Universidade Federal Rural de Pernambuco Departamento de Letras e Ciências Humanas Mestrado em Administração Rural e Comunicação Rural Emanuel Sampaio Silva O Agronegócio Cooperativo e o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste -FNE: análise das cooperativas financiadas ligadas ao setor pecuário em Pernambuco entre 1990 e 1998 Recife-PE Fevereiro de 2000 3 Emanuel Sampaio Silva O Agronegócio Cooperativo e o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste – FNE: análise das cooperativas financiadas ligadas ao setor pecuário em Pernambuco entre 1990 e 1998 Dissertação apresentada ao Mestrado em Administração Rural e Comunicação Rural da Universidade Federal Rural de Pernambuco, como parte dos requisitos para obtenção do Título de Mestre. Área de Concentração: Administração Rural Orientador: Prof. Dr. Almir Silveira Menelau Recife-PE Fevereiro de 2000 4 O Agronegócio Cooperativo e o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste – FNE: análise das cooperativas financiadas ligadas ao setor pecuário em Pernambuco entre 1990 e 1998 Emanuel Sampaio Silva Orientador: ____________________________________________ Prof. Almir Silveira Menelau (Dr.) Examinadores: ____________________________________________ Prof. Carlos Alberto Tavares (Ph.D) ____________________________________________ Prof. Horst Dieter Moeller (Ph.D) ____________________________________________ Prof. Ricardo Chaves Lima (Ph.D) 5 Aos meus pais, João e Inês, pelo exemplo de vida e por sempre ensinarem que a educação era o legado mais precioso aos seus filhos. À minha querida esposa, Lucilene, pela dedicação, paciência e amor manifestados em todos os momentos ao longo desta caminhada. À Zezé, por todo o carinho e apreço com que me acolheu. 6 • AGRADECIMENTOS A realização e conclusão deste trabalho aconteceu graças a DEUS e ao auxílio de pessoas e entidades, às quais desejo manifestar o meu apreço e agradecimento. Ao professor Almir Menelau expresso minha gratidão por aceitar a tarefa de orientar este trabalho, realizada de maneira competente e prestativa em todas as etapas, tendo um papel fundamental na conclusão deste. O corpo docente do Curso de Mestrado de Administração e Comunicação Rural da UFRPE, destacando Tales Wanderley, Carlos Alberto e Paulo de Jesus, muito contribuiu para que pudesse vislumbrar novas perspectivas científicas e humanas. Destaco o apoio financeiro recebido, através da bolsa de estudo da CAPES. A coleta de dados e as informações sobre cooperativas locais só foram possíveis pelo graças colaboração da OCEPE, através do seu presidente Dr. Malaquias Anselmo, da EBAPE, particularmente Dr. Fernando Vilela, além dos diretores das cooperativas pesquisadas, aos quais agradeço imensamente. O Banco do Nordeste, na pessoa do superintendente regional Dr. Manoel Brandão e dos integrantes do Setor de Implementação de Negócios, foi bastante solícito no fornecimento de dados, sendo relevantes tais contribuições. O IPA, de modo particular através da equipe da biblioteca, na pessoa da Dra. Sônia Cordeiro, prestou inestimável auxílio. Os colegas do Mestrado, cujos laços de amizade e solidariedade, estenderam-se além das atividades letivas, torno-os colaboradores desta jornada. Os funcionários da Universidade Rural, que empenharam-se no apoio administrativo, prestaram uma grande ajuda nos momentos necessários. Àqueles que, ao longo deste trabalho, contribuíram direta ou indiretamente para que a sua conclusão, a minha gratidão. 7 • SUMÁRIO Página LISTA DE FIGURAS E GRÁFICOS...........................................................................................10 LISTA DE TABELAS....................................................................................................................11 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS...................................................................................17 RESUMO.........................................................................................................................................19 ABSTRACT.....................................................................................................................................20 1. INTRODUÇÃO...............................................................................................................................21 2. A RELEVÂNCIA DA PESQUISA E O PROBLEMA................................................................25 2.1. A IMPORTÂNCIA DO SEGMENTO COOPERATIVO.............................................................................25 2.2. A IMPORTÂNCIA DO AGRONEGÓCIO PECUÁRIO EM PERNAMBUCO..........................................27 2.3. OS FUNDOS CONSTITUCIONAIS............................................................................................................29 2.4. O PROBLEMA.............................................................................................................................................31 3. OBJETIVOS....................................................................................................................................33 3.1. 3.2. GERAL..........................................................................................................................................................33 ESPECÍFICOS...............................................................................................................................................33 4. HIPÓTESE......................................................................................................................................34 5. DA DOUTRINA À EFICIÊNCIA COOPERATIVA..................................................................35 5.1. ASPECTOS HISTÓRICOS...........................................................................................................................36 5.2. DOUTRINA E PRINCÍPIOS COOPERATIVOS.........................................................................................39 5.2.1. Empresas cooperativas..................................................................................................................40 5.2.1.1. O crédito às cooperativas.....................................................................................................42 5.2.1.2. As cooperativas nos complexos agroindustriais..................................................................44 5.2.1.3. As empresas cooperativas agroindustriais...........................................................................46 5.2.2. Administração estratégica em cooperativas................................................................................49 5.2.2.1. Eficiência e eficácia nas cooperativas.................................................................................53 5.2.2.2. Avaliação de eficiência em cooperativas.............................................................................55 6. METODOLOGIA DA PESQUISA................................................................................................58 6.1. FINS DA PESQUISA....................................................................................................................................58 6.2. OS MEIOS DA PESQUISA..........................................................................................................................58 6.2.1. Os dados primários........................................................................................................................59 6.2.1.1. No setor financeiro...............................................................................................................59 6.2.1.2. No setor governamental.......................................................................................................59 6.2.1.3. No setor institucional..........................................................................................................60 6.2.1.4. Nas organizações cooperativas............................................................................................60 6.2.2. Os dados secundários.....................................................................................................................62 6.3. O ALCANCE DA PESQUISA......................................................................................................................62 6.4. O SUJEITO DO ESTUDO............................................................................................................................65 6.5. INFORMAÇÕES DE BASE PARA ANÁLISE DE COMPETITIVIDADE...............................................65 8 7. MERCADO E INCENTIVOS À PECUÁRIA ESTADUAL......................................................68 7.1. O AMBIENTE DE NEGÓCIOS...................................................................................................................68 7.2. O MERCADO REGIONAL..........................................................................................................................71 7.3. O MERCADO DE LEITE E DERIVADOS..................................................................................................75 7.3.1. O setor de laticínios no Nordeste e em Pernambuco..................................................................79 7.3.2. A política de investimentos na pecuária pernambucana............................................................82 7.3.3. As cooperativas pernambucanas no setor leiteiro.......................................................................84 8. O FNE E OS RECURSOS ÀS COOPERATIVAS.......................................................................86 8.1. O FNE NO CONTEXTO REGIONAL.........................................................................................................86 8.2. OS RECURSOS DO FNE DISPONIBILIZADOS AOS ESTADOS ENTRE 1990 E 1998........................89 8.3. O FNE E O CONTEXTO ASSOCIATIVO..................................................................................................90 8.3.1. O financiamento às cooperativas nordestinas ..........................................................................92 8.3.2. O FNE e as cooperativas pernambucanas...................................................................................98 8.3.2.1. O papel do governo na difusão do FNE às cooperativas locais .........................................98 8.3.2.2. Os investimentos disponibilizados .....................................................................................100 9. COMPETITIVIDADE DAS COOPERATIVAS FINANCIADAS..........................................104 9.1. O PERFIL DAS COOPERATIVAS PESQUISADAS................................................................................104 9.1.1. O período de fundação................................................................................................................104 9.1.2. O negócio e a área de atuação.....................................................................................................105 9.1.3. O quadro social............................................................................................................................106 9.1.3.1. Quanto ao gênero...............................................................................................................106 9.1.3.2. Grau de escolaridade.........................................................................................................107 9.1.3.3. Categoria dos associados e tipo posse da terra.................................................................108 9.1.3.4. Critérios de admissão de novos associados.......................................................................109 9.1.3.5. Critérios de organização de associados.............................................................................111 9.1.3.6. A comunicação e a participação dos associados...............................................................111 9.1.3.7. Associados capacitados.....................................................................................................113 9.1.4. A infra-estrutura..........................................................................................................................114 9.1.4.1. A sede e outros imóveis......................................................................................................114 9.1.4.2. Equipamentos disponíveis..................................................................................................115 9.1.4.3. A frota de veículos e tratores..............................................................................................116 9.1.5. Estrutura administrativa.............................................................................................................117 9.1.5.1. A presidência......................................................................................................................117 9.1.5.2. Estruturas de gestão...........................................................................................................119 9.1.5.2.1. Instrumentos de gestão.............................................................................................................119 a) Gestão financeira................................................................................................................120 b) Controle de materiais.........................................................................................................120 c) Planejamento e organização..............................................................................................121 d) Gestão pela qualidade total................................................................................................122 9.1.5.2.2. Os cargos existentes..................................................................................................................122 9.1.5.2.3. Os empregados e os gastos com pessoal...................................................................................123 9.1.6. Os setores e as estratégias mercadológicas................................................................................125 9.1.6.1. Os setores ou departamentos..............................................................................................125 9.1.6.2. Estratégias de atuação mercadológica..............................................................................126 9.1.6.3. Produtos adquiridos dos cooperados.................................................................................127 9.1.7. Resultados operacionais e clientela............................................................................................128 9.1.7.1. O faturamento por setor e os tipos de clientes...................................................................128 9.1.7.2. Resultados do balanço e investimentos..............................................................................129 9.1.8. Programas tecnológicos existentes atualmente.........................................................................131 9.1.9. Participação em eventos..............................................................................................................133 9.2. O FNE E OS EFEITOS NAS ESTRUTURAS COOPERATIVAS............................................................133 9.2.1. Das solicitações e liberações dos recursos.................................................................................134 9.2.2. Os programas de financiamento.................................................................................................135 9.2.3. A finalidade dos recursos............................................................................................................135 9.2.4. Efeitos do FNE no quadro social................................................................................................136 9.2.4.1. O perfil dos beneficiados....................................................................................................136 9 9.2.4.2. A evolução do quadro social .............................................................................................138 9.2.4.3. Efeitos na participação dos associados.............................................................................138 9.2.4.3.1. Assembléias para aprovação do empréstimo............................................................................139 9.2.4.3.2. A participação em assembléias.................................................................................................139 9.2.4.3.3. A capacitação de associados.....................................................................................................140 9.2.5. Efeitos do FNE na infra-estrutura..............................................................................................142 9.2.5.1. A sede e outros imóveis adquiridos...................................................................................143 9.2.5.2. Equipamentos adquiridos..................................................................................................144 9.2.5.3. A frota adquirida...............................................................................................................145 9.2.6. Efeitos do FNE na estrutura administrativa.............................................................................145 9.2.6.1. As novas estrutura de gestão.............................................................................................145 9.2.6.2. Os cargos criados..............................................................................................................146 9.2.6.3. Os empregos gerados........................................................................................................147 9.2.7. Efeitos do FNE nos negócios.......................................................................................................148 9.2.7.1. Os setores ou departamentos criados................................................................................148 9.2.7.2. Recebimento e beneficiamento de produtos dos associados.............................................149 9.2.7.3. Vendas, faturamentos e lucros..........................................................................................150 9.2.7.4. Endividamento e disponibilidade para pagamento...........................................................151 9.2.8. Efeitos do FNE nos programas tecnológicos.............................................................................153 9.2.9. Auto-avaliação da situação após financiamento.......................................................................154 9.2.9.1. Da cooperativa..................................................................................................................154 9.2.9.2. Dos cooperados.................................................................................................................156 9.3. EFICIÊNCIA COOPERATIVA..................................................................................................................156 9.3.1. Eficiência econômico-financeira.................................................................................................157 9.3.1.1. Capacidade de autofinanciamento....................................................................................157 9.3.1.2. Avaliação de endividamento..............................................................................................158 9.3.1.3. Desempenho nas vendas....................................................................................................159 9.3.1.4. Participação no mercado..................................................................................................160 9.3.2. Eficiência social e de recursos humanos....................................................................................160 9.3.2.1. Faturamento por associado..............................................................................................160 9.3.2.2. Associados ativos em relação ao número total de associados.........................................161 9.3.2.3. Participação dos associados nas assembléias.................................................................162 9.3.2.4. Quantidade de funcionários e técnicos por associados...................................................162 9.4. VISÃO DAS COOPERATIVAS QUANTO ÀS PERSPECTIVAS FUTURAS.......................................163 9.4.1. Tendências nos agronegócios......................................................................................................163 9.4.2. Barreiras existentes e estratégias de atuação............................................................................164 9.4.3. Apoio institucional.......................................................................................................................165 10. CONCLUSÕES E SUGESTÕES.................................................................................................................167 10.1. AUSÊNCIA DE UM PLANEJAMENTO INTEGRADO.......................................................................167 10.2. A VISÃO DAS COOPERATIVA APENAS COMO AGENTES DE REPASSE DE CRÉDITO.........168 10.3. O PATERNALISMO NAS RELAÇÕES COM ASSOCIADOS............................................................169 10.4. A EXIGÜIDADE DOS RECURSOS FINANCEIROS E HUMANOS..................................................170 10.5. O DESPREPARO DO QUADRO ADMINISTRATIVO NO PROCESSO DE GESTÃO.....................171 10.6. INEXISTÊNCIA DE EDUCAÇÃO INTEGRAL PARA OS COOPERADOS......................................172 10.7. CONSIDERAÇÕES FINAIS...................................................................................................................173 11. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICA..........................................................................................................175 12. ANEXOS........................................................................................................................................................186 10 • LISTA DE FIGURAS E GRÁFICOS FIGURAS Página Figura 1 -Ciclo de crescimento das empresas cooperativas.......................................56 Figura 2 -Microrregiões de Pernambuco ..................................................................63 GRÁFICOS Gráfico 1 -Evolução do efetivo de bovinos em Pernambuco por mesorregião, no período de 1990 a 1996..........................................................................64 Gráfico 2 -Quantidade de vacas em lactação em Pernambuco por mesorregião, no período de 1990 a 1996..........................................................................64 Gráfico 3 -PIB setorial nos estados, na região e no país, em percentagem, ano 1998........................................................................74 Gráfico 4 -Evolução da produção nordestina de leite total e por estado, entre 1974 e 1996, em mil litros................................................................80 Gráfico 5 -Participação dos estados nordestinos no total de recursos do FNE de 1990 a 1998, e no total recursos FNE e no PIB regional no ano de 1998, em percentual.................................................................88 11 • LISTA DE TABELAS Página Tabela 1 - Quantidade de cooperativas no segmento agrícola e total existentes, cadastradas na OCB, ano 1998...............................................................................26 Tabela 2 -Valores dos investimentos, receitas e despesas, por grupo de atividade econômica no setor primário em Pernambuco, com base nos anos de 1995 e 1996.................................................................................................28 Tabela 3 -Evolução das cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias) no Brasil, por região, no período de 1940 a 1998 ..................................................................38 Tabela 4 -Diferenças entre Sociedades Cooperativas e Sociedade Mercantil..........................42 Tabela 5 -Evolução da participação do PIB setorial no PIB global do Nordeste, no período de 1960 a 1998.............................................................................................73 Tabela 6 -Evolução da produção, da importação e do consumo de leite fluido no Brasil, em milhões de litros, entre 1990 e 1998........................................................77 Tabela 7 -Evolução dos Contratos e Montante de Crédito Rural em Pernambuco...................82 Tabela 8 -Destinação do crédito em Pernambuco, por subsetor e principais atividades.........83 Tabela 9 -Evolução das cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias) em Pernambuco, no período de 1976 a 1998.................................................................87 Tabela 10 -Total dos recursos aplicados e liberados pelo FNE e FINOR até 1998 nos estados do Nordeste..........................................................................87 Tabela 11 -Recursos aplicados pelo FNE no Nordeste, entre 1990 e 1995..............................90 Tabela 12 -Recursos aplicados pelo FNE no Nordeste, entre 1996 e 1998............................. 90 Tabela 13 -Recursos destinados às cooperativas pelo Sistema Nacional de Crédito Rural e FNE na região Nordeste, entre 1990 e 1998.............................................93 Tabela 14 -Número de cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias ou agroindustriais) contempladas com recursos do FNE no Nordeste, de 1990 a 1995........96 Tabela 15- Recursos aplicados pelo FNE em cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias ou agroindustriais) no Nordeste, por estados, de 1990 a 1995........96 Tabela 16 -Número de cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias ou agroindustriais)contempladas com recursos do FNE no Nordeste, de 1996 a 1998.........97 Tabela 17 -Recursos aplicados pelo FNE em cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias ou agroindustriais) no Nordeste, por estados, de 1996 a 1998........97 12 Tabela 18 -Síntese dos trabalhos realizados pelo GEAP para captação de recursos do FNE, por associações e cooperativas, em 1993...............................................100 Tabela 19 -Número de Cooperativas contempladas com recursos do FNE em Pernambuco, por tipo de atividade, entre 1990 e 1998...................................101 Tabela 20 -Recursos do FNE e do Sistema Nacional de Crédito Rural aplicados nas Cooperativas de Pernambuco, por tipo de atividade, entre 1990 e 1998........101 Tabela 21 -Estatística das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo o período de fundação.......................................................................................................... 105 Tabela 22 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo a área de atuação .............................................................................................................106 Tabela 23 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo local da sede ..................................................................................................................106 Tabela 24 -Estatística do quadro de cooperados, segundo o gênero e o grupo, no ano de 1998............................................................................................................107 Tabela 25 -Estatística do número de cooperados, segundo nível de escolaridade e o grupo, no ano de 1998.....................................................................................108 Tabela 26 -Estatística do número de cooperados, segundo a categoria de produtores associados e o grupo, no ano de 1998...................................................................109 Tabela 27 -Estatística da quantidade de cooperados, segundo a posse de terra e o grupo, no ano de 1998........................................................................................109 Tabela 28 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a utilização ou não de algum critério para admitir novos associados, por grupo.................................110 Tabela 29 -Freqüência de critérios para admitir novos associados, por grupo.......................110 Tabela 30 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo o fato do cooperado recém-admitido receber ou não educação cooperativa..................110 Tabela 31 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo a utilização ou não de algum critério para organizar os seus associados................111 Tabela 32 -Freqüência dos critérios adotados pelas cooperativas para organizar os seus associados, por grupo...........................................................................................111 Tabela 33 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a forma como é feita a comunicação com os seus associados, por grupo...............................................112 Tabela 34 -Estatística do número de cooperados participantes em assembléias e reuniões, por tipo de atividade, no ano de 1998, por grupo.................................................113 Tabela 35 -Estatística do número de associados capacitados, segundo período, por grupo..............................................................................................................113 13 Tabela 36 -Condição da sede da cooperativa, segundo a data de aquisição e o grupo...........114 Tabela 37 -Estatística referentes a outros imóveis das cooperativas, segundo o tipo do imóvel e o grupo....................................................................................115 Tabela 38 -Estatística dos equipamentos disponíveis nas cooperativas, segundo o tipo e o grupo.......................................................................................116 Tabela 39 -Estatística da quantidade de veículos que a cooperativa possui, segundo o tipo e o grupo.......................................................................................117 Tabela 40 -Faixa etária do diretor presidente da cooperativa, por grupo................................118 Tabela 41 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a forma de dedicação dos diretores presidentes e o grupo.......................................................................118 Tabela 42 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o grau de instrução dos diretores presidentes e o grupo.......................................................................118 Tabela 43 -Estatística do número de pessoas remuneradas na diretoria da cooperativa, por grupo...............................................................................................................119 Tabela 44 -Freqüência das categorias relativas à estrutura de gestão administrativa encontradas nas cooperativa, por grupo...............................................................119 Tabela 45 -Freqüência dos instrumentos de gestão financeira encontrados nas cooperativas, por grupo.........................................................................................120 Tabela 46 -Freqüência dos instrumentos de controle de materiais encontrados nas cooperativas, por grupo.........................................................................................121 Tabela 47 -Freqüência dos instrumentos de planejamento e controle encontrados nas cooperativas, por grupo.........................................................................................122 Tabela 48 -Freqüência dos cargos executivos e técnicos remunerados encontrados nas cooperativas, por grupo.........................................................................................123 Tabela 49 -Estatística do número de funcionários das cooperativas, em 1998, por grupo..............................................................................................................124 Tabela 50 -Estatística do número de funcionários das cooperativas, segundo o grau de escolaridade, em 1998, por grupo............................................................124 Tabela 51 -Estatística dos funcionários capacitados, por grupo, encontrados em 1998.........125 Tabela 52 -Estatística das despesas com funcionários e cargos executivos/técnicos, sem encargos, por grupo, em 1998 (em R$).........................................................125 Tabela 53 -Seções ou departamentos encontrados nas cooperativas, por grupo....................126 Tabela 54 –Freqüência de estratégicas mercadológicas utilizadas pela cooperativas, por grupo...............................................................................................................127 14 Tabela 55 -Estatística do faturamento bruto anual das cooperativas, por grupo, em 1998 (em R$)..................................................................................................128 Tabela 56 -Estatística dos maiores setores das cooperativa, segundo volume de faturamento e quantidade de cooperados beneficiados, por setor e categoria, por grupo, no período entre 1996-1998................................................................129 Tabela 57 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo os resultados obtidos no final do exercício, por ano e grupo..................................................................131 Tabela 58 -Freqüência dos programas tecnológicos desenvolvidos e disponíveis ao produtor, por grupo...............................................................................................132 Tabela 59 -Freqüência de participação em eventos ligados ao setor cooperativo ou pecuário, entre 1990 e 1998, segundo a região (localização) e o grupo...............133 Tabela 60 -Estatística do percentual de valor liberado do empréstimo em relação ao solicitado, por grupo.........................................................................................134 Tabela 61 -Freqüência dos programas do FNE utilizados nos empréstimos às cooperativas locais, por grupo..............................................................................135 Tabela 62 -Estatística do percentual do empréstimo do FNE destinado à própria e aos cooperados, por grupo....................................................................................136 Tabela 63 -Estatística do número de cooperados beneficiados com o primeiro empréstimo do FNE, por grupo............................................................................137 Tabela 64 -Estatística do número de cooperados beneficiados com o primeiro empréstimo do FNE, segundo a categoria e o grupo................................................................137 Tabela 65 -Estatística do número de cooperados beneficiados com o empréstimo do FNE, segundo a forma da posse de terra e o grupo..............................................137 Tabela 66 -Estatística do número de cooperados antes e após o empréstimo do FNE, segundo a categoria e o grupo.....................................................................138 Tabela 67 -Estatística do percentual de cooperados participantes nas reuniões para decisão sobre os recursos a serem obtidos através do empréstimo FNE, por grupo...............................................................................................................139 Tabela 68 -Estatística da média de participação dos cooperados em assembléias antes e após o empréstimo do FNE, segundo a categoria e o grupo..............................140 Tabela 69 -Freqüência de pessoas capacitadas com recursos do financiamento, por grupo...............................................................................................................141 Tabela 70 -Estatística do total de pessoas capacitadas com recursos do financiamento, segundo o gênero, por grupo.................................................................................141 Tabela 71 -Freqüência dos meios utilizados para ministrar a capacitação com recursos do financiamento, por grupo..................................................................................141 15 Tabela 72 -Freqüência nas cooperativas, segundo os órgãos que ministraram a capacitação através/ após empréstimo do FNE, por grupo ..................................142 Tabela 73 -Estatística do número de associados capacitados encontrados, segundo as áreas, por grupo..................................................................................142 Tabela 74 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a destinação do delcredere recebido ou a receber decorrente da operação com FNE, por grupo.......143 Tabela 75 -Condição da sede da cooperativa, segundo a data de aquisição e o grupo...........143 Tabela 76 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a aquisição ou construção de outro imóvel, fora sede, através/ após empréstimo do FNE..........144 Tabela 77 -Freqüência dos equipamentos adquiridos através/ após empréstimo do FNE em relação ao total existente, por grupo..............................................................144 Tabela 78 -Freqüência dos veículos adquiridos através/ após empréstimo do FNE em relação ao total existente, por grupo.....................................................................145 Tabela 79 -Freqüência das gestões administrativas criadas através/ após empréstimo do FNE, em relação ao total existente, por grupo.................................................146 Tabela 80 -Freqüência dos cargos executivos e técnicos remunerados criados através/ após empréstimo do FNE, em relação ao total existente, por grupo.....................146 Tabela 81 -Estatística do número de empregados, em relação ao período de obtenção do empréstimo, por grupo.....................................................................................147 Tabela 82 -Freqüência dos setores, seções ou departamentos criados através/ após empréstimo do FNE, em relação ao total existente, por grupo.............................148 Tabela 83 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho do recebimento de produtos dos cooperados, após o financiamento, por grupo......149 Tabela 84 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho do beneficiamento/ industrialização dos produtos, após o financiamento por grupo...............................................................................................................150 Tabela 85 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho das vendas, após o financiamento, por grupo..............................................................151 Tabela 86 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho do lucro líquido sobre as vendas (bens/ serviços), após o financiamento, por grupo.........151 Tabela 87 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o grau de endividamento, após o financiamento, por grupo.................................................152 Tabela 88 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a existência ou não de cooperados inadimplentes no pagamento do empréstimo, por grupo...................152 16 Tabela 89 -Estatística do número de cooperados inadimplentes no pagamento do empréstimo, por grupo..........................................................................................153 Tabela 90 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a disponibilidade para pagamento de obrigações, após o financiamento, por grupo................................153 Tabela 91 -Freqüência dos programas criados a partir do empréstimo, em relação ao total existente nas cooperativas, por grupo......................................................154 Tabela 92 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a existência de melhoria nas condições econômicas, em relação às cooperativas que não foram beneficiadas com o empréstimo, por grupo..........................................................155 Tabela 93 -Freqüência do nível de avaliação dos equipamentos, instalações e máquinas disponíveis atualmente, em relação à concorrência nos setores de atividades da cooperativa, por grupo....................................................................155 Tabela 94 -Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a existência ou não de cooperados com sinais de melhoria das condições econômicas, em relação aos cooperados que não foram beneficiados, por grupo.......................................156 Tabela 95 -Distribuição das cooperativas pesquisadas segundo as perspectivas para os próximos dois anos, por grupo..................................................................164 Tabela 96 -Freqüência dos principais entraves que poderão impedir o desenvolvimento dos agronegócios da cooperativa, por grupo.........................................................165 Tabela 97 -Freqüência dos recursos que intenciona utilizar como forma de aumentar os agronegócios, por grupo...................................................................................165 Tabela 98 -Freqüência nas cooperativas, segundo conhecimento de entidades de apoio aos agronegócios cooperativos ligados ao setor pecuário de leite, por grupo................................................................................................................166 17 • LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ACI Aliança Cooperativa Internacional AMAS Associação Menitora de Assistência Social AGRIN Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Agroindustria Alimentar BANCEN Banco Central do Brasil BNB Banco do Nordeste do Brasil BNDES Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social CAI Complexo Agroindustrial CCLP Cooperativa Central de Laticínios de Pernambuco CNA Confederação Nacional de Agricultura CONDEPE Instituto de Planejamento de Pernambuco COOSEPE Cooperativa de Prestação de Serviços e Assist. Técnica de Pernambuco Ltda DEFS Departamento Estadual de Fiscalização Sanitária EBAPE Empresa de Abastecimento e Extensão Rural de Pernambuco ECLAC Comissão Econômica para América Latina e Caribe EMATER-PE Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Pernambuco FAEG Federação da Agricultura do Estado de Goiás FAO Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura FAT Fundo de Amparo ao Trabalhador FCO Fundo Constitucional de Financiamento do Centro-Oeste FIAM Fundação de Desenvolvimento Municipal do Interior de Pernambuco FGV Fundação Getúlio Vargas FINOR Fundo de Investimentos do Nordeste FNE Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste FNO Fundo Constitucional de Financiamento do Norte GEAP Grupo Especial de Elaboração, Acompanhamento e Assessoramento Técnico de Projetos IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística ITEP Instituto Tecnológico do Estado de Pernambuco IGP Índice Geral de Preços LEITE BRASIL Associação Brasileira dos Produtores de Leite MERCOSUL Mercado Comum do Cone Sul OCB Organização das Cooperativas do Brasil OCEPE Organização das Cooperativas do Estado de Pernambuco 18 ONU Organização das Nações Unidas PEDITEC Programa Estadual de Difusão Tecnológica PIB Produto Interno Bruto PROPEC Programa de Apoio ao Desenvolvimento da Pecuária Regional PROIR Programa de Apoio à Agricultura Irrigada PROAGRI Programa de Apoio à Pequena Agroindustria de Base Familiar PROAGRI Programa de Modernização da Agricultura Não-Irrigada PROGER Programa de Geração de Emprego e Renda PRORURAL Unidade Técnica de Apoio ao Pequeno Produtor Rural/PE RECOOP Programa de Revitalização das Cooperativas de Produção Agropecuária SEBRAE Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SENAR-PE Serviço Nacional de Aprendizagem Rural – Adm. Regional de Pernambuco SIDRA Sistema IBGE de Recuperação Automática de Dados SIF Serviço de Inspeção Federal SUDENE Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste UTH Ultra Alta Temperatura 19 • RESUMO No setor primário de Pernambuco, a pecuária de leite possui relevância sócioeconômica, tanto pelos recursos movimentados ao longo da cadeia produtiva, como por congregar um enorme contingente de micro e pequenos produtores. As alterações políticas, sociais e econômicas ocorridas a partir do final dos anos 80 atingiram de maneira mais intensa os produtores com baixo nível tecnológico, ou seja, a maior parcela dos pecuaristas estaduais. A necessidade de melhoramento da infra-estrutura e das condições zootécnicas do rebanho, face à descapitalização do setor, impeliu os produtores estaduais a buscarem recursos do FNE, os quais possibilitavam às cooperativas incentivos financeiros vantajosos. Esta política do FNE impulsionou os pecuaristas locais, apoiados por órgãos governamentais ou não, a pleitearem através das cooperativas os recursos financeiros necessários para realizarem investimentos, sendo esta estratégia intensificada na segunda metade dos anos 90, tornando Pernambuco um dos principais destinos dos recursos do FNE neste segmento no Nordeste. O estudo procurou identificar a competitividade das cooperativas financiadas com base na estrutura geral, nas estratégias de atuação e na eficiência econômica e social destas organizações. Neste intuito, foram utilizados dados primários coletados junto ao Banco do Nordeste, à Organização das Cooperativas do Estado de Pernambuco-OCEPE e nas próprias cooperativas financiadas, além de dados secundários, obtidos em fontes bibliográficas. O marco teórico utilizado para visualizar as cooperativas dentro do agronegócio do leite baseou-se no proposto por Lauschner, cujo modelo cooperativo agroindustrial representa a melhor alternativa para promover a integração do pequeno produtor ao mercado, agregando maior valor à matéria-prima e aumentando a sua renda, tomando ainda o modelo de Oliveira Júnior de crescimento cooperativo na superação de barreiras de capital e tecnológicas. A conclusão obtida foi que a falhas de mercado ocorridas no passado, tais como a visão das cooperativas apenas como agentes de crédito, a falta de preparo do quadro administrativo, a ausência de uma integração maior entre entidades gestoras do setor e a descontinuidade na alocação de recursos financeiros, proporcionou pequenos avanços nas cooperativas financiadas analisadas dentro da cadeia produtiva de leite regional /estadual, não sendo as mesmas capazes de concorrer com outros agentes da cadeia produtiva sequer na aglutinação e comercialização da produção. 