1 A TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NA LOGÍSTICA DOS SUPERMERCADOS DE CASCAVEL Área: ADMINISTRAÇÃO Categoria: PESQUISA Loreni Teresinha Brandalise Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE Rua Clovis Bevilacqua, 572 – Cascavel - PR [email protected] Sandra Mara Stocker Lago Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE Rua Dom Pedro II, 2199 – Cascavel - PR [email protected] Raquel Adriana Pin Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE Rua José Cazzanatto, 748 – Toledo - PR [email protected] Gabriela Loss Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE Rua General Osório, 3537 – Cascavel -PR [email protected] Juliana Simon Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE Rua Mato Grosso, 2840, Ap. 602 – Cascavel - PR [email protected] Karoline Frison Petricoski Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE Rua Pernambuco, 593, Ap. 604 – Cascavel - PR [email protected] Kary Daniele Boscatto Universidade Estadual do Oeste do Paraná - UNIOESTE Rua Potiguara, 490 – Cascavel - PR [email protected] Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 2 A Tecnologia da Informação na Logística dos Supermercados de Cascavel Área: ADMINISTRAÇÃO Categoria: PESQUISA Resumo A informação serve como uma conexão entre as atividades logísticas, permitindo que se coordenem as ações e se coloque em prática o benefício de maximização da lucratividade total da cadeia de suprimentos, por essa razão, é um dos seus principais condutores. Neste sentido, esta pesquisa objetiva avaliar os sistemas de informação utilizados no desempenho das atividades logísticas dos supermercados de Cascavel. O instrumento de coleta de dados – um questionário - foi elaborado com base nos principais conceitos sobre sistemas, tecnologias de informação e logística encontrados na literatura específica. O questionário foi aplicado a 34 gestores ou responsáveis pela área de logística de suprimentos, dos supermercados de Cascavel. Os principais resultados demonstram significativa melhoria no sistema logístico com o uso do sistema de informação, proporcionando redução de tarefas. Além disso, os sistemas de informações permitiram, em grande parte, redução de custos com pessoal na contagem física dos produtos e na gestão do almoxarifado. Houve ainda redução de custos com compras emergenciais, já que a ruptura de estoque só ocorre devido a fatores sazonais. Palavras-chave: Logística; Sistema de Informação; Supermercados 1. INTRODUÇÃO A informação é hoje o insumo básico para que as empresas modernas possam obter sucesso em suas atividades. Para tanto, os computadores são instrumentos perfeitos para fornecer informações, já que possuem grande capacidade de armazenamento e processamento de dados para a geração de informação. Cada vez mais as empresas precisam estar preparadas para as mudanças que vêm ocorrendo no ambiente em que estão atuando, principalmente porque o tempo agora é de globalização, onde as tecnologias de telecomunicações estão reduzindo rapidamente o tamanho do planeta, fazendo com que as informações e os dados sejam disseminados com uma velocidade cada vez maior. Os sistemas de informação podem afetar das mais variadas formas o desempenho das modernas organizações, abrindo-lhes inclusive, novos espaços e oportunidades de atuação competitiva, motivo pelo qual, gerentes e administradores não podem deixar de compreender sua natureza e a utilizar seus recursos com eficácia (CAMPOS, 1994). A utilização das ferramentas de Tecnologia da Informação (TI) na gestão da cadeia de suprimentos foi fator primordial para a operacionalização dos processos e sua gestão, permitindo um melhor acompanhamento da demanda de produtos, de acordo com as exigências dos clientes, o que se refletiu em melhorias significativas na programação das compras por parte dos produtores e de grandes atacadistas e no abastecimento do mercado varejista (GONÇALVES, 2007). Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 3 Conforme este autor, a aplicação da TI na denominada automação comercial informatização e integração de todas as operações de uma empresa com seus parceiros (fornecedores, bancos, serviços de crédito como Serasa, SPC) e clientes -, permitiu: redução dos tempos de espera e gargalos existentes na operação; eliminação das tarefas realizadas em duplicidade; compartilhamento das tarefas; e integração das atividades operacionais com os parceiros comerciais. O fluxo de informações documentadas em papel, além de aumentar o custo operacional e reduzir a satisfação do cliente, transmite informações de forma lenta e propensa a erros. A transferência e o gerenciamento eletrônico de informações proporcionam redução de despesas logísticas por meio de melhor coordenação, e ainda possibilita aperfeiçoar serviços na melhor oferta de informações aos clientes. Neste contexto, o objetivo deste artigo foi avaliar os sistemas de informação utilizados na logística dos supermercados de Cascavel. Para o alcance deste objetivo, buscou-se (a) demonstrar a interface da logística com os sistemas de informação, por meio de levantamento bibliográfico; (b) identificar as ferramentas de tecnologia da informação (TI) utilizadas para o desenvolvimento das atividades logísticas dos supermercados e, por fim, (c) analisar a eficiência logística (com o uso de TI), com base nos indicadores: ruptura e acurácia de estoque. Um estudo nesta área justifica-se à medida que se percebe que cada vez mais as empresas enfrentam dificuldades na gestão dos suprimentos, onde o principal gargalo é em relação à ineficiência dos processos logísticos, pela falta de informações confiáveis para a tomada de decisão gerencial. A informação é um dos elementos chave para a obtenção de vantagem competitiva na área de logística. Contudo, a simples existência de sistemas de informações logísticas não garante a concretização dessa meta. Uma base de dados bem estruturada, com informações importantes sobre os clientes, sobre os volumes de vendas, sobre os padrões de entregas e sobre os níveis dos estoques e das disponibilidades físicas e financeiras servirão como base de apoio a uma administração eficiente e eficaz das atividades primárias de apoio do sistema logístico. Este estudo foi realizado a partir de um levantamento bibliográfico onde identificou-se os principais conceitos sobre sistemas de informação, tecnologias da informação e logística, enfocando as atividades logísticas e os principais sistemas de informação utilizados, a fim de obter subsídios para a elaboração do instrumento de coleta de dados. Pretendia-se entrevistar toda a população formada pelos gestores ou responsáveis pela área de logística de suprimentos, dos supermercados de Cascavel cadastrados na APRAS – Associação Paranaense de Supermercados. Dentre a população de aproximadamente 50 supermercados, 34 se dispuseram a responder à entrevista. 