ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Abstract The modeling and the control of flexible links are two emergent subjects in nowadays Mechatronics and Robotics. The search for lighter, more economic manipulators leads to a stiffness loss that deteriorates the manipulator performance. The overcoming of this gap can be achieved with the use of control schemes capable of providing similar performances to those of a rigid link. Seeking new answers in this area, this work consists of the modeling and control of a tubular flexible link made of polycarbonate with piezoelectric sensors and actuators bonded to its surface, present at LECA (Laboratório de Estruturas e Compósitos Adaptativos) at IST, in order to obtain its active damping. The modeling is accomplished through two approaches, one with the finite element method using the software Ansys and the other with the assumed modes method using the Matlab toolbox Mecanismo. Both models are then improved with the application of model updating techniques through an interface program between Matlab and both platforms, specially built for this application. By use of the resulting models, PPF (Positive Position Feedback) controllers are then designed and tested in Simulink simulation environment, and afterwards implemented on the experimental setup by a real time host-target system. T. Carreno Página i ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Resumo A modelação e o controlo de elos flexíveis são dois temas emergentes na Mecatrónica e na Robótica actuais. A procura de manipuladores mais leves e económicos conduz a uma perda de rigidez que deteriora as prestações do manipulador. A colmatação desta lacuna pode ser alcançada à custa de esquemas de controlo capazes de fornecer prestações semelhantes às de um elo rígido. Procurando encontrar novas respostas nesta área, o presente trabalho consiste na modelação e controlo de um elo flexível tubular em policarbonato com actuadores e sensores piezoeléctricos colados à sua superfície existente no LECA (Laboratório de Estruturas e Compósitos Adaptativos) do IST, com vista a obter o active damping do mesmo. A modelação é realizada através de duas abordagens, uma através do método dos elementos finitos com o software Ansys e outra com o método dos modos assumidos através da toolbox Matlab Mecanismo. Os modelos são melhorados com recurso às técnicas de model updating e a um programa de interface entre o Matlab e ambas as plataformas, criado especialmente para o efeito. Usando os modelos obtidos são desenvolvidos e testados em ambiente de simulação Simulink controladores PPF (Positive Position Feedback) e posteriormente implementados na instalação experimental através de um sistema host-target em tempo real. Página ii T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Keywords Keywords 3D FLEXIBLE LINK VIBRATION CONTROL MODEL UPDATING PIEZOELECTRIC SENSOR / ACTUATOR POSITIVE POSITION FEEDBACK ANSYS/MATLAB INTERFACE Palavras-chave ELO FLEXÍVEL 3D CONTROLO DE VIBRAÇÕES OPTIMIZAÇÃO DE MODELOS SENSOR / ACTUADOR PIEZOELÉCTRICOS REALIMENTAÇÃO POSITIVA DA POSIÇÃO INTERFACE ANSYS/MATLAB T. Carreno Página iii Agradecimentos ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Agradecimentos Gostaria de agradecer em primeiro lugar, ao meu orientador, o Prof. José Sá da Costa, pela disponibilidade, atenção e empenho que sempre manifestou em relação à realização da minha dissertação, quer na alocação de recursos materiais (computador, montagem experimental), quer na flexibilidade que me permitiu conjugar a minha bolsa Erasmus, as restantes cadeiras do curso e o meu emprego na Siemens, quer no apoio académico que prestou. Em seguida, gostaria de expressar o meu agradecimento aos meus co-orientadores, os Profs. Jorge Martins e João Reis, pela paciência, dedicação e boa vontade com que sempre me guiaram na realização desta dissertação. A realização deste trabalho não teria sido possível não fossem as reuniões que tivemos, os mails que trocámos e as ideias que discutimos. Quero também ainda agradecer-lhes o altruísmo com que me deixaram utilizar o seu trabalho, nomeadamente o simulador de modos assumidos e a instalação experimental, indispensáveis à realização deste trabalho. Uma palavra de agradecimento também ao Prof. Miguel Neves, pelo auxílio prestado com o updating e a interface Ansys/Matlab, e ao aluno de doutoramento Soong-Oh Han, da TU Darmstadt, pela ajuda prestada com a Model Order Reduction de modelos Ansys. Ambos tiveram a gentileza de ceder código seu que por certo bastante trabalho lhes deu a desenvolver. Queria agradecer aos meus colegas Luís Vieira, Tiago Bento, Zélia Santos e Gonçalo Vinagre pela ajuda prestada com os livros da biblioteca, que sem eles teriam sido impossíveis de consultar em horário pós-laboral. Queria agradecer também ao meu colega Hugo Soares pela ajuda com cálculo integral. Um agradecimento especial aos colegas Hugo Alves e Luísa Pires pela abertura de espírito e paciência com que sempre ouviram as minhas ideias e as comentaram, pela companhia e cumplicidade que prestaram na realização deste trabalho e pela obtenção de artigos científicos não disponíveis no IST, e à minha irmã pela colaboração na elaboração da bibliografia. Um obrigado também a todos os meus colegas do ramo de Sistemas, por fomentarem um ambiente de trabalho onde a entreajuda, a troca de ideias e a convivência académica em geral permitiram tornar muitos dias e muitas noites muito mais agradáveis e produtivos. Por último, expresso a minha infinita gratidão aos meus pais, por tudo o que não sei pôr em palavras que faz de mim a pessoa que sou, e à minha namorada, que faz a pessoa que sou fazer sentido. Página iv T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Conteúdos Conteúdos Abstract ..................................................................................................................................... i Resumo .................................................................................................................................... ii Keywords ..................................................................................................................................iii Palavras-chave ..........................................................................................................................iii Agradecimentos ........................................................................................................................ iv Conteúdos ................................................................................................................................. v Nomenclatura .......................................................................................................................... viii Lista de figuras .......................................................................................................................... x Lista de tabelas ....................................................................................................................... xiii CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 1 1.1. Elos flexíveis .................................................................................................................. 2 1.2. Materiais e estruturas inteligentes ................................................................................... 3 1.3. Materiais Piezoeléctricos ................................................................................................. 3 1.4. Modelação de estruturas flexíveis .................................................................................... 5 1.5. Soluções para o controlo de elos flexíveis ........................................................................ 5 1.6. Relevância do trabalho ................................................................................................... 6 1.7. Explicação do trabalho e seus objectivos .......................................................................... 7 CAPÍTULO 2 2.1. MODELAÇÃO ....................................................................................................... 9 Apresentação dos modelos............................................................................................ 10 2.1.1. Modelo em Elementos Finitos – Modelo A .................................................. 10 2.1.1.1. Geometria ........................................................................................... 10 2.1.1.2. Modelos de Material ............................................................................. 10 2.1.1.3. Elementos ........................................................................................... 11 2.1.1.4. Malha ................................................................................................. 11 2.1.2. Modelo em Simulador de Modos Assumidos – Modelo B .............................. 12 2.1.3. Discussão sobre os modelos ..................................................................... 13 2.2. A modelação como problema de optimização: Model Updating ........................................ 15 2.2.1. Enunciado do problema ........................................................................... 16 2.2.2. Discussão sobre os métodos de optimização .............................................. 17 2.2.3. Objectivos e Significado Físico da Optimização ........................................... 18 2.3. Modelo em Elementos Finitos – Modelo A ...................................................................... 19 2.3.1. Particularização do Enunciado do Problema de Optimização ......................... 19 2.3.2. Algoritmo do Programa e Implementação .................................................. 20 2.3.3. Pré-Optimização ...................................................................................... 22 T. Carreno Página v Conteúdos ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 2.3.4. Optimização............................................................................................ 23 2.3.5. Inclusão dos zeros na optimização ............................................................ 23 2.4. Modelo em Mecanismo – Modelo B ................................................................................ 24 2.4.1. Particularização do Enunciado do Problema de Optimização ......................... 24 2.4.2. Algoritmo do Programa e Implementação .................................................. 24 2.4.3. Função objectivo ..................................................................................... 25 2.4.4. Modelação dos sensores .......................................................................... 26 2.4.5. Modelação dos actuadores ....................................................................... 32 2.4.6. Funções de forma ................................................................................... 34 2.4.7. Discretização do elo................................................................................. 34 2.4.8. Optimização............................................................................................ 34 2.5. Finalização dos modelos ............................................................................................... 35 2.5.1. Model order reduction.............................................................................. 35 2.5.2. Modelos A (modelos criados a partir do modelo A) ..................................... 36 2.5.3. Modelos B (modelos criados a partir do modelo B) ...................................... 36 2.5.4. Criação de uma biblioteca de modelos ....................................................... 36 CAPÍTULO 3 3.1. CONTROLO ....................................................................................................... 37 Controlo de estruturas flexíveis levemente amortecidas .................................................. 38 3.1.1. Controlo colocado ................................................................................... 38 3.1.2. Roll-off e spillover .................................................................................. 39 3.2. Estratégias de controlo por realimentação ...................................................................... 40 3.2.1. 3.2.1.1. Positive Position Feedback (PPF) ............................................................... 42 Tuning de filtros PPF ............................................................................ 43 3.3. Objectivos do controlo .................................................................................................. 44 3.4. Simulação em Simulink ................................................................................................. 44 3.5. Controlo experimental .................................................................................................. 45 CAPÍTULO 4 RESULTADOS .................................................................................................... 47 4.1. Resultados – Modelo A ................................................................................................. 48 4.2. Estudo sobre a localização dos zeros ............................................................................. 56 4.2.1. Introdução ............................................................................................. 56 4.2.2. Experiências de simetria - Resultados ........................................................ 57 4.2.3. Experiências de posição dos piezoeléctricos ............................................... 61 4.2.4. Experiências com prato ............................................................................ 63 4.2.4.1. Página vi Geometria e Malha ............................................................................... 63 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 4.2.4.2. Frequências naturais e modos de vibração .............................................. 64 4.2.4.3. Resultados .......................................................................................... 66 4.2.4.4. Discussão dos resultados ...................................................................... 69 4.3. Resultados – Modelo B ................................................................................................. 70 4.4. Criação dos modelos para o controlo ............................................................................. 81 4.4.1. Modelo A – Identificação por método de Levy ............................................ 81 4.4.2. Modelo B – Linearização .......................................................................... 85 4.4.3. Biblioteca de modelos final ....................................................................... 85 4.5. Discussão dos resultados obtidos - Modelação................................................................ 86 4.5.1. Modelo A ................................................................................................ 86 4.5.2. Modelo B ................................................................................................ 88 4.5.3. Comparação entre modelos ...................................................................... 88 4.6. Controlo em simulação ................................................................................................. 89 4.7. Controlo experimental .................................................................................................. 93 4.8. Discussão dos resultados obtidos - Controlo ................................................................... 94 CAPÍTULO 5 5.1. CONCLUSÕES ................................................................................................... 96 Conclusões .................................................................................................................. 97 5.1.1. Modelação .............................................................................................. 97 5.1.2. Controlo ................................................................................................. 97 5.2. Notas para trabalhos futuros ......................................................................................... 98 BIBLIOGRAFIA ........................................................................................................................ 99 ANEXO A INSTALAÇÃO EXPERIMENTAL .............................................................................. 102 Geometria ............................................................................................................................. 102 Materiais ............................................................................................................................... 102 Sensores e actuadores ........................................................................................................... 103 Configuração de Hardware ..................................................................................................... 105 ANEXO B DADOS EXPERIMENTAIS ..................................................................................... 106 Resposta em frequência ......................................................................................................... 106 Frequências naturais e modos de vibração .............................................................................. 107 T. Carreno Página vii Nomenclatura ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Nomenclatura Lista de símbolos e abreviaturas LQG AMM FEM PPF LGR SISO MIMO PZT MFC LECA εij σij Epz pz dij ξi Di E J mj ej pj , , e e ξCL D thk rho L Ep1, Ep2 Página viii – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – – Linear Quadratic Regulator Assumed Modes Method Finite Element Method Positive Position Feedback Lugar Geométrico das Raízes Single Input/Single Output Multiple Input/Multiple Output Zirconato Titanato de Chumbo Macro-Fiber Composite Laboratório de Estruturas e Compósitos Adaptativos tensor das deformações tensor das tensões Módulo de Young do piezoeléctrico coeficiente de Poisson do piezoeléctrico termos de acoplamento piezoeléctrico permissividade do material carga por unidade de volume campo eléctrico número de modos de vibração considerados frequências naturais obtidas segundo o modelo frequências naturais obtidas experimentalmente pesos atribuídos a cada modo no cálculo do erro eixo i do referencial da lei eixo i do referencial do sensor vectores das funções de forma das deflexões elásticas vectores com as coordenadas generalizadas (referencial da viga) curvaturas nos 3 eixos vector com as componentes das extensões componentes da inversa da matriz de Hooke Matriz de rotação de radianos em torno de Constantes Carga total no piezoeléctrico Altura, Largura e Comprimento do piezoeléctrico Limites de integração em Raio exterior do elo Capacitância do condensador de condicionamento de sinal Tensão à saída do/fornecida ao piezoeléctrico Vector com os binários puros aplicados em Mecanismo, segundo os 3 eixos. Vector com a posição de um ponto em relação à fibra neutra da viga Matriz com as tensões rodadas de um ângulo Matriz com Módulo de Young, coef. de Poisson e as constantes piezoeléctricas Ganho do filtro PPF Frequência do filtro PPF Coeficiente de amortecimento do filtro PPF Espaçamento pólo-zero Coeficiente de amortecimento do anel fechado Diâmetro exterior do tubo Espessura do tubo Massa específica do policarbonato Comprimento do tubo Módulos de Young dos piezoeléctricos T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL rho_St E_St Lx ax tx – – – – – Nomenclatura Massa específica do aço Módulo de Young do aço Comprimento da placa Largura da placa Espessura da placa Referencial adoptado O referencial adoptado neste trabalho é o indicado na Figura i. Sempre que neste texto se fizer referência aos eixos, x, y ou z, são os deste referencial, excepto nos pontos 2.4.4. e 2.4.5. Nestes sub-capítulos são utilizados outros referenciais, como se explica no início dos mesmos. Figura i - Desenho do elo com o referencial de eixos adoptado neste texto T. Carreno Página ix Lista de figuras ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Lista de figuras FIGURA I - DESENHO DO ELO COM O REFERENCIAL DE EIXOS ADOPTADO NESTE TEXTO ...................................IX FIGURA 1. 1. MACRO FIBER COMPOSITE - COMPÓSITO DE FIBRAS PIEZOELÉCTRICAS PZT EM MATRIZ POLIMÉRICA, MOSTRANDO A MAIOR CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO A SUPERFÍCIES CURVAS. DE SALIENTAR TAMBÉM A ESPESSURA REDUZIDA. ........................................................................................... 4 GRÁFICO 1. 1. NÚMERO DE RESULTADOS OBTIDOS NO GOOGLE SCHOLAR COM AS PALAVRAS "FLEXIBLE LINK" MANIPULATOR NOS ÚLTIMOS 25 ANOS, EM FUNÇÃO DO ANO DA PUBLICAÇÃO. ....................................... 2 FIGURA 2.1. ELEMENTOS UTILIZADOS: ELEMENTO SOLID5 ............................................................................... 11 FIGURA 2.2. PORMENOR DA MALHA NOS SENSORES........................................................................................ 11 FIGURA 2.3. PORMENOR DA MALHA NA PLACA DE AÇO ................................................................................... 11 FIGURA 2.4. MALHA DO MODELO – VISTA GLOBAL ........................................................................................... 11 FIGURA 2.5. O MODELO SIMULINK CONSTRUÍDO COM A TOOLBOX MECANISMO, QUE ALIMENTA O CÁLCULO DE CURVATURAS E DE ÂNGULOS. ESTES DEPOIS SÃO ALIMENTADOS NO CÁLCULO DOS SENSORES.......... 12 FIGURA 2.6. ESFORÇOS CONSIDERADOS NOS ACTUADORES PIEZOELÉCTRICOS DE ACORDO COM: A) TEORIA DE VIGAS; B) TEORIA DE PLACAS E CASCAS .................................................................................................... 15 FIGURA 2.7. RESPOSTA EM FREQUÊNCIA DE UMA VIGA ENCASTRADA-LIVRE COM SENSOR PIEZOELÉCTRICO COLADO À SUPERFÍCIE DE ACORDO COM A TEORIA DE VIGA E TEORIA DE PLACAS E CASCAS. .................. 15 FIGURA 2.8. ESQUEMA DO ALGORITMO DO PROGRAMA DE OPTIMIZAÇÃO ..................................................... 20 FIGURA 2.9. UMA EXECUÇÃO DO PROGRAMA DE OPTIMIZAÇÃO. PLOT DO VALOR DA FUNÇÃO OBJECTIVO AO LONGO DAS VÁRIAS AVALIAÇÕES DA MESMA. (FORNECIDO PELO PROGRAMA) ....................................... 21 FIGURA 2.10. EXEMPLO DE ESTUDO PRÉ-OPTIMIZAÇÃO. VARIAÇÃO DAS FREQUÊNCIAS NATURAIS DO MODELO COM A MASSA ESPECÍFICA E MÓDULO DE YOUNG DO POLICARBONATO. OS PLANOS HORIZONTAIS REPRESENTAM O VALOR EXPERIMENTAL. ............................................ ERRO! MARCADOR NÃO DEFINIDO. FIGURA 2.11. OUTRO EXEMPLO DE ESTUDO PRÉ-OPTIMIZAÇÃO. VARIAÇÃO DAS FREQUÊNCIAS NATURAIS COM A ESPESSURA DO TUBO. AS LINHAS HORIZONTAIS REPRESENTAM OS VALORES EXPERIMENTAIS . ........... 23 FIGURA 2.12. EXEMPLO DE UMA EXECUÇÃO DO PROGRAMA. O PROGRAMA APARENTA ESTABILIZAR POR VOLTA DA 40ª ITERAÇÃO, MAS APENAS POR FALTA DE ZOOM. DE SALIENTAR QUE OS PÓLOS CUJOS PESOS ESTÃO A ZERO NÃO ESTÃO A SER CORRECTAMENTE CAPTURADOS. ......................................................... 24 FIGURA 2.13. ALGORITMO DA FUNÇÃO OBJECTIVO PARA O MODELO B ........................................................... 25 FIGURA 2. 14. ESQUEMA EXPLICATIVO DO INTEGRAL PARA OS SENSORES ....................................................... 29 FIGURA 2. 15. O MOMENTO DA COLAGEM DO SENSOR. O PLANO A CINZA CLARO E A LINHA A VERMELHO SÃO PARA FACILITAR A VISUALIZAÇÃO. ANTES E DEPOIS DA COLAGEM, O COMPRIMENTO DAS LINHAS VERMELHAS É O MESMO. ( ) COM BASE NESTE PODEMOS CALCULAR AS EXPRESSÕES QUE DEVOLVEM OS LIMITES DE INTEGRAÇÃO EM , EM FUNÇÃO DE . .......................................................... 30 FIGURA 2. 16. ESQUEMA DO AMPLIFICADOR DE CARGA LIGADO AO SENSOR................................................... 31 FIGURA 2.17. PORMENOR DO ELO MOSTRANDO OS PONTOS PARA O CÁLCULO DO SINAL DOS SENSORES. ..... 31 FIGURA 2.18. TENSÃO DE SAÍDA DO SENSOR .................................................................................................... 31 FIGURA 2. 19. CORTE TRANSVERSAL DO ELO. O VECTOR A VERMELHO É . .............................................. 32 FIGURA 2. 20. ESQUEMA EXPLICATIVO DO CÁLCULO DOS LIMITES DE INTEGRAÇÃO EM . .............................. 33 FIGURA 2.21. MODELAÇÃO DOS ACTUADORES EM SIMULINK - APROXIMAÇÃO ............................................... 34 FIGURA 3.1. LGR DE UM SISTEMA COLOCADO COM ALTERNÂNCIA PÓLO/ZERO ............................................... 38 FIGURA 3.2. LGR DE UMA ESTRUTURA LEVEMENTE AMORTECIDA COM PAR ACTUADOR/SENSOR COLOCADO: A) SEM CONSIDERAR DINÂMICA DO ACTUADOR; B) CONSIDERANDO DINÂMICA DO ACTUADOR ............. 41 FIGURA 3. 3. DIAGRAMA DE BODE DE UM FILTRO PPF. ..................................................................................... 42 FIGURA 4. 