CÂMARA DOS DEPUTADOS
DEPARTAMENTO DE TAQUIGRAFIA, REVISÃO E REDAÇÃO
NÚCLEO DE REVISÃO DE COMISSÕES
TEXTO COM REDAÇÃO FINAL
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
EVENTO: Audiência Pública
INÍCIO: 14:23
TEMPO DE GRAVAÇÃO: 2:02:00
REVISORES:
SUPERVISÃO: NEUSINHA, ZUZU
CONCATENAÇÃO: MARIA LUÍZA
CPI – CBF/NIKE
N°: 000212/01
TÉRMINO: 16:21
PÁGINAS: 62
DATA: 11/04/01
DURAÇÃO: 1:58:00
QUARTOS: 25
DEPOENTE/CONVIDADO – QUALIFICAÇÃO
LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Diretor Executivo de Investimentos para a América
Latina do Bank of America.
SUMÁRIO: Tomada de depoimento.
OBSERVAÇÕES
Há intervenções inaudíveis.
Há termos ininteligíveis.
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Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
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Data: 11/04/01
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Declaro aberta a 42ª reunião
da Comissão Parlamentar de Inquérito destinada a apurar a regularidade do contrato
celebrado entre a CBF e a Nike. Comunico aos presentes a agenda da próxima
semana: terça-feira, dia 17 de abril, às 14h: apreciação de requerimentos; no mesmo
dia, às 14h30min, realização do painel “Justiça Desportiva”, com os seguintes
convidados: o Procurador-Geral da República, Dr. Geraldo Brindeiro, Dr. Valed de
Perry, advogado especialista em legislação esportiva, Desembargador Antônio
Carlos Viana Santos, Presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros e o Dr.
Rubens Approbato Machado, Presidente do Conselho Federal da Ordem dos
Advogados do Brasil. Esta reunião de audiência pública foi convocada para tomar o
depoimento do Sr. Luiz Cláudio de Araújo Barbosa, Diretor Executivo de
Investimento para a América Latina, do Bank of America, a quem convido a tomar
assento à mesa. (Pausa.) Esclareço à nossa testemunha que, inicialmente, será
concedido ao senhor um tempo de até vinte minutos para suas exposições iniciais,
do qual o senhor poderá fazer uso ou não, porque, se preferir, podemos passar
imediatamente às perguntas dos Deputados, e durante esse tempo o senhor não
poderá ser aparteado nem interrompido. Passo à leitura do compromisso oral
subscrito pelo Sr. Luiz Cláudio de Araújo Barbosa: Faço, sob a palavra de honra, a
promessa de dizer a verdade do que souber e me for perguntado. Agradeço a
presença de V.Sa. na tarde de hoje, aqui na Comissão, e passo imediatamente a
palavra. Tem a palavra V.Sa.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Primeiramente, boa tarde.
Quero agradecer a esta Comissão pela oportunidade de aqui estar, representando o
Bank of America, uma instituição reconhecida internacionalmente, o maior banco
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comercial dos Estados Unidos da América, um dos maiores parceiros do Brasil nas
últimas décadas, com investimentos em várias áreas e empréstimos para vários
setores industriais do País. Mais recentemente, o banco teve a oportunidade de
fazer um investimento que foi pioneiro no futebol brasileiro. O objetivo desse
investimento foi claramente de ajudar a desenvolver o futebol e, obviamente, com o
passar do tempo, à medida que o esporte vá melhorando e se profissionalizando, o
Bank of America e o grupo de investidores que nós reunimos para formar a empresa
Vasco da Gama Licenciamentos, que foi o primeiro investimento profissional na área
de futebol, obviamente, o interesse dos investidores, a longo prazo, obviamente, é o
retorno econômico. Mas isso, obviamente, só é possível à medida que todo o meio
do futebol esteja bem, os clubes estejam bem, os campeonatos estejam bem.
Portanto, é um prazer estar aqui nesta CPI, poder contribuir no que for possível.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Muito obrigado, Sr. Luiz
Barbosa. Passo a palavra, para suas perguntas iniciais, ao Relator da Comissão,
Deputado Silvio Torres. Tem V.Exa. a palavra.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Sr. Presidente, Srs. Deputados, Sr.
Luiz Barbosa, agradecemos a sua presença na nossa Comissão, que vem colaborar
com o nosso trabalho de investigação sobre o futebol brasileiro e, especialmente,
nós contamos com os seus conhecimentos na área de investimentos esportivos, que
é uma das áreas que nós estamos procurando conhecer com mais profundidade,
para podermos elaborar um relatório que nos dê uma visão mais realista do que se
passa hoje no futebol brasileiro, no exterior, no esporte de uma forma geral. Nesse
sentido, eu dirigirei algumas perguntas iniciais a V.Sa. e gostaria de contar com as
suas
respostas,
tanto
quanto
possível,
desde
que,
evidentemente,
não
ultrapassemos os limites do sigilo comercial. E evidentemente a empresa pode se
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preservar, pode utilizar. Mas aquilo que o senhor puder nos informar de detalhes e
de números, nós gostaríamos de obtê-los. E se não for possível obtê-los de um
modo público, nós nos contentaríamos de obtê-los de modo particular, mesmo,
independente de fazermos uma sessão, através de uma conversa particular, se o
senhor se dispuser a isso.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Estamos à sua disposição.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Obrigado. O Bank of America é a
primeira experiência que ele tem em investimento no esporte no Brasil é a Vasco
Licenciamentos?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Exatamente.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – E há quanto tempo essa experiência
vem...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – A Vasco Licenciamentos
foi criada em setembro de 1998, aproximadamente.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Criada, e imediatamente passou a
funcionar?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – É. Ela, na realidade,
começou a funcionar mais para o fim de 98, janeiro de 99, porque teve a Copa do
Mundo. Então, depois da Copa do Mundo, ficou tudo parado por um bom tempo. A
empresa precisou de tempo para se organizar, recrutar profissionais. Um dos
maiores desafios dos investidores foi recrutar profissionais para poderem administrar
a empresa, porque, como é de conhecimento de V.Sa., está mudando, mas havia na
época, se eu não me engano, quase nenhuma escola ou faculdade que formava
profissionais nessa área de marketing esportivo e até finanças esportivas.
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O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Essa é uma informação também que
interessaria. Com esse mercado hoje, o senhor já considerada que o Brasil já está
em condições de oferecer pessoal preparado para atuar nessa área de marketing
esportivo?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu acho que depois que a
Vasco da Gama Licenciamento foi criada, como é do conhecimento de V.Sa., houve
vários outros investimentos no setor esportivo. E as faculdades... A gente observa
que várias universidades começaram a oferecer programas específicos para
formação de profissionais nessa área, como acontece em outros países. Quer dizer,
na Inglaterra, por exemplo, tem um mestrado em administração de empresas que é
especializado na área de administração esportiva.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Que outros países têm esse tipo de
trabalho?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Também, mas ele é bem
mais avançado na Inglaterra.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Não. Quais outros países que o
senhor conhece que têm...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Bem, os Estados Unidos...
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Estados Unidos, a Inglaterra...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – ... onde eu morei boa parte
da minha vida, estudei e trabalhei quase vinte anos. E o modelo é de gestão das
entidades esportivas. É um modelo totalmente profissional. Todas as entidades
esportivas são empresas voltadas para o fim lucrativo, com o objetivo do lucro.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Como que o senhor, que o Bank of
America se interessou pelo Brasil? Ele... O que viu no Brasil, quais foram as
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expectativas, enfim, como que se deu esse interesse? O Bank of América foi
procurado, foi ele é que tomou a iniciativa de procurar alguma alternativa no
mercado brasileira?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – O Bank of América tem
uma tradição de ser pioneiro nos seus negócios. E eu poderia citar para V.Sa. vários
exemplos de pioneirismo do banco no Brasil. Talvez um dos mais importantes seja
na privatização da Companhia Vale do Rio Doce, onde o banco investiu um bilhão e
meio de dólares, através de um empréstimo de 1 bilhão e 200... Nós fomos o agente
que sindicalizou o empréstimo de 1 bilhão e 200 para a Companhia Siderúrgica
Nacional e também nós fomos o agente que sindicalizamos um grupo de
investidores que conjuntamente criamos uma empresa até um pouco parecido com a
VGL — o senhor vê que o conceito é parecido — chamada
Sweet River, que
significa rio doce em inglês, que investiu 375 milhões de dólares e foi parte do
consórcio da CSN, que comprou 10% da VALEPAR, que foi a holding que o
Governo criou para comprar o controle da Companhia Vale do Rio Doce. Então, o
banco, ele foi fundamental. E foi a primeira a primeira vez... Esse empréstimo foi na
época o maior empréstimo da História do Brasil, da América Latina. Foi o maior
empréstimo já feito por uma empresa privada na América Latina e também foi o
primeiro investimento desse montante em ações numa empresa. Então, foi
altamente pioneiro. E no futebol não foi diferente. O nosso banco tem, dentro dos
Estados Unidos, talvez, certamente, o maior departamento de finanças esportivas na
América. Nos Estados Unidos, como o senhor, é do conhecimento de V.Sas., nos
últimos vinte anos o esporte mudou muito, todas as entidades esportivas se
tornaram empresas e passaram a ser administradas como qualquer outra empresa,
e obviamente totalmente voltadas para o fim lucrativo. Com isso, gerou realmente
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um crescimento muito grande do setor esportivo, como um todo, gerou muito
emprego, gerou muitos investimentos, novos estádios. Quer dizer, os estádios hoje
nos Estados Unidos são verdadeiros centros de entretenimentos. Aqui no Brasil a
gente vê os clubes lutando para tentar construir um estádio de 20 milhões de
dólares, 30 milhões de dólares, e nos Estados Unidos estão construindo estádios de
meio bilhão de dólares, que são verdadeiros centros de entretenimentos. Então,
claramente, nos Estados Unidos, o banco tem um atuação muito grande, financiando
entidades esportivas, comprando direitos de transmissão, fazendo securitização de
recebíveis futuros, de direitos futuros, fazendo financiamento da construção de
estádios e também como patrocinador. O Bank of America foi o maior patrocinador
das Olimpíadas de Atlanta e também foi o grande financiador para o Comitê
Olímpico que organizou as Olimpíadas de Atlanta. E na cidade onde, na Carolina, no
Estado da Carolina do Norte, em Charlotte, que é a sede do banco, o banco tem
uma atuação tradicional com o time de futebol americano local. O estádio foi
construído pelo Bank of America, financiado pelo Bank of America, se chama Bank
of America, e o também o time de basquete local.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – O banco atua, então, em três níveis:
um, como, ele é proprietário de algum, algum, de alguma entidade esportiva? Não.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não, só dos direitos.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Não, só dos direitos, ele faz uma
espécie de licenciamento, como faz aqui...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Exatamente.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – ...ou pode atuar também como
patrocinador...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Em alguns casos, também.
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O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – ...em alguns casos. São as duas
formas que o banco atua na área esportiva nos Estados Unidos?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Exatamente.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Essas empresas esportivas dos
Estados Unidos, com as quais o banco se relaciona, todas elas são dirigidas por
profissionais e elas todas são responsáveis perante as entidades de fiscalização das
instituições norte-americanas. Ou seja, os dirigentes são responsáveis por aquilo
que eles fazem na administração...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – ...como qualquer outro
administrador de qualquer outra empresa.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Não tem... O esporte é considerado
uma empresa como qualquer outra? Não tem nenhum benefício governamental, não
tem nada que o vincule de alguma forma a uma, a uma fiscalização federal,
governamental?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – E queria perguntar para o senhor,
que, aliás, eu perguntei, nós acabamos divagando, como é que foi o interesse do
Bank of America para o Brasil, como é que se deu esse...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Bom, primeiro, quando a
Lei Pelé foi passada — e vou ser bem franco e direto ao ponto que eu sei que é o
que interessa a V.Sas. —, havia uma cláusula na Lei Pelé que era de grande
interesse para os investidores estrangeiros, que era a cláusula que obrigava as
entidades esportivas a virarem empresas. E com essa mudança que ocorreu na lei,
que depois foi mudada de novo, foi retirada, o Bank of America, nós reunimos um
grupo de analistas, que começou a estudar o setor e viu que o esporte como
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negócio no Brasil ainda representava um percentual muito pequeno do PIB, quando
comparado ao que acontece em outros países mais desenvolvidos. E o esporte é
uma grande paixão nacional no Brasil, como é no mundo, é uma paixão mundial o
esporte. E nós achamos que isso, havia aí uma grande oportunidade de negócio.
