V Seminário da Pós-Graduação em Ciências Sociais – UFRB: Cultura, Desigualdade e Desenvolvimento. GT 2 - Comunicação, Política e Desenvolvimento. Título: Cachoeira e o Turismo Responsável: análise de uma situação entre a teoria e a prática. Pamela Moura da Rocha Almeida (UFRB) Jesus Manuel Delgado Mendez (UFRB) Cachoeira- BA 2015 Cachoeira e o Turismo Responsável: análise de uma situação entre a teoria e a prática. 1 Pamela Moura da Rocha Almeida (UFRB) 2 Jesus Manuel Delgado Mendez (UFRB) 3 Resumo O turismo é uma atividade de interfaces que impõe o que neste trabalho se denomina de “responsabilidade”, pois ela é intersetorial, multidisciplinar e sinérgica, no que tange aos aspectos econômicos, sociais ou sociológicos, ambientais e políticos. A pesquisa teve como objetivo levantar discussões sobre os princípios do Turismo Responsável, como elemento norteador para gestão pública, seguindo a ótica de Delgado-Mendez (2000); WWF (2004), na condução da atividade turística no município de Cachoeira. A metodologia da pesquisa apresentou uma abordagem teórica, sempre comparando com os dados qualitativos e descritivos obtidos em campo. Os limites de investigação foram circunscritos a três recortes metodológicos: o temático, que analisou os princípios do turismo responsável; o recorte temporal, que obteve os dados correspondentes ao período de 2008 a 2012 e, finalmente, o município de Cachoeira como foco ou recorte espacial. Os procedimentos metodológicos incluíram levantamento e exames bibliográficos, análise documental, e a aplicação de entrevistas a diversos atores locais envolvidos em atividades turísticas. À luz dos princípios de Turismo Responsável publicados anteriormente, a pesquisa contrapõe os mesmos, de forma teórica, com a realidade diagnosticada em Cachoeira. No caso de Cachoeira, conclui-se que é um município que faz parte do preocupante cenário comum a outros destinos turísticos, e permite partir da premissa que, uma considerável parte da atividade turística é realizada, ainda, de forma desconexa, desordenada e exploratória, para não dizer imediatista, e sem muito aprofundamento na responsabilidade com a saúde sociocultural, econômica e o equilíbrio “Trabalho apresentado no V Seminário da Pós Graduação em Ciências Sociais: Cultura, Desigualdade e Desenvolvimento - realizado entre os dias 02, 03 e 04 de dezembro de 2015, em Cachoeira, BA, Brasil”. 2 Coordenadora do Observatório Social de Santo Antônio de Jesus. Mestranda em Gestão de Políticas Públicas e Segurança Social pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia - UFRB. [email protected]. 3 Professor Dr. da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFRB. [email protected]. 1 2 ambiental que circunda o município. A conclusão parcial do estudo leva a crer que tais princípios podem auxiliar na gestão do turismo em Cachoeira para reduzir o viés econômico da atividade, elevar os esforços para o resgate da identidade e orgulho de pertencimento a um município com tanto peso histórico-cultural. Outra conclusão propõe que os benefícios econômicos só seriam consequência, primeiro, da construção de uma forte identidade cultural, e depois da soma do planejamento responsável dos seus equipamentos turísticos. A pesquisa demonstra a necessidade de uma visão total e estratégica, que integre todas as áreas envolvidas e afetadas pelo turismo e de interesse da comunidade. A preocupação de como aproveitar os efeitos do desenvolvimento do turismo de forma mais sustentável, não é mais uma questão do campo ideológico, mas sim do prático. Assim, o Turismo Responsável pode contribuir com os gestores e comunidade, e proporcionar que a atividade turística se desenvolva para o benefício de todos, fazendo movimento contrário às preocupações tradicionais. Palavras-chave: Turismo responsável; Gestão turística; Cachoeira-BA. Introdução O turismo é uma peça fundamental na gestão pública e nas comunidades que fazem parte dos destinos turísticos. Neste sentido, faz-se cada vez mais necessária a compreensão da atividade turística como alternativa para o desenvolvimento local. Compete ao gestor o dever de conhecer os instrumentos de gestão da atividade turística, sendo capaz de fazer uma análise crítica da realidade existente em seu município de atuação, bem como sugerir alternativas para disseminar a prática da atividade turística de modo responsável, como ferramenta de conservação da identidade socio-cultural e ambiental dos destinos turísticos. O turismo também atua como ferramenta catalisadora para a economia local, podendo gerar empregos e proporcionar melhorias à infraestrutura dos municípios. Segundo o Ministério do Turismo, o desenvolvimento do turismo impõe uma permanente articulação entre os diversos setores, público e privado, relacionados à atividade, no sentido de proporcionar compartilhamento, cooperação e integração das atividades da produção turística nas diferentes esferas de planejamento e gestão do turismo no País. Porém, apesar de ser uma importante ferramenta para economia, é preocupante a redução do viés econômico da atividade turística e do termo desenvolvimento turístico a uma 3 dimensão apenas econômica, sendo importante ressaltar que o desenvolvimento turístico deve ser compreendido dentro de uma visão integrada que abarque o econômico, o social o cultural e o ambiental. Desenvolvimento turístico deve ser visto no seu sentido amplo, valorizando o crescimento