PROGRAMA DE FORMAÇÃO – ROTA DO ROMÂNICO DO VALE DO SOUSA
II Curso de Pós-Graduação de Turismo, Ordenamento e Gestão do
Território
Universidade Fernando Pessoa
Meinedo
Uma proposta de Planeamento
Autor: Hélder Cesário Leal da Costa
Orientador: Dr. Carlos Ferreira
Novembro de 2006
Índice
Capítulo I – Introdução
1.1. Preâmbulo
1
Capítulo II – Caracterização de Meinedo
2.1. Meinedo – Zona de História
3
2.2. Enquadramento geográfico e demográfico de Meinedo
4
2.3. Análise SWOT
6
Capítulo III – Área de intervenção em Meinedo
8
3.1. Infra-estruturas
8
3.2. Recepção
9
3.3. Igreja Matriz e Ponte de Espindo
8
3.4. Quinta
9
3.5. Ponte Romana
10
3.6. Corredor Ecológico
10
3.7. Trilhos
11
3.8. Parque de campismo
12
3.9. Parque de Lazer Domingos Ferreira
12
3.10. Sinalização
12
Capítulo IV – Enquadramento teórico
4.1. O turismo como factor de desenvolvimento local e/ou regional
14
4.2. Ecoturismo – Uma tendência de futuro
19
Capítulo V – Considerações Finais
23
Bibliografia
Índice de figuras
•
Figura n.º 1 – Enquadramento Geográfico de Meinedo
4
•
Figura n.º 2 – A vila de Meinedo e seus limites
5
•
Figura n.º 3 – Limites de intervenção da proposta
9
•
Figura n.º 4 – Centro de Interpretação
10
•
Figura n.º 5 – Igreja Matriz de Meinedo
11
•
Figura n.º 6 – Ponte de Espindo
11
•
Figura n.º 7 – Exemplo de Sinalização 1
11
•
Figura n.º 8 – Exemplo de Sinalização 2
11
•
Figura n.º 9 – Foto da casa da Quinta
12
•
Figura n.º 10 – Paisagem na Quinta
12
•
Figura n.º 11 – Ponte Romana
12
•
Figura n.º 12 – Praia Fluvial
12
•
Figura n.º 13 – Caminho junto ao rio
13
•
Figura n.º 14 – Trilho
13
•
Figura n.º 15 – Trilho
13
•
Figura n.º 16 – Proposta de distribuição de trilhos
14
•
Figura n.º 17 – Parque de Lazer
15
•
Figura n.º 18 – Parque de Lazer
15
•
Figura n.º 18 – Sinalização / informação
16
•
Figura n.º 19 – Sinalização
16
Meinedo – uma proposta de Planeamento
1.1 Preâmbulo
A tranquilidade que se vive em Meinedo é contagiante e dá vontade de ficar pela
vila do concelho de Lousada por mais tempo. Terra de gente simples e hospitaleira, a
localidade tem como principal "cartão de visita" a Igreja de Meinedo, que conta as
muitas histórias desta área, com séculos de história.
Os visitantes podem encontrar ali um valioso património edificado, onde
sobressai a Igreja de Meinedo, a Ponte de Espindo e um conjunto de edifícios de riqueza
arqueológica e as suas características naturais. A vila assume uma relação intensa com a
paisagem envolvente e parece esconder um património arqueológico interminável.
A região envolvente à Igreja de Meinedo possui potencialidades de se
desenvolver em termos turísticos, de modo a atenuar os efeitos negativos da
interioridade. É necessário assegurar as vantagens comparativas permitidas pelas
especificidades próprias, buscando novas procuras turísticas dirigidas para o turismo de
natureza e aventura, o turismo cultural, o Ecoturismo, o turismo em espaço rural ou o
turismo desportivo.
Seguindo esta ordem de ideias, deve encarar-se o turismo como a aposta
estratégica deste território, o qual potenciará a dinamização das actividades económicas.
É, contudo, crucial encarar-se esta aposta estratégica de modo sustentado e planeado.
Não se deseja elaborar apenas mais um projecto. É nossa intenção conceber um plano
estratégico inovador, que transforme esta região numa região com procura turística e
como complemento à Rota do Romântico do Vale do Sousa.
Foi com o propósito de conceber uma estratégia de desenvolvimento turístico
para a região de Meinedo, no concelho de Lousada, que partimos nesta aventura.
Meinedo, freguesia com pouco mais de quatro mil habitantes, com poucos recursos e
equipamentos que possam possibilitar a visita dos turistas, desfruta, no entanto, de uma
grande riqueza arquitectónica e ambiental, permitindo aos visitantes momentos únicos
de fascínio.
Assim, na área circundante a Meinedo existem diversos monumentos que
poderiam servir de “Monumentos âncora” para atrair os turistas: Igreja de Meinedo,
Ponte de Espindo (espaços requalificados e englobados na Rota do Românico do Vale
do Sousa), Mosteiro e Aqueduto de Bustelo (pertencentes à freguesia de Bustelo,
1
Meinedo – uma proposta de Planeamento
concelho de Penafiel, que devido à proximidade geográfica, podem servir para
complementar a nossa proposta). Existem ainda uma série de equipamentos que poderão
servir de complementaridade a estes monumentos e que transformam a nossa área de
estudo apetecível em termos turísticos: Quinta da Eira, Parque de Merendas e Zona de
Desportos Radicais em Bustelo, na zona envolvente ao Mosteiro de Bustelo; Quinta de
Cedovezas, Casa de Ronfe, Ponte Romana, Parque de Lazer Domingos Ferreira, Quinta
de Vila Fria, além de uma série de trilhos que poderão funcionar como uma mais valia
para a proposta turística se puderem ser aproveitados para percursos pedestres e
integrados em roteiros turísticos, isto na área envolvente à Igreja de Meinedo.
