DESTINO DE LÂMPADAS FLUORESCENTES PÓSCONSUMO – ESTUDO DE CASO EM UM ESTABELECIMENTO DE GOVERNADOR VALADARES MG Rinara Cruz de Souza Aguilar – Tecnologia em Gestão Ambiental, Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia de Minas Gerais – IFMG – Campus Governador Valadares. [email protected] Professor Orientador: Mestre Luiz Fernando da Rocha Penna – Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia de Minas Gerais – IFMG – Campus Governador Valadares. [email protected] RESUMO Hodiernamente nota-se o uso de lâmpadas na iluminação de ruas, casas, e estabelecimentos. Após seu uso as lâmpadas devem ser descartadas, e o descarte indevido pode acarretar danos ao meio ambiente via poluição por metais pesados, e por consequência, danos à saúde. Este trabalho tem como objetivo descrever o destino das lâmpadas fluorescentes pós consumo em um estabelecimento comercial na cidade de Governador Valadares- MG, identificando como o estabelecimento comercial estudado acondiciona as lâmpadas fluorescentes e como é feito o descarte e destinação final das lâmpadas neste estabelecimento. Palavras – chave: lâmpadas, descarte pós-consumo, meio ambiente. ABSTRACT It is well known the use of lamps in lighting streets, houses, and stores. After its use the bulbs should be discarded, and the improper disposal can cause damage to the environment via pollution by heavy metals, and therefore, damage to health. This paper aims to describe the fate of post consumer fluorescent bulbs in a commercial establishment in the city of Governador Valadares, Minas Gerais, identifying the premises as studied packaging fluorescent lamps and how is the disposal and disposal of the bulbs at this property. Keywords: bulbs, discard post-consumer, environment. 1 1 INTRODUÇÃO Para Carvalho Filho et. al. (2010), a população atualmente vem crescendo e com isso aumenta exponencialmente o consumo de produtos, assim nos deparamos com um grande problema ambiental: os resíduos sólidos. Os resíduos são gerados após a produção, utilização ou transformação de bens de consumo. Grande parte destes resíduos são gerados nos grandes centros urbanos e são originados principalmente, em residências, escolas, indústrias e construção civil como as lâmpadas, computadores, eletrodomésticos, pneus (PORTAL BRASIL - RESÍDUOS SÓLIDOS, 2010). De acordo com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais - ABRELPE, o Brasil gerou no ano de 2012 181.228 toneladas de resíduos sólidos urbanos, por dia. Com base nestes dados, 58%, são levados para aterros sanitários, e o restante, 42%, ou seja,76 mil toneladas diárias são levadas para lixões ou aterros controlados. Do total gerado, a região sudeste é responsável por mais de 50% de Resíduos Sólidos Urbanos (RSU). A destinação final de resíduos sólidos pode ser feita de várias maneiras, os processos térmicos que são: incineração, coprocessamento, pirólise e plasma, os processos físicos: centrifugação, separação gravitacional, redução de partículas, compostagem, reciclagem e aterro sanitário, mas existem opções como aterro controlado ou lixões que não são uma opção ecologicamente correta, a opção correta seria o aterro sanitário, nessas áreas os resíduos são lançados indiscriminadamente sem nenhuma preocupação com o meio (MAROUN, 2006). Com isso surgem problemas de ordem ambiental, como a contaminação dos solos e corpos d’água pelo chorume, surgem também problemas de saúde pública, por exemplo, proliferação de vetores e insetos, além disso, o descarte incorreto de lâmpadas que pode ocasionar envenenamento por intoxicação. Os primeiros estudos com lâmpadas foram feito pelo Humphry Davy, que descobriu vários elementos químicos que os unindo surgiria à lâmpada usada na segurança de mineiros, que protegiam das explosões causadas pelo metano, a lâmpada de arco, que consistia em um circuito de corrente contínua, alimentando duas barras de carbono vegetal, dispostas horizontalmente, 2 formava-se uma coluna gasosa em forma de arco capaz de emitir luz (FERNANDES, 2011) A primeira lâmpada incandescente foi criada pelo cientista Thomas Edison 1880, depois de várias tentativas surgiu as