com efetiva distribuição de renda, com superação significativa dos problemas sociais sem comprometimento ambiental, o que só pode ocorrer com profundas mudanças nas estruturas e processos econômicos, sociais, políticos e culturais de uma dada sociedade. (ALMEIDA apud SILVA, 2004, p. 04) Nesse sentindo, os benefícios econômicos só seriam consequência, primeiro, da construção de uma forte identidade cultural, e depois da soma do planejamento responsável dos seus equipamentos turísticos. Em 1991, o turismo passou a ser considerado prioritário nas políticas de desenvolvimento do Estado da Bahia. Entre os programas direcionados ao desenvolvimento do turismo no estado, o de maior destaque é o Programa de Desenvolvimento do Turismo – PRODETUR-BA, criado através do PRODETUR-NE, uma iniciativa dos governadores dos estados que compõe a região Nordeste do Brasil, na tentativa de desenvolver o turismo regional. De acordo com a Secretaria Estadual de Turismo da Bahia, o Prodetur-BA tem por objetivo assegurar o desenvolvimento turístico sustentável e integrado, proporcionar melhorias às condições de vida da população local, aumentar as receitas do setor e melhorar a capacidade de gestão da atividade em áreas de expansão e de potencial turístico. Através do Prodetur-BA foram criadas 13 zonas turísticas prioritárias. Para definição dos municípios componentes de cada zona, o programa considerou a atratividade natural e cultural presente em cada território municipal. Com vistas a atender aos requisitos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o ingresso da Bahia no Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste do Brasil II (Prodetur Nordeste II), em 2011 o Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável (PDITS) da área turística da Baía de Todos-os-Santos foi atualizado tendo como base estratégica planos, pesquisas e estudos sobre turismo e afins, com avaliações diagnósticas, estratégias e planos de ação. O PDITS pode ser percebido como uma possível reação as discussões relacionadas com a conservação e preservação sociocultural e ambiental dos destinos turísticos, apontando de algum modo o turismo responsável como ponto de partida. O Recôncavo da Bahia está inserido na Zona Turística da Baía de Todos-osSantos, carrega um patrimônio histórico-cultural muito rico, as raízes da história e da cultura baiana se perpetuam nos seus antigos engenhos, fábricas de charutos, velhos 4 casarões, na diversidade das igrejas, nas atividades religiosas e nos festejos populares. Porém, o turismo desenvolvido nessa região se configura como uma atividade de elevada sazonalidade, Queiroz e Souza (2009, p. 23) afirmam que “A maior procura pelos municípios do Recôncavo é de origem regional/estadual e ocorre durante o período dos festejos/celebrações locais, a exemplo do São João”. É nesse contexto regional que está inserido o município de Cachoeira, utilizado como recorte espacial desse estudo. Cachoeira é considerada uma das principais cidades turísticas que compõe a região do Recôncavo, pois além do amplo potencial histórico-cultural e ambiental, apresenta festejos religiosos e populares, como a Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte e o São João, que atraem nesses períodos um grande número de turistas. Entretanto, Cachoeira também faz parte do preocupante cenário comum a outros destinos turísticos, o qual a atividade turística é realizada de forma desconexa, causando grande impacto na saúde sociocultural, econômica e no equilíbrio de ecossistemas. Podendo ter como consequências, por exemplo, mudanças de valores, crenças, comportamentos e costumes; além do aumento populacional, do tráfego de veículos, da exploração sexual infantil e da prostituição e o acréscimo da criminalidade. Em relação ao campo econômico, pode ser citado a especulação imobiliária e o aumento no custo de vida da população local. No campo ambiental, pode ser apontado como impacto negativo o agravamento da poluição, a perda da biodiversidade e a deterioração das paisagens dos destinos turísticos. Por essas razões, esse artigo tem como proposta demonstrar conceitos e levantar discussões sobre os princípios do Turismo Responsável, como elemento norteador para gestão pública, seguindo a ótica de Delgado-Mendez (2000); WWF (2004), através da análise de uma situação entre a teoria e a prática observada no município de Cachoeira, com o intuito de proporcionar a gestão pública uma alternativa de repensar o planejamento e o desenvolvimento do turismo de modo mais responsável. A metodologia dessa pesquisa apresentou uma abordagem teórica, sempre comparando com os dados qualitativos e descritivos obtidos em campo. Os limites de investigação foram circunscritos a três recortes metodológicos: o temático, que analisou os princípios do turismo responsável; o recorte temporal, que obteve os dados correspondentes ao período de 2008 a 2012 e, finalmente, o município de Cachoeira como foco ou recorte espacial. Os procedimentos metodológicos incluíram levantamento e exames bibliográficos, análise documental, e a aplicação de entrevistas. Para aplicação das entrevistas foram escolhidos representantes da gestão pública municipal e atores sociais que promovem de modo direto o turismo local/regional. 