UERN UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE CAMPUS DE NATAL “GOV. FERNANDO ANTONIO DA CÂMARA FREIRE” CURSO DE TURISMO NÁDIA MINÉIA LAGO DE DEUS UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO CULTURAL ADORMECIDO: OS SOLARES, AS IGREJAS E OS CASARÕES DE MACAÍBA-RN. Natal 2008 NÁDIA MINÉIA LAGO DE DEUS UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO CULTURAL ADORMECIDO: OS SOLARES, AS IGREJAS E OS CASARÕES DE MACAÍBA/RN. Trabalho monográfico de conclusão de curso apresentado ao Curso de Turismo da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte, como requisito parcial à obtenção do título de bacharelado em Turismo. Orientador: Prof. Esp. Alcêdo Pinheiro Galvão. Natal 2008 Catalogação da Publicação na Fonte. Deus, Nádia Minéia Lago de. Um patrimônio histórico cultural adormecido: os solares, as igrejas e os casarões de Macaíba-RN / Nádia Minéia Lago de Deus. – Natal, RN, 2008. 41 f. Orientador (a): Prof. Esp. Alcêdo Pinheiro Galvão. Monografia (Bacharel em Turismo). Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Faculdade de Turismo. 1. Cultura - Monografia. 2. Patrimônio Histórico - Monografia. 3. Patrimônio Cultural – Macaíba - Monografia. Pontos Turísticos – Monografia. I. Galvão, Alcêdo Pinheiro. II. Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. III. Título. UERN/ BC CDD 306 Bibliotecária: Valéria Maria Lima da Silva CRB 15 / 451 NÁDIA MINÉIA LAGO DE DEUS UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO CULTURAL ADORMECIDO: OS SOLARES, AS IGREJAS E OS CASARÕES DE MACAÍBA/RN. Esta monografia foi julgada adequada à obtenção do título de bacharel em Turismo e aprovada em sua forma final pelo curso de Turismo da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Natal, ____ de ________________ de _______ . _________________________________________ Prof. e Orientador, Alcêdo Pinheiro Galvão, Esp., Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. _________________________________________ Prof., Marília Medeiros Soares, Esp., Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. _________________________________________ Prof., Alessandro Teixeira, Ms., Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. Dedico este trabalho a minha avó Maria Rodrigues de Deus, que partiu antes de poder vê-lo concluído, mas sei que onde ela estiver, estará comemorando a minha vitória. Por toda sua dedicação, amor e carinho doados a mim durante os momentos em que estávamos juntas, e por sua eterna lembrança em meu viver. AGRADECIMENTOS É TOMADA PELA EMOÇÃO, QUE VENHO AGRADECER A TANTAS PESSOAS, QUE TIVERAM UMA PARTICIPAÇÃO MUITO IMPORTANTE PARA A CONCRETIZAÇÃO DE UM SONHO, A CONQUISTA DESTE TÍTULO, ATRAVÉS DA CONSTRUÇÃO DESTE TRABALHO. AGRADEÇO PRIMEIRAMENTE A DEUS, O QUAL PERMITIU QUE ESTE TRABALHO CHEGASSE A CONCLUSÃO E ATINGISSE O SUCESSO. AGRADEÇO AOS MEUS PAIS, DALVACI E CLÁUDIO ÉLCIO. AO MEU ESPOSO MICHELL, MEU IRMÃO ALAN E A TODA MINHA FAMÍLIA. A UM CASAL POR DEMAIS ESPECIAL JACQUELINE E EUGÊNIO. AOS MEUS AMIGOS, EM ESPECIAL A FLÁVIA HELENA. E NÃO PODERIA DEIXAR DE AGRADECER A TODOS OS PROFESSORES QUE COM MUITA DEDICAÇÃO, CARINHO E AMIZADE, CONTRIBUÍRAM PARA O MEU CRESCIMENTO PESSOAL E PROFISSIONAL ATRAVÉS DE SEUS CONHECIMENTOS, OS QUAIS ME PROPORCIONARAM O RESULTADO FINAL DESTE TRABALHO. EM ESPECIAL, AGRADEÇO A ALGUNS QUE MARCARAM VERDADEIRAMENTE A MINHA FORMAÇÃO: MARCO ANTÔNIO DA ROCHA JR., AVANY PEIXOTO, JÂNIO FERNANDES, JOSÉLIA CARVALHO E ALCÊDO PINHEIRO GALVÃO, AQUELE QUE ACEITOU INVESTIR NESTA EMPREITADA AO MEU LADO, TENDO ACREDITADO NO MEU POTENCIAL E CONTRIBUÍDO DE FORMA DECISIVA NA FASE FINAL DESTA TRAJETÓRIA. TAMBÉM GOSTARIA DE AGRADECER A ESTA PESSOA MARAVILHOSA, QUE TEVE UMA GRANDE CONTRIBUIÇÃO, JÁ NA RETA FINAL DA ELABORAÇÃO DESTE TRABALHO: EDNARDO GONÇALVES. E QUERO ENCERRAR COM UM AGRADECIMENTO ESPECIAL A PESSOA QUE DE FORMA DIRETA MAIS CONTRIBUIU COM A REALIZAÇÃO DA PESQUISA PARA ESTE TRABALHO MONOGRÁFICO, O SENHOR MARCELO AUGUSTO MEDEIROS BEZERRA, SECRETÁRIO DE CULTURA E TURISMO DO MUNICÍPIO DE MACAÍBA, POR TODO MATERIAL DISPONIBILIZADO E PELO CONSTANTE APOIO DURANTE O DESENVOLVIMENTO DESTE TRABALHO, E AINDA, A TODOS QUE DE ALGUMA FORMA ME AJUDARAM, O MEU MUITO OBRIGADA. SUMÁRIO I – APRESENTAÇÃO............................................................................................................... 09 II - CONCEITOS E FUNDAMENTAÇÃO DO TURISMO................................................. 11 2.1 CONCEITO DE TURISMO................................................................................................. 11 2.2 CONCEITO DE CULTURA................................................................................................ 12 2.3 TURISMO CULTURAL...................................................................................................... 13 2.4 PATRIMÔNIO CULTURAL E SUA RELAÇÃO COM A ATIVIDADE TURÍSTICA.... 13 2.5 O PLANEJAMENTO TURISTICO...................................................................................... 16 III – MACAÍBA UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO CULTURAL ADORMECIDO........ 19 3.1 LOCALIZAÇÃO E CONTEXTO HISTÓRICO DO MUNICIPIO DE MACAIBA-RN..... 19 3.2 O PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO DE MACAIBA-RN............................................... 21 3.2.1 Os Solares........................................................................................................................... 22 3.2.2 As Igrejas............................................................................................................................ 27 3.2.3 Os Casarões........................................................................................................................ 30 IV – ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS................................................ 33 4.1 A PESQUISA........................................................................................................................ 33 4.2 O APROVEITAMENTO TURÍSTICO DO PATRIMÔNIO CULTURAL EM MACAÍBA.................................................................................................................................. 34 V - CONSIDERAÇÕES FINAIS.............................................................................................. 37 REFERÊNCIAS......................................................................................................................... 40 LISTAS DE ILUSTRAÇÕES Ilustração 01 – Mapa da Divisão Política do Rio Grande do Norte....................................... 19 Ilustração 02 – Mapa Geográfico do Município de Macaíba-RN.......................................... 20 Ilustração 03 – Solar do Ferreiro Torto.................................................................................. 22 Ilustração 04– Solar Caxangá................................................................................................ 24 Ilustração 05– Solar da Madalena.......................................................................................... 25 Ilustração 06 – Solar do Mourisco......................................................................................... 26 Ilustração 07 – Solar do Jundiaí............................................................................................. 27 Ilustração 08 – Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição............................................. 28 Ilustração 09 – Capela de São José Operário......................................................................... 29 Ilustração 10 – Capela de Nossa Senhora da Soledade.......................................................... 29 Ilustração 11 – Capela de Nossa Senhora da Soledade.......................................................... 29 Ilustração 12 – Ruínas do Casarão Guarapes........................................................................ 31 Ilustração 13 – Casa da Cultura (antigo Casarão dos Mesquita)........................................... 31 Ilustração 14 – Jardim Interno da Casa da Cultura................................................................ 