PROGRAMA DE FORMAÇÃO – ROTA DO ROMÂNICO DO VALE DO SOUSA II Curso de Pós-Graduação de Turismo, Ordenamento e Gestão do Território Universidade Fernando Pessoa Meinedo Uma proposta de Planeamento Autor: Hélder Cesário Leal da Costa Orientador: Dr. Carlos Ferreira Novembro de 2006 Índice Capítulo I – Introdução 1.1. Preâmbulo 1 Capítulo II – Caracterização de Meinedo 2.1. Meinedo – Zona de História 3 2.2. Enquadramento geográfico e demográfico de Meinedo 4 2.3. Análise SWOT 6 Capítulo III – Área de intervenção em Meinedo 8 3.1. Infra-estruturas 8 3.2. Recepção 9 3.3. Igreja Matriz e Ponte de Espindo 8 3.4. Quinta 9 3.5. Ponte Romana 10 3.6. Corredor Ecológico 10 3.7. Trilhos 11 3.8. Parque de campismo 12 3.9. Parque de Lazer Domingos Ferreira 12 3.10. Sinalização 12 Capítulo IV – Enquadramento teórico 4.1. O turismo como factor de desenvolvimento local e/ou regional 14 4.2. Ecoturismo – Uma tendência de futuro 19 Capítulo V – Considerações Finais 23 Bibliografia Índice de figuras • Figura n.º 1 – Enquadramento Geográfico de Meinedo 4 • Figura n.º 2 – A vila de Meinedo e seus limites 5 • Figura n.º 3 – Limites de intervenção da proposta 9 • Figura n.º 4 – Centro de Interpretação 10 • Figura n.º 5 – Igreja Matriz de Meinedo 11 • Figura n.º 6 – Ponte de Espindo 11 • Figura n.º 7 – Exemplo de Sinalização 1 11 • Figura n.º 8 – Exemplo de Sinalização 2 11 • Figura n.º 9 – Foto da casa da Quinta 12 • Figura n.º 10 – Paisagem na Quinta 12 • Figura n.º 11 – Ponte Romana 12 • Figura n.º 12 – Praia Fluvial 12 • Figura n.º 13 – Caminho junto ao rio 13 • Figura n.º 14 – Trilho 13 • Figura n.º 15 – Trilho 13 • Figura n.º 16 – Proposta de distribuição de trilhos 14 • Figura n.º 17 – Parque de Lazer 15 • Figura n.º 18 – Parque de Lazer 15 • Figura n.º 18 – Sinalização / informação 16 • Figura n.º 19 – Sinalização 16 Meinedo – uma proposta de Planeamento 1.1 Preâmbulo A tranquilidade que se vive em Meinedo é contagiante e dá vontade de ficar pela vila do concelho de Lousada por mais tempo. Terra de gente simples e hospitaleira, a localidade tem como principal "cartão de visita" a Igreja de Meinedo, que conta as muitas histórias desta área, com séculos de história. Os visitantes podem encontrar ali um valioso património edificado, onde sobressai a Igreja de Meinedo, a Ponte de Espindo e um conjunto de edifícios de riqueza arqueológica e as suas características naturais. A vila assume uma relação intensa com a paisagem envolvente e parece esconder um património arqueológico interminável. A região envolvente à Igreja de Meinedo possui potencialidades de se desenvolver em termos turísticos, de modo a atenuar os efeitos negativos da interioridade. É necessário assegurar as vantagens comparativas permitidas pelas especificidades próprias, buscando novas procuras turísticas dirigidas para o turismo de natureza e aventura, o turismo cultural, o Ecoturismo, o turismo em espaço rural ou o turismo desportivo. Seguindo esta ordem de ideias, deve encarar-se o turismo como a aposta estratégica deste território, o qual potenciará a dinamização das actividades económicas. É, contudo, crucial encarar-se esta aposta estratégica de modo sustentado e planeado. Não se deseja elaborar apenas mais um projecto. É nossa intenção conceber um plano estratégico inovador, que transforme esta região numa região com procura turística e como complemento à Rota do Romântico do Vale do Sousa. Foi com o propósito de conceber uma estratégia de desenvolvimento turístico para a região de Meinedo, no concelho de Lousada, que partimos nesta aventura. Meinedo, freguesia com pouco mais de quatro mil habitantes, com poucos recursos e equipamentos que possam possibilitar a visita dos turistas, desfruta, no entanto, de uma grande riqueza arquitectónica e ambiental, permitindo aos visitantes momentos únicos de fascínio. Assim, na área circundante a Meinedo existem diversos monumentos que poderiam servir de “Monumentos âncora” para atrair os turistas: Igreja de Meinedo, Ponte de Espindo (espaços requalificados e englobados na Rota do Românico do Vale do Sousa), Mosteiro e Aqueduto de Bustelo (pertencentes à freguesia de Bustelo, 1 Meinedo – uma proposta de Planeamento concelho de Penafiel, que devido à proximidade geográfica, podem servir para complementar a nossa proposta). Existem ainda uma série de equipamentos que poderão servir de complementaridade a estes monumentos e que transformam a nossa área de estudo apetecível em termos turísticos: Quinta da Eira, Parque de Merendas e Zona de Desportos Radicais em Bustelo, na zona envolvente ao Mosteiro de Bustelo; Quinta de Cedovezas, Casa de Ronfe, Ponte Romana, Parque de Lazer Domingos Ferreira, Quinta de Vila Fria, além de uma série de trilhos que poderão funcionar como uma mais valia para a proposta turística se puderem ser aproveitados para percursos pedestres e integrados em roteiros turísticos, isto na área envolvente à Igreja de Meinedo. Todos estes equipamentos existem numa área geográfica relativamente próxima à Igreja de Meinedo e poderão ajudar a delimitar a nossa área de intervenção. Realizamos algumas visitas ao nosso local e deparamo-nos com a riqueza desta região e as suas incríveis possibilidades para desenvolvimento de actividades de foro turístico. As fotos apresentadas nesta monografia comprovam que esta é uma região com grande potencial para o Ecoturismo e para o turismo cultural. Com as diversas visitas que realizamos ao local de estudo, bem como as pesquisas que efectuamos junto das entidades competentes da região é que nos deparamos com a enorme potencialidade turística da vila. Aproveitar o desenvolvimento turístico que a Rota do Românico do Vale do Sousa poderá trazer para a região será algo de muito benéfico para a região e estabelecer Meinedo como um destino turístico de excelência dentro do panorama regional onde a freguesia se encontra poderá ajudar Meinedo a tornar-se a médio prazo um destino turístico de características únicas em Portugal, onde possa englobar o ecoturismo e o turismo cultural na mesma oferta turística. 