IV Encontro Nacional da Anppas 4,5 e 6 de junho de 2008 Brasília - DF – Brasil ______________________________________________________ De quem se protege o paraíso? Um estudo de caso sobre o desenvolvimento do turismo e conflitos na comunidade da Praia do Sono – Paraty (RJ) Ivan Bursztyn (UFRJ) Doutorando do Programa de Engenharia de produção da COPPE-UFRJ [email protected] Robson Pereira de Lima (UFRJ) Doutorando do Programa de Engenharia de produção da COPPE-UFRJ [email protected] Teresa Catramby (UFRRJ) Doutorando do Programa de Engenharia de produção da COPPE-UFRJ e professora do Instituto Multidisciplina da UFRRJ [email protected] Eloise Botelho (UFRJ) Mestranda do Programa EICOS-UFRJ [email protected] Elisa Spampinato (UFRJ) Mestranda do Programa de Engenharia de produção da COPPE-UFRJ [email protected] Resumo: Este artigo pretende discutir a questão dos conflitos existentes na Praia do Sono de forma que esses levem a um desenvolvimento do turismo local que respeite, ao mesmo tempo, os direitos da população caiçara que aí vive e não seja causador de desequilíbrio ambiental na região. O turismo, entendido como um fenômeno sócio-cultural e econômico, detém uma dinâmica que reflete no desenvolvimento local das comunidades, sendo ao mesmo tempo objeto e agente de transformações significativas. Essa questão surge em um contexto em que a temática conflito e desenvolvimento do turismo suscita reflexões acadêmicas no sentido de discutir propostas que explicitem potenciais vínculos existentes entre esses dois conceitos. Os temas abordados neste trabalho procuram mostrar a mudança de perspectiva da proposta hegemônica de desenvolvimento do turismo, que prima pelos fundamentos econômicos da concorrência e produtividade, para a constituição de uma prática esteja fundamentada na valorização dos aspectos histórico-culturais e ambientais. Palavras-chave preservação ambental, conflitos, justiça ambiental De quem se protege o paraíso? Um estudo de caso sobre o desenvolvimento do turismo e conflitos na comunidade da Praia do Sono – Paraty (RJ) Introdução A discussão a respeito do desenvolvimento do turismo e conflitos em áreas protegidas constitui questão central das políticas públicas brasileiras de proteção da natureza e dos povos e comunidades tradicionais (BRASIL, 2000; 2006; 2007). O turismo figura como um fenômeno complexo que vem adquirindo considerável expressividade devido à natureza dos impactos que promove na sociedade. Conforme Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, o turismo representa a maior atividade global, com crescimento de 25% nos últimos 10 anos. Ultimamente, um dos segmentos que mais tem merecido a atenção de pesquisadores e gestores é o turismo em ambientes naturais, em especial nas áreas protegidas. Essas constatações revelam uma preocupação: apesar da crescente demanda por este segmento do turismo, muitas das áreas protegidas carecem de planejamento e instrumentos de gestão adequados, acarretando conflitos relativos à proteção do meio natural e ao desenvolvimento social. Atualmente, o modelo de proteção da natureza prevê duas tipologias de Unidades de Conservação (UC): as de proteção integral, onde é admitido apenas o uso indireto dos recursos naturais, com exceção de alguns casos previstos em lei; e as de uso sustentável, onde são permitidas formas de ocupação humana e a utilização sustentável dos recursos naturais, exceto em casos previstos em lei (BRASIL, 2000). Devido aos avanços na legislação ambiental brasileira, torna-se possível, hoje, discutir os diferentes usos para as áreas protegidas, definindo categorias de manejo mais adequadas às diferentes realidades de sua implantação. No entanto, o aumento nas opções de manejo veio acompanhado de inúmeros conflitos decorrentes do uso desses territórios. Segundo Acselrad (2004), os diferentes atores sociais, afetados direta e/ou indiretamente com a criação da Área Protegida, estabelecem entre si uma luta simbólica e política pelo meio natural, a partir de confrontos pelo poder, pela legitimidade da representação da natureza e pelo uso do território. A luta simbólica entre atores sociais coloca em disputa o poder de conservar ou transformar o mundo social, a partir do reconhecimento da necessidade dos grupos sociais em se diferirem (BOURDIEU, 1989). Como ressalta Acselrad (2004), o conflito surge quando há algum desacordo nas relações de poder entre os atores sociais. De acordo com o autor, os conflitos entre atores sociais são essenciais, pois constituem uma forma de resistência ou de mudança que conduz a construção da sociedade. Nesse contexto, a Reserva Ecológica da Juatinga, Área Protegida estadual localizada no município de Paraty (RJ), é um caso emblemático e merece algumas considerações. Desde a década de 1970, com a abertura da Rodovia Rio – Santos (BR 101), o turismo é apontado como principal alternativa de desenvolvimento para a região. Porém, a dinâmica de urbanização se deu mediada pelo mercado imobiliário sem atender a lógica de ordenamento territorial, ocasionando processos de exclusão social, especulação imobiliária, degradação do meio natural, dentre outros. Paralelamente ao processo de instalação de usinas nucleares e investimentos no setor portuário, iniciou-se uma política de preservação da Mata Atlântica, com a criação de áreas protegidas, o que impactou diretamente o modo de vida tradicional das populações caiçaras. Apesar de o turismo ter se transformado