fatores
que
influenciam
na
atividade
Objetivos
empreendedora.
Ao final desta aula, você deverá ser
capaz de:
1. Identificar as fases do processo
empreendedor;
2. Reconhecer os principais desafios do
processo empreendedor;
56
Empreendendo – O processo
empreendedor
5.1 Introdução
“Luisa era uma jovem que ia ser dentista, mas, sua
vida mudou completamente, até começar a acompanhar o
dia-a-dia
da
sua
madrinha
que
tinha
um
empreendimento em Ponte Nova. Com o passar dos anos
Luisa percebe que não tem mais vocação para ser dentista e
quando vai para Ponte Nova que é a cidade da Goiabada
cascão da madrinha, que para ela é a melhor goiabada do
mundo, Luísa planeja montar uma empresa igual a da sua
tia. No começo Luísa ficou um pouco receosa, pois ia abrir
um negocio igual a da sua madrinha, a idéia era o nome de
Goiabadas Maria Amália. Luisa não tinha conhecimento na
área de planejamento, organização e buscou ajuda com o
professor de empreendedorismo Pedro. Daí ela começa a
assimilar realmente quais as dificuldades e estratégias para
ser um bom empreendedor.
Só que surgiram problemas, pois Luisa esperava algo
mais rápido e menos burocrático na montagem de sua
empresa, só que ela percebeu que não era bem assim, e
Pedro começou a lhe dar informações sobre: plano de
marketing,
estratégia
de
marketing,
certificação
de
qualidade, planos financeiros. Entre outros problemas que
enfrenta uma estudante de odontologia para se tornar uma
empreendedora, Luisa viu que não era tão simples como ela
imaginava.
Pedro
começou
a
perguntar
sobre
o
conhecimento dela em relação ao mercado, quem era o seu
cliente alvo, quais os projetos da empresa Goiabadas Maria
Amália, que tipo de cliente irá satisfazer para comprar o tal
produto, e com o passar do tempo Luisa foi buscando e
57
aprimorando seu conhecimento, vendo e revendo as rotinas
de planejamento de seu negócio. Com determinação depois
de 6 anos, até recusar ser a oradora da sua formatura por
não ter tempo mais, Luisa casou-se e tornou-se uma grande
empresária no ramo de goiabadas, ganhando até o prêmio
de Empreendedor Global - para as empresas que se
destacavam no volume de EXPORTAÇÕES. O volume de
exportações atingiu o valor de 8 milhões de dólares”.
Fonte: Adaptado do Livro “O Segredo de Luísa” – Fernando Dolabela
O empreendedorismo empresarial começa a atuar
quando pensamos em como seria a nossa vida se
pudéssemos
dirigir
uma
empresa da maneira como
sonhamos.
Os
empreendedores
costumam
desejar
coisas
diferentes do seu empreendimento. Alguns desejam montar
negócios de muito sucesso que os façam ricos; outros
querem que seu negócio permita uma vida diferente com
mais autonomia e prazer; e a maior parte gostaria das duas
coisas.
O empreendedor é aquele que aproveita uma
oportunidade.
A
oportunidade
surge
quando
o
empreendedor percebe que há uma necessidade que ainda
não foi atendida na oferta de produtos e serviços no
mercado ou um problema que foi identificado e ainda não foi
resolvido.
Acontecimentos pessoais e circunstanciais podem
resultar na abertura de uma empresa. Algumas pessoas
imaginam como seriam suas vidas se elas fossem seus
próprios patrões. Vislumbram como conduziriam suas
empresas. Mantêm latente um desejo de empreender que
pode ser despertado por um evento interno ou externo.
58
Outras situações, nem sempre agradáveis, como uma
demissão, podem determinar o momento de assumir o risco
de empreender. Observar outras pessoas parecidas com
você que montam um negócio de sucesso também funciona
como uma ignição para o empreendedorismo.
Vislumbrada a oportunidade e tomada a decisão de
implementá-la, devemos arregaçar as mangas e elaborar um
plano de negócio, que funcionará como um verdadeiro
“plano de vôo” da empresa que se inicia.
O processo Empreendedor
Da percepção da oportunidade até a estruturação do
empreendimento há um longo caminho a ser percorrido. As
fases que se sucedem da idéia inicial até a criação e
operação da empresa é o que se costuma chamar de
processo empreendedor.
Três fatores irão influenciar na construção desse
caminho, são eles:
Fatores
pessoal,
necessidade
pessoais:
valores
pessoais,
de
educação,
realização
experiência,
insatisfação com o trabalho, demissão, assumir riscos,
criatividade, etc.
Esses fatores estão intimamente ligados ao indivíduo,
como a necessidade de realização pessoal, ou seja, a
satisfação advém da construção desse objetivo empresarial;
a forma como foi educado – valorizando o emprego ou ser
dono do próprio negócio; a capacidade de arriscar –
impulsiona o indivíduo a empreender; a própria demissão
pode ser o pontapé para iniciar um negócio.