2 Meinedo – uma proposta de Planeamento 2.1. Meinedo – Zona de História Meinedo foi um povoado importante, cuja história nos remete para as épocas anteriores à fundação da nossa nacionalidade. Com a romanização dos povos, apareceram novos povoados nas terras mais propícias à agricultura, forçando as pessoas a abandonar os povoados fortificados nas terras altas e a fixarem-se nas terras dos vales. Fica situada na região do Vale do Sousa, sendo atravessada pelo rio do mesmo nome, pela estrada 320 que liga Penafiel a Lousada e ainda pela linha-férrea do Douro que liga a vila à cidade do Porto. Mas Meinedo era já um importante povoado na antiguidade, sendo já descrita a sua importância em épocas anteriores à própria nacionalidade. De facto, registos apontam para Meinedo, sede do bispado de Meinedo, documentado em 569, aquando do concílio de Lugo e que perdurou pelo menos até 589 (III Concilio de Toledo). De realçar que São Martinho de Dume terá chegado à região por volta de 550. (Vários, 1996) Em 1131, D. Afonso Henriques fez uma dação da Igreja de Santo Tirso de Meinedo ao bispo do Porto, sendo que Santo Tirso poderá mesmo ter sido Bispo de Meinedo, local onde terá sido martirizado. A Igreja Matriz de Meinedo sofreu bastantes alterações e da edificação inicial resta apenas um belo portal em estilo gótico, a talha do Arco Cruzeiro e o tecto do Altar-mor. Terá sido uma Igreja de Mosteiro do séc. VI, talvez mesmo uma fundação do próprio mártir Santo Tirso. A norte da Igreja Matriz de Meinedo, no lugar de Casais, poderá ter sido o local de uma “Villa” romana com alguma importância na região, atestado por alguns documentos encontrados no lugar. Do espólio conhecido em Meinedo, de origem romana, constam uma Ara, ou Altar de obrigação na residência principal da “Villa” romana, um sistema de canalização de águas e um tanque para lava-pés. Da época Suévica, existe um capitel e um sarcófago, talvez pertencentes à antiga Igreja existente no local. (Vários, 1996). 3 Meinedo – uma proposta de Planeamento Enquadramento Geográfico e Demográfico de Meinedo A vila de Meinedo localiza-se no concelho de Lousada, distrito do Porto. De acordo com as Nomenclaturas de Unidades Territoriais para fins estatísticos (NUTS), o concelho de Lousada insere-se na NUTS I no Continente, na NUTS II na Região Norte e na NUTS III na Região do Tâmega (Figura n.º 1). Figura nº 1 – Enquadramento regional de Meinedo Fonte: www.guiadeportugal.pt De uma forma muito sucinta podemos dizer que Lousada é uma cidade, sede de concelho, situada no distrito de Porto. O concelho de Lousada possui uma área de 96,00 Km2, cerca de 44 321 habitantes (XIV Recenseamento Geral da População, 2001) e é constituído administrativamente por 25 freguesias. A saber: Alvarenga, Aveleda, Barrosas (Santo Estevão), Boim, Caíde de Rei, Casais, Cernadelo, Covas, Cristelos, Figueiras, Lodares, Lousada (Santa Margarida), Lousada (São Miguel), Lustosa, Macieira, Meinedo, Nespereira, Nevogilde, Nogueira, Ordem, Pias, Silvares, Sousela, Torno; Vilar do Torno e Alentem. A vila de Meinedo possui uma área de 8,43 Km2 e uma população de 4225 habitantes em 2001 (XIV Recenseamento Geral da População, 2001). A vila de Meinedo situa-se no extremo sudeste do concelho de Lousada, a cerca de 5 Km da sede do concelho, tendo por limites as freguesias de Caíde de Rei a Este, Aveleda e Pias a Norte, Boim a Oeste e pelo concelho de Penafiel a Sul. Na figura n.º 2 podemos ver a vila de Meinedo e os seus limites. 4 Meinedo – uma proposta de Planeamento Figura n.º 2 – A vila de Meinedo e seus limites Fonte: Carta Militar de Portugal, folha 112, escala 1 / 25000, Instituto Geográfico do Exército 5 Meinedo – uma proposta de Planeamento Análise SWOT Após o diagnóstico efectuado sobre a matriz territorial, sobre a actividade e o potencial turístico da região de Meinedo, foi possível elaborar a análise SWOT (SWOT: Strenghts, Weaknesses, Opportunities, Threats) que a seguir se apresenta, na qual se sumariam os pontos fortes, fracos, oportunidades e ameaças que pendem sobre o desenvolvimento turístico desta Região. Pontos Fortes: • Boa acessibilidade rodo-ferroviária; • Proximidade a pólos turísticos importantes (Porto, Braga...); • Eventos de carácter tradicional (Presépio ao vivo no Mosteiro de Bustelo); • Rio Sousa; • Património natural e paisagístico (paisagens, relevo notável, carácter rural da região, etc.); • Património cultural e histórico (ponte românica de Espindo, Igreja Matriz de Meinedo, etc.); • Oferta gastronómica diversificada e de reconhecida qualidade; Pontos Fracos: • Fraca imagem territorial; • Desordenamento territorial; • Dificuldade e morosidade nos grandes eixos de acesso e circulação; • Reduzida oferta de alojamento e, por vezes, pouco satisfatória; • Falta de recursos humanos qualificados no sector, o que provoca debilidades na concepção do produto turístico e na prestação de serviços; • Degradação