em principal fonte de renda das populações locais, em detrimento às atividades de pesca, agricultura de subsistência e artesanato, diversos conflitos têm eclodido, como na Praia do Sono, objeto desta pesquisa. Diante dessa problematização, este artigo pretende discutir a seguinte questão: como trabalhar os conflitos existentes na Praia do Sono de forma que esses levem a um desenvolvimento do turismo local que respeite, ao mesmo tempo, os direitos da população caiçara que aí vive e não seja causador de desequilíbrio ambiental na região? O turismo, entendido como um fenômeno sócio-cultural e econômico, detém uma dinâmica que reflete no desenvolvimento local das comunidades, sendo ao mesmo tempo objeto e agente de transformações significativas. Essa questão surge em um contexto em que a temática conflito e desenvolvimento do turismo suscita reflexões acadêmicas no sentido de discutir propostas que explicitem potenciais vínculos existentes entre esses dois conceitos. Os temas abordados neste trabalho procuram mostrar a mudança de perspectiva da proposta hegemônica de desenvolvimento do turismo, que prima pelos fundamentos econômicos da concorrência e produtividade, para a constituição de uma prática que esteja fundamentada na valorização dos aspectos histórico-culturais e ambientais (CORIOLANO, 2003). A discussão aqui proposta deverá atender os seguintes passos: primeiramente, serão abordados os conceitos que fundamentam o nosso estudo – Áreas Protegidas, Comunidades Tradicionais, Turismo e Conflitos. Em seguida, será estabelecido um elenco de conflitos identificados na Praia do Sono para, por fim, estabelecer as possíveis relações entre tais conflitos e o desenvolvimento do turismo. Nesta perspectiva, a análise aqui desenvolvida está baseada na pesquisa realizada na Praia do Sono, no âmbito do projeto de pesquisa “Utilização de Indicadores de Sustentabilidade na Análise de Destinos Turísticos”, desenvolvida pelo Laboratório de Tecnologia e Desenvolvimento Social – LTDS, da COPPE/UFRJ, e financiado pelo CNPq. A metodologia aplicada nesta pesquisa apoiou-se em entrevistas semi-estruturadas com atores sociais daquela localidade e agentes envolvidos no processo de desenvolvimento turístico seja através de instituições governamentais ou privadas. De forma complementar, os pesquisadores registraram suas observações diretas sobre diferentes aspectos de relevância para a análise pretendida. O trabalho aqui em questão privilegiou quatro categorias de conflitos: ambiental, territorial, cultural e econômica a partir das dimensões tratadas na pesquisa supracitada – ambiental, social, histórica e cultural, econômica, espacial/territorial e política e institucional. Essa seleção foi decorrente da sua relevância evidenciada pelos atores entrevistados. Desta maneira, propõe-se contribuir para o Grupo de Trabalho “Turismo, Ambiente e Sociedade”, na medida em que trará reflexões referentes a conflitos sociais em áreas protegidas e desenvolvimento do turismo, bem como levantará questões sobre possíveis maneiras de trabalhar esses conflitos em prol do desenvolvido turístico e em benefício da população caiçara. Ademais, o presente trabalho detém o potencial para enriquecer os estudos de interesse do GT pelo fato de não existirem estudos relevantes sobre a comunidade caiçara da Praia do Sono, que se encontra num momento de grande fragilidade em função da sua inserção num modelo de desenvolvimento do turismo fragmentador. O contexto de incerteza desta comunidade é ainda agravado pelo processo de recategorização da Reserva Ecológica da Juatinga que, por outro lado, pode proporcionar um momento rico para o exercício do diálogo entre o povo caiçara e os gestores das Unidades de Conservação, instituindo um novo papel para os membros desta comunidade, o de agentes de transformação de seu território. Metodologia da pesquisa Antes de descrever as metodologias utilizadas, é preciso relembrar as etapas do processo de realização deste estudo, apresentadas a seguir: • compilação e seleção de indicadores a utilizar; • formulação dos instrumentos de pesquisa; • pesquisa secundária sobre a região; • contatos com atores locais, para marcação de visitas e entrevistas; • realização da pesquisa de campo; • sistematização de resultados das pesquisas; • análise e discussão em equipe dos resultados; A escolha de indicadores a serem utilizados como parâmetros para avaliar o grau de sustentabilidade dos destinos turísticos, com ênfase no envolvimento da comunidade residente no local, começou pela compilação de critérios já utilizados em trabalhos de pesquisa anteriores realizados pela equipe: fazendas de café do Vale do Paraíba fluminense (DELAMARO et al, 2002), Prainha do Canto Verde no Ceará (DELAMARO et al, 2003) e Ilha Grande no Rio de Janeiro (IVT-RJ, 2006). Foram considerados ainda indicadores surgidos da leitura crítica de bibliografia sobre indicadores de turismo sustentável, como Sirakaya et alii (2001), Choi & Sirakaya (2006). A principal fonte, neste caso, foi Choi & Sirakaya (2006), que relata os resultados de uma pesquisa com metodologia Delphi aplicada a especialistas em turismo de todo o mundo, com a finalidade de obter indicadores apropriados para monitorar e avaliar esse tipo de turismo, em particular em áreas rurais. A análise da lista de indicadores compilados pela equipe do projeto permitiu a seleção dos indicadores a serem tomados como base para a pesquisa aqui descrita, assim