UNIP UNIVERSIDADE PAULISTA CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM PSICOLOGIA DO TRÂNSITO CRISTIANE ABRAHAO DIAS ÁLCOOL E DIREÇÃO: A Influência do Uso do Álcool na Condução de Veículos Automotores MACEIO - AL 2013 CRISTIANE ABRAHAO DIAS ÁLCOOL E DIREÇÃO: A Influência do Uso do Álcool na Condução de Veículos Automotores Monografia apresentada à Universidade Paulista/UNIP, como parte dos requisitos necessários para a conclusão do Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Psicologia do Trânsito. Orientador: Prof. Dr. Manoel Ferreira do Nascimento Filho MACEIÓ-AL 2013 CRISTIANE ABRAHAO DIAS ÁLCOOL E DIREÇÃO: A Influência do Uso do Álcool na Condução de Veículos Automotores Monografia apresentada à Universidade Paulista/UNIP, como parte dos requisitos necessários para a conclusão do Curso de Pós-Graduação “Lato Sensu” em Psicologia do Trânsito. APROVADO EM ____/____/____ ______________________________________ PROF. DR. MANOEL FERREIRA DO NASCIMENTO FILHO ORIENTADOR _____________________________________ PROF. DR. LIÉRCIO PINHEIRO DE ARAÚJO BANCA EXAMINADORA _________________________________________ PROF. FRANKLIN BARBOSA BEZERRA BANCA EXAMINADORA DEDICATÓRIA Aos meus pais Ubiratan Dias e Iolanda Dias A minha irmã Elaine Dias AGRADECIMENTOS Agradeço a Deus, pela oportunidade realizar esta especialização e alcançar o título de especialista em Psicologia do Trânsito. Obrigado aos meus pais, namorado cunhado, amigos e professores pelo apoio, incentivo e compreensão. Obrigada à minha irmã por toda dedicação e ajuda no decorrer desta pesquisa. Obrigado ao meu supervisor Prof. Dr. Manoel Ferreira do Nascimento Filho, pela orientação e apoio durante a realização da minha pesquisa. “Se beber, não dirija.” (Ministério da Saúde) RESUMO Atualmente a ocorrência de acidentes de transito tem aumentado consideravelmente. Na medida, que podemos considerar que uma das causas principais da maioria dos acidentes está relacionada ao uso do álcool, devendo assim ser feita uma prevenção em relação a tal episódio. A presente pesquisa tem como objetivo verificar qual a influencia do uso do álcool na condução de veículos automotores, acreditando que este uso modifica o estado emocional, físico e mental do motorista, o que pode ocasionar acidentes, assim como uma redução das atividades cerebrais e conseqüentemente, o deixando com menos atenção no transito. Os capítulos abordados esclarecem a relação entre o álcool e direção; assim como um panorama dos acidentes do trânsito e o álcool; e por ultimo a prevenção do uso do álcool na direção A metodologia de pesquisa é de campo, com análise quantitativa acerca da influencia do uso do álcool na condução de veículos, com uma amostra de 70 pessoas portadoras de Carteira Nacional de Habilitação, com idade entre 25 a 69 anos. O Instrumento para coleta será um questionário com questões fechadas, sobre álcool e direção. Os resultados encontrados demonstram que há influencia do álcool na condução de veículos automotores, prejudicando habilidades como a atenção, concentração, os reflexos rápidos, e a coordenação motora, proporcionando também agressividade e impulsividade no transito onde se observa que a maioria dos motoristas ainda consumem álcool e depois dirigem. Conclui-se então que ainda há um índice grande de pessoas que misturam álcool e direção, porém para reverter este quadro os motoristas precisam ter mais consciência sobre as consequências do uso do álcool na direção e um maior respeito ao código nacional de transito, visando à saúde e segurança na condução de seus veículos. Palavras-chave: Álcool; Direção; Acidentes de trânsito. ABSTRACT Currently the occurrence of traffic accidents has increased considerably. To the extent that we can consider that a major cause of most accidents are related to alcohol use and should therefore be made in relation to preventing such an episode. This research aims to determine what influence of alcohol on driving vehicles, believing that this use modifies the emotional, physical and mental health of the driver, which can cause accidents, as well as a reduction in brain activity and consequently , leaving less attention in traffic. The chapters covered clarify the relationship between drinking and driving; well as an overview of traffic accidents and alcohol, and finally the prevention of alcohol use toward The research methodology is a field with quantitative analysis about the influence of using of alcohol on driving, with a sample of 70 people with Driver's License, aged 25 to 69 years. The instrument collection is a questionnaire with closed questions about drinking and driving. The results show that there is influence of alcohol on driving motor vehicles, damaging abilities such as attention, concentration, quick reflexes, and motor coordination, providing also aggression and impulsivity in traffic which shows that most drivers still consume alcohol and after driving. It was concluded that there is still a large index of people who mix drinking and driving, but to revert this drivers need to be more aware of the consequences of alcohol use and toward a greater respect for the national code of transit in order to health and safety in driving their vehicles Keywords: Alcohol, direction, traffic accidents LISTA DE ILUSTRAÇÕES GRÁFICO 01 – Faixa etária dos condutores, referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores...........................................43 GRÁFICO 02 – Distribuição dos condutores, em porcentagem, quanto ao Sexo, referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores...............................................................................................................44 GRÁFICO 03 – Distribuição dos condutores, em porcentagem, quanto ao Estado Civil, referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores.................................................................................................44 GRÁFICO 04 - Na sua visão, a implementação da lei n 11705 (Lei seca), que proíbe o consumo de álcool ao dirigir, reduziu a taxa de mortalidade nas estradas? referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores .............................................................................................................. 53 GRÁFICO 05 - Caso você bebeu ou tenha bebido antes de dirigir, com a implementação da lei você: referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores. .....................................................................54 GRÁFICO 06 - O que você considera mais eficaz no controle do uso de álcool ao dirigir veículos? Referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores ...........................................................................55 LISTA DE TABELAS TABELA 01 - Estudo comparativo entre as bebidas mais consumidas.....................24 TABELA 02 - Alcoolemia e manifestações neurocognitivas.......................................25 TABELA 03 - Profissão, referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores. ......................................................................................45 TABELA 04 – Influência do álcool na direção; consumo de álcool e direção; número de vezes que bebeu e depois dirigiu; motivo de beber e dirigir; e o que sentiu ao dirigir, referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores.................................................................................................46 TABELA 05 - Tipo de bebida, Quantidade de cerveja, vinho, Chop e Destilados ingerida, referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores. ...............................................................................................49 TABELA 06 - Relação entre consumo de álcool na direção e acidentes de trânsito, Acidente por consumo de álcool, Carro batido por condutor que ingeriu bebida alcoólica, Resultado do acidente e Opinião sobre a lei Nº 11705; referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores ....................................................................................................................................51 SUMÁRIO 1.INTRODUÇÃO........................................................................................................12 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA..................................................................................14 2.1 Um Panorama Sobre os Acidentes de Transito.............................................14 2.2 Álcool e Direção: Efeitos Físicos e Psicológicos...........................................19 2.3 O Uso do Álcool e os Acidentes de Transito..................................................29 2.4 Prevenção do Uso do Álcool e a Lei Seca......................................................32 2.5 Intervenções e Segurança no Transito...........................................................38 3 . MATERIAIS E MÉTODOS....................................................................................41 3.1 Ética....................................................................................................................41 3.2 Tipo de Pesquisa ..............................................................................................41 3.3 Universo.............................................................................................................41 3.4 Sujeitos e Amostra.............................................................................................41 3.5 Instrumento de Coleta de Dados .....................................................................41 3.6 Procedimentos para Coleta de Dados .............................................................42 3.7 Procedimentos para Análise dos Dados..........................................................42 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO.............................................................................43 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................56 REFERÊNCIAS .........................................................................................................58 APENDICE.................................................................................................................60 ANEXOS.....................................................................................................................62 12 1.INTRODUÇÃO Nos dias atuais a ocorrência de acidentes de transito deve ser permanentemente lembrada e interpretada de maneira inteligente, buscando a prevenção. Na medida, que podemos considerar que uma das causas da maioria dos acidentes está relacionada ao uso do álcool, então informação é fundamental. No decorrer deste trabalho, os capítulos serão abordados com a preocupação de proporcionar reflexões que permitam aos jovens e adultos adotar comportamentos mais seguros em relação ao transito, e também fornecer uma importante discussão sobre o álcool e seus conseqüentes processos patológicos, além de seu impacto sobre o corpo humano integralmente. O binômio drogas- direção de veículos, incluindo álcool etilítico, é responsável por grande parte dos acidentes de transito, especialmente os mais graves (MOREIRA,2008). As pesquisas realizadas durante os últimos 50 anos mostram a evidencia acumulada da relação direta do aumento da concentração de álcool no sangue dos condutores e o aumento do risco de acidente (HOFFMANN;CRUZ; ALCHIERI 2011) As diversas conseqüências do uso do álcool e suas repercussões serão aqui amplamente consideradas, pois há muito além do” se dirigir não beba” ou “ se beber não dirija”. Atualmente, não é novidade para ninguém sobre a gravidade dos chamados acidentes de transito no Brasil e suas conseqüências, tanto nos aspectos sociais quanto nos econômicos. Um número que ultrapassa três dezenas de milhares de mortos por ano, além de centenas de milhares de feridos, muitos com seqüelas permanentes. Dentro deste cenário trágico, considera-se com significativa importância a perigosa mistura álcool e direção, onde 70% dos óbitos em acidentes de trânsito é constatada a presença do álcool ( MOREIRA,2008). Sendo que a lei 11.705/08 ( Lei seca), em defesa da vida e da segurança da circulação veio para tentar solucionar esta caótica situação. É importante considerar que, uma educação comprometida e voltada para o trânsito é essencial para o término deste triste cenário. A importância de atuar e formar opinião sobre os problemas que a sociedade atual tem evidenciado a necessidade de Educação para o transito no contexto educativo e social da pessoa, bem como de educação ambiental ou de educação para a paz e direitos humanos. São enfoques que deverão ser contemplados com 13 urgência, nos programas educativos desde o ensino fundamental. ( FILHO e HOFFMANN, 2011 apud HOFFMANN; CRUZ; ALCHIERI, 2011). A educação, juntamente com intervenções voltadas ao uso indevido do álcool ao dirigir veículos é de fundamental importância para a segurança e saúde no Transito. Sendo assim, o objetivo geral deste trabalho é verificar qual a influencia do uso do álcool na condução de veículos automotores, acreditando que este uso modifica o estado emocional, físico e mental do motorista, o que pode ocasionar acidentes, assim como uma redução das atividades cerebrais e conseqüentemente, o deixando com menos atenção no transito. Proporcionando um falso sentimento de confiança, e interferindo nas habilidades essenciais para a direção de um veículo. Há um número crescente de condutores que dirigem alcoolizados e que conseqüentemente sofrem acidentes de trânsito, precisando assim de maiores informações sobre as conseqüências que o uso do álcool pode causar para o bem estar e saúde no trânsito. Desta forma, os resultados esperados neste trabalho estão relacionados à obtenção de conhecimentos de uma forma mais ampla dos aspectos gerais do uso do álcool e como este influencia na condução de veículos, assim como maiores conhecimentos sobre seus efeitos fisiológicos e psicológicos sobre a ocorrência de acidentes de trânsito, e por fim, sobre a lei seca e educação no trânsito. 