Fatores
incubadoras,
ambientais:
políticas
oportunidade,
públicas,
fornecedores, investidores, etc.
modelagem,
recursos,
clientes,
59
Os fatores ambientais dizem respeito às ações que o
meio podem exercer sobre a iniciativa empresarial. A
presença de oportunidades que podem ser aproveitadas
pelo empreendedor; o processo de modelagem que consiste
em ter alguém ou algo com referência/exemplo a ser
seguido (um amigo que é empreendedor, um modelo de
negócio promissor); as políticas públicas que podem
favorecer essa iniciativa e sua continuidade; as incubadoras
de empresa que proporcionam um ambiente mais “seguro”
para o início empresarial; os recursos disponíveis, sejam
eles materiais, financeiros ou humanos; e a presença de
clientes, fornecedores e investidores para o negócio.
Fatores sociológicos: redes de relacionamento,
equipes, família e modelagem.
Representam o número de contatos/relacionamentos
que o indivíduo possui e que podem favorecer a iniciativa
empresarial; as equipes designam o grupo de pessoas com
habilidades
complementares
que
podem
estimular
a
abertura do negócio; além de identificação com modelos
empresariais de sucesso que podem vir a influenciar essa
iniciativa; além de exemplos de sucesso empresarial nas
famílias.
Fatores
organizacionais:
equipe,
estratégia,
produtos, cultura.
Estes fatores exercem influencia no momento de
administração do negócio – a equipe com sua competência
e forma de gerenciar; a estratégia utilizada para influenciar o
cliente; como os produtos serão trabalhados; a cultura são
os padrões de comportamento usados pela empresa para
funcionar.
O
quadro
a
seguir,
reproduz
o
Processo
Empreendedor em suas quatro etapas, e onde esses fatores
– pessoais, ambientais e sociológicos – influenciam.
60
Fases do Processo Empreendedor
Fonte: O processo Empreendedor – Sandra Mariano e Verônica Mayer
FASE 1 – Identificação da Oportunidade para Inovação
O indivíduo tem uma idéia, que surge a partir da
identificação
de
alguma
inovação
que
pode
ser
implementada, e dá origem a um novo negócio.
FASE 2 – Gatilho para a abertura da empresa – Evento
Inicial
Mesmo que o indivíduo esteja diante de uma oportunidade,
não há garantias de que ele sairá da intenção para a ação. A
decisão do indivíduo de implementar ou não a idéia
dependerá do surgimento de um gatilho que acione os
61
planos de criação de uma empresa. É hora de fazer o plano
de negócios.
FASE 3 – Criação da Empresa e Implementação
A Fase 3, que envolve a criação da empresa, é composta de
algumas subfases: validação da idéia; definição da escala de
operação
e
identificação
elaboração do
dos
recursos
plano de negócio,
necessários;
que apresenta a
formatação do empreendimento para sua negociação interna
e externa; e a operacionalização do plano de negócio, dando
início à empresa.
FASE 4 – Administração do Negócio
o empreendedor irá desempenhar fortemente o papel de
administrador da empresa, garantindo sua consolidação e
sobrevivência a longo prazo. Os fatores que influenciam o
dia-a-dia da empresa, após a sua fundação, são os mesmos
que influenciaram a sua criação.
A capacidade de gerenciar as mudanças e a capacidade de
adaptação farão a diferença entre o sucesso e o fracasso do
empreendimento.
ATIVIDADE 5
1. Com base na estória contada no início desta aula –
“O segredo de Luísa” – destaque quais foram os
fatores
(pessoais,
organizacionais)
ambientais,
que
sociológicos
influenciaram
o
e
processo
empreendedor de Luísa.
2. Na sua opinião, quais fatores são mais decisivos para
influenciar o processo empreendedor e por que?
62
3. Teste-se como empreendedor e analise quais fatores
você tem no seu processo empreendedor em casa
etapa
dele.
Esquematize
o
seu
processo
empreendedor.
Informações para a próxima aula
Na Aula 6, teremos a oportunidade de trabalhar o
planejamento do empreendimento, analisando se uma idéia
já é um negócio e os passos para o planejamento do
empreendimento – plano de negócio.
Leitura recomendada
DOLABELA, Fernando. O segredo de Luísa. 30 Ed. São
Paulo: Editora de Cultura, 2006.
Bibliografia consultada
CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando
asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e
viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para
iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo :
Saraiva, 2007.
MORI, Flavio De; TONELLI, Alessandra; LEZANA, Álvaro G.
R. Empreender: identificando, avaliando e planejando
um novo negócio. Florianópolis: ENE/ UFSC, 1998.
Planejando o
Empreendimento
Uma boa idéia é o
suficiente?
6
63
Aula
Meta da Aula
Iniciar o planejamento do negócio pela
análise da idéia de negócio identificando se
esta é realmente uma oportunidade de
Objetivos
negócio.
Ao final desta aula, você deverá ser
capaz de:
1. Diferenciar idéia de oportunidade;
2. Avaliar uma oportunidade;
64
Planejando o Empreendimento
Uma boa idéia é o suficiente?