feitas com filamento de tungstênio microenrolado e ambiente interno constituído de vácuo ou gás quimicamente inerte (nitrogênio ou argônio), desta forma foi possível a construção de lâmpadas com maior vida útil e melhor rendimento (PINHEIRO, 2012), sendo que as lâmpadas do tipo fluorescentes ou de descarga em gases nasceram quando surgiu os estudos sobre descargas elétricas em atmosferas gasosas, por volta da metade do século XIX (PINHEIRO, 2012). Dependendo do princípio utilizado para a geração da luz, elas podem ser classificadas como lâmpadas incandescentes ou lâmpadas de descarga. As lâmpadas incandescentes irradiam luz através do aquecimento de um condutor sólido, quando da passagem de uma corrente elétrica, enquanto que as lâmpadas de descarga emitem luz devido à passagem da corrente através de um gás. Existem ainda as lâmpadas mistas, que utilizam os dois processos anteriores durante seu funcionamento (PINHEIRO, et. al.; 2009). As lâmpadas incandescentes são classificadas em dois tipos principais: lâmpadas incandescentes convencionais, e halógenas. Segundo Pinheiro, et. al. (2009), as lâmpadas incandescentes convencionais foram as primeiras lâmpadas comercialmente viáveis, funcionando devido à passagem da corrente elétrica por um filamento de tungstênio, aquecendo-o e deixando-o incandescente (emitem mais calor do que luz) na prática, apenas 6% do que consome de energia é transformado em luz visível, e o restante (94%) é transformado em calor, seu rendimento luminoso é fraco e sua durabilidade é cerca de 1000 horas, pelo fato de o filamento ir se tornando mais fino devido ao aquecimento, causando a depreciação do fluxo luminoso até o momento em que o filamento se rompe e a lâmpada queima. Estas são adequadas para aplicações pontuais, como lâmpadas decorativas, por exemplo, ou onde a iluminação não é constante, possuem como vantagem a excelente reprodução de cores, o baixo custo e a fácil substituição, dispensando qualquer dispositivo auxiliar para operarem (ABNT5413,1992) 3 As lâmpadas incandescentes halógenas são indicadas onde se necessita uma fonte de luz intensa e bem direcionada, a alta intensidade luminosa e a excelente reprodução de cores tornam as lâmpadas incandescentes halógenas adequadas para serem utilizadas em vitrines de lojas, por exemplo, possuem um rendimento inferior a 22 lm/W e uma vida útil de cerca de 2000 horas, o dobro das lâmpadas incandescentes convencionais (ABNT 5413, 1992) As lâmpadas fluorescentes, cujo funcionamento baseia-se em descargas a gás, têm sido a principal fonte de iluminação desde o seu desenvolvimento, com alta eficiência e longa durabilidade, emitem luz pela passagem da corrente elétrica através de um gás, provocando uma descarga quase que totalmente formada por radiação ultravioleta (invisível ao olho humano), a radiação convertida em luz, pelo pó fluorescente que reveste a superfície interna do bulbo, a composição deste pó que resultam as nas diferentes alternativas de cores de luz adequadas a cada tipo de aplicação. Além de determinar a qualidade e quantidade de luz, a eficiência na reprodução das cores, elas são amplamente utilizadas em setores industriais, comerciais e de serviços, as primeiras produzidas possuíam o formato tubular (WITKOVSKI, 2012). No Brasil, o setor de lâmpadas fluorescentes chegou a produzir 70 milhões de lâmpadas fluorescentes tubulares e importou 6 milhões para uso doméstico em 2002, chegando a cerca de 20 milhões em 2003. No entanto o uso de cada lâmpada é limitado à cerca de 20000 horas (PHILIPS, 2000). O seu descarte requer cuidados, com o transporte, armazenamento e tratamento antes da colocação em aterro ou incineração (MILAZZO, 2004) As lâmpadas de descarga são divididas em dois grupos principais: lâmpadas de descarga de baixa pressão e de alta pressão. Segundo Souza (2005), as lâmpadas de sódio de baixa pressão são umas das mais encontradas no mercado (102 a 117 lm/W), a sua deficiência encontra-se na emissão de uma luz monocromática amarela, provocando uma elevada distorção nas demais cores, a sua utilização restringe-se a ambientes onde a fidelidade de cores não é crítica, como