Centro de Ensino Superior do Amapá - CEAP
Curso de Licenciatura em Educação Física
Prof. Me. Gilberto Santiago Ferreira
Disciplina: Teoria e Ensino da Ginástica I
1. MÉTODOS GINÁSTICOS
O termo Método estabelece uma forma de organizar e empregar formas e meios,
com a finalidade principal de se atingir os objetivos propostos. Em nosso caso específico,
de métodos para aplicação de exercícios ginásticos, é condição fundamental que sejam
estabelecidos procedimentos de aplicação do método.
Os principais procedimentos são:
a) Organização: parte do princípio que para toda aplicação de um método, existe um
processo organizacional de conteúdos.
b) Explicação: embasado no fato de transmitir ao aluno de forma precisa e
progressiva, os conteúdos inerentes aos exercícios ginásticos a serem executados durante
uma aula ou sessão.
c) Demonstração: procedimento fundamental para nossas aulas de Ginástica, pois
certamente irá potencializar o procedimento anterior da Explicação. Este procedimento é
dividido nas seguintes etapas:

Repetição: para que o movimento seja realizado com a técnica correta mínima
necessária.

Correção: para que o movimento tenha grande eficiência e mínimo de gasto
energético.

Progressão: para que o aluno venha a executar movimentos mais complexos no
decurso natural do tempo destinado às aulas.
Os métodos ginásticos podem ser entendidos como um primeiro esboço de
sistematização científica da atividade física, pois apresentam um conjunto sofisticado de
prescrições e justificativas desenvolvidas através do conhecimento científico do corpo e do
movimento. Historicamente, a partir de propostas pedagógicas diversas, se desenvolveram
vários grandes métodos relacionados a uma sistematização científica das atividades físicas
no mundo ocidental. Esses métodos foram fundamentados a partir de relações cotidianas,
divertimentos, festas culturais e espetáculos corporais, agregando ordem e disciplina.
Os mesmos apresentavam particularidades de seus países de origem, porém
acentuavam finalidades e semelhanças, tais como regenerar as populações, promover a
saúde, combater vícios gerais e posturais, bem como, acentuar a eficiência dos gestos
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executados. Tinham como principais propostas, transformar, desenvolver nos indivíduos à
vontade, a coragem, a força e a energia de viver. (Soares, 2002).
Em outro âmbito, a aplicação dos métodos de prática de exercícios físicos busca a
melhora da aptidão física, onde se pressupõe um estado hígido, que apresenta um elevado
grau
de
desenvolvimento
de
suas funções
cardiovasculares
e
respiratórias,
complementado por uma adequada resistência muscular e mobilidade articular, tudo
dentro de um perfeito equilíbrio psicológico. (GRAFF, 2006).
Vários desses métodos possuem objetivos militares em sua essência e tiveram, ao
longo dos anos, uma série de adaptações para que pudessem ser aplicados no âmbito
escolar, focalizando, portanto, grupos diferentes.
Existem dois enfoques no
que
se
refere
a
aptidão
física:
aptidão física
relacionada à saúde, que inclui elementos fundamentais para a vida ativa com menos
riscos de doenças hipocinéticas, e a aptidão física motora ou atlética, que deve incluir, além
dos fatores de aptidão física relacionada à saúde, os fatores de performance do grupo de
interesse (NAHAS, 2001).
2. CLASSIFICAÇÃO DA GINÁSTICA
A ideia de classificar vem da necessidade de se ordenar e/ou organizar um
determinado ramo do conhecimento humano, face ao grande volume de informações que o
mesmo acumulou em virtude do tempo ou mesmo do grande número de estudiosos que
desenvolvem suas pesquisas.
2.1.
Ginástica de Condicionamento Físico
É a ginástica indicada para manutenção da boa forma e do bom desempenho das
funções orgânicas. Praticada em academias ou na forma de atividade física livre,
respeitando uma frequência, intensidade e duração adequadas.
Os benefícios da atividade física têm sido comprovados pela ciência moderna. No
entanto, não é só a prática de exercícios físicos que contribui para a boa saúde. As
condições de vida de uma população ou de um indivíduo, com suas inúmeras variáveis, são
determinantes para seu estado de saúde. Deste modo, podemos afirmar que a ausência de
doenças, o saneamento básico, a habitação, o transporte, a qualidade da alimentação e os
hábitos pessoais são aspectos essenciais quando se trata de saúde.