1. MALHA EM ELEMENTOS FINITOS DO PRATO ................................................................................ 63 FIGURA 4.2. DESENHO TÉCNICO DO PRATO ...................................................................................................... 63 FIGURA 4.3. EXPLICAÇÃO DA INFLUÊNCIA DO PASSO DE AMOSTRAGEM NA CAPTURA DOS PÓLOS. ................. 86 FIGURA 4. 4 DIAGRAMAS DE BODE RESULTANTES DA IDENTIFICAÇÃO POR MÉTODO DE LEVY. MODELO COM PLACA. ...................................................................................................................................................... 81 Página x T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Lista de figuras FIGURA 4. 5 DIAGRAMAS DE BODE RESULTANTES DA IDENTIFICAÇÃO POR MÉTODO DE LEVY. MODELO COM PRATO. ..................................................................................................................................................... 83 FIGURA 4.6. BIBLIOTECA DE MODELOS SIMULINK PARA O CONTROLO EM SIMULAÇÃO ................................... 85 GRÁFICOS 4.1. COM A REFERIDA VARIAÇÃO DOS PARÂMETROS. FORAM TAMBÉM EFECTUADAS ANÁLISES HARMÓNICAS TENDO COMO ENTRADA O ACTUADOR 1 E O ACTUADOR 2, E PARA CADA CASO A SAÍDA MEDIDA NO SENSOR 4 E 5. APRESENTAM-SE TAMBÉM NOS GRÁFICOS GRÁFICOS 4.3 A GRÁFICOS 4.6. OS RESULTADOS DESTAS ANÁLISES CONTRAPOSTOS AOS DADOS EXPERIMENTAIS DAS RESPOSTAS EM FREQUÊNCIA, DESDE OS VALORES INICIAIS ATÉ AOS FINAIS A CADA PASSO DA ANÁLISE. POR ÚLTIMO APRESENTAM-SE TABELA 4.2. E O ............................................................................................................. 48 GRÁFICOS 4.2. VARIAÇÃO DOS PARÂMETROS AO LONGO DA OPTIMIZAÇÃO ................................................... 49 GRÁFICOS 4.3. RESPOSTAS EM FREQUÊNCIA EXPERIMENTAIS (A AZUL) E DO MODELO INICIAL (A VERMELHO) 51 GRÁFICOS 4.4. RESPOSTAS EM FREQUÊNCIA EXPERIMENTAIS (A AZUL) E DO MODELO APÓS OPTIMIZAÇÃO AO TUBO (A VERMELHO) ................................................................................................................................ 52 GRÁFICOS 4.5. RESPOSTAS EM FREQUÊNCIA EXPERIMENTAIS (A AZUL) E DO MODELO APÓS OPTIMIZAÇÃO À PLACA (A VERMELHO) ............................................................................................................................... 53 GRÁFICOS 4.6. RESPOSTAS EM FREQUÊNCIA EXPERIMENTAIS (A AZUL) E DO MODELO APÓS OPTIMIZAÇÃO FINAL (A VERMELHO) ................................................................................................................................ 54 GRÁFICOS 4.7. EVOLUÇÃO DOS ERROS EM RELAÇÃO AOS ZEROS E PÓLOS E DA ÁREA ENTRE AS CURVAS EXPERIMENTAIS E DO MODELO AO LONGO DA OPTIMIZAÇÃO ................................................................. 55 GRÁFICOS 4. 8. RESPOSTAS EM FREQUÊNCIA TEÓRICAS – COMPARAÇÃO ENTRE SENSORES ............................ 59 GRÁFICOS 4.9. VARIAÇÃO DA LOCALIZAÇÃO DOS ZEROS COM A POSIÇÃO DOS PIEZOELÉCTRICOS ................... 61 GRÁFICOS 4.10. RESPOSTA EM FREQUÊNCIA TEÓRICA PARA O ESTUDO DA POSIÇÃO VERTICAL RELATIVA DOS PIEZOELÉCTRICOS ..................................................................................................................................... 62 GRÁFICOS 4.11. RESPOSTAS EM FREQUÊNCIA TEÓRICAS (A VERMELHO) E EXPERIMENTAIS (A AZUL) .............. 67 GRÁFICOS 4.12. COMPARAÇÃO ENTRE AS RESPOSTAS EM FREQUÊNCIA DOS SENSORES .................................. 68 GRÁFICOS 4.13. OPTIMIZAÇÃO COM FUNÇÕES DE HERMITE, PRIMEIRA FASE: RESPOSTA EM FREQUÊNCIA DO MODELO COM PLACA USANDO OS SENSORES PELAS EXTENSÕES ............................................................. 71 GRÁFICOS 4.14. OPTIMIZAÇÃO COM FUNÇÕES DE HERMITE, PRIMEIRA FASE: RESPOSTA EM FREQUÊNCIA DO MODELO COM PLACA USANDO OS SENSORES PELOS ÂNGULOS ............................................................... 72 GRÁFICOS 4.15. OPTIMIZAÇÃO COM FUNÇÕES DE HERMITE, PRIMEIRA FASE: RESPOSTA EM FREQUÊNCIA DO MODELO COM PRATO USANDO OS SENSORES PELAS EXTENSÕES ............................................................ 73 GRÁFICOS 4.16. OPTIMIZAÇÃO COM FUNÇÕES DE HERMITE, PRIMEIRA FASE: RESPOSTA EM FREQUÊNCIA DO MODELO COM PRATO USANDO OS SENSORES PELOS ÂNGULOS............................................................... 74 GRÁFICOS 4.17. ERRO MÉDIO PARA A PRIMEIRA FASE DE OPTIMIZAÇÃO: PLACA ............................................. 75 GRÁFICOS 4.18. ERRO MÉDIO PARA A PRIMEIRA FASE DE OPTIMIZAÇÃO: PRATO............................................. 75 GRÁFICOS 4.19. MODELO COM A PLACA, DISCRETIZADO EM DOIS ELOS. APARECEM MODOS NATURAIS QUE NÃO SÃO CARACTERÍSTICOS DO SISTEMA EXPERIMENTAL, BEM COMO ZEROS. ....................................... 76 GRÁFICOS 4.20. MODELO COM A PLACA, COM FUNÇÕES DE TERCEIRA ORDEM EM Y E DE HERMITE EM X. ERRO QUADRÁTICO MÉDIO APROXIMADAMENTE 6,3. OS PARÂMETROS DO MODELO PERMITEM A DIFERENTE RIGIDEZ ENTRE EIXOS. ............................................................................................................................... 76 GRÁFICOS 4.21. MODELO COM O PRATO, COM FUNÇÕES DE TERCEIRA ORDEM EM X E EM Y. AO TENTAR PUXAR O PÓLO ADICIONAL ESTE VAI EMPURRAR OS OUTROS PARA FORA DO SÍTIO CORRECTO. .............. 77 TABELA 4.13, GRÁFICOS 4.22. E GRÁFICOS 4.23. VARIAÇÃO DOS PARÂMETROS APÓS OPTIMIZAÇÃO FINAL – MODELO COM PRATO............................................................................................................................... 78 GRÁFICOS 4.24. OPTIMIZAÇÃO FINAL: RESPOSTA EM FREQUÊNCIA DO MODELO COM PLACA ......................... 79 GRÁFICOS 4.25. OPTIMIZAÇÃO FINAL: RESPOSTA EM FREQUÊNCIA DO MODELO COM PRATO......................... 80 GRÁFICOS 4. 26. RESPOSTA NO TEMPO PARA O CONTROLO EM SIMULAÇÃO: MODELO A, PLACA. A AZUL O SISTEMA SEM CONTROLO, A VERMELHO O CONTROLADO........................................................................ 89 GRÁFICOS 4. 27. RESPOSTA NO TEMPO PARA O CONTROLO EM SIMULAÇÃO: MODELO A, PRATO. A AZUL O SISTEMA SEM CONTROLO, A VERMELHO O CONTROLADO........................................................................ 90 GRÁFICOS 4. 28. RESPOSTA NO TEMPO PARA O CONTROLO EM SIMULAÇÃO: MODELO B, PLACA. A AZUL O SISTEMA SEM CONTROLO, A VERMELHO O CONTROLADO........................................................................ 91 GRÁFICOS 4. 29. RESPOSTA EM FREQUÊNCIA PARA O CONTROLO EM SIMULAÇÃO: MODELO B, PLACA. A AZUL O SISTEMA SEM CONTROLO, A VERMELHO O CONTROLADO. ................................................................... 91 T. Carreno Página xi Lista de figuras ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL GRÁFICOS 4. 30. RESPOSTA NO TEMPO PARA O CONTROLO EM SIMULAÇÃO: MODELO B, PRATO. A AZUL O SISTEMA SEM CONTROLO, A VERMELHO O CONTROLADO........................................................................ 92 GRÁFICOS 4. 31. RESPOSTA EM FREQUÊNCIA PARA O CONTROLO EM SIMULAÇÃO: MODELO B, PRATO. A AZUL O SISTEMA SEM CONTROLO, A VERMELHO O CONTROLADO. ................................................................... 92 GRÁFICOS 4. 32. RESULTADOS EXPERIMENTAIS PARA O CONTROL FINAL COM TODOS OS MODOS. ................. 93 FIGURA A.1. GEOMETRIA DO ELO ................................................................................................................... 102 FIGURA A.2. FOTOGRAFIAS DO ELO REAL ....................................................................................................... 103 FIGURA A.3. DESENHO TÉCNICO DOS SENSORES NO ELO. ............................................................................... 103 FIGURA A.4. CONDICIONAMENTO DE SINAL DOS SENSORES ........................................................................... 104 FIGURA A.5. CONDICIONAMENTO DE SINAL DOS ACTUADORES ..................................................................... 104 FIGURA A. 6. CONFIGURAÇÃO DE HARDWARE DA INSTALAÇÃO EXPERIMENTAL ............................................ 105 Página xii T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Lista de tabelas Lista de tabelas TABELA 2.1. ESPECIFICAÇÕES DO MODELO A.................................................................................................... 10 TABELA 2.2. DISTRIBUIÇÃO DOS ELEMENTOS DO MODELO A ........................................................................... 11 TABELA 2.3. DIFERENÇAS QUALITATIVAS ENTRE O MÉTODO DOS MODOS ASSUMIDOS E O MÉTODO DOS ELEMENTOS FINITOS ................................................................................................................................. 14 TABELA 2.4. LIMITES DE VARIAÇÃO DOS PARÂMETROS DE OPTIMIZAÇÃO ........................................................ 18 TABELA 3.1. QUADRO SÍNTESE COM ESTRATÉGIAS DE ACTIVE DAMPING POR REALIMENTAÇÃO...................... 41 TABELA 4. 1. VARIAÇÃO DOS PARÂMETROS AO LONGO DA OPTIMIZAÇÃO 48 TABELA 4.2. PÓLOS E ZEROS OBTIDOS ATRAVÉS DAS RESPOSTAS EM FREQUÊNCIA EXPERIMENTAIS E DO MODELO E RESPECTIVO ERRO E ÁREA ENTRE CURVAS (VALORES EM HZ) 50 TABELA 4.3. LOCALIZAÇÃO DOS ZEROS PARA AS VÁRIAS CONFIGURAÇÕES DE PIEZOELÉCTRICOS E CASOS DE ACTUAÇÃO/MEDIDA (VALORES EM HZ; VARIAÇÃO EM TERMOS DOS VALORES NORMAIS) 57 TABELA 4.4. DEFORMAÇÃO DA SECÇÃO TRANSVERSAL DO TUBO NO PLANO DOS SENSORES, SUJEITO ÀS VÁRIAS CONFIGURAÇÕES DE PIEZOELÉCTRICOS. 57 TABELA 4.5. DEFORMAÇÃO DO SISTEMA SUJEITO ÀS VÁRIAS CONFIGURAÇÕES DE PIEZOELÉCTRICOS. 58 TABELA 4.7. DEFORMAÇÃO DA SECÇÃO TRANSVERSAL DO TUBO NO PLANO DOS SENSORES, PARA AS VÁRIAS POSIÇÕES DOS PIEZOELÉCTRICOS 61 TABELA 4. 6. LOCALIZAÇÃO DOS ZEROS E SUA VARIAÇÃO PARA AS VÁRIAS POSIÇÕES DOS PIEZOELÉCTRICOS 61 TABELA 4.8. FREQUÊNCIAS NATURAIS E MODOS DE VIBRAÇÃO EXPERIMENTAIS PARA O PRATO. 64 TABELA 4.9. COMPARAÇÃO ENTRE RESULTADOS EXPERIMENTAIS E TEÓRICOS APÓS OPTIMIZAÇÃO 66 TABELA 4.10. DEFORMAÇÃO ESTÁTICA GLOBAL E DA SECÇÃO TRANSVERSAL NO PLANO DOS SENSORES 68 TABELA 4.11. OPTIMIZAÇÃO COM FUNÇÕES DE HERMITE: PRIMEIRA FASE 70 TABELA 4.12. VARIAÇÃO DOS PARÂMETROS APÓS OPTIMIZAÇÃO FINAL – MODELO COM PLACA 77 TABELA 4.13, GRÁFICOS 4.22. E GRÁFICOS 4.23. VARIAÇÃO DOS PARÂMETROS APÓS OPTIMIZAÇÃO FINAL – MODELO COM PRATO 78 TABELA 4.14. QUADRO-SÍNTESE DOS MODELOS OBTIDOS 85 TABELA A.1. PROPRIEDADES DOS MATERIAIS DA INSTALAÇÃO EXPERIMENTAL TABELA A.2. CARACTERÍSTICAS DOS SENSORES E ACTUADORES TABELA A.3. FREQUÊNCIAS E MODOS NATURAIS DE VIBRAÇÃO EXPERIMENTAIS. T. Carreno 102 103 107 Página xiii ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL CAPÍTULO 1 INTRODUÇÃO "I am a man of fixed and unbending principles, the first of which is to be flexible at all times." Everett Dirksen O presente trabalho consiste na modelação e controlo de um elo flexível. Este tipo de estruturas e o seu interesse na robótica são apresentados no ponto 1.1. No ponto 1.2. traçam-se algumas características o que são os materiais e as estruturas inteligentes e a sua importância para os elos flexíveis. No ponto 1.3. aborda-se um tipo de material inteligente, os piezoeléctricos, com maior profundidade. Um breve resumo de estado da arte e da literatura em termos de modelação de elos flexíveis é apresentado no ponto 1.4. e em termos de controlo de elos flexíveis no ponto 1.5. Por fim, é explicada a relevância do presente trabalho no ponto 1.6. e no que consiste e quais os seus objectivos no ponto 1.7. T. Carreno Página 1 Elos flexíveis ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 1.1. Elos flexíveis Os braços manipuladores robóticos são e têm sido o principal componente robótico utilizado na indústria. São a solução mais utilizada para um vasto número de aplicações devido à sua flexibilidade de adaptação a realizar tarefas distintas e o seu estudo tem sido um paradigma da robótica. Tradicionalmente são estruturas grandes e pesadas. Requerem um esforço elevado para realizar os movimentos pretendidos pelo que são dispendiosos, consomem grandes quantidades de energia e operam cargas muito inferiores ao seu próprio peso. Torna-se importante tornar os braços manipuladores robóticos mais ágeis e ligeiros, para que possam realizar tarefas mais rapidamente e de um modo mais económico e permitam uma maior mobilidade e flexibilidade de integração no ambiente industrial. O problema com a redução de peso prende-se com a perda de rigidez associada, que origina movimentos de deformação elástica que introduzem movimentos vibratórios e comportamentos de fase não-mínima que se traduzem na degradação do desempenho do manipulador. É essencialmente deste ponto que nasce o interesse pelo controlo de elos flexíveis: através do uso de esquemas de controlo podemos recuperar a precisão obtida com elos rígidos, mantendo a leveza estrutural desejada, sem onerar a solução com o emprego de materiais/técnicas de construção sofisticadas. O interesse na investigação académica de manipuladores com elos flexíveis tem sido crescente nas últimas duas décadas e meia (Gráfico 1. 1). 180 160 Nº de publicações 140 120 100 80 60 40 20 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 0 Ano da publicação Gráfico 1. 1. Número de resultados obtidos no Google Scholar com as palavras "flexible link" manipulator nos últimos 25 anos, em função do ano da publicação. Para que se possa ter manipuladores ligeiros com condições de performance semelhantes aos seus equivalentes rígidos é importante obter esquemas de controlo, nomeadamente no planeamento de trajectórias, para que o manipulador se desloque do ponto A ao ponto B correctamente no espaço, no controlo de força (impedância), para que a carga seja correctamente manuseada pelo manipulador e de vibrações, para que o manipulador se comporte de uma forma o menos oscilatória possível. É para este último ponto que o presente trabalho se propõe a encontrar soluções adequadas. A passagem de elo rígido a flexível levanta uma série de problemas: passamos de um corpo rígido com número finito de graus de liberdade, a um meio contínuo com infinitos graus de liberdade. São necessárias técnicas de modelação e esquemas de controlo diferentes das tradicionais. Esta passagem de rígido a flexível também implica uma perda de controlabilidade (e observabilidade): a informação apenas relativa ao binário e ângulo na junta torna-se insuficiente. É necessário agir de outra forma sobre o elo, e obter mais informação sobre a sua disposição no espaço, pelo que são necessários novos esquemas de actuação/medida. Um campo que tem vindo a procurar soluções para este problema é o dos materiais e estruturas inteligentes. Página 2 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Materiais e estruturas inteligentes 1.2. Materiais e estruturas inteligentes Um material inteligente é um material cujas propriedades podem ser drasticamente alteradas devido a estímulos externos ou mudanças da sua vizinhança. Por exemplo, pode deformar-se, mudar de cor, condutividade, de viscosidade, quando se altera o campo de temperaturas, de tensões, eléctrico, magnético ou o pH da sua vizinhança. De notar que estas mudanças têm de ser drásticas por comparação à alteração induzida para o material ser considerado inteligente: por exemplo, o petróleo flui um pouco melhor quando aquece, mas há fluidos que podem mudar de viscosidade tão drasticamente a ponto de se comportarem como sólidos quando aplicado um estado de tensão ligeiramente diferente do original. Uma estrutura inteligente é uma estrutura de materiais tradicionais com materiais inteligentes embutidos ou montados à superfície e um sistema de controlo associado que use esses mesmos materiais para obter prestações desejadas. Estes materiais inteligentes são basicamente sensores e actuadores (Bandyopadhyay, et al., 2007). A característica que distingue as estruturas inteligentes é que os sensores e actuadores são frequentemente distribuídos e altamente integrados na estrutura, impossibilitando a modelação em separado (Preumont, 1997) O tema dos materiais inteligentes é recente, em crescimento, e fortemente interdisciplinar: envolve o campo dos materiais, da mecânica estrutural, do controlo, da medida, do processamento de sinal e da electrónica. 1.3. Materiais Piezoeléctricos Uma classe de materiais inteligentes que tem sido mais utilizada no controlo de estruturas inteligentes é a dos materiais piezoeléctricos. Estes materiais exibem o chamado efeito piezoeléctrico: quando sujeitos a tensão mecânica desenvolvem um potencial eléctrico. Este efeito foi demonstrado pela primeira vez pelos irmãos Jacques e Pierre Curie em 1880. Este é chamado o efeito piezoeléctrico directo. Posteriormente, em 1881, Gabriel Lippmann deduziu matematicamente o chamado efeito piezoeléctrico inverso, que também é exibido pelos materiais piezoeléctricos: quando submetidos a um campo eléctrico, produzem tensão e/ou extensão mecânica. As leis constitutivas para um meio contínuo piezoeléctrico podem ser escritas na seguinte forma (Martins, 2007): (1. 1.) (1. 2.) Onde εij e σij são as componentes do tensor das deformações e das tensões respectivamente, Epz e pz são o Módulo de Young e o coeficiente de Poisson do piezoeléctrico, dij são os termos de acoplamento piezoeléctrico, ξi é a permissividade do material, Di a carga por unidade de volume e E o campo de polarização. A equação (1. 1.) é a equação do efeito piezoeléctrico inverso e a equação (1. 2.) a do efeito piezoeléctrico directo. T. Carreno Página 3 Materiais Piezoeléctricos ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Há materiais piezoeléctricos que ocorrem naturalmente (como por exemplo o quartzo ou a cana-deaçúcar (Ballato, 1995), mas os mais utilizados são feitos pelo homem. Estes podem ser cristalinos ou cerâmicos, e os mais usuais em controlo estrutural são normalmente os cerâmicos. Destes últimos, o material mais comum é o zirconato titanato de chumbo ou PZT. As razões pelas quais os piezoeléctricos são o material inteligente mais frequentemente utilizado são várias. Em primeiro lugar, os piezocerâmicos possuem uma rigidez estrutural elevada permitindo uma actuação fortemente dependente da tensão eléctrica (Williams, et al.). Simultaneamente, as frequências às quais exibem uma boa interacção com sistemas dinâmicos vão desde cerca de 1Hz até aos MHz. Por último, o uso de materiais piezoeléctricos no controlo estrutural conta actualmente com o uso de vários materiais compósitos. Este último ponto é de especial importância. No passado, eram usados blocos monolíticos de material piezocerâmico, o que trazia algumas condicionantes: os cerâmicos revelam uma capacidade limitada de se adaptarem a superfícies curvas devido à sua fragilidade, e o uso de piezocerâmicos tipicamente à base de chumbo adiciona uma massa considerável à estrutura. O advento dos materiais compósitos com fibras piezocerâmicas imersas numa matriz polimérica (MFC) elimina estas desvantagens (Williams, et al.). Mais ainda, esta configuração compósita permite uma anisotropia do piezoeléctrico favorecendo o uso de sensores/actuadores para uma dada direcção e o uso de eléctrodos interdigitados permite o desenvolvimento de maiores tensões/extensões (Williams, et al.). Figura 1. 1. Macro Fiber Composite - Compósito de fibras piezoeléctricas PZT em matriz polimérica, mostrando a maior capacidade de adaptação a superfícies curvas. De salientar também a espessura reduzida. Os actuadores e sensores piezoeléctricos deste trabalho são justamente compósitos de fibras PZT em matriz polimérica. Explicações pormenorizadas destes actuadores e sensores podem ser encontradas em (Williams, et al.) e (Sodano, et al., 2003). As características principais dos actuadores e sensores utilizados estão resumidas no 5.2.ANEXO A. A título de curiosidade, refira-se ainda que os compósitos MFC receberam o prémio de invenção do ano da NASA em 2007 (Steitz, et al.). Entre os primeiros autores a abordar o uso de piezoeléctricos para a elaboração de estruturas inteligentes estão (Crawley, et al., 1987), sendo uma das referências mais citadas em trabalhos subsequentes. Analítica e experimentalmente os autores demonstraram que a eficácia dos piezoeléctricos em aplicações de actuação/medida é independente do tamanho da estrutura, avaliaram várias combinações de materiais piezoeléctricos com materiais de suporte, e configurações à superfície e embebidas na estrutura. Posteriormente, vários autores abordaram esta temática. Dois resumos actuais do estado da arte nesta matéria podem ser encontrados em (Chopra, 2002) e (Esmaeilsabzali, et al., 2005). Página 4 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Modelação de estruturas flexíveis 1.4. Modelação de estruturas flexíveis O problema da modelação de estruturas flexíveis prende-se com serem sistemas distribuídos: as suas propriedades não estão concentradas em pontos específicos, mas sim distribuídas ao longo de um meio contínuo. Isto dificulta a obtenção de modelos destas estruturas: obter funções analíticas que descrevam o comportamento de toda a estrutura de um modo contínuo é um problema difícil. Por este motivo, a maioria das abordagens presentes na literatura passa por efectuar uma discretização espacial do problema. Tipicamente uma de três abordagens é usada para realizar este objectivo: o método dos modos assumidos (AMM), o método dos elementos finitos (FEM) ou o método de parâmetros concentrados (lumped parameter). Muito sucintamente: no primeiro método, o modelo consiste numa série finita de produtos de funções de forma assumidas para os modos (daí a terminologia) e as amplitudes variantes no tempo. No segundo a modelação consiste na discretização em pequenos subdomínios para os quais funções admissíveis (tipicamente polinómios) são usadas. No terceiro, assumem-se tantas juntas fictícias não actuadas quantas necessárias para descrever apropriadamente o comportamento do elo, chamadas de pseudo-juntas. Cada pseudo-junta é acompanhada de uma mola linear para restringir o movimento de junta e assim representar a flexibilidade. As referências na literatura para a modelação de elos flexíveis são extremamente vastas e uma síntese exaustiva do estado da arte está fora do âmbito deste trabalho. Apresenta-se neste capítulo um breve resumo dos artigos, teses e livros considerados mais importantes para a pesquisa que foi desenvolvida pelo autor nesta área. Um artigo recente extremamente completo e abrangente sobre esta área é (Dwivedy, et al., 2006). Oferece um excelente ponto de partida à pesquisa da literatura tanto para a modelação como para o controlo. Fornece um compêndio da investigação efectuada em termos de modelação segundo os métodos mais comuns (FEM, AMM, e Lumped parameter) bem como outros estudos. Particulariza para manipuladores de um só elo flexível, dois elos flexíveis, e mais de dois elos. Aborda também flexibilidade de junta, dinâmica inversa e estudos experimentais, bem como o controlo para manipuladores com um, dois ou vários elos flexíveis. (Book, 1990) e (Piedbouef, et al., 1993) são documentos anteriores que também fornecem resumos do estado da arte da modelação e controlo de elos flexíveis. Um artigo de especial importância é (Theodore, et al., 1995), onde é feita a comparação entre os dois métodos de modelação mais comuns, o dos modos assumidos e o dos elementos finitos para um manipulador flexível. É feita uma comparação numérica e qualitativa e os autores terminam recomendando abordagens diferentes consoante as aplicações dos modelos. Em termos de livros, (Meirovitch, 1967) e (Meirovitch, 1980) oferecem duas referências clássicas na modelação analítica de vibrações. (Junkins, et al., 1993) apresenta uma análise comparativa entre o método dos modos assumidos e o dos elementos finitos. (Bandyopadhyay, et al., 2007) contém um estudo da modelação de vigas inteligentes tendo por base a teoria de vigas de Timoshenko e de Euler-Bernoulli. (Friswell, 1995) aborda o updating de modelos de elementos finitos em dinâmica estrutural. No âmbito das teses de doutoramento, (Piefort, 2001) oferece um estudo da modelação em elementos finitos de piezoeléctricos. (Moberg, 2007) e (Vakil, 2008) abordam a modelação de manipuladores flexíveis. (Martins, 2007) fornece um ambiente de modelação/simulação baseado no método dos modos assumidos, a toolbox Mecanismo, que é uma componente essencial do presente trabalho. 1.5. Soluções para o controlo de elos flexíveis O controlo de manipuladores com elos flexíveis é um tópico que conta com uma grande quantidade de trabalho desenvolvido (Gráfico 1. 