Todos estes equipamentos existem numa área geográfica relativamente próxima
à Igreja de Meinedo e poderão ajudar a delimitar a nossa área de intervenção.
Realizamos algumas visitas ao nosso local e deparamo-nos com a riqueza desta
região e as suas incríveis possibilidades para desenvolvimento de actividades de foro
turístico. As fotos apresentadas nesta monografia comprovam que esta é uma região
com grande potencial para o Ecoturismo e para o turismo cultural.
Com as diversas visitas que realizamos ao local de estudo, bem como as
pesquisas que efectuamos junto das entidades competentes da região é que nos
deparamos com a enorme potencialidade turística da vila. Aproveitar o desenvolvimento
turístico que a Rota do Românico do Vale do Sousa poderá trazer para a região será algo
de muito benéfico para a região e estabelecer Meinedo como um destino turístico de
excelência dentro do panorama regional onde a freguesia se encontra poderá ajudar
Meinedo a tornar-se a médio prazo um destino turístico de características únicas em
Portugal, onde possa englobar o ecoturismo e o turismo cultural na mesma oferta
turística.
2
Meinedo – uma proposta de Planeamento
2.1. Meinedo – Zona de História
Meinedo foi um povoado importante, cuja história
nos remete para as épocas anteriores à fundação da nossa
nacionalidade.
Com
a
romanização
dos
povos,
apareceram novos povoados nas terras mais propícias à
agricultura, forçando as pessoas a abandonar os povoados
fortificados nas terras altas e a fixarem-se nas terras dos
vales. Fica situada na região do Vale do Sousa, sendo
atravessada pelo rio do mesmo nome, pela estrada 320
que liga Penafiel a Lousada e ainda pela linha-férrea do Douro que liga a vila à cidade
do Porto.
Mas Meinedo era já um importante povoado na antiguidade, sendo já descrita a
sua importância em épocas anteriores à própria nacionalidade. De facto, registos
apontam para Meinedo, sede do bispado de Meinedo, documentado em 569, aquando do
concílio de Lugo e que perdurou pelo menos até 589 (III Concilio de Toledo). De
realçar que São Martinho de Dume terá chegado à região por volta de 550. (Vários,
1996)
Em 1131, D. Afonso Henriques fez uma dação da Igreja de Santo Tirso de
Meinedo ao bispo do Porto, sendo que Santo Tirso poderá mesmo ter sido Bispo de
Meinedo, local onde terá sido martirizado.
A Igreja Matriz de Meinedo sofreu bastantes alterações e da edificação inicial
resta apenas um belo portal em estilo gótico, a talha do Arco Cruzeiro e o tecto do
Altar-mor. Terá sido uma Igreja de Mosteiro do séc. VI, talvez mesmo uma fundação do
próprio mártir Santo Tirso.
A norte da Igreja Matriz de Meinedo, no lugar de Casais, poderá ter sido o local
de uma “Villa” romana com alguma importância na região, atestado por alguns
documentos encontrados no lugar. Do espólio conhecido em Meinedo, de origem
romana, constam uma Ara, ou Altar de obrigação na residência principal da “Villa”
romana, um sistema de canalização de águas e um tanque para lava-pés. Da época
Suévica, existe um capitel e um sarcófago, talvez pertencentes à antiga Igreja existente
no local. (Vários, 1996).
3
Meinedo – uma proposta de Planeamento
Enquadramento Geográfico e Demográfico de Meinedo
A vila de Meinedo localiza-se no concelho de Lousada, distrito do Porto. De
acordo com as Nomenclaturas de Unidades Territoriais para fins estatísticos (NUTS), o
concelho de Lousada insere-se na NUTS I no Continente, na NUTS II na Região Norte
e na NUTS III na Região do Tâmega (Figura n.º 1).
Figura nº 1 – Enquadramento regional de Meinedo
Fonte: www.guiadeportugal.pt
De uma forma muito sucinta podemos dizer que Lousada é uma cidade, sede de
concelho, situada no distrito de Porto. O concelho de Lousada possui uma área de 96,00
Km2, cerca de 44 321 habitantes (XIV Recenseamento Geral da População, 2001) e é
constituído administrativamente por 25 freguesias. A saber: Alvarenga, Aveleda,
Barrosas (Santo Estevão), Boim, Caíde de Rei, Casais, Cernadelo, Covas, Cristelos,
Figueiras, Lodares, Lousada (Santa Margarida), Lousada (São Miguel), Lustosa,
Macieira, Meinedo, Nespereira, Nevogilde, Nogueira, Ordem, Pias, Silvares, Sousela,
Torno; Vilar do Torno e Alentem.
A vila de Meinedo possui uma área de 8,43 Km2 e uma população de 4225
habitantes em 2001 (XIV Recenseamento Geral da População, 2001).
A vila de Meinedo situa-se no extremo sudeste do concelho de Lousada, a cerca
de 5 Km da sede do concelho, tendo por limites as freguesias de Caíde de Rei a Este,
Aveleda e Pias a Norte, Boim a Oeste e pelo concelho de Penafiel a Sul.
Na figura n.º 2 podemos ver a vila de Meinedo e os seus limites.
4
Meinedo – uma proposta de Planeamento
Figura n.º 2 – A vila de Meinedo e seus limites
Fonte: Carta Militar de Portugal, folha 112, escala 1 / 25000, Instituto Geográfico do Exército
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Meinedo – uma proposta de Planeamento
Análise SWOT
Após o diagnóstico efectuado sobre a matriz territorial, sobre a actividade e o
potencial turístico da região de Meinedo, foi possível elaborar a análise SWOT (SWOT:
Strenghts, Weaknesses, Opportunities, Threats) que a seguir se apresenta, na qual se
sumariam os pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças que pendem sobre o
desenvolvimento turístico desta Região.