20 • ABSTRACT In Pernambuco’s primary sector, dairy livestock plays an important role. This social-economic importance results not only from the sum of money involved in the produtive network but also from the huge number of small and very small producers involved in the process. The political, social and economic changes that came about at the end of 1980’s had a devastating effect on the vast majority of the technologically outdated producers. With their sector decapitalized they were forced to seek financing from the FNE which at the time was offering very advantageous rates. With this financing the producers hoped to improve the infrastructure of their business and consequently the zoological conditions of the livestock. These producers organized themselves into cooperatives and these in turn negociated financings with the FNE. In the second half of the 1990’s Pernambuco became one of the principal destines of FNE resources in the Northeast of Brazil. This study tries to identify the competitiveness of these co-operatives looking at their general structure, their strategies of action and at their social and economic efficiency. To achieve this we consuted data made available by the Northeast Bank, by the Organization of the Co-operatives of the State of Pernambuco-OCEPE and by individual co-operatives. As well, we got other secondary data from different books on the subject. The theoretical background we used to undestand the insertion of the co-operatives into the dairy agrobusiness is based on Lauschner’s idea of increasing yhe value of the product so as to better integrate the small producer into the market. We also used Oliveira Junior’s idea that the growth of co-operatives can help in overcoming capital and technological barriers. The conclusion we came to was not very promising. The progress made by the co-operatives that received financing has benn insignificant. The same old mistakes have been repeated once again. Co-operatives are seen as credit agents only, their administrative people lack training, their lack of integration with other groups and the retraction in financing has made it almost impossible for them to compete with the rest of the dairy producing network. 21 1 INTRODUÇÃO Esta dissertação analisa a competitividade das cooperativas de pecuaristas que operam com a produção leiteira no estado de Pernambuco e que obtiveram empréstimos através das linhas de créditos postas em disponibilidade pelo Fundo Constitucional para o Desenvolvimento do Nordeste-FNE, administrados pelo Banco do Nordeste, entre 1990 e 1998. Como as políticas públicas de modernização do setor agrícola do Brasil, bem como as de estímulo às atividades cooperativas sofreram profundas transformações a partir do final dos anos 70, fruto das mudanças econômicas mundiais, também as modificações ocorridas no mercado consumidor repercutiram no meio rural, nos mercados dos produtos agrícolas, e em toda a estrutura produtiva do complexo agroindustrial. Algumas culturas tradicionais para o setor rural nordestino e pernambucano, como a do algodão e a da cana-de-açúcar, entraram em declínio, restando, dentre as atividades mais tradicionais, a pecuária, que assumiu um papel de destaque na economia rural do estado. Entretanto, o setor pecuário regional, para tornar-se competitivo, demanda recursos para investimentos fixos e aquisição de tecnologia para melhorar a produção, a produtividade e tornar-se imune aos efeitos das estiagens periódicas que sempre ocorrem na maior bacia leiteira do estado, localizada no agreste. Com a diminuição da capacidade do Estado, via Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR), em disponibilizar o volume de recursos necessários a um programa de estímulo e desenvolvimento da pecuária leiteira estadual, vislumbrou-se como alternativa de captação de recursos para tal fim o fundo constitucional para a região Nordeste, a exemplo do que ocorre no Centro-Oeste e Norte. Desta forma, parcela dos produtores rurais, tentando minimizar o impacto das mudanças no ambiente de negócios e estimulada por esta alternativa de política governamental, para financiamento do setor rural, buscou optimizar a captação de recursos para suas atividades agropecuárias através da união em organizações cooperativas ou associativas, prescritas pelos agentes que normatizam e operacionalizam o FNE, como 22 formas organizativas ideais para captação de recursos desta fonte de financiamento de desenvolvimento rural. À luz desta oportunidade, um grande contingente de produtores rurais nordestinos, dentre os quais os do estado de Pernambuco, intentaram, através da política de financiamento e incentivos do governo às cooperativas da região, contribuir para o desenvolvimento econômico sustentável. Assim, desfrutaram nos últimos 10 anos de uma ampla gama de possibilidade de apoio e estímulo à modernização de suas unidades produtivas e de assumir um papel importante na coordenação dos agronegócios do setor. Entretanto, o resultado obtido com estas ações não se comportou como esperado, tornando a estrutura produtiva do setor primário mais competitiva, tendo os produtores um papel maior no contexto dos negócios do setor, através das organizações cooperativas. Em conseqüência, desperdiçou-se mais uma oportunidade a partir do estado, para que fosse promovido o desenvolvimento e a modernização do setor rural de Pernambuco, e portando do Nordeste. Com base no exposto, formulou-se a seguinte hipótese: a alocação de recursos para investimentos e custeio massivo nas propriedades dos cooperados, participantes de um sistema agroindustrial, proporcionaria uma estruturação completa e integrada do sistema cooperativo leiteiro estadual, se e somente se, as ações de investimento e custeio fossem respaldadas por uma visão estratégica1 dos atores envolvidos, principalmente as cooperativas beneficiadas e seus cooperados, além das instituições de caráter governamental ou não, bem como de outros atores. Desta forma, analisa-se a forma como os recursos tomados de empréstimo do FNE pelas cooperativas foram aplicados, de modo a proporcionar um retorno otimizado dos investimentos a longo prazo e competitividade, quer seja para as cooperativas, quer seja para os associados. Para isso, partiu-se do estudo dos aspectos organizacionais destes tipos de empresas e seus resultados, à luz das suas relações com os cooperados, os funcionários, outras organizações cooperativas e não cooperativas do setor, além de estratégias competitivas adotadas para enfrentar as adversidades do ambiente de negócios. 1 A visão estratégica para o desenvolvimento do segmento leiteiro é aquela voltada para aplicação de investimentos em reservas alimentares estratégicas, formação de reservas hídricas, melhoramento do padrão zootécnico do rebanho, estabelecimento de padrão tecnológico de manejo animal, capacitação dos produtores e 23 Para melhor analisar as cooperativas que operam com o segmento leiteiro no estado, com base na utilização dos recursos na administração, no quadro social, na produção, na comercialização, na industrialização dos produtos, bem como no emprego de tecnologia e na relação com os demais atores da cadeia produtiva de leite estadual, efetuou-se uma divisão temporal, agrupando as organizações em dois conjuntos distintos: aquelas que receberam recursos de 1990 até 1995 e aquelas que foram beneficiadas entre 1996 e 1998. Procedeu-se desta maneira em razão das transformações ocorridas no cenário sócio-econômico nacional, bem como da intensificação na concessão de créditos do FNE entre os dois períodos. Como a legislação vigente não permite que os agentes financeiros forneçam informações sobre pessoas físicas ou jurídicas, salvo através de dispositivo jurídico, a definição da amostra para cada grupo só foi possível graças a uma listagem da Organização das Cooperativas do Estado de Pernambuco-OCEPE, que apontou o universo das cooperativas estaduais, chegando-se então às cooperativas contempladas. Os dados para a realização dos trabalhos foram coletados através de questionários aplicados nas cooperativas selecionadas, bem como através de entrevistas com pessoas do setor. O modelo escolhido como referencial foi o de Lauschner (1993), o qual, através do conceito de agronegócios, apresenta a possibilidade de um grupo de produtores cooperados ter excelente desempenho e competitividade , mesmo sendo pequenos proprietários, produzindo pequenas quantidades de leite e ocupando predominantemente a mão-de-obra familiar. Tomou-se ainda o modelo de Oliveira Júnior (1996), onde o desenvolvimento da cooperativa realiza-se em duas etapas visando a transposição de barreiras existentes, de capital e tecnológicas. Como o perfil descrito anteriormente se enquadra para a maioria dos produtores encontrados no estado de Pernambuco, de acordo com o Censo Agropecuário de Pernambuco (1998), e como uma das linhas de ação estratégica do Banco do Nordeste visava beneficiar justamente este tipo de público, o marco teórico escolhido possibilitou verificar o desempenho das cooperativas financiadas. A partir desta análise, foi possível checar o nível de integração do produtor com o mercado e os demais agentes integrantes do complexo agroindustrial, via cooperativa, aferindo se estas organizações são trabalhadores; estabelecimento de padrões de qualidade no manejo e pós-ordenha do leite e, principalmente, a instalação de tanques de resfriamento e expansão do leite, e portanto, a organização da produção. 24 vetores de melhoria nos rendimentos dos produtores cooperados, e alicerce de um maior dinamismo econômico regional. Desta forma, com os resultados obtidos neste trabalho, espera-se estar contribuindo para a administração racional dos recursos públicos e privados a serem investidos na região e no setor, de modo que seja possível elaborar ações estratégicas que, postas em prática, possibilitarão um maior desenvolvimento rural através da agroindústria cooperativa leiteira no Nordeste, de modo particular no estado de Pernambuco. 25 2 A RELEVÂNCIA DA PESQUISA E O PROBLEMA 2.1 A importância do segmento cooperativo As cooperativas agrícolas2 representam o maior segmento cooperativo nacional, totalizando 1.408 organizações, representando 27,6% do total de cooperativas brasileiras, com um número de filiados superior a 1 milhão de produtores, que representam 23% de todos os cooperados existentes no Brasil (OCB, 1999). Na região Nordeste encontram-se cerca de 1/3 das cooperativas agrícolas do país, ou seja, 463 cooperativas agrícolas, merecendo destaque a posição do estado de Pernambuco, onde ocorre a maior concentração deste segmento cooperativo na região3 (Tabela 1). Ao efetuar a comparação da quantidade de cooperativas agrícolas existentes em Pernambuco com as existentes nos demais estados da federação, verifica-se que neste estado encontra-se o quarto maior número de organizações deste segmento cooperativo no Brasil, inferior somente aos números registrados nos estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo. Em termos relativos, o estado registra cerca de 9% do total de cooperativas agrícolas do país e concentra quase 30% destas organizações em relação ao total do Nordeste. O destaque das cooperativas dentro dos agronegócios nacionais, de acordo com análises da Fundação Getúlio Vargas4, tanto pelo volume de operações realizadas, como por faturamento, dá-se principalmente em dois setores básicos de atuação: o de grãos e o 2 As cooperativas classificadas como agrícolas englobam os setores agrícola, pecuário e agropecuário, as quais podem ou não desenvolver atividades agroindustriais. 3 Embora o Anuário Estatístico do Brasil (1998) aponte a existência de 132 cooperativas do segmento agrícola em Pernambuco, optou-se pelos últimos números fornecidos pela OCB (1999), visto ser a entidade representativa do setor, geradora de informações para o IBGE. 4 A Fundação Getúlio Vargas, através do Centro de Estudos Agrícolas, efetua uma avaliação das organizações cooperativas que atuam no agribusiness, divulgando anualmente um ranking das maiores empresas cooperativas, através da revista AGROANALYSIS, assim como também publica a posição de organizações não cooperativas que atuam nos agronegócios nacionais. Em 1995, quando o acompanhamento das cooperativas passou a ocorrer, as cooperativas apresentaram boa margem de lucratividade e rentabilidade, acima da média das outras empresas do setor. Em 1998, apesar das dificuldades observadas em boa parte das cooperativas em 1997, houve uma melhora no desempenho das cinqüenta maiores cooperativas que atuam no setor de agronegócios, com o aumento de índice geral de rentabilidade, apesar de haver um crescimento no índice de endividamento, só que em menor proporção.(Francisco Filho, 1995 e Campelo Júnior, 1999). 26 de laticínios. Ainda dentre as cooperativas do setor de agronegócios que foram incluídas como as 50 maiores do Brasil em 1998, a maioria encontra-se no Sul e Sudeste, ocorrendo alguns casos no Centro-Oeste. Apesar da estratégia de diversificação de produção e de apoio ao pequeno produtor, a maioria das cooperativas ainda tem nas “commodities” os principais produtos comercializados, sujeitando-se, portanto, às cotações e oscilações do mercado internacional (OCB, 1998). Tabela 1 – Quantidade de cooperativas no segmento agrícola e total existentes, cadastradas na OCB, ano 1998 Coop. Segmento Total Cooperativas Agrícola Região % BR Nº % BR N° Brasil 1.408 100,0 5.102 100,0 Norte 71 13,3 190 37,2 Centro Oeste 116 8,2 325 63,7 Sul 314 22,3 1.016 19,9 Sudeste 444 31,5 2.434 47,7 Nordeste 463 32,8 1.137 22,2 Alagoas 13 0,9 30 0,6 Bahia 23 1,7 124 2,4 Ceará 91 6,4 220 4,3 Maranhão 58 4,1 126 2,5 Paraíba 60 4,2 111 2,2 128 9,1 308 6,0 Piauí 47 3,3 84 1,7 Rio G. do Norte 34 2,4 103 2,0 9 0,7 24 0,5 Pernambuco Sergipe Fonte: OCB (1999) Portanto, apesar do aspecto quantitativo com relação ao número de cooperativas no Nordeste, de modo especial em Pernambuco, não verifica-se destaque econômico do setor local na avaliação efetuada pela Fundação Getúlio Vargas no âmbito nacional. Ademais, mesmo Pernambuco apresentando um potencial latente no setor cooperativo agrícola, que poderia ser canalizado para promover o desenvolvimento rural no estado, isto não se faz 27 perceptível no caso da atividade leiteira, haja visto que, ao tomarmos o volume negociado por cooperativas com o produto leite no Censo Industrial de Pernambuco (1984) e nos Censos Agropecuários de Pernambuco realizados em 1985 e 1995-1996, encontram-se valores pífios, ao contrário dos volumes comercializados/processados por outros agentes das cadeias produtivas5. Isto, apesar do grande número de cooperativas existentes. Esta conjuntura remete, em um primeiro instante, a conclusão de que existem problemas na atuação destas organizações na cadeia produtiva local. 2.2 A importância do agronegócio pecuário em Pernambuco O setor primário tem no subsetor pecuário um notável gerador de receitas, despesas e investimentos, sendo considerável o potencial de demanda de bens e serviços ao longo desta cadeia produtiva específica. Esta afirmativa pode ser verificada quando se observa que a pecuária no estado de Pernambuco, apesar das adversidades climáticas constantes que afetam a produção do rebanho estadual e regional, destaca-se dentre as atividades da economia rural do estado. Somente a produção de leite estadual, tomando apenas os valores enquadrados no setor pecuário, representa um montante superior a 140 milhões de reais, alcançando isoladamente quase o mesmo valor produzido pelas lavouras permanentes de Pernambuco (Censo Agropecuário de Pernambuco, 1998). A importância da pecuária também pode ser observada quando verifica-se que, dentre os diversos grupos de atividades econômicas do Estado de Pernambuco, o subgrupo pecuário, isoladamente, é o responsável por quase 60% do volume de investimentos alocados. No tocante ao valor de toda a produção animal e vegetal do estado, o setor pecuário responde por cerca de 38% do total produzido em Pernambuco, sendo a receita gerada pela referida atividade maior que a das lavouras temporárias e permanentes. As despesas efetuadas pelas atividades pecuárias denotam como este setor pode alavancar os 5 Entre o Censo Industrial de Pernambuco (1980) e os dois últimos Censos Agropecuários no estado, em 1985 e 1995-1996, verifica-se que a participação das cooperativas na comercialização / processamento de leite e derivados permaneceu inalterada, com baixos índices. Os dados do último Censo Agropecuário realizado em 1995-1996 aponta que as cooperativas são responsáveis pela comercialização de apenas 0,1% do queijo produzido em Pernambuco. Contudo, em alguns produtos hortifrutigranjeiros, estes números apresentam uma melhora, apesar de continuarem baixos. No caso da manga e do alface, cerca de 4% e 7% das respectivas 28 demais setores fornecedores de insumos e serviços, uma vez que os gastos efetuados por esta atividade são superiores a 236 milhões de reais (Tabela 2). Um outro fato que serve para referendar a importância da pecuária no contexto estadual é o tamanho da área ocupada pelos estabelecimentos rurais que se dedicam a esta atividade. Tabela 2 - Valores dos investimentos, receitas e despesas, por grupo de atividade econômica no setor primário em Pernambuco, com base nos anos 1995 e 1996 (valores em mil reais) GRUPO DE ATIVIDADE Investimento R$ Lavoura Temporária % Valor da produção R$ % Receita R$ Despesa % R$ % 24.076 17,16 460.762 34,47 418.704 37,15 237.694 40,16 Horticultura e produção de viveiro Lavoura Permanente 2.268 1,62 32.438 2,64 31.696 2,81 14.197 2,40 11.902 8,48 156.260 12,71 149.514 13,26 66.803 11,29 Pecuária 83.259 59,33 468.597 38,11 454.226 40,31 236.200 39,90 18.054 12,86 107.279 8,73 70.387 6,24 35.657 6,02 585 0,42 3.012 0,24 1.699 0,15 932 0,16 89 0,06 218 0,02 215 0,02 215 0,04 105 0,07 955 0,08 725 0,06 179 0,03 140.752 100,00 1.229.492 100,00 1.127.167 100,00 591.876 100,00 Produção Mista (lavoura e pecuária) Silvicultura e exploração vegetal Pesca e aquicultura Produção de carvão vegetal TOTAL Fonte: Censo Agropecuário de Pernambuco(1998) O estado de Pernambuco, segundo Censo Agropecuário (1998), possui 258.630 estabelecimentos rurais, ocupando uma área superior a 5,5 milhões de hectares, sendo que a área ocupada pela atividade pecuária, 2,5 milhões de hectares, é quase 50% maior que a área ocupada por lavouras temporárias, 1,6 milhões de hectares, e quase a metade de áreas disponíveis no estado. Porém, o número de estabelecimentos rurais que desenvolvem a pecuária, 60.960 unidades, por sua vez, é 50% menor que o número de estabelecimentos ocupados com lavoura temporária, 113.802 unidades. Segundo Censo Agropecuário de Pernambuco (1998), a maioria dos produtores de quantidades produzidas no estado são entregues às cooperativas (Censo Agropecuário de Pernambuco, 1998). 29 leite do estado, 84 % do total, são proprietários de terra, sendo quase dois terços enquadrados na categoria de pequenos proprietários, onde 54 % possuem áreas de pastagem de até 10 hectares, e 19 % possuem áreas entre 10 e 100 hectares. Outra caraterística do maior grupo de produtores de leite do estado, 79,5% do total, é que possui um rebanho que não ultrapassa 5 vacas, sendo estes produtores responsáveis por 35,9 % de vacas do estado, apresentando produtividade média em torno de 1 litro por vaca. Os produtores que possuem entre 6 a 20 vacas representam 17,5% da classe e detêm 37,1 % do total das vacas em ordenha. Os produtores que possuem acima de 20 vacas são apenas 3 % do total e detêm 26,9% das vacas em lactação. Ocorre um aumento na produtividade à medida que cresce a área e o tamanho do rebanho 2.3 Os Fundos Constitucionais O Governo Federal, diante da incapacidade de manter o ritmo de financiamento das atividades produtivas, na década de 70, diminuiu gradualmente os recursos para aplicação nas regiões que careciam de maior apoio para promoverem o desenvolvimento econômico, dentre elas, o Nordeste. Por ocasião da elaboração da Carta Constitucional de 1988, os parlamentares criaram os Fundos Constitucionais com o intuito de convergir recursos adicionais para auxiliar o desenvolvimento econômico e social dos setores produtivos das regiões de menor PIB (BRASIL, 1998). Surgiram então os Fundos Constitucionais de Financiamento do Norte (FNO), do Centro-Oeste (FCO) e do Nordeste (FNE), que foram regulamentados pela Lei nº 7.827, de 27 de dezembro de 1989, constituindo-se em novas fontes de financiamento para as atividades econômicas das regiões. O FNE, desde então, constitui-se em um importante instrumento de financiamento para as atividades produtivas do Nordeste, uma vez que seus recursos são provenientes de percentual de 1,8 % da arrecadação da União com o imposto de renda (IR) e com o 30 imposto sobre produtos industrializados (IPI).6 Coube ao Banco do Nordeste e à SUDENE definir na região Nordeste as diretrizes e os princípios do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste – FNE para aplicação dos recursos. A SUDENE teve a incumbência de aprovar os programas do Fundo propostos pelo Banco do Nordeste, além de ter a responsabilidade de integrar estas ações com as demais políticas em prol da região e de efetuar avaliação dos resultados das ações. Ao Banco do Nordeste coube a responsabilidade pela operacionalização, ou seja, gerir os recursos, definir normas, procedimentos, condições operacionais, encargos, além de deferir contratos, formalizá-los, prestar contas dos resultados, dentre outras atribuições (Fernandes, 1996). A estratégia definida para aplicação dos recursos do FNE via Banco do Nordeste e SUDENE, através de diversos programas, é de contemplar os setores produtivos nordestinos, notadamente os situados no semi-árido, para os quais seriam aportados, no mínimo, metade destes recursos. A aplicação de parte deste recursos no setor primário nordestino visa criar condições para o desenvolvimento econômico do semi-árido, proporcionando uma maior produção de alimentos, via introdução de novos processos tecnológicos e agregação de valor aos produtos (Banco do Nordeste, 1993). Para o semi-árido, foram priorizados pelo Banco do Nordeste e SUDENE investimentos em irrigação para atenuar os efeitos climáticos e aumentar a produção; fomento às agroindústrias, como forma de expandir o desenvolvimento industrial da região; estímulo às atividades pecuárias, com melhoramento do rebanho e da estrutura produtiva; além de apoio à mineração e à difusão de tecnologia (Banco do Nordeste, 1993). O estímulo às ações associativas e de apoio ao pequeno produtor, por sua vez, compõe a ação estratégica diferencial do Banco do Nordeste perante os demais agentes 6 A origem dos recursos que compõem o FINOR – Fundo de Investimentos do Nordeste, difere do FNE, uma vez que no caso do primeiro os recursos são provenientes de alocações via Imposto de Renda de pessoas jurídicas, 31 financeiros da região de descentralização de crédito, e tem por meta garantir a sustentabilidade no desenvolvimento dos produtores rurais da região, de modo a inseri-los de maneira competitiva no mercado (Giovenardi et al., 1997). Na concepção da operacionalização destes recursos, os produtores rurais e as suas cooperativas e associações obtiveram maiores vantagens que os demais agentes econômicos. Um exemplo são os limites de financiamento maiores e os encargos financeiros diferenciados denominados “rebates”, que estas organizações e seus membros têm acesso através de linhas de crédito para investimento, custeio e comercialização, dependendo da localização.7 Portanto, através dos recursos do FNE, o Banco do Nordeste aplica, por meio de vários programas definidos e aprovados pela SUDENE, em seu Conselho Deliberativo, recursos nas áreas de agricultura, irrigada ou não, fruticultura, pecuária, agroindústria e a difusão tecnológica. (Anexo 1) Assim, as cooperativas e os seus associados, além de obterem melhores vantagens quanto ao crédito, podem incluir nestes financiamentos a maioria das atividades desenvolvidas no meio rural. 2.4 O problema Apesar do número de cooperativas classificadas pela OCB como agrícolas encontradas em Pernambuco ser bastante alto; apesar da pecuária no estado representar, em termos percentuais e absolutos, o maior grupo econômico do setor primário; e os pequenos proprietários de terra representarem o maior número de produtores de leite do que podem optar por aplicar 18% do IR a pagar no FINOR. (SUDENE, 1999b) 7 A diferenciação entre os produtores acontece de acordo com a localização, dentro ou fora da zona semi-árida ou em áreas programas da SUDENE, devendo ser observado em cada programa específico o zoneamento para cada atividade. Os limites de financiamento podem ser de até 100% para cooperativa e associações, com os prazos de pagamento para operação efetuadas, dependendo do programa e da finalidade, em investimentos fixos sendo de até 12 anos, com 4 anos de carência e para investimentos semifixos de até 8 anos, com 3 anos de carência. Os encargos financeiros para as referidas operações compõem-se de juros no valor de seis por cento ao ano (6% a.a.), acrescidos de correção com base nos índices definidos para a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), tendo as associações e cooperativas “rebates” ou descontos de 20 a 40% nos juros a serem cobrados, podendo ser dadas como garantias da operação as que usualmente são utilizadas no crédito rural, ou seja, hipoteca, alienação fiduciária, penhor, aval e fiança. (Barbosa et al., 1998) 32 estado, as organizações cooperativas têm pouca representatividade nos agronegócios de Pernambuco, mesmo havendo mecanismo de financiamento com vantagens especiais, tais quais os programas desenvolvidos através dos recursos do FNE para o incremento de atividades econômicas por este tipo de organização. Considerando que as cooperativas de maior destaque nacional atuam principalmente nos setores de grãos e de leite, e como as atividades pecuárias têm notória relevância na economia rural de Pernambuco, e ainda em face do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste–FNE ter disponibilizado recursos para financiar investimentos à própria cooperativa e aos seus cooperados, durante a década de 90, questiona-se: quais foram os reais beneficiários destes empréstimos? Qual a contribuição do empréstimo nas estruturas sociais, econômicas e administrativas das cooperativas do segmento pecuário? Será que estas organizações empregaram realmente, de modo eficiente, os recursos obtidos para tornar, a própria e seus associados, mais competitivos? Quais as perspectivas destas cooperativas e de seus cooperados no contexto dos agronegócios local e regional do leite? 33 3 OS OBJETIVOS DA PESQUISA 3.1 Geral Analisar a competitividade das cooperativas que atuam no setor pecuário leiteiro do estado de Pernambuco, financiadas através de recursos do FNE, com base na estrutura geral atual, nas estratégias de atuação e na eficiência econômica e social destas organizações. 3.2 Específicos - Efetuar a análise descritiva do ambiente em que as cooperativas estão inseridas, destacando-se as principais transformações ocorridas no mercado de leite, na última década; - Caracterizar o perfil dos beneficiários dos empréstimos do FNE através de cooperativas ligadas ao segmento pecuário leiteiro do estado; - Avaliar as atuais estruturas sociais, econômico-produtivas e administrativas das cooperativas estaduais ligadas ao segmento pecuário de leite que foram contempladas com empréstimos do FNE e a contribuição destes recursos na formação das estruturas existentes; - Avaliar as estratégias de atuação das cooperativas para com seus associados e para sua melhor inserção nos mercados local, regional e nacional; - Avaliar a ocorrência de eficiência econômica e social atual das cooperativas à luz dos financiamentos recebidos do FNE; 34 4 HIPÓTESE A competitividade das cooperativas que atuam no setor pecuário de leite e aportam recursos financeiros externos do FNE para este processo depende de uma ação estratégica realizada inter e intra organizações, combinando esforços para desenvolver uma estrutura agroindustrial própria e integrada aos demais componentes da cadeia produtiva, para que se alcance os objetivos governamentais propostos através da política pública de incentivos financeiros para o desenvolvimento agroindustrial cooperativo via FNE. 35 5 DA DOUTRINA À EFICIÊNCIA COOPERATIVA A abordagem da doutrina, no caso a cooperativista, está embasada na necessidade de avaliar-se o modelo de organização proposto, que possui bases próprias e bastante peculiares, dentro de um aspecto mais amplo de uma economia capitalista que convive e adapta-se com vários tipos de estruturas. Para que uma análise do comportamento das cooperativas dentro de um ambiente de negócios possa ter mais clareza, faz-se necessário uma abordagem, se não específica, por quanto genérica, da doutrina e da filosofia cooperativista, para que se possa balizar as conclusões a serem anunciadas. Como a empresa cooperativa é um instrumento desta doutrina que tem por intuito minimizar injustiças no setor social dentro de uma economia capitalista, a análise da competitividade da empresa cooperativa não se restringe somente ao aspecto econômico, mas também insere o aspecto social. Portanto, como qualquer outra empresa, a sua sobrevivência dentro deste ambiente econômico depende das estratégias utilizadas e adotadas, de modo a garantir a perpetuação de suas operações no futuro. As cooperativas de produtores rurais, mais especificamente as dos produtores de leite, podem ser visualizadas como o prolongamento das empresas rurais isoladas, através da figura de seus proprietários, no caso os associados, os quais buscam, juntos, uma maior eficiência e competitividade neste tipo de organização. Agregar valor ao produto, através de processos industriais ou semi-industriais, no âmbito de um sistema agroindustrial cooperativo é o modelo proposto por Lauschner, o qual é possível de ser acessado pelos pequenos produtores rurais como forma de continuarem sobrevivendo em um mercado cada vez mais globalizado e com concorrência acirrada. 36 5.1 Aspectos históricos A influência do meio externo no setor primário pode ser observada através da descrição de Kautsky8, na qual relata-se como os agricultores europeus do final do século XIX tiveram de adaptar-se às novas exigências do cenário econômico, e quais as estratégias para enfrentar a concorrência de produtos oriundos de outras partes do mundo. Para que os agricultores pudessem ser mais competitivos, Kautsky (1980:137) apontava as cooperativas como o único caminho para os camponeses agregarem mais valores aos seus produtos, escoarem a produção e permanecerem na pequena unidade produtiva, face ao caráter oligopolístico das empresas situadas a montante da produção rural., afirmando que: "Não se pode conceber que alguém possa negar a importância das cooperativas..." pois "... a cooperativa apresenta vantagens não apenas para a pequena, como também para a grande exploração.” Embora visse com ressalvas a formação de empresas cooperativas por pequenos camponeses, Kautsky (1980:285) descreveu a importância das cooperativas agrícolas, bem como as estratégias de concentração ou integração ao concluir que: "Não duvidamos absolutamente de que esse movimento cooperativo, que se encontra apenas no começo, não alcance resultados consideráveis, provocando uma transformação radical na situação do campo." O Brasil, desde o século passado, recebeu influência do movimento cooperativista internacional, surgindo as primeiras experiências cooperativas no país em 1847, três anos após a iniciativa do pioneiros de Rochdale, na Inglaterra. No estado de Pernambuco, o pioneirismo da experiência cooperativa remonta ao século passado, com a primeira cooperativa oficialmente constituída em 1894, no município de Camaragibe. Entretanto, somente a partir do ano de 1932, com o governo brasileiro estabelecendo normas específicas9, tais como a permissão para constituírem-se 8 In Kaustky (1980), o autor tenta provar a superioridade da grande produção sobre a pequena produção, no final do século passado. A descrição da crise causada pela superprodução de alguns produtos, a concorrência sofrida pelo agricultores europeus por parte dos produtores americanos, bem como as soluções através da cooperação econômica são tratadas com bastante minuciosidade pelo autor, para a referida época. 9 Estas normas eram baseadas nos princípios cooperativos elaborados pelos pioneiros de Rochdale e complementadas pelos doutrinadores. 37 através de sociedades anônimas e a liberdade operacional, ocorreu um impulso no setor cooperativo, principalmente no segmento ligado às atividades agrícolas, haja visto nossa economia ter estrutura agrária10. A partir da década de 30 surgiram também uma série de incentivos financeiros ao movimento, iniciando o processo de ingerência de caráter paternalista em todas as ações concernentes às atividades das cooperativas, chegando o Governo Federal a criar e interferir na administração direta destas organizações. A conduta adotada pelo Governo até o final da década de 50 originou uma série de cooperativas, cujos associados eram arregimentados sem serem submetidos a qualquer processo educativo, desconhecendo os reais princípios cooperativos (Tabela 3). Todas estas ações contribuíram para o fracasso de um grande número de cooperativas, apesar de existirem os Departamentos Estaduais de Assistência ao Cooperativismo (DACs), a partir de 1938, os quais eram encarregados de proporcionar um programa educacional e de assistência técnica ao setor cooperativo de cada estado. A conjuntura econômica da época e a falta do processo educativo, aliadas à manipulação política, são apontadas como razões de entrave ao desenvolvimento do cooperativismo até a década de 70 na região Nordeste. Em termos mais específicos, encontramos a desqualificação do pessoal para o processo de gestão e o desconhecimento dos objetivos e metas das organizações, que resultaram na ineficiência gerencial. A falta de critérios na concessão de crédito para os associados, não analisando a situação econômica real do indivíduo, além dos obstáculos no processo de comercialização e beneficiamento da produção dos cooperados, resultaram numa completa desestruturação das finanças das cooperativas. A ingerência externa determinada por fatores políticos-partidários e a falta de integração entre cooperativas acabaram pondo em cheque a credibilidade do sistema cooperativo na região. O relativo êxito das cooperativas agrícolas e de crédito aconteceu apenas nos grupos mais ou menos 10 Uma análise do histórico do cooperativismo do Brasil e do Nordeste está contida nos estudos de Rios (1973), Rios (1976), Rêgo (1984) e Daniel & Gal (1981) os quais ilustram bem as fases do cooperativismo nordestino entre o início do século até a década de 70, assim como as conseqüências decorrentes das políticas implementadas pelo governo para o setor. 38 homogêneos, compostos de pessoas com maior poder aquisitivo e de maior nível de conhecimento das vantagens do sistema. Assim, a ação prática de um percentual expressivo das cooperativas no Nordeste até a década de 70 ficou restrita ao repasse de crédito e à comercialização de alguns bens de produção. Tabela 3- Evolução das cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias) no Brasil, por região, no período de 1940 a 1998 REGIÕES 1940 1950 1960 1970 1980 1990 1994 1998 Sudeste/Sul 402 835 1.188 830 756 735 709 758 Nordeste 118 296 435 248 345 449 402 463 Norte/Centro-Oeste 10 60 98 82 148 173 117 187 Brasil 530 1.191 1.739 1.160 1.249 1.357 1.288 1.408 Fonte: Panzutti (1997) e OCB (1999) O Governo Federal, com a crise mundial no final dos anos 70, volta a sua atenção aos programas de desenvolvimento do cooperativismo “... como uma fórmula adequada de promover o desenvolvimento das atividades agropecuárias, através do fortalecimento do pequeno e médio produtores...”(Daniel & Gal, 1981). Segundo Pinho (1973), este é um recurso estratégico que o Estado adota quando tem pouca disponibilidade de recursos humanos e materiais, principalmente financeiros, para promover o desenvolvimento. Desta maneira, são difundidas as benesses do cooperativismo, bem como a formação de organizações cooperativas, tanto como forma de organização econômica, como de educação técnica e gerencial. Decorrente disto, vários programas para desenvolvimento do setor, em âmbito nacional, foram propostos pelo Governo Federal, a exemplo do PICOOP – Programa Institucional do Cooperativismo (PICOOP, 1988). Também aconteceram, a partir de então, ações, através de dispositivos legais para beneficiar o pequeno e micro produtor rural, não apenas no âmbito da concessão e repasse de crédito aos associados, mas de um desenvolvimento integrado dentro do complexo agroindustrial, nos âmbitos nacional e local. 39 5.2 Doutrina e princípios cooperativos A doutrina cooperativista teve origem na Alemanha e Inglaterra no final do século passado, fruto da reação dos socialistas espiritualistas às conseqüências do liberalismo econômico da época, e tinha como objetivo corrigir as injustiças sociais, bem como prestar serviços aos seus associados. As cooperativas, numa economia capitalista, segundo Pinho (1966), são o resultado de uma boa interação social, em resposta às forças atuantes de mercado, aceitando o seu mecanismo e tentando melhorar o seu funcionamento. Crochet & Selaries (1962), Pinho(1977) e Garcia (1997) afirmam que, numa cooperativa, as pessoas encontram-se organizadas nos moldes democráticos, sendo o seu funcionamento pautado pelos princípios de solidariedade, igualdade, liberdade e fraternidade, baseados nas regras estabelecidas pela primeira cooperativa na Inglaterra pelos Pioneiros de Rochdale. Os membros das cooperativas, através da honestidade, transparência, responsabilidade e vocação social, contribuem para o embasamento do ato cooperativo. Estes “ princípios e valores” foram referendados mais uma vez pelo congresso da ACI 11, que estabeleceu “regras gerais” para todas as organizações cooperativas. Portanto, em uma cooperativa deve haver: a gestão democrática e aberta, que garante direito de um único voto por membro da organização; a atividade econômica deve ser considerada de proveito comum, sem objetivo de lucro; a adesão voluntária e aberta, permitindo a entrada e saída livre de qualquer indivíduo; a participação econômica dos sócios, com acesso aos resultados das operações no final do exercício; a autonomia e independência, com o intuito de aprimorar o exercício democrático das atividades; a educação, informação e formação através de programas específicos; a cooperação entre cooperativas, as quais podem originar novas cooperativas; e o interesse pelo desenvolvimento da comunidade. O objetivo destes princípios é, ao mesmo tempo, validar o funcionamento das cooperativas, reduzindo os custos de transação nas relações entre os seus membros, através 11 Os princípios cooperativos descritos foram aprovados pela ACI, após oito anos de reflexões, no Congresso de Manchester, em 1995, onde encontram-se detalhadamentete explicados no documento final do evento, 40 de uma especificação de direitos e deveres entre eles com as referidas sociedades cooperativas. Este conjunto de normas também distingue e caracteriza a cooperativa dos demais tipos de organização. 5.2.1 EMPRESAS COOPERATIVAS As organizações cooperativas desenvolvem uma atividade econômica que tem origem nas necessidades comuns de um grupo de pessoas que possuem a propriedade e controle da organização, com objetivos econômicos e sociais. Para Crochet & Selaries (1962: 44-45), uma cooperativa “ ...é um grupo de homens que se reúnem numa empresa comum para, em conjunto, realizarem certas operações em condições melhores do que poderiam fazer isolados” sendo o seu funcionamento pautado pelos princípios cooperativos. Pinho(1966:8) define cooperativa como sendo “ uma sociedade de pessoas, organizadas em bases democráticas, que visam não só a suprimir seus membros de bens e serviços, como também a realizar programas educativos e sociais”. Segundo Mora (1992:25), a cooperativa constitui-se de uma associação de pessoas com personalidade jurídica e responsabilidade limitada, que tem por fim satisfazer as necessidades individuais dos cooperados, proporcionando uma melhoria econômica e social, através da prestação de serviços, sem visar lucro. De acordo com Boettcher (1984:24), as cooperativas são “ la union de un grupo de sujeitos económicos que pretenden la promocion de suas propias unidades económicas domésticas o empresariales através de la prestación de los servicios de una empresa administrada mancounadamente por ellos (los socios)”. Para Lauschner (1982:51), a cooperativa é “um organismo técnico econômico e financeiro sob administração coletiva que mantém nas mãos dos trabalhadores toda gestão e risco e destina ao fator trabalho e para a sociedade geral todo valor agregado, denominado: Cooperative principles for the 21st century. ( ACI, 1999). 41 depois de pago o juro (ou taxa fixa de arrendamento do fator capital)”. Desta maneira, avalia Pinho (1982), as atividades da organização cooperativa não estão restritas apenas à dimensão econômica, mas englobam também o campo social. Isto decorre do fato que, enquanto o componente econômico permeia a produção, a distribuição, a repartição de rendas e a execução de políticas de desenvolvimento, o componente social contribui para o processo de formação do cooperado, via decisões, meios de comunicação e conscientização, além do desenvolvimento de atividades culturais e intercâmbios entre comunidades locais, bem como reivindicações diversas. As cooperativas, devido aos princípios doutrinários da ACI, possuem características singulares que as diferenciam de uma empresa não cooperativa, existindo uma legislação específica para o setor no Brasil12, assim como em outros países. A Constituição Brasileira de 1988 também versa sobre o cooperativismo, apoiando e estimulando as sociedades cooperativas (art. 174 parág. 2º) , bem como diferenciando o ato cooperativo do ato comercial, inclusive para efeito de tributação (art. 146, parág 3º), vedando toda e qualquer interferência estatal no funcionamento destas organizações, que podem ser livremente constituídas (parág. XVIII do art. 5º). Portanto, é possível identificar diferenças entre empresas capitalistas e cooperativas, tanto no objetivo, quanto no processo de gestão, de apropriação e do fator arrendado (Tabela 4). As empresas cooperativas caracterizam-se por apresentarem o trabalho, ou seja, os serviços, como o objetivo, sendo o modelo de gestão democrático, com cada associado tendo direito a um único voto. As “sobras” são distribuídas de acordo com o trabalho e a operação de cada associado com a cooperativa, sendo a subscrição de cotas partes o tipo de participação do associado no capital social da organização, o qual não poderá ser vendida ou passada a terceiros13. Neste tipo de sociedade há também um organograma obrigatório 12 Lei Nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971. Nesta lei os artigos 3º e 4º expõem os princípios doutrinários, o art. 5º assegura o direito de uso da denominação cooperativa e o art. 38º reitera o princípio democrático de que a assembléia geral é o órgão máximo da decisão da cooperativa. (OCEPE, 1998b) 13 As cooperativas, de acordo com legislação tributária nacional, também estão dispensadas do pagamento de imposto de renda. Entretanto, Pinho (1982) não analisa este fato como uma isenção fiscal, haja visto que as empresas que o fazem podem realizar aplicações dedutíveis em imposto de renda, canalizando estes recursos para investimentos em regiões específicas ou atividades produtivas estimuladas pelo governo. 42 por lei, composto de assembléia geral, que elege o conselho fiscal e o conselho de administração. Tabela 4- Diferenças entre Sociedades Cooperativas e Sociedade Mercantil Sociedade Cooperativa Sociedade Mercantil Sociedade de Pessoas Sociedade de capital Tem por objetivo principal a prestação de serviços O Objetivo principal é o lucro Controle democrático: um homem, um voto Cada ação é um voto O “quorum” das assembléias é baseado no número de cooperados O “quorum” das assembléias é baseado no capital Não é permitida a transferência de cotas partes a terceiros, estranhos à sociedade É permitida a transferência de ações a terceiros O retorno é proporcional ao valor das operações O dividendo é proporcional ao valor das ações Fonte: Bialoskorski Neto (1997) Entretanto, as cooperativas podem assumir diferentes formas, afirma Pinho(1966), dependendo do tipo de sua estrutura (primeiro, segundo e terceiro graus)14 e ter objetivos sociais específicos ( consumo, trabalho, agropecuária, etc). Embora o objetivo de uma cooperativa seja prestar serviços a seus membros, avalia Crochet & Selaries (1962) e Pinho (1977), as estratégias gerais e o processo de decisão sobre o papel dos diversos negócios e os recursos alocados deverão ter por objetivo uma melhor “performance”, tanto dos interesses da organização, como do grupo, visto que elas estão inseridas numa economia de mercado. 5.2.1.1 O crédito às cooperativas As cooperativas, independentemente de sua finalidade ou estrutura, necessitam de recursos financeiros para o exercício de suas funções. Por serem, via de regra, descapitalizadas, as cooperativas necessitam de financiamento, seja público ou privado. Para Crochet & Selaries (1962) existem várias fontes de financiamento de que pode 14 De acordo com Pinho (1966), as cooperativas de primeiro grau são aquelas onde os associados são predominantemente pessoas físicas. As de segundo grau são formadas pela união das cooperativas singulares e as de terceiro grau representam a junção das cooperativas do nível anterior. 43 dispor uma cooperativa, dentre as quais destaca “ o próprio trabalho do associado, a subscrição de ações, as obrigações e outros empréstimos feitos por sócios a prazo fixo ou variável, os retornos diferidos, a transformação dos excedentes em reservas, os créditos concedidos por fornecedores, empréstimos do crédito agrícola e os empréstimos concedidos no âmbito de um plano nacional”. Devido à necessidade crescente de modernização das atividades do setor primário no Brasil, as fontes clássicas de financiamento para esta modernização revelaram-se insuficientes. O papel das políticas de incentivos fiscais e financeiros constituí-se em alternativa, então, para o acesso dos agricultores e suas organizações a mecanismos de modernização da produção e inserção do produtor rural no mercado. Ao mesmo tempo em que o produtor rural e sua cooperativa obtêm crédito, não é apenas este pequeno grupo beneficiado, mas todos os integrantes da cadeia produtiva na qual estão inseridos15.Portanto, há um aceleração de todo o ciclo produtivo, permitindo um desenvolvimento econômico amplo (Lauschner, 1993). As cooperativas, nas mais diversas modalidades produtivas, desfrutando de condições especiais de crédito, põem ao alcance do agricultor um instrumento capaz de possibilitar uma maior inserção no complexo agroindustrial, tornando sua atividade mais competitiva. Deste modo, os principais obstáculos empresariais que existiam no meio rural, dentre eles o isolamento, a desinformação, dificuldade de obtenção de novas tecnologias, descapitalização e baixo nível educativo, puderam ser superados pelo cooperativismo. De fato, através da criação da unidade de produção agroindustrial, introduziu-se novas técnicas de produção que tornaram a unidade de produção agrícola mais rentável, derivando disto o crescimento humano e social, dentre outros. 