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A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NA LOGÍSTICA DOS
SUPERMERCADOS DE CASCAVEL
Área: ADMINISTRAÇÃO
Categoria: PESQUISA
Loreni Teresinha Brandalise
Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE
Rua Clovis Bevilacqua, 572 – Cascavel - PR
[email protected]
Sandra Mara Stocker Lago
Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE
Rua Dom Pedro II, 2199 – Cascavel - PR
[email protected]
Raquel Adriana Pin
Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE
Rua José Cazzanatto, 748 – Toledo - PR
[email protected]
Gabriela Loss
Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE
Rua General Osório, 3537 – Cascavel -PR
[email protected]
Juliana Simon
Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE
Rua Mato Grosso, 2840, Ap. 602 – Cascavel - PR
[email protected]
Karoline Frison Petricoski
Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE
Rua Pernambuco, 593, Ap. 604 – Cascavel - PR
[email protected]
Kary Daniele Boscatto
Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE
Rua Potiguara, 490 – Cascavel - PR
[email protected]
Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009
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A Tecnologia da Informação na Logística dos Supermercados de Cascavel
Área: ADMINISTRAÇÃO
Categoria: PESQUISA
Resumo
A informação serve como uma conexão entre as atividades logísticas, permitindo que se
coordenem as ações e se coloque em prática o benefício de maximização da lucratividade
total da cadeia de suprimentos, por essa razão, é um dos seus principais condutores. Neste
sentido, esta pesquisa objetiva avaliar os sistemas de informação utilizados no desempenho
das atividades logísticas dos supermercados de Cascavel. O instrumento de coleta de dados –
um questionário - foi elaborado com base nos principais conceitos sobre sistemas, tecnologias
de informação e logística encontrados na literatura específica. O questionário foi aplicado a
34 gestores ou responsáveis pela área de logística de suprimentos, dos supermercados de
Cascavel. Os principais resultados demonstram significativa melhoria no sistema logístico
com o uso do sistema de informação, proporcionando redução de tarefas. Além disso, os
sistemas de informações permitiram, em grande parte, redução de custos com pessoal na
contagem física dos produtos e na gestão do almoxarifado. Houve ainda redução de custos
com compras emergenciais, já que a ruptura de estoque só ocorre devido a fatores sazonais.
Palavras-chave: Logística; Sistema de Informação; Supermercados
1. INTRODUÇÃO
A informação é hoje o insumo básico para que as empresas modernas possam obter
sucesso em suas atividades. Para tanto, os computadores são instrumentos perfeitos para
fornecer informações, já que possuem grande capacidade de armazenamento e processamento
de dados para a geração de informação.
Cada vez mais as empresas precisam estar preparadas para as mudanças que vêm
ocorrendo no ambiente em que estão atuando, principalmente porque o tempo agora é de
globalização, onde as tecnologias de telecomunicações estão reduzindo rapidamente o
tamanho do planeta, fazendo com que as informações e os dados sejam disseminados com
uma velocidade cada vez maior.
Os sistemas de informação podem afetar das mais variadas formas o desempenho
das modernas organizações, abrindo-lhes inclusive, novos espaços e oportunidades de
atuação competitiva, motivo pelo qual, gerentes e administradores não podem deixar de
compreender sua natureza e a utilizar seus recursos com eficácia (CAMPOS, 1994).
A utilização das ferramentas de Tecnologia da Informação (TI) na gestão da cadeia de
suprimentos foi fator primordial para a operacionalização dos processos e sua gestão,
permitindo um melhor acompanhamento da demanda de produtos, de acordo com as
exigências dos clientes, o que se refletiu em melhorias significativas na programação das
compras por parte dos produtores e de grandes atacadistas e no abastecimento do mercado
varejista (GONÇALVES, 2007).
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Conforme este autor, a aplicação da TI na denominada automação comercial informatização e integração de todas as operações de uma empresa com seus parceiros
(fornecedores, bancos, serviços de crédito como Serasa, SPC) e clientes -, permitiu: redução
dos tempos de espera e gargalos existentes na operação; eliminação das tarefas realizadas em
duplicidade; compartilhamento das tarefas; e integração das atividades operacionais com os
parceiros comerciais.
O fluxo de informações documentadas em papel, além de aumentar o custo
operacional e reduzir a satisfação do cliente, transmite informações de forma lenta e propensa
a erros. A transferência e o gerenciamento eletrônico de informações proporcionam redução
de despesas logísticas por meio de melhor coordenação, e ainda possibilita aperfeiçoar
serviços na melhor oferta de informações aos clientes.
Neste contexto, o objetivo deste artigo foi avaliar os sistemas de informação utilizados
na logística dos supermercados de Cascavel. Para o alcance deste objetivo, buscou-se (a)
demonstrar a interface da logística com os sistemas de informação, por meio de levantamento
bibliográfico; (b) identificar as ferramentas de tecnologia da informação (TI) utilizadas para o
desenvolvimento das atividades logísticas dos supermercados e, por fim, (c) analisar a
eficiência logística (com o uso de TI), com base nos indicadores: ruptura e acurácia de
estoque.
Um estudo nesta área justifica-se à medida que se percebe que cada vez mais as
empresas enfrentam dificuldades na gestão dos suprimentos, onde o principal gargalo é em
relação à ineficiência dos processos logísticos, pela falta de informações confiáveis para a
tomada de decisão gerencial. A informação é um dos elementos chave para a obtenção de
vantagem competitiva na área de logística. Contudo, a simples existência de sistemas de
informações logísticas não garante a concretização dessa meta.
Uma base de dados bem estruturada, com informações importantes sobre os clientes,
sobre os volumes de vendas, sobre os padrões de entregas e sobre os níveis dos estoques e das
disponibilidades físicas e financeiras servirão como base de apoio a uma administração
eficiente e eficaz das atividades primárias de apoio do sistema logístico.
Este estudo foi realizado a partir de um levantamento bibliográfico onde identificou-se
os principais conceitos sobre sistemas de informação, tecnologias da informação e logística,
enfocando as atividades logísticas e os principais sistemas de informação utilizados, a fim de
obter subsídios para a elaboração do instrumento de coleta de dados. Pretendia-se entrevistar
toda a população formada pelos gestores ou responsáveis pela área de logística de
suprimentos, dos supermercados de Cascavel cadastrados na APRAS – Associação
Paranaense de Supermercados. Dentre a população de aproximadamente 50 supermercados,
34 se dispuseram a responder à entrevista.