5 Representando a gestão pública municipal o Secretário de Cultura e Turismo, o senhor Lourival Trindade, as outras pessoas foram escolhidas de acordo com a importância que representam para as questões turísticas locais, seja por meio da prestação de serviços ou pela manutenção dos afazeres cultuais que fomentam o turismo no município. As entrevistas foram feitas a representante dos guias turísticos de Cachoeira e do Recôncavo Baiano, marisqueiras do distrito de Santiago do Iguape, artesões e empresários do ramo de hospedagem e do ramo alimentício que atuam na cidade. Atendo os pedidos dessas pessoas seus nomes não serão divulgados, portanto a identificação dos mesmos nesse artigo será por sua representação profissional. À luz dos princípios de Turismo Responsável publicados anteriormente, a pesquisa contrapõe os mesmos, de forma teórica, com a realidade diagnosticada em Cachoeira. Turismo Responsável A preocupação global para as questões ambientais colocam em xeque a forma como a gestão da atividade turística é conduzida, por também comprometer o equilíbrio global. Todos os anos milheres de turistas transitam de suas casas para os mais diversos destinos turísticos, explorando ambientes e culturas, impulsionando as transformações sociais e físicas dos lugares visitados. Guiado por este propósito de manter o equilíbrio global, cresce a necessidade de diferenciar o turismo convencional predominante no mundo, de um novo estilo de turismo que tenta educar o ser humano sobre os valores intangíveis de uma paisagem intacta, seres vivos desconhecidos, focado nas relações humanas. O turismo sustentável, ecoturismo, turismo ambiental, turismo de aventura e turismo de natureza, apesar de possuírem nomenclaturas diferentes compartilham a preocupação entre a forma de exploração da atividade turística e a conservação socioambiental. Como não há um consenso em torno de uma única definição em relação à sustentabilidade na atividade turística, nasce nesse contexto, o Turismo Responsável (TR) que surge como uma alternativa para unificar esses ideais, possuindo seu pilar central focado nas relações humanas. O turismo deve ser feito não apenas para o turista, mas sim para todos que sobrevivem dessas atividades, respeitando costumes, culturas e o meio ambiente. Desse modo, o processo de planejamento do turismo deve ser democratizado, inserindo os agentes envolvidos com a atividade turística, priorizando as necessidades da comunidade. A cidade não pode ser boa apenas para receber o turista, 6 “maquiando” os problemas sociais, empurrando os moradores para as periferias, excluindo-os do processo de mudança em que as grandes empresas de hotelaria e gastronomia tomam conta dos centros. No trabalho “Turismo Responsable: una visión homeostática”, apresentado no IV Encontro Nacional de Turismo com Base Local, na cidade de Joinville- SC, DelgadoMendez (2000) traz um conceito para o ecoturismo, que segundo o autor pode muito bem definir o que ele propõe como conceito do turismo responsável: Atividade espontânea ou pré-planejada, que consiste na visita, valorização e utilização de um espaço natural ou cultural, onde as partes relacionadas são respeitados, beneficiando uns aos outros e manter de forma constante as condições que motivaram. (DELGADO-MENDEZ, 2000, tradução nossa) O autor sugere que futuramente esse conceito pode colaborar com a dualidade entre o turismo convencional e o turismo ambiental. Ele acredita na importância da união dos distintos tipos de turismo sob a mesma ótica de responsabilidade, partindo da premissa de que este não seria o privilégio apenas de quem deseja se aproximar da natureza, mas que deveria ser estendido a todos os projetos turísticos a serem desenvolvidos no país, independentemente do seu produto, com os mesmos objetivos: trazer benefícios democraticamente, ser permanente, equilibrado e respeitoso. La necesidad de que todos los tipos de Turismo que hoy parecen estudiarse, desarrollarse e expandirse por separado en el territorio nacional, actúen sobre un único techo o guardasol, bajo el concepto de TURISMO RESPONSABLE. Esto permitirá que todos los que se dediquen a esta actividad, sin importar el tipo de oferta que hagan a sus clientes, o indiferente al tipo de desarrollo que imponga, mantengan presente los requisitos mínimos de universalidad HOMEOSTÁTICA, tan necesaria para corregir el rumbo que el hombre le ha impuesto al planeta.[…] concepto este que no sería privilegio de aquellos que desean aproximarse a la naturaleza realizando todo tipo de actividad al aire libre, mas que se ampliaría para todos aquellos proyectos turísticos a ser desarrollados en el país, sin distinción de su producto, pues en todos los casos, tendría los mismos objetivos: traer beneficios democraticamente, ser permanente, equilibrado y respetoso. (DELGADO-MENDEZ, 2000)4 4 A necessidade de todos os tipos de turismo que hoje parecem exploradas, desenvolvidas e expandidas separadamente no país, sob o mesmo teto ou guarda-sol, sob o conceito de turismo responsável. Isso permitirá que todos os envolvidos nesta atividade, independentemente do tipo de oferta que você faz para seus clientes, ou indiferentes ao tipo de desenvolvimento impor, tenha em mente os requisitos mínimos de homeostático universalidade, conforme necessário para corrigir o curso que o homem impôs no planeta. [...] o conceito de turismo responsável não seria o privilégio de quem deseja se aproximar da natureza ou fazer todos os tipos de atividade ao ar livre, mas que deveria ser alargado a todos os projetos turísticos a serem desenvolvidos no