Universidade Federal Rural de Pernambuco
Departamento de Letras e Ciências Humanas
Mestrado em Administração Rural e Comunicação Rural
Emanuel Sampaio Silva
O Agronegócio Cooperativo e
o Fundo Constitucional de Financiamento
do Nordeste -FNE:
análise das cooperativas financiadas ligadas ao setor
pecuário em Pernambuco entre 1990 e 1998
Recife-PE
Fevereiro de 2000
3
Emanuel Sampaio Silva
O Agronegócio Cooperativo e
o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste – FNE:
análise das cooperativas financiadas ligadas
ao setor pecuário em Pernambuco entre 1990 e 1998
Dissertação apresentada ao Mestrado em
Administração Rural e Comunicação Rural da
Universidade Federal Rural de Pernambuco,
como parte dos requisitos para obtenção do
Título de Mestre.
Área de Concentração: Administração Rural
Orientador: Prof. Dr. Almir Silveira Menelau
Recife-PE
Fevereiro de 2000
4
O Agronegócio Cooperativo e
o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste – FNE:
análise das cooperativas financiadas ligadas
ao setor pecuário em Pernambuco entre 1990 e 1998
Emanuel Sampaio Silva
Orientador:
____________________________________________
Prof. Almir Silveira Menelau (Dr.)
Examinadores:
____________________________________________
Prof. Carlos Alberto Tavares (Ph.D)
____________________________________________
Prof. Horst Dieter Moeller (Ph.D)
____________________________________________
Prof. Ricardo Chaves Lima (Ph.D)
5
Aos meus pais, João e Inês, pelo
exemplo de vida e por sempre ensinarem que a
educação era o legado mais precioso aos seus
filhos.
À minha querida esposa, Lucilene, pela
dedicação, paciência e amor manifestados em
todos os momentos ao longo desta caminhada.
À Zezé, por todo o carinho e apreço
com que me acolheu.
6
• AGRADECIMENTOS
A realização e conclusão deste trabalho aconteceu graças a DEUS e ao auxílio de
pessoas e entidades, às quais desejo manifestar o meu apreço e agradecimento.
Ao professor Almir Menelau expresso minha gratidão por aceitar a tarefa de
orientar este trabalho, realizada de maneira competente e prestativa em todas as etapas,
tendo um papel fundamental na conclusão deste.
O corpo docente do Curso de Mestrado de Administração e Comunicação Rural da
UFRPE, destacando Tales Wanderley, Carlos Alberto e Paulo de Jesus, muito contribuiu
para que pudesse vislumbrar novas perspectivas científicas e humanas.
Destaco o apoio financeiro recebido, através da bolsa de estudo da CAPES.
A coleta de dados e as informações sobre cooperativas locais só foram possíveis
pelo graças colaboração da OCEPE, através do seu presidente Dr. Malaquias Anselmo, da
EBAPE, particularmente Dr. Fernando Vilela, além dos diretores das cooperativas
pesquisadas, aos quais agradeço imensamente.
O Banco do Nordeste, na pessoa do superintendente regional Dr. Manoel Brandão e
dos integrantes do Setor de Implementação de Negócios, foi bastante solícito no
fornecimento de dados, sendo relevantes tais contribuições.
O IPA, de modo particular através da equipe da biblioteca, na pessoa da Dra. Sônia
Cordeiro, prestou inestimável auxílio.
Os colegas do Mestrado, cujos laços de amizade e solidariedade, estenderam-se
além das atividades letivas, torno-os colaboradores desta jornada.
Os funcionários da Universidade Rural, que empenharam-se no apoio
administrativo, prestaram uma grande ajuda nos momentos necessários.
Àqueles que, ao longo deste trabalho, contribuíram direta ou indiretamente para que
a sua conclusão, a minha gratidão.
7
•
SUMÁRIO
Página
LISTA DE FIGURAS E GRÁFICOS...........................................................................................10
LISTA DE TABELAS....................................................................................................................11
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS...................................................................................17
RESUMO.........................................................................................................................................19
ABSTRACT.....................................................................................................................................20
1. INTRODUÇÃO...............................................................................................................................21
2. A RELEVÂNCIA DA PESQUISA E O PROBLEMA................................................................25
2.1. A IMPORTÂNCIA DO SEGMENTO COOPERATIVO.............................................................................25
2.2. A IMPORTÂNCIA DO AGRONEGÓCIO PECUÁRIO EM PERNAMBUCO..........................................27
2.3. OS FUNDOS CONSTITUCIONAIS............................................................................................................29
2.4. O PROBLEMA.............................................................................................................................................31
3. OBJETIVOS....................................................................................................................................33
3.1.
3.2.
GERAL..........................................................................................................................................................33
ESPECÍFICOS...............................................................................................................................................33
4. HIPÓTESE......................................................................................................................................34
5. DA DOUTRINA À EFICIÊNCIA COOPERATIVA..................................................................35
5.1. ASPECTOS HISTÓRICOS...........................................................................................................................36
5.2. DOUTRINA E PRINCÍPIOS COOPERATIVOS.........................................................................................39
5.2.1. Empresas cooperativas..................................................................................................................40
5.2.1.1. O crédito às cooperativas.....................................................................................................42
5.2.1.2. As cooperativas nos complexos agroindustriais..................................................................44
5.2.1.3. As empresas cooperativas agroindustriais...........................................................................46
5.2.2. Administração estratégica em cooperativas................................................................................49
5.2.2.1. Eficiência e eficácia nas cooperativas.................................................................................53
5.2.2.2. Avaliação de eficiência em cooperativas.............................................................................55
6. METODOLOGIA DA PESQUISA................................................................................................58
6.1. FINS DA PESQUISA....................................................................................................................................58
6.2. OS MEIOS DA PESQUISA..........................................................................................................................58
6.2.1. Os dados primários........................................................................................................................59
6.2.1.1. No setor financeiro...............................................................................................................59
6.2.1.2. No setor governamental.......................................................................................................59
6.2.1.3. No setor institucional..........................................................................................................60
6.2.1.4. Nas organizações cooperativas............................................................................................60
6.2.2. Os dados secundários.....................................................................................................................62
6.3. O ALCANCE DA PESQUISA......................................................................................................................62
6.4. O SUJEITO DO ESTUDO............................................................................................................................65
6.5. INFORMAÇÕES DE BASE PARA ANÁLISE DE COMPETITIVIDADE...............................................65
8
7. MERCADO E INCENTIVOS À PECUÁRIA ESTADUAL......................................................68
7.1. O AMBIENTE DE NEGÓCIOS...................................................................................................................68
7.2. O MERCADO REGIONAL..........................................................................................................................71
7.3. O MERCADO DE LEITE E DERIVADOS..................................................................................................75
7.3.1. O setor de laticínios no Nordeste e em Pernambuco..................................................................79
7.3.2. A política de investimentos na pecuária pernambucana............................................................82
7.3.3. As cooperativas pernambucanas no setor leiteiro.......................................................................84
8. O FNE E OS RECURSOS ÀS COOPERATIVAS.......................................................................86
8.1. O FNE NO CONTEXTO REGIONAL.........................................................................................................86
8.2. OS RECURSOS DO FNE DISPONIBILIZADOS AOS ESTADOS ENTRE 1990 E 1998........................89
8.3. O FNE E O CONTEXTO ASSOCIATIVO..................................................................................................90
8.3.1. O financiamento às cooperativas nordestinas ..........................................................................92
8.3.2. O FNE e as cooperativas pernambucanas...................................................................................98
8.3.2.1. O papel do governo na difusão do FNE às cooperativas locais .........................................98
8.3.2.2. Os investimentos disponibilizados .....................................................................................100
9. COMPETITIVIDADE DAS COOPERATIVAS FINANCIADAS..........................................104
9.1. O PERFIL DAS COOPERATIVAS PESQUISADAS................................................................................104
9.1.1. O período de fundação................................................................................................................104
9.1.2. O negócio e a área de atuação.....................................................................................................105
9.1.3. O quadro social............................................................................................................................106
9.1.3.1. Quanto ao gênero...............................................................................................................106
9.1.3.2. Grau de escolaridade.........................................................................................................107
9.1.3.3. Categoria dos associados e tipo posse da terra.................................................................108
9.1.3.4. Critérios de admissão de novos associados.......................................................................109
9.1.3.5. Critérios de organização de associados.............................................................................111
9.1.3.6. A comunicação e a participação dos associados...............................................................111
9.1.3.7. Associados capacitados.....................................................................................................113
9.1.4. A infra-estrutura..........................................................................................................................114
9.1.4.1. A sede e outros imóveis......................................................................................................114
9.1.4.2. Equipamentos disponíveis..................................................................................................115
9.1.4.3. A frota de veículos e tratores..............................................................................................116
9.1.5. Estrutura administrativa.............................................................................................................117
9.1.5.1. A presidência......................................................................................................................117
9.1.5.2. Estruturas de gestão...........................................................................................................119
9.1.5.2.1. Instrumentos de gestão.............................................................................................................119
a) Gestão financeira................................................................................................................120
b) Controle de materiais.........................................................................................................120
c) Planejamento e organização..............................................................................................121
d) Gestão pela qualidade total................................................................................................122
9.1.5.2.2. Os cargos existentes..................................................................................................................122
9.1.5.2.3. Os empregados e os gastos com pessoal...................................................................................123
9.1.6. Os setores e as estratégias mercadológicas................................................................................125
9.1.6.1. Os setores ou departamentos..............................................................................................125
9.1.6.2. Estratégias de atuação mercadológica..............................................................................126
9.1.6.3. Produtos adquiridos dos cooperados.................................................................................127
9.1.7. Resultados operacionais e clientela............................................................................................128
9.1.7.1. O faturamento por setor e os tipos de clientes...................................................................128
9.1.7.2. Resultados do balanço e investimentos..............................................................................129
9.1.8. Programas tecnológicos existentes atualmente.........................................................................131
9.1.9. Participação em eventos..............................................................................................................133
9.2. O FNE E OS EFEITOS NAS ESTRUTURAS COOPERATIVAS............................................................133
9.2.1. Das solicitações e liberações dos recursos.................................................................................134
9.2.2. Os programas de financiamento.................................................................................................135
9.2.3. A finalidade dos recursos............................................................................................................135
9.2.4. Efeitos do FNE no quadro social................................................................................................136
9.2.4.1. O perfil dos beneficiados....................................................................................................136
9
9.2.4.2. A evolução do quadro social .............................................................................................138
9.2.4.3. Efeitos na participação dos associados.............................................................................138
9.2.4.3.1. Assembléias para aprovação do empréstimo............................................................................139
9.2.4.3.2. A participação em assembléias.................................................................................................139
9.2.4.3.3. A capacitação de associados.....................................................................................................140
9.2.5. Efeitos do FNE na infra-estrutura..............................................................................................142
9.2.5.1. A sede e outros imóveis adquiridos...................................................................................143
9.2.5.2. Equipamentos adquiridos..................................................................................................144
9.2.5.3. A frota adquirida...............................................................................................................145
9.2.6. Efeitos do FNE na estrutura administrativa.............................................................................145
9.2.6.1. As novas estrutura de gestão.............................................................................................145
9.2.6.2. Os cargos criados..............................................................................................................146
9.2.6.3. Os empregos gerados........................................................................................................147
9.2.7. Efeitos do FNE nos negócios.......................................................................................................148
9.2.7.1. Os setores ou departamentos criados................................................................................148
9.2.7.2. Recebimento e beneficiamento de produtos dos associados.............................................149
9.2.7.3. Vendas, faturamentos e lucros..........................................................................................150
9.2.7.4. Endividamento e disponibilidade para pagamento...........................................................151
9.2.8. Efeitos do FNE nos programas tecnológicos.............................................................................153
9.2.9. Auto-avaliação da situação após financiamento.......................................................................154
9.2.9.1. Da cooperativa..................................................................................................................154
9.2.9.2. Dos cooperados.................................................................................................................156
9.3. EFICIÊNCIA COOPERATIVA..................................................................................................................156
9.3.1. Eficiência econômico-financeira.................................................................................................157
9.3.1.1. Capacidade de autofinanciamento....................................................................................157
9.3.1.2. Avaliação de endividamento..............................................................................................158
9.3.1.3. Desempenho nas vendas....................................................................................................159
9.3.1.4. Participação no mercado..................................................................................................160
9.3.2. Eficiência social e de recursos humanos....................................................................................160
9.3.2.1. Faturamento por associado..............................................................................................160
9.3.2.2. Associados ativos em relação ao número total de associados.........................................161
9.3.2.3. Participação dos associados nas assembléias.................................................................162
9.3.2.4. Quantidade de funcionários e técnicos por associados...................................................162
9.4. VISÃO DAS COOPERATIVAS QUANTO ÀS PERSPECTIVAS FUTURAS.......................................163
9.4.1. Tendências nos agronegócios......................................................................................................163
9.4.2. Barreiras existentes e estratégias de atuação............................................................................164
9.4.3. Apoio institucional.......................................................................................................................165
10. CONCLUSÕES E SUGESTÕES.................................................................................................................167
10.1. AUSÊNCIA DE UM PLANEJAMENTO INTEGRADO.......................................................................167
10.2. A VISÃO DAS COOPERATIVA APENAS COMO AGENTES DE REPASSE DE CRÉDITO.........168
10.3. O PATERNALISMO NAS RELAÇÕES COM ASSOCIADOS............................................................169
10.4. A EXIGÜIDADE DOS RECURSOS FINANCEIROS E HUMANOS..................................................170
10.5. O DESPREPARO DO QUADRO ADMINISTRATIVO NO PROCESSO DE GESTÃO.....................171
10.6. INEXISTÊNCIA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL PARA OS COOPERADOS......................................172
10.7. CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................................................173
11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA..........................................................................................................175
12. ANEXOS........................................................................................................................................................186
10
•
LISTA DE FIGURAS E GRÁFICOS
FIGURAS
Página
Figura 1 -Ciclo de crescimento das empresas cooperativas.......................................56
Figura 2 -Microrregiões de Pernambuco ..................................................................63
GRÁFICOS
Gráfico 1 -Evolução do efetivo de bovinos em Pernambuco por mesorregião,
no período de 1990 a 1996..........................................................................64
Gráfico 2 -Quantidade de vacas em lactação em Pernambuco por mesorregião,
no período de 1990 a 1996..........................................................................64
Gráfico 3 -PIB setorial nos estados, na região e no país,
em percentagem, ano 1998........................................................................74
Gráfico 4 -Evolução da produção nordestina de leite total e por estado,
entre 1974 e 1996, em mil litros................................................................80
Gráfico 5 -Participação dos estados nordestinos no total de recursos do FNE
de 1990 a 1998, e no total recursos FNE e no PIB regional
no ano de 1998, em percentual.................................................................88
11
• LISTA DE TABELAS
Página
Tabela 1 - Quantidade de cooperativas no segmento agrícola e total existentes,
cadastradas na OCB, ano 1998...............................................................................26
Tabela 2 -Valores dos investimentos, receitas e despesas, por grupo de atividade
econômica no setor primário em Pernambuco, com base nos
anos de 1995 e 1996.................................................................................................28
Tabela 3 -Evolução das cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias) no Brasil,
por região, no período de 1940 a 1998 ..................................................................38
Tabela 4 -Diferenças entre Sociedades Cooperativas e Sociedade Mercantil..........................42
Tabela 5 -Evolução da participação do PIB setorial no PIB global do Nordeste, no
período de 1960 a 1998.............................................................................................73
Tabela 6 -Evolução da produção, da importação e do consumo de leite fluido no
Brasil, em milhões de litros, entre 1990 e 1998........................................................77
Tabela 7 -Evolução dos Contratos e Montante de Crédito Rural em Pernambuco...................82
Tabela 8 -Destinação do crédito em Pernambuco, por subsetor e principais atividades.........83
Tabela 9 -Evolução das cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias) em
Pernambuco, no período de 1976 a 1998.................................................................87
Tabela 10 -Total dos recursos aplicados e liberados pelo FNE e FINOR
até 1998 nos estados do Nordeste..........................................................................87
Tabela 11 -Recursos aplicados pelo FNE no Nordeste, entre 1990 e 1995..............................90
Tabela 12 -Recursos aplicados pelo FNE no Nordeste, entre 1996 e 1998............................. 90
Tabela 13 -Recursos destinados às cooperativas pelo Sistema Nacional de Crédito
Rural e FNE na região Nordeste, entre 1990 e 1998.............................................93
Tabela 14 -Número de cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias ou agroindustriais) contempladas com recursos do FNE no Nordeste, de 1990 a 1995........96
Tabela 15- Recursos aplicados pelo FNE em cooperativas (agrícolas, pecuárias,
agropecuárias ou agroindustriais) no Nordeste, por estados, de 1990 a 1995........96
Tabela 16 -Número de cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias ou agroindustriais)contempladas com recursos do FNE no Nordeste, de 1996 a 1998.........97
Tabela 17 -Recursos aplicados pelo FNE em cooperativas (agrícolas, pecuárias,
agropecuárias ou agroindustriais) no Nordeste, por estados, de 1996 a 1998........97
12
Tabela 18 -Síntese dos trabalhos realizados pelo GEAP para captação de recursos
do FNE, por associações e cooperativas, em 1993...............................................100
Tabela 19 -Número de Cooperativas contempladas com recursos do FNE
em Pernambuco, por tipo de atividade, entre 1990 e 1998...................................101
Tabela 20 -Recursos do FNE e do Sistema Nacional de Crédito Rural aplicados
nas Cooperativas de Pernambuco, por tipo de atividade, entre 1990 e 1998........101
Tabela 21 -Estatística das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo o período
de fundação.......................................................................................................... 105
Tabela 22 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo a área
de atuação .............................................................................................................106
Tabela 23 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo local
da sede ..................................................................................................................106
Tabela 24 -Estatística do quadro de cooperados, segundo o gênero e o grupo, no
ano de 1998............................................................................................................107
Tabela 25 -Estatística do número de cooperados, segundo nível de escolaridade
e o grupo, no ano de 1998.....................................................................................108
Tabela 26 -Estatística do número de cooperados, segundo a categoria de produtores
associados e o grupo, no ano de 1998...................................................................109
Tabela 27 -Estatística da quantidade de cooperados, segundo a posse de terra e
o grupo, no ano de 1998........................................................................................109
Tabela 28 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a utilização ou não
de algum critério para admitir novos associados, por grupo.................................110
Tabela 29 -Freqüência de critérios para admitir novos associados, por grupo.......................110
Tabela 30 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo o fato
do cooperado recém-admitido receber ou não educação cooperativa..................110
Tabela 31 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo a
utilização ou não de algum critério para organizar os seus associados................111
Tabela 32 -Freqüência dos critérios adotados pelas cooperativas para organizar os seus
associados, por grupo...........................................................................................111
Tabela 33 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a forma como é feita
a comunicação com os seus associados, por grupo...............................................112
Tabela 34 -Estatística do número de cooperados participantes em assembléias e reuniões,
por tipo de atividade, no ano de 1998, por grupo.................................................113
Tabela 35 -Estatística do número de associados capacitados, segundo período,
por grupo..............................................................................................................113
13
Tabela 36 -Condição da sede da cooperativa, segundo a data de aquisição e o grupo...........114
Tabela 37 -Estatística referentes a outros imóveis das cooperativas, segundo
o tipo do imóvel e o grupo....................................................................................115
Tabela 38 -Estatística dos equipamentos disponíveis nas cooperativas,
segundo o tipo e o grupo.......................................................................................116
Tabela 39 -Estatística da quantidade de veículos que a cooperativa possui,
segundo o tipo e o grupo.......................................................................................117
Tabela 40 -Faixa etária do diretor presidente da cooperativa, por grupo................................118
Tabela 41 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a forma de dedicação
dos diretores presidentes e o grupo.......................................................................118
Tabela 42 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o grau de instrução
dos diretores presidentes e o grupo.......................................................................118
Tabela 43 -Estatística do número de pessoas remuneradas na diretoria da cooperativa,
por grupo...............................................................................................................119
Tabela 44 -Freqüência das categorias relativas à estrutura de gestão administrativa
encontradas nas cooperativa, por grupo...............................................................119
Tabela 45 -Freqüência dos instrumentos de gestão financeira encontrados nas
cooperativas, por grupo.........................................................................................120
Tabela 46 -Freqüência dos instrumentos de controle de materiais encontrados nas
cooperativas, por grupo.........................................................................................121
Tabela 47 -Freqüência dos instrumentos de planejamento e controle encontrados nas
cooperativas, por grupo.........................................................................................122
Tabela 48 -Freqüência dos cargos executivos e técnicos remunerados encontrados nas
cooperativas, por grupo.........................................................................................123
Tabela 49 -Estatística do número de funcionários das cooperativas, em 1998,
por grupo..............................................................................................................124
Tabela 50 -Estatística do número de funcionários das cooperativas, segundo o
grau de escolaridade, em 1998, por grupo............................................................124
Tabela 51 -Estatística dos funcionários capacitados, por grupo, encontrados em 1998.........125
Tabela 52 -Estatística das despesas com funcionários e cargos executivos/técnicos,
sem encargos, por grupo, em 1998 (em R$).........................................................125
Tabela 53 -Seções ou departamentos encontrados nas cooperativas, por grupo....................126
Tabela 54 –Freqüência de estratégicas mercadológicas utilizadas pela cooperativas,
por grupo...............................................................................................................127
14
Tabela 55 -Estatística do faturamento bruto anual das cooperativas, por grupo,
em 1998 (em R$)..................................................................................................128
Tabela 56 -Estatística dos maiores setores das cooperativa, segundo volume de
faturamento e quantidade de cooperados beneficiados, por setor e categoria,
por grupo, no período entre 1996-1998................................................................129
Tabela 57 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo os resultados obtidos
no final do exercício, por ano e grupo..................................................................131
Tabela 58 -Freqüência dos programas tecnológicos desenvolvidos e disponíveis ao
produtor, por grupo...............................................................................................132
Tabela 59 -Freqüência de participação em eventos ligados ao setor cooperativo ou
pecuário, entre 1990 e 1998, segundo a região (localização) e o grupo...............133
Tabela 60 -Estatística do percentual de valor liberado do empréstimo em relação
ao solicitado, por grupo.........................................................................................134
Tabela 61 -Freqüência dos programas do FNE utilizados nos empréstimos às
cooperativas locais, por grupo..............................................................................135
Tabela 62 -Estatística do percentual do empréstimo do FNE destinado à própria e
aos cooperados, por grupo....................................................................................136
Tabela 63 -Estatística do número de cooperados beneficiados com o primeiro
empréstimo do FNE, por grupo............................................................................137
Tabela 64 -Estatística do número de cooperados beneficiados com o primeiro empréstimo
do FNE, segundo a categoria e o grupo................................................................137
Tabela 65 -Estatística do número de cooperados beneficiados com o empréstimo do
FNE, segundo a forma da posse de terra e o grupo..............................................137
Tabela 66 -Estatística do número de cooperados antes e após o empréstimo do
FNE, segundo a categoria e o grupo.....................................................................138
Tabela 67 -Estatística do percentual de cooperados participantes nas reuniões para
decisão sobre os recursos a serem obtidos através do empréstimo FNE,
por grupo...............................................................................................................139
Tabela 68 -Estatística da média de participação dos cooperados em assembléias antes
e após o empréstimo do FNE, segundo a categoria e o grupo..............................140
Tabela 69 -Freqüência de pessoas capacitadas com recursos do financiamento,
por grupo...............................................................................................................141
Tabela 70 -Estatística do total de pessoas capacitadas com recursos do financiamento,
segundo o gênero, por grupo.................................................................................141
Tabela 71 -Freqüência dos meios utilizados para ministrar a capacitação com recursos
do financiamento, por grupo..................................................................................141
15
Tabela 72 -Freqüência nas cooperativas, segundo os órgãos que ministraram a
capacitação através/ após empréstimo do FNE, por grupo ..................................142
Tabela 73 -Estatística do número de associados capacitados encontrados,
segundo as áreas, por grupo..................................................................................142
Tabela 74 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a destinação do delcredere recebido ou a receber decorrente da operação com FNE, por grupo.......143
Tabela 75 -Condição da sede da cooperativa, segundo a data de aquisição e o grupo...........143
Tabela 76 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a aquisição ou
construção de outro imóvel, fora sede, através/ após empréstimo do FNE..........144
Tabela 77 -Freqüência dos equipamentos adquiridos através/ após empréstimo do FNE
em relação ao total existente, por grupo..............................................................144
Tabela 78 -Freqüência dos veículos adquiridos através/ após empréstimo do FNE em
relação ao total existente, por grupo.....................................................................145
Tabela 79 -Freqüência das gestões administrativas criadas através/ após empréstimo
do FNE, em relação ao total existente, por grupo.................................................146
Tabela 80 -Freqüência dos cargos executivos e técnicos remunerados criados através/
após empréstimo do FNE, em relação ao total existente, por grupo.....................146
Tabela 81 -Estatística do número de empregados, em relação ao período de obtenção
do empréstimo, por grupo.....................................................................................147
Tabela 82 -Freqüência dos setores, seções ou departamentos criados através/ após
empréstimo do FNE, em relação ao total existente, por grupo.............................148
Tabela 83 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho do
recebimento de produtos dos cooperados, após o financiamento, por grupo......149
Tabela 84 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho do
beneficiamento/ industrialização dos produtos, após o financiamento
por grupo...............................................................................................................150
Tabela 85 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho das
vendas, após o financiamento, por grupo..............................................................151
Tabela 86 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho do lucro
líquido sobre as vendas (bens/ serviços), após o financiamento, por grupo.........151
Tabela 87 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o grau de
endividamento, após o financiamento, por grupo.................................................152
Tabela 88 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a existência ou não de
cooperados inadimplentes no pagamento do empréstimo, por grupo...................152
16
Tabela 89 -Estatística do número de cooperados inadimplentes no pagamento do
empréstimo, por grupo..........................................................................................153
Tabela 90 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a disponibilidade para
pagamento de obrigações, após o financiamento, por grupo................................153
Tabela 91 -Freqüência dos programas criados a partir do empréstimo, em relação
ao total existente nas cooperativas, por grupo......................................................154
Tabela 92 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a existência de melhoria
nas condições econômicas, em relação às cooperativas que não foram
beneficiadas com o empréstimo, por grupo..........................................................155
Tabela 93 -Freqüência do nível de avaliação dos equipamentos, instalações e
máquinas disponíveis atualmente, em relação à concorrência nos setores de
atividades da cooperativa, por grupo....................................................................155
Tabela 94 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a existência ou não
de cooperados com sinais de melhoria das condições econômicas, em relação
aos cooperados que não foram beneficiados, por grupo.......................................156
Tabela 95 -Distribuição das cooperativas pesquisadas segundo as perspectivas
para os próximos dois anos, por grupo..................................................................164
Tabela 96 -Freqüência dos principais entraves que poderão impedir o desenvolvimento
dos agronegócios da cooperativa, por grupo.........................................................165
Tabela 97 -Freqüência dos recursos que intenciona utilizar como forma de aumentar
os agronegócios, por grupo...................................................................................165
Tabela 98 -Freqüência nas cooperativas, segundo conhecimento de entidades de apoio
aos agronegócios cooperativos ligados ao setor pecuário de leite,
por grupo................................................................................................................166
17
• LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS
ACI
Aliança Cooperativa Internacional
AMAS
Associação Menitora de Assistência Social
AGRIN
Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Agroindustria Alimentar
BANCEN
Banco Central do Brasil
BNB
Banco do Nordeste do Brasil
BNDES
Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social
CAI
Complexo Agroindustrial
CCLP
Cooperativa Central de Laticínios de Pernambuco
CNA
Confederação Nacional de Agricultura
CONDEPE
Instituto de Planejamento de Pernambuco
COOSEPE
Cooperativa de Prestação de Serviços e Assist. Técnica de Pernambuco Ltda
DEFS
Departamento Estadual de Fiscalização Sanitária
EBAPE
Empresa de Abastecimento e Extensão Rural de Pernambuco
ECLAC
Comissão Econômica para América Latina e Caribe
EMATER-PE
Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Pernambuco
FAEG
Federação da Agricultura do Estado de Goiás
FAO
Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura
FAT
Fundo de Amparo ao Trabalhador
FCO
Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste
FIAM
Fundação de Desenvolvimento Municipal do Interior de Pernambuco
FGV
Fundação Getúlio Vargas
FINOR
Fundo de Investimentos do Nordeste
FNE
Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste
FNO
Fundo Constitucional de Financiamento do Norte
GEAP
Grupo Especial de Elaboração, Acompanhamento e Assessoramento
Técnico de Projetos
IBGE
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
ITEP
Instituto Tecnológico do Estado de Pernambuco
IGP
Índice Geral de Preços
LEITE BRASIL Associação Brasileira dos Produtores de Leite
MERCOSUL
Mercado Comum do Cone Sul
OCB
Organização das Cooperativas do Brasil
OCEPE
Organização das Cooperativas do Estado de Pernambuco
18
ONU
Organização das Nações Unidas
PEDITEC
Programa Estadual de Difusão Tecnológica
PIB
Produto Interno Bruto
PROPEC
Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Pecuária Regional
PROIR
Programa de Apoio à Agricultura Irrigada
PROAGRI
Programa de Apoio à Pequena Agroindustria de Base Familiar
PROAGRI
Programa de Modernização da Agricultura Não-Irrigada
PROGER
Programa de Geração de Emprego e Renda
PRORURAL
Unidade Técnica de Apoio ao Pequeno Produtor Rural/PE
RECOOP
Programa de Revitalização das Cooperativas de Produção Agropecuária
SEBRAE
Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas
SENAR-PE
Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Adm. Regional de Pernambuco
SIDRA
Sistema IBGE de Recuperação Automática de Dados
SIF
Serviço de Inspeção Federal
SUDENE
Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste
UTH
Ultra Alta Temperatura
19
• RESUMO
No setor primário de Pernambuco, a pecuária de leite possui relevância sócioeconômica, tanto pelos recursos movimentados ao longo da cadeia produtiva, como por
congregar um enorme contingente de micro e pequenos produtores. As alterações políticas,
sociais e econômicas ocorridas a partir do final dos anos 80 atingiram de maneira mais
intensa os produtores com baixo nível tecnológico, ou seja, a maior parcela
dos
pecuaristas estaduais. A necessidade de melhoramento da infra-estrutura e das condições
zootécnicas do rebanho, face à descapitalização do setor, impeliu os produtores estaduais a
buscarem recursos do FNE, os quais possibilitavam às cooperativas incentivos financeiros
vantajosos. Esta política do FNE impulsionou os pecuaristas locais, apoiados por órgãos
governamentais ou não, a pleitearem através das cooperativas os recursos financeiros
necessários para realizarem investimentos, sendo esta estratégia intensificada na segunda
metade dos anos 90, tornando Pernambuco um dos principais destinos dos recursos do
FNE neste segmento no Nordeste. O estudo procurou identificar a competitividade das
cooperativas financiadas com base na estrutura geral, nas estratégias de atuação e na
eficiência econômica e social destas organizações. Neste intuito, foram utilizados dados
primários coletados junto ao Banco do Nordeste, à Organização das Cooperativas do
Estado de Pernambuco-OCEPE e nas próprias cooperativas financiadas, além de dados
secundários, obtidos em fontes bibliográficas. O marco teórico utilizado para visualizar as
cooperativas dentro do agronegócio do leite baseou-se no proposto por Lauschner, cujo
modelo cooperativo agroindustrial representa a melhor alternativa para promover a
integração do pequeno produtor ao mercado, agregando maior valor à matéria-prima e
aumentando a sua renda, tomando ainda o modelo de Oliveira Júnior de crescimento
cooperativo na superação de barreiras de capital e tecnológicas. A conclusão obtida foi
que a falhas de mercado ocorridas no passado, tais como a visão das cooperativas apenas
como agentes de crédito, a falta de preparo do quadro administrativo, a ausência de uma
integração maior entre entidades gestoras do setor e a descontinuidade na alocação de
recursos financeiros, proporcionou pequenos avanços nas cooperativas financiadas
analisadas dentro da cadeia produtiva de leite regional /estadual, não sendo as mesmas
capazes de concorrer com outros agentes da cadeia produtiva sequer na aglutinação e
comercialização da produção.
20
• ABSTRACT
In Pernambuco’s primary sector, dairy livestock plays an important role. This
social-economic importance results not only from the sum of money involved in the
produtive network but also from the huge number of small and very small producers
involved in the process. The political, social and economic changes that came about at the
end of 1980’s had a devastating effect on the vast majority of the technologically outdated
producers. With their sector decapitalized they were forced to seek financing from the
FNE which at the time was offering very advantageous rates. With this financing the
producers hoped to improve the infrastructure of their business and consequently the
zoological conditions of the livestock. These producers organized themselves into cooperatives and these in turn negociated financings with the FNE. In the second half of the
1990’s Pernambuco became one of the principal destines of FNE resources in the
Northeast of Brazil. This study tries to identify the competitiveness of these co-operatives
looking at their general structure, their strategies of action and at their social and economic
efficiency. To achieve this we consuted data made available by the Northeast Bank, by the
Organization of the Co-operatives of the State of Pernambuco-OCEPE and by individual
co-operatives. As well, we got other secondary data from different books on the subject.
The theoretical background we used to undestand the insertion of the co-operatives into
the dairy agrobusiness is based on Lauschner’s idea of increasing yhe value of the product
so as to better integrate the small producer into the market. We also used Oliveira Junior’s
idea that the growth of co-operatives can help in overcoming capital and technological
barriers. The conclusion we came to was not very promising. The progress made by the
co-operatives that received financing has benn insignificant. The same old mistakes have
been repeated once again. Co-operatives are seen as credit agents only, their administrative
people lack training, their lack of integration with other groups and the retraction in
financing has made it almost impossible for them to compete with the rest of the dairy
producing network.
21
1
INTRODUÇÃO
Esta dissertação analisa a competitividade das cooperativas de pecuaristas que
operam com a produção leiteira no estado de Pernambuco e que obtiveram empréstimos
através das linhas de créditos postas em disponibilidade pelo Fundo Constitucional para o
Desenvolvimento do Nordeste-FNE, administrados pelo Banco do Nordeste, entre 1990 e
1998.
Como as políticas públicas de modernização do setor agrícola do Brasil, bem
como as de estímulo às atividades cooperativas sofreram profundas transformações a partir
do final dos anos 70, fruto das mudanças econômicas mundiais, também as modificações
ocorridas no mercado consumidor repercutiram no meio rural, nos mercados dos produtos
agrícolas, e em toda a estrutura produtiva do complexo agroindustrial.
Algumas culturas tradicionais para o setor rural nordestino e pernambucano, como
a do algodão e a da cana-de-açúcar, entraram em declínio, restando, dentre as atividades
mais tradicionais, a pecuária, que assumiu um papel de destaque na economia rural do
estado.
Entretanto, o setor pecuário regional, para tornar-se competitivo, demanda recursos
para investimentos fixos e aquisição de tecnologia para melhorar a produção, a
produtividade e tornar-se imune aos efeitos das estiagens periódicas que sempre ocorrem
na maior bacia leiteira do estado, localizada no agreste.
Com a diminuição da capacidade do Estado, via Sistema Nacional de Crédito
Rural (SNCR), em disponibilizar o volume de recursos necessários a um programa de
estímulo e desenvolvimento da pecuária leiteira estadual, vislumbrou-se como alternativa
de captação de recursos para tal fim o fundo constitucional para a região Nordeste, a
exemplo do que ocorre no Centro-Oeste e Norte.
Desta forma, parcela dos produtores rurais, tentando minimizar o impacto das
mudanças no ambiente de negócios e estimulada por esta alternativa de política
governamental, para financiamento do setor rural, buscou optimizar a captação de recursos
para suas atividades agropecuárias através da união em organizações cooperativas ou
associativas, prescritas pelos agentes que normatizam e operacionalizam o FNE, como
22
formas organizativas ideais para captação de recursos desta fonte de financiamento de
desenvolvimento rural.
À luz desta oportunidade, um grande contingente de produtores rurais nordestinos,
dentre os quais os do estado de Pernambuco, intentaram, através da política de
financiamento e incentivos do governo às cooperativas da região, contribuir para o
desenvolvimento econômico sustentável. Assim, desfrutaram nos últimos 10 anos de uma
ampla gama de possibilidade de apoio e estímulo à modernização de suas unidades
produtivas e de assumir um papel importante na coordenação dos agronegócios do setor.
Entretanto, o resultado obtido com estas ações não se comportou como esperado, tornando
a estrutura produtiva do setor primário mais competitiva, tendo os produtores um papel
maior no contexto dos negócios do setor, através das organizações cooperativas. Em
conseqüência, desperdiçou-se mais uma oportunidade a partir do estado, para que fosse
promovido o desenvolvimento e a modernização do setor rural de Pernambuco, e portando
do Nordeste.
Com base no exposto, formulou-se a seguinte hipótese: a alocação de recursos para
investimentos e custeio massivo nas propriedades dos cooperados, participantes de um
sistema agroindustrial, proporcionaria uma estruturação completa e integrada do sistema
cooperativo leiteiro estadual, se e somente se, as ações de investimento e custeio fossem
respaldadas por uma visão estratégica1 dos atores envolvidos, principalmente as
cooperativas beneficiadas e seus cooperados, além das instituições de caráter
governamental ou não, bem como de outros atores. Desta forma, analisa-se a forma como
os recursos tomados de empréstimo do FNE pelas cooperativas foram aplicados, de modo
a proporcionar um retorno otimizado dos investimentos a longo prazo e competitividade,
quer seja para as cooperativas, quer seja para os associados. Para isso, partiu-se do estudo
dos aspectos organizacionais destes tipos de empresas e seus resultados, à luz das suas
relações com os cooperados, os funcionários, outras organizações cooperativas e não
cooperativas do setor, além de estratégias competitivas adotadas para enfrentar as
adversidades do ambiente de negócios.
1
A visão estratégica para o desenvolvimento do segmento leiteiro é aquela voltada para aplicação de
investimentos em reservas alimentares estratégicas, formação de reservas hídricas, melhoramento do padrão
zootécnico do rebanho, estabelecimento de padrão tecnológico de manejo animal, capacitação dos produtores e
23
Para melhor analisar as cooperativas que operam com o segmento leiteiro no
estado, com base na utilização dos recursos na administração, no quadro social, na
produção, na comercialização, na industrialização dos produtos, bem como no emprego de
tecnologia e na relação com os demais atores da cadeia produtiva de leite estadual,
efetuou-se uma divisão temporal, agrupando as organizações em dois conjuntos distintos:
aquelas que receberam recursos de 1990 até 1995 e aquelas que foram beneficiadas entre
1996 e 1998. Procedeu-se desta maneira em razão das transformações ocorridas no cenário
sócio-econômico nacional, bem como da intensificação na concessão de créditos do FNE
entre os dois períodos.
Como a legislação vigente não permite que os agentes financeiros forneçam
informações sobre pessoas físicas ou jurídicas, salvo através de dispositivo jurídico, a
definição da amostra para cada grupo só foi possível graças a uma listagem da
Organização das Cooperativas do Estado de Pernambuco-OCEPE, que apontou o universo
das cooperativas estaduais, chegando-se então às cooperativas contempladas. Os dados
para a realização dos trabalhos foram coletados através de questionários aplicados nas
cooperativas selecionadas, bem como através de entrevistas com pessoas do setor.
O modelo escolhido como referencial foi o de Lauschner (1993), o qual, através do
conceito de agronegócios, apresenta a possibilidade de um grupo de produtores cooperados
ter excelente desempenho e competitividade , mesmo sendo pequenos proprietários,
produzindo pequenas quantidades de leite e ocupando predominantemente a mão-de-obra
familiar. Tomou-se ainda o modelo de Oliveira Júnior (1996), onde o desenvolvimento da
cooperativa realiza-se em duas etapas visando a transposição de barreiras existentes, de
capital e tecnológicas. Como o perfil descrito anteriormente se enquadra para a maioria
dos produtores encontrados no estado de Pernambuco, de acordo com o Censo
Agropecuário de Pernambuco (1998), e como uma das linhas de ação estratégica do Banco
do Nordeste visava beneficiar justamente este tipo de público, o marco teórico escolhido
possibilitou verificar o desempenho das cooperativas financiadas. A partir desta análise,
foi possível checar o nível de integração do produtor com o mercado e os demais agentes
integrantes do complexo agroindustrial, via cooperativa, aferindo se estas organizações são
trabalhadores; estabelecimento de padrões de qualidade no manejo e pós-ordenha do leite e, principalmente, a
instalação de tanques de resfriamento e expansão do leite, e portanto, a organização da produção.
24
vetores de melhoria nos rendimentos dos produtores cooperados, e alicerce de um maior
dinamismo econômico regional.
Desta forma, com os resultados obtidos neste trabalho, espera-se estar contribuindo
para a administração racional dos recursos públicos e privados a serem investidos na
região e no setor, de modo que seja possível elaborar ações estratégicas que, postas em
prática, possibilitarão um maior desenvolvimento rural através da agroindústria
cooperativa leiteira no Nordeste, de modo particular no estado de Pernambuco.
25
2
A RELEVÂNCIA DA PESQUISA E O PROBLEMA
2.1
A importância do segmento cooperativo
As cooperativas agrícolas2 representam o maior segmento cooperativo nacional,
totalizando 1.408 organizações, representando 27,6% do total de cooperativas brasileiras,
com um número de filiados superior a 1 milhão de produtores, que representam 23% de
todos os cooperados existentes no Brasil (OCB, 1999).
Na região Nordeste encontram-se cerca de 1/3 das cooperativas agrícolas do país,
ou seja, 463 cooperativas agrícolas, merecendo destaque a posição do estado de
Pernambuco, onde ocorre a maior concentração deste segmento cooperativo na região3
(Tabela 1).
Ao efetuar a comparação da quantidade de cooperativas agrícolas existentes em
Pernambuco com as existentes nos demais estados da federação, verifica-se que neste
estado encontra-se o quarto maior número de organizações deste segmento cooperativo no
Brasil, inferior somente aos números registrados nos estados de Minas Gerais, Rio Grande
do Sul e São Paulo. Em termos relativos, o estado registra cerca de 9% do total de
cooperativas agrícolas do país e concentra quase 30% destas organizações em relação ao
total do Nordeste.
O destaque das cooperativas dentro dos agronegócios nacionais, de acordo com
análises da Fundação Getúlio Vargas4, tanto pelo volume de operações realizadas, como
por faturamento, dá-se principalmente em dois setores básicos de atuação: o de grãos e o
2
As cooperativas classificadas como agrícolas englobam os setores agrícola, pecuário e agropecuário, as quais
podem ou não desenvolver atividades agroindustriais.
3
Embora o Anuário Estatístico do Brasil (1998) aponte a existência de 132 cooperativas do segmento agrícola
em Pernambuco, optou-se pelos últimos números fornecidos pela OCB (1999), visto ser a entidade representativa
do setor, geradora de informações para o IBGE.
4
A Fundação Getúlio Vargas, através do Centro de Estudos Agrícolas, efetua uma avaliação das organizações
cooperativas que atuam no agribusiness, divulgando anualmente um ranking das maiores empresas cooperativas,
através da revista AGROANALYSIS, assim como também publica a posição de organizações não cooperativas
que atuam nos agronegócios nacionais. Em 1995, quando o acompanhamento das cooperativas passou a ocorrer,
as cooperativas apresentaram boa margem de lucratividade e rentabilidade, acima da média das outras empresas
do setor. Em 1998, apesar das dificuldades observadas em boa parte das cooperativas em 1997, houve uma
melhora no desempenho das cinqüenta maiores cooperativas que atuam no setor de agronegócios, com o aumento
de índice geral de rentabilidade, apesar de haver um crescimento no índice de endividamento, só que em menor
proporção.(Francisco Filho, 1995 e Campelo Júnior, 1999).
26
de laticínios. Ainda dentre as cooperativas do setor de agronegócios que foram incluídas
como as 50 maiores do Brasil em 1998, a maioria encontra-se no Sul e Sudeste, ocorrendo
alguns casos no Centro-Oeste.
Apesar da estratégia de diversificação de produção e de apoio ao pequeno
produtor, a maioria das cooperativas ainda tem nas “commodities” os principais produtos
comercializados, sujeitando-se, portanto, às cotações e oscilações
do mercado
internacional (OCB, 1998).
Tabela 1 – Quantidade de cooperativas no segmento agrícola e total existentes, cadastradas na
OCB, ano 1998
Coop. Segmento
Total Cooperativas
Agrícola
Região
% BR
Nº
% BR
N°
Brasil
1.408
100,0
5.102
100,0
Norte
71
13,3
190
37,2
Centro Oeste
116
8,2
325
63,7
Sul
314
22,3
1.016
19,9
Sudeste
444
31,5
2.434
47,7
Nordeste
463
32,8
1.137
22,2
Alagoas
13
0,9
30
0,6
Bahia
23
1,7
124
2,4
Ceará
91
6,4
220
4,3
Maranhão
58
4,1
126
2,5
Paraíba
60
4,2
111
2,2
128
9,1
308
6,0
Piauí
47
3,3
84
1,7
Rio G. do Norte
34
2,4
103
2,0
9
0,7
24
0,5
Pernambuco
Sergipe
Fonte: OCB (1999)
Portanto, apesar do aspecto quantitativo com relação ao número de cooperativas no
Nordeste, de modo especial em Pernambuco, não verifica-se destaque econômico do setor
local na avaliação efetuada pela Fundação Getúlio Vargas no âmbito nacional. Ademais,
mesmo Pernambuco apresentando um potencial latente no setor cooperativo agrícola, que
poderia ser canalizado para promover o desenvolvimento rural no estado, isto não se faz
27
perceptível no caso da atividade leiteira, haja visto que, ao tomarmos o volume negociado
por cooperativas com o produto leite no Censo Industrial de Pernambuco (1984) e nos
Censos Agropecuários de Pernambuco realizados em 1985 e 1995-1996, encontram-se
valores pífios, ao contrário dos volumes comercializados/processados por outros agentes
das cadeias produtivas5. Isto, apesar do grande número de cooperativas existentes. Esta
conjuntura remete, em um primeiro instante, a conclusão de que existem problemas na
atuação destas organizações na cadeia produtiva local.
2.2 A importância do agronegócio pecuário em Pernambuco
O setor primário tem no subsetor pecuário um notável gerador de receitas, despesas
e investimentos, sendo considerável o potencial de demanda de bens e serviços ao longo
desta cadeia produtiva específica.
Esta afirmativa pode ser verificada quando se observa que a pecuária no estado de
Pernambuco, apesar das adversidades climáticas constantes que afetam a produção do
rebanho estadual e regional, destaca-se dentre as atividades da economia rural do estado.