2. LOGÍSTICA
A importância da logística nas empresas dá-se em razão da constante busca da
excelência em suas atividades. Esta busca intensifica-se a cada dia, pois o mundo está atento
aos benefícios que um bom processo logístico pode proporcionar. No entendimento de Ballou
(1993), a logística, quando bem empreendida, possibilita o crescimento da sociedade como
um todo, interferindo na qualidade de vida do país onde está localizada a empresa, pois será
responsável pelo desenvolvimento social do local.
O conceito de logística tem evoluído de acordo com a capacidade de entendimento
holístico das organizações, sendo que hoje, sua principal função é, após a análise do sistema
de escolha de fornecedores até o atendimento pós-venda, buscar a detecção de todas as falhas
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com o fito de tornar o processo excelente, ou seja, busca a plena eficácia da empresa.
Bowersox e Closs (2001) enfatizam que a Logística diz respeito à obtenção de
produtos e serviços no lugar e tempo desejados. Inclui também na sua concepção a idéia de
integração das atividades da empresa. Ballou (2001) concebe Logística focalizando-a como a
atividade que diminui a distância entre a produção e a demanda, incluindo nesse conceito o
fluxo de produtos e serviços e a transmissão de informação.
Para Ballou (2001), um dos objetivos da logística é melhorar o nível de serviço
oferecido ao cliente, onde o nível de serviço logístico é a qualidade do fluxo de produtos e
serviços gerenciados. A logística, portanto, é um fator que pode ser utilizado como estratégia
para uma organização. Sua aplicação se dá da escolha adequada de fornecedores, passando
pela organização e chegando ao cliente.
Novaes (2004) aponta aspectos essenciais para correta aplicação do processo logístico,
como o cumprimento dos prazos estabelecidos, que a empresa funcione de forma sistêmica,
ou seja, que os setores sejam integrados, mantendo parcerias, tanto com fornecedores como
com os clientes, objetivando a melhoria de todos os processos e, conseqüentemente, redução
do custo de todas as etapas do processo, além de garantir a satisfação do consumidor final.
De forma sintética, Christopher (1997) define logística como um processo de
gerenciamento, que deve acontecer de forma estratégica, da aquisição, movimentação e
armazenagem de materiais (peças e produtos), além do fluxo de informações inerentes ao
processo, através da organização e seus canais de marketing, almejando a maximização da
lucratividade.
A fase mais avançada da logística é a da integração estratégica, onde o principal
escopo é atuar de forma plenamente estratégica para alcançar absoluta satisfação do cliente,
manter parcerias com fornecedores e clientes, compartilhar com os parceiros as informações
estratégicas e organizacionais, e observar o negócio de forma sistêmica. A principal
característica desta fase foi, portanto, a criação do SCM (Supply Chain Management) Gerenciamento da Cadeia de Suprimento.
Assim, não há como negar que é de suma importância que as organizações se
preocupem e tomem as devidas providências quanto ao processo logístico que aplicam, pois,
só desta forma, estarão aptas a permanecer no mercado e, dentro dele, se destacar.
2.1 Gerenciamento da Cadeia Logística
A logística é necessária em todos os tipos de empresas, a obra de Alvarenga e Novaes
(1994) aponta sua necessidade em várias empresas, dentre elas, a da empresa varejista. Este
tipo de empresa caracteriza-se por receber mercadoria em grandes lotes, proveniente
diretamente das indústrias ou dos atacados, e precisam atender inúmeros clientes, o que gera
dificuldade no processo de documentação e coordenação dos produtos, sendo, por isso, eficaz
a existência de um processo logístico adequado.
Para se entender melhor a cadeia de abastecimento e sua complexidade é importante
conhecer algumas de suas características, dentre as quais Bertaglia (2003) destaca:
a) localização das organizações - posicionamento geográfico implicando nos custos e
nos fluxos logísticos;
b) distribuição física - impacta nos custos e na qualidade dos serviços prestados,
principalmente no cumprimento da entrega dos produtos aos clientes;
c) administração dos estoques - o controle dos estoque global é fundamental para a
redução do nível de capital investido;
d) modo de transporte - depende das vantagens e desvantagens relacionadas a infraestrutura de transporte e ao volume a ser transportado;
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e) fluxo de informação - extremamente ligado ao movimento físico de produtos e
materiais, desempenha um papel fundamental de confiabilidade nos processos;
f) estimativas - relacionadas a um bom planejamento poderá proporcionar um
serviço melhor ao cliente;
g) relacionamentos - atua como um elemento de vantagem competitiva, mas para
tanto, é necessário administrá-la de maneira eficaz, pois seus modelos variam de
acordo com as características do produto, o número de organizações envolvidas, a
geografia, dentre outros.
A intenção da logística atual é atuar de forma estratégica, abandonando as análises
puramente fragmentadas. Corrêa e Corrêa (2007) definem a atuação estratégica como a
capacidade de gerenciar o tratamento dos processos decisórios considerando os elementos
externos à organização, como o cliente e a concorrência.
A cadeia de abastecimento corresponde ao conjunto de processos requeridos para
obter materiais, agregar-lhes valor de acordo com a concepção dos clientes e consumidores
em disponibilizar os produtos para onde e quando a que os clientes e consumidores
desejarem. O objetivo clássico da cadeia de abastecimento é possibilitar que os produtos
certos, na quantidade certa, estejam nos pontos de venda no momento certo, considerando o
menor custo possível, pois o foco da organização é a obtenção do lucro e a gestão correta da
cadeia de abastecimento, que podem trazer vantagem competitiva (BERTAGLIA, 2003).
Os conceitos apresentados sofreram evoluções importantes nos últimos anos,
ampliando a visão, onde a tecnologia da informação e a inovação tecnológica tornam possível
um futuro no qual a cadeia de abastecimento possa ser realmente integrada.
2.2 Atividades Logísticas
A cadeia de valor desdobra a empresa em suas atividades estrategicamente relevantes,
para compreender o comportamento dos custos e as fontes de diferenciação existentes ou
potenciais, desse modo, ganha vantagem competitiva executando atividades estrategicamente
importantes de maneira mais barata ou melhor que seus concorrentes.
Segundo Chistopher (1997), a vantagem competitiva deriva de muitas atividades
discretas que uma organização desempenha projetando, produzindo, comercializando,
entregando e apoiando o seu produto. Sendo assim, cada uma dessas atividades pode
contribuir para a posição de custo relativo da organização e criar a base de diferenciação.
dentre as principais atividades logísticas figuram o setor de compras, de controle de estoques,
de armazenagem e de distribuição, como se vê na seqüência.