Você precisava ter uma visão de longo prazo, porque a coisa não muda da noite
para o dia. Você pode mudar a lei, mas até mudar a conscientização, as pessoas
até haver universidades que treinem profissionais, isso pode levar uma década.
Então, nós realmente tínhamos e temos uma visão de longo prazo. E, com isso,
preparamos apresentações, estudos e reunimos um grupo de investidores que eu
considero de primeira linha. Quer dizer, a parceria que foi feita com o Vasco da
Gama reúne investidores de primeira linha. Inicialmente era Bank of America e o
Soros, que é um dos maiores megainvestidores do mundo, depois o Soros saiu e
entrou a AIG, a maior empresa de seguros dos Estados Unidos.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – AIG?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – É o American Insurance
Group e um fundo de investimentos chamados E-Ventures que tem grandes
seguradoras e bancos como investidores. Então, esse grupo se reuniu, criou a
Vasco da Gama Licenciamentos, buscou contratar profissionais e partiu no seu
pioneirismo de tentar ser bem-sucedido.
(Intervenção inaudível.)
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Pois não, Deputado Aldo Rebelo.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Me permita, Sr. Relator, só
para tentar compreender. Não é um conflito de números, mas talvez de avaliação,
porque há um estudo da Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro, encomendado
pela própria CBF. E, segundo esse estudo, o PIB do futebol brasileiro, ou seja, a
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movimentação do futebol corresponde, segundo esse estudo, a aproximadamente
16 bilhões de dólares por ano. Isso é mais do que o faturamento da nossa
Petroquímica, mais do que a própria AMBEV. Isso representa mais de 5% do PIB
brasileiro. O cálculo, embora não seja detalhado, inclui a venda de ingressos, de
material esportivo, de camisetas, de chuteiras, de tênis, de mercadorias nas portas
dos estádios. Tudo isso reuniria esse valor. Segundo esse cálculo que o senhor faz,
e que acho que é a mesma fonte, a avaliação é muito mais pessimista, ou seja, o
volume de recursos, por esses cálculos, que eu não sei se são da mesma fonte, mas
representariam muito menos comparativamente com o que movimenta nos Estados
Unidos e na Europa. Se o senhor teria uma explicação para essa diferença ou de
avaliação entre fontes distintas sobre o que representa o futebol, não diria nem o
esporte, porque esse cálculo da Fundação Getúlio Vargas é só para o futebol no PIB
do País.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Bom, realmente eu
desconheço esse estudo da Fundação Getúlio Vargas, então não me encontro em
condições de comentar sobre o mesmo. Entretanto, eu posso lhe dar alguns
números comparativos. Por exemplo, o campeonato de futebol americano — é claro
que o PIB americano é bem superior ao brasileiro — é vendido aproximadamente
por dois bilhões e meio de dólares por ano.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Quer dizer, só o direito de
televisionar?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Só o direito de televisão.
Se nós analisarmos o faturamento das entidades esportivas nos Estados Unidos ou
até na Europa — faturamento de televisão, faturamento de Internet, faturamento de
merchandise, faturamento de bilheteria de estádio — e nós compararmos com o
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que fatura um Flamengo, um Vasco, um Corinthians, um Palmeiras e um São Paulo,
não há dúvida de que existe aí uma grande oportunidade de negócio e uma grande
fonte, na minha opinião, de crescimento econômico e de criação de empregos para
o País. E é com base nisso que conseguimos atrair os investidores para o
investimento no esporte.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Quando foi feita essa avaliação sobre
o potencial do mercado, mas certamente foi feita uma outra avaliação sobre as
demais vertentes desse mercado. Como, por exemplo, foi avaliada pelo banco essa
dificuldade de especialistas do mercado para atuar nessa área de administração
esportiva, como o senhor disse anteriormente que está se iniciando no Brasil agora,
também foi avaliado por V.Sas. os métodos administrativos, a organização das
entidades brasileiras de uma forma geral, clubes, federações, a própria confedera...
Foi feita essa análise, se o investimento, um dinheiro pronto, ele poderia se casar
com uma organização diferente daquelas com a qual o banco já estava acostumado
a tratar?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Claro que sim. E, sem
dúvida, na avaliação dos investidores, isso apresentava um risco. Mas, como a
gente diz, capital de risco. Quer dizer, ele vem buscando o retorno mesmo que seja
de longo prazo e muitas vezes ele tem que conviver com os riscos que são
apresentados. Agora, é claro que nós acreditávamos e ainda acreditamos, e eu acho
que essa CPI é um prova disso, de que a tendência é clara de uma melhora nesse
sentido em todos os aspectos. Uma das coisas que nós avaliamos e que realmente,
à medida que a Vasco da Gama Licenciamento foi ganhando vida, nós nos
defrontamos, e eu acho que ela tem, ela, embora se apresentou em uma certa
dificuldade para
a Vasco da Gama Licenciamento, eu acho que é um aspecto
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positivo, porque você, quando faz um investimento, você muitas vezes analisa os
números, analisa os fatores econômicos, os fatores políticos e, às vezes, mesmo
quando você analisa, você não dá muita importância aos fatores socioculturais. E no
caso do Brasil, um fator que eu acho que nós havíamos subavaliado é que o clube
de futebol no Brasil é realmente uma entidade muito mais complexa do que nós
imaginamos. Por quê? Porque o clube de futebol no Brasil, ele também faz um papel
social muito importante e até, na minha opinião, louvável. Quer dizer, num país onde
as oportunidades de educação são ainda, infelizmente, pequenas, as oportunidades
de saúde, de alimentação. No caso do Vasco, por exemplo, que nós conhecemos
bem, eu não saberia dizer exato os números, mas certamente são milhares de
crianças...
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Certamente o Deputado Eurico
Miranda vai nos dar esse número mais tarde.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – ...de jovens carentes, que
dependem do clube pra comer, pra estudar, dependem do clube pro uniforme
escolar, dependem do clube... Então, quando o investidor se depara com isso, ele
realmente se encontra numa situação difícil, porque ao mesmo tempo que ele quer
exigir do clube a mesma, vamos dizer assim, dureza, se eu posso usar essa palavra,
que ele exigiria de uma sociedade anônima normal, ele muitas vezes se vê
sensibilizado pelos aspectos sociais do clube. E realmente encontra dificuldade no
relacionamento com o clube. Então, esse aspecto sociocultural do clube de futebol
no Brasil, na minha opinião, é um aspecto que precisa ser analisado com muito
carinho, porque o Brasil é um país especial, quer dizer é um país diferente nesse
sentido. Eu fui criança no Brasil, cresci no subúrbio do Rio de Janeiro e fiz escola
pública no Rio. Felizmente, na minha época, as escolas públicas eram boas e eu tive
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a oportunidade de terminar o primeiro grau e o segundo grau e ganhar uma bolsa de
estudos. Fui para os Estados Unidos e quando cheguei nos Estados Unidos entrei
na faculdade e eu estava no mesmo nível que qualquer estudante americano. Hoje
em dia eu não sei se a mesma coisa seria possível. Então... porque houve
claramente uma deteriorização. Então, o clube de futebol representa pra milhares,
se não milhões de crianças brasileiras, essa oportunidade de ascensão social,
econômica, de educação. Então, esse é um aspecto que realmente sensibiliza os
investidores e é um aspecto que torna, de uma certa maneira, o relacionamento
empresarial, comercial do investidor com o clube de futebol muito difícil.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – E a avaliação? Foi feita uma
avaliação, e essa avaliação possivelmente se concretizou, das dificuldades, se é que
houve dificuldades, de, ao mudar, ao tentar mudar as relações já consolidadas, as
relações do futebol brasileiro com seus inúmeros agentes, como, por exemplo, as
empresas de televisão, certo? Evidentemente, nós sabemos que o banco vem com
essa visão de que os direitos de televisão nos Estados Unidos valem tanto, na
Inglaterra valem tanto e no Brasil estão aquém, talvez, as mesmas cifras. E na
avaliação de V.Sas. deveria imaginar que, ao assumir um clube de futebol,
pretenderia aumentar suas receitas, inclusive com isso. Concorda?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Correto.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Então... O Banco teve esse tipo de
dificuldade? Está tendo esse tipo de dificuldade de lidar com os..., com esses
agentes já incrustados, digamos assim, em torno do futebol brasileiro?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu acho que, na realidade,
há uma dificuldade natural. Mas eu acho que está todo mundo no mesmo barco,
porque, ao mesmo tempo em que o investidor e o próprio clube querem receber
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Nome: CPI – CBF/NIKE
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mais da televisão e querem receber... querem vender as entradas por um preço
mais alto, a televisão, pra ela poder pagar mais, ela também precisa ter um produto,
que ela coloca na televisão, de primeira qualidade, para que os patrocinadores,
quando anunciem, paguem mais à televisão, não é? Por exemplo: quanto custou 30
segundos de propaganda na decisão do campeonato de futebol americano? Eu não
lembro, mas foram milhões de dólares. Então, quer dizer, na minha opinião, é
preciso que haja uma visão de todas as partes. E eu acho que está caminhando
nessa direção, das federações, da Confederação Brasileira de Futebol, das
federações regionais, dos clubes, da televisão, dos patrocinadores, de todos, de que
todo mundo tem que sentar na mesa, conversar e buscar entregar um produto
melhor; campeonatos mais organizados. Quer dizer, aqui no Brasil alguns clubes
jogam três vezes por semana, quatro vezes por semana, às vezes, quer dizer, não
funciona. Então, quer dizer, claramente, eu acho que está todo mundo no mesmo
barco. Então, cabe a todos. Então, é óbvio que, no momento inicial, cada um busca
defender os seus interesses: o investidor busca defender o seu interesse, o
patrocinador, o seu interesse, a televisão, o seu interesse, o clube, o seu interesse.
Mas a coisa só funciona se todo mundo sentar na mesa, trabalhar junto, ver o que
está errado, ajudar a mudar o que está errado, reorganizar toda a relação entre
todas as partes, pra que nós tenhamos um produto melhor. Todo mundo vai ganhar.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – O Bank of America veio para o Brasil
na esteira de um entusiasmo de várias empresas estrangeiras em patrocinar, em
fazer parte desse mercado que o senhor disse aí, tão promissor. Isso foi... começou
a ocorrer de uns cinco anos pra cá, mais ou menos. E hoje? Me parece que hoje nós
estamos vivendo um momento de um certo refluxo, com várias dificuldades nesse
relacionamento, nos negócios que foram feitos, a começar da própria CBF com a
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Nike, o maior contrato, sem dúvida nenhuma, mas também clubes, outras empresas;
a ISL está com problemas com os dois clubes que patrocina, a própria Vasco
Licenciamentos está tendo dificuldades de relacionamento com o Clube... A que o
senhor atribuiria isso? Qual o... O senhor concorda que estaria havendo um certo
refluxo?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Sim. Realmente nós
estamos num momento difícil. Entretanto, eu acredito que após a tempestade vem a
bonança. Na realidade, eu acho que esse momento difícil também representa uma
grande oportunidade pra todas as partes, como eu disse antes, sentarem à mesa e,
de comum acordo, buscarem uma solução que atenda a todos. Por quê? Porque o
impasse, quer dizer, posso dar, por exemplo, o caso específico da Vasco da Gama
Licenciamentos e do Clube Regatas... Realmente há um impasse comercial entre as
duas partes, que, inclusive, no momento, está na Justiça, mas eu acho..., eu acho,
não, eu tenho certeza que as duas partes vão chegar a um acordo. Por quê? Porque
se não houver um acordo, as duas partes perdem. Os investidores, todo o
investimento que foi colocado não vai valer nada; o clube também perde, porque ele
perde grandes parceiros, perde credibilidade, eu acho, e perde oportunidades
futuras de alavancar patrocínios futuros. Então, eu acredito que essa..., esse
momento difícil é porque, quando você é pioneiro, você tem que pagar um preço
pelo pioneirismo muitas vezes, mas aonde há vontade de mudança verdadeira
você... vai acabar havendo progresso.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Mas o senhor atribuiria isso então a
uma, a um conflito, digamos assim, de divisões, há um conflito de comportamento?
