A UTILIZAÇÃO DE RECURSOS DIDÁTICOS NAS AULAS DE GEOGRAFIA
EM ESCOLAS DA ZONA OESTE DO RIO DE JANEIRO
Bruno Azeredo de França/Universidade do Estado do Rio de Janeiro
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INTRODUÇÃO
As Escolas públicas no Brasil e particularmente na cidade do Rio de Janeiro não
possuem grandes investimentos. O sucateamento dos prédios e do ensino é notório. Os
indicadores utilizados para medir o avanço da qualidade do ensino mostram que isto
acontece, porém acompanhando o dia-a-dia das escolas não é isso que percebemos. A
falta do bom e velho, nem sempre bom, livro didático é comum em algumas escolas, a
interferência do tráfico de drogas em escolas perto de lugares que são dominados por
esse tipo de criminosos também é freqüente e a passividade das autoridades da
Educação agrava cada vez mais este quadro.
Este trabalho tem como principal objetivo mostrar que mesmo com todo o
avanço tecnológico, há falta de políticas que levem as Escolas da rede pública na
Cidade do Rio de Janeiro e particularmente na sua Zona Oeste a utilizarem os novos
recursos didáticos. A utilização destes recursos poderia tornar o aprendizado da
Geografia mais atraente e mais dinâmico para alunos que não têm muitos estímulos para
freqüentarem as aulas.
Em oposição a esta situação, o trabalho mostrará também que está realidade não
pertence a todas as escolas desta região. Dentro desta existem escolas particulares, que
por contarem com um grau maior de investimento, disponibilizam aos seus alunos uma
maior qualidade nas aulas de Geografia por utilizarem diversos recursos didáticos.
Metodologia de pesquisa
A fim de encontrar-se com essa realidade vivida dentro das aulas de Geografia
nas escolas da rede pública e particular na Zona Oeste do Rio de Janeiro, o autor visitou
algumas escolas da região. Este utilizou entrevistas com professores de Geografia e seus
alunos para saber como eles trabalham utilizando os recursos didáticos.
As entrevistas foram feitas a partir de um questionário com cerca de 10
perguntas para os docentes. As perguntas foram feitas com a finalidade de perceber e
poder analisar qual a relação que os docentes têm com os recursos didáticos, ou seja,
perceber e analisar se eles se preocupam em tornar suas aulas mais atrativas e dinâmicas
através da incorporação de recursos didáticos em suas aulas
Além das entrevistas, tive a oportunidade de assistir algumas aulas juntamente
com os alunos. Estes momentos de proximidade com os alunos, foram muito
importantes, pois pude perceber que tipo de relação eles tem com a Geografia,ou seja, o
que eles esperam aprender nas aulas,como a Geografia pode ajudá-los em suas vidas,o
que os motiva a estudar Geografia e outras questões mais.
Além de saber como eles utilizam recursos didáticos disponibilizados pela
instituição de ensino, o autor procurou identificar como os professores de Geografia se
preparam para a utilização destes recursos.
O que são e a importância da utilização de recursos didáticos
Ao serem usados no trabalho com os conteúdos escolares, os recursos didáticos
servem de mediadores entre estes conteúdos e os alunos. Os alunos se apropriam dos
conteúdos e do papel social de terminado recurso didático, como exemplo podemos
citar o uso da fita métrica na sala de aula para trabalhar com o conteúdo de medida de
comprimento. A escolha da fita métrica e o seu uso feitos pelo educador podem criar as
condições para que o aluno se aproprie desse conteúdo escolar e, inclusive de seu valor
cultural. A partir dessa apropriação e de sua interiorização ele poderá recorrer ao uso
desse instrumento em outros momentos de sua vida achar útil e necessário. (BRAVIM)
Podemos perceber a partir de Bravim que recurso didático é todo o tipo de
material que possa facilitar a absorção do conteúdo pelo aluno. A fim de exemplificar,
podemos
citar
como
recursos
didáticos:cartazes,data-show,
computador,filmes,
mapas,retroprojetor, revistas, jogos.O professor tem o papel de selecionar os melhores
recursos a fim de facilitar o entendimento e absorção do conteúdo que ele deseja aplicar.
Durante o processo de entrevista, diversos docentes mostraram que eram
conhecedores do que são os recursos didáticos e qual é a função destes recursos, porém
apresentaram que não conseguem distinguir qual é o momento de utilizarem cada tipo
de recurso, ou seja,não conseguem fazer a mediação entre a aula expositiva e a
utilização de algum tipo de recurso.Sempre acabam deixando o recurso passar o
conteúdo por si.