pontes, viadutos, estradas e monumentos. As lâmpadas de sódio de alta pressão apresentam elevada eficiência luminosa, acima de 110 lm/W e tempo de vida que chega a 16000 horas, 4 geralmente são utilizadas onde não é exigida uma alta fidelidade cromática, como iluminação pública, igrejas (ABNT-5413, 1992). São lâmpadas nas quais o tubo de descarga contém um excesso de sódio, para saturar o vapor quando ela está funcionando (a uma pressão de 13 a 26 kN/m2), e permitir a absorção interna na superfície. O tubo de descarga, feito de óxido de alumínio sintetizado, para resistir à intensa atividade química do vapor de sódio à temperatura de operação de 700 graus, é colocado num invólucro de vidro duro, à vácuo (PEREIRA, et. al.; 2005). A vida útil de uma lâmpada de mercúrio é de 3 a 5 anos, ou um tempo de operação de, aproximadamente, 20.000 horas, sob condições normais de uso (ZANICHELI et. al; 2004). Apresentam vapor de mercúrio sob alta pressão no interior do seu bulbo, de tal forma que as radiações ocorrem, em sua maioria, na região espectral da luz visível, apresentam uma eficiência luminosa inferior a das lâmpadas fluorescentes e possuem tempos de reacendimento e estabilização altos, em torno dos 5 minutos, geralmente utilizadas em ambientes de iluminação não intermitente como estacionamentos, praças e quadras poliesportivas (ALVAREZ, 1998). De acordo com Alvarez (1998), as lâmpadas mistas utilizam a tecnologia que englobam as lâmpadas incandescentes e as lâmpadas de descarga, utilizam um filamento para limitar a corrente de descarga no gás, possuem uma vida útil que chega a 6000 horas, podendo ser substituídas pelas incandescentes convencionais, baixo rendimento luminoso e os tempos de reacendimento e estabilização duram cerca de 5 minutos. As lâmpadas podem ser consideradas um dos componentes principais em um sistema de iluminação. O surgimento dessas lâmpadas veio com a constante modificação da demanda de serviços mais baratos, que a economia fosse passada para os consumidores, e podendo também ser ecologicamente tratadas com reciclagem ou na logística reversa. As lâmpadas pós-consumo contendo mercúrio, do tipo fluorescente, são resíduos que requerem gerenciamento adequado para evitar impactos ao meio ambiente e risco à saúde de seres humanos, devido a manuseio, armazenamento e principalmente destinação final inadequado. O mercúrio também compõe lâmpadas não fluorescentes, como as de descarga (mista, 5 vapor de mercúrio, vapor de sódio e vapor metálico) (DURÃO; WINDMOLLER, 2008). Com a possibilidade da quebra do tubo, ocasionaria o desprendimento e a emissão do vapor de mercúrio que há risco de contaminação, mesmo que uma lâmpada quebrada libere apenas uma pequena quantidade de mercúrio, o problema ambiental pode ser gerado pelo efeito acumulativo e persistente desse metal pesado. Além disso, o descarte realizado em aterros não industriais pode fazer com que esses resíduos contaminem o solo e, mais tarde, os cursos d’água, chegando à cadeia alimentar (SANCHES, 2008). O autor também afirma que ciclo de intoxicação do mercúrio causado pelo descarte inadequado dessas lâmpadas pode ocorrer não só por via respiratória, mas também por via cutânea, devido ao manuseio inadequado, assim esse resíduo merece cuidados especiais quanto aos procedimentos de manuseio (retirada/coleta), acondicionamento, transporte, armazenagem e destinação final. De acordo com Durão e Windmoller (2008), o mercúrio utilizado na fabricação dessas lâmpadas tem uma grande capacidade de se acumular nos organismos vivos ao longo da cadeia alimentar, processo esse conhecido como bioacumulação. Sua toxicidade já é conhecida de longa data, sendo que o mercúrio não seja funcional ao organismo humano. Dentre as espécies alquiladas do mercúrio, as de cadeia curta são normalmente acumuladas em organismos vivos, devido à sua maior facilidade de transporte através de membranas celulares e com o acúmulo do mercúrio, em especial do metilmercúrio em peixes de águas contaminadas, pode resultar em risco para o homem, além dos pássaros e mamíferos que se alimentam dos peixes (UNEP, 2007). As lâmpadas pós-consumo