14 2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 Um Panorama sobre os Acidentes de Transito Segundo Moreira ( 2008), a ocorrência de acidentes de trânsito é interpretada, hoje, como uma questão prioritária de saúde pública. Em 1999, o total de mortes ocasionadas por estes acidentes alcançou o nono lugar no total de mortes do planeta. A previsão da organização Mundial da Saúde para 2020 demonstra um salto para o terceiro lugar. A imagem da difícil situação mundial, onde acidentes de trânsito matam um milhão e duzentas mil pessoas todos os anos, representando para a humanidade um flagelo só comparável às grandes guerras. Desta forma, a Organização das Nações Unidas, em Assembléia Geral, aprovou, em dezembro de 2005, a resolução 60/5, que representa a busca de melhorias na segurança no trânsito. Este documento caracteriza a situação mundial como crítica e faz recomendações de forma a aumentar a segurança viária. Esclarece que ações das diferentes esferas de governo precisam se somar às da iniciativa privada e organizações não governamentais, na construção permanente de melhores condições de segurança no trânsito. Podemos considerar os acidentes de trânsito hoje como um gravíssimo fenômeno sócio, econômico, tanto pelos elevados índices que tem atingido em nível nacional e internacional, quanto pelas suas características. No mundo ocorrem ao ano cerca de 700.000 mortes em conseqüência dos acidentes de trânsito e mais de 15 milhões de feridos (HOFFMANN; CRUZ; ALCHIERI, 2011 ). Segundo a organização Mundial de Saúde (OMS), as lesões ocasionadas dos acidentes de trânsito representam a segunda principal causa de morte de indivíduos de 5 a 29 anos (PEDEN, 2004 apud FALLER, 2010). Desta Forma, os acidentes de trânsito são um grave problema de saúde pública, considerando que aproximadamente 1,2 milhões de pessoas morrem anualmente no mundo em decorrência deles. Estima-se que até 2020 as mortes de trânsito aumentarão em 80% ( WHO, 2009 apud FALLER, 2010). De acordo com WHO ( 2003 apud HOFMANN ; CRUZ ALCHIERI, 2011), no ano de 2000, mais de 1,2 milhões de pessoas morreram em decorrência de acidentes de transito, fazendo com que esta se torne a nona causa mais importante 15 de morte no mundo, sendo que há previsão que no ano 2020 esta quantidade duplique. Além do que as altas taxas de mortalidade, os traumatismos por acidentes de transito representam uma das principais causas de perda da saúde e vultoso gasto para o sistema de saúde. “Em termos estritamente econômicos, o custo associado às intervenções cirúrgicas, os períodos prolongados de hospitalização e reabilitação ao longo prazo das vítimas, unido à perda de produtividade delas, pode-se quantificar em bilhões de dólares anuais. Este custo coloca gravemente em perigo as perspectivas de desenvolvimento”, afirma Brundtland( 2003, apud HOFFMANN; CRUZ; ALCHIER p..263) Segundo Lemes (2011 apud HOFFMANN; CRUZ; ALCHIERI, 2011), no trânsito, a rapidez com que você passa da saúde para a doença é, talvez, mais rápida e imprevisível do que em todas as outras circunstâncias de risco que a vida cotidiana oferece. Considerado como entre as mais fortes economias mundiais e considerado como uma potência emergente, o Brasil, no entanto, aparece como um dos países mais violentos em acidentes de trânsito. Segundo a Associação Brasileira de Departamento de Trânsito (ABDETRAN, 2001 apud HOFFMANN; CRUZ; ALCHIERI, 2011), o país encontra dificuldade para diminuir os acidentes de trânsito a níveis aceitáveis, pois participa com 3,3 % do número de veículos da frota mundial e, no entanto, é responsável por 5,5 % de veículo envolvidos em acidentes com vítimas fatais registrados em todo mundo. Desde o ano de 1985, quando os registros já acusavam 25.000 óbitos no local do acidente, por ano, este número vem aumentando de uma forma considerável quando se somam os falecimentos como conseqüências desses acidentes. Um número significativo de pessoas, 60% dos feridos no trânsito, na sua maioria em faixa etária produtiva, fica mutilado ou incapacitado definitivamente (ABDETRAN, 2001 apud HOFFMANN; CRUZ; ALCHIERI, 2011). Ainda segundo essa fonte, desde 1988, o governo vem pagando por ano a média de dois bilhões de dólares em indenizações a vítimas de trânsito. Os prejuízos sociais e matérias atingem a média de quatro bilhões de dólares. Segundo a Abramet ( 2001 apud HOFFMANN; CRUZ; ALCHIERI, 2011), 92% dos acidentes de trânsito acontecem direta ou indiretamente pelo chamado fator humano. Este fato aumenta a preocupação governamental, observada a flagrante 16 indiferença do cidadão brasileiro com respeito às leis de transito: os índices de infrações e acidentes não diminuem, mesmo com várias propagandas educativas, ações estaduais e municipais no intuito de educar o cidadão para o comportamento no trânsito. Os acidentes nas estradas e ruas brasileiras têm atingido pouco mais que dados estatísticos ou discussões sobre aqueles que geram vítimas. Sendo que não se leva em consideração o comportamento transgressor do motorista ao longo das rodovias. Os meios de comunicação parecem não dá atenção ao tema na atualidade e, assim, o escândalo e a indignação tornam-se parte apenas da vida de pessoas que se tornaram vítimas. O comportamento sem responsabilidades das pessoas ao dirigir parece ter se constituído em um hábito comum. ( LEMES,2011 apud HOFFMANN; CRUZ; ALCHIERI, 2011) Apesar da gravidade dos problemas e das despesas despendidas, as iniciativas oficiais à prevenção parecem voltar-se apenas à divulgação das repercussões desses fatos, como estratégia de atemorização a motoristas e pedestres. Segundo Hoffmann (2011, apud HOFFAMANN; CRUZ; ALCHIERI 2011) Dados estatísticos sobre acidentes em países industrializados mostram que os acidentes de trânsito são a maior causa de morte entre pessoas abaixo de quarenta anos de idade. Estes acidentes de trânsito são ocasionados por vários fatores, e geralmente é a interação de duas ou mais variáveis que deriva na ocorrência de um acidente. Onde a gravidade das mortes se somam outras conseqüências, por exemplo, os múltiplos traumatismos, lesões medulares, traumas cranianos que determinam quadros clínicos de longa duração, sendo que estes afetam os condutores, famílias, pedestres, crianças, representando um significativo capítulo de problemas físicos, humanos e sociais, que dão origem a um alto gasto social., o que incentivou a Organização Mundial de Saúde( OMS), em seus objetivos de SAÚDE para o ano 2000, caracterizar a condução perigosa como um dos tópicos de preocupação prioritária. E, vários trabalhos têm relacionado trânsito com saúde pública devido ao aumento do número de mortos em acidentes, atualmente considerado a terceira maior causa de mortes no Brasil. Esta posição pode ser ainda mais elevada em decorrência da prática de se computar apenas os óbitos ocorridos no local do acidente, ao invés das vítimas que falecem posteriormente. 17 Considerados como problema de saúde pública, os acidentes de trânsito tornam-se passíveis de ser tratados pela metodologia aplicada às doenças epidêmicas, em conseqüência do número de feridos e mortes que eles causam. Vários são os fatores que originam o elevado número de acidentes, desde o crescente índice de motorização, o díspar acompanhamento da engenharia viária, a falta de fiscalização e punibilidade ao avanço da tecnologia do automóvel, até a segurança relativa dele, à educação para o trânsito. De acordo com Moreira ( 2008), Os acidentes de trânsito deixam na média de 5000.000 feridos por ano no Brasil. Uma porcentagem significativa destas pessoas necessita de reabilitação por um grande prazo, sendo que muitos sofrem como o estabelecimento de graves sequelas que determinam deficiências permanentes. Os traumas de trânsito são responsáveis por um numero elevado de atendimentos em serviços de emergência, representando umas das principais despesas do Sistema Único de Saúde. Um aspecto considerado particularmente grave é a ocorrência de traumatismos raquimedulares, com a consequente instalação de deficiências graves e permanentes, tais como a paraplegia e tetraplegia. Sendo que, no Brasil há uma estimativa que aconteçam na média de 8.000 casos de traumatismos raquimedulares por ano, onde 50% deles ocasionados por acidentes de trânsito. A correlação entre determinadas doenças e deficiências e o surgimento de restrições e prejuízos à capacidade de dirigir veículos é considerado um tema relevante. A medicina do tráfego vem desempenhando papel fundamental na criação de critérios e na avaliação individual de cada condutor. Atualmente existem normas e diretrizes estabelecidas para avaliação destas condições. A associação Brasileira de Medicina de Tráfego vem contribuindo para o desenvolvimento deste campo, com reflexos muito significativos na luta pela diminuição do número e da gravidade dos acidentes de trânsito ( MOREIRA, 2008) Segundo Hoffmann e González ( 2011, apud HOFFMANN; CRUZ; ALCHIERI, 2011). O acidente sempre esteve relacionado a uma imagem de azar, de geração espontânea e imprevisão implícita na sua própria definição. Também seria irreal acreditar que os acidentes são acontecimentos do destino e que saem do nosso controle, e não podemos fazer algo para evitá-los. Tanto o otimismo irrealista como a aceitação fatalista favorece para que as pessoas não adotem os meios para evitar a probabilidade de se envolverem em um acidente. 18 Estas crenças permaneceram na sociedade, durante grande parte do século XX. Os especialistas neste fenômeno descobriram que os acidentes não são acontecimentos imprevisíveis e dependentes da sorte, mas, ao contrário, eles seguem parâmetros com características de distribuição, ou seja, o acidente é sempre uma conseqüência. O acidente pode ser considerado o resultado final de um processo em que se encadeiam diversos eventos, condições e comportamento. Os fatores que desencadeiam um acidente aparecem da complexa relação- veículo- ambientenormas/sinalização- regulação externa( fiscalização)- comportamento do condutor( capacidades psicofísicas). Sendo assim, sob este ponto de vista, o acidente é conseqüência de uma conjunção de diferentes fatores. “ O ser humano tem papel principal na gênese dos acidentes. Seu comportamento definirá o risco de acidente e a cultura de determinada sociedade, num sentindo amplo, tem influencia direta sobre seus padrões de ocorrência e gravidade. Conduzir veículos de maneira preventiva pode evitar a grande maioria dos acidentes, sendo esta uma etapa importante e indispensável qualidade a ser cultivada e desenvolvida” (MOREIRA, 2008) Existem vários dados que acreditam na hipótese de que a maior parte dos acidentes acontece por falha humana (entendida aqui por erros e infrações, e precisamente somado a eles, o uso indevido de substâncias como o álcool, as drogas de abuso e os fármacos parecem ser as causas que, direta ou indiretamente, explicam uma considerável porcentagem dos acidentes nas cidades, estradas e rodovias (HOFFMANN, 2011 apud CRUZ ; ALCHIERI; HOFMANN 2011) Moreira (2008) também acredita que nas causas do acidentes de trânsito há tradicionalmente grande participação do fator humano, onde por ser responsável pela construção e manutenção das estradas e carros, bem como de todo o aparto de engenharia de tráfego, o ser humano é considerado responsável por 100% dos acidentes. O autor refere-se também à prevenção destes acidentes, onde considera que esta prevenção se revela sob diversos pontos de vista: Humano; Social; Econômico; Estratégico; e político. Sendo necessária a atuação permanente e articulação de todos os envolvidos: Cidadãos; Estados; Empresas; Instituições; Sindicatos de trabalhadores e Patronais; Ongs; Entidades de classe; Universidades; e Imprensa. 