Pontos Fortes:
•
Boa acessibilidade rodo-ferroviária;
•
Proximidade a pólos turísticos importantes (Porto, Braga...);
•
Eventos de carácter tradicional (Presépio ao vivo no Mosteiro de Bustelo);
•
Rio Sousa;
•
Património natural e paisagístico (paisagens, relevo notável, carácter rural da
região, etc.);
•
Património cultural e histórico (ponte românica de Espindo, Igreja Matriz de
Meinedo, etc.);
•
Oferta gastronómica diversificada e de reconhecida qualidade;
Pontos Fracos:
•
Fraca imagem territorial;
•
Desordenamento territorial;
•
Dificuldade e morosidade nos grandes eixos de acesso e circulação;
•
Reduzida oferta de alojamento e, por vezes, pouco satisfatória;
•
Falta de recursos humanos qualificados no sector, o que provoca debilidades na
concepção do produto turístico e na prestação de serviços;
•
Degradação do património natural e construído;
•
Deficiente sinalização;
Ameaças:
•
Concorrência das outras áreas rurais do Vale do Sousa;
•
Dificuldade em afirmar o destino turístico nos principais mercados
internacionais, dada a sua dimensão relativa;
6
Meinedo – uma proposta de Planeamento
•
Oferta turística diversificada;
•
Baixo nível de sensibilização da população para as oportunidades do turismo
enquanto motor para o desenvolvimento;
Oportunidades:
•
Aumento da indústria turística e da sua importância dinamizadora no contexto
rural;
•
A dinâmica que a Rota do Românico do Vale do Sousa poderá originar em toda
a zona do Vale do Sousa;
•
Existem novos padrões de consumo e motivações dentro do mercado turístico,
privilegiando destinos que ofereçam experiências diversificadas (Cultura,
Património, Natureza, Gastronomia, Desporto...);
•
Requalificação dos monumentos e arranjos urbanísticos;
•
Nova acessibilidade (A42);
•
Emergência dos corredores ecológicos;
•
Dinamização do património construído (quintas, casas senhoriais.)
7
Meinedo – uma proposta de Planeamento
Área de Intervenção em Meinedo
O principal objectivo do nosso trabalho é a apresentação de uma proposta de
criação de um roteiro complementar à Rota do Românico do Vale do Sousa, de forma a
dar ao possível turista mais razões para visitar a região do Vale do Sousa. Serve este
projecto para dar outra dimensão à região de Meinedo, no concelho de Lousada.
Também esta vila milenar se encontra englobada no projecto da Rota do Românico do
Vale do Sousa, com a Igreja Matriz de Meinedo e a Ponte de Espindo.
Foi então nosso propósito juntar o património histórico existente na vila de
Meinedo com algumas infra-estruturas existentes na região, de forma a podermos criar
uma pequena rota turística complementar.
Após caracterizarmos a área de implantação do nosso projecto e de criarmos
uma fundamentação teórica que justifique a nossa intervenção, é altura para conhecer
mais a fundo o projecto.
Analisando em pormenor o terreno e visto este ser propício para a exploração
florestal e turística, concluímos que este projecto será de grande utilidade para esta área.
A falta de um correcto ordenamento de território nesta zona, em conjunto com a
necessidade de apostar em novas alternativas para o desenvolvimento da região e
aproveitando a criação da Rota do Românico, faz-nos crer que esta estratégia de
ecoturismo em conjunto com turismo cultural possa permitir o desenvolvimento de toda
esta região. Os possíveis problemas ambientais existentes na vila de Meinedo obrigam a
uma intervenção cuidada em termos ambientais de forma a não criar feridas na
paisagem. A criação de um “pulmão” poderá atenuar os efeitos maléficos da
industrialização. Poderemos ver os limites de intervenção do nosso projecto, bem como
algumas dos equipamentos já existentes na figura n.º 3.
Infra-estruturas
Propomos a criação de algumas infra-estruturas de suporte para esta Zona de
Intervenção, bem como a requalificação de algumas infra-estruturas já existentes. No
seguimento da intervenção já efectuada junto aos monumentos englobados na Rota do
Românico (Igreja Matriz de Meinedo e ponte de Espindo), é necessário para o sucesso
8
Meinedo – uma proposta de Planeamento
Figura n.º 3 – Limites de intervenção da proposta
9
Meinedo – uma proposta de Planeamento
deste projecto a requalificação de algumas infra-estruturas particulares mas que trarão
muitas mais-valias para o sucesso deste projecto.
Recepção
Em primeiro lugar é necessário a criação de uma recepção, de preferência junto à
Igreja Matriz de Meinedo. Este local goza de alguma centralidade, visto que é
facilmente acessível facilmente de carro, bem como fica junto à estação de caminhosde-ferro, outra das formas para chegar a região. Existe um edifício já criado junto à
Igreja Matriz de Meinedo, criada com a intenção de ser um possível Centro de
Interpretação. Pensamos que a criação do edifício de recepção da Rota poderá ser no
mesmo edifício ou nas imediações. Este edifício funcionaria como recepção, como
balcão de informações com artigos tradicionais expostos e relacionados com a região,
como salão com painéis interpretativos, como museu tradicional, etc. (figura n.º 4).