“Até o final do século XIX, o profissional mais importante num
matadouro era o açougueiro, um homem habilidoso, experiente e
bem remunerado que, sozinho, cortava e separava todas as
partes do boi. O problema desse processo centrado num único
indivíduo era a que a produção ficava limitada. Mas o cenário
mudou com a chegada da esteira rolante: enquanto a carcaça se
movia lentamente, diversos operários pouco habilidosos podiam
realizar uma pequena pata da tarefa. Isso permitiu o crescimento
da produtividade, maior agilidade e melhor controle da operação.
Foi essa performance que chamou a atenção de um mecânico em
visita a um abatedouro de Detroit. O homem ficou tão
impressionado que,
apenas
alguns anos depois, implantou
um processo semelhante na
produção de carros. O mecânico
era Henry Ford, e o método, a
linha de montagem , que
revolucionou
a
indústria
automobilística e inaugurou a
indústria moderna”.
Fonte: Oportunidades Disfarçadas – Carlos Domingos, ed. Sextante, página.
194.
A grande maioria das pessoas acha que os negócios
de sucesso são promissores porque têm uma ótima idéia.
Isto é perigoso! Como dizia Alain Emile Chaktier “nada é
mais perigoso que uma idéia do que quando ela é a única
que temos”. Ou melhor, falando: quando ela é a única
COISA que temos!
Uma idéia boa aqui, pode não ser uma idéia boa ali!
Ou uma idéia boa na mão de alguém, pode não
funcionar na mão de outrem...
Não importa se a idéia é única ou repetida. O que
importa é se esta idéia atende aos pré-requisitos básicos do
mercado.
65
São eles:
1. Uma idéia precisa atender a uma necessidade – a idéia
pode ser bonita, funcionar em outros locais... mas se onde
você desejar aplicar, ela não satisfizer as necessidades...
Não é uma boa idéia.
2. As idéias são inúteis se alguém não tiver disposto a
pagar por ela – o negócio precisa ter retorno financeiro para
dá certo. Por isso, pode ser uma boa idéia e até haver a
necessidade, mas.... se as pessoas não estiverem dispostas
a pagar o que você está pedindo por ela... Não é uma boa
idéia
aqui!
Muitos
produtos
aparecem
no
mercado
atendendo uma necessidade, mas o público não aceita o
valor cobrado. E quando o empreendedor não tem com
baixar o valor... A idéia vai pelo ralo!
3. É preciso saber gerenciar a idéia – é preciso buscar
informações, atualização contínua, inovar sempre, atender
bem, minimizar os custos, mas não esquecer da qualidade,
agregar experiência, construir uma boa equipe, etc. Enfim,
estruturar-se bem para que a boa idéia funcione agora e
futuramente!
A idéia é algo livre, espontâneo, que não tem
comprometimento com nada e em dar certo. É fruto da
criatividade e de descobertas. Já a oportunidade é uma idéia
trabalhada, analisada, calculada e, se possível, testada, que
tem chances de sucesso, pois envolve uma análise
econômica de investimentos e retorno potencial.
Dessa forma, identificar uma oportunidade significa buscar
resposta para uma série de questões, como por exemplo:
•
Existe uma necessidade de mercado que não é
suprida ou é suprida com deficiências?
•
Como funcionam empresas similares?
•
Qual a quantidade de potenciais clientes para este
negócio? Qual o seu perfil? Onde se localizam?
66
•
Quais são os principais concorrentes? Quais os seus
pontos fortes e fracos?
•
Existem ameaças?
•
Quais os valores que o novo produto/serviço agregam
para os clientes?
•
Será que o momento correto é realmente este?
•
É possível inovar? em que aspectos?
•
E outras…
Fonte: Sebrae/SP
Abaixo seguem exemplo de oportunidades que
surgiram no dia-a-dia dos seus descobridores:
“No início dos anos 1950, em sua casa em Los
Angeles, Ruth observava a filha Bárbara, de 10 anos brincar
no chão da sala. Foi quando algo chamou sua atenção: em
vez de se divertir com sua boneca bebê, a menina preferia
recortar imagens de mulheres adultas de revistas femininas.
Na época, as bonecas com aparência de bebê eram muito
populares entre as famílias americanas.Para as crianças,
significava diversão. E para os pais, uma forma de despertar
o lado materno das garotas para assumirem o papel de
mães no futuro. Naquele momento, Ruth percebeu que
talvez a menina sonhasse com algo mais: com o futuro
glamouroso das atrizes de Hollywood. Para atender à filha, e
quem sabe, a outras crianças de sua idade, ela se
emprenhou em desenvolver por conta própria um aboneca
com aparência adulta. Empolgada, Ruth apresentou o
projeto ao marido, Elliot. Ambos tocavam uma fábrica de
casinhas de madeiras. Porém, a boneca revelou-se custosa
demais para ser desenvolvida na época, e por isso foi
arquivada. Mas a idéia não abandonou a cabeça da mulher.
Alguns anos depois, em 1956, quando passeava pela Suíça,
Ruth viu em uma vitrine uma boneca do jeito que havia
sonhado: com rosto e corpo de mulher, chamada Lili. Ou
seja: era a comprovação de que já era possível concretizar
seu sonho. De volta aos EUA, Ruth
tratou de levar o projeto em frente,
usando Lili com referência para o
produto
final.