2. LOGÍSTICA A importância da logística nas empresas dá-se em razão da constante busca da excelência em suas atividades. Esta busca intensifica-se a cada dia, pois o mundo está atento aos benefícios que um bom processo logístico pode proporcionar. No entendimento de Ballou (1993), a logística, quando bem empreendida, possibilita o crescimento da sociedade como um todo, interferindo na qualidade de vida do país onde está localizada a empresa, pois será responsável pelo desenvolvimento social do local. O conceito de logística tem evoluído de acordo com a capacidade de entendimento holístico das organizações, sendo que hoje, sua principal função é, após a análise do sistema de escolha de fornecedores até o atendimento pós-venda, buscar a detecção de todas as falhas Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 4 com o fito de tornar o processo excelente, ou seja, busca a plena eficácia da empresa. Bowersox e Closs (2001) enfatizam que a Logística diz respeito à obtenção de produtos e serviços no lugar e tempo desejados. Inclui também na sua concepção a idéia de integração das atividades da empresa. Ballou (2001) concebe Logística focalizando-a como a atividade que diminui a distância entre a produção e a demanda, incluindo nesse conceito o fluxo de produtos e serviços e a transmissão de informação. Para Ballou (2001), um dos objetivos da logística é melhorar o nível de serviço oferecido ao cliente, onde o nível de serviço logístico é a qualidade do fluxo de produtos e serviços gerenciados. A logística, portanto, é um fator que pode ser utilizado como estratégia para uma organização. Sua aplicação se dá da escolha adequada de fornecedores, passando pela organização e chegando ao cliente. Novaes (2004) aponta aspectos essenciais para correta aplicação do processo logístico, como o cumprimento dos prazos estabelecidos, que a empresa funcione de forma sistêmica, ou seja, que os setores sejam integrados, mantendo parcerias, tanto com fornecedores como com os clientes, objetivando a melhoria de todos os processos e, conseqüentemente, redução do custo de todas as etapas do processo, além de garantir a satisfação do consumidor final. De forma sintética, Christopher (1997) define logística como um processo de gerenciamento, que deve acontecer de forma estratégica, da aquisição, movimentação e armazenagem de materiais (peças e produtos), além do fluxo de informações inerentes ao processo, através da organização e seus canais de marketing, almejando a maximização da lucratividade. A fase mais avançada da logística é a da integração estratégica, onde o principal escopo é atuar de forma plenamente estratégica para alcançar absoluta satisfação do cliente, manter parcerias com fornecedores e clientes, compartilhar com os parceiros as informações estratégicas e organizacionais, e observar o negócio de forma sistêmica. A principal característica desta fase foi, portanto, a criação do SCM (Supply Chain Management) Gerenciamento da Cadeia de Suprimento. Assim, não há como negar que é de suma importância que as organizações se preocupem e tomem as devidas providências quanto ao processo logístico que aplicam, pois, só desta forma, estarão aptas a permanecer no mercado e, dentro dele, se destacar. 2.1 Gerenciamento da Cadeia Logística A logística é necessária em todos os tipos de empresas, a obra de Alvarenga e Novaes (1994) aponta sua necessidade em várias empresas, dentre elas, a da empresa varejista. Este tipo de empresa caracteriza-se por receber mercadoria em grandes lotes, proveniente diretamente das indústrias ou dos atacados, e precisam atender inúmeros clientes, o que gera dificuldade no processo de documentação e coordenação dos produtos, sendo, por isso, eficaz a existência de um processo logístico adequado. Para se entender melhor a cadeia de abastecimento e sua complexidade é importante conhecer algumas de suas características, dentre as quais Bertaglia (2003) destaca: a) localização das organizações - posicionamento geográfico implicando nos custos e nos fluxos logísticos; b) distribuição física - impacta nos custos e na qualidade dos serviços prestados, principalmente no cumprimento da entrega dos produtos aos clientes; c) administração dos estoques - o controle dos estoque global é fundamental para a redução do nível de capital investido; d) modo de transporte - depende das vantagens e desvantagens relacionadas a infraestrutura de transporte e ao volume a ser transportado; Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 5 e) fluxo de informação - extremamente ligado ao movimento físico de produtos e materiais, desempenha um papel fundamental de confiabilidade nos processos; f) estimativas - relacionadas a um bom planejamento poderá proporcionar um serviço melhor ao cliente; g) relacionamentos - atua como um elemento de vantagem competitiva, mas para tanto, é necessário administrá-la de maneira eficaz, pois seus modelos variam de acordo com as características do produto, o número de organizações envolvidas, a geografia, dentre outros. A intenção da logística atual é atuar de forma estratégica, abandonando as análises puramente fragmentadas. Corrêa e Corrêa (2007) definem a atuação estratégica como a capacidade de gerenciar o tratamento dos processos decisórios considerando os elementos externos à organização, como o cliente e a concorrência. A cadeia de abastecimento corresponde ao conjunto de processos requeridos para obter materiais, agregar-lhes valor de acordo com a concepção dos clientes e consumidores em disponibilizar os produtos para onde e quando a que os clientes e consumidores desejarem. O objetivo clássico da cadeia de abastecimento é possibilitar que os produtos certos, na quantidade certa, estejam nos pontos de venda no momento certo, considerando o menor custo possível, pois o foco da organização é a obtenção do lucro e a gestão correta da cadeia de abastecimento, que podem trazer vantagem competitiva (BERTAGLIA, 2003). Os conceitos apresentados sofreram evoluções importantes nos últimos anos, ampliando a visão, onde a tecnologia da informação e a inovação tecnológica tornam possível um futuro no qual a cadeia de abastecimento possa ser realmente integrada. 