contendo mercúrio são classificadas como resíduo perigoso de fontes não específicas, Classe I, sob o código F044, pela Norma ABNT 10.004/04. Esta norma classifica os resíduos quanto aos riscos potenciais ao meio ambiente e à saúde pública, indicando aqueles que devem ter manuseio e destinação mais rigidamente controlados (ABNT, 2004). A Lei 12.305/10 institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS que estabelece a responsabilidade compartilhada pela destinação final e ambientalmente correta de produtos, no pós-consumo. Isso significa que 6 fabricantes, importadores, distribuidores, comerciantes, consumidores e poder público são igualmente responsáveis pelo destino correto dos resíduos, que devem ser reaproveitados, reciclados ou, apenas no caso de rejeitos, encaminhados para aterros sanitários. Conforme a PNRS, rejeito é todo resíduo sólido que, depois de esgotadas todas as possibilidades de tratamento e recuperação por processos tecnológicos disponíveis e economicamente viáveis, não apresentem outra possibilidade que não a disposição final ambientalmente adequada. Não podendo esquecer que existem vários tipos de lâmpadas, que a PNRS não contempla. Com a PNRS, também será criado no país o sistema de logística reversa, fazendo com que os produtos retornem, após o uso, para o ciclo produtivo, através de seu tratamento e de sua reciclagem. O Governo Federal instalou, no dia 17 de fevereiro de 2011, o Comitê Orientador para Implementação de Sistemas de Logística Reversa. O Comitê é formado pelos ministérios do Meio Ambiente, da Saúde, da Fazenda, da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e tem por finalidade definir as regras para devolução dos resíduos (aquilo que tem valor econômico e pode ser reciclado ou reutilizado) à indústria, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos (MMA, 2014) A PNRS também responsabiliza o consumidor, que deve descartar o produto corretamente. Se as lâmpadas estiverem em boas condições, é possível empregar o vidro, o alumínio e o mercúrio na fabricação de outros produtos. Mas se estiverem quebradas e, consequentemente, contaminadas, não podem ser reaproveitadas. A Lei 13.766, de novembro de 2000, aborda sobre a disposição final de lâmpadas fluorescente. No nível do Conselho Nacional do Meio AmbienteConama, criou um Grupo de Trabalho, responsável pela elaboração do “Documento de Recomendações a Serem Implementadas pelos Órgãos Competentes em Todo o Território Nacional Relativas às Lâmpadas com Mercúrio”. O Grupo Técnico Temático- GTT das lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista, são coordenadas pelo Ministério do Meio Ambiente e tem por objetivo elaborar proposta de modelagem da Logística 7 Reversa e subsídios para elaboração do Edital de chamamento para Acordo Setorial, com o propósito de subsidiar o Grupo Técnico de Assessoramento GTA e o Comitê Orientador na tomada de decisões pertinentes ao tema. Vale destacar que as empresas fabricantes dessas lâmpadas tornaram-se, praticamente, importadoras, o que causa uma preocupação maior, pois não existe legislação brasileira que estabeleça limites de concentração de mercúrio nas lâmpadas, portanto sua composição ainda não é controlada (MMA, 2014). No Brasil não existe legislação federal específica que abarca os diversos aspectos para o descarte e disposição de lâmpadas usadas contendo mercúrio. A Constituição Federal de 1998, no Capítulo VI, ao tratar do meio ambiente, faz uma abordagem genérica e atribui ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as gerações presentes e futuras. O Brasil comercializa cerca de 100 milhões de lâmpadas por ano, portanto o risco oferecido pelo descarte destas em grande quantidade se agrava enormemente, enquanto se pensa em uma única lâmpada é quase nulo, sem contar que as indústrias de reciclagem de lâmpadas de mercúrio são responsáveis pelo controle de apenas aproximadamente 6% do estoque de lâmpadas queimadas no país (LUMIÈRE, 2007). Atualmente há algumas poucas empresas espalhadas pelo Brasil que realizam a reciclagem de lâmpadas, listadas abaixo: Apliquim Equipamentos e Produtos Químicos Ltda – localizada