como uma adequação mais refinada. A seleção foi feita na tentativa de abarcar o maior número possível de dimensões da sustentabilidade. Essa adequação levou em conta o fato de que seria feita uma análise dos destinos – e não de empreendimentos –, como já foi dito, e também a realidade de que só seria possível utilizar indicadores simples que permitissem uma verificação (por observação ou por meio de entrevistas) do tipo presente / ausente ou existente / inexistente, por não se tratar de uma pesquisa de monitoramento de maior duração, com o estabelecimento prévio de uma linha de base. Os indicadores selecionados foram a base para formular instrumentos de pesquisa adequados para sua verificação. Estabeleceram-se roteiros de entrevistas, testados com outros pesquisadores, fora da equipe deste projeto. Estabeleceu-se, ainda, um roteiro de pontos importantes a observar em cada local. Em paralelo à formulação dos instrumentos de pesquisa, realizou-se a pesquisa de artigos acadêmicos, informações jornalísticas e outros tipos de informação secundária sobre a região, a Reserva Ecológica da Juatinga e a Praia do Sono, de forma a ter condições de selecionar aspectos relevantes a examinar e de identificar as pessoas atuantes no turismo e em atividades afins que seria importante ouvir. Em seguida, a equipe preparou o roteiro de viagem, escolheu os entrevistados e agendou as visitas e entrevistas. A escolha da data buscou favorecer um período onde os moradores estivessem mais disponíveis para as entrevistas e que tivesse alguma freqüência de visitação. Dessa forma, escolhemos os dias posteriores ao carnaval do ano de 2008, entre os dia 18 e 25 de fevereiro. Os indicadores de sustentabilidade guiaram a observação dos pesquisadores principalmente quanto a aspectos ambientais e espaciais, como tipos de ocupação, paisagismo, poluição. As entrevistas procuraram pesquisar a visão de atores importantes sobre a história da implantação do turismo na localidade, sobre as relações entre as iniciativas turísticas e a população residente no local e sobre sua avaliação a respeito dos indicadores de sustentabilidade pertinentes. Procurouse ouvir integrantes do governo municipal – secretaria de turismo e/ou meio-ambiente, gerentes da unidade de conservação da área, responsáveis por empreendimentos ligados ao turismo (meios de hospedagem ou alimentação), representantes de associações de moradores, de associações de empreendimentos ou de outros tipos de ONG atuantes na área. As entrevistas gravadas foram transcritas e analisadas pela equipe do projeto, que buscou identificar aspectos relevantes para subsidiar a análise sobre o grau de sustentabilidade de cada destino. Essas informações foram então sintetizadas, segundo um roteiro sugerido pelos indicadores de sustentabilidade selecionados. Um breve histórico da região A Praia do Sono 1 é uma localidade da Reserva Ecológica da Juatinga (REJ), área protegida criada pelo decreto estadual nº 17.981, de 30 de outubro de 1992, com o objetivo de “fomentar a cultura caiçara local, compatibilizando a utilização dos recursos naturais com os preceitos conservacionistas” 2 . A Reserva Ecológica da Juatinga está localizada no extremo sul do Estado, no Município de Paraty, e insere-se na Área de Proteção Ambiental de Cairuçu, administrada pelo Instituto Chico Mendes. A área da REJ estende-se por 8.000 hectares, abrangendo remanescentes florestais de Mata Atlântica, restingas, manguezais e costões rochosos. A região possui elevada biodiversidade originária da Mata Atlântica, abrigando aproximadamente 10.000 espécies de plantas e, também, vasta e rica fauna continental e marinha. Além disso, a REJ acolhe doze núcleos de populações tradicionais que, distribuídos ao longo do litoral, vivem de pesca artesanal, agricultura de subsistência. Mais recentemente, as comunidades tradicionais, sobretudo a da Praia do Sono, recebem fluxos turísticos, o que é causa de significativas transformações no que tange os aspectos sociais, culturais, ambientais e econômico-territoriais. Para a análise dos conflitos sócio-ambientais referentes ao desenvolvimento do turismo na Praia do Sono, é necessário compreender o processo histórico de formação da comunidade tradicional. A ocupação da região, a partir do século XVI, deu-se por sua posição como ponto de partida de caminhos usados para vencer a Serra do Mar e atingir o interior com o objetivo de abastecê-lo de suprimentos. A rota ligando Paraty à região de Cunha e Guaratinguetá conformava o Caminho Velho e o Caminho Novo, aberto por decisão da Coroa de final do século XVII, chegava à Baia de Guanabara. (SANTOS, 2001). A região manteve sua importância, como ponto estratégico, para a condução de açúcar e café produzidos no Vale do Paraíba paulista até aos portos de Paraty e Mambucaba. Contudo, a construção da ferrovia ao final do século XIX, ligando as regiões cafeeiras ao Rio de Janeiro, eliminou a importância dessa rota para o transporte do café, iniciando um período de declínio na região, com significativa perda de população, empobrecimento e isolamento. 1 A comunidade tradicional da Praia do Sono é composta por 330 moradores. Segundo os entrevistados em pesquisa de campo, diz-se que a Praia possui este nome por se localizar em um vale onde o dia amanhece mais tarde e o sol de põe mais cedo fazendo com que as pessoas durmam mais tempo (Informação oral). 