1). Historicamente, o problema da flexibilidade dos elos de T. Carreno Página 5 Relevância do trabalho ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL manipuladores começou por ser evitado ao invés de se tentar procurar soluções para este, tanto em robots terrestres como em aplicações espaciais. Como é referido em (Book, 1993), “Designers of Earth-bound robots have a philosophy that avoids confronting the flexible monster. (…) Make it heavy; heavy enough to pass as rigid. Designers of space based systems have their own strategy: Move it slowly; slowly enough to pass as static”. Tornar os elos flexíveis estruturas inteligentes não é solução única para o problema da flexibilidade: o uso de geometrias e/ou de materiais que ofereçam maior rigidez pode oferecer melhorias. Todavia, o uso de controlo é preferível. Um sistema de controlo pode ser aplicado a estruturas com materiais relativamente simples (Crawley, et al., 1987), e é sem dúvida uma solução mais económica e eficaz para o problema. Há soluções para o controlo de elos flexíveis desenvolvidas em vários ramos do controlo: desde estratégias de controlo por realimentação e realimentação de estado (Balas, 1978), (Fanson, et al., 1990) (Baz, et al., 1992), (Friswell, et al., 1999), (Vasques, et al., 2006), de controlo directo, de controlo óptimo (Vasques, et al., 2006), robusto (Kar, et al., 2000), não linear (Yang, et al., 1998), adaptativo (Feliu, et al., 1990), através de redes neuronais (Yegildirek, et al., 1994), controladores fuzzy (Moodgal, et al., 1994). Mais recentemente tem-se procurado não a eliminação de vibrações mas o seu confinamento (Tang, et al., 2004), há também estratégias de controlo por input shaping (Mohamed, et al., 2003) (Singer, et al., 1988). O campo é vasto e a literatura também. Mais uma vez, (Dwivedy, et al., 2006) fornece um apanhado geral do trabalho efectuado neste âmbito, sendo (Book, 1990), (Piedbouef, et al., 1993) (Benosman, et al., 2004) outros documentos com o mesmo escopo mas não tão recentes. O controlo estrutural é um tópico bastante desenvolvido e conta com vários livros já publicados. (Meirovitch, 1990) aborda métodos de dinâmica estrutural e controlo: controlo modal, posicionamento de pólos, projecto de LQGs. (Fuller, et al., 1996) aborda o controlo activo de vibrações: realimentação, controlo óptimo, controlo modal, controlo feedforward, controlo adaptativo, actuadores e sensores distribuídos. (Inman, 1989) e a edição mais recente (Inman, 2006) introduzem os conceitos básicos do controlo de vibrações: controlo, estabilidade, modelos de parâmetros distribuídos, (Preumont, 1997) é uma referência na área, elaborando as temáticas actuais de controlo por realimentação, controladores LQG, posicionamento de sensores e actuadores, sensores e actuadores piezoeléctricos e contém aplicações em engenharia civil e aeroespacial. (Junkins, et al., 1993) é outra referência, sendo um livro mais avançado que aborda as temáticas da aproximação em modelos de dimensão finita de estruturas flexíveis (modos assumidos, elementos finitos), a realimentação de estado, medidas de controlabilidade e observabilidade e o problema do posicionamento de sensores e actuadores. (Wang, et al., 2003) aborda o planeamento de trajectórias, o controlo de força, controlo por realimentação, controlo robusto, não linear e o projecto de elos flexíveis, entre outras temáticas, (Gawronski, 2004) é um livro bastante recente, abordando tópicos avançados do controlo estrutural como a modelação e model order reduction, controlabilidade e observabilidade e posicionamento óptimo de sensores e actuadores, actuadores e sensores modais, a identificação de sistemas, o controlo colocado, controladores LQG e controlo robusto. (Bandyopadhyay, et al., 2007) apresenta uma série de esquemas de controlo para estruturas inteligentes, sobretudo vigas inteligentes com piezoeléctricos à superfície. 1.6. Relevância do trabalho Como descrito nos capítulos anteriores, as soluções para o controlo de vibrações de elos flexíveis são muitas e variadas. No entanto a grande maioria incide na resolução de problemas planares, em que a rigidez do elo é muito grande em todos os eixos menos um. Há ainda por desenvolver trabalho no que diz respeito a elos tridimensionais que sofram deformações consideráveis em todos os eixos. A passagem do caso anterior para este último não é trivial. Em (Dwivedy, et al., 2006), os autores concluem da sua pesquisa do estado da arte que vários pontos ainda merecem ser objecto de estudo, nomeadamente no que diz respeito à existência de deformações devido a flexão em mais que um eixo e torção. Os autores (Benosman, et al., 2004) dizem também que na sua opinião os objectivos Página 6 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Explicação do trabalho e seus objectivos de controlo a atingir já o foram, na sua maioria, para o caso planar. É talvez uma afirmação um pouco arrojada, mas o caso tridimensional é de facto menos estudado. O presente trabalho insere-se justamente nas lacunas levantadas por estes autores. O elo sobre o qual este trabalho se baseia permite o estudo desses fenómenos, pois a sua geometria faz com que as deformações sejam consideráveis nos vários eixos. 1.7. Explicação do trabalho e seus objectivos O presente trabalho consiste então na modelação e controlo de um elo flexível. O elo em questão é um elo desenvolvido no âmbito da tese de doutoramento do Prof. João Reis e uma das plataformas experimentais do LECA (Laboratório de Estruturas e Compósitos Adaptativos), do IST. O elo possui sensores e actuadores piezoeléctricos, através dos quais pode ser controlado. A descrição da instalação experimental é feita ao pormenor no anexo A. Figura 1. 2. Fotografia do elo flexível utilizado neste trabalho. A modelação foi desenvolvida seguindo duas abordagens: uma em software de elementos finitos e outra em simulador de modos assumidos. A modelação em elementos finitos foi desenvolvida em Ansys, a no simulador foi desenvolvida na toolbox Mecanismo, desenvolvida no âmbito da tese de doutoramento do Prof. Jorge Martins (Martins, 2007). Após uma construção inicial dos modelos procedeu-se à sua parametrização e optimizaram-se os parâmetros para obter comportamento próximo do experimental (model updating), enquanto se adquiria também conhecimento empírico sobre o sistema e se estudavam algumas características. A modelação é apresentada no capítulo 2. O controlo tem por objectivo conseguir o active damping do sistema. Foi implementada uma metodologia através de Positive Position Feedback (PPF), usando os modelos obtidos na fase de modelação para realizar a simulação em Simulink. Numa segunda fase, realizou-se o mesmo trabalho mas desta vez com a instalação experimental. Toda a fase de controlo é apresentada no capítulo 3. Os resultados de todo o trabalho estão apresentados no capítulo 4. No capítulo 5 descrevem-se as conclusões obtidas com este trabalho e sugestões para trabalhos futuros. T. Carreno Página 7 Explicação do trabalho e seus objectivos Página 8 ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL CAPÍTULO 2 MODELAÇÃO "A model's just an imitation of the real thing." Mae West Para este trabalho foram elaborados dois modelos do sistema. O primeiro foi um modelo em elementos finitos, usando o software ANSYS, o modelo A. O segundo modelo foi um modelo no simulador de modos assumidos, a toolbox de Matlab – Mecanismo, o modelo B. Estes modelos estão apresentados no ponto 2.1., onde também feita uma discussão sobre ambos, do ponto de vista das técnicas de modelação envolvidas. Ambos os modelos foram sujeitos a uma optimização dos seus parâmetros com vista a aproximar as suas respostas em frequência das obtidas experimentalmente para o elo real (ver 5.2.ANEXO B). Esta abordagem de encarar a modelação dos parâmetros como um problema de optimização é chamada model updating. Esta técnica e a sua relevância para este trabalho estão explicadas no ponto 2.2., onde também são explicados os métodos considerados, discutidas as opções tomadas referentes à optimização de um modo geral e é enunciado o problema de optimização. A particularização para cada modelo em termos de algoritmo, método, função objectivo e optimização vem também descrita nos pontos 2.3. e 2.4. Como etapa final da optimização foi criada uma biblioteca de modelos, procedendo à sua adaptação para o controlo. Esta etapa é explicada no ponto 2.5. T. Carreno Página 9 Apresentação dos modelos ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 2.1. Apresentação dos modelos 2.1.1. Modelo em Elementos Finitos – Modelo A Este modelo do sistema é um modelo em Elementos Finitos. Está realizado no software de elementos finitos ANSYS. Do modelo constam: -o tubo em policarbonato, encastrado na base -a placa de aço solidária com a extremidade do tubo -os sensores piezoeléctricos e os actuadores piezoeléctricos solidários com a face do tubo. 2.1.1.1. Geometria A geometria do modelo é a mesma da instalação experimental, conforme vem descrita no 5.2.ANEXO A. 2.1.1.2. Modelos de Material Existem três modelos de material no modelo. Um para o tubo, outro para o aço e outro para os piezoeléctricos. As especificações dadas para os modelos constam na Tabela 2.1. Tabela 2.1. Especificações do Modelo A Acrílico e Aço Piezoeléctrico Modelo estrutural linear, elástico, isotrópico linear, elástico, ortotrópico Massa específica Constante e igual em todas as direcções Constante e igual em todas as direcções Módulo de Young Constante e igual em todas as direcções Constante segundo x, constante com outro valor segundo y e z Coeficiente de Poisson Constante Constante Rigidez à torção - Constante segundo xy e xz, constante com outro valor segundo yz Permissividade - Constante segundo x, nula nas outras direcções 0 Matriz de tensão piezoeléctrica - e yz 0 0 Página 10 e xz 0 T. Carreno Apresentação dos modelos ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 2.1.1.3. Elementos Os elementos de ANSYS usados são o SOLID5, de oito nós com seis graus de liberdade em cada nó devido a pretender estudar as deformações em A geometria destes elementos é a da Figura 2.1 Figura 2.1. Elementos utilizados: elemento SOLID5 2.1.1.4. Malha A malha do modelo é como se pode ver nas figuras Figura 2.2 a Figura 2.4 Na Tabela 2.2 vê-se a distribuição dos elementos. Tabela 2.2. Distribuição dos elementos do modelo A Tabela 2.2. Distribuição dos elementos do modelo A Tabela 3.1. - Distribuição dos elementos do modelo Tabela 3.1 Distribuição de elementos Figura 2.2. Pormenor da malha nos sensores Figura 2.3. Pormenor da malha na placa de aço Figura 2.4. Malha do modelo – Vista global T. Carreno Página 11 Apresentação dos modelos ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 2.1.2. Modelo em Simulador de Modos Assumidos – Modelo B O Modelo B foi realizado na plataforma Mecanismo (Martins, 2007). Esta é uma toolbox para Matlab (Simulink) que consiste numa ferramenta de modelação simbólica de estruturas robóticas flexíveis, usando o kernel de Maple da toolbox de manipulação simbólica do Matlab. Este software baseia-se na teoria de vigas de Timoshenko. Esta teoria vai para além a teoria de vigas clássica (Euler-Bernoulli), tendo em conta deformações de corte e efeitos da inércia rotacional. É usada para vigas curtas (relações comprimento/espessura menores que 10) ou excitações de alta frequência com comprimento de onda próximo da espessura da viga. No entanto, não são consideradas distorções da secção do elo, como no caso do Modelo A, porque a teoria de vigas de Timoshenko assume que as secções transversais permanecem planas após a deformação, ou seja despreza o empeno. Além dos pressupostos implícitos nesta teoria, o software assume outros, como por exemplo: - A fibra neutra da viga tem extensão nula; - O eixo neutro da viga pré-deformada é uma linha recta; - As secções transversais da viga são de massa específica constante e simétricas em relação aos seus eixos principais. - As extensões devidas a corte e flexão são consideradas pequenas (de primeira ordem) As motivações por trás destes pressupostos estão explicadas em detalhe em (Martins, 2007). O software permite a simulação de actuação através de laminados fornecendo, como saída o deslocamento elástico da linha neutra da viga. É necessário calcular a resposta dos sensores com base nestes valores. Este cálculo é explicado melhor nos pontos 2.4.4. e 2.4.5. Este cálculo é bastante complexo pelo que foram adoptadas duas metodologias para calcular uma aproximação. Figura 2.5. O modelo Simulink construído com a toolbox Mecanismo, que alimenta o cálculo de curvaturas e de ângulos. Estes depois são alimentados no cálculo dos sensores. Página 12 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Apresentação dos modelos O software permite ainda discretizar os corpos flexíveis em mais do que um elemento (se quisermos, teria o seu paralelo em refinar a malha no Ansys – abordagem h) ou usando outras funções de forma de ordem superior (também se quisermos, teria o seu paralelo em alterar o tipo ou o grau dos elementos no Ansys – abordagem p). Estas alterações envolvem um número consideravelmente maior de cálculos pelo que acarretam também um maior custo computacional. Também está acoplado um bloco VRsink que permite a visualização tridimensional do elo em simulação, permitindo ver a resposta a qualquer entrada. Figura 2. 6. Visualização 3D do elo em Mecanismo. A azul e verde os eixos do referencial do programa. 2.1.3. Discussão sobre os modelos As diferentes plataformas de implementação dos modelos A e B baseiam-se em metodologias de cálculo diferentes, possuindo características que podem revelar-se como vantagens e desvantagens consoante a aplicação. No entanto, tanto o método dos modos assumidos (AMM) como o método dos elementos finitos (FEM) são métodos Rayleigh-Ritz. Os métodos Rayleigh-Ritz aproximam um sistema contínuo, de infinitos graus de liberdade por um de n graus de liberdade, sendo n um número finito. A diferença básica entre o AMM e o FEM é que no primeiro a solução é aproximada por uma série finita de funções admissíveis para todo o domínio, ao passo que no segundo se usam funções de forma admissíveis apenas para pequenos subdomínios simples, os elementos finitos. (Rao, 2004) por exemplo, diz que ambos os métodos são essencialmente equivalentes, na medida em que ambos procuram uma combinação linear de um conjunto de funções admissíveis, que extremize ou mantenha estacionário um dado funcional, com vista a obter uma solução aproximada para o problema, residindo a única diferença nos domínios para os quais as funções são definidas. Deste modo, a principal vantagem do FEM é a sua versatilidade. O FEM pode ser usado para calcular as frequências e modos naturais de qualquer sistema linear elástico (Beards, 1995). A tarefa de definir funções admissíveis para todo o domínio no AMM é muitas vezes complexa e impraticável, no caso de geometrias não uniformes. No entanto no FEM, esse problema não se coloca, podendo-se resolver problemas diferentes sem necessitar de encontrar de novo outras funções, apenas distribuindo os elementos de forma diferente. T. Carreno Página 13 Apresentação dos modelos ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL No entanto, quando a geometria é simples e não há mudanças súbitas nas propriedades do sistema, como as distribuições de massa e rigidez, o FEM revela piores prestações que o AMM (Meirovitch, 1980) (Junkins, et al., 1993). Este facto é devido ao elevado número de graus de liberdade associado ao FEM necessário para conseguir boa precisão, o que onera a solução computacional 1. Convém porém salientar, que à medida que o hardware vai evoluindo, este factor é progressivamente menos relevante. Ainda assim, a tecnologia infelizmente ainda não chegou a um ponto em que este factor não seja importante, sobretudo em situações de controlo online. Em (Junkins, et al., 1993), além de ser feita uma síntese das diferenças qualitativas entre ambos os métodos, que neste trabalho é apresentada na Tabela 2.3, é feito um estudo comparativo numérico entre ambos os métodos de discretização espacial, para o cálculo de frequências naturais de uma estrutura flexível. Como conclusão, é referido que na maioria dos casos, o FEM converge para o modelo real com menos graus de liberdade que o AMM, nas circunstâncias mais comuns, em que se usam funções de configuração que apenas satisfaçam condições de fronteira essenciais e não as naturais. Tabela 2.3. Diferenças qualitativas entre o método dos Modos Assumidos e o método dos Elementos Finitos Método dos Modos Assumidos Método dos Elementos Finitos Funções Admissíveis Funções globais definidas para todo o domínio Funções complexas Difíceis de escolher para estruturas de geometria complexa Funções locais definidas para pequenos subdomínios Simples e polinómios de baixo grau Ordem do Sistema Baixa ordem (tipicamente) Alta ordem Coordenadas Normalmente M, K altamente acoplados Normalmente não esparsas, embora muitas vezes predominantemente diagonais M e K esparsamente populados Coordenadas físicas Aplicação Útil para problemas em que a geometria é simples Largamente aplicável a geometrias arbitrárias Para uma geometria diferente Um novo conjunto de funções tem de ser seleccionado As mesmas funções são usadas (tipicamente) Em (Theodore, et al., 1995) também é feita uma comparação qualitativa e numérica do AMM e do FEM para a modelação de um manipulador flexível. Como conclusão, os autores recomendam o uso de AMM para manipuladores de apenas um elo flexível ou casos de secção transversal constante, recomendando o FEM para casos de secção transversal variável ou manipuladores com vários elos flexíveis. No mesmo artigo, é referido que o FEM sobrestima a rigidez. Os autores oferecem ainda uma breve análise relativamente ao número de modos a modelar. É dito que o número de modos exacto a ser incluído pode ser determinado a partir de análises de custo modal (Book, 1990), mas que tradicionalmente se consideram apenas os primeiros modos. A justificação vem das altas frequências e baixas amplitudes dos modos não modelados, e do facto dos actuadores e sensores 1 Há maneiras de lidar este problema. Uma delas é descrita no ponto 2.5.1: Model Order Reduction Página 14 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL A modelação como problema de optimização: Model Updating não funcionarem a altas frequências. No presente trabalho optou-se por apenas considerar os modos cuja frequência seja inferior a 100Hz. Em (Vakil, 2008) é referido que o FEM é preferível para projecto de manipuladores flexíveis e o AMM para controlo e simulação. Figura 2.8. Resposta em frequência de uma viga encastrada-livre com sensor piezoeléctrico colado à superfície de acordo com a teoria de viga e teoria de placas e cascas. Figura 2.7. Esforços considerados nos actuadores piezoeléctricos de acordo com: a) teoria de vigas; b) teoria de placas e cascas Além das diferenças de método numérico envolvido, há também diferenças em termos de modelação estrutural. O modelo B, ao seguir a teoria de vigas de Timoshenko, despreza esforços de membrana e binários no eixo perpendicular ao do actuador; o modelo A não. É portanto de esperar que hajam diferenças qualitativas entre as respostas em frequência obtidas com um modelo e as obtidas com outro. Em (Preumont, 1997) apresenta-se a Figura 2.8 como exemplo de uma comparação com as respostas em frequência de uma viga encastrada-livre de acordo como o modelo de viga e o modelo de placas e cascas. O modelo de placas e cascas considera os esforços acima referidos ao passo que o de viga não. Em (Piefort, 2001) apresenta-se a Figura 2.7. que evidencia esses esforços. 2.2. A modelação como problema de optimização: Model Updating O updating de modelos é um tema bastante estudado, com aplicações estruturais, estatísticas, económicas, entre outras (Friswell, 1995). É usado com algoritmos genéticos, redes neuronais, métodos de programação matemática, colónias de formigas, método da descida do gradiente, e vários outros métodos de optimização numérica. O updating consiste em actualizar os parâmetros de um modelo com vista a minimizar (iterativamente ou não) o desvio dos resultados em relação aos dados experimentais do sistema que esse modelo representa. É um problema de optimização com função desconhecida, pois a função que computa o desvio de um qualquer resultado obtido com o modelo em relação aos dados experimentais a partir apenas dos parâmetros é muitas vezes desconhecida (ou de tal modo complexa, que pode ser encarada como tal, de um ponto de vista computacional). De salientar que o model updating não é o mesmo que a identificação de sistemas. No primeiro necessitamos da existência de um modelo antes de começar o updating. O updating por si só não fornece modelos, apenas adequa melhor o seu comportamento com o comportamento de um sistema experimental para o qual há resultados conhecidos. Esse modelo pode e deve sempre que possível ser feito de forma directa, através das leis físicas que consideramos válidas para o sistema ( white-box modelling). No caso da identificação de sistemas, o que se faz é a avaliação de relação entre as entradas e as saídas de um sistema para se poder então obter o modelo do sistema, sem considerações físicas sobre este (black-box modelling). T. Carreno Página 15 A modelação como problema de optimização: Model Updating ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Ao longo deste capítulo chama-se “erro” a esse desvio entre dados experimentais e resultados do modelo. É um abuso de linguagem visto que os valores experimentais são medidos com um erro inerente à cadeia de medida e não são os valores exactos, mas que é cometido com vista a desembaraçar o discurso. Para usar o updating é então preciso decidir qual o método de optimização, função objectivo e evidentemente um modelo. Estes três aspectos estão intimamente ligados e a sua escolha é uma etapa delicada do processo. É preciso escolher uma função objectivo que avalie os parâmetros e compute o erro da forma mais expedita possível mas que seja também esclarecedora quanto à relevância destes parâmetros, para possibilitar poucas iterações e permitir descartar parâmetros aos quais o sistema não seja sensível cedo. Além disso, a escolha desta função depende do método de optimização utilizado e a escolha deste depende por sua vez do comportamento dela em relação aos parâmetros tidos como relevantes. Simultaneamente, essa escolha está sujeita a restrições, quer de capacidade (ou tempo) de processamento, quer físicas do modelo ou matemáticas do método. Esta escolha para este trabalho é explicada mais à frente neste capítulo no ponto 2.2.2. (Pinheiro, et al., 2004) e (Fernandez, et al., 2005) por exemplo, apresentam aplicações práticas deste método em casos estruturais. 2.2.1. Enunciado do problema Antes porém, desta escolha, é preciso definir correctamente o problema de optimização. No caso deste trabalho, o objectivo é ajustar a resposta em frequência do modelo à experimental, ou seja minimizar o erro: m in f ( x ) (2. 1.) x A em que f(x) é a função objectivo que represente o erro do modelo, x o vector de parâmetros que alimentam o modelo e A é conjunto dos valores possíveis para os parâmetros. Se houver n parâmetros . Em seguida, pode-se submeter a optimização a constrangimentos no que diz respeito ao domínio de procura. Os constrangimentos podem ser algo que tenha que ser verdadeiro fisicamente (uma condição-fronteira, ou de continuidade), ou majorantes/minorantes do valor do parâmetro, ou ainda uma qualquer outra inequação entre funções em x que faça sentido para o problema. Do ponto de vista computacional é preferível usar constrangimentos para ter um espaço de soluções mais pequeno, logo mais facilmente pesquisável. Do ponto de vista físico também, porque as funções objectivo em problemas estruturais têm tipicamente vários mínimos locais, grande parte destes não satisfazendo o problema, sendo nesse caso boa ideia assegurar que os mínimos encontrados sejam soluções válidas do problema. No caso deste trabalho, os constrangimentos foram definidos em termos de limitar a variação dos parâmetros ao intervalo de x m in a x m ax , sendo estes os valores máximos e mínimos que sejam aceitáveis de um ponto de vista físico para os parâmetros. Por exemplo, dado que o tubo que constitui o elo é em policarbonato não faz sentido que a sua massa específica seja muito distante dos 1200 kg/m3. Assim sendo o enunciado do problema de optimização para este trabalho é o seguinte: m in f ( x ) (2. 2.) x A sujeito a: x m ax Página 16 x x m in (2. 