Você, vocês vêm do exterior com experiência e se choca aqui com uma outra
prática, digamos assim.
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O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – São várias coisas como eu
lhe falei. Há divergências quanto ao modelo, há divergências contra, quanto a,
quanto aos aspectos comerciais. E também tem uma outra coisa, quer dizer, na
nossa cultura, quer dizer, no Brasil, e talvez até com uma certa razão, as empresas
ainda são muito tímidas quanto ao desejo de patrocinar entidades esportivas em
geral. V.Sas. sabem que, por exemplo, o Comitê Olímpico Brasileiro, que esteve na
última Olimpíada, boa parte foi patrocinada pelo próprio Vasco. As empresas ainda
são muito tímidas. Elas têm medo de associar a sua marca ao esporte por achar, na
minha opinião, erroneamente, que isso vai trazer danos...
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – À imagem.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – ...à imagem da empresa.
Então, essa percepção, ela é muito ruim, porque, nos Estados Unidos, as empresas
pagam muitos milhões de dólares pra ter suas marcas associadas a atletas
esportivos. O que Michael Jordan alavancou pra Nike, quer dizer, e vários outros
exemplos, em vários esportes, no basquete e no futebol. Eu acredito que, no Brasil,
não poderia ser diferente. Tem tudo pra ser igual ou melhor. O que falta, na minha
opinião, é apenas a vontade legítima das partes de buscarem uma solução, nada
mais que isso.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Nesse aspecto, nesse quadro todo,
como o senhor vê o funcionamento dessa nossas..., das duas CPIs, essa da
Câmara e a do Senado, como que o senhor vê? Ela ajuda ou atrapalha a vinda de
investidores pro Brasil?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu acho que ela ajuda; a
longo prazo, ela ajuda. É claro que é preciso que ela... Em primeiro lugar, eu diria o
seguinte: tendo morado nos Estados Unidos vinte anos, eu acredito que a
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COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
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democracia é a coisa mais maravilhosa da face da terra. Quando eu saí do Brasil, há
mais ou menos vinte anos atrás — eu tinha um pouco mais de dezenove anos —, e
eu era pobre e tive que pagar mil dólares pro governo militar pra poder sair do Brasil.
Quer dizer, eu tinha uma bolsa de estudos pra estudar nos Estados Unidos, era
pobre e ainda tive que pagar mil dólares pro governo militar.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – É que era uma taxa que tinha na
época pra evitar a saída de dólares.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Então, claramente eu acho
que a democracia é o caminho, é a solução pra tudo. E esse é fórum democrático
pra se discutir os problemas. Eu acho que as duas CPIs representam isso. Então, eu
acho que V.Sas. estão de parabéns. Os investidores, no momento um, eles podem
se retrair, porque eles ficam esperando pra ver o que vai acontecer. Mas eu acho
que se o objetivo é, que o objetivo dessas CPIs é, além de apurar eventuais
irregularidades, é também recomendar novos caminhos e buscar novos modelos e
soluções. E eu acho que essas soluções e esses novos modelos, sendo
apresentados, os investidores vão voltar rapidinho.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Queria agora fazer mais umas poucas
perguntas, mais especificamente com relação à experiência da empresa de V.Sa.
com o Clube de Regatas Vasco da Gama. Como que o senhor está avaliando essa
experiência que é a primeira, que é a pioneira pro seu banco, como é que, como é
que está se dando, como sentiu? Está dentro da expectativa que tinham?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Está. Nós nunca achamos
que um investimento dessa natureza era um investimento de curto prazo. E sempre
achamos que nós íamos enfrentar dificuldade. E as maiores dificuldades que nós
enfrentamos foram dificuldades comerciais, dificuldades de alavancar patrocínios,
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Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
dificuldades de fazer bons contratos comerciais. Aí resume-se a maior problemática
da Vasco da Gama Licenciamentos. E essa dificuldade, ela não é necessariamente
culpa de “a”, “b” ou “c”. Eu acho que ela é culpa de toda uma conjuntura do esporte
que precisa ser mudada e melhorada no nosso País.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Há uma última pergunta nesta
primeira fase, ao fazer a negociação com o Vasco do Gama, o Bank of America
precisou de algum agente para estabelecer essa mediação ou foi um contato direto
com o Vasco da Gama?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Direto com o Vasco. Nós
conversamos também com outros clubes, e o Vasco, quando viu a oportunidade, foi
o que se moveu mais rápido para fazer o negócio. Não houve intermediador.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Muito obrigado, Sr. Presidente.
A SRA. PRESIDENTA (Deputada Tânia Soares) – Deputado Eurico Miranda,
autor do requerimento, para apresentar audiência.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Sra. Presidente, Sr. Relator, Srs.
Deputados, Sr. Luiz Barbosa, eu vou dividir isso aqui em duas etapas, dada a
oportunidade de... diante dos questionamentos do Relator sobre como estão
funcionando os investimentos do Bank of America, eu vou deixar isso para uma
segunda etapa e vou iniciar pela oportunidade que nós tivemos. Em três reuniões
anteriores, esteve depondo nesta Comissão o Sr. Hélio Viana. Primeira pergunta: o
senhor conhece o Sr. Hélio Viana.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Conheço.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Aliás, o nome dele todo é Hélio
Viana de Freitas. Ele, nesta Comissão, afirmou que investidores do Bank of America
o teriam procurado para perguntar, consultar, no sentido de remessas que o Vasco
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Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
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teria feito, ou algum dirigente do Vasco teria feito para o exterior. Eu vou dividir em
algumas partes as perguntas. Primeiro, alguma vez, o Sr. Hélio Viana consultou
alguém do Bank of America sobre esse problema de remessas, etc.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Sim, a mim
especificamente. Ele me consultou sobre o assunto.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Qual foi a consulta que ele fez?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Ele me perguntou o que eu
sabia dessas remessas.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – E qual foi a sua resposta para ele?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Que a Vasco da Gama
Licenciamentos havia feito as remessas com as devidas autorizações do Banco
Central do Brasil, portanto, absolutamente dentro da lei, para pagamento de
despesas do Departamento de Futebol do Vasco. Apenas isso.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Então, eu vou ser bem preciso.
Essa foi a informação que V.Sa passou para o Sr. Helio Viana. Ele aqui passou
outra. Mas eu quero, então, aproveitar a oportunidade e entrar em detalhes. Ele
mandou uma carta resposta para esta Comissão em relação, anexando quatro
cartas assinadas, que são cartas até que já foram devidamente publicadas,
inicialmente no Jornal Nacional. Não foram publicadas, divulgadas inicialmente no
Jornal Nacional e depois no O Globo, etc., sendo que ali foi colocado, aliás, com
todas as letras, que essas remessas foram feitas para, ou para uma conta do Vasco
no exterior ou para uma conta particular deste Deputado no exterior. As remessas
são as seguintes, foi o que ele aqui colocou: numa carta dirigida à Vasco da Gama
Licenciamentos, tem uma remessa em que, numa linguagem que foi colocada pela
própria Vasco Licenciamentos, diz o seguinte: “Pela presente, vimos solicitar a V.Sa
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Número: 000212/01
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que se faça uma aplicação junto ao Liberal Bank Corporate Limited, Nassau,
Bahamas, no valor de 3 milhões, 350 mil reais em nosso favor — e aí é que foi o
grande problema — “conforme instrumento particular de licença de uso de marcas,
etc., para fazer face a despesas de futebol”. Essa é uma. Tem aqui claro: “Outrossim, informamos que o código da natureza da transferência nacional em
reais será o número 55 mil, capitais brasileiros, a curto prazo, despesa no exterior.”
Tem uma remessa de 3 milhões 350. Tem uma remessa de 2 milhões, 330. Tem
uma remessa de 2 milhões 850 e tem uma remessa de 4 milhões e 20.
Objetivamente, eu queria lhe fazer a pergunta no sentido de aqui está... podem eles
dizer e tirar as ilações que entenderem, mas eu quero, efetivamente, que isso seja
comprovado ou não. Quando diz aqui “em nosso favor”, pode pressupor que “em
nosso favor” seria para uma conta que o Vasco teria nesse banco, ou alguém, ou no
caso eu, que assinei pelo Vasco, teria uma conta no exterior. A minha pergunta é a
seguinte — no exterior, não, nesse banco: essas remessas foram feitas para uma
conta do Vasco no Liberal Bank? Primeira pergunta.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Essas remessas foram feitas para
uma conta minha no Liberal Bank?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Essas remessas foram feitas para a
conta individual de algum dirigente do Vasco?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Essas remessas foram feitas
especificamente, conforme aqui está, para fazer face às despesas, por acaso você
tem conhecimento na época? Eu tenho conhecimento, mas eu queria saber se o
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Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
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banco que fez as remessas e a Vasco Licenciamentos que fez as remessas têm
conhecimento, quais foram essas despesas do Departamento de Futebol. Algumas.
Me citar algumas.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – No entendimento da Vasco
da Gama Licenciamentos, a operação não foi muito diferente ou é parte da operação
que o Vasco usou para pagar o passe do Luizão, do Edmundo, quando o Vasco
comprou. Por exemplo, o Juninho Paulista, o ano passado, eu lembro que o Vasco
fechou um câmbio, ele remeteu, se não me engano, em torno de 2 milhões de
dólares para pagar o empréstimo do Juninho Paulista. Então, no entendimento da
Vasco da Gama Licenciamentos, e lembre-se que a Vasco da Gama Licenciamentos
é uma empresa de capital aberto, é uma sociedade anônima. Seus administradores
têm todas as penalidades criminais da lei, da lei societária, as responsabilidades
administrativas e criminais, e ela, sendo subsidiária de três grandes grupos
estrangeiros, ela não pode dar um passo sem os advogados darem um o.k. Então,
portanto, ela não faria nada que não estivesse absolutamente dentro da Lei. No
entendimento da VGL, uma operação normal de remessa para pagar passe de
jogador de futebol
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – E eu, eu faço questão de repetir a
pergunta que fiz, para que não fique nenhuma dúvida. Essa remessa foi feita para
uma conta do Vasco no Liberal Bank?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não, senhor.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Essa remessa, essas remessas,
não essa, essas relacionadas por mim foram feitas para uma conta minha no
exterior, de Eurico Mirando no exterior?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não, senhor.
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COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
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Data: 11/04/01
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Foram feitas essas remessas...
Veja bem, estou sendo muito objetivo, nem estou querendo fazer nada amplo. Estou
fazendo especificamente em relação a essas remessas que estão sendo faladas.
Essas remessas foram feitas para alguma conta de algum dirigente do Vasco nesse
banco?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não, senhor.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Bom, eu fico satisfeito na primeira
parte. Agora vou para a segunda parte. Aproveitando a oportunidade e dentro das
perguntas que o Relator fez, e como... vamos tentar aqui colocar até para todos os
Deputados... Como é esse processo desse investimento no Brasil? V.Sa colocou, e
muito bem, a parceria do Vasco com o Bank of America. Foi uma parceria pioneira.