Somente a produção de leite estadual, tomando apenas os valores enquadrados no setor
pecuário, representa um montante superior a 140 milhões de reais, alcançando
isoladamente quase o mesmo valor produzido pelas lavouras permanentes de Pernambuco
(Censo Agropecuário de Pernambuco, 1998).
A importância da pecuária também pode ser observada quando verifica-se que,
dentre os diversos grupos de atividades econômicas do Estado de Pernambuco, o subgrupo
pecuário, isoladamente, é o responsável por quase 60% do volume de investimentos
alocados. No tocante ao valor de toda a produção animal e vegetal do estado, o setor
pecuário responde por cerca de 38% do total produzido em Pernambuco, sendo a receita
gerada pela referida atividade maior que a das lavouras temporárias e permanentes. As
despesas efetuadas pelas atividades pecuárias denotam como este setor pode alavancar os
5
Entre o Censo Industrial de Pernambuco (1980) e os dois últimos Censos Agropecuários no estado, em 1985 e
1995-1996, verifica-se que a participação das cooperativas na comercialização / processamento de leite e
derivados permaneceu inalterada, com baixos índices. Os dados do último Censo Agropecuário realizado em
1995-1996 aponta que as cooperativas são responsáveis pela comercialização de apenas 0,1% do queijo
produzido em Pernambuco. Contudo, em alguns produtos hortifrutigranjeiros, estes números apresentam uma
melhora, apesar de continuarem baixos. No caso da manga e do alface, cerca de 4% e 7% das respectivas
28
demais setores fornecedores de insumos e serviços, uma vez que os gastos efetuados por
esta atividade são superiores a 236 milhões de reais (Tabela 2).
Um outro fato que serve para referendar a importância da pecuária no contexto
estadual é o tamanho da área ocupada pelos estabelecimentos rurais que se dedicam a esta
atividade.
Tabela 2 - Valores dos investimentos, receitas e despesas, por grupo de atividade econômica
no setor primário em Pernambuco, com base nos anos 1995 e 1996
(valores em mil reais)
GRUPO DE ATIVIDADE
Investimento
R$
Lavoura Temporária
%
Valor da
produção
R$
%
Receita
R$
Despesa
%
R$
%
24.076
17,16
460.762
34,47
418.704
37,15
237.694
40,16
Horticultura e produção de
viveiro
Lavoura Permanente
2.268
1,62
32.438
2,64
31.696
2,81
14.197
2,40
11.902
8,48
156.260
12,71
149.514
13,26
66.803
11,29
Pecuária
83.259
59,33
468.597
38,11
454.226
40,31
236.200
39,90
18.054
12,86
107.279
8,73
70.387
6,24
35.657
6,02
585
0,42
3.012
0,24
1.699
0,15
932
0,16
89
0,06
218
0,02
215
0,02
215
0,04
105
0,07
955
0,08
725
0,06
179
0,03
140.752
100,00
1.229.492
100,00
1.127.167
100,00
591.876
100,00
Produção Mista (lavoura e
pecuária)
Silvicultura e exploração
vegetal
Pesca e aquicultura
Produção de carvão vegetal
TOTAL
Fonte: Censo Agropecuário de Pernambuco(1998)
O estado de Pernambuco, segundo Censo Agropecuário (1998), possui 258.630
estabelecimentos rurais, ocupando uma área superior a 5,5 milhões de hectares, sendo que
a área ocupada pela atividade pecuária, 2,5 milhões de hectares, é quase 50% maior que a
área ocupada por lavouras temporárias, 1,6 milhões de hectares, e quase a metade de áreas
disponíveis no estado. Porém, o número de estabelecimentos rurais que desenvolvem a
pecuária, 60.960 unidades, por sua vez, é 50% menor que o número de estabelecimentos
ocupados com lavoura temporária, 113.802 unidades.
Segundo Censo Agropecuário de Pernambuco (1998), a maioria dos produtores de
quantidades produzidas no estado são entregues às cooperativas (Censo Agropecuário de Pernambuco, 1998).
29
leite do estado, 84 % do total, são proprietários de terra, sendo quase dois terços
enquadrados na categoria de pequenos proprietários, onde 54 % possuem áreas de
pastagem de até 10 hectares, e 19 % possuem áreas entre 10 e 100 hectares. Outra
caraterística do maior grupo de produtores de leite do estado, 79,5% do total, é que possui
um rebanho que não ultrapassa 5 vacas, sendo estes produtores responsáveis por 35,9 % de
vacas do estado, apresentando produtividade média em torno de 1 litro por vaca. Os
produtores que possuem entre 6 a 20 vacas representam 17,5% da classe e detêm 37,1 %
do total das vacas em ordenha. Os produtores que possuem acima de 20 vacas são apenas 3
% do total e detêm 26,9% das vacas em lactação. Ocorre um aumento na produtividade à
medida que cresce a área e o tamanho do rebanho
2.3
Os Fundos Constitucionais
O Governo Federal, diante da incapacidade de manter o ritmo de financiamento das
atividades produtivas, na década de 70, diminuiu gradualmente os recursos para aplicação
nas regiões que careciam de maior apoio para promoverem o desenvolvimento econômico,
dentre elas, o Nordeste.
Por ocasião da elaboração da Carta Constitucional de 1988, os parlamentares
criaram os Fundos Constitucionais com o intuito de convergir recursos adicionais para
auxiliar o desenvolvimento econômico e social dos setores produtivos das regiões de
menor PIB (BRASIL, 1998).
Surgiram então os Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), do
Centro-Oeste (FCO) e do Nordeste (FNE), que foram regulamentados pela Lei nº 7.827, de
27 de dezembro de 1989, constituindo-se em novas fontes de financiamento para as
atividades econômicas das regiões.
O FNE, desde então, constitui-se em um importante instrumento de financiamento
para as atividades produtivas do Nordeste, uma vez que seus recursos são provenientes de
percentual de 1,8 % da arrecadação da União com o imposto de renda (IR) e com o
30
imposto sobre produtos industrializados (IPI).6
Coube ao Banco do Nordeste e à SUDENE definir na região Nordeste as diretrizes
e os princípios do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste – FNE para
aplicação dos recursos.
A SUDENE teve a incumbência de aprovar os programas do Fundo propostos pelo
Banco do Nordeste, além de ter a responsabilidade de integrar estas ações com as demais
políticas em prol da região e de efetuar avaliação dos resultados das ações. Ao Banco do
Nordeste coube a responsabilidade pela operacionalização, ou seja, gerir os recursos,
definir normas, procedimentos, condições operacionais, encargos, além de deferir
contratos, formalizá-los, prestar contas dos resultados, dentre outras atribuições
(Fernandes, 1996).
A estratégia definida para aplicação dos recursos do FNE via Banco do Nordeste e
SUDENE, através de diversos programas, é de contemplar os setores produtivos
nordestinos, notadamente os situados no semi-árido, para os quais seriam aportados, no
mínimo, metade destes recursos. A aplicação de parte deste recursos no setor primário
nordestino visa criar condições para o desenvolvimento econômico do semi-árido,
proporcionando uma maior produção de alimentos, via introdução de novos processos
tecnológicos e agregação de valor aos produtos (Banco do Nordeste, 1993).
Para o semi-árido, foram priorizados pelo Banco do Nordeste e SUDENE
investimentos em irrigação para atenuar os efeitos climáticos e aumentar a produção;
fomento às agroindústrias, como forma de expandir o desenvolvimento industrial da
região; estímulo às atividades pecuárias, com melhoramento do rebanho e da estrutura
produtiva; além de apoio à mineração e à difusão de tecnologia (Banco do Nordeste,
1993).
O estímulo às ações associativas e de apoio ao pequeno produtor, por sua vez,
compõe a ação estratégica diferencial do Banco do Nordeste perante os demais agentes
6
A origem dos recursos que compõem o FINOR – Fundo de Investimentos do Nordeste, difere do FNE, uma vez
que no caso do primeiro os recursos são provenientes de alocações via Imposto de Renda de pessoas jurídicas,
31
financeiros da região de descentralização de crédito, e tem por meta garantir a
sustentabilidade no desenvolvimento dos produtores rurais da região, de modo a inseri-los
de maneira competitiva no mercado (Giovenardi et al., 1997).
Na concepção da operacionalização destes recursos, os produtores rurais e as suas
cooperativas e associações obtiveram maiores vantagens que os demais agentes
econômicos. Um exemplo são os limites de financiamento maiores e os encargos
financeiros diferenciados denominados “rebates”, que estas organizações e seus membros
têm acesso através de linhas de crédito para investimento, custeio e comercialização,
dependendo da localização.7
Portanto, através dos recursos do FNE, o Banco do Nordeste aplica, por meio de
vários programas definidos e aprovados pela SUDENE, em seu Conselho Deliberativo,
recursos nas áreas de agricultura, irrigada ou não, fruticultura, pecuária, agroindústria e a
difusão tecnológica. (Anexo 1)
Assim, as cooperativas e os seus associados, além de obterem melhores vantagens
quanto ao crédito, podem incluir nestes financiamentos a maioria das atividades
desenvolvidas no meio rural.
2.4
O problema
Apesar do número de cooperativas classificadas pela OCB como agrícolas
encontradas em Pernambuco ser bastante alto; apesar da pecuária no estado representar,
em termos percentuais e absolutos, o maior grupo econômico do setor primário; e os
pequenos proprietários de terra representarem o maior número de produtores de leite do
que podem optar por aplicar 18% do IR a pagar no FINOR. (SUDENE, 1999b)
7
A diferenciação entre os produtores acontece de acordo com a localização, dentro ou fora da zona semi-árida ou
em áreas programas da SUDENE, devendo ser observado em cada programa específico o zoneamento para cada
atividade. Os limites de financiamento podem ser de até 100% para cooperativa e associações, com os prazos de
pagamento para operação efetuadas, dependendo do programa e da finalidade, em investimentos fixos sendo de
até 12 anos, com 4 anos de carência e para investimentos semifixos de até 8 anos, com 3 anos de carência. Os
encargos financeiros para as referidas operações compõem-se de juros no valor de seis por cento ao ano (6% a.a.),
acrescidos de correção com base nos índices definidos para a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), tendo as
associações e cooperativas “rebates” ou descontos de 20 a 40% nos juros a serem cobrados, podendo ser dadas
como garantias da operação as que usualmente são utilizadas no crédito rural, ou seja, hipoteca, alienação
fiduciária, penhor, aval e fiança. (Barbosa et al., 1998)
32
estado, as organizações cooperativas têm pouca representatividade nos agronegócios de
Pernambuco, mesmo havendo mecanismo de financiamento com vantagens especiais, tais
quais os programas desenvolvidos através dos recursos do FNE para o incremento de
atividades econômicas por este tipo de organização.
Considerando
que
as
cooperativas
de
maior
destaque
nacional
atuam
principalmente nos setores de grãos e de leite, e como as atividades pecuárias têm notória
relevância na economia rural de Pernambuco, e ainda em face do Fundo Constitucional de
Financiamento do Nordeste–FNE ter disponibilizado recursos para financiar investimentos
à própria cooperativa e aos seus cooperados, durante a década de 90, questiona-se: quais
foram os reais beneficiários destes empréstimos? Qual a contribuição do empréstimo nas
estruturas sociais, econômicas e administrativas das cooperativas do segmento pecuário?
Será que estas organizações empregaram realmente, de modo eficiente, os recursos obtidos
para tornar, a própria e seus associados, mais competitivos? Quais as perspectivas destas
cooperativas e de seus cooperados no contexto dos agronegócios local e regional do leite?
33
3
OS OBJETIVOS DA PESQUISA
3.1
Geral
Analisar a competitividade das cooperativas que atuam no setor pecuário leiteiro do
estado de Pernambuco, financiadas através de recursos do FNE, com base na estrutura
geral atual, nas estratégias de atuação e na eficiência econômica e social destas
organizações.
3.2
Específicos
-
Efetuar a análise descritiva do ambiente em que as cooperativas estão inseridas,
destacando-se as principais transformações ocorridas no mercado de leite, na última
década;
-
Caracterizar o perfil dos beneficiários dos empréstimos do FNE através de
cooperativas ligadas ao segmento pecuário leiteiro do estado;
-
Avaliar as atuais estruturas sociais, econômico-produtivas e administrativas das
cooperativas estaduais ligadas ao segmento pecuário de leite que foram contempladas com
empréstimos do FNE e a contribuição destes recursos na formação das estruturas
existentes;
-
Avaliar as estratégias de atuação das cooperativas para com seus associados e
para sua melhor inserção nos mercados local, regional e nacional;
-
Avaliar a ocorrência de eficiência econômica e social atual das cooperativas à
luz dos financiamentos recebidos do FNE;
34
4
HIPÓTESE
A competitividade das cooperativas que atuam no setor pecuário de leite e aportam
recursos financeiros externos do FNE para este processo depende de uma ação estratégica
realizada inter e intra organizações, combinando esforços para desenvolver uma estrutura
agroindustrial própria e integrada aos demais componentes da cadeia produtiva, para que
se alcance os objetivos governamentais propostos através da política pública de incentivos
financeiros para o desenvolvimento agroindustrial cooperativo via FNE.
35
5
DA DOUTRINA À EFICIÊNCIA COOPERATIVA
A abordagem da doutrina, no caso a cooperativista, está embasada na necessidade
de avaliar-se o modelo de organização proposto, que possui bases próprias e bastante
peculiares, dentro de um aspecto mais amplo de uma economia capitalista que convive e
adapta-se com vários tipos de estruturas.
Para que uma análise do comportamento das cooperativas dentro de um ambiente
de negócios possa ter mais clareza, faz-se necessário uma abordagem, se não específica,
por quanto genérica, da doutrina e da filosofia cooperativista, para que se possa balizar as
conclusões a serem anunciadas.
Como a empresa cooperativa é um instrumento desta doutrina que tem por intuito
minimizar injustiças no setor social dentro de uma economia capitalista, a análise da
competitividade da empresa cooperativa não se restringe somente ao aspecto econômico,
mas também insere o aspecto social.
Portanto, como qualquer outra empresa, a sua sobrevivência dentro deste ambiente
econômico depende das estratégias utilizadas e adotadas, de modo a garantir a perpetuação
de suas operações no futuro.
As cooperativas de produtores rurais, mais especificamente as dos produtores de
leite, podem ser visualizadas como o prolongamento das empresas rurais isoladas, através
da figura de seus proprietários, no caso os associados, os quais buscam, juntos, uma maior
eficiência e competitividade neste tipo de organização.
Agregar valor ao produto, através de processos industriais ou semi-industriais, no
âmbito de um sistema agroindustrial cooperativo é o modelo proposto por Lauschner, o
qual é possível de ser acessado pelos pequenos produtores rurais como forma de
continuarem sobrevivendo em um mercado cada vez mais globalizado e com concorrência
acirrada.
36
5.1
Aspectos históricos
A influência do meio externo no setor primário pode ser observada através da
descrição de Kautsky8, na qual relata-se como os agricultores europeus do final do século
XIX tiveram de adaptar-se às novas exigências do cenário econômico, e quais as
estratégias para enfrentar a concorrência de produtos oriundos de outras partes do mundo.
Para que os agricultores pudessem ser mais competitivos, Kautsky (1980:137)
apontava as cooperativas como o único caminho para os camponeses agregarem mais
valores aos seus produtos, escoarem a produção e permanecerem na pequena unidade
produtiva, face ao caráter oligopolístico das empresas situadas a montante da produção
rural., afirmando que: "Não se pode conceber que alguém possa negar a importância das
cooperativas..." pois "... a cooperativa apresenta vantagens não apenas para a pequena,
como também para a grande exploração.”
Embora visse com ressalvas a formação de empresas cooperativas por pequenos
camponeses, Kautsky (1980:285) descreveu a importância das cooperativas agrícolas, bem
como as estratégias de concentração ou integração ao concluir que: "Não duvidamos
absolutamente de que esse movimento cooperativo, que se encontra apenas no começo,
não alcance resultados consideráveis, provocando uma transformação radical na situação
do campo."
O Brasil, desde o século passado, recebeu influência do movimento cooperativista
internacional, surgindo as primeiras experiências cooperativas no país em 1847, três anos
após a iniciativa do pioneiros de Rochdale, na Inglaterra.
No estado de Pernambuco, o pioneirismo da experiência cooperativa remonta ao
século passado, com a primeira cooperativa oficialmente constituída em 1894,
no
município de Camaragibe. Entretanto, somente a partir do ano de 1932, com o governo
brasileiro estabelecendo normas específicas9, tais como a permissão para constituírem-se
8
In Kaustky (1980), o autor tenta provar a superioridade da grande produção sobre a pequena produção, no final
do século passado. A descrição da crise causada pela superprodução de alguns produtos, a concorrência sofrida
pelo agricultores europeus por parte dos produtores americanos, bem como as soluções através da cooperação
econômica são tratadas com bastante minuciosidade pelo autor, para a referida época.
9
Estas normas eram baseadas nos princípios cooperativos elaborados pelos pioneiros de Rochdale e
complementadas pelos doutrinadores.
37
através de sociedades anônimas e a liberdade operacional, ocorreu um impulso no setor
cooperativo, principalmente no segmento ligado às atividades agrícolas, haja visto nossa
economia ter estrutura agrária10.
A partir da década de 30 surgiram também uma série de incentivos financeiros ao
movimento, iniciando o processo de ingerência de caráter paternalista em todas as ações
concernentes às atividades das cooperativas, chegando o Governo Federal a criar e
interferir na administração direta destas organizações.
A conduta adotada pelo Governo até o final da década de 50 originou uma série de
cooperativas, cujos associados eram arregimentados sem serem submetidos a qualquer
processo educativo, desconhecendo os reais princípios cooperativos (Tabela 3).
Todas estas ações contribuíram para o fracasso de um grande número de
cooperativas, apesar de existirem os Departamentos Estaduais de Assistência ao
Cooperativismo (DACs), a partir de 1938, os quais eram encarregados de proporcionar um
programa educacional e de assistência técnica ao setor cooperativo de cada estado.
A conjuntura econômica da época e a falta do processo educativo, aliadas à
manipulação política, são apontadas como razões de entrave ao desenvolvimento do
cooperativismo até a década de 70 na região Nordeste.
Em termos mais específicos, encontramos a desqualificação do pessoal para o
processo de gestão e o desconhecimento dos objetivos e metas das organizações, que
resultaram na ineficiência gerencial. A falta de critérios na concessão de crédito para os
associados, não analisando a situação econômica real do indivíduo, além dos obstáculos
no processo de comercialização e beneficiamento da produção dos cooperados, resultaram
numa completa desestruturação das finanças das cooperativas. A ingerência externa
determinada por fatores políticos-partidários e a falta de integração entre cooperativas
acabaram pondo em cheque a credibilidade do sistema cooperativo na região. O relativo
êxito das cooperativas agrícolas e de crédito aconteceu apenas nos grupos mais ou menos
10
Uma análise do histórico do cooperativismo do Brasil e do Nordeste está contida nos estudos de Rios (1973),
Rios (1976), Rêgo (1984) e Daniel & Gal (1981) os quais ilustram bem as fases do cooperativismo nordestino
entre o início do século até a década de 70, assim como as conseqüências decorrentes das políticas
implementadas pelo governo para o setor.
38
homogêneos, compostos de pessoas com maior poder aquisitivo e de maior nível de
conhecimento das vantagens do sistema. Assim, a ação prática de um percentual
expressivo das cooperativas no Nordeste até a década de 70 ficou restrita ao repasse de
crédito e à comercialização de alguns bens de produção.
Tabela 3- Evolução das cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias) no Brasil, por
região, no período de 1940 a 1998
REGIÕES
1940
1950
1960
1970
1980
1990
1994
1998
Sudeste/Sul
402
835
1.188
830
756
735
709
758
Nordeste
118
296
435
248
345
449
402
463
Norte/Centro-Oeste
10
60
98
82
148
173
117
187
Brasil
530
1.191
1.739
1.160
1.249
1.357
1.288
1.408
Fonte: Panzutti (1997) e OCB (1999)
O Governo Federal, com a crise mundial no final dos anos 70, volta a sua atenção
aos programas de desenvolvimento do cooperativismo “... como uma fórmula adequada
de promover o desenvolvimento das atividades agropecuárias, através do fortalecimento
do pequeno e médio produtores...”(Daniel & Gal, 1981).
Segundo Pinho (1973), este é um recurso estratégico que o Estado adota quando
tem pouca disponibilidade de recursos humanos e materiais, principalmente financeiros,
para promover o desenvolvimento. Desta maneira, são difundidas as benesses do
cooperativismo, bem como a formação de organizações cooperativas, tanto como forma de
organização econômica, como de educação técnica e gerencial.
Decorrente disto, vários programas para desenvolvimento do setor, em âmbito
nacional, foram propostos pelo Governo Federal, a exemplo do PICOOP – Programa
Institucional do Cooperativismo (PICOOP, 1988).
Também aconteceram, a partir de
então, ações, através de dispositivos legais para beneficiar o pequeno e micro produtor
rural, não apenas no âmbito da concessão e repasse de crédito aos associados, mas de um
desenvolvimento integrado dentro do complexo agroindustrial, nos âmbitos nacional e
local.
39
5.2
Doutrina e princípios cooperativos
A doutrina cooperativista teve origem na Alemanha e Inglaterra no final do século
passado, fruto da reação dos socialistas espiritualistas às conseqüências do liberalismo
econômico da época, e tinha como objetivo corrigir as injustiças sociais, bem como prestar
serviços aos seus associados.
As cooperativas, numa economia capitalista, segundo Pinho (1966), são o resultado
de uma boa interação social, em resposta às forças atuantes de mercado, aceitando o seu
mecanismo e tentando melhorar o seu funcionamento.
Crochet & Selaries (1962), Pinho(1977) e Garcia (1997) afirmam que, numa
cooperativa, as pessoas encontram-se organizadas nos moldes democráticos, sendo o seu
funcionamento pautado pelos princípios de solidariedade, igualdade, liberdade e
fraternidade, baseados nas regras estabelecidas pela primeira cooperativa na Inglaterra
pelos Pioneiros de Rochdale. Os membros das cooperativas, através da honestidade,
transparência, responsabilidade e vocação social, contribuem para o embasamento do ato
cooperativo.
Estes “ princípios e valores” foram referendados mais uma vez pelo congresso da
ACI 11, que estabeleceu “regras gerais” para todas as organizações cooperativas. Portanto,
em uma cooperativa deve haver: a gestão democrática e aberta, que garante direito de um
único voto por membro da organização; a atividade econômica deve ser considerada de
proveito comum, sem objetivo de lucro; a adesão voluntária e aberta, permitindo a entrada
e saída livre de qualquer indivíduo; a participação econômica dos sócios, com acesso aos
resultados das operações no final do exercício; a autonomia e independência, com o intuito
de aprimorar o exercício democrático das atividades; a educação, informação e formação
através de programas específicos; a cooperação entre cooperativas, as quais podem
originar novas cooperativas; e o interesse pelo desenvolvimento da comunidade.
O objetivo destes princípios é, ao mesmo tempo, validar o funcionamento das
cooperativas, reduzindo os custos de transação nas relações entre os seus membros, através
11
Os princípios cooperativos descritos foram aprovados pela ACI, após oito anos de reflexões, no Congresso de
Manchester, em 1995, onde encontram-se detalhadamentete explicados no documento final do evento,
40
de uma especificação de direitos e deveres entre eles com as referidas sociedades
cooperativas.
Este conjunto de normas também distingue e caracteriza a cooperativa dos demais
tipos de organização.
5.2.1 EMPRESAS COOPERATIVAS
As organizações cooperativas desenvolvem uma atividade econômica que tem
origem nas necessidades comuns de um grupo de pessoas que possuem a propriedade e
controle da organização, com objetivos econômicos e sociais.
Para Crochet & Selaries (1962: 44-45), uma cooperativa “ ...é um grupo de homens
que se reúnem numa empresa comum para, em conjunto, realizarem certas operações em
condições melhores do que poderiam fazer isolados” sendo o seu funcionamento pautado
pelos princípios cooperativos.
Pinho(1966:8) define cooperativa como sendo
“ uma sociedade de pessoas,
organizadas em bases democráticas, que visam não só a suprimir seus membros de bens e
serviços, como também a realizar programas educativos e sociais”.
Segundo Mora (1992:25), a cooperativa constitui-se de uma associação de pessoas
com personalidade jurídica e responsabilidade limitada, que tem por fim satisfazer as
necessidades individuais dos cooperados, proporcionando uma melhoria econômica e
social, através da prestação de serviços, sem visar lucro.
De acordo com Boettcher (1984:24), as cooperativas são “ la union de un grupo de
sujeitos económicos que pretenden la promocion de suas propias unidades económicas
domésticas o empresariales através de la prestación de los servicios de una empresa
administrada mancounadamente por ellos (los socios)”.
Para Lauschner (1982:51), a cooperativa é “um organismo técnico econômico e
financeiro sob administração coletiva que mantém nas mãos dos trabalhadores toda
gestão e risco e destina ao fator trabalho e para a sociedade geral todo valor agregado,
denominado: Cooperative principles for the 21st century. ( ACI, 1999).
41
depois de pago o juro (ou taxa fixa de arrendamento do fator capital)”.
Desta maneira, avalia Pinho (1982), as atividades da organização cooperativa não
estão restritas apenas à dimensão econômica, mas englobam também o campo social. Isto
decorre do fato que, enquanto o componente econômico permeia a produção, a
distribuição, a repartição de rendas e a execução de políticas de desenvolvimento, o
componente social contribui para o processo de formação do cooperado, via decisões,
meios de comunicação e conscientização, além do desenvolvimento de atividades culturais
e intercâmbios entre comunidades locais, bem como reivindicações diversas.
As cooperativas, devido aos princípios doutrinários da ACI, possuem características
singulares que as diferenciam de uma empresa não cooperativa, existindo uma legislação
específica para o setor no Brasil12, assim como em outros países.
A Constituição Brasileira de 1988 também versa sobre o cooperativismo, apoiando
e estimulando as sociedades cooperativas (art. 174 parág. 2º) , bem como diferenciando o
ato cooperativo do ato comercial, inclusive para efeito de tributação (art. 146, parág 3º),
vedando toda e qualquer interferência estatal no funcionamento destas organizações, que
podem ser livremente constituídas (parág. XVIII do art. 5º).
Portanto, é possível identificar diferenças entre empresas capitalistas e
cooperativas, tanto no objetivo, quanto no processo de gestão, de apropriação e do fator
arrendado (Tabela 4).
As empresas cooperativas caracterizam-se por apresentarem o trabalho, ou seja, os
serviços, como o objetivo, sendo o modelo de gestão democrático, com cada associado
tendo direito a um único voto. As “sobras” são distribuídas de acordo com o trabalho e a
operação de cada associado com a cooperativa, sendo a subscrição de cotas partes o tipo de
participação do associado no capital social da organização, o qual não poderá ser vendida
ou passada a terceiros13. Neste tipo de sociedade há também um organograma obrigatório
12
Lei Nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Nesta lei os artigos 3º e 4º expõem os princípios doutrinários, o art.
5º assegura o direito de uso da denominação cooperativa e o art. 38º reitera o princípio democrático de que a
assembléia geral é o órgão máximo da decisão da cooperativa. (OCEPE, 1998b)
13
As cooperativas, de acordo com legislação tributária nacional, também estão dispensadas do pagamento de
imposto de renda. Entretanto, Pinho (1982) não analisa este fato como uma isenção fiscal, haja visto que as
empresas que o fazem podem realizar aplicações dedutíveis em imposto de renda, canalizando estes recursos
para investimentos em regiões específicas ou atividades produtivas estimuladas pelo governo.
42
por lei, composto de assembléia geral, que elege o conselho fiscal e o conselho de
administração.
Tabela 4- Diferenças entre Sociedades Cooperativas e Sociedade Mercantil
Sociedade Cooperativa
Sociedade Mercantil
Sociedade de Pessoas
Sociedade de capital
Tem por objetivo principal a prestação de serviços
O Objetivo principal é o lucro
Controle democrático: um homem, um voto
Cada ação é um voto
O “quorum” das assembléias é baseado no número de
cooperados
O “quorum” das assembléias é baseado no capital
Não é permitida a transferência de cotas partes a
terceiros, estranhos à sociedade
É permitida a transferência de ações a terceiros
O retorno é proporcional ao valor das operações
O dividendo é proporcional ao valor das ações
Fonte: Bialoskorski Neto (1997)
Entretanto, as cooperativas podem assumir diferentes formas, afirma Pinho(1966),
dependendo do tipo de sua estrutura (primeiro, segundo e terceiro graus)14 e ter objetivos
sociais específicos ( consumo, trabalho, agropecuária, etc).
Embora o objetivo de uma cooperativa seja prestar serviços a seus membros, avalia
Crochet & Selaries (1962) e Pinho (1977), as estratégias gerais e o processo de decisão
sobre o papel dos diversos negócios e os recursos alocados deverão ter por objetivo uma
melhor “performance”, tanto dos interesses da organização, como do grupo, visto que elas
estão inseridas numa economia de mercado.
5.2.1.1 O crédito às cooperativas
As cooperativas, independentemente de sua finalidade ou estrutura, necessitam de
recursos financeiros
para o exercício de suas funções. Por serem, via de regra,
descapitalizadas, as cooperativas necessitam de financiamento, seja público ou privado.
Para Crochet & Selaries (1962) existem várias fontes de financiamento de que pode
14
De acordo com Pinho (1966), as cooperativas de primeiro grau são aquelas onde os associados são
predominantemente pessoas físicas. As de segundo grau são formadas pela união das cooperativas singulares e as
de terceiro grau representam a junção das cooperativas do nível anterior.
43
dispor uma cooperativa, dentre as quais destaca “ o próprio trabalho do associado, a
subscrição de ações, as obrigações e outros empréstimos feitos por sócios a prazo fixo ou
variável, os retornos diferidos, a transformação dos excedentes em reservas, os créditos
concedidos por fornecedores, empréstimos do crédito agrícola e os empréstimos
concedidos no âmbito de um plano nacional”.
Devido à necessidade crescente de modernização das atividades do setor primário
no Brasil, as fontes clássicas de financiamento para esta modernização revelaram-se
insuficientes. O papel das políticas de incentivos fiscais e financeiros constituí-se em
alternativa, então, para o acesso dos agricultores e suas organizações a mecanismos de
modernização da produção e inserção do produtor rural no mercado. Ao mesmo tempo em
que o produtor rural e sua cooperativa obtêm crédito, não é apenas este pequeno grupo
beneficiado,
mas
todos
os
integrantes
da
cadeia
produtiva
na
qual
estão
inseridos15.Portanto, há um aceleração de todo o ciclo produtivo, permitindo um
desenvolvimento econômico amplo (Lauschner, 1993).
As cooperativas, nas mais diversas modalidades produtivas, desfrutando de
condições especiais de crédito, põem ao alcance do agricultor um instrumento capaz de
possibilitar uma maior inserção no complexo agroindustrial, tornando sua atividade mais
competitiva.
Deste modo, os principais obstáculos empresariais que existiam no meio rural,
dentre eles o isolamento, a desinformação, dificuldade de obtenção de novas tecnologias,
descapitalização e baixo nível educativo, puderam ser superados pelo cooperativismo. De
fato,
através da criação da unidade de produção agroindustrial, introduziu-se novas
técnicas de produção que tornaram a unidade de produção agrícola mais rentável,
derivando disto o crescimento humano e social, dentre outros.
15
Contrário à tendência de utilizar o crédito rural como instrumento de incentivo à agricultura, SAYAD, J.
(1978) condena a utilização de recursos do programa de crédito para incentivar a produção ou alterar as técnicas
de produção, haja visto que as organizações do sistema financeiro trabalham com firmas, as quais possuem vários
projetos, havendo a possibilidade de alocação dos recursos obtidos com subsídios em alternativas outras que não
a agricultura. Ressalva entretanto, que existe uma diferença entre o grande agricultor e o pequeno, pois este ainda
necessitava complementar com recursos próprios o montante necessário ao investimento. Assim, não basta
apenas crédito subsidiado para que se invista na agricultura, pois se não houver rentabilidade, as firmas do setor
(fazendas) tomarão recursos através desta modalidade de crédito, transferindo a maior parte destes, e até mesmo
recursos de terceiros que obtiveram anteriormente, para atividades outras de maior rentabilidade.
44
5.2.1.2 As cooperativas nos complexos agroindustriais
As cooperativas do setor primário encontram-se inseridas no contexto dos
complexos agroindustriais16, estando sujeitas às dinâmicas existentes entre os elos de uma
cadeia de produção de um determinado produto.
Segundo Kageyama (1990), o processo de modernização da agricultura17
intensificou-se na década de 60 através do uso de insumos modernos, modificação na
relação de trabalho e mecanização das operações permitindo um aumento qualitativo na
produção rural e favorecendo a instalação no Brasil de um conjunto de indústrias
produtoras de insumos, o qual passou a depender cada vez mais do fator capital.
A política de substituição das importações, segundo Tavares (1979), juntamente
com a de crédito rural, foi fundamental na formação do complexo agroindustrial nacional,
forçando, segundo Menelau (1993), a modernização e a industrialização do setor primário
no período posterior a 1975.
Estes complexos alteram a dinâmica da agricultura, antes ditada pela do mercado
(externo e interno), passando a funcionar através da dinâmica própria, forçando o Estado a
assumir a função de “administrador”, através das políticas específicas para cada setor
(Müller, 1989). Esta estratégia adotada pelo Estado visava permitir que o mercado
funcionasse sem maiores estrangulamentos, cabendo aos poderes públicos apenas arbitrar
as divergências internas, tais como as existentes dos complexos agroindustriais
(Zylbersztajn e Farina, 1991).
Nesta perspectiva, Farina (1997) afirma que no caso do sistema agroindustrial de
leite no Brasil, formou-se “uma estrutura bastante complexa e integrada e, ao mesmo
tempo, heterogênea, resultante do desenvolvimento industrial e agrícola no país, e do
aparato institucional que o gerou.”
16
O complexo agroindustrial é definido por Müller (1989:45-46) como sendo o “conjunto formado pela sucessão
de atividades vinculadas à produção e transformação de produtos agropecuários e florestais”, sendo portanto
uma “unidade de análise do processo sócio-econômico que envolve a geração de produtos agrícolas, o
beneficiamento e sua transformação, a produção de bens industriais para agricultura, os serviços financeiros,
técnicos e comerciais correspondentes, e os grupos sociais”.
17
O processo de modernização da agricultura ocorrido a partir de 1965 é chamado de industrialização da
45
Como existem diferentes graus de relação no ambiente da produção primária, tanto
nas relações a montante, como a jusante da unidade produtiva, Kageyama (1990) classifica
quatro tipos de articulação entre os complexos agroindustriais (CAIs): aqueles com fortes
vínculos dos setores a montante e a jusante, denominados CAIs completos; os que
possuem forte vínculo à frente e não necessariamente atrás, chamados CAIs incompletos;
um outro tipo que, apesar de possuir uma série de atividades modernizadoras dependentes
da indústria de insumos, não mantém processo de integração com estes; e por fim, aqueles
de base de produção artesanal ainda não modernizada.
No modelo em que a base de produção é artesanal, há pouca incorporação de
tecnologia, sendo a maior parte da sua produção voltada para a subsistência do produtor e
de sua família. Isto proporciona uma menor competitividade a este modelo. Já nos CAIs
completos, há uma intensa relação entre os atores da cadeia produtiva, sendo o seu produto
voltado para o mercado.
O modelo do complexo agroindustrial do leite nacional, de acordo com
Kageyama(1990), é classificado como sendo “incompleto” devido ao tipo das ligações a
jusante da atividade rural. As indústrias processadoras deste setor compõem um grupo dos
mais oligopolizados e concentrados, exigindo, por sua vez, maior qualidade e regularidade
de oferta de matéria-prima, influenciando enormemente a produção leiteira.
As cooperativas neste contexto representam, segundo Müller (1989:103), uma
“...maneira de reação à perda potencial de autonomia dos produtores agrícolas face à
tendência oligopolítica-oligopsônica...” tanto da indústria, como das grandes redes
varejistas.
As cooperativas, segundo Zylberstajn (1997) e Lauschner(1993), podem não apenas
atuar na coordenação do complexo agroindustrial, no caso específico leite, haja visto que
são instituições de caráter econômico e social, componentes de um processo altamente
representativo, mas também atuar nos processos de gestão democrática-participativa do
Estado, colaborando na formulação e execução de políticas públicas. Esta seria uma das
estratégias operacionais que o poder público teria para conseguir aumentar a produção,
agricultura, pois a indústria passa a comandar a “direção, as forças e o ritmo da mudança na base técnica
agrícola” do país (Kageyama, 1990:121-122).
46
bem como estimular novas alternativas de produtos, que poderiam ser maximizados
através do incremento do setor cooperativo, com oportunidade de retomada do crescimento
econômico. Deste modo, as cooperativas poderiam ser catalisadoras num processo de
geração de emprego e renda não só para os produtores rurais, mas para toda a comunidade
na qual estão inseridas.
O aproveitamento do potencial cooperativo local também facilitaria uma constante
inovação tecnológica, diversificação de produtos, mesmo em atividades que possuam
“commodites” de baixo valor agregado, além de viabilizar um processo educacional de
seus membros cooperados e de suas comunidades (Lauschner, 1993).
Para visualizar a atuação de um setor específico na cadeia produtiva, bem como a
estratégia adotada por seus atores, três aspectos básicos podem ser utilizados: a
comercialização, a industrialização e a produção de matérias-primas (Batalha, 1995).
Portanto, a análise da atuação das cooperativas na cadeia produtiva dentro do
contexto agroindustrial pode ser facilitada através de cortes verticais, pois este método
permite uma visão segmentada do setor.
5.2.1.3 As empresas cooperativas agroindustriais
Com a formação dos complexos agroindustrias, a desregulamentação do Estado e a
crise dos mecanismos de apoio estatal, originaram-se as empresas cooperativas
agroindustriais, mais complexas que as cooperativas agrícolas tradicionais.
Este processo que impulsionou as cooperativas agrícolas a assumirem um novo
perfil aconteceu a partir do início dos anos 70, segundo Panzutti (1997), e levou-as a
buscarem novas formas de funcionamento e adaptações às realidades do mercado.
Para Jäguer(1992), esta transformação ocorreu com maior intensidade em
cooperativas situadas em estados do sul do que no estado de Pernambuco.
Portanto, para uma melhor compreensão do ambiente onde está situada a empresa
47
cooperativa agroindustrial, deve-se analisar o "complexo rural"18, sendo possível visualizar
todas as operações situadas a montante e a jusante da unidade produtiva, bem como o
papel da agroindústria.
Lauschner (1993:51) adota a definição de agroindústria em sentido amplo como
sendo a “... unidade produtiva que transforma o produto agropecuário natural ou
manufaturado para utilização intermediária ou final”. Entende-se a agroindústria em
sentido restrito como sendo “...uma unidade produtiva que, por um lado, transforma, para
a utilização intermediária ou final, o produto agropecuário ou seus subprodutos não
manufaturados: e que, por outro lado, adquire diretamente do produtor rural o mínimo de
25% do valor total dos insumos utilizados” (Lauschner, 1993:52).
Assim, a agroindústria representa na concepção de Lauschner (1993:274) “...o
agente econômico que pode oferecer melhor apoio aos produtores rurais, como forma de
agregar valor, ampliar a renda e o emprego rural, dinamizar as pequenas cidades,
fortalecer a economia frente ao exterior e como instituição de apoio direto das
explorações rurais”, sendo um setor estratégico no desenvolvimento do complexo rural.
A agroindústria cooperativa é apontada por Lauschner(1993:276) como “... o
modelo ideal de organização e de autopromoção do pequeno produtor rural...” pois
“...quando bem viabilizada pode maximizar o apoio ao agricultor...”, na medida que
“...concede aos agricultores associados as decisões da agroindústria e a distribuição do
excedente segundo as operações, eliminando o “lucro”; remunera o capital apenas com
juros, iguais ou não ao valor de mercado, e mantém como objetivo exclusivo beneficiar os
produtores rurais”. Este modelo também possibilita uma “...integração do produtor à
agroindústria cooperativa, mediante contratos de produção e integração...” permitindo
uma racionalização empresarial que só traz benefícios ao produtor, pois “...não assegura
benefício monopsônico ao capital, como nos outros modelos de empresas industriais”.
Entretanto, esta agroindústria, adverte Lauscnher (1993:61-62), deve “... adaptarse às exigências de mercado para concorrer...”, sendo levada a “ ...direcionar e
18
In Lauschner (1993: 29-30) encontra-se a definição do Complexo Rural como sendo um termo cujo significado
é oriundo do conceito de “Agribusiness”, formulado por DAVIS, Jonh H & GOLDBERG, Ray A. A concept of
agribusiness. Boston: Harvard University, 1957. O Complexo Rural é definido como sendo o “conjunto de todas
as operações que abarcam a produção e distribuição de insumos rurais; a exploração a nível da exploração rural; e
48
maximizar a eficiência da pesquisa tecnológica, da assistência técnica, do crédito rural e
do uso de investimentos e insumos em geral que os agricultores adquirem do agregado I
ou Montante do complexo rural”.
Estas ações, aliadas a outros efeitos diretos e indiretos da agroindústria, permitem
um aumento da produtividade e da renda dos agricultores.
Assim, para que realmente esta agroindústria cooperativa possa ter viabilidade
econômica, além de ter de possuir uma boa planta industrial, com tamanho e localização
adequados, recursos financeiros suficientes, deve ter assegurada a suficiência e
regularidade da matéria-prima (Lauschner, 1993).
Jäguer(1992:6) defende que a cooperativa, inserida numa economia de mercado
funcione não como uma empresa, mas como um empreendimento que tem por objetivo
desenvolver “... economicamente unicamente os seus cooperados participantes...”, através
de atividades de mercado, sendo o seu comportamento econômico uma resposta a este
mercado e às necessidades da moderna produção. De acordo com Jäguer (1992:6-7), este
empreendimento cooperativo “...não tenta identificar-se com a comunidade ou região...”,
pois “... a cooperativa não é um movimento com objetivos sociais...”, mas sim, “...uma
comunidade de vantagens para aqueles que cooperam ativamente...”, sendo estes os
fatores que permitem estabilidade e sucesso a este tipo de empreendimento.
Rêgo(1984:96), ao analisar inúmeros trabalhos e pesquisas sobre o cooperativismo
nordestino, conclui que é de suma importância que as cooperativas desenvolvam
atividades agroindustriais, pois isto possibilita “...uma interiorização do desenvolvimento
de forma participativa e com melhor distribuição espacial de indústrias e do parque
industrial, quer pelo núcleo populacional maior nessas que em empresas grandes, ou
multinacionais, quer pelos benefícios quanto ao processo de interiorização...” e destaca o
processo democrático destas organizações via “...o reflexo da participação da população
no processo, na economia de mercado e na geração de maior elenco de atividades para o
setor de serviços.”
As agroindústrias pecuárias cooperativas são apontadas por Lauschner (1993) como
o armazenamento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas e seus subprodutos”
49
aquelas
que
melhor
oferecem
condições,
quando
viáveis,
de
incrementar
o
desenvolvimento rural, em razão da possibilidade da “densificação econômica dos
produtos”, diversificação de culturas e poder multiplicador das vendas e empregos.
Deste modo, o potencial latente das agroindústrias cooperativas pecuárias pode
atingir tanto a esfera econômica como social, através de um processo de modernização e
crescimento tecnológico das zonas rurais. Isto ocorre à medida que seja adequada aos
fatores de produção que utiliza, fortalecendo a aglutinação social dos associados, através
da conscientização para a tomada de decisões econômicas que assegurem o máximo em
benefícios econômicos.
5.2.2 ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA EM COOPERATIVAS
As diversas organizações que se encontram no complexo agroindustrial
estão
interrelacionadas, podendo neste contexto, tanto influenciar, como sofrer influência.
A combinação de fins (metas) e de meios (políticas) que a organização utiliza para
alcançar os seus objetivos delineia a sua estratégia de atuação no mercado (Porter, 1986).
As empresas devem ter uma clara visão do ambiente em que atuam, uma vez que as
limitações ao desenvolvimento dos negócios dependem da concorrência existente entre
empresas do mesmo setor, das barreiras de entrada e saída de negócios, do conjunto de
produtos similares disponíveis e do poder de negociação dos compradores e fornecedores
(Porter, 1986).
Entretanto, as análise do ambiente na formulação de estratégias adotadas devem
também levar em consideração fatores outros tais como limitações legais, pressões sociais
e interferência de grupos internos e externos nos processos decisórios e nas atividades
(Ansoff & MacDonnell, 1993).
Portanto, torna-se relevante aos dirigentes das organizações, no caso as
cooperativas, realizar uma análise do ambiente organizacional, ou seja, delinear todo o
“...conjunto de todos os fatores, tanto internos como externos à organização, que possam
afetar seu progresso...” canalizando as respostas para uma maior competitividade da
organização (Certo & Peter, 1993:38).
50
A finalidade desta análise é identificar o grau de oportunidades e riscos que
possam afetar o êxito da organização em atingir as metas pretendidas, de forma efetiva e
eficiente, dependendo, entretanto, da qualidade das atividades de análise ambiental
utilizadas (Certo e Peter, 1993:63).
A percepção da análise do ambiente por parte das organizações, no caso
cooperativas, “...depende muito daquilo que cada organização considera relevante para o
seu ambiente”(Chiavenato, 1998:603).
As organizações cooperativas, na busca de maior vantagem competitiva, tendem a
optar por um tipo de estratégia elaborada de acordo com a sua percepção do ambiente.
Estas estratégias podem ser usadas de maneira isolada ou conjunta, de modo a criarem
vantagens, quer seja de curto, médio ou longo prazo, tendo sempre por fim a superação dos
concorrentes na atividade supra.
Desta maneira, a análise do contexto dentro de uma ótica multidisciplinar permite a
construção das vantagens competitivas dentro de um paradigma de desenvolvimento, onde
as empresas estão em um processo de mudança contínuo para ajustarem-se ao mercado.
As vantagens competitivas, portanto, estão relacionadas ao processo de gestão, inovação
tecnológica, produção e conhecimento de mercado, aos subsídios e incentivos fiscais,
integração vertical e horizontal, ao enfoque num segmento alvo, bem como à diferenciação
de produtos, dentre outros19 (Gentzolglanis et al., 1998).
Contudo, a gestão das empresas cooperativas apresenta pontos singulares, os quais
não ocorrem em organizações não cooperativas.
Dependendo do tipo da empresa e do modelo de gestão adotado pela empresa
agroindustrial cooperativa, pode haver uma demanda por pessoal qualificado para o
processo de direção da empresa, em razão do aumento das atividades nas agroindústrias
cooperativas.