2.2 Atividades Logísticas A cadeia de valor desdobra a empresa em suas atividades estrategicamente relevantes, para compreender o comportamento dos custos e as fontes de diferenciação existentes ou potenciais, desse modo, ganha vantagem competitiva executando atividades estrategicamente importantes de maneira mais barata ou melhor que seus concorrentes. Segundo Chistopher (1997), a vantagem competitiva deriva de muitas atividades discretas que uma organização desempenha projetando, produzindo, comercializando, entregando e apoiando o seu produto. Sendo assim, cada uma dessas atividades pode contribuir para a posição de custo relativo da organização e criar a base de diferenciação. dentre as principais atividades logísticas figuram o setor de compras, de controle de estoques, de armazenagem e de distribuição, como se vê na seqüência. 2.2.1 O processo de compras Em qualquer empresa é fundamental a existência de eficiência no setor compras, pois este irá interferir em todos os outros setores da organização, inclusive na satisfação do cliente, o que, como já foi visto, é responsável pelo crescimento da empresa. Inserido na logística como função essencial, o processo de compras abrange várias atividades, que vão desde a definição dos produtos a serem adquiridos, o rastreamento e a escolha do fornecedor, além da administração de todo este processo, por meio dos pedidos. Arnold (1999, p. 209) sintetiza os objetivos deste processo, afirmando que “essa função é responsável pelo estabelecimento do fluxo dos materiais na firma, pelo seguimento junto ao fornecedor, e pela agilização da entrega”. Prazos de entrega não cumpridos criam problemas aos departamentos de produção e vendas, “mas a função de compras pode reduzir o número de problemas para ambas as áreas, além de adicionar lucros”. Esta função pode ser facilitada quando a relação de fornecedores e empresa mantém Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 6 boas relações e compartilham as informações, logo, a utilização das tecnologias informatizadas pode interferir beneficamente nesta relação. Ballou (1993), em sua obra sobre logística empresarial, interpretou uma charge publicada no The Wal Street Journal, intensificando a idéia de aceleração no processamento dos pedidos que pode ser conquistada quando as informações constantes na empresa fornecedora e compradora criam ligações. Arnold (1999) concorda que o melhor fornecedor é aquele que possui a tecnologia necessária para estar de acordo com a expectativa de qualidade, que consegue produzir as quantidades necessárias e é eficiente o suficiente para ter lucro, mesmo ofertando o produto à preços competitivos. Os fatores a serem analisados quando da escolha dos fornecedores, são: habilidade técnica, capacidade de produção, confiabilidade, serviço pós-venda, localização geográfica e preço. Portanto, conforme vários autores, dentre eles Corrêa e Corrêa (2007), é notável a importância de manter bom relacionamento com os fornecedores, mantendo parcerias estratégicas, que podem ser criadas através de contratos de médio e longo prazo. 2.2.2 Gestão de estoques A existência de estoque de mercadorias na empresa é considerado um investimento, pois proporcionará lucros, desde que bem administrado. Para Ballou (1993), manter estoque é uma maneira de garantir a disponibilidade de mercadorias à qualquer tempo, minimizando os custos da produção e distribuição. O controle de estoques é muito importante, pois as empresas operam com pequenas margens de lucro e pequenos erros na gestão de estoques podem acarretar prejuízos; e o alto investimento de estoques em mercadorias de baixa rotatividade e seus custos associados podem implicar em baixo retorno sobre o investimento. Especialmente para o comércio varejista é fundamental a manutenção de estoque, visto que a demanda nem sempre é previsível e, além disso, o giro das mercadorias é rápido, o que torna viável efetuar as compras em lotes maiores, garantindo estoque e, possibilitando a oferta constante dos produtos, diminuindo os custos do processo de compras. Arnold (1999) ensina que os procedimentos inerentes à manutenção do depósito são: receber os produtos; identificar os produtos; despachar os produtos para armazenamento; guardar os produtos; escolher os produtos; preparar a remessa; despachar a remessa; e operar um sistema de informações. O desenvolvimento destas funções pode ser facilitado mediante a utilização de sistemas informatizados. A importância que se dá para esta questão é conseqüência da necessidade de informatizar os procedimentos da gestão, pois a manutenção de estoques gera inúmeros dados e informações que precisam ser utilizados, armazenados e atualizados com freqüência, logo, a sistematização facilitará e tornará mais ágil e eficiente a manipulação destas informações. A correta administração do nível de estoque abrange aspectos como o conhecimento da demanda e a obtenção dos materiais, o que segundo Viana (2000), devem ser analisados consoante com quatro fatores: conhecimento da demanda, obtenção do material, processo de decisão e tempo de obtenção do material. O aumento ou a redução dos níveis de estoque geram forte impacto nas finanças de qualquer empresa. Medir o desempenho do estoque por meio de indicadores de desempenho relacionados aos estoques é fundamental, principalmente porque a administração moderna enfatiza a redução dos estoques. Alguns dos indicadores de desempenho de estoques são: giro de estoque, estoque de segurança, nível de serviço ao cliente, acurácia de estoque, lead time, dentre outros. Rotatividade ou Giro de estoque: corresponde ao número de vezes em que o estoque é consumido totalmente durante um determinado período (DIAS, 1993). Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 7 Estoque de Segurança (ES): ou estoque mínimo, estoque morto ou estoque reserva, é uma quantidade mínima de itens que deve existir no estoque com a função de cobrir as possíveis variações do sistema, que podem ser: eventuais atrasos no Tempo de Reposição pelo fornecedor, rejeição do lote de compra ou aumento na demanda do produto (DIAS, 1993). Nível de serviço ao cliente: uma medida comum para medir o nível de serviço ao cliente é a taxa de atendimento ao pedido, que é a relação entre a quantidade de itens disponíveis e a quantidade de itens solicitada pelo cliente (BERTAGLIA, 2003). Acurácia de estoque: é determinada pela relação entre a quantidade física existente no armazém e aquela existente nos registros de controle (GONÇALVES, 2007). Tempo de Reposição (TR) ou lead time: é o espaço de tempo decorrido desde o momento de sua solicitação no almoxarifado, colocação do pedido de compra e o momento que se recebe o lote. Ponto de Pedido (PP): é a quantidade de itens em estoque e que garante o processo produtivo para que não sofra problemas de continuidade, enquanto se aguarda a chegada do lote de compra, durante o tempo de reposição. Ponto de Ruptura: é o ponto em que o estoque torna-se nulo. Ocorre quando o consumo faz com que o estoque chegue a seu nível zero e, ainda, continua a demanda do material. Apresenta-se na prática quando o usuário requisita um material e não pode ser atendido em virtude do estoque encontrar-se em nível zero (DIAS, 1993). A ruptura de estoque gera custos, os quais podem ser determinados através das seguintes variáveis: (a) prejuízos: lucros cessantes devido à incapacidade de fornecimento; (b) material: custos adicionais, causados por aquisição com material com outros fornecedores ou sem licitação; e (e) comercial: custos de marketing para recuperação da imagem da empresa, segmento de mercado perdido. Esses custos são denominados custos de falta. Deve-se obter o maior equilíbrio possível entre a produção e o custo total de estoque, porém sem perder de vista o nível de serviço prestado aos clientes. Assim, a administração do estoque merece muita atenção, pois quando mal administrada será a causa de gastos expressivos e transtornos para toda a cadeia, porém, quando esta área mantém-se sob controle é possível o aumento nos lucros e a otimização de todo o processo. 