FLÁVIO BORDINO KLEIN Subsídios para a implantação da Certificação em Turismo Sustentável no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) São Paulo 2010 i FLÁVIO BORDINO KLEIN Subsídios para a implantação da Certificação em Turismo Sustentável no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) Projeto de apresentado formatura como II requisito ao Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) para a obtenção do título de Bacharel em Gestão Ambiental da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Orientadora: Prof.ª Dr.ª Sônia Regina Paulino São Paulo 2010 ii À minha mãe Marilene Bordino iii AGRADECIMENTOS À Professora Sônia Regina Paulino, por toda a sua competência na orientação deste trabalho e pela paciência com meus atrasos. Ao Professor Sidnei Raimundo, pelas ricas sugestões feitas para a elaboração deste trabalho. Ao Professor Paulo Santos de Almeida, pelas oportunidades de realizarmos alguns trabalhos na área de Direito Ambiental que enriqueceram meu aprendizado. À Professora Helene Mariko Ueno, que me passou preciosas referências quando comecei a estudar sobre o Vale do Ribeira que contribuíram muito para a elaboração deste trabalho. Ao Professor Homero Fonseca Filho, pela oportunidade de realizarmos uma pesquisa no sétimo semestre que só veio a somar o meu aprendizado. Aos professores do curso de Gestão Ambiental da EACH, em especial àqueles que, embora não sejam todos, acreditam no curso e nos alunos, passando para nós importantes ensinamentos. À EACH, em especial, pela ajuda financeira para as viagens que realizei quando participei dos congressos nas cidades de São Carlos e Porto Alegre. Aos amigos que fiz nesta Universidade, que me deram tanta alegria para superar as dificuldades ao longo dos anos, em especial: André, Carlão, Chu, Deborah, Fabiana Savani, José Agnaldo, Juliane, Lucas, Marina, Milene e Rogerinho. A todos que me ajudaram quando sofri o acidente de moto, especialmente pelas caronas do Pablo e pelas visitas da Fabi, Juliana Belko, Fabiana Massone, Lucas e, claro, por aquela tarde de sábado inesquecível quando a Mi, o Agnaldo e a Juliane colaram lá em casa, além de todo o apoio que tive da turma quando passei por essa fase. Valeu mesmo!! E aos demais que esqueci me desculpem ae... mas estão guardados no coração! À turma de Gestão Ambiental, pelos ótimos momentos “como um todo”. Aos moradores do Bairro da Serra, por toda a simpatia, hospitalidade e simplicidade em me ajudar a entender um pouco da sua história. À Paula, pela força e dedicação em diversos momentos. Mina firmeza. E, em especial e acima de tudo, a Deus, pela inspiração em estudar e pesquisar um lugar tão lindo e abençoado como o PETAR. iv RESUMO KLEIN, F. B. Subsídios para a implantação da Certificação em Turismo Sustentável no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR). 2010. 125 f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) - Escola de Artes, Ciências e Humanidades, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) possui uma enorme relevância ecológica por estar inserido no Vale do Ribeira, região que detêm o maior remanescente do Bioma Mata Atlântica do Brasil. Por se tratar de uma Unidade de Conservação de Uso Restrito, uma das alternativas de uso econômico que vêm ocorrendo no PETAR é o ecoturismo, gerando uma importante fonte de renda para os meios de hospedagem localizados no Bairro da Serra – Iporanga. Porém, a experiência deste tipo de atividade no PETAR, assim como no Brasil, tem evidenciado impactos socioambientais negativos como a degradação dos locais visitados e a falta de inclusão na geração de empregos e renda à população local. Assim, o presente trabalho teve como objetivo analisar as possibilidades para a implantação da Certificação em Turismo Sustentável nos meios de hospedagem que localizam-se no Bairro da Serra, localizado no entorno do PETAR, como um instrumento proposto para minimizar os impactos socioambientais negativos. Utilizou-se como metodologia os requisitos ambientais, socioculturais e econômicos da ABNT NBR 15401:2006 (Meios de Hospedagem – Sistema de Gestão da Sustentabilidade – Requisitos), os quais foram baseados num questionário que permitiu o levantamento dos pontos positivos e pontos a melhorar de alguns meios de hospedagem em relação ao cumprimento dos requisitos da Norma. Os resultados desse diagnóstico preliminar indicaram que as pousadas são as maiores e principais beneficiadas com a atividade turística e que, devido à falta de planejamento, muitos dos aspectos e impactos ambientais negativos ocasionados direta e indiretamente pelos meios de hospedagem podem comprometer o ecoturismo no local e a falta de inclusão e auxílio no desenvolvimento da população local inviabilizam a sustentabilidade dessa atividade. Concluiu-se que os meios de hospedagem que buscarem a Certificação em Turismo Sustentável podem reduzir os impactos socioambientais negativos, a partir de algumas sugestões feitas para uma melhor gestão ecoturística, de modo a contribuir para a expansão e consolidação do ecoturismo no PETAR. Palavras-chave: Certificação em Turismo Sustentável; Ecoturismo; Meios de Hospedagem; PETAR; Unidades de Conservação. v ABSTRACT KLEIN, F. B. Subsidies for the implementation of the Sustainable Tourism Certification in Alto Ribeira Tourist State Park (PETAR). 2010. 125 p. Monograph (Completion of Course Work ) - Arts, Science and Humanities School, University of São Paulo, São Paulo, 2010. Alto Ribeira Tourist State Park (PETAR) has an enormous ecological relevance to be inserted in Ribeira Valley region, which holds Brazil's largest remnant of Atlantic Forest Biome. Because it to be a Restricted Use Conservation Unit, an alternate economic use occuring in PETAR is ecotourism, generating an important source of income for the means of accommodation located in the Serra District – Iporanga. But the experience of this type of activity in PETAR, as well as in Brazil, has shown negative social and environmental impacts such as degradation of the places visited and the lack of inclusion in generating jobs and income for local people. Thus, this study was to examine the possibilities to implement the Sustainable Tourism Certification in means of accommodation that are located in the Serra District, located in the vicinity of PETAR, as an instrument proposed to minimize the negative social and environmental impacts. It was used as methodology the environmental, sociocultural and economic requirements of the ABNT NBR 15401:2006 (Means of Accommodation - Sustainability Management System - Requirements), which were based on a questionnaire identify the positive points and the ones that needed improvement in some means of accomodation in relation to fulfillment of the requirements of Standard. The results of this preliminary diagnosis indicated that the inns are the largest and main beneficiaries of the tourist activity and that, because of lack of planning, many negative environmental aspects and impacts caused directly and indirectly by means of accommodation may undermine ecotourism on site and the lack of inclusion and aid in the development of local population impedes the sustainability of this activity. It was concluded that the means of accommodation that seek the Sustainable Tourism Certification can reduce the negative social and environmental impacts from some suggestions made to better manage ecotourism, with the objective of contribute to the expansion and consolidation of ecotourism in PETAR. Keywords: Sustainable Tourism Certification; Ecotourism; Means of Accommodation; PETAR; Conservation Unit. vi SUMÁRIO AGRADECIMENTOS ................................................................................................................... iv RESUMO ........................................................................................................................................ v ABSTRACT ................................................................................................................................... vi SUMÁRIO ..................................................................................................................................... vii LISTA DE FIGURAS .................................................................................................................. viii LISTA DE QUADROS ................................................................................................................ viii 1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA ......................................................................................... 2 2. METODOLOGIA........................................................................................................................ 6 2.1Tipo e técnicas de pesquisa .................................................................................................... 6 2.2Unidade de análise .................................................................................................................. 6 2.2.1 Localização dos meios de hospedagem .......................................................................... 6 2.2.2 Seleção dos meios de hospedagem ................................................................................. 8 2.3 Os instrumentos de coleta de dados ....................................................................................... 9 2.4Dimensões e variáveis da pesquisa que orientarão a coleta de dados .................................... 9 2.4.1 Elaboração do formulário ............................................................................................. 10 2.5 Análise dos dados ................................................................................................................ 12 3. UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE USO RESTRITO E O ECOTURISMO NO BRASIL ....................................................................................................................................................... 14 4. CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL: APLICAÇÃO NO SETOR DE TURISMO ....................... 24 5. IMPACTOS DO TURISMO NO PETAR ................................................................................. 29 5.1. A importância da atividade turística: aspectos e impactos ambientais, socioculturais e econômicos ................................................................................................................................ 29 5.2. Relacionando os aspectos e impactos negativos do ecoturismo no PETAR com os requisitos da ABNT 15.401:2006 .............................................................................................. 36 6. ADEQUAÇÃO DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM NO PETAR AOS REQUISITOS DA NBR 15401 ............................................................................................................................................. 40 6.1. Diagnóstico preliminar com base na identificação de pontos positivos e pontos a melhorar ................................................................................................................................................... 40 6.2 Análise do diagnóstico preliminar ....................................................................................... 61 6.2.1. Requisitos ambientais .................................................................................................. 61 6.2.2 Requisitos socioculturais e econômicos ....................................................................... 70 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES ............................................................ 83 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................................... 89 vii Apêndice 1 – Variáveis e questões para a pesquisa de campo, organizadas segundo os requisitos ambientais, socioculturais e econômicos da NBR 15401 .............................................................. 97 ANEXO 1 – atrativos do Núcleo Santana ................................................................................... 104 ANEXO 2 – Atrativos do Núcleo Ouro Grosso .......................................................................... 113 ANEXO 3 - Atrativos do Núcleo Caboclos................................................................................ 117 ANEXO 4 – Atrativos do Núcleo Casa da Pedra ........................................................................ 123 LISTA DE FIGURAS Figura 1 – Limites do PETAR e dos núcleos de visitação____________________________09 Figura 2 – Esquema simplificado sobre a origem das águas residuárias_________________66 Figura 3 - exemplo de um modelo de banheiro ecológico com separador de urina das fezes___68 LISTA DE QUADROS Quadro 1 - Requisitos ambientais, socioculturais e econômicos da Norma 15401 e que foram utilizados para a elaboração do formulário_________________________________________11 Quadro 2 - Pontos positivos e pontos a melhorar do empreendimento “A” a partir dos requisitos da NBR 15401_______________________________________________________________42 Quadro 3 - Pontos positivos e pontos a melhorar do empreendimento “B” a partir dos requisitos da NBR 15401______________________________________________________________49 Quadro 4 - Pontos positivos e pontos a melhorar do empreendimento “C” a partir dos requisitos da NBR 15401______________________________________________________________56 viii 1. INTRODUÇÃO E JUSTIFICATIVA O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), com seus 35.712 ha, faz parte da área contínua de Mata Atlântica mais preservada do Brasil. A sua importância foi realçada já em 1991, a partir de sua incorporação pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, portanto, patrimônio da humanidade (CASTRO,C. 2004). Ele foi criado pelo decreto lei nº 32.283 de 19/05/58, incluído como área de preservação do ecossistema Mata Atlântica e Caverna. Abrange os municípios de Apiaí (8.360 ha) e Iporanga (27.352 ha), ambos localizados na região do Vale do Ribeira, em SP (CASTRO, 2004; FOGAÇA, 2006). Dos 7% que restaram do bioma Mata Atlântica em território nacional, 21% estão localizados no Vale do Ribeira (ISA, 2008). O bom estado de conservação desta área deve-se principalmente ao fato desta região, ao longo de seu processo histórico, ter permanecido isolada, à margem do desenvolvimento econômico que ocorria concomitante no restante do estado (FRANÇA, 2005). Por outro lado, no que tange os aspectos socioeconômicos, a região do Vale do Ribeira possui um dos menores índices de desenvolvimento humano (IDH) do Estado de São Paulo. Das três dimensões que compõem o IDH (renda per capita, grau de escolaridade e longevidade), a renda no Vale do Ribeira apresenta-se como o pior dos indicadores que compõem o IDH da região devido à falta de emprego para a população economicamente ativa (PEA) e baixa remuneração. Estes aspectos decorrem em virtude da falta de investimentos públicos e privados que poderiam modificar o atual quadro socioeconômico dos municípios da região, no sentido de aumentar as oportunidades de emprego (FRANÇA, 2005). Neste contexto, o PETAR é classificado como uma Unidade de Conservação de Proteção Integral e seu uso, de acordo com a Lei Federal nº 9.985, de 18 de julho de 2000, está restrito a atividades que não envolvam consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais. Assim, de acordo com o caput do art. 11 da supracitada lei, uma das atividades permitidas para unidades de conservação (UC) 1 como o PETAR seria o turismo ecológico. De fato, a atividade turística nesta região vem sendo a principal fonte de renda e geração de empregos, em especial no Bairro da Serra, localizado em Iporanga (GIATTI, 2004; FOGAÇA, 2007). Trata-se, portanto, de uma 1 Doravante utilizaremos apenas a abreviação UC. 2 alternativa ao desenvolvimento social e econômico concomitante à conservação e preservação da biodiversidade que existe no PETAR (MENDES JUNIOR, 2007; MENDONÇA, 2007). Somente em abril de 2010, a Fundação Florestal concluiu um plano de manejo para 20 cavernas do PETAR (SÃO PAULO, 2010). Devido a inexistência de tal instrumento, o turismo crescente no PETAR causou impactos em seu interior, em especial, nas cavernas, pela visitação turística acima da capacidade de carga no local, a qual ocorreu principalmente no Núcleo Santana, o mais visitado do PETAR (LOBO, 2005). O entorno do Parque também vem sofrendo impactos, principalmente pela construção de hotéis e pousadas sem uma adequação de tais construções no que concerne à minimização dos impactos paisagísticos (FOGAÇA, 2006), pelo despejo de esgotos produzidos pelos turistas nos rios e córregos sem tratamento ou por fossas sépticas rudimentares e pela disposição imprópria dos resíduos sólidos, os quais são lançados em lixões a céu aberto (GIATTI, 2004). Além disso, a questão sócio-cultural vem ganhando importância, pois boa parte da população local não vem sendo contemplada pelos benefícios econômicos advindos do ecoturismo no PETAR (MENDES JUNIOR, 2007). Até a questão tributária também deve ser enfatizada, um vez que a maior parte das pousadas e camping que recebem os turistas não possuem firma aberta, o que impede maior arrecadação tributária para Iporanga e Apiaí (FOGAÇA, 2006), limitando a realização de investimentos públicos em infraestrutura como saneamento básico, transportes, entre outros. Por possuírem baixos níveis de desenvolvimento econômico, tais municípios arrecadam menos tributos e, concomitantemente, a população local possui baixos níveis de renda per capita, “formando assim um círculo vicioso da pobreza e do subdesenvolvimento” (FRANÇA, 2005, p. 184). Pelo exposto, nota-se alguns dos principais aspectos e impactos socioambientais que vem ocorrendo no PETAR bem como no seu entorno. A criação de unidades de conservação como o PETAR reflete as políticas de comando e controle utilizadas pelo Estado, como um mecanismo de proteção ao meio ambiente. Assim, em vista da existência dos instrumentos de comando e controle, é necessário que também haja instrumentos econômicos que permitam um suporte à gestão de recursos naturais (SEROA DA MOTTA, 2006). Um desses instrumentos se trata da certificação ambiental, a qual permite que empresas e instituições que priorizem uma redução nos impactos ambientais negativos possam, mediante a certificação, tornarem-se diferenciadas no mercado pois, ao ofertarem bens e serviços certificados, passam a saciar a demanda atual cada vez mais exigente com a conservação dos 3 recursos naturais, além de melhorar a sua imagem perante outras empresas a partir da rotulagem ambiental, vulgarmente conhecida como selo verde (MOURA, 2004; VALLE, 1995). Devido a necessidade em criar-se um modelo de certificação propício à realidade do turismo ecológico no Brasil, o Instituto de Hospitalidade, em parceria com o Conselho Brasileiro para o Turismo Sustentável (CBTS) publicaram, em 2004, a Norma Nacional para Meios de Hospedagem – Requisitos para a Sustentabilidade: NIH-54:2004. Tal Norma foi desenvolvida no âmbito do Programa de Certificação em Turismo Sustentável (PCTS). A referida Norma objetiva a sustentabilidade de micro e pequenos meios de hospedagem, através de requisitos e critérios mínimos, de forma a agregar valores ao produto, melhoria do atendimento, da qualidade de vida da comunidade receptora, concomitante à conservação ambiental (INSTITUTO DE HOSPITALIDADE, 2004). A referida norma serviu de base para a criação, dois anos depois, da ABNT NBR 15.401:2006 (Meios de Hospedagem – Sistema de Gestão de Sustentabilidade – Requisitos), que incorpora a norma desenvolvida no Programa de Certificação em Turismo Sustentável – PCTS. O turismo ecológico envolve um nicho de mercado que corresponde ao perfil de turista que gasta mais do que o turista padrão (AZEVEDO, 2003). Assim, empreendimentos localizados em áreas com grande relevância ecológica, como no entorno do PETAR, mediante a Certificação em Turismo Sustentável, poderia trazer vantagens econômicas ao empreendedor, uma vez que tornarse-á diferenciado no mercado, permitindo drenar maior demanda ecoturística a qual vem, nos últimos anos, buscando pousadas na região do PETAR com melhor infraestrutura, mesmo com maiores custos para os turistas (FOGAÇA, 2006). A partir do exposto, o objetivo principal desse trabalho é. analisar as possibilidades para a implantação da Certificação em Turismo Sustentável no PETAR, com base na NBR 15401:2006. Os objetivos específicos são: relacionar os Princípios e Requisitos estabelecidos pela referida Norma com a descrição dos aspectos e impactos ambientais significativos (positivos e negativos) do turismo no PETAR; realizar um diagnóstico preliminar sobre a adequação das condições existentes no PETAR, em especial, dos meios de hospedagem, em relação aos requisitos ambientais, socioculturais e econômicos da Norma; e propor formas na gestão ecoturística com maior participação das comunidades locais e tradicionais, de tal forma que estas obtenham benefícios com o ecoturismo. Sendo assim, este trabalho suscita a seguinte pergunta de pesquisa: a Certificação em 4 Turismo Sustentável, em empreendimentos relacionados ao ecoturismo localizados no entorno do PETAR, pode contribuir para a redução de impactos socioambientais negativos e, concomitante, gerar impactos socioambientais positivos advindos deste tipo de atividade? Para o desenvolvimento metodológico do trabalho foram identificados, com base em pesquisa bibliográfica e documental, aspectos socioambientais do ecoturismo no PETAR que podem estar relacionados à ocorrência de impactos adversos. A unidade de análise é o Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira, e em relação ao entorno do Parque a unidade selecionada para a pesquisa de campo foi o Bairro da Serra, localizado em Iporanga. Para a análise da contribuição potencial da certificação ambiental para a promoção do ecoturismo no PETAR, os aspectos ambientais compilados foram organizados e discutidos segundo os Princípios e Requisitos da ABNT NBR 15.401:2006. A adequação dos meios de hospedagem, isto é, a obtenção do nível de desempenho nas dimensões ambientais, socioculturais e econômicas foram analisadas a partir de dados obtidos por meio da realização de entrevistas presenciais por meio da aplicação de um formulário semi-estruturado que procurou englobar os requisitos ambientais, socioculturais e econômicos da supracitada norma. Este trabalho está organizado em seis seções. A segunda trata do detalhamento da metodologia adotada para o cumprimento dos objetivos propostos. A terceira seção trata da problemática e complexidade em relação à criação de UC’s de uso restrito, a limitação no uso dos recursos naturais e o turismo ecológico como alternativa econômica viável à preservação e conservação de tais áreas. Na quarta seção discutiu-se a certificação ambiental como instrumento de diferenciação no mercado, alguns modelos de certificação, com ênfase para o setor hoteleiro, suas vantagens, benefícios e limitações. Na quinta seção analisaram-se, de forma descritiva, os principais aspectos ambientais e socioeconômicos do turismo praticado no PETAR que podem estar associados com a ocorrência de impactos positivos e negativos de tal atividade. Na sexta seção é feita a compilação de tais aspectos relacionando-os com os Princípios e Requisitos estabelecidos pela ABNT NBR 15.401:2006. Posteriormente, realizou-se a coleta e análise de dados relativos ao diagnóstico preliminar de alguns meios de hospedagem inseridos no entorno do Parque, a partir aplicação dos requisitos inerentes à ABNT 15.401, permitindo auferir os pontos positivos e pontos a melhorar de tais empreendimentos. Por fim, o último item da seção seis tratou de realizar propostas para a gestão ecoturística local, com participação dos empreendedores hoteleiros, turistas, órgãos públicos responsáveis pela gestão do Parque, 5 comunidade local e tradicional, de forma a ampliar os benefícios para tais comunidades a partir do ecoturismo no PETAR, associado à certificação ambiental pela ABNT NBR 15401:2006. 2. METODOLOGIA 2.1Tipo e técnicas de pesquisa No presente trabalho, a pesquisa desenvolvida é a descritiva, uma vez que objetiva estudar as características inerentes do turismo praticado no PETAR, especialmente o diagnóstico dos aspectos sociais, econômicos e ambientais que relacionam-se com os meios de hospedagem existentes nesta UC. Quanto às técnicas de pesquisa, foram baseadas em estudo de caso, com a realização de pesquisas de campo, bibliográfica e documental. 