Os recursos didáticos não podem ser utilizados como se fossem as aulas em si. Isto é, se
o professor utilizar algum filme,deve interromper a projeção,fixar cenas,discutir com os
alunos,fazer relatório(MELLO,2004)
4. A utilização de recursos didáticos nas aulas de Geografia
Utilizar os recursos didáticos a fim de facilitar a aprendizagem é de suma importância
em qualquer disciplina, porém a utilização destes recursos nas aulas de Geografia, é
mais importante ainda.O professor de Geografia tem como incumbência tentar fazer
com que seus alunos consigam se relacionar da melhor forma possível com o espaço
que eles habitam e transformam.Porém essa tarefa não é fácil,porque eles não tem
sempre a sua disposição todos os tipos de recursos necessários para conseguirem
demonstrar a seus alunos toda a complexidade que temos tanto em relação a natureza
quanto a sociedade.
Se observarmos o Parâmetro Curricular Nacional para Geografia, veremos que ele
aponta
nas
séries
iniciais
Cartografia,Geologia,Climatologia.Se
um
recursos
série
didáticos
de
conteúdos
interativos
não
como
forem
utilizados,os alunos terão grandes dificuldade para entender o conteúdo.Durante as
visitas às escolas,percebi que os alunos em anos iniciais(sexto e sétimo anos) tem
alguma dificuldade em aprender conteúdos que necessitem de um maior grau de
abstração,ou seja,eles precisam ter um contato maior com a materialidade.Neste
momento,os professores deveriam utilizar materiais como maquetes,globo,mapas,jogos,
ou seja,deve-se explorar toda a ludicidade presente nesta faixa etária.
Apesar de terem consciência da necessidade de explorar a ludicidade de seus
aluno,diversos professores da Rede Pública da região,apresentam a dificuldade de
realizar este tipo de tarefa devido a falta de material para a execução deste tipo de
trabalho.Nas escola da Rede Particular de ensino,o quadro apresentado é diferente.Os
professores conseguem executar diversos tipo de atividades que ajudam na absorção do
conteúdo pelo aluno.
Em aulas com turmas de Ensino Médio, devido um grau maior de desenvolvimento
cognitivo, os professores tem preferência por trabalhar com recursos que desenvolvam
nos alunos a capacidade de construção e interpretação de assuntos relacionados a
Geografia através de filmes,textos,músicas peças de teatro.Este tipo de recurso
didático,permite ao aluno a fazer um ponte entre o conteúdo da Geografia com outro
item importante na formação do cidadão que são as Artes.
No ensino médio, pude perceber, durante as visitas, que alguns professores na Rede
Pública conseguem fazer este tipo de trabalho, porém sofrem também com a falta de
material para realizar as atividade.Nas escolas da Rede Particular, existe um
dilema.Alguns professores se dispõem a realizar este tipo de atividade,porém como o
foco principal do Ensino Médio é o acesso as Universidade Públicas através do
vestibular,diversas instituições de ensino preferem dedicar seu tempo na resolução de
exercícios das provas de vestibulares passados do que formarem cidadãos conscientes
do mundo que vivem.
Quando fazem este tipo de escolha, percebo que essas escolas pensam a Geografia ainda
como uma disciplina do “decoreba” e não como uma oportunidade de formar pessoas
capazes de articular e pensar os fenômenos sociais e naturais que todos os dias ocorrem.
Certamente, se os recursos didáticos fossem utilizados de forma mais expressiva
durante o processo de ensino-aprendizagem da Geografia, os alunos teriam outra
concepção da Geografia, pois este processo poderia se tornar mais atrativo, porque
somente a utilização do livro didático e do quadro negro não supre toda a carga visual
que o ensino-aprendizagem de Geografia necessita.
5.O trabalho de campo como recurso didático fundamental para o entendimento
dos fenômenos geográficos
Concebemos, portanto, o trabalho de campo de forma mais ampla, como um
instrumento de análise geográfica que permite o reconhecimento do objeto e que,
fazendo parte de um método de investigação, permite a inserção do pesquisador no
movimento da sociedade como um todo. Esta visão não nega a possibilidade de uso de
instrumentalização no campo e na pesquisa deforma ampla. (SUERTEGARAY)
No fragmento acima, percebemos uma concepção de trabalho de campo relacionado a
Geografia das universidades,porém podemos,perfeitamente, relacionar com a Geografia
dos ciclos básicos e médio.Basta pensarmos o aluno na figura do investigador.
Desde criança, sempre tivemos contato com o mundo, porém com o passar do tempo, a
forma de enxergarmos os fenômenos vai ser tornando diferente devido a uma séries de
valores que são aprendidos durante o caminhar da vida. Num primeiro momento, os
nossos primeiros “professores” a realizar trabalho de campo conosco são nossos pais.
São eles que nos ensinam os primeiro sentidos de orientação. Seja através de pontos de
referência, sentido de direção (frente,trás,direita,esquerda,cima,baixo),observar o sol e
as estrelas,eles começam a nos passar os conhecimento mais básicos da Geografia.
O mais impressionante dessa primeira experiência geográfica é que não precisamos de
livros,mapas e muito menos bússola para nos orientarmos e aprendermos conceitos.