3.) T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL A modelação como problema de optimização: Model Updating 2.2.2. Discussão sobre os métodos de optimização O modelo em elementos finitos difere do modelo em modos assumidos em vários aspectos atrás descritos no ponto 2.1.3. De realçar são o software utilizado e o peso computacional. A análise de elementos finitos necessária para o modelo A demora muito mais tempo do que em modos assumidos para o modelo B. Este factor é importante visto que a maioria dos algoritmos de optimização recorrem a um grande número de iterações para garantir uma convergência com a solução óptima, e no caso de convergirem para um óptimo local, na sua maioria têm de ser reiniciados. Alguns destes algoritmos até avaliam a função objectivo várias vezes por iteração. Deste modo torna-se extremamente proibitiva a adopção de um método deste género para o primeiro modelo. A título de exemplo, diga-se que uma análise harmónica dos 0Hz aos 100Hz (para poder comparar com os dados experimentais, ver anexo C), se usarmos incrementos ( load steps) de metade dos da resposta experimental, necessitamos de 600 avaliações deste tipo, ou iterações. Mesmo num computador com 4GB de memória RAM, cada load step demora cerca de 14 segundos. Assim, a análise leva cerca de 2 horas e 20 minutos. Note-se que necessitaríamos no mínimo de uma análise por iteração, necessitando de cerca de 100 iterações para convergir (e possivelmente para um mínimo local), o que seria uma quantidade de tempo bastante elevada. No caso do Modelo B, o custo computacional não é tão elevado, sendo mais permissivo no que diz respeito aos métodos de optimização que lhe possam ser aplicados. Há ainda que considerar que o método deve assegurar uma convergência rápida. Esta exigência torna-se tão mais grave quanto mais alto for o custo computacional da iteração, pelo que mais uma vez, é um factor a ter em conta especialmente no caso do primeiro modelo. Simultaneamente, o método deve ser compatível com o modelo em termos de software ou pelo menos não deve requerer uma implementação/programação excessivamente complexa/pesada computacionalmente. Após a ponderação de todos estes factores, a escolha de método para o modelo A recaiu para o método fmincon da toolbox de optimização do software Matlab. Esta função além de ter a vantagem de já estar implementada, tendo apenas que se escrever a função objectivo, adapta-se bem às necessidades deste trabalho por vários motivos. Em primeiro lugar porque faz uma minimização da função objectivo, mas obedecendo a constrangimentos, tal como necessário para o nosso problema. O algoritmo só procura soluções dentro do intervalo que definimos à partida. Outro aspecto significativo é o facto de esta função permitir uma optimização multi-variável, aceitando tantos parâmetros quanto se queira, desde que a função objectivo seja escrita de acordo. Todavia, não permite a optimização multi-objectivo, o que provoca a necessidade de fazer alguns ajustes que são descritos mais tarde no ponto 2.3.2. Este método baseia-se numa programação quadrática sequencial (SQP), i.e. resolve um problema de programação quadrática a cada iteração, e continua até que os critérios de paragem sejam atingidos. Estes são: - Os parâmetros da nova iteração variarem menos de uma tolerância em relação à iteração anterior (o programa estagnou); - O valor da função objectivo da nova iteração variar menos de uma tolerância em relação à iteração anterior (convergência); - Os parâmetros infringirem os constrangimentos acima de uma dada tolerância; Paralelamente à existência do método fmincon, o Matlab é interessante como software “mestre” para a optimização, devido à sua facilidade de utilização, permitindo manipular matrizes e construir T. Carreno Página 17 A modelação como problema de optimização: Model Updating ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL gráficos de forma muito expedita e desse modo compreender melhor o que está a acontecer a cada instante, o que possibilita um desenvolvimento rápido e eficaz do programa. Para o modelo B os custos computacionais já são mais permissivos, podendo ser aplicados métodos de optimização mais pesados. No entanto verificaram-se muito boas prestações da função fmincon para este caso, no que diz respeito à rapidez de convergência sendo tomada a opção de manter esta estratégia de optimização. 2.2.3. Objectivos e Significado Físico da Optimização A ideia por detrás desta optimização é fazer com que o modelo se comporte o mais possível como o sistema experimental. Nessa medida, a optimização prende-se com atribuir os melhores valores aos parâmetros do modelo. O significado desta afirmação é importante e vale a pena ser elaborado. Os parâmetros iniciais são parâmetros que foram retirados da instalação experimental, como medidas de comprimentos, diâmetros, propriedades dos materiais (retiradas das especificações do fabricante). A ideia de optimizar os parâmetros não advém do facto de se pensar que há erros de medida nestes valores. Existem esses erros seguramente, (e até há questões de ordens de grandeza, como por exemplo o módulo de Young só é sabido até ao MPa), todavia, optimizar os parâmetros tem o intuito de achar os parâmetros que fazem com que o modelo se comporte o mais possível como o da realidade. Estes novos valores não têm significado físico por si só nem fazem sentido fora do âmbito do modelo. O modelo no final da optimização é como um sistema fictício que tem um comportamento estrutural, pelo menos no que diz respeito à resposta em frequência, muito semelhante ao experimental, ainda que os parâmetros de um e de outro sejam diferentes. Contudo, é preciso ter cuidado com variações excessivas, pois corre-se o risco de o sistema já não estar a representar a realidade. Por exemplo, não faz sentido restringir a variação do diâmetro do tubo em 1mm só porque é sabido que a medida foi efectuada com um erro inferior, porém não se pode deixar que varie, por exemplo, mais de metade. A modelação por elementos finitos não é apenas um método numérico independente da realidade física, assenta numa teoria válida e produz resultados aproximados, e é de esperar que os valores dos parâmetros que conduzem a uma maior aproximação sejam próximos daqueles reais. No entanto, a grandeza desta proximidade nada tem que ver com a grandeza do erro de medida com que se mediram os parâmetros reais. Com base nestas considerações e no conhecimento empírico extraído da fase de pré-optimização, tomaram-se como limites de variação para os parâmetros da optimização para o modelo A os valores apresentados na Tabela 2.4. Tabela 2.4. Limites de variação dos parâmetros de optimização Diâmetro exterior do tubo (mm) Espessura do tubo (mm) Módulo de Young do policarbonato (GPa) Massa específica do policarbonato (kg/m3) Coeficiente de Poisson do policarbonato Módulo de Young dos piezoeléctricos segundo x (GPa) Módulo de Young dos piezoeléctricos segundo y e z (GPa) Comprimento do tubo (mm) Massa específica do aço (kg/m3) Módulo de Young do aço (GPa) Página 18 Valor Mínimo Valor Máximo 50,6 3 2 1000 0,27 29,73 15,54 1178 7 190 51 7 4,5 3000 0,33 30,94 16,18 1198 8.5 230 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 290 52 4 Comprimento da placa (mm) Largura da placa (mm) Espessura da placa (mm) 310 67 8 No caso do modelo B, admitiram-se limites de variação mais permissivos, não por se considerar que este modelo é mais rudimentar, (devido à ausência de efeitos de membrana que poderiam revelar maiores discrepâncias na descrição da realidade), mas principalmente por ausência de conhecimento prévio sobre o funcionamento do software. Novamente, não se está a assumir que a teoria subjacente ao programa é menos correcta do que a teoria de elementos finitos, apenas que dentro do contexto deste problema é de esperar variações maiores dos parâmetros. A abordagem adoptada foi a de a cada realimentação permitir que os parâmetros pudessem variar desde metade do seu valor inicial até ao dobro, como forma grosseira de restringir o espaço de resultados. 2.3. Modelo em Elementos Finitos – Modelo A 2.3.1. Particularização do Enunciado do Problema de Optimização Para o modelo A, as análises harmónicas são extremamente pesadas computacionalmente, pelo que, usar como função objectivo a minimizar por exemplo a área entre ambas as respostas em frequência (experimental e do modelo) ou a diferença ponto a ponto ou outra expressão que use informação sobre todo o espectro é muito demorada. Outra alternativa é fazer análises modais. Estas, ao invés de incrementarem a frequência a pouco e pouco, resolvem o problema de valores próprios que devolve as frequências naturais directamente das matrizes do sistema em elementos finitos. Este facto torna uma análise modal muito mais leve computacionalmente e muito mais rápida. Por exemplo, para este modelo demora apenas cerca de 3 minutos (recordemos que a análise harmónica demora 2h20m). Por essa razão são as análises que foram usadas neste trabalho. Este aspecto faz com que a função objectivo use para o cálculo do erro apenas os valores máximos da resposta em frequência experimental. É um método que usa pouca informação experimental. Não é usada informação quanto aos mínimos da resposta em frequência experimental, ou seja, os zeros do sistema. É de esperar contudo que uma vez tendo o modelo as frequências naturais no sítio, os zeros também se encontrem no sítio certo. Para verificar este ponto, são tiradas quando se encontra um bom modelo análises harmónicas que permitam garantir que a resposta em frequência está bem aproximada nas restantes frequências. Há ainda a agravante da resposta experimental ser um espectro discreto com intervalos finitos. Quando a frequência natural se situa algures entre dois extremos de um intervalo não é correctamente captada, pelo que os pontos tidos como máximos e consequentemente como frequências naturais do sistema podem não ser os mais correctos. Assim sendo o problema de optimização para este modelo é: J m in x m in x x m ax p j (m j ej) 2 (2. 4.) j 1 em que J é o número de modos de vibração considerados, mj as frequências naturais obtidas segundo o modelo, ej os modos obtidos experimentalmente e pj os pesos atribuídos a cada modo. A escolha desta função objectivo prende-se com o facto de o erro quadrático ser um bom indicador do erro pois é sempre positivo e tanto menor quanto menor for o erro de forma quadrática, ou seja com descidas mais acentuadas para erros mais pequenos o que faz com que o algoritmo estabeleça o critério de paragem mais tarde. Foi afectado de um peso, escolhido entre 0 e 1, para permitir uma maior flexibilidade de optimização, privilegiando os modos que estejam pior representados, ou mesmo não considerando por completo os modos que se queiram, atribuindo-lhes peso nulo. É também uma função que devolve um escalar, satisfazendo as especificações do método fmincon que permite optimização multivariável, mas não multiobjectivo. T. Carreno Página 19 Modelo em Elementos Finitos – Modelo A ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 2.3.2. Algoritmo do Programa e Implementação O algoritmo do programa é muito simples: parte de um vector de parâmetros inicial fornecido pelo utilizador, alimentando a rotina de optimização fmincon, que se encarrega de ir avaliando sucessivamente a função objectivo como já foi descrito no ponto 2.2.2., até que os critérios de paragem descritos no mesmo ponto sejam estabelecidos. A análise estrutural é feita em ANSYS como parte integrante da função objectivo. Esta função é constituída pela interface ANSYS/Matlab e pelo cálculo do erro. O algoritmo do programa de optimização é então o seguinte: 1. Inicializa os parâmetros do modelo com valores escolhidos pelo utilizador, apaga ficheiros onde posteriormente irá guardar informação. 2. Corre a função fmincon do Matlab com a função objectivo até satisfazer um dos critérios de paragem (explicitados anteriormente no ponto 2.2.2.) Figura 2.9. Esquema do algoritmo do programa de optimização Página 20 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Modelo em Elementos Finitos – Modelo A Com o seguinte algoritmo como função objectivo: 1. 2. 3. 4. 5. Escrita de um ficheiro com os parâmetros que alimentam o modelo em ANSYS. Realização de uma análise modal em ANSYS. Leitura de um ficheiro escrito pelo ANSYS com os resultados da última análise. Cálculo do erro pesado. Actualização de gráfico relativo ao progresso do programa. A interface ANSYS/Matlab é então efectuada através da escrita e leitura de ficheiros de parte a parte e de duas funcionalidades importantes de ambos os softwares: a possibilidade de correr o ANSYS em modo batch e a existência do comando dos() no Matlab. Quando o ANSYS é corrido em modo batch, toda a análise está já programada num ficheiro, e o programa é chamado a partir da linha de comandos do DOS com uma sintaxe específica que indica esse ficheiro como input. Esse ficheiro por sua vez refere o ficheiro com parâmetros que é actualizado por Matlab. Os resultados da análise são também guardados num ficheiro que é depois lido no Matlab. Através do comando dos(), o Matlab chama o ANSYS em modo batch. O algoritmo do programa está esquematizado na Figura 2.8. À medida que corre, o programa vai criando um gráfico como o da Figura 2.10. Cada ponto representa o valor da função objectivo naquela avaliação da função objectivo. Como a cada iteração é resolvido um problema de programação quadrática, existem vários pontos em cada iteração. No gráfico é fácil de verificar quando muda a iteração pois é quando subitamente o valor da função objectivo se afasta do óptimo. O gráfico da Figura 2.10. Uma execução do programa de optimização. Plot do valor da função objectivo ao longo das várias avaliações da mesma. (fornecido pelo programa) corresponde a uma execução do programa de optimização em que um critério de paragem foi satisfeito ao fim de cerca de 146 avaliações da função e cerca de 5 iterações. No entanto, posteriormente foram realimentados os últimos parâmetros e programa continuou com outra execução. Cada avaliação da função demora cerca de 3 minutos, aproximadamente o mesmo tempo que uma análise modal em ANSYS, o principal consumidor computacional envolvido. Figura 2.10. Uma execução do programa de optimização. Plot do valor da função objectivo ao longo das várias avaliações da mesma. (fornecido pelo programa) T. Carreno Página 21 Modelo em Elementos Finitos – Modelo A ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 2.3.3. Pré-Optimização O programa de optimização utilizado fornece resultados diferentes consoante o vector de parâmetros inicial que se lhe fornece. A escolha destes é importante na convergência do método e na produção de resultados válidos. Para colmatar esta lacuna, ao invés de introduzir valores aleatórios e ir realimentando o programa, encontrando na maior parte dos casos más soluções, fez-se uma préoptimização. A pré-optimização consiste no estudo do sistema em termos de como este reage aos parâmetros, que tipo de influência estes manifestam, tanto a solo como em conjunto. É sempre importante fazer uma pré-optimização antes de fazer o updating a um modelo. Na maior parte dos casos é feito um estudo estatístico no âmbito do delineamento de experiências ( design of experiments) (Fernandez, et al., 2005) (Montgomery, 1997), para averiguar qual a influência dos parâmetros que são tidos empiricamente como relevantes, e as suas influências simultâneas aos pares, trios, a correlação entre eles, etc. Após esta fase, o projectista/modelador está apto a garantir que a escolha de parâmetros dele é correcta na medida em que são os que influenciam o modelo na direcção que ele deseja. Desse modo, fica apenas o problema de optimização dos seus valores, sendo então o problema apenas quantitativo e já não também qualitativo. Figura 2.11. Exemplo de estudo pré-optimização. Variação das frequências naturais do modelo com a massa específica e módulo de Young do policarbonato. Os planos horizontais representam o valor experimental Neste trabalho optou-se por executar a pré-optimização de um modo um pouco mais empírico. Não se delinearam experiências baseadas na teoria matemática clássica neste campo, pois essa via seria não só morosa como talvez excessivamente pormenorizada. O que foi feito foi a variação dos parâmetros do modelo, de alguns valores acima e abaixo do original, para vários parâmetros e para alguns pares de parâmetros obtendo gráficos como os da Figura 2.11. e Figura 2.12. A primeira mostra a variação das frequências naturais do sistema com a massa específica do tubo e o seu módulo de Young. Os patamares horizontais representam os valores desejados. A segunda representa a variação das frequências naturais com a espessura do tubo. Este método rudimentar permitiu uma inferência heurística do comportamento do modelo revelando de que forma alimentar o programa consoante o resultado pretendido (por exemplo: aumentar a 3ª frequência natural ou afastar a 4ª da 5ª, ou baixar todas por igual, etc.) e a que parâmetros este era mais sensível e de que forma. Página 22 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Modelo em Elementos Finitos – Modelo A Figura 2.12. Outro exemplo de estudo pré-optimização. Variação das frequências naturais com a espessura do tubo. As linhas horizontais representam os valores experimentais . 2.3.4. Optimização A fase de optimização propriamente dita teve três partes. Na primeira, consideraram-se parâmetros só referentes ao tubo e pesos unitários para todos os modos. Em seguida, com os parâmetros do tubo optimizados e constantes consideraram-se os referentes à placa também com pesos unitários. Por fim deixaram-se variar livremente os parâmetros da placa e do tubo variando também os pesos de forma a obter os melhores resultados possíveis. Em cada parte houve várias execuções do programa, ora realimentando valores, ora tentando outros. Também em cada parte começou-se sempre por considerar primeiro o primeiro modo de vibração com peso unitário e os restantes a zero, em seguida adicionando o segundo modo, depois o terceiro e assim sucessivamente. Este procedimento deve-se ao facto de o primeiro modo ser aquele mais insensível à variação dos parâmetros e necessitar de mudanças mais agressivas dos parâmetros para se aproximar ao valor experimental. Foi na gestão dos valores com que se alimentou o programa que se usou o conhecimento adquirido na fase de pre-optimização. Também se verificaram discrepâncias de sensibilidade do modelo à variação dos parâmetros que tiveram de ser compensadas com a agressividade do algoritmo. Por fim, quando se verificou que o modelo não melhorava acima de um patamar, tomaram-se aqueles parâmetros como óptimos. 2.3.5. Inclusão dos zeros na optimização Finalizada a optimização atrás descrita, realizou-se um estudo sobre a localização dos zeros do sistema. Este estudo está descrito no ponto 4.2. Após este estudo, considerou-se a inclusão dos valores das anti-ressonâncias (zeros) obtidas através do modelo no cálculo da função objectivo do algoritmo de optimização. A optimização tendo apenas como referência os pólos revelou uma boa aproximação dos zeros experimentais, muito semelhante à dos pólos, factor que indicia uma boa simulação da dinâmica do sistema. (ver ponto 4.1.) A motivação da inclusão dos zeros na optimização prende-se com a tentativa de melhorar globalmente o resultado anterior com a inclusão de uma maior parte de dados experimentais. T. Carreno Página 23 Modelo em Mecanismo – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL No entanto, o ANSYS não permite o cálculo dos zeros per se, sendo este obtido indirectamente a partir de análises harmónicas. Estas são muito pesadas computacionalmente. Mesmo reduzindo a gama de frequências ao mínimo intervalo possível que ainda assim capture todos os zeros (e possíveis variações destes) há um grande aumento do peso computacional do programa, em que cada avaliação da função objectivo passa a demorar mais cerca de 18 minutos do que demorava na optimização anterior. Este custo computacional é bastante proibitivo, sobretudo se tivermos em conta que as melhorias obtidas por esta estratégia esperavam-se marginais e de ordem de grandeza reduzida. Como tal optou-se por não efectuar a inclusão dos zeros na optimização. 2.4. Modelo em Mecanismo – Modelo B 2.4.1. Particularização do Enunciado do Problema de Optimização Para este modelo, a formulação do problema de optimização é a mesma do Modelo A (expressão 2.4) 2.4.2. Algoritmo do Programa e Implementação Para este modelo o algoritmo do programa e implementação são idênticos aos do Modelo A. As únicas diferenças prendem-se apenas com o algoritmo função objectivo. Agora não há necessidade de comunicar com o Ansys e todo o processamento é feito dentro do Matlab. Ainda assim, é necessário compilar o modelo dentro da toolbox Mecanismo. Esta compilação é feita através de função JB, que cria uma estrutura com as propriedades geométricas e estruturais do modelo que é depois alimentada à função BuildModel que constrói o modelo para posterior interpretação em Simulink. Figura 2.13. Exemplo de uma execução do programa. O programa aparenta estabilizar por volta da 40ª iteração, mas apenas por falta de zoom. De salientar que os pólos cujos pesos estão a zero não estão a ser correctamente capturados. Página 24 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Modelo em Mecanismo – Modelo B 2.4.3. Função objectivo A obtenção das respostas em frequência no Mecanismo é também totalmente diferente da utilizada no Ansys. A estratégia abordada consiste em linearizar o sistema considerando o cálculo do sinal dos sensores como saídas e os binários fornecidos às secções dos actuadores como entradas, e obter a resposta em frequência desse sistema linearizado. Deste modo, obtém-se posteriormente a informação que se quiser, quer sobre os pólos, quer sobre os zeros, quer sobre qualquer outra zona do espectro de resposta, a um custo computacional aceitável. Dada esta facilidade, uma opção interessante para a função objectivo seria a utilização de toda resposta em frequência e compará-la com a experimental, visto que se utilizaria muito maior informação experimental do que apenas a localização dos pólos. Todavia, esta estratégia revela grandes desvantagens. Em primeiro lugar, os dados experimentais são obtidos através da resposta impulsional e posterior transformada de Fourier (ver 5.2.ANEXO A), revelando algum ruído, que contrasta com a grande suavidade exibida pela resposta em frequência teórica, o que transformaria a função objectivo numa função mal comportada e por conseguinte difícil de obter uma estimativa adequada do seu gradiente, condição essencial a uma optimização eficaz. Em segundo lugar, para o controlo é mais relevante o que se passa em torno dos zeros e pólos do que nas outras zonas do espectro. Isto faz com que a prioridade seja adequar a resposta em termos das suas singularidades, de modo a aproximar os dados experimentais não de uma forma global em todo o espectro, mas apenas nas zonas de maior interesse para o controlo. Figura 2.14. Algoritmo da função objectivo para o modelo B T. Carreno Página 25 Modelo em Mecanismo – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Deste modo, o algoritmo da função objectivo para o modelo B é o seguinte: 1. 2. 3. 4. 5. Escrita de uma estrutura criada com os parâmetros que alimentam o modelo em Mecanismo. Compilação do modelo. Linearização do sistema e cálculo dos pólos. Cálculo do erro pesado. Actualização de gráficos relativos ao progresso do programa (devido à maior leveza computacional optou-se por mostrar mais informação no ecrã, nomeadamente a evolução dos parâmetros e do erro pólo a pólo). 2.4.4. Modelação dos sensores O software Mecanismo devolve como saídas as deformações locais, pelo que é necessário proceder ao cálculo do sinal dos sensores. Este cálculo não é trivial. De seguida procede-se à explicação desse cálculo. Ao longo deste cálculo falar-se à de vários referenciais. o referencial do software Mecanismo (referencial da viga), o referencial das expressões (1.1.) e (1.2.) (referencial da lei) e o referencial do sensor. É essencial compreender bem estes referenciais ou a explicação não fará sentido. O referencial do sensor é coincidente com o referencial da lei, apenas mudando os nomes dos eixos, i.e.: Figura 2. 15. Referenciais usados no cálculo: da viga, do sensor e da lei. (da esq. para a dir.) O referencial do sensor é o referencial da viga rodado 45º em torno de x3viga. O software devolve como saídas as aproximações de Rayleigh-Ritz das deflexões de flexão pura nos eixos 2 e 3 e o ângulo de torção pura: e (2. 5.) Página 26 T. Carreno Modelo em Mecanismo – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Em que , e são os vectores das funções de forma das deflexões elásticas e , e são os vectores com as coordenadas generalizadas correspondentes, medidos no referencial da viga. A partir destes é possível obter as curvaturas nos três eixos , e : (2. 6.) Usando a notação de (Martins, 2007), as extensões para um dado ponto P podem ser obtidas através da matriz: (2. 7.) Fazendo apenas o seguinte cálculo (equivalente ao produto externo ver Figura 2. 21): (2. 8.) Em que é um vector com a extensão normal segundo o eixo 1, e as de corte segundo 2 e 3. Todas as outras extensões são nulas como consequência da teoria de viga do simulador. Em seguida, sabendo as extensões na viga, podemos calcular as tensões na viga, através da lei de Hooke: (2. 