OJÚ OBÁ PRODUÇÕES, TURISMO, CULTURA E
DESENVOLVIMENTO LTDA
DIAGNÓSTICO E
PROGNÓSTICO TENDENCIAL
DO TURISMO DE SALVADOR
CONSULTORA: LÚCIA AQUINO DE QUEIROZ
1
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO
P.3
2. O TURISMO NO MUNDO E NO BRASIL - BREVE
CONTEXTUALIZAÇÃO
P.4
3. O TURISMO EM SALVADOR
P.17
3.1. Programas Estruturantes do Turismo da Bahia e de Salvador a partir
de finais dos anos 1990
3.2. Resultados Alcançados pelo Turismo em Salvador
P.18
3.2.1. Os Segmentos do Turismo Internacional, Doméstico e Global
P.32
3.2.2. O Desempenho do Setor Hoteleiro
P.46
3.2.3. Os Cruzeiros Marítimos
P.50
3.3. A Oferta Turística de Salvador - Situação e Atuais Perspectivas
P.51
3.3.1. As Festas Populares
P.52
3.3.2. O Patrimônio Natural
P. 56
3.3.3. O Patrimônio Histórico-Cultural: O Centro Antigo de Salvador
(CAS)
3.3.4. O Turismo Náutico
P.59
3.3.5. O Turismo de Negócios, Congressos e Convenções
P.70
4. TENDÊNCIAS DELINEADAS E PROPOSTAS PARA O
TURISMO DE SALVADOR
P.72
4.1 Tendências Gerais para o Turismo de Salvador
P.78
4.2. Tendências Identificadas para os Segmentos Turísticos Centrais
P.80
4.2.1. Segmento do Turismo Náutico
P.80
4.2.2. Segmento do Turismo de Negócios, Congressos e Convenções
P.83
4.2.3. Segmento do Turismo de Lazer
P.87
4.2.4. Segmento do Turismo Cultural
P.91
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
P.99
6. REFERÊNCIAS
P.101
P.31
P.68
2
1. Introdução
Atividade econômica e fenômeno social de caráter contemporâneo, o turismo tornou-se,
nas últimas décadas, um campo de atuação cada vez mais amplo, articulado com setores
como hospitalidade, agenciamento, transportes, comunicação, entretenimento, esportes,
gastronomia e eventos. Sofreu, simultaneamente, os efeitos da globalização e da
regionalização. Segmentou-se, recorrendo aos diferenciais dos territórios na
conformação das suas novas modalidades: turismo rural, cultural, religioso, de aventura,
náutico, de negócios, dentre outros. Tornou-se um elemento fundamental à
competitividade de centros urbanos, em especial dos espaços privilegiados de
concentração criativa, simbólica e produtiva.
O turismo, bem gerenciado e planejado, está gerando um magnífico campo de
oportunidades do ponto de vista da dinamização econômica e social das áreas urbanas.
Com a atração de fluxos de capitais e pessoas, tem possibilitado a rentabilidade social e
econômica dos grandes investimentos públicos realizados pelas cidades, no cenário
atual de escassez de recursos e de intensa concorrência entre os espaços urbanos. Ao
tempo em que se beneficia dessas inversões, o turismo tem contribuído para que
cidades, situadas nos mais distintos pontos do planeta, estejam mantendo a sua
competitividade urbana, e, até mesmo, ampliando-a, e solucionando questões
desafiantes, como a recuperação do seu patrimônio histórico-cultural e a
sustentabilidade das suas áreas centrais, ainda que estas soluções não estejam isentas de
críticas e que algumas vezes possam servir como um alerta a não adoção de estratégias
similares em outras realidades.
Hoje, diante das múltiplas funções e significados assumidos pelas cidades, enquanto
espaços de produção, de consumo, cenário simbólico de representações, de práticas de
ócio para os seus habitantes e espaço consumido como produto turístico, já não se pode
mais pensar em planejamento urbano, políticas públicas e privadas, sustentabilidade e
requalificação de áreas históricas degradadas sem que o turismo seja contemplado no
contexto da análise. Ciente do importante papel da atividade turística na correção dos
desequilíbrios espaciais, da valorização da cultura como um dos elementos centrais da
3
oferta turística, e do intenso potencial criativo1 e simbólico, além do singular
patrimônio natural de Salvador, este estudo objetivou diagnosticar a situação do turismo
da capital baiana, apresentar resultados, perspectivas atuais, tendências e propostas para
os segmentos de maior expressão, com vistas a subsidiar ações estruturantes que serão
definidas no Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano e no Plano Salvador 500.
2. O Turismo
Contextualização
no
Mundo
e
no
Brasil
–
Breve
O turismo, uma das principais atividades econômicas da atualidade, a cada dia vem
ganhando destaque no cenário econômico mundial, tornando-se um item essencial à
qualidade de vida, um forte propulsor da aproximação entre povos e culturas e um
elemento capaz de contribuir, com a migração de capitais, via investimentos diretos e
consumo dos visitantes, para a desconcentração da renda nas distintas regiões do
planeta.
Comumente enquadrado, em termos econômicos, como uma indústria ou setor, o
turismo tem sido concebido por estudiosos da Economia do Turismo, como uma
atividade social e econômica (FIGUEROLA, 1990, p. 17), que pode resultar em um
conjunto de benefícios para uma dada sociedade, mas, também em custos sociais,
econômicos e ambientais. O desempenho desta atividade está associado, com uma certa
frequência, a fatores macroeconômicos, como o comportamento da renda e sua
distribuição; microeconômicos, a exemplo das influências da teoria do consumidor e do
funcionamento do mercado turístico; aos impactos das políticas econômicas — cambial,
monetária, fiscal e intervenções diretas2 —, além de outros aspectos também influentes,
como a disponibilidade de tempo livre, as intempéries climáticas, as ações de grupos
extremistas, as facilidades proporcionadas pelo progresso tecnológico, dentre as quais,
os avanços nos meios de transportes encurtando as distâncias.
1
Compreendido, conforme definição do Ministério da Cultura (2011, p. 22), enquanto talentos criativos,
que podem se organizar individual ou coletivamente, para produzir bens e serviços criativos, ou seja,
aqueles “cuja dimensão simbólica é determinante do seu valor, resultando em produção de riqueza
cultural, econômica e social”.
2
As intervenções diretas “abrangem um amplo espectro de mecanismos de intervenção das autoridades
públicas, diretamente exercidos sobre as atividades de agentes econômicos individuais, sobre
remunerações dos recursos de produção, sobre os preços dos produtos e mesmo sobre o comportamento
das empresas e dos consumidores” (ROSSETTI, 1997, p. 77). Um exemplo de intervenção direta na
atividade turística refere-se ao depósito compulsório para viagens internacionais instituído no Brasil
durante a vigência do regime militar.
4
Desde meados do século passado, a Sociedade Moderna tem experimentado profundas
mudanças, que tem possibilitado a transformação do turismo em uma atividade
promissora, com perspectivas de expandir-se a taxas crescentes, acompanhando e
superando o crescimento observado na economia mundial. Uma conjunção de fatores
associados à expansão econômica — valorização das culturas, percepção da viagem
como uma fonte de conhecimento e de reposição de energias diante dos desgastes da
vida cotidiana, ampliação dos relacionamentos entre os povos, melhorias e
barateamento nos sistemas de transportes, dentre outros — possibilitaram a que as
viagens internacionais registrassem, segundo informações da Organização Mundial do
Turismo (OMT), um crescimento expressivo nos últimos 40 anos.
Em uma análise dos indicadores mais recentes da Organização Mundial do Turismo
observa-se que as chegadas internacionais evoluíram de um montante equivalente a 536
milhões em 1995, para 1.133 milhões em 2014 com previsão de crescimento de 3% a
4% em 2015, em que pesem os impactos da instabilidade da economia mundial.
Angariando recursos que variam entre 6% a 7% do comércio mundial, o turismo
internacional gerou uma receita equivalente a US$ 1,24 bilhão, podendo ser enquadrado
dentre as cinco mais importantes atividades geradoras de divisas da economia
internacional, com um volume de negócios igual ou superior ao das exportações de
petróleo, produtos alimentícios e automóveis, constituindo-se em uma expressiva fonte
de ingressos para diversos países em desenvolvimento e uma alternativa fundamental
para nações imersas em graves crises econômicas.
Conforme pronunciamento do Secretário Geral da OMT, na abertura do Spain Global
Tourism Forum em Madrid3, o turismo tem demonstrado ser uma atividade
extremamente forte e resistente, com ampla capacidade de contribuir com a recuperação
econômica, dado o seu poder de impulsionar o mercado de trabalho e gerar divisas, o
que se tem verificado em destinos de todo o mundo, e, particularmente, na Europa,
cujos esforços de superação de um dos piores períodos econômicos de sua história tem
sido expressivos. Em 2014, as Américas (7%), Ásia e Pacífico (5%) registraram
3
Disponível em http://media.unwto.org/es/press-release/2015-01-27/mas-de-1100-millones-de-turistasviajaron-al-extranjero-en-2014, acesso em 08/07/2014.
5
incrementos consideráveis no fluxo turístico internacional, sendo também significativo
o crescimento da Europa (4%) e do Oriente Médio (4%), já a África apresentou um
percentual também positivo, entretanto, mais moderado (2%). Em termos sub-regionais,
a América do Norte obteve os melhores resultados (8%), impulsionados, sobretudo,
pelos incrementos alcançados pelo México, seguida do Noroeste Asiático, Ásia
Meridional, Europa Meridional e Mediterrânea, Europa do Norte e Caribe, que,
individualmente, experimentaram um aumento de 7%. As taxas de crescimento das
chegadas a América Central e a América do Sul (6% em ambos os casos) se duplicaram
frente aos resultados de 2013, situando-se acima da média mundial (4,23%). Para este
ano de 2015 estima-se que, em temos regionais, a Ásia/Pacífico e as Américas
apresentem expansão nas chegadas internacionais entre 4% a 5%, seguidas da Europa
(entre 3% e 4%), África (3% a 5%) e Oriente Médio (2% a 5%).
Analisando as perspectivas para o turismo mundial em um longo prazo (até 2030), a
Organização Mundial do Turismo, em publicação intitulada Panorama OMT do
Turismo Mundial Edição 2014, estima que as chegadas de turistas devem sofrer um
incremento em torno de 3,3% anualmente, alcançando os 1.800 milhões em 2030. As
previsões da OMT indicam que o ritmo de crescimento das chegadas em destinos
emergentes (4,4% ao ano) dobre o das economias avançadas (2,2% ao ano). A cota de
mercado das economias emergentes, passando de 30% em 1980 para 47% em 2013,
deve alcançar os 57% em 2030, o que equivale a mais de um bilhão de chegadas de
turistas internacionais4.
A nova espacialização do turismo, decorrente da redistribuição e reconcentração do
fluxo turístico internacional em regiões e países até então considerados como detentores
de uma economia turística “marginal”, é produto de uma conjunção de fatores, como já
mencionado, que englobam aspectos sociais, políticos, culturais, econômicos e também
geográficos e ambientais. A capacidade individual de atração do fluxo turístico, por
países e destinos que apresentam potencialidades turísticas, também resulta desses
mesmos aspectos, cabendo enfatizar nesse conjunto pontos específicos que impactam
4
Disponível em
http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/export/sites/default/dadosefatos/estatisticas_indicadores/downloa
ds_estatisticas/OMT__Turismo_highlights_2014_sp.pdf. Acesso em 08/07/2015.
6
diretamente o desempenho do turismo, como a capacidade de cada uma dessas áreas em
ofertar um maior leque de atrativos (naturais, históricos ou culturais), equipamentos e
serviços turísticos de qualidade, ampla infraestrutura turística, a exemplo da
acessibilidade, preços competitivos e compatíveis com a qualidade dos produtos e
serviços oferecidos, capacidade promocional e de atração de investimentos, adequação
da oferta turística aos múltiplos “desejos” dos consumidores, proximidade aos
principais centros emissores de demanda5, baixa vulnerabilidade climática, ambiental,
socioeconômica e política6, dentre outras.
A competitividade turística está, assim, atrelada a vários fatores, que não
necessariamente precisam ocorrer de forma simultânea, mas cuja presença, em maior ou
menor intensidade, contribui para que um país, ou um destino, consiga abarcar uma
maior fatia no competitivo mercado turístico internacional. O Brasil, a exemplo, país
dotado de uma intensa diversidade de atrativos naturais, históricos, culturais, de regiões
tão distintas e peculiares no que se refere ao clima, à culinária, às manifestações
populares, à religiosidade, à vasta oferta de praias, de possibilidades de lazer náutico, de
potenciais que podem ser utilizados para uma exploração competitiva dos mais distintos
segmentos do turismo, como o cultural, de aventura, rural, gastronômico, ecoturismo,
religioso, dentre outros, ainda apresenta uma ínfima participação no turismo mundial
(cerca de 0,6%, tanto no fluxo quanto na receita — Tabelas 1 e 2), ratificando a
percepção de que a competitividade turística é produto de uma conjunção de fatores
associados e não apenas da existência de uma ampla oferta potencial.
5
Incluindo custo e mecanismos de acessibilidade.
Tensões sociais, como a violência urbana, ações extremistas, crise econômica e política, e a ocorrência
de eventos naturais, como terremotos, maremotos (tsunami) prejudicam as localidades em que incidem,
ao tempo em que podem beneficiar outras que não apresentam esses problemas.
6
7
Tabela 1- Principais países receptores de turistas internacionais 2009/14
Países de residência
permanente
Mundo
França
Estados Unidos
Espanha
China
Itália
Turquia
Alemanha
Reino Unido
Rússia
Tailândia
Malásia
Hong Kong (China)
Áustria
Ucrânia
México
Grécia
Canadá
Polônia
Macao (China)
Brasil
% Brasil no Mundo
Outros
Turistas (milhões de chegadas)
2009
2010
2011
2012
882,1
950,1
996,0
1.035,5
76,8
77,6
81,6
83,0
55,0
59,8
62,7
66,7
52,2
52,7
56,2
57,5
50,9
55,7
57,6
57,7
43,2
43,6
46,1
46,4
25,5
31,4
34,7
35,7
24,2
26,9
28,4
30,4
28,2
28,3
29,3
29,3
19,4
20,3
22,7
25,7
14,1
15,9
19,2
22,4
23,6
24,6
24,7
25,0
16,9
20,1
22,3
23,8
21,4
22,0
23,0
24,2
20,8
21,2
21,4
23,0
21,5
23,3
23,4
23,4
14,9
15,0
16,4
15,5
15,7
16,2
16,0
16,3
11,9
12,5
13,4
14,8
10,4
11,9
12,9
13,6
4,8
5,2
5,4
0,54
0,55
319,8
355,0
2013
2014*
1.087,0
1.133,0
83,7
83,6
70,0
74,8
60,7
65,0
55,7
55,6
47,7
48,5
37,8
39,8
35,1
33,0
31,1
32,6
28,4
29,8
26,5
24,8
25,7
27,4
25,7
27,8
24,8
25,3
24,7
12,7
24,2
29,1
17,9
22,0
16,1
16,5
15,8
16,0
14,3
14,6
5,7
5,8
6,4**
0,54
0,55
0,63
0,56
361,1
381,1
415,4
447,6
Fonte: Organização Mundial do Turismo – OMT
Notas: *Dados estimados
**. Dado obtido no Anuário Estatístico, 2015, Ministério do Turismo do Brasil.
8
Tabela 2 – Receita Cambial Turística dos Principais Países Receptores 2010/14
Países de
residência
permanente
Receita cambial (milhões de US$)
2010
2011
2012
2013
2014*
Mundo
913,4 1.042,2
1.068,0 1.197,0
Estados
Unidos
137,0 115,6
161,6
172,9
Espanha
54,6 60,0
58,2
62,6
65,2
França
47,0 54,8
53,7
56,7
55,4
China
45,8 45,8
50,0
51,7
56,9
Macao
(China)
27,8 38,5
43,9
51,8
50,8
Itália
38,8 43,0
41,2
43,9
45,5
Tailândia
20,1 27,2
33,9
41,8
38,4
Alemanha
34,7 38,9
38,1
41,3
43,3
Reino Unido
32,4 35,1
36,6
41,0
45,3
Hong Kong
(China)
22,2 28,5
33,1
38,9
38,4
Austrália
18,6 31,3
18,9
20,2
20,6
Turquia
22,6 25,1
25,3
28,0
29,6
Malásia
18,1 19,7
20,2
21,5
21,8
Áustria
18,6 19,9
18,9
20,2
20,6
Singapura
14,2 18,1
18,9
19,3
19,2
Índia
14,5 17,7
18,0
18,4
19,7
Canadá
15,8 16,8
17,4
17,7
17,4
Suíça
14,7 17,1
16,1
16,9
17,4
Grécia
12,7 14,6
13,4
16,1
17,9
Holanda
11,7 14,3
12,3
13,8
14,7
6,6
6,7
0,62
0,57
331,70
395,60
Brasil
% Brasil no
Mundo
Outros
5,7 6,6
0,62 0,63
285,8
350,9
1.245,0
177,2
6,8
0,55
422,90
Fonte: Organização Mundial do Turismo – OMT
Notas: *Dados estimados
São muitos os fatores que contribuem para o atual posicionamento do Brasil no mercado
mundial do turismo. O alto custo de deslocamento ao país (distância-tempo de
deslocamento-dispêndio com transporte aéreo versus satisfação do visitante), nação de
9
dimensões continentais, distante dos principais centros emissores de turistas
internacionais7; os parcos recursos para realização de investimentos na infraestrutura
turística — inclusive em marketing promocional —; a marginalidade e a violência8 nos
seus principais centros urbanos e portões de entrada do turismo internacional — Rio de
Janeiro e São Paulo9 —; a política cambial que manteve o Real valorizado por longos
períodos desde a mudança da moeda nacional10, conduzindo a um possível incremento
dos preços relativos praticados no mercado turístico brasileiro e inibindo viagens de
estrangeiros ao país são alguns dos fatores que podem explicar a ainda tímida
participação brasileira no ranking dos maiores receptores de visitantes oriundos de
outras nações.
E, se por um lado a política cambial contribuiu11 para frear a vinda de estrangeiros ao
Brasil, por outro, aliada à estabilidade da moeda — que, dentre outras ações, propiciou a
ampliação dos prazos de financiamento das viagens internacionais —, e ao aumento do
poder de consumo da população brasileira —, possibilitando a que novos segmentos
integrassem a demanda por visitas a destinos situados no exterior —, conduziu o país a
situar-se no grupo dos dez maiores emissores de turistas estrangeiros do mundo, o que
tem ocasionado déficits anuais na conta turismo do balanço de pagamentos nacional12
(Tabela 3). Mesmo em 2014, ano de realização da Copa do Mundo, evento sediado no
Brasil, e com o Real já apresentando sucessivas desvalorizações, a saída e os gastos de
brasileiros no exterior superaram as entradas de visitantes e de divisas internacionais.
7
Em 2014, no ranking dos principais emissores de turistas internacionais, a China aparece em primeiro
lugar, seguida pelos EUA, Alemanha, Reino Unido, Rússia, França, Canadá, Itália, Austrália e em décimo
lugar, o próprio Brasil.
8
O Brasil é a sétima nação mais violenta do mundo, com 29 casos/100 mil habitantes. Embora as cidades
do Rio de Janeiro e de São Paulo não estejam na relação dentre as 500 mais violentas do país, ainda
apresentam
elevadas
taxas
de
homicídios.
Dados
disponíveis
em
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/as-500-cidades-mais-violentas-do-brasil-versao-2014, acesso em
11/07/2015.
9
São Paulo e Rio de Janeiro ainda concentram parte expressiva das entradas de estrangeiros ao Brasil.
Em 2014 São Paulo respondeu por 34,5% das chegadas ao país e o Rio por 24,8% (Anuário Estatístico
MTur, 2015).
10
Em janeiro de 2004, alta estação no Brasil, o dólar (compra) valia R$ 2,8854; em janeiro de 2005, R$
2,6682 (queda de 7,5% no comparativo anual); em janeiro de 2010, R$ 1,7232 (queda de 35,4% se
comparado a 2005); em janeiro de 2014, R$ 2,3969 (queda de 10,2% se comparado ao mesmo mês de
2005) – dados do Banco Central do Brasil.
11
É importante registrar que embora no mês de janeiro de 2013 e de 2014 o Real estivesse mais
valorizado do que no mesmo mês de 2005, a moeda nacional vem sofrendo desvalorizações, tendo o dólar
alcançado a marca de R$ 3,2163 em julho de 2015.
12
As viagens internacionais (receitas e despesas) estão registradas como serviços finais, um item da conta
corrente do balanço de pagamentos.
10
Tabela 3 – Conta Turismo do Brasil (2000/2014)
Ano
Conta Turismo (milhões de US$)
2000
2001
2002
2003
2004
2005
2006
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
2014*
Receita
1.810
1.731
1.998
2.479
3.222
3.861
4.316
4.953
5.785
5.305
5.702
6.555
6.645
6.710
6.913
Despesa
3.894
3.199
2.396
2.261
2.871
4.720
5.764
8.211
10.963
10.898
16.420
21.264
22.233
25.342
25.608
Saldo
(2.084)
(1.468)
(398)
218
351
(858)
(1.448)
(3.258)
(5.100)
(5.594)
(10.718)
(14.709)
(15.588)
(18.632)
(18.695)
Fonte: Banco Central do Brasil
*Dados estimados13
O incremento das viagens e dos gastos de brasileiros no exterior não impactam,
obviamente, apenas os destinos turísticos internacionais demandados ou mesmo as
empresas — brasileiras ou não — que atuam no segmento emissivo, nesses casos de
forma positiva. Além dos problemas gerados para o balanço de pagamentos do país, as
saídas de brasileiros também produzem efeitos negativos para os destinos domésticos
que deixam de receber recursos que poderiam estar sendo gastos com o turismo interno.
Pesquisa publicada pela Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas (FIPE) e pelo
MTur em 2012 — Caracterização e Dimensionamento do Turismo Doméstico no Brasil
—, indica que a região Sudeste do Brasil foi responsável, no ano de 2011, por 40,7% do
turismo emissivo doméstico brasileiro, ou seja, parte expressiva dos brasileiros que
fazem viagens domésticas residem nesta região, que se configura como o maior
mercado para a atividade. Considerando que a região concentra também a maior parte
da renda nacional, é de se esperar que parcela dessa demanda doméstica esteja sendo
redirecionada para o exterior14, movimento que certamente tende a diminuir com as
mudanças cambiais. Cabe também ressaltar que parte expressiva do fluxo doméstico
brasileiro se redistribui entre os destinos do próprio Sudeste (35,5%), indicando a
intensa concentração da atividade turística em termos regionais (Tabela 4).
13
Observa-se uma diferença entre os dados da conta turismo internacional em 2014 divulgados pelo
Banco Central do Brasil (US$ 6,9 milhões) e a OMT (US$ 6,8 milhões).
14
Informações que só poderão ser comprovadas a partir de novas pesquisas.
11
Tabela 4
Fonte: FIPE/MTur., 2012
Em um contexto de instabilidade econômica e política nacional, e também de
permanência ou intensificação do desaquecimento econômico em diversos países15, com
tendência a alta da moeda americana, as cidades brasileiras — caso os problemas
econômicos e políticos internos não assumam dimensões mais expressivas que as já
observadas — podem se beneficiar com uma migração da demanda nacional pelo
emissivo internacional para o mercado doméstico. Ou seja, parte dos brasileiros que
realizam viagens ao exterior pode redirecionar os seus roteiros para os destinos
turísticos nacionais. Porém, certamente, as áreas mais qualificadas, em termos não
apenas da disponibilidade de um amplo número de atrativos turísticos, mas, também,
em acessibilidade, divulgação, qualificação urbana — limpeza, segurança pública,
sinalização turística, etc., dentre outros —, serão aquelas eleitas por parcela expressiva
desta demanda.
15
A exemplo da Grécia e mesmo da China.
12
Já no segmento do turismo internacional, como sinalizado pela OMT, ao final dos
próximos quinze anos, as Américas deverão estar recebendo cerca de 150 a 248 milhões
de visitantes a mais do que o volume registrado em 201016. Os movimentos de
desconcentração e globalização econômica que requerem um maior intercâmbio entre
blocos econômicos e países, os avanços tecnológicos e as estratégias de captação de
turistas adotadas por operadoras de turismo e destinos turísticos situados nos mais
diversos pontos do planeta, a valorização das culturas, os “novos desejos” dos
consumidores do lazer, em que se inclui a busca pelo exótico, a percepção das viagens
como fonte de conhecimento e de reposição de energias diante dos desgastes da vida
cotidiana, a ampliação dos relacionamentos entre os povos, dentre outros fenômenos,
são fatores que estão impulsionando o turismo e que levaram a OMT a conceber um
cenário de crescimento para a atividade — de 2010 até 2030 —, em um contexto de
desaquecimento da economia global.
Estas perspectivas, que incluem a possibilidade de ampliação das distâncias médias
percorridas pelos visitantes internacionais, a valorização turística das novas
experiências, o reconhecimento da importância do território, compreendido enquanto o
“lócus” da realização da atividade turística, e do turismo urbano como um diferencial de
competitividade, propulsor de novas experiências e mote para a requalificação de
cidades estagnadas economicamente, vêm provocando o despontar de um novo cenário,
no qual a hegemonia do modelo convencional e dos espaços turísticos tradicionais passa
a ser questionada, abrindo novos espaços para países e destinos até então considerados
pouco expressivos no cenário do turismo mundial, a exemplo do Brasil e dos seus
centros urbanos e turísticos.
Há que se reconhecer que a importância do turismo nas cidades, espaços privilegiados
de concentração criativa, simbólica e produtiva, é hoje indiscutível. Buscando adaptarse à concorrência estabelecida na etapa atual de crescimento pós-industrial e de
globalização econômica e manter uma posição hierárquica relevante, as cidades têm
sido palco para a realização de grandes investimentos em infraestrutura, equipamentos e
serviços. O turismo, ao tempo em que se beneficia desses investimentos, tem
16
Panorama
OMT
Del
turismo
internacional,
Edição
2014.
http://dtxtq4w60xqpw.cloudfront.net/sites/all/files/pdf/unwto_highlights14_sp.pdf.
Disponível
em
13
possibilitado a que cidades, situadas nos mais distintos pontos do planeta, estejam
mantendo a sua competitividade urbana17, e, até mesmo, ampliando-a, e solucionando
questões desafiantes, como a recuperação do seu patrimônio histórico-cultural e a
sustentabilidade das suas áreas centrais, ainda que estas soluções não estejam isentas de
crítica e que algumas vezes possam servir como um alerta a não adoção de estratégias
similares em outras realidades.
A percepção do “valor do lugar”, de sua cultura, de sua identidade pela demanda
turística, em um cenário de intensa competitividade global, vem conduzindo à expansão
de novas modalidades de turismo associadas às cidades, e propiciando o fortalecimento
da segmentação turística. O crescimento do papel atribuído à cultura na definição dos
lugares e, mais especificamente, na composição de sua identidade, tem possibilitado a
que o turismo cultural se destaque como um segmento em franca expansão, um dos
grandes responsáveis pelo incremento da atividade turística mundial.
Aproveitando-se da valorização da cultura como um dos elementos centrais da oferta
turística, cidades, situadas nos mais distintos pontos do planeta, estão buscando
revitalizar e preservar o seu patrimônio cultural com vistas à ampliação da sua
competitividade urbano-turística. Outras têm buscado aliar os seus diferencias culturais
e naturais às potencialidades dos demais segmentos do turismo, como o de eventos
esportivos ou o de negócios. No Brasil, a exemplo, o Rio de Janeiro vem promovendo
uma requalificação urbano-turística centrada na valorização do patrimônio históricocultural e dos diferenciais da cidade para os segmentos do turismo de lazer, cultural e de
esportes; Recife, com o Complexo Turístico Eduardo Campos, que hoje compreende o
Centro de Artesanato, o Cais do Sertão, o projeto Armazéns do Porto, o Museu Passo do
Frevo e o Terminal Marítimo, tem ampliado o número de turistas, destacando-se
nacionalmente no receptivo de cruzeiros marítimos18. Fortaleza requalificou-se para o
17
Desde Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, às cidades europeias como Paris, Barcelona, Bilbao,
Málaga, Lisboa, norte-americanas, como Los Angeles e Nova Iorque, dentre outras.
