UNIVERSIDADE DA AMAZÔNIA CENTRO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E DA SAÚDE CURSO DE TERAPIA OCUPACIONAL ADELINE OLIVEIRA DA SILVA BIANCA CRISTINA OLIVEIRA DOS REIS A UTILIZAÇÃO DA TÉCNICA DE CONTENÇÃO INDUZIDA COM PACIENTES PÓS- AVE: UMA ABORDAGEM TERAPÊUTICO OCUPACIONAL. THE USE OF THE TECHNIQUE OF INDUCED, CONTAINMENT WITH PATIENTS POST-STROKE: A THERAPEUTIC APPROACH OCCUPATIONAL. BELÉM - PARÁ 2013 ADELINE OLIVEIRA DA SILVA BIANCA CRISTINA OLIVEIRA DOS REIS A UTILIZAÇÃO DA TÉCNICA DE CONTENÇÃO INDUZIDA COM PACIENTES PÓS-AVE: UMA ABORDAGEM TERAPÊUTICO OCUPACIONAL. THE USE OF THE TECHNIQUE OF INDUCED, CONTAINMENT WITH PATIENTS POST-STROKE: A THERAPEUTIC APPROACH OCCUPATIONAL. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Terapia Ocupacional da Universidade da Amazônia, como requisito para a obtenção do grau de Terapeuta Ocupacional. Orientador: Profª. Dra. Rogéria Pimentel de Araujo Monteiro BELÉM - PA 2013 ADELINE OLIVEIRA DA SILVA BIANCA CRISTINA OLIVEIRA DOS REIS A UTILIZAÇÃO DA TÉCNICA DE CONTENÇÃO INDUZIDA COM PACIENTES PÓS- AVE: UMA ABORDAGEM TERAPÊUTICO OCUPACIONAL. Trabalho de Conclusão de Curso de Graduação apresentado ao Centro de Ciências Biológica e da Saúde da UNAMA como requisito para a obtenção do grau de Terapeuta Ocupacional. Orientador: Profª. Dra. Rogéria Pimentel de Araujo Monteiro Banca Examinadora _____________________________________________ Profª. Dra. Rogéria Pimentel de Araújo Monteiro Orientador – UNAMA _________________________________________ Profª. Esp. Daniella Franco Coutinho UNAMA _________________________________________ Profª. Esp. Waldeíza Nascimento Ferreira UNAMA Apresentado em: ____ / ____ / _____. Conceito: ____________________ BELÉM – PA 2013 AGRADECIMENTOS “Você pode sonhar, criar, desenhar e construir o lugar mais maravilhoso do mundo... Mas é necessário ter pessoas para transformar seu sonho em realidade” Walt Disney Hoje, vivo minha tão sonhada realidade, mas que foi preciso muito esforço, determinação, paciência, perseverança, ousadia e abdicações para chegar até aqui, e nada disso eu conseguiria sozinha. Minha terna gratidão a todos aqueles que colaboraram para que este sonho (a minha formação) pudesse ser concretizado. Quero agradecer, em primeiro lugar, à Deus, pela força e coragem durante toda esta caminhada. O que seria de mim sem a fé que eu tenho nele? Dedico esta, bem como todas as minhas demais conquistas, ao meu bem mais precioso: minha família. Aos meus amados pais NILTON MAGALHÃES e IRANEIDE OLIVEIRA, e aos meus irmãos mais que queridos ALEX FLÁVIO e ALAN CAUÊ, pelo apoio incondicional nesta jornada. Agradeço aos amigos e colegas pelo incentivo e apoio constantes, e pela compreensão nos momentos de ausência. À querida Turma de Terapia Ocupacional de 2010 da UNAMA pelos bons momentos em sala de aula e, à adorada Turma 210 de Educação Física da UFPA que, com alegrias, brincadeiras e companheirismo, tornaram-se essenciais nesta jornada ao proporcionar práticas diferenciadas de ludicidade. À minha parceira, BIANCA OLIVEIRA, agradeço por todo seu apoio, sua motivação, compaixão, compreensão e amizade, não somente durante a realização desta pesquisa, como, também, nesses anos de graduação. À todos (as), o meu muito obrigada! Adeline Oliveira da Silva AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus e a Nossa Senhora, por terem me concedido a oportunidade de realizar meu sonho e ter sempre me guiado nestes 4 anos. A minha Rainha, minha mãe, meu modelo de inspiração, minha vida, Francisca Chagas de Oliveira Reis, que sempre esteve ao meu lado, me orientando sobre a vida e sobre o principal valor, a honestidade. Ao meu pai, João Gregório dos Reis Neto, que mesmo distante, sempre esteve ao meu lado, torcendo por mim. A minha segunda mãe, tia, madrinha, Lucimar Oliveira Machado, que nunca mediu esforços para me ajudar e me apoiar em tudo. AMO TODOS VOCÊS! Ao meu noivo, amor da minha vida Giovanni Vielmond Borges da Silva, por me amar, me apoiar, me dar conselhos, por ser um companheiro singular e por ser meu exemplo de humildade e profissionalismo. AMO TANTO VOCÊ! Aos meus familiares, que sempre torceram por mim, as minhas irmãs, minha afilhada, tios, primos e suas esposas, As minhas amigas queridas, Larissa Mendes de Oliveira, por sempre me escutar e fazer parte da minha vida acadêmica; Dielly Cristina Martins Paes, por sempre ter me dado força em todos os momentos; Larissa Macedo, por ter compartilhado seus conhecimentos e me dado palavras de incentivo. E a minha dupla, Adeline Oliveira da Silva, pelo companheirismo e por ter me ajudado na elaboração deste trabalho. A Instituição SABER, onde estagiei a grande parte do meu curso e que me proporcionou conhecimentos que levarei para toda a minha vida profissional. Especialmente a Terapeuta Ocupacional e amiga Silvia Beatriz de Souza Garcia, que sempre me orientou a exercer a profissão com amor, carinho e dedicação. “O mundo pode até fazer você chorar, mas Deus te quer sorrindo” (Padre Marcelo Rossi) Bianca Cristina Oliveira dos Reis AGRADECIMENTOS O professor é um parceiro de visão e experiência na construção do conhecimento, assumindo o seu papel de promotor, orientador, mediador, motivador e gestor da aprendizagem, deve ser fonte de motivação para o aluno. Neste sentido, agradecemos à todos os nossos mestres por seus inenarráveis ensinamentos. Em especial à querida ROGÉRIA PIMENTEL DE ARAÚJO MONTEIRO que, com muita paciência e atenção, dedicou do seu valioso tempo para nos orientar em cada passo desta pesquisa. Às professoras DANIELLA COUTINHO e WALDEÍZA FERREIRA, por aceitar fazer parte de nossa banca examinadora e por suas contribuições em nossa vida acadêmica e futura vida profissional. Agradecemos à dona NAZARÉ pelo apoio incondicional durante estes quatro anos de graduação, mostrando-se sempre prestativa quando procurada. E o que seria de nossa pesquisa sem as nossas participantes? Estas foram além de meros participantes de pesquisas. Mostraram-nos, na prática, a importância da relação terapêutica. Mais ainda, nos ressaltaram o importante papel da Terapia Ocupacional na àrea da reabilitação física. Agrademos à estas por todo aprendizado (profissional e pessoal), carinho, atenção, respeito e receptividade que nos dedicaram durante esta pesquisa. Adeline Oliveira da Silva e Bianca Cristina Oliveira dos Reis “O que significa cativar? significa criar laços (...) se me cativares, teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E serei para ti única no mundo (...) se me cativares, minha vida ficará ensolarada. Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra. Os teus me chamarão para fora da toca, como se fosse música.” (SFAR, 2008, da Obra O Pequeno Príncipe). RESUMO O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é um distúrbio no fluxo da circulação sanguínea, sendo a principal causa de óbito no Brasil e uma das principais consequências deste acidente é a hemiparesia. Devido a esta sequela, o paciente necessita do acompanhamento de uma equipe de reabilitação, onde poderão ser utilizados diferentes métodos ou técnicas. Estudos atuais abordam a aplicação da Técnica de Contenção Induzida, na qual imobiliza-se o membro superior não parético e emprega-se exercícios no membro superior afetado, com a finalidade de restituir a máxima independência do indivíduo. Assim, a presente pesquisa teve como objetivo analisar a aplicação da Técnica de Contenção Induzida em Indivíduos pós- AVE, a partir de uma abordagem Terapêutica Ocupacional. Como metodologia, trata-se de um estudo experimental, com dois pacientes de 69 a 71 anos do sexo feminino. Estas pacientes foram submetidas ao atendimento Terapêutico Ocupacional. Através da pesquisa mostrou que a referida técnica é eficaz para funcionalidade dos indivíduos com sequelas de AVE, quando nestes, encontra-se esboço de movimentação ativa. Palavras Chave: Acidente Vascular Encefálico. Técnica de Contenção Induzida. Independência Funcional ABSTRACT The Cerebrovascular Accident (CVA) is a disorder in the flow of blood circulation, and the major cause of death in Brazil and one of the main consequences of this accident is hemiparesis. Due to this sequel, the patient is in need of follow-up of a team of rehabilitation, where they can be used different methods or techniques.Current studies address the application of the technique of induced deems, in which stops if the member does not paretico and employs exercises in the affected limb, with the purpose of restoring the maximum independence of the individual. Thus the present project aims to identify and analyze the contributions of the technique for the functionality of the affected upper limb of patients with hemiparesis caused by sequelae of stroke. As methodology proposes an experimental study, with patients from 40 to 60 years of both sexes. These individuals shall be submitted to the therapeutic care Occupational, twice in the week, lasting an hour and a half. It is hoped through the research was to test the effectiveness of this technique for feature of individuals with sequelae of stroke. Key words: Cerebrovascular Accident. Technique of Induced deems. Functional Independence LISTA DE ILUSTRAÇÕES Figura 1 A – Estender roupa 32 Figura 1 B – Limpar a mesa 32 Figura 1 C – Brindar Copos 32 Figura 1 D – Tabuleiro das AVD’s 32 Figura 1 E – Servir Comida 32 Figura 1 F – Passar Roupa 32 Figura 1 G – Guardar Louça no Armário 32 Figura 1 H – Preparar Salada de Frutas 32 Figura 1 I – Atividade do Balão 32 Figura 1 J – Atividade das Argolas 32 Figura 1 K – Atividade auto expressiva 32 Figura 2 A– Prancha de Estabilização 33 Figura 2 B – Varal altura baixa 33 Figura 2 C – Bastão elevado 33 Figura 3 – Jogo de Tabuleiro 35 Figura 4 A – Recursos 36 Figura 4 B – Placa de Alinhavo 36 Figura 5 A – Confeccionar o Cartaz 37 Figura 5 B – Mensagem 37 Figura 5 C e D – Produção do Cartaz 37 Figura 6 – Salada de Frutas 38 Figura 7 – Dessensibilização 44 Figura 8 – Atividade 45 Figura 9 – Atividade Proprioceptiva 46 Figura 10 – Recursos da Atividade 46 LISTA DE TABELAS Tabela 1 – Análise do Desempenho Ocupacional – MIF de Esmeralda- 2013..............39 Tabela 2 – Análise dos Componentes de Desempenho de Esmeralda –MSD- 2013......40 Tabela 3 – Análise do Desempenho Ocupacional – MIF de Rubi – 2013......................47 Tabela 4 – Análise dos Componentes de Desempenho de Rubi –MSD- 2013...............48 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS ADM Amplitude de Movimento AIT Ataque Isquêmico Transitório AVC Acidente Vascular Cerebral AVD’S Atividades da Vida Diária AIVD’s Atividades Instrumentais da Vida Diária AVE Acidente Vascular Encefálico CLINTO Clínica de Terapia Ocupacional COFFITO Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional ECG Eletrocardiograma LCR Líquido Cefalorraquidiano MIF Medida de Independência Funcional MS Membro Superior MSD Membro Superior Direito RM Ressonância Magnética SBDCV Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares TCC Tomografia Computadorizada Crânio- encefálico TCC Trabalho de conclusão de curso TCI Técnica de Contenção Induzida TCLE Termo de Consentimento e esclarecido UEAFTO Unidade de Ensino e Assistência de Fisioterapia e Terapia Ocupacional UEPA UNAMA Universidade do Estado do Pará Universidade da Amazônia SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ................................................................................................ 12 1.1 OBJETIVOS ...................................................................................................... 14 1.1.1 Geral .................................................................................................................. 14 1.1.2 Específicos ........................................................................................................ 14 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ....................................................................... 15 2.1 ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO ....................................................... 15 2.1.1 Acidente Isquêmico............................................................................................16 2.1.2 Acidente Hemorrágico......................................................................................16 2.1.3 Quadro Clínico ..................................................................................................17 2.1.4 Diagnóstico........................................................................................................ 19 2.1.5 Tratamento.........................................................................................................20 2.2 A TERAPIA OCUPACIONAL ......................................................................... 21 2.3 A TERAPIA POR CONTENÇÃO INDUZIDA ................................................ 24 3 METODOLOGIA ............................................................................................ 27 4 ANÁLISES E RESULTADOS ...................................................................... . 30 4.1 CARACTERIZAÇÃO DOS PARTICIPANTES............................................... 30 4.1.1 Paciente Esmeralda.......................................................................................... 30 4.1.2 Paciente Rubi..................................................................................................... 43 5 DISCUSSÃO ..................................................................................................... 50 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS .......................................................................... 54 REFERÊNCIAS................................................................................................. 55 APÊNDICES..................................................................................................... 58 ANEXOS ........................................................................................................... 