9.) Em que a matriz de constantes é a inversa da da expressão (1.1.). Assim, sabendo o tensor de tensões na viga, podemos rodá-lo para o referencial do sensor, obtendo deste modo o tensor que é o tensor das deformações no piezoeléctrico. Para o sensor 4 é preciso rodar =+45º em torno de , e para o sensor 5 é preciso rodar =-45º em torno de . Ou seja: (2. 10.) Em que (2. 11.) É a matriz de rotação de um sistema de coordenadas ortonormado em torno de . Uma vez tendo o tensor das tensões no piezoeléctrico, assumimos o sensor em curto-circuito (campo eléctrico nulo) (Preumont, 1997) e como tal podemos calcular a carga eléctrica no sensor usando a lei do efeito piezoeléctrico directo (1.2.): T. Carreno Página 27 Modelo em Mecanismo – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL (2. 12.) Fazendo , e (o sensor é PZT laminado). De notar que a expressão tal esta está escrita no referencial da lei. Substituindo o vector de tensões pelos valores obtidos em (tal) fica: (2. 13.) Assumindo que o piezoeléctrico está em estado de tensão plana, com apenas as componentes , para o sensor 5 temos: e (2. 14.) E para o sensor 4, (2. 15.) Pelo que a carga fica: (2. 16.) (2. 17.) Recordando que, para a viga, , e (2.10.) e (2.8.): (2. 18.) E recordando as expressões (2.6.), fica, em coordenadas cilíndricas para facilitar o integral (ver Figura 2. 16): (2. 19.) Página 28 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Modelo em Mecanismo – Modelo B (2. 20.) Em que, (2. 21.) Temos agora uma expressão que nos fornece a carga eléctrica, de forma local, i.e. em função de um ponto, e também no tempo. Ou seja: (2. 22.) Resta agora integrar para toda o volume do piezoeléctrico para obter a carga total gerada no sensor. Supondo que a carga é constante ao longo da espessura do piezo (h<<l; h<<w) (2. 23.) Para proceder à realização deste integral convém dividir o piezoeléctrico em três zonas distintas, para se conseguir escrever os limites de integração. Figura 2. 16. Esquema explicativo do integral para os sensores Deste modo, a expressão anterior passa a ser: (2. 24.) Os limites de integração destes integrais podem ser obtidos à custa de alguns cálculos geométricos. Tendo em conta que para (área A), (área B) e (área C), os ângulos , e variam linearmente com , pode-se obter então a seguinte expressão (é necessário multiplicar por ρ porque este é o Jacobiano da transformação das coordenadas cartesianas para cilíndricas): (2. 25.) T. Carreno Página 29 Modelo em Mecanismo – Modelo B O cálculo de , ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL é obtido da seguinte forma: (2. 26.) O cálculo dos coeficientes e entanto conhecer o valor de é feito resolvendo um sistema de duas equações. É necessário no e de para dois pontos. Por exemplo, para tem-se: (2. 27.) é conhecido: é a distância da base do elo até ao primeiro vértice do sensor e . Para obter os ângulos, basta constatar que são os ângulos dos arcos de circunferência de raio igual ao raio exterior do cilindro e de comprimento igual à distância entre o eixo do cilindro e o ponto antes de o piezoeléctrico ser “colado” ao cilindro, e de ainda estar “plano”. A Figura 2. 17 ilustra este raciocínio melhor do que as palavras. Assim, (2. 28.) Agora resta apenas proceder à substituição no sistema de equações anterior, calcular a expressão para e utilizá-la como limite inferior no integral para a área A. Para os outros limites de integração e áreas procede-se do mesmo modo. Figura 2. 17. O momento da colagem do sensor. O plano a cinza claro e a linha a cinza escuro são para facilitar a visualização. Antes e depois da colagem, o comprimento das linhas cinza escuro é o mesmo. ( base neste podemos calcular as expressões que devolvem os limites de integração em Página 30 ) Com , em função de . T. Carreno Modelo em Mecanismo – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Findo todo este cálculo, resta relacionar a carga total obtida no piezoeléctrico com a tensão obtida à saída do amplificador de carga. Este último passo é feito tendo em conta que (Preumont, 1997): (2. 29.) Em que é a tensão à saída do amplificador e é a capacitância do condensador (figura tal). Figura 2. 18. Esquema do amplificador de carga ligado ao sensor. Devido à complexidade deste cálculo, o modelo torna-se pesado. Foram então desenvolvidas algumas aproximações e deixado para mais tarde a verificação de acordo com o cálculo mais correcto. Como primeira aproximação, assumiu-se que o sinal é proporcional à extensão no centro do sensor. Com base nas curvaturas, foi calculada a extensão nesse ponto e em seguida rodado o referencial para obter a extensão na direcção longitudinal dos sensores. O problema com esta metodologia reside na teoria de viga em que o modelo se baseia: o ponto no centro do sensor encontra-se sobre a linha neutra das flexões em x, o que torna estes modos não observáveis. Assim sendo, foi considerada a média das extensões nos pontos extremos do sensor (Figura 2.19). Figura 2.19. Pormenor do elo mostrando os pontos para o cálculo do sinal dos sensores. Uma outra aproximação foi obtida considerando o caso de uma viga de secção rectangular. Em (Preumont, 1997) demonstra-se que, para um laminado piezoeléctrico de altura e largura constantes ligado a um amplificador de carga colado numa face recta de uma viga, a tensão à saída do amplificador, v0 é v0 t E p d 31 hb p w '( b ) w '( a ) (2. 30.) Cf Figura 2.20. Tensão de saída do sensor T. Carreno Página 31 Modelo em Mecanismo – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL com Ep sendo o módulo de Young do piezoeléctrico, a constante piezoeléctrica d 31,h a distância à linha neutra, Cf a capacitância do amplificador e w’ os ângulos de deflexão. Esta equação foi obtida através da integração das leis constitutivas no volume do sensor há semelhança do cálculo inicial. Não é válida para o elo deste trabalho por dois motivos: em primeiro lugar a secção transversal do elo é circular; em segundo lugar os sensores do elo estão colados a 45º com a direcção longitudinal da viga e não alinhados com esta. Desse modo, foram considerados três sensores fictícios, um para cada direcção (x,y e z) que começam e terminam nos pontos a e b da Figura 2.19. Posteriormente, foram atríbuidos ganhos a cada um desses sinais fictícios que foram afinados com o programa de optimização de forma a obter resultados próximos do experimental. Foi programado o modelo para fornecer as duas aproximações para simular os sensores e deixada para após a optimização utilização do cálculo inicial para o modelo final. Esta escolha não influencia a optimização visto que as frequências naturais do sistema são estruturais e não dependem de como ou onde se mede2. Deste modo, poupou-se algum tempo na optimização. 2.4.5. Modelação dos actuadores O software Mecanismo recebe como inputs os binários puros nos três eixos efectuados pelo actuador. Em (Martins, 2007), mostra-se que são aplicados de acordo com: (2. 31.) Em que é o vector com os binários puros nos três eixos, é uma matriz de rotação (no caso em que o piezoeléctrico não está colocado longitudinalmente, mas faz um certo ângulo com a longitudinal), é uma matriz que contém o módulo de Young, o coeficiente de Poisson e os termos do acoplamento piezoeléctrico e é a diferença de potencial fornecida ao actuador e matriz definida do seguinte modo: é uma (2. 32.) Em que , e são as componentes do vector que vai da linha neutra até um ponto do piezoeléctrico (ver Figura 2. 21). Figura 2. 21. Corte transversal do elo. O vector a vermelho é . 2 Esta afirmação não é verdade para um ponto nodal, que não se move quando o sistema vibra num dado modo de vibração. No entanto, para os modos de vibração estudados este problema não se coloca para estas duas opções de medida. Página 32 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Modelo em Mecanismo – Modelo B A área agora é área ao longo da espessura do piezoeléctrico. Analisando a expressão, podemos constatar que os termos , e são constantes no espaço, para toda a área do actuador (o domínio da integração). Assim, a expressão pode ser re-escrita como: (2. 33.) Em que é o resultado do produto matricial , é todos os seus termos são constantes. Resta calcular o integral. Em coordenadas cilíndricas, como feito para os sensores, (mais uma vez, é necessário multiplicar por ρ) a expressão anterior torna-se em: (2. 34.) Em que é o raio do cilindro e a altura do piezoeléctrico, e e são os limites de integração em torno de . De salientar que mantendo a mesma aproximação que se cometeu nos sensores, fica: (2. 35.) No caso dos actuadores, como estes se encontram alinhados com o tubo, os limites em já não são função de , mas sim valores constantes. Para os calcularmos, basta lembrar de novo que o actuador ao ser colado mantém as mesmas dimensões, isto é, o arco de circunferência que se vê o actuador descrever quando se observa o elo em corte transversal, tem raio igual ao exterior do elo e comprimento igual à largura do actuador (ver Figura 2.21.). Figura 2. 22. Esquema explicativo do cálculo dos limites de integração em . Ou seja, (2. 36.) Deste modo, substitui-se na expressão do integral e obtém-se a função desejada que fornece os binários puros a fornecer ao Mecanismo a partir da tensão eléctrica aplicada ao actuador. A matriz , visto que tanto o actuador 1 como o actuador 2 estão alinhados com o elo torna-se assim na matriz identidade. A matriz para o actuador 1 é a matriz com as propriedades tal como estas são conhecidas e para o actuador 2 é com essas propriedades rodadas 45º, visto que as suas fibras estão dispostas com esse ângulo. T. Carreno Página 33 Modelo em Mecanismo – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Todavia, foi também implementada uma outra aproximação. Atribuiram-se ganhos às várias componentes de binários aplicados (flector em y, flector em x e torsor), e foram afinados com o programa de optimização de modo a obter o melhor ajuste possível às curvas experimentais. (De salientar que apesar do actuador 1 actuar essencialmente à flexão em y e do actuador 2 actuar essencialmente à torção e à flexão em y, é necessário ter em conta que vão também induzir flexão em x, devido à secção do elo ser circular). No fim da optimização foi retomado o cálculo correcto, à semelhança do que se passou com os sensores. Figura 2.23. Modelação dos actuadores em Simulink - aproximação 2.4.6. Funções de forma Outro parâmetro susceptível de alteração no programa é as funções de forma utilizadas. Para o cálculo com dois modos de vibração à flexão foram usadas funções cúbicas de Hermite, e para o cálculo de três modos de vibração à flexão foram usadas funções trigonométricas. Para a torção foi sempre considerada uma função linear. Funções de Hermite: 1º modo e 2º modo (2.37) Funções de trigonométricas: primeiros três modos (i=1,2,3) (2.38) Estas funções são apenas admissíveis, isto é, satisfazem apenas as condições de fronteira geométricas do problema. 2.4.7. Discretização do elo O modelo original só considera um corpo flexível: o do tubo. No entanto, pode-se construir o modelo para que o mesmo tubo seja modelado por mais corpos flexíveis. A única diferença entre este e o original reside no facto de apenas o tubo a seguir à base ter actuadores e sensores. 2.4.8. Optimização Devido às melhores prestações computacionais deste programa, não se realizou a fase de préoptimização, partindo directamente para a fase de optimização. Esta foi feita de forma progressiva à semelhança do modelo A. Numa primeira fase optimizou-se apenas para o primeiro modo, depois para os outros. Em cada fase do processo, os parâmetros a variar também foram introduzidos gradualmente, bem como os pesos atribuídos aos modos. Optou-se por optimizar também primeiro o tubo e depois a placa. Página 34 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Finalização dos modelos Após esta primeira fase, tentou-se melhorar o modelo alterando as funções de forma. Na primeira fase usaram-se funções de Hermite, ao passo que na segunda usaram-se funções de trigonométricas. Numa terceira fase, mantiveram-se as funções de Hermite, discretizando o tubo em dois elementos. Por último, considerou-se o melhor modelo, o caso com os melhores sensores e optimizaram-se os ganhos dos binários aplicados pelos actuadores para permitir a melhor adequação possível em termos de amplitude da resposta em frequência. 2.5. Finalização dos modelos Os modelos obtidos em Ansys e Mecanismo, após a optimização não são usados directamente para o controlo. É preciso extrair destes, uma representação conveniente que facilite o seu uso para a simulação e o controlo. Para este passo foram usados vários métodos, obtendo como consequência vários modelos, com o intuito de posteriormente comparar os modelos entre si, e os resultados com eles obtidos na fase de controlo. De seguida explicam-se estas várias abordagens. 2.5.1. Model order reduction O modelo obtido em Ansys após o fim do updating é de elevada ordem. Este facto traz grandes desvantagens do ponto de vista do controlo. Um modelo de elevada ordem significa que é difícil de trabalhar computacionalmente, devido a envolver uma complexidade de cálculo maior. Este caso é muito comum no controlo estrutural e tradicionalmente o modelo em Ansys é tratado através da Model Order Reduction (MOR). A MOR é um ramo da teoria de sistemas e controlo, que estuda propriedades de sistemas dinâmicos com vista a reduzir a sua complexidade preservando (até onde possível) o seu comportamento inputoutput. Há vários métodos para cumprir este objectivo: o método Krylov-subspace (ou momentmatching), o método de balanced realization e o método da propor orthogonal decomposition, entre outros. Todos estes métodos se baseiam em obter um modelo que mantenha as características fornecidas pelos valores próprios (pólos) dominantes do sistema. A explicação detalhada destes métodos não faz parte do âmbito deste trabalho. Explicações podem ser encontradas em (Antoulas, et al., 2001), (Gawronski, 2004) e (Junkins, et al., 1993) A realização da MOR é hoje em dia facilitada pela integração do Ansys com algumas ferramentas escritas com esse objectivo. Por exemplo, o software mor4ansys, escrito pelo Prof. Evgeni Rudnyi (Rudnyi E., 2006), que realiza a MOR de uma forma relativamente expedita permitindo ao projectista de controladores a obtenção de um modelo em espaço de estados de ordem reduzida que possa ser aplicado em esquemas de controlo. Esta é uma abordagem que se torna então bastante vantajosa pois permite obter modelos que conjuguem a precisão de resultados que se pode obter com os elementos finitos com a leveza computacional de modelos mais reduzidos. No decorrer deste trabalho tentou-se utilizar esta ferramenta para proceder à criação de modelos reduzidos a partir do modelo Ansys. No entanto não foi possível realizar esse processo. O problema prende-se com o facto de o modelo que se pretende obter seja para o sistema que tem como entradas a tensão fornecida aos actuadores e como saídas a tensão devolvida pelos sensores. Este modelo tem acoplamento piezoeléctrico entre o campo eléctrico dos sensores o seu campo de T. Carreno Página 35 Finalização dos modelos ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL tensões. Este facto faz com que a matriz de massas devolvida pelo Ansys tenha linhas nulas, e como tal não seja invertível, o que é uma condição necessária à aplicação do software. 2.5.2. Modelos A (modelos criados a partir do modelo A) Devido aos problemas com a implementação de um modelo reduzido através da MOR, os modelos obtidos em Ansys foram finalizados de outra forma. A estratégia utilizada foi fazer a identificação das respostas em frequência obtidas no Ansys. Foi usado o método de Levy. Esta abordagem é também de certa forma uma redução da ordem do modelo, na medida em que preserva as propriedades dinâmicas, mas reduzindo significativamente a sua ordem, à custa de obtenção também de maior erro. Uma questão plausível neste ponto é o interesse de realizar esta abordagem para o modelo A e não directamente aos resultados experimentais iniciais. O argumento por detrás desta escolha é tripartido. Em primeiro lugar, tem interesse para este trabalho o estudo das técnicas de modelação utilizadas, para concluir quanto à viabilidade/interesse das mesmas e comparar diferenças de qualidade dos modelos. A palavra qualidade neste contexto prende-se com a eficácia do seu uso para simulação e controlo. Em segundo lugar, as respostas em frequência experimentais são curvas acidentadas, o que as torna difíceis de identificar, ao passo que o modelo A oferece curvas muito mais suaves, devido a não contemplar o ruído existente na montagem experimental. De certa forma, identificar as curvas obtidas em elementos finitos é como identificar um sistema teórico, sem elementos não contemplados na teoria. (ver ponto 2.2.) Por último, o modelo A é um modelo de ordem muito elevada. Visto que a aplicação de técnicas MOR não foi possível, a aplicação das técnicas de identificação em frequência ao modelo Ansys fornece uma solução expedita, e é interessante no âmbito deste trabalho verificar se oferece uma boa alternativa. 2.5.3. Modelos B (modelos criados a partir do modelo B) O modelo obtido com a toolbox Mecanismo é um modelo Simulink. Usou-se então uma linearização do modelo através da função linearize da control systems toolbox. Este passo já era realizado durante a fase de optimização, pois as respostas em frequência usadas para comparação com as experimentais eram as do sistema já linearizado, pelo que o correcto é usar o modelo linearizado e não o original. Os modelos obtidos deste modo foram agrupados com a designação modelos B. 2.5.4. Criação de uma biblioteca de modelos Como último passo da fase de modelação, criou-se uma biblioteca de modelos. Como a quantidade de modelos obtidos é considerável, foram organizados de forma a facilitar o seu uso no controlo e posterior avaliação sobre a sua qualidade. Esta biblioteca consiste num ficheiro .mat com os modelos todos, prontos a usar para a simulação do controlo em ambiente Matlab/Simulink. No ponto 4.4.3, apresenta-se o quadro síntese com a biblioteca de modelos. Página 36 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Finalização dos modelos CAPÍTULO 3 CONTROLO "... and the machine became perfectly wild" G. B. Airy. Após a fase de modelação, os modelos obtidos foram utilizados para o controlo. Neste capítulo apresentam-se algumas considerações e bases teóricas tidas em conta para o projecto de controladores. No ponto 3.1. são referidas propriedades e fenómenos característicos do controlo de estruturas flexíveis amortecidas. No ponto 3.2. são apresentadas estratégias de controlo por realimentação para estes sistemas. No ponto 3.3. traçam-se os objectivos definidos para a realização do controlo do elo e resume-se a estratégia utilizada. No ponto 3.4. descreve-se a metodologia adoptada para o projecto de controladores. Este projecto foi realizado com auxílio do Simulink. No ponto 3.5. explica-se como esses controladores foram implementados e reajustados para o sistema experimental. T. Carreno Página 37 Controlo de estruturas flexíveis levemente amortecidas ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 3.1. Controlo de estruturas flexíveis levemente amortecidas Diz-se do sistema a controlar neste trabalho que é uma estrutura flexível levemente amortecida: flexível por ter rigidez/dimensões tais cujas deformações transversais são consideráveis e levemente amortecidas porque o seu amortecimento estrutural é reduzido. Este tipo de sistemas tem características mecânicas próprias de grande interesse no seu controlo. Das várias estratégias que se têm realizado para o controlo deste tipo de estruturas, o controlo colocado tem desempenhado um papel cada vez de maior relevo, através da utilização de materiais inteligentes (Inman, 2001) (Preumont, 1997). Diz-se que um controlo é colocado, quando as medidas dos sensores são efectuadas no mesmo local onde os actuadores actuam. Apesar de o sistema deste trabalho não ser colocado (na realidade, é quase-colocado3), não deixa de ser importante o estudo deste tipo de sistemas e das suas propriedades, para ver até que ponto são relevantes neste caso. 3.1.1. Controlo colocado Como demonstrado por exemplo em (Preumont, 1997) é propriedade de uma estrutura sem amortecimento que uma função de transferência entre um seu par actuador/sensor colocado seja tal que: - a sua amplitude vai sempre para às frequências de ressonância i, nas quais há um par de pólos imaginários puros conjugados. A fase sofre um atraso de 180º. - em cada intervalo entre frequências de ressonância consecutivas há uma antiressonância onde a amplitude vai para 0, onde ocorre um par de zeros puros imaginários. A fase sofre um avanço de 180º. Esta propriedade, (chamada neste texto alternância pólo/zero) é relevante para o controlo pelas seguintes razões: - em primeiro lugar, faz com que um sistema não amortecido tenha sempre os pólos e os zeros no limite de estabilidade. Se houver algum amortecimento, ainda que pequeno, os pólos e os zeros deslocar-se-ão um pouco para o semi-plano esquerdo e tanto maior será esse deslocamento quanto mais altas forem as frequências a que ocorrem. - em segundo lugar, graças a esta propriedade de alternância, através da análise do LGR do sistema verifica-se que os ramos do anel fechado também fiquem no semi-plano esquerdo. Figura 3.1. LGR de um sistema colocado com alternância pólo/zero Isto faz com que o sistema não tenha problemas quanto a instabilidade ou comportamentos de fase não-mínima. Se o par actuador/sensor não for colocado, esta alternância não é garantida, bem como a estabilidade. Todavia, mesmo que o par actuador/sensor seja colocado, pode ainda ocorrer troca 3 Na realidade, no elo os actuadores não estão no mesmo sítio que os sensores, havendo distâncias entre eles. Se considerarmos um corpo flexível como uma cadeia de infinitos sistemas massa-mola de massa infinitesimal, torna-se evidente que a actuação seria feita num e a medida noutro. O facto de um par actuador/sensor não ser colocado não implica que não se possa pensar num sistema da mesma maneira, numa dada região de interesse. Se houver alternância pólo/zero é correcto pensar no sistema como colocado. Na realidade, há um grande número de sistemas deste género, chamados quase-colocados. Um controlo estritamente colocado é até por vezes pouco prático, pois requer o uso de actuadores auto-sensíveis (Dosch, et al., 1992), havendo até autores que desencorajam esta abordagem (Preumont, 1997) (Yang, et al., 1998). Página 38 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Controlo de estruturas flexíveis levemente amortecidas pólo-zero, por exemplo se houverem zeros de compensador próximos de pólos do sistema ou cancelamento de pólo-zero por alteração dos parâmetros do sistema. Em caso de ocorrer troca pólo-zero, o anel fechado pode tornar-se instável pois os ramos do LGR passam agora pelo semi-plano direito. É importante também referir que estabilidade garantida é diferente de performance garantida. Esta última depende fortemente da existência de boa controlabilidade e observabilidade, que são essencialmente fruto do bom posicionamento e dimensionamento dos sensores e actuadores (Inman, 2001). Outra vantagem devido à alternância pólo-zero é o facto de o projecto de alguns controladores, nomeadamente de compensadores em avanço/atraso, poder ser efectuado de maneira descentralizada, considerando cada par actuador/sensor como um anel SISO independente (Preumont, 1997). Sendo o elo deste trabalho quase-colocado, considerá-lo como colocado numa dada gama de frequências pode ser correcto desde que a alternância pólo/zero se verifique. Além disso, o facto de o sistema não ser colocado não quer dizer que ter os actuadores e sensores à superfície do elo não traz benefícios (comparativamente a apenas actuar/medir numa junta): independentemente da metodologia de controlo, a incerteza na função de transferência é reduzida ao colocar os actuadores e sensores (ainda que não estritamente no mesmo sítio) pelo que a robustez é melhorada (MacMartin, 1995). 