18
Conforme o Secretário de Turismo de Pernambuco, Felipe Carreras, Recife recebeu cerca de 40 mil
turistas vindos através de cruzeiros marítimos em 2014 (Diário de Pernambuco, disponível em
http://www.diariodepernambuco.com.br/app/noticia/economia/2015/01/19/internas_economia,555559/em
-operacao-inedita-porto-do-recife-recebe-tres-transatlanticos-simultaneamente.shtml,
acesso
em
11/07/2015). No tocante aos visitantes estrangeiros, o Anuário Estatístico do Turismo 2015 revela que
Pernambuco foi o segundo estado no receptivo de turistas por via marítima em 2014, recebendo cerca de
13.837 visitantes estrangeiros, atrás apenas do Rio de Janeiro (27.542 turistas). Nesse mesmo ano, a
14
segmento de negócios e convenções, com o Centro de Convenções Edson Queiroz,
considerado um dos mais modernos espaços desse gênero na América Latina19,
inaugurado oficialmente em agosto de 2012, dotado de 15.200 m² de área, sendo
aproximadamente 13.000 m² climatizados, e estrutura com capacidade para receber até
cinco eventos simultâneos, nos seus sete blocos independentes e alguns sub-blocos,
abrigando palestras, feiras, shows, congressos, workshops, exposições, seminários,
eventos esportivos, entre outros.
Há que se observar, entretanto, que sendo o turismo um fenômeno genuinamente
territorial, que utiliza o território como espaço de consumo e de produção, impactando-o
e sendo por este impactado, positiva ou negativamente, o desenvolvimento turístico irá
pressupor mais do que a necessária qualificação e ampliação da atratividade da oferta
local. Para que o turismo contribua não apenas para um novo posicionamento das
cidades no mercado mundial, mas, sobretudo, para a melhoria da qualidade de vida dos
habitantes de uma dada cidade, com o alcance de novos indicadores sociais e
econômicos, faz-se necessária uma integração territorial, também compreendida como a
capacidade de organização socioeconômica e política do território.
Dada a importância do território para o turismo, a ocorrência do desenvolvimento
turístico, compreendido enquanto ‘[...] um processo de mudanças que permita superar
problemas e construir uma sociedade mais justa, com significativa redução da pobreza,
e vivendo com mais qualidade de vida [...] (SILVA, 2003, p. 162) irá requerer o
emprego de instrumentos que possibilitem aos destinos turísticos a transformação de
vantagens comparativas, baseadas no aproveitamento intensivo dos recursos turísticos,
em vantagens competitivas, pautadas na flexibilização da oferta e no uso racional dos
recursos (REBOLLO, 1996, p. 87). Ou seja, a adoção de mecanismos de gerenciamento
e ordenamento territorial do turismo que viabilizem a qualificação de espaços turísticos,
contribuindo
para
a
revitalização
de
áreas
degradadas,
possibilitando
ao
desenvolvimento turístico atuar como “um ponto de arranque para a correção de
desequilíbrios socioeconômicos e espaciais” (ID., 1996, p. 89).
Bahia registrou a entrada de 3 mil turistas estrangeiros por via marítima (Dados da Bahia obtidos na
Bahia Econômica. disponível em www.bahiaeconomica.com.br, acesso em 13/07/2015)
19 Pronunciamento de Silvio Pessoa, diretor-presidente da Rede Sol Express de Hotéis e Resorts à Bahia
Econômica,
em
06/07/2015.
Disponível
em
http://www.bahiaeconomica.com.br/coluna/_img/logo_2014.jpg em 08/07/2015. Acesso em 08/07/2015.
15
Em essência, o gerenciamento e o ordenamento territorial do turismo tornaram-se
grandes desafios para muitas cidades, concomitantemente ao crescimento das
expectativas para com o desenvolvimento do turismo urbano, e isso não apenas para as
urbes localizadas em países periféricos ou em desenvolvimento. Também nas
economias centrais espera-se que o desenvolvimento do turismo urbano possa
reequilibrar a economia urbana gerando novas e regenerando áreas defasadas.
Entretanto, para que essas ações possam obter sucesso como instrumentos de política
social, devem incorporar aspectos como a preocupação com a geração e manutenção de
empregos, redução da criminalidade, criação de um ambiente saudável, fornecimento de
moradia aos sem-teto, de transporte público, dentre outros. Ou seja, devem contemplar
não apenas os interesses do governo, das empresas ou dos turistas, mas dos diversos
segmentos representantes das comunidades locais na organização social e política do
território, o que se apresenta como um desafio ainda mais intenso quando se trata de
territórios permeados por conflitos políticos, econômicos e sociais, como os presentes
na cidade de Salvador.
Reunindo um conjunto de atributos propícios à exploração de diversos segmentos
turísticos, como o histórico-cultural, de lazer litorâneo, náutico, de eventos,
gastronômico, dentre outros, Salvador apresenta um amplo potencial para expansão da
economia do turismo. Para tanto, junto à superação de desafios estruturais, como os
referentes ao quadro social — mendicância, violência urbana20, marginalidade — e de
deficiências da infraestrutura urbana e turística — transporte urbano, sinalização
turística, limpeza urbana, acessibilidade aérea e terrestre, dentre outros —, deverá
potencializar os seus segmentos turísticos e reordenar a atividade turística, de forma a
que esta possa, de fato, ser um importante propulsor do desenvolvimento da cidade.
Em que pese a relevância do potencial existente, ainda são muitos os desafios para que
Salvador amplie a sua competitividade turística. De forma a subsidiar este processo,
contribuindo, efetivamente para a definição de proposições de políticas públicas
20 De acordo com pesquisa da Organização Não Governamental Conselho Cidadão para a Segurança
Pública e Justiça Penal, do México, a cidade de Salvador, em 2013, com 57,61 homicídios por 100 mil
habitantes, foi considerada a décima terceira cidade mais violenta do mundo.
http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2014/01/17/brasil-tem-16-cidades-entre-as-50mais-violentas-do-mundo-diz-ong-mexicana.htm. Acesso em 11/07/2015.
16
direcionadas ao incremento do turismo em Salvador, esse diagnóstico e prognóstico
tendencial pretende analisar o turismo da cidade a partir do ano 200021, identificando a
sua situação atual, os desafios que hoje se apresentam para essa atividade e indicando
proposições que possam vir a contribuir com o turismo de Salvador.
3. O Turismo em Salvador
Salvador, capital da Bahia, com uma população estimada em 2.902.927 habitantes e
uma área de 709,50 km222 (IBGE, 2014), é a principal metrópole da Região Nordeste do
Brasil, a terceira do país em população, e o mais importante centro econômico do
Estado.
Concebida como uma cidade fortificada destinada a sediar o governo colonial no Brasil
e a servir como entreposto comercial entre o Oriente e o Ocidente, graças a uma
conjunção de fatores atrelados a adequação das suas condições físicas e geográficas às
necessidades da economia mercantil, Salvador ocupou o papel de mais importante
cidade do hemisfério sul nos séculos XVII e XVIII, quando também assumia a condição
de Capital do Brasil23. Desse período, a cidade herdou um vasto patrimônio
arquitetônico que a permitiu receber o título de Cidade Patrimônio da Humanidade,
concedido pela Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura
(UNESCO) em 1985, e também um amplo legado cultural de origem africana, que a
tornaram peculiar em termos de musicalidade, de gastronomia, de religiosidade. O vasto
patrimônio histórico-cultural de Salvador, fruto das influências das culturas indígenas,
portuguesa e africana, além das de outros povos imigrantes, bem como às condições
climáticas — temperatura ao redor de 25º C — e físicas do seu espaço urbano, que
dispõe de aproximadamente 50 km de praias, correspondentes a 1/3 da costa da Baía de
Todos os Santos, conformam hoje uma cidade miscigenada, dotada de ampla beleza
natural e características próprias, que a diferenciam de outras urbes do país e do mundo,
singularizando-a e tornando-a atrativa para o turismo.
21
22
Retornando a períodos anteriores, a depender da necessidade de evidenciar fatos e ações.
Esse dado do IBGE incorpora a área marítima da Baía de Todos os Santos. Considerando apenas a parte terrestre,
ainda conforme o IBGE, Salvador possui uma área equivalente a 325 km2.
23
Salvador perdeu o título de capital brasileira para o Rio de Janeiro em 1763, apesar de ter mantido a sua influência
política no fim do período colonial e no decorrer do Império.
17
Em Salvador, o turismo expandiu-se gradualmente, ocupando, a princípio, as áreas mais
centrais da cidade e alguns pontos da Baía de Todos os Santos, sobretudo a estância
hidromineral de Itaparica. Com o avançar da industrialização no entorno metropolitano,
a região turística do Salvador amplia-se em direção ao Litoral Norte, de forma mais
intensa, também abraçando, com menor intensidade, os municípios do entorno da Baía.
Os investimentos públicos de maior expressão realizados no vetor norte da cidade,
sobretudo na infraestrutura de transporte, tenham sido estes implantados em decorrência
do advento da industrialização na RMS — iniciados nos anos 50 — ou do turismo —
mais recentes, implementados a partir da pavimentação da BA-099, Linha Verde, em
inícios dos anos 1990 —, ampliaram as articulações de Salvador com esta área,
possibilitando o processo de expansão urbano-turística, desencadeado a reboque da
expansão urbano-industrial.
Salvador mantém hoje fortes relações com o Litoral Norte, estando, inclusive,
praticamente conurbada com o município de Lauro de Freitas, registrando-se uma
intensa circulação de pessoas, capitais e mercadorias em grande parte desta área. Em
termos do turismo, especificamente, a Capital atua como elo central na distribuição de
fluxos para este subespaço turístico, batizado pelo órgão oficial de turismo da Bahia
como zona turística Costa dos Coqueiros, com o qual mantém estreitas relações.
Salvador exerce também o papel de centro turístico regional frente aos municípios da
Baía de Todos os Santos, sendo a grande responsável pela distribuição do fluxo de
visitantes para essa área.
3.1. Programas Estruturantes do Turismo da Bahia e de Salvador a partir de finais
dos anos 1990
Embora detendo uma oferta turística potencial rica e diversificada, apenas nos anos
1990, após defrontar-se com uma conjuntura adversa24, o turismo assume o status de
atividade econômica prioritária em Salvador, assim como na Bahia. Em inícios da
24
Crise do petróleo, crise fiscal, elevação dos juros internacionais, crescimento da dívida externa, crise da indústria
petroquímica desestimulando o segmento do turismo de negócios (QUEIROZ, 2007, p. 155).
18
década o governo do Estado realiza, com recursos próprios e de outras fontes25, uma
séria de investimentos no turismo baiano, concentrados, sobretudo, em Salvador, em
projetos tais como: recuperação do Centro Histórico (algumas áreas), Teatro Castro
Alves, Parque Metropolitano do Abaeté, Parque de Pituaçu e reforma, aperfeiçoamento
e modernização do Centro de Convenções, mas, também, em outros destinos turísticos,
a exemplo dos localizados na região do Litoral Norte.
Em meados do decênio de 1990, concomitantemente à implantação da Secretaria de
Turismo e Cultura, tem-se o inicio da liberação dos recursos do Programa de
Desenvolvimento do Turismo do Nordeste (Prodetur-NE), um programa de
financiamento do turismo dos estados do Nordeste, desenvolvido em parceria com o
BID, agente financiador, que envolveu na sua primeira fase — entre 1995 e 200526 —
investimentos equivalentes a US$ 625.966 mil, sendo 34% destes (US$ 251,011
milhões) aplicados na Bahia (BANCO DO NORDESTE DO BRASIL). Do montante
total investido no Nordeste do Brasil, o BID responsabilizou-se por 63,4% e 36,6%
foram contrapartida local — governos dos Estados, principalmente, e governo federal,
exclusivamente no item infraestrutura aeroportuária.
Na primeira fase do Prodetur, seguindo recomendações do Banco Interamericano, parte
expressiva dos recursos investidos na Bahia — cerca de 85% desse total — foram
aplicados em obras de infraestrutura, com destaque para os itens melhoramento de
aeroportos, tratamento de água e esgotos e transportes que representaram,
respectivamente, 36%, 26% e 23% dos investimentos realizados (Gráfico 1 ).
25
Banco Mundial (BIRD), Kreditanstalt Für Wiederaufban (KFB), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico
e Social (BNDES), Fundo Geral de Turismo (FUNGETUR) e, a partir de 1995, Banco Interamericano de
Desenvolvimento (BID) — QUEIROZ, 2002, p. 154.
26
Oficialmente a primeira fase do Prodetur deveria ter sido concluída em 2001, entretanto, alguns
projetos atrelados a este programa, foram concluídos em 2005.
19
Gráfico1 - Inversões públicas no período de vigência do
Prodetur/Bahia I (1995—2005)
Melhoramento de aeroportos
Tratamento de água e esgoto
Transportes (exceto aeroportos)
Recuperação do patrimônio histórico
Recuperação e proteção ambiental
Desenvolvimento institucional
Estudos e projetos
16,8%
35,5%
1,7%
4,3%
9,1%
5,9%
8,0%
Fonte: Banco do Nordeste, 2009.
A Baía de Todos os Santos foi, destacadamente, beneficiada com o aporte de recursos
públicos aplicados no turismo baiano durante o período de vigência do Prodetur I.
Aglutinou 41,13% do total investido, que foram direcionados, exclusivamente, para
projetos executados na capital baiana, em obras de recuperação do patrimônio cultural,
em menor proporção, ou infraestruturais, a exemplo da ampliação do Aeroporto
Internacional Deputado Luiz Eduardo Magalhães, que absorveu 92,01% do total
destinado à BTS (Tabela 5).
20
Tabela 5
Fonte: SUINVEST Abril 2003 in PDITS Baía de Todos os Santos, 2012.
O Prodetur-NE é um programa de longo prazo — duração prevista inicialmente para 20
anos —, concebido em duas fases e submetido a fiscalizações periódicas pelo agente
financiador, o BID. Na segunda etapa do programa, após a realização de um vasto leque
de obras infraestruturais, algumas, inclusive, de impacto negativo — como estradas e
aeroportos construídos sem um ordenamento turístico prévio da localidade receptora,
resultando em incremento do fluxo seguido por sérios problemas socioeconômicos,
como a favelização, ambientais e culturais —, o BID redirecionou o Prodetur que
passou a contemplar, com maior destaque, questões como a melhoria da qualidade de
vida da população, preservação cultural e ambiental, dentre outras. Um tópico que
também merece destaque no Prodetur II refere-se à participação efetiva das prefeituras
no programa. Desde a sua concepção inicial, o Prodetur pressupôs uma articulação entre
órgãos dos poderes públicos federal, estadual e municipal e a iniciativa privada,
entretanto, as prefeituras mostraram-se passivas no processo, recebendo obras, sem um
comprometimento maior quanto à criação de mecanismos de manutenção das inversões
efetuadas e de controle das suas áreas de competência. Como forma de garantir a
participação efetiva do poder municipal, tornou-se uma exigência para o município
continuar a obter financiamento ou para vir a consegui-lo, a comprovação do
atendimento de itens condicionantes, como um plano diretor, código de obras,
legislação ambiental, programa de limpeza urbana, mecanismos de controle e
treinamento de pessoal, dentre outros (QUEIROZ, 2007, p. 158-159).
As modificações introduzidas no Prodetur II foram, de fato, expressivas, com
repercussões, inclusive, no zoneamento territorial. Na primeira fase do programa, os
21
projetos contemplados deveriam estar inseridos em uma estratégia turística estadual,
sendo dispensável uma proposta de regionalização. Já na segunda fase, o zoneamento
territorial, antes uma estratégia isolada de alguns Estados, passou a ser uma condição
essencial à liberação dos recursos, sendo o financiamento vinculado a projetos que
estivessem compondo um plano de desenvolvimento local de uma dada região,
denominada pelo organismo internacional de “polo turístico”.
Como o conceito de polo turístico para o BID compreendia uma região geográfica mais
extensa que as áreas delimitadas pela então Secretaria de Turismo e Cultura para as
zonas turísticas estaduais, procedeu-se uma modificação no zoneamento territorial
baiano e o Estado passou a apresentar no Prodetur II, três polos litorâneos e o polo da
Chapada Diamantina (Figura 1). Foram concebidos mais dois polos pelo planejamento
turístico estadual — Caminhos do Oeste e São Francisco — e definida uma nova região
turística — Vale do Jequiriça — que, entretanto, não foram previstos para ser
contemplados pelos recursos liberados no Prodetur II (Quadro 1).
Quadro 1 — Programa de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur) — Polos
turísticos baianos
Polos Turísticos
Polos Tradicionais
Polo Salvador e Entorno
Polo Litoral Sul
Polo Costa do Descobrimento
Polo Chapada
Polos Não-Consolidados
Polo São Francisco
Polo Oeste
Zonas Turísticas
Baía de Todos os Santos e Costa dos Coqueiros
Costa do Cacau e Costa do Dendê
Costa do Descobrimento e Costa das Baleias
Circuito do Ouro, Circuito do Diamante e Chapada
Norte
Municípios de Paulo Afonso, Juazeiro,
Sobradinho, Casa Nova e Curaçá
Municípios de Barreiras, São Desidério,
Correntina, São Félix do Coribe
Fonte: QUEIROZ, 2007, p. 160.
Outra alteração sofrida pelo Prodetur na sua segunda fase refere-se à participação do
governo federal. Na primeira etapa do programa a União atuou como avalista, como em
qualquer operação de crédito internacional, tendo investido, exclusivamente, na
infraestrutura aeroportuária. A coordenação do Prodetur coube ao Banco do Nordeste,
agente financeiro do programa, responsável, dentre outras ações, pelo repasse dos
recursos para os Estados. No entanto, dada a dificuldade de arcarem com a contrapartida
exigida no acordo com o BID, os próprios Estados solicitaram ao governo federal que
aportasse recursos ao projeto, que passou a ter um duplo comando federal: do Banco do
22
Nordeste, tomador do empréstimo perante o BID, e do Ministério do Turismo,
responsável pela contrapartida dos recursos federais. Foi constituído um Grupo Técnico
(GT), composto desses dois organismos federais e uma empresa de consultoria
contratada pelo Banco do Nordeste, para análise e aprovação dos planos de
desenvolvimento de cada polo turístico — intitulado Plano de Desenvolvimento
Integrado do Turismo Sustentável (PDITS) — e dos projetos apresentados.
Figura 1 — Polos Turísticos da Bahia — Prodetur II
Fonte: QUEIROZ, 2007, p.123.
23
Como uma nova exigência do programa, que também passou a compreender os Estados
do Nordeste, norte do Espírito Santo e norte de Minas Gerais, fez-se necessário, que
além dos requisitos já citados, cada polo constituísse o seu Conselho de Turismo,
responsável pela aprovação dos PDITS, antes do seu encaminhamento aos GTs. Junto
aos Conselhos de Turismo, foram também criados Conselhos de Meio Ambiente em
cada polo baiano, em atendimento às deliberações do Prodetur II.
Em termos do volume de recursos envolvidos, o Prodetur Bahia II, programa iniciado
em 2005, envolveu investimentos equivalentes a US$ 85,56 milhões, com
financiamento do BID totalizado US$ 39 milhões, aplicados em três contratos: o 1º
contrato no montante de US$ 10.000.000,00, assinado em 22/12/2004, o 2º contrato no
montante de US$ 14.000.000,00, em 02/01/2006 e o 3º contrato no montante de US$
15.000.000,00, assinado em 12/06/2006. A contrapartida correspondeu ao valor total de
US$ 46.561.051 (PDITS, BTS, 2012). Os recursos foram aplicados em obras de
infraestrutura (46,7%), no patrimônio cultural (16,4%), em urbanização (14,5%), em
programas de abastecimento de água e saneamento (9,2%), e em ações direcionadas à
gestão de resíduos sólidos, planejamento estratégico, capacitação empresarial, gestão
municipal do turismo, proteção de recursos naturais e gestão administrativa e fiscal
(Gráfico 2).
Gráfico 2 – Distribuição setorial dos investimentos do Prodetur Bahia II
Obras de infra-estrutura
Urbanização
Capacitação profissional
Planejamento estratégico
Gestão municipal do turismo
Gestão administrativa e fiscal
Patrimônio cultural
Água e Saneamento
Gestão de resíduos sólidos
Capacitação empresarial
Proteção dos recursos naturais
46,7%
16,4%
0,8%
0,8%
1,0% 1,9%
2,0%
3,0%
3,7%
9,2%
14,5%
Fonte: Secretaria de Turismo, dez./2008.
24
No conjunto das Zonas Turísticas, a Baía de Todos os Santos absorveu 25,2% dos
investimentos (Gráfico 3), equivalendo a um total de US$ 21.578.450, envolvendo
projetos e obras de infraestrutura, com destaque para as obras de restauração de
importantes imóveis localizados no Centro Antigo de Salvador: Palácio Rio Branco,
Igreja e Cemitério do Pilar, Igreja do Boqueirão e Casa das Sete Mortes; para o projeto
de urbanização do polo turístico e hoteleiro de Armação e para a recuperação do Museu
Rodin.
Gráfico 3 - INVESTIMENTOS DO PRODETUR II
59,88% 25,22% 1,12% 4,31% 4,67% 4,58% 0,21% Fonte: SETUR, SUINVEST, 2012
A capital baiana absorveu praticamente sozinha — a exceção do município de Itaparica,
onde foram aplicados US$ 535.717 na execução das Obras de Urbanização Paisagística
e Funcional do Centro Histórico e Bica — o conjunto dos investimentos direcionados ao
patrimônio cultural da BTS (US$ 15.183.230 – 70,4% do total investido), concentrados,
em sua maior parte — afora o Museu Rodin — no Centro Antigo da Cidade (81,7% do
total aplicado no patrimônio histórico do município — Tabela 6). As inversões
canalizadas para Salvador, em seu conjunto, totalizaram US$ 20.197.471,0
correspondentes a 93,6% do volume aplicado na BTS. Além disso, Salvador foi também
contemplada com ações dirigidas ao conjunto da Zona Turística, como a implementação
do projeto de Fortalecimento Institucional do Órgão Gestor do Turismo e sua posterior
complementação, além do projeto de Capacitação Empresarial da Baía de Todos os
Santos (Tabela 6).
25
Tabela
6 – Investimentos do Prodetur Bahia II na Zona Turística Baía de Todos os
Santos
PROJETO
Recuperação do Palacete Bernardo Martins Catharino - Museu
Rodin
VALOR EM
US$
DATA DE
CONCLUSÃO
2.786.509
dez/06
Recuperação da Nova Sede do IPAC - 1ª e 2ª Etapas
1.989.201
abr/08
Recuperação do Forte Santo Antonio Alem do Carmo
1.598.252
dez/06
Recuperação do CHS (6ª ETAPA) - Casa das Sete Mortes
1.685.399
jul/10
Recuperação do CHS (6ª ETAPA) - Palácio Rio Branco
Recuperação do CHS (6ª ETAPA) - Igreja Nossa Senhora da
Conceição do Boqueirão
4.027.678
jun/10
1.513.143
fev/10
Recuperação do CHS (6ª ETAPA) - Igreja e Cemitério do Pilar
Atualização do Projeto de Recuperação do Centro Histórico de
Salvador -6ª Etapa
1.541.392
set/11
41.656
ago/07
Urbanização do Polo Turístico e Hoteleiro de Armação - 1ª Etapa
5.014.241
nov/10
535.717
nov/11
460.246
out/07
250.092
dez/11
134.924
dez/11
Execução das Obras de Urbanização Paisagística e Funcional do
Centro Histórico e da Bica de Itaparica
Implementação do Projeto de Fortalecimento Institucional do
Órgão Gestor do Turismo
Implementação do Projeto de Fortalecimento Institucional do
Órgão Gestor do Turismo - Complemento
Capacitação Empresarial da Baía de Todos os Santos
TOTAL
21.578.450
Fonte: Secretaria de Turismo, julho de 2015.
Em dezembro de 2009, com o Prodetur II ainda em vigência, a Bahia passa a figurar
entre os estados a serem contemplados com recursos do Programa de Desenvolvimento
do Turismo – Prodetur Nacional27. Este programa do Ministério do Turismo, com
financiamento internacional do BID e da CAF (Comissão Andina de Fomento), tem por
objetivo gerar condições que facilitem a consecução das metas do Plano Nacional de
Turismo 2007-2010, estendido, posteriormente, ao Plano 2011-2014, contribuindo para
aumentar a capacidade de competição dos destinos turísticos brasileiros; para fortalecer
a Política Nacional de Turismo alinhando os investimentos regionais, estaduais e
municipais a um modelo de desenvolvimento turístico nacional, por meio de gestão
27
As negociações foram iniciadas em 2008, segundo informações da Secretaria de Turismo do Estado.
26
pública descentralizada, participativa e em cooperação com os diferentes níveis da
administração pública28.
Com um raio de abrangência mais amplo em temos territoriais, o Prodetur Nacional
compreende como entidades elegíveis os estados brasileiros, o Distrito Federal, as
capitais e municípios com mais de um milhão de habitantes. Para aderir ao programa,
dentre outras condições, faz-se necessário que o estado ou município selecione as áreas
turísticas prioritárias para recebimento dos investimentos, para as quais deverá ser
elaborado um Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável (PDITS) —
a ser avalizado pelos respectivos Conselhos de Turismo — que orientará a execução do
financiamento.
Até abril de 2015 o Ministério do Turismo já havia articulado, através do Prodetur
Nacional, o investimento de US$ 483,5 milhões para obras estratégicas, havendo
expectativas por parte do organismo, de que o investimento previsto inicialmente, no
valor de US$ 1 bilhão, possa ser usado em sua integralidade para o desenvolvimento do
turismo no País. Por meio do MTur já foram elaborados 45 Planos de Desenvolvimento
Integrado do Turismo Sustentável (PDITS), atendendo mais de 350 municípios, 19
Planos de Fortalecimento Institucional da Gestão do Turismo, 27 Planos Diretores
Participativos (elaborados ou revisados), três Planos de Marketing e 15 Avaliações
Ambientais Estratégicas29.
Na Bahia, o Programa Nacional de Desenvolvimento do Turismo (Prodetur Nacional)
prevê investimentos totais de US$ 84,8 milhões, cerca de 208 milhões de reais — US$
50,8 milhões financiados pelo BID e os demais, contrapartida do governo baiano — a
serem aplicados em infraestrutura para o turismo náutico, capacitação profissional e
empresarial na Baía de Todos os Santos, na formação de novos roteiros, produtos
turísticos e inclusão produtiva da população local.
A área de abrangência do Programa beneficia 17 municípios turísticos da BTS, além de
Simões Filho que, embora não seja considerado um município turístico, foi incluído no
28
Disponível
em
http://www.turismo.gov.br/assuntos/72-convenios/4859-programa-nacional-dedesenvolvimento-do-turismo-prodetur-nacional-programacao.html, acesso em 2/07/2015.
29
Disponível
em
http://www.abeoc.org.br/2015/04/iii-encontro-do-prodetur-nacional-discuteinvestimentos-estrategicos-no-turismo-brasileiro, acesso em 12/07/2015.
27
Prodetur Nacional por sua vocação especial para a náutica. Para uma melhor
operacionalização do Programa, esses 18 municípios foram divididos em quatro áreas
geográficas e classificados de acordo com o potencial turístico náutico e cultural. São
eles: Salvador, Candeias, Madre de Deus, São Francisco do Conde, Simões Filho,
Itaparica, Vera Cruz, Salinas da Margarida e Saubara (Quadro 2 e Figura 2) .
Quadro 2 — Programa de Desenvolvimento do Turismo Nacional - Bahia
Áreas Geográficas
Metropolitana I
Municípios contemplados
Salvador, São Francisco do Conde, Candeias,
Madre de Deus, Simões Filho
Metropolitana II
Itaparica, Vera Cruz, Salinas da Margarida,
Saubara
Recôncavo
Maragogipe, Cachoeira, São Félix, Santo Amaro,
Muritiba
Recôncavo Sul
Jaguaripe, Aratuípe
Fonte: Setur, 2015, disponível em http://www.prodeturbahia.turismo.ba.gov.br/projetos-e-acoes/, acesso
em 12/07/2015.