19 Buscar a prevenção beneficia pessoas, famílias e, em sentido mais amplo, toda a sociedade, com a redução do número e da severidade dos acidentes de trânsito e suas conseqüências. Conhecer os principais determinantes de ocorrência e as principais formas de prevenção dos acidentes de trânsito possibilita a adoção de comportamentos mais seguros. Sendo que podemos considerar, a imprudência, negligência, imperícia, fadiga, uso de drogas, lícitas ou ilícitas e o consumo de álcool, como principais determinantes da ocorrência de acidentes de trânsito. Cabe destacar então, que os acidentes de trânsito, são classificados em vários tipos, desde a falta do uso do cinto, a inexperiência do condutor, a falta de atenção, o uso de celular, uso de álcool ou outras substâncias psicoativas (SOARES,2004; BRASIL,2005 apud JUNCAL, 2009). 2.2 Álcool e Direção: Efeitos Físicos e Psicológicos Segundo Hoffmann, Cruz e Alchieri ( 2011), na difícil atividade de dirigir um veículo, praticamente todo o conjunto de fatores e processos psicológicos, que fazem parte do sistema cognitivo humano, entra em funcionamento. As principais funções psicológicas que entram em funcionamento durante a condução de um veículo são: - A arte de dirigir requer que o motorista tenha uma correta capacidade perceptiva e atencional, na qual lhe favoreça captar o que acontece a sua volta e, também, identificar e discriminar os estímulos relevantes que definem a situação ou problema de trânsito, que ele deve solucionar. - A partir do momento que a situação é percebida, o motorista deve realizar uma correta interpretação e avaliação dela. - Depois, o motorista precisa tomar uma decisão a respeito da ação ou manobra que melhor se adéqüe, dentre todas as possíveis, para a situação ou problema específico que enfrenta. - Na medida em que a manobra mais adequada é escolhida, deve-se executá-la da maneira mais rápida e precisa possível, o que se caracteriza como capacidade de resposta do condutor (performance) e se refere ao conjunto de atividades sensóriomotriz e psicomotora que o motorista coloca em funcionamento para manter o controle sobre o veículo e sua trajetória. 20 - Além de todos estes fatores, também deve-se levar em consideração todos os processos e variáveis mediacionais ( personalidade, inteligência, estilos cognitivos, motivação, aprendizagem, experiência, memória) que modulam o funcionamento dos processos psicológicos implicados na condução, antes mencionados, aos distintos níveis( inferiores e superiores), conferindo, de certa maneira, uma relativa estabilidade ao processamento particular da informação que cada indivíduo realiza. Entretanto, todas estas funções psicológicas que entram em funcionamento duração a condução de um veículo podem ficar comprometidas pelo consumo do álcool no volante. Segundo o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (CEBRID,1987), existem registros arqueológicos que revelam os primeiros indícios sobre o consumo de álcool pelo ser humano que datam de aproximadamente 6000 a.c, um costume bem antigo que tem persistindo por muitos anos. Antigamente, as bebidas apresentavam conteúdo alcoólico relativamente baixo, como o vinho e a cerveja, pois dependiam apenas do processo de fermentação. Já com o surgimento do processo de destilação, introduzido na Europa pelos árabes na idade média, apareceram novos tipos de bebidas alcoólicas, que começaram a ser ingeridas em sua forma destilada. Neste período, este tipo de bebida começou a ser um remédio para todas as doenças, sendo que aliviavam as preocupações mais rapidamente que o vinho e a cerveja, fora que produziam de forma mais eficaz um alívio da dor, surgindo assim a palavra uísque( do galico usquebaugh, que significa” água da vida.”). Com o início da Revolução Industrial, identificou-se um grande aumento na oferta desse tipo de bebida, favorecendo um maior consumo e, conseqüentemente, gerando aumento no número de pessoas que começaram a apresentar algum tipo de problema em decorrência do uso excessivo de álcool. Embora aconteça um desconhecimento por parte da maioria das pessoas, o álcool também é caracterizado como uma droga psicotrópica, pois atua no sistema nervoso central, ocasionando mudança no comportamento de quem o consome, sendo que também tem potencial para desenvolver dependência. O álcool é considerado uma das poucas drogas psicotrópicas que possui o seu consumo aceito e até incentivado pela sociedade, sendo este um dos motivos pelos quais ele é interpretado de maneira diferenciada, no momento que é comparado com as demais drogas. (CEBRID,1987) 21 Segundo Laranjeira, Barros e Surjan (2002 apud JAIR et. al, 2002), ao contrário do que acontece com outras drogas, nem todo o consumo de álcool causa danos ao organismo. A ingestão de baixas doses, especialmente na forma de vinho, parece diminuir o risco de doenças cardiovasculares. Oitenta por cento da população consome alguma quantidade de álcool, porém nem todas essas pessoas são dependentes. Sendo assim, é importante fazer a diferenciação entre uso e uso nocivo. O uso é qualquer uso de álcool, ainda que esporádico ou episódio, já o uso nocivo seria o consumo em níveis que poderiam causar prejuízos recorrentes e significativos ao indivíduo. Os autores ainda esclarecem que para definir níveis seguros para beber, costuma-se empregar o conceito de Unidade de álcool, que equivale a 10 ou12g de álcool puro. Como a concentração de álcool varia em cada tipo de bebida, a quantidade de álcool consumida também varia muito, onde por exemplo, 16 ml de álcool puro equivalem a uma lata( 350ml) de cerveja ou a um copo( 150ml) de vinho ou a uma dose( 40mL) de destilados. Desta forma, definiu-se quantas unidades de álcool um adulto hígido pode ingerir por semana sem colocar sua saúde em risco. Apesar de sua extensa aceitação por parte da sociedade, o consumo de bebidas alcoólicas em doses excessivas, pode apresentar um grande problema. Além de vários acidentes de trânsito e da violência relacionada a episódios de embriaguez.. O consumo de álcool por um tempo muito longo, dependendo da dose, freqüência e circunstâncias, pode ocasionar um quadro de dependência conhecido como alcoolismo. O consumo inadequado do álcool é um importante problema de saúde pública, principalmente nas sociedades ocidentais, acarretando elevados custos para a sociedade e envolvendo questões médicas, psicológicas, profissionais e familiares. (CEBRID,1987) “Estima-se que quase14% da população americana preencha os critérios para dependência ou abuso de álcool em alguma época da vida. O uso de álcool constitui a terceira causa de mortalidade que poderia ser prevenida ( SURJAN; BARROS; LARANJEIRA,2002 apud JAIR et.al,,2002 p..67) De acordo com o I Levantamento Nacional sobre os padrões de consumo de álcool na população brasileira (CARVALHO, 2008) verifica-se uma cultura de consumo do álcool exagerada. Os jovens são os maiores afetados, iniciando seu 22 consumo mais cedo, e as mulheres são as que mais aumentaram seu padrão de consumo. A produção de bebida aumenta a cada ano, no Brasil - sendo destacado no ranking mundial como o terceiro maior produtor de cerveja, com 10,5 bilhões de litros/ano; e primeiro lugar na produção de destilados, cerca de 1,5 bilhões de litro/ano. Um mercado que se mostra lucrativo e que trabalha nos meios de comunicação com a propaganda massificada, direcionada especialmente ao público jovem. De acordo com o I Levantamento Nacional Domiciliar sobre padrões de consumo de Álcool no Brasil ( FALLER, 2010), o consumo de bebidas alcoólicas vem aumentando a prática de beber e dirigir, causando danos à sociedade brasileira. Uma análise destes achados realizada por Perchansky et al.( apud FALLER,2010) encontrou que a prevalência de beber e dirigir foi de 34,7%- 42,5% nos homens e 9,2% nas mulheres. “O uso do álcool, quando se dirige um veículo apresenta-se, segundo as estatísticas, em um dos maiores fatores de risco na condução. As estimativas revelam que 30 a 50% das mortes e acidentes estão associados direta ou indiretamente com o álcool” (HOFFMAN; CARBONELL; MONTORO, 1996B apud HOFFMANN; CRUZ; ALCHIERI, 2011,p..293 ) Segundo a legislação brasileira ( Código Nacional de Trânsito, que passou a vigorar em janeiro de 1998), deverá ser penalizado todo motorista que apresentar mais de 0,6g de álcool por litro de sangue. A quantidade de álcool necessária para alcançar essa concentração no sangue é equivalente a consumir cerca de 600 ml de cerveja( duas latas de cerveja ou três copos de chope), 200ml de vinho( duas taças) ou 80ml de destilados( duas doses). (CEBRID,1987) Segundo Peden ( 2004, apud FALLER, 2010) ,as preocupações têm aumentado no que se refere à regulamentação dos limites de ingestão de álcool no trânsito. Com o intuito de desencorajar a prática de beber e dirigir, e conseqüentemente a ocorrência de acidentes de trânsito relacionados a esse comportamento, realizou-se uma importante mudança na legislação brasileira. O código de Trânsito Brasileiro ( CTB), instituído pela lei 9.503, de 23 de setembro de 1997, em vigor desde janeiro de 1998, possui como objetivo jurídico a manutenção da segurança viária, sendo preservado desta forma o direito a vida e a integridade física dos demais usuários da via pública, direitos considerados 23 garantidos. Em 19 de junho de 2008 foi aprovada a lei 11. 705 chamada equivocadamente de “ Lei Seca”, proibindo o uso do álcool e outras drogas por condutores de veículos, ficando o infrator sujeito à pena de multa, à suspensão da CNH por 12 meses, podendo sofrer detenção, dependendo da concentração de álcool por litro de sangue( alcoolemia). (FALLER, 2010). Segundo Moreira ( 2008), a recente implementação da lei n 11.705, assinada em 19 de junho de 2008, que institui a redução da taxa de alcoolemia permitida pela lei anterior( 0,6 de álcool por litro de sangue), para “ zero”, provocou, nos dois últimos meses no Brasil, considerável mudança no contexto do consumo de bebidas alcoólicas e condução de veículos automotores. Sendo que, foi possível constatar a imediata redução da taxa de mortalidade nas estradas com a chamada “ lei seca”. A referida lei se destina não ao consumo em geral, mas apenas ao dirigir sob efeito do álcool, que apresenta evidente fator de risco em acidentes de trânsitos, com maiores chances de vítimas fatais. No primeiro mês da entrada em vigor, esta medida foi responsável por significativa redução do índice de mortalidade, dependendo da região, cerca de 20 até 40%, representando milhares de sobreviventes. Considerando os dados atuais de quase 40.000 mortes/ano, estaria sendo evitado cerca de 8 a 10 mil mortes relacionadas aos acidentes de trânsito no Brasil, que ocupa destacado lugar entre os países com maior taxa de mortalidade no mundo. Segundo Moreira ( 2008), a bebida alcoólica tem estrutura relativamente simples, sob o ponto de vista da química orgânica, portanto, determina uma ampla e complexa influencia sobre o indivíduo e a sociedade. O Álcool da bebida alcoólica é o mesmo na cerveja, no vinho, na cachaça, no conhaque ou em qualquer outra bebida alcoólica. Esta substância tem um grande espectro de efeitos clínicos, com ação pronunciada sobre o sistema nervoso central, sendo capaz de levar uma pessoa ao coma e à morte. A tabela 01 mostra que não há diferença significativa em relação à habitualmente servido por dose( dose padrão) quantidade presente no volume 24 Tabela 01 - Estudo comparativo entre as bebidas mais consumidas. BEBIDA TEOR DOSE PADRÃO ALCOOLICO QUANTIDADE DE ÁLCOOL CERVEJA 4A5% 300 ml 12 gramas VINHO 12 a 14 % 150ml 14 gramas CACHAÇA 40 a 50% 40 ml 14 gramas Fonte: Livro Alcoologia- Uma visão ao uso e abuso do álcool. Lima, JMB. 2003. sistêmica dos problemas relacionados De acordo com Moreira ( 2008), o uso de bebidas alcoólicas pode levar à morte tanto pelas complicações do alcoolismo quanto pelas conseqüências da intoxicação. As suscetibilidades individuais ao álcool variam muito e muitas pessoas podem sofrer conseqüências drásticas após ingestão de pequenas doses. A ingestão de grande quantidade de álcool ( mais que duas doses-padrão) em curto espaço de tempo pode matar em função da elevação da alcoolemia com o conseqüente coma alcoólico que determina parada cardio- respiratória. Este tipo de situação é comum entre jovens, sendo visto em todos os serviços de emergência. No transito, contudo, uma única dose pode ser letal. A utilização de bebidas alcoólicas pelos condutores durante a direção de veículos tem sido apontada como causa de 30% de todos os acidentes de tráfego e por aproximadamente 70% dos que resultam em feridos graves ou mortos. Considerando que 50% dos mortos em acidentes de trânsito estavam fora dos veículos, ou seja: mortes por atropelamento. Certamente o uso de bebidas alcoólicas está, em grande proporção, relacionado a estas mortes. O uso de bebidas alcoólicas é largamente difundido na população. Segundo José Mauro Bráz de Lima (apud MOREIRA,2008), professor de Neurologia e Presidente da Sociedade Brasileira de Alcoologia, renomado especialista brasileiro no estudo dos problemas relacionados ao uso, abuso e dependência do álcool e outras drogas, 90% da população faz ou fez uso de bebidas alcoólicas, seguindo variados padrões de consumo, desde o consumo esporádico até a dependência, passando pelo abuso. Os abstêmios somam cerca de 10% da população, número equivalente ao alcançado pelos dependentes. Já os que abusam (uso nocivo) perfazem cerca de 20% do total, enquanto os que fazem uso esporádico e irregular, erroneamente chamados de bebedores “ sociais”, somam 60% da população. 