país, independentemente do seu produto, como em todos os casos, têm os mesmos 7 Partindo para as definições apresentadas pelo Turismo responsável - Manual para políticas públicas WWF (2004) o turismo responsável pode ser compreendido como uma nova concepção estratégica, de um conjunto de bens e serviços que promovam o desenvolvimento economicamente equilibrado e socialmente justo. Manter, valorizar e proteger as paisagens naturais e sua diversidade biológica, assim como o patrimônio histórico-cultural, é a base essencial para o desenvolvimento responsável do turismo, contribuindo para a sua manutenção em longo prazo. (WWF apud SALVATI, 2002) O Turismo responsável, no contexto de uma estratégia para a sustentabilidade ampla dos destinos turísticos, é aquele que mantém e, onde possível, valoriza as características dos recursos naturais e culturais nos destinos, sustentando-as para futura gerações de comunidades, visitantes e empresários. (WWF, 2001) Para alcançar o turismo responsável o WWF (2004) aponta alguns instrumentos que precisam ser integrados e combinados em políticas: Estabelecimento de políticas e regulamentos em todos os níveis governamentais, regidos por uma Política Nacional de Turismo Sustentável; Adoção de uma visão de planejamento integrado entre os diferentes agentes do turismo, públicos ou privados; Definição de linhas diferenciadas em incentivos e financiamentos, voltados para o pequeno e médio empreendedor; Adoção de códigos de conduta e de ética nos negócios; Realização de campanhas de educação aos visitantes; Apoio a esquemas de certificação para se estabelecer ou ampliar a qualidade e a sustentabilidade no consumo e nos negócios. Alguns desses instrumentos são compatíveis com as ideias propostas por DelgadoMendez (2000), principalmente no que diz respeito ao planejamento do turismo de maneira democrática, a importância da conduta ética e respeitosa e a forma educacional de tratar com os turistas. Além desses instrumentos o WWF (2004) traz como importante contribuição o estabelecimento de cinco princípios do turismo responsável: objetivos: a trazer benefícios democraticamente, ser permanente, equilibrado e respeitoso. (DELGADOMENDEZ, 2000, tradução nossa) 8 1. O turismo deve ser parte de um desenvolvimento sustentável amplo e de suporte para a conservação; 2. O turismo deve usar os recursos naturais de modo sustentável; 3. O turismo deve eliminar o consumo insustentável e minimizar a poluição e o desperdício; 4. O turista deve respeitar as culturas locais e prover benefícios e oportunidades para as comunidades locais; 5. O turismo deve ser informativo e educacional. Diante dos argumentos de apresentação do turismo responsável, faz-se necessário cada vez mais, possuir uma visão total e estratégica, que integre todas as áreas envolvidas e afetadas pelo turismo que sejam de interesse da comunidade. A preocupação de como aproveitar os efeitos do desenvolvimento do turismo de forma mais sustentável, não é mais uma questão do campo ideológico, mas sim do prático. O Turismo Responsável pode contribuir com os gestores e comunidade, e proporcionar que a atividade turística se desenvolva para o benefício de todos, fazendo movimento contrário as preocupações tradicionais. Sendo assim, na prática seu comedimento está na relação entre turistas, instituições turísticas (públicas ou privadas) e comunidades locais, e destes com o meio ambiente. Gestão da atividade turística em Cachoeira O município de Cachoeira, situado a margem esquerda do rio Paraguaçu, possui área total de 395,211 Km², e está localizado a 109 km da capital Salvador. Tem 32.026 habitantes, segundo o censo 2010 realizado pelo IBGE, e limita-se ao norte com o município de Conceição da Feira, ao sul com Maragogipe, a leste com Santo Amaro e a oeste com São Félix. Possui como distritos: Belém, Capoeiruçu, Murutuba e Santiago do Iguape, além da sede. Depois de Salvador é a cidade baiana que reúne o mais importante acervo arquitetônico no estilo barroco. Passou a ser considerada Monumento Nacional, após ter sido tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico Artístico Nacional (IPHAN). Cachoeira tem 32.026 habitantes, segundo o censo demográfico 2010 realizado pelo IBGE, a distribuição da população entre área urbana e rural tem uma diferença inferior a dois mil habitantes. Atualmente há uma forte predominância da economia de serviços no município. A agropecuária ocupa a 3ª posição entre as atividades econômicas, ficando atrás da indústria, enquanto os serviços ocupam o primeiro lugar com 62% (PIB 9 dos Municípios 2009, IBGE). Vale ressaltar que com a expansão da atividade turística e a inclusão de novos atrativos, esse número de 62% pode ter aumentado na categoria serviços. A cidade dispõe dos serviços básicos de energia elétrica, abastecimento de água, esgotamento sanitário, drenagem, sistema viário de transportes e de telecomunicações. Chama atenção a forma precária do sistema de esgotamento sanitário, que cobre apenas a área mais antiga da cidade, enquanto na área mais recente o esgotamento é feito através de fossas individuais e todo resíduo líquido é despejado no rio Paraguaçu (QUEIROZ; SOUZA, 2009, p.40). A respeito da segurança pública a cidade conta com uma delegacia de polícia, um módulo policial e com patrulhamento motorizado. A área urbana de Cachoeira conta com uma rodoviária e o transporte intermunicipal está a cargo da Empresa de Transporte