do património natural e construído; • Deficiente sinalização; Ameaças: • Concorrência das outras áreas rurais do Vale do Sousa; • Dificuldade em afirmar o destino turístico nos principais mercados internacionais, dada a sua dimensão relativa; 6 Meinedo – uma proposta de Planeamento • Oferta turística diversificada; • Baixo nível de sensibilização da população para as oportunidades do turismo enquanto motor para o desenvolvimento; Oportunidades: • Aumento da indústria turística e da sua importância dinamizadora no contexto rural; • A dinâmica que a Rota do Românico do Vale do Sousa poderá originar em toda a zona do Vale do Sousa; • Existem novos padrões de consumo e motivações dentro do mercado turístico, privilegiando destinos que ofereçam experiências diversificadas (Cultura, Património, Natureza, Gastronomia, Desporto...); • Requalificação dos monumentos e arranjos urbanísticos; • Nova acessibilidade (A42); • Emergência dos corredores ecológicos; • Dinamização do património construído (quintas, casas senhoriais.) 7 Meinedo – uma proposta de Planeamento Área de Intervenção em Meinedo O principal objectivo do nosso trabalho é a apresentação de uma proposta de criação de um roteiro complementar à Rota do Românico do Vale do Sousa, de forma a dar ao possível turista mais razões para visitar a região do Vale do Sousa. Serve este projecto para dar outra dimensão à região de Meinedo, no concelho de Lousada. Também esta vila milenar se encontra englobada no projecto da Rota do Românico do Vale do Sousa, com a Igreja Matriz de Meinedo e a Ponte de Espindo. Foi então nosso propósito juntar o património histórico existente na vila de Meinedo com algumas infra-estruturas existentes na região, de forma a podermos criar uma pequena rota turística complementar. Após caracterizarmos a área de implantação do nosso projecto e de criarmos uma fundamentação teórica que justifique a nossa intervenção, é altura para conhecer mais a fundo o projecto. Analisando em pormenor o terreno e visto este ser propício para a exploração florestal e turística, concluímos que este projecto será de grande utilidade para esta área. A falta de um correcto ordenamento de território nesta zona, em conjunto com a necessidade de apostar em novas alternativas para o desenvolvimento da região e aproveitando a criação da Rota do Românico, faz-nos crer que esta estratégia de ecoturismo em conjunto com turismo cultural possa permitir o desenvolvimento de toda esta região. Os possíveis problemas ambientais existentes na vila de Meinedo obrigam a uma intervenção cuidada em termos ambientais de forma a não criar feridas na paisagem. A criação de um “pulmão” poderá atenuar os efeitos maléficos da industrialização. Poderemos ver os limites de intervenção do nosso projecto, bem como algumas dos equipamentos já existentes na figura n.º 3. Infra-estruturas Propomos a criação de algumas infra-estruturas de suporte para esta Zona de Intervenção, bem como a requalificação de algumas infra-estruturas já existentes. No seguimento da intervenção já efectuada junto aos monumentos englobados na Rota do Românico (Igreja Matriz de Meinedo e ponte de Espindo), é necessário para o sucesso 8 Meinedo – uma proposta de Planeamento Figura n.º 3 – Limites de intervenção da proposta 9 Meinedo – uma proposta de Planeamento deste projecto a requalificação de algumas infra-estruturas particulares mas que trarão muitas mais-valias para o sucesso deste projecto. Recepção Em primeiro lugar é necessário a criação de uma recepção, de preferência junto à Igreja Matriz de Meinedo. Este local goza de alguma centralidade, visto que é facilmente acessível facilmente de carro, bem como fica junto à estação de caminhosde-ferro, outra das formas para chegar a região. Existe um edifício já criado junto à Igreja Matriz de Meinedo, criada com a intenção de ser um possível Centro de Interpretação. Pensamos que a criação do edifício de recepção da Rota poderá ser no mesmo edifício ou nas imediações. Este edifício funcionaria como recepção, como balcão de informações com artigos tradicionais expostos e relacionados com a região, como salão com painéis interpretativos, como museu tradicional, etc. (figura n.º 4). Figura n.º4 – Centro de Interpretação Igreja Matriz de Meinedo e Ponte de Espindo São dois monumentos de características românicas, englobadas já na Rota do Românico do Vale do Sousa (figuras n.º 5 e n.º 6). O seu estado de conservação é bom, visto que sofreram intervenções recentemente. No entanto, é necessário a criação de maior interactividade entre estes monumentos e os equipamentos criados ou a criar para este projecto. Para isso é necessário a existência de painéis informativos junto de cada um dos monumentos de forma a dar a conhecer quer a proposta de rota de Meinedo 10 Meinedo – uma proposta de Planeamento como a Rota do Românico. Dois exemplos desses painéis informativos poderão ser visto nas figuras 7 e 8. Figura n.º 5 – Igreja Matriz de Meinedo Figura n.º 6 – Ponte de Espindo Figura n.º 7 – Exemplo de Sinalização 1 Figura n.º 8 – Exemplo de Sinalização 2 3.4. Quinta A cerca de 1000 metros da Igreja Matriz de Meinedo existe uma propriedade de cerca de 20 hectares, onde existem algumas infra-estruturas em ruínas, como uma casa (figura n.º 9) que poderia funcionar como centro de educação ambiental, centro de interpretação ou mesmo museu ambiental. Além dessa casa, existe outra, perto da ponte romana que poderia funcionar como centro de restauração e dar apoio para os visitantes. Outra característica desta propriedade é a grande quantidade de trilhos naturais existentes, bem como uma grande quantidade de paisagens naturais (figura n.