70 12 1 INTRODUÇÃO O Acidente Vascular Encefálico (AVE) é considerado como o primeiro lugar geral nos casos de óbito no Brasil conforme o Ministério da Saúde e a segunda causa de óbito no mundo, tendo 170.000 internações por ano no Brasil dentre os anos de 2005 a 2009 com bases nas informações do DATASUS (Portaria nº 664, de 12 de Abril de 2012). Quanto à incidência, acomete principalmente os indivíduos com idade acima de 65 anos, porém pode acometer indivíduos de qualquer faixa etária (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). O AVE também recebe outras denominações, tais como Acidente Vascular Cerebral (AVC) e derrame. Este acidente é um déficit neurológico devido à alteração no fluxo da circulação sanguínea, sendo esta alteração motivada por diversas etiologias, as quais classificam o tipo do acidente. Assim, podem ser observados os seguintes tipos de AVE: hemorrágicos, isquêmicos ou lacunares (FULLER; MANFORD, 2002). Segundo o DATASUS, esse último é o mais comum, sendo responsável por 85% dos casos, possuindo como definição a falta ou diminuição de circulação do sangue em certa área do cérebro devido uma oclusão de arteríolas, resultante de arteriosclerose. Tem como conseqüência comprometimentos funcionais de acordo com a área cerebral lesada, portanto, ocasionando seqüelas heterogêneas como: sensorial, motora, cognitiva, psicológica, da linguagem, dentre outras. Devido intensas alterações, é relevante o acompanhamento de uma equipe multiprofissional composta por médicos, terapeutas ocupacionais, fonoaudiólogos, enfermeiros, assistentes sociais, psicólogos e fisioterapeutas (ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA, s.d.). Segundo Melo et al (2003), o AVE é a principal causa de incapacidade neurológica, predispondo o paciente à algumas consequências como hemiparesia e apraxia sendo, respectivamente, paralisia parcial de um lado do corpo e a inaptidão de executar certos movimentos. Tendo em vista as alterações que as seqüelas ocasionam a um paciente pós o AVE, atualmente, há estudos da aplicação de uma técnica de reabilitação, denominada contenção induzida. A Técnica de Contenção Induzida (TCI), também denominada como terapia do uso forçado; terapia da restrição ou terapia do movimento induzido tem como objetivo 13 restituir total ou parcialmente a independência individual e favorecer o reaprendizado das suas funções que foram modificadas no membro superior afetado (parético). Membro este indispensável nas atividades da vida diária (AVD’s) de um ser humano, por possuir a capacidade de alcance, preensão e manipulação dos objetos (SILVA; TAMASHIRO; ASSIS, 2010). A TCI consiste em uma terapia de imobilização do membro superior não afetado, com o uso forçado e exercícios repetitivos do membro parético, visando à recuperação da função do membro superior afetado. Atualmente, a maioria dos estudos do uso desta técnica é destinada para pacientes pós AVE, tendo um protocolo próprio, porém já é possível observar algumas pesquisas que alteram o mesmo (FREITAS et al, 2010). É trivial que alguns pacientes negligenciem o membro afetado após o AVE, ou seja, utilize mais o membro contralateral devido as incapacidades que a patologia institui, como já foi ressaltado. Portanto, para Weinert, Saloni e Bellani (2011) esta técnica impossibilita a perda total ou parcial da função, na qual o alvo é o membro superior parético, que será estimulado sensorialmente e fisicamente com exercícios de repetição para aumentar a funções do membro superior, tais como o alcance e a preensão. Nos últimos anos vem crescendo o número de casos de indivíduos que sofreram o Acidente Vascular Encefálico (AVE), portanto, a escolha do tema tem relevância na medida em que propõe executar estudos sobre a intervenção para indivíduos que apresentam seqüelas neurológicas. Os indivíduos que sofreram AVE presenciam uma ruptura na sua rotina ocupacional devido às limitações que tal acidente ocasiona, tais como: físicas, sensoriais, emocionais, cognitivas, de linguagem, dentre outras. Limitações estas que, algumas vezes, extraem a autonomia do indivíduo. Partindo deste pressuposto, é de extrema importância a utilização de técnicas pela Terapia Ocupacional que possam trazer resultado satisfatório, melhor qualidade de vida e autonomia para o indivíduo. Assim, nesta pesquisa, utilizou-se a Técnica de Contenção Induzida. 14 Estudos realizados mostraram que a grande relevância da aplicação da TCI está na reabilitação do membro superior parético, sendo o comprometimento funcional da mão uma das seqüelas mais significante e essencial para o indivíduo, visto que, o referido membro tem papel fundamental na independência e autoestima do ser humano (FREITAS et al, 2010). Outros estudos mostraram que, com o uso da TCI, pode-se evitar a perda da função do membro superior parético, visto que esta técnica pode favorecer grande melhora funcional. Porém, ainda há poucos estudos sobre este tema, sendo, em sua maioria, estudos de caso. Portanto, fazem-se necessárias novas pesquisas para, cada vez mais, comprovar e melhorar a sua eficácia (SILVA; TAMASHIRO; ASSIS, 2010). Apesar de estudos já existentes sobre a TCI, observa-se ainda a necessidade de novas pesquisas sobre o tema, que venham a comprovar a eficácia da técnica e as possibilidades de adaptação do protocolo proposto. Assim, esta pesquisa traz as seguintes questões norteadoras: A Técnica de Contenção Induzida pode se mostrar eficaz para melhora da funcionalidade do membro parético? É possível adaptar o protocolo previsto pela técnica visando atender as especificidades de cada pesquisa? 1.1 OBJETIVOS 1.1.1 Geral Analisar aplicação da Técnica de Contenção Induzida em indivíduos pós - AVE, a partir de uma abordagem Terapêutica Ocupacional. 1.1.2 Específicos Descrever e comparar os ganhos adquiridos após o uso da Técnica de Contenção Induzida. Avaliar a melhora na funcionalidade do membro afetado. 15 Verificar se a adaptação no protocolo previsto pela técnica, no que se refere ao tempo de estimulação, é suficiente para garantir a melhora funcional do paciente com seqüela de AVE. 2 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1 ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO O Acidente Vascular Encefálico (AVE) apresenta distintas denominações como derrame e Acidente Vascular Cerebral. É um déficit neurológico ocasionado por lesão no encéfalo, decorrente de uma redução do fluxo sanguíneo pelas artérias do cérebro (COLLINS, 1997). Conforme Cavalcanti e Galvão (2007), o AVE trata-se de um déficit de início súbito, decorrente da interrupção do fluxo sanguíneo para uma determinada área, trazendo diversas conseqüências. Segundo Teixeira et al (2003, p. 3), o AVE caracteriza-se por “uma síndrome clínica descrita como déficit neurológico focal causado por alteração na circulação sanguínea cerebral e com conseqüência nos planos cognitivos e sensoriomotor, de acordo com a área afetada e sua extensão”. O AVE apresenta diversas conseqüências dependendo da área lesada. Seus sinais clínicos aparecem rapidamente, podendo levar ao coma ou ao óbito. Caso seus sintomas durem menos de 24 horas, ocorram por alguns minutos e depois haja recuperação completa, é denominado de Ataque Isquêmico Transitório (AIT) (GAZZOLA, 2007). Segundo Brasil (2012), o AVE é a principal causa de óbito no Brasil, tendo aumento na incidência de vítimas fatais, de 84.713 em 2000, para 99.726 em 2010. Embora possa acometer indivíduos de faixa etária diferentes, há prevalência em pessoas acima de 65 anos. Quanto sua etiologia, as principais causas do AVE são a isquemia e a hemorragia, sendo que a primeira é mais comum, representando 70 a 75% de casos. Porém, Cavalcanti e Galvão (2007) ressaltam traumas e tumores também como fatores causais. 16 2.1.1 Acidente isquêmico É ocasionado por uma oclusão no vaso sanguíneo que impede ou reduz o fluxo sanguíneo nas arteríolas, resultando na alteração de suprimento sanguíneo no cérebro e, conseqüentemente, na lesão de uma área cerebral, levando a um infarto cerebral (COLLINS, 1997). Conforme Fuller e Manford (2002), este infarto pode ser provocado por êmbolo, trombose e lacunares. Um fator importante para o AVE isquêmico é o ateroma, que consiste em uma placa de gordura que se localiza nas paredes internas das artérias e que, com o tempo, pode calcificar-se. Os mesmos autores definem: AVE embólico: é a obstrução da arteríola devido ao deslocamento de partícula de gordura, de coágulo de sangue, que provém do coração (aorta) ou das artérias proximais do mesmo. AVE trombótico: é um coágulo sanguíneo originado e estacionário nas artérias cerebrais. AVE lacunar: é a oclusão da arteríola cerebral que sofreu um infarto decorrente a hipertensão arterial sistêmica. 2.1.2 Acidente hemorrágico O AVE hemorrágico é o menos comum, no entanto ocorre quando há extravasamento de sangue na área cerebral (GAZZOLA, 2007). Segundo Champion (2004), esse extravasamento é devido ao rompimento de um aneurisma, que consiste em dilatação de uma artéria, podendo ocasionar o AVE hemorrágico. Outra causa da efusão de sangue é uma má-formação ou um trauma cranioencefálico. O controle dos fatores de risco (principalmente a hipertensão arterial, por ser a principal causa) reduz significativamente a possibilidade de um indivíduo sofrer o AVE, tanto isquêmico quanto hemorrágico. Freitas et al (2010) classificam os riscos em: modificáveis, não modificáveis e outros. Modificáveis: Hipertensão arterial: é o principal fator de risco para o indivíduo sofrer o AVE. Diabetes melito: é um fator importante para sofrer AVE. Tabagismo: eleva o nível de aterosclerose. 17 Doença cardíaca Hiperlipidemias Sedentarismo Ataques Isquêmicos Transitórios Não Modificáveis: Hereditariedade Idade: acima de 65 anos. Raça: maior incidência na raça negra. Sexo: incidência discretamente superior no sexo masculino. Malformação arteriovenosa cerebral Outros: anticoncepcionais orais, consumo excessivo de bebidas alcoólicas. 2.1.3 Quadro clínico O quadro clínico difere entre os indivíduos, pois decorre da artéria afetada que, conseqüentemente, lesa uma área responsável por uma determinada função. Segundo Gazzola (2007), alguns sintomas que o indivíduo poderá apresentar no lado do corpo comprometido são: Parestesias: são sensações cutâneas subjetivas (ex., frio, calor, formigamento, pressão, etc.) que são vivenciadas espontaneamente na ausência de estimulação. Podem ocorrer caso algum nervo sensorial seja afetado por contato ou rompimento das terminações nervosas. Perda da força total ou parcial (hemiparesia e hemiplegia): a hemiparesia é a paralisia parcial de um lado do corpo, já a hemiplegia consiste na paralisia total de uma metade do corpo. Afasia: é um distúrbio na formulação e compreensão da linguagem, caracteriza-se por dificuldade em se expressar verbalmente e compreender o que está sendo dito. Podem levar a um discurso vago ou vazio caracterizado por longos circunlóquios e pelo uso excessivo de referências indefinidas como "coisa" ou "aquilo". Estrabismo: corresponde à perda do paralelismo entre os olhos. Existem três formas de estrabismo, o mais comum é o convergente (desvio de um dos olhos para dentro), 18 mas podem ser também divergentes (desvio para fora) ou verticais (um olho fica mais alto ou mais baixo do que o outro). Apraxia: é uma desordem neurológica que se caracteriza por provocar uma perda da habilidade para executar movimentos e gestos precisos, apesar do paciente ter a vontade e a habilidade física para executa-los. Caracteriza-se, mais especificamente, na diminuição da capacidade para executar atividades motoras apesar das capacidades motoras, a função sensorial e a compreensão da tarefa requerida estarem intactas. Leva à diminuição das capacidades de pantomima na utilização de objetos, por exemplo, escovar o cabelo e da capacidade de execução de atos motores conhecidos, como, acenar em adeus. Agnosia: consiste na perda ou deterioração da capacidade para reconhecer ou identificar objetos, apesar de manterem a função sensorial intacta (visão, audição e tato). A perda da capacidade de reconhecer pode incluir objetos, pessoas, sons e forma. Uma pessoa com agnosia pode, por exemplo, ter visão normal e não ter capacidade de reconhecer objetos cotidianos, pessoas familiares ou mesmo sua própria imagem no espelho. Cefaléia intensa: cefaleia é o termo médico para dor de cabeça. É um dos sintomas mais comuns na medicina. Pode ser classificada em primária e secundária. As primárias mais comuns são: enxaqueca, cefaléia de tensão, cefaléia em salvas. Já as secundárias são aquelas causadas por alguma outra doença, tais como tumores cerebrais, traumatismo craniano, meningites, AVE (derrame), hidrocefalia, Herpes-zóster e aneurismas. Marcha alterada: normalmente a marcha de um indivíduo pós - AVE é a ceifante, no qual constitui na espasticidade no membro inferior afetado, impedindo o mesmo flexionar, fazendo com que nessa macha o mesmo “arraste” a parte anterior (dedos) do membro inferior e “jogue” a parte de posterior (calcanhar). Distúrbio no equilíbrio: a vertigem e a tontura são sintomas comuns a diversas alterações de equilíbrio que provocam o mau funcionamento do labirinto também chamado orelha interna e responsável pela audição e pelo equilíbrio corporal. Alteração na sensibilidade: sensibilidade é a capacidade que homens e animais têm de receber informações sobre as diferentes partes do seu corpo. Essas informações podem ser referentes ao meio ambiente ou ao próprio corpo do animal e nem todas se tornam conscientes. Embora não tenhamos consciência de todas as informações recebidas pelo organismo, estamos sujeitos a diversos tipos de estímulos provenientes 19 do meio. Alterações neste componente podem interferir na detenção do estímulo propriamente dito (denominada sensação) e na interpretação do estímulo que envolve a consciência (percepção). De acordo com a Teixeira et al (2003), o indivíduo com Acidente Vascular Encefálico, apresenta seis fases de recuperação funcional do membro superior afetado, de acordo com a escala de BRUNNSTROM que são: Fase I: O membro encontra-se flácido, sem movimento por ato reflexo ou voluntária. Fase II: Espasticidade em desenvolvimento. Fase III: Espasticidade evidente. Nesta fase encontra-se o grau Maximo da espasticidade e inicia o movimento voluntário. Fase IV: Espasticidade declina. Fase V: Espasticidade esboçada. Fase VI: Espasticidade mínima. Segundo Teixeira et al (2003), dependendo da lesão, o paciente pode estacionar em alguma fase, porém quanto maior o tempo na fase I, encontrando-se flácido, pior será seu prognóstico de recuperação motora. 