EMPREENDEDORISMO MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO PRÓ-REITORIA DE ENSINO DEPARTAMENTO DE EDUCAÇAO À DISTÂNCIA ESCOLA TÉCNICA ABERTA DO PIAUÍ - ETAPI CAMPUS TERESINA CENTRAL EMPREENDEDORISMO DISCIPLINA: EMPREENDEDORISMO – 45H PRESIDENTE DA REPÚBLICA Luiz Inácio Lula da Silva MINISTRO DA EDUCAÇÃO Fernando Haddad GOVERNADOR DO ESTADO Wellington Dias REITOR DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA Francisco da Chagas Santana SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA DO MEC Carlos Eduardo Bielschowsky COORDENADORIA GERAL DA UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL Celso Costa SECRETÁRIO DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DO PIAUÍ Antonio José Medeiros COORDENADOR GERAL DO CENTRO DE EDUCAÇÃO ABERTA A DISTÂNCIA DO INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA Elanne Cristina Oliveira dos Santos SUPERITENDÊNTE DE EDUCAÇÃO SUPERIOR NO ESTADO Eliane Mendonça ORGANIZAÇÃO DO MATERIAL DIDÁTICO Françoise W. Fontenele e V. Pacheco 7 Boas Vindas! Caro (a) Cursista Bem vindo (a) à disciplina EMPREENDEDORISMO. Esta é a nossa “Apostila”, material elaborado com o objetivo de contribuir para o desenvolvimento de seus estudos e para a ampliação de seus conhecimentos acerca da citada disciplina. Este texto é destinado aos estudantes aprendizes que participam do programa Escola Técnica Aberta do Brasil (e-Tec Brasil), vinculado à Escola Técnica Aberta do Piauí (ETAPI) do Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Piauí (IFPI), com apoio da Prefeitura Municipal dos respectivos pólos: Alegrete do Piauí, Batalha, Monsenhor Gil e Valença do Piauí. O texto é composto de quatro (04) Capítulos assim distribuídos: Na Unidade 1 - Empreendedorismo, conceitos, evolução histórica, o indivíduo empreendedor e sua importância, empreendedorismo por oportunidade x empreendedorismo por necessidade. Na Unidade 2 – Perfil Empreendedor, características comportamentais dos empreendedores, e o intraempreendedor. Na Unidade 3 – Empreendendo, o processo empreendedor. Na Unidade 4 – Planejando o Empreendimento, uma boa idéia é o suficiente?, plano de negócio. 8 Quem sou? Françoise W. Fontenele e V. Pacheco Nasci em Parnaíba-PI e pouco depois fui morar em Teresina, a capital do Estado. Logo muito cedo, aprendi a gostar da administração. Convivendo com amigos e parentes que tinham negócios, via o quão vasto e diversificado é este campo. Em 1996 iniciei, então, o curso de Bacharelado em Administração de Empresas pela Universidade Estadual do Piauí – UESPI e entre uma atividade e outra, a participação na Empresa Júnior me motivava mais ainda. Na busca por oportunidades não exploradas no mundo empresarial, decidi em 1999 fazer uma especialização em Administração Hospitalar pela Universidade de Ribeirão Preto – São Paulo; não com o intuito de administrar um hospital, mas sim com a idéia de montar uma consultoria especializada na área, que prestaria serviços aos hospitais e clínicas do meu Estado. Em meio a tudo isso, minha insistência pelo ramo empresarial me impulsionava. Neste período, tive uma pequena confecção de embalagens para presentes. Em 2000, uma seleção de instrutores terceirizados me aproximou do SEBRAE, onde passei a ministrar treinamentos para micro e pequenos empresários e desenvolvi o material para a formação empreendedora de líderes públicos. Neste mesmo ano conheci um programa de formação empreendedora da ONU que era aplicado pelo SEBRAE – o EMPRETEC. Participei do treinamento e após algum tempo, me tornei facilitadora do Programa no Piauí e no Brasil. No final de 2007 conclui o Mestrado em Economia de Empresas pela Universidade Federal do Ceará – UFC e atualmente, sou professora dos cursos de Gestão do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí – IFPI, onde ministro, entre outras, a disciplina de Empreendedorismo. 9 Índice Geral 1. EMPREENDEDORISMO ........................................................ 12 1.1 Introdução ........................................................................ 12 1.2 Conceitos ......................................................................... 13 2.EMPREENDEDORISMO ......................................................... 19 2.1 Evolução Histórica .......................................................... 19 3.O indivíduo empreendedor e sua importância .................... 27 3.1 O Indivíduo Empreendedor e sua importância ............. 27 3.2 Empreendedorismo por oportunidade x necessidade . 36 4.Perfil Empreendedor .............................................................. 41 4.1 Introdução ........................................................................ 41 4.2 Intraemprendedorismo................................................... 50 5.Empreendendo – O processo empreendedor ...................... 56 5.1 Introdução ........................................................................ 56 6.Planejando o Empreendimento ............................................. 64 Uma boa idéia é o suficiente? .............................................. 64 7.Planejando o Empreendimento ............................................. 71 Plano de Negócio................................................................... 71 10 Índice de Figuras Figura 1 -Fonte: IBGE; Elaboração SEBRAE/UDE ..................... 13 Figura 2 - Fonte: IBGE; Elaboração SEBRAE/UDE .................... 13 Figura 3 - Fonte: Idalberto Chiavenato. O Espírito Empreendedor, 2007. ........................................................................................... 21 Figura 4 - Fonte: Robert D. Hisrich, “Entrepreneurship and Intrapreneurship. ......................................................................... 22 Figura 5 -Fonte GEM 2006 – Executive Report .......................... 23 Figura 6 -Fonte: Fundação Vanzolini – Marcelo Nakagawa ........ 34 Empreendedorismo – introdução ao tema e conceitos 1 11 Aula Meta da Aula Apresentar o empreendedorismo tema e seus principais conceitos. Objetivos Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: 1. conhecer o tema empreendedorismo; 2. conceituar empreendedorismo; 12 GLOSSÁRIO EMPREENDEDORISMO 1.1 Introdução Custos são medidas monetárias dos sacrifícios financeiros com os quais uma organização, uma pessoa ou um governo, têm de arcar a fim de atingir seus objetivos, sendo considerados esses ditos objetivos, a utilização de um produto ou serviço qualquer, utilizados na obtenção de outros bens ou serviços. Essa é uma palavra que está na moda: EMPREENDEDORISMO. Mas apesar de estar na “boca do povo”, poucos sabem o que ela significa e os seus efeitos. Por muito tempo o empreendedorismo esteve restritamente relacionado à abertura e desenvolvimento de negócios. Hoje, vemos o empreendedorismo no campo social, artístico, religioso, etc. Não há, necessariamente, a obrigatoriedade do sujeito EMPRESA nessa conceituação. A divulgação em massa do empreendedorismo ganhou impulso com as crescentes taxas de mortalidade das empresas e ao mesmo tempo, com o grande numero de novas empresas que abriam – apesar dos inúmeros fracassos. Em meio a toda essa situação contraditória, os Fonte: Wikipédia efeitos eram: desemprego, busca pela redução dos custos, tentativas de se manter no mercado. Com o crescimento do desemprego os ex-funcionários buscavam uma forma de sobrevivência, vender algo foi uma alternativa. Surgiam então, os novos negócios – muitos deles sem nenhuma experiência e com poucos recursos financeiros (economias pessoais). As Micro e Pequenas Empresas representam 99% do tecido empresarial, geram 74,7% dos empregos e realizam 59,8% do volume de negócios nacional, (dados do SEBRAE, 2002). Isso é mais do que o suficiente para voltarmos a atenção para o EMPREENDEDORISMO! Segundo pesquisa do Global Entrepeneurship Monitor – GEM, coordenada pela London Business School da Inglaterra e pelo Babson College dos Estados Unidos, o 13 Brasil está entre os sete – dentre 34 países - que mais empreendem em criação de novas empresas. Saiba Mais Número de Empresas no Brasil (percentual) Visite os sites sobre empreendedorismo: www.empreendedoris mo.com.br www.empreenderparat odos.com.br www.endeavor.org.br www.entrepreneurship .org www.dolabela.com.br Figura 1 -Fonte: IBGE; Elaboração SEBRAE/UDE Número de Pessoas Ocupadas (percentual) MÍDIA Visite o endereço e veja o vídeo de Waldez Ludwing sobre empreendedorismo: www.youtube.com/watc h?v=BB1ZwCVueco Vale a pena assistir o filme – “O Céu de Outubro” – que traz a história de um empreendedor que consegue transformar a vida de toda a comunidade que vivia à sua volta, gerando novas oportunidades, transformação e futuro. Outra dica: “A Roda da Fortuna”. Figura 2 - Fonte: IBGE; Elaboração SEBRAE/UDE 1.2 Conceitos Segundo DOLABELA o termo “empreendedorismo” é uma livre tradução da palavra entrepreneurship, utilizado para designar os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades e o seu universo de atuação. O termo designa uma área de grande abrangência, além da criação de empresas: a geração do auto-emprego, comunitário, e funcional. empreendedorismo 14 GLOSSÁRIO Entrepreneurship – palavra inglesa, derivada da palavra francesa entreprenneur, que designa empreendedorismo. São muitos os conceitos sobre empreendedorismo, dentre eles: • “Empreendedorismo designa os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades, seu universo de atuação”. (Wikipédia) • “Empreendedorismo é o principal fator promotor do desenvolvimento econômico de um país”. (Wikipédia) Fonte: Cadernos da SBDG – 23 • Know-how - é o conhecimento de como executar alguma tarefa. “Empreendedorismo é ousar, transformar, descobrir novas vidas em cima de produtos que já existem. É sonhar para frente, dar função e vida a produtos antigos. Enfim, empreendedorismo é provocar o futuro, reunir experiências e ousadias, ir além do tradicional”. (José Carlos Teixeira, consultor, Revista do Banco do Nordeste-Notícias, 2000). • “Empreendedorismo deve ser relacionado à capacidade de se gerar riquezas acessíveis a todos... Utilizo o termo empreendedorismo em seu sentido amplo, considerando-o uma forma de ser, e não de fazer. Assim, estão incluídos nesse conceito, por exemplo, o empregado-empreendedor, (ou intraempreendedor) o pesquisador-empreendedor, o empreendedor comunitário, o funcionário público empreendedor, etc... O que importa é a maneira de se abordar o mundo, qualquer que seja a atividade abraçada”. (Fernando Dolabela) • “Empreendedorismo – a habilidade de criar uma atividade empresarial crescente onde não existia nenhuma anteriormente.” (Brereto) • “Empreendedorismo não é ciência nem arte. É uma prática.” (Drucker) • “...Pode-se definir mais simplesmente empreendedorismo como a apropriação e a gestão 15 dos recursos humanos e materiais dentro de uma visão de criar, de desenvolver e de implantar Era uma vez... “Três pedreiros preparavam tijolos em uma construção. Um homem que passava se aproximou do primeiro e perguntou: - O que está fazendo, meu amigo¿ - Tijolo – respondeu secamente. Dirigindo-se ao segundo pedreiro, o homem perguntou-lhe a mesma coisa. -Trabalhando pelo meu salário – foi a resposta. Para o terceiro pedreiro, o passante fez ainda a mesma pergunta. - O que está fazendo meu amigo¿ Fitando o estranho com alegria, o operário respondeu com entusiasmo: - Construindo uma catedral!”. Fonte: Belas Parábolas sobre Empreendedorismo, Editora Leitura, 2004. resoluções permanentes, de atender às necessidades dos indivíduos.” (Jasse) • “Em quase todas as definições de empreendedorismo há um consenso de que nós estamos falando de um tipo de comportamento que inclui: tomada de iniciativa, mecanismos organização ou sócio-econômicos reorganização para de transformar recursos e situações em contas práticas e aceitação do risco e fracasso. O principal recurso usado pelo empreendedor é ele mesmo...” (Shapiro, 1975) • “O processo de descobrir ou desenvolver uma oportunidade para então, gerar valores através da inovação e, agarrando tal oportunidade sem levar em conta um ou outro recurso (humano e capital), como também, sem levar em consideração a posição do empreendedor dentro da nova ou já existente empresa”. (Sexton e Kasarda, 1992). • “Empreendedorismo é a habilidade de construir algo a partir praticamente do nada: fundamentalmente é algo humano e criativo. É encontrar energia pessoal para iniciar e construir uma empresa ou organização mais do que simplesmente assistir, analisar ou descrever. Fazer tal afirmação sobre tal ponto de vista requer uma voluntariedade em acalentar riscos – pessoais e financeiros – e, então, fazer todo o possível para colocar do seu lado as vantagens, reduzindo assim as possibilidades do fracasso. Empreendedorismo é a habilidade de construir um time para completar suas habilidades e talentos, isto é, o toque para sentir uma oportunidade onde os outros vêem caos, contradição e confusão. É possuir o know how de encontrar, ordenar e controlar recursos (quase sempre de 16 terceiros) e ter a certeza de que não se ficará sem dinheiro no momento em que se precisar mais dele”. (Timmons, 1985) ATIVIDADE 1 1. A partir da leitura sobre empreendedorismo, defenda o estudo ou não deste tema. Por que? 2. Como você conceituaria Empreendedorismo? 