Escola Secundária de Aljustrel Material de apoio para o 10.o Ano Ano Lectivo 2002/2003 Um Resumo sobre as Caracterı́sticas de uma Função José Paulo Coelho Março de 2003 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . Índice . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 Zeros (ou raı́zes) de uma função. Sinal de uma função. 3 2 Monotonia de uma função 2.1 Função crescente num intervalo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2.2 Função decrescente num intervalo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 4 6 3 Extremos de uma função e respectivo Quadro de Variação. 3.1 Extremos relativos e absolutos. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3.2 Tabela de variação de uma função. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 7 8 4 Função injectiva. 4.1 Quando é que uma função é injectiva? . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4.2 Interpretação gráfica do conceito de injectividade. . . . . . . . . . . . . . 9 9 10 5 Paridade de uma função. 10 5.1 Funções pares. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10 5.2 Funções ı́mpares. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11 5.3 Funções que não são pares nem ı́mpares . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12 1 Zeros (ou raı́zes) de uma função. Sinal de uma função. 1 Zeros (ou raı́zes) de uma função. Sinal de uma função. Definição 1.1 (Zero de uma função) Se f é uma função real de variável real, a uma solução da equação f (x) = 0 damos o nome de raiz ou zero de f . Por outras palavras, zero de uma função (real de variável real) é todo o objecto que tem imagem nula. Por exemplo, seja f : [−3, 10[→ R representada graficamente y y = f (x) 3 2 1 −5 −4 −3 −2 −1 −1 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 x −2 −3 A observação do gráfico acima permite-nos identificar os zeros da função nele representada: f (−3) = 0, f (3) = 0 e f (6) = 0. Logo, os zeros de f são −3, 3 e 6. Note-se que 10 não pertence ao domı́nio da função (10 ∈ / [−3, 10[) e por isso não pode ser um zero de f . O ponto (10, 0) não faz parte do gráfico da função f . Graficamente, os zeros de f são as abcissas dos pontos de intersecção do gráfico da função com o eixo dos xx. Dado um objecto qualquer x, a sua imagem f (x) ou é zero, ou é um número positivo, ou é um número negativo. Portanto, os objectos que não são zeros da função ou têm imagens positivas, ou têm imagens negativas. Definição 1.2 (Função positiva / negativa) Dizemos que uma função real de variável real é positiva num subconjunto do seu domı́nio quando, nesse subconjunto, todos os objectos têm imagem positiva. Analogamente, a função é negativa num subconjunto do seu domı́nio se qualquer objecto desse subconjunto tiver imagem negativa. Por exemplo, na função representada atrás, temos: • f (x) > 0 ⇔ −3 < x < 3 ∨ 6 < x < 10, ou seja, f é positiva em ] − 3, 3[∪]6, 10[; • f (x) < 0 ⇔ 3 < x < 6, isto é, f é negativa no intervalo ]3, 6[. E.S.Aljustrel Pág. 3 José Paulo Coelho, Março de 2003 2 Monotonia de uma função 2 Monotonia de uma função Comecemos por observar os gráficos de duas funções f, g : [u, v] → R y y f (v) g(u) y = f (x) f (u) u v y = g(x) g(v) u x v x Intuitivamente, somos levados a dizer que f é crescente no intervalo [u, v], enquanto que g é decrescente nesse mesmo intervalo. O gráfico de f parece “ir a subir” e o de g parece “ir a descer”. Embora correctas, estas intuições necessitam de ser traduzidas para linguagem matemática, pois são pouco rigorosas. É isso que faremos já a seguir. 