25 Sendo assim, todos que consomem bebidas alcoólicas estão mais propensos a causar ou envolver-se em acidentes de tráfego, tanto na direção de veículos ou em deslocamentos como pedestres. A utilização muito difundida de bebidas alcoólicas leva esta substância a merecer uma atenção especial no tocante à prevenção de acidentes de trânsito. Torna-se importante então, registrar alguns dos efeitos do álcool sobre o ser humano que propiciam este perfil de causador de acidentes. Segundo Moreira (2008), o álcool ocasiona no indivíduo uma redução da capacidade de reagir adequadamente a estímulos (reflexos), diminui a visão periférica, altera o controle corporal causando desequilíbrio e dificuldades de marcha, aumenta a agressividade, causa sono e leva a embriaguez.. Tendo ação sobre todos os tecidos, o álcool acaba exercendo marcadamente seus efeitos no sistema nervoso. Trata-se de uma substância depressora do sistema nervoso central, de uso lícito com restrições, principalmente as colocadas em lei pelo Código de Trânsito Brasileiro, consolidação das Leis do Trabalho e Estatuto da Criança e do Adolescente. A comportamentais substância amplos, determina diretamente vários sintomas dependentes do neurológicos nível sanguíneo (Alcoolemia). A tabela 02 mostra os sintomas em função do nível sanguíneo: Tabela 02 - Alcoolemia e manifestações neurocognitivas. ALCOOLEMIA Manifestações Gramas/ Litro comportamentais 0,4 a 0,6 Gramas/ Litro Neurocognitas e Relaxamento; Perda de atenção e concentração. Perda da autocrítica 0,6 a 1,0 Gramas/ Litro Euforia; Agressividade; Impulsividade 1,0 a 2,0 Gramas/ Litro Falta de coordenação; Variações de Humor, Desorientação Tempo/espaço Maior que 4,0 Gramas/ Litro Torpor, Distúrbios e Cardio- respiratórios, Coma.. Morte Fonte: Reproduzido, com adaptações, do livro Alcoologia- uma visão sistêmica dos problemas relacionados ao uso e abuso do álcool. Lima,JMB. 26 Neste contexto segundo Moreira (2008), estabelece-se, com facilidade uma correlação entre o uso do álcool e a dificuldade para executar tarefas difíceis, como conduzir veículos. Os riscos do uso do álcool ao volante são bastante claros na dimensão psíquica, na medida em que o condutor ao dirigir alcoolizado na maioria das vezes infravalora os efeitos do mesmo sobre sua capacidade de rendimento. O álcool produz no condutor um sentimento subjetivo de acreditar que tem melhor capacidade para dirigir; onde aparece uma falsa segurança em si mesmo, fazendo aumentar a tolerância ao risco, levando-o a tomar decisões mais perigosas do que as habituais (HOFFMAN; CARBONELL ; MONTORO, 1996 apud HOFFMANN; CRUZ ; ALCHIERI, 2011). “O álcool, segundo Duailibi ( 2007 apud CARVALHO 2008, p. 4), mesmo em pequenas concentrações no sangue, proporciona um falso sentimento de confiança, e prejudica habilidades essenciais para a direção de um veículo como atenção, coordenação e tempo de reação. ...”Estas limitações ainda variam de acordo com outros fatores como cansaço, sono e má alimentação. De acordo com Lima (2007 apud Carvalho,2008,pg 4.), isto ajudaria a compreender o fato de que dois terços dos acidentes de trânsito ocorrem nos finais de semana, depois de festas. As bebidas alcoólicas também estimulam as condutas impulsivas e agressivas, ao mesmo tempo em que diminuem a responsabilidade, dando lugar a um significante aumento das infrações. (HOFFMAN; CARBONELL; MONTORO, 1996 apud HOFFMANN; CRUZ ; ALCHIERI, 2011). Entre as infrações mais cometidas, cabe destacar: a velocidade inadequada; sair das zonas de circulação, o que pode resultar em atropelamento; circular em direção contrária ou por direções proibidas; baixo ou nulo respeito à sinalização; iluminação e sinalização incorreta das manobras, assim como condução errática ou ultrapassagens inadequadas, com independência dos múltiplos comportamentos desrespeitosos e provocativos para com os demais usuários das vias. Com tudo isto, ainda se acumula outros efeitos perigosos ao nível físico como: importantes alterações sensoriais, principalmente no órgão visual que impede o motorista de medir corretamente a velocidade e a distância ou produz efeitos de ofuscamento; notável diminuição na capacidade de reação, às vezes até 50%; aparecimento de alterações perceptivas que dificultam o processamento da informação; depressão geral que ocasiona maior cansaço, fadiga ou o aparecimento 27 de sonolência; dificuldades motoras e graves problemas de coordenação entre as mãos, olhos e pés. (EVANS,1991 apud HOFFMANN; CRUZ ; ALCHIERI, 2011). Segundo o CEBRID (1987) o consumo do álcool provoca vários efeitos, que surgem em duas fases diferentes: uma estimulante e outra depressora. Nos primeiros momentos depois da ingestão de álcool, podem surgir os efeitos estimulantes, como euforia, desinibição e loquacidade ( maior facilidade para falar). Com o decorrer do tempo, começam a aparecer os efeitos depressores, como a falta de coordenação motora, descontrole e sono. Quando o consumo é muito exagerado, o efeito depressor fica mais exagerado, podendo até mesmo provocar o estado de coma. A embriaguez varia de acordo com a quantidade de bebida ingerida e a tolerância do organismo do indivíduo, e a irreflexão é gerada pelo efeito do álcool no sistema nervoso central - é o que alerta Lima (2007, apud CARVALHO, 2008) quando descreve uma questão essencial do efeito do álcool na capacidade de discernir e avaliar riscos, função esta relacionada com o lobo frontal (área préfrontal). “Esta região, integrada com outras estruturas e circuitos neuronais, dá-nos a noção de realidade comum e percepção de eventuais situações de risco, o que leva uma pessoa conseguir dirigir embriagada. (LIMA, 2007, apud CARVALHO, 2008). Os efeitos do álcool variam de intensidade de acordo com as características pessoais. Por exemplo, uma pessoa acostumada com o uso de bebidas alcoólicas sentirá os efeitos do álcool com menor intensidade, ao se comparar com outra pessoa que não está acostumada a beber, que provavelmente sentirá os efeitos com maior intensidade. Um outro exemplo está relacionado à estrutura física: a pessoa com estrutura física de grande porte terá maior resistência aos efeitos do álcool.(CEBRID,1987) O consumo de bebidas alcoólicas também pode desencadear alguns efeitos desagradáveis, como enrubescimento da face, dor de cabeça e mal- estar geral. Esses efeitos são mais elevados para algumas pessoas cujo organismo tem dificuldade de metabolizar o álcool. Os orientais, em geral, têm maior probabilidade de sentir esses efeitos. A ingestão de álcool, apesar de ser em pequenas quantidades, diminui a coordenação motora e os reflexos, dificultando a capacidade de dirigir veículos ou operar outras máquinas. Pesquisas revelam que grande parte dos acidentes é provocada por motoristas que haviam bebido antes de dirigir. 28 A pessoa que consome bebidas alcoólicas de forma excessiva, no decorrer do tempo, pode desenvolver dependência, condição conhecida como alcoolismo. Os fatores que podem levar ao alcoolismo são vários, envolvendo aspectos de origem biológica, psicológica e sociocultural. A dependência do álcool atinge cerca de 10% da população adulta brasileira. Os indivíduos que consomem álcool com muita freqüência podem desenvolver várias doenças. As mais freqüentes são relacionadas ao fígado ( esteatose hepática, hepatite alcoólica e cirrose). Também são freqüentes problemas do aparelho digestivo (gastrite, síndrome de má absorção e pancreatite) e do sistema cardiovascular (hipertensão e problemas cardíacos) Há ainda, casos de polineurite alcoólica, caracterizada por dor, formigamento e cãibras nos membros inferiores. Segundo Moreira (2008), a farmacocinética desta substancia, ou seja, a forma como se dá seu comportamento no organismo após a ingestão, é muito importante para aqueles que buscam a prevenção de doenças, de agravos à saúde e de acidentes, estando alertas então à informações muito relevantes para ter em mente: O álcool é absorvido pela mucosa da boca, fazendo com que a pessoa esteja sob seus efeitos praticamente no mesmo momento em que iniciou a ingestão; a absorção entérica acontece, quase na sua totalidade, em até uma hora após sua ingestão; após a absorção, o álcool alcança a corrente sanguínea e se difunde rapidamente por todos os órgãos e tecidos do organismo, podendo causar doenças em todos os aparelhos e sistemas. Na perspectiva da direção veicular, os efeitos do álcool começam no exato momento em que se inicia a ingestão, assim como o prejuízo por ele causado na capacidade de conduzir veículos. A progressão da intoxicação pelo álcool desenvolve-se na medida em que a absorção se realiza. Então se deve ter em mente que, após a ingestão, a capacidade de conduzir veículos deteriora-se progressivamente com o passar do tempo (MOREIRA,2008) No que se refere a eliminação do álcool ingerido, o autor esclarece que acontece principalmente por metabolização no fígado, que leva até duas horas, em média, para retirar de circulação cada dose padrão ingerida. De acordo com características individuais este tempo pode ser até mais longo. Duas doses determinam a necessidade de quatro a seis horas para metabolização e podem prejudicar a capacidade de conduzir veículos por mais de 24 horas, visto que o 29 álcool afeta significativamente a qualidade do sono e causa o conjunto de sintomas conhecido popularmente como “ressaca”. Entretanto, o mais importante é saber que os efeitos se mantêm por longo tempo, devendo assim o indivíduo ficar longe da direção de veículos após a ingestão de álcool, evitando assim acidentes e outros malefícios a sua saúde. 2.3 O Uso do Álcool e os Acidentes de Transito Segundo Wright ( 1993 apud PANITIZ,.1999) aproximadamente na década de 80, os especialistas americanos de segurança no trânsito concentram suas atenções em quatro áreas de interesse responsáveis pelo crescimento de acidentes de trânsito, sendo uma delas a influência do álcool na direção. “ Os acidentes de trânsito, cuja uma das causas está vinculada ao abuso de álcool, foram lentamente se transformando de um problema de segurança pública para um problema que necessitava de ações preventivas, dentro da saúde pública.” (JUNCAL, 2009) Segundo Moreira ( 2008), o uso, abuso e dependência química do álcool, guardam uma correlação significativa com acidentes de trânsito, onde é muito importante saber que a direção de veículos exige boas condições de atenção, raciocínio e execução de tarefas complexas. Estes requisitos são muito facilmente comprometidos pelo uso do álcool na direção, dificultando a capacidade de dirigir do indivíduo. O álcool é uma substância psicoativa que pode alterar percepções e comportamentos, aumenta a agressividade e diminui a atenção. Acredita-se que no mundo dois bilhões de pessoas sejam consumidoras de bebidas alcoólicas e já é fato que o uso de álcool está relacionado com vários tipos de violência, incluindo os acidentes de trânsito. (MOREIRA, 2008) As pesquisas feitas no decorrer dos últimos 50 anos mostram a evidência acumulada da relação direta do aumento da concentração de álcool no sangue dos condutores e o aumento do risco de acidente. Existe um consenso científico de que o álcool prejudica a habilidade de direção, começando em concentração de 0,50g/l de álcool no sangue, interferindo em maior quantidade em concentrações de álcool mais elevadas. Os efeitos do Álcool sobre o sistema nervoso central, interferindo como depressor geral diminui a habilidade para dirigir. O Condutor sob os efeitos do 30 álcool processa de forma mais lenta e com menos eficiência tanto a aquisição de informação como o processamento