2 Disponível em www.ief.rj.gov.br Outro fator relevante de alteração da dinâmica econômica e forma de uso do solo foi a construção da rodovia Rio-Santos (BR-101) no final da década de 1970 já com o propósito de estimular o turismo na região (IBAMA, 2002). Em Paraty, a atividade turística cresceu com características diferenciadas de municípios próximos que tinham no turismo de sol e praia e o estabelecimento de casas de segunda residência, seu foco principal. O conjunto arquitetônico foi protegido por medidas legais que o transformaram em monumento histórico estadual e nacional, o mesmo ocorreu com o patrimônio natural, ao criar áreas protegidas, através de decretos e leis. De certa forma, houve tentativa de proteger essas áreas contra a degradação; porém, não se evitou a especulação de imóveis e a exclusão de parte da população original do lugar onde a atividade turística se implantava e demandava capacitação (FLEXOR, 2004). No caso da Reserva Ecológica da Juatinga, a preservação ocorreu, por um lado, através de leis e, por outro, pelo difícil acesso às localidades, feitos somente por trilha ou barco. Dada a relevância do passado para compreender a preservação cultural e natural do local, é conveniente, também, abordar a história contemporânea desse povoado caiçara. Nas décadas de 40 e 50, do século passado, a comunidade caiçara era constituída por um grupamento desordenado de casas, distantes umas das outras, e protegidas da ação do vento pela vegetação da orla das praias. As propriedades, embora privadas, não eram delimitadas por cercas ou muros permitindo, assim, o acesso de todas as pessoas ao espaço caiçara. A praia era o centro dinâmico da vida comunitária e a ponte de ligação com o mundo exterior. Embora a atividade agrícola fosse essencialmente individual e familiar, as trocas e empréstimos de produtos não se davam num mercado monetarizado; a prestação de serviços e outras atividades laborais podiam ocorrer sob a forma de mutirão. Todo este dinamismo proporcionava uma distribuição mais ou menos eqüitativa dos produtos das culturas tradicionais (LTDS, 2006). A emergência de novos atores e interesses sobre este território está alterando profundamente os rumos destas relações e da própria trajetória social dos habitantes locais. O turismo está se desenvolvendo rapidamente, provocando diversas mudanças nas relações de trabalho e na realidade espacial, assim como a delimitação de áreas protegidas influencia o modo de vida local, tradicionalmente baseado na pesca e na agricultura de subsistência. Novas redes sociais vêm se formando junto aos nativos, intensificando suas relações com agentes externos que possuem os mais variados interesses sobre a localidade. Nesse sentido, para atingir o objetivo proposto nesta pesquisa, é pertinente analisar essas transformações e os conflitos gerados a partir dos aspectos ambientais, sócio-culturais e econômico-territoriais. Aspectos ambientais Os conflitos ambientais da Praia do Sono são relativos, sobretudo, ao modelo de proteção da natureza e à relação de legitimação de poder entre os atores sociais. Ao buscar compreender tais conflitos é importante expor, em primeiro lugar, que a área protegida foi criada em um espaço já ocupado por comunidades caiçaras. Estas passaram a ter o uso do território cerceado e controlado pelo poder público, dificultando as possibilidades de subsistência e manutenção de sua qualidade de vida. Atualmente, as comunidades caiçaras exigem do poder público a melhoria na condição de vida, através de planejamento e apoio ao desenvolvimento local. É importante expor, também, que a Reserva Ecológica da Juatinga – e consequentemente a Praia do Sono – é uma categoria de área protegida que não se enquadra no Sistema Nacional de Unidade de Conservação – SNUC 3 . Apesar de a área protegida estar em processo de adequação de categoria de manejo, esse tem sido vagaroso e não tem proporcionado a participação das comunidades nas discussões e no acompanhamento das decisões. Em função do processo de recategorização, o conselho gestor da área protegida, instrumento de gestão que possibilitaria um diálogo institucionalizado entre os atores sociais, está inativo. Nesse sentido, o conflito é eminente, uma vez que as comunidades estão distantes das decisões a respeito do uso futuro do seu território. De acordo com os dados da pesquisa de campo, detectou-se que o poder público assume uma função mais fiscalizadora e repressora do que dialógica, o que causa nas comunidades receio e descontentamento. A dificuldade de diálogo entre esses atores sociais é expressa, também, na ausência de informação sobre atividades que são permitidas e aquelas proibidas. Além disso, as comunidades residentes no interior da reserva não obtém apoio do poder público e demais atores sociais – tais como ONG´s e iniciativa privada – para melhoria da qualidade de vida, como, por exemplo, a construção de novas moradias, saneamento básico e fornecimento de energia. Os caiçaras da Praia do Sono também reclamam por maior apoio no que tange ao planejamento para o desenvolvimento do turismo, de modo que esta atividade possa proporcionar melhoria em suas condições de vida. No entanto, os moradores ainda não obtiveram o apoio necessário para controlar o fluxo turístico que, a cada ano, se expande mais. Há um claro descontrole do turismo local, uma vez que há um pico de visitantes em determinadas temporadas, causando a superutilização dos recursos naturais. Diante de tal quadro, podem-se observar alguns