O Bank of America não veio na esteira. A Vasco.. of America abriu caminho para
esses investidores, e o Bank of America, que não foi o Bank of America, na verdade,
foi o Nations Bank, que depois se associou, teve uma fusão e virou Bank of America,
mas, inicialmente, isso tudo começou com o Nations Bank. O Nations Bank fez uma
parceria que até hoje não tem similar no Brasil. Qual é a parceria que o Vasco
efetivamente fez com o Nations Bank? Se eu estiver errado, me corrija. O Vasco fez
uma parceira com o Nations Bank para que eles fizessem um investimento. Para
que isso pudesse acontecer, o Nations Bank, hoje Bank of America, e vamos
esquecer o Nations Bank, vamos falar de Bank of America, criou uma empresa
chamada Vasco da Gama Licenciamentos. Correto?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Correto.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – O Clube de Regatas Vasco da
Gama tem alguma participação na Vasco da Gama Licenciamentos?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Acionária, não.
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Não. Só pode ter esse tipo de
participação, ou na direção ou no comando ou de fluência na Vasco da Gama
Licenciamentos, não?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – O que que o Vasco fez na
verdade? Não foi ceder os direitos por um determinado período, os direitos
referentes à transmissão, referentes, depois à publicidade, depois à estática, depois
à bilheteria? Enfim, os direitos que o Vasco tinha, foi esse o contrato que o Vasco
fez, com a Vasco... posteriormente com essa empresa criada, com a Vasco
Licenciamentos? Foi esse o contrato que o Vasco fez?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Foi, correto.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – E aproveitando para fazer o
comparativo, todos os outros contratos que foram feitos posteriormente, com a
criação, por exemplo, da Fla Licenciamentos, com a criação do Corinthians
Licenciamentos, da Cruzeiros Licenciamentos, é do seu conhecimento — deve ser
—, esses clubes tem participação nessas empresas?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Sinceramente, Deputado,
eu não conheço os contratos com tal detalhe para fazer essa afirmação. Eu não
tenho essa informação. Eu não conheço os contratos tão detalhadamente para falar
se o Flamengo tem participação na Fla Licenciamentos, se o Corinthians tem
participação na Corinthians Licenciamento. A gente houve falar uma série de coisas,
mas, realmente, sem analisar o contrato em detalhe, seria leviano da minha parte
fazer tal afirmação.
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COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Não, não é contrato. Veja bem. Eu
acho que V.Sa, pelo menos do Flamengo Licenciamentos deve saber, porque um
dos investidores é o mesmo investidor.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Correto.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – E não sabe se o Flamengo tem
participação?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não sei, porque esse
investidor que também investiu na Fla Licenciamentos com a ISL, ele o fez sem o
conhecimento do Bank of America, sem autorização do Bank of America. Então, foi
um investimento totalmente independente.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Sim.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Deputado Eurico Miranda, me daria
um aparte, só para esclarecer. Quando está se falando em participação, entende-se
que não é participação acionária, mas é participação no resultado comercial dos
direitos que foram repassados. É isso?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu acho que não. Eu acho
que o Deputado se refere a participação acionária.
O SR. DEPUTADO SILVIO TORRES – Sim, mas quando...
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – E no resultado, idem.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – E no resultado também.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – É, eu estou me referindo também a
essa parte, porque o que está claro é que, de uma forma ou de outra, todos os
outros evoluiu... Porque eu queria tentar aqui demonstrar como é que estão os
contratos no futebol brasileiro. No caso da Vasco Licenciamentos, o Vasco não
participa absolutamente em nada, nem acionariamente, nem no resultado que possa
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COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
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Data: 11/04/01
ter a Vasco Licenciamentos. Agora, nessas outras empresas de licenciamento, se
não há participação acionária, há participação no resultado, como bem disse o
Relator. V.Sa. não tem conhecimento disso?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não, não tenho, Deputado.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Nem teve nenhuma proposta para
ser feita dessa forma?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Proposta de quem?
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Dos clubes, no sentido de se
investir, porque V.Sa. mesmo disse que teve.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Sim, sim, claro.
Conversamos com vários outros clubes que o modelo de parceria é muito mais
parecido com o que V.Sa. está descrevendo.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Hã, então, na verdade, como
funciona? A idéia da Vasco e da criação da Vasco Licenciamentos e do Nations
Bank foi um negócio meio na base desse... olhando esse lado sociocultural, olhando
esse lado de que tinha que ser um investimento de longo prazo. Mas, na verdade, o
que aconteceu, o que essas empresas fazem? Essa é que a grande oportunidade.
Quando se criou a Vasco Licenciamentos, por que razão que teve que se fazer uma
empresa com sede nas Ilhas Virgens ou nas Ilhas Britânicas? Por que razão?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Por uma razão muito
simples: porque quando o Bank of
America
criou
a
Vasco
da
Gama
Licenciamentos...Toda vez que um banco faz um investimento, o objetivo dele é
reter o mínimo possível daquele investimento e repassar para outros com lucros.
Então, ao criar uma holding, como a gente chama, num paraíso fiscal, que era
detentora de 100% do capital da Vasco da Gama Licenciamentos, fica muito mais
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COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
fácil você repassar pequenas participações para outras partes, sem mexer na
composição acionária, no controle acionário da Vasco da Gama Licenciamentos.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Pode me dizer qual é o capital da
Vasco da Gama Licenciamentos?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu acho que o capital é
próximo de zero, porque a Vasco da Gama Licenciamentos foi capitalizada como
uma debênture conversível, não com aumento de capital. Foi uma debênture
conversível.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Por acaso você pode me dizer qual
é... sabe, por exemplo, o capital da Fla Licenciamentos, da Corinthians
Licenciamento? Qual é o capital dessas empresas?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não tenho a menor idéia,
V.Exa.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Mas deve ser aproximadamente
zero. Mil reais, dois mil reais, deve ser algo assim.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Realmente, eu não sei.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – E esses grupos que têm essas
siglas, como disse aqui, tem o nome bonito, AIG, que é a Insurance o quê?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – American Insurance
Group.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Esse American Insurance Group,
esse grupo, alguma vez, ele, por exemplo, eu sei que ele... Tomei conhecimento,
depois, que ele, por exemplo, hoje, ele tem participação na Vasco Licenciamentos.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Tem.
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Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Tem participação. E também tomei
conhecimento que ele depois tem participação na Fla Licenciamentos.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Correto.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Como eu, eu falo Vasco, como o
Vasco não tem nenhuma ingerência na Vasco Licenciamentos, eu nem tomei
conhecimento, se esse American Insurance Group passou a ser detentor da Vasco
Licenciamentos. Correto?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Correto.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – A Vasco Licenciamentos pode
vender para quem ela quiser e vende. Tem outros números. V.Sa falou em outra
empresa, como é que é o nome?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Um fundo de investimentos
chamados E-Ventures.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – E-Ventures. Essas siglas todas...
todas elas não acabam no mesmo lugar, essa AIG, ISL, E-Ventures, Hicks Muse,
não sei o quê. Tudo isso não acaba tudo no mesmo lugar, dando a volta?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não sei se eu entendo o
que V.Sa. quer dizer, se o senhor pudesse ser mais específico.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Eu queria saber o seguinte: esse
AIG, por exemplo, AIG, ele tem ligações comerciais com o Bank of America, por
exemplo?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Nos Estados Unidos?
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – É.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Claro.
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COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – E essa outra aí, esses... esse
também tem?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Pra os seus investidores
do fundo, provavelmente, sim.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – E esse... essa outra aí, essa ISL.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não, com o Bank of
America, nenhuma.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Mas tem com quem a ISL?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Ah, a ISL deve ter
relacionamento comercial com vários bancos.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Mas tem com a AIG?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Com AIG não saberia lhe
dizer.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – E com esse ...
SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Só me permite, Deputado
Eurico Miranda, também pra compreender o raciocínio. Por que a AIG, ela é
diferente, por exemplo, de uma ISL. A ISL é uma empresa de serviço, ou seja, não é
uma empresa ...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Uma empresa de
marketing esportivo.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – De marketing esportivo. Ou
seja, ela não é uma empresa de capital, ela trabalha com capital fornecido, por
exemplo, pra um AIG, que é um fundo de pensão.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não necessariamente. A
AIG, eu vou lhe explicar, a AIG é uma seguradora, ela é a maior empresa de seguro
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
dos Estados Unidos. E ela tem um fundo de investimentos que é administrado por
ela, quer dizer, que tem recursos da própria AIG.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Recursos próprios, isso.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – E recursos que ela capta
de terceiros.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Está certo.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – É um dos maiores fundos
de investimento dos Estados Unidos, senão do mundo. Então, a AIG é reconhecida
internacionalmente, ela pega esses recursos e ela investe em vários negócios no
mundo. A AIG Capital Partners, como ele se chama, o fundo de investimento.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Que é norte-americana?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Que é norte-americana. Já
a ISL é uma empresa de marketing esportivo, ela vende ...
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Européia?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Européia. O negócio
principal da ISL é ... pelo menos pelo que eu entendo, é a venda dos direitos da
Copa da Mundo.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Que teria uma similar norteamericana, ou seja ...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Teria ... teria a própria,
seria o ING, um grupo americano de marketing que seria um pouco parecido com a
ISL. Então, o grupo de marketing, no caso a ISL, aí ele estava, talvez, eu não sei,
fazendo papel duplo. Investir nos seus próprios recursos e ou recurso de terceiro,
tanto que no caso específico tinha AIG como investidor e outros, e recursos próprios
também.
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COM REDAÇÃO FINAL
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Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Muito obrigado.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – A gente vai conseguir entender
essa... essa engenharia vai conseguir entender, é difícil, mas vai conseguir
entender. Qual é a verdadeira... Aí foi colocado, eu sei que é um... Foi colocado por
V.Sa. que essas empresas têm um objetivo claro que é do lucro e, se não fosse
assim, não havia razão de ser. Mas esse movimento no sentido de se tomar conta
da gestão do futebol brasileiro é única e exclusivamente visando esse
aprimoramento para chegar ao lucro ou faz parte de todo um sistema que aconteceu
até no próprio Estados Unidos da transformação de todos esses, aqueles que
praticavam o esporte tiveram que se transformar em empresas e hoje aquilo é um, é
o business, e é o business e é o business. Será que não... como é que é, qual é a
sua visão em relação a isso?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu acho que... é uma
pergunta muito complexa, e a resposta não pode ser simples, porque já falamos aqui
um pouco desses assuntos hoje. O modelo americano é claramente um modelo
100% capitalista. Não existe nos Estados Unidos nenhuma atividade, quer dizer,
nenhuma atividade talvez seja um exagero, mas a grande maior parte das atividades
comerciais do país são todas regidas pelo critério de lucro. É uma sociedade
capitalista. Em outros países, a gente observa, por exemplo, que o modelo é um
pouco diferente. Há o objetivo do lucro, mas há também objetivos sociais. Seriam,
talvez, as chamadas economias de capital misto. No caso do Brasil, eu acho que...
Quer dizer, cabe aos brasileiros decidirem qual é o melhor modelo para os
brasileiros. E quem são os brasileiros? Esse fórum aqui é o fórum democrático
brasileiro que deve buscar essa solução. E o que os investidores estrangeiros
buscam, que é o que eu represento, sem dúvida, é o lucro. Mas eu acredito,
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
pessoalmente, que o lucro, quando ele é investido em infra-estrutura, quando ele é,
ele não é puramente especulativo de curto prazo, quer dizer, é diferente quando
você investe num papel do Governo para ganhar juros. Mas quando você investe
num projeto de infra-estrutura, você vai construir estádio, vai gerar emprego, vai
patrocinar atleta, eu acredito que isso é bom para qualquer economia do mundo, e
acho que seria um grave erro do Brasil se privar desse capital.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – O senhor conhece a Hicks Muse,
ou V.Sa., melhor dizendo, conhece a Hicks Muse?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Um pouco.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – O que é que é isso, Hicks Muse?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – É um fundo de
investimento.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – É um fundo de investimento voltado
especificamente pra quê? Para o investimento puro e simples?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Exatamente. Ele é um
fundo que tem o próprio nome, o Tom Hicks, como principal, um dos principais
investidores, e ele é acionista, quer dizer, tem seus próprios recursos no fundo e
capta de terceiros e investe em vários negócios pelo mundo.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Prioritariamente, prioritariamente,
majoritariamente, vamos dizer assim, quais são os investimentos dessa Hicks Muse?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu sinceramente não
saberia lhe dizer qual é o setor que eles...