º 10) que poderão permitir ao turista o contemplar da paisagem e o aproveitamento para fugir da agitação citadina e caminhar por entre os diversos trilhos existentes. 11 Meinedo – uma proposta de Planeamento Figura n.º 9 – Foto da casa na Quinta Figura n.º 10 – Paisagem na Quinta 3.5. Ponte romana Existe perto da quinta uma ponte, de cariz romana, bem como uma pequena praia fluvial que, se bem aproveitada poderá trazer uma mais-valia à área, além do facto de existir a já citada casa na quinta que poderá servir de apoio a esta área de intervenção (figuras n.º 11 e 12). Esta ponte está em ruínas e precisa de intervenção especializada, enquanto que a praia fluvial necessita apenas de uma intervenção ao nível dos acessos. Figura n.º 11 – Ponte Romana Figura n.º 12 – Praia Fluvial 3.6. Corredor Ecológico Entre a ponte romana e a ponte de Espindo (monumento englobado na Rota do Românico) são cerca de 1000 metros, que poderão ser requalificados. O Rio Sousa é conhecido pela sua beleza natural e poderá ser requalificado, permitindo a criação de um percurso pedonal ao longo das suas margens, além de haver a possibilidade de 12 Meinedo – uma proposta de Planeamento criação de uma ciclovia na área, ao longo do rio, de maneira a criar mais uma actividade complementar a Rota (figura n.º 13) Figura n.º 13 - Caminho junto ao rio 3.7. Trilhos Dentro da quinta existem um sem número de trilhos que poderão ser aproveitados para a criação de caminhos pedonais, tão do agrado do turista ambiental. Alguns dos trilhos já existentes não necessitam de quaisquer intervenção, pois o seu estado de conservação é bastante satisfatório, no entanto existem trilhos que necessitam de intervenção. Entre a ponte romana e a ponte de Espindo, bem como entre a Ponte romana e a Igreja Matriz existem pequenos trilhos, que poderão ser aproveitados também para a criação de caminhos (figuras n.º 14 e n.º 15). Uma proposta de distribuição dos trilhos poderá ser vista na figura n.º 16) Figura n.º 14 – Trilho Figura n.º 15 – Trilho 13 Meinedo – uma proposta de Planeamento Figura n.º 16 – Proposta de distribuição de trilhos Legenda: _____ Área de Intervenção _____ Trilhos a serem implementados 14 Meinedo – uma proposta de Planeamento 3.8. Parque de Campismo Ainda dentro da quinta existe ainda uma área onde poderá funcionar um parque de campismo com uma boa capacidade de alojamento, permitindo assim outra forma de acomodação para o turista. 3.9. Parque de Lazer Domingos Ferreira A sudeste da Igreja Matriz de Meinedo, a cerca de 500 metros existe um equipamento já construído, onde podemos encontrar um parque de lazer, com equipamentos lúdicos, zona para piqueniques, churrasco e para desportos de ar livre. Com efeito, esta é uma infra-estrutura relativamente recente, em bom estado de conservação e que, se bem interagido com a rota, poderá funcionar como complemento à rota (figuras n.º 17 e n.º 18). Figura n.º 17 – Parque de lazer Figura n.º 18 – Parque de lazer 3.10. Sinalização É necessário a criação de painéis informativos junto a alguns equipamentos a serem criados para que o possível turista/visitante possa compreender a realidade que o circunda. Essa informação torna-se essencial para a compreensão do visitante em relação às espécies existentes na zona, além da informação da rota para que seja o próprio turista a escolher o seu itinerário, caso não queira seguir o guia feito pela organização do Projecto. 15 Meinedo – uma proposta de Planeamento Mesmo junto à fauna existente no local, poderá, por vezes, existir painéis informativos como se de um parque natural se tratasse. Poderemos ver um exemplo dessa sinalização nas figuras n.º 19 e n.º 20), (adaptado do Parque Biológico de Gaia). Figura n.º 19 – Sinalização / Informação Figura n.º 20 – Sinalização 16 Meinedo – uma proposta de Planeamento 4.1. O Turismo como factor de desenvolvimento local e/ou regional O turismo permite às pessoas experimentar algumas das alegrias, excitações e novidades de outros mundos, outros países e culturas. Torna real um sonho ou uma fantasia por determinado período de tempo. Segundo Foster, “(…) os motivos básicos, primitivos da Humanidade são o medo, o desejo, o amor e a cobiça, mas existe também a necessidade de estímulo através da mudança, excitação e novidade, realizando algo diferente. As viagens e o turismo podem fornecer esse estímulo”. Cada vez mais o turismo se tornou numa das áreas de maior expansão no mundo, apesar que ainda hoje esta actividade não possuir a importância que deveria ter na nossa sociedade. Sendo considerado ainda um fenómeno recente, pós-Segunda Guerra Mundial, o turismo é ainda muito associado ao lazer e ao descanso. O conceito de turismo é um pouco controverso segundo os vários autores que tratam desse assunto. Segundo Baptista (1997), “(…) a falta de uma definição precisa de turismo não só coloca problemas em determinadas situações, como constitui um sério obstáculo quando estão envolvidas questões como a medição da sua dimensão como uma indústria”. Com efeito, o turismo está relacionado com as viagens, no entanto nem todas as viagens são consideradas como turismo. De acordo com a Associação Internacional dos Peritos Científicos do Turismo (cit. in Baptista, 1997), podemos definir turismo como “o conjunto de relações e fenómenos