32 RESUMO Patrimônio histórico definido como um bem material, natural ou imóvel que possui significado e importância artística, cultural, religiosa, documental ou estética para a sociedade. As igrejas, os solares e os casarões do município de Macaíba-RN, ícones arquitetônicos que remetem ao período colonial da capitania do Rio Grande do Norte estão adormecidos. Tendo por objetivo torná-los um equipamento turístico, cultural e de lazer visando sua sustentabilidade através da interação da população local com este patrimônio, a qual despertaria o sentido de identidade neste povo e consequentemente a defesa desses bens. De forma mais específica, põe em evidência a necessidade de conhecimento e preservação da história da comunidade primeiramente por si própria, para uma futura inserção no trade da atividade turística potiguar, onde se tornaria um produto diferencial do massificado sol e mar atraindo turistas que buscam além do lazer o conhecimento de novas culturas. A metodologia aplicada baseou-se na documentação indireta, pesquisa documental e bibliográfica. Sendo satisfatória para o reconhecimento dos principais patrimônios histórico-culturais e arquitetônicos do município de Macaíba-RN, bem como suas histórias e atuais utilizações. Foi então constatado que um potencial não se torna produto turístico se não houver interesse dos setores privado e público, onde é de suma importância a participação da população autóctone para a efetiva inclusão de um produto histórico-cultural no mercado turístico em que estiver inserido. Palavras-chave: Patrimônio, Cultura, Macaíba e Turismo. ABSTRACT Defined historical patrimony as a very material, natural or immobile one that possesses meaning and importance artistic, cultural, religious person, documental or aesthetics for the society. The churches, the solar ones and the big houses of the municipal district of MacaíbaRN, architectural icons that send to the colonial period of the captaincy of Rio Grande do Norte are fallen asleep. Tends for objective to turn them an equipment tourist, cultural and of leisure seeking it’s sustainability through the interaction of the local population with this patrimony, which would wake up the identity sense in this people and consequently the defense of those goods. In a more specific way, it puts firstly in evidence the knowledge need and preservation of the community' s history for itself own, for a future insert in the trade of the activity tourist potiguar, where if it would turn a differential product of the influenced sun and sea attracting tourists that look for besides the leisure the knowledge of new cultures. The applied methodology based on the indirect documentation researches documental and bibliographical. Being satisfactory for the recognition of the main historical-cultural and architectural patrimonies of the municipal district of Macaíba-RN, as well as their histories and current uses. It was verified then that a potential doesn' t become tourist product if there is not interest of the sections deprived and public, where it is of addition importance the participation of the autochthonous population for the effective inclusion of a historicalcultural product in the tourist market in that it be inserted. Word-key: Patrimony, Culture, Macaiba and Tourism. I. INTRODUÇÃO A atividade turística no contexto sociológico é um fenômeno social que atualmente abrange o mundo inteiro do ponto de vista geográfico, e praticamente todas as camadas e grupos sociais. Sendo assim, economicamente, o turismo tem se tornado uma opção para o incremento da economia das localidades onde é desenvolvido, devido ao fato de exercer ampla influência em diferentes setores econômicos, como o setor de infra-estrutura, comércio, restauração, entre outros. A academia de um modo geral vem discutindo a importância que o turismo representa para o país. Atualmente o setor do turismo tende a fugir dos lugares comuns, da massificação, dos conceitos repetitivos, procurando como alternativas cada vez mais a diferenciação e a qualidade dos novos produtos ofertados, baseados na sustentabilidade. O objeto de estudo desta pesquisa é a apresentação de um patrimônio históricocultural adormecido: os solares, as igrejas e os casarões do município de Macaíba/RN e sua potencial inserção no mercado turístico potiguar. Patrimônios estes de importância secular, que para este trabalho vêem sendo estudados desde 2006. Ao longo deste período foram pesquisadas muitas fontes, mas todas na forma de documentação indireta através da pesquisa bibliográfica e documental embora esta segunda técnica se assemelhe à pesquisa bibliográfica, permite que se tenha acesso a diversos documentos tais como: reportagens de jornal, relatórios de pesquisa, documentos oficiais, entre outros, o que favorece uma visão mais aprofundada da questão em aberto. Tendo por base que a cultura é o que nos torna singular através dos elementos de identidade de cada povo, e que a cada momento vão-se refletindo o pensamento, os saberes, os traços culturais, os símbolos, as criações e as recriações da comunidade, habitante de um local. Temos então, tais fatores formando o patrimônio cultural dessa comunidade, que deve ser preservado porque é instrumento de ideologia e legitimação dos grupos sociais. Neste sentido, o patrimônio cultural é necessário também para o turismo, pois este é um dos eixos da promoção da cultura, já que através dele as pessoas visitam lugares e trocam conhecimento cultural, na medida em que as localidades turísticas se apresentam vinculadas aos fatores culturais através dos identificadores de um povo: seu artesanato, gastronomia, arquitetura, história e arte. O município em questão dispõe de um patrimônio arquitetônico composto, entre outros elementos, de cinco solares, três igrejas e dois casarões formando o universo desta pesquisa. Como amostra, teremos o Solar Ferreiro Torto e o Caxangá os quais traduzem através de suas arquiteturas, a história do município no período colonial. Estes solares possuem muitas histórias e lendas, característica de produtos que atraem turistas ávidos por cultura, aspecto que poderá a vir identificar e destacar esta localidade, como é o caso da Itália, no contexto do turismo mundial, sendo país com o maior número de patrimônios tombados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura - UNESCO. Tendo em vista esse quadro de referência, o objetivo do presente trabalho é informar a potencialidade desse patrimônio torná-lo um equipamento turístico, cultural e de lazer visando sua sustentabilidade através da interação da população local com este patrimônio, a qual despertaria o sentido de identidade neste povo e consequentemente a defesa desses bens. Para uma possível inclusão de Macaíba nos roteiros turísticos do estado, ofertando ao público um produto diferenciado; de riqueza histórico–cultural baseado nos princípios da sustentabilidade, e alternativo ao difundido turismo de sol e mar, tipo de turismo massificado e explorador. Neste período onde as políticas de incentivo a atividade turística advindas do Ministério do Turismo estão investindo na sua interiorização, através dos projetos de roteirização, este trabalho pode ser o alerta desta oportunidade do município se desenvolver e se qualificar para um turismo expressivo. No entanto é necessário que primeiramente seja feito esse resgate do seu patrimônio histórico-cultural, que se encontra desconhecido por grande parte da população local e dos planejadores da atividade turística. Com este intuito, de incremento da economia local, é que o levantamento do potencial turístico do município a partir do seu patrimônio histórico-cultural será apresentado aos órgãos públicos responsáveis pela fomentação do turismo em Macaíba-RN, onde se estará dando visibilidade principalmente ao patrimônio arquitetônico, para que ainda possa se resgatar o restante deste patrimônio adormecido, apesar do que já foi destruído. A partir do resgate deste, se espera despertar a conscientização da importância que a cultura exerce sobre uma localidade e o sentimento de defesa da população autóctone para alcançar o apoio e o incentivo necessários para efetiva inserção do município de Macaíba nos roteiros turísticos do Rio Grande do Norte. A resposta a este investimento se