23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental ANÁLISE DE MODELOS DE AJUSTE EXPONENCIAL PARA PREVISÃO DE CONSUMO DE CURTÍSSIMO PRAZO COMO APOIO NO PLANEJAMENTO DA OPERAÇÃO DE UM SISTEMA DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA Breno Trautwein Jr.(*) Engenheiro Civil (UFPR), Pós graduado em Processamento de Dados (FAE/CDE) e Automação de Sistemas (PUC-PR), Mestre em Engenharia da Produção (PUC-PR), Engenheiro de Operações da Companhia de Saneamento do Paraná (SANEPAR). Guilherme Ernani Vieira Engenheiro de Controle e Automação Industrial (UFSC) Mestre em Engenharia Mecânica (UFSC), Doutor em Engenharia Mecânica (University of Maryland System, U.M.S., Estados Unidos), Professor Adjunto da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR). Endereço(*): Rua Engenheiro Rebouças 1139 - Rebouças – Curitiba - Paraná - CEP: 20000-000 - Brasil - Tel: +55 (41) 330-7052 - Fax: +55 (41) 330-7070 - e-mail: [email protected] RESUMO Técnicas de previsão de consumo de água têm sido muito utilizadas em projetos de implantação e ampliação de redes de abastecimento de água. Entretanto, quase não se fala sobre previsão de consumo de água em curtíssimo prazo, mesmo embora este tipo de informação possa trazer um importante apoio ao processo de operação de Sistemas de Abastecimento de Água em empresas de saneamento. Isto ocorre principalmente devido às dificuldades em se obter dados confiáveis. Com a introdução de sistemas de supervisão e controle automatizados, estas dificuldades foram praticamente eliminadas, abrindo espaço para a aplicação de técnicas de previsão que otimizem e orientem o processo de planejamento da distribuição de água. Neste artigo, o método ajuste exponencial é avaliado em uma aplicação de previsão de consumo de água em curtíssimo prazo. Os resultados preliminares mostram as potencialidades e eficiência do método, analisado neste artigo, para previsão de consumo com base em dados históricos. PALAVRAS-CHAVE: Previsão de consumo, séries temporais, ajuste exponencial. 1. INTRODUÇÃO Na operação de Sistemas de Abastecimento de Água (SAA), um dos fatores críticos do abastecimento é a manutenção do equilíbrio entre a oferta e o consumo de água aos usuários. A manutenção deste equilíbrio é feita através de ações operacionais, muitas delas, aplicando conceitos e ferramentas de previsão aplicadas ao consumo. A previsão do consumo é imprescindível em vários processos dentro de uma empresa de saneamento. Os principais processos são: área de projetos de novos sistemas e de ampliação de sistemas existentes; área de produção (captação, tratamento, reservação e distribuição) de água. Nos processos de produção e de distribuição, durante a operação diária de um SAA, a previsão do consumo é feita com base em dados históricos de demanda, nem sempre confiáveis, da área de abastecimento do sistema em estudo e na experiência prática dos técnicos envolvidos. Esta previsão, de apoio à operação diária de um SAA, geralmente é feita para curtos períodos de tempo a frente (hora em hora para planejamento normal da operação, ou em intervalos menores em situações de rompimentos de adutoras, quebras de equipamentos, panes elétricas). Na última década, a busca por uma melhoria operacional tanto em relação aos processos quanto em relação aos custos operacionais provocou um crescimento dos investimentos em automação e em sistemas informatizados de supervisão. Estes sistemas de supervisão, aliado a disponibilidade de software e hardware a custos acessíveis, permitem que a previsão de consumo possa ser feita de forma mais eficiente aproveitando os dados dos sistemas informatizados (mais confiáveis) através de ferramentas de previsão automatizadas. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 1 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Dentro deste contexto, este artigo apresenta os fundamentos do método de ajuste exponencial aplicados à previsão de séries temporais vinculadas ao consumo de água da cidade de Curitiba, Paraná (Companhia de Saneamento do Paraná - SANEPAR), integrando dados de consumo dos sistemas de supervisão e controle (SSC). Um dos problemas principais da ciência é a previsão (“dado o passado, como posso prever o futuro?”). A análise de séries temporais é uma área de pesquisa relevante em diversos campos do conhecimento, principalmente nas áreas de engenharia e economia. A principal motivação para pesquisas sobre séries temporais é providenciar uma previsão quando o modelo matemático de um fenômeno é complexo, desconhecido ou incompleto. Uma série temporal consiste de medidas ou observações previamente obtidas de um fenômeno que são realizadas seqüencialmente sob um intervalo de tempo. Se estas observações consecutivas são dependentes uma da outra, então é possível conseguir-se uma previsão ou identificação do sistema. As etapas abordadas, neste artigo, para a previsão da série temporal (similares a metodologias adotadas em procedimentos de identificação de sistemas) incluem a obtenção de: (i) um conjunto de dados de vazão de água em uma área de abastecimento; (ii) uma classe de modelos candidatos (estrutura do modelo matemático); (iii) um critério para verificação da aproximação entre os dados reais e o modelo matemático (somatório do erro absoluto médio); e (iv) de rotinas para a validação dos modelos matemáticos resultantes (Ljung, 1987). As próximas seções do artigo são organizadas da seguinte forma. Na seção 2 se encontra o objetivo desta pesquisa. Uma breve revisão bibliográfica sobre previsão no setor de saneamento é apresentada na seção 3. Uma descrição das características do método de ajuste exponencial e dos modelos de previsão elaborados é apresentada na seção 4. Na seção 5 são analisados os estudos de caso de previsão para uma zona de pressão determinada. As conclusões e perspectivas de trabalhos futuros são apresentadas na seção 6. 2. OBJETIVO Este artigo visa aplicar o método de ajuste exponencial e avaliar sua eficiência em prever o consumo de água de uma certa região, ou seja, zona de pressão (ZP) da cidade de Curitiba em curtíssimo prazo (ou previsão imediata). Busca também, através de uma revisão bibliografia sobre previsão de consumo no setor de saneamento, mostrar a evolução das pesquisas nesta área a partir da década de oitenta e as tendências atuais destas pesquisas. 3. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA Historicamente, os métodos de previsão mais comuns dentro do setor de saneamento se baseiam em modelos de regressão múltipla e modelos autoregressivos. Mais recentemente com o avanço das pesquisas em Inteligência Artificial (IA) começaram a surgir pesquisas com aplicação de técnicas de IA em modelos de previsão de consumo, notadamente as redes neurais artificiais (RNA). Na bibliografia especifica sobre projetos de sistemas de abastecimento de água a previsão do consumo é feita com base no número de ligações de água previstas e em dados de crescimento demográfico disponíveis, através de metodologias de cálculo já consagradas (Maurice et al, 1971; Walski et al, 2003). Dentro das técnicas de regressão, Perry (1981), Kher e Shorosian (1986), Smith (1988), Rhoades e Walski (1991), utilizam modelos baseados em regressão linear e modelos auto-regressivos para previsão do consumo. Perry (1981) aplica o modelo de regressão para previsão do dia seguinte 24 horas à frente utilizando como variáveis a temperatura e dados de consumo passados procurando avaliar e ajustar o consumo com objetivo de otimizar o uso de estações elevatórias de água e reduzir os custos de energia elétrica. Kher e Shorosian (1986) comparam modelos regressivos para previsões de consumo mensais considerando ou não o efeito do ruído existente nas variáveis utilizadas. As variáveis consideradas no estudo são: histórico de consumo mensal, renda familiar, tarifa da água, precipitação média mensal, temperatura média mensal e evapotranspiração efetiva de cada mês considerado. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 2 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Smith (1988) desenvolve um modelo autoregressivo para previsão diária de consumo através de séries temporais. O modelo considera inicialmente as componentes de estação do ano e dia da semana e permite incluir variáveis explicativas como tarifa da água, número de ligações, características sócio-econômicas, e tipo de consumo (residencial, comercial, industrial). Rhoades e Walski (1991) aplicam um modelo de regressão múltipla para previsão de consumo mensal considerando as variáveis de temperatura, população, e precipitação pluviométrica para planejamento do SAA da cidade de Austin no estado do Texas (EUA). A partir da década de 90, Crommelynk et al (1992), Stark et al (2000), Jain e Ormsebee (2002), Silva (2003), e Falkemberg et al (2003) desenvolvem modelos de previsão baseados em técnicas de inteligência artificial. Crommelynk et al (1992), conclui que as RNA são equivalentes, pelos resultados obtidos, aos métodos estatísticos, mas permitem uma adaptabilidade maior e podem trabalhar com menos variáveis que os modelos de regressão tradicionais. Stark et al (2000) utilizam RNA para previsão de consumo do dia seguinte e dez dias a frente com base em consumo médio diário de um período de 27 meses considerando as variáveis explicativas; temperatura média diária, precipitação pluviométrica, dias úteis e finais de semana, estação do ano e histórico de consumo horário. Jain e Ormsebee (2002) comparam métodos tradicionais de previsão (regressão e séries temporais) com métodos de IA (redes neurais artificiais e sistemas especialistas) para previsão de consumo diário de água em SAA para previsões médio prazo. Os resultados mostram que os métodos de IA para previsão de consumo em curto prazo apresentam melhores resultados que os métodos tradicionais. Silva (2003) aplica RNA para previsão de consumo horário em SAA e conclui que a previsão de consumo de curto prazo utilizando modelos de RNA mostra vantagens sobre métodos estatísticos tradicionais por necessitar um número menor de dados históricos. Falkemberg et al (2003) desenvolvem modelos de RNA e de Regressão Múltipla para previsão de consumo vinte e quatro horas à frente considerando influências do dia da semana, da hora do dia e consumo passado, recomendando modelos de previsão múltiplos para diferentes perfis de consumo e diferentes horas do dia. Observa-se pela bibliografia consultada que os modelos de previsão de consumo utilizados, dentro do setor de saneamento, utilizam diversos métodos e abordagens em função do horizonte do planejamento a ser elaborado. Para horizontes de planejamento de meses ou anos, os métodos de regressão são os mais usados. A medida em que os horizontes de planejamento diminuem os métodos de regressão começam a perder eficiência em relação a métodos auto-regressivos e aos métodos que utilizam técnicas de IA. O método de previsão de ajuste exponencial (AJE) tem sido muito usado em outros setores industriais e tem apresentado bons resultados na área industrial para previsões de curto prazo com base em dados históricos de consumo (HANKE et al, 2001; MARTINS e LAUGENI, 2002; ALBRIGHT et al, 2003). Contudo, não foi encontrada referência de aplicação do método de AJE no setor de saneamento. Neste contexto, o presente artigo explora o potencial de aplicação do AJE para previsões de curtíssimo prazo dentro do setor de saneamento. 4. MATERIAIS E MÉTODOS Este trabalho analisa três métodos de AJE visando prever o comportamento do consumo em sistemas de distribuição de água no curtíssimo prazo. A definição de um modelo preliminar para previsão de curtíssimo prazo do consumo de uma ZP considera como entradas apenas o histórico de consumo da ZP estudada. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 3 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental A pesquisa segue as seguintes etapas: Definição dos dados: etapa de definição dos dados relevantes à pesquisa e da forma de coleta e tratamento destes dados; Definição de modelos: etapa de definição do ferramental necessário para obtenção de resultados; Resultados: etapa de análise dos resultados obtidos na etapa anterior; e Conclusões: etapa de apresentação dos resultados finais da pesquisa. Para uma melhor avaliação dos modelos de ajuste exponencial foram consideradas: Três diferentes métodos de ajuste exponencial (Simples, Holt, e Winter); Três amostras de dados com diferentes períodos de dados históricos para a ZP estudada (dois dias, quatro dias, e oito