Santana e da Empresa Jauá, além do transporte alternativo feito por vans. A via férrea ainda é utilizada por trens de carga. O sistema de transporte hidroviário não é regular, mas há possibilidades de alugar barcos e escunas. Em relação à saúde, o município conta estabelecimentos públicos e particulares. A cidade possui três agências bancárias: Bradesco, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal. Cachoeira sedia o Campus de Artes, Humanidades e Letras da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, com os cursos de Artes Visuais, Ciências Sociais, Cinema e Audiovisual, Comunicação Social, Licenciatura em História, Museologia, Serviço Social e Tecnologia em Gestão Pública. A educação de ensino médio é oferecida através de um colégio e uma escola estadual, a cidade tem outros dois colégios particulares e outras treze escolas da rede pública municipal de ensino infantil e fundamental. No período da realização das pesquisas de campo para esse estudo, o gestor municipal faz parte de uma das famílias mais conhecidas da cidade, os Pereira, donos de várias empresas locais. A gestão do turismo em Cachoeira, era representada por um Secretário de Cultura e Turismo e contava com o apoio de 22 funcionários, sendo que apenas o Secretário possuía nível superior, formado em Educação Física e cursando Direito. Os outros funcionários trabalhavam na sede da secretaria, no posto de informações aos turistas, na biblioteca municipal e no arquivo público. As principais tarefas relacionadas ao turismo desenvolvidas pela secretaria eram: promover o turismo local através de eventos no município, fazer articulações, através de convênios, com as secretarias estaduais e nacionais de turismo e organizar cursos para qualificação profissional. 10 De acordo com o Secretário, o município de Cachoeira recebe anualmente cerca de 100 a 110 mil turistas/visitantes por ano, sendo dividido entre as categorias de turismo pedagógico, cultural e festejos. Ainda segundo o secretário, só na festa de São João do ano de 2012 aproximadamente 70 mil pessoas visitaram o município, aproximadamente 2/3 da média anual. Nesse contexto, as seguintes perguntas parecem pertinentes: como uma cidade que apresenta dificuldades de infraestrutura, comporta quase o triplo de sua população em um único período? Qual a capacidade de carga do setor de serviço, abastecimento de água, coleta de lixo, etc? Os preços no comércio sofrem variação e ainda repassados para os consumidores nativos? Além disso, o modelo de descaracterizar o São João tradicional e substituí-lo por grandes shows, põe em xeque aos poucos, a cultura, como por exemplo, a visível diminuição do tamanho destinado a tradicional Feira do Porto. Esse debate foi realizado com a comunidade? As indagações feitas nesse parágrafo estão relacionadas aos princípios e instrumentos que o turismo responsável aponta como importante na valorização e preservação do patrimônio histórico-cultural e das paisagens naturais. A concepção da importância da atividade turística para o Secretário é de que apesar do turismo ser uma indústria muito forte, o Brasil ainda fica muito distante da realidade de países da Europa, principalmente nas questões relacionadas aos números de fluxo turísticos e da infraestrutura para receber uma demanda maior de turistas. Para a Secretaria de Turismo, potencial turístico Cachoeira tem de sobra, quando se refere ao patrimônio material, imaterial e natural. No entanto ainda falta sedimentar algumas questões relacionadas a infraestrutura e melhor qualidade na prestação de serviços. Afirma-se que um dos fatores que dificultam o melhor desempenho de Cachoeira, em relação ao turismo local/regional, tem início na origem do posicionamento do município em relação à atividade turística. Um exemplo disso é que Cachoeira começou a ser apresentada como cidade turística de forma espontânea e não planejada, além de que a criação da Secretaria de Cultura e Turismo de Cachoeira implantada no município apenas no ano de 2005. Ao assumir a secretaria, o Sr. Secretário fez o planejamento para cultura criando o Conselho Municipal de Cultura, o Fundo de Cultura e trabalhou na criação do Plano Municipal de Cultura. Tinha como pretensão que a mesma atuação seria feita em relação ao turismo, incluindo um bom plano de marketing. Na tentativa de melhorar a situação relacionada à falta de preparo no atendimento e recepção aos turistas foram implantados, de 2008 a 2012, cursos de qualificação e capacitação profissional para os moradores do município e cursos de gestão empresarial 11 para os empresários e empreendedores locais. Segundo o secretário, durante esses quatro anos, 447 pessoas foram qualificadas através dos cursos. Porém, alguns fatores dificultam resultados mais positivos em relação aos cursos que é a falta de participação da população e a desistência no decorrer das atividades. Outro problema é que mesmo qualificando a mão de obra local, os empresários resistem em contratar as pessoas com a qualificação adequada, na tentativa de reduzir os custos, contratando trabalhadores avulsos. Dessa forma o atendimento, que deveria ser adequado à realidade turística, passa a ser realizado de modo amador e com péssima qualidade. Foi mencionado que a articulação entre a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo a as Secretarias Estaduais e Nacionais de Turismo foi muito boa ao longo desses quatro anos, apresentando