Lazer e turismo: análise teórico-conceitual Marcelo Taveira1 Salete Gonçalves2 Introdução O Turismo e o Lazer são campos de conhecimento e estudo recentes e permeáveis, com delimitações pouco definidas, o que se reflete tanto na teoria quanto na prática. Devido a isto, as fronteiras e limites desses importantes fenômenos sociais serão os objetos de análise e estruturação da discussão proposta, com vistas a suscitar semelhanças e diferenças a partir da literatura existente. Acredita-se que esta discussão contribuirá para a construção da epistemologia do Turismo e a teorização do Lazer, uma vez que se, constata que, no campo teórico-conceitual daquele, por exemplo, as conexões e discussões a respeito deste, embora pontuais, focam-no como um segmento turístico, o que vem levando alguns estudiosos a tentar ampliar essa visão. Já sobre o Lazer, observase uma discussão mais aprofundada e consistente, na perspectiva de um entendimento sobre essas duas áreas de estudo. O esforço aqui é contribuir para que se possa vir a repensar o Turismo na perspectiva do Lazer com um enfoque dialético e embasado no conhecimento crítico da realidade. Lazer – necessidade humana e realidade mercantilizada O Lazer, tal como é conhecido no presente século, surgiu com a Revolução Industrial, quando as migrações do campo para a cidade se intensificaram e outros ritmos foram impostos pela Sociedade que se impunha. Nesse novo modelo de produção – marcado pela compra e venda de mão-de-obra – duas classes se destacam: a Burguesia e o Proletariado. Para os proletários, o labor era algo cansativo e rotineiro, marcado por longas jornadas de trabalho que lhes eram impostas e que inibiam suas práticas de lazer – este, bastante almejado, para compensar a exaustão adquirida. Diante de tal realidade, os trabalhadores começaram a reivindicar a redução da carga horária, embora os movimentos sindicais daí decorrentes viessem a ser intensamente reprimidos pelo Estado (WERNECK, 2000). Com o passar dos anos, certas reivindicações e direitos foram conquistados, como, por exemplo, um maior tempo livre das atividades laborais - tempo livre este que só passou a se diferenciar do tempo laboral com o trabalho assalariado, criando, assim, o ócio e o lazer. Tal estado 1 Professor do Curso de Turismo da UFRN/CERES. Aluno do Programa de Pós Graduação em Ciências Sociais da UFRN (Doutorado). E-mail: [email protected] 2 Professora do Curso de Turismo da UERN. E-mail: [email protected] 1 de coisa despertou, no início do século XX, o interesse de alguns estudiosos por realizarem pesquisas nesse campo. O Lazer é garantido pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, que afirma ser este um direito social, tal como a educação e o trabalho, sendo dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Nota-se assim que o lazer é tão importante na vida dos sujeitos quanto o são a saúde e a alimentação. Apesar de se tratar de uma questão de cidadania, esta não é algo assente, visto que são muitas as interpretações existentes a respeito do lazer e os obstáculos que impedem sua total realização. Alguns autores, planejadores e pessoas comuns defendem a ideia de que o trabalho é mais importante que o lazer, ou que este não faz parte das necessidades prioritárias, afirmando que a diversão é exclusiva apenas das classes sociais mais abastadas. Entende-se, porém, que o sentido de tais afirmações deve ser desmistificado, mesmo sabendo-se que, embora uma grande parcela da população viva em condições precárias, esta também tem o direito ao lazer, tido como uma necessidade do indivíduo. São muitas as definições e estudos sobre o Lazer, com inúmeras visões de teóricos, que ora vinculam o conceito a tempo livre, ora, ao ócio. Todavia, o conceito mais difundido no Brasil foi proposto por Dumazedier (1973, p. 34), considerado o pai da sociologia empírica do Lazer: Um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se, entreter-se ou, ainda para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais. Além deste conceito, o mesmo autor definiu as propriedades desse fenômeno social. São elas: escolha pessoal, liberalidade, gratuidade e hedonia. Para esse estudioso, a liberação se deve ao fato de que o indivíduo, no lazer, busca se liberar das tarefas rotineiras e institucionalizadas – como obrigações familiares e trabalhistas. Sobre a escolha pessoal, afirma ele que, quando comparada a outras atividades, a do lazer se mostra como uma que tem maior gama de opções, apresentando, assim, uma maior liberdade de decisão. Quanto à gratuidade, esta se dá porque o Lazer, enquanto tal, não apresenta fins lucrativos, mas uma busca pela satisfação, pelo prazer sem imposições, podendo-se ser aquilo que realmente se é, utilizando-se de toda emoção e criatividade próprias. Para Dumazedier (1979), o Lazer ainda apresenta três funções que são interligadas - os chamados “3 Ds do Lazer”, a saber: descanso, divertimento e desenvolvimento. 2 O descanso está ligado à renovação da força de trabalho e das obrigações cotidianas; o divertimento remete-se ao entretenimento, ao jogo, às viagens e implica no rompimento do ritmo de vida diária; já o terceiro D corresponde ao desenvolvimento da personalidade de cada indivíduo. Estas funções interagem entre si, embora uma se sobreponha à outra em determinados momentos: Estas funções são solidárias, estão sempre intimamente unidas umas às outras, mesmo quando parecem opor-se entre si. Na verdade, essas funções acham-se presentes, em graus variados, em todas as situações e em relação a todos os indivíduos; podem suceder-se ou coexistir; manifestar-se uma de cada vez, ou simultaneamente, na mesma situação de lazer. Às vezes, estão de tal modo interpenetradas que se torna difícil distinguí-las. Na realidade, cada uma delas não passa quase sempre de uma dominante (DUMAZEDIER, 1974, p. 34). Como propiciadora de descanso, desenvolvimento e divertimento, observa-se a dimensão e as consequências geradas pelas experiências de lazer. Muitos autores brasileiros vêm problematizando o conceito de Dumazedier, trazido para o Brasil na década de 70 do século passado, não desconsiderando suas importantes contribuições, mas ampliando o olhar sobre o fenômeno. Merece destaque o conceito de Marcellino (1990, p. 31) que o entende como cultura – compreendida em seu sentido mais amplo – vivenciada (praticada ou fruída) no ‘tempo disponível’. O importante como traço definidor, é o caráter ‘desinteressado’ dessa vivência. Não se busca, pelo menos fundamentalmente, outra recompensa além da satisfação provocada pela situação. A ‘disponibilidade de tempo’ significa possibilidade de opção pela atividade prática ou contemplativa (MARCELLINO, 1990, p. 31). Abrangendo o Lazer à Cultura, para o referido autor, o ser tanto poderá ser consumidor quanto produtor desta, o que representa uma ampliação do significado do lazer, que não se limita a conjuntos de