2.2.1 O processo de compras
Em qualquer empresa é fundamental a existência de eficiência no setor compras, pois
este irá interferir em todos os outros setores da organização, inclusive na satisfação do cliente,
o que, como já foi visto, é responsável pelo crescimento da empresa.
Inserido na logística como função essencial, o processo de compras abrange várias
atividades, que vão desde a definição dos produtos a serem adquiridos, o rastreamento e a
escolha do fornecedor, além da administração de todo este processo, por meio dos pedidos.
Arnold (1999, p. 209) sintetiza os objetivos deste processo, afirmando que “essa função é
responsável pelo estabelecimento do fluxo dos materiais na firma, pelo seguimento junto ao
fornecedor, e pela agilização da entrega”. Prazos de entrega não cumpridos criam problemas
aos departamentos de produção e vendas, “mas a função de compras pode reduzir o número
de problemas para ambas as áreas, além de adicionar lucros”.
Esta função pode ser facilitada quando a relação de fornecedores e empresa mantém
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boas relações e compartilham as informações, logo, a utilização das tecnologias
informatizadas pode interferir beneficamente nesta relação. Ballou (1993), em sua obra sobre
logística empresarial, interpretou uma charge publicada no The Wal Street Journal,
intensificando a idéia de aceleração no processamento dos pedidos que pode ser conquistada
quando as informações constantes na empresa fornecedora e compradora criam ligações.
Arnold (1999) concorda que o melhor fornecedor é aquele que possui a tecnologia
necessária para estar de acordo com a expectativa de qualidade, que consegue produzir as
quantidades necessárias e é eficiente o suficiente para ter lucro, mesmo ofertando o produto à
preços competitivos. Os fatores a serem analisados quando da escolha dos fornecedores, são:
habilidade técnica, capacidade de produção, confiabilidade, serviço pós-venda, localização
geográfica e preço.
Portanto, conforme vários autores, dentre eles Corrêa e Corrêa (2007), é notável a
importância de manter bom relacionamento com os fornecedores, mantendo parcerias
estratégicas, que podem ser criadas através de contratos de médio e longo prazo.
2.2.2 Gestão de estoques
A existência de estoque de mercadorias na empresa é considerado um investimento,
pois proporcionará lucros, desde que bem administrado. Para Ballou (1993), manter estoque é
uma maneira de garantir a disponibilidade de mercadorias à qualquer tempo, minimizando os
custos da produção e distribuição. O controle de estoques é muito importante, pois as
empresas operam com pequenas margens de lucro e pequenos erros na gestão de estoques
podem acarretar prejuízos; e o alto investimento de estoques em mercadorias de baixa
rotatividade e seus custos associados podem implicar em baixo retorno sobre o investimento.
Especialmente para o comércio varejista é fundamental a manutenção de estoque,
visto que a demanda nem sempre é previsível e, além disso, o giro das mercadorias é rápido, o
que torna viável efetuar as compras em lotes maiores, garantindo estoque e, possibilitando a
oferta constante dos produtos, diminuindo os custos do processo de compras.
Arnold (1999) ensina que os procedimentos inerentes à manutenção do depósito são:
receber os produtos; identificar os produtos; despachar os produtos para armazenamento;
guardar os produtos; escolher os produtos; preparar a remessa; despachar a remessa; e operar
um sistema de informações. O desenvolvimento destas funções pode ser facilitado mediante a
utilização de sistemas informatizados.
A importância que se dá para esta questão é conseqüência da necessidade de
informatizar os procedimentos da gestão, pois a manutenção de estoques gera inúmeros dados
e informações que precisam ser utilizados, armazenados e atualizados com freqüência, logo, a
sistematização facilitará e tornará mais ágil e eficiente a manipulação destas informações.
A correta administração do nível de estoque abrange aspectos como o conhecimento
da demanda e a obtenção dos materiais, o que segundo Viana (2000), devem ser analisados
consoante com quatro fatores: conhecimento da demanda, obtenção do material, processo de
decisão e tempo de obtenção do material.
O aumento ou a redução dos níveis de estoque geram forte impacto nas finanças de
qualquer empresa. Medir o desempenho do estoque por meio de indicadores de desempenho
relacionados aos estoques é fundamental, principalmente porque a administração moderna
enfatiza a redução dos estoques.
Alguns dos indicadores de desempenho de estoques são: giro de estoque, estoque de
segurança, nível de serviço ao cliente, acurácia de estoque, lead time, dentre outros.
Rotatividade ou Giro de estoque: corresponde ao número de vezes em que o estoque
é consumido totalmente durante um determinado período (DIAS, 1993).
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Estoque de Segurança (ES): ou estoque mínimo, estoque morto ou estoque reserva,
é uma quantidade mínima de itens que deve existir no estoque com a função de cobrir as
possíveis variações do sistema, que podem ser: eventuais atrasos no Tempo de Reposição
pelo fornecedor, rejeição do lote de compra ou aumento na demanda do produto (DIAS,
1993).
Nível de serviço ao cliente: uma medida comum para medir o nível de serviço ao
cliente é a taxa de atendimento ao pedido, que é a relação entre a quantidade de itens
disponíveis e a quantidade de itens solicitada pelo cliente (BERTAGLIA, 2003).
Acurácia de estoque: é determinada pela relação entre a quantidade física existente
no armazém e aquela existente nos registros de controle (GONÇALVES, 2007).
Tempo de Reposição (TR) ou lead time: é o espaço de tempo decorrido desde o
momento de sua solicitação no almoxarifado, colocação do pedido de compra e o momento
que se recebe o lote.
Ponto de Pedido (PP): é a quantidade de itens em estoque e que garante o processo
produtivo para que não sofra problemas de continuidade, enquanto se aguarda a chegada do
lote de compra, durante o tempo de reposição.
Ponto de Ruptura: é o ponto em que o estoque torna-se nulo. Ocorre quando o
consumo faz com que o estoque chegue a seu nível zero e, ainda, continua a demanda do
material. Apresenta-se na prática quando o usuário requisita um material e não pode ser
atendido em virtude do estoque encontrar-se em nível zero (DIAS, 1993).
A ruptura de estoque gera custos, os quais podem ser determinados através das
seguintes variáveis: (a) prejuízos: lucros cessantes devido à incapacidade de fornecimento;
(b) material: custos adicionais, causados por aquisição com material com outros fornecedores
ou sem licitação; e (e) comercial: custos de marketing para recuperação da imagem da
empresa, segmento de mercado perdido. Esses custos são denominados custos de falta.
