Roteiro para preparar visitas a empresas Textos de autoria de François Ducrocq* (Tradução autorizada para o projecto www.rotasdeceramica.pt ) 1 Lista dos textos 1. Estão os franceses atrasados em relação aos outros países em termos de visitas às empresas? 2. Será que as visitas às empresas podem criar empregos? 3. De onde vem a ideia de visitar uma empresa ? 4. O que é único no marketing relacional? 5. A visita permite fidelizar os clientes? 6. Como motivar a empresa a abrir-se ao exterior? 7. O exemplo de um estudo sobre o impacto das visitas 8. Como integrar a visita e fazer penetrar a ideia na empresa 9. Todas as empresas podem ser abertas ao público? 10. Como conceber as visitas? 11. Se ocorrer um acidente entre os visitantes? 12. Como prevenir o risco de espionagem industrial? 13. Como construir o itinerário de visita? 14. Como melhor receber os seus visitantes? 15. Como melhorar a sua expressão oral? 16. Como comover os visitantes? 17. Como falar com os visitantes? 18. Como argumentar na sua intervenção? 19. A inovação nos serviços 20. Como é que uma visita de empresa pode ser um instrumento do desenvolvimento territorial e as suas cinco componentes? * François Ducrocq é responsável pelo site www.visiteentreprise.com que é propriedade da Agence PAGINE "Conseil en communication des entreprises" Paris (França) 2 Texto 1 Estão os franceses atrasados em relação aos outros países em termos de visitas às empresas? A França não gosta das suas empresas: esta é a conclusão estabelecida por múltiplos economistas e homens políticos, depois de Proudon e até Georges Pompidou, mas é talvez menos correcta que se possa pensar, dado que as sondagens mostram que afinal os franceses gostam de visitar as empresas. Uma sondagem CSA-EDF realizada em 1998 revela que 65% dos franceses estão seduzidos pelas visitas às empresas e que 75% dos activos declaram-se favoráveis à abertura, nem que seja pontual, do mundo das empresas. 52% dos compatriotas já visitaram um local industrial e são mais de 6 milhões a praticarem em cada ano o turismo industrial. Do lado da Educação Nacional, tão facilmente criticada pela sua falta de abertura sobre a empresa, uma outra sondagem (SOFRES 1996) sublinha que 68% dos franceses esperam uma muito maior abertura do mundo das empresas às escolas e que essa abertura seja para mais do que o acesso a estágios e aos empregos. Uma outra faceta da realidade surge quando se sabe que apenas 15 a 20% das empresas francesas estão abertas ao público quando de 70 a 80% das empresas estão abertas a visitas na Alemanha, nos EUA ou no Japão. Por detrás destes números pessimistas – e dificilmente verificáveis – para a França, é necessário sobretudo reter a ideia de que o país está “atrasado” neste domínio em relação aos outros, para pelo menos poderem suscitar uma forte vontade de reforçar a abertura das empresas francesas ao público. Muitos dos parceiros institucionais investem nisso: as Chambres de Commerce, as Chambres des Métiers, a AFIT, a Direcção de Turismo, os comités regionais de turismo, as DRIRE, etc. Os colóquios multiplicam-se sobre este tema. Um verdadeiro fenómeno de moda e de emulação surge, com uma consequência muito simples: um bom número de empresas começa a interessar-se de perto pelo tema e não quer ficar atrás da concorrência. 3 4 Texto 2 Será que as visitas às empresas podem criar empregos? O entusiasmo pelas visitas às empresas revela uma visão nova do mundo do trabalho e uma relação nova com o trabalho. Contudo, esta mudança cultural que surge em França não chega para convencer os dirigentes das empresas. Os custos de preparação de um circuito de visitas pode chegar a somas rapidamente astronómicas para uma PME: 6 milhões de euros podem ser gastos sem obras excessivas. É preciso contar com um mínimo de 600.000 a 1,5 milhões de euros para criar pouco mais do que a sinalética. Para o artesão, o padeiro, o criador de cabras, o carpinteiro, estes valores não são aceitáveis, quando é ainda necessário acrescentar o tempo gasto para receber o visitante. Imagina-se facilmente que uma empresa artesanal, contando com dois trabalhadores, que obteve em Junho de 1999 um troféu nacional EDF da visita à empresa, tem de fazer esforços consideráveis para acolher o público. Mas a direcção está traçada e as empresas vão investir inelutavelmente neste processo. O que é interessante neste fenómeno, não é tanto a grande implicação nas grandes empresas que se reforça hoje em dia, mas na tomada de consciência das PME´s. As PME´s vão criar mais metade, um quarto ou um décimo de empregos suplementares com esta actividade. A dimensão média das empresas francesas é de apenas 4/5 assalariados e é nesta categoria das pequenas e médias empresas que se pode esperar a maior criação de empregos, graças ao turismo técnico. Nenhum estudo foi feito até hoje sobre as potencialidades do emprego no turismo de descoberta económica e técnica. E não é necessário esperar pela criação de emprego específico de guias de empresas. A criação de emprego não está aí no recrutamento de guias a tempo inteiro. Reside antes na ocupação dos trabalhadores já empregados noutras missões ou actividades, que podem alargar o seu campo de acção nas visitas às empresas. Isso significa que o movimento de criação de emprego graças ao turismo técnico vai ser lento e discreto, como é a criação de emprego em geral nas PME´s. Pode-se estimar que se cria um emprego por cada 5 mil visitantes, o que nos leva a deduzir que uma duplicação do número de visitantes nas empresas francesas para 5 passar de 6 a 12 milhões o que permitiria a criação de 12 mil novos empregos em França. A duplicação do número de visitantes nas empresas é um objectivo atingível nos próximos três anos para este país. Mesmo se o potencial de emprego que esta evolução induz é de relativizar, também não é menos verdade que a valorização do turismo económico é prometedora. A noção de “turismo” económico é por assim dizer bastante relativa, uma vez que as visitas às empresas se pode desenvolver também, por exemplo, nas fases de recrutamento, proporcionando aos candidatos visitas à empresa, bem como no domínio comerciais para encontrar novos clientes tal como para seduzir os prospectores de mercado. 6 Texto 3 De onde vem a ideia de visitar uma empresa ? Deslocar as multidões, fazer visitar, espionar, persuadir... Ideias antigas para um negócio de futuro. Um oficial dos serviços secretos em contacto regular com as empresas não hesita nunca, quando a ocasião surge, de explicar aos dirigentes: “Façam visitar a vossa empresa pois está na moda. Mas sobretudo mostrem estritamente nada”. Esta recomendação, voluntariamente provocadora, mostra bem a crença com que certo um número de responsáveis económicos têm de ver desviar o know how, os conhecimentos, os modos de organização da empresa que vão reforçar no futuro a concorrência. As empresas francesas estão demasiadamente pouco abertas aos visitantes e as desconfianças de fugas estão largamente na origem desta atitude. Por outro ponto de vista, as visitas tornaram-se num aspecto fulcral hoje em dia para dar confiança aos clientes, aos jornalistas, aos prospectores de mercado e aos serviços de venda, uma vez que este tipo de comunicação gasta energia considerável para desenvolver a visita ao seu local de produção. Também, é importante clarificar bem o desafio da visita à empresa. Desta forma, um melhor conhecimento das origens da visita da empresa permite colocar alguns tópicos para melhor apreender este negócio de futuro. É difícil ir procurar ao longo dos séculos da história das empresas aquela pela primeira vez abriu as suas portas ao público. O exercício será sem dúvida apaixonante mas em vão, uma vez que as noções de “visita” e de “empresa” provêm de horizontes conceptuais diferentes. Quanto à data de convergência destas duas palavras, mantém-se bastante incerta. Dos comerciantes do templo às lojas da fábrica As visitas correspondem antes de tudo às deslocações, a maior parte das vezes colectivas, e não é inútil partir da análise da origens destas deslocações. As religiões foram, sem nenhuma espécie de dúvida, os motores mais poderosos e os mais antigos 7 para deslocar multidões, quer se tratasse para aceder a um lugar mágico, a um templo antigo, a uma catedral medieval. O caso do Monte Bego no Vale das Maravilhas (1) é um exemplo instrutivo, entre outros: uma montanha dos Alpes do Sul, rica em minérios de ferro, incitou na Idade do Bronze os nossos antepassados a agruparem-se tanto pelo temor como para admirar as tempestades e os trovões caírem nesse Monte Bego. Resultou uma actividade intensa e misteriosa de criação de grafittis na pedra e imagina-se facilmente as actividades de intercâmbio que se desenvolveram no local. Assim, a procura de emoções fortes foi - e permanece - uma motivação essencial nas deslocações físicas dos indivíduos. É uma das pistas de trabalho para analisar as primeiras deslocações das multidões simultaneamente com as actividades dos primeiros "mercadores do templo". É fácil reencontrar através dos tempos a mesma relação entre deslocações de multidões, emoções e comércio. Aí a comparação dos mercadores do templo com as lojas de fábrica parecerá perigosa, mas é claro que a relação entre a emoção suscitada por uma visita de empresa e a compra em fim de percursos é suficientemente forte para alimentar reflexões em marketing. Autores como Mehrabian e Russel (2) mostraram perfeitamente que estados emocionais - prazer, atenção da sensibilidade... - nos consumidores tinham uma influência determinante sobre o comportamento de compra, bem distante dos preços, dos horários de abertura, da acessibilidade do estacionamento ou da selecção dos produtos. Esta análise permaneceu um dos fundamentos da teoria da venda. A influência das emoções na arte da persuasão foi objecto igualmente de estudos sociológicos sintetizados por Raymond Boudon (3). Uma primeira definição da visita de empresa pode, por conseguinte, pôr colocar ao mesmo nível de importancia uma dimensão emocional e a comercialização de um produto. Desenvolvimento económico e espionagem de Estado Mais perto de nós, com uma abordagem mais racional, a visita às empresas foi iniciada largamente e sistematizada por Trudaine no reinado de Louis XV. Na época, o aparelho de Estado colbertista instaura uma organização clandestina para ajudar a indústria nacional a pilhar as tecnologias dos países vizinhos. 8 Se a indústria francesa conhece um crescimento superior à dos nossos vizinhos durante o período de meados do século XVIII, fica particularmente atrasada em termos de inovação e de qualidade sobre os concorrentes. Por conseguinte, o Estado francês organiza o que se chamaria hoje um processo de transferência de tecnologias ocultas. Trudaine é o instigador desta política. A sua posição permite-lhe organizar missões de estudos nos países vizinhos. Ele era ao mesmo tempo Intendente Geral das Finanças, membro do Conselho do Comércio e também tinha assento na Academia das Ciências. No domínio da tecnologia, é conhecido por ter criado a ainda hoje célebre Ecole des Ponts et Chaussées. Trudaine vai recrutar Gabriel Jars, um natural de Lyon, que possuía uma boa cultura metalúrgica e uma boa formação teórica. Trudaine envia-o em formação durante dois anos para completar os seus conhecimentos em química e em desenho industrial; realiza estágios em algumas empresas e dá-lhe a missão, por último, de saber o que se passa em toda a Europa. Gabriel Jars produzirá centenas de relatórios detalhados sobre as empresas que vai visitar. Consagra mais de dez anos, de 1758 para 1769, a viajar em toda a Europa. Como procedia? A maior parte do tempo, bastava apresentar-se como viajante de passagem que mostrava uma curiosidade desinteressada. O chefe de empresa frequentemente adulado por ele ficava orgulhoso em mostrar a sua fábrica. Gabriel Jars concentrava então a sua atenção sobre os pontos de detalhe ou pormenor mais significativos: - a concepção original de uma máquina ou de um forno, - as proporções de uma mistura, - os manejos, os gestos. Uma vez a visita efectuada, transcrevia todas as observações e traçava os planos. Na Grã-Bretanha, os industriais eram mais desconfiados porque eles tinham consciência do avanço tecnológico que dispunham. Gabriel Jars, em consequência, fazia-se passar por naturalista, sem conhecimento técnico. As consequências destas visitas foram múltiplas: deve-se a Gabriel Jars a introdução em França de numerosos métodos britânicos ligados ao fabrico do ácido sulfúrico, zarcão, das lâminas de barbear... Outros visitantes transferiram informações preciosas: no domínio do têxtil por exemplo, Trudaine recorreu a um Inglês, John Holker. A organização de Trudaine tinha por função de difundir os dados recolhidos. Um escritório composto por 4 intendentes e os seus 9 assistentes que representavam as diferentes regiões industriais do Reino, encarregavase de transmitir a informação através de redes. Era necessário no final introduzir os métodos nas empresas e, por conseguinte, convencer os dirigentes das empresa para alterarem o seu método ou forma de produção. Lá intervinha de novo o Estado que subvencionava ou passava encomendas concretas. Com Trudaine, teve a França, a primeira grande campanha de visitas às empresas. Várias especialidades ou sectores nasceram graças a esta acção de grande envergadura e fizeram o êxito da indústria francesa no Séc. XIX como, por exemplo, a cutelaria de Thiers ou os tecidos de seda ondeada de Lyon (4). O limite entre a pesquisa de informações, o benchmarking, ou seja, a arte de copiar, a espionagem e a simples visita que vai trazer ideias novas, é relativamente ténue. Um visitante não vem necessariamente com a ideia de roubar a tecnologia do seu hóspede, felizmente. Toda a subtileza das visitas situa-se neste nível: a empresa tem necessidade de se dar a conhecer junto de clientes potenciais, os caçadores de ideias têm necessidade bisbilhotar... as vantagens e os riscos devem estar para a empresa equilibrados. Uma consequência para a empresa seria deixar as suas portas fechadas. Realmente, a abertura apresenta também vantagens incontestáveis, baseadas no reforço da confiança: dois autores americanos, Morgan e Hunt teorizaram em 1994, num artigo fundador, o interesse do desenvolvimento da confiança - estreitamente ligada à fidelização - e o compromisso dos clientes. Neste campo, o contributo das visitas é incontestável; estas tornaram-se num dos eixos que doravante é conhecido como a base do marketing relacional (5). As visitas de empresas e a força dos modelos O final do Séc. XIX marca um momento decisivo na visita às empresas com a emergência, por altura dos anos 80, do modelo da grande fábrica, "a fábrica nova" que implicava modos de organização muito mais racionais e quadros dirigentes melhor formados. Nos primeiros anos século XX, mais da metade dos quadros dirigentes das grandes empresas tinham uma formação de engenheiro. Esta nova geração estava convencida de que uma modernização das técnicas e dos métodos de trabalho era indispensável, imitando o modelo americano. 10 Do lado da literatura de empresa, a partir de 1898, Emile Levasseur escreve a sua obra "Um Trabalhador Americano"; Paul Bourget descreve em 1895 a cadeia dos matadouros de Chicago; Dos "Principles of Scientific Management" de Taylor vendemse em França mais de 6.000 exemplares. Do lado das visitas, Louis Renault encontra Ford e Taylor aquando de uma famosa viagem aos Estados Unidos em Abril de 1911(6). Na sua deslocação a Dearborn e Filadélfia, Louis Renault diz-se "maravilhado com a organização" de Ford e obtém o acordo de modo que um contabilista de Renault faça um estágio em Detroit para redigir "um pequeno relatório [ sobre ] métodos de organização"(7). André Citroen, procedente da Escola Politécnica, inspira-se também junto das investigações de Taylor e junto do exemplo de Ford, cujos fábricas visita em 1912, para reorganizar a produção da fábrica que lhe foi confiada(8). Os primeiros anos do século XX vão assim ser marcados em França pela impregnação do Taylorismo. A reflexão da gestão empresarial vai inspirar-se na observação no terreno através da visita de empresas. É ao mesmo tempo interessante notar a relação entre a divulgação, pela literatura económica, dos modelos de gestão empresarial e cultural mesmo, e as numerosas delegações de engenheiros que vão examinar as fábricas americanas. Esta estratégia não variou ao fio de décadas: as visitas de quadros de empresas estão frequentemente relacionadas com um modelo, uma representação da empresa. Podese além disso constatar que Ford e as empresas americanas como um todo, que continuam a abrir mais aprofundadamente as suas portas do que as empresas francesas, não perderam necessariamente terreno face a estas visitas. Do mesmo modo, é talvez útil relativizar o problema colocado por visitas demasiado centradas nos esquemas mentais que os visitantes eventualmente são dirigidos sobre objectivos voluntariamente enganosos e que não permitem relativizar os “achados”. Ford, por acaso nessas visitas, disse tudo sobre a forma como aplicava o taylorismo? E realmente mostrou a Louis Renault e André Citroen algo que teria sido susceptível de fazer-lhe perder partes de mercado? Federar as práticas, criar associações Outro exemplo dado pela história das visitas: a criação de associações e a formação de uma visão unitária das práticas sociais ou de gestão empresarial. Durante do século XIX 11 emergiram lentamente as representações modernas dos sindicatos. Se a homogeneidade dos sindicatos se manifestou em redor dos anos 1880, a afirmação de um movimento operário desenvolveu-se muito tempo antes. Assim as delegações operárias francesas visitaram a Exposição Mundial de Londres de 1832 e de novo em 1862; neste ano, 200 delegados eleitos entre 50 profissões representando 200.000 trabalhadores parisienses encontraram as trade-unions inglesas. Surgem daí 53 relatórios que constituem, ao mesmo tempo, um testemunho sobre a evolução técnica e da organização do trabalho e um acto reivindicativo em prol da representação operária permanente e da criação das câmaras sindicais (9). As formas de cooperação favorecida pelas visitas ou iniciadas nesta ocasião foram numerosas. As visitas hoje ainda mantêm e reforçam as redes, desenvolvem visões comparativas (ou de benchmarking) e linguagens comuns. O que é verdadeiro para os movimentos operários também o é para grupos profissionais ou sociais muito diversos: especialistas na qualidade, recursos humanos, responsáveis pelo ambiente, clubes de PME... etc. podem fazer o mesmo. Entre as funções da visita, a noção de integração em redes de cooperação é frequentemente negligenciada. Está, no entanto, no cerne dos progressos da empresa, através das redes em que cada indivíduo participa. Mobilidade e inovação No debate sobre a necessidade de abrir as suas portas aos visitantes, o responsável da empresa pode ter a atenção focalizada sobre os problemas - legítimos - de organização, custo ou espionagem industrial. Realmente, por detrás das aparências, um dos problemas essenciais que persiste é a medida da rentabilidade das visitas. A definição das estratégias da empresa - objectivos, alvos, mensagens, meios de comunicação - reduz a incerteza, mas não traz soluções eficazes para todas as empresas. É o que, no fim de contas, faz que as empresas avancem em passos firmes neste domínio. Num futuro próximo, os estudos de marketing permitirão medir estatisticamente o impacto das visitas no valor acrescentado das empresas. Neste momento, é forçoso constatar que as empresas francesas são mais fechadas do que as americanas ou alemãs neste domínio. 