3.1.2. Roll-off e spillover A alternância pólo-zero oferece propriedades interessantes para o controlo. Contudo, é preciso ter em atenção que o anel aberto (controlador + sistema) tenha roll-off suficiente a altas frequências para acomodar dinâmicas do condicionamento de sinal e o inevitável atraso de fase. Roll-off é o decaimento do ganho com a frequência (declive negativo no diagrama de ganho para altas frequências, à semelhança de um filtro passa-baixo). É uma propriedade desejável a altas frequências pelas seguintes razões: - Menor sensibilidade a ruído (este costuma acontecer a altas frequências) - Menor sensibilidade a perturbações - Menos problemas com spillover A última razão refere um fenómeno de relevo no controlo de estruturas levemente amortecidas: o spillover. Este está relacionado com o facto de ao contrário do sistema real, que tem um número infinito de modos de vibração, o modelo desse sistema ter um número finito de modos. O spillover (literalmente “transbordo”) acontece quando um controlador que foi projectado com base num modelo com menos modos de vibração modelados que os reais (infinitos), é aplicado ao sistema completo e excita inadvertidamente um ou mais modos de vibração não modelados, ditos residuais, podendo provocar instabilidade. Esta instabilidade pode ser estrutural (ressonância de um modo residual), mas tipicamente advém do facto da saída do sistema ficar contaminada com os modos residuais e de o controlador não estar preparado para lidar com eles. Daí o termo spillover, porque é como se a energia da acção de controlo “transbordasse” para fora da zona modelada do espectro. O spillover pode ser explicado da seguinte forma, de acordo com (Inman, 2001). Consideremos um sistema definido pelas seguintes equações de estado (3.1, 3.2) e lei de realimentação (3.3): (3.1.) (3.2.) (3.3.) T. Carreno Página 39 Estratégias de controlo por realimentação ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Por simplicidade, assumamos que é SISO. Nesse caso a matriz de entrada B passa a ser um vector b e a matriz de medida C o vector c. Assumamos ainda que a matriz de ganhos é a matriz identidade (G=I). Sendo P a matriz de vectores próprios que transforma a matriz de estado A numa matriz diagonal de valores próprios (a matriz Λ), aplicando a transformação x=Pz a (3.1) e (3.2), substituindo 3.3 em 3.2, substituindo esse resultado em 3.1 e particionando para k modos, temos: (3.4.) Onde os vectores P-1b e cTP estão particionados de acordo com (3.5.) Apesar da matriz de estados ficar diagonal os termos na segunda parcela contendo os parâmetros do hardware de controlo têm elementos não diagonais. Se b2n-k e c2n-k forem ambos zero, o anel fechado fica desacoplado na sua forma modal. Infelizmente, se não forem zero, os termos não diagonais acoplam os primeiros k modos com os últimos 2n-k. O termo b2n-k dá origem a acoplamento devido à acção de controlo (denominado spillover de controlo), e o termo c2n-k origina acoplamento devido à medida (denominado spillover de observação). O termo b2n-kcT2n-k representa a acção de controlo que transborda para os modos não controlados (2n-k), no caso da lei de controlo apenas considerar os primeiros k modos. Se este termo for considerável, a performance ou até mesmo a estabilidade do anel fechado podem ser perdidas. O spillover também pode acontecer com dinâmicas não-modeladas (pólos de sensores, actuadores, etc.) Ter um bom roll-off ajuda a combater o spillover, pois os modos residuais encontram-se a frequências mais elevadas. Outra maneira de lidar com o spillover é utilizar configurações de sensores/actuadores que permitam situações de controlabilidade/observabilidade que minimizem este problema (Inman, 2001). 3.2. Estratégias de controlo por realimentação Há várias estratégias de controlo clássico com provas dadas no controlo de estruturas levemente amortecidas. Contudo, no âmbito deste trabalho não se consideraram estratégias de feedforward, apenas de feedback, devido a estas apresentarem os melhores desempenhos. O controlo por realimentação é muito usado para produzir active damping. Uma série de esquemas para active damping através de um anel de realimentação de estruturas levemente amortecidas com pares actuador/sensores colocados já foram estudados por exemplo em (Preumont, 1997). A Tabela 3.1 apresenta uma síntese dessas estratégias com estabilidade garantida para controlo colocado. Todas estas estratégias se baseiam em torno de um princípio comum que é o de colocar um compensador cujos pólos/zeros venham “puxar” os ramos do LGR para o lado esquerdo, aumentando não só a estabilidade relativa, mas também o amortecimento. Estas estratégias só aumentam de facto o amortecimento em torno das frequências de ressonância, deixando o resto do espectro com amortecimento idêntico, deixando assim algo a desejar em termos de performance. Página 40 T. Carreno Estratégias de controlo por realimentação ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Tabela 3.1. Quadro síntese com estratégias de active damping por realimentação Força Actuador Extensão Linear Compensador em avanço Deslocamento Velocidade Direct Velocity Feedback Sensor Direct Velocity Feedback: Aceleração Positive Position Feedback Extensão Força Integral Force Feedback Outra desvantagem destas estratégias é partirem do princípio que as dinâmicas do actuador e do sensor são perfeitas. No entanto, esta situação não se verifica na prática. Em (Preumont, 1997) demonstra-se que a dinâmica de um actuador pode ser aproximada como um filtro passa-baixo de segunda ordem. Figura 3.2. LGR de uma estrutura levemente amortecida com par actuador/sensor colocado: a) sem considerar dinâmica do actuador; b) considerando dinâmica do actuador Na Figura 3.2 pode ver-se o efeito que esta tem no LGR do sistema, fazendo com que só haja estabilidade para uma determinada gama de frequências. Outra condicionante prende-se com a T. Carreno Página 41 Estratégias de controlo por realimentação ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL possibilidade de haver ramos no LGR com fraca controlabilidade/observabilidade, que eventualmente também podem reduzir a gama de frequências do controlador. No entanto, há algumas vantagens nestas estratégias, como a possibilidade de projectar controladores independentemente para cada par actuador/sensor (desde que colocado), o projecto ser expedito e sobretudo não necessitar de um modelo do sistema. No caso do presente trabalho, devido a terem sido utilizados sensores e actuadores de extensão resolveu-se utilizar o Positive Position Feedback (PPF). 3.2.1. Positive Position Feedback (PPF) O controlo por PPF foi introduzido em primeiro lugar por (Goh, et al., 1985). O facto de não necessitar de um modelo analítico do sistema em conjunto com outras propriedades atraentes, como a robustez quanto à incerteza de propriedades estruturais do sistema, a simplicidade do projecto dos controladores e sobretudo a estabilidade garantida para certas condições (Fanson, et al., 1990), fez com que fosse uma estratégia muito popular e levou a várias aplicações no controlo estrutural de vibrações ((Baz, et al., 1992), (Fanson, et al., 1990), (Dosch, et al., 1992), (Fagan, 1993), (Agnes, 1997), (McEver, 1999), (DeGiulio, 2000), (Shan, et al., 2005)). A própria terminologia é esclarecedora quanto ao anel de controlo: a posição é realimentada com sinal positivo. Um controlador PPF é essencialmente um filtro de segunda ordem: Em que é o ganho do filtro, é a frequência natural do filtro e o coeficiente de amortecimento do filtro. Uma análise de estabilidade pelo critério de Nyquist deste sistema revela que 0<g<1 é condição necessária e suficiente para a estabilidade (Fanson, et al., 1990). Mais ainda, dinâmicas finitas de actuador não instabilizam um anel de controlo PPF (Fanson, et al., 1990). À semelhança de um absorsor mecânico (tuned mass damper) um filtro PPF comporta-se como o seu equivalente electrónico, devendo-se escolher os parâmetros do filtro para adicionar amortecimento a um modo específico. Figura 3. 3. Diagrama de Bode de um filtro PPF. Na Figura 3. 3 apresenta-se o diagrama de Bode de um filtro PPF típico. A sua característica de passa-baixo de segunda ordem é também outra propriedade desejada, pois não só traz consigo um bom roll-off (o que, entre outras coisas, não induz spillover) como também significa que um filtro PPF afinado para um determinado modo não afectará modos de frequências mais elevadas (desde Página 42 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Estratégias de controlo por realimentação que suficientemente espaçados), o que permite a calibração de múltiplos filtros PPF para os vários modos da estrutura de forma independente para um mesmo par actuador/sensor. Esta calibração deve ser realizada primeiro para os pólos de frequências mais elevadas e em seguida para os de frequências mais baixas (top-down approach) (Fagan, 1993). Infelizmente o critério de estabilidade para múltiplos filtros PPF não é tão simples como no caso de filtro PPF único (Fanson, et al., 1990) mas experiências demonstraram que, para pólos suficientemente espaçados, o uso de até três filtros PPF não oferece problemas de estabilidade (DeGiulio, 2000). No entanto, é preciso ter em atenção o ajuste dos ganhos de filtros já calibrados ao introduzir um novo filtro. 3.2.1.1. Tuning de filtros PPF O projecto de controladores PPF envolve então essencialmente a escolha de 3 parâmetros: , ,e . Esta calibração ou tuning pode ser feita de várias maneiras, e já vários autores se debruçaram sobre o assunto: (Dosch, et al., 1992), (Fagan, 1993), (Agnes, 1997), (McEver, 1999), (DeGiulio, 2000). Na sua maioria, a literatura consiste em controladores desenvolvidos por tentativa e erro, com os autores a fornecerem intervalos usuais para os parâmetros que forneceram os melhores resultados na sua pesquisa. A maioria dos autores sugere que a frequência do filtro seja ligeiramente superior à estrutural a amortecer. (Dosch, et al., 1992) sugerem por exemplo um factor de 1,3 entre estas frequências ao passo que (Fagan, 1993) sugere 1,45. Já o amortecimento do filtro encontrado na literatura varia entre 0,01 e 0,5. De notar que estes valores podem parecer contra-intuitivos: se se pretende um maior amortecimento pode pensar-se que não se deve usar coeficientes de amortecimento baixos. No entanto, a eficácia dos filtros PPF prende-se justamente com o facto de ressoarem a uma frequência próxima do pólo a amortecer. Aliás, o aumento do coeficiente de amortecimento faz com que a curva de fase do filtro tenha um declive mais suave e por isso age numa gama de frequências maior sendo mais tolerante a incertezas quanto à frequência de ressonância. McEver foi um autor que sistematizou a problemática do tuning de filtros PPF (McEver, 1999), propondo um algoritmo que fornece os parâmetros óptimos. Alguns trabalhos foram depois desenvolvidos com esta abordagem ou semelhantes, usando controladores on-line que fazem o auto tuning (Hegewald, 2000). O algoritmo de McEver parte da premissa de achar os pólos do anel fechado óptimos, i.e., aqueles que maximizem o amortecimento. McEver demonstrou que este problema equivale a colocar os dois pares de pólos (o do sistema a amortecer e o do controlador) de forma a terem o mesmo amortecimento. Figura 3. 4. Localização óptima dos pólos de acordo com McEver Partindo deste argumento simples, e através de alguma manipulação matemática que pode ser omitida sem perda de continuidade e pode ser encontrada em (McEver, 1999), são obtidas as seguintes expressões e regras para as utilizar. Neste texto chamar-se-á a esta abordagem de tuning de filtros PPF o algoritmo de McEver: T. Carreno Página 43 ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 1. 2. 3. 4. 5. Escolher o ganho do filtro g, positivo se wpz > 1, negativo se wpz < 1. Calcular wfp da equação (3). Escolher α= 1. Calcular o amortecimento do anel fechado ξCL da equação (2). Calcular o amortecimento do filtro ξf da equação (1). (1) (2) (3) Em que, wpz= wp/ wz é o espaçamento polo/zero. O algoritmo de McEver foi concebido para uma ressonância de um sistema colocado e como tal apenas considera casos em que há alternância pólo/zero. No caso do sistema deste trabalho, esta situação nem sempre se verifica. Por vezes há pólos seguidos sem haver um zero pelo meio, ou há zeros antes de pólos. No entanto, usar o algoritmo com a frequência do pólo a amortecer e uma frequência 10% acima para a frequência de um zero fictício (valor indicado por McEver como usual em sistemas colocados) nestes casos revelou fornecer um bom ponto de partida para o processo de tentativa e erro usual na calibração dos filtros deste trabalho. Esta foi a abordagem usada. 3.3. Objectivos do controlo A estratégia de controlo adoptada neste trabalho (Positive Position Feedback) tem como objectivos: - Aumento do amortecimento em todo o espectro; - Estabilidade relativa elevada; - Largura de banda o mais vasta possível (dentro do intervalo em estudo de 0Hz - 100Hz); - Atenuação a altas frequências para rejeição de ruído de medida e robustez relativamente a modos não controlados. 3.4. Simulação em Simulink Usaram-se os modelos MIMO obtidos na fase de modelação para modelar o sistema e os sistemas SISO para o projecto de controladores. Em seguida, construíram-se modelos Simulink com os vários modelos do sistema e estratégias correspondentes (Figura 3. 5.). Figura 3. 5. Modelo Simulink para a simulação do controlo Página 44 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Controlo experimental Depois esses modelos foram usados para calibrar parâmetros dos controladores. Usando as funcionalidades do software pode-se avaliar o impacto dos controladores nas respostas em frequência e no tempo do anel fechado para os vários esquemas de controlo e modelos. Para os controladores PPF, estes foram obtidos inicialmente como descrito no ponto 3.2.1.1. Depois, usando o modelo Simulink, criou-se um sinal de teste que excitasse todos os modos do modelo, para testar e melhorar os controladores no que diz respeito à sua resposta no tempo. O esquema de teste que consistia em fornecer o sinal ao sistema durante sete segundos, ao fim dos quais se ligava o anel de controlo e se desligava o sinal de teste. Como objectivo pretendia-se que o sistema parasse o seu movimento oscilatório o mais cedo possível após esses sete segundos. Paralelamente, foram obtidas linearizações do anel fechado de forma a verificar as melhorias na resposta em frequência. Figura 3. 6. Subsistema Simulink que gera o sinal de teste (idêntico ao experimental) Figura 3. 7. Resposta em simulação do modelo A com placa ao sinal de teste (sem controlo) 3.5. Controlo experimental Após a realização das experiências de controlo em simulação, foi efectuado o controlo experimental. A instalação experimental encontra-se descrita no 5.2.ANEXO A. O controlo experimental foi implementado através do Simulink, correndo em modo external. Para validar os controladores procedeu-se de um modo semelhante ao usado na simulação. As diferenças foram o uso do actuador 3 e a análise do espectro de potência da resposta do elo controlado, para verificar o que acontecia em termos de frequência, (na simulação obtinha-se a resposta em frequência directamente do sistema linearizado). De salientar que apesar do controlo experimental ser digital, os controladores projectados foram contínuos. Deste modo, usou-se como parâmetro da simulação um fixed step de 0.001s, devido aos sinais provenientes dos sensores serem amostrados a 1kHz (5.2.ANEXO A). T. Carreno Página 45 ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Página 46 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL CAPÍTULO 4 RESULTADOS "In theory, there is no difference between theory and practice. But, in practice, there is." Jan van de Snepscheut No presente capítulo são apresentados os resultados e a respectiva discussão. No ponto 4.1. apresentam-se os resultados da modelação para o Modelo A. No ponto 4.2. apresenta-se um breve estudo realizado sobre a localização dos zeros. No ponto 4.3. apresentam-se os resultados da modelação para o modelo B. No ponto 4.4. apresentam-se os modelos finais preparados para o controlo. No ponto 4.5. apresenta-se a discussão dos resultados da modelação. No ponto 4.6. apresentam-se os resultados do controlo em Simulink. No ponto 4.7. apresentam-se os resultados do controlo experimental. No ponto 4.8. são discutidos os resultados do controlo. T. Carreno Página 47 Resultados – Modelo A ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 4.1. Resultados – Modelo A Após todo o processo descrito em 2.3., obtiveram-se os valores finais dos parâmetros do modelo. Estes vêem apresentados na Tabela 4. 1. Apresentam-se também os Gráficos 4.2. com a referida variação dos parâmetros. Foram também efectuadas análises harmónicas tendo como entrada o actuador 1 e o actuador 2, e para cada caso a saída medida no sensor 4 e 5. Apresentam-se também nos Gráficos 4.2. a 4.5. os resultados destas análises contrapostos aos dados experimentais das respostas em frequência, desde os valores iniciais até aos finais a cada passo da análise. Por último apresentam-se Tabela 4.2. e os Gráficos 4.6. com os valores do erro dos pólos e dos zeros teóricos dos modelos inicial, final e a cada passo em relação aos experimentais, bem como a sua evolução ao longo da optimização em termos médios e a área absoluta entre as curvas experimentais. Todos os valores referidos como amplitude estão em Volt e todos os referidos como frequência em Hz. Tabela 4. 1. Variação dos parâmetros ao longo da optimização Após optimização referente ao tubo Diâmetro do tubo (mm) [D] Espessura do tubo (mm) [thk] Módulo de Young do acríclico (GPa) [E] Massa específica do policarbonato (kg/m3) [rho] Comprimento do tubo (m) [L] Inicial 50,800 4,000 2,400 1200,00 1,188 Optimizado 50,917773 4,393359 3,010045 1480,20000 1,17925 Variação (%) 0,23 9,83 25,42 23,35 -0,74 Inicial 7860,00 200,000 300,000 60,000 6,000 Optimizado 7875,971168 227,500000 310,000000 54,910497 5,259653 Variação (%) 0,20 13,75 3,33 -8,48 -12,34 Inicial 50,800 4,000 2,400 1200,00 300,000 30,340 Optimizado 50,925090 4,397952 2,920486 1428,848757 304,158157 30,344184 Variação (%) 0,25 9,95 21,69 19,07 1,39 0,01 15,860 1,188 7860,00 200,000 300,000 60,000 6,000 15,847501 1,179212 7909,067607 227,322915 310,000000 54,878306 5,085058 -0,08 -0,74 0,62 13,66 3,33 -8,54 -15,25 Após optimização referente à placa Massa específica do aço (kg/m3) [rho_St] Módulo de Young do aço (GPa) [E_St] Comprimento da placa (mm) [Lx] Largura da placa (mm) [ax] Espessura da placa (mm) [tx] Após optimização final Diâmetro do tubo (mm) [D] Espessura do tubo (mm) [thk] Módulo de Young do policarbonato (GPa) [E] Massa específica do policarbonato (kg/m3) [rho] Coeficiente de Poisson do policarbonato [NU12] Módulo de Young dos piezoeléctricos (x) (GPa) [Ep1] Módulo de Young dos piezoeléctricos (y,z) (GPa) [Ep2] Comprimento do tubo (m) [L] Massa específica do aço (kg/m3) [rho_St] Módulo de Young do aço (GPa) [E_St] Comprimento da placa (mm) [Lx] Largura da placa (mm) [ax] Espessura da placa (mm) [tx] Página 48 T. Carreno Resultados – Modelo A ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4.1. Variação dos parâmetros ao longo da optimização Variação percentual dos pârametros do tubo Variação percentual dos pâram etros da placa 20 30 25,42 15 25 13,75 23,35 10 15 5 3,33 % % 20 0,20 9,83 10 0 rho_St E_St Lx ax tx -5 5 -0,74 0,23 -8,48 -10 0 D thk E rho L -12,34 -15 -5 Variação percentual final de todos os parâmetros 25 21,69 19,07 20 13,66 15 9,95 10 % 5 3,33 1,39 0,25 -0,74 0,62 L rho_St 0,01 0 D thk E rho NU12 Ep1 Ep2 -0,08 E_St Lx ax tx -5 -10 -8,54 -15 -15,25 -20 T. Carreno Página 49 Resultados – Modelo A ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Tabela 4.2. Pólos e zeros obtidos através das respostas em frequência experimentais e do modelo e respectivo erro e área entre curvas (Valores em Hz) Experimentais Pólos Zeros Pólos 4,333 24,000 28,000 47,333 62,000 3,500 21,750 25,750 44,750 61,750 27,667 60,333 Modelo Inicial Erro(%) Zeros -19,22 -9,38 -8,04 -5,46 -0,40 Erro médio 8,50 Área entre curvas Experimentais Pólos Zeros Pólos 4,333 24,000 27,667 47,440 62,000 3,500 21,750 25,500 44,750 61,750 3,000 21,333 28,000 45,000 61,000 -19,22 -9,38 -7,83 -5,67 -0,40 Pólos -7,83 1,11 Erro médio 4,47 1162,95 Modelo Inicial Erro(%) Zeros Erro médio 8,50 Área entre curvas Experimentais Pólos Zeros 25,500 61,000 Erro(%) 2,750 19,500 25,750 42,000 61,500 Erro(%) -8,33 -8,59 -8,04 -6,67 0,82 Erro médio 6,49 1118,92 Modelo Inicial Erro(%) Zeros Erro(%) Actuador 1 Sensor 4 Modelo Após Optimização do Tubo Pólos Erro(%) Zeros Erro(%) Modelo Após Optimização da Placa Pólos Erro(%) Zeros Erro(%) Pólos 3,833 24,000 28,000 45,833 63,330 4,000 24,500 27,833 47,333 62,333 4,000 24,333 27,667 47,333 62,000 -11,54 0,00 0,00 -3,17 2,15 27,667 62,667 0,00 3,87 Erro médio 3,37 Área entre curvas Erro médio 1,93 1121,70 Actuador 1 Sensor 5 Modelo Após Optimização do Tubo Pólos Erro(%) Zeros Erro(%) 3,833 24,000 27,833 45,833 63,330 -11,54 0,00 0,60 -3,39 2,15 3,000 21,167 28,000 43,667 63,000 0,00 -0,78 0,00 -2,96 3,28 Erro médio 3,53 Área entre curvas Erro médio 1,40 901,02 Actuador 2 Sensor 4 Modelo Após Optimização do Tubo Pólos Erro(%) Zeros Erro(%) -7,69 2,08 -0,60 0,00 0,54 Erro médio 2,18 Área entre curvas 27,667 61,833 0,00 2,49 Erro médio 1,24 1342,19 Modelo Após Optimização Final Erro(%) Zeros Erro(%) Erro médio 2,05 Área entre curvas Modelo Após Optimização da Placa Pólos Erro(%) Zeros Erro(%) Pólos 4,000 24,500 27,833 47,333 62,333 4,000 24,333 27,500 47,333 62,000 -7,69 2,08 0,60 -0,23 0,54 Erro médio 2,23 Área entre curvas 3,167 21,333 28,333 45,333 62,167 5,57 0,00 1,19 0,74 1,91 Erro médio 1,88 Modelo Após Optimização da Placa Pólos Erro(%) Zeros Erro(%) -7,69 1,39 -1,19 0,00 0,00 -0,60 1,93 Erro médio 1,27 7811,30 Modelo Após Optimização Final Erro(%) Zeros Erro(%) -7,69 1,39 -0,60 -0,23 0,00 Erro médio 1,98 Área entre curvas Pólos 27,500 61,500 3,167 21,167 27,667 45,333 61,667 5,56 -0,78 -1,19 0,74 1,09 Erro médio 1,87 3783,98 Modelo Após Optimização Final Erro(%) Zeros Erro(%) 4,333 3,000 3,500 -19,22 2,750 -8,33 3,833 -11,54 2,500 -16,67 4,000 -7,69 2,667 -11,10 4,000 -7,69 2,667 -11,10 24,000 20,667 21,750 -9,38 18,000 -12,90 24,000 0,00 20,000 -3,23 24,500 2,08 20,500 -0,81 24,333 1,39 20,333 -1,62 27,667 28,000 25,750 -6,93 25,500 -8,93 27,833 0,60 27,667 -1,19 27,833 0,60 27,670 -1,18 27,667 0,00 27,500 -1,79 47,333 62,000 46,000 61,000 44,750 61,750 -5,46 -0,40 43,000 61,250 -6,52 0,41 45,833 63,330 -3,17 2,15 43,833 62,667 -4,71 2,73 47,333 62,333 0,00 0,54 45,167 61,833 -1,81 1,37 47,333 62,000 0,00 0,00 45,333 61,333 -1,45 0,55 Erro médio -8,28 Área entre curvas Experimentais Pólos Zeros Pólos 4,333 24,000 27,667 47,440 62,000 3,500 21,750 25,500 44,750 61,750 28,000 48,000 63,333 Modelo Inicial Erro(%) Zeros -19,22 -9,38 -7,83 -5,67 -0,40 Erro médio 8,50 Área entre curvas Erro médio global Área entre curvas média Página 50 Pólos Erro médio 7,42 486,47 8,44 25,750 46,000 64,250 Erro(%) -8,04 -4,17 1,45 Erro médio 4,55 400,75 Zeros 5,73 922,779 Erro médio 3,49 Área entre curvas Erro médio 5,71 424,39 Actuador 2 Sensor 5 Modelo Após Optimização do Tubo Pólos Erro(%) Zeros Erro(%) 3,833 24,000 27,833 45,833 63,330 -11,54 0,00 0,60 -3,39 2,15 Erro médio 3,53 Área entre curvas Pólos 3,48 28,000 47,000 65,500 0,00 -2,08 3,42 Erro médio 1,83 397,63 Zeros 2,72 815,703 Erro médio 2,18 Área entre curvas Erro médio 3,25 Erro médio 1,81 Área entre curvas Modelo Após Optimização da Placa Pólos Erro(%) Zeros Erro(%) Pólos 4,000 24,500 27,833 47,333 62,333 4,000 24,333 27,500 47,333 62,000 -7,69 2,08 0,60 -0,23 0,54 Erro médio 2,23 Área entre curvas Pólos 2,20 28,000 45,500 64,500 0,00 -5,21 1,84 Erro médio 2,35 307,63 Zeros 2,18 743,810 Modelo Após Optimização Final Erro(%) Zeros Erro(%) -7,69 1,39 -0,60 -0,23 0,00 Erro médio -1,43 Área entre curvas Pólos Erro médio 3,30 1337,12 1,98 27,833 48,500 64,167 -0,60 1,04 1,32 Erro médio 0,59 1036,93 Zeros 0,98 4310,799 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Resultados – Modelo A Gráficos 4.2. Respostas em frequência experimentais (a azul) e do modelo inicial (a vermelho) T. Carreno Página 51 Resultados – Modelo A ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4.3. Respostas em frequência experimentais (a azul) e do modelo após optimização ao tubo (a vermelho) Página 52 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4.4. Respostas em frequência experimentais (a azul) e do modelo após optimização à placa (a vermelho) T. Carreno Resultados – Modelo A Página 53 Resultados – Modelo A ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4.5. Respostas em frequência experimentais (a azul) e do modelo após optimização final (a vermelho) Página 54 T. Carreno Resultados – Modelo A ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4.6. Evolução dos erros em relação aos zeros e pólos e da área entre as curvas experimentais e do modelo ao longo da optimização Evolução do erro médio para os zeros 8 Actuador 1 Sensor 4 7 Evolução do erro m édio para os pólos Evolução da área entre curvas 9000 9 Act uador 1 Sensor 4 Act uador 1 Sensor 4 Actuador 1 Sensor 5 Act uador 1 Sensor 5 Act uador 1 Sensor 5 Actuador 2 Sensor 