Deve-se obter o maior equilíbrio possível entre a produção e o custo total de estoque,
porém sem perder de vista o nível de serviço prestado aos clientes. Assim, a administração do
estoque merece muita atenção, pois quando mal administrada será a causa de gastos
expressivos e transtornos para toda a cadeia, porém, quando esta área mantém-se sob controle
é possível o aumento nos lucros e a otimização de todo o processo.
2.2.3 Armazenagem
Manter níveis adequados de estoque é viável para as empresas, para evitar problemas
como a falta de mercadorias em conseqüência de um aumento inesperado da demanda,
portanto, faz-se necessário destinar um local específico para alocação destas mercadorias.
As mudanças na armazenagem se refletem na adoção de novos sistemas de informação
aplicados ao gerenciamento da armazenagem, em sistemas automáticos de movimentação e
separação de produtos e até na revisão do conceito do armazém como uma instalação cuja
finalidade principal é a estocagem de produtos (FLEURY et al., 2000).
A armazenagem deve respeitar as características de cada produto em condições que
garantam a estabilidade da qualidade do produto. Conforme Ballou (1993), o layout do
almoxarifado deve acomodar adequadamente as mercadorias e possibilitar o fácil acesso a
todos os produtos, permitindo a circulação necessária dos funcionários dentro do armazém.
Definido de maneira simples como sendo o arranjo de homens, máquinas e materiais,
o layout é a integração do fluxo típico de materiais, da operação dos equipamentos,
combinados com as características que conferem maior produtividade ao elemento humano,
isto para que a armazenagem de determinado produto se processe dentro do padrão máximo
de economia e rendimento (DIAS, 1993).
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Arnold (1999) lembra que antigamente só se pensava em armazéns como o lugar de
armazenamento, e de nenhuma forma como serviço de distribuição, os edifícios eram
concebidos em termos de pés quadrados e não cúbicos, e deste ponto de vista, da mão de obra
a ser utilizada e não nos equipamentos utilizados na movimentação dos materiais.
Armazéns ou CDs (Centros de Distribuição) executam papel-chave para aumentar a
eficiência da movimentação de mercadorias. Permitem a compensação eficaz dos custos de
estocagem com menores custos de transporte, ao mesmo tempo que mantém ou melhoram o
nível de serviço.
2.2.4 Distribuição
Logística pressupõe movimento de bens e serviços dos pontos de origem aos pontos
de uso ou consumo; a atividade de transporte executa este movimento gerando os fluxos
físicos dos mesmos ao longo dos canais de distribuição que também são relacionados com a
movimentação das unidades de transporte.
A atividade de transporte executa os movimentos de produtos ao longo dos canais de
distribuição mediante o uso de várias modalidades de transporte que fazem os links entre
unidades de produção ou armazenagem e os pontos de compra ou consumo. Segundo Ballou
(1993), as atividades de transporte são mensuradas mediante dois parâmetros: distâncias
percorridas entre os pontos de produção e de consumo; tempo em que os fluxos ocorrem.
Como é possível extrair dos conceitos da logística, a distribuição dos bens e serviços é
fundamental para a finalização do processo logístico, desde a entrega da matéria-prima para a
indústria até a entrega do produto ao consumidor final. Viana (2000) pontua alguns fatores a
considerar no momento de decisão de como será efetuado o transporte, dentre eles: condições
de segurança, distância a ser transportada, tempo, custo, manuseio e rotas de viagem.
A escolha dos canais de distribuição depende das decisões estratégicas que são
tomadas, conforme Bowersox e Closs (2001), em função do (a) tipo de produto: valor, peso,
volume, perecibilidade; (b) tipo de mercado: tamanho, local, vias de acesso, sazonalidade;
(c) método de compra: prazos, faturamento, frete adotado; (d) localização: da unidade
produtiva, redes de armazenagem, local dos pontos de transação ou compra dos bens; e (e)
variedade dos modos de transporte disponível.
O processo de seleção de transporte deve estar totalmente integrado ao esforço
logístico geral das empresas. Na avaliação de modais e transportadoras possíveis, o valor ou
serviço proporcionado por uma combinação específica de transporte deve ser medido pelo
custo correspondente.
Como afirma Ballou (1993), a logística busca rearranjar as atividades da organização,
a fim de garantir o bom gerenciamento. Portanto, observando o escopo da logística, é
fundamental que as empresas busquem adequar os processos logísticos às suas atividades,
pois facilitarão o gerenciamento.
3. A INFORMAÇÃO NA LOGÍSTICA
A informação sempre foi um elemento de vital importância nas operações logísticas.
Mas agora, com as possibilidades oferecidas pela tecnologia, ela está proporcionando a força
motriz para a estratégia competitiva da logística. A transferência e o gerenciamento eletrônico
das informações permitem às empresas reduzir seus custos mediante melhor coordenação.
Segundo Porter (1989), a vantagem competitiva surge da maneira como as empresas
desempenham suas atividades dentro da cadeia de valor. Neste contexto, a utilização da
Logística associada à Tecnologia de Informação é significativa para que as empresas
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alcancem o objetivo almejado, ou seja, maior competitividade. Estas ferramentas têm
potencial para auxiliar a organização a obter tanto vantagem em custo e produtividade, como
a vantagem em valor.
Segundo Fleury (2000), três razões justificam a importância de informações rápidas e
precisas para sistemas logísticos eficazes. Em primeiro lugar, os clientes percebem que
informações sobre a situação do pedido, disponibilidade de produtos, programação de entrega
e faturas são elementos necessários do serviço ao cliente. A segunda razão relaciona-se ao uso
da informação para reduzir o estoque e minimizar as incertezas em torno da demanda.
Finalmente, a informação aumenta a flexibilidade e permite identificar os recursos que podem
ser utilizados para que se obtenha uma vantagem estratégica.
A logística refere-se ao gerenciamento da cadeia de suprimentos e utiliza-se de vários
fatores para seu desenvolvimento. Os valores agregados a esta cadeia de produção, conforme
Novaes (2004) são: (a) valor de lugar, que observa o transporte do produto, desde a fábrica
até a empresa e, desta, até o consumidor final; (b) valor de tempo, demonstra a necessidade
de atender o cliente em tempo exato; e (c) valor de informação, instrumentalizado pela
tecnologia, busca a possibilidade de permanente informação ao cliente sobre em que situação
encontra-se o pedido e mercadoria esperados.