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Mas eles investem nas áreas de
comunicação, por exemplo?
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Claro. Eles... telefonia, eu
acho, comunicação, mídia... esporte...
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Telecomunicação.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Campanhas eleitorais. Doou
100 milhões de dólares à campanha do recém-eleito Presidente dos Estados
Unidos.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Também. Essa Hicks Muse, essa
Hicks Muse, vamos, vamos tratar, não sei se até essa pronúncia é essa, mas essa
Hicks Muse, ela também veio aqui pro Brasil. E ela investiu, começou a investir em
clubes de futebol. E ela investiu, sabe que ela investiu em dois clubes. É sabedor
disso?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Corinthians e Cruzeiro, não
é?
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Exatamente. Sabe também que a
Hicks Muse comprou ou já tinha comprado, ou comprou depois, enfim, pelo se
divulgou agora, ela comprou uma empresa que tem, que detinha os direitos de
exploração da CBF, dos campeonatos sul-americanos, enfim, etc. Essa empresa se
chamava, se chama Traffic. E a Hicks Muse, o senhor tem conhecimento que ela
comprou esse... esse... (ininteligível)
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Ouvi falar. Mas
conhecimento de fato não tenho.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – É... ela comprou... Foi divulgado
que ela comprou 50%. Claro que no meio dos negócios, eu acho que isso tudo é
ético. Até eu estou vendo que V.Sa. não pode responder determinadas coisas por
causa de negócio comercial. Mas...
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Bem lembrado por V.Exa. A
testemunha está protegida legalmente pelo... por qualquer sigilo profissional de que
seja guardador. V.Exa. sabe disso, como Deputado...
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – É por isso que eu não quero forçar
a dizer números, nem... etc. É só sobre...
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Se não souber, a testemunha
pode estar informada disso.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Eu, eu... Nós tomamos
conhecimento que a Hicks Muse — e foi divulgado, até foi com uma grande festa —
que a Hicks Muse comprou 50% do capital da Traffic. E ela hoje tem... Eu queria
tentar ver como é que o pessoal quer chegar aqui no futebol brasileiro. Eles têm
empresa, eles têm a empresa que tem a exclusividade da exploração da, da CBF,
dos direitos da CBF, têm dois grandes clubes do futebol brasileiro. Tentaram ter
outros. Tentaram chegar, chegar também no próprio Vasco, e isso eu posso dizer;
V.Sa. não precisar dizer, mas eu posso dizer — eu não tenho esse segredo
comercial. Mas eles tentaram chegar também no próprio Vasco. Limitaram a sua
atuação porque houve um dispositivo legal que impedia que se tivesse o controle de
mais de dois clubes. Nesses clubes que eles participam, a Hicks Muse participa.
V.Sa. também não precisa... pode não ter conhecimento. Eu sei que tem, mas não
precisa dizer. O Diretor Financeiro do Corinthians é da Hicks Muse, o Diretor
Financeiro do Cruzeiro é da Hicks Muse. E acredito que o Diretor Financeiro da
Traffic também seja da Hicks Muse. Portanto, eles têm o controle. E eu queria
mostrar é a diferença que existe no contrato Vasco da Gama Licenciamentos e
Vasco e os outros, e o Vasco. E a vontade que esses grupos têm de efetivamente
entrarem na gestão, entrarem no controle. E eu volto à minha pergunta: será que
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
isso é exclusivamente — ela é complexa, V.Sa. responde se quiser. Será que isso é
exclusivamente para visar o lucro, dotar essas, esses clubes, ou essas federações,
ou essas empresas do chamado profissionalismo pra ter o resultado mais rápido, ou
é para se exercer aquele processo que aconteceu... Porque os Estados Unidos não
foi sempre assim. O esporte nos Estados Unidos não foi sempre assim. Ele virou, ele
foi, cada vez mais se tornou business e business e business e é um negócio que
no Brasil é complicado, é complicado. Daí esses, esses problemas que estão
havendo com as diversas... de relacionamento etc. Outra vez a pergunta: será que é
pelo lucro dotar esses clubes de profissionais pra ter um lucro melhor? Ou é pra ver,
ou pra efetivamente se tomar conta, transformar totalmente o sistema de
administração do esporte brasileiro, do futebol brasileiro, que passa a ser voltado
exclusivamente para o lucro, ou a outra opção que eu dei?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – A sua pergunta é
complexa, Deputado. Eu acredito que o investidor estrangeiro, o investidor de modo
geral — o brasileiro também não é muito diferente — sempre visa ao lucro. Mas
cabe aos, aos órgãos federais, aos órgãos, no caso do futebol específico, cabe às
confederações, às federações, aos clubes, ao Clube dos Treze — e eu acho que é
parte do, do trabalho que essa Casa tá tentando fazer — buscar conviver com esses
interesses da forma mais harmoniosa e pacífica possível. Por quê? Porque esses
investimentos, se feitos da maneira correta, são bons para o País, são bons para o
esporte, são necessários e, eu ousaria até dizer, se V.Sa. permite, indispensáveis.
Portanto, eu acho que cabe ao, ao, a V.Sas. buscarem criar um modelo de
convivência com esse capital que seja o mais harmonioso possível, porque esse
capital também não vai obter o retorno que ele espera se ele não conseguir conviver
harmoniosamente com o... o... as diferentes partes do esporte brasileiro.
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Eu, eu espero... E eu acho até que
a razão principal, quando foi criada essa Comissão para analisar esse contrato da
Nike com a CBF... Eu acho que o principal é justamente isso, é ver se chegar no
final... Nós sabemos que não podemos prescindir desse investimento. Mas nós
sabemos também — e V.Sa. disse isso aí no início. Os investidores foram
surpreendidos com isso que existe no Brasil... Numa hipótese de você administrar
uma seleção brasileira — e é por isso, neste País — como se ela fosse business...
Tem que mesclar. Uma hipótese: da maneira como culturalmente nós estamos,
como nosso torcedor é bitolado, os nossos clubes são todos eles criados em cima
da paixão. Evidentemente que nós não podemos prescindir do investimento. Mas
temos que buscar esse meio termo.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Sem dúvida.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Temos que buscar esse meio
termo, para que a gente possa conviver com o investimento e com a independência
do clube que tá... tem que... a paixão por ele, como é que surge o amor do torcedor
pelo seu clube.. O clube, não há hipótese de torcer por uma sigla. Ele não torce por
sigla, o brasileiro não torce por sigla, nunca, nem daqui há cem anos. Como é que
vai ser possível? É Muito complicado para o torcedor brasileiro entender como é, por
exemplo, como acontece nos Estados Unidos, que de repente você possa a torcer
por uma sigla e tudo bem. E você dá o nome de um bicho lá qualquer. Um passa a
ser touro, o outro passa a ser não sei o quê, passa a ser não sei o quê, e pronto,
está resolvido. E hoje ele está num estádio, o outro está no outro.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Para concluir, né, Deputado
Eurico Miranda?
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Vou concluir. Então, eu acho que...
Eu tenho que aproveitar essa oportunidade, Sr. Presidente, de poder... e aproveitar
que, sem dúvida, ele, o Sr. Luiz Barbosa, foi pioneiro no investimento...
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Aqui há uma lista de
oradores...
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Sim.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – ... e todos eles com a mesma
preocupação de V.Exa., com vôos marcados. O vôo de V.Exa. está marcado para
que horas?
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Eu... Eu nem fico com o vôo.
Depois de hoje, eu... não precisa nem firma vôo nenhum.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Mas procure ajudar os
companheiros que...
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Eu só queria...
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Procure ajudar os colegas
que estão com vôo marcado.
O SR. DEPUTADO DR. ROSINHA – Depois de hoje, ele vai a pé.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – É... Eu só queria, eu só queria
terminar, não só agradecendo aí as respostas do Sr. Luiz Barbosa, mas
principalmente pela oportunidade que tive de reafirmar aquilo que já havia sido
colocado há muito tempo e que vinha sendo, vinha sendo veiculado pela imprensa
de uma forma errada e que hoje eu tive a oportunidade da pessoa que, que
responde por isso e que responde pelo banco e que responde pela Vasco
Licenciamentos e que, e que é o conhecedor da operação, vir fazer o depoimento
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
que, de uma vez por todas, ele se deu em relação, especificamente, a essas
remessas que estavam sendo feitas para o exterior. Obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Muito obrigado, Deputado
Eurico Miranda. Passo a palavra e solicito brevidade aos Srs. Deputados, em razão
de compromissos por eles próprios assumidos, em função de viagem. Este
Presidente informa que permanecerá na Capital do País durante este período.
Deputado José Lourenço, com a palavra V.Exa.
O SR. DEPUTADO JOSÉ LOURENÇO – Presidente, eu quero apenas
cumprimentar o depoente e dizer a V.Exa. que não tenho passagem marcada, mas
não tenho nada a questionar. Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Deputado Pedro Celso, com
a palavra V.Exa.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Sr. Presidente, Sras. e Srs. Deputados,
Sr. Relator, Sr. Depoente. Sr. Depoente, Dr. Luiz Cláudio, um jovem aí que tá
brilhando mundo afora. Parabéns!
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Obrigado.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Já não é mais pobre, tão pobre como
seu... do Rio de Janeiro. Mas fez por merecer. Parabéns! Dr. Luiz Cláudio, qual a
participação do Presidente do Vasco, Sr. Antônio Calçada, na gestão dos recursos
da Vasco Licenciamentos repassados ao Vasco? O senhor pode informar? Quer que
eu repita?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Por favor.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Qual a participação do Presidente do
Vasco, Sr. Antônio Calçada, na gestão dos recursos da Vasco Licenciamentos
repassados ao Vasco da Gama?
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu não saberia lhe
responder porque a Vasco da Gama Licenciamentos não tem nenhuma ingerência
sobre a administração do Clube de Regatas Vasco da Gama.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – O Sr. Antônio Calçada era informado
sobre a gestão desses recursos da Vasco Licenciamentos?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Se ele era o... A Vasco
da Gama Licenciamentos, ela tem contrato com o clube, no qual está claramente
especificado quais são os direitos e obrigações de ambas as partes, e o Sr. Antônio
Soares Calçada assinou o contrato. Ele, como Presidente do Vasco, na época, foi
o... assinou o contrato. Portanto, só posso imaginar que ele esteja ciente de tudo.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Ele, o Sr. Antônio Calçada, foi
informado sobre as remessas ao exterior desses 12,5 milhões de dólares? O senhor
sabe informar?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu acredito que sim.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Acredita que sim. Não pode afirmar
com...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Porque, como eu lhe disse,
nós não administramos o dia-a-dia do Vasco, do Clube de Regatas Vasco da Gama.
Existe um contrato, no qual está especificado exatamente o que cada parte deve
fazer e o Presidente do Vasco é parte desse contrato.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – O senhor sabia que qualquer
movimentação financeira do Vasco tinha que ser autorizada pelo Presidente do
Clube e pelo Vice de Finanças?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Qualquer movimentação
financeira...