3. Dê olhada no seu bairro, na sua rua e perceba se há a presença do Empreendedorismo. Comente com isso se apresenta ressaltando aspectos pertinentes aos conceitos de empreendedorismo. 4. Você consegue identificar sinais de empreendedorismo em organizações que não são comerciais que você conhece? Quais são esses sinais/características? 5. Na estória, contida na caixa de texto “era uma vez” há algum sinal de empreendedorismo? Qual e por que? Informações sobre a próxima aula Na próxima aula, iremos estudar a evolução histórica do Empreendedorismo e seus principais estudiosos. Leitura Recomendada DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo. Rio de Janeiro: Campus, 2001. Bibliografia Consultada CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo : Saraiva, 2007. 17 AGOSTINI, Júlio César, ANGONESE Rosângela M.,BOGONI, Roseli T. Bogoni. Cadernos da Sociedade Brasileira de Dinâmica de Grupo – 23. SEBRAE. Saber Empreender – Manual do Participante. RANGEL, Alexandre. Belas Parábolas Empreendedorismo. Editora Leitura, 2004. sobre 2 18 Empreendedorismo – evolução histórica e estudiosos Aula Meta da Aula Conhecer a evolução histórica do empreendedorismo e a contribuição de alguns de seus Objetivos estudiosos. Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: 1. Entender como foi o processo de construção do empreendedorismo no decorrer do tempo; 2. Reconhecer os estudiosos que contribuíram para a divulgação do empreendedorismo; 19 EMPREENDEDORISMO 2.1 Evolução Histórica Aqueles que pesquisam sobre o assunto concordam em dizer que a origem desse conceito está nas obras de Richard Cantillon (1680-1734), banqueiro e economista do século XVIII. O interesse de Cantillon pelos empreendedores não era um fenômeno isolado no período. Nessa época, Cantillon chamou de empreendedores àqueles indivíduos que compravam matérias-primas (geralmente um produto agrícola) por um preço certo e as vendiam a terceiros a preço incerto, depois de processá-las, pois identificava uma oportunidade de negócio e assumiam riscos (CERQUEIRA; PAULA; ALBUQUERQUE, 2000). Ele entendia, no fundo, que quando havia lucro além do esperado, isto ocorreu porque o indivíduo havia inovado: fez algo de novo e de diferente. Um pouco mais tarde, o industrial, economista clássico francês, Jean-Baptiste Say (1767-1832) considerou o desenvolvimento econômico um resultado da criação de novos empreendimentos. O empresário de Say é um agente econômico racional e dinâmico que age num universo de certezas, ou ainda, o empresário é representado como aquele que, aproveitando-se dos conhecimentos postos à sua disposição pelos cientistas, reúne e combina os diferentes meios de produção para criar produtos úteis (FILION, 1999; CERQUEIRA; PAULA; ALBUQUERQUE, 2000;FILION,2000). Mas foi Schumpeter (1883-1950) quem deu projeção ao tema, associando definitivamente o empreendedor ao conceito de inovação e apontando-o como o elemento que dispara e explica o desenvolvimento econômico. De acordo com a visão schumpeteriana, o desenvolvimento econômico 20 processa-se auxiliado por três fatores fundamentais: as inovações tecnológicas, o crédito bancário e o empresário inovador. O empresário inovador é o agente capaz de realizar com eficiência as novas combinações, mobilizar crédito bancário e empreender um novo negócio. O empreendedor não é necessariamente o dono do capital (capitalista), mas um agente capaz de mobilizá-lo. Mas a contribuição não veio apenas dos economistas. Outros pesquisadores – psicólogos, sociólogos e antropólogos – perceberam e estudaram esse movimento empreendedor, contribuindo com sua percepção do mesmo. O sociólogo Max Weber (1964-1920) via os empreendedores como inovadores, pessoas independentes cujo papel como líderes de negócio, exprimiam uma fonte de autoridade. Segundo Chiavenato (2007), “...a visão de Weber sobre empreendedorismo é freqüentemente identificada com a Teoria do Carisma e, de acordo com essa interpretação, sua principal contribuição é ter encontrado em sua análise um tipo especial de ser humano, que faz pessoas o seguirem simplesmente pela virtude de sua personalidade extraordinária”. O autor que realmente lançou a contribuição das ciências comportamentais para o empreendedorismo foi, indubitavelmente, o psicólogo da Universidade de Harvard David McClelland. Em suas pesquisas nas décadas de 1950 e 1960 sobre os empreendedores e os fatores motivacionais para que indivíduos pudessem realizar seus objetivos, identificou em diversas culturas, desde a Grécia Antiga, a civilização pré-incaica no Peru, até a civilização moderna, os traços comuns de identificação das pessoas que fizeram e fazem a diferença no mundo. 21 Esses traços estão alinhados com as características empreendedoras, o que reforça o conceito de que os empreendedores do mundo moderno, identificados com os desafios da economia e do mundo dos negócios, na realidade já existiam e atuavam em épocas remotas e nas mais diversas áreas do conhecimento humano. Principais linhas de Pensamento do Empreendedorismo Figura 3 - Fonte: Idalberto Chiavenato. O Espírito Empreendedor, 2007. 22 Quadro 1 – Desenvolvimento da teoria do empreendedor e do termo empreendedor Origina-se do francês: significa aquele que está entre ou estar entre. Idade média: participante e pessoa encarregada de projetos de produção em grande escala. Século XVII: pessoa que assumia riscos de lucro (ou prejuízo) em um contrato de valor fixo com o governo. 1725: Richard Cantillon – pessoa que assumi riscos é diferente da que fornece capital. 1803: Jean Baptiste Say – lucros do empreendedor separado dos lucros do capital. 1876: Francis Walker – distingui entre os que forneciam fundos e recebiam juros e aqueles que obtinham lucro com habilidades administrativas. 1934: Joseph Shumpeter – o empreendedor é um inovador e desenvolve tecnologia que ainda não foi testada. 1961: David McClelland – o empreendedor é alguém dinâmico que corre riscos moderados. 1964: Peter Drucker – o empreendedor maximiza oportunidades. 1975: Albert Shapero – o empreendedor toma iniciativa, organiza alguns mecanismos sociais e econômicos, e aceita riscos de fracasso. 1980: Karl Vésper – o empreendedor é visto de modo diferente por economistas, psicólogos, negociantes e políticos. 1983: Gofford Pinchot – o intra-empreendedor é um empreendedor que atua dentro de uma organização já estabelecida. 1985: Robert Hisrich – o empreendedorismo é o processo de criar algo diferente e com valor, dedicando o tempo e o esforço necessários, assumindo os riscos financeiros, psicológicos e sociais correspondentes e recebendo as conseqüentes recompensas da satisfação econômica e pessoal. Figura 4 - Fonte: Robert D. Hisrich, “Entrepreneurship and Intrapreneurship: Methods for Creating New Companies That Have an Impact n the economic renaissance of an Area”. In Entrepreneurship, Intrapreneurship, and Venture Capital. ed. Robert D. Hisrich (Lexington, MA: Lexington Books, 1986), p. 96. O movimento do empreendedorismo no Brasil começou a tomar forma na década de 1990, quando entidades como Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e Softex (Sociedade Brasileira para Exportação de Software) foram criadas. As incubadoras de empresas, alternativas de financiamentos, inclusão da disciplina de empreendedorismo na grade dos cursos técnico e superiores, programas de pós-graduação, treinamentos empresariais dão apoio ao 23 desenvolvimento do empreendedorismo têm contribuído para sua propagação e crescimento do país. A GEM - Global Entrepreneurship Monitor - pesquisa organizada pela Babson College (EUA) e pela London Business School (Inglaterra) - realizada anualmente mede o empreendedorismo em 34 países de todos os continentes, e tem mostrado que o Brasil se destaca entre os países empreendedores do mundo. De acordo com a pesquisa GEM – 2006, o Brasil ocupa o 5º lugar no ranking de países empreendedores. Figura 5 -Fonte GEM 2006 – Executive Report A pesquisa da GEM no Brasil: • aponta barreiras para o desenvolvimento da atividade empreendedora; • aponta fatores favoráveis à abertura de pequenos negócios, e sugere uma série de propostas para dinamizar o empreendedorismo nacional. Do elenco de propostas constam: • reduções da burocracia, • acesso ao crédito, • diminuição dos custos tributários e trabalhistas, • melhoria do sistema de informações relativas à abertura e condução dos negócios, e educação voltada ao empreendedorismo. 24 Bibliografia consultada ATIVIDADE 2 Era uma vez... 1. Fazendo uma análise das dos estudiosos – comportamentalistas e economistas – como você BIC OU BIRO? resumiria as principais contribuições que eles deram para o entendimento do empreendedorismo hoje? Bic é sinônimo de caneta esferográfica em grande parte do mundo – mas, se o nome tivesse relação com os inventores, o correto seria chamá-la Biro. A idéia de uma caneta com uma esfera na ponta foi de um húngaro refugiado na Argentina, Laszlo Biro. Apesar do sucesso inicial, o produto ainda tinha falhas de design e sofria com cópias generalizadas. 12 anos depois, quando o francês Marcel Bich comprou a patente de Biro e criou a caneta Bic, o produto se tornou um fenômeno de vendas! 2. Consulte a internet e veja qual a última pesquisa GEM realizada e qual a posição do Brasil no ranking de países empreendedores. 3. Veja a ilustração abaixo e pesquise qual a carga tributária paga pelo micro e pequeno empresário e como isso atrapalha o desenvolvimento do empreendedorismo. Informações para a próxima aula Na Aula 3, teremos a oportunidade de conhecer o empreendedor mergulhando dos diversos conceitos e identificar a relevância que ele tem no desenvolvimento econômico; além de diferenciarmos empreendedorismo por oportunidade de empreendedorismo por necessidade. 25 Leitura recomendada BRITO, F. e WEVER, L. Empreendedores Brasileiros – Vivendo e Aprendendo com Grandes Nomes. Rio de Janeiro: Negócio-Editora, 2003. Bibliografia consultada CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo : Saraiva, 2007. HISRICH, Robert D. e PETERS, Michael P. Empreendedorismo. 5.ed. Porto Alegre: Bookman, 2004. BERNARDI, L. A., Manual de Empreendedorismo e Gestão – Fundamentos, Estratégias e Dinâmicas. São Paulo: Atlas 2003. O indivíduo empreendedor e sua importância Empreendedorismo por oportunidade X necessidade 3 26 Aula Meta da Aula Conhecer os conceitos sobre empreendedor; reconhecer a sua importância; diferenciar empreendedorismo por oportunidade de Objetivos empreendedorismo por necessidade. Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: 1.Conceituar empreendedor; 2. Reconhecer a importância do empreendedor no desenvolvimento econômico; 3. Diferenciar o empreendedorismo por oportunidade do por necessidade. 