O
lançamento
aconteceu em 1959, na feira de
brinquedos de Nova York. Para
67
batizar a novidade, Ruth usou o apelido da filha Bárbara:
Barbie. O sucesso foi tão grande, que de um simples
fabricante de casinhas de madeira, o negócio do casal se
transformou na gigante Mattel”.
“Todo fim de semana, Adriano Sabino velejava pelos lagos
de Brasília. Nessas ocasiões, podia presenciar a
preocupação dos pais com os filhos que entravam n água:
“Não vá para o fundo”; “Fique pertinho da mamãe”; e outros
alertas. Sabino imaginou que, se criasse algo para proteger
as crianças, os pais iriam se interessar. Foi então que ele se
lembrou de uma interessante
espuma utilizada na flutuação
de veleiros. Mesmo furada u
partida, não afundava de jeito
algum. Ao pesquisar a
composição
do
material,
descobriu se tratar de um
polietileno, não tóxico e à
prova de bactérias. Ou seja:
perfeito para um produto
infantil. Com a ajuda da
mulher, Sabino produziu uma
espécie de bóia em formato fino e comprido: estava criado o
espaguete, ou macarrão de piscina. A Toy Power, empresa
que Adriano e a mulher criaram para representar o produto,
já comercializou 12 milhões de unidades e exporta para
países da América do Norte, Mercosul e Comunidade
Européia”.
“Bill Gates, durante muito
temo o homem mais rico do
mundo,
começou
sua
fortuna a partir de uma
matéria publicada numa
revista. Em janeiro de 1975,
a
publicação
Popular
Electronics trouxe na capa a
seguinte manchete: “Chegou
o primeiro computador pessoal da História: Altair 8800”.
Lendo atentamente o artigo, Gates descobriu que o novo
computador ainda não tinha um sistema operacional, o
software que faz a máquina funcionar. Julgando-se capar de
criar o programa, Gates teve uma audácia fora do comum:
preocupado que alguém chegasse à sua frente, ligou para o
fabricante do Altair afirmando que já tinha o programa em
mãos, quando na verdade, não tinha nada. Lógico que a
68
empresa ficou extremamente interessada em conhecer o
programa. Gates inventou então uma série de desculpas
para adiar o encontro, já que precisava antes ter o produto.
É fato que Gates, então com 20 e poucos anos e
universitário de Harvard, conhecia alguma coisa de
computadores de grande porte existente na própria
universidade – porém, nada que o habilitasse a desenvolver
o complexo software. Com um amigo que trabalhava na
fabricação de computadores, Paul Allen, ele trabalhou dia e
noite tentando desesperadamente adaptar a linguagem dos
computadores de grande porte para as máquinas de uso
pessoal. Finalmente, depois de oito trabalhosas semanas, os
amigos chegaram a uma solução que julgavam razoável. E
aí o milagre aconteceu: sem nunca terem visto um Altair na
vida, os amigos colocaram o programa no computador e –
pasme! – ele rodou perfeitamente. Você pode dizer que é
sorte, mas eu sou mais a frase de Thomas Jefferson: ”Eu
acredito na sorte. E quanto mais eu trabalho, mais sorte eu
tenho”. A empresa adquiriu o programa dos rapazes e, com
o dinheiro, Gates e Allen puderam lançar, e 1976, a Microsoft (inicialmente com hífen mesmo, para deixar claro a
origem dos dois fundadores: um de hardware e outro de
software)”.
Fonte: Oportunidades Disfarçadas – Carlos Domingos. Ed. Sextante.
ATIVIDADE 6
1. Você já é capaz de diferenciar uma idéia de
uma oportunidade? Explique.
2. Você foi convidado por outros dois colegas da
sua turma para montar um negócio na área de
informática
que
segundo
eles,
será
um
sucesso. Como você faria para avaliar essa
idéia? Discuta com eles quais seriam boas
idéias de negócio.
3. Analisando a cidade onde mora, procure
observar negócios que estejam funcionando e
observe os aspectos desta idéia de negócio
que garantem o seu sucesso (no caso de
69
sucesso) ou o seu fracasso (no caso de
negócios em decadência).
4. Desafio: procure identificar no seu dia-a-dia em
casa, no trabalho, no lazer, com a família...
Uma boa idéia! Explique-a e comente porque é
uma boa idéia.
Informações para a próxima aula
Na Aula 7, iremos trabalhar os passos para o planejamento
do empreendimento – plano de negócio.
Leitura recomendada
DOMINGOS,
Histórias
Carlos.
reais
de
Oportunidades
empresas
que
Disfarçadas
–
transformaram
problemas em oportunidades. Ed. Sextante, 2009.
Bibliografia consultada
CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando
asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e
viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para
iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo :
Saraiva, 2007.
HISRICH, Robert.
D. e
PETERS,
Michael.
Empreendedorismo. 5ª ed. Editora: Bookman, 2004.
DOMINGOS,
Histórias
Carlos.
reais
de
Oportunidades
empresas
que
Disfarçadas
P.
–
transformaram
problemas em oportunidades. Ed. Sextante, 2009.
DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo:
transformando idéias em negócios. Rio de Janeiro:
Campus, 2001.
Planejando o
Empreendimento
70
Aula
Plano de Negócio
7
Meta da Aula
Conhecer
o
passo
a
passo
para
o
Objetivos
planejamento da idéia de negócio.
Ao final desta aula, você deverá ser
capaz de:
1. Conhecer os caminhos para o
planejamento da idéia de negócio através
do plano de negócio;
2. Perceber se a idéia de negócio é viável
ou não através da análise do plano;
71
Planejando o Empreendimento
Plano de Negócio
Caso você queira viajar para tirar aquelas férias tão
desejadas... O que você precisa pensar antes mesmo de
fazer?
Espero que a resposta seja: planejar!
Ou melhor, falando: pensar para onde vou como vou,
com quem, quando, quanto irei gastar! Ou seja, o passo a
passo para que a sua idéia (viagem) se concretize.
O planejamento é fundamental para toda pessoa que
deseja atingir seus objetivos, sejam eles simples (com um
churrasco) ou complexos (como realizar um encontro
nordestino de profissionais de informática), com o intuito de
lograr êxito com mais eficiência e menos riscos.
Para
um
gerenciar
um
empreendimento
sem
planejamento é como dirigir um automóvel com o pára-brisa
coberto com um pano preto... Você não consegue ver o que
vem pela frente: riscos, oportunidades boas, desafios,
possíveis desvios e contornos... Você só enxerga o ficou
para trás! Ou seja, o que já passou! Deixa de ser o motorista
do negócio e passa a ser um passageiro sentado no último
banco de um ônibus lotado.
O
plano
de
negócio
é
uma
ferramenta
que
potencializa as chances de um negócio vir a dar certo.
Por muito tempo o Plano de Negócio foi visto como
uma
exigência
burocrática
dos
Bancos
para
tirar
financiamento. Hoje esta visão é bem menor pela difusão
nas
escolas,
importância
treinamentos
desta
e
ferramenta,
universidades
da
real
que
guia
do
é
um
empreendedor. Fazendo uma analogia, para dirigirmos um
veículo precisamos estar habilitados para isso. Precisamos
ter um documento que comprove esta habilitação: carteira
72
de
motorista!
Agora
me
responda:
como
quer
um
empreendedor dirigir o seu negócio sem estar habilitado
para isso? Qual a sua “carteira de habilitação no negócio”?
PLANO DE NEGÓCIO – que deve ser feito para lhe dá
condições de conhecer e gerenciar o seu negócio.
Identificando uma idéia ou oportunidade, com um
plano de negócios bem elaborado você pode detectar a
viabilidade de ir adiante. De acordo com Dornelas (2000) a
definição de um plano de negócio é geralmente usada para
descrever minuciosamente o negócio.
O plano de negócio ajuda o empreendedor a tomar
decisões com menor índice de riscos.
Dornelas (2000, p. 07) “O Plano de Negócios é
composto por várias seções que se relacionam e permitem
um entendimento global do negócio de forma escrita e em
poucas páginas”. Com o plano de negócios o empreendedor
vê a organização como um todo, e não como áreas
separadas e isoladamente, como marketing, recursos
humanos, financeiro, gestão.
Estrutura do Plano
Capa
É
a
primeira
folha
do
plano
e
traz
o
título
do
empreendimento, nome(s) do(s) empreendedor (es), cidade
e Estado.
Sumário
É o índice dos tópicos trabalhados no plano e suas
respectivas páginas.
Sumário Executivo
É um resumo do Plano de Negócio. É nesta parte que os
interessados no plano irão fazer a primeira leitura. Deve
conter de forma resumida os seguintes pontos:
73
Resumo dos principais pontos do plano de
negócio.
Fale o que é o negócio, quais os seus principais
produtos/serviços, quem são seus clientes, fornecedores
e concorrentes, onde será localizada a empresa, qual o
capital investido, qual será o faturamento mensal, a
lucratividade e rentabilidade do negócio.
Dados
dos
empreendedores,
experiência
profissional e atribuições.
Aqui você irá descrever quem são os responsáveis pelo
negócio, suas responsabilidades, suas habilidades e
experiências.
Dados do empreendimento.
Nome da empresa e caso já tenha CNPJ, o número.
Missão da empresa.
É a razão de ser da empresa e o papel que ela
desempenha no seu ramo de atuação.
Ex: Locadora de veículos. Oferecer soluções em
transporte, por meio do aluguel de carros, buscando a
excelência.
Setores de atividades.
Defina quais os setores sua empresa irá atuar: indústria,
comércio, serviço, agropecuária.
Forma jurídica.
É a maneira pela qual a empresa será tratada pela lei:
sociedade, individual, outro.
Enquadramento tributário.
São as formas para o cálculo e recolhimentos dos
impostos: regime normal ou simples. Além dos tributos
federais são devidos impostos para o Estado (ICMS) e o
Município (ISS).
Capital social.
O capital social é representado por todos os recursos
(dinheiro, equipamentos, ferramentas, etc.) colocado(s)
pelo(s) proprietário(s) para a montagem do negócio.
Fonte de recursos.