12 Quais as hipóteses a formular a esse respeito? Talvez se perceba uma hipersensibilidade dos responsáveis económicos franceses a isso ou existem vestígios de um corporativismo retraído neste domínio. François Caron, um especialista da história económica e da tecnologia, tem trabalhado aprofundadamente sobre as origens da inovação. Uma das suas conclusões é enunciar que "as inovações podem nascer apenas na diversidade dos centros de poder e de decisão no coração de uma economia onde os factores são móveis e os agentes livres das suas escolhas" (10). Esta reflexão adapta-se perfeitamente ao espírito das visitas às empresas que, procedentes de escolhas individuais, descentralizadas, de encontros inesperados, deixam um amplo lugar à força do "acaso e do inesperado", que são fonte de criação. É portanto necessário que a economia francesa desabroche melhor através de uma abertura evidente ao "turismo económico" ou de "descoberta económica". Mas não seria demasiado negligenciar a abordagem mais "tecnocrática" como se viu, com a temível máquina de guerra económica de Trudaine: isto pode-se traduzir em termos contemporâneos, trata-se para os intervenientes da esfera pública de dar um impulso vigoroso às visitas de empresas. Em qualquer caso através os alguns acontecimentos ocorridos na história da visita às empresas, é possível constatar que o campo deste sector da comunicação é vasto e, alimentado de um pouco de imaginação, o responsável empresarial pode extrair recursos novos e preciosos com esta ferramenta das mais antigas da organização social. Bibliographie (1) Lumley, H. de (1992). "Le Mont Bego", Ministère de la Culture et de la Communication, guides archéologiques de la France, Imprimerie Nationale Editions. (2) Donovan, R. J. et Rossiter J. (1982), " Store Atmosphere : an Environmental Psychology Approach ", Journal of Retailing, vol. 58, 1. - Donovan, R. J et alii (1994), " Store Atmosphere ans Purchasing Behavior ", Journal of Retailing, vol 70, 3, pp 283294. (3) Boudon. R. (1992), " L’art de se persuader des idées douteuses, fragiles ou fausses ", Essais, Points, Seuil, pp. 21-66. (4) Woronoff. D. (1994), " Histoire de l’Industrie en France du XVIe siècle à nos jours ", Seuil, p. 58 - Gabriel Kapp, le Monde 2 septembre 1997 (5) Morgan,R. M. Hunt, S. D.(1994). " The commitment-Trust Theory of Relationship Marketing ", Journal of Marketing, vol 58, pp. 20-38. (6) Dewerpe A.(1989) " Le monde du travail 1800-1950 " Armand Colin, Cursus p. 110 (7) Hatry G. (1981). " Louis Renault, patron absolu ", Lafourcade, p. 69 (8) Verley P. (1994), " Entreprises et entrepreneurs du XVIIIe siècle au début du XXe siècle " Hachette supérieur, p. 199 (9) Dewerpe, A. op. cit. (10) Caron. F. (1985). " Le résistible déclin des sociétés industrielles ", Perrin 13 14 Texto 4 O que é único no marketing relacional? Porque é que a visita de empresa se integra bem neste conceito de marketing? Paralelamente às reflexões efectuadas na economia sobre a empresa, desenvolveu-se uma corrente inovadora no domínio do marketing com o marketing relacional, que contribuiu para transformar a noção de maximização dos lucros de curto prazo em benefícios relacionais de longo prazo. Por outras palavras, com o marketing relacional, a empresa não procura mais os lucros maiores possíveis no imediato mas, pelo contrário, através das relações que desenvolve, prepara os seus benefícios sobre o longo prazo. Indubitavelmente o marketing relacional tomou, na evolução da teoria económica, conceitos inovadores que enriqueceu. Hoje, o marketing relacional não é uma teoria finalizada, no sentido que inspira ainda numerosos debates e desperta regularmente novas reflexões, mas também não é uma teoria isenta de ambiguidades: os conceitos de confiança sobre os quais se apoia, mantêm-se imprecisos em muitos aspectos (1). Mas a evolução recente do marketing relacional permite aos especialistas do marketing extrair orientações estratégicas eficazes, nomeadamente para a indústria e os serviços. A visita das empresas integra-se bem neste quadro conceptual: os visitantes não vêm para comprar, por conseguinte, para aumentar os lucros de curto prazo da empresa ainda será necessário matizar esta afirmação. A empresa, abrindo as suas portas ao público, não procura vender imediatamente. Ainda que as motivações apresentadas sejam frequentemente imprecisas, os benefícios esperados pela empresa não incidem sobre o curto prazo. Para compreender o lugar que a visita de empresa desempenham no marketing relacional, é interessante definir os contornos. O marketing relacional tornou-se inegavelmente o tema essencial da reflexão sobre o marketing dos anos 90. No final dos anos 70, as investigações desenvolveram-se sobre o tema das relações entre a indústria e os diferentes actores da distribuição. Ao mesmo tempo, foram desenvolvidas investigações no domínio dos serviços: a ideia era que a abordagem do 15 marketing mix tradicional - ou seja, baseado nos preços, no produto, na promoção e na distribuição - adaptava-se mal à evolução das relações clientes/fornecedores. Antes ainda, sobre o tema do comportamento do consumidor, os estudos de fidelidade à marca e ao estabelecimento datavam do fim dos anos 60 e iniciaram vias novas em relação ao marketing clássico. A partir de meados dos anos 80, um fenómeno essencial tomou lugar no domínio do marketing e do comércio em geral: as tecnologias da informação desenvolveram-se rapidamente e as relações com os consumidores melhoraram através da elaboração de bases de dados. Marketing relacional e confiança Assim, simultaneamente por razões técnicas - a emergência de potentes bases de dados informatizadas - e por razões teóricas - a emergência de novos conceitos baseados no relacional -, apareceu um novo paradigma no domínio das trocas comerciais. Dois autores, Morgan e Hunt (2) definiram o marketing relacional como "o conjunto das actividades que têm por objectivo estabelecer, desenvolver e manter trocas relacionais eficientes". Mostraram que dois princípios fundamentais decorriam do marketing relacional: o compromisso e a confiança. A confiança, em primeiro lugar, é ao mesmo tempo uma expectativa, uma crença, um sentimento e uma intenção de comportamento ou um comportamento que subentende a vulnerabilidade e a incerteza (3). O compromisso é uma troca entre parceiros que estão convencidos que uma relação mantida com qualquer um é suficientemente importante para gerar o máximo de esforços para a manter. A confiança é fonte de economia e ganho de tempo. No sector da indústria, outras abordagens da confiança foram propostas (4): é a "crença do cliente segundo a qual se pode confiar em relação ao que é dito ou prometido pelo vendedor". Alguns autores propuseram uma escala de medida da confiança fundada sobre quatro dimensões psicológicas fundamentais para o comprador: sentimentos, crenças, intenções e comportamento. Outros investigadores(5) sugeriram que em negociação, a confiança do interlocutor se obtinha por - uma divisão de informação, - e uma ajuda prestada para atingir os seus próprios interesses. 16 Em oposição aos efeitos da desconfiança, demonstraram que a confiança permitia - ganhar tempo, - economizar esforços em termos de pesquisa da informação e/ou para instaurar garantias ou medidas de protecção (6). Parcerias, alianças e redes: as funções da confiança Nas parcerias, podem identificar-se (7) três funções da confiança: - dissuade os comportamentos oportunistas, - substitui-se aos mecanismos de gestão hierárquica, - contribui para o bom desempenho no mercado e para a eficiência organizacional. Além disso, um dos traços salientes da eficácia é a vontade dos indivíduos de uma unidade social em terem confiança nos outros. A confiança é além disso essencial na explicação da formação das redes (8). Isso significa designadamente que na medida em que, uma visita se apoia essencialmente sobre a confiança que vai gerar na empresa, o grupo que vive à maneira de uma rede vai encontrar-se igualmente confortado; uma hipótese interessante a verificar é que a visita de empresa contribui para firmar as relações no grupo de visitantes por uma diligência comum e uma percepção comum de uma realidade. Vemos isso através de algumas reflexões, como a busca da confiança do cliente ou do prospector de mercado que se tornou um desafio essencial da reflexão marketing. A visita de empresa inscreve-se, por conseguinte, muito bem neste quadro e ainda que hoje não tenha sido objecto de quase nenhuma investigação sob este ângulo, percebese facilmente que aí uma matéria importante de estudos simultaneamente para os universitários e também para as empresas. Talvez surpreenda que, investigadores em marketing se interessem rigorosamente pelas noções banais como a confiança, que aparecem ligeiramente como evidências. Noutro plano, a preocupação da investigação é essencial na medida em que vai induzir a criação de instrumentos de medida que vão suportar as transacções comerciais: o estudo da visita de empresa pelos líderes económicos não será por conseguinte neutro em termos de eficácia comercial, em termos de estratégia e, por conseguinte, em termos de emprego. 17 Para além das trocas, a eficácia, a adaptação e mesmo a sobrevivência dos grupos sociais depende da presença ou da ausência da confiança (9). O compromisso e a confiança são peças chaves para a empresa. Estes dois princípios relacionais incentivam os especialistas do marketing: - a trabalhar para preservar os investimentos relacionais cooperando, - a resistir à atracção das alternativas de curto prazo em prol de benefícios de longo prazo. Assim quando o compromisso e a confiança - e não somente um dos dois elementos estão presentes produzem resultados que promovem: - a eficácia - e a produtividade. A curto prazo, o compromisso e a confiança conduzem directamente a comportamentos cooperativos favoráveis e a um marketing relacional frutuoso. A visita aumenta os custos de mudança de fornecedor A visita pode também ter um impacto positivo não negligenciável para manter as boas relações com um cliente. Os clientes podem facilmente eclipsar-se por razões que podem manter-se completamente desconhecidas para o fornecedor: insatisfação, preços não concorrenciais, prazos não respeitados, qualidade insuficiente... os motivos podem ser numerosos. Contudo para uma empresa, mudar de fornecedor implica custos: tempo passado a explicar as suas necessidades, tempo gasto na prospecção para novos fornecedores, incertezas quanto à capacidade de produção do novo fornecedor, etc. O comprador vela em geral por que estes custos sejam inferiores aos necessários à manutenção do fornecedor existente. Mudar de fornecedor de "software" informático para uma sociedade claramente melhor colocada a nível dos preços pode ter consequências muito pesadas financeiramente na empresa: perda de ficheiros, exigência de nova aprendizagem, etc. No domínio do grande consumo, os clientes podem também ser cuidadosos no facto de quererem mudar. Correm o risco de se verem privados de vantagens duradouras: um cliente que tem o hábito de adquirir uma marca de café assume um risco mudando de 18 marca: vai ter de consumir um pacote de café completo de uma marca que eventualmente não lhe agradará. O fornecedor tentando ao mesmo tempo dar satisfação ao seu cliente deve também medir os custos que vai representar uma mudança para o seu cliente. O facto de reforçar as relações de proximidade com o seu cliente contribui para aumentar os custos de mudança. Acolher um cliente na sua empresa para fazer-lhe visitar as instalações pode em diversas circunstâncias aumentar o custo de mudança; não se trata de um custo financeiro para o cliente mas de um custo psicológico. No domínio do grande consumo, para um consumidor, mudar de produto após ter ficado agradado de uma visita sobre o fabrico deste produto, é privar-se de uma boa lembrança. Se a visita for seguida de uma prova, o produto provado num contexto simpático, vincula necessariamente o gosto do produto a uma percepção positiva. Não devem existir compromissos desproporcionados em relação às expectativas dos visitantes Os compromissos desproporcionados nas trocas podem conduzir a estratégias oportunistas por parte dos parceiros menos envolvidos (10). Mais importantes são os recursos envolvidos por ambas as partes - produtor e consumidor, fornecedor e cliente – mais significativo é o desafio para cada um, mais forte é o clima normativo das relações e maior é o compromisso de longo prazo. As visitas podem permanecer numa diligência simples da empresa que não deve oferecer demasiado para os visitantes, se não o compromisso corre o risco de ser desproporcionado porque eles assumirão raramente compromissos fortes na sequência de uma visita. A experiência mostra de resto que os visitantes não esperam, para além de que poderíamos chamar o contrato de visita, um compromisso complementar. O FED e CSA mediram em 1998 as expectativas dos visitantes e à pergunta "quais outras prestações ou serviços que desejariam receber quando visitam um sítio?" "as pessoas interrogadas são 9% a desejar mais informações, explicações, informações técnicas e históricas." São menos de 4% a desejar uma chapinha, um guia especializado, amostras, condições especiais para deficientes, em contrapartida de diálogo com o pessoal do sítio, mais 19 liberdade durante a visita (liberdade de movimento, tomados de vistas, tempo livre, etc..). Demasiado a oferecer ao visitante não traz por conseguinte uma melhor imagem e, pelo contrário, corre o risco de incitar os visitantes a aproveitar a ocasião para exigir ainda mais. Investimentos idiossincráticos para os grupos de visitantes Para os distribuidores assim como para os produtores, os investimentos específicos (idiossincráticos) no que diz respeito a um cliente criam barreiras ao abandono da relação: todas as barreiras à saída que os fornecedores podem colocar incitam a manter relações tão frutuosas quanto possível (11). Criar e manter um nível relacional estreito, requer de cada parte, dedicar recursos à relação, o que significa tomar um risco. Assumir este risco em contrapartida aprofunda o seu próprio compromisso. Relacionada com a visita de empresa, estas conclusões - que estão por validar neste caso particular - mostrariam que a empresa tem todo o interesse em procurar dedicar recursos à relação que cria com um grupo. Por outras palavras, quanto mais a visita for adaptada e personalizada ao grupo acolhido, mais será objecto de um investimento por parte da empresa e mais os visitantes serão propensos a desenvolver durante a visita um espírito positivo. Em relação ao que tem sido evocado previamente - não fazer demasiado - é necessário que a empresa se assegura de que o visitante vai também investir posteriormente na visita. Por exemplo, isso pode significar para a empresa que recebe alunos, que se assegure de que o professor vai utilizar nas aulas o que foi visto durante a visita. Da satisfação à fidelidade A qualidade total surgida nos Estados Unidos nos anos 60, enriquecida e desenvolvida seguidamente no Japão, conquistou a Europa no decorrer dos anos 80. Apoiada inicialmente sobre o controlo estatístico dos métodos de produção, a qualidade total alargou-se à gestão. Instrumentos técnicos de responsabilização, transversalidade e de participação foram também desenvolvidos. 20 A qualidade total contribuiu para introduzir novas regras de organização e de gestão, afastando um tanto o funcionamento da empresa do modelo básico de maximização dos lucros a curto prazo. Perante este movimento de vontade de satisfazer o cliente, foram subestimadas um tanto outras diligências: os objectivos de fidelização da clientela retiveram pouco a atenção, apesar dos benefícios financeiros consideráveis que representa a lealdade dos clientes estratégicos. Com efeito os clientes fiéis tendem: - a comprar mais, - mais regularmente - e agem frequentemente como aconselhadores activos dos produtos e dos serviços da empresa. Um crescimento da taxa fidelização de 5% dos clientes existentes permitiria, de acordo com certos estudos, aumentar a rentabilidade de 25% para 100% (12). Durante muito tempo, as causas de deserção da clientela foram analisadas de maneira superficial como largamente ligadas à questão de preços; dois terços das empresas invocam este motivo para o abandono de um fornecedor. Realmente, é a qualidade do conjunto das relações cliente-fornecedor que é determinante: disponibilidade, reactividade, capacidade de propor soluções inovadoras, de antecipar as necessidades, de posicionar-se como verdadeiro parceiro no tempo. A visita de empresa responde parcialmente pelo menos a dois elementos na qualidade das relações com os clientes: a empresa mostra-se próxima dos seus clientes, reforça a ideia que pode ser parceira manifestando a sua disponibilidade; a parceria assim como a disponibilidade constituem, designadamente, um tempo gratuito consagrado ao cliente. A fidelidade: de uma abordagem transaccional a uma abordagem relacional Da sua origem económica, o marketing clássico reteve a ideia que oferta e procura provêm de interesses diferentes, ou mesmo, divergentes. É necessário retirar o máximo de uma transacção dando o menos possível. O postulado dos rendimentos decrescentes significa em termos de marketing que é necessário correr incessantemente atrás de novos clientes e de novos mercados. A 21 importância reconhecida à pressão concorrencial como que determina a melhoria da oferta, transforma a problemática clássica do equilíbrio entre orientações produto e clientela numa problemática cliente e concorrência. O marketing adopta então uma estratégia de confrontação, de conflito, de conquista. Esta concepção tem os seus limites. A abordagem relacional transforma a lógica de independência e de confrontação num paradigma de interdependência e de cooperação. A partir dos anos 60 foi destacado o fenómeno de "duplo jeopardy" (duplo risco): as empresas que possuem as mais importantes partes de mercado têm a dupla vantagem de terem mais clientes e os clientes mais fiéis. Desenvolver uma proximidade cognitiva e afectiva Numa concepção clássica de marketing transaccional, a fim de conservar a sua clientela, a empresa deve melhorar constantemente, através de campanhas de comunicações maciças, a dimensão afectiva da fidelidade. Nesta perspectiva, a empresa deve permanecer sempre à escuta do seu cliente. Nos paradigmas clássicos igualmente, a fidelidade à marca é percebida essencialmente como uma consequência das compras anteriores e a satisfação que procuram. Para a abordagem relacional pelo contrário, a continuidade da troca toma o passo sobre a sequencialidade das transacções. A fidelidade verdadeira exige uma implicação mínima do consumidor na compra. Repousa sobre um compromisso mútuo ou percebido como tal, ou seja, sobre uma promessa implícita ou explícita de continuidade da relação entre os parceiros. O desenvolvimento da abordagem relacional marginaliza, por conseguinte, cada vez mais o comportamento de compra na medida da fidelidade. Não se pode falar de estado de fidelidade mas relação de fidelidade. A fidelidade desenvolve-se no tempo por reforço do compromisso mútuo (12). A intensificação das comunicações vai desempenhar um papel preponderante: é necessário criar e desenvolver uma proximidade intelectual, cognitiva e afectiva entre a empresa e o seu cliente (13). A partilha de uma história comum aumenta a proximidade e reforça assim a fidelidade. O cliente deve sentir intensamente a sua pertença à relação: os clubes criados por 22 certas empresas responde a este objectivo. Eles apostam na criação do 3 "p": personalizado, privativo e por conseguinte privilegiado. A visita de empresa integra perfeitamente estas três qualificações. Bibliografia (1) xxx (2) Morgan R. M. and Hunt S. D. (1994) The Commitment-Trust Theory of Relationship Marketing, Journal of Marketing, 58, July, pp. 20-38 (3) 1992 et 1993 Moorman et alii ) (4) 1988, Swan et alii (5) Butler (1995) (6) Pallas et Richard , 1998, Swan et al., 1990 (7) Aulakh et al. (199) (8) Larson (1992) (8) (Rotter 1967) (ç) Gundlach G.T., Achrol R.S. and Mentzer J. T. (1995) The Structure of Commitment in Exchange, Journal of Marketing, January, pp.78-92 (10) Anderson E. and Weitz B. (1992) The Use of Pledges to Build and Sustain Commitment in Distribution Channels, Journal of Marketing Research, 29, february, pp. 18-34 (11) Nourissat P. (1994) Au-delà de la qualité totale, L’Expansion Management Review, hiver, pp. 75-80 (12) Danon J. et Claudon J. (1997) Les secrets d’une clientèle fidèle, L’Expansion Management Review, juin, pp. 101109 - Dwyer F. R., Schurr P. H. and Oh S. (1987) Developping Buyer-Seller Relationships, Journal of Marketing, 51, April, pp. 11-27 - Guibert N. (1999) La confiance en marketing : fondements et applications, Recherche et Applications en Marketing, 14, 1, pp. 1-19 - Jackson B.B. (1985) Build customer relationships that last, Harvard Business Review, November-December, pp. 122-128 - Kotler P. (1995) Le marketing n’est pas une fonction mais un processus !, L’Expansion Management Review, mars, pp. 41-50 (13) Moulins J.