2.1.4 Diagnóstico O diagnóstico é realizado através da história clínica que o paciente ou o responsável relata. Após escutar sobre os acontecimentos, o médico irá encaminhar o paciente para fazer exames físicos e neurológicos para detectar a artéria acometida (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). O diagnóstico do Acidente Vascular Encefálico Isquêmico é realizado de acordo com a anamnese e com os exames do sistema nervoso, neurovascular e cardíaco, através da Ressonância Magnética (RM), Eletrocardiograma e Tomografia Computadorizada Crânio-encefálica (TCC), bem como aferição da pressão arterial e temperatura, além de exames laboratoriais como o hemograma (TOOLE, 2002). Segundo Toole (2002), a TCC é realizada para confirmar se o AVE trata-se de um acidente isquêmico ou hemorrágico, bem como determinar a artéria acometida. Já a 20 RM serve para detectar a área cerebral lesionada pela isquemia, na qual se visualiza a presença hiperintensidade da região afetada. As possíveis complicações neurológicas do Acidente Vascular Encefálico de acordo com Collins (1997) serão: Hidrocefalia Transformação hemorrágica Crises epilépticas 2.1.5 Tratamento O tratamento do paciente que sofreu o AVE é realizado conforme a classificação do tipo de acidente. Caso seja isquêmico, o tratamento envolve a remoção do trombo, para regularizar ou melhorar o fluxo sanguíneo, através da inserção de cateteres. Já com AVE hemorrágico, o tratamento é ainda bastante controverso, porém é utilizado o controle da pressão arterial e o tratamento cirúrgico (ABRAMCZUK; VILLELA, 2009). É de extrema importância verificar a artéria afetada, a área cerebral lesada e a etiologia para poder iniciar o tratamento do indivíduo que sofreu o AVE. De acordo com Collins (1997), o tratamento é realizado em três etapas, a primeira é a preventiva que identifica e controla os fatores de risco, a segunda etapa é quando o indivíduo já sofreu o AVE, encontrando-se na fase aguda, onde é encaminhado para o serviço de emergência para efetuar a avaliação e controlar a função cardíaca e a respiração, realizar os exames necessários (envolve o uso do medicamentos antitrombóticos, para prevenirem outros acidentes vasculares encefálicos), e a terceira etapa consiste na intervenção multiprofissional (médico, terapeuta ocupacional, nutricionista, psicólogo, fisioterapeuta, enfermagem) (ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA, s.d.). Segundo a SBDCV (2002), o indivíduo com AVE agudo será atendido em um serviço de urgência neurológica por um medico neurologista clinico, que fará a investigação e a confirmação do acidente através do exame clinico e do subsidiário como Tomografia computadorizada do crânio, Ressonância magnética encefálica (RM), investigação etiológica, exame do Líquido Cefalorraquidiano (LCR) e exames sanguíneos. Após ter realizado todos os exames necessários, deverá ser controlada a 21 pressão arterial, glicemia, temperatura, hiperventilação, hemodiluição, tiagregação plaquetária, anticoagulantes, trombolíticos, endarterectomia carotídea, neuroproteção e antiedematosos. Detalhando alguns dos procedimentos relatados pela SBDCV (2002), percebe-se que o controle da glicemia trata-se da análise e controle da mesma, com objetivo de mantê-la abaixo de 120 mg/dL. A hipertemia, ou seja, aumento da temperatura que por sua vez exacerba a lesão neurológica deve ser moderada (33-34 ºC). No caso da hiperventilação objetiva-se a redução da pressão intracraniana e/ou edema cerebral, tratando de uma conduta emergencial. O tratamento para o paciente pós - AVE é voltado às sequelas pós-acidente e no controle dos fatores de riscos, como por exemplo, insuficiência cardíaca; infecções respiratórias; história familiar; hipertensão, entre outros. O controle destes fatores é realizado de diversas formas, dentre elas, destaca-se o uso de medicamentos e a adequação de hábitos. Em relação à hipertensão faz-se a prescrição de medicamentos anti-hipertensivos. Referindo-se ao colesterol, o tratamento objetivará a redução do mesmo com uso de medicamentos reeducação alimentar. No caso da obesidade, o primordial é a inspeção, orientação e extração de hábitos nocivos como fumar, ingerir bebida alcoólica e sedentarismo (NETTO; LOTUFO; LOLIO, 1990). 2.2 A TERAPIA OCUPACIONAL A Terapia Ocupacional segundo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (COFFITO) é a área que possui estudos sobre a prevenção e do tratamento de indivíduos que possuem déficits motores, cognitivos, comportamentais e psicológicos decorrentes de qualquer patologia adquiridas, através da utilização da atividade humana. É um profissional dotado de formação nas Áreas de Saúde e Sociais. Sua intervenção compreende avaliar o cliente, buscando identificar alterações nas suas funções práxicas, considerando sua faixa etária e/ou desenvolvimento da sua formação pessoal, familiar e social. A base de suas ações compreende abordagens e/ou condutas fundamentadas em critérios avaliativos com eixo referencial pessoal, 22 familiar, coletivo e social, coordenadas de acordo com o processo terapêutico implementado (COFFITO, s.d). A intervenção terapêutica ocupacional tem como objetivo proporcionar a independência do indivíduo. O tratamento inicia-se com a anamnese para identificar o quadro clínico, a motivação, interesse e o suporte social do indivíduo. Após a anamnese, a próxima etapa do tratamento consiste na formulação do plano terapêutico que conterá os objetivos, recursos e metodologia, mencionando a técnica que será utilizada, como por exemplo, a de Bobath, Técnica de Contenção Induzida, Rood e outras (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). Segundo Cavalcanti e Galvão (2007, p. 3), a Terapia Ocupacional é uma profissão que tem como objetivo melhorar o desempenho ocupacional dos indivíduos, que varia de bebês a idosos, superando seus déficits e limitações. Segundo tais autores, a Terapia Ocupacional: É um campo de conhecimento e de intervenção em saúde, educação e na esfera social, reunindo tecnologias orientadas para emancipação e autonomia das pessoas que por razões ligadas a problemática especifica, físicas, sensoriais, mentais, psicológicas e/ ou sociais, apresentam, temporariamente ou definitivamente, dificuldade na inserção e participação na vida social. As intervenções em Terapia Ocupacional dimensionam-se pelo uso da atividade, elemento centralizador e orientador, na construção complexa e contextualizada do processo terapêutico. Posteriormente ao perfil (entendida como anamnese do indivíduo), deverão ser avaliados os componentes de desempenho que inclui: força muscular; tônus; sensibilidade; edema e trofismo; amplitude de movimento; equilíbrio; motricidade e outros, por meios de recursos adequados para avaliá-los como, por exemplo, o dinamômetro, a Escala de Ashworth modificada, o teste dos Monofilamentos de Semmes - Weinstein, a fita métrica, o goniômetro e as atividades propostas. Perfil executado, componentes de desempenho avaliado, plano terapêutico formado, a etapa seguinte é a intervenção propriamente dita, que dependerá das necessidades, das limitações e das seqüelas do paciente (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). 23 Conforme De Carlo e Luzo (2004), os objetivos da Terapia Ocupacional para pacientes neurológicos são os seguintes: Treinamento para independência funcional nas Atividades da Vida Diária (AVD’s); estimulação para o planejamento motor; controle de edemas; prescrição de órteses; indicação de adaptações e reintegração às atividades sociais. O tratamento terapêutico ocupacional também poderá ter como objetivos as orientações domiciliares, as AVD’s, as orientações posturais e a estimulação sensorial no membro acometido, na qual se utilizam diferentes materiais e texturas, sendo que, se dará início a estimulação na área cuja sensibilidade encontra-se preservada, para que o paciente conheça a sensação que o estímulo proporciona. Pode-se ainda, estimular a amplitude de movimento para ajudá-lo no alcance do objeto desejado, na sua preensão, coordenação, dentre outros. Tendo como objetivo maior, proporcionar ao indivíduo pósAVE um maior grau de independência (TEIXEIRA et al, 2003). Conforme relatado anteriormente, a recuperação do individuo que sofre AVE é classificado em fases e para cada fase há dinâmicas de intervenção (TEIXEIRA et al, 2003). Nas Fases I e II, o tônus está flácido, portanto o objetivo da intervenção é elicitar o tônus muscular, favorecendo um melhor posicionamento, bem como reações associadas, reflexos, estímulos proprioceptivos e atividades bilaterais. Na fase III, o objetivo é estimular a movimentação voluntaria, favorecendo a dissociação. Nas fases IV e V, o objetivo é favorecer a movimentação voluntária, com atividade de estímulos propioceptivos e exteroceptivos. Já na fase VI, a intervenção tem como objetivo favorecer a realização de movimentos isolados, aumentar a velocidade do movimento. Em relação as suas AVD’s, o Terapeuta Ocupacional tem como objetivo proporcionar maior autonomia ao paciente, no que se refere às atividades de autocuidado, vestuário, alimentação banho, transferência, integração social e dentre outros. Na alimentação, por exemplo, a intervenção consiste desde ajudar o paciente a 24 escolher o alimento, bem como facilitar a ingestão do mesmo. No vestuário envolve desde a escolha da roupa adequada até colocação das mesmas, bem como os acessórios. Portanto em sua atuação, o Terapeuta Ocupacional trabalha do mais simples ao mais complexo, sempre respeitando o limite do seu paciente (GAZZOLA, 2007). A reabilitação do paciente pós - AVE pode ser iniciada com a mobilização do hemi-corpo comprometido, podendo ser realizada assim que o estado clínico do mesmo encontrar-se estável. No tratamento é incluído também a prevenção de contraturas para não interromper e atrasar sua recuperação funcional e para que isso não ocorra, deve-se realizar a mobilização e preservar a amplitude de movimento, bem como orientar o posicionamento adequado do mesmo (TOOLE, 2002). Outra intervenção está direcionada à complicação denominada ombro doloroso, a qual consiste em lesão musculoesquelética muito comum nos pacientes pós - AVE. É ocasionada devido à tração sobre o braço, o posicionamento incorreto, a negligência do membro e a abdução vigorosa do mesmo. Para tal, o tratamento adequado é o posicionamento correto do ombro, evitando a tração ou torção e a introdução das atividades necessárias tendo como objetivo minimizar ou eliminar a síndrome do ombro doloroso (TOOLE, 2002). Portanto, o tratamento Terapêutico Ocupacional é baseado no cliente, nas suas limitações e seus anseios, mantendo sempre o objetivo de proporcionar o melhor desempenho ocupacional e maior independência ao paciente (CAVALCANTI; GALVÃO, 2007). 2.3 A TERAPIA POR CONTENÇÃO INDUZIDA A Terapia por Contenção Induzida (TCI) “Constraint-induced Movement Therapy”, também conhecida como Técnica de Restrição é uma nova terapêutica que visa recuperar a função do membro superior (MS) parético de pacientes com sequelas motoras de lesões encefálicas adquiridas, por meio de treinamento intensivo e uso de uma restrição (luva ou tipóia) no MS não parético durante 90% do dia (SILVA; TAMASHIRO; ASSIS, 2010). Segundo Weinert, Saloni e Bellani (2011), a TCI também é conhecida como Terapia do Movimento Induzido e esta consiste na imobilização e na restrição do uso do 25 MS não parético do paciente portador de uma hemiparesia, visando estimular a maior utilização do MS que possui seqüelas neuro-sensório-motoras. Para Gamba e Cruz (2011), é uma das terapias que têm demonstrado grandes resultados, pois seu foco principal consiste na desprogramação do desuso motor e não apenas da disfunção motora, manifestada pelo indivíduo hemiparético. A este, são direcionadas sessões de terapias para treino do uso do MS parético e é estimulado a reproduzir os movimentos nas suas AVD’s. Criada por Dr. Taub, neuropsicólogo e pesquisador da Universidade do Alabama em Birmingham - EUA, a TCI teve o seu início com pesquisas pré-clínicas em primatas machos jovens e possui embasamento teórico pela superação da Teoria do Desuso “learned nonused”, pela qual os primatas voltaram a utilizar o MS parético nas atividades cotidianas após o uso forçado do mesmo durante duas semanas (SILVA; TAMASHIRO; ASSIS, 2010). Para Silva, Tamashiro e Assis (2010), a base teórica da terapia está na superação, com treinamento intensivo, da teoria do desuso do MS lesado. Assim, os pacientes submetidos à terapia adquirem o hábito de usar o MS parético em suas atividades de vida diária (WEINERT; SALONI; BELLANI, 2011). A TCI tem três componentes como princípios fundamentais da técnica, esses componentes são: treino intensivo de terapia orientada à tarefa, um conjunto de métodos comportamentais e o uso de uma restrição no membro superior não afetado pela hemiparesia. O treino intensivo é realizado através do Shaping e do TaskPractice. Shapings são tarefas segmentadas de curta duração que exigem componentes motores específicos. No TaskPractice a atividade aplicada está composta por todas as suas etapas. O objetivo do conjunto de métodos comportamentais é aumentar a frequência do uso e a qualidade do movimento do membro mais acometido de pessoas com hemiparesia nas atividades da vida real, se trata de atividades usadas