2.2 Unidade de análise A pesquisa foi realizada no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR), bem como no seu entorno. Esta análise considerou os núcleos de visitação Santana e Ouro Grosso, os atrativos mais visitados que ficam próximos a tais núcleos e os meios de hospedagem que possuem acesso para os respectivos núcleos. 2.2.1 Localização dos meios de hospedagem A localização dos meios de hospedagem será, a priori, os que se localizam em Iporanga, no Bairro da Serra, pois trata-se do bairro que, atualmente, possui a maior concentração para tais empreendimentos, bem como drena a maior parte da visitação turística no PETAR, em torno de 80% (BONDUKI, 2002; GIATTI, 2004; MENDES JUNIOR, 2007). Próximo a este bairro localizam-se os Núcleos Santana e Ouro Grosso, os quais possuem, atualmente, maior facilidade 6 de acesso aos turistas e melhor infraestrutura à visitação do Parque (MENDES JUNIOR, 2007; SANTOS, 2005). Uma outra questão pertinente trata-se da infraestrutura de acesso para os meios de hospedagem localizados no Bairro da Serra e destes aos núcleos acima mencionados. Segundo Bonduki (2002) e Fogaça (2006), o acesso a este bairro é feito pela SP 165, também conhecida como Rodovia Antônio Honório da Silva ou ainda estrada Iporanga-Apiaí (ISA, 2008) . Este bairro, assim como os Núcleos Santana e Ouro Grosso margeiam o Rio Betarí. Segundo Fogaça (2006) e Giatti (2004), as residências (incluindo os meios de hospedagem) que se localizam na margem direita deste rio possuem melhores condições de infraestrutura como abastecimento de água, coleta de resíduos, arruamento e acesso a automóveis. Na margem esquerda, por outro lado, não há acesso para automóveis, tampouco há pontes que liguem as margens do rio, não há abastecimento de água e coleta de resíduos sólidos e o arruamento não está bem definido. Como agravante, esta margem do rio é a mais próxima aos Núcleos Santana e Ouro Grosso, bem como ao próprio PETAR portanto, a não construção de empreendimentos seria uma forma de minimizar maiores pressões antrópicas no entorno do Parque e, concomitante, manteria em maior estado de conservação esta margem que, atualmente, possui menores transformações antrópicas na paisagem. Por esta razão, os meios de hospedagem selecionados serão os que pertencem ao Bairro da Serra, que se localizam na margem direita do Rio Betari e próximos aos núcleos Santana e Ouro Grosso conforme ilustra a figura 1 abaixo. 7 Figura 1 – Limites do PETAR e dos núcleos de visitação. Fonte: Fundação Florestal (sem data) 2.2.2 Seleção dos meios de hospedagem Quanto à seleção dos meios de hospedagem, foi feita considerando-se a própria definição da Norma, a qual define meios de hospedagem como “empreendimento, público ou privado, que fornece, dentre as suas atividades, serviços de acomodação” (ABNT, 2006, p. 2). Selecionou-se 8 três pousadas que, a priori, foram escolhidas as que possuem maior capacidade de acomodação dos turistas (em número de leitos). Baseando-se no trabalho desenvolvido por Fogaça (2006), no qual a autora analisa as condições básicas de infraestrutura das pousadas localizadas no Bairro da Serra (15 no total). Com base nesse trabalho, para a presente pesquisa foram selecionadas, para a coleta de dados de campo, as três pousadas com maior capacidade de acomodação de turistas seriam as pousadas A e B, com 72 e 180 leitos respectivamente, sendo tais números os maiores comparados às demais pousadas. O terceiro empreendimento escolhido foi a pousada C com 55 leitos embora haja outras pousadas no bairro com a quantidade de leitos próximas a esta última. Todos estes empreendimentos localizam-se na altura do Km 13 da Rodovia Honório da Silva (essa é a estrada que passa dentro do PETAR e que faz a ligação entre Apiaí e Iporanga. 2.3 Os instrumentos de coleta de dados Foram realizadas, no mês de abril de 2010. A partir de entrevistas presenciais com formulário semi-estruturado, aplicado para os responsáveis pelos empreendimentos selecionados. 2.4Dimensões e variáveis da pesquisa que orientarão a coleta de dados Foram adotadas como dimensões da pesquisa: os requisitos ambientais, socioculturais e econômicos da NBR 15401, os quais serviram de base para a elaboração de um formulário, com o intuito de realizar um diagnóstico em relação ao cumprimento dos requisitos da Norma para o Sistema de Gestão da Sustentabilidade por parte dos meios de hospedagem selecionados. As variáveis da pesquisa são os requisitos estabelecidos pela ABNT NBR 15.401. De uma forma geral, os padrões de certificação socioambiental são apresentados na forma de princípios e critérios. Os princípios expressam ideias, definem a estrutura básica dos padrões. Os critérios tratam de elementos que podem ser medidos e/ou avaliados a partir de indicadores (PINTO; PRADA, 2008). 9 2.4.1 Elaboração do formulário A Norma 15401 contempla requisitos para o sistema de gestão da sustentabilidade, os quais asseguram o atendimento aos Princípios do Turismo Sustentável estabelecidos pela supracitada Norma. O quadro 1 demonstra uma síntese destes requisitos e as questões base para a formulação do formulário que foi aplicado nos meios de hospedagem selecionados2. Quadro 1 - Requisitos ambientais, socioculturais e econômicos da Norma 15401 e que foram utilizados para a elaboração do formulário Requisitos ambientais para Questões com base nos requisitos da NBR 15401 o Turismo Sustentável Preparação e atendimento a O empreendimento possui procedimento adequado à prevenção de acidentes emergências ambientais ambientais bem como para mitigar impactos ambientais decorrentes deles? Áreas naturais, flora e fauna O empreendimento possui boas práticas de proteção e manejo para conservar a área natural, seja própria ou de terceiros? Arquitetura e impactos da O empreendimento foi construído com materiais de baixo impacto ambiental a partir construção no local do uso de materiais de fontes sustentáveis? Paisagismo O empreendimento foi construído de tal forma que seu paisagismo minimiza os impactos no ambiente natural e no entorno? Emissões, efluentes e O empreendimento possui medidas para reduzir, reutilizar ou reciclar os resíduos resíduos sólidos sólidos, para a emissão de efluentes líquidos e gasosos? Eficiência energética A arquitetura do empreendimento possui técnicas apropriadas para maximizar a eficiência energética? Conservação e gestão do uso O empreendimento possui medidas adequadas para minimizar o consumo de água? de água Seleção e uso de insumos O empreendimento possui medidas inerentes para minimizar o uso de insumos com 2 O Apêndice 1 mostra o quadro com todos os requisitos ambientais, socioculturais e econômicos e o questionário completo que foi aplicado nos meios de hospedagem selecionados 10 potenciais impactos ao meio ambiente e para promover um consumo sustentável como, por exemplo, consumir alimentos produzidos localmente? Requisitos socioculturais Questões com base nos requisitos da NBR 15401 para o turismo sustentável Comunidades locais O empreendimento possui ações que objetivam contribuir com o desenvolvimento das comunidades locais? Trabalho e renda O empreendimento possui um comprometimento em relação ao aproveitamento das pessoas e da produção local? Condições de trabalho O empreendimento assegura um atendimento mínimo em relação ao salário, segurança e higiene, a partir de referências sindicais regionais, bem como coibi o trabalho infantil? Aspectos culturais O empreendimento possui ações que permitem divulgar a cultura local para seus clientes? Saúde e educação O empreendimento participa de programas de saúde como, por exemplo, campanhas de vacinação, bem como apóia programas de educação ambiental à comunidade local? Populações tradicionais O empreendimento possui medidas que garantam o respeito aos hábitos, direitos e tradições das populações tradicionais? Requisitos econômicos Questões com base nos requisitos da NBR 15401 para o turismo sustentável Viabilidade econômica do O empreendimento possui algum plano de negócios que demonstre sua viabilidade e empreendimento sustentabilidade a longo prazo? Qualidade e satisfação dos O empreendimento planeja e implementa produtos e serviços que identificam-se com clientes as expectativas dos clientes, de forma a buscar a satisfação dos mesmos? Saúde e segurança clientes e no trabalho dos O empreendimento estabelece e mantém procedimentos para identificar, de forma contínua, os perigos e a avaliação de riscos, bem como implementa medidas de controle necessárias? Fonte: Adaptado da NBR 15401:2006 11 2.5 Análise dos dados Para a análise dos dados foi utilizada a metodologia proposta por Moreira (2001) para a elaboração de um diagnóstico preliminar do sistema de gestão ambiental (SGA), com base na ISO 14001. Segundo a autora, os objetivos do diagnóstico do SGA são: • Evidenciar e analisar a defasagem do gerenciamento ambiental da Unidade em relação aos requisitos do modelo de SGA que se pretende implantar; • Promover a percepção da defasagem e, concomitante, da necessidade de melhoria no gerenciamento ambiental; • Despertar a consciência da empresa sobre o papel relevante na melhoria do desempenho ambiental; • Identificar as oportunidades de melhoria. A ABNT NBR 15.401 possui, além dos requisitos ambientais, requisitos socioculturais e econômicos, os quais contemplam o sistema de gestão da sustentabilidade. Assim, no presente trabalho, a realização do diagnóstico preliminar do sistema de gestão da sustentabilidade dos meios de hospedagem foi realizado a partir de um questionário, o qual foi adaptado da metodologia proposta pela autora Moreira (2001), de tal forma que foram incluídos os requisitos definidos na referida Norma. Os resultados do diagnóstico preliminar foram identificados pelos pontos positivos e pontos a melhorar em relação ao cumprimento dos requisitos. Na presente pesquisa, os pontos positivos e pontos a melhorar foram obtidos após a aplicação do formulário. Além das entrevistas presenciais nos 3 meios de hospedagem selecionados, incluiu-se visita no empreendimento e registros fotográficos que permitiram a obtenção de um conjunto de evidências objetivas que deram suporte à avaliação do sistema de gestão da sustentabilidade. Tomando como exemplo a questão: O empreendimento possui procedimento para identificar potenciais riscos de acidentes ambientais, para atender situações de emergências e para mitigar os impactos deles decorrentes?, inerente ao item 5.1 da Norma “Preparação e atendimento a emergências ambientais”, suponhamos que o empreendimento 12 possua um inventário que identifica os locais da empresa com riscos de acidentes e um plano para atender situações de emergência. Por outro lado, não há nenhum planejamento para mitigar possíveis impactos decorrentes de tais acidentes. Este exemplo hipotético demonstra os pontos positivos e pontos a melhorar, respectivamente. Para as principais deficiências ou insuficiências observadas em relação aos pontos a melhorar, foram propostas algumas ações, de forma a mitigar alguns dos impactos negativos observados. Com relação à aplicação da metodologia, é importante fazer as seguintes ressalvas: - Muitos dos pontos positivos observados na pesquisa de campo foram a partir de uma análise preliminar qualitativa e que boa parte das respostas foram obtidas apenas por informação verbal passada pelos entrevistados. Algumas das respostas dadas por eles não puderam ser melhor avaliadas (em especial nos requisitos socioculturais e econômicos). Por exemplo, alguns afirmaram que utilizam vídeos para divulgar aos turistas alguns dos aspectos do PETAR. Porém, não foi avaliado o conteúdo de tais vídeos, pois haveria necessidade de maior tempo para entrevista. Assim, considera-se que os entrevistados foram fidedignos nas respostas dadas; - Houve a necessidade de improvisar parte da entrevista pois uma das pousadas selecionadas previamente não forneceu os dados. E foi, de forma imprevista, substituída pela pousada “C”, o que foi até positivo, uma vez que o entrevistado permitiu o acesso a toda a pousada e isso auxiliou na coleta de dados; - Na pousada “B”, o entrevistado não permitiu o acesso para que se pudesse conhecer melhor a pousada, pois estava atarefado e não tinha muito tempo disponível para a entrevista. Mesmo assim, apenas na entrada, foi possível observar e constatar alguns dos pontos a melhorar listados para o referido empreendimento; - O requisito citado na metodologia “Condições de trabalho” (item 6.3) obteve apenas pontos positivos para todos os empreendimentos (a partir da resposta dos entrevistados). Por essa razão, não foi mencionado no formulário, pois não há como diferenciar em qual empreendimento este requisito estaria sendo cumprido com maior precisão; 13 - O requisito “viabilidade econômica do empreendimento”, o qual na metodologia é citado como item 7.1, foi excluído pois nenhum dos empreendimentos tinha alguma resposta associada para tal requisito. 3. UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DE USO RESTRITO E O ECOTURISMO NO BRASIL Políticas públicas de incentivo à proteção do meio ambiente, como a implantação de unidades de conservação, seria uma das formas de atuação do Estado na busca do desenvolvimento sustentável3 no sentido de preservar os recursos e os equilíbrios naturais, os quais correspondem aos bens ambientais que pertencem a todos (SIRVINSKAS, 2008). As unidades de conservação, de acordo com o artigo 2º, inciso 1º da Lei 9.985/2000 são: um tipo especial de área protegida, constituem-se em espaços territoriais (incluindo seus recursos ambientais e as águas jurisdicionais) com características naturais relevantes, legalmente instituídas pelo Poder Público, com objetivos de conservação e de limites definidos, sob regime especial de administração, às quais se aplicam garantias adequadas de proteção. 3 A expressão “desenvolvimento sustentável”, formulado nos termos do Relatório Brundtland, em 1987, considera necessário e possível compatibilizar o desenvolvimento econômico concomitante à diminuição contínua das desigualdades sociais e a preservação dos recursos e equilíbrios naturais (CARNEIRO, 2005). Segundo Pires (2002, p. 60), desenvolvimento sustentável, pelo referido relatório, “é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades”. Deve-se salientar que apesar desta definição sobre “desenvolvimento sustentável” ser a mais utilizada atualmente, existem algumas críticas acerca de tal conceito. Sachs (2002) diferencia ecodesenvolvimento do desenvolvimento sustentável no sentido de que aquele considera dois desafios que levariam à sustentabilidade: o primeiro refere-se a busca de um consenso quanto a escala de tempo e espaço no que tange o uso dos recursos naturais pois enquanto os economistas usam uma escala de tempo em anos, os ecologistas consideram a escala de tempo para o ecossistema de séculos a milênios. O segundo desafio refere-se à necessidade de uma ética de solidariedade sincrônica pois não é possível um desenvolvimento sustentável com desigualdade social e uma ética de solidariedade diacrônica pois o desenvolvimento sustentável deve garantir o uso dos acessos aos recursos para as gerações atuais e, concomitante, conservá-los qualitativamente para as gerações futuras (SACHS, 2002). Nota-se, pelo exposto, que existem diferentes abordagens acerca da expressão “desenvolvimento sustentável”. Por hora, no presente trabalho, apesar das críticas e imprecisões, doravante, ao mencionarmos tal expressão, será de acordo com a definição formulada pelo Relatório Brundtland. 14 No Brasil, por um lado, existe uma relevância em garantir a existência das UC, uma vez que estas disponibilizam diversos serviços ambientais ou ecossistêmicos. Dentre eles, pode-se citar, por exemplo, a provisão de alimentos, a regulação climática e a formação do solo (ANDRADE; ROMEIRO, 2009). São, em última instância, fluxos de materiais, energia e informações oriundos dos ecossistemas naturais e cultivados. Tratam-se do capital natural o qual, combinado com o capital produzido pelo homem (como estradas, fábricas e máquinas) produzem bens e serviços necessários à humanidade (DALY, 2005). Segundo Andrade e Romeiro (2009), os serviços ambientais são de provisão, regulação, culturais e de suporte. Os serviços de provisão incluem os produtos obtidos dos ecossistemas, tais como alimentos, recursos madeireiros e não-madeireiros, recursos genéticos, produtos bioquímicos, medicinais e farmacêuticos, recursos ornamentais e água. Os serviços de regulação se relacionam às características regulatórias dos processos ecossistêmicos como manutenção da qualidade do ar, regulação climática, controle de erosão, purificação de água, tratamento de resíduos, regulação de doenças humanas, regulação biológica, polinização e proteção de desastres (mitigação de danos naturais). Os serviços culturais incluem a diversidade cultural, na medida em que a própria diversidade dos ecossistemas influencia a multiplicidade das culturas, valores religiosos e espirituais, geração de conhecimento (tradicional), valores educacionais, entre outros. Tais serviços são intrínsecos aos valores e comportamentos humanos, bem como às instituições e padrões sociais. Os serviços de suporte são considerados necessários à produção dos outros serviços ecossistêmicos. Como exemplos temos a produção primária líquida4, produção de oxigênio atmosférico, formação e retenção de solo, ciclagem de nutrientes e da água. Se diferenciam das demais categorias na medida em que seus impactos sobre o homem e ao próprio ecossistema são indiretos e a longo prazo (ANDRADE; ROMEIRO, 2009). Por outro lado, a criação de UC torna-se um empecilho ao crescimento econômico em diversos setores, uma vez que restringe o uso do solo para diversas atividades econômicas (JUNIOR et al., 2007). Nesse sentido, a ótica econômica limita o Estado na criação das unidades de conservação. O uso dos recursos naturais foi e ainda continua sendo unicamente como fator de produção. Nesse sentido, a relevância sobre o meio ambiente, no que tange a ótica econômica, 4 Segundo Martinez Alier (2007), a produção primária líquida ou produção de biomassa refere-se a quantidade de energia colocada à disposição das demais espécies vivas, os chamados heterótrofos, pelos produtores primários, isto é, as plantas. 15 refere-se ao fato deste propiciar recursos naturais que possam ser usados no processo produtivo (MORAES, 2005). No sistema capitalista, a concorrência entre os agentes econômicos leva-os, constantemente, a externalizar os custos de produção e, concomitante, o provimento das condições naturais de produção. Nesse sentido, sob uma maligna mão invisível, verdadeira tragédia dos comuns, a busca incessante da acumulação de riqueza abstrata faz com que, concomitantemente, cresçam os custos das tarefas ao provimento das condições naturais de produção, tarefas estas que recaem ao Estado. Assim, na síntese de Carneiro (2005, p. 29): A mediação estatal é necessária para garantir o provimento e o uso das condições necessárias à produção, mas, concomitante, deve responder às pressões de classes e grupos sociais interessados em outros usos das condições naturais. Portanto, o custo dessa intervenção via “políticas públicas ambientais”5 é, do ponto de vista do capital, um gasto improdutivo embora seja também necessário para a preservação das condições que permitam a continuidade no processo de acumulação de riqueza abstrata. No que concerne os aspectos legais, a classificação do PETAR como unidade de conservação está fundamentada na Lei 9.985/2000. No art. 7º, incisos 1º e 2º da supracitada Lei, as unidades de conservação são classificadas, respectivamente, em Unidades de Proteção Integral e Unidades de Uso Sustentável. No caso das Unidades de Proteção Integral, admite-se apenas o uso indireto dos seus recursos naturais (art. 7º, parágrafo 1º da lei supracitada). O termo “uso indireto” é definido pela mesma Lei como “aquele que não envolve consumo, coleta, dano ou destruição dos recursos naturais” (art. 2º, inciso 9º). Os tipos de unidades de conservação que fazem parte das Unidades de Proteção Integral estão arroladas no art. 8º, incisos 1º ao 5º. A categoria de Parque Nacional6 insere-se no inciso 3º do supracitado artigo. O caput do art. 11 da Lei nº 9.985/2000 define o objetivo da criação do Parque Nacional: 5 Como a criação de UC. De acordo com o art. 11, parágrafo 4º da supracitada Lei, as unidades categorizadas como Parque Nacional, quando criadas pelo Estado ou Município, são denominadas como Parque Estadual e Parque Natural Municipal, respectivamente. 6 16 O Parque Nacional tem como objetivo básico a preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação e interpretação ambiental, de recreação em contato com a natureza e de turismo ecológico. No interior das unidades de conservação de Proteção Integral, como o PETAR, a legislação é bastante restritiva em relação a diversos usos. Práticas de ecoturismo ou turismo na natureza, embora permitidas, também sofrem limitações da legislação ambiental ou da administração dessas áreas, com a indicação da necessidade de um planejamento criterioso. Segundo a Organização Mundial do Turismo (OMT, 2001, apud BURSZTYN, 2005, p. 03), “o turismo compreende as atividades realizadas pelas pessoas durante suas viagens e estadas em lugares diferentes do seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, por lazer, negócios ou outros”. No seu atual estágio de evolução o turismo passou a considerar, além do fator econômico, os problemas relacionados ao meio ambiente. Trata-se de uma nova visão do turismo onde se destaca a revalorização do meio ambiente, visão esta que ganha espaço a partir dos anos 80. Dentre os novos segmentos do turismo, tem-se destacado atualmente o ecoturismo ou turismo ecológico. O ecoturismo surgiu como uma nova ferramenta de conservação ambiental e de busca do desenvolvimento sustentável, contrapondo-se assim ao turismo de massa do tipo industrial (FONTOURA; SILVEIRA, 2008). O turismo de massa ou turismo convencional, iniciou-se após a Segunda Guerra Mundial a partir do restabelecimento do equilíbrio geopolítico, o estabelecimento de novos padrões sociais e culturais (principalmente pela expansão da economia mundial e com ela a eclosão de segmentos sociais beneficiários do processo de desenvolvimento cimentado pelas nações ocidentais do Primeiro Mundo), o desenvolvimento e aperfeiçoamento dos meios de transporte e pelos avanços tecnológicos nas telecomunicações. Esses fatores foram determinantes para o crescimento do turismo em escala mundial, tal como negócio organizado com fins comerciais em meio a outros segmentos da atividade industrial. Isso fez com que, já na década de 50, tornassem o turismo em níveis de pré-massificação (PIRES, 2002). O estágio mais impactante desse processo ocorreu a partir dos anos 70, auge do turismo de massa, com a manifestação de diversos problemas por ele desencadeados, recaindo o ônus sobre a estrutura social e econômica das populações anfitriãs, assim como a qualidade ambiental dos destinos-alvo deste modelo de turismo (PIRES, 2002). 