4 Act uador 2 Sensor 4 Actuador 2 Sensor 5 Act uador 2 Sensor 5 Média M édia 8 6 Act uador 2 Sensor 4 8000 7 7000 6 6000 5 5000 Act uador 2 Sensor 5 M édia % % 4 % 5 4 4000 3 3000 2 2000 1 1000 3 2 1 0 T. Carreno 0 0 inicial tubo placa final inicial tubo placa final inicial tubo placa final Página 55 Estudo sobre a localização dos zeros ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 4.2. Estudo sobre a localização dos zeros 4.2.1. Introdução Após a primeira optimização um aspecto que se faz notar é a localização dos zeros do sistema. Para o mesmo caso de actuação, a localização dos zeros é diferente medindo através do sensor 4 e através do sensor 5. (a numeração dos sensores pode ser observada no ANEXO A.) Para melhor compreender a localização dos zeros do sistema realizaram-se algumas experiências. Para verificar se as discrepâncias em termos de localização de zeros foram devidas a assimetria em termos de rigidez/massa, no modelo em ANSYS com os parâmetros já optimizados, colocou-se um quarto actuador fictício, o actuador 6, simétrico ao actuador 1. Efectuaram-se as mesmas análises harmónicas para os mesmos quatro casos, sendo o elo apenas actuado pelos actuadores 1 e 2, como anteriormente. Em seguida estabeleceu-se também uma simetria de actuação, para além da de rigidez/massa. O actuador 3 foi actuado em fase com o actuador 2 para produzir torção pura, e o actuador 6 foi actuado em oposição de fase com o actuador 1 para produzir flexão. Posteriormente, foi feito ainda um último teste mantendo a simetria de rigidez/massa e de actuação, onde se retirou a placa de aço da extremidade, estudando a vibração apenas do tubo com os actuadores e sensores. Estas experiências com o modelo foram agrupadas com a designação “Experiências de simetria”. Pretendeu-se ainda estudar a relevância da posição vertical relativa dos sensores e actuadores, afastando os actuadores não actuados e os sensores do actuador actuado, desta feita na ausência de simetria (não há actuador 6). Desse modo quando se actua o actuador 1, os sensores 4 e 5 e os actuadores 2 e 3 afastam-se (sobem) 10mm, e quando se actua o actuador 2, os sensores e o actuador 1 afastam-se (descem) 10mm. Estas experiências vêm designadas como “Experiências de posição dos piezoeléctricos”. Para além destas experiências, realizou-se uma nova montagem experimental em que a placa rectangular de aço foi substituída por um prato cilíndrico. Este prato é apresentado na secção 4.2.4. Este foi montado para que a sua massa estivesse distribuída de forma simétrica, ou seja coaxial com o cilindro. Esta nova montagem experimental foi modelada em ANSYS e obtiveram-se as respostas em frequência experimentais e teóricas para o sistema actuado apenas pelo actuador 1, apenas pelo actuador 2, apenas pelo actuador 3 e simultaneamente pelos actuadores 2 e 3. Neste estudo não se considerou o actuador fictício 6, sendo a configuração de piezoeléctricos do modelo idêntica à experimental. Estas experiências foram agrupadas com a designação “Experiências com o prato”. O modelo em ANSYS foi também sujeito a uma optimização idêntica à que se fez para a placa. Em todas as experiências efectuadas, procedeu-se paralelamente à análise estática das deformações do modelo, para estudar como estas influenciam as medidas tomadas pelos sensores. Observou-se o sistema total em deformação estática para os vários casos bem como o comportamento da secção transversal do tubo ao nível do plano médio dos sensores. Os parâmetros utilizados em todo este estudo foram os obtidos após a optimização realizada aos pólos (ver Tabela 4.2). Página 56 T. Carreno Estudo sobre a localização dos zeros ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 4.2.2. Experiências de simetria - Resultados Tabela 4.3. localização dos zeros para as várias configurações de piezoeléctricos e casos de actuação/medida (valores em Hz; variação em termos dos valores normais) configuração de piezoeléctricos normal actuador sensor 1 4 1 5 2 4 2 5 zeros (Hz) 27,500 61,500 3,167 21,167 27,667 45,333 61,667 2,667 20,333 27,500 45,333 61,333 27,833 48,500 64,167 simetria rigidez/massa zeros (Hz) 27,500 61,667 3,333 21,500 27,830 45,830 61,830 2,667 20,670 27,500 45,670 61,500 27,833 49,500 64,330 variação(%) 0,00 0,27 5,24 1,57 0,59 1,10 0,26 0,00 1,66 0,00 0,74 0,27 0,00 2,06 0,25 simetria rigidez/massa e actuação zeros variação(%) (Hz) 4,333 24,000 27,500 0,00 49,830 62,667 1,90 4,000 26,30 23,830 12,58 27,830 0,59 47,670 5,16 61,500 -0,27 3,500 31,23 18,000 -11,47 27,500 0,00 45,670 0,74 62,330 1,63 4,500 13,500 27,833 0,00 48,830 0,68 61,670 -3,89 simetria rigidez/massa e actuação sem aço natureza do modo mais próximo zeros (Hz) 12,000 62,000 166,000 190,000 268,000 8,000 58,000 164,000 190,000 280,000 94,000 300,000 94,000 300,000 flexão em x/y torção 2º flexão em x 2º flexão em y 3º flexão em x flexão em x/y torção 2º flexão em x 2º flexão em y 3º flexão em x flexão em x/y torção 2º flexão em x 2º flexão em y 3º flexão em x flexão em x/y torção 2º flexão em x 2º flexão em y 3º flexão em x Tabela 4.4. Deformação da secção transversal do tubo no plano dos sensores, sujeito às várias configurações de piezoeléctricos. Actuador normal simetria rigidez/massa simetria rigidez/massa e actuação simetria rigidez/massa e actuação sem aço 1 (e 6) 2 (e 3) T. Carreno Página 57 Estudo sobre a localização dos zeros ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Tabela 4.5. Deformação do sistema sujeito às várias configurações de piezoeléctricos. Actuador normal simetria rigidez/massa simetria rigidez/massa e actuação simetria rigidez/massa e actuação sem aço 1 (e 6) 2 (e 3) * * nota: esta figura aparenta ter uma deformação superior à realidade. É devido a um erro no pacote gráfico do Ansys. Página 58 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Estudo sobre a localização dos zeros Gráficos 4. 7. Respostas em frequência teóricas – comparação entre sensores T. Carreno Página 59 Estudo sobre a localização dos zeros Página 60 ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL T. Carreno Estudo sobre a localização dos zeros ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 4.2.3. Experiências de posição dos piezoeléctricos actuador 1 1 2 2 Posição dos piezoeléctricos original original + 5mm original + 10 mm zeros zeros variação zeros variação sensor (Hz) (Hz) (%) (Hz) (%) 27,500 27,333 0,61 27,333 0,61 4 61,500 61,333 0,27 61,333 0,27 média 0,44 média_0,45 3,167 3,000 5,27 3,000 5,27 21,167 21,000 0,79 20,667 2,36 5 27,667 27,667 0,00 27,667 0,00 45,333 45,333 0,00 45,333 0,00 61,667 61,667 0,00 61,667 0,00 média 1,21 média_1,53 2,667 2,667 0,00 2,667 0,00 20,333 20,000 1,64 20,000 1,64 4 27,500 27,330 0,62 27,330 0,62 45,333 45,333 0,00 45,000 0,73 61,333 61,333 0,00 61,333 0,00 média 0,45 média_0,60 27,833 28,000 0,60 28,000 0,60 5 48,500 48,667 0,34 49,000 1,03 64,167 64,333 0,26 64,667 0,78 média 0,40 média_0,80 média média_ 0,69 0,93 global global_ Tabela 4. 6. Localização dos zeros e sua variação para as várias posições dos piezoeléctricos Variação da localização dos zeros com a posição dos piezoeléctricos 1 0,5 0 variação da localizaç ão dos -0,5 zeros (%) 0 5 10 -1 -1,5 actuador 1 - sensor 4 actuador 1 - sensor 5 -2 posição dos piezoeléctricos (mm) Gráficos 4.8. Variação da localização dos zeros com a posição dos piezoeléctricos Tabela 4.7. Deformação da secção transversal do tubo no plano dos sensores, para as várias posições dos piezoeléctricos Actuador 0mm 5mm 10mm 1 2 T. Carreno Página 61 Estudo sobre a localização dos zeros ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4.9. Resposta em frequência teórica para o estudo da posição vertical relativa dos piezoeléctricos Página 62 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Estudo sobre a localização dos zeros 4.2.4. Experiências com prato 4.2.4.1. Geometria e Malha A geometria do prato é a da Figura 4.2. Desenho técnico do prato. A malha em elementos finitos foi feita com os mesmos elemento e modelo material que para a placa e pode ser observada na Figura 4. 1. Figura 4. 1. Malha em elementos finitos do prato Figura 4.2. Desenho técnico do prato T. Carreno Página 63 Estudo sobre a localização dos zeros 4.2.4.2. ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Frequências naturais e modos de vibração As frequências naturais e modos naturais de vibração para o sistema com o prato foram obtidas como já tinha sido feito com a placa (ver5.2.ANEXO B). Apresentam-se os resultados dessa análise na Tabela 4.8. Tabela 4.8. Frequências naturais e modos de vibração experimentais para o prato. Modo Forma 1º Frequência(Hz) 4,000 1º Flexão em x 2º 4,000 1º Flexão em y 3º 22,000 Torção em z Página 64 T. Carreno Estudo sobre a localização dos zeros ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 4º 35,333 2º Flexão em x 5º 39,333 2º Flexão em y 6º 83,333 3º Flexão em x 7º 85,000 3º Flexão em x T. Carreno Página 65 Estudo sobre a localização dos zeros 4.2.4.3. ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Resultados Tabela 4.9. Comparação entre resultados experimentais e teóricos após optimização actuador 1 - sensor 4 actuador2 - sensor 4 experimental modelo experimental modelo pólos zeros pólos erro(%) zeros erro(%) pólos zeros pólos erro(%) zeros erro(%) 4,000 3,667 20,333 39,333 71,333 40,000 83,333 85,333 -8,33 1,70 2,40 7,333 20,166 71,000 -0,47 4,000 3,667 22,000 39,333 34,667 38,333 85,333 84,000 3,667 20,333 39,500 40,000 84,833 -8,33 -7,58 0,42 -0,59 2,833 14,833 38,833 39,667 84,000 85,670 -22,74 12,02 3,48 0,00 médio -1,41 médio -0,47 médio -4,02 médio -1,81 actuador 1 - sensor 5 actuador2 - sensor 5 experimental modelo experimental modelo pólos zeros pólos erro(%) zeros erro(%) pólos zeros pólos erro(%) zeros erro(%) 4,000 3,333 3,667 22,333 22,000 20,333 39,333 34,667 40,000 83,333 36,000 85,333 80,333 -8,33 -8,96 1,70 2,40 2,833 20,170 -14,99 -8,32 36,170 82,170 0,47 2,29 médio -3,30 médio Página 66 -5,14 4,000 36,000 3,667 22,000 20,333 35,333 86,999 39,500 39,333 40,000 85,000 84,833 85,333 -8,33 -7,58 11,79 1,70 -0,20 39,667 41,333 médio -0,52 médio 10,19 10,19 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4.10. Respostas em frequência teóricas (a vermelho) e experimentais (a azul) T. Carreno Estudo sobre a localização dos zeros Página 67 Estudo sobre a localização dos zeros ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4.11. Comparação entre as respostas em frequência dos sensores Tabela 4.10. Deformação estática global e da secção transversal no plano dos sensores Actuador 1 Global Página 68 Secção Transversal Actuador 2 Global Secção Transversal T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 4.2.4.4. Estudo sobre a localização dos zeros Discussão dos resultados Após análise dos resultados obtidos, pode-se concluir que a rigidez/massa dos piezoeléctricos é desprezável. Deste modo, alterar a sua posição enquanto desligados não traz grandes alterações estruturais pelo que os pólos permanecem constantes (Gráficos 4. 7.) As diferenças no número de zeros observados consoante o sensor parecem ter origem no facto de não haver simetria de actuação. Quando a actuação não é simétrica, o sensor do lado oposto não detecta tantos zeros quando o do lado do actuador (Gráficos 4. 7.). Isto é provavelmente devido aos efeitos de membrana, a secção transversal não permanece perfeitamente circular e do lado não actuado esse efeito é menor. Quando a actuação é simétrica, ambos os lados da secção sofrem deformações semelhantes (Tabela 4.4). A mudança de posição dos sensores provoca como seria de esperar diferenças na localização dos zeros. O zero correspondente ao segundo modo é também como seria de esperar o menos afectado, pois a torção produz deformação linear. A mudança de posição dos sensores não afecta a deformação da secção, visto estes terem rigidez/massa desprezáveis (Tabela 4.7). O afastamento dos sensores relativamente a um actuador faz aumentar a frequência dos zeros no sensor do lado oposto ao actuador e diminuir no sensor do mesmo lado do actuador (Gráficos 4.9). Nas experiências com o prato comprovou-se que a presença de modos em componentes não actuadas não se revela nas respostas em frequência. Quando o actuador 1 é actuado, o segundo modo de (torção) não é visível (Gráficos 4.11). No entanto, e à medida que as frequências naturais são mais elevadas, ocorrem modos de flexão separados, apesar de agora haver rigidez idêntica para ambos os eixos (Gráficos 4.11). Este facto é particularmente verdade para o actuador 2, devido a este induzir uma componente de flexão perpendicular à desejada. De salientar também, que à excepção do segundo modo o sensor do lado do actuador passa pelo zero antes do pólo e que no sensor do lado oposto passa-se o inverso (Gráficos 4.11). Este aspecto é coerente com os resultados obtidos nas experiências de simetria (Gráficos 4. 7.). T. Carreno Página 69 Resultados – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 4.3. Resultados – Modelo B Tabela 4.11. Optimização com funções de Hermite: primeira fase experimental pólos zeros Modelo com prato actuador 1 - sensor 4 actuador 1 - sensor 4 sensor das extensões pólos 4,333 27,667 2,383 24,000 23,830 28,000 28,040 47,333 Modelo com placa sensor dos ângulos experimental erro(%) zeros erro(%) pólos erro(%) zeros erro(%) pólos -45,00 -0,71 0,14 28,030 1,31 2,383 23,830 28,040 -45,00 -0,71 0,14 27,730 0,23 médio 1,31 médio 0,23 47,410 0,16 médio -11,35 47,410 0,16 médio -11,35 zeros sensor das extensões pólos erro(%) zeros 4,000 22,000 39,333 3,384 21,020 39,960 -21,90 -12,42 42,71 8,147 21,020 39,333 40,420 médio pólos erro(%) zeros 3,384 21,020 39,920 -21,90 -12,42 42,57 8,129 21,020 44,36 39,920 -15,66 30,35 médio 23,14 actuador 1 - sensor 5 experimental sensor das extensões experimental zeros pólos erro(%) zeros erro(%) pólos erro(%) zeros erro(%) pólos 4,333 3,000 2,383 -45,00 3,987 32,90 2,383 -45,00 2,848 -5,07 24,000 21,333 23,830 27,667 28,000 28,040 47,440 45,000 47,410 -0,71 1,35 -0,06 28,090 31,240 0,32 -30,58 23,830 28,040 47,410 -0,71 1,35 -0,06 27,680 44,430 -1,14 -1,27 médio -11,35 médio 21,27 médio -11,35 médio 2,49 zeros sensor das extensões pólos erro(%) zeros 4,000 2,383 -45,00 22,000 39,333 39,333 23,830 28,040 47,410 -0,71 1,35 -0,06 médio 11,78 actuador2 - sensor 4 pólos zeros sensor dos ângulos experimental zeros erro(%) pólos erro(%) zeros erro(%) pólos zeros pólos erro(%) 4,333 3,000 2,383 24,000 20,667 23,830 27,667 28,000 28,040 47,333 46,000 47,410 -45,00 -0,71 1,35 0,16 0,554 -81,53 -28,77 28,030 47,050 0,11 2,28 22,000 39,333 39,333 4,000 3,666 38,333 0,14 0,50 -45,00 -0,71 1,35 0,16 2,137 28,040 46,230 2,383 23,830 28,040 47,410 2,383 23,830 28,040 47,410 -45,00 -0,71 1,35 0,16 médio -11,35 médio 27,39 médio -11,35 médio 10,39 médio 11,81 actuador2 - sensor 5 pólos pólos erro(%) zeros 8,147 3,384 -21,90 8,129 21,020 21,020 39,920 39,920 -12,42 44,29 -15,85 21,020 médio 23,61 erro(%) zeros sensor dos ângulos erro(%) 52,850 pólos erro(%) zeros erro(%) 3,384 21,020 39,920 39,920 -21,90 -12,42 44,29 -15,66 2,744 41,240 -25,15 7,58 médio 23,57 médio 16,37 actuador2 - sensor 5 sensor das extensões sensor dos ângulos experimental erro(%) zeros erro(%) pólos erro(%) zeros erro(%) pólos 4,333 2,383 24,000 28,000 23,830 27,667 48,000 28,040 47,440 63,333 47,410 -45,00 -0,71 1,35 -0,06 2,922 28,050 48,100 0,18 0,21 2,383 23,830 28,040 47,410 -45,00 -0,71 1,35 -0,06 2,137 28,030 47,050 0,11 -1,98 4,000 22,000 39,333 39,333 médio -11,35 médio 0,19 médio -11,35 médio 1,04 Página 70 zeros pólos sensor das extensões erro(%) experimental sensor dos ângulos erro(%) actuador2 - sensor 4 sensor das extensões pólos erro(%) actuador 1 - sensor 5 sensor dos ângulos pólos experimental sensor dos ângulos erro(%) zeros 36,000 sensor das extensões sensor dos ângulos pólos erro(%) zeros erro(%) 2,383 23,830 28,040 47,410 -45,00 -0,71 1,35 -0,06 5,487 34,980 -2,83 médio 11,78 médio 2,83 pólos erro(%) zeros erro(%) 3,384 21,020 39,920 39,920 -21,90 -12,42 44,29 -15,85 4,750 36,840 2,33 médio 23,61 médio 2,33 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Resultados – Modelo B Gráficos 4.12. Optimização com funções de Hermite, primeira fase: resposta em frequência do modelo com placa usando os sensores pelas extensões T. Carreno Página 71 Resultados – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4.13. Optimização com funções de Hermite, primeira fase: resposta em frequência do modelo com placa usando os sensores pelos ângulos Página 72 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Resultados – Modelo B Gráficos 4.14. Optimização com funções de Hermite, primeira fase: resposta em frequência do modelo com prato usando os sensores pelas extensões T. Carreno Página 73 Resultados – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4.15. Optimização com funções de Hermite, primeira fase: resposta em frequência do modelo com prato usando os sensores pelos ângulos Página 74 T. Carreno Resultados – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4.16. Erro médio para a primeira fase de optimização: placa Erro médio para os zeros 30 Actuador 1 Sensor 4 Actuador 1 Sensor 5 Actuador 2 Sensor 4 Actuador 2 Sensor 5 Média 25 Erro médio para os pólos 14 Actuador 1 Sensor 4 Actuador 1 Sensor 5 12 10 20 8 % % 15 6 10 4 5 2 0 0 por extensões por ângulos ambos os sensores Gráficos 4.17. Erro médio para a primeira fase de optimização: prato Erro médio para os zeros 18 Actuador 1 Sensor 4 Actuador 1 Sensor 5 Actuador 2 Sensor 4 Actuador 2 Sensor 5 Média 16 Erro médio para os pólos 14 Actuador 1 Sensor 4 Actuador 1 Sensor 5 12 14 10 12 8 % % 10 8 6 6 4 4 2 2 0 0 por extensões T. Carreno por ângulos ambos os sensores Página 75 Resultados – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Após a primeira optimização, testaram-se esses parâmetros nos modelos construídos com mais funções de forma e com o elo discretizado em dois. Os resultados obtidos com estes modelos não foram satisfatórios. Com o elo discretizado em dois obtêm-se o dobro dos pólos, mas os novos pólos não correspondem aos experimentais. Com as funções de forma trigonométricas obtém-se o pólo adicional que falta modelar, no entanto ele aparece nos 160Hz. Após optimização para a placa o modelo perde qualidade (o erro quadrático médio mínimo sextuplica) e para o prato, visto este não permitir rigidez diferente para x e y o pólo adicional permanece naquela zona. A esse respeito, apresentam-se apenas alguns gráficos exemplificativos do que acontece com estes modelos: Gráficos 4.18. Modelo com a placa, discretizado em dois elos. Aparecem modos naturais que não são característicos do sistema experimental, bem como zeros. Gráficos 4.19. Modelo com a placa, com funções de terceira ordem em y e de Hermite em x. Erro quadrático médio aproximadamente 6,3. Os parâmetros do modelo permitem a diferente rigidez entre eixos. Página 76 T. Carreno Resultados – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4.20. Modelo com o prato, com funções de terceira ordem em x e em y. Ao tentar puxar o pólo adicional este vai empurrar os outros para fora do sítio correcto. A escolha para o modelo final é de usar as funções de Hermite apenas, em ambos os eixos, e usar os sensores por ângulos. Os pólos e zeros mantêm-se no mesmo sítio. Os resultados para a optimização final (após ajuste de amplitudes) são os seguintes: Tabela 4.12. Variação dos parâmetros após optimização final – modelo com placa Diâmetro do tubo (mm) Espessura do tubo (mm) Módulo de Young do policarbonato (GPa) Massa específica do policarbonato (kg/m3) Comprimento do tubo (m) Massa específica do aço (kg/m3) Módulo de Young do aço (GPa) Comprimento da placa (mm) Largura da placa (mm) Espessura da placa (mm) T. Carreno iniciais 50,8 4 2,4 1200 1,188 7860 200 300 60 6 finais 44,993691 2,842038 2,201836 1800,000000 1,767146 1573,068 227,322915 115,408693 134,000000 135,000000 variação (%) -11,43 -28,95 -8,26 50,00 48,75 100,14 13,66 -61,53 123,33 2150,00 Página 77 Resultados – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Variação percentual final de todos os parâmetros 2500 2150,00 2000 % 1500 1000 500 50,00 0 48,75 -11,43 -28,95 -8,26 D thk E 13,66 -99,98 rho L rho_St E_St 123,33 -61,53 Lx ax tx -500 Tabela 4.13, Gráficos 4.21. e Gráficos 4.22. Variação dos parâmetros após optimização final – modelo com prato Diâmetro do tubo (mm) Espessura do tubo (mm) Módulo de Young do policarbonato (GPa) Massa específica do policarbonato (kg/m3) Comprimento do tubo (m) Massa específica do aço (kg/m3) iniciais 50,8 4 2,4 1200 1,188 7860 finais 52,503210 3,525263 2,853218 2043,825526 1,126017 7409,943785 variação (%) 3,35 -11,87 18,88 70,32 -5,22 -5,73 Variação percentual final de todos os parâmetros 80 70,32 70 60 50 % 40 30 18,88 20 10 3,35 0 -10 -20 Página 78 D thk E rho L -5,22 rho_St -5,73 -11,87 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Resultados – Modelo B Gráficos 4.23. Optimização final: resposta em frequência do modelo com placa T. Carreno Página 79 Resultados – Modelo B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4.24. Optimização final: resposta em frequência do modelo com prato Página 80 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Criação dos modelos para o controlo 4.4. Criação dos modelos para o controlo 4.4.1. Modelo A – Identificação por método de Levy Com as curvas obtidas no Ansys (amplitude e fase) para os modelos com prato e placa, obtiveram-se as funções de transferência correspondentes aplicando o método de Levy. Apresentam-se aqui os resultados dessa aplicação. Figura 4. 3 Diagramas de bode resultantes da identificação por método de Levy. Modelo com placa. T. Carreno Página 81 ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Página 82 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Figura 4. 4 Diagramas de bode resultantes da identificação por método de Levy. Modelo com prato. T. Carreno Página 83 ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Página 84 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 4.4.2. Modelo B – Linearização Para os modelos obtidos com o simulador de modos assumidos, procedeu-se à linearização de todo o modelo Simulink constituído pelo simulador e os blocos de cálculo dos sensores e actuadores (ver figura Figura 2.5). Para tal usou-se a função linearize da Control System toolbox. 