em intervenções para modificação de hábitos (Contensão Induzida, s.d). Para Gamba e Cruz (2011) e Weinert, Saloni e Bellani, (2011), a técnica possui características como: o uso máximo do membro afetado; inserção do sujeito em atividades funcionais e restrição do MS saudável nas tarefas do dia a dia. 26 No Brasil a TCI tem sido aplicada no tratamento de pacientes portadores de AVE (WEINERT; SALONI; BELLANI, 2011). É considerada uma nova terapêutica no país, utilizada, somente em alguns centros de reabilitação. O diminuto interesse em sua aplicação prática pode ser em decorrência de: (a) a TCI ser realizada de forma individual, (b) haver grande demanda de pacientes com seqüelas de AVE para esses centros de reabilitação e (C) o fator custo-benefício ser ainda pouco estudado (SILVA; TAMASHIRO; ASSIS, 2010). Vale-se ressaltar que, no Brasil, há poucos profissionais que utilizam a técnica como forma de tratamento e poucos artigos concentrados na TCI. Porém percebe-se crescente interesse da comunidade científica sobre esse tema, por isso sugere-se novos estudos envolvendo a mesma (SILVA; TAMASHIRO; ASSIS, 2010). Ao tratar do protocolo utilizado nesta técnica, Freitas et al (2010), afirmam que este vem sendo adaptado. Atualmente, o protocolo mais utilizado da TCI é o de duas semanas consecutivas, com 6 horas diárias de prática supervisionada “shaping procedures e taskpratice”, com o uso de uma restrição durante 90% do dia (SILVA; TAMASHIRO; ASSIS, 2010). Weinert, Saloni e Bellani (2011) também utilizaram este mesmo protocolo em pesquisa: 6 horas diárias de treinamento, sendo 3 horas contínuas no período da manhã e 3 horas no período da tarde, durante duas semanas consecutivas. Brito e Pontes (2001) utilizaram a TCI durante um período de 10 a 15 dias e o paciente fez neste período de tempo treinamento de 6 horas diárias com o MS afetado. Em outro relato, foram estudados 12 indivíduos com seqüelas de AVE com 12 dias de restrição do MS não parético e demonstraram mudanças acentuadas (WEINERT; SALONI; BELLANI, 2011). Outros estudos demonstram que esta terapêutica traz benefícios aos seus usuários, como confirma a citação a seguir: “(...) tem-se mostrado eficaz em estudos envolvendo populações com AVC, traumatismo crânio-encefálico, paralisia cerebral e em estudos que envolvam técnicas de imagem para comprovar a reorganização cortical” (SILVA; TAMASHIRO; ASSIS, 2010, p. 154). Para Gamba e Cruz (2011), a TCI é um tratamento potente para melhorar a movimentação funcional do membro hemiplégico, do individuo com seqüelas de AVE, 27 que quando aplicado, revelou mudanças nas estruturas cerebrais, na região cinzenta das áreas sensoriais e motoras do cérebro, melhora da função motora do membro com hemiparesia e mudanças no hipocampo - estrutura relacionada com o processo de aprendizagem e memória. Demonstrando que o uso forçado do MS parético, com a utilização nas atividades cotidianas, favorece o aprendizado motor, pois, as experiências já estavam registradas no programa motor. Outros estudos têm sido realizados para verificar a eficácia da TCI com outras patologias, como por exemplo, um estudo que mostra efeitos positivos da TCI em adolescentes com paralisia cerebral hemiparética - PCH (GARCIA et al, 2012). Sobre a eficácia e efetividade do uso da TCI, Gamba e Cruz (2011) contribuem significativamente ao concluir (em um relato de caso, com três avaliações: pré-terapia; pós-terapia e após 10 meses) que a mesma é eficaz na reabilitação em indivíduos com seqüelas de AVE, proporcionando permanência de ganhos de funcionalidade do MS parético após 10 meses, porém, tais ganhos não permanecem na mesma proporção daqueles observados logo após o uso da terapia. Relatam, ainda, que fatores ambientais podem influenciar no uso apropriado da técnica e o fator motivacional é indispensável para que o indivíduo continue encorajado a utilizar o MS parético em suas atividades de vida diária. 3 METODOLOGIA Esta pesquisa foi de caráter experimental, do tipo ensaio clínico, que consiste em avaliar uma ou mais forma de tratamento e intervenção para uma doença ou condição, na qual possui objeto de investigação os pacientes (LUNA FILHO, 2010). O grupo de amostra foi constituído de 45 sujeitos, porém a amostragem consistiu em dois (2) indivíduos, do sexo feminino, na faixa etária de 69 a 71 anos, que apresentassem hemiparesia, decorrente do Acidente Vascular Encefálico Isquêmico, que foram selecionados em listas de duas clínicas de reabilitação: a Clínica de Terapia Ocupacional da Universidade da Amazônia (CLINTO) e na Unidade de Ensino e Assistência de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da Universidade Estadual do Pará (UEAFTO-UEPA). 28 O lócus da pesquisa consistiu, inicialmente, na CLINTO, porém, em virtude da falta de disponibilidade das participantes da pesquisa, a continuação da coleta de dados foi realizada na residência das mesmas. A coleta dos dados foi realizada no período entre Agosto à Outubro de 2013. Com a participante I realizou-se 20 sessões e com o participante II, 16 sessões para que o calendário de pesquisa fosse cumprido. Utilizou-se como critérios de inclusão: o participante apresentar hemiparesia, decorrente de AVE; encontrar-se na faixa etária de 40 a 75 anos; ambos os sexos; aceitar participar da pesquisa assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE (apêndices A e B); encontrar-se na fase aguda ou crônica e não apresentar graves alterações cognitivas. Deste modo, nossos critérios de exclusão consistiam em pacientes que não se enquadravam nos critérios citados acima. Antes do início da coleta solicitou-se aos participantes a assinatura do TCLE. No caso da participante II, a hemiparesia a impossibilitou de assinar o TCLE assim, um membro da família assinou o referido termo (apêndice B). A coleta foi realizada em 3 três etapas. A primeira etapa consistiu na avaliação inicial, na qual se utilizou alguns instrumentos / protocolos de avaliações. O primeiro protocolo utilizado, o Mini-exame do Estado Mental (anexo 1 e 2), teve como objetivo verificar se os sujeitos estavam aptos a participar da pesquisa. Os demais protocolos avaliaram o Perfil Ocupacional (anexo 3 e 4), a análise do Desempenho Ocupacional - MIF (anexo 5 e 6), e avaliação dos Componentes de Desempenho Ocupacional (anexo 7 e 8). Para realizar esta etapa foram disponibilizadas 2 (duas) sessões para ambas as participantes. A segunda etapa consistiu na intervenção Terapêutica Ocupacional e nas atividades domiciliares supervisionadas. Nesta etapa utilizou-se como instrumentos de coleta o protocolo de planejamento diário (apêndice C) e o registro das evoluções (apêndice D). Para esta etapa disponibilizou-se 16 (dezesseis) sessões. Vale ressaltar que em virtude de alguns problemas com os horários da participante II, só foi possível realizar 12 (doze) sessões. A intervenção foi executada 4 (quatro) vezes na semana com a participante I e 3 (três) vezes com a participante II, com duração de uma hora e meia pelo turno vespertino, no lócus da pesquisa (CLINTO e na residência das participantes). Realizouse atendimento individual com cada participante onde, foi aplicado o recurso tipóia no 29 membro superior não comprometido. Durante as sessões, as atividades propostas foram empregadas prioritariamente na postura sentada e, quando necessária a permanência na postura de pé, as participantes foram acompanhadas pelas pesquisadoras, evitando assim o risco de perda do equilíbrio e quedas. As sessões foram iniciadas e finalizadas com alongamentos nos membros superiores. Este procedimento teve como propósito no membro parético, iniciar a atividade, já no membro sadio o objetivo foi não trazer nenhuma consequência, como dores e limitações de amplitude. As atividades propostas almejaram estimulação sensorial, aumento de amplitude de movimento do membro superior afetado, preensão e alcance de objetos. Alguns recursos utilizados na pesquisa foram: esponjas de distintas texturas, bastão, torre de pregadores, tipóia, prancha de estabilização, skate e cones, argolas. Para melhor ilustrar as intervenções, além do registro diário, realizaram-se registros fotográficos, perante a autorização das participantes, garantindo o sigilo das mesmas, a partir da utilização de tarjas ou recursos técnicos para desfocar a imagem do rosto de cada participante. Além dos atendimentos na CLINTO e na residência, durante realização da pesquisa, as participantes foram orientadas a realizar a prática domiciliar dos exercícios, executando atividades com a tipóia. Estas atividades foram orientadas pelas pesquisadoras, assim como, o tempo previsto para cada etapa, ou seja, uma hora por turno (manhã, tarde e noite). As participantes foram orientadas ainda a evitar a deambulação quando estivessem fazendo o uso da tipóia, devido ao risco de quedas, caso o fizesse, que fosse com auxílio de um acompanhante. A terceira etapa desta pesquisa teve como objetivo a reavaliação, para a qual se disponibilizou duas sessões para cada participante. Nesta etapa, foram utilizados os mesmos protocolos da avaliação inicial. O objetivo foi verificar os possíveis ganhos funcionais após a aplicação da técnica. Para análise dos resultados, empregou-se uma análise quanti–qualitativa visando comparar as habilidades funcionais das participantes antes e após a intervenção terapêutica. Essa pesquisa foi submetida à avaliação do Comitê de Ética e Pesquisa, sendo aprovado em 21 de abril de 2013, conforme o memorando de número 50/2013 (anexo 9) e o certificado de aprovação (anexo 10). Porém, só teve início mediante o aceite da 30 Instituição onde foi realizada da coleta dos dados (apêndice E) e das participantes da pesquisa conforme a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TCLE (apêndice A e B), após a qualificação do projeto. 4 ANÁLISES E RESULTADOS Iniciou-se a busca pelos participantes da pesquisa no período de 15 de julho de 2013. Realizou-se pesquisa na Clínica de Terapia Ocupacional da Unama, Hospital de Pronto Socorro Municipal do Guamá (Humberto Maradei), Hospital Pronto Socorro 14 de Março (Mário Pinotti), Hapvida Saúde e no Centro de Reabilitação Demétrio Medrado. A amostra da pesquisa consistiu em 45 sujeitos que sofreram o AVE, porém a amostragem consistiu em 2 (dois) participantes e com adaptação nos critérios de inclusão, como por exemplo a faixa etária, o tempo e o locús da pesquisa. Devido à dificuldade em encontrar a amostragem, realizou-se atendimentos de 3 à 4 vezes por semana. 4.1 CARACTERIZAÇÃO DAS PARTICIPANTES Para melhor caracterização das participantes da pesquisa, optou-se pela escolha de nomes fictícios para as mesmas, onde a participante I receberá o nome de Esmeralda e a participante II, Rubi. 4.1.1 Participante Esmeralda ANAMNESE Esmeralda, 69 anos, sexo feminino, viúva, doméstica, evangélica, reside só em casa própria, porém seus filhos moram na casa atrás. Sofreu o AVC, em Agosto de 2012. Estava em sua casa quando sentiu dificuldade em falar, foi levada então ao Pronto Socorro (não soube informar o nome do mesmo), de onde foi encaminhada para o Hospital da Ordem Terceira, permanecendo internada por 2 semanas. Após 6 meses começou o tratamento de Terapia Ocupacional no Centro de Reabilitação Demétrio Medrado. Durante a realização da pesquisa, não fazia nenhuma intervenção terapêutica. Queixava-se da diminuição de força e amplitude do membro lesado e dificuldade no 31 movimento de preensão. Referia desejo em ser independente ao realizar atividades como cozinhar, lavar louça, estender roupa, varrer e limpar a casa. AVALIAÇÃO INICIAL Durante a avaliação de Esmeralda, percebeu-se que a mesma possuia um bom desempenho cognitivo, apresentando escore satisfatório ao grau de escolaridade (3º ano do ensino médio) no Mini-Exame Mental. Por meio da avaliação de Esmeralda, identificou-se que a mesma encontra-se na fase V de BRUSTOMN, ou seja, espasticidade esboçada (TEIXEIRA et al, 2003). Quanto aos aspectos motores, conseguiu realizar oponência com todos os dedos. No que consiste em coordenação e controle postural, apresentou alteração em seu equilíbrio estático; dinâmico; durante trocas de posturas; na coordenação motora grossa e fina (prensões e pinças). Quanto aos aspectos sensório-perceptivos, apresentou discreta alteração na sensibilidade tátil (hiperestesia) e pequenos movimentos involuntários. A avaliação iniciou-se no dia 29 de agosto na CLINTO, após as sessões de avaliação realizou-se 20 sessões com a mesma, sendo as intervenções finalizadas no dia 16 de outubro. SESSÕES As sessões foram realizadas algumas em sua residência e outras na CLINTO, porém a partir da 8ª sessão, apenas na residência da participante, devido à impossibilidade dos familiares de levarem a paciente até a Clínica de Terapia Ocupacional. Nestas sessões aplicou-se a técnica de contenção induzida, no qual o membro sadio era imobilizado, e realizado atividades intensas com o membro afetado. Foram orientadas pelas pesquisadoras as atividades em domicílio, porém a maioria não foi realizada pela participante, no entanto a mesma comentou que tentava fazer todas as atividades da vida diária com o membro afetado. As sessões tiveram objetivos de favorecer maior ADM no membro superior direito como flexão e abdução de ombro, extensão de cotovelo; Alongar o membro superior direito; Estimular a coordenação motora fina; Promover maior preensão 32 palmar; Favorecer maior força no membro superior direito. Esses objetivos foram aplicados através de atividades como estender roupa (figura 1 - A), limpar a mesa (figura 1 - B), “brindar copos” (figura 1- C), Tabuleiro das AVD’s (figura 1 - D), servir comida (figura 1- E), passar roupa (figura 1- F), guardar louça no armário (figura 1 - G), preparar salada de frutas (figura 1 - H), atividade do balão (figura 1- I), atividade das argolas (figura 1 - J), atividade auto-expressiva (figura 1 - K), entre outras atividades. Figura 1 – Atividades de Esmeralda Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. 