2.2.3 Armazenagem Manter níveis adequados de estoque é viável para as empresas, para evitar problemas como a falta de mercadorias em conseqüência de um aumento inesperado da demanda, portanto, faz-se necessário destinar um local específico para alocação destas mercadorias. As mudanças na armazenagem se refletem na adoção de novos sistemas de informação aplicados ao gerenciamento da armazenagem, em sistemas automáticos de movimentação e separação de produtos e até na revisão do conceito do armazém como uma instalação cuja finalidade principal é a estocagem de produtos (FLEURY et al., 2000). A armazenagem deve respeitar as características de cada produto em condições que garantam a estabilidade da qualidade do produto. Conforme Ballou (1993), o layout do almoxarifado deve acomodar adequadamente as mercadorias e possibilitar o fácil acesso a todos os produtos, permitindo a circulação necessária dos funcionários dentro do armazém. Definido de maneira simples como sendo o arranjo de homens, máquinas e materiais, o layout é a integração do fluxo típico de materiais, da operação dos equipamentos, combinados com as características que conferem maior produtividade ao elemento humano, isto para que a armazenagem de determinado produto se processe dentro do padrão máximo de economia e rendimento (DIAS, 1993). Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 8 Arnold (1999) lembra que antigamente só se pensava em armazéns como o lugar de armazenamento, e de nenhuma forma como serviço de distribuição, os edifícios eram concebidos em termos de pés quadrados e não cúbicos, e deste ponto de vista, da mão de obra a ser utilizada e não nos equipamentos utilizados na movimentação dos materiais. Armazéns ou CDs (Centros de Distribuição) executam papel-chave para aumentar a eficiência da movimentação de mercadorias. Permitem a compensação eficaz dos custos de estocagem com menores custos de transporte, ao mesmo tempo que mantém ou melhoram o nível de serviço. 2.2.4 Distribuição Logística pressupõe movimento de bens e serviços dos pontos de origem aos pontos de uso ou consumo; a atividade de transporte executa este movimento gerando os fluxos físicos dos mesmos ao longo dos canais de distribuição que também são relacionados com a movimentação das unidades de transporte. A atividade de transporte executa os movimentos de produtos ao longo dos canais de distribuição mediante o uso de várias modalidades de transporte que fazem os links entre unidades de produção ou armazenagem e os pontos de compra ou consumo. Segundo Ballou (1993), as atividades de transporte são mensuradas mediante dois parâmetros: distâncias percorridas entre os pontos de produção e de consumo; tempo em que os fluxos ocorrem. Como é possível extrair dos conceitos da logística, a distribuição dos bens e serviços é fundamental para a finalização do processo logístico, desde a entrega da matéria-prima para a indústria até a entrega do produto ao consumidor final. Viana (2000) pontua alguns fatores a considerar no momento de decisão de como será efetuado o transporte, dentre eles: condições de segurança, distância a ser transportada, tempo, custo, manuseio e rotas de viagem. A escolha dos canais de distribuição depende das decisões estratégicas que são tomadas, conforme Bowersox e Closs (2001), em função do (a) tipo de produto: valor, peso, volume, perecibilidade; (b) tipo de mercado: tamanho, local, vias de acesso, sazonalidade; (c) método de compra: prazos, faturamento, frete adotado; (d) localização: da unidade produtiva, redes de armazenagem, local dos pontos de transação ou compra dos bens; e (e) variedade dos modos de transporte disponível. O processo de seleção de transporte deve estar totalmente integrado ao esforço logístico geral das empresas. Na avaliação de modais e transportadoras possíveis, o valor ou serviço proporcionado por uma combinação específica de transporte deve ser medido pelo custo correspondente. Como afirma Ballou (1993), a logística busca rearranjar as atividades da organização, a fim de garantir o bom gerenciamento. Portanto, observando o escopo da logística, é fundamental que as empresas busquem adequar os processos logísticos às suas atividades, pois facilitarão o gerenciamento. 3. A INFORMAÇÃO NA LOGÍSTICA A informação sempre foi um elemento de vital importância nas operações logísticas. Mas agora, com as possibilidades oferecidas pela tecnologia, ela está proporcionando a força motriz para a estratégia competitiva da logística. A transferência e o gerenciamento eletrônico das informações permitem às empresas reduzir seus custos mediante melhor coordenação. Segundo Porter (1989), a vantagem competitiva surge da maneira como as empresas desempenham suas atividades dentro da cadeia de valor. Neste contexto, a utilização da Logística associada à Tecnologia de Informação é significativa para que as empresas Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 9 alcancem o objetivo almejado, ou seja, maior competitividade. Estas ferramentas têm potencial para auxiliar a organização a obter tanto vantagem em custo e produtividade, como a vantagem em valor. Segundo Fleury (2000), três razões justificam a importância de informações rápidas e precisas para sistemas logísticos eficazes. Em primeiro lugar, os clientes percebem que informações sobre a situação do pedido, disponibilidade de produtos, programação de entrega e faturas são elementos necessários do serviço ao cliente. A segunda razão relaciona-se ao uso da informação para reduzir o estoque e minimizar as incertezas em torno da demanda. Finalmente, a informação aumenta a flexibilidade e permite identificar os recursos que podem ser utilizados para que se obtenha uma vantagem estratégica. A logística refere-se ao gerenciamento da