Segundo Spinola e Pessôa (1998), um Sistema de Informação (S.I.) é um sistema que
cria um ambiente integrado e consistente, capaz de fornecer as informações necessárias a
todos os usuários ou ainda, como Shutzer e Pereira (1999), é um sistema integrado homemmáquina que fornece informações de suporte a operações, gerenciamento, análise e funções
de tomada de decisões em uma organização.
A Tecnologia da Informação (TI) vem, há tempos, apoiando as necessidades de
negócio e ainda, no entendimento de Bertaglia (2003), culminando como ferramentas de
otimização mais complexas utilizadas na economia moderna.
A integração das informações, de acordo com Gonçalves (2007) resulta em:
a) racionalização e eliminação de tarefas que não agregam valor;
b) redução dos erros pela utilização da informática na captura, processamento,
monitoração e contabilização dos dados;
c) melhoria no atendimento ao consumidor por redução dos tempos de espera em filas
(nos supermercados, por exemplo), pela confiabilidade das informações;
d) disponibilidade das informações em tempo real.
A informação serve como uma conexão entre os estágios da cadeia de suprimento,
permitindo que se coordene as ações e se coloque em prática o benefício de maximização da
lucratividade total da cadeia, por essa razão, é um dos seus principais condutores.
4. SISTEMAS DE INFORMAÇÃO E LOGÍSTICA
Um Sistema de Informação – SI, é um conjunto de elementos inter-relacionados que
coletam, manipulam e distribuem dados e informações para que aconteça a realimentação
(STAIR E REYNOLDS, 2006). Segundo O’Brien (2004), as pessoas, hardware, software,
redes de comunicações e recursos de dados se organizam para coletar, transformar e
disseminar informações na organização.
Para Stair e Reynolds (2006, p.13), um sistema de informação possui componentes de
entrada que tem como responsabilidade coletar e capturar dados básicos, de processamento
que transforma os dados em saídas úteis, de saída onde envolve a produção de informações
úteis que podem se apresentar em forma de documentos ou relatórios, e o último componente
de um SI é a realimentação, um tipo de saída que é empregada para alterar a entrada ou as
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atividades de processamento. Um SI “pode ser manual ou computadorizado”.
Tanto é verdade que Batista (2004, p. 19) afirma que SI “é todo e qualquer sistema
que possui dados ou informações de entrada que tenham por fim gerar informações de saída
para suprir determinadas necessidades”.
Entretanto, Stair e Reynolds (2006) salientam que os SI podem inicialmente ser
manuais e passarem a ser computadorizado. Contudo, não basta automatizar um SI manual
esperando que seu desempenho melhore, pois se este contiver falhas, a automatização pode
ampliar essas falhas podendo implicar em grandes problemas para a organização.
De acordo com estes autores, o desenvolvimento de um sistema é a atividade de criar
ou modificar sistemas existentes, e pode ser dividido em cinco etapas: investigação de sistema
(entender o problema), análise de sistema (entender a solução), projeto de sistema (selecionar
e planejar a melhor solução), implementação de sistemas (colocar solução em ação) e
manutenção e revisão de sistemas (avaliar resultados de solução).
O’Brien (2004, p.88), afirma que há três razões para aplicar um SI em uma empresa:
“suporte de seus processos e operações, suporte na tomada de decisões de seus funcionários e
gerentes e suporte em suas estratégias em busca de vantagens competitivas”.
Segundo Fleury et al (2000), os sistemas de informações logísticas funcionam como
elos que ligam as atividades logísticas em um processo integrado, combinando hardware e
software para medir, controlar e gerenciar as operações logísticas. Essas operações ocorrem
tanto internamente, como ao longo de toda a cadeia de negócios.
Estes mesmos autores listam, atualmente, três razões que justificam a importância de
informações rápidas e precisas para sistemas logísticos eficazes: (a) acesso a informações
sobre a situação do pedido, disponibilidade de produtos, programação de entrega e faturas; (b)
uso da informação para reduzir o estoque e minimizar as incertezas em torno da demanda; e
(c) aumento da flexibilidade e permissão para identificar os recursos que podem ser utilizados
para que se obtenha uma vantagem estratégica.
O LIS (Logistics Information System) - Sistemas de Informações Logísticas,
englobam a monitoração de fluxo ao longo de toda a cadeia de atividades logísticas.
Desempenha as seguintes funções: (a) captura os dados básicos; (b) transfere dados para
centros de tratamento e processamento; (c) armazena os dados básicos conforme seja
necessário; (d) processa os dados em informações úteis; (e) armazena as informações
conforme seja necessário; e (f) transfere as informações aos usuários (FLEURY et al., 2000).
As informações capturadas pelo LIS satisfazem aos objetivos de monitoração logística
e podem ser usadas para: prever, antecipar e planejar; garantir que as operações podem ser
rastreadas no tempo e que produtos podem ser localizados; e controlar e relatar as operações
completadas. Bowersox e Closs (2001) sumarizam as principais funcionalidades de um LIS:
a) gerenciamento dos pedidos: entrada do pedido, verificação do crédito, verificação
de disponibilidade de estoque, aceitação do pedido, modificação do pedido,
cálculo do preço do pedido, verificação do status do pedido, preço e descontos
adicionais, dentre outros;
b) processamento de pedidos: criação do pedido, geração da fatura, emissão de
documentos para separação de mercadoria dos pedidos, reserva de estoques,
processamento do pedido, liberação do estoque reservado e verificação da
expedição;
c) gerenciamento de estoques: modelagem e análise de previsão de vendas,
manutenção e atualização de dados de previsão, seleção de parâmetros de previsão,
seleção de parâmetros de estoques, simulação de estoque, planejamento de
necessidades de estoque, geração, liberação e programação de pedido de
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ressuprimento, dentre outros;
d) operações de distribuição: acompanhamento e designação de instalações de
armazenagem, controle de estoque, programação de mão-de-obra, controle de
lotes, localização, seleção e ressuprimento de pedidos, armazenagem, dentre
outros;
e) transporte e expedição: seleção de transportadoras, programação de
transportadoras, despacho, preparação de documentos, pagamentos de frete,
cálculo do frete da carga, carregamento dos veículos, dentre outros;
f) suprimento: análise e pagamentos, verificação de pedidos pendentes, entrada de
pedidos de compra, controle de status dos pedidos de compra, cotação do pedido,
comunicação de necessidades, dentre outros.