Figura n.º4 – Centro de Interpretação
Igreja Matriz de Meinedo e Ponte de Espindo
São dois monumentos de características românicas, englobadas já na Rota do
Românico do Vale do Sousa (figuras n.º 5 e n.º 6). O seu estado de conservação é bom,
visto que sofreram intervenções recentemente. No entanto, é necessário a criação de
maior interactividade entre estes monumentos e os equipamentos criados ou a criar para
este projecto. Para isso é necessário a existência de painéis informativos junto de cada
um dos monumentos de forma a dar a conhecer quer a proposta de rota de Meinedo
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Meinedo – uma proposta de Planeamento
como a Rota do Românico. Dois exemplos desses painéis informativos poderão ser
visto nas figuras 7 e 8.
Figura n.º 5 – Igreja Matriz de Meinedo
Figura n.º 6 – Ponte de Espindo
Figura n.º 7 – Exemplo de Sinalização 1
Figura n.º 8 – Exemplo de Sinalização 2
3.4. Quinta
A cerca de 1000 metros da Igreja Matriz de Meinedo existe uma propriedade de
cerca de 20 hectares, onde existem algumas infra-estruturas em ruínas, como uma casa
(figura n.º 9) que poderia funcionar como centro de educação ambiental, centro de
interpretação ou mesmo museu ambiental. Além dessa casa, existe outra, perto da ponte
romana que poderia funcionar como centro de restauração e dar apoio para os visitantes.
Outra característica desta propriedade é a grande quantidade de trilhos naturais
existentes, bem como uma grande quantidade de paisagens naturais (figura n.º 10) que
poderão permitir ao turista o contemplar da paisagem e o aproveitamento para fugir da
agitação citadina e caminhar por entre os diversos trilhos existentes.
11
Meinedo – uma proposta de Planeamento
Figura n.º 9 – Foto da casa na Quinta
Figura n.º 10 – Paisagem na Quinta
3.5. Ponte romana
Existe perto da quinta uma ponte, de cariz romana, bem como uma pequena
praia fluvial que, se bem aproveitada poderá trazer uma mais-valia à área, além do facto
de existir a já citada casa na quinta que poderá servir de apoio a esta área de intervenção
(figuras n.º 11 e 12). Esta ponte está em ruínas e precisa de intervenção especializada,
enquanto que a praia fluvial necessita apenas de uma intervenção ao nível dos acessos.
Figura n.º 11 – Ponte Romana
Figura n.º 12 – Praia Fluvial
3.6. Corredor Ecológico
Entre a ponte romana e a ponte de Espindo (monumento englobado na Rota do
Românico) são cerca de 1000 metros, que poderão ser requalificados. O Rio Sousa é
conhecido pela sua beleza natural e poderá ser requalificado, permitindo a criação de
um percurso pedonal ao longo das suas margens, além de haver a possibilidade de
12
Meinedo – uma proposta de Planeamento
criação de uma ciclovia na área, ao longo do rio, de maneira a criar mais uma actividade
complementar a Rota (figura n.º 13)
Figura n.º 13 - Caminho junto ao rio
3.7. Trilhos
Dentro da quinta existem um sem número de trilhos que poderão ser
aproveitados para a criação de caminhos pedonais, tão do agrado do turista ambiental.
Alguns dos trilhos já existentes não necessitam de quaisquer intervenção, pois o seu
estado de conservação é bastante satisfatório, no entanto existem trilhos que necessitam
de intervenção. Entre a ponte romana e a ponte de Espindo, bem como entre a Ponte
romana e a Igreja Matriz existem pequenos trilhos, que poderão ser aproveitados
também para a criação de caminhos (figuras n.º 14 e n.º 15). Uma proposta de
distribuição dos trilhos poderá ser vista na figura n.º 16)
Figura n.º 14 – Trilho
Figura n.º 15 – Trilho
13
Meinedo – uma proposta de Planeamento
Figura n.º 16 – Proposta de distribuição de trilhos
Legenda:
_____ Área de Intervenção
_____ Trilhos a serem implementados
14
Meinedo – uma proposta de Planeamento
3.8. Parque de Campismo
Ainda dentro da quinta existe ainda uma área onde poderá funcionar um parque
de campismo com uma boa capacidade de alojamento, permitindo assim outra forma de
acomodação para o turista.
3.9. Parque de Lazer Domingos Ferreira
A sudeste da Igreja Matriz de Meinedo, a cerca de 500 metros existe um
equipamento já construído, onde podemos encontrar um parque de lazer, com
equipamentos lúdicos, zona para piqueniques, churrasco e para desportos de ar livre.
Com efeito, esta é uma infra-estrutura relativamente recente, em bom estado de
conservação e que, se bem interagido com a rota, poderá funcionar como complemento
à rota (figuras n.º 17 e n.º 18).
Figura n.º 17 – Parque de lazer
Figura n.º 18 – Parque de lazer
3.10. Sinalização
É necessário a criação de painéis informativos junto a alguns equipamentos a
serem criados para que o possível turista/visitante possa compreender a realidade que o
circunda. Essa informação torna-se essencial para a compreensão do visitante em
relação às espécies existentes na zona, além da informação da rota para que seja o
próprio turista a escolher o seu itinerário, caso não queira seguir o guia feito pela
organização do Projecto.
15
Meinedo – uma proposta de Planeamento
Mesmo junto à fauna existente no local, poderá, por vezes, existir painéis
informativos como se de um parque natural se tratasse. Poderemos ver um exemplo
dessa sinalização nas figuras n.º 19 e n.º 20), (adaptado do Parque Biológico de Gaia).