ocupações, como defendido por Dumazedier (1979), pois o termo ocupação está intimamente ligado a trabalho, afazeres e ofício; e o lazer se enquadra exatamente no oposto a isto. Seria mais adequado falar em experiências ou vivências, ou no fato de se ter vida, de se viver, ou ainda no conhecimento adquirido pela própria vida. Diante desta perspectiva, destaca-se a seguinte definição: O lazer se traduz por uma dimensão privilegiada da expressão humana dentro de um tempo conquistado, materializada através de uma experiência pessoal criativa, de prazer e que não se repete no tempo/ espaço, cujo eixo principal é a ludicidade. Ela é enriquecida pelo seu potencial socializador e determinada, predominantemente, por uma grande motivação intrínseca e realizada dentro de um contexto marcado pela percepção de liberdade (BRAMANTE, 1998, p. 11). Quando Bramante afirma que o lazer é um tempo conquistado, independente da situação espacio-temporal, marcado pelo lúdico, quer dizer que o indivíduo consegue se libertar da “realidade 3 imposta”, transcendendo-a/fruindo-a,- devendo-se lembrar que a motivação intrínseca e a liberdade são fundamentais para se caracterizar o lazer. Outro conceito que merece destaque: Lazer como uma dimensão da cultura constituída por meio da vivência lúdica de manifestações culturais em um tempo/espaço conquistado pelo sujeito ou grupo social, estabelecendo relações dialéticas com as necessidades, os deveres e as obrigações, especialmente com o trabalho produtivo (GOMES, 2004, p. 125). Sendo dimensão da Cultura, o Lazer é construído socialmente e inserido em todo o contexto de vida cultural. Em seu conceito, Gomes apresenta quatro elementos que se inter-relacionam e são fundamentais para o entendimento desse fenômeno social, a saber: tempo, espaço/ lugar, manifestações culturais e ações/atitudes. Para essa autora, “o lazer por um lado pode contribuir para o mascaramento das contradições sociais, mas por outro, pode representar uma possibilidade de questionamento e resistência à ordem social injusta e excludente que predomina em nosso meio” (GOMES, 2004, p. 125). A tal variedade de conceitos, segundo Munnè (1980), não é se adequa a classificação de “certo” nem “errado”, mas uma determinada realidade e tempo histórico, sendo assim conceitos da ordem do mutável. Kelly e Freysinger (2000) lembram que, tal como a vida, o Lazer não escapa das mudanças sociais ocorridas no século XXI, destacando que a importância da experiência pessoal é fundamental para caracterizá-lo. Para estes autores, “leisure is activity that is done primarily for the experience itself” (KELLY e FREYSINGER 2000, p. 3), esclarecendo, contudo, que a experiência é um processo complexo que consiste de “stimulus or environment, attitudes or mental states and behaviors” (KELLY e FREYSINGER 2000, p.79). Uma grande contribuição de Dumazedier para um entendimento do lazer foi o destaque dado ao componente “interesse”, que, segundo este autor, no lazer, é de ordem vária, a saber: artístico, manual, físico-desportivo, intelectual e social (DUMAZEDIER, 1974, p. 101). Posteriormente, Camargo (2003, p. 18) inseriu o turístico nessa categorização. O interesse artístico se caracteriza por todas as manifestações de arte, como teatro, cinema e artes plásticas; o manual, por tudo aquilo ligado à manipulação e à transformação de elementos da natureza; os físico-desportivos, às atividades esportivas em geral ligadas ao corpo; as atividades ligadas à ciência, à informação e ao conhecimento dizem respeito ao interesse de ordem intelectual; já as atividades que objetivam a sociabilização se ligam ao de ordem social. Cumpre ressaltar que 4 ocorre uma interligação deste com os demais tipos de interesse. Os turísticos, por fim, se direcionam a viagens e a tudo que implique mudança do cotidiano. Alguns autores da atualidade já apontam os interesses virtuais como uma possibilidade que envolve os jogos computadorizados, a rede de Internet, os celulares e os games. Para Schwartz (2003), este novo conteúdo cultural caracteriza-se por promover impactos internacionais de diferentes ordens, uma vez que são meios que facilitam a relação espaciotemporal, modificam a forma de ação das pessoas numa dimensão social, em relação ao outro, e uma dimensão receptiva, ampliando a “geopolítica” do que seja intimidade e padrão cultural, isto é, conceito e comprometimento na relação com o mundo. Vale enfatizar que as práticas de lazer são contempladas pelas seguintes potencialidades humanas: informação, fruição e criação (REGINATO, 1999). A primeira contribui para transformar o homem pelo livre pensar e abrir novos sentidos para as experiências. A segunda promove o homem surpreendendo-o com sensações impensadas e acrescentando cheiros, sons, poesia e cor à sua experiência. E, por fim, a criação, que “(...) é o encontro das potencialidades com as possibilidades. A criação se alimenta da informação e da fruição e renova a crença na originalidade do indivíduo, na possibilidade de tudo ser diferente” (REGINATO, 1999, p.134). Percebe-se a amplitude do Lazer e o seu potencial de desenvolvimento humano, que colabora para promover experiências enriquecedoras, além de um conhecimento não apenas formal, mas de vida, sensações e emoções. O tempo de lazer, enquanto um tempo de fruição, torna-se também um tempo de aprendizagem, aquisição e integração, diverso dos sentimentos, conhecimentos, modelos e valores da cultura, no conjunto das atividades nas quais o individuo está enquadrado. O lazer poderá vir a ser uma ruptura, num duplo sentido: a cessação de atividades impostas pelas obrigações profissionais, familiares e sociais, e ao mesmo tempo, o reexame das rotinas, estereótipos e ideias já prontas que concorrem para a repetição e especialização das obrigações cotidianas (DUMAZEDIER, 1974, p. 265). Desde os estudos de Dumazedier, vem se enfatizando o tempo de lazer como um tempo de fruição e de aprendizagem, relacionando-o à Cultura, promovendo, assim, o rompimento com os padrões institucionalizados e propiciando o desenvolvimento humano. Por muito tempo o Lazer só foi visto como veículo, um instrumento para se conseguir algo e manter a ordem. Atualmente, espera-se difundir o seu potencial como fim, capaz de contribuir para a democratização da Cultura. Mesmo diante da relação Lazer-Educação, com as constantes transformações geradas pela Globalização, o Lazer começou a ser visto principalmente como uma simples mercadoria pronta para 5 o consumo, esquecendo-se da sua característica de meio propiciador de um desenvolvimento crítico e criativo por parte dos indivíduos. Ações e medidas que busquem no lazer o desenvolvimento pessoal e social humano de forma crítica e democrática devem ser incentivadas. O Turismo, um dos interesses culturais do Lazer, promotor da sociabilização e do contato com vários conteúdos culturais e com o meio ambiente, promotor também do