15 Contrário à tendência de utilizar o crédito rural como instrumento de incentivo à agricultura, SAYAD, J. (1978) condena a utilização de recursos do programa de crédito para incentivar a produção ou alterar as técnicas de produção, haja visto que as organizações do sistema financeiro trabalham com firmas, as quais possuem vários projetos, havendo a possibilidade de alocação dos recursos obtidos com subsídios em alternativas outras que não a agricultura. Ressalva entretanto, que existe uma diferença entre o grande agricultor e o pequeno, pois este ainda necessitava complementar com recursos próprios o montante necessário ao investimento. Assim, não basta apenas crédito subsidiado para que se invista na agricultura, pois se não houver rentabilidade, as firmas do setor (fazendas) tomarão recursos através desta modalidade de crédito, transferindo a maior parte destes, e até mesmo recursos de terceiros que obtiveram anteriormente, para atividades outras de maior rentabilidade. 44 5.2.1.2 As cooperativas nos complexos agroindustriais As cooperativas do setor primário encontram-se inseridas no contexto dos complexos agroindustriais16, estando sujeitas às dinâmicas existentes entre os elos de uma cadeia de produção de um determinado produto. Segundo Kageyama (1990), o processo de modernização da agricultura17 intensificou-se na década de 60 através do uso de insumos modernos, modificação na relação de trabalho e mecanização das operações permitindo um aumento qualitativo na produção rural e favorecendo a instalação no Brasil de um conjunto de indústrias produtoras de insumos, o qual passou a depender cada vez mais do fator capital. A política de substituição das importações, segundo Tavares (1979), juntamente com a de crédito rural, foi fundamental na formação do complexo agroindustrial nacional, forçando, segundo Menelau (1993), a modernização e a industrialização do setor primário no período posterior a 1975. Estes complexos alteram a dinâmica da agricultura, antes ditada pela do mercado (externo e interno), passando a funcionar através da dinâmica própria, forçando o Estado a assumir a função de “administrador”, através das políticas específicas para cada setor (Müller, 1989). Esta estratégia adotada pelo Estado visava permitir que o mercado funcionasse sem maiores estrangulamentos, cabendo aos poderes públicos apenas arbitrar as divergências internas, tais como as existentes dos complexos agroindustriais (Zylbersztajn e Farina, 1991). Nesta perspectiva, Farina (1997) afirma que no caso do sistema agroindustrial de leite no Brasil, formou-se “uma estrutura bastante complexa e integrada e, ao mesmo tempo, heterogênea, resultante do desenvolvimento industrial e agrícola no país, e do aparato institucional que o gerou.” 16 O complexo agroindustrial é definido por Müller (1989:45-46) como sendo o “conjunto formado pela sucessão de atividades vinculadas à produção e transformação de produtos agropecuários e florestais”, sendo portanto uma “unidade de análise do processo sócio-econômico que envolve a geração de produtos agrícolas, o beneficiamento e sua transformação, a produção de bens industriais para agricultura, os serviços financeiros, técnicos e comerciais correspondentes, e os grupos sociais”. 17 O processo de modernização da agricultura ocorrido a partir de 1965 é chamado de industrialização da 45 Como existem diferentes graus de relação no ambiente da produção primária, tanto nas relações a montante, como a jusante da unidade produtiva, Kageyama (1990) classifica quatro tipos de articulação entre os complexos agroindustriais (CAIs): aqueles com fortes vínculos dos setores a montante e a jusante, denominados CAIs completos; os que possuem forte vínculo à frente e não necessariamente atrás, chamados CAIs incompletos; um outro tipo que, apesar de possuir uma série de atividades modernizadoras dependentes da indústria de insumos, não mantém processo de integração com estes; e por fim, aqueles de base de produção artesanal ainda não modernizada. No modelo em que a base de produção é artesanal, há pouca incorporação de tecnologia, sendo a maior parte da sua produção voltada para a subsistência do produtor e de sua família. Isto proporciona uma menor competitividade a este modelo. Já nos CAIs completos, há uma intensa relação entre os atores da cadeia produtiva, sendo o seu produto voltado para o mercado. O modelo do complexo agroindustrial do leite nacional, de acordo com Kageyama(1990), é classificado como sendo “incompleto” devido ao tipo das ligações a jusante da atividade rural. As indústrias processadoras deste setor compõem um grupo dos mais oligopolizados e concentrados, exigindo, por sua vez, maior qualidade e regularidade de oferta de matéria-prima, influenciando enormemente a produção leiteira. As cooperativas neste contexto representam, segundo Müller (1989:103), uma “...maneira de reação à perda potencial de autonomia dos produtores agrícolas face à tendência oligopolítica-oligopsônica...” tanto da indústria, como das grandes redes varejistas. As cooperativas, segundo Zylberstajn (1997) e Lauschner(1993), podem não apenas atuar na coordenação do complexo agroindustrial, no caso específico leite, haja visto que são instituições de caráter econômico e social, componentes de um processo altamente representativo, mas também atuar nos processos de gestão democrática-participativa do Estado, colaborando na formulação e execução de políticas públicas. Esta seria uma das estratégias operacionais que o poder público teria para conseguir aumentar a produção, agricultura, pois a indústria passa a comandar a “direção, as forças e o ritmo da mudança na base técnica agrícola” do país (Kageyama, 1990:121-122). 46 bem como estimular novas alternativas de produtos, que poderiam ser maximizados através do incremento do setor cooperativo, com oportunidade de retomada do crescimento econômico. Deste modo, as cooperativas poderiam ser catalisadoras num processo de geração de emprego e renda não só para os produtores rurais, mas para toda a comunidade na qual estão inseridas. O aproveitamento do potencial cooperativo local também facilitaria uma constante inovação tecnológica, diversificação de produtos, mesmo em atividades que possuam “commodites” de baixo valor agregado, além de viabilizar um processo educacional de seus membros cooperados e de suas comunidades (Lauschner, 1993). Para visualizar a atuação de um setor específico na cadeia produtiva, bem como a estratégia adotada por seus atores, três aspectos básicos podem ser utilizados: a comercialização, a industrialização e a produção de matérias-primas (Batalha, 1995). Portanto, a análise da atuação das cooperativas na cadeia produtiva dentro do contexto agroindustrial pode ser facilitada através de cortes verticais, pois este método permite uma visão segmentada do setor. 5.2.1.3 As empresas cooperativas agroindustriais Com a formação dos complexos agroindustrias, a desregulamentação do Estado e a crise dos mecanismos de apoio estatal, originaram-se as empresas cooperativas agroindustriais, mais complexas que as cooperativas agrícolas tradicionais. Este processo que impulsionou as cooperativas agrícolas a assumirem um novo perfil aconteceu a partir do início dos anos 70, segundo Panzutti (1997), e levou-as a buscarem novas formas de funcionamento e adaptações às realidades do mercado. Para Jäguer(1992), esta transformação ocorreu com maior intensidade em cooperativas situadas em estados do sul do que no estado de Pernambuco. Portanto, para uma melhor compreensão do ambiente onde está situada a empresa 47 cooperativa agroindustrial, deve-se analisar o "complexo rural"18, sendo possível visualizar todas as operações situadas a montante e a jusante da unidade produtiva, bem como o papel da agroindústria. Lauschner (1993:51) adota a definição de agroindústria em sentido amplo como sendo a “... unidade produtiva que transforma o produto agropecuário natural ou manufaturado para utilização intermediária ou final”. Entende-se a agroindústria em sentido restrito como sendo “...uma unidade produtiva que, por um lado, transforma, para a utilização intermediária ou final, o produto agropecuário ou seus subprodutos não manufaturados: e que, por outro lado, adquire diretamente do produtor rural o mínimo de 25% do valor total dos insumos utilizados” (Lauschner, 1993:52). Assim, a agroindústria representa na concepção de Lauschner (1993:274) “...o agente econômico que pode oferecer melhor apoio aos produtores rurais, como forma de agregar valor, ampliar a renda e o emprego rural, dinamizar as pequenas cidades, fortalecer a economia frente ao exterior e como instituição de apoio direto das explorações rurais”, sendo um setor estratégico no desenvolvimento do complexo rural. A agroindústria cooperativa é apontada por Lauschner(1993:276) como “... o modelo ideal de organização e de autopromoção do pequeno produtor rural...” pois “...quando bem viabilizada pode maximizar o apoio ao agricultor...”, na medida que “...concede aos agricultores associados as decisões da agroindústria e a distribuição do excedente segundo as operações, eliminando o “lucro”; remunera o capital apenas com juros, iguais ou não ao valor de mercado, e mantém como objetivo exclusivo beneficiar os produtores rurais”. Este modelo também possibilita uma “...integração do produtor à agroindústria cooperativa, mediante contratos de produção e integração...” permitindo uma racionalização empresarial que só traz benefícios ao produtor, pois “...não assegura benefício monopsônico ao capital, como nos outros modelos de empresas industriais”. Entretanto, esta agroindústria, adverte Lauscnher (1993:61-62), deve “... adaptarse às exigências de mercado para concorrer...”, sendo levada a “ ...direcionar e 18 In Lauschner (1993: 29-30) encontra-se a definição do Complexo Rural como sendo um termo cujo significado é oriundo do conceito de “Agribusiness”, formulado por DAVIS, Jonh H & GOLDBERG, Ray A. A concept of agribusiness. Boston: Harvard University, 1957. O Complexo Rural é definido como sendo o “conjunto de todas as operações que abarcam a produção e distribuição de insumos rurais; a exploração a nível da exploração rural; e 48 maximizar a eficiência da pesquisa tecnológica, da assistência técnica, do crédito rural e do uso de investimentos e insumos em geral que os agricultores adquirem do agregado I ou Montante do complexo rural”. Estas ações, aliadas a outros efeitos diretos e indiretos da agroindústria, permitem um aumento da produtividade e da renda dos agricultores. Assim, para que realmente esta agroindústria cooperativa possa ter viabilidade econômica, além de ter de possuir uma boa planta industrial, com tamanho e localização adequados, recursos financeiros suficientes, deve ter assegurada a suficiência e regularidade da matéria-prima (Lauschner, 1993). Jäguer(1992:6) defende que a cooperativa, inserida numa economia de mercado funcione não como uma empresa, mas como um empreendimento que tem por objetivo desenvolver “... economicamente unicamente os seus cooperados participantes...”, através de atividades de mercado, sendo o seu comportamento econômico uma resposta a este mercado e às necessidades da moderna produção. De acordo com Jäguer (1992:6-7), este empreendimento cooperativo “...não tenta identificar-se com a comunidade ou região...”, pois “... a cooperativa não é um movimento com objetivos sociais...”, mas sim, “...uma comunidade de vantagens para aqueles que cooperam ativamente...”, sendo estes os fatores que permitem estabilidade e sucesso a este tipo de empreendimento. Rêgo(1984:96), ao analisar inúmeros trabalhos e pesquisas sobre o cooperativismo nordestino, conclui que é de suma importância que as cooperativas desenvolvam atividades agroindustriais, pois isto possibilita “...uma interiorização do desenvolvimento de forma participativa e com melhor distribuição espacial de indústrias e do parque industrial, quer pelo núcleo populacional maior nessas que em empresas grandes, ou multinacionais, quer pelos benefícios quanto ao processo de interiorização...” e destaca o processo democrático destas organizações via “...o reflexo da participação da população no processo, na economia de mercado e na geração de maior elenco de atividades para o setor de serviços.” As agroindústrias pecuárias cooperativas são apontadas por Lauschner (1993) como o armazenamento, processamento e distribuição dos produtos agrícolas e seus subprodutos” 49 aquelas que melhor oferecem condições, quando viáveis, de incrementar o desenvolvimento rural, em razão da possibilidade da “densificação econômica dos produtos”, diversificação de culturas e poder multiplicador das vendas e empregos. Deste modo, o potencial latente das agroindústrias cooperativas pecuárias pode atingir tanto a esfera econômica como social, através de um processo de modernização e crescimento tecnológico das zonas rurais. Isto ocorre à medida que seja adequada aos fatores de produção que utiliza, fortalecendo a aglutinação social dos associados, através da conscientização para a tomada de decisões econômicas que assegurem o máximo em benefícios econômicos. 5.2.2 ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA EM COOPERATIVAS As diversas organizações que se encontram no complexo agroindustrial estão interrelacionadas, podendo neste contexto, tanto influenciar, como sofrer influência. A combinação de fins (metas) e de meios (políticas) que a organização utiliza para alcançar os seus objetivos delineia a sua estratégia de atuação no mercado (Porter, 1986). As empresas devem ter uma clara visão do ambiente em que atuam, uma vez que as limitações ao desenvolvimento dos negócios dependem da concorrência existente entre empresas do mesmo setor, das barreiras de entrada e saída de negócios, do conjunto de produtos similares disponíveis e do poder de negociação dos compradores e fornecedores (Porter, 1986). Entretanto, as análise do ambiente na formulação de estratégias adotadas devem também levar em consideração fatores outros tais como limitações legais, pressões sociais e interferência de grupos internos e externos nos processos decisórios e nas atividades (Ansoff & MacDonnell, 1993). Portanto, torna-se relevante aos dirigentes das organizações, no caso as cooperativas, realizar uma análise do ambiente organizacional, ou seja, delinear todo o “...conjunto de todos os fatores, tanto internos como externos à organização, que possam afetar seu progresso...” canalizando as respostas para uma maior competitividade da organização (Certo & Peter, 1993:38). 50 A finalidade desta análise é identificar o grau de oportunidades e riscos que possam afetar o êxito da organização em atingir as metas pretendidas, de forma efetiva e eficiente, dependendo, entretanto, da qualidade das atividades de análise ambiental utilizadas (Certo e Peter, 1993:63). A percepção da análise do ambiente por parte das organizações, no caso cooperativas, “...depende muito daquilo que cada organização considera relevante para o seu ambiente”(Chiavenato, 1998:603). As organizações cooperativas, na busca de maior vantagem competitiva, tendem a optar por um tipo de estratégia elaborada de acordo com a sua percepção do ambiente. Estas estratégias podem ser usadas de maneira isolada ou conjunta, de modo a criarem vantagens, quer seja de curto, médio ou longo prazo, tendo sempre por fim a superação dos concorrentes na atividade supra. Desta maneira, a análise do contexto dentro de uma ótica multidisciplinar permite a construção das vantagens competitivas dentro de um paradigma de desenvolvimento, onde as empresas estão em um processo de mudança contínuo para ajustarem-se ao mercado. As vantagens competitivas, portanto, estão relacionadas ao processo de gestão, inovação tecnológica, produção e conhecimento de mercado, aos subsídios e incentivos fiscais, integração vertical e horizontal, ao enfoque num segmento alvo, bem como à diferenciação de produtos, dentre outros19 (Gentzolglanis et al., 1998). Contudo, a gestão das empresas cooperativas apresenta pontos singulares, os quais não ocorrem em organizações não cooperativas. Dependendo do tipo da empresa e do modelo de gestão adotado pela empresa agroindustrial cooperativa, pode haver uma demanda por pessoal qualificado para o processo de direção da empresa, em razão do aumento das atividades nas agroindústrias cooperativas. 19 Dentro do sistema agroindustrial e nas organizações cooperativas, a competitividade é determinada não apenas pela inovação tecnológica, mas também por outros fatores de organização das firmas e competências adquiridas, sendo as decisões estratégicas limitadas em alguns setores, como o de P&D, haja visto que dependem de avanços tecnológicos gerados noutros setores e da própria estrutura de mercado (Machado, 1998 e Brito, Antonialli & Santos, 1997). 51 As especificidades na administração de uma cooperativa estão presentes, cita Bialoskorski Neto & Jank (1994), nas relações contratuais, na gestão, no planejamento administrativo estratégico e unidades de negócios, na análise de eficiência, dentre outros, e merecem ser vistos para melhor compreensão do ambiente e obtenção de sucesso nos negócios cooperativos. A empresa cooperativa apresenta peculiaridade singular no referente à teoria das relações contratuais. Para Bialoskorski Neto (1997:530-531), neste tipo de empresa, ao mesmo tempo que “...a pessoa física participa das decisões estratégicas, através de assembléia...”, ela se “...autocontrata para as etapas posteriores ao processo produtivo, inclusive com independência para influir na remuneração destes contratos, ou seja, em sua própria remuneração”. Este processo é decorrente da “... ausência de separação entre o controle e a propriedade...” nas empresas cooperativas. A junção entre o controle e propriedade neste tipo de organização favorece o aparecimento de alguns problemas, segundo Bialoskorski Neto(1997), haja visto o que ocorre quando o exercício de cargo de gerência, via de regra, é assumido por um dos associados, o qual pode perpertuar-se através da autocracia. O malogro dos “contratos”, disputas internas e perda de tempo nas decisões são outros pontos fracos apresentados por este tipo de organização. Zylberstajn (1997) também concorda que a não separação entre propriedade e controle resulta em pressões internas dos cooperados, influenciando a organização cooperativa no intuito de obter preços acima do mercado, comprometendo o seu desempenho. Isto acontece quando o cooperado sente-se distante do negócio da cooperativa. Este tipo de problema pode ser contornado, na visão de Zylberstajn (1997:26), através de “...programas internos de informação, deixando o cooperado sintonizado com o negócio da cooperativa...”. Devido à complexidade das cooperativas que operam nos sistemas agroalimentares, em virtude das características dos negócios agrícolas modernos, Zylberstajn(1997) afirma que a figura do cooperado gerente tende a desaparecer neste tipo de organização. Esta conclusão decorre de uma exigência maior da qualificação profissional específica, e de que a atividade de gerência nestas estruturas cooperativas 52 exige dedicação exclusiva, cerceando o tempo dedicado à atividade primeira do associado, a produção rural, a qual exige um constante aperfeiçoamento técnico . Bialoskorski Neto (1997:532) afirma que o ideal seria “...o gerenciamento profissional, aliado sempre à participação do associado nas decisões estratégicas...”, pois “...não é possível gerenciar negócios tendo como meta apenas a solidificação da empresa agroprocessadora como uma agência de assistencialismo a seus produtores associados”. Assim, as decisões devem ser tomadas “...de acordo com as tendências de mercado em nível global e as principais estratégias de ação empresarial...”, sendo as unidades estratégicas de negócios “...uma conseqüência do processo de planejamento estratégico de longo prazo, e portanto da definição de seus objetivos e de sua missão”. O conceito de eficiência em uma empresa cooperativa é originado, segundo Bialoskorski Neto (1997:533), tanto na “...eficiência social, ou seja, a capacidade da cooperativa assegurar ao seu cooperado a obtenção de seus objetivos econômicos...” como “...na eficiência financeira da empresa”. Assim, a organização atua de acordo com a lógica econômica do mercado, tanto para fora como para dentro, garantindo a eficiência empresarial e a eficácia social. A análise da eficiência social pode ser obtida “...através da observação da participação do cooperado, de sua atividade de negócios com a empresa e do nível de crescimento de sua renda particular” (Bialoskorski Neto, 1997:534). Para obtenção da eficiência financeira, cita Bialoskorski Neto20 (1997:534), podem ser utilizados instrumentos de análises tradicionais, os demonstrativos financeiros e os índices de eficiência, desde que se atente para as particularidades destas sociedades. Entretanto, Zylberstajn (1997:24) argumenta que a própria doutrina cooperativa contém elementos que afetam a competitividade da empresa cooperativa. O princípio de 20 Na análise financeira das cooperativas não existe lucro, e sim sobras, as quais, apesar de constar nas contas do patrimônio líquido, “ têm a possível tendência de serem menores, pelo fato de a cooperativa não objetivar sua maximização”. Este fato poderia causar problemas com outros índices financeiros, tal qual o endividamento, “considerados como exigíveis pelo passivo total, que tenderia a ser maior em uma cooperativa”. Os índices de liquidez podem também ser distorcidos se não considerarmos as nuances da existência de estoques, tanto de produtos agrícolas, como de insumos, para serem vendidos aos associados, e o valor a ele atribuído, se de custo ou de mercado. Um outro fator importante é a época de elaboração do balanço, devido à sazonalidade da produção e, portanto, do nível de estoque. 53 um homem - um voto, por exemplo, “... não pode ser considerado neutro no desempenho da empresa, induzindo a maiores custos de transação...”, sendo um desafio às estruturas cooperativas modernas “...manter seu papel de sistema centrado no homem e, ao mesmo tempo, desenvolver organização capaz de competir com empresas de outras naturezas com orientação para o mercado”. Zylberstajn (1997:31) destaca outro fator que implica em menor competitividade deste tipo de empresa: “...o acesso às sobras é menos importante do que a renda da venda do produto...”, assumindo o cooperado um comportamento “...que reflete ação oportunista”. Na agroindústria cooperativa, quanto maior o nível de valores compartilhados de motivação e de informação, resultarão em controles intensos e menor conflito interno, bem como da perfeita sintonia entre cooperado e a sua organização ( Zylberstajn, 1997). Quanto maior for a cooperativa, maior é a sua complexidade, necessitando, portanto, de uma nova estrutura que represente os novos tipos de arranjos contratuais, de modo a permitir maior eficiência em mercados cada vez mais exigentes. O processo de participação, a transparência das informações e o nível de conscientização nortearão o perfil gerencial dos agronegócios cooperativos, o qual será mais competitivo, na medida em que a organização promova programas de educação capazes de capacitar os associados face aos desafios impostos pelo mercado. 5.2.2.1 Eficiência e eficácia nas cooperativas As cooperativas, atuando num ambiente de negócios com empresas cooperativas e não-cooperativas, têm que apresentar, ao mesmo tempo, eficiência e eficácia21 nas suas 21 O conceito de eficiência que se procurou utilizar é o referendado pela Organização das Cooperativas do Paraná-OCEPAR e Organização das Cooperativas Brasileiras-OCB e desenvolvido por Oliveira Júnior (1996), baseado na análise das variáveis ambientais que interferem em uma organização, levando por isto em conta, além do econômico-financeiro, a dinâmica social e política, interna e externa, das empresas, tomando por referencia o modelo de planejamento estratégico desenvolvido por Ansoff (1981). Portanto, leva-se em consideração que a eficiência e a eficácia andam juntas, ou seja, a organização deve ser considerada tanto pelo foco da eficiência, como da eficácia, sendo aquela relacionada com o aproveitamento dos recursos existentes e esta relacionada com o alcance de resultados, onde a eficiência nas operações tem por intuito garantir a eficácia da organização (Chiavenato, 1998: 607-614 e 713-723). 54 administrações para continuarem atuando no mercado, tendo a cautela de procurar a adequação econômica aos princípios cooperativos22. Em busca de uma maior eficiência e eficácia, Pinho (1977) e Zylberstajn(1997)23 afirmam que as cooperativas são estimuladas a buscarem vantagens como redução de custos, economia de escala, aumento dos serviços econômicos e sociais, realização de novos empreendimentos , ampliação da participação no mercado e defesa dos interesses do setor. Para que estas estratégias tragam benefícios nítidos, Bialoskorski Neto (1997:528) afirma que é necessário advir uma “economia de integração”, ou seja: • “economia de operações combinadas, reunindo operações tecnologicamente distintas, de forma a ganhar eficiência no processo produtivo global; •economia de coordenação, através da redução de custos de controle e de transações; •economia de informação, facilitando o acesso a informações importantes ao processo de tomada de decisões de produção e comercialização; •economia de relacionamentos estáveis, possibilitando a especialização nas diversas fases de produção e permitindo um ganho pela eficiência e a diferenciação do produto através de marcas e/ou pela qualidade.” A partir destas abordagens econômicas, é possível identificar e analisar os processos de gestão e administração das cooperativas, bem como os seus resultados, ou 22 Em publicação divulgada pela ACI encontra-se uma análise efetuada por Book (1999) sobre eficiência e eficácia em cooperativa. O autor ressalta que, para o desenvolvimento de uma cooperativa, deve haver sintonia entre economia e democracia, coisa possível de ser efetuada, haja vista as experiências de organizações que adotaram este tipo de gestão tanto em países desenvolvidos, como em desenvolvimento. Este tipo de característica administrativa é adotada inclusive por empresas não cooperativas para ‘ganhar mercado’. Para Book, é embasado nesta mesma perspectiva que o conceito de AMSC (Appropriate Management System for Agricultural Co-operation) da FAO foi elaborado, visando o desenvolvimento de recursos humanos dentro de cinco diretrizes fundamentais, para que as cooperativas possam ter uma boa ‘performance’ no mercado, as quais são: ampla participação dos produtores rurais nas decisões; administração profissional da cooperativa; integração com a rede de insumos, de industrialização e comercialização; diversificação da produção; e capacitação dos associados. 23 Zylbersztainj(1997) analisa as cooperativas como uma maneira de promover a integração vertical dos produtores que desenvolvem atividades agrícolas e pecuárias, rumo a atividades de comercialização, industrialização e produção de insumos. 55 seja, sua eficiência e eficácia nos aspectos econômicos e sociais. A adoção de uma abordagem que não envolva apenas mecanismos tradicionais de análise de uma empresa não cooperativa pode levar a erros na interpretação de alguns resultados que, por sua vez, podem indicar o êxito ou não deste tipo específico de organização. 5.2.2.2 Avaliação de eficiência em cooperativas Na organização cooperativa, a avaliação da ‘performance’ deve levar em conta tanto indicadores econômicos como indicadores sociais, haja visto as peculiaridades deste tipo de organização. Pinho (1982) destaca que, devido às nuances deste tipo de organização, os indicadores de desempenho de uma organização cooperativa devem levar em consideração os indicadores econômicos clássicos, como quociente de liquidez, quociente de giro de estoque, de crédito ou de dívidas e quocientes de participação de capital, por exemplo. Porém, não deve-se desprezar alguns instrumentos específicos, denominados “indicadores cooperativos”, tais como indicadores de solidariedade cooperativa, de vitalidade democrática da cooperativa, de equidade cooperativa e de educação cooperativa. Levando em conta as peculiaridades da organização cooperativa, Oliveira Júnior (1996) afirma que o conceito de eficiência empresarial tem de ser constituído de forma tal, que não descaracterize esta organização como sociedade de pessoas e empresa em economia de mercado. Desta maneira, ressalta Oliveira Júnior (1996:10), “o equilíbrio entre distribuição e acumulação de sobras, entre estrutura voltada para o mercado ou para o quadro social e entre decisões tecnoburocráticas ou democráticas é em suma o conceito de eficiência básico que norteia uma empresa cooperativa”. Para Oliveira Júnior (1996), a base da eficiência das cooperativas é obtida à medida que se tem uma velocidade de acumulação equilibrada com um estrutura sólida de capital, para que as condições de aumento e de crescimento contínuo da organização esteja assegurada. Este processo de formação de capital, além de possibilitar dois ciclos de 56 crescimento, possui barreiras no que tange à disponibilidade de capital, de tecnologia, de mercado e de matéria-prima, os quais dependendo da política econômica e social da organização, podem ser transpostas ou não. A etapa inicial deste processo é resultante do capital inicial investido pelos associados e dos resultados obtidos. Este capital pode ser proveniente de uma fonte externa, que não os próprios associados, para formar o volume de capital disponível, dependendo da política da cooperativa para tal. A etapa posterior resulta dos investimentos através de recursos disponíveis, que, por sua vez determinará a capacidade da organização em adquirir tecnologia e continuar a crescer. ( Figura 1) Figura 1 – Ciclo de crescimento das empresas cooperativas DISTRIBUIÇÃO ( sobras) CAPITALIZAÇÃO RESULTADOS ECONÔMICOS APURADOS CAPITAL APORTADO PELOS ASSOCIADOS SOBRAS CAPITALIZADAS CAPITAL DE EMPRÉSTIMO + (fornecedores/governo) VOLUME CAPITAL DISPONÍVEL SUPERAÇÃO DAS BARREIRAS TECNOLÓGICAS E DE CAPITAL VOLUME DE CAPITAL INVESTIDO SUPERAÇÃO DAS BARREIRAS DE MERCADO E DE MATÉRIA-PRIMA INVESTIMENTO FINANCEIRO DE CURTO PRAZO INVESTIMENTOS OPERACIONAIS DE CURTO PRAZO INVESTIMENTOS PERMANENTES Fonte: Oliveira Júnior (1996). 57 Desta maneira, a cooperativa poderá escolher, de acordo com o ponto de vista econômico e social, qual o melhor tipo de investimento, superando as barreiras existentes no mercado para o negócio em questão, apresentando resultados econômicos e financeiros satisfatórios (Oliveira Júnior, 1996). Assim, na análise da eficiência econômico-financeira das cooperativas, vários aspectos podem ser abordados, pois como este tipo de organização não visa lucro, há necessidade de resultados econômicos positivos para possibilitar condições de crescimento. Para avaliar a capacidade da cooperativa crescer e sustentar suas operações com capital de giro próprio, pode-se tomar o índice de autofinanciamento, que leva em conta o capital de giro e as necessidades de capital de giro. A utilização de recursos externos para realizar investimentos ou operações correntes pode ser mensurado através do índice de endividamento. A análise do desempenho dos negócios pode ser avaliada através do desempenho nas vendas, na participação do mercado, do patrimônio e das sobras da cooperativa (Oliveira Júnior, 1996). Na análise da eficiência social da cooperativa podem ser considerados também aspectos educacionais, políticos e de recursos humanos utilizados pela organização, tais como o percentual de cooperados presentes em assembléias, o número de associados ativos em relação ao número total de associados, o faturamento por associados e o número de associados em relação ao número de técnicos, por exemplo(Oliveira Júnior, 1996). Desta maneira, tem-se uma posição da capacidade da cooperativa em continuar atuando no mercado, podendo, inclusive, balizar a avaliação de estratégias e correções nos mecanismos econômicos, administrativos e sociais destas organizações. 58 6 METODOLOGIA DA PESQUISA 6.1 Fins da pesquisa Quanto aos fins, a pesquisa será explicativa, pois pretende esclarecer qual a importância dos recursos obtidos através do FNE para as cooperativas e qual a eficiência e a competitividade destas organizações.24 Visando atingir os objetivos propostos por esta dissertação, utilizou-se o modelo conceitual empregado por Lauschner (1993) e Oliveira Júnior(1996) que analisa os negócios da cooperativa dentro de uma abordagem sistêmica. Na metodologia empregada utiliza-se uma ótica multidisciplinar, onde a análise do êxito das ações da cooperativa extrapola o aspecto puramente econômico. O aspecto social e político são também devidamente considerados, o que permite verificar a consistência da relação economia / democracia dentro das cooperativas. Desta forma, foi possível verificar a possibilidade de êxito de empreendimentos geridos por pequenos agricultores nos moldes cooperativos, dentro do segmento da pecuária leiteira, bem como verificar a estratégia de atuação destes atores e as limitações de ação de cada um destes nas relações intra e inter organizações. O emprego deste tipo de análise permitiu visualizar o comportamento do segmento dentro do contexto social e econômico, bem como o embasamento utilizado pelas entidades e seus associados na definição e aplicação de estratégias competitivas. Portanto, uma visão apurada do contexto em que as cooperativas estão inseridas e as relações existentes neste ambiente apresentou-se de suma relevância na análise da competitividade deste tipo de organização. 6.2 Os meios da pesquisa Quanto aos meios, a pesquisa utilizou-se de dados bibliográficos, documentais e de campo, sendo este conjunto de dados fundamental para geração das informações 59 balizadoras das análises. 6.2.1 OS DADOS PRIMÁRIOS Como o modelo de análise proposto leva em consideração o ambiente de negócios da cooperativa, com destaque para a sua relação com os setores financeiro, governamental e institucional, os dados primários foram coletados junto às próprias cooperativas, bem como junto a alguns representantes dos agentes citados. 6.2.1.1 No setor financeiro Os dados que permitiam a identificação das cooperativas beneficiadas através de recursos do FNE no estado, nos segmentos agrícolas, pecuários e agroindustriais/agropecuários foram obtidos através de consulta ao banco de dados do Banco do Nordeste – Ambiente de Implementação de Programas, localizado em FortalezaCE. Em virtude da legislação em vigor no país não permitir acesso a referências individuais quanto aos dados bancários de indivíduos ou empresas, ao referido agente financeiro coube fornecer apenas valores genéricos para a região Nordeste e para o estado de Pernambuco no período analisado. Os dados coletados entre dezembro de 1998 e maio de 1999 auxiliaram a definir o tamanho da amostra, bem como efetuar uma análise comparativa da realidade local e regional, quanto ao volume do crédito concedido. 6.2.1.2 No setor governamental O Governo do Estado, interessado em propagar e facilitar o acesso de agricultores às linhas de crédito disponíveis via FNE, teve papel de destaque no fomento e elaboração das primeiras propostas de financiamento para cooperativas no estado. 24 A classificação quanto aos fins e meios baseia-se no proposto por Vergara (1997). 60 O GEAP – Grupo Especial de Elaboração, Acompanhamento e Assessoramento Técnico de Projetos, vinculado à Diretoria Técnica – DTE da Secretaria de Agricultura do estado, foi criado para atuar juntamente com organizações associativas e cooperativas. 25 O resgate de documentação e síntese de projetos pioneiros elaborados no Estado de Pernambuco a partir de 1993 permitiu a obtenção de informações relevantes para a pesquisa, tais como as primeiras entidades a efetuarem projetos para obtenção de empréstimo do FNE. 6.2.1.3 No setor institucional A Organização das Cooperativas do Estado de Pernambuco – OCEPE possui no seu banco de dados informações gerais e específicas sobre as cooperativas existentes e atuantes no setor agrícola, pecuário, agropecuário e agroindustrial. O Cadastro Básico das Cooperativas Pernambucanas de 1998 também serviu como fonte de pesquisa. Porém, mesmo tendo um subsetor específico para as cooperativas do setor primário, a OCEPE não dispunha de uma relação completa das organizações beneficiadas através do FNE. Portanto, a identificação do universo a ser pesquisado também levou em conta informações coletadas junto ao presidente desta entidade, Dr. Malaquias Anselmo, além de contatos efetuados com as cooperativas estaduais. A intervenção da OCEPE junto às entidades cooperativas alvos da pesquisa e seus dirigentes permitiu que obstáculos pudessem ser transpostos, facilitando a aplicação dos questionários. 6.2.1.4 Nas organizações cooperativas O número de operações realizadas com recursos do FNE em organizações cooperativas de Pernambuco, entre 1990 e 1998, permitiu que se delineasse o universo da pesquisa no estado. Além de verificar os benefícios oriundos das ações implementadas 25 O GEAP foi criado pela Portaria Nº 0298 em 10/05/93, para atuar junto as cooperativas e associações, estimulando o desenvolvimento destas organizações e apoiando na elaboração de projetos agropecuários integrados. 61 através destes recursos, era também objeto deste questionário traçar um perfil do quadro social e administrativo, bem como a competitividade destas organizações pesquisadas no cenário local de agronegócios. Devidamente quantificadas as cooperativas agrícolas, pecuárias, agropecuárias e agroindustriais no estado que obtiveram financiamento do FNE, procurou-se, selecionar e identificar aquelas classificadas pelo Banco do Nordeste como pecuárias e agroindustriais/agropecuárias, situadas na região de maior expressão na pecuária de leite do estado. Com o objetivo de verificar o perfil, os efeitos do empréstimo e o comportamento das cooperativas que primeiro obtiveram empréstimo do FNE no estado, face às cooperativas que só recentemente foram contempladas, procedeu-se a divisão em dois grupos. O primeiro grupo foi composto pelas cooperativas que receberam financiamento através de recursos do FNE até 1995 e o segundo grupo por organizações que obtiveram financiamento entre 1996 e 1998. Os dados primários indicaram um número de 79 operações com cooperativas que atuaram em atividades pecuária, agropecuária e agroindustrial. As informações coletadas permitiram que se identificassem 34% das operações efetuadas com cooperativas no estado, o que representa 27 cooperativas contempladas, sendo que 11 receberam incentivos do FNE entre 1990 e 1995 e 16 entre 1996 e 1998. Então, optou-se por pesquisar uma amostra, sendo a escolha feita aleatoriamente. Os questionários foram formulados de modo que se obtivesse o maior número de dados possíveis sobre as organizações pesquisadas, sendo aplicados em 13 cooperativas, ou seja, aproximadamente 50% do universo identificado. A escolha das cooperativas aconteceu aleatoriamente, respeitando a seguinte proporção: 6 organizações contempladas entre 1990 e 1995 e 7 organizações entre 1996 e 1998. Haja vista a dificuldade de deslocamento para vários pontos do estado, foi solicitado apoio da EBAPE-PE26, a qual colaborou em algumas localidades de difícil acesso. 26 A EMATER-PE através de um processo de reestruturação, em 1999, deu origem a EBAPE-PE. 62 Para minimizar os impactos decorrentes do receio do fornecimento de informações sobre as cooperativas e seus dirigentes detectadas durante o pré-teste, optou-se por assegurar aos entrevistados que os nomes das suas respectivas organizações seriam suprimidos na pesquisa, sendo efetuado o estudo do grupo de cooperativas analisadas em cada período. A coleta de dados nas cooperativas ocorreu entre março e junho de 1999, sendo efetuado anteriormente um pré-teste, dada a dimensão do questionário utilizado. 6.2.2 OS DADOS SECUNDÁRIOS Os dados secundários foram coletados através de pesquisa bibliográfica desenvolvida a partir de livros, teses, periódicos, artigos , além de jornais, revistas e publicações disponibilizadas através da internet . A pesquisa bibliográfica, além de alicerçar o estudo, também teve por intuito observar as possíveis divergências entre as metas e objetivos propostos pela política do FNE para as entidades cooperativas, bem como da parte das cooperativas analisadas. Assim, subsidiado por estes dados, foi possível fazer as respectivas considerações sobre o resultado encontrado na pesquisa. 6.3 O alcance da pesquisa A dissertação teve como área de pesquisa duas mesorregiões do estado de Pernambuco: agreste e sertão pernambucano ( Figura 2). O agreste de Pernambuco, situado entre o litoral e o sertão, teve o processo de ocupação histórico baseado na pecuária, lavoura alimentar e produção de fibras. Possuindo diferentes ambientes naturais, com áreas de clima semi-árido e vegetação de caatinga surgindo ao lado dos brejos de altitude, o binômio gado-policultura norteou a economia da região durante um longo período. (FIAM, 1999). Na área geográfica do agreste encontramos 71 municípios dispostos em 7 microrregiões, ocupando 25,1% do território do estado, sendo que 48,5% da população 63 vive no campo. (FIAM, 1999) Figura 2 - Microrregiões de Pernambuco Sertão Pernambucano: 01 – Araripina; 02 – Salgueiro; 03 – Pajeú ; 04 - Sertão do Moxotó. Sertão do São Francisco: 05 – Petrolina; 06 – Itaparica Agreste: 07- Vale do Ipanema; 08 - Vale do Ipojuca; 09 - Alto do Cabibaribe; 10 - Médio Capibaribe, 11 – Garanhuns; 12 -Brejo Pernambucano Mata: 13 - Mata Setentrional; 14 - Vitória de Sto Antão; 15 - Mata Meridional Metropolitana do Recife: 16 - Itamaracá ,17- Recife, 18 - Suape Fonte: FIAM (1999) Nesta mesorregião encontra-se a maior concentração de bovinos do estado, 56,47% do total, e a maior quantidade de vacas em lactação, 46,67% do total (Gráfico 1). O agreste também é responsável por 75,34% da quantidade de leite produzido no estado, conservando a sua posição no ranking estadual no tocante ao tamanho do rebanho, número de vacas em lactação e quantidade de leite produzida, mesmo em períodos de estiagem prolongada, como em 1993 e 1994, embora o rebanho tenha sofrido uma acentuada redução (Gráfico 2). O sertão pernambucano, com um índice pluviométrico médio por ano em torno de 600mm, vem sofrendo transformação do seu espaço agrícola, tanto em função de implantação de grandes áreas irrigadas, como pelo avanço da pecuária em áreas antes cultivadas com lavouras alimentares, o que interfere nas relações de produção, especialmente no sistema trabalhador-morador-parceiro (FIAM, 1999). A mesorregião sertão pernambucano possui 56 municípios agrupados em 6 microrregiões, ocupando 38,9% do território do estado (FIAM, 1999). 64 Nesta mesorregião está localizada a segunda maior quantidade de bovinos no estado, 27,10% do rebanho, e a segunda maior quantidade de vacas ordenhadas no estado, 24,01% do total, sendo responsável por 22,06 % da produção de leite (Gráfico 1 e 2). Observa-se que a região, mesmo em períodos de estiagem, com a redução do rebanho, continua a ocupar o segundo lugar em concentração de rebanho, quantidade de vacas e produção de leite . Gráfico 1- Evolução do efetivo de bovinos em Pernambuco por mesorregião, no período de 1990 a 1996 1.200.000 Nº Bovinos 1.000.000 Agreste Pernambucano 800.000 600.000 Mata Pernambucana 400.000 Metropolitana de Recife 200.000 0 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 Ano São Francisco Pernambucano Sertão Pernambucano Fonte: SIDRA-IBGE-Pesquisa Pecuária Municipal (1999) Vacas em lactação Gráfico 2 -Quantidade de vacas em lactação em Pernambuco por mesorregião, no período de 1990 a 1996 450.000 400.000 350.000 300.000 250.000 200.000 150.000 100.000 50.000 0 Agreste Pernambucano Sertão Pernambucano Mata Pernambucana São Francisco Pernambucano 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 Ano Fonte: SIDRA-IBGE-Pesquisa Pecuária Municipal (1999) Metropolitana de Recife 65 6.4 O sujeito do estudo O presente trabalho concentrou-se nas cooperativas ligadas ao setor agropecuário que receberam financiamento do FNE entre 1990 e 1998 para investimento, custeio ou comercialização no segmento de leite e derivados, localizadas no estado de Pernambuco. Na análise não foi feita a distinção quanto à estrutura das cooperativas, pois a maioria delas, ligadas ao setor agropecuário no estado são classificadas, segundo a OCEPE (1998), como de primeiro grau. Dada à extensão temporal do período analisado e com o intuito de verificar qual o desempenho das primeiras cooperativas que conseguiram captar recursos via FNE no estado, optou-se por agrupar as cooperativas do universo da pesquisa em dois grupos, de acordo com período de obtenção do empréstimo. O primeiro período, alcançou aquelas cooperativas beneficiadas entre 1990 e 1995 com recursos do FNE, e o segundo período, aquelas beneficiadas entre 1996 e 1998 com estes recursos. Procedeu-se dessa forma por considerar-se possível acompanhar melhor o desempenho das organizações ao longo do tempo, bem como as suas relações com a cadeia produtiva, tanto a jusante como a montante da unidade produtiva, através desta divisão. Os atores participantes da cadeia produtiva que têm relação com a organização foram identificados à luz dos fluxos de capital financeiro, de produto, de informações e serviços, sendo possível estabelecer as estratégias adotadas pela cooperativa para o segmento de produção, transformação e distribuição no contexto em questão. 6.5 Informações de base para análise de competitividade A análise da competitividade das cooperativas que receberam recursos do FNE, foi procedida com base em dados sobre o perfil e as estratégias adotadas, de modo a identificar os efeitos do FNE no que tange aos seguintes aspectos: a) Quadro social; 66 b) Estrutura administrativa; c) Tipos de instrumentos de gestão( financeira, de planejamento e de controle); d) Estratégias mercadológicas utilizadas; e) Programas tecnológicos disponibilizados; f) Interação com organizações , cooperativas ou não. Ainda como instrumento complementar na análise da competitividade das cooperativas que obtiveram empréstimo do FNE, foram tomados alguns padrões de eficiência, levando em conta a realidade atual nos setores específicos: • O desempenho econômico-financeiro, com base na: a) Capacidade de autofinanciamento; b) Nível de endividamento; c) Participação no mercado; d) Desempenho das vendas. • O desempenho social, com base em: a) participação dos associados nas assembléias; b) associados ativos em relação ao número total de associados; c) faturamento por associado; d) quantidade de funcionários e técnicos por associados. Os questionários aplicados foram elaborados a partir de modelos adotados por Gentzoglanis et al.