-L. (1998) État de fidélité et relation de fidélité : éléments de réflexion pour une nouvelle approche de l’échange, Décisions Marketing, 13, janvier-avril, pp. 67-73 23 24 Texto 5 A visita permite fidelizar os clientes? Numerosas vias de investigação podem abrir-se no domínio da visita de empresa como instrumento do marketing relacional. Uma entre elas relaciona-se com os estudos ligados ao tema da familiaridade com um produto ou com uma marca. Beneficiar de uma relação privilegiada com um cliente potencial durante uma hora, duas horas ou mesmo mais, é um desejo que formulam de boa vontade os serviços comerciais. A visita de empresa é a este respeito um instrumento de venda fácil, de exploração sobretudo quando se conhecem a riqueza do engenho e destino que existe nas diligências comerciais para conduzir uma relação directa com um prospector comercial. Pode-se legitimamente perguntar em consequência disso qual a razão porque as visitas não são tão habituais na indústria em França, como acontece na Alemanha ou nos Estados Unidos. Um dos argumentos que parece mais relevante é a criação de uma familiaridade com a marca. A palavra familiar pode de resto ser tomada aqui no sentido forte: um familiar é considerado como alguém de íntimo, que faz parte da família. Um familiar é também uma pessoa que frequenta assiduamente um lugar. A familiaridade com uma marca não se inscreve verdadeiramente aqui numa estratégia na qual o objectivo número um é fazer experimentar o novo produto, seguidamente fazê-lo adoptar com a esperança de, por último, fidelizar. Aqui a familiaridade com a marca não vai medir-se em taxas de experimentação e de adopção. Com efeito a diligência de visita cria uma familiaridade com uma marca de maneira completamente diferente dado que o produto às vezes mesmo nem é tocado, nem comprado, no final de visita. E, no entanto, o produto vai ser melhor conhecido, apreciado, numa relação que se terá criado com o fabricante. É por conseguinte interessante interrogar-se sobre a relação da familiaridade com a marca tomada numa acepção alargada como determinando a intenção de compra(1). 25 Vários estudos mostraram claramente que a familiaridade com uma marca influencia a confiança do consumidor para a mesma, a qual, por sua vez, reforça as intenções de compra. (2) Um estudo particularmente interessante foi apresentado a partir de dados sobre o uso de xaropes para a tosse. Estamos certamente distantes das visitas de empresa, restando apenas a situação paralela que pode ser efectuada entre o contacto com um produto e o contacto com a empresa, onde são fabricados estes produtos. A hipótese que seria interessante testar era de verificar se a fixação à marca não é mais fácil após uma visita de empresa que após um ensaio do produto da mesma empresa. Bibliographie (1) Howard J.A. et Sheth J.N., The Theroy of Buyer Behavior, Wiley, New York, 1969 (2) Laroche M. et Sadokierski R. , Role of confidence in a Multi-Brand Model of Intentions for a High Involvement Service,. Journal of Business Research 29 (January 1994) : 420-434 Laroche M., Kim C. , Zhou L. 1996, Brand Familiarity and Confidence as Determinants of Purchase Intention : An Empirical Test in a Multiple Brand Context. Journal of Business Research 37, 115-120. 26 Texto 6 Como motivar a empresa a abrir-se ao exterior? Logo que se evoca o termo "motivação" em marketing, emerge inevitavelmente uma definição ligada a comportamentos individuais (1). Realmente, a motivação dos responsáveis de empresas no domínio das visitas de empresas resulta pouco das escolhas pessoais mas inscreve-se, a maior parte das vezes, no âmbito de uma estratégia de gestão e de organização, ela própria tributária da cultura da empresa. Também no caso da visita de empresa vale mais falar de aprendizagem organizacional colectiva que é essencial para incitar uma empresa a desenvolver uma estratégia de visita e não se limitar unicamente às atitudes do responsável de empresa. Posto isto, o papel de motor dos responsáveis de empresa deve certamente ter-se em conta para abordar os processos que permitem gerar mudanças na empresa. Também abordarão o assunto da motivação sob dois ângulos: - o do líder, - o da organização. Da aceitação sofrida ao desejo de não se deixar distanciar As motivações, ou para se ser mais realistas, as abordagens de gestão empresarial dos responsáveis de empresa podem ser agrupadas em três tipos de reacções diferentes: Em primeiro lugar, na maioria dos casos, a visita de empresa provoca em muitos líderes quer a hostilidade quer a indiferença. Mais reticentes a abrir as suas portas são talvez aqueles que medem mais os perigos para as suas empresas que têm em revelar os processamentos de fabrico, o "know how", etc. Sem dúvida que um certo número sabe muito bem que o descobriu na concorrência numa simples visita. O aforismo "para viver feliz melhor vivem os escondidos" encontra aí um significado menos pertinente que não há nos outros. Outro travão potencial, são as empresas que, se mostrando e apresentando a sua actividade ao grande público, podem revelar uma fraqueza essencial ou pôr em perigo a imagem do produto. 27 Eis alguns exemplos: - empresas que funcionam com um só cliente, - empresas quem têm um comportamento oposto à imagem do seu produto, - empresas que são subcontratadas inteiramente por outras empresas, - ou pelo contrário, as que não produzem nada e subcontratam a totalidade dos seus fabricos, - quem oculta os segredos de organização ou de processamentos fáceis em copiar pela concorrência, - as empresas cuja imagem do local de fabrico nunca poderá corresponder à do produto, - as empresas que são sujas e necessitam de melhorias. ... Mil razões podem incitar uma empresa a continuar a estar hermeticamente fechada ao mundo externo. Segundo tipo de reacção: as empresas que ficam obrigadas a abrir as suas portas devido à sua influência no meio ambiente. Em geral, tratam-se de empresas conhecidas por englobarem um grande número de trabalhadores e que suscitam a curiosidade do público. As Escolas, os eleitos, as associações diversas, interessam-se pela actividade destas empresas e os seus responsáveis não podem opor-se a longo prazo, por exemplo, aos pedidos repetidos e insistentes de um professor que acolhe várias crianças cujos pais trabalham na fábrica. Esta empresa vai acabar por ceder ao pedido da associação em que um dos seus trabalhadores faz parte também. A abordagem mais frequente da empresa é então fixar, na falta de uma verdadeira estratégia, um quadro limitado das visitas e consagrar um orçamento mínimo. A justificação a posteriori para estas visitas é do interesse geral da "acção cidadã da empresa". Por último, os responsáveis das empresas podem detectar, no processo actual de desenvolvimento das visitas, a emergência de um instrumento novo que fornece uma oportunidade então de integrar um modelo de visita. 28 Assim, na indústria, surgiram “jornadas portas abertas” para melhor mostrar aos jovens, ou mesmo às crianças, a realidade do mundo do trabalho. Por exemplo, perto de Valenciennes, a sociedade Sevelnord, unidade de montagem dos monovolumes Peugeot-Citroën-Fiat-Lancia, desenvolve actualmente, a exemplo da Toyota, uma estratégia de visita para as crianças. A visita pode então igualmente resultar de uma lógica nova; por vezes, o interesse da visita nem sempre é claramente percebido, mas se este instrumento se desenvolve, é porque existe uma necessidade, e em consequência uma oportunidade. É preferível ser-se os precursor a desenvolver as visitas do que fazer tarde para seguir a concorrente próxima e copiá-la na sua estratégia de visitas. A estratégia para a criação das visitas assemelha-se aos procedimentos da qualidade ou do ambiente. A empresa mobiliza-se em redor de um tema e procura aproveitá-lo da melhor forma. O acesso à norma ISO 9000 constituiu para as empresas uma oportunidade para desenvolver comportamentos novos, do mesmo modo que a visita de empresa pode insuflar uma dinâmica nova e fazer emergir esta preocupação como um reforço colectivo do sentido do cliente. Face à diversidade de situações e atitudes dos líderes, raciocinar partindo das motivações dos responsáveis das empresas é insuficiente para insuflar uma estratégia ofensiva de visitas de empresas. É necessário também compreender a organização e as suas rotinas. Uma motivação colectiva O desenvolvimento das visitas inscreve-se, como todas as inovações, no âmbito de uma aprendizagem organizacional. Em qualquer empresa existe "um processo colectivo de aquisição e de elaboração de conhecimentos e de práticas que participam na reestruturação permanente da organização" (2). A paisagem teórica relativa a esta noção é relativamente heteróclita. As teorias da acção, as teorias evolucionistas ou estruturalistas, interessaram-se pelo tema com maior ou menor sucesso. 29 As motivações das organizações no que diz respeito às visitas são, elas também, múltiplas. Em primeiro lugar também existem inércias. Os trabalhadores, que têm o sentimento desagradável de ser olhados como animais de jardim zoológico, desenvolvem um reflexo muito negativo em relação às visitas. Em geral, este sentimento nasce de uma falta de informação desses trabalhadores, de uma falta de consideração da dimensão humana na empresa ou ainda de uma indisposição generalizada na empresa que se vai focalizar sobre os aspectos mais visíveis. O problema essencial tem a ver com o facto dos trabalhadores não terem a percepção de que através das visitas dão a perceber uma actividade económica global e importante. Por detrás destas reacções negativas, é necessário ver ,neste tipo de empresa, uma falta de cultura económica e social colectiva. Em geral, as experiências de abertura deste tipo de empresa sobre o exterior constituem também um bom meio para medir o clima social da empresa e o grau de implicação, de orgulho de pertença dos trabalhadores. Outro obstáculo à visita é a ausência completa de experiência de visitas da empresa, a começar pela ausência de visita dos próprios trabalhadores. Não é infelizmente raro encontrar trabalhadores de muitas empresas que confessam não conhecer os outros ateliers ou oficinas para além do seu no qual trabalham por vezes há 25 anos. Um esforço de comunicação interno deve, neste caso, igualmente encarar-se. De modo geral, a abertura de uma empresa sobre o exterior deve sempre ser precedida de uma acção intensa de comunicação interna, qualquer que seja a empresa, qualquer que seja a actividade. Para suscitar, de forma simples, o interesse em relação às visitas para uma empresa, é de começar por enviar os seus trabalhadores - quadros mas também os simples operadores - a visitar outras empresas. Fazer evoluir as rotinas pelo conhecimento e pela experiência Os elementos chave presentemente que permitem fazer evoluir as rotinas podem representar-se através de duas variáveis: - o conhecimento, - e a experiência. 30 O conhecimento de uma pessoa pode às vezes ser suficiente para fazer evoluir uma organização. Em geral, os responsáveis de comunicação têm a seu cargo as visitas. É sobre a sua competência que vai repousar o desenvolvimento das visitas. Outra entidade que o "Dircom" mostrará como determinante nos próximos anos para as visitas é o responsável pelo marketing. Num bom número de empresas, a visita vai provavelmente balançar entre o sector da comunicação e o serviço de marketing, na medida em que os estudos de mercado vão desenvolver-se, e as empresas se preocupam cada vez mais com o seu marketing relacional, para além do simples marketing transaccional. A competência destes quadros dos sectores da comunicação e do marketing difunde-se em geral de duas maneiras na empresa. Por um lado, a circulação das ideias ou a divulgação das práticas vai gerar competências novas; por outro lado, vai criar relações novas entre as competências preexistentes (3); a segunda variável susceptível de influenciar positivamente a empresa no sentido das visitas é a experiência que os assalariados adquiriram visitando outras empresas. O facto de se ter visitado várias empresas cria uma atitude em geral muito favorável à visita. O engenheiro que percorreu os diferentes ateliers ou oficinas de fabrico pode constatar melhor as relações que observou nas outras empresas e sentir, para além dos riscos de fugas de informação, o interesse em acolher os visitantes. Uma terceira variável poderá utilmente ser acrescentada: o mimetismo. Perante o aumento constante das visitas de empresas, pode-se imaginar de boa vontade que um reflexo de imitação difundir-se-á rapidamente. Em resumo, para além da motivação dos responsáveis de empresas em abrir as suas portas, é necessário ter em conta o funcionamento rotineiro da empresa. A evolução vai basear-se, por um lado, sobre os conhecimentos novos da empresa em matéria de visitas e por outro sobre a experiência que os trabalhadores adquiriram visitando outras empresas. Bibliographie (1) Vernette É.(1998), L’essentiel du marketing, Éditions d’Organisation, Paris. (2) de La Ville V.I. (1999), Les nouvelles dimensions du management. L’apprentissage organisationnel : perspectives théoriques in Management et organisations des entreprises. Cahiers français, la Documentation Française. pp.96-103. (3) Kœnig G. (1997) Apprentissage organisationnel dans Simon Y et Joffre P., Encyclopédie de gestion, 2e édition, Paris, Economica, pp. 174-177.. 31 32 Texto 7 O exemplo de um estudo sobre o impacto das visitas Para reforçar o conteúdo de uma formação de guias iniciada por um Conselho Regional francês e para melhor apreciar o impacto das visitas no comportamento dos consumidores, foi realizado um estudo de marketing com uma amostra de cerca de trinta visitantes que aceitaram responder a um questionário na sequência de uma visita de empresa e dois meses depois após a visita a outro. Este estudo foi prosseguido com o apoio de estagiários e alargado a várias empresas. Por agora, refere-se a uma sociedade, líder mundial em produtos de pequeno almoço. A amostra é constituída por pessoas idosas. As cinquenta perguntas feitas incidiram sobre dois aspectos da visita de empresa: - os aspectos emocionais ligados ao acolhimento, os valores que reflecte a empresa, a sua imagem, - os aspectos cognitivos ligados à compreensão das mensagens da empresa e a memorização dos propósitos do guia. O questionário foi sujeito durante o mês de Junho de 99 a 2 grupos de pessoas idosas. Os testes estatísticos tratados com o SPSS, dada a estreiteza da amostra, são nãoparamétricos: U de Mann - Withney, Rho de Spearman... Os primeiros resultados permitem estabelecer correlações entre as diferentes respostas. A visita desenvolve uma atitude positiva em relação aos produtos da empresa Para os diferentes grupos de perguntas incidindo sobre o acolhimento, os valores veiculados pela empresa, a sua imagem e a compreensão do seu funcionamento, foi verificada uma relação com as intenções de compras dos visitantes. Confirma-se a ideia que após terem sido tocados no plano emocional (aspecto afectivo) e depois de terem adquirido conhecimentos sobre a empresa (aspecto cognitivo), os visitantes dizem-se prontos para ir mais adiante comprando mais produtos "Bonmatin". Constata-se que eles desenvolvem uma atitude globalmente positiva em relação ao produto e a empresa. 33 Os visitantes querem comprar imediatamente Existe igualmente uma relação entre a apreciação existente sobre o acolhimento, os valores transmitidos pelos trabalhadores da empresa, a imagem gerada e a vontade de comprar no final da visita. Este elemento, se se confirma, é uma alavanca interessante que deve ser tida em conta por qualquer empresa. Os visitantes aparentemente quereriam comprar imediatamente no final da visita. Não se pode afirmar contudo quanto a compra se confirmará ou repetirá posteriormente. A visita: um acto socializado No segundo questionário aplicado por telefone dois meses após a visita, algumas pessoas idosas explicaram que teriam gostado de voltar com compras para os filhos e netos. Esta necessidade sentida de retornar com produtos "Bonmatin" representa o aspecto fortemente socializado da visita. Não se vai visitar uma empresa para si mas para poder falar seguidamente sobre essa visita, dar aos seus parentes uma recordação que é proveniente da visita e, em certa medida, contribuir para afirmar-se uma identidade social. Tanto o acolhimento, os valores sentidos e a imagem, têm uma influência sobre as intenções de compra, da mesma forma que a compreensão das mensagens e a memorização não parecem ter nenhum peso sobre o desejo de comprar exactamente no fim da visita e não têm também nenhuma relação com o desejo de dizer bem da empresa e não influenciam sobre as intenções de compra que persistem dois meses após. Só uma relação parece desenhar-se entre a compreensão das informações transmitidas e as intenções imediatas de compra. Se esta análise se confirma, é claro que a tónica poderá ser colocada mais sobre os aspectos afectivos de uma visita que sobre os aspectos cognitivos. O acolhimento influencia a prescrição das visitas O acolhimento na empresa parece ter um efeito primordial num ponto que envolve a decisão das pessoas idosas em aconselhar a mesma visita a outras pessoas. Nesta 34 lógica, esta relação transparece entre o acolhimento e o conselho dado em visitar enquanto que os valores dos trabalhadores ou a imagem da empresa não influenciam esta variável. Tudo se passa como se as pessoas idosas não tivessem em conta a imagem deixada pela empresa para aconselhar outros a visitar, mas, pelo contrário, retivessem apenas o aspecto do acolhimento. Não é finalmente o que se vê (a imagem da empresa) que conta para sugerir uma visita, mas sim a forma como nos falaram e como nós vamos falar (a atitude do guia). Uma influência incerta sobre as compras a médio prazo No entusiasmo da visita, as pessoas idosas exprimem facilmente a sua intenção de aumentarem as suas compras em produtos "Bonmatin". A realidade, uma vez esquecida a visita, é bastante diferente: nenhuma relação vem confirmar o aumento das compras em relação com a visita. Isto não quer dizer que a visita não tenha desencadeado novos comportamentos de compra. Dois elementos vêm matizar este resultado: - por um lado, dois meses após a visita, as pessoas idosas afirmam facilmente não terem terminado de consumir as compras feitas na sequência da visita; - por outro lado, as pessoas idosas formam geralmente uma família de duas pessoas no máximo e, no plano macroeconómico, está provado que a parte do rendimento consagrado à alimentação diminui; menos 7,4 % no grupo dos 70-74 anos, em relação à parte consagrada à alimentação pelas famílias da mesma coorte dos 40-44 anos, com rendimento e dimensão iguais. Observa-se o mesmo para as despesas de vestuário, equipamento para a habitação e transportes. Pelo contrário, para as pessoas idosas de uma mesma coorte, as despesas de lazer são maiores entre 60-64 anos e 70 -74 anos, representando no grupo 60-64 anos 118% que realizavam entre os 40 e os 44 anos. Dois meses após a visita, existe sempre uma relação entre, por um lado, o acolhimento, a imagem, os valores e, por outro lado, o crescimento das intenções de compra. 