Num segundo momento,quando vamos à escola,os professore deveriam continuar
cumprindo este papel de ensinar a interpretar a realidade através do vivido, porém
alguns, preferem que seus alunos interpretem a realidade através do que é relatado nos
livros didáticos e no que eles expõe em suas aulas. Obviamente, a falta de trabalho de
campo nas escolas não é somente uma falta de compreensão da necessidade de realizálos pelo professor. Várias escolas não têm a política de adotarem trabalho de campo
como recurso didático por pensarem que seja muito trabalhoso.
6. A preparação do professor de Geografia para a utilização de recursos didáticos.
Há outras formas de relação que não são propriamente indiretas nem diretas.São formas
híbridas,cujo veículo dominante é o livro didático, que também é a principal fonte de
atualização do professor de Geografia em sua disciplina,o que ,sem dúvida,é uma
deformação causadora de problemas.De algum modo,um bom número de livros já
contém elementos de renovação e até conquistaram uma boa faixa do mercado,mas
muitos problemas subsistem e não são fáceis de ser enfrentados,pois muitas variáveis
interferem na lógica de produção e distribuição desse material.(OLIVA,2007)
A realidade apresentada por OLIVA,foi a mesma encontrada em diversas escolas da
Zona Oeste do Rio de Janeiro.Muitos professores utilizam o livro didático com forma
de atualização.
Quando isso acontece, vejo que os professores assumem que devem utilizar somente o
livro didático como recurso didático. Em algumas escolas da Rede Particular, são
oferecidos cursos de atualização aos professores, principalmente em instituições que
tem vínculo com redes que produzem materiais didáticos. Porém, este tipo de
atualização não tem se mostrado muito eficientes, tendo em vista que os professores
continuam com suas velhas práticas educacionais: livro didático e quadro negro.
Analisando este quadro, proponho uma discussão: Será que a grande deficiência não
está na formação dos professores de Geografia?Um professor que durante sua
graduação teve dificuldade para realizar trabalhos de campo poderá perceber a
importância destes como uma ferramenta muito útil para se ensinar-aprender
Geografia?Professores formandos à distância podem perceber a necessidade da
utilização de diversos recursos didáticos para a facilitação do entendimento do conteúdo
a ser aplicado se durante a formação eles não tiveram contanto com estas práticas? Será
que as políticas públicas para educação não levam os professores a se acomodarem com
a falta de material e baixo salários e com isso seu estímulo em buscar o novo,ou seja,se
atualizar esta,de certa forma,intimidado?Será que lógica que as escolas estão incluídas
não fazem com que os professores sejam obrigados a formar somente mão-de-obra para
o capital e deixem de formas pessoas críticas?Não seria a Geografia que deveria
cumprir esse papel?
7. Conclusão
Podemos perceber que a utilização de recursos didáticos torna-se indispensável, quando
um docente quer tornar sua aula mais dinâmica e atrativa. Além disso, os recursos
didáticos facilitam o aprendizado, pois eles funcionam como uma ponte entre o
conteúdo a ser aprendido e o aluno.
Segundo os alunos entrevistados, a Geografia nas séries iniciais, apresenta um conteúdo
bem abstrato. Tendo em vista essa afirmação dos alunos, a utilização de recursos
didáticos nas aulas de Geografia torna-se inestimável, pois dessa forma, seria possível
tornar a Geografia mais atraente e tirá-la do “decoreba”.
A atualização dos professores, a fim de aprender a lidar com as ferramentas novas que
são apresentadas devido à evolução tecnológica, é fundamental.Cada vez mais, a
utilização do computador está presente no processo ensino-aprendizagem.O
geoprocessamento, aponta como a ferramenta da Geografia que estará muito presente na
vida dos alunos.Hoje,podemos utilizar o GPS(Global Position System) em
carro,celulares,barcos etc.
O trabalho de campo aparece como uma alternativa quando falamos de recursos
didáticos. Dentre as disciplinas ensinadas nas escolas, a Geografia é aquela que tem
maior potencial para explorá-lo. Porém a realidade encontrada durante a pesquisa
mostra que os professores de Geografia não exploram este recurso. O professor de
Geografia nunca poderá deixar de oferecer aos seus aluno aprender Geografia a partir
do vivido. Os livros didáticos e os professores não são suficientes para ensinar a
Geografia. Observar e interpretar o espaço são fundamentais para entendermos os
fenômenos geográficos.
Bibliografia
A Geografia na sala de aula/organizadora Ana Fani A. Carlos. 8a edição, São Paulo:
Contexto, 2007.
Pesquisa de campo em Geografia. SUERTEGARAY, Dirce Maria A.
Recursos didáticos no ensino de Geografia na educação de jovens e adultosEJA.SOUZA, João Bastista A.
Tecnologia da Educação. MELLO, Rosangela M.2004
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