(1998) e Giovenardi et al.(1997), agrupando os dados em cinco seções, para facilitar as respostas. Desta maneira, analisando os dois grupos de cooperativas, através de informações gerais do perfil da organização e do empréstimo, foi possível estabelecer o modelo de crescimento adotado pelas instituições e seus cooperados, e sua estratégia de atuação, tomando por base o modelo agroindustrial cooperativo proposto (Anexo II). As respostas obtidas no questionário possibilitaram verificar a eficiência da 67 cooperativas com base em indicadores estabelecidos, considerando também as análises dos entrevistados, sobre a situação atual e futura das suas respectivas organizações, sendo aplicado na análise destes dados o parâmetros analíticos utilizado por Oliveira Júnior(1996). Desta maneira, os dados puderam ser analisados, através de procedimentos estatísticos (média, freqüência, números índices, etc), permitindo alcançar, também, o objetivo da pesquisa, no que concerne a análise da competitividade. 68 7 MERCADO E INCENTIVOS À PECUÁRIA ESTADUAL As cooperativas, como unidades de negócios agrícolas, sofrem a interferência dos vários elos da cadeia produtiva em que se inserem, em todos os níveis, bem como dos fatores institucionais e econômicos. O papel das políticas de incentivos neste contexto merece ressalva, com destaque para os recursos disponibilizados pelo FNE entre 1990 e 1998, tanto para os estados nordestinos como para as cooperativas da região, haja visto constituírem-se em ferramentas capazes de possibilitar maior competitividade, quer para os produtores rurais, quer para o segmento agroindustrial. Este capítulo delineia de maneira sucinta o contexto institucional e econômico, e as nuances que atingiram o complexo agroindustrial do leite no período, bem como as transformações ocorridas nos investimentos destinados ao setor agrícola e pecuário no estado de Pernambuco. 7.1 O ambiente de negócios A partir do final dos anos 80, o país mergulhou num profundo processo de mudança e de transformações institucionais e econômicas que atingiu todos os setores da sociedade, fruto da crise financeira do Estado e da globalização da economia mundial. As empresas também foram afetadas por este processo de globalização em todos os seus setores e departamentos, bem como nas suas estratégias de atuação. 27 27 O fenômeno da globalização induziu as empresas a alterarem suas estratégias de atuação. Neste processo as alianças estratégicas tornaram-se um dos principais propulsores da globalização para competir no mercado global (Garrette & Dussauge, 1998) e o conhecimento a fonte primordial de vantagem competitiva (Ross, 1998). As estratégias de compras a nível global, tanto de insumos e componentes, tornou-se um fator presente nas empresas (Pyke, 1998), assim como a estratégia de expansão e globalizar as redes de varejo (Horovitz & Kumar, 1998), criando clientes globais e virtuais (Reynolds, 1998). Esta superação das barreiras existentes entre as diferentes culturas, permitindo criar um mercado global, ocorreu graças ao fenômeno descrito por Ortiz (1994) como mundialização da cultura . 69 Atento às transformações do mercado, o Estado, através da implantação de políticas públicas setoriais, alterou as condições dos negócios das empresas. Estas medidas tiveram repercussões e conseqüências que ultrapassam as fronteiras do país (BNDES, 1988). De fato, o Brasil, seguindo a tendência mundial de abertura comercial e de agrupamento em blocos econômicos, reduziu barreiras alfandegárias e tarifas de importação28 (Praxedes & Pilleti, 1995). Houve a eliminação de algumas restrições para com o capital externo na Constituição homologada em 1988, o que possibilitou o ingresso no país de um grande volume de capital e investimento externo, ocorrendo com um forte processo de liberação das forças de mercado, determinando um novo modelo de formação geral de preços baseado na concorrência. Neste ínterim, o setor primário nacional foi afetado, obrigando os complexos agroindustriais nacionais a se reestruturarem ( Brum, 1997). A redução dos recursos orçamentários disponíveis para o crédito rural e o processo inflacionário crescente, ocorridos a partir da década de 80, diminuíram sensivelmente os volumes destinados aos financiamentos dos investimentos, do custeio e da comercialização da produção rural.29 Sob esta égide houve uma consolidação da mudança nos fatores de produção do campo, passando o fator tecnológico a ocupar primeiro plano, tornando-se indispensável para alcançar uma maior produtividade, tanto na unidade de produção rural, como na agroindústria (Araújo, 1997) . Paralelamente, ocorreu uma total desarticulação da extensão rural em todo o país, a qual, aliada à necessidade crescente de aquisição de tecnologia para aumento da produção e o baixo valor de troca dos produtos agrícolas, contribuiu para um processo de exclusão de parcela considerável de produtores (Brandão, 1992). Este processo, durante a década de 90, sofreu uma acentuação e provocou também uma diminuição na demanda da força de trabalho por unidade produtiva (Petti et al. 1999) . 28 O processo de livre comércio é visto pela população como aquele que traz mais desvantagens que vantagens, haja visto os altos índices de desemprego existentes em vários países, inclusive da União Européia (Kentter, 1998). Entretanto, a perda de um emprego em um setor é compensada pela criação de novos empregos em outro setor, a exemplo do que afirma Krugman (1997). 29 Segundo Braga & Saez (1995) o fim deste ciclo teve como resultado a ruptura de um padrão de desenvolvimento da agricultura brasileira, baseado no paternalismo estatal. 70 A oscilação negativa do preço de “commodities” agrícolas, ocorrida desde os anos 80, e a grande concentração agroindustrial ocorrida diminuíram o poder de troca dos produtos e de negociação dos produtores. Assim, a produtividade não significou um aumento de renda na maioria das culturas, e sim, a manutenção do nível de renda obtido com a cultura em anos anteriores (Zandonadi, 1996). A pretensa estabilidade da moeda a partir de 1994 fez com que a cultura inflacionária, através dos mecanismos de correção monetária, largamente utilizada por todos os setores da sociedade, fosse revista, demarcando uma mudança no comportamento das empresas e das pessoas (Barros & Goldenstain, 1997). No setor agroindustrial, durante a década de 90, o fator capital determinou uma série de compras e fusões entre as empresas, inclusive cooperativas, passando as indústrias, nacionais ou estrangeiras, a atuarem de forma mais abrangente no mercado através de uma diversificação maior na linha de produtos, com maior valor agregado, além de diminuírem a quantidade de pessoas empregadas30 (Fonseca & Morais, 1999). Também houve um aumento na demanda de alimentos, notadamente os de maior valor protéico e com maior agregação de valor, merecendo destaque o aumento na demanda de frutas, verduras e legumes, da mesma forma que os sucos de fruta prontos para consumo (Farina, 1997). A mudança nos hábitos de compra da população foi alterada, tornando-se mais freqüentes, passando os consumidores a serem mais exigentes face à gama de produtos, com qualidade e preço diversos, sendo os supermercados agentes chave na ligação da agroindústria com o consumidor final.31 O acirramento ferrenho da concorrência trouxe também o agravamento de problemas sociais conseqüentes deste processo, como o desemprego, pois fusões, compras e simplesmente o fechamento de empresas passaram a compor todo o panorama sócio30 Um exemplo da concentração no setor agroindustrial pode ser observado através da venda da CEVAL, Ceval, Aymoré, CCGL, Cica, Tostines, Leitesol e Batavo para empresas do porte como a Bunge, Danone, Avipal, Gessy Lever, Nestlé, La Sereníssima e Parmalat (Fonseca & Morais, 1999). 31 De acordo com Machado & Jayo (1995), os supermercados constituíram-se desde os anos 80 na principal estrutura do comércio varejista de alimentos no país, sendo responsáveis por mais de 80% da receita de vendas no varejo deste setor, e passaram a ser o principal coordenador do complexo agroalimentar nacional, decodificando e 71 econômico do país, sendo esta uma realidade nos agronegócios. Estes fatos impuseram novos desafios às cadeias produtivas nacionais, com destaque às ligadas aos agronegócios, obrigando os produtores rurais e as diversas organizações que compõem as cadeias produtivas a efetuarem enxugamento de custos, reverem estratégias gerais e específicas, além de investirem em aprimoramento tecnológico, dentre outros, para tornarem-se mais competitivas (Fonseca & Morais, 1999). Estes cenários descritos apresentam certa instabilidade, e na visão de Mendes (1994), proporcionam um ambiente favorável à fragilidade social, em face da falta de organizações sociais fortes e autônomas. Além disso, as ações implementadas para o setor depararam-se com uma administração pública centralizada, burocratizada e oligárquica, comprometendo mais ainda a eficiência e eficácia dos programas de políticas públicas para a região. O novo ambiente de negócios, delineado a partir da década de 90, impôs uma necessidade crescente aos produtores rurais e suas cooperativas de aprimoramento dos meios de produção, maior produtividade, bem como agregação de valores aos produtos e maior integração com o mercado. Ao Estado coube a utilização de novo modelo de elaboração e implementação de políticas públicas, por parte do governo. 7.2 O mercado regional A região Nordeste, nos últimos trinta anos, vem apresentando uma taxa de crescimento do seu PIB maior que as das demais regiões do Brasil. O Brasil, em 1998, apresentou um PIB de R$ 901 bilhões de reais, com uma taxa de variação positiva de apenas 0,15% entre 1997/1998, e um renda “per capita” de R$ 5.569,00. O Nordeste contribuiu com 16% do PIB nacional, ou seja, R$ 144,9 bilhões de reais, e uma taxa de variação positiva de 1,5%, para 97/98. Entretanto, apresentou uma renda “per capita” de R$ 3.121,10, a qual, em termos percentuais é 44% menor que a do Brasil (SUDENE, 1999). transmitindo na cadeia produtiva o desejo do consumidor. 72 Os estados da Bahia, Pernambuco e Ceará foram, em ordem decrescente, os que apresentaram maior volume do PIB regional, sendo que o maior índice de crescimento registrou-se nos estados de Alagoas, Rio Grande do Norte, Piauí e Maranhão. Esta superioridade na diferença da taxa de crescimento médio do PIB do Nordeste ocorreu, inclusive, em períodos onde o Brasil apresentou um crescimento negativo, como entre 1980 e 1990, onde a região teve uma taxa de crescimento anual positiva maior que 1%, em relação ao restante do país (SUDENE, 1999). Mesmo possuindo 46% da população rural, o Nordeste contribui com apenas 21% da produção nacional, sendo que, ao mesmo tempo em que este crescimento do PIB regional avança com a consolidação do setor de serviços e do parque industrial, há uma redução da participação do setor agropecuário na participação do PIB regional32 (Tabela 5). Nos estados de Alagoas, Bahia, Piauí e Maranhão a participação do setor agropecuário no PIB é superior a 10%, enquanto que em todos os estados, exceto Alagoas, Sergipe e Rio Grande do Norte, o setor de serviços é responsável pela geração de 60% do PIB (Gráfico 3). Ao observar-se mais detalhadamente a economia regional, distingue-se duas áreas distintas: uma com estrutura produtiva deteriorada e obsoleta, levando a área a vivenciar um processo de declínio econômico, e outra área onde ergueu-se uma estrutura produtiva moderna e dinâmica, o que tem contribuído para o Nordeste apresentar indicadores de crescimento positivo, apesar da heterogeneidade ocorrente nos campos econômico e social. No âmbito da segunda área, moderna e dinâmica destaca-se o complexo petroquímico de Camaçari, o pólo têxtil e de confecções de Fortaleza, o complexo mineiro-metalúrgico de Carajás, no setor industrial, bem como o pólo Petrolina / Juazeiro, a área produtora de grãos do cerrado baiano e do sul do Maranhão e Piauí, o pólo de fruticultura do Rio 32 Esta queda na participação da agropecuária no volume do PIB ocorre não apenas na região, nem tão pouco no Brasil, sendo uma tendência mundial. Um exemplo claro desta tendência pode ser observado na queda do percentual das “commodities”, inclusive agrícolas, e na pauta de exportações dos países latinos em estudo efetuado por dados da ECLAC (1997). De acordo com Thorstensen (1997) há um crescimento nestes países dos produtos de médio valor agregado e média intensidade tecnológica, como papel, celulose, metalurgia, borracha, química e plástico e de produtos de baixo valor agregado e baixa intensidade tecnológica como minerais não metálicos, alimentos, bebidas, fumo, madeira, têxtil, calçados, por exemplo, conseqüência das atividades dos complexos agroindustriais instalados. 73 Grande do Norte, no setor agroindustrial, além das áreas de atividades turísticas localizadas na zona litorânea (Araújo, 1997). Tabela 5- Evolução da participação do PIB setorial no PIB global do Nordeste, no período de 1960 a 1998 ANO Agropecuária 1960 1970 1980 1990 1995 1998 30,5 21,0 17,3 13,3 12,6 9,1 PARTICIPAÇÃO PIB(%) Indústria Serviços 22,1 27,4 29,3 28,5 23,8 26,4 47,4 51,6 53,4 58,2 63,6 64,5 Total 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 Fonte: SUDENE (1999) O setor avícola e de suínos também despontou na região como catalisador de novas atividades do complexo agroindustrial. Estas atividades provocaram um encadeamento dos processos produtivos, a montante e a jusante das unidades produtoras, além de despertarem interesse estratégico nas “commodities” de milho e soja, uma vez que estas representam considerável parcela do custo final deste produto, interferindo na competitividade do setor (Menelau et al., 1996). Este lado dinâmico da economia nordestina, recém-estruturado, é composto por atividades que demandam investimentos tecnológicos, necessitando de aporte financeiro para realizá-los (Araújo, 1997 e Menelau et al., 1996). As atividades do setor primário dinamizadoras, tais como a hortifruticultura irrigada, produção animal, pecuária intensiva de leite, dentre outras, alavancam uma gama de atividades a montante e a jusante das unidades produtivas, proporcionando dinamismo do complexo agroindustrial regional, sendo porém fruto da interferência das políticas públicas de incentivos na sua implantação e funcionamento (Araújo. 1997). Tanto os recursos provenientes da SUDENE via FINOR, como aqueles oriundos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste – FNE, destacam-se como grandes financiadores de atividades no Nordeste (SUDENE, 1995). 74 Gráfico 3- PIB setorial nos estados, na região e no país, em percentagem, ano 1998 M ar an hã o Pi au í R . G Cea do rá N or Pa te Pe ra í rn am ba bu Al co ag oa Se s rg ip e Ba N h O R ia D ES BR TE AS IL 70 60 50 40 30 20 10 0 Agropecuária Indústria Serviços Fonte: SUDENE (1999) Foi justamente devido a algumas destas atividades, como as de derivados da produção animal (6,9%) e avicultura (3,0%), por exemplo, que amenizou o fraco desempenho do setor primário nordestino, de - 23% entre 97/98, conseqüência da adversidade climática que atingiu a região pela quarta vez, entre 1990 e 1998 (SUDENE, 1999). Entretanto, para Recena (1998), esta política de desenvolvimento implantada a partir da década de 60, na região, através de investimentos diretos ou de incentivos financeiros do Estado nos diversos empreendimentos instalados, não foi suficiente para atenuar a baixa performance social regional, como a pobreza, a falta de acesso à educação formal, a concentração fundiária e o baixo nível tecnológico da produção detectados em estudos realizados por Sampaio (1987). Os problemas na zona rural nordestina foram agravados, segundo Wilkinson (1996), pelo deslocamento das “cash-crops” tradicionais, pela transformação dos pólos de irrigação em complexos agroindustriais, e pelo baixo nível tecnológico da agricultura familiar. May (1996) destaca que estes fatores desencadearam um processo de eliminação das unidades produtivas que não eram competitivas, ocorrendo uma total desarticulação do tecido social regional já bastante fragilizado e uma diminuição da área plantada, havendo um acirramento das tensões sociais no campo, em parte decorrente do encerramento das 75 atividades nas unidades produtivas e nas unidades agroindustriais. Este processo pode ser observado em Pernambuco, com o declínio da cultura algodoeira e a crise na cultura canavieira, a partir da década de 80, agravada pela redução dos incentivos, principalmente o pró-alcool, com as perdas de safra causadas pelos fenômenos climáticos e a baixa produtividade, contribuindo para diminuição da área plantada (May, 1996). Ocorreram perdas de receitas para o estado e para a nação, além de um aumento das tensões sociais no campo, notadamente na zona da mata, em parte decorrente do encerramento das atividades nos engenhos e nas unidades agroindustriais.33 Neste caso, o novo papel do Estado como agente de desenvolvimento nacional implicou em reavaliações constantes e reestruturação permanente, de modo a adaptar-se aos anseios da sociedade. O estreitamento dos laços entre o Estado e as demais instituições sociais, fazendo-as colaboradoras na execução de algumas tarefas é, no entanto, um desafio a ser vencido, principalmente nas regiões do país onde o tecido social é frágil quanto à sua capacidade associativa, sendo a sociedade civil desprovida de organizações sociais fortes, autônomas e combatentes (Santos & Ribeiro, 1993). A organização e estruturação dos programas de desenvolvimento agrícola dentro deste novo modelo político-econômico do Estado devem acontecer vinculadas e coordenadas pelos poderes locais, concelebrando uma partilha de atribuições e competências com a sociedade civil. Desta maneira, pré-condições de garantia quanto à eficiência e à eficácia destes programas, contemplando todos os segmentos sociais, estarão sendo alicerçadas. 7.3 O mercado de leite e derivados O mercado de leite nacional e internacional, durante a década de 90, sofreu profunda modificação, a qual atingiu todos os segmentos da cadeia produtiva. 33 Entre 1985 e 1992 verificou-se um vertiginoso declínio no preço das “commodities” importantes para a economia do estado de Pernambuco e do país, bem como aconteceu uma redução no percentual das exportações das “commodities” agrícolas do país. O preço do principal produto exportado por Pernambuco, o açúcar, teve uma baixa enorme no mercado internacional, passando de U$ 28.7 cents dólar/libra no início dos anos 80, para 4,1cents dólar/libra em 85. Em 1996 a posição desta “commoditie” no mercado era a metade do valor praticado em 1980 (ECLAC, 1997). 76 No âmbito externo, o mercado mundial de laticínios vem crescendo em média 2% ao ano, desde os anos 80, principalmente na linha de derivados, como queijos e iogurtes34. Aliada a este fato, a tendência de redução de subsídios e de estoques nos países da União Européia, bem como o aumento das importações em países em desenvolvimento contribuíram para elevação no preço do leite35 (Brum, 1997). O Brasil também apresentou um enorme crescimento no mercado de laticínios. Houve um incremento no consumo de leite fluido de 31 % no período de 1990 até 1997 (Tabela 6), passando o consumo per/capita de 106 l/ano em 1990 para 139 l/ano em 1997 (Fonseca & Morais, 1999). A produção nacional de leite, apesar do aumento ocorrido após 1994, com o país passando a ocupar o sexto lugar no ranking mundial de produção, não acompanhou o crescimento da demanda, apresentando um déficit de produção de leite próximo de 4,5 bilhões de litros (Anuário de Produção, 1999). O aumento na produção de leite ocorreu apenas devido a iniciativas de grupos isolados, quer através de ações cooperativas, quer através do empenho de grandes produtores e grupos econômicos que investiram no setor, que foram insuficientes para atender a demanda nacional, ainda reprimida (Bernardes & Nogueira,1998 e Leite Brasil, 1999). Para contornar esta situação a alternativa passou a ser aumentar a importação de leite, passando o país a condição de maior importador de produtos lácteos na América Latina (Anuário de Produção, 1998 ). 36 34 A especificidade protéica animal encontrada no leite, com um restrito grupo de produtos alimentares similares, possibilitou, segundo Brum (1997), o crescimento deste tipo de produto. Contudo, no que concerne às gorduras animais, a exemplo da manteiga, o referido crescimento não se aplica, haja visto a concorrência com gorduras vegetais. 35 O Canadá e diversos países da União Européia subsidiam o preço do leite em até 80%, fato que aliado ao alto nível de produtividade alcançado, faz com as importações, quer de leite fluído ou de derivados, concorram deslealmente em relação aos demais países, como o Brasil (Brum, 1997). 36 O Brasil, de abril de 40 a setembro de 91, teve uma política de controle do preço do leite que, segundo Brum (1997), foi delineada pelos partidos políticos que tinham fortes interesse nas áreas urbanas, procurando legitimarse através da política de comida barata, resvalando por algum tipo de controle. A base teórica econômica utilizada pelo poder político para o controle e tabelamento de preços foi a inelasticidade da demanda em relação aos mesmos, o que aconteceu a princípio, mas depois o governo teve de recorrer às importações do produto para suprir a demanda. Desta maneira, mesmo tendo os rendimentos ceifados por esta política, os produtores rurais face ao abundante volume de crédito rural com juros subsidiados, entre os anos 70 e 80, puderam através deste 77 Assim, para que o país possa atingir a auto-suficiência na produção, ainda a um longo caminho a percorrer, que inclui diversas ações, dentre as quais programas de melhoramento de rebanho e de controle sanitário, por exemplo37. Tabela 6- Evolução da produção, da importação e do consumo de leite fluido no Brasil, em milhões litros, entre 1990 e 1998 Ano 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 Produção Total Importação total 14.484 15.079 15.784 15.591 15.784 17.189 17.931 20.359* 20.087** 906 1.313 276 632 1.250 3.200 2.450 1.986 2.318 Longa Vida (UTH) 184 204 341 386 759 1.050 1.700 2.450 3.150 Consumo total de leite fluido Pasteurizado Tipo A 28 34 36 48 48 55 44 40 45 Tipo B 347 445 358 433 388 460 405 360 400 Tipo C 3.655 3.245 2.924 2.245 2.305 2.432 2.327 2.120 1.800 Total 4.214 3.928 3.659 3.112 3.500 3.997 4.476 4.970 5.395 Fonte: Leite Brasil (1999), FAEG (1999) e Fonseca & Morais (1999) *Estimativa CNA - LEITE BRASIL; ** Estimativa FNP No mesmo período, entre 1990 e 1998, ocorreu uma transformação no mercado de leite nacional, ocasionado pelo encerramento dos programas sociais de distribuição de leite, pelo aumento da importação de laticínios e também pela queda de preços do leite longa vida (UHT), fato este que ocasionou a queda do consumo de leite pasteurizado B e C, e aumentou a demanda pelo leite longa vida (UTH) no país (Galan, 1998 e Rubenz, 1999b). A desregulamentação de mercado e a abertura comercial permitiram uma maior integração entre os mercados regionais nacionais, aumentando a competição entre os sistemas produtivos de diferentes regiões e possibilitando a concorrência destes com viés aumentar a produção de leite. Com o drástico declínio de crédito rural disponibilizado, os efeitos desta política de controle puderam ser vistos através da baixa produtividade nacional, cuja média anual é de aproximadamente 1.000 l/vaca/ano (Castro et. al, 1998), na baixa qualidade da matéria-prima e no alto custo de produção do leite. Estes aspectos descritos quando comparado aos verificados em países como Uruguai, Argentina e Estados Unidos, deixam bastante a desejar. A queda ou estagnação da produção foi interpretada como falta de competitividade, justificando as importações no setor (Bernandes & Nogueira, 1998). 37 A Índia conseguiu atingir a auto-suficiência em 1997/1998, revertendo uma situação semelhante a do Brasil, através do melhoramento do rebanho e aumento de produtividade (FEAG, 1999b e Anuário de Produção, 1999). 78 produtos provenientes de outros países (Farina,1997). Aconteceu, então, o surgimento de novas bacias leiteiras, como no estado de Goiás, que entre 1990 e 1998 apresentou um crescimento de 112%, produzindo 2,2 milhões de litros de leite, passando a ocupar o 2º lugar na produção de leite nacional (FAEG, 1999). Também ocorreu um incremento no lançamento de novos produtos derivados do leite com maior valor agregado, além do crescimento da importância dos agentes distribuidores, como os hiper e supermercados. Desta maneira, cresceram as barreiras de entrada em alguns segmentos do setor de laticínios, como de iogurtes, tornando-se quase impossível a entrada de novos concorrentes face à guerra de preços e à necessidade de investimentos (Fonseca & Morais, 1999) . Como a qualidade da matéria-prima produzida pelos pecuaristas nacionais é muito baixa e visando adequar-se aos padrões exigidos pela indústria, esta conjuntura obrigou o produtor a produzir matéria-prima de qualidade, além de ter abalado o relacionamento entre a indústria e produtor, pois a indústria tanto pode reduzir o preço pago ao produtor, como pode comprar o produto em outros mercados, nacional ou internacional, dado às alternativas de abastecimento38 (Jank, 1998 e Rubez, 1999b). Todo este contexto afetou tanto os produtores, como as unidades agroindustriais processadoras, de modo particular os pequenos e médios laticínios, assim como as cooperativas, ocorrendo uma forte concentração industrial no setor39(Rubenz, 1999b). Face às dificuldades pelas quais atravessavam as organizações cooperativas ligadas a produção vegetal e pecuária o Governo Federal, em 1998, lançou o RECOOP – 38 O Programa Nacional de Modernização do Setor de Leite e Derivados tem por objetivo introduzir um novo modelo de produção de leite, que por sua vez obriga os produtores a adquirirem novas tecnologias para continuarem no mercado (Jank, 1998). Contudo, caso não seja disponibilizado crédito para a maioria dos produtores nacionais incorporarem tais tecnologias, os mesmos serão excluídos do processo produtivo, fato que ocorre até em países com alto grau de tecnificação dos pecuaristas, com nos Estados Unidos (Oliveira, 1999). 39 A concentração agroindustrial pode ser observada tanto em organizações cooperativas ou não, no âmbito internacional ou nacional. Pode-se verifica este fato na estratégia de crescimento da Parmalat no Brasil a partir do final da década de 80. A primeiro fase desta estratégia deu-se até 96 e estava calcada na aquisição de empresas visando estar presente junto aos principais centros consumidores e produtores nacionais de leite. A segunda fase, a partir de 96 está centrada na diversificação de atuação no mercado de alimentos (Parmalat, 1999). No setor cooperativo internacional, observa-se uma onda de fusões nas cooperativas de laticínios da União Européia, da Oceania, e da América. Nos Estados Unidos, por exemplo, as 4 maiores cooperativas de laticínios fundiram-se, dando origem em 1997 a Dairy Farmers of America (DFA), que passou a deter 20% do mercado de leite americano, assegurando uma maior participação do mercado de laticínios (Dias, 1998 e Rubez, 1999). No setor cooperativo nacional a estratégia de concentração e de crescimento é verificada, assegurando a presença junto aos grandes centros consumidores e produtores, além da diversificação da produção de laticínios, sendo a Itambé - Cooperativa Central de Leite de Minas Gerais um exemplo. A Itambé possui atualmente 33 cooperativas filiadas, 9 unidades agroindustriais, mais de 70 postos de captação, além de entrepostos de distribuição de 79 Programa de Refinanciamento das Cooperativas de Produção Agropecuária, o qual, tende a não atender ao anseio de todas as cooperativas (RECOOP, 1999). 40 7.3.1 O SETOR DE LATICÍNIOS NO NORDESTE E EM PERNAMBUCO Uma gama de ações de caráter político-econômico procurou consolidar o desenvolvimento do setor leiteiro do Nordeste, bem como implementar um processo de modernização dos produtores marginalizados, minimizando o atraso tecnológico e os efeitos dos fatores edofoclimáticos. As políticas implementadas na região para o setor contribuíram para aumentar a produção láctea do Nordeste, em termos absolutos entre 1974 e 1996, passando de 936 mil litros para 2,2 milhões de litros, com o ranking dos três maiores produtores, Bahia, Ceará e Pernambuco, permanecendo inalterado. Em termos proporcionais, a participação da região na produção nacional de leite passou de 13,2% para 12,7%, ou seja, uma variação negativa de 0,5% na produção da região Nordeste ( Gráfico 4). Contudo, em períodos de estiagem, como verificado em 1992/1993, ocorre uma redução na produção dos estados da região, à exceção do Maranhão, com a participação na produção nacional sendo reduzida para 10,8% do total (SIDRA-IBGE, 1999). O aumento geral da produção não foi suficiente para atender a demanda da região, uma vez que a região Nordeste constitui-se um grande importador interno e externo de leite41 (Comportamento da pecuária, 1997). A política desenvolvimentista aplicada na região Nordeste, desde a implementação da SUDENE e do BNB, também proporcionou a formação de um parque industrial produtos lácteos nos principais centros de consumo do Sudeste, Cento-Oeste e Nordeste (Itambé, 1999). 40 Este programa entretanto, até o início de 2000, não contemplou nenhuma cooperativa. O maior número de número de cooperativas a serem contempladas estão situadas na região Sul e Sudeste. 41 O Nordeste consome mais de 1/3 do leite em pó do país, destacando-se como um grande importador deste produto (Nordeste..., 1998). No estado de Pernambuco, somente em 1997 houve a importação de mais de 5 mil toneladas de leite em pó. (Comportamento da pecuária, 1997), sendo ainda estimulado empreendimentos para processar leite importado (Nordeste..., 1998). Por sua vez, este leite importado, de baixo custo e facilidade de pagamento, atinge o produtor local, haja visto o preço do litro do leite pago ao produtor na Argentina situou-se na faixa de R$ 0,19, em 1997, enquanto que no estado de Pernambuco, o preço do litro situou-se em torno de R$ 0,30 (Comportamento da pecuária, 1997). 80 leiteiro, embora altamente desarticulado da produção agropecuária (Wilkinson, 1996). O mercado de laticínios de Pernambuco, integrante do contexto nacional, sofreu influências do ambiente de negócios a que está correlacionado. Gráfico 4 – Evolução da produção nordestina de leite total e por estado, entre 1974 e 1996, em mil litros 2.500,00 Maranhão Ceará 2.000,00 Rio G. do Norte Paraíba 1.500,00 Pernambuco Alagoas 1.000,00 Sergipe Bahia 500,00 Piauí Nordeste 0,00 1974 1986 1992 1993 1994 1996 Fonte: SIDRA-IBGE-Pesquisa Pecuária Municipal (1999) No setor produtivo e de processamento ocorreu tanto a formação de oligopsônio no segmento de beneficiamento e industrialização do leite no estado, como uma tendência de concentração da produção, verificando-se também uma mudança de hábito de consumo de leite fluido para leite longa vida UTH, mais precisamente na Região Metropolitana do Recife, maior centro consumidor do estado.42 No setor de distribuição e revenda, apesar das padarias constituírem o maior distribuidor de leite pasteurizado B e C na Região Metropolitana do Recife, responsáveis por 80% das vendas destes produtos, a rede de supermercados responde por 85% das vendas do leite longa vida (Cerqueira, 1998). 42 A concentração industrial no setor de laticínios em Pernambuco aconteceu com a compra da Parmalat das unidades agroindustriais da CILPE e do Laticínios Betânea, passando a processar 80% do leite pasteurizado (B e C). O restante do leite pasteurizado processado no estado, 20% do total, é efetuado por outras 5 unidades processadoras, sendo 3 de pequeno porte e 2 de médio porte. Nos agroindustrias de laticínio de pequeno porte ocorre o processamento de menos de 5 mil litros leite/dia, estando duas localizadas na zona da mata do estado e beneficiando leite próprio (Agropecuária Faco e Companhia Agropecuária do Vale do Ribeirão), enquanto uma localiza-se no agreste e recebe leite de 12 fornecedores do município (Unileite Ltda). Os dois laticínios de médio porte do estado estão situados no agreste meridional, sendo que a Barcelona Laticínios processa aproximadamente 10.000 litros/dia, provenientes de 15 pecuaristas e a Bom Leite processa em média 7.000 litros/dia provenientes de 60 produtores (Cerqueira, 1998). 81 Neste contexto, a EMATER-PE cita que, além dos fatores edafo-climáticos, técnico-gerenciais e político-econômicos, o alto grau de analfabetismo é uma variável que interfere bastante no desenvolvimento da pecuária estadual, sendo necessária capacitação específica para os analfabetos e semi-analfabetos.43 Somente desta maneira, estes produtores poderão ter mais acesso a bens, serviços, informações e conhecimentos, tornando-se menos “susceptíveis ao domínio dos atravessadores e outras situações alienadoras” (Comportamento da pecuária, 1998:33). Todos estes fatos levam à perpetuação da produção artesanal de subprodutos no estado, como o queijo, desprovida de cuidados quanto aos aspectos sanitários, tecnológicos e mercadológicos, contribuindo para a perpetuação da baixa remuneração das atividades dos pequenos produtores rurais.44 Os produtores, constituindo-se no elo mais frágil desta cadeia, buscam através de uma maior eficiência, seja no tocante a aspectos administrativos e financeiros, seja nos aspectos relacionados ao manejo e melhoramento animal, obter redução de custos e aumento de produtividade para continuarem na atividade (Castro et al,1998). O crédito possibilita tornar as unidades produtivas e as cooperativas do setor mais competitivas, desde que disponibilizado e alocado em setores estratégicos no setor pecuário, aliadas com políticas de âmbitos macro e microeconômicos para o setor de leite. Caso esta junção não ocorra, dificilmente a grande massa dos pequenos produtores, juntamente com a maioria de suas organizações, as quais não dispõem de recursos humanos e financeiros para realizarem os investimentos necessários, como aquisição de inovações biotecnológicas para aumentarem a produtividade, poderá continuar 43 Entre 1990 e 1998 houve várias iniciativas em programas de capacitação tecnológica: o SENAR-PE capacitou 5101 produtores entre 1996 e 1998, em cursos como produção de queijo, iogurtes, inseminação artificial e fenação; o ITEP, através do programa PEDITEC, encerrado em 10/1999, também atuou na capacitação de 210 produtores da cadeia produtiva de leite estadual, em cursos que abordavam desde a higienização da matéria-prima até a comercialização da produção; a empresa estadual de extensão rural EMATER-PE, denominada posteriormente de EBAPE, também atuou junto aos pecuaristas estaduais, cerca de 1.400 produtores, somente no ano de 1999 (França et al., 2000). Contudo, diante da taxa de analfabetismo em Pernambuco, de aproximadamente 34% da população, sendo mais acentuada nas regiões do Agreste e Sertão, nas quais estão o maior número de pecuaristas (Comportamento da pecuária, 1998), e diante do caráter pontual destes cursos se questiona a real eficiência destes programas, para este público alvo. 44 No setor agroindustrial de laticínios, apenas 8 empresas em Pernambuco possuem registro junto ao SIF, do Ministério da Agricultura, e somente 72 possuem registro no DEFS, da Secretaria de Produção Rural e Reforma Agrária, existindo mais de uma centena de pequenos estabelecimentos industriais que atuam na fabricação de queijo de coalho, manteiga e doce de leite, irregulares no tocante a este aspecto e, portanto, fora dos padrões e normas exigidos (França et al., 2000). 82 participando do processo produtivo, de forma compensatória sob o aspecto econômico. As cooperativas, impulsionadas pelas políticas de incentivos, foram um dos dois instrumentos utilizados pelo produtor local no intuito de conseguir avanços nos aspectos humanos e tecnológicos, de modo a implementar as reformas que garantam a sustentabilidade destas ações. 7.3.2 A POLÍTICA DE INVESTIMENTOS NA PECUÁRIA PERNAMBUCANA O redirecionamento dos investimentos do setor primário para as atividades pecuárias não é uma tendência recente, mesmo com Pernambuco apresentando uma diminuição na participação do volume de crédito rural nacional. A partir do final da década de 80, mais precisamente entre 1986 e 1996, o estado de Pernambuco apresentou uma redução em termos percentuais e absolutos do número de operações de contratação do crédito rural e do montante disponibilizado para os produtores estaduais (Tabela 7). Tabela 7 - Evolução do Contratos e Montante de Crédito Rural em Pernambuco Número de Contratos Ano PE NE BR Participações Montante Participações (%) (em R$1.000)* (%) PE / PE / NE BR PE NE 1986 123.016 952.903 3.022.604 12,91 4,07 539.430 3.920.654 1996 30.548 9,65 2,94 103.119 316.535 1.039.730 987.859 PE / PE / NE BR 27.616.487 13,76 1,95 6.293.201 10,44 1,64 BR FONTE: Crédito rural... (1997) Dados do BANCEN. (*) valores corrigidos a preços 1996 com base média anual do IGP/DI-FGV. Concomitantemente, aconteceu um aumento da aplicação destes créditos na bovinocultura no estado, sendo que a partir de 95 também começa a acontecer uma destinação maior dos investimentos do crédito rural nacional no setor pecuário. De acordo com análise do CONDEPE ( Crédito rural..., 1997), este fenômeno aconteceu graças às menores taxas de juros e maiores prazos, no caso de investimentos entre 1986 e 1996. O aumento da pecuária também é correlacionado ao declínio de culturas como o algodão, 83 mandioca, café, arroz, dentre outras, as quais apresentaram uma taxa de declínio geométrica na área colhida da ordem de 4,7% entre 1986 e 1996. A análise dos dados referentes à destinação dos recursos financeiros aos diversos subgrupos do setor primário estadual, entre 1986 e 1996, permite verificar que o maior percentual de recursos oriundos do crédito agrícola, cerca de 70%, era destinado ao subsetor agrícola em 1986. Entretanto, em 1996, observa-se que o subsetor pecuário apresentava a maior demanda percentual de créditos, 70 % do total, principalmente destinados a investimentos. No subgrupo pecuário, a bovinocultura de leite, isoladamente, foi a atividade que recebeu mais recursos em 1996, sendo o percentual de recursos destinados ao beneficiamento e industrialização, atividade que poderia agregar valor aos produtos e garantir melhores rendimentos aos produtores, é muito pequeno (Tabela 8). Tabela 8 - Destinação do crédito em Pernambuco, por subsetor e principais atividades Discriminação Crédito Agrícola Custeio Investimento 1986 R$(1.000,00)* 359.346 285.347 109.999 Atividades (principais) Algodão Banana Cana de açúcar Feijão Inhame Milho Tomate Uva Benefic./Industr Ativid. Diversas Crédito Pecuário Custeio Investimento R$(1.000,00)* 73,29 52,90 20,39 30.866 18.640 12.226 4,15 1,24 32,69 5,96 1,13 4,13 2,52 0,38 0,09 21,00 144.084 39.818 104.266 Atividades (principais) Avicultura Bovin. Corte Bovin. Leite Bovin. Mista Pastagem Benefic./Industr Ativid. Diversas Crédito Total Custeio Investimento 1996 % 26,71 7,38 19,33 100,00 60,28 39,72 29,94 18,08 11,86 0,11 3,10 1,82 1,92 3,34 1,36 1,74 1,82 1,67 13,05 72.253 5.189 67.064 5,25 0,73 7,97 0,21 2,85 0,05 9,65 539.430 325.165 214.265 % 70,06 5,03 65,03 3,17 1,80 11,77 5,93 15,62 0,08 31,70 103.119 23.829 79.290 100,00 23,11 76.69 FONTE: Crédito rural... (1997)- Dados do BANCEN. (*) valores corrigidos a preços 1996 com base média anual do IGP/DI-FGV. Contudo, a oscilação na produção de leite no estado, entre 1986 e 1996, 84 notadamente nos períodos de estiagem, por exemplo, é um indicador que os produtores do setor ainda não dispõem de tecnologia suficiente para superar as oscilações de precipitação pluviométrica que assolam freqüentemente a região. Isto, apesar de ter aumentado o percentual de crédito destinado à pecuária de leite O aumento percentual do crédito para pecuária entre 1986 e 1996 não correspondeu a um aumento em termos absolutos. O volume de recursos disponibilizado em 1996 pelo crédito rural foi 50% menor do que o disponibilizado em 1986 para o setor. Portanto, apesar de ter havido um aumento do percentual dos recursos aportados para o setor entre 1986 e 1996, ocorreu uma redução no volume de investimentos, os quais não foram suficientes para garantir condições de estabilidade e incremento da produção de leite no estado. 7.3.3 AS COOPERATIVAS PERNAMBUCANAS NO SETOR LEITEIRO O setor cooperativo agropecuário do estado de Pernambuco, diante do cenário político-econômico traçado entre 1990 e 1998, apresentou um incremento no número de organizações. 45 O número de cooperativas sofreu um acréscimo de 20% em 7 anos, passando de 87 cooperativas em 1991 para 128 cooperativas em 1998 (Tabela 9). A disposição destas cooperativas nas mesorregiões do estado indicam que cerca de 40% estão localizadas nas mesorregiões agreste e aproximadamente 50% situam-se no sertão. Dentre as cooperativas agropecuárias estaduais, 76,2% desenvolvem atividades ligadas ao setor pecuário, com uma média de 169,3 associados por cooperativa, congregando produtores e atuando basicamente no município em que está sediada (OCEPE, 1998). Dentre os serviços e produtos realizados por estas cooperativas que atuam no setor pecuário, três setores se destacam: a revenda de insumos, comercialização da produção e repasse de financiamentos. Outros serviços, como de patrulha mecanizada, assistência 45 Neste segmento estão englobadas as cooperativas que desenvolvem atividades agrícolas, pecuárias, 85 técnica, inseminação artificial e resfriamento e armazenamento de leite estão presentes em apenas 16% das organizações cooperativas estaduais (OCEPE, 1998). Face ao caráter limitado da ação das cooperativas que atuam principalmente no setor de revenda de insumos, atendendo somente ao mercado local, e ao baixo poder de compra que reduz o poder de negociação dos compradores, concorrendo com comércio varejista instalado na região, pode-se concluir que as cooperativas atuam em setores que apresentam barreira de entrada e saída baixos e propiciam uma grande concorrência, dificultando a obtenção de bons lucros e a sobrevivência no mercado. A união entre cooperativas no estado ainda não traduziu-se em ações concretas no setor agroindustrial, apesar de existir uma cooperativa central de leite no agreste do estado, a CCLP Leite Vida, com sede em Caruaru, a qual congrega 12 cooperativas no setor de laticínios. A CCPL tenta atuar como aglutinador da produção em parceria com unidades processadoras de leite da região. Este também é o caso de outras cooperativas estaduais, como a Cooperativa Agropecuária da Pedra - COOPEDRA, que atua como unidade receptora para laticínios da região. Assim, as cooperativas ligadas ao segmento leiteiro estadual deparam-se com desafios diante da provável trajetória do ambiente de negócios, o qual pelas características expostas, quer de natureza institucional, econômica ou social, pressupõe um modelo de administração condizente com a velocidade e turbulência dos acontecimentos, de modo a propiciar um crescimento sustentável para a própria e seus associados. Tabela 9- Evolução das cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias) em Pernambuco, no período de 1976 a 1998 ANO 1976 1980 1985 1991 1995 1996 1998 Cooperativas Agropecuária* 66 89 86 87 101 106 128 Cooperativas (outras) 57 62 72 56 110 112 180 TOTAL de Cooperativas 123 151 158 143 211 228 308 TIPO Cooperativa Fonte: Anuário Estatístico do Brasil (1996) e (1997); OCB (1999) agropecuárias, tanto singulares como centrais. 86 87 8 O FNE E OS RECURSOS ÀS COOPERATIVAS Este capítulo aborda especificamente a política de incentivos do FNE, através do montante disponibilizado, a nível geral e específico para cooperativas do Nordeste, e mais especificamente, as cooperativas de Pernambuco, assim como as repercussões no cenário associativo local. Também procurou-se relacionar os valores disponibilizados pelo FNE e por outros mecanismos de financiamento, tais como FINOR e Sistema Nacional de Crédito Rural (SNCR). 8. 1 O FNE no contexto regional As atividades econômicas produtivas localizadas nos estados nordestinos na década de 90 tiveram no FNE um instrumento para aportar recursos destinados a investimentos na região. No período de oito anos, entre 1990 a 1998, o FNE aportou recursos de R$ 5,9 bilhões de reais nos estados nordestinos, que eqüivalem a 37,9% do total de recursos investidos via o FINOR, ou seja R$ 15,5 bilhões de reais46, em 25 anos de existência. Ao somar as duas fontes de recursos citadas, depara-se com um total de investimentos da ordem de R$ 20 bilhões de reais na região (Tabela 10). Os estados da Bahia, Ceará e Pernambuco juntos obtiveram o maior volume de recursos aplicados pelo FNE, 57,7 % destes, bem como receberam o maior volume de investimentos do FINOR47, 65,9 % desta fonte. (SUDENE, 1999b) As atividades produtivas situadas no estado da Bahia obtiveram a maior quantidade 46 O montante de investimentos do FINOR refere-se aos valores atualizados e efetivamente liberados, inclusive na área de Minas Gerais. 