desencadeamentos. Sob os aspectos ambientais, há um claro conflito entre uso e proteção da natureza. Com a possibilidade de desenvolvimento do turismo, há maior necessidade de consumo dos recursos naturais, como é o caso da água. Esse recurso natural é captado de fontes e cachoeiras dentro da Reserva. Para atender a necessidade de consumo durante os picos de visitação, é necessário expandir a rede de captação de água, o que tem sido feito de modo irregular e, como conseqüência, há diminuição do volume de água na região. Outro problema é a ausência de rede 3 O SNUC foi criado em 2000 com o objetivo de unir as leis de proteção de natureza, até então desarticuladas, em um sistema único. Nele estão contidas todas as diretrizes e normas de utilização das áreas protegidas brasileiras, bem como suas tipologias e categorias de manejo. As áreas protegidas criadas antes de sua implantação teriam que se adequar as novas regras, no entanto, a realidade mostrou que em muitos casos a falta de recursos para os estudos de recategorização inviabilizou este processo. É o caso, por exemplo da REJ. de esgoto e saneamento básico. Os moradores constroem fossas negras que não conseguem atender às demandas durante a alta temporada e, assim, estouram impossibilitam o uso da praia. É importante destacar também que a Praia do Sono não possui coleta e disposição públicos de lixo, o que obriga os moradores a descartarem o resíduo produzido inadequadamente. Durante os meses de maior visitação turística, essa questão torna-se um problema ainda maior para os moradores, pois os turistas consomem produtos descartáveis, aumentando o volume e dificultando o controle de disposição dos resíduos. Os problemas apresentados constituem-se em conflitos ambientais na medida em que a institucionalização da Reserva Biológica da Juatinga e, por conseguinte da Praia do Sono, é reflexo do modelo de área protegida fundamentado na cisão entre sociedade e natureza, o qual é estigmatizado como fator de proibição e exclusão. É um modelo que propõe o turismo como atividade econômica que possibilita a sobrevivência de uma população que tem suas atividades de subsistência limitadas. Essa interpretação do turismo como “salvador da pátria” é contraditória em relação à proteção da natureza, pois da forma como ele vem se desenvolvendo “incentiva” a superexploração dos recursos naturais para atender a uma demanda crescente de turistas. Além do mais, é válido expor também que o conflito se expressa na divergência de interesses em relação ao uso do território e representação da natureza pelos atores sociais. Enquanto o poder público assume um modelo de gestão restritivo, a comunidade caiçara tem a necessidade de exploração do espaço para sua sobrevivência. Do mesmo modo, há moradores empreendedores que desejam o aumento do fluxo turístico, enquanto há aqueles que enxergam poucos benefícios e não desejam o turismo. Diante de diferentes visões sobre o mesmo território protegido, acordos são quebrados, fazendo o conflito emergir. Contudo, o conflito sócio-ambiental deve ser desmistificado como algo ruim à sociedade. O conflito é a expressão de que “algo não vai bem” e reflete a insatisfação de determinado ator social, fazendo-o expor seu ponto de vista e possibilitando que ele reclame por suas necessidades e interesses. É, assim, uma forma de participação que propõe uma transformação da realidade. No caso da Praia do Sono, os conflitos ambientais estão claramente postos. Aspectos Econômicos e Espaciais Os conceitos apresentados até aqui permitem-nos analisar os conflitos decorrentes do desenvolvimento econômico da Praia do Sono e do uso da terra por parte dos seus habitantes, já que trata-se de um caso que embora apresente vários aspectos de solidariedade, cooperação e coletivismo, desperta-nos também a preocupação com respeito a vulnerabilidade das atividades tradicionais, do meio ambiente e do contexto político-institucional na qual se encontra. Para refletirmos sobre os conflitos pertinentes à territorialidade devemos ter em mente que até meados do século passado as casas desta comunidade caiçara eram dispostas de forma desordenada e distantes umas das outras. As propriedades, embora privadas, não eram delimitadas por cercas ou muros permitindo assim o acesso de todas as pessoas ao espaço coletivo. (LTDS, 2006) No contexto de vida caiçara podia-se notar o exercício da solidariedade como importante fator de equilíbrio social. Embora a atividade agrícola fosse essencialmente individual e familiar, as trocas e empréstimos de produtos não se davam num mercado monetarizado e a prestação de serviços e outras atividades laborais podiam ocorrer sob a forma de mutirão. Todo esse dinamismo proporcionava uma distribuição relativamente eqüitativa de produtos das culturas tradicionais. (LTDS, 2006) Um evento de grande impacto no cotidiano da comunidade da Praia do Sono foi o estabelecimento, na década de 70, de um grande empreendimento imobiliário que recebeu o nome de Condomínio Laranjeiras. Este passou a definir uma série de restrições aos membros daquela comunidade, dentre as quais podemos destacar o acesso pelo mar, já que o local mais seguro para o embarque de pessoas e mercadorias passou a ser de domínio do Condomínio. Em detrimento aos obstáculos estabelecidos por este empreendimento, prevaleceu o sentido de pertencimento dos caiçaras da Praia do Sono que pode ser notado por meio do domínio das iniciativas turísticas