35 Tal pode tratar-se de uma atitude sincera, mas pode também ser uma vontade de fazer prazer ao investigador, uma resposta por cortesia. Os factos inicialmente referidos desmentem a relação entre intenções de compra e compras consecutivas à visita. É possível que, se a pergunta for feita de novo, observase um ligeiro aumento no consumo de produtos "Bonmatin". Observa-se igualmente uma relação entre o sentimento que as explicações fornecidas pelos guias eram claras com o sentimento de as terem compreendido. Os visitantes aqui esforçam-se por serem coerentes nas suas respostas. Contudo, nenhuma relação é observada entre estes sentimentos expressos e os conhecimentos adquiridos realmente. Assim o guia não pode confiar nas respostas dos visitantes quando faz a pergunta para saber se compreenderam tudo. É a ele que cabe procurar as indicações que lhe permitirão verificar que as informações fornecidas foram compreendidas. Os conhecimentos adquiridos também não têm relação com as outras variáveis acolhimento, valores, imagens – nem com as compras feitas após a visita ou a vontade de falar bem da empresa. Em contrapartida, existe toda uma relação entre os conhecimentos adquiridos e as intenções de compra. Entretanto uma relação estabelece-se entre a intenção de dizer imediatamente bem do "Bonmatin" no fim da visita e o conselho dado a seguir a outras pessoas para fazerem uma visita à mesma empresa. Cada visitante fala da sua visita em média a 9 pessoas Saber se os visitantes vão falar bem da empresa depois é um elemento não negligenciável. O boca a boca positivo na sequência da visita ao "Bonmatin" permitiu estabelecer que os visitantes falavam em média bem dessa visita a 9 pessoas das suas relações, um número que permanece por validar dado a pequenez da amostra. A relação entre a intenção de boca a boca e o boca a boca provado não está estabelecida, mas abre-se uma pista interessante que é fornecida na existência de uma relação entre a intenção de boca a boca e o conselho de fazer a visita. Uma divergência existe entre as respostas à pergunta "falou bem da visita a esta empresa" e "aconselhou a outras pessoas fazerem a visita" de Bonmatin ?" 36 Provavelmente aqui também, a pergunta " falou bem da visita a esta empresa " incita a respondente a mostrar prazer enquanto que a outra pergunta induz uma resposta mais objectiva. O impacto da visita directamente ligado à qualidade da preparação Este estudo também permitiu dar os primeiros sinais sobre o impacto das visitas de empresa. Existem relações entre as diferentes variáveis tais como o acolhimento, a imagem da empresa, os valores veiculados, as intenções de compra, o boca a boca, etc. Claramente, as visitas não deixam as pessoas indiferentes. Isso significa que uma empresa pode desenvolver utilmente estudos marketing sobre o assunto e descobrirá elementos extremamente consequências interessantes com, pelo menos, duas para: - a elaboração da estratégia marketing - a elaboração do conceito de visita. Isto conduz-nos directamente a afirmar que as visitas devem ser objecto de uma atenção específica na sua concepção, na sua implementação e nas mensagens que a empresa vai difundir. Verifica-se claramente que de uma visita para outra, os resultados em termos de impacto, podem ser completamente diferentes e o objecto da formação de guias está precisamente em dar o máximo de possibilidade às visitas para conhecerem um grande sucesso junto dos alvos da empresa. 37 38 Texto 8 Como integrar a visita e fazer penetrar a ideia na empresa Objectivos não faltam actualmente para reforçar a motivação dos dirigentes das empresas para abrirem as suas portas ao público, quer para desenvolver um novo instrumento de marketing, para melhorar a imagem da sociedade e para mobilizar o pessoal, por exemplo, sobre o tema do asseio,... As pistas de acção são numerosas. No entanto, uma preocupação de empresa deve imediatamente ter-se em conta: a visita para ser eficaz deve integrar-se perfeitamente na política de comunicação da empresa. A primeira etapa consiste, por conseguinte, em compreender como e com que instrumentos uma empresa pode comunicar. Partir da política de comunicação das empresas Um aspecto preliminar consiste em fazer o ponto de situação e medir as lacunas e as necessidades da empresa. Por exemplo, internamente uma empresa deve mobilizar as suas equipas para uma operação específica relacionada com a melhoria da qualidade. Assim, para reforçar o sentimento de pertença dos trabalhadores e a sua coesão, pode ser necessário desenvolver visitas na empresa para eles próprios e para as suas famílias. Os operadores que trabalham há mais de 15 anos no mesmo atelier podem ignorar completamente que a empresa investe também no atelier exactamente ao lado. Muitas empresas não fazem passar as mensagens adequadas e deixam desenvolver-se uma comunicação informal sem estar enquadrada devidamente, não fazendo emergir os traços positivos. Ainda que existam na empresa suportes escritos ou vídeos de informação, o interesse duma visita interna ou familiar não é menos importante. Os suportes de comunicação devem ser múltiplos de modo a que as várias mensagens passem de maneira óptima. Outro aspecto importante, é que a visita de empresa pode também ser a ocasião para combater certos rumores. Uma insuficiência em informação pode rapidamente transformar-se entre o pessoal em fonte de apreensão. Cria em todo caso aspectos 39 perigosos, tensões que os indivíduos têm tendência a colmatar naturalmente imaginando soluções complicadas perante a incerteza... soluções que ganham força e se transformam rapidamente em rumores. Uma visita para o pessoal, como também para o cliente, pode tranquilizar a todos. Por conseguinte, interessar-se saber a forma como uma empresa comunica - ou não comunica - vai trazer um conjunto de informações que serão depois úteis para propor uma estratégia de visita. A integração da visita num mix marketing O marketing é por definição a conquista de um mercado rentável para um produto ou um serviço desde a sua concepção à comercialização. A visita de empresa vai poder constituir um novo elo na estratégia de marketing. Esta diligência é sensivelmente diferente de uma política de comunicação e de imagem. Na comunicação, a empresa vai preocupar-se com sinais, com a imagem que transmite. Estamos no universo do simbólico. Em marketing, a empresa desenvolve técnicas concretas que permitem transformar um não cliente em cliente. Estamos no universo de realidade física de troca. Uma vez a estratégia de marketing de visita elaborada, a empresa poderá definir as grandes etapas da implementação de um marketing mix em redor da visita. - Qual o produto de visita a pôr em marcha? - Qual o preço a praticar eventualmente - a visita pode ser gratuita se a empresa considerar que se trata de um produto periférico e se a afinidade do público com a empresa não for muito forte - como assegurar a promoção, qual a logística a instaurar. Uma estratégia de marketing deve desencadear a jusante uma análise dos resultados. Actualmente poucas empresas são especializadas no domínio da análise da visita. Por isso basta fazer uma simples medida de satisfação, porque é necessário saber medir a evolução do comportamento do visitante em relação aos produtos da empresa. Fazer penetrar a ideia na empresa A visita de empresa está ligada a uma estratégia global. É a base de qualquer plano de marketing ou de comunicação. Isso significa criar objectivos comuns com os outros 40 sectores da empresa. Esta estratégia interna de alianças é essencial. Além disso, é necessário definir uma metodologia: saber onde se vai e se tem o tempo necessário para lá chegar. O primeiro ponto consiste geralmente em redigir um dossier de apresentação que compreenderá, em primeiro lugar, o conceito do produto de visita. Um meio eficaz para procurar e desenvolver ideias sobre as visitas é criar uma equipa transversal para definir o conceito e responder às diversas perguntas: - porque se fazem as visitas? - Qual a mensagem que se quer fazer passar? - a quem se pretende dirigir? - quais meios para pôr em prática? É igualmente judicioso para desenvolver as visitas que se crie ou associe um acontecimento. A visita de empresa poderá começar nessa ocasião. É necessário, por conseguinte, poder reflectir sobre o que poderá ser este acontecimento: uma nova construção, a instalação de novas máquinas, a constituição de uma nova equipa, um aniversário, os "100 anos", por exemplo. O segundo ponto consiste em lançar uma diligência de enquadramento: os quadros e os engenheiros devem poder apropriar-se da ideia de visita. Um dos meios a utilizar é facilitar junto do enquadramento as visitas fora da empresa. 41 42 Texto 9 Todas as empresas podem ser abertas ao público? A pertinência da abertura de uma empresa pode ser estudada de acordo com vários ângulos: uma consequência que as empresas temem muito frequentemente é a divulgação do seu "know how", ou por outras palavras, coloca-se com acuidade, para um bom número de empresas, o problema da espionagem industrial. Além disso certas empresas têm sérias dificuldades com a sua envolvente: podem ser mal entendidas ou mal amadas. Será que uma visita de empresa não vai aumentar as suas dificuldades? Terceiro tipo de problema encontrado: a empresa, no entender do líder, não apresenta interesse para o público. A empresa e a espionagem industrial Todas as empresas vivem dos seus conhecimentos, resultados das investigações, "know how" técnico, organizacional e relacional. Cada empresa pode medir facilmente os benefícios ou as economias que podem resultar de um melhor conhecimento dos concorrentes. Em contrapartida, uma desconfiança legítima pode instaurar-se nas empresas. É por conseguinte judicioso deixar visitar a sua empresa, o seu laboratório? A resposta é positiva com quatro condições: 1 - Em primeiro lugar, a empresa deve definir o núcleo duro que não é possível nunca mostrar: - pode tratar-se do modo de implantação das máquinas, assim como das combinações/composições ou das outras técnicas de fabrico, - pode tratar-se de dados, de números cruciais para a empresa. O volume de negócios não é um dado confidencial, mas a quantidade de matéria prima utilizada pode sê-lo. 2 - Definir um discurso a utilizar e permitir que fale apenas uma única pessoa. Numa visita apenas o guia responde às perguntas, 3 - Nunca falar dos produtos previstos para o futuro, 43 4 - Sobre assuntos em que se conhece mal o interesse estratégico, não dar demasiada informação; neste caso continua-se soberano do que se não disse. Por exemplo, a empresa acaba de descobrir uma técnica de fabrico. É necessário saber indicá-lo ao cliente certo mas não se deve estender demasiado a informação. O cliente pode tornarse num concorrente. A empresa deve também elaborar um método de protecção dos segredos. Este tema será abordado na preparação das visitas. A empresa perante as incompreensões A empresa pode julgar correcto continuar a ser discreta por diversas razões: pode ser responsável por casos de poluição ou utilizar processos de fabrico antiquados. Mas no caso de uma empresa que deteriora o ambiente, efectuar uma política de abertura continua a ser melhor do que escondê-la. É preciso saber dizer as coisas tal como elas são, não deixando dizer a outros no seu lugar e desenvolver um argumentário forte a partir das questões que são normalmente colocadas à empresa. No caso de uma empresa se apresentar suja ou antiquada, a imagem deixada através de uma visita pode revelar-se desvalorizadora, mas pode também sevir de ocasião para marcar uma ruptura ao mostrar-se tal qual como se é. A visita tem por objectivo fazer-se aceitar como se é. A indústria é uma actividade humana. As fábricas, por exemplo, que trabalham com minério, continuam a estar muito empoeiradas. É necessário então ter capacidade em explicar, valorizar os aspectos positivos, convencer e também criar motivos de orgulho para o pessoal que trabalha neste tipo de estabelecimento. É necessário também notar que o desenvolvimento de visitas nas empresas aparentemente sujas é a ocasião para mobilizar o pessoal para melhorar as condições de trabalho também por sua iniciativa. A empresa sem atractivos Em certas empresas, os seus líderes pode estar convencidos, por exemplo, que não há nada a ver ou mostrar. É o caso das empresas de serviços que se apresentam sob a forma de uma sequência de gabinetes mais ou menos agradáveis. Mas se não há nada para ver, os indivíduos podem sempre exprimir-se. 44 Os escritórios podem ser objecto de uma encenação ou de uma decoração adequada. Um trabalhador do sector comercial, os engenheiros, os consultores podem ser apresentados ou o seu trabalho pode ser mostrado através de um painel preparado para as visitas ou por uma sinalética que vai permitir alimentar um discurso. E se verdadeiramente a empresa não pode mostrar nada, permanece sempre a possibilidade de receber agradavelmente os clientes... numa empresa que se visita. Quais os critérios para recrutar guias de empresa? As visitas de empresas, industriais ou não, inscrevem-se plenamente no âmbito de uma actividade dos serviços e requerem as mesmas qualidades que as oferecida aos clientes. Os guias deverão ser formados em escolas adequadas (de relações públicas), devendo os candidatos apresentar um perfil específico de acolhimento polivalente e orientado no sentido de saber gerir acontecimentos inesperados. Devem ser preparados para saber fazer também o acolhimento em feiras, recepções ou inaugurações... Quer estes guias tenham origem na empresa ou contratados para o efeito, têm de base uma formação geralmente muito diferente da necessária para o efeito. Certamente o empregador ou o responsável dos recursos humanos mostra através da pessoa escolhida as qualidades de abertura ou uma competência dirigida que é possível fazer ressaltar junto do público acolhido. Para ir mais adiante, parece interessante definir precisamente um perfil tipo que o guia de empresa deve ter para que convenha ao conjunto das empresas. A vantagem desta preocupação é dupla: - por um lado, é necessário criar um verdadeiro perfil profissional para evitar o que é sentido cada vez mais nas empresas como uma dissolução da identidade profissional. À força de tornar polivalentes e flexíveis os trabalhadores, as missões de empresas tornam-se mais dissimuladas e mais mortiças ao ponto de levar o trabalhador a não saber concretamente o que faz na sua empresa, - por outro lado, é necessário poder identificar os elementos de sucesso para permitir a um trabalhador ou a um interveniente externo deixar desabrochar a sua personalidade melhorando o seu desempenho no trabalho de guia. 45 A nossa estratégia inspira-se na elaboração de uma escala multi-items de medidas das percepções da qualidade pelos consumidores. Este instrumento designado SERVQUAL permite avaliar as percepções face à qualidade dos serviços oferecidos. Globalmente, qualquer que seja o tipo de serviço, sabe-se hoje que os consumidores utilizam os mesmos critérios gerais para formular um juízo de avaliação da qualidade de serviço (1). Diversos trabalhos de investigação permitiram definir dez dimensões da qualidade de serviço baseado nos seguintes tópicos: • fiabilidade, • qualidade do serviço, • comunicação, • credibilidade, • segurança, • competência, • cortesia, • compreensão/conhecimento do consumidor, • acessibilidade, Elementos tangíveis. A partir destes elementos, os trabalhos de marketing podem medir de forma muito coerente o desvio entre as expectativas da empresas e as percepções dos consumidores. Fazendo evidenciar os critérios principais, chega-se a uma análise em cinco dimensões, utilizada hoje correntemente. É esta análise que vai permitir-nos evidenciar os critérios essenciais do perfil profissional de um guia Cinco critérios de comportamento O guia deve apresentar as seguintes qualidades. 1 - No que respeita aos "elementos tangíveis" a aparência do guia é importante. O guia deve deixar boa impressão, gostar de apresentar-se em público, ter certa segurança e confiança em si. 46 2 - Fiabilidade: o guia deve ser capaz de realizar o serviço prometido com toda a confiança e de maneira precisa. Para tal necessita das qualidades de rigor, honestidade e de perseverança. 3 – Qualidade de serviço: o guia deve manifestar sempre boa vontade para preencher as expectativas dos visitantes e saber reagir de maneira rápida. As qualidades requeridas para satisfazer este critério são a abertura de espírito, a reactividade, a flexibilidade e a adaptabilidade. 4 - Segurança: o guia deve demonstrar competência e cortesia para inspirar confiança. 