Figura 2 - Prodetur Nacional - Bahia
Fonte: Setur, 2015, disponível em http://www.prodeturbahia.turismo.ba.gov.br/projetos-e-acoes/, acesso
em 12/07/2015
28
Entre as ações previstas no Prodetur Nacional estão a implantação do Trem Cultural
Santo Amaro-Cachoeira, do Projeto Oceanário de Salvador (estudos de localização e
projetos), requalificação de áreas turísticas, a exemplo da Praça Castro Alves, da orla da
Cidade Baixa, e da Via de Contorno da BTS, que deve ligar os principais municípios,
favorecendo o fluxo de turistas na Baía. A capital baiana também contará com
importantes intervenções como a requalificação do entorno das ruas Chile, Rui Barbosa
e Praça do Tesouro, que ganharão iluminação subterrânea e pavimentação. As melhorias
incluem ainda a implantação de uma feira de antiguidades na região e construção de um
gradil artístico para o Museu da Cultura Afro Brasileira (Mucab).
Na infraestrutura náutica da Baía de Todos os Santos os projetos preveem a construção
e recuperação de atracadouros, píeres e terminais hidroviários, além de outras ações
como a capacitação profissional para atender à demanda náutica e a qualificação
profissional, passando pelo estimulo e fortalecimento da cadeia produtiva e pela
produção e operacionalização de pequenas embarcações, que poderão fazer parte de
novos roteiros do turismo náutico. Esses roteiros vão beneficiar os municípios que
integram a BTS, dentre os quais Salvador, abrangendo áreas como o Porto da Barra,
Península de Itapagipe e Subúrbio Ferroviário. Está também prevista a implantação de
um balcão de serviços, o SAC Náutico, que viabilizará a regularização de embarcações
vindas de outro país, reduzindo o tempo de espera, que atualmente é de três dias, para
duas horas, reduzindo a burocracia e a lentidão para a emissão de documentos, hoje um
dos entraves para a chegada de embarcações de turismo na Bahia (Quadro 3).30
30
Disponível
em
http://bahia.com.br/noticias/bahia-incluida-no-prodetur-nacional/,
acesso
em
12/07/2015.
29
Quadro 3 — Programa de Desenvolvimento do Turismo Nacional - Bahia
Projetos e Ações Previstas
Projeto
Projeto Integrado de Intervenção Náutica
Recuperação do Patrimônio Cultural
Qualificação Profissional e Empresarial
Sinalização
Implantação do Distrito Cultural Turístico da BTS
Plano de Marketing
Fortalecimento da Gestão Turística Municipal
Implantação de infraestrutura e serviços básicos
Ações Previstas
Implantação de Receptivos Turísticos (Bases Náuticas e
Pontos de Apoio ao Turista); implantação e recuperação
de equipamentos náuticos existentes; implantação do
SAC Náutico; implantação de Sistema de Transporte
Turístico Náutico; qualificação profissional para o
Turismo Náutico; capacitação profissional para o
Turismo Náutico; criação de empresas incubadoras para
o Turismo Náutico; implantação de Nova Roteirização
do Turismo Náutico.
Requalificação do entorno da Rua Chile (Rui Barbosa,
D’Ajuda, Tesouro e transversais) com implantação de
estacionamento na Rua do Tesouro e de Feira de
Antiguidades; recuperação das instalações físicas do
Museu Wanderley de Pinho, em Candeia; urbanização
da Orla de São Félix; construção do Centro de
Documentação e Memória da Cultura Negra do
Recôncavo, em Cachoeira.
Qualificação profissional para o Turismo Náutico;
capacitação empresarial para o Turismo Náutico;
capacitação empresarial para o Turismo Cultural;
qualificação profissional para o Turismo Cultural;
qualificação profissional dirigido à Produção Associada
ao Turismo; capacitação empresarial dirigido à
Produção Associada ao Turismo
Sinalização
rodoviária;
sinalização
turística
(interpretativa); sinalização marítima (balizamento).
Implantação de sistema de governança; criação de
portfólio de Produtos Culturais Criativos; qualificação
profissional para Produtos Culturais Criativos;
capacitação profissional para Produtos Culturais
Criativos; criação de empresas incubadoras Produtos
Culturais Criativos; nova roteirização de Produtos
Culturais Criativos.
Elaboração do Plano de Marketing; implantação do
Plano de Marketing; criação de instrumentos para
avaliação e monitoramento da eficiência dos canais de
comercialização; planejamento para patrocínio e apoio a
eventos náuticos e culturais na BTS.
Implantação do Sistema Informações e Estatísticas
Turísticas da Bahia; elaboração do Plano Integrado de
Modernização da Gestão da Informação Municipal na
BTS – Cidades Digitais.
Implantação do Plano de Gestão Integrada de Resíduos
Sólidos da BTS; desenvolvimento de Central de
Captação de Dejetos Sólidos produzidos pelas
embarcações.
Fonte: Setur, 2015, disponível em http://www.prodeturbahia.turismo.ba.gov.br/projetos-e-acoes/, acesso
em 12/07/2015.
Os recursos do Prodetur Nacional Bahia, cujas negociações foram iniciadas em 2008,
não foram liberados até este momento (julho/2015), estando na dependência de um
aditivo de aprovação da alteração contratual, com perspectivas da sua ocorrência ainda
este ano (SETUR, Brandão, informação verbal, 13/07/2015).
30
Além dos projetos definidos pelo Governo do Estado, o município de Salvador também
deverá ser contemplado com uma contratação específica realizada no âmbito do
Prodetur Nacional. Com investimentos negociados da ordem de US$ 105 milhões,
Salvador poderá ser o primeiro município brasileiro a receber recursos diretos do BID,
cujas contratações, até então, eram travadas diretamente com os governos estaduais.
Para tanto, o município, através da Secretaria de Cultura e Turismo, atualizou em 2014
o seu Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável — cuja primeira
versão é de 2011 —, condição imprescindível, como visto, para adesão ao programa.
Dentre o projetos que devem ser contemplado pelo Prodetur Nacional Salvador estão a
construção do Museu da Música, melhorias da faixa da orla que vai de Itapuã à praia de
Ipitanga, ações voltadas para a revitalização do Centro Antigo, capacitação de
servidores municipais e a construção de uma passarela para pedestres e ciclistas,
passando por trás do monumento do Cristo, na Barra, que fará a ligação entre este bairro
e o de Ondina31.
3.2. Resultados Alcançados pelo Turismo em Salvador
Desde finais dos anos 1990 Salvador vem recebendo um aporte de recursos expressivos
direcionados à requalificação da atividade turística. Entretanto, a falta de manutenção
desses investimentos e de realização de programa e ações complementares — fruto,
dentre outros aspectos, de mudanças política que ocasionaram a descontinuidade, ainda
que temporária, das ações estaduais, de gestões municipais descomprometidas com a
qualificação da cidade, das crises internacionais e de seus rebatimentos para o país,
dentre os quais, o afastamento de investidores e de potenciais turistas —, aliado a
fatores como o surgimento e/ou fortalecimento de destinos concorrentes, o crescimento
da violência urbana32, o quadro de concentração sócio-espacial da renda no município, o
interesse dos brasileiros por viagens ao exterior, entre outros, conduziram a que as
inversões no turismo de Salvador, embora significativas e desencadeadoras de um
31
Disponível em Bahia 247, http://www.brasil247.com/pt/247/bahia247/167863/Salvador-ser%C3%A1primeiro-munic%C3%ADpio-no-Prodetur.htm, acesso em 13/07/2015.
32
Além das informações da ONG Conselho Cidadão, citadas anteriormente, conforme a relação das 500
cidade mais perigosas do Brasil, divulgadas em julho de 2014 pela Revista Exame, Salvador, com 60,6
homicídios em 2012, está classificada como a 156 cidade mais perigosa do país. Vale registrar que o Rio
de
Janeiro
e
São
Paulo
não
aparecem
nesta
relação
(disponível
em
http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/as-500-cidades-mais-violentas-do-brasil-versao-2014, acesso em
2/07/2015).
31
conjunto de investimentos privados, possam não ter resultado em uma elevação
expressiva da competitividade do destino frente à potencialidade existente para os mais
distintos segmentos turísticos: náutico, cultural, de lazer marítimo, de negócios,
religioso, etc., trazendo reflexos para os indicadores de desempenho do turismo,
sobretudo no que se refere ao segmento do receptivo internacional, aos resultados do
setor hoteleiro, do segmento de negócios, congressos e convenções, do movimento de
cruzeiros marítimo, dentre outros.
3.2.1. Os Segmentos do Turismo Internacional, Doméstico e Global
Conforme indicadores do PDITS Salvador, o fluxo de turistas domésticos para a capital
apresentou um crescimento relativamente contínuo entre os anos 2000 e 2011,
registrando-se a chegada de 3,36 milhões de visitantes brasileiros neste último ano. O
fluxo de estrangeiros, entretanto, correspondente a cerca de 370 mil visitantes em 2011,
tendeu a apresentar maiores picos de ascensão e declínio (Gráfico 4).
Gráfico 4 - Fluxo de Turistas Salvador - 2000 a 2011 (em milhões)
Fonte: IPEAData e SETAD; elaboração PDITS SA, 2015
Já a receita turística propiciada pelos visitantes que buscam a capital, após crescer de
7,7% para 10,61% entre 2000 e 2003, caiu sistematicamente até alcançar os 5,66% em
2010 e voltar a crescer de forma mais moderada atingindo os 6,43% em 2011.
Conforme comparativo realizado pelo PDITS Salvador, com base na receita corrigida
pelo deflator implícito do PIB (base 2008) e na taxa de câmbio vigente em cada ano,
32
mecanismo que possibilita uma analise mais detalhada do comportamento da receita
turística, retirando o efeito da inflação, observa-se que entre os anos 2000 e 2009 o
volume de recursos gastos pelos turistas em Salvador aumentou nos períodos em que se
registrou uma desvalorização do real (de 2000 a 2003), enquanto que em momentos de
valorização da moeda brasileira houve uma retração da receita turística, provavelmente,
como já visto, em função do incremento da saída de brasileiros do país e da perda de
competitividade do destino Salvador frente a outros centros turísticos nordestinos, de
outras regiões do Brasil e de outros pontos do planeta. De 2009 para 2010, no entanto,
esse padrão foi interrompido observando-se um aumento da receita, mesmo com a
valorização do real; já no ano seguinte, esse indicadora volta a cair, acompanhando a
evolução da moeda (Gráfico 5).
Gráfico 5 - Taxa de câmbio (R$/US$) e receita turística (R$ milhões)*
Fonte: IPEAData, elaboração PDITS SA.
* Os valores foram corrigidos pelo Deflator Implícito do PIB para preços de 2008.
Estimativas do PDITS Salvador indicam que em 2011 o turismo respondeu por 6,43%
do PIB municipal, ficando aquém dos resultados de 2003, ano de maior crescimento do
turismo da capital, tanto em termos do fluxo quanto da receita gerada (Gráfico 6)
33
Gráfico 6 - Participação da receita turística no PIB municipal de Salvador (%) 2000 a 2011
Fonte: IPEAData e SETAD; elaboração PITS SA 2015.
Além dos dados de fluxo, receita e participação no PIB, divulgados no PDITS Salvador,
optou-se por utilizar, dentre as fontes de informações, outras fontes disponíveis que
permitem analisar mais detalhadamente o comportamento do turismo na capital, sejam
estas realizadas pelo Ministério do Turismo, pela FIPE, pela SETUR, pela Prefeitura
Municipal do Salvador, e, em adição, dados do Anuário Estatístico da Embratur. Nesse
sentido, conforme a pesquisa de demanda turística internacional realizada pelo
Ministério do Turismo, Salvador não está relacionada dentre os cinco destinos mais
visitados do Brasil pelos turistas estrangeiros entre 2007 e 2013, tanto no que se refere
ao grupo que teve o lazer como razão central para o deslocamento, quanto para aqueles
que vieram motivados pelo segmento de negócios, eventos e convenções ou mesmo no
conjunto dos atraídos por outras motivações (Tabela 7).
Ainda tomando como referencial as pesquisas do Ministério do Turismo, nesse caso, o
estudo Demanda Internacional Receptivo 2006/2012, Relatório de Resultados, observase que ao longo desses anos, a participação de Salvador mantém-se entre a sexta e a
quinta posição no ranking dos destinos mais visitados pelos estrangeiros em viagem ao
país, tendo como motivação central o lazer. Assim, embora não conste na listagem dos
destinos mais visitados entre 2007 e 2013, dado que o ranking do MTur segue o
posicionamento do último ano analisado, a capital baiana aparece na quinta posição nos
anos de 2006 a 2008 e em 2011. Verifica-se, entretanto, que no comparativo 2006/2012,
Salvador reduz a sua participação de 11,4% para 6,2% no conjunto dos mais visitados
34
(Tabela 8). Dentre os destinos mais procurados pelos turistas a lazer, o Rio de Janeiro se
destaca em todos os anos analisados, visitado por cerca de 29% dos turistas
internacionais que passam pelo país tendo esta como principal motivação. É importante
registrar que a evolução dos destinos do Sul e Sudeste tem íntima relação com o número
de turistas da América do Sul, especialmente os residentes na Argentina, que visitaram
o Brasil nos últimos anos.
Tabela 7
Destinos mais visitados do Brasil por turistas estrangeiros (em %)
Segmentos/Motivação
2007
2008
2009
2010
2011
2012
2013
Rio de Janeiro - RJ
30,2
29,1
30,0
27,3
26,7
29,6
30,2
Florianópolis - SC
15,3
16,9
16,7
19,3
19,7
18,1
18,7
Foz do Iguaçu - PR
16,1
19,0
21,4
23,4
19,8
17,3
17,0
São Paulo - SP
13,7
14,9
11,5
9,9
11,0
10,5
10,7
Armação dos Búzios - RJ
Negócios, eventos e
convenções
São Paulo - SP
6,4
6,2
7,9
7,5
6,4
7,9
8,3
52,5
53,8
48,8
51,3
51,6
48,3
47,6
Rio de Janeiro - RJ
24,7
20,4
24,9
23,9
24,4
23,9
24,4
Lazer
(%)
Curitiba - PR
5,1
4,6
3,7
4,8
4,9
4,4
4,7
Porto Alegre - RS
5,4
5,0
4,9
4,6
3,7
4,1
4,7
Campinas - SP
3,9
3,9
3,8
3,5
3,6
3,5
3,8
Outros motivos
(%)
Rio de Janeiro - RJ
19,8
19,7
21,6
22,5
22,1
20,6
29,7
São Paulo - SP
30,2
30,3
27,3
30,2
30,0
28,5
28,4
Foz do Iguaçu - PR
7,5
5,5
5,5
4,8
5,6
5,8
5,9
Belo Horizonte - MG
6,7
5,7
6,5
6,3
5,9
5,5
5,6
Curitiba - PR
10,1
5,8
5,4
5,8
5,5
5,3
Fonte: Perfil da Demanda Turística Internacional, 2007-2013, MTur, disponível
http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/dadosefatos/demanda_turistica/internacional,
acesso
14/07/2015.
5,2
em
em
35
Tabela 8
Fonte:
MTur/ FIPE - Estudo da Demanda Turística Internacional - 2006-2012
Tabela 9
Fonte: MTur/ FIPE - Estudo da Demanda Turística Internacional - 2006-2012
Há também que se ressaltar que Salvador aparece dentre os cinco destinos mais
visitados em 2012, para turistas motivados pelo lazer oriundos dos Estados Unidos, da
36
Alemanha, da Itália, da França, da Espanha e de Portugal (Tabela 9). Um trabalho mais
intenso de promoção do destino nesses países poderá trazer resultados favoráveis ao
turismo local.
No segmento de negócios, eventos e convenções, a participação de Salvador é ainda
menos expressiva do que no do lazer, mantendo-se, nesse caso, entre a nona e a oitava
posição, e também apresentando retração no conjunto dos mais visitados — passando
de 3,3% para 2,8% — se comparados os anos de 2006 e 2012. São Paulo lidera este
segmento, sendo visitado por cerca de metade dos turistas internacionais que buscam o
Brasil tendo os negócios, eventos e convenções como fator propulsor das viagens. Afora
o Rio de Janeiro, segundo colocado, com um volume de turistas cerca de 50% inferior
ao apresentado pela capital paulista, atualmente nenhum outro município tem
representatividade superior a 5% neste segmento turístico, indicando uma grande
polarização no eixo Rio de Janeiro-São Paulo para os turistas a negócios (Tabela 10).
Para ampliar a sua participação nos negócios, eventos e convenções, Salvador terá que
equipar-se, requalificando o atual espaço público destinado ao segmento ou, em adição,
implantando um novo espaço no Centro Antigo da Cidade. No Nordeste, o município de
Fortaleza requalificou-se para o segmento, como citado anteriormente, inaugurando em
2012 o centro de convenções Edson Queiroz, considerado um dos mais modernos
espaços desse gênero na América Latina. João Pessoa também dispõe de um novo
centro de convenções, dotado de um centro de congressos com 13.642 m² de área
construída e capacidade para abrigar 7.500 pessoas em ambiente que pode ser dividido
em 23 salas, além de diversos outros espaços e equipamentos integrados, a exemplo de
um teatro em construção. Maceió requalificou o seu centro de convenções, com
ampliação de espaços e climatização do equipamento33.
33
Disponível em: http://www.paraiba.pb.gov.br/ricardo-apresenta-a-imprensa-2a-etapa-do-centro-deconvencoes/#sthash.yppPFLg9.dpuf;
e
em
http://www.brasilturis.com.br/noticias.php?id=14956&noticia=maceio-(al)-recebe-congressosinternacionais-em-20, acesso em 04/07/2015.
37
Tabela 10
Fonte: MTur/ FIPE - Estudo da Demanda Turística Internacional - 2006-2012
No segmento de "outras motivações", Salvador também desponta ente a quinta e a sexta
posição, registrando uma perda de participação entre 2006 e 2012, passando de 6,4%
para 5,3%. São Paulo e Rio de Janeiro destacam-se, mais uma vez, como as cidades
mais visitadas por turistas internacionais em viagens por outros motivos além do lazer
ou negócios, congressos e convenções (28,5% e 20,6%, em 2012, respectivamente). Na
análise desses dados, a principal justificativa apontada pelo MTur para tal classificação
refere-se ao tamanho da população desses municípios, aspecto determinante na
realização de visitas a amigos e parentes, que por sua vez é o principal componente
desse segmento (Tabela 11).
Tabela 11
Fonte: MTur/ FIPE - Estudo da Demanda Turística Internacional - 2006-2012.
Uma avaliação também importante derivada das pesquisas de demanda turística
internacional do MTur refere-se aos aspectos avaliados positivamente no turismo de
38
Salvador entre 2006 a 2012. A hospitalidade, a gastronomia local e os restaurantes
receberam os melhores índices de avaliação positiva em Salvador, superiores a 90% em
2012. Vale ressaltar, contudo, que com exceção da gastronomia da localidade, que subiu
2,5 pontos ao se comparar os anos de 2006 e 2012, todos os outros itens pesquisados
decaíram em sua avaliação. Os preços, a limpeza pública e o transporte público foram
os que mais tiveram sua avaliação positiva reduzida, tendo decaído 27,7, 23,8 e 21,8
pontos percentuais, respectivamente. Com relação à limpeza pública da localidade, mais
da metade dos turistas a consideraram ruim ou muito ruim. As rodovias também foram
criticadas pelos turistas de Salvador, tendo sido consideradas boas ou muito boas por
apenas 57,5% dos visitantes do município, em 2012 (Tabela 12).
Tabela 12
Avaliação positiva - Salvador - 2006 a 2012 (%)
Fonte: MTur/ FIPE - Estudo da Demanda Turística Internacional - 2006-2012.
Em Salvador, assim como no estado da Bahia, o segmento do turismo internacional
ainda possui pouca representatividade. Conforme o Anuário Estatístico da Embratur, a
Bahia recebeu 145.666 turistas estrangeiros em 2014, com um crescimento de 13% em
relação ao ano anterior, correspondendo a 2,3% do fluxo para o Brasil; em 2014, ano da
Copa do Mundo, o país registrou a entrada de 6.429.852 turistas internacionais,
39
superando, pela primeira vez, a marca dos 6 milhões de estrangeiros.
Já o movimento de passageiros em voos internacionais no aeroporto Luiz Eduardo
Magalhães (embarcados e desembarcados), equivaleu a 313,5 mil em 2014, resultado
inferior em 2% ao do ano de 2013 (Tabela 13). Observa-se, entretanto, que, de forma
geral (fluxo internacional e doméstico), os desembarques na capital baiana no ano da
Copa superam os embarques (Tabela 14), movimento que, inclusive, pode explicar o
declínio no número de passageiros em voos internacionais no ano passado. De forma
geral, os desembarques aéreos em Salvador apresentaram um crescimento de quase 10%
no confronto dos dados de 2014 com os de 2013.
Tabela 13
Tabela 14
Em termos do fluxo global (internacional e doméstico), conforme estimativas da Setur
para o Estado da Bahia, este indicador vem apresentando um crescimento anual, tendo
alcançado, em 2014, um total de 14,5 milhões de turistas, superior em cerca de 11% ao
resultado de 2011 (Gráfico 7 ). No mercado doméstico, o turista que visita o Estado, na
sua maioria (55%), é procedente da própria Bahia, e, com maior distanciamento, dos
estados do Sudeste, São Paulo (14,1%), Minas Gerais (6,6%) e Rio de Janeiro (4,9%),
de vizinhos nordestinos, como Sergipe (2,5%), entre outros.
40
Gráfico 7
Fonte: Observatório de Turismo da Bahia, Indicadores de Desempenho, Panorama da Oferta, 2014.
No segmento do turismo internacional, a proximidade em termos geográficos é um fator
também importante, com uma maior atração de visitantes oriundos da Argentina
(25,5%), seguida da França (11,5%), EUA (8,4%), Itália (7,1%), dentre outros (Gráfico
7).
Gráfico 8 - Principais Mercados Emissores Internacionais para a Bahia
Fonte: Observatório de Turismo da Bahia, Perfil da Demanda, Pesquisa FIPE, 2014.
41
Embora os dados do quantitativo do fluxo turístico divulgadas pela Setur não estejam
disponíveis para Salvador até 201434, as pesquisas de turismo receptivo realizadas pela
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), em 2011, e por uma empresa
especializada, fruto de convênio celebrado entre a Prefeitura Municipal de Salvador
(PMS)/Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Cultura e a Associação Brasileira da
Indústria de Hotéis – ABIH - Bahia, no período de 07 a 13 de outubro de 2014,
possibilitam, dentre outras, a análise do perfil do visitante à capital baiana.
Conforme a FIPE, identicamente aos resultados apresentados para o conjunto do Estado,
a Bahia é o grande emissor de turistas para Salvador (46,3%), município que mantém
amplas conexões com as áreas interioranas, seja em função do seu papel de principal
centro econômico, administrativo e de serviços estadual, seja pelas relações travadas
entre os seus residentes e moradores de outras localidades baianas. Em seguida,
aparecem os dois maiores responsáveis pelo consumo turístico no país, os estados de
São Paulo (18,3%) e do Rio de Janeiro (6,8%), além do estado vizinho de Sergipe, ao
qual o município de Salvador se encontra interligado pela Ba-099, a Linha Verde (6%) Gráfico 9.
Gráfico 9 - Origem dos Turistas por Estado de Residência – 2011
Fonte: Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – FIPE. 2011, disponível no PDITS Salvador, 2015.
34
Tem-se apenas as projeções do PDITS Salvador até 201, divulgadas anteriormente.
42
Ratificando os dados da FIPE, a pesquisa da PMS, indica que 86,8% dos turistas em
visita a Salvador são brasileiros, oriundos de outros municípios baianos (52,4%), dos
estados de São Paulo (10,2%), Rio de Janeiro (6,2%), Minas Gerais (4,4%),
Pernambuco (3,4%) e Sergipe (3,1%).
No segmento do mercado turístico internacional, a Argentina, líder nas emissões para a
Bahia, ocupa a segunda posição no emissivo para Salvador (responsável por 12,4% do
fluxo de estrangeiros), cuja liderança, conforme a FIPE, está a cargo da Espanha (9,2%).
As terceira, quarta, quinta e sexta posições foram assumidas, respectivamente, pela
Itália (10,8%), França (10,3%), EUA (8,4%) e Alemanha (7,9%) — Gráfico 10.
Na pesquisa realizada pela PMS, entretanto, a liderança do mercado internacional coube
à Alemanha (16,8%), seguida pelos Estados Unidos e Argentina (ambos com 9,1%),
França, Portugal e Suiça, também empatados com 8,2% cada, Itália (7,2%), Bélgica
(5,8%) e Espanha (5,3%).
Gráfico 10 - Origem dos Turistas Internacionais – 2011
Fonte: Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – FIPE. 2011
O perfil do turista que vem a Salvador, segundo a FIPE, corresponde ao pertencente a
um grupo majoritariamente composto por visitantes do sexo masculino (55%), com
segundo grau completo ou ensino superior (65,6%), e, em grande parte, com uma faixa
etária entre 25 a 40 anos de idade (44,5%) — Tabela 15. A pesquisa da PMS apresenta
resultados similares, indicando maioria de turistas do sexo masculino (53,8%), entre os
26 e os 50 anos de idade, com ensino médio completo ou ensino superior.
43
Tabela 15
Fonte: Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – FIPE. 2011
No tocante à ocupação e renda, 46,2% dos entrevistados pela FIPE são autônomos, com
renda média individual de R$4.475,58. Na pesquisa da PMS a renda média identificada
equivale a R$4.889,00, assemelhando-se à divulgada pela Fundação; já a principal
ocupação registrada na segunda pesquisa é a de empregados do setor privado, grupo no
qual foram enquadrados 33,7% dos visitantes que fizeram parte da enquete.
A média de gastos no município situou-se em R$ 904,68, na pesquisa da FIPE, e em R$
1.166,00 na coordenada pela PMS. A análise da composição dos gastos levantada por
esta última fonte indica que os itens em que os visitantes despendem um maior
percentual dos seus recursos são: alimentação (33,99%); transporte dentro de Salvador
(26,03%); compras (22,37%) e hospedagem (14,25%). Os gastos com espetáculos
musicais/ de dança/ teatros e museus correspondem a apenas 2,52% e com guias e
excursões, a 0,83%. Esses turistas realizaram, em média, de um a quatro pernoites
(66,4% dos entrevistados), segundo a pesquisa da FIPE e de 1 a 5 pernoites (80%)
conforme a PMS.
O percentual gasto com hospedagem, inferior a itens como alimentação e transporte no
perímetro municipal, pode ser justificado pela elevada participação de visitantes que
buscam a capital baiana motivados pelas visitas a amigos e parentes (33,3% - FIPE,
28,7% PMS). Outro forte elemento de motivação das viagens à Salvador são os
negócios e trabalhos (apontado por 40,5% na pesquisa FIPE, e por 27,8% na da PMS).
Já o principal fator de influencia para a decisão da viagem são as informações de
44
colegas, amigos e parentes, revelando o pequeno alcance do trabalho de promoção do
destino junto aos turistas que frequentam a capital. Nas duas pesquisas a avaliação de
Salvador é positiva e mais de 90% dos entrevistados pretendem retornar e recomendam
a cidade para outras pessoas.
Na avaliação dos atrativos, conforme a pesquisa da PMS, o Centro Histórico de
Salvador foi o que obteve um maior índice de avaliação boa ou ótima (35,8%), seguido
das praias, que foram consideradas ótimas por 22,8% dos turistas nacionais e 24% dos
turistas internacionais. Esse item merece uma ampla reflexão: a maior parte dos
visitantes que vem a capital baiana não considera os seus atrativos principais como
ótimos. Faltam, entretanto, pesquisas complementares que indiquem as razões para esse
enquadramento.