produzidos pelo deslocamento e permanência de pessoas fora do seu local habitual de residência, desde que esses deslocamentos e permanência não sejam motivados por uma actividade lucrativa principal, permanente ou temporária”. A problemática da definição de turismo pode ainda ser encarada numa perspectiva antropológica. Com efeito, turismo pode ser definido “(…) como fenómeno humano e social que constituirá no deslocamento de pessoas, provisório e limitado no tempo, de forma a que tal não implique a transferência do local habitual de vivência , tendo como causa fundamental motivações diversas (que poderão ir do simples lazer aos aspectos de ordem profissional) e que tem subjacente, ao aproveitamento dessa deslocação, um misto de evasão do ser humano no seu próprio etno-ecossistema em que está inserido, por um lado, e, por outro, a resultante da descoberta de elementos novos 17 Meinedo – uma proposta de Planeamento de outros meios e culturas, que de forma mais ou menos vincada não deixarão de produzir efeitos de aculturação e/ou enculturação no campo dos costumes e mesmo de ideias” (Baptista, 1997). Segundo Douglas Foster, “(…) as atracções abrangem não só os elementos naturais (paisagem da terra e do mar, o clima e factores ecológicos) mas também os elementos feitos pelo homem (actividades culturais, lugares e edifícios históricos). Os serviços de apoio incluem a infra-estrutura e a superestrutura da área (alojamento, transporte local, estradas, caminho de ferro, aeroportos e outros serviços públicos. A acessibilidade é avaliada não apenas pelo tempo que se leva a chegar à estância mas também pelos meios de transporte existentes (ar, mar, via férrea, estrada) e o grau de conforto (por exemplo o uso de avião mais pequeno ou jactos espaçosos)”. O turismo alternativo é tido como uma importante forma de turismo nos países em vias de desenvolvimento, pois os turistas estão muitas vezes interessados em atracções específicas, nomeadamente animais, montanha, locais culturais e pessoas, não só em termos de motivações e atracções como, principalmente, no que diz respeito ao relacionamento entre elas (Baptista, 1997). Entre os diversos tipos de turismo alternativo, Baptista (1997) destaca: • O turismo étnico onde o turista interage com os residentes locais visitando as habitações e observando a rotina diária, bem como participando em certos acontecimentos rituais locais; • O turismo cultural onde o turista observa os estilos de vida passados representados através de desempenhos e festivais; • O turismo histórico onde o turista visita museus, monumentos e ruínas que detenham alguma importância histórica; • O turismo ambiental onde o turista viaja para uma área remota de interesse paisagístico para apreciar a natureza no seu aspecto mais puro. Pode ser entendido também como turismo ecológico ou ecoturismo. Os recursos naturais são insuficientes para garantir a permanência dos viajantes. Torna-se, então, necessária a construção de equipamentos que, por um lado, permitam a deslocação dos turistas (transportes, organização de viagens, etc.) e, por outro, assegurem a permanência dos turistas na área (alojamentos, restaurantes, etc.). Sem 18 Meinedo – uma proposta de Planeamento existirem estes equipamentos necessários, não poderá haver actividade turística, logo não pode existir turismo. Quando o cidadão se encontra fora da sua residência habitual começa a ter certas necessidades adicionais, como ocupação dos tempos livres, o que obriga à construção de novos equipamentos funcionais bem como à produção de outros bens e serviços, criando assim um vasto leque de ofertas destinadas à satisfação da procura turística. Cada vez mais o turismo está incluído nas políticas económicas de todos os países, regiões e municípios, devido ao movimento financeiro decorrente desta actividade. Com efeito, o turismo é considerado uma actividade que transforma o espaço, funcionando como um organismo em constante mudança e capaz de funcionar como motor para a economia. Esta actividade poderá aproveitar os bens da natureza sem os consumir nem esgotá-los, empregar uma grande quantidade de mão-de-obra, gerar grandes quantidades de dinheiro que poderá ajudar as economias nacionais e locais, valorizar os recursos naturais e imóveis e poderá impulsionar outros sectores produtivos como o comércio e a construção civil. Com o aumento da circulação do dinheiro, do movimento de pessoas, da oferta de empregos, do consumo de bens e serviços e com o aparecimento de empresas directa ou indirectamente ligadas ao turismo (hotéis, restaurantes, agências de viagens, companhias de transportes, etc.), o turismo torna-se numa actividade económica de extrema importância na sociedade actual. Além de todas as vantagens inerentes ao turismo, existe algo que é necessário salientar: com o aumento de turistas e da importância económica da sua vinda, os poderes locais irão dotar os locais turísticos das infra-estruturas necessárias para satisfazer as necessidades daqueles, como boas vias de comunicação, sinalização, recolha de lixos, redes de água e esgotos, telecomunicações, tratamento de resíduos sólidos, serviços de saúde, instalações de desporto, diversão e recreio, alimentação e outros bens de consumo imediato ou duradouro, etc. Nos nossos dias, o turismo ganhou uma importância extrema, sendo utilizado como meio para o desenvolvimento local e/ou regional, tornando-se objecto de desejo por parte das várias regiões e governos. Cada vez