47 Deve-se destacar que estes estados são também os que tiveram o maior número de projetos aprovados e o maior número de empregos gerados pelo FINOR. Para os recursos disponibilizados através de investimentos do FINOR para a região, 538 projetos financiados localizam-se na Bahia através do aporte 25,01% dos recursos totais do FINOR, sendo que em Pernambuco houve uma quantidade maior de empreendimentos financiados, 656 no estado, através de 18,73% do montante total do FINOR. Já o estado do Ceará teve 503 projetos aprovados, recebendo 14,23% dos recursos do FINOR . Nestes três estados também concentram-se o maior número de postos de trabalho criados com estes empreendimentos financiados (SUDENE, 1999b) 88 de recursos do FNE, entre 1990 e 1998, conseguindo captar cerca de 1,4 bilhões de reais, que representam 24,3% do total, enquanto que o setor produtivo do Ceará obteve 1,1 bilhões de reais, 19,6% dos recursos do FNE, ocupando o segundo lugar no ranking de destino das aplicações no Nordeste. Tabela 10- Total dos recursos aplicados e liberados pelo FNE e FINOR até 1998 nos estados do Nordeste Valores em R$ 1.000.000,00 FNE FINOR* TOTAL DOS RECURSOS INVESTIDOS ALAGOAS SERGIPE BAHIA CEARÁ R G DO NORTE MARANHÃO PIAUÍ PARAÍBA PERNAMBUCO 364,94 307,60 1.436,81 1.155,99 461,31 467,14 491,52 404,40 813,77 490,56 429,53 4.020,03 2.297,07 878,09 986,92 775,81 1.288,99 3.049,46 855,50 737,13 5.456,84 3.453,06 1.339,40 1.454,06 1.267,33 1.693,39 3.863,23 TOTAL 5.903,48 14.216,46 20.119,94 ORIGEM DOS RECURSOS ESTADOS Fonte: SUDENE (1999b), Banco do Nordeste-Ambiente Implementação de Programas, 1999 * Valor excluído investimentos em Minas Gerais No estado de Pernambuco, o setor produtivo conseguiu, entre 1990 e 1998, captar o terceiro maior volume de recursos do Nordeste, ou seja, 13, 8% dos recursos do FNE, que representam um montante de aproximadamente R$ 810 milhões de reais. Como nos estados da Bahia, Ceará e Pernambuco também estão localizadas áreas importantes de atividades industriais e agroindustriais, e diante do volume de incentivos nestes estados, é possível estabelecer uma relação entre o nível de investimentos nos estados do Nordeste, através de programas específicos criados para promoverem o desenvolvimento da região e ao volume do PIB gerado. Portanto, o volume de investimentos efetuados pelos instrumentos de financiamento das atividades produtivas no Nordeste, no caso em análise o FNE, mantém, via de regra, uma relação proporcional ao volume do PIB gerado, contribuindo para o incremento das atividades produtivas e, consequentemente, das riquezas geradas nestas unidades da federação (Gráfico 5). 89 Estes financiamentos tornam-se mais importantes para áreas, tais quais o semiárido, que devem ser o destino de cerca de 50% dos recursos do FNE aplicados. Gráfico 5- Participação dos estados nordestinos no total de recursos do FNE de 1990 a 1998, e no total recursos FNE e no PIB regional no ano de 1998, em percentual 35,0% 30,0% 25,0% 20,0% 15,0% 10,0% 5,0% PE R N C O AM BU AI BA PI AU Í PA R AL AG O AS SE R G IP E BA H IA C R EA G R D Á O N O R M TE AR AN H ÃO 0,0% FNE 1990-1998 FNE 1998 PIB Nordeste 98 Fonte: SUDENE (1999b); Banco do Nordeste-Ambiente Implementação de Programas, 1999 Ao analisar a contribuição de um programa específico do FNE, o AGRIN, no desenvolvimento do pólo agroindustrial de Petrolina/ Juazeiro, Fernandes (1996) destaca pontos positivos e negativos. Dentre os pontos positivos, tem-se que estes recursos contribuíram para consolidar a área como pólo de desenvolvimento agroindustrial, proporcionando um incremento nas receitas dos municípios, além de estimularem o beneficiamento de novos produtos, diversificando e descentralizando a produção. Contudo, o programa analisado teve baixo impacto na geração de emprego e renda, induzindo o desenvolvimento de forma indireta. Sendo assim, os instrumentos de financiamento e as políticas de incentivo às atividades produtivas da região, ainda que não tenham contribuído o suficiente para transformar o cenário sócio-econômico ao que poderia ser considerado ideal, não podem ter desconsideradas suas importâncias para o desenvolvimento da região, principalmente nas áreas mais susceptíveis às condições edafoclimáticas e de menores indicadores de desempenho sócio-econômicos, como o semi-árido. 90 8.2 Os recursos do FNE disponibilizados aos estados entre 1990 e 1998. O enfoque ora abordado procurou estabelecer uma divisão na alocação de recursos em dois períodos distintos: o primeiro entre 1990 e 1995, onde houve uma transição do contexto inflacionário para uma pretensa estabilidade econômica, e o segundo, entre 1996 e 1998, de pequenas taxas de inflação, mas de juros altos. Esta divisão também foi adotada face ao objetivo de visualizar os recursos que foram disponibilizados para os primeiros grupos beneficiados com empréstimos, quer cooperativa ou não, nos estados. No primeiro período, entre 1990 / 1995, foram aplicados pelo FNE na região Nordeste R$ 3,7 bilhões de reais, com uma média de recursos anual de R$ 628 milhões de reais (Tabela 11). O ano de 1991 destacou-se pela quantidade de recursos disponíveis aplicados, valor superior a R$ 1 bilhão de reais, o que representou 17,9% do total de investimentos realizados pelo FNE em toda sua existência. O ano de 1993 também destaca-se por apresentar o segundo maior volume de recursos, enquanto que os anos de 1990 e 1994, respectivamente, apresentaram as menores quantidades de recursos do FNE disponibilizados. No segundo período, de 96 a 98, foram aplicados pelo FNE no Nordeste R$ 2,1 bilhões de reais, com uma média de recursos aplicados por ano da ordem de R$ 711 milhões de reais. Comparando-se com a média de aplicação do período analisado anteriormente, detecta-se um aumento de 13% no volume de recursos médios investidos por ano (Tabela 12). Ao considerar os dois períodos da pesquisa, 1990 / 1995 e 1996 / 1998, observamos que o ranking dos três estados que mais captaram recursos, Bahia, Ceará e Pernambuco, permaneceu inalterado. Entretanto, nota-se um declínio da captação de recursos, comparando-se o 1º e o 2º período, pelas atividades produtivas dos referidos estados diante do volume total de recursos disponibilizados pelo FNE. A captação de recursos pelos setores produtivos de Pernambuco apresentou uma redução de apenas 1%, entre os dois períodos, percentual este menor do que a redução que atingiu os organizações situadas no Ceará e Bahia, de 4% e 2%, respectivamente. 91 Tabela 11- Recursos aplicados pelo FNE no Nordeste, entre 1990 e 1995 Valores em R$1.000,00 ANO ESTADOS ALAGOAS SERGIPE BAHIA CEARÁ R G DO NORTE MARANHÃO PIAUÍ PARAÍBA PERNAMBUCO TOTAL 1990 1991 1992 1993 1994 1995 TOTAL 6.096,7 45.300,7 42.380,3 55.763,6 25.543,1 33.190,2 208.274,6 13.006,1 24.126,8 30.599,7 33.392,0 19.396,1 50.421,8 170.942,5 113.911,3 273.413,1 186.523,4 158.418,6 90.452,2 133.868,8 956.587,4 86.852,4 201.282,2 87.889,7 155.890,6 134.407,8 114.914,4 781.237,1 26.168,3 63.428,8 71.657,1 77.103,3 33.140,9 39.707,2 311.205,6 36.089,9 51.159,8 48.423,7 72.201,6 31.002,7 40.738,8 279.616,5 32.527,3 103.712,8 9.522,0 53.459,4 38.815,1 36.152,1 274.188,7 19.304,3 70.300,6 32.772,6 50.368,4 45.360,3 36.080,9 254.187,1 48.505,9 222.342,4 75.419,2 57.494,7 55.050,4 74.713,7 533.526,3 382.462,20 1.055.067,20 585.187,70 714.092,20 473.168,60 559.787,90 3.769.765,80 Fonte: Banco do Nordeste-Ambiente Implementação de Programas, 1999 Tabela 12- Recursos aplicados pelo FNE no Nordeste, entre 1996 e 1998 Valores em R$ 1.000,00 ANO ESTADOS ALAGOAS SERGIPE BAHIA CEARÁ R G DO NORTE MARANHÃO PIAUÍ PARAÍBA PERNAMBUCO TOTAL 1996 59.867,2 1997 1998 57.709,5 39.095,8 TOTAL 156.672,5 54.825,6 44.229,4 37.602,8 136.657,8 160.097,7 149.007,1 171.124,2 480.229,0 139.534,4 97.258,6 137.957,9 374.750,9 71.490,1 37.410,3 41.209,7 150.110,1 74.353,9 66.893,2 46.279,7 187.526,8 80.172,4 82.528,4 54.634,7 217.335,5 60.166,4 45.666,9 44.381,4 150.214,7 96.698,9 68.284,7 115.261,6 280.245,2 797.206,6 648.988,1 687.547,8 2.133.742,5 Fonte: Banco do Nordeste-Ambiente Implementação de Programas, 1999 8.3 O FNE e o contexto associativo O Banco do Nordeste, em sua estratégia de atuação organizacional e, mais especificamente, na aplicação dos recursos do FNE, propunha-se a promover algumas transformações nas relações político-comerciais da instituição com a sua clientela potencial, face ao demais agentes financeiros do mercado. A nova estratégia de aplicação do FNE na década de 90 propunha desconcentrar o 92 crédito, aumentando o volume de recursos disponíveis ao produtor e suas organizações associativas, de modo a fortalecê-las, superando o estigma de insucesso das atividades associativas nordestinas e, consequentemente, tornando-as instrumentos de competitividade e de integração do produtor no mercado, proporcionando aumento do seu nível sócio-econômico e promovendo o desenvolvimento regional48 (Giovenardi et al., 1997). O resultado deste direcionamento foi, dentre outros que, entre 1990 e 1994, houve um aumento do número de organizações criadas, formais ou informais, para obterem financiamentos, bem como um incremento do número de beneficiários pelo FNE, destacando-se os que se enquadravam na categoria mini/pequeno produtor, além do aumento médio do volume de crédito cedido49 (Giovenardi et al., 1997). No mesmo período, o Banco do Nordeste conseguiu descentralizar o crédito, aumentando o número de operações junto aos mini/pequenos produtores de 29% em 1991 para 77% em 1994, tornando-se também a principal fonte de crédito para as cooperativas e associações, principalmente no semi-árido, uma vez que mais de 60% das operações junto a estas organizações estavam centradas nesta área (Giovenardi et al., 1997). Os projetos financiados através do estímulo à agricultura de sequeiro (PROAGRI), à irrigação (PROIR) e à pecuária regional (PROPEC) conseguiram dotar o produtor e suas associações de maior nível tecnológico, contribuindo para aumentar a produção e produtividade. Entretanto, o pequeno volume de financiamentos na agroindústria e na comercialização reduzem o poder dos agricultores e suas organizações na obtenção de maior renda, através da agregação de valor aos produtos, a médio e longo prazos, tendendo a funcionarem como meros fornecedores de matérias-primas. Também não foram 48 Neste ínterim, na segunda metade da década de 90, através de um acordo entre o Banco do Nordeste e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, organismo vinculado a ONU, foi desenvolvido um programa de capacitação para garantir o sucesso dos empreendimentos nordestinos, utilizando a metodologia GESPAR (Gestão Participativa para o Desenvolvimento Local Sustentável) e a metodologia de Capacitação Organizacional. Este processo de capacitação buscava fortalecer a gestão participativa e o desenvolvimento empresarial das organizações de produtores, rurais e urbanos, através da formulação de estratégias e de gestão dentro de uma visão sistêmica, viabilizando estas organizações e aumentando a renda e o bem estar dos associados. Como resultado deste processo, até junho de 1998, haviam sido treinados 5.603 produtores filiados a organizações rurais e 1.092 associados a organizações urbanas no Nordeste (Projeto Banco Nordeste/PNUD, 1999). 49 Esta política de pulverização do crédito e de priorização às cooperativas encontra certa similaridade com iniciativas anteriormente desenvolvidas pelo agente financeiro que gere os recursos do FNE (BNB, 1973). 93 detectados sinais significativos de melhoria nos aspectos funcionais internos, ou seja, aspectos administrativos, quer nas unidades produtivas ou nas associações e cooperativas analisadas (Giovenardi et al.,1997). Constata-se, desse modo que, na política de incentivos para a região Nordeste ao longo dos últimos trinta anos, tanto houveram aspectos positivos, como também aspectos que merecem ser revistos, de modo a proporcionar novos encaminhamentos no sentido de buscar-se uma maior eficiência à luz dos objetivos propostos. O papel do FNE, através de seus diversos programas, sem dúvida é um instrumento de desenvolvimento sócio-econômico regional, principalmente quando garante o acesso de micro e pequenos agricultores a recursos financeiros para melhoria da produção, através de organizações associativas. Contudo, faz-se necessário que, conjuntamente com estes recursos se promova um processo educativo integral para os associados50, tal qual descrito por Lauschner (1993), não somente para dotar o produtor de recursos técnicos especializados para aumentar a produção, mas também capacitar a comunidade local a tomar posse de suas riquezas naturais de forma sustentável, tornando suas organizações e suas unidades de produção competitivas, inovadoras e empreendedoras, garantindo o desenvolvimento sustentável. 8.3.1 O FINANCIAMENTO ÀS COOPERATIVAS NORDESTINAS O FNE constitui-se, entre 1990 e 1998, no principal instrumento financiador das cooperativas nordestinas. Ao efetuar uma comparação do volume financiado pelo FNE e pelo Sistema Nacional de Crédito Rural entre 1994 e 1998 às cooperativas da região, é perceptível a diferença da contribuição de ambos no cenário regional. Enquanto o FNE disponibilizou às cooperativas regionais uma quantia superior a R$ 220 milhões de reais para investimento, custeio e comercialização, o crédito agrícola somente liberou R$ 121 milhões de reais, o que eqüivale a apenas 55% do investido pelo 50 A falta deste processo de capacitação para as camadas mais excluídas, segundo a EMATER-PE, é uma das 94 FNE nas organizações cooperativas51 (Tabela 13). A diferença a mais entre os recursos do FNE e do Sistema Nacional do Crédito Rural para o setor cooperativo nordestino posiciona o FNE como um instrumento de crédito adicional para o desenvolvimento da região, ao preencher a lacuna deixada pelos instrumentos tradicionais de financiamento dos agronegócios cooperativos. Tabela 13 - Recursos destinados às cooperativas pelo Sistema Nacional do Crédito Rural e FNE, na região Nordeste, entre 1990 e 1998 (em R$) SISTEMA NACIONAL CRÉDITO RURAL ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 TOTAL BRASIL COOPERATIVAS do NORDESTE FNE ÀS COOPERATIVAS do NORDESTE* 8.985.999.890,00 18.497.447,00 139.936,17 9.271.002.920,00 16.058.001,00 83.909,47 10.278.996.496,00 9.468.446,00 3.307.878,20 8.827.960.988,00 1.646.056,00 5.892.352,30 11.534.323.803,00 2.149.279,00 36.450.712,87 7.544.823.360,00 2.924.355,00 61.094.142,49 6.764.496.410,00 79.972.397,00 47.288.145,14 10.757.297.425,00 23.913.126,00 60.320.409,85 11.205.965.275,00 17.770.057,00 16.416.010,16 Fonte: BACEN/DECAD/DIREC Sistema RECOR, 1999; Banco do Nordeste-Ambiente Implementação de Programas, 1999 * Operações existentes, não liquidadas. Devido ao número total de operações realizadas através de programas do FNE com cooperativas no Nordeste, 425 operações, quase o equivalente ao número total de cooperativas existentes na região, 463 organizações, nota-se a capilaridade destes recursos no setor. Esta afirmação pode ser constatada ao observar-se que em 1990 foram realizadas apenas 6 operações de financiamento, enquanto que em 1997, foram realizadas 98 operações, ou seja, um crescimento superior a 150% no intervalo. barreiras no crescimento da pecuária local (Conjuntura pecuária, 1998). 51 Os valores de recursos obtidos junto ao Banco do Nordeste para operações com cooperativas contemplam apenas as operações em “ser”, ou seja, operações existentes, não contemplando operações já liquidadas, pois estas não mais constam da base de dados dos anos em referência. O Ambiente de Implementação de Negócios / Célula de Apoio aos Pequenos Negócios e Associativismo do Banco do Nordeste, local onde foram pesquisados estes dados, informou que o quesito valores aplicados às cooperativas foi superior ao informado, o que ressalta ainda mais a importância do crédito do FNE para cooperativas regionais. Adotamos os dados coletados como referenciais na análise do setor, pois o prazo de carência e de amortização dos financiamentos pelo FNE para a realização de investimentos são bastante elásticos, além do que, a partir de 94, com a estabilidade do processo 95 O volume de crédito disponibilizado às cooperativas também apresentou uma elevação considerável, passando de quase R$ 140 mil reais em 1990, para mais de R$ 60 milhões em 1997. Vale salientar que o ritmo de crescimento no volume alocado às cooperativas, à luz do evolução do total de recursos disponibilizados pelo FNE para todo o Nordeste, não acontece na mesma proporção, haja visto que somente no ano de 1995 aconteceu a maior disponibilidade de volume de crédito às cooperativas nordestinas. O ano de 1998 apresentou-se atípico, com uma redução de quase 50% na quantidade de operações com cooperativas e declínio da disponibilidade de crédito em torno de 70% em relação ao mesmo período de 1997. Ao analisar os dado dos períodos compreendidos entre 1990/1995 e 1996/1998, vários fatos podem ser destacados. As operações de financiamento às cooperativas entre 90/95 foram 196, totalizando um montante investido de quase R$ 107 milhões, com uma média de R$ 545 mil reais por operação52 (Tabela 14 e 15). No período compreendido entre 1996/1998, o número de operações realizadas com cooperativas foram 229, apresentando uma elevação de quase 17% em relação a valores de 1990/1995. O total de crédito aplicado foi superior a R$ 124 milhões, o que representa um aumento de quase 16%, se comparados aos valores 1990/1995. A média por operação permaneceu em torno de R$ 540 mil reais, próxima das encontradas no período 1990/1995 (Tabela 16 e 17). Uma averiguação mais detalhada feita por estado mostra que, entre 90/95, o maior número de financiamento foi realizado nas organizações cooperativas do Ceará, 61 operações, através de um aporte superior a R$ 40 milhões de reais, com uma média de R$ 664 mil reais por operação. Em segundo lugar, no mesmo período, aparecem as operações realizadas com cooperativas de Pernambuco, 28 financiamentos, totalizando inflacionário, os rebates a que tinham direito estes financiamentos foram atenuados. Ao mesmo tempo, estes dados proporcionam também uma visão do tamanho da dívida das cooperativas regionais. 52 Esta média apresenta uma variação muito grande, devendo ser tomadas as cautelas necessárias na sua avaliação como parâmetro analítico de operações. No caso em questão, procuramos identificar , segundo estudo de Giovenardi et al. (1997), se houve um crescimento da disponibilidade de crédito ao setor cooperativo regional. 96 aproximadamente R$ 18 milhões, com uma média por operação próxima a R$ 671 mil reais. O Rio Grande do Norte e a Paraíba apresentaram 25 e 23 cessões de crédito às cooperativas, com um volume de investimentos da ordem de R$ 12 milhões e R$ 14 milhões de reais, com médias em torno de R$ 485 mil reais e R$ 616 mil reais. A Bahia, apesar de ter sido o estado que teve mais aporte dos recursos totais do FNE neste período, não apresentou o mesmo desempenho quando se tratava de cooperativas, pois só houveram 21 operações com cooperativas neste estado, obtendo R$ 6 milhões de reais, com uma média de R$ 288 mil reais por operação. A análise do intervalo 96/98 permite visualizar algumas diferenças em relação a 90/95, pois o estado de Pernambuco passa a ocupar o primeiro lugar na captação de recursos por cooperativas, apresentando o maior número de operações, 69 no período, via aporte de R$ 25 milhões de reais, com uma média de R$ 374 mil por financiamento. O Ceará, passou do primeiro lugar, entre 90/95, para a segundo posição, entre 96/98, com 52 financiamentos realizados às cooperativas, totalizando mais de R$ 24 milhões, com uma média de R$ 473 mil reais por operação. O Rio Grande do Norte, apesar de possuir o terceiro maior volume de recursos destinados às cooperativas, teve uma maior concentração de recursos por operação. O Piauí e a Bahia, com 28 e 25 operações de crédito entre 96/98, obtiveram R$ 10 milhões de reais e 14 milhões de reais respectivamente, com uma média por operação de R$ 386 mil reais e R$ 597 mil reais. Novamente, neste período, as cooperativas da Bahia não seguiram a tendência do estado como o que mais captou recursos na região, ocorrendo, entretanto, um aumento do número de financiamentos às cooperativas neste estado. Em apenas nove anos, de 90/98, o volume de recursos disponibilizados ao setor primário, através das cooperativas da região pelo FNE para investimento, custeio e comercialização, veio suprir a carência de financiamento da política de crédito agrícola, de modo particular, que beneficiasse os produtores locais e suas organizações, ao contrário da proposta inicial do referido programa, de disponibilizar créditos adicionais para a região. Portanto, o viés que o FNE é um instrumento financeiro adicional, vetor estratégico de crescimento de uma política regional de desenvolvimento do setor primário nordestino, requer uma avaliação crítica, haja visto o nível pequeno de recursos 97 disponibilizados pelo crédito rural. Tabela 14 - Número de cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias ou agroindustriais) contempladas com recursos do FNE no Nordeste, de 1990 a 1995 ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 TOTAL ALAGOAS SERGIPE BAHIA CEARÁ R G DO NORTE MARANHÃO PIAUÍ PARAÍBA PERNAMBUCO 1 1 4 - 2 5 4 1 1 2 1 2 5 2 1 2 - 3 3 14 9 2 5 5 3 9 14 4 3 8 7 4 1 4 19 6 5 9 8 17 9 21 61 25 8 21 23 28 TOTAL 6 15 13 41 52 69 196 ESTADOS Fonte: Banco do Nordeste/Ambiente Implementação de Programas, 1999 Tabela 15- Recursos aplicados pelo FNE em cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias ou agroindustriais) no Nordeste, por estados, de 1990 a 1995 Valores em R$1,00 ANO ESTADOS ALAGOAS 1990 1991 1992 1993 1994 1995 TOTAL 4,99 - 3.263.697,66 476.739,43 26.729,47 1.105.996,70 - - - - - - - 32,07 95,76 2.769,60 112.043,81 4.366.581,44 1.581.291,34 6.062.814,02 139.899,11 12.577,64 11.951,07 2.614.148,34 14.973.127,15 22.768.062,78 40.519.766,09 R G DO NORTE - 4.100,38 20.661,35 1.199.550,22 1.015.632,08 9.905.518,20 12.145.462,23 MARANHÃO - - - - 1.151.135,66 971.944,35 2.123.080,01 PIAUÍ - 13.155,16 41,02 24.887,64 4.114.209,04 4.114.187,00 8.266.479,86 PARAÍBA - 11.007,10 8.757,50 1.118.366,89 7.402.080,81 5.629.835,96 14.170.048,26 PERNAMBUCO - 42.973,43 - 346.615,97 3.401.217,22 15.017.306,16 18.808.112,78 139.936,17 83.909,47 3.307.878,20 5.892.352,30 36.450.712,87 61.094.142,49 106.968.931,50 SERGIPE BAHIA CEARÁ TOTAL Fonte: Banco do Nordeste/ Ambiente Implementação de Programas, 1999 4.873.168,25 98 Tabela 16 - Número de cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias agroindustriais)contempladas com recursos do FNE no Nordeste, de 1996 a 1998 ANO 1996 1997 1998 TOTAL ALAGOAS SERGIPE BAHIA CEARÁ R G DO NORTE MARANHÃO PIAUÍ PARAÍBA PERNAMBUCO 2 6 22 7 4 9 12 18 2 4 15 21 7 2 14 3 30 1 2 4 9 4 1 5 4 21 5 6 25 52 18 7 28 19 69 TOTAL 80 98 51 229 ESTADOS ou Fonte: Banco do Nordeste/ Ambiente Implementação de Programas, 1999 Tabela 17 - Recursos aplicados pelo FNE em cooperativas (agrícolas, pecuárias, agropecuárias ou agroindustriais) no Nordeste, por estados, de 1996 a 1998 Valores em R$1,00 ANO ESTADOS ALAGOAS SERGIPE 1996 1997 1998 7.693.311,83 3.787.317,91 122.554,00 TOTAL 11.603.183,74 - 2.683.330,59 1.921.787,38 4.605.117,97 BAHIA 2.022.607,87 12.224.882,97 701.408,02 14.948.898,86 CEARÁ 13.168.938,54 10.099.519,70 1.411.777,20 24.680.235,44 8.461.927,45 3.946.781,39 3.538.518,50 15.947.227,34 R G DO NORTE MARANHÃO 1.550.955,00 4.754.564,90 136.400,00 6.441.919,90 PIAUÍ 1.681.189,48 8.347.044,07 799.091,58 10.827.325,13 PARAÍBA 5.696.089,26 1.465.099,74 1.969.219,82 9.130.408,82 PERNAMBUCO 7.013.155,71 13.011.868,58 5.815.253,68 25.840.277,97 47.288.175,14 60.320.409,85 16.416.010,18 124.024.595,17 TOTAL Fonte: Banco do Nordeste/ Ambiente Implementação de Programas, 1999 99 8.3.2 O FNE E AS COOPERATIVAS PERNAMBUCANAS As cooperativas pernambucanas que desenvolvem atividades pecuárias, além de disporem de limites de financiamento maiores e prazos mais elásticos de pagamento dos recursos do FNE, estão quase todas concentradas na área prioritária para investimentos, ou seja, na área do semi-árido, pois dos 185 municípios do estado, 118 estão localizados no semi-árido. Face às dificuldades do setor, inclusive no tocante às informações a cerca das possibilidades de financiamento através do FNE, as cooperativas e seus associados contaram com o auxílio de órgão públicos estaduais, para conseguirem realizar investimentos e melhorar as condições gerais do setor e, por conseguinte, romperem barreiras tecnológicas. 8.3.2.1 O papel do governo na difusão do FNE às cooperativas locais O papel do governo estadual, mais especificamente a Secretaria de Agricultura, através do GEAP, foi relevante neste processo de difusão do crédito do FNE às associações e cooperativas e de auxílio na elaboração de projetos agropecuários integrados. Somente no ano de sua implementação, em 1993, o GEAP iniciou trabalhos que contemplavam 41 propostas de financiamento, sendo 21 o número de projetos efetuados com cooperativas e 20 com associações, cuja localização da maior parte era o agreste do estado. Ao final do ano de 93, já haviam sido contratados 02 projetos, beneficiando 388 produtores em mais de 07 municípios e outros 11 projetos já encontravam-se em análise no Banco do Nordeste, os quais iriam beneficiar 897 produtores em 14 municípios (Tabela 18). Em todos os projetos desenvolvidos para cooperativas, encaminhados e aprovados, o GEAP preocupou-se em contemplar com recursos à própria e aos cooperados, para investimento, custeio e comercialização. Na parte destinada à própria, os objetivos dos pleitos eram principalmente para 100 aquisição de bens para venda aos cooperados, meios de transporte para escoar a produção, como caminhões, compra de máquinas e implementos agrícolas para execução de serviço aos cooperados, além de investimento para plano de capacitação e assistência técnica. O percentual do financiamento variava de 14 a 43%, com uma média de 32% do montante solicitado à própria cooperativa. A estratégia de implantação de unidades agroindustriais contemplavam unidades de beneficiamento de leite e mandioca, bem como fábrica de ração (Vasconcelos et al., 1993). Entretanto, estas iniciativas agroindustriais pioneiras não chegaram a serem financiadas até 1995, visto que somente em 1996 é que ocorreu registro de financiamento do FNE para estas atividades no estado53. Os projetos elaborados pelo GEAP, no que diz respeito às operações de repasse às cooperativas para financiar os seus cooperados, destinavam-se, principalmente, à aquisição de matrizes bovinas leiteiras, implantação de áreas destinadas à pastagens e melhoria de infra-estrutura da propriedade, como construção de poços, açudes, currais, estábulos e cercas. Em menor proporção nestes projetos, aparecem pleitos para financiamento tanto de culturas temporárias, cenoura e mandioca, por exemplo, como de culturas permanentes, a exemplo da cultura do cajueiro e da acerola. Também foram detectadas em alguns projetos elaborados solicitações de financiamento para atividades como avicultura, ovinocultura e suinocultura, além de recursos para aquisição de material de irrigação e implementos agrícolas nas unidades produtivas dos associados, sendo que o percentual médio dos valores destinados aos cooperados representava 68 % dos financiamentos solicitados (Vasconcelos et al., 1993). A iniciativa do governo estadual foi um elemento que contribuiu para que as cooperativas estaduais pudessem ter acesso aos financiamentos do FNE, e os técnicos que compunham o GEAP, encarregados de assessorar e elaborar projetos às cooperativas estaduais, tiveram um papel importante neste processo. A iniciativa privada, através de empresas de consultoria e elaboração de projetos devidamente cadastradas no Banco do Nordeste, posteriormente, passou a atuar paralelo as funções exercidas pelos órgãos governamentais, ao mesmo tempo facilitando o acesso de 53 Durante o trabalho de coleta de dados no campo, procurou-se checar se estas solicitações de financiamento pelo FNE, pioneiras no âmbito agroindustrial, tinham obtido os recursos pleiteados e haviam sido implantadas. No contato estabelecido com as respectivas solicitantes, os responsáveis afirmaram que não houve liberação destes 101 clientes ainda não beneficiados pelo GEAP, devido as limitações da própria estrutura deste grupo, acelerando o número de pleitos junto ao agente financeiro. Tabela 18 - Síntese dos trabalhos realizados pelo GEAP para captação de recursos do FNE, por associações e cooperativas, em 1993 POSIÇÃO DO PROJETO 1)Projetos Contratados Cooperativa Associação 2)Projetos em Análise BNB Cooperativa Associação (especial) 3)Projetos em elaboração* Cooperativa Associação 4)Projetos fase inicial /pendências** Cooperativa Associação 5)Projetos aguardando confirmação Cooperativa Associação 6)Projetos aguardando recebimento Cooperativa Associação TOTAL Dados Projeto Mesorregião estado Nº Beneficiários Nº de Projetos Mata Agreste Sertão Diretos Indiretos TOTAL (em URTN) 01 01 01 01 - - 250 138 450 240 212.139 53.973 04 07 07 03 - 01 - 890 07 1.434 07 2.784.611 9.340 03 01 01 01 02 - - - - - 10 03 01 06 02 04 - - - - 08 02 01 - 06 01 01 01 - - - 01 - - 01 - - - - - 41 12 21 07 - - - Fonte: Vasconcelos et al. (1993) *Com previsão de término de elaboração em março de 94 ** Estas pendências iam desde o aguardo de visita de técnicos do GEAP até o aguardo de documentação de registro e legalização da cooperativa. 8.3.2.2 Os investimentos disponibilizados Os créditos obtidos pelas cooperativas locais através do FNE, em comparação com outros mecanismos de apoio financeiro ao setor cooperativo local, demonstram a importância deste Fundo. Nos recursos para financiamento das cooperativas estaduais também percebe-se a importância do FNE na pecuária local, como instrumento de incremento desse setor, através do volume de operações efetuadas. Considerando-se o período compreendido entre 1990/1995 observa-se que houve um aumento no número de operações através do FNE, entre 1996/1998. Enquanto no primeiro período considerado houve um total de 28 operações, sendo 7 no setor agrícola e recursos pelo agente financeiro para as unidades de leite e mandioca. 102 21 no setor pecuário, a partir de 96 ocorreram 76 operações de crédito, sendo que 65% destes financiamentos, ou seja, 47 operações destinaram-se às cooperativas que desenvolveram projetos no setor pecuário, e apenas 11 para o setor de produção vegetal (Tabela 19 e 20). Tabela 19 - Número de cooperativas contempladas com recursos do FNE em Pernambuco por tipo de atividade, entre 1990 e 1998 SETOR DE ATUAÇÃO DA COOPERATIVA ANO 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 TOTAL TOTAL PRODUÇÃO VEGETAL PRODUÇÃO PECUÁRIA AGROPECUÁRIA/ AGROINDUSTRIAL 2 1 1 3 3 3 5 4 3 14 10 25 12 5 2 4 2 5 4 17 18 30 21 18 68 11 101 Fonte: Banco do Nordeste-Ambiente Implementação de Programas, 1999 Tabela 20 - Recursos do FNE e do Sistema Nacional de Crédito Rural aplicados nas cooperativas de Pernambuco por tipo de atividade, entre 1990 e 1998 Valores em R$1,00 RECURSOS POR SETOR COOPERATIVO ANO PRODUÇÃO VEGETAL 1990 1991 1992 1993 1994 1995 PRODUÇÃO PECUÁRIA Sistema Nacional Crédito Rural FNE AGROPECUÁRIA/ AGROINDUSTRIAL Sistema Nacional FNE Crédito Rural Sistema Nacional Crédito Rural FNE RECURSO TOTAL COOP. FNE - 946.636,00 - - - - - 42.964,18 - 9,25 - - - 42.973,43 - 43.960,00 - - - - - 38.997,14 53.621,00 307.618,83 - - - 346.615,97 2.565.968,91 - 835.248,31 - - - 3.401.217,22 696.009,84 - 14.321.306,32 - - - 15.017.306,16 1996 369.077,99 18.805,00 5.406.640,92 3.225.265,00 - 7.013.155,71 1997 394.267,40 721.115,00 12.260.459,99 3.722.327,00 - 13.011.868,58 1998 1.877.570,22 145.733,00 3.386.605,14 2.314.827,00 - 5.815.253,68 - 43.831.902,68 TOTAL 5.984.945,68 1.929.870,00 35.695.412,69 9.162.409,00 1.237.436,80 357.141,19 551.078,32 2.145.656,31 Fonte: BANCEN/DECAD/DIREC Sistema RECOR, 1999; Banco do Nordeste-Ambiente Implementação de Programas, 1999 103 Na questão do montante do FNE aplicado às cooperativas, por setor de atividades, também houve uma diferença entre os valores destinados às atividades de produção pecuária e de produção vegetal. Basta verificar o que ocorreu no período 96/98, pois as cooperativas que desenvolveram propostas para as atividades pecuárias receberam quase 10 vezes mais recursos que as cooperativas que operaram com produção vegetal, sendo esta diferença equivalente a um valor de aproximadamente R$ 18 milhões de reais. Certamente, a tendência de consolidação da pecuária como fonte de investimentos entre 1985/1995, analisada pelo CONDEPE (Crédito rural..., 1997), também foi alicerçada pelos recursos do FNE. Com relação às cooperativas que pautavam suas linhas de atuação na pecuária, o crédito rural esteve ausente, não financiando nenhuma operação no estado até 1995. Ao efetuar-se comparação entre os valores financiados pelo FNE e Sistema Nacional de Crédito Rural às cooperativas ligadas à pecuária, entre 1995/1998, depara-se com um valor investido pelo FNE aproximadamente 5 vezes superior ao disponibilizado pelo Crédito Rural. Na área de produção vegetal, enquanto o FNE disponibilizou às cooperativas entre 1996/1998 valores acima de R$ 2,6 milhões de reais, o Sistema Nacional de Crédito Rural financiou apenas cerca de 33% deste valor. Com relação às cooperativas que atuavam no setor pecuário os valores do FNE alcançaram uma cifra próxima a R$ 21 milhões de reais, enquanto que os valores do Sistema Nacional de Crédito Rural ficaram próximos a metade deste montante. Com relação às atividades agroindustriais/agropecuárias, deve-se atentar para a ausência de financiamentos do FNE para estes setores de atuação das cooperativas estaduais até 1995. Somente a partir de 1996 houve início de implementação de projetos desta natureza, alavancados pelo setor cooperativo local. Entre 1996/1998 um volume de recursos superior a dois milhões de reais foi aplicado em 11 operações com as cooperativas do estado para desenvolverem este tipo de atividade, possibilitando investimentos em um modelo de produção que permitisse maior agregação de valor aos produtos dos cooperados, tal qual modelo sugerido por Lauschner, devidamente destacado pelo Banco do Nordeste e SUDENE, além das organizações cooperativas locais, como a OCEPE. 104 Portanto, o Crédito Rural, instrumento tradicional de apoio às atividades do setor primário, no repasse às cooperativas, proporcionou menores oportunidades de investimento às cooperativas estaduais que o FNE. Este instrumento de financiamento criado com a finalidade de alavancar recursos extras para as atividades produtivas locais veio, isto sim, suprir a ausência dos instrumentos de financiamento tradicionais do setor. Os investimentos disponibilizados pelo FNE ao longo dos nove anos, entre 1990 e 1998, contribuíram, sem dúvida, na consolidação da tendência de investimentos ao setor pecuário estadual, especialmente leiteiro, através de organizações cooperativas, e revelaram-se como importantes instrumentos de repasse de crédito. A proliferação do número de projetos cooperativos em Pernambuco, no segmento pecuário de leite, financiados através do FNE, embora tenha tido por objetivo criar uma base de produção rentável, articulada e capaz de agregar valor à matéria-prima leite, revela necessidade de aprofundamento. Desta forma, através de uma análise que levou em conta algumas variáveis, foi possível visualizar se os recursos disponibilizados contribuíram para solucionar problemas de produtividade, comercialização e aglutinação da produção, fortalecendo os produtores rurais e suas organizações produtivas. 105 9 COMPETITIVIDADE DAS COOPERATIVAS FINANCIADAS Para determinar a competitividade das cooperativas ligadas ao setor leiteiro financiadas com recursos do FNE no estado de Pernambuco, procedeu-se a análise de caso em 13 cooperativas pesquisadas. Procurou-se observar o perfil das organizações contempladas, dos seus associados, bem como dos impactos destes recursos nas respectivas estruturas cooperativas, sua estratégia de atuação no mercado e sua eficiência no setor. Na análise da eficiência cooperativa, utilizou-se o modelo analítico de Oliveira Júnior54 (1996), que leva em conta tanto análise de critérios econômicos-financeiros, como sociais, políticos e de recursos humanos. As cooperativas foram divididas em dois grupos55: o primeiro grupo, composto por aquelas que obtiveram empréstimo do FNE no estado entre 1990 e 1995, ao qual se denominou de GRUPO 1; o segundo grupo englobou as organizações que foram contempladas com recursos do FNE entre 1996 e 1998, chamado de GRUPO 2. 9.1 O perfil das cooperativas pesquisadas A análise da estrutura das cooperativas abordou dados gerais que abrangeram desde área de atuação até a composição do quadro social, além de aspectos relacionados a estrutura de gestão e programas de tecnologia disponível pelas cooperativas. 9.1.1 O PERÍODO DE FUNDAÇÃO Nos dados coletados observou-se que a maioria das cooperativas contempladas, 69,4% dos casos, foram fundadas na década de 90, embora haja uma diferença entre os dois grupos analisados (Tabela 21). 54 O modelo presente encontra-se descrito no capítulo 5, no item 5.2.2.2. Esta divisão, comentada anteriormente, foi efetuada com o intuito de verificar o perfil e o desempenho das cooperativas que primeiro receberam empréstimo do FNE, que ocorreu em ambiente de transição econômica. Aliado a este fator, o início das operações de financiamento do FNE em atividades agroindustriais para as cooperativas locais em 1996, contribuíram para demarcar este limite entre os dois grupos de cooperativas. 55 106 As cooperativas integrantes do GRUPO 1, que primeiro obtiveram empréstimos, apresentaram algumas cooperativas mais antigas, fundadas na década de 30 e de 60. Contudo, na metade das cooperativas deste grupo, a data de fundação remonta a primeira metade da década de 90. As cooperativas do GRUPO 2, em 85,6% dos casos, foram fundadas na década de 90, sendo estas, no geral, mais recentes no mercado que as do GRUPO 1. Tabela 21 – Estatística das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo período de fundação Período de Fundação Grupo 1 Grupo 2 TOTAL N % N % N % Anterior a 1970 Entre 1971 e 1980 Entre 1981 e 1990 Entre 1991 e 1995 A partir de 1996 2 1 3 - 33,3 16,7 50,0 - 1 3 3 14,4 42,8 42,8 2 2 6 3 15,3 15,3 46,1 23,3 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo, 1999 9.1.2 O NEGÓCIO E A ÁREA DE ATUAÇÃO Nas cooperativas pesquisadas verificou-se que em todas eram desenvolvidas atividades no ramo agropecuário. Quanto à área geográfica de atuação, encontrou-se que 53,9% das cooperativas têm limitações de atuação, só atendendo aos cooperados do município em que estão sediadas, e 46,1% destas organizações atendem a cooperados situados em municípios vizinhos ao que estão localizadas (Tabela 22). No geral, observou-se que as sedes das cooperativas estavam localizadas, em 76% dos casos, no perímetro urbano (Tabela 23). Comparando com o GRUPO 1, o GRUPO 2 apresentou um maior percentual de cooperativas atuando apenas no município sede e com sedes localizadas na zona rural. 107 Tabela 22 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo a área de atuação Área de atuação Grupo 1 Grupo 2 TOTAL N % N % N % Só distrito Só município Mais de um município 3 3 50,0 50,0 1 3 3 14,4 43,8 42,8 1 6 6 7,8 46,1 46,1 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo, 1999 Tabela 23 – Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo local da sede Grupo 1 Local da Sede Grupo 2 TOTAL N % N % N % Zona urbana Zona rural 5 1 83,3 16,7 5 2 71,4 28,6 10 3 76,9 23,1 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de Campo, 1999 9.1.3 O QUADRO SOCIAL O total de associados vinculados às cooperativas, dos dois grupos, foi de 3.023 produtores rurais, tendo por base o ano de 1998. Deste total, 2.509 produtores compunham o quadro de associados filiados às cooperativas do GRUPO 1, com uma média de 418 associados por cooperativa. No quadro de filiados às cooperativas do GRUPO 2 foram registrados 514 produtores, com uma média de 73 associados por cooperativa. Visando aprofundar a análise do perfil geral do associado, procedeu-se a abordagem de itens que foram da questão do gênero até grau de escolaridade e posse da terra, além do processo de admissão de associados e da participação nas decisões da cooperativas. 9.1.3.1 Quanto ao gênero Na área rural do estado de Pernambuco, os números de homens e mulheres são quase equivalentes, porém o mesmo não acontece quando se analisa os números de chefes de família, haja visto que dos 423, 5 mil chefes de famílias rurais, somente 14,4% são do 108 sexo feminino (Anuário Estatístico, 1999). Quando se analisou a participação das mulheres nas cooperativas, o percentual apurado nos dois grupos foi de apenas 7,5% do total de cooperados, sendo este índice inferior aos apontados para a relação dos chefes de família rural no estado (Tabela 24). As mulheres, apesar de terem pouca participação nas cooperativas, têm um papel relevante dentro da unidade produtiva familiar, contribuindo com a produção, via trabalho complementar, em atividades como, por exemplo, ordenha e fabricação de queijos.56 Tabela 24 - Estatística do quadro de cooperados, segundo o gênero e o grupo, no ano de 1998 Gênero Estatística Grupo 1 Grupo 2 Grupo total Masculino No observações Valor mínimo Valor máximo Média Desvio Padrão 4 138 714 351,25 273,18 7 20 268 66,00 89,72 11 20 714 169,73 218,93 Feminino No observações Valor mínimo Valor máximo Média Desvio padrão 4 7 40 26,25 14,97 7 0 15 5,86 5,40 11 0 40 13,27 13,81 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.1.3.2 Grau de escolaridade O nível de escolaridade dos produtores rurais associados foi obtido, na sua maioria, através de relatos efetuados pela diretoria da cooperativa, uma vez que a maior parte das cooperativas pesquisadas não têm este item relacionado na ficha de matrícula. Os resultados desta enquete apontaram para um quadro social que possui baixo nível de escolaridade, onde 74% do total de cooperados possuíam até o 1º grau menor, e apenas 0,1% dos cooperados associados possuíam nível superior (Tabela 25). 56 A Aliança Cooperativa Internacional-ACI afirma que, principalmente em países do terceiro mundo, as mulheres que vivem na zona rural possuem duras jornadas de trabalho e muitas responsabilidades, não sobrando tempo, muitas vezes, para participarem de atividades das cooperativas, devendo se buscar nestes cenário estratégias de atuação que permitam reverter estes quadro (ACI, 1999b). O papel da mão-de-obra marginal familiar também é destacado por Lauschner(1993) de modo particular nas atividades do setor pecuário de leite da pequena unidade produtiva. 