dela, ficando mais difícil de executar, sem erro, as tarefas de “ atenção distribuída ou dividida”, tais como, girar o volante e frear no mesmo momento. A influência do álcool sobre a conduta humana e emoções desencadeia as atitudes desinibidas e eufóricas, favorecendo o aparecimento de direção imprudente e temerária. (HOFFMANN, CARBONELL ; MONTORO, 1996ª, 1996B apud HOFFMANN ; CRUZ ; ALCHIERI, 2011). Segundo WHO ( 1983, apud HOFFMANN; CRUZ; ALCHIERI, 2011), a evidência epidemiológica disponível,de acordo com a organização Mundial da saúde, indica que o consumo de álcool pelos condutores de veículo é responsável por 31% a 50% dos acidentes com vítimas mortais, por 15% a 35 % dos que causam lesões graves, e por 10% dos que não causam lesões. Segundo Modelli (2007), com o aumento de álcool per capita, têm-se notado um crescimento proporcional das lesões relacionadas aos acidentes de trânsito. Na medida em que, uma pessoa sob efeito de álcool tem sete vezes mais chance de ser vítima de um acidente fatal do que uma pessoa normal. Numerosos estudos, em vítimas fatais de acidentes de trânsito, mostram que de 25 a 50% tem níveis sanguíneos de álcool acima dos limites legais. Os acidentes relacionados com álcool tende as ser mais sérios e mais severos. Com uma concentração sanguínea de álcool de 0,8 g/l, o risco de acidente é vezes maior; com 1,0 g/l, o risco é sete vezes; com 1,5 g/l, o risco é dez vezes e com 2,0 g/l, o risco é de 20 vezes maior. A literatura comprova o efeito do álcool como bastante significativo na etiologia dos acidentes, e em grande parte é provocada por motoristas que haviam consumido bebida alcoólica antes de dirigir. Um dos estudos efetuados pela Associação dos DETRANs do Brasil indicou que o álcool, mesmo em pequenas quantidades, está por trás de 61% dos acidentes de trânsito, principalmente nos grandes centros urbanos. Segundo Moreira (2008), estatísticas indicam que em quase 70% dos óbitos ocasionados por acidentes de trânsito, a presença do álcool é constatada nas necropsias, sendo que o mais cruel desta estatística é que predominam vítimas na faixa etária dos 15 aos 29 anos, com certeza a mais produtiva e promissora da população. Esta combinação letal está destruindo a juventude, frustrando expectativas e interrompendo sonhos e esperanças de milhares de famílias. 31 Os riscos de acontecer acidentes de trânsito aumentam se o condutor ingerir bebida alcoólica. Condutores com alcoolemia igual ou superior a 0,2g/l apresentam as habilidade necessárias para a condução prejudicadas, como funções de atenção dividida, visuais e acompanhamento de movimento. O Risco de envolvimento em um acidente fatal para condutores com alcoolemia entre 0,2 e 0,5g/l é de 2,6 a 4,6 vezes maior do que o de um condutor sóbrio. A redução da capacidade de desempenhar funções cruciais para a direção de veículos, como processamento de informações, se inicia com alcoolemias baixas, e a maioria dos indivíduos se encontra significantemente debilitada com alcoolemia de 0,5 g/l. O risco de se envolver em um acidente fatal como condutor é de 4 a 10 vezes maior para motoristas com alcoolemia entre 0,5 e 0,7 g/l, se comparados com motoristas sóbrios. (MOREIRA, 2008) Segundo Berkelman ( 1985, apud MODELLI 2007) por intermédio de uma trabalho analisando vítimas de mortes por causas externas, verificou que dos 54 motoristas que morreram após colisões simples, 78% tinham ingerido bebida alcoólica. Entre os condutores, 65 % apresentavam concentração alcoólica maior de 0,1 mg/dl. De acordo com Salleras ( 1982 apud HOFFMANN; CRUZ; ALCHIERI, 2011), o aumento da probabilidade de sofrer um acidente de trânsito já é preocupante a partir de 0,50 g/l de álcool no sangue. Com 1,0 g/l o risco é sete vezes maior do que para os condutores que não consumiram álcool. A partir deste nível, o risco aumenta de forma significativa: é de trinta vezes maior com 1,5 g/l, e setenta vezes maior com 1,75 g/l. O aumento do risco visualiza-se em todos os tipos de acidentes, entretanto as concentrações elevadas do álcool permanecem em maior freqüência no acidentes graves e naqueles que na maioria das vezes estão envolvidos majoritariamente os jovens com idades compreendidas entre 16- 24 anos. A variabilidade biológica que existe entre os indivíduos produz diferenças substanciais quanto ao efeito do álcool sobre eles, ficando difícil qualquer chance de fixar um nível de concentração no sangue “ seguro” para os condutores, sendo que a influencia do álcool sobre a capacidade de dirigir estaria diretamente ligada com o perfil psicológico e a experiência individual com esta substância (HOFFMANN, 2011 apud HOFFMANN; CRUZ; ALCHIERI, 2011). O álcool não apenas aumenta o risco de sofrer acidentes de transito, porém está diretamente relacionado com a maior possibilidade de sofrer lesões traumáticas 32 graves. O condutor que ingeriu álcool é mais propenso à morte e a lesões graves, uma vez ocorrido o acidente, do que o condutor que não consumiu álcool. Segundo Caldas (1998 apud JUNCAL, 2009), o Código Brasileiro implementado em 1998, foi uma tentativa do governo e da sociedade brasileira de tentar reverter as alarmantes estatísticas de acidentes do trânsito no Brasil. Leis mais severas, multas mais elevadas, possibilidade de perda da habilitação forma alguns passos dados nesta direção, além de criação de mecanismos jurídicos mais eficientes para punir os crimes de trânsito. 2.4 Prevenção do Uso do Álcool e a Lei Seca Segundo Homel (1988, apud RISSER 1997), em seus estudos sobre a Reabilitação de Motoristas Bêbados- Efetividade do programa e controle de Qualidade, distinguem-se duas correntes principais de medidas contra dirigir bêbado: medidas gerais preventivas e abordagens específicas com o fim de prevenir a recaída. O apavoramento, como uma das medidas específicas preventivas certamente tem seus limites: prisão e/ou punição provaram ser quase ineficientes. Estando provado que tirar a CNH é eficiente em alguns casos, não em geral. Alguns países introduziram uma checagem preditiva antes da retirada da CNH: na Alemanha, realiza-se uma avaliação médico-psicológica para alguns grupos definidos como de risco, por exemplo, os motoristas autuados por uma infração DWI com 0,16% ou mais de taxa de álcool no sangue ( TAS). Em 1986, foram introduzidos Programas para motoristas jovens com delinqüência de álcool, quando a lei sobre CNH tinha sido aprovada. A lei exige que cada motorista novato delinqüente de álcool siga um curso especial de 11 horas sobre álcool e direção; aqueles que não realizarem, perderão o privilégio de dirigir. (NICKEL,1990 apud RISSER,1997 ). Segundo Winkler ( 1974, apud RISSER, 1997) programas de reabilitação foram desenvolvidos em vários países no fim dos anos 60 e no começo dos anos 70 para reduzir o beber e dirigir em grupos específicos de risco. A maioria das abordagens não levou em consideração a enorme diferença individual entre motoristas, sua história prévia em relação ao beber e dirigir. De acordo com Caddy (1979, apud RISSER 1997) isso sem dúvida foi uma das razões das falhas na 33 mudança relevante do comportamento e na redução do número de novas condenações. Por outro lado, Winkler et al.(1988, apud RISSER, 1997) acharam efeitos positivos do tratamento, mudanças de atitudes em relação ao beber e dirigir, aumentos de conhecimento a respeito do consumo de álcool e seus efeitos sobre a direção, e uma mudança de comportamento altamente significativa. No Código Brasileiro de Trânsito ( 2008, apud MODELLI,2007) , há artigos que falam diretamente a respeito do álcool na direção de veículos ,na medida que colocados em prática corretamente podem influenciar na diminuição dos acidentes no trânsito e conseqüentemente na prevenção do uso álcool na condução de veículos. Podem ser citados: Artigo 165. Dirigir sob a influência de álcool, em nível superior a seis decigramas por litro de sangue, ou de qualquer substância entorpecente ou que determine dependência física ou psíquica. INFRAÇÃO: Gravíssima PENALIDADE: Multa ( cinco vezes) e suspensão do direito de dirigir; MEDIDA ADMINISTRATIVA: retenção do veículo até a apresentação de condutor habilitado e recolhimento do documento de Habilitação Artigo 277: Todo condutor de veículo automotor, envolvido em acidente de trânsito ou que for alvo de fiscalização de trânsito, sob suspeita de haver excedido os limites do artigo anterior, será submetido a testes de alcoolemia, exames clínicos, perícia, ou outro exame que por meios técnicos ou científicos, em aparelhos homologados pelo CONTRAN, permitam certificar seu estado. O CTB ( 2008, apud CARVALHO, 2008) também estabelece: Art. 306. Conduzir veículo automotor, na via pública, estando com concentração de álcool por litro de sangue igual ou superior a 6 ( seis) decigramas, ou sob a influencia de qualquer outra substancia psicoativa que determine dependência. Penas- detenção, de seis meses a três anos, multa e suspensão ou proibição de se obter a permissão ou a habilitação para dirigir veículo automotor. 34 “ Art. 1º 1º As margens de tolerância de álcool no sangue para casos específicos serão definidas em resolução do Conselho Nacional de Trânsito- CONTRAN, nos termos de proposta formulada pelo Ministro de Estado da Saúde. Art 2º. Para os fins criminais de que trata o art. 306 da Lei 9.503, de 1997- Código de Trânsito Brasileiro, a equivalência entre os distintos testes de alcoolemia é a seguinte: I- Exame de sangue: concentração igual ou superior a seis decigramas de álcool por litro de sangue; ou II- Teste em aparelho de ar alveolar pulmonar ( etilômetro): concentração de álcool igual ou superior a três décimos de miligrama por litro de ar expelido dos pulmões. Apesar de a lei proibir qualquer teor alcoólico, existe limites técnicos dos próprios aparelhos de testagem que impossibilitam estipular em zero o valor aceito. Por este motivo, a norma instituiu que o motorista flagrado com até 0,2 g de álcool por litro de sangue não sofrerá qualquer punição. Se a alcoolemia estiver maior que 0,2g/l e menor que 0,6g/l, o condutor será enquadrado no art. 165 do CTB, sendo-lhe imputadas ações administrativas. Se o teor detectado foi igual ou superior a 0,6g/l, contudo, caracterizar-se-á crime, com penalidades previstas no art. 306 do CTB. Segundo Moreira ( 2008), a implementação da lei 11.705 em 19 de junho de 2008, que altera o código de trânsito brasileiro no tocante ao consumo de bebidas alcoólicas e condução de veículos, traz uma oportunidade singular de reduzir da maneira significativa as gigantescas e inaceitáveis taxas de mortalidade e morbidade relacionadas ao trânsito no Brasil. A partir desta lei, um condutor que ingerir qualquer quantidade de álcool e em seguida conduzir veículos estará passível de punição. Se a alcoolemia, pesquisada através do etilõmetro (bafômetro), for inferior a 0,6 grama por litro de sangue, o condutor estará cometendo infração de trânsito gravíssima, terá sua habilitação recolhida, o veículo retido até apresentação de outro condutor habilitado, pagará multa pesada e terá seu direito de dirigir suspenso por um ano, que só poderá ser recuperado após cumprimento de várias exigências administrativas e o transcurso do prazo de suspensão. Quem conseqüências. se recusar ao teste sofrerá com as mesmas 35 O autor ainda afirma que, uma pessoa com massa corporal mediana a partir da segunda dose de qualquer bebida já pode estar atravessando este limite de alcoolemia e , nesta condição, as novas normas determinam, adicionalmente, que se tratará de uma crime de trânsito, com a conseqüente tramitação na esfera criminal, com pena de detenção de seis meses a três anos. Se, além disto, o condutor alcoolizado vier a se envolver em acidente de trânsito que tenha em seu desfecho lesão corporal ou homicídio, responderá por crime de trânsito e não poderá contar com julgamento nos juizados especiais criminais, o que com certeza causará penas que irão respeitar mais a dignidade das vítimas. Sendo assim, o novo comando da lei é claro: não se pode misturar álcool e condução de veículos. Diante deste comando, vale a pena ressaltar que existem várias alternativas para deslocamentos pessoais na eventualidade de acontecer consumo de álcool: transporte público, motoristas Amigo da Vez previamente designados que não farão consumo de álcool e levarão os amigos em casa após os eventos, e a atual tendência de sair para locais próximos aos domicílios sem precisar de veículos. (MOREIRA,2008) Alei 11.705/08 de tolerância zero para o consumo de álcool no trânsito abordada por Moreira (2008) é sem margem de dúvida, a lei mais discutida e comentada de todos os tempos, sendo que não é novidade para ninguém a gravidade dos chamados acidentes de trânsito e suas conseqüências, tanto