33 Dentre as atividades realizadas, destacam-se: ESTENDER ROUPA Nesta sessão simulou-se a atividade diária de estender roupa, tendo como objetivos favorecer a amplitude de movimento do ombro e do cotovelo, estimular força no membro superior parético e alongar o membro superior. Utilizou-se como recurso um bastão, que serviu como varal, panos de louça e a prancha de estabilização. Iniciou-se a sessão com o alongamento passivo, dando a continuação utilizou-se a prancha de estabilização (figura 2 A), logo após realizou-se a atividade de estender roupa, iniciando com o varal em uma altura baixa (figura 2 - B) e no decorrer da atividade o bastão era elevado e afastado (figura 2 - C), promovendo a maior estimulação da flexão e abdução de ombro, extensão de cotovelo e força do membro superior parético. A sessão terapêutica foi finalizada com o alongamento. Esmeralda realizou a atividade de modo satisfatório, tendo dificuldade somente quando o varal encontrava-se mais elevado e afastado de seu corpo. Ao longo da atividade as pesquisadoras procuravam resgatar a finalidade da mesma, mostrando à paciente a possibilidade de executá-la em seu dia-a-dia. Figura 2 – Atividade estender roupa . Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. 34 TABULEIRO DAS AVD’S Este jogo, construído pelas pesquisadoras, consiste em um jogo de tabuleiro (figura 3) com 4 pinos, um dado e 48 cartelas com perguntas/simulações e adivinhações sobre ações/objetos do dia-a-dia. Foi utilizado com Esmeralda, com os seguintes objetivos: Promover a ADM do Membro Superior Direito – MSD, Flexão e Abdução de ombro; Extensão de cotovelo; Pinça polpa a polpa (primeiro e segundo dedo) e Estímulo cognitivo. O tabuleiro foi mantido a uma distância confortável, mas que exigisse esforço para alongamento das articulações, ao movimentar o pino. Nesta atividade, Esmeralda mostrou significativa melhora no movimento de flexão de ombro (MSD). O tabuleiro foi posicionado à frente da paciente em uma distância exigindo maior amplitude do ombro, e ligeiramente à direita, exigindo maior abdução do ombro. Após algumas sequências, foram disponibilizadas apenas as cartelas do jogo (que constavam as “prendas” e “adivinhações”) em três diferentes posições: à esquerda, à frente e à direita. A paciente foi solicitada a alcançá-las e realizar o comando. Esmeralda mostrou motivação durante as orientações que o jogo disponibilizava e perante a execução das “prendas” presentes nas cartelas. Através das cartelas, a paciente exerceu as seguintes atividades: simular escovar os dentes (para tal, utilizou de sua própria escova de dente, apenas com o MS afetado); adivinhar, conforme características, elementos como televisão, shampoo e toalha; citar elementos presentes no quarto e utilizados para arrumar uma casa; memorizar 3 palavras e após uma rodada, relembrá-las e dar a hora aproximada. No final dessa intervenção, a paciente relatou ter gostado da atividade proposta e que, se possível, as pesquisadoras a levasse em outras ocasiões. 35 Figura 3 – Jogo de Tabuleiro Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. ALIMENTAÇÃO Executou-se a atividade que simulava a alimentação, tendo como objetivos favorecer maior ADM no membro superior paretico, estimular a coordenação motora fina, alongar o membro e realizar treino de AVD’s. Os recursos (figura 4 - A) utilizados foram uma panela, prato, colher e pequenos objetos que simulavam o alimento. A atividade foi iniciada com a limpeza da mesa, objetivando alongar o membro paretico e logo após, foi pedido para a Esmeralda servir o alimento para o prato e simular a alimentação. Modificou-se a distancia tanto do prato quanto da panela, com o objetivo de uma maior estimulação da ADM. Observou-se durante a atividade de simulação da alimentação, que no momento de levar a “comida” até a boca, Esmeralda apresentava tremores na mão direita, deixando o “alimento” cair da colher. Em um segundo momento, foi estimulada a coordenação motora fina, com a placa de alinhavo (figura 4 B). Assim como na atividade anterior, também percebeu-se tremores na sua mão, porém, ao repetir o movimento, notou-se a diminuição do tremor, fato que a encorajou de forma significativa. A sessão foi finalizada com o alongamento. 36 Figura 4 – Atividade da alimentação A Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. ATIVIDADE AUTO-EXPRESSIVA Nessa sessão realizou-se a confecção de um cartaz para expor a opinião de Esmeralda sobre os momentos da pesquisa. A atividade teve como objetivo favorecer maior amplitude de movimento de ombro e de cotovelo, promover maior força no membro e favorecer sua auto-expressão. Os recursos utilizados foram: cartolina, canetinha de colorir, revista, durex, tesoura, cola, dentre outros. Primeiramente realizouse alongamento e, em seguida, a apresentação da atividade e dos recursos disponíveis. A partir de então, Esmeralda começou a confeccionar o cartaz (figura 5 - A), no qual foi colado primeiro a mensagem (figura 5 - B) retirada da revista que dizia: “Nunca estagnei, sempre tive trabalho. Acho que Deus olha muito por mim...”. Após essa mensagem, ela colocou no cartaz uma foto de uma mulher sorrindo, relatando que a mesma representava como ela estava se sentindo feliz. Por último ela optou por escrever no cartaz, colado na parede, a seguinte mensagem: “Graças a Deus primeiramente, e depois a Bianca e Adeline... que com esforço delas, paciência e dedicação tive um ótimo resultado.” (figuras 5 – C e D). Esmeralda relatou que havia gostado da atividade e agradeceu à disponibilidade das pesquisadoras, neste momento a mesma chorou. Concluiu-se que a atividade foi bastante satisfatória, alcançando todos os objetivos desejados. B 37 Figura 5 – Confecção do Cartaz A B C D Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. PREPARAR SALADA DE FRUTAS Esta consistiu na última atividade realizada com Esmeralda. Neste sentido, optou-se por simular com a mesma uma situação onde, estava recebendo visitas e que gostaria de servir a elas uma salada de frutas (figura 6). Disponibilizou-se à Esmeralda: duas maçãs, uma pêra, quatro bananas, uvas e uma caixa de leite condensado. Por tratarse de uma simulação de uma real situação e que, portanto, a mesma usaria seus dois membros superiores (MS), optou-se por não utilizar a tipóia no MS não-parético. Porém, ressalta-se que durante a execução da atividade as pesquisadoras monitaravam para que as maiores ações e esforços fossem realizados com o MS parético. Assim, essa atividade teve como objetivos: Favorecer Flexão e Abdução de ombro direito; Extensão de cotovelo; Preensão palmar e Força manual. Em primeiro momento apresentou-se a proposta à paciente e solicitou-se para que a mesma selecionasse os materiais necessários para a realização da atividade. Após a mesma selecionar os instrumentos, solicitou-a que realizasse as ações, prioritariamente com o MSD. 38 Ao escolher as frutas, Esmeralda relatou que em cada uma percebia a necessidade de realizar diferentes graus de força. Assim, optou por cortá-las na seguinte ordem: maçãs, pêra, bananas e uvas, relatando que a maçã foi a mais difícil. Após terminar esta etapa, a mesma cortou a caixa de leite condensado e serviu aos presentes a sua produção. Nesta atividade, destaca-se a importância ao proporcionar em Esmeralda momento de reflexão e motivação, pois a própria relatou na reavaliação que após realizar a referida atividade, percebeu que poderia cortar alguns temperos também. Assim, encorajada, passou a ajudar na execução do almoço cortando temperos. Figura 6 – Salada de Frutas Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. 39 TABULAÇÃO DOS RESULTADOS A Tabela 1 apresenta os resultados da análise do desempenho ocupacional de Esmeralda pré e pós a técnica e no acompanhamento de 20 sessões. Tabela 1- Análise do desempenho ocupacional – MIF de Esmeralda ESCORES Pré-técnica Pós-técnica Alimentação 2 6 Cuidados com a aparência 2 6 Banho 5 6 Vestir parte superior 5 6 Vestir parte inferior 6 6 Utilização do vaso sanitário 6 6 Controle da urina 7 7 Controle das fezes 7 7 Mobilidade: cama, cadeira 6 6 Mobilidade: vaso sanitário 6 6 Mobilidade: chuveiro 6 6 Locomoção: marcha 6 6 Locomoção: escada 4 4 Comunicação: compreensão 7 7 Comunicação: expressão 7 7 Interação social 7 7 Resolução de problemas 6 6 Memória 7 7 Legenda: (2) Ajuda máxima; (4) Ajuda mínima (5) Supervisão; (6) Independência modificada – ajuda técnica; (7) Independência completa (em segurança, em tempo normal). Fonte: Pesquisa de campo, 2013. ATIVIDADES Na tabela acima se pode observar que na análise do desempenho ocupacional de Esmeralda houve uma grande variação dos escores das atividades da alimentação e cuidados com aparência, no qual ambas apresentaram aumento de 4 pontos nos escores da referida escala, saltando de 2 na pré-técnica para 6 pontos na pós-técnica. Assim, evoluindo de uma dependência com ajuda máxima para uma independência modificada (conforme padronização da legenda da tabela). Com relação aos outros desempenhos ocupacionais alguns se elevaram em 1 ponto ou permaneceram no mesmo escore. Alguns desses desempenhos, que apresentaram uma pequena alteração no escore, estão relacionados aos membros inferiores, no quais a técnica de contenção induzida não se aplica. 40 A Tabela 2 apresenta os resultados da análise dos componentes de desempenho de Esmeralda pré e pós a técnica e no acompanhamento de 20 sessões. Tabela 2 – Análise dos componentes de desempenho de Esmeralda - MSD Escores ARTICULAÇÕES 1 – FORÇA Pré-técnica Pós-técnica Flexão 2 4 Extensão 3 5 Abdução 2 4 OMBRO Adução 3 5 Abdução horizontal 3 4 Adução horizontal 3 5 Flexão 3 5 COTOVELO Extensão 3 5 Flexão 3 5 PUNHO Extensão 3 4 Flexão 3 5 METACARPO FALANGEANAS Extensão 3 4 Pré-técnica Pós-técnica 2 – AMPLITUDE DE MOVIMENTO Ativa Passiva Ativa Passiva Flexão 0-180 50 132 122 180 Extensão 0-60 60 60 60 60 Abdução 0-180 30 111 110 180 OMBRO Abdução horizontal 0-90 40 90 90 90 Adução horizontal 0-45 42 45 45 45 Flexão 0-150 150 150 150 150 Extensão 0-150 122 150 140 150 COTOVELO Supinação 0-80 72 80 80 80 Pronação 0-80 80 80 80 80 Flexão 0-80 63 80 80 80 Extensão 0-70 70 70 70 70 PUNHO Desvio radial 0-20 10 20 20 20 Desvio ulnar 0-30 25 30 30 30 Legenda: (2) Movimento completo com a ação da gravidade abolida; (3) Movimento completo contra ação da gravidade; (4) Movimento completo contra ação da gravidade e moderada resistência adicional; (5) Movimento completo contra ação da gravidade e máxima resistência adicional. Fonte: Pesquisa de campo, 2013. De acordo com a Tabela 2, que consiste na análise dos componentes de desempenhos ocupacionais de Esmeralda, encontra-se como primeiro componente a força, no qual se observou evolução em todas as articulações avaliadas (ombro, cotovelo, punho e metacarpofalangeanas). Quanto ao segundo componente de desempenho avaliado, a amplitude de movimento (ADM – ativa e passiva), observou-se ganho na ADM ativa do ombro (flexão, abdução, abdução horizontal e adução horizontal), cotovelo (extensão e 41 supinação) e punho (flexão, desvio radial e ulnar). Quanto a ADM passiva, observou-se ganho apenas na articulação do ombro (flexão e abdução), pois, as demais permaneceram com grau máximo de amplitude. Destaca-se os ganhos de ADM ativa na articulação do ombro onde, pode-se observar aumento superior à 120% nos graus de movimentação na flexão (50 à 122), abdução (30 à 110) e abdução horizontal (40 à 90). ANÁLISE Conforme as tabelas apresentadas, Esmeralda apresentou grande ganhos após a aplicação da técnica. No que consiste em seu desempenho na Medida de Independência Funcional (MIF), observa-se ganho de funcionalidade nas atividades de alimentação e cuidados com a aparência. Quanto aos componentes avaliados (força e amplitude de movimento – ativa e passiva), destaca-se ganho de força nas articulações de ombro, cotovelo, punho e metacarpofalangeanas; ganho de amplitude de movimento (ADM) ativo em ombro (movimentos de flexão, abdução, abdução horizontal e adução horizontal), cotovelo (flexão, extensão e supinação) e punho. Quanto à ADM passiva, manteve o mesmo grau na maioria das articulações, obtendo ganho na articulação do ombro nos movimentos de flexão e abdução. Considera-se que a evolução alcançada foi devido a sua motivação em movimentar o membro afetado nas atividades durante as sessões supervisionadas e aquelas realizadas em seu domicílio. Fato que pode ser observado em sua fala: “(...) com vocês, isolaram meu braço aqui, e botaram eu para trabalhar, ai eu vendo que isso dava certo, eu mesmo comecei a fazer, vinha limpar a mesa, passo pano (...) e vi que isso dava certo continuei a fazer, e continuei a lavar roupa (...) tomo banho, me jogo agua com essa mão, mas é maravilhoso! Escovar o dente, eu não escovava os dentes com essa mão, só escovava com essa (...) agora faço tudo com essa mão.” 42 Outro aspecto observado diz respeito à religiosidade, sempre ressaltada por Esmeralda como fator fundamental ao tratamento, como retrata em seu discurso: “Primeiramente agradecer à Deus em primeiro lugar em minha vida (...)e Deus quer, faz por ti, que eu te ajudarei, e eu estou fazendo, e o que poder fazer eu faço, eu faço.” Constantemente, Esmeralda relatava não receber apoio da família: “Eles não entendem a minha doença (...) tava tentando almoçar com esse braço e como não tenho muita habilidade os meus filhos falaram ‘Mãe leve a sua cabeça até à comida, e não a comida até à boca’. Mas com toda força de vontade pensei em vocês e levava a comida até a boca (...) Eles poderiam me incentivar mais. ‘Mãe, deixe sua cabeça parada e leve a comida na sua boca, para a senhora mexer mais seu braço!’, mais isso não acontece...” No último dia de sessão solicitou-se para Esmeralda falar sobre os momentos vivenciados durante as intervenções. A mesma foi enfática nos agradecimentos, como pode-se observar no trecho a seguir: “Só tenho que agradecer vocês do fundo do meu coração (começa chorar). Eu melhorei bastante, muito, muito, muito, com vocês. Primeiramente agradecer a Deus, em primeiro lugar em minha vida, mas depois vocês a Bianca e Adeline, vocês foram maravilhosas (...) hoje em dia eu faço tudo na minha casa (...) é isso que eu tenho pra dizer pra vocês, tô muito agradecida, muitíssimo agradecida que vocês me deram uma ajuda, vocês me ajudaram muito muito muito mesmo. Que vocês nem pensam, nem sabem, o quanto vocês me ajudaram! O quanto essa terapia pra mim teve um grande valor! E eu vou dizer em todo canto que eu andar, em todo canto que eu ir vou dizer: Eu agradeço à Deus, terapia ocupacional ... por onde eu andar! E dizer: ‘ah! Eu tô assim? Não é à toa não’ eu agradeço à Deus, à Terapia Ocupacional.” Vale-se ressaltar, que Esmeralda não recebia outro tipo de atendimento terapêutico durante a realização desta pesquisa, assim, entende-se que os ganhos obtidos foram decorrentes da aplicação da técnica. 