5 - Empatia: o guia deve ter em consideração as expectativas dos visitantes, deve ser capaz de ter uma atenção individualizada, ou seja, deve saber colocar-se em causa, questionar-se, pôr-se no lugar dos outros. Estes cinco critérios comportamentais são necessários para satisfazer o visitante. Não são suficientes em si mesmo para fazer um bom guia uma vez que deverá adquirir também uma formação técnica. Mas a percepção da qualidade de uma visita assenta essencialmente na reacção emocional do visitante. Os primeiros elementos de análise das visitas à empresa Chicorée Leroux confirmaramno: a relação entre o acolhimento e as intenções de compra é mais forte que a relação entre a compreensão dos propósitos do guia e as intenções de compra. É necessário contudo evitar conclusões precipitadas. Estas cinco dimensões essenciais da personalidade do guia não são necessariamente suficientes. Será necessário procurar no futuro se as diferenças entre serviço aos clientes e serviço de visitas são perceptíveis. Por exemplo, será que um especialista muito competente numa questão técnica passará melhor junto de um tipo específico de público que um guia não especialista? Esta pergunta, que incide sobre os conhecimentos do guia, é ainda mais pertinente. Bibliographie (1) (Parasuraman, Zeithaml et Berry, 1985) 47 48 Texto 10 Como conceber as visitas? A organização e a implementação das visitas apoiam-se sobre um conjunto de instrumentos de comunicação. Três etapas - conceber, prever e receber - devem ser respeitadas. A primeira etapa – conceber – é desenvolvida neste capítulo, devendo ser consagrada à concepção das visitas, para que respondam aos objectivos fixados. A segunda etapa - prever - consiste em concretizar todos os instrumentos e antecipar todas as diligências necessárias. Por último, a gestão da visita propriamente dita - receber – que constitui a terceira etapa. Os objectivos A implementação de visitas de empresa corresponde à utilização de um novo instrumento de comunicação. Como todos os instrumentos de comunicação, a visita deverá integrar-se numa estratégia global. Importa, por conseguinte, definir efectivamente o retorno esperado da visita. É relativamente fácil definir um quadro geral no qual as visitas poderão inserir-se. Mas uma primeira abordagem pode não ser suficiente para as empresas: "melhor comunicar com a envolvente" ou "vender mais" não constituem objectivos precisos e podem levar a falsas “boas ideias”. As jornadas “portas abertas” podem a esse respeito ser a pior e a melhor das ideias, de acordo com a forma como forem concebidas. A análise não é tão simples como parece. Atrair 5.000 visitantes num domingo para obriga que as pessoas estejam numa fila de espera uma hora ou deixar os visitantes deambular num percurso balizado sem quaisquer explicações, pode ter consequências indesejáveis. O simples objectivo - 5.000 visitantes num dia - é a priori lisongeante para o organizador. Mas a apreciação dos visitantes é mais difícil de avaliar e ainda mais a atitude ou o comportamento que a visita vai desencadear e que merece reflexão. Os resultados podem ser muito diversos: 49 - O visitante ficou satisfeito porque havia muita gente... ele compartilha o sentimento de sucesso. - O visitante ficou satisfeito porque o acolhimento foi caloroso. - O visitante ficou insatisfeito porque havia demasiada gente e era necessário estar fila algum tempo. - O visitante ficou insatisfeito porque ninguém conseguia ouvir as explicações. Para mais a satisfação do visitante não é o único critério de sucesso. Pode-se ficar descontente da visita mas tornar-se comprador ou mesmo aconselhador do produto da empresa visitada. O visitante pode ter ficado encantado com a sua visita e com mais confiança na marca da empresa. Como se referenciar para organizar as visitas? Inicialmente, a empresa deve fixar um objectivo central bem concreto: - desenvolver a sua loja de fábrica, - atrair candidaturas para novos trabalhadores, - tranquilizar os clientes... etc. Em segundo lugar, é judicioso tentar referenciar o máximo de efeitos secundários esperados para a empresa. Para uma empresa, por exemplo, se as visitas são concebidas para atrair engenheiros informáticos também é possível graças a estas visitas desenvolver a comercialização de computadores... Por conseguinte, o método proposto assenta sobre dois eixos de pesquisa. Objectivos e efeitos esperados Claude Lévi-Strauss (1) fez uma boa abordagem do que pode distinguir os objectivos dos efeitos pela oposição que propõe entre o engenheiro e o homem do desenrasca. O engenheiro parte de um projecto e procura criar os instrumentos que lhe permitem realizar esse mesmo projecto. O homem do desenrasca encontra dois pedaços de madeiras e interroga-se sobre o projecto que ele poderá elaborar a partir da utilização destes dois pedaços. 50 Na empresa, é necessário saber permanecer homem do desenrasca para tirar o máximo de benefícios das visitas. Incentivar uma reflexão sobre o marketing relacional Outra via de abordagem: levar a empresa a fazer uma reflexão clara sobre o marketing relacional. Numerosos artigos recentes de investigação estão disponíveis sobre este tema. O marketing relacional faz parte hoje dos conhecimentos indispensáveis a difundir na empresa para veicular novas abordagens em relação a todos os sectores da empresa. O interesse não é tanto fixar objectivos para as visitas mas atribuir claramente um lugar central à visita de empresa e fazer reconhecer esse interesse ao respectivo pessoal de enquadramento, e depois pelo conjunto do pessoal da empresa. As ideias novas - caso o marketing relacional seja considerada coisa nova - apresentam o interesse de levar uma empresa à reflexão, a pôr em causa as ideias feitas ou a reforçar as convicções, em todo caso, a ir mais adiante. A visita de empresa sob o ângulo do marketing relacional deve gerar duas consequências simultâneas para o visitante: - um crescimento da confiança, - uma forma de compromisso do visitante. A aposta na confiança compreende-se facilmente. Ainda é necessário gerar os instrumentos que vão permitir durante uma visita reforçar essa confiança do visitante. A noção de compromisso é também fácil de compreender mas necessita de uma atenção particular. Com efeito, não se pode conseguir no âmbito de uma visita mais do que o início de um compromisso. O visitante participa numa prova de um produto, por exemplo, dá assim um primeiro passo em direcção à empresa. Pode-se aqui referir a obra de Joule e de Beauvois "Petit traité de manipulation à l’usage des honnêtes gens" na qual é explicada claramente a técnica do engodo. Para ilustrar de forma simples o nosso propósito, os vendedores através de correio de resposta paga recorrem diariamente ao engodo dos seus clientes através dos jogos com prémios: responder a um questionário e em que o acto de reenviar pelo correio a resposta é uma primeira declaração de interesse por um cliente. 51 A visita da empresa é já naturalmente o início de um compromisso. O visitante dedica um certo tempo a uma empresa que então pode interrogar-se para saber qual a sequência a dar a este início de compromisso. Concretamente, a empresa procurará todos os elementos que respondem a esta dupla pesquisa para conduzir às análises cruzadas que se podem resumir a este esquema: Objectivos das visitas - efeitos das visitas Compromissos possíveis são elementos para captar a confiança do visitante. Mais concretamente o conceptor ou criador das visitas vai esmerar-se para elaborar um esquema para cada tipo de alvo e de objectivo. Exemplo no caso de uma empresa de automóveis: Objectivo de transparência: reforçar a ideia de que a empresa não polui ou que fez importantes esforços para a recuperação dos seus desperdícios. Alvo: os eleitos ou as associações de consumidores Efeitos secundários: os eleitos e os militantes associativos que são também automobilistas Compromisso: disponibilidade por oito dias para experimentar um veículo da empresa Aposta em confiança: a empresa coloca a tónica sobre um discurso de criação de empregos. Cria relações com os eleitos ou com os responsáveis das associações. Definir as mensagens A partir da concepção da visita, a empresa é conduzida a definir as mensagens que deseja fazer passar para exterior, nomeadamente para os clientes, para a envolvente, para os bancos, para os accionistas mas também internamente. Um bom número de empresas domina hoje facilmente as mensagens que define para o âmbito da sua política geral de comunicação. As mensagens da empresa definem-se pelos elementos de informação que a mesma vai valorizar com o objectivo de defender as suas posições no mercado. Orientar o público 52 Na concepção do projecto de visita, a empresa deve também poder optar quanto ao tipo de público que vai acolher. Nas grandes linhas, os públicos são fáceis de diferenciar. Entrando no detalhe, é, às vezes, mais difícil delimitar esses públicos. Eis alguns tipos de públicos, sabendo que a visita de empresa dirige-se a diferentes categorias de visitantes. Três grandes categorias de visitantes podem ser identificadas (1): - os públicos internos que compreendem ao mesmo tempo o pessoal e as famílias. A empresa organiza geralmente para este alvo jornadas de portas abertas; - os públicos externos. Tratam-se de pessoas completamente estranhas à empresa turistas de passagem, alunos, pessoas idosas, associações... - o público que faz directamente negócio com a empresa: o cliente final ou o comprador intermédio, o fornecedor e também os accionistas que financiam a empresa. No total estes visitantes são numerosos dado que uma sondagem CSA sublinha que um francês em seis visitou uma empresa em 1997. Geralmente, a empresa que começa a abrir as suas portas e a oferecer visitas começa pelos públicos internos. Acontece frequentemente que nas grandes unidades, os trabalhadores têm dificuldades em ter uma visão global da produção e das diferentes funções da empresa. Este conhecimento global permite ao pessoal melhor se situar na empresa, por conseguinte, melhor integrar-se. Além disso, aquando das contratações novas de pessoal frequentemente está prevista uma visita da empresa para compreender os seus principais mecanismos. Esta visita facilita igualmente a adesão do pessoal à missão da empresa. Surgem igualmente visitas para candidatos que pretendem trabalhar numa empresa. Os gabinetes de recrutamento propõem a visita no momento da oferta de emprego. Os públicos externos: alvos muito variados A empresa em geral é solicitada por uma variedade de públicos externos. Actualmente, assiste-se a uma melhor selecção desses públicos visitantes e à definição mais perfeita das estratégias de comunicação. Assim, Sevelnord, unidade de montagem automóvel PSA-Fiat-Lancia tem o alvo nas crianças das escolas primárias para criar uma primeira impressão da actividade industrial nos muito jovens. Esta estratégia segue o modelo ainda hoje em vigor na Toyota. 53 Os Correios de França, em contrapartida, evitam cobrir todos os públicos, e nomeadamente os públicos jovens, que não têm uma relação directa com a actividade comercial da empresa. Os Correios têm a intenção de receber apenas os clientes mais importantes propondo-lhes visitas personalizadas. De acordo com a actividade da empresa, com a sua localização geográfica, podem ser criadas numerosas sub-categorias de públicos alvo: - turistas para os artesãos do sector agro-alimentar, por exemplo: artesãos fabricantes de queijo, viticultores, etc.. - meio escolar: crianças, alunos do ensino obrigatório, estudantes, professores: estas visitas são efectuadas geralmente num raio geográfico restrito. Permitem reinvestir nos conhecimentos adquiridos; - a terceira idade é igualmente um público privilegiado. Com a facilidade de acessos interessa às empresas por ser um bom meio para difundir mensagens através de diferentes públicos. Os públicos com negócios com a empresa Esta categoria de visitantes que é em geral determinante para o funcionamento da empresa vai obrigar a um esforço obriga a uma maior dispêndio de tempo para atingir eficazmente este alvo. Trata-se dos fornecedores, dos prestadores de serviços, dos clientes importantes, dos aconselhadores ou peritos e também dos accionistas. Representam o desafio essencial para a empresa. Diferentes objectivos podem ser prosseguidos por estes visitantes ou pela empresa: melhor conhecerem as expectativas da empresa, melhor delimitarem a sua cultura ou, no caso da empresa, mostrar uma grande transparência, valorizar uma tecnologia, uma organização. Nesta categoria, pode ser acrescentado igualmente o alvo dos eleitos e das administrações locais, bem como os meios de comunicação social. Bibliographie (1) Lévi-Strauss C., Race et Histoire (2) Boyer H., Ducrocq F., Hameau D, Tourisme de Découverte économique, Coll. Thématour, Asemblée Française des Chambres de Commerce et d’Industrie, Paris (3) EDF-CSA sondage, 1998, Les Français et le tourisme industriel et technique, échantillon national de 1 000 personnes âgées de 18 ans et plus, méthode des quotas. 54 Texto 11 Se ocorrer um acidente entre os visitantes? Não é possível organizar visitas de empresa ou jornadas de portas abertas sem assegurar o respeito das leis e dos regulamentos que regulam estas iniciativas. O vazio jurídico sobre muitos destes assuntos é patente e a jurisprudência, é quase inexistente. No entanto, os acidentes ocorrem às vezes e se nenhum drama veio até agora perturbar os espíritos, mesmo assim é indispensável que o responsável da empresa se rodeie do máximo de precaução. Como fazer? Como estar certo de não se esquecer de nada? Como um tribunal reagiria se um acidente ocorresse no recinto da empresa? São algumas destas questões que convém colocar ao responsável de segurança da fábrica, bem como aos Bombeiros, ou à Policia e, eventualmente, à Cruz Vermelha. Um visitante aleija-se, quem é o responsável? Um capitel instalado numa fábrica desmorona, quem deve assumir a responsabilidade? Um estrado durante uma festa de empresa desarticula-se, quem é posto em causa? ... Se bem que os incidentes sejam raros e nunca foram objecto de nenhum recenseamento em França, no entanto ocorrem. Conhece-se hoje a tendência que existe nos tribunais de responsabilizar os dirigentes das empresa e desde as primeiras leis do final do século XIX – a lei de 1893 relativa a higiene e a segurança dos trabalhadores, o decreto de 1894 sobre as normas das instalações industriais, a lei de 1898 sobre a responsabilidade dos acidentes do trabalho - muitas evoluções concretizaram os direitos e deveres do responsável da empresa. O código do trabalho é uma primeira fonte de informação. Será completada pelas disposições relativas aos estabelecimentos públicos (teatros, cinemas...) que estão abertos à população em geral. Quem é responsável? Normalmente as empresas não estão preparadas para receber o público. Também não há nenhuma dúvida que o dirigente da empresa acolhe os visitantes sob a sua responsabilidade. É a ele que se impõe tomar as disposições necessárias para acolher o público. 55 Mas surge imediatamente a pergunta de saber o que é necessário fazer para cumprir as regras. É difícil imaginar que a empresa invista, por exemplo, em portas corta-fogo previstas para suportar três horas o risco, uma regra que é aplicável também aos lugares destinados exclusivamente para receber o público. Também não está previsto que as comissões de segurança - requeridas unicamente para os estabelecimentos que recebem o público - sejam consultadas oficialmente nestes casos. No máximo o responsável dos bombeiros da região poderá dar um parecer oficioso. O responsável da empresa contudo não pode esperar nenhuma protecção ou segurança deste lado no caso de uma ocorrência. Do mesmo modo o código do trabalho é aplicável ao pessoal que trabalha na empresa e não aos visitantes. É por conseguinte igualmente impossível premunir-se de qualquer risco que atinja os visitantes. Além disso como já temos evocado, a jurisprudência não responde cabalmente a estes casos. O responsável da empresa deve, por conseguinte, ter uma ideia daquilo que nunca estará totalmente dentro das regras, nem fora das regras. Qual a atitude adoptar consequentemente? Essencialmente uma atitude pragmática e de bom senso. No caso de acidente, será necessário poder provar no tribunal que o máximo de precauções foi tomada: - que existem indicações, circuitos balizados e que não se deixa o público passear-se em qualquer lugar na fábrica, que existe iluminação reforçada... - na prevenção: que existem desobstruções suficientes, meios de socorro e de libertação do fumo... instalados previamente - que dispõe de uma informação para o público feita sistematicamente sobre as instruções a respeitar, da mesma forma como as hospedeiras do ar explicam o cumprimento de todas as normas de segurança antes de cada voo, bem como o comportamento a ter em caso de problema. O Código do Trabalho e as visitas de empresas O código do trabalho em França é aplicável às pessoas que se considera que conhecem a empresa onde trabalham. Não é o caso dos visitantes. No entanto, certos número de artigos podem servir de referência. Podemos ter em conta os artigos seguintes: 56 - decreto n° 92.332 de 31 de Março de 92, relativo às disposições relativas à segurança e à saúde que devem ser observadas pelos donos da obra aquando da construção dos locais de trabalho ou aquando da sua modificação, extensão ou transformação; - decreto n° 92.333 de 31 de Março de 1992, relativo às disposições relativas à segurança e a saúde que devem ser observados pelos responsáveis das empresas. - deliberação de 5 de Agosto de 1992 tomada para a aplicação dos artigos R 235- 4.8 e R 235 - 4.15 do Código do Trabalho que fixam as disposições para a prevenção dos incêndios e libertação de fumos em certos locais de trabalho. - decreto n° 88.1056 de 4 de Novembro de 1988 relativo à protecção dos trabalhadores nos estabelecimentos que trabalham com correntes eléctricas. - deliberação de 10 de Novembro de 1976 alterado, relativo aos circuitos e instalações de segurança . 57 58 Texto 12 Como prevenir o risco de espionagem industrial? Os riscos de espionagem não devem preocupar demasiadamente as empresas, uma vez que poderão abrir-se mais facilmente, desde que tenham tomado certas disposições. Resumimos as principais medidas a tomar em 10 princípios: 1 – Justifica-se identificar sempre as pessoas que querem visitar a empresa: quem visita? Que representam estas pessoas? 2 – É necessário poder distinguir quem pertence à empresa e quem é externo: os trabalhadores da empresa devem ter um emblema ou badge visível durante as visitas e os visitantes também uma especial. 3 - Nas delegações, a lista de visitantes deve ser conhecida de antemão. Nunca se devem aceitar mudanças de último minuto. Se os nomes dos visitantes não correspondem, é melhor recusar o visitante. Isto é verdadeiro para as visitas mais específicas. 4 - O circuito, tal como foi definido, deve continuar imutável e calibrado no tempo. Nunca se deve afastar o grupo da passagem balizada. Só o empresário pode aceitar tal desvio. Para não frustrar o visitante, é necessário evitar dar entender que não se pode visitar tal ou tal ponto específico. 5 - Evitar os grupos demasiado grandes: a boa norma é ter grupos de 8 para 10 pessoas por acompanhador, independentemente do público tipo, incluindo as pessoas idosas, para que se possa dominar humanamente o grupo que se tem a cargo. Este número frequentemente é difícil de respeitar e a tendência que se verifica é acolher o equivalente a um autocarro completo. 6 - A visita destes grupos deve ser escalonada. O guia deve respeitar os horários de modo a que se saiba permanentemente onde cada grupo se encontra. Os guias devem ter um meio para comunicar sem abandonar o grupo. É necessário que a visita decorra de modo a que o guia não tenha de se afastar para telefonar mais de 3 ou 4 metros. 7 - As perguntas devem ser enquadradas. O visitante pode fazer uma pergunta a um trabalhador mas é sempre o guia que responde. O trabalhador terá sempre tendência 59 para responder para além da pergunta, porque é alguém que se interessa pelo seu trabalho, enquanto que o guia responde unicamente à pergunta. 8 - Evitar os roubos. Tudo pode ser roubado nas empresas. 9 – Concretizar formalmente o final da visita. A visita termina quando se assegura que todos os visitantes saíram. 10 - Nas empresas particularmente sensíveis: - Não hesitar em apagar os ecrãs quando as pessoas passam. Os computadores emitem uma radiação, funcionam como um emissor. Pode-se identificar por de trás de uma vidraça as informações que aparecem sobre os ecrãs. - De maneira geral, não é convém dispor os computadores demasiadamente perto das janelas ou voltados para as janelas. - Nos centros de pesquisa ou de investigação, não ter afixados os nomes sobre as portas. 60 Texto 13 Como construir o itinerário de visita? Como colocar a sinalética? Realizar um circuito de visita engloba uma diligência prática - ir ao terreno - mas também estratégica - efectivamente saber o que se quer mostrar. O método para criar ou melhorar um circuito de visitas pode inspirar-se utilizando a técnica seguinte: 1 - Conhecer a estratégia global da empresa - objectivos - alvos - mensagens. Quando a estratégia evolui, quando os alvos evoluem, é necessário saber recolocar as perguntas certas da estratégia global. Um alvo que se altera são também os objectivos e as mensagens que evoluem. O circuito de visita não é imutável. A visita pode contar com itinerários diferentes em função dos visitantes mas também da estratégia que se pretende alcançar. 