27 O indivíduo empreendedor e sua importância 3.1 O Indivíduo Empreendedor e sua importância A exploração das oportunidades e situações novas oferecidas, tanto na Era Industrial quanto na da Informação ou conhecimento, indica que deveria existir um ser capaz de identificar tais situações em que poderia obter maior produção, ganho, desempenho e resultados. Esse ser estaria por detrás das principais transformações ocorridas e seria o artífice das mudanças e alterações experimentadas em praticamente todos os campos da vida humana. Mais ainda, tal ser não seria apenas um agente do processo e sim o motor e o combustível que movem a civilização humana. Tal personagem já foi identificado por pesquisadores nas principais culturas, grupos sociais, países e num sem número de realizações do homem nos mais diversos campos do pensamento e do conhecimento. Mas, numa área em especial este personagem vem sendo objeto de profundas avaliações e pesquisas, por sua reconhecida importância estratégica para o desenvolvimento econômico. Trata-se do empreendedor, um ser dotado de características especiais para enfrentar adversidades e explorar situações novas. O Empreendedor é alguém que sabe onde, quando e como chegar na busca da sua realização pessoal, de sua família, empresa ou comunidade e, uma vez definidos os seus sonhos, ele os projeta com um horizonte futuro de aproximadamente 15 anos. Mas o Empreendedor não é um sonhador inconseqüente. A partir da sua visão de futuro ele elabora 28 todo um planejamento que permita criar as condições necessárias à efetiva realização dos seus projetos de vida, seja no aspecto pessoal, familiar, profissional, acadêmico ou empresarial. Neste momento são estabelecidas as metas a serem alcançadas para daqui a dez anos, cinco anos, um ano, seis meses, um mês e... para o dia seguinte. Para o Empreendedor, o novo dia que começa não é “parte de uma rotina torturante a ser empurrada com a barriga” e sim uma etapa a vencer, um degrau a subir rumo à realização dos seus sonhos. É aí, nesse caráter estratégico que reside não o único, mas certamente o maior diferencial entre a “visão empreendedora” e o “lugar comum”. INOVAÇÃO VISIONÁRIO “Empreendedor é um visionário que tem iniciativa, que sabe identificar oportunidades e estabelecer soluções inovadoras”. Marcelo Nakagawa INICIATIVA Ser um empreendedor não se limita às pessoas que começam os seus próprios negócios. O comportamento empreendedor existe em todos os setores, em todos os níveis de carreira, em todos os momentos da vida. Há algum tempo atrás, acreditava-se que o empreendedor era aquele indivíduo – homem ou mulher – que possuía uma empresa. Hoje, o conceito de empreendedorismo ganhou a amplitude que melhor representa a sua ação; podendo apresentar-se da seguinte forma: • uma pessoa que cria uma empresa, qualquer que seja ela; 29 • uma pessoa que compra uma empresa já estabelecida e introduz inovações, assumindo riscos e agregando valor; • um funcionário que identifica ou cria um novo negócio, introduz inovações em sua organização, gerando vantagem competitiva e valor para os acionistas. Definições - Empreendedor: “O empreendedor é aquele que faz acontecer, antecipa-se aos fatos e tem uma visão futura da organização”. (Dornelas, 2001) MÍDIA “O empreendedor é aquele que destrói a ordem econômica existente através da introdução de novos produtos e serviços, pela criação de novas formas de Você encontrará um ótimo vídeo sobre os desafios de ser um empreendedor no endereço abaixo: http://www.youtube.co m/watch?v=tLEqUsffS w8 organização, ou pela exploração de novos recursos e materiais”. Joseph Schumpeter (1949) recursos de organização maneira inovadora, relativamente gerando independente, uma cujo sucesso é incerto” Shapero (1977) Vale a pena conferir! Veja também, no endereço www.casosdesucesso.se brae.com.br histórias de sucesso de empreendedores. “Alguém decidido, que toma iniciativa de reunir “Qualquer indivíduo pode aprender a se comportar de forma empreendedora. O empreendedorismo é um comportamento, e não um traço de personalidade”. Drucker (1987) “É alguém capaz de identificar, agarrar e aproveitar oportunidades. Para transformá-las em negócio de sucesso, busca e gerencia de recursos”. Jeffrey Timmons (1994) 30 “É alguém que define metas, busca informações e é obstinado”. Ferla Cunha (1996) “É um grande estrategista, inovador, criador de novos métodos para penetrar e/ou criar novos mercados; é criativo, lida com o desconhecido, imaginando o futuro, transformando possibilidades em probabilidades, caos em harmonia” Gerber (1996) “O espírito empreendedor não é um “dom” de poucos, mas uma característica comum a todos e, portanto pode ser desenvolvida.” Fernando Dolabela (2003) “Aquele capaz de deixar os integrantes da empresa surpreendidos, sempre pronto para trazer e gerir novas idéias, produtos ou mudar tudo o que já existe. É um otimista que vive no futuro, transformando crises em oportunidades e exercendo influência nas pessoas para guiá-las em direção às suas idéias. É aquele que cria algo novo ou inova o que já existe sempre pesquisando. É o que busca novos negócios e oportunidades com a preocupação na melhoria dos produtos e serviços. Suas ações baseiam-se nas necessidades do mercado”. Maria Inês Felippe (1999) “É alguém que imagina, desenvolve e realiza visões”. Louis Jacques Filion “Empreendedor é todo indivíduo que, estando na qualidade de principal tomador das decisões envolvidas, conseguiu formar um novo negócio ou desenvolver negócios já existentes, elevando substancialmente seu valor patrimonial, várias vezes 31 acima da média esperada das empresas congêneres no mesmo período e no mesmo contexto sócioContam os antigos, que uma pequena rã foi jogada em uma panela de água fervente e logo Era uma vez...que triscou na água, e sentiu a quentura... pulou fora rapidamente. Tranquilamente, uma pequena rã é colocada em panela com água fria e um pequeno fogo é aceso embaixo da panela, e a água se esquenta muito lentamente. Pouco a pouco, a água fica morna, e a rã, achando isso bastante agradável, continua a nadar. Agora, a água está quente mais do que a rã pode apreciar; ela se sente um pouco cansada, mas, não obstante isso, não se amedronta. Agora, a água está realmente quente, e a rã começa a achar desagradável, mas está muito debilitada; então, suporta e não faz nada. A temperatura continua a subir, até quando a rã acaba simplesmente cozida e morta. político-econômico, tendo alcançado com isso alto prestígio perante a maioria das pessoas que conhecem essa empresa ou tem relacionamentos com ela”. Oliveira (1995) “Apresentam duas categorias de empreendedores, de acordo com seu campo de atuação: a) entrepreneur – aquele empresário empreendedor dono do seu próprio negócio; e b) intrapreneur – aquele empreendedor que trabalha como funcionário em alguma empresa”. Gifford (1989) Os estudos e pesquisas realizados em relação ao comportamento e à personalidade do empreendedor, também foco do presente estudo, fundamentam-se na crença de que o eventual sucesso do novo empreendimento dependerá principalmente do comportamento do empreendedor. O trabalho pioneiro realizado acerca das características comportamentais dos empreendedores foi conduzido pelo Professor da Universidade de Harvard, David McClelland em 1961. McClelland realizou vários estudos sobre a questão da motivação e desenvolveu uma teoria sobre a motivação psicológica, baseado na crença de que o estudo da motivação contribui significativamente para o entendimento do empreendedor. Segundo sua teoria de motivação psicológica, as pessoas são motivadas por três necessidades: 32 - necessidade de realização - necessidade de poder - necessidade de afiliação Segundo McClelland, a necessidade de realização é a necessidade que o indivíduo tem de por a prova seus limites, de fazer um bom trabalho. É uma necessidade que mensura as realizações pessoais. Pessoas com alta necessidade de realização; são pessoas que procuram mudanças em suas vidas, estabelecem metas e colocam-se em situações competitivas, estipulando também para si, metas que são realistas e realizáveis. Seus estudos comprovaram que a necessidade de realização é a primeira necessidade identificada entre os empreendedores bem sucedidos. Segundo alguns psicólogos é a necessidade de realização que impulsiona as pessoas a iniciar e construir um empreendimento. A necessidade de afiliação existe apenas quando há alguma evidência sobre a preocupação em estabelecer, manter, ou restabelecer relações emocionais positivas com outras pessoas. A necessidade de poder é caracterizada principalmente pela forte preocupação em exercer poder sobre os outros. Os indicadores comportamentais que caracterizam cada uma dessas necessidades são descritos a NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO: • Competir com seus próprios critérios. • Encontrar ou superar um padrão de excelência. • Visar uma única realização. • Usar feedback. seguir: 33 • Visar obter metas de negócio de longo prazo • Formular planos para superar obstáculos pessoais ambientais e de negócios. NECESSIDADE DE AFILIAÇÃO • Visar estabelecer laços de amizade ser aceito. • Procurar fazer parte de grupos sociais. • Sentir grande preocupação pelo rompimento de uma relação interpessoal positiva. • Possuir uma elevada preocupação com as pessoas na sua situação de trabalho. NECESSIDADE DE PODER • Executar ações poderosas. • Despertar fortes reações emocionais nas outras pessoas. • Estar sempre preocupado com a reputação, status e posição social. • Visar sempre superar os outros. Esse perfil comportamental dos empreendedores resulta em ações que podem ser notadas no dia-a-dia das pessoas, da comunidade, do meio em que interage. São indivíduos que vêem o mundo de forma diferenciada. Onde os outros vêem problemas eles enxergam oportunidades! Acabam transformando um limão numa limonada! Grandes Empreendedores e suas “Barracas de Limonada” 34 Era jornaleiro aos 10 anos Walt Disney Faturamento de US$ 25,3 bi em 2002 Entregava leite e jornal aos 12 anos Sam Walton Faturamento de US$ 246,5 bi em 2002 Consertava relógios de bolso aos 10 anos Henry Ford Faturamento de US$ 163,6 bi em 2002 Vendeu selos (13), assinaturas de jornais (16) e lavou pratos Michael Dell Faturamento de US$ 28,3 bi em 2002 Aos 14 anos já era presidente da TrafO-Data Bill Gates Faturamento de US$ 28,3 bi em 2002 Figura 6 -Fonte: Fundação Vanzolini – Marcelo Nakagawa Imaginem as transformações/influências que estes empreendedores provocam onde agem! O número de novos empregos gerados, o estímulo a novos concorrentes, a construção de infra-estrutura, a entrada de novos fornecedores, os novos clientes e perspectiva de novas mudanças. O desenvolvimento econômico está associado à geração de emprego e renda, o que pode ser possibilitado pela organização de novas empresas. Podemos, então, dizer que os empreendedores estimulam o desenvolvimento econômico. Nos países em desenvolvimento, o empreendedorismo pode dar uma grande contribuição para a criação de novos postos de trabalho. Não é raro vermos cidades pequenas com pouco ou nenhum acesso à tecnologia (televisão, celular, exames de ultra-som, alimentos diferenciados, etc), até o dia em que o EMPREENDEDOR se instala na região e começa a fazer o diferencial. Muitas vezes ele é o dono do mercadinho que depois de algum tempo vira supermercado, e que acaba influenciando nos costumes da comunidade que antes não comia “presunto e sorvete em pote”; e agora já utiliza os 35 serviços de correspondente bancário que o supermercado oferece. E com isso, a operadora de telefonia móvel vê ali uma oportunidade de negocio e implanta o seu sinal, o representante de um determinado refrigerante que antes não parava na cidade, agora enxerga o local como cliente em potencial! E assim... O EMPREENDEDOR vai modificando o ambiente, as pessoas e o mundo! Você já ouviu falar do Grameen Bank¿ Este banco é diferente de todos os outros que conhecemos no Brasil. Ele é especializado em emprestar dinheiro para pessoas de baixa renda, um sistema que ficou conhecido como microcrédito. O professor bengalês Muhammad Yunus pensava como poderia ajudar a reduzir a pobreza em Bangladesh e imaginou que se as pessoas tivessem capital para investir em algo que soubessem fazer, poderiam produzir e gerar sua própria venda. Esta iniciativa mudou a vida de muitas pessoas e tornou-se uma experiência única como desenvolver lugares pobres, por meio do desenvolvimento e financiamento da capacidade empreendedora das pessoas. O banco opera como uma empresa privada auto-sustentável e gerou lucros em quase todos os anos de sua operação, exceto no ano de sua fundação e em 1991 e 1992. O Grameen Bank ganhou o Prêmio Nobel da Paz do ano de 2006, juntamente com seu fundador. Muhammad Yunus 36 3.2 Empreendedorismo por oportunidade x necessidade De acordo com a pesquisa GEM – 2006, 1 em cada 10 brasileiros está empreendendo a criação de um negócio próprio nos últimos 42 meses. Será mesmo que há tanto brasileiro assim abrindo seu próprio negócio? Apesar da alta taxa de mortalidade das empresas, da enorme carga tributária e outros obstáculos à abertura de novos empreendimentos, é crescente o número de novos negócios. Seja de forma legalizada ou através do comércio informal, as iniciativas empreendedoras são muitas: sacoleiras, lanchonetes, restaurantes, cachorro quente, lan house, etc. Agora o que os diferencia está relacionado ao motivo pelo qual montou aquele negocio... Já pensou sobre isso? Ou melhor, já ouviu alguma história como essas: “Perdi o emprego, e agora? Já sei!Vou fazer igual ao meu amigo, que abriu um comércio e está dando certo, vou investir todo 37 o Fundo de Garantia, é isso ai!”