dias). Foram desenvolvidos e avaliados três modelos básicos para cada método de ajuste exponencial (Simples, Holt e Winter) e a partir destes três modelos foram aplicadas as três diferentes amostras de dados, totalizando nove modelos de previsão. Os dados forma obtidos a partir do SSC existente no CCO que armazena os dados históricos em uma base de dados SQL 1 . Estes dados são extraídos da base SQL para planilhas eletrônicas, através de rotinas computacionais específicas que incorporam a programação de cálculo dos modelos de AJE utilizados. Na seqüência serão detalhados os métodos de AJE aplicados e os critérios de seleção utilizados na avaliação destes modelos. Ajuste Exponencial Simples No método Simples, a previsão Ŷ(t) é calculada a partir da última previsão realizada no período (t-1) adicionada ou subtraída de um coeficiente α (peso) que multiplica o consumo real (Y) e a previsão no período Ŷ(t–1), de acordo com a equação 1 (MARTINS e LAUGENI, 2002): ^ ^ ^ ^ ^ Y ( t ) = Y ( t −1) + α (Y ( t −1) − Y (t −1) ) ou equação (1) Y ( t ) = Y ( t −1) + α (erro ( t −1) ) sendo que α normalmente varia de 0 a 1 (geralmente 0,1 ou 0,3) e é um valor de ponderação projetado para permitir que Ŷ(t) aproxime uma média móvel simples através em um período de tempo arbitrário. Em outras palavras, deseja-se minimizar o erro entre a demanda histórica e a respectiva previsão. Em geral, são usados valores pequenos para α quando a demanda e estável e valores grandes quando a demanda e flutuante. Ajuste Exponencial de Holt No método de Holt, a previsão Ŷ(t) considera que a série em estudo apresenta uma tendência e incorpora uma componente de tendência T e um segundo coeficiente, β, aplicado no ajuste da tendência. A previsão no período (t) é calculada a partir da equação 2 (ALBRIGHT et al, 2002). ^ ^ Y ( t ) = α Yt −1 + (1 − α )(Y ( t −1) + Tt −1 ) equação (2) ^ (Y ( t −1) + Tt −1 ) onde o termo representa a correção da previsão considerando a componente de tendência (T). A componente T pode ser calculada pela expressão: ^ T( t ) = β (Y ( t ) − Y( t −1) ) + (1 − β )T( t −1) 1 equação (3) SQL – linguagem para criar, atualizar e consultar bancos de dados relacionais ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 4 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental que resulta na expressão final: ^ ^ Y ( t + k ) = Y ( t ) + k T( t ) equação (4) onde k representa o número de períodos a frente que se quer prever. Ajuste Exponencial de Winter No método de Winter, a previsão Ŷ(t) considera que a série em estudo apresenta uma um comportamento de sazonalidade além da componente da tendência incorporando um componente de sazonalidade S, um terceiro coeficiente γ, e um indicativo de sazonalidade M que representa o intervalo em que ocorre a sazonalidade (M=4 para sazonalidade a cada quatro períodos de dados, M=12 para sazonalidade a cada 12 períodos de dados, e assim por diante). A previsão dentro do método é calculada a partir da expressão a seguir (HANKE et al, 2001): Y( t −1) ^ Y (t ) = α S (T − M ) ^ + (1 − α ) (Y ( t −1) + T( t −1) ) equação (5) onde a componente de tendência (T) é calculada como na equação 3, e a componente de sazonalidade (S) é calculada pela expressão: S (t ) = γ Y( t ) ^ Y (t ) + (1 − γ ) S ( t − M ) equação (6) que resulta na expressão final: ^ ^ Y ( t + k ) = (Y ( t ) + kT( t ) ) S t −k − M ) equação (7) Critérios de seleção dos modelos Os modelos foram avaliados de acordo com critérios de desempenho considerando o Mean Square Error (MSE) e o Tracking Signal (TS). O MSE é um critério que estima a variância dos erros de previsão e é obtido pela equação 8. MSE = 1 n 2 ∑ Et n t =1 equação (8) O TS usado para acompanhar o desempenho do modelo ao longo do tempo e sinalizar a necessidade de revisão do modelo. O TS é calculado conforme a equação 9: TS t = bias t MADt equação (9) onde o termo biast é a média dos erros (bias) desde o início da previsão até o tempo t, que é usada para verificar se o modelo de previsão apresenta um erro sistemático. O bias é calculado usando: n bias = ∑ Et equação (1)0 t =1 ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 5 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental E o termo MADt representa o desvio padrão absoluto médio (MAD ou MAE) desde o início da previsão até o tempo t e é obtido pela média dos valores absolutos do erro dentro do período estudado e determina a amplitude do erro de previsão, conforme as equações 11 e 12. At = Et MAD = equação (11) n 1 ∑ At n t =1 equação (12) 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO O enfoque deste artigo é a previsão da vazão usando dados de uma semana de consumo em uma ZP coletados a um período de amostragem de 15 minutos – o que certamente caracteriza uma previsão de curtíssimo prazo. A ZP estudada tem como características: população de 23.000 habitantes, consumo médio diário de 60 l/s. As amostras utilizadas nas simulações correspondem a uma semana de dados coletados pela SANEPAR através do SSC. Nos modelos de AJE foram utilizadas diferentes tamanhos de amostra como entradas e na saída do sistema x̂ (t+1), isto é, foi realizada uma previsão um passo a frente para a saída real do sistema x(t+1). Na seqüência estão apresentadas duas tabelas e três gráficos que resumem os resultados obtidos na aplicação do método de AJE para previsão do consumo de água em curtíssimo prazo. A tabela 1 apresenta os resultados obtidos para os nove modelos de AJE avaliados. Pode-se observar que os modelos com oito dias de dados históricos tiveram um melhor desempenho nos três métodos de AJE utilizados. Sendo que o modelo de AJE Simples apresentou o melhor resultado dentro do critério de seleção adotado (MSE). Tabela 1 – Avaliação dos modelos de ajuste exponencial MÉTODO nº dados SIMPLES 2 dias 4 dias 4,5408 1,8003 8 dias 1,5539 2 dias 4 dias 4,5408 1,8003 8 dias 1,6087 2 dias 4 dias 2,0678 2,1108 8 dias 2,0572 HOLT WINTER MSE A tabela 2 apresenta os coeficientes de ajuste obtidos para a melhor solução de cada um dos nove modelos. O melhor modelo apresentou um coeficiente ∝ de 0,8838 confirmando que a demanda, na área estudada, tem uma característica flutuante. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 6 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental Tabela 2 – Coeficientes de ajuste exponencial dos modelos de AJE MÉTODO nº dados SIMPLES 2 dias 4 dias 1,0000 1,0000 8 dias 0,8838 2 dias 4 dias 0,5264 1,0000 1,0000 8 dias 0,0043 0,9113 2 dias 4 dias 1,0000 0,8505 0,1823 0,3616 0,3909 - 8 dias 0,9118 0,2607 - HOLT WINTER alfa beta gama na na na na na na na na na Os gráficos nas figuras 1, 2 e 3 apresentam os resultados comparativos entre os três melhores modelos, considerando os resultados do MSE (Tabela 1). O gráfico da figura 1, compara graficamente os valores de previsão obtidos pelo melhor modelo de cada método com os valores reais de consumo e mostra que os métodos Simples e Holt seguem uma mesma tendência e que o método de Winter possui uma aderência maior dos valores previstos (Ŷ) em relação aos valores reais (Y). Os três métodos apresentam um bom desempenho entre os valores previstos e os valores reais. Figura 1 – Comparação entre o consumo real e o consumo previsto Análise dos modelos de Ajuste Exponencial Simples, Holt e Winter melhores modelos: 8 dias - consumo real x consumo previsto 80 valores observados rec. SIMPLES 8 dias rec. HOLT 8 dias rec. WINTER 8 dias 78 76 74 consumos(l/s) 72 70 68 66 64 62 60 58 56 54 52 50 1 3 5 7 9 11 13 15 períodos 17 19 21 23 25 27 29 O gráfico da figura 2 compara graficamente os valores de tracking signal dos nove modelos e mostra que os modelos de oito dias possuem um desempenho superior aos modelos de dois e quatro dias nos primeiros quinze períodos de avaliação, e que a medida em que são feitas mais previsões estes modelos perdem desempenho. Pode-se verificar também que os modelos para quatro dias apresentam um comportamento superior aos de oito dias a partir do décimo quinto período. ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 7 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental O gráfico da figura 3 compara graficamente os valores dos erros de previsão dos três melhores modelos e mostra que no método de Winter o erro tem um comportamento mais estável em relação aos métodos Simples e Holt. Figura 2 - Comparação do Tracking Signal (TS) dos modelos avaliados Análise dos modelos de Ajuste Exponencial através do Tracking Signal histórico de 2,4 e 8 dias 8 6 rec. SIMPLES 2 dias rec. HOLT 2 dias rec. WINTER 2 dias rec. SIMPLES 4 dias rec. HOLT 4 dias rec. WINTER 4 dias rec. SIMPLES 8 dias rec. HOLT 8 dias rec. WINTER 8 dias Tracking Signal 4 2 - 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 (2) (4) (6) períodos real - previsto (l/s) Figura 3 - Comparação dos erros de previsão entre os melhores modelos (MSE) 3,00 2,70 2,40 2,10 1,80 1,50 1,20 0,90 0,60 0,30 (0,30) (0,60) (0,90) (1,20) (1,50) (1,80) (2,10) (2,40) (2,70) (3,00) Análise dos modelos de Ajuste Exponencial Simples, Holt e Winter melhores modelos: 8 dias - análise dos erros valores observados rec. SIMPLES 8 dias rec. HOLT 8 dias rec. WINTER 8 dias 1 3 5 7 9 11 13 15 17 19 21 23 25 27 29 períodos ABES - Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental 8 23º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental 6. CONCLUSÃO E TRABALHOS FUTUROS Este artigo avalia o uso de três técnicas do método de ajuste exponencial aplicados ao problema de previsão de consumo de água em curtíssimo prazo. Os resultados preliminares desta avaliação mostram a eficiência da metodologia de identificação proposta. Para o sistema estudado, o método de ajuste exponencial simples com amostra histórica de dados de oito dias apresentou melhores resultados considerando o critério de MSE. Avaliando os modelos pelo critério de tracking signal observa-se que os três modelos apresentaram desempenhos similares. Estes resultados demonstram que a previsão de consumo utilizando o método de ajuste exponencial é uma técnica promissora para solucionar estes tipos de problemas, pois não exige uma grande quantidade de dados históricos, os modelos são bastante precisos, a formulação e entendimento pelo usuário é relativamente fácil, e exige pouco tempo computacional. Entre os trabalhos futuros vinculados a este trabalho destacam-se: avaliação do AJE em diferentes configurações de ZP com diferentes perfis de consumo; comparação do método de AJE com outros métodos quantitativos como Regressão Linear e modelos auto-regressivos (Box&Jenkins). Observou-se na pesquisa bibliográfica que nos últimos anos o uso de ferramentas de IA para previsão dentro do setor de saneamento, notadamente na produção e distribuição de água, tem crescido e mostrado que estas ferramentas também tem um desempenho promissor. Os trabalhos de Silva (2003), Trautwein (2004) e Falkenberg (2005), por exemplo, abrem caminho para a continuidade de pesquisas no uso destas ferramentas. Vale ressaltar que independentemente do método de previsão utilizado, a parametrização do consumo de água requer uma profunda compreensão do uso da água. Os modelos de previsão não devem substituir o conhecimento e a experiência existentes do fenômeno estudado. Outra questão importante é que a qualidade dos dados na aplicação de modelos de previsão depende fortemente da coleta destes dados e da qualidade da base de dados onde esta análise se apóia. Em outras palavras, a base de qualquer estudo, caracterização e previsão de consumo passa pela obtenção de dados confiáveis, conhecimento sobre as características operacionais do sistema sob investigação e pesquisas de campo. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 1. ALBRIGHT S. C.; WINSTON W.; ZAPPE C. Data Analysis & Decision Making. 2. ed. Pacific Grove, CA. USA: Wadsworth Group, 2002. 2. COMMELYNK, V.; DUQUESNE, C.; MERCIER, M; MINIUSSI, C. Daily and hourly water consumption forecasting tools using neural networks. In: AWWA COMPUTER SPECIALTY CONFERENCE, Nashville, 1992. 3. FALKENBERG, A. V.; DIMINSKY A. S.; RIBEIRO, E. P. Redes neurais artificiais aplicadas à previsão de consumo de água. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE REDES NEURAIS, 6., 2003, São Paulo. Anais VI Congresso Brasileiro de Redes Neurais. São Paulo: Centro Universitário da FEI, 2003. p. 319-324. 4. FALKENBERG, A. V. Previsão de consumo urbano de água em curto prazo. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal do Paraná UFPR. 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