2 - Efectuar o reconhecimento no terreno O melhor meio para preparar um circuito - ou transformá-lo - é percorrer os ateliers e os escritórios partindo à "descoberta" da sua empresa, tentando ter um olhar novo sobre tudo. Duas preocupações devem estar presentes no espírito ao efectuar-se esta pré-visita: É necessário localizar os elementos evocadores, carregados de emoção. - Certas máquinas, em função da sua forma, do seu design, da sua implantação, podem criar uma impressão muito diferente - Certos ateliers em função da cor das paredes, das suas formas, da sua iluminação podem despertar impressões ou sensações diversas. - É necessário localizar os elementos portadores de explicações, ou seja, os instrumentos, os equipamentos que servirão de apoio às explicações técnicas mas também, e sobretudo, serão vectores das mensagens da empresa. 61 Com efeito, trata-se de retomar os elementos já estudados: racionais e emocionais. Um não pode ir um sem o outro. Na prática, é necessário depois poder retomar os elementos geográficos da visita nesta ordem: - a entrada, - o lugar de acolhimento, - as vias de circulação, - as diferentes zonas, (9) - os nós de comunicação. 1 - A entrada 1.a - Escolha da entrada - em função do circuito - em função dos acessos rodoviários 1 b - O estacionamento - na cidade - numa zona industrial 1 c - A abertura - portas e grelhas - códigos de acesso, chaves 2 – O local de acolhimento - a grelha de entrada - o local de registo - os pontos de afixação da informação e de primeiro contacto - o local de apresentação - a sala de projecção - os lavabos 3 - As vias de circulação 62 - a amplitude - a clareza - os cruzamentos com o pessoal ou os veículos da empresa - a possibilidade de balizagem 4 - O estudo das zonas - agrupar por função da empresa - a travessia de um atelier: legibilidade - os pontos de explicação - os pontos de vista - a redundância - o tempo de travessia - a quantidade de informação fornecida 5 - os nós - localizar as zonas de confluência e de agrupamento - localizar os cruzamentos importantes de fluxos humanos - localizar os espaços que atraem e retêm - os pontos de ancoragem possível para uma distribuição documentos - o volume disponível para receber um grupo 3 - construir um discurso a partir de objectos e de sinais Ao criar um circuito de visita, não se deve perder de vista que o circuito é sobretudo uma construção. Um exemplo interessante é-nos fornecido pela empresa Doublet Festitube. A visita a este estabelecimento industrial é marcada nomeadamente pela exibição de uma mesa em redor da qual se reúnem cada dia o responsável da empresa e alguns quadros. Esta mesa não apresenta nenhuma originalidade. No entanto, através do discurso do guia, o visitante participa na vida da empresa. Tratase de um lugar ligeiramente mítico - um mito largamente criado pelo guia - onde se 63 mostra que o director de empresa abre ali cada manhã todo o correio com os seus colaboradores directos para analisar os pagamentos dos clientes, ler eventualmente as cartas com reclamações, etc. Resumidamente através da apresentação desta mesa e das cadeiras que estão ao redor, o guia descreve a forma como a empresa recebe a informação vinda do exterior. Esta apresentação é feita pelo guia com vivacidade ao visitante mostrando que não é necessário ter à sua disposição máquinas extraordinárias para despertar a curiosidade e que, por outro lado, é interessante fazer participar o visitante naquilo que Umberto ECO chama a "cooperação interpretativa", uma comunicação implícita entre narrador e o seu público. O guia, tal como um autor de novela, não diz muito ao visitante mas deixa-o imaginar. A sinalética Uma empresa é um espaço organizado, ou seja, um território que constitui um quadro social de actividade. São os usos de um espaço que criam um território. As características físicas de um atelier e as suas características sociais estão estreitamente ligadas. Pode-se caracterizar um território de acordo com diferentes critérios. Assim, pode-se encará-lo de acordo com o controlo que existe sobre ele, de acordo com a sua duração da ocupação, com a importância que se atribui a este território, etc.. Muitos sociólogos (1) estudaram a maneira de identificar um território. - O território primário: pertence a um indivíduo ou a um grupo e é utilizado de forma durável e frequentemente de maneira exclusiva. Há um controlo essencial e os utilizadores organizam-no em função das suas preferências. São eles quem define as regras de acesso a este território, possuindo, por exemplo, as chaves de acesso para abrir ou fechar as portas. Uma casa, um apartamento, um quarto, um escritório são exemplos deste território primário. - o território secundário: designa os lugares que podem ser utilizados regularmente por um indivíduo. O seu controlo não é contudo exclusivo. Não é nem um lugar inteiramente privado, nem um lugar inteiramente público. Este tipo de território favorece o agrupamento de pessoas que têm características comuns: os clubes de lazer, os cafés mas também as empresas. Os territórios secundários constituem lugares sociais que 64 geram agrupamentos de certas categorias de pessoas para uma duração e um uso delimitados, seguindo certos códigos e rituais específicos. - o território público: é um espaço aberto habitualmente e acessível a todos. A ocupação deste espaço é frequentemente temporária e apresenta igualmente regras de utilização. Podem-se classificar neste grupo os jardins públicos, as praias, as cabinas telefónicas... Esta divisão em três tipos de territórios não tem nada de rígido, tendo por objectivo mostrar unicamente a forma como as associações humanas ocupam e organizam o espaço, geram interacções dos modos de comportamento entre indivíduos. Cada território pode, por conseguinte, ser analisado de acordo com o seu tipo de organização. Podem distinguir-se (2) três tipos de organização de um território: - a organização fixa: trata dos elementos do espaço definidos por delimitações rígidas. É o caso dos alojamentos que reflectem o modo de organização de uma família. De acordo com o modo de organização, vão desenvolver-se tipos de comportamento adaptados ao lugar. - a organização semi-fixa. Designa os arranjos específicos que vão dar um estilo de ordenamento interno mas também criar interacções sociais. O mobiliário pode obedecer a critérios estéticos mas pode não facilitar a interacção social. Os chineses têm desenvolvido desde há muito tempo a noção de ordenamento de espaço através do Feng Shui. Dois tipos de ordenamento foram estudados: os espaços “sócio-fugas” que provocam a isolamento e os espaços “sociopètes” que facilitam as trocas entre as pessoas (3). Os espaços sócio-fugas não devem necessariamente ser percebidos de maneira negativa: o funcionamento de uma biblioteca, por exemplo, deverá favorecer a isolamento. - a organização informal. Designa, segundo Hall, as maneiras como se desenrolam as interacções sociais de acordo com o tipo de distância utilizada pelos interlocutores. A ocupação de um território manifesta-se com a ajuda de indicadores: são os indicadores de limites que constituem as mensagens sobre a utilização de um lugar e a sua organização. São estes indicadores que constituem a sinalética. Num lugar público, por exemplo, a ocupação de um lugar vai fazer-se por indicadores como objectos pessoais (um guardanapo colocado sobre um lugar). Numa casa os indicadores podem ser uma sebe, letreiros que assinalam um cão perigoso etc.. 65 Os indicadores não são apenas os sinais de delimitação do espaço, permitem igualmente compreender como um indivíduo ocupa um território. A sinalética é, por conseguinte, muito mais que um conjunto de palavras juntas nos letreiros. Cada elemento de sinalética transporta em si uma mensagem. A sinalética vai ser utilizada para distinguir determinados territórios na empresa. Concretamente esta diligência pode efectuar-se a partir da determinação dos 5 elementos geográficos supracitados: - a entrada, - o lugar de acolhimento, - as vias de circulação, - as diferentes zonas, - os nós de comunicação. Há sociedades especializadas em sinalética que propõem actualmente os seus serviços, criando tanto os princípios da arquitectura de interior, do grafismo, da comunicação. Para além da identificação dos territórios, os princípios que guiam a elaboração de uma boa sinalética são a clareza e a visibilidade. Bibliografia: (1) Altman (1975) (2) Salão (1973) (3) Osmond, 1959 66 Texto 14 Como melhor receber os seus visitantes? O acolhimento Os primeiros passos do visitante na empresa vão influenciar a sua atitude para o resto da visita. Também é essencial ocupar-se dos primeiros minutos da visita: não há duas oportunidades para dar uma primeira boa impressão. Um cuidado particular deve ser tido em conta no acolhimento porque, como vimos num precedente capítulo, o acolhimento exerce uma influência essencial nas intenções ulteriores de compras dos visitantes. Entre as regras básicas a respeitar está uma que refere que num acolhimento de um grupo, é indispensável que: 1 - o guia se apresente e apresente claramente os outros interlocutores dos visitantes. 2 - a apresentação da empresa deve ser curta. Não se podem enfadar os visitantes logo à chegada. 3 - as regras de segurança devem ser referidas no final do período acolhimento, exactamente antes do início da visita. A condução dos grupos Conduzir um grupo consiste em ajudar o grupo a atingir os seus objectivos. O guia adopta uma posição específica no grupo, uma posição de "líder" que vai favorecer a sua progressão. Ele vai gerir o grupo diferentemente em função das circunstâncias e das etapas de visita - mais ou menos curta - do seu grupo. O impacto de um grupo O grupo não funciona como um indivíduo. O grupo é - produtor de intercâmbios e de ideias, - indutor de mudanças, - integrador de novas normas, - regulador das relações afectivas. 67 Mas existem também efeitos negativos: - o grupo é inventor de ilusões, - catalisador de conflitos destrutivos, - produtor de decisões imprevisíveis (moderadas ou extremas). Pelo seu lado, o guia que assume o papel de líder deve apresentar duas características. Tem o poder de influenciar e controlar os acontecimentos. Dispõe de uma posição específica no grupo. Para melhor compreender a sua função, é possível referir-se à distinção entre o gestor de um grupo e o seu líder. O gestor dispõe de um poder externo ao grupo que dirige (é um chefe de equipa, um quadro, um chefe de empresa...). Um líder dispõe de um poder conferido pelos membros do grupo. O gestor dirige cada indivíduo do grupo, mas não conduz o grupo. Ele não está numa posição que lhe permita utilizar o grupo como instrumento de decisão. Com efeito, mais o papel é institucionalizado e formalizado, menos é susceptível de preencher as funções de liderança. A personalidade do líder assenta em quatro factores preponderantes: - a consideração dos membros. É fundada na capacidade do líder em desenvolver relações interpessoais calorosas com os membros, em ouvi-los e em permitir-lhes participar nas decisões; - a tomada de iniciativas estruturantes: tratam-se de iniciativas relativas à gestão das relações entre os membros do grupo e à definição dos procedimentos de trabalho ou da visita; - a activação da produção. O líder fundamenta e estimula o trabalho; - a sensibilidade interpessoal. O líder é antes de tudo tolerante e sensível aos conflitos que tende a neutralizar. Além disso, uma característica específica do líder é a adaptação: ele deve alterar o comportamento em função das situações. 68 As técnicas de guia A condução de grupos é uma actividade de controlo de processos. Trata-se de ajudar o grupo a realizar a sua tarefa - visitar e a progredir – ou seja, no caso presente, alterar a percepção de uma empresa por um melhor conhecimento das suas actividades. Mas o guia também vai ajudar o grupo a compreender o funcionamento da empresa e os elementos afectivos que lhe estão associados, como produzir comunicação nova, reformular os sentimentos, interpretar uma situação... O trabalho do guia consiste por conseguinte: - em diagnosticar e intervir para o bom desenrolar destas duas funções (produção e regulação) - em tornar as suas intervenções aceitáveis pelo grupo, devendo o guia gerir ao mesmo tempo a expressão e a coesão do grupo. A força de expressão de um grupo encontra os seus recursos nos contributos dos indivíduos, quando a força de coesão canaliza as energias para um objectivo comum. De uma maneira geral, a força de coesão que mantém um grupo inibe a sua criatividade e a sua capacidade de inovar. Um excesso de coesão provoca a uniformização das posições e diminui a capacidade de inovação de um grupo. Em contrapartida, um excesso de contributos pessoais diminui a capacidade de organização do grupo e favorece os conflitos e as rupturas. Um guia aumenta a força de expressão e de produção de um grupo através: - de uma ausência de tomada de posição pessoal sobre um problema, - uma técnica de intervenção dita indirecta evitando julgamentos e questões autoritárias - reformulações que suscitam o aprofundamento crítico aquando das intervenções dos membros do grupo. O guia vai aumentar a força de coesão de um grupo através de: - uma definição clara do quadro ou do contrato de comunicação, - intervenções conformes com esta definição, sublinhando as acções e as lógicas comuns ao grupo, - intervenções que mostram a progressão do grupo para os objectivos desejados, - uma gestão igualitária das intervenções dos participantes. 69 Numa posição de atenção e de participação indirecta, o guia deve aplicar quatro princípios: - Distanciação: deve manter-se neutro. Mostrar a sua diferença pelas intervenções que neutralizam, para desactivar os conflitos destrutivos, e propor alternativas, para limitar o efeito de carneiragem (seguidor acrítico) e do consenso custe o que custar; - A adaptação: alterar a sua estratégia em função das expectativas e das propostas dos membros - A activação: a discussão de um grupo vai aumentar os desempenhos da visita. O guia vai estimular a procura das informações, das explicações e do aprofundamento das posições. Deve provocar a discussão. Em contrapartida, para atenuar a expressão dos membros e os riscos de conflito, deve estabelecer uma equidade nas intervenções e sublinhar as divergências e as convergências. Uma decisão inovadora, uma modificação do comportamento comprador do visitante pode ser o resultado da resolução de um conflito. - A organização: ele é o garante do quadro contratual do grupo que anima. Define os procedimentos do grupo, em especial, das instruções de segurança e é ele que vela para que estas regras sejam adoptadas e respeitadas. Para enumerar as tarefas a realizar tanto no domínio da concepção, como da organização das visitas, os capítulos seguintes darão pistas de trabalho úteis. 70 Texto 15 Como melhorar a sua expressão oral? Preparar o seu texto A primeira recomendação que se pode dar a uma pessoa que apresenta pela primeira vez a sua empresa é de elaborar um documento escrito completo que resuma o conjunto dos elementos a apresentar. Quanto mais o trabalho de preparação for aprofundado, mais o trabalho de apresentação será facilitado e criado o desejo de continuar a acompanhar a visita. Eis alguns conselhos práticos: As primeiras frases de uma exposição devem servir para cumprimentar o público, para se apresentar e para se posicionar no âmbito da visita. Se ninguém vos apresentar ou se ninguém vos conhecer, é necessário explicar a que título faz a apresentação, e, por último, dar tempo ao público para se poder exprimir. É essencial captar imediatamente a atenção do público. A introdução de uma apresentação As declarações gerais ou de introdução desempenham um papel importante. Servem para pôr o público em sintonia. É necessário poder ser compreendido por este ou por aquele que têm uma fraca capacidade de atenção e de compreensão. Nas auto-estradas francesas, por exemplo, os painéis de sinalização são enormes e particularmente bem concebidos: dirigem-se aos automobilistas comuns mas são também visíveis pelos que vão em excesso de velocidade, pelos que têm uma má visão e mesmo pelos que conduzem em estado de embriaguês. Uma boa comunicação, é isto mesmo. As pessoas mais tímidas podem igualmente escrever as primeiras palavras: "bom-dia e boas-vindas...". Certas pessoas querem às vezes negar a sua timidez e a sua falta de facilidade de lidar com o público. Temem por conseguinte passarem-se por iniciados ao escrever e ler o seu texto... O resultado é infelizmente às vezes lamentável. Com o propósito introdutório, convém começar por enunciar as questões de ordem geral com as quais todos estão necessariamente de acordo. Este tempo não é perdido: trata71 se de criar um clima psicológico positivo no que diz respeito ao que vai ser dito. É necessário que o público esteja evidentemente de acordo. Seguidamente, pode-se assegurar uma primeira transição "nós vamos começar por..." ou " sei o que vos interessa mais é... " ou " antes de iniciar a visita, quereria abordar os pontos seguintes...” . Os pontos de impacto È preferível dedicar 80% do tempo na preparação. É necessário afirmar a pertinência de determinado ponto, captar a atenção do público, fazer aceitar as vossas propostas e as vossas informações. Por isso, na apresentação, convém procurar para que os dois elementos seguintes estejam incluídos: - a descrição clara de um problema colocado, - e a apresentação das soluções oferecidas pela empresa através dos seus produtos. Por exemplo referir um problema colocado pelo consumidor: poder ser o de ter um telefone em qualquer lugar. Solução proposta pela empresa: o fabrico de telefones móveis. O que é evidente para o guia, não o é para aqueles que o ouvem. É útil para uns e para os outros poderem localizar-se nas informações que serão comunicadas. Também, os encadeamentos sugeridos permitem efectivamente ajudar a passagem de um ponto a outro: "venhamos agora para...", " podemos agora abordar a questão...” Conclusão Numa conclusão permite-se sublinhar as mensagens fortes da empresa. Procura–se desencadear uma tomada de posição, uma acção, uma decisão da audiência. Após todo o trabalho que o guia terá consagrado à preparação e à apresentação de uma exposição, está no seu direito exigir aquilo que decidiu obter. Neste caso para uma visita, trata-se muito simplesmente de pôr a caminho o grupo... Tarefa aparentemente elementar. 