109 As cooperativas do GRUPO 1 demonstraram possuir, em termos percentuais, um quadro de produtores associados com menor grau de instrução que as cooperativas do GRUPO 2. Enquanto que o GRUPO 1 apresentou 80,5% dos associados possuindo até o 1º grau menor, no GRUPO 2 ocorreu 54,7% de associados com até o 1º grau menor. Tabela 25 - Estatística do número de cooperados, segundo nível de escolaridade e o grupo, no ano de 1998 Grau de escolaridade Estatísticas Grupo 1 Grupo 2 Grupo total Até 1º Grau menor (completo ou não) No observações Valor mínimo Valor máximo Média Desvio padrão 5 3 680 261,20 284,61 7 0 148 33,0 51,77 12 0 680 128,08 211,48 1o Grau maior (completo ou não) No observações Valor mínimo Valor máximo Média Desvio padrão 5 5 102 63,40 38,18 7 6 80 27,29 24,29 12 5 102 42,33 34,68 2o Grau (completo ou não) No observações Valor mínimo Valor máximo Média Desvio padrão 5 0 0 0 0 7 0 15 4,71 5,56 12 0 15 2,75 34,68 Superior (completo ou não) No observações Valor mínimo Valor máximo Média Desvio padrão 5 0 0 0 0 7 0 2 0,43 0,79 12 0 2 0,25 0,62 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.1.3.3 Categoria dos associados e tipo posse da terra No item referente à categoria dos cooperados e propriedade da terra, constatou-se que o quadro social das cooperativas é composto, principalmente, por mini e pequenos produtores rurais, os quais detêm a propriedade da terra (Tabelas 26 e 27). Na composição do quadro social das cooperativas do GRUPO 1 contatou-se que 1.179 associados enquadravam-se como mini produtores e 1.330 eram pequenos produtores. Do total de cooperados deste grupo, 99,5% do total eram proprietários de suas terras. Nas cooperativas do GRUPO 2 observou-se que 298 associados eram mini 110 produtores e 216 associados eram pequenos produtores. Do total de cooperados do grupo, 77% do total detinham a propriedade da terra. Verificou-se neste grupo de cooperativas um aumento da participação dos posseiros e arrendatários no quadro social. Tabela 26- Estatística do número de cooperados, segundo a categoria de produtores associados e o grupo, no ano de 1998 Categoria de produtores Estatísticas Mini Pequenos Total Grupo 1 Grupo 2 Grupo total No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 525 196,5 7 0 283 42,57 13 0 525 113,62 No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 906 221,66 7 0 48 30,86 13 0 906 118,92 No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 906 418,17 7 0 283 73,43 13 0 906 232,53 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 27 - Estatística da quantidade de cooperados, segundo a posse de terra por grupo, no ano de 1998 Posse da terra Estatísticas Grupo 1 Grupo 2 Grupo total Posseiros No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 8 1,33 7 0 96 15,14 13 0 96 8,77 Proprietários No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 89 906 416,17 7 19 187 56,71 13 19 906 222,62 Arrendatários No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 4 0,67 7 0 5 1,57 13 0 5 1,15 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.1.3.4 Critérios de admissão de novos associados No processo de admissão de novos sócios constatou-se que 69,2% das cooperativas adotavam um ou mais de um tipo de critério. O critério mais adotado, em 53,8% dos casos, 111 foi a análise da atividade produtiva do candidato a sócio. Logo em seguida, os critérios mais freqüentes foram a renda bruta e a área da terra explorada, havendo ainda outros como indicação de algum associado (Tabelas 28 e 29). Após o ingresso do novo associado verificou-se que 53,8% das organizações não havia nenhum programa de educação cooperativa (Tabela 30). Nas cooperativas do GRUPO 1 verificou-se que em 83,3% dos casos eram estabelecidos critérios de ingresso de novos sócios, sendo a atividade produtiva o critério mais utilizado, em 66,7% dos casos, vindo a seguir a renda bruta agropecuária e a área de terra explorada. O processo de educação cooperativa só foi observado na metade das cooperativas deste grupo. Nas cooperativas do GRUPO 2, somente em 57,1 % dos casos ocorreram critérios de admissão de associados, onde a atividade produtiva foi a regra mais utilizada, em 42,9% dos casos. Em 57,1% das organizações não observou-se a promoção de educação cooperativa para os novos sócios. Tabela 28 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a utilização ou não de algum critério para admitir novos associados, por grupo Critério Grupo 1 Grupo 2 TOTAL N % N % N % Sim Não 5 1 83,3 16,7 4 3 57,1 42,9 9 4 69,2 30,8 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 29 – Freqüência de critérios para admitir novos associados, por grupo Critérios utilizados N Grupo 1 % Grupo 2 N % N TOTAL % Atividade produtiva Renda bruta agropecuária anual Área de terra explorada pelo produtor Outros 4 2 2 1 66,7 33,3 33,3 16,7 3 1 1 1 42,9 14,3 14,3 14,3 7 3 3 2 53,8 23,1 23,1 15,4 BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 30 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo o fato do cooperado recém-admitido receber ou não educação cooperativa 112 Grupo 1 Recebem educação Grupo 2 TOTAL N % N % N % Sim Não 3 3 50,0 50,0 3 4 42,9 57,1 6 7 46,2 53,8 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.1.3.5 Critérios de organização de associados As cooperativas, em 53,8% dos casos, utilizavam algum critério de organização dos associados, sendo a atividade produtiva e a localização geográfica os que aparecem com maior freqüência, em 38,5% e 23,1% dos casos, respectivamente (Tabelas 31 e 32). Nas cooperativas do GRUPO 1, em 66,7% dos casos, as cooperativas dispunham de algum critério de organização dos associados, sendo a localização geográfica a mais utilizada, em 50% dos casos. No GRUPO 2, constatou-se que 42,9% efetuam organização de associados, sendo a atividade produtiva e a área explorada os mais freqüentes, em 42,9% e 28,6% dos casos, respectivamente. Tabela 31 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, por grupo, segundo a utilização ou não de algum critério para organizar os seus associados Critério Grupo 1 Grupo 2 TOTAL N % N % N % Sim Não 4 2 66,7 33,3 3 4 42,9 57,1 7 6 53,8 46,2 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 32 – Freqüência dos critérios adotados pelas cooperativas para organizar os seus associados, por grupo Critérios utilizados Grupo 1 N % Grupo 2 N % N % Atividade produtiva Renda bruta agropecuária anual Área de terra explorada pelo produtor Localização geográfica 2 3 33,3 50,0 3 1 2 - 42,9 14,3 28,6 - 5 1 2 3 38,5 7,7 15,4 23,1 BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 TOTAL 113 9.1.3.6 A comunicação e a participação dos associados As cooperativas têm nas reuniões/assembléias a principal forma de comunicação com os seus associados, momento em que também acontece o processo de discussão e decisão dos assuntos de interesse comum (Tabela 33). No ano de 98 foi constatado haver três tipos de reuniões: a) as assembléias ordinárias, que aconteceram em todas as cooperativas, com um nível de participação de aproximadamente 20% do quadro social; b) as assembléias extraordinárias que, embora acontecendo apenas em algumas cooperativas, tiveram um índice de participação próximo a 27% nas cooperativas do GRUPO 1 e em torno de 40% nas do GRUPO 2; c) e as reuniões de base, que só ocorreram nas cooperativas do GRUPO 1, sendo de aproximadamente 9% o percentual de participação do quadro de associados (Tabela 34). Observou-se que as cooperativas para se comunicar com seus associados utilizavam meios informais e formais, como conversas e reuniões informais, além de boletins colocados na sede da cooperativa e programas de rádio da cooperativa, sendo este último recurso verificado apenas no GRUPO 2. Tabela 33 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a forma como é feita a comunicação com os seus associados, por grupo Forma de comunicação com os associados Grupo 1 N % Grupo 2 N % N % Programa de rádio da cooperativa Boletins colocados na sede da cooperativa Reuniões Outros (conversas e reuniões informais) 1 6 3 16,7 100,0 50,0 2 2 7 1 28,6 28,6 100,0 14,3 2 3 13 4 15,4 23,1 100,0 30,8 BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 TOTAL 114 Tabela 34 – Estatística do número de cooperados participantes em assembléias e reuniões, por tipo de atividade, no ano de 1998, por grupo Tipo de reuniões no ano de 98 Estatísticas Grupo 1 Grupo 2 Grupo total Assembléias gerais ordinárias No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 33 200 82,3 7 20 90 45,43 13 20 200 62,46 Assembléias gerais extraordinárias No observações Valor mínimo Valor máximo Média 3 70 150 115,67 7 15 80 34,71 10 15 150 59,00 Reuniões de núcleo de base No observações Valor mínimo Valor máximo Média 3 0 96 38,67 0 - 3 0 96 38,67 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.1.3.7 Associados capacitados Os produtores das cooperativas receberam capacitação em várias áreas, como gestão, comercialização, manejo e tecnologia de produção. No GRUPO 1 foram capacitados, entre 1990 e 1995 um total de 693 produtores, e entre 1996 e 1998 um total de 553 produtores. Para o GRUPO 2 foram capacitados 20 e 251 produtores, considerados ambos os período descritos anteriormente (Tabela 35). Tabela 35 - Estatísticas do número de associados capacitados, segundo período, por grupo Período Estatísticas 1990 a 1995 1996 a 1998 Grupo 1 Grupo 2 Grupo total No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 300 115,50 7 0 20 2,86 13 0 300 54,85 No observações Valor mínimo Valor máximo 6 0 280 7 20 100 13 0 500 115 Média 92,17 35,86 61,85 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Uma avaliação em termos percentuais do número de produtores cooperados capacitados necessitava de um conhecimento a respeito do índice de produtores que participaram de mais de uma capacitação, em ambos os períodos, o que não foi possível auferir. Contudo, mesmo considerando não haver duplicidade, o processo de capacitação só atingiu aproximadamente a metade do universo dos cooperados, em ambos os grupos. Não foi observado em nenhum dos dois grupos, qualquer processo de capacitação ou mobilização pelo Projeto Banco do Nordeste/Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento -PNUD. 9.1.4 A INFRA-ESTRUTURA As questões aplicadas às cooperativas relacionadas a este item englobam as instalações e propriedades existentes e a disponibilidade atual de equipamentos de comunicação e veículos, utilitários ou não , dentre outros. 9.1.4.1 A sede e outros imóveis Nas cooperativas pesquisadas observou-se que as instalações eram bastante simples, contando na maioria dos casos com uma sede administrativa, que também serve de local para as suas atividades econômicas, e anexo, geralmente um galpão ou armazém para depósito de material (Tabelas 36 e 37). Verificou-se que todas as cooperativas do GRUPO 1 possuíam sede própria e cerca de 83% tinham mais outro imóvel, terrenos, propriedades rurais, galpões ou armazéns. Contudo, no GRUPO 2, constatou-se que 71,4% das cooperativas possuíam sede própria, enquanto que o restante funcionava em imóveis cedidos por terceiros. O percentual de cooperativas deste grupo que possuíam outros imóveis foi de apenas 43%, inferior ao apresentado pelo GRUPO 1. 116 Tabela 36– Condição da sede da cooperativa, segundo a data de aquisição e o grupo Sede da cooperativa Grupo 1 N % N Grupo 2 % N TOTAL % Própria Alugada Cedida 6 - 100,0 - 5 2 71,4 28,6 11 2 85,6 15,4 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 37 - Estatística referente a outros imóveis das cooperativas, segundo o tipo do imóvel e o grupo Imóveis Estatísticas Grupo 1 Grupo 2 Grupo total Propriedades rurais No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 1 0,33 7 0 0 0 13 0 1 0,15 Galpões/ armazéns No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 2 0,67 7 0 2 0,71 13 0 2 0,69 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.1.4.2 Equipamentos disponíveis O enfoque deste item relacionou-se aos equipamentos de comunicação e de informática atualmente disponibilizados pelas cooperativas. A existência de equipamento de informática foi constatada em todas as cooperativas pesquisadas, existindo no mínimo um computador e impressora. Porém, não se avaliou quais os programas de informatização que haviam nas cooperativas (Tabela 38). No que concerne aos equipamentos e aparelhos de telecomunicação, verificou-se que o telefone só estava presente em torno de 69% dos casos e o fax em aproximadamente 46% das cooperativas. A ligação à internet é uma realidade distante para a maioria das cooperativas, mesmo possuindo um computador. A maioria das organizações do GRUPO 1, ou seja, 83,3% das cooperativas, dispunham de telefone e fax, sendo que neste grupo algumas cooperativas possuíam radio comunicador, telex e acesso à internet. Entretanto, no GRUPO 2, observou-se que 117 somente 57,1% das cooperativas possuíam telefone, sendo a quantidade de aparelhos de fax muito pequena, não sendo verificada nenhuma cooperativa de deste grupo conectada à internet. Tabela 38 - Estatísticas dos equipamentos disponíveis nas cooperativas, segundo o tipo e o grupo Equipamentos Estatísticas Grupo 1 Grupo 2 Grupo total Telefone N observações Valor mínimo Valor máximo Média o 6 0 2 0,83 7 0 2 0,57 13 0 2 0,69 Fax N observações Valor mínimo Valor máximo Média o 6 0 2 0,83 7 0 1 0,14 13 0 2 0,46 Computador N observações Valor mínimo Valor máximo Média o 6 1 2 1,17 7 1 2 1,14 13 1 2 1,15 Rádio comunicador N observações Valor mínimo Valor máximo Média o 6 0 2 0,33 7 0 1 0,14 13 0 2 0,23 Internet N observações Valor mínimo Valor máximo Média o 6 0 1 0,17 7 0 0 0 13 0 1 0,08 Telex N observações Valor mínimo Valor máximo Média o 6 0 2 0,33 7 0 0 0 13 0 2 0,15 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.1.4.3 A frota de veículos e tratores A frota das cooperativas compunha-se principalmente por tratores, caminhões e veículos utilitários, ou seja, caminhonetes (Tabela 39). Em todas as cooperativas do GRUPO 1 foi encontrado algum tipo de veículo de carga ( caminhão e/ou caminhonete). Em 50% das cooperativas deste grupo existiam tratores de pneu e em cerca de 30% motocicletas. Também foi observada a presença de 118 veículos de passeio na frota deste grupo de cooperativas. Com uma frota menor que o grupo anterior, as organizações do GRUPO 2 caracterizaram-se por apresentar apenas 28,5% possuindo veículos de carga (caminhão e/ou caminhonete). Não foram observados cooperativas possuindo carros de passeio ou motos. Tabela 39 - Estatística da quantidade de veículos que a cooperativa possui, segundo o tipo e o grupo Veículo Estatísticas Grupo 1 Grupo 2 Grupo total Caminhões N observações Valor mínimo Valor máximo Média o 6 0 1 0,67 7 0 1 0,14 13 0 1 0,38 Caminhonetes N observações Valor mínimo Valor máximo Média o 6 0 2 0,67 7 0 1 0,14 13 0 2 0,38 Carros N observações Valor mínimo Valor máximo Média o 6 0 1 0,17 7 0 0 0 13 0 1 0,08 Motos N observações Valor mínimo Valor máximo Média o 6 0 1 0,33 7 0 0 0 13 0 1 0,18 Tratores pneu N observações Valor mínimo Valor máximo Média o 6 0 5 1,17 7 0 1 0,57 13 0 5 0,92 Outros N observações Valor mínimo Valor máximo Média o 6 0 0 0 7 0 2 0,29 13 0 2 0,15 Nenhum item citado N observações Valor mínimo Valor máximo Média o 6 0 0 0 7 0 1 0,43 13 0 1 0,23 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.1.5 ESTRUTURA ADMINISTRATIVA Na análise da estrutura administrativa das cooperativas procurou-se traçar o perfil do presidente e dos empregados atuais, bem como dos cargos existentes, da remuneração destes e dos instrumentos de gestão utilizados. 119 9.1.5.1 A Presidência Os presidentes são oriundos dos quadros de sócios e, portanto, refletem o perfil dos cooperados, sendo observado que a maioria possuía o seguinte perfil: idade acima de 50 anos, 1º grau menor e disponibilidade de apenas parte de seu tempo para o exercício do cargo. A remuneração pela atividade não ocorre em todas as cooperativas (Tabelas 40 a 43). Os presidentes das cooperativas do GRUPO 1 apresentaram o seguinte perfil: faixa etária entre 45 e 71 anos, escolaridade até o 1º grau menor, em 66,7% dos casos, sendo a dedicação à cooperativa apenas em tempo parcial, em 66,7% dos casos, recebendo alguma remuneração pela função. Nas cooperativas do GRUPO 2 os presidentes possuíam faixa etária entre 35 e 58 anos, escolaridade até o 1º grau menor, em 42,9% dos casos, sendo a dedicação à cooperativa apenas parcial, em 71,4% dos casos, sem contudo, receberem remuneração alguma pelo cargo. Tabela 40 – Faixa etária do diretor presidente da cooperativa, por grupo Estatísticas No observações Valor mínimo Valor máximo Média Grupo 1 Grupo 2 Grupo total 6 41 75 60,67 7 35 58 43,76 13 35 75 51,62 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 41 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a forma de dedicação dos diretores presidentes e o grupo Forma de dedicação Grupo 1 N % N Integral Parcial 2 4 33,3 66,7 2 5 TOTAL 6 100,0 7 Grupo 2 % TOTAL N % 28,6 71,4 4 9 30,8 69,2 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 42 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o grau de instrução dos diretores presidentes e o grupo 120 Grupo 1 Escolaridade Grupo 2 TOTAL N % N % N % Sem escolaridade 1o grau menor completo 1o grau maior completo 2o grau completo Superior completo 4 1 1 - 66,7 16,7 16,7 - 3 2 1 1 42,9 28,6 14,3 14,3 7 3 2 1 53,8 23,1 15,4 7,7 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 43 - Estatística do número de pessoas remuneradas na diretoria da cooperativa, por grupo Item resposta Número de diretores Remunerados Estatística Grupo 1 Grupo 2 Grupo total 6 0 5 2,33 7 0 0 0 13 0 5 1,08 No observações Valor mínimo Valor máximo Média Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.1.5.2 Estruturas de gestão As cooperativas apresentam uma estrutura de gestão bastante simples, sendo detectados quatro setores básicos, comuns aos dois grupos: o contábil, o de planejamento, o financeiro/econômico e o de processamento de dados (Tabela 44). O setor contábil é o único setor presente em todas as cooperativas, com os demais apresentando freqüência bastante reduzida, em ambos os grupos. Não foi detectada a ocorrência de setores de propaganda e marketing, de recursos humanos e de P&D. Tabela 44 – Freqüência das categorias relativas à estrutura de gestão encontradas nas cooperativas, por grupo Categorias Contabilidade Propaganda e Marketing Planejamento Recursos humanos Financeiro/ econômico Processamento de dados P&D Outros Grupo 1 Grupo 2 administrativa TOTAL N % N % N % 6 1 2 1 - 100,0 16,7 33,3 16,7 - 7 2 1 2 - 100,0 28,6 14,3 28,6 - 13 3 3 3 - 100,0 23,1 23,1 23,1 - 121 BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.1.5.2.1 Instrumentos de gestão No que tange à gestão administrativa utilizada pelas cooperativas, foi verificado que as cooperativas utilizavam instrumentos de gestão financeira, controle de materiais e de planejamento e organização. As cooperativas, embora de maneira informal, tentam realizar um programa de qualidade total. a) GESTÃO FINANCEIRA Foi observado que, na sua maioria, as cooperativas utilizaram, três meios para controlar suas finanças: os registros contábeis, em 92,3% dos casos, os registros de custos, presentes em 84,6 % dos casos, e os fluxos de caixa, encontrados em 61,5% das cooperativas. O orçamento de investimentos só ocorreu em 30% das cooperativas (Tabela 45). Todas as cooperativas do GRUPO 1 dispunham de três instrumentos básicos de gestão: registro contábil, de custos e fluxos de caixa. A freqüência de utilização dos orçamentos de investimentos ocorreu apenas em 16,7% das organizações. Nas cooperativas do GRUPO 2 ocorreu, com maior freqüência, dois instrumentos de gestão: o registro contábil e dos custos, em 85,7% e 71,4% dos casos, respectivamente. A utilização de orçamento de investimentos foi verificada em 42,8% dos casos, e os fluxos de caixa em 28, 6% dos casos. Tabela 45 – Freqüência dos instrumentos de gestão financeira encontrados nas cooperativas, por grupo Categorias Grupo 1 N % N Grupo 2 % N TOTAL % Registro contábil Fluxos de caixa Custos Orçamento de investimentos Outros 6 6 6 1 - 100,0 100,0 100,0 16,7 - 6 2 5 3 - 85,7 28,6 71,4 42,8 - 12 8 11 4 - 92,3 61,5 84,6 30,8 - BASE 6 - 7 - 13 - 122 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 b) CONTROLE DE MATERIAIS Os meios mais freqüentes de controle de materiais utilizados pelas cooperativas foram dois: o controle de saída e o cadastro de fornecedores, presentes em 46,2% e 53,8% das organizações, respectivamente (Tabela 46). Os instrumentos de controle de materiais mais freqüentes no GRUPO 1 foram cinco: o controle de saída e o cadastro de fornecedores, utilizados em 83,3% dos casos, o inventário físico e o controle de perdas, em 50%, e o controle de armazenamento dos produtos, em 16,7 % dos casos. Nas cooperativas do GRUPO 2, apesar de haver sido verificado quase que os mesmos instrumentos de controle de materiais presentes nas cooperativas do GRUPO 1, foi observado um índice de freqüência menor, visto que o controle de perdas e cadastro de fornecedores, foram os mais observados, presentes em 28,6% dos casos. Tabela 46 – Freqüência dos instrumentos de controle de materiais cooperativas, por grupo Grupo 1 N % N Inventário físico Controle de saída Controle de perdas Cadastro de fornecedores Classificação e codificação de fornecedores Controle de armazenamento de produtos Outros 3 5 3 5 50,0 83,3 50,0 83,3 1 1 2 2 - - 1 BASE Categorias Grupo 2 % encontrados nas TOTAL N % 14,3 14,3 28,6 28,6 4 6 5 7 30,8 46,2 38,5 53,8 1 14,3 1 7,7 16,7 1 14,3 2 15,4 - - - - - - 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 c) PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO As cooperativas de ambos os grupos demonstraram utilizar, através da baixa freqüência apresentada, poucos instrumentos de planejamento e organização. Os planos de ação constituíram-se na principal alternativa de planejamento, em 123 53,8% dos casos, enquanto que o planejamento estratégico aconteceu em apenas 23,1% das organizações (Tabela 47). Nas cooperativas do GRUPO 1 verificou-se que os planos de ação eram utilizados por 66,7% das cooperativas, tendo um período de duração mensal, enquanto que o planejamento estratégico era utilizado por 33,3% das cooperativas, tendo um período de duração de dois a quatro anos. Os planos de ação e o planejamento estratégico destinavam-se ao planejamento na aquisição de insumos, utilização de máquinas, comercialização e assistência técnica. Os responsáveis pela elaboração destes dois instrumentos de planejamento eram funcionários, cooperados e dirigentes, sendo observado que os dirigentes possuíam maior poder de decisão. Para as cooperativas do GRUPO 2, observou-se que 42,8% utilizavam planos de ação e, somente, 14,3% dispunham de planejamento estratégico, sendo ambas as freqüências menores que as apresentadas pelas organizações do GRUPO 1. Ressalta-se que o período de duração e as áreas para que se destinavam estes dois instrumentos de planejamento assemelham-se com aqueles apresentados pelo GRUPO 1. Contudo, nas organizações do GRUPO 2, os cooperados não participaram na elaboração destes dois instrumentos de planejamento, ficando a cargo dos funcionários e dirigentes. Verificou-se que os dirigentes possuíam maior poder de decisão. Tabela 47 – Freqüência dos instrumentos de planejamento e controle cooperativas, por grupo Categorias N Grupo 1 % N Grupo 2 % encontrados nas TOTAL N % Planejamento estratégico Planos de ação Organograma Lay Out Norma e procedimentos Sistema de informação gerencial Outros 2 4 1 1 1 1 33,3 66,7 16,7 16,7 16,7 16,7 1 3 1 1 1 - 14,3 42,8 14,3 14,3 14,3 - 3 7 2 2 2 1 23,1 53,8 15,4 15,4 15,4 7,7 BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 d) GESTÃO PELA QUALIDADE TOTAL O programa gestão pela qualidade total ainda é uma realidade distante para as 124 cooperativas pesquisadas, sendo que apenas 6,5% de todos os dirigentes entrevistados afirmaram contar com este programa de gestão, embora de maneira informal. 9.1.5.2.2 Os cargos existentes Por apresentarem uma estrutura de gestão bastante simples, não foram muitos os tipos e as freqüências de cargos executivos e técnicos remunerados encontrados nas cooperativas. Os principais cargos encontrados nas cooperativas, em ordem decrescente, foram os de contador/técnico contábil, ocorrendo em 61,5% dos casos, seguidos de técnico agrícola e gerente comercial, respectivamente em 23,1% e 15,3% dos casos (Tabela 48). A presença de setores contábeis em todas as cooperativas não se fez acompanhar pelo mesmo índice de pessoas no cargo de técnico contábil/contador na instituição, uma vez que este serviço fora terceirizado em cerca de 39% das organizações. Nas cooperativas do GRUPO 1 foram detectados 5 tipos de cargos executivos/ técnicos remunerados, sendo o contador, ou mais precisamente, técnico em contabilidade, de maior freqüência, em 83,3% dos casos. Logo em seguida, os técnicos agrícolas apareceram em 33,3% das cooperativas, seguidos de gerente comercial, financeiro, além de veterinário, em 16,7% das organizações respectivamente. Nas cooperativas do GRUPO 2 constatou-se 4 tipos de cargos/técnicos remunerados: o de contador/técnico contábil, ocorrendo em 42,8% das organizações, seguido de gerente comercial, agrônomo e técnico agrícola, em 14,3% das organizações respectivamente. Tabela 48 – Freqüência dos cargos executivos e técnicos remunerados encontrados nas cooperativas, por grupo Categorias Gerente industrial Gerente comercial Gerente financeiro Gerente administrativo Contador/Técnico contabilidade Agrônomo N 1 1 5 - Grupo 1 % 16,7 16,7 83,3 - Grupo 2 N % N % 1 3 1 2 1 8 1 15,3 7,7 61,5 7,7 14,3 42,8 14,3 TOTAL 125 Veterinário Zootecnista Técnico agrícola Técnico informática Outros 1 2 - 16,7 33,3 - 1 - 14,3 - 1 3 - 7,7 23,1 - BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.1.5.2.3 Os empregados e os gastos com pessoal O número total de funcionários encontrados nas cooperativas para o ano de 1998 foi de 28 pessoas, com uma média de 2 funcionários por cada organização, os quais possuíam, em sua maioria, 2º grau, com metade já havendo recebido algum tipo de capacitação (Tabela 49, 50 e 51). O gasto médio total com pagamento de pessoal por mês em 1998, em cada cooperativa, descontados os encargos, situou-se na faixa de 5, 5 salários mínimos (Tabela 52). Nas cooperativas do GRUPO 1 constatou-se existir 19 funcionários, apresentando uma média de 3 funcionários por cada organização, onde cerca de 63% possuíam o 2º grau. Cerca de 40% destes funcionários já receberam algum tipo de capacitação. As despesas com pagamentos de pessoal situaram-se, em média, na faixa de R$ 987,00 por mês / cooperativa. No GRUPO 2 só havia funcionários em aproximadamente 57% das cooperativas, totalizando 8 empregados, com uma média de 1 empregado por cooperativa. O nível de escolaridade de cerca de 55% destes empregados era o 2º grau. A despesa com pessoal apurada foi, em média, de R$ 443,00 reais por mês/ cooperativa. Tabela 49 - Estatísticas do número de funcionários das cooperativas, em 1998, por grupo Estatísticas No observações Valor mínimo Valor máximo Média Grupo 1 Grupo 2 Grupo total 6 1 5 3,17 7 0 4 1,14 13 0 5 2,08 126 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 50 - Estatísticas do número de funcionários das cooperativas, segundo o grau de escolaridade, em 1998, por grupo Grau de escolaridade Estatísticas Grupo 1 Grupo 2 Grupo total Até o 1º Grau Menor (completo ou não) No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 1 0,17 7 0 0 0 13 0 1 0,08 1o Grau Maior(completo ou não) No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 2 0,83 7 0 1 0,14 13 0 2 0,46 2o Grau (completo ou não) No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 1 3 2,00 7 0 3 0,71 13 0 4 1,31 Superior (completo ou não) N observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 1 0,17 7 0 1 0,14 13 0 2 0,15 o Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 51 – Estatísticas dos funcionários capacitados, por grupo, encontrados em 1998 Estatísticas Grupo 1 Grupo 2 Grupo total 6 1 3 1,5 7 0 4 1 13 0 4 1,23 No observações Valor mínimo Valor máximo Média Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 52 – Estatísticas das despesas com funcionários e cargos executivos/técnicos, sem encargos, por grupo, em 1998 (em R$) Estatísticas Grupo 1 Grupo 2 Grupo total No observações Valor mínimo Valor máximo Média 5 500,00 1.750,00 987,00 4 136,00 1.141,77 443,44 9 136,00 1.750,00 745,41 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.1.6 OS SETORES E AS ESTRATÉGIAS MERCADOLÓGICAS 127 Nas cooperativas observou-se doze setores distintos de atividades, os quais apresentaram relevâncias diferentes no faturamento das mesmas. Também foi verificado que as cooperativas adotavam estratégias mercadológicas específicas. 9.1.6.1 Os setores ou departamentos O setor de repasse de crédito aos associados foi o único departamento ou setor comum, encontrado em todas as entidades pesquisadas. Os outros mais freqüentemente encontrados são, em ordem decrescente: compras em comum, serviço de transporte/coleta da produção, vendas em comum, além de patrulha mecanizada, educação/capacitação e assistência técnica, ocorrendo estes três últimos na mesma proporção (Tabela 53). Nas cooperativas do GRUPO 1, além do setor de crédito/repasse, foram encontrados mais 11 setores, com destaque para os de compras em comum e repasse, presentes em todas as cooperativas; de transporte/coleta da produção, presente em 83,3% dos casos; de vendas em comum e de educação/capacitação, ambos encontrados em 66,7% dos casos; e patrulha mecanizada, presente em 50% das cooperativas. No GRUPO 2, além do setor de crédito/repasse, foram observados apenas 6 setores, sendo o de compras em comum o mais freqüente, em 57,1% dos casos. Não foi encontrado nas cooperativas pesquisadas posto de resfriamento de leite, nem tão pouco unidade de processamento de leite e derivados. Tabela 53 – Seções ou departamentos encontrados nas cooperativas, por grupo Setores/ departamentos Grupo 1 N % Grupo 2 N % N TOTAL % Compras em comum Vendas em comum Crédito/ repasse Patrulha mecanizada Serviço de transporte/ coleta da produção Posto de resfriamento Fábrica de ração Beneficiamento/ industrialização da produção* Central de inseminação artificial Assistência técnica Educação/ capacitação Assistência social Outros (banco de sementes) 6 4 6 3 5 1 1 1 2 4 1 1 100,0 66,7 100,0 50,0 83,3 16,7 16,7 16,7 33,3 66,7 16,7 16,7 4 2 7 2 2 3 1 - 57,1 28,6 100,0 28,6 28,6 42,9 14,3 - 10 6 13 5 7 1 1 1 5 5 1 1 76,9 46,2 100,0 38,5 53,8 BASE 6 - 7 - 13 - 7,7 7,7 7,7 38,5 38,5 7,7 7,7 128 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 *No caso encontrado este setor funciona sazonalmente, por ocasião da época de colheita 9.1.6.2 Estratégias de atuação mercadológica As estratégias mercadológicas utilizadas pelas cooperativas, através dos setores existentes, mais freqüentes foram cinco: o estabelecimento de preços com base na concorrência e o cálculo de todos os custos para estabelecer preços, ambas presentes em 53,8% dos casos; a pesquisa de mercado e o controle no recebimento de matérias-primas, ambas presentes em 46,2 % dos casos; e a utilização de incentivos para aumentar a qualidade e a quantidade de matérias-primas, efetuada em 30,8% dos casos (Tabela 54). Nas cooperativas do GRUPO 1 observou-se que há uma maior utilização de estratégias de atuação mercadológica, destacando-se cálculo de custos e estabelecimento de preço com base na concorrência, em 83,3% dos casos57. No GRUPO 2 ocorreu a utilização destas estratégias com menos freqüência, destacando-se apenas a pesquisa de mercado, presente em 57,1% das cooperativas deste grupo. Tabela 54 – Freqüências estratégicas mercadológicas utilizadas pela cooperativas, por grupo Grupo 1 N % Grupo 2 N % TOTAL N % Pesquisa de mercado Lançamento de novos produtos Controle de qualidade das matérias-primas recebidas Controle do produto antes da comercialização Utilização de incentivos para aumentarem a qualidade e quantidade das matérias-primas Cálculo de todos os custos (diretos e indiretos), impostos e lucros para o estabelecimento de preços Estabelecimento dos preços com base na concorrência Utilização de propaganda e/ ou promoção de vendas Utilização de incentivos para incrementar as vendas Venda da produção através de intermediários Venda dos produtos beneficiados diretamente ao consumidor Adoção da marca própria 2 4 1 33,3 66,7 16,7 4 2 1 57,1 28,6 14,3 6 6 2 46,2 46,2 15,4 2 33,3 2 28,6 4 30,8 5 83,3 2 28,6 7 53,8 5 1 1 83,3 16,7 16,7 2 2 2 - 28,6 28,6 28,6 - 7 2 3 1 53,8 15,4 23,1 7,7 1 - 16,7 - 1 14,3 1 1 7,7 7,7 BASE 6 - 7 - 13 - Categorias Fonte: Pesquisa de campo, 1999 57 Estas estratégias podem ser divergentes, uma vez que o custo de uma organização pode ser maior que o preço estabelecido pela concorrência. 129 9.1.6.3 Produtos adquiridos dos cooperados Os produtos adquiridos dos cooperados são principalmente oriundos da agricultura de sequeiro, milho e feijão, os quais são comercializados todos dentro do estado. Embora cerca de 53,8% do total geral de cooperativas tenham informado possuir setor de coleta/transporte da produção e 46,2% serviço de venda da produção em comum, somente 15% do total de cooperativas disponibilizaram informações sobre o quantitativo de leite dos associados comercializado. O volume da produção coletado entre 1995 situava-se em torno de 450 litros/dia, enquanto que em 1998 apresentou uma redução significativa, situando-se em 100 litros/dia. O leite coletado destina-se em principalmente ao comércio varejista de leite cru na própria cidade. Observou-se que o serviço de coleta e/ou transporte da produção, destina-se mais a transporte de insumos e produtos outros, e não ao leite produzido pelos produtores. Foi apurado junto aos dirigentes que a concorrência com atravessadores, aliado a pressão dos produtores por menores taxas administrativas pela cooperativa e ao pequeno volume de produção, contribuíram para formação do quadro apresentado. 9.1.7 RESULTADOS OPERACIONAIS E CLIENTELA 9.1.7.1 O faturamento por setor e os tipos de clientes O faturamento obtido pelas cooperativas apresentou uma grande variação, pois houve casos de organizações que, por não apresentarem nenhum setor fora o de crédito / repasse, não efetuaram transações outras em 1998 que auferisse rendimentos (Tabela 55). Os setores de compra, de venda e de transporte da produção foram apontados como os que mais contribuíram para o faturamento das cooperativas entre 1996/1998, tendo os mini produtores como principais clientes58 (Tabela 56). 58 O faturamento apurado leva em conta apenas as cooperativas que informaram os referidos valores, os quais foram fornecidos pelos respectivos responsáveis entrevistados. 130 Tabela 55 - Estatísticas do faturamento bruto anual das cooperativas, ano 1998 (em R$) Estatísticas No observações Valor mínimo Valor máximo Média Grupo 1 Grupo 2 Grupo total 3 13.654,78 231.264,12 86.639,33 4 0 431.611,77 142.322, 35 78 0 431.611,77 121.441,21 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 As cooperativas do GRUPO 1 apresentaram um faturamento médio anual de aproximadamente 86 mil reais (exercício de 1998). Nas organizações do GRUPO 1 o setor de compras em comum(revenda) foi o apontado, com maior freqüência, como o principal gerador de receitas entre 1996/1998, tendo os mini produtores como principais clientes. O setor de coleta/transporte da produção59 e o setor de vendas em comum (comercialização) apresentaram a segunda e terceira maior freqüência como geradores de renda no período 1996/1998, atendendo principalmente pequenos produtores. Tabela 56 – Estatísticas dos maiores setores das cooperativas, segundo volume de faturamento e quantidade de cooperados beneficiados, por setor e categoria no período, por grupo, no período de 1996 a 1998 CENTR AL DE INSEMI NAÇÃO SERVIÇO DE TRANSPORTE DOS PRODUTOS VENDAS EM COMUM COMPRAS EM COMUM Setor 59 Categoria Estatísticas Grupo 1 Grupo 2 Grupo total MINI No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 4 300 96,5 3 15 240 99 9 4 300 97,33 PEQUENO No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 89 31,5 3 0 45 24,3 9 0 89 29,11 MINI No observações Valor mínimo Valor máximo Média 3 0 30 19,67 0 0 0 0 3 0 30 19,67 PEQUENO No observações Valor mínimo Valor máximo Média 3 0 89 39,67 0 0 0 0 3 0 89 39,67 MINI No observações Valor mínimo Valor máximo Média 3 4 30 19,67 2 0 240 120 5 0 240 59,80 PEQUENO No observações Valor mínimo Valor máximo Média 3 0 89 36,33 2 0 33 16,5 5 0 89 28,40 MINI No observações Valor mínimo Valor máximo Média 1 20 20 20,00 0 0 0 0 1 20 20 20,00 Este setor de coleta/transporte da produção efetua serviços não apenas aos cooperados, mas também a terceiros. FÁBRICA DE RAÇÃO PATRULHA MECANIZADA ASSISTÊNCIA TÉCNICA 131 PEQUENO No observações Valor mínimo Valor máximo Média 1 10 10 10,00 0 0 0 0 1 10 10 10,00 MINI No observações Valor mínimo Valor máximo Média 1 80 80 80,0 0 0 0 0 1 80 80 80,00 PEQUENO No observações Valor mínimo Valor máximo Média 1 20 20 20,00 0 0 0 0 1 20 20 20,00 No observações Valor mínimo Valor máximo Média - 2 42 150 96,00 2 42 150 96,00 No observações Valor mínimo Valor máximo Média - 2 0 0 0 2 0 0 0 No observações Valor mínimo Valor máximo Média 1 120 120 120,00 0 0 0 0 1 120 120 120,00 No observações Valor mínimo Valor máximo Média 1 0 0 0 0 0 0 0 1 0 0 0 MINI PEQUENO MINI PEQUENO Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Os setores de patrulhas mecanizadas, de inseminação artificial e fábrica de ração apresentaram-se como relevantes para o faturamento das suas respectivas organizações, componentes do GRUPO 1, tendo os mini produtores como principais clientes. Não encontrou-se unidades de processamento e industrialização de produtos animais ou vegetais funcionando60. As cooperativas do GRUPO 2 apresentaram uma média de faturamento em 1998 da ordem de aproximadamente R$ 142 mil reais, maior que as cooperativas do GRUPO 1, apesar de possuírem poucos setores ou departamentos. Nas organizações do GRUPO 2 o setor de compras em comum (revenda) foi apontado como o que gerou mais faturamento entre 1996/1998, atendendo principalmente aos mini produtores. Os setores de transporte/coleta da produção e patrulha mecanizada, presentes em cerca de 1/3 das organizações do grupo, foram os outros setores mais importantes no faturamento das organizações do grupo, tendo os mini produtores como 60 Foi constatado que, entre 1995 e 1996, funcionaram duas unidades agroindustriais das cooperativas, porém encerraram suas atividades no início de 1997. Estas agroindústrias de pequeno porte, montadas com capital das próprias cooperativas beneficiavam apenas produtos de origem agrícola, frutas. Entretanto, sucumbiram a concorrência de agroindústrias e atravessadores da região, os quais ofereciam, dentre outros aspectos, maior regularidade na coleta durante o período de safra, uma vez que a cooperativa não dispunha de veículos suficientes para atender a maior parte dos associados, e preço mais alto, o que fazia com que o produtor optasse por entregar 132 principais clientes. 9.1.7.2 Resultados do balanço e investimentos O balanço de 1998 apontou um maior número de cooperativas, 53,8% do total, apresentando resultado positivo, em relação ao balanço de 1997, quando apenas 30,8% apresentaram sobras (Tabela 57). Apesar dos balanços terem indicado haver sobras no resultado em 1998, os recursos próprios destinados a investimento situaram-se abaixo de R$ 1.500,00 reais, para as organizações que disponibilizaram esta informação, 38,4% do total. Nas cooperativas do GRUPO 1, desde 1994 até 1998 observou-se que ocorreram sobras em mais de 60% das cooperativas, à exceção de 1997, onde apenas 33,3 % apresentaram estes resultado. Nas cooperativas do GRUPO 2, para o mesmo período, houve um desempenho inferior ao do grupo anterior, com um índice menor de organizações que apresentaram sobras. O RECOOP, plano do governo federal para refinanciamento do setor cooperativo, fora pleiteado por cerca de 53% das cooperativas, em torno de 66% pertencentes ao GRUPO 1 e 57% do GRUPO 2, fato este indicador do nível de dificuldades enfrentados pelo setor. Contudo, não houve nenhum pedido deferido até a data da pesquisa. Tabela 57 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo os resultados obtidos no final do exercício, por ano e grupo Ano Resultado Grupo 1 N % Grupo 2 N % TOTAL N % 1994 Perdas Sobras Nem sobras, nem perdas 1 3 - 25,0 75,0 - 1 100,0 1 3 1 20,0 60,0 20,0 1995 Perdas Sobras Nem sobras, nem perdas 2 3 - 40,0 60,0 - 1 - 100,0 - 2 4 - 33,3 66,7 - 1996 Perdas 2 40,0 2 40,0 4 40,0 a produção aos outros agentes, atravessador e agroindústria privada. 133 Sobras Nem sobras, nem perdas 3 - 60,0 - 2 1 40,0 20,0 5 1 50,0 10,0 1997 Perdas Sobras Nem sobras nem perdas 4 2 - 66,7 33,3 - 4 2 1 57,1 28,6 14,3 8 4 1 61,5 30,8 7,7 1998 Perdas Sobras Nem sobras nem perdas 2 4 - 33,3 66,7 - 3 3 1 42,9 42,9 14,3 5 7 1 38,5 53,8 7,7 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.1.8 PROGRAMAS TECNOLÓGICOS EXISTENTES ATUALMENTE Os programas tecnológicos observados em mais da metade das cooperativas e postos em disponibilidade aos agricultores foram quatro: vacinação sistemática e aquisição de matrizes, adotados em 61,5 % dos casos, além de instalação de bretes / currais e conservação de pastagem, em 53,8% dos casos. Embora, tenha sido verificado 9 programas tecnológicos, em razão da maior freqüência dos quatro programas adotadas pelas cooperativas citados anteriormente, considerou-se o nível tecnológico como médio61 (Tabela 58). Os programas tecnológicos ocorreram com maior intensidade nas cooperativas do GRUPO 1, sendo aquisição de matrizes e instalação de bretes/currais as mais freqüentes, 83,3% dos casos, seguidas da vacinação sistemática e conservação de pastagem, em 66,7% dos casos. Também ocorreu adoção de programas de inseminação artificial, de irrigação para formação de pastagem e banco de proteínas. Nas cooperativas do GRUPO 2, a vacinação sistemática é o programa mais freqüente, em 57, 1% dos casos. Tabela 58 - Freqüência dos programas tecnológicos desenvolvidos e disponíveis ao produtor por grupo Item resposta Vacinação sistemática Vermifugação sistemática Conservação de pastagens/ forrageiras Banco de proteínas (leucena, algaroba, etc.) / 61 Grupo 1 N % Grupo 2 N % TOTAL N % 4 3 4 4 3 3 8 6 7 66,7 50,0 66,7 57,1 42,9 42,9 61,5 46,2 53,8 Os programas tecnológicos selecionados tomaram por base os constantes no trabalho de Giovenardi et al. (1997), os quais procuram mensurar o índice de modernidade tecnológica. Para se determinar o nível tecnológico, considera-se a seguinte escala: 1. Nível Tecnológico Alto (NTA) – Usa efetivamente 8 ou mais tecnologias selecionadas; 2. Nível Tecnológico Médio (NTM) – Usa efetivamente 4 a 7 tecnologias selecionadas; 3. Nível Tecnológico Baixo (NTB) – Usa efetivamente até 3 das tecnologias selecionadas. 134 ensilagem / fenação. Irrigação para formação de pastagens Divisão do rebanho por categoria animal Controle leiteiro e/ ou de peso Inseminação artificial Aquisição de matrizes e/ ou reprodutores de raça melhorada Instalação de bretes e/ ou estábulos ou cochos 2 1 1 1 33,3 16,7 16,7 16,7 1 1 - 14,3 14,3 - 2 2 2 1 15,4 15,4 15,4 7,7 5 5 83,3 83,3 3 2 42,9 28,6 8 7 61,5 53,8 BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 As cooperativas reconheceram como principais fatores, importantes ou essenciais, na contribuição para o crescimento das suas capacidades tecnológica os seguintes, em ordem decrescente: a) a influência dos clientes locais, dos fornecedores, dos concorrentes, do parceiros locais, do conhecimento de associados, dirigentes e empregados, além dos incentivos governamentais, entre 90 e 100% dos casos; b) a literatura especializada e a pesquisa e desenvolvimento (P&D), em 70 a 90% dos casos; c) o auxílio de consultores, ação governamental e aquisição de tecnologia, entre 50 e 70% dos casos; Um fato a ser observado é que itens como aquisição de biotecnologia, compradores internacionais e compras de patentes foram considerados por mais de 55% das organizações como não sendo aplicáveis no crescimento tecnológico da cooperativa. 9.1.9 PARTICIPAÇÃO EM EVENTOS A participação das cooperativas em eventos ligados aos agronegócios cooperativos, tais como feiras e exposições agropecuárias, congressos cooperativos e outros eventos do setor deu-se, principalmente, naqueles realizados na região Nordeste, em 76,9% dos casos (Tabela 59). Todas as cooperativas do GRUPO 1 já participaram pelo menos uma vez de algum evento regional, sendo que a metade das cooperativas deste grupo já participou de algum evento ocorrido fora da região Nordeste. As cooperativas do GRUPO 2 tiveram menor 135 participação em eventos regionais e nunca participaram de eventos fora da região Nordeste. Nenhuma cooperativa pesquisada participou de eventos fora do país. Tabela 59 – Freqüência de participação em eventos ligados ao setor cooperativo ou pecuário, entre 1990 e 1998, segundo a região (localização) e o grupo Eventos Grupo 1 N % Grupo 2 N % N % Eventos Regionais Eventos Nacionais 6 3 4 - 10 3 76,9 23,1 BASE 6 13 100,0 100,0 50,0 - 7 57,1 - TOTAL Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2 O FNE e os efeitos nas estruturas cooperativas As operações de empréstimos do FNE classificadas como do segmento pecuário, destinadas às cooperativas estaduais, foram realizadas através de programas específicos, destinando-se a investimento e custeio, quer à própria como aos seus associados. O financiamento através do FNE revelou-se, para cerca de 76% das cooperativas, como a única fonte de investimento encontrada para desenvolver atividades da própria cooperativa e dos associados durante a década de 90. 9.2.1 DAS SOLICITAÇÕES E LIBERAÇÕES DOS RECURSOS O processo de obtenção de financiamentos do FNE para cooperativas consistia, em linhas gerais, em três etapas. A primeira etapas consistia no contato prévio com o agente financeiro e/ou entidade responsável pelo projeto, seguido do levantamento das potencialidades e das necessidades dos produtores e de suas organizações. A segunda etapa consistia da elaboração e encaminhamento do projeto ao agente financeiro, o qual analisaria dando o seu parecer. Caso fosse deferido, total ou parcialmente, acontecia a liberação dos recursos, e portanto a terceira etapa do processo, a qual ainda tinha de ser aprovada por uma assembléia para que a contratação do financiamento pudesse acontecer. 136 Porém, a diferença entre os valores solicitados e liberados poderia comprometer a eficiência do projeto e a sua viabilidade econômica. O trabalho de campo apurou uma diferença entre os valores solicitados e os liberados, sendo disponibilizados pelo agente financeiro em média 74,5% do total inicial pleiteado. Nas cooperativas do GRUPO 1 o agente financeiro liberou em média 84,6% dos valores solicitados, para as organizações do GRUPO 2 a média de liberação foi 20% menor, situando-se em torno de 64% do total pleiteado (Tabela 60). Tabela 60 - Estatística do percentual de valor liberado do empréstimo em relação ao solicitado, por grupo Estatísticas No observações Valor mínimo Valor máximo Média Grupo 1 Grupo 2 Grupo total 6 47,50 100,00 84,63 6 25,06 100,00 64,38 12 25,06 100,00 74,51 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.2 OS PROGRAMAS DE FINANCIAMENTO A contratação das operações com cooperativas realizaram-se, principalmente, através de quatro programas : o PROPEC, o PROIR, o PROAGRI e o PROGER .62 Os dois principais programas contratados pelas cooperativas de ambos os grupos foram o PROPEC, destinado a investimentos em pecuária e o PROIR, destinado a investimentos em infra-estrutura hídrica (Tabela 61). Tabela 61 – Freqüência dos programas do FNE utilizados nos empréstimos às cooperativas locais, por grupo Programas utilizados 62 Grupo 1 Grupo 2 TOTAL Esta linha de crédito, de acordo com informações constantes no BNB, também conta com recursos de origem do FAT ( Anexo I). 137 N % N % N % PROPEC PROIR PROAGRI PROGER 5 5 3 2 83,3 83,3 50,0 33,3 6 5 4 5 85,7 71,4 57,1 71,4 11 10 7 8 84,6 76,9 53,8 61,5 BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.3 A FINALIDADE DOS RECURSOS A quase totalidade das cooperativas, 92% do total, foi contemplada apenas com uma operação ou financiamento através dos recursos do FNE. Os valores financiados às cooperativas, em ambos os grupos, corresponderam em média 21,1% do total dos financiamentos, sendo destinados tanto para investimentos, como para assistência técnica e capacitação, dos cooperados e funcionários (Tabela 62). Os recursos repassados aos cooperados, de ambos os grupos, contemplavam desde a aquisição de matrizes bovinas leiteiras e formação de pastagem, até a construção de açudes e equipamento de irrigação, representando, em linhas gerais, aproximadamente 79% do montante dos empréstimos. Tabela 62 – Estatística do percentual do empréstimo do FNE destinado à própria e aos cooperados, por grupo Categoria Estatística Grupo 1 Grupo 2 Grupo total Própria N observações Valor mínimo Valor máximo Média 5 11,15 29,90 21,90 5 11,70 24,70 20,47 10 11,15 29,90 21,18 Cooperados No observações Valor mínimo Valor máximo Média 5 70,10 88,85 78,10 5 67,38 88,30 79,53 10 67,38 88,85 78,81 o Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.4 EFEITOS DO FNE NO QUADRO SOCIAL 138 Os aspectos relacionados ao quadro social procuraram abranger o perfil do associados contemplados, bem como os fenômenos que ocorreram no período que sucedeu-se à fase pré e pós empréstimos. 9.2.4.1 O perfil dos beneficiados O número total de beneficiados por operações de financiamento foi de 1.284 produtores, ou seja, cerca de 42% do total dos associados das cooperativas, com uma média de 98 produtores por organização, na sua maioria enquadrados como mini produtores rurais e que possuíam a propriedade da terra em que trabalhavam (Tabela 63, 64 e 65). Os cooperados do GRUPO 1 representaram quase 81% dos total de beneficiados do FNE, com uma média de 173 repasses por cooperativa. As operações de repasse neste grupo favoreceram principalmente aos proprietários de terra, cerca de 99% dos contemplados, e aos mini e pequenos produtores, em torno de 53% e 47% respectivamente. Os cooperados do GRUPO 2 representaram apenas 19% do total dos beneficiados do FNE, com uma média de 35 pessoas contempladas por cooperativa. As operações de repasse neste grupo, embora tenham favorecido posseiros e arrendatários, em cerca de 18% e 4% dos casos, tiveram nos proprietários de terra, aproximadamente 78%, os principais contemplados. Os associados enquadrados na categoria de mini produtores representaram o maior número de beneficiários, 57% dos casos, neste grupo. Tabela 63 – Estatísticas do número de cooperados beneficiados com o empréstimo do FNE, por grupo Estatísticas No observações Valor mínimo Valor máximo Média Grupo 1 Grupo 2 Grupo total 6 93 300 173,00 7 11 100 35,14 13 11 300 98,77 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 64 – Estatísticas do número de cooperados beneficiados com o empréstimo do FNE, 139 segundo a categoria e o grupo Categoria Estatística Grupo 1 Grupo 2 Grupo total Mini No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 161 91,00 7 0 100 20,14 13 0 161 52,84 Pequenos No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 300 82,00 7 0 33 15,00 13 0 300 39,00 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 65 – Estatísticas do número de cooperados beneficiados com o empréstimo do FNE, segundo a forma da posse de terra e o grupo Posse da terra Estatística Grupo 1 Grupo 2 Grupo total Posseiros No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 8 1,33 7 0 35 6,43 13 0 35 4,08 Proprietário No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 89 300 171,00 7 9 65 27,57 13 9 300 93,77 Arrendatários No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 4 0,67 7 0 3 1,14 13 0 4 0,92 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.4.2 A evolução do quadro social O quadro social das cooperativas sofreu um acréscimo próximo a 25% no número de associados após a concessão de crédito do FNE, ocorrendo um aumento de cerca de 37% na quantidade de pequenos produtores e de aproximadamente 22% no total de mini produtores (Tabela 66). Após o empréstimo do FNE, o quadro social das cooperativas do GRUPO 1 apresentou um acréscimo na ordem de 28% no número de associados, ocorrendo um aumento em torno de 26 % nos mini produtores e de cerca de 39% produtores associados. nos pequenos 140 O quadro social das cooperativas do GRUPO 2 teve um índice de aumento menor, aproximadamente 9%, graças ao ingresso somente de pequenos produtores. Tabela 66 – Estatísticas do número de cooperados antes e após o empréstimo do FNE, segundo a categoria e o grupo Categoria Estatística Mini Pequenos Grupo 1 Grupo 2 Total Antes FNE Após FNE Antes FNE Após FNE Antes FNE Após FNE Nº observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 6 749 274,83 6 4 906 347,50 7 0 283 48,57 7 0 283 48,57 13 0 749 153,00 13 0 906 186,54 No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 165 50,83 6 0 225 70,67 7 0 33 18,57 7 0 48 24,86 13 0 165 33,46 13 0 225 46,00 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.4.3 Efeitos na participação dos associados Procurou-se captar o grau de participação dos cooperados nas reuniões para discussão e aprovação do empréstimo do FNE, bem como se houve alteração na freqüência às assembléias e reuniões antes e após o financiamento. 