19
Dentro do sistema agroindustrial e nas organizações cooperativas, a competitividade é determinada não apenas
pela inovação tecnológica, mas também por outros fatores de organização das firmas e competências adquiridas,
sendo as decisões estratégicas limitadas em alguns setores, como o de P&D, haja visto que dependem de avanços
tecnológicos gerados noutros setores e da própria estrutura de mercado (Machado, 1998 e Brito, Antonialli &
Santos, 1997).
51
As especificidades na administração de uma cooperativa estão presentes, cita
Bialoskorski Neto & Jank (1994), nas relações contratuais, na gestão, no planejamento
administrativo estratégico e unidades de negócios, na análise de eficiência, dentre outros, e
merecem ser vistos para melhor compreensão do ambiente e obtenção de sucesso nos
negócios cooperativos.
A empresa cooperativa apresenta peculiaridade singular no referente à teoria das
relações contratuais. Para Bialoskorski Neto (1997:530-531), neste tipo de empresa, ao
mesmo tempo que “...a pessoa física participa das decisões estratégicas, através de
assembléia...”, ela se “...autocontrata para as etapas posteriores ao processo produtivo,
inclusive com independência para influir na remuneração destes contratos, ou seja, em
sua própria remuneração”. Este processo é decorrente da “... ausência de separação entre
o controle e a propriedade...” nas empresas cooperativas.
A junção entre o controle e propriedade neste tipo de organização favorece o
aparecimento de alguns problemas, segundo Bialoskorski Neto(1997), haja visto o que
ocorre quando o exercício de cargo de gerência, via de regra, é assumido por um dos
associados, o qual pode perpertuar-se através da autocracia.
O malogro dos “contratos”, disputas internas e perda de tempo nas decisões são
outros pontos fracos apresentados por este tipo de organização.
Zylberstajn (1997) também concorda que a não separação entre propriedade e
controle resulta em pressões internas dos cooperados, influenciando a organização
cooperativa no intuito de obter preços acima do mercado, comprometendo o seu
desempenho. Isto acontece quando o cooperado sente-se distante do negócio da
cooperativa. Este tipo de problema pode ser contornado, na visão de Zylberstajn
(1997:26), através de “...programas internos de informação, deixando o cooperado
sintonizado com o negócio da cooperativa...”.
Devido
à
complexidade
das
cooperativas
que
operam
nos
sistemas
agroalimentares, em virtude das características dos negócios agrícolas modernos,
Zylberstajn(1997) afirma que a figura do cooperado gerente tende a desaparecer neste tipo
de organização. Esta conclusão decorre de uma exigência maior da qualificação
profissional específica, e de que a atividade de gerência nestas estruturas cooperativas
52
exige dedicação exclusiva, cerceando o tempo dedicado à atividade primeira do associado,
a produção rural, a qual exige um constante aperfeiçoamento técnico .
Bialoskorski Neto (1997:532) afirma que o ideal seria “...o gerenciamento
profissional, aliado sempre à participação do associado nas decisões estratégicas...”, pois
“...não é possível gerenciar negócios tendo como meta apenas a solidificação da empresa
agroprocessadora como uma agência de assistencialismo a seus produtores associados”.
Assim, as decisões devem ser tomadas “...de acordo com as tendências de mercado em
nível global e as principais estratégias de ação empresarial...”, sendo as unidades
estratégicas de negócios “...uma conseqüência do processo de planejamento estratégico de
longo prazo, e portanto da definição de seus objetivos e de sua missão”.
O conceito de eficiência em uma empresa cooperativa é originado, segundo
Bialoskorski Neto (1997:533), tanto na “...eficiência social, ou seja, a capacidade da
cooperativa assegurar ao seu cooperado a obtenção de seus objetivos econômicos...”
como “...na eficiência financeira da empresa”. Assim, a organização atua de acordo com
a lógica econômica do mercado, tanto para fora como para dentro, garantindo a eficiência
empresarial e a eficácia social.
A análise da eficiência social pode ser obtida “...através da observação da
participação do cooperado, de sua atividade de negócios com a empresa e do nível de
crescimento de sua renda particular” (Bialoskorski Neto, 1997:534).
Para obtenção da eficiência financeira, cita Bialoskorski Neto20 (1997:534), podem
ser utilizados instrumentos de análises tradicionais, os demonstrativos financeiros e os
índices de eficiência, desde que se atente para as particularidades destas sociedades.
Entretanto, Zylberstajn (1997:24) argumenta que a própria doutrina cooperativa
contém elementos que afetam a competitividade da empresa cooperativa. O princípio de
20
Na análise financeira das cooperativas não existe lucro, e sim sobras, as quais, apesar de constar nas contas do
patrimônio líquido, “ têm a possível tendência de serem menores, pelo fato de a cooperativa não objetivar sua
maximização”. Este fato poderia causar problemas com outros índices financeiros, tal qual o endividamento,
“considerados como exigíveis pelo passivo total, que tenderia a ser maior em uma cooperativa”. Os índices de
liquidez podem também ser distorcidos se não considerarmos as nuances da existência de estoques, tanto de
produtos agrícolas, como de insumos, para serem vendidos aos associados, e o valor a ele atribuído, se de custo
ou de mercado. Um outro fator importante é a época de elaboração do balanço, devido à sazonalidade da
produção e, portanto, do nível de estoque.
53
um homem - um voto, por exemplo, “... não pode ser considerado neutro no desempenho
da empresa, induzindo a maiores custos de transação...”, sendo um desafio às estruturas
cooperativas modernas “...manter seu papel de sistema centrado no homem e, ao mesmo
tempo, desenvolver organização capaz de competir com empresas de outras naturezas
com orientação para o mercado”.
Zylberstajn (1997:31) destaca outro fator que implica em menor competitividade
deste tipo de empresa: “...o acesso às sobras é menos importante do que a renda da venda
do produto...”, assumindo o cooperado um comportamento “...que reflete ação
oportunista”.
Na agroindústria cooperativa, quanto maior o nível de valores compartilhados de
motivação e de informação, resultarão em controles intensos e menor conflito interno, bem
como da perfeita sintonia entre cooperado e a sua organização ( Zylberstajn, 1997).
Quanto maior for a cooperativa, maior é a sua complexidade, necessitando,
portanto, de uma nova estrutura que represente os novos tipos de arranjos contratuais, de
modo a permitir maior eficiência em mercados cada vez mais exigentes.
O processo de participação, a transparência das informações e o nível de
conscientização nortearão o perfil gerencial dos agronegócios cooperativos, o qual será
mais competitivo, na medida em que a organização promova programas de educação
capazes de capacitar os associados face aos desafios impostos pelo mercado.
5.2.2.1 Eficiência e eficácia nas cooperativas
As cooperativas, atuando num ambiente de negócios com empresas cooperativas e
não-cooperativas, têm que apresentar, ao mesmo tempo, eficiência e eficácia21 nas suas
21
O conceito de eficiência que se procurou utilizar é o referendado pela Organização das Cooperativas do
Paraná-OCEPAR e Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e desenvolvido por Oliveira Júnior (1996),
baseado na análise das variáveis ambientais que interferem em uma organização, levando por isto em conta, além
do econômico-financeiro, a dinâmica social e política, interna e externa, das empresas, tomando por referencia o
modelo de planejamento estratégico desenvolvido por Ansoff (1981). Portanto, leva-se em consideração que a
eficiência e a eficácia andam juntas, ou seja, a organização deve ser considerada tanto pelo foco da eficiência,
como da eficácia, sendo aquela relacionada com o aproveitamento dos recursos existentes e esta relacionada com
o alcance de resultados, onde a eficiência nas operações tem por intuito garantir a eficácia da organização
(Chiavenato, 1998: 607-614 e 713-723).
54
administrações para continuarem atuando no mercado, tendo a cautela de procurar a
adequação econômica aos princípios cooperativos22.
Em busca de uma maior eficiência e eficácia, Pinho (1977) e Zylberstajn(1997)23
afirmam que as cooperativas são estimuladas a buscarem vantagens como redução de
custos, economia de escala, aumento dos serviços econômicos e sociais, realização de
novos empreendimentos , ampliação da participação no mercado e defesa dos interesses do
setor.
Para que estas estratégias tragam benefícios nítidos, Bialoskorski Neto (1997:528)
afirma que é necessário advir uma “economia de integração”, ou seja:
• “economia de operações combinadas, reunindo operações tecnologicamente
distintas, de forma a ganhar eficiência no processo produtivo global;
•economia de coordenação, através da redução de custos de controle e de
transações;
•economia de informação, facilitando o acesso a informações importantes ao
processo de tomada de decisões de produção e comercialização;
•economia de relacionamentos estáveis, possibilitando a especialização nas
diversas fases de produção e permitindo um ganho pela eficiência e a diferenciação do
produto através de marcas e/ou pela qualidade.”
A partir destas abordagens econômicas, é possível identificar e analisar os
processos de gestão e administração das cooperativas, bem como os seus resultados, ou
22
Em publicação divulgada pela ACI encontra-se uma análise efetuada por Book (1999) sobre eficiência e
eficácia em cooperativa. O autor ressalta que, para o desenvolvimento de uma cooperativa, deve haver sintonia
entre economia e democracia, coisa possível de ser efetuada, haja vista as experiências de organizações que
adotaram este tipo de gestão tanto em países desenvolvidos, como em desenvolvimento. Este tipo de
característica administrativa é adotada inclusive por empresas não cooperativas para ‘ganhar mercado’. Para
Book, é embasado nesta mesma perspectiva que o conceito de AMSC (Appropriate Management System for
Agricultural Co-operation) da FAO foi elaborado, visando o desenvolvimento de recursos humanos dentro de
cinco diretrizes fundamentais, para que as cooperativas possam ter uma boa ‘performance’ no mercado, as quais
são: ampla participação dos produtores rurais nas decisões; administração profissional da cooperativa; integração
com a rede de insumos, de industrialização e comercialização; diversificação da produção; e capacitação dos
associados.
23
Zylbersztainj(1997) analisa as cooperativas como uma maneira de promover a integração vertical dos
produtores que desenvolvem atividades agrícolas e pecuárias, rumo a atividades de comercialização,
industrialização e produção de insumos.
55
seja, sua eficiência e eficácia nos aspectos econômicos e sociais.
A adoção de uma abordagem que não envolva apenas mecanismos tradicionais de
análise de uma empresa não cooperativa pode levar a erros na interpretação de alguns
resultados que, por sua vez, podem indicar o êxito ou não deste tipo específico de
organização.
5.2.2.2 Avaliação de eficiência em cooperativas
Na organização cooperativa, a avaliação da ‘performance’ deve levar em conta
tanto indicadores econômicos como indicadores sociais, haja visto as peculiaridades deste
tipo de organização.
Pinho (1982) destaca que,
devido às nuances deste tipo de organização, os
indicadores de desempenho de uma organização cooperativa devem levar em consideração
os indicadores econômicos clássicos, como quociente de liquidez, quociente de giro de
estoque, de crédito ou de dívidas e quocientes de participação de capital, por exemplo.
Porém, não deve-se desprezar alguns instrumentos específicos, denominados “indicadores
cooperativos”, tais como indicadores de solidariedade cooperativa, de vitalidade
democrática da cooperativa, de equidade cooperativa e de educação cooperativa.
Levando em conta as peculiaridades da organização cooperativa, Oliveira Júnior
(1996) afirma que o conceito de eficiência empresarial tem de ser constituído de forma tal,
que não descaracterize esta organização como sociedade de pessoas e empresa em
economia de mercado.
Desta maneira, ressalta Oliveira Júnior (1996:10), “o equilíbrio entre distribuição
e acumulação de sobras, entre estrutura voltada para o mercado ou para o quadro social
e entre decisões tecnoburocráticas ou democráticas é em suma o conceito de eficiência
básico que norteia uma empresa cooperativa”.
Para Oliveira Júnior (1996), a base da eficiência das cooperativas é obtida à
medida que se tem uma velocidade de acumulação equilibrada com um estrutura sólida de
capital, para que as condições de aumento e de crescimento contínuo da organização esteja
assegurada. Este processo de formação de capital, além de possibilitar dois ciclos de
56
crescimento, possui barreiras no que tange à disponibilidade de capital, de tecnologia, de
mercado e de matéria-prima, os quais dependendo da política econômica e social da
organização, podem ser transpostas ou não.
A etapa inicial deste processo é resultante do capital inicial investido pelos
associados e dos resultados obtidos. Este capital pode ser proveniente de uma fonte
externa, que não os próprios associados, para formar o volume de capital disponível,
dependendo da política da cooperativa para tal. A etapa posterior resulta dos investimentos
através de recursos disponíveis, que, por sua vez determinará a capacidade da organização
em adquirir tecnologia e continuar a crescer. ( Figura 1)
Figura 1 – Ciclo de crescimento das empresas cooperativas
DISTRIBUIÇÃO ( sobras)
CAPITALIZAÇÃO
RESULTADOS
ECONÔMICOS
APURADOS
CAPITAL APORTADO
PELOS ASSOCIADOS
SOBRAS CAPITALIZADAS
CAPITAL DE EMPRÉSTIMO +
(fornecedores/governo)
VOLUME CAPITAL DISPONÍVEL
SUPERAÇÃO DAS BARREIRAS
TECNOLÓGICAS E DE CAPITAL
VOLUME DE CAPITAL INVESTIDO
SUPERAÇÃO DAS
BARREIRAS DE
MERCADO E DE
MATÉRIA-PRIMA
INVESTIMENTO FINANCEIRO DE
CURTO PRAZO
INVESTIMENTOS OPERACIONAIS
DE CURTO PRAZO
INVESTIMENTOS PERMANENTES
Fonte: Oliveira Júnior (1996).
57
Desta maneira, a cooperativa poderá escolher, de acordo com o ponto de vista
econômico e social, qual o melhor tipo de investimento, superando as barreiras existentes
no mercado para o negócio em questão, apresentando resultados econômicos e financeiros
satisfatórios (Oliveira Júnior, 1996).
Assim, na
análise da eficiência econômico-financeira das cooperativas, vários
aspectos podem ser abordados, pois como este tipo de organização não visa lucro, há
necessidade de resultados econômicos positivos para possibilitar condições de
crescimento. Para avaliar a capacidade da cooperativa crescer e sustentar suas operações
com capital de giro próprio, pode-se tomar o índice de autofinanciamento, que leva em
conta o capital de giro e as necessidades de capital de giro. A utilização de recursos
externos para realizar investimentos ou operações correntes pode ser mensurado através do
índice de endividamento. A análise do desempenho dos negócios pode ser avaliada através
do desempenho nas vendas, na participação do mercado, do patrimônio e das sobras da
cooperativa (Oliveira Júnior, 1996).
Na análise da eficiência social da cooperativa podem ser considerados também
aspectos educacionais, políticos e de recursos humanos utilizados pela organização, tais
como o percentual de cooperados presentes em assembléias, o número de associados
ativos em relação ao número total de associados, o faturamento por associados e o número
de associados em relação ao número de técnicos, por exemplo(Oliveira Júnior, 1996).
Desta maneira, tem-se uma posição da capacidade da cooperativa em continuar
atuando no mercado, podendo, inclusive, balizar a avaliação de estratégias e correções nos
mecanismos econômicos, administrativos e sociais destas organizações.
58
6
METODOLOGIA DA PESQUISA
6.1
Fins da pesquisa
Quanto aos fins, a pesquisa será explicativa, pois pretende esclarecer qual a
importância dos recursos obtidos através do FNE para as cooperativas e qual a eficiência e
a competitividade destas organizações.24
Visando atingir os objetivos propostos por esta dissertação, utilizou-se o modelo
conceitual empregado por Lauschner (1993) e Oliveira Júnior(1996) que analisa os
negócios da cooperativa dentro de uma abordagem sistêmica. Na metodologia empregada
utiliza-se uma ótica multidisciplinar, onde a análise do êxito das ações da cooperativa
extrapola o aspecto puramente econômico. O aspecto social e político são também
devidamente considerados, o que permite verificar a consistência da relação economia /
democracia dentro das cooperativas.
Desta forma, foi possível verificar a possibilidade de êxito de empreendimentos
geridos por pequenos agricultores nos moldes cooperativos, dentro do segmento da
pecuária leiteira, bem como verificar a estratégia de atuação destes atores e as limitações
de ação de cada um destes nas relações intra e inter organizações.
O emprego deste tipo de análise permitiu visualizar o comportamento do segmento
dentro do contexto social e econômico, bem como o embasamento utilizado pelas
entidades e seus associados na definição e aplicação de estratégias competitivas.
Portanto, uma visão apurada do contexto em que as cooperativas estão inseridas e
as relações existentes neste ambiente apresentou-se de suma relevância na análise da
competitividade deste tipo de organização.
6.2
Os meios da pesquisa
Quanto aos meios, a pesquisa utilizou-se de dados bibliográficos, documentais e de
campo,
sendo este conjunto de dados fundamental para geração das informações
59
balizadoras das análises.
6.2.1 OS DADOS PRIMÁRIOS
Como o modelo de análise proposto leva em consideração o ambiente de negócios
da cooperativa, com destaque para a sua relação com os setores financeiro, governamental
e institucional, os dados primários foram coletados junto às próprias cooperativas, bem
como junto a alguns representantes dos agentes citados.
6.2.1.1 No setor financeiro
Os dados que permitiam a identificação das cooperativas beneficiadas através de
recursos
do
FNE
no
estado,
nos
segmentos
agrícolas,
pecuários
e
agroindustriais/agropecuários foram obtidos através de consulta ao banco de dados do
Banco do Nordeste – Ambiente de Implementação de Programas, localizado em FortalezaCE.
Em virtude da legislação em vigor no país não permitir acesso a referências
individuais quanto aos dados bancários de indivíduos ou empresas, ao referido agente
financeiro coube fornecer apenas valores genéricos para a região Nordeste e para o estado
de Pernambuco no período analisado.
Os dados coletados entre dezembro de 1998 e maio de 1999 auxiliaram a definir o
tamanho da amostra, bem como efetuar uma análise comparativa da realidade local e
regional, quanto ao volume do crédito concedido.
6.2.1.2 No setor governamental
O Governo do Estado, interessado em propagar e facilitar o acesso de agricultores
às linhas de crédito disponíveis via FNE, teve papel de destaque no fomento e elaboração
das primeiras propostas de financiamento para cooperativas no estado.
24
A classificação quanto aos fins e meios baseia-se no proposto por Vergara (1997).
60
O GEAP – Grupo Especial de Elaboração, Acompanhamento e Assessoramento
Técnico de Projetos, vinculado à Diretoria Técnica – DTE da Secretaria de Agricultura do
estado, foi criado para atuar juntamente com organizações associativas e cooperativas. 25
O resgate de documentação e síntese de projetos pioneiros elaborados no Estado de
Pernambuco a partir de 1993 permitiu a obtenção de informações relevantes para a
pesquisa, tais como as primeiras entidades a efetuarem projetos para obtenção de
empréstimo do FNE.
6.2.1.3 No setor institucional
A Organização das Cooperativas do Estado de Pernambuco – OCEPE possui no seu
banco de dados informações gerais e específicas sobre as cooperativas existentes e
atuantes no setor agrícola, pecuário, agropecuário e agroindustrial. O Cadastro Básico das
Cooperativas Pernambucanas de 1998 também serviu como fonte de pesquisa.
Porém, mesmo tendo um subsetor específico para as cooperativas do setor primário,
a OCEPE não dispunha de uma relação completa das organizações beneficiadas através do
FNE. Portanto, a identificação do universo a ser pesquisado também levou em conta
informações coletadas junto ao presidente desta entidade, Dr. Malaquias Anselmo, além de
contatos efetuados com as cooperativas estaduais.
A intervenção da OCEPE junto às entidades cooperativas alvos da pesquisa e seus
dirigentes permitiu que obstáculos pudessem ser transpostos, facilitando a aplicação dos
questionários.
6.2.1.4 Nas organizações cooperativas
O número de operações realizadas com recursos do FNE em organizações
cooperativas de Pernambuco, entre 1990 e 1998, permitiu que se delineasse o universo da
pesquisa no estado. Além de verificar os benefícios oriundos das ações implementadas
25
O GEAP foi criado pela Portaria Nº 0298 em 10/05/93, para atuar junto as cooperativas e associações,
estimulando o desenvolvimento destas organizações e apoiando na elaboração de projetos agropecuários
integrados.
61
através destes recursos, era também objeto deste questionário traçar um perfil do quadro
social e administrativo, bem como a competitividade destas organizações pesquisadas no
cenário local de agronegócios.
Devidamente quantificadas as cooperativas agrícolas, pecuárias, agropecuárias e
agroindustriais no estado que obtiveram financiamento do FNE, procurou-se, selecionar e
identificar
aquelas
classificadas
pelo
Banco
do
Nordeste
como
pecuárias
e
agroindustriais/agropecuárias, situadas na região de maior expressão na pecuária de leite
do estado.
Com o objetivo de verificar o perfil, os efeitos do empréstimo e o comportamento
das cooperativas que primeiro obtiveram empréstimo do FNE no estado, face às
cooperativas que só recentemente foram contempladas, procedeu-se a divisão em dois
grupos. O primeiro grupo foi composto pelas cooperativas que receberam financiamento
através de recursos do FNE até 1995 e o segundo grupo por organizações que obtiveram
financiamento entre 1996 e 1998.
Os dados primários indicaram um número de 79 operações com cooperativas que
atuaram em atividades pecuária, agropecuária e agroindustrial. As informações coletadas
permitiram que se identificassem 34% das operações efetuadas com cooperativas no
estado, o que representa 27 cooperativas contempladas, sendo que 11 receberam incentivos
do FNE entre 1990 e 1995 e 16 entre 1996 e 1998. Então, optou-se por pesquisar uma
amostra, sendo a escolha feita aleatoriamente.
Os questionários foram formulados de modo que se obtivesse o maior número de
dados possíveis sobre as organizações pesquisadas, sendo aplicados em 13 cooperativas,
ou seja, aproximadamente 50% do universo identificado. A escolha das cooperativas
aconteceu aleatoriamente, respeitando a seguinte proporção: 6 organizações contempladas
entre 1990 e 1995 e 7 organizações entre 1996 e 1998.
Haja vista a dificuldade de deslocamento para vários pontos do estado, foi
solicitado apoio da EBAPE-PE26, a qual colaborou em algumas localidades de difícil
acesso.
26
A EMATER-PE através de um processo de reestruturação, em 1999, deu origem a EBAPE-PE.
62
Para minimizar os impactos decorrentes do receio do fornecimento de informações
sobre as cooperativas e seus dirigentes detectadas durante o pré-teste, optou-se por
assegurar aos entrevistados que os nomes das suas respectivas organizações seriam
suprimidos na pesquisa, sendo efetuado o estudo do grupo de cooperativas analisadas em
cada período.
A coleta de dados nas cooperativas ocorreu entre março e junho de 1999, sendo
efetuado anteriormente um pré-teste, dada a dimensão do questionário utilizado.
6.2.2 OS DADOS SECUNDÁRIOS
Os dados secundários foram coletados através de pesquisa bibliográfica
desenvolvida a partir de livros, teses, periódicos, artigos , além de jornais, revistas e
publicações disponibilizadas através da internet .
A pesquisa bibliográfica, além de alicerçar o estudo, também teve por intuito
observar as possíveis divergências entre as metas e objetivos propostos pela política do
FNE para as entidades cooperativas, bem como da parte das cooperativas analisadas.
Assim, subsidiado por estes dados, foi possível fazer as respectivas considerações sobre o
resultado encontrado na pesquisa.
6.3
O alcance da pesquisa
A dissertação teve como área de pesquisa duas mesorregiões do estado de
Pernambuco: agreste e sertão pernambucano ( Figura 2).
O agreste de Pernambuco, situado entre o litoral e o sertão, teve o processo de
ocupação histórico baseado na pecuária, lavoura alimentar e produção de fibras. Possuindo
diferentes ambientes naturais, com áreas de clima semi-árido e vegetação de caatinga
surgindo ao lado dos brejos de altitude, o binômio gado-policultura norteou a economia da
região durante um longo período. (FIAM, 1999).
Na área geográfica do agreste encontramos 71 municípios dispostos em 7
microrregiões, ocupando 25,1% do território do estado, sendo que 48,5% da população
63
vive no campo. (FIAM, 1999)
Figura 2 - Microrregiões de Pernambuco
Sertão Pernambucano:
01 – Araripina; 02 – Salgueiro; 03 – Pajeú ; 04 - Sertão do Moxotó.
Sertão do São Francisco: 05 – Petrolina; 06 – Itaparica
Agreste: 07- Vale do Ipanema; 08 - Vale do Ipojuca; 09 - Alto do Cabibaribe; 10 - Médio Capibaribe,
11 – Garanhuns; 12 -Brejo Pernambucano
Mata:
13 - Mata Setentrional; 14 - Vitória de Sto Antão; 15 - Mata Meridional
Metropolitana do Recife: 16 - Itamaracá ,17- Recife, 18 - Suape
Fonte: FIAM (1999)
Nesta mesorregião encontra-se a maior concentração de bovinos do estado,
56,47% do total, e a maior quantidade de vacas em lactação, 46,67% do total (Gráfico 1).
O agreste também é responsável por 75,34% da quantidade de leite produzido no
estado, conservando a sua posição no ranking estadual no tocante ao tamanho do rebanho,
número de vacas em lactação e quantidade de leite produzida, mesmo em períodos de
estiagem prolongada, como em 1993 e 1994,
embora o rebanho tenha sofrido uma
acentuada redução (Gráfico 2).
O sertão pernambucano, com um índice pluviométrico médio por ano em torno de
600mm,
vem sofrendo transformação do seu espaço agrícola, tanto em função de
implantação de grandes áreas irrigadas, como pelo avanço da pecuária em áreas antes
cultivadas com lavouras alimentares, o que interfere nas relações de produção,
especialmente no sistema trabalhador-morador-parceiro (FIAM, 1999).
A mesorregião sertão pernambucano possui
56 municípios agrupados em 6
microrregiões, ocupando 38,9% do território do estado (FIAM, 1999).
64
Nesta mesorregião está localizada a segunda maior quantidade de bovinos no
estado, 27,10% do rebanho, e a segunda maior quantidade de vacas ordenhadas no estado,
24,01% do total, sendo responsável por 22,06 % da produção de leite (Gráfico 1 e 2).
Observa-se que a região, mesmo em períodos de estiagem, com a redução do
rebanho, continua a ocupar o segundo lugar em concentração de rebanho, quantidade de
vacas e produção de leite .
Gráfico 1- Evolução do efetivo de bovinos em Pernambuco por mesorregião, no
período de 1990 a 1996
1.200.000
Nº Bovinos
1.000.000
Agreste
Pernambucano
800.000
600.000
Mata
Pernambucana
400.000
Metropolitana de
Recife
200.000
0
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
Ano
São Francisco
Pernambucano
Sertão
Pernambucano
Fonte: SIDRA-IBGE-Pesquisa Pecuária Municipal (1999)
Vacas em lactação
Gráfico 2 -Quantidade de vacas em lactação em Pernambuco por mesorregião, no período de
1990 a 1996
450.000
400.000
350.000
300.000
250.000
200.000
150.000
100.000
50.000
0
Agreste
Pernambucano
Sertão
Pernambucano
Mata
Pernambucana
São Francisco
Pernambucano
1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996
Ano
Fonte: SIDRA-IBGE-Pesquisa Pecuária Municipal (1999)
Metropolitana de
Recife
65
6.4
O sujeito do estudo
O presente trabalho concentrou-se nas cooperativas ligadas ao setor agropecuário
que receberam financiamento do FNE entre 1990 e 1998 para investimento, custeio ou
comercialização no segmento de leite e derivados, localizadas no estado de Pernambuco.
Na análise não foi feita a distinção quanto à estrutura das cooperativas, pois a
maioria delas, ligadas ao setor agropecuário no estado são classificadas, segundo a OCEPE
(1998), como de primeiro grau.
Dada à extensão temporal do período analisado e com o intuito de verificar qual o
desempenho das primeiras cooperativas que conseguiram captar recursos via FNE no
estado, optou-se por agrupar as cooperativas do universo da pesquisa em dois grupos, de
acordo com período de obtenção do empréstimo. O primeiro período, alcançou aquelas
cooperativas beneficiadas entre 1990 e 1995 com recursos do FNE, e o segundo período,
aquelas beneficiadas entre 1996 e 1998 com estes recursos.
Procedeu-se dessa forma por considerar-se possível acompanhar melhor o
desempenho das organizações ao longo do tempo, bem como as suas relações com a
cadeia produtiva, tanto a jusante como a montante da unidade produtiva, através desta
divisão.
Os atores participantes da cadeia produtiva que têm relação com a organização
foram identificados à luz dos fluxos de capital financeiro, de produto, de informações e
serviços, sendo possível estabelecer as estratégias adotadas pela cooperativa para o
segmento de produção, transformação e distribuição no contexto em questão.
6.5
Informações de base para análise de competitividade
A análise da competitividade das cooperativas que receberam recursos do FNE, foi
procedida com base em dados sobre o
perfil e as estratégias adotadas, de modo a
identificar os efeitos do FNE no que tange aos seguintes aspectos:
a) Quadro social;
66
b) Estrutura administrativa;
c) Tipos de instrumentos de gestão( financeira, de planejamento e de controle);
d) Estratégias mercadológicas utilizadas;
e) Programas tecnológicos disponibilizados;
f) Interação com organizações , cooperativas ou não.
Ainda como instrumento complementar na análise da competitividade das
cooperativas que obtiveram empréstimo do FNE, foram tomados alguns padrões de
eficiência, levando em conta a realidade atual nos setores específicos:
• O desempenho econômico-financeiro, com base na:
a) Capacidade de autofinanciamento;
b) Nível de endividamento;
c) Participação no mercado;
d) Desempenho das vendas.
• O desempenho social, com base em:
a) participação dos associados nas assembléias;
b) associados ativos em relação ao número total de associados;
c) faturamento por associado;
d) quantidade de funcionários e técnicos por associados.
Os questionários aplicados foram elaborados a partir de modelos adotados por
Gentzoglanis et al.(1998) e Giovenardi et al.(1997), agrupando os dados em cinco seções,
para facilitar as respostas. Desta maneira, analisando os dois grupos de cooperativas,
através de informações gerais do perfil da organização e do empréstimo, foi possível
estabelecer o modelo de crescimento adotado pelas instituições e seus cooperados, e sua
estratégia de atuação, tomando por base o modelo agroindustrial cooperativo proposto
(Anexo II).
As respostas obtidas no questionário possibilitaram verificar a eficiência da
67
cooperativas com base em indicadores estabelecidos, considerando também as análises dos
entrevistados, sobre a situação atual e futura das suas respectivas organizações, sendo
aplicado na análise destes dados o parâmetros analíticos utilizado por Oliveira
Júnior(1996).
Desta maneira, os dados puderam ser analisados, através de procedimentos
estatísticos (média, freqüência, números índices, etc), permitindo alcançar, também, o
objetivo da pesquisa, no que concerne a análise da competitividade.
68
7
MERCADO E INCENTIVOS À PECUÁRIA ESTADUAL
As cooperativas, como unidades de negócios agrícolas, sofrem a interferência dos
vários elos da cadeia produtiva em que se inserem, em todos os níveis, bem como dos
fatores institucionais e econômicos.
O papel das políticas de incentivos neste contexto merece ressalva, com destaque
para os recursos disponibilizados pelo FNE entre 1990 e 1998, tanto para os estados
nordestinos como para as cooperativas da região, haja visto constituírem-se em
ferramentas capazes de possibilitar maior competitividade, quer para os produtores rurais,
quer para o segmento agroindustrial.
Este capítulo delineia de maneira sucinta o contexto institucional e econômico, e as
nuances que atingiram o complexo agroindustrial do leite no período, bem como as
transformações ocorridas nos investimentos destinados ao setor agrícola e pecuário no
estado de Pernambuco.
7.1
O ambiente de negócios
A partir do final dos anos 80, o país mergulhou num profundo processo de mudança
e de transformações institucionais e econômicas que atingiu todos os setores da sociedade,
fruto da crise financeira do Estado e da globalização da economia mundial.
As empresas também foram afetadas por este processo de globalização em todos os
seus setores e departamentos, bem como nas suas estratégias de atuação. 27
27
O fenômeno da globalização induziu as empresas a alterarem suas estratégias de atuação. Neste processo as
alianças estratégicas tornaram-se um dos principais propulsores da globalização para competir no mercado global
(Garrette & Dussauge, 1998) e o conhecimento a fonte primordial de vantagem competitiva (Ross, 1998). As
estratégias de compras a nível global, tanto de insumos e componentes, tornou-se um fator presente nas empresas
(Pyke, 1998), assim como a estratégia de expansão e globalizar as redes de varejo (Horovitz & Kumar, 1998),
criando clientes globais e virtuais (Reynolds, 1998). Esta superação das barreiras existentes entre as diferentes
culturas, permitindo criar um mercado global, ocorreu graças ao fenômeno descrito por Ortiz (1994) como
mundialização da cultura .
69
Atento às transformações do mercado, o Estado, através da implantação de políticas
públicas setoriais, alterou as condições dos negócios das empresas. Estas medidas tiveram
repercussões e conseqüências que ultrapassam as fronteiras do país (BNDES, 1988).
De fato, o Brasil, seguindo
a tendência mundial de abertura comercial e de
agrupamento em blocos econômicos,
reduziu barreiras alfandegárias e tarifas de
importação28 (Praxedes & Pilleti, 1995).
Houve a eliminação de
algumas restrições para com o capital externo na
Constituição homologada em 1988, o que possibilitou o ingresso no país de um grande
volume de capital e investimento externo, ocorrendo com um forte processo de liberação
das forças de mercado, determinando um novo modelo de formação geral de preços
baseado na concorrência. Neste ínterim, o setor primário nacional foi afetado, obrigando
os complexos agroindustriais nacionais a se reestruturarem ( Brum, 1997).
A redução dos recursos orçamentários disponíveis para o crédito rural e o processo
inflacionário crescente, ocorridos a partir da década de 80, diminuíram sensivelmente os
volumes destinados aos financiamentos dos investimentos, do custeio e da comercialização
da produção rural.29 Sob esta égide houve uma consolidação da mudança nos fatores de
produção do campo, passando o fator tecnológico a ocupar primeiro plano, tornando-se
indispensável para alcançar uma maior produtividade, tanto na unidade de produção rural,
como na agroindústria (Araújo, 1997) .
Paralelamente, ocorreu uma total desarticulação da extensão rural em todo o país, a
qual, aliada à necessidade crescente de aquisição de tecnologia para aumento da produção
e o baixo valor de troca dos produtos agrícolas, contribuiu para um processo de exclusão
de parcela considerável de produtores (Brandão, 1992). Este processo, durante a década
de 90, sofreu uma acentuação e provocou também uma diminuição na demanda da força
de trabalho por unidade produtiva (Petti et al. 1999) .
28
O processo de livre comércio é visto pela população como aquele que traz mais desvantagens que vantagens,
haja visto os altos índices de desemprego existentes em vários países, inclusive da União Européia (Kentter,
1998). Entretanto, a perda de um emprego em um setor é compensada pela criação de novos empregos em outro
setor, a exemplo do que afirma Krugman (1997).
29
Segundo Braga & Saez (1995) o fim deste ciclo teve como resultado a ruptura de um padrão de
desenvolvimento da agricultura brasileira, baseado no paternalismo estatal.
70
A oscilação negativa do preço de “commodities” agrícolas, ocorrida desde os anos
80, e a grande concentração agroindustrial ocorrida diminuíram o poder de troca dos
produtos e de negociação dos produtores. Assim, a produtividade não significou um
aumento de renda na maioria das culturas, e sim, a manutenção do nível de renda obtido
com a cultura em anos anteriores (Zandonadi, 1996).
A pretensa estabilidade da moeda a partir de 1994 fez com que a cultura
inflacionária, através dos mecanismos de correção monetária, largamente utilizada por
todos os setores da sociedade, fosse revista, demarcando uma mudança no comportamento
das empresas e das pessoas (Barros & Goldenstain, 1997).
No setor agroindustrial, durante a década de 90, o fator capital determinou uma
série de compras e fusões entre as empresas, inclusive cooperativas, passando as
indústrias, nacionais ou estrangeiras, a atuarem de forma mais abrangente no mercado
através de uma diversificação maior na linha de produtos, com maior valor agregado, além
de diminuírem a quantidade de pessoas empregadas30 (Fonseca & Morais, 1999).
Também houve um aumento na demanda de alimentos, notadamente os de maior
valor protéico e com maior agregação de valor, merecendo destaque o aumento na
demanda de frutas, verduras e legumes, da mesma forma que os sucos de fruta prontos
para consumo (Farina, 1997).
A mudança nos hábitos de compra da população foi alterada, tornando-se mais
freqüentes, passando os consumidores a serem mais exigentes face à gama de produtos,
com qualidade e preço diversos, sendo os supermercados agentes chave na ligação da
agroindústria com o consumidor final.31
O acirramento ferrenho da concorrência trouxe também o agravamento de
problemas sociais conseqüentes deste processo, como o desemprego, pois fusões, compras
e simplesmente o fechamento de empresas passaram a compor todo o panorama sócio30
Um exemplo da concentração no setor agroindustrial pode ser observado através da venda da CEVAL, Ceval,
Aymoré, CCGL, Cica, Tostines, Leitesol e Batavo para empresas do porte como a Bunge, Danone, Avipal, Gessy
Lever, Nestlé, La Sereníssima e Parmalat (Fonseca & Morais, 1999).
31
De acordo com Machado & Jayo (1995), os supermercados constituíram-se desde os anos 80 na principal
estrutura do comércio varejista de alimentos no país, sendo responsáveis por mais de 80% da receita de vendas no
varejo deste setor, e passaram a ser o principal coordenador do complexo agroalimentar nacional, decodificando e
71
econômico do país, sendo esta uma realidade nos agronegócios.
Estes fatos impuseram novos desafios às cadeias produtivas nacionais, com
destaque às ligadas aos agronegócios, obrigando os produtores rurais e as diversas
organizações que compõem as cadeias produtivas a efetuarem enxugamento de custos,
reverem estratégias gerais e específicas, além de investirem em aprimoramento
tecnológico, dentre outros, para tornarem-se mais competitivas (Fonseca & Morais, 1999).
Estes cenários descritos apresentam certa instabilidade, e na visão de Mendes
(1994), proporcionam um ambiente favorável à fragilidade social, em face da falta de
organizações sociais fortes e autônomas. Além disso, as ações implementadas para o setor
depararam-se com uma administração pública centralizada, burocratizada e oligárquica,
comprometendo mais ainda a eficiência e eficácia dos programas de políticas públicas para
a região.
O novo ambiente de negócios, delineado a partir da década de 90, impôs uma
necessidade crescente aos produtores rurais e suas cooperativas de aprimoramento dos
meios de produção, maior produtividade, bem como agregação de valores aos produtos e
maior integração com o mercado. Ao Estado coube a utilização de novo modelo de
elaboração e implementação de políticas públicas, por parte do governo.
7.2 O mercado regional
A região Nordeste, nos últimos trinta anos, vem apresentando uma taxa de
crescimento do seu PIB maior que as das demais regiões do Brasil.
O Brasil, em 1998, apresentou um PIB de R$ 901 bilhões de reais, com uma taxa de
variação positiva de apenas 0,15% entre 1997/1998, e um renda “per capita” de R$
5.569,00. O Nordeste contribuiu com 16% do PIB nacional, ou seja, R$ 144,9 bilhões de
reais, e uma taxa de variação positiva de 1,5%, para 97/98. Entretanto, apresentou uma
renda “per capita” de R$ 3.121,10, a qual, em termos percentuais é 44% menor que a do
Brasil (SUDENE, 1999).
transmitindo na cadeia produtiva o desejo do consumidor.
72
Os estados da Bahia, Pernambuco e Ceará foram, em ordem decrescente, os que
apresentaram maior volume do PIB regional, sendo que o maior índice de crescimento
registrou-se nos estados de Alagoas, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão. Esta
superioridade na diferença da taxa de crescimento médio do PIB do Nordeste ocorreu,
inclusive, em períodos onde o Brasil apresentou um crescimento negativo, como entre
1980 e 1990, onde a região teve uma taxa de crescimento anual positiva maior que 1%, em
relação ao restante do país (SUDENE, 1999).
Mesmo possuindo 46% da população rural, o Nordeste contribui com apenas 21%
da produção nacional, sendo que, ao mesmo tempo em que este crescimento do PIB
regional avança com a consolidação do setor de serviços e do parque industrial, há uma
redução da participação do setor agropecuário na participação do PIB regional32 (Tabela
5).
Nos estados de Alagoas, Bahia, Piauí e Maranhão a participação do setor
agropecuário no PIB é superior a 10%, enquanto que em todos os estados, exceto Alagoas,
Sergipe e Rio Grande do Norte, o setor de serviços é responsável pela geração de 60% do
PIB (Gráfico 3).
Ao observar-se mais detalhadamente a economia regional, distingue-se duas áreas
distintas: uma com estrutura produtiva deteriorada e obsoleta, levando a área a vivenciar
um processo de declínio econômico, e outra área onde ergueu-se uma estrutura produtiva
moderna e dinâmica, o que tem contribuído para o Nordeste apresentar indicadores de
crescimento positivo, apesar da heterogeneidade ocorrente nos campos econômico e social.
No âmbito da segunda área, moderna e dinâmica destaca-se o complexo petroquímico de
Camaçari, o pólo têxtil e de confecções de Fortaleza, o complexo mineiro-metalúrgico de
Carajás, no setor industrial, bem como o pólo Petrolina / Juazeiro, a área produtora de
grãos do cerrado baiano e do sul do Maranhão e Piauí, o pólo de fruticultura do Rio
32
Esta queda na participação da agropecuária no volume do PIB ocorre não apenas na região, nem tão pouco no
Brasil, sendo uma tendência mundial. Um exemplo claro desta tendência pode ser observado na queda do
percentual das “commodities”, inclusive agrícolas, e na pauta de exportações dos países latinos em estudo
efetuado por dados da ECLAC (1997). De acordo com Thorstensen (1997) há um crescimento nestes países dos
produtos de médio valor agregado e média intensidade tecnológica, como papel, celulose, metalurgia, borracha,
química e plástico e de produtos de baixo valor agregado e baixa intensidade tecnológica como minerais não
metálicos, alimentos, bebidas, fumo, madeira, têxtil, calçados, por exemplo, conseqüência das atividades dos
complexos agroindustriais instalados.
73
Grande do Norte, no setor agroindustrial, além das áreas de atividades turísticas
localizadas na zona litorânea (Araújo, 1997).
Tabela 5- Evolução da participação do PIB setorial no PIB global do Nordeste, no período de
1960 a 1998
ANO
Agropecuária
1960
1970
1980
1990
1995
1998
30,5
21,0
17,3
13,3
12,6
9,1
PARTICIPAÇÃO PIB(%)
Indústria
Serviços
22,1
27,4
29,3
28,5
23,8
26,4
47,4
51,6
53,4
58,2
63,6
64,5
Total
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
Fonte: SUDENE (1999)
O setor avícola e de suínos também despontou na região como catalisador de
novas atividades do complexo agroindustrial. Estas atividades provocaram um
encadeamento dos processos produtivos, a montante e a jusante das unidades produtoras,
além de despertarem interesse estratégico nas “commodities” de milho e soja, uma vez que
estas representam considerável parcela do custo final deste produto, interferindo na
competitividade do setor (Menelau et al., 1996).
Este lado dinâmico da economia nordestina, recém-estruturado, é composto por
atividades que demandam investimentos tecnológicos, necessitando de aporte financeiro
para realizá-los (Araújo, 1997 e Menelau et al., 1996).
As atividades do setor primário dinamizadoras, tais como a hortifruticultura
irrigada, produção animal, pecuária intensiva de leite, dentre outras, alavancam uma gama
de atividades a montante e a jusante das unidades produtivas, proporcionando dinamismo
do complexo agroindustrial regional, sendo porém fruto da interferência das políticas
públicas de incentivos na sua implantação e funcionamento (Araújo. 1997). Tanto os
recursos provenientes da SUDENE via FINOR, como aqueles oriundos do Fundo
Constitucional de Financiamento do Nordeste – FNE, destacam-se como grandes
financiadores de atividades no Nordeste (SUDENE, 1995).
74
Gráfico 3- PIB setorial nos estados, na região e no país, em percentagem, ano 1998
M
ar
an
hã
o
Pi
au
í
R
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N
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AS
IL
70
60
50
40
30
20
10
0
Agropecuária
Indústria
Serviços
Fonte: SUDENE (1999)
Foi justamente devido a algumas destas atividades, como as de derivados da
produção animal (6,9%) e avicultura (3,0%), por exemplo, que amenizou o fraco
desempenho do setor primário nordestino, de - 23% entre 97/98, conseqüência da
adversidade climática que atingiu a região pela quarta vez, entre 1990 e 1998 (SUDENE,
1999).
Entretanto, para Recena (1998), esta política de desenvolvimento implantada a
partir da década de 60, na região, através de investimentos diretos ou de incentivos
financeiros do Estado nos diversos empreendimentos instalados, não foi suficiente para
atenuar a baixa performance social regional, como a pobreza, a falta de acesso à educação
formal, a concentração fundiária e o baixo nível tecnológico da produção detectados em
estudos realizados por Sampaio (1987).
Os problemas na zona rural nordestina foram agravados, segundo Wilkinson
(1996), pelo deslocamento das “cash-crops” tradicionais, pela transformação dos pólos de
irrigação em complexos agroindustriais, e pelo baixo nível tecnológico da agricultura
familiar.
May (1996) destaca que estes fatores desencadearam um processo de eliminação
das unidades produtivas que não eram competitivas, ocorrendo uma total desarticulação do
tecido social regional já bastante fragilizado e uma diminuição da área plantada, havendo
um acirramento das tensões sociais no campo, em parte decorrente do encerramento das
75
atividades nas unidades produtivas e nas unidades agroindustriais.
Este processo pode ser observado em Pernambuco, com o declínio da cultura
algodoeira e a crise na cultura canavieira, a partir da década de 80, agravada pela redução
dos incentivos, principalmente o pró-alcool, com as perdas de safra causadas pelos
fenômenos climáticos e a baixa produtividade, contribuindo para diminuição da área
plantada (May, 1996). Ocorreram perdas de receitas para o estado e para a nação, além de
um aumento das tensões sociais no campo, notadamente na zona da mata, em parte
decorrente do encerramento das atividades nos engenhos e nas unidades agroindustriais.33
Neste caso, o novo papel do Estado como agente de desenvolvimento nacional
implicou em reavaliações constantes e reestruturação permanente, de modo a adaptar-se
aos anseios da sociedade. O estreitamento dos laços entre o Estado e as demais instituições
sociais, fazendo-as colaboradoras na execução de algumas tarefas é, no entanto, um
desafio a ser vencido, principalmente nas regiões do país onde o tecido social é frágil
quanto à sua capacidade associativa, sendo a sociedade civil desprovida de organizações
sociais fortes, autônomas e combatentes (Santos & Ribeiro, 1993).