Aqui você irá determinar de que maneira serão obtidos
os recursos para a abertura da empresa. Para o início
das atividades, você pode contar com recursos próprios,
de terceiros ou com ambos.
74
Análise de Mercado
Nesta etapa você irá trabalhar os três mercados: clientes,
fornecedores e concorrentes.
No site do SEBRAE,
www. Sebrae.com.br,
você encontrará muitas
informações
relacionadas ao plano
de negócio.
Clientes
Quem serão meus clientes? Onde moram? Quanto
ganham? São maioria homens ou mulheres? Qual sua
escolaridade? Tem família grande ou pequena? Qual a
idade? Onde costumam comprar? Quanto pagam pelo
produto ou serviço? O que é decisivo para que comprem
um produto ou serviço: preço, qualidade, atendimento,
marca, prazo? Seus clientes lhe encontraram com
facilidade?
Caso os seus clientes sejam empresas:
Em que ramo atuam ? Quantos funcionários tem? Tem
boa imagem no mercado? São bons pagadores? De
quem costumam comprar? Qual o preço que pagam? O
que é decisivo para efetuarem uma compra?
Concorrentes
Você pode aprender lições importantes observando a
atuação da concorrência. Procure identificar quem são
seus principais concorrentes. A partir daí, visite-os e
examine suas fraquezas e pontos fortes: localização,
atendimento, produtos e serviços, prazos de pagamento
e entrega, qualidade, preço.
Após colher estas informações e se pergunte:
Sua empresa poderá competir com as outras que já
estão há mais tempo no ramo?
O que fará com que as pessoas deixem de ir aos
concorrentes para comprar de sua empresa?
Há espaço para todos, incluindo você?
Fornecedores
75
Para Descontrair...
O mercado fornecedor compreende todas as pessoas e
empresas que irão fornecer as matérias-primas e
equipamentos utilizados para a fabricação ou venda de
bens e serviços.
Mesmo escolhendo um entre vários fornecedores, é
importante manter contato com todos, ou pelo menos
com os principais, pois não é possível prever quando um
fornecedor enfrentará dificuldades.
Verifique se é exigida quantidade mínima de compra e
lembre-se de evitar intermediários, sempre que possível.
Plano de Marketing
Compreende as seguintes etapas:
Descrição de produtos e serviços
Descreva os principais itens que serão fabricados,
vendidos ou os serviços que serão prestados. Informe
quais as linhas de produtos, especificando detalhes como
tamanho,
modelo,
cor,
sabores,
embalagem,
apresentação, rótulo, marca, etc.
Preço
Preço é o que consumidor está disposto a pagar pelo que
você irá oferecer. A determinação do preço deve
considerar os custos do produto ou serviço e ainda
proporcionar o retorno desejado.
Estratégias Promocionais
Aqui você irá falar de todas as ações que serão utilizadas
com o objetivo de apresentar, informar, convencer ou
lembrar os clientes de comprar os seus produtos ou
serviços e não os dos concorrentes.
São elas: propaganda em rádio, revista, jornal, TV,
internet, carro de som, brindes, sorteios, participação em
feiras e eventos, etc.
Estrutura de Comercialização
Como os seus produtos/serviços irão chegar até seus
clientes: vendedores externos, internos, representantes,
catálogos, telemarketing, etc.
Localização do Negócio
É hora de definir a localização do negócio. Lembre-se
que isso está muito relacionado ao ramo de atividade.
Verifique o valor do ponto, acessibilidade, higiene,
limpeza, área para estacionamento, segurança,
proximidade com os concorrentes, etc.
76
Plano Operacional
São os pontos chaves para o funcionamento do negócio.
Layout
Você irá definir como será a distribuição dos diversos
setores da empresa, de alguns recursos (mercadorias,
matérias-primas, produtos acabados, estantes, gôndolas,
vitrines, prateleiras, equipamentos, móveis, matériaprima etc.) e das pessoas no espaço disponível.
Capacidade de produção
Quanto pode ser produzido ou quantos clientes podem
ser atendidos com a estrutura existente.
Processo de Funcionamento
É o momento de registrar como a empresa irá funcionar.
Você deve pensar em como serão feitas as várias
atividades, descrevendo, etapa por etapa, como será a
fabricação dos produtos, a venda de mercadorias, a
prestação dos serviços e, até mesmo, as rotinas
administrativas.
Identifique que trabalhos serão realizados, quem serão
os responsáveis, assim como os materiais e
equipamentos necessários.
Necessidade de Pessoal
Faça uma projeção da necessidade de pessoal para o
funcionamento do negócio. Inclua o proprietário e o
sócio.
Plano Financeiro
Aqui você irá calcular o total de recursos necessários
para a empresa funcionar.
Investimento Total
É formado pelo investimento fixo, capital de giro e
investimentos pré-operacionais.
Investimento Fixo
O investimento fixo corresponde a todos os bens que
você deve comprar para que seu negócio possa
funcionar de maneira apropriada. Relacione os
equipamentos,
máquinas,
móveis,
utensílios,
ferramentas e veículos a serem adquiridos, a
quantidade necessária, o valor de cada um e o total a
ser desembolsado.