mais os governos apostam no desenvolvimento do turismo como alternativa a certas indústrias para o desenvolvimento das regiões. Além disso, o desenvolvimento de uma indústria turística evita que haja uma rápida degradação da paisagem, do meio ambiente e uma perda de certas culturas tradicionais, além de possibilitar de dinamização económica de algumas 19 Meinedo – uma proposta de Planeamento regiões. Com efeito, mesmo que determinada região não tenha potencial turístico, podese desenvolver graças ao turismo, basta que para isso, forneça bens que poderão ser consumidos pelos turistas (produtos agrícolas, artesanais, industriais, alimentos, mãode-obra especializada, entre outros). Assim, ao mesmo tempo que o turismo se desenvolve, outros aspectos sociais e económicos são desenvolvidos, como por exemplo, a construção civil, a industria alimentar, banca, comércio, obras públicas, etc. Com o aumento da presença de turistas, vai aumentar também toda uma indústria ligada aos transportes, como transportes públicos, mecânicos, postos de gasolina, construção de estradas, etc. Outro sector que sofre um desenvolvimento considerável é a cultura e a diversão, onde, devido à presença de mais população, será necessário haver mais teatros, cinemas, restaurantes, discotecas, bares, equipamentos desportivos, portanto, toda uma série de equipamentos que poderão providenciar ao turista elementos de animação. Tal como argumenta Baptista, (1997), “(…) as atracções culturais referidas não podem ser oferecidas como componentes de um produto turístico se não estiverem acessíveis, adequadamente recuperadas, conservadas, assinaladas e associadas a uma rede de alojamentos, restaurantes, lojas de recordações, sistemas de animação complementar, etc., tudo em sintonia com a imagem de cada uma dessas atracções”. O turismo pode funcionar também como uma forma de preservação do meio ambiente, visto que pode justificar a preservação e a existência de parque naturais, que de outra forma poderia estar condenada ao abandono por parte da população local. Outro aspecto importante é o facto do turismo poder ajudar a preservação de locais históricos e arqueológicos, possibilitando a viabilidade financeira de certas actividades, que de outra forma poderiam deixar de existir por falta de dinheiro. O turismo pode trazer também consigo preocupações ambientais, visto ser objectivo dos poderes locais dar um bom aspecto a quem visita a região. A estética das construções na região pode ser também alterada, passando a haver regras rígidas em relação a certas construções e actividades que incidam sobre o espaço natural. Em conclusão, podemos reafirmar o papel cada vez mais importante do turismo, quer nos seus aspectos económicos, quer sociais, na nossa sociedade. O turismo pode tornar-se um excelente motor para o desenvolvimento de determinada região e uma forma de criar possibilidades para uma revitalização da identidade cultural, da preservação dos bens culturais e de um grande número de tradições ancestrais. Em 20 Meinedo – uma proposta de Planeamento suma, as actividades turísticas geram mecanismos de sustentabilidade e espaços propícios às expressões culturais, bem como dinamiza economicamente as regiões. 21 Meinedo – uma proposta de Planeamento 4.2. Ecoturismo – Uma Tendência de futuro! Na planificação das actividades económicas, muito raramente têm sido considerados os aspectos ambientais com suficiente peso. Assim, em vez de se promover o efectivo desenvolvimento, planeiam-se acções economicamente tidas como correctas, mas com um impacto muitas vezes desastroso sobre o meio. Estas acções darão origem apenas a um crescimento económico imediato mas fictício, por estar fora da gestão equilibrado dos recursos naturais. A qualidade de vida das populações será necessariamente agravada, já que depende, não só da satisfação dos interesses económicos, mas também da manutenção e correcto funcionamento do ecossistema global onde o Homem se encontra integrado. Para que se processe o desenvolvimento económico, haverá que respeitar as relações do Homem com o meio em que vive e assegurar igualmente uma gestão equilibrada dos recursos naturais, sejam ou não renováveis. Surge assim a necessidade de procurar estabelecer um efectivo paralelismo entre a procura sobre o meio expressa pela planificação económica e a oferta do meio, definida pela planificação biofísica. A resultante das propostas económicas e biofísicas, poderá então ser compatibilizada com as opções sociais e políticas através da elaboração do ordenamento territorial. O sucesso de uma política de desenvolvimento sustentável passa pela capacidade de encontrar formas de cooperação entre as políticas sectoriais e a política do ambiente. Estas formas de cooperação devem ser parte da formulação da própria política sectorial, de forma a distinguir formas e processos de actuação, desenvolver instrumentos e incentivos e, sobretudo, criar novas mentalidades nos decisores, nos executores e nos agentes económicos do sector. L. Fadigas defende que “(…) os aspectos ligados à integração dos valores naturais no tecido urbano existente ou em expansão, a expressão, o uso e a localização dos espaços verdes e de recreio de ar livre, a gestão racional dos recursos naturais disponíveis, bem como a salvaguarda e potencialização dos valores cénicos da paisagem, constituem novos referenciais do planeamento urbanístico e do Ordenamento e Gestão do Território”. 