9.2.4.3.1 Assembléias para aprovação do empréstimo O índice de comparecimento na assembléia para discussão e aprovação da operação de financiamento do FNE envolveu mais de 70% dos associados, demonstrando que houve uma participação efetiva para esta contratação. Não foi possível verificar se o índice percentual ocorrido anteriormente tenha sido o mesmo do processo de discussão e elaboração das propostas (Tabela 67). Os cooperados do GRUPO 1, em termos percentuais, apresentaram menor índice de participação nesta assembléia específica que os cooperados do GRUPO 2, embora em número absoluto, o número de participantes no GRUPO 1 tenha sido superior a 300 pessoas, enquanto que no GRUPO 2 o número de participantes foi de 60 pessoas. 141 Tabela 67 – Estatísticas do percentual de cooperados participantes nas reuniões para decisão sobre os recursos a serem obtidos através do empréstimo do FNE, por grupo Estatística Grupo 1 Grupo 2 Grupo total 5 40 100 77,00 7 45 100 82,14 12 40 100 80,00 No observações Valor mínimo Valor máximo Média Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.4.3.2 A participação em assembléias A participação dos associados em assembléias ordinárias ou extraordinárias, de modo geral, sofreu uma redução após o financiamento do FNE (Tabela 68). As assembléias ordinárias do grupo 1 apresentaram uma redução do número de participantes em torno de 25% após a concessão do financiamento, ocorrendo um declínio próximo a 44% no número de participantes das assembléias extraordinárias. As reuniões de núcleos de base conseguiram manter o mesmo número de participantes. No grupo 2 houve uma variação ínfima, de valor positivo, nos índices de participação dos cooperados nas assembléias gerais ordinárias e extraordinárias. Tabela 68 – Estatísticas da média de participação dos cooperados em assembléias antes e após o empréstimo do FNE, segundo a categoria, por grupo Categoria Estatística Assembléia Ordinária Grupo 1 Grupo 2 Total Antes FNE Após FNE Antes FNE Após FNE Antes FNE Após FNE Nº observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 66 300 123,00 6 33 200 91,17 7 22 142 43,43 7 22 142 43,86 13 22 300 80,15 13 22 200 66,15 Assembléia No observações Extraordinária Valor mínimo Valor máximo Média 6 15 260 125,00 6 0 150 70,33 7 17 158 41,43 7 17 158 41,57 13 15 260 80,00 13 0 158 54,85 No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 96 19,33 6 0 96 19,33 7 0 0 0 7 0 0 0 13 0 96 8,92 13 0 96 8,92 Reuniões de núcleos de base 142 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.4.3.3 A capacitação de associados O financiamento do FNE possibilitou a capacitação dos cooperados e dos empregados das cooperativas. A maioria das pessoas capacitadas eram do sexo masculino, cerca de 90% dos casos, reflexo do perfil do quadro social. Os cooperados estiveram presentes em 92,3% dos eventos, enquanto que os empregados em apenas 38,5 % destes . Não foi observada a presença de familiares dos cooperados no processo de capacitação (Tabelas 69 e 70). A capacitação foi ministrada por várias organizações, destacando-se a COOSEPE, em 46,2% dos casos, ocorrendo principalmente através de seminários de curta duração, em 61,5% dos casos, e os cursos, em 46,2% dos casos. As áreas de maior ênfase, com base no número de participantes, foram tecnologia e manejo, seguidas de educação cooperativa, comercialização e gestão (Tabelas 71, 72 e 73). Nas cooperativas do GRUPO 1, os cooperados participaram de 83,3% dos eventos destinados à capacitação, sendo a maioria do sexo masculino, em torno de 89%, onde os meios mais utilizados foram os cursos, em 83,3% dos casos, ministrados pela COOSEPE, 33,3% do total, e mais 6 outras instituições, em alguns casos atuando em parceria. Os principais temas abordados nos eventos foram a educação cooperativa, seguidas de tecnologia e manejo, ambos com 90 e 27 pessoas em média de cada cooperativa . Para as cooperativas do GRUPO 2, verificou-se que os cooperados participaram de todos os eventos destinados à capacitação, sendo a maioria do sexo masculino, em torno de 93% dos casos, e os meios mais utilizado foram os seminários, em 85,7% dos casos, ministrados pela COOSEPE e METHODUS, 57,1% e 28,6% respectivamente. As principais áreas temáticas dos eventos foram tecnologia e manejo, gestão e comercialização, com 27, 23 e 20 pessoas em média de cada cooperativa . Tabela 69 – Freqüência de pessoas capacitadas com recursos do financiamento, por grupo Capacitado Grupo 1 N Grupo 2 % N TOTAL % N % 143 Cooperados Empregados (cooperados/cooperativa) 5 2 83,3 33,3 7 3 100,0 42,9 12 5 92,3 38,5 BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 70 - Estatísticas do total de pessoas capacitadas com recursos do financiamento, segundo gênero, por grupo Gênero Estatísticas Masculino Feminino Grupo total Grupo 1 Grupo 2 No observações Valor mínimo Valor máximo Média 4 4 280 114,00 7 15 95 33,86 11 4 280 63,00 No observações Valor mínimo Valor máximo Média 4 1 30 13,5 7 0 5 2,43 11 0 30 6,45 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 71 – Freqüência dos meios utilizados para ministrar a capacitação com recursos do financiamento, por grupo Meios utilizados Grupo 1 N % N Grupo 2 % TOTAL % Cursos Visitas de campo Seminários 5 1 2 83,3 16,7 33,3 1 6 14,3 85,7 6 1 8 46,2 7,7 61,5 BASE 6 - 7 - 13 - N Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 72 – Freqüência nas cooperativas, segundo os órgãos que ministraram a capacitação através/ após empréstimo do FNE, por grupo Órgãos / entidades N Grupo 1 % N Grupo 2 % TOTAL N % COOSEPE METHODUS SPTA EMAS IPA IRPAA SEDASP OCEPE FECOMIPE Empresa de Assistência técnica 2 1 1 1 1 1 1 1 - 33,3 16,7 16,7 16,7 16,7 16,7 16,7 16,7 - 4 2 1 57,1 28,6 14,3 6 2 1 1 1 1 1 1 1 1 46,2 15,4 7,7 7,7 7,7 7,7 7,7 7,7 7,7 7,7 BASE1 6 - 7 - 13 - 1 – Para um entrevistado do grupo 1 não se obteve esta resposta Fonte: Pesquisa de campo, 1999 144 Tabela 73 - Estatísticas do número de associados capacitados encontrados, segundo as áreas, por grupo Áreas de capacitação Estatísticas Grupo 1 Grupo 2 Grupo total Gestão No observações Valor mínimo Valor máximo Média 4 0 21 5,25 7 0 100 23,00 11 0 100 11,00 Comercialização No observações Valor mínimo Valor máximo Média 4 0 8 2,50 7 0 100 20,14 11 0 100 13,72 Tecnologia e manejo No observações Valor mínimo Valor máximo Média 4 0 110 27,50 7 0 106 27,86 11 0 300 27,72 Educação cooperativa No observações Valor mínimo Valor máximo Média 4 0 280 70,00 7 0 0 0 11 0 280 25,45 Outros No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 78 13,17 7 0 0 0 11 0 78 7,09 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.5 EFEITOS DO FNE NA INFRA-ESTRUTURA Os recursos do FNE possibilitaram uma série de investimentos na infra-estrutura das cooperativas, sendo analisado onde foram empregados e o que ocorreu na fase posterior ao empréstimo. Os recursos provenientes das operações de repasse do FNE pelas cooperativas foram destinadas a reinvestimento na própria, em 69,2% dos casos, ocorrendo com maior intensidade nas cooperativas do GRUPO 1, em 83,3% , que no GRUPO 2, em apenas 57,1% dos casos (Tabela 74). Tabela 74 - Distribuição das cooperativas pesquisadas segundo a destinação do del-credere recebido ou a receber decorrente da operação com FNE, por grupo Item resposta Grupo 1 N % Grupo 2 N % N % Reinversão na cooperativa Ressarcimento das despesas com repasse Outros 5 1 - 4 1 2 9 2 2 69,2 15,4 15,4 83,3 16,7 - 57,1 14,3 28,6 TOTAL 145 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.5.1 A sede e outros imóveis adquiridos A partir do período de obtenção do empréstimo do FNE, cerca de 38% das cooperativas adquiriram instalações ou sedes próprias, e 23,1% destas organizações construíram galpões ou armazéns e adquiriram outros imóveis (Tabelas 75 e 76). O empréstimo do FNE possibilitou à metade das cooperativas do GRUPO 1 a aquisição de suas sedes, além da construção de galpões e ou armazéns, ocorrendo inclusive a compra de imóveis rurais. Entretanto, nas cooperativas do GRUPO 2, somente 28% adquiriram sua sede após o empréstimo do FNE e não houve construção de galpões ou aquisição de outros imóveis. Tabela 75 – Condição da sede da cooperativa, segundo a data de aquisição e o grupo Momento da aquisição da sede própria Grupo 1 N % Grupo 2 N % N TOTAL % Antes do empréstimo Após ou através/ empréstimo 3 3 50,0 50,0 3 2 42,8 28,6 6 5 46,2 38,5 BASE 6 100 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 76 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a aquisição ou construção de outro imóvel, fora sede, através/ após empréstimo do FNE, por grupo Aquisição de imóvel através/após empréstimo do FNE N % N % N % Sim Não 3 3 50,0 50,0 7 100,0 3 10 23,1 76,9 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Grupo 1 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.5.2 Equipamentos adquiridos Grupo 2 TOTAL 146 A partir da obtenção dos recursos do FNE, as cooperativas tornaram-se mais equipadas, ocorrendo aquisição da maior parte dos equipamentos de informática, computador e impressora, 86,7% do total, além da compra e instalação de 55,5% das linhas telefônicas existentes e 50% dos aparelhos de fax (Tabela 77). Nas cooperativas do GRUPO 1, somente através/após o FNE, aconteceu a instalação de 80% dos telefones existentes, 71,4% dos computadores e impressoras, além de 40% dos aparelhos de fax. Destaca-se o fato de haver neste grupo cooperativa ligada à internet, tendo ocorrido na fase pós empréstimo. Somente através/após o FNE é que as cooperativas do GRUPO 2 tornaram-se mais bem equipadas, haja visto que 87,5% compraram computadores e impressoras, além de haver proporcionado a instalação de 25% das linhas telefônicas e dos aparelhos de fax e rádio comunicador. Tabela 77 – Freqüência dos equipamentos adquiridos através/ após empréstimo do FNE em relação ao total existente, por grupo Aquisição de equipamentos Telefone Fax Computador Rádio comunicador Internet Grupo 1 Grupo 2 N % N % N 4 2 5 1 80,0 40,0 71,4 100,0 1 1 7 1 - 25,0 100,0 87,5 100,0 - 5 3 12 1 1 Grupo total % 55,5 50,0 86,7 100,0 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.5.3 A frota adquirida A frota de veículos utilitários e tratores aumentou significativamente através/após o FNE, pois 80% dos caminhões, 60% das caminhonetes e metade dos tratores existentes, além de todas as motos, foram adquiridos dentro deste intervalo (Tabela 78). As cooperativas do GRUPO 1 foram as que mais aumentaram o tamanho da frota, sendo adquiridos todos os caminhões e motos, 75% das caminhonetes e 42,8% dos tratores de pneu através/ após empréstimo do FNE. As cooperativas do GRUPO 2 aumentaram apenas o número de tratores, contribuindo o FNE na aquisição de 75% destes. 147 Tabela 78 – Freqüência dos veículos adquiridos através/ após empréstimo do FNE em relação ao total existente, por grupo Veículos N Grupo 1 % Grupo 2 N % Grupo total N % Caminhões Caminhonetes Carros Motos Tratores pneu 4 3 2 3 100,0 75,0 100,0 42,8 3 75,0 4 3 2 6 80,0 60,0 100,0 50,0 BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.6 EFEITOS DO FNE NA ESTRUTURA ADMINISTRATIVA As estruturas administrativas das cooperativas apresentaram uma sensível melhora após o financiamento do FNE, tanto na gestão, como na criação de cargos. Constatou-se ter ocorrido na fase posterior ao empréstimo um aumento do número de empregados, ocorrendo, entretanto, um declínio desse número longo do tempo. 9.2.6.1 As novas estruturas de gestão Das quatro estruturas de gestão existentes, três foram impulsionadas a partir do FNE: o contábil, com a criação de 38% das estruturas encontradas, além do financeiro/econômico e o de processamento de dados, com a criação de 33% da estrutura atual (Tabela 79). Nas cooperativas do GRUPO 1 foi onde ocorreu maior criação de estruturas de gestão, com o início do funcionamento de todas as estruturas de processamento de dados, 50% da estruturas financeiro/econômico e 33,3% da estrutura contábil. Nas cooperativas do GRUPO 2 só houve criação de estruturas do setor contábil, ou seja, 42,3% das existentes atualmente. Tabela 79 – Freqüência das gestões administrativas criadas através/ após empréstimo do FNE, em relação ao total existente, por grupo Grupo 1 Gestões N % do total Grupo 2 N % do total TOTAL % do N total 148 Contabilidade Processamento de dados Financeiro/ econômico 2 1 1 33,3 100,0 50,0 3 - 42,9 - 5 1 1 38,5 33,3 33,3 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 1 – No grupo 2, para uma das cooperativas com resposta positiva não foi citada a estrutura da gestão 9.2.6.2 Os cargos criados Dos seis cargos executivos e técnicos remunerados encontrados, três surgiram através/após o financiamento do FNE: técnico agrícola, veterinário e agrônomo. Do total de contadores/técnicos contábeis existentes, 20% foram contratados através/ após o FNE (Tabela 79). Nas cooperativas do GRUPO 1, dos cinco cargos encontrados, dois foram criados através/após FNE, o de técnico agrícola e veterinário, além da contratação de 40% dos contadores/técnicos contábeis. Nas cooperativas do GRUPO 2, dos quatro cargos encontrados, dois foram criados através/após FNE, o de técnico agrícola e agrônomo. Tabela 80 – Freqüência dos cargos executivos e técnicos remunerados criados através/ após empréstimo do FNE, em relação ao total existente, por grupo Grupo 1 Cargos Técnico agrícola Contador /Técnico contabilidade Veterinário Agrônomo N % 2 2 1 - 100,0 40,0 100,0 - Grupo 2 N % N % 1 1 3 1 1 1 100,0 20,0 100,0 100,0 100,0 100,0 TOTAL Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.6.3 Os empregos gerados A quantidade total de empregados contratados pelas cooperativas sofreu uma elevação de 124% por ocasião da obtenção do empréstimo do FNE, embora atualmente o quadro funcional tenha sido reduzido, apresentando, contudo, 35% mais funcionários que na fase anterior ao empréstimo (Tabela 81). Nas cooperativas do GRUPO 1 houve também um aumento na contratação de empregados após o empréstimo, apresentando, logo após esta fase, a demissão de 149 funcionários. Verificou-se que nestas cooperativas há menos 5% de empregados que na fase anterior ao empréstimo. Nas cooperativas do GRUPO 2 não observou-se esta oscilação, e sim um crescimento contínuo na contratação de empregados. Tabela 81 – Estatística do número de empregados, em relação ao período de obtenção do empréstimo, por grupo Período Estatística Grupo 1 Grupo 2 Total Antes Empréstimo Nº observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 0 5 3,33 7 0 0 0 13 0 5 1,54 Ano seguinte Ao Empréstimo No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 3 18 6,83 7 0 1 0,57 13 0 18 3,46 Em 1998 No observações Valor mínimo Valor máximo Média 6 1 5 3,17 7 0 4 1,14 13 0 5 2,08 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.7 EFEITOS DO FNE NOS NEGÓCIOS Os negócios das cooperativas também foram afetados pelo empréstimo do FNE, quer seja na criação de setores ou departamentos, quer seja no faturamento. 9.2.7.1 Os setores ou departamentos criados A partir do empréstimo do FNE foram criados 4 novos departamentos ou setores 150 nas cooperativas, além de haver um incremento superior a 40% na criação de setores de compras em comum, crédito/repasse, assistência técnica e educação capacitação (Tabela 82). Nas cooperativas do GRUPO 1, através/após o empréstimo do FNE, surgiram 5 novos setores nas cooperativas, além de haver um aumento do número de organizações com setor de compras em comum e patrulha mecanizada. Nas cooperativas do GRUPO 2, através/após empréstimo do FNE, surgiu um novo setor, o de transporte/coleta da produção, ocorrendo um aumento de organizações com setor de crédito/repasse, compras em comum, patrulha mecanizada e assistência técnica. Tabela 82 – Freqüência dos setores, seções ou departamentos criados através/ após empréstimo do FNE, em relação ao total existente, por grupo Setores/ departamentos Grupo 1 N % Grupo 2 N % TOTAL N % Compras em comum/ revenda Vendas em comum/ comercialização Crédito/ repasse Patrulha mecanizada Serviço de transporte/ coleta da produção Fábrica de ração Beneficiamento/ industrialização da produção Central de inseminação artificial Assistência técnica Educação/ capacitação 2 2 2 3 5 1 1 1 1 2 33,3 50,0 33,3 100,0 100,0 100,0 100,0 100,0 50,0 50,0 2 5 1 2 1 - 50,0 71,4 50,3 100,0 33,3 - 4 2 7 4 7 1 1 1 1 2 40,0 33,3 53,8 80,0 100,0 100,0 100,0 100,0 40,0 40,0 BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.7.2 Recebimento e beneficiamento de produtos dos cooperados O aumento no recebimento de produtos de associados não foi verificado após o empréstimo do FNE, embora parte das cooperativas possuíssem veículos para transporte da produção (Tabela 83). A freqüência de produtos comercializados pela cooperativa a partir do 151 financiamento do FNE foi baixa, aparecendo produtos da lavoura sazonal, como milho e feijão, além do leite, em 15,4% dos casos, e acerola, em 7,7% dos casos. No caso específico do leite, verifica-se uma diminuição na comercialização via cooperativa. Segundo os entrevistados, isto deu-se face à estiagem que afetou a produção da região, bem como devido à atuação dos demais agentes de mercado, como atravessadores, pequenos e médios comerciantes, que oferecem um preço maior que o praticado pela cooperativa ( Tabela 84). O FNE não proporcionou a estas cooperativas incremento no beneficiamento/industrialização dos produtos. Não tendo como agregar valor aos produtos, a cooperativa restringe o seu poder de atuação face aos demais agentes de mercado, não contribuindo, pelo menos neste setor, para aumentar a renda dos cooperados. Nas cooperativas do GRUPO 1, após o empréstimo do FNE, o recebimento dos produtos dos cooperados permaneceu o mesmo em 33,3% dos casos, enquanto que em 33,3 % das organizações aconteceu uma diminuição. Nas cooperativas do GRUPO 2 não houve qualquer alteração da situação anterior. Tabela 83 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho do recebimento de produtos dos cooperados por grupo após o financiamento, por grupo Desempenho Grupo 1 Grupo 2 TOTAL N % N % N % Não aplicável Diminuiu muito Diminuiu pouco Permaneceu o mesmo Aumentou pouco Aumentou muito 2 1 1 2 - 33,3 16,7 16,7 33,3 - 4 3 - 66,7 33,3 - 6 1 1 5 - 46,2 7,7 7,7 38,5 - TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 84 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho do beneficiamento/ industrialização dos produtos após o financiamento, por grupo Desempenho Não aplicável Diminuiu muito Diminuiu pouco Permaneceu o mesmo Aumentou pouco Aumentou muito* Grupo 1 Grupo 2 TOTAL N % N % N % 4 1 1 66,7 16,7 16,7 6 - 100,0 - 10 1 1 83,3 8,3 8,3 152 TOTAL* 6 100,0 6 100,0 12 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 * Esta resposta ocorre em virtude de um processo de beneficiamento do produto, em uma única época do ano, por ocasião da colheita; **No GRUPO 2, para uma cooperativa não se dispõe desta resposta. 9.2.7.3 Vendas, faturamento e lucros O empréstimo do FNE possibilitou um aumento de vendas nas cooperativas, mesmo pequeno, em 53,9% dos casos (Tabela 85). O faturamento médio anual das cooperativas sofreu um acréscimo após o empréstimo em 80,1% dos casos, analisando o período entre 1994 e 1998, passando de aproximadamente R$ 67 mil reais em 1994 para R$ 121 mil reais em 1998. 63 Entretanto, o aumento do lucro líquido sobre as vendas não acompanhou as tendências anteriores, só acontecendo em 23,1% dos casos (Tabela 86 ). Nas cooperativas do GRUPO 1, após o empréstimo do FNE, embora as vendas tenham crescido em metade delas, o aumento do lucro líquido sobre as mesmas aconteceu em 16,7% dos casos. Nota-se também que na fase posterior ao empréstimo neste grupo, há um aumento do faturamento anual, passando de um valor médio próximo a R$ 114 mil reais em 1994, para uma média de aproximadamente R$ 273 mil reais em 1996, ocorrendo uma queda a seguir, até atingir a média próxima a R$ 86 mil reais em 1998. Nas cooperativas do GRUPO 2 também é verificado um aumento nas vendas em 57,1% das cooperativas, sendo que o aumento do lucro líquido sobre as mesmas aconteceu em apenas 28,6% das cooperativas. O faturamento segue, entretanto, uma tendência de alta, ocorrendo em 1996 um faturamento médio de R$ 30 mil reais e em 1998 um faturamento médio de 114 mil reais. Ressalta-se, contudo, que até 1998 ocorreram liberações para as cooperativas deste grupo. Tabela 85 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho das vendas por grupo após o financiamento, por grupo Desempenho Grupo 1 N 63 Grupo 2 % N TOTAL % N % O faturamento médio foi tomado a partir de 4 observações no GRUPO 1 e 4 observações no GRUPO 2. 153 Não aplicável Diminuiu muito Diminuiu pouco Permaneceu o mesmo Aumentou pouco Aumentou muito 2 1 2 1 33,3 16,7 33,3 16,7 2 1 3 1 28,5 14,3 42,8 14,3 2 2 2 5 2 15,4 15,4 15,4 38,5 15,4 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 86 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o desempenho do lucro líquido sobre as vendas (bens/ serviços) após o financiamento, por grupo Desempenho Grupo 1 Grupo 2 TOTAL N % N % N % Não aplicável Diminuiu muito Diminuiu pouco Permaneceu o mesmo Aumentou pouco Aumentou muito 1 2 2 1 16,7 33,3 33,3 16,7 2 3 1 1 28,6 42,9 14,3 14,3 2 1 2 5 1 2 15,4 7,7 15,4 38,5 7,7 15,4 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.7.4 Endividamento e disponibilidade para pagamento O endividamento das cooperativas após o empréstimo do FNE também cresceu, em 76,9% dos casos, não apenas em decorrência dos valores tomados para investimentos à própria, mas também devido a inadimplência dos associados, verificada em 23% das cooperativas. Ao ter que se responsabilizar pelas dívidas dos associados o débito das cooperativas tornaram-se maiores e a disponibilidade de pagamento ficou, assim, bastante comprometida (Tabelas 87 a 90). Nenhuma cooperativa quitou totalmente os seus débitos referentes ao empréstimo com o agente financeiro, sendo que a situação de inadimplência da própria cooperativa foi constatada em 7,6% dos casos. A estiagem e os juros cobrados nos empréstimos atrelados à TJLP foram apontados como as duas causas da inadimplência. Para ambos os grupos, o FNE tornou as cooperativas mais endividadas. Porém, a situação das cooperativas do GRUPO 1 apresentou-se como a mais preocupante, pois em 154 cerca de 33% das cooperativas observou-se cooperados inadimplentes, os quais representam aproximadamente 20% do total de beneficiados pelo empréstimo. Nas cooperativas do GRUPO 2 verificou-se uma menor incidência de inadimplentes, embora alguns prazos de carência ainda não tenham sido vencidos. Tabela 87 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo o grau de endividamento por grupo após o financiamento, por grupo Item resposta N Grupo 1 % N Grupo 2 % TOTAL N % Não aplicável Diminuiu muito Diminuiu pouco Permaneceu o mesmo Aumentou pouco Aumentou muito 1 1 4 16,7 16,7 66,7 2 2 3 28,6 28,6 42,9 3 3 7 23,1 23,1 53,8 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 88 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a existência ou não de cooperados inadimplentes no pagamento do empréstimo, por grupo Cooperado inadimplente N Grupo 1 % Grupo 2 N % N TOTAL % Sim Não 2 4 33,3 66,7 1 6 14,3 85,7 3 10 23,1 76,9 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 89 - Estatísticas do número de cooperados inadimplentes no pagamento do empréstimo, por grupo Estatísticas No observações Valor mínimo Valor máximo Média Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Grupo 1 2 20 200 110,00 Grupo 2 1 31 31 31,00 Grupo total 3 20 200 83,67 155 Tabela 90 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a disponibilidade para pagamento de obrigações após o financiamento, por grupo Item resposta Grupo 1 Grupo 2 TOTAL N % N % N % Não aplicável Diminuiu muito Diminuiu pouco Permaneceu o mesmo Aumentou pouco Aumentou muito 1 1 2 2 - 16,7 16,7 33,3 33,3 - 2 3 1 1 28,5 42,9 14,3 14,3 2 1 1 5 3 1 15,4 7,7 7,7 38,5 23,1 7,7 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.8 EFEITOS DO FNE NOS PROGRAMAS TECNOLÓGICOS O FNE propiciou que as cooperativas viabilizassem novos programas tecnológicos e incrementassem alguns já existentes. Dos 9 programas encontrados nas cooperativas, no período através/após o empréstimo, 8 programas tiveram suas ações incrementadas, com destaque para a aquisição de matrizes, construção de estábulos/bretes, formação e conservação de pastagem e ensilagem/fenação. Foi criado também programa de inseminação artificial (Tabela 91). Nas cooperativas do GRUPO 1 foram alavancadas mais ações de programas tecnológicos que nas cooperativas do GRUPO 2. Tabela 91 - Freqüências dos programas criados a em relação ao total existente nas cooperativas, por grupo Item resposta Vacinação sistemática Vermifugação sistemática Conservação de pastagens/ forrageiras Banco de proteínas (leucena, algaroba, etc.)/ ensilagem/ fenação. Irrigação para formação de pastagens Controle de peso e/ ou leiteiro Instalação de bretes e/ ou estábulos ou N Grupo 1 % partir do empréstimo Grupo 2 N % N TOTAL % 1 3 25,0 75,0 1 2 1 25,0 66,7 33,3 2 2 4 25,0 33,3 57,1 1 1 50,0 100,0 - - 1 1 50,0 50,0 156 cochos Aquisição de matrizes e/ ou reprodutores de raça melhorada 4 66,7 2 100,0 4 57,1 2 40,0 1 100,0 4 50,0 BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.8 AUTO-AVALIAÇÃO DA SITUAÇÃO APÓS FINANCIAMENTO Os entrevistados analisaram a situação geral atual da cooperativa e dos cooperados que receberam financiamento, em relação aos demais, organizações, cooperados e produtores, que não receberam empréstimo, e à concorrência. 9.2.8.1 Da Cooperativa Em relação às outras cooperativas que não receberam empréstimo, a avaliação efetuada pelos dirigentes é que a situação daquelas que obtiveram empréstimo é melhor, em 61,5% dos casos. A justificativa apresentada vai desde o aumento das atividades pecuárias até o maior nível de organização (Tabela 92). Nas organizações do GRUPO 1, a situação das cooperativas que tomaram empréstimo apresentava-se melhor do que as que não receberam incentivos, em 50% dos casos. Nas organizações do GRUPO 2, verificou-se que este índice era de 71,4% dos casos. Em relação às máquinas, equipamentos e instalações existentes para atender aos cooperados, foram avaliados como sendo inferiores aos usados pelos concorrentes estaduais, 41,7% dos casos, sendo menos modernos que os concorrentes nacionais, 58,3 % dos casos, e internacionais, 50% dos casos. Deve-se salientar que um expressivo número de entrevistados declararam não estarem aptos para efetuar esta avaliação (Tabela 93). Ressalta-se apenas que nas cooperativas do GRUPO 1, os dirigentes declararam que as máquinas, equipamentos e instalações existentes, são mais modernos que os da concorrência estadual, em 40% dos casos, e superior aos concorrentes nacionais, em 20% dos casos. Nas cooperativas do GRUPO 2, não houve nenhum caso onde os dirigentes enquadrassem as respectivas organizações como possuindo melhores equipamentos, 157 máquinas ou instalações melhores que a concorrência. Tabela 92 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a existência de melhoria nas condições econômicas em relação às cooperativas que não foram beneficiadas com o empréstimo, por grupo Sinais de melhoria N Grupo 1 % Grupo 2 TOTAL N % N % Sim Não 3 3 50,0 50,0 5 2 71,4 28,6 8 5 61,5 38,5 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 93 - Freqüência do nível de avaliação dos equipamentos, instalações e máquinas disponíveis atualmente, em relação à concorrência nos setores de atividades da cooperativa, por grupo Item resposta Grupo 1 N % Grupo 2 N % TOTAL N % Pernambuco Menos Moderno Semelhante Mais Moderno Sem condições de opinar 2 1 2 - 40,0 20,0 40,0 - 3 1 3 42,8 14,3 42,8 5 2 2 3 41,7 16,7 16,7 25,0 Brasil Menos Moderno Semelhante Mais Moderno Sem condições de opinar 4 1 - 33,3 20,0 - 3 4 42,8 57,1 7 1 4 58,3 8,3 36,4 Exterior Menos Moderno Semelhante Mais Moderno Sem condições de opinar 3 1 1 83,3 20,0 20,0 3 4 42,9 57,1 6 1 5 50,0 8,3 41,7 5 - 7 - 12 - BASE Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.2.8.2 Dos Cooperados A avaliação feita pelos dirigentes das cooperativas entre os cooperados beneficiados e os que não foram contemplados aponta para uma situação, no mínimo, “interessante”. Verificou-se que cerca da metade dos contemplados, ou seja, 53,8% dos cooperados beneficiados, apresentavam melhores condições que os demais produtores 158 cooperados que não receberam empréstimo, apesar de terem sido financiados matrizes, itens de infra estrutura e custeio para algumas culturas, além da formação de pastagem (Tabela 94). Nas cooperativas do GRUPO 1, os diretores avaliaram a situação dos cooperados que tomaram empréstimo perante os que não receberam incentivos, como sendo melhor, em 66,7% dos casos. Nas cooperativas do GRUPO 2, o índice verificado foi bem menor, sendo que, na opinião dos dirigentes, somente 42,9% dos produtores financiados estão em melhor situação daqueles que não receberam empréstimo. Tabela 94 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo a existência ou não de cooperados com sinais de melhoria das condições econômicas, em relação aos cooperados que não foram beneficiados, por grupo Sinais de melhoria N Grupo 1 % Grupo 2 TOTAL N % N % Sim Não 4 2 66,7 33,3 3 4 42,9 57,1 7 6 53,8 46,2 TOTAL 6 100,0 7 100,0 13 100,0 Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.3 Eficiência cooperativa A avaliação da eficiência cooperativa levou em conta dados qualitativos e quantitativos dos setores econômico e social para o ano de 1998. A metodologia proposta e desenvolvida por Oliveira Júnior (1996) foi a base utilizada para avaliação da eficiência em organizações cooperativas. 9.3.1 EFICIÊNCIA ECONÔMICO-FINANCEIRA Diante dos aspectos apresentados na descrição do perfil, procurou-se, através de quatro indicadores, capacidade de autofinanciamento, avaliação de endividamento, participação no mercado e desempenho nas vendas, proporcionar condições para uma avaliação da eficiência econômico-financeira das cooperativas. 159 Atenta-se para o fato das cooperativas analisadas serem predominantemente compostas por mini e pequenos proprietários rurais do semi-árido, os quais dispõem de capital limitado para financiarem investimentos nas suas unidades produtivas e, portanto, crescerem e autosustentarem-se. Logo, esta situação tende a se repetir quando este grupo compõe uma cooperativa, a começar da formação do capital inicial, geralmente com cotas-partes muito pequenas. 9.3.1.1 Capacidade de autofinanciamento64 Á cerca das necessidades de capital de giro, apurou-se com as cooperativas que o financiamento do FNE possibilitou alavancar capital para adquirir insumos para o setor de revenda e para investimentos à própria, não recorrendo, desde então, a linhas de financiamentos normais de obtenção de giro (desconto de duplicatas, capital de giro, etc). Observou-se que as cooperativas de ambos os grupos não recorreram ao mercado financeiro para obterem recursos para capital de giro, não pela disponibilidade excessiva de capital próprio, mas, em decorrência de fatores, como: pequeno volume de aquisição de produtos dos cooperados; baixa lucratividade nas transações comerciais a nível de serviços e revenda ; pequeno faturamento bruto apresentado, visto que em 98 a média ficou em torno de R$ 121 mil reais; e nível de endividamento em razão do empréstimo do FNE, que obstaculiza novas operações financeiras por agentes financeiros locais. Diante destas circunstâncias, torna-se difícil para a cooperativa financiar as atividades com capital de giro próprio e mesmo aumentar ou até assegurar seu capital de giro atual, principalmente se considerarmos que a taxa de inadimplência de cooperados no pagamento do empréstimo pode elevar-se face ao vencimento dos prazos de carência dos empréstimos à própria. Estas circunstâncias também constituem-se em barreiras na 64 A capacidade de autofinanciamento baseou-se na avaliação do índice proposto por Oliveira Júnior (1996:22), que “mede a capacidade da cooperativa financiar suas necessidades de capital de giro com o seu capital de giro próprio”, sendo este índice obtido através da relação capital de giro disponível pela necessidade de capital de giro. O parâmetro analítico indica que, quanto menor for o índice obtido, mais difícil é a situação, sendo necessário implementar uma política de recuperação da capacidade de crescimento, através do enxugamento de custos, alongamento da dívida, redução de taxas de juros, dentre outras medidas. Para valores maiores, a situação tente a melhorar, sendo excepcional para valores acima de 1, situação em que a cooperativa está apta a investir em ativos fixos. Oliveira Júnior (1996) ressalta que, para qualquer dos casos a cooperativa deve analisar o perfil da dívida usada para repor a falta de capital de giro próprio. 160 realização de investimentos, haja visto o pequeno montante investido em 98. Assim, não apenas a situação das cooperativas de ambos os grupos, mas de seus cooperados, necessitam de uma política que possibilite, urgentemente, uma reestruturação econômicofinanceira, de modo a assegurar condições mínimas de continuar atuando no mercado. 9.3.1.2 Avaliação de endividamento65 Os produtores e suas cooperativas, não dispondo de capital próprio, recorreram a recursos de terceiros, através de empréstimos para financiamento, quer seja para operações ou investimentos às cooperativas e seus associados. Entretanto, estes recursos têm um custo, os quais têm de ser recuperados pela cooperativa, quer seja através de vendas ou através de taxas pagas pelos cooperados. No caso das cooperativas analisadas, foram os recursos do FNE que financiaram a maior parte dos investimentos, a médio e longo prazo, aumentando o patrimônio das cooperativas, mas também seus endividamentos. A média de débito total verificado em 1999, englobando cooperativa e associados, situa-se em aproximadamente R$ 648 mil reais por cooperativa, sendo maior nas cooperativas do GRUPO 1, cerca de R$ 942 mil reais, que nas do GRUPO 2, próxima a R$ 354 mil reais. A disponibilidade para pagamento de obrigações da cooperativa tem estreita vinculação aos retornos obtidos através das vendas. Apesar do faturamento apresentar um crescimento entre 1994 e 1998, manteve-se estável para os valores gerais apurados desde 96, ocorrendo inclusive diminuição nas cooperativas do GRUPO 1. Aliado a isto, à estagnação no nível de lucratividade das operações e o fim do prazo de carência, onde o débito segue o ritmo crescente atrelado às taxas da TJLP, contribuiu para que a amortização da dívida torne-se cada vez mais difícil, incompatibilizando-se com a capacidade de crescimento via investimentos. 65 A avaliação de endividamento tomou por base o conceito adotado por Oliveira Júnior (1996:26) para o índice de endividamento total, que “mede a utilização de recursos externos para o financiamento dos investimentos totais a curto prazo e a longo prazo”, sendo obtido pela relação do resultado da diferença entre o passivo circulante ou exigível a curto prazo e o exigível a longo prazo, com o ativo total. O parâmetro analítico indica que, quanto menor for esta relação, melhor será a situação da cooperativa, onde valores menores que 0,3 indicam situação excepcional, pois a cooperativa só opera com créditos comerciais como forma de endividamento. Quanto mais próximo for este valor de 1 , mais próximo estará a cooperativa da insolvência, pois só atua com créditos de terceiros. 161 Um agravante que torna este quadro mais sombrio é a ausência de créditos rotativos, os quais, ante à indisponibilidade de recursos das cooperativas para financiarem a produção, não possibilitam as mesmas a financiarem insumos, custeio agrícola e comercializarem a produção dos associados. 9.3.1.3 Desempenho de vendas66 As operações do FNE possibilitaram aos associados financiamentos para aquisição de implementos e insumos, capitalizando as cooperativas, de modo a adquirir estes materiais repassando aos associados. A princípio, este item proporcionou um desempenho no faturamento e nas vendas das cooperativas, passando estas a apresentarem sobras no final do exercício, apesar de apresentarem tendência de diminuir volume de vendas ao longo do tempo, conforme observado nas cooperativas pioneiras contempladas com financiamento. Embora as cooperativas afirmem comercializar produção dos associados, o item que mais pesa no faturamento são as vendas efetuadas no setor de insumos. Portanto, pressupõe-se que os resultados dos exercícios tenham estreita ligação com este setor das cooperativas. Assim, as vendas do setor de insumos, efetuadas a cooperados ou não, tenderão a um retrocesso à medida que novos investimentos externos para financiar os cooperados não estejam disponíveis. 9.3.1.4 Participação no mercado67 Verificou-se que, tanto no setor de venda de produtos e insumos agropecuários, 66 O desempenho das vendas baseou-se no conceito de Oliveira Júnior (1996:33) para crescimento de vendas, o qual “mede o aumento real das atividades econômicas entre dois períodos” sendo obtido através da relação entre as vendas do período atual e as vendas do período anterior ao atual, devidamente corrigidas pela taxa de inflação do mesmo período. O parâmetro analítico considera bom um crescimento acima do crescimento do PIB do país ou setor. 67 A participação de mercado tomou por base o conceito empregado por Oliveira Júnior (1996:34), que destaca que esta análise deverá ser feita por produto, sendo que este índice “mede a capacidade de vendas ou recebimento da empresa em relação ao seu mercado relevante de atuação. O parâmetro analítico utilizado indica que, quanto menor for o índice obtido, mais fraca é a participação no mercado, sendo indicada inclusive uma reflexão sobre a continuidade e viabilidade da atividade (<0,1=ruim); quanto maior for o índice obtido melhor será a hegemonia e o domínio no produto da região de atuação (>0,5 =excelente). 162 quanto na comercialização de produtos de associados, a área de maior atuação da cooperativa era a municipal, sendo este o mercado de atuação principal das cooperativas. Estas áreas, por sua vez, ainda sofrem a influências dos fenômenos climáticos, acarretando períodos cíclicos de declínio e recuperação da produção. Quando a cooperativa comercializava a produção de leite de associados verificouse, face ao quantitativo informado68, que esta ocorria em índices pequenos, sendo classificada como ruim a sua participação no mercado de leite local. Portanto, as estratégias de investimento à própria e as mercadológicas adotadas não foram suficientes para aumentar a recepção de produtos dos associados e a participação no mercado. A postura de continuar atuando no mercado diante de tantas adversidades, sem um auxílio de mecanismos que possibilitem reverter o quadro atual, coloca em risco a própria viabilidade do empreendimento. 9.3.2 EFICIÊNCIA SOCIAL E DE RECURSOS HUMANOS No desempenho social, foram escolhidos quatro indicadores para refletirem a eficiência das cooperativas, pois devido à sua especificidade, estas organizações têm o sucesso econômico atrelado aos êxitos nos setores sociais e políticos. 9.3.2.1 Faturamento por associado69 As cooperativas, no geral, possuem um faturamento por associado muito baixo, inferior a meio salário mínimo no decorrer do ano, de apenas R$ 40,17 reais/ano em 1998. Deve-se salientar que a análise individual por grupo demonstrou que o faturamento por cooperado nas organizações do GRUPO 1, que possui maior número de cooperados, é de apenas R$ 34,50 reais/ano, menor do que o observado nas organizações do GRUPO 2, de R$ 276,89 reais/ano. Contudo, entro as cooperativas do próprio GRUPO 2, há uma diferença muito grande entre os valores observados. 68 Vide item 9.2.4.6.2 O faturamento por associado mede, segundo Oliveira Júnior (1996:48), a “relação entre a atividade operacional (vendas) e o número de associados”. Não há um parâmetro analítico ideal. Contudo, se o índice for baixo e apresentar um declínio crescente ano a ano, pode ser indício de desvio da produção ou queda do valor real dos produtos. 69 163 Desta forma, mesmo considerando que os produtores associados não dispunham de muitos recursos, verificou-se também que os próprios associados operam em reduzida escala com a cooperativa, preferindo, muitas vezes, efetuarem suas compras nos concorrentes. Isto contribui para o baixo desempenho das vendas e, portanto, baixo faturamento e menor quantidade de recursos para investimentos, os quais tenderiam a beneficiar os próprios associados. 9.3.2.2 Associados ativos em relação ao número total de associados70 Ao tomarmos por base os cooperados que receberam empréstimo como sendo os associados ativos, verificou-se um índice na relação associados ativos/associado total da ordem de 42,47%, sendo que nas cooperativas do GRUPO 1 o valor desta relação é de 34,33% e no GRUPO 2 é de 46,49%. Estes índices são considerados ruins e diagnosticam que há um desvio da produção, havendo insatisfação e incompreensão doutrinária. Estes fatos reforçam outros itens de análise da eficiência de atuação das cooperativas, podendo ser confirmados nos dados contidos no perfil das cooperativas, anteriormente citados. 9.3.2.3 Participação dos associados nas assembléias 71 70 Para Oliveira Júnior (1996:52), este índice “mede a participação dos associados na vida da cooperativa e orienta sobre o grau de satisfação dos mesmos, e sua compreensão da filosofia empresarial das cooperativas”, sendo obtido através da relação entre o número de associados ativos e o número de associados totais. Os parâmetros analíticos consideram que num percentual inferior a 30%, a situação é ruim, sem nenhuma legitimidade do quadro social, entre 30% e 50% ainda é ruim, havendo desvio da produção, entre 50% e 705 é regular, entre 70 e 90% é boa e acima de 90% é excelente. 71 Este índice, segundo Oliveira Júnior (1996:53), “mede o grau de interesse dos associados em participar e obter informações sobre a estratégia e resultados da sua empresa”, sendo obtido através da relação entre os associados que participaram da última assembléia e o número de associados totais. Os parâmetros analíticos que apontam para este item indicam que para um índice inferior a 10% a eficiência é ruim, entre 10 e 30% é regular, entre 30 e 50% é boa e acima de 50% é excelente. 164 O grau de interesse dos cooperados pelas cooperativas pode ser considerado regular, uma vez que o percentual de participação na última Assembléia Geral Ordinária, realizada em 1998, obteve um índice de 27% na freqüência de associados. Contudo, deve-se ressaltar que as cooperativas do GRUPO 2 apresentaram índice de 61,7% na participação de associados, sendo classificado como excelente, enquanto que as cooperativas do GRUPO 1 apresentaram índice de aproximadamente 20%, apontado como regular. Estes valores permitiram a seguinte avaliação: os interesses dos cooperados pela sua organização não eram prioritários, e o espírito participativo deixou a desejar, ocorrendo ocasionalmente. Porém, isoladamente, a situação do GRUPO 2 apresentou-se um pouco melhor, pois os interesses dos cooperados pela sua organização foram maiores e houve mais espírito de participação, segundo parâmetros analíticos propostos. 9.3.2.4 Quantidade de funcionários e técnicos por associados.72 As cooperativas dispõem em geral de 1 funcionário para cada 108 cooperados e de 1 técnico (agrônomo, veterinário ou técnico agrícola) para cada 755 associados. Nas cooperativas do GRUPO 1, a relação é de 1 funcionário para cada 132 cooperados e de 1 técnico para cada 836 associados, enquanto que no GRUPO 2 é de 1 funcionário para cada 64 associados e de 1 técnico para cada 514 associados. Ao analisar especificamente o número de técnicos observou-se que embora algumas cooperativas afirmassem ter serviços de assistência técnica e de extensão rural, estes deixaram a desejar, dada as proporções da relação associados / técnico dos parâmetros analíticos, sendo um elemento de entrave no processo de melhoramento do 72 O índice associados/funcionários, de acordo com Oliveira Júnior (1996:58), “avalia a necessidade de funcionários para fazer frente às necessidades de serviços e transformação dos produtos dos associados” , sendo obtido pela relação entre o número de associados e o número de funcionários. Os parâmetros analíticos utilizados na avaliação deste índice devem ser comparativos em relação às empresas do mesmo ramo. O índice associados/técnicos, segundo Oliveira Júnior (1996:59), “avalia a capacidade de prestação de serviços de extensão rural nas cooperativas agropecuárias. Este indicador tem relação direta com a melhoria de rendimento das lavouras e criações e com o grau de absorção de tecnologias dos associados produtores rurais”. Obtém-se este índice através da relação entre o número de associados da cooperativa e o número de técnicos de extensão rural e assistência técnica. Os parâmetros analíticos para cooperativas agrícolas indica que a relação 1:>200 é péssima, 1: 160<200 é ruim, 1: 120<160 é regular, 1: 80<120 é bom e 1:<80 é excelente. 165 rebanho e da produção. 