A organização e estruturação dos programas de desenvolvimento agrícola dentro
deste novo modelo político-econômico do Estado devem acontecer vinculadas e
coordenadas pelos poderes locais, concelebrando uma partilha de atribuições e
competências com a sociedade civil. Desta maneira, pré-condições de garantia quanto à
eficiência e à eficácia destes programas, contemplando todos os segmentos sociais, estarão
sendo alicerçadas.
7.3 O mercado de leite e derivados
O mercado de leite nacional e internacional, durante a década de 90, sofreu
profunda modificação, a qual atingiu todos os segmentos da cadeia produtiva.
33
Entre 1985 e 1992 verificou-se um vertiginoso declínio no preço das “commodities” importantes para a
economia do estado de Pernambuco e do país, bem como aconteceu uma redução no percentual das exportações
das “commodities” agrícolas do país. O preço do principal produto exportado por Pernambuco, o açúcar, teve
uma baixa enorme no mercado internacional, passando de U$ 28.7 cents dólar/libra no início dos anos 80, para
4,1cents dólar/libra em 85. Em 1996 a posição desta “commoditie” no mercado era a metade do valor praticado
em 1980 (ECLAC, 1997).
76
No âmbito externo, o mercado mundial de laticínios vem crescendo em média 2%
ao ano, desde os anos 80, principalmente na linha de derivados, como queijos e iogurtes34.
Aliada a este fato, a tendência de redução de subsídios e de estoques nos países da União
Européia, bem como o aumento das importações em países em desenvolvimento
contribuíram para elevação no preço do leite35 (Brum, 1997).
O Brasil também apresentou um enorme crescimento no mercado de laticínios.
Houve um incremento no consumo de leite fluido de 31 % no período de 1990 até 1997
(Tabela 6), passando o consumo per/capita de 106 l/ano em 1990 para 139 l/ano em 1997
(Fonseca & Morais, 1999).
A produção nacional de leite, apesar do aumento ocorrido após 1994, com o país
passando a ocupar o sexto lugar no ranking mundial de produção, não acompanhou o
crescimento da demanda, apresentando um déficit de produção de leite próximo de 4,5
bilhões de litros (Anuário de Produção, 1999).
O aumento na produção de leite ocorreu apenas devido a iniciativas de grupos
isolados, quer através de ações cooperativas, quer através do empenho de grandes
produtores e grupos econômicos que investiram no setor, que foram insuficientes para
atender a demanda nacional, ainda reprimida (Bernardes & Nogueira,1998 e Leite Brasil,
1999).
Para contornar esta situação a alternativa passou a ser aumentar a importação de
leite, passando o país a condição de maior importador de produtos lácteos na América
Latina (Anuário de Produção, 1998 ). 36
34
A especificidade protéica animal encontrada no leite, com um restrito grupo de produtos alimentares similares,
possibilitou, segundo Brum (1997), o crescimento deste tipo de produto. Contudo, no que concerne às gorduras
animais, a exemplo da manteiga, o referido crescimento não se aplica, haja visto a concorrência com gorduras
vegetais.
35
O Canadá e diversos países da União Européia subsidiam o preço do leite em até 80%, fato que aliado ao alto
nível de produtividade alcançado, faz com as importações, quer de leite fluído ou de derivados, concorram
deslealmente em relação aos demais países, como o Brasil (Brum, 1997).
36
O Brasil, de abril de 40 a setembro de 91, teve uma política de controle do preço do leite que, segundo Brum
(1997), foi delineada pelos partidos políticos que tinham fortes interesse nas áreas urbanas, procurando legitimarse através da política de comida barata, resvalando por algum tipo de controle. A base teórica econômica utilizada
pelo poder político para o controle e tabelamento de preços foi a inelasticidade da demanda em relação aos
mesmos, o que aconteceu a princípio, mas depois o governo teve de recorrer às importações do produto para
suprir a demanda. Desta maneira, mesmo tendo os rendimentos ceifados por esta política, os produtores rurais
face ao abundante volume de crédito rural com juros subsidiados, entre os anos 70 e 80, puderam através deste
77
Assim, para que o país possa atingir a auto-suficiência na produção, ainda a um
longo caminho a percorrer, que inclui diversas ações, dentre as quais programas de
melhoramento de rebanho e de controle sanitário, por exemplo37.
Tabela 6- Evolução da produção, da importação e do consumo de leite fluido no Brasil, em
milhões litros, entre 1990 e 1998
Ano
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
Produção
Total
Importação
total
14.484
15.079
15.784
15.591
15.784
17.189
17.931
20.359*
20.087**
906
1.313
276
632
1.250
3.200
2.450
1.986
2.318
Longa
Vida
(UTH)
184
204
341
386
759
1.050
1.700
2.450
3.150
Consumo total de leite fluido
Pasteurizado
Tipo A
28
34
36
48
48
55
44
40
45
Tipo B
347
445
358
433
388
460
405
360
400
Tipo C
3.655
3.245
2.924
2.245
2.305
2.432
2.327
2.120
1.800
Total
4.214
3.928
3.659
3.112
3.500
3.997
4.476
4.970
5.395
Fonte: Leite Brasil (1999), FAEG (1999) e Fonseca & Morais (1999)
*Estimativa CNA - LEITE BRASIL; ** Estimativa FNP
No mesmo período, entre 1990 e 1998, ocorreu uma transformação no mercado de
leite nacional, ocasionado pelo encerramento dos programas sociais de distribuição de
leite, pelo aumento da importação de laticínios e também pela queda de preços do leite
longa vida (UHT), fato este que ocasionou a queda do consumo de leite pasteurizado B e
C, e aumentou a demanda pelo leite longa vida (UTH) no país (Galan, 1998 e Rubenz,
1999b).
A desregulamentação de mercado e a abertura comercial permitiram uma maior
integração entre os mercados regionais nacionais, aumentando a competição entre os
sistemas produtivos de diferentes regiões e possibilitando a concorrência destes com
viés aumentar a produção de leite. Com o drástico declínio de crédito rural disponibilizado, os efeitos desta
política de controle puderam ser vistos através da baixa produtividade nacional, cuja média anual é de
aproximadamente 1.000 l/vaca/ano (Castro et. al, 1998), na baixa qualidade da matéria-prima e no alto custo de
produção do leite. Estes aspectos descritos quando comparado aos verificados em países como Uruguai,
Argentina e Estados Unidos, deixam bastante a desejar. A queda ou estagnação da produção foi interpretada
como falta de competitividade, justificando as importações no setor (Bernandes & Nogueira, 1998).
37
A Índia conseguiu atingir a auto-suficiência em 1997/1998, revertendo uma situação semelhante a do Brasil,
através do melhoramento do rebanho e aumento de produtividade (FEAG, 1999b e Anuário de Produção, 1999).
78
produtos provenientes de outros países (Farina,1997). Aconteceu, então, o surgimento de
novas bacias leiteiras, como no estado de Goiás, que entre 1990 e 1998 apresentou um
crescimento de 112%, produzindo 2,2 milhões de litros de leite, passando a ocupar o 2º
lugar na produção de leite nacional (FAEG, 1999). Também ocorreu um incremento no
lançamento de novos produtos derivados do leite com maior valor agregado, além do
crescimento da importância dos agentes distribuidores, como os hiper e supermercados.
Desta maneira, cresceram as barreiras de entrada em alguns segmentos do setor de
laticínios, como de iogurtes, tornando-se quase impossível a entrada de novos concorrentes
face à guerra de preços e à necessidade de investimentos (Fonseca & Morais, 1999) .
Como a qualidade da matéria-prima produzida pelos pecuaristas nacionais é muito
baixa e visando adequar-se aos padrões exigidos pela indústria, esta conjuntura obrigou o
produtor a produzir matéria-prima de qualidade, além de ter abalado o relacionamento
entre a indústria e produtor, pois a indústria tanto pode reduzir o preço pago ao produtor,
como pode comprar o produto em outros mercados, nacional ou internacional, dado às
alternativas de abastecimento38 (Jank, 1998 e Rubez, 1999b).
Todo este contexto afetou tanto os produtores, como as unidades agroindustriais
processadoras, de modo particular os pequenos e médios laticínios, assim como as
cooperativas, ocorrendo uma forte concentração industrial no setor39(Rubenz, 1999b).
Face às dificuldades pelas quais atravessavam as organizações cooperativas ligadas
a produção vegetal e pecuária o Governo Federal, em 1998, lançou o RECOOP –
38
O Programa Nacional de Modernização do Setor de Leite e Derivados tem por objetivo introduzir um novo
modelo de produção de leite, que por sua vez obriga os produtores a adquirirem novas tecnologias para
continuarem no mercado (Jank, 1998). Contudo, caso não seja disponibilizado crédito para a maioria dos
produtores nacionais incorporarem tais tecnologias, os mesmos serão excluídos do processo produtivo, fato que
ocorre até em países com alto grau de tecnificação dos pecuaristas, com nos Estados Unidos (Oliveira, 1999).
39
A concentração agroindustrial pode ser observada tanto em organizações cooperativas ou não, no âmbito
internacional ou nacional. Pode-se verifica este fato na estratégia de crescimento da Parmalat no Brasil a partir do
final da década de 80. A primeiro fase desta estratégia deu-se até 96 e estava calcada na aquisição de empresas
visando estar presente junto aos principais centros consumidores e produtores nacionais de leite. A segunda fase,
a partir de 96 está centrada na diversificação de atuação no mercado de alimentos (Parmalat, 1999).
No setor cooperativo internacional, observa-se uma onda de fusões nas cooperativas de laticínios da União
Européia, da Oceania, e da América. Nos Estados Unidos, por exemplo, as 4 maiores cooperativas de laticínios
fundiram-se, dando origem em 1997 a Dairy Farmers of America (DFA), que passou a deter 20% do mercado de
leite americano, assegurando uma maior participação do mercado de laticínios (Dias, 1998 e Rubez, 1999).
No setor cooperativo nacional a estratégia de concentração e de crescimento é verificada, assegurando a presença
junto aos grandes centros consumidores e produtores, além da diversificação da produção de laticínios, sendo a
Itambé - Cooperativa Central de Leite de Minas Gerais um exemplo. A Itambé possui atualmente 33 cooperativas
filiadas, 9 unidades agroindustriais, mais de 70 postos de captação, além de entrepostos de distribuição de
79
Programa de Refinanciamento das Cooperativas de Produção Agropecuária, o qual, tende
a não atender ao anseio de todas as cooperativas (RECOOP, 1999). 40
7.3.1 O SETOR DE LATICÍNIOS NO NORDESTE E EM PERNAMBUCO
Uma gama de ações de caráter político-econômico procurou consolidar o
desenvolvimento do setor leiteiro do Nordeste, bem como implementar um processo de
modernização dos produtores marginalizados, minimizando o atraso tecnológico e os
efeitos dos fatores edofoclimáticos.
As políticas implementadas na região para o setor contribuíram para aumentar a
produção láctea do Nordeste, em termos absolutos entre 1974 e 1996, passando de 936 mil
litros para 2,2 milhões de litros, com o ranking dos três maiores produtores, Bahia, Ceará
e Pernambuco, permanecendo inalterado. Em termos proporcionais, a participação da
região na produção nacional de leite passou de 13,2% para 12,7%, ou seja, uma variação
negativa de 0,5% na produção da região Nordeste ( Gráfico 4).
Contudo, em períodos de estiagem, como verificado em 1992/1993, ocorre uma
redução na produção dos estados da região, à exceção do Maranhão, com a participação na
produção nacional sendo reduzida para 10,8% do total (SIDRA-IBGE, 1999).
O aumento geral da produção não foi suficiente para atender a demanda da região,
uma vez que a região Nordeste constitui-se um grande importador interno e externo de
leite41 (Comportamento da pecuária, 1997).
A política desenvolvimentista aplicada na região Nordeste, desde a implementação
da SUDENE e do BNB, também proporcionou a formação de um parque industrial
produtos lácteos nos principais centros de consumo do Sudeste, Cento-Oeste e Nordeste (Itambé, 1999).
40
Este programa entretanto, até o início de 2000, não contemplou nenhuma cooperativa. O maior número de
número de cooperativas a serem contempladas estão situadas na região Sul e Sudeste.
41
O Nordeste consome mais de 1/3 do leite em pó do país, destacando-se como um grande importador deste
produto (Nordeste..., 1998). No estado de Pernambuco, somente em 1997 houve a importação de mais de 5 mil
toneladas de leite em pó. (Comportamento da pecuária, 1997), sendo ainda estimulado empreendimentos para
processar leite importado (Nordeste..., 1998). Por sua vez, este leite importado, de baixo custo e facilidade de
pagamento, atinge o produtor local, haja visto o preço do litro do leite pago ao produtor na Argentina situou-se na
faixa de R$ 0,19, em 1997, enquanto que no estado de Pernambuco, o preço do litro situou-se em torno de R$
0,30 (Comportamento da pecuária, 1997).
80
leiteiro, embora altamente desarticulado da produção agropecuária (Wilkinson, 1996).
O mercado de laticínios de Pernambuco, integrante do contexto nacional, sofreu
influências do ambiente de negócios a que está correlacionado.
Gráfico 4 – Evolução da produção nordestina de leite total e por estado, entre 1974 e 1996,
em mil litros
2.500,00
Maranhão
Ceará
2.000,00
Rio G. do Norte
Paraíba
1.500,00
Pernambuco
Alagoas
1.000,00
Sergipe
Bahia
500,00
Piauí
Nordeste
0,00
1974
1986
1992
1993
1994
1996
Fonte: SIDRA-IBGE-Pesquisa Pecuária Municipal (1999)
No setor produtivo e de processamento ocorreu tanto a formação de oligopsônio no
segmento de beneficiamento e industrialização do leite no estado, como uma tendência de
concentração da produção, verificando-se também uma mudança de hábito de consumo de
leite fluido para leite longa vida UTH, mais precisamente na Região Metropolitana do
Recife, maior centro consumidor do estado.42 No setor de distribuição e revenda, apesar
das padarias constituírem o maior distribuidor de leite pasteurizado B e C na Região
Metropolitana do Recife, responsáveis por 80% das vendas destes produtos, a rede de
supermercados responde por 85% das vendas do leite longa vida (Cerqueira, 1998).
42
A concentração industrial no setor de laticínios em Pernambuco aconteceu com a compra da Parmalat das
unidades agroindustriais da CILPE e do Laticínios Betânea, passando a processar 80% do leite pasteurizado (B e
C). O restante do leite pasteurizado processado no estado, 20% do total, é efetuado por outras 5 unidades
processadoras, sendo 3 de pequeno porte e 2 de médio porte. Nos agroindustrias de laticínio de pequeno porte
ocorre o processamento de menos de 5 mil litros leite/dia, estando duas localizadas na zona da mata do estado e
beneficiando leite próprio (Agropecuária Faco e Companhia Agropecuária do Vale do Ribeirão), enquanto uma
localiza-se no agreste e recebe leite de 12 fornecedores do município (Unileite Ltda). Os dois laticínios de médio
porte do estado estão situados no agreste meridional, sendo que a Barcelona Laticínios processa
aproximadamente 10.000 litros/dia, provenientes de 15 pecuaristas e a Bom Leite processa em média 7.000
litros/dia provenientes de 60 produtores (Cerqueira, 1998).
81
Neste contexto, a EMATER-PE cita que, além dos fatores edafo-climáticos,
técnico-gerenciais e político-econômicos, o alto grau de analfabetismo é uma variável que
interfere bastante no desenvolvimento da pecuária estadual, sendo necessária capacitação
específica para os analfabetos e semi-analfabetos.43 Somente desta maneira, estes
produtores poderão ter mais acesso a bens, serviços, informações e conhecimentos,
tornando-se menos “susceptíveis ao domínio dos atravessadores e outras situações
alienadoras” (Comportamento da pecuária, 1998:33).
Todos estes fatos levam à perpetuação da produção artesanal de subprodutos no
estado, como o queijo, desprovida de cuidados quanto aos aspectos sanitários, tecnológicos
e mercadológicos, contribuindo para a perpetuação da baixa remuneração das atividades
dos pequenos produtores rurais.44 Os produtores, constituindo-se no elo mais frágil desta
cadeia, buscam através de uma maior eficiência, seja no tocante a aspectos administrativos
e financeiros, seja nos aspectos relacionados ao manejo e melhoramento animal, obter
redução de custos e aumento de produtividade para continuarem na atividade (Castro et
al,1998).
O crédito possibilita tornar as unidades produtivas e as cooperativas do setor mais
competitivas, desde que disponibilizado e alocado em setores estratégicos no setor
pecuário, aliadas com políticas de âmbitos macro e microeconômicos para o setor de leite.
Caso esta junção não ocorra, dificilmente a grande massa dos pequenos produtores,
juntamente com a maioria de suas organizações, as quais não dispõem de recursos
humanos e financeiros para realizarem os investimentos necessários, como aquisição de
inovações biotecnológicas para aumentarem a produtividade, poderá continuar
43
Entre 1990 e 1998 houve várias iniciativas em programas de capacitação tecnológica: o SENAR-PE capacitou
5101 produtores entre 1996 e 1998, em cursos como produção de queijo, iogurtes, inseminação artificial e
fenação; o ITEP, através do programa PEDITEC, encerrado em 10/1999, também atuou na capacitação de 210
produtores da cadeia produtiva de leite estadual, em cursos que abordavam desde a higienização da matéria-prima
até a comercialização da produção; a empresa estadual de extensão rural EMATER-PE, denominada
posteriormente de EBAPE, também atuou junto aos pecuaristas estaduais, cerca de 1.400 produtores, somente no
ano de 1999 (França et al., 2000). Contudo, diante da taxa de analfabetismo em Pernambuco, de
aproximadamente 34% da população, sendo mais acentuada nas regiões do Agreste e Sertão, nas quais estão o
maior número de pecuaristas (Comportamento da pecuária, 1998), e diante do caráter pontual destes cursos se
questiona a real eficiência destes programas, para este público alvo.
44
No setor agroindustrial de laticínios, apenas 8 empresas em Pernambuco possuem registro junto ao SIF, do
Ministério da Agricultura, e somente 72 possuem registro no DEFS, da Secretaria de Produção Rural e Reforma
Agrária, existindo mais de uma centena de pequenos estabelecimentos industriais que atuam na fabricação de
queijo de coalho, manteiga e doce de leite, irregulares no tocante a este aspecto e, portanto, fora dos padrões e
normas exigidos (França et al., 2000).
82
participando do processo produtivo, de forma compensatória sob o aspecto econômico.
As cooperativas, impulsionadas pelas políticas de incentivos, foram um dos dois
instrumentos utilizados pelo produtor local no intuito de conseguir avanços nos aspectos
humanos e tecnológicos, de modo a implementar as reformas que garantam a
sustentabilidade destas ações.
7.3.2 A POLÍTICA DE INVESTIMENTOS NA PECUÁRIA PERNAMBUCANA
O redirecionamento dos investimentos do setor primário para as atividades
pecuárias não é uma tendência recente, mesmo com Pernambuco apresentando uma
diminuição na participação do volume de crédito rural nacional.
A partir do final da década de 80, mais precisamente entre 1986 e 1996, o estado de
Pernambuco apresentou uma redução em termos percentuais e absolutos do número de
operações de contratação do crédito rural e do montante disponibilizado para os produtores
estaduais (Tabela 7).
Tabela 7 - Evolução do Contratos e Montante de Crédito Rural em Pernambuco
Número de Contratos
Ano
PE
NE
BR
Participações
Montante
Participações
(%)
(em R$1.000)*
(%)
PE /
PE /
NE
BR
PE
NE
1986
123.016 952.903 3.022.604
12,91
4,07
539.430 3.920.654
1996
30.548
9,65
2,94
103.119
316.535 1.039.730
987.859
PE /
PE /
NE
BR
27.616.487
13,76
1,95
6.293.201
10,44
1,64
BR
FONTE: Crédito rural... (1997) Dados do BANCEN.
(*) valores corrigidos a preços 1996 com base média anual do IGP/DI-FGV.
Concomitantemente, aconteceu um aumento da aplicação destes créditos na
bovinocultura no estado, sendo que a partir de 95 também começa a acontecer uma
destinação maior dos investimentos do crédito rural nacional no setor pecuário. De acordo
com análise do CONDEPE ( Crédito rural..., 1997), este fenômeno aconteceu graças às
menores taxas de juros e maiores prazos, no caso de investimentos entre 1986 e 1996. O
aumento da pecuária também é correlacionado ao declínio de culturas como o algodão,
83
mandioca, café, arroz, dentre outras, as quais apresentaram uma taxa de declínio
geométrica na área colhida da ordem de 4,7% entre 1986 e 1996.
A análise dos dados referentes à destinação dos recursos financeiros aos diversos
subgrupos do setor primário estadual, entre 1986 e 1996, permite verificar que o maior
percentual de recursos oriundos do crédito agrícola, cerca de 70%, era destinado ao
subsetor agrícola em 1986. Entretanto, em 1996, observa-se que o subsetor pecuário
apresentava a maior demanda percentual de créditos, 70 % do total, principalmente
destinados a investimentos. No subgrupo pecuário, a bovinocultura de leite, isoladamente,
foi a atividade que recebeu mais recursos em 1996, sendo o percentual de recursos
destinados ao beneficiamento e industrialização, atividade que poderia agregar valor aos
produtos e garantir melhores rendimentos aos produtores, é muito pequeno (Tabela 8).
Tabela 8 - Destinação do crédito em Pernambuco, por subsetor e principais atividades
Discriminação
Crédito Agrícola
Custeio
Investimento
1986
R$(1.000,00)*
359.346
285.347
109.999
Atividades (principais)
Algodão
Banana
Cana de açúcar
Feijão
Inhame
Milho
Tomate
Uva
Benefic./Industr
Ativid. Diversas
Crédito Pecuário
Custeio
Investimento
R$(1.000,00)*
73,29
52,90
20,39
30.866
18.640
12.226
4,15
1,24
32,69
5,96
1,13
4,13
2,52
0,38
0,09
21,00
144.084
39.818
104.266
Atividades (principais)
Avicultura
Bovin. Corte
Bovin. Leite
Bovin. Mista
Pastagem
Benefic./Industr
Ativid. Diversas
Crédito Total
Custeio
Investimento
1996
%
26,71
7,38
19,33
100,00
60,28
39,72
29,94
18,08
11,86
0,11
3,10
1,82
1,92
3,34
1,36
1,74
1,82
1,67
13,05
72.253
5.189
67.064
5,25
0,73
7,97
0,21
2,85
0,05
9,65
539.430
325.165
214.265
%
70,06
5,03
65,03
3,17
1,80
11,77
5,93
15,62
0,08
31,70
103.119
23.829
79.290
100,00
23,11
76.69
FONTE: Crédito rural... (1997)- Dados do BANCEN.
(*) valores corrigidos a preços 1996 com base média anual do IGP/DI-FGV.
Contudo, a oscilação na produção de leite no estado, entre 1986 e 1996,
84
notadamente nos períodos de estiagem, por exemplo, é um indicador que os produtores do
setor ainda não dispõem de tecnologia suficiente para superar as oscilações de precipitação
pluviométrica que assolam freqüentemente a região. Isto, apesar de ter aumentado o
percentual de crédito destinado à pecuária de leite
O aumento percentual do crédito para pecuária entre 1986 e 1996 não correspondeu
a um aumento em termos absolutos. O volume de recursos disponibilizado em 1996 pelo
crédito rural foi 50% menor do que o disponibilizado em 1986 para o setor.
Portanto, apesar de ter havido um aumento do percentual dos recursos aportados
para o setor entre 1986 e 1996, ocorreu uma redução no volume de investimentos, os
quais não foram suficientes para garantir condições de estabilidade e incremento da
produção de leite no estado.
7.3.3 AS COOPERATIVAS PERNAMBUCANAS NO SETOR LEITEIRO
O setor cooperativo agropecuário do estado de Pernambuco, diante do cenário
político-econômico traçado entre 1990 e 1998, apresentou um incremento no número de
organizações. 45
O número de cooperativas sofreu um acréscimo de 20% em 7 anos, passando de 87
cooperativas em 1991 para 128 cooperativas em 1998 (Tabela 9).
A disposição destas cooperativas nas mesorregiões do estado indicam que cerca de
40% estão localizadas nas mesorregiões agreste e aproximadamente 50% situam-se no
sertão. Dentre as cooperativas agropecuárias estaduais, 76,2% desenvolvem atividades
ligadas ao setor pecuário, com uma média de 169,3 associados por cooperativa,
congregando produtores e atuando basicamente no município em que está sediada
(OCEPE, 1998).
Dentre os serviços e produtos realizados por estas cooperativas que atuam no setor
pecuário, três setores se destacam: a revenda de insumos, comercialização da produção e
repasse de financiamentos. Outros serviços, como de patrulha mecanizada, assistência
45
Neste segmento estão englobadas as cooperativas que desenvolvem atividades agrícolas, pecuárias,
85
técnica, inseminação artificial e resfriamento e armazenamento de leite estão presentes em
apenas 16% das organizações cooperativas estaduais (OCEPE, 1998).
Face ao caráter limitado da ação das cooperativas que atuam principalmente no
setor de revenda de insumos, atendendo somente ao mercado local, e ao baixo poder de
compra que reduz o poder de negociação dos compradores, concorrendo com comércio
varejista instalado na região, pode-se concluir que as cooperativas atuam em setores que
apresentam barreira de entrada e saída baixos e propiciam uma grande concorrência,
dificultando a obtenção de bons lucros e a sobrevivência no mercado.
A união entre cooperativas no estado ainda não traduziu-se em ações concretas no
setor agroindustrial, apesar de existir uma cooperativa central de leite no agreste do estado,
a CCLP Leite Vida, com sede em Caruaru, a qual congrega 12 cooperativas no setor de
laticínios. A CCPL tenta atuar como aglutinador da produção em parceria com unidades
processadoras de leite da região. Este também é o caso de outras cooperativas estaduais,
como a Cooperativa Agropecuária da Pedra - COOPEDRA, que atua como unidade
receptora para laticínios da região.
Assim, as cooperativas ligadas ao segmento leiteiro estadual deparam-se com
desafios diante da provável trajetória do ambiente de negócios, o qual pelas características
expostas, quer de natureza institucional, econômica ou social, pressupõe um modelo de
administração condizente com a velocidade e turbulência dos acontecimentos, de modo a
propiciar um crescimento sustentável para a própria e seus associados.
Tabela 9- Evolução das cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias) em Pernambuco,
no período de 1976 a 1998
ANO
1976
1980
1985
1991
1995
1996
1998
Cooperativas Agropecuária*
66
89
86
87
101
106
128
Cooperativas (outras)
57
62
72
56
110
112
180
TOTAL de Cooperativas
123
151
158
143
211
228
308
TIPO Cooperativa
Fonte: Anuário Estatístico do Brasil (1996) e (1997); OCB (1999)
agropecuárias, tanto singulares como centrais.
86
87
8
O FNE E OS RECURSOS ÀS COOPERATIVAS
Este capítulo aborda especificamente a política de incentivos do FNE, através do
montante disponibilizado, a nível geral e específico para cooperativas do Nordeste, e mais
especificamente, as cooperativas de Pernambuco, assim como as repercussões no cenário
associativo local.
Também procurou-se relacionar os valores disponibilizados pelo FNE e por outros
mecanismos de financiamento, tais como FINOR e Sistema Nacional de Crédito Rural
(SNCR).
8. 1 O FNE no contexto regional
As atividades econômicas produtivas localizadas nos estados nordestinos na década
de 90 tiveram no FNE um instrumento para aportar recursos destinados a investimentos na
região.
No período de oito anos, entre 1990 a 1998, o FNE aportou recursos de R$ 5,9
bilhões de reais nos estados nordestinos, que eqüivalem a 37,9% do total de recursos
investidos via o FINOR, ou seja R$ 15,5 bilhões de reais46, em 25 anos de existência. Ao
somar as duas fontes de recursos citadas, depara-se com um total de investimentos da
ordem de R$ 20 bilhões de reais na região (Tabela 10).
Os estados da Bahia, Ceará e Pernambuco juntos obtiveram o maior volume de
recursos aplicados pelo FNE, 57,7 % destes, bem como receberam o maior volume de
investimentos do FINOR47, 65,9 % desta fonte. (SUDENE, 1999b)
As atividades produtivas situadas no estado da Bahia obtiveram a maior quantidade
46
O montante de investimentos do FINOR refere-se aos valores atualizados e efetivamente liberados, inclusive na
área de Minas Gerais.
47
Deve-se destacar que estes estados são também os que tiveram o maior número de projetos aprovados e o
maior número de empregos gerados pelo FINOR. Para os recursos disponibilizados através de investimentos do
FINOR para a região, 538 projetos financiados localizam-se na Bahia através do aporte 25,01% dos recursos
totais do FINOR, sendo que em Pernambuco houve uma quantidade maior de empreendimentos financiados, 656
no estado, através de 18,73% do montante total do FINOR. Já o estado do Ceará teve 503 projetos aprovados,
recebendo 14,23% dos recursos do FINOR . Nestes três estados também concentram-se o maior número de
postos de trabalho criados com estes empreendimentos financiados (SUDENE, 1999b)
88
de recursos do FNE, entre 1990 e 1998, conseguindo captar cerca de 1,4 bilhões de reais,
que representam 24,3% do total, enquanto que o setor produtivo do Ceará obteve 1,1
bilhões de reais, 19,6% dos recursos do FNE, ocupando o segundo lugar no ranking de
destino das aplicações no Nordeste.
Tabela 10- Total dos recursos aplicados e liberados pelo FNE e FINOR até 1998 nos estados
do Nordeste
Valores em R$ 1.000.000,00
FNE
FINOR*
TOTAL DOS
RECURSOS
INVESTIDOS
ALAGOAS
SERGIPE
BAHIA
CEARÁ
R G DO NORTE
MARANHÃO
PIAUÍ
PARAÍBA
PERNAMBUCO
364,94
307,60
1.436,81
1.155,99
461,31
467,14
491,52
404,40
813,77
490,56
429,53
4.020,03
2.297,07
878,09
986,92
775,81
1.288,99
3.049,46
855,50
737,13
5.456,84
3.453,06
1.339,40
1.454,06
1.267,33
1.693,39
3.863,23
TOTAL
5.903,48
14.216,46
20.119,94
ORIGEM DOS RECURSOS
ESTADOS
Fonte: SUDENE (1999b), Banco do Nordeste-Ambiente Implementação de Programas, 1999
* Valor excluído investimentos em Minas Gerais
No estado de Pernambuco, o setor produtivo conseguiu, entre 1990 e 1998, captar o
terceiro maior volume de recursos do Nordeste, ou seja, 13, 8% dos recursos do FNE, que
representam um montante de aproximadamente R$ 810 milhões de reais.
Como nos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco também estão localizadas áreas
importantes de atividades industriais e agroindustriais, e diante do volume de incentivos
nestes estados, é possível estabelecer uma relação entre o nível de investimentos nos
estados do Nordeste, através de programas específicos criados para promoverem o
desenvolvimento da região e ao volume do PIB gerado.
Portanto, o volume de investimentos efetuados pelos instrumentos de
financiamento das atividades produtivas no Nordeste, no caso em análise o FNE, mantém,
via de regra, uma relação proporcional ao volume do PIB gerado, contribuindo para o
incremento das atividades produtivas e, consequentemente, das riquezas geradas nestas
unidades da federação (Gráfico 5).
89
Estes financiamentos tornam-se mais importantes para áreas, tais quais o semiárido, que devem ser o destino de cerca de 50% dos recursos do FNE aplicados.
Gráfico 5- Participação dos estados nordestinos no total de recursos do FNE de 1990 a 1998, e
no total recursos FNE e no PIB regional no ano de 1998, em percentual
35,0%
30,0%
25,0%
20,0%
15,0%
10,0%
5,0%
PE
R
N
C
O
AM
BU
AI
BA
PI
AU
Í
PA
R
AL
AG
O
AS
SE
R
G
IP
E
BA
H
IA
C
R
EA
G
R
D
Á
O
N
O
R
M
TE
AR
AN
H
ÃO
0,0%
FNE 1990-1998
FNE 1998
PIB Nordeste 98
Fonte: SUDENE (1999b); Banco do Nordeste-Ambiente Implementação de Programas, 1999
Ao analisar a contribuição de um programa específico do FNE, o AGRIN, no
desenvolvimento do pólo agroindustrial de Petrolina/ Juazeiro, Fernandes (1996) destaca
pontos positivos e negativos. Dentre os pontos positivos, tem-se que estes recursos
contribuíram para consolidar a área como pólo de desenvolvimento agroindustrial,
proporcionando um incremento nas receitas dos municípios, além de estimularem o
beneficiamento de novos produtos, diversificando e descentralizando a produção. Contudo,
o programa analisado teve baixo impacto na geração de emprego e renda, induzindo o
desenvolvimento de forma indireta.
Sendo assim, os instrumentos de financiamento e as políticas de incentivo às
atividades produtivas da região, ainda que não tenham contribuído o suficiente para
transformar o cenário sócio-econômico ao que poderia ser considerado ideal, não podem
ter desconsideradas suas importâncias para o desenvolvimento da região, principalmente
nas áreas mais susceptíveis às condições edafoclimáticas e de menores indicadores de
desempenho sócio-econômicos, como o semi-árido.
90
8.2
Os recursos do FNE disponibilizados aos estados entre 1990 e 1998.
O enfoque ora abordado procurou estabelecer uma divisão na alocação de recursos
em dois períodos distintos: o primeiro entre 1990 e 1995, onde houve uma transição do
contexto inflacionário para uma pretensa estabilidade econômica, e o segundo, entre 1996
e 1998, de pequenas taxas de inflação, mas de juros altos. Esta divisão também foi
adotada face ao objetivo de visualizar os recursos que foram disponibilizados para os
primeiros grupos beneficiados com empréstimos, quer cooperativa ou não, nos estados.
No primeiro período, entre 1990 / 1995, foram aplicados pelo FNE na região
Nordeste R$ 3,7 bilhões de reais, com uma média de recursos anual de R$ 628 milhões de
reais (Tabela 11).
O ano de 1991 destacou-se pela quantidade de recursos disponíveis aplicados, valor
superior a R$ 1 bilhão de reais, o que representou 17,9% do total de investimentos
realizados pelo FNE em toda sua existência. O ano de 1993 também destaca-se por
apresentar o segundo maior volume de recursos, enquanto que os anos de 1990 e 1994,
respectivamente,
apresentaram
as
menores
quantidades
de
recursos
do
FNE
disponibilizados.
No segundo período, de 96 a 98, foram aplicados pelo FNE no Nordeste R$ 2,1
bilhões de reais, com uma média de recursos aplicados por ano da ordem de R$ 711
milhões de reais. Comparando-se com a média de aplicação do período analisado
anteriormente, detecta-se um aumento de 13% no volume de recursos médios investidos
por ano (Tabela 12).
Ao considerar os dois períodos da pesquisa, 1990 / 1995 e 1996 / 1998, observamos
que o ranking dos três estados que mais captaram recursos, Bahia, Ceará e Pernambuco,
permaneceu inalterado. Entretanto, nota-se um declínio da captação de recursos,
comparando-se o 1º e o 2º período, pelas atividades produtivas dos referidos estados diante
do volume total de recursos disponibilizados pelo FNE.
A captação de recursos pelos setores produtivos de Pernambuco apresentou uma
redução de apenas 1%, entre os dois períodos, percentual este menor do que a redução que
atingiu os organizações situadas no Ceará e Bahia, de 4% e 2%, respectivamente.
91
Tabela 11- Recursos aplicados pelo FNE no Nordeste, entre 1990 e 1995
Valores em R$1.000,00
ANO
ESTADOS
ALAGOAS
SERGIPE
BAHIA
CEARÁ
R G DO NORTE
MARANHÃO
PIAUÍ
PARAÍBA
PERNAMBUCO
TOTAL
1990
1991
1992
1993
1994
1995
TOTAL
6.096,7
45.300,7
42.380,3
55.763,6
25.543,1
33.190,2
208.274,6
13.006,1
24.126,8
30.599,7
33.392,0
19.396,1
50.421,8
170.942,5
113.911,3
273.413,1
186.523,4
158.418,6
90.452,2
133.868,8
956.587,4
86.852,4
201.282,2
87.889,7
155.890,6
134.407,8
114.914,4
781.237,1
26.168,3
63.428,8
71.657,1
77.103,3
33.140,9
39.707,2
311.205,6
36.089,9
51.159,8
48.423,7
72.201,6
31.002,7
40.738,8
279.616,5
32.527,3
103.712,8
9.522,0
53.459,4
38.815,1
36.152,1
274.188,7
19.304,3
70.300,6
32.772,6
50.368,4
45.360,3
36.080,9
254.187,1
48.505,9
222.342,4
75.419,2
57.494,7
55.050,4
74.713,7
533.526,3
382.462,20
1.055.067,20
585.187,70
714.092,20
473.168,60
559.787,90
3.769.765,80
Fonte: Banco do Nordeste-Ambiente Implementação de Programas, 1999
Tabela 12- Recursos aplicados pelo FNE no Nordeste, entre 1996 e 1998
Valores em R$ 1.000,00
ANO
ESTADOS
ALAGOAS
SERGIPE
BAHIA
CEARÁ
R G DO NORTE
MARANHÃO
PIAUÍ
PARAÍBA
PERNAMBUCO
TOTAL
1996
59.867,2
1997
1998
57.709,5
39.095,8
TOTAL
156.672,5
54.825,6
44.229,4
37.602,8
136.657,8
160.097,7
149.007,1
171.124,2
480.229,0
139.534,4
97.258,6
137.957,9
374.750,9
71.490,1
37.410,3
41.209,7
150.110,1
74.353,9
66.893,2
46.279,7
187.526,8
80.172,4
82.528,4
54.634,7
217.335,5
60.166,4
45.666,9
44.381,4
150.214,7
96.698,9
68.284,7
115.261,6
280.245,2
797.206,6
648.988,1
687.547,8
2.133.742,5
Fonte: Banco do Nordeste-Ambiente Implementação de Programas, 1999
8.3
O FNE e o contexto associativo
O Banco do Nordeste, em sua estratégia de atuação organizacional e, mais
especificamente, na aplicação dos recursos do FNE, propunha-se a promover algumas
transformações nas relações político-comerciais da instituição com a sua clientela
potencial, face ao demais agentes financeiros do mercado.
A nova estratégia de aplicação do FNE na década de 90 propunha desconcentrar o
92
crédito, aumentando o volume de recursos disponíveis ao produtor e suas organizações
associativas, de modo a fortalecê-las, superando o estigma de insucesso das atividades
associativas
nordestinas
e,
consequentemente,
tornando-as
instrumentos
de
competitividade e de integração do produtor no mercado, proporcionando aumento do seu
nível sócio-econômico e promovendo o desenvolvimento regional48 (Giovenardi et al.,
1997).
O resultado deste direcionamento foi, dentre outros que, entre 1990 e 1994, houve
um aumento do número de organizações criadas, formais ou informais, para obterem
financiamentos, bem como um incremento do número de beneficiários pelo FNE,
destacando-se os que se enquadravam na categoria mini/pequeno produtor, além do
aumento médio do volume de crédito cedido49 (Giovenardi et al., 1997).
No mesmo período, o Banco do Nordeste conseguiu descentralizar o crédito,
aumentando o número de operações junto aos mini/pequenos produtores de 29% em 1991
para 77% em 1994, tornando-se também a principal fonte de crédito para as cooperativas e
associações, principalmente no semi-árido, uma vez que mais de 60% das operações junto
a estas organizações estavam centradas nesta área (Giovenardi et al., 1997).
Os projetos financiados através do estímulo à agricultura de sequeiro (PROAGRI),
à irrigação (PROIR) e à pecuária regional (PROPEC) conseguiram dotar o produtor e suas
associações de maior nível tecnológico, contribuindo para aumentar a produção e
produtividade. Entretanto, o pequeno volume de financiamentos na agroindústria e na
comercialização reduzem o poder dos agricultores e suas organizações na obtenção de
maior renda, através da agregação de valor aos produtos, a médio e longo prazos, tendendo
a funcionarem como meros fornecedores de matérias-primas. Também não foram
48
Neste ínterim, na segunda metade da década de 90, através de um acordo entre o Banco do Nordeste e o
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, organismo vinculado a ONU, foi desenvolvido
um programa de capacitação para garantir o sucesso dos empreendimentos nordestinos, utilizando a metodologia
GESPAR (Gestão Participativa para o Desenvolvimento Local Sustentável) e a metodologia de Capacitação
Organizacional. Este processo de capacitação buscava fortalecer a gestão participativa e o desenvolvimento
empresarial das organizações de produtores, rurais e urbanos, através da formulação de estratégias e de gestão
dentro de uma visão sistêmica, viabilizando estas organizações e aumentando a renda e o bem estar dos
associados. Como resultado deste processo, até junho de 1998, haviam sido treinados 5.603 produtores filiados a
organizações rurais e 1.092 associados a organizações urbanas no Nordeste (Projeto Banco Nordeste/PNUD,
1999).
49
Esta política de pulverização do crédito e de priorização às cooperativas encontra certa similaridade com
iniciativas anteriormente desenvolvidas pelo agente financeiro que gere os recursos do FNE (BNB, 1973).
93
detectados sinais significativos de melhoria nos aspectos funcionais internos, ou seja,
aspectos administrativos, quer nas unidades produtivas ou nas associações e cooperativas
analisadas (Giovenardi et al.,1997).
Constata-se, desse modo que, na política de incentivos para a região Nordeste ao
longo dos últimos trinta anos, tanto houveram aspectos positivos, como também aspectos
que merecem ser revistos, de modo a proporcionar novos encaminhamentos no sentido de
buscar-se uma maior eficiência à luz dos objetivos propostos.
O papel do FNE, através de seus diversos programas, sem dúvida é um instrumento
de desenvolvimento sócio-econômico regional, principalmente quando garante o acesso de
micro e pequenos agricultores a recursos financeiros para melhoria da produção, através de
organizações associativas.
Contudo, faz-se necessário que, conjuntamente com estes recursos se promova um
processo educativo integral para os associados50, tal qual descrito por Lauschner (1993),
não somente para dotar o produtor de recursos técnicos especializados para aumentar a
produção, mas também capacitar a comunidade local a tomar posse de suas riquezas
naturais de forma sustentável, tornando suas organizações e suas unidades de produção
competitivas, inovadoras e empreendedoras, garantindo o desenvolvimento sustentável.
8.3.1 O FINANCIAMENTO ÀS COOPERATIVAS NORDESTINAS
O FNE constitui-se, entre 1990 e 1998, no principal instrumento financiador das
cooperativas nordestinas.
Ao efetuar uma comparação do volume financiado pelo FNE e pelo Sistema
Nacional de Crédito Rural entre 1994 e 1998 às cooperativas da região, é perceptível a
diferença da contribuição de ambos no cenário regional.
Enquanto o FNE disponibilizou às cooperativas regionais uma quantia superior a
R$ 220 milhões de reais para investimento, custeio e comercialização, o crédito agrícola
somente liberou R$ 121 milhões de reais, o que eqüivale a apenas 55% do investido pelo
50
A falta deste processo de capacitação para as camadas mais excluídas, segundo a EMATER-PE, é uma das
94
FNE nas organizações cooperativas51 (Tabela 13).
A diferença a mais entre os recursos do FNE e do Sistema Nacional do Crédito
Rural para o setor cooperativo nordestino posiciona o FNE como um instrumento de
crédito adicional para o desenvolvimento da região, ao preencher a lacuna deixada pelos
instrumentos tradicionais de financiamento dos agronegócios cooperativos.
Tabela 13 - Recursos destinados às cooperativas pelo Sistema Nacional do Crédito Rural e
FNE, na região Nordeste, entre 1990 e 1998
(em R$)
SISTEMA NACIONAL CRÉDITO RURAL
ANO
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
TOTAL BRASIL
COOPERATIVAS
do NORDESTE
FNE ÀS
COOPERATIVAS
do NORDESTE*
8.985.999.890,00
18.497.447,00
139.936,17
9.271.002.920,00
16.058.001,00
83.909,47
10.278.996.496,00
9.468.446,00
3.307.878,20
8.827.960.988,00
1.646.056,00
5.892.352,30
11.534.323.803,00
2.149.279,00
36.450.712,87
7.544.823.360,00
2.924.355,00
61.094.142,49
6.764.496.410,00
79.972.397,00
47.288.145,14
10.757.297.425,00
23.913.126,00
60.320.409,85
11.205.965.275,00
17.770.057,00
16.416.010,16
Fonte: BACEN/DECAD/DIREC Sistema RECOR, 1999; Banco do Nordeste-Ambiente
Implementação de Programas, 1999
* Operações existentes, não liquidadas.
Devido ao número total de operações realizadas através de programas do FNE com
cooperativas no Nordeste, 425 operações, quase o equivalente ao número total de
cooperativas existentes na região, 463 organizações, nota-se a capilaridade destes recursos
no setor. Esta afirmação pode ser constatada ao observar-se que em 1990 foram realizadas
apenas 6 operações de financiamento, enquanto que em 1997, foram realizadas 98
operações, ou seja, um crescimento superior a 150% no intervalo.
barreiras no crescimento da pecuária local (Conjuntura pecuária, 1998).
51
Os valores de recursos obtidos junto ao Banco do Nordeste para operações com cooperativas contemplam
apenas as operações em “ser”, ou seja, operações existentes, não contemplando operações já liquidadas, pois estas
não mais constam da base de dados dos anos em referência. O Ambiente de Implementação de Negócios / Célula
de Apoio aos Pequenos Negócios e Associativismo do Banco do Nordeste, local onde foram pesquisados estes
dados, informou que o quesito valores aplicados às cooperativas foi superior ao informado, o que ressalta ainda
mais a importância do crédito do FNE para cooperativas regionais. Adotamos os dados coletados como
referenciais na análise do setor, pois o prazo de carência e de amortização dos financiamentos pelo FNE para a
realização de investimentos são bastante elásticos, além do que, a partir de 94, com a estabilidade do processo
95
O volume de crédito disponibilizado às cooperativas também apresentou uma
elevação considerável, passando de quase R$ 140 mil reais em 1990, para mais de R$ 60
milhões em 1997. Vale salientar que o ritmo de crescimento no volume alocado às
cooperativas, à luz do evolução do total de recursos disponibilizados pelo FNE para todo o
Nordeste, não acontece na mesma proporção, haja visto que somente no ano de 1995
aconteceu a maior disponibilidade de volume de crédito às cooperativas nordestinas.
O ano de 1998 apresentou-se atípico, com uma redução de quase 50% na
quantidade de operações com cooperativas e declínio da disponibilidade de crédito em
torno de 70% em relação ao mesmo período de 1997.