descanso da rotina, da contemplação e gerador de novas experiências, poderá contribuir para a construção de um novo homem, dependendo de sua forma de ação. Frente a estas suas características, procurar-se-á conjugar as suas relações com o Lazer e sua possibilidade de contribuir para um repensar sobre esses dois fenômenos sociais na Contemporaneidade. Turismo: de fenômeno social a atividade econômica O Turismo compreendido como um fenômeno multifacetado que tem seus primórdios como uma atividade econômica organizada no final da Idade Moderna, mais precisamente no final do século XVIII, vem crescendo de forma expressiva junto às sociedades contemporâneas. Sendo uma importante atividade econômica da atual conjuntura que movimenta a balança comercial mundial, o Turismo ocupa diversas categorias profissionais no setor e promove o empreendedorismo nas mais variadas acepções da economia. Também é responsável pelo desenvolvimento social, cultural e humano, se bem concebido e planejado pelas entidades, profissionais e organizações competentes. Marcado por contradições e conflitos de interesses e muito explorado e divulgado pela imprensa, esse fenômeno social tem sua conceituação ainda em formação. Ao analisar a origem do termo turismo, Barretto (1995) afirma que o vocábulo tour é de origem francesa e significa “volta”. Em complementaridade, Andrade (2002), por sua vez, afirma que a matriz do radical tour é do latim, através do seu substantivo tourns, do verbo tornare, cujo significado é “giro, volta viagem ou movimento de sair e retornar ao local de partida”. As pesquisas em Turismo, embora recentes, têm avançado, de modo a virem contribuindo para o debate e para maiores e melhores possibilidades de configuração dessa área. Entretanto, a falta de um objeto de estudo específico vem fazendo com que tal fenômeno social ainda permeie diversos campos do conhecimento, como a Sociologia, a Economia, a Antropologia e a Geografia, dentre outros. Em seus estudos, Moesch (2003) observa que o Turismo é um fenômeno social extremamente subjetivo e pessoal. Sua concepção a respeito desse fenômeno baseia-se no 6 paradigma da complexidade, segundo o qual este é uma prática social, ou melhor, um campo de práticas histórico-sociais que pressupõem o deslocamento dos sujeitos em tempos e espaços produzidos de forma objetiva, um campo possibilitador de afastamentos simbólicos do cotidiano, coberto de subjetividades e, portanto, explicitador de uma nova estética diante da busca do prazer (MOESCH, 2003). A mesma autora aponta ainda para elementos outrora desconsiderados, a saber: o Turismo percebido pelo seu caráter holístico, uma preocupação com os sujeitos e sua produção do espaço e tempo – que diferenciam de acordo com o destino e segmento turístico – e a questão do simbólico. É importante enfatizar que o Turismo, além de ser uma prática social, é também uma atividade econômica (negócio, comércio, serviços), política, cultural e psicológica, que deixa reflexos nas comunidades receptoras. Este pensamento é defendido e divulgado pelos discursos oficiais da Organização das Nações Unidas (ONU), ao ampliarem o conceito de Turismo. Wahab (1991, p. 26) assim o define: [...] uma atividade humana intencional que serve como meio de comunicação e como elo de interação entre povos, tanto dentro de um mesmo país como fora dos limites geográficos dos países. Envolve o deslocamento temporário de pessoas para outras regiões, país ou continente, visando a satisfação de necessidades outras que não o exercício de uma função remunerada. Para o país receptor um turismo é uma industria cujos produtos são consumidos no local formando exportações invisíveis. Os benefícios originados deste fenômeno podem ser verificados na vida econômica, política, cultural e psicológica da comunidade. Visto como uma prática social e histórica, Urry (2001) amplia os olhares dos estudiosos e pesquisadores atribuindo ao Turismo reflexões como: O turismo é uma atividade de lazer, que pressupõe seu oposto, isto é, um trabalho regulamentado e organizado. Constitui uma manifestação de como o trabalho e o lazer são organizados, enquanto esferas separadas e regulamentadas da prática social, nas sociedades ‘modernas’. Com efeito, agir como um turista é uma das características definidoras de ser ‘moderno’ e liga-se a grandes transformações do trabalho remunerado. É algo que passou a ser organizado em determinados lugares e a ocorrer em períodos regularizados (URRY, 2001, p. 17). Este autor alerta para algo importante e fundamental para se realizar qualquer prática de lazer, especialmente o Turismo: esta deve se dar de forma dissociada do trabalho e de atividades remuneradas, num tempo necessariamente “conquistado”3 pelo indivíduo. Aliás, a sociedade 3 O tempo conquistado é a expressão utilizada por Bramante (1998) e Gomes (2004, 2008), ao explicarem que o lazer, além de não se restringir aos períodos institucionalizados (férias, finais de semana, após o expediente de trabalho), em uma sociedade ambígua e contraditória, constitui relações dialéticas com o tempo das obrigações de diversas naturezas, como sociais, familiares e profissionais. 7 moderna organiza e estrutura a dinâmica do trabalho pensando no tempo fora deste, sobretudo para a viabilização de atividades de lazer. O Turismo visto pelo viés econômico é retratado na literatura também sob tal perspectiva, pois o maior volume de estudos científicos sobre este provém das ciências econômicas (BARRETTO, 2004), que analisam o crescimento e a movimentação de capitais a partir da chamada "indústria do Turismo”, ou seja, dos negócios turísticos, focados no mercado, em dados estatísticos e quantitativos. Essa primeira visão do Turismo, regida pela lógica do capital e do consumo exacerbado, que prioriza o lucro em curto prazo, preconizando o ter em vez do ser, passa a tratá-lo como uma importante mercadoria, secundarizando suas características humanas, consumindo os espaços, épocas, acontecimentos e - por que não? - a própria comunidade nativa. Os gostos e as necessidades são criados pela mídia e a publicidade, que influenciam os indivíduos a todo instante, seja pelas redes sociais de comunicação, seja pela televisão e pelas revistas. Rodrigues (1999) aponta para a dificuldade de se abarcar em uma única definição o significado do Turismo, uma vez que são muitos os enfoques possíveis. É certamente um fenômeno complexo, designado por distintas expressões: uma instituição social, uma prática social, uma frente pioneira, um processo civilizatório, um sistema de valores, um estilo de vida – um produtor, consumidor e organizador de espaços – uma “indústria”, um comércio, uma rede imbricada e aprimorada de serviços (RODRIGUES, 1999, p. 17-18). Concordando com a autora supracitada, no tocante à complexidade desse fenômeno e à polissemia do termo, será tarefa árdua encontrar um consenso entre os diversos teóricos, embora