Com a utilização de sistemas de informação logísticos ou de gerenciamento da cadeia
de suprimentos, combinados com equipamentos e estrutura da empresa, é dado o devido
suporte para que as atividades de logística sejam administradas corretamente.
4.2 Principais tecnologias de informação aplicadas à logística
A seguir, apresentam-se alguns exemplos de inserção e uso da tecnologia de
informação, aplicados para processamento transacionais, de informações e geração de
relatórios, sistemas de suporte à decisão, ferramentas de produtividade, comunicação de dados
e de voz, automação de manufatura e projetos de desenvolvimento e outras tecnologias.
O EDI (Eletronic Data Interchange) - Intercâmbio Eletrônico de Dados é um meio de
intercâmbio de documentos e informações entre empresas, de computador para computador,
em formatos-padrão. Viabiliza a comunicação eletrônica de informações entre duas
organizações, eliminando formas tradicionais de comunicação como correio e fax.
A Internet é um dos extraordinários avanços em termos de tecnologia, possibilitando
nos dias atuais que as organizações aproximem o relacionamento cliente-fornecedor. Bertaglia
(2003), acredita que cada vez mais os conceitos de colação são buscados a fim de aumentar a
vantagem competitiva por meio de respostas eficientes às demandas, desenvolvimento de
produtos e redução de custo.
O MRP (Materials Requiriments Planning) – Planejamento das Necessidades de
Materiais permite determinar as necessidades de compras dos materiais; tem a função de criar
e manter a infraestrutura de informação industrial, a estrutura do produto (lista de materiais),
saldo de estoque, rotinas de processo, capacidade do centro de trabalho, dentre outros. P
permite ver de forma rápida, o impacto de qualquer replanejamento e assim saber os itens
faltantes e tomar as medidas corretivas, cancelar ou reprogramar pedidos e manter os estoques
em níveis razoáveis.
O MRP II – expandiu o conceito do MRP e passou a administrar planta e pessoas, e a
planejar a distribuição. Uma característica importante é o fechamento de processos, o que
permite retroalimentar a cadeia de negócios, de modo que a organização melhore seus
processos continuamente em busca de eficiência (BERTAGLIA, 2003).
Os sistemas ERP (Enterprise Resourse Planning) - Planejamento dos Recursos da
Empresa fornecem rastreamento e visibilidade global da informação de qualquer parte da
empresa e de sua cadeia de suprimento, em tempo real, o que possibilita decisões inteligentes.
(CHOPRA e MEINDL, 2003).
Segundo Bertaglia (2003), o ERP veio substituir o MRP e o MPRP II, a fim de
integrar a organização por meio de seus processos e funções, melhorando o controle
organizacional, o maior acesso as informações confiáveis, padronizando processos e
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reduzindo tempo na tomada de decisão, proporcionando assim, vantagem competitiva para a
organização.
O SCM (Supply Chain Management) acrescenta um nível mais alto aos sistemas ERP.
Oferece suporte para decisões analíticas além de visibilidade de informações. Enquanto o
ERP mostra à empresa o que está acontecendo, os sistemas SCM ajudam a decidir o que deve
ser feito (CHOPRA e MEINDL, 2003).
O DRP (Distribution Requiriments Planning) - Planejamento das Necessidades de
Distribuição, leva em conta os diversos estágios de distribuição e suas características. É uma
extensão do MRP, com a diferença que o MRP é baseado na programação de produção
definida e controlada pela empresa, enquanto o DRP coordena níveis, planeja a
movimentação de estoque, e, se necessário, reprograma estoques entre vários estágios da
cadeia (BOWERSOX e CLOSS, 2001).
O VMI (Ventor Managed Inventory) – Inventário Administrado pelo Vendedor é um
conceito de estoque gerenciado pelo fornecedor, onde os produtos são ‘puxados’ de acordo
com as necessidades de reposição. O sistema é baseado na geração automática de pedidos
pelo fornecedor já que este administra o estoque do varejista, o que possibilita um
reabastecimento muito mais eficiente em relação à demanda (BERTAGLIA, 2003).
O WMS (Warehouse Management System) – Sistema de Gerenciamento de Depósitos
é uma solução voltada ao gerenciamento de todas as funções de um armazém ou centro de
distribuição, segundo Gurgel (2000), capaz de lidar com extensos cálculos matemáticos para
solucionar problemas de arranjo físico com milhares de produtos e de pontos potenciais de
alocação num armazém.
A etiqueta inteligente, a smart TAG, ou EPC (Eletronic Product Code) é um
microship que pode ser acessado por meio de radiofreqüência, permitindo a identificação de
cada produto por um código único capaz de armazenar grande quantidade de informações
como: data de validade, processo de produção, descrição do produto e lote.
Resultado de um esforço mundial de instituições que já operacionalizaram o código de
barras de padrão internacional, o EPC viabiliza a aplicação da tecnologia RFID (Radio
Frequency IDentification) – Identificação por Rádio Freqüência na cadeia de suprimentos. A
tecnologia está sendo desenvolvida conjuntamente pelo GTAG (Global Tag) e Auto-ID do
Massachusetts Institute Of Tecnology. No Brasil, foi criado o Comitê da Etiqueta Inteligente,
coordenado em parceria com a EAN (European Article Number) Brasil, para discutir e
desenvolver aplicações da tecnologia na indústria e no varejo.
De acordo com Sergio Ribinek, CEO da EAN Brasil, os principais benefícios na
indústria são o aperfeiçoamento da gestão de estoques e rastreabilidade, e no varejo, a leitura
automática e instantânea de todos os produtos colocados no carrinho do consumidor,
funcionalidade anti-furto e monitoramento de promoções. Há forte potencialidade dos
benefícios de economia, segurança, agilidade e ganhos para todos os elos da cadeia de
suprimentos (GONÇALVES, 2007).
De acordo com Bertaglia (2003), a evolução na forma de fazer negócios, repensando
processos e estratégias, combinando o poder oferecido pela internet, tem direcionado as
organizações para novos modelos de negócios, olhando além da cadeia interna e buscando
novos conceitos. Alguns conceitos que vem sendo aplicados aos processos organizacionais e
que têm recebido grande suporte da tecnologia já disponível são descritos a seguir.
O CPRF - Collaborative, Planning, Forecating and Replenishmentk, relacionado ao
planejamento corporativo, é um processo no qual a manufatura e o comércio compartilham
informações coletadas nos pontos de vendas para prepararem a estimativa conjunta de vendas.
