Qualidade de salsinha ‘Graúda Portuguesa’ em conseqüência de armazenamento pós-colheita. Virgínia de Souza Álvares 1; Jacson Rondinelli da Silva Negreiros 2; Ana Maria Mapeli 3; Fernanda Bastos Segatto 3; Fernando Luiz Finger 1. 1 UFV, Deptº de Fitotecnia, Viçosa, MG; 2UFV, Deptº de Genética e Melhoramento, Viçosa, MG; 3UFV, Deptº de Biologia Vegetal, Viçosa, MG. e-mail: [email protected]. RESUMO Neste trabalho avaliou-se o efeito do pré-resfriamento, pulverizações com água gelada e temperatura de armazenamento na qualidade pós-colheita de salsinha ‘Graúda Portuguesa’. Foram realizados 2 experimentos: armazenamento a 5ºC (T1= controle; T2= pré-resfriamento por 15 minutos; T3= imersão em água à 26 ºC por 15 minutos; T4= pulverização com água gelada 1 vez e T5= pulverização com água gelada de 6 em 6 h) e armazenamento a 24ºC (T6= controle; T7= pulverização com água gelada 1 vez e T8= pulverização com água gelada de 2 em 2 h). Avaliou-se a perda de massa fresca, quantidade de clorofila e teor relativo de água. Destacaram-se as pulverizações sucessivas quanto à manutenção do peso das folhas e do teor relativo de água. As folhas não variaram o teor de clorofila a 5ºC, mas este decresceu a 24 ºC. A pulverização freqüente das folhas de salsinha com água gelada e o uso de temperaturas reduzidas foram práticas eficientes, mantendo suas características de qualidade. O pré-resfriamento não foi superior aos demais tratamentos quanto à manutenção da qualidade pós-colheita da salsinha. Palavras-chave: Petroselinum crispum; conservação; pré-resfriamento. ABSTRACT – Parsley quality in consequence of postharvest treatments. In this work the effect of the precooling, spray with cold water and storage temperature was evaluated regarding the quality postharvest of the parsley 'Great Portuguesa'. Two experiments were accomplished: storage to 5ºC (T1 = control; T2 = precooling for 15 minutes in cold water; T3 = immersion in water to 26 ºC for 15 minutes; T4 = spray with water cold 1 time and T5 = spray with cold water of 6 in 6 h) and storage to 24ºC (T6 = control; T7 = spray with once water cold and T8 = spray with cold water at every 2 h). It was analyzed the loss of fresh mass, amount of chlorophyll and relative water content. The successive sprays maintained the weight of the leaves and of the relative of water content. The leaves did not vary the chlorophyll content at 5ºC, but this decreased to 24 ºC. The frequent sprays of the parsley leaves with cold water and the use of reduced temperatures were efficient in maintaining the quality characteristics. The precooling was not superior to the other treatments with relationship to the maintenance of the quality of the parsley. 1 Keywords: Petroselinum crispum; conservation; precooling. INTRODUÇÃO A salsinha é uma hortaliça amplamente consumida como condimento. No Brasil, ela tem sido distribuída em temperatura ambiente, sem qualquer tratamento, simplesmente amarrada em maços. O amarelecimento e a murcha são os maiores problemas na pós-colheita desta folhosa. Entretanto, existem possibilidades de tratamentos pós-colheita para que o consumidor possa adquirir folhosas de qualidade, com maior vida-de-prateleira. Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi de avaliar o efeito do pré-resfriamento, de pulverizações com água gelada e da temperatura de armazenamento na qualidade pós-colheita de salsinha ‘Graúda Portuguesa’. MATERIAL E MÉTODOS O experimento foi conduzido no laboratório de Pós-colheita do Departamento de Fitotecnia da Universidade Federal de Viçosa, MG. Plantas de salsinha (Petroselinum crispum) variedade ‘Graúda Portuguesa’ foram selecionadas, separadas em maços e submetidas a dois experimentos: armazenamento a 5ºC (T1= controle; T2= préresfriamento por 15 minutos com gelo moído e água (1:3 v/v); T3= imersão em água a 26ºC por 15 minutos; T4= pulverização com água gelada 1 vez e T5= pulverização com água gelada de 6 em 6 h) e armazenamento a 24ºC (T6= controle; T7= pulverização com água gelada 1 vez e T8= pulverização com água gelada de 2 em 2 h). Foram analisados a perda de massa fresca, a quantidade de clorofila das folhas estimada pelo medidor portátil SPAD-502 e o teor relativo de água. O delineamento experimental foi inteiramente casualizado, em parcelas subdivididas, com 3 repetições. RESULTADOS E DISCUSSÃO A perda de massa fresca foi linear e crescente em todos os tratamentos, com exceção de T8 (Tabelas 1 e 2). No período final do armazenamento a 5 ºC, T1 (controle) apresentou uma perda de massa de 48,59% e apenas 16,93% para T5, enquanto a 24 ºC T6 (controle) apresentou 49,16% e apenas 1,03% para T8 (Tabela 3). Observou-se que T8 perdeu menos massa fresca que T5. Isso foi atribuído à maior umidade relativa no armazenamento a 24 ºC (76%) em comparação a 5 ºC (58%). O armazenamento sob altas umidades reduz a perda de umidade dos produtos (Van den Berg e Lentz, 1977), sendo esta grandemente determinada pelo déficit da pressão de vapor (Taiz e Zeiger, 2004). 2 O teor de clorofila das folhas armazenadas a 5 ºC não variou, ao contrário de 24ºC, cujo teor decresceu ao longo do armazenamento (Tabelas 1 e 2). Pela equação obtida entre os valores SPAD (X) e os teores de clorofila das folhas (Y) pelo método de Arnon (1949) (Y = 5,2693 X – 15,195; r2= 0,92), no armazenamento a 5 ºC as folhas obtiveram valores médios entre 197,79 a 216,81 mg.100 g-1 de clorofila total. A 24 ºC, não houve diferença entre os tratamentos obtendo-se, no final do armazenamento, de 98,78 a 115,54 mg.100 g-1 de clorofila total. A baixa temperatura retardou a degradação de clorofila fazendo com que as plantas se apresentassem no final do armazenamento a 5ºC murchas, porém verdes. O efeito da temperatura baixa foi crucial para maior conservação do produto. O teor relativo de água das folhas decresceu linearmente para todos os tratamentos, com exceção de T8 (Tabelas 1 e 2). Ao final do armazenamento, o declínio no conteúdo de água deste tratamento foi de apenas 3,3% destacando-se dos demais e de 25,51% no T5 (Tabela 4), favorecendo a manutenção da turgescência das folhas. O balanço hídrico é o principal fator determinante da longevidade das folhosas. A pulverização freqüente das folhas de salsinha com água gelada e o uso de temperaturas reduzidas foram práticas eficientes, mantendo as características de qualidade do produto. O uso do pré-resfriamento não foi superior aos demais tratamentos quanto à manutenção da qualidade pós-colheita da salsinha. LITERATURA CITADA ARNON, D. I. Copper enzymes in isolated chloropasts. Polyphenoloxidase in Beta vulgaris. Plant Physiology, v. 24, n. 1, p. 1-15, 1949. TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. Porto Alegre: ArtMed, 3ed., 719p., 2004. VAN DEN BERG, L.; LENTZ, C. P. Effect of relative humidity of storage life of vegetables. Acta Horticulturae, n. 62, p. 197-208, 1977. Tabela 1 – Equações de regressão das estimativas de perda de