Como identificado no Estudo da Demanda Turística Internacional - 2006-2012, da
FIPE, os itens que mais agradam, de fato, em Salvador, são a hospitalidade dos baianos
— conceituada como ótima e boa por 83,3% do conjunto dos turistas e por 89,4% dos
estrangeiros; e a gastronomia típica, também enquadrada nesses dois conceitos por
69,7% dos entrevistados e por 80,3% dos estrangeiros. Em seguida aparecem o
artesanato e produtos locais avaliados como ótimos e bons por 38,9% dos turistas e por
55,8% dos visitantes internacionais.
Merecem também um destaque os esportes náuticos e os passeios pela baía/ilhas, não
avaliados — e, possivelmente, não demandados —, por 92,1% dos entrevistados e por
84,1% dos oriundos de outras nações.
Quanto aos equipamentos e serviços, ainda segundo a pesquisa da PMS, os bares e
restaurantes foram enquadrados como ótimo/bons por 70,6% dos entrevistados; o
comércio/compras por 50,5%; os serviços de táxi por 46,3%; os meios de hospedagem
por 41,0% — junto aos estrangeiros, por 64,4%. Cerca de 90% não souberam avaliar os
serviços de guias e excursões, o que talvez seja um indicativo da sua baixa utilização.
Também nesse conjunto observa-se a existência de um amplo espaço para melhorias, de
forma a que a satisfação do turista seja mais plenamente atendida.
45
Os menores percentuais de agrado, entretanto, foram reservados para itens da
infraestrutura, como o terminal marítimo, avaliado como bom ou ótimo por somente
11,1% dos entrevistados, seguido de ônibus urbano (17%). Já as maiores satisfações
nesse tópico — ainda que para menos da metade dos entrevistados — ficaram a cargo
do aeroporto, avaliado como ótimo/bom por 47,2% e da sinalização turística (por
46,1%). A limpeza urbana e a segurança pública foram enquadradas em idêntico
conceito por, respectivamente, 35,9% e 29,2% dos participantes da pesquisa, revelando,
mais uma vez, a necessidade de ações específicas que conduzam a melhoria da
infraestrutura da cidade, tanto para os residentes quanto para os visitantes.
3.2.2. O Desempenho do Setor Hoteleiro
Em termos dos investimentos privados, entre 2007 e 2014 foram aplicados US$ 546,913
milhões na hotelaria baiana, com uma concentração de 56% do volume total de recursos
na capital baiana. O montante investido resultou na geração de mais 4.920 unidades
habitacionais (UHs) para Salvador, equivalendo a 66% do total aplicado, e a 3.814
novos empregos diretos gerados pelo turismo (56% dos empregos resultantes dessas
inversões) — Quadro 4.
Com esses novos investimentos a oferta hoteleira de Salvador alcançou um total de 418
meios de hospedagem, com 17.674 UHs e 39.855 leitos (Gráfico 11).
Gráfico 11
Fonte: Observatório do Turismo da Bahia, Ano 3, Boletim N. 3, jan./dez./2014.
46
Analisando-se, entretanto, a taxa de ocupação hoteleira de Salvador entre 2001 e 2014
observa-se um declínio ao longo dos anos, sobretudo no mês de janeiro, considerado
como alta estação do turismo da capital baiana (Gráfico 12). Comparando-se,
exclusivamente, o período dos investimentos apresentados no Quadro 4, verifica-se um
crescimento entre janeiro de 2007 e o mesmo mês de 2011, seguido por uma queda
acentuada. A taxa de ocupação de janeiro de 2007 apresentava-se similar a de 2002, ano
de crise do turismo mundial, impulsionada pelos atentados ocorridos em 2001 nos
Estados Unidos da América.
Gráfico 12 - Taxa de Ocupação dos Principais Hotéis em Salvador 2001 – 2014
Fonte: SHRBS - Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Elaboração: SEDES) *Dados 2014
Parciais. Disponível em PDITS Salvador, 2015.
Gráfico 13 - REVPAR dos Principais Hotéis em Salvador 2001 – 2014
Fonte: SHRBS - Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Elaboração: SEDES) *Dados 2014
Parciais. Disponível em PDITS Salvador, 2015.
47
QUADRO 4
Fonte: SETUR/SUINVEST, 2015.
48
Comparando-se os dados da ocupação hoteleira com o indicador REVPAR — sigla em
inglês que significa Revenue per Available Room — que indica a receita obtida por
apartamento disponível ou o nível de eficiência da hotelaria na captação de receita por
UH, demonstrando a rentabilidade média por UH no setor hoteleiro, observa-se que
embora sem um incremento linear, o REVPAR da hotelaria de Salvador apresentou
crescimento nos últimos anos (Gráfico 13). Esse crescimento que, como visto, não foi
decorrente do aumento da ocupação, deve-se, sobretudo, à elevação do valor das diárias
praticadas (Gráfico 14), movimento que, se contínuo, pode comprometer a
competitividade do setor. Na análise do REVPAR há que se desconsiderar o elevado
índice de junho de 2014, influenciado pelos resultados do período da Copa do Mundo
no país; Salvador foi uma das cidades sede da copa, palco para a realização de
importantes jogos, como Espanha versus Holanda e Alemanha versus Portugal, na
primeira fase, além de um jogo de oitava e outro de quarta de final.
Gráfico 14 - Diária Média dos Principais Hotéis em Salvador 2001 – 2014
Fonte: SHRBS - Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares (Elaboração: SEDES) *Dados 2014
Parciais. Disponível em PDITS Salvador, 2015.
49
Em 2015 os resultados da hotelaria de Salvador também não tem sido animadores. Em
junho desse ano a taxa de ocupação média foi de 43,58% e a diária média, de R$
206,88, revelando o pior desempenho dos últimos quatro anos. Conforme
pronunciamento de Garrido, presidente da seção baiana da Associação Brasileira da
Indústria de Hotéis (ABIH-BA), esse desempenho pode ser creditado a dois fatores: o
fechamento do Centro de Convenções e a falta de organização no São João. Ainda
segundo o Presidente da ABIH-Ba, em função da crise dez hotéis de pequeno porte
encerraram as suas atividades em Salvador.35 Corroborando com esta visão de Garrido,
o presidente da Rede Sol Express de Hotéis e Resorts, Silvio Pessoa, em entrevista ao
Bahia Econômica, afirmou que no primeiro quadrimestre deste ano, foram perdidos
cerca de quatro mil postos de empregos no turismo de Salvador; credita a situação atual
da hotelaria da capital à expansão da oferta de leitos para o Mundial de 2014 - foram
agregados mais de oito mil leitos - em um quadro de carência de obras estruturantes, de
campanhas de divulgação e de contingenciamentos feitos pelo governo do Estado36.
3.2.3. Os Cruzeiros Marítimos
O número de passageiros em cruzeiros marítimos aportados em Salvador deverá
apresentar uma queda de 35,23% na temporada de 2014/2015, se comparada à de
2010/2011, conforme dados divulgados pela Codeba. Ainda no confronto desses dois
períodos, o número de atracações deverá sofrer uma retração de 44,67% e o de navios
em 3,33% (Tabela 16).
TABELA 16 - CRUZEIROS MARÍTIMOS NO LITORAL BAIANO PORTO DE SALVADOR 2011/2015
TEMPORADA
2014-2015* 2013-2014
2012-2013
PASSAGEIROS 132.570
165.839
169.432
ATRACAÇÕES 72
85
94
NAVIOS
29
29
33
Fonte: SINDETUR/CODEBA/Levantamento DPEE
2011-2012
176.369
105
30
2010-2011
204.680
135
30
* Sujeito a alteração até o final da temporada.
35
VASCONCELOS, De Mal a Pior, Jornal A Tarde 12/07/2015; A crise do turismo, Bahia Econômica,
06/07/2015, disponível em http://www.bahiaeconomica.com.br/noticia/111873,com-a-crise-do-turismo10-hoteis- pequenos-fecharam-na-bahia.html, acesso em 18/07/2015.
36
O turismo da Bahia está em crise e faltam obras e campanhas de divulgação (Bahia Econômica,
disponível em http://www.bahiaeconomica.com.br/noticia/111498,o-turismo-na-bahia-esta-em-crise-efaltam-obras-e-campanhas-de-divulgacao.html, acesso em 18/07/2015.
50
Com a inauguração do novo Terminal Marítimo de Passageiros do Porto de Salvador
essa situação poderá ser revertida, possibilitando a que o número de passageiros vindos
em cruzeiros possa sofrer um incremento. Apesar do tempo restrito de estadia na cidade
— estimado entre 08 e 12 horas — esse é mais um segmento com grande potencial de
expansão em Salvador, e capaz de contribuir para o incremento do comércio local,
sobretudo de artesanatos, dos bares e restaurantes, além de outros pontos de lazer e
entretenimento.
Na construção do novo terminal foram investidos R$36 milhões por parte do Governo
Federal, através da Secretaria Especial dos Portos, via o Programa de Aceleração do
Crescimento (PAC) da Copa, em parceria com a Prefeitura de Salvador, que elaborou o
projeto executivo de engenharia. O Terminal ocupa uma área total de 11mil m², dos
quais 7.680 m² de área construída, inclui uma esplanada com 3mil m², descortinando o
mar da Baía de Todos os Santos para a Avenida da França, com a vista do Forte de São
Marcelo.
Segundo o presidente da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), José
Rebouças, o novo Porto tem capacidade para receber até oito grandes navios ao mesmo
tempo e conta com toda estrutura necessária que vai desde a Polícia Federal ao processo
de receptivo com a Bahiatursa37. De acordo com Valdomiro Santos Júnior38, assessor de
comunicação da presidência da Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba), o
Terminal de Passageiros será operado através de concessão à iniciativa privada. A
inauguração do equipamento, que já está apto a ser operado, está na dependência de
publicação do edital de licitação, que já foi submetido ao Tribunal de Contas da União
(TCU). Estima-se que o Terminal esteja em pleno funcionamento em 2016.
3.3. A Oferta Turística de Salvador - Situação e Atuais Perspectivas
Reunindo um conjunto de atributos propícios à exploração de diversos segmentos
turísticos, como o histórico-cultural, de lazer litorâneo, náutico, de eventos,
gastronômico, dentre outros (Figura 3), Salvador apresenta um elevado potencial para
desenvolvimento da economia do turismo. Entretanto, como visto até então, para ter um
37
Disponível
em
http://www.codeba.com.br/eficiente/sites/portalcodeba/ptbr/site.php?secao=noticias_gerais&pub=3073, acesso em 6/07/2015.
38
Informação verbal, em 16/07/2015.
51
turismo capaz de contribuir com o desenvolvimento local, a capital baiana necessita
ampliar a sua qualificação para a atividade, o que requer, dentre outras ações, o
fortalecimento
da
superestrutura
turística39
local,
a
exemplo
da
construção/requalificação de equipamentos — como os já citados centros de
convenções e terminal marítimo —, a melhoria da infraestrutura urbano-turística —
transporte urbano, limpeza pública, sinalização turística, segurança pública, aeroporto
—, e um trabalho específico e contínuo de valorização dos elementos centrais da oferta
turística potencial: os seus atrativos histórico-culturais e naturais.
Figura 3 - Destaques da oferta turística de Salvador
Fonte: Elaboração própria, com base no PDITS, 2002.
3.3.1. As Festas Populares
O turismo é considerado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a
Ciência e a Cultura como um setor criativo relacionado, ou seja, aquele que interage e
impacta diretamente os setores criativos nucleares40, que, como indica a própria
denominação, tem o ato criativo como elemento central na composição do seu valor de
mercado (UNESCO apud BRASIL, 2011, p. 26). À atividade turística, bem como aos
esportes e ao lazer, é atribuída, assim, a condição de atuar como difusora dos setores
ditos criativos nucleares — patrimônio natural e cultural, espetáculos e celebrações,
39
Conforme definido por Lage e Milone, a superestrutura turística é composta pelo conjunto de
equipamentos e serviços turísticos, a exemplo dos meios de hospedagem, dos serviços de alimentação, de
entretenimento, além de outros equipamentos, como casas de câmbio, centros de convenções, locadoras
de automóveis, postos de informações, agências de viagens, dentre outros (LAGE, MILONE, 991, p. 53)
40
Conforme a Unesco (apud BRASIL, 2011, p. 28), os setores criativos nucleares estão distribuídos nas seguintes
categorias: patrimônio natural e cultural; espetáculos e celebrações, artes visuais e artesanato, livros e periódicos,
audiovisuais e mídias interativas, design e serviços criativos.
52
livros e periódicos, design e serviços criativos, audiovisual e mídias interativas — ,
potencializando-os, incrementando a sua capacidade de gerar fluxos de pessoas e
capitais, e contribuindo para que o território “criativo e turístico” alcance novos
patamares de desenvolvimento local, com sustentabilidade, promoção da diversidade
cultural, da inovação e da inclusão social, princípios centrais das políticas públicas de
cultura, apregoadas pela Secretaria da Economia Criativa –SEC. (op., cit., p. 33).
Assim, para que Salvador seja, de fato, uma cidade criativa e turística, deverá estruturarse aproveitando e valorizando o seu potencial criativo, dentre os quais, as suas
manifestações populares, a exemplo da Festa de Iemanjá, do Carnaval, do São João, da
Lavagem do Bonfim, da Procissão de Nosso Senhor dos Navegantes, dentre outras, as
suas formas de expressão, como a capoeira, a gastronomia local, a música, a dança, o
artesanato, a moda, a produção de audiovisual, etc.
No conjunto dos festejos populares, merece destaque para o Carnaval, considerado a
maior festa de rua do planeta, ponto alto de um ciclo de festas e eventos de verão em
Salvador, que tem início no mês de novembro. Evento centenário, cujos registros
indicam ter sido a sua primeira versão realizada em 1884 (PDITS Salvador, 2015, p.
44), a dimensão tomada pelo Carnaval exige, cada vez mais, um detalhado e intenso
planejamento de sua estrutura. Na contemporaneidade, são mais de dois milhões de
foliões que circulam e se divertem em três Circuitos oficiais – Osmar (Campo Grande /
Praça Castro Alves), Dodô (Barra /Ondina) e Batatinha (Centro Histórico), seis bairros
populares e duas ilhas, o que requer uma intensa infraestrutura e um amplo trabalho de
organização e logística. Conforme informações do PDITS Salvador, o Carnaval 2014,
movimentando consideravelmente a socioeconomia da cidade, proporcionou a geração
de mais de 115 mil empregos temporários, trazendo mais de 550 mil visitantes, com um
consumo de 30 milhões de latas de cerveja, 32 milhões de latas de refrigerantes, 40
milhões de copos e garrafinhas de água mineral. Os investimentos públicos foram da
ordem de R$ 94,2 milhões —R$ 60,2 milhões do Governo da Bahia, R$ 29 milhões da
Prefeitura e R$ 5 milhões do Governo Federal.
Ao longo dos anos essa festa vem sofrendo uma série de transformações, seja no intuito
de introduzir nova formas de rentabilidade ao setor empresarial — a exemplo dos
camarotes —, de torná-la economicamente sustentável, como as propostas de
53
patrocínios exclusivos, que suscitaram grandes debates na cidade, de ampliação do
território destinado ao festejo — como a criação de novos circuitos ou a realização de
eventos em um maior número de bairros —, ou ainda através do aumento do calendário,
com novos dias destinados ao período momesco, dentre outros aspectos. Um grande
desafio posto hoje para a cidade e seus gestores públicos é repensar este evento, de
forma a que seja mantida ou ampliada a sua atratividade para moradores, sobretudo, e
para os visitantes.
A Pesquisa de Avaliação dos Serviços Turísticos no Carnaval de 2015, realizada pela
SETUR, com um total de 850 entrevistados, sendo 680 turistas (nacionais e
estrangeiros) e 170 moradores de Salvador e da Região Metropolitana, estima que o
fluxo turístico para Salvador no período de 2 a 18 de fevereiro foi de aproximadamente
519.705 visitantes/turistas, sendo 89,34% de origem doméstica e 10,66% estrangeiros.
A origem dos residentes no Brasil assemelha-se à detectada nas demais pesquisas de
turismo receptivo — FIPE e PMS: esses, em grande parte (37,6%), são procedentes da
própria Bahia, e dos estados de São Paulo (18%), Rio de janeiro (9,2%), Minas Gerais
(5,5%), Pernambuco (4,9%) e Sergipe (3,4%). Já os principais mercados emissores de
turistas estrangeiros para o Carnaval 2015 foram a Argentina (26,7% dos visitantes
vindos de outros países), Chile (24,4%), EUA (11,1%), Portugal (8,9%), Austrália
(6,7%), Espanha (4,4%0 e Reino unido (4,4%). Em seu conjunto os turistas geraram
uma receita estimada de R$ 535 milhões (83,53% pelos brasileiros e 16,47% pelos
oriundos de outras nações).
A taxa de ocupação média por unidade habitacional no Carnaval 2015, calculada a partir
de pesquisa em101 meios de hospedagem, correspondeu a 80,7%. Há que se ressaltar,
entretanto, que grande parte dos turistas em visita a Salvador nesse período ficou
hospedada, conforme a pesquisa da SETUR, em casas de parentes e amigos (56,7%).
Em maioria absoluta (95,7%), os visitantes não utilizaram os serviços das agências de
turismo.
As praias são também um atrativo importante para esse público, frequentadas por 64,6%
dos entrevistados. O atendimento foi o item mais bem avaliado nos serviços da praia,
tendo recebido elogios de 44,3% dos participantes da enquete que frequentaram esses
locais, embora 7,1% tenham reclamado da demora na sua realização. A falta de
54
estrutura nas praias foi o principal motivo das reclamações, apontado por 10,5% dos
respondentes que buscaram esse atrativo no período carnavalesco.
É elevado o percentual dos que aderiram ao carnaval de rua (49,4%), sendo também
expressivos os participantes de blocos (42%) — destacadamente de blocos de trios
(84,7%) — e de camarotes (33,6%).
De forma geral, os serviços foram bem avaliados, com destaque para os blocos,
camarotes, arquibancadas e sinalização turística. Os itens que receberam menores
percentuais de avaliação entre ótimo e bom foram os sanitários públicos, o terminal
marítimo, o terminal rodoviário, o transporte público e a limpeza pública.
Além dos aspectos apontados como os mais críticos no Carnaval de Salvador pelos
visitantes, os quais requerem correções, esta festa, as demais manifestações populares e,
até mesmo, formas de expressão como a capoeira, necessitam de ações de políticas
públicas que as permitam estar inseridas dentre as referências culturais41 de expressão
para os moradores de Salvador; sendo assim, ainda que em novos formatos, poderão
preservar a autenticidade, a vivacidade, e a manter-se enquanto uma tradição do povo
baiano. Caso o patrimônio cultural seja visto e valorizado, basicamente, como atrativo
turístico, a perda dos seus símbolos e significado para a população local, poderá resultar
em "produtos" pouco criativos, pouco atrativos, até mesmo junto ao público não
residente na cidade.
41
O termo referência cultural pode ser entendido como o ponto de apoio de informação, de encontro, de
uma verdade aceita e vivenciada por determinado grupo e que possibilita comparação e diferenciação.
Como afirma Antonio Arantes, referências culturais “[...] são objetos, práticas e lugares apropriados pela
cultura por meio dos quais os grupos representam, realimentam e modificam a sua identidade e localizam
a sua territorialidade.” (MINISTÉRIO DA CULTURA/IPHAN: 2000, p.131).
55
Tabela 17 - Avaliação dos serviços no Carnaval de Salvador 2015
Fonte: Relatório Carnaval 2015 - SETUR
3.3.2. O Patrimônio Natural
Banhada pelas águas da Baía de Todos os Santos, maior baía tropical do mundo, maior
do Brasil e segunda maior do oceano atlântico42, Salvador possui um vasto patrimônio
natural formado não apenas pelos seus 51 km de faixa litorânea, mas também pelos
remanescentes de Mata Atlântica existentes na cidade, preservados em parques
metropolitanos como o Parque São Bartolomeu, o de Pituaçu e o Parque da Cidade,
além da área de Preservação Ambiental que compreende a Lagoa do Abaeté.
O lazer marítimo, ainda hoje atrativo central na captação de fluxos turísticos, é um dos
grandes patrimônios de Salvador, cidade dotada de praias com temperaturas amenas,
ideais para banho, ricas em diversidade ecológica. A faixa litorânea da cidade possui
enseadas tranquilas, propícias para mergulho, pesca submarina, natação e esportes à
vela, além de praias de mar aberto e grandes ondas, boas para a prática do surfe. Há
ainda as praias cercadas por arrecifes, formando piscinas naturais ótimas para crianças.
Caracterizam-se também pela presença dos famosos coqueiros, de vegetação rasteira e
dunas.
42
Plano Estratégico do Turismo Náutico da BTS.
56
Nas praias estão situadas edificações de ampla beleza arquitetônica e relevância
histórica, dada a sua importância na defesa da cidade no período colonial, como os
fortes de Santa Maria, de São Diogo, de Santo Antônio, mais conhecido como Farol da
Barra, e de Nossa Senhora de Monte Serrat. As praias servem ainda como palco para
festas populares e religiosas, como a Procissão do Senhor dos Navegantes, a Festa de
Iemanjá, considerada a maior manifestação pública do Candomblé no país43, a lavagem
da Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Itapuã, a Festa da Ribeira, etc.
Ainda no município de Salvador, embora fora do território continental, estão localizadas
a Ilha de Maré, que tem como praias principais as de Itamoabo, das Neves, Praia
Grande, de Santana e do Botelho ou Oratório de Maré, e a Ilha dos Frades, considerada
reserva ecológica, possuindo a forma de uma estrela de 15 pontas, com praias como a
do Saco de Loreto, Praia do Loreto, Ponta de Nossa Senhora de Guadalupe, Praia da
Costa, Tobá, Tobazinho e Paramana, além de montanhas, coqueirais, cachoeiras e mata
nativa, inclusive pau-brasil. Essas ilhas, com fortes tradições gastronômicas, com
destaque para o doce de banana e a moqueca de frutos do mar, já recebem fluxo
turístico, embora não disponham de uma infraestrutura adequada para o visitante. Na
Ilha de Maré, além dos apelos naturais, um importante patrimônio cultural são as rendas
de bilro, confeccionadas artesanalmente por rendeiras que as comercializam nas suas
próprias residências ou mesmo nas praias.
Conforme as pesquisas realizadas na cidade de Salvador, o turismo de sol e praia é o
principal motivo de viagem para o turista de lazer, sendo, segundo a FIPE, a principal
motivação para 48,8% dos turistas entrevistados. Já a pesquisa da PMS, aponta que os
atrativos naturais (incluindo os destinados ao lazer marítimo) foram o principal motivo
de visita a Salvador para 73,5% dos participantes da enquete. Há que se observar que,
embora dotada de atrativas e belíssimas praias — a exemplo do Porto da Barra, inserida
no ranking das 50 melhores praias do mundo pela CNN44 —, ainda são poucos os hotéis
situados na orla de Salvador com acesso à praia. A falta de equipamentos, serviços,
segurança, os indicadores de balneabilidade, dentre outro aspectos, tem conduzido a que
43
Disponível em http://www.praias.com.br/estado-bahia/praias-de-salvador/831-cidade-de-salvador.html,
acesso em 7/07/2015.
44
CNN lista as 50 melhores praias do mundo. Disponível em vidaeestilo.terra.com.br/turismo/praia/cnnlista-as-50-melhores-praias-do-mundo-confira,aca9392625237310VgnCLD100000bbcceb0aRCRD.html.
Acesso em 7/07/2015.
57
parte dos visitantes que buscam a praia estejam se deslocando para a região da Costa
dos Coqueiros, que, pela proximidade, passou a ser a principal concorrente de Salvador
neste segmento.
A orla da capital requer um projeto urbanístico que a torne mais atrativa, iluminada,
segura, ideal para a circulação de pessoas, para a realização de práticas esportivas e de
outros tipos de atividades de lazer e também culturais.
Experiência pioneira foi realizada no bairro da Barra, com a ampliação das áreas para
circulação de pedestres; já foram também concluídos trechos de São Tomé de Paripe e
da Boca do Rio e encontra-se em execução o projeto de requalificação da orla do Rio
Vermelho, importante centro de lazer noturno da cidade. Em adição, como visto, tanto o
Prodetur Nacional - Bahia quanto o Prodetur Nacional - Salvador estão contemplando
projetos para a orla da capital baiana. Em seu conjunto, o projeto hoje proposto para a
Orla Marítima de Salvador envolve a requalificação do território que compreende a
extensa faixa de borda marítima da Baía de Todos os Santos e da borda Atlântica,
valorizando as suas vocações, símbolos e culturas, as estratégias de uso e ocupação do
solo. As ações previstas deverão respeitar as áreas de Marinha e os condicionantes
ambientais e de Legislação Federal e Municipal. Em adição a este projeto, a PPP
(parceria público privada) deverá dotar a orla da cidade de Salvador de novos
mobiliários urbanos, com a implantação de 120 novos quiosques destinados a operação
de atividades econômicas de bar, restaurantes e correlatas às atividades turísticas (como
loja de souvenirs), na orla marítima, ilhas e outras áreas turísticas de Salvador (PDITS
Salvador, 2015, p. 146). Espera-se que, a partir da liberação dos recursos e execução das
obras, a capital passe a dispor de uma orla mais qualificada e atrativa. Faz-se também
necessária a realização de ações gradativas direcionadas a descortinar a vista para a orla
litorânea, encoberta em muitos pontos da cidade, o que poderá requerer, em alguns
casos, a desocupação e relocação de equipamentos.
Quanto aos parques metropolitanos, as suas precárias condições de segurança e os
problemas existentes na manutenção e preservação dos elementos naturais, são aspectos
que tem prejudicado, e até impedido, o melhor uso desses espaços pela população local
e pelos turistas. Em adição, a desordenada ocupação dos espaços nos arredores das
poligonais de limites dos parques e a fiscalização ineficiente têm gerado uma constante
58
redução das áreas delimitadas, o que tem provocado a degradação does espaços e a
destruição do patrimônio natural da flora e da fauna (PDITS, Salvador, 2015, p. 93).
Ainda conforme o PDITS, não se registram estratégias de gestão pública direcionadas à
utilização turística sistemática e planejada dessas áreas, que também se constituem em
espaços de grande relevância religiosa e cultural na prática de ritos afro-religiosos, a
exemplo do Parque São Bartolomeu e do Parque da Lagoa do Abaeté.
Para Pituaçu, a exemplo, está previsto um projeto de requalificação como Parque
Ecoesportivo, com melhorias das instalações existentes, criação de um complexo
esportivo e instalação de anfiteatro, dentre outras ações; proposta de melhor integração
das esculturas do artista Mário Cravo à ambiência local também poderão contribuir para
uma maior valorização do espaço. O Parque da Cidade, administrado pela PMS, está
sendo contemplado com projeto de revitalização no âmbito da campanha “Viva o
Parque”, que prevê a derrubada do muro que o separa da comunidade Alto da Santa
Cruz, com a instalação de um gradil que vai circundar o parque, espaço para concertos
ao ar livre, novos quiosques, uma nova ciclovia com três quilômetros de extensão, piso
tátil, pista de corrida, espaço para a prática de slackline e uma praça de skate (que será a
maior do Norte-Nordeste). O investimento total será de R$11 milhões, sendo R$6
milhões da Prefeitura e R$5 milhões da Petrobras (PDITS, 2015, p. 96). De uma forma
geral, com uma nova infraestrutura de segurança, qualificação dos equipamentos, das
vias de circulação, preservação dos aspectos naturais e ações direcionadas à realização
de eventos esportivos e culturais, poder-se-á incentivar a frequência e a circulação de
pessoas, dentre as quais os turistas, nos parques metropolitanos da cidade.
3.3.3. Patrimônio Histórico-Cultural: O Centro Antigo de Salvador (CAS)
O Centro Antigo de Salvador, por aglutinar as funções urbanas mais importantes, bem
como um valioso patrimônio arquitetônico constituído por monumentos implantados
entre os séculos XVI e XIX, exerceu, até os anos 1960, a função de núcleo central da
economia do turismo da capital baiana. Esta área, e, sobretudo, o subespaço hoje
denominado Centro Histórico, sediou os primeiros empreendimentos de hospedagem de
Salvador, as primeiras agências, os primeiros equipamentos turísticos direcionados a um
público detentor de mais elevados rendimentos, tendo sido também o território eleito
para abrigar os primeiros roteiros turísticos formatados para a cidade (QUEIROZ, 2006,
59
p. 77-79).