72 Notemos contudo que um grupo se pode deslocar mais ou menos rapidamente, e cada um pode observar que, sem instruções precisas, um grupo reage sem qualquer vivacidade. É inútil pressionar os visitantes - e certamente – no caso de um grupo de pessoas idosas, que não terá a mesma reactividade que um grupo jovens estudantes, é bom evitar os retardatários, porque o "tom" dado aquando do acolhimento reflectir-se-á ao longo de toda a visita. Manter o contacto visual A capacidade de falar em público não é um dom da natureza. Exprimir-se na frente de um grupo requer uma aprendizagem. Mas é necessário nunca esquecer - e frequentemente os manuais da arte de falar em público ignoram-no - os piores defeitos não impedem necessariamente fazer passar mensagens. O caso mais famoso é o de Demóstenes, um excelente orador... que era gago. Com efeito a forma facilita a comunicação de fundo, mas não a substitui. Mas após ter estudado as técnicas básicas da expressão em público, convém conservar ou voltar a um elemento essencial da expressão em público: a naturalidade. Perdoar-se-á a um guia que esteja a tagarelar, hesitar, não falar bastante forte, de iludir a transparência... Não se lhe perdoará de mentir ou de dar a impressão de que está a mentir. Alguns pontos clássicos Olhar de frente para a sua audiência é necessário. Pelo olhar passa uma boa parte da mensagem. É muito importante a forma como se olha um público. Não se trata de deitar um olhar sobre o conjunto da sala, o que intimida muito frequentemente quando se não é familiar de um grupo importante. É necessário olhar sempre as pessoas individualmente. Por três razões: - em primeiro lugar olhando uma pessoa de cada vez, mostra-se a estas pessoas a sua importância. Fixar o seu olhar numa pessoa mostra que ela não é transparente, que existe mesmo e assim que se encontra valorizada. Estas pessoas, por conseguinte, serão levadas naturalmente a ouvi-lo e se são suficientemente numerosas a ter sido olhadas, criarão o clima propício de modo que todos o ouçam. 73 - em segundo lugar, olhar as pessoas individualmente permite tranquilizar-se. Vai-se então, de maneira natural, não mais dirigir-se a uma multidão imensa que faz medo, mas a pessoas em especial. O olhar deve, por conseguinte, fixar-se sucessivamente sobre cinco, dez, quinze pessoas. Pode ser acompanhado de um sorriso, o que é melhor ainda. Esta sessão de olhares vai permitir criar o clima indispensável à atenção. É o tempo que é necessário consagrar à sua audiência antes de lhe falar. O silêncio vai fazer-se muito rapidamente e será, em todo caso, muito mais fácil obtê-lo sem estar a elevar o tom da voz. - Por último, olhar pessoas antes de lhes falar, é também criar um clima de audição, é de demonstrar-lhes que seguidamente estas pessoas serão ouvidas: a comunicação com o grupo já está ganha. Certos manuais da arte da oratória aconselham a olhar a multidão como um todo elevando o olhar ligeiramente acima do público até a atingir o fundo da sala. Esta abordagem parece-nos completamente artificial e pode ser catastrófica para um orador com falta de à vontade. Tentem e comparem... Mímica, gestos, atitudes Em frente de um público, é indispensável não se bloquear: é melhor mover-se com naturalidade que continuar parado. É necessário evitar igualmente supervisionar permanentemente os seus gestos, o que leva inevitavelmente a esquecer... do que deve dizer. Esta atitude é frequentemente também a consequência da aplicação dos conselhos de formadores que colocam a tónica apenas sobre a forma e não sobre o conteúdo. Eles incitam permanentemente o orador a supervisionar os seus gestos sobre cena... enquanto que, pelo contrário, é necessário esquecer os gestos para mais não pensar que no conteúdo: tanto faz se os braços ficarem cruzados na frente da audiência, tanto faz os tics e os gestos negativos, tanto faz a má respiração... Acontece frequentemente que pessoas tremem quando tomam a palavra em frente de uma audiência. O melhor nestas condições, se for possível, é inicialmente o orador poder colocar-se por detrás de um púlpito, de uma mesa... e esperar ganhar confiança para se deslocar. Este "refúgio" é às vezes bem útil e pelo menos permite não focalizar a atenção da primeira fila sobre pernas que tremem. 74 Outro ponto importante Os gestos sobre o rosto: são em geral sinal de uma falta de facilidade em encarar a assistência. Tocar-se no nariz, na orelha, afagar a cabeça, passar a mão nos cabelos, coçar-se são inúmeros sinais que fazem distrair a audiência. Os braços e as mãos comunicam igualmente com a audiência. Os braços cruzados ou as mãos nos bolsos não são sinais de abertura e de à vontade. Para mais os braços cruzados não permitem uma boa respiração, e não favorecem a calma. A posição, de pé ou sentada, deve ser estável: é inútil balancear-se sobre a sua cadeira ou inclinar-se imoderadamente para a frente. O desequilíbrio é uma posição visível. Mostrar disponibilidade e ser cortês Para bem se exprimir necessita de se ser ouvido. É necessário saber estar atento ao público. Os conferencistas dizem frequentemente que "sentem" o seu público. De facto, com um pouco de experiência, um orador vai estar em sintonia com o seu público e sentir que o seu público o sente. Uma incompreensão, uma dúvida, uma contestação... o orador deve estar atento a todos os sinais e fazer emergir o sentimento do seu público. Por exemplo, se sente um desacordo, é judicioso fazer exprimir claramente este desacordo: - "aparentemente, não está de acordo" - "tem um ar perplexo" ou ainda se o público parece adormecer deve dizer: - " não parece muito claro o que eu digo" - ou mais directo: "tenho a impressão do que aquilo que eu estou a dizer não vos interessa muito..." Para se mostrar atento, é também importante saber respeitar os tempos de silêncio. Estas pausas permitem um momento para ordenar as ideias, rever algumas palavras sobre o vosso plano de intervenção. Este tempo permite também ao público de intervir, fazer uma pergunta, emitir uma opinião. Para mais o silêncio atrai imediatamente a atenção. Quinze estratégias práticas para enfrentar um grupo 75 - Se deseja obter a legibilidade máxima do texto, reduza a 12 cm a amplitude das colunas. Sublinhe mesmos as palavras sobre as quais irá insistir. - Para retomar a palavra facilmente faça um sinal de consentimento ao vosso interlocutor... Pensará que está de acordo com ele e voltar-lhe-á a dar facilmente a palavra. - No caso de medo: cerre os punhos de forma muito forte antes de se apresentar em público. - Respirar melhor, inspirar lentamente a fundo, no máximo. Adopte uma respiração yoga: sopre - retenha sem estar a bloquear - inspire lentamente - retenha sem estar a bloquear, seguidamente sopre lentamente e retenha sem estar a bloquear... - Aprender de cor as duas ou três primeiras frases da sua intervenção. Poderá durante este tempo pôr-se em sintonia com o seu público, falar-lhe como se setratasse de um interlocutor único, olhá-lo. - Levantar na medida do possível os olhos do texto para manter o contacto com a audiência. - Ao fim de alguns minutos, quando estiver seguro, não hesite em deslocar-se na sala. - Se sente a emoção aumentar após as primeiras palavras que pronuncie, recoloque a voz pedindo, por exemplo, à audiência se todos na sala o entendem efectivamente. - Sorria a algumas pessoas na sala antes de começar. - Mantenha o sorriso com a maior frequência possível (não se fixe no mesmo sorriso...). - Se um acontecimento grave ocorre na sala: pare a sua exposição para o integrar no vosso propósito, se não todos farão atenção ao que se passou e durante este tempo as suas mensagens não passarão. Perca tempo para o ganhar a seguir. - Quando começar a falar, se todos não estiverem em silêncio, pare: irá obter um silêncio completo e recomece no início. - Olhe para um indivíduo de cada vez e "varra" assim o público. Olhando um indivíduo de cada vez, sentir-se-á mais próximo do seu público, mais à vontade. - Enfrente os intervenientes: olhe na fronte (dominando a situação) mais que ao nível do queixo, mais para baixo ou para outro local. - Evite os vestuários que obstruam a circulação do sangue. 76 Texto 16 Como comover os visitantes? Dar exemplos, reforçar as afirmações. Para se estar de acordo, é necessário primeiro compreender. Para efectivamente compreender uma ideia exposta oralmente, é necessário poder ilustrá-la: por escrito e à posteriori oralmente. É necessário abandonar as ideias abstractas. Os exemplos e as ilustrações permitem as representações mentais. É necessário explicar com: "por exemplo..." ,"eis num exemplo...","dito por outras palavras... "," noutros termos... “ Ilustrar os casos citados Pode-se ilustrar o seu propósito dando detalhes precisos ou uma lista de factos. As anedotas podem ser autênticas ou inventadas para a circunstância mas devem ser plausíveis. As pequenas anedotas registadas com critério e referidas apropriadamente valem mais que as histórias engraçadas. É preferível procurar comparações no universo dos seus interlocutores. É a razão pela qual, é judicioso fazer algumas perguntas ao grupo para conhecer a sua origem e as suas motivações. Para representar por imagens uma expressão, podem-se utilizar formas de estilo. Assim, pode-se recomendar o uso - reflectido, naturalmente - de metáforas, metonímias e sinédoques. As perguntas de retórica ou as falsas questões As perguntas de retórica empregam-se quando se quer estimular o interesse dos ouvintes ou para despertar a sua atenção. São perguntas em que não se espera resposta: "Que fariam se vos dissesse que..." "Estariam prontos... se pensassem que... " 77 “Qual seria a vossa reacção se... em vez de... " Formulam-se perguntas de retórica quando se quer trazer a discussão ao cerne do assunto. Os auditores são incentivados em reflectir sobre a sua reacção pessoal ao problema levantado. Mas quanto mais a pergunta for longa, menos tem impacto. Convém não deixar um longo silêncio após a pergunta para evitar uma resposta da sala. Não utilizar a pergunta de retórica para um ponto de pormenor. Doze formas para convencer Eis algumas pistas para melhorar a sua relação com a audiência. Retornaremos mais à frente para falar sobre a teoria da argumentação: - Começar de maneira amigável, - Aquando do momento das perguntas-respostas evitar as controvérsias, - Fazer uma pergunta que obrigue a dizer sim imediatamente, - Respeitar a opinião do seu interlocutor: nunca dizer-lhe que ele não tem razão, - Deixar o seu interlocutor falar à sua vontade. Se o interlocutor demorar demasiado tempo e se em vez de fazer uma pergunta, se servir do seu tempo para fazer também uma intervenção longa, irritará rapidamente os outros e será mal entendido, - Se não tem razão, é necessário admiti-lo imediata e energicamente, - Se o interlocutor exprime uma opinião que vai no vosso sentido: deixar-lhe o prazer de crer que a ideia vem dele: "agradeço-lhe ter-se exprimido desta forma, lançado esta ideia..." - Esforçar-se em se colocar no lugar do seu público, - Acolher com simpatia as ideias e os desejos dos outros. Se a ideia não é boa, começar do mesmo modo por um agradecimento para a ideia expressa, - Recorrer a sentimentos elevados: o sentido da partilha do esforço, da coragem, da amabilidade... mostrar certa grandeza de alma para servir de exemplo, - Demonstrar espectacularmente as suas ideias, - Espantar a vista e a imaginação, - Terminar com um desafio. 78 Comover Investigações em neurofisiologia mostram que os factores emocionais nos ajudam a tomar decisões rápidas e adequadas(1). As emoções têm uma influência considerável, pelo menos, tanto quanto a razão... Talvez um pouco mais. António Damásio, professor de Neurologia da universidade de Iowa, mostrou a importância do movimento de informação no cérebro para compreender o mecanismo das emoções e a sua participação na tomada de decisão. Para Damásio, o cortex frontal é capaz de elaborar representações muito fugazes dos diferentes cenários de acção possíveis. Estes cenários suscitam o esboço de uma reacção emocional. Cada cenário associa-se a um tipo de reacção emocional. O cérebro pode assim seleccionar muito rapidamente certos cenários. Eles aliviam assim os processos racionais na medida em que descarregam ali uma grande parte do seu trabalho, e permitem concentrar-se na resolução de problemas para os quais são os mais eficazes. O trabalho de Damásio demonstra que, longe de constituir um obstáculo à tomada de decisão racional, as emoções favorecem-na. A Neurobiologia confirma assim aforismo de Pascal: "o coração tem razões que a razão desconhece"! A habilidade do guia estará também na capacidade de tocar a sensibilidade do seu grupo. Bibliografia : Antonio Damasio, L’Erreur de Descartes, Odile Jacob 1995 Daniel Goleman, L’Intelligence Émotionnelle, 1995. 79 80 Texto 17 Como falar com os visitantes? Se preparar a discussão com o grupo, é o primeiro a estar seguro para qualquer confrontação. Mesmo se se tratar de uma visão ligeiramente negativa das coisas, é preferível não se deixar surpreender. Para preparar o melhor possível uma discussão, é desejável estabelecer uma lista com as 5 perguntas que não gostaria de ouvir e com as respectivas respostas feitas por escrito. Podem-se, por exemplo, definir as seguintes perguntas: - qual é a pergunta que o aborreceria mais? - qual é a pergunta que recordaria uma das fraquezas da empresa? - qual é a pergunta que recordaria um problema que a empresa não tenha sabido resolver? - qual é a pergunta para a qual não temos resposta? - quais seriam as questões que me pareceriam evidentes se nós fizéssemos parte da audiência? Para sair-se nas situações mais difíceis é possível utilizar algumas fórmulas de circunstância: "Este informações não estão disponíveis no momento actual..." "Esta pergunta excede os limites desta exposição... " " Antes de me envolver nesta resposta, gostaria de verificar os detalhes. Poderei comunicar-vos a resposta na sequência desta visita, se o desejarem... " "Levantou um ponto interessante. Juntaremos as informações actualmente disponíveis e um dossier ficará proximamente disponível... " " Estou contente que tenha feito esta pergunta.” É igualmente possível propor à pessoa que fez as perguntas interessantes para o grupo, de lhe falar na sequência da visita. O importante para além do uso de certas fórmulas é continuar a ser credível. 81 Assegurar a sua credibilidade Um guia será credível se gerir o período das perguntas de maneira profissional. Suscitará atenção suplementar se trouxer novas informações em relação à sua exposição. Dará ao mesmo tempo ensejo ao público de fazer novas perguntas e mostrará um conhecimento exaustivo do assunto. Definir as regras do jogo de uma discussão É necessário evitar comprometer-se numa discussão com um indivíduo apenas. Ainda que a troca de ideias seja amigável, os outros sentir-se-ão excluídos e no final o efeito será negativo. Não se deve cair também na armadilha das perguntas provocadoras ou embaraçantes. Não se deve tentar responder precipitadamente: esta reacção instintiva dará a impressão que se procura justificar. A melhor estratégia possível consiste em fazer uma pausa, repetir a pergunta lentamente e a seguir responder: esta forma de proceder voltará a dar o ascendente na discussão. É sobre ele que se concentrará a atenção e não no pequeno maroto que fez a pergunta. Se o visitante procurar a confrontação, é porque ele desejava sem dúvida destacar-se do grupo e dar nas vistas. Procedendo assim, o guia indica que recusa esta prova de força. O guia pode desviar a pergunta dizendo "isso sai do quadro..." Pode também de acordo com as circunstâncias referir a recusa: "recuso responder à esta pergunta..." . Prefere então criar uma certa tensão na sala. Preparar a sua estratégia Perante o cepticismo: é necessário tranquilizar: - reformular a pergunta; - mostrar que partilha-se a preocupação: "como consumidores, temos todas as mesmas preocupações..." ; - fornecer provas; 82 - concluir que o problema será resolvido e que a argumentação é aceite: "aquilo, estou certo, encontrará um acordo..." Perante o equívoco: a pessoa não está de acordo porque compreendeu mal ou porque não tem suficientemente dados. Responder directamente: - reformular a pergunta; - clarificar a situação e dissipar o equívoco; - fornecer as informações necessárias (quer sob a forma de documento a distribuir, quer pela indicação de fontes). Perante uma crítica justificada: - ouvir, evitar atacar se quer atingir o seu objectivo - reformular; - admitir que há um problema; - alegar uns outros pontos já que tenham sido objecto de um consenso “contudo recorda que... Foi no entanto de acordo que..." Insistindo nos pontos de acordo, o guia recentrará a atenção sobre os pontos positivos e evitará colocar a tónica sobre os pontos de divergência. As regras de ouro de uma discussão - recorde-se que o nome de uma pessoa reveste para ela de uma grande importância - sorrir - fazer sentir aos outro a sua importância - falar aos seus interlocutores do que os preocupa - não se subtrair às perguntas - não criticar, não condenar - não ter pena de - felicitar sinceramente 83 - pondo-se no lugar dos seus interlocutores, é necessário que tenha o desejo de fazer o que propõe - ouvir - incentivar a falar mas não se comprometer numa discussão - agradecer no final as perguntas. 84 Texto 18 Como argumentar na sua intervenção? A emergência da retórica ocorreu no século V A.C.. Durante 2500 anos, a retórica esteve no centro de qualquer forma de ensino, até aos finais do século XIX com a emergência das disciplinas. O termo de "retórica" desaparece oficialmente em França em 1902, altura em que a disciplina de retórica altera então a sua denominação. Esta matéria é substituída pela história literária e a dissertação substitui o discurso. Para Roland Barthes, este descrédito da retórica foi provocado pela promoção de um valor novo: a evidência (dos factos, das ideias e dos sentimentos), que é suficiente em si mesma e que está na linguagem (ou crê passar-se), ou pelo menos não pretende mais do que se servir como um instrumento, uma mediação, uma expressão. A retórica não é mais do que apenas uma cor e não um instrumento para convencer. Perelman, filósofo do Direito, com o seu Tratado da Argumentação, veio marcar um período de renascimento. Define a argumentação como o estudo das técnicas discursivas que permitem provocar ou aumentar a adesão dos espíritos às teses que se apresentam à sua aprovação. O campo da argumentação A argumentação é um acto específico. Não se trata de convencer custe o que custar. Há aqui uma ruptura com a retórica que não é muito "olhada" como os meios para persuadir. Argumentar, é raciocinar, propor uma opinião aos outros dando-lhes boas razões de aderir. A rejeição da retórica por Descartes, seguida pela tradição científica repousa sobre a ideia que há razão apenas na ciência e que o resto são apenas afectos e paixões. No entanto, as ciências exactas não têm grande coisa a dizer sobre o homem em sociedade. Começa-se hoje melhor a aproximar do argumento científico "do erro de Descartes" (1). Ninguém possui a chave de uma compreensão integral daquilo que permanecerá provavelmente sempre um mistério: uma coisa é certa, o discurso friamente racional 85 não é tão "científico" como parece e em todo o caso não é adaptado às visitas de empresas. A dinâmica argumentativa Um argumento não é convincente em si mesmo: refere-se sempre a um contexto. O primeiro objectivo de um argumento é alterar o contexto de recepção, o que implica que se olhe cada audiência como particular. O segundo objectivo da argumentação é criar uma relação entre a opinião do orador e o contexto de recepção. Por outras palavras, convém inicialmente construir um "real" comum com a audiência, ou seja, dar uma visão das coisas que conduzirá a uma alteração de percepção. O orador prepara o terreno, cria o desejo de alterar a opinião. Subsequentemente, propõe um novo argumento. Três elementos permitem criar uma percepção comum das coisas: - A ressonância: apresentando uma nova visão das coisas. É necessário que o argumento esteja em sintonia e seja sentido de maneira simpática pelos destinatários. Por exemplo, numerosas argumentações constroem-se em redor de valores, como a coragem, a solidariedade, que permitem criar um clima familiar e desenvolver a atenção. - A