massa fresca acumulada (PM), teor de clorofila (unidades SPAD) e teor relativo de água (TRA) de folhas de salsinha armazenadas a 5ºC por 10 dias nos respectivos tratamentos (T1) T1 PM (%) Unidades SPAD TRA (%) T1 = 0,232229 TE = 76,0284 – 0,205201 TE Y = 41,07 = 78,7712 – 0,183957 TE T2 = 0,197397 TE Y = 42,15 = 82,0731 – 0,206035 TE T3 = 0,201496 TE Y = 41,48 T4 = 0,195578 TE = 71,2858 – 0,16291 TE Y = 44,03 = 87,7318 – 0,111556 TE T5 = 0,063572 TE Y = 40,42 1 : T1= testemunha (r2: PM=0,98 e TRA=0,91); T2= pré-resfriamento (r2: PM=0,99 e TRA=0,86); T3= imersão em água à 26 ºC (r2: PM=0,99 e TRA=0,92); T4= 1 pulverização com água gelada (r2: PM=0,99 e 3 TRA=0,77); T5= pulverização de 6 em 6 h com água gelada (r2: PM=0,93 e TRA=0,87). TE= tempo de armazenamento. Tabela 2 – Equações de regressão das estimativas de perda de massa fresca acumulada (PM), teor de clorofila (unidades SPAD) e teor relativo de água (TRA) de folhas de salsinha armazenadas a 24 ºC por 6 dias nos respectivos tratamentos (T1) ao longo do tempo de armazenamento (TE) T1 PM (%) Unidades SPAD TRA (%) T6 = 0,380634 TE = 44,3257 – 0,158214 TE = 73,9385 – 0,259679 TE T7 = 0,351647 TE = 42,0398 – 0,144119 TE = 76,6710 – 0,245087 TE T8 Y = 0,037 Y = 41,4793–0,0932044 TE Y = 78,15 1 T6= controle (r2: PM=0,97, SPAD=0,83 e TRA=0,76); T7= 1 pulverização com água gelada (r2: PM=0,98, SPAD=0,82 e TRA=0,91); e T8= pulverização de 2 em 2 h com água gelada (r2: SPAD=0,59). Tabela 3 – Valores médios de perda de massa fresca acumulada (%) em folhas de salsinha armazenadas a 5 ºC por 10 dias e a 24 ºC por 6 dias nos respectivos tratamentos1 ao longo do tempo de armazenamento (TE) 5 ºC 24 ºC TE 1 Tratamento Tratamento 1 (h) 1 2 3 4 5 6 7 8 0,00 a 0,00 a 0,00 a 0,00 a 0,00 a 0,00 a 0,00 a 0,00 a 0 10,74 b 8,38 b 10,66 b 0,00 c 26,10 a 22,73 b 0,00 c 48 14,62 a 21,73 b 21,56 b 21,58 b 2,51 c 38,24 a 35,40 a 0,00 b 96 26,48 a 31,02 b 32,77 b 31,42 b 8,27 c 49,16 a 46,14 a 1,03 b 144 36,95 a 38,48 b 39,69 b 37,84 b 15,19 c 192 44,90 a 41,80 b 43,27 b 42,12 b 16,44 c 240 48,14 a 42,27 b 43,70 b 42,54 b 16,93 c 246 48,59 a Em cada experimento, letras iguais na linha não diferem entre si, ao nível de 5% pelo teste de Tukey. 1 : T1= controle; T2= pré-resfriamento; T3= imersão em água a 26 ºC; T4= 1 pulverização com água gelada; T5= pulverização de 6 em 6 h com água gelada; T6= controle; T7= 1 pulverização com água gelada e T8= pulverização de 2 em 2 h com água gelada. Tabela 4 –Valores médios de teor relativo de água em folhas de salsinha armazenadas a 5ºC por 10 dias e à temperatura ambiente por 6 dias nos respectivos tratamentos1 ao longo do tempo de armazenamento (TE) Tratamento 1 Tratamento 1 TE 1 2 3 4 5 TE 6 7 8 (h) (h) 82,9 a 83,9 a 85,9 a 81,8 a 88,6 a 82,4 a 80,4 a 82,1 a 0 0 61,2c 71,5 b 73,4 b 58,5 c 82,9 a 73,5 a 76,3 a 81,4 a 48 6 49,5 c 75,7 a 96 55,6 bc 55,2 bc 59,6 b 18 65,5 b 72,6 ab 76,6 a 44,4 b 45,0 b 39,5 b 71,5 a 76,9 a 144 40,6 b 30 65,1 b 65,1 b 44,5 b 41,5 bc 42,3 bc 64,3 a 76,4 a 192 35,8 c 42 62,6 b 63,9 b 40,5 b 38,7 bc 38,8 bc 63,1 a 74,9 a 240 32,2 c 66 47,3 c 60,3 b 78,8 a 144 41,7 b 42,9 b Em cada experimento, letras iguais na linha não diferem entre si, ao nível de 5% pelo teste de Tukey. 1 : T1= controle; T2= pré-resfriamento; T3= imersão em água a 26 ºC; T4= 1 pulverização com água gelada; T5= pulverização de 6 em 6 h com água gelada; T6= controle; T7= 1 pulverização com água gelada e T8= pulverização de 2 em 2 h com água gelada. 4