. “Executivo deixa emprego estável, depois de 20 anos, e troca o terno e a gravata pelo sonho de se transformar em sorveteiro”. Alguns empreendem por necessidade – por estarem desempregados ou em situação de privação – acabam abrindo um negócio que resolva as suas dificuldades naquele momento. Geralmente a idéia de negócio escolhida é a que está “em moda” ou a do “vizinho” e por isso, não analisam o mercado e deixam o planejamento de lado. Outros empreendem por oportunidade – são aqueles que abrem um negócio porque identificam uma atividade inexplorada ou mal explorada, onde podem ser realizar pessoalmente geralmente, e financeiramente. planejam o Essas pessoas, empreendimento buscando informações para reduzir o risco de quebra. No Brasil o empreendedorismo por oportunidade está em torno de 6%, ocupando a vigésima posição no ranking da GEM-2006. O empreendedorismo por necessidade ficou em 5,6% em 2006. O Brasil passou de 4º para 6º colocado no mundo no que diz respeito ao empreendedorismo por oportunidade. 38 Em resumo, para cada indivíduo que empreende por oportunidade existe um outro que empreende por necessidade. Que tal mudarmos esse quadro? Empreendedorismo por oportunidade x necessidade de 2001 a 2006 no Brasil ATIVIDADE 3 1. Como você definiria o empreendedor? 2. Você conhece alguma história que enfoque a contribuição do empreendedor no desenvolvimento econômico local? 3. Analisando a estória da rã (página 20), qual a relação com o empreendedor. 4. Entreviste dois empreendedores e procure identificar com foi criado o negócio – se por necessidade ou por oportunidade – e quais as dificuldades e/ou facilidades encontradas. Informações para a próxima aula Na Aula 4, teremos a oportunidade de conhecer o perfil empreendedor reconhecendo os caracterizando o intraempreendedor. comportamentos e 39 Leitura recomendada DOLABELA, Fernando. Empreendedorismo uma forma de ser. Ed. AED. Brasília. Bibliografia consultada 228 p. Disponível em: <www.gembrasil.org.br>. Acesso em: jun. 2009. SEBRAE. Disponível em: <http://www.sebrae.com.br>. Acesso em: 2 jul. 2009. CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo : Saraiva, 2007. Perfil Empreendedor Características comportamentais do empreendedor 4 40 Aula Meta da Aula Conhecer o perfil empreendedor no tocante aos comportamentos que compõem as suas Objetivos características. Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: 1. Saber quais são as principais características empreendedoras; 2. Reconhecer os comportamentos empreendedores; 41 Perfil Empreendedor 4.1 Introdução SILVIO SANTOS – Um empreendedor de Sucesso Silvio Santos é um ícone da televisão brasileira. Os anos passam, os ídolos populares se sucedem, os concorrentes mudam e ele permanece lá, como a mais perfeita tradução de um domingo à brasileira. É um dos rostos mais conhecidos do país e também – Rarraiiii! – a voz mais familiar aos ouvidos de milhões. Silvio é ainda uma versão do self-made Man, o homem que conseguiu sozinho um lugar ao sol. É até mesmo considerado por muitos um herói do capitalismo nacional. De camelô tornou-se um grande empresário, dono de nada menos que 33 empresas. A sensibilidade do empresário para lançar programas de apelo popular deve-se em boa parte à sua história de vida. Não por destino, mas por opção, ele esteve em contato com os humildes desde o início de sua carreira. Ao contrário do que se pensa, Silvio não teve uma infância pobre nem precisou largar os estudos para trabalhar. Seu pai, o grego Alberto Abravanel, era proprietário de uma loja de artigos para turistas e sua mãe, a imigrante turca Rebeca, era dona-de-casa. A família, de origem judaica, morava perto do centro do Rio de Janeiro, num imóvel confortável. Silvio, o mais velho de uma prole de seis filhos, fez o pré-primário quando isso era um luxo e prosseguiu nos bancos escolares até se formar técnico em contabilidade. Parou de estudar porque estava ansioso para dar vazão ao talento de negociante que se manifestara precocemente. Quando tinha 14 anos, Silvio viu o Estado Novo de Getúlio Vargas cair e a democracia ser reimplantada no Brasil. Alguns jovens aproveitaram a efervescência da época para embarcar em projetos políticos. Ele enxergou o momento sob outra perspectiva. Como as pessoas tinham de renovar seus títulos de eleitor, resolveu vender capinhas de plástico que servissem para guardar os documentos. Lembra até hoje que elas custavam 3 cruzeiros e que as revendia por 5. Animado, passou a vender canetas e outras bugigangas. Aos 18 anos, Silvio já era um dos camelôs mais famosos do 42 centro do Rio de Janeiro. Ganhava três salários mínimos por dia. Não era o bastante. Ele percebeu que poderia explorar comercialmente o tédio das pessoas que viajavam nas barcas entre o Rio e Niterói. Convenceu, então, os administradores do transporte a deixá-lo tocar um serviço de alto-falantes em uma das barcas. Silvio executava músicas durante o trajeto e, nos intervalos, veiculava anúncios que vendia a bom preço. O negócio começou a ir tão bem que ele montou um bar para atender os passageiros. Mas a barca quebrou – e, com ela, também o negócio de Silvio. Endividado, foi para São Paulo, onde se pôs a trabalhar como locutor de comerciais radiofônicos. Nos intervalos, vendia anúncios em calendários que mandava confeccionar aos milhares. Aqui um parêntese: ele já chegou à capital paulista com o pseudônimo artístico. Quando morava no Rio, uma de suas maneiras de ganhar dinheiro era participando de concursos de locução. O vencedor sempre levava da rádio um prêmio em dinheiro. Silvio ganhou doze seguidos, até que se viu proibido de participar deles. Foi num desses concursos que adotou o pseudônimo. Ao apresentar-se a um radialista como Silvio Abravanel (sua mãe preferia Silvio a Senor), ouviu que o nome não soava bem. "Vamos chamá-lo de Silvio Santos", disse o sujeito, sem maiores explicações. E assim foi. Em São Paulo, com as finanças equilibradas, Silvio voltou a ser dono de bar, no centro da cidade. Como investia tudo o que ganhava em seus pequenos negócios, não se permitia nenhum luxo, por menor que fosse. Aluguel de casa, por exemplo, nem pensar. Dividia um quarto de pensão com um ex-jogador de futebol. Foi expulso de lá depois de ser pego pela proprietária com uma mulher na escada. A grande virada veio no final de 1957. Um ano antes, Manoel da Nóbrega, dono de um programa na mesma rádio em que Silvio trabalhava, a Nacional, tornou-se sócio de um comerciante chamado Walter Scketer, que imaginara um projeto interessante: um baú de brinquedos que seria vendido em forma de carnê por doze meses. O alvo eram pais modestos, que assim poderiam proporcionar a seus filhos um Natal inesquecível. Nóbrega entraria com a sua credibilidade e com os anúncios. Scketer, com a sua experiência em administração. Quando chegou dezembro, porém, dos 800 compradores, apenas 500 receberam os baús que haviam comprado. Scketer sumiu do mapa, deixando Nóbrega a ver navios. As 43 rádios concorrentes e os jornais passaram a referir-se ao sócio enganado como caloteiro e picareta. Desesperado, Nóbrega vislumbrou a salvação em Silvio Santos. A princípio hesitante, Silvio topou assumir a encrenca, pressionado pela primeira mulher, Maria Aparecida, que viu naquilo tudo uma boa possibilidade. Começava aí a história de sucesso do Baú da Felicidade, base do império do empresário. "Peru que fala" – Para impulsionar o Baú nos primeiros tempos, Silvio bolou um esquema chamado Caravana do Peru (como sempre ficava vermelho com as brincadeiras que seus colegas faziam, seu apelido na rádio era o "peru que fala"). A Caravana do Peru funcionava assim: Silvio promovia shows em praças públicas, no qual havia sorteios de prêmios e apresentações de artistas conhecidos. Entre as atrações, ele vendia carnês. Foi nas caravanas que Silvio lapidou seu estilo de apresentador com o qual hipnotiza as platéias até hoje. É um estilo que, por sinal, intriga os estudiosos. "Ele tem a capacidade de mostrar o ridículo e o patético da personalidade humana, usando uma embalagem familiar, que não choca", diz o professor Muniz Sodré, da Universidade Federal do Rio de Janeiro. A sua primeira experiência na televisão aconteceu em 1958, como locutor de comerciais das finadas Lojas Clipper. Quatro anos mais tarde, comprou seu primeiro horário televisivo, na TV Paulista, para fazer o Vamos Brincar de Forca. Silvio, aliás, jamais foi empregado de emissora alguma. Sempre adquiriu espaços para veicular seu programa – e seu programa nunca deixou de ser um pretexto para vender os produtos oferecidos por suas empresas. É só com olhos de negociante que ele enxerga o mundo. Isso explica por que não constam de seu repertório conceitos como função educativa da televisão, responsabilidade social dos meios de comunicação ou atrações que difundam cultura. Para muitos, trata-se de sua maior limitação. Silvio, que faz parte da vida dos brasileiros há quatro décadas, foi ao longo desse tempo mudando de estatura. De vendedor passou a locutor, de locutor virou apresentador e de apresentador tornou-se grande empresário, cortejado por poderosos. Durante a escalada, nada de essencial se alterou em suas preferências e hábitos. Ele não vai a festas nem a eventos. Visita o salão do cabeleireiro Jassa, para jogar conversa fora. Assiste a filmes em vídeo nos fins de semana. Vê uma média de vinte por mês. Prefere comédias. Admira muito o ator e diretor americano Woody Allen e diz que, se pudesse, o contrataria. Porque ele faz filmes bons e baratos, justifica. Silvio veste-se 44 há quase trinta anos na mesma confecção, a Camelo, na Zona Norte de São Paulo. Usa relógios comprados em camelôs nos Estados Unidos, que custam no máximo 100 dólares. Em vez de guardar seus papéis numa pasta de couro, usa uma sacola de papelão. Não são extravagâncias de um milionário. Silvio é assim mesmo. O carro que usa com mais freqüência é um Lincoln Continental branco, de capota verde. Tem sete anos de uso e ele próprio o dirige. Seu patrimônio pessoal, declarado à Receita Federal, totaliza 879 milhões de reais. No comando de sua rede de televisão, o SBT, Silvio conseguiu a façanha de se transformar em um adversário que incomoda de verdade a Rede Globo. Fonte: Arquivo pessoal da autora. Histórias como essa, causam admiração pela determinação, persistência, criatividade e ousadia. Pontos que podem ser comuns a qualquer pessoa, mas que nem sempre estão presentes nos comportamentos do dia-a-dia. O que faz então que essas pessoas sejam consideradas empreendedoras? Há algo de particular presente no seu perfil? Veremos... Por volta dos anos 50, os estudiosos do empreendedorismo já identificavam que a maior parte dos novos negócios nascia em pequenas empresas, e que estas eram dirigidas por pessoas que lutavam para conseguir colocar de pé seu empreendimento. O interesse por compreender as características das pessoas que empreendem e têm sucesso passou a receber atenção e financiamento para pesquisa. Dentre os muitos estudos sobre estas características que constituem o perfil empreendedor, iremos abordar o trabalho do psicólogo e professor da Universidade de Havard, David MacClelland por já serem utilizadas em programas EMPRETEC. de treinamento comportamental como o 45 A grande contribuição de David McClelland dentro do campo do empreendedorismo, foi a sua iniciativa em tentar especificar o que gerava os resultados positivos do empreendedor. Através da identificação de traços/características comuns nos empresários de sucesso, o psicólogo conseguiu agrupá-los formando o que ele chamou de Características do Comportamento Empreendedor – CCE´s. Os países escolhidos para verificar se as características diferiam ou não, foram Malawi na África, Índia na Ásia e Equador na América do Sul, por serem países em desenvolvimento e de continentes distintos, além de possuírem realidades sócio-culturais bastante distintas. Nos países estudados, um grupo de jurados composto por pessoas nativas, que eram consideradas os empreendedores de maior sucesso por setor econômico (indústria,comércio e serviços), sendo