curiosidade: o gosto pela novidade permite fazer admitir ideias, provocar-nos para examinar com benevolência as novas maneiras de ver as coisas. Compartilhar uma mesma curiosidade é um suporte útil para avançar novos argumentos. - O interesse: o benefício esperado é um motor da acção. A mudança de atitude A mudança de atitude faz intervir três elementos: - a fonte - a mensagem - o receptor. A mudança pode ser percebida como um processo estocástico, ou seja, como uma sucessão de sequências que se condicionam umas às outras. As etapas do processo de mudança são as seguintes(2): 86 - a atenção, - a compreensão, - a aceitação, - a retenção, - a acção. A fonte A credibilidade é uma noção central. É necessário que a fonte seja julgada competente e digna de confiança. Pode haver um efeito conjunto da competência e do estatuto social. O engenheiro pode falar como perito, mas goza também do prestígio social ligado à sua profissão. O estatuto conta: se um médico fala dos perigos do consumo abusivo da aspirina, ele tem tanta influência como um advogado. A competência tem relação com o prestígio. É uma das razões pelas quais o guia deve posicionar bem as suas competências no entender dos visitantes. A mensagem tem mais impacto quando é percebida como provindo de uma fonte superior em saber, em instrução, inteligência, em sucesso profissional. Objectividade: se a fonte não for suspeita de alterar o seu discurso em função das expectativas do seu público. Desinteresse: a fonte exprime uma opinião que não parece fundamentada por interesses pessoais. Sem intenção de persuadir: as pessoas não gostam de quem procura influenciá-las. Se sentem que querem influenciá-las, vão então resistir por um fenómeno que se chama reacção. Além disso, o impacto de uma mensagem é maior quando as fontes ignoram que as ouvem, que quando se sabem ouvidas. O receptor prefere uma franqueza que torne a fonte simpática. A atracção para com a fonte é igualmente importante. Uma mensagem tem mais impacto quando provem de uma fonte pela qual existe um laço de simpatia. Esta atracção pode provir da: - aparência física, - familiaridade, 87 - semelhança. Uma pessoa atractiva fisicamente, exerce mais influência quando avisa os receptores da sua intenção de os influenciar. O carácter familiar está ligado à identificabilidade, à comunidade de pertença social. Ser atraído por qualquer um é ter o desejo ou a necessidade de estar de acordo com ele. É o acordo com a fonte que é valorizado e não a validade do seu ponto de vista. Uma mudança de opinião não é suficiente. Ainda é necessário saber se a mudança de atitude é duradoura. A estabilidade das mudanças após a comunicação depende da base sobre a qual é fundada o poder da fonte: - A fonte competente (que tem um poder de perito) provoca uma mudança imediata. A mudança é durável e destaca-se da fonte que a produziu. Um processo de internalização teve lugar. - A fonte atractiva tem um poder de referência: a mudança é imediata mas não se destaca totalmente da fonte. Generaliza-se com aquilo a que está ligada, por um processo de identificação. A mensagem O estilo da mensagem tem o seu efeito. Numerosos factores podem intervir para influenciar o receptor. Citemos alguns: Os apelos ao medo: à medida que o medo despertado pela mensagem aumenta, o efeito da mensagem começa por crescer e depois diminui. Um forte apelo ao medo é mais eficaz quando a fonte é credível do que quando o é pouco. A divergência. No caso de grande divergência entre a fonte e o receptor, se um assunto está muito distante da opinião da fonte, tem mais possibilidades de a alterar em um número importante de níveis que um assunto próximo da fonte. Um receptor moderado pode alterar mais facilmente que um receptor extremista. Existe uma correlação positiva entre extremismo e certeza. A fonte moderada pode ser percebida pelo receptor extremista como falta de segurança. A implicação Tudo depende também do grau de implicação. O que se sente muito implicado altera menos ou não altera mesmo nada a opinião daquele que se sente pouco implicado, pois 88 altera mais facilmente, mesmo que a mensagem exposta e defendida tenha um ponto de vista contrário ao seu. A retenção Certos autores consideram que a retenção dos argumentos é necessária à manutenção da mudança, mas pode-se mostrar experimentalmente que certas mudanças de atitude são ainda perceptíveis com semanas ou meses de intervalo sem que o sujeito se recorde do conteúdo da mensagem. O receptor Os indivíduos reagem sempre da mesma maneira às comunicações persuasivas? Haveria uma tendência geral fraca mas não negligenciável... para reagir de forma constante às comunicações persuasivas. Aqui também os elementos a serem tidos em conta são numerosos. Sexo Já não há diferença entre as mulheres e os homens. As mulheres serão mesmo menos influenciáveis que os homens sobre os problemas que são para elas importantes e que conhecem bem. Inteligência Os indivíduos inteligentes ou instruídos serão mais fáceis de persuadir que as pessoas pouco instruídas. Os indivíduos com fraco amor próprio mudam mais de opinião que os indivíduos com forte auto-estima... Disposições Prevenir o receptor que vai receber uma mensagem contrária à sua opinião aumenta a resistência à mensagem. Uma opinião mesmo forte que se tornou um hábito, do qual se esqueceram as razões e que nunca mais foi reexaminada é realmente frágil e corre o risco de ser abalada facilmente se encontrar uma oposição assumida e coerente. 89 A atmosfera A atmosfera pode ser favorável à mudança. Se se tornar agradável ao receptor a sua relação com a envolvente próxima, esta impressão pode transferir-se por condicionamento à mensagem. O contexto social pode também alterar o efeito da mensagem. O efeito é mais fraco quando os receptores estão em grupo(3). O efeito de distracção Se o receptor está menos atento, pensa e contra argumenta menos. A distracção é favorável à mudança se impede o receptor de contra-argumentar. A distracção é desfavorável se impede de dar atenção à mensagem. Os indivíduos contra-argumentam menos quando a fonte é um perito. Uma forte divergência provoca mais contra-argumentação. A ansiedade do receptor diminui a sua capacidade de contra-argumentar. Os homens são frequentemente mais desconfiados que as mulheres. Os indivíduos que têm uma elevada auto-estima também são mais desconfiados. A mudança de atitude: uma ilusão? Seria bastante surpreendente que um guia conseguisse alterar radicalmente a opinião dos seus visitantes. As situações evocadas previamente mostram mesmo assim como é possível influenciar duravelmente os visitantes e que, além disso, as situações encontradas por um guia podem ser muito diversas. Mesmo assim mudar de opinião não significa alterar o comportamento ou as intenções de compra. Certos investigadores têm estudado os efeitos do discurso ao nível da opinião, da intenção de agir e da acção. Por exemplo, uma mensagem aterradora (sobre o tabaco) influencia muito a opinião, mas um pouco menos a intenção de agir e muito menos ou de forma alguma a conduta real. Bibliografia (4) Damasio A., l’Erreur de Descartes (5) McGuire (6) Petty et Cacioppo, 1981 90 Texto 19 A inovação nos serviços Obra colectiva sob a égide da l’association nationale de la recherche technique, Col Economica, 100p., sept 99. Para contornar algumas ideias feitas sobre a inovação, os autores do livro - profissionais e universitários – não pouparam no subtítulo: "um convite à revolta intelectual". Não se sente folheando a última página do livro, que o mundo possa ter de repente balançado graças a esta contribuição. Em contrapartida algumas ideias interessantes são marteladas ao longo de todo o livro: a inovação nas nossas sociedades avançadas incide apenas numa parte na tecnologia. Um erro geralmente admitido é pensar que haveria apenas inovação nas invenções técnicas de produtos e de processos. Ora na própria produção, a fronteira com os serviços é cada vez mais pequena e, além disso, a parte dos custos ligados à produção propriamente dita não cessa de diminuir. Assim para um automóvel a parte dos custos de produção stricto sensu é hoje inferior a 50% dos custos totais. Portanto, como afirmar que o valor acrescentado e a criação de valor estão apenas da área técnica ou produtiva? Precisamente estes autores vão aplicar-se a demonstrar que nos serviços, a inovação é particularmente abundante na elaboração, na concepção, na organização e na realização da prestação de serviços. As empresas de serviços consagram de resto 20% do seu tempo às actividades de concepção e de inovação. Algumas ideias muito actuais sobre a confiança, a rapidez da inovação, a abordagem ao cliente estão ligadas intimamente na primeira parte que refere às experiências de várias empresas. Numa segunda parte mais exaustiva, os autores apresentam um estudo do IFRESI que revela que os 2/3 das empresas introduziram no espaço de 5 anos (92-97) inovações não tecnológicas no sentido estrito, ou seja, inovações onde a tecnologia não desempenha nenhum papel. Como fizeram? 91 67% das firmas introduziram inovações imitando os concorrentes do mesmo sector, 46% imitando as empresas de outros sectores. No total 80% inovaram imitando e, por último, 54% conceberam e introduziram elas mesmas inovações num verdadeiro esforço criativo. Para estas firmas inovadoras, os objectivos primordiais são satisfazer as exigências dos clientes e abrirem-se a novos mercados. Um facto interessante e que as principais fontes de informações, de conhecimentos e de competências sobre os produtos, os processos, a organização e as relações externas são os clientes (para 76% da amostra), a força de venda e o pessoal de contacto (66%), os concorrentes (31 %), as redes informais de quadros e de profissionais (31 %). As tecnologias chave que existem, explicam estes autores, no domínio dos serviços são, por exemplo, os métodos de gestão de projecto, a gestão da qualidade, o controlo da capitalização dos conhecimentos e a gestão das organizações complexas. Naturalmente não encontrará nesta obra nenhuma alusão às visitas de empresa. A literatura é muito pobre sobre este assunto. Posto isto, a aproximação pode ser feita facilmente: a visita de empresa põe ao contacto os trabalhadores com as empresas externas. Recebendo visitantes na empresa, põe os guias em contacto com os clientes. As trocas que suscitam as visitas às empresas podem ser fonte de inspiração: elas trazem novas ideias. Não estamos apenas num contexto de comunicação da imagem de marca ou de comunicação do produto mas verdadeiramente numa diligência de inovação e de produtividade. Uma conclusão que inspira este livro: a inovação no domínio dos serviços abrange também - as visitas de empresas. Mas ninguém ainda arriscou a medir a sua importância.... 92 Texto 20 Como é que uma visita de empresa pode ser um instrumento do desenvolvimento territorial e as suas cinco componentes? - o impacto em termos de repercussões económicas, - a qualificação do território (a imagem do território), - o impacto em termos de dinâmica económica, ou seja, a reabilitação ou a valorização de uma profissão ou de um sector de actividade, - as repercussões de um ponto de vista social, - as repercussões de um ponto de vista cultural. 1. A visita pode ter um impacto em termos de repercussões económicas (consecutivas ao fluxo de pessoas gerado pela abertura da empresa)? A resposta é sim, muito simplesmente porque se a empresa tem os meios para acolher o público, o público acorrerá lá. Com efeito, sabe-se que a visita de empresa agrada ao público. Este facto é atestado pelo conjunto dos inquéritos realizados (nomeadamente pela empresa EDF - Electricidade de França) e confirmados pelas empresas que abrem as suas portas e podem geralmente satisfazer a procura. Portanto, as visitas constituem um desafio de ordenamento do território no plano local. É possível drenar um número importante de visitantes em zonas situadas fora dos fluxos turísticos habituais e criar assim empregos nessas zonas. Por exemplo, Perrier acolhe 100.000 visitantes por ano em Vergèze, uma povoação com 3.700 habitantes, situada numa zona não turística. Foram criados 20 empregos permanentes e 10 empregos sazonais. Projectos como estes podem levar à criação de um complexo turístico ligado à existência de um parque ou de um centro equestre ou à abertura de uma exploração agrícola biológica. Criação de um complexo turístico. 93 Certamente, não há em todos os lados em França oportunidades como as criadas pela Perrier. Mas é precisamente por isso que tem interesse pensar na visita de empresa à escala do território e não à escala de uma empresa. Se um número importante de visitantes não pode ser acolhido simultaneamente numa empresa, pode ser repartido por várias empresas desse mesmo território. O efeito em termos de impacto económico à escala do território por conseguinte está assegurado. 2. A visita pode contribuir para o que se chama "a qualificação de um território" (a imagem de um território)? Sim, porque a empresa constitui um património vivo. A visita de empresa permite, por conseguinte, reconhecer e valorizar as tradições económicas e sociais de um território, não numa perspectiva passadista, mas eminentemente dinâmica. A visita de empresa torna-se num vector de comunicação territorial. - A visita pode ser explorada para forjar a imagem de um território. É o caso da visita à empresa Aerospatiale (onde se faz a montagem final dos Airbus) que contribui para conferir à cidade de Toulouse e, além disso, à região Midi-Pyrénées, a imagem de um território dinâmico, orientado para o futuro, porque se trata de um investimento numa produção de tecnologia intensiva e sofisticada. - A visita pode ser utilizada para transformar a imagem de um território É o objectivo da política do Comité Departamental de Turismo (CDT) de Seine-SaintDenis. O desenvolvimento da visita de empresa deve permitir quebrar a imagem de Seine-Saint-Denis que é a de um subúrbio difícil. A região Seine- Saint-Denis é igualmente um território economicamente dinâmico. Mais de 30.000 empresas estão implantadas no departamento entre as quais: Alsthom, Rhône-Poulenc, Oréal, etc. O CDT por conseguinte decidiu utilizar a visita de empresa para mostrar e promover o seu dinamismo. É o caso também da política do CCSTI Auvergne. Neste caso a imagem não é de uma região deprimida, mas sim rural. Ora, Auvergne quer quebrar esta imagem. As visitas organizadas pelo CCSTI foram orientadas prioritariamente para as empresas do sector industrial e de tecnologia intensiva. 94 3-Em terceiro lugar qual o impacto em termos de dinâmica económica, ou seja, da reabilitação ou da valorização de uma profissão ou de um sector de actividade? Também aqui a visita de empresa é pertinente. É nesta perspectiva nomeadamente que trabalha o Comité de Bacia do Sul de Tarn. Os circuitos de visita foram elaborados por sector de actividade. Por exemplo, o circuito têxtil apresenta a particularidade de orientar, a pedido da profissão, os jovens em formação, com o objectivo de quebrar a imagem de um sector sinistrado e de mostrar modernidade e as perspectivas de desenvolvimento da fileira da região Midi-pyrénéenne, as suas necessidades de emprego qualificado e as suas possibilidades de formação. 4-Quarta componente: as repercussões sociais Neste caso a visita de empresa também é interessante. Por exemplo, nas zonas fortemente tocadas pela crise económica e pelo desemprego, as visitas dirigidas especialmente para o público escolar podem permitir a estes jovens conhecerem melhor apreender o mundo da empresa e o trabalho. 5-Quinta componente: as repercussões culturais (consecutivas à aplicação de uma política de informação e de educação). Geralmente, a visita pode ajudar muito activamente naquilo que se chama a educação não formal. Permite mais ao público local (e em especial aos jovens) conhecer as profissões e os sectores de actividade que são próprios da sua região. No fim de uma curta exposição, pode-se afirmar que a visita de empresa tem todas as vantagens para servir o desenvolvimento local. Mas há contudo uma dificuldade e não a menor: o desenvolvimento local, com excepção do sector do turismo, interessa muito pouco à empresa ou então está na sua margem. O desenvolvimento local aumenta essencialmente as prerrogativas dos eleitos e das autarquias. De onde uma dificuldade de dimensão: a visita pode ser um instrumento do desenvolvimento local, mas a empresa não pode abrir as suas portas apenas em nome do desenvolvimento local. Ora sabe-se, que não haverá reais sucessos ou continuidade da fileira apenas no âmbito de uma diligência deste tipo perfeitamente entendida e voluntária da empresa. 95 De que maneiras se pode desenvolver a visita de empresa numa óptica de desenvolvimento local? Parece-nos que, para levar a efeito tal projecto, é necessário adoptar uma estratégia em duas fases: 1. Primeira fase: a partir de uma reflexão exaustiva que os actores do desenvolvimento local devem efectuar muito a montante do projecto. Trata-se de reconhecer as forças e fraquezas do território e o papel que pode desempenhar a visita de empresa? Onde surgem três interrogações: • quais são as funções da visita de empresas que se deseja explorar: - impacto em termos de dinâmica económica, de desenvolvimento cultural, de impacto económico, da qualificação do território, etc. - tendo em conta as necessidades assim identificadas e os potenciais existentes, quais são as zonas geográficas, os sectores de actividade e as empresas a privilegiar? - e por último, a que tipos de públicos se deseja dirigir (habitantes locais, turistas, profissionais, alunos, etc.)? Na primeira fase, não se trata de decidir sobre a abertura das empresas. As autarquias ou os outros organismos responsáveis não podem decidir a localização das empresas. São as grandes orientações que estão fixadas. É em que direcção e no que vai dar a linha directriz da política de sensibilização e acompanhamento das empresas que será levada a efeito seguidamente. Em contrapartida, a partir desta fase, ou seja, a partir do arranque do projecto, é importante associar os parceiros "naturais" das empresas, que são nomeadamente as associações industriais, as associações de desenvolvimento e as organizações profissionais 2. Segunda operação e segunda fase: compreender quais são os interesses de cada empresa para se abrir ao público. Os interesses, em termos comerciais, são de comunicação (interna e externa), marketing e de integração local. 96 Na presente fase, pode ser relevante ajudar as empresas a compreenderem quais são os seus próprios interesses e acompanhá-las nesta política (no plano da informação, de um ponto de vista logístico e eventualmente financeiro). Em todos os casos evocados previamente - o Comité de Bacia do sul do Tarn, o CCSTI Auvergne, os projectos do CDT Seine Saint-Denis - esta cronologia das operações foi respeitada: - uma reflexão ascendente conduzida pelos actores do desenvolvimento local e pelos parceiros das empresas sobre as necessidades do território e, por conseguinte, pelos sectores de actividades e pelas empresas a implicar (nomeadamente numa perspectiva de comunicação territorial); - Tarn: "know how"/ofícios: têxtil, granito, madeiras - Saint-Denis/duas vertentes: as empresas tradicionais e de alta tecnologia - Auvergne: o sector industrial e de alta tecnologia - trata-se de um trabalho de longo fôlego empreendido com as empresas e os parceiros profissionais, a fim de compreender os desafios de cada sector de actividade e de cada empresa em especial. © François Ducrocq - Pagine 97