resultados como convênios, verbas para investimentos e eventos. Porém, a burocracia é um dos principais fatores que dificultam maiores resultados nessa relação. Um fator mencionado como importante seria a abertura de editais voltados para o turismo como é feito na área da cultura, dessa forma aumentaria as facilidades para financiamentos ligados ao turismo, incentivando o turismo rural, por exemplo. Quando questionado sobre qual foi a maior dificuldade para atuar como gestor de turismo no município de Cachoeira ele aponta a pouca participação e articulação da sociedade civil e dos empresários locais nas ações relacionadas ao turismo. Para ele não há pertencimento da sociedade local em relação ao município e ao que o mesmo oferece. Referindo-se, neste caso, aos cachoeiranos ou mesmo aos alunos da universidade, oriundos de outros municípios, que passam longas temporadas na cidade. Em relação aos possíveis avanços do turismo no município, o secretário acredita que Cachoeira teve avanços no cenário local e regional, a exemplo da realização de eventos como a Festa Literária Internacional de Cachoeira (FLICA) e o Recôncavo Jazz Festival. Além disso, Cachoeira passou a fazer parte do PRODETUR Nacional, sendo assinado um convênio com a Secretaria de Turismo do Estado da Bahia para construção de um píer flutuante e um atracadouro, além da implantação da Central de Documentação e Memória. Há também o planejamento para a construção de um Hotel Escola do Recôncavo, que pretende beneficiar o turismo local e regional. Em adição, Cachoeira passou a participar do Salão Baiano de Turismo, a fim negociar pacotes e vender o município. Por fim, foi citado o PAC das Cidades Históricas que tem o intuito de acabar com as ruínas do município, reformando as praças e os imóveis. Finalmente, o Sr. Secretário frisou que há muito trabalho a ser feito para que Cachoeira ganhe lugar de destaque no turismo nacional, e afirmou que o maior obstáculo 12 para o desenvolvimento turístico é a inércia da iniciativa privada, pois esta ainda não entendeu a responsabilidade da sua participação no desenvolvimento do turismo local. Para o entrevistado, os exemplos de sucesso relacionados ao turismo que existem no Brasil são por conta da boa articulação da iniciativa privada com os organismos públicos. Através desse levantamento feito por meio da entrevista realizada com o Secretário de Cultura e Turismo, fica evidente a forte tendência comercial da atividade turística no município. A prefeitura promove os cursos profissionalizantes, mas por outro lado deixa de colaborar com as associações e grupos de cultura que compõe o produto turístico de Cachoeira. Todos os entrevistados foram unanimes ao afirmar que não existe articulação entre a gestão pública municipal e a comunidade. Em uma das entrevistas a crítica em relação aos cursos ofertados é de que sempre eram marcados durante a semana, em horário comercial, além de quase não existir divulgação, o que dificultava a participação da maioria dos interessados. Além de não haver consulta para verificar qual a demanda da sociedade em relação aos tipos de cursos oferecidos. Cachoeira não possui um Conselho Municipal de Turismo, a Lei de Turismo, no ano de 2015, ainda está em tramitação na Câmara Municipal, o que reforça a falta de orientação na gestão baseada nos princípios e instrumentos de turismo responsável. Apesar de tantos indícios de uma gestão com pouca proximidade com os princípios e instrumentos do turismo responsável, ao fazer o levantamento de documentos nos anos subsequentes a pesquisa, podemos observar o resultado e/ou continuidade de algumas ações da gestão anterior, que podem representar avanços, embora que ainda muito “tímido”, como: a realização das Conferências Municipal de Cultura de Cachoeira, com o objetivo de discutir democraticamente os ante Projetos de Leis Municipais, elaborados pela Secretaria de Cultura e Turismo, que visam a institucionalização do Plano Municipal de Cultura, do Fundo Municipal de Cultura e o Sistema Municipal de Financiamento a Cultura, eleição de novos membros do Conselho Municipal de Política Cultural. Em 2014 foi instituído o Plano Municipal de Cultura de Cachoeira para o decênio 2014 – 2024. O olhar da comunidade Para aplicação das entrevistas foram atores sociais que promovem de modo direto o turismo local/regional. Essas pessoas foram escolhidas de acordo com a importância que representam para as questões turísticas locais, seja por meio da prestação de serviços ou pela manutenção dos afazeres cultuais que fomentam o turismo no município. As 13 entrevistas foram feitas a representantes dos guias turísticos de Cachoeira e do Recôncavo Baiano, marisqueiras do distrito de Santiago do Iguape, artesões e empresários do ramo de hospedagem e do ramo alimentício que atuam na cidade. Atendo os pedidos dessas pessoas seus nomes não serão divulgados, portanto a identificação dos mesmos nesse artigo será por sua representação profissional. A Tabela 01 resume os resultados das entrevistas, indicando a representação profissional dos entrevistados e os principais dados extraídos das entrevistas. Tabela 01. Resultado das entrevistas com os atores da comunidade . 