2.1 Função crescente num intervalo Definição 2.1 (Função crescente) Seja f : Df ⊂ R → R uma função e E ⊂ Df um intervalo de números reais. A função f é crescente no intervalo E se, quaisquer que forem os objectos a, b ∈ E, se a < b então f (a) ≤ f (b). Em linguagem simbólica: ∀a, b ∈ E : a < b ⇒ f (a) ≤ f (b) É igualmente importante a definição de função estritamente crescente num intervalo. Definição 2.2 (Função estritamente crescente) Seja f : Df ⊂ R → R uma função e E ⊂ Df um intervalo de números reais. A função f é estritamente crescente no intervalo E se, quaisquer que forem os objectos a, b ∈ E, se a < b então f (a) < f (b). Em linguagem simbólica: ∀a, b ∈ E : a < b ⇒ f (a) < f (b) Vamos precisar melhor a distinção entre estas duas definições através de um exemplo. Antes, porém, convém ver que a diferença entre as definições reside apenas num sinal de desigualdade, pois enquanto na primeira se admite que as imagens podem ser iguais (f (a) ≤ f (b)), na segunda essa igualdade já não é admitida (f (a) < f (b)). E.S.Aljustrel Pág. 4 José Paulo Coelho, Março de 2003 2 Monotonia de uma função y f (v) = f (t) y = f (x) f (u) u t v x A função f é: • crescente no intervalo [u, v]; • estritamente crescente no intervalo [u, t]. De facto, se a, b ∈ [u, v] e a < b, podem acontecer três situações: • a ∈ [u, t] e b ∈ [u, t]; • a ∈ [u, t] e b ∈ [t, v]; • a ∈ [t, v] e b ∈ [t, v]. A relação respectiva entre as imagens será: • f (a) < f (b); • f (a) < f (b); • f (a) = f (b). Daqui se deduz que f só é estritamente crescente no intervalo [u, t], pois se a, b ∈ [u, v] poderia acontecer que a, b ∈ [t, v], o que faria com que f (a) = f (b) - e a igualdade entre as imagens de objectos distintos não pode ocorrer quando a função é estritamente crescente. E.S.Aljustrel Pág. 5 José Paulo Coelho, Março de 2003 2 Monotonia de uma função 2.2 Função decrescente num intervalo Definição 2.3 (Função decrescente) Seja f : Df ⊂ R → R uma função e E ⊂ Df um intervalo de números reais. A função f é decrescente no intervalo E se, quaisquer que forem os objectos a, b ∈ E, se a < b então f (a) ≥ f (b). Em linguagem simbólica: ∀a, b ∈ E : a < b ⇒ f (a) ≥ f (b) À semelhança do que fizemos na secção anterior, apresentamos também a definição de função estritamente decrescente num intervalo. Definição 2.4 (Função estritamente decrescente) Seja f : Df ⊂ R → R uma função e E ⊂ Df um intervalo de números reais. A função f é estritamente decrescente no intervalo E se, quaisquer que forem os objectos a, b ∈ E, se a < b então f (a) > f (b). Em linguagem simbólica: ∀a, b ∈ E : a < b ⇒ f (a) > f (b) Convém notar que a diferença entre as definições reside apenas num sinal de desigualdade: enquanto na primeira se admite que as imagens podem ser iguais (f (a) ≥ f (b)), na segunda essa igualdade já não é admitida (f (a) > f (b)). y h(x1 ) = h(x2 ) h(x4 ) = h(x5 ) y = h(x) h(x3 ) x1 x2 x3 x4 x5 x A função h é: • crescente nos intervalos [x1 , x2 ] e [x3 , x5 ]; • estritamente crescente no intervalo [x3 , x4 ]; • decrescente nos intervalos [x1 , x3 ] e [x4 , x5 ]; E.S.Aljustrel Pág. 6 José Paulo Coelho, Março de 2003 3 Extremos de uma função e respectivo Quadro de Variação. • estritamente decrescente no intervalo [x2 , x3 ]. É de ressaltar o facto de que uma função constante num intervalo é crescente e decrescente nesse mesmo intervalo, embora não seja nem estritamente crescente, nem estritamente decrescente. 