9.4 Visão das cooperativas quanto a perspectivas futuras A visão dos dirigentes das cooperativas quanto ao futuro dos seus negócios a curto/médio prazo procurou estabelecer quais os fatores que são barreiras ou entraves ao desenvolvimento dos negócios de suas respectivas organizações e quais as estratégias que pretendem adotar para contorná-las. 9.4.1 TENDÊNCIAS NOS AGRONEGÓCIOS As cooperativas, de maneira geral, manifestaram intenção nos próximos dois anos de aumentar os seus negócios, em 53,8% dos casos. Entretanto, verificou-se uma total falta de perspectiva quanto ao futuro dos negócios, em 38,5% dos casos, reforçando a ausência de planejamento (Tabela 95). Nas cooperativas do GRUPO 1, apesar de 50% delas manifestarem pretensão de aumentar os seus negócios, ainda existe um grande número, 33,3% dos casos, que não esboçaram perspectiva nenhuma quanto ao futuro, ocorrendo inclusive a alternativa de encerrar as atividades, em 16,7% das organizações. Nas cooperativas do GRUPO 2 observou-se dois subgrupos distintos, onde 57,1% intencionavam aumentar os seus negócios e 42,9% não tinham perspectiva nenhuma para os próximos 2 anos. Tabela 95 - Distribuição das cooperativas pesquisadas, segundo as perspectivas para os próximos dois anos, por grupo Item resposta Grupo 1 Grupo 2 TOTAL 166 N % N % N % Aumentar os agronegócios Continuar igual Diminuir os agronegócios Encerrar as atividades Não tem previsão 3 1 2 50,0 16,7 33,3 4 3 57,1 42,9 7 1 5 53,8 7,7 38,5 BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.4.2 BARREIRAS EXISTENTES E ESTRATÉGIAS DE ATUAÇÃO Com relação aos principais entraves ao desenvolvimento dos negócios, a maioria das cooperativas destacou três fatores: a falta de recursos financeiros como o principal obstáculo ao crescimento dos negócios, apontada em 92,3% dos casos, além do excesso da carga tributária e o pequeno volume da produção, ambos em 53,8% dos casos (Tabela 96). Quanto à forma de obtenção destes recursos para promover o crescimento da cooperativa, observou-se que os empréstimos bancários representaram a opção destacada pela maioria das cooperativas, 85,7% dos casos, seguidos da integralização de capital pelos cooperados, em 57,1% das cooperativas (Tabela 97). Nas cooperativas do GRUPO 1, verificou-se que três fatores, a falta de recursos financeiros, o excesso de carga tributária e o pequeno volume da produção, destacaram-se como motivos de entrave ao crescimento dos negócios cooperativos, sendo o apoio governamental e o crédito bancário foram os dois principais instrumentos que se intecionava utilizar para contornar estas barreiras. Nas cooperativas do GRUPO 2, além dos fatores citados anteriormente, destacouse um alto percentual de cooperativas que apontaram a falta de parceria entre elas próprias, como elemento de entrave ao crescimento dos negócios. O crédito bancário destacou-se como o instrumento mais freqüente a ser utilizado para contornar os entraves, sendo porém alto o percentual daqueles que desejavam também fazê-lo através da integralização de capital dos associados, do apoio governamental e da parceria entre cooperativas, o que demonstra uma preocupação quanto a uma possível integração para melhor atuação nos agronegócios locais. 167 Tabela 96 - Freqüência dos principais entraves que poderão impedir o desenvolvimento dos agronegócios da cooperativa, por grupo Item resposta Grupo 1 N % N Grupo 2 % TOTAL N % Falta de estrutura física Volume pequeno da produção Falta de recursos financeiros Desenvolvimento do mercado Localização geográfica Falta de pessoal especializado Carga tributária Falta de parceria intercooperativa Outros 2 4 5 2 2 3 1 - 33,3 66,7 83,3 33,3 33,3 50,0 16,7 - 3 3 7 2 1 2 4 3 2 42,9 42,9 100,0 28,6 14,3 28,6 57,1 42,9 28,6 5 7 12 4 1 4 7 4 2 38,5 53,8 92,3 30,8 7,7 30,8 53,8 30,8 15,4 BASE 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 Tabela 97 - Freqüência dos recursos que intenciona utilizar como forma de aumentar os agronegócios, por grupo Item resposta Grupo 1 N % N Grupo 2 % TOTAL N % Capital da própria cooperativa Crédito de fornecedores Capital dos cooperados Adiantamento de clientes Bancos Parceria com outras cooperativas Apoio governamental Parceiros (outros) Outros 1 1 2 1 1 1 1 33,3 33,3 66,7 33,3 100,0 33,3 33,3 2 3 4 3 3 2 - 50,0 75,0 100,0 75,0 75,0 50,0 - 2 1 4 6 4 4 3 1 28,6 14,3 57,1 85,7 14,3 14,3 42,9 14,3 BASE 3 - 4 - 7 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 9.4.3 APOIO INSTITUCIONAL As cooperativas, citaram conhecer 12 instituições de apoio aos agronegócios cooperativos do setor pecuário, além do Banco do Nordeste, as quais foram agrupadas em dois grupos distintos: as governamentais e as não governamentais. No setor governamental foram citados os seguintes órgãos: a EMATER, em 38,5% dos casos, seguido da Secretaria de Agricultura do Estado de Pernambuco, PRORURAL, ITEP, além de prefeituras municipais, em 15,4% dos casos. O principal apoio recebido foi assistência técnica e capacitação, com um nível geral de satisfação regular. Nos casos em que as cooperativas conheciam as instituições sem, contudo, terem recebido apoio, a burocracia excessiva, o prazo demorado para atendimento dos pleitos e a divergência 168 política foram os itens mais citados, havendo casos onde a própria cooperativa não buscou o apoio destas instituições (Tabela 98). No setor não governamental foram citadas as seguintes instituições: OCEPE, em 46,2% dos casos, SEBRAE, em 23,1% dos casos, OCB, COOSEPE, Sindicato dos trabalhadores rurais, Igreja Católica, em 15,4% dos casos, e AMAS em 7,7% dos casos. O principal apoio recebido foi o de assessoramento e capacitação, onde consideravam-se satisfeitos. Tabela 98 – Freqüência nas cooperativas, segundo o conhecimento de entidades de apoio aos agronegócios cooperativos ligados ao setor pecuário de leite, por grupo Entidades N Grupo 1 % N Grupo 2 % TOTAL N % GOVERNAMENTAIS Secretaria de Agricultura do Estado EMATER PRORURAL ITEP Prefeitura Municipal 2 2 2 - 33,3 33,3 33,3 - 3 2 2 42,9 28,6 28,6 2 5 2 2 2 15,4 38,5 15,4 15,4 15,4 NÃO GOVERNAMENTAIS SEBRAE OCB OCEPE AMAS COOSEPE Sindicato dos Trabalhadores Rurais Igreja Católica 2 2 3 1 1 1 33,3 33,3 50,0 16,7 16,7 16,7 1 3 1 2 1 14,3 42,9 14,3 28,6 14,3 3 2 6 1 2 2 2 23,1 15,4 46,2 7,7 15,4 15,4 15,4 BASE1 6 - 7 - 13 - Fonte: Pesquisa de campo, 1999 169 10 CONCLUSÕES E SUGESTÕES As observações à cerca do FNE como um instrumento de política pública de apoio e estímulo às atividades produtivas nordestinas, mais especificamente no segmento cooperativo ligado ao setor pecuário de leite de Pernambuco pesquisado, proporcionaram, tomando por base os objetivos e o marco referencial da pesquisa, conclusões em razão dos questionamentos e hipótese levantados. O aporte de recursos financeiros às cooperativas, embora tenha contribuído, e muito, para melhorar as condições físicas, os equipamentos e a frota de veículos e tratores disponíveis, não foi suficiente para torná-las mais competitivas. A ausência de um planejamento setorial integrado, a visão da cooperativa apenas como agência de repasse de crédito, o paternalismo nas relações com os associados, a exigüidade dos recursos financeiros e humanos, o despreparo do quadro administrativo para o processo de gestão, além da inexistência de educação integral para os cooperados, constituíram-se elementos de entrave, impedindo a superação de barreiras pelas cooperativas na cadeia produtiva do leite. A forma que se optou para efetuar os comentários destes resultados foi a de estruturá-los em tópicos, inclusive com sugestões, tendo a intenção de contribuir para que as ações que, porventura, possam ser desenvolvidas para este segmento, possam ter êxito e sustentabilidade. 10.1 A ausência de um planejamento integrado. As transformações que ocorreram entre 1990 e 1998, mais especificamente nos agronegócios do leite, impuseram ao setor um novo ritmo, não apenas no campo biotecnológico, mas administrativo-financeiro. Deste modo, ações e trabalhos a serem efetuados envolvendo agronegócios do leite deveriam estar embasados dentro de uma perspectiva sistêmica. As cooperativas de Pernambuco foram as que receberam maior volume de recursos do FNE para atividades no setor pecuário na região Nordeste. Através destes investimentos, procurava-se aumentar e regularizar a produção dos cooperados, 170 permitindo, posteriormente, condições mínimas à criação de agroindústrias, de modo a agregar mais valor aos produtos, proporcionando aos produtores rurais maior poder de influência na cadeia produtiva do leite, pelo menos nos municípios em que estavam sediadas. Contudo, ações balizadoras não se fizeram acompanhar. O processo de discussão e planejamento dos projetos, encaminhado pelos órgãos governamentais ou não, difusores do programa do FNE, desenrolaram-se isoladamente, por cooperativa, inibindo questões de interesse comum a todos os produtores, como processos integrados regionais para aquisição de ração, comercialização, e até o beneficiamento da produção leiteira. Estas ações, por conseguinte, só surtiriam efeitos se ocorressem dentro da perspectiva de economia de escala, obtendo-se vantagens e, portanto, maior competitividade, e poderiam ter sido objeto de uma maior atenção, juntamente com maior harmonia política nos setores econômicos, sociais e agrícolas de Pernambuco. Desta maneira, os investimentos financiados teriam um caráter sustentável, sendo maximizados recursos e minimizados custos por unidade cooperativa. O estímulo à criação de cooperativas em uma mesma área de atuação, quer por parte das entidades governamentais ou não, constitui-se numa estratégia que desencadeou a concorrência e a divergência entre o próprio setor cooperativo local, dificultando ações de caráter sistêmico entre os diversos projetos. As cooperativas também desconsideraram a estratégia de fusão adotada por empresas do setor lácteo como forma de fortalecê-las, ampliando o domínio de mercado. Portanto, perdeu-se a oportunidade de construir um eficiente sistema cooperativo estadual leiteiro, capaz de favorecer a pequena produção. 10.2 A visão das cooperativas apenas como agências de repasse de crédito Diante da redução no montante de crédito rural disponibilizado pelo Estado entre 1990 e 1998, os mini e pequenos produtores de Pernambuco foram atraídos pela política de crédito e incentivos financeiros oferecidos pelo FNE às organizações cooperativas regionais. A entrada dos órgãos governamentais e não governamentais estaduais neste cenário 171 só reforçou e catalisou os anseios dos produtores rurais para formação de novas cooperativas, com vistas a obter recursos. É certo que se necessitava e se continua a carecer de recursos para os produtores rurais, para aumentarem a produtividade e mitigarem os efeitos de estiagens prolongadas, dando estabilidade à produção estadual. Porém, segundo a opinião dos dirigentes das cooperativas e dos dados encontrados, estas metas não ocorreram conforme o esperado. As cooperativas financiadas não foram capazes de aglutinar a produção de leite nos municípios em que estavam sediadas, não congregando sequer a produção dos cooperados beneficiados pelo empréstimo. Este fato ocorreu, apesar das cooperativas terem aplicado recursos para aquisição de veículos para transporte e comercialização da produção. Assim, os demais agentes locais de comercialização de leite continuaram a ter mais influência que as cooperativas. Isto alicerça as críticas ao setor, dificultando, numa etapa posterior, novos empreendimentos cooperativos. As perspectivas de instalações agroindustriais, através de unidades de resfriamento e transformação da matéria-prima, embora pudessem ser visualizadas como meio de tornar a cooperativa mais competitiva, tendem a ser objeto de preocupação diante da realidade apresentada. Dentro desta ótica, verificou-se que o foco principal de todos os envolvidos no processo durante o período considerado na pesquisa esteve voltado para a captação de recursos, comprometendo a eficiência nas suas aplicações. Os erros estratégicos cometidos num passado recente continuam a ocorrer, inclusive em cooperativas novas, criadas na década de 90, o que permite concluir que não houve avanços significativos concretos à cerca da finalidade e do papel real das cooperativas, quer para os produtores rurais ou para os poderes públicos. 10.3 O paternalismo nas relações com os associados O produtor beneficiado com empréstimo do FNE, somente manteve um vínculo mais forte com as cooperativas na fase imediatamente anterior e posterior ao empréstimo. Finda a liberação de todas as parcelas do financiamento, observou-se que os cooperados 172 não mais consideraram as cooperativas como empresas para realizarem as suas operações de compra de insumos e comercialização da produção. Desta maneira, após receberem recursos financeiros repassados via cooperativa para incrementarem a produção e verem estas suas organizações dotadas de uma infraestrutura mínima, os cooperados desviavam a produção, comercializando com outros agentes locais o leite produzido e passavam a adquirir insumos nos estabelecimentos concorrentes, sendo em vão as estratégias empregadas pelas cooperativas para reverter este quadro. A ausência de qualquer punição para com os cooperados infiéis constituiu-se em uma prática observada, promovendo uma reação em cadeia, pois estimulava os demais cooperados a adotarem a mesma postura. Portanto, constatou-se que as relações deturpadas entre as cooperativas e seus cooperados, observadas outrora, perpetuaram-se em organizações mais novas, contribuindo desta forma para o enfraquecimento destas empresas cooperativas. 10.4 A exigüidade dos recursos financeiros e humanos A aplicação dos recursos financeiros de origem externa nas cooperativas não foi suficiente para promover uma transposição de barreiras tecnológicas, uma vez que a carência era demasiadamente grande. Portanto, esta seria uma pré-condição para que a segunda fase desta etapa de crescimento pudesse ser implementada, superando, desta forma, as barreiras de mercado e de matéria-prima, e dando continuidade ao ciclo de crescimento da organização. Outro agravante é que os recursos humanos empregados nas áreas administrativas, financeiras e técnicas não se revelaram capazes de incrementar, de maneira geral, as ações das cooperativas. O corpo técnico capaz de efetuar trabalho de extensão rural e educação cooperativa, mesmo após o empréstimo do FNE, revelou-se insuficiente para suprir a carência de assistência técnica aos associados. O processo de enxugamento dos órgãos tradicionais de extensão rural do estado agravou ainda mais este quadro. Os programas tecnológicos implantados ou incrementados pelo empréstimo, embora tenham elevado o nível tecnológico dos produtores, dificilmente promoverão um 173 melhoramento contínuo da produtividade ou sequer a manutenção dos níveis adquiridos, face à ausência de uma assistência técnica permanente. Portanto, investimentos realizados pelos cooperados visando elevação de renda tendem a se esvair, revelando-se inócuos os esforços feitos pelas cooperativas para aumentar os seus negócios. Esta constatação decorre do seguinte raciocínio: mantidas as condições atuais, a produção dos associados deverá, no máximo, estabilizar-se em um patamar ligeiramente superior aos índices anteriores ao empréstimo, havendo, portanto, uma pequena variação na quantidade de insumos a ser consumida e matéria-prima a ser comercializada. 10.5 O despreparo do quadro administrativo no processo de gestão Os gestores das cooperativas necessitam de uma visão apurada da conjuntura econômica setorial, no caso do leite, além de um conhecimento dos processos de administração cooperativa e dos indicadores de desempenho organizacional. Nas cooperativas pesquisadas, de maneira geral, o que se verificou foi a existência de vários setores ou departamentos, bem como vários instrumentos de gestão administrativa, sendo usualmente dirigidos e utilizados, respectivamente, por uma diretoria que possui baixo nível de escolaridade e pouca afinidade com a estrutura organizacional proposta. Assim, esta estrutura departamental, implementada ou reforçada por ocasião do empréstimo, não foi devidamente assimilada por conta da cultura organizacional vigente, bem como, pela falta de um processo de capacitação empreendedora. A presença de um processo de capacitação empresarial cooperativo para a direção administrativa realizado de maneira contínua, antes, durante e após o empréstimo, deveria ser condicionante básico para a liberação dos recursos. Desta maneira, seriam potencializados meios para que os diretores tomassem ciência da importância da administração estratégica como forma de implementar uma nova cultura cooperativa. A transformação dos dirigentes em agentes de desenvolvimento poderia ser capaz de auxiliar o sentimento empresarial cooperativo em todo o quadro de associados. Diante da não utilização de instrumentos de gestão, a exemplo da falta de planejamento estratégico e de organização observada nas cooperativas pesquisadas, a capacitação para diretores e funcionários constitui-se no recurso para reverter esta 174 situação. Assim, um passo inicial estaria sendo dado na construção de uma organização cooperativa capaz de competir dentro do mercado local. 10.6 Inexistência de educação integral para os cooperados A educação, formal e cooperativa, e a capacitação, empresarial e tecnológica, são fundamentais para que se possa reverter o quadro de atraso que atinge os associados que desenvolvem atividades no setor pecuário. Contudo, não se deve esquecer de inserir neste processo, a mão-de-obra familiar empregada pelos mini e pequenos produtores cooperados nas atividades de produção de leite. Ao se adotar a estratégia de formação integral contínua para os cooperados e seus familiares, mesmo que não desempenhada diretamente pela própria cooperativa, estará sendo assegurado não apenas a compreensão da doutrina e da empresa cooperativa, mas também o êxito dos processos produtivos e comerciais, e o próprio futuro da organização. Embora as cooperativas tenham afirmado possuir programas ou setores de educação cooperativa e capacitação, diante dos resultados encontrados, duas afirmações podem ser válidas: ou estes programas e setores não funcionam, ou então são realizados de forma superficial e de maneira descontínua. A duração e a forma dos meios de capacitação permitiu, quando muito, uma visualização genérica dos assuntos, dada à rapidez com que foram efetuados, e somente na época da liberação do empréstimo. Aliás, a própria falta de educação formal encontrada entre os cooperados e os diretores vem a ser um bloqueio na construção de um novo modo de produção. Portanto, para que o produtor rural e a sua cooperativa possam inserir-se dentro deste paradigma tecnológico, há necessidade de uma formação integral. Por sua vez, esta educação proporcionará condições aos cooperados de discutir e elaborar estratégias de atuação em um mercado altamente competitivo, através da compreensão da interrelação entre os diversos integrantes da cadeia produtiva, levando em conta os aspectos tecnológicos, financeiros e de hábitos de consumo, por exemplo. Os empregados das cooperativas, parceiros desta empreitada, deveriam também comungar da mesma formação, para que os processos administrativos cooperativos 175 incorporados na capacitação favorecessem o crescimento contínuo da organização, de suas atividades e, conseqüentemente de seus cooperados. 10.7 Considerações finais A categoria dos mini e pequenos produtores agrupam a maior parcela dos produtores de leite de Pernambuco, sendo esta também a composição do quadro de associados das cooperativas. Normalmente, esta categoria de produtores tem dificuldades de acesso ao crédito e às tecnologias para melhorar a produção e a produtividade. As cooperativas revelaram-se um instrumento, por excelência, para difusão do crédito aos micro e pequenos produtores, no caso, através de recursos do FNE, oportunizando chances para que estes pudessem realizar investimentos. Esta estratégia de pulverização do crédito, utilizando-se de estruturas organizacionais associativas, por sua vez, constituiu-se em um direcionamento adotado pelo agentes gestores e operadores do FNE na região Nordeste. Portanto, percebe-se que o processo associativo rural em Pernambuco sofreu notória influência do FNE, sendo desencadeada a formação de novas cooperativas. A pesquisa efetuada, embora não tenha pretensão de generalizar as conclusões para todo o segmento cooperativo ligado ao setor primário em Pernambuco contemplado com recursos do FNE, apresentou indicadores e conclusões que poderão servir de auxílio para processos de análise setorial e aprimoramento das políticas públicas. O baixo nível de educação e qualificação dos produtores rurais estaduais constituise em objeto de preocupação, não apenas por parte das instituições gestoras do FNE, mas de entidades governamentais ou não, estaduais ou nacionais. É louvável, inclusive, a disponibilização de recursos pelo FNE para promoção de capacitação e assistência técnica. Todavia, observou-se que a aplicação destes recursos mereceria ser objeto de maiores questionamentos, em virtude dos meios e dos métodos adotados para realizá-las, ante ao quadro de despreparo e desqualificação profissional encontrado e ao descompasso existente entre programas do agente financeiro para capacitação firmado com organismos internacionais. Desta forma, devería-se atentar mais para estes fatores, os quais se apresentam como condicionantes e determinantes na viabilidade dos empreendimentos 176 cooperativos. O processo de capacitação e educação integral dos associados e seus familiares deveria ser permanente, possibilitando a formação de verdadeiros empreendedores rurais embuídos do cerne cooperativo. Este processo permitiria aos produtores cooperados qualificação para discutirem e opinarem, juntamente com os demais agentes estaduais e municipais de desenvolvimento econômico, uma política regional para o mercado do leite, destacando prioridades e estabelecendo uma planta mínima agroindustrial cooperativa regional e estadual, implementando efetivamente uma nova proposta de desenvolvimento. A liberação total dos recursos, dentro deste processo, proporcionaria uma situação onde os produtores associados seriam agentes ativos de um processo de mudança, tendendo a alcançar uma situação de competitividade. Contudo, diante das limitações de recursos e ante a demanda reprimida por crédito para investimento no setor, podería-se, pelo menos, assegurar, através de acordos de cooperação entre instituições de ensino e pesquisa no estado, um programa mínimo de capacitação de longa duração. Esta por sua vez seria aplicada junto ao quadro de associados das cooperativas que obtiveram financiamento, bem como para as que estão em vias de obtê-lo, de modo a minimizar os riscos e maximizar as condições de êxito, não apenas das unidades produtivas dos cooperados, mas da própria cooperativa financiada e da operação efetuada. A conjunção de esforços para retirar da inércia este grande sistema cooperativo estadual ligado a pecuária de leite é uma necessidade premente, não apenas através do aporte de maior volume de crédito, mas de um processo de educação eficaz. Os resultados deste processo beneficiaria não apenas os mini e pequenos produtores de leite, mas o próprio consumidor final, que contará, através destes novos empreendimentos com uma diversidade maior de produtos, com qualidade. A economia estadual e regional como um todo seria favorecida, ante o volume de operações a serem realizadas, sendo injetados mais recursos nas atividades produtivas locais, gerando mais emprego e renda, interiorizando as atividades agroindustriais. 177 11 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ACI- Aliança Cooperativa Internacional (Genebra, Suíça). Cooperative principles for the 21st century. Manchester, 1995. 57p. Disponível: http://ica.coop.org.//issues/index.htm Consultado em 09/08/1999. ACI – Aliança Cooperativa Internacional (Genebra, Suíça). Women as Equal Partners in Third World Co-operative, Geneva, 1983. 12p. Disponível: http: // ica.coop.org. // issues / index.htm Consultado em 09/08/1999b. ANSOFF, H. I.; DECLERCK, R. P.; HAYES, R. L. Do planejamento estratégico à administração estratégica. São Paulo: Atlas, 1981. p.15-227. ANSOFF, H. I.; McDONNELL, E. J. Implantando a administração estratégica. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1993. 590p. ANUÁRIO ESTATÍSTICO DO BRASIL 1995. 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(1998) *Este programa conta também com os recursos do FAT/FDR 188 12.1.2 PARA CAPITAL DE GIRO Finalidade: Suprimento de recursos financeiros destinados às atividades relacionadas abaixo. a - CRÉDITO DE CUSTEIO ATIVIDADES CONTEMPLADAS AGRÍCOLAS , PECUÁRIAS, BENEFICIAMENTO DOS PRODUTOS AGROPECUÁRIOS PROGRAMAS /PRODUTOS • Programa de Apoio à Reorientação da Pequena e Média Unidade Produtiva Rural do Semi-Árido Nordestino - PRODESA • Programa de Apoio às Inovações Tecnológicas (PRODETEC) • Programa de Apoio ao Desenvolvimento Rural do Nordeste - RURAL • Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro para o Desenvolvimento dos Cerrados - 3ª Fase (PRODECER III) * Fonte: Barbosa et al. (1998) *Este programa também conta com outras fontes de financiamento. II. b - OUTROS CRÉDITOS ATIVIDADES CONTEMPLADAS AGRICOLAS , PECUÁRIAS, AGROINDUSTRIAIS, INDUSTRIAIS, COMERCIAIS E DE SERVIÇOS. PROGRAMAS /PRODUTOS • Créditos para Comercialização * Fonte: Barbosa et al. (1998) Este programa também conta com recursos da Poupança Rural, Recursos Obrigatórios e STN. * 189 12.2 Questionário aplicado nas cooperativas Universidade Federal Rural de Pernambuco -UFRPE Mestrado de Administração Rural e Comunicação Rural – CMARC PESQUISA SOBRE A COMPETITIVIDADE E INOVAÇÃO TECNOLÓGICA NOS AGRONEGÓCIOS COOPERATIVOS PECUÁRIOS DE PERNAMBUCO FINANCIADOS COM RECURSOS DO FNE ENTRE 1990-1995 a) NOME DA COOPERATIVA____________________________________________________________________ b) MUNICÍPIO _________________________________ c) DATA FUNDAÇÃO COOPERATIVA_____/________ Seção I 1. DADOS GERAIS DA COOPERATIVA 1.1.1 ÁREA DE ATUAÇÃO ¹ Só distrito 1.1.2 O NEGÓCIO DA COOPERATIVA 1.1.3 LOCAL DA SEDE ² Só Município ¹ Só Pecuário ² ¹ Zona Urbana ² Zona Rural ³ Mais de um município Só Agrícola ³ 4 Outros (citar) Agropecuário Agroindustrial 4 1.1.4 DATA OBTENÇÃO EMPRÉSTIMO FNE ____/____ 1.2 INSTALAÇÕES 1.2.1 A SEDE DA COOPERATIVA É ¹ Própria ² Alugada ³ Cedida SE PRÓPRIA , adquirida em ___/___ 1.2.2 A COOPERATIVA POSSUI ¹ Propriedades rurais (Quantas?___) ² Galpões / Armazéns (Quantos?___) ³ Não possui outros imóveis 1.2.2.1 ALGUM IMÓVEL ACIMA FOI ADQUIRIDO OU CONSTRUÍDO ATRAVÉS / APÓS EMPRÉSTIMO FNE? ¹ Sim ² Não EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS ? 1.2.3 ASSINALE OS ITENS QUE EXISTEM NA COOPERATIVA E A QUANTIDADE ¹ Telefone (Quantos? ____) ² Fax 4 Rádio Comunicador (Quantos ?_____) 5 Internet (Quantos? ____) ³ Computador (Quantos?____) 6 Telex (Quantos ?____) 7 Outros (citar) 8 Não dispõe de nenhum equipamento citado 1.2.3.1 ALGUM ÍTEM ACIMA FOI ADQUIRIDOS ATRAVÉS / APÓS EMPRÉSTIMO FNE? ¹ Sim ² Não EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS ? 1.3 QUADRO ADMINISTRATIVO 1.3.1 DADOS PESSOAIS DO DIRETOR PRESIDENTE A) SEXO ¹ Masc D) ESCOLARIDADE ² Fem ¹ B) IDADE Sem escolaridade | ² C) DEDICAÇÃO 1° Grau Menor | ³ 1° Grau Maior | 4 ¹ ² Integral 2° Grau | 5 Parcial Superior | 6 Outros____ 1.3.2 QUANTAS PESSOAS A COOPERATIVA TEM NA DIRETORIA ? Nº ( ) 1.3.3 N° DE DIRETORES REMUNERADOS ( Pró-Labore, salários, etc) Nº ( ) 1.3.4 QUAL O PRINCIPAL DIRETOR REMUNERADO ? CARGO 1.3.5 INDIQUE A QUANTIDADE DE FUNCIONÁRIOS DA COOPERATIVA NO PERÍODO 1995 N° ( ) 1996 Nº ( ) 1997 Nº ( ) 1998 Nº ( ) 190 1.3.5.1 QUAL O NÍVEL DE ESCOLARIDADE DOS FUNCIONÁRIOS ( INDICANDO A QUANTIDADE) ? A) Sem escolaridade Nº ( ) B) 1º Grau Nº ( ) C) 2º Grau Nº ( ) D) Superior Nº ( 1.3.5.2 QUANTIDADE ATUAL DE FUNCIONÁRIOS COM ALGUM TREINAMENTO ) E) Outros Nº ( Nº ( ) ) 1.3.6 CARGOS EXECUTIVOS E TÉCNICOS REMUNERADOS EXISTENTES ATUALMENTE NA COOPERATIVA ¹ Gerente Industrial ² 4 Gerente Administrativo 7 Veterinário 10 Técnico Informática Gerente Comercial ³ 5 Contador 8 Zootecnista 11 Técnico Contabilidade Gerente Financeiro 6 Agrônomo 9 Técnico Agrícola 12 Outros (citar)___________ 1.3.6.1 ALGUM CARGO ANTERIOR FOI CRIADO DEVIDO / APÓS EMPRÉSTIMO FNE? ¹ Sim ² Não EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS ? 1.3.7 ASSINALE AS ESTRUTURAS DE GESTÃO ADMINISTRATIVA QUE A COOPERATIVA POSSUI ¹ 5 Contabilidade Financeiro / Econômico ² 6 Propaganda e Marketing Processamento de Dados ³ 7 Planejamento P&D 4 8 Recursos Humanos Outros (citar)__________ 1.3.7.1 ALGUM SETOR ACIMA FOI CRIADO DEVIDO / APÓS EMPRÉSTIMO FNE? ¹ Sim ² Não EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS ? 2. PRODUÇÃO 2.1 ¹ ³ 5 7 9 11 13 INDIQUE OS SETORES, SEÇÕES OU DEPARTAMENTOS EXISTENTES NA COOPERATIVA Compras em comum (revenda) Crédito / repasse Serviços de Transporte / Coleta da Produção Fábrica de Ração Central de Inseminação Artificial Educação / Capacitação Outros (citar)________________________ ² Vendas em comum (comercialização) 4 Patrulha Mecanizada 6 Posto Resfriamento / Armazenamento da Produção 8 Beneficiamento / Industrialização da Produção 10 Assistência Técnica 12 Assistência Social 2.1.1 ALGUM SETOR ACIMA FOI CRIADO ATRAVÉS / APÓS EMPRÉSTIMO FNE? ¹ Sim ² Não EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS ? 2.2 ASSINALE OS ITENS QUE A COOPERATIVA POSSUI ¹ Caminhões Caminhonetes Animal para Arado 4 7 (Quantos?___) ² (Quantos?___) 5 (Quantos?___) 8 Carros Motos Outros E A QUANTIDADE (Quantos? ____) ³ (Quantos? ____) 6 (Quantos? ____) 9 Tratores Pneu (Quantos?___) Tratores Esteira (Quantos?___) Nenhum item citado 2.2.1 ALGUM DESTES ITENS ACIMA FORAM ADQUIRIDOS ATRAVÉS / APÓS EMPRÉSTIMO FNE? ¹ Sim ² Não 2.4 QUAL A) Estado ( EM CASO AFIRMATIVO, QUAIS ? O PERCENTUAL DE VENDAS DA COOPERATIVA PARA %) B) Fora do Estado ( %) C) Fora País ( %) 2..3 QUAIS OS TRÊS MAIORES SETORES EM VOLUME DE FATURAMENTO ENTRE 1996-1998 E O Nº MÉDIO DE COOPERADOS ATENDIDOS / ANO ? PRINCIPAIS SETORES MINI 1. 2. 3. Nº COOPERADOS BENEFICIADOS PEQUENOS DEMAIS 191 3. CONSTITUIÇÃO DO QUADRO SOCIAL 3.1 INDIQUE A QUANTIDADE DE COOPERADOS 3.1.1 CATEGORIA DE PRODUTORES ASSOCIADOS QUANTIDADE 1993 1995 1990 1998 1. Mini 2. Pequenos 2. Demais Produtores TOTAL 3.1.2 QUANTIDADE DE COOPERADOS ATUAIS EM RELAÇÃO A POSSE DA TERRA A) Posseiros Nº ( ) B) Proprietários Nº ( ) C) Arrendatários 3.1.3 QUANTIDADE DE COOPERADOS ATUAIS 3.2 NÍVEL ) D) Outros Nº ( ) A) Homens Nº ( ) B) Mulheres Nº ( ) DE ESCOLARIDADE DOS COOPERADOS A) Sem escolaridade Nº ( 3.3 Nº ( ) B) 1º Grau Nº ( ) C) 2º Grau Nº ( ) D) Superior Nº ( ) E) Outros Nº ( ) COOPERADOS CAPACITADOS PELA COOPERATIVA (1990-1995) Nº ( __) E (1996-1998) N°(____) 3.4 A COOPERATIVA UTILIZA ALGUM CRITÉRIO PARA ADMITIR NOVOS ASSOCIADOS ? |¹ Sim 3.5 O ² Não | EM CASO POSITIVO, QUAIS? ¹ Atividade produtiva ³ Renda Bruta Agropecuária Anual ² 4 7 Volume de produção entregue Área de Terra explorada pelo produtor Outros (citar)______________ COOPERADO RECÉM-ADMITIDO RECEBE EDUCAÇÃO COOPERATIVA ? 3.6 A COOPERATIVA |¹ Sim ² Não | ¹ Sim ² Não UTILIZA ALGUM CRITÉRIO PARA ORGANIZAR OS SEUS ASSOCIADOS ? EM CASO POSITIVO, QUAIS? ¹ Atividade produtiva ³ Renda Bruta Agropecuária Anual 6 Volume de crédito recebido ² 4 5 7 Volume de produção entregue Área de terra explorada pelo produtor Localização geográfica Outros (citar)______________ ASSINALE AS ATIVIDADES EM QUE OS COOPERADOS PARTICIPAM INDICANDO MÉDIA PARTICIPANTES 3.7 1990 Atividade ¹ ² ³ 4 1993 1995 1998 Assembléias Gerais Ordinária Assembléias Gerais Extraordinária Reuniões de Núcleo de Base Reuniões Seccionais / Comitês 4. FINANCIAMENTO DO FNE 4.1 COOPERADOS BENEFICIADOS COM O PRIMEIRO EMPRÉSTIMO FNE? Nº TOTAL ( ) 4.1.1 QUANTIDADE DE COOPERADOS BENEFICIADOS COM FNE, SEGUNDO CATEGORIA A) Mini Nº ( ) B) Pequenos Nº ( ) C) Demais produtores Nº ( ) 4.1.2 QUANTIDADE DE COOPERADOS BENEFICIADOS COM FNE, SEGUNDO POSSE TERRA A) Posseiro Nº ( ) B) Proprietário Nº ( ) C) Arrendatário Nº ( ) | D) Outros Nº ( ) 192 4.2 O VALOR DO PRIMEIRO EMPRÉSTIMO SOLICITADO VIA FNE FOI IGUAL AO VALOR LIBERADO? |¹ Sim ² Não | 4.2.1 INDIQUE QUAL O R$_____________ R$_____________ VALOR SOLICITADO? ............... VALOR LIBERADO ?.................. 4.3 APÓS DATA______/_______ DATA______/_______ 1995 A COOPERATIVA OBTEVE NOVOS FINANCIAMENTOS VIA FNE ? ¹ Sim ² Não EM CASO AFIRMATIVO, EM QUE ANO E PARA QUE ? 4.4 QUAIS OS PROGRAMAS CONTRATADOS E O VALOR PERCENTUAL DESTES NO EMPRÉSTIMO TOTAL LIBERADO ? ¹ PROPEC ( 5 PROTERRA ( %) %) ² PROIR 6 PROGER ( ( %) %) ³ PROAGRI ( 7 PROCOOP ( %) %) 4 8 AGRIN ( Outros (citar)__ ( %) %) INDIQUE AS ÁREAS DE APLICAÇÃO DOS RECURSOS LIBERADOS ATRAVÉS DO FNE E AS TRÊS PRINCIPAIS ATIVIDADES FINANCIADAS ? 4.5 Investimento Valor Total (R$) Custeio Comercialização Valor Total (R$) Atividades 1___________ 2___________ 3___________ 1___________ 2___________ 3___________ 1.A PRÓPRIA 2.REPASSE Valor Total (R$) Atividades 1___________ 2___________ 3___________ 1___________ 2___________ 3___________ Atividades 1___________ 2___________ 3___________ 1___________ 2___________ 3___________ Total 4.6 ASSISTÊNCIA TÉCNICA E CAPACITAÇÃO 4.6.1 INDIQUE O VALOR DESTINADO (EM %) DO EMPRÉSTIMO FNE PARA A) Assistência Técnica ( _________________ % ) B) Capacitação ( ________________________ % ) 4.6.2 ASSINALE OS MEIOS UTILIZADOS PARA MINISTRAR A CAPACITAÇÃO ¹ Cursos ² Visitas de Campo ³ Seminários 4 Outros (Citar) (_________) 4.6.3 QUEM MINISTROU A CAPACITAÇÃO ? ¹ Pessoal da própria cooperativa ² Emater ³ SENAR 4 Outros (Citar) (_______________________________) 4.6.4 PARA QUEM FOI DESTINADA A CAPACITAÇÃO ? ¹ Cooperados ² Familiares dos cooperados ³ Empregados dos cooperados 4.6.5 TOTAL DE PESSOAS CAPACITADAS COM RECURSOS FNE : | A) Homens Nº ( 4 Outros (citar) ) | B) Mulheres 4.6.6 QUEM REALIZOU A ASSISTÊNCIA TÉCNICA ? ¹ Pessoal da própria cooperativa ² Outros (Citar) (_______________________________) Nº ( ) 193 4.7 QUAIS OS TRÊS PRINCIPAIS PRODUTOS PRODUZIDOS COM RECURSOS DO FNE, RECEBIDOS DOS COOPERADOS, PELO COOPERATIVA ENTRE 1996 E 1998 ? A) B) C) 4.7.1 INDIQUE O PERCENTUAL DESTES PRODUTOS COMERCIALIZADO E OU BENEFICIADO PELA COOPERATIVA ? (UTILIZAR MÉDIA ENTRE 1996 E 1998) PRODUTOS UNID Quantidade recebida dos cooperados % Comercializada pela % Beneficiado / Industrializado Cooperativa pela cooperativa 4.7.2 INDIQUE A DISTRIBUIÇÃO DA PRODUÇÃO COMERCIALIZADA PELA COOPERATIVA (em %) , E O PRINCIPAL COMPRADOR / RECEBEDOR DESTE PRODUTO LOCALIZAÇÃO DO MERCADO CONSUMIDOR 1. No estado 2. Fora estado 3. Fora país PRODUTO 1 Destino vendas (%) PRODUTO 2 Principal comprador * Destino vendas (%) Principal comprador * PRODUTO 3 Destino vendas (%) Principal comprador * Considera-se principais compradores os considerados a seguir: (1) venda direta ao consumidor (2) intermediário local (3) atacadista local / regional (4) agroindústria não cooperativa (5) outros (citar) Seção II 5. INDIQUE O NÚMERO DE ASSOCIADOS QUE RECEBERAM CURSOS DE CAPACITAÇÃO A PARTIR DA LIBERAÇÃO DOS RECURSOS DO FNE NAS SEGUINTES ÁREAS 1.Gestão ............................ Nº ( 3. Comercialização.............. Nº ( 5. Outros (citar).................... Nº ( 6. ) ) ) 2. Tecnologia / Manejo........................ Nº ( 4. Beneficiamento / Industrialização.... Nº ( ) ) O NÚMERO DE COOPERADOS PARTICIPANTES NAS REUNIÕES PARA DECISÃO SOBRE OS RECURSOS A SEREM OBTIDOS ATRAVÉS DE EMPRÉSTIMO ( FNE E OUTROS) EM % % 7. O GASTO MÉDIO MENSAL COM PESSOAL OCUPADO , FUNCIONÁRIOS OU DIRETORES (SEM ENCARGOS E EM R$ ) VALOR 1993 R$/mês ( __________ ) 8. VALOR 1995 R$/mês ( _________ ) ASSINALE OS INSTRUMENTOS ADMINISTRATIVA QUE A COOPERATIVA 8.1 GESTÃO FINANCEIRA 8.2 CONTROLE DE MATERIAIS ¹ ² ³ ¹ ² ³ Registros Contábeis Fluxos de Caixa Custos 4 Orçamento de Investimentos 5 Mercado de Capitais 6 Outros (citar)____________ 4 5 6 7 VALOR 1998 R$ / mês ( _______ ) Inventário Físico Controle de Saída Controle de Perdas Cadastro de Fornecedores Classificação e Codificação de Fornecedores Controle de Armazenamento de Produtos Outros (citar)_______________ UTILIZA NA GESTÃO 8.3 PLANEJAMENTO E ORGANIZAÇÃO ¹ Planejamento estratégico ² Planos de Ação ³ Organograma 4 Lay Out 5 Normas de Procedimentos 6 Sistema de Informação Gerencial 7 Outros (citar)________________ 194 CASO EXISTA PLANEJAMENTO NA COOPERATIVA RESPONDA DE 8.3.1 A 8.3.3 8.3.1 QUAL O PERÍODO DE ABRANGÊNCIA DO PLANEJAMENTO ? ¹ Um ano ² Dois a Quatro Anos ³ Mais de Quatro Anos 8.3.2 NA COOPERATIVA O PLANEJAMENTO EXISTE EM QUAIS ÁREAS ? ¹ Produção ² 4 Armazenamento 7 Beneficiamento / Industrialização 11 Propaganda e “Marketing” 14 Outros (especifique)__________ Comercialização ³ 5 Utilização de máquinas e implementos 8 Sistema de Informação Gerencial 12 Recursos Humanos Aquisição de insumos 6 Capacitação 9 Assistência Técnica 13 Materiais 8.3.3 QUEM PARTICIPA DO PLANEJAMENTO E O GRAU DE INFLUÊNCIA (EM %) ? ¹ ³ Dirigentes (_______%) Funcionários (_______%) 9. ² Cooperados (_______%) Entidades de Assistência Técnica (_______%) 4 INDIQUE AS ESTRATÉGIAS MERCADOLÓGICAS UTILIZADAS PELA COOPERATIVA ¹ ³ Pesquisa de mercado Controle de qualidade das matérias-primas recebidas 5 Utilização de incentivos para os cooperados aumentarem a qualidade e quantidade das matérias-primas 7 Estabelecimento do preço com base na concorrência 9 ² Utilização de incentivos para incrementar as vendas Venda dos produtos beneficiados diretamente ao consumidor Outros (especifique)_____________________ 10 12 Lançamento de novos produtos Controle do produto antes da comercialização Cálculo de todos os custos (diretos e indiretos), impostos e lucros para o estabelecimento de preços 8 Utilização de propaganda e/ou promoção de vendas 9 Venda da produção dos cooperados através de intermediários 11 Adoção de marca própria 4 6 10. A COOPERATIVA PARTICIPOU DE EVENTOS (Congressos, Seminários, Feiras, etc) LIGADOS AO SETOR COOPERATIVO OU PECUÁRIO ENTRE 1990 E 1998 ? 10.1 EVENTOS REGIONAIS ¹ Sim ² Não, em caso afirmativo ¹ indique a quantidade entre: 1990-1995 Nº ( 10.2 EVENTOS NACIONAIS ) 1996-1998 N° ( ) Sim ² Não, em caso afirmativo indique a quantidade entre: 1990-1995 Nº ( ) 10.3 EVENTOS INTERNACIONAIS ¹ Sim ² 1996-1998 N° ( ) Não, em caso afirmativo indique a quantidade entre: 1990-1995 Nº ( ) 1996-1998 N° ( ) 11. QUAIS OS PROGRAMAS TECNOLÓGICOS DESENVOLVIDOS PELA COOPERATIVA, E DISPONÍVEIS AO PRODUTOR, A PARTIR DO FINANCIAMENTO DO FNE? ¹ Vacinação Sistemática ² ³ Conservação de pastagens / forrageiras 4 5 7 Irrigação para formação de pastagens Controle leiteiro e / ou de peso 6 8 9 Inseminação artificial 10 Vermifugação Sistemática Banco de proteínas (leucena, algaroba, etc) / ensilagem / fenação Divisão do rebanho por categoria animal Instalação de bretes e / ou estábulos ou cochos Aquisição de matrizes e / ou reprodutores de raça melhorada 10.1 INDIQUE OS PROGRAMAS ACIMA QUE FORAM DESENVOLVIDOS ANTES DO EMPRÉSTIMO FNE (CITAR COLOCANDO A NUMERAÇÃO) ................................................. 195 12. COMO VOCÊ AVALIA O CONJUNTO DE INSTALAÇÕES, MÁQUINAS, EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO DA COOPERATIVA, COM RELAÇÃO AOS UTILIZADOS PELOS CONCORRENTES (SEJAM COOPERATIVAS OU NÃO) ? 1. Em Pernambuco ¹ Menos Moderno ² Semelhante ³ Mais moderno 4 Sem condições de opinar 2. No Brasil ¹ Menos Moderno ² Semelhante ³ Mais moderno 4 Sem condições de opinar 3. No Exterior ¹ Menos Moderno ² Semelhante ³ Mais moderno 4 Sem condições de opinar 13. QUAL A DESTINAÇÃO DO DEL-CREDERE RECEBIDO COOPERATIVA DECORRENTE DE OPERAÇÃO COM FNE? ¹ Reinversão na Cooperativa ² Ressarcimento das despesas com repasse OU ³ A RECEBER PELA Outros(citar)_________ 14. AVALIE QUAL O GRAU DE CONTRIBUIÇÃO DOS FATORES ABAIXO RELACIONADOS PARA O CRESCIMENTO DA CAPACIDADE TECNOLÓGICA DA COOPERATIVA Não aplicável 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 1. Aquisição de biotecnologia 2. Aquisição de tecnologia agroindustrial 2. Clientes locais 3. Compradores internacionais 4. Fornecedores 5. Parceiros locais 6. Parceiros internacionais 7. Compra de licenças (patentes) 8. Consultores privados em agronegócios 9. Concorrentes 10. Conhecimento dos dirigentes 11. Conhecimento dos associados 12. Conhecimento dos empregados 13. Literatura especializada 14. Incentivos fiscais 15. Ação Governamental 16. P & D (Pesquisa e Desenvolvimento) Irrelevante 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Pouco importante 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 Importante 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 3 Muito importante 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 4 Essencial 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 5 15. QUAL O VOLUME TOTAL DE INVESTIMENTOS NA COOPERATIVA APÓS 1995 (EM R$) ? 1995 | 1996 1997 1998 16. COMO A COOPERATIVA SE COMUNICA COM OS SEUS ASSOCIADOS ? ¹ ³ Através de Jornais Regionais / Estaduais Através de Programa de rádio da cooperativa 5 Através de Reuniões ² 4 6 Através de Jornal da própria cooperativa Boletins colocados na sede da cooperativa Outros (citar)________________________ 17. A COOPERATIVA JÁ REALIZOU OU ESTÁ REALIZANDO A IMPLANTAÇÃO DE PROCESSO DE GESTÃO PELA QUALIDADE TOTAL , NOS PRODUTOS E / OU SERVIÇOS? ¹ Sim, em caráter formal (indicar a entidade de apoio, caso haja________) ² Sim, em caráter informal ³ Não 196 Seção III 18. APÓS A OBTENÇÃO DO EMPRÉSTIMO DO FNE, QUAL O DESEMPENHO COOPERATIVA, COM BASE NOS INDICADORES ABAIXO RELACIONADOS: 1. Recebimento de produto dos cooperados 2. Beneficiamento / industrialização dos produtos 3. Vendas da cooperativa 4. Patrimônio da cooperativa 5.Endividamento da cooperativa 6.Lucro líquido sobre as vendas (bens / serviços) 7.Disponibilidade para pagamento de obrigações 8. Freqüência de visita de cooperados na cooperativa 9. Simpatia dos cooperados pelas ações da cooperativa Não aplicável Diminuiu muito Diminuiu pouco Permaneceu o mesmo Aumentou pouco Aumentou muito 0 1 2 3 4 5 0 1 2 3 4 5 0 0 0 1 1 1 2 2 2 3 3 3 4 4 4 5 5 5 0 1 2 3 4 5 0 1 2 3 4 5 0 1 2 3 4 5 0 1 2 3 4 5 DA 19. INDIQUE OS RESULTADOS DA COOPERATIVA NO FINAL DOS EXERCÍCIOS 1990 TIPO DO RESULTADO 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1. Perdas 2. Sobras 3. Nem sobras nem perdas 20. INDIQUE O FATURAMENTO TOTAL NOS SEGUINTES ANOS (EM R$): 1994 1995 1996 1997 1998 21. NO CASO DA COOPERATIVA SER AGROINDUSTRIAL INDIQUE OS PRINCIPAIS PRODUTOS Principais produtos 1. 2. 3. 4. 5. Produção Anual Unidade Preço Médio Venda (R$) 22. APÓS OBTENÇÃO DE FINANCIAMENTO DO FNE ATÉ 1998 A COOPERATIVA LANÇOU NOVOS PRODUTOS NO MERCADO ? ¹ Sim ² Não EM CASO POSITIVO, INDIQUE QUANTOS ENTRE 1996 E 1998 Nº ( ______ ) 22.1 QUAL O IMPACTO DESTES NOVOS PRODUTOS NO FATURAMENTO DA COOPERATIVA ? ¹ Diminuiu Muito ² Diminuiu Pouco ³ Permaneceu o mesmo 4 Aumentou pouco 5 Aumentou 6 Não influiu muito 23. EXISTEM COOPERADOS INADIMPLENTES NO PAGAMENTO DO EMPRÉSTIMO FNE? ¹ Sim ² Não EM CASO POSITIVO, INDIQUE O Nº DE COOPERADOS INADIMPLENTES (______ ) 24. A COOPERATIVA / COOPERADOS JÁ QUITOU TODO O DÉBITO EMPRÉSTIMO FNE ? ¹ Sim ² Não EM CASO NEGATIVO, QUAL O VALOR DO DÉBITO? 197 25. OS COOPERADOS QUE FORAM BENEFICIADOS COM REPASSE FNE APRESENTAM SINAIS DE MELHORIA DAS CONDIÇÕES ECONÔMICAS E SOCIAIS, EM RELAÇÃO AOS QUE NÃO FORAM BENEFICIADOS? ¹ Sim ² Não EM CASO POSITIVO, QUAIS? 26. A COOPERATIVA APRESENTA SINAIS DE MELHORIA DAS CONDIÇÕES ECONÔMICAS EM RELAÇÃO AS COOPERATIVAS QUE NÃO FORAM BENEFICIADOS COM FNE ? ¹ Sim ² Não EM CASO POSITIVO, QUAIS? Seção IV 27. QUAL A EXPECTATIVA QUE VOCÊ TEM PARA A COOPERATIVA DAQUI A 2 ANOS ? 1 Aumentar os agronegócios 2 Continuar igual Diminuir os agronegócios 3 4 Encerrar as atividades 5 Não tem previsão 28. EM CASO DE PRETENDER AUMENTAR OS AGRONEGÓCIOS, QUAIS OS RECURSOS ABAIXO DESCRITOS QUE INTENCIONA UTILIZAR? ¹ Capital da própria cooperativa ³ Capital dos cooperados (via integralização de cotas partes ou reinvestimento das sobras) 5 Bancos 7 Apoio governamental 9 Outros (especifique)__________________ ² Crédito de fornecedores 4 Adiantamento de clientes 6 8 Parceria com outras cooperativas Parceiros outros (citar)__________________ 29. QUAIS OS PRINCIPAIS ENTRAVES QUE PODERÃO IMPEDIR O DESENVOLVIMENTO DOS AGRONEGÓCIOS DA COOPERATIVA ? ¹ Falta de estrutura física 4 Desconhecimento do mercado 7 Carga Tributária ² Volume pequeno da produção 5 Localização geográfica 8 Falta parceria intercooperativa ³ Falta de recursos financeiros 6 Falta de pessoal especializado 9 Outros (citar)______________ Seção V 30. QUAIS INSTITUIÇÕES FINANCIAVAM AS ATIVIDADES DA COOPERATIVA, ANTES DA CRIAÇÃO DO FNE ? ¹ BNB ² Banco do Brasil ³ Outros Bancos 31. A COOPERATIVA ADERIU AO AGROPECUÁRIAS – RECOOP ? ¹ Sim ² Não 4 Crédito Informal 5 Não havia financiamento PROGRAMA DE REVITALIZAÇÃO DE COOPERATIVAS EM CASO NEGATIVO, INDIQUE MOTIVO ( _______________________________________ ) 198 32. INDIQUE AS ENTIDADES DE APOIO AOS AGRONEGÓCIOS COOPERATIVOS PECUÁRIOS QUE VOCÊ CONHECE. Caso a cooperativa tenha recebido algum tipo de apoio destas entidades, quer na implantação do projeto do FNE ou em outros programas / projetos, citar tipo de apoio e o grau de satisfação da escala abaixo ENTIDADES DE APOIO TIPO DE APOIO* 1.________________________ 2.________________________ 3.________________________ 4.________________________ 5.________________________ 6.________________________ 7.________________________ 8.________________________ GRAU DE MOTIVO SATISFAÇÃO** ______________________ ______________________ ______________________ ______________________ ______________________ ______________________ ______________________ ______________________ _____________ _____________ _____________ _____________ _____________ _____________ _____________ _____________ (1) Assistência técnica às atividades produtivas (2) Assistência técnica gerencial (3) Comercialização (4) Capacitação técnico / produtiva (5) Capacitação em gestão e administração (6) Outros (citar) (7) Não recebeu nenhum apoio (1) (2) (3) (4) (5) Muito Insatisfeito Insatisfeito Satisfação regular Satisfeito Bastante satisfeito 33. EM CASO DE CONHECER AS ENTIDADES MAS NÃO RECEBER APOIO, INDIQUE O MOTIVO: ¹ ³ Prazo de atendimento demorado Falta de interesse da cooperativa 5 A cooperativa não foi atendida anteriormente ² 4 6 Burocracia excessiva Falta de informação Outros (especifique)_____________________ 34. QUE TIPO DE APOIO A SUA COOPERATIVA GOSTARIA DE RECEBER? ENTIDADE? DE QUAL ___________________________________________________________________________________________ _____________________________________________________________________________________ 35. DÊ SUA OPINIÃO SOBRE O PAPEL DO FNE PARA O DESENVOLVIMENTO DOS AGRONEGÓCIOS COOPERATIVOS PECUÁRIOS DO ESTADO: ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________________