existam cinco elementos fundamentais que o caracterizam, a conhecer: a viagem, a permanência fora do domicílio, o caráter temporário, o sujeito do turismo (turista) e o seu objeto (bens e serviços turísticos) (BENI, 2001). Sendo assim, para existir o Turismo, faz-se necessário o deslocamento sazonal, fora da residência habitual, onde ocorra o uso de oferta turística por um agente social. Os recentes estudos no campo desse fenômeno social caminham no sentido do seu pensar e agir de modo mais coletivo, como afirma Krippendorf (2001, p. 22, grifo nosso), “desenvolvendo outras formas de lazer para que todas as pessoas envolvidas possam tirar o mesmo proveito, sem prejudicar os habitantes e o meio ambiente locais” – o que significa segmentar o mercado, procurando atender às mais diferentes demandas, tendo em vista o desenvolvimento local e em escala humana. A falta da sistematização dos estudos sobre o Turismo, bem como divergências teóricoconceituais, contribuem para a falta de consenso sobre esse fenômeno. As lacunas existentes são 8 campos de investigação para os pesquisadores, possibilitando discussões que poderão contribuir para uma sua epistemologia. Aproximações e limites no entendimento dos fenômenos – Lazer e Turismo O Turismo é uma das expressões modernas mais expressivas do Lazer no Mundo Contemporâneo. Para melhor explicar esta afirmação, pode-se dizer que tal fenômeno está diretamente vinculado ao Lazer, em que a prática turística é uma materialização das vivências deste. A corrente que considera o Turismo como um dos interesses do Lazer (CAMARGO, 2003; MARCELLINO, 1996) defende que ambos apresentam elementos comuns, tais como a busca pelo prazer, a liberdade de escolha e a liberalidade, denominadas de “propriedades do Lazer”, defendidas por Dumazedier (1974). No campo do Turismo geralmente o Lazer enquanto tal é identificado como um de seus segmentos, acentuando seu viés de negócio - influência de uma base pautada nas Ciências Sociais Aplicadas. Nessa disputa de poder, autores como Pimentel (2003), Pereira (2000) e Franzini (2003) são pesquisadores que defendem uma maior complexidade do Lazer frente ao Turismo (LACERDA, 2007). No entanto, apesar de tal divergência entre os autores, o que se destaca é que esta configura na realidade campos de intersecção de saberes, vivências sociais e culturais que podem mutuamente contribuir para o avanço do seu corpus de conhecimento. Discordando dessa problemática, alguns autores defendem que o Lazer é apenas um segmento turístico, cuja motivação para viagem, por exemplo, se dará pela busca, única e exclusiva, do lazer, geralmente no período das férias. Para Camargo (2001, p. 236), “[...] por mais que alguns tentem sobrepor ou mesmo reduzir um fenômeno ao outro, trata-se de mostrar que ambos se recortam mutuamente, guardando um núcleo comum, mas conservando suas subáreas autônomas”. Entende-se que, em alguns momentos da idealização e execução da viagem turística, o sujeito da ação (neste caso, o turista) não está praticando propriamente lazer, como, por exemplo, nos momentos e itens pontuados a seguir: - na concepção da viagem: escolha do destino turístico, pesquisas, planejamento financeiro, seleção e composição do roteiro de viagem; - no deslocamento: as viagens, dependendo do meio de transporte utilizado, como carro de passeio e avião, podem ser cansativas e desgastantes física e psicologicamente para os turistas, pois o tempo gasto e os imprevistos de uma viagem podem se tornar uma experiência nada prazerosa e enriquecedora (como devem ser as vivências de lazer); 9 - no transfer4 e traslado5 mal planejados: nessa fase da viagem, de acordo com o grau de satisfação ou motivação do turista, as atividades de deslocamento e passeios podem também ter significados adversos, estressantes e pouca relação com o lazer; - no check in e check out:6 na ocasião de entrada e saída dos hóspedes em determinado meio de hospedagem, a experiência turística muitas vezes pode ser frustrante ou entediante, quer seja pela espera, quer seja pela ineficácia na prestação de serviços ou pela prática ilegal de overbooking (venda além da capacidade da empresa, ou seja, uma distorção entre a oferta e a demanda por determinados serviços), entre outros constrangimentos; - infraestruturas básica e turística: durante a viagem, o turista poderá se deparar com elementos próprios de uma estruturação e um planejamento de um destino mal feitos, como: insegurança, sinalização precária, prestadores de serviços com baixa qualificação técnica, atrativos danificados, informações turísticas desatualizadas e/ou equivocadas, sem falar na falta de água e energia elétrica em algumas destinações turísticas (principalmente nos períodos de alta temporada). Os exemplos supracitados são apenas algumas possibilidades do não-lazer no âmbito do fazer turístico, percebendo-se que nem toda prática turística promove efetivamente experiências de lazer. Camargo (2003, p. 26) classifica as práticas de lazer, destacando, inclusive, as atividades turísticas que têm esta característica como sendo um interesse cultural dos indivíduos que buscam, por meio do Turismo, mudança de passagem, ritmo e estilo de vida, além de afirmar que este “é tido como uma das mais nobres atividades de lazer” (CAMARGO, 2003, p. 90). São muitos os motivos que levam um indivíduo a optar por uma viagem turística, como por exemplo: participar de eventos e/ou negócios, conhecer outras culturas e sociedades, apreciar a gastronomia típica ou exótica de um povo, aprimorar conhecimentos intelectuais-científicos, visitar parentes e amigos e praticar atividades de lazer (passeios, compras, visitas a atrativos turísticos, entre outros). Viajar em busca de lazer, diversão e descanso, está entre os principais motivos que levam uma pessoa a fazer turismo. Isto leva a crer que o pensamento de Dumazedier (1980) sobre as funções do lazer (desenvolvimento, divertimento e descanso) faz-se atual e indispensável para o entendimento da relação Lazer-Turismo, especialmente do fazer turístico, pois compreender o 4 Transfer: traslado do passageiro na chegada e na saída do destino. Tem o mesmo significado do traslado. Traslado: serviço de assistência e transporte do passageiro, desde o terminal de transportes até o local onde ele ficará hospedado. 6 Check-in: procedimento de entrada do hóspede no meio de hospedagem (MH). Checagem de reserva, preenchimento da ficha de hospedagem, encaminhamento do cliente e suas bagagens ao apartamento; Check-out: procedimento de saída do hóspede do MH. Verificação de todo o seu consumo durante a estada e encerramento da conta. 