nos aspectos sociais quanto nos econômicos. São casos de mortes provocadas por imprudência, negligencia, imperícia e desobediência à lei. Dentro deste cenário trágico do asfalto brasileiro, desponta com significativa importância a perigosa mistura, álcool e direção, onde 70% dos óbitos em acidentes de transito, a presença do álcool é identificado nas necropsias. Desta forma, a lei 11.705/08 veio pata tentar dar um fim nesta situação. Equivocadamente batizada de “ Lei seca” ela é, na verdade, uma lei em defesa da vida e da segurança da circulação. Ela não proíbe a bebida. Ela só não permite- e para isso é necessário todo o rigor possível- é que quem bebeu assuma o volante de um veículo colocando em risco além de sua própria, a vida de pessoas inocentes. “Muito mais Significativa do que a multa de 957,77 que será cobrada do motorista alcoolizado é a sua retirada de circulação naquele exato momento, tornando a via muito mais segura. O processo administrativo que 36 vai responder, e que certamente o manterá afastado da condução de veículos por 12 meses, deverá servir como lição definitiva para sua plena conscientização. Ao voltar será um motorista mais cuidadoso, pudente e não mais uma ameaça ambulante”( MOREIRA,2008). Os dados dos efeitos da nova lei em seus primeiros meses da vigência já são uma constatação inequívoca de seu poder preventivo. Os níveis de morbimortalidade em todo o país em decorrência de acidentes de transito caíram substancialmente. São constatações que garantem que a lei era necessária e que veio para ficar. Sendo assim, após quatro semanas de sua promulgação, a sociedade pode comemorar uma verdadeira revolução na saúde pública, indicada pela notável redução de morbimortalidade causados por acidentes de trânsito. O autor Moreira ( 2008) ainda relata que a lei 11.705/08 foi bastante eficaz no sentido de reduzir as crescentes ocorrências de acidentes viários envolvendo condutores alcoolizados. Nos primeiros trinta dias de sua vigência, o Brasil assistiu à redução significante do número de mortos e feridos no trânsito, com índices amplamente divulgados.. A lei, rotulada inicialmente como Lei Seca e mais recentemente nomeada Lei da Vida, recebeu apoio da grande maioria dos segmentos da sociedade e a população já visualiza a melhoria das condições de trânsito, principalmente nas cidades. A redução de mortos verificada em um estudo realizado no Instituto Médico Legal de São Paulo chegou a um número impressionante: 63% dos desfechos fatais foram evitados nas noites dos finais de semana. “No Rio de Janeiro, o Instituto de Segurança Pública apurou redução de 57% das mortes no primeiro mês de vigência, computadas a partir dos registros dos acidentes durante todo o período. Isto representou 151 desfechos fatais evitados. No rastro desta redução, ocorreu também queda em todos os demais indicadores de violência interpessoal. Números semelhantes foram alcançados em Porto Alegre, Florianópolis, Belo Horizonte, Salvador e diversas outras cidades do país. Nas rodovias federais o número de mortos recuou 14,5%”.( MOREIRA,2008). As virtudes das normas alcançarão, em seqüencia, o INSS, com redução de pensões por morte e aposentadorias por invalidez; as seguradoras, com a redução dos sinistros e do preço dos seguros e a saúde pública e privada, na mediada que se pode esperar redução dos preços dos planos de saúde. 37 As conseqüências nas esferas administrativas e criminal, com possibilidade de ocorrer até com quem se nega a colaborar com a fiscalização promovida pelos agentes de trânsito, que podem ser melhor caracterizados como Agentes da Vida , aumentam consideravelmente os resultados positivos. Os agentes da Vida conseguiram reduzir o número de socorros realizados pelos resgates em todo país, as chamadas do SAMU, os atendimentos em salas de emergência e nos centros cirúrgicos. Além de tudo, existiu uma redução das cenas terríveis nos necrotérios, onde as famílias reconhecem seus entes que perecem. Estes geralmente são jovens. Desta forma, o apoio da sociedade mostra que a norma alcançou terreno fértil e os frutos já são colhidos cotidianamente. Estes pilares são fundamentais e fazem parte da sustentação desta norma e as únicas garantias de seu resultado. O autor ainda relata, que a sociedade Civil espera que o Supremo Tribunal Federal (STF) preserve a LEI DA VIDA em sua totalidade, defendendo também o reconhecimento do transito como um espaço coletivo, onde todos o que desejam conduzir veículos precisam estar preparados e dispostos a fornecer provas em seu favor, sempre que for solicitado. Não é possível que alguém imagine o transito seguro sem a fiscalização da combinação álcool e direção de veículos, fator principal da acidentalidade, demonstrado em apenas um mês de vigência da Lei 11.705. É imprescindível que se faça fiscalização eficiente no trânsito, até porque nenhum motorista está proibido de consumir bebidas alcoólicas. A lei veda que motoristas conduzam veículos após este consumo. Felizmente, o que há hoje no Brasil são instrumentos normativos e de fiscalização que reduzem significativamente a combinação álcool e direção de veículos. Diante de tudo que foi relatado, observa-se que para a população, a Lei da Vida ( Lei 11.705) não só “ pegou”, elas também se transformou em um “ bem público”, algo que já contamos para nos proporcionar um trânsito mais digno e seguro, onde poupar vidas no transito é gerar um bem comum.( MOREIRA,2008) 38 2.5 . Intervenções e Segurança no Trânsito. Segundo a Revista Quatro Rodas ( 2007) existem algumas medidas práticas de segurança no trânsito que já se mostram efetivas em outros países e que também poderiam ser implantadas no Brasil, tais como: - Aumentar a fiscalização.- A legislação do Brasil não deixa a desejar em relação à de países desenvolvidos. O limite legal de álcool no sangue no Brasil é de 0,06 mg/l, é até mais rigoroso que 0,08 mg/l permitido nos Estados Unidos, porém enquanto cerca de 1,4 milhão de motoristas norte- americanos são presos por ano devido a dirigirem alcoolizados, no Brasil sequer há dados a respeito, criando assim uma sensação de impunidade. Sendo que na Austrália, a realização de exames aleatórios de bafômetro nos últimos anos reduziu em até 42% as mortes relacionadas ao álcool. - Estabelecer Restrições para motoristas recém- habilitados- Austrália, Canadá e Estados Unidos há algum tempo determinaram restrições a motoristas recémhabilitados. Parte dos estados norte-americanos e australianos adotou uma restrição de tolerância zero ao álcool para portadores de carteiras provisórias. Esta restrição reduziu até 60% dos acidentes. - Diminuir o consumo de bebidas entre os jovens- Uma medida que já se mostrou eficiente em outros países é a restrição de horários e locais de compra de bebidas alcoólicas. Nos Estados Unidos, o aumento da idade legal para beber em quase todos os estados para 21 anos é considerado como um das soluções para a redução das mortes no trânsito. A Suécia, com a entrada na União Européia, em 1995, se viu obrigada a reduzir sua rígida política de restrições à venda de álcool. A conseqüência foi uma retomada das mortes no trânsito de 18% em 1997 para 28% em 2002. - Mudar o foco das campanhas de Educação- A mensagem de beber com Moderação está se tornando um grande equívoco, pois no trânsito não há quantidade segura de álcool. É preciso repensar a forma e o conteúdo das campanhas, para que elas se aproximem mais do universo do jovem, procurando assim encontrar uma fórmula mais eficaz de falar com este público. Campanhas que usam imagens de acidentes, por exemplo, acabam distanciando-se do universo do jovem. Ele não relaciona as cervejinhas que bebe na festa com situações tão trágicas. 39 -Usar a tecnologia a favor da segurança— Países como Estados Unidos e Japão investem em tecnologia para segurança no trânsito. A grande aposta são os interlock devices,dispositivos que imobilizam o veículo caso o motorista esteja embriagado. Para dar a partida, é preciso primeiro realizar o teste do bafômetro; se o resultado for positivo; o carro não sai do lugar. Atualmente, 19 estados norteamericanos obrigam infratores reincidentes a dirigir veículos que tenham o aparelho, e arcar com os custos da instalação. A tecnologia já está disponível no Brasil, porém a instalação custa cerca de 20000 reais. Segundo Daros (1988) combinada com a educação e com a melhoria da infraestrutura deve ser desenvolvido um sistema implacável na identificação e punição de infratores de trânsito. A Sociedade civil deve dar total e irrestrito apoio, mesmo que venha a sofrer as conseqüências disso, pegando multas elevadas ou sofrendo punições maiores. Moreira ( 2008) descreve a seguir algumas intervenções que são importantes para a prevenção do uso do álcool e diminuição dos números de acidentes. Estratégias como suspensão da carteira, ações coercitivas realizadas pela polícia como blitz de checagem de alcoolemia, diminuição do limite máximo permitido e proibição da condução com qualquer concentração alcoólica têm efeito de reduzir até 62% o numero de vítimas fatais em acidentes relacionados ao álcool. Há pesquisas que demonstram que nos países desenvolvidos tem havido uma apreciável diminuição no número de vítimas fatais nas ocorrências de trânsito. A melhoria na conservação das estradas, equipes de APH( Atendimento PréHospitalar) melhor treinadas, leis mais severa e a nova tecnologia embarcada nos veículos( cintos multipontos, airbags, carrocerias que absorvem impacto, etc.) foram fatores determinantes nesta diminuição. Uma supervisão rigorosa do cumprimento das leis sobre o consumo e a venda do álcool também contribui para diminuir as taxas de óbitos por acidentes de trânsito. As leis não devem ser somente promulgadas, mas divulgadas e aplicadas (fiscalização) de forma constante. Mesmo quando há um efeito considerável na redução de acidentes devido à entrada em vigor de uma lei, esse efeito pode ser anulado após certo período de tempo, se houver percepção pública de impunidade e/ou desconhecimento da lei vigente. Campanhas de publicidade e educação pública e fiscalização severa são capazes de manter o sentimento de risco de punição e resultam em um cumprimento maior da lei. 40 Do exposto acima, refletindo sobre a quantidade de informações existentes e sabendo que há uma grande variabilidade dos efeitos devido à susceptibilidade individual dos condutores ( sexo, peso, etnia, hábito ou não de consumir bebidas) nos leva a afirmar que não existe concentração segura, sendo, portanto, a alcoolemia zero o único padrão proposto de dirigibilidade sem riscos. Jamais faça a mistura explosiva: álcool e direção de veículos. Se fizer uso de bebidas alcoólicas aguarde pelo menos 12 horas sem dirigir. Se o consumo ultrapassar duas doses pode ser necessário um período ainda maior. 41 3 . MATERIAIS E MÉTODOS 3.1 Ética A presente pesquisa segue as exigências éticas e científicas fundamentais conforme determina o Conselho Nacional de Saúde - CNS nº 196/96 do Decreto nº 93933 de 14 de janeiro de 1987 – a qual determina as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos: A identidade dos sujeitos da pesquisa segue preservada, conforme apregoa a Resolução 196/96 do CNS-MS, visto que, não foi necessário identificar-se ao responder o questionário e todos os participantes concordaram em assinar o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). 3.2- Tipo de Pesquisa Trata-se de um estudo exploratório-descritivo, com dupla, combinação de abordagens, , a saber quanti-qualitativa. 3.3 - Universo O presente estudo abrangeu a cidade de Belém do Pará 3.4 - Sujeitos da Amostra Os sujeitos da amostra foram 70 pessoas portadoras de Carteira Nacional de Habilitação, com idade entre 25 a 69 anos. 3.5 - Instrumentos de Coleta de Dados Construiu-se um instrumento estruturado, um questionário com questões fechadas, sobre álcool e direção, onde pretendeu-se verificar o nível de conhecimento destas 70 pessoas, acerca da influencia do uso do álcool na condução de veículos.. Composto por 14 perguntas, que abrange a caracterização 42 dos sujeitos , cujas variáveis incorporadas tais como idade, sexo , estado civil, tempo de carteira de habilitação e profissão . 3.6 - Planejamento para Coleta dos Dados - Na oportunidade, o questionário foi entregue pessoalmente as pessoas portadoras de Carteira Nacional de Habilitação ,num total de 70 participantes, que concordaram em responder e participar da pesquisa. Foram respondidos 70 questionários. 3.7 - Planejamento para a Análise do Dados – O software utilizado foi o SPSS, para o tratamento estatístico (Média, Mediana e Moda). Quanto a parte qualitativa recorreu se a análise de conteúdo enquanto técnica para dar sentido as falas dos sujeitos entrevistados. 