desempenhado pelos moradores desta localidade. Entretanto, o processo de crescimento do turismo evidenciou a fragilidade daquela localidade e colocou em xeque a capacidade de gestão e articulação dos agentes locais para garantir a manutenção dos empreendimentos turísticos sem que seja necessário o abandono das atividades tradicionais. O nosso olhar sobre a atividade turística promovida pelos moradores da Praia do Sono reconhece que “as características do homo situs dão à pessoa uma natureza fortemente híbrida na qual a astúcia, a estratégia, o desvio parcial ou total das normas estão presentes”. (ZAOUAL, 2006, p.: 53) Dessa forma, devemos estar atentos ao contexto complexo e vulnerável em que se dá a expansão desta atividade por proporcionar um crescimento significativo do número de construções que além de desprezarem o estilo arquitetônico caiçara, acirram as disputas pela propriedade da terra numa Unidade de Conservação (APA Cairuçu) que apenas tem previsto no seu Plano de Manejo o direito de usufruto do espaço territorial e não o partilhamento deste em propriedades privadas para fins mercantis. Na perspectiva da geração de trabalho e renda podemos apontar o predomínio dos empreendimentos administrados pelos nativos e residentes como um elemento que garante à comunidade a gestão dos recursos financeiros oriundos dos visitantes e da ocupação dos postos de trabalho com o emprego da mão de obra local. Embora a renda auferida por esta população venha proporcionando um bom nível de consumo de bens e serviços, está apoiada em bases frágeis já que as outras atividades tradicionais que poderiam proporcionar um complemento de renda das pessoas foram, quase na sua totalidade, abandonadas, desprezando assim um potencial de geração de renda, principalmente, no período de baixa temporada de turismo. O aspecto econômico que inspira maior preocupação, a partir do exercício da atividade turística na Praia do Sono, é a subordinação dos empreendimentos à lógica mercantil que têm fragilizado os espaços de intercâmbio de outra natureza e como o autor marroquino aponta: “A exagerada importância atribuída ao princípio da concorrência acaba limitando seu alcance geral. Correlativamente, o mercado não pode ser o único mecanismo de coordenação entre os homens. O dinamismo de uma economia e, também, o de uma sociedade – se fosse possível isolar a primeira da segunda – pressupõem a intervenção de outras modalidades de trocas, como a cooperação, cujas opções podem ser muito variadas.” (ZAOUAL, 2006, p. 84) A partir das perspectivas teóricas adotadas neste trabalho podemos afirmar que o nível de vulnerabilidade sócio-econômica da Praia do Sono é decorrente do predomínio das atividades turísticas em detrimento de hábitos e atividades tradicionais. Ou, conforme apontado pelo autor: “Como todo organismo vivo, uma economia hiperespecializada sem criatividade endógena enfraquece a capacidade de adaptação à mudança e às incertezas”. (ZAOUAL, 2006, p. 57) Embora, por um lado, ainda prevaleça nessa comunidade uma cautela com respeito à entrada de novos personagens na sua dinâmica social, por outro, verificamos uma despreocupação com alguns aspectos da indústria do turismo de massa presentes nas atividades empreendidas, ou seja, a importação, mesmo que não intencionada, de princípios que contrariam o exercício do quê reconhecemos como turismo de base comunitária. Para fundamentar essa observação recorremos mais uma vez às palavras de Zaoual, através das quais podemos notar sua preocupação com a importação de conhecimento por um determinado sítio de pertencimento: “A experiência mostra que toda tecnologia comprada sem discernimento induz uma série de mercados cativos (estudos, treinamento, equipamentos, máquinas e insumos) que mantém o meio receptor dentro de uma lógica cumulativa de importação. Na ausência de um esforço de inovação, os empréstimos criam dependência [...] Tal mecanismo inibe as capacidades de regeneração dos meios locais, o que impede sua própria experiência de aprendizagem. Assim, tudo acontece como se as transferências de conhecimento, materializados ou não, entretivessem a ignorância, por meio de mimetismo.” (ZAOUAL, 2006: pp.: 57-58) Resumidamente, podemos apontar como um dos aspectos que nos despertou atenção no contexto de vida daquela comunidade é a existência de um histórico rico de aspectos culturais, comunitários e políticos que potencializam iniciativas no campo do turismo e que podem manter uma relação harmônica e equilibrada entre as diferentes dimensões do turismo: ambiental, espacial/territorial, social, econômica, histórica e cultural, e política e institucional. Aspectos sociais e culturais Os moradores da Praia do Sono vivem, hoje, alguns conflitos sociais e culturais comumente identificados em comunidades tradicionais que se abrem para o turismo. Vamos destacar nesse artigo apenas dois dos aspectos mais latentes identificados durante nossa pesquisa. Dizem respeito, basicamente, à relação da cultura caiçara com suas atividades tradicionais e à relação da cultura caiçara com os turistas. O primeiro aspecto esta relacionado ao abandono, por parte da comunidade, de atividades tradicionais, como a agricultura de subsistência e a pesca artesanal, colocando em risco sua própria identidade cultural. Essa mudança é geralmente interpretada como conseqüência da introdução da atividade turística na localidade, que estaria se transformando na principal atividade