10 5 Turismo como uma importante vertente do Lazer, bem como dissociado deste, transita prioritariamente pelos princípios filosóficos propostos pelo autor. Fazendo uma analogia das funções do Lazer com o fenômeno turístico, tem-se: - desenvolvimento: a viagem turística proporciona conhecimento e enriquecimento pessoal e cultural não apenas relacionados ao destino visitado, mas também às relações humanas, ambientais, econômicas e políticas que se apresentam nos lugares de estada e passeios; - divertimento (recreação e entretenimento): por mais que o motivo da viagem seja o de participar de uma rodada de negócios ou reuniões de trabalho, em dados momentos do dia, o turista irá procurar atividades que proporcionem diversão, como: passeios turísticos, visitas a teatros e/ou museus, cinemas, ida a boates e/ou bares. Ou seja, o lugar turístico (urbano ou rural), geralmente, possui uma gama de possibilidades de experiências de lazer para as populações residente e visitante; - descanso: entende-se este como um momento de contemplação, puramente de ócio, relaxamento ou de permanência nas instalações de um meio de hospedagem sem preocupações com atividades obrigatórias ou de desgaste físico e mental. As inter-relações e implicações do Turismo no Lazer e vice-versa são inerentes à própria dinâmica do que se entende por Lazer na Contemporaneidade, uma vez que, como já dito, aquele é uma expressão moderna e importante deste. Diante disto, o Turismo e o Lazer são fenômenos da Sociedade Moderna entrelaçados, onde um só acontece no âmbito do outro, ou seja, toda forma de Turismo é uma modalidade de Lazer e este possui uma série de possibilidades de práticas e vivências, dentre as quais, o Turismo. A seguir serão destacados os pontos comuns e as divergências entre Lazer e Turismo: INTERSECÇÕES DIVERGÊNCIAS Deslocamento Gratuidade LAZER Para se fazer lazer não é necessário o deslocamento para uma localidade que não seja a de residência fixa do sujeito. Williams e Buswell (2003); Gomes, Pinheiro e Lacerda (2010). Apesar de toda prática de lazer estar carregada de interesse, com a gratuidade presente nas escolhas, o lazer é um tempo onde se pode exercitar mais o fazer-por-fazer. Camargo (2003); Dumazedier (1979). TURISMO O fazer turístico necessariamente requer descolamentos para outras localidades, pois não se faz turismo no lugar onde se situa a primeira residência. Lickorish e Jenkins (2000); Andrade (2002); Theobald (2001); Lohmann e Panosso Netto (2008); Beni (2001). Embora o turismo também seja uma escolha pessoal e aconteça no tempo destinado ao lazer (com algumas exceções), não se faz este pensando em fazer por fazer, mas sim para desenvolver uma série de atitudes pertinentes ao fenômeno, como enriquecimento cultural, descanso, fugir da rotina e, movimentar uma cadeia produtiva geradoras de grandes negócios. Trigo (1993); Sonaglio e Fabbris (2010); Chias (2007). 11 Acomodação Experiência e Vivência Sazonalidade CONVERGÊNCIAS Liberdade de escolha Tempo O lazer pode ser desenvolvido e experimentado independentemente de o sujeito utilizar uma acomodação por um período de curta ou longa duração, pois, na maioria das vezes, e praticado na cidade habitual de moradia onde o indivíduo possui residência fixa, não fazendo assim uso de outras formas de acomodação (hospedagem ou alojamento). A experiência estaria mais ligada ao Lazer (por ser considerada atividade da vida cotidiana). Benjamin (2007); Williams e Buswell (2003) e; Gastal e Moesch (2007). O Lazer não possui natureza sazonal, uma vez que pode ser desenvolvido e experimentado todos os dias, horários e espaços públicos e/ou privados destinados ou não a tal uso. Bramante (1998); Gomes (2004; 2008) e; Marcellino (2007). O Lazer possui um caráter “liberatório”, ou seja, além de ser resultado de uma escolha pessoal livre, estaria liberto de obrigações institucionais ligadas à família, à religião, à profissão, à política, etc. Dumazedier (1979). Tempo disponível ou tempo conquistado para fomentar práticas do lazer, ou seja, para experimentá-lo. É o tempo fora das obrigações de trabalho e afazeres domésticos. Porém, esse tempo possui concepções contraditórias, uma vez que o Lazer não se restringe aos períodos institucionalizados (férias, finais de semana, após o expediente de trabalho) e, em uma sociedade O indivíduo, ao vivenciar a atividade turística, caso pernoite no destino, necessariamente irá utilizar um meio de hospedagem ou alojamento extra-hoteleiro para pousar, sendo a acomodação elemento indispensável para sua permanência no destino da viagem. Beni (2001); Andrade (2002); Lohmann e Panosso Netto (2008). A vivência diria respeito ao Turismo (recheado de sensações novas). A vivência deste implica sempre em sensações incomuns percebidas pelos sujeitos. Benjamin (2007); Williams e Buswell (2003) e; Gastal e Moesch (2007). O Turismo ainda se configura como uma modalidade do Lazer Sazonal, pois, no caso do Brasil, o período em que se vivencia o Turismo com maior expressividade é durante a alta estação/alta temporada turística (férias escolares e/ou do trabalho, mais precisamente nos meses de dezembro a fevereiro e em julho). Andrade (2002); Beni (2001). Semelhante à liberdade de escolha atribuída ao Lazer, o sujeito, quando decide fazer turismo, não somente está disposto a vivenciálo, mas também escolhe como, quando, quanto gastará, para onde ir, o que comprar e quais passeios deverá realizar durante a viagem, além de a motivação da viagem e a escolha serem elementos pertinentes e de acordo com os interesses do indivíduo-turista. Gomes, Pinheiro e Lacerda (2010). No caso do Turismo, o tempo para vivenciá-lo é transitório, efêmero e limitado, pois, além da vivência se dar em períodos pré-definidos pelo sistema organizacional da vida contemporânea, o turista tem um tempo disponível de acordo com suas obrigações na cidade de origem (família, trabalho, estudos etc.), capital e motivação também previamente pensada para tal fim, salientando que a própria natureza 12 Espaço Busca pelo prazer Fenômeno Sociocultural ambígua e contraditória, constitui relações dialéticas com o tempo das obrigações de diversas naturezas, como sociais, familiares e profissionais. Gomes (2004; 2008); Marcellino (1987); Bramante (1998); Dumazedier (1979) e; Parker (1978). O espaço/lugar - este vai além do espaço físico, por ser um “local” do qual os sujeitos se apropriam, no sentido de transformá-lo em ponto de encontro para o convívio social. Gomes (2004). As buscas por prazer e satisfação, pela participação e consumo de novos bens culturais, enfim, por novas opções de lazer, são também impulsionadas por políticas públicas de esporte, lazer e turismo, fazendo com que sejam importantes possibilidades para as populações local e flutuante. Gomes, Pinheiro e Lacerda (2010). Constituem as práticas vivenciadas como fruição da cultura e, por isto, detêm significados singulares para quem as vivencia. São experiências socioculturais e historicamente construídas pela Sociedade Moderna. Gomes e Faria (2005). Quadro 01 – Intersecções entre Lazer e Turismo da atividade turística é seu caráter temporal. Lickorish e Jenkins (2000); Beni (2001). O espaço