43 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO O gráfico 01 apresenta a faixa etária dos condutores pesquisados, mostrando a predominância de adultos, motoristas experientes, numa faixa etária entre 31 a 41 anos de idade. Embora que os resultados apresentaram um fato importante da pesquisa, pois em função das idades serem bem variáveis, sendo no mínimo 21 anos e no máximo 71 anos de idade, torna-se perceptível que todos tem a consciência neste processo complexo do trânsito, que o uso de álcool no volante é irresponsabilidade, compromete a segurança e a cidadania no trânsito. Gráfico 01 – Faixa etária dos condutores, referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores. Fonte: Dados da Pesquisa. Belém/PA. 2012. No que se refere ao sexo dos condutores, gráfico 02, percebemos maior predominância para o sexo masculino com 58,6% dos motoristas. 44 Gráfico 02 – Distribuição dos condutores, em porcentagem, quanto ao Sexo, referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores. Fonte: Dados da Pesquisa. Belém/PA. 2012. No gráfico 03 tem-se os resultados em relação ao estado civil dos condutores, pode ser observado que a maioria dos motoristas apresenta estado civil de casado, equivalente a 55,7%. Cerca de 24,3% enquadra-se no ramos dos solteiros e 20% não gostam de se manifestar quanto ao assunto. Gráfico 03 – Distribuição dos condutores, em porcentagem, quanto ao Estado Civil, referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores. Fonte: Dados da Pesquisa. Belém/PA. 2012. 45 Ressalta-se também, que 13 (treze) dos 70 (setenta) participantes trabalham como motoristas profissionais, conforme demonstra a tabela 03. Entretanto, verificase que a pesquisa abrangeu um total de 26 profissionais de diferentes áreas de atuação, que utilizam veículos automotores. Tabela 03 - Profissão, referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores. Profissão Quantidade Percentual Motorista 13 18,6 Psicóloga 11 15,7 Servidor Público 7 10,0 Administrador de Empresas 5 7,1 Advogado 4 5,7 Contador 4 5,7 Analista de Sistemas 2 2,9 Economista 2 2,9 Fisioterapeuta 2 2,9 Médico 2 2,9 Militar 2 2,9 Professor 2 2,9 Assistente Social 1 1,4 Agropecuarista 1 1,4 Assistente Administrativo 1 1,4 Bacharel Direito 1 1,4 Consultor TI 1 1,4 Dentista 1 1,4 Dona de casa 1 1,4 Enfermeiro 1 1,4 Engenheiro 1 1,4 Estudante 1 1,4 Inspetor de Segurança 1 1,4 Nutricionista 1 1,4 Pedagoga 1 1,4 46 Técnico Segurança no Trabalho 1 1,4 Total 70 100,0 Fonte: Dados da Pesquisa. Belém/PA. 2012. Verifica-se nos resultados apresentados na tabela 04, que a resposta que mais prevaleceu, entre estes profissionais, sobre que a influência do álcool na condução de veículos, foi que deixa os motoristas com menos atenção e concentração, seguida da resposta que o álcool diminui os reflexos rápidos. Logo, observa-se que a maioria das pessoas que dirigem e que se submeteram ao questionário da pesquisa, sabe sobre as conseqüências que o álcool proporciona na direção. Segundo Moreira (2008), o álcool ocasiona no indivíduo uma redução da capacidade de reagir adequadamente a estímulos (reflexos), diminui a visão periférica, altera o controle corporal causando desequilíbrio e dificuldades de marcha, aumenta a agressividade, causa sono e leva a embriaguez.. Tendo ação sobre todos os tecidos, o álcool acaba exercendo marcadamente seus efeitos no sistema nervoso. Podemos verificar também nas palavras dos autores Hoffman, Carbonell e Montoro (1996, apud HOFFMANN, CRUZ & ALCHIERI, 2011) que as bebidas alcoólicas também estimulam as condutas impulsivas e agressivas, ao mesmo tempo em que diminuem a responsabilidade, dando lugar a um significante aumento das infrações. “O álcool, segundo Duailibi ( 2007, apud CARVALHO 2008, p. 4), mesmo em pequenas concentrações no sangue, proporciona um falso sentimento de confiança, e prejudica habilidades essenciais para a direção de um veículo como atenção, coordenação e tempo de reação. Tabela 04 – Influência do álcool na direção; consumo de álcool e direção; número de vezes que bebeu e depois dirigiu; motivo de beber e dirigir; e o que sentiu ao dirigir, referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores. Variáveis Quantidade Percentual Influencia do álcool na direção: Porque deixa os motoristas com menos atenção e concentração 61 30,0 Porque os reflexos rápidos diminuem 57 28,1 47 Porque prejudica a coordenação motora 42 20,7 e agressividade. 43 21,2 Total 203 100,0 Sim 49 70,0 Não 20 28,6 Não Informado 1 1,4 Total 70 100,0 Uma vez 8 17,4 Mais de uma vez 35 76,1 Sempre 3 6,5 Total 46 100,0 29 56,9 22 43,1 51 100,0 Sono 21 30,9 Alegria 6 8,8 Confusão mental 12 17,6 Auto confiança 19 27,9 Nada 10 14,7 Total 68 100,0 Porque proporciona euforia, impulsividade Você já consumiu álcool e depois dirigiu? Caso sim, quantas vezes? Se a resposta da questão anterior for sim, qual o motivo de você ter bebido e depois dirigido? Não tinha outra pessoa pra dirigir o carro Considerei que seria capaz de dirigir, mesmo na companhia de outra pessoa habilitada para dirigir Total Depois que bebeu, o que sentiu ao dirigir? Fonte: Dados da Pesquisa. Belém/PA. 2012. 48 Observou-se que a maioria das pessoas já bebeu e depois dirigiram, e que o numero de vezes que beberam e depois dirigiram foi alto. Observando assim que os condutores sabem que a mistura de álcool e direção é perigosa, mas mesmo assim submetem-se a tal situação. O autores Laranjeira , Barros e Surjan (2002, apud JAIR et. al, 2002 ) relatam que apesar de sua extensa aceitação por parte da sociedade, o consumo de bebidas alcoólicas na direção, pode apresentar um grande problema. Além de vários acidentes de trânsito e da violência relacionada a episódios de embriaguez. Em relação ao motivo da pessoa ter bebido e depois dirigido , verifica-se que prevaleceu a resposta que não tinha outra pessoa para dirigir o carro, em seguida a resposta que se consideravam capaz de dirigir, mesmo na companhia de outra pessoa habilitada para dirigir . Verifica-se este resultado na fala dos autores Hoffman, Carbonell e Montoro ( 1996, apud HOFFMANN, CRUZ ; ALCHIERI, 2011), onde relatam que o álcool produz no condutor um sentimento subjetivo de acreditar que tem melhor capacidade para dirigir; onde aparece uma falsa segurança em si mesmo, fazendo aumentar a tolerância ao risco, levando-o a tomar decisões mais perigosas do que as habituais. Nos resultados apresentados, observa-se que a maioria das pessoas sentiu sono, depois de consumir álcool e dirigir. O que pode ser observado nas palavras do autor Evans ( 1991, apud HOFFMANN, CRUZ & ALCHIERI, 2011) que o consumo do álcool na direção acumula efeitos perigosos ao nível físico como: aparecimento de alterações perceptivas que dificultam o processamento da informação; depressão geral que ocasiona maior cansaço, fadiga ou o aparecimento de sonolência; dificuldades motoras e graves problemas de coordenação entre as mãos, olhos e pés. Neste contexto, encontram-se dados na literatura afirmando que duas doses de álcool determinam a necessidade de quatro a seis horas para metabolização e podem prejudicar a capacidade de conduzir veículos por mais de 24 horas, visto que, o álcool afeta significativamente a qualidade do sono e causa o conjunto de sintomas conhecido popularmente como “ressaca”. O INCA também relata que depois do consumo do álcool, com o decorrer do tempo, começam a aparecer os efeitos depressores, como a falta de coordenação motora, descontrole e sono. Analisando os dados apresentados na tabela 05, verifica-se que o tipo de bebida mais consumido pelas pessoas antes de dirigir é a cerveja e, a quantidade de bebida ingerida é de 3 ou mais latas de cerveja.. Segundo Laranjeira, Barros e 49 Surjan (2002 apud JAIR et.al, 2002) esclarecem que para definir níveis seguros para beber, costuma-se empregar o conceito de Unidade de álcool, que equivale a 10 ou12g de álcool puro. Como a concentração de álcool varia em cada tipo de bebida, a quantidade de álcool consumida também varia muito, por exemplo, 16 ml de álcool puro equivalem a uma lata de 350ml de cerveja ou a um copo de 150ml de vinho ou a uma dose de 40ml de destilados. Desta forma, definiu-se quantas unidades de álcool um adulto hígido pode ingerir por semana sem colocar sua saúde em risco. Tabela 05 - Tipo de bebida, Quantidade de cerveja, vinho, Chop e Destilados ingerida, referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores. Variáveis Quantidade Percentual Cerveja 45 51,7 Vinho 10 11,5 Chop 14 16,1 Destilados 18 20,7 Total 87 100,0 Uma lata 3 7,5 Duas latas 11 27,5 Três latas ou mais 26 65 Total 40 100 Uma taça 2 20,0 Duas taças 4 40,0 Três taças ou mais 4 40,0 Total 10 100,0 Tipo de bebida Quantidade de Cerveja ingerida Quantidade de Vinho ingerida 50 Variáveis Quantidade Percentual Dois copos 3 25,0 Três ou mais copos 9 75,0 Total 12 100,0 Uma dose 3 16,7 Duas doses 5 27,8 Três ou mais doses 10 55,6 Total 18 100,0 Quantidade de chop ingerido Quantidade de Destilado ingerido Fonte: Dados da Pesquisa. Belém/PA. 2012. Segundo o CTB ( 2008, apud CARVALHO, 2008), se a alcoolemia estiver maior que 0,2g/l e menor que 0,6g/l, o condutor será enquadrado no art. 165 do CTB, sendo-lhe imputadas ações administrativas. Se o teor detectado foi igual ou superior a 0,6g/l, contudo, caracterizar-se-á crime, com penalidades previstas no art. 306 do CTB. Verifica-se então que, nesta pesquisa, o nível de bebida consumido pelos condutores ultrapassa o permitido, podendo assim trazer prejuízos para sua saúde e para o trânsito. Embora que a maioria dos profissionais submetidos a pesquisa considera que há relação entre consumo de álcool na direção com acidentes de trânsito, conforme os resultados apresentados na Tabela 06. Neste contexto, José Mauro Bráz de Lima (apud MOREIRA, 2008), professor de Neurologia e Presidente da Sociedade Brasileira de Alcoologia, afirma que todos que consomem bebidas alcoólicas estão mais propensos a causar ou envolver-se em acidentes de tráfego, tanto na direção de veículos ou em deslocamentos como pedestres. A utilização muito difundida de bebidas alcoólicas leva esta substância a merecer uma atenção especial no tocante à prevenção de acidentes de trânsito. 51 Tabela 06 - Relação entre consumo de álcool na direção e acidentes de trânsito, Acidente por consumo de álcool, Carro batido por condutor que ingeriu bebida alcoólica, Resultado do acidente e Opinião sobre a lei Nº 11705; referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores Variáveis Quantidade Percentual Você considera que há relação entre consumo de álcool na direção com acidentes de trânsito? Sim 68 97,1 Não 2 2,9 Total 70 100 Sim 9 12,9 Não 57 81,4 Não Informado 4 5,7 Total 70 100,0 Você já bateu o carro porque consumiu álcool? Seu carro já foi batido por alguém que consumiu álcool? Sim 18 25,7 Não 51 72,9 Não Informado 1 1,4 Total 70 100,0 Se a resposta for Sim mas questões de 9 e/ou 10, no acidente houve Feridos 9 21,4 Vítimas fatais 3 7,1 Danos Materiais 30 71,4 Total 42 100,0 52 Na sua visão, a implementação da lei n 11705 (Lei seca), que proíbe o consumo de álcool ao dirigir, reduziu a taxa de mortalidade nas estradas? Sim 46 65,7 Não 24 34,3 Total 70 100 Fonte: Dados da Pesquisa. Belém/PA. 2012. Percebe-se também que a minoria das pessoas respondeu que bateram o carro ao dirigir sob o uso do álcool e/ou que foram batidas por alguém que usava álcool, sendo que a maioria apenas sofreu danos materiais. Mesmo a minoria tendo respondido que bateu o carro ou foi batida por causa do consumo do álcool, observou-se que há um índice de acidentes devido à mistura de álcool e direção. Estes dados obtidos corroboram com os dados obtidos por Who ( 1983, apud HOFFMANN;CRUZ;ALCHIERI, 2011) quando afirma que a evidência epidemiológica disponível, de acordo com a organização Mundial da saúde, indica que o consumo de álcool pelos condutores de veículo é responsável por 31% a 50% dos acidentes com vítimas mortais, com 15% a 35 % dos que causam lesões graves e, 10% dos que não causam lesões. Modelli (2007) também complementa essa idéia, quando relata que, com o aumento de álcool per capita, têm-se notado um crescimento proporcional das lesões relacionadas aos acidentes de trânsito. Na medida em que, uma pessoa sob efeito de álcool tem sete vezes mais chance de ser vítima de um acidente fatal do que uma pessoa normal. Assim como Moreira (2008) que também concorda com tal pensamento ao demonstrar estatisticamente que em quase 70% dos óbitos ocasionados por acidentes de trânsito, a presença do álcool é constatada nas necropsias, sendo que o mais cruel desta estatística é que predominam vítimas na faixa etária dos 15 aos 29 anos, com certeza a mais produtiva e promissora da população. Esta combinação