O CRM - Customer Relationship Management está diretamente relacionado ao
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cliente. Auxilia no aprendizado sobre as necessidades e o comportamento dos consumidores.
A APS - Advanced Planning and Sheduling é uma ferramenta que permite sincronizar
um pedido do cliente com necessidades de materiais, capacidades de produção e atividades de
distribuição de modo a dar visibilidade total ao processo.
Procurement (obtenção ou aquisição) é uma ferramenta que envolve duas partes com
objetivos diferentes, vender e comprar, que interagem em um segmento de mercado. É
importante ressaltar que boas práticas de aquisições podem aumentar a lucratividade da
organização, reduzindo os problemas de fluxo de caixa, além de gerar materiais e serviços de
qualidade superior.
A Otimização de Planejamento Avançado congrega ferramentas organizacionais
que auxiliam a organização a aumentar o nível de satisfação do cliente.
De um modo geral, o sucesso da implantação de sistemas logísticos nas empresas e as
vantagens advindas de sua aplicação, depende do processo de amadurecimento empresarial.
Lee e Whang (2002) ensinam que o segredo está em utilizar as informações e alavancar os
recursos disponíveis para coordenar ações, priorizando os fluxos de informações. A palavra
chave passa a ser a integração empresarial para obtenção de vantagem competitiva.
Ao mesmo tempo em que as empresas vêm buscando reduzir seus estoques e melhorar
a qualidade de seu serviço, em um ambiente globalizado, a competitividade exige custos
reduzidos e prazos curtos nos ciclos dos pedidos. Para alcançar estes objetivos, as empresas se
utilizam em larga escala da Tecnologia da Informação. A TI vem contribuindo para a logística
tornar-se mais eficiente e efetiva na geração de valor para as empresas.
5. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS
Com a aplicação do instrumento de pesquisa, verifica-se que, dos 34 supermercados
pesquisados, 68% utiliza sistema de informação computadorizado para gerenciamento de suas
atividades logísticas. Dentre os 32% restantes, alguns supermercados utilizam sistema de
informação, porém de forma manual.
Dentre os supermercados pesquisados que contam com a tecnologia de informação,
41% utilizam tecnologias não listadas no questionário aplicado, sendo elas sistemas próprios
desenvolvidos e adaptados conforme necessidade, em alguns casos pacotes de serviços ou
ainda sistemas manuais. A internet destaca-se como a segunda tecnologia de informação mais
utilizada (16%), conforme se observa no Gráfico 1.
7%
EDI
7%
MRP
4%
MRP II
ERP
41%
SCM
14%
DRP
Internet
VMI
1%
NPS
0%
Procurement
16%
9%
0%
Outros
1%
Gráfico 1 – TI utilizadas na gestão das atividades logísticas
Fonte: Pesquisa aplicada (2009)
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As informações mais relevantes fornecidas pelos sistemas de informação pesquisados
são referentes ao giro dos produtos em estoque (18%) e nível de estoque (17%). O Gráfico 2
demonstra que a necessidade de compra e pedidos pendentes feitos ao fornecedor, que
representam 16% cada, ocupam o segundo lugar.
7%
pos ição (níveis) de estoque
5%
17%
neces s idade de compra
vida útil dos produtos
18%
16%
pedidos pendentes (no
fornecedor)
índice de falta de produtos
giro dos produtos em es toque
13%
8%
16%
grau de atendimento do
fornecedor
Outro (s ):
Gráfico 2 - Informações disponibilizadas pelo SI
Fonte: Pesquisa aplicada (2009)
A informação é um dos elementos chave para a obtenção de vantagem competitiva na
área de logística. Contudo, Bowersox e Closs (2001) salientam que a simples existência de
sistemas de informações logísticas não garante a concretização dessa meta. Um sistema
competitivo deve ser desenvolvido com base em um sistema transacional que inclua módulos
de controle gerencial, análise de decisão e planejamento estratégico, obedecendo a alguns
princípios como: disponibilidade; precisão; atualização em tempo hábil; flexibilidade e
formato adequado.
Para os autores, disponibilidade significa que as informações devem estar
disponíveis em tempo hábil e com consistência (ex: a posição de pedidos; nível de estoque).
Quanto à disponibilidade de informações consistentes sobre a posição de pedidos e/ou
nível de estoque, os gestores afirmaram que em 63% das vezes as informações sempre estão
disponíveis. Não houve registro das informações sobre o estoque não estarem disponíveis
quando se fez necessário. Estes dados são apresentados no Gráfico 3.
4%
0%
33%
sempre
na maiorida das vezes
63%
poucas vezes
nunca
Gráfico 3 – Freqüência da disponibilidade de informações
Fonte: Pesquisa aplicada (2009)
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A precisão é o grau de conformidade entre informações geradas pelo sistema e
contagens físicas atualizadas (estoque real e virtual). Quando não há grande consistência entre
essas informações, há a necessidade de manter estoques reguladores para reduzir a incerteza
do estoque (BOWERSOX e CLOSS, 2001).
Quanto à conformidade entre informações geradas pelo sistema de informação e
contagens físicas precisas, 32% dos pesquisados garantem que sempre há conformidade entre
as informações e contagens físicas. Entretanto, 52% afirmaram que a conformidade ocorre
apenas na maioria das vezes, como se vê no Gráfico 4.
4%
12%
32%
sempre
na maiorida das vezes
poucas vezes
nunca
52%
Gráfico 4 – Conformidade entre informações do sistema e contagens físicas
Fonte: Pesquisa aplicada (2009)
Outro princípio de SI refere-se à atualizações em tempo hábil. O tempo de
atualização é a diferença entre o momento em que uma atividade ocorre e o momento em que
ela pode ser vista no sistema. As atualizações em tempo real são mais oportunas, pois
diminuem incertezas e identificam problemas (código de barras, leitura ótica e EDI
(BOWERSOX e CLOSS, 2001).
Nesta pesquisa, o Gráfico 5 mostra que em 92% dos casos as atualizações das
informações acontecem sempre ou na maioria das vezes em tempo hábil.
4%
4%
sempre
na maiorida das vezes
53%
39%
poucas vezes
nunca
Gráfico 5 – Atualizações das informações em tempo hábil
Fonte: Pesquisa aplicada (2009)
Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009
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Os autores afirmam que os sistemas de informações devem ser capazes de fornecer
dados adaptados às necessidades especificas dos clientes, é o princípio da flexibilidade.
Quanto à capacidade do sistema de informação em fornecer dados adaptados às
necessidades específicas dos clientes, apenas 13% dos pesquisados nunca apresentam dados
adaptados às necessidades. O Gráfico 6 apresenta estes dados.