econômica. Assumir a perspectiva que vê o turismo como principal responsável pelo abandono das ocupações tradicionais significa desconsiderar uma perspectiva histórica mais ampla. De fato, como relata a Adams “durante os períodos de prosperidade, quando outras alternativas econômicas lhes eram oferecidas, a agricultura de subsistência e a pesca costeira eram abandonadas” (ADAMS, 2002, p. 9), ou seja, o abandono da pesca e da agricultura de subsistência já fez parte da história econômicas dessa comunidade. Portanto, se de um lado o turismo não é diretamente responsável por essas mudanças no modo de vida tradicional, que está sendo modificado por outros fatores (como a introdução do barco a motor, a concorrência das grandes empresas, etc.), por outro podemos dizer que o turismo encontrou na Praia do Sono um ambiente economicamente crítico para a comunidade, representando para ela uma alternativa interessante e importante. O fato do turismo ser uma atividade que pode ser facilmente implementada, permitindo bons e rápidos ganhos, pode ter como conseqüência uma desmotivação para investir em outras atividade que poderiam complementar a renda da comunidades. O risco do turismo se transformar em uma espécie de monocultura é real, fato que poderia ter conseqüências desastrosas para a identidade cultural e o estilo de vida dessa comunidade e do meio ambiente onde ela está instalada. No entanto, o desenvolvimento turístico ainda pode representar um caminho para a melhoria da condição de vida desta população. De fato, como várias experiências bem sucedidas de turismo de base comunitária presentes no país mostram, o turismo pode estar inserido na economia local de maneira integrada e equilibrada sem com isso ameaçar os equilíbrios econômico, social, ambiental e cultural da comunidade. É fundamental pensar numa perspectiva diacrônica, tentando compreender o que foi e o que é a cultura caiçara, reconhecendo o aspecto flexível e “mutante” da cultura, sobretudo relativamente os vários modos como esta se desenvolveu para se adaptar às condições do capitalismo envolvente. Nesse sentido, pode ser útil a sugestão de Adams de abandonar, em primeiro lugar, a visão do “bom selvagem”, tradicionalmente ligada ao caiçara que o vê como “ecologicamente correto” (ADAMS, 2002) e integrado harmoniosamente com próprio meio ambiente e, contemporaneamente, utilizar a abordagem da Ecologia Histórica para poder resgatar a dialética entre mudança ambiental e mudança cultural (ADAMS, 2000:167). É fundamental também que se adquira uma “análise mais holística, que leva em conta não apenas o meio ambiente local, mas também a integração dos sistemas locais na economia de mercado e contextos sócio-políticos mais abrangentes (HEADLAND, 1997; MURRIETA, 1994; WOLF, 1982 apud ADAMS, 2000: 166). O outro aspecto dos conflitos culturais relativo à cultura caiçara deriva do encontro com o turista. Como vários autores já evidenciaram uma das características mais próprias do turismo é que ele promove o encontro de culturas diferentes, enquanto “important element in the process of acculturation, whereby people in contact borrow from each other’s cultural heritage” (LEA, 1988). Esse contato entre culturas, que no plano ideal representaria um impacto positivo do turismo (OLIVEIRA, 2005), possibilitando trocas de vivências e diálogos interculturais, no plano real, concretiza-se, geralmente, em impactos negativos – entre os quais a difusão hábitos como o uso de drogas e o alcoolismo – devido, principalmente, a uma “assimetria de poder” entre as culturas envolvidas no encontro. No caso da Praia do Sono esse “encontro” cultural é, no mínimo, problemático. Tentando fazer uma reflexão sobre o encontro cultural que acontece na Praia do Sono a primeira coisa a ser ressaltada é a forte percepção de uma separação de mundos culturais – o do caiçara e o dos turistas – onde prevalece uma adaptação servil e de mão única. Isso é visível em vários aspectos, desde a culinária até o artesanato. Nenhum desses âmbitos de representação da cultura caiçara, de fato, é “apresentado” ao turista, enquanto, do outro lado, continuam existindo nas intimas realidades domésticas. Algumas entrevistas evidenciaram muito claramente que os turistas são percebidos como invasores, elementos que perturbam o silêncio e a tranqüilidade que caracterizam essa praia. Mas, ao mesmo tempo, o turismo representa um mal necessário, pois, segundo os moradores, “é disso que nos vivemos”. Utilizando a terminologia do Grünewald (2003) no caso da Praia do Sono não existe, portanto, uma comunidade etnoturística. No espaço social da Praia do Sono a comunidade turística que se formou contém poucos elementos étnicos, ou seja, os caiçaras enquanto identidade cultural parecem não estar presentes. No estágio atual de nossa pesquisa, ainda não é possível fazer afirmações definitivas sobre esse aspecto, apenas formular algumas hipóteses. Hipóteses essas que tem a ver com a autopercepção e a valorização da própria cultura caiçara. Acreditamos que os conflitos não são exclusivos do turismo, mas sim que o turismo contribui para o estabelecimento de aspectos preexistem à sua chegada. Cremos que a ausência de uma comunidade etnoturística na Praia do Sono possa decorrer de uma baixa valorização do patrimônio cultural local e de um modelo de turismo que ignora os hábitos da população local. Não acreditamos que o turismo seja o destruidor da cultura caiçara, mas sim que