17 Ainda segundo este autor (2002, p. 35), um conjunto de problemas amplamente constatados pela massificação do turismo seria: • expropriação e ocupação violenta do território por parte das forças e agentes turísticos; • especulação imobiliária e da terra; • expulsão e marginalização de populações locais; • ruptura dos valores culturais e desequilíbrio da economia local; • degradação de culturas tradicionais; • manipulação da memória e da herança coletiva; • violação de lugares sagrados; • segregação étnica; • desvios de comportamento e prostituição de mulheres e adolescentes; • comportamento grosseiro e insensível de turistas nos destinos estrangeiros; • poluição e destruição do meio natural; • imperialismo econômico de corporações transnacionais; • evasão de divisas para o exterior. Apesar de algumas especificidades de certos países, a evolução do ecoturismo, segundo Pires (2002) ocorreu em função do itinerante “mochileiro” (aspas no original). Este personagem universal caracterizado como jovem aventureiro, procedente dos países desenvolvidos, investe seu tempo de lazer em viagens longínquas e exóticas para diversos lugares no mundo. Destinações ecoturísticas como o Peru teve sua consagração pela presença desses aventureiros nos anos 70 e início dos anos 80, assim como a consagração em outros países de regiões intertropicais dos continentes centro e sul-americano, africano e asiático. O aspecto de contemplar a natureza pelo mochileiro é justamente o que identifica o ecoturismo em sua essência (PIRES, 2002). De fato, segundo Pires (2002), o ecoturismo se trata de um contraponto ao turismo convencional, isto é, trata-se de um turismo alternativo7 por ter em seu âmago a busca pela 7 Turismo alternativo segundo Pires (2002) incorpora aspectos que se distinguem total ou parcialmente do turismo de massa (ou convencional) como: localização da oferta turística em áreas naturais e/ou rurais; participação ativa (física, mental e emocional) do turista; geração de benefícios socioeconômicos para os anfitriões; valorização 18 sustentabilidade que devem ser alcançado a partir dos seguintes princípios fundamentais8 que permite a atividade turística ter o status de ecoturismo: • Ênfase na natureza e nos valores culturais autênticos • Minimização dos impactos ambientais • Geração de benefícios para a comunidade local • Difusão da consciência ecológica por meio da educação ambiental • Compromisso com a conservação da natureza Das diversas definições que existem para o ecoturismo, Pires (2002, p. 149) considera alguns aspectos que abrangem pontos fundamentais na concepção ambientalista do ecoturismo e na construção de seu conceito: - a ênfase na natureza, na história natural e nas culturas autóctones dos destinos caracterizados pela sua originalidade e autenticidade; - a preocupação com os impactos socioambientais da atividade nos destinos e com a sustentabilidade dos recursos utilizados; - a prioridade para a geração de benefícios advindos da atividade para as comunidades locais e a preocupação com o seu bem-estar; - o apoio e engajamento nas ações de desenvolvimento conservacionista junto aos destinos; de sua cultura. Assim, turismo rural, turismo sustentável, turismo de natureza, turismo responsável, turismo participativo, turismo suave/brando, turismo ambiental, turismo ecológico e ecoturismo seriam as principais representações para o turismo alternativo. Apesar de, às vezes, algumas dessas denominações serem sobrepostas como sinônimos e pelo fato de que não existe uma definição única para cada destas representações, o “livre advento de qualquer uma dessas variantes turísticas e de sua terminologia associada passa a ocorrer unicamente a critério do juízo de valor de seus protagonistas, sob os mais diferentes contextos políticos, sociais, culturais ou econômicos em que atuam (PIRES, 2002, p. 138). 8 A incorporação de tais princípios, segundo Pires (2002), traria a sustentabilidade ao ecoturismo. Assim, doravante, sempre que nos referirmos ao ecoturismo, estaremos nos baseando nos princípios e nos pontos fundamentais que o conceituam, propostos pelo autor, pois possuem similaridade aos princípios inerentes ao turismo sustentável nos quais baseiam-se a Norma de Turismo Sustentável. Apesar de diversas vezes mencionarmos o ecoturismo como atividade turística no PETAR, estamos apenas fazendo-o como forma de enfatizar a atividade turística em área protegida, conforme mencionado no caput do art. 11 da Lei do SNUC isto é, os impactos decorrentes do ecoturismo praticado em UC como o PETAR seriam uma forma de salientar que o ecoturismo não estaria ocorrendo na forma ideal, tal como proposto por Pires (2002). 19 - a opção pelo desfrute saudável e pela compreensão dos ambientes visitados via educação ambiental. Contudo, como fora observado por Raimundo (2008), dentre as atividades praticadas no interior e entorno das unidades de conservação brasileiras, verificam-se várias modalidades de usos nessas áreas, sendo boa parte deles ilegais. Tais usos decorrem principalmente quando os limites de unidades de conservação desconsideram os territórios pré-existentes, notadamente de populações tradicionais9, como o dos caiçaras do litoral brasileiro ou os quilombolas. As comunidades quilombolas localizadas no Vale do Ribeira, por exemplo, sofrem com problemas inerentes a produção agrícola, principalmente em virtude da restrição ao uso do solo pela legislação ambiental para que consigam licenças para abrir novas áreas de roça (ROMÃO; CHABARIBERY; CARVALHO, 2005; PEDROSO JÚNIOR, 2008). Além disso, desde a década de 50, no Vale do Ribeira intensificou-se o processo de criação de unidades de conservação. Boa parte dessas unidades incidiram sobre os territórios que antes eram usados pelos quilombolas para o manejo agrícola (FUNDAÇÃO ITESP, 2000). Esses fatores vêm contribuindo para a intensificação agrícola, levando a redução do período de pousio e, conseqüentemente, ao declínio da fertilidade do solo por não permitir a recomposição natural de matéria orgânica, a ciclagem de nutrientes e a fixação biológica de nitrogênio. Segundo Pedroso Júnior et al. (2008), muitos quilombolas relataram que vem ocorrendo crescimento acelerado de ervas daninhas e capim, concomitante ao declínio da produtividade agrícola nestas áreas. Conseqüentemente, parte destas comunidades acaba agindo na ilegalidade, extraindo produtos como o palmito em UC de Proteção Integral como forma de complementar a renda familiar (ISA, 2008). Vale ressaltar que a tentativa de restringir o uso dos solos das comunidades tradicionais como os quilombolas, mediante a criação de unidades de conservação, sublinha uma dicotomia entre floresta intacta (primária, virgem, não-perturbada) e floresta explorada (secundária, domesticada ou perturbada). Parece difícil e, concomitante, um paradoxo proibir as pessoas de usar a floresta, sendo que estas mesmas pessoas e seus antepassados ajudaram a preservá-la (PUTZ, 2005). Se a Mata Atlântica inserida no Vale do Ribeira caracteriza-se atualmente pela 9 Segundo Lobão (2006) “comunidades tradicionais”, “povos tradicionais” ou “populações tradicionais” envolvem alguns aspectos como: uso sustentável do solo, práticas de uso comunitário dos recursos, conhecimento profundo do ecossistema, uso de tecnologias de baixo impacto ambiental, parte da produção usada para manter laços sociais, autoconsumo e memória coletiva vinculada ao território, entre outros 20 alta biodiversidade, esta é fruto, dentre outros fatores, de complexas interações históricas entre forças físicas, biológicas e sociais e não de uma vegetação que consolidou-se intocável, sem a presença humana (FUNDAÇÃO ITESP, 2000; SCHMINK, 2005). Segundo Bursztyn (2005) quando se cria uma unidade de conservação de uso restrito, os impactos socioeconômicos nas comunidades do entorno podem levar a uma não-aceitação imediata. Isso ocorre porque, na maioria das vezes, essas comunidades retiram seu sustento a partir da exploração dos recursos fornecidos de tal região. Quando não há um envolvimento da comunidade no processo de discussão e implementação da UC, inúmeros conflitos são gerados, inviabilizando a efetiva preservação do meio natural. Por outro lado, quando a comunidade vê na UC uma forma de ganhar seu sustento, por exemplo, a partir da exploração da atividade turística, ela se torna uma importante parceira na proteção do ambiente natural. O ecoturismo, teoricamente, poderia ser uma alternativa à restrição ao uso do solo, em especial, para as populações locais e comunidades tradicionais, de tal forma que estas tenham oportunidades satisfatórias na geração de emprego e renda. Entretanto, nem sempre isso ocorre na prática. Segundo Prado (2003), com a implantação do ecoturismo na Ilha Grande, em Angra dos Reis (RJ), a ilha foi “invadida” por muitos empreendedores ligados ao ecoturismo, os quais não são nativos da ilha. Boa parte dos caiçaras, por outro lado, que são os verdadeiros nativos, estão sendo “expulsos” da ilha devido a especulação imobiliária, situação esta também enfatizada por Raimundo (2008) no Núcleo Piciguaba do Parque Estadual da Serra do Mar (SP). Segundo este autor, a legislação ambiental, a qual restringe a agricultura de coivara10 no interior da referida unidade de conservação, somada com a especulação imobiliária, fizeram os caiçaras perderem gradativamente seus territórios à orla, o trecho mais valorizado devido a existência da BR-101, um facilitador para a drenagem ecoturística na região. Kent (2003), no Município de Canoas11, na Bahia, afirma que a implantação do ecoturismo, após a criação de uma Área de Proteção Ambiental (APA), não resolveu os problemas da população local: a restrição ao uso do solo impede a agricultura tradicional (corte-e-queima) e, ao mesmo tempo, tal população, em virtude da falta de oportunidade e pela baixa qualificação, sujeita-se a empregos advindos do turismo 10 Outros autores como Pedroso Júnior (2008) também definem a agricultura de coivara como corte-e-queima. Segundo Kent (2003), Canoas é um pseudônimo, assim como nomes de pessoas e organizações citadas pelo autor, para não criar danos a ninguém, já que seu artigo aborda os conflitos entre diversos atores sociais em relação ao uso dos recursos naturais na referida cidade. 11 21 praticado no local porém, com baixa remuneração e, na maior parte, temporários. Tais exemplos demonstram que deve se buscar formas de garantir que as comunidades tradicionais e locais sejam também contempladas com os benefícios advindos do ecoturismo porém, de forma satisfatória. Diante desse quadro de problemas, a crescente importância do turismo na dimensão econômica é um fator destacado em todos os níveis de gestão territorial desta atividade. Desde organismos como a Organização Mundial de Turismo até os governos nacionais, estaduais e municipais, interessados no desenvolvimento turístico de suas regiões, estão percebendo o papel importante do planejamento territorial em relação ao turismo (FONTOURA; SILVEIRA, 2008). Alguns parques nacionais brasileiros têm-se mostrado bastante importantes no contexto regional, principalmente onde o turismo é uma das principais atividades econômicas. O Parque Nacional da Foz do Iguaçu, por exemplo, recebe quase 1.000.000 de visitantes por ano, gerando uma receita de US$ 5 milhões apenas com a venda de ingressos. O Parque Nacional de Brasília é visitado anualmente por 200.000 pessoas (IBAMA, 1997 apud FONSECA; PINTO; RYLANDS, 1997). A restrição de tal tipo de atividade, a pretexto de melhorar as condições para a manutenção da biodiversidade local, seria certamente inviável econômica, política e socialmente. Dentro deste contexto, no Vale do Ribeira, Chabaribery et al. (2004) calcularam o multiplicador de emprego da atividade do turismo e, dentro deste, do ecoturismo em relação ao emprego total para os municípios desta região. A partir da quantidade de empregos do pessoal ocupado nos serviços de Alojamento e Alimentação, segundo estes autores, os municípios de Cananéia, Iporanga, Jacupiranga, Miracatu, Pariquera-Açu, Peruíbe, Registro e São Lourenço da Serra foram os que apresentaram o multiplicador mais elevado, evidenciando a relevância do ecoturismo como uma das principais formas de geração de emprego e renda nos municípios mencionados. Outra questão interessante refere-se ao perfil educacional dos turistas que freqüentam UC. Segundo Ladeira et al. (2007), cerca de 76% dos turistas que visitam o Parque Estadual do Ibitipoca, em Lima Duarte (MG), estão cursando ou possuem nível superior. No Parque Estadual de Campos do Jordão (SP), segundo Stigliano (2004), 81,9% possuem nível superior completo. Essa é uma questão importante pois boa parte dos impactos ambientais advindos do turismo necessitam, dentre outras medidas, da conscientização dos turistas acerca de tais impactos, a 22 partir da educação ambiental bem como por medidas informativas e educativas (LADEIRA et al., 2007). Segundo Raimundo (2008), o ecoturismo pode ser pensado como alternativa de emprego e renda para tais comunidades, a partir da capacitação de monitores e condutores em trilhas e demais atrativos em uma unidade de conservação, pela vivência das práticas culturais destas comunidades (com o conhecimento de suas técnicas e ferramentas de produção na pesca, agricultura, entre outras) que podem ser oferecidos ao ecoturista como produtos na forma de artesanato e pelas práticas imateriais (festas, ritos, danças, músicas, entre outras), as quais poderiam ser mais um atrativo à demanda turística. Assim, o ecoturismo, desde que bem planejado, pode se consolidar como um poderoso instrumento de gestão, podendo ser utilizado para solucionar conflitos entre a gestão de uma unidade de conservação e para as comunidades locais e tradicionais. A certificação é uma ferramenta de gestão ambiental que pode contribuir nessa direção. 23 4. CERTIFICAÇÃO AMBIENTAL: APLICAÇÃO NO SETOR DE TURISMO A certificação é o processo pelo qual um organismo certificador credenciado autoriza uma outra empresa a usar um selo distintivo cujo intuito é assegurar ao consumidor que essa empresa, seus produtos, processos ou serviços estão de acordo com determinados padrões de eficiência e desempenho ou, ainda, que a empresa está comprometida com determinados processos (MENDES JUNIOR, 2007). Tal “selo distintivo” refere-se à rotulagem ambiental, vulgarmente conhecida como selo verde (VALLE, 1995). Trata-se de uma das ferramentas mais importantes no processo de certificação ambiental, sendo uma forma de diferenciar a unidade de produção quanto aos seus procedimentos internos, no que concerne às práticas socioambientais (PINTO; PRADA, 2008). Logo, uma empresa que possua uma certificação ambiental de terceira parte, poderá explorar diversos benefícios como: melhor desempenho ambiental, redução de desperdícios, a possibilidade de demonstrar consciência ambiental ao mercado nacional e internacional (marketing ecológico), possibilidade de obter financiamentos a taxas reduzidas, entre outros (MOREIRA, 2001). Segundo Moura (2004), muitas empresas estão demonstrando maior interesse em melhorar seu desempenho ambiental e, em muitos casos, obterem certificação pela norma ISO 14001. Apesar deste modelo de certificação ser o mais difundido mundialmente, a série de normas ISO 14000 baseia-se na certificação de procedimentos e gerenciamento, não estabelece padrões de desempenho, não considera os aspectos sociais e também não avalia o desempenho mas sim os procedimentos adotados pelo empreendimento para implantar o Sistema de Gestão Ambiental - ISO 14001 (PINTO et al., 2008). As certificações vinculadas à ISO 14001 também podem objetivar uma estratégia puramente publicitária, isto é, desenvolvem-se produtos com apelos ecológicos para atrair o consumidor responsável, desprovido de qualquer comprometimento com as questões ambientais (MENDES JUNIOR, 2007). A situação dos segmentos do mercado relacionados ao turismo sustentável e ecoturismo não é diferente. A utilização de denominações tais como turismo natural, turismo cultural, turismo responsável, turismo ambiental, turismo ecológico e ecoturismo é uma prática comum, mesmo quando o empreendimento está em contradição com os conceitos inerentes à sustentabilidade (BIEN 2003; WWF-BRASIL, 2001 apud MENDES JUNIOR, 2007). Para 24 minimizar este tipo de situação, é preciso que sejam estabelecidos parâmetros que permitam a identificação clara quanto aos modelos de gestão adotados, a qualidade agregada ao produto e serviço, a participação dos atores envolvidos e a legislação a que estão submetidos, proporcionando condições para que a qualidade seja atestada e demonstrada aos consumidores Nesse sentido, os processos de certificação turística devem ser baseados em princípios de sustentabilidade, uma vez que sua evolução e promoção dependem diretamente do grau de compromisso que os empreendimentos turísticos assumem com as comunidades locais e com as questões ambientais (OLIVEIRA, 2005). Segundo ZAMBORIM (2002), os programas de certificação ambiental Hóspedes da Natureza e ISO 14001 seriam os mais difundidos no setor hoteleiro do Brasil, além da existência do programa em certificação denominado com Green Globe 21, este adotado internacionalmente. O programa Green Globe (sem o 21) foi lançado oficialmente em 1994 e financiado por uma associação da indústria do turismo, o World Travel and Tourism Council (WTTC). Teve sua atuação inicial marcada pela ausência de critérios para certificação das empresas. Bastava a empresa manifestar a intenção de fazer algumas adequações ambientais e pagar a taxa de adesão, sem necessidade de passar por auditorias nem alcançar patamares de qualidade ambiental, para receber o selo do programa e assim utilizá-lo como marketing ecológico. No entanto, a partir de 1999, o Green Globe ficou independente do WTTC. Ao seu nome foi adicionado o número 21, tornando-se o Green Globe 21, uma entidade privada e com fins lucrativos. Nesse período, houve mudanças no programa que o tornaram mais rigoroso, oferecendo basicamente três modalidades de serviços: 1) afiliação de empresas e comunidades (é cobrada uma taxa de adesão e o filiado recebe informações sobre práticas ambientais sem receber a logomarca); 2) avaliação de desempenho de organizações e destinos: nesse caso, as organizações se auto-avaliam anualmente e têm comparados seus resultados de desempenho com as performances de outras organizações similares em suas regiões; caso os resultados estejam dentro do limite pré-estabelecido de desempenho recebem um tipo de logomarca; 3) certificação a qual envolve auditorias independentes, de terceira parte, que avaliam critérios de processos e desempenho da organização: as organizações que alcançam o padrão pré-estabelecido recebem uma logomarca diferenciada (HONEY & ROME, 2001 apud ZAMBORIM, 2002). 25 O programa Hóspedes da Natureza foi lançado em 1999 pela ABIH (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis), sólida representante dos empresários do setor hoteleiro no país, possuindo representações estaduais bastante organizadas. A proposta principal do programa seria incentivar a adoção de um sistema de gestão ambiental pelos hotéis brasileiros e não se tornar um programa de certificação. Porém, todos os mecanismos envolvidos no programa são típicos de mecanismos certificadores: programa voluntário envolvendo auditorias e concessão de logotipos. Estes têm a função de atestar aos consumidores que o hotel opera com responsabilidade ambiental isto é, o programa exerce o mesmo papel de um programa de certificação: o selo passa aos hóspedes (consumidores) a ideia de um diferencial qualitativo do hotel (ZAMBORIM, 2002). Porém, o mais limitante deste tipo de programa é seu escopo: não busca melhorar o desempenho do setor hoteleiro e sim apenas estimular a adoção de um SGA, o que pode limitar na melhora dos aspectos socioambientais, especialmente no que tange a inclusão das comunidades locais e tradicionais aos benefícios da atividade turística. Na fase de concepção do programa Hóspedes da Natureza, foi considerada a possibilidade do GG21 realizar as auditorias e certificações do programa brasileiro porém, “os altos custos inviabilizaram a parceria” (ZAMBORIM, 2002, p. 84). O programa GG21 é muito mais abrangente e adequado ao ecoturismo, pois certifica as empresas a partir da melhora no seu desempenho ambiental e não apenas a partir de procedimentos adotados (como o SGA). Entretanto, seu alto custo dificulta sua aplicação ao setor hoteleiro brasileiro. Devido à necessidade em criar-se um modelo de certificação propício à realidade do turismo ecológico no Brasil, o Instituto de Hospitalidade, em parceria com o Conselho Brasileiro para o Turismo Sustentável (CBTS) publicaram, em 2004, a Norma Nacional para Meios de Hospedagem – Requisitos para a Sustentabilidade: NIH-54:2004. Tal Norma foi desenvolvida no âmbito do Programa de Certificação em Turismo Sustentável (PCTS). A referida Norma objetiva a sustentabilidade de micro e pequenos meios de hospedagem, através de requisitos e critérios mínimos, de forma a agregar valor ao produto, melhoria do atendimento, da qualidade de vida da comunidade receptora, concomitante à conservação ambiental (INSTITUTO DE HOSPITALIDADE, 2004). A referida norma serviu de base para a criação, dois anos depois, da ABNT NBR 15.401:2006 (Meios de Hospedagem – Sistema de Gestão de Sustentabilidade – Requisitos), que incorpora a norma desenvolvida no Programa de Certificação em Turismo 26 Sustentável – PCTS. Esta Norma, a NBR 15.401, é a referência do presente trabalho para analisar oportunidades para a promoção do ecoturismo no PETAR. De acordo com ABNT (2006), a Norma se aplica a qualquer meio de hospedagem que deseje: • Implementar, manter e aprimorar práticas sustentáveis para suas operações; • Assegurar-se da conformidade com sua política de sustentabilidade definida; • Demonstrar tal conformidade a terceiros; • Buscar a certificação segundo esta norma por uma organização externa; ou • Realizar uma auto-avaliação da conformidade com esta Norma. Convém também destacarmos os princípios inerentes ao turismo sustentável estabelecidos na Norma os quais são: • Respeitar a legislação vigente; • Garantir os direitos das populações locais; • Conservar o ambiente natural e sua biodiversidade; • Considerar o patrimônio cultural e os valores locais; • Estimular o desenvolvimento social e econômico dos destinos turísticos; • Garantir a qualidade dos produtos, processos e atitudes; • Estabelecer o planejamento e a gestão responsáveis. A Certificação em Turismo Sustentável é focada apenas para os meios de hospedagem, estabelecendo critérios mínimos específicos de desempenho em relação à sustentabilidade isto é, baseia-se na certificação de desempenho. Os objetivos desta Norma levam em conta os requisitos legais e os impactos ambientais, sócio-culturais e econômicos significativos. Nota-se, portanto, que a Certificação em Turismo Sustentável pela ABNT 15.401:2006 é mais propícia ao PETAR, em comparação com a IS0 14001 ou com o programa Green Globe 21, já que este último, embora também baseie-se na certificação de desempenho, possui custos muito elevados, sendo inviável para micro e pequenos meios de hospedagem, os quais são predominantes no entorno do PETAR. 27 Em 2009, o hotel Canto das Águas, localizado na cidade de Lençóis, na Chapada Diamantina, foi o primeiro hotel a receber a certificação de conformidade com a ABNT NBR 15.401 (INSTITUTO ECOBRASIL, 2009). 28 5. IMPACTOS DO TURISMO NO PETAR Nesta seção, são discutidos os aspectos associados aos impactos positivos e negativos decorrentes da atividade turística no PETAR, a situação quanto ao plano de manejo e os investimentos previstos para o Parque. 5.1. A importância da atividade turística: aspectos e impactos ambientais, socioculturais e econômicos O ecoturismo vem ganhando importância na região do Vale do Ribeira como uma alternativa para o desenvolvimento local e, ao mesmo tempo, pela conservação e preservação do bioma Mata Atlântica (EHLERS, 2003). Esta região passou a atrair turistas paulistas, de outros estados e de outros países a partir da década de 1980, por apresentar atrativos naturais (cachoeiras, praias, trilhas, cavernas, abismos, fauna e flora) e culturais (centros históricos, sítios arqueológicos, festas típicas). Há cerca de 500 monitores de turismo ecológico na região, dos quais 60% têm nessa atividade sua principal ocupação (SANTOS; PAIVA, 2007). Em 1998, mais de 83% do fluxo de visitantes do PETAR concentraram-se no Núcleo Santana, onde se localiza o Bairro da Serra, em Iporanga. Em 2003 o PETAR recebeu mais de 48 mil visitantes (GIATTI, 2004). A atividade turística é um fator importante para qualquer economia local, regional ou nacional, pois o movimento constante de novas pessoas aumenta o consumo, incrementa as necessidades de maior produção de bens, serviços e empregos e, consequentemente, a geração de maiores lucros. A importância do turismo numa economia depende, basicamente, de suas condições naturais, econômicas e políticas como a existência do atrativo turístico, infraestrutura urbana, equipamentos turísticos e acessibilidade ao mercado consumidor, das características do município, e em função de suas alternativas, isto é, do papel reservado a este setor na estratégia de desenvolvimento econômico (ALEXANDRE, 2003). No caso do PETAR, o ecoturismo nas últimas décadas tornou-se a principal fonte de renda e empregos, principalmente para a população residente no Bairro da Serra, localizado em Iporanga (GIATTI, 2004; FOGAÇA, 2006). Atualmente, há uma concentração de um grande número de turistas no pequeno Bairro da Serra, o que se deve à proximidade dos núcleos mais 29 importantes e melhor estruturados do PETAR na recepção de turistas, bem como à presença da caverna Santana, uma das mais visitadas do Alto Vale devido à diversidade e beleza de seus espeleotemas e a boa estrutura de segurança em seu interior (LOBO, 2005; MENDES JUNIOR, 2007). No que concerne o atrativo turístico, a beleza cênica e a floresta preservada tornaram o parque um dos locais turísticos mais visitados no Estado de São Paulo, incluindo o turismo de aventura e o espeleológico (CASTRO, C., 2004). Dentre as cavernas visitadas, destaca-se a Caverna de Santana, localizada no núcleo Santana, a qual é considerada como uma das cavidades mais ornamentadas do mundo (LOBO, 2005). No entanto, a questão da infraestrutura do setor hoteleiro não acompanhou o crescimento da demanda turística no PETAR. Segundo Giatti (2004), no Bairro da Serra há uma carência de saneamento básico e, devido ao aumento do ecoturismo, a qualidade das águas na região vem sendo comprometida devido ao despejo de esgoto sem tratamento nos rios e córregos no referido bairro, além da produção de resíduos sólidos pelos turistas que são dispostos em lixões a céu aberto (GIATTI, 2004). Em relação aos aspectos paisagísticos, Fogaça (2006) afirma que as casas que eram usadas como pousadas, feitas de pau-a-pique, foram transformadas em casas de alvenaria, gerando grande impacto ambiental em relação ao aspecto paisagístico. Concomitante, o interior da Caverna de Santana, a mais visitada do PETAR, sofreu alterações devido a aspectos como implantação e materiais utilizados nas estruturas de acesso, uso de iluminação artificial à base de carbureto, geração de poeira, fuligem e matéria orgânica transportada pelo corpo e depredação física (como espeleotemas danificadas por vandalismo evidenciado por Giatti, 2004), o que ocasionou em alguns impactos negativos como alterações comportamentais na fauna, surgimento de plantas, fungos e alteração no microclima (LOBO, 2008). Em relação aos aspectos e impactos sociais negativos, a maior parte das pousadas e camping não possui firma aberta, o que impede maior arrecadação tributária em nível municipal. Outra questão pertinente refere-se à falta de investimento na qualificação profissional da mão-deobra local, o que limita as possibilidades de ascensão profissional no setor turístico local. O setor hoteleiro local também não valoriza os gêneros alimentícios produzidos pelas comunidades locais, tampouco, produtos como artesanato (FOGAÇA, 2006). 