Nos anos 1990, como parte de uma estratégia direcionada ao incremento da atividade
turística da capital baiana, o Centro Histórico foi contemplado com a mais ampla
proposta de recuperação do seu conjunto arquitetônico45. Segmentada em diversas
etapas, essa proposta possibilitou a conformação, do ponto de vista da economia do
turismo, de um território dotado de subespaços turísticos diferenciados, que apresentam
uma dinâmica própria e vivenciam problemas específicos, embora também convivam
com questões desafiantes que são comuns ao conjunto da Área Central e, até mesmo, a
outras áreas da cidade de Salvador.
O subespaço Pelourinho-Sé, pioneiro na recepção dos investimentos públicos realizados
nos anos 1990 com vistas à recuperação do conjunto arquitetônico do Centro Histórico
de Salvador (CHS) e à formação de um enclave entre o Terreiro de Jesus e o Largo do
Pelourinho, que funcionaria como um “shopping center ao ar livre”46, estimulando as
atividades comerciais e de serviços, sobretudo turísticos, e deslocando a função
residencial para as áreas periféricas do CAS, caracteriza-se por apresentar um número
expressivo de equipamentos direcionados ao turismo e atividades correlatas. Conforme
o Censo Empresarial Sebrae 2008, o Pelourinho/Sé/Taboão concentra a maior oferta de
serviços turísticos e de lazer e animação do CHS aglutinando grande parte dos
restaurantes (54,9%), bares (57,6%), lanchonetes, sorveterias, casas de suco (37,0%),
equipamentos de arte, cultura — destacadamente, museus, teatros e cinemas — esporte
e recreação (85,7%), além do comércio de bijuterias, suvenires e artesanato (82,1%) —
Tabela 18.
O estreito relacionamento entre as empresas do Pelourinho/Sé/Taboão e o turismo
conduz a que o desempenho empresarial desta subárea seja amplamente vulnerável ao
comportamento dessa atividade, sofrendo diretamente os impactos dos movimentos da
sua demanda. E, como registra Queiroz (2010, p 190), embora seja a subárea do CAS
que concentra uma mais ampla oferta direcionada ao turismo, o Pelourinho/Sé/Taboão
também apresenta um conjunto de problemas que dificultam a atração de um fluxo mais
45
Desde a década de 1960, o Centro Histórico foi palco de intervenções públicas realizadas objetivando a
recuperação do seu conjunto arquitetônico (ver QUEIROZ, 2007, p. 77-83).
46
Este “shopping” teria por diferencial a fusão do lazer, da cultura e do consumo em uma área histórica
(SANTANNA, op. cit., p 75).
60
expressivo de visitantes e, até mesmo, de residentes, o que compromete a viabilidade
econômica das unidades empresariais aí instaladas e a expansão da atividade turística
desta subárea.
Tabela 18 — Atividades Turísticas e Correlatas — Sub-Setores Selecionados
Discriminação
Pelourinho/S
é/Taboão
CHS
Núme
ro
%
Núme
ro
%
Carmo/Santo
Antônio Além do
Carmo
Número
Artes, Cultura, Esporte e
Recreação (Cinema,
1
14,3
6
85,7
0
Teatros, Museus, etc.)
Bijuterias, Suvenires,
Artesanato e Artigos
0
0,0
32
82,1
7
para Presente
Restaurantes e similares
11
21,6
28
54,9
12
Bares e outros
equipamentos
5
15,2
19
57,6
9
especializados em servir
bebidas
Lanchonetes,
Pastelarias, Casas de
9
33,3
10
37,0
8
sucos, Sorveteria, Banca
de Lanches, etc.
Fonte: Censo Empresarial do Centro Histórico da Cidade de Salvador, Sebrae, 2008.
Total
%
Nú
mer
o
%
0,0
7
100,0
17,9
39
100,0
23,5
51
100,0
27,3
33
100,0
29,6
27
100,0
A inexistência, desde os primeiros anos da reforma até os dias atuais, de uma instituição
com atribuições definidas capaz de estabelecer um ordenamento e gerenciamento do
território e de conduzir os conflitos que naturalmente ocorrem entre moradores,
comerciantes, turistas e empresas de turismo, impediu o bom funcionamento e o
crescimento harmônico das atividades econômicas dessa subárea, levando a uma série
de entraves como a desorganização das vias de circulação, com a expansão de algumas
unidades empresariais para fora dos limites do seu negócio, ocupando os passeios com
objetos, anúncios, etc.; a poluição sonora gerada pelos próprios estabelecimentos, o
assédio de vendedores ambulantes, das “baianas”, dos menores pedintes, dentre outros,
por todos os lados, nas ruas, nas praças, inclusive dentro de bares e restaurantes; a
marginalidade, a prostituição, a violência, as drogas; o despreparo da mão de obra local,
destacadamente para atendimento aos visitantes, sobretudo estrangeiros.
A
Subárea
Carmo/Santo
Antônio
Além
do
Carmo,
caracterizada
como
predominantemente residencial até inícios dos anos 2000, tem como grande diferencial,
responsável pela atração de turistas e investidores, o amplo patrimônio imaterial aí
existente, expresso nas tradições, na religiosidade, nas celebrações locais organizadas
61
pela comunidade, no jeito de viver dos residentes, aspectos que configuram um cenário
bucólico, fruto de um ambiente interiorano e, ao mesmo tempo, internacionalizado.
Apesar da intervenção pública nesta subárea ter ocorrido de forma distinta do observado
no Pelourinho/Sé/Taboão, com a recuperação de imóveis residenciais, com vistas à
permanência da população local, o Carmo/Santo Antônio tem sofrido transformações
expressivas em decorrência da expansão da atividade turística. Desde 2005 vem
atraindo empreendimentos turísticos direcionados a um público de mais elevado poder
aquisitivo, em grande parte estrangeiro, com destaque para hotéis, “pousadas de
charme”, restaurantes e bares temáticos. Os problemas dessa área revelam similaridade
aos do Pelourinho/Sé/Taboão, sobretudo no que se refere aos aspectos relativos à
infraestrutura de serviços urbanos — limpeza e segurança — e a carências de
mecanismos de divulgação; entretanto, as unidades empresariais aí localizadas
apresentam-se mais competitivas do que as da segunda subárea, principalmente no
tocante à oferta de serviços diferenciados e às iniciativas de trabalho em parceria entre
os diversos agentes do turismo local (QUEIROZ, 2010, p.192). Há que se ressaltar que
nessa região um único investidor, a LGR, de propriedade da empresária Luciana Rique,
adquiriu 50 casarões, os quais, entretanto, estão abandonados, causando insegurança aos
moradores47.
O subespaço São Bento/Misericórdia/Castro Alves, embora tenha sido pioneiro na
cidade na recepção de empreendimentos turísticos, inclusive de alto padrão, como o
Hotel Chile, de propriedade do Sr. Júlio Rodrigues, edificado na primeira década do
Século XX, que se vangloriava de ter a preferência de Ruy Babosa, e o Pálace Hotel,
construído em 1934 (QUEIROZ, 2002, p. 25), atualmente em reforma, caracteriza-se
por concentrar atividades comerciais (28,4% das suas empresas) e de serviços
especializados (22,1%), predominando, dentre esses últimos, os escritórios de advocacia
e contabilidade (18,3%), conforme o Censo/Sebrae. Essa área, entretanto, poderá vir a
sofrer alterações substanciais nos próximos anos. A Fera Empreendimentos, do
empresário mineiro Antonio Mazzafera, responsável pela reforma do Palace, que foi
adquirido de um grupo português, investiu na compra de um total de 123 imóveis na
região — 16 edifícios —, onde planeja erguer um megaprojeto de revitalização do
47
MAZZAFERA, Antonio, entrevista em A TARDE. O Palace será o hotel dos baianos, Revista Muito,
12/07/2015, p 8-12.
62
Centro Histórico, com moradias, lojas modernas, bares, restaurantes, clube noturno,
galerias de arte, farmácia, minimercado, estacionamento com 220 vagas, dentre outros
serviços, gerando cerca de 1500 a dois 2000 empregos. Estima-se que o Palace, grande
âncora para o conjunto dos investimentos, seja inaugurado em maio de 2016, não
havendo, até este momento, uma previsão para as conclusões da integralidade do
projeto, ora denominado Bahia Design Distric48.
A subárea do Centro Histórico Barroquinha-Ladeira da Praça caracterizada como de
restrita incidência de equipamentos e fluxos turísticos, tem como maior apelo na atração
de residentes e turistas interessados no lazer cultural, o Espaço Cultural da Barroquinha.
Ocupando as instalações da antiga igreja da Barroquinha, edificada entre 1722 e 1726 e
destruída por um incêndio em 1984, este equipamento, inaugurado em 2009, contou
com o apoio da Petrobrás, que através de convênio com a Fundação Gregório de
Mattos, disponibilizou R$ 4,5 milhões para a recuperação e restauração do monumento
da arquitetura religiosa que se encontrava em ruínas (QUEIROZ, 2010, p 193).
Dentre os subespaços da Área Central não pertencentes ao CHS, o Campo
Grande/Piedade/Mouraria sobressai na oferta de meios de hospedagem, abrigando
empreendimentos de grande porte, como o Sherton Hotel da Bahia, dotado de 568 leitos
e 284 unidades habitacionais, responsável pela oferta de uma ampla programação
cultural; o hotel A Casa das Portas Velhas, situado no Largo da Palma, e esculpido em
uma ruína do início do Século XIX, que iniciou as suas atividades em 2004, tendo sido
concebido dentro de um novo conceito da hotelaria internacional, o hotel-boutique49,
com 15 UHs e 30 leitos; diversos outros hotéis, de pequeno e médio portes, em grande
parte antigos, como o Imperial e o Democrata, situados no Largo Dois de Julho e
implantados na década de 1950, além de pousadas e outros meios de hospedagem
(SETUR/Gerência de Atividades Descentralizadas da Embratur, 2015).
O subespaço do Centro Antigo da Cidade (CAS) Nazaré/Barbalho apresenta
importantes equipamentos de lazer, esporte e cultura, como o Dique do Tororó, a Arena
MAZZAFERA, Antonio, entrevista em A TARDE. O Palace será o hotel dos baianos,
Revista Muito, 12/07/2015, p 8-12.
48
49
Referente a empreendimentos direcionados a recepção de hóspedes, “de maneira exclusiva e
diferenciada, em um ambiente íntimo e luxuoso conformado por linhas arquitetônicas originais”
(QUEIROZ, 2007, p. 99).
63
Itaipava Fonte Nova e o Centro Cultural Barroco da Bahia, na Saúde. Já a
Contorno/Comércio, e, sobretudo, a Av. Contorno, vem sendo ocupada por
empreendimentos, como restaurantes, marina e flats, empresas de eventos, dirigidos a
um público seleto, de alto poder aquisitivo.
Entre os anos de 2008 e 2010, o então Escritório de Reabilitação do Centro Antigo de
Salvador (ERCAS), realizou um plano para a reabilitação do CAS, com participação da
sociedade civil organizada, dos entes da União, do Estado, do Município e com a
chancela da UNESCO. Como resultado desse esforço obteve-se um planejamento
estratégico, com a construção coletiva de 14 proposições50, "não apenas direcionadas a
requalificação física do tecido urbano, mas também à melhoria da qualidade de vida da
população residente, ao incremento das condições ambientais, com vistas a transformar
o
CAS
em
um
local
bom
para
morar,
frequentar,
visitar
e
trabalhar"
(DIRCAS/CONDER, 2014, p. 16).
Embora o conjunto de ações propostas no Plano de Reabilitação não tenha sido
implementado integralmente, entre os anos de 2010 e 2014, como parte, sobretudo, dos
preparativos para o evento da Copa do Mundo 2014, a atividade turística do CAS foi
contemplada com investimentos significativos, a exemplo da requalificação de
equipamentos culturais.
Importante ação pública que favoreceu o segmento do turismo cultural, a requalificação
de equipamentos culturais contemplou exemplares de expressão, como o Solar do
Unhão, o Teatro Castro Alves, o Forte do Barbalho, igrejas, cemitério, praças e largos
do Pelourinho, além do Palácio da Aclamação e do Passeio Público. O Solar do Unhão,
edificado no Século XVII, às margens da Baía de Todos os Santos, recebeu
intervenções equivalentes a R$15,6 milhões, em obras de reparos, melhoria de
equipamentos e reestruturação do Museu de Arte Moderna, fortalecendo este espaço,
considerado um dos mais importantes para a arte contemporânea do país, enquanto
50
Fomento à atividade econômica; ampliação da competitividade das atividades econômicas; preservação
da área da encosta do frontispício, incentivo ao uso habitacional e institucional; dinamização do bairro do
Comércio e revitalização da orla marítima do CAS; qualificação dos espaços culturais e monumentos;
estruturação do turismo cultural; aprimoramento das ações e serviços de atenção à população vulnerável;
otimização das condições ambientais; requalificação da infraestrura; redução da insegurança; valorização
do CAS a partir da educação patrimonial; criação de um Centro de Referência da Cultura da Bahia;
gerenciamento e implantação do Plano de Reabilitação. DIRCAS/CONDER, 2014, p. 16-17.
64
centro cultural para as mais distintas linguagens artísticas. O Projeto Novo Teatro
Castro Alves, orçado em mais de R$ 90 milhões, atualmente ainda em execução,
intenciona uma ampla requalificação desse complexo cultural, o que certamente trará
um novo dinamismo à subárea do Campo Grande, região do entorno do CHS. As
intervenções propostas para o TCA contemplam a Sala Principal, a Sala do Coro, a
Concha Acústica, a construção de um estacionamento com capacidade para 300
veículos, a criação de um Centro de Referência em Engenharia do Espetáculo e de uma
Sala Sinfônica, além da iniciativa de integração entre os novos espaços e as diversas
atividades, com vistas à promoção de mais amplo contato entre servidores, visitantes e
frequentadores, o que poderá ser mais um dentre os diferenciais que motivam a sua
visitação. O Forte do Barbalho, tombado pelo Iphan/Minc como patrimônio do Brasil
desde 1957, sofreu uma intervenção emergencial, com investimentos equivalentes a R$
1,2 milhão do Tesouro Estadual. A maior fortificação da Bahia, de propriedade do
Governo Federal e administrado pela SecultBA, embora certamente desperte a atenção
de um restrito segmento de visitantes atraídos pelo patrimônio arquitetônico, está
funcionando como espaço direcionado para os serviços criativos, de produção e difusão
cultural, mobilizando um fluxo de pessoas interessadas, sobretudo, na qualificação em
atividades criativas (SECULTBA, 2013; QUEIROZ, 2014, p 89).
A recuperação de edificações tombadas pelo Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional (Iphan) no CHS, como a Igreja do Rosário dos Pretos, a Igreja e
Cemitério do Pilar, o Palácio Rio Branco, a Igreja do Boqueirão e a Casa das Sete
Mortes, foi viabilizada com recursos, equivalentes a R$ 22,1 milhões, oriundos do
Prodetur Nordeste II, do Ministério do Turismo, através da Setur; as obras e licitações
estiveram a cargo do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural- IPAC. O Oratório da
Cruz do Pascoal foi também beneficiado com obras de restauro, nesse caso sob a
responsabilidade do Tesouro Estadual que investiu nesse equipamento cerca de R$
192,6 mil, no ano de 2013. Há também que se mencionar os projetos de recuperação e
restauração do Palácio da Aclamação51; do Passeio Público; da Casa Gregório de
Matos; do Liceu de Artes e Ofícios e do Solar Ferrão, sob a responsabilidade do IPAC,
envolvendo inversões, entre 2010 e 2012, de cerca de R$ 6,6 milhões; a recuperação
arquitetônica do Museu Nacional da Cultura Afro-brasileira e da Casa dos Sete
51
Equipamento de elevado valor histórico-cultural, cujas instalações, entretanto, não estão abertas à
visitação pública.
65
Candeeiros, realizadas em 2010, pela CONDER, correspondentes a R$ 4,5 milhões e a
recuperação e restauração das instalações prediais da Faculdade de Medicina, executada
pelo Iphan, com investimentos de R$ 12 milhões (SECULTBA, 2013, DIRCAS, 2014;
QUEIROZ, 2014, p. 89).
Além desses, há que se destacar a construção da nova Arena Itaipava Fonte Nova, no
espaço outrora ocupado pelo estádio Octávio Mangabeira, no entorno do Centro
Histórico (subárea Dique/Nazaré/Barbalho). A cargo do consórcio das construtoras
Odebrecht/OAS, esse projeto, finalizado em abril de 2013, envolvendo investimentos
equivalentes a R$ 591.700.000,00, resultou em um importante equipamento de lazer
esportivo, e em um espaço para a realização de eventos culturais e direcionados ao
segmento corporativo.
Como área de maior destaque na cidade para a realização do Mundial de 2014, o CAS
foi contemplado pela maioria dos investimentos canalizados para esse evento,
envolvendo um conjunto de projetos que beneficiou a atividade turística, em parte fruto
de parcerias entre os poderes públicos ou entre esses e outros componentes da rede de
prestadores de serviços e demais integrantes da cadeia do turismo. Nesse conjunto, além
dos citados, merece menção desde projetos de mobilidade urbana que facilitaram o
acesso de visitantes e residentes ao complexo esportivo, a outros, igualmente
fundamentais, direcionados, especificamente, ao território do CAS, ainda que também
abrangendo outros espaços da cidade, como os de sinalização turística, o Terminal de
Passageiros do Porto de Salvador — embora nesse caso, como visto, o equipamento não
tenha sido inaugurado para o mundial —, o guia bilíngüe, o roteiro turístico Fan Walk,
as ações de receptivo, de decoração cênica, o projeto de guias e monitores de turismo, o
Centro Integrado de Operações Conjuntas, entre outros (QUEIROZ, 2014, p 91).
A Copa foi, de fato, um momento especial para a economia do turismo de Salvador.
Além da ampla visibilidade da cidade na mídia internacional, propiciou imediato
incremento nos indicadores de alguns segmentos do mercado do turismo. A hotelaria da
capital baiana, a exemplo, que vinha se defrontando com dificuldades decorrentes dos
reflexos da retração da economia mundial em um cenário de intensa competitividade
entre os destinos turísticos, do incremento das viagens e dos gastos dos brasileiros no
exterior e da perda de atratividade urbano-turística de Salvador nas duas últimas gestões
66
municipais, apresentou resultados positivos em junho de 2014, se comparado a idêntico
mês do ano anterior, tanto na taxa de ocupação (passou de 51,4% para 62,4%), quanto
na diária média (saltou de R$ 217,6 para R$ 383,5) - (ABIH, 2014; QUEIROZ, 2014, p.
95).
Pesquisa realizada pela Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e Cultura - SEDES,
organismo da Prefeitura Municipal, em parceria com a Associação Brasileira da
Indústria de Hotéis – Abih-Ba, durante o período da Copa do Mundo FIFA 2014, de 14
a 21 de junho, com um total de 2077 entrevistados, revelou que dentre os visitantes à
Salvador no período, 66,9% foram brasileiros, sendo 39,0% pertencentes ao mercado
intra-Bahia e os outros 27,9% oriundos de outros estados (São Paulo, Rio de Janeiro,
Sergipe, Pernambuco e Distrito Federal). Os estrangeiros corresponderam a 33,1%
procedentes, sobretudo, dos EUA, Alemanha, Holanda, Portugal e Espanha.
Hospedando-se, em sua maior parte, na casa de amigos/parentes (47,2%) e em hotéis
(31,7%), esses turistas tiveram um gasto médio de R$ 1.409,00, valor que atingiu os R$
2.087,00, quando considerados apenas aqueles que consumiram hospedagens pagas.
Distintamente da Copa das Confederações, a Copa do Mundo foi o principal motivador
das viagens do grupo entrevistado (para 38,4%). Dentre os que vieram a lazer (10,1%
do total), as principais motivações foram os atrativos naturais (citados por 37,6%),
seguidos pelos eventos populares (por 33,3%) e pelo Patrimônio Histórico/ Cultural
(por 22,9%).
Ao avaliar os atrativos de Salvador, os turistas entrevistados na pesquisa da
SEDES/Abih-Ba consideraram, em sua maioria (66,9%) o patrimônio histórico/cultural
como ótimo e bom; entre os estrangeiros, esse percentual se elevou a 72,7%. O Centro
Histórico/Pelourinho recebeu idêntica avaliação por 61,5% dos visitantes e por 72,3%
dos estrangeiros. Quanto aos museus, 30,0% dos entrevistados consideraram esse item
ótimo e bom, mas apenas 5,4% dos estrangeiros atribuíram a esses equipamentos
culturais o conceito ótimo. Na avaliação da infraestrutura os itens melhor conceituados
foram o aeroporto, indicado como ótimo/bom por 61,9% e a segurança pública,
apontada com conceito similar por 43,1% dos participantes da enquete e por 62,6% dos
estrangeiros. As menores incidências dessas duas conceituações foram observadas no
terminal marítimo (apenas 17,6% o atribuíram conceitos ótimo e bom), ônibus urbano
(22,6%), terminal rodoviário e limpeza urbana (ambos foram enquadrados nessas
categorias por 32,5%).
Como críticas e sugestões apontadas na enquete aparecem a necessidade de melhorias
na segurança pública, a restrita oferta de atrativos, e, destacadamente, dos noturnos, a
67
não abertura dos museus durante o dia, a sujeira nas praias, a carência de informações e
de um maior número de funcionários bilíngues nos postos de informações e os elevados
preços praticados pela hotelaria durante o Mundial. O principal aspecto positivo
indicado foi a hospitalidade dos baianos, conceituada como ótima/boa por 82,6% dos
turistas e por 88,3% dos estrangeiros. De forma geral, os entrevistados (89,8%)
declaram a intenção de retornar a Salvador.
Como a experiência da Copa do Mundo de 2014 permitiu comprovar, o CAS tem um
conjunto de atributos para o desenvolvimento de um turismo cultural qualificado. Esse
território pode abrigar inúmeros roteiros temáticos, ofertar atrações, produtos e serviços
qualificados. Para tanto, faz-se necessário preparar a mão de obra, ampliar a segurança,
a sinalização e as informações turísticas, e, sobretudo, trabalhar em parceria, com o
envolvimento dos poderes públicos, iniciativa privada, representações de classe e outros
segmentos da sociedade civil organizada, o que foi viabilizado para o Mundial, evento
cujos resultados, ainda que não isentos de críticas, propiciaram um momento singular
para o turismo da Área Central da cidade (QUEIROZ, 2014, p. 99).
3.3.4. Turismo Náutico
O Brasil, com um litoral de 7.367 quilômetros de extensão, 35.000 quilômetros de vias
internas navegáveis, 9.260 quilômetros de margens de reservatórios de água doce, como
hidroelétricas, lagos e lagoas, além do clima ameno, ainda não aproveita amplamente o
seu grande potencial para o Turismo Náutico. A pequena expressividade brasileira nesse
segmento pode ser, em parte, explicada pela proibição, até 1995, da navegação de
cabotagem no país para navios de bandeira estrangeira. Essa restrição inibia a inclusão
do país nas rotas de viagem dos armadores estrangeiros. Somente com a publicação da
Emenda Constitucional n°7/95, sob ampla atuação da Embratur, foi liberada a
navegação de cabotagem para embarcações de turismo no litoral brasileiro. Os portos
começaram a dedicar áreas especiais para terminais de passageiros e o segmento passou
a ser objeto das políticas de turismo e outras correlatas52.
Na Bahia, as embarcações, e, sobretudo, os saveiros, tiveram ampla importância
histórica, como meio de transporte de alimentos, pessoas, materiais de construção,
52
Informações disponíveis em http://bahia.com.br/segmentos/nautico/, acesso em 09/07/2015.
68
animais e todo o tipo de mercadorias, constituindo-se em um meio de interligação
fundamental entre a capital e municípios do Recôncavo baiano. As águas mornas da
Baía de Todos os Santos, que se estendem por mais de mil quilômetros quadrados, e os
ventos constantes representam um importante atrativo para os adeptos desse segmento,
entretanto, ainda faltam condições infraestruturais que possibilitem o seu maior
aproveitamento como um diferencial de Salvador e da BTS.
Hoje, a maioria dos turistas náuticos que visita o estado chega através das regatas que
têm como ponto de partida as cidades europeias e como linha de chegada a Baía. Entre
as principais competições que tiveram a capital baiana como destino final estão as
regatas internacionais Transat 6.5, Jaques Vabre e Cape to Bahia. Entre os eventos de
caráter nacional e regional constam as regatas Aratu/Maragojipe e João das Botas. Em
Salvador os principais pontos de atracação são o Terminal Náutico, no bairro do
Comércio, a Bahia Marina, na Avenida Contorno e a Marina da Penha, na Península de
Itapagipe. No total, são 1148 vagas nas marinas de Salvador, sendo 602 secas e 546
molhadas, além de 555 vagas nos clubes (475 secas e 80 molhadas) para a acomodação
dos barcos53.
Para fortalecer esse segmento, o PDITS Baía de Todos os Santos, objeto das
contratações do Prodetur Nacional Bahia, privilegiou a náutica como uma das atividades
a ser desenvolvida na BTS, colocando-a como um dos pilares para o fomento do
turismo na região, que inclui o município de Salvador. Dentre os investimentos
previstos para a infraestrutura náutica da BTS destacam-se, como visto, a construção de
piers e atracadouros; a qualificação de prestadores de serviços na náutica; a
consolidação do modal náutico como meio de transporte — para residentes e visitantes
— e a criação de um SAC Náutico, objetivando agilizar o processo de registro de
embarcações estrangeiras em solo brasileiro. Além dessas ações, que deverão beneficiar
Salvador, o projeto também contempla a restauração dos terminais náuticos do
município — Salvador e Ilha de Maré.54
53
Informações disponíveis em http://pt.slideshare.net/turismobahia/plano-estratgico-do-turismo-nuticoda-baa-de-todosossantos; acesso em 19/07/2015.
54
Informações disponíveis em http://pt.slideshare.net/turismobahia/plano-estratgico-do-turismo-nuticoda-baa-de-todosossantos; acesso em 20/07/2015.
69
No âmbito do Prodetur Nacional II, desde o ano 2000 algumas ações foram iniciadas
nesse segmento, a exemplo das seguintes: intervenção no Terminal Náutico (Cais da
Bahiana), com melhorias na marina, no cais de atracação e na estação de embarque,
estudos para a implantação do SAC náutico; melhorias nas estruturas da marina de
Itaparica; capacitação profissional em náutica; escola de vela; convênio com a
Federação das Indústrias Náuticas da França para Centro de Formação Profissional
(SETUR, Plano Estratégico do Turismo Náutico da Baía de Todos os Santos).
3.3.5. O Turismo de Negócios, Congressos e Convenções
O turismo, como uma atividade de elevada elasticidade-renda55, tende a apresentar,
sobretudo o segmento de lazer, uma ampla sensibilidade aos momentos de crise
econômica, assim como também a outras variáveis, a exemplo do modismo, dos novos
desejos dos consumidores turistas, dentre outras já comentadas. Ou seja, quanto mais
diversificada a oferta turística, nos mais distintos segmentos, maior a capacidade do
destino para enfrentar as flutuações típicas da atividade. E, dentre os segmentos
turísticos, o de negócios, congressos e convenções é um dos que tende a demonstrar
uma maior estabilidade frente às flutuações econômicas, dentre outras razões, dado a
antecipação com que os eventos são programados e a certa independência da sua
realização para com a conjuntura econômica.