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Do Clube de Regatas Vasco da Gama
tinha que ser autorizada pelo Presidente do Clube e pelo Vice de Finanças do
mesmo Clube do Vasco da Gama?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – O senhor não sabe disso?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu entendo que não é
verdade isso. Eu entendo que o Deputado Eurico Miranda, como Vice-Presidente,
tem plenos poderes pra assinar pelo clube.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Quer dizer, então, que o Deputado
Eurico Miranda...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Esse é o entendimento dos
advogados da Vasco da Gama Licenciamentos.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – O Deputado Eurico Miranda, VicePresidente do Vasco da Gama, está credenciado junto à Vasco Licenciamentos?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – É, é o entendimento dos
advogados da Vasco da Gama Licenciamentos. Se não o fosse, eles não iriam
aceitar qualquer tipo de contrato ou qualquer tipo de, de carta só com a assinatura
do Vasco, porque, senão, não seria válido. Não seria muito inteligente dos
investidores.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – O Clube de Regatas Vasco da Gama,
Dr. Luiz Cláudio, emitiu duas notas promissórias no valor de 34 milhões de reais em
favor da Vasco Licenciamentos. Quais as garantias que o clube ofereceu?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – A nota promissória, por si
só, é uma garantia. Quer dizer, parte do, do contrato previa a emissão dessas notas
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
promissórias. Mas isso também está sendo, no momento, discutido entre a Vasco da
Gama Licenciamentos e o Clube.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Pergunta quem assinou, Deputado.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Como é que é?
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Pergunta quem assinou as notas
promissórias.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Vou perguntar, Deputado. Vou
perguntar. Vou atender o pedido do Deputado Eurico Miranda. Quem assinou as
notas promissórias e se elas foram pagas?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Se eu não me engano —
eu não me lembro de cabeça —, eu acho que foi o Presidente do Vasco. E o Eurico,
os dois juntos. Realmente, me perdoe, eu não me lembro exatamente.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – As promissórias foram pagas no
vencimento, Dr. Luiz Cláudio?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – As notas promissórias...
Acho que não.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Dá licença de um aparte?
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Pois não, Deputado.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Elas não venceram. V.Sa. tá mal
informado. Elas não venceram.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Há discussão judicial
quanto ao vencimento. Eu gostaria de explicar a V.Exa.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Então, dizer se é pagas ou não isso
é outra história.
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Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Porque a Vasco da Gama
Licenciamentos, ela é uma empresa de capital aberto. Portanto, a sua conta... E
auditada pela (ininteligível). Portanto, a sua contabilidade, ela é registrada com a
Comissão de Valores Mobiliários. Portanto, qualquer cidadão pode ter acesso a
essas informações. Inclusive, a CPI do Senado quebrou o sigilo bancário e fiscal da
Vasco da Gama Licenciamentos e obteve todas as informações da Vasco da Gama
Licenciamentos, e eu gostaria de colocar aqui à disposição desta Comissão as
mesmas informações, se os senhores as requisitarem.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Dr. Luiz Cláudio, o senhor afirmou de
que os recursos enviados para essa conta nas Bahamas... Bahamas mesmo, né?
São tantos os paraísos fiscais hoje em dia que...
(Intervenção inaudível)
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Nassau, Bahamas. Eu nunca andei por
esses lugares. Não foi enviados para as contas do Deputado Eurico Miranda, o que
nos tranqüiliza a todos. Não foi enviado para a conta do Clube de Regatas Vasco da
Gama. Então, Dr. Luiz Cláudio, foram mandados para a conta de quem?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Sinceramente, eu não sei.
Eles foram para as Bahamas e aí, em Bahamas, elas foram disponibilizadas para o
pagamento de despesas. Agora, de Bahamas, se o senhor quer saber pra onde ela
foi, eu não sei.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Não, pra conta de quem, em Bahamas,
esse dinheiro foi?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – De ninguém. Ele ficou
disponibilizado. Quando você fecha um câmbio pra fazer uma remessa pra um
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COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
pagamento, você não precisa, necessariamente, mandar o dinheiro pra uma conta
específica. Ela foi para o Liberal Bank Corporation...
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Mas na conta de alguém, não?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não. Elas ficaram
disponibilizadas para o Vasco fazer pagamento de despesas. Agora, se a sua
pergunta é, especificamente, que despesas, que contas, eu não sei e mesmo que
soubesse, não poderia lhe dizer, porque isso aí feriria o sigilo bancário de uma outra
jurisdição, que é a de Bahamas.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Ficaram à disposição do Vasco da
Gama no Liberal Bank?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Exatamente.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Desculpe, à disposição do Vasco
da Gama, não. Foi pra conta do Liberal...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Do Liberal Bank.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – ...Bank pra fazer os pagamentos já
previamente acertados.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Exatamente.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Mas não à disposição do Vasco.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Mas é isso que eu quero
dizer.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Eu gostaria de compreender. Se as
remessas tinham como objetivo pagar pela transferência de jogadores, queria
entender por que é que os recursos não foram diretamente remetidos aos
interessados. O senhor tem alguma explicação?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não tenho.
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COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Tá difícil, não é, Presidente?
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Pergunta pra mim, que eu explico.
(Risos.)
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Deputado, o senhor tá muito bem
hoje... Aliás, como em todos os dias, mas hoje o senhor tá melhor. Então... O senhor
tinha algum tipo de garantia de que essas remessas deveriam ir, ou eram remessas
que deveriam cobrir despesas do Departamento de Futebol do Vasco da Gama? O
senhor tem essa informação? Se era diretamente... O senhor disse que imaginava
que era pra pagar passe de jogadores.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Claro que sim. Nós temos
um contrato. A Vasco da Gama Licenciamentos tem um contrato com o clube, o qual
especifica, como eu falei antes, os direitos e obrigações de cada parte. E os
advogados da Vasco da Gama Licenciamentos o senhor pode ter certeza que eles
tomaram e tomariam todas as providências necessárias para se certificar de que
esse contrato tá sendo devidamente cumprido, né?
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – O senhor pode informar qual o valor da
multa por quebra de contrato com a Vasco Licenciamentos? O senhor é o gestor
desse contrato, não é?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Valor da multa?
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Por quebra de contrato.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Sinceramente, não sei, e
não sei se há previsão de multa por quebra de contrato.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – O senhor é um... Nós estamos aqui
elogiando que o senhor é um executivo muitíssimo bem sucedido, um brasileiro que
orgulha a todos nós representando o Brasil. Eu li ali o esforço de V.Sa. em trazer
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
recursos, investimentos pra o Brasil, um executivo respeitado. O senhor, imagino, é
o responsável por esse contrato, certo?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Certo.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – E o senhor não sabe o valor da multa?
Um negócio desse tamanho! O senhor não sabe nem dizer se há multa prevista ou
não?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Esse contrato foi feito em
1998 e deve ter sofrido seis ou dez aditamentos. Sinceramente, Excelência, eu não
lembro de todos. São dezenas e dezenas de páginas.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Estou terminando, Sr. Presidente.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu não me lembro de
todos os detalhes do contrato, me perdoe. Mas posso colocá-los a vossa disposição.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – O Presidente delibera a respeito
depois. Poderia colocar à nossa disposição os documentos, Presidente. Eu acho
que seria de bom tom que nós tivéssemos. A Vasco Licenciamentos...
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Deputado...
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – É a última pergunta, Deputado.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – ...os documentos todos já estão na
Comissão à disposição, porque, previamente, eu fiz questão de mandar pra
Presidência os contratos que a gente tinha. Estão todos aí. O Deputado vai poder
ver que... e analisar lá perfeitamente.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Muito obrigado, Deputado Eurico
Miranda. Dr. Luiz Cláudio, a Vasco Licenciamentos entrou na Justiça contra o Vasco
da Gama, certo?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não.
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Não?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Foi o Vasco que entrou
primeiro na Justiça.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – O senhor pode nos informar qual o
objetivo dos processos movidos pelo Vasco contra a Vasco Licenciamentos?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu posso... Eu acho que
uma resposta mais específica deveria ser dada pelo nosso advogado que defende o
processo. Mas, pelo que eu entendo, o conhecimento que eu tenho das atualizações
que nós recebemos dos advogados, é que existem diferenças comerciais de
interpretação do contrato entre as duas partes. Existe, por exemplo, um conceito no
contrato de remuneração anual que, na realidade, ficou muito confuso. O que o
Vasco busca é que esse conceito seja reestruturado.
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Muito obrigado, Presidente. Estou
satisfeito.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Muito obrigado, Deputado
Pedro Celso. Tem a palavra o Deputado Dr. Rosinha. Tem V.Exa. a palavra.
O SR. DEPUTADO DR. ROSINHA – Sr. Luiz Cláudio, o senhor está falando
aqui, pelo que eu vejo, muito mais em nome da Vasco da Gama Licenciamentos
S. A. do que em razão de outro. A Vasco da Gama Licenciamentos S. A. tem algum
negócio, alguma transação comercial com a CBF?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não.
O SR. DEPUTADO DR. ROSINHA – Nenhum, nenhum?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – De novo: eu não sou
Presidente da Vasco da Gama Licenciamentos. Eu não sou o executivo que toca o
dia-a-dia, mas conheço muito bem o contrato e acredito que não.
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
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Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. DEPUTADO DR. ROSINHA – Porque consta na quebra do sigilo
bancário da CBF recursos, dinheiro que saiu da CBF para o Vasco da Gama
Licenciamentos S. A.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Acredito que seja possível,
que...
O SR. DEPUTADO DR. ROSINHA –
Mas... É isso que eu estou
perguntando. Qual é a relação comercial entre a CBF e o Vasco da Gama
Licenciamentos?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu acho que o Eurico deve
saber a resposta melhor do que eu.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Deputado, é o seguinte: isso que
consta da CBF para o Vasco da Gama Licenciamentos é o que o Vasco teria direito
de receber por participação, por exemplo, na Copa do Brasil, etc. Esses recursos
são repassados para a Vasco Licenciamentos, que depois é que repassaria para o
Vasco.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Porque quem paga os
direitos da Copa do Brasil é a CBF, não é?
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Nesse caso, deve ter sido da Copa
do Brasil.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Deve ter sido isso.
O SR. DEPUTADO DR. ROSINHA – São dois cheques de 1998 e um de 99,
totalizando cerca de 751.822 reais. E a minha pergunta era... porque nós quebramos
o sigilo da CBF. Estamos investigando a CBF. Então, em razão da investigação na
CBF é que eu perguntei por que esses cheques da CBF para a Vasco da Gama
Licenciamentos.
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CÂMARA DOS DEPUTADOS – DETAQ
COM REDAÇÃO FINAL
Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Eu queria... Me permite, Deputado?
O SR. DEPUTADO PEDRO CELSO – Sim, claro.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Eu queria explicar o seguinte.
Nesse contrato, como foi dito aqui, do Vasco, a Vasco da Gama Licenciamentos, o
Vasco cedeu os direitos de transmissão dos seus jogos e outros direitos que o
Vasco cedeu. No caso, a emissora de televisão, a CBF, quando tem que pagar algo
ao Vasco, paga à Vasco Licenciamentos e a Vasco Licenciamentos, depois, repassa
ao Vasco, de acordo com o contrato.
O SR. DEPUTADO DR. ROSINHA – É só essa a minha questão, Presidente,
em função dessa investigação da CBF, que a gente quer saber os pagamentos onde
estão indo e quais são as razões, em função de que o montante não era pouco, não
é pouco, né, pra dois anos.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Se a CBF pagou à VGL,
certamente está na contabilidade da VGL e é fácil V.Exa. checar e ver como foi
contabilizado na VGL, a título de quê entrou esses recursos na contabilidade da
Vasco da Gama Licenciamentos.
O SR. DEPUTADO DR. ROSINHA – Tá bom. Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Muito obrigado, Dr. Rosinha.