30 Uma outra questão relevante é a influência da cultura dos turistas em relação à cultura local. Os turistas, muitas vezes, praticam comportamentos atípicos da comunidade como nadar sem roupas no rio, consumo exagerado de álcool e drogas (BONDUKI, 2002). Segundo Mendes Junior (2007, p. 203), a opinião de um guia e morador do Bairro da Serra a respeito do comportamento dos turistas reforça essa problemática: O Sr Paulo, um dos guias locais mais antigos e que tem acompanhado o processo de expansão do turismo desde a década de 70, quando iniciou seus trabalhos guiando grupos de turistas pela região, relatou, em tom de preocupação, que tem havido aumento do uso de drogas por parte de turistas, além de comportamentos sexuais estranhos ao lugar. Segundo Santos e Paiva (2007), os turistas que visitam o Vale do Ribeira possuem tendência a realizar relações sexuais sem preservativo e cometer assédio e abuso sexual com as nativas, potencializados pelo uso abusivo de álcool, maconha, cocaína e outras drogas sintéticas como LSD e ecstasy, além de drogas injetáveis, aumentando a vulnerabilidade à transmissão do HIV entre os turistas e população local e entre os próprios turistas (SANTOS; PAIVA, 2007). Isso pode influenciar negativamente a cultura local. As crianças moradoras do bairro também demonstram serem influenciadas pelos turistas pelo fenômeno conhecido como imitação cultural. Mendes Junior (2007, p. 204), menciona o trabalho de educação ambiental realizado de forma voluntária pela Srta Janaína, moradora do bairro e esta relatou que, numa das atividades com crianças, elas foram indagadas sobre o que sentiam quando viam as crianças de outros lugares chegando nos ônibus em excursão: A resposta consensual das crianças questionadas apontava para o desejo de estar no lugar das crianças em excursão e possuir o que aquelas crianças possuíam. A resposta sincera e chocante continha um forte indicativo do impacto sócio-cultural que o turismo promove, o que exigiu um trabalho cuidadoso no sentido de aumentar ou criar sentimentos de auto-estima por meio da valorização da cultural local. É interessante observarmos também alguns dos aspectos em relação ao perfil da demanda turística do PETAR. Segundo Rossi (1996 apud BONDUKI, 2002), 86% dos visitantes do 31 Núcleo Santana possuem até 35 anos e cerca de 48,36% do total estariam cursando o nível superior ou possuíam nível superior completo. Em relação a renda, mais de 47% dos entrevistados declararam ter renda pessoal de até 4 salários mínimos, 20,65% de 5 a 8 salários, 15,76% entre 9 e 15 salários, 9,78% entre 16 e 30 salários e 2,72% mais de 30 salários mínimos. Tais valores evidenciam uma demanda com alto poder aquisitivo. Quanto a procedência, 90% dos visitantes são das cidades do Estado de São Paulo sendo, apenas da capital e para a cidade de Campinas, 40% e 10%, respectivamente (ROSSI, 1996 apud BONDUKI, 2002). A procedência dos turistas é de suma importância pois influencia no tempo de permanência: enquanto que no PETAR, o tempo de permanência dos turistas é de três dias (FOGAÇA, 2006), no Parque Estadual do Ibitipoca, por exemplo, a maioria dos visitantes (cerca de 55%) são procedentes de Juíz de Fora (MG), cidade que dista apenas 90 km do parque. Como resultado, boa parte dos visitantes passam apenas o dia no parque, não agregando valores à economia local (LADEIRA et al., 2007). Iporanga, por outro lado, dista 360 km da capital paulista (GIATTI, 2004), o que explica o maior tempo de permanência dos turistas, permitindo agregar maior valor à economia local, sobretudo no setor hoteleiro. Outra questão pertinente acerca do perfil da demanda é de que há uma tendência de mudança gradual no tipo de turista que visita o PETAR. Turistas caracterizados como mochileiros, os quais buscavam opções mais baratas de hospedagem no parque, estão dando lugar para um novo perfil de turista: visitantes avulsos, às vezes famílias que chegam sozinhos, de carro de passeio e sem guias próprios (BONDUKI, 2002). Este novo perfil de turista gasta mais em suas viagens, além de exigirem maior qualidade e conforto pelos serviços: o visitante que procura o PETAR, atualmente, busca meios de hospedagem que conciliem conforto com equipamentos adequados ao ecoturismo como “ecolodges” (FOGAÇA, 2006). Segundo esta autora (2006, p. 152): esta mudança de perfil já é percebida por todos os empreendedores do bairro, pois aqueles que recuperaram suas taxas de ocupação são as pousadas que operam as maiores taxas de hospedagem e em que sua estrutura apresenta um maior padrão de conforto aos hóspedes, cujos proprietários empreendedores não são os nativos do bairro, em sua maioria 32 Esta questão sobre a maior parte dos empreendedores não serem nativos do bairro é relevante, uma vez que podem limitar as oportunidades de emprego e renda à população local, devendo haver formas de garantir que as comunidades tradicionais e locais sejam também contempladas com os benefícios advindos do ecoturismo. A priori, o crescimento da demanda turística deveria ser sinônimo de maior desenvolvimento na região do PETAR. Deve-se salientar que esse aumento não deve ser considerado como o principal responsável pelos impactos negativos que vem ocorrendo na região. Para a minimização de impactos negativos devido a visitação acima da capacidade de carga que vêm ocorrendo nas cavernas mais visitadas, já existem estudos sobre a capacidade de carga na Caverna de Santana, a mais visitada no PETAR, os quais, segundo Lobo (2008), evidenciam que o número de visitantes atuais poderia ser maior, desde que esse número tivesse menor variação, diferente do que ocorre atualmente. Em virtude dos crescentes impactos e pela ausência de um plano de manejo12, a visitação no Parque foi interditada em fevereiro de 2008 pelo Ibama e reaberto apenas depois que a Fundação Florestal, órgão ligado à Secretaria Estadual do Meio Ambiente e responsável pela administração do Parque, se comprometeu a entregar, entre abril e maio de 2010, um plano de manejo para a área. Para diminuir o impacto econômico da restrição turística à população local, criou-se um plano de emergência como medida temporária para manter a atividade turística no PETAR: atualmente apenas as 12 cavernas mais visitadas estão abertas à visitação porém, com algumas regras como, por exemplo, cada gruta recebe um número máximo de visitantes por dia (MOREIRA, 2009). Um plano de manejo que permita explorar melhor os aspectos paisagísticos e espeleológicos do PETAR de forma sustentável, considerando tanto o interior quanto o entorno do parque, é uma das principais questões que precisam ser resolvidas (FOGAÇA, 2006; MENDES JUNIOR, 2007) pois tal instrumento, por estabelecer programas de gestão que, de acordo com os objetivos, dividem-se em: planejamento e regularização fundiária; educação ambiental e ecoturismo; pesquisa, proteção e recuperação; e interação sócio-ambiental (CASTRO, P., 2004) permitiria uma gestão eficiente associada à atividade turística, de tal forma 12 O art. 2º, inciso 17 da Lei nº 9.985/2000 define o plano de manejo como um documento técnico mediante o qual, com fundamento nos objetivos gerais de uma unidade de conservação, se estabelece o seu zoneamento e as normas que devem presidir o uso da área e o manejo dos recursos naturais, inclusive a implantação das estruturas físicas necessárias à gestão da unidade. 33 a cumprir o objetivo principal dos Parques Estaduais, expresso no art. 3º do Decreto Estadual nº 25.341, de 4 de junho de 1986: a preservação dos ecossistemas englobados contra quaisquer alterações que os desvirtuem (SÃO PAULO, 1986). Entretanto, a elaboração de um plano de manejo é custosa aos cofres públicos: a elaboração de tal plano chega a ser superior ao custo dos cinco primeiros anos de prática de manejo (DOUROJEANNI, 2002 apud GIATTI, 2004). De fato, a limitação econômica parece ser um dos principais obstáculos para a realização de investimentos no setor turístico que ocorre no PETAR, tanto de origem pública quanto privada (FOGAÇA, 2006). A falta de um plano de manejo não é exclusividade do PETAR. Segundo Sobral, Gomes e Santos (2009), a não existência de tal instrumento estaria comprometendo a resiliência dos ecossistemas inseridos no Parque Nacional Serra de Itabaiana, em Sergipe. Estes autores apontaram que os principais impactos negativos em tal parque são decorrentes da falta de planejamento e monitoramento das trilhas e que, como proposta para a solução, dentro do plano de manejo, deve ser incluída a educação e interpretação ambiental para os visitantes, a qual considere a cultura e a biodiversidade local pois um dos problemas apontados é o lixo jogado pelos turistas em boa parte das trilhas. Nesse sentido, como já destacado, o nível de escolaridade dos turistas é importante neste processo e, no caso do PETAR, mais de 48% dos visitantes possuem ou estão cursando nível superior (ROSSI, 1996 apud BONDUKI, 2002), o que poderá facilitar na conscientização acerca dos impactos que podem ser minimizados a partir da colaboração de tais visitantes (LADEIRA et al., 2007). Como forma de estimular o ecoturismo no PETAR, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo contraiu um financiamento com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para a realização do “Projeto de Desenvolvimento do Ecoturismo na Região da Mata Atlântica”. O Projeto abrange seis parques estaduais, dentre eles o PETAR. O Projeto objetiva, a priori, consolidar a vocação do turismo sustentável na área de influência do projeto como estratégia à conservação da natureza e, concomitantemente, ampliar sua participação no desenvolvimento regional a partir do planejamento, estruturação, organização e monitoramento à visitação pública nos parques. Os investimentos nos parques incluirão não apenas equipamentos para a prática de atividades como trilhas, mirantes, centros de interpretação ambiental, etc., mas também a melhoria e/ou ampliação de meios de hospedagem (exceto em 34 Ilhabela e PETAR)13 e serviços de alimentação, venda de artesanatos e outros serviços turísticos que poderão ser geridos, no sistema de concessão, pelo setor privado (SÃO PAULO, 2008, grifo acrescido). As atividades inseridas no referido Projeto baseiam-se em três componentes: estruturação dos parques para a visitação pública, organização e consolidação do produto turístico e fortalecimento da gestão pública. No caso do PETAR, a primeira componente será nos núcleos Caboclos, Ouro Grosso e Santana, a partir de obras para a reforma e ampliação dos referidos núcleos, além da reorganização administrativa para maior eficiência, controle e incremento da satisfação dos visitantes. Incluirá também investimentos em monitoramento e infraestrutura para a visitação dos atrativos (grutas e cavernas), nos seus acessos (trilhas) e a elaboração do plano de manejo14. A segunda e terceira componente ocorrerá após a realização da primeira, visando ampliar a divulgação do marketing turístico e a gestão pública do Parque. O tempo para a execução deste projeto é de quatro anos e espera-se, após o seu término, um aumento de 50% no número de turistas (SÃO PAULO, 2008). Existem, portanto, oportunidades para consolidação do ecoturismo em localidades com potencial, como é o caso do PETAR, para diversos serviços turísticos, os quais podem ser geridos no sistema de concessão. Embora, para o PETAR, os investimentos não incluirão a expansão dos meios de hospedagem, a tendência ao aumento da demanda turística evidencia um potencial para a consolidação dos empreendimentos já existentes. Por outro lado, como já mostrado nesse item, 13 A Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo não explicita o porquê desta exceção. Em relação a primeira componente “estruturação dos parques para visitação pública”, alguns resultados deste Projeto já vêm sendo apresentados. Em julho de 2009, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente inaugurou dois novos espaços no Núcleo Santana do PETAR: um Mirante e um Centro de Interação Ambiental (CIA). O referido Centro é composto por área destinada à recepção de visitantes, auditório, loja de artesanato e espaço para exposições interativas. No local, funciona também a administração do Parque. Os investimentos no Mirante e no Centro totalizam R$ 1,1 milhão (APIAÍ TEM, 2009). Outro resultado da primeira componente refere-se ao plano de manejo. Em abril de 2010, a Fundação Florestal concluiu um plano de manejo para 31 cavernas do Vale do Ribeira Ao todo são 20 cavernas no Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira – PETAR, 10 no Parque de Intervales, uma no Parque Estadual do Rio do Turvo, além da Caverna do Diabo, que passam a ter definições específicas sobre a visitação pública, garantindo a prática do turismo sustentável. Os planos de manejo das cavernas foram finalizados após dois anos de estudos, levantamentos e pesquisas, trabalho que envolveu mais de 100 especialistas, entre espeleólogos, geógrafos, historiadores, turismólogos, biólogos, arqueólogos, economistas e engenheiros. Os documentos também trazem alívio à população do Vale do Ribeira que viram, há dois anos, uma das principais fontes de renda, o turismo, ser ameaçada quando as cavernas foram interditadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis – Ibama (SÃO PAULO, 2010). Esta interdição pelo Ibama ocorreu no PETAR em fevereiro de 2008 conforme mencionado por Moreira (2009). 14 35 o turismo no PETAR vem aumentando os impactos socioambientais adversos, o que evidencia uma necessidade de que a consolidação dos meios de hospedagem deva ocorrer a partir de instrumentos de gestão ambiental que conciliem o ecoturismo com a função desta UC. 5.2. Relacionando os aspectos e impactos negativos do ecoturismo no PETAR com os requisitos da ABNT 15.401:2006 Os impactos socioambientais adversos em decorrência do turismo no PETAR podem ser relacionados aos requisitos da ABNT NBR 15.401:2006. No item anterior, os aspectos e impactos ambientais mais relevantes que foram evidenciados são: • Geração de resíduos sólidos e disposição inadequada em lixões a céu aberto • Geração de esgoto doméstico • Despejo de esgotos sem tratamento em rios • Construção de pousadas sem adequação quanto a paisagem • Visitação em cavernas acima da capacidade de carga • Infraestrutura inadequada à visitação em cavernas • Poeira, fuligem, depredação física, alteração no microclima e na fauna e proliferação de fungos, entre outros no interior das cavernas mais visitadas A seguir, esses aspectos e impactos são tratados procurando relacioná-los aos requerimentos para o cumprimento dos requisitos da norma de certificação NBR 15401. O item 5.5 da Norma trata sobre emissões, efluentes e resíduos sólidos. Para os resíduos, o item 5.5.1(p. 12) afirma que “O empreendimento deve planejar e implementar medidas para reduzir, reutilizar ou reciclar os resíduos sólidos. O planejamento deve incluir o estabelecimento de metas de redução, reutilização e reciclagem, de acordo com as condições locais”. Em relação aos efluentes líquidos, o que, neste caso, inclui o esgoto doméstico, é tratado no item 5.5.2 (p. 12) “O empreendimento deve planejar e implementar medidas para minimizar os impactos provocados pelos efluentes líquidos ao meio ambiente e à saúde pública”. Tais 36 medidas, segundo a Norma, devem incluir o tratamento das águas residuais a partir da conexão com o sistema público ou a partir de instalações próprias. O impacto paisagístico também é contemplado na Norma. O item 5.4.1 (p. 11) afirma que “O planejamento e a operação do paisagismo do empreendimento devem ser efetuados minimizando os impactos ambientais”. Ainda no referido item, alguns cuidados devem ser tomados: o paisagismo deve refletir o ambiente natural do entorno, não deve haver propagação de espécies exóticas pelo entorno e que seja utilizado o máximo de espécies nativas. Os três últimos aspectos e impactos listados acima ocorrem dentro do Parque, especialmente no interior das cavernas. O item 5.2 (p. 10) da Norma trata sobre áreas naturais, flora e fauna. No supracitado item, o empreendimento deve ter um comprometimento com a conservação das áreas naturais próprias e inclusive de terceiros. A alínea b do item 5.2.2 afirma que o empreendimento “quando não possuir uma área natural própria, apoiar a proteção e manejo de áreas naturais de terceiros na região”. Sobre as áreas naturais protegidas, o mesmo item afirma “Convém que o empreendimento participe nas ações da gestão das áreas naturais protegidas”. Os aspectos e impactos socioeconômicos negativos em decorrência do turismo no PETAR são: • Baixa capacitação da população local para atividades ligadas ao ecoturismo • Limitação na ascensão profissional de empregos ligados ao turismo • Falta de valorização para produção de alimentos e artesanato produzidos pela população local • Vulnerabilidade da população local em contrair doenças como HIV devido ao assédio e abuso sexual dos turistas • Consumo de álcool e outras drogas pelos turistas, modo de se vestir, além de outros costumes que podem influenciar a cultura local • Tendência ao aumento de empreendedores não nativos • Oferta de serviços de acomodação que podem não atender plenamente as expectativas dos turistas 37 O item 6 da Norma trata dos requisitos socioculturais para o turismo sustentável. Sobre a inclusão da população local, o item 6.2.1 (p. 16) afirma que: “pelo menos 50% da força de trabalho envolvida com as operações do empreendimento devem ser provenientes das comunidades locais”. Sobre a capacitação, o mesmo item frisa que “O empreendimento deve promover ações de capacitação profissional, de modo que pessoas das comunidades locais ou regionais possam obter trabalho diretamente no empreendimento ou pela ativação de cadeias produtivas regionais. O incentivo à venda de artesanatos e de produtos típicos também são requisitos ao empreendimento conforme o item 6.2.2: “O empreendimento deve incentivar a venda de artesanatos e produtos típicos (inclusive culinários) da região, fornecidos por pessoas das comunidades locais, no empreendimento ou nas próprias comunidades locais [...]”. O item 6.4 da Norma trata dos aspectos culturais. O item 6.4.5 (p. 17) é de suma importância, pois trata-se do respeito à cultura local: “O empreendimento deve fornecer aos clientes orientações e informações para incentivar o conhecimento e para promover atitudes e comportamento de respeito à cultura local”. Devido a vulnerabilidade da população local em adquirir doenças sexualmente transmissíveis como o HIV, o empreendimento também deve participar de programas de saúde das comunidades locais como iniciativas de educação para a saúde, conforme o item 6.5.1 da Norma. O item 7 da Norma refere-se aos requisitos econômicos para o turismo sustentável. Dentre eles, convém destacarmos o item 7.2 “Qualidade e satisfação dos clientes”. Como já abordado, os principais tipos de turismo praticado no PETAR seriam o de aventura e o espeleológico e tais tipos devem ser identificados e oferecidos aos clientes conforme o item 7.2.1 (p. 18) “O empreendimento deve estabelecer e manter procedimento para identificar as expectativas dos clientes em relação aos produtos e serviços oferecidos”. Além disso, a satisfação dos clientes também é relevante para os turistas do PETAR devido a maiores exigências quanto a qualidade nos serviços de acomodação. Sobre isso, o item 7.2.4 (p. 19) afirma que “O empreendimento deve manter um sistema de informação sobre a satisfação dos clientes [...]. As informações sobre a satisfação dos clientes devem ser utilizadas na revisão crítica do sistema de gestão da sustentabilidade”. É importante também que o empreendimento disponibilize aos clientes diversas informações acerca do local e do entorno, conforme o item 7.2.7 da Norma. Dentre estas 38 informações, podemos destacar: o incentivo ao consumo de produtos regionais, as atividades socioculturais na região, como se conduzir nas comunidades locais e sobre suas responsabilidades nos locais que visitar, e informações sobre como se comportar no meio rural. Tais requisitos relacionam-se com a valorização da produção local, o respeito quanto a cultura local e a não degradação do ambiente físico como a destruição de espeleotemas por vandalismo no interior das cavernas. Verifica-se que a Certificação em Turismo Sustentável é focada nos meios de hospedagem, estabelecendo critérios mínimos específicos de desempenho em relação à sustentabilidade que permitem considerar adequadamente os principais aspectos e impactos sociambientais negativos da atividade turística no PETAR. 39 6. ADEQUAÇÃO DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM NO PETAR AOS REQUISITOS DA NBR 15401 Nesta seção, os meios de hospedagem selecionados na metodologia foram analisados quanto ao cumprimento dos requisitos estabelecidos pela Norma. Analisou-se também, de uma forma geral, alguns dos problemas socioeconômicos enfrentados pela população do Bairro da Serra e como a atividade turística relaciona-se com os meios de hospedagem, com o PETAR e com a comunidade local. 6.1. Diagnóstico preliminar com base na identificação de pontos positivos e pontos a melhorar Nesse item é apresentado, para cada um dos três empreendimentos considerados na pesquisa de campo, o diagnóstico preliminar sobre a adequação dos meios de hospedagem do PETAR aos requisitos do turismo sustentável da NBR 15401. Os dados coletados foram organizados segundo os requisitos da Norma e com vistas a identificar os pontos positivos e os pontos a melhorar. A pousada “A” possui algo em torno de 70 leitos e foi a primeira a ser entrevistada. A partir do questionário elaborado na metodologia, obteve-se os principais resultados para cada um dos itens a seguir. O entrevistado foi o gerente da pousada. Os dados coletados estão organizados no quadro a seguir com os pontos positivos e os pontos a melhorar. 