Em Salvador, o Centro de Convenções, único espaço disponível especializado para
receber eventos de grande porte na cidade, com diversos problemas na sua estrutura,
desde 2012 vem contribuindo para a perda da liderança da Bahia no turismo de
negócios, congressos e convenções da região Nordeste e para a desestruturação de um
segmento capaz de driblar a sazonalidade do turismo de lazer, mantendo os indicadores
de desempenho do setor nos momentos de baixa estação. Conforme informações de
Armando Avena56 no jornal Correio da Bahia, o presidente do Salvador Destination,
Paulo Guadenzi, registra que, em função do abandono e da degradação do Centro de
55
Como define Carvalho e Vasconcellos (2006, p.72), a elasticidade-renda da procura por um produto
turístico é a “variação percentual da procura desse produto decorrente da variação percentual da renda dos
turistas, coeteris paribus”. O que significa dizer, que embora o turismo já esteja sendo visto em algumas
sociedades e em certas classes sociais como um “bem de primeira necessidade” (ID, p. 73), a procura pelo
turismo é fortemente sensíveis às flutuações da renda.
56
Armando Avena: o turismo pede socorro, Jornal Correio da Bahia, 19/06/2015, disponível em
ww.correio24horas.com.br/detalhe/noticia/armando-avena-o-turismo-pedesocorro/?cHash=a087221391911ecdbe729070e418635c, aceso em 6/07/2015.
70
Convenções, a Bahia já perdeu nove grandes congressos médicos, variando entre 4.500
e 8 mil participantes entre 2015 e 2017. Por outro lado, como visto anteriormente,
estados nordestinos, a exemplo do Ceará, Paraíba e Alagoas, estão ampliando a sua
competitividade no segmento, construindo ou requalificando os seus centros de
convenções. Como comprovam os números da Tabela 19, Salvador vem perdendo
atratividade na captação de eventos internacionais; em 2006 foram captados 17
unidades e em 2013, apenas sete.
O turismo de negócios no Brasil cresceu 14,5% em 2014 gerando R$ 14,9 bilhões,
segundo a Associação Brasileira das Agências de Viagens Corporativas (Abracorp), e
deverá crescer pelo menos 10% em 201557. Um melhor posicionamento da Bahia e de
Salvador no mercado corporativo, entretanto, não poderá prescindir de um centro de
convenções qualificado. A capital baiana conta com outros equipamentos importantes,
que também podem ser utilizados, como a Arena Fonte Nova, o Parque de Exposições
ou os espaços disponíveis na rede hoteleira, mas esses não reduzem a relevância de um
equipamento específico, qualificado para abrigar os mais diversos eventos de negócios,
convenções, feiras, dentre outros. Segundo afirmações do secretário estadual de
Turismo, Nelson Pelegrino, no Fórum Estadual de Turismo da Bahia, em 10/07/2015, o
governador Rui Costa autorizou a realização de obras emergenciais e de recuperação do
Centro de Convenções da Bahia, para garantir segurança e conforto aos usuários. As
obras de reforma serão realizadas a partir de uma licitação emergencial, no valor de R$
5 milhões, para início das intervenções. Em seguida, uma nova licitação de cerca de R$
9 milhões será feita para a climatização do segundo e terceiro andares do edifício, além
de obras de segurança58.
57
Disponível em http://www.valor.com.br/empresas/3884736/turismo-corporativo-deve-crescer-10-esteano-segundo-abracorp, acesso em 16/07/2015.
58
Disponível em http://www.setur.ba.gov.br/2015/07/118/Centro-de-Convencoes-da-Bahia-passa-porobras.html. Acesso em 6/07/2015.
71
Tabela 19 - Eventos Internacionais em Capitais do Brasil
Fonte: ICCA - International Congress & Convention Association (Elaboração: SECULT) Série Histórica:
Anual Estatístico – MTUR; PDITS SA, 2015, p. 149.
4.
Tendências Delineadas e Propostas para o Turismo de Salvador
Cidade à beira-mar dotada de rico conjunto arquitetônico colonial e de um patrimônio
imaterial singular, Salvador possui, inegavelmente, um amplo potencial turístico.
Entretanto, ainda são muitos os desafios que a capital baiana terá que enfrentar para se
constituir, de fato, em um destino turístico de expressão no mercado mundial de cidades
turísticas. Terá que superar desafios referentes ao seu grave quadro social —
concentração de renda, mendicância, violência urbana —, à infraestrutura urbana e
72
turística — transporte urbano, sinalização turística, limpeza urbana, saneamento,
acessibilidade aérea e terrestre, dentre outros —, à oferta de equipamentos e serviços de
qualidade e com preços competitivos, às ações de divulgação/promoção nacional e
internacional, etc.
No que se refere aos investimentos privados, estão previstos para Salvador um montante
equivalente a cerca de US$ 152.772,0 mil, que deverão acrescentar mais 1.243
Unidades Habitacionais ao parque de hospedagem da cidade, gerando 1.046 empregos
diretos (Tabela 20). A exceção das embarcações para passeio na Baía de Todos os
Santos, todos os investimentos estão direcionados ao setor hoteleiro, ainda que
juntamente com espaços de eventos, reuniões, etc. Estas inversões estimadas para a
capital, embora correspondam ao montante previsto para a BTS, apresentam pouca
representatividade no conjunto estadual. Em termos de recursos financeiros,
correspondem a 3,37% do total contemplado para a Bahia; em unidades habitacionais, a
8,22% e, em geração de empregos, a 4,83%.
Reduzindo a sua expressividade em âmbito estadual na captação de investimentos
privados, Salvador terá que enfrentar, de fato, grandes desafios para ampliar a sua
competitividade turística. De modo geral, as tendências que se apresentam hoje para o
turismo da capital, a partir dos investimentos em pauta e previstos são: fortalecimento
do segmento náutico, com a implantação dos projetos definidos no Prodetur Nacional
Bahia (Baía de Todos os Santos); requalificação da orla marítima de Salvador, a partir,
sobretudo, das inversões previstas no PDITS Salvador, possibilitando o incremento do
segmento do turismo de lazer, inclusive, do lazer marítimo; requalificação de
exemplares do patrimônio histórico, a exemplo de fortificações, igrejas e casarios do
CAS, permitindo à cidade uma maior atratividade no segmento do turismo cultural;
desaquecimento do segmento de negócios, dado aos atuais problemas na estrutura do
Centro de Convenções da Bahia.
73
Tabela 20 - Turismo da Bahia - Investimentos Privados Previstos
Posição em 04/05/2015 - US$ Mil
Empreendimento
Catussaba Inn
Porto Bello
Armação
Hotel Fasano
(Antigo Edifício
Jornal A Tarde)
Descritivo
Hotel
Hotel
Hotel
Boutique
Bristol Hotels
Salvador
Origem
Localizaç Operador
ão
a
Situação
Empre
gos
Direto
s
232
*
25.000,0
Planejamento
300
360
*
50.000,0
Planejamento
200
70
*
6.522,0
Planejamento
70
6.000,0
Planejamento
26
25.000,0
Implantação
85
750,0
Construção
40
10.000,0
Planejamento
45
17.000,0
Implantação
60
UHs
Nacional Itapuã
DIHOL
Porto
Nacional Armação Belo
Prima
Empreend
Espanha R. Chile imentos
Bristol
HotelGrupo
Nacional Salvador Allia
Previsão
de
Investimento
abertura Estimado
Hotel
Econômico
120
04/16
Hotel+4 salas
reunião (25 a
30pessoas)+ salão
eventos 150
pessoas+cobertura
com piscina
borda infinita e
Fera
Fera Hotels
espaço para
Investime
Salvador
eventos
Nacional Rua Chile ntos
81
12/15a
Embarcação
para 160
pessoas
sentadas+resta
urante+bar+pis
ta de
Embarcação para dança
passeio na
(22mX9,5m /
Baía de Todos os deck com
Santos
200m²)
Nacional Salvador
*
*
*
BHG
Soft Inn
Hotel
(bandeira
Salvador
econômico
Nacional Salvador Soft Inn)
180
2017
Hotel + sete
Real Classic
salas de
Rede Real
Salvador
reunião
Nacional Salvador de Hotéis
136
2015
Total Baía de
Todos os Santos
(Salvador)
1.243
Salvador/Bahia (%)
Costa dos
Coqueiros
8,22
152.772,0
1.046
3,37
4,83
16.829
10.386
3.279,9
Costa do Dendê
949
60.000,0
Costa do Cacau
C. do Descobrimento
592
269
228.000,0
162500,0
965
480
Chapada Diamantina
370
23.500,0
458
Caminhos do Sudoeste
337
21.000,0
116
Caminhos do Oeste
120
6.000,0
26
Caminhos de Jequiriça
120
6.000,0
26
Vale do São Francisco
120
6.000,0
26
Caminhos do Sertão
216
17.500,0
80
Outros Municípios
Total
390
23.000,0
109
15.112
4.536.172,0
21.663
Fonte: Secretaria Estadual de Turismo, SUINVEST, julho de 2015.
a - Segundo Antonio Mazzafera, citado anteriormente, o Fera Hotels será inaugurado em 2015.
Por si só, as inversões hoje previstas, embora possam ser responsáveis por alterações
substanciais na economia do turismo de Salvador, podem não conduzir ao
74
reposicionamento da cidade no mercado mundial de cidades turísticas. A elas precisa-se
agregar investimentos no quadro social — alguns deles contemplados no PDITS SA —,
melhorias no sistema educacional, investimentos em lazer e esportes nos bairros hoje
considerados periféricos, melhorias no sistema de transportes, saneamento, na limpeza
urbana, na segurança públicas, nas calçadas, na criação de áreas para circulação de
pedestres, não apenas nas áreas turísticas, mas no conjunto da cidade; geração de novas
oportunidade de trabalho, qualificação de profissionais para o turismo e criação de
condições para o empreendedorismo, tanto nessa atividade, quanto em outras áreas com
potencial de expansão na capital, a exemplo das indústrias criativas. Sem investimentos
no quando socioeconômico pouco adiantará fortalecer apenas as áreas turísticas. A
cidade tende a permanecer com elevados índices de violência, o assédio aos visitantes
continuará expressivo, a manutenção de equipamentos mais custosa, a atração de
visitantes, mais restrita, e o retorno dos recursos aplicados, reduzido. Em adição a esses
investimentos, faz-se também necessário investir na gestão do turismo. As
características e especificidades dos atrativos de Salvador indicam que subdividir o
território em zonas turísticas, com grupos gestores ativos, compostos por representantes
dos poderes público, privado e da sociedade civil, com poder político para propor e
influir na adoção de soluções viáveis para a cidade, pode ser uma alternativa.
De modo a tornar mais nítido o cenário que hoje se delineia para o turismo de Salvador,
buscou-se, dentre outras fontes, subsídios no conjunto de informações levantadas, em
projeções da OMT, no Plano de Reabilitação participativo do CAS, no Plano
Estratégico do Turismo Náutico da BTS e no PDITS Salvador (tanto na análise dos
desafios e oportunidades realizada pelo plano, como na Matriz SWOT elaborada,
respaldada em contribuições e validações em reuniões públicas, com registros das
forças, fraquezas e impactos dos ambientes internos e externos dos territórios do Centro
Antigo, da orla oceânica, da orla da Baía de Todos os Santos, dos parques
metropolitanos, e do conjunto da atividade turística de Salvador), para apresentar, em
uma sequência de quadros sintéticos, as potencialidades, os limites, tendências e
proposições para alguns segmentos do turismo da capital baiana.
Há que se registrar, que após a definição de um conjunto de projetos direcionados para
os componentes Estratégia do Produto Turístico, Estratégia de Comercialização,
Fortalecimento
Institucional,
Infraestrutura
e
Serviços
Básicos
e
Gestão
75
Socioambiental, o PDITS SA definiu três possíveis cenários para o impacto do turismo
na atividade econômica de Salvador. Para o cenário otimista, devido aos impactos
negativos da crise internacional que ainda se alastra, e como forma de adotar uma visão
mais prudente, foi considerada a taxa média de crescimento das receitas em torno de
3,5%, entre os anos de 2014 e 2025, percentual próximo às taxas de crescimento do PIB
projetadas pelo FMI e pelo relatório do Itaú. Para o cenário moderado, a taxa média
estimada foi de 2,6%, considerando-se que os gastos dos turistas continuem a refletir os
rebatimentos da crise econômica internacional sem, no entanto, registrarem uma
acentuação da desaceleração. Já no cenário conservador, cogitando-se que os efeitos da
crise econômica se reflitam de forma acentuada sobre a economia brasileira — e sobre
o poder e desejo de consumo dos turistas —, de forma a superar os efeitos dos
investimentos previstos para a região, a taxa média de crescimento da receita foi
estimada em 0,6% (PDITS SA 2015, p. 199) — Tabelas 21a 23.
Tabela 21- Receita turística (R$ milhões) esperadas para Salvador - 2014 a 2025
(Otimista)
Fonte: PDITS SA, 2015.
Tabela 22- Receita turística (R$ milhões) esperadas para Salvador - 2014 a 2025
(Moderado)
Fonte: PDITS SA, 2015.
76
Tabela 23- Receita turística (R$ milhões) esperadas para Salvador - 2014 a 2025
(Conservador)
Fonte: PDITS SA, 2015.
O cenário otimista prevê uma expansão da contribuição da atividade turística no PIB,
que passaria de 13,3% em 2014 para 14,4% em 2025, equivalente a um aumento de
R$2,768 bilhões para R$4,042 bilhões entre os respectivos anos. No moderado foi
cogitada uma pequena redução, ainda que não homogênea ao longo dos anos, na
participação da atividade turística na economia municipal — crescimento da receita
turística até 2016/2017, em face aos efeitos dos Jogos Olímpicos de 2016 — e, em
seguida, uma ligeira retração. No conservador, a contribuição do turismo no PIB cairia
de um patamar de 12% para pouco mais de 9%, com uma perda de R$280,00 milhões
nos 12 anos (PDITS SA 2015, p. 199).
Gráfico 15 - Contribuição da Receita Turística no PIB de Salvador nos cenários de
crescimento - 2014 a 2025 (em R$ milhões)
Fonte: PDITS SA, 2015, p. 202.
77
4. 1. Tendências Gerais para o Turismo de Salvador
Embora sem uma preocupação quantitativa, mas a partir de perspectivas que hoje se
delineiam, da definição de proposições aqui consideradas emergenciais e de um
conjunto mais amplo de propostas, este diagnóstico e prognóstico tendencial apresenta
um quadro geral de tendências para o turismo de Salvador (Quadro 5) e, em seguida,
uma análise por segmento, conforme a definição de três possíveis cenários, assim como
adotado pelo PDITS SA: otimista, moderado e conservador.
Quadro 5 - Tendências para o Turismo de Salvador
Cenário anterior à realização de novos projetos
O fluxo intraestadual responderá pela maior parte
da demanda para Salvador
O fluxo estrangeiro permanecerá com pouca
expressão, destacando-se, dentre os maiores
emissores, os países vizinhos ao Brasil.
No fluxo doméstico os estados do Rio de Janeiro e
São Paulo se destacarão, seguidos dos vizinhos
nordestinos, Sergipe e Pernambuco.
A concentração dos fluxos turísticos continuará a
ocorrer nos meses da "alta estação", com poucas
indicações para a superação da sazonalidade da
atividade.
O Carnaval permanecerá como o principal evento
na atração de turistas, mas com tendência a
declínio no fluxo para o evento; a participação dos
turistas nas demais celebrações deverá permanecer
pouco expressiva.
O segmento do lazer, sobretudo o marítimo,
permanecerá como a maior motivação para os
turistas em visita à cidade.
O CAS continuará sendo um importante atrativo
para o turismo cultural de Salvador, mas tenderá a
atrair, sobretudo, visitantes excursionistas e de
mais baixa renda,
No
segmento
de
negócios,
congressos
e
Cenário posterior à realização dos projetos hoje
em pauta e da inserção do turismo dentre as
atividades prioritárias do PDDU e do Plano
Salvador 500
O fluxo doméstico nacional será o maior
responsável pela demanda por Salvador
O fluxo estrangeiro alcançará expressão, atraindo
visitantes de países mais distantes, a exemplo dos
EUA, Reino Unido, França, Espanha, Itália,
Portugal, Alemanha, Holanda, Japão e China
No emissivo doméstico os destaques ficarão com
os estados de São Paulo e Rio de Janeiro,
entretanto, haverá uma expansão dos fluxos
procedentes do conjunto dos estados do Centro Sul
e do Nordeste e demais regiões do país
A sazonalidade será reduzida ao longo dos anos,
com
o
fortalecimento
dos
atrativos
complementares ao lazer litorâneo
O Carnaval permanecerá como o principal evento
na atração de fluxos, mas ampliará a sua
atratividade frente aos residentes e visitantes;
Salvador irá se candidatar ao título de cidade
criativa, tendo as festas populares/música como
mote central.
Além do lazer marítimo, que será fortalecido com
os novos projetos para a orla e para a náutica, os
demais segmentos turísticos potenciais de Salvador
serão requalificados.
O CAS será um atrativo de destaque em todo o
país para o segmento do turismo cultural,
exercendo também uma forte atratividade frente
aos turistas estrangeiros. Com equipamentos e
serviços de qualidade, infraestrutura e segurança,
novos equipamentos educacionais, de serviços em
geral, e novas organizações públicas funcionado
nessa área, os subespaços do CAS manterão um
amplo dinamismo, sendo frequentados pela
população local, por visitantes, exercendo,
inclusive, uma forte atração junto a um público
de mais elevado poder aquisitivo
Salvador se destacará no Nordeste no segmento de
78
convenções Salvador perderá expressão para os
estados nordestinos, reduzindo a captação de
eventos.
A hotelaria enfrentará amplos períodos de elevada
sazonalidade, tendo que elevar os valores das
diárias para manter-se, perdendo competitividade
no cenário nacional e regional.
O Litoral Norte atrairá um maior volume de
turistas que migram para a Bahia interessados no
lazer litorâneo, assim como ampliará a sua
participação no mercado baiano de eventos.
A iniciativa privada reduzirá o interesse por
investir em Salvador, reduzindo as possibilidades
de entrada de recursos para a atividade; as
oportunidades e o posicionamento das pequenas e
médias empresas turísticas se apresentarão
bastante restritas.
Os empresários do turismo de Salvador não serão
estimulados a atuarem em pool para divulgar seus
produtos e serviços, assim como para ter o seu
quadro de funcionários constituído de profissionais
treinados e com capacitação específica na área.
O
turismo
náutico
permanecerá
pouco
representativo, absorvendo uma fatia restrita do
fluxo para Salvador.
Os parques metropolitanos, sem investimentos,
não conseguirão ampliar a sua atratividade frente
aos visitantes
Os equipamentos culturais permanecerão pouco
inovadores e interativos não despertando a atenção
de um fluxo expressivo de turistas
A gastronomia local seguirá como um forte apelo,
entretanto, a qualidade dos serviços tenderá a
afastar parte da demanda turística potencial
Com uma atração de turistas de mais baixa renda,
a demanda por serviços de receptivo, de locação de
automóveis e por outros serviços turísticos
especializados tenderá a reduzir-se.
Os empregos gerados pelo turismo, assim como a
participação da atividade no PIB municipal tenderá
a declinar.
A oferta de atrativos locais permanecerá
direcionada a um público jovem; o consumo
também será realizado por jovens de baixo a
médio poder aquisitivo.
negócios, congressos e convenções, sendo também
um destino de expressão para o turismo
corporativo nacional e internacional.
A hotelaria apresentará elevadas taxas de ocupação
das UHs e também alta rentabilidade,
apresentando-se competitiva nacionalmente e
internacionalmente.
Salvador se consolidará como polo central na
Bahia para os segmentos de lazer, cultural e de
eventos, atuando em parceria com o Litoral Norte
e o Recôncavo Baiano.
A iniciativa privada ampliará o seu interesse pela
cidade, que passará a atrair novos investidores para
as suas áreas potenciais, inclusive paras as
indústrias criativas. As pequenas e médias
empresas serão incentivadas a realizarem
investimentos no turismo.
As parcerias entre os diversos componentes do
trade turístico serão incentivadas, assim como os
seus investimentos em capacitação profissional e
na contratação de profissionais qualificados para
atuar no turismo.
Salvador e a BTS serão reconhecidas no mercado
náutico nacional e internacional, atraindo um
maior número de visitantes e investimentos para
essa área.
Os
parques
metropolitanos,
com
novos
equipamentos, instalações e atividades, serão um
ponto de destaque na oferta turística local.
A indústria criativa se fortalecerá em Salvador,
que será reconhecida nacionalmente pela qualidade
dos equipamentos e serviços desse segmento e
pelas "novas experiências" proporcionadas aos
visitantes.
O segmento gastronômico local, contemplado com
programas de qualificação e certificação, e com
incentivos para aos empreendedores, se destacará
na oferta de produtos e serviços de qualidade.
As agências e os demais prestadores de serviços
turísticos também se beneficiarão dos incentivos
direcionados ao setor - programas de qualificação,
de certificação, de apoio a empreendedores; acesso
a linhas especiais de financiamentos, e outros -,
mantendo-se mais competitivos; no caso das
agências, a oferta de novos roteiros especializados
e direcionados a novas experiências será um
diferencial.
Um número maior de visitantes tenderá a ser
atraído para Salvador, cujo turismo se fortalecerá,
inclusive, para a atração de um público de mais
elevado poder aquisitivo. O fluxo tenderá a
ampliar a sua permanência na cidade, a receita do
setor sofrerá incremento, novas oportunidades de
negócios serão criadas, o trabalho e o emprego no
setor, incrementados, assim como a renda e a
participação do turismo no PIB municipal
As diversas faixas etárias serão contempladas
pelos novos investimentos, ampliando a demanda
de faixas etárias mais elevadas e de mais alto
poder aquisitivo pelo turismo de Salvador.
79
As dificuldades socioeconômicas da cidade escassez de emprego, violência urbana,
marginalidade, amplo uso e dependência de drogas
pela juventude, assédio aos visitantes - tende a
intensificar-se reduzindo o poder de atração da
cidade.
As deficiências da infraestrutura urbano-turística sinalização turística, limpeza urbana, transportes
coletivos, segurança pública - tendem a acentuarse, diminuindo a capacidade de captação de
turistas e investidores para Salvador.
A gestão do turismo se defrontará com graves
problemas como a dificuldade de diálogo entre a
Prefeitura e o Governo do Estado dificultando a
organização, o gerenciamento dos espaços
turísticos e o crescimento sustentável da atividade.
O Sistema Turístico público local terá deficiências
no seu trabalho de promoção, no fornecimento de
informações, na qualificação de profissionais para
o turismo, na captação de recurso, na atração de
investidores, na qualificação da oferta.
Com melhoria no seu quadro social, Salvador será
uma cidade extremamente agradável para passear,
passar férias, realizar negócios, viver. Uma cidade
extremamente atrativa para os seus residentes e
visitantes.
A qualificação urbano-turística da cidade a
permitirá destacar-se no mercado turístico
nacional, sendo também bastante evidenciada no
mercado internacional; esse aspecto possibilitará o
aumento do interesse pela cidade por parte dos
visitantes, mas, sobretudo, será um diferencial para
os seus moradores.
Com novos aparatos de gestão colegiada (com a
participação dos poderes públicos, da iniciativa
privada e da sociedade civil), fortalecidos,
qualificados e com poder político para sugerir e
influenciar nas decisões e soluções para o turismo,
Salvador terá um suporte de expressão na
organização e no gerenciamento dos espaços
turísticos, ação também fundamental ao
crescimento sustentável da atividade
Com a qualificação do aparato técnico e dos
gestores do Sistema Turístico, o suporte às
atividades de promoção, o fortalecimento do
sistema de informações, para investidores e
turistas, Salvador terá mais um diferencial na
gestão da atividade turística.
Fonte: Elaboração própria
4.2. Tendências Identificadas para os Segmentos Turísticos Centrais
Nesse tópico buscou-se analisar as tendências que hoje se apresentam para os segmentos
centrais da economia do turismo de Salvador — Turismo Náutico, de Negócios,
Congressos e Convenções, de Lazer e Cultural —, apresentando propostas emergenciais
e um mais amplo conjunto de proposições para cada segmento abordado.
4.2.1. Segmento do Turismo Náutico
O segmento do turismo náutico tem como diferenciais em Salvador, a localização
geográfica da Baía de Todos os Santos enquanto rota natural das correntes marítimas, a
diversidade do patrimônio cultural, as condições climáticas seguras, a rica história das
embarcações e, em especial, dos saveiros — a exemplo do Sombra da Lua, saveiro de
vela de içar, uma das 19 embarcações remanescentes das 1.200 que transportavam
cargas no início do século no Recôncavo Baiano, que hoje integra a relação dos bens
culturais protegidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).
A esses diferenciais pode-se agregar o Plano Estratégico realizado pela Setur para o
80
segmento, os recursos já aprovados pelo Prodetur Nacional Baía de Todos os Santos e a
inserção do segmento náutico nas propostas da municipalidade para o turismo de
Salvador, em especial no Plano Salvador 500. Entretanto, ainda são muitas as limitações
centrais à expansão desse segmento, como a distância dos principais mercados
emissores, os problemas da infraestrutura local, a escassez de mão de obra qualificada, a
desarticulação entre os atores centrais, a falta de linhas de financiamento adequadas, as
deficiências na administração das estruturas náuticas públicas, a baixa cultura de
turismo náutico, a insuficiência na oferta de vagas em marinas, dentre outros (Quadro 6)
Quadro 6 - Potencialidades/Oportunidades e Limites e para o Segmento Náutico de
Salvador e da BTS
Potencialidades/Oportunidade
Localização geográfica privilegiada - rota natural
das correntes marítimas
Patrimônio cultural amplo e diversificado
Tradição náutica popular - rica história dos saveiros
e embarcações a motor
Condições climáticas favoráveis para navegações
seguras
Salvador - principal portão de entrada do Estado e
do Nordeste brasileiro
Aeroporto Internacional de Salvador que facilita o
acesso à BTS para os turistas de longa distância
Plano Estratégico realizado para o segmento
Limites
Distância dos maiores mercados emissores
(destacadamente a Europa)
Baixa cultura de turismo náutico
Oferta de vagas ainda insuficiente em marinas
Áreas com processo instalado ou crescente de
degradação ambiental
Presença de problemas estruturais relevantes em
grande parte das marinas existentes
Escassez de mão de obra qualificada
Administração deficiente nas estruturas náuticas
públicas
Investimentos realizados no Porto de Salvador - Linhas de financiamento disponíveis inadequada às
Terminal de Passageiros
características do segmento
Recursos já aprovados pelo Prodetur Nacional - Visão da náutica como segmento de elite
Bahia (Baía de Todos os Santos) para o segmento
náutico
Inserção do segmento náutico nas propostas da Desarticulação dos atores do segmento
municipalidade para o turismo de Salvador, em
especial no Plano Salvador 500
Fonte: Plano Estratégico do Turismo Náutico da BTS
4.2.1.1 Tendências Delineadas para o Segmento Náutico
a) Cenário Conservador
Possibilidade de não realização dos investimentos previstos para o segmento, ao menos
na sua integralidade; desaquecimento do turismo náutico em Salvador; perda de regatas
importantes para a cidade e para a BTS; aumento dos custos operacionais e redução das
receitas levando ao fechamento de marinas e espaços em clubes, com retração da oferta
de vagas para as embarcações.
81
b) Cenário Moderado
Realização de obras emergenciais: implantação de modelo de governança, adequação
das linhas de financiamento às demandas do segmento, articulação para redução do
ICMS para a indústria náutica de lazer, fortalecimento da infraestrutura com a melhoria
de atracadouros e implantação de piers flutuantes na BTS, conclusão da reestruturação
do terminal náutico do Cais da Bahiana, construção de rampas de acesso na orla de
Salvador, implantação de sistema de segurança marítima, estruturação do aparato de
promoção e comunicação, atração de operadoras e charters náuticos de padrão
internacional, dentre outras (Quadro 7). Como resultado, espera-se o crescimento do
setor compatível com o previsto para a receita turística no PDITS; ampliação da
visibilidade de Salvador no segmento do turismo náutico; atração de novas regatas;
ampliação do fluxo de visitantes que tem o lazer náutico como principal motivação.
