XXV CONGRESSO BRASILEIRO DE ZOOTECNIA
ZOOTEC 2015
Dimensões Tecnológicas e Sociais da Zootecnia
Fortaleza – CE, 27 a 29 de maio de 2015
Composição de carboidratos não fibrosos (CNF) da planta inteira e dos componentes morfológicos da
rebrota do milheto1
Non-fiber carbohydrate composition (NFC) of the whole plant and morphological components of
regrowth millet
Robson Elpídio Pereira Ribeiro2, Leonardo Lopes Magno3, Adesvaldo José e Silva Junior4, Eliane Sayuri
Miyagi5, Aldi Fernandes de Souza França6
1
Parte da Dissertação de mestrado do primeiro autor.
Doutorando do Programa de Doutorado Integrado em Zootecnia – UFRPE, Recife - PE, Brasil. Bolsista da
FACEPE, e-mail: [email protected]
3
Mestrando em Ciências Veterinárias - UFU, Uberlândia - MG, Brasil.
4
Mestre em Zootecnia pela Universidade Federal de Goiás – UFG, Goiânia – GO, Brasil.
5,6
Professores doutores de Medicina Veterinária e Zootecnia, EVZ/UFG, Goiânia - GO, Brasil.
2
Resumo: Objetivou-se avaliar o efeito de quatro alturas de corte residual (ACR’s) associado a duas
interceptações Luminosas (IL’s) sobre a composição de CNF na rebrota do milheto forrageiro, seja na planta
inteira ou nos componentes morfológicos. Em relação às IL’s, houve diferença (p<0,05) na planta inteira e
nos demais componentes morfológicos com exceção do CNF de colmo. Em todos os casos, as maiores
médias ocorreram nos tratamentos com IL 90% devido ao maior teor de FDN, que representa a maior parcela
para estimar o CNF. Os percentuais médios de CNF foram maiores, tanto no material senescente 19,80%,
quanto na panícula 28,63%, com IL de 90%. Os maiores índices médios de CNF foram encontrados nos
tratamentos com IL de 90%, independente dos componentes morfológicos da rebrota do milheto. Já em
relação ao fator ACR, só os resultados apresentados da variável estudada neste trabalho, não é conclusiva
para indicar qual a melhor ACR.
Abstract: The objective was to evaluate the effect of four residual cutting heights (RCH's) associated with
two light interceptions (LI's) on the NFC composition in the regrowth of forage millet, either in the whole
plant or the morphological components. Regarding LI's, significant differences (p <0.05) in the whole plant
and other morphological components except the thatched NFC. In all cases, the highest average occurred in
the treatments with IL 90% due to higher NDF, which represents the largest share to estimate the NFC. The
average percentage of NFC was higher in both the senescent material 19.80%, 28.63% and in panicle, with
90% LI. The highest average rates of NFC was found in the treatments with 90% LI, regardless of
morphological components of regrowth millet. In relation to the RHC factor, only the results presented in the
variable studied in this work, is not conclusive to recommend the best RHC.
Palavras–chave: ALTURA DE CORTE RESÍDUAL, PASTAGEM, INTERCEPTAÇÃO LUMINOSA
Keywords: RESIDUAL CUTTING HEIGHT, GRASSLAND, LIGHT INTERCEPTION
Introdução
O estudo relacinando as características morfológicas e químicas-bromatológicas da planta inteira e dos
componentes morfológicos da rebrota do milheto, é uma das ferramentas importantes para melhoria do
manejo na utilização da planta.
Durante a fase vegetativa da planta, estratégias de manejo afetam as características estruturais da
planta forrageira e a utilização da interceptação luminosa como referência de acompanhamento do processo
de rebrota permite que a forragem seja colhida, por corte ou pastejo, sempre numa mesma condição
fisiológica (PEDREIRA et al., 2007). Associado a isso, as avaliações de CNF, nos fornece um parâmetro que
está associado à qualidade da forragem que será fornecida aos animais.
Portanto objetivou-se avaliar o efeito de quatro alturas de corte residual (ACR’s) associado a duas
interceptações Luminosas (IL’s) sobre a composição de CNF na rebrota do milheto forrageiro, seja na planta
inteira ou nos componentes morfológicos.