cadeia de suprimentos e utiliza-se de vários fatores para seu desenvolvimento. Os valores agregados a esta cadeia de produção, conforme Novaes (2004) são: (a) valor de lugar, que observa o transporte do produto, desde a fábrica até a empresa e, desta, até o consumidor final; (b) valor de tempo, demonstra a necessidade de atender o cliente em tempo exato; e (c) valor de informação, instrumentalizado pela tecnologia, busca a possibilidade de permanente informação ao cliente sobre em que situação encontra-se o pedido e mercadoria esperados. Segundo Spinola e Pessôa (1998), um Sistema de Informação (S.I.) é um sistema que cria um ambiente integrado e consistente, capaz de fornecer as informações necessárias a todos os usuários ou ainda, como Shutzer e Pereira (1999), é um sistema integrado homemmáquina que fornece informações de suporte a operações, gerenciamento, análise e funções de tomada de decisões em uma organização. A Tecnologia da Informação (TI) vem, há tempos, apoiando as necessidades de negócio e ainda, no entendimento de Bertaglia (2003), culminando como ferramentas de otimização mais complexas utilizadas na economia moderna. A integração das informações, de acordo com Gonçalves (2007) resulta em: a) racionalização e eliminação de tarefas que não agregam valor; b) redução dos erros pela utilização da informática na captura, processamento, monitoração e contabilização dos dados; c) melhoria no atendimento ao consumidor por redução dos tempos de espera em filas (nos supermercados, por exemplo), pela confiabilidade das informações; d) disponibilidade das informações em tempo real. A informação serve como uma conexão entre os estágios da cadeia de suprimento, permitindo que se coordene as ações e se coloque em prática o benefício de maximização da lucratividade total da cadeia, por essa razão, é um dos seus principais condutores. 4. SISTEMAS DE INFORMAÇÃO E LOGÍSTICA Um Sistema de Informação – SI, é um conjunto de elementos inter-relacionados que coletam, manipulam e distribuem dados e informações para que aconteça a realimentação (STAIR E REYNOLDS, 2006). Segundo O’Brien (2004), as pessoas, hardware, software, redes de comunicações e recursos de dados se organizam para coletar, transformar e disseminar informações na organização. Para Stair e Reynolds (2006, p.13), um sistema de informação possui componentes de entrada que tem como responsabilidade coletar e capturar dados básicos, de processamento que transforma os dados em saídas úteis, de saída onde envolve a produção de informações úteis que podem se apresentar em forma de documentos ou relatórios, e o último componente de um SI é a realimentação, um tipo de saída que é empregada para alterar a entrada ou as Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 10 atividades de processamento. Um SI “pode ser manual ou computadorizado”. Tanto é verdade que Batista (2004, p. 19) afirma que SI “é todo e qualquer sistema que possui dados ou informações de entrada que tenham por fim gerar informações de saída para suprir determinadas necessidades”. Entretanto, Stair e Reynolds (2006) salientam que os SI podem inicialmente ser manuais e passarem a ser computadorizado. Contudo, não basta automatizar um SI manual esperando que seu desempenho melhore, pois se este contiver falhas, a automatização pode ampliar essas falhas podendo implicar em grandes problemas para a organização. De acordo com estes autores, o desenvolvimento de um sistema é a atividade de criar ou modificar sistemas existentes, e pode ser dividido em cinco etapas: investigação de sistema (entender o problema), análise de sistema (entender a solução), projeto de sistema (selecionar e planejar a melhor solução), implementação de sistemas (colocar solução em ação) e manutenção e revisão de sistemas (avaliar resultados de solução). O’Brien (2004, p.88), afirma que há três razões para aplicar um SI em uma empresa: “suporte de seus processos e operações, suporte na tomada de decisões de seus funcionários e gerentes e suporte em suas estratégias em busca de vantagens competitivas”. Segundo Fleury et al (2000), os sistemas de informações logísticas funcionam como elos que ligam as atividades logísticas em um processo integrado, combinando hardware e software para medir, controlar e gerenciar as operações logísticas. Essas operações ocorrem tanto internamente, como ao longo de toda a cadeia de negócios. Estes mesmos autores listam, atualmente, três razões que justificam a importância de informações rápidas e precisas para sistemas logísticos eficazes: (a) acesso a informações sobre a situação do pedido, disponibilidade de produtos, programação de entrega e faturas; (b) uso da informação para reduzir o estoque e minimizar as incertezas em torno da demanda; e (c) aumento da flexibilidade e permissão para identificar os recursos que podem ser utilizados para que se obtenha uma vantagem estratégica. O LIS (Logistics Information System) - Sistemas de Informações Logísticas, englobam a monitoração de fluxo ao longo de toda a cadeia de atividades logísticas. Desempenha as seguintes funções: (a) captura os dados básicos; (b) transfere dados para centros de tratamento e processamento; (c) armazena os dados básicos conforme seja necessário; (d) processa os dados em informações úteis; (e) armazena as informações conforme seja necessário; e (f) transfere as informações aos usuários (FLEURY et al., 2000). As informações capturadas pelo LIS satisfazem aos objetivos de monitoração logística e podem ser usadas para: prever, antecipar e planejar; garantir que as operações podem ser rastreadas no tempo e que produtos podem ser localizados; e controlar e relatar as operações completadas. Bowersox e Closs (2001) sumarizam as principais funcionalidades de um LIS: a) gerenciamento dos pedidos: entrada do pedido, verificação do crédito, verificação de disponibilidade de estoque, aceitação do pedido, modificação do pedido, cálculo do preço do pedido, verificação do status do pedido, preço e descontos adicionais, dentre outros; b) processamento de pedidos: criação do pedido, geração da fatura, emissão de documentos para separação de mercadoria dos pedidos, reserva de estoques, processamento do pedido, liberação do estoque reservado e verificação da expedição; c) gerenciamento de estoques: modelagem e análise de previsão de vendas, manutenção e atualização de dados de previsão, seleção de parâmetros de previsão, seleção de parâmetros de estoques, simulação de estoque, planejamento de necessidades de estoque, geração, liberação e programação de pedido de Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 11 ressuprimento, dentre outros; d) operações de distribuição: acompanhamento e designação de instalações de armazenagem, controle de estoque, programação de mão-de-obra, controle de lotes, localização, seleção e ressuprimento de pedidos, armazenagem, dentre outros; e) transporte e expedição: seleção de transportadoras, programação de transportadoras, despacho, preparação de documentos, pagamentos de frete, cálculo do frete da carga, carregamento dos veículos, dentre outros; f) suprimento: análise e pagamentos, verificação de pedidos pendentes, entrada de pedidos de compra, controle de status dos pedidos de compra, cotação do pedido, comunicação de necessidades, dentre outros. Com a utilização de sistemas de informação logísticos ou de gerenciamento da cadeia de suprimentos, combinados com equipamentos e estrutura da empresa, é dado o devido suporte para que as atividades de logística sejam administradas corretamente. 