77
Capital de Giro
O capital de giro é o montante de recursos necessário
para o funcionamento normal da empresa,
compreendendo a compra de matérias-primas ou
mercadorias, financiamento das vendas e o
pagamento das despesas.
Investimentos Pré-Operacionais
Compreendem os gastos realizados antes do início
das atividades da empresa, isto é, antes que ela abra
as portas e comece a vender. São exemplos de
investimentos pré-operacionais: despesas com
reforma (pintura, instalação elétrica, troca de piso,
etc.) ou mesmo as taxas de registro da empresa.
e
Estimativa do Faturamento Mensal da Empresa
Uma forma de estimar o quanto a empresa irá faturar por
mês é multiplicar a quantidade de produtos a serem
oferecidos pelo seu preço de venda, que deve ser
baseado em informações de mercado.
Estimativa do custo unitário de matéria-prima,
materiais diretos
Aqui, será calculado o custo com materiais (matériaprima + embalagem) para cada unidade fabricada. Essa
informação é importante, caso você deseje abrir uma
indústria. Os gastos com matéria-prima e embalagem
são classificados como custos variáveis numa indústria,
assim como as mercadorias em um comércio. Como o
próprio nome diz, esses custos variam (aumentam ou
diminuem) de acordo com o volume produzido ou
vendido.
Estimativa do custo de comercialização
Aqui serão registrados os gastos com impostos e
comissões de vendedores ou representantes. Esse tipo
de despesa incide diretamente sobre as vendas e, assim
como o custo com materiais diretos ou mercadorias
vendidas, é classificado como um custo variável. Para
calculá-los, basta aplicar, sobre o total das vendas
previstas, o percentual dos impostos e de comissões.
Apuração dos custos de materiais diretos ou
mercadorias vendidas
Nesta etapa, você deverá apurar os Custos com
Materiais Diretos (para a indústria) ou o Custo das
Mercadorias Vendidas (para o comércio). O custo dos
materiais diretos ou das mercadorias vendidas
representa o valor que deverá ser baixado dos estoques
78
pela sua venda efetiva. Para calculá-lo, basta multiplicar
a quantidade estimada de vendas pelo seu custo de
fabricação ou aquisição.
Estimativa dos custos com mão-de-obra
Hora de definir quantas pessoas serão contratadas (se
necessário) para realizar as diversas atividades do
negócio. Pesquise e determine quanto cada empregado
receberá. Não se esqueça de que, além dos salários,
devem ser considerados os custos com encargos sociais
(FGTS, férias, 13º salário, INSS, horas-extras, aviso
prévio, etc.). Sobre o total de salários, você deve aplicar
o percentual relativo aos encargos sociais, somando-os
aos salários, você saberá qual o custo total com mão-deobra.
Estimativa do custo com depreciação
As máquinas, ferramentas e equipamentos se desgastam
ou se tornam ultrapassados com o passar do tempo.
Esse cálculo da perda deste valor, é chamado de
depreciação.
A Receita Federal considera, para efeito de vida útil, os
seguintes prazos:
imóveis – 25 anos;
máquina – 10 anos;
equipamentos – 5 anos;
móveis e utensílios – 10 anos;
veículos – 5 anos;
computadores – 3 anos.
Estimativa dos custos fixos mensais
Os custos fixos são todos os gastos que não se alteram
em função do volume de produção ou da quantidade
vendida em um determinado período. Por exemplo:
aluguel, energia, honorários do contador, depreciação,
pró-labore, salários, etc. Esses valores são custos fixos
porque são pagos, normalmente, independente do nível
de faturamento do negócio.
Demonstrativo dos resultados
É hora de verificar se a empresa irá ter lucro ou prejuízo.
Para isso, você deve reunir as informações sobre o
faturamento e subtrais das despesas com custos fixos e
variáveis.
Indicadores de Viabilidade
Como o próprio nome diz, irão indicar se o negócio é
viável ou não. São eles:
Lucratividade
79
Mede o lucro líquido em relação às vendas. É um dos
principais indicadores econômicos, pois está
relacionado à competitividade. Se sua empresa
possui uma boa lucratividade, ela apresentará maior
capacidade de competir, isso porque poderá investir
mais em divulgação, na diversificação dos produtos e
serviços, na aquisição de novos equipamentos, etc.
Lucratividade =
Lucro Líquido
x
100
Receita Total
Exemplo
Receita Total: R$ 100.000,00/ano
Lucro Líquido: R$ 8.000,00/ano
Lucratividade = R$ 8.000,00
x 100 = 8%
R$ 100.000,00
Isso quer dizer que sob os R$ 100.000,00 de receita
total “sobram” R$ 8.000,00 na forma de lucro, depois
de pagas todas as despesas e impostos, o que indica
uma lucratividade de 8%ao ano.
Rentabilidade
Mede se o negócio é atrativo ou não. É obtido sob a
forma de percentual por unidade de tempo (mês ou
ano). É calculada por meio da divisão do lucro líquido
pelo investimento total.