Material e Métodos
O experimento foi conduzido entre dezembro de 2012 a Maio de 2013 na Escola de Agronomia e
Engenharia de Alimentos da UFG. O clima da região é classificado de acordo KÖPPEN, como Aw (quente e
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semiúmido, com estações bem definidas, a seca, dos meses de maio a outubro e as águas, entre novembro e
abril), com temperatura e precipitação pluviométrica média anual dos últimos dez anos de 23,6°C e 1645,6
mm respectivamente.
O solo da área experimental é classificado como Latossolo Vermelho Distroférrico com relevo plano e
bem drenado. O preparo do solo foi convencional com duas arações e uma gradagem niveladora. A cultivar
forrageira utilizada foi a ADR – 500. As recomendações de calagem e adubação foram realizadas de acordo
com os resultados da análise do solo.
Foram avaliadas quatro alturas de corte residual (ACR) e duas interceptações luminosas (IL’s). Foi
utilizado um arranjo fatorial 4x2 (ACR’s x IL’s) em blocos casualizados com oito tratamentos e quatro
repetições totalizando 32 unidades experimentais. Cada unidade experimental tinha uma área de 3 x 3,5 m =
10,5 m², totalizando uma área útil de 336 m².
Os tratamentos estudados foram:
ACR 10 cm x 80% e 90% de IL; ACR 20 cm x 80% e 90% de IL; ACR 30 cm x 80% e 90% de IL;
ACR 40 cm x 80% e 90% de IL.
A implantação dos tratamentos foi realizada com um corte de uniformização, nas alturas de 10, 20, 30
e 40 cm do solo, com 40 dias após a semeadura. O período de avaliação experimental teve início após o corte
de uniformização. As medições de IL foram realizadas em seguida semanalmente seguindo a metodologia
descrita por JOHNSON et al. (2010), utilizando o aparelho AccuPAR PAR/LAI ceptometer (model LP-80,
Decagon Divices Divices Inc.).
Para coleta do material no campo foi utilizado um quadrado metálico de 0,25 m2 (0,5 x 0,5 m) para
amostragem em dois pontos na parcela totalizando 0,5m², representado pela altura média do dossel forrageiro
da parcela. Todo o material contido no interior do quadro de amostragem foi colhido, colocado em sacos
previamente identificados e levado ao laboratório de apoio para separação dos componentes (folha, colmo,
material senescente e panícula). Todas as amostras foram submetidas à pré-secagem em estufa com
ventilação forçada de ar a 55ºC durante 72 horas, sendo posteriormente moídas em moinhos tipo “Willey”,
com peneira de 1 mm e armazenadas em sacolinhas plásticos, para posteriores análises. A variável resposta
avaliada foi o carboidrato não fibroso (CNF). O CNF foi calculado a partir da equação (CNF = 100 – (%FDN
+ %PB + %EE + %MM) proposta pelo (NRC, 2001).
As médias foram submetidas à análise de variância. A análise de regressão foi realizada quando houve
significância dos dados pela análise de variância. Foram utilizados modelos de regressão simples de primeira
e segunda ordem, onde o fator ACR foi considerado a variável independente em relação às variáveis
respostas estudadas em cada IL (80 e 90%) separadamente. As médias do fator IL foram comparadas pelo
teste de Tukey à 5% de probabilidade para verificar se houve ou não diferença entre as IL’s dentro de cada
variável estudada. Os procedimentos utilizados para análise dos dados foram “REG, SORT, MEANS e
MIXED” do software estatístico SAS versão 9.0.
Resultados e Discussão
Em relação às IL’s, houve diferença (p<0,05) na planta inteira e nos demais componentes
morfológicos com exceção do CNF de colmo. Em todos os casos, as maiores médias ocorreram nos
tratamentos com IL 90% devido ao maior teor de FDN, que representa a maior parcela para estimar o CNF
(Tabela 01).
Houve diferença (p<0,05) entre as médias das ACR’s da planta inteira com 90% de IL. O
comportamento das médias na equação de regressão foi quadrático. O percentual médio de CNF da IL de
90% foi de 18,89% diferenciando-se (p<0,05) da IL 80% que foi de 15,71%. As médias de CNF das ACR’s
dentro da IL de 80% foram menores.
Em relação aos percentuais de CNF nos componentes morfológicos, houve diferença (p<0,05) entre as
médias das ACR’s no componente folha com IL de 80% e o comportamento das médias na equação de
regressão foi quadrático. Não houve diferença entre as ACR’s com IL de 90%. O percentual médio de CNF
da IL de 80% foi de 12,79% diferenciando-se (p<0,05) da IL 90% que foi de 13,96%.