4.2 Principais tecnologias de informação aplicadas à logística A seguir, apresentam-se alguns exemplos de inserção e uso da tecnologia de informação, aplicados para processamento transacionais, de informações e geração de relatórios, sistemas de suporte à decisão, ferramentas de produtividade, comunicação de dados e de voz, automação de manufatura e projetos de desenvolvimento e outras tecnologias. O EDI (Eletronic Data Interchange) - Intercâmbio Eletrônico de Dados é um meio de intercâmbio de documentos e informações entre empresas, de computador para computador, em formatos-padrão. Viabiliza a comunicação eletrônica de informações entre duas organizações, eliminando formas tradicionais de comunicação como correio e fax. A Internet é um dos extraordinários avanços em termos de tecnologia, possibilitando nos dias atuais que as organizações aproximem o relacionamento cliente-fornecedor. Bertaglia (2003), acredita que cada vez mais os conceitos de colação são buscados a fim de aumentar a vantagem competitiva por meio de respostas eficientes às demandas, desenvolvimento de produtos e redução de custo. O MRP (Materials Requiriments Planning) – Planejamento das Necessidades de Materiais permite determinar as necessidades de compras dos materiais; tem a função de criar e manter a infraestrutura de informação industrial, a estrutura do produto (lista de materiais), saldo de estoque, rotinas de processo, capacidade do centro de trabalho, dentre outros. P permite ver de forma rápida, o impacto de qualquer replanejamento e assim saber os itens faltantes e tomar as medidas corretivas, cancelar ou reprogramar pedidos e manter os estoques em níveis razoáveis. O MRP II – expandiu o conceito do MRP e passou a administrar planta e pessoas, e a planejar a distribuição. Uma característica importante é o fechamento de processos, o que permite retroalimentar a cadeia de negócios, de modo que a organização melhore seus processos continuamente em busca de eficiência (BERTAGLIA, 2003). Os sistemas ERP (Enterprise Resourse Planning) - Planejamento dos Recursos da Empresa fornecem rastreamento e visibilidade global da informação de qualquer parte da empresa e de sua cadeia de suprimento, em tempo real, o que possibilita decisões inteligentes. (CHOPRA e MEINDL, 2003). Segundo Bertaglia (2003), o ERP veio substituir o MRP e o MPRP II, a fim de integrar a organização por meio de seus processos e funções, melhorando o controle organizacional, o maior acesso as informações confiáveis, padronizando processos e Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 12 reduzindo tempo na tomada de decisão, proporcionando assim, vantagem competitiva para a organização. O SCM (Supply Chain Management) acrescenta um nível mais alto aos sistemas ERP. Oferece suporte para decisões analíticas além de visibilidade de informações. Enquanto o ERP mostra à empresa o que está acontecendo, os sistemas SCM ajudam a decidir o que deve ser feito (CHOPRA e MEINDL, 2003). O DRP (Distribution Requiriments Planning) - Planejamento das Necessidades de Distribuição, leva em conta os diversos estágios de distribuição e suas características. É uma extensão do MRP, com a diferença que o MRP é baseado na programação de produção definida e controlada pela empresa, enquanto o DRP coordena níveis, planeja a movimentação de estoque, e, se necessário, reprograma estoques entre vários estágios da cadeia (BOWERSOX e CLOSS, 2001). O VMI (Ventor Managed Inventory) – Inventário Administrado pelo Vendedor é um conceito de estoque gerenciado pelo fornecedor, onde os produtos são ‘puxados’ de acordo com as necessidades de reposição. O sistema é baseado na geração automática de pedidos pelo fornecedor já que este administra o estoque do varejista, o que possibilita um reabastecimento muito mais eficiente em relação à demanda (BERTAGLIA, 2003). O WMS (Warehouse Management System) – Sistema de Gerenciamento de Depósitos é uma solução voltada ao gerenciamento de todas as funções de um armazém ou centro de distribuição, segundo Gurgel (2000), capaz de lidar com extensos cálculos matemáticos para solucionar problemas de arranjo físico com milhares de produtos e de pontos potenciais de alocação num armazém. A etiqueta inteligente, a smart TAG, ou EPC (Eletronic Product Code) é um microship que pode ser acessado por meio de radiofreqüência, permitindo a identificação de cada produto por um código único capaz de armazenar grande quantidade de informações como: data de validade, processo de produção, descrição do produto e lote. Resultado de um esforço mundial de instituições que já operacionalizaram o código de barras de padrão internacional, o EPC viabiliza a aplicação da tecnologia RFID (Radio Frequency IDentification) – Identificação por Rádio Freqüência na cadeia de suprimentos. A tecnologia está sendo desenvolvida conjuntamente pelo GTAG (Global Tag) e Auto-ID do Massachusetts Institute Of Tecnology. No Brasil, foi criado o Comitê da Etiqueta Inteligente, coordenado em parceria com a EAN (European Article Number) Brasil, para discutir e desenvolver aplicações da tecnologia na indústria e no varejo. De acordo com Sergio Ribinek, CEO da EAN Brasil, os principais benefícios na indústria são o aperfeiçoamento da gestão de estoques e rastreabilidade, e no varejo, a leitura automática e instantânea de todos os produtos colocados no carrinho do consumidor, funcionalidade anti-furto e monitoramento de promoções. Há forte potencialidade dos benefícios de economia, segurança, agilidade e ganhos para todos os elos da cadeia de suprimentos (GONÇALVES, 2007). De acordo com Bertaglia (2003), a evolução na forma de fazer negócios, repensando processos e estratégias, combinando o poder oferecido pela internet, tem direcionado as organizações para novos modelos de negócios, olhando além da cadeia interna e buscando novos conceitos. Alguns conceitos que vem sendo aplicados aos processos organizacionais e