13%
8%
41%
sempre
na maiorida das vezes
poucas vezes
nunca
38%
Gráfico 6 – Capacidade de fornecimento de dados específicos
Fonte: Pesquisa aplicada (2009)
Conforme demonstra o Gráfico 7, a maioria dos pesquisados (52%) responderam que
as informações são sempre apresentadas de forma estruturada e ordenada; para 38% as
informações na maioria das vezes são apresentadas de forma estruturada e ordenada, enquanto
que para 8% as informações nunca são apresentadas num formato adequado.
Formato adequado é o quinto princípio de um SI- formatação de telas e relatórios de
modo que informações corretas possam ser apresentadas de forma estruturada e ordenada.
9%
4%
sempre
na maiorida das vezes
52%
35%
poucas vezes
nunca
Gráfico 7 – Estruturação e ordenação das informações
Fonte: Pesquisa aplicada (2009)
De acordo com 54% dos pesquisados, na maioria das vezes há acurácia de estoque,
enquanto que para 32%, os estoques existentes sempre são compatíveis com o mostrado no
sistema. Entretanto, 14% afirmam que os dados relativos aos produtos mostrados no sistema
nunca são compatíveis com o real existente, como apresenta o Gráfico 8.
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14%
0%
32%
sem pre
na m aiorida das vezes
poucas vezes
nunca
54%
Gráfico 8 – Freqüência em que se observa acurácia de estoque
Fonte: Pesquisa aplicada (2009)
Quanto à falta de materiais, 12% dos pesquisados responderam que nunca ocorre, e,
segundo 88 %, as faltas acontecem devido a ocorrências sazonais.
Questionados se houve melhoria no sistema logístico com o uso do sistema de
informação, 66% dos entrevistados relataram que o mesmo melhorou totalmente o processo e
apenas 4% relataram que não se obteve melhoria nenhuma. O Gráfico 9 mostra estes dados.
4%
0%
totalmente
30%
em grande parte
em parte
66%
não
Gráfico 9 – Melhoria no sistema logístico gerada pelo uso do SI
Fonte: Pesquisa aplicada (2009)
A redução de tarefas após a implantação do sistema ocorreu em grande parte para 63%
dos casos pesquisados. Para 18% dos entrevistados as tarefas executadas durante o processo
não sofreram alteração, permanecendo como antes. Destaque para o percentual de 5% dos
entrevistados que afirmaram que com a implantação do sistema de informação houve um
aumento de tarefas nas operações logísticas.
Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009
18
5%
14%
totalmente
18%
em grande parte
não, permaneceu como
antes
não, aumentou
63%
Gráfico 10 – Redução de tarefas nas operações logísticas pelo uso do SI
Fonte: Pesquisa aplicada (2009)
O sistema de informação permitiu redução de custos com o pessoal na contagem física
dos produtos em estoque em grande parte, representando 62% dos casos. Salienta-se que em
nenhum dos casos pesquisados houve registro de não redução dos custos com pessoal nas
contagens físicas dos produtos em estoque.
0%
14%
24%
permitiu totalmente
permitiu em grande parte
permitiu pouco
não permitiu
62%
Gráfico 11 – Redução de custos com pessoal pela implantação do SI – contagem física
Fonte: Pesquisa aplicada (2009)
Conforme mostra o Gráfico 12, os custos relativos ao envolvimento de pessoal na
gestão do almoxarifado foi reduzido em grande parte com a implantação do sistema de
informação, de acordo com 61% dos relatos. Apenas 5% dos pesquisados responderam que a
implantação do SI não permitiu nenhuma redução de custos com pessoal no almoxarifado.
5%
24%
10%
permitiu totalmente
permitiu em grande parte
permitiu pouco
não permitiu
61%
Cascavel – PR – 22
a 24 de junho de 2009
19
Gráfico 12 – Redução de custos com pessoal pela implantação do SI – almoxarifado
Fonte: Pesquisa aplicada (2009)
Já em relação aos custos com compras emergenciais (gerados quando ocorre ruptura
de estoque), o sistema permitiu totalmente a redução dos custos da empresa para 43% dos
casos. Entretanto, 5% dos gestores de supermercados afirmam que isso não foi possível. Estes
dados são mostrados no Gráfico 13.
5%
14%
43%
permitiu totalmente
permitiu em grande parte
permitiu pouco
não permitiu
38%
Gráfico 13 – Redução de custos com compras de caráter emergencial
Fonte: Pesquisa aplicada (2009)
Em relação à utilidade das informações logísticas geradas pelo sistema de
informação para o desenvolvimento de atividades gerenciais e tomada de decisões houve
unanimidade no sentido de que essas informações são de grande (92%) ou média utilidade
(8%). Assim, cabe ressaltar que para estas empresas existe o reconhecimento da importância
de informações rápidas e precisas para se obter sistemas logísticos eficazes.
8. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Os principais resultados demonstram que dentre os 68% dos supermercados de
Cascavel que possuem sistema informatizado, 41% utilizam tecnologias desenvolvidas e/ou
adaptados conforme sua necessidade.
As informações consideradas mais relevantes fornecidas pelo sistema foram em
relação aos níveis de estoque, rotatividade de produtos, índice de falta (necessidade de
compra) e pedidos pendentes (no fornecedor). Pode-se observar que tais informações sempre
ou na maioria das vezes estão disponíveis, são apresentadas de forma estruturada e ordenada,
permite atualizações em tempo hábil.
Os gestores observaram significativa melhoria no sistema logístico com o uso do
sistema de informação, proporcionando redução de tarefas. Além disso, em grande parte
houve redução de custos com pessoal na contagem física dos produtos e na gestão do
almoxarifado. Houve, ainda, redução de custos com compras emergenciais, já que a ruptura
de estoque só ocorre devido a fatores sazonais.
Uma base de dados bem estruturada, com informações importantes sobre os clientes,
sobre os volumes de vendas, sobre os padrões de entregas e sobre os níveis dos estoques e das
disponibilidades físicas e financeiras servirão como base de apoio a uma administração
eficiente e eficaz das atividades primárias de apoio do sistema logístico.
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A aplicação da pesquisa permitiu aprofundar os conhecimentos teóricos visualizando
na prática a problemática que pode ser um dos grandes entraves no sucesso do gerenciamento
das atividades logísticas, e que pode ser minimizado com o uso de sistemas de informações
apropriados nas organizações.
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