3 Extremos de uma função e respectivo Quadro de Variação. 3.1 Extremos relativos e absolutos. Considere a função f : [−5, 11] → R representada graficamente por y 4 2 −6 −4 −2 2 4 6 8 10 x Nas proximidades do objecto x = −5, f (−5) = 5 é a maior imagem. Nas proximidades de x = −2, f (−2) é a menor imagem. Nas proximidades do intervalo [2, 5], a imagem dos objectos deste intervalo (4) é maior ou igual que as obtidas com objectos nas proximidades dos objectos do referido intervalo. Nas proximidades de x = 9, f (9) = 0 é a menor imagem. Finalmente, nas proximidades de x = 11, f (11) = 3 é a maior imagem. Note-se mesmo que f (−5) = 5 é a maior imagem de todas as obtidas através desta função e que f (9) = 0 é a menor imagem de todas. Dizemos então que: • as imagens 5, 4 e 3 são máximos relativos da função, enquanto que 5 é também máximo absoluto da função (é o maior dos máximos relativos). • analogamente, 0, 1 e 4 são mı́nimos relativos da função e 0 é o mı́nimo absoluto de f (é o menor dos mı́nimos relativos); • 4 é máximo e mı́nimo relativo; • −5, [2, 5] e 11 são maximizantes de f (objectos para os quais a função apresenta imagens que são máximos relativos); • −2, [2, 5] e 9 são minimizantes de f (objectos para os quais a função apresenta imagens que são mı́nimos relativos). Passamos agora a apresentar as definições dos conceitos que introduzimos. E.S.Aljustrel Pág. 7 José Paulo Coelho, Março de 2003 3 Extremos de uma função e respectivo Quadro de Variação. Definição 3.1 (Extremos Absolutos) Seja f : Df ⊂ R → R de domı́nio Df . 1. f (a) é o máximo absoluto de f se f (a) é maior ou igual do que qualquer outra imagem de f : ∀x ∈ Df : f (a) ≥ f (x). 2. f (a) é o mı́nimo absoluto de f se f (a) é menor ou igual do que qualquer outra imagem de f : ∀x ∈ Df : f (a) ≤ f (x). Definição 3.2 (Extremos Relativos) Seja f : Df ⊂ R → R de domı́nio Df . 1. f (a) é o máximo relativo de f se existir um intervalo aberto E, com a ∈ E, tal que: ∀x ∈ E ∩ Df : f (a) ≥ f (x). 2. f (a) é o mı́nimo relativo de f se existir um intervalo aberto E, com a ∈ E, tal que: ∀x ∈ E ∩ Df : f (a) ≤ f (x). 3.2 Tabela de variação de uma função. Consideremos a função h : [0, 360] → R representada graficamente por 1.0 y y = h(x) 0.5 90 180 270 360 x −0.5 −1.0 Facilmente identificamos os extremos relativos e extremantes, assim como os intervalos de monotonia: • h é crescente em [0, 90] e em [270, 360], sendo mesmo estritamente crescente nestes intervalos; • h é estritamente decrescente no intervalo [90, 270]; • 1 e 0 são máximos relativos de h, sendo os maximizantes respectivos 90 e 360: h(90) = 1 e h(360) = 0; • −1 e 0 são mı́nimos relativos de h, de minimizantes respectivos 270 e 0: h(0) = 0 e h(270) = −1; E.S.Aljustrel Pág. 8 José Paulo Coelho, Março de 2003 4 Função injectiva. • 1 é o máximo absoluto de h e −1 é o seu mı́nimo absoluto. Para sintetizar esta informação costuma-se apresentar o chamado quadro de variação da função. Na primeira linha deste quadro representam-se os extremos do domı́nio e os extremantes (minimizantes e maximizantes); na segunda linha procura-se descrever a variação da função. Em relação à função h acima representada terı́amos: x h(x) 0 Min. % h(0) = 0 90 Max. & h(90) = 1 270 360 Min. % Max. h(270) = −1 h(360) = 0 4 Função injectiva. 