selecionados aqueles que receberam o maior número de indicações. De cada setor foram identificados 12 (doze) empreendedores de sucesso e também 12 (doze) empreendedores que receberam as menores indicações de êxito, perfazendo um total de 216 (duzentos e dezesseis) empreendedores nos três paises. A técnica de entrevistas utilizada, através de gravação, baseou-se em registros dos detalhes da vida empresarial e também do retrospecto de suas atividades nos últimos três anos. Através de análises o júri encontrou diferenças entre as características da Índia em relação a Equador e Malawi. Contudo buscou-se identificar quais características eram mais freqüentes nos três paises, chegando a 20 (vinte) características comuns que foram associadas às respostas 46 das entrevistas permitindo um cruzamento de informações maior, para posteriores análises. Posteriormente foi obtida uma relação de nove características que foram encontradas nos empreendedores de sucesso e que os diferenciava do desempenho dos demais. A partir daí foram divididas em três grupos: Pró-atividade Iniciativa Assertividade Orientação para a realização Percepção e ação sobre as oportunidades Orientação para a eficiência Preocupação com a alta qualidade do trabalho Planejamento sistemático Monitoramento Comprometimento com os outros Comprometimento com o trabalho contratado Reconhecimento da importância dos relacionamentos nos negócios MÍDIA Na pesquisa foram identificados dois pilares centrais que estão na base de um comportamento empreendedor de sucesso. O primeiro pilar demonstra que as pessoas Assista ao filme: “Mauá o Imperador e o Rei” e perceba como a história do Barão de Mauá está repleta de comportamentos empreendedores. empreendedoras têm uma “necessidade de realização”, “motivação para realização” ou “impulso de melhorar”, que se caracteriza por certa “insatisfação”, além da valorização da independência e do desejo de superar padrões de excelência. O outro pilar é a característica psicológica que se refere ao lócus de controle ou “local de controle”, que, de forma simples, responde à pergunta: quem é responsável pelo que me acontece? Pessoas que possuem um forte lócus de controle interno responsabilizam-se pessoalmente por seu destino, acreditam que suas escolhas interferem diretamente 47 nos resultados. Por isto, tendem a ser relativamente autoconfiantes, prezam a autonomia e a independência. Estes são traços que distinguem o comportamento empreendedor. Estas pessoas comportam-se de maneira bastante distinta das pessoas que possuem o lócus de controle externo, que acreditam que os seus resultados dependem mais da sorte e do acaso do que do seu esforço e intenção própria. O sujeito que possui lócus interno de controle acredita que o seu êxito é antes um produto do bom planejamento, esforço intenso e talento do que uma conseqüência do destino ou das circunstâncias. Em tais indivíduos, observa-se uma “iniciativa incomum e maior controle sobre seu próprio comportamento; são mais bemsucedidos quando se trata de persuadir outras pessoas, embora eles próprios não se deixem persuadir facilmente; são mais diligentes em obter informações e conhecimentos estratégicos acerca de sua própria situação; são mais bem informados; desempenham bem tarefas que dependem de habilidades específicas que podem ser aprendidas e não tão bem aquelas que dependem da sorte ou do acaso; têm autoconceitos mais claros; são mais confiáveis e são menos vulneráveis ao fracasso”. O trabalho de David MacClelland em parceria com a empresa de consultoria MSI formatou o programa de treinamento empreendedor EMPRETEC. Nele são trabalhadas, de forma intensiva, as dez características empreendedoras identificadas em sua pesquisa e seus respectivos comportamentos. 48 AS CARACTERÍSTICAS DO COMPORTAMENTO EMPREENDEDOR – DAVID MACCLELLAND BUSCA DE OPORTUNIDADE E INICIATIVA - Faz as coisas antes de solicitado ou antes de forçado pelas circunstâncias. Age para expandir o negócio a novas áreas, produtos ou serviços. Aproveita oportunidades fora do comum para começar um negócio, obter financiamentos, equipamentos, terrenos, local de trabalho ou assistência. CORRER RISCOS CALCULADOS - Calcula riscos deliberadamente e avalia alternativas. Age para reduzir os riscos ou controlar os resultados. Coloca-se em situações que implicam desafios ou riscos moderados. EXIGÊNCIA DE QUALIDADE E EFICIÊNCIA - Encontra maneiras de fazer as coisas melhor, mais rápido ou mais barato. Age para garantir que se satisfaçam ou excedam padrões de excelência. Desenvolve ou utiliza procedimentos para assegurar que o trabalho seja terminado a tempo e que atenda os padrões de qualidade previamente combinados. PERSITÊNCIA - Age diante de um obstáculo significativo. Age repetidamente ou muda de estratégia a fim de enfrentar desafios ou para superar obstáculos. Faz um sacrifício pessoal ou dispende um esforço extraordinário para terminar um trabalho. COMPROMETIMENTO - - Atribui a si mesmo e a seu comportamento as causas de seus sucessos e seus fracassos e assume a responsabilidade pessoal pelos resultados obtidos. Colabora com os empregados ou se coloca no lugar deles, se necessário para completar um trabalho. 49 - Esforça-se para manter os clientes satisfeitos e coloca em primeiro lugar a boa vontade, acima do lucro a curto prazo. BUSCA DE INFORMAÇÕES - Dedica-se pessoalmente a obter informações de clientes, fornecedores e concorrentes. Investiga pessoalmente como fabricar um produto ou proporcionar um serviço. Consulta especialistas para obter assessoria técnica ou comercial. ESTABELECIMENTO DE METAS - Estabelece metas e objetivos que são desafiantes e com significado pessoal. Tem visão clara e específica do que quer a longo prazo. Define objetivos de curto prazo e mensuráveis. PLANEJAMENTO E MONITORAMENTO SISTEMÁTICOS - - Planeja dividindo tarefas de grande porte em subtarefas com prazos definidos. Revisa constantemente seus planos levando em conta os resultados obtidos e as mudanças circunstanciais. Mantém registros financeiros e os utiliza para tomar decisões. PERSUASÃO E REDE DE CONTATOS - Utiliza estratégias deliberadas para influenciar ou persuadir os outros. Utiliza pessoas-chave como agentes para atingir seus próprios objetivos. Age para desenvolver e manter relações comerciais. INDEPENDÊNCIA E AUTOCONFIANÇA - Busca autonomia em relação a normas e controles de outros. Mantém seu ponto de vista mesmo diante da oposição ou a resultados desanimadores. 50 - Expressa confiança na sua própria capacidade de complementar uma tarefa difícil ou de enfrentar um desafio. AUTO-AVALIAÇÃO Agora que você já conhece como o empreendedor se comporta, procure fazer uma auto-avaliação com relação a estes comportamentos a fim de identificar quais são mais fracos no seu perfil e quais são mais fortes. Assim, você poderá perceber quais as características empreendedoras que estão mais presentes nas suas ações diárias e quais as que você precisa desenvolver. Causas mais comuns de falhas nos negócios Fonte: Idalberto Chiavenato – Empreendedorismo – Dando Asas ao Espírito Empreendedor. 4.2 Intraemprendedorismo O termo intraempreendedor (tradução do Inglês intrapreneur) foi cunhado por Gifford Pinchot (1989) para designar o “empreendedor interno”. São aqueles que, a partir de uma idéia, e recebendo a liberdade, incentivo e recursos da empresa onde trabalham, 51 dedicam-se entusiasticamente em transformá-la em um produto de sucesso. Não é necessário deixar a empresa onde trabalha, como faria o empreendedor, para vivenciar as emoções, riscos e gratificações de uma idéia transformada em realidade. O empreendedor, muitas vezes, necessita dos recursos de uma grande empresa para testar suas idéias. Porém, gosta de ser seu próprio patrão e a organização de uma grande empresa costuma dar pouco espaço para a independência. A solução para esse problema de relações pode estar no surgimento dessa nova classe de empreendedores, os intraempreendedores. Os 10 mandamentos do intraempreendedor segundo Pinchot III, 1989 · Vá para o trabalho a cada dia disposto a ser demitido · Evite quaisquer ordens que visem interromper seu sonho · Execute qualquer tarefa necessária a fazer seu projeto funcionar, a despeito de sua descrição de cargo · Encontre pessoas para ajudá-lo Siga sua intuição a respeito das pessoas que escolher e trabalhe somente com as melhores · Trabalhe de forma clandestina o máximo que puder – a publicidade aciona o mecanismo de imunidade da corporação · Nunca aposte em uma corrida, a menos que esteja correndo nela · Lembre-se de que é mais fácil pedir perdão do que pedir permissão 52 DICA! No site do SEBRAE há um teste no qual você pode avaliar o seu perfil empreendedor. Vá ao endereço: http://www.sebrae.co m.br/atendimento/ teste-aqui-seu-perfilempreendedor e responda às perguntas formuladas. Depois pense sobre o resultado do teste. · Seja leal às suas metas, mas realista quanto às maneiras de atingi-las · Honre seus patrocinadores Pinchot em uma entrevista à revista Você, apontou seis pontos fundamentais para se tornar um intraempreendedor. São eles: 1. Encontre algo em que você realmente acredite, que esteja alinhado com seus valores e que você queira empreender. 2. Faça um plano de negócios para ajudá-lo a transformar sua idéia em realidade. 3. Tire suas dúvidas com outros empreendedores. 4. Esteja pronto para fazer qualquer trabalho necessário para que sua idéia dê certo. Se tiver de varrer o chão, façao. Muitas vezes, ninguém nos dá apoio quando fazemos algo novo. Ou, o que é pior, enfrentamos muita resistência. 5. Monte uma equipe. Você precisa vender bem sua idéia para deixá-la entusiasmada. E não deixe de ouvir as idéias dos outros. 6. Encontre alguém para “apadrinhar” sua idéia, para lhe dar suporte e até protegê-lo. Normalmente essa pessoa não é seu chefe, ela está em outros departamentos da empresa. Isso não significa que o suporte de seu chefe não seja importante. ATIVIDADE 4 1. Após fazer a leitura do texto que fala sobre Silvio Santos, procure identificar nas os comportamentos empreendedores praticados por ele. 53 2. Com base na sua características auto-avaliação e das comportamentos empreendedores, procure traçar um plano de melhorias para fortalecer os seus comportamentos mais fracos. Procure escrever de forma específica o que irá fazer para fortalecer. (Ex: tenho como ponto fraco o comportamento - “dedica-se pessoalmente a obter informações de clientes, fornecedores ou concorrentes” – como quero montar o meu negócio, vou tirar 2h por dia para visitar alguma empresa que já atue na área que quero trabalhar, ou vou pesquisar junto aos clientes quais as necessidades não satisfeitas pelo mercado dentro da área que quero atuar). 3. Uma das características que mobilizam o empreendedor na busca por resultados é o Estabelecimento de Metas. Por falar nisso, como estão as suas? Estabeleça um objetivo a ser atingido por você para daqui a um ano e outro para daqui a cinco anos. Lembre-se que: os objetivos devem ser desafiantes, mensuráveis, devem ter data para acontecer e ter significado pessoal! 4. O quadro que traz as “causas mais comuns de falhas nos negócios”, apontam os motivos de quebra das empresas. Correlacione as características empreendedoras que ajudariam a evitar tais problemas. 5. Você conhece algum exemplo de intraempreendedor? Fale sobre ele: resultados que gera para características. a empresa e principais 54 Informações sobre a próxima aula Na próxima aula, iremos conhecer como se dá o processo empreendedor. Leitura Recomendada SARAIVA, Alberto. Os mandamentos da lucratividade: as histórias e ensinamentos de um negócio que parecia impossível. 8 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. Bibliografia Consultada CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo : Saraiva, 2007. HISRICH, Robert D. e PETERS, Michael P. Empreendedorismo. 5.ed. Porto Alegre: Bookman, 2004. PINCHOT, Gifford e PELMAN, Ron. Intraempreendedorismo na prática: um guia de inovação nos negócios. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. PACHECO, Françoise. Uma análise do programa de formação empreendedora EMPRETEC do SEBRAE – 2002 A 2004 no Piauí. Dissertação de Mestrado. 2008. 55 Empreendendo – O processo empreendedor Aula 5 Meta da Aula Apresentar o processo empreendedor e os fatores que influenciam na atividade Objetivos empreendedora. Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: 1. Identificar as fases do processo empreendedor; 2. Reconhecer os principais desafios do processo empreendedor; 56 Empreendendo – O processo empreendedor 5.1 Introdução “Luisa era uma jovem que ia ser dentista, mas, sua vida mudou completamente, até começar a acompanhar o dia-a-dia da sua madrinha que tinha um empreendimento em Ponte Nova. Com o passar dos anos Luisa percebe que não tem mais vocação para ser dentista e quando vai para Ponte Nova que é a cidade da Goiabada cascão da madrinha, que para ela é a melhor goiabada do mundo, Luísa planeja montar uma empresa igual a da sua tia. No começo Luísa ficou um pouco receosa, pois ia abrir um negocio igual a da sua madrinha, a idéia era o nome de Goiabadas Maria Amália. Luisa não tinha conhecimento na área de planejamento, organização e buscou ajuda com o professor de empreendedorismo Pedro. Daí ela começa a assimilar realmente quais as dificuldades e estratégias para ser um bom empreendedor. Só que surgiram problemas, pois Luisa esperava algo mais rápido e menos burocrático na montagem de sua empresa, só que ela percebeu que não era bem assim, e Pedro começou a lhe dar informações sobre: plano de marketing, estratégia de marketing, certificação de qualidade, planos financeiros. Entre outros problemas que enfrenta uma estudante de odontologia para se tornar uma empreendedora, Luisa viu que não era tão simples como ela imaginava. Pedro começou a perguntar sobre o conhecimento dela em relação ao mercado, quem era o seu cliente alvo, quais os projetos da empresa Goiabadas Maria Amália, que tipo de cliente irá satisfazer para comprar o tal produto, e com o passar do tempo Luisa foi buscando e 57 aprimorando seu conhecimento, vendo e revendo as rotinas de planejamento de seu negócio. Com determinação depois de 6 anos, até recusar ser a oradora da sua formatura por não ter tempo mais, Luisa casou-se e tornou-se uma grande empresária no ramo de goiabadas, ganhando até o prêmio de Empreendedor Global - para as empresas que se destacavam no volume de EXPORTAÇÕES. O volume de exportações atingiu o valor de 8 milhões de dólares”. Fonte: Adaptado do Livro “O Segredo de Luísa” – Fernando Dolabela O empreendedorismo empresarial começa a atuar quando pensamos em como seria a nossa vida se pudéssemos dirigir uma empresa da maneira como sonhamos. Os empreendedores costumam desejar coisas diferentes do seu empreendimento. Alguns desejam montar negócios de muito sucesso que os façam ricos; outros querem que seu negócio permita uma vida diferente com mais autonomia e prazer; e a maior parte gostaria das duas coisas. O empreendedor é aquele que aproveita uma oportunidade. A oportunidade surge quando o empreendedor percebe que há uma necessidade que ainda não foi atendida na oferta de produtos e serviços no mercado ou um problema que foi identificado e ainda não foi resolvido. Acontecimentos pessoais e circunstanciais podem resultar na abertura de uma empresa. Algumas pessoas imaginam como seriam suas vidas se elas fossem seus próprios patrões. Vislumbram como conduziriam suas empresas. Mantêm latente um desejo de empreender que pode ser despertado por um evento interno ou externo. 58 Outras situações, nem sempre agradáveis, como uma demissão, podem determinar o momento de assumir o risco de empreender. Observar outras pessoas parecidas com você que montam um negócio de sucesso também funciona como uma ignição para o empreendedorismo. Vislumbrada a oportunidade e tomada a decisão de implementá-la, devemos arregaçar as mangas e elaborar um plano de negócio, que funcionará como um verdadeiro “plano de vôo” da empresa que se inicia. O processo Empreendedor Da percepção da oportunidade até a estruturação do empreendimento há um longo caminho a ser percorrido. As fases que se sucedem da idéia inicial até a criação e operação da empresa é o que se costuma chamar de processo empreendedor. Três fatores irão influenciar na construção desse caminho, são eles: Fatores pessoal, necessidade pessoais: valores pessoais, de educação, realização experiência, insatisfação com o trabalho, demissão, assumir riscos, criatividade, etc. Esses fatores estão intimamente ligados ao indivíduo, como a necessidade de realização pessoal, ou seja, a satisfação advém da construção desse objetivo empresarial; a forma como foi educado – valorizando o emprego ou ser dono do próprio negócio; a capacidade de arriscar – impulsiona o indivíduo a empreender; a própria demissão pode ser o pontapé para iniciar um negócio. Fatores incubadoras, ambientais: políticas oportunidade, públicas, fornecedores, investidores, etc. modelagem, recursos, clientes, 59 Os fatores ambientais dizem respeito às ações que o meio podem exercer sobre a iniciativa empresarial. A presença de oportunidades que podem ser aproveitadas pelo empreendedor; o processo de modelagem que consiste em ter alguém ou algo com referência/exemplo a ser seguido (um amigo que é empreendedor, um modelo de negócio promissor); as políticas públicas que podem favorecer essa iniciativa e sua continuidade; as incubadoras de empresa que proporcionam um ambiente mais “seguro” para o início empresarial; os recursos disponíveis, sejam eles materiais, financeiros ou humanos; e a presença de clientes, fornecedores e investidores para o negócio. Fatores sociológicos: redes de relacionamento, equipes, família e modelagem. Representam o número de contatos/relacionamentos que o indivíduo possui e que podem favorecer a iniciativa empresarial; as equipes designam o grupo de pessoas com habilidades complementares que podem estimular a abertura do negócio; além de identificação com modelos empresariais de sucesso que podem vir a influenciar essa iniciativa; além de exemplos de sucesso empresarial nas famílias. Fatores organizacionais: equipe, estratégia, produtos, cultura. Estes fatores exercem influencia no momento de administração do negócio – a equipe com sua competência e forma de gerenciar; a estratégia utilizada para influenciar o cliente; como os produtos serão trabalhados; a cultura são os padrões de comportamento usados pela empresa para funcionar. O quadro a seguir, reproduz o Processo Empreendedor em suas quatro etapas, e onde esses fatores – pessoais, ambientais e sociológicos – influenciam. 60 Fases do Processo Empreendedor Fonte: O processo Empreendedor – Sandra Mariano e Verônica Mayer FASE 1 – Identificação da Oportunidade para Inovação O indivíduo tem uma idéia, que surge a partir da identificação de alguma inovação que pode ser implementada, e dá origem a um novo negócio. FASE 2 – Gatilho para a abertura da empresa – Evento Inicial Mesmo que o indivíduo esteja diante de uma oportunidade, não há garantias de que ele sairá da intenção para a ação. A decisão do indivíduo de implementar ou não a idéia dependerá do surgimento de um gatilho que acione os 61 planos de criação de uma empresa. É hora de fazer o plano de negócios. FASE 3 – Criação da Empresa e Implementação A Fase 3, que envolve a criação da empresa, é composta de algumas subfases: validação da idéia; definição da escala de operação e identificação elaboração do dos recursos plano de negócio, necessários; que apresenta a formatação do empreendimento para sua negociação interna e externa; e a operacionalização do plano de negócio, dando início à empresa. FASE 4 – Administração do Negócio o empreendedor irá desempenhar fortemente o papel de administrador da empresa, garantindo sua consolidação e sobrevivência a longo prazo. Os fatores que influenciam o dia-a-dia da empresa, após a sua fundação, são os mesmos que influenciaram a sua criação. A capacidade de gerenciar as mudanças e a capacidade de adaptação farão a diferença entre o sucesso e o fracasso do empreendimento. ATIVIDADE 5 1. Com base na estória contada no início desta aula – “O segredo de Luísa” – destaque quais foram os fatores (pessoais, organizacionais) ambientais, que sociológicos influenciaram o e processo empreendedor de Luísa. 2. Na sua opinião, quais fatores são mais decisivos para influenciar o processo empreendedor e por que? 62 3. Teste-se como empreendedor e analise quais fatores você tem no seu processo empreendedor em casa etapa dele. Esquematize o seu processo empreendedor. Informações para a próxima aula Na Aula 6, teremos a oportunidade de trabalhar o planejamento do empreendimento, analisando se uma idéia já é um negócio e os passos para o planejamento do empreendimento – plano de negócio. Leitura recomendada DOLABELA, Fernando. O segredo de Luísa. 30 Ed. São Paulo: Editora de Cultura, 2006. Bibliografia consultada CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo : Saraiva, 2007. MORI, Flavio De; TONELLI, Alessandra; LEZANA, Álvaro G. R. Empreender: identificando, avaliando e planejando um novo negócio. Florianópolis: ENE/ UFSC, 1998. Planejando o Empreendimento Uma boa idéia é o suficiente? 6 63 Aula Meta da Aula Iniciar o planejamento do negócio pela análise da idéia de negócio identificando se esta é realmente uma oportunidade de Objetivos negócio. Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: 1. Diferenciar idéia de oportunidade; 2. Avaliar uma oportunidade; 64 Planejando o Empreendimento Uma boa idéia é o suficiente? “Até o final do século XIX, o profissional mais importante num matadouro era o açougueiro, um homem habilidoso, experiente e bem remunerado que, sozinho, cortava e separava todas as partes do boi. O problema desse processo centrado num único indivíduo era a que a produção ficava limitada. Mas o cenário mudou com a chegada da esteira rolante: enquanto a carcaça se movia lentamente, diversos operários pouco habilidosos podiam realizar uma pequena pata da tarefa. Isso permitiu o crescimento da produtividade, maior agilidade e melhor controle da operação. Foi essa performance que chamou a atenção de um mecânico em visita a um abatedouro de Detroit. O homem ficou tão impressionado que, apenas alguns anos depois, implantou um processo semelhante na produção de carros. O mecânico era Henry Ford, e o método, a linha de montagem , que revolucionou a indústria automobilística e inaugurou a indústria moderna”. Fonte: Oportunidades Disfarçadas – Carlos Domingos, ed. Sextante, página. 194. A grande maioria das pessoas acha que os negócios de sucesso são promissores porque têm uma ótima idéia. Isto é perigoso! Como dizia Alain Emile Chaktier “nada é mais perigoso que uma idéia do que quando ela é a única que temos”. Ou melhor, falando: quando ela é a única COISA que temos! Uma idéia boa aqui, pode não ser uma idéia boa ali! Ou uma idéia boa na mão de alguém, pode não funcionar na mão de outrem... Não importa se a idéia é única ou repetida. O que importa é se esta idéia atende aos pré-requisitos básicos do mercado. 65 São eles: 1. Uma idéia precisa atender a uma necessidade – a idéia pode ser bonita, funcionar em outros locais... mas se onde você desejar aplicar, ela não satisfizer as necessidades... Não é uma boa idéia. 2. As idéias são inúteis se alguém não tiver disposto a pagar por ela – o negócio precisa ter retorno financeiro para dá certo. Por isso, pode ser uma boa idéia e até haver a necessidade, mas.... se as pessoas não estiverem dispostas a pagar o que você está pedindo por ela... Não é uma boa idéia aqui! Muitos produtos aparecem no mercado atendendo uma necessidade, mas o público não aceita o valor cobrado. E quando o empreendedor não tem com baixar o valor... A idéia vai pelo ralo! 3. É preciso saber gerenciar a idéia – é preciso buscar informações, atualização contínua, inovar sempre, atender bem, minimizar os custos, mas não esquecer da qualidade, agregar experiência, construir uma boa equipe, etc. Enfim, estruturar-se bem para que a boa idéia funcione agora e futuramente! A idéia é algo livre, espontâneo, que não tem comprometimento com nada e em dar certo. É fruto da criatividade e de descobertas. Já a oportunidade é uma idéia trabalhada, analisada, calculada e, se possível, testada, que tem chances de sucesso, pois envolve uma análise econômica de investimentos e retorno potencial. Dessa forma, identificar uma oportunidade significa buscar resposta para uma série de questões, como por exemplo: • Existe uma necessidade de mercado que não é suprida ou é suprida com deficiências? • Como funcionam empresas similares? • Qual a quantidade de potenciais clientes para este negócio? Qual o seu perfil? Onde se localizam? 