Ao analisar os dado dos períodos compreendidos entre 1990/1995 e 1996/1998,
vários fatos podem ser destacados.
As operações de financiamento às cooperativas entre 90/95 foram 196, totalizando
um montante investido de quase R$ 107 milhões, com uma média de R$ 545 mil reais por
operação52 (Tabela 14 e 15).
No período compreendido entre 1996/1998, o número de operações realizadas com
cooperativas foram 229, apresentando uma elevação de quase 17% em relação a valores
de 1990/1995. O total de crédito aplicado foi superior a R$ 124 milhões, o que representa
um aumento de quase 16%, se comparados aos valores 1990/1995. A média por operação
permaneceu em torno de R$ 540 mil reais, próxima das encontradas no período 1990/1995
(Tabela 16 e 17).
Uma averiguação mais detalhada feita por estado mostra que, entre 90/95, o maior
número de financiamento foi realizado nas organizações cooperativas do Ceará, 61
operações, através de um aporte superior a R$ 40 milhões de reais, com uma média de R$
664 mil reais por operação. Em segundo lugar, no mesmo período, aparecem as operações
realizadas
com
cooperativas
de
Pernambuco,
28
financiamentos,
totalizando
inflacionário, os rebates a que tinham direito estes financiamentos foram atenuados. Ao mesmo tempo, estes
dados proporcionam também uma visão do tamanho da dívida das cooperativas regionais.
52
Esta média apresenta uma variação muito grande, devendo ser tomadas as cautelas necessárias na sua
avaliação como parâmetro analítico de operações. No caso em questão, procuramos identificar , segundo estudo
de Giovenardi et al. (1997), se houve um crescimento da disponibilidade de crédito ao setor cooperativo
regional.
96
aproximadamente R$ 18 milhões, com uma média por operação próxima a R$ 671 mil
reais. O Rio Grande do Norte e a Paraíba apresentaram 25 e 23 cessões de crédito às
cooperativas, com um volume de investimentos da ordem de R$ 12 milhões e R$ 14
milhões de reais, com médias em torno de R$ 485 mil reais e R$ 616 mil reais. A Bahia,
apesar de ter sido o estado que teve mais aporte dos recursos totais do FNE neste período,
não apresentou o mesmo desempenho quando se tratava de cooperativas, pois só houveram
21 operações com cooperativas neste estado, obtendo R$ 6 milhões de reais, com uma
média de R$ 288 mil reais por operação.
A análise do intervalo 96/98 permite visualizar algumas diferenças em relação a
90/95, pois o estado de Pernambuco passa a ocupar o primeiro lugar na captação de
recursos por cooperativas, apresentando o maior número de operações, 69 no período, via
aporte de R$ 25 milhões de reais, com uma média de R$ 374 mil por financiamento. O
Ceará, passou do primeiro lugar, entre 90/95, para a segundo posição, entre 96/98, com 52
financiamentos realizados às cooperativas, totalizando mais de R$ 24 milhões, com uma
média de R$ 473 mil reais por operação. O Rio Grande do Norte, apesar de possuir o
terceiro maior volume de recursos destinados às cooperativas, teve uma maior
concentração de recursos por operação. O Piauí e a Bahia, com 28 e 25 operações de
crédito entre 96/98, obtiveram R$
10 milhões de reais e 14 milhões de reais
respectivamente, com uma média por operação de R$ 386 mil reais e R$ 597 mil reais.
Novamente, neste período, as cooperativas da Bahia não seguiram a tendência do estado
como o que mais captou recursos na região, ocorrendo, entretanto, um aumento do número
de financiamentos às cooperativas neste estado.
Em apenas nove anos, de 90/98, o volume de recursos disponibilizados ao setor
primário, através das cooperativas da região pelo FNE para investimento, custeio e
comercialização, veio suprir a carência de financiamento da política de crédito agrícola,
de modo particular, que beneficiasse os produtores locais e suas organizações, ao contrário
da proposta inicial do referido programa, de disponibilizar créditos adicionais para a
região.
Portanto, o viés que o FNE é um instrumento financeiro adicional, vetor
estratégico de crescimento de uma política regional de desenvolvimento do setor primário
nordestino, requer uma avaliação crítica, haja visto o nível pequeno de recursos
97
disponibilizados pelo crédito rural.
Tabela 14 - Número de cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias ou agroindustriais)
contempladas com recursos do FNE no Nordeste, de 1990 a 1995
ANO
1990
1991
1992
1993
1994
1995
TOTAL
ALAGOAS
SERGIPE
BAHIA
CEARÁ
R G DO NORTE
MARANHÃO
PIAUÍ
PARAÍBA
PERNAMBUCO
1
1
4
-
2
5
4
1
1
2
1
2
5
2
1
2
-
3
3
14
9
2
5
5
3
9
14
4
3
8
7
4
1
4
19
6
5
9
8
17
9
21
61
25
8
21
23
28
TOTAL
6
15
13
41
52
69
196
ESTADOS
Fonte: Banco do Nordeste/Ambiente Implementação de Programas, 1999
Tabela 15- Recursos aplicados pelo FNE em cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias
ou agroindustriais) no Nordeste, por estados, de 1990 a 1995
Valores em R$1,00
ANO
ESTADOS
ALAGOAS
1990
1991
1992
1993
1994
1995
TOTAL
4,99
-
3.263.697,66
476.739,43
26.729,47
1.105.996,70
-
-
-
-
-
-
-
32,07
95,76
2.769,60
112.043,81
4.366.581,44
1.581.291,34
6.062.814,02
139.899,11
12.577,64
11.951,07
2.614.148,34
14.973.127,15
22.768.062,78
40.519.766,09
R G DO NORTE
-
4.100,38
20.661,35
1.199.550,22
1.015.632,08
9.905.518,20
12.145.462,23
MARANHÃO
-
-
-
-
1.151.135,66
971.944,35
2.123.080,01
PIAUÍ
-
13.155,16
41,02
24.887,64
4.114.209,04
4.114.187,00
8.266.479,86
PARAÍBA
-
11.007,10
8.757,50
1.118.366,89
7.402.080,81
5.629.835,96
14.170.048,26
PERNAMBUCO
-
42.973,43
-
346.615,97
3.401.217,22
15.017.306,16
18.808.112,78
139.936,17
83.909,47
3.307.878,20
5.892.352,30
36.450.712,87
61.094.142,49
106.968.931,50
SERGIPE
BAHIA
CEARÁ
TOTAL
Fonte: Banco do Nordeste/ Ambiente Implementação de Programas, 1999
4.873.168,25
98
Tabela
16 - Número de cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias
agroindustriais)contempladas com recursos do FNE no Nordeste, de 1996 a 1998
ANO
1996
1997
1998
TOTAL
ALAGOAS
SERGIPE
BAHIA
CEARÁ
R G DO NORTE
MARANHÃO
PIAUÍ
PARAÍBA
PERNAMBUCO
2
6
22
7
4
9
12
18
2
4
15
21
7
2
14
3
30
1
2
4
9
4
1
5
4
21
5
6
25
52
18
7
28
19
69
TOTAL
80
98
51
229
ESTADOS
ou
Fonte: Banco do Nordeste/ Ambiente Implementação de Programas, 1999
Tabela 17 - Recursos aplicados pelo FNE em cooperativas (agrícolas, pecuárias,
agropecuárias ou agroindustriais) no Nordeste, por estados, de 1996 a 1998
Valores em R$1,00
ANO
ESTADOS
ALAGOAS
SERGIPE
1996
1997
1998
7.693.311,83
3.787.317,91
122.554,00
TOTAL
11.603.183,74
-
2.683.330,59
1.921.787,38
4.605.117,97
BAHIA
2.022.607,87
12.224.882,97
701.408,02
14.948.898,86
CEARÁ
13.168.938,54
10.099.519,70
1.411.777,20
24.680.235,44
8.461.927,45
3.946.781,39
3.538.518,50
15.947.227,34
R G DO NORTE
MARANHÃO
1.550.955,00
4.754.564,90
136.400,00
6.441.919,90
PIAUÍ
1.681.189,48
8.347.044,07
799.091,58
10.827.325,13
PARAÍBA
5.696.089,26
1.465.099,74
1.969.219,82
9.130.408,82
PERNAMBUCO
7.013.155,71
13.011.868,58
5.815.253,68
25.840.277,97
47.288.175,14
60.320.409,85
16.416.010,18
124.024.595,17
TOTAL
Fonte: Banco do Nordeste/ Ambiente Implementação de Programas, 1999
99
8.3.2
O FNE E AS COOPERATIVAS PERNAMBUCANAS
As cooperativas pernambucanas que desenvolvem atividades pecuárias, além de
disporem de limites de financiamento maiores e prazos mais elásticos de pagamento dos
recursos do FNE, estão quase todas concentradas na área prioritária para investimentos, ou
seja, na área do semi-árido, pois dos 185 municípios do estado, 118 estão localizados no
semi-árido.
Face às dificuldades do setor, inclusive no tocante às informações a cerca das
possibilidades de financiamento através do FNE, as cooperativas e seus associados
contaram com o auxílio de órgão públicos estaduais,
para conseguirem realizar
investimentos e melhorar as condições gerais do setor e, por conseguinte, romperem
barreiras tecnológicas.
8.3.2.1 O papel do governo na difusão do FNE às cooperativas locais
O papel do governo estadual, mais especificamente a Secretaria de Agricultura,
através do GEAP, foi relevante neste processo de difusão do crédito do FNE às
associações e cooperativas e de auxílio na elaboração de projetos agropecuários
integrados.
Somente no ano de sua implementação, em 1993, o GEAP iniciou trabalhos que
contemplavam 41 propostas de financiamento, sendo 21 o número de projetos efetuados
com cooperativas e 20 com associações, cuja localização da maior parte era o agreste do
estado. Ao final do ano de 93, já haviam sido contratados 02 projetos, beneficiando 388
produtores em mais de 07 municípios e outros 11 projetos já encontravam-se em análise no
Banco do Nordeste, os quais iriam beneficiar 897 produtores em 14 municípios (Tabela
18).
Em todos os projetos desenvolvidos para cooperativas, encaminhados e aprovados,
o GEAP preocupou-se em contemplar com recursos à própria e aos cooperados, para
investimento, custeio e comercialização.
Na parte destinada à própria, os objetivos dos pleitos eram principalmente para
100
aquisição de bens para venda aos cooperados, meios de transporte para escoar a produção,
como caminhões, compra de máquinas e implementos agrícolas para execução de serviço
aos cooperados, além de investimento para plano de capacitação e assistência técnica. O
percentual do financiamento variava de 14 a 43%, com uma média de 32% do montante
solicitado à própria cooperativa. A estratégia de implantação de unidades agroindustriais
contemplavam unidades de beneficiamento de leite e mandioca, bem como fábrica de
ração (Vasconcelos et al., 1993). Entretanto, estas iniciativas agroindustriais pioneiras não
chegaram a serem financiadas até 1995, visto que somente em 1996 é que ocorreu registro
de financiamento do FNE para estas atividades no estado53.
Os projetos elaborados pelo GEAP, no que diz respeito às operações de repasse às
cooperativas para financiar os seus cooperados, destinavam-se, principalmente, à aquisição
de matrizes bovinas leiteiras, implantação de áreas destinadas à pastagens e melhoria de
infra-estrutura da propriedade, como construção de poços, açudes, currais, estábulos e
cercas. Em menor proporção nestes projetos, aparecem pleitos para financiamento tanto de
culturas temporárias, cenoura e mandioca, por exemplo, como de culturas permanentes, a
exemplo da cultura do cajueiro e da acerola. Também foram detectadas em alguns projetos
elaborados solicitações de financiamento para atividades como avicultura, ovinocultura e
suinocultura, além de recursos para aquisição de material de irrigação e implementos
agrícolas nas unidades produtivas dos associados, sendo que o percentual médio dos
valores destinados aos cooperados representava 68 % dos financiamentos solicitados
(Vasconcelos et al., 1993).
A iniciativa do governo estadual foi um elemento que contribuiu para que as
cooperativas estaduais pudessem ter acesso aos financiamentos do FNE, e os técnicos que
compunham o GEAP, encarregados de assessorar e elaborar projetos às cooperativas
estaduais, tiveram um papel importante neste processo.
A iniciativa privada, através de empresas de consultoria e elaboração de projetos
devidamente cadastradas no Banco do Nordeste, posteriormente, passou a atuar paralelo as
funções exercidas pelos órgãos governamentais, ao mesmo tempo facilitando o acesso de
53
Durante o trabalho de coleta de dados no campo, procurou-se checar se estas solicitações de financiamento pelo
FNE, pioneiras no âmbito agroindustrial, tinham obtido os recursos pleiteados e haviam sido implantadas. No
contato estabelecido com as respectivas solicitantes, os responsáveis afirmaram que não houve liberação destes
101
clientes ainda não beneficiados pelo GEAP, devido as limitações da própria estrutura deste
grupo, acelerando o número de pleitos junto ao agente financeiro.
Tabela 18 - Síntese dos trabalhos realizados pelo GEAP para captação de recursos do FNE,
por associações e cooperativas, em 1993
POSIÇÃO DO PROJETO
1)Projetos Contratados
Cooperativa
Associação
2)Projetos em Análise BNB
Cooperativa
Associação (especial)
3)Projetos em elaboração*
Cooperativa
Associação
4)Projetos fase inicial /pendências**
Cooperativa
Associação
5)Projetos aguardando confirmação
Cooperativa
Associação
6)Projetos aguardando recebimento
Cooperativa
Associação
TOTAL
Dados Projeto
Mesorregião estado
Nº Beneficiários
Nº de
Projetos Mata Agreste Sertão Diretos Indiretos
TOTAL
(em URTN)
01
01
01
01
-
-
250
138
450
240
212.139
53.973
04
07
07
03
-
01
-
890
07
1.434
07
2.784.611
9.340
03
01
01
01
02
-
-
-
-
-
10
03
01
06
02
04
-
-
-
-
08
02
01
-
06
01
01
01
-
-
-
01
-
-
01
-
-
-
-
-
41
12
21
07
-
-
-
Fonte: Vasconcelos et al. (1993)
*Com previsão de término de elaboração em março de 94
** Estas pendências iam desde o aguardo de visita de técnicos do GEAP até o aguardo de documentação de
registro e legalização da cooperativa.
8.3.2.2 Os investimentos disponibilizados
Os créditos obtidos pelas cooperativas locais através do FNE, em comparação com
outros mecanismos de apoio financeiro ao setor cooperativo local, demonstram a
importância deste Fundo.
Nos recursos para financiamento das cooperativas estaduais também percebe-se a
importância do FNE na pecuária local, como instrumento de incremento desse setor,
através do volume de operações efetuadas.
Considerando-se o período compreendido entre 1990/1995 observa-se que houve
um aumento no número de operações através do FNE, entre 1996/1998. Enquanto no
primeiro período considerado houve um total de 28 operações, sendo 7 no setor agrícola e
recursos pelo agente financeiro para as unidades de leite e mandioca.
102
21 no setor pecuário, a partir de 96 ocorreram 76 operações de crédito, sendo que 65%
destes financiamentos, ou seja, 47 operações destinaram-se às cooperativas que
desenvolveram projetos no setor pecuário, e apenas 11 para o setor de produção vegetal
(Tabela 19 e 20).
Tabela 19 - Número de cooperativas contempladas com recursos do FNE em Pernambuco por
tipo de atividade, entre 1990 e 1998
SETOR DE ATUAÇÃO DA COOPERATIVA
ANO
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
TOTAL
TOTAL
PRODUÇÃO
VEGETAL
PRODUÇÃO
PECUÁRIA
AGROPECUÁRIA/
AGROINDUSTRIAL
2
1
1
3
3
3
5
4
3
14
10
25
12
5
2
4
2
5
4
17
18
30
21
18
68
11
101
Fonte: Banco do Nordeste-Ambiente Implementação de Programas, 1999
Tabela 20 - Recursos do FNE e do Sistema Nacional de Crédito Rural aplicados nas
cooperativas de Pernambuco por tipo de atividade, entre 1990 e 1998
Valores em R$1,00
RECURSOS POR SETOR COOPERATIVO
ANO
PRODUÇÃO VEGETAL
1990
1991
1992
1993
1994
1995
PRODUÇÃO PECUÁRIA
Sistema
Nacional
Crédito Rural
FNE
AGROPECUÁRIA/
AGROINDUSTRIAL
Sistema
Nacional
FNE
Crédito
Rural
Sistema
Nacional
Crédito
Rural
FNE
RECURSO
TOTAL
COOP.
FNE
-
946.636,00
-
-
-
-
-
42.964,18
-
9,25
-
-
-
42.973,43
-
43.960,00
-
-
-
-
-
38.997,14
53.621,00
307.618,83
-
-
-
346.615,97
2.565.968,91
-
835.248,31
-
-
-
3.401.217,22
696.009,84
-
14.321.306,32
-
-
-
15.017.306,16
1996
369.077,99
18.805,00
5.406.640,92
3.225.265,00
-
7.013.155,71
1997
394.267,40
721.115,00
12.260.459,99
3.722.327,00
-
13.011.868,58
1998
1.877.570,22
145.733,00
3.386.605,14
2.314.827,00
-
5.815.253,68
-
43.831.902,68
TOTAL 5.984.945,68
1.929.870,00 35.695.412,69 9.162.409,00
1.237.436,80
357.141,19
551.078,32
2.145.656,31
Fonte: BANCEN/DECAD/DIREC Sistema RECOR, 1999; Banco do Nordeste-Ambiente Implementação de
Programas, 1999
103
Na questão do montante do FNE aplicado às cooperativas, por setor de atividades,
também houve uma diferença entre os valores destinados às atividades de produção
pecuária e de produção vegetal. Basta verificar o que ocorreu no período 96/98, pois as
cooperativas que desenvolveram propostas para as atividades pecuárias receberam quase
10 vezes mais recursos que as cooperativas que operaram com produção vegetal, sendo
esta diferença equivalente a um valor de aproximadamente R$ 18 milhões de reais.
Certamente, a tendência de consolidação da pecuária como fonte de investimentos entre
1985/1995, analisada pelo CONDEPE (Crédito rural..., 1997), também foi alicerçada pelos
recursos do FNE.
Com relação às cooperativas que pautavam suas linhas de atuação na pecuária, o
crédito rural esteve ausente, não financiando nenhuma operação no estado até 1995. Ao
efetuar-se comparação entre os valores financiados pelo FNE e Sistema Nacional de
Crédito Rural às cooperativas ligadas à pecuária, entre 1995/1998, depara-se com um valor
investido pelo FNE aproximadamente 5 vezes superior ao disponibilizado pelo Crédito
Rural.
Na área de produção vegetal, enquanto o FNE disponibilizou às cooperativas entre
1996/1998 valores acima de R$ 2,6 milhões de reais, o Sistema Nacional de Crédito Rural
financiou apenas cerca de 33% deste valor. Com relação às cooperativas que atuavam no
setor pecuário os valores do FNE alcançaram uma cifra próxima a R$ 21 milhões de reais,
enquanto que os valores do Sistema Nacional de Crédito Rural ficaram próximos a metade
deste montante.
Com relação às atividades agroindustriais/agropecuárias, deve-se atentar para a
ausência de financiamentos do FNE para estes setores de atuação das cooperativas
estaduais até 1995. Somente a partir de 1996 houve início de implementação de projetos
desta natureza, alavancados pelo setor cooperativo local. Entre 1996/1998 um volume de
recursos superior a dois milhões de reais foi aplicado em 11 operações com as
cooperativas do estado para desenvolverem este tipo de atividade,
possibilitando
investimentos em um modelo de produção que permitisse maior agregação de valor aos
produtos dos cooperados, tal qual modelo sugerido por Lauschner, devidamente destacado
pelo Banco do Nordeste e SUDENE, além das organizações cooperativas locais, como a
OCEPE.
104
Portanto, o Crédito Rural, instrumento tradicional de apoio às atividades do setor
primário, no repasse
às cooperativas, proporcionou menores oportunidades de
investimento às cooperativas estaduais que o FNE. Este instrumento de financiamento
criado com a finalidade de alavancar recursos extras para as atividades produtivas locais
veio, isto sim, suprir a ausência dos instrumentos de financiamento tradicionais do setor.
Os investimentos disponibilizados pelo FNE ao longo dos nove anos, entre 1990 e
1998, contribuíram, sem dúvida, na consolidação da tendência de investimentos ao setor
pecuário estadual, especialmente leiteiro, através de organizações cooperativas, e
revelaram-se como importantes instrumentos de repasse de crédito.
A proliferação do número de projetos cooperativos em Pernambuco, no segmento
pecuário de leite, financiados através do FNE, embora tenha tido por objetivo criar uma
base de produção rentável, articulada e capaz de agregar valor à matéria-prima leite,
revela necessidade de aprofundamento.
Desta forma, através de uma análise que levou em conta algumas variáveis, foi
possível visualizar se os recursos disponibilizados contribuíram para solucionar problemas
de produtividade, comercialização e aglutinação da produção, fortalecendo os produtores
rurais e suas organizações produtivas.
105
9
COMPETITIVIDADE DAS COOPERATIVAS FINANCIADAS
Para determinar a competitividade das cooperativas ligadas ao setor leiteiro
financiadas com recursos do FNE no estado de Pernambuco, procedeu-se a análise de
caso em 13 cooperativas pesquisadas.
Procurou-se observar o perfil das organizações contempladas, dos seus associados,
bem como dos impactos destes recursos nas respectivas estruturas cooperativas, sua
estratégia de atuação no mercado e sua eficiência no setor.
Na análise da eficiência cooperativa, utilizou-se o modelo analítico de Oliveira
Júnior54 (1996), que leva em conta tanto análise de critérios econômicos-financeiros, como
sociais, políticos e de recursos humanos.
As cooperativas foram divididas em dois grupos55: o primeiro grupo, composto por
aquelas que obtiveram empréstimo do FNE no estado entre 1990 e 1995, ao qual se
denominou de GRUPO
1; o segundo grupo englobou as organizações que foram
contempladas com recursos do FNE entre 1996 e 1998, chamado de GRUPO 2.
9.1 O perfil das cooperativas pesquisadas
A análise da estrutura das cooperativas abordou dados gerais que abrangeram
desde área de atuação até a composição do quadro social, além de aspectos relacionados a
estrutura de gestão e programas de tecnologia disponível pelas cooperativas.
9.1.1 O PERÍODO DE FUNDAÇÃO
Nos dados coletados observou-se que a maioria das cooperativas contempladas,
69,4% dos casos, foram fundadas na década de 90, embora haja uma diferença entre os
dois grupos analisados (Tabela 21).
54
O modelo presente encontra-se descrito no capítulo 5, no item 5.2.2.2.
Esta divisão, comentada anteriormente, foi efetuada com o intuito de verificar o perfil e o desempenho das
cooperativas que primeiro receberam empréstimo do FNE, que ocorreu em ambiente de transição econômica.
Aliado a este fator, o início das operações de financiamento do FNE em atividades agroindustriais para as
cooperativas locais em 1996, contribuíram para demarcar este limite entre os dois grupos de cooperativas.
55
106
As cooperativas integrantes do GRUPO 1, que primeiro obtiveram empréstimos,
apresentaram algumas cooperativas mais antigas, fundadas na década de 30 e de 60.
Contudo, na metade das cooperativas deste grupo, a data de fundação remonta a primeira
metade da década de 90. As cooperativas do GRUPO 2, em 85,6% dos casos, foram
fundadas na década de 90, sendo estas, no geral, mais recentes no mercado que as do
GRUPO 1.
Tabela 21 – Estatística das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo período de fundação
Período de Fundação
Grupo 1
Grupo 2
TOTAL
N
%
N
%
N
%
Anterior a 1970
Entre 1971 e 1980
Entre 1981 e 1990
Entre 1991 e 1995
A partir de 1996
2
1
3
-
33,3
16,7
50,0
-
1
3
3
14,4
42,8
42,8
2
2
6
3
15,3
15,3
46,1
23,3
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de Campo, 1999
9.1.2 O NEGÓCIO E A ÁREA DE ATUAÇÃO
Nas cooperativas pesquisadas verificou-se que em todas eram desenvolvidas
atividades no ramo agropecuário.
Quanto à área geográfica de atuação, encontrou-se que 53,9% das cooperativas têm
limitações de atuação, só atendendo aos cooperados do município em que estão sediadas, e
46,1% destas organizações atendem a cooperados situados em municípios vizinhos ao que
estão localizadas (Tabela 22). No geral, observou-se que as sedes das cooperativas
estavam localizadas, em 76% dos casos, no perímetro urbano (Tabela 23).
Comparando com o GRUPO 1, o GRUPO 2 apresentou um maior percentual de
cooperativas atuando apenas no município sede e com sedes localizadas na zona rural.
107
Tabela 22 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo a área de atuação
Área de atuação
Grupo 1
Grupo 2
TOTAL
N
%
N
%
N
%
Só distrito
Só município
Mais de um município
3
3
50,0
50,0
1
3
3
14,4
43,8
42,8
1
6
6
7,8
46,1
46,1
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de Campo, 1999
Tabela 23 – Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo local da sede
Grupo 1
Local da Sede
Grupo 2
TOTAL
N
%
N
%
N
%
Zona urbana
Zona rural
5
1
83,3
16,7
5
2
71,4
28,6
10
3
76,9
23,1
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de Campo, 1999
9.1.3 O QUADRO SOCIAL
O total de associados vinculados às cooperativas, dos dois grupos, foi de 3.023
produtores rurais, tendo por base o ano de 1998. Deste total, 2.509 produtores compunham
o quadro de associados filiados às cooperativas do GRUPO 1, com uma média de 418
associados por cooperativa. No quadro de filiados às cooperativas do GRUPO 2 foram
registrados 514 produtores, com uma média de 73 associados por cooperativa.
Visando aprofundar a análise do perfil geral do associado, procedeu-se a
abordagem de itens que foram da questão do gênero até grau de escolaridade e posse da
terra, além do processo de admissão de associados e da participação nas decisões da
cooperativas.
9.1.3.1 Quanto ao gênero
Na área rural do estado de Pernambuco, os números de homens e mulheres são
quase equivalentes, porém o mesmo não acontece quando se analisa os números de chefes
de família, haja visto que dos 423, 5 mil chefes de famílias rurais, somente 14,4% são do
108
sexo feminino (Anuário Estatístico, 1999).
Quando se analisou a participação das mulheres nas cooperativas, o percentual
apurado nos dois grupos foi de apenas 7,5% do total de cooperados, sendo este índice
inferior aos apontados para a relação dos chefes de família rural no estado (Tabela 24).
As mulheres, apesar de terem pouca participação nas cooperativas, têm um papel
relevante dentro da unidade produtiva familiar, contribuindo com a produção, via trabalho
complementar, em atividades como, por exemplo, ordenha e fabricação de queijos.56
Tabela 24 - Estatística do quadro de cooperados, segundo o gênero e o grupo, no ano de 1998
Gênero
Estatística
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
Masculino
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Desvio Padrão
4
138
714
351,25
273,18
7
20
268
66,00
89,72
11
20
714
169,73
218,93
Feminino
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Desvio padrão
4
7
40
26,25
14,97
7
0
15
5,86
5,40
11
0
40
13,27
13,81
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.1.3.2 Grau de escolaridade
O nível de escolaridade dos produtores rurais associados foi obtido, na sua maioria,
através de relatos efetuados pela diretoria da cooperativa, uma vez que a maior parte das
cooperativas pesquisadas não têm este item relacionado na ficha de matrícula.
Os resultados desta enquete apontaram para um quadro social que possui baixo
nível de escolaridade, onde 74% do total de cooperados possuíam até o 1º grau menor, e
apenas 0,1% dos cooperados associados possuíam nível superior (Tabela 25).
56
A Aliança Cooperativa Internacional-ACI afirma que, principalmente em países do terceiro mundo, as
mulheres que vivem na zona rural possuem duras jornadas de trabalho e muitas responsabilidades, não sobrando
tempo, muitas vezes, para participarem de atividades das cooperativas, devendo se buscar nestes cenário
estratégias de atuação que permitam reverter estes quadro (ACI, 1999b). O papel da mão-de-obra marginal
familiar também é destacado por Lauschner(1993) de modo particular nas atividades do setor pecuário de leite da
pequena unidade produtiva.
109
As cooperativas do GRUPO 1 demonstraram possuir, em termos percentuais, um
quadro de produtores associados com menor grau de instrução que as cooperativas do
GRUPO 2. Enquanto que o GRUPO 1 apresentou 80,5% dos associados possuindo até o
1º grau menor, no GRUPO 2 ocorreu 54,7% de associados com até o 1º grau menor.
Tabela 25 - Estatística do número de cooperados, segundo nível de escolaridade e o grupo, no
ano de 1998
Grau de escolaridade
Estatísticas
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
Até 1º Grau menor
(completo ou não)
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Desvio padrão
5
3
680
261,20
284,61
7
0
148
33,0
51,77
12
0
680
128,08
211,48
1o Grau maior (completo ou
não)
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Desvio padrão
5
5
102
63,40
38,18
7
6
80
27,29
24,29
12
5
102
42,33
34,68
2o Grau (completo ou não)
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Desvio padrão
5
0
0
0
0
7
0
15
4,71
5,56
12
0
15
2,75
34,68
Superior (completo ou não)
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Desvio padrão
5
0
0
0
0
7
0
2
0,43
0,79
12
0
2
0,25
0,62
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.1.3.3 Categoria dos associados e tipo posse da terra
No item referente à categoria dos cooperados e propriedade da terra, constatou-se
que o quadro social das cooperativas é composto, principalmente, por mini e pequenos
produtores rurais, os quais detêm a propriedade da terra (Tabelas 26 e 27).
Na composição do quadro social das cooperativas do GRUPO 1 contatou-se que
1.179 associados enquadravam-se como mini produtores e 1.330 eram pequenos
produtores. Do total de cooperados deste grupo, 99,5% do total eram proprietários de suas
terras.
Nas cooperativas do GRUPO 2 observou-se que
298 associados eram mini
110
produtores e 216 associados eram pequenos produtores. Do total de cooperados do grupo,
77% do total detinham a propriedade da terra. Verificou-se neste grupo de cooperativas um
aumento da participação dos posseiros e arrendatários no quadro social.
Tabela 26- Estatística do número de cooperados, segundo a categoria de produtores
associados e o grupo, no ano de 1998
Categoria de produtores
Estatísticas
Mini
Pequenos
Total
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
525
196,5
7
0
283
42,57
13
0
525
113,62
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
906
221,66
7
0
48
30,86
13
0
906
118,92
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
906
418,17
7
0
283
73,43
13
0
906
232,53
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 27 - Estatística da quantidade de cooperados, segundo a posse de terra por grupo, no
ano de 1998
Posse da terra
Estatísticas
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
Posseiros
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
8
1,33
7
0
96
15,14
13
0
96
8,77
Proprietários
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
89
906
416,17
7
19
187
56,71
13
19
906
222,62
Arrendatários
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
4
0,67
7
0
5
1,57
13
0
5
1,15
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.1.3.4 Critérios de admissão de novos associados
No processo de admissão de novos sócios constatou-se que 69,2% das cooperativas
adotavam um ou mais de um tipo de critério. O critério mais adotado, em 53,8% dos casos,
111
foi a análise da atividade produtiva do candidato a sócio. Logo em seguida, os critérios
mais freqüentes foram a renda bruta e a área da terra explorada, havendo ainda outros
como indicação de algum associado (Tabelas 28 e 29).
Após o ingresso do novo associado verificou-se que 53,8% das organizações não
havia nenhum programa de educação cooperativa (Tabela 30).
Nas cooperativas do GRUPO 1 verificou-se que em 83,3% dos casos eram
estabelecidos critérios de ingresso de novos sócios, sendo a atividade produtiva o critério
mais utilizado, em 66,7% dos casos, vindo a seguir a renda bruta agropecuária e a área de
terra explorada. O processo de educação cooperativa só foi observado na metade das
cooperativas deste grupo.
Nas cooperativas do GRUPO 2, somente em 57,1 % dos casos ocorreram critérios
de admissão de associados, onde a atividade produtiva foi a regra mais utilizada, em
42,9% dos casos. Em 57,1% das organizações não observou-se a promoção de educação
cooperativa para os novos sócios.
Tabela 28 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a utilização ou não de algum
critério para admitir novos associados, por grupo
Critério
Grupo 1
Grupo 2
TOTAL
N
%
N
%
N
%
Sim
Não
5
1
83,3
16,7
4
3
57,1
42,9
9
4
69,2
30,8
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 29 – Freqüência de critérios para admitir novos associados, por grupo
Critérios utilizados
N
Grupo 1
%
Grupo 2
N
%
N
TOTAL
%
Atividade produtiva
Renda bruta agropecuária anual
Área de terra explorada pelo produtor
Outros
4
2
2
1
66,7
33,3
33,3
16,7
3
1
1
1
42,9
14,3
14,3
14,3
7
3
3
2
53,8
23,1
23,1
15,4
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 30 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo o fato do
cooperado recém-admitido receber ou não educação cooperativa
112
Grupo 1
Recebem educação
Grupo 2
TOTAL
N
%
N
%
N
%
Sim
Não
3
3
50,0
50,0
3
4
42,9
57,1
6
7
46,2
53,8
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.1.3.5 Critérios de organização de associados
As cooperativas, em 53,8% dos casos, utilizavam algum critério de organização dos
associados, sendo a atividade produtiva e a localização geográfica os que aparecem com
maior freqüência, em 38,5% e 23,1% dos casos, respectivamente (Tabelas 31 e 32).
Nas cooperativas do GRUPO 1, em 66,7% dos casos, as cooperativas dispunham
de algum critério de organização dos associados, sendo a localização geográfica a mais
utilizada, em 50% dos casos. No GRUPO 2, constatou-se que 42,9% efetuam organização
de associados, sendo a atividade produtiva e a área explorada os mais freqüentes, em
42,9% e 28,6% dos casos, respectivamente.
Tabela 31 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo a utilização ou não
de algum critério para organizar os seus associados
Critério
Grupo 1
Grupo 2
TOTAL
N
%
N
%
N
%
Sim
Não
4
2
66,7
33,3
3
4
42,9
57,1
7
6
53,8
46,2
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 32 – Freqüência dos critérios adotados pelas cooperativas para organizar os seus
associados, por grupo
Critérios utilizados
Grupo 1
N
%
Grupo 2
N
%
N
%
Atividade produtiva
Renda bruta agropecuária anual
Área de terra explorada pelo produtor
Localização geográfica
2
3
33,3
50,0
3
1
2
-
42,9
14,3
28,6
-
5
1
2
3
38,5
7,7
15,4
23,1
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
TOTAL
113
9.1.3.6 A comunicação e a participação dos associados
As cooperativas têm nas reuniões/assembléias a principal forma de comunicação
com os seus associados, momento em que também acontece o processo de discussão e
decisão dos assuntos de interesse comum (Tabela 33).
No ano de 98 foi constatado haver três tipos de reuniões:
a) as assembléias ordinárias, que aconteceram em todas as cooperativas, com um
nível de participação de aproximadamente 20% do quadro social;
b) as assembléias extraordinárias que, embora acontecendo apenas em algumas
cooperativas, tiveram um índice de participação próximo a 27% nas
cooperativas do GRUPO 1 e em torno de 40% nas do GRUPO 2;
c) e as reuniões de base, que só ocorreram nas cooperativas do GRUPO 1, sendo
de aproximadamente 9% o percentual de participação do quadro de associados
(Tabela 34).
Observou-se que as cooperativas para se comunicar com seus associados utilizavam
meios informais e formais, como conversas e reuniões informais, além de boletins
colocados na sede da cooperativa e programas de rádio da cooperativa, sendo este último
recurso verificado apenas no GRUPO 2.
Tabela 33 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a forma como é feita a
comunicação com os seus associados, por grupo
Forma de comunicação com
os associados
Grupo 1
N
%
Grupo 2
N
%
N
%
Programa de rádio da cooperativa
Boletins colocados na sede da cooperativa
Reuniões
Outros (conversas e reuniões informais)
1
6
3
16,7
100,0
50,0
2
2
7
1
28,6
28,6
100,0
14,3
2
3
13
4
15,4
23,1
100,0
30,8
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
TOTAL
114
Tabela 34 – Estatística do número de cooperados participantes em assembléias e reuniões,
por tipo de atividade, no ano de 1998, por grupo
Tipo de reuniões no ano de 98
Estatísticas
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
Assembléias gerais ordinárias
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
33
200
82,3
7
20
90
45,43
13
20
200
62,46
Assembléias gerais extraordinárias
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
3
70
150
115,67
7
15
80
34,71
10
15
150
59,00
Reuniões de núcleo de base
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
3
0
96
38,67
0
-
3
0
96
38,67
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.1.3.7 Associados capacitados
Os produtores das cooperativas receberam capacitação em várias áreas, como
gestão, comercialização, manejo e tecnologia de produção.
No GRUPO 1 foram capacitados, entre 1990 e 1995 um total de 693 produtores, e
entre 1996 e 1998 um total de 553 produtores. Para o GRUPO 2 foram capacitados 20 e
251 produtores, considerados ambos os período descritos anteriormente (Tabela 35).
Tabela 35 - Estatísticas do número de associados capacitados, segundo período, por grupo
Período
Estatísticas
1990 a 1995
1996 a 1998
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
300
115,50
7
0
20
2,86
13
0
300
54,85
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
6
0
280
7
20
100
13
0
500
115
Média
92,17
35,86
61,85
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Uma avaliação em termos percentuais do número de produtores cooperados
capacitados necessitava de um conhecimento a respeito do índice de produtores que
participaram de mais de uma capacitação, em ambos os períodos, o que não foi possível
auferir. Contudo, mesmo considerando não haver duplicidade, o processo de capacitação
só atingiu aproximadamente a metade do universo dos cooperados, em ambos os grupos.
Não foi observado em nenhum dos dois grupos, qualquer processo de capacitação
ou mobilização pelo Projeto Banco do Nordeste/Programa das Nações Unidas para o
Desenvolvimento -PNUD.
9.1.4 A INFRA-ESTRUTURA
As questões aplicadas às cooperativas relacionadas a este item englobam as
instalações e propriedades existentes e a disponibilidade atual de equipamentos de
comunicação e veículos, utilitários ou não , dentre outros.
9.1.4.1 A sede e outros imóveis
Nas cooperativas pesquisadas observou-se que as instalações eram bastante
simples, contando na maioria dos casos com uma sede administrativa, que também serve
de local para as suas atividades econômicas, e anexo, geralmente um galpão ou armazém
para depósito de material (Tabelas 36 e 37).
Verificou-se que todas as cooperativas do GRUPO 1 possuíam sede própria e cerca
de 83% tinham mais outro imóvel, terrenos, propriedades rurais, galpões ou armazéns.
Contudo, no GRUPO 2, constatou-se que 71,4% das cooperativas possuíam sede própria,
enquanto que o restante funcionava em imóveis cedidos por terceiros. O percentual de
cooperativas deste grupo que possuíam outros imóveis foi de apenas 43%, inferior ao
apresentado pelo GRUPO 1.
116
Tabela 36– Condição da sede da cooperativa, segundo a data de aquisição e o grupo
Sede da cooperativa
Grupo 1
N
%
N
Grupo 2
%
N
TOTAL
%
Própria
Alugada
Cedida
6
-
100,0
-
5
2
71,4
28,6
11
2
85,6
15,4
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 37 - Estatística referente a outros imóveis das cooperativas, segundo o tipo do imóvel
e o grupo
Imóveis
Estatísticas
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
Propriedades rurais
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
1
0,33
7
0
0
0
13
0
1
0,15
Galpões/ armazéns
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
2
0,67
7
0
2
0,71
13
0
2
0,69
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.1.4.2 Equipamentos disponíveis
O enfoque deste item relacionou-se aos equipamentos de comunicação e de
informática atualmente disponibilizados pelas cooperativas.
A existência de equipamento de informática foi constatada em todas as
cooperativas pesquisadas, existindo no mínimo um computador e impressora. Porém, não
se avaliou quais os programas de informatização que haviam nas cooperativas (Tabela 38).
No que concerne aos equipamentos e aparelhos de telecomunicação, verificou-se
que o telefone só estava presente em torno de 69% dos casos e o fax em aproximadamente
46% das cooperativas. A ligação à internet é uma realidade distante para a maioria das
cooperativas, mesmo possuindo um computador.
A maioria das organizações do GRUPO 1, ou seja, 83,3% das cooperativas,
dispunham de telefone e fax, sendo que neste grupo algumas cooperativas possuíam
radio comunicador, telex e acesso à internet. Entretanto, no GRUPO 2, observou-se que
117
somente 57,1% das cooperativas possuíam telefone, sendo a quantidade de aparelhos
de fax muito pequena, não sendo verificada nenhuma cooperativa de deste grupo
conectada à internet.
Tabela 38 - Estatísticas dos equipamentos disponíveis nas cooperativas, segundo o tipo e o
grupo
Equipamentos
Estatísticas
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
Telefone
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
o
6
0
2
0,83
7
0
2
0,57
13
0
2
0,69
Fax
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
o
6
0
2
0,83
7
0
1
0,14
13
0
2
0,46
Computador
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
o
6
1
2
1,17
7
1
2
1,14
13
1
2
1,15
Rádio comunicador
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
o
6
0
2
0,33
7
0
1
0,14
13
0
2
0,23
Internet
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
o
6
0
1
0,17
7
0
0
0
13
0
1
0,08
Telex
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
o
6
0
2
0,33
7
0
0
0
13
0
2
0,15
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.1.4.3 A frota de veículos e tratores
A frota das cooperativas compunha-se principalmente por tratores, caminhões e
veículos utilitários, ou seja, caminhonetes (Tabela 39).
Em todas as cooperativas do GRUPO 1 foi encontrado algum tipo de veículo de
carga ( caminhão e/ou caminhonete). Em 50% das cooperativas deste grupo existiam
tratores de pneu e em cerca de 30% motocicletas. Também foi observada a presença de
118
veículos de passeio na frota deste grupo de cooperativas.
Com uma frota menor que o grupo anterior, as organizações do GRUPO 2
caracterizaram-se por apresentar apenas 28,5% possuindo veículos de carga (caminhão
e/ou caminhonete). Não foram observados cooperativas possuindo carros de passeio ou
motos.
Tabela 39 - Estatística da quantidade de veículos que a cooperativa possui, segundo o tipo e o
grupo
Veículo
Estatísticas
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
Caminhões
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
o
6
0
1
0,67
7
0
1
0,14
13
0
1
0,38
Caminhonetes
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
o
6
0
2
0,67
7
0
1
0,14
13
0
2
0,38
Carros
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
o
6
0
1
0,17
7
0
0
0
13
0
1
0,08
Motos
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
o
6
0
1
0,33
7
0
0
0
13
0
1
0,18
Tratores pneu
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
o
6
0
5
1,17
7
0
1
0,57
13
0
5
0,92
Outros
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
o
6
0
0
0
7
0
2
0,29
13
0
2
0,15
Nenhum item citado
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
o
6
0
0
0
7
0
1
0,43
13
0
1
0,23
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.1.5 ESTRUTURA ADMINISTRATIVA
Na análise da estrutura administrativa das cooperativas procurou-se traçar o perfil
do presidente e dos empregados atuais, bem como dos cargos existentes, da remuneração
destes e dos instrumentos de gestão utilizados.
119
9.1.5.1 A Presidência
Os presidentes são oriundos dos quadros de sócios e, portanto, refletem o perfil dos
cooperados, sendo observado que a maioria possuía o seguinte perfil: idade acima de 50
anos, 1º grau menor e disponibilidade de apenas parte de seu tempo para o exercício do
cargo. A remuneração pela atividade não ocorre em todas as cooperativas (Tabelas 40 a
43).
Os presidentes das cooperativas do GRUPO 1 apresentaram o seguinte perfil: faixa
etária entre 45 e 71 anos, escolaridade até o 1º grau menor, em 66,7% dos casos, sendo a
dedicação à cooperativa apenas em tempo parcial, em 66,7% dos casos, recebendo alguma
remuneração pela função.
Nas cooperativas do GRUPO 2 os presidentes possuíam faixa etária entre 35 e 58
anos, escolaridade até o 1º grau menor, em 42,9% dos casos, sendo a dedicação à
cooperativa apenas parcial, em 71,4% dos casos, sem contudo, receberem remuneração
alguma pelo cargo.
Tabela 40 – Faixa etária do diretor presidente da cooperativa, por grupo
Estatísticas
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
6
41
75
60,67
7
35
58
43,76
13
35
75
51,62
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 41 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a forma de dedicação dos
diretores presidentes e o grupo
Forma de dedicação
Grupo 1
N
%
N
Integral
Parcial
2
4
33,3
66,7
2
5
TOTAL
6
100,0
7
Grupo 2
%
TOTAL
N
%
28,6
71,4
4
9
30,8
69,2
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 42 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o grau de instrução dos
diretores presidentes e o grupo
120
Grupo 1
Escolaridade
Grupo 2
TOTAL
N
%
N
%
N
%
Sem escolaridade
1o grau menor completo
1o grau maior completo
2o grau completo
Superior completo
4
1
1
-
66,7
16,7
16,7
-
3
2
1
1
42,9
28,6
14,3
14,3
7
3
2
1
53,8
23,1
15,4
7,7
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 43 - Estatística do número de pessoas remuneradas na diretoria da cooperativa, por
grupo
Item resposta
Número de diretores
Remunerados
Estatística
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
6
0
5
2,33
7
0
0
0
13
0
5
1,08
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.1.5.2 Estruturas de gestão
As cooperativas apresentam uma estrutura de gestão bastante simples, sendo
detectados quatro setores básicos, comuns aos dois grupos: o contábil, o de planejamento,
o financeiro/econômico e o de processamento de dados (Tabela 44).
O setor contábil é o único setor presente em todas as cooperativas, com os demais
apresentando freqüência bastante reduzida, em ambos os grupos. Não foi detectada a
ocorrência de setores de propaganda e marketing, de recursos humanos e de P&D.
Tabela 44 – Freqüência das categorias relativas à estrutura de gestão
encontradas nas cooperativas, por grupo
Categorias
Contabilidade
Propaganda e Marketing
Planejamento
Recursos humanos
Financeiro/ econômico
Processamento de dados
P&D
Outros
Grupo 1
Grupo 2
administrativa
TOTAL
N
%
N
%
N
%
6
1
2
1
-
100,0
16,7
33,3
16,7
-
7
2
1
2
-
100,0
28,6
14,3
28,6
-
13
3
3
3
-
100,0
23,1
23,1
23,1
-
121
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.1.5.2.1 Instrumentos de gestão
No que tange à gestão administrativa utilizada pelas cooperativas, foi verificado
que as cooperativas utilizavam instrumentos de gestão financeira, controle de materiais e
de planejamento e organização. As cooperativas, embora de maneira informal, tentam
realizar um programa de qualidade total.
a)
GESTÃO FINANCEIRA
Foi observado que, na sua maioria, as cooperativas utilizaram, três meios para
controlar suas finanças: os registros contábeis, em 92,3% dos casos, os registros de custos,
presentes em 84,6 % dos casos, e os fluxos de caixa, encontrados em 61,5% das
cooperativas. O orçamento de investimentos só ocorreu em 30% das cooperativas (Tabela
45).