em Paulínia, São Paulo Brasil Recicle Ltda. – localizada em Indaial, Santa Catarina HG Descontaminação Ltda. – localizada em Nova Lima, Minas Gerais Mega Reciclagem de Materiais Ltda. – localizada em Curitiba, Paraná Naturalis Brasil Desenvolvimento de Negócios – localizada em Jundiaí, São Paulo Recitec – Reciclagem Técnica do Brasil Ltda. – localizada em Pedro Leopoldo, Minas Gerais Silex Indústria e Comercio de Produtos Químicos e Minerais Ltda. – localizada em Morro da Fumaya, Santa Catarina 8 Uma delas é a Naturalis Brasil, uma empresa localizada em Itupeva, no interior de São Paulo, vem prestando um serviço que auxilia empresas a reciclarem de forma devida as suas lâmpadas fluorescentes com um aparelho, chamado de “Papa Lâmpadas”. Funciona da seguinte forma, as lâmpadas a serem recicladas são introduzidas em um tubo de alimentação e quebradas ao passarem por uma catraca, os materiais pesados, como o vidro e o alumínio se depositam no fundo do tambor, já o pó de fósforo, micropartículas de vidro e o vapor de mercúrio ficam em suspensão e são sugados por um tubo coletor, passando por 2 filtros de celulose que liberam apenas o mercúrio, este viaja até um filtro à base de carvão ativado, que o adsorve e libera na atmosfera apenas o ar já descontaminado, o vapor de mercúrio coletado é posteriormente processado e retorna para seu estado metálico, sendo possível, assim, ser reutilizado como matéria prima, o vidro coletado para reciclagem é feito pela própria Naturalis. Este trabalho se justifica pelo aumento do consumo de lâmpadas no país e seu descarte inadequado que pode provocar problemas de grandes proporções. Diante do exposto, as questões que ficam é: qual a quantidade de lâmpadas fluorescentes utilizadas no estabelecimento estudado? Como é feito o acondicionamento dessas lâmpadas, após serem consumidas? E como são descartadas? Este trabalho tem como o objetivo geral avaliar o destino das lâmpadas fluorescentes pós consumo em um estabelecimento comercial na cidade de Governador Valadares- MG. Os objetivos específicos: Identificar o numero e o tipo de lâmpadas utilizadas no estabelecimento, identificar como estabelecimento comercial estudado acondiciona as lâmpadas fluorescentes pós-consumo, identificar como é feito o descarte e destinação final das lâmpadas pós-consumo neste estabelecimento. 2 Procedimentos Metodológicos 2.1 Caracterização da Área de Estudo Governador Valadares é um município brasileiro no interior do Estado de Minas Gerais, pertencente à mesorregião do Vale do Rio Doce (Figura 01). Situa-se a 18° 51’ 03’’ latitude sul e 41° 56’ 56’’ 9 longitude oeste, a 170 metros de altitude, localiza-se à 320 quilômetros a nordeste da capital do estado, Belo Horizonte, pela BR-381 com uma população de 275.568 habitantes (IBGE, 2013), sendo assim o nono mais populoso do estado de Minas Gerais e o primeiro de sua mesorregião, ocupa uma área de 2.342,319 km², sua densidade demográfica é de 112,58 hab./km², segundo o IBGE, no ano de 2013. Figura 01 – Localização geográfica do município de Governador Valadares - MG Fonte: IBGE (2013); CRUZ (2013) O estabelecimento comercial estudado está localizado no centro da cidade (Figura 02). É o chamado shopping-feira, localizado na rua Belo Horizonte, 549, centro. Esse estabelecimento é um galpão que possui vários boxes, com lojas, praça de alimentação. São vendidas roupas, eletrônicos, calçados. 10 Figura 02 – Faixada do Shopping Feira Fonte: Própria autora (janeiro, 2014). 2.2 TIPO DE ESTUDO Este trabalho se trata de uma pesquisa qualitativa e descritiva. De acordo com Moresi (2003), a pesquisa qualitativa é uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, que não pode ser traduzidos em números, enquanto a pesquisa descritiva expõe características de uma determinada população ou de um determinado fenômeno, não tendo o compromisso de explicar os fenômenos que descrever, embora sirva de base explicação. 2.3 PROCEDIMENTOS DE COLETA E ANÁLISE DOS DADOS Para atingir os objetivos propostos foi realizada uma entrevista com a administradora do estabelecimento a senhora Nathalia Pereira dos Reis, e realizadas registros fotográficos do estabelecimento, e do local onde as lâmpadas pós-consumo são acondicionadas. 