apresenta em forma de benefícios no âmbito sócio-econômico e cultural, na medida em que o patrimônio do município se apresente estruturado como um atrativo turístico. Desta forma, a possível criação de um roteiro turístico histórico-cultural para esta localidade, viria a ser mais uma opção para o desvio da exploração do turismo de massa; também resgatando um aspecto louvável da atividade turística: seu papel como instância educativa, como foi nos séculos XVII e XVIII, no auge do Grand Tour, sobretudo na Europa e nos Estados Unidos. Pois o turista como ser humano, também carrega em si o interesse por novas experiências, novos aprendizados. II. CONCEITOS E FUNDAMENTAÇÃO DO TURISMO 2.1 CONCEITO DE TURISMO O turismo ainda não encontrou sua definição única, mas a definição aceita do ponto de vista formal é a dada pela Organização Mundial do Turismo (OMT), que o considera como a “soma de relações e de serviços resultantes de um câmbio de residência temporário voluntário motivado por razões alheias a negócios ou profissionais” (De la Torre, 1992, p.19 apud BARETO, 2003, p. 12). Entre as várias definições do turismo há elementos importantes que permeiam quase todas elas, são eles: o tempo de permanência no mínimo de 24 horas e inferior a três meses, o caráter não lucrativo da visita e a busca do prazer por parte dos turistas, e como pode se observar na definição de Oscar de La Torre (México) destaca-se um dos mais importantes elementos da atividade turística: as inter-relações estabelecidas entre os turistas e a população autóctone: O turismo é um fenômeno social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem do seu local de residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural (De la Torre 1992, p.19 apud BARRETO, 2003, P.13). Para este trabalho esta é a definição que melhor relaciona a atividade turística com o patrimônio cultural, pois apresenta a relação turista x população local, ou seja, a interrelação que faz com que uma cultura seja (venha a ser) conhecida e reconhecida. A atividade turística, portanto, além de contribuir para o desenvolvimento de uma localidade, proporciona desenvolvimento social e cultural, baseado na intensa troca de informações entre turistas e comunidade receptora. 2.2. CONCEITO DE CULTURA A origem etimológica da palavra cultura remonta ao final so século XVIII do termo germânico Kultur, utilizado para simbolizar todos os aspectos espirituais de uma comunidade, enquanto a palavra francesa Civilization referia-se principalmente às realizações materiais de um povo. Ambos os termos foram sintetizados por Edward Tylor no vocábulo inglês Culture que segundo Laraia (2001), no sentido etnográfico, é o todo complexo que inclui conhecimentos, crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade. Com o passar do tempo, o termo tem adquirido diversos significados e tem sido aplicado a diferentes áreas, no entanto, o esforço para sintetizar o mesmo ainda terá um bom caminho a percorrer. Na concepção de Geertz e Solineider (dois renomados antropólogos) cultura Não é um complexo de comportamentos concretos, mas um conjunto de mecanismos de controle, planos, receitas, regras instruções para governar o comportamento. Assim sendo uma compreensão exata do conceito de cultura significa a compreensão da própria natureza humana (LARAIA, 2003, P.63). A cultura de uma determinada localidade é resultado da comunidade inteira e a ela tende a retornar. É por meio da prática e da familiarização com as regras de conduta religiosa ou social, os preceitos e valores, os costumes e tradições que um povo recebeu sua cultura, e é desta mesma forma que ela se propaga. Passando de geração para geração aquele mesmo modo de vida, as mesmas concepções que fazem com que os próximos continuem a viver sob os mesmos moldes. Sendo assim, Os bens culturais que herdados do passado e vivenciados no presente contribuem para a formação da identidade, na formação de grupos, nas categorias sociais e no resgate à memória, permitindo estabelecer elos entre o pertencimento, a história e as raízes (COSTA, 2006). 2.3 TURISMO CULTURAL É certo que o conceito de cultura é extremamente amplo, entretanto quando falamos de Turismo Cultural este obtém uma conotação restritiva. O termo Turismo Cultural designa uma modalidade de turismo cuja motivação do deslocamento se dá, segundo Andrade (2002) com o objetivo de encontros artísticos, científicos, de formação e de informação. O autor ainda completa, dizendo que os alicerces do turismo cultural “situam-se no esforço de conhecer, pesquisar e analisar dados, obras ou fatos, em suas variadas manifestações”(ANDRADE, 2002, p.32). Segundo Barreto (2000, p.20) de acordo com a Organização Mundial do Turismo, o turismo cultural seria caracterizado pela procura por estudos, cultura, artes cênicas, festivais, monumentos, sítios históricos ou arqueológicos, manifestações folclóricas ou peregrinações. Assim compreende-se que turismo cultural é todo aquele em que o atrativo principal não seja a natureza, mas algum aspecto da cultuta humana, e seguindo esta visão torna-se interessante observar que este segmento turístico se constitui fundamentalmente pelo comportamento, preparação e foco do turista e não do patrimônio da localidade. 2.4 PATRIMÔNIO CULTURAL E SUA RELAÇÃO COM A ATIVIDADE TURÍSTICA No que se refere à definição oficial do termo patrimônio cultural, a Constituição Brasileira de 1988, ao dispor sobre a cultura, define, em seu artigo 216,ementa nº. 42/2003 o patrimônio cultural brasileiro composto por bens de natureza material e imaterial: Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira, nos quais se incluem: I - as formas de expressão; II - os modos de criar, fazer e viver; III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas; IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico. (BRASIL, 1988) Pode-se dizer então, que patrimônio é a memória de um povo ou de um lugar. Esta memória a qual nos referimos é tudo aquilo que um povo ou uma comunidade guarda como valor, e sendo assim adquire valor cultural. E é através da cultura que se conhece um povo, um país, um lugar. A relação entre turismo e patrimônio cultural não é tão recente quanto se imagina. A primeira viagem nacional na qual o patrimônio figura como atrativo para o turismo ocorreu em 1924 e teve como destino a cidade mineira de Ouro Preto (CAMARGO, 2002, P.82). Ícones do Modernismo Brasileiro participaram dessa viagem, são alguns deles: Mário de Andrade1 escritor, Tarsila do Amaral2 artista plástica e Oswald de Andrade3, jornalista e escritor. Ainda segundo CAMARGO (2002) esses artistas despertaram o Poder Executivo para a necessidade de se preservar nossas raízes históricas e culturais brasileiras. Essa ação acarretou os primeiros resultados importantes quando na década de 1930 o Governo de Getúlio Vargas criou o Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN – Lei 378/1937, atualmente sendo o órgão denominado Instituto do Patrimônio Histórico a Artístico Nacional IPHAN) e, por meio do Decreto-lei n. 25, organiza a proteção do patrimônio histórico e artístico nacional por meio do tombamento dos bens. Seguindo o pensamento de MARTINS e VIEIRA diante das atuais discussões suscitadas entre turismo e patrimônio cultural é possível apontar que as relações estabelecidas entre ambos serão duradouras, pois cada vez mais as pessoas têm buscado, através da realização de viagens turísticas, um crescimento cultural advindo da observação dos diversos tipos de culturas característicos de cada local visitado. 1 Autor de Prefácio Interessantíssimo, 1922 e A Escrava que não é Isaura, 1925.* Sua obra mais conhecida o Abaporu que significa “antropófago” em tupi.* 3 Autor da Trilogia do Exílio: Os Condenados 1922, Estrela do Absinto 1927 e Escada Vermelha 1934.* *Fonte:CEREJA, W.R. MAGALHÃES, T. C. Literatura Brasileira. 2 ed. São Paulo: Atual, 2000. p 359 - 373. 