22 Meinedo – uma proposta de Planeamento A actividade turística tem um enorme potencial no que diz respeito ao desenvolvimento socio-económico de determinada região, se estiver relacionada com um planeamento adequado às características físicas, biológicas, sociais e económicas do local. No entanto, para melhor receber os turistas, muitas das vezes transformam-se florestas e boas terras de cultivo em campos de golfe, muitas vezes devastam-se falésias para se poder construir grandes empreendimentos turísticos, com vista para o mar, destroem-se montanhas e planícies para satisfazer as necessidades dos turistas e destróise a fauna e a flora que poderá nunca ser reposta. Mas é possível encarar o turismo de forma diferente. É possível associar princípios ambientais e de responsabilidade ao turismo enquanto actividade económica. É um tipo de turismo mais vocacionado para os princípios ecológicos, para a preservação da natureza e para a contemplação, mas sem deixar de parte os valores económicos, tão necessários para a sustentabilidade da actividade. O ecoturismo é uma forma de turismo que tem em consideração não só o desenvolvimento económico de determinada região como também a valorização e protecção dos recursos naturais. É um turismo sustentável, integra a valorização do património histórico, cultural e natural, a componente económica e uma forte participação das entidades locais. De facto, e conforme Baptista (1997) argumenta, “(…) o turismo ambiental orienta-se para actividades em áreas remotas de interesse paisagístico; pode também designar-se por turismo ecológico ou ecoturismo, referindo-se a turistas que viajam para um determinado sítio natural, tendo apenas em conta a amenidade e o valor recreativo resultantes do contacto com alguns aspectos do mundo natural”. Esta forma de turismo está vocacionada para a apreciação dos ecossistemas1 no seu estado natural e tem um importante papel na preservação dos mesmos e para o desenvolvimento da economia local, melhorando a qualidade de vida das populações. Estes ecossistemas são resultado da adaptação da Natureza humana e têm, actualmente, 1 Em 1991, Henriques define ecossistema como “a unidade ecológica incluída na biosfera composta por elementos vivos, animais e vegetais (cujo agrupamento se designa por biocenose), pelos elementos inertes (cujo agrupamento se designa por biótopo) e pelas relações que se estabelecem entre si: os ecossistemas são sistemas dinâmicos, caracterizados por espécies vivas produtoras e consumidoras, e outras exclusivamente consumidoras, no quadro das cadeias alimentares” (Henriques, 1991) 23 Meinedo – uma proposta de Planeamento um grande interesse ecológico e antropológico e a sua correcta interpretação permite a implementação de actividades de Educação Ambiental2 e de Ecoturismo. Esta forma de turismo é promovida como sendo uma forma de praticar turismo em pequena escala, mais activa e intensa do que outras formas de turismo, onde é salvaguardada a importância da ecologia3, da educação ambiental e do desenvolvimento sustentável, onde a importância das infra-estruturas é menor e existe menos agressões ao meio ambiente. O ecoturismo não se limita apenas a preservar o meio natural, é um conceito muito mais alargado, onde o Homem é convidado a interagir com a natureza, a respeitala e a preserva-la. É uma forma de turismo que leva o Homem a fugir dos centros urbanos e a refugiar-se junto à Natureza. Com a implementação do Ecoturismo, essa região vai sofrer um desenvolvimento económico muito acentuado e vai modificar toda a economia local, tornando-se a principal fonte de rendimento dos habitantes, muitas vezes ainda ligados à agricultura tradicional. A região vai desenvolver-se através de investimentos na construção de alojamentos (hotéis, pousadas) capazes de satisfazer as necessidades dos turistas, restaurantes, infra-estruturas necessárias como telecomunicações, tratamento de resíduos sólidos, sinalização, boas vias de comunicação, recolha de lixos, redes de água e esgotos, serviços de saúde, instalações de desporto, diversão e recreio, alimentação e outros bens de consumo, etc., além da possibilidade de valorizar o património natural local. Este desenvolvimento poderá trazer também desvantagens como o aumento da quantidade de pessoas na região o que poderá acarretar problemas como o crescimento da produção de resíduos e maior geração de tráfego rodoviário. Só com a extrema precaução por parte dos poderes locais se poderá, pelo menos, amenizar o impacto destes problemas. É nesta altura que a educação ambiental tem a sua importância redobrada, com a sensibilização quer das populações locais quer dos turistas para os 2 “(…) o processo de reconhecimento de valores e de clarificação de conceitos graças aos quais a pessoa humana adquire a capacidade e os comportamentos que lhe permitem interiorizar e apreciar as relações de interdependência entre o Homem, a sua cultura e o seu meio físico, assim como conduzir a uma participação empenhada na construção da qualidade do ambiente” (Plano Nacional da Política de Ambiente, 1994). 