4.1 Quando é que uma função é injectiva? Definição 4.1 Uma função f : Df → R é injectiva num intervalo E ⊂ Df se, para dois valores quaisquer de E, x1 e x2 , se x1 6= x2 , então f (x1 ) 6= f (x2 ), ou seja, se a objectos diferentes correspondem imagens respectivas também diferentes: ∀x1 , x2 ∈ E ⊂ Df : x1 6= x2 ⇒ f (x1 ) 6= f (x2 ). Uma função f não é injectiva se existem pelo menos dois objectos distintos com a mesma imagem. y y f (v) g(u) = g(v) g(a) = g(b) y = f (x) f (u) u v y = g(x) u x a c b v x Dos gráficos acima, concluimos que: 1. f é injectiva no seu domı́nio, [u, v]; 2. g não é injectiva em [u, v] porque, por exemplo, a, b ∈ [u, v], a 6= b, mas f (a) = f (b). Assim, os objectos a e b são diferentes e têm a mesma imagem. g não é injectiva em qualquer intervalo que contenha a e b simultaneamente. 3. g é injectiva no intervalo [c, v] e também é injectiva no intervalo [u, c]. E.S.Aljustrel Pág. 9 José Paulo Coelho, Março de 2003 5 Paridade de uma função. 4.2 Interpretação gráfica do conceito de injectividade. Quando dispomos do gráfico de uma função é muito fácil ver se a função é, ou não, injectiva. De facto, em termos do gráfico podemos dizer que Uma função é injectiva (no seu domı́nio) se todas as rectas horizontais - que intersectarem o gráfico da função - o intersectarem uma e uma só vez. No gráfico da função g verificamos que a recta de equação y = g(a) intersecta o gráfico da função em dois pontos, a saber: (a, g(a)) e (b, g(b)). Logo, g não é injectiva no intervalo [u, v]. 5 Paridade de uma função. 5.1 Funções pares. Observemos o gráfico da função f : R → R definida por f (x) = x2 . y 8 6 4 2 −5−4−3−2−1 y = x2 1 2 3 4 x Pelo gráfico da função facilmente se vê que: • f (−1) = f (1) = 1; • f (−2) = f (2) = 4; • f (−3) = f (3) = 9; • ... • Regra geral: f (−x) = f (x) = x2 . Além disso, é fácil ver que o gráfico é simétrico em relação ao eixo dos yy. Sempre que isto acontecer, dizemos que a função em causa é par. Definição 5.1 (Função par) Uma função f : Df ⊂ R → R diz-se par quando, qualquer que seja o número x pertencente a Df , o número −x também pertence a Df e f (−x) = f (x): ∀x ∈ Df : −x ∈ Df ∧ f (−x) = f (x). E.S.Aljustrel Pág. 10 José Paulo Coelho, Março de 2003 5 Paridade de uma função. Uma função é par se sempre que o ponto (x, y) está no gráfico de f, o ponto (−x, y) também está. 5.2 Funções ı́mpares. Seja agora o gráfico da função f : R → R cuja expressão analı́tica é f (x) = x3 . y 8 6 4 2 −3−2−1 −2 y = x3 1 2 x −4 −6 −8 −10 Pelo gráfico da função facilmente se vê que: • f (−1) = −f (1); • f (−2) = −f (2); • ... • Regra geral: f (−x) = −f (x). Além disso, é fácil ver que o gráfico é simétrico em relação à origem. Sempre que isto acontecer, dizemos que a função em causa é ı́mpar. Uma função é ı́mpar se sempre que o ponto (x, y) está no gráfico de f, o ponto (−x, −y) também está. Definição 5.2 (Função ı́mpar) Uma função f : Df ⊂ R → R diz-se par quando, qualquer que seja x ∈ R pertencente a Df , o número −x também pertence a Df e f (−x) = −f (x): ∀x ∈ Df : −x ∈ Df ∧ f (−x) = −f (x). E.S.Aljustrel Pág. 11 José Paulo Coelho, Março de 2003 5 Paridade de uma função. 5.3 Funções que não são pares nem ı́mpares É de notar que existem funções que não são pares nem ı́mpares. Por exemplo, a função g : R → R definida por g(x) = (x − 1)2 y 8 6 4 y = (x − 1)2 2 −5−4−3−2−1 1 2 3 4 x Facilmente se vê que g(−2) = 9 e g(2) = 1, pelo que: • g(−2) 6= g(2), o que implica que g não é par; • g(−2) 6= −g(2), o que mostra que g não é ı́mpar. E.S.Aljustrel Pág. 12 José Paulo Coelho, Março de 2003