11 3 RESULTADOS E DISCUSSÃO O estabelecimento estudado possui um total de 77 lâmpadas, sendo 65 lâmpadas fluorescentes e 12 HQI`s (Lâmpadas de alta pressão). O armazenamento é feito após a queima ou a inutilização das lâmpadas utilizadas no estabelecimento, segundo a administradora, é feito pelo pessoal responsável pela limpeza e as lâmpadas são colocadas em um deposito (Figura 03). Entende-se por armazenamento de resíduos sua contenção temporária em área autorizada pelo órgão de controle ambiental, à espera de reciclagem, tratamento ou disposição final adequada, desde que atenda às condições básicas de segurança (ABNT- NBR 12235). A estocagem deve ser em área separada (princípio da segregação dos resíduos) e demarcada (MILAZZO, et. al.; 2004). Figura 03 – Local de armazenamento temporário das lâmpadas pósconsumo até o descarte Fonte: Própria autora (fevereiro, 2014) De acordo com o manual de descarte da Eletrobrás de 2004, as lâmpadas queimadas ou inservíveis devem ser mantidas intactas, 12 acondicionadas preferencialmente em suas embalagens originais, protegidas contra eventuais choques que possam provocar a sua ruptura, e armazenadas em local seco, o que não é observado no estabelecimento estudado. Quando possui uma quantidade considerável de lâmpadas inúteis o descarte é feito. A maneira que o estabelecimento descarta essas lâmpadas é a partir da quebra das mesmas, colocando-as em um recipiente e as identificando. São colocadas junto com o resíduo comercial ou resíduo comum. Para realizar o descarte de lâmpadas que são quebradas, no caso das fluorescentes, deve-se ter cuidado especial com relação ao vapor de mercúrio e ao pó de fósforo que são desprendidos das lâmpadas (MILAZZO, 2004). Com a quebra das lâmpadas são liberados 12 elementos existentes em lâmpadas que podem originar impactos ambientais negativos como: mercúrio, antimônio, bário, chumbo, cádmio, índio, sódio, estrôncio, tálio, vanádio, ítrio e elementos de terras raras (ETR) (PINHEIRO et al, 2009). Ainda de acordo com Puente, et.al. (2004), em nenhuma hipótese as lâmpadas devem ser quebradas para serem armazenadas, pelo risco de contaminação ambiental e à saúde humana, o descarte das lâmpadas incandescentes pode ter seu destino final em aterros sanitários sem restrições de contaminação ambiental por elementos tóxicos. Deve-se sempre pensar que a reciclagem é o melhor caminho para a destinação final de qualquer resíduo. 4 CONSIDERAÇÕES FINAIS O estabelecimento estudado mostra desconhecimento das normas ambientais que regem o descarte de lâmpadas, uma vez que as lâmpadas são destruídas (quebradas) e acondicionadas de forma irregular, além deste fato elas seguem para o local de resíduo comum o que vai de encontro a legislação do país que diz que este tipo de material deve ser destinado a reciclagem de suas partes pelas as empresas que as produzem, no chamado sistema de Logística Reversa. Esse acordo da logística reversa ainda está sendo feito pelos setores fabricantes das lâmpadas, pois ainda não há acordo entre eles com relação ao descarte das lâmpadas. Este desconhecimento por parte da responsável do local reflete uma carência nacional, a população não possui informação sobre como proceder no descarte de uma simples lâmpada, assim como outros materiais. 13 Recomendamos um melhor gerenciamento de lâmpadas pós-consumo no estabelecimento estudado, ou seja, um armazenamento adequado e evitar realizar a quebra das mesmas, diminuindo os riscos para quem manipula diretamente esses resíduos e para o meio ambiente. Enquanto o sistema de logística reversa para os resíduos como as lâmpadas pós-consumo não estiver em pleno funcionamento no país as pessoas que manipulam esse tipo de resíduo e o meio ambiente estarão em risco. 5 REFERÊNCIAS ABILUMI – Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação. Disponível em:<http://www.idec.org.br/emacao/revista/livrosinacessiveis/materia/lampadas -fluorescentes-onde-descarta-las/pagina/184>. Acesso 18 de outubro de 2013. 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