que têm recebido grande suporte da tecnologia já disponível são descritos a seguir. O CPRF - Collaborative, Planning, Forecating and Replenishmentk, relacionado ao planejamento corporativo, é um processo no qual a manufatura e o comércio compartilham informações coletadas nos pontos de vendas para prepararem a estimativa conjunta de vendas. O CRM - Customer Relationship Management está diretamente relacionado ao Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 13 cliente. Auxilia no aprendizado sobre as necessidades e o comportamento dos consumidores. A APS - Advanced Planning and Sheduling é uma ferramenta que permite sincronizar um pedido do cliente com necessidades de materiais, capacidades de produção e atividades de distribuição de modo a dar visibilidade total ao processo. Procurement (obtenção ou aquisição) é uma ferramenta que envolve duas partes com objetivos diferentes, vender e comprar, que interagem em um segmento de mercado. É importante ressaltar que boas práticas de aquisições podem aumentar a lucratividade da organização, reduzindo os problemas de fluxo de caixa, além de gerar materiais e serviços de qualidade superior. A Otimização de Planejamento Avançado congrega ferramentas organizacionais que auxiliam a organização a aumentar o nível de satisfação do cliente. De um modo geral, o sucesso da implantação de sistemas logísticos nas empresas e as vantagens advindas de sua aplicação, depende do processo de amadurecimento empresarial. Lee e Whang (2002) ensinam que o segredo está em utilizar as informações e alavancar os recursos disponíveis para coordenar ações, priorizando os fluxos de informações. A palavra chave passa a ser a integração empresarial para obtenção de vantagem competitiva. Ao mesmo tempo em que as empresas vêm buscando reduzir seus estoques e melhorar a qualidade de seu serviço, em um ambiente globalizado, a competitividade exige custos reduzidos e prazos curtos nos ciclos dos pedidos. Para alcançar estes objetivos, as empresas se utilizam em larga escala da Tecnologia da Informação. A TI vem contribuindo para a logística tornar-se mais eficiente e efetiva na geração de valor para as empresas. 5. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS Com a aplicação do instrumento de pesquisa, verifica-se que, dos 34 supermercados pesquisados, 68% utiliza sistema de informação computadorizado para gerenciamento de suas atividades logísticas. Dentre os 32% restantes, alguns supermercados utilizam sistema de informação, porém de forma manual. Dentre os supermercados pesquisados que contam com a tecnologia de informação, 41% utilizam tecnologias não listadas no questionário aplicado, sendo elas sistemas próprios desenvolvidos e adaptados conforme necessidade, em alguns casos pacotes de serviços ou ainda sistemas manuais. A internet destaca-se como a segunda tecnologia de informação mais utilizada (16%), conforme se observa no Gráfico 1. 7% EDI 7% MRP 4% MRP II ERP 41% SCM 14% DRP Internet VMI 1% NPS 0% Procurement 16% 9% 0% Outros 1% Gráfico 1 – TI utilizadas na gestão das atividades logísticas Fonte: Pesquisa aplicada (2009) Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 14 As informações mais relevantes fornecidas pelos sistemas de informação pesquisados são referentes ao giro dos produtos em estoque (18%) e nível de estoque (17%). O Gráfico 2 demonstra que a necessidade de compra e pedidos pendentes feitos ao fornecedor, que representam 16% cada, ocupam o segundo lugar. 7% pos ição (níveis) de estoque 5% 17% neces s idade de compra vida útil dos produtos 18% 16% pedidos pendentes (no fornecedor) índice de falta de produtos giro dos produtos em es toque 13% 8% 16% grau de atendimento do fornecedor Outro (s ): Gráfico 2 - Informações disponibilizadas pelo SI Fonte: Pesquisa aplicada (2009) A informação é um dos elementos chave para a obtenção de vantagem competitiva na área de logística. Contudo, Bowersox e Closs (2001) salientam que a simples existência de sistemas de informações logísticas não garante a concretização dessa meta. Um sistema competitivo deve ser desenvolvido com base em um sistema transacional que inclua módulos de controle gerencial, análise de decisão e planejamento estratégico, obedecendo a alguns princípios como: disponibilidade; precisão; atualização em tempo hábil; flexibilidade e formato adequado. Para os autores, disponibilidade significa que as informações devem estar disponíveis em tempo hábil e com consistência (ex: a posição de pedidos; nível de estoque). Quanto à disponibilidade de informações consistentes sobre a posição de pedidos e/ou nível de estoque, os gestores afirmaram que em 63% das vezes as informações sempre estão disponíveis. Não houve registro das informações sobre o estoque não estarem disponíveis quando se fez necessário. Estes dados são apresentados no Gráfico 3. 4% 0% 33% sempre na maiorida das vezes 63% poucas vezes nunca Gráfico 3 – Freqüência da disponibilidade de informações Fonte: Pesquisa aplicada (2009) Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 15 A precisão é o grau de conformidade entre informações geradas pelo sistema e contagens físicas atualizadas (estoque real e virtual). Quando não há grande consistência entre essas informações, há a necessidade de manter estoques reguladores para reduzir a incerteza do estoque (BOWERSOX e CLOSS, 2001). Quanto à conformidade entre informações geradas pelo sistema de informação e contagens físicas precisas, 32% dos pesquisados garantem que sempre há conformidade entre as informações e contagens físicas. Entretanto, 52% afirmaram que a conformidade ocorre apenas na maioria das vezes, como se vê no Gráfico 4. 4% 12% 32% sempre na maiorida das vezes poucas vezes nunca 52% Gráfico 4 – Conformidade entre informações do sistema e contagens físicas Fonte: Pesquisa aplicada (2009) Outro princípio de SI refere-se à atualizações em tempo hábil. O tempo de atualização é a diferença entre o momento em que uma atividade ocorre e o momento em que ela pode ser vista no sistema. As atualizações em tempo real são mais oportunas, pois diminuem incertezas e identificam problemas (código de barras, leitura ótica e EDI (BOWERSOX e CLOSS, 2001). Nesta pesquisa, o Gráfico 5 mostra que em 92% dos casos as atualizações das informações acontecem sempre ou na maioria das vezes em tempo hábil. 4% 4% sempre na maiorida das vezes 53% 39% poucas vezes nunca Gráfico 5 – Atualizações das informações em tempo hábil Fonte: Pesquisa aplicada (2009) Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 16 Os autores afirmam que os sistemas de informações devem ser capazes de fornecer dados adaptados às necessidades especificas dos clientes, é o princípio da flexibilidade. Quanto à capacidade do sistema de informação em fornecer dados adaptados às necessidades específicas dos clientes, apenas 13% dos pesquisados nunca apresentam dados adaptados às necessidades. O Gráfico 6 apresenta estes dados. 