4.4.3. Biblioteca de modelos final Após a preparação dos modelos para o controlo obteve-se então o objectivo da modelação: os vários modelos para utilização no controlo. A Tabela 4.14. apresenta um quadro síntese dos mesmos e a Figura 4.5 apresenta a biblioteca de modelos criada em Simulink para permitir o uso expedito dos modelos no controlo. Tabela 4.14. Quadro-síntese dos modelos obtidos Modelo Elemento terminal Actuador 1 placa 2 A 1 prato 2 1 placa 2 B 1 prato 2 Sensor 4 5 4 5 4 5 4 5 4 5 4 5 4 5 4 5 Desginação G14A_placa G15A_placa G24A_placa G25A_placa G14A_prato G15A_prato G24A_prato G25A_prato G14B_placa G15B_placa G24B_placa G25B_placa G14B_prato G15B_prato G24B_prato G25B_prato Figura 4.5. Biblioteca de modelos Simulink para o controlo em simulação T. Carreno Página 85 Discussão dos resultados obtidos - Modelação ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 4.5. Discussão dos resultados obtidos - Modelação 4.5.1. Modelo A No que respeita à abordagem adoptada no caso do modelo A, é importante fazer uma avaliação mediante dois aspectos: a qualidade do modelo, isto é, o quão bem traduzida nele é a realidade e a qualidade do método, isto é, a capacidade do método não só para produzir um modelo com qualidade mas também para o fazer de forma expedita e simples. Quanto ao primeiro, a avaliação é claramente positiva. O modelo final demonstrou erros inferiores a 1,5% em média e no pior caso foi em torno dos 7,5% (Tabela 4.2 e Gráfico 4.7). Este pior caso refere-se ao primeiro modo de vibração, cuja frequência natural experimental é de 4,33Hz. Ao analisar o valor do erro neste caso, é preciso ter em conta que o espectro experimental é discreto, com passos de 0,33Hz. Assim sendo, o facto de a resposta em frequência experimental apresentar um valor máximo de amplitude para a frequência de 4,33Hz, não quer dizer que a primeira frequência natural do sistema seja de facto esse valor. Pode acontecer ser qualquer outro entre 4Hz e 4,66Hz exclusive e nesse caso não ter sido correctamente captado experimentalmente. Este raciocínio está ilustrado na figura Figura 4.6. Se aliás repararmos, todos os erros absolutos em termos de pólos são no máximo 0,33Hz. O facto de o erro ser tão grave para o primeiro modo prende-se com o facto de a ordem de grandeza da frequência a que ocorre ser próxima da do erro absoluto típico obtido na análise. Figura 4.6. Explicação da influência do passo de amostragem na captura dos pólos. No modelo em ANSYS, podem ser feitas análises modais, que fornecem um valor para os modos que não é um múltiplo inteiro de 0,33Hz, mas sim o valor que advém da solução do problema de valores próprios do cálculo de frequências naturais. Essas foram as análises usadas para a optimização, no entanto, para a obtenção de resultados e os cálculos dos erros da Tabela 4.2, foram usadas análises harmónicas. O procedimento que o ANSYS segue é idêntico ao da realidade. Ele excita o sistema com sinusóides de frequências incrementalmente crescentes e regista o valor da amplitude da resposta. Para estes incrementos escolheu-se o valor de 0,166Hz que corresponde a metade do experimental. O uso desta análise permite uma melhor apreciação dos resultados, porque os valores que foram tomados como frequências naturais foram aqueles cujas respectivas amplitudes são um máximo local, à semelhança do procedimento experimental. Deste modo quando há um erro absoluto de 0,166Hz pode dar-se um caso de não ser de facto um “erro”, mas sim resultante do facto de o incremento Página 86 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Discussão dos resultados obtidos - Modelação utilizado ser mais fino permitir uma melhor captura do modo. O mesmo argumento leva a dizer que também pode não só ser de facto um “erro” como ainda de ser maior do que 0,166Hz. Este raciocínio é idêntico ao ilustrado na Figura 4.6. Outro problema com esta abordagem prende-se com o facto de serem usadas análises modais durante a optimização. Esta escolha foi forçada devido ao excessivo peso computacional, e no que diz respeito à qualidade do modelo que oferece é uma desvantagem. Da informação experimental disponível o método usa muito pouca, apenas o valor das frequências naturais. Nada é fornecido ao algoritmo de optimização sobre o que resta do espectro, inclusive sobre os zeros. Seria de esperar então que o modelo representasse de forma pouco correcta o resto do espectro. Em termos de pontos singulares, isso não se verificou. O modelo final apresenta até em termos médios erros ligeiramente maiores para os pólos do que para os zeros na maioria dos casos (Tabela 4.2 e Gráfico 4.7). No entanto, para o resto do espectro os erros foram tanto maiores quanto mais afastado de pontos singulares é o ponto, como se pode ver nos Gráficos 4.5. Ainda assim, conclui-se que a optimização também actua positivamente sobre o resto do espectro, diminuindo o erro dos pólos dos zeros e do espectro em geral, como se pode apreciar pela evolução da área entre as respostas em frequência experimental e teórica (Gráfico 4.7). Todavia, à medida que o algoritmo se aproxima do óptimo, as aproximações em relação ao resto do espectro começam a ser cada vez piores (Gráficos 4.2. a 4.5.). Na optimização final o erro em a área entre curvas aumentou para mais de cinco vezes o seu valor anterior (Gráfico 4.7). Tal como todos os algoritmos de optimização, este requer especial cuidado e atenção nas fases finais, devido ao risco de overfitting. Se se optasse por continuar a optimizar ainda mais, perder-se-ia a noção do problema em causa, deixando este de ser o de escolher os parâmetros que melhor aproximam a resposta em frequência para ser o de escolher os parâmetros que melhor aproximam numericamente o valor das frequências naturais. Na literatura é comummente referido que o método dos elementos finitos tende a sobrestimar a rigidez da estrutura ((Theodore, et al., 1995) e (Meirovitch, 1980)). Todavia não foi isso que os resultados demonstraram, mas sim precisamente o oposto: o modelo por optimizar revelava rigidez inferior aos resultados experimentais (Gráficos 4.1. e 4.2.). De salientar que a estratégia abordada de recorrer ao updating resolve esse tipo de problemas, quer o modelo em elementos finitos sobre ou subestime uma qualquer propriedade, o algoritmo de optimização ajustá-la-á para que o modelo apresente os resultados correctos. Quanto ao método, este revelou prestações razoáveis ainda que com algumas lacunas. Estas são principalmente devidas à escolha de modelar em elementos finitos. Todos os cálculos em elementos finitos requerem elevado esforço computacional, limitando desde logo a optimização, quer em termos da quantidade de informação experimental como atrás foi referido como também em termos da escolha do método de optimização. O modelo em elementos finitos não permite a escolha de algoritmos que requeiram grande número de iterações, tendo sido por isso utilizada a rotina fmincon do Matlab. Esta emprega a programação quadrática sequencial, que não só é mais lenta a produzir soluções tão próximas do óptimo como outros métodos, como ainda estagna muitas vezes. O declive da função objectivo tem de ser abrupto e óbvio para o programa perceber a proximidade de um mínimo local, e a suavidade das funções estruturais não é propícia a isso. Este é talvez o pior aspecto do programa. O programa não funciona num regime em que lhe são fornecidos parâmetros iniciais e depois apenas se tem que esperar pelos resultados. Requer um acompanhamento e uma utilização atenta, e algum conhecimento empírico sobre o comportamento da função objectivo. O ideal seria um método que não necessitasse de requerimento nenhum da parte do utilizador e que revelasse a solução óptima apenas com uma execução. A finalização do modelo por método de Levy revelou ser uma boa alternativa às técnicas MOR. É de aplicação expedita, e de certa forma realiza os mesmos propósitos: fornece um modelo de ordem reduzida mantendo as características desejadas do sistema (comportamento em frequência). A aplicação do método de Levy não deve contudo ser feita de ânimo leve. O modelo Ansys após optimização não modela o amortecimento estrutural do elo. Este facto pode levantar problemas e fazer com que o método de Levy devolva funções de transferência instáveis, devido a erro numérico. É preciso acrescentar um amortecimento muito reduzido para fazer com que o sistema volte a ficar estável. Este passo tem de ser feito tendo em conta os dados experimentais: não se trata de aplicar T. Carreno Página 87 Discussão dos resultados obtidos - Modelação ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL um amortecimento que seja conveniente para estabilizar o sistema, mas sim de aplicar um amortecimento que devolva as características estáveis que o sistema revela na realidade. 4.5.2. Modelo B No que diz respeito aos resultados do Modelo B, os modelos obtidos são de qualidade razoável. O erro médio tanto em termos de pólos como de zeros anda em torno dos 10% e há zeros diferentes dos experimentais (Tabela 4.11, Gráficos 4.23. e Gráficos 4.24). Paralelamente, não há captura do último modo de vibração. Esta é a pior lacuna do modelo. Todavia, convém fazer notar que o erro médio só é tão elevado devido ao primeiro pólo. Pelas mesmas razões descritas para o modelo B o erro absoluto é na ordem de um passo de amostragem. Aliás todos os outros pólos são modelados com erro em torno dos 0,5% com excepção do pior caso que é 1,37% (Tabela 4.11, Gráficos 4.16 e Gráficos 4.17). Toda análise feita para o Modelo A com base na ideia da Figura 4.6. ainda é válida para o modelo fazendo com que este erro para o primeiro pólo tem que ser tido em conta não tanto como um erro de modelação mas mais como um erro de medida experimental. A alta flexibilidade de modelação permitiu melhorar bastante os resultados. O modo como se simularam os sensores e os actuadores permitiu adequar melhor as curvas através do ajuste dos seus vários ganhos, possibilitando até melhorias no que diz respeito à amplitude. A leveza computacional do modelo é um factor determinante nesta flexibilidade pois permite execuções expeditas da optimização e atingir melhores resultados mais rapidamente. Além disso permite a realização de um grande número de iterações sendo mais robusta e maior agressividade do algoritmo. O programa actuou sobretudo sobre a massa na extremidade necessitando de um valor bastante maior para aproximar os valores experimentais (Tabelas 4.12 e 4.13 e Gráficos 4.22 e 4.23). Os parâmetros que sofreram maiores alterações foram a massa específica e as dimensões da placa (Tabela 4.12 e Gráfico 4.22)., no caso do modelo com placa e a massa específica do aço no caso do prato (Tabela 4.13 e Gráfico 4.23). Os parâmetros do tubo sofreram alterações menos significativas(Tabelas 4.12 e 4.13 e Gráficos 4.22 e 4.23). Estes aspectos parecem indicar melhores prestações do software para corpos flexíveis do que rígidos. A utilização de diferentes funções de forma e discretizações do elo produzem resultados menos correctos(Gráficos 4.18, Gráficos 4.19 e Gráficos 4.20). Os valores dos parâmetros começam a adquirir valores bastante diferentes dos reais para produzir resultados próximos e começam a aparecer frequências naturais em sítios do espectro não observados na realidade. A finalização dos modelos é directa, não necessitando de nenhuma operação que possa acrescentar erro numérico, ao contrário do Modelo A. 4.5.3. Comparação entre modelos O modelo A produz resultados mais próximos dos experimentais do que o modelo B. Foi usado o mesmo algoritmo de optimização e o mesmo processo para tentar melhorar os resultados. Foi usada a mesma informação de ambos os modelos. A principal razão para haver melhores aproximações no caso do modelo A parece então prender-se com a teoria por detrás de cada um dos modelos. A teoria de vigas do Modelo B é uma simplificação do caso mais geral que é considerado no FEM do Modelo A. As diferenças referidas no ponto 2.1.3. parecem ser as responsáveis pela não tão boa aproximação da realidade: as deformações locais consideradas no Modelo A são demasiado importantes para não serem consideradas. Todavia, de uma forma macroscópica, o Modelo B fornece um comportamento também próximo do experimental, apesar de não tão próximo quanto o A. Outra razão para haver piores resultados para o modelo B pode ter a ver com as funções de forma utilizadas. Estas são um componente determinante do processo (Gráficos 4.19, Gráficos 4.20), e provavelmente podem também não ser as mais correctas. Talvez obtendo melhores funções de forma se conseguisse obter melhores resultados. Por exemplo, obtendo as deformadas modais do Ansys ou através de dados experimentais, poder-se-ia obter uma tradução mais correcta da realidade. Página 88 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Controlo em simulação 4.6. Controlo em simulação Após o controlo em simulação, as respostas em frequência obtidas para os sistemas controlado e não controlado foram as seguintes. Gráficos 4. 25. Resposta no tempo para o controlo em simulação: modelo A, placa. A azul o sistema sem controlo, a vermelho o controlado. T. Carreno Página 89 ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4. 26. Resposta no tempo para o controlo em simulação: modelo A, prato. A azul o sistema sem controlo, a vermelho o controlado. Página 90 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4. 27. Resposta no tempo para o controlo em simulação: modelo B, placa. A azul o sistema sem controlo, a vermelho o controlado. Gráficos 4. 28. Resposta em frequência para o controlo em simulação: modelo B, placa. A azul o sistema sem controlo, a vermelho o controlado. T. Carreno Página 91 ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Gráficos 4. 29. Resposta no tempo para o controlo em simulação: modelo B, prato. A azul o sistema sem controlo, a vermelho o controlado. Gráficos 4. 30. Resposta em frequência para o controlo em simulação: modelo B, prato. A azul o sistema sem controlo, a vermelho o controlado. Página 92 T. Carreno Controlo experimental ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 4.7. Controlo experimental Os gráficos seguintes apresentam os resultados do controlo experimental. Os gráficos à esquerda representam a resposta no tempo dos sensores, e à direita representam o espectro de potência da resposta no primeiro segundo após o início do controlo. As curvas a azul são referentes ao sistema sem controlo e as a vermelho ao sistema com controlo. Gráficos 4. 31. Resultados experimentais para o controlo final com todos os modos. Sensor 4 [V] Resposta no tempo [V] Espectro de potência Frequência (Hz) Tempo (s) Sensor 5 [V] Resposta no tempo Tempo (s) T. Carreno [V] Espectro de potência Frequência (Hz) Página 93 Discussão dos resultados obtidos - Controlo ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 4.8. Discussão dos resultados obtidos - Controlo A aplicação dos controladores PPF confirmou as propriedades esperadas: os controladores PPF: são fáceis de aplicar e robustos em termos de estabilidade quando calibrados correctamente. Conseguiram-se resultados bons tanto em simulação para ambos os modelos com o prato e com placa como em controlo experimental. O controlo experimental revelou resultados de acordo com a simulação teórica: obteve-se amortecimento das frequências naturais do sistema (Gráficos 4. 25 a Gráficos 4. 31) e a vibração do elo foi quase eliminada ao fim de pouco tempo. Nos casos de simulação, ao fim de cerca de 1s a vibração pode considerar-se quase como eliminada, persistindo uma vibração residual virtualmente até ao infinito devido aos modelos não contemplarem amortecimento estrutural (Gráficos 4. 25 a Gráficos 4. 30). No caso experimental a vibração pode ser considerada como eliminada ao fim de cerca de 1,5s, não se mantendo uma vibração residual devido ao amortecimento estrutural do elo (Gráficos 4. 31). O tempo maior que se obteve no controlo experimental deve-se a haver uma limitação da acção de controlo ao passo que para a simulação essa limitação não existiu. Página 94 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL T. Carreno Discussão dos resultados obtidos - Controlo Página 95 Discussão dos resultados obtidos - Controlo ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL CAPÍTULO 5 CONCLUSÕES “If you want a happy ending, that depends, of course, on where you stop your story.” Orson Welles Após o trabalho descrito nos capítulos anteriores, apresentam-se as conclusões desta dissertação. No ponto 5.1 são apresentadas essas mesmas conclusões. No ponto 5.2 apresentam-se as notas para trabalhos futuros que possam ser realizados na continuação desta dissertação. Página 96 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Conclusões 5.1. Conclusões Após a realização deste trabalho apresentam-se as conclusões obtidas. 5.1.1. Modelação A modelação em elementos finitos oferece vantagens e desvantagens relativamente à modelação em simulador de modos assumidos: Se por um lado não necessita de tanto conhecimento sobre o comportamento do sistema, por outro é um processo longo e moroso. Além disso, o resultado final é um modelo de ordem demasiado complexa para permitir uma utilização expedita. É necessária uma redução da ordem do modelo para que este possa vir a ter uso numa situação de simulação/controlo. Contudo, a aplicação do método de Levy revelou ser uma boa abordagem neste caso. Não oferece problemas devido ao acoplamento piezoeléctrico, ao contrário das técnicas MOR. Mesmo que a realização desta redução traga consigo um acréscimo no erro, o modelo original revela uma aproximação suficientemente boa que colmate esta degradação. A modelação em simulador de modos assumidos revela-se bastante mais agradável neste ponto. Os modelos obtidos são-no mais expeditamente, e assumem uma leveza computacional que os torna mais viáveis para o trabalho em esquemas de simulação/controlo. Não necessitam da etapa adicional de redução de ordem o que é uma vantagem em relação aos modelos obtidos com elementos finitos. No entanto, a aproximação aos resultados experimentais revelou resultados mais fracos. Todavia, no escopo deste trabalho, é talvez mais interessante que a dinâmica do modelo seja próxima da realidade do que aproximação exacta das frequências naturais do sistema. No entanto, para o uso em esquemas de controlo model-based este factor é de extrema importância, e os modelos em elementos finitos revelaram melhores prestações nesse sentido. 5.1.2. Controlo A estratégia adoptada para o controlo do elo confirmou as várias propriedades agradáveis referidas na literatura. Os controladores PPF são simples de implementar: Não requerem um modelo do sistema, a sua estrutura é simples, o número de parâmetros a calibrar é reduzido, não oferecem grandes problemas quanto à estabilidade e podem ser projectados separadamente uns dos outros. Todavia, o seu projecto é para os sistemas SISO de cada par actuador/sensor, e é preciso um controlador para cada modo. Num sistema que possua um número significativo de sensores e actuadores torna-se dispendioso o processo de calibração para todos os modos de todos os pares actuador/sensor. O algoritmo de McEver fornece um bom ponto de partida, mas para casos em que o actuador/sensor estejam menos colocados para o modo em questão torna-se demorada a escolha de parâmetros. O controlo efectuado neste trabalho cumpriu quase todos objectivos de performance estabelecidos: Conseguiu-se amortecimento adicional para as frequências naturais, mas o resto do espectro (0Hz 100Hz) manteve-se praticamente inalterado. Este factor sugere a aplicabilidade dos controladores PPF como controladores escravos de um outro controlador que se encarregue de amortecer o resto de espectro. Conseguiu-se também um bom roll-off (como é característico do PPF) a altas frequências que fornece robustez ao sistema a ruído de medida e modos residuais. Estas performances foram tanto atingidas em simulação como em controlo experimental. Verificou-se assim que a aplicação do controlo PPF para casos tridimensionais e de deformações de flexão em dois eixos e torção é uma estratégia válida no amortecimento das frequências naturais do sistema. T. Carreno Página 97 Notas para trabalhos futuros ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 5.2. Notas para trabalhos futuros O tema da presente dissertação está longe de estar esgotado, quer pela tecnologia estar em permanente evolução, quer por haver áreas teóricas ainda por explorar. Nessa medida, apresentamse algumas considerações úteis para trabalhos posteriores a esta dissertação: Os modelos construídos neste trabalho foram apenas usados para simulação. É bastante interessante usá-los para o controlo com abordagens model-based, por exemplo para realimentação de estado, esquemas de controlo óptimo, etc; Tentar encontrar funções de forma que descrevam melhor o elo pode melhorar as piores prestações do Modelo B; um caminho a explorar é talvez com a utilização das deformadas modais do Ansys. É interessante tentar arranjar alternativas à finalização do modelo A. Um trabalho futuro de relevo seria a implementação de técnicas MOR ao modelo Ansys, até talvez aplicando a fase de optimização directamente a um modelo já reduzido para reduzir o tempo que esta demora. Pode tentar-se contornar o problema dos piezoeléctricos usando um modelo reduzido que tenha como entradas o campo de tensão no local dos actuadores e os deslocamentos no local dos sensores e obter uma maneira de realizar o cálculo adicional que converta esses valores na tensão fornecida/medida nos actuadores/sensores, isto é, separar a modelação estrutural da dos piezoeléctricos; O programa de optimização concebido para a modelação pode ser utilizado para a concepção de um novo elo. Algumas funções-objectivo interessantes seriam por exemplo: o posicionamento óptimo de sensores e actuadores ou as características geométricas que oferecem melhor rigidez mantendo um peso reduzido e características o menos flexíveis possível, ou outras. O programa desenvolvido é uma ferramenta útil nesta área; Um dos principais interesses na investigação de elos flexíveis prende-se com o seu uso na construção de manipuladores mais leves, ágeis e inteligentes que os tradicionais. Um trabalho posterior interessante seria verificar o desempenho dos controladores obtidos em termos de movimento vibratórios devido a movimentos de corpo rígido impostos ao elo, como seria o caso se este estivesse acoplado a uma junta: seriam estes controladores capazes de amortecer devidamente o elo em casos de translacção/rotação? Que alterações deveriam ser efectuadas? Página 98 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Notas para trabalhos futuros BIBLIOGRAFIA Agnes G. Performance of Nonlinear Mechanical, Resonant-Shunted Piezoelectric, and Electronic Vibration Absorbers for Multi-Degree-of-Freedom Structures [Relatório]. - 1997. Antoulas A., Sorensen D. e S. Gugercin A survey of model reduction methods for large-scale systems [Artigo] // Contemporary Mathematics. - 2001. Balas G. Robust Control of Flexible Structures: Theory and Experiments [Relatório]. - 1990. Balas M. Feedback Control of Flexible Systems [Artigo] // IEEE. - 1978. Balas M. 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Geometria do elo Materiais As propriedades dos materiais do sistema experimental são as mostradas na Tabela A.1 (valores do fabricante/revendedor) Policarbonato Piezoeléctricos Aço Massa volúmica (kg/m3) Módulo de Young (Gpa) Coeficiente de Poisson Massa volúmica(kg/m3) Módulo de Young longitudinal (Gpa) Módulo de Young transversal (Gpa) Coeficiente de Poisson maior Coeficiente de Poisson menor D11 (m/v) D12 (m/v) E11 E12 Massa volúmica Módulo de Young Coeficiente de Poisson 1200 2,40 0,30 4060 30,340 15,860 0,31 0,16 400 -170 11,901 -0,794 7860 200 0.30 Tabela A.1. Propriedades dos materiais da instalação experimental Página 102 T. Carreno Sensores e actuadores ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Sensores e actuadores O elo possui 3 actuadores e 2 sensores piezoeléctricos, cuja localização se pode ver na Figura A.2. e na Figura A.3. Figura A.2. Fotografias do elo real Figura A.3. Desenho técnico dos sensores no elo. As características dos actuadores e sensores estão dispostas na Tabela A.2. Actuador 1 Actuador 2 e 3 Sensores 4 e 5 Tabela A.2. Características dos sensores e actuadores T. Carreno Página 103 Sensores e actuadores ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL O sinal dos sensores está sujeito a um condicionamento como o da Figura A.4. ADCIN Gerador de carga CPZTs=1.55nF Ri=1M Sensor PZT Figura A.4. Condicionamento de sinal dos sensores Deste modo, o sensor e a resistência de descarga constituem um filtro passa-alto. A compensação deste efeito é feita em software através de: (A.1.) O sinal aplicado aos actuadores está também sujeito a um condicionamento como o da Figura A.5. Ro=470 ADCOUT CPZTs=660 nF CPZTa Gerador de carga Actuador PZT Figura A.5. Condicionamento de sinal dos actuadores Esta configuração geométrica dos actuadores permite que seja aplicada flexão pura em y através do actuador 1, torção pura em x através dos actuadores 2 e 3 em fase e flexão/torção através da actuação do actuador 2 ou 3 isoladamente (ver Figura i). Página 104 T. Carreno ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Configuração de Hardware Configuração de Hardware O hardware da instalação experimental consiste num sistema host-target. O host é um PC com Windows NT como sistema operativo que corre o Matlab/Simulink. Está ligado em Ethernet ao target é um bus VME com uma placa processadora MVME177, com o sistema operativo de tempo real VxWorks e uma placa de aquisição com entradas e saídas analógicas de 16bit. O Matlab/Simulink controla a instalação em tempo real através do ambiente Tornado. Figura A. 6. Configuração de Hardware da instalação experimental T. Carreno Página 105 Resposta em frequência ANEXO B ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL DADOS EXPERIMENTAIS Resposta em frequência A montagem experimental foi sujeita a uma análise impulsional. Cada um dos actuadores, à vez, foi actuado com um impulso de 1500V e 3ms de duração e a resposta do elo foi medida com os sensores. Posteriormente aplicou-se-lhe a transformada de Fourier, obtendo assim os espectros de frequência para os vários casos de actuação/medida. Gráficos A. 1. Respostas em frequência experimentais Página 106 T. Carreno Frequências naturais e modos de vibração ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL Frequências naturais e modos de vibração Após a obtenção das respostas em frequência, obtiveram-se as frequências naturais do sistema (máximos das respostas em frequência) apresentadas na Tabela A.3. As figuras da mesma tabela ilustram os modos naturais de vibração do sistema e foram obtidas com o software ANSYS, através do modelo A. Tabela A.3. Frequências e modos naturais de vibração experimentais. Modo Forma 1º Frequência(Hz) 4,333 1º Flexão em x 2º 4,333 1º Flexão em y 3º 24,000 Torção em z T. Carreno Página 107 Frequências naturais e modos de vibração 4º ESTIMAÇÃO E CONTROLO DE UM ELO FLEXÍVEL 27,667 2º Flexão em x 5º 47,333 2º Flexão em y 6º 62,000 3º Flexão em x Página 108 T. Carreno