40 Quadro 2 - Pontos positivos e pontos a melhorar do empreendimento “A” a partir dos requisitos da NBR 15401 Requisitos ambientais para o turismo sustentável Item 5.1 - Atendimento a emergências15 Pontos positivos: Pontos a melhorar: Os botijões de gás ficam do lado de fora, numa área Não há extintores; isolada Não há placas de aviso sobre perigo de incêndio no local onde ficam armazenados os botijões; Não há treinamento para os funcionários no que se refere a situações de emergência Item 5.2 - Áreas naturais, flora e fauna Pontos positivos: Pontos a melhorar: - Não é feita comercialização, captura ou qualquer - Necessitam de maior conhecimento acerca da aspecto que cause impactos negativos à fauna e flora legislação. O gerente responsável não soube tratar desta silvestre. questão, isto é, da legislação que relaciona-se com a - Adotam medidas para recuperar a área natural própria: atividade turística. originalmente a área local era utilizada como pasto. Em - Não há uma promoção aos turistas acerca da 1992 foi inaugurada a pousada e, desde então, vem importância do PETAR como remanescente de Mata permitindo o crescimento da vegetação natural. Atlântica. Ou seja, não há uma campanha para promover - Para o manejo e proteção de áreas próprias, adotam no PETAR. medidas como: - plantio de a valorização dos ecossistemas e dos atrativos existentes palmito juçara no entorno do empreendimento; - Não há ações de prevenção quanto aos impactos para a fauna e flora nos locais de visitação a partir da promoção de educação ambiental aos turistas. - alimentam aves típicas da região com alimentação natural (frutas) com o propósito de facilitar a contemplação aos turistas; - Não há ações específicas para auxiliar na proteção de outras espécies de flora (além do palmito juçara) e das espécies de fauna ameaçadas de extinção que podem - possuem adequação aos impactos luminosos (a existir no empreendimento e no PETAR iluminação durante a noite é refletida apenas no solo) 15 Os itens relativos aos requisitos foram numerados da mesma forma que na NBR 15401 41 Nas áreas naturais protegidas, realizam ações como: - plantio do palmito juçara no interior do PETAR (colhem sementes da espécie na mata e depois lançam nos locais onde há maior umidade pois, segundo o - Não é feito nenhum tipo de prevenção à domesticação de animais silvestres pelos turistas no empreendimento e no PETAR, especialmente com a alimentação artificial que pode ser gerada pelos turistas. gerente, facilita o seu desenvolvimento e; - incentivam os turistas a trazerem o lixo produzido de volta para as pousadas Item 5.3 e 5.4 – Arquitetura e paisagismo Pontos positivos: Pontos a melhorar: - Possui boa adequação em relação a paisagem com o - O empreendimento poderia ampliar o paisagismo, plantio de árvores no entorno da pousada; plantando mais árvores nativas no entorno pois as - A arquitetura é construída horizontalmente, acompanhando o relevo; - Utiliza-se cascalho no entorno do empreendimento, evitando a impermeabilização do solo; árvores plantadas estão dispersas, isto é, há espaço para o plantio de mais árvores; - O empreendimento deve incentivar no paisagismo o plantio de outras espécies nativas como árvores frutíferas da região, além da juçara e outras espécies, de forma a diversificar o aspecto paisagístico e torná-lo mais próximo à vegetação original - Alguns resíduos da construção civil estão descartados de forma incorreta, a céu aberto. - o empreendimento utiliza grande quantidade de cascalhos para o acesso dos turistas pelo entorno do empreendimento. Deve-se utilizar outras alternativas como grama, de forma a minimizar o uso desse recurso mineral. - Houve utilização excessiva de materiais para construção: no refeitório, além das telhas, o teto é forrado com madeira. 42 Item 5.5 - Emissões, efluentes e resíduos sólidos Pontos positivos: Pontos a melhorar: - existe coleta seletiva para os resíduos sólidos. - os - o empreendimento utiliza copos descartáveis para o resíduos consumo de água pelos turistas; de óleo de cozinha são coletados e reaproveitados na produção de sabão; - a maior parte dos resíduos sólidos coletados não possui destinação final adequada e acaba sendo disposta no lixão do município; - os efluentes são lançados em fossa séptica: não há tratamento; -não há registro do consumo de água pelos turistas ou ainda metas de redução de consumo. Item 5.6 - Eficiência energética Pontos positivos: Pontos a melhorar: - utiliza-se lâmpadas econômicas; - o refeitório não possui telhas transparentes, aumentando - há informações passadas aos turistas para evitarem o desperdício no uso de energia elétrica; - aparelhos como freezers são utilizados de acordo com a demanda turística o consumo de energia; - áreas como o refeitório possuem janelas pequenas, subutilizando a luz solar; - necessita-se aumentar o plantio de árvores em algumas áreas do entorno, de modo a aumentar a umidade local e sombreamento, diminuindo assim a necessidade no uso de ventiladores; - não se utiliza nenhum tipo de energia renovável; - todo o transporte de produtos utilizados pela pousada é feito por terceiros e não há preocupação para estes quanto ao tipo e eficiência no uso de combustíveis; 43 Item 5.7 - Conservação e gestão do uso da água Pontos positivos: Pontos a melhorar: - o empreendimento incentiva os turistas a otimizarem o - água utilizada para fins menos nobres como limpeza é consumo de água; obtida de fontes naturais no entorno: não se aproveita água de chuva; - não há preocupação ou medidas de forma a tentar reduzir o consumo de água ou adotar práticas de reuso. Item 5.8 – Seleção e uso de insumos Pontos positivos: Pontos a melhorar: - O empreendimento não utiliza insumos com potenciais - O empreendimento não utiliza produtos biodegradáveis riscos ao meio ambiente. Também não há necessidade para limpeza e também não disponibiliza produtos de de controle de pragas. higiene pessoal como sabonetes biodegradáveis para os - Os resíduos orgânicos separados na coleta seletiva são turistas. aproveitados na horta que existe no local; Requisitos socioculturais para o Turismo Sustentável Item 6.1 - Comunidades locais Pontos positivos: Pontos a melhorar: - O empreendimento tem um envolvimento com a - não há uma articulação com a população local para “associação de moradores” para promover ações como: desenvolver ações como criação de cooperativa para coleta seletiva destinada à população local e utilização coleta seletiva. de espaços na pousada pela escola da comunidade para práticas esportivas. - não há cobrança junto às autoridades competentes para resolver problemas enfrentados pela comunidade como - Em feriados prolongados ou em períodos de maior falta de saneamento, transporte e melhorias no acesso ao visitação turística, o empreendimento procura avisar a bairro. polícia local para aumentar o patrulhamento para a prevenção de assédio sexual e uso de drogas por parte dos turistas. - as medidas preventivas para sensibilizar os turistas quanto ao assédio sexual e uso de drogas são feitos, segundo o empreendimento, pelas agências de turismo. O empreendimento deve também participar na promoção de 44 medidas de prevenção para tais atitudes, seja por folderes ou outras formas. Item 6.2 – Trabalho e renda Pontos positivos: Pontos a melhorar: - Mão-de-obra empregada é na maior parte local; - Necessidade de ampliar a qualificação dos funcionários - Os funcionários que ocupam cargos (camareira, culinária e recepção) receberam cursos de capacitação pelo SEBRAE. para temas relacionados ao ecoturismo, como a legislação ambiental. - o empreendimento poderia aumentar a demanda pelo - o empreendimento permite que moradores locais tragam produtos como artesanato, mel e palmito artesanato e produtos como alimentos produzidos localmente criando um marketing pela divulgação em folders, quadros e outros meios, na própria pousada. pupunha para serem vendidos aos turistas - empreendimento não auxilia as populações locais para que estas aumentem a oferta de alimentos orgânicos a partir de auxílios como compra de insumos e fertilizantes ou pela criação de um sistema de cooperativa, que contemple diversos produtores Item 6.3 – Aspectos culturais Pontos positivos: Pontos a melhorar: - Há a divulgação da cultura local para os clientes - não há informação aos turistas sobre o respeito à cultura através de vídeos que mostram: o centro histórico da local como maneira de se vestir e outras ações cidade, algumas cavernas, produção de artesanato e preventivas para evitar o fenômeno conhecido como agricultura familiar local e as comunidades quilombolas “imitação cultural” Item 6.4 Saúde e educação Pontos positivos: Pontos a melhorar: - existe apoio financeiro para gastos com saúde para não há convênio médico para os funcionários funcionários e familiares (apenas quando diagnostica-se problemas de saúde). - não há participação em programas de saúde para a população local como campanhas de vacinação, prevenção à dengue, entre outros. - não há ações para apoiar a educação dos trabalhadores e da população local para temas como educação ambiental, 45 ecoturismo, unidades de conservação, entre outros. Item 6.5 - Populações tradicionais Pontos positivos: Pontos a melhorar: - Nada foi constatado para este requisito - incorporar os requisitos da Norma Requisitos econômicos para o turismo sustentável Item 7.1- Qualidade e satisfação dos clientes Pontos positivos: Pontos a melhorar: - Há algumas placas e mapas que divulgam alguns locais - não são oferecido aos clientes diferentes roteiros turísticos no PETAR. turísticos (como turismo de aventura e cultural). O - Existe um sistema de informação sobre a satisfação dos clientes empreendimento deve ofertá-los previamente aos turistas, de forma a atender a diferentes tipos e níveis de demanda, considerando aspectos como o financeiro, - O empreendimento prioriza o uso de alimentos orgânicos e insumos que são ofertados localmente. - O serviço de alimentação inclui oferta da culinária local com o prato conhecido como cascudo. experiência (principalmente para turismo de aventura) e aptidão física -não são oferecidos aos turistas roteiros de visitação para todos os atrativos que existem nos núcleos de visitação. - não há informação aos turistas sobre a existência dos atrativos que existem em todos os núcleos de visitação que podem ser visitados. - não existe informação aos clientes que permita contextualizá-los sobre os aspectos socioculturais e ambientais que relacionam-se com o ecoturismo local, o PETAR, a comunidade local e o empreendimento, de forma a demonstrar o papel e importância do turista como gerador de divisas à região. - não há utilização de folders, mapas ou placas que divulguem o Bairro da Serra, a comunidade local e produtos e serviços que podem ser oferecidos localmente como a “feira do bairro” 46 Item 7.2 – Saúde e segurança dos trabalhadores Pontos positivos: Pontos a melhorar: - os funcionários utilizam EPI para executar atividades - não há procedimentos para identificar riscos e perigos que possam levar riscos à saúde. no local de trabalho. - não há apoio para promover ações que visem informar os turistas acerca dos procedimentos preventivos para acidentes nas atividades de campo como evitar consumo de bebidas alcoólicas e à necessidade de respeitar e ter atenção às instruções e procedimentos que são passadas pelos monitores Na pousada “B”, com aproximadamente 180 leitos, a entrevista foi feita com o gerente. Os dados coletados estão organizados no quadro a seguir com os pontos positivos e os pontos a melhorar. 47 Quadro 3 - Pontos positivos e pontos a melhorar do empreendimento “B” a partir dos requisitos da NBR 15401 Requisitos ambientais para o turismo sustentável Item 5.1 – preparação e atendimento a emergências Pontos positivos: Pontos a melhorar: Nada foi observado para este requisito Incorporar os requisitos inerentes ao item da Norma Item 5.2 – Áreas naturais, flora e fauna Pontos positivos: Pontos a melhorar: - Conhecimento da lei do SNUC - Não há um levantamento de outras leis que podem - Não é feita comercialização, captura ou qualquer aspecto que cause impactos negativos à fauna e flora silvestre. - A prevenção à domesticação de animais silvestres pelos turistas no empreendimento e no PETAR, especialmente com a alimentação artificial que pode ser gerada pelos turistas é feita pelos monitores associar-se com a atividade turística e ao empreendimento como as que foram citadas no questionário - não há nenhum tipo de ação para proteção de espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção. O empreendimento não tem nem ao menos conhecimento das espécies que estariam em tal situação. - Não há informação aos turistas acerca da vulnerabilidade do Parque quanto a atividade turística, bem como a sua importância como remanescente de Mata Atlântica. Ou seja, não há uma campanha de promover a valorização dos ecossistemas e dos atrativos existentes no PETAR. - não há prevenção quanto aos impactos luminosos durante a noite. - ações de prevenção quanto aos impactos para a fauna e flora nos locais de visitação, bem como promoção de educação ambiental aos turistas são feitas pelos monitores. O empreendimento também deve incorporar tais ações. - Notou-se algumas aves não silvestres domesticadas em 48 gaiolas. Apesar do requisito não contemplar espécies não silvestres, manter aves em gaiolas degrada a imagem ecoturística do empreendimento. - o empreendimento também deve participar de ações para prevenir a domesticação de animais silvestres, em especial, pelos turistas. Item 5.3 e 5.4 – Arquitetura e paisagismo Pontos positivos: Pontos a melhorar: - Dentre as medidas para minimizar os impactos da - não há integração da arquitetura com a paisagem do construção no local, os resíduos não aproveitados na entorno (excesso no uso de materiais de construção e de construção são utilizados para tapar buracos área construída) - há impermeabilização do solo em locais desnecessários; - houve remoção excessiva da vegetação nativa para construção de garagem para uso dos proprietários e para áreas de lazer destinadas aos turistas. - existem áreas degradadas e que, ao invés de recuperálas, o empreendimento pretende utilizá-las (provavelmente para aumentar a oferta de leitos) - o paisagismo não reflete de forma satisfatória harmonia com o ambiente no entorno. Item 5.5 – Emissões, efluentes e resíduos sólidos Pontos positivos: Pontos a melhorar: - realiza-se coleta seletiva - não há uma destinação apropriada para os resíduos - os turistas são orientados a trazer as pilhas utilizadas na iluminação das cavernas para a pousada - resíduos de óleo de cozinha são coletados e reaproveitados sólidos: são separados mas, como não há destinação final, são descartados nos lixões da cidade - utiliza-se copos descartáveis - não há tratamento das águas residuárias: água negra e amarela é destinada em fossas sépticas e água cinza apenas parte da gordura é removida (caixa de gordura) e o restante é descartado no rio 49 - não são utilizados filtros para minimizar as emissões dos poluentes gerados pelo fogão à lenha Item 5.6 - Eficiência energética Pontos positivos: Pontos a melhorar: - utiliza-se lâmpadas econômicas - não há uma gestão para melhorar a eficiência energética no uso de energia elétrica como mapear locais onde pode-se utilizar lâmpadas com baixa potência ou locais onde não precisariam de iluminação. - não há preocupação em otimizar o uso de equipamentos como freezers de acordo com a demanda - a área de restaurante possui poucas janelas, evidenciando pouca técnica para maximizar o uso de energia - não há utilização de fontes de energia renováveis - não há medidas para reduzir o consumo de energia dos meios de transporte próprios Item 5.7 – Conservação e gestão do uso da água Pontos positivos: Pontos a melhorar: - não foram observados - adotar os requisitos da norma Item 5.8 – Seleção e uso de insumos Pontos positivos: Pontos a melhorar: - O empreendimento utiliza detergente biodegradável - incluir outros produtos biodegradáveis como sabonetes para limpeza e outros produtos de higiene pessoal utilizados pelos - O empreendimento não utiliza insumos com potenciais turistas. riscos ao meio ambiente. Também não há necessidade de controle de pragas 50 Requisitos socioculturais para o Turismo Sustentável Item 6.1 – Comunidades locais Pontos positivos: Pontos a melhorar: - nada foi observado para este requisito - incorporar os requisitos da norma Item 6.2 – Trabalho e renda Pontos positivos: Pontos a melhorar: - há um aproveitamento da população local nas - não há capacitação dos funcionários para cursos com atividades do empreendimento temáticas como educação ambiental e ecoturismo, de - cursos para capacitação de funcionários para atividades como camareira são custeados pelo empreendimento - permite-se que produtos como mel e artesanato sejam forma a aproximá-los quanto aos aspectos socioculturais e ambientais que suas funções podem estar associadas. - não há uma propaganda, folders, placas ou outras formas de incentivo para que os turistas tenham mais vendidos no local conhecimento - para os turistas interessados em artesanato, indica-se a sobre os produtos ofertados pela comunidades “lojinha do bairro”, local onde vende-se artesanato. - O empreendimento não auxilia as populações locais para que estas aumentem a oferta de alimentos orgânicos e produtos como artesanato a partir de auxílios como compra de insumos e fertilizantes ou pela criação de um sistema de cooperativa, que contemple diversos produtores Item 6.3 - Aspectos culturais Pontos positivos: Pontos a melhorar: - São indicadas festas típicas locais como festa junina - não para os turistas. O empreendimento também faz doações manifestações culturais da região e outras formas de auxílio para realizarem estas festas há informação aos turistas sobre outras - não há informação aos turistas sobre o respeito à cultura local como maneira de se vestir e outras ações preventivas para evitar o fenômeno conhecido como “imitação cultural” 51 Item 6.4 – Saúde e educação Pontos positivos: Pontos a melhorar: - existe apoio financeiro para gastos com saúde para - não há convênio de saúde para os funcionários funcionários e familiares (apenas quando diagnostica-se problemas de saúde) - não há participação em programas de saúde para a população local como campanhas de vacinação, prevenção à dengue, entre outros. - não há ações para apoiar a educação dos trabalhadores e da população local para temas como educação ambiental, meio ambiente, ecoturismo, unidades de conservação, entre outros. Item 6.5 – Populações tradicionais Pontos positivos: Pontos a melhorar: - Para os turistas que perguntam a respeito das - a divulgação da comunidade de Ivaporunduva, além de comunidades quilombolas, são passadas informações outras, deve ser feita previamente, através de placas ou verbais a respeito do modo de vida do quilombo cartazes Ivaporunduva (fica em Eldorado) e como chegar em tal curiosidade dos turistas comunidade. e não apenas verbalmente, quando há - não existe divulgação através de vídeos, folders ou placas que permitam que os turistas conheçam o modo de vida, costumes e tradições das comunidades quilombolas que vivem no interior do PETAR - não há uma participação do empreendimento em qualquer auxílio para as comunidades quilombolas que vivem no interior do PETAR - não há um estimulo e promoção de mecanismos para que os turistas possam ter um contato com tais comunidades. 52 Requisitos econômicos para o turismo sustentável Item 7.1 – Qualidade e satisfação dos clientes Pontos positivos: Pontos a melhorar: - existe procedimentos para identificar a satisfação dos - são oferecidos roteiros turísticos para turismo clientes no check out espeleológico e de estudo do meio (biota) pelas agências - existem folders que divulgam o PETAR que são oferecidos aos turistas, além de informações verbais. de turismo, de acordo com o perfil da demanda. O empreendimento deve também divulgar esses e outros roteiros (como turismo de aventura e cultural) e ofertálos previamente aos turistas, de forma a atender a diferentes tipos e níveis de demanda, considerando aspectos como o financeiro, a experiência dos turistas (especialmente para turismo de aventura) e aptidão física - não são oferecidos aos turistas roteiros de visitação para todos os atrativos que existem nos núcleos de visitação. - não há informação aos turistas sobre a existência dos atrativos que existem em todos os núcleos de visitação que podem ser visitados. - não existe informação aos clientes que permita contextualizá-los sobre os aspectos socioculturais e ambientais que relacionam-se com o ecoturismo local, o PETAR, a comunidade local e o empreendimento, de forma a demonstrar o papel e importância do turista como gerador de receitas à região. - - não são oferecidos alimentos e bebidas típicas da culinária local - não há utilização de folderes, mapas ou placas que divulguem o Bairro da Serra, a comunidade local e produtos e serviços que podem ser oferecidos localmente 53 Item 7.2 – Saúde e segurança dos clientes e no trabalho Pontos positivos: Pontos a melhorar: - há incentivo para os funcionários utilizarem EPI - não há procedimentos para identificar riscos e perigos disponibilizado no empreendimento no local de trabalho. - não há apoio para promover ações que visem informar os turistas acerca dos procedimentos preventivos para acidentes nas atividades de campo como evitar consumo de bebidas alcoólicas e à necessidade de respeitar e ter atenção às instruções e procedimentos que são passadas pelos monitores. A pousada “C” possui 56 leitos e o funcionário que respondeu ao formulário é responsável pelo gerenciamento do empreendimento. Os dados coletados estão organizados no quadro a seguir com os pontos positivos e os pontos a melhorar. 