2 É necessária a ampla participação do indivíduo e da sociedade no processo de criação dos bens culturais, na manutenção dos lugares de memória, na tomada de decisões que se referem à vida cultural e na sua difusão e vivência. Com base nas potencialidades que o patrimônio cultural representa, tem-se procurado ofertar atividades turísticas nas quais o patrimônio se converte em recurso de desenvolvimento e de lazer para a sociedade. Esta utilização exige cautela, pois, quando se intervém de alguma forma no patrimônio cultural de uma localidade, interfere-se nos vínculos histórico-culturais que dão coerência aquela sociedade. É importante considerar que o patrimônio cultural pertence à sociedade que o criou. As relações da comunidade com seu patrimônio cultural não se circunscrevem somente na esfera econômica, mas principalmente nas diferentes e complexas esferas da vida social, nas inter-relações da vida cotidiana onde as pessoas compartilham dos mesmos costumes e valores, a qual possibilita que cada um possa reconhecer a si mesmo na sua experiência de vida coletiva escolar, familiar, de vizinhança e religiosa. Se essa comunidade pára por qualquer motivo de estabelecer os laços históricos necessários e passa a não se identificar com os seus lugares de memória, os significados são perdidos e o seu patrimônio deixa de cumprir uma função social essencial que é a manutenção da identidade do local. Pois é neste reconhecimento que está a identidade, e a partir do momento em que não há patrimônio com o que se identificar? A identidade cultural é a riqueza que dinamiza as possibilidades de realização da sociedade, ao mobilizar cada grupo social, a nutrir-se de seu passado e a colher as contribuições assim continuando o processo de criação e recriação social. Nesse sentindo, o desenvolvimento do Turismo Cultural está diretamente relacionado ao esforço e trabalho de se preservar os valores culturais. É fundamental assumir e construir uma nova dimensão que permita vincular os conceitos de desenvolvimento social do turismo e de preservação do patrimônio, já que o patrimônio cultural representa a espinha dorsal dos projetos de planejamento do Turismo Cultural. E para que este patrimônio não chegue a sucumbir, se fazem necessárias estratégias de uso consciente de preservação, onde a atividade turística não vise somente interesses econômicos, e que estes não se sobreponham aos valores éticos. Tais estratégias integram o chamado desenvolvimento sustentável do turismo, que: Atende às necessidades dos turistas de hoje e das regiões receptoras, ao mesmo tempo em que protege e amplia as oportunidades para o futuro. É visto como um condutor ao gerenciamento de todos os recursos, de tal forma que as necessidades econômicas, sociais e estéticas possam ser satisfeitas sem desprezar a manutenção da integridade cultural, dos processos ecológicos essenciais, da diversidade biológica e dos sistemas que garantem a vida. OMT (Organização mundial do Turismo, 2003). A preocupação do mundo moderno em manter suas raízes vivas, sua história, seu patrimônio faz com que se olhe para o futuro e passe a trabalhar em processo de sustentabilidade não só econômica, mas na capacidade de absorção e no deslocamento do público visitante, que traz um conjunto de novos fatores que necessitam de um gerenciamento partindo do macro ambiente sócio-econômico e político-legal até atingir o micro –ambiente da cultura local. 2.5 O PLANEJAMENTO TURÍSTICO Segundo RUSCHMANN (1997) o planejamento é uma atividade que envolve a intenção de estabelecer condições favoráveis para alcançar objetivos e metas propostas. O ato de planejar objetiva a previsão de facilidades e serviços para que uma comunidade atenda seus desejos e necessidades ou, então, o desenvolvimento de estratégias que permitam a uma organização comercial visualizar oportunidades de lucro em determinado segmento de mercado. Para que o turismo se desenvolva de forma sustentável é indispensável o planejamento. Por planejamento turístico entende-se: O planejamento como um processo que consiste em determinar os objetivos de trabalho, ordenar os recursos materiais e humanos disponíveis determinar os métodos e as técnicas aplicáveis, estabelecer as formas de organização e expor com precisão todas as especificações necessárias para que a conduta da pessoa ou do grupo de pessoas que atuarão na execução dos trabalhos seja racionalmente diretamente para alcançar os resultados pretendidos (ESTOL E ALBUQUERQUE, apud OMT, 2003, p.8). No turismo, o plano de desenvolvimento constitui o instrumento fundamental na determinação e seleção das prioridades para a evolução harmoniosa da atividade, determinando suas dimensões ideais, para que, a partir daí, se possa estimular, regular ou restringir sua evolução. Conforme Bound e Bovy, o Plano Turístico é elaborado com a finalidade de atingir os mais diversos propósitos, a saber, (BOUND e BOVY, p. 13, apud Ruschmnn, 1997, p.85): • Definir políticas e processos de implementação de equipamentos e atividades, e seus respectivos prazos; • Controlar o desenvolvimento espontâneo do turismo; • Maximizar os benefícios, visando ao bem estar da comunidade receptora e à rentabilidade dos empreendimentos do setor; • Evitar deficiências ou congestionamentos; • Minimizar a degradação dos locais e recursos sobre os quais o turismo se estrutura; • Capacitar os vários serviços públicos para a atividade turística; • Garantir que a imagem da destinação se relacione com a proteção ambiental e cultural, além da qualidade dos serviços prestados; • Atrair financiamentos nacionais ou internacionais e assistência técnica para o desenvolvimento do turismo; • Coordenar o turismo com outras atividades econômicas integrando seu desenvolvimento aos planos econômicos e físicos do país. De acordo com Ruschmann (1997, p. 86) sempre haverá a necessidade da intervenção dos planejadores em turismo nas seguintes circunstâncias, • Nos locais em que as empresas turísticas estão se estabelecendo com sucesso, a fim de assegurar um controle eficaz do desenvolvimento, no qual se incluem as medidas de proteção do meio ambiente e dos recursos culturais; • Nos locais em que o crescimento acelerado da demanda, originado pelo turismo de massa gerou modificações rápidas nas circunstâncias econômicas e sociais, visando ao monitoramento contínuo do acesso de pessoas; • Nos locais onde o turismo não se desenvolveu satisfatoriamente, apesar de apresentarem recursos consideráveis, como é o caso da cidade de Macaíba; • Nos locais onde o desenvolvimento do turismo concorre para a degradação ou a erosão de sítios históricos e/ou recursos únicos, apesar dos consideráveis benefícios socioeconômicos. Uma vez que o planejamento trabalhará com prioridades, poderá ter suas metas e o cumprimento de seus objetivos divididos em longo, médio e curto prazos. Segundo a mesma autora (1997, p. 91), o planejamento em longo prazo trabalha a concepção do produto ou a sua identidade mercadológica. Determina os produtos que serão oferecidos no mercado, quem participará da sua composição, em que períodos e para que segmentos. Geralmente a duração de um planejamento em longo prazo dura quinze anos, mas esse prazo pode estender-se como ser abreviado, de acordo com os objetivos propostos. O planejamento turístico em médio prazo tem por objetivo implantar as ações propostas em longo prazo, relacionadas aos equipamentos destinados ao atendimento dos desejos e das necessidades da demanda. Ele está subordinado ao de longo prazo e essa hierarquia deve ser observada pelos empresários, a fim de evitar que como conseqüência de ações intuitivas e imediatistas, as destinações turísticas ultrapassem sua capacidade de carga e acabem se degradando diante de um mercado cada vez mais exigente. O tempo fixado é de cinco anos tanto para empreendimentos que querem se reposicionar no mercado, como para os novos (RUSCHMANN, 1997). O planejamento turístico a curto prazo constitui a fase inicial da hierarquia na implantação de equipamentos e no desenvolvimento de atividades em núcleos receptores. Geralmente, são ajustes e soluções que podem ser implantados no curto espaço de tempo de um ano que correspondam a soluções para necessidades imediatas e visam viabilizar o funcionamento adequado de serviços e equipamentos turísticos. As soluções a curto prazo podem relacionar-se às ações de treinamento de recursos humanos de nível básico, limpeza de fachadas, ajardinamento de ruas que, apesar do seu pequeno impacto imediato, se