14 Representação profissional Guias turísticos Marisqueiras Artesão Como percebe o turismo? Como percebe a gestão municipal em relação ao turismo? Turismo é importante Nada foi feito em prol da cultura e do turismo. porque é universal e Houve apenas uma pequena melhora na questão física e reforma de alimenta muitas coisas. alguns prédios dentro da cidade, mas que o apoio a grupos culturais e associações não aconteceu. Envolve a questão do desenvolvimento e Não existe articulação entre a gestão municipal e os outros atores sustentabilidade das sociais; o que existe são alguns contatos (apoio por parte da Prefeitura) pessoas. para eventos promovidos no município. O turismo é importante Não há articulação entre a gestão e os outros atores sociais. para aumentar a renda Acreditam que a gestão não pode fazer mais pelo turismo no Iguape das pessoas e a por conta do acesso ao local ser muito difícil. oportunidade de empregos na região. Necessário maior empenho nas questões relacionadas a segurança pública. O turismo é muito A gestão não se articula com a classe, pois não há nenhum trabalho importante, porque realizado pela Prefeitura para valorizar e expandir o valor do artesanato mantem viva a tradição local. que vem da antiguidade. Não investe no município, sendo necessário investir mais. O que faz para contribuir com a conservação da atividade turística no município? Procura qualificação, buscando parcerias com o SEBRAE, por exemplo, e principalmente tentando atrair os jovens para a profissão de guia turístico. Contribuem o para o turismo local através do bom tratamento oferecido aos turistas. Contribuem para o turismo local mantendo a arte e a cultura do artesanato viva. Há muita promessa por parte da Prefeitura e pouca coisa feita. Empresários/hos pedagem Que as pessoas não têm noção da importância do turismo local e que a região de Cachoeira tem muito potencial, mas não é explorado. É de responsabilidade do governo municipal a conscientização da população e elaboração de projetos para que o potencial turístico de Cachoeira seja explorado. Despreparo das pessoas que ocupam cargos de chefia nas questões relacionadas ao turismo no município. Oferecer serviços de qualidade. Enquanto cidadão fazer reclamações publicamente e utilizar também as redes sociais. Intervenções políticas solicitando pessoas mais preparadas a frente da gestão municipal. Turismo é visto como um passatempo e não como algo real, faltando planejamento e maior articulação entre o IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - e os outros atores sociais. 15 Empresários alimentos / O turismo é uma importante ferramenta de desenvolvimento, para a qual o município tem muito potencial, porém pouco explorado. Acreditam que a gestão municipal soube aproveitar as oportunidades oriundas das parcerias com as demais entidades estaduais e federais, mas que ainda é necessária uma maior articulação entre os gestores e a população. Atender os clientes da melhor maneira possível. Usar produtos de qualidade. Participar dos eventos promovidos pela gestão no intuito de se reciclar e crescer a cada dia. 16 Através das entrevistas aplicadas podemos perceber como as percepções dos atores sociais compactuam com a realidade vivida em Cachoeira. No entanto, outros fatores foram apontados como elementos que prejudicam o turismo: Inércia da iniciativa privada, pois esta, ainda não entendeu a responsabilidade da sua participação no desenvolvimento do turismo local. Maior preocupação pelo governo com a falta de infraestrutura no que diz respeito ao número de leitos, aos museus e às igrejas fechadas do que com a forma como a atividade turística é realizada. Falta de união e associativismo entre as categorias, enfraquecendo o poder de discussão na busca por melhorias. Inercia por parte da comunidade local, pois a população precisa se inteirar das responsabilidades dos órgãos públicos envolvidos diretamente com o turismo para saber o que e como cobrar melhorias. O mau comportamento de muitos universitários que frequentam a região dos bares na cidade, devido ao uso explícito de drogas, causando má impressão do lugar e afastando os demais clientes. Falta de atrativos culturais como samba de roda na praça e apresentações de grupos de capoeira diariamente nos finais de tarde. Exploração de pontos turísticos que é feita de forma aleatória sem definição de roteiros dentro do município. Enxergam que a Prefeitura deveria tomar a frente dessa questão realizando um acordo com os guias e empresas de turismo, fazendo com que os grupos passassem por um número maior de estabelecimentos artísticos e comerciais. A chegada de milhares de universitários contribuiu para algumas mudanças relacionas ao aumento do custo de vida no município, além da especulação mobiliaria e o início da transformação da paisagem, através da construção de novas moradias que estão se estendendo aos morros que cercam o município, fora as mudanças de costumes, de comportamentos e os impactos da especulação imobiliária. Considerações finais O presente artigo propôs levantar discussões sobre os princípios do Turismo Responsável, como elemento norteador para gestão pública, seguindo a ótica de Delgado17 Mendez (2000); WWF (2004), na condução da atividade turística no município de Cachoeira. Para isso ser possível apresentou os conceitos estabelecidos pelas referências indicadas e demonstrou através dos resultados das entrevistas a realidade do município escolhido como recorte espacial. Sabia-se que compreender a gestão pública municipal de Cachoeira sob a ótica do turístico responsável era um objetivo audacioso pelo fato de que, aparentemente, no