é produzido para fins turísticos, transformando-se em mercadoria, sendo cenário da produção do capital e da consolidação da atividade turística em diferentes realidades sociais, culturais e ambientais. Carlos (1999) e; Cruz (2007). O imaginário alimentado em relação ao lazer e às viagens é tão forte, que nele se destaca o prazer, em que pesem todas as dificuldades. Outro fator importante é que a viagem não era medida pela distância percorrida ou pelo tempo despendido, estando sua construção de sentido associada ao sair das rotinas do pequeno mundo doméstico. Não é à toa que o Turismo é idealizado e entendido pela sociedade como fenômeno do prazer, da fantasia, da emoção e dos sonhos. Gomes, Pinheiro e Lacerda (2010). O Turismo é reconhecido como fenômeno sociocultural, antes de ser uma importante atividade econômica e histórico-social, pois, durante a vivência turística, podese mobilizar (re)descobertas de cheiros, sabores, sentidos e significados locais por intermédio de interações entre visitantes e atores locais, em um contínuo e significativo processo de partilha sociocultural. Gastal e Moesch (2007). Fonte: Elaboração dos autores, 2012. Alem dos fatores citados no Quadro 01, o que se sabe e que ambos os fenômenos – Turismo e Lazer – são garantidos como direitos do indivíduo pela Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. O Lazer, por meio dos Artigos 6º e 227º, os quais asseguram que é um direito social, tal como a educação e o trabalho, sendo dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à 13 educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. E o Turismo, pelo Artigo 180º, o qual afirma que a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios devem promover e incentivar o turismo como fator de desenvolvimento social e econômico. Como se pode perceber, o Turismo e o Lazer não podem estar apenas sob a tutela dos agentes de mercado, mas essencialmente cabe ao Poder Público, por meio de suas instâncias de governança, assegurar o direito e a qualidade de um e de outro para toda a sociedade (residentes e visitantes). Neste contexto, compreender o Lazer e o Turismo enquanto dimensões da Cultura e do direito social de um povo faz-se urgente e esclarecedor, pois ambos podem cristalizar os aspectos alienantes e mercantilistas do mercado e, assim, reforçar a ordem social vigente ou despertar na sociedade uma postura emancipatória, transformadora, democrática, política, mais humanizante e humanizada. Lazer, Turismo e Pós-Modernidade: configuração de espaços litorâneos especializados As cidades, ao longo dos tempos, foram pensadas sob a ótica do trabalho, em que indústrias e fábricas surgiram numa proporção bem superior à dos espaços destinados para o lazer. Os espaços industriais no lugar dos habitacionais e de lazer terminaram por gerar problemas sociais que passaram a afetar diretamente as classes menos abastadas da Sociedade, cujas condições de moradia e de trabalho costumam ser precárias. O Lazer não foi priorizado nas políticas e na estruturação dos núcleos urbanos e, portanto, os seus espaços e equipamentos não mereceram a atenção necessária, nem lhes foi atribuída a importância real numa política de desenvolvimento regional. Foi na década de 1970 que a Iniciativa Privada percebeu o retorno econômico proporcionado pelo Lazer, começando a investir em construção de shoppings centers, condomínios com área própria de lazer, playgrounds, clubes e resorts (hotéis de lazer). Concebidos como mais uma mercadoria para atrair consumidores, suas construções e manutenções eram diretamente ligadas à viabilidade do lucro (MARCELLINO, 1995). Nos espaços urbanos, shoppings centers como o Midway Mall (Figura 1) estão cada vez mais presentes nas cidades do Brasil, especialmente nos núcleos urbanos que compõem a franja litorânea, configurando-se como competitivos complexos de lazer e entretenimento para residentes e visitantes desses espaços. 14 Figura 01 – Fachada externa do Shopping MidWay Mall: ícone de lazer e entretenimento de Natal/RN Fonte: Shopping Midway Mall, 2012. Garcia (1996, p. 19) afirma que a cidade já não pode ser mais, tão somente, o espaço das atividades econômicas ou o espaço utilitário da habitação ou das vias de circulação; tem que ser também o espaço existencial que permita a cada um a procura de sua realização como pessoa. Os espaços de outrora utilizados para conversar, brincar e divertir-se são em geral esquecidos. Diante dessa realidade, novos espaços para a prática do lazer são criados, enquanto, paradoxalmente, muitos outros são abandonados; desde o espaço da escola até o do trabalho, todos devem possuir ludicidade, propiciando possibilidades para o lazer. Por esta razão, são inúmeros os espaços para o desenvolvimento das vivências de lazer dos sujeitos, sendo classificados em equipamentos específicos e não específicos (CAMARGO, 2003). Os equipamentos específicos de lazer, em sua maioria, são privados, como teatro, cinema, boates e ginásios, criados para atender, de forma prioritária, a pelo menos um dos conteúdos do lazer. Tal tipo de equipamento pode ser classificado pelo porte e pela finalidade, variando de acordo com os interesses: sociais, físicos, intelectuais, manuais, artísticos e turísticos. Os espaços que são construídos sem o objetivo de promover o lazer, mas que eventualmente podem vir a cumpri-lo, são os chamados “equipamento não-específicos de lazer”, destacando-se o lar, a rua e a escola. São estes os espaços em que o homem desenvolve a maior parte de suas vivências de lazer (STUCCHI, 1997). Os espaços de lazer devem se desenvolver com a preocupação de ser mais um componente dentro da educação global, na descoberta dos lugares, das sensações e das emoções. O Turismo, como um dos interesses do Lazer, também é responsável pelo surgimento de espaços específicos que visam à inclusão social, às experiências culturais e às práticas de lazer 15 coletivas, sendo o espaço o seu principal objeto de consumo, materializado por meio de um conjunto indissociável de sistemas de objetos e de sistemas de ações, como teorizado por Santos (1997). O espaço se recria e se reproduz constantemente nos lugares com potencial turístico, especialmente nos destinos que possuem adequadas infraestruturas para a realização de práticas de lazer. Os espaços turísticos estão presentes na maioria dos centros urbanos, abrangendo inúmeras possibilidades de áreas funcionais dedicadas ao lazer dos residentes e visitantes do que se propõe a ser ou já é efetivamente um destino turístico. Boullón (2002, p. 79) diz que espaço turístico: é consequência da presença e distribuição territorial dos atrativos turísticos que, não devemos esquecer, são a matéria-prima do turismo. Este elemento do patrimônio turístico, mais o empreendimento e a infraestrutura turísticas, são suficientes para definir o espaço turístico de qualquer país. O espaço turístico se apresenta