Houve diferença (p<0,05) para o fator ACR, nas quantidades percentuais médias de CNF de folha
com IL 80%, material senescente com IL’s de 80 e 90% e panícula com IL de 90%.
Não houve diferença (p>0,05) entre as médias das ACR’s e nem entre as IL’s no componente colmo.
Esse resultado reflete a própria composição da planta, pois a composição percentual de colmo na planta não
mudou em nenhum doa tratamentos.
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Tabela 1. Percentual de carboidratos não fibrosos (CNF), na planta inteira e nos componentes morfológicos
(folha, colmo, material senescente e panícula), em função dos fatores alturas de corte residual (ACR) e
interceptação luminosa (IL).
CNF planta inteira (% MS)
Alturas de corte residual (cm)
IL
Médias
Equações de regressão
R²
(%)
(IL’s)
10
20
30
40
80 18,48
12,51
17,02
14,82
15,71 B
Ŷ= 15,71
90 22,55
17,24
17,30
18,46
18,89 A
Ŷ= 30,03 – 0,93**x + 0,016**x²
0,76
CNF folha (% MS)
80 15,31
10,89
11,94
13,01
12,79 B
Ŷ= 21,12 – 0,74**x + 0,013**x²
0,68
90 14,22
14,66
13,19
13,77
13,96 A
Ŷ= 13,96
CNF colmo (% MS)
80 19,62
13,54
18,20
15,04
16,60 A
Ŷ= 16,60
90 14,86
16,72
15,95
17,36
16,22 A
Ŷ= 16,22
CNF material senescente (% MS)
80 19,80
14,87
11,83
11,68
14,54 B
Ŷ= 21,32 - 0,27**x
0,84
90 23,70
21,23
17,29
17,00
19,80 A
Ŷ= 23,55 - 0,15*x
0,35
CNF panícula (% MS)
80 18,77
17,87
17,05
19,63
18,33 B
Ŷ= 18,33
90 33,84
22,02
26,12
32,54
28,63 A
Ŷ= 51,38 – 2,27**x + 0,045**x²
0,80
Letras maiúsculas diferem estatisticamente na coluna pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade para as
médias gerais das IL’s 80 e 90% respectivamente. Nível de significância nas equações de regressão a * 5% e
a ** 1% de probabilidade para as médias das alturas de corte residual.
Houve diferença (p<0,05) para o fator ACR e IL no percentual médio de CNF do material senescente.
O comportamento das médias na equação de regressão foi linear decrescente nas duas IL’s, ou seja, à medida
que aumentou a ACR diminuiu o percentual de CNF no material senescente. Isso por que, os tratamentos
com maior altura de resíduo, produziram uma quantidade menor de material senescente como já era
esperado. Os percentuais médios de CNF foram maiores, tanto no material senescente 19,80%, quanto na
panícula 28,63%, com IL de 90%. O maior percentual médio de CNF no material senescente foi de 23,70%
na ACR de 10 cm. Isso ocorreu porque na ACR 10 cm a proporção de material senescente foi maior, devido a
maior senescência das folhas baixeiras.
O maior percentual médio de CNF na panícula foi de 33,84% na ACR de 10 cm, isso ocorreu porque
na ACR 10 cm com IL de 90% a proporção de panícula foi significativamente maior, por serem plantas com
estágio vegetativo mais avançado.
Conclusões
Os maiores índices médios de CNF foram encontrados nos tratamentos com IL de 90%, independente
dos componentes morfológicos da rebrota do milheto. Já em relação ao fator ACR, só os resultados
apresentados da variável estudada neste trabalho, não é conclusiva para indicar qual a melhor ACR.
Literatura citada
JOHNSON, M. V.; KINIRY, J. R.; BURSON, B. L.; Ceptometer Deployment Method Affects Measurement
of Fraction of Intercepted Photosynthetically Active Radiation. Agronomy Journal, v.102, p. 1132-1137,
2010.
PEDREIRA, B. C.; PEDREIRA, C. G. S.; SILVA, S. C. D. Estrutura do dossel e acúmulo de forragem de
Brachiaria brizantha cultivar Xaraés em resposta a estratégias de pastejo. Pesquisa Agropecuária
Brasileira, v. 42, n. 2, p. 281-287, 2007.
NRC – NATIONAL RESEARCH COUNCIL. Nutrient requirements of dairy cattle. Ed. 7. Washington,
D. C.: National Academic Press, 2001. 381 p.
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