66 • Quais são os principais concorrentes? Quais os seus pontos fortes e fracos? • Existem ameaças? • Quais os valores que o novo produto/serviço agregam para os clientes? • Será que o momento correto é realmente este? • É possível inovar? em que aspectos? • E outras… Fonte: Sebrae/SP Abaixo seguem exemplo de oportunidades que surgiram no dia-a-dia dos seus descobridores: “No início dos anos 1950, em sua casa em Los Angeles, Ruth observava a filha Bárbara, de 10 anos brincar no chão da sala. Foi quando algo chamou sua atenção: em vez de se divertir com sua boneca bebê, a menina preferia recortar imagens de mulheres adultas de revistas femininas. Na época, as bonecas com aparência de bebê eram muito populares entre as famílias americanas.Para as crianças, significava diversão. E para os pais, uma forma de despertar o lado materno das garotas para assumirem o papel de mães no futuro. Naquele momento, Ruth percebeu que talvez a menina sonhasse com algo mais: com o futuro glamouroso das atrizes de Hollywood. Para atender à filha, e quem sabe, a outras crianças de sua idade, ela se emprenhou em desenvolver por conta própria um aboneca com aparência adulta. Empolgada, Ruth apresentou o projeto ao marido, Elliot. Ambos tocavam uma fábrica de casinhas de madeiras. Porém, a boneca revelou-se custosa demais para ser desenvolvida na época, e por isso foi arquivada. Mas a idéia não abandonou a cabeça da mulher. Alguns anos depois, em 1956, quando passeava pela Suíça, Ruth viu em uma vitrine uma boneca do jeito que havia sonhado: com rosto e corpo de mulher, chamada Lili. Ou seja: era a comprovação de que já era possível concretizar seu sonho. De volta aos EUA, Ruth tratou de levar o projeto em frente, usando Lili com referência para o produto final. O lançamento aconteceu em 1959, na feira de brinquedos de Nova York. Para 67 batizar a novidade, Ruth usou o apelido da filha Bárbara: Barbie. O sucesso foi tão grande, que de um simples fabricante de casinhas de madeira, o negócio do casal se transformou na gigante Mattel”. “Todo fim de semana, Adriano Sabino velejava pelos lagos de Brasília. Nessas ocasiões, podia presenciar a preocupação dos pais com os filhos que entravam n água: “Não vá para o fundo”; “Fique pertinho da mamãe”; e outros alertas. Sabino imaginou que, se criasse algo para proteger as crianças, os pais iriam se interessar. Foi então que ele se lembrou de uma interessante espuma utilizada na flutuação de veleiros. Mesmo furada u partida, não afundava de jeito algum. Ao pesquisar a composição do material, descobriu se tratar de um polietileno, não tóxico e à prova de bactérias. Ou seja: perfeito para um produto infantil. Com a ajuda da mulher, Sabino produziu uma espécie de bóia em formato fino e comprido: estava criado o espaguete, ou macarrão de piscina. A Toy Power, empresa que Adriano e a mulher criaram para representar o produto, já comercializou 12 milhões de unidades e exporta para países da América do Norte, Mercosul e Comunidade Européia”. “Bill Gates, durante muito temo o homem mais rico do mundo, começou sua fortuna a partir de uma matéria publicada numa revista. Em janeiro de 1975, a publicação Popular Electronics trouxe na capa a seguinte manchete: “Chegou o primeiro computador pessoal da História: Altair 8800”. Lendo atentamente o artigo, Gates descobriu que o novo computador ainda não tinha um sistema operacional, o software que faz a máquina funcionar. Julgando-se capar de criar o programa, Gates teve uma audácia fora do comum: preocupado que alguém chegasse à sua frente, ligou para o fabricante do Altair afirmando que já tinha o programa em mãos, quando na verdade, não tinha nada. Lógico que a 68 empresa ficou extremamente interessada em conhecer o programa. Gates inventou então uma série de desculpas para adiar o encontro, já que precisava antes ter o produto. É fato que Gates, então com 20 e poucos anos e universitário de Harvard, conhecia alguma coisa de computadores de grande porte existente na própria universidade – porém, nada que o habilitasse a desenvolver o complexo software. Com um amigo que trabalhava na fabricação de computadores, Paul Allen, ele trabalhou dia e noite tentando desesperadamente adaptar a linguagem dos computadores de grande porte para as máquinas de uso pessoal. Finalmente, depois de oito trabalhosas semanas, os amigos chegaram a uma solução que julgavam razoável. E aí o milagre aconteceu: sem nunca terem visto um Altair na vida, os amigos colocaram o programa no computador e – pasme! – ele rodou perfeitamente. Você pode dizer que é sorte, mas eu sou mais a frase de Thomas Jefferson: ”Eu acredito na sorte. E quanto mais eu trabalho, mais sorte eu tenho”. A empresa adquiriu o programa dos rapazes e, com o dinheiro, Gates e Allen puderam lançar, e 1976, a Microsoft (inicialmente com hífen mesmo, para deixar claro a origem dos dois fundadores: um de hardware e outro de software)”. Fonte: Oportunidades Disfarçadas – Carlos Domingos. Ed. Sextante. ATIVIDADE 6 1. Você já é capaz de diferenciar uma idéia de uma oportunidade? Explique. 2. Você foi convidado por outros dois colegas da sua turma para montar um negócio na área de informática que segundo eles, será um sucesso. Como você faria para avaliar essa idéia? Discuta com eles quais seriam boas idéias de negócio. 3. Analisando a cidade onde mora, procure observar negócios que estejam funcionando e observe os aspectos desta idéia de negócio que garantem o seu sucesso (no caso de 69 sucesso) ou o seu fracasso (no caso de negócios em decadência). 4. Desafio: procure identificar no seu dia-a-dia em casa, no trabalho, no lazer, com a família... Uma boa idéia! Explique-a e comente porque é uma boa idéia. Informações para a próxima aula Na Aula 7, iremos trabalhar os passos para o planejamento do empreendimento – plano de negócio. Leitura recomendada DOMINGOS, Histórias Carlos. reais de Oportunidades empresas que Disfarçadas – transformaram problemas em oportunidades. Ed. Sextante, 2009. Bibliografia consultada CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo : Saraiva, 2007. HISRICH, Robert. D. e PETERS, Michael. Empreendedorismo. 5ª ed. Editora: Bookman, 2004. DOMINGOS, Histórias Carlos. reais de Oportunidades empresas que Disfarçadas P. – transformaram problemas em oportunidades. Ed. Sextante, 2009. DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. Rio de Janeiro: Campus, 2001. Planejando o Empreendimento 70 Aula Plano de Negócio 7 Meta da Aula Conhecer o passo a passo para o Objetivos planejamento da idéia de negócio. Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: 1. Conhecer os caminhos para o planejamento da idéia de negócio através do plano de negócio; 2. Perceber se a idéia de negócio é viável ou não através da análise do plano; 71 Planejando o Empreendimento Plano de Negócio Caso você queira viajar para tirar aquelas férias tão desejadas... O que você precisa pensar antes mesmo de fazer? Espero que a resposta seja: planejar! Ou melhor, falando: pensar para onde vou como vou, com quem, quando, quanto irei gastar! Ou seja, o passo a passo para que a sua idéia (viagem) se concretize. O planejamento é fundamental para toda pessoa que deseja atingir seus objetivos, sejam eles simples (com um churrasco) ou complexos (como realizar um encontro nordestino de profissionais de informática), com o intuito de lograr êxito com mais eficiência e menos riscos. Para um gerenciar um empreendimento sem planejamento é como dirigir um automóvel com o pára-brisa coberto com um pano preto... Você não consegue ver o que vem pela frente: riscos, oportunidades boas, desafios, possíveis desvios e contornos... Você só enxerga o ficou para trás! Ou seja, o que já passou! Deixa de ser o motorista do negócio e passa a ser um passageiro sentado no último banco de um ônibus lotado. O plano de negócio é uma ferramenta que potencializa as chances de um negócio vir a dar certo. Por muito tempo o Plano de Negócio foi visto como uma exigência burocrática dos Bancos para tirar financiamento. Hoje esta visão é bem menor pela difusão nas escolas, importância treinamentos desta e ferramenta, universidades da real que guia do é um empreendedor. Fazendo uma analogia, para dirigirmos um veículo precisamos estar habilitados para isso. Precisamos ter um documento que comprove esta habilitação: carteira 72 de motorista! Agora me responda: como quer um empreendedor dirigir o seu negócio sem estar habilitado para isso? Qual a sua “carteira de habilitação no negócio”? PLANO DE NEGÓCIO – que deve ser feito para lhe dá condições de conhecer e gerenciar o seu negócio. Identificando uma idéia ou oportunidade, com um plano de negócios bem elaborado você pode detectar a viabilidade de ir adiante. De acordo com Dornelas (2000) a definição de um plano de negócio é geralmente usada para descrever minuciosamente o negócio. O plano de negócio ajuda o empreendedor a tomar decisões com menor índice de riscos. Dornelas (2000, p. 07) “O Plano de Negócios é composto por várias seções que se relacionam e permitem um entendimento global do negócio de forma escrita e em poucas páginas”. Com o plano de negócios o empreendedor vê a organização como um todo, e não como áreas separadas e isoladamente, como marketing, recursos humanos, financeiro, gestão. Estrutura do Plano Capa É a primeira folha do plano e traz o título do empreendimento, nome(s) do(s) empreendedor (es), cidade e Estado. Sumário É o índice dos tópicos trabalhados no plano e suas respectivas páginas. Sumário Executivo É um resumo do Plano de Negócio. É nesta parte que os interessados no plano irão fazer a primeira leitura. Deve conter de forma resumida os seguintes pontos: 73 Resumo dos principais pontos do plano de negócio. Fale o que é o negócio, quais os seus principais produtos/serviços, quem são seus clientes, fornecedores e concorrentes, onde será localizada a empresa, qual o capital investido, qual será o faturamento mensal, a lucratividade e rentabilidade do negócio. Dados dos empreendedores, experiência profissional e atribuições. Aqui você irá descrever quem são os responsáveis pelo negócio, suas responsabilidades, suas habilidades e experiências. Dados do empreendimento. Nome da empresa e caso já tenha CNPJ, o número. Missão da empresa. É a razão de ser da empresa e o papel que ela desempenha no seu ramo de atuação. Ex: Locadora de veículos. Oferecer soluções em transporte, por meio do aluguel de carros, buscando a excelência. Setores de atividades. Defina quais os setores sua empresa irá atuar: indústria, comércio, serviço, agropecuária. Forma jurídica. É a maneira pela qual a empresa será tratada pela lei: sociedade, individual, outro. Enquadramento tributário. São as formas para o cálculo e recolhimentos dos impostos: regime normal ou simples. Além dos tributos federais são devidos impostos para o Estado (ICMS) e o Município (ISS). Capital social. O capital social é representado por todos os recursos (dinheiro, equipamentos, ferramentas, etc.) colocado(s) pelo(s) proprietário(s) para a montagem do negócio. Fonte de recursos. Aqui você irá determinar de que maneira serão obtidos os recursos para a abertura da empresa. Para o início das atividades, você pode contar com recursos próprios, de terceiros ou com ambos. 