Todas as cooperativas do GRUPO 1 dispunham de três instrumentos básicos de
gestão: registro contábil, de custos e fluxos de caixa. A freqüência de utilização dos
orçamentos de investimentos ocorreu apenas em 16,7% das organizações.
Nas cooperativas do GRUPO 2 ocorreu, com maior freqüência, dois instrumentos
de gestão: o registro contábil e dos custos, em 85,7% e 71,4% dos casos, respectivamente.
A utilização de orçamento de investimentos foi verificada em 42,8% dos casos, e os fluxos
de caixa em 28, 6% dos casos.
Tabela 45 – Freqüência dos instrumentos de gestão financeira encontrados nas cooperativas,
por grupo
Categorias
Grupo 1
N
%
N
Grupo 2
%
N
TOTAL
%
Registro contábil
Fluxos de caixa
Custos
Orçamento de investimentos
Outros
6
6
6
1
-
100,0
100,0
100,0
16,7
-
6
2
5
3
-
85,7
28,6
71,4
42,8
-
12
8
11
4
-
92,3
61,5
84,6
30,8
-
BASE
6
-
7
-
13
-
122
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
b)
CONTROLE DE MATERIAIS
Os meios mais freqüentes de controle de materiais utilizados pelas cooperativas
foram dois: o controle de saída e o cadastro de fornecedores, presentes em 46,2% e 53,8%
das organizações, respectivamente (Tabela 46).
Os instrumentos de controle de materiais mais freqüentes no GRUPO 1 foram
cinco: o controle de saída e o cadastro de fornecedores, utilizados em 83,3% dos casos, o
inventário físico e o controle de perdas, em 50%, e o controle de armazenamento dos
produtos, em 16,7 % dos casos.
Nas cooperativas do GRUPO 2, apesar de haver sido verificado quase que os
mesmos instrumentos de controle de materiais presentes nas cooperativas do GRUPO 1,
foi observado um índice de freqüência menor, visto que o controle de perdas e cadastro de
fornecedores, foram os mais observados, presentes em 28,6% dos casos.
Tabela 46 – Freqüência dos instrumentos de controle de materiais
cooperativas, por grupo
Grupo 1
N
%
N
Inventário físico
Controle de saída
Controle de perdas
Cadastro de fornecedores
Classificação e codificação de
fornecedores
Controle de armazenamento de
produtos
Outros
3
5
3
5
50,0
83,3
50,0
83,3
1
1
2
2
-
-
1
BASE
Categorias
Grupo 2
%
encontrados nas
TOTAL
N
%
14,3
14,3
28,6
28,6
4
6
5
7
30,8
46,2
38,5
53,8
1
14,3
1
7,7
16,7
1
14,3
2
15,4
-
-
-
-
-
-
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
c)
PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO
As cooperativas de ambos os grupos demonstraram utilizar, através da baixa
freqüência apresentada, poucos instrumentos de planejamento e organização.
Os planos de ação constituíram-se na principal alternativa de planejamento, em
123
53,8% dos casos, enquanto que o planejamento estratégico aconteceu em apenas 23,1%
das organizações (Tabela 47).
Nas cooperativas do GRUPO 1 verificou-se que os planos de ação eram utilizados
por 66,7% das cooperativas, tendo um período de duração mensal, enquanto que o
planejamento estratégico era utilizado por 33,3% das cooperativas, tendo um período de
duração de dois a quatro anos.
Os
planos de ação e o planejamento estratégico
destinavam-se ao planejamento na aquisição de insumos, utilização de máquinas,
comercialização e assistência técnica. Os responsáveis pela elaboração destes dois
instrumentos de planejamento eram funcionários, cooperados e dirigentes, sendo
observado que os dirigentes possuíam maior poder de decisão.
Para as cooperativas do GRUPO 2, observou-se que 42,8% utilizavam planos de
ação e, somente, 14,3% dispunham de planejamento estratégico, sendo ambas as
freqüências menores que as apresentadas pelas organizações do GRUPO 1. Ressalta-se que
o período de duração e as áreas para que se destinavam estes dois instrumentos de
planejamento assemelham-se com aqueles apresentados pelo GRUPO 1. Contudo, nas
organizações do GRUPO 2, os cooperados não participaram na elaboração destes dois
instrumentos de planejamento, ficando a cargo dos funcionários e dirigentes. Verificou-se
que os dirigentes possuíam maior poder de decisão.
Tabela 47 – Freqüência dos instrumentos de planejamento e controle
cooperativas, por grupo
Categorias
N
Grupo 1
%
N
Grupo 2
%
encontrados nas
TOTAL
N
%
Planejamento estratégico
Planos de ação
Organograma
Lay Out
Norma e procedimentos
Sistema de informação gerencial
Outros
2
4
1
1
1
1
33,3
66,7
16,7
16,7
16,7
16,7
1
3
1
1
1
-
14,3
42,8
14,3
14,3
14,3
-
3
7
2
2
2
1
23,1
53,8
15,4
15,4
15,4
7,7
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
d)
GESTÃO PELA QUALIDADE TOTAL
O programa gestão pela qualidade total ainda é uma realidade distante para as
124
cooperativas pesquisadas, sendo que apenas 6,5% de todos os dirigentes entrevistados
afirmaram contar com este programa de gestão, embora de maneira informal.
9.1.5.2.2 Os cargos existentes
Por apresentarem uma estrutura de gestão bastante simples, não foram muitos os
tipos e as freqüências de cargos executivos e técnicos remunerados encontrados nas
cooperativas.
Os principais cargos encontrados nas cooperativas, em ordem decrescente, foram
os de contador/técnico contábil, ocorrendo em 61,5% dos casos, seguidos de técnico
agrícola e gerente comercial, respectivamente em 23,1% e 15,3% dos casos (Tabela 48).
A presença de setores contábeis em todas as cooperativas não se fez acompanhar
pelo mesmo índice de pessoas no cargo de técnico contábil/contador na instituição, uma
vez que este serviço fora terceirizado em cerca de 39% das organizações.
Nas cooperativas do GRUPO 1 foram detectados 5 tipos de cargos executivos/
técnicos remunerados, sendo o contador, ou mais precisamente, técnico em contabilidade,
de maior freqüência, em 83,3% dos casos. Logo em seguida, os técnicos agrícolas
apareceram em 33,3% das cooperativas, seguidos de gerente comercial, financeiro, além
de veterinário, em 16,7% das organizações respectivamente.
Nas cooperativas do GRUPO 2 constatou-se
4 tipos de cargos/técnicos
remunerados: o de contador/técnico contábil, ocorrendo em 42,8% das organizações,
seguido de gerente comercial, agrônomo e técnico agrícola, em 14,3% das organizações
respectivamente.
Tabela 48 – Freqüência dos cargos executivos e técnicos remunerados encontrados nas
cooperativas, por grupo
Categorias
Gerente industrial
Gerente comercial
Gerente financeiro
Gerente administrativo
Contador/Técnico contabilidade
Agrônomo
N
1
1
5
-
Grupo 1
%
16,7
16,7
83,3
-
Grupo 2
N
%
N
%
1
3
1
2
1
8
1
15,3
7,7
61,5
7,7
14,3
42,8
14,3
TOTAL
125
Veterinário
Zootecnista
Técnico agrícola
Técnico informática
Outros
1
2
-
16,7
33,3
-
1
-
14,3
-
1
3
-
7,7
23,1
-
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.1.5.2.3 Os empregados e os gastos com pessoal
O número total de funcionários encontrados nas cooperativas para o ano de 1998
foi de 28 pessoas, com uma média de 2 funcionários por cada organização, os quais
possuíam, em sua maioria, 2º grau, com metade já havendo recebido algum tipo de
capacitação (Tabela 49, 50 e 51). O gasto médio total com pagamento de pessoal por mês
em 1998, em cada cooperativa, descontados os encargos, situou-se na faixa de 5, 5
salários mínimos (Tabela 52).
Nas cooperativas do GRUPO 1 constatou-se existir 19 funcionários, apresentando
uma média de 3 funcionários por cada organização, onde cerca de 63% possuíam o 2º
grau. Cerca de 40% destes funcionários já receberam algum tipo de capacitação. As
despesas com pagamentos de pessoal situaram-se, em média, na faixa de R$ 987,00 por
mês / cooperativa.
No GRUPO 2 só havia funcionários em aproximadamente 57% das cooperativas,
totalizando 8 empregados, com uma média de 1 empregado por cooperativa. O nível de
escolaridade de cerca de 55% destes empregados era o 2º grau. A despesa com pessoal
apurada foi, em média, de R$ 443,00 reais por mês/ cooperativa.
Tabela 49 - Estatísticas do número de funcionários das cooperativas, em 1998, por grupo
Estatísticas
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
6
1
5
3,17
7
0
4
1,14
13
0
5
2,08
126
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 50 - Estatísticas do número de funcionários das cooperativas, segundo o grau de
escolaridade, em 1998, por grupo
Grau de escolaridade
Estatísticas
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
Até o 1º Grau Menor
(completo ou não)
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
1
0,17
7
0
0
0
13
0
1
0,08
1o Grau Maior(completo ou não)
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
2
0,83
7
0
1
0,14
13
0
2
0,46
2o Grau (completo ou não)
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
1
3
2,00
7
0
3
0,71
13
0
4
1,31
Superior (completo ou não)
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
1
0,17
7
0
1
0,14
13
0
2
0,15
o
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 51 – Estatísticas dos funcionários capacitados, por grupo, encontrados em 1998
Estatísticas
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
6
1
3
1,5
7
0
4
1
13
0
4
1,23
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 52 – Estatísticas das despesas com funcionários e cargos executivos/técnicos, sem
encargos, por grupo, em 1998 (em R$)
Estatísticas
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
5
500,00
1.750,00
987,00
4
136,00
1.141,77
443,44
9
136,00
1.750,00
745,41
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.1.6 OS SETORES E AS ESTRATÉGIAS MERCADOLÓGICAS
127
Nas cooperativas observou-se doze setores distintos de atividades, os quais
apresentaram relevâncias diferentes no faturamento das mesmas. Também foi verificado
que as cooperativas adotavam estratégias mercadológicas específicas.
9.1.6.1 Os setores ou departamentos
O setor de repasse de crédito aos associados foi o único departamento ou setor
comum, encontrado em todas as entidades pesquisadas. Os outros mais freqüentemente
encontrados são, em ordem decrescente: compras em comum, serviço de transporte/coleta
da produção, vendas em comum, além de patrulha mecanizada, educação/capacitação e
assistência técnica, ocorrendo estes três últimos na mesma proporção (Tabela 53).
Nas cooperativas do GRUPO 1, além do setor de crédito/repasse,
foram
encontrados mais 11 setores, com destaque para os de compras em comum e repasse,
presentes em todas as cooperativas; de transporte/coleta da produção, presente em 83,3%
dos casos; de vendas em comum e de educação/capacitação, ambos encontrados em
66,7% dos casos; e patrulha mecanizada, presente em 50% das cooperativas. No GRUPO
2, além do setor de crédito/repasse, foram observados apenas 6 setores, sendo o de
compras em comum o mais freqüente, em 57,1% dos casos.
Não foi encontrado nas cooperativas pesquisadas posto de resfriamento de leite,
nem tão pouco unidade de processamento de leite e derivados.
Tabela 53 – Seções ou departamentos encontrados nas cooperativas, por grupo
Setores/ departamentos
Grupo 1
N
%
Grupo 2
N
%
N
TOTAL
%
Compras em comum
Vendas em comum
Crédito/ repasse
Patrulha mecanizada
Serviço de transporte/ coleta da produção
Posto de resfriamento
Fábrica de ração
Beneficiamento/ industrialização da produção*
Central de inseminação artificial
Assistência técnica
Educação/ capacitação
Assistência social
Outros (banco de sementes)
6
4
6
3
5
1
1
1
2
4
1
1
100,0
66,7
100,0
50,0
83,3
16,7
16,7
16,7
33,3
66,7
16,7
16,7
4
2
7
2
2
3
1
-
57,1
28,6
100,0
28,6
28,6
42,9
14,3
-
10
6
13
5
7
1
1
1
5
5
1
1
76,9
46,2
100,0
38,5
53,8
BASE
6
-
7
-
13
-
7,7
7,7
7,7
38,5
38,5
7,7
7,7
128
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
*No caso encontrado este setor funciona sazonalmente, por ocasião da época de colheita
9.1.6.2 Estratégias de atuação mercadológica
As estratégias mercadológicas utilizadas pelas cooperativas, através dos setores
existentes, mais freqüentes foram cinco: o estabelecimento de preços com base na
concorrência e o cálculo de todos os custos para estabelecer preços, ambas presentes em
53,8% dos casos; a pesquisa de mercado e o controle no recebimento de matérias-primas,
ambas presentes em 46,2 % dos casos; e a utilização de incentivos para aumentar a
qualidade e a quantidade de matérias-primas, efetuada em 30,8% dos casos (Tabela 54).
Nas cooperativas do GRUPO 1
observou-se que há uma maior utilização de
estratégias de atuação mercadológica, destacando-se cálculo de custos e estabelecimento
de preço com base na concorrência, em 83,3% dos casos57. No GRUPO 2 ocorreu a
utilização destas estratégias com menos freqüência, destacando-se apenas a pesquisa de
mercado, presente em 57,1% das cooperativas deste grupo.
Tabela 54 – Freqüências estratégicas mercadológicas utilizadas pela cooperativas, por
grupo
Grupo 1
N
%
Grupo 2
N
%
TOTAL
N
%
Pesquisa de mercado
Lançamento de novos produtos
Controle de qualidade das matérias-primas recebidas
Controle do produto antes da comercialização
Utilização de incentivos para aumentarem a qualidade e
quantidade das matérias-primas
Cálculo de todos os custos (diretos e indiretos),
impostos e lucros para o estabelecimento de preços
Estabelecimento dos preços com base na
concorrência
Utilização de propaganda e/ ou promoção de vendas
Utilização de incentivos para incrementar as vendas
Venda da produção através de intermediários
Venda dos produtos beneficiados diretamente ao
consumidor
Adoção da marca própria
2
4
1
33,3
66,7
16,7
4
2
1
57,1
28,6
14,3
6
6
2
46,2
46,2
15,4
2
33,3
2
28,6
4
30,8
5
83,3
2
28,6
7
53,8
5
1
1
83,3
16,7
16,7
2
2
2
-
28,6
28,6
28,6
-
7
2
3
1
53,8
15,4
23,1
7,7
1
-
16,7
-
1
14,3
1
1
7,7
7,7
BASE
6
-
7
-
13
-
Categorias
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
57
Estas estratégias podem ser divergentes, uma vez que o custo de uma organização pode ser maior que o preço
estabelecido pela concorrência.
129
9.1.6.3 Produtos adquiridos dos cooperados
Os produtos adquiridos dos cooperados são principalmente oriundos da agricultura
de sequeiro, milho e feijão, os quais são comercializados todos dentro do estado.
Embora cerca de 53,8% do total geral de cooperativas tenham informado possuir
setor de coleta/transporte da produção e 46,2% serviço de venda da produção em comum,
somente 15% do total de cooperativas disponibilizaram informações sobre o quantitativo
de leite dos associados comercializado. O volume da produção coletado entre 1995
situava-se em torno de 450 litros/dia, enquanto que em 1998 apresentou uma redução
significativa, situando-se em 100 litros/dia. O leite coletado destina-se em principalmente
ao comércio varejista de leite cru na própria cidade.
Observou-se que o serviço de coleta e/ou transporte da produção, destina-se mais a
transporte de insumos e produtos outros, e não ao leite produzido pelos produtores. Foi
apurado junto aos dirigentes que a concorrência com atravessadores, aliado a pressão dos
produtores por menores taxas administrativas pela cooperativa e ao pequeno volume de
produção, contribuíram para formação do quadro apresentado.
9.1.7
RESULTADOS OPERACIONAIS E CLIENTELA
9.1.7.1 O faturamento por setor e os tipos de clientes
O faturamento obtido pelas cooperativas apresentou uma grande variação, pois
houve casos de organizações que, por não apresentarem nenhum setor fora o de crédito /
repasse, não efetuaram transações outras em 1998 que auferisse rendimentos (Tabela 55).
Os setores de compra, de venda e de transporte da produção foram apontados como
os que mais contribuíram para o faturamento das cooperativas entre 1996/1998, tendo os
mini produtores como principais clientes58 (Tabela 56).
58
O faturamento apurado leva em conta apenas as cooperativas que informaram os referidos valores, os quais
foram fornecidos pelos respectivos responsáveis entrevistados.
130
Tabela 55 - Estatísticas do faturamento bruto anual das cooperativas, ano 1998 (em R$)
Estatísticas
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
3
13.654,78
231.264,12
86.639,33
4
0
431.611,77
142.322, 35
78
0
431.611,77
121.441,21
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
As cooperativas do GRUPO 1 apresentaram um faturamento médio anual de
aproximadamente 86 mil reais (exercício de 1998).
Nas organizações do GRUPO 1 o setor de compras em comum(revenda) foi o
apontado, com maior freqüência, como o principal gerador de receitas entre 1996/1998,
tendo os mini produtores como principais clientes. O setor de coleta/transporte da
produção59 e o setor de vendas em comum (comercialização) apresentaram a segunda e
terceira maior freqüência como geradores de renda no período 1996/1998, atendendo
principalmente pequenos produtores.
Tabela 56 – Estatísticas dos maiores setores das cooperativas, segundo volume de faturamento
e quantidade de cooperados beneficiados, por setor e categoria no período, por grupo,
no período de 1996 a 1998
CENTR
AL DE
INSEMI
NAÇÃO
SERVIÇO DE
TRANSPORTE
DOS PRODUTOS
VENDAS EM
COMUM
COMPRAS EM
COMUM
Setor
59
Categoria
Estatísticas
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
MINI
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
4
300
96,5
3
15
240
99
9
4
300
97,33
PEQUENO
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
89
31,5
3
0
45
24,3
9
0
89
29,11
MINI
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
3
0
30
19,67
0
0
0
0
3
0
30
19,67
PEQUENO
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
3
0
89
39,67
0
0
0
0
3
0
89
39,67
MINI
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
3
4
30
19,67
2
0
240
120
5
0
240
59,80
PEQUENO
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
3
0
89
36,33
2
0
33
16,5
5
0
89
28,40
MINI
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
1
20
20
20,00
0
0
0
0
1
20
20
20,00
Este setor de coleta/transporte da produção efetua serviços não apenas aos cooperados, mas também a terceiros.
FÁBRICA DE
RAÇÃO
PATRULHA
MECANIZADA
ASSISTÊNCIA
TÉCNICA
131
PEQUENO
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
1
10
10
10,00
0
0
0
0
1
10
10
10,00
MINI
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
1
80
80
80,0
0
0
0
0
1
80
80
80,00
PEQUENO
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
1
20
20
20,00
0
0
0
0
1
20
20
20,00
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
-
2
42
150
96,00
2
42
150
96,00
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
-
2
0
0
0
2
0
0
0
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
1
120
120
120,00
0
0
0
0
1
120
120
120,00
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
1
0
0
0
0
0
0
0
1
0
0
0
MINI
PEQUENO
MINI
PEQUENO
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Os setores de patrulhas mecanizadas, de inseminação artificial e fábrica de ração
apresentaram-se como relevantes para o faturamento das suas respectivas organizações,
componentes do GRUPO 1, tendo os mini produtores como principais clientes. Não
encontrou-se unidades de processamento e industrialização de produtos animais ou
vegetais funcionando60.
As cooperativas do GRUPO 2 apresentaram uma média de faturamento em 1998 da
ordem de aproximadamente R$ 142 mil reais, maior que as cooperativas do GRUPO 1,
apesar de possuírem poucos setores ou departamentos.
Nas organizações do GRUPO 2 o setor de compras em comum (revenda) foi
apontado como o que gerou mais faturamento entre 1996/1998, atendendo principalmente
aos mini produtores. Os setores de transporte/coleta da produção e patrulha mecanizada,
presentes em cerca de 1/3 das organizações do grupo, foram os outros setores mais
importantes no faturamento das organizações do grupo, tendo os mini produtores como
60
Foi constatado que, entre 1995 e 1996, funcionaram duas unidades agroindustriais das cooperativas, porém
encerraram suas atividades no início de 1997. Estas agroindústrias de pequeno porte, montadas com capital das
próprias cooperativas beneficiavam apenas produtos de origem agrícola, frutas. Entretanto, sucumbiram a
concorrência de agroindústrias e atravessadores da região, os quais ofereciam, dentre outros aspectos, maior
regularidade na coleta durante o período de safra, uma vez que a cooperativa não dispunha de veículos suficientes
para atender a maior parte dos associados, e preço mais alto, o que fazia com que o produtor optasse por entregar
132
principais clientes.
9.1.7.2 Resultados do balanço e investimentos
O balanço de 1998 apontou um maior número de cooperativas, 53,8% do total,
apresentando resultado positivo, em relação ao balanço de 1997, quando apenas 30,8%
apresentaram sobras (Tabela 57).
Apesar dos balanços terem indicado haver sobras no resultado em 1998, os
recursos próprios destinados a investimento situaram-se abaixo de R$ 1.500,00 reais, para
as organizações que disponibilizaram esta informação, 38,4% do total.
Nas cooperativas do GRUPO 1, desde 1994 até 1998 observou-se que ocorreram
sobras em mais de 60% das cooperativas, à exceção de 1997, onde apenas 33,3 %
apresentaram estes resultado.
Nas cooperativas do GRUPO 2, para o mesmo período, houve um desempenho
inferior ao do grupo anterior, com um índice menor de organizações que apresentaram
sobras.
O RECOOP, plano do governo federal para refinanciamento do setor cooperativo,
fora pleiteado por cerca de 53% das cooperativas, em torno de 66% pertencentes ao
GRUPO 1 e 57% do GRUPO 2, fato este indicador do nível de dificuldades enfrentados
pelo setor. Contudo, não houve nenhum pedido deferido até a data da pesquisa.
Tabela 57 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo os resultados obtidos no final
do exercício, por ano e grupo
Ano
Resultado
Grupo 1
N
%
Grupo 2
N
%
TOTAL
N
%
1994
Perdas
Sobras
Nem sobras, nem perdas
1
3
-
25,0
75,0
-
1
100,0
1
3
1
20,0
60,0
20,0
1995
Perdas
Sobras
Nem sobras, nem perdas
2
3
-
40,0
60,0
-
1
-
100,0
-
2
4
-
33,3
66,7
-
1996
Perdas
2
40,0
2
40,0
4
40,0
a produção aos outros agentes, atravessador e agroindústria privada.
133
Sobras
Nem sobras, nem perdas
3
-
60,0
-
2
1
40,0
20,0
5
1
50,0
10,0
1997
Perdas
Sobras
Nem sobras nem perdas
4
2
-
66,7
33,3
-
4
2
1
57,1
28,6
14,3
8
4
1
61,5
30,8
7,7
1998
Perdas
Sobras
Nem sobras nem perdas
2
4
-
33,3
66,7
-
3
3
1
42,9
42,9
14,3
5
7
1
38,5
53,8
7,7
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.1.8 PROGRAMAS TECNOLÓGICOS EXISTENTES ATUALMENTE
Os programas tecnológicos observados em mais da metade das cooperativas e
postos em disponibilidade aos agricultores foram quatro: vacinação sistemática e aquisição
de matrizes, adotados em 61,5 % dos casos, além de instalação de bretes / currais e
conservação de pastagem, em 53,8% dos casos. Embora, tenha sido verificado 9
programas tecnológicos, em razão da maior freqüência dos quatro programas adotadas
pelas cooperativas citados anteriormente, considerou-se o nível tecnológico como médio61
(Tabela 58).
Os programas tecnológicos ocorreram com maior intensidade nas cooperativas do
GRUPO 1, sendo aquisição de matrizes e instalação de bretes/currais as mais freqüentes,
83,3% dos casos, seguidas da vacinação sistemática e conservação de pastagem, em 66,7%
dos casos. Também ocorreu adoção de programas de inseminação artificial, de irrigação
para formação de pastagem e banco de proteínas. Nas cooperativas do GRUPO 2, a
vacinação sistemática é o programa mais freqüente, em 57, 1% dos casos.
Tabela 58 - Freqüência dos programas tecnológicos desenvolvidos e disponíveis ao produtor
por grupo
Item resposta
Vacinação sistemática
Vermifugação sistemática
Conservação de pastagens/ forrageiras
Banco de proteínas (leucena, algaroba, etc.) /
61
Grupo 1
N
%
Grupo 2
N
%
TOTAL
N
%
4
3
4
4
3
3
8
6
7
66,7
50,0
66,7
57,1
42,9
42,9
61,5
46,2
53,8
Os programas tecnológicos selecionados tomaram por base os constantes no trabalho de Giovenardi et al.
(1997), os quais procuram mensurar o índice de modernidade tecnológica. Para se determinar o nível tecnológico,
considera-se a seguinte escala: 1. Nível Tecnológico Alto (NTA) – Usa efetivamente 8 ou mais tecnologias
selecionadas; 2. Nível Tecnológico Médio (NTM) – Usa efetivamente 4 a 7 tecnologias selecionadas; 3. Nível
Tecnológico Baixo (NTB) – Usa efetivamente até 3 das tecnologias selecionadas.
134
ensilagem / fenação.
Irrigação para formação de pastagens
Divisão do rebanho por categoria animal
Controle leiteiro e/ ou de peso
Inseminação artificial
Aquisição de matrizes e/ ou reprodutores de raça
melhorada
Instalação de bretes e/ ou estábulos ou cochos
2
1
1
1
33,3
16,7
16,7
16,7
1
1
-
14,3
14,3
-
2
2
2
1
15,4
15,4
15,4
7,7
5
5
83,3
83,3
3
2
42,9
28,6
8
7
61,5
53,8
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
As cooperativas reconheceram como principais fatores, importantes ou essenciais,
na contribuição para o crescimento das suas capacidades tecnológica os seguintes, em
ordem decrescente:
a) a influência dos clientes locais, dos fornecedores, dos concorrentes, do parceiros
locais, do conhecimento de associados, dirigentes e empregados, além dos
incentivos governamentais, entre 90 e 100% dos casos;
b) a literatura especializada e a pesquisa e desenvolvimento (P&D), em 70 a 90%
dos casos;
c) o auxílio de consultores, ação governamental e aquisição de tecnologia, entre
50 e 70% dos casos;
Um fato a ser observado é que itens como aquisição de biotecnologia, compradores
internacionais e compras de patentes foram considerados por mais de 55% das
organizações como não sendo aplicáveis no crescimento tecnológico da cooperativa.
9.1.9 PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS
A participação das cooperativas em eventos ligados aos agronegócios cooperativos,
tais como feiras e exposições agropecuárias, congressos cooperativos e outros eventos do
setor deu-se, principalmente, naqueles realizados na região Nordeste, em 76,9% dos casos
(Tabela 59).
Todas as cooperativas do GRUPO 1 já participaram pelo menos uma vez de algum
evento regional, sendo que a metade das cooperativas deste grupo já participou de algum
evento ocorrido fora da região Nordeste. As cooperativas do GRUPO 2 tiveram menor
135
participação em eventos regionais e nunca participaram de eventos fora da região
Nordeste. Nenhuma cooperativa pesquisada participou de eventos fora do país.
Tabela 59 – Freqüência de participação em eventos ligados ao setor cooperativo ou pecuário,
entre 1990 e 1998, segundo a região (localização) e o grupo
Eventos
Grupo 1
N
%
Grupo 2
N
%
N
%
Eventos Regionais
Eventos Nacionais
6
3
4
-
10
3
76,9
23,1
BASE
6
13
100,0
100,0
50,0
-
7
57,1
-
TOTAL
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2 O FNE e os efeitos nas estruturas cooperativas
As operações de empréstimos do FNE classificadas como do segmento pecuário,
destinadas às cooperativas estaduais, foram realizadas através de programas específicos,
destinando-se a investimento e custeio, quer à própria como aos seus associados.
O financiamento através do FNE revelou-se, para cerca de 76% das cooperativas,
como a única fonte de investimento encontrada para desenvolver atividades da própria
cooperativa e dos associados durante a década de 90.
9.2.1 DAS SOLICITAÇÕES E LIBERAÇÕES DOS RECURSOS
O processo de obtenção de financiamentos do FNE para cooperativas consistia, em
linhas gerais, em três etapas.
A primeira etapas consistia no contato prévio com o agente financeiro e/ou entidade
responsável pelo projeto, seguido do levantamento das potencialidades e das necessidades
dos produtores e de suas organizações. A segunda etapa consistia da elaboração e
encaminhamento do projeto ao agente financeiro, o qual analisaria dando o seu parecer.
Caso fosse deferido, total ou parcialmente, acontecia a liberação dos recursos, e portanto a
terceira etapa do processo, a qual ainda tinha de ser aprovada por uma assembléia para que
a contratação do financiamento pudesse acontecer.
136
Porém, a diferença entre os valores solicitados e liberados poderia comprometer a
eficiência do projeto e a sua viabilidade econômica.
O trabalho de campo apurou uma diferença entre os valores solicitados e os
liberados, sendo disponibilizados pelo agente financeiro em média 74,5% do total inicial
pleiteado.
Nas cooperativas do GRUPO 1 o agente financeiro liberou em média 84,6% dos
valores solicitados, para as organizações do GRUPO 2 a média de liberação foi 20%
menor, situando-se em torno de 64% do total pleiteado (Tabela 60).
Tabela 60 - Estatística do percentual de valor liberado do empréstimo em relação ao
solicitado, por grupo
Estatísticas
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
6
47,50
100,00
84,63
6
25,06
100,00
64,38
12
25,06
100,00
74,51
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.2 OS PROGRAMAS DE FINANCIAMENTO
A contratação das operações com cooperativas realizaram-se, principalmente,
através de quatro programas : o PROPEC, o PROIR, o PROAGRI e o PROGER .62
Os dois principais programas contratados pelas cooperativas de ambos os grupos
foram o
PROPEC, destinado a investimentos em pecuária e o PROIR, destinado a
investimentos em infra-estrutura hídrica (Tabela 61).
Tabela 61 – Freqüência dos programas do FNE utilizados nos empréstimos às cooperativas
locais, por grupo
Programas utilizados
62
Grupo 1
Grupo 2
TOTAL
Esta linha de crédito, de acordo com informações constantes no BNB, também conta com recursos de origem
do FAT ( Anexo I).
137
N
%
N
%
N
%
PROPEC
PROIR
PROAGRI
PROGER
5
5
3
2
83,3
83,3
50,0
33,3
6
5
4
5
85,7
71,4
57,1
71,4
11
10
7
8
84,6
76,9
53,8
61,5
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.3
A FINALIDADE DOS RECURSOS
A quase totalidade das cooperativas, 92% do total, foi contemplada apenas com
uma operação ou financiamento através dos recursos do FNE. Os valores financiados às
cooperativas, em ambos os grupos, corresponderam em média 21,1% do total dos
financiamentos, sendo destinados tanto para investimentos, como para assistência técnica e
capacitação, dos cooperados e funcionários (Tabela 62).
Os recursos repassados aos cooperados, de ambos os grupos, contemplavam desde
a aquisição de matrizes bovinas leiteiras e formação de pastagem, até a construção de
açudes e equipamento de irrigação, representando, em linhas gerais, aproximadamente
79% do montante dos empréstimos.
Tabela 62 – Estatística do percentual do empréstimo do FNE destinado à própria e aos
cooperados, por grupo
Categoria
Estatística
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
Própria
N observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
5
11,15
29,90
21,90
5
11,70
24,70
20,47
10
11,15
29,90
21,18
Cooperados
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
5
70,10
88,85
78,10
5
67,38
88,30
79,53
10
67,38
88,85
78,81
o
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.4 EFEITOS DO FNE NO QUADRO SOCIAL
138
Os aspectos relacionados ao quadro social procuraram abranger o perfil do
associados contemplados, bem como os fenômenos que ocorreram no período que
sucedeu-se à fase pré e pós empréstimos.
9.2.4.1 O perfil dos beneficiados
O número total de beneficiados por operações de financiamento foi de 1.284
produtores, ou seja, cerca de 42% do total dos associados das cooperativas, com uma
média de 98 produtores por organização, na sua maioria enquadrados como mini
produtores rurais e que possuíam a propriedade da terra em que trabalhavam (Tabela 63,
64 e 65).
Os cooperados do GRUPO 1 representaram quase 81% dos total de beneficiados do
FNE, com uma média de 173 repasses por cooperativa. As operações de repasse neste
grupo favoreceram principalmente aos proprietários de terra, cerca de 99% dos
contemplados, e aos mini e pequenos produtores, em torno de 53% e 47%
respectivamente.
Os cooperados do GRUPO 2 representaram apenas 19% do total dos beneficiados
do FNE, com uma média de 35 pessoas contempladas por cooperativa. As operações de
repasse neste grupo, embora tenham favorecido posseiros e arrendatários, em cerca de
18% e 4% dos casos, tiveram nos proprietários de terra, aproximadamente 78%, os
principais contemplados. Os associados enquadrados na categoria de mini produtores
representaram o maior número de beneficiários, 57% dos casos, neste grupo.
Tabela 63 – Estatísticas do número de cooperados beneficiados com o empréstimo do FNE,
por grupo
Estatísticas
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
6
93
300
173,00
7
11
100
35,14
13
11
300
98,77
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 64 – Estatísticas do número de cooperados beneficiados com o empréstimo do FNE,
139
segundo a categoria e o grupo
Categoria
Estatística
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
Mini
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
161
91,00
7
0
100
20,14
13
0
161
52,84
Pequenos
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
300
82,00
7
0
33
15,00
13
0
300
39,00
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 65 – Estatísticas do número de cooperados beneficiados com o empréstimo do FNE,
segundo a forma da posse de terra e o grupo
Posse da terra
Estatística
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
Posseiros
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
8
1,33
7
0
35
6,43
13
0
35
4,08
Proprietário
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
89
300
171,00
7
9
65
27,57
13
9
300
93,77
Arrendatários
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
4
0,67
7
0
3
1,14
13
0
4
0,92
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.4.2 A evolução do quadro social
O quadro social das cooperativas sofreu um acréscimo próximo a 25% no número
de associados após a concessão de crédito do FNE, ocorrendo um aumento de cerca de
37% na quantidade de pequenos produtores e de aproximadamente 22% no total de mini
produtores (Tabela 66).
Após o empréstimo do FNE, o quadro social das cooperativas do GRUPO 1
apresentou um acréscimo na ordem de 28% no número de associados, ocorrendo um
aumento em torno de 26 % nos mini produtores e de cerca de 39%
produtores associados.
nos pequenos
140
O quadro social das cooperativas do GRUPO 2 teve um índice de aumento menor,
aproximadamente 9%, graças ao ingresso somente de pequenos produtores.
Tabela 66 – Estatísticas do número de cooperados antes e após o empréstimo do FNE,
segundo a categoria e o grupo
Categoria
Estatística
Mini
Pequenos
Grupo 1
Grupo 2
Total
Antes
FNE
Após
FNE
Antes
FNE
Após
FNE
Antes FNE
Após FNE
Nº observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
6
749
274,83
6
4
906
347,50
7
0
283
48,57
7
0
283
48,57
13
0
749
153,00
13
0
906
186,54
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
165
50,83
6
0
225
70,67
7
0
33
18,57
7
0
48
24,86
13
0
165
33,46
13
0
225
46,00
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.4.3 Efeitos na participação dos associados
Procurou-se captar o grau de participação dos cooperados nas reuniões para
discussão e aprovação do empréstimo
do FNE, bem como se houve alteração na
freqüência às assembléias e reuniões antes e após o financiamento.
9.2.4.3.1 Assembléias para aprovação do empréstimo
O índice de comparecimento na assembléia para discussão e aprovação da operação
de financiamento do FNE envolveu mais de 70% dos associados, demonstrando que
houve uma participação efetiva para esta contratação. Não foi possível verificar se o
índice percentual ocorrido anteriormente tenha sido o mesmo do processo de discussão e
elaboração das propostas (Tabela 67).
Os cooperados do GRUPO 1, em termos percentuais, apresentaram menor índice
de participação nesta assembléia específica que os cooperados do GRUPO 2, embora em
número absoluto, o número de participantes no GRUPO 1 tenha sido superior a 300
pessoas, enquanto que no GRUPO 2 o número de participantes foi de 60 pessoas.
141
Tabela 67 – Estatísticas do percentual de cooperados participantes nas reuniões para decisão
sobre os recursos a serem obtidos através do empréstimo do FNE, por grupo
Estatística
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
5
40
100
77,00
7
45
100
82,14
12
40
100
80,00
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.4.3.2 A participação em assembléias
A participação dos associados em assembléias ordinárias ou extraordinárias, de
modo geral, sofreu uma redução após o financiamento do FNE (Tabela 68).
As assembléias ordinárias do grupo 1 apresentaram uma redução do número de
participantes em torno de 25% após a concessão do financiamento, ocorrendo um declínio
próximo a 44% no número de participantes das assembléias extraordinárias. As reuniões
de núcleos de base conseguiram manter o mesmo número de participantes.
No grupo 2 houve uma variação ínfima, de valor positivo, nos índices de
participação dos cooperados nas assembléias gerais ordinárias e extraordinárias.
Tabela 68 – Estatísticas da média de participação dos cooperados em assembléias antes e após
o empréstimo do FNE, segundo a categoria, por grupo
Categoria
Estatística
Assembléia
Ordinária
Grupo 1
Grupo 2
Total
Antes
FNE
Após
FNE
Antes
FNE
Após
FNE
Antes FNE
Após FNE
Nº observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
66
300
123,00
6
33
200
91,17
7
22
142
43,43
7
22
142
43,86
13
22
300
80,15
13
22
200
66,15
Assembléia
No observações
Extraordinária Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
15
260
125,00
6
0
150
70,33
7
17
158
41,43
7
17
158
41,57
13
15
260
80,00
13
0
158
54,85
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
96
19,33
6
0
96
19,33
7
0
0
0
7
0
0
0
13
0
96
8,92
13
0
96
8,92
Reuniões de
núcleos de
base
142
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.4.3.3 A capacitação de associados
O financiamento do FNE possibilitou a capacitação dos cooperados e dos
empregados das cooperativas. A maioria das pessoas capacitadas eram do sexo masculino,
cerca de 90% dos casos, reflexo do perfil do quadro social. Os cooperados estiveram
presentes em 92,3% dos eventos, enquanto que os empregados em apenas 38,5 % destes .
Não foi observada a presença de familiares dos cooperados no processo de capacitação
(Tabelas 69 e 70).
A capacitação foi ministrada por várias organizações, destacando-se a COOSEPE,
em 46,2% dos casos, ocorrendo principalmente através de seminários de curta duração, em
61,5% dos casos, e os cursos, em 46,2% dos casos. As áreas de maior ênfase, com base no
número de participantes, foram tecnologia e manejo, seguidas de educação cooperativa,
comercialização e gestão (Tabelas 71, 72 e 73).
Nas cooperativas do GRUPO 1, os cooperados participaram de 83,3% dos eventos
destinados à capacitação, sendo a maioria do sexo masculino, em torno de 89%, onde os
meios mais utilizados foram os cursos, em 83,3% dos casos, ministrados pela COOSEPE,
33,3% do total, e mais 6 outras instituições, em alguns casos atuando em parceria. Os
principais temas abordados nos eventos foram a educação cooperativa,
seguidas de
tecnologia e manejo, ambos com 90 e 27 pessoas em média de cada cooperativa .
Para as cooperativas do GRUPO 2, verificou-se que os cooperados participaram de
todos os eventos destinados à capacitação, sendo a maioria do sexo masculino, em torno de
93% dos casos, e os meios mais utilizado foram os seminários, em 85,7% dos casos,
ministrados pela COOSEPE e METHODUS, 57,1% e 28,6% respectivamente. As
principais áreas temáticas dos eventos foram tecnologia e manejo, gestão e
comercialização, com 27, 23 e 20 pessoas em média de cada cooperativa .
Tabela 69 – Freqüência de pessoas capacitadas com recursos do financiamento, por grupo
Capacitado
Grupo 1
N
Grupo 2
%
N
TOTAL
%
N
%
143
Cooperados
Empregados (cooperados/cooperativa)
5
2
83,3
33,3
7
3
100,0
42,9
12
5
92,3
38,5
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 70 - Estatísticas do total de pessoas capacitadas com recursos do financiamento,
segundo gênero, por grupo
Gênero
Estatísticas
Masculino
Feminino
Grupo total
Grupo 1
Grupo 2
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
4
4
280
114,00
7
15
95
33,86
11
4
280
63,00
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
4
1
30
13,5
7
0
5
2,43
11
0
30
6,45
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 71 – Freqüência dos meios utilizados para ministrar a capacitação com recursos do
financiamento, por grupo
Meios utilizados
Grupo 1
N
%
N
Grupo 2
%
TOTAL
%
Cursos
Visitas de campo
Seminários
5
1
2
83,3
16,7
33,3
1
6
14,3
85,7
6
1
8
46,2
7,7
61,5
BASE
6
-
7
-
13
-
N
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 72 – Freqüência nas cooperativas, segundo os órgãos que ministraram a capacitação
através/ após empréstimo do FNE, por grupo
Órgãos / entidades
N
Grupo 1
%
N
Grupo 2
%
TOTAL
N
%
COOSEPE
METHODUS
SPTA
EMAS
IPA
IRPAA
SEDASP
OCEPE
FECOMIPE
Empresa de Assistência técnica
2
1
1
1
1
1
1
1
-
33,3
16,7
16,7
16,7
16,7
16,7
16,7
16,7
-
4
2
1
57,1
28,6
14,3
6
2
1
1
1
1
1
1
1
1
46,2
15,4
7,7
7,7
7,7
7,7
7,7
7,7
7,7
7,7
BASE1
6
-
7
-
13
-
1 – Para um entrevistado do grupo 1 não se obteve esta resposta
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
144
Tabela 73 - Estatísticas do número de associados capacitados encontrados, segundo as áreas,
por grupo
Áreas de capacitação
Estatísticas
Grupo 1
Grupo 2
Grupo total
Gestão
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
4
0
21
5,25
7
0
100
23,00
11
0
100
11,00
Comercialização
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
4
0
8
2,50
7
0
100
20,14
11
0
100
13,72
Tecnologia e manejo
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
4
0
110
27,50
7
0
106
27,86
11
0
300
27,72
Educação cooperativa
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
4
0
280
70,00
7
0
0
0
11
0
280
25,45
Outros
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
78
13,17
7
0
0
0
11
0
78
7,09
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.5 EFEITOS DO FNE NA INFRA-ESTRUTURA
Os recursos do FNE possibilitaram uma série de investimentos na infra-estrutura
das cooperativas, sendo analisado onde foram empregados e o que ocorreu na fase
posterior ao empréstimo.
Os recursos provenientes das operações de repasse do FNE pelas cooperativas
foram destinadas a reinvestimento na própria, em 69,2% dos casos, ocorrendo com maior
intensidade nas cooperativas do GRUPO 1, em 83,3% , que no GRUPO 2, em apenas
57,1% dos casos (Tabela 74).
Tabela 74 - Distribuição das cooperativas pesquisadas segundo a destinação do del-credere
recebido ou a receber decorrente da operação com FNE, por grupo
Item resposta
Grupo 1
N
%
Grupo 2
N
%
N
%
Reinversão na cooperativa
Ressarcimento das despesas com repasse
Outros
5
1
-
4
1
2
9
2
2
69,2
15,4
15,4
83,3
16,7
-
57,1
14,3
28,6
TOTAL
145
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.5.1 A sede e outros imóveis adquiridos
A partir do período de obtenção do empréstimo do FNE, cerca de 38% das
cooperativas adquiriram instalações ou sedes próprias, e 23,1% destas organizações
construíram galpões ou armazéns e adquiriram outros imóveis (Tabelas 75 e 76).
O empréstimo do FNE possibilitou à metade das cooperativas do GRUPO 1 a
aquisição de suas sedes, além da construção de galpões e ou armazéns, ocorrendo inclusive
a compra de imóveis rurais. Entretanto, nas cooperativas do GRUPO 2, somente 28%
adquiriram sua sede após o empréstimo do FNE e não houve construção de galpões ou
aquisição de outros imóveis.
Tabela 75 – Condição da sede da cooperativa, segundo a data de aquisição e o grupo
Momento da aquisição
da sede própria
Grupo 1
N
%
Grupo 2
N
%
N
TOTAL
%
Antes do empréstimo
Após ou através/ empréstimo
3
3
50,0
50,0
3
2
42,8
28,6
6
5
46,2
38,5
BASE
6
100
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 76 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a aquisição ou construção de
outro imóvel, fora sede, através/ após empréstimo do FNE, por grupo
Aquisição de imóvel
através/após empréstimo do
FNE
N
%
N
%
N
%
Sim
Não
3
3
50,0
50,0
7
100,0
3
10
23,1
76,9
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Grupo 1
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.5.2 Equipamentos adquiridos
Grupo 2
TOTAL
146
A partir da obtenção dos recursos do FNE, as cooperativas tornaram-se mais
equipadas, ocorrendo aquisição da maior parte dos equipamentos de informática,
computador e impressora, 86,7% do total, além da compra e instalação de 55,5% das
linhas telefônicas existentes e 50% dos aparelhos de fax (Tabela 77).
Nas cooperativas do GRUPO 1, somente através/após o FNE, aconteceu a
instalação de 80% dos telefones existentes, 71,4% dos computadores e impressoras, além
de 40% dos aparelhos de fax. Destaca-se o fato de haver neste grupo cooperativa ligada à
internet, tendo ocorrido na fase pós empréstimo.
Somente através/após o FNE é que as cooperativas do GRUPO 2 tornaram-se mais
bem equipadas, haja visto que 87,5% compraram computadores e impressoras, além de
haver proporcionado a instalação de 25% das linhas telefônicas e dos aparelhos de fax e
rádio comunicador.