Quadro 7 - Ações Emergenciais para o Segmento Náutico de Salvador e da BTS
Adequar as linhas de financiamentos privados do setor náutico
Racionalizar procedimentos para licenças à implantação de empreendimentos de náutica
Articular para redução de ICMS para a indústria náutica de lazer
Atrair operadoras e charters náuticos de padrão internacional
Criar e implantar plano de comunicação e promoção turística para o segmento náutico na Baía de Todos
os Santos
Promover melhorias nos atracadouros e implantação de piers flutuantes/poitas na Baía de Todos os
Santos
Reestruturar a orla de Salvador com rampas de acesso
Promover melhoria da segurança pública - criação da Guarda do Mar /melhoria do sistema de segurança
pública nos destinos turísticos
Instalar marcação e boias em Caramunhas e nos rios da Dona, Paraguaçu e Jaguaripe
Reestruturar o Terminal Náutico de Salvador - Cais da Bahiana
Implantar o modelo de governança proposto para a Baía de Todos os Santos
Fonte: Plano Estratégico do Turismo Náutico da BTS
c) Cenário Otimista
Concretização do conjunto das propostas definidas para o segmento, ou de parte
expressiva destas (Quadro 8). Ampliação da competitividade de Salvador e da Baía de
Todos os Santos no segmento do turismo náutico, com crescimento do
empreendedorismo na indústria náutica, a ampliação do fluxo e da receita do setor,
podendo-se chegar a uma média anual de crescimento em torno de 3,5% até 2025, como
previsto pelo PDITS para o turismo de Salvador, ou de 4,4% como indicado pela OMT
para o incremento do turismo em destinos emergentes, ainda que com picos de
82
crescimento e momento de mais intenso desaquecimento, fruto das flutuações da
economia nacional e internacional.
Quadro 8 - Propostas para o Segmento Náutico de Salvador e da BTS
Atrair investimentos privados em náutica
Realizar pesquisa de demanda de turismo náutico na Baía de Todos os Santos
Apoiar o receptivo de regatas internacionais na Baía de Todos os Santos
Apoiar a realização de eventos esportivos náuticos na Baía de Todos os Santos
Revitalizar a marina de Itaparica
Capacitar a mão de obra para o segmento náutico
Criar e gerenciar o primeiro SAC náutico do Brasil
Atrair e incentivar a implantação de estações náuticas na Baía de Todos os Santos
Apoiar à realização de feiras e salões náuticos
Readequar e implantar o projeto da Via Náutica em Salvador
Readequar o porto de Salvador para torná-lo o primeiro Porto Turístico Internacional do Brasil
Criar chip eletrônico para registro de embarcações turísticas na Baía de Todos os Santos
Criar bases de charters
Realizar eventos esportivos
Criar estações náuticas
Organizar programas e roteiros de pesca esportiva e mergulho
Promover a criação de pequenos negócios, como a implantação de taxi-boat e serviços ligados à náutica
no entorno dos terminais e atracadouros
Fomentar a criação de roteiros náuticos na BTS, incluindo o rio Paraguaçu
Implantar linhas de transportes náuticos na BTS
Fonte: Plano Estratégico do Turismo Náutico da BTS
4.2.2 Segmento do Turismo de Negócios, Congressos e Convenções
O Turismo de Negócios, Congressos e Convenções compreende o conjunto de
atividades turísticas decorrentes dos encontros de interesse profissional, associativo,
institucional, de caráter comercial, promocional, técnico, científico e social. É um
segmento que possibilita o equacionamento da atividade turística nos períodos sazonais,
proporcionando equilíbrio na relação entre oferta e demanda ao logo do ano. Os adeptos
desse segmento, que em geral têm uma média de gastos mais elevada do que os
visitantes motivados pelo lazer, costumam retornar outras vezes ao destino para férias e
passeios, normalmente, com um maior tempo de permanência.
83
Em Salvador, o segmento do turismo de Negócios, Congressos e Convenções apresenta
como principais potencialidades, a atratividade do patrimônio cultural para os adeptos
desse segmento, a existência de um centro de convenções estadual, de um aeroporto
internacional, da Salvador Destination, escritório de atração de negócios e eventos,
dotado de uma gestão com amplo conhecimento acumulado no setor de turismo, de
hotéis e agências de viagens qualificadas, de equipamentos privados e da Arena Fonte
Nova como locais também propícios a realização de eventos, a inserção do segmento do
Turismo de Negócios, Congressos e Convenções nas propostas da municipalidade para
o turismo de Salvador, em especial no Plano Salvador 500, e a existência de proposta
para implantação de um novo centro de convenções na região do Comércio. Já os
limites são também expressivos, dados pela desestruturação do Centro de Convenções
da Bahia para a realização de eventos; concentração dos eventos internacionais nos dois
maiores centros receptores de turistas do país: Rio de Janeiro e São Paulo; deficiências
na infraestrutura de apoio - transporte público, segurança, estradas e acessos, sinalização
turística, nos trabalhos de promoção do destino junto às organizações empresariais que
atuam no segmento, sobretudo no mercado internacional; restritas opções de
entretenimento na cidade para faixas etárias acima dos 40 anos; escassez de estratégias
públicas de gestão e marketing, com foco claramente definido, direcionadas para o
mercado de atuação; falta de uma maior articulação dos demais elementos da cadeia do
turismo, dentre outras (Quadro 9).
Quadro 9 - Potencialidades/Oportunidades e Limites e para o Segmento do
Turismo de Negócios, Congressos e Convenções em Salvador
Potencialidades/Oportunidade
A atratividade do patrimônio cultural (gastronomia,
Centro Histórico, música, dança, etc.) da cidade
para os adeptos desse segmento
Aeroporto Internacional de Salvador facilitando o
acesso à cidade
Existência de um centro de convenções estadual e
proposta do Governo do Estado para reabilitá-lo
A criação da Salvador Destination, escritório de
atração de negócios e eventos e o conhecimento
acumulado por parte da sua gestão
Meios de hospedagens de qualidade e com leitos
suficientes para atender os turistas atraídos pelos
eventos
Agências de viagens especializadas em receptivo
que podem dar suporte aos congressistas
interessados em conhecer a cidade
Existência de empresas de suporte aos eventos tradução simultânea, mestre de cerimônia,
recepcionistas, locadoras de automóveis, etc.
Limites
Falta de segurança pública e imagem de cidade
violenta reduzindo o interesse por Salvador
Desestruturação do Centro de Convenções da
Bahia para a realização de eventos
Concorrência com outros destinos do Nordeste que
possuem centros de convenções qualificados
Concentração dos eventos internacionais nos dois
maiores centros receptores de turistas do país: Rio
de Janeiro e São Paulo
Obras não finalizadas no Aeroporto Internacional
Deficiências na infraestrutura de apoio - transporte
público, segurança, estradas e acessos, sinalização
turística
Deficiência dos trabalhos de promoção do destino
junto às organizações empresariais que atuam no
segmento, sobretudo no mercado internacional;
84
desgaste da imagem de Salvador no segmento de
eventos devido aos atuais problemas do Centro de
Convenções da Bahia
Existência de equipamentos privados e da Arena Restritas opções de entretenimento na cidade para
Fonte Nova como local para realização de eventos faixas etárias acima dos 40 anos
em Salvador
Inserção do segmento do Turismo de Negócios, Escassez de estratégias públicas de gestão e
Congressos e Convenções nas propostas da marketing – com foco claramente definido,
municipalidade para o turismo de Salvador, em direcionando para o mercado de atuação
especial no Plano Salvador 500
Proposta para implantação de um novo centro de Falta de uma maior articulação dos demais
convenções na região do Comércio
elementos da cadeia do turismo - agências de
viagens, hotelaria, restaurantes, locais de
entretenimento, locadoras de veículos, taxistas, etc.
- com os organizadores dos eventos
Fonte: Elaboração própria.
4.2.2.1 Tendências Delineadas para o Segmento do Turismo de Negócios,
Congressos e Convenções
a) Cenário Conservador
Em um cenário conservador, o Centro de Convenções da Bahia poderá não sofrer uma
requalificação que atenda às demandas do mercado, não havendo, tampouco, a
implantação de equipamento similar na região do Comércio. Salvador irá perder ainda
mais mercado para o Centro Sul e para os demais estados do Nordeste. A rentabilidade
do setor será ameaçada, a hotelaria passará por amplo desaquecimento, os empregos
tendem a reduzir-se, acompanhando o declínio dos eventos captados, do fluxo de
turistas e da receita do setor.
b) Cenário Moderado
Em um cenário moderado estima-se a possibilidade de concretização dos investimentos
emergenciais propostos para o segmento, possibilitando a Salvador melhores condições
de competição no mercado nordestino. Dentre as ações emergenciais, destacam-se: a
requalificação do Centro de Convenções da Bahia e a criação e implantação de plano de
gestão e marketing para o segmento do Turismo de Negócios, Congressos e
Convenções em Salvador (Quadro 10).
Quadro 10 - Ações Emergenciais para o Segmento do Turismo de Negócios,
Congressos e Convenções em Salvador
Requalificar o Centro de Convenções da Bahia
Criar e implantar plano de gestão e marketing para o segmento d o Turismo de Negócios, Congressos e
Convenções em Salvador
Fonte: Elaboração própria
85
c) Cenário Otimista
Considerando um cenário otimista, Salvador, após a realização do conjunto ou de parte
expressiva das propostas elencadas no Quadro 10, contará com uma vasta estrutura para
o segmento de Negócios, Congressos e Convenções, tendo amplas condições de
competir não apenas com os estados nordestinos, mas com o Rio de Janeiro e São
Paulo, além de com diversos outros destinos internacionais. Esse segmento se
consolidará como um dos diferenciais da oferta turística local, contribuindo para a
rentabilidade da atividade turística na baixa estação, para ampliação dos gastos médios
dos visitantes na cidade, para o aumento do tempo médio de permanência, para o
crescimento da receita turística e da participação do turismo no PIB municipal.
Quadro 11 - Propostas para o Segmento do Turismo de Negócios, Congressos e
Convenções em Salvador
Atrair investimentos privados para o segmento de negócios, congressos e convenções
Realizar pesquisa de demanda de turismo direcionada ao segmento de negócios, congressos e
convenções; apoiar o receptivo do segmento de negócios, congressos e convenções
Capacitar a mão de obra para o segmento de negócios, congressos e convenções
Apoiar à realização de feiras e eventos para os segmentos criativos - design, propaganda, moda, cinema,
dança, música, artes cênicas, artesanato, etc.-, para o segmento náutico, literário, dentre outros
Concluir as obras, com ampliação do aeroporto internacional
Promover completa reestruturação do Centro de Convenções da Bahia, com manutenção periódica na
sua estrutura e equipamentos; implantar um novo centro de convenções na região do Comércio
Promover melhorias nos sistemas de segurança
Reduzir a marginalidade, o desemprego e promover melhorias do quadro social em Salvador
Estruturar um planejamento estratégico para o segmento, que contemple a proposição e coordenação de
políticas específicas para o desenvolvimento e estruturação do segmento; o investimento em pesquisas
de mercado e planos de marketing para o destino; o estabelecimento e a articulação de parcerias e a
formação de redes; a sustentabilidade econômica, social e ambiental do negócio no pós-evento, incluído
a definição de metas e a sensibilização dos empresários para a estruturação de uma política de preços
(hotelaria, locadoras de veículos, agências de viagens, alimentação e outros) coerente com a
sustentabilidade do destino, dentre outras ações
Realizar trabalho sistemático de promoção do destino nos mercados domésticos e internacional
Incentivar a ampliação das opções de entretenimento na cidade para faixas etárias acima dos 40 anos
Criar bancos de dados, com informações sistematizadas de eventos, como mecanismo de auxílio na
pesquisa e no planejamento da agenda de captação de eventos para o destino
Reabilitar áreas históricas; requalificar a orla de Salvador
Manter preocupação permanente com a acessibilidade no espaço urbano, em geral, nos centros de
convenções e nos locais de prestação de serviços turísticos, disponibilizando equipamentos especiais,
sem cobrança extra, para pessoas com deficiência, seja esta parcial ou total
Desenvolver e manter infraestrutura de apoio ao turismo – transporte público, segurança, estradas e
acessos, sinalização, comunicação e vários outros
Apoiar a comercialização do destino, incentivando e viabilizando a participação do setor privado:
produção de material promocional; participação em feiras profissionais, viagens de familiarização,
seminários de vendas, campanhas de publicidade e outros
Realizar uma investigação do potencial fornecedor para o segmento, com a preocupação para com a
qualidade do serviço e imagem do destino
Fonte: Elaboração própria59
59 Como fonte de pesquisa, recorreu-se à publicação NEGÓCIOS & EVENTOS: Orientações Básicas 2ª
Edição, Ministério do Turismo, Secretaria Nacional de Políticas de Turismo, Departamento de
86
4.2.3 Segmento do Turismo de Lazer
O lazer, sobretudo litorâneo, é ainda o principal atrativo turístico de Salvador.
Entretanto, com a intensa concorrência que se verifica neste segmento, tanto no que se
refere aos destinos domésticos quanto aos estrangeiros, caso pretenda conquistar um
amplo potencial de competitividade neste segmento, Salvador terá que requalificar-se,
tanto no que diz respeito a sua infraestrutura urbano-turística, à sua orla marítima, aos
seus parques, quanto no tocante à valorização das manifestações populares. São muitas
as potencialidades da Capital baiana nesse segmento, mas também são expressivos os
limites para o seu mais pleno desenvolvimento (Quadro 12).
Quadro 12 - Potencialidades/Oportunidades e Limites e para o Segmento do
Turismo de Lazer em Salvador
Potencialidades/Oportunidade
A atratividade do patrimônio cultural (gastronomia,
Centro Histórico, festas e demais manifestações
populares, música, dança, etc.) e natural - orla e
parques - da cidade para os adeptos desse segmento
Aeroporto Internacional de Salvador facilitando o
acesso à cidade
Limites
Falta de segurança pública e imagem de cidade
violenta reduzindo o interesse por Salvador
Concorrência com outros destinos nacionais e
internacionais que possuem ampla estrutura para o
segmento de lazer
Necessidade de reabilitação do Centro Histórico e
da orla de Salvador. Depreciação e falta de
conservação de alguns atrativos e áreas
inviabilizando a frequência de residentes e turistas
Reconhecimento público do Carnaval de Salvador
como a maior festa de rua do planeta; atratividade
de festas populares realizadas na orla, como a de
Nosso Senhor dos Navegantes e a de Iemanjá,
realizada na orla do Rio Vermelho
A extensa faixa litorânea e sua riqueza paisagística, Obras não finalizadas no Aeroporto Internacional
sendo alguns trechos da orla tombados pelo IPHAN
como patrimônio natural e paisagístico
Meios de hospedagem de qualidade e agência de Deficiências na infraestrutura de apoio urbanoviagens especializadas em receptivo
turístico - transporte público, segurança, estradas e
acessos, sinalização turística, limpeza pública,
transporte coletivo, iluminação pública
Localização do Centro de Convenções próxima à Deficiência dos trabalhos de promoção do destino
orla de Salvador
junto às organizações empresariais que atuam no
segmento, sobretudo no mercado internacional
Possibilidade de deslocamento na orla oceânica por Restritas opções de entretenimento na cidade para
meio de ônibus de linha convencional e fácil acesso faixas etárias acima dos 40 anos; baixa qualidade
ao aeroporto
na prestação de serviços e de infraestrutura de lazer
disponível
Oportunidade de estruturação e modernização do Escassez de estratégias públicas de gestão e
uso da orla, com a retirada das barracas de praia em marketing – com foco claramente definido,
atendimento à legislação federal, e possível direcionando para o mercado de lazer
implantação de novos equipamentos e realização de
investimentos, de forma mais planejada e
considerando o melhor uso do espaço e a
preservação ambiental
Incremento da demanda turística motivados por
Falta de uma maior articulação entre o conjunto
Estruturação, Articulação e Ordenamento Turístico Coordenação-Geral de Segmentação, 2010, disponível
em turismo_de_Negxcios_e_Eventos_Versxo_Final_IMPRESSxO_.pdf, acesso em 20/07/2015.
87
projetos como “Estica Verão” e “Orla 24h”.
dos atores da cadeia do turismo - agências de
viagens, hotelaria, restaurantes, locais de
entretenimento, locadoras de veículos, taxistas, etc.
Visibilidade da orla durante a veiculação do Tendência dos turistas em optarem pelas praias do
Carnaval na mídia local, regional, nacional e Litoral Norte e da Linha Verde
internacional
Realização de eventos gastronômicos e feiras de Saturação do espaço e de serviços durante a
artesanato na orla de Salvador
ocorrência do Carnaval
Patrimônio histórico situado na orla, a exemplo dos Deficiência de acessibilidade a portadores de
fortes de Santo Antonio, Santa Maria e São Diogo
necessidades especiais. Passeios e ciclovias
descontínuos e sem manutenção ao longo de
diversos trechos
Existência de praias propicias ao banho e a Necessidade de mais amplo controle da qualidade
realização de esportes
da areia das praias e de fiscalização ambiental;
necessidade de controle da capacidade de carga das
praias e áreas de eventos públicos
Reabilitação de alguns monumentos e equipamentos Baixo aproveitamento do potencial da orla da BTS
culturais em Salvador. Realização do Plano de e do desenvolvimento de segmentos como o
Reabilitação do Centro Antigo da Cidade pela turismo náutico
DIRCAS/CONDER
Ampliação da capacitação da mão de obra vinculada Pequena quantidade de pontos da cidade onde
ao turismo e à prestação de serviços (ambulantes, pode-se apreciar a vista para a BTS
taxistas, etc.), através de cursos de
capacitação (Sebrae, Senac e recursos do MTUR);
implantação de projetos no âmbito do PRODETUR
do Governo do Estado
Presença na cidade de áreas naturais protegidas por Subutilização do potencial da orla e falta de
lei e convidativas ao turismo religioso, ecológico e diversificação de atrativos na cidade de Salvador;
esportivo, destacando o Parque de São Bartolomeu ocupação desordenada na faixa litorânea; ausência
como uma das áreas piloto do projeto Reserva da de serviços e equipamentos de boa qualidade;
Biosfera de Mata Atlântica na Bahia, reconhecido precariedade nos serviços públicos de esgotamento
pelo programa MAB (Man and the Biosphere) da sanitário e coleta de lixo; poluição sonora em
UNESCO
especial nos finais de semana
Realização de eventos nos parques, especialmente Inexistência de uma gestão conjunta - setores
musicais e recreativos, principalmente no Parque da público, privado e sociedade civil organizada - do
Cidade e no Abaeté; importância artística do Abaeté turismo de Salvador
e de Pituaçu
Existência de roteiros turísticos direcionados aos Não exploração dos parques como recurso turístico
atrativos naturais
Ampliação dos equipamentos e melhoria dos Falta de investimentos em oportunidades de
serviços nos parques, a exemplo da reforma do negócio e de emprego à população vizinha aos
Parque da Cidade; investimentos realizados no parques, com especial atenção ao Parque São
Porto de Salvador - Terminal de Passageiros
Bartolomeu
Rico patrimônio histórico-cultural e natural - com Problemas ambientais e redução das áreas dos
expressiva fauna, flora e diversidade marinha, que parques em função da especulação imobiliária e da
se constituem como atrativo para ecoturismo - nas ocupação desordenada
ilhas do município de Salvador
Possibilidade de acesso às ilhas de Salvador através Não aproveitamento do potencial total das ilhas de
de meios particulares, por roteiros, utilizando a via Salvador como produto turístico, levando a uma
náutica e beneficiando-se dos projetos de construção demanda turística reprimida. Falta de divulgação
e/ou reforma de atracadouros pela SETUR-BA
dos atrativos turísticos existentes nas Ilhas
Existência de propostas para orla marítima de Inexistência
ou
existência
limitada
de
Salvador no PRODETUR Nacional Salvador e no equipamentos e serviços turísticos essenciais ao
PRODETUR Baía de Todos os Santos
desenvolvimento do turismo nas ilhas de Salvador,
principalmente nos setores de hospedagem,
alimentação e transporte de modo geral; mão de
obra mal qualificada e estabelecimentos fora dos
padrões mínimos de higiene e segurança alimentar
Inserção do segmento do Turismo de Lazer nas Existência nas ilhas de áreas não atendidas por
propostas da municipalidade para o turismo de serviços básicos como energia e saneamento;
88
Salvador, em especial no Plano Salvador 500
estruturas
de
ancoragem
e
atracamento
comprometidas, carecendo intervenções para
melhorias; excesso de ambulantes, principalmente
na orla das ilhas; falta de estudo sobre capacidade
de carga nestas áreas
Fonte: Elaboração própria com base no PDITS SA, 2015.
4.2.3.1 Tendências Delineadas para o Segmento do Turismo de Lazer
a) Cenário Conservador
Em um cenário conservador, Salvador poderá não conseguir viabilizar o conjunto das
propostas hoje em curso para a orla marítima e este espaço tende a manter-se pouco
convidativo; o Carnaval e as festas populares, sem projetos de valorização e apoio
público, perderão atratividade junto aos visitantes, com redução gradual do fluxo de
turistas nacionais e estrangeiros; o estado de conservação dos equipamentos e da
infraestrutura, o escasso trabalho de promoção, os problemas ambientais e a falta de
segurança dos parques serão elementos de dificuldade ao incremento do número de
frequentadores, sejam estes residentes na cidade ou oriundos de outras localidades do
Brasil ou do exterior; o fluxo de visitantes às ilhas não sofrerá qualquer aumento. Dada
à importância desse segmento, a capital baiana terá redução expressiva no fluxo e na
receita turísticas, no número de empregos gerados pela atividade, a hotelaria local tende
a enfrentar forte crise, agências e operadoras de turismo poderão vir a encerrar suas
atividades, a veiculação espontânea de Salvador na mídia também poderá sofrer
retração. O turismo de Salvador e do estado da Bahia tenderá a vivenciar um profundo
desaquecimento.
b) Cenário Moderado
Pressupondo-se, entretanto, que investimentos considerados emergenciais possam ser
realizados no segmento de lazer, como alguns dentre os previstos no Prodetur (PDITS
SA e Baía de Todos os Santos), a exemplo da ampliação do aeroporto de Salvador,
requalificação urbanística e ambiental da borda marítima oceânica e da BTS, sinalização
urbana e turística, implantação de malha cicloviária de média e curta distância,
qualificação dos serviços e equipamentos de transportes marítimos, limpeza urbana em
áreas de interesse turístico, elaboração de um plano de manejo e gestão integrada para
os parques de Salvador, elaboração de plano de manejo e ordenamento do uso do solo
nas ilhas (Frades, Maré e Bom Jesus dos Passos), implantação de programa de
89
monitoramento e avaliação da qualidade das faixas de areias das praias, recuperação dos
parques municipais, unidades de conservação e áreas de patrimônio paisagístico
ambiental, requalificação da orla da Cidade Baixa e da Via de Contorno da BTS
(Quadro 13), Salvador poderá ampliar a atratividade do segmento de lazer e fortalecer a
sua atividade turística.
Quadro 13 - Ações Emergenciais para o Segmento do Turismo de Lazer em
Salvador
Ampliar o aeroporto de Salvador
Requalificar urbanística e ambientalmente a borda marítima oceânica e a borda da BTS
Implantar sinalização urbana e turística
Implantar malha cicloviária de média e curta distância
Qualificar os serviços e equipamentos de transportes marítimos
Implantar sistema eficiente e efetivo de limpeza urbana em áreas de interesse turístico
Promover a melhoria da infraestrutura de transportes coletivos, iluminação e segurança públicas
Elaborar plano de manejo e gestão integrada para os parques de Salvador
Elaborar plano de manejo e ordenamento do uso do solo nas ilhas (Frades, Maré e Bom Jesus dos
Passos)
Implantar programa de monitoramento e avaliação da qualidade das faixas de areias das praias
Recuperar os parques municipais, as unidades de conservação e as áreas de patrimônio paisagístico
ambiental
Requalificar a orla da Cidade Baixa e a Via de Contorno da BTS
Fonte: Elaboração própria com base no PDITS SA e no Plano para a Baía de Todos os Santos
c) Cenário Otimista
Em um cenário otimista, a partir de uma conjuntura extremamente favorável, em um
contexto de crescimento da economia nacional e mundial, de ampla priorização do
turismo nas estratégias direcionadas ao país e ao Estado, Salvador conseguirá implantar
os projetos previstos no PDITS SA para o segmento de lazer litorâneo e também
aqueles constantes nesse documento e direcionados ao turismo da cidade de modo geral,
as proposta do Prodetur Baía de Todos os Santos, além da captação de um expressivo
número de investimentos privados e de novas inversões públicas, a partir da inserção do
turismo como atividade prioritária no PDDU e no Plano Salvador 500, concretizando
um conjunto de ações requalificadoras do turismo da capital, capazes de posicioná-la
em destaque no ranking dos principais destinos turísticos nacionais e internacionais
(Quadro 14).
90
Quadro 14 - Propostas para o Segmento do Turismo de Lazer em Salvador
Implantar oceanário na orla de Salvador
Realizar estudos urbanísticos que possam avaliar a possibilidade de abrir espaços, hoje ocupados na orla,
permitindo uma mais ampla visibilidade da paisagem marítima
Promover a fiscalização efetiva ao cumprimento da lei de limitação de decibéis da emissão sonora
Realizar estudo e implantar ações objetivando a valorização do Carnaval, do São João, e demais
celebrações, e formas de expressão de Salvador, a exemplo da Capoeira
Desenvolver e implantar programas para inclusão da população socialmente excluída
Implantar áreas de lazer e desenvolver programas culturais e esportivos nos bairros periféricos
Estruturar e implantar programa de conscientização social e ambiental para o turismo
Desenvolver e operar novos roteiros incluindo os parques públicos
Estruturar e implantar programa de educação ambiental para a população
Promover melhoramento das condições da rede viária urbana
Implantar sistema de sinalização urbana e turística: Sistema Viário Estruturante Ampliado
Implantar o Plano Diretor de Drenagem e Manejo de Águas Pluviais
Promover melhoramento das condições da rede viária urbana
Implantar sistema de informação com base em georeferenciamento
Fortalecer a estrutura interna de pesquisas e monitoramento – Observatório do Turismo
Capacitar o quadro técnico da SECULT e outros órgãos específicos da Prefeitura com foco no turismo
Promover a aquisição de equipamentos, treinamento e materiais necessários para o fortalecimento
institucional da SECULT
Criar Câmara Temática de Patrimônio Cultural dentro do COMTUR do município de SSA
Consolidar a rede de instâncias de governança existente
Capacitar os conselheiros dos órgãos colegiados
Implantar sistema de informação e orientação ao turista
Criar e implantar o Núcleo de Cultura e Turismo no município de Salvador-NCT/SSA
Recriar programa destinado à qualificação dos serviços oferecidos pela atividade turística de Salvador (a
exemplo do antigo Qualitur)
Fomentar a realização de atividades artísticas e culturais nos parque metropolitanos
Realizar estudo da oferta turística local para definição de áreas prioritárias para novos investimentos e
criação de mecanismos de apoio para as novas inversões
Definir a capacidade de carga dos atrativos de Salvador - inclusive ilhas - e estruturação de ações
corretivas ou de expansão da demanda
Implantar novas áreas para circulação de pedestres e constituição de espaços de lazer na orla marítima de
Salvador
Capacitar, requalificar a mão de obra e certificar os serviços turísticos
Criar subáreas na cidade - conforme o tipo de atrativo turístico existente, - e definir comitês gestores
para cada uma delas, a funcionar conforme um modelo de gestão colegiado, com representação e
participação ativa dos setores público, privado e da sociedade civil
Fonte: Elaboração própria com base no PDITS SA e no Plano para a Baía de Todos os Santos
4.2.4 Segmento do Turismo Cultural
O Centro Antigo de Salvador se constitui, sem dúvida, na área da cidade que congrega
um maior número de equipamentos culturais e que apresenta uma maior atratividade
para os adeptos do turismo cultural, definido pelo Instituto Brasileiro de Turismo
(Embratur) como “aquele que se pratica para satisfazer o desejo de emoções artísticas e
informação cultural, por meio da visita a monumentos históricos ou relacionados a
obras de arte, relíquias, antiguidades, concertos, museus, pinacotecas (EMBRATUR,
91
apud QUEIROZ, Mércia, 2009, p. 220)60.