Com a palavra, para as suas perguntas, o Deputado Jurandil Juarez. Tem V.Exa. a
palavra.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Sr. Presidente, Srs. Deputados,
Sr. Luiz Barbosa, hoje temos um depoimento um pouco mais calmo, né? Eu estou
sentindo o clima e a temperatura aqui bastante amena, sobretudo para o meu
querido colega, Deputado Eurico Miranda. Apesar do Vasco estar na berlinda, me
parece que os esclarecimentos que nós estamos tendo hoje aqui deixa-nos assim
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Número: 000212/01
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muito à vontade, porque a impressão que dá é que esses negócios, quando eles
surgem, entre bancos que têm experiência nessa área de investimento e os clubes,
é que alguma coisa que já deveria ter acontecido e que não sabe por que tinha
demorado tanto agora vinha finalmente acontecer. Parecia, assim, o ovo de
Colombo. Todo mundo sabia depois que foi feito, mas ninguém fazia. Então, quando
esses investimentos, quando esses contratos de parceria foram firmados, parecia a
redenção do futebol brasileiro. Eu acho que ninguém especulava sobre a
possibilidade dessas coisas não darem certo e isso, talvez, tenha sido a grande
causa da gente, depois, ter, em quase todos os casos, separações litigiosas. Aquilo
que foi um namoro bom, um noivado melhor ainda e um casamento que todo mundo
aplaudiu em pouco tempo, mas em muito pouco tempo se transformou numa
separação litigiosa e todo mundo falando mal de todo mundo. Sr. Luiz Barbosa, eu vi
o seu currículo aqui. O senhor é um homem experiente, um homem que é vitorioso
nessa área de investimento. O seu banco tem uma larga experiência . O que você
atribui, a que V.Sa atribui esse fato? No caso do Vasco, no caso do Flamengo, que
fizeram parcerias com essas características, todo mundo aplaudiu: “Olha, agora
acabou a pobreza. Agora acabaram-se as dificuldades. Chegou o momento da
redenção do futebol”. Em tão pouco tempo, essas parcerias acabaram de forma,
assim, tão turbulenta.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Bom, eu acredito, V.Sa,
que boa parte da sua pergunta já foi respondida aqui no início durante todo o
processo, mas eu terei todo o prazer de repetir o que já foi dito. Eu acho que há uma
série de fatores: diferenças socioculturais entre a percepção dos investidores e a
situação dos clubes. Quando você investe num clube como o Flamengo e como o
Vasco, você se depara não só com uma entidade econômica, mas também com
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uma entidade que tem fins até filantrópicos e sociais. Então, quando você tenta se
relacionar comercialmente com uma entidade como essa, você encontra uma
dificuldade que não são comuns. Porque normalmente o investidor está acostumado
a se relacionar comercialmente com uma outra entidade que é puramente comercial.
E um fator importante que eu disse no início é que todos os investidores — eu acho
que todos sem exceção — contavam com a cláusula da Lei Pelé, que obrigava os
clubes a virarem empresa. Quer dizer, os investidores acreditavam que se os clubes
virassem empresas que o objetivo do lucro passaria a ser o principal objetivo da
existência do clube e, portanto, vamos dizer assim, o futebol business, como a
gente gosta de falar, ele se tornaria extremamente rentável a longo prazo. Então, eu
acho que é uma série de fatores. Outro fator de dificuldade também do sucesso
dessas parcerias...
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – A palavra também pode ser
traduzida por negócio, me permita a ignorância?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Exatamente.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Muito obrigado.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu só usei a palavra
business porque o Deputado Eurico Miranda já tinha usado antes.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Vale para o Deputado Enrico
Miranda também.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Mas, claramente, também
a dificuldade dessas parcerias de trazerem patrocínios comerciais pelo próprio fato
de os patrocinadores aqui no Brasil ainda serem tímidos, por uma série de razões,
tudo isso contribui para que essas parcerias se encontrem na atual situação em que
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elas se encontram. Mas como eu já disse antes, eu acredito que é um momento
também de oportunidade para se rever, debater, discutir e seguir adiante.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Especificamente sobre a lei Pelé,
ela embora não seja, pela modificação ocorrida, ela não obrigue mais
a
transformação em empresa, mas ela também não proíbe. Qualquer clube pode se
transformar em empresa. Portanto, eu não vejo qual seria aí, considerado o
raciocínio de V.Sa, não vejo como... Se havia a expectativa de transformação em
empresa, como a Lei Pelé apenas retirou a obrigatoriedade, mas ela não proíbe, eu
não vejo por que não se deva perseguir esse mesmo objetivo neste sentido. A não
ser que...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu não poderia concordar,
mas...
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – ...a não ser que a transformação
em empresa, em situação que não de obrigatoriedade, portanto, com um
contingenciamento
de
se
criar
um
modelo
que
não
se
adequasse
ao
desenvolvimento do esporte, que fosse esse que o banco estivesse perseguindo...
Quer dizer, você cria um contingenciamento, obriga a transformar e aí transforma
contingenciado. E aí é muito mais fácil negociar. Não seria esse o objetivo do banco,
pegar entidades como Vasco, Flamengo, Corinthians, Cruzeiro, fragilizadas,
contingenciadas por dispositivos legais, e aí fazer negócios com cláusulas leoninas
favoráveis ao banco pela experiência que ele tinha?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não sei se eu entendi bem
a pergunta de V.Sa.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Eu quis dizer que o banco poderia
estar querendo se aproveitar de uma situação singular da legislação brasileira em
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que as entidades esportivas estariam obrigadas a mudar o seu estatuto jurídico para
se adequar a uma nova realidade. Nesta nova realidade quem tinha experiência era
o banco. Então, ele julgou que isso era um nicho onde ele trazendo a sua
experiência ele poderia fazer grandes negócios.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Sem dúvida, mas isso não
é necessariamente leonino, V.Sa., porque na nossa teoria de investimento e retorno
o retorno só vem quando você agrega valor, e para você agregar valor é preciso que
você invista, trabalhe, sue, e espere um bom tempo. Então, isso eu não acho que
não é nada leonino. Pelo contrário, se você está agregando valor, você está
melhorando todo o, o, o processo.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Estou seguindo a trilha que V.S.a
me indicou que é aquela que diz que a expectativa era que a lei Pelé seria
implantada na sua plenitude, obrigando a transformação dos clubes. Criada uma
dificuldade, mas veja bem, uma dificuldade superável. Aí todo mundo se afastou, o
clube também. Mas o banco não demonstrou nenhum interesse, por isso que eu
falei, usei a expressão “mar de rosas, namoro e noivado”, porque parecia que todo
mundo era muito burro antes, que nunca tinha visto isso. Aí, de repente, tudo
degringolou. E a única novidade que apareceu neste ínterim foi exatamente a falta
de obrigatoriedade de transformação em empresa, das entidades esportivas
brasileiras. Daí eu dizer que, no momento da transformação, quem tinha experiência
de mercado, quem tinha experiência em transações internacionais, quem sabia lidar
com essas situações era o banco, não o clube. Daí eu ter dito que seria uma
cláusula leonina na medida em que ela favoreceria muito mais uma das partes. Mas
eu queria lhe perguntar também: o número do litígio entre o banco e o Vasco da
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Gama — não vamos falar da Vasco da Gama Licenciamento porque foi um
instrumento, né, a relação é entre o banco e o Vasco — é de 80 milhões.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Se eu puder corrigir
V.Sa.... É verdade. Entretanto, V.Sa. não pode esquecer que a Vasco da Gama
Licenciamentos tem outros acionistas importantes além do banco. Então, não é só o
banco e o Vasco.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – É verdade, é verdade.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – O banco foi, sem dúvida, o
criador, o pensador da Vasco da Gama Licenciamentos, e nós estamos até muito
orgulhosos disso, mas existem outros investidores que também têm uma
participação importante no negócio.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – O que eu quero dizer é que sem o
banco não existiria a Vasco Licenciamentos.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Não há dúvida.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Por isso seria ocioso a gente
pensar que haveria uma intermediação, ou que, em determinado momento, a Vasco
Licenciamentos estabeleceria normas para serem cumpridas pelo banco, e não o
contrário. Então, eu perguntaria, se é um número que a imprensa noticiou algo em
torno de 80 milhões de reais. É esse o número, não é?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – É o que está sendo
divulgado pela imprensa.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – O número do litígio
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Dá licença para um aparte, nobre
Deputado?
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Pois não, concedo o aparte.
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O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Eu queria perguntar se V.Sa. pode
afirmar categoricamente que o Vasco é devedor de 84 milhões de reais, conforme
está se dizendo...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Oitenta.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Oitenta milhões. O Vasco é
devedor disso ou V.Sa tem informação disso? O que que é? Como é que é isso?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu não posso afirmar
categoricamente, Deputado, porque, como V.Sa. sabe, quem está representando a
Vasco da Gama Licenciamentos neste processo é o escritório de advocacia do
Sérgio Bermudez. Eu não conheço, sinceramente, o senhor sabe, todos os detalhes
do processo, todos os detalhes eu não conheço.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Então, me permitindo, Deputado,
eu acho que é um assunto que está sendo ... Eu não quero corrigir as respostas do
ilustre depoente, porque esse número não é verdadeiro. Eu só queria saber da sua
parte se confirma se esses números são, ou ouviu dizer, ou
o que é, de que
maneira. Um litígio é um litígio, não são valores definidos, da maneira como o
Deputado aqui colocou e a sua afirmação...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Sem dúvida, é um litígio e
não são valores definidos, acho que isso é correto.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Vamos conceituar assim, então. O
número que gira em torno de 80 milhões é a causa do litígio entre o Vasco da Gama
e o banco. Diz-se — pelo menos eu tenho, posso reproduzir aqui, isso está em todos
os jornais — que esses recursos são recursos que deveriam ter sido repassados à
Vasco
Licenciamentos
e
que
o
Vasco
da
Gama
se
apropriou
deles,
independentemente se o valor é correto ou não. Isso aconteceu? O fato aconteceu,
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de recursos que seriam destinados a Vasco da Gama Licenciamentos, o Clube de
Regatas do Vasco da Gama se apropriou deles?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – V.Sa... A resposta é muito
mais complexa do que um “sim” ou um “não”, porque existe um contrato que rege o
relacionamento comercial do clube com a Vasco da Gama Licenciamentos e é um
contrato muito complexo, que sofreu vários aditamentos. E acredito que a maior
causa do litígio não é necessariamente esse número que V.Sa. descreveu, mas a
maior causa do litígio é justamente que há, no entender do clube, uma interpretação
do contrato, de várias cláusulas do contrato, diferente do que a VGL interpreta. Isso
é causado pelo fato de o contrato realmente ter sido feito de uma forma muito
complexa. E eu acho que parte do acordo, que deverá ser feito entre a Vasco da
Gama Licenciamentos e o Clube, deverá passar por uma total reformulação, na
realidade, até simplificação do contrato, porque ele ficou complicado demais.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Mas o senhor atribui essa
complicação, essa complexidade para o contrato de parceria em situações assim
que me parecem muito claras, o senhor atribui a incompetência de quem o fez ou
essa relação é mesmo complexa?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu diria que é um pouco
das duas coisas: incompetência de quem fez, porque, realmente, foi um contrato
pioneiro. E quando o contrato foi feito os investidores não tinham idéia de como essa
relação era complexa.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – O senhor me desculpe, mas um
banco com as características do Bank of America e o currículo, como o senhor
colocou aqui, mesmo que o senhor não tenha elaborado, não tinha feito o contrato,
mas o senhor me dizer que fez um contrato, que duas instituições, como o Vasco da
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Gama e Bank of America, fizeram um contrato e não observaram coisas assim tão
elementares como essas que se apresentaram e que não eram previsíveis no
contrato... Eu não sei se buscavam outros objetivos. Mas não saber o que é um
clube, como ele se relaciona, como é que ele funciona, como ele é administrado e
fazer um contrato, e um contrato com cláusulas de milhões de dólares, o senhor vai
me desculpar, mas é muito difícil para mim, é muito difícil acreditar que essas coisas
possam ser assim tão amadoristicamente colocadas.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu poderia dar a V.Sa.
vários outros exemplos de contratos comerciais entre empresas de primeira linha e
bancos ou outras entidades comerciais que acabam em litígio por desacordo sobre
uma série de achados comerciais de contratos, isso é mais comum do que ...
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Não tenho dúvida quanto a isso.