74 Análise de Mercado Nesta etapa você irá trabalhar os três mercados: clientes, fornecedores e concorrentes. No site do SEBRAE, www. Sebrae.com.br, você encontrará muitas informações relacionadas ao plano de negócio. Clientes Quem serão meus clientes? Onde moram? Quanto ganham? São maioria homens ou mulheres? Qual sua escolaridade? Tem família grande ou pequena? Qual a idade? Onde costumam comprar? Quanto pagam pelo produto ou serviço? O que é decisivo para que comprem um produto ou serviço: preço, qualidade, atendimento, marca, prazo? Seus clientes lhe encontraram com facilidade? Caso os seus clientes sejam empresas: Em que ramo atuam ? Quantos funcionários tem? Tem boa imagem no mercado? São bons pagadores? De quem costumam comprar? Qual o preço que pagam? O que é decisivo para efetuarem uma compra? Concorrentes Você pode aprender lições importantes observando a atuação da concorrência. Procure identificar quem são seus principais concorrentes. A partir daí, visite-os e examine suas fraquezas e pontos fortes: localização, atendimento, produtos e serviços, prazos de pagamento e entrega, qualidade, preço. Após colher estas informações e se pergunte: Sua empresa poderá competir com as outras que já estão há mais tempo no ramo? O que fará com que as pessoas deixem de ir aos concorrentes para comprar de sua empresa? Há espaço para todos, incluindo você? Fornecedores 75 Para Descontrair... O mercado fornecedor compreende todas as pessoas e empresas que irão fornecer as matérias-primas e equipamentos utilizados para a fabricação ou venda de bens e serviços. Mesmo escolhendo um entre vários fornecedores, é importante manter contato com todos, ou pelo menos com os principais, pois não é possível prever quando um fornecedor enfrentará dificuldades. Verifique se é exigida quantidade mínima de compra e lembre-se de evitar intermediários, sempre que possível. Plano de Marketing Compreende as seguintes etapas: Descrição de produtos e serviços Descreva os principais itens que serão fabricados, vendidos ou os serviços que serão prestados. Informe quais as linhas de produtos, especificando detalhes como tamanho, modelo, cor, sabores, embalagem, apresentação, rótulo, marca, etc. Preço Preço é o que consumidor está disposto a pagar pelo que você irá oferecer. A determinação do preço deve considerar os custos do produto ou serviço e ainda proporcionar o retorno desejado. Estratégias Promocionais Aqui você irá falar de todas as ações que serão utilizadas com o objetivo de apresentar, informar, convencer ou lembrar os clientes de comprar os seus produtos ou serviços e não os dos concorrentes. São elas: propaganda em rádio, revista, jornal, TV, internet, carro de som, brindes, sorteios, participação em feiras e eventos, etc. Estrutura de Comercialização Como os seus produtos/serviços irão chegar até seus clientes: vendedores externos, internos, representantes, catálogos, telemarketing, etc. Localização do Negócio É hora de definir a localização do negócio. Lembre-se que isso está muito relacionado ao ramo de atividade. Verifique o valor do ponto, acessibilidade, higiene, limpeza, área para estacionamento, segurança, proximidade com os concorrentes, etc. 76 Plano Operacional São os pontos chaves para o funcionamento do negócio. Layout Você irá definir como será a distribuição dos diversos setores da empresa, de alguns recursos (mercadorias, matérias-primas, produtos acabados, estantes, gôndolas, vitrines, prateleiras, equipamentos, móveis, matériaprima etc.) e das pessoas no espaço disponível. Capacidade de produção Quanto pode ser produzido ou quantos clientes podem ser atendidos com a estrutura existente. Processo de Funcionamento É o momento de registrar como a empresa irá funcionar. Você deve pensar em como serão feitas as várias atividades, descrevendo, etapa por etapa, como será a fabricação dos produtos, a venda de mercadorias, a prestação dos serviços e, até mesmo, as rotinas administrativas. Identifique que trabalhos serão realizados, quem serão os responsáveis, assim como os materiais e equipamentos necessários. Necessidade de Pessoal Faça uma projeção da necessidade de pessoal para o funcionamento do negócio. Inclua o proprietário e o sócio. Plano Financeiro Aqui você irá calcular o total de recursos necessários para a empresa funcionar. Investimento Total É formado pelo investimento fixo, capital de giro e investimentos pré-operacionais. Investimento Fixo O investimento fixo corresponde a todos os bens que você deve comprar para que seu negócio possa funcionar de maneira apropriada. Relacione os equipamentos, máquinas, móveis, utensílios, ferramentas e veículos a serem adquiridos, a quantidade necessária, o valor de cada um e o total a ser desembolsado. 77 Capital de Giro O capital de giro é o montante de recursos necessário para o funcionamento normal da empresa, compreendendo a compra de matérias-primas ou mercadorias, financiamento das vendas e o pagamento das despesas. Investimentos Pré-Operacionais Compreendem os gastos realizados antes do início das atividades da empresa, isto é, antes que ela abra as portas e comece a vender. São exemplos de investimentos pré-operacionais: despesas com reforma (pintura, instalação elétrica, troca de piso, etc.) ou mesmo as taxas de registro da empresa. e Estimativa do Faturamento Mensal da Empresa Uma forma de estimar o quanto a empresa irá faturar por mês é multiplicar a quantidade de produtos a serem oferecidos pelo seu preço de venda, que deve ser baseado em informações de mercado. Estimativa do custo unitário de matéria-prima, materiais diretos Aqui, será calculado o custo com materiais (matériaprima + embalagem) para cada unidade fabricada. Essa informação é importante, caso você deseje abrir uma indústria. Os gastos com matéria-prima e embalagem são classificados como custos variáveis numa indústria, assim como as mercadorias em um comércio. Como o próprio nome diz, esses custos variam (aumentam ou diminuem) de acordo com o volume produzido ou vendido. Estimativa do custo de comercialização Aqui serão registrados os gastos com impostos e comissões de vendedores ou representantes. Esse tipo de despesa incide diretamente sobre as vendas e, assim como o custo com materiais diretos ou mercadorias vendidas, é classificado como um custo variável. Para calculá-los, basta aplicar, sobre o total das vendas previstas, o percentual dos impostos e de comissões. Apuração dos custos de materiais diretos ou mercadorias vendidas Nesta etapa, você deverá apurar os Custos com Materiais Diretos (para a indústria) ou o Custo das Mercadorias Vendidas (para o comércio). O custo dos materiais diretos ou das mercadorias vendidas representa o valor que deverá ser baixado dos estoques 78 pela sua venda efetiva. Para calculá-lo, basta multiplicar a quantidade estimada de vendas pelo seu custo de fabricação ou aquisição. Estimativa dos custos com mão-de-obra Hora de definir quantas pessoas serão contratadas (se necessário) para realizar as diversas atividades do negócio. Pesquise e determine quanto cada empregado receberá. Não se esqueça de que, além dos salários, devem ser considerados os custos com encargos sociais (FGTS, férias, 13º salário, INSS, horas-extras, aviso prévio, etc.). Sobre o total de salários, você deve aplicar o percentual relativo aos encargos sociais, somando-os aos salários, você saberá qual o custo total com mão-deobra. Estimativa do custo com depreciação As máquinas, ferramentas e equipamentos se desgastam ou se tornam ultrapassados com o passar do tempo. Esse cálculo da perda deste valor, é chamado de depreciação. A Receita Federal considera, para efeito de vida útil, os seguintes prazos: imóveis – 25 anos; máquina – 10 anos; equipamentos – 5 anos; móveis e utensílios – 10 anos; veículos – 5 anos; computadores – 3 anos. Estimativa dos custos fixos mensais Os custos fixos são todos os gastos que não se alteram em função do volume de produção ou da quantidade vendida em um determinado período. Por exemplo: aluguel, energia, honorários do contador, depreciação, pró-labore, salários, etc. Esses valores são custos fixos porque são pagos, normalmente, independente do nível de faturamento do negócio. Demonstrativo dos resultados É hora de verificar se a empresa irá ter lucro ou prejuízo. Para isso, você deve reunir as informações sobre o faturamento e subtrais das despesas com custos fixos e variáveis. Indicadores de Viabilidade Como o próprio nome diz, irão indicar se o negócio é viável ou não. São eles: Lucratividade 79 Mede o lucro líquido em relação às vendas. É um dos principais indicadores econômicos, pois está relacionado à competitividade. Se sua empresa possui uma boa lucratividade, ela apresentará maior capacidade de competir, isso porque poderá investir mais em divulgação, na diversificação dos produtos e serviços, na aquisição de novos equipamentos, etc. Lucratividade = Lucro Líquido x 100 Receita Total Exemplo Receita Total: R$ 100.000,00/ano Lucro Líquido: R$ 8.000,00/ano Lucratividade = R$ 8.000,00 x 100 = 8% R$ 100.000,00 Isso quer dizer que sob os R$ 100.000,00 de receita total “sobram” R$ 8.000,00 na forma de lucro, depois de pagas todas as despesas e impostos, o que indica uma lucratividade de 8%ao ano. Rentabilidade Mede se o negócio é atrativo ou não. É obtido sob a forma de percentual por unidade de tempo (mês ou ano). É calculada por meio da divisão do lucro líquido pelo investimento total. Rentabilidade = Lucro Líquido x 100 Investimento Total Exemplo Lucro Líquido: R$ 8.000,00/ano Investimento Total: R$ 32.000,00 Rentabilidade = R$ 8.000,00 x 100 = 25% ao ano R$ 32.000,00 Isso significa que, a cada ano, o empresário recupera 25% do valor investido através dos lucros obtidos no negócio. 80 Prazo de retorno do investimento Indica o tempo necessário para o empreendedor recuperar o que investiu no negócio. Prazo de Retorno do Investimento = Investimento total Lucro Líquido Exemplo Lucro Líquido: R$ 8.000,00/ano Investimento Total: R$ 32.000,00 Prazo de Retorno do Investimento = R$ 32.000,00 = 4 anos R$ 8.000,00 Isso significa que, 4 anos após o início das atividades da empresa, o empreendedor terá recuperado, sob a forma de lucro, tudo o que gastou com a montagem. Ponto de Equilíbrio Indica o quanto a empresa precisa faturar para pagar todos os seus custos em um determinado período. Ponto de Equilíbrio = Custo Fixo Total Receita Total – Custo Variável Total Receita Total Exemplo Valores anuais: Receita Total: R$ 100.000,00 Custo Variável Total: R$ 70.000,00 Custo Fixo Total: R$ 19.500,00 Ponto de Equilíbrio= R$19.500,00 = R$65.000 R$100.000,00 – 70.000,00 R$100.000,00 Isso quer dizer que é necessário que a empresa tenha uma receita total de R$ 65.000,00 ao ano para cobrir todos os seus custos e só assim, começar a gerar lucro. 81 ATIVIDADE 1. Um grande amigo seu acaba de receber uma herança e quer empregar todo o dinheiro na abertura de um negócio. Ele está muito entusiasmado e com pressa. Quais conselhos você daria para ele antes de abrir o negócio? 2. Faça uma pesquisa junto a especialistas no assunto ou livros e revistas, sobre: a tributação brasileira federal, estadual e municipal (quais são elas, as suas alíquotas e as diferenças de acordo com o enquadramento). 3. Entreviste três empreendedores e veja se eles fizeram ou fazem um plano de negócio. Procure identificar se isto ajudou ou prejudicou este empreendedor. 4. Você recebeu um incentivo R$ 50.000,00 para montar um negócio. A única exigência é que você apresente um Plano de Negócio da sua idéia empresarial e apresente ao seu investidor. Bom trabalho! Leitura recomendada ROSA, Cláudio Afrânio. Como Elaborar um Plano de Negócio. Brasília: SEBRAE, 2007. Bibliografia consultada CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo : Saraiva, 2007. MORI, Flavio De; TONELLI, Alessandra; LEZANA, Álvaro G. R. Empreender: identificando, avaliando e planejando um novo negócio. Florianópolis: ENE/ UFSC, 1998. ROSA, Cláudio Afrânio. Como Elaborar um Plano de Negócio. Brasília: SEBRAE, 2007. 82 BIBLIOGRAFIA AGOSTINI, Júlio César, ANGONESE Rosângela M.,BOGONI, Roseli T. Bogoni. Cadernos da Sociedade Brasileira de Dinâmica de Grupo – 23. BERNARDI, L. A., Manual de Empreendedorismo e Gestão – Fundamentos, Estratégias e Dinâmicas. São Paulo: Atlas 2003. BRITO, F. e WEVER, L. Empreendedores Brasileiros – Vivendo e Aprendendo com Grandes Nomes. Rio de Janeiro: Negócio-Editora, 2003. CHIAVENATO, Idalberto. Empreendedorismo : dando asas ao espírito empreendedor : empreendedorismo e viabilidade de novas empresas : um guia eficiente para iniciar e tocar seu próprio negócio. 2.ed. rev. São Paulo : Saraiva, 2007. DOLABELA, Fernando. Empreendedorismo uma forma de ser. Ed. AED. Brasília. DOMINGOS, Carlos. Oportunidades Disfarçadas – Histórias reais de empresas que transformaram problemas em oportunidades. Ed. Sextante, 2009. DORNELAS, José Carlos Assis. Empreendedorismo: transformando idéias em negócios. Rio de Janeiro: Campus, 2001. HISRICH, Robert D. e PETERS, Michael P. Empreendedorismo. 5.ed. Porto Alegre: Bookman, 2004. MORI, Flavio De; TONELLI, Alessandra; LEZANA, Álvaro G. R. Empreender: identificando, avaliando e planejando um novo negócio. Florianópolis: ENE/ UFSC, 1998. PACHECO, Françoise. Uma análise do programa de formação empreendedora EMPRETEC do SEBRAE – 2002 A 2004 no Piauí. Dissertação de Mestrado. 2008. 83 PINCHOT, Gifford e PELMAN, Ron. Intraempreendedorismo na prática: um guia de inovação nos negócios. 3 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. RANGEL, Alexandre. Belas Parábolas Empreendedorismo. Editora Leitura, 2004. sobre ROSA, Cláudio Afrânio. Como Elaborar um Plano de Negócio. Brasília: SEBRAE, 2007. SEBRAE. Saber Empreender – Manual do Participante.