Figura n.º 19 – Sinalização / Informação
Figura n.º 20 – Sinalização
16
Meinedo – uma proposta de Planeamento
4.1. O Turismo como factor de desenvolvimento local e/ou
regional
O turismo permite às pessoas experimentar algumas das alegrias, excitações e
novidades de outros mundos, outros países e culturas. Torna real um sonho ou uma
fantasia por determinado período de tempo. Segundo Foster, “(…) os motivos básicos,
primitivos da Humanidade são o medo, o desejo, o amor e a cobiça, mas existe também
a necessidade de estímulo através da mudança, excitação e novidade, realizando algo
diferente. As viagens e o turismo podem fornecer esse estímulo”.
Cada vez mais o turismo se tornou numa das áreas de maior expansão no mundo,
apesar que ainda hoje esta actividade não possuir a importância que deveria ter na nossa
sociedade. Sendo considerado ainda um fenómeno recente, pós-Segunda Guerra
Mundial, o turismo é ainda muito associado ao lazer e ao descanso.
O conceito de turismo é um pouco controverso segundo os vários autores que
tratam desse assunto. Segundo Baptista (1997), “(…) a falta de uma definição precisa de
turismo não só coloca problemas em determinadas situações, como constitui um sério
obstáculo quando estão envolvidas questões como a medição da sua dimensão como
uma indústria”. Com efeito, o turismo está relacionado com as viagens, no entanto nem
todas as viagens são consideradas como turismo. De acordo com a Associação
Internacional dos Peritos Científicos do Turismo (cit. in Baptista, 1997), podemos
definir turismo como “o conjunto de relações e fenómenos produzidos pelo
deslocamento e permanência de pessoas fora do seu local habitual de residência, desde
que esses deslocamentos e permanência não sejam motivados por uma actividade
lucrativa principal, permanente ou temporária”.
A problemática da definição de turismo pode ainda ser encarada numa
perspectiva antropológica. Com efeito, turismo pode ser definido “(…) como fenómeno
humano e social que constituirá no deslocamento de pessoas, provisório e limitado no
tempo, de forma a que tal não implique a transferência do local habitual de vivência ,
tendo como causa fundamental motivações diversas (que poderão ir do simples lazer aos
aspectos de ordem profissional) e que tem subjacente, ao aproveitamento dessa
deslocação, um misto de evasão do ser humano no seu próprio etno-ecossistema em que
está inserido, por um lado, e, por outro, a resultante da descoberta de elementos novos
17
Meinedo – uma proposta de Planeamento
de outros meios e culturas, que de forma mais ou menos vincada não deixarão de
produzir efeitos de aculturação e/ou enculturação no campo dos costumes e mesmo de
ideias” (Baptista, 1997).
Segundo Douglas Foster, “(…) as atracções abrangem não só os elementos
naturais (paisagem da terra e do mar, o clima e factores ecológicos) mas também os
elementos feitos pelo homem (actividades culturais, lugares e edifícios históricos). Os
serviços de apoio incluem a infra-estrutura e a superestrutura da área (alojamento,
transporte local, estradas, caminho de ferro, aeroportos e outros serviços públicos. A
acessibilidade é avaliada não apenas pelo tempo que se leva a chegar à estância mas
também pelos meios de transporte existentes (ar, mar, via férrea, estrada) e o grau de
conforto (por exemplo o uso de avião mais pequeno ou jactos espaçosos)”.
O turismo alternativo é tido como uma importante forma de turismo nos países
em vias de desenvolvimento, pois os turistas estão muitas vezes interessados em
atracções específicas, nomeadamente animais, montanha, locais culturais e pessoas, não
só em termos de motivações e atracções como, principalmente, no que diz respeito ao
relacionamento entre elas (Baptista, 1997).
Entre os diversos tipos de turismo alternativo, Baptista (1997) destaca:
•
O turismo étnico onde o turista interage com os residentes locais visitando as
habitações e observando a rotina diária, bem como participando em certos
acontecimentos rituais locais;
•
O turismo cultural onde o turista observa os estilos de vida passados
representados através de desempenhos e festivais;
•
O turismo histórico onde o turista visita museus, monumentos e ruínas que
detenham alguma importância histórica;
•
O turismo ambiental onde o turista viaja para uma área remota de interesse
paisagístico para apreciar a natureza no seu aspecto mais puro. Pode ser
entendido também como turismo ecológico ou ecoturismo.
Os recursos naturais são insuficientes para garantir a permanência dos viajantes.
Torna-se, então, necessária a construção de equipamentos que, por um lado, permitam a
deslocação dos turistas (transportes, organização de viagens, etc.) e, por outro,
assegurem a permanência dos turistas na área (alojamentos, restaurantes, etc.). Sem
18
Meinedo – uma proposta de Planeamento
existirem estes equipamentos necessários, não poderá haver actividade turística, logo
não pode existir turismo.
Quando o cidadão se encontra fora da sua residência habitual começa a ter certas
necessidades adicionais, como ocupação dos tempos livres, o que obriga à construção de
novos equipamentos funcionais bem como à produção de outros bens e serviços,
criando assim um vasto leque de ofertas destinadas à satisfação da procura turística.
Cada vez mais o turismo está incluído nas políticas económicas de todos os
países, regiões e municípios, devido ao movimento financeiro decorrente desta
actividade. Com efeito, o turismo é considerado uma actividade que transforma o
espaço, funcionando como um organismo em constante mudança e capaz de funcionar
como motor para a economia. Esta actividade poderá aproveitar os bens da natureza sem
os consumir nem esgotá-los, empregar uma grande quantidade de mão-de-obra, gerar
grandes quantidades de dinheiro que poderá ajudar as economias nacionais e locais,
valorizar os recursos naturais e imóveis e poderá impulsionar outros sectores produtivos
como o comércio e a construção civil.