Rentabilidade =
Lucro Líquido
x
100
Investimento Total
Exemplo
Lucro Líquido: R$ 8.000,00/ano
Investimento Total: R$ 32.000,00
Rentabilidade = R$ 8.000,00 x 100
= 25% ao ano
R$ 32.000,00
Isso significa que, a cada ano, o empresário recupera
25% do valor investido através dos lucros obtidos no
negócio.
80
Prazo de retorno do investimento
Indica o tempo necessário para o empreendedor
recuperar o que investiu no negócio.
Prazo de Retorno do Investimento =
Investimento total
Lucro Líquido
Exemplo
Lucro Líquido: R$ 8.000,00/ano
Investimento Total: R$ 32.000,00
Prazo de Retorno do Investimento = R$ 32.000,00 = 4 anos
R$ 8.000,00
Isso significa que, 4 anos após o início das atividades da
empresa, o empreendedor terá recuperado, sob a forma de
lucro, tudo o que gastou com a montagem.
Ponto de Equilíbrio
Indica o quanto a empresa precisa faturar para pagar
todos os seus custos em um determinado período.
Ponto de Equilíbrio =
Custo Fixo Total
Receita Total – Custo Variável Total
Receita Total
Exemplo
Valores anuais:
Receita Total: R$ 100.000,00
Custo Variável Total: R$ 70.000,00
Custo Fixo Total: R$ 19.500,00
Ponto de Equilíbrio= R$19.500,00
= R$65.000
R$100.000,00 – 70.000,00
R$100.000,00
Isso quer dizer que é necessário que a empresa tenha uma
receita total de R$ 65.000,00 ao ano para cobrir todos os
seus custos e só assim, começar a gerar lucro.
81
ATIVIDADE
1. Um grande amigo seu acaba de receber uma
herança e quer empregar todo o dinheiro na
abertura de um negócio. Ele está muito
entusiasmado e com pressa. Quais conselhos
você daria para ele antes de abrir o negócio?
2. Faça uma pesquisa junto a especialistas no
assunto ou livros e revistas, sobre: a tributação
brasileira federal, estadual e municipal (quais
são elas, as suas alíquotas e as diferenças de
acordo com o enquadramento).
3. Entreviste três empreendedores e veja se eles
fizeram ou fazem um plano de negócio.
Procure identificar se isto ajudou ou prejudicou
este empreendedor.
4. Você recebeu um incentivo R$ 50.000,00 para
montar um negócio. A única exigência é que
você apresente um Plano de Negócio da sua
idéia empresarial e apresente ao seu
investidor. Bom trabalho!
Leitura recomendada
ROSA, Cláudio Afrânio. Como Elaborar um Plano de
Negócio. Brasília: SEBRAE, 2007.
Bibliografia consultada
CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando
asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e
viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para
iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo :
Saraiva, 2007.
MORI, Flavio De; TONELLI, Alessandra; LEZANA, Álvaro G.
R. Empreender: identificando, avaliando e planejando
um novo negócio. Florianópolis: ENE/ UFSC, 1998.
ROSA, Cláudio Afrânio. Como Elaborar um Plano de
Negócio. Brasília: SEBRAE, 2007.
82
BIBLIOGRAFIA
AGOSTINI,
Júlio
César,
ANGONESE
Rosângela
M.,BOGONI, Roseli T. Bogoni. Cadernos da Sociedade
Brasileira de Dinâmica de Grupo – 23.
BERNARDI, L. A., Manual de Empreendedorismo e
Gestão – Fundamentos, Estratégias e Dinâmicas. São
Paulo: Atlas 2003.
BRITO, F. e WEVER, L. Empreendedores Brasileiros –
Vivendo e Aprendendo com Grandes Nomes. Rio de
Janeiro: Negócio-Editora, 2003.
CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando
asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e
viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para
iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo :
Saraiva, 2007.
DOLABELA, Fernando. Empreendedorismo uma forma de
ser. Ed. AED. Brasília.
DOMINGOS, Carlos. Oportunidades Disfarçadas –
Histórias reais de empresas que transformaram
problemas em oportunidades. Ed. Sextante, 2009.
DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo:
transformando idéias em negócios. Rio de Janeiro:
Campus, 2001.
HISRICH,
Robert
D.
e
PETERS,
Michael
P.
Empreendedorismo. 5.ed. Porto Alegre: Bookman, 2004.
MORI, Flavio De; TONELLI, Alessandra; LEZANA, Álvaro G.
R. Empreender: identificando, avaliando e planejando
um novo negócio. Florianópolis: ENE/ UFSC, 1998.
PACHECO, Françoise. Uma análise do programa de
formação empreendedora EMPRETEC do SEBRAE –
2002 A 2004 no Piauí. Dissertação de Mestrado. 2008.
83
PINCHOT,
Gifford
e
PELMAN,
Ron.
Intraempreendedorismo na prática: um guia de inovação
nos negócios. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.
RANGEL,
Alexandre.
Belas
Parábolas
Empreendedorismo. Editora Leitura, 2004.
sobre
ROSA, Cláudio Afrânio. Como Elaborar um Plano de
Negócio. Brasília: SEBRAE, 2007.
SEBRAE. Saber Empreender – Manual do Participante.
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