Eu estou me louvando no raciocínio de V.Sa., que disse que o contrato não previa
situações que poderiam ser perfeitamente previsíveis, bastando conhecer o que é
um clube, as pessoas que fizeram, por isso eu falei da incompetência. E eu, com
toda sinceridade, na idade que tenho hoje, pelo tanto que já passei na vida, se tem
alguma coisa que não é inocente neste mundo é banco, banco tem sempre muito
mais sabedoria do que pode pensar a nossa vã filosofia.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Com certeza, mas o
senhor há de convir que também erra, às vezes, e, às vezes, faz investimentos que
não vão bem e, às vezes, faz investimentos que aparentemente não vão bem no
curto prazo e a longo prazo eles mudam totalmente. Por exemplo, eu posso lhe dar
um exemplo específico: o banco investiu na EMBRAER há vários anos, e durante
vários anos o investimento na EMBRAER foi visto como dos piores negócios que o
banco tinha feito. E cinco anos depois, por uma série de razões, que precisaria de
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vários seminários para descrever, a EMBRAER sofreu um total — ia falar inglês,
mas lembrei do Deputado, estou buscando a palavra em português — sofreu uma
total reformulação que acabou sendo um dos melhores negócios que o banco fez no
País. Então, eu acho que o senhor está subestimando um pouco o fato de que
quando você é pioneiro, você paga um preço. Tanto que quem criou o nome Vasco
da Gama Licenciamentos foi o Bank of America. Depois quando a Hicks Muse
investiu no Corinthians qual foi o nome da empresa que eles criaram? Corinthians
Licenciamentos, depois o Flamengo, Flamengo Licenciamentos. Por que será que
não criaram outro nome? Na realidade, todos os outros contratos que foram feitos
depois tomaram como base o contrato que havia sido feito com o Vasco e daí foi-se
fazendo várias modificações, melhorias e adaptações a situações específicas.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Conduzi meu raciocínio dessa
maneira para dizer que se houvesse... o litígio fosse em torno de direitos, se fosse
em torno de prazos... pela questão formal, eu concordaria inteiramente. Até diria que
poderia ter sido amadorística a relação. Mas aqui se trata de dizer que uma parte
ficou com o dinheiro que era da outra. E se tem alguém que tem experiência nisso,
com o dinheiro, é banco. Como é que pode existir o litígio em torno de 80 milhões,
porque uma parte ficou com o dinheiro da outra?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Mas quem está dizendo
isso é o senhor, não sou eu, porque eu não tenho certeza se essa afirmação reflete
totalmente a (ininteligível) litígios.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Não, porque já vou então pensar
que não tem litígio. Se litígio não é questão financeira, se a questão é formal, é
questão de colocar ou retirar uma cláusula, que (ininteligível) tem litígio de ordem
financeira, independentemente de valor?
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Número: 000212/01
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O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Claro que sim. O litígio
financeiro é resultado de quê? De um contrato comercial que existe, existe um
contrato comercial para uso das marcas e símbolos do Clube de Regatas Vasco da
Gama e esse contrato comercial é a alma do negócio. Obviamente, se há
divergências comerciais, há um pacto financeiro, um pacto financeiro não existe por
si só, ele existe, porque ele é causa de um contrato comercial.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Eu vou finalizar essa parte para
ver se eu consigo tirar uma dúvida. Eu faço a pergunta e lhe permito o aparte. Foram
feitos de pagamentos que uma parte contratada, uma das partes contratadas
recebeu. Foram feitos os pagamentos. Quer dizer, não é uma coisa que o dinheiro
esteja depositado em juízo ou esteja retido para ser feito até que se decida quem
tem o direito de receber. Na verdade os pagamentos foram feitos, em situações
assim. Como é que um contrato me define quem é que tem direito de fazer isso? Até
porque o terceiro que paga tem que pagar com quem.... tem.... por quem ele foi
contrato.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Mas o contrato define.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Define, e nessa definição quem
recebeu o fez de forma ilegítima ou ilegal?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – O contrato define uma
série de direitos.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Vamos falar de fato. Direitos que o
contrato estabelece, que é da Vasco da Gama Licenciamentos, foram usurpados —
para usar um termo comum —, foram usurpados pelo Clube Regatas Vasco da
Gama, é isso?
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Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
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O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu não sei se a palavra
certa é usurpado, eu não quero fazer uma afirmativa tão forte assim. Eu diria que a
Vasco da Gama Licenciamentos entende que em alguns casos recursos que foram
para o Vasco deveriam ter transitado pela Vasco da Gama Licenciamentos.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Eu nunca ouvi uma definição de
usurpação tão completa como a sua.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Dá licença para um aparte?
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Eu já tinha cedido, já tinha cedido
pra o...
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Deputado José Lourenço, esse
termo usurpado é muito forte. Veja bem, agora está se mexendo numa coisa que é
Vasco, e o Vasco e eu, como Presidente do Vasco, aqui usar um termo desse,
“usurpado”, o Vasco usurpou... Deputado, deixa eu auxiliar. O Deputado Aldo
Rebelo já está me querendo cortar a palavra.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Com certeza.
O SR. DEPUTADO EURICO MIRANDA – Eu queria só tentar mostrar, que é
para sua linha de raciocínio, e deixar seguir. Quem ingressou em juízo não foi a
Vasco Licenciamentos para cobrar do Vasco. Quem ingressou em juízo, já disse
aqui o depoente, foi o Vasco. O Vasco ingressou em juízo para rescindir o contrato,
mediante... achando que algumas cláusulas não foram cumpridas. Em contrapartida,
a reação da Vasco Licenciamentos foi colocar, e V.Exa. sabe muito bem disso, que
para uma discussão em juízo a Vasco da Gama Licenciamentos veio lá e colocou
uma série da outras coisas que estão sendo discutidas. Mas, na verdade, quem
propôs a ação de rescisão foi o Vasco e está sendo discutido. Ali está se
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Número: 000212/01
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Data: 11/04/01
colocando... Quando se entra para discutir numa ação, você disse que tem direito a
receber 500 milhões e no final vai chegar a 5. É essa a explicação.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Concedo o aparte ao nobre
Deputado ...
O SR. DEPUTADO JOSÉ LOURENÇO – Muito obrigado, Deputado Jurandil.
Quero agradecer a atenção e cumprimentar o Eurico. Mas aqui nós três somos
vascaínos. Ele é o presidente do Vasco e nós somos torcedores. Veja, Sr.
Presidente, que riscos correm aqui o nosso Eurico, ser destituído aqui, porque nós
somos maioria. Mas eu queria fazer era um apelo. Dizia um grande político
brasileiro, meu amigo, saudosa memória, Dr. Ulysses Guimarães, que a energia
motora da política é a saliva e que a energia motora da política é a conversa. A
saliva irrigava a boca, provocava conversa. Eu ouvi V.Sa. no início, aliás, já no fim
da sua exposição de que, na sua avaliação, na sua experiência, que tudo isso tinha
que chegar num entendimento.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Sem dúvida.
O SR. DEPUTADO JOSÉ LOURENÇO – Esta Comissão tem aqui também
esse objetivo, juntar os dois, se verem, se encontrarem e procurar o entendimento
que é melhor para o Vasco e o melhor para a Vasco da Gama ...
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Licenciamentos.
O SR. DEPUTADO JOSÉ LOURENÇO – ...Licenciamentos. O Bank of
America, no caso. De fato, eu concordo com V.Sa. de que quem é pioneiro sempre
paga um preço por isso em qualquer campo de atuação humana. Mas acho que, de
fato, uma parceria que os senhores elegeram com o Vasco da Gama é fundamental,
é o melhor que poderia ser feita no Brasil nos seus dois clubes mais populares do
Brasil, o Vasco... os três... o Vasco, o Flamengo e o Corinthians. Portanto, não
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Número: 000212/01
TRANSCRIÇÃO IPSIS VERBIS
Data: 11/04/01
poderiam escolher melhor parceiro. Se o noivado não está muito bem, vamos
melhorar a noiva, o noivo, etc., para chegarmos a um casamento definitivo, porque
acho que é do interesse dos senhores, é interesse do Vasco, e por que não do
País? É esse o apelo que eu faço aqui a ambos, no sentido de que comecem a
acionar a saliva e a conversa para chegarem a um entendimento, porque sou
vascaíno do coração. Eu faço esse apelo ao Eurico e ao senhor para que nós
possamos aplaudir esse novo casamento ...
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – V.Exa. não está imaginando
que a CPI vai ser a igreja, nem eu o padre desse casamento, não é, Deputado José
Lourenço?
O SR. DEPUTADO JOSÉ LOURENÇO – Se V.Exa. não é o padre, leva jeito.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Concluiu, Deputado José
Lourenço?
O SR. DEPUTADO JOSÉ LOURENÇO – A sua vizinhança lá com o Padre
Cícero e tal ... Quero agradecer a V.Exa. a oportunidade, ao Deputado Jurandil e
quero dizer que nós vimos isso com o maior entusiasmo, porque isso é bom para
todos nós e para a Comissão como um êxito, mais um êxito da Comissão. Muito
obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Para concluir, Deputado
Jurandil Juarez.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Vou concluir, Sr. Presidente. A
propósito do depoimento do Sr. Hélio Viana, ele fez insinuações veladas, para usar
um termo suave, a respeito dessas transferências que foram feitas pela Vasco da
Gama Licenciamentos para o exterior. Ficou claro para quem estava presente aqui
de que a insinuação que ele fazia é de que o beneficiário teria sido o Deputado
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Nome: CPI – CBF/NIKE
Número: 000212/01
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Eurico Miranda. Houve uma resposta incisiva do Deputado, questionando, negando
e questionando que ele apontasse. Eu vejo hoje que nós temos documentos em
mãos aqui demonstrando que essas transferências realmente foram feitas e foram
feitas, assinadas pelo Deputado Eurico Miranda, mas o papel timbrado é do Vasco e
assina pelo Vasco. Quer dizer, não há dúvida de que foi feita transferência para o
Vasco da Gama, a solicitação foi feita por quem de direito. Quanto à insinuação,
acho que essa questão está resolvida. Há uma dúvida. A Vasco da Gama
Licenciamentos é encarregada de fazer investimentos em favor do Vasco da Gama,
pagar despesas também, não é isso?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Em alguns casos o
contrato previa que a Vasco da Gama Licenciamentos podia, devidamente
autorizada pelo Vasco, fazer pagamento a terceiros.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Perfeito. Certamente, a previsão
era de saber a quem pagar, não é isso?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Saber a quem pagar?
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Sim.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Eu acredito que sim.
Acredito que a resposta seja sim.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Para quem foram feitos esses
pagamentos desses recursos que foram remetidos para essas várias contas no
exterior?
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Para o Liberal Bank
Corporation.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Esse recurso foi disponibilizado
assim. A pergunta, aproveitando o seu sim, era para pagar o quê?
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Número: 000212/01
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Data: 11/04/01
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Despesas do
Departamento de Futebol do Clube de Regatas Vasco da Gama.
O SR. DEPUTADO JURANDIL JUAREZ – Eu já vi que o senhor não vai
responder mesmo isso, e eu não vou insistir. Muito obrigado. Eu agradeço ao senhor
e obrigado, Sr. Presidente, estou concluindo.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Passo a palavra ao Sr. Luiz
Barbosa para as suas considerações finais.
O SR. LUIZ CLÁUDIO DE ARAÚJO BARBOSA – Foi um prazer estar aqui.
Agradeço a todos a oportunidade e espero que possamos ter cooperado, de alguma
maneira, com o sucesso desta Comissão. Muito obrigado.
O SR. PRESIDENTE (Deputado Aldo Rebelo) – Agradeço a V.Sa. a presença
e o comparecimento a esta Comissão. Srs. Deputados, reunião para votação de
requerimento na próxima terça-feira, às 14h, e às 14h30min, audiência pública da
Subcomissão de Legislação. Nada havendo mais a tratar, vou encerrar a presente
reunião. Está encerrada a reunião.
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11-04-01 - Câmara dos Deputados