Tabela 77 – Freqüência dos equipamentos adquiridos através/ após empréstimo do FNE em
relação ao total existente, por grupo
Aquisição de
equipamentos
Telefone
Fax
Computador
Rádio comunicador
Internet
Grupo 1
Grupo 2
N
%
N
%
N
4
2
5
1
80,0
40,0
71,4
100,0
1
1
7
1
-
25,0
100,0
87,5
100,0
-
5
3
12
1
1
Grupo total
%
55,5
50,0
86,7
100,0
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.5.3 A frota adquirida
A frota de veículos utilitários e tratores aumentou significativamente através/após o
FNE, pois 80% dos caminhões, 60% das caminhonetes e metade dos tratores existentes,
além de todas as motos, foram adquiridos dentro deste intervalo (Tabela 78).
As cooperativas do GRUPO 1 foram as que mais aumentaram o tamanho da frota,
sendo adquiridos todos os caminhões e motos, 75% das caminhonetes e 42,8% dos tratores
de pneu através/ após empréstimo do FNE. As cooperativas do GRUPO 2 aumentaram
apenas o número de tratores, contribuindo o FNE na aquisição de 75% destes.
147
Tabela 78 – Freqüência dos veículos adquiridos através/ após empréstimo do FNE em relação
ao total existente, por grupo
Veículos
N
Grupo 1
%
Grupo 2
N
%
Grupo total
N
%
Caminhões
Caminhonetes
Carros
Motos
Tratores pneu
4
3
2
3
100,0
75,0
100,0
42,8
3
75,0
4
3
2
6
80,0
60,0
100,0
50,0
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.6 EFEITOS DO FNE NA ESTRUTURA ADMINISTRATIVA
As estruturas administrativas das cooperativas apresentaram uma sensível melhora
após o financiamento do FNE, tanto na gestão, como na criação de cargos. Constatou-se
ter ocorrido na fase posterior ao empréstimo um aumento do número de empregados,
ocorrendo, entretanto, um declínio desse número longo do tempo.
9.2.6.1 As novas estruturas de gestão
Das quatro estruturas de gestão existentes, três foram impulsionadas a partir do
FNE: o contábil, com a criação de 38% das estruturas encontradas, além do
financeiro/econômico e o de processamento de dados, com a criação de 33% da estrutura
atual (Tabela 79).
Nas cooperativas do GRUPO 1 foi onde ocorreu maior criação de estruturas de
gestão, com o início do funcionamento de todas as estruturas de processamento de dados,
50% da estruturas financeiro/econômico e 33,3% da estrutura contábil. Nas cooperativas
do GRUPO 2 só houve criação de estruturas do setor contábil, ou seja, 42,3% das
existentes atualmente.
Tabela 79 – Freqüência das gestões administrativas criadas através/ após empréstimo do FNE,
em relação ao total existente, por grupo
Grupo 1
Gestões
N
% do total
Grupo 2
N
% do total
TOTAL
% do
N
total
148
Contabilidade
Processamento de dados
Financeiro/ econômico
2
1
1
33,3
100,0
50,0
3
-
42,9
-
5
1
1
38,5
33,3
33,3
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
1 – No grupo 2, para uma das cooperativas com resposta positiva não foi citada a estrutura da gestão
9.2.6.2 Os cargos criados
Dos seis cargos executivos e técnicos remunerados encontrados, três surgiram
através/após o financiamento do FNE: técnico agrícola, veterinário e agrônomo. Do total
de contadores/técnicos contábeis existentes, 20% foram contratados através/ após o FNE
(Tabela 79).
Nas cooperativas do GRUPO 1, dos cinco cargos encontrados, dois foram criados
através/após FNE, o de técnico agrícola e veterinário, além da contratação de 40% dos
contadores/técnicos contábeis. Nas cooperativas do GRUPO 2,
dos quatro cargos
encontrados, dois foram criados através/após FNE, o de técnico agrícola e agrônomo.
Tabela 80 – Freqüência dos cargos executivos e técnicos remunerados criados através/ após
empréstimo do FNE, em relação ao total existente, por grupo
Grupo 1
Cargos
Técnico agrícola
Contador /Técnico contabilidade
Veterinário
Agrônomo
N
%
2
2
1
-
100,0
40,0
100,0
-
Grupo 2
N
%
N
%
1
1
3
1
1
1
100,0
20,0
100,0
100,0
100,0
100,0
TOTAL
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.6.3 Os empregos gerados
A quantidade total de empregados contratados pelas cooperativas sofreu uma
elevação de 124% por ocasião da obtenção do empréstimo do FNE, embora atualmente o
quadro funcional tenha sido reduzido, apresentando, contudo, 35% mais funcionários que
na fase anterior ao empréstimo (Tabela 81).
Nas cooperativas do GRUPO 1 houve também um aumento na contratação de
empregados após o empréstimo, apresentando, logo após esta fase, a demissão de
149
funcionários. Verificou-se que nestas cooperativas há menos 5% de empregados que na
fase anterior ao empréstimo. Nas cooperativas do GRUPO 2 não observou-se esta
oscilação, e sim um crescimento contínuo na contratação de empregados.
Tabela 81 – Estatística do número de empregados, em relação ao período de obtenção do
empréstimo, por grupo
Período
Estatística
Grupo 1
Grupo 2
Total
Antes
Empréstimo
Nº observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
0
5
3,33
7
0
0
0
13
0
5
1,54
Ano seguinte
Ao
Empréstimo
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
3
18
6,83
7
0
1
0,57
13
0
18
3,46
Em 1998
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
6
1
5
3,17
7
0
4
1,14
13
0
5
2,08
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.7 EFEITOS DO FNE NOS NEGÓCIOS
Os negócios das cooperativas também foram afetados pelo empréstimo do FNE,
quer seja na criação de setores ou departamentos, quer seja no faturamento.
9.2.7.1 Os setores ou departamentos criados
A partir do empréstimo do FNE foram criados 4 novos departamentos ou setores
150
nas cooperativas, além de haver um incremento superior a 40% na criação de setores de
compras em comum, crédito/repasse, assistência técnica e educação capacitação (Tabela
82).
Nas cooperativas do GRUPO 1, através/após o empréstimo do FNE, surgiram 5
novos setores nas cooperativas, além de haver um aumento do número de organizações
com setor de compras em comum e patrulha mecanizada.
Nas cooperativas do GRUPO 2, através/após empréstimo do FNE, surgiu um novo
setor, o de transporte/coleta da produção, ocorrendo um aumento de organizações com
setor de crédito/repasse, compras em comum, patrulha mecanizada e assistência técnica.
Tabela 82 – Freqüência dos setores, seções ou departamentos criados através/ após
empréstimo do FNE, em relação ao total existente, por grupo
Setores/ departamentos
Grupo 1
N
%
Grupo 2
N
%
TOTAL
N
%
Compras em comum/ revenda
Vendas em comum/ comercialização
Crédito/ repasse
Patrulha mecanizada
Serviço de transporte/ coleta da produção
Fábrica de ração
Beneficiamento/ industrialização da produção
Central de inseminação artificial
Assistência técnica
Educação/ capacitação
2
2
2
3
5
1
1
1
1
2
33,3
50,0
33,3
100,0
100,0
100,0
100,0
100,0
50,0
50,0
2
5
1
2
1
-
50,0
71,4
50,3
100,0
33,3
-
4
2
7
4
7
1
1
1
1
2
40,0
33,3
53,8
80,0
100,0
100,0
100,0
100,0
40,0
40,0
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.7.2 Recebimento e beneficiamento de produtos dos cooperados
O aumento no recebimento de produtos de associados não foi verificado após o
empréstimo do FNE, embora parte das cooperativas possuíssem veículos para transporte
da produção (Tabela 83).
A freqüência de produtos comercializados pela cooperativa a partir do
151
financiamento do FNE foi baixa, aparecendo produtos da lavoura sazonal, como milho e
feijão, além do leite, em 15,4% dos casos, e acerola, em 7,7% dos casos.
No caso específico do leite, verifica-se uma diminuição na comercialização via
cooperativa. Segundo os entrevistados, isto deu-se face à estiagem que afetou a produção
da região, bem como devido à atuação dos demais agentes de mercado, como
atravessadores, pequenos e médios comerciantes, que oferecem um preço maior que o
praticado pela cooperativa ( Tabela 84).
O
FNE
não
proporcionou
a
estas
cooperativas
incremento
no
beneficiamento/industrialização dos produtos. Não tendo como agregar valor aos produtos,
a cooperativa restringe o seu poder de atuação face aos demais agentes de mercado, não
contribuindo, pelo menos neste setor, para aumentar a renda dos cooperados.
Nas cooperativas do GRUPO 1, após o empréstimo do FNE, o recebimento dos
produtos dos cooperados permaneceu o mesmo em 33,3% dos casos, enquanto que em
33,3 % das organizações aconteceu uma diminuição. Nas cooperativas do GRUPO 2 não
houve qualquer alteração da situação anterior.
Tabela 83 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho do
recebimento de produtos dos cooperados por grupo após o financiamento, por grupo
Desempenho
Grupo 1
Grupo 2
TOTAL
N
%
N
%
N
%
Não aplicável
Diminuiu muito
Diminuiu pouco
Permaneceu o mesmo
Aumentou pouco
Aumentou muito
2
1
1
2
-
33,3
16,7
16,7
33,3
-
4
3
-
66,7
33,3
-
6
1
1
5
-
46,2
7,7
7,7
38,5
-
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 84 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho do
beneficiamento/ industrialização dos produtos após o financiamento, por grupo
Desempenho
Não aplicável
Diminuiu muito
Diminuiu pouco
Permaneceu o mesmo
Aumentou pouco
Aumentou muito*
Grupo 1
Grupo 2
TOTAL
N
%
N
%
N
%
4
1
1
66,7
16,7
16,7
6
-
100,0
-
10
1
1
83,3
8,3
8,3
152
TOTAL*
6
100,0
6
100,0
12
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
* Esta resposta ocorre em virtude de um processo de beneficiamento do produto, em uma única época do ano,
por ocasião da colheita; **No GRUPO 2, para uma cooperativa não se dispõe desta resposta.
9.2.7.3 Vendas, faturamento e lucros
O empréstimo do FNE possibilitou um aumento de vendas nas cooperativas,
mesmo pequeno, em 53,9% dos casos (Tabela 85).
O faturamento médio anual das cooperativas sofreu um acréscimo após o
empréstimo em 80,1% dos casos, analisando o período entre 1994 e 1998, passando de
aproximadamente R$ 67 mil reais em 1994 para R$ 121 mil reais em 1998. 63
Entretanto, o aumento do lucro líquido sobre as vendas não acompanhou as
tendências anteriores, só acontecendo em 23,1% dos casos (Tabela 86 ).
Nas cooperativas do GRUPO 1, após o empréstimo do FNE, embora as vendas
tenham crescido em metade delas, o aumento do lucro líquido sobre as mesmas aconteceu
em 16,7% dos casos. Nota-se também que na fase posterior ao empréstimo neste grupo, há
um aumento do faturamento anual, passando de um valor médio próximo a R$ 114 mil
reais em 1994, para uma média de aproximadamente R$ 273 mil reais em 1996,
ocorrendo uma queda a seguir, até atingir a média próxima a R$ 86 mil reais em 1998.
Nas cooperativas do GRUPO 2 também é verificado um aumento nas vendas em
57,1% das cooperativas, sendo que o aumento do lucro líquido sobre as mesmas aconteceu
em apenas 28,6% das cooperativas. O faturamento segue, entretanto, uma tendência de
alta, ocorrendo em 1996 um faturamento médio de R$ 30 mil reais e em 1998 um
faturamento médio de 114 mil reais. Ressalta-se, contudo, que até 1998 ocorreram
liberações para as cooperativas deste grupo.
Tabela 85 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho das vendas
por grupo após o financiamento, por grupo
Desempenho
Grupo 1
N
63
Grupo 2
%
N
TOTAL
%
N
%
O faturamento médio foi tomado a partir de 4 observações no GRUPO 1 e 4 observações no GRUPO 2.
153
Não aplicável
Diminuiu muito
Diminuiu pouco
Permaneceu o mesmo
Aumentou pouco
Aumentou muito
2
1
2
1
33,3
16,7
33,3
16,7
2
1
3
1
28,5
14,3
42,8
14,3
2
2
2
5
2
15,4
15,4
15,4
38,5
15,4
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 86 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho do lucro
líquido sobre as vendas (bens/ serviços) após o financiamento, por grupo
Desempenho
Grupo 1
Grupo 2
TOTAL
N
%
N
%
N
%
Não aplicável
Diminuiu muito
Diminuiu pouco
Permaneceu o mesmo
Aumentou pouco
Aumentou muito
1
2
2
1
16,7
33,3
33,3
16,7
2
3
1
1
28,6
42,9
14,3
14,3
2
1
2
5
1
2
15,4
7,7
15,4
38,5
7,7
15,4
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.7.4 Endividamento e disponibilidade para pagamento
O endividamento das cooperativas após o empréstimo do FNE também cresceu, em
76,9% dos casos, não apenas em decorrência dos valores tomados para investimentos à
própria, mas também devido a inadimplência dos associados, verificada em 23% das
cooperativas. Ao ter que se responsabilizar pelas dívidas dos associados o débito das
cooperativas tornaram-se maiores e a disponibilidade de pagamento ficou, assim, bastante
comprometida (Tabelas 87 a 90).
Nenhuma cooperativa quitou totalmente os seus débitos referentes ao empréstimo
com o agente financeiro, sendo que a situação de inadimplência da própria cooperativa foi
constatada em 7,6% dos casos.
A estiagem e os juros cobrados nos empréstimos atrelados à TJLP foram apontados
como as duas causas da inadimplência.
Para ambos os grupos, o FNE tornou as cooperativas mais endividadas. Porém, a
situação das cooperativas do GRUPO 1 apresentou-se como a mais preocupante, pois em
154
cerca de 33% das cooperativas observou-se cooperados inadimplentes, os quais
representam aproximadamente 20% do total de beneficiados pelo empréstimo. Nas
cooperativas do GRUPO 2 verificou-se uma menor incidência de inadimplentes, embora
alguns prazos de carência ainda não tenham sido vencidos.
Tabela 87 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o grau de endividamento por
grupo após o financiamento, por grupo
Item resposta
N
Grupo 1
%
N
Grupo 2
%
TOTAL
N
%
Não aplicável
Diminuiu muito
Diminuiu pouco
Permaneceu o mesmo
Aumentou pouco
Aumentou muito
1
1
4
16,7
16,7
66,7
2
2
3
28,6
28,6
42,9
3
3
7
23,1
23,1
53,8
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 88 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a existência ou não de
cooperados inadimplentes no pagamento do empréstimo, por grupo
Cooperado inadimplente
N
Grupo 1
%
Grupo 2
N
%
N
TOTAL
%
Sim
Não
2
4
33,3
66,7
1
6
14,3
85,7
3
10
23,1
76,9
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 89 - Estatísticas do número de cooperados inadimplentes no pagamento do
empréstimo, por grupo
Estatísticas
No observações
Valor mínimo
Valor máximo
Média
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Grupo 1
2
20
200
110,00
Grupo 2
1
31
31
31,00
Grupo total
3
20
200
83,67
155
Tabela 90 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a disponibilidade para
pagamento de obrigações após o financiamento, por grupo
Item resposta
Grupo 1
Grupo 2
TOTAL
N
%
N
%
N
%
Não aplicável
Diminuiu muito
Diminuiu pouco
Permaneceu o mesmo
Aumentou pouco
Aumentou muito
1
1
2
2
-
16,7
16,7
33,3
33,3
-
2
3
1
1
28,5
42,9
14,3
14,3
2
1
1
5
3
1
15,4
7,7
7,7
38,5
23,1
7,7
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.8 EFEITOS DO FNE NOS PROGRAMAS TECNOLÓGICOS
O FNE propiciou que as cooperativas viabilizassem novos programas tecnológicos
e incrementassem alguns já existentes. Dos 9 programas encontrados nas cooperativas, no
período através/após o empréstimo, 8 programas tiveram suas ações incrementadas, com
destaque para a aquisição de matrizes, construção de estábulos/bretes, formação e
conservação de pastagem e ensilagem/fenação. Foi criado também programa de
inseminação artificial (Tabela 91).
Nas cooperativas do GRUPO 1 foram alavancadas mais ações de programas
tecnológicos que nas cooperativas do GRUPO 2.
Tabela
91 - Freqüências dos programas criados a
em relação ao total existente nas cooperativas, por grupo
Item resposta
Vacinação sistemática
Vermifugação sistemática
Conservação de pastagens/ forrageiras
Banco de proteínas (leucena, algaroba,
etc.)/ ensilagem/ fenação.
Irrigação para formação de pastagens
Controle de peso e/ ou leiteiro
Instalação de bretes e/ ou estábulos ou
N
Grupo 1
%
partir
do
empréstimo
Grupo 2
N
%
N
TOTAL
%
1
3
25,0
75,0
1
2
1
25,0
66,7
33,3
2
2
4
25,0
33,3
57,1
1
1
50,0
100,0
-
-
1
1
50,0
50,0
156
cochos
Aquisição de matrizes e/ ou reprodutores
de raça melhorada
4
66,7
2
100,0
4
57,1
2
40,0
1
100,0
4
50,0
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.8 AUTO-AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO APÓS FINANCIAMENTO
Os entrevistados analisaram a situação geral atual da cooperativa e dos cooperados
que receberam financiamento, em relação aos demais, organizações, cooperados e
produtores, que não receberam empréstimo, e à concorrência.
9.2.8.1 Da Cooperativa
Em relação às outras cooperativas que não receberam empréstimo, a avaliação
efetuada pelos dirigentes é que a situação daquelas que obtiveram empréstimo é melhor,
em 61,5% dos casos. A justificativa apresentada vai desde o aumento das atividades
pecuárias até o maior nível de organização (Tabela 92).
Nas organizações do GRUPO 1, a situação das cooperativas que tomaram
empréstimo apresentava-se melhor do que as que não receberam incentivos, em 50% dos
casos. Nas organizações do GRUPO 2, verificou-se que este índice era de 71,4% dos
casos.
Em relação às máquinas, equipamentos e instalações existentes para atender aos
cooperados, foram avaliados como sendo inferiores aos usados pelos concorrentes
estaduais, 41,7% dos casos, sendo menos modernos que os concorrentes nacionais, 58,3 %
dos casos, e internacionais, 50% dos casos. Deve-se salientar que um expressivo número
de entrevistados declararam não estarem aptos para efetuar esta avaliação (Tabela 93).
Ressalta-se apenas que nas cooperativas do GRUPO 1, os dirigentes declararam
que as máquinas, equipamentos e instalações existentes, são mais modernos que os da
concorrência estadual, em 40% dos casos, e superior aos concorrentes nacionais, em 20%
dos casos. Nas cooperativas do GRUPO 2, não houve nenhum caso onde os dirigentes
enquadrassem as respectivas organizações como possuindo melhores equipamentos,
157
máquinas ou instalações melhores que a concorrência.
Tabela 92 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a existência de melhoria nas
condições econômicas em relação às cooperativas que não foram beneficiadas com o
empréstimo, por grupo
Sinais de melhoria
N
Grupo 1
%
Grupo 2
TOTAL
N
%
N
%
Sim
Não
3
3
50,0
50,0
5
2
71,4
28,6
8
5
61,5
38,5
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 93 - Freqüência do nível de avaliação dos equipamentos, instalações e máquinas
disponíveis atualmente, em relação à concorrência nos setores de atividades da
cooperativa, por grupo
Item resposta
Grupo 1
N
%
Grupo 2
N
%
TOTAL
N
%
Pernambuco
Menos Moderno
Semelhante
Mais Moderno
Sem condições de opinar
2
1
2
-
40,0
20,0
40,0
-
3
1
3
42,8
14,3
42,8
5
2
2
3
41,7
16,7
16,7
25,0
Brasil
Menos Moderno
Semelhante
Mais Moderno
Sem condições de opinar
4
1
-
33,3
20,0
-
3
4
42,8
57,1
7
1
4
58,3
8,3
36,4
Exterior
Menos Moderno
Semelhante
Mais Moderno
Sem condições de opinar
3
1
1
83,3
20,0
20,0
3
4
42,9
57,1
6
1
5
50,0
8,3
41,7
5
-
7
-
12
-
BASE
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.2.8.2 Dos Cooperados
A avaliação feita pelos dirigentes das cooperativas entre os cooperados
beneficiados e os que não foram contemplados aponta para uma situação, no mínimo,
“interessante”. Verificou-se que cerca da metade dos contemplados, ou seja, 53,8% dos
cooperados beneficiados, apresentavam melhores condições que os demais produtores
158
cooperados que não receberam empréstimo, apesar de terem sido financiados matrizes,
itens de infra estrutura e custeio para algumas culturas, além da formação de pastagem
(Tabela 94).
Nas cooperativas do GRUPO 1, os diretores avaliaram a situação dos cooperados
que tomaram empréstimo perante os que não receberam incentivos, como sendo melhor,
em 66,7% dos casos. Nas cooperativas do GRUPO 2, o índice verificado foi bem menor,
sendo que, na opinião dos dirigentes, somente 42,9% dos produtores financiados estão em
melhor situação daqueles que não receberam empréstimo.
Tabela 94 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a existência ou não de
cooperados com sinais de melhoria das condições econômicas, em relação aos
cooperados que não foram beneficiados, por grupo
Sinais de melhoria
N
Grupo 1
%
Grupo 2
TOTAL
N
%
N
%
Sim
Não
4
2
66,7
33,3
3
4
42,9
57,1
7
6
53,8
46,2
TOTAL
6
100,0
7
100,0
13
100,0
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.3
Eficiência cooperativa
A avaliação da eficiência cooperativa levou em conta dados qualitativos e
quantitativos dos setores econômico e social para o ano de 1998.
A metodologia proposta e desenvolvida por Oliveira Júnior (1996) foi a base
utilizada para avaliação da eficiência em organizações cooperativas.
9.3.1 EFICIÊNCIA ECONÔMICO-FINANCEIRA
Diante dos aspectos apresentados na descrição do perfil, procurou-se, através de
quatro indicadores, capacidade de autofinanciamento, avaliação de endividamento,
participação no mercado e desempenho nas vendas, proporcionar condições para uma
avaliação da eficiência econômico-financeira das cooperativas.
159
Atenta-se para o fato das cooperativas analisadas serem predominantemente
compostas por mini e pequenos proprietários rurais do semi-árido, os quais dispõem de
capital limitado para financiarem investimentos nas suas unidades produtivas e, portanto,
crescerem e autosustentarem-se. Logo, esta situação tende a se repetir quando este grupo
compõe uma cooperativa, a começar da formação do capital inicial, geralmente com
cotas-partes muito pequenas.
9.3.1.1 Capacidade de autofinanciamento64
Á cerca das necessidades de capital de giro, apurou-se com as cooperativas que o
financiamento do FNE possibilitou alavancar capital para adquirir insumos para o setor de
revenda e para investimentos à própria, não recorrendo, desde então, a linhas de
financiamentos normais de obtenção de giro (desconto de duplicatas, capital de giro, etc).
Observou-se que as cooperativas de ambos os grupos não recorreram ao mercado
financeiro para obterem recursos para capital de giro, não pela disponibilidade excessiva
de capital próprio, mas, em decorrência de fatores, como: pequeno volume de aquisição
de produtos dos cooperados; baixa lucratividade nas transações comerciais a nível de
serviços e revenda ; pequeno faturamento bruto apresentado, visto que em 98 a média
ficou em torno de R$ 121 mil reais; e nível de endividamento em razão do empréstimo do
FNE, que obstaculiza novas operações financeiras por agentes financeiros locais.
Diante destas circunstâncias, torna-se difícil para a cooperativa financiar as
atividades com capital de giro próprio e mesmo aumentar ou até assegurar seu capital de
giro atual, principalmente se considerarmos que a taxa de inadimplência de cooperados no
pagamento do empréstimo pode elevar-se face ao vencimento dos prazos de carência dos
empréstimos à própria. Estas circunstâncias também constituem-se em barreiras na
64
A capacidade de autofinanciamento baseou-se na avaliação do índice proposto por Oliveira Júnior (1996:22),
que “mede a capacidade da cooperativa financiar suas necessidades de capital de giro com o seu capital de giro
próprio”, sendo este índice obtido através da relação capital de giro disponível pela necessidade de capital de
giro. O parâmetro analítico indica que, quanto menor for o índice obtido, mais difícil é a situação, sendo
necessário implementar uma política de recuperação da capacidade de crescimento, através do enxugamento de
custos, alongamento da dívida, redução de taxas de juros, dentre outras medidas. Para valores maiores, a situação
tente a melhorar, sendo excepcional para valores acima de 1, situação em que a cooperativa está apta a investir
em ativos fixos. Oliveira Júnior (1996) ressalta que, para qualquer dos casos a cooperativa deve analisar o perfil
da dívida usada para repor a falta de capital de giro próprio.
160
realização de investimentos, haja visto o pequeno montante investido em 98. Assim, não
apenas a situação das cooperativas de ambos os grupos, mas de seus cooperados,
necessitam de uma política que possibilite, urgentemente, uma reestruturação econômicofinanceira, de modo a assegurar condições mínimas de continuar atuando no mercado.
9.3.1.2 Avaliação de endividamento65
Os produtores e suas cooperativas, não dispondo de capital próprio, recorreram a
recursos de terceiros, através de empréstimos para financiamento, quer seja para operações
ou investimentos às cooperativas e seus associados. Entretanto, estes recursos têm um
custo, os quais têm de ser recuperados pela cooperativa, quer seja através de vendas ou
através de taxas pagas pelos cooperados.
No caso das cooperativas analisadas, foram os recursos do FNE que financiaram a
maior parte dos investimentos, a médio e longo prazo, aumentando o patrimônio das
cooperativas, mas também seus endividamentos. A média de débito total verificado em
1999, englobando cooperativa e associados, situa-se em aproximadamente R$ 648 mil
reais por cooperativa, sendo maior nas cooperativas do GRUPO 1, cerca de R$ 942 mil
reais, que nas do GRUPO 2, próxima a R$ 354 mil reais.
A disponibilidade para pagamento de obrigações da cooperativa tem estreita
vinculação aos retornos obtidos através das vendas. Apesar do faturamento apresentar um
crescimento entre 1994 e 1998, manteve-se estável para os valores gerais apurados desde
96, ocorrendo inclusive diminuição nas cooperativas do GRUPO 1. Aliado a isto, à
estagnação no nível de lucratividade das operações e o fim do prazo de carência, onde o
débito segue o ritmo crescente atrelado às taxas da TJLP, contribuiu para que a
amortização da dívida torne-se cada vez mais difícil, incompatibilizando-se
com a
capacidade de crescimento via investimentos.
65
A avaliação de endividamento tomou por base o conceito adotado por Oliveira Júnior (1996:26) para o índice
de endividamento total, que “mede a utilização de recursos externos para o financiamento dos investimentos
totais a curto prazo e a longo prazo”, sendo obtido pela relação do resultado da diferença entre o passivo
circulante ou exigível a curto prazo e o exigível a longo prazo, com o ativo total. O parâmetro analítico indica
que, quanto menor for esta relação, melhor será a situação da cooperativa, onde valores menores que 0,3 indicam
situação excepcional, pois a cooperativa só opera com créditos comerciais como forma de endividamento. Quanto
mais próximo for este valor de 1 , mais próximo estará a cooperativa da insolvência, pois só atua com créditos de
terceiros.
161
Um agravante que torna este quadro mais sombrio é a ausência de créditos
rotativos, os quais, ante à indisponibilidade de recursos das cooperativas para financiarem
a produção,
não possibilitam as mesmas a financiarem insumos, custeio agrícola e
comercializarem a produção dos associados.
9.3.1.3 Desempenho de vendas66
As operações do FNE possibilitaram aos associados financiamentos para aquisição
de implementos e insumos, capitalizando as cooperativas, de modo a adquirir estes
materiais repassando aos associados. A princípio, este item proporcionou um desempenho
no faturamento e nas vendas das cooperativas, passando estas a apresentarem sobras no
final do exercício, apesar de apresentarem tendência de diminuir volume de vendas ao
longo do tempo, conforme observado nas cooperativas pioneiras contempladas com
financiamento.
Embora as cooperativas afirmem comercializar produção dos associados, o item
que mais pesa no faturamento são as vendas efetuadas no setor de insumos. Portanto,
pressupõe-se que os resultados dos exercícios tenham estreita ligação com este setor das
cooperativas.
Assim, as vendas do setor de insumos, efetuadas a cooperados ou não, tenderão
a um retrocesso à medida que novos investimentos externos para financiar os
cooperados não estejam disponíveis.
9.3.1.4 Participação no mercado67
Verificou-se que, tanto no setor de venda de produtos e insumos agropecuários,
66
O desempenho das vendas baseou-se no conceito de Oliveira Júnior (1996:33) para crescimento de vendas, o
qual “mede o aumento real das atividades econômicas entre dois períodos” sendo obtido através da relação entre
as vendas do período atual e as vendas do período anterior ao atual, devidamente corrigidas pela taxa de inflação
do mesmo período. O parâmetro analítico considera bom um crescimento acima do crescimento do PIB do país
ou setor.
67
A participação de mercado tomou por base o conceito empregado por Oliveira Júnior (1996:34), que destaca
que esta análise deverá ser feita por produto, sendo que este índice “mede a capacidade de vendas ou
recebimento da empresa em relação ao seu mercado relevante de atuação. O parâmetro analítico utilizado indica
que, quanto menor for o índice obtido, mais fraca é a participação no mercado, sendo indicada inclusive uma
reflexão sobre a continuidade e viabilidade da atividade (<0,1=ruim); quanto maior for o índice obtido melhor
será a hegemonia e o domínio no produto da região de atuação (>0,5 =excelente).
162
quanto na comercialização de produtos de associados, a área de maior atuação da
cooperativa era a municipal, sendo este o mercado de atuação principal das cooperativas.
Estas áreas, por sua vez, ainda sofrem a influências dos fenômenos climáticos, acarretando
períodos cíclicos de declínio e recuperação da produção.
Quando a cooperativa comercializava a produção de leite de associados verificouse,
face ao quantitativo informado68, que esta ocorria em índices pequenos, sendo
classificada como ruim a sua participação no mercado de leite local. Portanto, as
estratégias de investimento à própria e as mercadológicas adotadas não foram suficientes
para aumentar a recepção de produtos dos associados e a participação no mercado. A
postura de continuar atuando no mercado diante de tantas adversidades, sem um auxílio de
mecanismos que possibilitem reverter o quadro atual, coloca em risco a própria viabilidade
do empreendimento.
9.3.2 EFICIÊNCIA SOCIAL E DE RECURSOS HUMANOS
No desempenho social, foram escolhidos quatro indicadores para refletirem a
eficiência das cooperativas, pois devido à sua especificidade, estas organizações têm o
sucesso econômico atrelado aos êxitos nos setores sociais e políticos.
9.3.2.1 Faturamento por associado69
As cooperativas, no geral, possuem um faturamento por associado muito baixo,
inferior a meio salário mínimo no decorrer do ano, de apenas R$ 40,17 reais/ano em 1998.
Deve-se salientar que a análise individual por grupo demonstrou que o faturamento por
cooperado nas organizações do GRUPO 1, que possui maior número de cooperados, é de
apenas R$ 34,50 reais/ano, menor do que o observado nas organizações do GRUPO 2, de
R$ 276,89 reais/ano. Contudo, entro as cooperativas do próprio GRUPO 2, há uma
diferença muito grande entre os valores observados.
68
Vide item 9.2.4.6.2
O faturamento por associado mede, segundo Oliveira Júnior (1996:48), a “relação entre a atividade
operacional (vendas) e o número de associados”. Não há um parâmetro analítico ideal. Contudo, se o índice for
baixo e apresentar um declínio crescente ano a ano, pode ser indício de desvio da produção ou queda do valor real
dos produtos.
69
163
Desta forma, mesmo considerando que os produtores associados não dispunham de
muitos recursos, verificou-se também que os próprios associados operam em reduzida
escala com a cooperativa, preferindo, muitas vezes, efetuarem
suas compras nos
concorrentes. Isto contribui para o baixo desempenho das vendas e, portanto, baixo
faturamento e menor quantidade de recursos para investimentos, os quais tenderiam a
beneficiar os próprios associados.
9.3.2.2 Associados ativos em relação ao número total de associados70
Ao tomarmos por base os cooperados que receberam empréstimo como sendo os
associados ativos, verificou-se um índice na relação associados ativos/associado total da
ordem de 42,47%, sendo que nas cooperativas do GRUPO 1 o valor desta relação é de
34,33% e no GRUPO 2 é de 46,49%.
Estes índices são considerados ruins e diagnosticam que há um desvio da produção,
havendo insatisfação e incompreensão doutrinária.
Estes fatos reforçam outros itens de análise da eficiência de atuação das
cooperativas, podendo ser confirmados nos dados contidos no perfil das cooperativas,
anteriormente citados.
9.3.2.3 Participação dos associados nas assembléias 71
70
Para Oliveira Júnior (1996:52), este índice “mede a participação dos associados na vida da cooperativa e
orienta sobre o grau de satisfação dos mesmos, e sua compreensão da filosofia empresarial das cooperativas”,
sendo obtido através da relação entre o número de associados ativos e o número de associados totais. Os
parâmetros analíticos consideram que num percentual inferior a 30%, a situação é ruim, sem nenhuma
legitimidade do quadro social, entre 30% e 50% ainda é ruim, havendo desvio da produção, entre 50% e 705 é
regular, entre 70 e 90% é boa e acima de 90% é excelente.
71
Este índice, segundo Oliveira Júnior (1996:53), “mede o grau de interesse dos associados em participar e
obter informações sobre a estratégia e resultados da sua empresa”, sendo obtido através da relação entre os
associados que participaram da última assembléia e o número de associados totais. Os parâmetros analíticos que
apontam para este item indicam que para um índice inferior a 10% a eficiência é ruim, entre 10 e 30% é regular,
entre 30 e 50% é boa e acima de 50% é excelente.
164
O grau de interesse dos cooperados pelas cooperativas pode ser considerado
regular, uma vez que o percentual de participação na última Assembléia Geral Ordinária,
realizada em 1998, obteve um índice de 27% na freqüência de associados.
Contudo, deve-se ressaltar que as cooperativas do GRUPO 2 apresentaram índice
de 61,7% na participação de associados, sendo classificado como excelente, enquanto que
as cooperativas do GRUPO 1 apresentaram índice de aproximadamente 20%, apontado
como regular.
Estes valores permitiram a seguinte avaliação: os interesses dos cooperados pela
sua organização não eram prioritários, e o espírito participativo deixou a desejar,
ocorrendo ocasionalmente. Porém, isoladamente, a situação do GRUPO 2 apresentou-se
um pouco melhor, pois os interesses dos cooperados pela sua organização foram maiores e
houve mais espírito de participação, segundo parâmetros analíticos propostos.
9.3.2.4 Quantidade de funcionários e técnicos por associados.72
As cooperativas dispõem em geral de 1 funcionário para cada 108 cooperados e de
1 técnico (agrônomo, veterinário ou técnico agrícola) para cada 755 associados. Nas
cooperativas do GRUPO 1, a relação é de 1 funcionário para cada 132 cooperados e de 1
técnico para cada 836 associados, enquanto que no GRUPO 2 é de 1 funcionário para cada
64 associados e de 1 técnico para cada 514 associados.
Ao analisar especificamente o número de técnicos observou-se que embora
algumas cooperativas afirmassem ter serviços de assistência técnica e de extensão rural,
estes deixaram a desejar, dada as proporções da relação associados / técnico dos
parâmetros analíticos, sendo um elemento de entrave no processo de melhoramento do
72
O índice associados/funcionários, de acordo com Oliveira Júnior (1996:58), “avalia a necessidade de
funcionários para fazer frente às necessidades de serviços e transformação dos produtos dos associados” , sendo
obtido pela relação entre o número de associados e o número de funcionários. Os parâmetros analíticos utilizados
na avaliação deste índice devem ser comparativos em relação às empresas do mesmo ramo. O índice
associados/técnicos, segundo Oliveira Júnior (1996:59), “avalia a capacidade de prestação de serviços de
extensão rural nas cooperativas agropecuárias. Este indicador tem relação direta com a melhoria de rendimento
das lavouras e criações e com o grau de absorção de tecnologias dos associados produtores rurais”. Obtém-se
este índice através da relação entre o número de associados da cooperativa e o número de técnicos de extensão
rural e assistência técnica. Os parâmetros analíticos para cooperativas agrícolas indica que a relação 1:>200 é
péssima, 1: 160<200 é ruim, 1: 120<160 é regular, 1: 80<120 é bom e 1:<80 é excelente.
165
rebanho e da produção.
9.4 Visão das cooperativas quanto a perspectivas futuras
A visão dos dirigentes das cooperativas quanto ao futuro dos seus negócios a
curto/médio prazo procurou estabelecer quais os fatores que são barreiras ou entraves ao
desenvolvimento dos negócios de suas respectivas organizações e quais as estratégias que
pretendem adotar para contorná-las.
9.4.1 TENDÊNCIAS NOS AGRONEGÓCIOS
As cooperativas, de maneira geral, manifestaram intenção nos próximos dois anos
de aumentar os seus negócios, em 53,8% dos casos. Entretanto, verificou-se uma total falta
de perspectiva quanto ao futuro dos negócios, em 38,5% dos casos, reforçando a ausência
de planejamento (Tabela 95).
Nas cooperativas do GRUPO 1, apesar de 50% delas manifestarem pretensão de
aumentar os seus negócios, ainda existe um grande número, 33,3% dos casos, que não
esboçaram perspectiva nenhuma quanto ao futuro, ocorrendo inclusive a alternativa de
encerrar as atividades, em 16,7% das organizações. Nas cooperativas do GRUPO 2
observou-se dois subgrupos distintos, onde 57,1% intencionavam aumentar os seus
negócios e 42,9% não tinham perspectiva nenhuma para os próximos 2 anos.
Tabela 95 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo as perspectivas para os
próximos dois anos, por grupo
Item resposta
Grupo 1
Grupo 2
TOTAL
166
N
%
N
%
N
%
Aumentar os agronegócios
Continuar igual
Diminuir os agronegócios
Encerrar as atividades
Não tem previsão
3
1
2
50,0
16,7
33,3
4
3
57,1
42,9
7
1
5
53,8
7,7
38,5
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.4.2 BARREIRAS EXISTENTES E ESTRATÉGIAS DE ATUAÇÃO
Com relação aos principais entraves ao desenvolvimento dos negócios, a maioria
das cooperativas destacou três fatores: a falta de recursos financeiros como o principal
obstáculo ao crescimento dos negócios, apontada em 92,3% dos casos, além do excesso da
carga tributária e o pequeno volume da produção, ambos em 53,8% dos casos (Tabela 96).
Quanto à forma de obtenção destes recursos para promover o crescimento da
cooperativa, observou-se que os empréstimos bancários representaram a opção destacada
pela maioria das cooperativas, 85,7% dos casos, seguidos da integralização de capital
pelos cooperados, em 57,1% das cooperativas (Tabela 97).
Nas cooperativas do GRUPO 1, verificou-se que três fatores, a falta de recursos
financeiros, o excesso de carga tributária e o pequeno volume da produção, destacaram-se
como motivos de entrave ao crescimento dos negócios cooperativos, sendo o apoio
governamental e o crédito bancário foram os dois principais instrumentos que se
intecionava utilizar para contornar estas barreiras.
Nas cooperativas do GRUPO 2, além dos fatores citados anteriormente, destacouse
um alto percentual de cooperativas que apontaram a falta de parceria entre elas
próprias, como elemento de entrave ao crescimento dos negócios. O crédito bancário
destacou-se como o instrumento mais freqüente a ser utilizado para contornar os entraves,
sendo porém alto o percentual daqueles que desejavam também fazê-lo através da
integralização de capital dos associados, do apoio governamental e da parceria entre
cooperativas, o que demonstra uma preocupação quanto a uma possível integração para
melhor atuação nos agronegócios locais.
167
Tabela 96 - Freqüência dos principais entraves que poderão impedir o desenvolvimento dos
agronegócios da cooperativa, por grupo
Item resposta
Grupo 1
N
%
N
Grupo 2
%
TOTAL
N
%
Falta de estrutura física
Volume pequeno da produção
Falta de recursos financeiros
Desenvolvimento do mercado
Localização geográfica
Falta de pessoal especializado
Carga tributária
Falta de parceria intercooperativa
Outros
2
4
5
2
2
3
1
-
33,3
66,7
83,3
33,3
33,3
50,0
16,7
-
3
3
7
2
1
2
4
3
2
42,9
42,9
100,0
28,6
14,3
28,6
57,1
42,9
28,6
5
7
12
4
1
4
7
4
2
38,5
53,8
92,3
30,8
7,7
30,8
53,8
30,8
15,4
BASE
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
Tabela 97 - Freqüência dos recursos que intenciona utilizar como forma de aumentar os
agronegócios, por grupo
Item resposta
Grupo 1
N
%
N
Grupo 2
%
TOTAL
N
%
Capital da própria cooperativa
Crédito de fornecedores
Capital dos cooperados
Adiantamento de clientes
Bancos
Parceria com outras cooperativas
Apoio governamental
Parceiros (outros)
Outros
1
1
2
1
1
1
1
33,3
33,3
66,7
33,3
100,0
33,3
33,3
2
3
4
3
3
2
-
50,0
75,0
100,0
75,0
75,0
50,0
-
2
1
4
6
4
4
3
1
28,6
14,3
57,1
85,7
14,3
14,3
42,9
14,3
BASE
3
-
4
-
7
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
9.4.3 APOIO INSTITUCIONAL
As cooperativas, citaram conhecer 12 instituições de apoio aos agronegócios
cooperativos do setor pecuário, além do Banco do Nordeste, as quais foram agrupadas em
dois grupos distintos: as governamentais e as não governamentais.
No setor governamental foram citados os seguintes órgãos: a EMATER, em 38,5%
dos casos, seguido da Secretaria de Agricultura do Estado de Pernambuco, PRORURAL,
ITEP, além de prefeituras municipais, em 15,4% dos casos. O principal apoio recebido foi
assistência técnica e capacitação, com um nível geral de satisfação regular. Nos casos em
que as cooperativas conheciam as instituições sem, contudo, terem recebido apoio, a
burocracia excessiva, o prazo demorado para atendimento dos pleitos e a divergência
168
política foram os itens mais citados, havendo casos onde a própria cooperativa não buscou
o apoio destas instituições (Tabela 98).
No setor não governamental foram citadas as seguintes instituições: OCEPE, em
46,2% dos casos, SEBRAE, em 23,1% dos casos, OCB, COOSEPE, Sindicato dos
trabalhadores rurais, Igreja Católica, em 15,4% dos casos, e AMAS em 7,7% dos casos. O
principal apoio recebido foi o de assessoramento e capacitação, onde consideravam-se
satisfeitos.
Tabela 98 – Freqüência nas cooperativas, segundo o conhecimento de entidades de apoio aos
agronegócios cooperativos ligados ao setor pecuário de leite, por grupo
Entidades
N
Grupo 1
%
N
Grupo 2
%
TOTAL
N
%
GOVERNAMENTAIS
Secretaria de Agricultura do Estado
EMATER
PRORURAL
ITEP
Prefeitura Municipal
2
2
2
-
33,3
33,3
33,3
-
3
2
2
42,9
28,6
28,6
2
5
2
2
2
15,4
38,5
15,4
15,4
15,4
NÃO GOVERNAMENTAIS
SEBRAE
OCB
OCEPE
AMAS
COOSEPE
Sindicato dos Trabalhadores Rurais
Igreja Católica
2
2
3
1
1
1
33,3
33,3
50,0
16,7
16,7
16,7
1
3
1
2
1
14,3
42,9
14,3
28,6
14,3
3
2
6
1
2
2
2
23,1
15,4
46,2
7,7
15,4
15,4
15,4
BASE1
6
-
7
-
13
-
Fonte: Pesquisa de campo, 1999
169
10
CONCLUSÕES E SUGESTÕES
As observações à cerca do FNE como um instrumento de política pública de apoio
e estímulo às atividades produtivas nordestinas, mais especificamente no segmento
cooperativo ligado ao setor pecuário de leite de Pernambuco pesquisado, proporcionaram,
tomando por base os objetivos e o marco referencial da pesquisa, conclusões em razão dos
questionamentos e hipótese levantados.
O aporte de recursos financeiros às cooperativas, embora tenha contribuído, e
muito, para melhorar as condições físicas, os equipamentos e a frota de veículos e tratores
disponíveis, não foi suficiente para torná-las mais competitivas. A ausência de um
planejamento setorial integrado, a visão da cooperativa apenas como agência de repasse de
crédito, o paternalismo nas relações com os associados, a exigüidade dos recursos
financeiros e humanos, o despreparo do quadro administrativo para o processo de gestão,
além da inexistência de educação integral para os cooperados, constituíram-se elementos
de entrave, impedindo a superação de barreiras pelas cooperativas na cadeia produtiva do
leite.
A forma que se optou para efetuar os comentários destes resultados foi a de
estruturá-los em tópicos, inclusive com sugestões, tendo a intenção de contribuir para que
as ações que, porventura, possam ser desenvolvidas para este segmento, possam ter êxito e
sustentabilidade.
10.1
A ausência de um planejamento integrado.
As transformações que ocorreram entre 1990 e 1998, mais especificamente nos
agronegócios do leite, impuseram ao setor um novo ritmo, não apenas no campo
biotecnológico, mas administrativo-financeiro. Deste modo, ações e trabalhos a serem
efetuados envolvendo agronegócios do leite deveriam estar embasados dentro de uma
perspectiva sistêmica.
As cooperativas de Pernambuco foram as que receberam maior volume de recursos
do FNE para atividades no setor pecuário na região Nordeste. Através destes
investimentos, procurava-se aumentar e regularizar a produção dos cooperados,
170
permitindo, posteriormente, condições mínimas à criação de agroindústrias, de modo a
agregar mais valor aos produtos, proporcionando aos produtores rurais maior poder de
influência na cadeia produtiva do leite, pelo menos nos municípios em que estavam
sediadas. Contudo, ações balizadoras não se fizeram acompanhar.
O processo de discussão e planejamento dos projetos, encaminhado pelos órgãos
governamentais ou não, difusores do programa do FNE, desenrolaram-se isoladamente,
por cooperativa, inibindo questões de interesse comum a todos os produtores, como
processos integrados regionais para aquisição de ração,
comercialização, e até o
beneficiamento da produção leiteira. Estas ações, por conseguinte, só surtiriam efeitos se
ocorressem dentro da perspectiva de
economia de escala, obtendo-se vantagens e,
portanto, maior competitividade, e poderiam ter sido objeto de uma maior atenção,
juntamente com maior harmonia política nos setores econômicos, sociais e agrícolas de
Pernambuco. Desta maneira, os investimentos financiados teriam um caráter sustentável,
sendo maximizados recursos e minimizados custos por unidade cooperativa.