3 “A ecologia é o estudo da relação entre uma espécie e o seu meio ambiente global” (Campbell, 1983) 24 Meinedo – uma proposta de Planeamento problemas ambientais e para a necessidade de preservação dos aspectos culturais da região. Apesar de ainda ser um conceito relativamente recente, revela-se já ser uma tendência mundial em crescimento e que responde a várias necessidades das populações desde a procura de conhecimentos através do estudo científico dos ecossistemas até à prática de desportos radicais, passando pelo desenvolvimento económico e social da região. Existem dificuldades para a implementação deste tipo de turismo. É necessário fazer estudos de mercado para determinar quais as actividades que poderão satisfazer os potenciais visitantes e se os turistas poderão deixar de lado alguns dos luxos que detêm nas grandes cidades. Como conclusão, resta afirmar que o ecoturismo ainda se encontra numa fase bastante embrionária, procurando-se actualmente estabelecer as linhas gerais para que esta actividade se torne uma actividade de futuro, capaz de cumprir os objectivos a que foi proposto inicialmente: o desenvolvimento económico e a preservação do ambiente. 25 Meinedo – uma proposta de Planeamento Considerações Finais Aquando da realização desta monografia propusemo-nos elaborar uma proposta de turismo para a zona envolvente à Igreja Matriz de Meinedo. A elaboração de uma estratégia de turismo, aproveitando as condições excelentes, quer ao nível estrutural, quer ao nível natural e aproveitando o facto de esta vila do concelho de Lousada possuir património que faz parte da Rota do Românico do Vale do Sousa, levou-nos às idealização de um projecto que pensamos ter todas as capacidades para ter sucesso. De facto, podemos considerar que a proposta apresentada nesta monografia vai de encontro aos objectivos propostos no início deste projecto. A idealização de uma estratégia de turismo, numa área com enormes potencialidades quer ao nível das infraestruturas existentes quer ao nível de interesse histórico, serviu-nos de princípio para a realização deste projecto. Como conclusão podemos afirmar que a elaboração e a aplicação de uma estratégia de turismo desta dimensão na nossa área de estudo pode ser justificada da seguinte maneira: • Com a implementação da Rota do Românico do Vale do Sousa, será necessário criar estratégias de complementaridade para o turista. Desta forma, é necessário o turista ter uma oferta turística diversificada, de forma a não ficar confinado à Rota do Românico e poder usufruir de outras formas de atracção, como poderá ser o turismo ambiental; • Dada a ocupação actual do local onde se propõe a execução desta estratégia de turismo, sendo essencialmente baldios, ou então ocupados por agricultura com base no minifúndio, sem qualquer tipo de planeamento, de cariz familiar, onde a produção não é muito elevada, pensamos que a requalificação desta área num local de cariz social, com um planeamento cuidado pode tornar este local num lugar mais aprazível; • A necessidade de um “pulmão” verde numa zona que começa actualmente a tornar-se industrializada. É necessário salvaguardar uma área com cariz ainda natural para a preservação do ambiente; • Valorização estética da zona envolvente à área de intervenção da estratégia de turismo. Como tal, a requalificação de alguns dos equipamentos existentes na 26 Meinedo – uma proposta de Planeamento área envolvente à nossa área de acção irá sofrer uma valorização estética acentuada; • Necessidade de um instrumento de valorização ambiental numa zona algo degradada de forma a tornar a população mais consciencializada em relação aos aspectos ambientais; • Com a implementação desta estratégia de turismo e com o previsível sucesso da mesma, esta área poderá tornar-se bastante apetecível para a população mais jovem se fixar e poderão surgir novas actividades, ligadas ou não à actividade turística; • Com o aumento da densidade urbana, torna-se necessário haver uma mancha verde de forma a harmonizar a área de estudo; • A existência de uma estratégia de turismo bem sucedida e com a actividade turística a funcionar, vai haver uma maior visibilidade da região a nível regional / nacional; • A possibilidade de funcionamento de um museu ambiental ou de um equipamento com essas características poderá fomentar a cultura nesta região e o aumento das preocupações ambientais; • Com a requalificação ambiental da nossa área de estudo, vai haver uma preservação da biodiversidade característica desta região. Pelas razoes já mencionadas, podemos concluir que a elaboração de uma estratégia de turismo ambiental, como complemento à Rota do Românico do Vale do Sousa, tornando-a mais apetecível / completa para o visitante, será uma estratégia de desenvolvimento sustentável indispensável, de forma a melhorar a qualidade de vida das populações e organizar espacialmente toda uma região onde impera a desorganização territorial. A sua implementação e o seu potencial sucesso irá trazer oportunidades económicas relevantes, tornando este território numa região social e economicamente apetecível para os habitantes e visitantes. 27 Bibliografia Livros: • BAPTISTA, Mário (1997). Turismo – Competitividade Sustentável. Lisboa, Verbo • CAMPBELL, Bernard (1982). Ecologia Humana. Lisboa, Edições 70 • FADIGAS, Leonel de Sousa (1993). A natureza na cidade, uma perspectiva para a sua integração no tecido urbano. Tese de Doutoramento em Planeamento Urbanístico, faculdade de Arquitectura da Universidade Técnica de Lisboa, Lisboa • FOSTER, Douglas (1992) Viagens e Turismo – Manual de Gestão. Lisboa, Cetop • HENRIQUES, A.G. (1991). Processo de AIA (Avaliação de Impacte Ambiental). LNEC • VÁRIOS (1994). Plano Nacional da Política do Ambiente. Versão preliminar para discussão pública, Lisboa, M.A.R.N. • VÁRIOS (1996). Lousada – Terra Prendada. Paços de Ferreira. Anégia Editores Sites: • www.monumentos.pt 1