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Com o avanço da ciência e da medicina esportiva, que comprovam os benefícios da
atividade física na manutenção da saúde física, mental e social, ampliou-se as alternativas
de atividade física para atender as necessidades e gostos dos que desejam e/ou precisam
se exercitar. Dentre elas destacamos:
2.2.
-
Ginástica Calistênica;
-
Ginástica de Academia;
-
Musculação;
-
Ginástica Localizada;
-
Hidroginástica;
Ginástica Geral (Gymnaestrada)
Atualmente essa nomenclatura serve para designar o que os alemães chamam de
GYMNAESTRADA, que seria uma ginástica de massa, que reúne ginástica e dança sem
grandes exigências técnicas e com fins de espetáculo. Entretanto para fins didáticos,
consideramos a ginástica geral, a união das ginásticas que englobam o conhecimento no
âmbito escolar nos níveis teórico/prático.
2.3.
Ginástica Formativa
Englobam todas as modalidades que tem por objetivo a aquisição ou a manutenção
da condição física do indivíduo normal e/ou atleta.
“É aquela que auxilia o desenvolvimento corporal” (TEIXEIRA, 1997). Nela estão
incluídos os movimentos que desenvolvem a flexibilidade, a força, a velocidade, o equilíbrio,
a resistência, a agilidade e a coordenação. Assim como, a consciência dos movimentos das
partes do corpo. Desta forma, é fundamental propor situações em que a criança possa
explorar tudo que o cerca, deixando-a agir, criar e descobrir de acordo com seus interesses,
possibilitando a aquisição de valiosas experiências motoras que lhes darão um melhor
conhecimento do corpo e suas possibilidades de movimento indispensáveis ao
desenvolvimento da sua consciência corporal.
2.4.
Ginástica Natural
Utiliza todas as habilidades específicas que fazem parte do repertório motor humano e
que permitem ao homem interagir com seu meio ambiente. Pode ser desenvolvida na forma
de atividades pré-esportivas, jogos e brincadeiras, oferecidas em todas as possibilidades
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lúdicas e recreativas. É ideal para a aquisição de bases de experiências motoras e a
melhoria das condições físicas generalizadas.
2.5.
Ginástica Competitiva
Tem sua origem na ginástica formativa, apresentando regulamentos específicos
com objetivos competitivos. Aparece na forma de festivais e eventos esportivos, sendo que
geralmente se organiza em federações.
3. CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS EXERCÍCIOS FÍSICOS
Por ocasião dessa seção, necessitamos diferenciar o conceito de exercício físico em
relação ao conceito de atividade física, podendo dessa forma citar que:
O que é exercício físico?
É uma atividade realizada com repetições sistemáticas de movimentos orientados,
com consequente aumento no consumo de oxigênio devido à solicitação muscular, gerando,
portanto, trabalho (BARROS NETO, 1999).
O que é atividade física?
Conjunto de ações que um indivíduo ou grupo de pessoas pratica, envolvendo
gasto de energia e alterações do organismo, por meio de exercícios que envolvam
movimentos corporais, com aplicação de uma ou mais aptidões físicas, além de
atividades mental e social, de modo que terá como resultados os benefícios à saúde
(MARCELLO MONTTI, 2005).
A partir dos conceitos acima, percebe-se que a atividade física indica um conceito
mais amplo, enquanto que o exercício físico demonstra ser algo mais restrito.
3.1.
Segundo a Forma de Execução:
3.1.1. Exercícios Naturais: repare você que a palavra cotidiano caracteriza esses
exercícios, pois são aqueles utilizados para manutenção e desenvolvimento das
necessidades primárias do ser humano. Vamos, dentre vários, destacar o andar,
o correr, o lançar, o arremessar, o saltar, o quadrupedar, o escalar, o rastejar, o rolar,
o saltitar e outros. Modernamente, o andar e o correr são exemplos de atividades
físicas que se tornaram um hábito de muitos indivíduos.