43 4.1.2 Participante Rubi ANAMNESE Rubi, 71 anos, sexo feminino, viúva, cozinheira aposentada, evangélica, reside atualmente na casa da filha em virtude de ter sofrido AVE, em Abril de 2013. Enquanto voltava do Banco com o filho, sentiu formigamento no MSD, foi levada pelo mesmo ao Hospital Guadalupe, onde ficou internada (não soube informar por quanto tempo). Após a alta hospitalar foi encaminhada para o serviço de Terapia Ocupacional da UEAFTO, onde passou a receber atendimento 3 vezes por semana. Ao ser avaliada, queixava-se por não conseguir alcançar objetos desejados e depender de seus filhos para realização de atividades diárias, bem como, para levá-la aos locais desejados (consultórios, igreja, entre outros). AVALIAÇÃO INICIAL Quanto ao escore obtido no Mini-exame mental, a paciente apresentou valor condizente ao seu nível de escolaridade (analfabeta). Quanto aos aspectos motores, avaliou-se a mesma e percebeu-se que Rubi encontra-se na fase I de BRUSTOMN, ou seja, com tônus flácido e sem movimentação ativa (TEIXEIRA et al, 2003); realizava oponência apenas com o 2º dedo, apresentando mão consideravelmente endemaciada. Apresenta alteração de equilíbrio dinâmico, coordenação motora fina (manipulação, preensões e pinças) e grossa. Observou-se significativa alteração na sensibilidade, apresentando hiperestesia no MSD, pois quando estimulado, apresentava movimento reflexo (padrão flexor de metacarpofalangeanas) e referia sensação de choque no mesmo. A pesquisa foi iniciada no dia 16 de setembro no domicílio de Rubi, realizouse 16 sessões com a mesma, sendo finalizada no dia 16 de outubro. SESSÕES As sessões foram realizadas em sua residência devido à falta disponibilidade da mesma e, principalmente, da família. Nestas sessões, aplicou-se a técnica de contenção induzida, no qual o membro sadio era imobilizado, e direcionavam-se atividades intensas com o membro afetado. Foram orientadas pelas pesquisadoras as atividades em domicílio, porém não foram realizadas pelo sujeito onde, pode-se observar falta de 44 interesse do mesmo e dificuldade na garantia do apoio da família para execução de atividades orientadas. As sessões tiveram objetivos de favorecer maior ADM no membro superior direito como flexão de ombro, extensão de cotovelo e abdução de ombro; alongar o membro superior direito; estimular a coordenação motora fina; promover maior preensão palmar; favorecer maior força no membro superior direito. Esses objetivos foram aplicados através das atividades proprioceptivas, atividades na prancha de estabilização, atividades de estimulação sensorial tátil e da cinesioatividade. Abaixo, destacam-se as seguintes atividades: ATIVIDADE DE ESTIMULAÇÃO SENSORIAL TÁTIL Nesta sessão cinesioatividade, realizou-se tendo como as atividades objetivos de de estimulação dessensibilização e sensorial e estimular a movimentação ativa. Apresentou como recursos materiais de diversas texturas, tábua, talco e a prancha de estabilização. No primeiro momento foi realizado o alongamento, depois a dessensibilização (figura 7) e, posteriormente, a cinesioatividade com movimentação do MSD em diversas direções, utilizando a prancha. momento da atividade realizou-se o alongamento. Figura 7 - Dessensibilização Fonte: Pesquisa de Campo, 2013. E no último 45 PRANCHA DE ESTABILIZAÇÃO Realizou-se a sessão com a cinesioatividade, que possuiu como objetivo estimular a movimentação ativa e a amplitude de movimento do membro superior parético e alongar o mesmo membro, utilizando como recurso a tábua, prancha de estabilização, talco. Iniciou-se a sessão com alongamento após este, realizou-se a atividade (figura 8) que consistia em movimentar o MSD sobre a superfície, no início com distintas direções e após somente uma direção para favorecer a abdução do ombro, juntamente com a flexão de ombro. Rubi, apresentou grande dificuldade para realizar a abdução de ombro. A sessão foi finalizada com o alongamento. Figura 8 - Atividade Fonte: Pesquisa de campo, 2013. PROPRIOCEPÇÃO Nesta sessão foi realizada a atividade de propriocepção e a cinesioatividade, que teve como objetivo favorecer a sensação da posição do MSD e força do mesmo, estimular a movimentação ativa e a amplitude de movimento do membro superior paretico. Tendo como recurso, o próprio corpo, tabua, prancha de estabilização e talco. No primeiro momento realizou-se a atividade proprioceptiva (figura 9) e depois a cinesioatividadecom a prancha de estabilização. Finalizou-se a sessão com alongamento. 46 Figura 9 – Atividade Proprioceptiva Fonte: Pesquisa de campo, 2013. LIMPAR A MESA Nesta sessão realizou-se a atividade, no qual simulava a limpeza da mesa, com os objetivos favorecer a amplitude de movimento e a movimentação ativa do membro afetado. Tendo como recursos da atividade (figura 10): tábua, lenços umedecidos e bolinhas de papel. No primeiro momento da atividade executou-se o alongamento das articulações do membro superior direito (parético) e sucedeu-se apresentação da atividade. As bolinhas de papel foram posicionadas sobre a tábua onde, com o lenço, Rubi deveria “limpar” a região da mesa. No último momento, realizou-se o alongamento nos membros. Figura 10 – Recursos da atividade Fonte: Pesquisa de campo, 2013. 47 TABULAÇÃO DOS RESULTADOS A Tabela 3 apresenta os resultados da análise do desempenho ocupacional de Rubi pré e pós a técnica e no acompanhamento de 16 sessões. Tabela 3 - Análise do desempenho ocupacional – MIF de Rubi ESCORES Pré-técnica Pós-técnica Alimentação 3 3 Cuidados com a aparência 1 1 Banho 3 3 Vestir parte superior 3 3 Vestir parte inferior 3 3 Utilização do vaso sanitário 6 6 Controle da urina 7 7 Controle das fezes 7 7 Mobilidade: cama, cadeira 6 6 Mobilidade: vaso sanitário 6 6 Mobilidade: chuveiro 6 6 Locomoção: marcha 6 6 Locomoção: escadas 2 2 Comunicação: compreensão 6 6 Comunicação: expressão 6 6 Interação social 6 6 Resolução de problemas 3 3 Memória 3 3 Legenda: (1) Ajuda total; (2) Ajuda máxima; (3) Ajuda moderada; (6) Independência modificada – ajuda técnica; (7) Independência completa (em segurança, em tempo normal). Fonte: Pesquisa de campo, 2013. ATIVIDADES Na tabela acima se pode observar, que na análise do desempenho ocupacional de Rubi não houve nenhuma variação de escore, ou seja, a paciente manteve o mesmo escore da pré-técnica com a pós-técnica de cada atividade. 48 A Tabela 4 apresenta os resultados da análise dos componentes de desempenho de Rubi pré e pós a técnica e no acompanhamento de 16 sessões. Tabela 4 – Análise dos componentes de desempenho de Rubi - MSD ESCORES ARTICULAÇÕES 1- FORÇA Pré-técnica Flexão 1 Extensão 1 Abdução 1 OMBRO Adução 1 Abdução horizontal 1 Adução horizontal 1 Flexão 1 COTOVELO Extensão 1 Flexão 1 PUNHO Extensão 1 Flexão 1 METACARPO FALANGEANAS Extensão 1 Pré-técnica 2 – AMPLITUDE DE MOVIMENTO Ativa Passiva Flexão 0-180 0 131 Extensão 0-60 60 60 Abdução 0-180 0 151 Abdução horizontal 0-90 0 90 OMBRO Adução horizontal 0-45 45 45 Rotação interna 0-70 0 51 Rotação externa 0-90 0 90 Flexão 0-150 0 150 Extensão 0-150 150 150 COTOVELO Supinação 0-80 0 80 Pronação 0-80 0 80 Flexão 0-80 0 80 Extensão 0-70 0 70 PUNHO Desvio radial 0-20 0 20 Desvio ulnar 0-30 0 30 Legenda: (1) Contração palpável ou visível. Fonte: Pesquisa de campo, 2013. Pós-técnica 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 Pós-técnica Ativa Passiva 0 152 60 60 0 161 0 90 45 45 0 70 0 90 0 150 150 150 0 80 0 80 0 80 0 70 0 20 0 30 Quanto à tabela de componentes do desempenho ocupacional de Rubi, encontrase o primeiro componente força, que não apresentou nenhuma variação de escores em todas as articulações avaliadas (ombro, cotovelo, punho, metacarpo falangeanas). Já no componente de amplitude de movimento, houve discreto aumento nas ADM’s passivas da flexão de ombro (131 à 152) e na rotação interna (51 à 70). O restante das articulações mantiveram os escores não modificados. 49 ANÁLISE Rubi apresentou poucos ganhos após a aplicação da técnica. Quanto ao seu desempenho no MIF, não obteve ganho, mantendo-se com o mesmo grau de dependência funcional. Quanto aos componentes de desempenho avaliados (força e AMD - ativa e passiva) verificou-se que houve ganhos na ADM passiva somente na articulação do ombro, nos movimentos de flexão, abdução e rotação interna. Observouse, também, embora não avaliados de maneira quantitativa, que houve diminuição do edema e da hiperestesia no MSD. Ao levantar hipóteses sobre os motivos de poucos ganhos observados nos resultados de Rubi, ressalta-se o fato da mesma apresentar apenas um esboço de movimentação ativa e assim, limitando seus movimentos e, também, limitando as pesquisadoras a proporcionarem atividades mais elaboradas. Evidencia-se, também, sua aparente desmotivação para realizar as atividades supervisionadas e, também, as domiciliares, não realizando aquelas orientadas pelas pesquisadoras. Rubi, em alguns momentos, demonstrava sua crença na contribuição da religiosidade em seu tratamento, observado na seguinte fala “A gente fica com aquela fé de ficar boa”. Outra hipótese levantada relaciona-se com a questão familiar, fato este que também interferiu no planejamento e execução das atividades pelas pesquisadoras. Tanto nas atividades supervisionadas, onde se encontrou limitação do espaço utilizado, quanto nas domiciliares, onde se buscou orientar seus familiares, porém, as mesmas não foram realizadas. Assim, observou-se o apoio familiar, no caso de Rubi, como algo relevante para evolução de seu tratamento. Em uma sessão, Rubi relatou “Eu to sozinha hoje aqui, só com essa menina (se referindo à neta), não sei se vou comer”. No último dia de sessão solicitou-se à Rubi falar sobre os momentos vivenciados durante as intervenções “Eu gostei... Porquê pelo menos a gente tem uma pessoa que a gente tá contando né.. vim todo dia”. 50 5 DISCUSSÃO QUANTO AO PROTOCOLO A Técnica de Contenção Induzida é uma terapia que vem sendo utilizada em pacientes com sequelas de AVE, no qual imobiliza o membro superior não-parético e estimula com atividades o membro superior parético (BORGES et al, 2008). Estudos como Freitas et al (2010), ao tratar do protocolo utilizado nesta técnica, afirmam que este, vem sendo adaptado. De tal modo que nesta pesquisa, também se adaptou o protocolo para cada participante investigada. No caso I, com Esmeralda, o protocolo utilizado consistiu em 4 vezes na semana, com duração de 3h30min (sendo 1h30min de prática supervisionada e 2h em atividades domiciliares orientadas pelas pesquisadoras e realizadas nos períodos em que não houvesse atendimento com as mesmas), durante 20 sessões. Já no caso II, com Rubi, utilizou-se o protocolo de 3 vezes na semana, com duração de 3h30min, totalizando 16 sessões. As diferenças entre os protocolos utilizados nesta pesquisa, justificam-se pelo fato de (1) Rubi receber atendimento terapêutico ocupacional em uma instituição de reabilitação durante 3 vezes na semana e (2) esta pesquisa ter iniciado, com este mesmo participante, posterior ao tempo previsto do projeto, assim, para não interferir no calendário, optou-se por cumprir a data de finalização da coleta de dados. Estas adaptações diferem de estudos como Brito & Pontes (2001, apud WEINERT et al, 2011) que, utilizaram o período de 10 a 15 dias, em 6 horas diárias e de Weinert et al, (2011) que utilizaram 6 horas diárias durante duas semanas consecutivas. A partir das análises dos resultados obtidos, considera-se que, mesmo com estas adaptações, a aplicação da técnica mostrou eficaz no caso de Esmeralda. Acordando assim com Freitas et al (2010), onde afirmam que há diversos estudos que possuem adaptação do protocolo e, mesmo assim, mostram-se eficazes. Neste sentido, esta pesquisa soma-se ao concluído no referido estudo. Embora seja desconhecido o estudo com essa duração de aplicação da TCI, utilizado nesta pesquisa, Borges et al (2008), contribuem ao defender que o tempo da aplicação da TCI não influencia diretamente no tratamento quanto aos estímulos no membro parético. 51 HABILIDADES MOTORAS ADQUIRIDAS Após análise dos dados coletados, percebeu-se ganho significativo na força muscular e na ADM do membro superior parético, fato observado prioritariamente no caso de Esmeralda. Estes ganhos ocorreram, principalmente, na articulação do ombro que, de acordo com Weinert, Saloni e Bellani (2011), possui músculos bastante utilizados nas atividades cotidianas dos sujeitos. No caso de Esmeralda, percebeu-se ganho de funcionalidade nas atividades de vida diária de acordo com os escores do MIF, o que permite a concluir que o uso intensivo do MS parético, favorece o reaprendizado motor. Esta conclusão confirma o estudo de Weinert, Saloni e Bellani, 2011, que refere que a eficácia da técnica consiste em melhorar a movimentação funcional do membro hemiplégico. Outro aspecto observado está relacionado à movimentação ativa do MS parético. Observou-se que Esmeralda apresentou maiores ganhos nas habilidades motoras avaliadas (força e ADM – ativa e passiva). No caso de Rubi observou-se discreto ganho apenas na ADM passiva. Tratando-se de casos diferentes, acredita-se que o fato de Rubi apresentar apenas um esboço de movimentação ativa, foi fundamental para o seu presente prognóstico, assim, como acordado em Menezes et al (2012, p. 420): (...) a TCI produz resultados variados dependendo da gravidade inicial da sequela. Se pacientes com déficits motores residuais após AVE forem selecionados através da amplitude de movimento ativo, entende-se que indivíduos com alto nível de função motora tendem a ter maior chance de recuperação motora e refinamento da função manual se comparados aos mais acometidos. A PRESENÇA FAMILIAR Percebeu-se nesta pesquisa que existiam variáveis que diferenciavam as participantes do estudo, tais como idade e o tempo de lesão. Porém, entre ambas, notou-se semelhanças, principalmente, na questão do apoio familiar no qual, não recebiam devida atenção da família. Acredita-se que este aspecto possa ter interferido, de certa forma, nas respostas ao tratamento. 