13% 8% 41% sempre na maiorida das vezes poucas vezes nunca 38% Gráfico 6 – Capacidade de fornecimento de dados específicos Fonte: Pesquisa aplicada (2009) Conforme demonstra o Gráfico 7, a maioria dos pesquisados (52%) responderam que as informações são sempre apresentadas de forma estruturada e ordenada; para 38% as informações na maioria das vezes são apresentadas de forma estruturada e ordenada, enquanto que para 8% as informações nunca são apresentadas num formato adequado. Formato adequado é o quinto princípio de um SI- formatação de telas e relatórios de modo que informações corretas possam ser apresentadas de forma estruturada e ordenada. 9% 4% sempre na maiorida das vezes 52% 35% poucas vezes nunca Gráfico 7 – Estruturação e ordenação das informações Fonte: Pesquisa aplicada (2009) De acordo com 54% dos pesquisados, na maioria das vezes há acurácia de estoque, enquanto que para 32%, os estoques existentes sempre são compatíveis com o mostrado no sistema. Entretanto, 14% afirmam que os dados relativos aos produtos mostrados no sistema nunca são compatíveis com o real existente, como apresenta o Gráfico 8. Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 17 14% 0% 32% sem pre na m aiorida das vezes poucas vezes nunca 54% Gráfico 8 – Freqüência em que se observa acurácia de estoque Fonte: Pesquisa aplicada (2009) Quanto à falta de materiais, 12% dos pesquisados responderam que nunca ocorre, e, segundo 88 %, as faltas acontecem devido a ocorrências sazonais. Questionados se houve melhoria no sistema logístico com o uso do sistema de informação, 66% dos entrevistados relataram que o mesmo melhorou totalmente o processo e apenas 4% relataram que não se obteve melhoria nenhuma. O Gráfico 9 mostra estes dados. 4% 0% totalmente 30% em grande parte em parte 66% não Gráfico 9 – Melhoria no sistema logístico gerada pelo uso do SI Fonte: Pesquisa aplicada (2009) A redução de tarefas após a implantação do sistema ocorreu em grande parte para 63% dos casos pesquisados. Para 18% dos entrevistados as tarefas executadas durante o processo não sofreram alteração, permanecendo como antes. Destaque para o percentual de 5% dos entrevistados que afirmaram que com a implantação do sistema de informação houve um aumento de tarefas nas operações logísticas. Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 18 5% 14% totalmente 18% em grande parte não, permaneceu como antes não, aumentou 63% Gráfico 10 – Redução de tarefas nas operações logísticas pelo uso do SI Fonte: Pesquisa aplicada (2009) O sistema de informação permitiu redução de custos com o pessoal na contagem física dos produtos em estoque em grande parte, representando 62% dos casos. Salienta-se que em nenhum dos casos pesquisados houve registro de não redução dos custos com pessoal nas contagens físicas dos produtos em estoque. 0% 14% 24% permitiu totalmente permitiu em grande parte permitiu pouco não permitiu 62% Gráfico 11 – Redução de custos com pessoal pela implantação do SI – contagem física Fonte: Pesquisa aplicada (2009) Conforme mostra o Gráfico 12, os custos relativos ao envolvimento de pessoal na gestão do almoxarifado foi reduzido em grande parte com a implantação do sistema de informação, de acordo com 61% dos relatos. Apenas 5% dos pesquisados responderam que a implantação do SI não permitiu nenhuma redução de custos com pessoal no almoxarifado. 5% 24% 10% permitiu totalmente permitiu em grande parte permitiu pouco não permitiu 61% Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 19 Gráfico 12 – Redução de custos com pessoal pela implantação do SI – almoxarifado Fonte: Pesquisa aplicada (2009) Já em relação aos custos com compras emergenciais (gerados quando ocorre ruptura de estoque), o sistema permitiu totalmente a redução dos custos da empresa para 43% dos casos. Entretanto, 5% dos gestores de supermercados afirmam que isso não foi possível. Estes dados são mostrados no Gráfico 13. 5% 14% 43% permitiu totalmente permitiu em grande parte permitiu pouco não permitiu 38% Gráfico 13 – Redução de custos com compras de caráter emergencial Fonte: Pesquisa aplicada (2009) Em relação à utilidade das informações logísticas geradas pelo sistema de informação para o desenvolvimento de atividades gerenciais e tomada de decisões houve unanimidade no sentido de que essas informações são de grande (92%) ou média utilidade (8%). Assim, cabe ressaltar que para estas empresas existe o reconhecimento da importância de informações rápidas e precisas para se obter sistemas logísticos eficazes. 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os principais resultados demonstram que dentre os 68% dos supermercados de Cascavel que possuem sistema informatizado, 41% utilizam tecnologias desenvolvidas e/ou adaptados conforme sua necessidade. As informações consideradas mais relevantes fornecidas pelo sistema foram em relação aos níveis de estoque, rotatividade de produtos, índice de falta (necessidade de compra) e pedidos pendentes (no fornecedor). Pode-se observar que tais informações sempre ou na maioria das vezes estão disponíveis, são apresentadas de forma estruturada e ordenada, permite atualizações em tempo hábil. Os gestores observaram significativa melhoria no sistema logístico com o uso do sistema de informação, proporcionando redução de tarefas. Além disso, em grande parte houve redução de custos com pessoal na contagem física dos produtos e na gestão do almoxarifado. Houve, ainda, redução de custos com compras emergenciais, já que a ruptura de estoque só ocorre devido a fatores sazonais. Uma base de dados bem estruturada, com informações importantes sobre os clientes, sobre os volumes de vendas, sobre os padrões de entregas e sobre os níveis dos estoques e das disponibilidades físicas e financeiras servirão como base de apoio a uma administração eficiente e eficaz das atividades primárias de apoio do sistema logístico. Cascavel – PR – 22 a 24 de junho de 2009 20 A aplicação da pesquisa permitiu aprofundar os conhecimentos teóricos visualizando na prática a problemática que pode ser um dos grandes entraves no sucesso do gerenciamento das atividades logísticas, e que pode ser minimizado com o uso de sistemas de informações apropriados nas organizações. REFERÊNCIAS ALVARENGA, Antonio Carlos; NOVAES, Antonio Galvão N.. Logística aplicada: suprimento e distribuição física. 2. ed. São Paulo: Pioneira, 1994. ARNOLD, J. R. Tony. Administração de materiais: uma introdução. São Paulo: Atlas, 1999. BALLOU, Ronald H. 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