Com o aumento da circulação do dinheiro, do movimento de pessoas, da oferta
de empregos, do consumo de bens e serviços e com o aparecimento de empresas directa
ou indirectamente ligadas ao turismo (hotéis, restaurantes, agências de viagens,
companhias de transportes, etc.), o turismo torna-se numa actividade económica de
extrema importância na sociedade actual. Além de todas as vantagens inerentes ao
turismo, existe algo que é necessário salientar: com o aumento de turistas e da
importância económica da sua vinda, os poderes locais irão dotar os locais turísticos das
infra-estruturas necessárias para satisfazer as necessidades daqueles, como boas vias de
comunicação, sinalização, recolha de lixos, redes de água e esgotos, telecomunicações,
tratamento de resíduos sólidos, serviços de saúde, instalações de desporto, diversão e
recreio, alimentação e outros bens de consumo imediato ou duradouro, etc.
Nos nossos dias, o turismo ganhou uma importância extrema, sendo utilizado
como meio para o desenvolvimento local e/ou regional, tornando-se objecto de desejo
por parte das várias regiões e governos. Cada vez mais os governos apostam no
desenvolvimento
do
turismo
como
alternativa
a
certas
indústrias
para
o
desenvolvimento das regiões. Além disso, o desenvolvimento de uma indústria turística
evita que haja uma rápida degradação da paisagem, do meio ambiente e uma perda de
certas culturas tradicionais, além de possibilitar de dinamização económica de algumas
19
Meinedo – uma proposta de Planeamento
regiões. Com efeito, mesmo que determinada região não tenha potencial turístico, podese desenvolver graças ao turismo, basta que para isso, forneça bens que poderão ser
consumidos pelos turistas (produtos agrícolas, artesanais, industriais, alimentos, mãode-obra especializada, entre outros).
Assim, ao mesmo tempo que o turismo se desenvolve, outros aspectos sociais e
económicos são desenvolvidos, como por exemplo, a construção civil, a industria
alimentar, banca, comércio, obras públicas, etc. Com o aumento da presença de turistas,
vai aumentar também toda uma indústria ligada aos transportes, como transportes
públicos, mecânicos, postos de gasolina, construção de estradas, etc. Outro sector que
sofre um desenvolvimento considerável é a cultura e a diversão, onde, devido à
presença de mais população, será necessário haver mais teatros, cinemas, restaurantes,
discotecas, bares, equipamentos desportivos, portanto, toda uma série de equipamentos
que poderão providenciar ao turista elementos de animação.
Tal como argumenta Baptista, (1997), “(…) as atracções culturais referidas não
podem ser oferecidas como componentes de um produto turístico se não estiverem
acessíveis, adequadamente recuperadas, conservadas, assinaladas e associadas a uma
rede de alojamentos, restaurantes, lojas de recordações, sistemas de animação
complementar, etc., tudo em sintonia com a imagem de cada uma dessas atracções”.
O turismo pode funcionar também como uma forma de preservação do meio
ambiente, visto que pode justificar a preservação e a existência de parque naturais, que
de outra forma poderia estar condenada ao abandono por parte da população local.
Outro aspecto importante é o facto do turismo poder ajudar a preservação de locais
históricos e arqueológicos, possibilitando a viabilidade financeira de certas actividades,
que de outra forma poderiam deixar de existir por falta de dinheiro. O turismo pode
trazer também consigo preocupações ambientais, visto ser objectivo dos poderes locais
dar um bom aspecto a quem visita a região. A estética das construções na região pode
ser também alterada, passando a haver regras rígidas em relação a certas construções e
actividades que incidam sobre o espaço natural.
Em conclusão, podemos reafirmar o papel cada vez mais importante do turismo,
quer nos seus aspectos económicos, quer sociais, na nossa sociedade. O turismo pode
tornar-se um excelente motor para o desenvolvimento de determinada região e uma
forma de criar possibilidades para uma revitalização da identidade cultural, da
preservação dos bens culturais e de um grande número de tradições ancestrais. Em
20
Meinedo – uma proposta de Planeamento
suma, as actividades turísticas geram mecanismos de sustentabilidade e espaços
propícios às expressões culturais, bem como dinamiza economicamente as regiões.
21
Meinedo – uma proposta de Planeamento
4.2. Ecoturismo – Uma Tendência de futuro!
Na planificação das actividades económicas, muito raramente têm sido
considerados os aspectos ambientais com suficiente peso.
Assim, em vez de se promover o efectivo desenvolvimento, planeiam-se acções
economicamente tidas como correctas, mas com um impacto muitas vezes desastroso
sobre o meio.
Estas acções darão origem apenas a um crescimento económico imediato mas
fictício, por estar fora da gestão equilibrado dos recursos naturais.
A qualidade de vida das populações será necessariamente agravada, já que
depende, não só da satisfação dos interesses económicos, mas também da manutenção e
correcto funcionamento do ecossistema global onde o Homem se encontra integrado.
Para que se processe o desenvolvimento económico, haverá que respeitar as
relações do Homem com o meio em que vive e assegurar igualmente uma gestão
equilibrada dos recursos naturais, sejam ou não renováveis. Surge assim a necessidade
de procurar estabelecer um efectivo paralelismo entre a procura sobre o meio expressa
pela planificação económica e a oferta do meio, definida pela planificação biofísica. A
resultante das propostas económicas e biofísicas, poderá então ser compatibilizada com
as opções sociais e políticas através da elaboração do ordenamento territorial.
O sucesso de uma política de desenvolvimento sustentável passa pela capacidade
de encontrar formas de cooperação entre as políticas sectoriais e a política do ambiente.
Estas formas de cooperação devem ser parte da formulação da própria política sectorial,
de forma a distinguir formas e processos de actuação, desenvolver instrumentos e
incentivos e, sobretudo, criar novas mentalidades nos decisores, nos executores e nos
agentes económicos do sector.