letal está destruindo a juventude, frustrando expectativas e interrompendo sonhos e esperanças de milhares de famílias. E, ainda conclui, que não se deve misturar álcool e direção, quando relata que, se o condutor alcoolizado vier a se envolver em acidente de trânsito que tenha em seu desfecho lesão corporal ou homicídio, responderá por crime de trânsito e não poderá contar 53 com julgamento nos juizados especiais criminais, o que com certeza causará penas que irão respeitar mais a dignidade das vítimas. Sendo assim, o novo comando da lei é claro: não se pode misturar álcool e condução de veículos. A resolução 60/5, na qual representa a busca de melhorias na segurança no trânsito, recomendou uma especial atenção aos cinco principais fatores de risco no transito: dirigir sob efeito do álcool, a não utilização de cinto de segurança e dispositivos de proteção para crianças, a não utilização de capacetes, excesso de velocidade e a falta de infra- estrutura viária. Tais fatores de risco são problemas mundiais que se apresentam de forma muito expressiva em nosso cotidiano brasileiro (MOREIRA, 2008). Pode-se obervar assim que tais fatores podem levar a acidentes gravíssimos, tanto com danos materiais, ou com vítimas. Os acidentes de trânsito são considerados hoje, como um gravíssimo fenômeno sócio econômico, tanto pelos elevados índices que tem atingido em nível nacional e internacional, quanto pelas suas características. No mundo ocorrem ao ano cerca de 700.000 mortes em consequência dos acidentes de trânsito e mais de 15 milhões de feridos (HOFFMANN; CRUZ; ALCHIERI ,2011 ). Foi observado nos resultados apresentados, e, agora destacado no gráfico 04, que a maioria dos condutores pesquisados (65,7%) consideraram que a implementação da lei n 11705/08 (Lei seca), que proíbe o consumo de álcool ao dirigir, reduziu a taxa de mortalidade nas estradas, o que podemos considerar que apesar de grande parte delas beber e depois dirigir, ainda tem uma consciência que a lei seca, foi uma estratégia eficaz para a redução da taxa de mortalidade. Gráfico 04 - Na sua visão, a implementação da lei n 11705 (Lei seca), que proíbe o consumo de álcool ao dirigir, reduziu a taxa de mortalidade nas estradas? referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores Fonte: Dados da Pesquisa. Belém/PA. 2012. 54 Verifica-se estes dados estão de acordo com Moreira (2008), quando afirma que a recente implementação da lei n 11.705, assinada em 19 de junho de 2008, que institui a redução da taxa de alcoolemia permitida pela lei anterior ( 0,6 de álcool por litro de sangue), para “ zero”, provocou, nos dois últimos meses no Brasil, considerável mudança no contexto do consumo de bebidas alcoólicas e condução de veículos automotores. Sendo que, foi possível constatar a imediata redução da taxa de mortalidade nas estradas com a chamada “ lei seca”. Portanto, ao analisar os dados apresentados no gráfico 05, observa-se que a maioria dos condutores pesquisados (49,1%), com a implementação da Lei seca parou de beber antes de dirigir Enquanto que, uma boa parte (41,5%), talvez por não conseguir dominar o vício da bebida, apenas diminuíram a quantidade de bebida, enquanto uma minoria (9,4%) não alterou a quantidade de bebida, demonstrando nenhuma consciência em relação às normas da lei. Gráfico 05 - Caso você bebeu ou tenha bebido antes de dirigir, com a implementação da lei você: referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores. Fonte: Dados da Pesquisa. Belém/PA. 2012. Neste contexto, todos os condutores pesquisados concordam, que um somatório de ações conjuntas, no controle do uso de álcool ao dirigir veículos, é a melhor forma de conscientização dos motoristas sobre os malefícios do uso do álcool na direção, assim como um maior respeito ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB), conforme os resultados apresentados no gráfico 06. 55 Gráfico 06 - O que você considera mais eficaz no controle do uso de álcool ao dirigir veículos? Referente à pesquisa sobre a influência do uso do álcool na condução de veículos automotores. Fonte: Dados da Pesquisa. Belém/PA. 2012. Diante do exposto acima, concorda-se com Moreira (2008), que as leis não devem ser somente promulgadas, mas divulgadas e aplicadas (fiscalização) de forma constante. Mesmo quando há um efeito considerável na redução de acidentes devido à entrada em vigor de uma lei, esse efeito pode ser anulado após certo período de tempo, se houver percepção pública de impunidade e/ou desconhecimento da lei vigente. Campanhas de publicidade e educação pública e fiscalização severa são capazes de manter o sentimento de risco de punição e resultam em um cumprimento maior da lei. 56 5.CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa teve como objetivo geral, fazer uma abordagem acerca da influência do uso do álcool na condução de veículos automotores, perpassando pelos efeitos físicos e psicológicos do álcool na direção; esclarecendo a relação entre o álcool e acidentes de trânsito; e abordando sobre a lei seca e a educação no trânsito. Concluiu-se então que há influencia do uso do álcool na condução de veículos, onde foi observado que o álcool prejudica algumas habilidades que são utilizadas na direção, uma vez que, principalmente a atenção e concentração do condutor são comprometidas, assim como seus reflexos rápidos e coordenação motora, incentivando também a agressividade e impulsividade do condutor. Assim, com todas estas funções comprometidas devido ao uso do álcool na direção, pode levar à ocorrência de acidentes de trânsito, como foi verificado nos resultados desta pesquisa, onde a maioria das pessoas afirmou que há relação entre o uso do álcool e acidentes, sendo que alguns já foram batidos por carros e bateram carros estando sob o efeito do álcool. Entretanto, estes acidentes poderiam ser evitados se houvesse uma maior conscientização dos motoristas dos efeitos negativos do uso do álcool na direção, e também uma maior respeito ao código de trânsito brasileiro. Porém, foi observado nesta pesquisa que os condutores consideram a lei seca eficaz e responsável por uma diminuição da mortalidade nas estradas e, que a maioria parou de beber e depois dirigir. A lei seca foi implementada e as campanhas educativas estão acontecendo, porém deveria ter uma maior fiscalização com o uso do bafômetro e respeito às campanhas, assim como mais campanhas deveriam ser implementadas, para a prevenção do uso do álcool na direção. E, que a maioria dos motoristas ainda bebe e depois dirige, como foi observado no decorrer dos resultados da pesquisa, porém possuem consciência que o álcool influencia na condução de veículos, prejudicando sua saúde, podendo levá-los a acidentes de trânsito. Sendo assim, estes condutores acreditam que para diminuir, ou acabar com o uso do álcool antes de dirigir, deve haver uma maior conscientização das pessoas sobre os malefícios do uso do álcool na direção e um maior respeito ao código de trânsito brasileiro, porém este 57 pensamento precisa ser colocado em prática, para assim se ter saúde, segurança, respeito e responsabilidade no trânsito e na condução de veículos. 58 REFERÊNCIAS CARVALHO, Priscila Monteiro de. Loucura e violência no Transito: Mete( embriaguez) Apédia (imperícia) e ania( irreflexão) na ultrapassagem de todos os limites. Rio de Janeiro, 2008. CARVALHO, Claudio Viveiros de. Alteração do Limite Máximo de Teor Alcoólico da Lei Seca. Disponível na Biblioteca digital da câmara dos deputados. Centro de Documentação e Informação. Site: HTTP:// bd. Câmara. gov. Br Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Pscotópicas- CEBRID. Livreto Informativo sobre Drogas Psicotrópicas. Leitura recomendada para alunos a partir da 6ª serie do Ensino Fundamental. Departamento de Psicobiologia da Unifesp. Universidade Federal de São Paulo- Escola Paulista de Medicina,1987. DAROS,E.J. Acidentes de transito e comportamento humano. Palestra proferida no I Encontro Nacional para prevenção de Acidentes de Transito e Primeiros Socorros ao Acidentado: Sociedade Nordestina de Neurocirurgia. Recife,1988 FALLER, Sibele. Psicopatologia e comportamento de risco em motoristas no Brasil- Dissertação apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de mestre. Porto Alegre,2010 JUNCAL, Kleide Santos de Almeida. Comportamento de Risco e Acidentes de Trânsito. Trabalho apresentado como conclusão do Curso de Gestão educação e segurança no Trânsito. Iúna, 2009. HOFFMANN, Maria Helena; CRUZ, Roberto Moraes; ALCHIERI, João Carlos (orgs). Comportamento humano no trânsito. 3. ed. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2011. JAIR de Jesus Mari; et. al. Psiquiatria: Guias de Medicina Ambulatorial e Hospitalar/ UNIFESP/ Escola Paulista de Medicina.- 1ed. São Paulo: Manole,2002. Medidas de Segurança no Trânsito. Revista Quadro Rodas,2007. MODELLI, Manoel Eugenio dos Santos. Estudos dos níveis de Alcoolemia nas vítimas Fatais de acidentes de Trânsito no Distrito Federal. Dissertação ao programa de Pós- Graduação em Ciências Médicas da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília,2007. MOREIRA, Fernando. A mudança Cultural que salva vidas: A lei que salva vidas e a “ Vacina contra a Violência do Trânsito. Rio de Janeiro: Arquimedes Edições,2008. PANITIZ, Mauri Adriano. A Segurança Viária e o Fator Humano- Verificação da Presença de Álcool- Direção no Sistema de transporte rodoviário do RGS. Dissertação para obtenção do titulo de Mestre em Engenharia .Porto Alegre,1999. 59 RISSER,Ralf. Estudos sobre a avaliação psicológica de motorista. Monografias sobre a psicologia do Transito, educação para o Transito. Série de cadernos” Der 60 APÊNDICE QUESTIONÁRIO/ ÁLCOOL E DIREÇÃO Levantamento de dados para a construção da Monografia do Curso de Especialização em Psicologia do Trânsito. Sua opinião é de grande relevância para a Pesquisa. Obrigada! ___________________________________________________________________ ___ Identificação: -Idade:_____ -Sexo ( )M( ) F -Estado Civil: ( )Solteiro( ) Casado ( ) Outros -Tempo de Carteira de Habilitação: ( ) Até 5 anos ( ) 5 a 10 anos ( ) 10 a 15 anos ( ) 15 anos a 20 anos ( ) 20 anos ou mais - Profissão:__________________ ___________________________________________________________________ 1. Você considera que o consumo do álcool influência na condução de veículos? ( ) Sim ( ) Não 2. Se a resposta da questão anterior foi sim. Por que você acha que influência? Obs: Pode marcar mais de uma resposta. ( ) Porque deixa os motoristas com menos atenção e concentração ( ) Porque os reflexos rápidos diminuem ( ) Porque prejudica a coordenação motora ( ) Porque proporciona, euforia, impulsividade e agressividade 3. Você já consumiu álcool e depois dirigiu? ( ) Sim ( ) Uma vez ( ) Sempre ( ) Não ( ) Mais de uma vez 4. Se a resposta da questão anterior foi sim. Qual o motivo de você ter bebido e depois dirigido? ( ) Não tinha outra pessoa para dirigir o carro. ( ) Considerei que seria capaz de dirigir, mesmo na companhia de outra pessoa habilitada para dirigir ( ) Influência dos amigos. 5. Depois que você bebeu, o que sentiu ao dirigir? Obs: Pode marcar mais de uma resposta ( ( ) sono ) Alegria ( ( ) confusão mental ) Auto- Confiança ( ) Nada 61 6. Qual o tipo de bebida que você bebeu ou bebe antes de dirigir? ( ) Cerveja ( ) Vinho ( ) Chop ( ) Destilados 7. Qual a quantidade de álcool que você ingeriu ou que ingere antes de dirigir? -Cerveja - Vinho - Chop -Destilados ( ) Uma lata ( ) Uma taça ( ) Um copo ( ) Uma dose ( ) Duas latas ( ) Duas taças ( ) Dois copos ( )Duas doses ( ) Três ou mais latas ( ) Três taças ou mais ( ) Três ou mais copos ( ) Três ou mais doses 8. Você considera que há relação entre o consumo de álcool na direção com os acidentes de trânsito? ( ) Sim ( ) Não 9.. Você já bateu o carro por que consumiu álcool? ( ) Sim ( ) Não 10. Seu carro já foi batido por alguém que consumiu álcool? ( ) Sim ( ) Não 11. Se a resposta foi sim nas questões 9 e/ou 10, no acidente houve: ( ) Feridos ( ) Vítimas fatais 12. Na sua visão, a implementação da lei n.11.705( Lei seca), que proíbe o consumo de álcool ao dirigir, reduziu a taxa de mortalidade nas estradas? ( ) Sim ( ) Não 13. ( ( ( Se caso bebeu ou bebia antes de dirigir, com a implementação da lei, você: ) Parou de beber antes de dirigir ) Diminuiu a quantidade de bebida ) Não alterou a quantidade da bebida 14. O que você considera mais eficaz no controle do uso do álcool ao dirigir veículos. ( ) Aumento da fiscalização, com o uso do bafômetro ( ) Campanhas Educativas sobre as consequências do uso do álcool na direção ( ) Maior conscientização dos condutores sobre os malefícios do uso do álcool na direção , assim como um maior respeito ao Código de Trânsito Brasileiro (CTB) 62 ANEXO