forem contínuas, terão efeito positivo no conjunto da oferta turística de uma localidade. São necessárias, porém, formas metodológicas de sensibilização da comunidade, de diagnóstico de viabilidade, de implantação, de monitoramento dos impactos, de divulgação e de venda para que tais objetivos sejam atingidos e gerem oportunidades de lazer e de aprendizado aos turistas, ao mesmo tempo em que proporcione à comunidade local melhoria da qualidade de vida (RUSCHMANN, 1997). Assim, caberá ao planejador e sua equipe identificar certos elementos, como: • Existência de atrativos naturais e culturais capazes de atrair demanda; • Existência de acomodações, alimentação e entretenimento; • Existência de facilidades e acessos. • A disponibilidade de transporte turístico e o bom posicionamento geográfico; • Existência de uma demanda potencial capaz de viabilizar os investimentos feitos ou por fazer; • Avaliar preços de transporte, alojamento, alimentação, entretenimento, além de preços cobrados por taxistas, souvenirs e outros. E após o levantamento da situação de todos estes elementos pode-se começar a elaboração do plano estratégico de desenvolvimento turístico o qual englobará as ações que devem ser realizadas para a implantação da atividade turística na localidade analisada. III. MACAÍBA UM PATRIMÔNIO HISTÓRICO-CULTURAL ADORMECIDO 3.1 LOCALIZAÇÃO E CONTEXTO HISTÓRICO DO MUNICÍPIO DE MACAÍBA-RN Conforme sua Síntese Histórica, situado no Brasil, na região Nordeste, no estado do Rio Grande do Norte o município de Macaíba fica a uma latitude de 5° 51’ 30” Sul e uma Longitude de 35° 21’ 14” Oeste. Distante 14 km de Natal, a capital do estado, sua área é de 512,49 Km², correspondendo a 0,92% da superfície estadual. Localizado numa das principais bacias hidrográficas do Estado, limita-se ao Norte com os municípios de São Gonçalo do Amarante (Antigo São Gonçalo, de onde foi desmembrado) e Ielmo Marinho; ao Sul Vera Cruz e São José de Mipibu, a Leste com Natal e Parnamirim e a Oeste com Ielmo Marinho, São Pedro e Bom Jesus, como se vê no mapa a seguir: Ilustração 01 – Mapa da divisão política do RN Fonte: IDEMA/RN Ilustração 02 – Mapa Geográfico do Município de Macaíba/RN Fonte: IDEMA/RN Segundo a síntese Histórica do Município os núcleos populacionais mais antigos e conhecidos nas terras onde atualmente ergue-se a cidade de Macaíba foram o arraial e o engenho Potengi (Ferreiro Torto), o segundo da capitania do Rio Grande. Foi construído pelo capitão Francisco Rodrigues Coelho e o seu sócio, o vigário do Natal Gaspar Gonçalves da Rocha. Esse primitivo engenho, bem como o arraial, tiveram vida curta. Foram destruídos e o proprietário massacrado pelas mãos invasoras holandesas em dezembro de 1634. Ato contínuo, tendo em vista a decadência da cidade do Natal, arrasada pelos batavos, estes subiram o rio Potengi e na confluência do rio Jundiaí foi fundada a Nova Amsterdã, a qual chegou a possuir a câmara dos escabinos cujos moradores viviam da pesca, da produção de farinha e do plantio do fumo. Porém, a história oficial do município teve início em 1770, com a demarcação do sítio Coité pelo coronel Manoel Casado. Coité era uma árvore abundante na região que o coronel passou a plantar em sua propriedade. Em 1850, passa a pertencer ao capitão Francisco Pedro Bandeira de Melo, cuja filha, Dona Damiana Maria Bandeira, casou-se com o comerciante Fabrício Gomes Pedroza, morador no engenho Jundiaí. Fabrício Pedroza, comerciante de alto prestígio e larga visão comercial, notando a boa localização do sítio do sogro, constrói o primeiro estabelecimento comercial à margem do rio Jundiaí, e numa cerimônia em 1855 no quintal do referido estabelecimento onde plantou duas macaíbas, - espécie vegetal da família das palmeiras que possui uma saliência nos lembrando uma barriga - muda o nascente povoado de Coité para Macaíba. E convida amigos comerciantes para instalar-se na localidade. Em 1870, o major Fabrício funda a casa comercial dos Guarapes, importadora e exportadora de produtos, direto do seu porto para os EUA e Inglaterra. Com a mudança do velho para o Rio de Janeiro, o negócio foi fechado e abalou a frágil economia provincial. Pioneira em vários aspectos, macaíba libertou seus escravos em 06 de janeiro de 1888, tendo a frente deste movimento o comendador Umbelino Freire de Gouveia Mello, presidente da sociedade libertadora “Padre Dantas”. A primeira casa bancária do estado foi nesta cidade, fundada pelo deputado Eloy Castriciano de Souza, que financiava as safras de açúcar de grande parte dos municípios do Ceará - Mirim a São José, incluindo o vale do Cajupiranga. Sendo ainda a promotora do trabalho feminino no comércio, uma vez que o senhor Francisco Campos era auxiliado por sua esposa e as quatro filhas em seu comércio no ano 1924. (Síntese Histórica do Município de Macaíba/RN - 2007) 3.2 O PATRIMÔNIO ARQUITETÔNICO DE MACAIBA-RN Dentre o vasto patrimônio histórico-cultural de Macaíba, selecionamos tais exemplares tendo em vista entre outros fatores sua representatividade com a identidade local e a relação com a história do município. Pois as construções a seguir remetem diretamente ao Brasil colônia na Capitania do Rio Grande, quando Macaíba exercia a função de maior entreposto comercial da capitania e respirava cultura na figura dos seus filhos mais ilustres. Serão apresentadas dez edificações que constituem os principais patrimônios arquitetônicos do município, divididas em: cinco solares, três igrejas sendo duas capelas, e dois casarões. As informações a seguir referentes aos patrimônios citados encontram-se no Caderno da Municipalidade nº1 Macaíba, Departamento Estadual de Imprensa, 2006. 3.2.1 Os Solares de Macaíba Solar do Ferreiro Torto O Solar do Ferreiro Torto, construído as margens do Rio Jundiaí, em uma área de seis hectares, seu casarão remonta ao ano de 1847, em estilo colonial português. Seu construtor foi o coronel da guarda nacional Estevão José Barbosa de Moura, que passou a receber autoridades, presidentes da Província e até a Família Imperial do Brasil. No casarão imponente, eram realizados os saraus e bailes que marcaram época na Macaíba aristocrata do passado. Foi o primeiro marco colonizador da região, tendo funcionado como importante engenho de cana-de-açúcar. A primeira construção foi destruída pelos invasores holandeses, guiados por Jacó Rabi, com a ajuda dos índios Janduís, promovendo a matança da família e de todos os seus escravos. Depois foi reconstruído por João Chaves para ser sua residência. O tempo passou e o solar do Ferreiro Torto foi completamente abandonado chegando às ruínas. Em 1979 foi restaurado pela Fundação José Augusto em parceria com a secretaria de planejamento e tombado pelo Patrimônio Histórico (portaria 272/88). Hoje: Ilustração 03 - Visitação Escolar ao Solar Ferreiro Torto Fonte: Acervo Marcelo Augusto Medeiros Funcionou então como museu de arte sacra da FJA sendo em seguida adaptado para comportar a sede da prefeitura municipal do ano de 1983 a 1989. Em setembro de 1995 o solar foi municipalizado e passou a ser administrado pela prefeitura de Macaíba. Somente em agosto de 2002 a Prefeitura Municipal firmou convênio com o governo do estado para restauração e urbanização do Ferreiro Torto. Foram contatados o Historiador Anderson Tavares, o senhor Inácio de Souza Neto, e a descendente do cel. Estevão Moura, Rayanne Magalhães. Os quais através de doação voluntária de fotografias que mostram o passado áureo da cidade possibilitaram a reestruturação do museu da História de macaíba, símbolo maior da preservação da memória de um povo. Hoje o Complexo Cultural e Turístico do Ferreiro Torto dispõe ainda de sala dos artistas, patamar para apresentações culturais, duas trilhas ecológicas e salas de aula ao ar livre. Solar do Caxangá Casarão em estilo colonial português construído pelo Coronel Estevão Moura em 1850. Pertenceu em seguida ao coronel Afonso Saraiva que em 1900, presenteou seu sobrinho major Antônio de Andrade Lima com a casa, naquele tempo conhecido como “casarão do largo de São José”. Foi o major Andrade quem batizou o local de “Solar do Caxangá”, cujo significado é “Casa de Goiamum”, crustáceo da família dos caranguejos cuja