esteja desempenhando um papel ativa nessa transformação. A intensidade e a direção dessas transformações dependerão de como esses aspectos serão trabalhados no interior e fora da comunidade. Considerações Finais A questão ambiental mais preocupante é a falta de destinação adequada para o esgoto sanitário e para o lixo. Além de trazer riscos para a saúde da população e dos visitantes, esses dois problemas, caso persistam, tendem a se agravar, com o crescimento do número de turistas e de empreendimentos, podendo criar sérios danos à imagem dos locais como destinos turísticos e redução de visitantes no futuro. A população residente em ambas têm problemas com a regularização de seus terrenos ou imóveis, vivendo situação de certa precariedade, ainda que as razões históricas para essa situação sejam diferentes. Atribui-se ao turismo responsabilidade por profundas alterações da cultura local, pelo abandono de ocupações e tradicionais e a adoção de novos hábitos, valores e comportamentos. Aponta-se um impacto negativo do turismo em particular quanto ao comportamento dos jovens, pela imitação do comportamento dos visitantes, em particular no que se refere a consumo de álcool e drogas. Há problemas com a sazonalidade. Há superlotação – e todas as suas conseqüências negativas – em alguns momentos e redução de rendimentos por longos períodos. Para tentar contornar este problema, há iniciativas de criar ou divulgar eventos como forma de aumentar a visitação na baixa temporada. Há sobreposição de dois tipos de áreas protegidas, sem que nenhuma das duas tenha ainda uma gestão presente no local. Ambas as áreas protegidas – APA Cairuçu e Reserva Ecológica da Juatinga – estão em processo de implementação real. Ainda não está claro para a população qual será sua participação no processo de gestão dessas áreas. Há uma desconfiança e certo ressentimento, por se considerarem responsáveis pela conservação da área até o momento. Referências bibliográficas _________. Identidade Caiçara: exclusão histórica e sócio-ambiental. In: DE ALBUQUERQUE, Ulysses P. (org.) Atualidades em Etnobiologia e Etnoecologia. Palestras Convidadas do IV Simpósio Brasileiro de Etnobiologia e Etnoecologia. Recife: Sociedade Brasileira de Etnobiologia e Etnoecologia, p.27-43, 2000. ACSELRAD, H. (org.). Conflitos ambientais no Brasil. Rio de Janeiro: Relume Dumará, 2004. ADAMS, C. As populações caiçaras e o mito do bom selvagem: a necessidade de uma nova abordagem interdisciplinar. Revista de Antropologia – São Paulo, USP 2002. BOURDIEU, P. Poder simbólico. ED. Difel, 1989. BRASIL. Decreto Federal Nº 5.758, de 13 de abril de 2006 que institui o Plano Estratégico Nacional de Áreas Protegidas – PNAP. 2006. BRASIL. Decreto Federal no 6.040/2007 que institui a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais. 2007. BRASIL. Lei nº 9.985 de 19 de julho de 2000. Dispõe sobre o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), 2000. BURSZTYN, I.; DELAMARO, M. C.; DELAMARO, L. S. L.; SAVIOLO, S. R.; “Benchmark Prainha do Canto Verde” in Caderno Virtual de Turismo, www.ivt-rj.net/caderno. 2003. CHOI, H.S & SIRAKAYA, E. Measuring Residents’ Attitude toward Sustainable Tourism: Development of Sustainable Tourism Attitude Scale. Journal of Travel Research, CHOI, H.S, SIRAKAYA, E., Sustainability indicators for managing community tourism. Tourism Management 27 (2006) 1274–1289 CORIOLANO, L. N. M. T. (org), O turismo de inclusão e o desenvolvimento local, Fortaleza: FUNECE, 2003. DELAMARO, M. C.; SAVIOLO, S., OLIVEIRA SANTOS, J. H.; BURSZTYN, I.; DELAMARO, L. S. L.; D'OLIVEIRA, E.; MUDADO, T.; “Turismo nas fazendas históricas do Vale do Paraíba Fluminense: um estudo sobre sustentabilidade” in Caderno Virtual de Turismo, www.ivtrj.net/caderno, 2002. FLEXOR, G. “Agricultura Multifuncional e Meio Ambiente: especificidade territorial e conflitos em torno dos Recursos Naturais no Município de Paraty”. Mimeo. I Congresso Acadêmico sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento do Rio de Janeiro: Administração para um Desenvolvimento Sustentável. 2004. GRÜNEWALD, Rodrigo. Turismo e etnicidade. Horizontes Antropológicos – Turismo nº 20, p.141159, outubro, Porto Alegre: UFRGS, 2003. LEA, John. Tourism and development. In: The third world – London/NY Routedge, 1988. LTDS. Relatório técnico-científico - Análise de iniciativas turísticas com base comunitária: os casos de Trindade (Paraty-RJ) e Conceição de Ibitipoca (Lima Duarte-MG). Rio de Janeiro: COPPE/UFRJ, 2006. OLIVEIRA, A. C. A atividade turística e seus efeitos à população local: um paradoxo. Caderno Virtual de Turismo, Rio de Janeiro: IVT, n 16, p.61-73, 2005. Disponível em: http://www.ivt.coppe.ufrj.br/caderno/ojs/. Acesso em: 13 março 2008. SANSOLO, D. G. Centralismo e participação na proteção da natureza e desenvolvimento do turismo no Brasil. In: IRVING, M. A. (Org.) Áreas protegidas e inclusão social: construindo novos significados. Rio de Janeiro: Aquarius, 2006. SANTOS, M. Estradas Reais. Belo Horizonte, Ed. Estrada Real, 2001. SIRAKAYA, E., Jamal, T.B. and Choi, H.S. (2001) Developing indicators for destination sustainability. In D.B. Weaver (ed.) The Encyclopedia of Ecotourism (pp. 411–31).Oxford: CAB International. SWARBROOKE, J.; Turismo sustentável: conceitos e impacto ambiental. São Paulo: Editora Aleph, 2000. ZAOUAL, H.; Nova economia das iniciativas locais: uma introdução ao pensamento pós-global. Rio de Janeiro: DP&A editora. 2006.