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3.1.2. Exercícios Rítmicos: Utiliza basicamente os exercícios naturais para o
desenvolvimento das qualidades físicas em conjunto com a criatividade e a
expressão corporal através de músicas, palmas, sons instrumentais e ordens de
comando. Atualmente, as academias oferecem ao público um grande número de
atividades com exercícios rítmicos que muitas vezes se diferenciam entre si na
frequência rítmica utilizada e no caráter comercial de cada um de seus criadores.
3.1.3.
Exercícios Formativos: Destinados especificamente ao desenvolvimento
e/ou manutenção de qualidades físicas inerentes ao ser humano como a força,
flexibilidade, resistência, velocidade e coordenação.
3.1.4.
Exercícios Laborais:
Geralmente
realizados
em
algumas situações
especiais, os exercícios laborais se prestam a amenizar problemas adquiridos (no
trabalho) ou congênitos, atualmente, encontram-se bastante difundidos em países
industrializados e são subdivididos em:
-
Exercícios de Compensação - Na sua realização visam corrigir assimetrias
musculares causadas por situações de excessivas cargas de trabalho em
determinados grupos musculares. A realização de exercícios físicos que
venham a atingir musculaturas agonistas e antagonistas é a característica
principal de tais exercícios.
-
Exercícios Corretivos - São aplicados após um diagnóstico médico do
problema. Normalmente estão relacionados com problemas posturais, maus
hábitos ou retorno das funções osteomusculares normais de segmentos
corporais.
-
Exercícios de Manutenção - São estabelecidos a partir de um padrão
estipulado que o indivíduo julga como sendo o ideal para o seu organismo,
levando em consideração fatores como a idade, o meio social, o cotidiano
e outros. Os exercícios de manutenção possuem como finalidade principal a
estabilização
das
qualidades
físicas
apresentada não
deve
adquiridas através da prática de
atividade física.
A classificação
ser
utilizada apenas de forma
individualizada, ou seja, pode-se prescrever por exemplo um exercício físico que seja
formativo e tenha caráter rítmico e vice-versa.
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3.2.
Segundo o Esforço
Esta classificação é bastante subjetiva, pois está diretamente relacionada
com a condição física e anamnese atlético-desportiva do praticante. Os exercícios
físicos são divididos em:
3.2.1. Exercícios Fracos: são aqueles que o dispêndio de energia para sua realização é
pequeno. Normalmente são utilizados no início de uma sessão ou aula ou ainda por
indivíduos em início de treinamento, com idade avançada ou em recuperação de doenças
ou cirurgias.
3.2.2. Exercícios Médios: são aqueles que consomem razoável quantidade de energia
para sua realização e executados por pessoas com relativa condição física.
3.2.3. Exercícios Fortes: são aqueles que para sua realização requerem grandes
quantidades de energia e somente devem ser executados por indivíduos em plena
condição atlética.
3.3.
Segundo a Ação
Na classificação por ação, nos interessa vislumbrar a região do corpo humano
que o exercício irá atuar com maior intensidade. Para tanto, os mesmos são classificados da
seguinte maneira:
3.3.1. Generalizados ou Sintéticos: relacionado com as grandes funções do organismo,
geralmente são exercícios naturais e principalmente destinados a melhoria da capacidade
aeróbica.
3.3.2. Localizados ou Analíticos: denominação utilizada para os exercícios físicos que
atingem apenas algumas cadeias cinéticas (grupo de ossos, músculos e articulações) do
corpo humano.
4. Fundamentos Básicos da Ginástica
Andar, rastejar, rolar, correr, saltitar, equilibrar, saltar, girar, ondular, inverter...
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Esses elementos fazem parte do repertório de movimentos de qualquer pessoa, desde
que ela não tenha nenhum problema no seu aparelho locomotor. No entanto, esses
elementos corporais podem ser experimentados de diferentes formas, de acordo com as
possibilidades individuais dos alunos, ou com as características socioculturais dos diferentes
grupos. Podem ser combinados de múltiplas maneiras, gerando novos modos de
movimentar-se.