carapaça possui coloração azul. Nesse período, o solar foi o centro da propaganda oposicionista no município. Tendo a frente o major Andrade, o coronel Prudente Alecrim e a família Mesquita. A casa vislumbrou vários saraus que reuniam a sociedade macaibense em tertúlias memoráveis. De 1981 a 1989, sediou a secretaria de trabalho e ação social. Recuperada em 1989 pela família Andrade para residirem no local, somente em 2002 venderam o imóvel a um grupo de pessoas preocupadas com a nossa história os quais ali fundaram o INSTITUTO PRÓ-MEMÓRIA DE MACAÍBA sob a presidência do médico Olimpio Maciel, tem como idéia central, salvaguardar o espólio cultural e a história do município, o prédio foi tombado pelo patrimônio histórico estadual em 2002. O instituto dispõe de uma ampla biblioteca, de um grande acervo iconográfico, além de emprestar seus salões para o lançamento de livros e exposições de artistas locais, oferecendo também encontros entre macaibenses ausentes nos seus divertidos saraus. Abaixo o solar Caxangá: Ilustração 04 – Solar Caxangá Fonte: Arquivo Marcelo Augusto de Medeiros Solar da Madalena Construído entre os anos de 1915-1917 pelo mestre Liberalino Carneiro4 com base na planta do arquiteto Giácomo Palumbo, a vila Soledade possui estilo “art nouveau”5. Seu proprietário, o coronel Manoel Maurício Freire, foi chefe político do município por quarenta anos. O atual casarão substituiu a antiga sede da fazenda canavial. Após a construção do solar, o coronel Neco Freire como era conhecido popularmente e sua esposa Dona Constança reuniam todos os anos as sociedades natalense e macaibense para a festa da colheita da Jabuticaba, produzida pelo sítio, festas essas que recebiam até governadores. Em 1955, foi comprado pelo comerciante Aguinaldo Ferreira da Silva. Na década de 80, seu filho Janssen Leiros, restaurou o solar e seus jardins. A partir, daí passou a ser conhecido por “Solar da Madalena” em alusão a um antigo porto localizado nas proximidades. Foto da fachada do Solar: 4 Mestre Liberalino Cordeiro de Lima. Único arquiteto e engenheiro existente em Macaíba no principio do século passado. Seu trabalho está em todos os casarões, exceto no Ferreiro Torto e Caxangá. 5 Também conhecido como estilo 1900 ou o estilo Liberty, o “art Nouveau” se apresenta como tendência arquitetônica inovadora do fim do século XIX; um estilo floreado, onde se destacam a linha curva e as formas orgânicas inspiradas em folhagens, flores, cisnes, labaredas e outros elementos. Ilustração 05 – Solar da Madalena Fonte: Acervo Marcelo Augusto Medeiros O belo Solar da Madalena foi tombado pelo Patrimônio Histórico do Estado em 29 de julho de 2002 e encontra-se em razoável estado de conservação, mantendo sua imponência e fazendo lembrar o fausto em que viviam as famílias abastardas no período áureo do município. Solar do Mourisco O casarão da rua Heráclito Vilar foi construído na década de 1910 pelo proprietário, o espanhol Jaime Quintas Perez, maior comerciante de linho de Macaíba - artigo nobre da época. Até então, mestre Carneiro, era o único construtor existente em Macaíba naquele tempo. De arquitetura “mourisca”6, a qual pode-se ver na figura a seguir neste solar eram realizados os famosos passeios do grupo escolar Auta de Souza, que recebeu este nome em homenagem a filha ilustre do município, a poetisa escritora do Horto, seu único livro em decorrência de sua breve partida aos 23 anos. 6 Arte de origem moura. Arte islâmica do norte da África e da Península Ibérica. Ilustração 06 – Solar do Mourisco Fonte: Acervo de Marcelo Augusto Medeiros. O escritor Renard Perez 7 e seu irmão, o artista plástico Rossine Perez 8, são nascidos no solar que foi tombado como patrimônio estadual em 2002. Solar do Jundiaí Sobrado construído em 1912 pelo mestre Carneiro para servir de residência ao diretor do campo de demonstração do Jundiaí Dr. Nunzio Giannatázio. Apresenta estilo florentino, coberto por telhas de ardósia, portais e portas de pinho de riga. Único solar que ainda não é tombado. Atualmente é utilizado como sede da diretoria da Escola Agrícola de Jundiaí. Segue ilustração: 7 Autor de O Beco 2002, Os sinos 1954, O Tombadilho de 1961.* Macaíba/RN 1932 Gravador e Pintor. Sua obra foi constituída nas décadas de 1970, 1980 e 1990, no Rio de Janeiro.* * Referências disponíveis em: Diário de Natal de 24 de maio de 2006. Artigo do Colunista Valério Mesquita. 8 Ilustração 07 – Solar do Jundiaí Fonte: Acervo Marcelo Augusto de Medeiros 3.2.2 As Igrejas de Macaíba Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição Construção em estilo barroco9 e gótico10, a Matriz de Nossa Senhora da Conceição teve sua pedra fundamental lançada em 1858 pelo major Fabrício Gomes Pedrosa, cerimônia a qual participaram o então vigário de Natal, Pe. Bartolomeu da Rocha Fagundes; o vigário de São Gonçalo do Amarante, Pe. José Paulo Monteiro de Lima; Pe. Alexandre Ferreira Nobre, Pe. Francisco de Paula Soares da Câmara, além de vários cidadãos influentes na sociedade local. Após alguns anos de paralisação, o Fr. José Antônio de Maria Ibiapina retomou os trabalhos de construção da Matriz em 1882 quando já se havia criado a Freguesia de Nossa Senhora da Conceição e quando a Capela-mor, localizada onde hoje se encontra o altar da Matriz, já havia sido concluída e benta a 08 de dezembro de 1869. 9 Caracteriza-se pela monumentalidade das dimensões, opulência das formas e excesso de ornamentação. Estilo arquitetônico revolucionário, o qual durou do Século XII ao XIV na maioria da Europa. A simbologia da arte do período gótico é riquíssima em elementos que atestam a fé dos homens de então. 10 Em 1883 a Capela-mor, o altar em estilo gótico, que dá destaque para a imagem de Nossa Senhora da Conceição e a pia batismal foram incorporados a Matriz, imponente construção que remete a grandiosidade da fé dos antepassados, haja vista as dimensões da edificação para época11. Conforme ilustração abaixo: Ilustração 08 – Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição Fonte: Acervo Marcelo augusto de Medeiros Capela de São José Operário Construção em estilo barroco e gótico conforme foto a seguir, a capela de São Jose Operário foi edificada em 1876, pela própria comunidade em terreno doado pelo Coronel Estevão de Moura, maior latifundiário da região, era coronel da Guarda Nacional, adquiriu o sítio Ferreiro Torto e construiu o imponente casarão, doou parte de suas terras que deram origem ao município de Ielmo Marinho. Seu padroeiro foi trazido do solar Ferreiro Torto em uma grande procissão. A capela de São José Operário é a mais antiga do município, tendo sido tombada pelo patrimônio Histórico em 1983. Localiza-se na Rua Dr. Pedro Velho no centro da cidade de Macaíba. 11 História da Paróquia de Macaíba, disponível em http://www.paroquiamacaiba.com.br. Ilustração 09 – Capela de São José Operário Fonte: Acervo Marcelo Augusto de Medeiros Capela de Nossa Senhora da Soledade Construção em estilo arte “nouveau”, pelo Mestre Carneiro em 1923. Ilustrações 10 e 11 – Capela de Nossa Senhora da Soledade Fonte: Acervo Marcelo Augusto de Medeiros Localiza-se ao lado do Solar da Madalena, a pedido da matriarca Dona Constança Freire, que a ofereceu a Nossa Senhora da soledade, em razão da imensa saudade do filho Leonel que falecera prematuramente. Foi tombada pelo patrimônio Histórico Estadual em 1983. Foi nesta capela que o 1º Bispo de Natal Dom Joaquim Antônio de Almeida, celebrou sua última missa. Abaixo sua fachada antes e após a ultima pintura: 3.2.3 Os Casarões de Macaíba Casarão dos Guarapes Construído no ano de 1858 no alto de uma colina, pelo comerciante Fabrício Gomes Pedroza para ser a sede do seu complexo comercial, o qual aglutinava escritórios, almoxarifados, capela e escola. Embaixo da colina, ficavam os armazéns, “que tudo guardavam e vendiam” de 1869 a 1870, mais de vinte navios os quais ultrapassavam 500 toneladas, aportaram em Guarapes vindos diretamente da Europa a fim de Carregarem as mercadorias exportadas por Fabrício. Foi um tempo de fausto e grandeza. Porém com o passar dos anos, de todas as construções do complexo existem apenas as ruínas da casa-grande, que ainda denunciam a majestade e a imponência do