caso selecionado, a intervenção da gestão municipal no turismo pode ser considerada incipiente. Porém, percebeu-se que os problemas do turismo em Cachoeira não são de inteira responsabilidade da gestão pública do município, a sociedade e, principalmente, os atores sociais ligados ao turismo, contribuem de modo direto para algumas frustações no sistema turístico local, como: a falta de interesse em participar dos debates; o comodismo em não cobrar mais eficiência por parte da Prefeitura na prestação de serviços básicos; falta de união entre os próprios grupos e categorias; a inexistência de articulação entre os grupos sociais de diferentes atividades econômicas; a falta de zelo pelo patrimônio e valorização do turismo e da cultura local. Assim sendo, poderia se dizer que os aspectos mais agudos que se contrapõem aos princípios do turismo responsável aqui apresentado, podem resumir assim: O município de Cachoeira sofre de um mal nacional que afeta seu desenvolvimento turístico: falta de uma visão sistémica para a política turística em território nacional; De nada servirão os programas de capacitação de recursos humanos se não houver um claro empoderamento da atividade turística por parte da população e dos atores econômicos, como mola propulsora de desenvolvimento estável e respeitosa, do ambiente e do ser humano; No caso de Cachoeira, cujo atrativo principal é o turismo cultural, requer o reforço na construção de uma identidade igual e consistentemente cultural, com compromisso de preservar a herança que a faz atrativa; Os benefícios provenientes do turismo não podem ser obrigatoriamente de curto prazo, o que requer um planejamento consciente e programas governamentais para subsidiar esses prazos, com técnica e idoneidade. Deve reconhecer-se que Cachoeira foi cenário de várias tentativas recentes de consolidação de produtos e atrativos, mas requer integração holística com todos os elementos defendidos pelos princípios do TR; 18 Finalmente, a participação e as atividades participativas ainda são tímidas e pouco eficientes, elemento importante para dar novo rumo ao turismo em Cachoeira. Pode-se concluir que Cachoeira que faz parte do preocupante cenário comum a outros destinos turísticos, e permite partir da premissa que, uma considerável parte da atividade turística é realizada, ainda, de forma desconexa, desordenada, exploratória e imediatista, e sem muito aprofundamento na responsabilidade com a saúde sociocultural, econômica e o equilíbrio ambiental que circunda o município. Os resultados do estudo levam a crer que os princípios e instrumentos do turismo responsável apresentados podem auxiliar na gestão do turismo em Cachoeira, principalmente para reduzir o viés econômico da atividade e elevar os esforços para o resgate da identidade e orgulho de pertencimento a um município com tanto peso histórico-cultural. Sendo necessário compreender que os benefícios econômicos só seriam consequência, primeiro, da construção de uma forte identidade cultural, e depois da soma do planejamento responsável dos seus equipamentos turísticos. A pesquisa ainda demonstra a necessidade de uma visão total e estratégica, que integre todas as áreas envolvidas e afetadas pelo turismo e de interesse da comunidade. Assim, o Turismo Responsável pode contribuir com os gestores e comunidade, e proporcionar que a atividade turística se desenvolva para o benefício de todos, fazendo movimento contrário às preocupações tradicionais. A gestão do turismo é feita sem planejamento, em primeiro olhar parece tomar apenas decisões paliativas de acordo com a demanda do momento, com objetivo de ter retorno imediato das festas populares e religiosas, e sobreviver dos convênios entre Governo Federal e Município, ou entre este e o Estado, sem preocupação com a conservação da cultura e uma ação educacional para os munícipes, colocando-os como parte integrante desse processo e não apenas como meros expectadores. É necessário empoderar a comunidade para que ela também valorize a riqueza local. Vale ressaltar que essa não é uma realidade apenas de Cachoeira, outros municípios turísticos enfrentam os mesmos problemas, muito gestores desconhecem o turismo responsável como possível diretriz para planejamento e ferramenta de gestão. Referências Bibliográficas 19 BRASIL. Ministério do Turismo. Disponível em:< http://www.turismo.gov.br/turismo/home.html >. Acesso em 15/11/2015. BRASIL. Ministério do Turismo. Documento Referencial do Turismo no Brasil 2007/2010. Brasília, 2007. 128 p. _____. Documento Referencial do Turismo no Brasil 2011/2014. Brasília, 2011. 153 p. _____. Plano Nacional de Turismo 2007-2010. Brasília, 2007. DELGADO-MENDEZ, Jesus Manuel. 2000. ‘Turismo Responsable: una visión homeostática. - Sociedade Educativa Gaia – SEG. Bauru,SP. Joinvile Brasil. QUEIROZ, Lúcia Aquino de. Turismo na Bahia: Estratégias para o desenvolvimento. Salvador: Secretaria da Cultura e Turismo, 2002, 236 p (Coleção selo Turismo). QUEIROZ, Lúcia Aquino de. Turismo urbano, gestão pública e competitividade: a experiência da cidade de Salvador. Salvador: P555, Fapesb, 2007. 304p. SOUZA, Regina Celeste de Almeida; QUEIROZ, Lúcia Aquino de. Caminhos do Recôncavo: proposição de novos roteiros históricos-culturais para o Recôncavo baiano. Salvador: UNIFACS. 2009. 304p. TURISMO RESPONSÁVEL- Manual para Políticas Públicas. [Org. Sérgio Salazar Salvati] – Brasília, DF, WWF Brasil, 2004. 220p. 20