L. Fadigas defende que “(…) os aspectos ligados à integração dos valores
naturais no tecido urbano existente ou em expansão, a expressão, o uso e a localização
dos espaços verdes e de recreio de ar livre, a gestão racional dos recursos naturais
disponíveis, bem como a salvaguarda e potencialização dos valores cénicos da
paisagem, constituem novos referenciais do planeamento urbanístico e do Ordenamento
e Gestão do Território”.
22
Meinedo – uma proposta de Planeamento
A actividade turística tem um enorme potencial no que diz respeito ao
desenvolvimento socio-económico de determinada região, se estiver relacionada com
um planeamento adequado às características físicas, biológicas, sociais e económicas do
local.
No entanto, para melhor receber os turistas, muitas das vezes transformam-se
florestas e boas terras de cultivo em campos de golfe, muitas vezes devastam-se falésias
para se poder construir grandes empreendimentos turísticos, com vista para o mar,
destroem-se montanhas e planícies para satisfazer as necessidades dos turistas e destróise a fauna e a flora que poderá nunca ser reposta.
Mas é possível encarar o turismo de forma diferente. É possível associar
princípios ambientais e de responsabilidade ao turismo enquanto actividade económica.
É um tipo de turismo mais vocacionado para os princípios ecológicos, para a
preservação da natureza e para a contemplação, mas sem deixar de parte os valores
económicos, tão necessários para a sustentabilidade da actividade.
O ecoturismo é uma forma de turismo que tem em consideração não só o
desenvolvimento económico de determinada região como também a valorização e
protecção dos recursos naturais. É um turismo sustentável, integra a valorização do
património histórico, cultural e natural, a componente económica e uma forte
participação das entidades locais.
De facto, e conforme Baptista (1997) argumenta, “(…) o turismo ambiental
orienta-se para actividades em áreas remotas de interesse paisagístico; pode também
designar-se por turismo ecológico ou ecoturismo, referindo-se a turistas que viajam para
um determinado sítio natural, tendo apenas em conta a amenidade e o valor recreativo
resultantes do contacto com alguns aspectos do mundo natural”.
Esta forma de turismo está vocacionada para a apreciação dos ecossistemas1 no
seu estado natural e tem um importante papel na preservação dos mesmos e para o
desenvolvimento da economia local, melhorando a qualidade de vida das populações.
Estes ecossistemas são resultado da adaptação da Natureza humana e têm, actualmente,
1
Em 1991, Henriques define ecossistema como “a unidade ecológica incluída na biosfera composta por
elementos vivos, animais e vegetais (cujo agrupamento se designa por biocenose), pelos elementos inertes
(cujo agrupamento se designa por biótopo) e pelas relações que se estabelecem entre si: os ecossistemas
são sistemas dinâmicos, caracterizados por espécies vivas produtoras e consumidoras, e outras
exclusivamente consumidoras, no quadro das cadeias alimentares” (Henriques, 1991)
23
Meinedo – uma proposta de Planeamento
um grande interesse ecológico e antropológico e a sua correcta interpretação permite a
implementação de actividades de Educação Ambiental2 e de Ecoturismo.
Esta forma de turismo é promovida como sendo uma forma de praticar turismo
em pequena escala, mais activa e intensa do que outras formas de turismo, onde é
salvaguardada a importância da ecologia3, da educação ambiental e do desenvolvimento
sustentável, onde a importância das infra-estruturas é menor e existe menos agressões
ao meio ambiente.
O ecoturismo não se limita apenas a preservar o meio natural, é um conceito
muito mais alargado, onde o Homem é convidado a interagir com a natureza, a respeitala e a preserva-la. É uma forma de turismo que leva o Homem a fugir dos centros
urbanos e a refugiar-se junto à Natureza.
Com
a
implementação
do
Ecoturismo,
essa
região
vai
sofrer
um
desenvolvimento económico muito acentuado e vai modificar toda a economia local,
tornando-se a principal fonte de rendimento dos habitantes, muitas vezes ainda ligados à
agricultura tradicional.
A região vai desenvolver-se através de investimentos na construção de
alojamentos (hotéis, pousadas) capazes de satisfazer as necessidades dos turistas,
restaurantes, infra-estruturas necessárias como telecomunicações, tratamento de
resíduos sólidos, sinalização, boas vias de comunicação, recolha de lixos, redes de água
e esgotos, serviços de saúde, instalações de desporto, diversão e recreio, alimentação e
outros bens de consumo, etc., além da possibilidade de valorizar o património natural
local.
Este desenvolvimento poderá trazer também desvantagens como o aumento da
quantidade de pessoas na região o que poderá acarretar problemas como o crescimento
da produção de resíduos e maior geração de tráfego rodoviário. Só com a extrema
precaução por parte dos poderes locais se poderá, pelo menos, amenizar o impacto
destes problemas. É nesta altura que a educação ambiental tem a sua importância
redobrada, com a sensibilização quer das populações locais quer dos turistas para os
2
“(…) o processo de reconhecimento de valores e de clarificação de conceitos graças aos quais a pessoa
humana adquire a capacidade e os comportamentos que lhe permitem interiorizar e apreciar as relações de
interdependência entre o Homem, a sua cultura e o seu meio físico, assim como conduzir a uma
participação empenhada na construção da qualidade do ambiente” (Plano Nacional da Política de
Ambiente, 1994).
3
“A ecologia é o estudo da relação entre uma espécie e o seu meio ambiente global” (Campbell, 1983)
24
Meinedo – uma proposta de Planeamento
problemas ambientais e para a necessidade de preservação dos aspectos culturais da
região.