velho casarão. Através da luta de Valério Mesquita, desde a época em que foi prefeito da cidade de 1973 a 1975, as ruínas do casarão foram tombadas em nível estadual em 22 de dezembro de 1990. A preocupação de Valério e de todos que valorizam a história potiguar, é com a restauração deste patrimônio. Que se encontra em ruínas conforme foto a seguir: Ilustração 12 – Ruínas do Casarão Guarapes Fonte: Diário de Natal – 02/12/2008. Casarão dos Mesquita Esta construção remonta ao final do século XIX inicio do século XX, quando foi adquirida pelo comerciante e coronel Alfredo Adolfo de Mesquita. Possui um belo jardim cultivado durante anos pela matriarca Dona Nair Mesquita.Fachada do Casarão dos Mesquita: Ilustração 13 – Casa da Cultura –(Casarão dos Mesquita) Fonte: Acervo Marcelo augusto de Medeiros Por várias décadas, muitas decisões importantes para o município de Macaíba foram tomadas nas suas dependências, vês que Alfredo Mesquita e Valério Mesquita foram líderes políticos por mais de quarenta anos, entre 1934 e 1975 ora no poder ora apoiando o governante atual, Alfredo Mesquita foi prefeito de 1937 a 1941 e de 1958 a 1963, Valério Mesquita 1973 a 1975 e Odiléia Mesquita sua ex-esposa considerada como uma liderança emergente dos Mesquitas de 1983 a 1988 e de 1991 a 1995, sendo assim a oligarquia mais influente do município. Foi tombado pelo patrimônio Histórico do Estado desde 2005. Atualmente é sede da Casa da Cultura de Macaíba, onde o espaço possui um memorial da família Mesquita, com quadros, objetos pessoais e todas as obras do contador de causos e crítico Valério Mesquita, onde ainda são realizadas várias atividades culturais. Jardim interno da atual Casa da Cultura de Macaíba: Ilustração 14 – Jardim interno da Casa da Cultura Fonte: Acervo Marcelo Augusto de Medeiros IV – ANÁLISE E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS 4.1 A PESQUISA Para informar a existência do patrimônio histórico-cultural presente no município de Macaíba-RN seriam utilizados três tipos de técnicas, a saber: como documentação indireta a pesquisa bibliográfica, constituída principalmente de artigos científicos e livros, visto que permite a cobertura de uma ampla gama de informações; e a pesquisa documental, embora esta segunda técnica se assemelhe à pesquisa bibliográfica, permite que se tenha acesso a diversos documentos tais como: reportagens de jornal, relatórios de pesquisa, documentos oficiais, entre outros, o que favorece uma visão mais aprofundada da questão em aberto. Por último, como observação direta intensiva uma entrevista que seria realizada com o senhor Valério Mesquita autoridade de referência neste assunto, natural deste município e autor de publicações a respeito da história e importância de Macaíba, bem como com o historiador Anderson Tavares, também de Macaíba, que fez um trabalho em parceria com Valério Mesquita produzindo o texto base desta pesquisa. No entanto, com o desenvolvimento da pesquisa, constatou-se que não haveria tempo suficiente para utilização de todas estas técnicas, e pela dificuldade de acesso às informações disponíveis a pesquisa tornou-se, portanto bibliográfica e documental, onde foram utilizados documentos elaborados principalmente pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo, bem como dados contidos na pesquisa encomendada pela Secretaria Municipal de Planejamento para a elaboração da Minuta do Plano Diretor do município que se encontra em tramitação na Câmara Municipal de Vereadores. Para análise dos dados e informações pesquisados, nesta pesquisa foi adotado o Método Hipotético-dedutivo, que consiste na adoção da seguinte linha de raciocínio: Quando os conhecimentos disponíveis sobre determinado assunto são insuficientes para a explicação de um fenômeno, surge o problema. Para tentar explicar a dificuldade expressas no problema, são formuladas conjecturas ou hipóteses. Das hipóteses formuladas, deduzem-se conseqüências que deverão ser testadas ou falseadas. Falsear significa tornar falsas as conseqüências deduzidas das hipóteses. Enquanto no método dedutivo se procura a todo custo confirmar a hipótese, no método hipotético-dedutivo, ao contrário, procuram-se evidências empíricas para derrubá-la (Gil, 1999, p.30). O qual possibilitará a análise e proposição de ações para o desenvolvimento da atividade turística no município, através destes patrimônios, embora não haja uma localidade similar para efetiva comparação. O universo total da pesquisa contou com os 10 exemplares do patrimônio arquitetônico apresentado: os solares do Ferreiro Torto, Caxangá, Mourisco, da Madalena e do Jundiaí, as igrejas Matriz de Nossa Senhora da Conceição, a capela de São José Operário e de Nossa Senhora da Soledade e os casarões do Guarapes e dos Mesquita. Sendo os Solares do Ferreiro Torto e Caxangá utilizados como a amostra para esta pesquisa, representando 20% do universo total que engloba todo o patrimônio acima citado, visto que estes dois solares juntamente com o casarão dos Mesquita são os únicos utilizados como museus e abertos ao recebimento do público atualmente. Quanto aos solares do Mourisco, da Madalena e do Jundiaí ainda se encontram sendo utilizados para fins diversos, o que também ocorre com outras edificações de grande valor histórico, mas que nada possuem escrito a seu respeito como a casa onde nasceu Auta de Souza hoje utilizada como escola da rede municipal, e a casa de Henrique Castriciano12 hoje Biblioteca Pública Municipal, edificações que poderiam estar sendo utilizadas como memorial da vida destes filhos ilustres do município, o que manteria o elo do povo com o seu patrimônio, o primeiro passo para uma interação efetiva da comunidade local com o seu passado. 4.2 O APROVEITAMENTO TURÍSTICO DO PATRIMÔNIO CULTURAL EM MACAÍBA Como apresentado anteriormente à primeira fase do processo do planejamento se constitui em analisar os seguintes pontos: a existência de atrativos naturais e culturais capazes de atrair demanda; existência de acomodações, alimentação e entretenimento; existência de facilidades e acessos e a disponibilidade de transporte turístico e o bom posicionamento geográfico, no que diz respeito especificamente a Macaíba tais elementos já foram identificados e pré-analisados a partir do Inventário Turístico elaborado por um grupo de alunos deste curso e eu, durante a disciplina de Planejamento e Organização do Turismo ofertada no quarto período do Curso de Turismo desta instituição de Ensino Superior. Agora 12 Teatrólogo, poeta, deputado estadual, presidente da Assembléia Legislativa, vice-governador, fundador da Escola Doméstica de Natal e dos escoteiros do Estado. tais elementos foram associados ao levantamento de dados obtidos durante a realização desta pesquisa para uma melhor interpretação e análise do objeto em estudo. Sendo assim, percebe-se que o município possui um potencial a ser trabalhado, mas se encontra em estado bruto, necessitando de total lapidação já que sua localização é satisfatória e há um produto a se desenvolver, no entanto, no que diz respeito a acomodações, restauração, transporte público, e todo o aparato de infra-estrutura que se faz necessário para a utilização turística de um determinado local, Macaíba-RN ainda possui grande lacuna, a qual espera-se começar a preencher após o alerta deste trabalho. Ficou claro que Macaíba-RN possui características históricas, culturais, arquitetônicas e naturais, capazes de elevá-la a destino turístico, entretanto as ações implementadas até o momento são limitantes no sentido de promovê-la junto à região. Para a reversão deste quadro o projeto de lei do plano diretor de Macaíba inclui em sua seção II o Turismo, o Esporte e o Lazer, onde o artigo 79 diz: O desenvolvimento turístico de Macaíba terá como base as seguintes diretrizes: I – promover a atividade turística, melhorando o comércio e a prestação de serviço, bem como incentivando o empreendedorismo social; II – promover o Patrimônio Histórico-cultural como atrativo turístico do Município; III – fortalecer as características turísticas do Município através da: a) Divulgação do Patrimônio Histórico-cultural b) Implantação de postos de informações turísticas; c) Implantação de sinalização turística; IV – estimular o crescimento e a melhoria da rede turística, através da: a) Implantação da política de incentivos fiscais, viabilizando a instalação de empreendimentos turísticos; b) Criação de áreas de especial interesse turístico. (Projeto de Lei do Plano Diretor de Macaíba. 