52 Acredita-se que a participação da família, segundo Andrade et al (2009), é a principal rede de suporte no processo da reabilitação, é de grande importância. Pois esta, em alguns momentos teria que executar ações junto as pacientes, auxiliando-as a realizar as atividades orientadas, de maneira independente, sem a presença das pesquisadoras. É válido ressaltar que houve grande esforço por parte das pesquisadoras em conhecer, orientar e ouvir o cuidador familiar, ações estas que, também, são consideradas importantes por Fonseca e Penna (2008). A RELIGIOSIDADE Nesta pesquisa pode-se perceber a importância deste aspecto estar correlacionado com o tratamento terapêutico. Em ambos os casos este foi citado como fundamental para evolução do tratamento. Apresentando-se sempre em primeiro lugar e como o principal responsável pelas conquistas esperadas e adquiridas. Neste sentido, Fonseca e Penna (2008), contribuem ao abordar que uma das formas de suportar o sofrimento é a religiosidade, pois, aflora por meio dos sentimentos de fé e esperança, perspectivas de melhoras. FATORES AMBIENTAIS Nas sessões realizadas com Rubi, houve limitação quanto ao uso do espaço para a realização das atividades. Acredita-se que este fator é prejudicial ao prognóstico da paciente à medida que limita, também, as pesquisadoras à elaboração e execução do planejamento das atividades de maneira satisfatória e criativa. Portanto, concorda-se com Weinert, Saloni e Bellani (2011), quando os mesmos relatam que fatores ambientais podem influenciar negativamente no uso apropriado do membro afetado na pesquisa. ASPETOS PSICOLÓGICOS E MOTIVACIONAIS O paciente com AVC apresenta sequelas que limitam as atividades da vida diária. Neste sentido, sabe-se que os aspectos psicológicos podem afetar significativamente a capacidade funcional (TERRONI et al, 2009). Assim, outro fator que é indispensável ressaltar, é o fator motivacional que, segundo Weinert, Saloni e 53 Bellani (2011), é importante para que o indivíduo continue encorajado a utilizar o membro parético em suas atividades de vida diária. Durante esta pesquisa foi possível notar a veracidade da importância do fator motivacional, pois, no caso de Esmeralda, presenciou-se relatos de que após verificar os benefícios da técnica, sentiu-se encorajada a realizar suas atividades diárias. No caso de Rubi, observou-se redução neste fator, monstrando-se, por vezes, deprimida e indisposta a realizar as atividades propostas pelas pesquisadoras. Em seu estudo, Terroni et al (2003) afirmam que os deprimidos tendem a apresentar significativa queda da recuperação funcional. Assim, no caso de Rubi, por conhecer seu cotidiano, pode-se perceber sua dificuldade de adesão ao tratamento, apresentando redução dos níveis de energia, da interação social e, principalmente, sua motivação, aspectos estes também relatados por Terroni et al (2009). Em algumas ocasiões, Rubi relatava “por que fiquei assim né?”, assim como? – perguntava-se, “Assim... meu braço não era assim antes... caído”. Em outras, relatava o descuido com a aparência “Antigamente eu me arrumava... mas quando que eu me vestia assim, desse jeito.”. A partir de relatos acima citados, nota-se a importância do suporte social que é mencionado por Terroni et al (2009, p. 105) como algo que (...) auxilia na implementação de estratégia de adaptação à incapacidade, além de amenizar o impacto estressante da doença por meio do conforto emocional (...) melhorando a autoconfiança e autonomia. De um modo geral, os estudos utilizados como referencial bibliográfico para esta pesquisa, fizeram o uso de centros de reabilitação ou clínicas para aplicação do protocolo. Acredita-se que os bons resultados obtidos com a participante Esmeralda podem ter sido favorecidos pela oportunidade de realizar a intervenção em seu domicílio, que oferecia condições ambientais favoráveis, o que, segundo Garcia et al (2012, p. 905), “oportuniza o conhecimento da rotina e das dificuldades dos pacientes e responsáveis na realização das atividades de vida diárias”. 54 Faz-se necessária, então, a combinação de todos os fatores mencionados acima, para que haja um melhor prognóstico do tratamento. 6 CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao retomar as questões que nortearam esta pesquisa, conclui-se que a Técnica de Contenção Induzida é eficaz para a melhora da funcionalidade do membro parético decorrente da sequela de AVE como a hemiparesia, quando este apresenta movimentação ativa. Porém, sua eficácia depende de fatores como o tempo de lesão, esboço de movimentação ativa, apoio da família, religiosidade, fatores ambientais e, principalmente, fatores psicológicos e motivacionais que, apresentaram-se como algo bastante representativo na obtenção dos resultados das pacientes. Quanto ao uso do protocolo previsto pela técnica, confirmou-se que há possibilidade de adaptar o mesmo, visando atender as especificidades. Porém, destacase a importância de considerar os diversos fatores mencionados acima e que, podem influenciar, significativamente, nos resultados. Fazem-se necessários novos estudos, com número maior de pacientes submetidos a esta técnica, para cada vez mais comprovar seus benefícios. Sugerimos, também, estudos que abordem as possibilidades de variação de protocolo, bem como, a sua utilização como forma de tratamento terapêutico. Durante todo o processo de pesquisa buscou-se oferecer atividades significativas às pacientes, exigindo de cada uma o seu limite de movimento. Uma relação entre terapeuta e paciente, antes de ser uma relação terapêutica, é uma relação humana. Neste sentido, os momentos direcionados para a coleta de dados provocaram aprendizado mútuo, bem como, construção de relações de respeito, carinho e confiança entre pesquisadoras e pacientes. 55 REFERÊNCIAS ABRAMCZUK, B; VILLELA, E. A Luta contra o AVC no Brasil. Rev. Com Ciência, Campinas, nº 109, 2009. ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA. <http://www.cadastro.abneuro.org/site/>. Acesso em: 09/02/2013. Disponível em: ANDRADE, L.M. et al. A problemática do cuidador familiar do portador de acidente vascular cerebral. Rev. Esc. Enferm, São Paulo, v.43, n. 1, 2009. ANDRÉ. C. Manual de AVC. Rio de Janeiro: Ed. Revinter, 1999.250 p. AOTA. American Occupational Therapy <http://www.aota.org/>. Acesso em: 10/02/2013. Association. Disponível em: BORGES, M.P. et al. Aplicação de um Protocolo Adaptado de duas Horas da Terapia por Contenção Induzida em Pacientes com Sequelas de AVE- Estudo de um Caso. 2008 in: Encontro Latino Americano de Iniciação Científica e Encontro Latino Americano de Pós - Graduação Universidade do Vale do Paraíba, 12; 8., 2013. São Paulo. BRASIL. Ministério da Saúde /Portal da Saúde. AVC: governo alerta para principal causa de mortes. Brasil, 2012. Disponível em: <http://portalsaude.saude.gov.br/portalsaude/noticia/7920/893/avc:-governo-alerta-paraprincipal-causa-de-mortes.html>. Acesso em: 08/02/2013. BRITO, M; PONTES, F. AVC e neuroplasticidade. Rev. Cérebro e mente, São Paulo, n.14, 2001. CAMPOS, S. Neurologia/Neurociências: Alterações da Marcha. Disponível em: <http://www.drashirleydecampos.com.br/noticias.php?noticiaid=5415>. Acesso em: 09/02/2013. CAVALCANTI, A. & GALVÃO, C. Terapia ocupacional: fundamentação e prática. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan, 2007. 531 p. CHAMPION, A. Terapia Ocupacional Derrame Cerebral. São Paulo: Ed. Santos, 2004. 174 p. COFFITO. Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Definição de Terapia Ocupacional. Disponível em: <http://www.coffito.org.br/conteudo/con_view.asp?secao=46>. Acesso em: 10/02/2013. COLLINS, R. Neurologia. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan S.A, 1997. 197 p. CONTENSÃO INDUZIDA. Disponível <http://www.contensaoinduzida.com.br/index.php/9-uncategorised/68-definicao. Acesso em: 11/02/2013. 56 em: 56 DE CARLO, M.M.R.P; LUZO, M.C.M. Terapia Ocupacional Reabilitação Física e Contextos Hospitalares. São Paulo: Ed. Roca, 2004. 323 p. DINIZ, L; ABRANCHES, M.H.S. Neuroplasticidade na Terapia de Restrição e Indução do Movimento em Pacientes com Acidente Vascular Encefálico. Rev.MedReabil, SãoPaulo, v.22, n.3, p. 53-5, 2003. FONSECA, N.R; PENNA, A.F.G. Perfil do cuidadorfamiliar do paciente com sequela de acidente vascular encefálico. Rev. Ciênc. Saúde coletiva. Rio de Janeiro, v.13, n.4, 2008. FREITAS, A.G. et al. Protocolo Modificado da Terapia de Restrição em paciente hemiplégico. Rev. Neurocienc, São Paulo, v.18, n.2, p. 199-203, 2010. FULLER. G & MANFORD, M. Neurologia Um Texto Ilustrado em Cores. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara Koogan S.A, 2002.126 p. GAMBA, R.; CRUZ, D. Efeitos da Terapia por Contensão Induzida em longo prazo em pacientes pós-AVC. Rev. Neurocienc, São Paulo, v. 19, n. 4, p. 735-740, 2011. GARCIA, J.M. et al. Terapia por Contensão Induzida (TCI) em adolescentes com hemiparesia espática: relato de caso. Rev. Fisioter. Mov., Curitiba, v.25, n.4, p. 895906, 2012. GAZZOLA, J; BOFI, T.C; CARVALHO,A.C . Orientação Domiciliária pósAcidente Vascular Cerebral. São Paulo: Ed. Santos, 2007. 153 p. LUNA FILHO. B. A Ciência e a Arte de ler Artigos Médicos. São Paulo: Ed. Atheneu, 2010. 188 p. MENEGHETTI, C.H.Z; SILVA, J.A; GUEDES, C.A.V. Terapia de restrição e indução ao movimento no paciente com AVC: relato de caso. RevNeurocienc, São Paulo, v.18, n.1, p. 18-23, 2010. MENEZES; PEREIRA; ANJOS. Terapia por Contensão Induzida. cap 25. p. 417 – 427. In CRUZ, D.M.C (org). Terapia Ocupacional na Reabilitação pós-Acidente Vascular Encefálico Atividades de Vida Diária e Interdisciplinaridade. São Paulo: Ed. Santos, 2012. 426 p. NETO, J.E; LOTUFO, P.A; LÓLIO, C.A. Tratamento da Hipertensão e Declinio da Mortalidade por Acidentes Vasculares Cerebrais. Rev. Saúde Públ.São Paulo, v. 24, n.4, p 332-6,1990. PEREIRA, N. D.; MENEZES, I. S.; ANJOS, S. M. Uso de três princípios de intervenção aumenta a efetividade da Terapia por CONTENÇÃO Induzida: estudo de caso. Rev. Ter. Ocup. Univ, São Paulo, v. 21, n. 1, p. 33-40, 2010. SBDCV. Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares. Primeiro Consenso Brasileiro para rombólise no Acidente Vascular Cerebral Isquêmico Agudo. Arq. Neuro-Psiquiatr, São Paulo, v.60, n.3, 2002. 57 57 SILVA, L.A; TAMASHIRO, V; ASSIS, R.D. Terapia por CONTENÇÃO Induzida: revisão de ensaios clínicos. Rev.Fisioter. Mov, Curitiba, v.23, n.1, p.153-159, 2010. TEIXEIRA, E. et al. Terapia Ocupacional na Reabilitação Física. São Paulo: Ed. Roca, 2003. 571 p. TERRONI, L.M.N. et al. Depressão pós- AVC: aspectos psicológicos, neuropsicológicos, eixo HHA, correlato neuroanatômico e tratamento. Rev. Psiq. Clin, São Paulo, v. 36, n. 3, p. 100-108, 2009. TERRONI, L.M.N. et al. Depressão pós-AVC: Fatores de Risco e Terapêutica Antidepressiva. Rev. Assoc. Med. Bras, São Paulo, v.49, n.4, p. 450-459, 2003. TOOLE, J. F. Distúrbios Cerebrais de Origem Vascular. São Paulo: Ed. Santos, 2002. 541 p. WEINERT, L.V.C; SALONI, A.C ; BELLANI, C.D.F. Reavaliação de Efetividade da Terapia do Uso Forçado em um Paciente Portador de Acidente Vascular Encefálico. Rev. Bras.Terap e Saúde, Paraná,v.2, n.1, p13-20, 2011. 58 APÊNDICES 59 APÊNDICE A - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido Esmeralda 60 61 62 63 APÊNDICE B - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 64 65 66 67 APÊNDICE C - Planejamento Diário DIA/ SESSÃO ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ATIVIDADE ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ OBEJETIVO ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ RECURSOS ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ METODOLOGIA ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ ______________________________________________________________________ 68 APENDICE D - Evoluções DATA EVOLUÇÃO 69 APENDICE E - Aceite da Instituição 70 ANEXOS 71 ANEXO 1 - Mini-Exame Mental (Folstein, Folstein&McHugh, 1.975) Paciente: I.A.R Data da Avaliação: 27/08/2013 ORIENTAÇÃO Dia da semana (1 ponto) ............................................................................................( 1 ) Dia do mês (1 ponto) ................................................................................................( 1 ) Mês (1 ponto) ............................................................................................................( 1 ) Ano (1 ponto) ............................................................................................................( 1 ) Hora Aproximada (1 ponto) .......................................................................................( 1 ) Local específico (aposento ou setor) (1 ponto)...........................................................( 1 ) Instituição (residência, hospital, clínica) (1 ponto) ....................................................( 1 ) Bairro ou rua próxima (1 ponto) .................................................................................( 1 ) Cidade (1 ponto) ........................................................................................................