Apesar de ainda ser um conceito relativamente recente, revela-se já ser uma
tendência mundial em crescimento e que responde a várias necessidades das populações
desde a procura de conhecimentos através do estudo científico dos ecossistemas até à
prática de desportos radicais, passando pelo desenvolvimento económico e social da
região.
Existem dificuldades para a implementação deste tipo de turismo. É necessário
fazer estudos de mercado para determinar quais as actividades que poderão satisfazer os
potenciais visitantes e se os turistas poderão deixar de lado alguns dos luxos que detêm
nas grandes cidades.
Como conclusão, resta afirmar que o ecoturismo ainda se encontra numa fase
bastante embrionária, procurando-se actualmente estabelecer as linhas gerais para que
esta actividade se torne uma actividade de futuro, capaz de cumprir os objectivos a que
foi proposto inicialmente: o desenvolvimento económico e a preservação do ambiente.
25
Meinedo – uma proposta de Planeamento
Considerações Finais
Aquando da realização desta monografia propusemo-nos elaborar uma proposta
de turismo para a zona envolvente à Igreja Matriz de Meinedo. A elaboração de uma
estratégia de turismo, aproveitando as condições excelentes, quer ao nível estrutural,
quer ao nível natural e aproveitando o facto de esta vila do concelho de Lousada possuir
património que faz parte da Rota do Românico do Vale do Sousa, levou-nos às
idealização de um projecto que pensamos ter todas as capacidades para ter sucesso.
De facto, podemos considerar que a proposta apresentada nesta monografia vai
de encontro aos objectivos propostos no início deste projecto. A idealização de uma
estratégia de turismo, numa área com enormes potencialidades quer ao nível das infraestruturas existentes quer ao nível de interesse histórico, serviu-nos de princípio para a
realização deste projecto.
Como conclusão podemos afirmar que a elaboração e a aplicação de uma
estratégia de turismo desta dimensão na nossa área de estudo pode ser justificada da
seguinte maneira:
•
Com a implementação da Rota do Românico do Vale do Sousa, será necessário
criar estratégias de complementaridade para o turista. Desta forma, é necessário
o turista ter uma oferta turística diversificada, de forma a não ficar confinado à
Rota do Românico e poder usufruir de outras formas de atracção, como poderá
ser o turismo ambiental;
•
Dada a ocupação actual do local onde se propõe a execução desta estratégia de
turismo, sendo essencialmente baldios, ou então ocupados por agricultura com
base no minifúndio, sem qualquer tipo de planeamento, de cariz familiar, onde a
produção não é muito elevada, pensamos que a requalificação desta área num
local de cariz social, com um planeamento cuidado pode tornar este local num
lugar mais aprazível;
•
A necessidade de um “pulmão” verde numa zona que começa actualmente a
tornar-se industrializada. É necessário salvaguardar uma área com cariz ainda
natural para a preservação do ambiente;
•
Valorização estética da zona envolvente à área de intervenção da estratégia de
turismo. Como tal, a requalificação de alguns dos equipamentos existentes na
26
Meinedo – uma proposta de Planeamento
área envolvente à nossa área de acção irá sofrer uma valorização estética
acentuada;
•
Necessidade de um instrumento de valorização ambiental numa zona algo
degradada de forma a tornar a população mais consciencializada em relação aos
aspectos ambientais;
•
Com a implementação desta estratégia de turismo e com o previsível sucesso da
mesma, esta área poderá tornar-se bastante apetecível para a população mais
jovem se fixar e poderão surgir novas actividades, ligadas ou não à actividade
turística;
•
Com o aumento da densidade urbana, torna-se necessário haver uma mancha
verde de forma a harmonizar a área de estudo;
•
A existência de uma estratégia de turismo bem sucedida e com a actividade
turística a funcionar, vai haver uma maior visibilidade da região a nível regional
/ nacional;
•
A possibilidade de funcionamento de um museu ambiental ou de um
equipamento com essas características poderá fomentar a cultura nesta região e o
aumento das preocupações ambientais;
•
Com a requalificação ambiental da nossa área de estudo, vai haver uma
preservação da biodiversidade característica desta região.
Pelas razoes já mencionadas, podemos concluir que a elaboração de uma
estratégia de turismo ambiental, como complemento à Rota do Românico do Vale do
Sousa, tornando-a mais apetecível / completa para o visitante, será uma estratégia de
desenvolvimento sustentável indispensável, de forma a melhorar a qualidade de vida das
populações e organizar espacialmente toda uma região onde impera a desorganização
territorial. A sua implementação e o seu potencial sucesso irá trazer oportunidades
económicas relevantes, tornando este território numa região social e economicamente
apetecível para os habitantes e visitantes.
27
Bibliografia
Livros:
•
BAPTISTA, Mário (1997). Turismo – Competitividade Sustentável. Lisboa,
Verbo
•
CAMPBELL, Bernard (1982). Ecologia Humana. Lisboa, Edições 70
•
FADIGAS, Leonel de Sousa (1993). A natureza na cidade, uma perspectiva
para a sua integração no tecido urbano. Tese de Doutoramento em
Planeamento Urbanístico, faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de
Lisboa, Lisboa
•
FOSTER, Douglas (1992) Viagens e Turismo – Manual de Gestão. Lisboa,
Cetop
•
HENRIQUES, A.G. (1991). Processo de AIA (Avaliação de Impacte
Ambiental). LNEC
•
VÁRIOS (1994). Plano Nacional da Política do Ambiente. Versão preliminar
para discussão pública, Lisboa, M.A.R.N.
•
VÁRIOS (1996). Lousada – Terra Prendada. Paços de Ferreira. Anégia
Editores
Sites:
•
www.monumentos.pt
1
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