2008) Será a partir da implantação efetiva das ações contidas neste documento, que o município começará a vislumbrar a atividade turística como uma mola impulsionadora da economia local. E tendo este trabalho foco no desenvolvimento de um turismo sustentável através do patrimônio histórico-cultural, é de grande satisfação constatar que a preocupação dos gestores atuais também contempla uma política específica para o mesmo, descrita no Capítulo IV Do Patrimônio Histórico-Cultural e Natural art.85 do Projeto de Lei do Plano Diretor de Macaíba: Art. 85. São objetivos da política do patrimônio histórico-cultural e natural: I - Instituir o Plano de Proteção e Recuperação do Patrimônio Histórico-Cultural e Natural; II – Implantação da política de incentivos fiscais, visando a proteção, recuperação e manutenção do patrimônio histórico-cultural e natural do município; III - formular programas e projetos para a preservação, conservação e recuperação de áreas com as seguintes características: a) relevante valor cênico e paisagístico; b) relevante interesse histórico e arqueológico; c) edificações de importância socioculturais e arquitetônicas; d) áreas quilombolas; IV – destinar áreas para instalação de espaços turísticos e culturais; V – promover a preservação do patrimônio cultural edificado, e dos sítios históricos mantendo suas características originais e sua ambiência na paisagem urbana, com a utilização do processo de tombamento ou outros instrumentos que garantem essa preservação. VI – Restauração, conservação e preservação de prédios e obras constituintes do patrimônio histórico-cultural. (Projeto de Lei do Plano Diretor de Macaíba. 2008). Tem-se então um valioso instrumento para a correta e sustentável utilização do patrimônio histórico-cultural do município, o que por si só não viabiliza nem concretiza a implantação do turismo nesta localidade. Faz-se necessário grande empenho por parte dos órgãos públicos primeiramente, na mobilização da população local que viria a ser a força de trabalho destes produtos quando se der o inicio da atividade, em segundo lugar na fiscalização desta legislação; em seguida pode-se pensar em um trabalho de parceria com a iniciativa privada para diversificação e inovação do produto ofertado para uma permanência no trade turístico, visto sua crescente exigência por algo a inovar. V. CONSIDERAÇÕES FINAIS Após o estudo dos aspectos gerais do município, e em específico do seu patrimônio histórico cultural verifica-se que a vocação turística da região se apresenta bastante diversificada, principalmente no aspecto histórico-cultural, com a presença de uma representativa riqueza arquitetônica, embora algo já tenha sido destruído, há possibilidade de inserção do município de Macaíba no mercado turístico potiguar. A cidade tem uma vocação para se tornar um produto diferencial, pois dispõe de atrativos que são alternativos aos propostos pelos roteiros tradicionais de sol e mar, visto que os turistas modernos procuram modos de vida alternativos, autenticidade, e contato com as culturas visitadas. E essas são características que um produto turístico composto pelo patrimônio histórico-cultural de Macaíba-RN possui de forma significativa. Para tanto, vale salientar que já foi dado um grande passo, para o desenvolvimento da atividade turística com a elaboração do plano diretor participativo, que engloba uma legislação municipal de proteção ao patrimônio histórico-cultural; mesmo assim ainda se faz necessário que a mesma seja implantada em concordância com a legislação federal pertinente ao patrimônio cultural, que visa estudos de impacto ambiental para instalação de obra ou atividade potencialmente causadora de significativa destruição do mesmo. Simultâneo ao aparato legal é indicado a criação e aplicação de uma política educacional de preservação desse patrimônio, sendo destinada principalmente a população local, em especial aos estudantes que estão com seus valores de compreensão do mundo em construção, em um momento de reconhecimento de sua identidade, o que os torna decisivos neste processo de implantação da atividade turística, baseada no patrimônio histórico-cultural o que permite que o mesmo seja sustentável. A partir dessas medidas há a possibilidade de inúmeras ações de incentivo e mobilização da população para que a mesma se envolva efetivamente neste processo revertendo o quadro atual do município de Macaíba para o desenvolvimento social e cultural com ênfase na atividade turística.Sugerem-se as seguintes: 1. A criação do roteiro dos solares, onde o percurso se iniciaria no Solar dos Guarapes, percorrendo o Solar do Ferreiro Torto, o Solar Caxangá e Concluiria no Solar da Madalena, este roteiro teria a base histórico-cultural do município; 2. A criação de uma festa realizada num local de fazenda com elementos típicos e tradicionais, que retratariam a história da colonização do município; 3. A criação de um local específico para exposição do artesanato local, onde também poderia estar presente a literatura de cordel presente no município; 4. Passeios ecológicos realizados no percurso do Rio Jundiaí, o qual deu origem à cidade; 5. A criação de um roteiro dirigido ao público infantil no Complexo Cultural Ferreiro Torto, onde poderiam ser trabalhados de forma lúdica os conteúdos históricos, culturais e ecológicos; 6. A criação de um programa de capacitação de jovens para trabalharem como guias mirins ou jovens guias nestes roteiros; 7. A elaboração de uma legislação municipal que iniba a má utilização dos espaços urbanos, criando zonas de desenvolvimento do turismo; 8. A criação de leis de incentivo fiscal para a implantação de empresas hoteleiras no município; 9. A elaboração e concretização de um calendário de eventos turísticos na cidade, para que a mesma não continue sendo conhecida somente pela realização das vaquejadas; 10. A criação das festas do caju, da manga e do mamão, frutas tradicionais da cidade. 11. A criação de vagas para turismólogos na Secretaria Municipal de Turismo que hoje não possui nenhum profissional da área atuando no seu quadro efetivo. Sendo essas sugestões hipóteses de que com a sua implantação o Turismo poderia sim se tornar mais uma atividade econômica praticada com sucesso no município de Macaíba-RN. Existem atualmente pequenos esforços neste sentido por parte do Governo municipal através da proposição nº042/2007-CMM, o vereador Aluisio Silvio Soares pretende que seja aprovado em plenário da Câmara a ativação de uma feira artesanal no Solar do Ferreiro Torto, com artesanatos, apresentações de artistas locais e reativação da antiga “feira do picado”, todas as sextas-feiras e sábados. Quanto à feira do picado, o edil macaibense justifica, afirmando que tal feira atraía para a cidade pessoas de outras localidades, bem como servia de ponto de encontro para a sociedade local; nas décadas de 80 e 90. Além da atração da histórica feira, uma reestruturação em um local adequado possibilitaria aos artistas locais um lugar para a apresentação de shows, peças teatrais, bem como incentivaria os artesãos e proporcionaria para a população, outra forma de lazer e entretenimento. (Documento oficial recebido pela Secretaria de Cultura e Turismo da Câmara de Vereadores de Macaíba, maio de 2007 apud LIMA, 2007). Tais ações nos mostram que se precisa de mais empenho para que o desenvolvimento do Turismo em Macaíba-RN seja uma realidade, além de projetos fazem-se necessárias principalmente realizações, pois nenhuma das propostas citadas foi efetivada até o presente momento. É mais uma vez constatado que um potencial não se torna produto turístico se não houver interesse dos setores privado e público, onde é de suma importância a participação da população autóctone para a consolidação efetiva do produto no mercado turístico em que estiver inserido. REFERÊNCIAS ANDRADE, Jose Vicente. 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