54 Quadro 4 - Pontos positivos e pontos a melhorar do empreendimento “C” a partir dos requisitos da NBR 15401 Requisitos ambientais para o turismo sustentável Item 5.1 - Atendimento a emergências Pontos positivos: Pontos a melhorar: Os botijões de gás ficam do lado de fora, numa área Não há extintores; isolada Não há placas de aviso sobre perigo de incêndio no local onde ficam armazenados os botijões; Não há treinamento para os funcionários no que se refere a situações de emergência Item 5.2 - Áreas naturais, flora e fauna Pontos positivos: Pontos a melhorar: - Não é feita comercialização, captura ou qualquer - Necessitam de maior conhecimento acerca da aspecto que cause impactos negativos à fauna e flora legislação. O gerente responsável não soube tratar desta silvestre. questão, isto é, da legislação que relaciona-se com a - Adotam medidas em relação ao manejo e proteção da área natural própria como: - plantio de palmito juçara e de árvores frutíferas, no entorno do empreendimento; atividade turística e com o empreendimento. - Não há ações específicas para auxiliar na proteção de outras espécies de flora (além do palmito juçara) e das espécies de fauna ameaçadas de extinção que podem existir no empreendimento e no PETAR -minimização no corte da vegetação (notou-se árvores no entorno típicas da vegetação nativa); - Não é feito nenhum tipo de prevenção à domesticação de animais silvestres pelos turistas no empreendimento e - plantio de árvores no entorno de pequenas valetas que conduzem água nos períodos de chuva; no PETAR, especialmente com a alimentação artificial que pode ser gerada pelos turistas. - adequação aos impactos luminosos (a iluminação durante a noite é refletida apenas no solo), o suficiente apenas para os turistas se locomoverem; - quando encontram espécies de fauna como periquito que apresentam debilidade na saúde, prestam cuidados até a espécie ser reintroduzida no ecossistema e; 55 - alimentam aves típicas da região com alimentação natural (frutas) com o propósito de facilitar a contemplação aos turistas. - Para a proteção e manejo de áreas naturais protegidas, o empreendimento: - divulga aos turistas, através de fotos e vídeos que mostram aspectos do PETAR como cachoeiras, cavernas, fauna e flora, permitindo a promoção da valorização dos ecossistemas existentes no Parque; - realiza o plantio de mudas de palmito juçara, os quais são plantados em áreas do Parque. Também, em alguns casos, são doados para os turistas. Item 5.3 e 5.4 – Arquitetura e paisagismo Pontos positivos: - A arquitetura Pontos a melhorar: é construída horizontalmente, acompanhando o relevo; - Por se tratar de uma análise preliminar, para melhorar o paisagismo e arquitetura, haveria a necessidade de um - No refeitório, parte das paredes é aberta, aumentando o contato dos turistas com o entorno e minimizando os especialista em tais áreas para sugerirem melhorias, além das que foram listadas impactos decorrentes da construção. - A arquitetura utiliza minimamente recursos naturais. Nota-se esse aspecto especialmente no refeitório e no entorno da pousada onde, para os turistas se locomoverem entre os quartos e refeitórios, são lançados cascalhos minimamente, apenas em locais necessários. Para facilitar o acesso de veículos sem a necessidade de impermeabilização do solo, adotam-se medidas como: - uso de resíduos da construção civil e; - reaproveitamento de areia grossa e cascalho trazidos pela chuva - Possui adequação em relação a paisagem com o plantio 56 de árvores nativas e frutíferas no entorno da pousada. - Utiliza-se cercas vivas para zonear áreas destinadas ao estacionamento. Isto também ajuda a ampliar o paisagismo local. Item 5.5 - Emissões, efluentes e resíduos sólidos Pontos positivos: - são disponibilizados Pontos a melhorar: para os turistas pilhas - o empreendimento utiliza copos descartáveis para o recarregáveis para alimentar as lanternas; consumo de água pelos turistas; - os resíduos de óleo de cozinha são coletados e - não há coleta seletiva; reaproveitados na produção de sabão; - não existe tratamento para os efluentes: águas negras e amarelas são lançadas em fossas sépticas e águas cinzas são descartadas diretamente nos rios Item 5.6 - Eficiência energética Pontos positivos: Pontos a melhorar: - utiliza-se lâmpadas econômicas com baixa potência tal - não se utiliza nenhum tipo de energia renovável. que muitos turistas reclamam da baixa luminosidade (o empreendimento busca sensibilizar os turistas quanto a - os freezers utilizados são antigos e, por esta razão, demandam maior consumo de energia elétrica. relevância na economia de energia) - no entorno dos quartos, existem bastante vegetação, o que pode aumentar a umidade local e assim, minimizar o uso de ventiladores - no refeitório há telhas transparentes que auxiliam na maximização da energia solar durante o dia. - aparelhos como freezers são utilizados de acordo com a demanda turística 57 Item 5.7 - Conservação e gestão do uso da água Pontos positivos: Pontos a melhorar: - a limpeza dos quartos é feita apenas quando o turista - não há aproveitamento da água de chuva para fins chega para hospedar-se menos nobres. Também não é feito reuso da água - durante o tempo de permanência dos turistas, não são - as medidas adotadas para otimizar o uso da água como trocadas roupas de cama. Toalhas de banho são trocadas frequência nas trocas de roupas de cama e toalhas não a cada dois dias. são passadas para os turistas, isto é, o empreendimento não possui cartazes, quadros ou outros mecanismos que divulguem o intuito de otimizar o uso de água, a partir das ações que já vêm sendo desempenhadas pelo empreendimento. Item 5.8 – Seleção e uso de insumos Pontos positivos: Pontos a melhorar: - O empreendimento não utiliza insumos com potenciais - O empreendimento não utiliza produtos biodegradáveis riscos ao meio ambiente. Também não há necessidade para limpeza e também não disponibiliza produtos de de controle de pragas. higiene pessoal como sabonetes biodegradáveis para os - utiliza-se lâmpadas amarelas no refeitório para turistas. diminuir a atração de insetos e assim minimizar o uso de insumos como inseticidas. Requisitos socioculturais para o Turismo Sustentável Item 6.1 - Comunidades locais Pontos positivos: Pontos a melhorar: - não foram observados - buscar o cumprimento dos requisitos pertinentes ao empreendimento Item 6.2 – Trabalho e renda Pontos positivos: Pontos a melhorar: - há um aproveitamento da população local nas funções - não há capacitação dos funcionários para cursos com do empreendimento temáticas como educação ambiental e ecoturismo, de forma a aproximá-los quanto aos aspectos socioculturais 58 - houve qualificação do funcionário que participou da entrevista para graduação em hotelaria e curso de fonoaudiologia, custeados pelo empreendimento - há indicação de monitores locais autônomos credenciados, sendo uma vantagem financeira para estes últimos pois os monitores que trabalham pelas agências recebem um pagamento menor pela monitoria. e ambientais que suas funções podem estar associadas. - não há uma propaganda, folderes, placas ou outras formas de incentivo para que os turistas tenham mais conhecimento sobre os produtos ofertados pela comunidades - O empreendimento não auxilia as populações locais para que estas aumentem a oferta de alimentos orgânicos - permite-se que produtos como artesanato sejam e produtos como artesanato a partir de auxílios como vendidos no local compra de insumos e fertilizantes ou pela criação de um - para os turistas interessados em artesanato, indica-se a “lojinha do bairro”, local onde vende-se artesanato. sistema de cooperativa, que contemple diversos produtores - existe prioridade no uso de produtos agrícolas produzidos localmente como mandioca e pepino caipira Item 6.3 - Aspectos culturais Pontos positivos: Pontos a melhorar: - Utiliza-se vídeos para divulgar aspectos culturais da - não há informação aos turistas sobre o respeito à cultura região como a história local, o Museu de Iporanga. local como maneira de se vestir e outras ações preventivas para evitar o fenômeno conhecido como “imitação cultural” Item 6.4 – Saúde e educação Pontos positivos: Pontos a melhorar: - O empreendimento divulga eventos como campanhas - não há convênio médico para os funcionários de vacinação por meio de cartazes da vigilância sanitária. - não há participação em programas de saúde para a população local como campanhas de vacinação, prevenção à dengue, entre outros. - não há ações para apoiar a educação dos trabalhadores e da população local para temas como educação ambiental, meio ambiente, ecoturismo, unidades de conservação, entre outros. 59 Item 6.5 – Populações tradicionais Pontos positivos: Pontos a melhorar: - existe divulgação através de vídeos de forma que os - não há uma participação do empreendimento em turistas conheçam o modo de vida, costumes e tradições qualquer auxílio para as comunidades quilombolas que das comunidades quilombolas que vivem no interior do vivem no interior do PETAR PETAR - não há um estimulo e promoção de mecanismos para que os turistas possam ter um contato com tais comunidades. Requisitos econômicos para o turismo sustentável Item 7.1 – Qualidade e satisfação dos clientes Pontos positivos: Pontos a melhorar: - existe procedimentos para identificar a satisfação dos - Os roteiros turísticos são oferecidos pelas agências de clientes no check out monitores. O empreendimento deve também divulgar aos - existem placas e cartazes que divulgam alguns dos atrativos que existem no PETAR. turistas, incluindo diferentes tipos de turismo (como turismo de aventura e cultural) e ofertá-los previamente aos turistas, de forma a atender a diferentes tipos e níveis - através de vídeos, há uma divulgação aos turistas sobre alguns aspectos socioculturais e econômicos da região como a produção familiar da mandioca, biju, pamonha, de demanda, considerando aspectos como o financeiro, a experiência dos turistas (especialmente para turismo de aventura) e aptidão física. farinha de mandioca e rapadura. Também é passado para os turistas que muitas destas atividades estão se perdendo devido a restrição no uso do solo. - não são oferecidos aos turistas roteiros de visitação para todos os atrativos que existem nos núcleos de visitação. - não há informação aos turistas sobre a existência dos atrativos que existem em todos os núcleos de visitação que podem ser visitados. - a contextualização sobre os aspectos socioculturais e ambientais que relacionam-se com o ecoturismo local, o PETAR e a comunidade local é feita sem relacionar o empreendimento e a importância do turista como gerador de receitas à região. - não são oferecidos alimentos e bebidas típicas da culinária local 60 - não há utilização de folderes, mapas, placas ou cartazes que divulguem o Bairro da Serra, a comunidade local e produtos e serviços que podem ser oferecidos localmente como a feira comunitária Item 7.2 – Saúde e segurança dos clientes e no trabalho Pontos positivos: Pontos a melhorar: - há incentivo para os funcionários utilizarem EPI - não há procedimentos para identificar riscos e perigos disponível no empreendimento no local de trabalho. - em dias de chuva, os turistas são alertados verbalmente - não há apoio para promover ações que visem informar quanto aos cuidados que devem ter na visita a campo. os turistas acerca dos procedimentos preventivos para acidentes nas atividades de campo como evitar consumo de bebidas alcoólicas e à necessidade de respeitar e ter atenção às instruções e procedimentos que são passadas pelos monitores. 6.2 Análise do diagnóstico preliminar Com base no item anterior, o presente item analisa os principais pontos a melhorar para os empreendimentos em relação aos requisitos ambientais, socioculturais e econômicos, propondo algumas sugestões de melhoria que poderiam ser adotadas, pertinentes para o local e região, incluindo a população local. 6.2.1. Requisitos ambientais De uma forma geral, os empreendimentos entrevistados apontaram algumas questões que prestam serviços de acomodação aos turistas que visitam o PETAR. Dentre os requisitos ambientais, notou-se que no requisito “áreas naturais, flora e fauna” os empreendimentos não abordam ou abordam de forma insuficiente aspectos como: 61 - Informação aos turistas acerca da vulnerabilidade do Parque quanto à atividade turística, bem como a importância deste como remanescente de Mata Atlântica; - Promoção quanto à valorização dos ecossistemas e dos atrativos existentes no PETAR; - Promoção de educação ambiental aos turistas. Se considerarmos o princípio “difusão da consciência ecológica por meio da educação ambiental”, proposto por Pires (2002, p. 167), notaremos que os empreendimentos analisados precisam se adequar em relação aos aspectos mencionados: O ecoturismo presta-se como um eficaz instrumento para a realização da educação ambiental, especialmente nos ambientes naturais, por tratar-se de atividade que proporciona um efetivo envolvimento com os aspectos originais e autênticos das manifestações da natureza como um todo, oportunizando às pessoas conhecimentos e percepções mediante experiências de primeira mão que vão conduzi-las a novas atitudes e posturas diante do meio ambiente como cidadãs. Outro aspecto que notou-se não ser abordado, ou quando abordado foi feito minimamente, é a respeito das ações para proteção de espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção. Aqui também pode-se mencionar um dos princípios fundamentais para a prática do ecoturismo, tal como já mencionado por Pires (2002, p. 168): “compromisso com a conservação da natureza”. Aqui o autor afirma que “o ecoturismo estabelece um compromisso intrínseco com a proteção dos ambientes e recursos naturais”. Conforme já mencionado, o PETAR faz parte da área contínua de Mata Atlântica mais preservada do Brasil sendo denominado como Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, portanto, patrimônio da humanidade (CASTRO, C. 2004). Por isso, os empreendimentos precisam adotar diversas ações que permitam cumprir com este importante princípio associado ao ecoturismo. Sobre a arquitetura e paisagismo, notou-se para as pousada “A” e, especialmente a “B”, diversos pontos a melhorar. Assim sendo, segundo o Instituto de Hospitalidade (2004, p. 26), o 62 uso e ocupação do solo devem ser adequados às potencialidades e limitações socioambientais, tomando sempre o cuidado de manter o ambiente natural do entorno, maximizando o uso de espécies nativas e evitando que essas espécies sejam extraídas. “As funções do paisagismo não estão limitadas ao embelezamento estético da paisagem, mas também às práticas preservacionistas, indispensáveis à manutenção dos elos essenciais ao equilíbrio do ecossistema nas áreas de sua implantação. É exercido de forma plena, integrando-se perfeitamente à natureza”. Quanto à arquitetura, segundo o Instituto de Hospitalidade (2004), é importante o conhecimento aprofundado do local selecionado para haver um zoneamento territorial racional e viável de forma que o empreendimento adote medidas específicas que possibilitem estratégias que viabilizem a ocupação ordenada racional da área, assegurando o desenvolvimento sustentável. Porém, nos meios de hospedagem analisados, a arquitetura foi realizada sem um planejamento adequado que incorpore de forma satisfatória os requisitos analisados (isso é bem evidente na pousada “B”). Portanto, haveria uma necessidade em contratar profissionais especializados em arquitetura e paisagismo para estudar e propor alternativas que permitam uma maior adequação desses empreendimentos quanto aos pontos a melhorar sugeridos. A falta de tratamento e disposição adequadas de resíduos sólidos e efluentes é geral para todos os empreendimentos. Para os resíduos sólidos, duas das três pousadas entrevistadas cometem uma situação agravante de passar aos turistas uma imagem equivocada do empreendimento pois realizam uma coleta seletiva dos resíduos gerados no local porém, a destinação final dos resíduos ocorre em lixões a céu aberto da cidade de Iporanga, conforme já constatado por Giatti (2004). A questão aqui a ser levantada é o consenso dos entrevistados sobre a falta de destinação final para os resíduos separados pela coleta seletiva. Não há uma participação por parte da prefeitura municipal, no sentido de auxiliar na tentativa dos empreendimentos na solução deste problema. Apesar da dificuldade em resolver essa questão sobre a destinação dos resíduos sólidos, os meios de hospedagem analisados poderiam tomar algumas medidas para diminuir a geração de resíduos como: substituir o uso de copos descartáveis por copos de vidro ou ainda, fornecer aos clientes copos de plástico duráveis (como canecas) que, inclusive, poderiam ser distribuídas 63 como souvenir, de forma que os clientes poderiam usá-lo para consumir qualquer bebida no estabelecimento (reduziria a geração de copos descartáveis. Outro problema local que ocorre em todas as pousadas que pôde ser observado nas entrevistas trata-se da falta de esgotamento sanitário16 para os efluentes produzidos pelos empreendimentos, os quais para águas negras utilizam fossa séptica17 e as águas cinzas são descartadas diretamente em rios próximos. As características das águas residuárias podem ser melhor compreendidas pela definição de Gonçalves et al. (sem data), as quais seriam: • Águas negras: água residuária proveniente dos vasos sanitários, contendo basicamente fezes, urina e, em alguns casos, papel higiênico, tendo em sua composição grandes quantidades de matéria fecal. • Águas cinzas: águas servidas provenientes dos diversos pontos de consumo de água na edificação (lavatórios, chuveiros, banheiras, pias de cozinha, máquina de lavar roupa e tanque), com exceção das águas provenientes dos vasos sanitários. • Águas amarelas: proveniente de dispositivos que separam a urina das fezes. Podem ser geradas em mictórios ou em vasos sanitários com compartimentos separados para coleta de fezes e de urina. A figura 2 esquematiza as diferentes origem das águas residuárias. 16 Segundo a Lei Federal nº 11.445 de 5 de janeiro de 2007, o saneamento básico compreende uma amplitude de serviços, os quais seriam: abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e a drenagem e manejo das águas superficiais urbanas. O abastecimento de água é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações necessárias ao abastecimento público de água potável, desde a captação até as ligações prediais e respectivos instrumentos de medição. O esgotamento sanitário é constituído pelas atividades, infraestruturas e instalações operacionais de coleta, transporte, tratamento e disposição final adequados dos esgotos sanitários, desde as ligações prediais até o seu lançamento final no meio ambiente (art. 3º, inciso 1º da Lei n. 11.445/2007). 17 A fossa séptica pode ser definida como unidade de sedimentação e digestão anaeróbia ( ausência de oxigênio ), de escoamento contínuo. Em geral é projetada para ser construída com material estanque (à prova de água) para receber as águas residuárias (Von SPERLING, 2005). 64 Figura 2 – esquema simplificado sobre a origem das águas residuárias. Fonte: Gonçalves et al. (sem data) Pelo exposto, as pousadas precisariam investir no tratamento dos efluentes gerados. Embora os entrevistados afirmaram que utilizam fossa séptica para águas originadas do vaso sanitário (águas negras), o uso da fossa séptica é uma solução de curto prazo, uma vez que há necessidade de limpá-la periodicamente. Além disso, podem causar contaminação das águas subterrâneas, principalmente quando o nível do lençol freático possui pouca profundidade (Von SPERLING, 2005). Quanto às águas cinzas, estas, como já mencionado, são descartadas diretamente nos rios próximos aos empreendimentos, sem nenhum tipo de tratamento. Segundo Winblad (2004), as águas cinzas possuem pouquíssimos patógenos, metais pesados e outras substâncias maléficas à saúde humana. Em relação à demanda bioquímica de oxigênio (DBO), a concentração pode ser alta devido à existência de óleo de cozinha e outras compostos. A concentração de nitrogênio é de 5 a 10% e a de fósforo varia entre 5-50%. Essa variação na concentração de fósforo ocorre principalmente devido ao uso de detergentes nas residências. 65 A não internalização no tratamento das águas cinzas pelos empreendimentos, o tratamento precário das águas negras pelas fossas sépticas e a falta de esgotamento sanitário nas residências localizadas no Bairro da Serra corrobora com o trabalho feito por Giatti (2004), no qual evidenciou-se o altos níveis de DBO, de coliformes fecais e totais e fósforo em algumas amostras do rio Betarí e nos seus afluentes estariam associados com maiores taxas de ocupação das pousadas pelos turistas, níveis que, segundo o autor, algumas vezes estavam acima da legislação (Resolução CONAMA 20/1986)18. Em outro trabalho mais detalhado, Giatti et al. (2004) constataram que parte dos esgotos domésticos gerados no Bairro da Serra seguem diretamente por córregos ou no próprio Rio Betarí, o qual divide o bairro. Dos 50% dos domicílios deste bairro que foram entrevistados, 91% lançam os esgotos em fossas rudimentares. Outros 4% lançam o esgoto diretamente no solo ou na rua e os 5% restantes diretamente em córregos ou no rio. Em relação ao abastecimento de água, Giatti et al. (2004) constataram que na margem direita do rio, 69% dos domicílios tinham água encanada e o restante capta água diretamente de nascentes ou diretamente de cavernas freqüentadas por turistas. Já na margem esquerda do rio simplesmente não há atendimento da SABESP sendo que 92% dos domicílios captam a água das nascentes e o restante a partir de água das cavernas. A falta de esgotamento sanitário ou o tratamento ineficiente deste por parte das pousadas podem levar a contaminação dos corpos hídricos do Bairro da Serra, alterando o enquadramento dos corpos hídricos tal como estabelecidos pela Resolução CONAMA nº 357/2005 e aumentando a vulnerabilidade da população local, em especial, as que não possuem abastecimento de água pela SABESP, em adquirir doenças de veiculação hídrica19. Uma alternativa interessante para o tratamento das águas residuárias produzidas pelas pousadas seria a partir do uso do saneamento ecológico (ou ecosan) com separador de urina e 18 Em 2005, o CONAMA outorgou a Resolução 357/2005 e revogou a Resolução 20/1986 que foi usada por Giatti. Deve-se salientar que a Resolução 357/2005 é muito mais restritiva quanto aos valores máximos de contaminantes para o enquadramento dos corpos hídricos do que a legislação anterior. 19 Segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente do Município de São Paulo (2004) o consumo de água de abastecimento fora dos padrões de qualidade requeridos ou de água de captações particulares (subterrânea ou superficial), sem tratamento adequado, pode acarretar doenças de veiculação hídrica, destacando-se as doenças diarréicas agudas. As doenças diarréicas agudas podem ser provocadas por diversos agentes diferentes como as bactérias, vírus e parasitas ou outros agentes entéricos, tais como: cólera, shigueloses, salmoneloses, infecções por Escherichia coli, yersinioses, giardíases, campilobacterioses, criptosporidioses, ciclosporíases, gastroenteropatias virais, dentre outras. 66 fezes. O saneamento ecológico, embora seja um termo que não se encontra ainda bem definido na literatura, basicamente trata-se de sistemas que incluem manuseio e tratamento das excretas para produzir fertilizante e reutilizar os nutrientes para a produção de alimentos e com mínimo consumo de água (WINBLAD et al., 2004; AUSTIN; DUNCKER; MATSEBE et al., 2005; MAYUNBELO, 2006; DE SILVA, 2007; ROSEMARIN; EKANE; CALDWELL et al., 2008). Segundo Larsen (2007), o banheiro ecológico com separador de urina sem água que, em inglês é denominado como urine diversion dehydrating toilet (UDD toilet) possui algumas vantagens como baixo custo, baixos impactos ambientais devido a grande economia de água e é muito difundido em área rural e peri-urbana. A figura 3 esquematiza este modelo, o qual seria o mais indicado para o tratamento das águas residuárias (no caso águas negras e amarelas) produzidos pelas pousadas. Além de ser uma interessante alternativa para o tratamento, as excretas tratadas (principalmente a urina), em virtude da sua alta concentração de nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), poderiam ser destinadas como fertilizante para aumentar a oferta de alimentos produzidos pela população do Bairro da Serra e das comunidades quilombolas que vivem no interior do PETAR. Figura 3 - Separação da urina das fezes pelo modelo UDD toilet: à esquerda, as principais componentes do banheiro ecológico e, à direita, um modelo de assento com separador de urina das fezes (AUSTIN; DUNCKER; MATSEBE et al., 2005; MAYUMBELLO, 2006). 67 Em relação à eficiência energética, nenhum dos meios de hospedagem analisados utiliza algum tipo de energia renovável como energia solar, hidráulica ou eólica. Para a escolha desta última deve-se, antes de tudo, fazer um estudo do local para saber se o mesmo é propício para a instalação desse tipo de sistema uma vez que, se não há vento, não há geração de energia. Devido ao alto custo para a realização de um estudo do potencial eólico de cada local onde se pretenda instalar um aerogerador, as decisões de aquisição dos aerogeradores de pequeno porte podem ser tomadas a partir de informações macro, como a verificação do potencial eólico da região como um todo, através da consulta de um mapa eólico e a análise visual da área, identificando locais onde não haja grandes barreiras para o vento (INSTITUTO DE HOSPITALIDADE, 2004). A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (CETESB) realiza o monitoramento da qualidade do ar em diversas regiões do estado. Contudo, o Relatório da Qualidade do Ar do Estado de São Paulo de 2008 (CETESB, 2009) não inclui a região do Vale do Ribeira. Logo, sem as informações em nível macro, os empreendimentos devem buscar outras alternativas para obter as informações necessárias para avaliar a viabilidade para o uso dessa alternativa, assim como para outras como a energia solar, devendo considerar a viabilidade sob o ponto de vista ambiental e econômico/financeiro. Ainda sobre a eficiência energética, em uma das pousadas pôde-se verificar o consumo de energia elétrica para manter a iluminação da área do refeitório, mesmo durante o dia e com o tempo aberto, isto é, com poucas nuvens. Dentro do refeitório, havia a necessidade também de manter os ventiladores ligados mas não mostravam-se suficientes para manter o ambiente agradável (no sentido de conforto térmico). Uma sugestão para os empreendimentos seria adotar estratégias no local de forma a maximizar a arquitetura e paisagismo com a eficiência energética como: - Uso de telhas transparentes. - Ampliação das janelas. - Arborização em locais onde há maior radiação solar. - Utilização de lagos artificiais para aumentar a umidade local. - Utilização de lâmpadas econômicas. 