Além das atividades do cotidiano, eles estão presentes nas várias atividades expressivocomunicativas, tendo na ginástica um significado próprio, a ser discutido nas aulas. A
diversificação de movimentos contribui para que o aluno amplie o seu repertório de
movimentos e tenha mais autonomia nas suas ações corporais.
5. Elementos Corporais Ginásticos
Os elementos corporais ginásticos são criados a partir das habilidades naturais do ser
humano. São caracterizados pela existência de técnicas que na ginástica possuem um
significado estético próprio, embora possam estar presentes em outras formas de expressão
corporal. As diversas modalidades gímnicas apresentam esses elementos corporais
ginásticos, que podem ser trabalhados a partir de sua tematização, explorando-se as suas
variáveis sem enquadrá-los ou submetê-los a códigos de pontuação.
Além dos movimentos de flexão, extensão, rotação, adução e abdução, que são comuns
nos exercícios analíticos (localizados) existem outros que são básicos na ginástica,
conforme detalhamos a seguir.
• Saltos: envolvem o ato de desprender-se da ação da gravidade a partir de um impulso ao
perder o contato com a superfície e voltar a ter contato, amortecendo a queda. Os saltos
também podem ser feitos sobre obstáculos ou a partir do apoio em aparelhos. De acordo
com a posição do corpo, os saltos recebem algumas denominações específicas na
ginástica: carpado, grupado, estendido e etc.
• Equilíbrios: consistem em dominar o corpo, vencendo a ação da gravidade numa
superfície limitada ou em deslocamento. Os equilíbrios podem ser buscados com o corpo
em diferentes apoios, posições e níveis. Exemplos: avião de frente, vela, parada de mãos e
etc.
Giros: correspondem a dar voltas em torno de eixos corporais, tendo variações quanto ao
ponto de apoio, ao nível, à posição de tronco e pernas e ao número de voltas. Exemplos:
arabesque e giro em aparelhos.
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• Saltitos: assemelham-se aos saltos, contudo, a perda de contato com a superfície atinge
menor altura. Exemplos: passé; galope; tesoura.
• Balanceios: referem-se a movimentos pendulares (de vai-e-vem) com o corpo ou parte
dele. Exemplos: pêndulo dos braços de um lado para o outro em frente ao corpo, alternando
a direção de cada braço; pêndulo com o tronco de um lado para o outro ou da frente para
trás e vice-versa.
• Circunduções: são movimentos circulares completos (360 graus), tendo como ponto fixo
uma articulação. Pode-se variar no número de voltas, nos planos de execução, na simetria e
na assimetria.
• Marcações ou poses: equivalem a posturas não padronizadas, que indicam o início ou a
finalização de um elemento ou a sequência de elementos. As poses são muito utilizadas
durante a execução de uma série.
• Passos: consistem em deslocamentos na posição de pé que variam quanto ao movimento
das pernas. Exemplos: passo une passo; passo com as pernas estendidas; passo cruzado.
• Corridas: correspondem a deslocamentos rápidos com o apoio alternado dos pés,
perdendo ligeiramente o contato do corpo com a superfície. Exemplos: com pernas
estendidas; com pernas flexionadas, elevando calcanhares.
• Ondas: são movimentos do corpo ou partes dele, conduzindo-os de uma extremidade à
outra, em ascendentes e descendentes arredondadas. Podem ser feitos, por exemplo, com
dois apoios e flexão do tronco ou sentado nos calcanhares elevando o quadril e o tronco.
• Apoios: envolvem a manutenção do peso do corpo sustentado pelo contato de uma ou
mais de suas partes em uma superfície. Exemplos: parada de três apoios; esquadro.
• Rolamentos: referem-se a dar voltas em um dos eixos do corpo sobre uma superfície.
Exemplos: rolamento para frente grupado; rolamento para trás com as pernas estendidas.
• Reversões: equivalem a rotações de 360 graus, ligadas por uma translação em plano
vertical ou inclinado. Elas se sucedem nas fases apoiadas ao redor dos eixos transversal e
anteroposterior temporariamente fixo e nas fases não apoiadas, ao redor dos eixos livres,
denominadas como saltos (DIECKERT & KOCH, 1988). Exemplo: flic-flac.
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1 1. MÉTODOS GINÁSTICOS O termo Método estabelece