em uma dada porção territorial que abrange um conjunto de atrativos, equipamentos, infraestrutura e serviços voltados para a produção e o consumo turístico. Essa concepção de espacialização do território para o desenvolvimento da atividade turística é de suma importância para o planejamento e o ordenamento dos fluxos turísticos e efeitos (negativos e positivos) do fenômeno em determinados destinos turísticos. Estes são antes de tudo locais de moradia, trabalho e relações sociais da vida cotidiana das pessoas que ali vivem. A máxima “A cidade só é boa para o turista se for boa para seus residentes” é cada vez mais verdadeira e urgente, principalmente quando se trata de destinos turísticos urbanos - as cidades. Sendo assim, os destinos, sobretudo os núcleos urbanos de maior expressão mundial que são alvo de forte especulação turística e motivadora de fluxos turísticos, precisam proporcionar ótimas condições de moradia, infraestrutura e estarem bem aparelhados de espaços de lazer para seus residentes, o que irá beneficiar grandemente os visitantes, possibilitando-lhes usufruir de tais espaços, inclusive dos equipamentos pensados e criados para consumo turístico. Os núcleos urbanos dos grandes centros cada vez mais se especializam em equipar suas áreas comuns de equipamentos e espaços de lazer, principalmente para fins turísticos. Isto é reflexo das mudanças culturais, da valorização econômica, da ideologia da sustentabilidade global e do desenvolvimento tecnológico, que são traços marcantes da Pós-Modernidade. A Sociedade Contemporânea apresenta novos desafios e olhares para se entenderem as principais mudanças culturais, sociais, políticas, econômicas e ambientais que influenciam e são influenciadas pelas relações humanas. Lohmann e Panosso Netto (2008, p. 145) comentam que a Pós-Modernidade: 16 é a faceta cultural da sociedade pós-industrial e está diretamente ligada às novas formas de ver o mundo. Com a globalização, a revolução nas artes, o desenvolvimento tecnológico, o surgimento das Organizações Não-Governamentais – ONGs e das redes (sociais, tecnológicas e econômicas), o crescente número de veículos de comunicação, a concentração da atenção na prestação de séricos, a capacidade de se processar e armazenar um grande número de informações, inclusive com a criação do computador e internet, a forma de vida do homem se transformou radicalmente. Para os autores supracitados, o Turismo também foi influenciado pela Pós-Modernidade, embora não seja um fenômeno desse período histórico-social, quer tenha sido promovido ou negado por essa concepção ideológica de ver e entender o mundo. Contudo, foi neste período que o Turismo se consolidou como expressiva atividade econômica, cultural e social. Em tal contexto, a busca por experiências culturais, a valorização do lazer, o entretenimento e o turismo foram intensificados, de modo a virem ser responsabilizados por profundas mudanças e pela reestruturação dos destinos turísticos existentes (desenvolvidos e/ou incipientes). Nesse momento, com a reestruturação produtiva, alguns setores até então inexpressivos economicamente assumem relevância (economia imaterial): o Turismo cresce como alternativa e o Lazer é apropriado pelo mercado para vender produtos, sendo, inclusive, convertido em um produto/mercadoria. No Pós-Turismo, as cidades lúdicas ou ludópolis (MOLINA, 2003) são espaços lúdicos que estão se desenvolvendo e sendo criados em grandes cidades do Mundo, como: Sidney, Londres, Paris, Roma, Nova York, Tóquio, Hong Kong, para se destacarem como importantes centros globais, no que diz respeito a circuitos turísticos mais rentáveis e competitivos, sobretudo nos setores ligados ao Lazer e ao Turismo. No Mundo Pós-Moderno, o turista é visto apenas como mero consumidor pela maioria das empresas que compõem o trade turístico. Problemas como a perda e a fragilidade da identidade cultural dos turistas e comunidades residentes são cada vez mais graves e latentes. Essa situação, evidencia-se quando se consideram os indivíduos em seu tempo de lazer, quando muitas vezes o consumo é realizado de forma alienada, acrítica e reprodutora de ideias e comportamentos propostos pelo sistema vigente - como se fossem mercadoria, o que leva a uma padronização de preferências, a modos de ser e de vivenciar o tempo conquistado, tratando os indivíduos sem considerar suas especificidades e sua história de vida, nos diversos aspectos políticos, econômicos e socioculturais (WERNECK; ISAYAMA, 2001). Com a oferta crescente de facilidades tecnológicas e financeiras, corre-se o risco de fragmentação das culturas e dos equívocos comerciais em caracterizar os turistas como 17 consumidores e os residentes como prestadores de serviços e até mesmo como atrativos turísticos (índios, esquimós são exemplos de tal), sendo isto sinais vitais da Pós-Modernidade. Cabe, porém a toda a sociedade o papel de utilizar as informações e os meios tecnológicos no sentido de educar e conscientizar os turistas e residentes sobre seus papéis, numa tentativa de diminuir e, muitas vezes, evitar os problemas e conflitos que se apresentam na atual conjuntura do Turismo Mundial (LOHMANN; PANOSSO NETTO, 2008). Assim como o Pós-Turismo se configura num período histórico-social repleto de desafios, possibilidades e incertezas para o campo do Turismo, a Pós-Modernidade avança em relação a alguns paradigmas da Sociedade Pós-Industrial, a saber: diferenciação dos produtos/serviços, segmentação de mercado, desenvolvimento sustentável, serviços personalizados, novas tecnologias, ofertademanda e desempenhos empresariais, políticas de resultados e mais clareza nos papéis dos atores sociais: Poder Público, Empresas Privadas e Comunidades Locais. O pós-turista busca conviver e vivenciar com tal estado de coisa (GASTAL; MOESCH, 2007). Na Pós-Modernidade, espaços são criados e recriados para o consumo do Lazer e do Turismo, despertando o desejo de turistas e agentes de mercado para o desenvolvimento de práticas sociais e econômicas, respectivamente. Neste cenário, o Litoral se apresenta como um espaço ímpar e plural para investimentos e apropriação para o fazer turístico. Este cenário, reconfigurando a práxis do Turismo, baseado numa nova lógica, também pode ser observado nas experiências do Lazer, já que estas, quando focadas na criatividade e na criticidade dos sujeitos, tornam os indivíduos, protagonistas da sua experiência, preocupados. O conceito de lazer e qualidade de vida faz parte dos apelos mercadológicos do imobiliário turístico e dos altos investimentos no Setor da Construção Civil brasileiro, sendo que as construções com foco em residências secundárias (para uso temporário e de lazer) crescem e se expandem no Litoral e em torno dos principais balneários do País. No Rio Grande do Norte não é diferente das demais realidades regionais do Brasil, sendo que, devido ao forte apelo turístico, às