68 Para uma gestão eficiente no uso da energia elétrica, algumas medidas complementares podem ser adotadas como: - Adoção de formas mais eficientes no uso de energia elétrica como iluminar apenas locais necessários e uso de refletores para iluminar apenas o solo. - Incentivar os turistas para economizar energia elétrica. - Utilizar os aparelhos como freezers de acordo com o tipo de alimento e temperatura externa (aumentando a potência em dias quentes e diminuindo nos dias frios). O requisito sobre gestão e uso da água também merece destaque na análise. Para a redução no uso da água, pelo menos duas medidas podem ser adotadas: uma gestão eficiente e reuso. Apenas o empreendimento “C” apresentou algumas medidas eficientes como: -A limpeza dos quartos é feita apenas quando o turista chega para hospedar-se - Durante o tempo de permanência dos turistas, não são trocadas roupas de cama (a não ser que haja uma solicitação dos turistas). Toalhas de banho são trocadas a cada dois dias. Essas medidas de gestão poderiam também ser adotadas pelos outros empreendimentos, assim como outras sugestões como: - A captação e o armazenamento de águas pluviais para utilizações menos nobres desta água como lavagens e descargas de sanitários, lavagens de pisos, roupas, jardins, piscina, entre outros usos. - Promover campanhas aos turistas para pouparem o uso de água 69 6.2.2 Requisitos socioculturais e econômicos Neste item, os principais pontos a melhorar em relação aos requisitos socioculturais e econômicos foram analisados, considerando os principais problemas apontados pela população local, de forma que foram sugeridas algumas ações que podem ser realizadas pelos meios de hospedagem. a) Falta de auxílio para o desenvolvimento local e de divulgação para aumentar a quantidade ofertada de produtos locais como artesanato, agrícola e culinária Segundo Silveira (2001 apud FOGAÇA, 2006, p. 138) existem três vertentes principais nas ocupações relacionadas ao turismo no Bairro da Serra, as quais seriam: • serviços de hospedagem e alimentação, que engloba os donos de pousadas e seus funcionários; • monitoria, que envolve principalmente jovens que realizaram um dos três cursos de monitores ministrados no bairro; • serviços complementares, como estabelecimentos que alugam boias e equipamentos espeleológicos ou que vendem produtos como pastéis e bebidas. Além destas, segundo Fogaça (2006), existiria também “diaristas” (aspas no original) os quais executam atividades como roçar o gramado das pousadas, manutenção de pousadas e do comércio local, cozinhar ou trabalhar como faxineira nos fins de semana ou em feriados prolongados nas pousadas devido ao aumento do número de turistas. Em outras palavras, “diaristas” estariam associados a empregos temporários. 70 Apesar do esforço da autora Fogaça (2006) em agrupar as principais ocupações relacionadas ao turismo no Bairro da Serra baseadas no trabalho de Silveira (2001), a partir da visita a campo pôde-se constatar algumas limitações em tal divisão como: • na primeira categoria “serviços de hospedagem e alimentação”, os serviços de hospedagem e alimentação são tratados na mesma categoria. Além disso, não incluiu-se os campings que também deveriam ser inclusos; • na segunda categoria “monitoria”, conforme veremos a seguir, existem monitores que trabalham nas agências de turismo e autônomos; • na terceira categoria “serviços complementares”, os estabelecimentos que alugam boias e equipamentos espeleológicos, ofertados pelas agências de turismo possuem, como veremos a seguir, uma grande participação no turismo local, merecendo uma divisão mais detalhada. Como forma de facilitar as discussões a respeito do envolvimento dos principais atores na atividade turística do PETAR, os equipamentos e serviços turísticos20 responsáveis pela geração de empregos e renda no Bairro da Serra seriam: Meios de hospedagem: pousadas e campings, que engloba os proprietários e funcionários Serviços de alimentação: bares e pastelarias Outros equipamentos e serviços turísticos: agências de turismo (inclui os proprietários e funcionários) e monitoria, a qual seria subdividida entre monitores que prestam serviços para as agências e monitores autônomos. Embora as autoras Bonduki (2002) e Fogaça (2006) afirmem que a atividade turística no PETAR seria a principal fonte de empregos e renda para a população local, a opinião de muitos 20 Equipamentos e serviços turísticos, atrativos turísticos e infraestrutura de apoio turístico, segundo Lage e Milone (2001), seriam as três categorias da oferta turística que serão detalhadas no item “b” desta seção. 71 moradores do Bairro da Serra parece não ser a mesma. Na visita a campo, foi identificado que “são poucos os turistas que andam pelo bairro e frequentam algum bar ou consomem alguma coisa”. Sobre as causas para esse comportamento foi afirmado que “os turistas não precisam sair das pousadas para comprar uma cerveja: as pousadas oferecem tudo que os turistas precisam. Se amanhã desaparecesse a população do bairro e restassem apenas as pousadas, o turismo no PETAR continuaria exatamente igual”. Na pesquisa de campo foi presenciada uma cena muito interessante: chegaram dois ônibus de excursão para levar diversos turistas que estavam hospedados em uma pousada para a cidade de origem (provavelmente São Paulo pois as placas dos ônibus eram desta cidade). O perfil da demanda era um público jovem, entre 13 e 15 anos, provavelmente de classe média alta pois usavam tênis de marca cara e malas enormes que eles mal conseguiam puxá-las. Em suas despesas de hospedagem constavam gastos com o consumo de alimentos e bebidas (refrigerantes e salgados) que não estavam inclusos no pacote de hospedagem (acomodação e as refeições diárias). De acordo com a associação de moradores do Bairro da Serra, as agências de turismo divulgam aos turistas apenas as cavernas como atrativo do PETAR, isto é, a cultura e a comunidade local não são incluídas no roteiro turístico. Segundo o proprietário de um estabelecimento comercial local, os turistas de excursão21 que ficam nas pousadas raramente frequentam o seu estabelecimento ou, pelo menos, circundam pelo bairro. Informou ainda que nenhum daqueles turistas (citados no primeiro parágrafo desta página) visitou o seu estabelecimento para consumir pastel e refrigerante vendidos no local. Informações da pesquisa de campo, prestadas por moradores locais, dão conta ainda de que o número de turistas de excursão, em geral, estudantes de colégios de grandes cidades como São Paulo, estão aumentando no PETAR. Se, por um lado, é uma demanda interessante para as pousadas pois mantém as taxas de ocupação durante os dias da semana, por outro, as agências de turismo criam os pacotes turísticos incluindo no roteiro apenas a visitação ao Parque, deixando 21 A partir da pesquisa de campo, pôde-se constatar, a priori, dois tipos de turistas que visitam o PETAR: o primeiro seriam visitantes avulsos, em grupos ou famílias que chegam sozinhos, de carro de passeio e sem guias próprios. Este tipo seria predominante principalmente nos finais de semana e feriados prolongados. O segundo seriam turistas de excursão, em geral, caracterizados por grandes grupos, principalmente por estudantes do ensino fundamental e médio. Este tipo de turista seria predominante nos dias de semana podendo, eventualmente, visitar o Parque nos finais de semana ou em feriados. 72 de divulgar e incentivar esses turistas a visitarem o bairro e assim facilitar a venda de produtos como alimentos e bebidas que poderiam ser ofertados pela população local. Quando os entrevistados das pousadas foram indagados a respeito de incentivarem a divulgação da cultura e produção local (incluindo aqui alimentos e artesanato) a resposta geral das pousadas era de que não existe oferta local ou quando existe, é insuficiente para satisfazer a demanda turística. Nota-se, portanto, duas questões a serem esclarecidas: a primeira seria em observar o que é produzido localmente e a segunda seria em considerar se essa oferta é suficiente para atender a demanda turística. Em novembro de 2009, a associação do bairro criou a Feira Comunitária. Tal feira é realizada aos sábados e nela é feita a venda de alimentos oriundos da agricultura local como mandioca, mamão, banana, mexerica, abacate, cheiro verde e couve. Inclui também alimentos típicos da culinária local como biju, chá de rapadura, pastel de farinha de mandioca, cuscuz de arroz, paçoca de amendoim, paçoca de carne defumada, pamonha salgada com amendoim, mel e pupunha. Recentemente, iniciou-se a venda de artesanato pela taquara-açu (uma espécie de bolsa feita de fibra de bambu). Esses produtos listados (especialmente os da culinária) representam a cultura do quilombola, caboclo e indígena, culturas que fazem parte da história da formação dos municípios de Apiaí e Iporanga. Nota-se, portanto, que existe uma produção associada à cultura local e que a mesma poderia ser divulgada aos turistas. Quanto à segunda questão, de que a produção local é insuficiente para atender a demanda turística, fica evidente que as pousadas deveriam auxiliar a população local, de forma que estas tenham condições de aumentar a produção local que já existe, auxiliando e buscando fortalecer a associação de moradores e a recém criada Feira Comunitária. Outro aspecto observado é a geração de emprego e renda a partir da atividade dos monitores que guiam os turistas. Segundo informações obtidas em campo, o curso de monitores é oferecido gratuitamente para moradores locais por instituições responsáveis pela gestão do Parque. Após a conclusão deste curso, o monitor tem autorização para guiar grupos de até oito pessoas para os atrativos que existem no PETAR pois, pelas regras de visitação impostas pelos gestores do Parque, qualquer turista que queira visitá-lo só pode fazê-lo acompanhado de um monitor autorizado, autorização esta obtida após a conclusão do curso. 73 A oportunidade na geração de empregos e renda à população local, a partir da monitoria, poderia ser considerada como um importante benefício advindo do ecoturismo no PETAR. Mendes Junior (2007, p. 122, grifo acrescido), ao visitar a Caverna Santana e observando os monitores que guiavam um grupo de turistas, afirmou que “esses monitores prestam serviços para a pousada onde os alunos estavam hospedados e operam dentro de uma estrutura bem organizada composta pela pousada, uma operadora de turismo e um grupo de monitores que trabalham a partir de pacotes turísticos”. Entretanto, essa relação pousada/operadora/monitor parece nem sempre ser interessante para os monitores locais. Segundo um morador local, que trabalha como monitor do Parque, existe uma vantagem em trabalhar de forma autônoma, isto é, sem a mediação feita pelas operadoras de turismo, pois o valor pago pelo serviço de monitor fica apenas com este. Os monitores que trabalham de forma autônoma possuem o mesmo curso que os monitores que trabalham pelas agências. Logo, a relação pousada/operadora/monitor, poderia ser feita diretamente entre as pousadas e monitores, isto é, as pousadas poderiam indicar monitores aos turistas que sejam aptos à monitoria e, desta forma, a renda que estes obteriam seria maior. O entrevistado da pousada “C” afirmou que geralmente fazem a indicação de monitores autônomos aos turistas exatamente por ser uma vantagem econômica para aqueles, além de ser algo legalmente permitido (pois possuem o curso). Pode estar se verificando uma tendência que pode estar ocorrendo no PETAR: as agências de turismo (que atualmente são quatro)22 e as maiores pousadas localizadas no Bairro da Serra podem estar agindo por simbiose, de forma a drenar a maior parte dos turistas e da renda decorrente dos serviços e produtos demandados, desde o roteiro de visitação (sem incluir os estabelecimentos locais) até a hospedagem dos turistas. Logo, pode-se supor que o turismo no PETAR, a partir da relação agência/pousada/Parque cria, a priori, duas formas de geração de empregos e distribuição de renda no bairro: por um lado, a maior parte da renda ficaria concentrada apenas nas mãos dos proprietários das agências e das pousadas; do outro lado, o restante da renda seria distribuído entre: funcionários das pousadas com cargos mais elevados23 (como gerentes), os funcionários das pousadas efetivos que, como vimos, tratam-se de empregos 22 Segundo informações obtidas pela Secretaria de Turismo de Iporanga pelo email <[email protected]> em maio de 2010. Em 2003, segundo Fogaça (2006) foi criada a primeira agência de turismo no PETAR. Ou seja, em apenas sete anos, quadruplicou-se o número de agências de turismo. 23 Considerando-se as pousadas que tenham este tipo de cargo. 74 com baixa remuneração por serem pouco qualificados (camareira, faxineira, cozinheira), os monitores agenciados e autônomos, proprietários dos serviços de alimentação do bairro e “diaristas”. No caso dos monitores agenciados, ocorreria uma situação agravante, uma vez que a renda destes acabaria sendo reduzida em favorecimento das agências. Essa discrepância na geração de empregos e distribuição de renda pela atividade turística no PETAR se relaciona com a realidade em outras regiões no Brasil, a partir dos trabalhos de Prado (2003) e Kent (2003), conforme já abordados na seção três e também por Giatti (2004). Segundo este autor (2004, p. 85): No Bairro da Serra, desde o processo de criação, implantação e desenvolvimento do turismo, apesar dos conflitos sócio-ambientais gerados e do lento processo de engajamento da população local, foram surgindo novas oportunidades de trabalho e geração de renda para os moradores locais, como contratação na unidade de conservação, prestação de serviços como guia turístico, abertura de bares e pousadas. Essas novas oportunidades são significativas, no entanto, não são suficientes para promover a inclusão de toda a sociedade local. O déficit no envolvimento da população local com a conservação e o ecoturismo segrega a população. Dessa maneira, muitos daqueles que ficam a margem desta nova ordem econômica permanecem praticando atividades de exploração de recursos naturais por falta de opção ou mesmo por preconceito quanto a mudanças em antigas tradições. Isso evidencia que as pousadas localizadas no Bairro da Serra precisam, na verdade, buscar investir no desenvolvimento local. Se o curso de monitores é feito gratuitamente, as pousadas deveriam, pelo menos, indicá-los aos turistas sem a mediação das agências de turismo pois, desta forma, os monitores obteriam mais renda. E como forma de ampliar o desenvolvimento local, as pousadas devem investir na capacitação dos funcionários e da população local (incluindo os monitores) em áreas que relacionam-se com a atividade ecoturística como biologia, ecologia, turismo e gestão ambiental, o que aumentaria as oportunidades de ascensão profissional da população local em empregos diretos no empreendimento e auxiliaria no desenvolvimento deste de forma sustentável. 75 Outra característica importante trata-se dos serviços de saúde local. Para as comunidades quilombolas, em virtude da ausência deste tipo de serviço, quando há ocorrência de doenças, seus habitantes são obrigados a percorrer grandes distâncias em busca de ajuda. As equipes de saúde da família que atendem em algumas comunidades nem sempre são acessíveis, pois estão baseadas na sede do município. A comunidade mais próxima está a 10 km, enquanto a mais distante está situada a cerca de 60 km da sede do município (VICENTE, 2004). No Bairro da Serra, a associação de moradores informou que, quando a população local precisa ir até Iporanga, dispõem de 05 horas ou menos para usufruir da viagem pois existem apenas dois horários para o trajeto ida e volta, durante tal intervalo. Já nos domingos e feriados há apenas um único horário para o trajeto ida e volta . Devido a carência de serviços como postos de saúde, hospitais, ambulâncias, centros cirúrgicos e outros somada à precariedade e carência dos transportes públicos, pode levar os moradores deste bairro a utilizem de recursos locais e o saber local, caracterizado como “medicina de folk” (SOUZAS, 2004). Devido a carência do sistema de transportes e de saúde, os meios de hospedagem devem atuar de forma mais incisiva em relação ao requisito “saúde e educação” pois evidenciaram pouca ou nenhuma participação no sentido de promover ações que criem uma demanda local qualificada (com plano de saúde, maior capacitação e renda) para serviços de saúde no local. Uma forma interessante de melhorar esse requisito pode ser extraída a partir do exemplo do Instituto de Hospitalidade (2004): o empreendimento pode promover dias de ação social, nos quais médicos e dentistas possam usufruir os serviços da pousada gratuitamente e em troca atendam a população do entorno do estabelecimento (troca de serviços). b) Ampliação do roteiro turístico, de forma a estimular a visitação de outros atrativos no Parque Outra questão a ser levantada seria a respeito do produto turístico ofertado. A demanda turística pode ser definida como a quantidade de bens e serviços turísticos que os indivíduos (turistas) desejam e são capazes de consumir, a dado preço e em determinado período de tempo. 76 Já a oferta do produto turístico é definida como a quantidade de bens e serviços turísticos que as empresas são capazes de oferecer a dado preço e em determinado período de tempo. Pode-se ainda definir a oferta turística como o conjunto de atrações naturais e artificiais de uma região, assim como todos os produtos turísticos que estejam à disposição dos consumidores para a satisfação de suas necessidades (LAGE; MILONE, 2001). A oferta turística é composta por uma quantidade de elementos naturais como natureza, clima, aspectos físicos ou geográficos, flora, fauna e elementos artificiais materiais e imateriais como fatores históricos, culturais, religiosos, meios de transporte, vias de acesso, meios de hospedagem, superestrutura, etc. Estes elementos são fundamentais para distinguir a oferta turística de uma localidade. Por exemplo, o consumidor pode escolher visitar a cidade de Ouro Preto, em Minas Gerais, por sua oferta turística artificial (histórica e cultural) ou pode escolher o Pantanal, em Mato Grosso do Sul, por sua oferta turística natural (flora e fauna) (LAGE; MILONE, 2001). Ou ainda, pode escolher visitar uma localidade que contemple elementos naturais e artificiais. A oferta turística pode ser classificada em três categorias: atrativos turísticos; equipamentos e serviços turísticos; infraestrutura de apoio turístico (LAGE; MILONE, 2001). Os atrativos turísticos seriam o lugar, objeto ou acontecimento de interesse turístico que motiva o deslocamento de grupos humanos para conhecê-los. Os principais atrativos turísticos propostos por Lage e Milone (2001) e que seriam os mais pertinentes ao PETAR seriam: Recursos naturais: montanhas, planaltos, e planícies, costas ou litoral, terras insulares, hidrografia, pântanos, quedas d’água, parques e reservas de flora e fauna, grutas, cavernas, etc. Recursos histórico-culturais: monumentos, sítios, instituições culturais de estudo, pesquisa e lazer (museus, bibliotecas), festas, comemorações, artesanato, folclore, música, dança, feiras, etc. Nos equipamentos e serviços turísticos, também denominados como “superestrutura” (aspas no original) incluir-se-iam as instalações de superfície, o conjunto de edificações, instalações e serviços indispensáveis ao desenvolvimento da atividade turística. Os principais 77 equipamentos e serviços turísticos propostos por Lage e Milone (2001) mais pertinentes para o Bairro da Serra seriam: Meios de Hospedagem: estabelecimentos hoteleiros (hotéis, pousadas, pensões e acampamentos) Serviços de alimentação: restaurantes, bares e lanchonetes Outros equipamentos e serviços turísticos: operadores e agências de viagens, transportadoras turísticas, postos de informação e comércio turístico (lojas de artesanato, feiras e souvenir. Para a infraestrutura de apoio turístico24 podem ser destacados: - Sistemas de transporte: terrestres (rodovias, terminais, estações rodoviárias e ferroviárias), aéreos (aeroportos e serviços aéreos) hidroviários (portos, estações e serviços fluviais) e marítimos. Inclui os equipamentos de transporte como carro, ônibus, taxi, trem e outros veículos. - Equipamento médico-hospitalar: prontos-socorros, hospitais, etc. O conhecimento dos agregados turísticos acima destacados é fundamental para a realização do inventário da oferta turística e para o planejamento do turismo. No caso do PETAR, os meios de hospedagem, a partir da divisão acima, poderiam elaborar um inventário da oferta turística existente no PETAR (em relação aos atrativos turísticos) e no Bairro da Serra (em relação aos equipamentos e serviços turísticos), de forma a ampliar a divulgação e oferta do produto turístico oferecido aos turistas que visitam o PETAR e que se hospedam no referido bairro. 24 Das três categorias pertinentes à oferta turística, por hora, abordaremos apenas as duas primeiras. 78 Em relação aos atrativos turísticos existentes no PETAR, a Fundação Florestal (sem data) fez um levantamento dos atrativos existentes nos quatro núcleos de visitação (ver anexos 1 ao 4). Nota-se que tal documento prioriza essencialmente os atrativos naturais existentes no Parque (apenas no Núcleo Ouro Grosso há também alguns atrativos histórico-culturais). No entanto, existem também comunidades tradicionais, como os quilombolas no interior do PETAR de acordo com a Secretaria do Meio Ambiente (SÃO PAULO, 2008). São elas: - Capinzal = 45 pessoas - Bombas de Baixo = 26 pessoas - Bombas de Cima = 43 pessoas - Ribeirão = 47 pessoas - Lajeado, Sulim, Espírito Santo = 9, 3, 9 pessoas - Caboclos e Onça Parda = 8 e 1 pessoas - Sítio Novo e Morro do Chumbo = 12 e 21 pessoas - Serra = 84 famílias = 250 pessoas O Instituto Socioambiental (ISA) publicou, em 2008, um documento intitulado como “Agenda Socioambiental de comunidades quilombolas do Vale do Ribeira”. Uma das comunidades abordadas em tal documento é a comunidade quilombola de Bombas. As informações acerca de tal comunidade, segundo o ISA (2008) são descritas a seguir. A comunidade de Bombas está localizada no Município de Iporanga, dentro do PETAR. O acesso principal à comunidade se dá na altura do km 6 da Rodovia Antônio Honório da Silva, na margem direita do rio Betarí. Esta estrada é conhecida também como estrada Iporanga-Apiaí. O perfil da população (ocupação e fonte de renda) revela que os benefícios e auxílios de governo correspondem a principal fonte de renda desta comunidade. Em seguida viriam a atividade agrícola, voltada principalmente para a subsistência, a partir da agricultura de coivara. As sementes utilizadas para o cultivo têm sua origem na própria comunidade. Os cultivos existentes são mandioca, feijão, milho, arroz, cana, banana, batata-doce e cará, sendo que a banana, feijão e arroz, como geram excedentes, são vendidas no comércio de Iporanga, sendo transportada no lombo de animais. Não há uso de qualquer produto químico nas roças, seja defensivos ou adubos. 