( 1 ) Estado (1 ponto) .........................................................................................................( 1 ) MEMÓRIA IMEDIATA Fale 3 palavras não relacionadas. Posteriormente pergunte ao paciente pelas 3 palavras. Dê 1 ponto para cada resposta correta.............................................................( 3 ) Depois repita as palavras e certifique-se de que o paciente as aprendeu, pois mais adiante você irá perguntá-las novamente. ATENÇÃO E CÁLCULO (100-7) sucessivos, 5 vezes sucessivamente ( 1 ponto para cada cálculo correto) (alternativamente, soletrar MUNDO de trás para frente) .......................( 5 ) EVOCAÇÃO Pergunte pelas 3 palavras ditas anteriormente (1 ponto por palavra) .....( 2 ) LINGUAGEM Nomear um relógio e uma caneta (2 pontos) ...........................................( 2 ) Repetir “nem aqui, nem ali, nem lá” (1 ponto) ........................................( 1 ) Comando: “pegue este papel com a mão direita dobre ao meio e coloque no chão (3pontos) ............................................( 3 ) Ler e obedecer: “feche os olhos” (1 ponto) .............................................( 1 ) Escreva uma frase (1 ponto) ....................................................................( 1 ) Copiar um desenho (1 ponto) ..................................................................( 1 ) ESCORE: (28/30) 72 ANEXO 2 - Mini-Exame Mental (Folstein, Folstein&McHugh, 1.975) Paciente: M.O.F Data da Avaliação: 16/09/2013 ORIENTAÇÃO Dia da semana (1 ponto) ............................................................................................( 1 ) Dia do mês (1 ponto) ................................................................................................( 0 ) Mês (1 ponto) ............................................................................................................( 0 ) Ano (1 ponto) ............................................................................................................( 0 ) Hora Aproximada (1 ponto) ......................................................................................( 1 ) Local específico (aposento ou setor) (1 ponto)..........................................................( 1 ) Instituição (residência, hospital, clínica) (1 ponto) ...................................................( 1 ) Bairro ou rua próxima (1 ponto) ................................................................................( 1 ) Cidade (1 ponto) ........................................................................................................( 1 ) Estado (1 ponto) .........................................................................................................( 1 ) MEMÓRIA IMEDIATA Fale 3 palavras não relacionadas. Posteriormente pergunte ao paciente pelas 3 palavras. Dê 1 ponto para cada resposta correta.............................................................( 3 ) Depois repita as palavras e certifique-se de que o paciente as aprendeu, pois mais adiante você irá perguntá-las novamente. ATENÇÃO E CÁLCULO (100-7) sucessivos, 5 vezes sucessivamente ( 1 ponto para cada cálculo correto) (alternativamente, soletrar MUNDO de trás para frente) .......................( 0 ) EVOCAÇÃO Pergunte pelas 3 palavras ditas anteriormente (1 ponto por palavra) .....( 0 ) LINGUAGEM Nomear um relógio e uma caneta (2 pontos) ...........................................( 2 ) Repetir “nem aqui, nem ali, nem lá” (1 ponto) ........................................( 1 ) Comando: “pegue este papel com a mão direita dobre ao meio e coloque no chão (3pontos) ............................................( 3 ) Ler e obedecer: “feche os olhos” (1 ponto) .............................................( 0 ) Escreva uma frase (1 ponto) ....................................................................( 0 ) Copiar um desenho (1 ponto) ..................................................................( 0 ) ESCORE: (16/30) 73 ANEXO 3 - Perfil Ocupacional IDENTIFICAÇÃO: Nome: I.A.R Sexo: M( ) F (X ) Data de Nascimento: 12/03/1944 Idade: 69 anos Profissão: Doméstica Estado Civil: Viúva Naturalidade: Brasileira Religião: Evangélica Escolaridade: 3º ano do Ensino Médio Endereço: Barão de Mamoré 733 - Guamá Diagnóstico Clínico: Acidente Vascular Encefálico - Hemiparesia Direita Data de avaliação: 27/08/2013 QUEIXAS PRINCIPAIS: Queixa-se da diminuição de força e amplitude do membro lesado e dificuldade no movimento de preensão. Refere desejo em ser independente ao realizar atividades como cozinhar, lavar louça, estender roupa, varrer e limpar a casa. HISTÓRIA CLÍNICA ATUAL: Sofreu o AVC, em Agosto de 2012. Estava em sua casa quando sentiu dificuldade em falar, foi levada então ao Pronto Socorro (não soube informar o nome do mesmo), de onde foi encaminhada para o Hospital da Ordem Terceira, permanecendo internada por 2 semanas. Após 6 meses começou o tratamento de Terapia Ocupacional no Centro de Reabilitação Demétrio Medrado. DESEMPENHO EM ÁREAS DE OCUPAÇÃO: Em suas AVD’s mostra-se independente, consegue realizá-las de maneira satisfatória; não exerce nenhuma atividade produtiva, vivendo apenas de sua aposentadoria; depende de pessoas para locomoção para atividades de lazer (aniversários, igreja, etc). HISTÓRIA OCUPACIONAL: Antes do acidente, trabalhava em casa de família e executava todas as AVD’s e as AIVD’s de maneira independente. Após o AVC passou a depender dos seus familiares, principalmente para as AIVD’s. CONTEXTOS DE DESEMPENHO: A paciente possui contexto humilde, locomove-se de maneira independente em seu domicílio, porém, as condições do ambiente em que vive torna inviável a sua locomoção de maneira independente na rua. Avaliadoras: Adeline O. da Silva & Bianca Cristina O. dos Reis 74 ANEXO 4 - Perfil Ocupacional IDENTIFICAÇÃO: Nome: M. O. F Sexo: M( ) F (X ) Data de Nascimento: 26/05/1942 Idade: 71 anos Estado Civil: Viúva Naturalidade: Brasileira Religião: Evangélica Profissão: Cozinheira Escolaridade: 1ª Serie (não sabe ler) Endereço: Rua Alcindo Cacela Diagnóstico Clínico: Acidente Vascular Encefálico- Hemiparesia Direita Data de avaliação: 16/09/2013 QUEIXAS PRINCIPAIS: Queixava-se por não conseguir alcançar objetos desejados e depender de seus filhos para realização de atividades diárias, bem como, para levá-la aos locais desejados (consultórios, igreja, entre outros). HISTÓRIA CLÍNICA ATUAL: Sofreu o AVC em Abril de 2013. Enquanto voltava do Banco com o filho, sentiu formigamento no MSD, foi levada pelo mesmo ao Hospital Guadalupe (não soube informar por quanto tempo permaneceu internada). Foi encaminhada para os serviços de Terapia Ocupacional da UEAFTO, onde recebe atendimento em 3 dias da semana. DESEMPENHO EM ÁREAS DE OCUPAÇÃO: É dependente em suas AVD’s; não possui atividade produtiva; afirma não ter muitos momentos de lazer. HISTÓRIA OCUPACIONAL: Antes do acidente, vivia em casa própria; frequentava a igreja. Após o seu diagnóstico, passou a morar com a filha, da qual depende para realizar atividades básicas da vida diária, AIVD’s, entre outras atividades. CONTEXTOS DE DESEMPENHO: Paciente reside na casa da filha, casa de dois andares (o que dificulta sua locomoção na mesma) assim, relata permanecer a maior parte do tempo sentada na sala, assistindo tv. Desce, com ajuda dos filhos, apenas nos dias que tem algum compromisso. Avaliadoras: Adeline O. da Silva & Bianca Cristina O. dos Reis 75 ANEXO 5 - Análise do Desempenho Ocupacional - MIF IDENTIFICAÇÃO NOME: I.A.R DATA DE NASCIMENTO: 12/03/1944 IDADE: 69 anos DATA DA AVALIAÇÃO: 27/08/2013 SEXO: Feminino DIAGNÓSTICO CLÍNICO: Acidente Vascular Encefálico COMPROMETIMENTO: Hemiparesia Direita TEMPO DE LESÃO: 1 ano - Agosto de 2012 TERAPIAS: Nenhuma CUIDADOS PESSOAIS AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO 1- Alimentação 2 6 2- Cuidados com a aparência (higiene elementar) 2 6 3- Banho 5 6 4- Vestir parte superior 5 6 5- Vestir parte inferior 6 6 6- Utilização do vaso sanitário 6 6 CONTROLE DE ESFÍNCTERES AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO 7-Controle da urina 7 7 8- Controle das fezes 7 7 MOBILIDADE/TRANSFERÊNCIA AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO 9- Cama, cadeira, cadeira de rodas 6 6 10- Vaso sanitário 6 6 11- Banheira/ chuveiro 6 6 LOCOMOÇÃO AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO M 6 6 12- Marcha / Cadeira de rodas C 13- Escadas 4 4 M: Marcha; C: Cadeira de rodas COMUNICAÇÃO A V Ve 15- Expressão N A= auditiva; V= visual; Ve: verbal; N: não-verbal 14- Compreensão AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO 7 7 7 7 7 7 7 7 76 COGNIÇÃO SOCIAL AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO 16- Interação social 7 7 17- Resolução de problemas 6 6 18- Memória 7 7 TOTAL AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO Nota: não deixe nenhum item em branco: se não for possível de ser testado, marque 1. NÍVEIS INDEPENDÊNCIA 116 126 ESCORES 7- Independência completa (em segurança, em tempo normal) SEM AJUDA 6- Independência Modificada (ajuda técnica) 5- Supervisão DEPENDÊNCIA MODIFICADA 4- Ajuda mínima 3- Ajuda moderada DEPENDÊNCIA COMPLETA 2- Ajuda máxima 1- Ajuda total COM AJUDA 77 ANEXO 6 - Análise do Desempenho Ocupacional - MIF IDENTIFICAÇÃO NOME: M.O.F DATA DE NASCIMENTO: 26/05/1942 IDADE: 71 anos DATA DA AVALIAÇÃO: 16/09/2013 SEXO: Feminino DIAGNÓSTICO CLÍNICO: Acidente Vascular Encefálico COMPROMETIMENTO: Hemiparesia Direita TEMPO DE LESÃO: 4 meses TERAPIAS: Terapia Ocupacional na UEAFTO CUIDADOS PESSOAIS 1- Alimentação AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO 3 3 2- Cuidados com a aparência (higiene elementar 1 1 3- Banho 3 3 4- Vestir parte superior 3 3 5- Vestir parte inferior 3 3 6- Utilização do vaso sanitário 6 6 CONTROLE DE ESFÍNCTERES 7-Controle da urina 8- Controle das fezes MOBILIDADE/TRANSFERÊNCIA 9- Cama, cadeira, cadeira de rodas 10- Vaso sanitário 11- Banheira/ chuveiro LOCOMOÇÃO 12- Marcha / Cadeira de rodas M C 13- Escadas M: Marcha; C: Cadeira de rodas COMUNICAÇÃO A V Ve 15- Expressão N A= auditiva; V= visual; Ve: verbal; N: não-verbal 14- Compreensão AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO 7 7 7 7 AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO 6 6 6 6 6 6 AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO 6 6 2 2 AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO 7 7 6 6 6 6 7 7 78 COGNIÇÃO SOCIAL AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO 16- Interação social 6 6 17- Resolução de problemas 3 3 18- Memória 3 3 TOTAL AVALIAÇÃO REAVALIAÇÃO Nota: não deixe nenhum item em branco: se não for possível de ser testado, marque 1. 97 97 NÍVEIS ESCORES INDEPENDÊNCIA 7- Independência completa (em segurança, em tempo normal) SEM AJUDA 6- Independência Modificada (ajuda técnica) 5- Supervisão DEPENDÊNCIA MODIFICADA 4- Ajuda mínima 3- Ajuda moderada DEPENDÊNCIA COMPLETA 2- Ajuda máxima 1- Ajuda total COM AJUDA 79 ANEXO 7 - Avaliação dos Componentes de Desempenho - Esmeralda Escores / MSD ARTICULAÇÕES OMBRO COTOVELO PUNHO METACARPO FALANGEANAS ARTICULAÇÕES OMBRO COTOVELO PUNHO 2- FORÇA Flexão Extensão Abdução Adução Abdução horizontal Adução horizontal Flexão Extensão Flexão Extensão Flexão Extensão 2 – AMPLITUDE DE MOVIMENTO Flexão 0-180 Extensão 0-60 Abdução 0-180 Abdução horizontal 0-90 Adução horizontal 0-45 Flexão 0-150 Extensão 0-150 Supinação 0-80 Pronação 0-80 Flexão 0-80 Extensão 0-70 Desvio radial 0-20 Desvio ulnar 0-30 Avaliação Reavaliação 2 3 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 Avaliação Ativa Passiva 50 132 60 60 30 111 40 90 42 45 150 150 122 150 72 80 80 80 63 80 70 70 10 20 25 30 4 5 4 5 4 5 5 5 5 4 5 4 Revaliação Ativa Passiva 122 180 60 60 110 180 90 90 45 45 150 150 140 150 80 80 80 80 80 80 70 70 20 20 30 30 Edema / Trofismo (Medida circuferencial) (X) Não se aplica Cicatriz: Ausente Dor: Relata não sentir dor / Escala da dor: Não Apresenta Sensibilidade: Alterada - Hiperestesia Aspectos da Coordenação e Controle Postural: a) Equilíbrio Estático: Alterada b) Equilíbrio Dinâmico - marcha: Alterada c) Contraturas e deformidades: Não Apresenta d) Trocas de posturas (de pé, sentado,deitado ): Alterada e) Tônus Muscular: Normal e) Coordenação visomotora, óculo manual, unilateral e bilateral: Alterada f) Coordenação motora fina: manipulação, oponência, preensões, pinças: Alterada g) Coordenação grossa: Alterada h) Movimentos Involuntários: Apresenta 80 ANEXO 8 - Avaliação dos Componentes de Desempenho – Rubi Escores / MSD ARTICULAÇÕES OMBRO COTOVELO PUNHO METACARPO FALANGEANAS ARTICULAÇÕES OMBRO COTOVELO PUNHO 1 - FORÇA Flexão Extensão Abdução Adução Abdução horizontal Adução horizontal Flexão Extensão Flexão Extensão Flexão Extensão 2 – AMPLITUDE DE MOVIMENTO Flexão 0-180 Extensão 0-60 Abdução 0-180 Abdução horizontal 0-90 Adução horizontal 0-45 Rotação interna 0-70 Rotação externa 0-90 Flexão 0-150 Extensão 0-150 Supinação 0-80 Pronação 0-80 Flexão 0-80 Extensão 0-70 Desvio radial 0-20 Desvio ulnar 0-30 Avaliação Reavaliação 2 3 2 3 3 3 3 3 3 3 3 3 Avaliação Ativa Passiva 0 131 60 60 0 151 0 90 45 45 0 51 0 90 0 150 150 150 0 80 0 80 0 80 0 70 0 20 0 30 4 5 4 5 4 5 5 5 5 4 5 4 Revaliação Ativa Passiva 0 152 60 60 0 161 0 90 45 45 0 70 0 90 0 150 150 150 0 80 0 80 0 80 0 70 0 20 0 30 Edema / Trofismo: Localização: Mão Direita Edemaciada Cicatriz: Ausente Dor: Paciente relata não sentir dor Sensibilidade: Alterada- Hiperestesia / Sensação de choque na mão direita Aspectos da Coordenação e Controle Postural: a) Equilíbrio Estático: Alterado b) Equilíbrio Dinâmico- marcha: Alterada c) Contraturas e deformidades: Não Apresenta d) Trocas de posturas: (de pé, sentado, deitado): Alterada e) Tônus Muscular: Apresenta Hipotonicidade no membro Direito e) Coordenação visomotora, óculo manual, unilateral e bilateral: Ausente f) Coordenação motora fina: manipulação, oponência, preensões, pinças: Ausente g) Coordenação grossa: Ausente h) Movimentos Involuntários: Não Apresenta 81 ANEXO 9 - Memorando 82 ANEXO 10 - Certificação de Aprovação 83