O estímulo à criação de cooperativas em uma mesma área de atuação, quer por
parte das entidades governamentais ou não, constitui-se numa estratégia que desencadeou
a concorrência e a divergência entre o próprio setor cooperativo local, dificultando ações
de caráter sistêmico entre os diversos projetos.
As cooperativas também desconsideraram a estratégia de fusão adotada por
empresas do setor lácteo como forma de fortalecê-las, ampliando o domínio de mercado.
Portanto, perdeu-se a oportunidade de construir um eficiente sistema cooperativo estadual
leiteiro, capaz de favorecer a pequena produção.
10.2
A visão das cooperativas apenas como agências de repasse de crédito
Diante da redução no montante de crédito rural disponibilizado pelo Estado entre
1990 e 1998, os mini e pequenos produtores de Pernambuco foram atraídos pela política
de crédito e incentivos financeiros oferecidos pelo FNE às organizações cooperativas
regionais.
A entrada dos órgãos governamentais e não governamentais estaduais neste cenário
171
só reforçou e catalisou os anseios dos produtores rurais para formação de novas
cooperativas, com vistas a obter recursos.
É certo que se necessitava e se continua a carecer de recursos para os produtores
rurais, para aumentarem a produtividade e mitigarem os efeitos de estiagens prolongadas,
dando estabilidade à produção estadual. Porém, segundo a opinião dos dirigentes das
cooperativas e dos dados encontrados, estas metas não ocorreram conforme o esperado.
As cooperativas financiadas não foram capazes de aglutinar a produção de leite nos
municípios em que estavam sediadas, não congregando sequer a produção dos cooperados
beneficiados pelo empréstimo. Este fato ocorreu, apesar das cooperativas terem aplicado
recursos para aquisição de veículos para transporte e comercialização da produção. Assim,
os demais agentes locais de comercialização de leite continuaram a ter mais influência que
as cooperativas. Isto alicerça as críticas ao setor, dificultando, numa etapa posterior, novos
empreendimentos cooperativos.
As perspectivas de instalações agroindustriais, através de unidades de resfriamento
e transformação da matéria-prima, embora pudessem ser visualizadas como meio de tornar
a cooperativa mais competitiva, tendem a ser objeto de preocupação diante da realidade
apresentada.
Dentro desta ótica, verificou-se que o foco principal de todos os envolvidos no
processo durante o período considerado na pesquisa esteve voltado para a captação de
recursos, comprometendo a eficiência nas suas aplicações. Os erros estratégicos cometidos
num passado recente continuam a ocorrer, inclusive em cooperativas novas, criadas na
década de 90, o que permite concluir que não houve avanços significativos concretos à
cerca da finalidade e do papel real das cooperativas, quer para os produtores rurais ou para
os poderes públicos.
10.3
O paternalismo nas relações com os associados
O produtor beneficiado com empréstimo do FNE, somente manteve um vínculo
mais forte com as cooperativas na fase imediatamente anterior e posterior ao empréstimo.
Finda a liberação de todas as parcelas do financiamento, observou-se que os cooperados
172
não mais consideraram as cooperativas como empresas para realizarem as suas operações
de compra de insumos e comercialização da produção.
Desta maneira, após receberem recursos financeiros repassados via cooperativa
para incrementarem a produção e verem estas suas organizações dotadas de uma infraestrutura mínima, os cooperados desviavam a produção, comercializando com outros
agentes locais o leite produzido e passavam a adquirir insumos nos estabelecimentos
concorrentes, sendo em vão as estratégias empregadas pelas cooperativas para reverter este
quadro. A ausência de qualquer punição para com os cooperados infiéis constituiu-se em
uma prática observada, promovendo uma reação em cadeia, pois estimulava os demais
cooperados a adotarem a mesma postura.
Portanto, constatou-se que as relações deturpadas entre as cooperativas e seus
cooperados,
observadas
outrora,
perpetuaram-se
em
organizações
mais
novas,
contribuindo desta forma para o enfraquecimento destas empresas cooperativas.
10.4 A exigüidade dos recursos financeiros e humanos
A aplicação dos recursos financeiros de origem externa nas cooperativas não foi
suficiente para promover uma transposição de barreiras tecnológicas, uma vez que a
carência era demasiadamente grande. Portanto, esta seria uma pré-condição para que a
segunda fase desta etapa de crescimento pudesse ser implementada, superando, desta
forma, as barreiras de mercado e de matéria-prima, e dando continuidade ao ciclo de
crescimento da organização.
Outro agravante é que os recursos humanos empregados nas áreas administrativas,
financeiras e técnicas não se revelaram capazes de incrementar, de maneira geral, as ações
das cooperativas. O corpo técnico capaz de efetuar trabalho de extensão rural e educação
cooperativa, mesmo após o empréstimo do FNE, revelou-se insuficiente para suprir a
carência de assistência técnica aos associados. O processo de enxugamento dos órgãos
tradicionais de extensão rural do estado agravou ainda mais este quadro.
Os programas tecnológicos implantados ou incrementados pelo empréstimo,
embora tenham elevado o nível tecnológico dos produtores, dificilmente promoverão um
173
melhoramento contínuo da produtividade ou sequer a manutenção dos níveis adquiridos,
face à ausência de uma assistência técnica permanente. Portanto, investimentos realizados
pelos cooperados visando elevação de renda tendem a se esvair, revelando-se inócuos os
esforços feitos pelas cooperativas para aumentar os seus negócios. Esta constatação
decorre do seguinte raciocínio: mantidas as condições atuais, a produção dos associados
deverá, no máximo, estabilizar-se em um patamar ligeiramente superior aos índices
anteriores ao empréstimo, havendo, portanto, uma pequena variação na quantidade de
insumos a ser consumida e matéria-prima a ser comercializada.
10.5
O despreparo do quadro administrativo no processo de gestão
Os gestores das cooperativas necessitam de uma visão apurada da conjuntura
econômica setorial, no caso do leite, além de um conhecimento dos processos de
administração cooperativa e dos indicadores de desempenho organizacional.
Nas cooperativas pesquisadas, de maneira geral, o que se verificou foi a existência
de vários setores ou departamentos, bem como vários instrumentos de gestão
administrativa, sendo usualmente dirigidos e utilizados, respectivamente, por uma diretoria
que possui baixo nível de escolaridade e pouca afinidade com a estrutura organizacional
proposta. Assim, esta estrutura departamental, implementada ou reforçada por ocasião do
empréstimo, não foi devidamente assimilada por conta da cultura organizacional vigente,
bem como, pela falta de um processo de capacitação empreendedora.
A presença de um processo de capacitação empresarial cooperativo para a direção
administrativa realizado de maneira contínua, antes, durante e após o empréstimo, deveria
ser condicionante básico para a liberação dos recursos. Desta maneira, seriam
potencializados meios para que os diretores tomassem ciência da importância da
administração estratégica como forma de implementar uma nova cultura cooperativa. A
transformação dos dirigentes em agentes de desenvolvimento poderia ser capaz de auxiliar
o sentimento empresarial cooperativo em todo o quadro de associados.
Diante da não utilização de instrumentos de gestão, a exemplo da falta de
planejamento estratégico e de organização observada nas cooperativas pesquisadas, a
capacitação para diretores e funcionários constitui-se no recurso para reverter esta
174
situação. Assim, um passo inicial estaria sendo dado na construção de uma organização
cooperativa capaz de competir dentro do mercado local.
10.6
Inexistência de educação integral para os cooperados
A educação, formal e cooperativa, e a capacitação, empresarial e tecnológica, são
fundamentais para que se possa reverter o quadro de atraso que atinge os associados que
desenvolvem atividades no setor pecuário. Contudo, não se deve esquecer de inserir neste
processo, a mão-de-obra familiar empregada pelos mini e pequenos produtores cooperados
nas atividades de produção de leite.
Ao se adotar a estratégia de formação integral contínua para os cooperados e seus
familiares, mesmo que não desempenhada diretamente pela própria cooperativa, estará
sendo assegurado não apenas a compreensão da doutrina e da empresa cooperativa, mas
também o êxito dos processos produtivos e comerciais, e o próprio futuro da organização.
Embora as cooperativas tenham afirmado possuir programas ou setores de
educação cooperativa e capacitação, diante dos resultados encontrados, duas afirmações
podem ser válidas: ou estes programas e setores não funcionam, ou então são realizados de
forma superficial e de maneira descontínua.
A duração e a forma dos meios de
capacitação permitiu, quando muito, uma visualização genérica dos assuntos, dada à
rapidez com que foram efetuados, e somente na época da liberação do empréstimo.
Aliás, a própria falta de educação formal encontrada entre os cooperados e os
diretores vem a ser um bloqueio na construção de um novo modo de produção. Portanto,
para que o produtor rural e a sua cooperativa possam inserir-se dentro deste paradigma
tecnológico, há necessidade de uma formação integral. Por sua vez, esta educação
proporcionará condições aos cooperados de discutir e elaborar estratégias de atuação em
um mercado altamente competitivo, através da compreensão da interrelação entre os
diversos integrantes da cadeia produtiva, levando em conta os aspectos tecnológicos,
financeiros e de hábitos de consumo, por exemplo.
Os empregados das cooperativas, parceiros desta empreitada, deveriam também
comungar da mesma formação, para que os processos administrativos cooperativos
175
incorporados na capacitação favorecessem o crescimento contínuo da organização, de suas
atividades e, conseqüentemente de seus cooperados.
10.7 Considerações finais
A categoria dos mini e pequenos produtores agrupam a maior parcela dos
produtores de leite de Pernambuco, sendo esta também a composição do quadro de
associados das cooperativas. Normalmente, esta categoria de produtores tem dificuldades
de acesso ao crédito e às tecnologias para melhorar a produção e a produtividade.
As cooperativas revelaram-se um instrumento, por excelência, para difusão do
crédito aos micro e pequenos produtores, no caso, através de recursos do FNE,
oportunizando chances para que estes pudessem realizar investimentos. Esta estratégia de
pulverização do crédito, utilizando-se de estruturas organizacionais associativas, por sua
vez, constituiu-se em um direcionamento adotado pelo agentes gestores e operadores do
FNE na região Nordeste. Portanto, percebe-se que o processo associativo rural em
Pernambuco sofreu notória influência do FNE, sendo desencadeada a formação de novas
cooperativas.
A pesquisa efetuada, embora não tenha pretensão de generalizar as conclusões para
todo o segmento cooperativo ligado ao setor primário em Pernambuco contemplado com
recursos do FNE, apresentou indicadores e conclusões que poderão servir de auxílio para
processos de análise setorial e aprimoramento das políticas públicas.
O baixo nível de educação e qualificação dos produtores rurais estaduais constituise em objeto de preocupação, não apenas por parte das instituições gestoras do FNE, mas
de entidades governamentais ou não, estaduais ou nacionais. É louvável, inclusive, a
disponibilização de recursos pelo FNE para promoção de capacitação
e assistência
técnica. Todavia, observou-se que a aplicação destes recursos mereceria ser objeto de
maiores questionamentos, em virtude dos meios e dos métodos adotados para realizá-las,
ante ao quadro de despreparo e desqualificação profissional encontrado e ao descompasso
existente entre programas do agente financeiro para capacitação firmado com organismos
internacionais. Desta forma, devería-se atentar mais para estes fatores, os quais se
apresentam como condicionantes e determinantes na viabilidade dos empreendimentos
176
cooperativos.
O processo de capacitação e educação integral dos associados e seus familiares
deveria ser permanente, possibilitando a formação de verdadeiros empreendedores rurais
embuídos do cerne cooperativo. Este processo permitiria aos produtores cooperados
qualificação para discutirem e opinarem, juntamente com os demais agentes estaduais e
municipais de desenvolvimento econômico, uma política regional para o mercado do leite,
destacando prioridades e estabelecendo uma planta mínima agroindustrial cooperativa
regional e estadual, implementando efetivamente uma nova proposta de desenvolvimento.
A liberação total dos recursos, dentro deste processo, proporcionaria uma situação
onde os produtores associados seriam agentes ativos de um processo de mudança,
tendendo a alcançar uma situação de competitividade.
Contudo, diante das limitações de recursos e ante a demanda reprimida por crédito
para investimento no setor, podería-se, pelo menos, assegurar, através de acordos de
cooperação entre instituições de ensino e pesquisa no estado, um programa mínimo de
capacitação de longa duração. Esta por sua vez seria aplicada junto ao quadro de
associados das cooperativas que obtiveram financiamento, bem como para as que estão em
vias de obtê-lo, de modo a minimizar os riscos e maximizar as condições de êxito, não
apenas das unidades produtivas dos cooperados, mas da própria cooperativa financiada e
da operação efetuada.
A conjunção de esforços para retirar da inércia este grande sistema cooperativo
estadual ligado a pecuária de leite é uma necessidade premente, não apenas através do
aporte de maior volume de crédito, mas de um processo de educação eficaz. Os resultados
deste processo beneficiaria não apenas os mini e pequenos produtores de leite, mas o
próprio consumidor final, que contará, através destes novos empreendimentos com uma
diversidade maior de produtos, com qualidade. A economia estadual e regional como um
todo seria favorecida, ante o volume de operações a serem realizadas, sendo injetados mais
recursos nas atividades produtivas locais, gerando mais emprego e renda, interiorizando as
atividades agroindustriais.
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187
12 ANEXOS
12.1 Programas e atividades do Banco do Nordeste contempladas com
recursos do FNE a partir de 1998
12.1.1 PARA INVESTIMENTOS
ATIVIDADES
CONTEMPLADAS
AGRICULTURA IRRIGADA
AGRICULTURA NÃOIRRIGADA
FRUTICULTURA
PECUÁRIA
AGROINDÚSTRIA
INDÚSTRIA
TURISMO
GERAÇÃO DE EMPREGO E
RENDA
MEIO AMBIENTE
DIFUSÃO TECNOLÓGICA
RURAL
PROGRAMAS /PRODUTOS
• Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural
do Nordeste - RURAL
• Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural
do Nordeste - RURAL
• Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural
do Nordeste - RURAL
• Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural
do Nordeste - RURAL
• Programa de Apoio ao desenvolvimento da
Agroindústria do Nordeste ( AGRIN )
• Programa de Apoio ao Setor Industrial do
Nordeste - ( INDUSTRIAL)
• Programa de Apoio ao Desenvolvimento
Tecnológico (PRODETEC)
• Programa de Apoio ao Turismo Regional
(PROATUR)
• Programa de Fomento à Geração de Emprego e
Renda do Nordeste do Brasil (PROGER) *
• Programa de Apoio Gerencial e Financeiro ao
Trabalhador Autônomo de Baixa Renda - PRÓRENDA
• Programa da Terra
• Programa de Financiamento à Conservação e
Controle do Meio Ambiente (FNE-VERDE)
• Programa de Apoio à Reorientação da Pequena e
Média Unidade Produtiva Rural do Semi-Árido
Nordestino – PRODESA
• Programa de Apoio ao Desenvolvimento
Tecnológico (PRODETEC)
Fonte : Barbosa et al. (1998)
*Este programa conta também com os recursos do FAT/FDR
188
12.1.2 PARA CAPITAL DE GIRO
Finalidade: Suprimento de recursos financeiros destinados às atividades relacionadas
abaixo.
a - CRÉDITO DE CUSTEIO
ATIVIDADES
CONTEMPLADAS
AGRÍCOLAS , PECUÁRIAS,
BENEFICIAMENTO DOS
PRODUTOS
AGROPECUÁRIOS
PROGRAMAS /PRODUTOS
• Programa de Apoio à Reorientação da Pequena e
Média Unidade Produtiva Rural do Semi-Árido
Nordestino - PRODESA
• Programa de Apoio às Inovações Tecnológicas
(PRODETEC)
• Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural
do Nordeste - RURAL
• Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro para o
Desenvolvimento dos Cerrados - 3ª Fase
(PRODECER III) *
Fonte: Barbosa et al. (1998)
*Este programa também conta com outras fontes de financiamento.
II. b - OUTROS CRÉDITOS
ATIVIDADES
CONTEMPLADAS
AGRICOLAS , PECUÁRIAS,
AGROINDUSTRIAIS,
INDUSTRIAIS, COMERCIAIS
E DE SERVIÇOS.
PROGRAMAS /PRODUTOS
• Créditos para Comercialização *
Fonte: Barbosa et al. (1998)
Este programa também conta com recursos da Poupança Rural, Recursos Obrigatórios e STN.
*
189
12.2 Questionário aplicado nas cooperativas
Universidade Federal Rural de Pernambuco -UFRPE
Mestrado de Administração Rural e Comunicação Rural – CMARC
PESQUISA SOBRE A COMPETITIVIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA NOS
AGRONEGÓCIOS COOPERATIVOS PECUÁRIOS DE PERNAMBUCO FINANCIADOS
COM RECURSOS DO FNE ENTRE 1990-1995
a) NOME DA COOPERATIVA____________________________________________________________________
b) MUNICÍPIO _________________________________ c) DATA FUNDAÇÃO COOPERATIVA_____/________
Seção I
1. DADOS GERAIS DA COOPERATIVA
1.1.1 ÁREA DE ATUAÇÃO
¹
Só distrito
1.1.2 O NEGÓCIO DA COOPERATIVA
1.1.3 LOCAL DA SEDE
²
Só Município
¹ Só Pecuário ²
¹ Zona Urbana ²
Zona Rural
³
Mais de um município
Só Agrícola
³
4
Outros (citar)
Agropecuário
Agroindustrial
4
1.1.4 DATA OBTENÇÃO EMPRÉSTIMO FNE ____/____
1.2 INSTALAÇÕES
1.2.1 A SEDE DA COOPERATIVA É ¹
Própria
² Alugada
³ Cedida
SE PRÓPRIA , adquirida em ___/___
1.2.2 A COOPERATIVA POSSUI
¹
Propriedades rurais
(Quantas?___)
²
Galpões / Armazéns (Quantos?___)
³
Não possui outros imóveis
1.2.2.1 ALGUM IMÓVEL ACIMA FOI ADQUIRIDO OU CONSTRUÍDO ATRAVÉS / APÓS EMPRÉSTIMO FNE?
¹ Sim ² Não
EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS ?
1.2.3 ASSINALE OS ITENS QUE EXISTEM NA COOPERATIVA E A QUANTIDADE
¹
Telefone
(Quantos? ____)
²
Fax
4
Rádio Comunicador
(Quantos ?_____)
5
Internet
(Quantos? ____)
³
Computador
(Quantos?____)
6
Telex
(Quantos ?____)
7
Outros (citar)
8
Não dispõe de nenhum equipamento citado
1.2.3.1 ALGUM ÍTEM ACIMA FOI ADQUIRIDOS ATRAVÉS / APÓS EMPRÉSTIMO FNE?
¹ Sim ² Não
EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS ?
1.3 QUADRO ADMINISTRATIVO
1.3.1 DADOS PESSOAIS DO DIRETOR PRESIDENTE
A) SEXO
¹ Masc
D) ESCOLARIDADE
² Fem
¹
B) IDADE
Sem escolaridade | ²
C) DEDICAÇÃO
1° Grau Menor | ³
1° Grau Maior
| 4
¹
²
Integral
2° Grau | 5
Parcial
Superior | 6 Outros____
1.3.2 QUANTAS PESSOAS A COOPERATIVA TEM NA DIRETORIA ?
Nº
(
)
1.3.3 N° DE DIRETORES REMUNERADOS ( Pró-Labore, salários, etc)
Nº
(
)
1.3.4 QUAL O PRINCIPAL DIRETOR REMUNERADO ?
CARGO
1.3.5 INDIQUE A QUANTIDADE DE FUNCIONÁRIOS DA COOPERATIVA NO PERÍODO
1995
N° (
)
1996
Nº (
)
1997
Nº (
)
1998
Nº (
)
190
1.3.5.1 QUAL O NÍVEL DE ESCOLARIDADE DOS FUNCIONÁRIOS ( INDICANDO A QUANTIDADE) ?
A) Sem escolaridade Nº (
)
B) 1º Grau Nº (
)
C) 2º Grau Nº (
)
D) Superior Nº (
1.3.5.2 QUANTIDADE ATUAL DE FUNCIONÁRIOS COM ALGUM TREINAMENTO
) E) Outros Nº (
Nº (
)
)
1.3.6 CARGOS EXECUTIVOS E TÉCNICOS REMUNERADOS EXISTENTES ATUALMENTE NA COOPERATIVA
¹
Gerente Industrial
²
4 Gerente Administrativo
7 Veterinário
10 Técnico Informática
Gerente Comercial
³
5 Contador
8 Zootecnista
11 Técnico Contabilidade
Gerente Financeiro
6 Agrônomo
9 Técnico Agrícola
12 Outros (citar)___________
1.3.6.1 ALGUM CARGO ANTERIOR FOI CRIADO DEVIDO / APÓS EMPRÉSTIMO FNE?
¹ Sim ² Não
EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS ?
1.3.7 ASSINALE AS ESTRUTURAS DE GESTÃO ADMINISTRATIVA QUE A COOPERATIVA POSSUI
¹
5
Contabilidade
Financeiro / Econômico
²
6
Propaganda e Marketing
Processamento de Dados
³
7
Planejamento
P&D
4
8
Recursos Humanos
Outros (citar)__________
1.3.7.1 ALGUM SETOR ACIMA FOI CRIADO DEVIDO / APÓS EMPRÉSTIMO FNE?
¹ Sim ² Não
EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS ?
2. PRODUÇÃO
2.1
¹
³
5
7
9
11
13
INDIQUE OS SETORES, SEÇÕES OU DEPARTAMENTOS EXISTENTES NA COOPERATIVA
Compras em comum (revenda)
Crédito / repasse
Serviços de Transporte / Coleta da Produção
Fábrica de Ração
Central de Inseminação Artificial
Educação / Capacitação
Outros (citar)________________________
²
Vendas em comum (comercialização)
4 Patrulha Mecanizada
6 Posto Resfriamento / Armazenamento da Produção
8 Beneficiamento / Industrialização da Produção
10 Assistência Técnica
12 Assistência Social
2.1.1 ALGUM SETOR ACIMA FOI CRIADO ATRAVÉS / APÓS EMPRÉSTIMO FNE?
¹ Sim ² Não
EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS ?
2.2
ASSINALE OS ITENS QUE A COOPERATIVA POSSUI
¹
Caminhões
Caminhonetes
Animal para Arado
4
7
(Quantos?___) ²
(Quantos?___) 5
(Quantos?___) 8
Carros
Motos
Outros
E A QUANTIDADE
(Quantos? ____) ³
(Quantos? ____) 6
(Quantos? ____) 9
Tratores Pneu
(Quantos?___)
Tratores Esteira
(Quantos?___)
Nenhum item citado
2.2.1 ALGUM DESTES ITENS ACIMA FORAM ADQUIRIDOS ATRAVÉS / APÓS EMPRÉSTIMO FNE?
¹ Sim ² Não
2.4 QUAL
A) Estado (
EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS ?
O PERCENTUAL DE VENDAS DA COOPERATIVA PARA
%)
B) Fora do Estado (
%)
C) Fora País (
%)
2..3 QUAIS OS TRÊS MAIORES SETORES EM VOLUME DE FATURAMENTO ENTRE 1996-1998 E O
Nº MÉDIO DE COOPERADOS ATENDIDOS / ANO ?
PRINCIPAIS SETORES
MINI
1.
2.
3.
Nº COOPERADOS BENEFICIADOS
PEQUENOS
DEMAIS
191
3. CONSTITUIÇÃO DO QUADRO SOCIAL
3.1
INDIQUE A QUANTIDADE DE COOPERADOS
3.1.1 CATEGORIA DE PRODUTORES
ASSOCIADOS
QUANTIDADE
1993
1995
1990
1998
1. Mini
2. Pequenos
2. Demais Produtores
TOTAL
3.1.2 QUANTIDADE DE COOPERADOS ATUAIS EM RELAÇÃO A POSSE DA TERRA
A) Posseiros
Nº (
) B) Proprietários
Nº (
)
C) Arrendatários
3.1.3 QUANTIDADE DE COOPERADOS ATUAIS
3.2 NÍVEL
)
D) Outros
Nº (
)
A) Homens Nº (
)
B) Mulheres
Nº (
)
DE ESCOLARIDADE DOS COOPERADOS
A) Sem escolaridade Nº (
3.3
Nº (
)
B) 1º Grau Nº (
)
C) 2º Grau Nº (
)
D) Superior Nº (
)
E) Outros Nº (
)
COOPERADOS CAPACITADOS PELA COOPERATIVA (1990-1995) Nº ( __) E (1996-1998) N°(____)
3.4 A
COOPERATIVA UTILIZA ALGUM CRITÉRIO PARA ADMITIR NOVOS ASSOCIADOS ?
|¹ Sim
3.5 O
² Não |
EM CASO POSITIVO, QUAIS?
¹ Atividade produtiva
³ Renda Bruta Agropecuária Anual
²
4
7
Volume de produção entregue
Área de Terra explorada pelo produtor
Outros (citar)______________
COOPERADO RECÉM-ADMITIDO RECEBE EDUCAÇÃO COOPERATIVA ?
3.6 A COOPERATIVA
|¹ Sim
² Não |
¹ Sim
² Não
UTILIZA ALGUM CRITÉRIO PARA ORGANIZAR OS SEUS ASSOCIADOS ?
EM CASO POSITIVO, QUAIS?
¹ Atividade produtiva
³ Renda Bruta Agropecuária Anual
6 Volume de crédito recebido
²
4
5
7
Volume de produção entregue
Área de terra explorada pelo produtor
Localização geográfica
Outros (citar)______________
ASSINALE AS ATIVIDADES EM QUE OS COOPERADOS PARTICIPAM INDICANDO MÉDIA
PARTICIPANTES
3.7
1990
Atividade
¹
²
³
4
1993
1995
1998
Assembléias Gerais Ordinária
Assembléias Gerais Extraordinária
Reuniões de Núcleo de Base
Reuniões Seccionais / Comitês
4. FINANCIAMENTO DO FNE
4.1
COOPERADOS BENEFICIADOS COM O PRIMEIRO EMPRÉSTIMO FNE?
Nº TOTAL (
)
4.1.1 QUANTIDADE DE COOPERADOS BENEFICIADOS COM FNE, SEGUNDO CATEGORIA
A) Mini
Nº (
)
B) Pequenos
Nº (
)
C) Demais produtores
Nº (
)
4.1.2 QUANTIDADE DE COOPERADOS BENEFICIADOS COM FNE, SEGUNDO POSSE TERRA
A) Posseiro
Nº (
)
B) Proprietário
Nº (
)
C) Arrendatário
Nº (
)
| D) Outros
Nº (
)
192
4.2 O
VALOR DO PRIMEIRO EMPRÉSTIMO SOLICITADO VIA FNE FOI IGUAL AO VALOR
LIBERADO?
|¹ Sim ² Não |
4.2.1 INDIQUE QUAL O
R$_____________
R$_____________
VALOR SOLICITADO? ...............
VALOR LIBERADO ?..................
4.3 APÓS
DATA______/_______
DATA______/_______
1995 A COOPERATIVA OBTEVE NOVOS FINANCIAMENTOS VIA FNE ?
¹ Sim ² Não
EM CASO AFIRMATIVO, EM QUE ANO E PARA QUE ?
4.4 QUAIS
OS PROGRAMAS CONTRATADOS E O VALOR PERCENTUAL DESTES NO EMPRÉSTIMO
TOTAL LIBERADO ?
¹ PROPEC
(
5 PROTERRA (
%)
%)
² PROIR
6 PROGER
(
(
%)
%)
³ PROAGRI (
7 PROCOOP (
%)
%)
4
8
AGRIN
(
Outros (citar)__ (
%)
%)
INDIQUE AS ÁREAS DE APLICAÇÃO DOS RECURSOS LIBERADOS ATRAVÉS DO FNE E AS TRÊS
PRINCIPAIS ATIVIDADES FINANCIADAS ?
4.5
Investimento
Valor Total
(R$)
Custeio
Comercialização
Valor Total
(R$)
Atividades
1___________
2___________
3___________
1___________
2___________
3___________
1.A PRÓPRIA
2.REPASSE
Valor Total
(R$)
Atividades
1___________
2___________
3___________
1___________
2___________
3___________
Atividades
1___________
2___________
3___________
1___________
2___________
3___________
Total
4.6 ASSISTÊNCIA TÉCNICA E CAPACITAÇÃO
4.6.1 INDIQUE O VALOR DESTINADO (EM %) DO EMPRÉSTIMO FNE PARA
A) Assistência Técnica
( _________________ % )
B) Capacitação
( ________________________ % )
4.6.2 ASSINALE OS MEIOS UTILIZADOS PARA MINISTRAR A CAPACITAÇÃO
¹
Cursos
²
Visitas de Campo
³
Seminários
4
Outros (Citar) (_________)
4.6.3 QUEM MINISTROU A CAPACITAÇÃO ?
¹
Pessoal da própria cooperativa
²
Emater
³
SENAR
4
Outros (Citar) (_______________________________)
4.6.4 PARA QUEM FOI DESTINADA A CAPACITAÇÃO ?
¹
Cooperados
²
Familiares dos cooperados
³
Empregados dos cooperados
4.6.5 TOTAL DE PESSOAS CAPACITADAS COM RECURSOS FNE : | A) Homens
Nº (
4
Outros (citar)
) | B) Mulheres
4.6.6 QUEM REALIZOU A ASSISTÊNCIA TÉCNICA ?
¹
Pessoal da própria cooperativa
²
Outros (Citar) (_______________________________)
Nº (
)
193
4.7 QUAIS
OS TRÊS PRINCIPAIS PRODUTOS PRODUZIDOS COM RECURSOS DO FNE, RECEBIDOS
DOS COOPERADOS, PELO COOPERATIVA ENTRE 1996 E 1998 ?
A)
B)
C)
4.7.1 INDIQUE O PERCENTUAL DESTES PRODUTOS COMERCIALIZADO E OU BENEFICIADO PELA
COOPERATIVA ? (UTILIZAR MÉDIA ENTRE 1996 E 1998)
PRODUTOS
UNID
Quantidade recebida dos
cooperados
% Comercializada pela % Beneficiado / Industrializado
Cooperativa
pela cooperativa
4.7.2 INDIQUE A DISTRIBUIÇÃO DA PRODUÇÃO COMERCIALIZADA PELA COOPERATIVA (em %) , E O
PRINCIPAL COMPRADOR / RECEBEDOR DESTE PRODUTO
LOCALIZAÇÃO DO
MERCADO
CONSUMIDOR
1. No estado
2. Fora estado
3. Fora país
PRODUTO 1
Destino
vendas (%)
PRODUTO 2
Principal
comprador *
Destino
vendas (%)
Principal
comprador *
PRODUTO 3
Destino
vendas (%)
Principal
comprador *
Considera-se principais compradores os considerados a seguir: (1) venda direta ao consumidor
(2) intermediário local
(3) atacadista local / regional
(4) agroindústria não cooperativa
(5) outros (citar)
Seção II
5.
INDIQUE O NÚMERO DE ASSOCIADOS QUE RECEBERAM CURSOS DE CAPACITAÇÃO A
PARTIR DA LIBERAÇÃO DOS RECURSOS DO FNE NAS SEGUINTES ÁREAS
1.Gestão ............................ Nº (
3. Comercialização.............. Nº (
5. Outros (citar).................... Nº (
6.
)
)
)
2. Tecnologia / Manejo........................ Nº (
4. Beneficiamento / Industrialização.... Nº (
)
)
O NÚMERO DE COOPERADOS PARTICIPANTES NAS REUNIÕES PARA DECISÃO SOBRE
OS RECURSOS A SEREM OBTIDOS ATRAVÉS DE EMPRÉSTIMO ( FNE E OUTROS) EM %
%
7.
O GASTO MÉDIO MENSAL COM PESSOAL OCUPADO , FUNCIONÁRIOS OU DIRETORES
(SEM ENCARGOS E EM R$ )
VALOR 1993 R$/mês ( __________ )
8.
VALOR 1995 R$/mês ( _________ )
ASSINALE OS INSTRUMENTOS
ADMINISTRATIVA
QUE
A
COOPERATIVA
8.1 GESTÃO FINANCEIRA
8.2 CONTROLE DE MATERIAIS
¹
²
³
¹
²
³
Registros Contábeis
Fluxos de Caixa
Custos
4 Orçamento de Investimentos
5 Mercado de Capitais
6 Outros (citar)____________
4
5
6
7
VALOR 1998 R$ / mês ( _______ )
Inventário Físico
Controle de Saída
Controle de Perdas
Cadastro de Fornecedores
Classificação e Codificação de Fornecedores
Controle de Armazenamento de Produtos
Outros (citar)_______________
UTILIZA
NA
GESTÃO
8.3 PLANEJAMENTO E
ORGANIZAÇÃO
¹ Planejamento estratégico
² Planos de Ação
³ Organograma
4 Lay Out
5 Normas de Procedimentos
6 Sistema de Informação Gerencial
7 Outros (citar)________________
194
CASO EXISTA PLANEJAMENTO NA COOPERATIVA RESPONDA DE 8.3.1 A 8.3.3
8.3.1 QUAL O PERÍODO DE ABRANGÊNCIA DO PLANEJAMENTO ?
¹
Um ano
²
Dois a Quatro Anos
³
Mais de Quatro Anos
8.3.2 NA COOPERATIVA O PLANEJAMENTO EXISTE EM QUAIS ÁREAS ?
¹
Produção
²
4 Armazenamento
7 Beneficiamento / Industrialização
11 Propaganda e “Marketing”
14 Outros (especifique)__________
Comercialização
³
5 Utilização de máquinas e implementos
8 Sistema de Informação Gerencial
12 Recursos Humanos
Aquisição de insumos
6 Capacitação
9 Assistência Técnica
13 Materiais
8.3.3 QUEM PARTICIPA DO PLANEJAMENTO E O GRAU DE INFLUÊNCIA (EM %) ?
¹
³
Dirigentes (_______%)
Funcionários (_______%)
9.
²
Cooperados
(_______%)
Entidades de Assistência Técnica (_______%)
4
INDIQUE AS ESTRATÉGIAS MERCADOLÓGICAS UTILIZADAS PELA COOPERATIVA
¹
³
Pesquisa de mercado
Controle de qualidade das matérias-primas recebidas
5 Utilização de incentivos para os cooperados aumentarem a
qualidade e quantidade das matérias-primas
7 Estabelecimento do preço com base na concorrência
9
²
Utilização de incentivos para incrementar as vendas
Venda dos produtos beneficiados diretamente ao consumidor
Outros (especifique)_____________________
10
12
Lançamento de novos produtos
Controle do produto antes da comercialização
Cálculo de todos os custos (diretos e indiretos),
impostos e lucros para o estabelecimento de preços
8 Utilização de propaganda e/ou promoção de vendas
9 Venda da produção dos cooperados através de
intermediários
11 Adoção de marca própria
4
6
10. A COOPERATIVA PARTICIPOU DE EVENTOS (Congressos, Seminários, Feiras, etc) LIGADOS
AO SETOR COOPERATIVO OU PECUÁRIO ENTRE 1990 E 1998 ?
10.1 EVENTOS REGIONAIS
¹
Sim ²
Não, em caso afirmativo ¹
indique a quantidade entre:
1990-1995
Nº (
10.2 EVENTOS NACIONAIS
)
1996-1998
N° (
)
Sim ²
Não, em caso afirmativo
indique a quantidade entre:
1990-1995
Nº (
)
10.3 EVENTOS INTERNACIONAIS
¹
Sim ²
1996-1998
N° (
)
Não,
em caso afirmativo
indique a quantidade entre:
1990-1995
Nº (
)
1996-1998
N° (
)
11. QUAIS OS PROGRAMAS TECNOLÓGICOS DESENVOLVIDOS PELA COOPERATIVA, E
DISPONÍVEIS AO PRODUTOR, A PARTIR DO FINANCIAMENTO DO FNE?
¹
Vacinação Sistemática
²
³
Conservação de pastagens / forrageiras
4
5
7
Irrigação para formação de pastagens
Controle leiteiro e / ou de peso
6
8
9
Inseminação artificial
10
Vermifugação Sistemática
Banco de proteínas (leucena, algaroba, etc) / ensilagem /
fenação
Divisão do rebanho por categoria animal
Instalação de bretes e / ou estábulos ou cochos
Aquisição de matrizes e / ou reprodutores de raça
melhorada
10.1 INDIQUE OS PROGRAMAS ACIMA QUE FORAM DESENVOLVIDOS ANTES DO EMPRÉSTIMO FNE
(CITAR COLOCANDO A NUMERAÇÃO) .................................................
195
12. COMO VOCÊ AVALIA O CONJUNTO DE INSTALAÇÕES, MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS
UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DA COOPERATIVA, COM RELAÇÃO AOS
UTILIZADOS PELOS CONCORRENTES (SEJAM COOPERATIVAS OU NÃO) ?
1. Em Pernambuco
¹ Menos Moderno
² Semelhante
³ Mais moderno
4 Sem condições de opinar
2. No Brasil
¹ Menos Moderno
² Semelhante
³ Mais moderno
4 Sem condições de opinar
3. No Exterior
¹ Menos Moderno
² Semelhante
³ Mais moderno
4 Sem condições de opinar
13. QUAL A DESTINAÇÃO DO DEL-CREDERE RECEBIDO
COOPERATIVA DECORRENTE DE OPERAÇÃO COM FNE?
¹
Reinversão na Cooperativa
²
Ressarcimento das despesas com repasse
OU
³
A
RECEBER
PELA
Outros(citar)_________
14. AVALIE QUAL O GRAU DE CONTRIBUIÇÃO DOS FATORES ABAIXO RELACIONADOS
PARA O CRESCIMENTO DA CAPACIDADE TECNOLÓGICA DA COOPERATIVA
Não
aplicável
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
0
1. Aquisição de biotecnologia
2. Aquisição de tecnologia agroindustrial
2. Clientes locais
3. Compradores internacionais
4. Fornecedores
5. Parceiros locais
6. Parceiros internacionais
7. Compra de licenças (patentes)
8. Consultores privados em agronegócios
9. Concorrentes
10. Conhecimento dos dirigentes
11. Conhecimento dos associados
12. Conhecimento dos empregados
13. Literatura especializada
14. Incentivos fiscais
15. Ação Governamental
16. P & D (Pesquisa e Desenvolvimento)
Irrelevante
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
1
Pouco
importante
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
2
Importante
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
3
Muito
importante
4
4
4
4
4
4
4
4
4
4
4
4
4
4
4
4
4
Essencial
5
5
5
5
5
5
5
5
5
5
5
5
5
5
5
5
5
15. QUAL O VOLUME TOTAL DE INVESTIMENTOS NA COOPERATIVA APÓS 1995 (EM R$) ?
1995 |
1996
1997
1998
16. COMO A COOPERATIVA SE COMUNICA COM OS SEUS ASSOCIADOS ?
¹
³
Através de Jornais Regionais / Estaduais
Através de Programa de rádio da cooperativa
5 Através de Reuniões
²
4
6
Através de Jornal da própria cooperativa
Boletins colocados na sede da cooperativa
Outros (citar)________________________
17. A COOPERATIVA JÁ REALIZOU OU ESTÁ REALIZANDO A IMPLANTAÇÃO DE PROCESSO
DE GESTÃO PELA QUALIDADE TOTAL , NOS PRODUTOS E / OU SERVIÇOS?
¹ Sim, em caráter formal (indicar a
entidade de apoio, caso haja________)
²
Sim, em caráter informal
³
Não
196
Seção III
18. APÓS A OBTENÇÃO DO EMPRÉSTIMO DO FNE, QUAL O DESEMPENHO
COOPERATIVA, COM BASE NOS INDICADORES ABAIXO RELACIONADOS:
1. Recebimento de produto dos
cooperados
2. Beneficiamento /
industrialização dos produtos
3. Vendas da cooperativa
4. Patrimônio da cooperativa
5.Endividamento da cooperativa
6.Lucro líquido sobre as vendas
(bens / serviços)
7.Disponibilidade para pagamento
de obrigações
8. Freqüência de visita de
cooperados na cooperativa
9. Simpatia dos cooperados pelas
ações da cooperativa
Não
aplicável
Diminuiu
muito
Diminuiu
pouco
Permaneceu
o mesmo
Aumentou
pouco
Aumentou
muito
0
1
2
3
4
5
0
1
2
3
4
5
0
0
0
1
1
1
2
2
2
3
3
3
4
4
4
5
5
5
0
1
2
3
4
5
0
1
2
3
4
5
0
1
2
3
4
5
0
1
2
3
4
5
DA
19. INDIQUE OS RESULTADOS DA COOPERATIVA NO FINAL DOS EXERCÍCIOS
1990
TIPO DO RESULTADO
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998
1. Perdas
2. Sobras
3. Nem sobras nem perdas
20. INDIQUE O FATURAMENTO TOTAL NOS SEGUINTES ANOS (EM R$):
1994
1995
1996
1997
1998
21. NO CASO DA COOPERATIVA SER AGROINDUSTRIAL INDIQUE OS PRINCIPAIS PRODUTOS
Principais produtos
1.
2.
3.
4.
5.
Produção Anual
Unidade
Preço Médio Venda (R$)
22. APÓS OBTENÇÃO DE FINANCIAMENTO DO FNE ATÉ 1998 A COOPERATIVA LANÇOU
NOVOS PRODUTOS NO MERCADO ?
¹
Sim ²
Não
EM CASO POSITIVO, INDIQUE QUANTOS ENTRE 1996 E 1998
Nº ( ______ )
22.1 QUAL O IMPACTO DESTES NOVOS PRODUTOS NO FATURAMENTO DA COOPERATIVA ?
¹ Diminuiu Muito
² Diminuiu Pouco
³ Permaneceu
o mesmo
4 Aumentou
pouco
5 Aumentou
6 Não influiu
muito
23. EXISTEM COOPERADOS INADIMPLENTES NO PAGAMENTO DO EMPRÉSTIMO FNE?
¹
Sim ²
Não
EM CASO POSITIVO, INDIQUE O Nº DE COOPERADOS INADIMPLENTES (______ )
24. A COOPERATIVA / COOPERADOS JÁ QUITOU TODO O DÉBITO EMPRÉSTIMO FNE ?
¹
Sim ²
Não
EM CASO NEGATIVO, QUAL O VALOR DO DÉBITO?
197
25. OS COOPERADOS QUE FORAM BENEFICIADOS COM REPASSE FNE APRESENTAM SINAIS
DE MELHORIA DAS CONDIÇÕES ECONÔMICAS E SOCIAIS, EM RELAÇÃO AOS QUE NÃO
FORAM BENEFICIADOS?
¹
Sim ²
Não
EM CASO POSITIVO, QUAIS?
26. A COOPERATIVA APRESENTA SINAIS DE MELHORIA DAS CONDIÇÕES ECONÔMICAS EM
RELAÇÃO AS COOPERATIVAS QUE NÃO FORAM BENEFICIADOS COM FNE ?
¹
Sim ²
Não
EM CASO POSITIVO, QUAIS?
Seção IV
27. QUAL A EXPECTATIVA QUE VOCÊ TEM PARA A COOPERATIVA DAQUI A 2 ANOS ?
1
Aumentar os
agronegócios
2
Continuar igual
Diminuir os
agronegócios
3
4
Encerrar as
atividades
5
Não tem previsão
28. EM CASO DE PRETENDER AUMENTAR OS AGRONEGÓCIOS, QUAIS OS RECURSOS
ABAIXO DESCRITOS QUE INTENCIONA UTILIZAR?
¹ Capital da própria cooperativa
³ Capital dos cooperados (via integralização de cotas partes ou
reinvestimento das sobras)
5 Bancos
7 Apoio governamental
9 Outros (especifique)__________________
²
Crédito de fornecedores
4
Adiantamento de clientes
6
8
Parceria com outras cooperativas
Parceiros outros (citar)__________________
29. QUAIS OS PRINCIPAIS ENTRAVES QUE PODERÃO IMPEDIR O DESENVOLVIMENTO DOS
AGRONEGÓCIOS DA COOPERATIVA ?
¹ Falta de estrutura física
4 Desconhecimento do mercado
7 Carga Tributária
² Volume pequeno da produção
5 Localização geográfica
8 Falta parceria intercooperativa
³ Falta de recursos financeiros
6 Falta de pessoal especializado
9 Outros (citar)______________
Seção V
30. QUAIS INSTITUIÇÕES FINANCIAVAM AS ATIVIDADES DA COOPERATIVA, ANTES DA
CRIAÇÃO DO FNE ?
¹
BNB
²
Banco do Brasil
³
Outros Bancos
31. A COOPERATIVA ADERIU AO
AGROPECUÁRIAS – RECOOP ?
¹
Sim ²
Não
4
Crédito Informal
5 Não havia financiamento
PROGRAMA DE REVITALIZAÇÃO DE COOPERATIVAS
EM CASO NEGATIVO, INDIQUE MOTIVO ( _______________________________________ )
198
32. INDIQUE AS ENTIDADES DE APOIO AOS AGRONEGÓCIOS COOPERATIVOS PECUÁRIOS
QUE VOCÊ CONHECE. Caso a cooperativa tenha recebido algum tipo de apoio destas entidades, quer na
implantação do projeto do FNE ou em outros programas / projetos, citar tipo de apoio e o grau de satisfação
da escala abaixo
ENTIDADES DE APOIO
TIPO DE APOIO*
1.________________________
2.________________________
3.________________________
4.________________________
5.________________________
6.________________________
7.________________________
8.________________________
GRAU DE
MOTIVO
SATISFAÇÃO**
______________________
______________________
______________________
______________________
______________________
______________________
______________________
______________________
_____________
_____________
_____________
_____________
_____________
_____________
_____________
_____________
(1) Assistência técnica às atividades produtivas
(2) Assistência técnica gerencial
(3) Comercialização
(4) Capacitação técnico / produtiva
(5) Capacitação em gestão e administração
(6) Outros (citar)
(7) Não recebeu nenhum apoio
(1)
(2)
(3)
(4)
(5)
Muito Insatisfeito
Insatisfeito
Satisfação regular
Satisfeito
Bastante satisfeito
33. EM CASO DE CONHECER AS ENTIDADES MAS NÃO RECEBER APOIO, INDIQUE O
MOTIVO:
¹
³
Prazo de atendimento demorado
Falta de interesse da cooperativa
5 A cooperativa não foi atendida anteriormente
²
4
6
Burocracia excessiva
Falta de informação
Outros (especifique)_____________________
34. QUE TIPO DE APOIO A SUA COOPERATIVA GOSTARIA DE RECEBER?
ENTIDADE?
DE QUAL
___________________________________________________________________________________________
_____________________________________________________________________________________
35. DÊ SUA OPINIÃO SOBRE O PAPEL DO FNE PARA O DESENVOLVIMENTO DOS
AGRONEGÓCIOS COOPERATIVOS PECUÁRIOS DO ESTADO:
___________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________________________
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___________________________________________________________________________________________
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