79 Uma outra fonte de renda é pela venda de doces de fabricação caseira. São produzidas rapaduras, taiadas (doce feito com melado de cana, gengibre e farinha de mandioca) e outros doces como o melado. Esta produção é comercializada na cidade de Iporanga e com pessoas da própria comunidade. A apicultura é também outra atividade de geração de renda e que até a publicação do ISA, envolvia quatro famílias da comunidade. Em relação ao artesanato, são feitos alguns produtos como peneiras de taquara e Apá de taquara (usado para abanar e limpar arroz e alimentos em geral). A dificuldade de acessar crédito financeiro e de comercializar os produtos da comunidade de Bombas por falta de acesso entre esta e a cidade de Iporanga foi o principal problema em relação a produção agrícola e culinária apontada pelos moradores. A partir da aplicação do formulário, notou-se que nas pousadas visitadas os roteiros oferecidos aos turistas são, em geral, criados pelas agências de turismo. Ocorre que os entrevistados afirmaram que, em geral, é oferecido um único pacote turístico, de acordo com o número de dias que os turistas pretendem visitar o PETAR. Mas em tal roteiro, o que pôde-se constatar é de que não há uma preocupação com as possibilidades de serem criados vários tipos de roteiros turísticos que podem ser ofertados aos turistas como produtos turísticos, de forma a maximizar o potencial de atrativos naturais e histórico-culturais que existem no PETAR , além de incentivar, divulgar e auxiliar na oferta de produtos turísticos como artesanato e culinária que existem no Bairro da Serra e na comunidade quilombola de Bombas. Tal ampliação deveria ser realizada considerando-se também o perfil da demanda (faixa etária, preferências, nível de renda, entre outros). c) Falta de contextualização e informação aos turistas sobre os aspectos socioculturais e ambientais que relacionam-se com a atividade turística Outra questão relevante e pouco abordada pelos meios de hospedagem entrevistados refere-se aos cuidados em relação aos impactos negativos que podem ocorrer na cultura local e nos locais naturais visitados pelos turistas. Em virtude do crescimento do ecoturismo, as áreas naturais estão ameaçadas pelo súbito crescimento do turismo e a zona rural, ao redor desses 80 locais é, muitas vezes afetada pela invasão de visitantes. Torna-se muito interessante, portanto, que os operadores turísticos (como os meios de hospedagem e agências de turismo) instruíssem os turistas sobre o comportamento adequado, antes que eles chegassem nos locais a serem visitados. Por esta razão, torna-se necessário e fundamental a divulgação de diretrizes, elaboradas de tal forma para proteger os aspectos naturais e culturais. As diretrizes funcionam como um poderoso instrumento de comunicação para reduzir o impacto dos visitantes. Elas podem ser úteis principalmente quando regulamentos que orientam o comportamento do visitante ainda não foram criados (BLANGY; WOOD, 2001). Os objetivos das diretrizes ecoturísticas devem auxiliar o visitante a planejar uma viagem e a escolher um roteiro ecológico, a minimizar o impacto de caminhadas e acampamentos e a ser um viajante responsável em termos ambientais, sociais e econômicos. Diretrizes bem planejadas devem levar em conta os vários tipos de visitantes e devem visar bem o público-alvo, isto é, os próprios turistas (BLANGY; WOOD, 2001). Alguns aspectos ambientais listados abaixo podem ser usados como diretrizes gerais ou específicas para os turistas do PETAR: - Tratamento do lixo - Tratamento dos dejetos humanos - Identificação de lugares para acampamentos - Comportamento nas trilhas e nos ambientes - Alimentação e contato com os animais - Cuidados com os animais de estimação - Proteção dos mananciais de água - Níveis de ruído das pessoas nos ambientes naturais naturais -Proteção das espécie em risco de extinção - Distância adequadas para a vida selvagem - Locais de observação e fotografia - Tamanho do grupo - Coleta de souvenires naturais -Compra de souvenires naturais As comunidades locais são as mais indicadas para criar diretrizes socioculturais. Alguns dos aspectos socioculturais como pontos para a elaboração de diretrizes propostos por Blangy e Wood (2001) são: 81 - Costumes e tradições locais - Invasão de privacidade - Crenças religiosas - Uso e abuso de dispositivos tecnológicos - Permissão para fotografias e outras concessões - Direitos das comunidades tradicionais sociais - Bebidas alcoólicas - Vestuário -Consumo de drogas - Linguagem As diretrizes econômicas são importantes nas questões ambientais. Conforme ocorre o desenvolvimento do ecoturismo, os turistas passam a reconhecer não só o seu impacto sobre o meio ambiente e cultura, mas também sobre a economia local. Torna-se, portanto, importante considerar a integração de sugestões sobre a seleção dos bens e serviços que os turistas compram. O objetivo de propor diretrizes econômicas aos turistas parte do propósito de tentar reduzir ao máximo o escoamento da renda do turismo para fora da região e garantir o máximo de retorno financeiro para as comunidades locais e às áreas protegidas. Assim, segundo Blangy e Wood (2001), as diretrizes à economia local são: - Compra de produtos locais - Doações para entidades locais sem fins lucrativos - Pagamento de serviços e de ingressos - Uso de restaurantes e bares locais Também é fundamental que as diretrizes estejam acessíveis aos turistas durante todo o período em que estiver no destino turístico. Algumas formas possíveis de divulgação propostas por Blangy e Wood (2001) são: - Manual de viagem - Centros de visitação - Mapas de estradas e caminhos - Brochuras promocionais -Literatura preparatória elaborada pelos operadores turísticos - Quartos de hóspedes - Material escrito na entrada do parque como cartazes e placas 82 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS E RECOMENDAÇÕES Retomando a pergunta de pesquisa, pode-se tecer algumas considerações finais a partir da pesquisa desenvolvida. Tentando separar o joio do trigo, tentar-se-á apresentar quais as principais contribuições positivas que a Certificação em Turismo Sustentável, com foco na adequação ambiental de meios de hospedagem, poderia trazer para o PETAR, para a comunidade local e para os meios de hospedagem e quais os impactos negativos que seriam minimizados a partir da sua implementação. Vimos que o crescimento da atividade turística vem acarretando sérios impactos negativos. No PETAR, a Certificação em Turismo Sustentável poderia reduzir os impactos negativos que ocorrem em seu interior, por meio da valorização de seus atrativos naturais, da flora e fauna, a partir da difusão da educação ambiental aos turistas. Desta forma, essa valorização poderia contribuir, inclusive, para promover mecanismos de proteção para espécies de fauna e flora ameaçadas de extinção. Além disso, devido à restrição do uso do solo e pela limitação na oferta de empregos e renda pela atividade turística local, muitos moradores do Bairro da Serra e das comunidades quilombolas que vivem no interior do PETAR acabam, muitas vezes, agindo na ilegalidade extraindo palmito como forma de complementar a renda familiar. Se estas comunidades extraem palmito ilegalmente para sobreviverem, por um lado, podem comprometer parte da biodiversidade inserida no PETAR, por outro lado. Portanto, além dos impactos da atividade turística, é preciso também garantir que as comunidades locais possam ter oportunidades dignas de emprego e renda. Ao incorporarmos os Princípios da Norma de Certificação em Turismo Sustentável e a garantia do cumprimento dos requisitos socioculturais, a população local teria maior participação no desenvolvimento do turismo, a partir de empregos diretos no próprio empreendimento. Sobre essa questão, evidenciou-se que a maioria das pousadas não promove empregos e tampouco capacita a população local para que possa obter empregos e renda em atividades no próprio empreendimento o que, pela análise preliminar, pôde-se constatar que as pousadas necessitam adequarem-se em diversos aspectos ambientais como a geração dos efluentes produzidos, 83 resíduos sólidos, gestão eficiente no uso da água e da energia elétrica, além do aspecto paisagístico. Em relação à geração de emprego e renda de forma indireta à população local, a pesquisa revelou a falta de integração dos meios de hospedagem, de forma a auxiliar no desenvolvimento da economia local. Produtos como artesanato, culinária e alimentos não têm a demanda incentivada pelas pousadas aos turistas, tampouco um auxílio para aumentar a oferta local. Isso agrava-se quando evidenciou-se que boa parte dessa produção simboliza a cultura local e, portanto, os meios de hospedagem, ao considerarmos os princípios do ecoturismo sugeridos por Pires (2002), não estariam cumprindo-os na prática. Basicamente, para que o turismo possa existir, basta que haja o atrativo, os serviços de hospedagem e os meios de transporte que permitam que os turistas cheguem ao atrativo. No caso do PETAR, ele próprio é o atrativo. É graças a ele que os meios de hospedagem no Bairro da Serra sustentam-se financeiramente a partir da demanda representada pelos turistas. Se a existência do PETAR é também a garantia da sobrevivência dos meios de hospedagem, é preciso que este setor haja de forma simbiótica com o Parque. Mas para que tal relação ocorra de forma integrada, é preciso também criar formas de apoio e desenvolvimento local, tal como sugeridas no presente trabalho. Ao contemplar os aspectos socioambientais e econômicos, a Certificação em Turismo Sustentável seria um instrumento que permitiria uma melhora da atividade turística que ocorre no PETAR aproximando o turismo atual ao status de ecoturismo. Nota-se que os requisitos ambientais, socioculturais e econômicos da NBR 15401 contemplam boa parte dos principais problemas identificados na pesquisa de campo e expostos como pontos a melhorar na seção seis. Os principais problemas que ocorrem total ou parcialmente para a adequação dos meios de hospedagem selecionados e que podem estar ocorrendo também com outras pousadas são: - A não internalização de custos ambientais da geração de efluentes e resíduos sólidos; - A falta de adequação aos aspectos paisagístico e arquitetônico; - Falta de gestão eficiente para o uso de recursos naturais; - A não promoção de programas de saúde e educação local; 84 - O não incentivo à divulgação e auxílio para a produção local; - A não preocupação com a promoção da cultura local; - A falta de incentivo para a divulgação de atrativos que existem no PETAR, incluindo a fauna, flora e as comunidades tradicionais; - Drenagem excessiva de receitas para as pousadas, especialmente de produtos que também podem ser ofertados localmente; - A falta de incentivo e promoção para incluir a população local em ocupações que possam ser mais bem remuneradas e qualificadas; - A falta de diretrizes socioculturais e ambientais para promover ações educativas aos turistas. Como recomendações, pode-se apontar que, embora o PETAR seja categorizado como uma unidade de Proteção Integral, uma alternativa que poderia melhorar a produtividade agrícola dessas comunidades e ampliar o potencial ecoturístico do PETAR seria a partir da utilização de um Sistema de Informações Geográficas (SIG), de forma tal que poderia ser feita um mosaico no PETAR, zoneando áreas com maior aptidão agrícola ou ao ecoturismo (MARGATHO, 2004). Segundo Pagani (1995 apud MARGATHO, 2004), há uma necessidade na implantação de uma política adequada para o estabelecimento de um novo sistema de unidades de conservação que contemple premissas mínimas necessárias para uma verdadeira proteção das Áreas Protegidas, dentre as quais: 1. Estabelecimento de planos de manejo para várias UC’s, além da implantação, de fato, da maioria dos planos já existentes; 2. Conciliação das unidades de conservação existentes com as comunidades tradicionais, o que tem gerado conflitos que poderiam ser amenizados a partir de uma gestão nas áreas protegidas que considerasse estas comunidades, oferecendo empregos relacionados com a gestão e manejo nestas áreas, aumentando os benefícios obtidos pela população local com o turismo ecológico e fornecendo serviços sociais às comunidades; 85 3. Previsão de zonas de transição ou zonas tampões junto às unidades de conservação, que constituem-se importantes formas de proteção aos impactos antrópicos. Na pesquisa de campo foi possível constatar que, em relação ao sistema de transporte e infraestrutura de acesso ao PETAR, o que seriam uma das categorias da oferta turística, a acessibilidade é muito dificultada pela condição da estrada que dá acesso ao Parque e pela carência de transportes públicos. Por essa razão, haveria uma necessidade de investir na melhoria do acesso ao Parque, de forma a aumentar a oferta do produto turístico na região. Por outro lado, ao considerarmos a Resolução CONAMA 001, de 23/01/1986, a realização de obras de infraestrutura para melhorar o acesso ao Parque causaria impactos ambientais, segundo o art. 1º da referida resolução. Para a obtenção do licenciamento de atividades modificadoras do meio ambiente, esta resolução regulamenta a elaboração de Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e o respectivo Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) para 16 categorias de projetos que possam ser instalados ou ampliados. Dentre estas categorias, o art. 2º, inciso 1º obriga a realização do EIA/RIMA para estradas de rodagem com duas ou mais faixas de rolamento. Segundo Sánchez (2008), a definição quanto ao tipo de estudos técnicos necessários para obter o licenciamento ambiental cabe ao órgão licenciador. Assim, diversos tipos de estudos ambientais foram criados, por diferentes instrumentos legais federais, estaduais ou municipais, de forma a fornecer as informações e análises técnicas para auxiliar no processo de licenciamento. Além do EIA/RIMA, de acordo com o art. 1º, inciso 3º da Resolução CONAMA n° 237/97, “estudos ambientais” seriam (grifo acrescido): [...] são todos e quaisquer estudos relativos aos aspectos ambientais relacionados à localização, instalação, operação e ampliação de uma atividade ou empreendimento, apresentado como subsídio para a análise da licença requerida, tais como: relatório ambiental, plano e projeto de controle ambiental, relatório ambiental preliminar, diagnóstico ambiental, plano de manejo, plano de recuperação de área degradada e análise preliminar de risco. 86 O plano de manejo seria, portanto, um dos tipos de estudos ambientais para obter o licenciamento de uma atividade. Tal estudo é exigido para o manejo de parques estaduais, conforme o art. 5º do Decreto Estadual nº 25.341/86: “a fim de compatibilizar a preservação dos ecossistemas protegidos, com a utilização dos benefícios deles advindos, serão elaborados estudos das diretrizes visando a um manejo ecológico adequado e que constituirão o Plano de Manejo”. De acordo com o art. 7º do mesmo Decreto, o Plano de Manejo deve indicar detalhadamente o zoneamento da área total do Parque Estadual que poderá, conforme o caso, conter no todo, ou em parte, as zonas: Intangível, Primitiva, Uso Extensivo, Uso Intensivo, Histórico-Cultural, Recuperação e de Uso Especial. Tais zonas possuem objetivos específicos, compatíveis com cada área. Assim, conforme o art. 20 do supracitado Decreto “toda e qualquer instalação necessária à infra-estrutura dos Parques Estaduais sujeitar-se-á a cuidadosos estudos de integração paisagística, aprovados pela Direção do Instituto Floresta – IF, ouvido o Conselho Estadual do Meio Ambiente – CONSEMA”, o ideal é que a realização do EIA/RIMA para a melhoria no acesso ao Parque seja inserido dentro do Plano de Manejo. Convém lembrarmos que o único estudo ambiental existente para o PETAR seria o Plano de Manejo Espeleológico, específico apenas para a visitação de 20 cavernas do Parque. Sintetizando, as principais sugestões para pesquisas futuras que contribuam para consolidar o ecoturismo na região seriam: - Realizar um monitoramento a partir do SIG para propor um mosaico dentro e nos limites do PETAR que contemple zonas de amortecimento para os meios de hospedagem, áreas propícias para a atividade ecoturística e áreas propícias à atividade agrícola (especialmente para as comunidades que vivem no interior do PETAR). Tal estudo poderia, inclusive, subsidiar a elaboração do Plano de Manejo para o Parque; - Realizar um estudo de impacto ambiental e o respectivo relatório de impacto ambiental (EIA/RIMA) para a melhoria da infraestrutura de acesso ao PETAR. 87 - A realização de um inventário turístico que forneça informações sobre a situação dos transportes, da oferta e demanda turística e outros aspectos que deem suporte para um planejamento ecoturístico no PETAR. 88 8. 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(Especialmente a Lei do SNUC, o Código Florestal, Decreto estadual nº 25.341/1986, Resolução CONAMA nº 13/90, Resolução CONAMA nº 357/2005 e a Política Nacional de Meio Ambiente – Lei nº 6.38/81). β) O empreendimento emprega boas práticas de proteção e manejo em área natural própria? (Caso tenha) Quais? χ) O empreendimento apoia boas práticas de proteção e manejo em áreas naturais de terceiros na região, incluindo a gestão de áreas naturais protegidas? δ) Adota medidas para promover a proteção da fauna e da flora incluindo (quando apropriado e passível de análise): - não permitir a comercialização de espécies da flora e fauna silvestres no empreendimento sem autorização legal; - não manter animais silvestres em cativeiro, exceto para reabilitação temporária ou como parte de um programa para reprodução ou reintrodução, com as devidas autorizações legais; - prevenção da coleta, captura, molestação, transporte ou uso de espécies da flora e fauna silvestres por parte dos seus clientes ou pessoas envolvidas nas atividades do empreendimento; - prevenção do uso predatório de matéria-prima proveniente de espécies da flora e fauna silvestres; 25 Os itens foram numerados tal como na NBR 15401. 97 - ações específicas para a proteção das espécies ameaçadas ou em perigo existentes na propriedade do empreendimento; - cuidados com os impactos luminosos e sonoros, de modo a minimizar possíveis mudanças do comportamento dos animais; - prevenção da domesticação de animais silvestres mediante o uso de alimentação artificial; - promoção de ações educativas junto aos clientes, com o propósito de gerar conhecimento e valorização dos ecossistemas da região. Item 5.3 - Arquitetura e impactos da construção a) A arquitetura do empreendimento é integrada à paisagem do entorno? b) O empreendimento adota medidas para minimizar os impactos no local e no entorno decorrentes da sua construção para (quando apropriado e passível de análise): no local - minimizar alterações significativas na paisagem local, provocadas pelo projeto arquitetônico - minimizar a impermeabilização do solo; - minimizar a remoção de vegetação nativa; - assegurar uma destinação final adequada para os resíduos não aproveitados na construção. c) Existem áreas degradadas em função da construção do empreendimento? Caso haja, foram adotadas medidas para recompor e recuperar a área? d) A arquitetura do empreendimento é compatível com o entorno físico e cultural considerando-se: - a volumetria, a qual deve ser harmônica com o entorno e não deve descaracterizar os ambientes natural e cultural; - a manutenção das características do relevo local; Item 5.4 - Paisagismo α) O empreendimento foi construído de tal forma que seu paisagismo minimiza os impactos no ambiente natural e no entorno, incluindo alguns cuidados como: - o paisagismo deve refletir o ambiente natural do entorno, inclusive 98 com o uso de espécies nativas, desde que não sejam provenientes de extração ilegal; - a não propagação de plantas ornamentais exóticas pelo entorno; - a maximização do aproveitamento da vegetação nativa. Item 5.5 - Emissões, efluentes e resíduos sólidos Item 5.6 - Eficiência energética a) O empreendimento possui medidas para reduzir, reutilizar ou reciclar os resíduos sólidos (metas, ações e local específico)? Quais? b) O empreendimento possui medidas para minimizar os impactos da geração de efluentes líquidos (coleta e tratamento de águas residuais, destinação adequada de resíduos líquidos de motores à explosão)? Quais? c) O empreendimento possui medidas para minimizar a emissão de ruídos das instalações, maquinaria e equipamentos, das atividades de lazer e entretenimento, de modo a não perturbarem o ambiente natural, os hóspedes e as comunidades locais? Quais? d) O empreendimento possui medidas para minimizar a emissão de gases e odores provenientes de veículos, instalações e equipamentos? Quais? a) O empreendimento possui medidas para minimizar o consumo de energia, em particular, de fontes nãorenováveis (realização de registros, metas, aquisição de equipamentos e insumos, meios de transporte próprios)? Quais? b) A arquitetura do empreendimento possui técnicas apropriadas para maximizar a eficiência energética? Quais? c) O empreendimento utiliza fontes de energia renováveis? d) O empreendimento possui medidas para reduzir o consumo de energia dos meios de transporte próprios e de terceiros utilizados nas suas atividades? Quais? Item 5.7 - Conservação e gestão do uso de água a) O empreendimento possui medidas adequadas para minimizar o consumo de água, bem como para não comprometer a sua disponibilidade e não prejudicar o abastecimento das comunidades locais, da flora, da fauna e dos mananciais no entorno (registro, metas, ações)? Quais? b) O empreendimento controla a qualidade da água 99 utilizada e assegura a potabilidade (caso o abastecimento não seja pela rede pública) daquela utilizada para consumo humano? Como? Item 5.8 - Seleção e uso de insumos a) O empreendimento possui medidas para minimizar o uso de insumos com potenciais impactos ao meio ambiente? Quais? b) Existem procedimentos para identificar os insumos adquiridos com potenciais impactos ambientais negativos? Caso haja, há algum estabelecimento de critérios para selecionar fornecedores (como por exemplo exigir que tenham certificação em ISO 9001) c) O controle de pragas é feito de forma a respeitar a legislação vigente, e com o uso de substâncias que minimizem impactos aos trabalhadores, aos vizinhos e comunidades locais, à fauna silvestre, à flora, aos solos, aos corpos d’água e à atmosfera? d) O empreendimento utiliza produtos de limpeza biodegradáveis incluindo sabonetes e cosméticos para uso dos clientes e trabalhadores? Observação: No requisito 5.3, devido a falta de dados e informações, foram excluidos os itens: - evitar a interrupção da movimentação e reprodução da vida silvestre; - implementar um programa para proteger a vegetação nativa, conservar os ecossistemas, nascentes e cursos d’água, a paisagem natural e a conservação dos solos; - não utilizar materiais derivados de espécies ameaçadas na construção, acabamento ou decoração; - monitorar e mitigar a erosão. 100 Requisitos socioculturais Questões para o turismo sustentável Item 6.1 - Comunidades locais a) O empreendimento possui algum tipo de interação com as comunidades locais com o intuito de promover o seu desenvolvimento? Quais? b) O empreendimento possui medidas preventivas em relação a impactos negativos como “turismo sexual” e “prostituição infantil”? Item 6.2 - Trabalho e renda a) O empreendimento possui ações e comprometimento que visam o aproveitamento das pessoas e da produção local (oferta de trabalho, capacitação profissional, isonomia na remuneração)? b) O empreendimento incentiva a venda de artesanatos e produtos típicos da região ou outras atividades complementares? Item 6.3 - Condições de trabalho Item 6.4 - Aspectos culturais a) O empreendimento assegura o atendimento do piso da categoria em relação ao salário? b) O empreendimento promove equidade étnica, social e de gênero e coibi trabalho infantil? a) O empreendimento possui ações que auxiliam na divulgação da cultura local para seus clientes? b) O empreendimento fornece aos clientes orientações e informações para incentivar o conhecimento e para promover atitudes e comportamento de respeito à cultura local? Item 6.5 educação - Saúde e a) O empreendimento participa nos programas de saúde como, por exemplo, campanhas de vacinação à comunidade local? b) O empreendimento implementa programas de saúde para seus trabalhadores e para suas famílias? c) O empreendimento implementa ações para apoiar a educação dos trabalhadores e da comunidade local, inclusive de educação ambiental? 101 Item 6.6 - Populações tradicionais a) O empreendimento possui medidas que garantam e promovam o respeito aos hábitos, direitos e tradições das populações tradicionais? Quais? Observação: Devido a falta de informação, excluiu-se a questão: “as instalações destinadas aos trabalhadores atende às condições mínimas de higiene, segurança e conforto?” Relativa ao requisito 6.3 102 Requisitos econômicos para Questões o turismo sustentável Item 7.1 - Qualidade e satisfação dos clientes a) O empreendimento planeja e implementa produtos e serviços que identificam-se com as expectativas dos clientes, de forma a buscar a satisfação dos mesmos? b) O empreendimento possui uma descrição documentada das informações acerca dos produtos e serviços oferecidos? c) O empreendimento possui um sistema de informação sobre a satisfação dos clientes? d) O empreendimento proporciona informações aos clientes que permitam contextualizar o empreendimento, a atividade turística e o turista em relação aos aspectos naturais e socioculturais da região? Quais? e) O empreendimento identifica e selecionar produtos, serviços e insumos que podem ser fornecidos pelas comunidades locais? Privilegia as tradições socioculturais e da hospitalidade da região? f) Os serviços de alimentação fornecidos pelo empreendimento incluem a oferta de alimentos e bebidas da culinária regional ou ainda, quando possível, utiliza insumos de origem orgânica? g) O empreendimento apóia a produção de material informativo e indicativo por parte da comunidade local, tais como folders, mapas e placas, que visem divulgar a região? Item 7.2 - Saúde e segurança dos clientes e no trabalho a) O empreendimento estabelece e mantém procedimentos para identificar os perigos e a avaliação de riscos no local de trabalho, bem como implementa medidas de controle necessárias? Quais? b) O empreendimento possui ou apóia programas para promover a segurança do turista, incluindo informações sobre os perigos durante as atividades de campo e como preveni-los? Fonte: adaptado da ABNT NBR 15.401 Observações: Devido a falta de informações, excluiu-se o requisito “viabilidade econômica do empreendimento” que, na Norma é numerado como item 7.1. 103 ANEXO 1 – atrativos do Núcleo Santana26 Os anexos de 1 a 4 foram disponibilizados pela Secretaria de Turismo de Iporanga pelo email <[email protected]> no dia 13 de março de 2010. Deve-se salientar que as normas de visitação de tais atrativos (no caso específico às cavernas) contidas no final destes anexos podem ter sido alteradas já que o Plano de Manejo Espeleológico de 20 cavernas do PETAR foi concluído pela Fundação Florestal, conforme já mencionado no item 5.1. 26 104 105 106 107 108 109 110 111 112 ANEXO 2 – Atrativos do Núcleo Ouro Grosso 113 114 115 116 ANEXO 3 - Atrativos do Núcleo Caboclos 117 118 119 120 121 122 ANEXO 4 – Atrativos do Núcleo Casa da Pedra 123 124 125 126