entrevista
Carlos nadalutti filho
Uma nova gestão
texto Luiz Fajardo
O
atual presidente de FURNAS, Carlos Nadalutti
Filho, 51 anos, nasceu em Niterói (RJ).
É formado em Engenharia Elétrica pela Universidade
Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com especialização
em Sistemas de Potência, pela Universidade Federal
de Minas Gerais (UFMG) e pós-graduado em Gestão
Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).
Funcionário de carreira de FURNAS, Nadalutti entrou
na Empresa em 1979 como estagiário e trabalhou
na Usina de Furnas (MG); Campinas (SP) e Usina de
Itumbiara (GO), onde se tornou gerente regional em
1986. Mais tarde, em 1999, foi nomeado gerente do
Departamento de Operação do Sistema. De 2003 a
2006, prestou serviços em Angola como gestor de
O & M da Usina de Capanda. Desde 2003, ocupava o
cargo de gerente da Superintendência de Produção
Oeste. É o atual coordenador geral do Comitê
Técnico da Rede Nacional de Detecção de Descargas
Atmosféricas (RINDAT), do qual participam FURNAS,
Cemig, Simepar e Inpe. Nesta entrevista Carlos
Nadalutti fala sobre a importância da mudança dos
conceitos de gestão e o comprometimento de todos
na busca para melhorar a performance de FURNAS.
prazo, precisamos mudar a cultura de gestão da empresa
para focar a remuneração dos acionistas, em especial no que
se refere à obtenção de resultados adequados de parcerias
empresariais e redução de custos de implantação e operação dos empreendimentos próprios, sem perder de vista o
interesse público que é próprio da dimensão estatal. A longo
prazo precisamos inovar, expandir e diversificar as linhas de
negócios de FURNAS como empresa mundial de serviços do
ciclo de vida da energia limpa, operando com tecnologia
própria baseada em informática e automação avançadas e
rede de parceiros do Sistema Eletrobrás.
O que pretende adotar para sanar estes
problemas?
A curto prazo a ênfase estará em valorizar a participação de
FURNAS no Consise (Conselho Superior do Sistema Eletrobrás), como fórum privilegiado para alavancar a operação
coordenada das empresas do Sistema. No que se refere aos
contratos deficitários de comercialização de energia elétrica
precisamos resolver estas questões com a serenidade, a seriedade e a importância que elas exigem. Como presidente
desta Empresa, não posso ser complacente com situações que
prejudicam os nossos resultados. Já estamos buscando junto
Quais os entraves que deverão ser superados para
melhorar os resultados de FURNAS?
A melhoria de resultados precisa ser analisada em uma
à Eletrobrás, ao Ministério de Minas e Energia e à Agência
Nacional de Energia Elétrica (Aneel) as soluções específicas
para cada caso, utilizando o bom senso e muita negociação
para construirmos o caminho que atenda a todos.
perspectiva de curto, médio e longo prazos. A curto prazo,
temos que reposicionar FURNAS como empresa do Sistema
concessões que se encerrarão a partir de 2015, e estancando
Como buscar mais eficiência em uma empresa que
está em quatro das cinco regiões do Brasil?
a sangria de recursos decorrentes dos contratos estrutural-
Fizemos, em outubro, o lançamento do Projeto SOX, que
mente deficitários de comercialização de energia comprada
consiste no levantamento de todos os controles internos dos
da Eletronuclear, da Empresa Produtora de Energia (EPE),
nossos relatórios financeiros em sintonia com as diretrizes da
responsável pela operação da Termelétrica Governador Mario
Lei Sarbanes-Oxley (SOX). Estamos iniciando a implantação do
Covas e da Companhia de Interconexão Energética (CIEN).
Sistema de Gestão Integrado (ERP) e nos preparando para o
Vale ressaltar que os contratos CIEN e EPE se tornaram one-
lançamento oficial do nosso Planejamento Estratégico. Estas
rosos pelo aspecto de exposição ao mercado de curto prazo
medidas, mais o comprometimento de todos os empregados,
(Spot), que é volátil e caro, pela não entrega das energias
nos ajudarão a adequar a gestão de FURNAS à realidade de
contratadas que temos que repor via tal mercado. A médio
mercado e construir em bases sólidas os negócios futuros.
Eletrobrás, fortalecendo a nossa luta para renovação das
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Revista FURNAS - Ano XXXIV - Nº 358 - Novembro 2008
“
precisamos inovar,
expandir e diversificar
as linhas de negócios de
FURNAS como empresa
mundial de serviços do ciclo
de vida da energia limpa”
A convocação dos empregados deverá ter
uma boa repercussão já que sua carreira foi
construída dentro de FURNAS?
Espero que sim. Quero lembrar que precisamos modernizar nossos métodos de gestão para continuarmos
nesse mercado competitivo. Devemos controlar nossos
custos e buscar cada vez mais o comprometimento
com resultados. Apesar de ser uma Empresa pública,
FURNAS precisa ter atitudes de uma companhia privada. Nosso compromisso de apoiar a implantação
da infra-estrutura energética do país vai continuar,
porém, precisamos estar atentos à gestão de nossos
negócios. Como em qualquer empresa, os acionistas
querem ter o retorno adequado do seu capital.
FURNAS tem condições de ser tão
competitiva como as empresas privadas?
nossos custos; participar em parcerias mais lucrativas
e ser mais agressivos nos leilões de geração e transmissão poderemos trilhar o caminho do sucesso. Volto
a lembrar, o setor elétrico mudou e nós precisamos
mudar. Com o comprometimento de todos e o foco
Foto: Luciana Tancredo
Se fizermos direito o dever de casa como diminuir
em resultados positivos, em consonância com as diretrizes de nossa holding, teremos uma FURNAS forte
e competitiva.
Como FURNAS está se preparando para
se inserir na filosofia de negócios da nova
Eletrobrás?
Todas as empresas que compõem o Sistema Eletrobrás
estão se adequando para construir esta estrutura estratégica para o setor elétrico nacional. O presidente da
Eletrobrás tem visitado as empresas co-irmãs falando
sobre as transformações que ocorrerão. Neste mês,
será a vez de FURNAS recebê-lo. Como mencionei, já
estamos adotando a sistematização de nossos relatórios
financeiros aos critérios da SOX.
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