belezas naturais do Estado e aos mais de 400 km de Litoral, as evidências de espaços de lazer para fins turísticos são mais aparentes e presentes no campo dos negócios imobiliários. Sejam construções verticais ou horizontais, o fato é que a concepção de residências de lazer condomínios-clube ou condohotéis para curtas ou longas temporadas de férias - se constitui na PósModernidade em espaços de desejo e consumo, onde o Lazer e o Turismo são mercadorias, ou melhor, produtos de grande relevância social e econômica no contexto dos negócios. A Figura 2 apresenta um exemplo de empreendimento imobiliário de natureza de segunda residência, que tem, 18 como apelo comercial, as múltiplas áreas de lazer e entretenimento de que o condomínio-resort dispõe para o bem-estar e qualidade de vida de seus proprietários/usuários. Figura 02 – Perspectiva panorâmica do InMare Bali – Residencial Resort7 – Praia de Cotovelo, Parnamirim/RN. Fonte: Cyrela Plano&Plano, 2012. Uma das facetas do Lazer e do Turismo é a concepção da segunda-residência, que assume vários usos e configurações, de acordo com a funcionalidade e os objetivos dos agentes de mercado. Sendo assim, o empreendimento imobiliário InMare Bali Residencial Resort se apresenta com um espaço de luxo, lazer e entretenimento, com serviços e produtos de um resort turístico. Esse forte apelo comercial com foco no lazer e na qualidade de vida é uma das premissas do mercado e da produção de residências secundárias no Litoral do Brasil. No caso do espaço litorâneo brasileiro, a segunda residência se apresenta muitas vezes como alojamento turístico e espaços de sociabilidade humana, impulsionando as economias locais, além de possuir um forte apelo mercadológico pertinente ao mercado imobiliário ou imobiliário turístico, uma vez que o espaço aqui eleito é objeto de consumo e desejo para aqueles que buscam Lazer e Turismo. 7 InMaré Residencial Resort é um empreendimento da Incorporadora Imobiliária “Cyrela Plano&Plano”, que faz parte do grupo Cyrela Brazil Realty, uma gigante no Setor da Construção Civil e do Mercado Imobiliário. Para despertar o desejo e efetivar a venda das unidades residências junto aos clientes (de alto poder aquisitivo), a empresa comenta: “O Facilities Resort é um conceito inovador que atende às necessidades de quem quer estar junto à natureza, mas com a opção de desfrutar todo o conforto e a comodidade das grandes capitais”. Continua...: “Com total respeito ao meio ambiente e focada em atender a todas as necessidades dos nossos clientes, Facilities Resort traz a gestão profissional de empreendimentos temáticos de lazer, que contam com infra-estrutura e facilidades de serviços altamente eficazes” (CYRELA PLANO&PLANO, 2012). 19 Algumas considerações O diálogo entre os dois saberes enfocados neste texto pode contribuir efetivamente para o avanço de uma epistemologia do Turismo e uma teorização do Lazer, indo além da visão econômica e tecnicista. Para isto, parte-se para uma concepção mais humanista, holística e centrada no ser. Tenciona, assim, estar contribuindo para uma formação mais adequada e segura e para uma postura questionadora sobre o fazer científico, compatíveis com as exigências inerentes à realidade do mundo empresarial e acadêmico. Ao finalizar este estudo, espera-se contribuir com o aprimoramento e aprofundamento dos conhecimentos sobre o Lazer e o Turismo, tendo em vista conferir uma maior consistência teórica e crítica a essas áreas. Desmistificar as imprecisões e equívocos em torno de tais fenômenos sociais, bem como despertar o interesse por aprofundar e construir bases teórico-metodológicas mais consistentes e com rigor cientifico estão entre os objetivos da discussão aqui colocada. Entender a práxis do Turismo, baseando-se numa nova lógica, também pode ser observado nas experiências do Lazer, já que estas, quando focadas na criatividade e na criticidade dos sujeitos, tornam os indivíduos, protagonistas da sua experiência, preocupados. A Pós-Modernidade vem contribuir com os estudos e pesquisas no campo do Turismo e do Lazer, especialmente em relação aos novos hábitos de viagem, o comportamento do consumidor turístico, a promoção de experiências significativas, mais segurança e possibilidades de enriquecimento e aprendizado cultural para todos os agentes envolvidos no fazer turístico. Discussões no campo do Lazer e do Turismo sobre seus fundamentos, princípios e concepções teóricas são constantes no contexto acadêmico-científico nos núcleos de ensino e pesquisa das mais conceituadas universidades e institutos de pesquisa do mundo, no entanto é sabido que se têm mais incertezas que verdades sobre a estreita relação entre os fenômenos, sobretudo quando o Turismo acontece de forma dissociada do Lazer e quando este se desenvolve em espaços e lugares turísticos. Também é sabido que as segundas-residências no Litoral Potiguar se apresentam como forte apelo mercadológico no âmbito do imobiliário-turístico, agregando valor comercial aos espaços litorâneos e modificando as formas e uso do lazer em determinadas realidades sociais. Sendo assim, o Setor Imobiliário, por meio de suas estratégias de venda e marketing, utiliza o apelo da experiência de lazer mais sofisticada e exclusiva (nem sempre o é), bem como os cenários turísticos e de produção de espaços de segunda-residência, para atrair consumidores e investimentos nas localidades de praia. 20 Tais proposições alimentam ainda mais o desejo de se aprofundarem as pesquisas e se aprimorar o entendimento sobre o Lazer e o Turismo, sem disputas de poder e vaidades intelectuais, pois na Pós-Modernidade um fenômeno não se sustenta sem o outro, especialmente nos destinos turísticos onde ambos se entrelaçam e muitas vezes se confundem, como no caso dos espaços de produção e comercialização de segundas-residências. Espera-se, assim, que esta análise venha contribuir para o entendimento sobre as interrelações, aproximações e o contexto paradoxal que envolve os campos do Lazer e do Turismo, sem perder de vista que aquele pode existir sem o fazer turístico, mas qualquer modalidade de turismo que venha a ser vivenciada será sempre uma experiência de lazer. Referências ANDRADE, José Vicente de. Turismo: fundamentos e dimensões. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2002. BARRETTO, Margarita; TAMANINI, Elizabete; SILVA, Maria Ivonete Peixer da. Discutindo o ensino universitário de turismo. Campinas, SP: Papirus, 2004 BARRETTO, Margarita. Manual de iniciação ao estudo do turismo. Campinas-SP: Papirus, 1995, BENI, Mário Carlos. Análise estrutural do turismo. 6. ed. São Paulo: Senac, 2001. BENJAMIN, Walter. Ócio e ociosidade. In: ______. Passagens. Belo Horizonte: Editora UFMG, 2007. BRAMANTE, Antônio Carlos. Lazer: concepções e significados. Licere, Belo Horizonte, v.1, n. 1. p. 9-17, set. 1998. BOULLÓN, Roberto C. 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