Segundo informações disponibilizadas no Censo Cultural Sebrae 2002-2006, o Centro
Antigo responde por 91,4% dos equipamentos culturais de Salvador (Tabela 24). Nesse
conjunto, destacam-se, em termos de número de equipamentos, as bibliotecas
(correspondendo a 27,2% dos equipamentos culturais do CAS), os museus (16,2%), as
igrejas e os conventos (13,2%) e as galerias (11,1%).
Tabela 24 - Total de Equipamentos Culturais segundo o Censo de
Cultura
Equipamentos
Censo Cultural (2002-2006)
Salvador
Centro Antigo
Antiquário / Sebo
nd
15
Arquivo
42
17
176
64
Centro de Cultura / Fundação
17
15
Cinema
22
14
Galeria
Nd
26
Igreja / Convento
Nd
31
Museu
54
38
Teatro
28
15
257
235
Biblioteca
Total
Fonte: Censo Cultural Sebrae.
Pesquisa realizada pela Secretaria da Cultura nos equipamentos culturais de Salvador,
com uma amostra correspondente a 96,1% do universo, revelou que a maior parte
desses equipamentos está concentrada no Entorno do CH (40,3%), com destaque para a
região do Campo Grande, Dois de Julho (25,5%), e no Centro Histórico (39,8%),
sobretudo, nos subespaços Pelourinho-Sé (17,9%) e São Bento Misericórdia (16,3%) —
Tabela 25 e Gráfico 16.
60
In: QUEIROZ, Lúcia Aquino de e SOUZA, Regina Celeste de Almeida. Caminhos do Recôncavo,
Programa Monumenta/Unesco/BID/Minc, 2009.
92
Tabela 25 - Equipamentos Culturais no Centro Antigo e fora do CAS
Salvador - Bahia, 2009
Região
N
%
ÁREA I - CENTRO HISTÓRICO
São Bento/Misericórdia
Praça da Sé/Pelourinho/Taboão
Carmo/Santo Antonio
ÁREA II - ENTORNO DO CENTRO HISTÓRICO
78
32
35
11
39,8
16,3
17,9
5,6
79
16
13
50
40,3
8,2
6,6
25,5
19
9,7
Norte / Leste (Dique/Nazaré/Barbalho)
Oeste (Contorno/Comércio)
Sul / Leste (Campo Grande/Campo da Pólvora/ 2 de Julho)
ÁREA III - CAS EXPANDIDO
ÁREA IV - FORA DO CENTRO ANTIGO
Total
20
10,2
196
100,0
Fonte: SECULT - Pesquisa dos Equipamentos Culturais
Gráfico 16 - Equipamentos Culturais no CAS, 2009
São Bento/Misericórdia
20,4%
Praça da Sé/Pelourinho/Taboão
31,8%
Carmo/Santo Antonio
22,3%
Norte / Leste (Dique/Nazaré/
Barbalho)
10,2%
8,3%
Oeste (Contorno/Comércio)
7,0%
Sul / Leste (Campo Grande/Campo
da Pólvora/ 2 de Julho)
Fonte: SECULT - Pesquisa dos Equipamentos Culturais
Embora outras áreas da cidade também apresentem equipamentos e espaços culturais
significativos, a exemplo do Curuzu, no bairro da Liberdade, reduto do Ilê Ayê e do
grupo Muzenza, do Candeal com o projeto de Turismo Afro do Candeal, sob a
responsabilidade de uma rede de parceiros — a Associação Pracatum Ação Social e
outras três associações do bairro, Lactomia, Defesa e Progresso e a 09 de Outubro —, e
do bairro de Itapuã, com o Malê Debalê e as Ganhadeiras de Itapuã, que necessitam ser
encarados como ambientes importantes no conjunto das estratégias turísticas definidas
para Salvador, as tendências delineadas para o segmento do turismo cultural na capital
dependerão, sobremaneira, das condições de atratividade do seu Centro Antigo.
93
Assim como para o segmento de lazer são muitas as potencialidade de Salvador para o
turismo cultural. Cidade miscigenada, que respira cultura por todos os lados, com uma
população com grande vocação artística, Salvador tem amplas condições de aliar esse
potencial aos demais atrativos da cidade, a exemplo do lazer litorâneo, e tornar-se um
centro de turismo de efetivo destaque. Para isso, entretanto, terá que superar uma série
de limitações, como as apresentadas no Quadro 15.
Quadro 15 - Potencialidades/Oportunidades e Limites e para o Segmento do
Turismo Cultural em Salvador
Potencialidades/Oportunidade
Limites
Ampla oferta turística adensada, sobretudo no CH, Atividade de lazer natural como a principal
para os adeptos do turismo cultural
motivação atual dos turistas que buscam a capital
baiana
Realização de eventos populares, como o Carnaval, Imagem de local perigoso afastando turistas do CH;
2 de Julho e São João, de importante apelo turístico, assédio aos visitantes para compra de produtos,
dentre outros de médio e grande portes
retirada de fotos e doação de dinheiro, sobretudo no
CH
Ampla oferta de museus e igrejas no CAS, Elevada vulnerabilidade social do CAS, com um
equipamentos culturais demandados por parte grave quadro de violência urbana e mendicância;
significativa dos visitantes da capital baiana
população residente na área, em muitos casos,
vivendo em condições inadequadas de salubridade
dado o estado de deterioração de alguns imóveis
Investimentos públicos no turismo/cultura do CAS Não consolidação do apelo junino de Salvador –
(recuperação do patrimônio cultural, requalificação restrito percentual de turistas que buscam a cidade
urbana, etc)..
no período junino e participam dos festejos
Atração de novos empreendimentos privados para o Igrejas fechadas, em estado de conservação regular
turismo e serviços do CAS
ou péssimo; horário de visitação reduzido,
fechando aos domingos; dificuldade de acesso,
estacionamento com preços competitivos e
monitores que falem outros idiomas nos museus
Novas ofertas de equipamentos culturais, como o As informações turísticas apontadas pelos
Forte Santo Antônio; o Museu Nacional Afro- visitantes, em pesquisa de turismo receptivo, como
Brasileiro e o Centro Áudio-visual da Bahia
um dos pontos mais negativos da cidade; carência
de fortes ações publicitárias nos principais destinos
emissores de turistas do país e do exterior
Ampla oferta turística do subespaço Pelourinho-Sé Cenário de escassez de recursos levando ao
(atividades comerciais — vestuário e acessórios, possível adiamento de investimentos privados
confecções, bijuterias, suvenires e artesanatos —, de
serviços de lazer e animação, arte e cultura, esporte
e recreação, agências de viagem, operadores
turísticos, meios de hospedagem)
Atratividade do Pelourinho-Sé como espaço de lazer Necessidade de compatibilizar o uso dos
para os residentes na Área Central (AC)
equipamentos culturais com a sustentabilidade dos
projetos, a exemplo do Forte Santo Antônio
Atratividade do patrimônio imaterial e ambiência do Grande dependência dos equipamentos instalados
subespaço
Santo
Antônio/Carmo
perante no Pelourinho-Sé para com o turismo, atividade
investidores e turistas
sazonal, de alta elasticidade-renda, e vulnerável às
influências do “modismo”.
Implantação/readequação
de
equipamentos Baixa atratividade do Pelourinho-Sé para as classes
culturais, de lazer, esportes em áreas não média e média alta de Salvador
tradicionalmente turísticas, contribuindo para a sua
revitalização — Espaço Cultural da Barroquinha,
Centro Cultural Barroco da Bahia, Projeto da Fonte
Nova; investimentos realizados no Porto de
94
Salvador - Terminal de Passageiros
Implantação de projetos de qualificação profissional
(parcerias Setur/UNEB; Setur/Senac) e empresarial
(Setur/Sebrae).
Oferta de produtos/serviços culturais e turísticos por
instituições de fomento ao turismo — Sesc, Senac
—
que possibilitam a atração de fluxos de
visitantes
A nova atratividade do subespaço São
Bento/Misericórdia/Castro
Alves
frente
a
investidores
privados,
como
a
Fera
Empreendimentos
Existência de produtos e serviços turísticos com
qualidade e preços pouco competitivos
Dificuldade de compatibilizar a demanda dos
moradores da área central com a oferta instalada no
Pelourinho-Sé, sobretudo no item preços, e com os
interesses do público alvo desses equipamentos
Possibilidades de alterações expressivas no
patrimônio intangível do Santo Antônio/Carmo
com a proliferação de investimentos em serviços e
comércio.
Risco
de
vulnerabilidade
dos
subespaços, dada a grande concentração de
investimentos por parte de um único grupo, como a
LGR no Santo Antônio/Carmo e a Fera
Empreendimentos
no
subespaço
São
Bento/Misericórdia/Castro Alves
Existência de grupos e projetos socioculturais em Necessidade de ampliação dos investimentos em
outros pontos da cidade, além do CAS, atraindo requalificação urbana e segurança dessas áreas.
turistas, sobretudo, estrangeiros, como o Ilê Ayê, o
grupo Muzenza, o projeto de Turismo Afro do
Candeal, o Malê Debalê e as Ganhadeiras de Itapuã
Existência de um programa de turismo ético afro Dificuldade de mobilização do público alvo para os
desenvolvido pela SETUR
cursos de formação/qualificação profissional
Cobrança de impostos municipais diferenciados Sazonalidade turística levando ao fechamento
para as empresas que se instalarem em trechos temporário de equipamentos, como o Teatro do
específicos do CAS
Sesc Pelourinho
Projeção Internacional do CAS durante a Copa do
Necessidade de fomento e promoção dos grupos
Mundo
socioculturais que atuam no CAS e em outras áreas
da cidade
Inauguração da Casa do Rio Vermelho, na antiga Inexistência de oferta de equipamentos que atraia
residência de Jorge Amado e Zélia Gattai, novos nichos de mercado; poucas ações e
disponibilizando vídeos com trechos de obras do equipamentos voltados para promoção de novas
casal e depoimentos de pessoas próximas, além de experiências aos turistas; museus pouco inovadores
mobiliário e peças que pertenciam aos escritores
e interativos, e, assim, com baixa atratividade para
a população local e turistas
Existência de projeto para reestruturação dos fortes, Baixa
capacidade
empreendedora
dos
com exposição permanente do acervo do fotógrafo empreendimentos localizados no CAS, a exemplo
francês Pierre Verger (1902-1996), no Forte Santa do Mercado Modelo
Maria e exposição permanente do pintor argentino
Carybé (1911-1997) no Forte São Diogo, além da
implantação do museu da música
Inserção do CAS nas propostas do Prodetur Baía de Incipiência das ações da Prefeitura Bairro,
Todos os Santos e do PDITS SA
principalmente por falta de conhecimento por parte
da população local
Possibilidades de captação de recursos e realização Número ainda pouco expressivo de organismos
de parcerias com outras instituições, visando a públicos funcionando no CAS
eliminação das lacunas existentes na infraestrutura
disponível no CAS e em bairros prioritários para o
turismo cultural
Promoção de melhores condições de ocupação e Desarticulação das instancias e dos órgãos
moradia dos imóveis com enfoque na manutenção governamentais na gestão do CAS
dos moradores locais e na preservação das
construções
Realização do Plano de Reabilitação do CAS pela
DIRCAS/CONDER; inserção do segmento do
Turismo de Lazer nas propostas da municipalidade
para o turismo de Salvador, em especial no Plano
Salvador 500
Fonte: Elaboração própria com base no Plano de Reabilitação Participativo do CAS e no PDITS SA
95
4.2.4.1. Tendências Delineadas para o Segmento do Turismo Cultural
a) Cenário Conservador
Em que pese a tendência atual, como aponta a OMT, de expansão da demanda pelo
turismo cultural em escala planetária, e, em especial, pelo segmento do turismo étnico,
em um cenário conservador, com o acirrar da crise nacional e internacional, Salvador
não conseguirá implantar integralmente o projeto de reabilitação do CAS, os
investimentos do Prodetur podem ser em parte viabilizados, mas não serão suficientes
para propiciar um novo dinamismo à economia do turismo do Centro Antigo; outras
áreas da cidade que possuem empreendimentos e projetos nesse segmento poderão
mantê-los, porém, sem grandes perspectivas de expansão.
b) Cenário Moderado
Estimando-se que alguns projetos emergenciais possam ser realizados no turismo
cultural (Quadro 16), a exemplo de parte dos programados no PDITS SA e no Prodetur
BTS, como a restauração de fortes, a ampliação do aeroporto, a criação do Museu da
Música, a restauração de igrejas, a implantação de moradias no CHS, a implantação de
sistema de limpeza urbana em áreas de interesse turístico, dentre outras (Quadro 16),
Salvador poderá vir a ter um novo posicionamento nacionalmente enquanto um centro
de turismo cultural.
Quadro 16 - Ações Emergenciais para o Segmento do Turismo Cultural em
Salvador
Ampliar o aeroporto de Salvador
Restaurar os fortes de Santa Maria, São Diogo e de São Marcelo
Recuperar a igreja da Santíssima Trindade
Restaurar as Igrejas da Ordem Primeira e Terceira do Carmo
Criar o Museu da Música
Implantar sinalização urbana e turística
Implantar novas moradias no CHS gerando um fluxo permanente de pessoas que pode contribuir para a
manutenção dos equipamentos implantados e para a atração de novos
Estabelecer parceria entre os órgãos oficiais de Segurança Pública e as associações de moradores
Implantar sistema eficiente e efetivo de limpeza urbana em áreas de interesse turístico
Promover a melhoria da infraestrutura de transportes coletivos, iluminação e segurança públicas
Fonte: Elaboração própria com base no PDITS SA e no Plano de Reabilitação Participativo do CAS
c) Cenário Otimista
Em um cenário otimista, além da realização das obras emergenciais, será possível
viabilizar os projetos definidos no Plano de Reabilitação do CAS. Salvador, com o seu
96
potencial cultural requalificado e valorizado, tende a ampliar o percentual de turistas
atraídos por este segmento — hoje, segundo pesquisa da PMS, o patrimônio cultural e
histórico é a segunda motivação de visita à cidade para os turistas a lazer, responsável
por 29,9% dos visitantes deste segmento —, assim como captar um volume expressivo
de investimentos privados para a Área Antiga da cidade. Nesse cenário, será possível
viabilizar as propostas elencadas para esse segmento (Quadro 17), além daquelas já
listadas para o segmento de lazer, e contempladas no PDITS SA, que estão direcionadas
ao conjunto da atividade turística de Salvador, a exemplo das ações voltadas à gestão,
capacitação de quadros dos organismos de fomento, qualificação de serviços e da mão
de obra para o turismo, implantação de sistemas de informações georeferenciadas, do
observatório de turismo, e de melhorias na infraestrutura urbano-turística da cidade.
Quadro 17 - Propostas para o Segmento do Turismo Cultural em Salvador
Desenvolver estratégias de valorização/preservação do patrimônio imaterial do Santo Antônio/ Carmo
Incentivar a implantação de novos espaços de estacionamento, a preços competitivos, priorizando áreas
como a sub-região Santo Antônio/Carmo
Formatar novos produtos e serviços competitivos para o segmento do turismo cultural, a exemplo de um
Centro de Artesanato; fortalecer a oferta turística da área central da cidade
Desenvolver programa para apoio às manifestações populares existentes no CAS (Festa de Santo
Antônio, Santa Bárbara, Procissão do Bom Jesus dos Navegantes, Lavagem do Bonfim, Ribeira, São
João, Carnaval e outras) e de incentivo à qualificação de equipamentos culturais do CAS
Restaurar o Elevador do Taboão
Recuperar as Fontes Tombadas pelo Governo do Estado
Criar um espaço aberto à visitação para o Arquivo Público de Salvador
Reestruturar os Postos de Informações do Elevador Lacerda, Mercado Modelo para transformá-los em
Centrais de Atendimento ao Turista
Recuperar a encosta entre a Praça Cayru e o Santo Antônio
Recuperar a Estação da Calçada e promover integração urbanística com o Plano Inclinado da Liberdade
Promover reestruturação urbanística da Região Suburbana
Implantar o Anel Viário do Centro Antigo de Salvador
Implantar malha cicloviária de média e curta distância
Promover recuperação funcional dos ascensores (funiculares)
Promover inclusão econômica, cultural e social da população de mais baixa renda, residente, sobretudo
no CAS, através de atividades culturais e econômicas relacionadas ao turismo
Criar circuitos turístico-culturais no CAS com definição de roteiros temáticos (Histórico, dos Museus,
Gastronômico, Religioso, Étnico-afro, Barroco, de Música, Pintura, Artesanato, Capoeira, Dança,
Literário, entre outros)
Qualificar e integrar o patrimônio imobiliário de propriedade do Estado (Forte Santo Antonio, Solar
Ferrão, Palácio do Rio Branco, Palácio da Aclamação, Instituto do Cacau, entre outros) aos circuitos
turístico-culturais do CAS
Revitalizar a Península de Itapagipe e o subúrbio ferroviário, incorporando-os aos diversos roteiros
temáticos de visitação, inclusive, roteiros religiosos e temáticos sobre a Independência da Bahia
Requalificar o Mercado Modelo (banheiros coletivos, higienização, etc.) para recepção de visitantes
Criar pontos de embarque/desembarque para veículos credenciados para turismo no Campo Grande, na
Praça Municipal, no Carmo, no Santo Antônio, no Terminal de Bom Despacho
Realizar convênios para acordo público-privado visando a utilização do patrimônio — mesclar a
iniciativa privada com grupos de cultura local de qualidade — e a promoção dos circuitos turísticoculturais em feiras e eventos externos — nacionais e internacionais
97
Incentivar a implantação/aparelhamento de equipamentos adequados à realização de eventos/convenções
no Comércio/Calçada
Estudar as possibilidades de negociações para que sejam divulgados os horários de abertura das igrejas
do CAS e para assegurar que se mantenham abertas em feriados e finais de semana
Apoiar os grupos culturais situados em áreas externas ao CAS, e fornecer infraestrutura de suporte a
esses espaços, a exemplo do bairro da Liberdade/Curuzu onde se localiza a Senzala do Barro Preto, sede
do Bloco Afro Ilê Aiyê; de Itapuã, onde funcionam o grupo Muzenza e as Ganhadeiras de Itapuã; e do
Candeal, bairro que sedia o projeto de Turismo Afro do Candeal
Incentivar a requalificação dos museus da cidade tornando-os mais interativos e atrativos para a
população local e residentes.
Apoiar os equipamentos criativos do CAS, direcionados para o audiovisual, design, música, dança,
teatro, e atrair novos empreendimentos criativos, com ações específicas de fomento para esse segmento
Estudar as possibilidades da candidatura oficial de Salvador na rede mundial de cidades criativas
capitaneada pela Unesco
Promover melhorias na acessibilidade aos circuitos via ascensores da encosta e transportes alternativos
(micro ônibus, bicicleta e outros), incorporando as demandas dos portadores de necessidades especiais e
da terceira idade
Interagir com as operadoras, agências de viagem e guias de turismo que irão operar os roteiros
Desenvolver projetos de treinamento específico para a venda do produto turístico CAS e o turismo
cultural
Implantar áreas de lazer e desenvolver programas culturais e esportivos nos bairros periféricos
Incentivar a inserção da Feira de São Joaquim nos roteiros definidos pelas operadoras e agências de
viagem
Desenvolver programa para qualificação de jovens (oriundos de famílias de baixa renda) que irão atuar
como condutores locais em pontos específicos dos circuitos de turismo cultural
Desenvolver projeto para atração de empresas de artigos náuticos para a subárea do Comércio
Fortalecer os mecanismos de fiscalização da qualidade ambiental e dos produtos e serviços turísticos do
CAS; promover a fiscalização efetiva ao cumprimento da lei de limitação de decibéis da emissão sonora
Instituir e divulgar selo de qualidade para os prestadores de serviços turísticos do CAS e do turismo
cultural
Desenvolver parcerias com as associações locais (Acopelô, Grupo Chama, Associação de Moradores, e
outros) visando mobilizar a população do CAS para os programas de formação profissional; estimular a
que os equipamentos públicos do CAS – Mercado Modelo, Elevador Lacerda, ascensores, museus, fortes
e outros -, utilizem condutores locais
Apoiar iniciativas de formação profissional, como os cursos de formação de artesões realizados pelo
SESC no seu Centro de Artesanato do Pelourinho, na Rocinha, Igreja de São Francisco, Grupo
Commanche; e as ações de grupos culturais, como o Olodum
Desenvolver e implantar programas de sensibilização para o empreendedorismo, contemplando ações
direcionadas à população do CAS; assessorar a formulação de projetos e planos de negócios no CAS e
direcionados ao turismo cultural de Salvador
Auxiliar o desenvolvimento de planos de capacitação empresarial para as empresas de turismo cultural
(jurídica, contábil, financeira e de marketing)
Estruturar e implantar programa de intermediação de linhas de crédito para empresários e novos
empreendedores turísticos do CAS e de outros espaços de turismo cultural
Viabilizar o acesso dos empreendedores turístico-culturais de Salvador às políticas de fomento à cultura
Desenvolver programa de incentivo à implantação de pequenos e médios negócios turísticos no CAS e
em bairros que desenvolvem projetos de turismo cultural (cama & café, bares e restaurantes temáticos,
etc.)
Promover a exposição de atividades dos artistas nos centros de difusão do patrimônio imaterial (Mercado
Modelo, Palácio Rio Branco, Forte de Santo Antônio, Feira de São Joaquim)
Interagir com operadoras e agências de viagem objetivando integrar as atividades artísticas locais nos
roteiros turísticos definidos para o CAS e para Salvador
Articular a iniciativa privada, o setor público (federal, estadual e municipal) e a sociedade civil
organizada para a criação de um aparato de gestão do turismo do CAS; Implantar um Fórum e um
Conselho de Turismo do CAS
Fomentar à realização de atividades artísticas e culturais nos parque metropolitanos
Realizar estudo da oferta turístico-cultural local para definição de áreas prioritárias para novos
investimentos e criação de mecanismos de apoio para as novas inversões
Articular, juntamente a outros organismos, a atração de equipamentos que possibilitem um maior fluxo
98
de pessoas no CAS, como centros educacionais e serviços públicos (SAC — Serviço de Atendimento ao
Cidadão; Secretaria da Cultura; Secretaria do Turismo; Bahiatursa; Saltur, Secretaria Municipal de
Cultura e Turismo e outros), possibilitando um maior dinamismo ao Centro Antigo de Salvador
Fonte: Elaboração própria com base no Plano de Reabilitação Participativo do CAS e no PDITS SA
5. Considerações Finais
O turismo, após ter sido compreendido, por um longo período, como uma atividade
puramente econômica, pertencente ao setor secundário, tem sido visto, na atualidade,
como um fenômeno genuinamente territorial. Diferentemente de outras atividades
econômicas em que as áreas de produção são cada vez mais desconhecidas do
consumidor, no turismo o consumidor é deslocado ao local de produção, conduzindo a
que o espaço territorial, desempenhe papel fundamental na definição da competitividade
dos destinos turísticos.
Os fatores que explicam a competitividade de uma cidade turística são, portanto,
numerosos, guardando articulações com aspectos internos e externos ao território.
Dentre os aspectos externos, que impactam a dinâmica do turismo em um dado
território, deve-se ressaltar as articulações e interesses dos grupos empresariais que
dominam esta atividade em termos globais, os resultados da economia mundial, o
modismo e novas tendências definidas para o turismo, a distância física aos centros de
maior emissão, que se traduz em distância-tempo, em custo de deslocamento e em
consequente necessidade de constituição de uma infraestrutura de transportes, além de
outras distâncias não derivadas do espaço físico, e que atuam no sentido de frear as
decisões de viagem, como as culturais, a língua, os regimes políticos, as intolerâncias
raciais e religiosas, dentre outras.
A importância do território enquanto espaço de consumo e de produção do fenômeno
turístico leva a que alguns aspectos internos a este, como a oferta turística existente, o
cuidado com o meio ambiente e as condições socioeconômicas da população local,
desempenhem relevante papel na definição da competitividade turística do destino.
Junto a esses, há que se destacar a gestão turística — fundamental ao sucesso de grande
parte dos demais aspectos diretamente articulados a dinâmica do território —, aliada a
outros itens, como o trabalho de marketing, a disponibilidades de recursos locais, a
capacidade de atração de investimentos para a atividade, etc.
99
A nova espacialização do turismo, decorrente da redistribuição e reconcentração do
fluxo turístico internacional em regiões e países até então considerados como detentores
de uma economia turística “marginal”, serve como indicativo para as possibilidades de
incremento da competitividade turística de destinos não tradicionalmente ocupantes de
posições de destaque no mercado mundial do turismo. Para tanto, estes necessitam
ampliar a sua atratividade turística, potencializando a sua oferta, tanto no que se refere
aos atrativos naturais, históricos, culturais, aos equipamentos, serviços e a infraestrutura
de apoio ao turismo, quanto aos preços praticados, à capacidade promocional e de
atração de investimentos, à baixa vulnerabilidade climática, social e política, dentre
outros aspectos.
O Brasil, embora ainda ocupe uma posição pouco expressiva no mercado mundial do
turismo, com o seu elevado potencial turístico, sua capacidade de atração de
investimentos, poderá beneficia-se do atual cenário de crise econômica mundial,
impulsionando o turismo interno e o receptivo internacional, favorecidos pela nova
política cambial que tende a possibilitar a migração de fluxos do emissivo internacional
para o mercado doméstico, e a atuar como propiciador de novas viagens de estrangeiros
ao país.
Dentre os destinos brasileiros, Salvador desponta com amplas possibilidades de
ampliação da sua competitividade turística. Herdeira de um vasto patrimônio
arquitetônico do período colonial e de um amplo legado cultural, fruto das influências
das culturas indígena, portuguesa e africana, além das de outros povos imigrantes, que a
tornaram peculiar em termos de musicalidade, de gastronomia, de religiosidade, etc., e
dispondo de condições climáticas e físicas favoráveis — 50 km de praias,
correspondentes a 1/3 da costa da Baía de Todos os Santos Salvador — Salvador, líder
do turismo estadual, possui características próprias, que a diferenciam de outras urbes
do país e do mundo, singularizando-a e tornando-a atrativa para o turismo.
Reunindo um conjunto de atributos propícios à exploração de diversos segmentos
turísticos, como o histórico-cultural, de lazer litorâneo, náutico, de negócios, congressos
e convenções, gastronômico, religioso, dentre outros, Salvador apresenta um amplo
potencial para expansão da economia do turismo. Para tanto, junto à superação de
100
desafios estruturais, como os referentes ao quadro social — mendicância, violência
urbana, marginalidade — e de deficiências da infraestrutura urbana e turística —
transporte urbano, sinalização turística, limpeza urbana, acessibilidade aérea e terrestre,
dentre outros —, deverá potencializar os seus segmentos turísticos, dentre os quais o
turismo náutico, de negócios, de lazer e cultural, para os quais a cidade apresenta
amplas vantagens comparativas, transformando-as em vantagens competitivas.
A mais elevada competitividade da atividade turística de Salvador dependerá da
implantação de um conjunto de projetos que irá beneficiar a cidade e o seu turismo. Em
grande parte, estes projetos encontram-se ora em execução, ainda não implantados, mas
já definidos e orçados no planejamento público estadual ou municipal, devendo-se
agregar a estes, outras diretrizes que, em conjunto, irão possibilitar um maior destaque
de Salvador no cenário do turismo nacional e uma mais ampla inserção no mercado
mundial de cidades turísticas.
Este diagnóstico e prognóstico tendencial buscou analisar a situação atual do turismo de
Salvador, levantando os projetos estruturantes realizados, os resultados alcançados, a
situação atual e perspectivas da oferta local, as tendências delineadas e as propostas para
os segmentos turísticos de expressão. Espera-se que este trabalho possa contribuir com a
definição de estratégias para o turismo da capital baiana, a serem adotadas no âmbito do
PDDU e do Plano Salvador 500, e, assim, para que o turismo venha a ser, de fato, uma
atividade de expressão no município, capaz de contribuir com a melhoria do quadro
socioeconômico e com o alcance de novos patamares de desenvolvimento local.
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Diagnóstico Propostivo Tendencial do Turismo de Salvador